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Livro Texto - unidade II PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA

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Unidade II
Unidade II
5 A OBRA DE WALLON EM SEU MOMENTO HISTÓRICO
5.1 Vida de Henri Wallon
Henri Wallon nasceu em Paris, França, em 1879. Em sua formação recebeu forte influência de sua 
família, de tradição universitária, republicana e de atmosfera humanista. Sua maior referência foi seu 
avô. Ele foi um grande historiador, discípulo de Michelet e político de oposição ao Império. De acordo 
com Galvão (2013): “Seu avô foi deputado da Assembleia Constituinte, autor da emenda conhecida 
como ‘emenda Wallon’ que introduziu a palavra ‘república’ na Constituição de 1875”.
Dessa forma, Wallon foi criado em um ambiente repleto de discussões sobre política e sobre a 
construção de uma sociedade justa e igualitária. Isso contribuiu para sua inclinação e preocupação 
sobre as causas sociais traduzida numa trajetória de compromisso ético e engajamento político.
 Observação
Jules Michelet (1798‑1874) tornou‑se conhecido como o primeiro 
historiador a afirmar que não eram as grandes personalidades, e sim as 
massas, o único agente de transformação histórica.
Figura 20 – Retrato de Wallon
Disponível em: https://bit.ly/3a82pGA. Acesso em: 23 maio 2022.
59
PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA
De acordo com Galvão (2013):
Foi uma vida marcada por intensa produção intelectual e ativa participação 
nos acontecimentos que marcaram sua época. Sua biografia nos apresenta o 
perfil de um homem que buscou integrar a atividade cientifica à ação social, 
numa atitude de coerência e engajamento.
Formou‑se na Escola Normal Superior em 1902, ano em que iniciou na docência, como professor de 
Filosofia. Entre 1903 e 1908 estudou Medicina em Paris, e, ao final do curso, defendeu sua primeira tese 
sobre delírio de perseguição. Ao longo de sua formação e atuação profissional, suas áreas de interesse 
foram Filosofia, Medicina, Psiquiatria e Psicologia.
Ainda de acordo com Galvão (2013):
Como professor, discordava dos autoritários métodos empregados para 
controle disciplinar, bem como do patrulhamento clerical exercido 
sobre o ensino, o qual levava, segundo suas palavras, ao obscurantismo 
e à desconfiança.
Em 1914 realizou pesquisas sobre psicopatologia, observou crianças de 2 a 15 anos internadas com 
profundas perturbações de comportamento (instabilidade, delinquência, perversidade) e estes estudos 
foram a base para posteriores investigações sobre o funcionamento psicológico humano.
Ao mesmo tempo, Wallon viveu um momento histórico marcado por instabilidade social e turbulência 
política. Participou ativamente na Primeira Guerra Mundial (1914‑1918) como soldado, lutou e prestou 
atendimento médico aos soldados feridos. Durante esse período de guerra, como médico do exército 
francês, teve a oportunidade de cuidar de pessoas com distúrbios psiquiátricos e, ao lidar constantemente 
com ex‑combatentes portadores de lesões cerebrais, pôde rever seus estudos sobre lesões neurológicas 
em crianças deficientes. Com isso pôde observar relações entre lesões orgânicas (neurológicas) e seus 
efeitos sobre os processos psíquicos (MAHONEY, 2000).
As crises sociais e as instabilidades políticas foram fundamentais para Wallon construir sua 
compreensão sobre o funcionamento psicológico humano, pois serviram de estímulo para que ele 
organizasse suas ideias. Isso explica, em parte, a visão marxista de sua obra e por que aderiu, no período 
anterior à Primeira Guerra, aos movimentos de esquerda e ao Partido Socialista.
De acordo com Galvão (2013):
É provável que, caso tivesse vivido numa época de menor instabilidade 
social, não tivesse tido a necessidade de ser tão claro nas suas posições, nem 
tampouco lhe tivesse ficado tão evidente a influencia fundamental que o 
meio social exerce sobre o desenvolvimento da pessoa humana, influência 
que, como veremos mais adiante, recebe lugar de destaque em sua teoria.
60
Unidade II
 Lembrete
Karl Heinrich Marx (1818‑1883), intelectual e revolucionário alemão, foi 
o fundador da doutrina comunista moderna, conhecida como marxismo.
Figura 21 – Retrato de Karl Heinrich Marx
Fonte: Feracine (2012, capa).
 Observação
O pensamento de Wallon alinhava‑se aos intelectuais e políticos de 
esquerda, manifestando simpatia pelos regimes socialistas.
Paralelamente às atividades de médico e psiquiatra, Wallon demonstrou grande interesse pela 
Psicologia da Criança, e isso, aliado aos seus conhecimentos no campo da neurologia e da psicopatologia, 
terá importante papel na constituição de sua teoria psicológica. Em 1925, fundou o Laboratório de 
Psicobiologia da Criança, destinado à pesquisa e ao atendimento clínico de crianças deficientes. Este 
laboratório ficava localizado perto de uma escola na periferia, o que permitia ter acesso ao contexto 
social da criança.
A proximidade da escola não foi somente uma adaptação a limitações 
circunstanciais, mas um recurso para ter acesso à criança contextualizada, 
isto é, inserida no seu meio. Essa proximidade possibilitou ainda, ao psicólogo, 
contato com as questões da educação (GALVÃO, 2013).
61
PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA
No mesmo ano, Wallon publicou sua tese de doutorado: A Criança Turbulenta. Inicia‑se um período 
de intensa produção científica com livros voltados para a Psicologia da Criança.
De acordo com Mahoney (2000):
Wallon considerava o comportamento patológico como o laboratório natural 
para os estudos da psicologia, pois nessas circunstâncias é possível observar 
os fenômenos se transformando mais lentamente e, assim, permitindo 
observações mais precisas.
Em 1929, Wallon realizou conferências sobre a Psicologia da Criança como professor na Universidade 
de Sorbonne e em outras instituições de ensino superior. Atuou como médico em instituições psiquiátricas 
e, nesse período, consolidou seu interesse pela Psicologia da Criança. Em 1931, viajou para Moscou e foi 
convidado a integrar o Círculo da Rússia Nova, grupo formado por intelectuais que se reuniam com o 
objetivo de aprofundar o estudo sobre o materialismo dialético e examinar as possibilidades oferecidas 
por este referencial aos vários campos da ciência. Neste grupo, o marxismo que se discutia não era o 
sistema de governo, mas a corrente filosófica.
De 1939 a 1945, período marcado pela Segunda Guerra Mundial, a França foi ocupada pelos alemães 
e Wallon participou do movimento de Resistência Francesa contra os invasores; foi perseguido pela 
Gestapo (polícia nazista); viveu clandestinamente; e teve que interromper suas atividades acadêmicas. 
No entanto, não interrompeu suas atividades científicas, dando continuidade à pesquisa em seu 
laboratório e, nessa época, escreveu e publicou o livro Do Ato ao Pensamento. Nesse período também 
viveu e combateu o avanço do fascismo, as revoluções socialistas e as guerras pela libertação das 
colônias na África. Foi deputado na Assembleia Constituinte de Paris, em 1946. Sua participação ativa 
nesse momento histórico “reforçou ainda mais a sua crença na necessidade da escola assumir valores de 
solidariedade, justiça social, antirracismo como condições para a reconstrução de uma sociedade justa” 
(MAHONEY, 2000).
Em 1948, Wallon cria e lança a Revista Enfance, periódico que ainda hoje é utilizado como fonte de 
pesquisa por estudiosos na área da Psicologia do Desenvolvimento. Entre 1937 e 1962, lecionou Psicologia 
e Educação no Colégio de França (berço da Psicologia francesa) e integrou a Sociedade Francesa de 
Pedagogia. Além disso, no período de 1944 a 1946, participou, em Paris, da Comissão do Ministério da 
Educação Nacional para reformulação do sistema de ensino francês. Considerava uma relação recíproca 
entre Psicologia e Educação e criticou o ensino tradicional, participando do Movimento da Escola Nova.
No período entre 1946 e 1962, tornou‑se vice‑presidente do Grupo Francês da Educação Nova, 
instituição que ajudou a revolucionar o sistema de ensino daquele país e da qual foi presidente de 1946 
até sua morte.
Sua experiência e interesse voltados à área pedagógica fizeram com que elaborasse juntamentecom o físico Paul Langevin, e um grupo de educadores, um projeto para a Reforma do Sistema do 
Ensino Francês, o “Projeto Langevin‑Wallon”, uma série de propostas similares à nossa Lei de Diretrizes 
e Bases (LDB).
62
Unidade II
Nesse projeto são discutidas questões para uma mudança profunda no ensino francês, visando ao 
fim da seletividade perversa do sistema. A justiça social era um dos pilares que sustentavam as ideias 
desse plano, que carregava implicitamente grande parte da teoria construída por Wallon ao longo de 
sua vida profissional e acadêmica. Uma das propostas do projeto, por exemplo, é de que nenhum aluno 
deve ser reprovado numa avaliação escolar.
Nas palavras de Galvão (2013):
[...] o plano representa a esperança em uma educação mais justa para uma 
sociedade mais justa. A reforma proposta (que não chegou a ser implantada) 
deveria operar‑se no sentido de adequar o sistema às necessidades de uma 
sociedade democrática e às possibilidades e características psicológicas do 
indivíduo, favorecendo o máximo desenvolvimento das aptidões individuais 
e a formação do cidadão.
 Lembrete
Wallon criticou o ensino tradicional e participou do Movimento da 
Escola Nova no inicio do século XX. Afirmou: “Reprovar é sinônimo de 
expulsar, negar, excluir. É a própria negação do ensino” (WALLON, 2007).
Ao longo de toda a vida, Wallon dedicou‑se a conhecer a infância e o funcionamento psicológico da 
criança para, com isso, entender os distúrbios do desenvolvimento. De acordo com seus pressupostos, 
o meio exerce influência fundamental sobre o desenvolvimento da pessoa humana, considerado o 
alimento cultural.
Morreu em Paris, França, em 1962, aos 83 anos.
 Observação
“É a cultura e a linguagem que fornecem ao pensamento os instrumentos 
para sua evolução” (WALLON, 2007).
Depois que você conheceu os aspectos importantes da vida de Wallon e como estes fatos orientaram 
sua compreensão sobre o desenvolvimento psicológico, apresentamos a seguir, de maneira esquemática, 
estas informações para facilitar seus estudos.
Vida e obra de Henri Wallon
•	 1879 – nasceu em Paris, França.
•	 1902 – formou‑se em Filosofia aos 23 anos pela Escola Normal Superior.
63
PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA
•	 1903‑1908 – estudou Medicina em Paris.
•	 1914 – realizou pesquisas sobre psicopatologia, sendo estes estudos a base para posteriores 
investigações sobre o funcionamento psicológico humano.
•	 1914‑1918 – atuou como médico do exército francês na Primeira Guerra Mundial; permaneceu 
vários meses na frente de combate, ajudando a cuidar de pessoas com distúrbios psiquiátricos, o 
que permitiu observar a relação entre as lesões neurológicas e seus reflexos nos processos psíquicos.
•	 1925 – fundou o Laboratório de Psicobiologia da Criança, destinado à pesquisa e ao atendimento 
de crianças deficientes. Publica sua tese de doutorado A Criança Turbulenta.
•	 1929 – ministrou conferências sobre a Psicologia da Criança como professor na Universidade de 
Sorbonne e em outras instituições de ensino superior.
•	 1931 – atuou como médico em instituições psiquiátricas e, nesse período, consolidou seu 
interesse pela Psicologia da Criança. Viaja para Moscou e é convidado para integrar o Círculo da 
Rússia Nova.
•	 1935 – viajou para o Brasil.
•	 1937 a 1949 – leciona Psicologia e Educação no Colégio de França (berço da Psicologia francesa). 
Integrou a Sociedade Francesa de Pedagogia (1937 a 1962).
•	 1939‑1945 – participou, na Segunda Guerra Mundial, do movimento de Resistência Francesa 
contra os alemães; foi perseguido pela Gestapo (polícia nazista), viveu clandestinamente e 
escreveu o livro Origens do Pensamento na Criança.
•	 1944 a 1946 – integra a Comissão do Ministério da Educação Nacional para reformulação do 
sistema de ensino francês. Torna‑se vice‑presidente do Grupo Francês de Educação Nova (1946 
a 1962), instituição que ajudou a revolucionar o sistema de ensino daquele país e da qual foi 
presidente de 1946 até sua morte.
•	 1947 – participa do Projeto Langevin‑Wallon, projeto de reformulação do sistema de ensino 
francês, que nunca foi implementado.
•	 1948 – lançou a Revista Enfance, periódico que ainda hoje é utilizado como fonte de pesquisa 
por estudiosos na área da Psicologia do Desenvolvimento.
•	 1962 – Morre em Paris, França, aos 83 anos.
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Unidade II
Exemplo de aplicação
Em relação à vida de Henri Wallon, leia as afirmativas a seguir e responda à questão:
I. Importante pensador alemão, sua teoria revolucionou a maneira de compreender o desenvolvimento 
infantil, porque compreendia que os processos cognitivos são essenciais na formação do eu como pessoa.
II. Formado em Medicina, Psicologia e Filosofia, participou da Primeira Guerra Mundial como médico, 
cuidando das lesões dos soldados em combate. Durante a Segunda Guerra Mundial participou de forças 
de resistência contra o nazismo; foi perseguido pela Gestapo e desenvolveu suas atividades científicas 
na clandestinidade.
III. Como educador, defendeu o método de controle disciplinar no ensino, como maneira de lidar com 
as questões afetivas dos alunos. Estudou crianças em laboratório, diferenciando as normas das anormais, 
enfatizando que a anormalidade é responsável pela inadaptação do aluno ao ensino, resultando em sua 
tese de doutorado A Criança Turbulenta.
IV. Militante de esquerda, identificava‑se com as ideias marxistas, buscando a transformação do ensino 
francês através do Projeto Langevin‑Wallon, que propunha o desenvolvimento das habilidades individuais 
conjuntamente à formação do cidadão.
V. A Revista Enfance, lançada em 1948, foi um importante veículo de comunicação das ideias de 
Wallon com professores e pesquisadores da época. Nela, propunha novas ideias para a Educação como 
estudos sobre Biologia, formação do professor, interação das crianças na escola, adaptação escolar, 
ideias compartilhadas por membros do Grupo Francês de Educação Nova, que presidiu de 1946 a 1962.
Assinale a alternativa correta:
A) Apenas I e II são verdadeiras.
B) Apenas II, III e IV são verdadeiras.
C) Apenas I, III e V são verdadeiras.
D) Apenas II, IV e V são verdadeiras.
E) Apenas I, II e III são verdadeiras.
A alternativa correta é a D.
Formado em Medicina, Psicologia e Filosofia, participou da Primeira Guerra Mundial como médico, 
cuidando das lesões dos soldados em combate. Durante a Segunda Guerra Mundial participou de forças 
de resistência contra o nazismo; foi perseguido pela Gestapo e desenvolveu suas atividades científicas 
na clandestinidade. Militante de esquerda, identificava‑se com as ideias marxistas, buscando a 
65
PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA
transformação do ensino francês através do Projeto Langevin‑Wallon, que propunha o desenvolvimento 
das habilidades individuais conjuntamente à formação do cidadão. A Revista Enfance, lançada em 
1948, foi um importante veículo de comunicação das ideias de Wallon com professores e pesquisadores 
da época. Nela, propunha novas ideias para a Educação como estudos sobre Biologia, formação do 
professor, interação das crianças na escola, adaptação escolar, ideias compartilhadas por membros 
do Grupo Francês de Educação Nova, que presidiu de 1946 a 1962.
Wallon foi um importante pensador francês (e não alemão); sua teoria revolucionou a maneira de 
compreender o desenvolvimento infantil, porque compreendia que os processos afetivos, cognitivos 
e motores (e não apenas cognitivos) são essenciais na formação do eu como pessoa. Como educador, 
defendeu o método dialético (e não de controle disciplinar) no ensino como maneira de lidar com as 
questões afetivas dos alunos. Estudou crianças em laboratório, diferenciando as normas das anormais, 
enfatizando que a anormalidade é uma das referências para estudar o desenvolvimento infantil 
(e não como sendo responsável pela inadaptação do aluno ao ensino, resultando em sua tese de doutorado 
A Criança Turbulenta).
5.2 Obra de Henri Wallon
A obra de Wallon, sob a forma de livro, não é numerosa, mas suaprodução é densa e de difícil 
compreensão. Listamos a seguir, de forma cronológica, algumas de suas obras mais significativas, 
fazendo um breve comentário sobre cada uma delas e, para isso, utilizamos como referência a listagem 
apresentada por Galvão (2013). Ao longo do nosso curso, alguns dos diversos temas aqui listados serão 
mais desenvolvidos.
•	 1923 – Delírios de Perseguição (Délire de Persecution): esta publicação apresenta a tese na qual 
Wallon conclui o curso de Medicina, em que descreve a origem biológica de vários tipos de delírio, 
com base nos primeiros indícios do materialismo dialético.
•	 1925 – A Criança Turbulenta (L’Enfant Turbulent): apresenta sua tese de doutorado e a base 
de sua concepção psicogenética do desenvolvimento, com os fundamentos de sua metodologia 
genético‑comparativa. Na primeira parte, apresenta os estágios do desenvolvimento infantil 
e, na segunda parte, descreve síndromes psicomotoras na interface entre os fatores orgânicos 
(deficiências neurológicas) e os fatores sociais (interações com o meio).
•	 1941 – Evolução Psicológica da Criança (L’Évolution Psychologique de l’Enfant): apresenta uma 
síntese dos aspectos centrais da psicogenética walloniana, não pela estrutura cronológica, mas 
pelos vários campos da atividade infantil.
•	 1942 – Do Ato ao Pensamento (De l’Acte à la Pensée): este livro foi escrito por Wallon no período 
em que trabalhava na Resistência Francesa e vivia na clandestinidade. Apresenta seu pensamento 
interdisciplinar, fazendo uso de dados da Antropologia e da Psicologia Animal. Demonstra as 
raízes sensório‑motoras da função intelectual, indicando que entre o ato motor e o ato mental há 
uma complexa relação de interdependência e de conflito.
66
Unidade II
•	 1945 – Origens do Pensamento na Criança (Origenes de la Pensée de l’Enfant): essa publicação 
reúne o conteúdo dos cursos ministrados por Wallon no Colégio de França, em que apresenta os 
diálogos realizados com crianças de 6 a 9 anos que frequentaram o Laboratório de Psicobiologia da 
Criança. Realiza análise do pensamento infantil, suas características e processos na compreensão 
da realidade; mostra como o desenvolvimento da inteligência depende da linguagem e do 
meio social.
 Saiba mais
A teoria de Wallon vem sendo utilizada como referencial teórico em muitas 
pesquisas na interface Psicologia e Educação. Indicamos os sites a seguir como 
fonte de pesquisa para aprofundamento dos seus estudos. Divirta‑se!
Disponível em: http://www.bvs.br. Acesso em: 23 maio 2022.
Disponível em: http://www.bvs‑psi.org.br. Acesso em: 23 maio 2022.
Disponível em: http://www.pol.org.br. Acesso em: 23 maio 2022.
Disponível em: http://www.portaldapesquisa.com.br. Acesso em: 
23 maio 2022.
Disponível em: http://portal.revistas.bvs.br. Acesso em: 23 maio 2022.
Disponível em: http://portalteses.cict.fiocruz.br/index.php. Acesso em: 
23 maio 2022.
Disponível em: http://www.scielo.org. Acesso em: 23 maio 2022.
Disponível em: http://www.teses.usp.br/. Acesso em: 23 maio 2022.
Disponível em: http://www.unifesp.br/dis/bibliotecas. Acesso em: 
23 maio 2022.
Disponível em: https://bit.ly/3GhkSg3. Acesso em: 23 maio 2022.
Disponível em: http://www.usp.br/sibi. Acesso em: 23 maio 2022.
67
PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA
6 O PENSAMENTO DE WALLON
6.1 Concepção epistemológica do conhecimento
Wallon, da mesma forma que Vygotsky, foi adepto da corrente epistemológica materialista 
histórica e dialética. Parte do princípio de que é no início da vida que a história de um sujeito começa 
a se constituir, por isso, constrói uma teoria psicogenética para compreender o psiquismo humano. 
Nesse sentido, para que haja compreensão sobre o comportamento de uma pessoa, deve‑se investigar 
a sua gênese. Afirma que, do nascimento à idade adulta, o desenvolvimento dos processos psicológicos 
recebe influência direta do ambiente sócio‑histórico no qual o sujeito está inserido.
 Observação
Wallon apresenta uma concepção de desenvolvimento psicológico 
muito semelhante às ideias de Vygotsky, isso porque, talvez, ambos viveram 
em contextos sócio‑históricos de muita turbulência.
Para fundamentar suas concepções, Wallon busca dialogar com as principais correntes do pensamento 
filosófico ocidental, opondo‑se às concepções reducionistas (inatismo, empirismo, interacionismo) que, 
segundo ele, limitam a compreensão do psiquismo humano. Após vigorosas críticas a estas concepções, 
opta pelo materialismo dialético, para fundamentar sua compreensão sobre o funcionamento 
psicológico humano. Afirma que existe uma fronteira tênue entre os fatores de natureza orgânica e 
os de natureza social e, entre ambos, há complexa relação de determinação recíproca. Em função disso 
o homem é determinado fisiológica e socialmente sujeito, portanto a uma dupla história, a de suas 
disposições internas e a das situações exteriores que encontra ao longo de sua existência.
No excerto a seguir, temos uma boa explicação sobre isso. Faça a leitura do texto para melhor 
compreender este pressuposto epistemológico e a teoria de Wallon.
Segundo nosso autor, o materialismo dialético, ao coordenar pontos de vista 
apresentados sob forma exclusiva e absoluta pelas diferentes doutrinas filosóficas, é a única 
abordagem que permite a superação das antinomias que entravam a objetiva compreensão 
da realidade. Buscando a compreensão dos fenômenos a partir dos vários conjuntos dos 
quais participa e admitindo a contradição como constitutiva do sujeito e do objeto, este 
referencial apresenta‑se como particularmente fecundo para o estudo de uma realidade 
híbrida, como é a da psicologia.
A existência do homem, ser indissociavelmente biológico e social, se dá entre as 
exigências do organismo e as da sociedade, entre os mundos contraditórios da matéria 
viva e da consciência. O estudo do psiquismo não deve, portanto, desconsiderar nenhum 
68
Unidade II
desses fatores nem tampouco tratá‑los como termos independentes; deve ser situado entre 
o campo das ciências naturais e sociais. Para constituir‑se como ciência, a psicologia precisa 
dar um passo decisivo no sentido de unir o espírito e a matéria, o orgânico e o psíquico.
Para Wallon, o estudo dessa realidade movediça e contraditória, que é o homem e seu 
psiquismo, beneficia‑se enormemente do recurso ao materialismo dialético, perspectiva 
filosófica especialmente capaz de captar a realidade em suas permanentes mudanças e 
transformações.
Devido à adequação às características do seu objeto, Wallon adota o materialismo 
dialético como método de análise e fundamento epistemológico de sua teoria psicológica, 
uma Psicologia Genética.
Fonte: Galvão (2013, p. 30).
A partir da leitura deste excerto, podemos compreender que, para Wallon, é no encontro do orgânico 
com o social que os sujeitos se desenvolvem. Isso significa que, por um lado, existem os aspectos 
biologicamente determinantes, que são de natureza orgânica, genética, que herdamos no nascimento, 
e, por outro lado, existem os fatores do meio, do contexto em que vivemos, que nos impõem uma série 
de desafios e nos obrigam a nos desenvolver para uma adaptação.
Você pode se perguntar: “Mas esta não é a premissa na qual Jean Piaget (1896‑1980) estrutura 
sua compreensão sobre o funcionamento psicológico humano?”. Sim, você está correto, mas, tanto 
para Wallon como para Vygotsky, a constituição humana não depende somente da natureza orgânica 
e dos fatores do meio para seu funcionamento, e sim, dos acontecimentos históricos que vão surgindo 
diariamente em nossa vida, modificando e determinando nossa relação conosco mesmo e com o ambiente 
social no qual estamos inseridos. Portanto, de acordo com o materialismo histórico e dialético, o 
homem transforma o mundo em que habita e é transformado pelas condições que ele mesmo produz.
Com isso, na teoria walloniana não há como compreender o ser humano longe de suas condições sociais 
de existência. Essas condições são fatores que implicam diretamente no ritmo de seu desenvolvimento.A relação organismo‑meio constitui‑se em um par indissociável e complementar, onde as disposições 
genéticas são potenciais que somente irão desenvolver‑se se encontrarem possibilidades no meio em 
que habitam.
 Lembrete
As escolas do ensino básico brasileiro têm recebido, em sua ação pedagógica, 
influência da concepção epistemológica materialismo dialético, especialmente 
denominado, neste contexto, de sociointeracionismo.
69
PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA
Para Wallon, portanto, para compreender e estudar o desenvolvimento humano, é fundamental 
levarmos em consideração o contexto sócio‑histórico no qual o sujeito está inserido. O contexto pode 
propiciar o aparecimento ou não de formas de ações que modificam e são modificadas dialeticamente, 
como via de mão dupla, pelas condições que o meio oferece.
 Observação
De acordo com Wallon, a Psicologia, para ser considerada ciência, 
precisa dar um passo decisivo no sentido de unir o espírito e a matéria, o 
organismo e o psíquico.
Assim, o desenvolvimento se dá pela união entre o orgânico e o social. Por exemplo, digamos que 
o sujeito tenha nascido com um potencial genético para ser um grande artista plástico, como Claude 
Monet (1840‑1926) ou como Pablo Picasso (1881‑1973). No entanto, se o contexto social e histórico 
não lhe oportunizar condições para isso, esse sujeito nunca desenvolverá essa capacidade artística.
Nesse sentido, o ser humano é geneticamente social e está inserido em um meio constituído 
por três tipos:
•	 meio físico‑químico – oferece as condições do ambiente, como oxigênio, água etc.;
•	 meio biológico – se sobrepõe ao físico‑químico e diz respeito à interrelação que nós, humanos, 
temos com outras espécies vivas (os micro‑organismos, os vegetais e os animais de todas 
as espécies);
•	 meio social – reúne‑se aos outros dois para também estabelecer condições de existência coletivas, 
mas muito mais variadas. Wallon afirma que essas condições do meio social são mais móveis e 
frequentemente transitórias onde podem se destacar diferenciações individuais.
Além dos meios que determinam as condições de interação do indivíduo, existem também os grupos 
que são indispensáveis à criança, não apenas para a sua aprendizagem social, como também para o 
desenvolvimento da personalidade e da consciência. Um exemplo disso é o papel do grupo no período da 
adolescência, onde o sentimento de pertencimento a um grupo possibilita o desenvolvimento psíquico e 
social do sujeito, a passagem da infância para a vida adulta.
 Observação
Wallon afirma que o grupo tem papel importante no desenvolvimento 
psicológico do sujeito humano, uma vez que é o veículo ou iniciador de 
práticas sociais.
70
Unidade II
Ainda em relação às concepções metodológicas que respaldam os estudos de Wallon, sua teoria 
está alicerçada na perspectiva genética e na análise comparativa, por isso, para compreensão do 
desenvolvimento infantil, recorre à Psicologia Genética e a outros campos do conhecimento, como 
Neurologia, Psicopatologia, Antropologia e Psicologia Animal. Não obstante foi intensa a sua interlocução 
no campo da Psicologia da Criança com autores como Stern, Preyer, C. Buhler, Guillaume, Freud 
e Piaget.
 Observação
Foi intensa a interlocução de Wallon com as teorias de Piaget e Freud, 
um diálogo com tom de polêmica, de interesse e de reserva.
Nas palavras de Galvão (2013):
Concordes quanto à utilidade da análise genética para a compreensão dos 
processos psíquicos, utilizavam‑se para projetos teóricos distintos: Wallon 
pretendia realizar uma psicogênese da pessoa e Piaget uma psicogênese 
da inteligência.
Nesta perspectiva e com os recursos do materialismo dialético, Wallon elaborou seu próprio método 
de investigação: a análise genética comparativa multidimensional. Neste método propõe realizar 
uma série de comparações para melhor compreender o processo de desenvolvimento psicológico: 
comparações entre crianças normais e patológicas, crianças com adultos, adultos de hoje com civilizações 
primitivas etc. Com essas comparações, pode‑se analisar os fenômenos em suas determinações orgânicas, 
neurofisiológicas e sociais.
Ainda em relação aos procedimentos metodológicos, o autor utiliza a observação como recurso 
para ter acesso à criança, instrumento privilegiado da Psicologia Genética, no entanto, adverte para 
que a observação seja totalmente objetiva, um decalque exato da realidade, devendo o pesquisador 
subjulgar qualquer manifestação subjetiva.
A seguir apresentamos uma parte do texto, em que o materialismo dialético e suas concepções 
epistemológicas são novamente referenciados, como proposta de exercício de reflexão para melhor 
compreensão da teoria desse grande autor. Propomos que você faça uma leitura atenta desse excerto 
sobre os argumentos de Wallon a respeito desta concepção epistemológica e, com isso, concluímos este 
tópico. Boa leitura!
Psicologia e materialismo dialético
A Psicologia é uma ciência? Esta pergunta foi colocada frequentemente pelos teóricos 
burgueses. Ela tem dois possíveis significados: a Psicologia tem um objeto correspondente 
no mundo real? O objeto da Psicologia é compatível com o determinismo científico? 
71
PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA
Auguste Comte, o pai do positivismo, respondeu à primeira pergunta negativamente. 
Para ele o indivíduo não era mais que um ser biológico cujo estudo era de propriedade da 
Fisiologia, e um ser social, explicável coletivamente pela Sociologia – dois determinismos 
nos quais a pessoa humana é reduzida a nada. 
A segunda resposta é aquela de Bergson e seus adeptos e, em nossos dias, dos 
existencialistas. A ciência, eles sustentam, é uma coleção de construtos que bem pode ter 
certa utilidade prática, mas que distorce, adultera, e perverte a realidade. A realidade é o 
imediatamente experimentado, ou vivido, por cada pessoa; a percepção, nos revelando a 
nós mesmos, também revela o mundo a nós. O universo que nós nos imaginamos capazes 
de reconstruir com base nesta percepção não seria mais que uma coleção de sistemas 
arbitrários que sufocam nossa espontaneidade. Deste modo, nós somos alienados de nossa 
liberdade. A única verdade é aquela que expressa a essência de nosso ser – quer dizer, a 
perpétua, imprevisível, única, e incomparável recorrência de impressões, sentimentos, ou 
imagens que aparecem em uma sucessão interminável em nossa consciência. Como esta 
sucessão engana qualquer forma de determinismo, o irracional se torna a fundação mesma 
da existência. Em nome da liberdade absoluta, cada pessoa é abandonada ao destino‑ um 
destino ligado, bem entendido, ao ser particular de cada um, mas nem por isso menos 
inevitável. Esta posição também insinua um tipo de participação passiva na existência das 
coisas que emanam da nossa própria existência‑ um tipo de responsabilidade desamparada 
e terrível por tudo aquilo poderia ser o resultado de nossas ações sob as quais nós não 
temos nenhum controle definitivo. Estas consequências desesperadoras do existencialismo 
foram desenvolvidas particularmente pelo escritor francês Sartre. Elas são uma indicação da 
autonegação do declínio da classe burguesa e evidência de sua decadência final. A autonegação 
é relacionada a ideias de grandeza: na patologia da mente, entram sempre de mãos dadas 
ideias de negação pessoal e grandeza pessoal. 
A característica comum à concepção positivista e à existencialista é a noção da ineficácia 
do indivíduo, esmagado debaixo das necessidades duais da ordem natural e da ordem social, 
dotado de certa grandeza com respeito ao universo, mas sem poder mudá‑lo. Embora o 
indivíduo o contenha e o contemple, ele também é governado por este universo e não pode 
intervir sobre ele como uma força ativa dentre todas as outras forças das quais o universo 
está composto. As pretensões do individualismo burguês se afundam assim finalmente em 
uma impotência absoluta.
[...]
Foi a dialética que forneceu à Psicologia sua estabilidade e seu significado, e que 
a libertou de terde optar entre o materialismo elementar ou o idealismo choco, o 
substancialismo cru ou o irracionalismo desesperado. Com o auxílio da dialética a Psicologia 
pode ser simultaneamente uma ciência natural e uma ciência humana, abolindo a divisão 
entre a consciência e as coisas que o espiritualismo buscou impor ao universo. A Dialética 
Marxista permitiu à Psicologia compreender o organismo e seu ambiente em interação 
constante, como uma totalidade unificada. E finalmente, na Dialética Marxista, a Psicologia 
72
Unidade II
encontra uma ferramenta para explicar os conflitos nos quais o indivíduo tem que evoluir 
seu comportamento e desenvolver sua personalidade.
A Psicologia de forma alguma está sozinha nesse respeito. O Materialismo Dialético é 
pertinente a todo domínio de conhecimento, como também a todo domínio de ação. Mas 
a Psicologia, a fonte principal das ilusões antropomórficas e metafísicas, deve mais que 
qualquer outra ciência, encontrar no materialismo dialético sua base e princípios‑guia.
Fonte: Wallon (2004).
6.2 Dinâmica do desenvolvimento infantil
Como Wallon apresenta o desenvolvimento psicológico na criança? Qual sua compreensão sobre o 
funcionamento psíquico e sua relação com o meio?
A teoria walloniana considera tanto as condições orgânicas como as condições sociais determinantes 
na constituição psicológica. O sujeito humano mergulhado em um contexto sócio‑histórico (determinada 
época, determinada cultura) irá desenvolver‑se em estágios, sendo que “a existência individual e a 
estrutura orgânica e fisiológica estão enquadradas na existência social de sua época” (MAHONEY, 2000).
 Lembrete
Para Wallon, é a cultura e a linguagem que fornecem ao pensamento os 
instrumentos para sua evolução.
Para a construção de seu método de análise, Wallon utilizou como perspectiva a Psicologia Genética, 
uma vez que considera esse procedimento o mais adequado para compreender o funcionamento 
psicológico humano. A Psicologia Genética estuda as origens, a gênese dos processos psíquicos, 
constitui‑se no método de uma Psicologia geral, concebida como conhecimento sobre o adulto por 
meio do estudo da criança.
Em seus estudos, recusou‑se a priorizar apenas uma dimensão do desenvolvimento e isolá‑la do 
conjunto, por isso propôs o estudo integrado do desenvolvimento e que este abarcasse os vários campos 
funcionais nos quais ocorre a atividade infantil, quais sejam: afetividade, inteligência e motricidade.
Dessa forma, compreende o desenvolvimento do homem como geneticamente social, um processo 
individual em relação direta com o meio. Por isso a teoria de Wallon é chamada de Psicogênese da 
Pessoa Completa.
73
PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA
Figura 22 – Crianças
Disponível em: https://bit.ly/3LAHNUw. Acesso em: 23 maio 2022.
O desenvolvimento psicológico walloniano, portanto, é dividido em estágios (não rígidos, mas 
contínuos, marcados por rupturas, retrocessos e reviravoltas) inicialmente biológicos, depois sociais. 
Não é possível definir um limite terminal para o desenvolvimento da inteligência, pois isso depende das 
condições oferecidas pelo meio.
Estágios do desenvolvimento segundo Wallon
• impulsivo‑emocional (0 a 1 ano);
• sensório‑motor e projetivo (1 a 3 anos);
• personalismo (3 a 6 anos);
• categorial (6 a 11 anos);
• puberdade e adolescência (11 anos em diante).
 Observação
As idades que foram propostas por Wallon dizem respeito às crianças 
de sua época e precisam ser revistas para nossa cultura nos dias atuais. Por 
isso devem ser consideradas como referencias relativas e variáveis.
Embora o desenvolvimento seja apresentado em uma sequência de etapas, não há uma linearidade 
na evolutiva infantil. Em uma perspectiva walloniana, o processo é dinâmico, ocorrem idas e vindas, 
74
Unidade II
como foi mencionado anteriormente, repleto de rupturas, retrocessos e reviravoltas. Os fatores orgânicos 
(biológicos) determinam a sequência fixa dos estágios do desenvolvimento, que se tornam flexíveis pela 
influência dos fatores sociais. Por isso, mais uma vez, retomamos uma afirmação walloniana: o alimento 
cultural do desenvolvimento é a linguagem e o conhecimento.
Em outras palavras, a gênese da inteligência para Wallon é genética e organicamente social. Nesse 
sentido, a Teoria do Desenvolvimento Cognitivo, como foi dito anteriormente, é centrada na psicogênese 
da pessoa completa, onde, em cada estágio, temos uma pessoa inteira, completa e em transformação 
constante, a partir das dimensões afetiva, cognitiva e motora.
 Lembrete
Wallon foi o primeiro a levar não só o corpo da criança, mas suas 
emoções para dentro da sala de aula.
Vale ressaltar que durante o processo de desenvolvimento psicológico, os três campos funcionais nos 
quais ocorre a atividade infantil estarão presentes. Por isso a constituição psíquica do sujeito será a partir 
das atividades concomitantes da dimensão emocional (afetividade), dimensão cognitiva (inteligência) e 
dimensão motora (movimento), determinados também pelos fatores orgânicos e sociais.
No entanto, em cada fase do desenvolvimento, há sempre a predominância funcional de uma 
dimensão do desenvolvimento, sendo que no final do processo se espera uma integração funcional. Da 
mesma forma, como foi dito antes, o desenvolvimento infantil não é linear, mas pontuado por crises ou 
conflitos chamados fatores dinamogênicos, que podem ser de natureza endógena/interna (maturação 
nervosa) e de natureza exógena/externa (cultural).
A toda essa dinâmica do desenvolvimento psicológico, Wallon chamou de Lei de Alternância 
Funcional: ora a predominância funcional é afetiva, ora cognitiva; ora o conflito é interno, ora é externo, 
tudo isso constituindo‑se num motor propulsor ao desenvolvimento.
A seguir fazemos um destaque destes conceitos para que você possa melhor identificá‑los e 
reconhecê‑los em cada fase do desenvolvimento proposto por Wallon.
Leis reguladoras do desenvolvimento segundo Wallon:
•	 Lei da Alternância Funcional: alternância de direções opostas em cada estágio: o movimento 
predominante ou é para dentro, para conhecimento de si (impulsivo, emocional, personalismo, 
puberdade, adolescência) ou é para fora, para conhecimento do mundo exterior (sensório‑motor, 
projetivo e categorial). Para ilustrar, no primeiro estágio de desenvolvimento descrito por 
Wallon, o impulsivo‑emocional, o sujeito se volta a maior parte do tempo para si próprio, suas 
sensações vivenciadas em vários momentos dessa fase. Quando passa para o estágio seguinte, o 
sensório‑motor e projetivo, o sujeito se volta para conhecer as coisas exteriores a ele, como os 
objetos, as pessoas, as cores, as formas, os sons etc.
75
PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA
•	 Lei de Sucessão de Predominância Funcional: alternância na predominância de conjuntos 
diferentes a cada estágio: a configuração das relações entre eles mostra que o mais funcional 
ou é afetivo (impulsivo, emocional, personalismo, puberdade, adolescência) ou é cognitivo 
(sensório‑motor, projetivo e categorial), sendo que o motor nunca será predominante, dependerá 
do afetivo e cognitivo para se desenvolver. Cada um deles predomina em um estágio e se nutre 
mutuamente. O exercício e o amadurecimento de um interferem no amadurecimento dos outros.
•	 Fatores Dinamogênicos: quando o movimento predominante é para dentro, para conhecimento 
de si mesmo, a predominância funcional é afetiva (impulsivo, emocional, personalismo, puberdade, 
adolescência), o conflito é de ordem centrípeta (para dentro, endógeno) – quando resultantes 
dos desencontros entre as ações da criança e o ambiente exterior, estruturado pelos adultos e pela 
cultura. Quando o movimento predominante é para fora, para conhecimento do mundo exterior, 
a predominância funcional é cognitiva (sensório‑motor, projetivo e categorial), o conflito é de 
ordem centrífuga (para fora, exógeno) – quando gerado pelos efeitos da maturação nervosa. O 
motor é suporte do afetivo e do cognitivo em sua expressão exterior (deslocamentosno espaço) 
e em sua expressão plástica (forma do corpo mediante o tônus).
•	 Lei da Integração Funcional: existe uma relação hierarquizada entre os estágios do 
desenvolvimento: no início, estágios mais simples que vão sendo integrados aos estágios mais 
complexos seguintes, conforme as relações do sujeito com o meio e as possibilidades de seu 
sistema nervoso central. Por isso, no final do desenvolvimento, ocorre a integração funcional, 
ou seja, a integração das dimensões motora‑afetiva‑cognitiva na estruturação e funcionamento 
psicológico do sujeito.
O quadro a seguir apresenta uma síntese sobre o desenvolvimento segundo Wallon:
Quadro 2 – Psicogênese da pessoa completa
Estágios do desenvolvimento/idade Fatores dinamogênicos Predominância funcional/campos funcionais
Impulsivo‑emocional (0‑1) Endógeno Afetivo
Personalismo (3‑6) Endógeno Afetivo
Puberdade e adolescência (11‑15) Endógeno Afetivo
Sensório‑motor e projetivo (1‑3) Exógeno Cognitivo
Categorial (6‑11) Exógeno Cognitivo
Exemplo de aplicação
Leia com atenção a situação a seguir e responda à questão:
“Penso que é maravilhoso tudo que me acontece – não só o que aparece em meu corpo, mas o que 
se realiza por dentro... Cada vez que tenho menstruação – e isso só aconteceu três vezes! – sinto que, 
apesar de toda dor, desconforto e sujeira, possuo um segredo delicado e é por isso que, embora de certo 
modo não passe de uma maçada, eu anseio pelo tempo em que sentirei dentro de mim aquele segredo... 
76
Unidade II
Depois que vim para cá, logo ao fazer 14 anos, comecei a pensar em mim mais cedo que a maioria das 
meninas e a perceber que era uma ‘pessoa’...” Anne Frank (apud OSÓRIO, 1998).
Responda qual lei funcional sugerida por Wallon aparece no relato:
A) Lei de Alternância Funcional, força centrífuga, afetividade.
B) Lei de Alternância Funcional, força centrípeta, afetividade.
C) Lei da Predominância Funcional, força centrípeta, cognição.
D) Lei da Alternância Funcional, força centrípeta, cognição.
E) Lei da Integração Funcional, força centrípeta, cognição.
A alternativa correta é a B.
A menina encontra‑se no estágio da puberdade e adolescência, e, pela Lei da Alternância Funcional, o 
campo funcional predominante é a afetividade e os fatores dinamogênicos (conflitos) que impulsionam 
esse período são endógenos (força centrípeta).
77
PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA
 Resumo
Henri Wallon construiu sua teoria com base no materialismo histórico 
e dialético e buscou na psicogênese da pessoa completa uma forma de 
caracterizar melhor os comportamentos dos seres humanos desde o 
nascimento até a idade adulta.
É no encontro do orgânico com o social que o desenvolvimento humano 
acontece. Por um lado, os aspectos orgânicos (biológicos, genéticos) que 
predispõem o sujeito a determinadas características, mas que, por outro 
lado, só se desenvolvem se o social (seu meio, contexto em que vive e que 
determina sua condição de existência) lhe permitir.
Nessa valorização das condições de existência no encontro com o 
orgânico do sujeito, Wallon destaca o papel dos grupos na formação desse 
sujeito. Como iniciador de práticas sociais, os grupos exercem um papel de 
exercício de sociabilidade importante para o desenvolvimento do sujeito.
O conflito também é visto como mola propulsora do desenvolvimento, 
uma vez que, para superá‑lo, o esforço dinâmico do sujeito propicia 
aprendizagens e desenvolvimento.
Wallon destaca três leis reguladoras do desenvolvimento humano 
que guiam sua forma de compreender e construir toda sua teoria. São 
elas: a alternância funcional, que determina o sujeito, ora voltada para 
o conhecimento de si própria (direção centrípeta), ora voltada para o 
conhecimento do mundo exterior (direção centrífuga); a alternância da 
predominância, que revela cada conjunto funcional predominando em um 
estágio diferente e em todos os momentos de interação do sujeito em seu 
contexto de existência; e a integração funcional, que diz respeito a todos 
os conjuntos funcionais estarem integrados todo o tempo, o cognitivo, 
afetivo e motor, sempre fazendo parte de todos os momentos do sujeito, 
expressando‑se no quarto conjunto, a pessoa, resultado dessa integração.
78
Unidade II
 Exercícios
Questão 1. O resgate de importantes contribuições teóricas para a Psicologia e a Educação tem sido um 
fenômeno significativo nas últimas décadas. A teoria de Wallon, bem como as ideias e reflexões de 
Vygotsky, é um alicerce para um olhar mais amplo sobre os fenômenos psicopedagógicos.
Neste sentido, quando pensamos em Vygotsky e Wallon, com relação à concepção de conhecimento, 
à análise genética e a psicogênese da inteligência, e a base conceitual e perspectiva teórica que lhes são 
comuns, podemos afirmar que:
I ‑ O contexto sócio‑histórico no qual viveram os teóricos influenciou na concepção de conhecimento 
e na teoria construída.
II ‑ A Psicologia Genética é referencia para o estudo dos processos psicológicos.
III ‑ O materialismo dialético faz parte da base conceitual.
É verdadeiro o que se afirma em:
A) I apenas.
B) II apenas.
C) I e II apenas.
D) II e III apenas.
E) I, II e III.
Resposta correta: alternativa E.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: Vygotsky teve uma vida marcada por conflitos sociais. De família judaica e rica, sofreu 
preconceito especialmente durante e após a Revolução Russa (1917). Outro fator de exclusão social foi 
ter contraído tuberculose em uma época em que não havia cura para tal doença. Wallon participou das 
duas guerras mundiais, na primeira atuou como médico e soldado no front de batalha e na segunda 
na Resistência Francesa. Por isso, o contexto socio‑histórico no qual viveram os teóricos influenciou na 
concepção de conhecimento, na teoria construída e na compreensão dos processos psíquicos, uma vez 
que compreendem a origem do conhecimento humano a partir das influências sócio‑históricas.
79
PSICOLOGIA SOCIOINTERACIONISTA
II – Afirmativa correta.
Justificativa: a Psicologia Genética estuda as origens, a gênese dos processos psíquicos. Partindo desse 
pressuposto, ambos os teóricos consideram a análise genética o único procedimento que não dissolve em 
elementos estanques e abstratos a totalidade da vida psíquica. Assim sendo, possibilita o conhecimento 
sobre o funcionamento psicológico do adulto a partir do estudo do desenvolvimento da criança.
III – Afirmativa correta.
Justificativa: para ambos os autores a única abordagem que permite a superação das contradições 
do pensamento dualista é o materialismo dialético, pois auxilia na coordenação de pontos de vista 
apresentados sob a forma exclusiva e absoluta por diferentes doutrinas filosóficas. Este referencial 
apresenta‑se como fecundo uma vez que busca a compreensão dos fenômenos a partir dos vários 
conjuntos dos quais participa e porque admite a contradição como constitutiva do sujeito e do objeto.
Questão 2. Em relação às concepções do pensador francês Henri Paul Hyacinthe Wallon (1879‑1962), 
avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
I ‑ Wallon, de forma antagônica ao pensamento de Vygotsky, tem como premissa a ideia de que o 
estudo do psiquismo humano está desvinculado de teorias psicogenéticas.
porque
II ‑ Para Wallon, no estudo do comportamento humano, prevê‑se a distinção entre corpo e mente, 
que devem ser tratados de maneira independente.
Assinale a alternativa correta:
A) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II justifica a I.
B) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II não justifica a I.
C) A asserção I é verdadeira, e a asserção II é falsa.
D) A asserção I é falsa, e a asserção II é verdadeira.
E) As asserções I e II são falsas.
Resposta correta: alternativa E.
80
Unidade II
Análise das asserções
I – Asserção falsa.
Justificativa: como vimos no livro‑texto, “Wallon, da mesma forma que Vygotsky, foi adepto da 
corrente epistemológica materialista histórica e dialética”. Ele “parte do princípio de queé no início da vida 
que a história de um sujeito começa a se constituir e, por isso, constrói uma teoria psicogenética para 
compreender o psiquismo humano”. Além disso, “para que haja compreensão sobre o comportamento 
de uma pessoa, deve‑se investigar a sua gênese”.
II – Asserção falsa.
Justificativa: a concepção psicogenética dialética do desenvolvimento de Wallon apresenta uma 
grande contribuição para a compreensão do humano como pessoa integral, ajudando na superação da 
clássica divisão mente/corpo presente na cultura ocidental e dos seus múltiplos desdobramentos.
Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104‑40602010000100003. Acesso em 13 set. 2022.

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