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SÍNDROMES ENDOCRINAS BÁRBARA KISSEL ETAPA 4-MED HIPÓFISE: • Glândula alojada a sela turca do osso esfenoide e conectada a base do encéfalo pelo infundíbulo. • É dividida em lobos: anterior (adenohipofise) e posterior (neurohipofise) • É conectada ao hipotálamo e dispõe circulação do tipo porta. • O controle fisiológico da hipófise é exercido pelo hipotálamo, tanto por intermédio dos neuro-hormonios, que são fatores liberadores ou estimuladores da secreção dos hormônios hipofisários, como também por hormônios secretados pelas glândulas-alvo. • Estado de hipopituitarismo: ➢ São estados clínicos resultantes da falência secretória isolada (parcial) ou múltipla (pan-hipo) da hipófise. ➢ Déficits parciais (ou seletivos) resultam em disfunção de uma glândula-alvo, que reduz sua atividade secretória por falta de estimulo. ➢ A falência hipofisária global decorre usualmente, de destruição extensa da glândula. Entre suas causas possíveis, incluem-se: tumores, traumas, cirurgia, infecções, radioterapia, hipófise auto- imune, apoplexia hipofisária e infarto hemorrágico relacionado a gravidez e ao parto ou síndrome de Sheehan. ➢ Síndrome de Sheehan: ❖ Hipotuitarismo pós-parto secundário à necrose hipofisária. ❖ As células da glândula pituitária de uma mãe começam a morrer. ❖ Sintomas: astenia, hipotensão, palidez, perda de libido, amenorreia, esterilidade, apatia, ausência de lactação. ➢ As manifestações clínicas do hipopituitarismo dependem dos hormônios perdidos e da extensão da deficiência hormonal. ➢ A deficiência de GH causa distúrbios do crescimento em crianças e acarreta uma composição corporal anormal em adultos. ➢ A deficiência de gonadotrofina causa distúrbios menstruais e infertilidade nas mulheres, bem como função sexual reduzida, infertilidade e perda das características sexuais secundárias nos homens. ➢ A deficiência de TSH e ACTH manifesta-se habitualmente em um período mais tardio durante a evolução da insuficiência hipofisária. A deficiência de TSH causa retardo do crescimento em crianças e características de hipotireoidismo em crianças e adultos. A forma secundária da insuficiência suprarrenal causada por deficiência de ACTH evolui para o hipocortisolismo com relativa preservação na produção de mineralocorticoides. ➢ A deficiência de PRL acarreta ausência de lactação. ➢ Quando as lesões acometem a neuro- hipófise, a poliúria e polidipsia refletem a ausência de secreção da vasopressina. ➢ Em pacientes com dano hipofisário de longa duração, estudos epidemiológicos documentam um aumento na taxa de mortalidade, principalmente por aumento de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. A irradiação prévia da cabeça e do pescoço também é um fator determinante no aumento das taxas de SÍNDROMES ENDOCRINAS BÁRBARA KISSEL ETAPA 4-MED mortalidade, em especial nas doenças cerebrovasculares. • Hiperpituitarismo: ➢ Hipersecreção de um ou mais hormônios, em geral por adenomas (tumores benignos) da hipófise; ➢ Geram sintomas inespecíficos pela compressão exercida pelo tumor. ➢ E sintomas/sinais específicos decorrentes da hipersecreção dos hormônios. ➢ Sinais e sintomas decorrentes da compressão: ❖ Cefaleia: as cefaleias constituem uma característica comum dos pequenos tumores intrasselares, mesmo sem extensão suprasselar demonstrável. ❖ Perda visual: A extensão suprasselar pode levar à perda visual por vários mecanismos, sendo o mais comum a compressão do quiasma óptico, mas raramente pode ocorrer a invasão direta dos nervos ópticos ou a obstrução do fluxo do líquido cerebrospinal (LCS), o que causa distúrbios visuais secundários. A hemianopsia bitemporal, em geral mais pronunciada na parte superior, é classicamente observada. Ela ocorre porque as fibras celulares dos gânglios nasais, que cruzam no quiasma óptico, são especialmente vulneráveis à compressão do quiasma óptico ventral. Por vezes, ocorre hemianopsia homônima devido à compressão pós- quiasmática ou perda de campo visual temporal aculomotor pela compressão pré-quiasmática. A invasão do seio cavernoso pode produzir diplopia por paralisia do nervo oculomotor. O diagnóstico precoce reduz o risco de atrofia óptica, perda de visão ou desalinhamento dos olhos. ❖ Os pacientes podem apresentar-se com diplopia, ptose, oftalmoplegia e redução da sensibilidade facial, dependendo da extensão do dano neural. ➢ Sinais e sintomas específicos: excesso de hormônios: ❖ São aqueles decorrentes da ação do hormônio secretado em excesso pelo adenoma hipofisário. ❖ Os fenótipos clínico e bioquímico dos adenomas hipofisários dependem do tipo de célula do qual derivam. Portanto, tumores que surgem das células lactotróficas (PRL), somatotróficas (GH), corticotróficas (ACTH), tireotróficas (TSH) ou gonadotróficas (LH, FSH) hipersecretam seus respectivos hormônio. ❖ Os três adenomas secretores mais comuns são o prolactinoma, o secretor de GH e o de ACTH. ❖ Os tumores com atividade hormonal caracterizam-se por secreção hormonal autônoma com redução da responsividade por feedback às vias inibitórias fisiológicas. SÍNDROMES ENDOCRINAS BÁRBARA KISSEL ETAPA 4-MED ❖ Prolactinoma: o mais comum dos tumores. Causa principalmente galactorreia e amenorreia, além de dispareunia (dor genital na relação sexual), fogachos (inibição do FSH e LH), redução da libido e impotência. Se a hiperprolactinemia for persistente, a densidade mineral óssea das vértebras poderá estar reduzida em comparação a controles de idade equivalente, sobretudo quando está associada à hipoestrogenemia pronunciada. As pacientes ainda podem se queixar de aumento de peso e hirsutismo (aumento de pelos corporais). Nos homens com hiperprolactinemia, a diminuição da libido, a infertilidade e a perda visual (devido à compressão do nervo óptico) são os sintomas habituais de apresentação. A supressão das gonadotrofinas resulta em testosterona reduzida, impotência e oligospermia. Se o distúrbio for duradouro, os efeitos secundários de hipogonadismo irão se tornar evidentes, como osteopenia, massa muscular reduzida e menor crescimento da barba. ❖ Adenoma secretor de GH: As diversas manifestações da hipersecreção de GH e IGF-I são indolentes e, com frequência, não são diagnosticadas clinicamente por 10 anos ou mais. O excessivo crescimento dos ossos das extremidades resulta em bossas frontais, aumento do tamanho das mãos e dos pés, aumento mandibular com prognatismo e espaço alargado entre os dentes incisivos inferiores. Em crianças e adolescentes, o início da hipersecreção de GH antes do fechamento das epífises dos ossos longos está associado ao desenvolvimento de gigantismo hipofisário. Outras características clínicas encontradas comumente incluem hiperidrose, voz grossa e abafada, pele oleosa, artropatia, cifose, síndrome do túnel do carpo, fraqueza e fadiga dos músculos proximais, acantose nigricans e papilomas cutâneos. Ocorre visceromegalia generalizada, incluindo cardiomegalia, macroglossia e aumento do volume da tireoide. O impacto clínico mais significativo do excesso de GH ocorre com relação ao sistema cardiovascular. A doença arterial coronariana (DAC), a miocardiopatia com arritmias, a hipertrofia ventricular esquerda, a diminuição da função diastólica e a hipertensão ocorrem na maioria dos pacientes. O diabetes melito manifesta-se em 25% dos pacientes com acromegalia, e a maioria deles apresenta intolerância à glicose (pois o GH contrabalança a ação da insulina). Pode ocorrer apneia do sono por obstrução das vias respiratórias superiores, por tecidos moles das vias respiratórias laríngeas. Pode ocorrer aindaface com sulco supra-orbitario, determinando face leonina. ❖ Adenoma produtor de ACTH: Os adenomas dos corticotrofos hipofisários são responsáveis por 70% dos pacientes com causas endógenas da síndrome de Cushing. Os elementos típicos do excesso crônico de cortisol incluem pele fina, obesidade central, hipertensão, fácies pletórica de lua cheia, estrias violáceas e surgimento fácil de equimoses, intolerância à glicose ou diabetes melito, disfunção gonadal, osteoporose, fraqueza dos músculos proximais, sinais de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo) e distúrbios psicológicos (depressão, mania e psicoses). A imunossupressão inclui hipersensibilidade retardada e propensão à infecção. Em crianças e nas mulheres jovens, a osteoporose precoce pode ser particularmente proeminente. • Distúrbios da neuro-hipófise: ➢ A neuro-hipófise produz dois hormônios: (1) a arginina-vasopressina (AVP), também SÍNDROMES ENDOCRINAS BÁRBARA KISSEL ETAPA 4-MED conhecida como hormônio antidiurético, e (2) a ocitocina. ➢ A AVP atua sobre os túbulos renais, reduzindo a perda de água por meio da concentração da urina. ➢ A ocitocina estimula a ejeção do leite no pós-parto em resposta à sucção. ➢ A deficiência na secreção ou na ação da AVP provoca diabetes insípido (DI), uma síndrome caracterizada pela produção de grandes quantidades de urina diluída. ➢ A produção excessiva ou inapropriada de AVP compromete a excreção urinária de água e predispõe à hiponatremia se o aporte de água não for reduzido paralelamente ao débito urinário. ➢ Deficiência na secreção e ação da AVP: ❖ Uma diminuição de 75% ou mais na secreção ou na ação da AVP costuma resultar em Diabetes insípido, uma síndrome caracterizada pela produção de volumes anormalmente grandes de urina diluída. O volume de urina de 24 horas ultrapassa 50 mL/kg de peso corporal. A poliúria (3-30ml/dia) produz sintomas de polaciúria, enurese e/ou nictúria, que podem perturbar o sono e causar ligeira fadiga ou sonolência diurnas. Além disso, resulta em discreta elevação da osmolaridade plasmática, que estimula a sede e um aumento proporcional na ingestão de líquidos (polidipsia). ➢ Hiperfunção da ocitocina: ❖ Infertilidade e galactorreia ➢ Hipofunção: ❖ Mais rara; ❖ Associa-se à malformações congênitas, microcefalia e déficit cognitivo (síndrome de williams). SUPRARRENAL: • São duas pequenas glândulas que pesam cerca de 3 a 6 g cada e se situam nos polos superiores de ambos os rins. • A glândula é dividida em duas regiões distintas córtex e medula. • O córtex adrenal no adulto apresenta 3 zonas histológicas distintas: glomerulosa, fasciculada e a reticulada. A zona glomerulosa situa-se imediatamente abaixo da capsula adrenal, a reticulada é justaposta à medula e a fasciculada entre as duas. • Os glicocorticoides e os mineralocorticoides atuam por meio de receptores nucleares específicos, que regulam aspectos da resposta fisiológica ao estresse, bem como a pressão arterial e a homeostase dos eletrólitos. Os precursores androgênicos suprarrenais são convertidos nas gônadas e nas células-alvo periféricas em esteroides sexuais, os quais atuam via receptores nucleares de androgênios e estrogênios. • A zona glomerulosa produz aldosterona, corcicoesterona e desoxicorticoides e andrógenos. • A fasciculada e reticular, cortisol, corticosterona e outros compostos esteroides. • A produção dos glicocorticoides e dos androgênios suprarrenais encontra-se sob o controle do eixo hipotálamo-hipófise- suprarrenal (HHSR), enquanto os mineralocorticoides são regulados pelo sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAA). SÍNDROMES ENDOCRINAS BÁRBARA KISSEL ETAPA 4-MED • Aldosterona: ➢ Mineralocorticoide; ➢ Responsável pela regulação dos íons (minerais) do corpo; ➢ Aumenta a absorção de Na+ e a secreção de K+ nos túbulos renais, ou seja, retem sódio e gera perda de potássio. ➢ Excesso de aldosterona: retenção de sódio e água no corpo e aumento da eliminação de potássio: aumento do debito cardíaco e posterior hipertensão. • Cortisol: ➢ Glicocorticoide; ➢ Mobiliza a gordura e proteína dos tecidos e utiliza essas substancias para suprir parte da energia necessária ao metabolismo corpotal; ➢ Diminui a utilização dos carboidratos para a energia. ➢ Estabiliza a membrana dos lisossomos. ➢ Inibi doenças auto-imunes. • Síndrome de Cushing: ➢ Resulta da exposição crônica a um excesso de glicocorticoides de qualquer etiologia. ➢ Os glicocorticoides afetam quase todas as células do corpo, e, em consequência, os sinais de excesso de cortisol têm impacto em múltiplos sistemas fisiológicos, com suprarregulação da gliconeogênese, da lipólise e do catabolismo das proteínas, causando manifestações mais proeminentes. Além disso, a secreção excessiva de glicocorticoides supera a capacidade da 11β-HSD2 de inativar rapidamente o cortisol a cortisona no rim, exercendo, assim, ações mineralocorticoides, as quais se manifestam na forma de hipertensão diastólica, hipopotassemia e edema. Os glicocorticoides em excesso também interferem nos sistemas reguladores centrais, levando à supressão das gonadotrofinas, com desenvolvimento subsequente de hipogonadismo e amenorreia, e supressão do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide, resultando em diminuição da secreção do hormônio estimulante da tireoide (TSH). Os sinais e sintomas clínicos observados na síndrome de Cushing são, em sua maioria, relativamente inespecíficos e consistem em manifestações como obesidade, diabetes melito, hipertensão diastólica, hirsutismo e depressão. • Insuficiência suprarrenal: ➢ A insuficiência suprarrenal primária é mais comumente causada por adrenalite autoimune. ➢ Causas mais raras de insuficiência suprarrenal envolvem a destruição das glândulas suprarrenais em consequência de infecção, hemorragia ou infiltração. ➢ A insuficiência suprarrenal secundária representa a consequência de uma disfunção do componente hipotalâmico- hipofisário do eixo HHSR. ➢ Em princípio, as manifestações clínicas da insuficiência suprarrenal primária (doença de Addison) caracterizam-se pela perda da secreção tanto dos glicocorticoides quanto dos mineralocorticoides. ➢ Na insuficiência suprarrenal secundária, ocorre apenas deficiência de glicocorticoides, visto que a própria glândula suprarrenal está intacta e, portanto, passível de responder à regulação pelo sistema RAA. ➢ A secreção de androgênios suprarrenais está comprometida na insuficiência suprarrenal tanto primária quanto secundária. ➢ A insuficiência suprarrenal crônica manifesta-se na forma de sinais e sintomas relativamente inespecíficos, como fadiga e perda de energia, desidratação, febre, náusea, depressão, anorexia, vômitos, SÍNDROMES ENDOCRINAS BÁRBARA KISSEL ETAPA 4-MED confusão mental. resultando frequentemente em diagnóstico tardio ou despercebido. ➢ Uma característica diferencial da insuficiência suprarrenal primária é a hiperpigmentação, causada pela estimulação excessiva dos melanócitos pelo ACTH. A hiperpigmentação é mais pronunciada em áreas da pele expostas a maior atrito ou estresse de cisalhamento e é aumentada pela exposição à luz solar. ➢ Em contrapartida, na insuficiência suprarrenal secundária, a pele exibe uma palidez semelhante ao alabastro, devido à falta de secreção de ACTH. TIREOIDE: • A tireoide consiste em dois lobos conectados por um istmo. Está localizada adiante da traqueia, entre a cartilagem cricóidea e a incisura supraesternal. • O TSH, que é secretado pelas células tireotróficas da adeno-hipófise, desempenha um papel primordial no controle do eixo tireoidianoe funciona como o marcador fisiológico mais útil da ação dos hormônios tireoidianos. • O eixo tireoidiano é um exemplo clássico de alça de feedback endócrino. O TRH hipotalâmico estimula a produção hipofisária de TSH, o qual, por sua vez, estimula a síntese e secreção dos hormônios tireoidianos. • Os hormônios tireoidianos atuam por feedback negativo para inibir a produção de TRH e TSH. • Hipotireoidismo: ➢ Estado clinico resultante de quantidade insuficiente de hormônios circulantes da tireoide para suprir a função orgânica normal. ➢ A deficiência de iodo continua sendo uma causa comum de hipotireoidismo no mundo inteiro. ➢ Nas áreas com suficiência de iodo, a doença autoimune (tireoidite de Hashimoto) e as causas iatrogênicas (tratamento do hipertireoidismo) são mais comuns. ➢ Hipotireoidismo congênito: ❖ O hipotireoidismo neonatal é devido à disgenesia da glândula tireoide em 80 a 85% dos casos, a erros inatos da síntese dos hormônios tireoidianos em 10 a 15% dos casos e mediado por anticorpos contra o TSH-R em 5% dos recém-nascidos afetados. As anormalidades de desenvolvimento são duas vezes mais comuns em meninas. ❖ A maioria dos lactentes parece normal por ocasião do nascimento, e menos de 10% são diagnosticados com base nas características clínicas, que incluem icterícia prolongada, problemas alimentares, hipotonia, língua aumentada de volume, maturação óssea ativada e hérnia umbilical. ❖ Ainda mais importante, se o tratamento for retardado, o resultado SÍNDROMES ENDOCRINAS BÁRBARA KISSEL ETAPA 4-MED será um dano neurológico permanente, marcado por um crescimento físico e mental interrompido (cretinismo). ➢ Hipotireoidismo autoimune: ❖ O hipotireoidismo autoimune pode estar associado a bócio (tireoidite com bócio ou de Hashimoto) ou, nos estágios subsequentes da doença, há um tecido tireoidiano residual mínimo (tireoidite atrófica). ❖ O início costuma ser insidioso, e o paciente poderá tornar-se ciente dos sintomas somente depois que o eutireoidismo tiver sido restaurado. ❖ Os pacientes com tireoidite de Hashimoto podem apresentar-se em razão do bócio, e não devido aos sintomas de hipotireoidismo. O bócio pode não ser volumoso, porém costuma ser irregular e de consistência firme ❖ Os pacientes com tireoidite atrófica ou no estágio final da tireoidite de Hashimoto apresentam-se com sinais e sintomas de hipotireoidismo. A pele é seca, e observam-se redução da transpiração, adelgaçamento da epiderme e hiperceratose do estrato córneo. ❖ O maior conteúdo de glicosaminoglicanos dérmicos é responsável pela retenção de água, dando origem ao espessamento da pele sem cacifo (mixedema). As características típicas consistem em face inchada com pálpebras edemaciadas e edema pré-tibial não depressível. ❖ Existe palidez, na maioria das vezes com um matiz amarelado da pele devido ao acúmulo de caroteno. ❖ O crescimento ungueal é retardado, e os cabelos ficam secos, quebradiços, difíceis de pentear e caem facilmente. Além da alopecia difusa, observa-se adelgaçamento do terço externo das sobrancelhas, apesar de esse não ser um sinal específico do hipotireoidismo. ❖ Outras características comuns são constipação intestinal e aumento de peso (apesar de apetite diminuído). ❖ A libido mostra-se reduzida em ambos os sexos, e pode haver oligomenorreia ou amenorreia na doença de longa duração, porém a menorragia também é comum. A fertilidade reduzida e a incidência de abortamento aumentam. ❖ A contratilidade miocárdica e a frequência do pulso estão reduzidas, resultando em volume de ejeção sistólica reduzido e bradicardia. ➢ Hipotireoidismo: ❖ O hipotireoidismo iatrogênico é uma causa comum de hipotireoidismo. Nos primeiros 3 a 4 meses após o tratamento com iodo radioativo, o hipotireoidismo transitório pode ocorrer em razão do dano actínico reversível. ❖ A deficiência de iodo é responsável pelo bócio endêmico e cretinismo, sendo, porém, uma causa incomum do hipotireoidismo em adultos, a menos que a ingestão de iodo seja muito baixa ou estejam presentes fatores intercorrentes, como o consumo de tiocianatos presentes na mandioca ou deficiência de selênio. O hipotireoidismo devido à deficiência de iodo pode ser tratado com tiroxina, porém as medidas de saúde destinadas a melhorar a ingestão de iodo devem ser aconselhadas para eliminar esse problema. ❖ O hipotireoidismo secundário costuma ser diagnosticado no contexto de outras deficiências dos hormônios da adeno-hipófise; a deficiência isolada de TSH é muito rara. Os níveis de TSH podem estar baixos, normais ou mesmo levemente aumentados no hipotireoidismo secundário; o último evento é decorrente da secreção de formas imunoativas, porém bioinativas, de TSH. • Hipertireoidismo: ➢ Caracterizado pela produção exagerada de hormônios da tireoide (T3 e T4) ou por uma SÍNDROMES ENDOCRINAS BÁRBARA KISSEL ETAPA 4-MED ingestão exagerada destes hormônios. Isso gera o aumento do metabolismo basal, Geraldo alterações metabólicas. ➢ Também é definido como hiperfunção da glândula tireoide com consequente tirotoxicose. ➢ Sinais e sintomas: ❖ Palpitação, taquicardia e aumento do debito cardíaco; ❖ Hiper estimulação simpática: tremor, hiperatividade, labilidade emocional, ansiedade, insônia, incapacidade de concentração, exoftalmia; ❖ Endócrinas: intolerância ao calor, pele quente e sedosa, sudorese, hiperfagia, hiperdefecação e alterações menstruais. ❖ Fase basedowiana: lid-lag, edema periorbital, proptose ocular. ➢ Hipertireoidismo apático: ❖ Oligossintomático. ❖ Afeta mais a população idosa; ❖ Paciente pouco sintomático ou com ICC e arritimias cardíacas com TSH suprimido. • Tireotoxicose: ➢ Síndrome de hipertireoidismo grave • Síndrome do Bócio: ➢ O bócio refere-se a um aumento de volume da tireoide. Os defeitos de biossíntese, a deficiência de iodo, a doença autoimune e as doenças nodulares podem resultar em bócio, mas por meio de mecanismos diferentes. ➢ Os defeitos de síntese e a deficiência de iodo estão associados a uma eficiência reduzida da síntese dos hormônios tireoidianos, o que é responsável por um aumento do TSH, o qual estimula o crescimento da tireoide como um mecanismo compensatório destinado a superar o bloqueio na síntese hormonal. ➢ Bócio difuso atóxico (simples): ❖ Quando o aumento difuso da tireoide ocorre na ausência de nódulos e de hipertireoidismo, recebe a designação de bócio difuso atóxico. Às vezes, é denominado bócio simples por causa da ausência de nódulos, ou bócio coloide. Em âmbito mundial, o bócio difuso é causado mais comumente pela deficiência de iodo e recebe a designação de bócio endêmico quando afeta mais de 5% da população. SÍNDROMES ENDOCRINAS BÁRBARA KISSEL ETAPA 4-MED ❖ Em geral, o bócio é mais comum em mulheres do que em homens, provavelmente em razão da maior prevalência de doença autoimune subjacente e das maiores demandas de iodo associadas à gravidez. ❖ O exame de um bócio difuso revela uma glândula simetricamente aumentada, indolor e em geral macia sem nódulos palpáveis. ➢ Bócio multinodular atóxico: ❖ O BMN é mais comum em mulheres do que em homens e aumenta de prevalência com a idade. É mais comum nas regiões com deficiência de iodo, porém ocorre também nas regiões com suficiência de iodo, refletindo múltiplas influências genéticas, autoimunes e ambientais sobre a patogênese. ❖ Os pacientes com BMN atóxico são, em sua maioria, assintomáticos e eutireoidianos. ❖ O BMN costuma desenvolver-se ao longo de muitos anos e é detectado no exame físico de rotina,quando o indivíduo percebe um aumento de volume no pescoço, ou como achado incidental em exames de imagem. ❖ Se o bócio for grande o suficiente, poderá acabar resultando em sintomas compressivos, os quais incluem dificuldade de deglutição, angústia respiratória (compressão traqueal), ou pletora (congestão venosa), apesar de tais sintomas serem incomuns. ❖ Os BMN sintomáticos costumam ser extremamente volumosos e/ou desenvolvem áreas fibróticas que causam compressão. ➢ Bócio multinodular toxico: ❖ A manifestação clínica do BMN tóxico inclui hipertireoidismo subclínico ou tireotoxicose leve. Em geral, o paciente é idoso, podendo apresentar-se com fibrilação atrial ou palpitações, taquicardia, nervosismo, tremor ou perda de peso. ❖ O nível de TSH está baixo. O nível de T4 não ligado pode estar normal ou minimamente aumentado; com frequência, a T3 está elevada em maior grau do que a T4. SÍNDROMES ENDOCRINAS BÁRBARA KISSEL ETAPA 4-MED