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Avaliação geral da pele 
Semiotécnica geral 
A pele é barreira anatômica e fisiológica entre o 
organismo e o ambiente, sendo sensível ao calor, 
frio, dor, prurido e agressão. Alterações no 
tegumento podem refletir tanto agressões 
externas quanto processos instalados 
internamente. 
➤ Identificação: 
• Etária: 
- Infantes: demodicidose em cães, 
dermatofitose em felinos, papilomatose 
em bezerros, etc. 
- Animais adultos: alergias, alterações 
hormonais, etc. 
- Animais idosos: neoplasias, etc. 
• Sexual: 
- Tendência a fístulas perianais em cães e 
abcessos em gatos. 
- Dermatopatias relacionadas aos 
hormônios sexuais são raras. 
• Racial: 
- Akita: adenite sebácea 
- Felino persa: complexo granuloma 
eosinofílico 
- Equino Apaloose: pênfigo foliáceo 
- Bovino simental: astenia cutânea 
- Ovino merino: astenis cutânea 
• Cor do pelame: 
- Animais com pelame mais claro possuem 
menor proteção contra os raivos UV 
(carcinoma espinocelular em gatos 
brancos, fotossensibilização em gado 
branco ou claro, etc.) 
➤ Anamnese: 
Geral 
• Queixa principal 
• Antecedentes: recentes e distantes 
Específica: 
• Tempo de evolução e início do quadro: 
classificar a doença como aguda ou 
crônica. Perguntar também se a afecção 
possui caráter sazonal ou periódico. 
• Tratamentos efetuados: podem afetar a 
realização de um diagnóstico terapêutico, 
além de causar piora caso o medicamento 
seja inadequado (ex.: corticoides 
proporcionam melhora em quadros 
alérgicos e pioras em quadros fúngicos e 
parasitários). 
• Consequências do tratamento efetuado? 
• Antecedentes: deve se referir à 
procedência do animal dentro de uma 
mesma cidade (algumas condições 
favorecem o surgimento de doenças) à 
procedência geográfica (algumas regiões 
são endêmicas de certas afecções) e ao 
parentesco (constatar doenças de 
caráter hereditário, como dermatites 
alérgicas, demodicidose, etc.) 
• Ambiente: importante coletar informações 
quanto às instalações e ao ambiente em 
que o animal fica, como à frequência e 
produtos de higienização, além do tipo de 
piso (algumas afecções podem ser 
favorecidas por certos tipos de piso, ex. 
@pads.vet 
piodermites de calos de apoio, que afetam 
animais pesados vivendo em pisos rústicos) 
• Manejo: inclui informações como a 
frequência de banho, produtos utilizados, 
tempo de ensaboamento, modo de 
secagem, etc. Produtos inadequados 
podem alterar a hidratação e o pH da pele, 
por exemplo. 
• Hábitos e alimentação: é importante o 
clínico saber se o animal tem ou teve 
acesso à rua, lagos, rios, viagens a outras 
cidades, etc. A dieta do animal também 
pode causar algumas afecções 
dermatológicas. 
• Contactantes: verificar se o paciente tem 
ou teve contato com outros animais, 
buscando constatar a presença de 
doenças infectocontagiosas e/ou 
zoonóticas entre animais dentro de uma 
propriedade. 
• Ectoparasitas: perguntar ao proprietário 
se houve a observação de parasitas nos 
animais da propriedade, no ambiente e no 
paciente. Muitas vezes o proprietário e o 
clínico não conseguem observar o parasita 
diretamente. 
• Prurido: além da presença do prurido 
patológico (em que o animal dedica a maior 
parte do seu tempo a se coçar), deve-se 
avaliar sua intensidade, manifestação 
(trauma com os membros, lamber, roçar 
em paredes ou fômites e mordiscar 
podem ser indicadores de que o animal não 
consegue aliviar o prurido) e localização. O 
prurido é um grande divisor de águas, por 
estar presente em uma série de 
patologias dermatológicas e ausente em 
outras. 
• Sinais relacionados a outros órgãos. 
➤ Exame físico 
• Inspeção 
Além de observar lesões, deve-se avaliar 
o recobrimento piloso, cujo padrão varia 
nas espécies e até mesmo nas raças. 
↪ Queda fisiológica (ex. cadelas após a 
gestação, pelo excesso de progesterona) 
e patológica do pelame 
↪ Coloração da pele: a normal é rósea, 
sendo que as alterações (palidez, cianose, 
icterícia, hiperemia) são normalmente 
ligadas a alterações sistêmicas. 
↪ Sudorese: anidrose (ausência), 
hipoidrose (redução) ou hiperidrose 
(excesso). Lembrar que há variação no 
padrão de sudorese das espécies. 
↪ Olfação: constatar o odor das lesões. 
• Palpação 
↪ Sensibilidade das lesões 
↪ Volume 
↪ Espessura 
↪ Elasticidade 
↪ Temperatura 
↪ Consistência 
↪ Umidade 
↪ Untuosidade: aspecto gorduroso das 
lesões. 
↪ Realizar a digitopressão: avalia se a 
lesão é eritema ou púrpura. 
↪ Estimular o prurido, podendo ser 
através do reflexo otopedal. Estimula-se a 
porção caudal da orelha, se houver 
reflexo, o diagnóstico é sugestivo de 
escabiose. 
OBS.: Classificação das lesões cutâneas 
♯ Quanto à distribuição: 
↪ Localizada: de 1 a 5 lesões individualizadas 
↪ Disseminada: mais de 5 lesões individualizadas 
↪ Generalizada: acometimento difuso de mais de 
60% da superfície corpórea 
↪ Universal: toda a superfície corpórea. 
♯ Quanto à origem: 
Lesões primárias: se desenvolvem 
espontaneamente como reflexo direto da doença 
subjacente. 
↪ Mancha, pápula, placa, pústula, vesícula, 
nódulo, tumor, cisto. 
Lesões secundárias: são evoluções das lesões 
primárias, ocorrem por envolvimento do paciente 
ou outros fatores. 
↪ Colarete epidérmico, cicatriz, exulceração, 
úlcera, fissura, liquenificação. 
Lesões que podem ser tanto primárias quanto 
secundárias: 
↪ Alopecia, escamas, crostas, comedos, 
alterações pigmentares. 
♯ Quanto à topografia: 
Comparar uma lesão em relação à outra. 
↪ Simétricas: normalmente são atribuídas a 
endocrinopatias, mas isso não é uma regra. 
↪ Assimétricas 
♯ Quanto à profundidade: 
↪ Superficiais: lesões na epiderme, 
representam lesões mais brandas. 
↪ Profundas: atingem a derme e a epiderme, 
configurando quadros mais graves. 
Manchas vásculo-sanguíneas 
↪ Eritema: vermelhidão decorrente da 
vasodilatação inflamatória. Volta ao normal após a 
digitopressão. 
 
OBS.: a eritrodermia é o eritema crônico, 
geralmente acompanhado de descamação. 
↪ Exantema: eritema disseminado, agudo e 
efêmero. 
 
↪ Cianose: coloração azul-arroxeada, ocorre por 
congestão passiva. 
 
↪ Púrpura: coloração avermelhada decorrente 
de extravasamento de hemácias na pele. Pode 
apresentar-se arroxeada ou verde-amarelada, e 
não volta ao normal após a digitopressão. 
OBS.: petéquias são púrpuras com menos de 1 
cm, e equimoses são púrpuras com mais de 1 cm. 
 
↪ Telangectasia: evidenciação dos vasos 
cutâneos através da pele, podendo ocorrer por 
atrofia cutânea ou exposição a elevadas 
concentrações de cortisol. 
 
↪ Manchas pigmentares/discrômicas: pode 
ocorrer hipopigmentação/hipocromia (diminuição 
do pigmento melânico), acromia/leucodermia 
(ausência do pigmento melânico por lesão dos 
melanócitos), ou hiperpigmentação/hipercromia 
(aumento de pigmento de qualquer natureza na 
pele). 
Formações sólidas 
↪ Pápula: lesão sólida circunscrita e elevada, de 
até 1cm de diâmetro. 
 
↪ Placa: lesão sólida circunscrita, elevada, com 
mais de 2cm de diâmetro. 
 
↪ Nódulo: lesão sólida, circunscrita, elevada ou 
não, de 1-3cm de diâmetro. 
 
↪ Tumor/nodosidade: lesão sólida, circunscrita, 
elevada ou não, de mais de 3cm de diâmetro. 
 
↪ Goma: nódulo ou nodosidade que sofre 
ulceração na região central, eliminando material 
necrótico. Há um agente etiológico envolvido. 
 
↪ Vegetação: lesão sólida, exofítica, 
avermelhada e brilhante. 
 
↪ Verrucosidade: lesão sólida, exofítica, áspera, 
dura e inelástica. Ocorre por aumento da camada 
córnea da pele. 
 
Coleções líquidas 
↪ Vesícula: elevação circunscrita, de até 1cm de 
diâmetro, contendo líquido seroso. 
↪ Bolha: elevação circunscrita, de mais de 1cm 
de diâmetro, contendo líquido seroso. 
 
↪ Pústula: elevação circunscrita, de até 1cm de 
diâmetro, com conteúdo purulento. 
 
↪ Cisto: formação elevada ou não, constituída 
por cavidade fechada e envolta por epitélio, 
contendo substância semissólida. 
 
↪ Abcesso: formação circunscrita de tamanho 
variável,proeminente ou não, decorrente do 
acúmulo de material purulento. 
 
↪ Flegmão: aumento de volume de tamanho 
variado, não encapsulado, proeminente ou não, 
contendo material purulento, na pele ou tecidos 
adjacentes. 
 
↪ Hematoma: formação circunscrita de 
tamanho variável, proeminente ou não, 
decorrente do acúmulo de sangue. 
 
Alterações de espessura 
↪ Hiperqueratose: espessamento da pele 
(áspero, inelástico, duro, acinzentado) decorrente 
do aumento da camada córnea. 
 
↪ Liquenificação/Lignificação: espessamento da 
pele por aumento da camada malpighiana-
espinhosa (acentuação dos sulcos cutâneos). 
 
↪ Edema: decorrente do extravasamento de 
plasma na derme ou hipoderme. Pode ser 
constatado através do sinal de Godet (pressão 
na área, que deve formar uma depressão). 
 
 
↪ Cicatriz: lesão saliente ou deprimida, retrátil 
ou aderente, sem sulcos ou estruturas 
foliculares. Caracteriza reparação do processo 
destrutivo. 
 
Perdas teciduais e reparações 
↪ Escama: placas de células da camada córnea 
que se desprendem da superfície cutânea por 
alteração da queratinização. 
 
↪ Escoriação: erosão linear, comumente 
derivada de auto-trauma. 
 
↪ Erosão/exulceração: perda superficial da 
epiderme ou camadas da epiderme. 
 
↪ Colarinho/colarete epidérmico: fragmentos 
de epiderme circular que restam na pele após a 
ruptura de vesículas, bolhas ou pústulas. 
 
↪ Crosta: concreção decorrente de perda 
tecidual, dessecamento de serosidade, pus ou 
sangue e restos epiteliais. Pode ser amarela, 
esverdeada ou hemorrágica. 
 
↪ Fístula: canal com percurso na pele que drena 
foco de supuração/necrose. Elimina material 
purulento ou sanguinolento. 
 
Outras lesões 
↪ Celulite: inflamação da derme ou tecido 
subjacente. 
 
↪ Comedo: acúmulo de corneócitos no 
infundíbulo ou de sebo/queratina em folículo 
piloso dilatado. 
 
↪ Corno: excrescência cutânea circunscrita e 
elevada, constituindo o máximo grau de 
hiperqueratose.