Prévia do material em texto
Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 1 Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO CONCEITOS INICIAIS TRANSTORNO BIPOLAR Transtorno caracterizado por episódios de humor oscilantes que consistem em mania, hipomania e depressão maior LABILIDADE EMOCIONAL Oscilação de humor repentino, na maioria das vezes ocorre dentro de um mesmo dia HUMOR Estado de ânimo, o basal, ou o “tônus afetivo” do indivíduo ao longo de um determinado tempo EPIDEMIOLOGIA PERÍODO Acomete adultos jovens e costuma ter início mais precoce, ao redor dos 20 anos Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 2 Pode se iniciar na adolescência e mais tardiamente Início no idoso é muito raro, quadros demenciais costumam ser mais prováveis MORBIMORTALIDADE Apresenta altas taxas de morbidade e mortalidade Pacientes correm maior risco de suicídio que aqueles com depressão unipolar EPISÓDIOS MANÍACOS Mais comuns em homens Se ocorrerem em mulheres, elas têm mais probabilidade do que os homens de apresentar um quadro misto (p. ex., mania e depressão) EPISÓDIOS DEPRESSIVOS Mais comuns em mulheres FATORES DE RISCO GENÉTICOS HISTÓRICO FAMILIAR Risco 10 vezes maior entre parentes adultos de indivíduos com TB tipo I e TB tipo II GENES CACNA1C NCAN ODZ 4 AMBIENTAIS TRAUMA PRECOCE Pessoas com esse transtorno relatam terem sofrido trauma na infância 2,63 vezes mais que indivíduos saudáveis Pacientes que sofreram trauma infantil apresentam primeiro episódio de humor mais precocemente, mais ciclagem rápida e condições mais graves do transtorno quando comparados aos que não vivenciaram trauma infantil Exemplos com associação positiva com a ocorrência e a gravidade de sintomas prodrômicos em sujeitos com TB Abuso Negligência Exemplos que afetam a performance cognitiva (memória visual e verbal, fluência verbal e flexibilidade cognitiva) em pessoas com TB Abuso sexual Abuso emocional PRÉ-NATAIS E PERINATAIS Alguns fatores aumentam o risco de desenvolvimento do transtorno ao longo da vida, como parto cesáreo, infecção materna durante a gravidez, fumo durante a gravidez e elevada idade paterna USO E ABUSO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 3 Pacientes com transtorno por uso de álcool apresentam 4,1 vezes mais chances de terem TB quando comparados àqueles sem esse transtorno Pacientes que usam qualquer droga ilícita quando comparados com aqueles que não usam apresentam risco 5 vezes maior TRANSTORNO BIPOLAR TIPO 1 TIPO 1 O TB tipo I é caracterizado pela presença de pelo menos um episódio maníaco ao longo da vida. Cabe destacar que esse episódio pode ter sido ou não acompanhado por um episódio depressivo ao longo da vida PREVALÊNCIA Entre 0-2,4% Homens = mulheres TRANSTORNO BIPOLAR TIPO 2 TIPO 2 O TB tipo II é confirmado quando há a presença de pelo menos um episódio hipomaníaco e um episódio depressivo ao longo da vida PREVALÊNCIA Entre 0,3-4,8% TRANSTORNO BIPOLAR CICLOTÍMICO Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 4 Alternância entre caracterizado por cronicidade e oscilações do humor ao longo de pelo menos 2 anos em adultos ou 1 ano em crianças, sem atender os critérios específicos para transtorno bipolar FATORES DE RISCO Mulheres têm uma taxa mais alta de ciclagem rápida TRANSTORNO BIPOLAR INESPECÍFICO Transtornos com características bipolares claras, mas não preenchem os critérios específicos CLÍNICA MANIA Período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável que dura pelo menos uma semana, ou menos se o paciente tiver de ser hospitalizado, associado a autoestima elevada e autoconfiança, aceleração de pensamento e fala, diminuição de necessidade de sono, alterações de atenção, aumento de comportamentos de risco elevado e dificuldade de controle de impulsos. Além disso, podem ocorrer diminuição de concentração, confusão, pensamento arborizado e “colorido”. Sintomas psicóticos são comuns, normalmente congruentes com humor. HIPOMANIA Sintomas semelhantes à mania, mas mais leves, e nunca há sintomas psicóticos EPISÓDIOS DEPRESSIVOS Os episódios depressivos do TB têm sintomas básicos IDÊNTICOS aos da depressão unipolar. Todavia, costumam ser mais graves no TB, com mais ideação suicida e mais sintomas psicóticos. ESTADOS MISTOS Os estados mistos são períodos em que o paciente conjuga sintomas de ambos os polos em um período único. Por exemplo, ele pode ficar triste (humor hipotímico), porém acelerado e irritado, ou ficar com anedonia, porém com agitação e agressividade. Normalmente, para se caracterizar o episódio misto, o paciente tem que ter pelo menos três critérios do polo oposto. DIAGNÓSTICO EPISÓDIO MANÍACO 1. Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável e aumento anormal e persistente da atividade dirigi da a objetivos ou da energia, com duração mínima de uma semana e presente na maior parte do dia, quase Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 5 todos os dias (ou qualquer duração, se a hospitalização se fizer necessária). 2. Durante o período de perturbação do humor e aumento da energia ou atividade, três (ou mais) dos seguintes sintomas (quatro se o humor é apenas irritável) estão presentes em grau significativo e representam uma mudança notável do comportamento habitual: a. Autoestima inflada ou grandiosidade. b. Redução da necessidade de sono (p. ex., sente-se descansado com apenas três horas de sono). c. Mais loquaz que o habitual ou pressão para continuar falando. d. Fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão acelerados. e. Distratibilidade (i.e., a atenção é desviada muito facilmente por estímulos externos insignificantes ou irrelevantes), conforme relatado ou observado. f. Aumento da atividade dirigida a objetivos (seja socialmente, no trabalho ou escola, seja sexualmente)ou agitação psicomotora (i.e., atividade sem propósito não dirigida a objetivos). g. Envolvimento excessivo em atividades com elevado potencial para consequências dolorosas (p. ex., envolvimento em surtos desenfreados de compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros insensatos). 3. A perturbação do humor é suficientemente grave a ponto de causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional ou para necessitar de hospitalização a fim de prevenir dano a si mesmo ou a outras pessoas, ou existem características psicóticas. 4. O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., droga de abuso, medicamento, outro tratamento) ou a outra condição médica. Nota: Um episódio maníaco completo que surge durante tratamento antidepressivo (p. ex., medicamento, eletroconvulsoterapia), mas que persiste em um nível de sinais e sintomas além do efeito fisiológico desse tratamento, é evidência suficiente para um episódio maníaco e, portanto, para um diagnóstico de transtorno bipolar tipo I. Nota: Os Critérios A-D representam um episódio maníaco. Pelo menos um episódio maníaco na vida é necessário para o diagnóstico de transtorno bipolar tipo I. EPISÓDIO HIPOMANÍACO 1. Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável e aumento anormal e persistente da atividade ou energia, com duração mínima de quatro dias consecutivos e presente na maior parte do dia, quase todos os dias. 2. Durante o período de perturbação do humor e aumento de energia e atividade, três (ou mais) dos seguintes sintomas (quatro se o humor é apenas irritável) persistem, representam uma mudança notável em relação ao comportamento habitual e estão presentes em grau significativo: a. Autoestima inflada ou grandiosidade. b. Redução da necessidade de sono (p. ex., sente-se descansado com apenas três horas de sono). c. Mais loquaz que o habitual ou pressão para continuar falando. d. Fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão acelerados. e. Distratibilidade (i.e., a atenção é desviada muitofacilmente por estímulos externos insignificantes ou irrelevantes), conforme relatado ou observado. f. Aumento da atividade dirigida a objetivos (seja socialmente, no trabalho ou escola, seja sexualmente) ou agitação psicomotora. g. Envolvimento excessivo em atividades com elevado potencial para consequências dolorosas (p. ex., envolvimento em surtos desenfreados de compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros insensatos). Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 6 3. O episódio está associado a uma mudança clara no funcionamento que não é característica do indivíduo quando assintomático. 4. A perturbação do humor e a mudança no funcionamento são observáveis por outras pessoas. 5. O episódio não é suficientemente grave a ponto de causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional ou para necessitar de hospitalização. Existindo características psicóticas, por definição, o episódio é maníaco. 6. O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., droga de abuso, medicamento, outro tratamento). Nota: Um episódio hipomaníaco completo que surge durante tratamento antidepressivo (p. ex., medicamento, eletroconvulsoterapia), mas que persiste em um nível de sinais e sintomas além do efeito fisiológico desse tratamento, é evidência suficiente para um diagnóstico de episódio hipomaníaco. Recomenda-se, porém, cautela para que 1 ou 2 sintomas (principalmente aumento da irritabilidade, nervosismo ou agitação após uso de antidepressivo) não sejam considerados suficientes para o diagnóstico de episódio hipomaníaco nem necessariamente indicativos de uma diátese bipolar. Nota: Os Critérios A-F representam um episódio hipomaníaco. Esses episódios são comuns no transtorno bipolar tipo I, embora não necessários para o diagnóstico desse transtorno. EPISÓDIO DEPRESSIVO MAIOR 1. Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de duas semanas e representam uma mudança em relação ao funcionamento anterior; pelo menos um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda de interesse ou prazer. a. Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme indicado por relato subjetivo (p. ex., sente-se triste, vazio ou sem esperança) ou por observação feita por outra pessoa (p. ex., parece choroso). (Nota: Em crianças e adolescentes, pode ser humor irritável.) b. Acentuada diminuição de interesse ou prazer em todas, ou quase todas, as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (conforme indicado por relato subjetivo ou observação feita por outra pessoa). c. Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta (p. ex., mudança de mais de 5% do peso corporal em um mês) ou redução ou aumento no apetite quase todos os dias. (Nota: Em crianças, considerar o insucesso em obter o ganho de peso esperado.) d. Insônia ou hipersonia quase diária. e. Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observável por outras pessoas; não meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento). f. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias. g. Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada (que podem ser delirantes) quase todos os dias (não meramente autorrecriminação ou culpa por estar doente). h. Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outra pessoa). i. Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio. Nota: Não incluir sintomas que sejam claramente atribuíveis a outra condição médica. 2. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. 3. O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica. Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 7 Nota: Os Critérios A-C representam um episódio depressivo maior. Esse tipo de episódio é comum no transtorno bipolar tipo I, embora não seja necessário para o diagnóstico desse transtorno. Nota: Respostas a uma perda significativa (p. ex., luto, ruína financeira, perdas por desastre natural, doença médica grave ou incapacidade) podem incluir sentimentos de tristeza intensos, ruminação acerca da perda, insônia, falta de apetite e perda de peso observados no Critério A, que podem se assemelhar a um episódio depressivo. Embora tais sintomas possam ser entendidos ou considerados apropriados à perda, a presença de um episódio depressivo maior, além da resposta normal a uma perda significativa, deve ser também cuidadosamente considerada. Essa decisão exige inevitavelmente exercício do juízo clínico, baseado na história do indivíduo e nas normas culturais para a expressão de sofrimento no contexto de uma perda. CONDUTA EPISÓDIOS DEPRESSIVOS PRIMEIRA AVALIAÇÃO O clínico deve identificar em qual fase da doença o paciente se encontra para, a partir disso, decidir qual a melhor medicação. Além disso, nessa etapa, deve-se considerar os exames complementares do paciente EXAMES COMPLEMENTARES Hemograma completo e plaquetas Enzimas hepáticas Glicemia de jejum e hemoglobina glicada Colesterol total, HDL, LDL Triglicerídeos Eletrólitos e cálcio Bilirrubina sérica (direta, indireta e total) Tempo de protrombina e tempo de tromboplastina parcial ativada Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 8 Urinálise Creatinina sérica (com estimativa de taxa de filtração glomerular) TSH Outros exames/avaliações: Eletrocardiograma (se acima de 40 anos, ou com indicação clínica); Exame toxicológico de urina (em suspeita/uso de substâncias); Teste de gravidez (mulheres em idade reprodutiva); Prolactina (se uso de medicações com esse efeito colateral); Avaliação de peso e altura, com cálculo de IMC; Avaliação de pressão arterial. Nível sérico de medicações (em caso de uso das substâncias abaixo): Lítio; Ácido valproico/valproato; Carbamazepina. ESCOLHA DO FÁRMACO AVALIAR Comportamentos de risco (risco de suicídio, em especial a presença de características mistas, agitação psicomotora e heteroagressividade). Grau de insight. Capacidade de aderir ao tratamento. Suporte psicossocial. Uso de nicotina, cafeína, álcool e outras substâncias de abuso (os pacientes devem ser estimulados a limitá-lo). Reinício de medicamentos se sua descontinuação recente coincidir com uma recaída depressiva. REVISAR STATUS DE MEDICAÇÃO Níveis séricos. Adesão ao tratamento. REVISAR SINTOMAS SECUNDÁRIOS Medicamentos em uso. Comorbidades psiquiátricas. Uso de substâncias. Outras condições médicas. TRATAMENTO DO EPISÓDIO DEPRESSIVO EM PACIENTES COM TRANSTORNO BIPOLAR TIPO I 1ª LINHA Quetiapina Nível 1 de evidência Tolerabilidade e segurança moderados Lurasidona + Li/AVP Nível 1 de evidência Cautela em mulheres férteis Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 9 Lítio Nível 2 de evidência Tolerabilidade e segurança moderados Lamotrigina Nível 2 de evidência Medicação bem tolerada Lurasidona Nível 2 de evidência Medicação bem tolerada Lamotrigina (adj) Nível 2 de evidência Medicação bem tolerada 2ª LINHA AVP Nível 2 Cautela em mulheres férteis ISRS/Bupropiona Nível 1 Risco de virada maníaca ECT Nível 4 Tolerabilidade moderada Cariprazina Nível 1 Medicação bem tolerada Olanzapina + fluoxetina Nível 2 Efeitos colaterais de alto impacto 3ª LINHA Aripiprazol (adj) Armodafinil (adj) Asenapina (adj) Carbamazepina Ácido eicosapentaenoico (EPA) (adj) Cetamina (EV) (adj) Terapia de luz +/- terapia de privação de sono (adj) Levotiroxina (adj) Modafinil (adj) N-acetilcisteína (adj) Olanzapina Pramipexol (adj) rTMS (adj) IRSN/iMAO (adj) Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 10 TRATAMENTO DO EPISÓDIO DEPRESSIVO EM PACIENTES COM TRANSTORNO BIPOLAR TIPO II 1ªLINHA Quetiapina 2ª LINHA Lítio Lamotrigina Bupropiona (adj) ECT Sertralina (depressão “pura”, sem características mistas) Venlafaxina (depressão “pura”, sem características mistas) CONDUTA SINTOMAS MANÍACOS ESCOLHA DO FÁRMACO AVALIAR Comportamentos de risco (risco de suicídio, em espe cial a presença de características mistas, agitação psicomotora e heteroagressividade). Grau de insight. Capacidade de aderir ao tratamento. Suporte psicossocial. REVISAR STATUS DE MEDICAÇÃO Níveis séricos. Adesão ao tratamento. Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 11 Antidepressivos e estimulantes devem ser descontinuados. REVISAR SINTOMAS SECUNDÁRIOS Medicamentos em uso. Comorbidades psiquiátricas. Uso de substâncias. Outras condições médicas. TRATAMENTO LÍTIO ÁCIDO VALPROICO CARBAMAZEPINA Mania clássica Mania clássica, disfórica ou humor predominantemente irritado História negativa de TB em parentes de primeiro grau Poucos episódios de humor Múltiplos episódios de humor Esquizoafetivo com delírios incongruentes com o humor História familiar Comorbidade com transtornos de ansiedade Comorbidade com transtornos de ansiedade - Comorbidade com uso de substâncias Comorbidade com uso de substâncias - Histórico de traumatismo craniencefálico Histórico de traumatismo craniencefálico MANUTENÇÃO LÍTIO QUETIAPINA LAMOTRIGINA CARBAMAZEPINA Apresentação clínica típica Episódios com características mistas Polaridade depressiva predominante Doença atípica Sem comorbidades com uso de substâncias ou ansiedade Transtorno bipolar tipo II História familiar Transtorno esquizoafetivo QUESTÕES 1. Mulher, 25 anos de idade, procura pronto atendimento, referindo perda do interesse por tudo, tristeza com choro fácil e ganho de peso há três semanas. Relata muito sono e, mesmo dormindo dez horas por noite, acorda cansada. Prefere ficar sozinha na maior parte do tempo e pensa que isso possa ser um castigo por algo que fez, mas não sabe o quê. Nega ter qualquer outra doença, bem como uso de drogas lícitas ou ilícitas. O diagnóstico e a conduta, respectivamente, são: a. episódio depressivo / acompanhamento ambulatorial com antidepressivo b. episódio depressivo / internação em unidade psiquiátrica c. episódio esquizoafetivo / acompanhamento ambulatorial com estabilizador do humor d. episódio esquizoafetivo / acompanhamento ambulatorial com antipsicótico e. episódio depressivo com sintomas psicóticos / acompanhamento ambulatorial com antidepressivo e antipsicótico. Questão 2. No que se refere ao transtorno depressivo maior e à distimia, julgue o item subsequente. Perda de peso – ou alteração do apetite –, mudança no padrão do sono – insônia ou hipersonia –, fadiga, agitação – ou retardo – psicomotor, capacidade diminuída de tomar decisões e ideação suicida são exemplos de manifestações clínicas que devem ser avaliadas em pacientes com suspeita de transtorno depressivo maior. a. ( ) CERTO Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 12 b. ( ) ERRADO 3. Paciente do sexo feminino, 33 anos, procura o psiquiatra pela primeira vez em sua vida por sentir tristeza acentuada, dificuldade para conciliar o sono, falta de disposição para o trabalho e diminuição de energia para as atividades do lar. Além dessas queixas, relata também episódios de choro fácil imotivado, certo grau de impaciência, afastamento de atividades antes consideradas prazerosas e crenças negativas sobre si mesma: “Doutor, às vezes penso que seria melhor não existir…”. Relata essas queixas há cerca de dois meses. Tentou ir ao psiquiatra antes, mas no posto de saúde de sua casa não tinha vaga para atendimento psiquiátrico antes. Diante do caso exposto, qual a terapêutica indicada? a. carbolitium b. haloperidol c. bromazepam d. sertralina e. ácido valproico 4. Mulher, 63 anos de idade, refere há dois anos dores que iniciaram nos ombros, progrediram para coluna lombar, coxas, antebraços, mãos, coluna cervical e pés. As dores melhoram com repouso e pioram com movimentação. Relata sono de má qualidade e acorda cansada. Teve diagnóstico de depressão há cinco anos, porém não trata. No exame físico, há dor na mobilização e palpação de diversas articulações e regiões musculares. Considerando o diagnóstico mais provável, qual a conduta mais adequada? a. fisioterapia motora, colchicina e alopurinol b. exercícios físicos e antidepressivos c. repouso e antidepressivos d. exercícios físicos e glucosamina e. repouso, prednisona e metotrexato 5. Homem, 68 anos, é trazido à unidade de pronto atendimento com quadro de náuseas, vômitos e diarreia há dois dias, com piora progressiva, associada à desorientação temporal, esquecimento dos nomes de familiares e dificuldade de se concentrar. Está em uso de diclofenaco de sódio 25 mg, duas vezes ao dia, há quatro dias, devido à dor lombar. Antecedentes pessoais: refere uso de maconha duas vezes por semana, último uso há quatro dias; transtorno bipolar, de início aos 30 anos, em uso de lítio há dez anos com controle dos episódios afetivos. Antecedentes familiares: pais tiveram quadros demenciais. Exame físico: desidratado ++/4+, neurológico: reflexos osteotendinosos aumentados globalmente, tremores e marcha atáxica. A hipótese diagnóstica é: a. intoxicação por lítio b. doença de Alzheimer de início precoce c. delirium por uso de diclofenaco de sódio d. abstinência de substâncias psicoativas. 6. Paciente de 52 anos, sexo feminino, portadora de transtorno bipolar tipo 1, é encaminhada ao serviço de endocrinologia para avaliação de hipotireoidismo primário. Qual dos medicamentos abaixo pode estar relacionado ao quadro dessa paciente? a. carbamazepina b. divalproato de sódio c. fumarato de quetiapina d. paroxetina e. carbonato de lítio 7. Em relação às recomendações sobre o diagnóstico diferencial da depressão com transtorno bipolar, analise as assertivas abaixo: I. Investigar história prévia de episódio maníaco ou hipomaníaco. Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 13 II. Deve-se assegurar que os sintomas que levantam suspeita de episódio maníaco ou hipomaníaco ocorreram no mesmo período. III. Antidepressivos não devem ser iniciados em pacientes com transtorno bipolar, sob risco de desencadear episódio maníaco. Quais estão corretas? a. apenas I ⮧ b. apenas I e II c. apenas I e III d. apenas II e III e. I, II e III. 8. Leia o caso clínico a seguir. Você atende um paciente de 27 anos, do sexo masculino, com episódio depressivo grave e risco de suicídio. Ele tem história prévia de episódios depressivos com sintomas atípicos (hipersonia, aumento de apetite, labilidade do humor e ausência de anedonia) e delírios de ruína. Já fez muito abuso de álcool, maconha e cocaína, e relatou episódios de franca irritabilidade, comportamento agressivo, logorreia e aumento da impulsividade sexual e pensamentos acelerados com duração de vários dias, mesmo sem estar intoxicado por drogas. Na família, há vários casos de suicídio e internações psiquiátricas por surtos de agressividade e agitação psicomotora. Em relação à conduta medicamentosa, a prescrição adequada é: a. nortriptilina, um antidepressivo tricíclico b. escitalopram, antidepressivo inibidor seletivo de recaptação de serotonina c. quetiapina, um antipsicótico de segunda geração d. lorazepam, um benzodiazepínico. 9. Homem de 78 anos de idade é avaliado para quadro recente de dificuldade com a memória. Ele tem hipertensão tratada com hidroclorotiazida e relata diminuição do apetite, problemas em adormecer e afastamento das atividades sociais, desde a morte de sua esposa, há 13 meses, ocasião em que ele teve De assumir várias novas responsabilidades, incluindo a gestão das finanças e cozinhar. Perdeu cinco quilos de peso nesse período. Ele está preocupado porque tem esquecido de pagar algumas contas. Sinais vitais, exame físico e neurológico: normais; miniexame do estado mental: 28/30 (normal: ≥ 24); versão reduzida da escala de depressãogeriátrica: 9 (normal: < 6). Exames laboratoriais, incluindo hemograma, vitamina B12 e perfil de tireoide: normais. Nesse momento, a conduta correta é: a. iniciar um inibidor da acetilcolinesterase b. iniciar o tratamento para depressão c. realizar testes neuropsicológicos d. solicitar uma tomografia computadorizada de crânio sem uso de contraste e. solicitar uma ressonância magnética do encéfalo com uso de contraste 10. Pode indicar um sinal de intoxicação aguda por carbonato de lítio: a. ganho de peso b. diarreia c. poliúria d. hipotiroidismo 11. O senhor Mário, 50 anos, casado, evangélico, quatro filhos, pedreiro, é levado pela esposa para atendimento médico, na Unidade Básica de Saúde, com relato de que, há cerca de três semanas, vem evoluindo com quadro de tristeza, isolamento social, faltas frequentes ao trabalho, redução do apetite e consequente perda de peso, insônia inicial, desânimo, perda da energia, choro fácil e ideação suicida. Também parou de realizar atividades que, antes lhe davam prazer, como jogar futebol e encontrar-se com os amigos. Relatou episódio semelhante quando era mais jovem, mas percebe os sintomas atuais de forma mais intensa. Como fatores estressores, relata que está passando por dificuldades financeiras e que um dos filhos está usando drogas. Negou uso de álcool Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 14 ou outras drogas. Negou sintomas, como alucinações ou delírios. Como comorbidades, apresenta hipertensão arterial. Diante do exposto, assinale a alternativa CORRETA que apresente hipótese diagnóstica para o caso do paciente. a. episódio depressivo grave, com sintomas psicóticos b. transtorno afetivo bipolar, episódio de mania c. episódio depressivo grave, sem sintomas psicóticos d. transtorno de ansiedade generalizada e. episódio depressivo moderado. GABARITO 1. A 2. O enunciado está CERTO, pois esses são justamente os sintomas contidos nos critérios diagnósticos DSM-5. 3. C a. A sertralina é uma antidepressivo ISRS, primeira linha para depressão. Apresenta boa tolerabilidade, poucas interações medicamentosas. É uma alternativa excelente para este caso 4. B a. A paciente apresenta uma síndrome dolorosa crônica associada a sintomas depressivos. Nesses casos, o limite entre depressão e fibromialgia é muito sutil. Possivelmente a paciente apresenta comorbidade entre essas duas doenças. Mas o quadro depressivo por si só pode cursar com dores, e isso é particularmente comum em pessoas idosas. Atividade física e antidepressivos são tratamentos eficazes para depressão e fibromialgia. 5. A a. A intoxicação por lítio ocorre mais comumente em pessoas idosas e geralmente está associada a uso de medicamentos, sendo os anti-inflamatórios um dos mais implicados. Os sintomas gastrointestinais e neurológicos dominam o quadro 6. E a. O carbonato de lítio e, em menor grau, o ácido valproico estão relacionados a hipotireoidismo. O lítio é o mais implicado 7. E a. Assertiva I: VERDADEIRA. Para diagnóstico de episódio depressivo é necessária ausência de episódios de elevação do humor prévios. b. Assertiva II: VERDADEIRA. Nos critérios diagnósticos de mania e hipomania há obrigatoriedade de concomitância dos sintomas. c. Assertiva III: VERDADEIRA. Antidepressivos não devem ser iniciados em monoterapia em pacientes bipolares, sob risco de emergência de sintomas hipomaníacos/maníacos. 8. C a. Quetiapina é um antipsicótico atípico ótimo para transtorno bipolar, especialmente em episódios depressivos 9. B a. Lembre-se que depressão pode ocorrer em QUALQUER IDADE, inclusive entre idosos. Em idosos, sempre lembrar de investigar bem com exames e excluir outras causas. Perceba que o médico teve o cuidado de ver comorbidades, examinar o paciente, aplicar rastreio cognitivo e ainda pediu exames. É muito comum o paciente vir procurar com queixa de memória, que pode ocorrer na própria depressão, sendo, nesse caso, mais uma queixa de atenção do que memória em si. 10. B Transtorno Bipolar - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 15 a. A intoxicação por lítio ocorre, na maior parte dos casos, como complicação do seu uso terapêutico, associando-se, em geral, a litemia acima de 1,5 mEq/l. O espectro clínico da intoxicação pode ser dividido em leve a moderado e grave. Nas intoxicações agudas leves a moderadas, ocorrem principalmente manifestações gastrointestinais (dor, náuseas, diarreia e vômitos) e neurológicas (como nistagmo, agitação, tremores, hiperreflexia, ataxia, rigidez e confusão mental). Associadas a isso, podem ocorrer hipoventilação, bradicardia e alterações eletrocardiográficas (anormalidades na onda T). Já nas intoxicações crônicas, há predomínio de manifestações como desidratação, distúrbios hidroeletrolíticos, transtornos da tireoide, fotofobia, convulsões, coma, rigidez, mioclonias e até mesmo síndrome serotoninérgica. As alterações cardiovasculares são mais raras e manifestam-se através de hipotensão, bradicardia e alterações eletrocardiográficas (bloqueios de ramo, alargamento do intervalo QT e alterações na onda T). 11. C a. Paciente com quadro súbito de tristeza, isolamento social, faltas frequentes ao trabalho, redução do apetite e consequente perda de peso, insônia inicial, desânimo, perda da energia, choro fácil e ideação suicida, não mais realizando atividades da vida diária sendo um quadro diagnosticado, de acordo com os critérios do DSM-5, como uma depressão grave, porém sem sinais de psicose (sem delírios e alucinações) com gatilho causado por stress na vida familiar.