Prévia do material em texto
Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 1 Contextualizando O ciclo da Assistência Farmacêutica (AF) envolve processos. Um gestor farmacêutico, por meio de relatórios do sistema informatizado de estoques, detecta dois medicamentos que há seis meses não são mais utilizados. Após análise, realizada pela Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT), os itens devem ser retirados do estoque, não integrando mais a lista de medicamentos no município. Na reunião seguinte, deve ser pautada a inclusão de novos itens na lista padronizada, tendo em vista algumas solicitações oriundas de solicitações médicas e a necessidade de atualização terapêutica. A concepção do ciclo da Assistência Farmacêutica (AF) apresenta a articulação entre as atividades técnicas e as operacionais, possibilitando a total integração entre cada etapa e a necessidade de atuação do profissional farmacêutico. Neste cenário que envolve o ciclo de operação da AF, alguns serviços e/ou divisões são fundamentais. Desde a seleção dos fornecedores, dentro de aspectos técnicos, legais e econômicos, observando-se a programação feita para atender às necessidades do estado ou município, até, em seguida, o modo de aquisição, recebimento e armazenamento. O próximo passo, dependendo da localidade, muito complexo, é a distribuição dos medicamentos para as unidades de saúde. Toda essa cascata de operações deve estar estruturada sob a égide da gestão, do financiamento e do controle e avaliação das operações. Os medicamentos são insumos de custo importante, com muitos fornecedores cujos prazos nem sempre são cumpridos e, mesmo quando são, as variações de consumo são frequentes, o que exige dos gestores atenção máxima. Outra questão extremamente relevante é que a aquisição de medicamentos no SUS deve obedecer à Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, a Lei das Licitações. Essa norma legal descreve o processo licitatório e apresenta íntima relação com a aquisição de medicamentos e, consequentemente, com todo o ciclo da AF. Art. 3º A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.” Art. 14. Nenhuma compra será feita sem a adequada caracterização de seu objeto e indicação dos recursos orçamentários para seu pagamento, sob pena de nulidade do ato e responsabilidade de quem lhe tiver dado causa.” Art. 15. As compras, sempre que possível, deverão: I. Atender ao princípio da padronização, que imponha compatibilidade de especificações técnicas e de desempenho, observadas, quando for o caso, as condições de manutenção, assistência técnica e garantia oferecidas; II - ser processadas através de sistema de registro de preços; III - submeter-se às condições de aquisição e pagamento semelhantes às do setor privado; IV - ser subdivididas em tantas parcelas quantas necessárias para aproveitar as peculiaridades do mercado, visando à economicidade; V - balizar-se pelos preços praticados no âmbito dos órgãos e entidades da Administração Pública. § 1º O registro de preços será precedido de ampla pesquisa de mercado. § 2º Os preços registrados serão publicados trimestralmente para orientação da Administração, na imprensa oficial. § 3º O sistema de registro de preços será regulamentado por decreto, atendidas as peculiaridades regionais, observadas as seguintes condições: I - seleção feita mediante concorrência; Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 2 II - estipulação prévia do sistema de controle e atualização dos preços registrados; III - validade do registro não superior a um ano. A seguir um fluxograma que descreve a Assistência Farmacêutica e a sua contextualização no SUS. Apresentação A seleção é a atividade principal no ciclo da Assistência Farmacêutica (AF). Porque é a etapa na qual serão escolhidos os medicamentos mais eficazes e seguros, tidos como fundamentais para atender às necessidades da população. A seleção de medicamentos deve se basear em critérios: Técnicos Científicos Epidemiológicos Farmacoeconômicos Saiba mais – a farmacoeconomia é a ciência que avalia o benefício adicionado por uma intervenção compensa o custo adicionado por ela. Envolve a descrição e análise dos custos da terapia farmacêutica para os sistemas de assistência à saúde e para a sociedade. Além de identificar, mensurar e comparar os custos e as consequências de produtos e serviços farmacêuticos. Importante – A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) é a referência para o processo de seleção de medicamentos no âmbito do SUS, servindo também para o âmbito privado. Outro fator a ser considerado na seleção é a escassez de recursos financeiros, que praticamente obriga os gestores a buscarem soluções economicamente mais viáveis e com resultados positivos. Vantagens no processo de seleção no ciclo da AF: a) Contribuir de forma efetiva para a prática do Uso Racional de Medicamentos (URM) b) Colocar a disposição da população medicamentos com elevada eficácia terapêutica e com mínimos riscos de toxicidade (Segurança). c) Oferecer melhores condições para o gerenciamento do ciclo da AF. d) Otimizar os recursos financeiros disponíveis e) Estabelecer padrões de conduta terapêutica (uso dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas – PCDT). f) Melhorar o fluxo de informações g) Criar melhores condições para a prática da farmacovigilância h) Estabelecer ações educativas para os prescritores, usuários de medicamentos e farmacêuticos. Etapas do processo de seleção A primeira delas é formar a Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT). De acordo com a Resolução nº 449/2006, a Comissão de Farmácia e Terapêutica é a instância multiprofissional, consultiva, deliberativa e educativa dentro de hospitais e outros serviços de saúde responsável pela condução do processo de seleção, utilização, acompanhamento e avaliação do uso dos medicamentos e produtos para saúde, tendo atribuições e responsabilidade definidas em Regimento Interno. A CFT é uma junta deliberativa e conta com membros efetivos e estatuto próprio. Tem um presidente, que pode ser o farmacêutico. Ela objetiva: 1. Disciplinar prescrição de medicamentos no hospital; 2. Facilitar controle de estoque (diminuir arsenal terapêutico); 3. Proporcionar linguagem “universal” dos medicamentos; 4. Promover maior facilidade para a prática da farmacovigilância. 5. Facilitar o sistema de dispensação adotado pela farmácia. Composição da estrutura da CFT: 1 farmacêutico, 1 representante da clínica médica, 1 representante da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), 1 representante da pediatria, 1 Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 3 representante da clínica cirúrgica e 1 representante do corpo de enfermagem. As etapas seguintes são compostas por: 1. Criar critérios para exclusão e inclusão de medicamentos na lista padronizada de medicamentos; 2. Criar critérios para prescrição e dispensação dos medicamentos. Por exemplo: prescrever pelo nome do princípio ativo do medicamento (utilizar DCB ou DCI); 3. Realizar reuniões periódicas da CFT para atualização da lista; 4. Publicar, divulgar e distribuir a lista de medicamentos padronizados. No processo de seleção, deve-se observar sempre: 1. Medicamentos que estão disponíveis no mercadointerno brasileiro; 2. Risco/benefício; 3. Avaliação farmacoeconômica; 4. Melhor comodidade de uso; 5. Facilidade de armazenamento (menor complexidade) Metodologias Algumas metodologias buscam avaliar o grau de adesão dos prescritores à lista padronizada. 1. Quantidade e percentual de profissionais prescritores que aderiram ao uso da lista padronizada. 2. Redução dos gastos com aquisição de medicamentos após implantação da lista de medicamentos. 3. Redução dos gastos com tratamentos após implantação da lista de medicamentos. Apresentação A programação é importante para identificar as quantidades necessárias de acordo com a demanda, levando em consideração o tempo da gestão da compra. Um dos maiores desafios do gestor farmacêutico é a habilidade de programar as quantidades necessárias para o abastecimento em determinado período. Isso só será possível com o acesso a dados fiéis de consumo e com softwares de logística farmacêutica. Ainda assim, a experiência e a vivência do gestor em departamentos de AF (públicos) ou farmácias hospitalares (públicas e privadas) serão decisivas. Chamamos este conhecimento de predileção. Importante – uma boa programação evitará compras desnecessárias e de emergência, que encarecem o processo, além de priorizar a aquisição de medicamentos críticos. Consideram-se importantes: dados da demanda, perfil epidemiológico, recursos financeiros disponíveis, infraestrutura logística e dados populacionais. Logística farmacêutica Importante – a logística farmacêutica é um dos fatores de maior importância no processo de programação no ciclo da AF. De modo geral, a logística é um procedimento para prever e prover. Previsão – realiza-se por meio de fórmulas matemáticas, curvas ABC e o apoio de sistemas informatizados (softwares). Provisão – é a aquisição propriamente dita. A logística busca dentro da programação no ciclo da AF: 1. Redução – dos custos de aquisição, dos custos de reposição, o custo de mão de obra e os custos de manutenção dos estoques. 2. Rotatividade e continuidade – prover a rotatividade ideal dos estoques e dar continuidade ao fornecimento. 3. Qualidade – proporcionar qualidade no armazenamento e propiciar qualidade no fornecimento e na dispensação. A logística inclui armazenamento, distribuição e transporte. Na questão do armazenamento, deve-se ressaltar o papel da Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF), que é uma área destinada ao recebimento, à estocagem, à guarda e à expedição dos medicamentos e insumos farmacêuticos, visando assegurar a conservação adequada dos produtos em estoque. Importante – A distribuição e o transporte são vitais no processo logístico e devem ser formalizados/documentados para garantir o controle dos processos e a rastreabilidade dos medicamentos distribuídos. De olho – Logística significa parte da arte da guerra que trata de planejamento e realização de projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação e manutenção, destinados a ajudar o desempenho de qualquer função militar, contrato ou prestação de serviço. Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 4 Apresentação A aquisição é o processo de compra, propriamente dito. Fundamentada na programação, tendo como objetivo o abastecimento dos medicamentos necessários à demanda estabelecida. Processo de aquisição: fatores importantes Compras/suprimentos têm por finalidade suprir as necessidades de produtos ou serviços, planejá-las quantitativamente e satisfazê-las no momento correto, com as quantidades certas. Algumas questões são importantes com relação às compras/atividades: 1. Informações básicas: controle e registro de fornecedores; compras; preços; especificações de estoques (visão), consumo (demanda) e catálogos. 2. Pesquisa de suprimentos: estudo de mercado; especificações de materiais; análise de custos e financeira; desenvolvimento de novos fornecedores e novos materiais; qualificações de. 3. Administração de materiais – objetivos: garantir atendimento das requisições e manutenção dos estoques; evitar excesso de estoques; melhorar o giro de estoques e elaborar relatórios. 4. Sistema de aquisição: negociar contratos e redução dos preços (inerente); efetivar as compras; analisar cotações (alçadas), requisições e condições dos contratos; verificar recebimento dos materiais; conferir faturas de compra; contatar vendedores. Esses são os requisitos de uma boa compra: a) Boa qualificação para as pessoas envolvidas no processo de compra; b) Necessidade de processo de programação para as compras; c) Cadastro atualizado de fornecedores; d) Catálogos atualizados de produtos utilizados; e) Definição de papéis e responsabilidades no processo de compra; f) Normas gerenciais e critérios técnicos- científicos; g) Sistema informatizado para gestão de estoques; h) Cronograma de compras definido; i) Articulação entre todos os setores envolvidos na compra; j) Infraestruturas de compra, recebimento e armazenamento adequadas. k) Amplo conhecimento de alguns dispositivos legais: Lei nº 8.666/1993 (licitações); Portaria nº 344/1998 (medicamentos sujeitos ao controle especial); Lei nº 9.787/1999 (medicamentos genéricos). De olho – a compra bem realizada reduz significativamente os custos da Assistência Farmacêutica. As compras são de ação bilateral e os fornecedores são uma parte importante do processo como um todo. Atribuições do farmacêutico No processo de aquisição, o papel do farmacêutico é o seguinte: 1. Estabelece requisitos técnicos para composição do edital de compras; 2. Realiza o pedido (solicitação) de compras; 3. Emite parecer técnico dos processos de compras de medicamentos; 4. Avalia fornecedores; 5. Desenvolve fornecedores; Aquisição: órgãos públicos x privados Nos órgãos públicos, as compras devem obedecer exclusivamente a elementos objetivos e justificáveis, procurando preservar a supremacia e a indisponibilidade do interesse público. Nos privados, os critérios podem ser subjetivos e/ou objetivos. As entidades de direito público são submetidas a regras rígidas, previstas em lei, que abrangem todos os passos envolvidos na aquisição de qualquer item. O Estado precisa ter mecanismos de preservação da probidade e moralidade de cada administrador público e de cada ato administrativo. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 prevê o seguinte: Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: [...] XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as suas modalidades, para a administração pública, direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, nas diversas esferas do governo, e empresas sob o seu controle. Licitação 1. Licitação é um procedimento administrativo formal pelo qual a administração seleciona com quem deve contratar o fornecimento de bens ou a prestação Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 5 de serviços. Define as condições de direito e de fato que regularão essa relação jurídica futura 2. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993: Estende- se a todos os níveis da administração pública. Não prevê o uso da licitação apenas para a aquisição de bens e serviços, mas também para procedimentos nos quais o Estado é o próprio fornecedor de bens e serviços para terceiros. 3. Aquisição, fornecimento e concessão – quando o Estado adquire ou fornece algo, há dois tipos de prestação: Prestação de dar – quando se adquire ou transfere a posse ou o domínio de bens materiais (compras, vendas, alienações, locações etc.). Prestação de fazer: quando o objeto do ato é o desenvolvimento de atividades físicas ou intelectuais que produzam utilidadesmateriais ou imateriais (serviços). Há ainda, a figura da concessão, privilégio concedido pelo Estado a um indivíduo ou empresa que este explore um serviço de utilidade pública ou um recurso natural. Nas situações anteriores, aplica-se, em primeiro lugar, o princípio da moralidade. 4. Indivíduo comum x funcionário público – diz-se que ao indivíduo comum é permitido fazer tudo o que a lei não proíbe, já o funcionário público pode realizar apenas o que a lei lhe permite fazer. Tipos de Licitação 1. Leilão – modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para o Estado ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, a quem oferecer o melhor lance, igual ou superior ao de uma avaliação prévia. 2. Convite – modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos em número mínimo de 3 (três) pela unidade administrativa. 3. Concurso – modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a escolha de trabalho técnico-científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores. 4. Tomada de preços – modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados pela administração. 5. Concorrência – modalidade entre quaisquer interessados que, na fase inicial, de habilitação preliminar, comprovem ter os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto. O edital é o instrumento de instrução sobre o objeto da licitação e as regras procedimentais que a disciplinarão. Sobre suas regras, destacam-se os seguintes pontos: 1. Objeto descrito de forma sucinta; 2. Não permite complementações; 3. Descrição não pode ser minuciosa; 4. Publicação no Diário Oficial Importante – sobre a anulação, revogação e rescisão da licitação, é importante você saber que, se ocorrer vício que prejudique o disposto na Lei nº 8.666/1993, a autoridade responsável tem o dever de anulá-la. Princípios constitucionais – igualdade, legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade. Outros princípios (artigo 3º da Lei 8.666/1993): probidade administrativa, vinculação à convocação, julgamento objetivo, sigilo das propostas. Apresentação Armazenamento são todos os procedimentos técnicos e administrativos que envolvem determinadas atividades. Essas são as seguintes atividades de armazenamento: 1. Recepção/recebimento das mercadorias (observar a criticidade no caso dos medicamentos); 2. Estocagem e guarda; 3. Conservação e estabilidade; 4. Controle dos estoques; 5. Almoxarifado (MS): local previsto para estocagem centralizada de todo o material de consumo do hospital, exceto medicamentos e gêneros alimentícios perecíveis que contam com dependência própria. 6. Depósito de drogas e medicamentos (MS): local destinado à recepção, à guarda, ao controle e À distribuição de medicamentos industrializados e matéria-prima. Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 6 Armazenar medicamentos e estocá-los em depósito segundo normas próprias, a fim de eliminar perigos de queda, achatamento, deterioração, explosão ou perdas, de modo a facilitar sua identificação, quantificação e movimentação, preservando sua qualidade. Quais as condições de armazenamento? De acordo com a OMS, as condições normais de armazenamento de medicamentos correspondem a locais secos, bem ventilados, à temperatura de 15ºC a 25ºC ou segundo condições climáticas. As orientações de acordo com a farmacopeia brasileira: a) Congelador – temperatura entre 0ºC e -20ºC b) Refrigerador - temperatura entre 2ºC e 8ºC c) Local fresco – ambiente cuja temperatura permanece entre 8ºC e 15ºC; d) Local frio – ambiente cuja temperatura não excede a 8ºC (local frio – refrigerador) e) Temperatura ambiente – ambiente entre 15ºC e 30ºC. É importante que conheça as terminologias no armazenamento de medicamentos: a) Calor excessivo – indica temperaturas acima de 40ºC. b) Quarentena – período durante o qual os medicamentos são retidos com proibição de emprego. Ainda segundo a farmacopeia brasileira, quando a monografia não especificar condições de conservação, deve-se considerar a proteção contra a luz, o congelamento e o calor excessivo. Veja, a seguir, as áreas de armazenamento de medicamentos: 1. Área de armazenamento geral de medicamentos – Central de Abastecimento Farmacêutico. 2. Área de armazenagem de inflamáveis; 3. Área de armazenagem de termolábeis; 4. Área de armazenagem de medicamentos sujeitos ao controle especial – Portaria nº 344/1998. Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) A guarda de medicamentos é feita na CAF, sendo esta denominação exclusiva para poder haver diferenciação de outras áreas de armazenamento. Alguns requisitos importantes devem ser obedecidos na CAF. 1. Piso – piso plano para facilitar a limpeza, de material impermeável e que suporte o peso das mercadorias e do mobiliário de armazenamento (pallets, prateleiras etc.) 2. Paredes – que impeçam a umidade, com clores claras e laváveis. 3. Portas – preferencialmente de alumínio (evitar materiais orgânicos, como madeira); 4. Teto – feito de material que impeça o acúmulo de calor. 5. Instalações – instalações elétricas e sanitárias regulares, com luminosidade adequada. 6. Implantação de: medidas de segurança patrimonial, medidas contra incêndio e biossegurança. 7. Equipamentos adequados: aparelhos de climatização (ar-condicionado e controle de umidade relativa do ar), pallets, prateleiras, refrigeradores, carrinhos de transporte de mercadorias, empilhadeiras, higrômetros, termômetros, computadores e impressoras. 8. Métodos para controle dos estoques: consumo médio mensal (CMM), estoque médio, intervalo de suprimento, estoque mínimo (Emin) – estoque de segurança, estoque máximo (Emáx), tempo de reposição (TR), estoque disponível, lote de reposição, ponto de pedido, ruptura de estoque. 9. Inventários – realização de inventários. Aspectos administrativos Os aspectos administrativos relacionados com o armazenamento de medicamentos estarão intimamente ligados ao pedido de compra, no que diz respeito a quantidades a serem entregues, datas de entrega e demais requisitos. É importante observar: 1. Nota fiscal – necessidade de nota fiscal (nada pode ser recebido sem nota fiscal); conformidade das Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 7 quantidades e especificações da nota fiscal para com as solicitações de compra realizadas. 2. Prazos – estrito cumprimento dos prazos de entrega. 3. Conformidades – (a) especificações técnicas: marcas, inviolabilidade, apresentações farmacêuticas e embalagens; (b) observância dos lotes e das datas de validade dos medicamentos. 4. Recebimento – procedimentos operacionais de recebimento. Apresentação O ciclo da AF requer mecanismos de distribuição que garantam agilidade, rapidez, flexibilidade, eficiência, controle e segurança na entrega. A periodicidade das entregas dos medicamentos para as unidades de saúde deve estar estabelecida em cronograma, o qual prevê fatores relacionados com distância, demanda, rotatividade dos estoques e demais questões ligadas ao abastecimento. Fase de distribuição do ciclo da AF: etapas A distribuição possui etapas: 1. Análise de pedidos 2. Separação dos pedidos 3. Preparação e expedição 4. Conferência 5. Liberação 6. Entrega Fase de distribuição do ciclo da AF: ações Na distribuição, recomenda-se algumas ações: 1. Cronograma – atender ao cronograma 2. Documentações – verificar documentações de liberação (pedidos) de acordo com os procedimentos estabelecidos. 3. Organização – organizar os medicamentos por endereçamento, de modo a liberar sempre aqueles comprazo de validade mais próximos. 4. Inspeção – realizar inspeção física dos medicamentos. 5. Registro – registrar a movimentação do estoque. Métodos de avaliação Para estabelecer políticas de qualidade no ciclo da AF no que tange à distribuição, é importante estabelecer métodos de avaliação. 1. Quantidade de unidades atendidas naquele período (semana, quinzena, mês e ano); 2. Tempo médio de provisão dos estoques; 3. Demandas atendidas x não atendidas 4. Gastos mensais com medicamentos por unidade solicitante. Apresentação A Política Nacional de Medicamentos (PNM) descreve a dispensação como uma das atividades da Assistência Farmacêutica (AF) privativa do farmacêutico. Dispensação é o ato profissional farmacêutico de proporcionar um ou mais medicamentos a um paciente, geralmente como resposta à apresentação de uma receita elaborada por um profissional autorizado. Atribuições do farmacêutico A dispensação propicia ao farmacêutico, dentro de um processo de AF, a conexão entre as políticas de saúde e o usuário de medicamentos. Tem como objetivos: 1. Educar – educar os usuários para que utilizem de maneira correta os medicamentos; 2. Atuar – atuar em cumprimento da prescrição de medicamentos a dispensação é a última etapa antes Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 8 de o usuário passar a fazer uso de medicamentos. Todas as informações prestadas pelo farmacêutico são vitais para o sucesso da farmacoterapia. Medicamento correto para o paciente correto; Viabilizar Atenção Farmacêutica (ATF) de qualidade. O Artigo 14, da Lei 13.021, de 8 de agosto de 2014 informa que “cabe ao farmacêutico, na dispensação de medicamentos, visando garantir a eficácia e a segurança da terapêutica prescritiva, observar os aspectos técnicos e legais do receituário”. A dispensação de medicamentos, em todos os níveis, inclusive no SUS, requer conhecimentos e habilidades específicas quanto aos requisitos comportamental e técnico. a) Comportamental – saber se comunicar e ter atitudes empáticas é fundamental. b) Técnico – a capacidade de analisar prescrições médicas, interpretar dados laboratoriais e realizar acompanhamento farmacoterapêutico compreende um dos fatores mais importantes. Etapas da dispensação Criar cadastro dos pacientes; Analisar a prescrição: medicamento, dosagem, interações medicamentosas e alimentares, e possibilidade de reações adversas. Separar os medicamentos de acordo com a prescrição médica; Orientar e esclarecer os pacientes; Realizar o acompanhamento farmacoterapêutico.