Prévia do material em texto
Thiago Coelho (@taj_studies) CADERNO – TÉCNICA DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS/ MATHEUS GUABANARA – FBDG AULA 01 – APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 1. Observações gerais: Terão dinâmicas práticas ao longo do semestre; A matéria englobará técnicas de solução de conflitos extraídas da Univerisdade de Harvard; A leitura dos textos e livros disponibilizados é de suma importância; A sala deve ser montada em dois grupos; Estar na sala de aula, fazer dinâmicas e as leituras é fundamental; Não haverá aproximação de nota caso o aluno não mereça Avaliações: 03/04 e 05/06; 2. Referências: Técnicas de negociação para advogados – Alessandra e Mourão; Como chegar ao sim – Roger Fisher, William Ury e Bruce Patton; AULA 02 – FORMAS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS 1. Objetivos do curso: Passou a existir uma forma teórica de estudar resolução de conflitos e hoje se segue o planejamento de negociação de Harvard. A disciplina tem o foco de: Desenvolver habilidades que permitam aos participantes obter o que querem, sem ceder o que não devem; Ao mesmo tempo, manter um bom relacionamento com a outra parte; Thiago Coelho (@taj_studies) As técnicas não se confundem com truques ou desonestidades, justamente em virtude do segundo objetivo da disciplina. É importante manter uma boa relação com a outra parte visando a negociações futuras com a mesma parte ou com as demais (ter uma “boa fama” no âmbito). Nunca saberemos quando será a última negociação. Atualmente, na Bahia, tem-se em torno de 70.000 advogados e em São Paulo, 600.000. Destarte, os escritórios de advocacia estão constantemente se relacionando. Por isso, é importante ter empatia com a outra parte – se colocar no local do outro ou o mediador compreender o desejo das partes (“se eu tivesse sentado na sua cadeira, eu faria...”). 2. Formas de resolução de conflitos – contexto: Judiciário: Método heterocompositivo (decisão por um juiz imparcial e há um binômio ganha/perde). O juiz, muitas vezes, acaba se distanciando bastante da realidade das partes e não tem o devido conhecimento da matéria; Arbitragem: Forma de resolução mais célere e custosa cuja decisão é proferida por um terceiro imparcial (árbitro), pessoa especializada na matéria e de confiança das partes. A instauração da arbitragem é decorrente do consensualismo das partes (não pode ser imposta), seja pela cláusula compromissória (prévia ao conflito/objeto determinável) ou pelo compromisso arbitral (objeto determinado); Mediação/conciliação: Negligenciada, muitas vezes, pelas partes e relacionada ao Judiciário, o qual busca uma audiência prévia de mediação/conciliação para filtrar a demanda; Negociação: Normalmente não é necessária a presença de um terceiro, devendo as partes atuar de forma proativa. Algumas decisões podem ser bem diferentes em comparação à arbitragem; 3. Algumas questões iniciais: Quando comecei a negociar: Desde a infância realizamos negociações. Na fase adulta, contudo, nossas habilidades se desenvolvem, contudo os conflitos são mais complexos; Por que estudo negociação: Para resolver conflitos sem a necessidade de se recorrer ao Judiciário, bem como para aprimorar as aptidões técnicas para o exercício da advocacia; Thiago Coelho (@taj_studies) O que é um bom acordo: Esse conceito é relativo. Um bom acordo pode ser definido como aquele em que as partes cedem parte dos seus interesses e atingem a um propósito que agrade ambas; O documentário “Dilema das Redes” (Netflix, 2020) demonstra a manipulação do pensamento do usuário a partir da atuação de um aparato tecnológico organizado, o que impacta na democracia e na humanidade como um todo. As informações que aparecem em redes – como o Instagram – variam a depender do comportamento e das preferências dos usuários. Como os homens são seres plurais, com a pluralidade de ideias e preferências gera- se conflitos, os quais se estendem nas redes sociais. Hoje, as redes sociais se transformaram em um palco de conflitos. Qualquer empresa aberta faz reservas na contabilidade para pagar processos. Faz-se uma análise da possibilidade de ganhos e perdas em eventuais disputas. O equilíbrio da empresa depende de tais recursos. Ao invés de se pagar 20.000, tenta-se pagar 15.000, por exemplo, e o que se consegue reduzir a empresa ganha sobre isso. A discussão das técnicas de negociação não se restringe ao Brasil, mas se encontra incluso nesse processo de globalização. Negociação, hoje, é discutida em vários países do mundo. A disciplina englobará situações do cotidiano que muitas vezes não percebemos que há técnicas e estudos por trás. 4. Mitos sobre negociação: Não há teoria: Há sim (vide os livros “Como chegar ao sim” e “Técnicas de negociações para advogados”); Não pode ser aprendida e/ou ensinada: Ela pode ser aprendida, ensinada e até criada; Só se aprende com a experiência: Mito, afinal os mais velhos tendem a ser os mais difíceis de negociar, não são, como regra, os melhores negociadores; 5. O que vamos aprender: Conceitos importantes para negociação integrativa (valor) e negociação distributiva; Os Sete Elementos – Abordagem de Harvard; Cinco passos de negociação e suas táticas; Negociações com pessoas difíceis; Negociação e direito; Thiago Coelho (@taj_studies) 6. O que é negociar? “Negociação é um processo pelo qual duas ou mais pessoas se comunicam buscando chegar a algum acordo sobre valores escassos e/ou ações controladas, total ou parcialmente, por ambas as partes, ou ainda, por qualquer das partes envolvidas”. (In BURBRIDGE, R. Mar; c, COSTA, Sérgio de Freitas; LIMA, José Guilherme H.; SILVA, Alessandra Gomes N., Gestão de Negociação, Saraiva, 2005, p.8). 7. As três dimensões da negociação: Mesmo com as técnicas de negociação, é de sua importância ter conhecimento do objeto (área do conhecimento) da negociação. Não se pode negociar sobre o que não se conhece. Por exemplo, se se quer negociar sobre terras indígenas, é exigido um conhecimento significativo sobre os direitos e deveres dos índios ou a presença de especialistas que auxiliem o negociador. O emocional precisa estar bem. O emocional é uma estrutura tão forte quanto as demais dimensões. Se as condições do local estão desfavoráveis (falta de ar condicionado, barulho, grande circulação de pessoas), é importante buscar um local harmônico para que a negociação flua (bem climatizado, tranquilo, organizado, arrumado). É fundamental também autoconhecimento. O atleta Zidane (França), na final da Copa do Mundo de 2006, perdeu a cabeça e efetuou uma cabeçada contra Materazzi (Itália), após este ter falado da sua irmã. Zidane se perdeu diante do gatilho emocional recebido. Certamente se ele soubesse que falar de algum familiar seu provocaria aquilo, não teria feito nem prejudicado o seu time em uma partida de extrema importância. Por fim, as técnicas que estudaremos ao longo do curso. Não há negociação sem habilidades técnicas. Thiago Coelho (@taj_studies) “Dai-me o que preciso e tereis de mim aquilo de que vós mesmos necessitais; e a maioria dos bens e ofícios que nos são tão necessários são obtidos dessa maneira”. (Adam Smith) Para a próxima aula: O Caso do preço do petróleo. AULAS 03 E 04 – O CASO DO PREÇO DO PETRÓLEO 1. Dinâmica: Países produtores de petróleo: Alfa e Beta; País comprador do petróleo produzido por Alfa e Beta: Gama (não tem saída para o mar); Gama sempre comprará dos dois países – Alfa e Beta – e a quantidade variará de acordo com o preço fixado pelos países; Alfa não consegue excluir Beta do mercado e vice-versa; Preços fixados mês a mês via papel entregue ao mercado; Alfas não podem conversar entre si. Betas idem. Cada grupo deve estabelecer suaestratégia. Único objetivo: Maximizar os lucros através de uma boa negociação. Alfa e Beta são dois países em desenvolvimento. Ambos produzem petróleo a um custo inferior a $10 por barril. O país vizinho Gama, é altamente desenvolvimento e consome uma grande quantidade de petróleo. Gama precisa comprar todo o seu petróleo de Alfa ou Beta, a não ser que queira pagar uma taxa de transporte terrestre de $25 por barril, já que o país não tem saída para o mar. Atualmente, Alfa e Beta estão vendendo petróleo para Gama a um preço de $20 por barril. Enquanto os dois países venderem pelo mesmo preço, cada um pode esperar deter em torno de metade do mercado de petróleo de Gama. Se um deles vender a um preço menor do que o outro, aumentará sua participação no mercado e expandirá seus lucros às custas do outro. Entretanto, nenhum dos dois pode colocar o outro permanentemente fora do negócio do petróleo, mesmo praticando preços inferiores nas vendas para Gama. Você é membro da Comissão dos Preços de Petróleo de Alfa ou Beta. Assim como os outros membros da Comissão, você foi indicado pelo Ministério do Comércio de seu país e ainda Thiago Coelho (@taj_studies) tem oito meses no exercício do cargo. No início de cada mês, a Comissão deve estabelecer o preço daquele mês para as vendas de petróleo para Gama. As receitas do petróleo são uma importante parte do PIB de seu país, que é inteiramente indiferente aos lucros do petróleo percebidos pelo outro país. Pesquisas de mercado demonstram que o lucro mensal de seu país na venda de petróleo para Gama depende dos preços que você e o outro país estabelecem. A possibilidade de entrega de petróleo vindo de outros países pela via terrestre torna impossível a venda de petróleo para Gama a um preço superior a $30 por barril. Em razão de um acordo de longo prazo com Gama, o preço que cada país cobra precisa ser $10, $20 ou $30. Historicamente, a despeito de pequenas variações ocasionais de curto prazo, o mercado de petróleo de Gama tem sido relativamente estável, e o lucro mensal normal que Alfa e Beta podem esperar fazer em suas vendas de petróleo para Gama é indicado na tabela a seguir. Os números dentro de cada retângulo indicam o lucro feito durante aquele mês. O número no canto superior esquerdo de cada retângulo representa o lucro de Alfa em milhões de dólares. O número no canto inferior direito representa o lucro de Beta em milhões de dólares. $30 $20 $10 $30 A: $11 B: $11 A: $2 B: $18 A: $2 B: $15 $20 A: $18 B: $2 A: $8 B: $8 A: $3 B: $15 $10 A: $15 B: $2 A: $15 B: $3 A: $5 B: $5 Tabela: Preços Alfa x Beta. Alfa e Beta têm uma história de hostilidade mútua e recentemente romperam relações diplomáticas. Desta forma, a Comissão de cada país terá que estabelecer os seus preços para as vendas de petróleo para Gama sem saber qual preço o outro país vai cobrar. No volátil clima político atual (eleições nacionais em cada um dos países ocorrendo daqui a três meses), qualquer tentativa de conferenciar com outro país certamente resultaria em sua demissão da Comissão de Preços de Petróleo, além de poder sujeita-lo a um processo por traição. Thiago Coelho (@taj_studies) 2. Elementos constatados para uma boa negociação: Comunicação; Relacionamento; Compromisso; Interesses; Opções; Legitimidade (trazer critérios objetivos); Alternativas; Leitura para a próxima aula: Comunicação e relacionamento. AULA 05 – NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA 1. Abordagem Harvard: A porta de entrada para uma negociação pode ser a comunicação ou o relacionamento. 2. A comunicação – aspectos iniciais: A comunicação abre possibilidades para conhecer o mundo, mesmo que o indivíduo não seja fluente em algum idioma. Nesse sentido, a comunicação não se restringe à linguagem verbal. Por exemplo, fazer um gesto com a mão em um bar trata-se de uma sinalização ao garçom de querer mais uma dose de cerveijinha. Thiago Coelho (@taj_studies) A comunicação não efetiva gera ruídos de comunicação. Embora a globalização, sobretudo pós-Covid 19, tenha contribuído para a possibilidade de reuniões on-line (via Meet, Zoom, Teams...), há momentos (principalmente após reuniões on-line sem sucesso) em que as reuniões presenciais são necessárias e, portanto, são mais eficazes. Ponte é uma ligação entre dois lados superseguros. A ponte, na comunicação, corresponde a buscar meios estratégicos para o desenvolvimento da negociação e a obtenção de um resultado satisfatório. Se dois negociadores já jogaram juntos futebol, é natural o primeiro assunto entre ambos ser essa partida e o campeonato que participaram. É de suma importância entender com quem vamos negociar antes da negociação – entrevista de emprego, cliente. Devemos nos indagar: “quem está do outro lado?”. Nesse cenário, as redes sociais podem ser uma arma importante para obter dados (time, profissão, onde estudou, amigos em comum, interesses, livros recentemente lidos...). Devemos ser proativos e dialogar visando à manutenção do vínculo. Ex: A é torcedor do Bahia e vai negociar com B, torcedor do Vitória. A não deve debochar ou fazer piadas com o time de B. Há pontes que facilitam a comunicação, as quais podem ser sintetizadas abaixo: Disposição para ouvir e compreender; Conhecimentos e experiências comuns; Interesses comuns ou compreendidos; Valores comuns ou compreendidos; 3. Dificuldades de comunicação: Nem tudo são flores, podendo ocorrer barreiras à comunicação: Participantes não estão falando: Não se manifestam de forma clara, proativa e objetiva; Participantes não estão ouvindo: Quando uma pessoa fala, a outra já está pensando no que dizer posteriormente, sem dar ouvidos ou interpretar corretamente a outra Thiago Coelho (@taj_studies) parte. Compreender não se confunde com concordar. Ex: A, durante quatro minutos, reforça o que já disse anteriormente e o que B já entendeu. Para Alessandra e Mourão, pior do que não ouvir é não falar e não ouvir, o que dificulta extremamente a negociação. Mal-entendidos: Desencontros entre intenção e impacto. Ex: O professor A diz à aluna B: “você é bem dedicada e focada, mas não está correspondendo nas avaliações”. A intenção do professor A não é menosprezar B, mas B apagará facilmente o que veio antes e focará na parte negativa, ficando com raiva. É preferível substituir o “mas” pelo “e”: “você é bem dedicada e espero mais de você nas avaliações”. Para evitar os mal-entendidos, é importante ratificar o que foi dito (como enviar um e-mail após as conversas). Grilo falante: O grilo falante é o grilo do Pinóquio – a consciência do boneco de madeira. É importante deixar, em determinados momentos, o processo fluir naturalmente e evitar os excessos comunicativos, fazendo com que as outras partes se sintam parte do processo. Ex: A delega a B a missão de marcar uma reunião com C. A dorme mais cedo e não olha o WhatsApp. De manhã, A olha a mensagem que B enviara de madrugada: “a reunião está marcada para daqui a dois dias, às 8:00h”. Observa-se que A poupou o desgaste de ficar constantemente olhando o celular. A incorreria no erro do grito falante caso constantemente pressionasse B para marcar uma reunião: “você deve marcar a reunião por isso e isso”, “lembre-se novamente que essa reunião é importante por isso e por isso”, “você já marcou a reunião...?”. Intenção x impacto: Trata-se de um ruído de comunicação. Muitas vezes a intenção boa de uma fala acaba sendo má interpretada pela parte contrária. Nesse sentido, faz-se importante a empatia, analisar sozinho ou com a ajuda de alguém (“olha aqui essa mensagem que pretendo enviar, qual a sua opinião?”). É necessário ter cautela e ratificar o que está sendo dito. Para Matheus Guanabara, hoje, muitos conflitos emergem em virtude da falta de comunicaçãoefetiva, ou seja, pela carência da construção de pontes que facilitem o diálogo. 4. Persuasão e convencimento: PERSUASÃO CONVENCIMENTO Termo empregado pela maioria da doutrina. É um “plus” em relação ao convencimento. Convencer é a crença, ou seja, acreditar no que foi dito pela outra parte. Não se relaciona com mudança de atitude. Thiago Coelho (@taj_studies) A persuasão traz a ideia da ação, ou seja, agir consoante a proposta da outra parte. Ex: A procurou uma nutricionista e colocou, na prática, a reeducação alimentar. Geralmente associamos a persuasão à má-fé (agir sujo ou esconder informações). Ex: Propagandas enganosas de determinadas empresas. Ex: A, mesmo compreendendo os malefícios do cigarro, continua a fumar seja por dependência (vício), seja por desinteresse. Como persuadir? Reciprocidade: É necessário personalizar. Ex: A probabilidade de um convite ser aceito caso feito individualmente é maior caso feito em grupo (personalização do convite); Autoridade: Símbolos de autoridade, especialistas. Ex: O paciente tende a seguir orientações caso possua a ciência de estar sendo atendido por um bom médico; Coerência: As pessoas tendem a dizer sim para o que pactuaram anteriormente. Ex: Ir a um evento que confirmou presença; Validação social: Prestar atenção ao que os outros estão fazendo. Ex: O time A está fazendo o trabalho de tal forma e está obtendo resultados. B, que está tendo dificuldades, implementará o modelo de gestão de A; Gostar de alguém: Tendemos a dizer sim para quem gostamos e temos um vínculo. Ex: A me convidou para um aniversário e, como é meu amigo, confirmei presença; Escassez: Mostrar a escassez do objeto negociado e da informação. Ex: O último show de Skank; 5. Framing: É o jeito de apresentar a situação para persuadir o outro lado a ver as coisas de forma como você quer. É importante para valorizar (ou depreciar) o objeto da negociação para justificar concessões ou influenciar percepções de valor. Engloba um ponto de referência. Ex: Preferir um pagamento à vista com desconto, tendo em vista o ponto de referência (tempo x quantia). Pontos de referência. Ex: Promoção de salário (de 5k para 10k); Prejuízo vs Ganho. Ex: Você quer que eu leve um prejuízo neste negócio?; Thiago Coelho (@taj_studies) Tempo. Ex: Por apenas $3,86 por dia...; Agregação. Ex: Por mais 3% você pode ter um supersom no seu carro novo!!!; Segregação. Ex: Sem o “X” eu posso tirar 5%; Referência: Artigo “A ciência da persuasão” de Robert B. Cialdini; Capítulos 3, 4, 5, 6 e 7 – Técnicas de negociação para advogados; AULA 06 – RELACIONAMENTO, INTERESSES E OPÇÕES 1. Relacionamento: Às vezes temos que lidar com pessoas difíceis de negociar, as quais são bem impositivas e questionam constantemente. Não significa que essas pessoas tenham uma má índole, contudo, elas criam barreiras para se relacionar com pessoas. Relacionamentos podem salvar o desenvolvimento de negociações. Ex: A duvida do caráter de B e teme a negociação com este. A, depois, descobre que B é sócio de C. C é um amigo de longas datas de A. A entra em contato com C. Essa constatação tranquiliza A, que passa a se empenhar na negociação de forma mais eficaz e se sentindo mais seguro. 2. Investir na relação: Por que? Fortalece a confiança; Facilita um acordo; Como? Quando possível, encontre informalmente com o outro (alimentar a relação); Busque algo em comum – investigação prévia e perguntas diretas; Demonstre respeito; Tenha empatia: Compreenda o lado dele (mantendo o seu), mesmo não concordando; Separe as pessoas dos problemas – focar no problema a ser resolvido; Thiago Coelho (@taj_studies) Envolva a outra parte na solução do caso – prefira o “nós” ao “eu” (facilita o “sim”); Reconheça que as pessoas têm pontos de vistas diferentes – ajude a outra pessoa a enxergar o seu posicionamento (tais equívocos não implicam, necessariamente, em má-fé ou ignorância – fazem parte do processo); Abaixo se tem um exemplo lúdico que mostra os diferentes pontos de vista dos indivíduos: “Você negocia com indivíduos, não com a média” – Jim Sebenius. No caso anterior, um número expressivo de indivíduos enxerga tanto a moça quanto a velha, porém, isso não é uma unanimidade pois cada caso é um caso. Negociamos com indivíduos, não com a média. 3. Círculo de valores: Elementos que fazem o negócio crescer: interesses + opções + legitimidade. 4. Interesses: O que são: O que está por detrás das posições; Questões: Reconhecer seus interesses, investigar os deles e estar atento aos interesses de terceiros; Ação: Pergunte; Resultado: Maximiza o valor; A abordagem de Harvard foca nos interesses e não nas posições (repulso à barganha posicional). As posições consistem na ponta do iceberg; já os interesses, correspondem à parte submersa. O nosso objetivo é inverter o iceberg, ou seja, explicitar os interesses e dar segurança aos que negociam. Nem tudo o que sabemos precisamos falar. Thiago Coelho (@taj_studies) Foco: reconhecer nossos interesses, investigar os da outra parte (parte mais difícil) e estar atento aos interesses de terceiros. Desvendar os interesses é entender o cenário como ele é. Destarte, há algumas perguntas (ação) que podem auxiliar neste processo: “por que?”, “por que não?”, “haveria algum problema se...?”, “o que é mais importante para você?”, “por que não faz sentido o meu posicionamento?”, “o que mais?”, “o que vale para você que tem pouca valia para mim?”, entre outras. Os interesses de terceiro englobam, por exemplo, a mídia, a sociedade, eventuais interessados (como filhos), etc. Tais interesses não devem ser negligenciados. Em uma decisão de guarda compartilhada, por exemplo, o foco deve estar nos interesses dos filhos (menores). Prestar atenção nas ações é de suma importância para desvendar os interesses do outro (“as ações dizem”). Para isso, é crucial a substituição da postura competitiva pela colaborativa. Nunca devemos começar distribuindo valor. Investigar primeiro é imperativo para não tomar decisões precipitadas. Há três tipos de interesses: Comuns: Harmonia entre as partes; Opostos: Corpo da negociação (razão pela qual ela existe); Diferentes: Divergências que não geram, necessariamente, uma oposição; Caso hipotético interessante: A disputa de uma laranja entre irmãs. Uma quer a casca e a outra, a parte comestível. A mãe resolveu dividir a laranja ao meio. Resolveu o problema, contudo não da melhor forma possível (os interesses não foram satisfeitos ao máximo). Cada uma descartou a parte que menos lhe convinha. A solução mais plausível, apontada pelo pai, após ouvir as crianças, seria descascar a fruta. Uma ficaria com a parte comestível inteira e a outra, com a casca inteira. Dar uma solução ao caso sem investigar os interesses é um erro gravíssimo. Ex: O professor pediu para que A mudasse de lugar e B também. Contudo, não há cadeiras suficientes. A e B, em um minuto, resolvem trocar de lugar após a identificação do interesse em comum. 5. Opções: Thiago Coelho (@taj_studies) O que são? Todas as propostas/ soluções possíveis que atendem interesses; Ação: Listar sem discutir; Convide o outro lado para participar; Inclua itens que podem excluir depois; Sempre tem mais uma opção; Resultado: A melhor de muitas opções – solução sem perdas e melhor para todos; Só se consegue trazer opções (propostas) para solucionar o conflito quando se compreende os interesses das partes. Primeiro foca-se nos interesses, depois, nas opções. Devemos criar opções que satisfaçam os nossos interesses e, no que tange ao outro, a proposta deve ser suficiente para a obtenção do “sim”. Uma sugestão, extraída do livrode Alessandra e Mourão, é um “brainstorming”, ou seja, uma “tempestade de ideias” – listar as possíveis soluções e ir eliminando as menos convenientes. Uma opção = uma mera possibilidade – não há discussão de mérito, nem caráter vinculante. Listar discutindo é uma estratégia infrutífera. Não raro uma parte possui muita dificuldade em aceitar propostas da outra, veja-se nesse sentido: “problemas corriqueiros que barram o processo criativo: de um lado sugere uma solução e o outro a fulmina com crítica e apresenta a sua proposta, que então é igualmente atacada com todos os argumentos justificadores de sua inviabilidade ou inconveniência. Ao final de poucos minutos ninguém está disposto a propor nada além de uma solução bem convencional e padronizada (ainda que insatisfatória)” (Alessandra e Mourão). Como já dito no que tange ao relacionamento, fazer com que o outro se sinta parte do processo e ceder-lhe poder para propor soluções é fundamental para facilitar a obtenção do “sim”. Para a próxima aula: Legitimidade, alternativas e compromissos + Ler “O método” – Como chegar ao Sim; AULA 07 – ABORDAGEM HARVARD (CONTINUAÇÃO) Thiago Coelho (@taj_studies) 1. TED TALK (William Ury) – observações importantes: Escutar não se confunde com ouvir, assim como compreender não significa concordar; Temos uma boca e dois ouvidos para ouvirmos o dobro do que dizemos; Saber o que passa na cabeça do outro (escutar a chave); Conectar com o outro ser humano (relacionamento); Obter o sim (mostrar a outra parte que estamos escutando-a tende a que nos escutem); Esvaziar a mente (tirar o “grilo falante”): Muitas vezes não escutamos porque nossa cabeça está cheia de informações; Temos que aprender a nos escutar primeiro para que possamos escutar o outro; Escutar pode resolver conflitos antes que eles comecem; Escutar deve ser a regra e não exceção; Um dos maiores presentes que podemos dar ao outro é o de ser ouvido (escutar o ser humano por trás das palavras); Foco: Transformar nossas relações, nossas famílias e nosso mundo ouvido por ouvido (ear by ear); 2. Opções: São propostas pautadas nos interesses que já investigamos anteriormente. Opções são propostas que melhor atendam aos interesses. Sempre devemos ir a uma negociação com mais de uma opção pois nem sempre sabemos o interesse da outra parte. 3. Legitimidade: O que é: Critério objetivo fixado por terceiros, usado para medir se a proposta ou opção criada para solução da negociação é justo; Questões: Qual o critério que preferimos (lei, jurisprudência, FIPE, imposto de renda)? Qual é o critério que eles podem aceitar? Nosso critério é persuasivo? Ações: Persuadi-los a aceitar o nosso critério; Estar aberto a argumentos racionais, sem ceder a pressões; Resultado: Ninguém se sente roubado, sentimento justo; Thiago Coelho (@taj_studies) Legitimidade é a sensação para ambas as partes de que o negócio foi justo. São critérios objetivos que fomentem um sentimento de justiça. Tais critérios trazem um sentimento bacana de força na negociação unido à ideia de justo. Mesmo após a obtenção do “não” inicialmente, devemos ser persistentes e criar alternativas para converter o “não” em “sim”. No livro “Técnicas de Negociação para Advogados” vimos os estágios de aprendizados da negociação: Incompetente-inconsciente incompetência consciente competência consciente competência inconsciente. Devemos impedir que as partes saiam com a sensação de que foram lesadas pois isso comprometerá as futuras negociações. Isso é horrível. É fundamental sair com a mentalidade de justiça e com um bom relacionamento. A nossa realidade não é a mesma da realidade das outras pessoas. Às vezes uma quantia que consideramos elevada, pode não ser para a outrem. 4. Alternativas: O que são: O que as partes vão fazer se não houver um acordo. Antes da negociação é imprescindível conhecer as suas alternativas para identificar sua MASA (BATNA) e buscar as alternativas da outra parte. MASA = Melhor Alternativa Sem Acordo; Questões: Podemos melhorar a nossa? Qual é a MASA deles? Podemos piorar a MASA deles sem prejudicar a negociação? As alternativas dão força em uma negociação. As alternativas estão fora da mesa de negociação/do juízo de valor. Trata-se “do que vou fazer caso não obtenha o sim/caso não tenha acordo?”. As alternativas são os “Planos B, C, D...”. Nesse sentido, as alternativas não se confundem com opções. Entre as alternativas, devemos analisar qual a melhor alternativa sem acordo. Após identificar a MASA do outro, temos o desafio de fortalecer a nossa MASA e pensar no que fazer para diminuir a MASA do outro sem prejudicar a negociação. Thiago Coelho (@taj_studies) Ex: A recebe propostas de trabalho de três empresas – X, Y e Z. A tem como interesse imediato a X. É interessante A analisar, primeiramente Y e Z. Deve-se analisar os pros e contras de cada alternativa (salário, estrutura, modelo de trabalho – presencial/remoto, carga horária...). Caso não consiga ingressar em X, A já saberá detalhadamente as suas alternativas Y e Z. Ex: Determinada empresa de imóveis, após analisar todos os condomínios presentes em um bairro, resolve construir um condomínio com qualidade acima dos benefícios dos demais (quadra, piscina, academia, salão de festa, preço mais acessível...). Além disso, permitem a visitação apenas depois dos clientes visitarem os demais. Trata-se de uma forma de demonstrar um “plus” em relação aos benefícios dos outros. 5. Compromissos: O que são: O que as partes pretendem fazer no futuro (implementação); Questões: Que autoridade temos? Os compromissos têm credibilidade? Há incentivos para cumpri-los? Ações: Comprometer-se a um processo; Evitar compromissos até ter ouvido e aprendido; Formular compromissos em conjunto; Esclarecer situações de compromisso; Resultado: Compromissos bem planejados e realistas. Em síntese, são os próximos passos após o fechamento de um acordo. 6. Resumo: Somente façamos acordo que: Seja melhor que a nossa MASA; Satisfaça interesses Nossos, bem; Deles, aceitavelmente; De terceiros, toleravelmente; Seja uma solução elegante, sem perdas: a melhor de muitas opções; Thiago Coelho (@taj_studies) Seja legítimo: critérios objetivos para que ninguém se sinta roubado; Contenha compromissos bem planejados, realistas e praticáveis; Haja comunicação efetiva; Ajude a construir um bom relacionamento; EXTRA: RESUMOS DOS CAPÍTULOS PERTINENTES AO ASSUNTO RESUMO – CAPÍTULO 01 “TÉCNICAS DE NEGOCIAÇÃO PARA ADVOGADOS” A autora resolveu escrever a obra pela carência de obras voltadas para graduação e pós-graduação que tratam da negociação no dia-dia do advogado; Há cursos de direito que são muito pautados no direito material, entretanto negligenciam a praticidade e isso inclui técnicas de negociação. A autora, desse modo, defende uma revisão dos cursos de direito, mitigando essa supervalorização do processo em detrimento do direito; Não basta o conhecimento técnico (que é importante), existindo diversas outras habilidades que devem ser aprimoradas para o exercício da profissão; A negociação está enraizada na natureza humana. Sempre estamos precisando negociar. Esse processo é constante; O livro participou de uma onda revolucionária voltada para a discussão de técnicas de negociação na graduação e na pós-graduação; As técnicas apontadas no livro são extraídas dos estudos da Universidade de Harvard e não se confundem com truques ou desonestidade. As técnicas se encontram nos limites éticos e jurídicos, respeitando-se o valor de cada parte; A conciliação e a mediação são alternativas eficazes para resolver conflitos para alémdo Judiciário e da arbitragem, ainda mais levando-se em consideração a morosidade existente no nosso país; O movimento de discussão de técnicas de negociação é global, ocorrendo no Brasil e no exterior. Faz parte da globalização esse movimento de resolver conflitos a margem do Estado-juiz; A autora faz um incentivo à realização de negócios jurídicos processuais, explicitando o papel exercido pelo art. 190 do CPC. Negócios que contemplem mais do que somente a eleição de foro; Thiago Coelho (@taj_studies) Em toda revolução é preciso ousar e para difundir as técnicas de negociação não será diferente! RESENHA – CAPÍTULO 8: “COMUNICAÇÃO E RELACIONAMENTO” (TÉCNICAS DE NEGOCIAÇÃO PARA ADVOGADOS) Não somente a palavra expressa, como também nossos atos e omissões refletem determinadas ideias e comportamentos, gerando expectativas na outra parte. A comunicação eficiente é aquela bilateral, isto é, uma via de mão-dupla. Devemos prestar atenção ao que a outra parte diz – não só ouvir, mas interpretar aquilo que está sendo dito. Erros comuns: Muitos indivíduos pecam ao pensar no que dizer enquanto o outro está no momento de fala, apenas esperando o outro acabar; Tão ruim quanto falar e não ouvir é não falar e não ouvir – não manifestar o interesse pelo diálogo. Esses indivíduos não compreendem e não expressam de forma clara o que pretendem (não entendem e não fazem ser entendidos); Há aqueles que escutam, interpretam, mas não conseguem expor de forma clara e objetiva os seus interesses. Destarte, gera-se uma falsa interpretação da realidade na parte contrária, pois não desvenda os reais propósitos do seu negociador. Como consequência desse não entendimento do que faz a outra parte agir, há a manifestação de um sentimento de desconfiança – o que mina o relacionamento. Nem sempre intenção e impacto caminham juntos. Uma informação passada pode sofrer ruído de comunicação – seja por diversos fatores – e pode culminar em efeitos totalmente opostos aos pretendidos. Dessa forma, devemos transmitir a nossa mensagem da forma mais clara possível em prol da conciliação entre intenção e impacto (“a mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta”). Todavia, isso não é garantia de que a outra parte compreenderá da melhor forma possível – podendo a ensejar dores de cabeças significativas. A falta de habilidade em expressar nosso pensamento com clareza e precisão tende a proporcionar desencontros entre impacto e intenção. Antes de acusar a outra parte por suposta falta de capacidade de entendimento, devemos analisar criticamente o incidente e verificar a nossa contribuição para tal desarranjo (“será que fui claro o suficiente?”). Thiago Coelho (@taj_studies) Na comunicação, é desejável o equilíbrio entre empatia e assertividade. Empatia: Entender os interesses, intenções, necessidades e perspectivas do outro, sem que isso signifique concordância. Ser empático desarma a outra parte para que esta demonstre seus verdadeiros interesses. Há a verificação da nossa compreensão e damos à outra parte a possibilidade de corrigir eventuais equívocos (“contraditório”). Ex: “então você acha que...?”, “deixa eu ver se entendi o seu ponto...”, “eu entendo onde você quer chegar...”. Assertividade: Significa ter firmeza nas nossas declarações, sem que isso signifique prepotência ou agressividade, até porque isso mitigaria um bom relacionamento. É buscar concretizar os nossos interesses e defender os nossos valores, respeitando a outra parte. Ex: “você entendeu o que eu propus?”. Há três tipos de negociadores (podendo haver mesclas em uma mesma pessoa). A atitude diz muito sobre o perfil desses protagonistas à mesa de negociação: o competidor (egoísta, dono da razão, determinado, ávido e impaciente); conciliador (empático, pouco assertivo, prioriza mais um bom relacionamento; evasivo (cético, prioriza a intervenção de terceiros, considera que a negociação é uma perda de tempo e, consequentemente, ineficaz); Muitas vezes, o como é dito influencia bastante no desenvolvimento da negociação e seus efeitos decorrentes. Nesse cenário, emerge o framing – modo de apresentação das nossas colocações para aumentar a viabilidade de aceitação. O framing é usado no nosso cotidiano de forma intuitiva (ex: desconto no preço por pagamento à vista). É importante, também, identificar o ponto de referência da negociação (no exemplo anterior, o tempo: receber uma menor quantia logo ou uma maior a longo prazo). Com as mudanças trazidas pela pandemia, tem-se a possibilidade de reuniões on-line que, a depender das circunstâncias, pode ser mais proveitosa e acessível em relação ao modo presencial. Hoje, na verdade, vivemos um modelo híbrido – ora as reuniões presenciais são mais plausíveis; ora as reuniões on-line. Devemos nos comprometer a não interromper e pedir para não sermos interrompidos. É bem útil ouvir a outra parte primeiramente para facilitar nossa estratégica. Como já dito, equilibrar empatia e firmeza é fundamental. Manter um bom relacionamento é crucial pois isso proporciona uma boa reputação no mercado e facilita futuras negociações. Respeitar não implica em ter afeto ou bajular. Cuidar da reputação é valorizar a profissão. Thiago Coelho (@taj_studies) A melhora ou piora do relacionamento é um parâmetro eficaz para saber se o resultado da negociação foi ou não satisfatório. Deve ocorrer uma cooperação entre as partes. Controle emocional, juntamente com a realização de pausas, é fundamental, principalmente nos momentos mais tensos. O relacionamento não deve ser valorizado de forma excessiva (a cega igualdade como critério para a justiça), sob possibilidade de prejudicar a maximização da satisfação dos interesses. Assim, ambos podem sair insatisfeitos pois a mudança de foco inviabiliza qualquer negociação. Devemos aprender a não abrir mão de certas coisas e a não aceitar tudo. RESENHA – CAPÍTULOS 3 A 7 – TÉCNICAS DE NEGOCIAÇÃO PARA ADVOGADOS CAPÍTULO 03: Muitos operadores do Direito tratam a audiência de tentativa de conciliação como uma mera perda de tempo (visão ultrapassada). Temos que negociar o tempo todo (ainda que não percebamos) e nunca saberemos qual será a última negociação. Negociamos com colegas de departamento, superiores, subordinados, clientes, advogados da outra parte e tantas outras pessoas. A conciliação e mediação são estimuladas pelo Código de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (art. 2º, p. único, VI). Não devemos “brigar pra ganhar” (barganha), mas ter assertividade para a obtenção do acordo mais satisfatório. Devemos nos munir de instrumentos qualificados para o enfretamento de colegas hábeis. Devemos procurar deixar claro ao nosso cliente as vantagens da negociação. Devemos pensar na nossa remuneração de forma proporcional ao benefício final e à duração razoável da decisão (não se basear somente no resultado final). Recompensa digna, moral e pecuniária: valorização da profissão. O advogado focado no resultado é o profissional do século XXI. O procedimento da negociação não deve ser temido e sim domado. CAPÍTULO 04: Thiago Coelho (@taj_studies) Negociar é um ato inerente a todo e qualquer ser humano desde a sua origem. Ex: Bebês choram para pedir comida sob a possibilidade do barulho continuar. A nossa origem em negociar foi bem amadora, mas foi se aperfeiçoando a partir das experiências e do nosso amadurecimento. Com o passar do tempo, passamos a dosar a eficiência, bem como a estruturar o nosso pensamento e ação (“será que a proposta que fiz, a qual foi rapidamente aceita, foi boa demais?”). Não é possível obter resultados diferentes fazendo a mesma coisa (visão de Albert Eisten). Na negociação devemos convencera outra parte de que a proposta que temos a oferecer é a melhor alternativa. Devemos evitar ataques pessoais pois esses em nada contribuem para a negociação (muito pelo contrário: mina o relacionamento entre as partes e há uma troca mútua de farpas). O foco deve ser na construção de um ambiente harmônico e propício ao diálogo. A diferença de uma negociação para uma discussão em um processo judicial é que, na primeira, não se discute o mérito da ação. Ao contrário do enraizado no senso popular, um mau acordo não é melhor do que uma boa demanda. ETAPAS DA NEGOCIAÇÃO Incompetência inconsciente Amadorismo, o sujeito não sabe o que não sabe e é cheio de dúvidas (se assemelha a um bebê). Incompetência consciente O sujeito desperta a curiosidade de aprender e adquire as primeiras noções de como dosar a eficiência do modo de negociar (o bebê busca aprender). Competência consciente O sujeito estrutura seu pensamento e ação com base em objetivos claros, atentos e consciente (começar a dirigir focando no olhar para a frente e em todos os comandos para que o carro funcione). Competência inconsciente Execução automática das técnicas adquiridas – estágio da maestria (pedalar de bicicleta contemplando a paisagem e sem medo de cair). CAPÍTULO 05: A maneira como realizamos o contato inicial pode ser vital. A nossa primeira abordagem deve ser pensada antes do primeiro encontro. Ajuda bastante uma preparação coletiva. Thiago Coelho (@taj_studies) A isenta colaboração de terceiro é preciosa para quem está envolvido na disputa (“olhar de fora”: “o que você acha desses meus argumentos?”, “você acha que estou sendo muito incisivo?”). Participação de terceiro é útil para simular a situação real e evitar surpresas. Exercício interessante: simulação e inversão de papéis. É importante entender o ponto de vista do outro para conseguir argumentar na tônica correta. Compreender a percepção da outra parte não significa concordar. Isso é um bônus e não um ônus. Propor algo que só beneficia quem propôs é uma perda de tempo (chances remotas de aceitação). A primeira barreira que encontramos em uma negociação somos nós mesmos. Negociamos com seres plurais, os quais apresentam uma diversidade de comportamentos – desde pessoas árduas até proativas. Atacar o outro jamais será benéfico (ciclo vicioso e troca mútua de farpas) = fonte de aborrecimento. É necessário separar a pessoa do problema, embora, em muitas ocasiões, isso seja uma tarefa difícil (mas não impossível). Caso interessante: a disputa de uma laranja entre irmãs (uma quer a casca e a outra, a parte comestível dividir a laranja ao meio gera insatisfação mútua). A solução mais plausível, após ouvir as crianças, seria descascar a fruta. Modelo típico de negociação (e incorreto): a barganha posicional (elevar as propostas e ir descendo a partir de concessões mútuas). Na barganha posicional, ganha quem fizer menos concessões a partir da posição adotada no início. Trata-se de uma “queda de braço”. ↑ BARGANHA ↓ RESULTADO A negociação é pautada nos interesses, os quais movem as pessoas. O posicionamento é a ponta do iceberg, enquanto que os interesses representam a parte submersa. O grande desafio é “inverter o iceberg”. É crucial desvendarmos os reais interesses (motivos) de com quem estamos negociando e, também, de nossos clientes. Muitas vezes nem mesmo o cliente sabe quais os interesses que permeia suas atitudes e ambições. Perguntas que podem auxiliar neste processo: “por que?”, “por que não?”, “haveria algum problema se...?”, “o que é mais importante para você?”, “o que mais?”, “o que vale para o outro que tem pouca valia para mim?”... Desvendar os interesses é entender o cenário como ele é. Os interesses podem ser comuns, diferentes e opostos (ordem preferencial que devemos pensar). Thiago Coelho (@taj_studies) CAPÍTULO 06: Ninguém se deixará conscientemente sair perdedor do processo de negociação. A barganha posicional estimula a imposição, a qualquer custo, da derrota ao adversário. Jamais devemos subestimar a capacidade de negociação e dissimulação da outra parte. Há diversos modos de alcançar os interesses da outra parte e, para isso, precisamos ter duas habilidades: flexibilidade e criatividade. Três pilares do exercício da negociação: conhecimento, técnica e sensibilidade. Interesse é o que se tem atrás de uma postura – é a parte submersa do iceberg. Desse modo, fixar-se apenas no posicionamento pode ser fatal (vide o Titanic). Ao fechar um acordo, devemos cuidar para que todos os aspectos e consequências sejam previstos, evitando aborrecimentos futuros e surpresas. Devemos criar opções que satisfaçam os nossos interesses e, no que tange ao outro, a proposta deve ser suficiente para a obtenção do “sim”. Substituição da postura competitiva pela colaborativa. É importante fazermos um “brainstorming” – listar as possíveis soluções e, depois, ir eliminando as menos convenientes. Uma opção = uma mera possibilidade (não vinculante, não há compromisso). Fazer com que o outro se sinta parte do processo é fundamental para facilitar o “sim”. Prestar atenção nas ações é fundamental para desvendar o que a outra parte pretende (“as ações dizem”). As decisões precipitadas, vias de regra, não levam a lugar nenhum e gera aborrecimentos. Não devemos perder a oportunidade de fazer o “melhor acordo possível”. Não devemos dizer “sim” ou “não” de imediato a uma proposta da outra parte. Devemos considerá-la e analisá-la criticamente. Podemos aperfeiçoar propostas iniciais (isso não é raro de se constatar na prática). Às vezes, uma ideia ruim no início se torna um ótimo fecho para o acordo. Não há uma única resposta correta (Alexy, Kelsen...). A outra parte não dirá “sim” caso não tenham a ganhar com a nossa proposta (salvo em raros episódios de amadorismo). Em uma negociação temos as seguintes missões: Descobrir quais os interesses comuns (pontes de possibilidades); Descobrir os interesses divergentes (é a diferença que possibilita o acordo); Explorar as preferências de cada parte envolvida; Thiago Coelho (@taj_studies) A criação de valores pode se dar por: recursos + valores diferentes + prognósticos + visão do risco + tempo. Devemos sempre buscar esclarecer eventuais dúvidas já que, caso contrário, poderemos estar interpretando mal a realidade e formar um mal acordo (Se não souber, pergunte!). Importante conhecer para liderar. Sugestão: Deixar a outra parte se posicionar primeiro (conhecer para liderar, ouvir antes de propor). Foco: Interesses e ganhos mútuos. Colocar-se no lugar do outro e pensar em uma opção para agradá-lo é uma estratégia eficaz (empatia + persuasão). Soluções simples podem resolver problemas. Ex: O cliente A teme a criação de uma proposta da outra parte. É plausível pedir que o advogado de A elabore proponha uma solução. Como já dito, o profissional do século XXI deve ser criativo, desde que mantenha a seriedade e a boa-fé da proposta. CAPÍTULO 07: As opções de ganhos mútuos devem ser legítimas e justas (não fomentar em ninguém a sensação de ter sido lesado). Não devemos tomar decisões precipitadas à mesa de negociação. Antes da audiência, é importante nos reunirmos com o nosso cliente e discutir os interesses deste, bem como os possíveis interesses do “rival”. Devemos pautar a nossa proposta em critérios objetivos (fatores externos à vontade humana) e não no mero senso de justiça. Ex: O preço de um imóvel determina-se pela área, região, vizinhança, acessibilidade, estrutura, idade, etc. Ter uma referência é fundamental. Ex: Uma guarda compartilhada entre pais separados deve ser pensada a luz dos desejos do menor. Fuja da autotela– mera imposição de vontades. Exemplos de critérios objetivos para o Direito: lei e jurisprudência. Manter a mente aberta às propostas da outra parte é fundamental, bem como fazer com que ela participe do planejamento de soluções. A escolha de critérios objetivos também não pode ser uma “queda de braço”, “uma batalha de vontades”. Thiago Coelho (@taj_studies) RESENHA – COMO CHEGAR AO SIM – CAPÍTULO 01 No modelo tradicional de negociação, cada um dos lados toma uma posição, defende-a e faz concessões para chegar a uma solução do compromisso; Qualquer método de negociação pode ser julgado por três critérios: (I) produção de um acordo sensato; (II) eficiência; e (III) aperfeiçoamento do relacionamento entre as partes; O ego obsta o desfecho da negociação e destrói o relacionamento entre as partes; À medida em que se presta maior atenção às posições, menos atenção é voltada para o atendimento dos interesses subjacentes das partes; A negociação de barganha é demorada no que tange à obtenção de uma solução, a qual possui o risco de nem existir; ↑ EXTREMADAS POSIÇÕES INICIAIS ↓ CONCESSÕES ↑ TEMPO ↑ ESFORÇO Uma vez estabelecido o acordo, é difícil modificá-lo; O negociador áspero tende a se sobressair em relação ao negociador afável. Portanto, ser afável também não é a solução mais adequada, uma vez que pode prejudicar a obtenção de resultados satisfatórios (acordo não sensato); Os autores propõem um meio-termo entre as duas posturas: a negociação baseada em princípios, também chamada de negociação dos méritos, composta por quatro elementos: Pessoas: Separe as pessoas do problema (cooperação); Interesses: Concentre-se nos interesses, não nas posições (satisfação dos interesses); Opções: Crie uma variedade de possibilidades antes de decidir o que fazer (planejamento); Critérios: Insista em que o resultado tenha por base algum padrão objetivo (objetividade); As quatro proposições se concretizam ao longo de três fases: Análise: Diagnóstico da situação-problema; Planejamento: Gerar ideias e decidir o que fazer; Discussão: Comunicação entre as partes visando a um acordo; RESENHA – “O MÉTODO” (COMO CHEGAR AO SIM): Thiago Coelho (@taj_studies) “As pessoas ouvem melhor quando sentem que você as compreende” SEPARE AS PESSOAS DO PROBLEMA Na negociação, estamos lidando com seres humanos, os quais apresentam valores, desejos e emoções. O aspecto humano pode ser útil ou desastroso, sendo a presença de um bom relacionamento fundamental para a obtenção de um resultado mutuamente satisfatório. Os mal-entendidos são ruídos de comunicação e reforçam um ciclo vicioso, fazendo com que as soluções sejam inviáveis e a negociação seja um fracasso. Importante questionamento: “Será que estou prestando atenção suficiente ao problema das pessoas?” (capacidade de saber ouvir e entender o outro lado – aspecto humano indispensável). Todo negociador tem interesses substantivos e interesse em seu relacionamento com o outro lado. Uma negociação nunca será a última, o que demonstra a necessidade de uma boa reputação e um bom relacionamento com os demais negociadores tendo em vista às futuras negociações. Nesse sentido, o relacionamento é contínuo. Muitas vezes as questões substantivas se confundem com as questões psicológicas em virtude e más interpretações. Devemos ter muita cautela para não confundir a identificação de um problema com um ataque pessoal. A barganha posicional, colocando um contra o outro obsta uma boa negociação. É necessário um equilíbrio entre empatia e assertividade pois priorizar excessivamente um bom relacionamento em detrimento da maximização dos nossos objetivos pode conduzir a uma solução desagradável e pouco proveitosa. Ceder em um ponto importante pode não garantir nenhuma amizade. Devemos ter cuidado para não passar a impressão que somos facilmente manobrados. Não devemos solucionar um problema através de concessões substantivas (aquilo que tem muito valor para nós). Devemos lidar diretamente com o problema das pessoas. Para manter o caminho de uma negociação é necessário: percepção, emoção e comunicação. O conflito não está na realidade objetiva e sim na mente das pessoas. As pessoas apresentam medos, os quais, mesmo que irreais, existem. Tais medos precisam ser abordados. As esperanças, mesmo que irrealistas, podem provocar uma guerra. Os fatos, mesmo que bem estabelecidos, podem não contribuir em nada para a solução do conflito. Thiago Coelho (@taj_studies) Em síntese, como já mencionado, por mais que seja útil a realidade objetiva, é a realidade tal como lado a vê que constitui o problema de uma negociação e abre espaço para uma solução. O modo como pensamos depende do lugar em que nos encontramos (Durkheim). Logo, as pessoas que vivem em locais distintos tendem a apresentar percepções diferentes. É necessário aderir a um relativismo e abdicar da visão etnocentrista, ou seja, ver a situação como o outro lado vê, o que não implica em concordar. Conhecer melhor a percepção da outra parte proporciona uma revisão das nossas próprias opiniões sobre os méritos de uma situação. Trata-se de um benefício e não um ônus de compreender a outra parte. É normal pensar que o nosso medo é o que a outra parte pretende fazer (receio de receber um calote, por exemplo). Daí, a melhor maneira de mudar as perspectivas de outrem consiste em enviar-lhes uma mensagem diferente do que esperavam (ex: propor um acordo de paz enquanto temem por uma guerra – assinatura de um acordo de paz entre Egito e Israel). É fácil incorrer no hábito de atribuir a pior das interpretações ao que o outro lado diz ou faz. Uma interpretação desconfiada decorre naturalmente das percepções existentes no próprio sujeito (o que manifestamos diz mais sobre nós mesmos do que sobre o outro). É fácil incorrer no modelo de atribuição de culpa e negligenciar a nossa responsabilidade trata-se de um erro (má-fé de Jean Paul Sartre). Atribuir culpa tende a gerar mais conflitos e impasses. Ambas as partes precisam se levar mutuamente a sério. Comunicar em voz alta e de modo convincente o que a outra parte gostaria de ouvir é um dos melhores investimentos que podemos fazer na condição de negociadores. É importante envolver o outro no processo/na preparação de tomada de decisões, já que isso aumenta as chances de aceitação da parte com a qual estamos negociando. Isso é bem negligenciado e, normalmente, a comunicação é feita no final e dificilmente será aceita (vide a demissão do treinador bem-sucedido do Flamengo Dorival Jr. de forma nada transparente). Não incluir a outra parte pode culminar em desconfiança. Ex: Brancos sul-africanos buscam abolir a Lei do Passe (nobre e humana decisão), mas sem participação da população negra (diretamente afetada pela ação). A não inclusão de um negro nesse processo pode gerar desconfiança. É importante incluir o outro desde o começo pois a participação no processo é um dos mais importantes pilares de aceitação de uma proposta por um negociador. As partes devem salvar as aparências: agir de forma cooperativa, coerente, de boa-fé e de forma fundamentada. Destarte, devemos conciliar a nossa postura com nossos Thiago Coelho (@taj_studies) valores e ações passadas, bem como fundamentar as nossas decisões, pois, de certo modo, geramos uma legítima expectativa no negociador. Devemos analisar se a solução proposta pela outra parte é plausível e positiva, aprendendo, em certas ocasiões, a “dar o braço a torcer”. Em uma negociação, os sentimentos podem ser mais importantes que as palavras. As emoções podem levar rapidamente uma negociação ao impasse ou ao fim. Desabafar e dizer o que está sentido pode ser benéfico, tornando as negociações menos reativas emais proativas. O desabafo pode deixar mais fácil falar racionalmente mais tarde. Devemos perguntar a nós mesmos: “o que está produzindo essas emoções?” (autocrítica). É importante ouvir as críticas em silêncio e não reagir aos ataques. Devemos nos dispor de atos simples e pouco onerosos capazes de produzir um impacto emocional construtivo em um dos lados. Visa-se, assim, a preservar o relacionamento com a outra parte. Pedir desculpas é um dos atos menos dispendiosos e mais recompensadores que podemos fazer. Sem comunicação não há negociação. Há três grandes problemas na comunicação: Os negociadores podem não falar com o outro de forma a serem entendidos; Falta de atenção ao ouvir a outra parte (se preocupar no que dizer enquanto a outra parte expõe seus argumentos); Mal-entendidos – ruídos de comunicação (descompasso entre intenção e impacto); Soluções: Escutar ativamente e registrar o que está sendo dito: Compreender não é concordar; Falar para ser entendido: A negociação não é um debate ou julgamento. Uma sugestão é limitar o número de participantes na negociação em prol de maximizar a produtividade e a obtenção de um resultado satisfatório; Falar sobre nós mesmos e não sobre os outros: “Sinto-me...” (evita aborrecer a parte contrária); Falar com um objetivo: Evitar a comunicação excessiva; Desenvolver um bom relacionamento com um estranho deve ser feito, prioritariamente, no período que antecede a negociação. Thiago Coelho (@taj_studies) Sentar lado a lado (literalmente) e deixar de lado os egos pode facilitar as trocas e compreender as divergências. Busca por cooperar, desenvolver uma confiança recíproca, e enfrentar juntos o problema (como marinheiros náufragos). A abordagem básica consiste em lidar com as pessoas como seres humanos e com o problema segundo os seus méritos. CONCENTRE-SE NOS INTERESSES, NÃO NAS POSIÇÕES Os interesses são “motores silenciosos por trás da algazarra das posições”. É necessário, desse modo, desvendar os reais objetivos da parte que fomentam determinada posição. A conciliação dos interesses funciona por dois motivos: (I) para cada interesse geralmente existem diversas posições e (II) há múltiplos interesses comuns dos conflitantes. Muitas vezes, os acordos são possíveis porque os interesses diferem. As posições tendem a ser evidentes, concretas e explícitas; já os interesses podem ser não-expressos, intangíveis e talvez incoerentes. Tentar compreender as necessidades, esperanças, medos ou desejos do outro sem julgamento, isto é, sem buscar uma justificativa para a posição do outro, é fundamental. O objetivo é entender quais os objetivos da outra parte agora (presente). Devemos gerar opções (não vinculantes) a partir de um brainstorming e, analisar, junto com a outra parte de preferência, quais os pontos positivos e negativos, bem como as consequências práticas de cada uma delas e ir afunilando. Todo negociador tem um “eleitorado” a cujos interesses é sensível, ou seja, a negociação também deve levar em consideração os interesses de terceiros (ex: o reflexo social da solução). Para discriminar os vários interesses de cada lado convém escreve-los a medida que eles ocorrem, situando-os em ordem de importância. Depois, faz-se plausível examinar como atender a tais interesses. A finalidade de negociar consiste em atender aos nossos interesses. É nossa missão fazer com que o outro lado compreenda o quão legítimos, importantes e específicos são os nossos interesses. Nesse cenário, é necessário provocar empatia no outro, isto é, convencê-lo de que ele bem poderia se sentir da mesma forma. As pessoas ouvem melhor quando sentem que você as compreende (caso William Ury v Hugo Chavez – TED TALK assistido em sala). Thiago Coelho (@taj_studies) Ordem necessária a seguir: escutar e compreender o raciocínio da outra parte fornecer primeiro seus interesses e razões fornecer conclusões e propostas (inverter o cenário mitiga a boa negociação: começar propondo pode gerar perturbação na outra parte). Devemos buscar não a causa, mas a finalidade do problema (olhar para o futuro – falar sobre onde gostaríamos de chegar). Devemos ser objetivos, mas flexíveis: estar com a mente aberta às novas ideias/propostas das outras partes (não pressões) – ser uma “metamorfose ambulante”. Na etapa de propor soluções, devemos listar o maior número possível e pedir o auxílio da outra parte. Não é o momento ainda de se buscar uma resposta correta ou de fazer julgamentos. O foco é no ataque ao problema, não nas pessoas. É plenamente possível equilibrar assertividade com empatia. Em suma, devemos ser firmes e abertos. INVENTE OPÇÕES DE GANHOS MÚTUOS Uma opção criativa é a diferença entre o impasse e o acordo. Dessa forma, a habilidade de inventar opções é uma das maiores habilidades de um negociador. Se posicionar ao lado (e não na frente) da outra parte pode fazer prosperar uma ideia mais concreta de cooperação. Na fase de invenção de opções, como já dito, devemos evitar julgamentos. “Um resultado em que o outro lado não receba absolutamente nada é pior para você do que outro em que o outro lado seja mitigado” (uma negociação nunca é um fim em si mesma – haverão outras no futuro). Devemos fazer algo concreto e voltado para o futuro. OBSTÁCULOS QUE INIBEM A INVENÇÃO DE UMA MULTIPLICIDADE DE OPÇÕES SOLUÇÕES Julgamento prematuro Separar as invenções das decisões Busca por uma resposta única Ampliar as opções sobre a mesa A pressuposição do bolo fixo (o outro ganhar significa eu perder) Buscar benefícios mútuos Resolver o problema deles é problema deles Inventar meios de facilitar a decisão do outro Thiago Coelho (@taj_studies) INSISTA EM CRITÉRIOS OBJETIVOS Tentar conciliar as diferenças com base na vontade acarreta sérios ônus. Devemos pautar as soluções em critérios objetivos e não na mera imposição de vontade (ou “política da empresa”). Os critérios objetivos são a lei, a doutrina, a jurisprudência, o valor do mercado, etc. Ex: A fixação do preço de um imóvel ou a fixação do preço de indenização pela empresa de seguro (não são estabelecidos por mero senso subjetivo). Orientações fundamentais para a negociação: Formule cada questão como uma busca conjunta de critérios objetivos; Pondere e permaneça aberto às reflexões sobre quais são os padrões mais apropriados e como devem ser aplicados; Jamais ceda à pressão, mas tão somente aos princípios; Devemos evitar a barganha posicional. Fixar critérios objetivos traz a ambas as partes a perspectiva de que não saíram lesadas (justiça) – o que contribui para alimentar futuras negociações. Thiago Coelho – T5A 2023.1 @taj_studies AULA 08 – A CIÊNCIA DA PERSUASÃO 1. Síntese: A ciência da persuasão/ Robert B. Cialdini A Psicologia Social identificou os princípios básicos que levam uma pessoa a dizer “sim” e que culminam em uma espécie de “seleção natural”. Com base nesse estudo, devemos analisar criticamente as ofertas e aplicar tais princípios na persuasão de outras pessoas. RECIPROCIDADE RETRIBUIR FAVORES Há o código da reciprocidade: quando alguém faz algo por nós ou vice-versa, cria-se uma obrigação social de retribuir. Essa abordagem é utilizada por organizações beneficentes, supermercados que oferecem Thiago Coelho (@taj_studies) degustações grátis, dedetizadores que fornecem orçamentos sem compromisso, academias de ginástica que propõem aulas-teste e, principalmente, a concessões que as pessoas fazem umas às outras. Mostrar uma segunda opção (Plano B) ou trazer o Plano A como se B fosse pode facilitar a obtenção do “sim” – a concessão estimula fortemente a retribuição. COERÊNCIA AGIR COM COERÊNCIA Mobilização dos desejos de ser e de parecer coerente. Realizar pausas para deixar a outra parte pensar e firmar um compromisso é importante. Compromissos públicos, mesmo os banais, determinam as ações futuras. Ex: Restaurante que busca mitigar o número de pessoas que reservam vagas, mas não comparecem. Um compromisso inicial pode gerar um compromisso futuro (abaixo-assinado destinação de recursos para uma causa social). VALIDAÇÃO SOCIAL IMITAR PESSOAS COM QUEM NOS IDENTIFICAMOS Ideia de que o exemplo arrasta. Olhar o que os outros estão fazendo ou fizeram em determinada circunstância e obtiveram sucesso, as pessoas tendem a enxergar determinada escolha como a mais correta. Ex: Uma pessoa olhando sozinha o céu não consegue arrastar o mesmo número de pessoas caso um grupo esteja olhando para o céu quanto maior a lista, maior o efeito. Deve-se ter atenção para que não ocorra o efeito inverso. Ex: Campanhas contra o suicídio através de porcentagens podem inclinar mais pessoas para enxergar o suicídio como a solução dos problemas. GOSTAR DAR PREFERÊNCIA AOS PEDIDOS DE QUEM GOSTAMOS Afinidade, empatia e afeição descrevem um sentimento de conexão entre as pessoas. As pessoas preferem dizer sim àqueles de que gostam. A atração física pode, inclusive, ser um fator preponderante para a satisfação dos interesses. Às vezes os vendedores criam conexões – reais ou falsas – com o consumidor em prol do negócio (“eu Thiago Coelho (@taj_studies) também estudei em X” ou “é sério que você também gosta de Y?”). Elogiar e cooperar também incentivam o gostar. AUTORIDADE PRESTAR ATENÇÃO À AUTORIDADE LEGÍTIMA Vestir-se bem pode aumentar a credibilidade da proposta. Ex: Um médico bem vestido ao atender os pacientes tende a ter as suas recomendações mais aceitas em comparação a um médico que trabalha vestido de pijama. Nós queremos a opinião de pessoas que realmente são autoridades, tendo cuidado para não seguir as “falsas autoridades” ou “falsos especialistas” (ainda mais no contexto globalizado e tecnológico vigente – no qual todos sabem, mas pouco sabem). ESCASSEZ VALORIZAR RECURSOS ESCASSOS Produtos e oportunidades se tornam mais desejados à medida que ficam menos disponíveis. “Por tempo limitado”, “estoque limitado”... Isso se aplica também ao âmbito informacional (informações raras e pautadas em fontes exclusivas tendem a aumentar a credibilidade da informação). 2. Principais pontos do vídeo – seis princípios universais para a persuasão: Reciprocidade: As pessoas tendem a dizer “sim” para aqueles que o ajudaram de forma inesperada e individualizada; Escassez: Quanto menos presente um bem, maior é o interesse por este. Autoridade: As pessoas tendem a seguir exemplos de pessoas com credibilidade (especialistas). Pedir alguém para nos apresentar pode surtir um efeito mais significativo em comparação à autoapresentação; Consistência: Um comportamento anterior pode originar um compromisso futuro mais complexo; Simpatia/Gostar de alguém: As pessoas tendem a dizer “sim” para as pessoas que gostam. Antes da negociação propriamente dita, falar de gostos comuns pode aumentar significativamente a obtenção de um acordo satisfatório após a negociação; Thiago Coelho (@taj_studies) Consciência: Devemos tornar a mensagem mais efetiva possível a fim de transformar o comportamento de quem queremos persuadir. Para isso, listar os possíveis impactos de determinadas ações (como reutilizar a toalha em prol do meio ambiente) é crucial para provocar atitude na outra parte; AULAS 09 E 10 – CASO BIANCA CASTAFIORE 1. O caso Bianca Castafiore: Você acabou de se associar a uma empresa que agencia artistas. Bianca Castafiore certamente não é uma grande cliente da agência, mas você quer fazer um bom trabalho nesta sua primeira tarefa como sócio, especialmente porque tem interesse em expandir atuação da agência na área lírica. Esta é a primeira vez que você cuida da conta da Sra. Bianca Castafiore. Você conheceu a Sra. Castafiore ontem. Ela é uma soprano já de certa idade, mas que ainda tem uma boa voz. Durante sua conversa com ela você obteve as seguintes informações: Ela não consegue um papel principal há dois anos embora tenha feito papéis secundários em algumas óperas. Sua popularidade caiu um pouco nos últimos quatro anos. O Teatro Lírico, para quem Bianca Castafiore já cantou diversas vezes ao longo dos anos, está com uma produção de Carmem de Bizet programada para estrear daqui a três semanas. O desafiador papel principal é considerado um prêmio para uma jovem soprano. Quando o Teatro Lírico anunciou o programa desta temporada, Renata Accendente estava indicada para o papel-título de Carmem. Renata é considerada uma cantora de primeira classe, embora não tenha ainda obtido a popularidade que Bianca Castafiore desfrutava no auge de sua carreira. Três semanas atrás o nome de Renata foi repentinamente suprimido da propaganda do Lírico, e começaram a circular rumores na comunidade operística de que ela ou teria ficado doente ou teria entrado em atrito com o diretor artístico do teatro. Bianca Castafiore entrou em contato com o diretor artístico para perguntar se havia alguma possibilidade de obter aquele papel. Bianca conhece bem a ópera e já interpretou Carmem com sucesso várias vezes. Ontem Bianca foi informada pelo Lírico de que poderia haver interesse em contratá-la para o papel principal. Uma reunião foi marcada para hoje, na qual você, como empresário de Bianca Castafiore, vai encontrar-se com o gerente comercial do Teatro Lírico para discutir a situação. O Teatro Lírico é uma instituição estabelecida há muitos anos na cidade. Tal como outros teatros, é uma entidade sem fins lucrativos financiada pela combinação das vendas de ingressos, contribuições de empresas privadas e uma verba da prefeitura local. Em geral, o Teatro Lírico mantém o equilíbrio financeiro ao longo do ano, com lotação razoavelmente Thiago Coelho (@taj_studies) boa em seu auditório de 2.000 lugares. O preço dos ingressos varia de $18 a $55. Esta temporada de Carmem de Bizet está programada para durar seis semanas, com três apresentações semanais. Bianca Castafiore quer desesperadamente este papel. Isto poderia marcar sua volta triunfal e lhe daria uma boa chance de obter um papel importante num musical que será produzido em breve para a televisão. Este especial da TV pagaria $45.000 e provavelmente abriria as portas para outros papéis. Bianca ficou deslumbrada ao saber do possível interesse do Teatro Lírico. Bianca disse a você que poder cantar Carmem é o que interessa; a remuneração em dinheiro tem importância secundária. Ela lhe disse com franqueza que estaria disposta a interpretar Carmem até mesmo de graça; entretanto, por motivo de orgulho profissional, reputação e o impacto potencial sobre futuros contratos, quanto mais alto o cachê, melhor. O cachê de Bianca Castafiore nos últimos dois anos para papéis secundários em óperas desse tipo variou de $10.000 a $18.000. Quatro anos atrás, quando ela estava no ápice de sua carreira, recebeu $22.000 para interpretar Carmem no próprio Teatro Lírico. Desde então, devido à inflação e à crescente popularidade da ópera, os cachês pagos a cantoras líricas de primeira linha praticamente duplicaram. Bianca reconhece, porém, que dificilmente lotaria teatros como costumava fazer. No ano passado, a jovem soprano que interpretou Carmem para o Teatro Lírico recebeu $24.000, segundo se comenta nos meio artístico. A última vez que Bianca Castafiore cantou para o Teatro Lírico foi há mais de um ano atrás, quando interpretou o papel secundário de Adalgisa na Norma de Bellini. Na ocasião ela recebeu $12.500 e as críticas foram razoavelmente boas. Embora seja difícil generalizar, cantorasque interpretam papéis principais em óperas desse tipo recebem pelo menos o dobro do que ganham as cantoras em papéis secundários. Bianca Castafiore acredita que sua experiência e maturidade fazem-na particularmente apropriada para o papel de Carmem. Além disso, Bianca acha que talvez tenha interpretado Carmem muito precocemente no passado, e talvez hoje o papel lhe seja mais adequado. Uma das maiores preocupações do Teatro Lírico é provavelmente a lotação que Bianca Castafiore proporcionará. O Teatro Lírico costuma lotar 85% do seu auditório, sendo que em algumas óperas a lotação se esgota. Por outro lado, uma baixa lotação pode ser financeiramente devastadora para o orçamento anual do Teatro Lírico. Esta é uma razão pela qual você acha que foram oferecidos menos papéis recentemente para Bianca Castafiore. Embora sua voz no geral continue boa, ela tem tido alguns dias medíocres, o que não ocorria há quatro anos. Se as apresentações de Bianca Castafiore lotassem somente 50 ou 60% do Teatro Lírico, provavelmente este seria seu último papel principal. Na verdade, qualquer lotação inferior a 80% provavelmente traria esta conseqüência. Bianca Castafiore está certa, contudo, de que tal resultado é extremamente improvável em razão de suas inestimáveis qualidades artísticas. Thiago Coelho (@taj_studies) Prepare-se para uma reunião com o gerente comercial do Teatro Lírico. 2. Síntese do caso: Bianca é uma cantora lírica famosa, cujo auge ficou no passado; Teatro Lírico: espaço destinado à divulgação da obra lírica; Peça: Carmem de Bizet; Afastamento da cantora do papel principal; Negociadores: Gerente do Teatro Lírico e Empresário de Bianca; Tempo dedicado à preparação e tempo dedicado à negociação; 3. Preencha o quadro a seguir: PARTES E QUESTÕES INTERESSES OPÇÕES LEGITIMIDADE As partes (faça um diagrama se quiser) Teatro Lírico, representado pelo seu gerente e Bianca Castafiore, representada pelo seu empresário. Questões importantes (assuntos que necessitam ser abordados) - A escolha de Bianca para o papel principal; - O cachê; - Expectativa de público; NOSSOS: - A escolha de Bianca para cantar Carmem; - O valor do cachê em torno de $ 45.000; DELES: - Garantir a lotação mínima de 80% do teatro; - Garantir uma boa performance em todas as apresentações; DE OUTROS (público, outros artistas...) - Ter um bom espetáculo; (Enumere possíveis opções para cada questão) - Realizar testes que antecedam à contratação e ao espetáculo; - Divulgação da peça, com o foco das campanhas nas gerações mais antigas, as quais já desfrutaram do talento de Bianca no passado; - Exercício de sessões da cantora com fonoaudiólogos para garantir a estabilidade da voz; - O cachê pode ser definido a partir de uma cotação mínima (Identifique critérios objetivos para quaisquer questões ou opções que você encontrou) - A experiência, bem como o talento inegável de Bianca, a qual já interpretou Carmem quando mais nova; - Fornecimento de laudos por fonoaudióloga; - Preço do cachê, considerando a inflação e demais índices; - Pesquisas de mercado em prol de fixar o preço dos ingressos, considerando a faixa Thiago Coelho (@taj_studies) - Para os que conhecem Bianca, ela interpretando o papel é condição determinante para comprar o ingresso; - Preços acessíveis dos ingressos; e uma parte variável a depender da “produtividade” de Bianca e do comparecimento do público; - Inserir preços mais acessíveis na primeira temporada de retorno de Bianca no papel principal; etária da cantora, a natureza do espetáculo, o poder aquisitivo dos espectadores e a infraestrutura do Teatro Lírico; - Realizar espetáculos para instituições de caridade, uma vez que o Teatro é uma instituição sem fins lucrativos; ALTERNATIVAS COMPROMISS O COMUNICAÇÃO RELACIONAMENTO Suas alternativas (analise sua MASA): - Expor o talento ainda presente em espetáculos similares planejados por outras instituições; Maneiras de melhorá-la: - Trabalho em conjunto de profissionais para o desempenho e divulgação de Bianca Que grau de compromisso você quer? Ao final desta reunião: -Acordo preliminar, que gere uma expectativa de contratação, com a definição dos deveres comissivos e omissivos das partes; Ao final da negociação (elementos para a estrutura de Ouvir?/Falar? - Identificar o que tem menos valia para nós e que vale muito para eles: Fixar o cachê, embora importante, é o segundo plano; - Identificar o que tem menos valia para eles e que vale muito para nós: Bianca cantar Carmem, já que, para eles, o retorno financeiro é o que importa (independentement e da cantora escolhida); Perguntas a fazer? Informações a revelar? ATUAL - O relacionamento atual é bastante pautado em critérios objetivo- financeiros, levando para segundo plano aspectos subjetivos e a pessoa de Bianca Castafiore, bem como o interesse do público em trazê-la de volta ao protagonismo. Que providências DESEJADO - União dos dois lados para garantir o sucesso do espetáculo (colaboração das partes); - Fomentar um relacionamento saudável para a obtenção dos resultados satisfatórios; Thiago Coelho (@taj_studies) (estilistas, fonoaudiólogos , psicólogos, gestores de marketing...); Alternativas deles (analise a provável MASA deles): - Abrir outro processo seletivo para a escolha de outra cantora lírica; Maneiras de piorá-la: - Destacar a grandiosa carreira de Bianca, demostrar o custo-benefício e o crescimento da visibilidade do Teatro Lírico; um acordo): - Garantia de Bianca para o papel principal; - Definição do cachê; - Definição do preço dos ingressos; - Garantia de que Bianca não cantará Carmem ou qualquer outro espetáculo em outra instituição (cláusula de exclusividade); - Vedação do Teatro Lírico negociar para que outra cantora interprete o papel principal (cláusula de exclusividade). Isso não impede de ser selecionada uma coadjuvante para substituir Bianca em casos emergenciais, como acontece em todo espetáculo (atender aos - Qual será o prejuízo caso a capacidade do teatro não alcance 85%? - Qual será o impacto no orçamento caso haja uma promoção de ingressos? - Talvez Bianca tenha interpretado Carmem muito precocemente no passado, e talvez hoje o papel lhe seja mais adequado; - Bianca tem apresentado alguns problemas na voz; Que providências específicas você poderia tomar para mudar a atual comunicação problemática? - Marcar uma reunião em lugar mais harmônico (fora do teatro); - Participação mais ativa de Bianca nas tratativas; específicas você poderia tomar para mudar o atual relacionamento em direção ao desejado? - Realizar um book demonstrando toda a carreira de Bianca, levantando dados dos espetáculos já feitos. Assim, o Teatro Lírico tem mais segurança e tranquilidade em negociar ao constatar a credibilidade da profissional, apesar dos receios financeiros; Thiago Coelho (@taj_studies) interesses do público); Resultado da negociação: Representando Bianca, ao final da atividade, conseguimos fechar um acordo extremamente satisfatório para a cliente. Bianca cantará Carmem como protagonista; Bianca receberá o cachê de $30.000, valor que pode ser ampliado em 20% caso a lotação mínima do Teatro Lírico seja de 85%; Bianca fará uma pré-apresentação e contará com uma equipe de profissionais, incluindo fonoaudiólogos para garantir uma boa performance no espetáculo; AULAS 11 E 12 – AS TRÊS TENSÕES E A NEGOCIAÇÃO COMO PROCESSO 1. Astrês tensões: Há três tensões em uma negociação, ou seja, momentos em que os interesses se tornarão mais conflitantes e as partes se agitam. Vejamos as três tensões: 1) Criar x distribuir valor: Criar valor e distribuir valor: trazer o “ganha-ganha” para a negociação. Devemos sempre criar valor antes de distribuir, mas a distribuição também é importante; Lembrar que toda negociação implica distribuir valor (“ganha-perde”) e isso, por si só, não é um problema; Não há como evitar distribuir. Muitas vezes, entretanto, as partes incorrem no erro de apenas distribuir valor e esquecem de criá-lo. Negociações rápidas tendem a ser rasas no que tange à criação de valor; 2) Empatia x incisividade: “Be hard on the problem, soft on people” – FISHER, Roger; URY, Willian; PATTON, Bruce (Como chegar ao sim) seja duro com o problema, afável com as pessoas; O foco deve ser no problema, não nos indivíduos. As ofensas pessoais só tendem a dificultar ainda mais a obtenção de um resultado satisfatório; A tensão é como ser empático para criar um relacionamento positivo com a parte contrária e, também, ser incisivo para alcançar os meus interesses; Thiago Coelho (@taj_studies) 3) Representante x representado: Nem sempre os interesses do representante coincidem com todos os interesses de seu representado; Alinhamento de interesses, criando: (I) objetivos comuns e (II) mecanismos de recompensas para minimizar o conflito; Devemos criar várias opções para a solução do conflito; Quando isolados, quatro relacionamentos originais (Advogado 1-Advogado 2; Advogado 1-Cliente 1; Advogado 2-Cliente 2; Cliente 1-Cliente 2); quando combinados, seis relacionamentos surgem em interação. Quanto mais interações, mais dificuldade se terá para resolver o conflito; Sem alinhamento entre representante e representado, sem produtividade. Devemos estabelecer limites para que nosso(s) cliente(s) se manifeste(m); É importante conciliar os três pilares da negociação: objeto da ação, técnicas de negociação e emoção; 2. O processo de negociação (a negociação como processo – Marc Burbridge): Preparar: Tudo que você deve fazer antes de começar a negociação; Criar: Tudo que você deve fazer ao entrar em contato com o outro lado, antes de começar a trocar valores – fazer crescer o bolo; Negociar: Tudo que você deve fazer para conseguir o que você quer – como dividir bem o bolo; Fechar: Tudo que você pode fazer para terminar a negociação do jeito que você quer, para que a outra parte possa aceitar e que o objeto negociado possa ser implementado; Reconstruir: Tudo que você deve fazer para proteger a relação e a sua reputação, considerando que nunca se sabe se haverá ou não nova negociação; A negociação tem que ser vista a partir de três dimensões (3D): começa muito antes e termina muito depois da mesa de negociação. Vejamos as etapas com mais detalhes: 1) Preparar: Informações; Organização estratégica; Thiago Coelho (@taj_studies) Evitar suposições; MASA – fortalecer a nossa e enfraquecer a deles; Gerenciamento de Tempo – nosso e deles (temos que ir o quão logo para o conflito propriamente dito); 2) Criar: Relacionamento – pontos em comum, respeito, separar as pessoas do problema; Interesses; Opções; Legitimidade; 3) Negociar: Como receber propostas: Ouvir; Demonstrar compreensão de interesses, necessidades e perspectivas; Fazer perguntas; Esclarecer; Como fazer propostas: Sem pressa; Proteja sua credibilidade (verdade x credibilidade); Framing (emoldurar a ideia) de acordo com interesse deles; Proposta condicional – “Se fizermos A, você pode fazer B?”; Responda críticas com perguntas – “Qual parte da nossa proposta te desrespeitou?”; Como fazer concessões: Thiago Coelho (@taj_studies) Saber o valor relativo das coisas: Às vezes o que tem muito valia para uma parte, pode não ter para a outra; Peça algo em troca: Só dar algo se receber algo, até para evitar parecer que a proposta inicial estava superfaturada; Gerencie o tempo; Conceda cada vez menos; 4) Fechar: Qualidade da proposta de valor: Por quê: Interesses foram atendidos? O quê: Todos os objetivos foram alcançados? Quanto: Qual o resultado/quais os valores criados? Quem: Todas as partes foram envolvidas? Houve participação de terceiros? Como: O caminho é claro e completo? Onde: Qual a abrangência? Quando: Cronograma é claro e realizável? Táticas de fechamento – pressão no elemento compromisso (não se confundem com técnicas): É pegar ou largar! – já concedeu mais do que podia; Meu vôo sai em 2 horas! – pressão de tempo Fechamento experimental; Mostrar MASA (alternativa); Agradecer e partir; OBS: Cuidado para não abalar a confiança construída nas fases anteriores e desgastar o relacionamento. 5) Reconstruir: Grande diferencial do negociador profissional; Invista no relacionamento e na sua reputação!; Credibilidade é o ouro do negociador! Thiago Coelho (@taj_studies) O processo de implementação inicia neste momento; Cicatrize eventual ferida que tenha ficado aberta; POR QUE? COMO? Minimiza riscos de má implementação; Facilita negociações futuras; Influência do outro lado sobre terceiros; Elogie quando for merecido; Reafirme a legitimidade; Confirme o bom negócio; 3. Como os sete elementos aparecem nas etapas do processo de negociação? Comunicação e relacionamento: em todas as etapas; Interesses, opções e legitimidade: incidem com maior força na etapa de criação de valor; Opções e alternativas: Incidem mais forte para distribuir o valor (negociar); Alternativas e compromissos: incidem no momento de fechar o acordo, uma vez que quem tem maior MASA tem mais poder na negociação; Porta aberta para futuras negociações: reconstruir (algo a mais, não muito específico); 4. Caso Shopping Jardim: Enquanto proprietários de Alex Haberdasher, fechamos o acordo em $30.000 para vender à vista a 3ª loja (30m²) para a Sports Radicais, o que representa o dobro da nossa MASA. Referências: Negociação 3D (Livro), Capítulo 12 – Técnicas de negociação para advogados. Para a próxima aula: Thiago Coelho (@taj_studies) AULA 13 – OS TRÊS PREÇOS 1. Os três preços – o que são e como podemos usá-los? Preço alvo: É o que você quer, sua meta, onde você pode fechar com razoável grau de satisfação. Preço limite: É o seu máximo (ou mínimo), porém questões emocionais podem deslocar. Cuidado com a cegueira do negociador: A teimosia do negociador em se prender a uma determinada concepção. Ex: Não dar atenção a informações de confiança e com embasamento transmitida por familiares próximos. Preço pedido: É o preço que você pretende propor como âncora ou resposta à uma âncora colocada pelo outro lado. As ofertas iniciais (âncoras) interferem, de forma significativa, no resultado final e afetam as percepções das partes (obter vantagem, falta de seriedade/profissionalismo). Toda opção colocada na mesa precisa ser legitimada (pautada em critérios objetivos) – ex: correção monetária em virtude da passagem do tempo. Um critério geralmente só é refutado a partir do mesmo critério (ex: um documento só pode ser rejeitado a partir de outro documento). 2. Âncoras: Ancoragem: Um viés cognitivo potente para lidar com a incerteza nas negociações, em que as pessoas dão muito peso para o primeiro número tangível ou de provas, e ajustam muito pouco a partir desse ponto de vista. (Harvard). Antes de receber uma âncora, é importante ter boa preparação; O que fazer ao receber uma âncora: Não dar muito valor à oferta inicial, ouvir, testar, questionar, avaliar a qualidade, formular objetivosousados como âncoras; Quem deverá ancorar (vendedor ou comprador): Não há regra de ouro (universal), mas quem ancorar deve ter informações suficientes para ancorar e, por isso, fazer uma investigação prévia é de suma importância; Thiago Coelho (@taj_studies) 3. Preço alvo, preço limite e ZOPA: Preço alvo é o que queremos. Preço limite é o nosso máximo (ou mínimo). ZOPA = Zone of possibile agreement (zona de possível acordo). Trata-se da zona presente na negociação em que se acredita que o acordo fechará entre parâmetros (15.000-70.000 foi a ZOPA na dinâmica da aula passada – Caso Shopping Jardim). É de suma importância identificar os interesses das partes, a fim de se evitar uma ZOPA Negativa (fora das possibilidades das partes – ex: um acordo que seja extremamente oneroso para uma das partes tende a não ser cumprido). Em uma ZOPA Negativa, o negociador não pode parar, devendo criar valores para resolver o conflito. Em determinadas ocasiões, possa ser que o valor financeiro não seja o interesse primordial, mas o bem-estar da parte ou valores afetivos (ex: uma família que resolve vender uma casa, em perfeito estado e que todos gostam, para aproveitar o tempo livre em outros ambientes). Na análise da ZOPA é crucial saber o que está sendo negociado, conhecer quem está do outro lado, não usar a MASA sem conhecê-lo bem e descobrir como piorar a MASA da outra parte. 4. Dicas sobre âncora: Ancore somente se você tem informações suficientes e um bom senso da ZOPA (nem sempre a outra parte deixa explícito o valor financeiro, mas apenas fornece pistas); Se você não sabe qual é a ZOPA ou mesmo se ela existe, deixe o outro lado fazer uma primeira oferta ou considerar a definição de uma âncora “soft” (âncora por intervalo: 25-30, por exemplo – a outra parte só tende a ouvir o menor valor, ou seja, aquele que é a ela mais favorável); Quando for ancorado – antes de ancorar o seu preço, entenda e tente desarmar a âncora da outra parte; 5. Suposições errôneas: O que são: Informações que temos e são disponíveis, porém irrelevantes; incorretas, não verdadeiras Thiago Coelho (@taj_studies) Conclusões incorretas (nossas) sobre o outro lado, relativas às metas deles, aos valores deles, às necessidades deles ou à MASA deles; O que fazer: Pergunta: É relevante? É verdade? Reconhecer Sunk Costs (custos passados que não se confundem com a MASA). Dar nome aos bois (Tag them); 6. Maldição do ganhador: Se constata quando parece uma boa oportunidade para ganhar e agimos rapidamente para aproveitar o momento. O outro lado aceita a sua proposta imediatamente, sem contestação; Resultado: Ganhamos, mas nos sentimos desconfortáveis, pensando que deve ter algo errado, pois foi fácil demais; Conclusão: O outro lado sabia mais. É possível que nós estejamos pagando caro por isso; Uma sugestão é: jamais aceitar de imediato, tendo um bom diálogo com a outra parte; EXTRA: SÍNTESES DOS TEXTOS DA UNIDADE RESENHA – CAPÍTULO 12 (O PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO): TÉCNICAS DE NEGOCIAÇÃO PARA ADVOGADOS. 1. Noções introdutórias: Uma negociação qualificada é formada por um conjunto de atos complexos e coordenados cuja ordem é aconselhável seguir em prol da obtenção de um acordo satisfatório. Portanto, a negociação apresenta início, meio e fim. 2. Os cinco passos do processo de negociação: Thiago Coelho (@taj_studies) PREPARAR Medidas que antecedem o contato inicial com a parte contrária; Necessidade de nos nutrirmos de informações acerca do objeto do litígio, de com quem estamos negociando, etc; Muitas negociações são perdidas antes de começar em virtude da má preparação; Fixar regras preliminares sobre como se dará o processo de negociação é interessante; CRIAR Aumentar o bolo; Criar valores antes de distribui-los; Interesses, opções e legitimidade incidem forte; Negociar como negociar; Devemos ser criativos; Devemos buscar opções de ganhos mútuos pautadas em critérios objetivos e oportunizar a participação da parte contrária; Uma opção = uma mera possibilidade; Ouvir atentamente é crucial; Colaboração é também importante; NEGOCIAR Divisão do bolo; Distribuição de valores; Os conflitos se tornam mais evidentes; Hora de identificar e retroalimentar as boas opções; Equilíbrio entre empatia e assertividade: forte tensão; Responder perguntando é importante para que a outra parte argumente a respeito das falhas de nossas propostas (“por que é ruim”?); “Aprenda com o passado, mas não se prenda a ele. Se não conseguir virar a página de sua história, não conseguirá avançar no livro da vida”; Equilíbrio emocional nessa fase é imperativo; Não reagiremos a provocações pois isso só tende a minar a negociação e afastar o bom acordo; Devemos ter assertividade sem dar a sensação que precisamos daquele acordo; Só ceder caso, também, a outra parte ceda (evitar que a nossa proposta inicial pareça superfaturada); Administração do tempo: caminho para a obtenção Thiago Coelho (@taj_studies) de um resultado satisfatório a partir de uma negociação eficiente; FECHAR Momento de verificar se o acordo é melhor ou pior que a nossa MASA; Hora de selar o acordo, caso se tenha chegado a um; Reafirmação dos compromissos futuros – deveres de cada um; Verificação da obediência à lei e a regulamentos, bem como da competência da parte contrária para assinar acordos; RECONSTRUIR Preservação do relacionamento com a outra parte; Uma negociação nunca é um fim em si mesma e nunca sabemos quando será a última negociação com determinado sujeito; Cuidar da nossa reputação é fundamental no mercado; Fazer do fechamento um marco; Ser diferente e provocar uma marca na parte contrária tende a aumentar a credibilidade para com ela (ex: a outra parte pode nos recomendar para atuar em determinado problema é o caso do vendedor que imediatamente veio à mente da autora quando sua mãe pretendia comprar um carro); Thiago Coelho – T5A 2023.1 @taj_studies