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- Não é preciso, nesse tipo de cirurgia, fazer a laparotomia - abrir a cavidade para operar. - Faz-se através de um orifício. • Lapara (grego): Partes moles do corpo entre as margens das costelas e quadris, até o púbis. • Skopein: Para ver ou examinar. • Laparoscópio: Aparelho ótico introduzido através de uma incisão na parede abdominal, a fim de examinar, realizar cirurgias ou realizar biópsias em órgãos. Necessita de luz para melhor visão, e por isso ele leva consigo uma ótica; e para manter a cavidade inflada e sustentada (pneumoperitôneo), é necessária uma bomba que jogasse ar nessa cavidade e convencionou-se o uso do CO2 (o monóxido de carbono é tóxico) já que não é tóxico e consegue sair pelos pulmões do paciente; ao insuflar a cavidade conseguimos visualizar os órgãos da cavidade e realizar os procedimentos necessários, e se não houvesse essa insuflação a parede abdominal iria estar sempre caindo sobre o local do procedimento. Antigamente (ainda se faz hoje), as biópsias eram feitas através de agulhas introduzidas na cavidade abdominal ou nos órgãos abdominais, de forma às cegas (muito passíveis de complicações). Não há garantia de que irá se acessar o local correto. Existem áreas em que não se consegue esse acesso, como, por exemplo: o fígado, na posição em que ele se encontra, torna dificultoso o acesso ao lobo posterior. Já na laparoscopia, é possível liberar alguns ligamentos, tracionar o fígado, rodá-lo e conseguir fazer a punção desejada (ou tirar um pedaço) para uma biópsia. As biópsias sofreram grandes melhoras, desde que a cavidade abdominal do paciente não seja muito manipulada (cirurgias/complicações/aderências tornam o procedimento mais difícil. Nesse caso, a laparotomia aberta seria até melhor que a por vídeo). HISTÓRICO: • 1920: Zollikofer, na Suíça, promove o primeiro pneumoperitônio com CO2. (Introdução de ar na cavidade abdominal para liberar algumas aderências). • O alemão Kalk, em 1929, utiliza lentes e dois trocateres. • 1954: Na Inglaterra, Hopkins e Kapany usaram óticas (apenas para olhar). Bases em Cirurgia Videolaparoscópica (Cirurgia Minimamente Invasiva) Giovanna Lopes • 1960: Kurt Semm inventa o insuflador automático (coloca um aparelho que fica jogando ar dentro da cavidade, com uma certa pressão, para não estourar a cavidade do paciente). • 1985: Câmeras acopladas ao sistema de lentes. • 1987: Phillippe Mouret, na França - primeira colecistectomia videolaparoscópica no mundo. • 2000: FDA aprova o Da Vinci (onde o médico faz os acessos e coloca as pinças na cavidade e na cabeça de cada pinça e ótica tem o braço do robô, controlado por um computador onde o médico entra e vai posicionando de acordo com o seu desejo). VANTAGENS: • Cirurgia com incisões mínimas (estética) - maior preocupação, hoje em dia. Causa menos processos inflamatórios (quanto mais incisões, maiores as chances de processos inflamatórios). Mini-laparoscopia: incisões ainda menores, com pinças muito delicadas e que quebram com muita facilidade. Instrumental cirúrgico mais caro, com tempo de utilização extremamente inferior em relação ao de laparoscopia normal. Cirurgia mais cara, devido ao fato de o material ser igualmente mais caro e estragar mais rápido. • Menor dor no pós-operatório (já que a lesão é mínima). • Menor tempo de internaçã o hospitalar (99% das cirurgias usam menos de 24h de internação hospitalar). • Retorno precoce ao trabalho (depende do grau de esforço no trabalho). • Menor incidência de complicações (como infecções, deiscências, hérnias, seromas, hematomas, abscessos intracavitários, entre outros). Isso ocorre devido a menores lesões musculares, nervosas, etc. • Menor resposta inflamatória (uma das mais importantes) Quando se tem um trauma cirúrgico, a resposta inflamatória é muito maior e muito mais agressiva. Indução da anestesia geral e, com cerca de 20 a 60 minutos, o procedimento ocorre. Esse tempo seria necessário somente para “abrir” o paciente. POSICIONAMENTO DO PACIENTE: • Fixação do paciente à mesa: Dependendo de onde o paciente será operado, ele pode ser virado para todos os lados (prende pela região da pelve e do ombro ou do tórax – depende do tipo de cirurgia). • Posição do paciente depende do tipo de cirurgia que ele vai realizar. ✓ Colecistectomia: Proclive (elevar a cabeça e descer os pés) com decúbito lateral esquerdo. Proclive deixa as vísceras na região pélvica e livra a região próxima ao fígado. Rodar pro lado esquerdo gera a rotação dos órgãos para o lado esquerdo e região pélvica, liberando a área da vesícula para operar com tranquilidade. ✓ Hérnias inguinais e pelve: Trendelemburg. ✓ Em casos de hérnias de hiato esofágico, usa-se somente o proclive (podendo também rodar para um dos lados, sendo o proclive o mais comum). ✓ Em hérnias inguinais e pelve (como cirurgias de ovário, histerectomia, trompas), faz-se o Trendelemburg no doente, colocando-o praticamente de cabeça para baixo, fazendo com que todos os órgãos subam - livrando a pelve, para fazer o acesso. ✓ Esplenectomia: Decúbito lateral direito. ✓ Várias formas para se realizar esplenectomias, podendo realizar decúbito lateral direito, decúbito ventral. ✓ Tórax: posições variadas, porque você pode fazer ataque anterior, lateral ou posterior, no tórax, para colocação dos trocateres. EQUIPAMENTOS DE VIDEOCIRURGIA: - Insuflador de gás carbônico: É um aparelho que preenche cavidade abdominal com CO2 e transforma uma cavidade virtual em uma cavidade real, possibilitando acesso a todos os quadrantes do abdome. É um marcador de volume, pressão (já que altas pressões podem dificultar o retorno venoso) e fluxo (pode injetar até 45l de CO2): mede quanto já foi jogado na cavidade, qual a pressão intracavitária, qual o volume que está lá dentro (ou volume que está sendo gasto). Pressão de 12 a 15 mmHg em adultos e 8 a 10 mmHg em crianças. Primeiro número é a pressão, o segundo é o volume injetado e o terceiro é o fluxo (professor inicia com fluxo em 40). - Capnógrafo: Instalar na saída do tubo que está na traqueia do doente. Aparelho que mede a quantidade de CO2. A monitoração fica a cargo do anestesista. Caso esteja aumentada, pode-se diminuir a pressão ou até o fluxo. Tudo isso é compensado com a anestesia, que vai trocar mais, aumentar o ciclo do respirador, observar o capnógrafo - controle do anestesista. - Agulha de Vernes: utilizada para insuflação da cavidade sem perfuração de vísceras. Possui um bisel com um pistão, e esse pistão tem uma mola que, quando aperta esse pistão, ela retrai e o bisel vai realizar o corte enquanto existir pressão na ponta, e quando a pressão cessa o pistão é empurrado de volta pela mola e não há risco do bisel perfurar as vísceras, o qual é o grande perigo do primeiro acesso. Para iniciar, é necessária uma agulha de Verres. Para quem tem muitos anos de prática, não se utiliza mais. Quando não se usa mais, basta abrir o local, passar uma pinça ou um porta-agulha, olhar (visão direta - técnica de Hassan), pegar um trocater (sem o mandril), colocar lá dentro e começar a insuflação. Pode-se introduzir a agulha na região umbilical/supra-umbilical ou no hipocôndrio esquerdo, colocar gás carbônico nessa agulha e deixar a cavidade encher (é rápido - entre 15 e 25 minutos). Depois, tira a agulha e já se tem uma cavidade. Como já tem, basta introduzir o trocater - formação de pneumoperitônio, com uma agulha. Agulha tem uma parte romba, que não deixa ferir nada dentro da cavidade. - Trocater: com aproximadamente 1 cm de espessura, com a ponta não retrátil. A maioria desses instrumentos, hoje em dia, tem a ponta retrátil protegendo do risco de perfuração de vísceras. Esse é um trocater fixo. Sua ponta é muito cortante. O problema de introduzi-lo não é lesar intestino, pois facilmente se dá os pontos (por laparoscopia até). E, sim, lesionar uma artéria, aorta, seccionar ou perfurar uma cava e não observar.• Tira a agulha, introduz o trocater com o mandril dentro, vai girando e progredindo. O problema é quando ele vence a resistência da aponeurose, podendo vir a lesionar. • O retrátil é mais utilizado, pois pode retrair a ponta e impede que haja perfuração. • O maior receio da cirurgia laparoscópica é haver lesão vascular grave, durante a passagem do trocater. - Outra forma de fazer o pneumoperitônio é segurar a parede abdominal após realizar uma incisão no umbigo, e introduz a agulha de Verres em direção ao oco pélvico. - Ótica: • A peça que penetra a cavidade para a transmissão da imagem através de um cabo que se conecta ao processador de imagem (monitor) chama-se ÓTICA. • A ótica pode ser de várias medidas de espessura, variando de 4, 5 e 10mm (a maioria é de 10mm). Observação: A ótica (além de olhar) tem, em volta do olho, uma camada de fibra ótica de feixes de transmissão de energia ótica, que joga luz para dentro da cavidade. Se colocar uma ótica de 5mm, haverá menos luz que uma ótica de 10mm. Caso a câmara de cavidade abdominal seja grande e seja colocada uma ótica de 5mm, não haverá visualização, pois estará tudo escuro, ou seja, não tem luz suficiente. • O ângulo de entrada da ótica varia de 0, 30 e 45 graus (conforme muda o ângulo, muda a perspectiva de visão). • A ótica de 0 grau é extremamente limitada, só se enxerga para frente. • A ótica de 30 graus consegue visualizar as laterais. • A ótica de 45 graus vê mais ainda, facilitando a visualização lateral. • Em algumas cirurgias, não se consegue usar a ótica de 0 grau. Apenas de 30 ou 45 graus. • São peças de metal com interior de fibra ótica resistentes à temperatura e pressão, podendo ir ao aparelho de autoclave (não transmite infecção). - Fonte de luz: A fonte de luz conecta-se à ótica por um cabo de fibras especializadas em transmissão de luz fria (xenônio e led, nas mais modernas - duram mais, são mais frias e mais puras). • O cabo é revestido por uma camisa de plástico estéril para conexão à ótica. Existe um conector que vai da fonte até a ótica, tendo o processador de imagem, que leva até a televisão. Esse cabo não fica esterilizado todo tempo, já que se levar muito à autoclave, vai derreter - para isso que serve essa camisa de plástico estéril: coloca o cabo por dentro, conecta e amarra (protegendo aquela parte para não contaminar o aparelho). • Possui regulação de intensidade de luz. - Monitor: Aparelho plano de alta definição que recebe a imagem do processador. • Pode ser disposto em um ou mais locais da sala de cirurgia (geralmente, fica de frente pro cirurgião, podendo ter monitores para outros lados). • Possui suporte de mobilização ampla devido à mudança de posição dos membros da equipe cirúrgica. - Geralmente é HD e estão posicionados de forma que cada membro, em suas posições, consiga visualizar um monitor na sua frente. EQUIPAMENTOS DE VIDEOCIRURGIA: EQUIPAMENTOS DE VIDEOCIRURGIA: O PERITÔNIO: • Membrana serosa transparente, contínua, brilhante e escorregadia. • Reveste a cavidade abdominopélvica e as vísceras. • Peritônio parietal. • Peritônio visceral. • Líquido peritoneal (pouco líquido, a menos que tenha processo inflamatório - realizaçãode cirurgia laparoscópica). • Comunicações com outras cavidades. CONFECÇÃO DO PNEUMOPEERITÔNIO: • Por agulha de Verrez: Passa a agulha. Quando ela está na cavidade, faz-se o teste com uma seringa em cima da agulha, para saber se está mesmo na cavidade ou não. Imagina que está na cavidade, devido à diminuição de resistência. Coloca-se líquido da seringa e abre a “torneirinha”. Se começar a descer líquido para dentro da cavidade, é porque está realmente na cavidade. Se colocar soro e o líquido ficar parado, significa que não tem cavidade para o líquido entrar. • Técnica de Hassan: Visualizar e passar o trocater sem o mandril. • Diferença de pressão: Considerando que a cavidade tem pressão zero, quando instalar o insuflador na agulha e mostrar pressão aumentada, é porque está no subcutâneo. Pode ir corrigindo. Mostra se a agulha está ou não dentro da cavidade. Cavidade abdominal: 0 atm • Locais de punção: Local mais comumente utilizado é a região supraumbilical e pode ser feito infraumbilical e hipocôndrio esquerdo. • Cirurgias prévias: Cuidado para não lesionar vísceras. • Problemas: Identificar antes e, às vezes, até durante. Não devendo iniciar a cirurgia se não houver condições de solucionar os problemas. • Soluções: Procurar soluções inovadoras durante a cirurgia. - Primeiro portal (Sempre o da ótica). • Local: sempre na região umbilical, exceto se houver problemas ou se o local da operação for distante (exemplo: esplenectomia, primeiro portal no rebordo costal esquerdo), adaptando o local de acordo com a necessidade. • Posicionamento da ótica: Diretamente ligado ao órgão operado. Através da visão direta da ótica, começa a palpar do lado de fora e faz a incisão fora. Por dentro, vai ver a penetração dos outros trocateres. Esse acesso à cavidade é o que dá segurança à passagem dos outros trocateres. Muitas vezes, ao passar o trocater, identifica-se uma aderência, por exemplo. Faz-se outro acesso, no local livre, passa uma pinça, libera, solta da parede e passa o trocater – já liberou. Precisa ter distâ ncia entre um e outro, senão uma pinça vai ficar tocando na outra. • Imagem em espelho: Nunca se deve colocar pinças de encontro à ótica, com as pinças tendo que ir na mesma posição em que a ótica está posicionada (se a ótica ponta para frente, elas também têm que apontar para frente); caso contrário, se as pinças irem de encontro à ótica a imagem ficará em espelho (se mover para direita, a pinça vai para esquerda), inviabilizando a cirurgia exceto se tiver muita habilidade. • Acesso a toda cavidade: O acesso à toda cavidade é importante, principalmente se quiser lavar a cavidade, tendo uma visualização de todas as áreas do abdome. • Alcance e angulação da ótica: Precisa ter angulação de, pelo menos, 30 graus, para encontrar a pinça lá dentro e conseguir manipular. Além da angulação desta ao posicionar as pinças em torno de 10 cm a 12 cm, no mínimo, dessas pinças para a ótica e entre elas para que quando se movimente a ótica ela não bata nas pinças que estejam próximas e que essas pinças tenham uma boa distância entre si para realização de nós, por exemplo. • As dificuldades encontradas podem ser corrigidas com passagem de outros trocateres. • Introdução dos outros trocateres: depende da cirurgia, deve-se levar em conta as distâncias e angulações para eles também. As dificuldades podem surgir dependendo de cada cirurgia e quando não há a solução de problemas pode ter que mudar ótica ou pinças ou até mesmo acrescentar novas incisões. COLECISTECTOMIA CONVENCIONAL: - Na colecistectomia por vídeo a dissecção é feita do cístico para o fundo, já na colecistectomia convencional ela é feita do fundo para o cístico; a incisão de escolha pode ser Kocher, Lenander ou Mediana, e faz-se a ligadura da artéria cística e ducto cístico, a dissecção é feita de forma retrógrada indo do fundo para o cístico (fundo-cístico), e a hemostasia do leito hepático é feita diretamente pelo bisturi elétrico e a síntese da parede por planos. - Usa-se uma pinça com energia bipolar. - Bolsa de Hartmann: traciona e faz uma angulação para encontrar o ducto cístico. - Triângulo de Calot: ducto hepático comum, ducto cístico e borda inferior do fígado. - Linfonodo de Mascagni: auxilia na identificação da artéria cística. - Os clipes metálicos podem ficar dentro da cavidade: 1 em cima e 2 em baixo para fazer a ligadura do ducto e da artéria.