Prévia do material em texto
Cozinha Regional Brasileira Chef Paulo Verissimo O espírito desbravador e aventureiro dos navegadores portugueses aportou, em 1500, no sul das Bahia e aqui encontraram as múltiplas etnias indígenas. E assim o Brasil “começou”. HERANÇA INDÍGENA Os índios já habitavam a terra muito tempo antes da chegada de Cabral. As comunidades indígenas praticavam o cultivo intensivo de raízes, como a mandioca, base de tantos pratos, que se disseminou de norte a sul do país, marcadamente nos diversos tipos de farinha. Além da mandioca os nativos comiam palmito, batata doce, milho e cará e se abasteciam com a abundância de peixes e caça, usando a criatividade como tempero, pois as ervas tinham mais função medicinal e ritualística do que alimentar. A forma de indígena de cozinhar não revela nenhum requinte de preparo. O fogo era utilizado basicamente para assar (moquear). Muitos alimentos eram consumidos crus e o cozimento, em panela de barro rudimentar, era raro. Moquém: Plataforma de madeira e cipó, usada pelos índios para moquear (cozinhar) o alimento. Gravura de Theodore de Bry (1592), mostrando um ritual canibalístico dos índios Tupinambás, onde a carne era preparada num moquém. Índios Botocudos, usando adornos de lábio e orelha. HERANÇA AFRICANA A primeira atividade econômica a que os negros africanos se dedicaram compulsoriamente, como escravos, foi a cultura da cana de açúcar, a partir da Zona da Mata nordestina. Daí derivaram o melaço, a rapadura, a cachaça, os doces de engenho, resultado de receitas portuguesas antigas, misturadas às mãos habilidosas das mucamas. Os africanos acrescentaram a estas formas rudimentares a sofisticação das suas técnicas de preparo, além de revelarem novos elementos e combinações, tal como o dendê e a pimenta malagueta. A contribuição africana fez surgir um tipo específico de cozinha, a afro-brasileira, que tem sua sede inconfundível na Bahia (Salvador e Recôncavo). Escravos vindos de várias tribos da África. http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ae/Rugendas_-_Escravos_de_Cabinda%2C_Quiloa%2C_Rebola_e_Mina.jpg http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ae/Rugendas_-_Escravos_de_Cabinda%2C_Quiloa%2C_Rebola_e_Mina.jpg HERANÇA EUROPÉIA No processo de formação da cozinha brasileira é fundamental o legado dos portugueses, que trouxeram novas matérias primas de Portugal e de outras colônias e formas de preparo mais elaboradas, além de difundirem os hábitos alimentares já consagrados pela experimentada gastronomia europeia, particularmente no Nordeste e no Rio de Janeiro. Além do refinamento, o colonizador português introduziu alguns ingredientes importantes na culinária brasileira: o coco (trazido da Índia), o sal, e a canela em pó misturada com açúcar. O sarapatel, o sarrabulho, a panelada, a buchada, o cozido, não fazem parte da culinária africana, mas, sim, portuguesa. Os dois primeiros vieram, também, da Índia através dos colonizadores. A doçaria lusa trouxe: pudim de iaiá, arrufos de sinhá, bolo de noiva, pudim de veludo. Vieram, ainda, muitos quitutes mouriscos e africanos, como o alfenim e o cuscuz, e frutas como a manga, a jaca, a fruta-pão e a carambola, que foram trazidas do Oriente. Do já famoso cozido português é que partiu a ideia de se incluir feijão preto ou mulatinho, carnes e muitas verduras, a fim de fazer um prato único: a feijoada. OS TROPEIROS Na história da nossa alimentação os tropeiros, que por 300 anos, transportaram mercadorias e víveres por todo território nacional, também tiveram papel fundamental na difusão da cultura, abrindo verdadeiras artérias no corpo do país, por onde corria o sangue de uma nova civilização. Eles inauguraram, junto com os bandeirantes, a ocupação dos espaços e a migração entre as diferentes áreas conduzindo hábitos e preferências alimentares, fomentando trocas de experiências e revelando pratos e gostos diferenciados. Um dos marcos iniciais do tropeirismo foi quando a Coroa Portuguesa instalou em 1695 na Vila de Taubaté, a Casa de Fundição de Taubaté, também chamada de Oficina Real dos Quintos. A partir de então, todo o ouro extraído das Minas gerais deveria ser levado a esta Vila e de lá seguia para o porto de Parati, de onde era encaminhado para o reino, via cidade do Rio de Janeiro. Ao longo das rotas pelas quais se deslocavam, ajudaram a fazer brotar várias das atuais cidades do Brasil. As cidades de Taubaté, Sorocaba, Viamão, Santana do Parnaíba e São Vicente são algumas das pioneiras que se destacaram pela atividade de seus tropeiros. Devido a essas múltiplas influências observamos uma dificuldade para esboçar o mapa gastronômico brasileiro, que difere bastante do seu mapa geográfico e administrativo, contando com muitas intersecções – regiões que misturam comidas de duas ou mais origens – , transferência de hábitos alimentares, devido às migrações. A cozinha brasileira, expressão fundamental da cultura do país, é uma das mais fascinantes do mundo e seus pratos temperam e perfumam, dia a dia, a vida dos brasileiros. Preservar, resgatar e revelar seus pratos é tarefa de todos que amam o Brasil. Trempe: “tripé”, arco de ferro com três pés, e sob o qual se coloca a panela ao fogo. Muito utilizado, desde o século XVII, nos acampamentos tropeiros. Região Norte A regularidade da chuva faz com que o povo local – índios ou caboclos, citadinos ou ribeirinhos, pescadores ou seringueiros – tenham o costume de programar suas rotina para “antes ou depois da chuva”. A mandioca aparece em quase todos os pratos, transformada nos mais diversos tipos de farinhas, ou utilizada como chibé – misturada com água na cuia, similar a jacuba –, que alimenta o povo ribeirinho em momentos de escassez de comida. A mandioca é dividida em dois grupos: mansa e brava. A diferença entre uma e outra é sua quantidade de ácido cianídrico, o HCN. Enquanto as mansas contêm entre 1 e 10 mg de HCN por 100 g de polpa, as bravas possuem entre 15 e 30 mg. As farinhas são divididas, no seu preparo, em dois grupos: as farinhas secas e as farinhas d’água. A mandioca depois de colhida, descascada e ralada, é torrada – originando as farinhas secas – que podem ser de granulação muito fina, sabor leve quase insípido e de coloração branca. A farinha d’água, por sua vez é feita a partir da mandioca descascada, fermentada e ralada – a granulação é mais rústica, sabor mais acentuado levemente ácido e de coloração amarelada. A farinha d’água também é conhecida como farinha de uareni, farinha de uarini, farinha de areni ou farinha puba. Por não possuírem facas, os índios colocavam a mandioca no rio para que a casca se desprendesse da polpa. Hoje, a mandioca é descasca, então é colocada em sacos de fibra, que são fechados, postos no rio e amarrados a um tronco. Por ser porosa, a mandioca absorve bastante água, o que facilita a fermentação. Depois de três dias no rio, os sacos sobem à superfície. Nessa hora, a mandioca já está fermentada, ou, usando o termo local, já está “pubada”. Fermentada ou não, o próximo passo é a ralação da mandioca. Depois de lavado, o tubérculo segue para a banca de catitu da Casa de Farinha. A banca possui uma roda de madeira repleta de pequenas serrilhas que é acionada por um motor elétrico. O método indígena para ralar a mandioca era diferente: em vez do ralador elétrico, eles usavam a língua do pirarucu ou pedaços de madeira cravados com pedras pontudas. Depois de ralada, há apenas uma espécie de pasta branca e úmida. A etapa seguinte consiste em espremer essa massa pastosa dentro do tipiti. Língua do Pirarucu, usada como ralador de mandioca e a sua escama (usada na fabricação de botão de camisa). O tipiti – palavra originária do tupi; “tipi”, espremer, e “ti”, líquido – é um tubo longo e afunilado nas extremidades feito de palha de buriti. O objetivo do tipiti é extrair ao máximo o sumo da massa ralada. A massa esbranquiçada, ao ser espremida, expele um líquido branco e leitoso. O sumo recolhido é posto a descansar num canto para haver decantação. Instantes depois nota-se uma camada branca sedimentada no fundo do recipiente, é a goma ou polvilho. Este é o ingrediente usado para fazer os pães de queijo no sul ou a tapioca no norte. Há dois tipos de polvilho, o doce e o azedo. Enquanto o primeiro é recolhido tão logo o sumo é decantado, o segundo fica fermentando na bacia por quinze dias. A parte líquida levemente amarelada que cobre a goma é o tucupi, um ingrediente muito usado na culinária do norte do país. O tucupi deve ser fervido para eliminar o ácido cianídrico. Ou então posto ao sol para fermentar, transformando-o em vinagre e alterando a composição química do ácido. A massa que ficou dentro do tipiti é a parte da mandioca que irá se transformar em farinha. Depois de retirada do tipiti, a massa passa por uma peneira para perder as fibras. O próximo e último passo é levar a massa peneirada ao tacho. Em muitos vilarejos, toda a produção de mandioca é processada num único local, a casa da farinha. A farinha ali produzida não é destinada ao comércio, e sim à subsistência das famílias locais. O trabalho se estende pela noite, quando acontecem as chamadas farinhadas. Aparecem os sanfoneiros, violeiros, dançadores e entre goles de cachaça, café com beiju e muita alegria, o trabalho continua a noite inteira. TucupiMassa Branca Espremida no Tipiti Decantado Fécula Secagem Sedimentação por 15 – 20 dias Polvilho doce ou Goma fresca Fermentação do amido Polvilho azedo ou Goma seca Cozida lentamente Ainda úmida Chapa aquecida Carimã Mexida Farinha Mandioca descascada e ralada O mapa da mina da Mandioca. Tapioca granulada Farinha de Mandioca Na base de produção No processo de produção Na Granulometria G ro s s a B e iju (flo c a d a ) F in a T o rra d a C ru a S e c a D ’á g u a O mapa da mina da Farinha. CAUIM É uma bebida alcoólica tradicional dos povos indígenas do Brasil desde tempos pré-colombianos. Cauim é feito através da fermentação da mandioca ou do milho, às vezes misturados com sucos de fruta. Uma característica interessante dessa bebida é que a matéria- prima é cozida, mastigada e recozida para a fermentação, de forma que enzimas presentes na saliva humana possam quebrar o amido em açúcares fermentáveis, (Este princípio também era originalmente usado no Japão para fazer saquê). A preparação de Cauim (como outras tarefas de arte culinária) é um trabalho estritamente feminino, sem envolvimento dos homens. Pedaços finos de mandioca são fervidos até ficarem bem cozidos e se deixa esfriar. Então as mulheres e meninas se reúnem ao redor da panela; levam uma porção até a boca, mastigam bem, insalivam e botam a porção em um segundo pote. Enzimas na saliva convertem essa pasta em açúcares fermentáveis. A pasta de raiz mastigada é reposta no fogo e é mexida completamente com uma colher de pau até cozinhar. Por fim, a pasta é colocada em grandes potes de barro, para fermentar. A bebida resultante é opaca e densa como borra de vinho e tem gosto de leite azedo. Há variedades claras e escuras de cauim e a bebida pode ser misturada com várias frutas. PEIXES A região Norte oferece mais de 2 mil espécies conhecidas de peixes, sendo cerca de 100 espécies de uso culinário. Daí entende- se por que a culinária da região é baseada essencialmente em pescados. Destacam-se os de grande e médio porte, como o pirarucu, o tucunaré, o filhote (piraíba) e a pescada amarela. Também são comercializados: o curimatã, o dourado, o matrinxã, a piramutaba, o surubim, o tambaqui. Preparados de inúmeras formas, abastecem os mercados municipais de toda a região, chegando a ser transportados para outros estados. http://bp2.blogger.com/_7xLA3c7XeKA/SBhRfLqQa8I/AAAAAAAAAi8/SCgcJtiGtHw/s1600-h/Filhotes+dia+09-03-2008+01.jpg http://bp2.blogger.com/_7xLA3c7XeKA/SBhRfLqQa8I/AAAAAAAAAi8/SCgcJtiGtHw/s1600-h/Filhotes+dia+09-03-2008+01.jpg PIRARUCU O pirarucu, um dos símbolos da bacia amazônica e o maior peixe escamado de água doce do mundo, é também a maior fonte de renda de grande parte das famílias ribeirinhas da Região Norte do país. No entanto, a pesca extrativista vem reduzindo fortemente os estoques naturais desse peixe. Para encontrar soluções sustentáveis que diminuam o impacto ambiental e gerem mais renda para a comunidade, foi criado em 2007 um projeto cujo foco é descobrir melhores práticas de criação do pirarucu em cativeiro. Estudos mais precisos referentes a esta nova experiência de empreendedorismo social e preservação do meio ambiente serão concluídos até 2010. Trata-se do Projeto Integrado de Desenvolvimento do Pirarucu da Amazônia, realizado em seis estados do Norte do país (Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins). Sua proposta é buscar respostas como a melhor forma de engorda do peixe, o aumento de reprodução em cativeiro, formas de manejo, e até mesmo verificar como seria sua comercialização. O projeto de conhecimento e tecnologia vai desenvolver metodologias e manuais para facilitar o cultivo do peixe por produtores interessados. O pirarucu destaca-se na culinária por ter carne saborosa e desprovida de espinhas. É uma espécie valorizada no mercado nacional e no Japão. O aproveitamento do peixe é grande, o rendimento médio de carne é de 57% do animal. Além disso, o rendimento de couro é de 10% do animal e pode ser empregado na produção de bolsas, sapatos e cintos. O pirarucu é também chamado de “Bacalhau da Amazônia”. Normalmente, a sua carne é comercializada em fardos depois de transformada em mantas, secas e salgadas. http://commondatastorage.googleapis.com/static.panoramio.com/photos/original/18232650.jpg http://commondatastorage.googleapis.com/static.panoramio.com/photos/original/18232650.jpg Piracuí: (do tupi: pira = peixe + cuí = farinha) é um derivado de peixe, produzido a partir de diferentes espécies; o mais comum é o acarí, mas também se faz piracuí de tamuatá, de cujuba e até de tambaqui. Se bem armazenado, tem ótima durabilidade, não perdendo o seu sabor característico. O produto tem elevado aporte protéico, pode ser consumido puro, ou usado como ingrediente para variados pratos; entre eles: bolinhos de piracuí, sopas e massas, farofas. Tamuatá e Acarí (ou Acarí bodó). AVIÚ O aviú é um micro camarão, comum em águas rasas dos rios na Região Norte. Seu tamanho não ultrapassa o comprimento de uma unha. No mercado municipal de Santarém, é possível encontrar o crustáceo, que pode ser usado como recheio de tortas, salgados, ou até omelete. TARTARUGA DO AMAZONAS Este réptil é um quelônio de água-doce, que habita o rio Amazonas e seus afluentes. Conhecida também como Tartaruga Verdadeira. Os ovos e a carne são muito utilizados pelos moradores da região como fonte de alimento. JACARÉ AÇU O IBAMA através da Portaria nº 118-N de 15/10/1997, normaliza o funcionamento de criadouros desta espécie. Hoje, o manejo de produção está voltado para a carne. Porém, apenas uma pequena parcela do que é vendido é feito de forma legal, através de criadouros legalizados. Grande parte ainda é feita clandestinamente. Mercado Ver-o-Peso em Belém do Pará. A história do mercado remonta a 1625, quando foi construído. O nome faz jus às chamadas Casas do Ver-o-Peso, projetadas no Brasil em 1614, no Rio de Janeiro, para conferir o peso exato de qualquer mercadoria e cobrar o respectivo imposto. Ao todo são 26 mil metros quadrados, onde estão instaladas duas mil barracas e casas comerciais populares onde são vendidos carnes, peixes, legumes, frutas, artigos regionais, artigos de umbanda, ervas medicinais, roupas e bijuterias. Apesar de parecer um grande varejão, a mistura de cores, cheiros e objetos é muito interessante, além de folclórica. Mandingas, encantarias e remédios para todos os males são atrações à parte nessa feira livre. As mandingueiras são mulheres que vivem de misturar ervas, perfumes e pedaçosde animais, criando poções mágicas. FRUTAS É incrível a variedade de frutas da Região Norte. A maioria já era usada pelos ameríndios, mas na atualidade as possibilidades de utilização se multiplicaram e as frutas passaram a ser aproveitadas para elaboração de compotas, sucos, sobremesas e até mesmo deliciosos sorvetes. Açaí: Pode ser base tanto para prato doce, quanto para prato salgado. Usado principalmente como energético, pode ser consumido a qualquer hora do dia. Da árvore se extrai o palmito, muito apreciado na Região Sudeste, principalmente em Minas Gerais e São Paulo. Banana pacovã: Conhecida também como banana-da- terra. Consumida frita ou cozida, entras no preparo de pratos doces e salgados, principalmente no Amazonas. http://1.bp.blogspot.com/_esD6aRur2q0/SBee9zpo8wI/AAAAAAAABnk/Mq9h_EWREEY/s1600-h/bananas+fritas.jpg http://1.bp.blogspot.com/_esD6aRur2q0/SBee9zpo8wI/AAAAAAAABnk/Mq9h_EWREEY/s1600-h/bananas+fritas.jpg Cupuaçu: Com essa polpa refrescante faz-se todo tipo de doces, uma verdadeira confeitaria; sucos, refrescos e sorvetes; licores e aguardentes temperados; cremes, gelatinas, espumas, mousses e pudins; tortas, bolos, pavês, biscoitos e coberturas para outros doces; compotas e geleias; doces de colher, de cortar e cristalizados; e o famoso bombom de cupuaçu. Castanha do Brasil: Usada “in natura” ou triturada em recheios de doces e coberturas. Azeite extra virgem e creme de castanha (produtos sustentáveis da Amazônia). Murici: de sabor adocicado, apropriada para fazer sucos, sorvetes e doces. Guaraná: O seu fruto possui grande quantidade de cafeína (chamada de guaraína quando encontrada no guaraná) e devido a suas propriedades estimulantes é usada na fabricação de xaropes, barras, pós e refrigerantes. Mangaba: De polpa branca, ácida e saborosa é muito encontrada no litoral. Excelente para sorvetes, refrescos, doces, bombons, xaropes e licores. Taperebá: Conhecida também como cajá. É bastante utilizada espremida e misturada com açúcar e cachaça para obter a caipirinha de cajá, que é cada vez mais apreciada. Usa-se muito também no preparo de suco, sorvetes, geleias, vinhos, licores. Devido a sua acidez, normalmente, não é consumido ao natural. Pupunha: Fruto de uma palmeira típica da região. Em muitos dos hotéis da região, encontra-se a pupunha no café da manhã. Ainda quente, ela deve ser descascada, e uma das opções ao degustá-la é com um pouco de manteiga e um fio de melaço. No fim de tarde, a pupunha pode ser usada como ingrediente de bolo. Da árvore também se extrai o palmito, muito usado na região. Tucumã: O tucumã é a fruta do tucumanzeiro, uma palmeira que atinge até 15 metros de altura e possui vários espinhos ao longo de seu tronco. Em Manaus é saboreado de forma inusitada: como recheio de sanduíches. Uma das iguarias favoritas é o X- Caboclinho que, traduzindo, é um pão francês recheado com lascas de tucumã e queijo coalho derretido. Por ser oleosa, a fruta casa muito bem com o pão francês. Sorva: Os frutos são do tamanho de limões e, no princípio, verdes, passando depois a uma cor parda e escura. Apesar de apresentarem um sabor bom e adocicado e de se constituírem em importante alimento para as populações regionais, sendo consumidos in natura ou como bebida refrigerante, os frutos da sorveira não são os únicos produtos que podem ser extraídos dessa árvore. Do tronco das sorveiras é possível extrair boas quantidades de um látex espesso, branco e viscoso, que é comestível e de paladar adocicado. Esse látex pode ser ingerido puro, porém sempre diluído em água. Dessa forma, é usado como bebida em substituição ao leite de vaca, acrescido de café ou, ainda, como ingrediente no preparo de mingaus. Sorva (fruto e flor). Sapota-do-Solimões: Muito popular no oeste da Amazônia, a partir da cidade brasileira de Tefé até a região fronteiriça com o Peru e a Bolívia. Nesta área aparece com frequência nas feiras livres, colhida na mata virgem, ou mesmo em quintais domésticos, onde é cultivada. Seu sabor é simplesmente delicioso, doce e delicado. Pode ser comparado a uma mistura de manga com melão-cantaloupe. O número de sementes é pequeno, variando de duas a cinco por fruto. Sapota-do-Solimões. Araçá-Pêra: Consumida sob a forma de deliciosos sucos, cremes e sorvetes, que remetem ao sabor da Pêra europeia. A polpa congelada batida com iogurte e adoçada a gosto resulta em uma das melhores receitas de "frozen yogurt". Bacaba: A polpa do fruto é utilizada no preparo do “vinho de bacaba”. As amêndoas e os restos de macerado da polpa são utilizados na alimentação de suínos e aves. As folhas são usadas pela população do interior como cobertura de moradias, enquanto o tronco serve como esteio, viga e cabo de ferramentas. Frutos do Camu-Camu. Camu–camu: Os frutos desta planta são pequenas esferas do tamanho de cerejas, de casca mais resistente do que a acerola, lembrando a jabuticaba: sua casca, ao se romper na boca, deixa escapar o caldo da polpa, que fica envolto em uma semente única. Apresentam uma cor avermelhada que, à medida que vão amadurecendo, passam a um roxo enegrecido. Muitas vezes, as frutinhas são encontradas em tamanha quantidade, que o colorido que dão à margem das águas amazônicas chama a atenção de qualquer pessoa. Espécie tipicamente silvestre, mas com um grande potencial econômico capaz de colocá-lo no mesmo nível de importância de outras frutíferas tradicionais da região amazônica, tais como o açaí e o cupuaçu. Bacuripari: O fruto é consumido ao natural, ou sob a forma de sucos e sorvetes. A planta possui ótimo valor ornamental, principalmente quando em frutificação (fica carregada de frutos redondos e amarelos contrastando com a folhagem verde-escura). Ingá Cipó: Dentro dessa vagem encontram-se sementes negras e brilhantes. Envoltas pelo arilo - de cor branca, levemente fibroso, de consistência macia e sabor adocicado estas sementes são chupadas e depois botadas fora. Apesar do conteúdo dessa polpa ter propriedades nutritivas, esse fruto é consumido pela população da Amazônia mais como espécie de distração ou passatempo. As vagens do ingá-cipó são facilmente encontradas à venda nos mercados das cidades amazônicas, podendo ser transportadas da floresta e das áreas de cultivo com facilidade sem se estragarem. Bastante apreciado em toda a Amazônia, o ingá-cipó é muito cultivado nos arredores das habitações e por toda parte, sendo frequente na mata, no estado subespontâneo. É muito comum, também, utilizar-se a árvore do ingá-cipó para o sombreamento dos cafezais plantados na região. Vagem do Ingá-cipó, pode chegar a 1 metro de comprimento. Piquiá: Variedade da Amazônia do pequi, encontrado na região Centro-Oeste do Brasil. A polpa deste fruto pode ser consumida crua, mas pode ser cozida antes do consumo e não apresenta o caroço espinhoso. FEIJÃO MANTEIGUINHA O feijão manteiguinha de Santarém é um feijão pequeno - não chegando à metade do tamanho do carioca - de cor bege, cultivado em larga escala no município de Santarém, no oeste do Pará. Fica bastante macio depois de cozido, o que lhe valeu o apelido de manteiguinha, como se derretesse na boca. Normalmente é usado em saladas para o acompanhamento de diversos pratos, como a costela de tambaqui assada. BÚFALO Os búfalos são animais utilizados para a produção de carne e leite destinados ao consumo humano, além de serem algumas vezes aproveitados como força de trabalho no campo. Possuem temperamento bastante dócil, o que facilita sua criação e manejo, e são muito rústicos, adaptando-se bem às mais variadas condições ambientais. No Brasil, são comuns as raças Mediterrâneo (Itália), Murrah (Índia), Jafarabadi (Índia) e Carabao (Filipinas). O rebanho brasileiro de búfalos tem cerca de 1,15 milhão de cabeças, das quais 720.000 ficam na região Norte, maior produtora do país, e 39%, ou 461.275, no Pará, segundo dados do Ministério de Agricultura. O número colocao estado como o maior produtor do país, com destaque para a ilha do Marajó. A bubalinocultura agrega valor à economia paraense e apresenta potencial de crescimento, principalmente em função da demanda de mercado com relação à carne, ao leite e ao queijo do búfalo. O Marajó tem 320.335 mil cabeças. http://1.bp.blogspot.com/-8EQcs_2ISjg/Tr3EPMooYCI/AAAAAAAAAUQ/jnuO3hxR360/s1600/jafarabadi.gif http://1.bp.blogspot.com/-8EQcs_2ISjg/Tr3EPMooYCI/AAAAAAAAAUQ/jnuO3hxR360/s1600/jafarabadi.gif Mediterrâneo: Leite e carne. Murrah: Leite. Jafarabadi: Leite e carne. Carabao: Carne e trabalho. Componentes do Leite Bufalino Bovino Proteínas 4,0% 3,5% Lipídeos 8,0% 3,5% Lactose 4,9% 4,7% Água 82,0% 87,8% Colesterol Total 214mg% 319mg% O búfalo foi introduzido no Brasil no final do século XIX, inicialmente na ilha de Marajó, porém sua importância como produtor de carne e leite no país é fenômeno recente. Segundo estimativas recentes, o rebanho bubalino brasileiro é da ordem de 3 milhões de cabeças, com o maior índice de crescimento dentre todos os animais domésticos. É o maior rebanho bubalino das Américas. PIMENTA DO REINO Grande parte da produção mundial da pimenta-do-reino, provém do Brasil. Apesar dos primeiros registros da pimenta-do-reino no país datarem do século XVII, sua exploração econômica somente começou na primeira metade do século XX (1933), quando imigrantes japoneses que se fixaram no Pará plantaram algumas mudas da pimenteira. Logo o clima quente e úmido da Amazônia se mostrou propício ao cultivo da pimenta. Hoje grande parte da produção mundial se concentra no estado do Pará, levando o Brasil a ser um dos quatro maiores produtores do mundo, junto com Índia, Indonésia e Malásia. A pimenta-do-reino é o fruto do pimenteira, uma planta trepadeira originária da Índia. A mais importante e conhecida das especiarias chegou a ser conhecida como o “ouro negro”, tamanha a sua importância séculos atrás. A pimenta era fundamental na conserva de carnes e outros alimentos, e por ter sido usada como moeda cambial em Roma, motivou os exploradores europeus a encontrar uma nova rota comercial entre a Europa e o Oriente. Para obter a pimenta verde, as espigas são colhidas ao atingir dois terços de sua maturidade. Depois de debulhadas, são colocadas em salmoura antes de serem embaladas. A pimenta-do-reino preta também é colhida ainda verde, mas, ao contrário da primeira, é debulhada e posta ao sol para secar por um período de três a seis dias. Durante esse estágio, os grãos devem ser revolvidos para que a secagem seja feita uniformemente e sua cor escura prevaleça. Já a pimenta-do-reino branca é obtida apenas após a colheita da pimenta já madura, possuindo uma coloração amarela ou avermelhada. As espigas são postas em sacos, maceradas em tanques com água, depois drenadas e lavadas. São então postas ao sol para secar até alcançar suas características finais. http://4.bp.blogspot.com/_uRX2H74oGZo/RjuxdOfCqAI/AAAAAAAAAK4/w7VpjogyhiQ/s1600-h/DSCN0358.jpg http://4.bp.blogspot.com/_uRX2H74oGZo/RjuxdOfCqAI/AAAAAAAAAK4/w7VpjogyhiQ/s1600-h/DSCN0358.jpg Vida Cotidiana CAFÉ DA MANHÃ Devido ao desgaste causado pelo clima úmido, há a necessidade de refeições de alto valor energético desde o café da manhã, em que são tradicionais as tapioquinhas, o beiju, o cuscuz, as paçocas – de amendoim, de castanha do Brasil, de castanha de caju – acompanhadas de banana. Também estão presentes a macaxeira cozida e passada na manteiga, com ou sem açúcar, o bolo de macaxeira, a canjica e muitos mingaus, como o de banana e o de açaí e o peixe moqueado (piramutaba). ALMOÇO Embora o prato símbolo da região seja o pato no tucupi, ele é mais consumido em dias de festa (até mesmo por ser muito elaborado). A base da alimentação diária é o peixe. Existem inúmeros tipos de preparo preferido pela população local, como os embrulhados em folha de banana pacovã, moqueados ou assados na telha ou na brasa, ao leite de coco, em caldeiradas, ou cozido no tucupi. LANCHE DA TARDE Consumido em barraquinhas, ao ar livre, temos o famoso tacacá das 5 horas, principalmente em Belém. Também o crepe de tapioca, bem fininho e com recheios doces ou salgados, costuma ser consumido como quitute à tarde. JANTAR No jantar é comum consumir o que sobrou do almoço. No entanto, dependendo do poder aquisitivo das pessoas, consome-se o chibé, açaí com farinha de mandioca. Bibliografia Bueno, Ana; Diegues, Antonio Carlos & D’Alessio Vito. Culinária Caiçara. Ed. Dialeto. 2006. Cascudo, Luís da Câmara. História da Alimentação no Brasil. Ed. Global. 2004. Chaves, Guta & Dolores Freixa. Larousse da Cozinha Brasileira. Larousse do Brasil. 2007. Fernandes, Caloca. Viagem Gastronômica Através do Brasil. Ed. SENAC, 2008. Freyre, Gilberto. Açúcar. 3ª ed. Ed. Massangana, 1987. Lody, Raul (Org.). Farinha de mandioca, os sabores brasileiros e as receitas da Bahia. Ed. SENAC, 2013. Neto, Nelusko Linguanotto . Dicionário Gastronômico – Pimentas. 1ª ed. Gaia Editora. 2007. Silva, Paula Pinto E. Farinha, Feijão e Carne-seca. Ed. SENAC, 2008.