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HPB e INCONTINÊNCIA URINÁRIA Prof. Fabiana Oenning da Gama Prof. Ingrid Thaís Beltrame Botelho TBL Etapa 3 Hiperplasia Alteração não cancerosa que significa um aumento do número de células em relação ao normal. Essa alteração só pode ser vista quando a amostra de tecido é examinada ao microscópio. Outra palavra para hiperplasia é hiperplásica. O volume do órgão depende do equilíbrio entre a proliferação e a morte celular Próstata A próstata é uma estrutura de seis lados, composta de tecido glandular e fibromuscular, que reside na cavidade pélvica. As dimensões típicas de uma próstata saudável são 4 x 3 x 2 cm (sendo maior em largura) com um peso de cerca de 20 gramas. A glândula é envolvida por uma cápsula verdadeira de tecido conjuntivo, interna, e uma falsa cápsula externa, que é uma continuação da fáscia pélvica. Sua base fica no colo da bexiga urinária, circundando a porção proximal da uretra. A uretra passa pela próstata (conhecida aqui como uretra prostática) e deixa a glândula inferiormente no seu ápice. https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/visao-geral-e-tipos-de-tecido-conjuntivo https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/visao-geral-e-tipos-de-tecido-conjuntivo https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/fascia-pt https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/bexiga-e-uretra https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/anatomia-da-uretra Próstata normal Srougi, Miguel, e José Cury. Urologia básica: curso de graduação médica. Disponível em: Minha Biblioteca, Editora Manole, 2014.. Epitélio glandular: • Arranjado em ácinos e ductos. • Responsável pela produção de 15% do líquido espermático (o restante provém das vesículas seminais e testículo). Estroma: • Constituído por elementos fibromusculares e uma matriz protéica. • Tem o papel de se contrair e produzir a emissão do esperma no momento da ejaculação. Do ponto de vista histológico, a próstata normal apresenta dois componentes: Anatomia da próstata - dividida por zonas https://www.whathealth.com/prostatecancer/picture-1.html D’Ancona CAL, Nunes RLV, Antunes AA, de Fraga R, Mosconi A Neto, Abranches-Monteiro L, Haylen B. Tradução para a língua portuguesa do artigo original em inglês “ The International Continence Society (ICS) report on the terminology for adult male lower urinary tract and pelvic floor symptoms and dysfunction”. Einstein (Sao Paulo). 2021 Jul 1;19:eAE5694. Portuguese. doi: 10.31744/einstein_journal/2021AE5694. PMCID: PMC8253591. Próstata normal Ressonância magnética (sagital) do abdômen inferior e pelve https://www.whathealth.com/prostatecancer/picture-1.html Hiperplasia Prostática Benigna - Epidemiologia • Muitos homens com mais de 40 anos desenvolverão HPB, mas nem todos apresentarão sintomas iniciais. • 50% dos homens com mais de 50 anos. • 80% a 90% daqueles com mais de 70 a 80 anos. aumento gradativo associado a idade Os níveis prostáticos de di-hidrotestosterona (DHT) e os níveis de receptores de andrógeno (RA), permanecem elevados com o envelhecimento, mesmo com a redução dos níveis periféricos de testosterona 1. Quanto a hiperplasia prostática benigna (HPB), leia as sentenças abaixo e assinale a alternativa correta. I. A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é um processo definido pelo aumento do número de células epiteliais e estromais na área periuretral da próstata. Sendo a causa mais comum de obstrução da saída da bexiga. II. Acontece em decorrência do aumento no número de células pela proliferação epitelial e estromal ou morte celular programada prejudicada, levando ao acúmulo celular. Estando associado a níveis prostáticos de di-hidrotestosterona (DHT) e os níveis de receptores de andrógeno (RA) elevados. a) As duas afirmações são corretas. b) Apenas a afirmação I é correta. c) Apenas a afirmação II é correta. d) As duas afirmações são incorretas. Hiperplasia Prostática Benigna - HPB A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é um processo definido pelo aumento do número de células epiteliais e estromais na área periuretral da próstata. Causa mais comum de obstrução da saída da bexiga. A HPB é uma, mas certamente não a única, causa dos sintomas do trato urinário inferior (Lower Urinary Tract Symptoms [LUTS] Sintomas do Trato Urinário Inferior STUIs). Conceito Lower Urinary Tract Symptoms (LUTS) O termo LUTS engloba todos os sintomas do trato urinário inferior, que podem ser classificados em sintomas de armazenamento, esvaziamento e pós-miccionais: *Eliminação frequente de micções * 2. A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma das doenças mais prevalentes do idoso. Estima-se que cerca de 80% a 90% dos homens maiores de 80 anos apresentam essa condição. A respeito desse tema, assinale a alternativa CORRETA. a. A HPB origina-se na zona periférica da próstata. b. Os principais sintomas da HPB podem ser obstrutivos ou irritativos, sendo sintomas irritativos a redução da força do jato urinário, a hesitação, o tenesmo vesical, e o esforço miccional. c. O toque retal e a história clínica são suficientes para o diagnóstico e seguimento desses pacientes. Portanto a realização do antígeno prostático específico (PSA) é facultativa. d. O resíduo pós-miccional deve ser avaliado por ultrassonografia transabdominal (suprapúbica) ou cateterismo. A HPB se desenvolve primeiro na zona de transição da próstata, que consiste em duas glândulas separadas imediatamente externas ao esfíncter pré-prostático. Todos os nódulos de HPB se desenvolvem na zona de transição ou na região periuretral. Alteração histológica representada por proliferação glandular (ácinos prostáticos) e do estroma (músculo liso) da próstata, aumento volumétrico do órgão, pode causar obstrução ao fluxo uretral, pela diminuição da luz deste órgão que consequentemente aumenta a resistência a passagem da urina levam a sintomas de esvaziamento (diminuição do fluxo urinário, intermitência e hesitação); Fisiopatologia • alterações compensatórias na função da bexiga. Hiperplasia Prostática Benigna - HPB Hiperplasia Prostática Benigna - HPB • A pressão detrusora (musculatura da bexiga) precisa se elevar para conseguir transpor esse aumento de resistência. • produz alterações morfológicas na bexiga, expressas por sintomas de enchimento vesical (noctúria, aumento da frequência e urgência urinária). Pode ser notado no exame de ultrassonografia com os achados de espessamento da parede vesical, trabéculas ou até mesmo divertículos Fisiopatologia https://anatpat.unicamp.br/lamuro20.html • aparecimento de sintomas miccionais irritativos; • alterações da inervação vesical Hiperplasia Prostática Benigna - HPB Manifestações clínicas - dor ao urinar 3. Seu JG 80 anos, procura um urologista com queixa de dificuldade para começar a urinar, diminuição da força do jato urinário, gotejamento após urinar, urgência para urinar há alguns meses, e refere ainda que levanta várias vezes para urinar a noite. Qual seria a conduta correta quanto a avaliação do paciente para HPB? a. Realizar toque retal, solicitar PSA, biópsia prostática e cirurgia de imediato. b. Realizar toque retal, solicitar PSA e controlar os sintomas iniciando medicamentos alfa bloqueadores. c. Solicitar urocultura, iniciar antibiótico empiricamente e solicitar PSA. d. Exame de urina, IPSS (International Prostate Symptom Score), realizar toque retal, e solicitar PSA. HPB - Diagnóstico HPB - Diagnóstico Escore Internacional de Sintomas de Próstata (IPSS): questionário de oito itens, composto por sete questões de sintomas e uma questão de qualidade de vida. • O valor do IPSS não está necessariamente relacionado com os resultados do tratamento, mas deve ser utilizado na avaliação da evolução de cada paciente, assim como na resposta ao tratamento clínico ou cirúrgico. Categorização da pontuação IPSS AVERBECK, Márcio Augusto et al. Diagnóstico e tratamento dahiperplasia benigna da próstata. Revista da AMRIGS, Porto Alegre, out.-dez. 2010 : 54 (4): 471-477. Disponível em: <http://www.amrigs.org.br/revista/54-04/021-519_diagnostico.pdf>. HPB - diagnóstico Exame físico e exame digital retal (toque retal): Representa a maneira mais simples de avaliar o volume da próstata, mas a precisão em determinar o volume é pobre. Evidencia: 1. aumento simétrico da próstata; 2. consistência fibro-elástica; 3. superfície lisa; 4. móvel; 5. limites precisos; 6. sulco mediano presente; 7. ausência de nódulos endurecidos. Srougi, Miguel, e José Cury. Urologia básica: curso de graduação médica. Disponível em: Minha Biblioteca, Editora Manole, 2014; https://teachmeanatomy.info/pelvis/the-male-reproductive-system/prostate-gland/?doing_wp_cron=1717958006.0842399597167968750000 PSA- Antígeno específico da próstata Tem um bom valor preditivo para avaliar o volume da próstata. Além disso, o PSA previu alterações nos sintomas urinários, na qualidade de vida e no fluxo urinário. Em estudos, o PSA representa um preditor altamente significativo de progressão clínica, prevendo o risco de retenção urinária aguda e de cirurgia relacionada ao HPB. nanogramas por mililitro (ng/ml) HPB - Diagnóstico Exames de imagem: Ultrassonografia transabdominal (suprapúbica) ou transretal, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Avaliam formato, tamanho da próstata e resíduo miccional. Diversos autores afirmam que a ultrassonografia transabdominal (USTA) é mais eficiente e especifica do que o TR na diferenciação de pacientes com HPB daqueles com próstata normal através da medição da protrusão prostática intravesical (PPI) e da avaliação do resíduo pós-miccional (RPM) https://repositorio.bc.ufg.br/riserver/api/core/bitstreams/5546d224-d6f9-480e-9bc2-873a589b20d9/content Em pacientes normais sem HPB o volume prostático é comumente inferior a 20 mL, sem PPI para distorcer o afunilamento do colo vesical invertido (Fig. 3a). A taxa de fluxo urinário seria maior do que 15 mL / s Ultrassonografia transretal (USTR) tem sido a modalidade de imagem mais utilizada para avaliar as doenças prostáticas. HPB - Diagnóstico Urinálise – exame de urina tipo I: incluída na avaliação primária de qualquer paciente que apresente obstrução infravesical, identificando condições como infecções do trato urinário, micro-hematúria e diabetes mellitus descompensado. HPB - Diagnóstico • Piúria indica infecção, hematúria e alterações do pH em função de resíduo urinário aumentado; • Creatinina: elevada na uropatia obstrutiva; • Urocultura: positiva nos casos de infecção urinária Resíduo pós-miccional: A urina residual pós-micção pode ser avaliada por ultrassonografia transabdominal ou cateterismo. HPB - Diagnóstico • O estudo urodinâmico é opcional, sendo indicado em situações especiais, sobretudo quando se tem dúvida quanto à causa dos sintomas ou se existe alguma repercussão do quadro obstrutivo sobre a bexiga. • Revela diminuição dos fluxos urinários máximo e médio tem apenas de urinar para um recipiente próprio, ligado a um sistema computorizado que permite registar: tempo, volume, fluxo, etc. HPB - tratamento Cirúrgico Ressecção transuretral monopolar da próstata e incisão transuretral da próstata Prostatectomia aberta ou robótica Tipos de cirurgia • Ressecção transuretral da próstata: considerada o padrão-ouro • Prostatectomia simples (suprapúbica ou retropúbica): para próstatas > 80 cm3, a depender da experiência do cirurgião com a técnica de ressecção transuretral. Pode ser realizada por via aberta, laparoscópica ou robótica • Outras técnicas: incisão transuretral da próstata, vaporização transuretral da próstata, lift transuretral da próstata, terapia transuretral por micro-ondas, terapia térmica por vapor de água, ablação transuretral por agulha, enucleação a laser, embolização arterial da próstata, stent prostático. Porto, Celmo, C. e Arnaldo Lemos Porto. Clínica Médica na Prática Diária. Disponível em: Minha Biblioteca, (2nd edição). Grupo GEN, 2022. HPB - tratamento Indicações: • Falta de resposta ao tratamento medicamentoso • Infecções recorrentes ou persistentes do trato urinário • Hematúria macroscópica recorrente • Retenção urinária • Litíase vesical • Insuficiência renal secundária à hiperplasia benigna da próstata HPB - tratamento cirúrgico HPB - tratamento Farmacológico Os homens que também têm disfunção erétil podem ser tratados diariamente com tadalafila - ajuda na disfunção erétil e na HPB Fluxograma para diagnóstico e tratamento da HBP Porto, Celmo, C. e Arnaldo Lemos Porto. Clínica Médica na Prática Diária. Disponível em: Minha Biblioteca, (2nd edição). Grupo GEN, 2022. Incontinência urinária Incontinência Urinária Conceito Refere-se à queixa de qualquer perda de urina, que pode ser involuntária, provocada pelo indivíduo ou descrita por um cuidador; Importante problema de saúde, com impactos negativos nas atividades e na qualidade de vida e autoestima que podem gerar depressão, ansiedade, déficit no trabalho e isolamento social. Epidemiologia • Estima-se que 5% da população mundial sofra de incontinência urinária. • No Brasil, seriam 10 milhões de pessoas. • Segundo a Urology Care Foundation 1 em cada 3 mulheres pode vir a sofrer com a perda de urina involuntária, em algum momento da vida. • Entre idosos, o índice é ainda maior - de 7 em cada 10. • Mais prevalente no sexo feminino 26,2% que no masculino 11,8%, estando associada a depressão, idade avançada e maior dependência. (OMS – OPAS estudo sobre incontinência urinária na América Latina). 4. Sobre a incontinência urinária assinale a alternativa CORRETA: I. Incontinência de esforço: definida pela perda involuntária da urina durante o aumento da pressão abdominal, o que ocorre, na ausência de contração do músculo detrusor da bexiga. II. Incontinência urinária de urgência ocorre pelo não esvaziamento completo da bexiga durante a micção, devido a incapacidade na contração do musculo detrusor, geralmente associado a doenças neurológicas. III. É a disfunção mais conhecida entre as disfunções do pavimento pélvico, mais prevalente no sexo masculino, cujas taxas aumentam progressivamente com a idade. IV. Fatores psicológicos, comportamentais e transtornos depressivos estão associados a incontinência urinária. V. Em mulheres, a IU de esforço corresponde a maioria dos casos de IU. Em homens, a IUE é rara e tem como principal causa as cirurgias prostáticas. a) Apenas as alternativas I e III estão corretas b) Apenas as alternativas I e II, IV e V estão corretas c) Apenas a alternativa II, III, IV e V estão corretas d) As alternativas I, IV e V estão corretas. Incontinência Urinária - tipos e sintomas – Incontinência urinária de esforço: é a perda de urina de forma involuntária ao espirrar, tossir, rir, levantar pesos ou demais atividades que põem a bexiga sob pressão ou estresse. Pode ser causada pela hipermobilidade uretral (fraqueza no complexo ligamentar) e pela deficiência esfincteriana intrínseca (deficiência no fechamento do esfíncter - ausência de contração do musculo detrusor). – Incontinência urinária de urgência: quando há forte e repentina vontade de urinar, a ponto do paciente não conseguir reter até chegar ao banheiro, mesmo havendo pequena quantidade de urina na bexiga. Pode haver perda de gotas a todo o volume da bexiga (contração involuntária do detrusor). – Incontinência urinária mista: é a associação das duas primeiras, onde há perda de urina ao esforço e de urgência. Incontinência Urinária - etiologia – Comprometimento da musculatura dos esfíncteres e do assoalho pélvico – Gravidez/multiparidade – Parto vaginal – Obesidade/diabetes – HPB – Fumantes com tosse crônica e substâncias químicas do cigarro – Aumento da pressão abdominal (ex: quadros pulmonares obstrutivos, atividade física de esforço) – Infecção do tratourinário (ITU) – Idade avançada (relaxamento musculatura pélvica e alteração hormonal) – Uso de medicamentos diuréticos, antidepressivos... – Doenças neurodegenerativas e perda do controle do SNC (demência senil) – Lesão dos nervos pélvico (ex: por procedimentos cirúrgicos ou irradiação, doenças neurológicas). Incontinência Urinária - Diagnóstico A avaliação inicial se baseia na história clínica, para caracterizar os sintomas e o tipo de incontinência. O exame físico e alguns exames laboratoriais/imagem são importantes para confirmar o diagnóstico e excluir outras condições (infecção urinária, HPB, fístulas urinárias...). Fundamental avaliar o impacto da incontinência urinária na qualidade de vida e o desejo do paciente de ser tratado. Incontinência Urinária - Prevenção – Controlar quantidade de líquidos ingeridos antes de sair de casa e até 2h antes de dormir – Evitar bebidas alcoólicas, gaseificadas e com cafeína – Controlar o diabetes e o peso corporal – Não fumar – Urinar a cada 2h de forma programada, sem esperar o desejo de urinar para ir ao banheiro – Manter alimentação saudável e rica em fibras (evitar a constipação) – Realizar atividades físicas regularmente e de preferência com orientação de um profissional habilitado – Reconhecer e evitar se possível, o uso de remédios diuréticos ou problemas de locomoção em idosos. – Fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico com o auxílio de um fisioterapeuta especializado.