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1 Júlia Morbeck – @med.morbeck Doenças da próstata ↠ As doenças da próstata compreendem a: • hiperplasia benigna; • o câncer; • o sarcoma; • a prostatite; • os abscessos; • litíase. HIPERPLASIA BENIGNA DA PRÓSTATA A partir dos 40 anos de idade, o epitélio prostático periuretral inicia um crescimento lento e gradativo. Cresce rapidamente em alguns indivíduos e com mais lentidão em outros. A maioria dos homens, em torno dos 60 anos de idade, apresenta evidências palpáveis de hiperplasia benigna da próstata; todavia, nem todos apresentam manifestações obstrutivas. ↠ Os sintomas irritativos (fase de compensação) característicos são: polaciúria, nictúria, urgência urinária, incontinência ou urgência ocasional. ↠ À medida que os lobos prostáticos se hiperplasiam, estreita-se o lúmen da uretra, o que implica aumento do resíduo urinário, diretamente proporcional à obstrução. Para vencer o obstáculo, o músculo detrusor contrai-se cada vez com mais força, acarretando hipertrofia de suas fibras . No início, há equilíbrio entre a capacidade expulsiva da bexiga e a resistência uretral (fase de compensação). A bexiga torna-se hipersensível e, à medida que ela se distende, o paciente sente necessidade de urinar. Durante certo tempo, esta vontade inicial de urinar é passível de inibição. Então, a bexiga relaxa e passa a ter capacidade para receber mais urina. Havendo hipertrofia do músculo detrusor, suas fibras contraem-se vigorosamente e entram em espasmo, originando os sintomas de bexiga irritável (nictúria, polaciúria, urgência urinária e incontinência urinária de urgência). ↠ À proporção que o processo obstrutivo avança, na tentativa de assegurar o esvaziamento da bexiga, as fibras musculares do detrusor tornam-se cada vez mais hipertrofiadas. Nesta fase de compensação, o paciente apresenta dificuldades para começar a micção e, para efetuá-la, é necessário algum esforço. O jato urinário fica diminuído quanto à força e ao calibre. ↠ Com o agravamento da obstrução, o músculo detrusor entra em exaustão, tornando-se incapaz de esvaziar adequadamente a bexiga (fase de descompensação). ↠ O resíduo urinário aumenta cada vez mais e surgem manifestações clínicas multiformes. ↠ O paciente queixa-se de: • sensação de incompleto esvaziamento da bexiga; • gotejamento terminal; • incontinência urinária paradoxal ou de transbordamento. • levanta mais vezes à noite para urinar; • encurta o espaço entre as micções diurnas; • jato urinário fica mais fino e mais fraco; • urgência para urinar; IMPORTANTE: O crescente desequilíbrio entre a contratilidade do músculo detrusor e a resistência uretral pode conduzir ao quadro de retenção aguda de urina. ↠ É necessário lembrar-se de que um resíduo urinário elevado é sinônimo de urina estagnada, condição que favorece a proliferação bacteriana. São acrescidas, então, as manifestações da infecção urinária (disúria, ardor à micção, urina turva e malcheirosa). TOQUE RETAL • Na hiperplasia dos lobos laterais (hiperplasia bilobular), a próstata apresenta-se, em seu conjunto, simétrica, elástica, lisa, regular, saliente, arredondada, lembrando uma “bola de tênis”. • O aumento isolado do lobo mediano não é adequadamente avaliado ao toque retal. • O lobo anterior costuma permanecer rudimentar e o lobo posterior é a sede habitual de alterações malignas. É oportuno mencionar que o toque retal não fornece informações seguras sobre o tamanho da próstata e de seus efeitos obstrutivos. Vale dizer, o grau de crescimento prostático é avaliado mais pelas queixas do paciente e pelo resíduo urinário do que pelo tamanho da glândula à palpação. COMPLICAÇÕES: Nas fases mais avançadas, aparecem sinais e sintomas indicativos de complicações por obstrução urinária ou pelo esforço para urinar, destacando-se hérnia inguinal, hemorroidas, anemia e insuficiência renal. 2 Júlia Morbeck – @med.morbeck Os exames complementares compreendem testes laboratoriais, cistoscopia e avaliação ultrassonográfica, esta representando um grande avanço no diagnóstico precoce. Dentre os testes laboratoriais, incluem-se o exame simples de urina, o qual pode evidenciar a infecção urinária; a urocultura, que possibilita isolar o microrganismo infectante; a dosagem plasmática de ureia e de creatinina. CÂNCER DA PRÓSTATA ↠ A neoplasia maligna da próstata mais frequente é o adenocarcinoma (95% das neoplasias prostáticas). Quanto mais idoso o paciente, maior a probabilidade de apresentar adenocarcinoma prostático. Estima-se que, em 60% dos homens com mais de 80 anos de idade, haja ocorrência de neoplasia primária da próstata ao se estudar a glândula por meio de cortes histológicos. Entretanto, apenas 5% destes casos manifestam- se clinicamente. ↠ É a segunda neoplasia maligna mais comum no sexo masculino, responsável por mais ou menos 60% das metástases ósseas. A disseminação linfática é responsável pelo acometimento precoce dos linfonodos ilíacos internos e obturadores. As metástases ósseas disseminam-se através das veias periprostáticas ou do sistema venoso vertebral, o que explica a preferência pelos ossos da bacia, coluna lombossacra e cabeças femorais. ↠ O adenocarcinoma da próstata pode ser inteiramente assintomático – nos estádios iniciais. Nos casos avançados, os sintomas são decorrentes da dificuldade de eliminação da urina, de infecção urinária ou de ambos. Na verdade, os sintomas são idênticos aos observados na hiperplasia benigna da próstata. • Hematúria total ou terminal costuma ocorrer tardiamente. ↠ Sintomas de insuficiência renal, consequentes à obstrução dos orifícios ureterais pela neoplasia primária ou à compressão extrínseca dos ureteres por linfonodos comprometidos, podem dominar o quadro clínico. Aliás, em alguns pacientes, os primeiros sintomas dependem de metástases. ↠ Dor na coluna lombar, nas costelas, nos ossos sacroilíacos e ao longo dos nervos espinais pode ser consequente a metástases do câncer prostático. Essas metástases também podem ocasionar ciatalgia uni ou bilateral (ciatalgia bilateral em homens acima de 60 anos de idade é altamente sugestiva de câncer da próstata). ↠ O quadro clínico do adenocarcinoma da próstata pode ter como características: linfonodos supraclaviculares esquerdos (“linfonodos-sentinela”) aumentados de volume e de consistência endurecida, fraturas patológicas, hepatomegalia nodular ou paraplegia abrupta em consequência de colapso de um corpo vertebral. TOQUE RETAL ↠ As características do carcinoma da próstata ao toque retal variam conforme o estádio da neoplasia. ↠ Nos estádios iniciais, a próstata é inteiramente normal. Os estádios intermediários caracterizam-se pela presença de nódulos circunscritos, duros, cuja consistência lembra a sensação tátil provocada pelas articulações dos dedos. Nos estádios avançados, a próstata é de consistência lenhosa, pétrea, irregular, assimétrica, fixa, com apagamento do sulco mediano. Os exames complementares compreendem testes laboratoriais, exames de imagem radiológicos, ultrassonográficos, cistoscopia, isótopos radioativos, além de outros. Os testes laboratoriais incluem o exame simples de urina, que mostra alterações compatíveis com infecção urinária ou insuficiência renal. O hemograma pode evidenciar graus variáveis de anemia conforme o comprometimento da medula óssea. É muito importante a dosagem sérica da fosfatase ácida, enzima produzida normalmente pelo epitélio prostático e eliminada pelo líquido seminal. Com o avanço do adenocarcinoma, desfaz-se a integridade do epitélio prostático e quantidades significativas de fosfatase ácida passam para a circulação sistêmica. Entretanto, é fundamental estar ciente de que esta enzima pode estar elevada em enfermidades metabólicas (hiperparatireoidismo), ósseas (doença de Paget,osteossarcoma), hepáticas (cirrose, doença de Gaucher), em certas neoplasias com metástases ósseas, nos infartos prostáticos, nos traumatismos cirúrgicos da próstata e até nas primeiras 24 horas que se seguem às massagens prostáticas. Daí o interesse prático dos métodos mais modernos para dosá-la, especialmente o radioimunoensaio, que possibilita a separação da fração prostática da fosfatase ácida e a dosagem desta enzima na medula óssea. A dosagem sérica da fosfatase alcalina serve apenas para avaliar a intensidade da ação osteogênica no organismo. Assim, quanto mais extensas forem as metástases ósseas, mais altos serão os níveis de fosfatase alcalina. O antígeno prostático específico (PSA, do inglês prostate specific antigen) é um marcador na avaliação do câncer da próstata, sendo empregado em seleção, estadiamento, seguimento e prognóstico; no entanto, sua análise deve ser criteriosa e associada a outros exames para ser valorizada. O PSA também se eleva transitoriamente na vigência de prostatite, infarto prostático, retenção urinária, após manobras ou instrumentações. O diagnóstico definitivo do câncer da próstata é feito pela biopsia, que torna possível definir o padrão histopatológico. Referências PORTO, Celmo C. Semiologia Médica, 8ª edição. Grupo GEN, 2019.