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Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 
 
1 
 
Contextualizando 
 O ciclo da Assistência Farmacêutica (AF) 
envolve processos. 
 Um gestor farmacêutico, por meio de relatórios 
do sistema informatizado de estoques, detecta dois 
medicamentos que há seis meses não são mais 
utilizados. Após análise, realizada pela Comissão de 
Farmácia e Terapêutica (CFT), os itens devem ser 
retirados do estoque, não integrando mais a lista de 
medicamentos no município. Na reunião seguinte, 
deve ser pautada a inclusão de novos itens na lista 
padronizada, tendo em vista algumas solicitações 
oriundas de solicitações médicas e a necessidade de 
atualização terapêutica. 
 A concepção do ciclo da Assistência 
Farmacêutica (AF) apresenta a articulação entre as 
atividades técnicas e as operacionais, possibilitando 
a total integração entre cada etapa e a necessidade de 
atuação do profissional farmacêutico. 
 
 Neste cenário que envolve o ciclo de operação 
da AF, alguns serviços e/ou divisões são fundamentais. 
Desde a seleção dos fornecedores, dentro de aspectos 
técnicos, legais e econômicos, observando-se a 
programação feita para atender às necessidades do 
estado ou município, até, em seguida, o modo de 
aquisição, recebimento e armazenamento. O 
próximo passo, dependendo da localidade, muito 
complexo, é a distribuição dos medicamentos para as 
unidades de saúde. Toda essa cascata de operações 
deve estar estruturada sob a égide da gestão, do 
financiamento e do controle e avaliação das operações. 
 Os medicamentos são insumos de custo 
importante, com muitos fornecedores cujos prazos nem 
sempre são cumpridos e, mesmo quando são, as 
variações de consumo são frequentes, o que exige dos 
gestores atenção máxima. 
 Outra questão extremamente relevante é que a 
aquisição de medicamentos no SUS deve obedecer à 
Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, a Lei das 
Licitações. Essa norma legal descreve o processo 
licitatório e apresenta íntima relação com a aquisição 
de medicamentos e, consequentemente, com todo o 
ciclo da AF. 
 Art. 3º A licitação destina-se a garantir a 
observância do princípio constitucional da isonomia, 
a seleção da proposta mais vantajosa para a 
administração e a promoção do desenvolvimento 
nacional sustentável e será processada e julgada em 
estrita conformidade com os princípios básicos da 
legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da 
igualdade, da publicidade, da probidade 
administrativa, da vinculação ao instrumento 
convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes 
são correlatos.” 
 Art. 14. Nenhuma compra será feita sem a 
adequada caracterização de seu objeto e indicação dos 
recursos orçamentários para seu pagamento, sob pena 
de nulidade do ato e responsabilidade de quem lhe 
tiver dado causa.” 
 Art. 15. As compras, sempre que possível, 
deverão: 
I. Atender ao princípio da padronização, que imponha 
compatibilidade de especificações técnicas e de 
desempenho, observadas, quando for o caso, as 
condições de manutenção, assistência técnica e 
garantia oferecidas; 
II - ser processadas através de sistema de registro de 
preços; 
III - submeter-se às condições de aquisição e 
pagamento semelhantes às do setor privado; 
IV - ser subdivididas em tantas parcelas quantas 
necessárias para aproveitar as peculiaridades do 
mercado, visando à economicidade; 
V - balizar-se pelos preços praticados no âmbito dos 
órgãos e entidades da Administração Pública. 
§ 1º O registro de preços será precedido de 
ampla pesquisa de mercado. 
§ 2º Os preços registrados serão publicados 
trimestralmente para orientação da 
Administração, na imprensa oficial. 
§ 3º O sistema de registro de preços será 
regulamentado por decreto, atendidas as 
peculiaridades regionais, observadas as 
seguintes condições: 
I - seleção feita mediante concorrência; 
Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 
 
2 
 
II - estipulação prévia do sistema de controle e 
atualização dos preços registrados; 
III - validade do registro não superior a um ano. 
 A seguir um fluxograma que descreve a 
Assistência Farmacêutica e a sua contextualização no 
SUS. 
 
 
Apresentação 
 A seleção é a atividade principal no ciclo da 
Assistência Farmacêutica (AF). Porque é a etapa na 
qual serão escolhidos os medicamentos mais eficazes e 
seguros, tidos como fundamentais para atender às 
necessidades da população. A seleção de 
medicamentos deve se basear em critérios: 
 Técnicos 
 Científicos 
 Epidemiológicos 
 Farmacoeconômicos 
 Saiba mais – a farmacoeconomia é a ciência 
que avalia o benefício adicionado por uma intervenção 
compensa o custo adicionado por ela. Envolve a 
descrição e análise dos custos da terapia farmacêutica 
para os sistemas de assistência à saúde e para a 
sociedade. Além de identificar, mensurar e comparar 
os custos e as consequências de produtos e serviços 
farmacêuticos. 
 Importante – A Relação Nacional de 
Medicamentos Essenciais (Rename) é a referência 
para o processo de seleção de medicamentos no 
âmbito do SUS, servindo também para o âmbito 
privado. 
 Outro fator a ser considerado na seleção é a 
escassez de recursos financeiros, que praticamente 
obriga os gestores a buscarem soluções 
economicamente mais viáveis e com resultados 
positivos. 
 Vantagens no processo de seleção no ciclo da 
AF: 
a) Contribuir de forma efetiva para a prática do 
Uso Racional de Medicamentos (URM) 
b) Colocar a disposição da população 
medicamentos com elevada eficácia terapêutica 
e com mínimos riscos de toxicidade 
(Segurança). 
c) Oferecer melhores condições para o 
gerenciamento do ciclo da AF. 
d) Otimizar os recursos financeiros disponíveis 
e) Estabelecer padrões de conduta terapêutica 
(uso dos Protocolos Clínicos e Diretrizes 
Terapêuticas – PCDT). 
f) Melhorar o fluxo de informações 
g) Criar melhores condições para a prática da 
farmacovigilância 
h) Estabelecer ações educativas para os 
prescritores, usuários de medicamentos e 
farmacêuticos. 
 
Etapas do processo de seleção 
 A primeira delas é formar a Comissão de 
Farmácia e Terapêutica (CFT). De acordo com a 
Resolução nº 449/2006, a Comissão de Farmácia e 
Terapêutica é a instância multiprofissional, 
consultiva, deliberativa e educativa dentro de 
hospitais e outros serviços de saúde responsável pela 
condução do processo de seleção, utilização, 
acompanhamento e avaliação do uso dos 
medicamentos e produtos para saúde, tendo 
atribuições e responsabilidade definidas em 
Regimento Interno. 
 A CFT é uma junta deliberativa e conta com 
membros efetivos e estatuto próprio. Tem um 
presidente, que pode ser o farmacêutico. Ela 
objetiva: 
1. Disciplinar prescrição de medicamentos no 
hospital; 
2. Facilitar controle de estoque (diminuir arsenal 
terapêutico); 
3. Proporcionar linguagem “universal” dos 
medicamentos; 
4. Promover maior facilidade para a prática da 
farmacovigilância. 
5. Facilitar o sistema de dispensação adotado pela 
farmácia. 
 Composição da estrutura da CFT: 1 
farmacêutico, 1 representante da clínica médica, 1 
representante da Comissão de Controle de Infecção 
Hospitalar (CCIH), 1 representante da pediatria, 1 
Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 
 
3 
 
representante da clínica cirúrgica e 1 representante do 
corpo de enfermagem. 
 As etapas seguintes são compostas por: 
1. Criar critérios para exclusão e inclusão de 
medicamentos na lista padronizada de medicamentos; 
2. Criar critérios para prescrição e dispensação 
dos medicamentos. Por exemplo: prescrever pelo nome 
do princípio ativo do medicamento (utilizar DCB ou 
DCI); 
3. Realizar reuniões periódicas da CFT para 
atualização da lista; 
4. Publicar, divulgar e distribuir a lista de 
medicamentos padronizados. 
 No processo de seleção, deve-se observar 
sempre: 
1. Medicamentos que estão disponíveis no 
mercadointerno brasileiro; 
2. Risco/benefício; 
3. Avaliação farmacoeconômica; 
4. Melhor comodidade de uso; 
5. Facilidade de armazenamento (menor 
complexidade) 
 
Metodologias 
 Algumas metodologias buscam avaliar o grau 
de adesão dos prescritores à lista padronizada. 
1. Quantidade e percentual de profissionais 
prescritores que aderiram ao uso da lista 
padronizada. 
2. Redução dos gastos com aquisição de 
medicamentos após implantação da lista de 
medicamentos. 
3. Redução dos gastos com tratamentos após 
implantação da lista de medicamentos. 
 
Apresentação 
 A programação é importante para identificar 
as quantidades necessárias de acordo com a 
demanda, levando em consideração o tempo da gestão 
da compra. 
 Um dos maiores desafios do gestor 
farmacêutico é a habilidade de programar as 
quantidades necessárias para o abastecimento em 
determinado período. 
 Isso só será possível com o acesso a dados fiéis 
de consumo e com softwares de logística farmacêutica. 
Ainda assim, a experiência e a vivência do gestor em 
departamentos de AF (públicos) ou farmácias 
hospitalares (públicas e privadas) serão decisivas. 
Chamamos este conhecimento de predileção. 
 Importante – uma boa programação evitará 
compras desnecessárias e de emergência, que 
encarecem o processo, além de priorizar a aquisição de 
medicamentos críticos. 
 Consideram-se importantes: dados da demanda, 
perfil epidemiológico, recursos financeiros 
disponíveis, infraestrutura logística e dados 
populacionais. 
 
Logística farmacêutica 
 Importante – a logística farmacêutica é um dos 
fatores de maior importância no processo de 
programação no ciclo da AF. 
 De modo geral, a logística é um procedimento 
para prever e prover. 
 Previsão – realiza-se por meio de fórmulas 
matemáticas, curvas ABC e o apoio de sistemas 
informatizados (softwares). 
 Provisão – é a aquisição propriamente dita. 
 A logística busca dentro da programação no 
ciclo da AF: 
1. Redução – dos custos de aquisição, dos custos 
de reposição, o custo de mão de obra e os custos 
de manutenção dos estoques. 
2. Rotatividade e continuidade – prover a 
rotatividade ideal dos estoques e dar 
continuidade ao fornecimento. 
3. Qualidade – proporcionar qualidade no 
armazenamento e propiciar qualidade no 
fornecimento e na dispensação. 
 A logística inclui armazenamento, 
distribuição e transporte. Na questão do 
armazenamento, deve-se ressaltar o papel da Central 
de Abastecimento Farmacêutico (CAF), que é uma 
área destinada ao recebimento, à estocagem, à 
guarda e à expedição dos medicamentos e insumos 
farmacêuticos, visando assegurar a conservação 
adequada dos produtos em estoque. 
 Importante – A distribuição e o transporte 
são vitais no processo logístico e devem ser 
formalizados/documentados para garantir o controle 
dos processos e a rastreabilidade dos medicamentos 
distribuídos. 
 De olho – Logística significa parte da arte da 
guerra que trata de planejamento e realização de 
projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, 
transporte, distribuição, reparação e manutenção, 
destinados a ajudar o desempenho de qualquer função 
militar, contrato ou prestação de serviço. 
 
 
Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 
 
4 
 
Apresentação 
 A aquisição é o processo de compra, 
propriamente dito. Fundamentada na programação, 
tendo como objetivo o abastecimento dos 
medicamentos necessários à demanda estabelecida. 
 
Processo de aquisição: fatores importantes 
 Compras/suprimentos têm por finalidade suprir 
as necessidades de produtos ou serviços, planejá-las 
quantitativamente e satisfazê-las no momento correto, 
com as quantidades certas. 
 Algumas questões são importantes com relação 
às compras/atividades: 
1. Informações básicas: controle e registro de 
fornecedores; compras; preços; especificações 
de estoques (visão), consumo (demanda) e 
catálogos. 
2. Pesquisa de suprimentos: estudo de mercado; 
especificações de materiais; análise de custos e 
financeira; desenvolvimento de novos 
fornecedores e novos materiais; qualificações 
de. 
3. Administração de materiais – objetivos: 
garantir atendimento das requisições e 
manutenção dos estoques; evitar excesso de 
estoques; melhorar o giro de estoques e 
elaborar relatórios. 
4. Sistema de aquisição: negociar contratos e 
redução dos preços (inerente); efetivar as 
compras; analisar cotações (alçadas), 
requisições e condições dos contratos; verificar 
recebimento dos materiais; conferir faturas de 
compra; contatar vendedores. 
 Esses são os requisitos de uma boa compra: 
a) Boa qualificação para as pessoas envolvidas no 
processo de compra; 
b) Necessidade de processo de programação para 
as compras; 
c) Cadastro atualizado de fornecedores; 
d) Catálogos atualizados de produtos utilizados; 
e) Definição de papéis e responsabilidades no 
processo de compra; 
f) Normas gerenciais e critérios técnicos-
científicos; 
g) Sistema informatizado para gestão de estoques; 
h) Cronograma de compras definido; 
i) Articulação entre todos os setores envolvidos 
na compra; 
j) Infraestruturas de compra, recebimento e 
armazenamento adequadas. 
k) Amplo conhecimento de alguns dispositivos 
legais: Lei nº 8.666/1993 (licitações); Portaria 
nº 344/1998 (medicamentos sujeitos ao 
controle especial); Lei nº 9.787/1999 
(medicamentos genéricos). 
 De olho – a compra bem realizada reduz 
significativamente os custos da Assistência 
Farmacêutica. As compras são de ação bilateral e os 
fornecedores são uma parte importante do processo 
como um todo. 
 
Atribuições do farmacêutico 
 No processo de aquisição, o papel do 
farmacêutico é o seguinte: 
1. Estabelece requisitos técnicos para composição 
do edital de compras; 
2. Realiza o pedido (solicitação) de compras; 
3. Emite parecer técnico dos processos de 
compras de medicamentos; 
4. Avalia fornecedores; 
5. Desenvolve fornecedores; 
 
Aquisição: órgãos públicos x privados 
 Nos órgãos públicos, as compras devem 
obedecer exclusivamente a elementos objetivos e 
justificáveis, procurando preservar a supremacia e a 
indisponibilidade do interesse público. 
 Nos privados, os critérios podem ser 
subjetivos e/ou objetivos. 
 As entidades de direito público são submetidas 
a regras rígidas, previstas em lei, que abrangem todos 
os passos envolvidos na aquisição de qualquer item. O 
Estado precisa ter mecanismos de preservação da 
probidade e moralidade de cada administrador público 
e de cada ato administrativo. 
 No Brasil, a Constituição Federal de 1988 prevê 
o seguinte: Art. 22. Compete privativamente à União 
legislar sobre: [...] 
 XXVII – normas gerais de licitação e 
contratação, em todas as suas modalidades, 
para a administração pública, direta e 
indireta, incluídas as fundações instituídas e 
mantidas pelo Poder Público, nas diversas 
esferas do governo, e empresas sob o seu 
controle. 
 
Licitação 
1. Licitação é um procedimento administrativo 
formal pelo qual a administração seleciona com quem 
deve contratar o fornecimento de bens ou a prestação 
Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 
 
5 
 
de serviços. Define as condições de direito e de fato 
que regularão essa relação jurídica futura 
2. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993: Estende-
se a todos os níveis da administração pública. Não 
prevê o uso da licitação apenas para a aquisição de 
bens e serviços, mas também para procedimentos nos 
quais o Estado é o próprio fornecedor de bens e 
serviços para terceiros. 
3. Aquisição, fornecimento e concessão – 
quando o Estado adquire ou fornece algo, há dois tipos 
de prestação: 
 Prestação de dar – quando se adquire ou 
transfere a posse ou o domínio de bens materiais 
(compras, vendas, alienações, locações etc.). 
 Prestação de fazer: quando o objeto do ato é o 
desenvolvimento de atividades físicas ou 
intelectuais que produzam utilidadesmateriais ou 
imateriais (serviços). 
 Há ainda, a figura da concessão, privilégio 
concedido pelo Estado a um indivíduo ou empresa 
que este explore um serviço de utilidade pública ou 
um recurso natural. Nas situações anteriores, aplica-se, 
em primeiro lugar, o princípio da moralidade. 
4. Indivíduo comum x funcionário público – 
diz-se que ao indivíduo comum é permitido fazer 
tudo o que a lei não proíbe, já o funcionário público 
pode realizar apenas o que a lei lhe permite fazer. 
 
Tipos de Licitação 
 
1. Leilão – modalidade de licitação entre 
quaisquer interessados para a venda de bens móveis 
inservíveis para o Estado ou de produtos legalmente 
apreendidos ou penhorados, a quem oferecer o 
melhor lance, igual ou superior ao de uma avaliação 
prévia. 
2. Convite – modalidade de licitação entre 
interessados do ramo pertinente ao seu objeto, 
cadastrados ou não, escolhidos em número mínimo 
de 3 (três) pela unidade administrativa. 
3. Concurso – modalidade de licitação entre 
quaisquer interessados para a escolha de trabalho 
técnico-científico ou artístico, mediante a instituição 
de prêmios ou remuneração aos vencedores. 
4. Tomada de preços – modalidade de licitação 
entre interessados devidamente cadastrados pela 
administração. 
5. Concorrência – modalidade entre quaisquer 
interessados que, na fase inicial, de habilitação 
preliminar, comprovem ter os requisitos mínimos de 
qualificação exigidos no edital para execução de seu 
objeto. 
 O edital é o instrumento de instrução sobre o 
objeto da licitação e as regras procedimentais que a 
disciplinarão. Sobre suas regras, destacam-se os 
seguintes pontos: 
1. Objeto descrito de forma sucinta; 
2. Não permite complementações; 
3. Descrição não pode ser minuciosa; 
4. Publicação no Diário Oficial 
 Importante – sobre a anulação, revogação e 
rescisão da licitação, é importante você saber que, se 
ocorrer vício que prejudique o disposto na Lei nº 
8.666/1993, a autoridade responsável tem o dever de 
anulá-la. 
 Princípios constitucionais – igualdade, 
legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade. 
 Outros princípios (artigo 3º da Lei 
8.666/1993): probidade administrativa, vinculação à 
convocação, julgamento objetivo, sigilo das propostas. 
 
Apresentação 
 Armazenamento são todos os procedimentos 
técnicos e administrativos que envolvem determinadas 
atividades. Essas são as seguintes atividades de 
armazenamento: 
1. Recepção/recebimento das mercadorias 
(observar a criticidade no caso dos medicamentos); 
2. Estocagem e guarda; 
3. Conservação e estabilidade; 
4. Controle dos estoques; 
5. Almoxarifado (MS): local previsto para 
estocagem centralizada de todo o material de consumo 
do hospital, exceto medicamentos e gêneros 
alimentícios perecíveis que contam com dependência 
própria. 
6. Depósito de drogas e medicamentos (MS): local 
destinado à recepção, à guarda, ao controle e À 
distribuição de medicamentos industrializados e 
matéria-prima. 
Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 
 
6 
 
 
 Armazenar medicamentos e estocá-los em 
depósito segundo normas próprias, a fim de eliminar 
perigos de queda, achatamento, deterioração, 
explosão ou perdas, de modo a facilitar sua 
identificação, quantificação e movimentação, 
preservando sua qualidade. 
 Quais as condições de armazenamento? De 
acordo com a OMS, as condições normais de 
armazenamento de medicamentos correspondem a 
locais secos, bem ventilados, à temperatura de 15ºC 
a 25ºC ou segundo condições climáticas. As 
orientações de acordo com a farmacopeia brasileira: 
a) Congelador – temperatura entre 0ºC e -20ºC 
b) Refrigerador - temperatura entre 2ºC e 8ºC 
c) Local fresco – ambiente cuja temperatura 
permanece entre 8ºC e 15ºC; 
d) Local frio – ambiente cuja temperatura não 
excede a 8ºC (local frio – refrigerador) 
e) Temperatura ambiente – ambiente entre 15ºC 
e 30ºC. 
 É importante que conheça as terminologias no 
armazenamento de medicamentos: 
a) Calor excessivo – indica temperaturas acima 
de 40ºC. 
b) Quarentena – período durante o qual os 
medicamentos são retidos com proibição de 
emprego. 
 Ainda segundo a farmacopeia brasileira, 
quando a monografia não especificar condições de 
conservação, deve-se considerar a proteção contra a 
luz, o congelamento e o calor excessivo. 
 Veja, a seguir, as áreas de armazenamento de 
medicamentos: 
1. Área de armazenamento geral de medicamentos 
– Central de Abastecimento Farmacêutico. 
2. Área de armazenagem de inflamáveis; 
3. Área de armazenagem de termolábeis; 
4. Área de armazenagem de medicamentos 
sujeitos ao controle especial – Portaria nº 344/1998. 
 
Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) 
 A guarda de medicamentos é feita na CAF, 
sendo esta denominação exclusiva para poder haver 
diferenciação de outras áreas de armazenamento. 
Alguns requisitos importantes devem ser obedecidos 
na CAF. 
1. Piso – piso plano para facilitar a limpeza, de 
material impermeável e que suporte o peso das 
mercadorias e do mobiliário de armazenamento 
(pallets, prateleiras etc.) 
2. Paredes – que impeçam a umidade, com clores 
claras e laváveis. 
3. Portas – preferencialmente de alumínio (evitar 
materiais orgânicos, como madeira); 
4. Teto – feito de material que impeça o acúmulo 
de calor. 
5. Instalações – instalações elétricas e sanitárias 
regulares, com luminosidade adequada. 
6. Implantação de: medidas de segurança 
patrimonial, medidas contra incêndio e biossegurança. 
7. Equipamentos adequados: aparelhos de 
climatização (ar-condicionado e controle de umidade 
relativa do ar), pallets, prateleiras, refrigeradores, 
carrinhos de transporte de mercadorias, empilhadeiras, 
higrômetros, termômetros, computadores e 
impressoras. 
8. Métodos para controle dos estoques: 
consumo médio mensal (CMM), estoque médio, 
intervalo de suprimento, estoque mínimo (Emin) – 
estoque de segurança, estoque máximo (Emáx), tempo 
de reposição (TR), estoque disponível, lote de 
reposição, ponto de pedido, ruptura de estoque. 
9. Inventários – realização de inventários. 
 
Aspectos administrativos 
 Os aspectos administrativos relacionados com 
o armazenamento de medicamentos estarão 
intimamente ligados ao pedido de compra, no que diz 
respeito a quantidades a serem entregues, datas de 
entrega e demais requisitos. É importante observar: 
1. Nota fiscal – necessidade de nota fiscal (nada 
pode ser recebido sem nota fiscal); conformidade das 
Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 
 
7 
 
quantidades e especificações da nota fiscal para com as 
solicitações de compra realizadas. 
2. Prazos – estrito cumprimento dos prazos de 
entrega. 
3. Conformidades – (a) especificações técnicas: 
marcas, inviolabilidade, apresentações farmacêuticas e 
embalagens; (b) observância dos lotes e das datas de 
validade dos medicamentos. 
4. Recebimento – procedimentos operacionais de 
recebimento. 
 
Apresentação 
 O ciclo da AF requer mecanismos de 
distribuição que garantam agilidade, rapidez, 
flexibilidade, eficiência, controle e segurança na 
entrega. 
 A periodicidade das entregas dos 
medicamentos para as unidades de saúde deve estar 
estabelecida em cronograma, o qual prevê fatores 
relacionados com distância, demanda, rotatividade 
dos estoques e demais questões ligadas ao 
abastecimento. 
 
Fase de distribuição do ciclo da AF: etapas 
 A distribuição possui etapas: 
1. Análise de pedidos 
2. Separação dos pedidos 
3. Preparação e expedição 
4. Conferência 
5. Liberação 
6. Entrega 
 
Fase de distribuição do ciclo da AF: ações 
 Na distribuição, recomenda-se algumas ações: 
1. Cronograma – atender ao cronograma 
2. Documentações – verificar documentações de 
liberação (pedidos) de acordo com os procedimentos 
estabelecidos. 
3. Organização – organizar os medicamentos por 
endereçamento, de modo a liberar sempre aqueles comprazo de validade mais próximos. 
4. Inspeção – realizar inspeção física dos 
medicamentos. 
5. Registro – registrar a movimentação do 
estoque. 
 
 
Métodos de avaliação 
 Para estabelecer políticas de qualidade no ciclo 
da AF no que tange à distribuição, é importante 
estabelecer métodos de avaliação. 
1. Quantidade de unidades atendidas naquele 
período (semana, quinzena, mês e ano); 
2. Tempo médio de provisão dos estoques; 
3. Demandas atendidas x não atendidas 
4. Gastos mensais com medicamentos por unidade 
solicitante. 
 
Apresentação 
 A Política Nacional de Medicamentos (PNM) 
descreve a dispensação como uma das atividades da 
Assistência Farmacêutica (AF) privativa do 
farmacêutico. 
 Dispensação é o ato profissional farmacêutico 
de proporcionar um ou mais medicamentos a um 
paciente, geralmente como resposta à apresentação 
de uma receita elaborada por um profissional 
autorizado. 
 
Atribuições do farmacêutico 
 A dispensação propicia ao farmacêutico, 
dentro de um processo de AF, a conexão entre as 
políticas de saúde e o usuário de medicamentos. 
Tem como objetivos: 
1. Educar – educar os usuários para que utilizem 
de maneira correta os medicamentos; 
2. Atuar – atuar em cumprimento da prescrição 
de medicamentos a dispensação é a última etapa antes 
Unidade 3 – Assistência farmacêutica 5º período - Farmácia 
 
8 
 
de o usuário passar a fazer uso de medicamentos. Todas 
as informações prestadas pelo farmacêutico são vitais 
para o sucesso da farmacoterapia. 
 Medicamento correto para o paciente correto; 
 Viabilizar Atenção Farmacêutica (ATF) de 
qualidade. 
 O Artigo 14, da Lei 13.021, de 8 de agosto de 
2014 informa que “cabe ao farmacêutico, na 
dispensação de medicamentos, visando garantir a 
eficácia e a segurança da terapêutica prescritiva, 
observar os aspectos técnicos e legais do receituário”. 
 A dispensação de medicamentos, em todos os 
níveis, inclusive no SUS, requer conhecimentos e 
habilidades específicas quanto aos requisitos 
comportamental e técnico. 
a) Comportamental – saber se comunicar e ter 
atitudes empáticas é fundamental. 
b) Técnico – a capacidade de analisar prescrições 
médicas, interpretar dados laboratoriais e 
realizar acompanhamento farmacoterapêutico 
compreende um dos fatores mais importantes. 
 
Etapas da dispensação 
 Criar cadastro dos pacientes; 
 Analisar a prescrição: medicamento, dosagem, 
interações medicamentosas e alimentares, e 
possibilidade de reações adversas. 
 Separar os medicamentos de acordo com a 
prescrição médica; 
 Orientar e esclarecer os pacientes; 
 Realizar o acompanhamento 
farmacoterapêutico.

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