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Unidade 1 Fundamentos da psicomotricidade Psicomotricidade Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria VIVIANA GONDIM DE CARVALHO AUTORIA Viviana Gondim de Carvalho Sou doutoranda em Humanidades, Culturas e Artes, mestre em Letras e Ciências Humanas, pós-graduada em Psicopedagogia e Docência do Ensino Superior. Sou especialista em Informática Educativa e graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Autora de artigos e livros didáticos. Atuo na área Educacional, com ênfase em Educação a Distância, Psicopedagogia, Comunicação, Recursos Humanos e Neuroeducação. Atuei em grandes empresas nacionais e multinacionais consolidando a educação virtual, desenvolvendo materiais didáticos e preparando ambientes multimidiáticos. Coordenei Fábricas de Conteúdos, desenvolvendo produtos para Educação a Distância, como apostilas, games, simuladores, vídeos etc. Atualmente atuo na Educação a Distância e desenvolvo pesquisas sobre a utilização de tecnologia a fim de melhorar o desempenho dos alunos por meio das ferramentas tecnológicas. ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de apresentar um novo conceito; NOTA: quando necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido; ACESSE: se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando uma competência for concluída e questões forem explicadas; SUMÁRIO Psicomotricidade ........................................................................................ 12 Psicomotricidade, história e conceituação .................................................................. 12 Elementos base da psicomotricidade .............................................. 21 Esquema e imagem corporal .................................................................................................22 Coordenação global ......................................................................................................................23 Equilíbrio ................................................................................................................................................24 Lateralidade ........................................................................................................................................25 Dominância lateral .......................................................................................................25 Desvio da lateralidade ..............................................................................................26 Orientação espacial, lateroespacial e temporal .......................................................27 Tônus ........................................................................................................................................................28 Tônus muscular e tônus motor .........................................................................29 Ritmo ........................................................................................................................................................ 31 Movimento e gesto .....................................................................................................32 Coordenação dinâmica das mãos ......................................................................................33 Diferentes abordagens psicomotoras, teoria e prática .............. 35 Psicomotricidade relacional ................................................................................................... 36 Psicomotricidade instrumental ............................................................................................ 38 Hemisférios cerebrais na psicomotricidade ....................................42 Sistema psicomotor humano (SPMH) ...............................................................................45 Divisão funcional do córtex cerebral ................................................................................45 Lobo frontal ........................................................................................................................................ 46 Lobos occipitais ................................................................................................................................47 Lobos temporais ..............................................................................................................................47 Lobos parietais ................................................................................................................................. 48 9 UNIDADE 01 Psicomotricidade 10 INTRODUÇÃO Você já observou como seu corpo se movimenta? A ciência que estuda o ser humano por meio do seu movimento nas diversas relações chama-se psicomotricidade. O objeto de estudo dela é o corpo e a sua expressão dinâmica e tem três princípios básicos: movimento ou motricidade, intelectivo/cognição/pensamento e o afeto/emoção/ sentimento. A psicomotricidade é baseada na concepção unificada da pessoa, ou seja, a inclusão das áreas cognitivas, sensório-motoras e psíquicas para que seja possível compreender todos os movimentos e interações dos seres humanos. Ela é constituída por uma gama de conhecimentos antropológicos, fisiológicos, psicológicos e inter- relacionais nos quais o corpo é utilizado como mediador. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você mergulhará nesse universo! Psicomotricidade 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo a nossa Unidade 1, e o nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Compreender a psicomotricidade e a sua importância na saúde e na educação. 2. Entender os aspectos históricos e as bases da psicomotricidade. 3. Discernir sobre os aspectos conceituais da psicomotricidade que caracterizam o desenvolvimento psicomotor. 4. Reconhecer a importância da psicomotricidade, entendendo suas abordagens e aplicação ao ciclo vital, como os hemisférios cerebrais, por exemplo. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Psicomotricidade 12 Psicomotricidade OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funciona a psicomotricidade. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante!. Psicomotricidade, história e conceituação Quando tratamos de psicomotricidade, devemos, inicialmente, dividir a palavra para a sua compreensão: • Psico – intelectual, cognitivo emocional, neurológico, mental e afetivo. • Motricidade – ato, movimento, gesto, ação. Desse modo, unificando essas delimitações das palavras que formam a psicomotricidade, podemos entendê-la como a realização de um pensamento por meio de um ato motor harmonioso, coeso e econômico, exigindo, para essa realização, uma afetividade equilibrada. A Psicomotricidade está presente no desenvolvimento dos sujeitos desde o nascimento. Logo, onde existe vida, existe o movimento. Inclusive,quando nascemos, as nossas primeiras reações são motoras e nossa evolução é marcada através dos nossos movimentos. Compreender a abordagem da psicomotricidade implica buscar na França suas fontes históricas. No início do século XX, o pensamento da Psiquiatria Infantil estava ligado às correspondências anátomo- neurofisiológicas do psiquismo. Nesse quadro de predomínio do neurologismo, surgiu a noção de “paralelismo psicomotor” de Dupré, desenvolvida por Heuyer (1952, n.p.): “Há uma estreita ligação entre o desenvolvimento da motricidade, da inteligência e da afetividade”. Psicomotricidade 13 Figura 1 – Gestos e a psicomotricidade Fonte: Pixabay. VOCÊ SABIA? Os franceses se conscientizavam sobre a importância do gesto e pesquisavam profundamente os temas corporais. Tanto que foram eles que cunharam as primeiras palavras- chave da psicomotricidade. Assim, no Brasil, a psicomotricidade seguiu os passos da Escola Francesa Os estudos de Dupré e Charcot originados da via instinto emocional – a busca às respostas das crianças com dificuldades escolares – nortearam também os cientistas sul-americanos e brasileiros a encontrarem, na França, o refúgio para suas dúvidas. Era clara e nítida a influência da Escola Francesa de Psiquiatria Infantil e da Psicologia no início do século no mundo todo. (COSTALLAT, 2002, p. 98) A psicomotricidade surgiu, portanto, no âmbito da Neuropsiquiatria e da Educação. Suas primeiras teorizações ocorreram no início deste século. Nesse primeiro momento, o conceito de psicomotricidade privilegiou o funcionamento corporal, e utilizaram-se técnicas de Psicomotricidade 14 reeducação instrumentais que “desenvolviam” aspectos específicos, como o tônus, a coordenação, o ritmo, a organização espacial e a noção de esquema corporal. Criaram-se instrumentos de avaliação e aferição das capacidades e exercícios curativos que visavam à coordenação, à tonicidade, ao esquema corporal, à orientação espacial, à afirmação da lateralidade e ao ritmo etc. A ênfase maior era dada à performance, sobretudo escolar. ACESSE: Saiba mais sobre o surgimento da psicomotricidade acessando um site que aborda o assunto aqui. Um conhecido teórico da psicomotricidade, Ajuriaguerrac, junto com Diatkine, acabou por romper com o “imperialismo neurológico” durante suas práticas no Hospital Henri Rousselle. Ajuriaguerrac deu ênfase à Psicologia Genética e sintetizou as teorias de Piaget e Wallon com as da Psicanálise de Freud e seus seguidores. Teve início aí uma nova classificação de distúrbio psicomotor que ia além da perturbação do paralelismo psicomotor. Jolivet continuou o trabalho iniciado no Hospital Henri Rousselle e, em 1970, definiu a psicomotricidade como a “motricidade em relação”. A partir desse momento, duas tendências no tratamento psicomotor passaram a coexistir. De um lado, a reeducação psicomotora, mantendo-se próxima do instrumental e do cognitivo, visando promover o desenvolvimento tônico-motor e espaço-temporal com exercícios estruturados, a organização do esquema corporal e a afirmação da lateralidade. De outro, a terapia psicomotora, por meio de atividades psicomotoras livres, dando-se mais ênfase à expressão corporal, à relação afetiva, como meio de atingir as fantasias e os conflitos da criança, e proporcionando a afirmação de seu desejo e a busca de conhecimento e pesquisa da realidade, de um jeito mais espontâneo. Psicomotricidade https://psicomotricidade.com.br/a-historia-da-psicomotricidade-e-da-abp/ 15 Alguns psicomotricistas começaram a difundir sua prática e fizeram publicações de seus métodos e técnicas. André Lapierre foi um deles e era considerado o psicomotricista de maior peso, sendo o criador da psicomotricidade relacional. SAIBA MAIS: André Lapierre é considerado o pai da psicomotricidade relacional, uma vertente da psicomotricidade que dá ênfase aos aspectos afetivo-emocionais e relacionais do ser humano. Lapierre foi professor de Educação Física, cinesioterapeuta e psicoeducador. Foi também presidente da Sociedade Francesa de Educação e Reeducação Psicomotora. Começou a se afastar da Fisioterapia em 1977, pois entendia que essa profissão, junto com a Educação Física, teria herdado da medicina um modelo mecânico do corpo, sobretudo no âmbito psicoafetivo, no qual observa os fantasmas corporais. Segundo Lapierre (2002, p. 39), na psicomotricidade, existe a mesma regra de associação livre psicanalítica: “substituindo o dizer pelo fazer, o discurso pela ação. É o que chamamos espontaneidade”. Então, podemos conceituar a psicomotricidade como uma ciência do homem em movimento, das relações com o corpo, consigo e com o mundo, utilizando sua corporeidade. É por meio do estudo da psicomotricidade que se torna possível entender a forma como a criança toma consciência do seu corpo e das formas de se expressar através dele. Além disso, por meio dela, conseguimos traçar, no ambiente escolar, os elementos para que as crianças passem de uma etapa de vida para outra. Psicomotricidade 16 Figura 2 – Evolução da criança no ambiente escolar por meio da psicomotricidade Fonte: Freepik. Para que haja essa evolução da criança, são necessários três fatores alinhados: 1. Afetividade. 2. Inteligência. 3. Motricidade. Além disso, em seu conceito, a psicomotricidade contém três elementos básicos: 1. Movimento – deslocamento de um corpo no espaço; série de atividades organizadas com uma finalidade; refere-se à ação. Os movimentos têm sua importância biológica, psicológica, social e cultural e são essenciais, pois o sujeito se relaciona com o meio por meio deles. O movimento pode ser resumido em três pontos: • Poder fazer. • Sistema reticular. • Responsável pelo controle de inúmeros movimentos do corpo. 2. Intelecto – está relacionado com a inteligência, com a capacidade de aprender. Então, quanto mais o sujeito adquire conhecimento, mais o seu intelecto terá maturidade. A aprendizagem acontece Psicomotricidade 17 devido ao desenvolvimento cognitivo. Os três pontos através dos quais podemos resumir o intelecto são: • Saber fazer. • Córtex cerebral. • Responsável pela nossa capacidade de pensar. 3. Afeto - está relacionado às emoções, ao sentimento de afeição, de carinho e de empatia. Este, por sua vez, pode ser sintetizado através dos seguintes pontos: • Querer fazer. • Sistema límbico. • Responsável pelas emoções e pelo comportamento social. Nas palavras de Fonseca (1998, p. 368), a Psicomotricidade é uma ciência da educação que tem como objeto de estudo, o homem, seu corpo em movimento, a interação com o meio externo e ao mesmo tempo, o desenvolvimento da inteligência. Quanto mais numerosas e mais ricas forem as situações vividas pela criança, maior será o número de esquemas por ela adquirido. Em seguida, Fonseca ainda afirma que (1998, p. 369) A psicomotricidade pretende atingir, na sua ação preventiva e terapêutica, a organização neuropsicomotora da noção do corpo como marco espaço-temporal, sendo fundamental a qualquer processo de conduta ou de aprendizagem, ou seja, procura analisar, conhecer o corpo nas suas relações múltiplas, constituindo um esquema representacional. Observando esse conceito, podemos enxergar que a psicomotricidade acontece por meio do desenvolvimento psicomotor, e ela é conceituada como uma manifestação instintiva do indivíduo. No entanto, é necessário que haja um auxílio de forma adequada para não haver um retardo. Quando o indivíduo conhece o seu próprio corpo por meio dos movimentos, ele terá como resultado um desenvolvimento global irreversível. Psicomotricidade 18 É necessário que os indivíduos e, principalmente, as crianças, desempenhem atividades coletivas que lhes possibilitem aprimorar a sua criatividade, maturação e espontaneidade. É de forma concomitante que são construídos os processos de desenvolvimentoe crescimento do ser humano, e, ao mesmo tempo, nesse processo, ele cultiva os hábitos de lazer, higiene e alimentação. A educação psicomotora deve ser considerada como uma educação de base na escola primária. Ela condiciona todos os aprendizados pré-escolares; leva a criança a tomar consciência de seu corpo, da lateralidade, a situar- se no espaço, a dominar seu tempo, adquirir habilmente a coordenação de seus gestos e movimentos. A educação psicomotora deve ser praticada desde a mais tenra idade; conduzida com perseverança, permite prevenir inadaptações difíceis de corrigir quando já estruturadas. (LE BOULCH, 1984, p. 21-25) Na atualidade, diferentes profissionais buscam o estudo sobre a psicomotricidade, de forma especial, os profissionais da educação e da saúde se dedicam ao seu estudo. Isso porque o trabalho psicomotor é elemento básico no auxílio para aprendizagem. Figura 3 – Trabalho psicomotor Fonte: Freepik. Psicomotricidade 19 Como então a psicomotricidade se estrutura? Ela se estrutura em três fundamentos: • No desenvolvimento do eu corporal. • Na localização própria e na orientação no espaço. • Na orientação temporal. E em que a psicomotricidade se fundamenta? O fundamento da psicomotricidade encontra-se em três atividades: • Motoras – que consistem em atividades de cunho global de todo o corpo. • Sensório-motoras – percepções de diferentes lições por meio da manipulação dos instrumentos. • Percepto-motoras – análise de cunho profundo das funções intelectuais e motoras, como a representação mental, a análise perceptiva e a determinação de pontos de referência. Por fim, cabe destacarmos quais são os objetivos da psicomotricidade, a saber: Figura 4 - Objetivos da psicomotricidade Fonte: Freepik. Psicomotricidade 20 • Visa vivenciar estímulos sensoriais para que possa discriminar as partes do corpo e, assim, poder exercer um controle sobre elas. • Visa vivenciar situações que permitam adquirir pré-requisitos necessários para o aprendizado da leitura e da escrita. • Visa vivenciar, por meio da percepção do corpo, uma organização espacial e temporal. Em outras palavras, a psicomotricidade é utilizada durante toda a vida, pois sempre aprendemos coisas novas. Mas ela ainda é mais fundamental quando criança, para que seja possível aprender os primeiros movimentos básicos, que são essenciais. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos revisar o que vimos. Você deve ter aprendido que, no início do século XX, o pensamento da Psiquiatria Infantil estava ligado às correspondências anátomo-neurofisiológicas do psiquismo. A psicomotricidade surgiu, portanto, no âmbito da Neuropsiquiatria. Criaram-se instrumentos de avaliação e aferição das capacidades e exercícios curativos. Então, surgiu a reeducação psicomotora, mantendo-se próxima do instrumental e do cognitivo, visando à promoção do desenvolvimento tônico-motor e espaço-temporal com exercícios estruturados, a organização do esquema corporal e à afirmação da lateralidade. Psicomotricidade 21 Elementos base da psicomotricidade OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender os elementos básicos da psicomotricidade. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. A psicomotricidade é caracterizada pelos seguintes elementos: a. Esquema e imagem corporal. b. Coordenação global. c. Equilíbrio. d. Lateralidade. e. Orientação espacial, lateroespacial e temporal. f. Tônus. g. Ritmo. h. Coordenação dinâmica das mãos. Todos esses elementos são considerados básicos para o desenvolvimento do indivíduo e são pré-requisitos para a aquisição e para o desenvolvimento da leitura e da escrita, do conhecimento do corpo em relação aos objetos, bem como do controle e da organização do espaço e do tempo. O homem é, antes de tudo, um ser falante e, ao denominar-se, fala de seu corpo: eis o que o caracteriza. Em contrapartida, seu corpo fala por ele e até, por vezes, à sua revelia. O sentir é vital, tudo que é vivido, sentido, passado na vida fica marcado no corpo. É a partir do sensório- motor que passamos a dar sentido ao nosso viver. A partir das experiências sensoriais (os cinco sentidos), isto é, da visão, da audição, do paladar, do tato e do olfato, além dos estímulos recebidos no dia a dia desde a vida intrauterina, constituímo-nos, e nossa Psicomotricidade 22 percepção de tudo partirá das sensações que sentiremos ao sermos expostos a esses estímulos sensoriais. Vejamos a seguir as especificidades de cada um desses elementos. Esquema e imagem corporal A imagem corporal está ligada ao afeto, à emoção, e o esquema corporal é o conhecimento do corpo, o esquema é real. A imagem corporal só existe se o corpo for tocado ou falado. O que interessa para o ser humano é a diferença. “EU não sou o outro”. O lactente é um corpo que sofre em sua prematuridade orgânica, e só sobrevive graças ao corpo do outro. Encontra-se em total estado de simbiose com quem cuida dele, não distingue o eu do não eu. Depois, a criança entra na fase do espelho e começa a perceber a diferença entre o eu e o outro, passando a reconhecer as partes do seu corpo e a se reconhecer diante do espelho, formando, assim, sua imagem corporal. NOTA: O termo “imagem corporal”, com base na psicomotricidade, refere-se à imagem ou à representação mental, que abrange aspectos afetivos, sociais e fisiológicos. Figura 5 – Esquemas corporais Fonte: Pixabay. Schilder, em seu livro “A Imagem do Corpo” (1994), diz que: Psicomotricidade 23 A Imagem do Corpo humano é a imagem do nosso próprio corpo que formamos em nosso espírito, por outras palavras, o modo como nosso corpo se apresenta a nós mesmos. (SCHILDER, 1994, p. 35) EXEMPLO A estimulação do esquema corporal torna o corpo da criança como um ponto de referência básico para a aprendizagem de todos os conceitos indispensáveis à alfabetização (noções de em cima, embaixo, na frente, atrás, esquerda, direita). Algumas brincadeiras são essenciais para o desenvolvimento do esquema corporal, tais como: • Estátua. • • Jogos de imitação • Cantar músicas que falem sobre as partes do corpo • Apontar as partes do corpo em si mesmo e no corpo do colega • Juntar as partes de um boneco desmontável (quebra-cabeça) • Desenhar uma figura humana no quadro, parte por parte. • Deitar no chão e desenhar o contorno do corpo de uma das crianças, depois completar suas partes • Explorar o próprio corpo com as mãos, de olhos abertos e fechados, depois representá-lo utilizando vários materiais, como guache, espuma, gel e farinha • Releituras de obras artísticas que privilegiem o corpo humano • Completar o desenho de uma figura humana com o que estiver faltando etc. Coordenação global A coordenação global é caracterizada por um bom domínio do corpo. Quando há algum distúrbio no desenvolvimento da coordenação (tanto na global quanto na dinâmica das mãos), o indivíduo poderá apresentar dificuldades escolares, como disgrafia, escrever ultrapassando as linhas e margens do caderno e dificuldade nos gestos. Psicomotricidade 24 Figura 6 – A habilidade manual ou destreza constitui um aspecto particular da coordenação global Fonte: Freepik. IMPORTANTE: A coordenação global é uma condição mínima necessária para uma boa aprendizagem e constitui a estrutura da educação psicomotora. O desenvolvimento da psicomotricidade necessita do apoio constante por meio de estimulação. Desse modo, não é um trabalho exclusivo de um único profissional, e sim de todos os profissionais envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. Por meio da coordenação motora global, é possível ter controle dos movimentos amplos do corpo, como andar,correr, rolar, saltar, rastejar, engatinhar, entre outros. Equilíbrio Psicomotricidade 25 O equilíbrio pode ser compreendido como a capacidade que o indivíduo possui de manter a postura bípede, tanto quando está parado quanto quando está em movimento. Segundo Luria (1981, p. 18), o equilíbrio é o responsável pelos ajustes posturais antigravitários, estabelecendo autocontrole nas posturas estáticas e no desenvolvimento de padrões locomotores. O equilíbrio depende essencialmente dos sistemas labiríntico e plantar. EXEMPLO O equilíbrio é dividido em dois: Equilíbrio dinâmico – caminhar sobre uma prancha, equilibrar-se sobre um pé só, inclinar-se verticalmente para frente e para trás. Equilíbrio estático – Manter-se sentado corretamente, andar na ponta dos pés, andar com um copo cheio de água na mão. Andar em cima de uma corda estendida no chão. Lateralidade A lateralidade é a capacidade motora de percepção dos dois lados do corpo, ou seja, direita e esquerda. A predominância de um dos lados do corpo nas atividades do indivíduo ocorre em função do hemisfério cerebral mais utilizado. Vejamos a seguir a determinação da dominância lateral. Dominância lateral A dominância lateral é definida a partir da preferência neurológica que se tem por um lado do corpo, no que diz respeito à mão, ao pé, ao olho e ao ouvido. Tal preferência é muito importante para o desenvolvimento de diferentes atividades, incluindo a leitura. Alguns indivíduos são ambidestros, ou seja, utilizam ambas as partes do corpo com a mesma habilidade e destreza. Outros utilizam a parte direita do corpo, são chamados indivíduos destros. E ainda há os que se utilizam da parte esquerda, que são os canhotos. Ao indivíduo que tem preferência pela mão de um lado do corpo e pelo olho e pé do lado Psicomotricidade 26 oposto aplica-se o termo lateralidade cruzada. Lateralidade indefinida é usada para as crianças que ainda não estabeleceram sua preferência por um dos lados. Figura 7 – Indivíduos ambidestros utilizam ambas as partes do corpo com a mesma habilidade e destreza Fonte: Freepik. Algumas dificuldades de aprendizagem podem surgir em crianças que ainda não têm sua lateralidade definida e naquelas que são canhotas, mas foram obrigadas a escrever com a mão direita. Tais dificuldades podem ser referentes ao tipo de grafia que elas apresentam (disgrafia, letra ilegível), à orientação espacial na folha de papel e a posturas inadequadas no ato de escrever. Desvio da lateralidade A lateralidade só se estabelece por volta dos 5/6 anos. Quando ocorre algum fato que compromete a compreensão da lateralidade, dizemos que há um desvio da lateralidade. Tal desvio pode ocorrer por alguns motivos, por exemplo, um acidente que provoque uma amputação ou uma paralisia no lado dominante faz com que a pessoa passe a usar o outro lado. Além disso, podem ocorrer casos em que essa mudança de prevalência Psicomotricidade 27 manual mude por motivo de identificação com alguém, ou por imposição dos pais ou professores, ou por motivo afetivo, ou por qualquer outro. Vejamos outro exemplo de desvio de lateralidade. EXEMPLO Quando o indivíduo nasce canhoto, porém é obrigado a escrever com a mão direita, pode haver desvio de lateralidade. A criança destra, mesmo tendo sua mão direita ocupada, é capaz de abrir uma porta com a mão esquerda. Esse fato é diferente da dominância lateral, que é a maior habilidade desenvolvida num dos lados do corpo devido à dominância cerebral, ou seja, pessoas com dominância cerebral esquerda têm maior probabilidade de desenvolverem mais habilidades do lado direito do corpo e, por isso, são destros. A lateralidade é importante na evolução da criança porque influência a ideia que a criança tem de si mesma, a percepção da simetria de seu corpo, a formação de seu esquema corporal, além de contribuir para determinar a estruturação espacial, porque, percebendo o eixo de seu corpo, a criança percebe também seu meio ambiente em relação a esse eixo. Orientação espacial, lateroespacial e temporal A estruturação espacial é parte integrante da nossa vida. Ela não nasce com o indivíduo e é, na verdade, uma construção mental, uma elaboração que se inicia desde pequeno. A orientação lateroespacial ocorre naturalmente no indivíduo e desenvolve-se da seguinte maneira: por volta dos seis anos, quando a criança já tem conhecimento do lado direito e esquerdo do seu corpo; aos sete anos, já é capaz de perceber a posição relativa entre dois objetos; aos oito anos, já reconhece os lados direito e esquerdo em outras pessoas; e, aos nove anos, consegue realizar movimentos realizados por outras pessoas com o mesmo lado do corpo movido pela pessoa que está realizando o movimento. Já a orientação espacial é a que permite que o indivíduo localize em acontecimentos do Psicomotricidade 28 passado e projete-se no futuro. É por meio da orientação espacial que termos domínio das noções sociais do tempo (horas, meses, estações etc.). Para Fonseca (1995 apud CEZAR; PEREIRA; ESTEVES, 2008, p. 2), um objeto situado a determinada distância e direção é percebido porque as experiências anteriores da criança levam-na a analisar as percepções visuais que lhe permitem tocar o objeto. É dessas percepções que resultam as noções de distância e orientação de um objeto com relação a outro, a partir das quais as crianças começam a transpor as noções gerais a um plano mais reduzido, que será de extrema importância quando na fase do grafismo. A reversibilidade é a possibilidade de reconhecer a mão direita ou a mão esquerda de uma pessoa à sua frente. Além disso, é a noção de reversibilidade que possibilita, pouco a pouco, às crianças a compreensão de igualdades como: EXEMPLO 8 + 5 = 3 + 10 7 X 3 = 3 X 7 10 – 3 = 7 Tônus DEFINIÇÃO: O tônus é o primeiro sistema funcional complexo que compreende a psicomotricidade e é considerado o estado de tensão ativa dos músculos. Se não há a organização tônica como suporte, não é possível desenvolver a atividade motora e a estrutura psicomotora. É possível determinar o tipo de tônus muscular observando a amplitude dos movimentos, a resistência ao movimento passivo e a palpação da atividade flexora e extensora dos diferentes músculos. Figura 8 – A tonicidade se desenvolve desde o nascimento até os 12 meses de vida Psicomotricidade 29 Fonte: Freepik. Tônus muscular e tônus motor O tônus muscular refere-se à pessoa em estado passivo, sem movimento, em repouso, o músculo não possui atividade contrátil interna. Quando palpado, o músculo pode parecer retesado ou macio, e, nesse estado passivo, diz-se que o músculo tem tônus muscular. No tônus motor, o estado ativo ocorre quando um músculo está se contraindo em resposta a um comando do sistema motor. Quando palpado, ele mostrará vários graus de retesamento, dependendo da força de contração. Esse estado do músculo é denominado tônus motor. As diferenças criadas pelo tônus muscular e motor podem ser prontamente palpadas no músculo normal. O desenvolvimento psicomotor normal precisa do equilíbrio dos tônus muscular e motor. Psicomotricidade 30 DEFINIÇÃO: Tônus motor e muscular anormais: em circunstâncias normais, o músculo tem flexibilidade funcional de passar de um estado para outro sem qualquer dificuldade ou problema residuais. Todavia essa flexibilidade pode falhar, por exemplo, em consequência de atividade excessiva ou lesão do sistema motor. Haverá alterações tanto no tônus muscular como no tônus motor que se denominará “tônus anormal”, definido como tônus que não mantém o movimento funcional e que pode durar mais do que a atividade que o desencadeou. O tônus motor e muscular anormal pode ser causado por: 1. Lesão no sistema motor – observado em quadros neurológicos diversos, como AVC, paralisia cerebral, doença de Parkinson etc. 2. Tensão psicológica, tensãoemocional, ansiedade e excitação constituem alguns dos estados psicológicos que influenciam o tônus motor geral. Essa alteração no tônus não está associada com patologia do sistema motor. 3. Atividade muscular protetora após lesão – é comum constatar a existência de tônus motor sustentado após lesão musculoesquelética. Trata-se de um mecanismo protetor usado para imobilizar a lesão ou evitar o uso da área afetada. 4. Perda de tônus motor – existem várias condições graves em que o tônus motor para o músculo é reduzido ou quase totalmente abolido. Em caso de lesões do sistema nervoso central e do nervo periférico, o tônus motor pode ser reduzido, resultando num músculo flácido. SAIBA MAIS: Para saber mais sobre tonicidade e outros elementos da psicomotricidade, leia o livro “Psicomotricidade - Filogênese, Ontogênese e Retrogênese”, do autor Vitor da Fonseca. Psicomotricidade 31 Ritmo O ritmo é marcado no ser humano desde a vida intrauterina, no contato direto do feto com o ritmo cardíaco da mãe, conhecido como a primeira forma de comunicação humana. O bebê quando nasce já tem memória musical. E a última estrutura do sistema nervoso a ser atingida no mal de Alzheimer é o arquecerebelo, local onde se processam os ritmos e a musicalidade, por isso é de suma importância o trabalho na psicomotricidade com os recursos musicais como o ritmo. DEFINIÇÃO: RITMO: Substantivo masculino. (poesia) Sucessão regular de sílabas acentuadas, de que resulta impressão agradável ao ouvido; (música) combinação simétrica de sons, sob o ponto de vista da intensidade e do tempo; cadência; movimento regular e medido; (medicina) proporção de intensidade entre as pulsações arteriais; correlação harmoniosa entre as partes de uma composição literária ou artística (do grego, rhythmos) (FERNANDES, 1993, p. 610). Figura 9 – O exercício de ritmo é importante para trabalhar a concentração e a atenção Fonte: Freepik. Psicomotricidade 32 PASSO A PASSO Nunca comece um trabalho com músicas sem conhecer a música ou os componentes do grupo. Sempre que começar uma música, reproduza-a até o final para que a música não fique ecoando nos ouvidos. Não conhecendo o grupo, comece por meio de ritmos e sons de preferência produzidos pelas próprias pessoas do grupo. Busque conhecer o ritmo da pessoa com quem irá trabalhar, para que caminhem no mesmo ritmo. Trabalhe com música para a reeducação da lateralidade. Movimento e gesto O gesto diz algo, e o motor é uma ação. Cada gesto é feito de um conjunto de ações que se complementam para atingir um objetivo final. Todos os nossos gestos são globais. Para Fonseca (1985, p. 151), “o movimento humano reflete uma interligação dos processos emotivos, volitivos e intelectuais, dado que constitui em si uma conquista biológica da espécie humana. Conclusão, o movimento é fundamentalmente um meio de interação humana entre o mundo interno da pessoa e o mundo externo dos objetos e dos outros”. IMPORTANTE: As atividades rítmicas devem ser trabalhadas de forma a causar descontração, prazer, calma e confiança. O gesto pode ser a postura, a mímica, o sorriso etc. Todos esses são reações corporais que traduzem mais ou menos conscientemente nossos estados psicoafetivos. Segundo Lapierre (1984), essas mensagens são decodificadas pelo outro com referência às suas próprias reações psicotônicas. Psicomotricidade 33 Coordenação dinâmica das mãos A coordenação dinâmica das mãos é o domínio harmonioso e delicado dos gestos. O desenvolvimento da habilidade manual, incluindo o movimento de pinça, facilita a escrita (grafismo). Algumas atividades podem desenvolver a habilidade da coordenação dinâmica das mãos, como, por exemplo, recorte, escrita e desenho. Tais exercícios tidos como óculo-manuais têm como objetivo o domínio do campo visual, associado à motricidade fina. Figura 10 – A coordenação envolve concentração, organização dos movimentos e coordenação visuomotora Fonte: Freepik. A coordenação motora fina é a capacidade de controlar pequenos músculos para a realização de habilidades finas. Os exercícios de coordenação dinâmica das mãos podem ser realizados com atividades como modelagem de massinhas e atividades de pesquisa e recorte de letras, visando estimular a destreza, a velocidade e a precisão dos movimentos. Psicomotricidade 34 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos revisar o que vimos. Você deve ter aprendido que a psicomotricidade é caracterizada pelo esquema e pela imagem corporal, a coordenação global, o equilíbrio, a lateralidade, a orientação espacial, lateroespacial e temporal, o tônus, o ritmo e a coordenação dinâmica das mãos. Todos esses elementos são considerados básicos para o desenvolvimento do indivíduo e são pré-requisitos para a aquisição e o desenvolvimento da leitura e da escrita, para o conhecimento do corpo em relação aos objetos, bem como para o controle e a organização do espaço e do tempo. Psicomotricidade 35 Diferentes abordagens psicomotoras, teoria e prática OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender as diferentes abordagens da psicomotricidade. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante! Inicialmente, cabe destacar que A Psicomotricidade baseia-se em uma concepção unificada da pessoa, que inclui as interações cognitivas, sensoriomotoras e psíquicas na compreensão das capacidades de ser e de expressar-se, a partir do movimento, em um contexto psicossocial. Ela se constitui por um conjunto de conhecimentos psicológicos, fisiológicos, antropológicos e relacionais que permitem, utilizando o corpo como mediador, abordar o ato motor humano com o intento de favorecer a integração deste sujeito consigo e com o mundo dos objetos e outros sujeitos (MARTINS, 2001, p. 98). De acordo com Martins (2001), os psicomotricistas consideram que as potencialidades mentais, emocionais e motoras de um paciente estão em frequente interação com o corpo, considerando-o o local de manifestação de todo o ser. Essa área da ciência diz respeito, portanto, a um conjunto de conhecimentos advindos da psicologia, fisiologia, antropologia, que possibilitam os sujeitos usar o movimento corporal com a finalidade de interagir consigo mesmo e com o mundo a sua volta. Desse modo, a manifestação do ser humano está nas posturas, nas atitudes, nos gestos e nas mímicas, transformando a consciência corporal em condição e instrumento da consciência de si. Psicomotricidade 36 A psicomotricidade está dividida em duas vertentes: • Psicomotricidade relacional. • Psicomotricidade instrumental. A seguir, veremos cada uma delas. Psicomotricidade relacional A psicomotricidade relacional surgiu na década de 1970 a partir de congressos da área da Psicanálise que contribuíram com uma nova visão do corpo como um meio de vivência e espaço de prazer e desejo. As sessões de psicomotricidade relacional utilizam em especial jogos espontâneos fundamentados na afetividade, no conteúdo emocional das vivências e no desenvolvimento socioemocional. Na psicomotricidade relacional, o psicomotricista trabalha de forma mais permissiva e menos diretiva e atua criando uma segurança emocional, permitindo uma evolução do sujeito. DEFINIÇÃO: A psicomotricidade relacional é uma prática que permite à criança, ao jovem e ao adulto a expressão e a superação de conflitos relacionais, interferindo de forma clara, preventiva e terapêutica sobre o processo de desenvolvimento cognitivo, psicomotor e socioemocional, na medida em que está diretamente vinculado a fatores psicoafetivos relacionais, de acordo com Lapierre (2002, p. 24). A intervenção relacional não leva em consideraçãouma avaliação comparativa a uma norma estabelecida. Em vez disso, observa o comportamento e os parâmetros psicomotores em relação ao próprio corpo, espaço, o outro, o tempo, os objetos e a linguagem e realiza uma avaliação individualizada. Psicomotricidade 37 Quadro 1 – Objetivos da psicomotricidade relacional Objetivos gerais Objetivos específicos Em relação com o corpo Reconhecimento do próprio corpo e de suas partes distintas, incluindo o reconhecimento dos membros superiores e inferio- res em si e no outro. Desenvolvimento da coordenação dinâmica global. Desenvolvimento do controle postural. Reconhecimento das próprias partes e limitações. Desenvolvimento do ajustamento tónico para a ação. Desenvolvimento da gestualidade facial e corporal. Em relação com o es- paço Utilização e exploração de todo o espaço da sala. Utilização e exploração de alturas distintas. Situar-se adequadamente no espaço de acordo com a ação. Em relação com o tempo Ser capaz de permanecer sentado em roda ou um tempo em cada atividade. Ser capaz de cumprir e respeitar as regras. Ser capaz de escutar os companheiros. Ser capaz de se entregar na roda e expressar e partilhar as suas experiências. Situar-se adequadamente nos limites do tempo. Em relação com os ob- jetos Utilização e exploração dos diferentes objetos da sala. Desenvolvimento do jogo sensório-motor, simbólico e de regras. Ser capaz de utilizar os diferentes objetos, atribuindo diferen- tes significados. Em relação com os outros Estabelecer relação com os companheiros e o psicomotricista. Assumir e desempenhar diferentes papéis e funções. Ser capaz de reconhecer e identificar sinais corporais no outro mediante a linguagem verbal ou não verbal. Ser capaz de expressar as suas necessidades e sentimentos por meio de linguagem verbal ou não verbal. Ser capaz de esperar e expressar o que sente no momento adequado para o efeito. Ser capaz de resolver os conflitos que possam surgir na convi- vência com os pares. Ser capaz de se opor, colaborar ou compartilhar de acordo com a função da situação. Responder de forma adequada às provocações e às agressões com os pares. Em relação com a lingua- gem Utilização de uma linguagem adequada à sua idade. Utilização de diferentes formas de expressão e representação. Fonte: Adaptado de Aragón (2006). Psicomotricidade 38 O corpo é o que nos forma materialmente. É através dele que estabelecemos relações com tudo ao nosso redor. O corpo é uma máquina que carrega as nossas memórias, a nossa religião, as marcas da nossa família, as características de uma determinada sociedade, assim como as nossas individualidades. Psicomotricidade instrumental A corrente mais tradicional da psicomotricidade enquanto reeducação é a psicomotricidade instrumental. Essa corrente aponta que o processo de desenvolvimento humano é decorrente dos processos de maturação, baseando-se em três princípios: • Biomédicos. • Cognitivistas. • Neuropsicológicos. Essa vertente da psicomotricidade, também conhecida como funcional ou normativa, baseia-se em aspectos motores e cognitivos, tendo como fundamentação uma concepção normativa do desenvolvimento humano e como referência os comportamentos e as competências esperados para cada etapa do desenvolvimento. Seu foco principal e essencial consiste na: • Gestão emocional. • Adaptação a diferentes contextos. • Regulação de comportamentos. A psicomotricidade centrada na intervenção com componente instrumental contém uma base mais cognitiva e neuropsicológica iniciada, privilegiando o uso de situações-problema, fazendo com que haja reflexão, invenção, expressão e transposição, promovendo a possibilidade de as atividades propostas funcionarem como um escape criativo, libertador do imaginário do indivíduo. É necessário sempre ter em mente que o indivíduo é o corpo, é a ação, é o movimento, a emoção e o comportamento. Psicomotricidade 39 SAIBA MAIS: Corpo e afeto: reflexões em Ramain-Thiers é um livro que aborda questões sobre o ser da atualidade, suas ações, seus pensamentos e suas emoções. A metodologia Ramain- Thiers, desenvolvida por Solange Thiers, tem como base a psicomotricidade, a Psicanálise e a Filosofia. A visão total do ser integral, por meio do seu corpo, seus afetos e sua ação, propicia o fazer, gerando uma sensação produtiva de inserção social e grupal. Figura 11 – Psicomotricidade Relacional Fonte: Freepik. Os objetivos da psicomotricidade instrumental deverão ser definidos a depender do instrumento de avaliação escolhido, que pode ser padronizado e mais qualitativo ou quantitativo. Ela tem como foco principal a cognição e a motricidade. No entanto, são utilizadas pela psicomotricidade instrumental, por diversas vezes, as situações-problema, os jogos de desafio, os percursos, de modo a fazer com que o indivíduo tenha a oportunidade de realizar a expansão das suas competências cognitivas e motoras. Psicomotricidade 40 Figura 12 – Psicomotricidade instrumental Fonte: Freepik. ACESSE: Para ver exemplos de alguns aspectos da psicomotricidade relacional, assista ao filme Patch Adams (1998), que trata de um médico que sai de uma instituição e entra em uma faculdade com seus métodos poucos convencionais e que causam espanto inicialmente, mas que, aos poucos, vão conquistando todos, com exceção do reitor, que quer arrumar um motivo para expulsá-lo, apesar de ele ser o primeiro da turma. Em um contexto mais genérico, Aragón (2006) expõe os objetivos para os quais a psicomotricidade instrumental pode ser utilizada, sendo organizados em três esquemas psicomotores que servem para orientar a intervenção: • Esquema corporal, abrangendo objetivos específicos no âmbito da percepção global do corpo, do tónus e da relaxação, do equilíbrio, da lateralidade e da coordenação global e segmentária. Psicomotricidade 41 • Esquema espacial, em específico a orientação espacial e as noções espaciais sobre o outro. • Esquema temporal, englobando a aquisição de noções básicas de velocidade, duração, continuidade, irreversibilidade e intervalo, bem como a tomada de consciência de relações de simultaneidade, sucessão, diferentes momentos do tempo, consciência da sucessão e a coordenação de diversos elementos (ARAGÓN, 2006). RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos revisar o que vimos. Você deve ter aprendido que os psicomotricistas consideram que as potencialidades mentais, emocionais e motoras de um paciente estão em frequente interação com o corpo, considerando-o o local de manifestação de todo o ser. Estudamos a psicomotricidade relacional e a psicomotricidade instrumental. A corrente mais tradicional da psicomotricidade enquanto reeducação é a psicomotricidade instrumental. Psicomotricidade 42 Hemisférios cerebrais na psicomotricidade OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funcionam os hemisférios cerebrais e sua relação com a psicomotricidade. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Os hemisférios cerebrais têm funções distintas e bem definidas no gerenciamento do corpo humano, capacidade essa que, de certa forma, é pré-definida por alicerces genéticos, que, além disso, permitem-nos funcionar de forma parcialmente independente, mesmo quando isolados um do outro. O cérebro é formado por aproximadamente 100 bilhões de células nervosas, chamadas neurônios. Estes se comunicam por meio de transmissões de sinais eletroquímicos. O cérebro realiza várias tarefas, por exemplo, ele controla os nossos movimentos físicos ao andarmos, falarmos, sentarmos ou ficarmos de pé. Além disso, controla a temperatura corpórea, a pressão arterial, a frequência cardíaca,a respiração, deixa-nos pensar, sonhar, raciocinar, sentir emoções e recebe milhares de informações vindas dos nossos sentidos (audição, visão, olfato, tato, paladar). O cérebro é dividido em dois hemisférios: o direito e o esquerdo, que, apesar de parecerem espelhados, possuem funções e competências diferentes. Por exemplo, o mecanismo de processamento do hemisfério direito tem superioridade sobre o esquerdo nas tarefas espaciais e nas não verbais. Além disso, esse mesmo hemisfério processa também um importante sistema de controle dos movimentos rítmicos, processando ritmo interno com o ritmo externo, possibilitando a harmonia da dança, do caminhar e do falar, a percepção automática da diminuição ou do aumento de velocidade enquanto se dirige e o consequente reajuste automático na velocidade desejada (possibilitada pela perfeita harmonia Psicomotricidade 43 da intercomunicação hemisférica). Enquanto isso, a temporalidade e a ritmicidade são de competência do hemisfério esquerdo. Já o hemisfério esquerdo tem superioridade ao direito nos processamentos temporais, verbais e outros, como harmonia da motricidade, processando o tempo da ação do movimento desejado, assim como organizando o programa sequencial do movimento e fazendo a transição de um movimento para outro, dando melhor performance com a contribuição da informação declarativa no processo que estiver desempenhando. Figura 13 – OS hemisférios cerebrais Fonte: Freepik (2021). Vejamos no quadro a seguir as competências de cada hemisfério cerebral. Psicomotricidade 44 Quadro 2 – Competências dos hemisférios cerebrais Competências do hemisfério direito Competências do hemisfério esquerdo • Percepção e processamento espacial. • Habilidades perceptivas visuoespaciais. • Melhor competência nos processamentos visuomotores. • Responsável pelo processamento espacial dos aspectos motores. • Orientação espacial (profundidade e distância). • Organização do esquema corporal. • Controle postural. • Processamento para as notas musicais e para os sons de animais. • Habilidades musicais. • Processamento de movimentos rítmicos. • Processamento do ritmo interno e externo, que influenciam na qualidade do andar, dançar e falar. • Processamento simultâneo e holístico das informações. • Reconhecimento de faces e expressões faciais. • Reconhecimento de figuras geométricas por meio do tato (esteriognosia) e da visão. • Melhor performance na realização de tarefas de natureza não verbal relativa à espacialidade. • Processa informações visuais de baixas frequências espaciais. • Melhor competência para processamento perceptual em habilidades grosseiras. • Vê a figura como um todo (gestalt). • Nas lesões, desenvolvem quadros de agnosias e apraxias. • Processamento da fala. • No pensamento intelectual, racional, verbal e analítico. • Processamento de construções gramaticais mais complicadas. • Melhor performance para identificar letras feitas na palma da mão direita (esteriognosia). • Percepção e processamento temporal. • Superioridade em caracterizar o parâmetro temporal no comando motor. • Precisão e velocidade. • Participa no controle sequencial do programa motor. • Importante na sucessão de transição postural de um movimento para outro. • Participa no programa de movimentos sequenciais dos dois lados do corpo. • Reconhecimento de palavras; • Nomeia objetos colocados na mão direita. • Processamentos analíticos (em especial na produção e compreensão da linguagem). • Melhor habilidade para reconhecimento da fala humana. • Prontidão de ação no comportamento humano, devido a maior concentração de dopamina no globo pálido esquerdo. • Organização e “timing” do movimento sequencial. • É mais adaptado para processar altas frequências audiovisuais. • É especializado em codificar informações finas. • Identifica a figura-fundo (no jogo dos sete erros). • Nas lesões desse hemisfério, apresentam quadros de afasia. Fonte: Elaborado pela autora (2021). Psicomotricidade 45 Sistema psicomotor humano (SPMH) De acordo com Vayer e Toulouse (1982), o SPMH baseia-se em estruturas simétricas do sistema nervoso, compreendendo o tronco cerebral, o cerebelo, o mesencéfalo e o diencéfalo, que constituí a integração e a organização psicomotora da tonicidade, da equilibração e parte da lateralização e também de estruturas assimétricas compreendendo os dois hemisférios cerebrais, que asseguram a organização psicomotora da noção do corpo, da estruturação espaço- temporal e da praxia global e fina, exclusivas da espécie humana devido à sua complexidade organizativa e sistemática. A dinâmica sistemática do SPMH prevê a participação conectada e dinâmica das três unidades funcionais do cérebro, que são: integração (Unidade I), elaboração (Unidade II) e expressão do movimento voluntário (Unidade III). A primeira unidade abrange as funções psicológicas vitais da integração e da atenção e é responsável pelos fatores psicomotores da tonicidade e do equilíbrio. A segunda unidade abrange as funções psicológicas de análise, síntese e armazenamento, que são responsáveis pela noção do corpo e da estruturação espaço-temporal. E a terceira unidade abrange a planificação, a programação e a regulação responsáveis pela praxia global e da praxia fina. As três unidades em permanente integração formam uma constelação de trabalho que processa a motricidade, organizando-a antecipadamente antes que se constitua em produto final. Tal constelação de trabalho, verdadeiro sistema harmonioso e autogeneralizado, composto de subsistemas espalhados pelo todo cerebral, preside a organização psicomotora humana, como conjunto de componentes ordenados e integrados. Divisão funcional do córtex cerebral O córtex cerebral é a fina camada de substância cinzenta que recobre o cérebro. Ele é uma das regiões mais importantes do sistema Psicomotricidade 46 nervoso central (SNC). Ele recebe impulsos de todas as vias da sensibilidade, sendo o responsável pela interpretação e resposta de todas essas informações. O córtex cerebral é responsável por muitas das funções mentais mais complexas e desenvolvidas, como a linguagem e o processamento de informações. O córtex cerebral é dividido em áreas denominadas lobos cerebrais, cada uma com funções diferenciadas e especializadas. São os lobos: frontal, parietal, temporal e occipital. Figura 14 – Cérebro Fonte: Freepik. Lobo frontal No lobo frontal, localizado na parte da frente do cérebro (testa), ocorre o planejamento de ações e movimentos, bem como o pensamento abstrato. Nele estão incluídos o córtex motor e o córtex pré-frontal. O córtex motor controla e coordena a motricidade voluntária, sendo que o córtex motor do hemisfério direito controla o lado esquerdo do corpo do indivíduo, enquanto o do hemisfério esquerdo controla o lado direito. Um trauma nessa área pode causar fraqueza muscular ou paralisia. São executados pelo córtex pré-motor a aprendizagem motora e os movimentos de precisão. Essa área fica mais ativa do que o restante do cérebro quando pensamos em um movimento sem executá-lo. Lesões Psicomotricidade 47 nessa área não chegam a comprometer a ponto de o indivíduo sofrer uma paralisia ou problemas para planejar ou agir, porém a velocidade de movimentos automáticos, como os da fala e os gestos, é comprometida. Lobos occipitais Os lobos occipitais ficam localizados na parte inferior do cérebro e são cobertos pelo córtex cerebral. Eles processam os estímulos visuais e, por isso, também são conhecidos por córtex visual. Possuem várias subáreas que processam os dados visuais recebidos do exterior depois de estes terem passado pelo tálamo, uma vez que há zonas especializadas: a visão da cor, do movimento, da profundidade, da distância, e assim por diante. Após passarem por essa área, chamada área visual primária, as informações são direcionadas para a área de visão secundária,onde são comparadas com dados anteriores, permitindo que o sujeito identifique, por exemplo, um gato, uma moto ou uma maçã. O significado do que vemos, porém, é dado por outras áreas do cérebro, que se comunicam com a área visual, considerando as experiências passadas e nossas expectativas. Isso faz com que o mesmo objeto não seja percepcionado da mesma forma por diferentes indivíduos. Quando essa área sofre uma lesão, há a impossibilidade de reconhecer objetos, palavras e até mesmo rostos de pessoas conhecidas ou de familiares. Essa deficiência é conhecida como agnosia. Lobos temporais Os lobos temporais ficam localizados acima das orelhas e apresentam como função principal o processamento de estímulos. Como acontece nos lobos occipitais, as informações são processadas por associação. Ao estimular a área auditiva primária, os sons são produzidos e enviados à área auditiva secundária, que interage com outras zonas do cérebro, atribuindo um significado e, assim, permitindo ao indivíduo reconhecer o que está ouvindo. Psicomotricidade https://www.infoescola.com/sistema-nervoso/talamo/ 48 Lobos parietais Os lobos parietais estão localizados na região superior do cérebro e são constituídos por duas subdivisões, a anterior e a posterior. A subdivisão anterior também é conhecida como córtex somatossensorial e tem a função de possibilitar a percepção de sensações, como o tato, a dor e o calor. Por ser a área responsável por receber os estímulos obtidos do ambiente exterior, representa todas as áreas do corpo humano. Essa é a zona mais sensível, por isso ocupa mais espaço do que a zona posterior, uma vez que tem mais dados a serem interpretados, captados pelos lábios, pela língua e pela garganta. Na zona posterior, que é uma área secundária, ocorre a análise, a interpretação e a integração das informações recebidas pela anterior, que é a zona primária, permitindo ao indivíduo se localizar no espaço, reconhecer objetos por meio do tato etc. RESUMINDO: Estudamos neste capítulo, como reconhecer a importância da psicomotricidade, entendendo suas abordagens e aplicação ao ciclo vital, como os hemisférios cerebrais, por exemplo. Vejamos agora o resumo dos papéis dos dois hemisférios cerebrais: O HEMISFÉRIO ESQUERDO É RESPONSÁVEL POR: • Linguagem / matemática (lógica, sequência). • Análise / palavra (praxias). • Atividades simbólicas e acadêmicas. O HEMISFÉRIO DIREITO É RESPONSÁVEL POR: • Rima / música (ritmo). • Simultaneidade (pintura, síntese). • Imagem (postura). • Atividades criativas, não simbólicas. Psicomotricidade https://www.infoescola.com/anatomia-humana/lingua/ 49 REFERÊNCIAS ARAGÓN, M. Manual de psicomotricidad. Madrid: Ediciones Pirâmide, 2006. CABRAL, S. Psicomotricidade relacional. Rio de Janeiro: Revinter, 2001. CEZAR, K. P. L.; PEREIRA, L. A.; ESTEVES, M. C. D. C. O uso de jogos e a contribuição no desempenho da escrita nas séries iniciais. Psicopedagogia [on-line], 2008. Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/ artigos/artigo.asp?entrID=1016. Acesso em: 22 fev. 2019. FERNANDES, F. Dicionário Brasileiro Globo. São Paulo: Globo, 1993. FONSECA, V. Manual de observação psicomotora: significação psiconeurológica dos fatores psicomotores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. GAINZA, V. Conversas com Gerda Alexander, vida e pensamento da criadora da Eutonia. São Paulo: Summus, 1997. HEUYER, G. 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Psicomotricidade Psicomotricidade Psicomotricidade, história e conceituação Elementos base da psicomotricidade Esquema e imagem corporal Coordenação global Equilíbrio Lateralidade Dominância lateral Desvio da lateralidade Orientação espacial, lateroespacial e temporal Tônus Tônus muscular e tônus motor Ritmo Movimento e gesto Coordenação dinâmica das mãos Diferentes abordagens psicomotoras, teoria e prática Psicomotricidade relacional Psicomotricidade instrumental Hemisférios cerebrais na psicomotricidade Sistema psicomotor humano (SPMH) Divisão funcional do córtex cerebral Lobo frontal Lobos occipitais Lobos temporais Lobos parietais