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Humanismo cristão APRESENTAÇÃO Desejar que a justiça seja feita parece ser um querer comum da humanidade. Você sempre encontrará pessoas que se sentem ou se sentiram injustiçadas. Muitas vezes, as visões acerca da justiça podem fazer com que ela não seja tão justa assim. A promoção da justiça é um grande desafio. A perspectiva social da tradição católica traz algumas contribuições sobre essa dimensão da existência humana que podem iluminar a reflexão sobre o que é a justiça e como ela pode ser construída mais globalmente. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai poder mapear alguns desafios que se impõem à justiça em vários âmbitos da existência humana. Vai, ainda, perceber os comprimissos sociais implicados na adesão à fé cristã e definir o que é bem comum a partir do humanismo cristão. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir os desafios da justiça nos campos técnico-científico, social e político.• Identificar os compromissos sociais da doutrina social da Igreja.• Conceituar bem comum como princípio do humanismo cristão.• DESAFIO É muito comum ocorrer alguma imprecisão entre a adesão aos valores do cristianismo e a gestão de negócios. Alguns entendem que a empresa deve se adaptar totalmente aos valores do evangelho mesmo que isso acarrete uma administração temerosa, enquanto outros sustentam que aderir a Jesus Cristo e administrar uma empresa que precisa gerar lucros são coisas muito distintas e que não podem andar juntas. Você é proprietário de uma empresa de produção alimentícia. Seu gerente o procura e afirma que, devido à crise e consequente diminuição nos lucros, é necessário extinguir as iniciativas que sua empresa mantém na comunidade. Você argumenta que elas são necessárias, pois dizem respeito à responsabilidade social da empresa, mas seu gerente lhe responde que isso pode ser feito com uma doação a uma rádio ou TV comunitária, o que geraria divulgação da marca. Então, você afirma que o faz por questões pessoais, pois aderiu a valores da tradição cristã e, por isso, se preocupa com o bem comum. Então, seu gerente, que também se diz cristão, afirma que você não tem responsabilidade com as outras pessoas, pois Deus o ama e quer que sua empresa prospere, pois Ele o abençoou. O que você responderia? INFOGRÁFICO Algumas ideias oriundas das reflexões sobre o humanismo cristão podem levar a conclusões precipitadas, como, por exemplo, de que isso diz respeito a utopias. Entretanto, não se esqueça de que há sempre um fundamento a partir do qual as conclusões são construídas. O principal desses fundamentos é a dignidade inalienável da pessoa humana. Mas você deve estar se perguntando a respeito da desigualdade visível e palpável nos tempos atuais. Exatamente aqui reside um ponto não muito claro da doutrina social da Igreja: o direito à propriedade privada e a destinação universal dos bens. Analise este Infográfico para comprender melhor como essas realidades podem contribuir para o desenvolvimento pleno da pessoa humana. CONTEÚDO DO LIVRO Quando você lê, assiste ou mesmo ouve falar sobre humanismo cristão, pode ter a impressão de que é mais um assunto ligado à fé religiosa. Você está certo. Mas isso não significa que tal conceito diga respeito apenas a pessoas religiosas. A defesa da dignidade humana é tarefa ingente de todos os seres humanos. Leia o capítulo Humanismo cristão, da obra Antropologia teológica e direitos humanos, para travar contato com conceitos muito importantes da doutrina social da Igreja (DSI). Para tanto, inicialmente você vai mapear alguns desafios que se impõem à justiça. Em seguida, pontuará os compromissos sociais que emanam da DSI e, por fim, conceituará o bem comum, princípio do que se entende por humanismo cristão. Boa leitura. ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA E DIREITOS HUMANOS Enir Cigognini Humanismo cristão Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir os desafios da justiça nos campos técnico-científico, social e político. Identificar os compromissos sociais da doutrina social da Igreja. Conceituar bem comum como princípio do humanismo cristão. Introdução Neste capítulo, você vai estudar a definição de justiça para a tradição cristã católica, a partir de um ramo da teologia denominado moral social. Com isso, vai ser capaz de definir os desafios nos campos técnico-científico, social e político. Você vai, ainda, identificar os compromissos sociais assu- midos pela Doutrina Social da Igreja e, por fim, conceituar um princípio bastante caro ao humanismo cristão: o bem comum. Desafios à justiça É comum que as pessoas clamem por justiça. Difi cilmente algum cidadão pediria que a injustiça fosse instaurada. Entretanto, se você perguntar às pessoas que pedem que a justiça seja feita o que é justiça, corre o risco de fi car um pouco assustado com tamanha diversidade de perspectivas. Antes de defi nirmos os desafi os enfrentados pela justiça, é importante verifi car o que a Doutrina Social da Igreja defi ne como justiça. O Compêndio de Doutrina Social da Igreja (CDSI) coloca a justiça como um dos valores fundamentais da vida social. Junto à verdade, à liberdade e ao amor, está a justiça. Dessa maneira, já é possível perceber a importância dada à justiça. Sobre ela, o CDSI afirma o seguinte: A justiça é um valor, [...] Segundo a sua formulação mais clássica, “ela consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido”. Do ponto de vista subjetivo a justiça se traduz na atitude determinada pela vontade de reconhecer o outro como pessoa, ao passo que, do ponto de vista objetivo, essa constitui o critério determinante da moralidade no âmbito intersubjetivo e social (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ, 2004, documento on-line). Como você pode perceber, a ideia de valor por si só já fundamentaria a importância daquilo que é justo. A definição amplia a ideia de valor a partir, especialmente, do conceito de alteridade. Na verdade, trata-se de um duplo conceito de alteridade, que, em um sentido geral, leva ao reconhecimento e à valorização de toda pessoa humana e, em um sentido estrito, corresponde a uma alteridade absoluta, no tácito reconhecimento da divindade. Outro aspecto sumamente importante é dar a cada alteridade o que lhe é devido. Aqui, é essencial perceber que não se trata de uma questão de merito- cracia nem de autonegação em vista do outro. A cada um é devido o respeito pela dignidade, o reconhecimento da liberdade e a corresponsabilidade. De posse dessas definições, você pode começar a perceber quais seriam os desafios que se apresentam à justiça. Aqui, vamos estudar alguns, mas você pode encontrar muitos outros. O primeiro e mais latente desafio à justiça é o egoísmo; isso porque ele anula justamente o aspecto de alteridade, tão necessário à ideia de justiça. Indivíduos que pensam apenas em si criam obstáculos à capacidade social que a humanidade possui e dificultam a construção de uma sociedade melhor para todos. Um sinal visível disso é o abismo econômico que separa uma minoria, possuidora de quase tudo, de uma maioria, que reparte o quase nada que sobra. Outro aspecto que pode ser um risco à justiça pode ser verificado no uso dos dados pela sociedade em rede. Nos tempos atuais, com o uso das novas tecnologias, é praticamente impossível ter algum nível de privacidade. Não que a tecnologia seja má; ela é uma ferramenta. Uma ferramenta nem boa, nem má em si mesma, mas que depende do uso que dela a humanidade faz. Humanismo cristão2 O individualismo egolátrico pode ser observado em vários campos. No campo técnico-científico, por exemplo, é muito comum vermos nos noticiários casos de pessoas que morrem por procedimentos estéticos, ou largos inves- timentos em pesquisas para melhoramento estético, ao passo que algumas doenças comuns carecem de curapor falta de recursos para pesquisas na área. No campo social, você já deve ter percebido situações nas quais muitas pessoas se preocupam apenas com o seu bem-estar, independentemente do bem-estar dos demais, ou mesmo das futuras gerações. Muitas vezes, isso gera, por exemplo, a degradação ambiental. No campo político, apenas para citar um dos inúmeros exemplos, vemos a partidarização e a consequente busca de interesses próprios pelos políticos, que esquecem da real missão que lhes cabe. A questão ambiental é um aspecto marcante dessa reflexão. O esgota- mento das reservas disponíveis coloca em risco a sobrevivência das próximas gerações. Não se trata apenas de uma preocupação genérica e externa com a questão. Trata-se de um compromisso antropológico com os demais seres humanos. Não raro, observa-se a preocupação apenas com os lucros oriundos da exploração do ambiente, ainda que isso inviabilize a vida humana para o futuro. Nesse sentido, muito se investe em pesquisas e viagens interplanetárias, quando o próprio planeta sofre com a falta de cuidados que só o ser humano pode oferecer. Outro grande desafio à justiça, de certa forma ligado à ganância humana, é o elevado nível de corrupção. A corrupção, mais do que um ato externo, é um ato interno, que corrompe a própria pessoa humana, desfigurando sua dignidade. É claro que a corrupção pública e política é muito mais escandalosa e de consequências terríveis para todos, entretanto, é importante notar que ela é reflexo de atitudes que, muitas vezes, no quotidiano, são tomadas por muitas pessoas. Uma coisa é não devolver o troco que é entregue a mais por erro de alguém, e outra, obviamente, é o desvio de milhões de reais; entretanto, o que muda é o valor, porque a atitude interna de se dar bem em detrimento dos demais é a mesma. Atualmente, a corrupção é um dos maiores desafios à justiça. Por fim, o relativismo também se mostra como um desafio à justiça. Aqui falamos da relativização da dignidade da pessoa humana, com a consequente banalização da violência, do tráfico de pessoas, e, em especial, da intolerância. São situações que, com toda certeza, você percebe na sociedade atual e, sem sombra de dúvidas, são obstáculos à justiça. 3Humanismo cristão A desigualdade econômica é um desafio à justiça, como você pode perceber. Para saber mais sobre o tema, pode comparar dados sobre a concentração de riqueza no Brasil a partir de três notícias postadas em veículos de imprensa, duas delas do ano de 2017, do site G1 e do site El País, e outra de 2018, do site UOL: https://goo.gl/9YyTib https://goo.gl/REWN2w https://goo.gl/fbDVom Compromissos sociais da Doutrina Social da Igreja Diante da necessidade de construir a paz como fruto da justiça, a Igreja assume a postura de Mãe e Mestra. Ela não apenas acolhe seus fi lhos, mas, também, na sua larga experiência acumulada, educa os indivíduos nessa construção. Para tanto, ela assume, na sua Doutrina Social, alguns com- promissos sociais. Segundo a própria Igreja entende, são compromissos emanados do ser cristão, não se tratando de qualquer posição contrária à adesão a Jesus Cristo. É tarefa de todas as pessoas que professam a fé cristã anunciar Jesus Cristo, caminho, verdade e vida (BÍBLIA, 2003, Jo 14, 6). Essa atividade não se dá única e exclusivamente pelo anúncio explícito da mensagem cristã. Ela é realizada por todos que, com as suas atitudes, testemunham a novidade do evangelho. Os compromissos que a Igreja convida a assumir são entendidos como servi- ços. Não se trata de dominar o mundo, assumindo todos os poderes disponíveis. Assumir o poder político pode ser tarefa da autonomia de cristãos, entretanto, Humanismo cristão4 não é um projeto eclesial. O Reino de Deus, como Jesus Cristo anunciou, não é deste mundo. No mundo, há sinais do reinado divino, entretanto, não pode haver confusão entre o Reino de Deus e o poder político das nações. Com relação aos serviços que os cristãos devem prestar, o CDSI destaca que eles fazem parte da espiritualidade própria do cristão leigo. “A presença do fiel leigo no campo social é caracterizada pelo serviço, sinal e expressão da caridade que se manifesta na vida familiar, cultural, profissional, econômica, política, segundo perfis específicos” (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ, 2004, documento on-line). Desse modo, aqui estão indicados os âmbitos de serviço que os cristãos podem oferecer como testemunho da sua fidelidade a Jesus Cristo. O primeiro compromisso em destaque no CDSI é o serviço à pessoa humana. Dessa maneira, o documento entende que “[...] a promoção da dig- nidade de toda pessoa, o bem mais precioso que o homem possui, é a tarefa essencial, antes, em certo sentido é ‘a tarefa central e unificadora do serviço que a Igreja, e nela os fiéis leigos, são chamados a prestar à família dos homens’” (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ, 2004, documento on-line). Essa posição faz recordar Santo Irineu, bispo de Lião, que afirmou, no século II, ser o homem vivo a glória de Deus. Em seguida, destaca-se o compromisso entendido como serviço à cultura, pois esse é “[...]um campo particular de empenho dos fiéis leigos” (PONTIFÍ- CIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ, 2004, documento on-line). Ele deve ser entendido como “[...] o cultivo de uma cultura social e política inspirada no Evangelho” (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ, 2004, documento on-line). É claro que, ao falar de serviço à cultura, é importante dizer a que exatamente o CDSI se refere. Assim o documento se expressa: A perfeição integral da pessoa e o bem de toda a sociedade são os fins essen- ciais da cultura: a dimensão ética da cultura é portanto uma prioridade na ação social e política dos fiéis leigos. A desatenção a tal dimensão transforma facilmente a cultura em um instrumento de empobrecimento da humanidade (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ, 2004, documento on-line). A própria cultura deve favorecer a conduta ética, a valorização do ser humano e o bem de todos. Assim sendo, o serviço pode assumir tarefas, muitas vezes, de denúncia de sistemas culturais injustos, antiéticos e desu- 5Humanismo cristão manizadores. Daí a importância de o conteúdo da cultura ser verídico, e que sejam valorizados a religiosidade e os meios de comunicação (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ, 2004). Outro compromisso se refere ao serviço à economia. Nesse campo: O empenho do cristão traduzir-se-á também no esforço de reflexão cultural voltada sobretudo para um discernimento concernente aos atuais modelos de desenvolvimento econômico-social. A redução da questão do desenvolvimento a um problema exclusivamente técnico produziria um esvaziamento de seu verdadeiro conteúdo que, na verdade, diz respeito à dignidade do homem e dos povos (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ, 2004, documento on-line). Não é suficiente qualquer ideia de desenvolvimento. É preciso que este considere o ser humano em sua integralidade. Por isso, são incentivadas, a partir da inspiração cristã, as “[...] associações de trabalhadores, de empre- endedores e de economistas” (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ, 2004, documento on-line). Por fim, o quarto compromisso se apresenta como serviço à política. A atividade política é entendida pelo CDSI como arte de servir aos outros. Não é carreira, ou mesmo promoção pessoal. Resgata-se o significado clássico da atividade política, um tipo de arte em prol do bem comum. Para tanto, há um horizonte bem delineado no campo político: A persecução do bem comum em um espírito de serviço; o desenvolvimento da justiça com uma atenção particular para com as situações de pobreza e sofrimento; o respeito pela autonomia das realidades terrenas; o princípio de subsidiariedade; a promoção do diálogo e da paz no horizonte da soli- dariedade; são estas as orientações que os cristãos leigos devem inspirar a sua ação política (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ, 2004, documento on-line). Assim, o compromisso com a atividade políticapode gerar o bem comum e o desenvolvimento econômico e cultural. Humanismo cristão6 Não deixe de ler a instigante entrevista produzida pela BBC com Martin Hilbert sobre coleta e uso de dados, privacidade e a relação dessas questões com a democracia, disponível no link a seguir. https://goo.gl/s23nhG Acompanhe uma reflexão a partir do humanismo integral de Jacques Maritain e das crises da cidadania, que pode ser conferida no link abaixo. https://goo.gl/KSCQ5p O vídeo disponível no link a seguir apresenta o resultado de um esforço coletivo que já dura setenta anos: a Declaração Universal dos Direitos Humanos. https://goo.gl/3m8VD8 O filósofo francês Jacques Maritain (1882–1973) abraçou a fé católica já adulto, junta- mente com sua esposa. Como pensador, defendeu um processo de educação que forme a pessoa humana. Foi um árduo defensor da democracia e dos valores do cristianismo. Por fim, foi um pensador humanista, defensor da dignidade humana, da liberdade e do desenvolvimento da comunidade política. Bem comum: princípio do humanismo cristão A Doutrina Social da Igreja possui alguns princípios permanentes: a dignidade da pessoa humana, a partir da qual os demais princípios encontram a sua razão de ser; o bem comum; a subsidiariedade; a solidariedade. 7Humanismo cristão Vinculado à dimensão da dignidade da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus e convidada a participar da obra da criação e da redenção, encontra-se o princípio do bem comum. A busca pelo bem comum não é uma busca solitária: ela sempre diz respeito à coletividade. A Carta de Barnabé, nos primeiros séculos do cristianismo, já exortava que os cristãos buscassem juntos o que fosse interesse comum. O Catecismo da Igreja Católica (CAIC) assim define bem comum: “[...] o conjunto daquelas condições da vida social que permitem aos grupos e a cada um de seus membros atingirem de maneira mais completa e desembaraça- damente a própria perfeição” (CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL, 1998, p. 1906). É verdade que não se trata de tarefa simplista ou individual — é necessário o envolvimento de cada um em torno de objetivos comuns. Pensado desse modo, o bem comum possui, de acordo com o CAIC, três elementos considerados essenciais: o respeito à pessoa; a exigência do bem-estar social e do desenvolvimento coletivo; a paz. Tanto a sociedade como os poderes públicos são obrigados a respeitar os valores inalienáveis da pessoa humana. É necessário permitir que todos possam realizar o chamado que Deus faz a cada um. Isso implica a liberdade de agir de acordo com a reta consciência, o direito à proteção da vida e, ainda, a liberdade religiosa (CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL, 1998). Quanto ao bem-estar social e ao desenvolvimento, estão aqui implicadas duas tarefas. A primeira é a tarefa das autoridades de arbitrar a multiplicidade dos interesses particulares, tendo como foco o bem comum. A segunda é a tarefa da sociedade de tornar acessível a cada indivíduo o que lhe é necessário para que leve uma vida autenticamente humana, como: “[...] alimentação, vestuário, saúde, trabalho, educação e cultura, informação conveniente, direito de fundar um lar [...]” (CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL, 1998, p. 1908). A paz é a condição de possibilidade de uma ordem justa e segura que seja duradoura. Isso implica que as autoridades que governam assegurem aos cida- dãos, com meios honestos, a segurança de todos e de cada um em particular e fundamentem o direito à legítima defesa coletiva e pessoal (CATECISMO..., 1998). É na comunidade política que o ser humano se realiza mais completamente. Por isso, é responsabilidade do “[...] Estado defender e promover o bem co- mum da sociedade civil” (CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL, 1998, p. 1910). Como o progresso das pessoas se coaduna com o Humanismo cristão8 progresso da sociedade, o bem comum é a finalidade última da existência da vida em sociedade. No link a seguir, consulte a reflexão do Papa Francisco sobre a necessidade de cuidado para com o planeta. https://goo.gl/kfJ39N BÍBLIA. Bíblia de jerusalém. São Paulo: Paulus, 2003. CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Catecismo da igreja católica. São Paulo: Editora Vozes: Paulinas: Edições Loyola: Ave Maria, 1998. PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da doutrina social da igreja. 2004. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/ documents/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html#O%20 servi%C3%A7o%20%C3%A0%20pessoa%20humana. Acesso em: 31 jan. 2019. Leituras recomendadas BEDOUELLE, G. Humanismo cristão. In: LACOSTE, J, Y. et al. Dicionário crítico de teologia. São Paulo: Paulinas: Edições Loyola, 2004. CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Compêndio do catecismo da igreja católica. São Paulo: Paulus: Edições Loyola, 2005. JOÃO PAULO II, Papa. Carta encíclica: centesimus annus. 1991. Disponível em: http:// w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_01051991_ centesimus-annus.pdf. Acesso em: 31 jan. 2019. JOÃO PAULO II, Papa. Carta encíclica: sollicitudo rei socialis. 1987. Disponível em: http:// w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_30121987_ sollicitudo-rei-socialis.pdf. Acesso em: 31 jan. 2019. 9Humanismo cristão DICA DO PROFESSOR O ser humano é o único ser que problematiza sua existência e tudo aquilo que faz. Embora todos precisem em alguma medida trabalhar, você ja deve ter visto ou mesmo ouvido pessoas que odeiam a realidade de ter de trabalhar e aqueles que amam tal tarefa a ponto de se recusarem a ter um descanso. Mas, afinal, trabalhar é algo bom ou ruim para o ser humano? As atividades laborativas não comprometem a dignidade humana? Assista à Dica do Professor para uma reflexão sobre a posição da Igreja em relação à dignidade do trabalho a partir da doutrina social. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Há um desejo por justiça em todo ser humano. Ocorre que as definições sobre o tema podem variar bastante. Assim, o que é justiça na perspectiva do humanismo cristão? A) Um valor. B) Uma característica do ser humano. C) Um dom da natureza humana. D) Apenas um conceito abstrato. E) Um valor monetário. Embora todos os seres humanos queiram que a justiça seja feita, há alguns empecilhos para que ela seja construída. Qual das alternativas representa um grande 2) obstáculo à justiça? A) O amor à natureza. B) O egoísmo. C) O interesse pela vida em outros planetas. D) A alteridade. E) O envolvimento em causas ecológicas. 3) Comumente, as tradições religiosas enfrentam alguns problemas em relação à cultura. Ou pretendem modificá-la, ou são absorvidos por ela. A doutrina social da Igreja entende que se deve oferecer um serviço à cultura. Nessa perspectiva, o que significa servir à cultura? A) Empenho para impregnar toda a cultura pela Bíblia. B) Empenho para fazer com que todas as pessoas que produzem cultura se tornem cristãs. C) Empenho pela verdade e valorização da religiosidade e dos meios de comunicação. D) Empenho na destruição de valores culturais que não sejam religiosos. E) Ocupação de espaços para que não sejam ocupados por ateus. As relações entre religião e política são as mais diversas, desde teocracias (governos de direito divino) até estados laicos e totalmente separados da religião. A doutrina social da Igreja entende que é necessário oferecer um serviço à política. O que é esse 4) serviço à política? A) Ocupar cargos estratégicos para impregnar o âmbito civil de valores religiosos. B) Doutrinar os políticos com os valores do evangelho. C) Impedir que não crentes possam contribuir com a construção do bem comum. D) Perseguir o bem comum por meio da arte de servir aos outros. E) Promover as pessoas que defendem os interesses da religião. 5) Muito se tem falado acerca do respeito àdignidade da pessoa humana. Respeitar a dignidade dos seres humanos significa que eles são portadores de um valor inalienável. Esse respeito à dignidade humana é considerado um elemento essencial do ___________________. Marque a alternativa que completa corretamente a frase. A) humanismo moderno. B) altruísmo filosófico. C) desenvolvimento tecnológico. D) ser religioso. E) princípio do bem comum. NA PRÁTICA Viver a partir de valores oriundos de uma tradição religiosa pode parecer complexo e, às vezes, impossível para algumas pessoas. Em se tratando de dignidade humana, de liberdade, de solidariedade, enfim, de valores essenciais ao humanismo cristão, não há incongruência alguma em coadunar a fé e a prática profissional. Conheça o filósofo francês Jacques Maritain, um exemplo de pessoa que, ao acolher os valores do humanismo cristão, passou a pautar sua vida por tais valores. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Despreparada para a era digital, a democracia está sendo destruída Não deixe de ler a instigante entrevista produzida pela BBC com Martin Hilbert sobre coleta e uso de dados, privacidade e a relação dessas questões com a democracia. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Jacques Maritain, o humanismo integral e a crise da cidadania Acompanhe uma reflexão a partir do humanismo integral de Jacques Maritain e as crises da cidadania. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Há 70 anos: adotada a Declaração Universal dos Direitos Humanos Veja o resultado de um esforço coletivo que já dura 70 anos: a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!