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UNIDADE IX - DA EVICÇÃO. 
9.1 – Definição e fundamento jurídico. 
 Definição. 
 Segundo Pablo Stolze: 
 “Consiste a evicção na perda, pelo adquirente (evicto), da posse ou 
propriedade da coisa transferida, por força de uma sentença judicial ou 
ato administrativo que reconheceu o direito anterior de terceiro, 
denominado evictor”. 
 As garantias contra a evicção aplicam-se, regra geral, em contratos onerosos. 
 Contratos de doação pura com cláusula de responsabilidade sobre a 
evicção – Araken de Assis. 
 Breve noção sobre a dinâmica da evicção: 
 A evicção se concretiza quando o alienante vende coisa alheia do terceiro 
ao adquirente, que se vê prejudicado futuramente pelo direito 
preexistente do terceiro sobre a coisa. 
 Fundamentos: 
 Princípio geral de garantia. 
 O alienante é responsável pela utilidade econômica do contrato. 
 Vício redibitório. 
 O alienante deve garantir a utilidade econômica do objeto do 
contrato. 
 Evicção. 
 O alienante deve garantir a regularidade do direito 
transferido. 
 Princípio da vedação do enriquecimento sem causa. 
 Combate a alienações irregulares. 
 Evita que o alienante alcance uma vantagem indevida. 
 Princípio da boa-fé objetiva. 
 Prejudicado em diversos aspectos, devido à falta de transparência e 
lealdade do alienante. 
 Teoria da aparência: É um instrumento de defesa ao adquirente de 
boa-fé, que confiando na aparência legítima exteriorizada pelo 
alienante, não pode ser prejudicado em detrimento de quem agiu de 
má-fé e aparentou legitimidade enquanto não a possuía. 
 Ausência de culpa do alienante. 
 Caráter objetivo da evicção. 
 Figuras na evicção. 
A. Alienante. 
B. Adquirente. 
C. Terceiro/evictor. 
9.2 – Requisitos. 
A. Perda total ou parcial da propriedade, posse ou uso da coisa alienada. 
 A perda total ou parcial da coisa evencida pode ser por força de: 
 Decisão judicial, como uma decisão interlocutória. 
 Ato administrativo, como a apreensão. 
 Executada por meio da ação reivindicatória posta pelo terceiro/evictor em 
face do adquirente/evicto. 
B. Onerosidade da evicção. 
 Regra geral, somente é possível exigir as garantias contra os efeitos da 
evicção em contratos onerosos. 
B.1 – Cabimento da evicção (V. arts. 359, 558, 845, 1005, 1939, III e 2024 a 2026, 
CC). 
 Nas doações. 
 Puras. 
 Regra geral não é possível. 
 Segundo Araken de Assis, excepcionalmente é viável, mas 
desde que haja uma cláusula expressa que preveja a 
responsabilidade do alienante em caso de evicção 
 Onerosas. 
 Modais (encargo). 
 Remuneratórias. 
 Em ambos os tipos de doação onerosa, é possível exigir as 
consequências da evicção, pois nestes casos há a 
pluralidade de fluxos obrigacionais. 
 Nas coisas alienadas em hasta pública. 
Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. 
Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta 
pública. 
 Problemática a respeito de contra quem o alienante deve 
apresentar a ação regressiva: 
 Posicionamento de Fredie Didier Jr. 
 Contra o Estado-juiz, o credor/exequente e o 
devedor/executado. 
 Crítica: 
 Possíveis prejuízos ao adquirente de boa-fé: 
 Art. 940. Aquele que demandar por dívida já paga, 
no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias 
recebidas ou pedir mais do que for devido, ficará 
obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o 
dobro do que houver cobrado e, no segundo, o 
equivalente do que dele exigir, salvo se houver 
prescrição. 
 Posicionamento de Gagliano e Pamplona Filho. 
 Somente contra o devedor/executado. 
 Crítica: 
 Solução que prejudica o adquirente de boa-fé, pois 
o devedor/executado é o que, provavelmente, tem 
menos fundos para ressarcir o adquirente. 
 Posicionamento de Gonçalves. 
 A ação regressiva deve ser posta contra aqueles que se 
beneficiaram do crédito da compra do adquirente. 
 Melhor solução, pois recupera o “status quo ante” à 
execução. 
C. Ignorância pelo adquirente da litigiosidade da coisa (V. arts. 457, 448 e 449, CC). 
 Não é possível o adquirente exigir as garantias contra a evicção se sabia e 
concordou com os efeitos desta. 
 Contrato de compra e venda acidentalmente aleatório. 
D. Anterioridade do direito do evictor. 
 A preexistência do direito de terceiro sobre a coisa evencida é fundamental 
para embasar a demanda da ação reivindicatória para que ocorra a evicção em 
desfavor do adquirente. 
D.1 – Na desapropriação. 
 Venda feita antes da publicação do decreto de interesse expropriatório. 
 Não poderá o adquirente levantar nenhuma reclamação sobre 
evicção em face do alienante. 
 Venda feita depois da publicação do decreto de interesse expropriatório. 
 Poderá o adquirente reclamar todas as garantias contra os efeitos 
da evicção. 
 O adquirente receberá a indenização do Estado, porém, caso não 
seja suficiente, poderá reclamar o faltante e todas as demais verbas 
que tenha direito do alienante. 
D.2 – Na usucapião (V. art. 1238 a 1242, 1260, 1261, CC). 
 Caso o direito do usucapião seja anterior ao negócio do alienante com 
o adquirente, é possível que o adquirente reclame os direitos decorrente 
da evicção. 
E. Denuncia da lide ao alienante (V. art. 456, CC; 70, I, CPC). 
Art. 456, CC/02 - Para poder exercitar o direito que da evicção lhe resulta, o adquirente notificará 
do litígio o alienante imediato, ou qualquer dos anteriores, quando e como lhe determinarem as 
leis do processo. 
 Questão não pacificada (V. tópico 9.7 – Evicção e denunciação da lide). 
9.3 – Direitos do evicto (V. arts. 450; 451; 452; 1214 - 1216, CC). 
 Responsabilidade do alienante em indenizar os prejuízos que o adquirente sofreu 
devido a evicção. 
 Verbas primárias: 
 Montante pago pela coisa evencida. 
 Abrange tanto o valor principal do bem, como as suas verbas acessórias. 
 Em caso de mais valia, o alienante pagará o valor atualizado da coisa 
evencida. 
 Em caso de menos valia, o alienante pagará o valor que recebeu pela coisa 
evencida, apesar da desvalorização que esta sofreu. 
 Verbas secundárias: 
 Indenizar os frutos que o adquirente tenha sido obrigado a restituir; 
 Indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente 
resultarem da evicção; 
 Despesas contratuais; 
 Assessoria técnica para celebrar o negócio; 
 Escrituração e registro; 
 Multas, emolumentos; 
 Tributos; 
 Perdas e danos; 
 Danos morais. 
 Danos materiais 
 Lucros cessantes. 
 Danos emergentes. 
 Qualquer outro prejuízo decorrente da evicção. 
 Indenizar as custas judicias e os honorários advocatícios do advogado 
constituído pelo adquirente. 
 O alienante somente será desobrigado das responsabilidades devido a 
evicção se o adquirente/evicto tiver agido com dolo. 
 Em caso de culpa a responsabilidade permanecerá. 
 Medidas orientadas a combater o enriquecimento ilícito. 
 Caso o adquirente receba algum ressarcimento por parte do evictor, 
poderá o alienante abater do montante que deve ao adquirente. 
9.4 – Evicção e benfeitorias (V. arts. 453; 454; 1219; 1220, CC) (V. arts. 35 e 36, L. 
8245/91) (V. súmula 335, STJ "versus" Enunciado nº 433, CJF). 
 Só poderão ser cobradas as benfeitorias atuais, ou seja, aquelas que ainda 
mantém a sua utilidade ao bem, não podendo ser cobradas aquelas já feitas, 
mas que não contribuem mais à coisa evencida. 
 Benfeitorias necessárias e úteis: Direito de retenção pelo adquirente em face do 
terceiro. 
 É possível, desde que o adquirente seja um possuidor de boa-fé. 
 O adquirente recebendo a indenização do terceiro/evictor não poderá 
exigir a mesma verba do alienante. 
 Caso não exercite o direito de retenção, é possível cobrar a indenização 
devida do alienante. 
 Benfeitoria voluptuária. 
 Caso possa ser levantada: 
 O terceiro/evictor somente ficará com estas benfeitorias se indenizar 
o adquirente/evicto. 
 Caso não possaser levantada: 
 Não poderá o adquirente exigir indenização por estas. 
 Do terceiro/evictor: 
 Pois foi feita sem a anuência deste. 
 Do alienante: 
 Pois não tem previsão legal que o responsabilize por isto. 
 Renúncia ao direito de retenção e à indenização das benfeitorias em contratos 
paritários. 
Súmula 335 STJ – Nos contratos de locação é válida a cláusula de renúncia à indenização 
das benfeitorias e ao direito de retenção. 
Enunciado 433, CJF – Art. 424: A cláusula de renúncia antecipada ao direito de 
indenização e retenção por benfeitorias necessárias é nula em contrato de locação de 
imóvel urbano feito nos moldes do contrato de adesão. 
9.5 – Evicção, redução ou exclusão da garantia pela evicção. 
 Extensão, redução ou exclusão da garantia pela evicção. 
“Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a 
responsabilidade pela evicção”. 
A. Extensão. 
 Basta que os contraentes pactuem cláusulas que onerem os efeitos da 
evicção. 
 Por exemplo: 
 Cláusula de multa penitencial. 
 Valor da multa penitencial. 
“Art. 9º. Não é válida a cláusula penal superior a importância de 10% 
do valor da dívida.” (DA LEI 22.626/93). 
B. Redução. 
 Basta que os contratantes administrem as cláusulas de forma a minorar 
as responsabilidades do alienante em caso de evicção. 
 Por exemplo: 
 Cláusula de multa moratória ao adquirente que não informar a 
ocorrência da evicção no prazo combinado. 
C. Exclusão. 
 É possível, desde que o alienante seja transparente, informe a da 
possibilidade de evicção e demonstre que o adquirente aceitou este risco. 
 Cláusula genérica de não evicção. 
 Afasta a responsabilidade pelas verbas secundárias. 
 Cláusula demonstrando as possibilidades de evicção. 
 Deve detalhar de forma clara quais as hipóteses que podem gerar a 
evicção sobre o objeto do contrato. 
 Cláusula demonstrando a aceitação inequívoca da evicção pelo 
adquirente. 
 Com a aceitação do risco da evicção por parte do adquirente, a 
natureza do contrato altera-se para acidentalmente aleatório. 
 A aceitação deve ser feita com uma assinatura independente do 
adquirente para que se demonstre de maneira inequívoca a aceitação 
do risco da evicção pelo adquirente. 
 Recomenda-se que a redação destas três cláusulas seja feita de forma 
separada para garantir a independência dos seus efeitos. 
 Situações possíveis. 
C.1 – Inexistência de cláusula de irresponsabilidade pela evicção (V. arts. 449 
e 450, CC). 
C.2 – Cláusula de irresponsabilidade (genérica) pela evicção (V. arts. 449, 
CC). 
C.3 – Cláusula de irresponsabilidade, acrescida da ciência e aceitação do risco 
específico de evicção (V. arts. 457 e 449, a "contrario sensu", CC). 
9.6 – Espécies de evicção: Total e parcial. 
 Evicção total: 
 Perda integral da coisa alienada. 
 Evicção parcial: 
 Perda parcial da coisa alienada. 
A. Evicção parcial considerável e opção. 
 Opções ao identificar um caso de evicção parcial: 
 Resolução do contrato. 
 Restituição do valor proporcional da parte da coisa evencida prejudicada 
pela evicção. 
B. Definindo se a evicção parcial é ou não "considerável". 
 Enquadrando-se em um dos critérios abaixo é possível caracterizar a evicção 
parcial como considerável. 
 Critério quantitativo. 
 Analisa o montante total desfalcado pela evicção em relação ao todo da 
coisa evencida. 
 Critério qualitativo. 
 Preocupa-se com a qualidade da área degradada pela evicção, analisando 
a importância desta área para a integralidade da coisa evencida. 
C. Prazo para o exercício da opção. 
 CC/02 é omisso. 
 Soluções apresentadas para superar a omissão: 
 Aplicar o artigo 205, CC/02. 
Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo 
menor. 
 Aplicar o artigo 206, §3º, V, CC/02. 
Art. 206. Prescreve: 
§ 3.º Em três anos: 
V - a pretensão de reparação civil; 
 Prazo de natureza prescricional. 
 Pretensão de reparação de danos. 
9.7 – Evicção e denunciação da lide. 
 Posicionamento tradicional. 
 Obrigatoriedade da denunciação da lide para que o adquirente tenha acesso 
aos seus direitos decorrentes da evicção (V. art. 456, CC/02 e art. 70, I, CPC). 
 Crítica à obrigatoriedade da denunciação da lide. 
 Prejudica o adquirente de boa-fé em benefício da celeridade do 
instrumento processual. 
 Prejuízo do prazo para reclamar os efeitos da evicção, diminuindo de 03 
anos (prazo para a reparação civil) para o prazo para apresentar a 
contestação (V. art 71, CPC). 
 Relativização da obrigatoriedade da denunciação da lide: 
 RESP 9552. 
 RESP 22148. 
 RESP 132258. 
 Denunciação da lide (V. arts. 70, I; 71;75, I e 76, CPC). 
 Lide primária "versus" Lide secundária. 
 Depois de feita a denunciação da lide, forma-se duas lides: 
../Text/indndiceAlfabtico-RemissivodoCdigoCivil.html#ind51697
../Text/indndiceAlfabtico-RemissivodoCdigoCivil.html#ind51697_P3__V
 Lide primária: Entre evicto e evictor. 
 Lide secundária: Entre adquirente e alienante. 
 Ambas devem ser solucionadas no mesmo processo. 
 Denunciação "per saltum" (V. art. 456, "caput", CC, e o art. 73, CPC). 
 Denunciação “per saltum” retrata a possibilidade do adquirente poder 
acionar qualquer dos alienantes em uma cadeia de evicção. 
 A denunciação “per saltum” é interessante, pois permite o adquirente 
escolher contra qual alienante os efeitos da sentença serão aplicados, pois 
somente um dos alienantes poderá ser citado, enquanto os demais serão 
apenas intimados. 
 Crítica a denunciação “per saltum”. 
 Permite que o adquirente demande alguém que não mantém 
nenhuma relação de direito material. 
 Obrigação de ir até o fim: V. art. 75, II, CPC "versus" art. 456, § único, CC. 
CPC, Art. 75. Feita a denunciação pelo réu: 
II - se o denunciado for revel, ou comparecer apenas para negar a qualidade que 
lhe foi atribuída, cumprirá ao denunciante prosseguir na defesa até final; 
CC, Art. 456. Para poder exercitar o direito que da evicção lhe resulta, o 
adquirente notificará do litígio o alienante imediato, ou qualquer dos anteriores, 
quando e como lhe determinarem as leis do processo. 
Parágrafo único. Não atendendo o alienante à denunciação da lide, e sendo 
manifesta a procedência da evicção, pode o adquirente deixar de oferecer 
contestação, ou usar de recursos. 
 O adquirente, em caso de evicção, não é obrigado a se desgastar além do 
necessário. 
 Situações possíveis na denunciação da lide a partir da postura do adquirente (réu 
da reivindicatória). 
 Denunciação da lide serve apenas para auxiliar a celeridade processual, 
fazendo com que as lides primária e secundária sejam julgadas na mesma 
oportunidade. 
 Tanto a lide primária, como a secundária produzem efeitos sobre a outra. 
 Os argumentos apresentados para a defesa de uma dessas lides poderão 
ser usados para compor a outra. 
A. Contesta a ação e não denuncia. 
 O adquirente/evicto não terá os seus direitos decorrentes da evicção 
prejudicado pelo fato de não ter denunciado o alienante à lide. 
 Os efeitos da defesa apresentada pelo adquirente somente serão 
extensíveis a lide entre este e o terceiro/evictor. 
B. Contesta e denuncia. 
B.1 – O denunciado apresenta defesa. 
../Text/indndiceAlfabtico-RemissivodoCdigodeProcessoCivil.html#ind24619
 As defesas apresentadas tanto pelo adquirente/evicto/denunciante, 
como pelo alienante/denunciado, poderão ser utilizadas para 
compor tanto a lide secundária, como a primária. 
B.2 – O denunciado não apresenta defesa. 
 O alienante/denunciado amargará os efeitos da revelia, ficando 
dependente da defesa apresentada pelo adquirente/denunciante. 
C. O réu (adquirente) não contesta, mas denuncia. 
 O adquirente/evicto/denunciante será considerado revel, ficando 
dependente da defesa do alienante/denunciado. 
C.1 – O denunciado apresenta defesa. 
 Será aproveitada tanto na lide primária, comona secundária. 
 Caso consiga comprovar a improcedência da evicção, o 
adquirente/denunciante será beneficiado pelos efeitos desta defesa. 
C.2 – O denunciado não apresenta defesa. 
 Alienante/denunciado e adquirente/evicto/denunciante amargaram 
os efeitos da revelia tanto na lide primária, como na secundária. 
D. O réu nem contesta, nem denuncia. 
 O alienante/evicto será considerado revel, porém os efeitos da revelia 
serão restritos a lide entre este e o terceiro/evictor.

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