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Unidade 1
Fundamentos da psicomotricidade
Psicomotricidade
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
VIVIANA GONDIM DE CARVALHO
AUTORIA
Viviana Gondim de Carvalho
Sou doutoranda em Humanidades, Culturas e Artes, mestre em 
Letras e Ciências Humanas, pós-graduada em Psicopedagogia e Docência 
do Ensino Superior. Sou especialista em Informática Educativa e graduada 
em Pedagogia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. 
Autora de artigos e livros didáticos. Atuo na área Educacional, com ênfase 
em Educação a Distância, Psicopedagogia, Comunicação, Recursos 
Humanos e Neuroeducação. Atuei em grandes empresas nacionais e 
multinacionais consolidando a educação virtual, desenvolvendo materiais 
didáticos e preparando ambientes multimidiáticos. Coordenei Fábricas de 
Conteúdos, desenvolvendo produtos para Educação a Distância, como 
apostilas, games, simuladores, vídeos etc. Atualmente atuo na Educação 
a Distância e desenvolvo pesquisas sobre a utilização de tecnologia a 
fim de melhorar o desempenho dos alunos por meio das ferramentas 
tecnológicas.
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento 
de uma nova 
competência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando necessárias 
observações ou 
complementações 
para o seu 
conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas 
e links para 
aprofundamento do 
seu conhecimento;
REFLITA:
se houver a 
necessidade de 
chamar a atenção 
sobre algo a ser 
refletido ou discutido;
ACESSE: 
se for preciso acessar 
um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
fazer um resumo 
acumulativo das 
últimas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de 
autoaprendizagem 
for aplicada;
TESTANDO:
quando uma 
competência for 
concluída e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Psicomotricidade ........................................................................................ 12
Psicomotricidade, história e conceituação .................................................................. 12
Elementos base da psicomotricidade .............................................. 21
Esquema e imagem corporal .................................................................................................22
Coordenação global ......................................................................................................................23
Equilíbrio ................................................................................................................................................24
Lateralidade ........................................................................................................................................25
Dominância lateral .......................................................................................................25
Desvio da lateralidade ..............................................................................................26
Orientação espacial, lateroespacial e temporal .......................................................27
Tônus ........................................................................................................................................................28
Tônus muscular e tônus motor .........................................................................29
Ritmo ........................................................................................................................................................ 31
Movimento e gesto .....................................................................................................32
Coordenação dinâmica das mãos ......................................................................................33
Diferentes abordagens psicomotoras, teoria e prática .............. 35
Psicomotricidade relacional ................................................................................................... 36
Psicomotricidade instrumental ............................................................................................ 38
Hemisférios cerebrais na psicomotricidade ....................................42
Sistema psicomotor humano (SPMH) ...............................................................................45
Divisão funcional do córtex cerebral ................................................................................45
Lobo frontal ........................................................................................................................................ 46
Lobos occipitais ................................................................................................................................47
Lobos temporais ..............................................................................................................................47
Lobos parietais ................................................................................................................................. 48
9
UNIDADE
01
Psicomotricidade
10
INTRODUÇÃO
Você já observou como seu corpo se movimenta? A ciência que 
estuda o ser humano por meio do seu movimento nas diversas relações 
chama-se psicomotricidade. O objeto de estudo dela é o corpo e a 
sua expressão dinâmica e tem três princípios básicos: movimento ou 
motricidade, intelectivo/cognição/pensamento e o afeto/emoção/
sentimento. A psicomotricidade é baseada na concepção unificada da 
pessoa, ou seja, a inclusão das áreas cognitivas, sensório-motoras e 
psíquicas para que seja possível compreender todos os movimentos 
e interações dos seres humanos. Ela é constituída por uma gama 
de conhecimentos antropológicos, fisiológicos, psicológicos e inter-
relacionais nos quais o corpo é utilizado como mediador. Entendeu? Ao 
longo desta unidade letiva, você mergulhará nesse universo!
Psicomotricidade
11
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo a nossa Unidade 1, e o nosso objetivo é 
auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais 
até o término desta etapa de estudos:
1. Compreender a psicomotricidade e a sua importância na saúde e 
na educação.
2. Entender os aspectos históricos e as bases da psicomotricidade.
3. Discernir sobre os aspectos conceituais da psicomotricidade que 
caracterizam o desenvolvimento psicomotor.
4. Reconhecer a importância da psicomotricidade, entendendo 
suas abordagens e aplicação ao ciclo vital, como os hemisférios 
cerebrais, por exemplo.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? 
Ao trabalho!
Psicomotricidade
12
Psicomotricidade
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender 
como funciona a psicomotricidade. Isso será fundamental 
para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para 
desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante!.
Psicomotricidade, história e conceituação
Quando tratamos de psicomotricidade, devemos, inicialmente, 
dividir a palavra para a sua compreensão:
 • Psico – intelectual, cognitivo emocional, neurológico, mental e 
afetivo.
 • Motricidade – ato, movimento, gesto, ação.
Desse modo, unificando essas delimitações das palavras que 
formam a psicomotricidade, podemos entendê-la como a realização 
de um pensamento por meio de um ato motor harmonioso, coeso e 
econômico, exigindo, para essa realização, uma afetividade equilibrada.
A Psicomotricidade está presente no desenvolvimento dos sujeitos 
desde o nascimento. Logo, onde existe vida, existe o movimento. Inclusive,quando nascemos, as nossas primeiras reações são motoras e nossa 
evolução é marcada através dos nossos movimentos.
Compreender a abordagem da psicomotricidade implica buscar 
na França suas fontes históricas. No início do século XX, o pensamento 
da Psiquiatria Infantil estava ligado às correspondências anátomo-
neurofisiológicas do psiquismo. Nesse quadro de predomínio do 
neurologismo, surgiu a noção de “paralelismo psicomotor” de Dupré, 
desenvolvida por Heuyer (1952, n.p.): “Há uma estreita ligação entre o 
desenvolvimento da motricidade, da inteligência e da afetividade”. 
Psicomotricidade
13
Figura 1 – Gestos e a psicomotricidade
Fonte: Pixabay.
VOCÊ SABIA?
Os franceses se conscientizavam sobre a importância do 
gesto e pesquisavam profundamente os temas corporais. 
Tanto que foram eles que cunharam as primeiras palavras-
chave da psicomotricidade. 
Assim, no Brasil, a psicomotricidade seguiu os passos da Escola 
Francesa
Os estudos de Dupré e Charcot originados da via instinto 
emocional – a busca às respostas das crianças com 
dificuldades escolares – nortearam também os cientistas 
sul-americanos e brasileiros a encontrarem, na França, o 
refúgio para suas dúvidas. Era clara e nítida a influência da 
Escola Francesa de Psiquiatria Infantil e da Psicologia no 
início do século no mundo todo. (COSTALLAT, 2002, p. 98)
A psicomotricidade surgiu, portanto, no âmbito da Neuropsiquiatria 
e da Educação. Suas primeiras teorizações ocorreram no início deste 
século. Nesse primeiro momento, o conceito de psicomotricidade 
privilegiou o funcionamento corporal, e utilizaram-se técnicas de 
Psicomotricidade
14
reeducação instrumentais que “desenvolviam” aspectos específicos, 
como o tônus, a coordenação, o ritmo, a organização espacial e a noção 
de esquema corporal. Criaram-se instrumentos de avaliação e aferição 
das capacidades e exercícios curativos que visavam à coordenação, 
à tonicidade, ao esquema corporal, à orientação espacial, à afirmação 
da lateralidade e ao ritmo etc. A ênfase maior era dada à performance, 
sobretudo escolar.
ACESSE:
 Saiba mais sobre o surgimento da psicomotricidade 
acessando um site que aborda o assunto aqui.
Um conhecido teórico da psicomotricidade, Ajuriaguerrac, junto 
com Diatkine, acabou por romper com o “imperialismo neurológico” 
durante suas práticas no Hospital Henri Rousselle. Ajuriaguerrac deu 
ênfase à Psicologia Genética e sintetizou as teorias de Piaget e Wallon 
com as da Psicanálise de Freud e seus seguidores. Teve início aí uma 
nova classificação de distúrbio psicomotor que ia além da perturbação do 
paralelismo psicomotor.
Jolivet continuou o trabalho iniciado no Hospital Henri Rousselle e, 
em 1970, definiu a psicomotricidade como a “motricidade em relação”.
A partir desse momento, duas tendências no tratamento 
psicomotor passaram a coexistir. De um lado, a reeducação psicomotora, 
mantendo-se próxima do instrumental e do cognitivo, visando promover 
o desenvolvimento tônico-motor e espaço-temporal com exercícios 
estruturados, a organização do esquema corporal e a afirmação da 
lateralidade. De outro, a terapia psicomotora, por meio de atividades 
psicomotoras livres, dando-se mais ênfase à expressão corporal, à 
relação afetiva, como meio de atingir as fantasias e os conflitos da criança, 
e proporcionando a afirmação de seu desejo e a busca de conhecimento 
e pesquisa da realidade, de um jeito mais espontâneo.
Psicomotricidade
https://psicomotricidade.com.br/a-historia-da-psicomotricidade-e-da-abp/
15
Alguns psicomotricistas começaram a difundir sua prática e fizeram 
publicações de seus métodos e técnicas. André Lapierre foi um deles 
e era considerado o psicomotricista de maior peso, sendo o criador da 
psicomotricidade relacional.
SAIBA MAIS:
 André Lapierre é considerado o pai da psicomotricidade 
relacional, uma vertente da psicomotricidade que dá 
ênfase aos aspectos afetivo-emocionais e relacionais do 
ser humano.
Lapierre foi professor de Educação Física, cinesioterapeuta e 
psicoeducador. Foi também presidente da Sociedade Francesa de 
Educação e Reeducação Psicomotora. Começou a se afastar da Fisioterapia 
em 1977, pois entendia que essa profissão, junto com a Educação Física, 
teria herdado da medicina um modelo mecânico do corpo, sobretudo no 
âmbito psicoafetivo, no qual observa os fantasmas corporais.
Segundo Lapierre (2002, p. 39), na psicomotricidade, existe a mesma 
regra de associação livre psicanalítica: “substituindo o dizer pelo fazer, o 
discurso pela ação. É o que chamamos espontaneidade”.
Então, podemos conceituar a psicomotricidade como uma 
ciência do homem em movimento, das relações com o corpo, consigo 
e com o mundo, utilizando sua corporeidade. É por meio do estudo da 
psicomotricidade que se torna possível entender a forma como a criança 
toma consciência do seu corpo e das formas de se expressar através dele. 
Além disso, por meio dela, conseguimos traçar, no ambiente escolar, os 
elementos para que as crianças passem de uma etapa de vida para outra.
Psicomotricidade
16
Figura 2 – Evolução da criança no ambiente escolar por meio da psicomotricidade
Fonte: Freepik.
Para que haja essa evolução da criança, são necessários três fatores 
alinhados:
1. Afetividade.
2. Inteligência.
3. Motricidade. 
Além disso, em seu conceito, a psicomotricidade contém três 
elementos básicos:
1. Movimento – deslocamento de um corpo no espaço; série de 
atividades organizadas com uma finalidade; refere-se à ação. Os 
movimentos têm sua importância biológica, psicológica, social e 
cultural e são essenciais, pois o sujeito se relaciona com o meio 
por meio deles. O movimento pode ser resumido em três pontos:
 • Poder fazer.
 • Sistema reticular.
 • Responsável pelo controle de inúmeros movimentos do corpo.
2. Intelecto – está relacionado com a inteligência, com a capacidade 
de aprender. Então, quanto mais o sujeito adquire conhecimento, 
mais o seu intelecto terá maturidade. A aprendizagem acontece 
Psicomotricidade
17
devido ao desenvolvimento cognitivo. Os três pontos através dos 
quais podemos resumir o intelecto são:
 • Saber fazer.
 • Córtex cerebral.
 • Responsável pela nossa capacidade de pensar.
3. Afeto - está relacionado às emoções, ao sentimento de afeição, 
de carinho e de empatia. Este, por sua vez, pode ser sintetizado 
através dos seguintes pontos:
 • Querer fazer.
 • Sistema límbico.
 • Responsável pelas emoções e pelo comportamento social.
Nas palavras de Fonseca (1998, p. 368), a 
Psicomotricidade é uma ciência da educação que 
tem como objeto de estudo, o homem, seu corpo em 
movimento, a interação com o meio externo e ao mesmo 
tempo, o desenvolvimento da inteligência. Quanto mais 
numerosas e mais ricas forem as situações vividas pela 
criança, maior será o número de esquemas por ela 
adquirido.
Em seguida, Fonseca ainda afirma que (1998, p. 369)
A psicomotricidade pretende atingir, na sua ação 
preventiva e terapêutica, a organização neuropsicomotora 
da noção do corpo como marco espaço-temporal, sendo 
fundamental a qualquer processo de conduta ou de 
aprendizagem, ou seja, procura analisar, conhecer o corpo 
nas suas relações múltiplas, constituindo um esquema 
representacional.
Observando esse conceito, podemos enxergar que a 
psicomotricidade acontece por meio do desenvolvimento psicomotor, 
e ela é conceituada como uma manifestação instintiva do indivíduo. No 
entanto, é necessário que haja um auxílio de forma adequada para não 
haver um retardo. Quando o indivíduo conhece o seu próprio corpo por 
meio dos movimentos, ele terá como resultado um desenvolvimento 
global irreversível. 
Psicomotricidade
18
É necessário que os indivíduos e, principalmente, as crianças, 
desempenhem atividades coletivas que lhes possibilitem aprimorar a sua 
criatividade, maturação e espontaneidade. É de forma concomitante que 
são construídos os processos de desenvolvimentoe crescimento do ser 
humano, e, ao mesmo tempo, nesse processo, ele cultiva os hábitos de 
lazer, higiene e alimentação.
A educação psicomotora deve ser considerada como 
uma educação de base na escola primária. Ela condiciona 
todos os aprendizados pré-escolares; leva a criança a 
tomar consciência de seu corpo, da lateralidade, a situar-
se no espaço, a dominar seu tempo, adquirir habilmente a 
coordenação de seus gestos e movimentos. A educação 
psicomotora deve ser praticada desde a mais tenra 
idade; conduzida com perseverança, permite prevenir 
inadaptações difíceis de corrigir quando já estruturadas. 
(LE BOULCH, 1984, p. 21-25)
Na atualidade, diferentes profissionais buscam o estudo sobre a 
psicomotricidade, de forma especial, os profissionais da educação e da 
saúde se dedicam ao seu estudo. Isso porque o trabalho psicomotor é 
elemento básico no auxílio para aprendizagem. 
Figura 3 – Trabalho psicomotor
Fonte: Freepik.
Psicomotricidade
19
Como então a psicomotricidade se estrutura?
Ela se estrutura em três fundamentos:
 • No desenvolvimento do eu corporal.
 • Na localização própria e na orientação no espaço.
 • Na orientação temporal.
E em que a psicomotricidade se fundamenta?
O fundamento da psicomotricidade encontra-se em três atividades:
 • Motoras – que consistem em atividades de cunho global de todo 
o corpo.
 • Sensório-motoras – percepções de diferentes lições por meio da 
manipulação dos instrumentos.
 • Percepto-motoras – análise de cunho profundo das funções 
intelectuais e motoras, como a representação mental, a análise 
perceptiva e a determinação de pontos de referência.
Por fim, cabe destacarmos quais são os objetivos da 
psicomotricidade, a saber:
Figura 4 - Objetivos da psicomotricidade
Fonte: Freepik.
Psicomotricidade
20
 • Visa vivenciar estímulos sensoriais para que possa discriminar as 
partes do corpo e, assim, poder exercer um controle sobre elas.
 • Visa vivenciar situações que permitam adquirir pré-requisitos 
necessários para o aprendizado da leitura e da escrita.
 • Visa vivenciar, por meio da percepção do corpo, uma organização 
espacial e temporal.
Em outras palavras, a psicomotricidade é utilizada durante toda 
a vida, pois sempre aprendemos coisas novas. Mas ela ainda é mais 
fundamental quando criança, para que seja possível aprender os primeiros 
movimentos básicos, que são essenciais. 
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos 
revisar o que vimos. Você deve ter aprendido que, no início 
do século XX, o pensamento da Psiquiatria Infantil estava 
ligado às correspondências anátomo-neurofisiológicas do 
psiquismo. A psicomotricidade surgiu, portanto, no âmbito 
da Neuropsiquiatria. Criaram-se instrumentos de avaliação 
e aferição das capacidades e exercícios curativos. Então, 
surgiu a reeducação psicomotora, mantendo-se próxima 
do instrumental e do cognitivo, visando à promoção 
do desenvolvimento tônico-motor e espaço-temporal 
com exercícios estruturados, a organização do esquema 
corporal e à afirmação da lateralidade.
Psicomotricidade
21
Elementos base da psicomotricidade 
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender 
os elementos básicos da psicomotricidade. Isso será 
fundamental para o exercício de sua profissão. E então? 
Motivado para desenvolver essa competência? Então 
vamos lá. 
A psicomotricidade é caracterizada pelos seguintes elementos: 
a. Esquema e imagem corporal.
b. Coordenação global.
c. Equilíbrio.
d. Lateralidade. 
e. Orientação espacial, lateroespacial e temporal.
f. Tônus.
g. Ritmo.
h. Coordenação dinâmica das mãos. 
Todos esses elementos são considerados básicos para o 
desenvolvimento do indivíduo e são pré-requisitos para a aquisição e para 
o desenvolvimento da leitura e da escrita, do conhecimento do corpo em 
relação aos objetos, bem como do controle e da organização do espaço 
e do tempo. 
O homem é, antes de tudo, um ser falante e, ao denominar-se, fala 
de seu corpo: eis o que o caracteriza. Em contrapartida, seu corpo fala 
por ele e até, por vezes, à sua revelia. O sentir é vital, tudo que é vivido, 
sentido, passado na vida fica marcado no corpo. É a partir do sensório-
motor que passamos a dar sentido ao nosso viver.
A partir das experiências sensoriais (os cinco sentidos), isto é, da 
visão, da audição, do paladar, do tato e do olfato, além dos estímulos 
recebidos no dia a dia desde a vida intrauterina, constituímo-nos, e nossa 
Psicomotricidade
22
percepção de tudo partirá das sensações que sentiremos ao sermos 
expostos a esses estímulos sensoriais.
Vejamos a seguir as especificidades de cada um desses elementos.
Esquema e imagem corporal
A imagem corporal está ligada ao afeto, à emoção, e o esquema 
corporal é o conhecimento do corpo, o esquema é real. A imagem 
corporal só existe se o corpo for tocado ou falado. O que interessa para o 
ser humano é a diferença. “EU não sou o outro”.
O lactente é um corpo que sofre em sua prematuridade orgânica, 
e só sobrevive graças ao corpo do outro. Encontra-se em total estado de 
simbiose com quem cuida dele, não distingue o eu do não eu. Depois, a 
criança entra na fase do espelho e começa a perceber a diferença entre 
o eu e o outro, passando a reconhecer as partes do seu corpo e a se 
reconhecer diante do espelho, formando, assim, sua imagem corporal.
NOTA:
O termo “imagem corporal”, com base na psicomotricidade, 
refere-se à imagem ou à representação mental, que 
abrange aspectos afetivos, sociais e fisiológicos.
Figura 5 – Esquemas corporais 
Fonte: Pixabay. 
Schilder, em seu livro “A Imagem do Corpo” (1994), diz que:
Psicomotricidade
23
A Imagem do Corpo humano é a imagem do nosso 
próprio corpo que formamos em nosso espírito, por outras 
palavras, o modo como nosso corpo se apresenta a nós 
mesmos. (SCHILDER, 1994, p. 35)
EXEMPLO
A estimulação do esquema corporal torna o corpo da criança 
como um ponto de referência básico para a aprendizagem de todos os 
conceitos indispensáveis à alfabetização (noções de em cima, embaixo, 
na frente, atrás, esquerda, direita). Algumas brincadeiras são essenciais 
para o desenvolvimento do esquema corporal, tais como:
 • Estátua.
 • • Jogos de imitação
 • Cantar músicas que falem sobre as partes do corpo
 • Apontar as partes do corpo em si mesmo e no corpo do colega
 • Juntar as partes de um boneco desmontável (quebra-cabeça)
 • Desenhar uma figura humana no quadro, parte por parte.
 • Deitar no chão e desenhar o contorno do corpo de uma das 
crianças, depois completar suas partes
 • Explorar o próprio corpo com as mãos, de olhos abertos e 
fechados, depois representá-lo utilizando vários materiais, como 
guache, espuma, gel e farinha
 • Releituras de obras artísticas que privilegiem o corpo humano
 • Completar o desenho de uma figura humana com o que estiver 
faltando etc.
Coordenação global
A coordenação global é caracterizada por um bom domínio do 
corpo. Quando há algum distúrbio no desenvolvimento da coordenação 
(tanto na global quanto na dinâmica das mãos), o indivíduo poderá 
apresentar dificuldades escolares, como disgrafia, escrever ultrapassando 
as linhas e margens do caderno e dificuldade nos gestos. 
Psicomotricidade
24
Figura 6 – A habilidade manual ou destreza constitui um aspecto particular da coordenação 
global
 
Fonte: Freepik. 
IMPORTANTE:
A coordenação global é uma condição mínima necessária 
para uma boa aprendizagem e constitui a estrutura 
da educação psicomotora. O desenvolvimento da 
psicomotricidade necessita do apoio constante por meio 
de estimulação. Desse modo, não é um trabalho exclusivo 
de um único profissional, e sim de todos os profissionais 
envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.
Por meio da coordenação motora global, é possível ter controle dos 
movimentos amplos do corpo, como andar,correr, rolar, saltar, rastejar, 
engatinhar, entre outros. 
Equilíbrio
Psicomotricidade
25
O equilíbrio pode ser compreendido como a capacidade que o 
indivíduo possui de manter a postura bípede, tanto quando está parado 
quanto quando está em movimento. Segundo Luria (1981, p. 18), o equilíbrio 
é o responsável pelos ajustes posturais antigravitários, estabelecendo 
autocontrole nas posturas estáticas e no desenvolvimento de padrões 
locomotores. O equilíbrio depende essencialmente dos sistemas 
labiríntico e plantar. 
EXEMPLO
O equilíbrio é dividido em dois: 
Equilíbrio dinâmico – caminhar sobre uma prancha, equilibrar-se 
sobre um pé só, inclinar-se verticalmente para frente e para trás. 
Equilíbrio estático – Manter-se sentado corretamente, andar na 
ponta dos pés, andar com um copo cheio de água na mão. Andar em 
cima de uma corda estendida no chão. 
Lateralidade
A lateralidade é a capacidade motora de percepção dos dois lados 
do corpo, ou seja, direita e esquerda. A predominância de um dos lados 
do corpo nas atividades do indivíduo ocorre em função do hemisfério 
cerebral mais utilizado. Vejamos a seguir a determinação da dominância 
lateral.
Dominância lateral
A dominância lateral é definida a partir da preferência neurológica 
que se tem por um lado do corpo, no que diz respeito à mão, ao pé, ao olho 
e ao ouvido. Tal preferência é muito importante para o desenvolvimento 
de diferentes atividades, incluindo a leitura.
Alguns indivíduos são ambidestros, ou seja, utilizam ambas as 
partes do corpo com a mesma habilidade e destreza. Outros utilizam a 
parte direita do corpo, são chamados indivíduos destros. E ainda há os 
que se utilizam da parte esquerda, que são os canhotos. Ao indivíduo que 
tem preferência pela mão de um lado do corpo e pelo olho e pé do lado 
Psicomotricidade
26
oposto aplica-se o termo lateralidade cruzada. Lateralidade indefinida é 
usada para as crianças que ainda não estabeleceram sua preferência por 
um dos lados.
Figura 7 – Indivíduos ambidestros utilizam ambas as partes do corpo com a mesma 
habilidade e destreza
Fonte: Freepik. 
Algumas dificuldades de aprendizagem podem surgir em crianças 
que ainda não têm sua lateralidade definida e naquelas que são canhotas, 
mas foram obrigadas a escrever com a mão direita. Tais dificuldades 
podem ser referentes ao tipo de grafia que elas apresentam (disgrafia, letra 
ilegível), à orientação espacial na folha de papel e a posturas inadequadas 
no ato de escrever.
Desvio da lateralidade
A lateralidade só se estabelece por volta dos 5/6 anos. Quando ocorre 
algum fato que compromete a compreensão da lateralidade, dizemos que 
há um desvio da lateralidade. Tal desvio pode ocorrer por alguns motivos, 
por exemplo, um acidente que provoque uma amputação ou uma paralisia 
no lado dominante faz com que a pessoa passe a usar o outro lado.  
Além disso, podem ocorrer casos em que essa mudança de prevalência 
Psicomotricidade
27
manual mude por motivo de identificação com alguém, ou por imposição 
dos pais ou professores, ou por motivo afetivo, ou por qualquer outro. 
Vejamos outro exemplo de desvio de lateralidade.
EXEMPLO
Quando o indivíduo nasce canhoto, porém é obrigado a escrever 
com a mão direita, pode haver desvio de lateralidade.
A criança destra, mesmo tendo sua mão direita ocupada, é capaz de 
abrir uma porta com a mão esquerda. Esse fato é diferente da dominância 
lateral, que é a maior habilidade desenvolvida num dos lados do corpo 
devido à dominância cerebral, ou seja, pessoas com dominância cerebral 
esquerda têm maior probabilidade de desenvolverem mais habilidades 
do lado direito do corpo e, por isso, são destros.
A lateralidade é importante na evolução da criança porque 
influência a ideia que a criança tem de si mesma, a percepção da simetria 
de seu corpo, a formação de seu esquema corporal, além de contribuir 
para determinar a estruturação espacial, porque, percebendo o eixo de 
seu corpo, a criança percebe também seu meio ambiente em relação a 
esse eixo.
Orientação espacial, lateroespacial e 
temporal
A estruturação espacial é parte integrante da nossa vida. Ela não 
nasce com o indivíduo e é, na verdade, uma construção mental, uma 
elaboração que se inicia desde pequeno. A orientação lateroespacial 
ocorre naturalmente no indivíduo e desenvolve-se da seguinte maneira: 
por volta dos seis anos, quando a criança já tem conhecimento do lado 
direito e esquerdo do seu corpo; aos sete anos, já é capaz de perceber a 
posição relativa entre dois objetos; aos oito anos, já reconhece os lados 
direito e esquerdo em outras pessoas; e, aos nove anos, consegue realizar 
movimentos realizados por outras pessoas com o mesmo lado do corpo 
movido pela pessoa que está realizando o movimento. Já a orientação 
espacial é a que permite que o indivíduo localize em acontecimentos do 
Psicomotricidade
28
passado e projete-se no futuro. É por meio da orientação espacial que 
termos domínio das noções sociais do tempo (horas, meses, estações 
etc.).
Para Fonseca (1995 apud CEZAR; PEREIRA; ESTEVES, 2008, p. 2), 
um objeto situado a determinada distância e direção é percebido porque 
as experiências anteriores da criança levam-na a analisar as percepções 
visuais que lhe permitem tocar o objeto. É dessas percepções que 
resultam as noções de distância e orientação de um objeto com relação a 
outro, a partir das quais as crianças começam a transpor as noções gerais 
a um plano mais reduzido, que será de extrema importância quando na 
fase do grafismo.
A reversibilidade é a possibilidade de reconhecer a mão direita ou 
a mão esquerda de uma pessoa à sua frente. Além disso, é a noção de 
reversibilidade que possibilita, pouco a pouco, às crianças a compreensão 
de igualdades como:
EXEMPLO
8 + 5 = 3 + 10 7 X 3 = 3 X 7 10 – 3 = 7
Tônus
DEFINIÇÃO:
O tônus é o primeiro sistema funcional complexo que 
compreende a psicomotricidade e é considerado o estado 
de tensão ativa dos músculos. Se não há a organização 
tônica como suporte, não é possível desenvolver a atividade 
motora e a estrutura psicomotora. É possível determinar 
o tipo de tônus muscular observando a amplitude dos 
movimentos, a resistência ao movimento passivo e a 
palpação da atividade flexora e extensora dos diferentes 
músculos.
Figura 8 – A tonicidade se desenvolve desde o nascimento até os 12 meses de vida 
Psicomotricidade
29
Fonte: Freepik.
Tônus muscular e tônus motor 
O tônus muscular refere-se à pessoa em estado passivo, sem 
movimento, em repouso, o músculo não possui atividade contrátil interna. 
Quando palpado, o músculo pode parecer retesado ou macio, e, nesse 
estado passivo, diz-se que o músculo tem tônus muscular.
No tônus motor, o estado ativo ocorre quando um músculo está 
se contraindo em resposta a um comando do sistema motor. Quando 
palpado, ele mostrará vários graus de retesamento, dependendo da força 
de contração. Esse estado do músculo é denominado tônus motor.
As diferenças criadas pelo tônus muscular e motor podem 
ser prontamente palpadas no músculo normal. O desenvolvimento 
psicomotor normal precisa do equilíbrio dos tônus muscular e motor.
Psicomotricidade
30
DEFINIÇÃO:
Tônus motor e muscular anormais: em circunstâncias 
normais, o músculo tem flexibilidade funcional de passar 
de um estado para outro sem qualquer dificuldade ou 
problema residuais. Todavia essa flexibilidade pode falhar, 
por exemplo, em consequência de atividade excessiva 
ou lesão do sistema motor. Haverá alterações tanto no 
tônus muscular como no tônus motor que se denominará 
“tônus anormal”, definido como tônus que não mantém 
o movimento funcional e que pode durar mais do que a 
atividade que o desencadeou.
O tônus motor e muscular anormal pode ser causado por: 
1. Lesão no sistema motor – observado em quadros neurológicos 
diversos, como AVC, paralisia cerebral, doença de Parkinson etc.
2. Tensão psicológica, tensãoemocional, ansiedade e excitação 
constituem alguns dos estados psicológicos que influenciam o tônus 
motor geral. Essa alteração no tônus não está associada com patologia 
do sistema motor.
3. Atividade muscular protetora após lesão – é comum constatar 
a existência de tônus motor sustentado após lesão musculoesquelética. 
Trata-se de um mecanismo protetor usado para imobilizar a lesão ou 
evitar o uso da área afetada.
4. Perda de tônus motor – existem várias condições graves em que 
o tônus motor para o músculo é reduzido ou quase totalmente abolido. 
Em caso de lesões do sistema nervoso central e do nervo periférico, o 
tônus motor pode ser reduzido, resultando num músculo flácido.
SAIBA MAIS:
Para saber mais sobre tonicidade e outros elementos 
da psicomotricidade, leia o livro “Psicomotricidade - 
Filogênese, Ontogênese e Retrogênese”, do autor Vitor da 
Fonseca.
Psicomotricidade
31
Ritmo
O ritmo é marcado no ser humano desde a vida intrauterina, no 
contato direto do feto com o ritmo cardíaco da mãe, conhecido como a 
primeira forma de comunicação humana. O bebê quando nasce já tem 
memória musical. E a última estrutura do sistema nervoso a ser atingida 
no mal de Alzheimer é o arquecerebelo, local onde se processam os 
ritmos e a musicalidade, por isso é de suma importância o trabalho na 
psicomotricidade com os recursos musicais como o ritmo.
DEFINIÇÃO:
RITMO: Substantivo masculino. (poesia) 
Sucessão regular de sílabas acentuadas, 
de que resulta impressão agradável 
ao ouvido; (música) combinação 
simétrica de sons, sob o ponto de 
vista da intensidade e do tempo; 
cadência; movimento regular e medido; 
(medicina) proporção de intensidade 
entre as pulsações arteriais; correlação 
harmoniosa entre as partes de uma 
composição literária ou artística (do 
grego, rhythmos) (FERNANDES, 1993, p. 
610).
Figura 9 – O exercício de ritmo é importante para trabalhar a concentração e a atenção
Fonte: Freepik. 
Psicomotricidade
32
PASSO A PASSO
Nunca comece um trabalho com músicas sem conhecer a música 
ou os componentes do grupo.
Sempre que começar uma música, reproduza-a até o final para que 
a música não fique ecoando nos ouvidos.
Não conhecendo o grupo, comece por meio de ritmos e sons de 
preferência produzidos pelas próprias pessoas do grupo.
Busque conhecer o ritmo da pessoa com quem irá trabalhar, para 
que caminhem no mesmo ritmo.
Trabalhe com música para a reeducação da lateralidade.
Movimento e gesto
O gesto diz algo, e o motor é uma ação. Cada gesto é feito de 
um conjunto de ações que se complementam para atingir um objetivo 
final. Todos os nossos gestos são globais. Para Fonseca (1985, p. 151), “o 
movimento humano reflete uma interligação dos processos emotivos, 
volitivos e intelectuais, dado que constitui em si uma conquista biológica 
da espécie humana. Conclusão, o movimento é fundamentalmente um 
meio de interação humana entre o mundo interno da pessoa e o mundo 
externo dos objetos e dos outros”.
IMPORTANTE:
As atividades rítmicas devem ser trabalhadas de forma a 
causar descontração, prazer, calma e confiança.
O gesto pode ser a postura, a mímica, o sorriso etc. Todos esses 
são reações corporais que traduzem mais ou menos conscientemente 
nossos estados psicoafetivos. Segundo Lapierre (1984), essas mensagens 
são decodificadas pelo outro com referência às suas próprias reações 
psicotônicas. 
Psicomotricidade
33
Coordenação dinâmica das mãos
A coordenação dinâmica das mãos é o domínio harmonioso e 
delicado dos gestos. O desenvolvimento da habilidade manual, incluindo 
o movimento de pinça, facilita a escrita (grafismo). Algumas atividades 
podem desenvolver a habilidade da coordenação dinâmica das mãos, 
como, por exemplo, recorte, escrita e desenho. Tais exercícios tidos como 
óculo-manuais têm como objetivo o domínio do campo visual, associado 
à motricidade fina. 
Figura 10 – A coordenação envolve concentração, organização dos movimentos e 
coordenação visuomotora
Fonte: Freepik. 
A coordenação motora fina é a capacidade de controlar pequenos 
músculos para a realização de habilidades finas. Os exercícios de 
coordenação dinâmica das mãos podem ser realizados com atividades 
como modelagem de massinhas e atividades de pesquisa e recorte 
de letras, visando estimular a destreza, a velocidade e a precisão dos 
movimentos. 
Psicomotricidade
34
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos revisar o que vimos. Você deve ter aprendido que 
a psicomotricidade é caracterizada pelo esquema e pela 
imagem corporal, a coordenação global, o equilíbrio, 
a lateralidade, a orientação espacial, lateroespacial e 
temporal, o tônus, o ritmo e a coordenação dinâmica das 
mãos. Todos esses elementos são considerados básicos 
para o desenvolvimento do indivíduo e são pré-requisitos 
para a aquisição e o desenvolvimento da leitura e da escrita, 
para o conhecimento do corpo em relação aos objetos, 
bem como para o controle e a organização do espaço e 
do tempo. 
Psicomotricidade
35
Diferentes abordagens psicomotoras, 
teoria e prática
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender 
as diferentes abordagens da psicomotricidade. Isso será 
fundamental para o exercício de sua profissão. E então? 
Motivado para desenvolver essa competência? Então 
vamos lá. Avante!
Inicialmente, cabe destacar que 
A Psicomotricidade baseia-se em uma concepção 
unificada da pessoa, que inclui as interações cognitivas, 
sensoriomotoras e psíquicas na compreensão das 
capacidades de ser e de expressar-se, a partir do 
movimento, em um contexto psicossocial. Ela se constitui 
por um conjunto de conhecimentos psicológicos, 
fisiológicos, antropológicos e relacionais que permitem, 
utilizando o corpo como mediador, abordar o ato motor 
humano com o intento de favorecer a integração deste 
sujeito consigo e com o mundo dos objetos e outros 
sujeitos (MARTINS, 2001, p. 98).
De acordo com Martins (2001), os psicomotricistas consideram 
que as potencialidades mentais, emocionais e motoras de um paciente 
estão em frequente interação com o corpo, considerando-o o local de 
manifestação de todo o ser. 
Essa área da ciência diz respeito, portanto, a um conjunto de 
conhecimentos advindos da psicologia, fisiologia, antropologia, que 
possibilitam os sujeitos usar o movimento corporal com a finalidade de 
interagir consigo mesmo e com o mundo a sua volta.
Desse modo, a manifestação do ser humano está nas posturas, nas 
atitudes, nos gestos e nas mímicas, transformando a consciência corporal 
em condição e instrumento da consciência de si. 
Psicomotricidade
36
A psicomotricidade está dividida em duas vertentes: 
 • Psicomotricidade relacional. 
 • Psicomotricidade instrumental. 
A seguir, veremos cada uma delas.
Psicomotricidade relacional
A psicomotricidade relacional surgiu na década de 1970 a partir 
de congressos da área da Psicanálise que contribuíram com uma nova 
visão do corpo como um meio de vivência e espaço de prazer e desejo. 
As sessões de psicomotricidade relacional utilizam em especial jogos 
espontâneos fundamentados na afetividade, no conteúdo emocional das 
vivências e no desenvolvimento socioemocional. 
Na psicomotricidade relacional, o psicomotricista trabalha de 
forma mais permissiva e menos diretiva e atua criando uma segurança 
emocional, permitindo uma evolução do sujeito. 
DEFINIÇÃO:
A psicomotricidade relacional é uma prática que permite à 
criança, ao jovem e ao adulto a expressão e a superação de 
conflitos relacionais, interferindo de forma clara, preventiva 
e terapêutica sobre o processo de desenvolvimento 
cognitivo, psicomotor e socioemocional, na medida em 
que está diretamente vinculado a fatores psicoafetivos 
relacionais, de acordo com Lapierre (2002, p. 24).
A intervenção relacional não leva em consideraçãouma avaliação 
comparativa a uma norma estabelecida. Em vez disso, observa o 
comportamento e os parâmetros psicomotores em relação ao próprio 
corpo, espaço, o outro, o tempo, os objetos e a linguagem e realiza uma 
avaliação individualizada. 
Psicomotricidade
37
Quadro 1 – Objetivos da psicomotricidade relacional
Objetivos 
gerais
Objetivos específicos
Em relação 
com o corpo
Reconhecimento do próprio corpo e de suas partes distintas, 
incluindo o reconhecimento dos membros superiores e inferio-
res em si e no outro. 
Desenvolvimento da coordenação dinâmica global.
Desenvolvimento do controle postural. 
Reconhecimento das próprias partes e limitações.
Desenvolvimento do ajustamento tónico para a ação.
Desenvolvimento da gestualidade facial e corporal.
Em relação 
com o es-
paço
Utilização e exploração de todo o espaço da sala.
Utilização e exploração de alturas distintas. 
Situar-se adequadamente no espaço de acordo com a ação.
Em relação 
com o tempo
Ser capaz de permanecer sentado em roda ou um tempo em 
cada atividade. 
Ser capaz de cumprir e respeitar as regras. 
Ser capaz de escutar os companheiros. 
Ser capaz de se entregar na roda e expressar e partilhar as 
suas experiências. 
Situar-se adequadamente nos limites do tempo.
Em relação 
com os ob-
jetos
Utilização e exploração dos diferentes objetos da sala.
Desenvolvimento do jogo sensório-motor, simbólico e de 
regras. 
Ser capaz de utilizar os diferentes objetos, atribuindo diferen-
tes significados.
Em relação 
com os 
outros
Estabelecer relação com os companheiros e o psicomotricista.
Assumir e desempenhar diferentes papéis e funções.
Ser capaz de reconhecer e identificar sinais corporais no outro 
mediante a linguagem verbal ou não verbal.
Ser capaz de expressar as suas necessidades e sentimentos 
por meio de linguagem verbal ou não verbal.
Ser capaz de esperar e expressar o que sente no momento 
adequado para o efeito.
Ser capaz de resolver os conflitos que possam surgir na convi-
vência com os pares.
Ser capaz de se opor, colaborar ou compartilhar de acordo 
com a função da situação. 
Responder de forma adequada às provocações e às agressões 
com os pares.
Em relação 
com a lingua-
gem
Utilização de uma linguagem adequada à sua idade.
Utilização de diferentes formas de expressão e representação.
Fonte: Adaptado de Aragón (2006).
Psicomotricidade
38
O corpo é o que nos forma materialmente. É através dele que 
estabelecemos relações com tudo ao nosso redor. O corpo é uma 
máquina que carrega as nossas memórias, a nossa religião, as marcas da 
nossa família, as características de uma determinada sociedade, assim 
como as nossas individualidades.
Psicomotricidade instrumental
A corrente mais tradicional da psicomotricidade enquanto 
reeducação é a psicomotricidade instrumental. Essa corrente aponta que 
o processo de desenvolvimento humano é decorrente dos processos de 
maturação, baseando-se em três princípios:
 • Biomédicos.
 • Cognitivistas.
 • Neuropsicológicos. 
Essa vertente da psicomotricidade, também conhecida como 
funcional ou normativa, baseia-se em aspectos motores e cognitivos, tendo 
como fundamentação uma concepção normativa do desenvolvimento 
humano e como referência os comportamentos e as competências 
esperados para cada etapa do desenvolvimento. 
Seu foco principal e essencial consiste na:
 • Gestão emocional.
 • Adaptação a diferentes contextos.
 • Regulação de comportamentos.
A psicomotricidade centrada na intervenção com componente 
instrumental contém uma base mais cognitiva e neuropsicológica iniciada, 
privilegiando o uso de situações-problema, fazendo com que haja reflexão, 
invenção, expressão e transposição, promovendo a possibilidade de as 
atividades propostas funcionarem como um escape criativo, libertador do 
imaginário do indivíduo. 
É necessário sempre ter em mente que o indivíduo é o corpo, é a 
ação, é o movimento, a emoção e o comportamento.
Psicomotricidade
39
SAIBA MAIS:
Corpo e afeto: reflexões em Ramain-Thiers é um livro que 
aborda questões sobre o ser da atualidade, suas ações, seus 
pensamentos e suas emoções.  A metodologia Ramain-
Thiers, desenvolvida por Solange Thiers, tem como base 
a psicomotricidade, a Psicanálise e a Filosofia. A visão total 
do ser integral, por meio do seu corpo, seus afetos e sua 
ação, propicia o fazer, gerando uma sensação produtiva de 
inserção social e grupal.
Figura 11 – Psicomotricidade Relacional
Fonte: Freepik. 
Os objetivos da psicomotricidade instrumental deverão ser 
definidos a depender do instrumento de avaliação escolhido, que pode 
ser padronizado e mais qualitativo ou quantitativo. Ela tem como foco 
principal a cognição e a motricidade.
No entanto, são utilizadas pela psicomotricidade instrumental, por 
diversas vezes, as situações-problema, os jogos de desafio, os percursos, 
de modo a fazer com que o indivíduo tenha a oportunidade de realizar a 
expansão das suas competências cognitivas e motoras.
Psicomotricidade
40
Figura 12 – Psicomotricidade instrumental
 
Fonte: Freepik. 
ACESSE:
Para ver exemplos de alguns aspectos da psicomotricidade 
relacional, assista ao filme Patch Adams (1998), que trata 
de um médico que sai de uma instituição e entra em uma 
faculdade com seus métodos poucos convencionais e 
que causam espanto inicialmente, mas que, aos poucos, 
vão conquistando todos, com exceção do reitor, que quer 
arrumar um motivo para expulsá-lo, apesar de ele ser o 
primeiro da turma.
Em um contexto mais genérico, Aragón (2006) expõe os objetivos 
para os quais a psicomotricidade instrumental pode ser utilizada, sendo 
organizados em três esquemas psicomotores que servem para orientar a 
intervenção: 
 • Esquema corporal, abrangendo objetivos específicos no âmbito da 
percepção global do corpo, do tónus e da relaxação, do equilíbrio, 
da lateralidade e da coordenação global e segmentária. 
Psicomotricidade
41
 • Esquema espacial, em específico a orientação espacial e as 
noções espaciais sobre o outro. 
 • Esquema temporal, englobando a aquisição de noções básicas 
de velocidade, duração, continuidade, irreversibilidade e 
intervalo, bem como a tomada de consciência de relações de 
simultaneidade, sucessão, diferentes momentos do tempo, 
consciência da sucessão e a coordenação de diversos elementos 
(ARAGÓN, 2006).
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos revisar o que vimos. Você deve ter aprendido que 
os psicomotricistas consideram que as potencialidades 
mentais, emocionais e motoras de um paciente estão em 
frequente interação com o corpo, considerando-o o local de 
manifestação de todo o ser. Estudamos a psicomotricidade 
relacional e a psicomotricidade instrumental. A corrente 
mais tradicional da psicomotricidade enquanto reeducação 
é a psicomotricidade instrumental.
Psicomotricidade
42
Hemisférios cerebrais na 
psicomotricidade
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender 
como funcionam os hemisférios cerebrais e sua relação com 
a psicomotricidade. Isso será fundamental para o exercício 
de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver essa 
competência? Então vamos lá. 
Os hemisférios cerebrais têm funções distintas e bem definidas no 
gerenciamento do corpo humano, capacidade essa que, de certa forma, 
é pré-definida por alicerces genéticos, que, além disso, permitem-nos 
funcionar de forma parcialmente independente, mesmo quando isolados 
um do outro. O cérebro é formado por aproximadamente 100 bilhões de 
células nervosas, chamadas neurônios. Estes se comunicam por meio de 
transmissões de sinais eletroquímicos.
O cérebro realiza várias tarefas, por exemplo, ele controla os nossos 
movimentos físicos ao andarmos, falarmos, sentarmos ou ficarmos de 
pé. Além disso, controla a temperatura corpórea, a pressão arterial, a 
frequência cardíaca,a respiração, deixa-nos pensar, sonhar, raciocinar, 
sentir emoções e recebe milhares de informações vindas dos nossos 
sentidos (audição, visão, olfato, tato, paladar). O cérebro é dividido em 
dois hemisférios: o direito e o esquerdo, que, apesar de parecerem 
espelhados, possuem funções e competências diferentes. 
Por exemplo, o mecanismo de processamento do hemisfério 
direito tem superioridade sobre o esquerdo nas tarefas espaciais e nas 
não verbais. Além disso, esse mesmo hemisfério processa também um 
importante sistema de controle dos movimentos rítmicos, processando 
ritmo interno com o ritmo externo, possibilitando a harmonia da dança, 
do caminhar e do falar, a percepção automática da diminuição ou do 
aumento de velocidade enquanto se dirige e o consequente reajuste 
automático na velocidade desejada (possibilitada pela perfeita harmonia 
Psicomotricidade
43
da intercomunicação hemisférica). Enquanto isso, a temporalidade e a 
ritmicidade são de competência do hemisfério esquerdo. 
Já o hemisfério esquerdo tem superioridade ao direito nos 
processamentos temporais, verbais e outros, como harmonia da 
motricidade, processando o tempo da ação do movimento desejado, 
assim como organizando o programa sequencial do movimento e fazendo 
a transição de um movimento para outro, dando melhor performance 
com a contribuição da informação declarativa no processo que estiver 
desempenhando. 
Figura 13 – OS hemisférios cerebrais 
 
Fonte: Freepik (2021). 
Vejamos no quadro a seguir as competências de cada hemisfério 
cerebral.
Psicomotricidade
44
Quadro 2 – Competências dos hemisférios cerebrais
Competências do hemisfério direito Competências do hemisfério esquerdo
• Percepção e processamento 
espacial.
• Habilidades perceptivas 
visuoespaciais.
• Melhor competência nos 
processamentos visuomotores.
• Responsável pelo processamento 
espacial dos aspectos motores.
• Orientação espacial (profundidade e 
distância).
• Organização do esquema corporal.
• Controle postural.
• Processamento para as notas 
musicais e para os sons de animais.
• Habilidades musicais.
• Processamento de movimentos 
rítmicos.
• Processamento do ritmo interno e 
externo, que influenciam na qualidade 
do andar, dançar e falar.
• Processamento simultâneo e 
holístico das informações.
• Reconhecimento de faces e 
expressões faciais.
• Reconhecimento de figuras 
geométricas por meio do tato 
(esteriognosia) e da visão.
• Melhor performance na realização 
de tarefas de natureza não verbal 
relativa à espacialidade.
• Processa informações visuais de 
baixas frequências espaciais.
• Melhor competência para 
processamento perceptual em 
habilidades grosseiras.
• Vê a figura como um todo (gestalt).
• Nas lesões, desenvolvem quadros 
de agnosias e apraxias.
• Processamento da fala.
• No pensamento intelectual, racional, 
verbal e analítico.
• Processamento de construções 
gramaticais mais complicadas.
• Melhor performance para identificar 
letras feitas na palma da mão direita 
(esteriognosia).
• Percepção e processamento 
temporal.
• Superioridade em caracterizar o 
parâmetro temporal no comando 
motor.
• Precisão e velocidade.
• Participa no controle sequencial do 
programa motor.
• Importante na sucessão de transição 
postural de um movimento para outro.
• Participa no programa de movimentos 
sequenciais dos dois lados do corpo.
• Reconhecimento de palavras;
• Nomeia objetos colocados na mão 
direita.
• Processamentos analíticos (em 
especial na produção e compreensão 
da linguagem).
• Melhor habilidade para 
reconhecimento da fala humana.
• Prontidão de ação no comportamento 
humano, devido a maior concentração 
de dopamina no globo pálido 
esquerdo.
• Organização e “timing” do movimento 
sequencial.
• É mais adaptado para processar altas 
frequências audiovisuais.
• É especializado em codificar 
informações finas.
• Identifica a figura-fundo (no jogo dos 
sete erros).
• Nas lesões desse hemisfério, 
apresentam quadros de afasia.
Fonte: Elaborado pela autora (2021).
Psicomotricidade
45
Sistema psicomotor humano (SPMH)
De acordo com Vayer e Toulouse (1982), o SPMH baseia-se em 
estruturas simétricas do sistema nervoso, compreendendo o tronco 
cerebral, o cerebelo, o mesencéfalo e o diencéfalo, que constituí a 
integração e a organização psicomotora da tonicidade, da equilibração 
e parte da lateralização e também de estruturas assimétricas 
compreendendo os dois hemisférios cerebrais, que asseguram a 
organização psicomotora da noção do corpo, da estruturação espaço-
temporal e da praxia global e fina, exclusivas da espécie humana devido à 
sua complexidade organizativa e sistemática.
A dinâmica sistemática do SPMH prevê a participação conectada 
e dinâmica das três unidades funcionais do cérebro, que são: integração 
(Unidade I), elaboração (Unidade II) e expressão do movimento voluntário 
(Unidade III).
A primeira unidade abrange as funções psicológicas vitais da 
integração e da atenção e é responsável pelos fatores psicomotores 
da tonicidade e do equilíbrio. A segunda unidade abrange as funções 
psicológicas de análise, síntese e armazenamento, que são responsáveis 
pela noção do corpo e da estruturação espaço-temporal. E a terceira 
unidade abrange a planificação, a programação e a regulação responsáveis 
pela praxia global e da praxia fina.
As três unidades em permanente integração formam uma 
constelação de trabalho que processa a motricidade, organizando-a 
antecipadamente antes que se constitua em produto final. Tal constelação 
de trabalho, verdadeiro sistema harmonioso e autogeneralizado, 
composto de subsistemas espalhados pelo todo cerebral, preside a 
organização psicomotora humana, como conjunto de componentes 
ordenados e integrados.
Divisão funcional do córtex cerebral
O  córtex cerebral  é a fina camada de substância cinzenta que 
recobre o cérebro. Ele é uma das regiões mais importantes do sistema 
Psicomotricidade
46
nervoso central (SNC). Ele recebe impulsos de todas as vias da 
sensibilidade, sendo o responsável pela interpretação e resposta de 
todas essas informações. O córtex cerebral é responsável por muitas das 
funções mentais mais complexas e desenvolvidas, como a linguagem e o 
processamento de informações.
O córtex cerebral é dividido em áreas denominadas lobos cerebrais, 
cada uma com funções diferenciadas e especializadas. São os lobos: 
frontal, parietal, temporal e occipital.
Figura 14 – Cérebro
Fonte: Freepik. 
Lobo frontal
No  lobo frontal, localizado na parte da frente do cérebro (testa), 
ocorre o planejamento de ações e movimentos, bem como o pensamento 
abstrato. Nele estão incluídos o córtex motor e o córtex pré-frontal.
O córtex motor controla e coordena a motricidade voluntária, sendo 
que o córtex motor do hemisfério direito controla o lado esquerdo do 
corpo do indivíduo, enquanto o do hemisfério esquerdo controla o lado 
direito. Um trauma nessa área pode causar fraqueza muscular ou paralisia.
São executados pelo córtex pré-motor a aprendizagem motora e os 
movimentos de precisão. Essa área fica mais ativa do que o restante do 
cérebro quando pensamos em um movimento sem executá-lo. Lesões 
Psicomotricidade
47
nessa área não chegam a comprometer a ponto de o indivíduo sofrer 
uma paralisia ou problemas para planejar ou agir, porém a velocidade de 
movimentos automáticos, como os da fala e os gestos, é comprometida.
Lobos occipitais
Os lobos occipitais ficam localizados na parte inferior do cérebro e 
são cobertos pelo córtex cerebral. Eles processam os estímulos visuais 
e, por isso, também são conhecidos por córtex visual. Possuem várias 
subáreas que processam os dados visuais recebidos do exterior depois de 
estes terem passado pelo tálamo, uma vez que há zonas especializadas: 
a visão da cor, do movimento, da profundidade, da distância, e assim por 
diante. Após passarem por essa área, chamada área visual primária, as 
informações são direcionadas para a área de visão secundária,onde são 
comparadas com dados anteriores, permitindo que o sujeito identifique, 
por exemplo, um gato, uma moto ou uma maçã. 
O significado do que vemos, porém, é dado por outras áreas 
do cérebro, que se comunicam com a área visual, considerando as 
experiências passadas e nossas expectativas. Isso faz com que o mesmo 
objeto não seja percepcionado da mesma forma por diferentes indivíduos. 
Quando essa área sofre uma lesão, há a impossibilidade de reconhecer 
objetos, palavras e até mesmo rostos de pessoas conhecidas ou de 
familiares. Essa deficiência é conhecida como agnosia.
Lobos temporais
Os lobos temporais ficam localizados acima das orelhas e 
apresentam como função principal o processamento de estímulos. Como 
acontece nos lobos occipitais, as informações são processadas por 
associação. Ao estimular a área auditiva primária, os sons são produzidos 
e enviados à área auditiva secundária, que interage com outras zonas 
do cérebro, atribuindo um significado e, assim, permitindo ao indivíduo 
reconhecer o que está ouvindo.
Psicomotricidade
https://www.infoescola.com/sistema-nervoso/talamo/
48
Lobos parietais
Os lobos parietais estão localizados na região superior do cérebro 
e são constituídos por duas subdivisões, a anterior e a posterior. A 
subdivisão anterior também é conhecida como córtex somatossensorial 
e tem a função de possibilitar a percepção de sensações, como o tato, a 
dor e o calor. Por ser a área responsável por receber os estímulos obtidos 
do ambiente exterior, representa todas as áreas do corpo humano. Essa é 
a zona mais sensível, por isso ocupa mais espaço do que a zona posterior, 
uma vez que tem mais dados a serem interpretados, captados pelos 
lábios, pela língua e pela garganta. 
Na zona posterior, que é uma área secundária, ocorre a análise, 
a interpretação e a integração das informações recebidas pela anterior, 
que é a zona primária, permitindo ao indivíduo se localizar no espaço, 
reconhecer objetos por meio do tato etc.
RESUMINDO:
Estudamos neste capítulo, como reconhecer a importância 
da psicomotricidade, entendendo suas abordagens e 
aplicação ao ciclo vital, como os hemisférios cerebrais, por 
exemplo.
Vejamos agora o resumo dos papéis dos dois hemisférios 
cerebrais:
O HEMISFÉRIO ESQUERDO É RESPONSÁVEL POR:
 • Linguagem / matemática (lógica, sequência).
 • Análise / palavra (praxias).
 • Atividades simbólicas e acadêmicas.
O HEMISFÉRIO DIREITO É RESPONSÁVEL POR:
 • Rima / música (ritmo).
 • Simultaneidade (pintura, síntese).
 • Imagem (postura).
 • Atividades criativas, não simbólicas.
Psicomotricidade
https://www.infoescola.com/anatomia-humana/lingua/
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REFERÊNCIAS
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Pirâmide, 2006.
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2001.
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Científicos. São Paulo: EDUSP, 1981.
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práticas entre o instrumental e o relacional. In: FONSECA, V.; MARTINS, R. 
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psique. São Paulo: Martins Fontes, 1994.
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Médicas, 1982.
Psicomotricidade
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	Psicomotricidade, história e conceituação
	Elementos base da psicomotricidade 
	Esquema e imagem corporal
	Coordenação global
	Equilíbrio
	Lateralidade
	Dominância lateral
	Desvio da lateralidade
	Orientação espacial, lateroespacial e temporal
	Tônus
	Tônus muscular e tônus motor 
	Ritmo
	Movimento e gesto
	Coordenação dinâmica das mãos
	Diferentes abordagens psicomotoras, teoria e prática
	Psicomotricidade relacional
	Psicomotricidade instrumental
	Hemisférios cerebrais na psicomotricidade
	Sistema psicomotor humano (SPMH)
	Divisão funcional do córtex cerebral
	Lobo frontal
	Lobos occipitais
	Lobos temporais
	Lobos parietais

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