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1 2023.1 2 2023.1, 30.04.2023 3 INDICAÇÃO DOS PRINCIPAIS ARTIGOS COMENTÁRIOS E TABELAS REDAÇÃO SIMPLIFICADA TEXTO LEGAL COM DESTAQUES NAVEGAÇÃO POR MARCADORES Utilize este material como seu caderno de estudos. Os espaços foram pensados para que você tenha uma leitura mais ativa, adicionando o que considera importante e organizando todas as anotações em um só lugar. Destacamos com uma estrela os dispositivos com maior incidência em provas e que merecem uma atenção especial. Para facilitar seus estudos, já incluímos anotações e tabelas com apontamentos doutrinários e jurisprudenciais. Além da diagramação desenhada para tornar a leitura mais fluente, tornamos a redação mais objetiva, especialmente nos números. NEGRITO - ROXO - LARANJA - CINZA SUBLINHADO - Grifos para indicar termos importantes. Destacando números (datas, prazos, percentuais e outros valores). Expressões que apresentam uma ideia de negação ou ressalva/exceção. Indicando vetos e revogações. Dispositivos cuja eficácia está prejudicada, mas não estão revogados expressamente. Uma ferramenta a mais para você que gosta de ler pelo tablet ou notebook. Todos os nossos materiais foram desenhados para você ler de forma muito confortável quando impressos, mas se você também gosta de ler em telas, conheça esta ferramenta que aplicamos em todos os conteúdos, os recursos de interatividade com a navegação por marcadores – a estrutura de tópicos do leitor de PDF, que também pode ter outro nome a depender do programa. Os títulos, capítulos, seções e artigos das legislações, bem como as súmulas e outros enunciados dos materiais de jurisprudências, estão listados na barra de marcadores do seu leitor de PDF, permitindo que a localização de cada dispositivo seja feita de maneira ainda mais fluente. Além disso, com a opção VOLTAR, conforme o leitor de PDF que esteja utilizando, você também pode retornar para o local da leitura onde estava, sem precisar ficar rolando páginas. ESPAÇO PARA ANOTAÇÕES CINZA TACHADO - 4 GUIA DE ESTUDOS Se você está iniciando o estudo para concursos ou sente a necessidade de uma organização e planejamento melhor, este conteúdo deve contribuir bastante com a sua preparação. Liberamos gratuitamente no site. Nele você encontrará: CONTROLE DE LEITURA DAS LEGISLAÇÕES A fim de auxiliar ainda mais nos seus estudos, um dos conteúdos do Guia é a planilha para programar suas leituras e revisões das legislações. Lá nós explicamos com mais detalhes e indicamos sugestões para o uso, trazendo dicas para tornar seus estudos mais eficientes. Veja algumas das principais características: INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DE JURISPRUDÊNCIAS DICAS PARA A RESOLUÇÃO DE QUESTÕES CONTROLE DE ESTUDOS POR CICLOS CONTROLE DE LEITURA DE INFORMATIVOS (STF E STJ) PLANNER SEMANAL MATERIAL GRATUITO 5 SUMÁRIO GERAL ÍNDICE DAS TABELAS ........................................................................................................................................................................... 6 LEI 7.347/85 - Ação Civil Pública ................................................................................................................................................... 13 LEI 4.717/65 - Ação Popular ........................................................................................................................................................... 25 LEI 13.300/16 - Mandado de Injunção ........................................................................................................................................ 33 LEI 12.016/09 - Mandado de Segurança ..................................................................................................................................... 39 LEI 8.429/92 - Lei de Improbidade Administrativa (LIA) ..................................................................................................... 50 LEI 12.527/11 - Lei de Acesso à Informação (LAI) .................................................................................................................. 76 LEI 12.846/13 - Lei Anticorrupção ................................................................................................................................................ 90 LEI 10.257/01 - Estatuto da Cidade .............................................................................................................................................. 98 LEI 12.651/12 - Código Florestal ................................................................................................................................................. 115 LEI 9.985/00 - Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) ........................................................................ 150 LC 140/11 - Competência para Fiscalização Ambiental...................................................................................................... 166 LEI 6.938/81 - Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) .......................................................................................... 175 LEI 9.433/97 - Política Nacional de Recursos Hídricos ....................................................................................................... 187 LEI 12.305/10 - Política Nacional de Resíduos Sólidos ....................................................................................................... 202 LEI 8.078/90 - Código de Defesa do Consumidor (CDC) .................................................................................................... 221 DECRETO 10.417/20 - Conselho Nacional de Defesa do Consumidor ........................................................................... 270 LEI 8.069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) .............................................................................................. 274 LEI 12.594/12 - SINASE ................................................................................................................................................................... 395 PROVIMENTO 118/CNJ - Audiências Concentradas ............................................................................................................ 415 LEI 13.431/17 - Sistema de Garantias ........................................................................................................................................ 419 LEI 10.741/03 - Estatuto da Pessoa Idosa ................................................................................................................................ 427 LEI 13.146/15 - Estatuto da Pessoa com Deficiência ........................................................................................................... 451 LEI 9.394/96 - Diretrizes e Bases da Educação ....................................................................................................................... 484 LEI 8.080/90 - Lei Orgânica da Saúde ........................................................................................................................................ 517 LEI 8.742/93 - Lei Orgânica da Assistência Social ................................................................................................................. 544 6 ÍNDICE DAS TABELAS LEI 7.347/85 - Ação Civil Pública ......................................................................................................... 13 Legitimidade * ......................................................................................................................................... 15 Legitimidade para propor ação principal e a ação cautelar ....................................................... 16 Compromisso de Ajustamento de conduta ....................................................................................16 Natureza jurídica da legitimidade processual coletiva * ............................................................ 16 Legitimidade do Ministério Público .................................................................................................. 16 Inquérito Civil .......................................................................................................................................... 17 Inconstitucionalidade do art. 16 ........................................................................................................ 19 Competência para julgar ação civil pública .................................................................................... 19 Reexame necessário .............................................................................................................................. 19 Súmulas sobre ACP ................................................................................................................................ 21 Processo coletivo - III - Jurisprudência em Teses nº 25 do STJ ............................................... 21 Processo coletivo - II - Jurisprudência em Teses nº 22 do STJ ................................................. 22 Processo coletivo - I - Jurisprudência em Teses nº 19 do STJ .................................................. 23 LEI 4.717/65 - Ação Popular ................................................................................................................... 25 Conceituação dos casos de nulidade ................................................................................................ 27 Competência para julgar a Ação Popular........................................................................................ 28 Legitimidade passiva ............................................................................................................................. 29 Consequências da procedência da ação popular.......................................................................... 31 LEI 13.300/16 - Mandado de Injunção .............................................................................................. 33 Requisitos constitucionais para o mandado de injunção ........................................................... 34 Pressupostos de cabimento ................................................................................................................ 34 Efeitos da decisão * ................................................................................................................................ 35 Diferenças entre mandado de injunção e ADO ............................................................................ 37 LEI 12.016/09 - Mandado de Segurança .......................................................................................... 39 Mandado de segurança contra ato judicial .................................................................................... 41 Inconstitucionalidade do art. 7º, § 2º, da Lei 12.016/2009 ....................................................... 42 Inconstitucionalidade do art. 22º, § 2º, da Lei 12.016/2009..................................................... 46 Súmulas relacionadas ao mandado de segurança ........................................................................ 47 LEI 8.429/92 - Lei de Improbidade Administrativa (LIA) ....................................................... 50 Lei 14.230/21 - Alterações importantes ......................................................................................... 51 Definição de eventual (ir)retroatividade da Lei 14.230/21 ...................................................... 52 Art. 1º - Antes e depois da Lei 14.230/21 ....................................................................................... 53 Art. 2º - Antes e depois da Lei 14.230/21 ....................................................................................... 53 Art. 3º, caput - Antes e depois da Lei 14.230/21 ........................................................................... 54 Arts. 4º a 6º - Antes e depois da Lei 14.230/21 ............................................................................. 54 Art. 7º - Antes e depois da Lei 14.230/21 ....................................................................................... 55 Art. 8º - Antes e depois da Lei 14.230/21 ....................................................................................... 55 Enriquecimento ilícito (art. 9º) - Antes e depois da Lei 14.230/21 ......................................... 57 7 Lesão ao erário (art. 10) - Antes e depois da Lei 14.230/21 ...................................................... 59 Art. 10-A - Antes e depois da Lei 14.230/21.................................................................................. 60 Atos contra os princípios (art. 11) – Antes e depois da Lei 14.230/21 .................................. 61 Penalidades por improbidade administrativa (Lei 14.230/21) ................................................ 63 Art. 12 - Antes e depois da Lei 14.230/21 ...................................................................................... 63 Art. 13 - Antes e depois da Lei 14.230/21 ...................................................................................... 64 Art. 14, § 3º - Antes e depois da Lei 14.230/21 ............................................................................. 65 Pedido de indisponibilidade de bens ................................................................................................ 66 Art. 17, caput - Antes e depois da Lei 14.230/21 .......................................................................... 67 Inconstitucionalidade da legitimidade exclusiva do MP ............................................................ 69 Acordo de não persecução civil - Antes e depois da Lei 14.230/21 ....................................... 69 Características da ação por improbidade administrativa .......................................................... 71 Art. 18 - Antes e depois da Lei 14.230/21 ...................................................................................... 71 Unificação das sanções (art. 18-A) .................................................................................................... 72 Art. 20 - Antes e depois da Lei 14.230/21 ...................................................................................... 73 Art. 21 - Antes e depois da Lei 14.230/21 ...................................................................................... 73 Art. 22 - Antes e depois da Lei 14.230/21 ...................................................................................... 74 Prescrição (art. 23) - Antes e depois da Lei 14.230/21 ............................................................... 74 LEI 10.257/01 - Estatuto da Cidade ..................................................................................................... 98 Princípio da função social da cidade x Propriedade urbana * ................................................ 100 IPTU progressivo no tempo ............................................................................................................. 103 Usucapião especial urbana (pro misero ou pro habitatione) * ................................................... 103 Usucapião especial urbana coletiva (usucapião favelada) * ................................................... 104 Direito de Superfície no Código Civil e no Estatuto da Cidade * .......................................... 106 LEI 12.651/12 - Código Florestal ....................................................................................................... 115 Meio ambiente e Direito Ambiental * ...........................................................................................116 Princípios do Direito Ambiental *................................................................................................... 116 Obrigação de reparar o dano x Multa ambiental * .................................................................... 118 Áreas de preservação permanente x Área de reserva legal * ................................................ 121 Súmulas sobre Direito Ambiental .................................................................................................. 147 Direito Ambiental - Jurisprudência em Teses nº 30 do STJ ................................................... 147 Responsabilidade por dano ambiental - Jurisprudência em Teses nº 119 do STJ .......... 148 LEI 9.985/00 - Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) ...................... 150 Unidades de Proteção Integral x Unidades de Uso Sustentável .......................................... 154 LC 140/11 - Competência para Fiscalização Ambiental ....................................................... 166 In dubio pro natura................................................................................................................................ 167 Competência em matéria ambiental na CF/88 .......................................................................... 167 LEI 6.938/81 - Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA)........................................... 175 Espécies de meio ambiente .............................................................................................................. 176 Composição e competências do Sistema Nacional do Meio Ambiente .............................. 178 LEI 9.433/97 - Política Nacional de Recursos Hídricos ......................................................... 187 Outorga de Direito de uso de recursos hídricos ........................................................................ 191 Cobrança do uso de recursos hídricos .......................................................................................... 192 8 Competência na implementação da PNRH ................................................................................. 194 Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos .................................................. 195 LEI 8.078/90 - Código de Defesa do Consumidor (CDC) ...................................................... 221 Direito do Consumidor na Constituição Federal ...................................................................... 222 Características do CDC * .................................................................................................................. 222 Resumo dos pontos mais relevantes do conceito de consumidor em sentido estrito * 223 Espécies de vulnerabilidade ............................................................................................................. 223 Classificação de fornecedores ........................................................................................................ 224 Relação jurídica de consumo - Casos especiais .......................................................................... 224 Vulnerabilidade x Hipossuficiência ............................................................................................... 225 Funções da boa-fé objetiva .............................................................................................................. 225 Modificação x Revisão - Art. 6º, V, do CDC ................................................................................. 226 Teoria da imprevisão x Teoria da base objetiva do negócio jurídico ................................... 227 Inversão do ônus da prova no CDC ............................................................................................... 227 Responsabilidade solidária ............................................................................................................... 227 Espécies de periculosidade .............................................................................................................. 228 Sistema de responsabilidade no CDC ........................................................................................... 229 Responsabilidade objetiva ............................................................................................................... 230 Teoria do Risco Integral .................................................................................................................... 230 Serviços públicos ................................................................................................................................. 233 Garantia contratual x Garantia legal ............................................................................................. 233 Prazos decadenciais no CDC ........................................................................................................... 234 Decadência x Prescrição ................................................................................................................... 234 Desconsideração da personalidade jurídica ............................................................................... 234 Consumidor equiparado ................................................................................................................... 235 Teoria da aparência ............................................................................................................................ 236 Preposto ................................................................................................................................................. 236 Publicidade ............................................................................................................................................ 237 Publicidade ilícita ................................................................................................................................ 237 Venda casada ........................................................................................................................................ 239 Banco de dados x Cadastros de consumidores .......................................................................... 240 Escore de crédito (credit scoring) ..................................................................................................... 241 Interpretação mais favorável * ........................................................................................................ 241 Declarações de vontade .................................................................................................................... 241 Direito de arrependimento - Art. 49 do CDC ............................................................................. 242 Garantia contratual x Garantia legal ............................................................................................. 242 Cláusulas abusivas - Art. 51 do CDC ............................................................................................. 243 Informações obrigatórias nos contratos de crédito ou financiamento .............................. 244 Características do contrato de adesão * ...................................................................................... 245 Superendividamento .......................................................................................................................... 245 Superendividamento .......................................................................................................................... 245 Poderão intervir como assistente do MP (art. 82, III e IV)...................................................... 252 Interesses ou direitos Difusos x Coletivos x Individuais homogêneos ............................... 253 Sentença .................................................................................................................................................256 Processo de repactuação de dívidas ............................................................................................. 258 Processo de repactuação de dívidas x Procedimento administrativo ................................ 259 Convenção Coletiva de Consumo .................................................................................................. 261 9 Direito do Consumidor - IX - Jurisprudência em Teses nº 165 do STJ ............................... 261 Direito do Consumidor - VIII - Jurisprudência em Teses nº 164 do STJ ............................ 262 Direito do Consumidor - VII - Jurisprudência em Teses nº 163 do STJ .............................. 262 Direito do Consumidor - VI - Jurisprudência em Teses nº 162 do STJ ............................... 263 Direito do Consumidor - V - Jurisprudência em Teses nº 161 do STJ ................................ 264 Direito do Consumidor - IV - Jurisprudência em Teses nº 160 do STJ ............................... 264 Direito do Consumidor - III - Jurisprudência em Teses nº 74 do STJ .................................. 265 Direito do Consumidor - II - Jurisprudência em Teses nº 42 do STJ ................................... 266 Direito do Consumidor - I - Jurisprudência em Teses nº 39 do STJ ..................................... 267 LEI 8.069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ............................................... 274 Evolução histórica ............................................................................................................................... 275 Direito da Criança e do Adolescente no Panorama Internacional (Sec. XX “Era dos Direitos”) ................................................................................................................................................ 277 Doutrina da Proteção Integral ........................................................................................................ 278 Superveniência da maioridade penal ............................................................................................ 278 Critério etário ....................................................................................................................................... 279 Generalidade da doutrina de proteção integral ........................................................................ 279 Garantia de Prioridade ...................................................................................................................... 279 Mãe adolescente cumprindo medida socioeducativa .............................................................. 282 Liberdade, respeito e dignidade...................................................................................................... 283 Direito de liberdade * ......................................................................................................................... 284 Tratamentos vedados ........................................................................................................................ 285 Veiculação de matéria jornalística com imagens que envolvam crianças em situações vexatórias ou constrangedoras * .................................................................................................... 285 Agressão de adulto contra criança e dano moral ...................................................................... 285 Lei da Palmada ou Lei Menino Bernardo ..................................................................................... 286 Direito à Convivência Familiar e Comunitária ........................................................................... 286 Pontos importantes do reconhecimento da paternidade socioafetiva .............................. 287 Acolhimento .......................................................................................................................................... 287 Apadrinhamento.................................................................................................................................. 288 Poder familiar ....................................................................................................................................... 289 Artigos Importantes do CC/02 ....................................................................................................... 289 Reconhecimento dos Filhos ............................................................................................................. 291 Imprescritibilidade do direito de discutir a paternidade ........................................................ 291 Modalidades de Colocação na família substituta ...................................................................... 291 Termo de guarda ou tutela ............................................................................................................... 293 Características da guarda ................................................................................................................. 293 Guarda - Classificação doutrinária ................................................................................................ 294 Direitos previdenciários da criança ou adolescente sob guarda .......................................... 294 Características da adoção ................................................................................................................ 296 Espécies de adoção ............................................................................................................................. 297 Procedimentos ..................................................................................................................................... 298 Pontos relevantes sobre adoção por pessoa ou casal homoafetivo .................................... 298 Proibição de adotar por ascendentes e irmãos .......................................................................... 299 Estágio de convivência ...................................................................................................................... 300 Direito fundamental ao reconhecimento das origens ............................................................. 301 Flexibilização do prazo de 3 anos para adoção de criança que já esteja sob a guarda dos futuros pais adotivos .......................................................................................................................... 302 10 Direito à educação .............................................................................................................................. 306 Ausência de vagas em creches públicas ....................................................................................... 307 Reserva do possível x Realização do mínimo existencial ........................................................ 307 Profissionalização e proteção no trabalho .................................................................................. 308 Atores mirins ........................................................................................................................................ 308 Aprendizagem ...................................................................................................................................... 309 Competência para regular a faixa etária de diversões e espetáculos públicos ................ 312 Horário de verão.................................................................................................................................. 313 Transportadoras e distribuidoras de revistas pornográficas também devem cumprir as exigências do art. 78 do ECA ........................................................................................................... 313 É abusiva a publicidade de alimentos direcionada, de forma explicitaou implícita, a crianças ................................................................................................................................................... 314 Venda de bebidas alcoólicas para menores de idade ............................................................... 314 Autorização para viajar ..................................................................................................................... 315 Política de Atendimento ................................................................................................................... 316 Acolhimento familiar ou institucional ........................................................................................... 319 Audiências concentradas .................................................................................................................. 320 Fiscalização das entidades ............................................................................................................... 320 Entidade governamental x Entidade não-governamental...................................................... 321 Medidas de proteção * ....................................................................................................................... 322 Medidas específicas de proteção ................................................................................................... 323 Tempo e lugar do ato infracional .................................................................................................... 323 Ato Infracional...................................................................................................................................... 326 Normas aplicáveis aos casos de apuração de ato infracional ................................................ 327 Procedimento no caso de criança que pratica ato infracional .............................................. 327 Procedimento no caso de adolescente que pratica ato infracional ..................................... 327 Flagrante (art. 302 do CPP) .............................................................................................................. 328 Internação antes da sentença.......................................................................................................... 328 Devido processo legal ........................................................................................................................ 328 Medidas Socioeducativas ................................................................................................................. 329 Plano individual de atendimento conforme a Lei do sinase ................................................... 330 Tipos de medidas socioeducativas * .............................................................................................. 331 Prova suficiente de autoria x Indícios suficientes de autoria ................................................ 332 Regime de semiliberdade .................................................................................................................. 333 Internação ............................................................................................................................................. 335 Julgados importantes sobre Internação ...................................................................................... 336 Jurisprudência relevante sobre medidas socioeducativas .................................................... 338 Remissão ................................................................................................................................................ 339 Participação popular na elaboração de políticas públicas ...................................................... 342 Conselho tutelar .................................................................................................................................. 344 Conselheiro tutelar ............................................................................................................................. 345 Acesso à Justiça ................................................................................................................................... 347 Alteração do art. 142 para atender ao disposto no CC/02 .................................................... 347 Curadoria especial .............................................................................................................................. 347 Justiça da infância e da juventude.................................................................................................. 348 Competência ......................................................................................................................................... 349 Necessidade de alvará para participação de criança em espetáculo ou programa de TV350 Prazos ..................................................................................................................................................... 352 11 Procedimento para a perda ou suspensão do poder familiar ................................................ 353 Colocação em família substituta..................................................................................................... 355 Oitiva informal ..................................................................................................................................... 358 Alternativas para o Ministério Público ......................................................................................... 358 Ação socioeducativa ........................................................................................................................... 359 Mandado de busca e apreensão x Condução coercitiva ......................................................... 361 Lei 13.441/17 ....................................................................................................................................... 361 Apuração de irregularidades em Entidade de atendimento .................................................. 363 Recursos ................................................................................................................................................. 366 Intimação pessoal do Ministério Público ..................................................................................... 369 Falta de intervenção do Ministério Público ................................................................................ 369 Assistente de acusação nas ações socioeducativas .................................................................. 370 Tutela dos direitos previstos no eca .............................................................................................. 370 Ações cíveis fundadas em interesses coletivos ou difusos ..................................................... 371 Tutela penal infanto-juvenil ............................................................................................................. 374 Prescrição .............................................................................................................................................. 374 Classificação do delito do art. 228 ................................................................................................. 375 Classificação do delito do art. 229 ................................................................................................. 375 Classificação do delito do art. 230 ................................................................................................. 375 Classificação do delito do art. 231 ................................................................................................. 376 Classificação do delito do art. 232 .................................................................................................376 Classificação do delito do art. 234 ................................................................................................. 376 Classificação do delito do art. 235 ................................................................................................. 376 Classificação do delito do art. 236 ................................................................................................. 377 Classificação do delito do art. 237 ................................................................................................. 377 Classificação do delito do art. 238 ................................................................................................. 377 Classificação do delito do art. 239 ................................................................................................. 378 Classificação do delito do art. 240 ................................................................................................. 378 Infiltração de agentes ........................................................................................................................ 379 Classificação do delito do art. 241 ................................................................................................. 380 Classificação do delito do art. 241-A ............................................................................................ 381 Classificação do delito do art. 241-B............................................................................................. 382 Classificação do delito do art. 241-C ............................................................................................ 383 Classificação do delito do art. 241-D ............................................................................................ 383 Classificação do delito do art. 241-E ............................................................................................. 384 Quem é punido em cada tipo penal do art. 240 ao 241-D ...................................................... 384 Classificação do delito do art. 242 ................................................................................................. 384 Classificação do delito do art. 243 ................................................................................................. 385 Classificação do delito do art. 244 ................................................................................................. 385 Classificação do delito do art. 244-A ............................................................................................ 385 Classificação do delito do art. 244-B............................................................................................. 386 Corrupção de menores * ................................................................................................................... 386 Das infrações administrativas ......................................................................................................... 387 Descumprimento dos deveres inerentes ao poder familiar ................................................... 388 Transmissão de espetáculo em horário diverso do recomendado ...................................... 388 LEI 10.741/03 - Estatuto da Pessoa Idosa .................................................................................... 427 Estatuto da Pessoa Idosa .................................................................................................................. 428 12 Prioridade do ECA x Prioridade do Estatuto da Pessoa Idosa .............................................. 428 Alienação parental inversa ............................................................................................................... 436 Interpretação conforme a Constituição Federal ....................................................................... 446 Dos Direitos das Pessoas Idosas e das Pessoas com Deficiência - Jurisprudência em Teses nº 100 do STJ ............................................................................................................................ 449 LEI 13.146/15 - Estatuto da Pessoa com Deficiência ............................................................. 451 Construção histórica da deficiência .............................................................................................. 452 Direito das pessoas com deficiência no panorama internacional ........................................ 452 Modelos de interpretação da deficiência .................................................................................... 453 Capacidade civil das pessoas com deficiência ............................................................................ 456 Vagas de estacionamento ................................................................................................................. 467 Pontos relevantes da Resolução 23.659/21 do TSE ................................................................ 473 Dos Direitos das Pessoas Idosas e das Pessoas com Deficiência - Jurisprudência em Teses nº 100 do STJ ............................................................................................................................ 481 LEI 8.080/90 - Lei Orgânica da Saúde ............................................................................................. 517 União - Indenização por danos decorrentes de erro médico ................................................. 525 Legitimidade passiva para as ações que demandem fornecimento de medicamento com registro na Anvisa................................................................................................................................ 527 Chamamento ao processo da União nos casos de fornecimento de medicamento ........ 527 Direcionamento do cumprimento de medida prestacional na área da saúde .................. 528 Fornecimento pelo Poder Judiciário de medicamentos não registrados pela Anvisa ... 528 Legitimidade passiva para as ações que demandem fornecimento de medicamento sem registro na Anvisa................................................................................................................................ 528 Medicamentos não incorporados em atos normativos do SUS ............................................ 528 Medicamentos experimentais x Eficácia e segurança comprovadas * ............................... 530 Hospital conveniado pelo SUS presta serviço público ............................................................. 532 Prazo para responsabilização civil de médico em atendimento custeado pelo SUS ...... 533 Competência para processar e julgar as ações penais relacionadas ao desvio de verbas originárias do SUS ............................................................................................................................... 537 Competência para processar e julgar cobrança indevida de serviços médico/hospitalares acobertados pelo SUS ........................................................................................................................ 538 Fornecimento de medicamento pelo poder público - II - Jurisprudência em Teses nº 169 do STJ ...................................................................................................................................................... 541 Fornecimento de medicamento pelo poder público - I - Jurisprudência em Teses nº 168 do STJ ...................................................................................................................................................... 542 LEI 8.742/93 - Lei Orgânica da Assistência Social.................................................................... 544 BPC - Limitação dos descontos em conta bancária .................................................................. 554 BPC- Estrangeiros residentes no país .......................................................................................... 554 13 LEI 7.347/85 - Ação Civil Pública Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio- ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico e dá outras providências. Atualizado até a Lei 13.004/14. 14 Art. 1º Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: (Lei 12.529/11) l. ao meio-ambiente; ll. ao consumidor; III. a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; IV. a qualquer outro interesse difuso ou coletivo. (Lei 8.078/90) V. por infração da ordem econômica; (Lei 12.529/11) VI. à ordem urbanística. (MP 2.180-35/01) VII. à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos. (Lei 12.966/14) VIII. ao patrimônio público e social. (Lei 13.004/14) Parágrafo único. Não será cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, o FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem ser individualmente determinados. (MP 2.180-35/01) Márcio Cavalcante ensina que é necessário que seja feita uma interpretação conforme a Constituição Federal do parágrafo único do art. 1º da Lei 7.347/85. O objetivo desta previsão foi apenas o de evitar a vulgarização da ação coletiva, evitando que fossem propostas ações civis públicas para fins de simples movimentação do FGTS ou para discutir as hipóteses de saque de contas fundiárias. Assim, esse art. 1º, parágrafo único não constitui obstáculo para que o Ministério Público proponha ação civil pública discutindo FGTS em um contexto mais amplo, envolvendo interesses sociais qualificados, ainda que sua natureza seja de direitos individuais homogêneos. Se o Ministério Público está propondo uma ação civil pública tratando sobre direitos individuais homogêneos com relevante interesse social, a legitimidade do Parquet, nesta hipótese, decorre diretamente do art. 127 da CF/88. Nesse sentido, o STF firmou seu entendimento: O MP tem legitimidade para a propositura de ação civil pública em defesa de direitos sociais relacionados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). STF. Plenário. RE 643978/SE, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 9/10/2019 (repercussão geral – Tema 850) (Info 955) Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar a causa. Parágrafo único. A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto. (MP 2.180-35/01) A competência para processar e julgar ação civil pública é absoluta e se dá em função do local onde ocorreu o dano. STJ. 1ª Seção. AgRg nos EDcl no CC 113788-DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 14/11/2012. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar a ação civil pública fundamentada na não concessão pela União de Selo de Responsabilidade Social a empresa pela falta de verificação adequada do cumprimento de normas que regem as condições de trabalho. STJ. 1ª Seção. AgInt no CC 155994/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 12/05/2021 (Info 696). Art. 3º A ação civil poderá ter por OBJETO a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. Art. 4º Poderá ser ajuizada AÇÃO CAUTELAR para os fins desta Lei, objetivando, inclusive, evitar dano ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos, à ordem urbanística ou aos bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. (Lei 13.004/14) 15 Art. 5º Têm LEGITIMIDADE para propor a ação principal e a ação cautelar: (Lei 11.448/07) I. o Ministério Público; (Lei 11.448/07) II. a Defensoria Pública; (Lei 11.448/07) III. a União, os Estados, o DF e os Municípios; (Lei 11.448/07) IV. a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista ; (Lei 11.448/07) V. a associação que, concomitantemente: (Lei 11.448/07) a. esteja constituída há pelo menos 1 ano nos termos da lei civil; (Lei 11.448/07) b. inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. (Lei 13.004/14) O Ministério Público Federal é parte legítima para pleitear indenização por danos morais coletivos e individuais em decorrência do óbito de menor indígena. STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 1.688.809-SP, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 26/04/2021 (Info 696). Há legitimidade do Ministério Público Federal para propor Ação Civil Pública em defesa de direitos individuais disponíveis de candidatos específicos em exame da OAB, dado o relevante interesse social, na medida em que busca a proteção das garantias constitucionais da publicidade e acesso à informação (CF, art. 5º, XIV e XXXIII), da ampla defesa (CF, art. 5º, LV), da isonomia (CF, art. 5º, caput) e do direito fundamental ao trabalho (CF, art. 6º). STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1701853/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 15/03/2021. Em ação civil pública proposta por associação, na condição de substituta processual, possuem legitimidade para a liquidação e execução da sentença todos os beneficiados pela procedência do pedido, independentemente de serem filiados à associação promovente. STJ. 2ª Seção. REsp 1438263/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/03/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 948) (Info 694). § 1º. O Ministério Público, se não intervier no processo como parte, atuará obrigatoriamente como fiscal da lei. § 2º. Fica facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas nos termos deste artigo habilitar-se como litisconsortes de qualquer das partes. § 3º. Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. (Lei 8.078/90) § 4º. O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo juiz, quando haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido. (Lei 8.078/90) § 5º. Admitir-se-á o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União, do DF e dos Estados na defesa dos interesses e direitos de que cuida esta lei. (Lei 8.078/90) § 6º. Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE SUA CONDUTA às exigências legais, mediante cominações, que terá eficácia de título executivo extrajudicial. (Lei 8.078/90) LEGITIMIDADE * DISJUNTIVA Legitimados podem ajuizar ação individualmente CONCORRENTE Qualquer legitimado pode propor ação. EXCLUSIVA Só os elencados pela lei podem propor a demanda coletiva MISTA Tem órgãos públicos e pessoas jurídicas de direito privado (por exemplo: empresas públicas e sociedades de economia mista são legitimadas a ajuizar ACP, conforme art. 5.º, IV, da LACP) * Conforme ensina Márcio Cavalcante. 16 LEGITIMIDADE PARA PROPOR AÇÃO PRINCIPAL E A AÇÃO CAUTELAR A legitimidade para a propositura da ACP é concorrente e disjuntiva, pois são 5 os legitimados e cada um destes pode atuar independente de autorização dos demais. COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA Definição Trata-se de instrumento celebrado entre os órgãos públicos legitimados e as pessoas físicas ou jurídicas com o objetivo de adequar a conduta às exigências legais ou normativas e, ainda, reparar, compensare/ou indenizar pelos danos que possam ser recuperados. Corresponde a uma solução extrajudicial de conflito, evitando-se uma ACP. Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) Instrumento pelo qual se efetiva o compromisso. Ressalta-se que não pode ser caracterizado como uma transação, uma vez que a transação se refere a direitos individuais e não aos direitos transindividuais e coletivos. Eficácia Tem eficácia de título executivo extrajudicial. Requisitos (I) Previsão da reparação integral do dano; (II) Identificação das obrigações a serem estipuladas (eficácia de título executivo extrajudicial); e (III) Anuência do MP, quando não seja autor. NATUREZA JURÍDICA DA LEGITIMIDADE PROCESSUAL COLETIVA * LEGITIMIDADE ORDINÁRIA A própria pessoa vai a juízo defender seus interesses. LEGITIMIDADE EXTRAORDINÁRIA (SUBSTITUTO PROCESSUAL) Lei autoriza entes legitimados a exercer a defesa de direito alheio (coletividade substituída), em nome próprio. › É a que prevalece na doutrina. LEGITIMIDADE AUTÔNOMA PARA A CONDUÇÃO DO PROCESSO Teoria alemã. Baseada no direito positivo. A legitimidade seria autônoma para a condução do processo. * Conforme ensina Márcio Cavalcante. É constitucional a Lei 11.448/2007, que alterou a Lei 7.347/85, prevendo a Defensoria Pública como um dos legitimados para propor ação civil pública. Vale ressaltar que, segundo o STF, a Defensoria Pública pode propor ação civil pública na defesa de direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos. (STF - Info 784) Caso ocorra dissolução da associação que ajuizou ação civil pública, é possível sua substituição no polo ativo por outra associação que possua a mesma finalidade temática. O microssistema de defesa dos interesses coletivos privilegia o aproveitamento do processo coletivo, possibilitando a sucessão da parte autora pelo Ministério Público ou por algum outro colegitimado (ex: associação), mormente em decorrência da importância dos interesses envolvidos em demandas coletivas. STJ. 3ª Turma. EDcl no REsp 1405697/MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 10/09/2019. Súmula 601 do STJ: O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviço público. LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO O Ministério Público possui legitimidade para ajuizar ACP na defesa de qualquer direito difuso, coletivo ou individual homogêneo? DIREITOS DIFUSOS Sim. O Ministério Público está sempre legitimado a defender qualquer direito difuso. O MP sempre possui representatividade adequada. 17 DIREITOS COLETIVOS (stricto sensu) Sim. O Ministério Público está sempre legitimado a defender qualquer direito coletivo. O MP sempre possui representatividade adequada. DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS 1. Se esses direitos forem INDISPONÍVEIS: SIM. Ex: saúde de um menor. 2. Se esses direitos forem DISPONÍVEIS: DEPENDE: O MP só terá legitimidade para ACP envolvendo direitos individuais homogêneos disponíveis se estes forem de interesse social (se houver relevância social). * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Art. 6º Qualquer pessoa poderá e o servidor público deverá provocar a iniciativa do Ministério Público, ministrando-lhe informações sobre fatos que constituam objeto da ação civil e indicando-lhe os elementos de convicção. Art. 7º Se, no exercício de suas funções, os juízes e tribunais tiverem conhecimento de fatos que possam ensejar a propositura da ação civil, remeterão peças ao Ministério Público para as providências cabíveis. Art. 8º Para instruir a inicial, o interessado poderá requerer às autoridades competentes as certidões e informações que julgar necessárias, a serem fornecidas no prazo de 15 dias. § 1º. O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil, ou requisitar, de qualquer organismo público ou particular, certidões, informações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual não poderá ser inferior a 10 dias úteis. § 2º. Somente nos casos em que a lei impuser sigilo, poderá ser negada certidão ou informação, hipótese em que a ação poderá ser proposta desacompanhada daqueles documentos, cabendo ao juiz requisitá-los. Admite-se emenda à inicial de ação civil pública, em face da existência de pedido genérico, ainda que já tenha sido apresentada a contestação. STJ. 4ª Turma. REsp 1279586-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 03/10/2017 (Info 615). Art. 9º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se convencer da inexistência de fundamento para a propositura da ação civil, promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil ou das peças informativas, fazendo-o fundamentadamente. § 1º. Os autos do inquérito civil ou das peças de informação arquivadas serão remetidos, sob pena de se incorrer em falta grave, no prazo de 3 dias, ao Conselho Superior do Ministério Público. § 2º. Até que, em sessão do Conselho Superior do Ministério Público, seja homologada ou rejeitada a promoção de arquivamento, poderão as associações legitimadas apresentar razões escritas ou documentos, que serão juntados aos autos do inquérito ou anexados às peças de informação. § 3º. A promoção de arquivamento será submetida a exame e deliberação do Conselho Superior do Ministério Público, conforme dispuser o seu Regimento. § 4º. Deixando o Conselho Superior de homologar a promoção de arquivamento, designará, desde logo, outro órgão do Ministério Público para o ajuizamento da ação. INQUÉRITO CIVIL Definição É o instrumento adequado para a apuração dos fatos que instruirão eventual ACP. Trata-se de medida preparatória, de natureza inquisitorial, com o objetivo de obtenção de material de suporte que fundamente a ação a ser proposta. Por ser instrumento regido pelo procedimento inquisitório, não é assegurado o princípio do contraditório ou da ampla defesa. 18 Dispensabilidade O inquérito civil é medida dispensável para o ajuizamento da ACP, posto que, existindo elementos suficientes de convicção, o MP poderá, de imediato, ajuizar a ação. Arquivamento Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se convencer da inexistência de fundamento para a propositura da ação civil, promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil ou das peças informativas, fazendo-o fundamentalmente (art. 9º). Art. 10 CONSTITUI CRIME, punido com pena de reclusão de 1 a 3 anos, mais multa de 10 a 1.000 ORTN, a recusa, o retardamento ou a omissão de dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil, quando requisitados pelo Ministério Público. Art. 11 Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, o juiz determinará o cumprimento da prestação da atividade devida ou a cessação da atividade nociva, sob pena de execução específica, ou de cominação de multa diária, se esta for suficiente ou compatível, independentemente de requerimento do autor. Art. 12 Poderá o juiz conceder mandado liminar, com ou sem justificação prévia, em decisão sujeita a agravo. § 1º. A requerimento de pessoa jurídica de direito público interessada, e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia pública, poderá o Presidente do Tribunal a que competir o conhecimento do respectivo recurso suspender a execução da liminar, em decisão fundamentada, da qual caberá agravo para uma das turmas julgadoras, no prazo de 5 dias a partir da publicação do ato. § 2º. A MULTA cominada liminarmente só será exigível do réu após o trânsito em julgado da decisão favorável ao autor, mas será devida desde o dia em que se houver configurado o descumprimento. Art. 13 Havendo condenação em dinheiro, a indenização pelo dano causado reverterá a um fundo gerido por um Conselho Federal ou por Conselhos Estaduais de que participarão necessariamente o MinistérioPúblico e representantes da comunidade, sendo seus recursos destinados à reconstituição dos bens lesados. § 1º. Enquanto o fundo não for regulamentado, o dinheiro ficará depositado em estabelecimento oficial de crédito, em conta com correção monetária. (Lei 12.288/10) § 2º. Havendo acordo ou condenação com fundamento em dano causado por ato de discriminação étnica nos termos do disposto no art. 1º desta Lei, a prestação em dinheiro reverterá diretamente ao fundo de que trata o caput e será utilizada para ações de promoção da igualdade étnica, conforme definição do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, na hipótese de extensão nacional, ou dos Conselhos de Promoção de Igualdade Racial estaduais ou locais, nas hipóteses de danos com extensão regional ou local, respectivamente. (Lei 12.288/10) Art. 14 O juiz poderá conferir efeito suspensivo aos recursos, para evitar dano irreparável à parte. Art. 15 Decorridos 60 dias do trânsito em julgado da sentença condenatória, sem que a associação autora lhe promova a execução, DEVERÁ FAZÊ-LO O MINISTÉRIO PÚBLICO, facultada igual iniciativa aos demais legitimados. (Lei 8.078/90) Art. 16 A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova. (Lei 9.494/97) 19 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 16 O entendimento pacífico dos tribunais superiores é pela INCONSTITUCIONALIDADE do art. 16 da LACP. Nesse sentido: É inconstitucional o art. 16 da Lei nº 7.347/85, na redação dada pela Lei nº 9.494/97. É inconstitucional a delimitação dos efeitos da sentença proferida em sede de ação civil pública aos limites da competência territorial de seu órgão prolator. STF. Plenário. RE 1101937/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 7/4/2021 (Repercussão Geral – Tema 1075) (Info 1012). A eficácia das decisões proferidas em ações civis públicas coletivas NÃO deve ficar limitada ao território da competência do órgão jurisdicional que prolatou a decisão. STJ. Corte Especial. EREsp 1134957/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 24/10/2016. COMPETÊNCIA PARA JULGAR AÇÃO CIVIL PÚBLICA Ação Civil Pública de efeitos nacionais ou regionais Nesse caso não há norma expressa na LACP, logo, com base na noção de microssistema processual (art. 21, da LACP), tratando de ação civil pública de efeitos nacionais ou regionais, a definição do juízo competente deve observar o art. 93, II, da Lei nº 8.078/90 (CDC), segundo o qual a propositura deve ocorrer no foro, ou na circunscrição judiciária, de capital de Estado ou no DF. Se tratando de alcance geograficamente superior a um Estado, a opção por capital de Estado evidentemente deve contemplar uma que seja situada na região atingida. Ajuizamento de múltiplas ações civil públicas de âmbito nacional ou regional Nesse caso, firma-se a prevenção do juízo que primeiro conheceu de uma das ações, para o julgamento de todas as demandas conexas, com base nos arts. 55, §3º e 286 do CPC juntamente com o art. 2º, §único, da Lei nº 1.347/85. STF. Plenário. RE 1101937/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 7/4/2021 (Repercussão Geral – Tema 1075) (Info 1012). REEXAME NECESSÁRIO O entendimento pacífico do STJ é no sentido de que a sentença que concluir pela carência da ação ou pela improcedência do pedido em ACP sujeita-se ao duplo grau de jurisdição, ou seja, deve ser confirmada pelo Tribunal para que produza efeitos. A Lei da ACP não apresenta qualquer previsão quanto ao reexame necessário. Entretanto, a Lei da Ação Popular (Lei 4.717/65), prevê expressamente tal instituto. Dessa forma, por analogia, defende-se a aplicação deste dispositivo às ACPs. Contudo, há uma exceção: Não se admite o cabimento da remessa necessária, tal como prevista no art. 19 da Lei nº 4.717/65, nas ações coletivas que versem sobre direitos individuais homogêneos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.374.232-ES, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/09/2017 (Info 612). Art. 17 Em caso de LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ, a associação autora e os diretores responsáveis pela propositura da ação serão solidariamente condenados em honorários advocatícios e ao décuplo das custas, sem prejuízo da responsabilidade por perdas e danos. (Lei 8.078/90) Art. 18 Nas ações de que trata esta lei, não haverá adiantamento de custas, emolumentos, honorários periciais e quaisquer outras despesas, nem condenação da associação autora, salvo comprovada má-fé, em honorários de advogado, custas e despesas processuais. (Lei 8.078/90) Art. 19 Aplica-se à ação civil pública, prevista nesta Lei, o Código de Processo Civil, aprovado pela Lei 5.869/73, naquilo em que não contrarie suas disposições. 20 Art. 20 O fundo de que trata o art. 13 desta Lei será regulamentado pelo Poder Executivo no prazo de 90 dias. Art. 21 Aplicam-se à defesa dos direitos e interesses difusos, coletivos e individuais, no que for cabível, os dispositivos do Título III da lei que instituiu o CDC. (Lei 8.078/90) A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador, que o fossem em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento. STF. Plenário. RE 612043/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 10/5/17 (repercussão geral) (Info 864) Essa tese do STF se aplica exclusivamente para ações coletivas ajuizadas sob o rito ordinário por associação quando atua como representante processual dos associados. Isso significa que tal entendimento não se aplica para mandado de segurança coletivo impetrado por associação. O mandado de segurança coletivo configura hipótese de substituição processual por meio da qual o impetrante no caso a associação, atua em nome próprio defendendo direito alheio, pertencente aos associados ou parte deles, sendo desnecessária, para a impetração do mandamus, apresentação de autorização dos substituídos ou mesmo lista nominal Por tal razão os efeitos da decisão proferida em mandado de segurança coletivo beneficiam todos os associados, ou parte deles cuja situação jurídica seja idêntica àquela tratada no decisum, sendo irrelevante se a filiação ocorreu após a impetração do writ. STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1841604-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 22/04/20 (Info 670) Após o trânsito em julgado de decisão que julga improcedente ação coletiva proposta em defesa de direitos individuais homogêneos, independentemente do motivo que tenha fundamentado a rejeição do pedido, não é possível a propositura de nova demanda com o mesmo objeto por outro legitimado coletivo, ainda que em outro Estado da federação. STJ. 2ª Seção. REsp 1302596-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para acórdão Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 9/12/2015 (Info 575) O art. 18 da LACP e o art. 87 do CDC preveem que, nas ações de que tratam estas leis, não haverá adiantamento de custas, emolumentos, honorários periciais e quaisquer outras despesas, nem condenação da associação autora, salvo comprovada má-fé, em honorários de advogado, custas e despesas processuais. O STJ decidiu que essas regras de isenção só se aplicam para as custas judiciais em: › Ações civis públicas (qualquer que seja a matéria); › Ações coletivas que tenham por objeto relação de consumo; e › Na ação cautelar prevista no art. 4º da LACP (qualquer que seja a matéria). Não é possível estender, por analogia ou interpretação extensiva, essa isenção para outros tipos de ação (como a rescisória) ou para incidentes processuais (como a impugnação ao valor da causa), mesmo quetratem sobre direito do consumidor. STJ. 2ª Seção. PET 9892-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 11/2/2015 (Info 556) Na ação civil pública, reconhecido o vício na representação processual da associação autora, deve-se, antes de proceder à extinção do processo, conferir oportunidade ao Ministério Público para que assuma a titularidade ativa da demanda. STJ. 2ª Turma. REsp 1038199-ES, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 7/5/2013 (Info 524) O prazo para o ajuizamento da ação civil pública é de 5 anos, aplicando-se, por analogia, o prazo da ação popular, considerando que as duas ações fazem parte do mesmo microssistema de tutela dos direitos difusos. É também de 5 anos o prazo prescricional para ajuizamento da execução individual em pedido de cumprimento de sentença proferida em ACP. STJ. 2ª Seção. REsp 1273643-PR, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 27/2/2013 (recurso repetitivo) (Info 515) 21 Art. 22 Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. (Lei 8.078/90) Art. 23 Revogam-se as disposições em contrário. (Lei 8.078/90) SÚMULAS SOBRE ACP Súmula 329 do STJ: O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa do patrimônio público. › A Lei 13.004, de 2014, acrescentou o inciso VIII no art. 1º da Lei 7.347/85 (Ação Civil Pública), estabelecendo que a ação civil pública poderá prevenir e reparar danos morais e patrimoniais causados ao patrimônio público e social. Súmula 489 do STJ: Reconhecida a continência, devem ser reunidas na Justiça Federal as ações civis públicas propostas nesta e na Justiça estadual. Súmula 601 do STJ: O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviço público. Súmula 643 do STF: O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares. PROCESSO COLETIVO - III - JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 25 DO STJ 1. Por critério de simetria, não é cabível a condenação da parte vencida ao pagamento de honorários advocatícios em favor do Ministério Público nos autos de ação civil pública, salvo comprovada má-fé. 2. É possível a inversão do ônus da prova da ação civil pública em matéria ambiental a partir da interpretação do art. 6º, VIII, da Lei 8.078/1990 c/c o art. 21 da Lei 7.347/1985. 3. No âmbito do Direito Privado, é de 5 anos o prazo prescricional para ajuizamento da execução individual em pedido de cumprimento de sentença proferida em ação civil pública. (Recurso Repetitivo - Tema 515) 4. Na execução individual de sentença coletiva contra a Fazenda Pública, quando já iniciada a execução coletiva, o prazo quinquenal para a propositura do título individual, nos termos da Súmula 150/STF, interrompe-se com a propositura da execução coletiva, voltando a correr, após essa data, pela metade. 5. O art. 18 da Lei 7.347/1985, que dispensa o adiantamento de custas, emolumentos, honorários periciais e quaisquer outras despesas, dirige-se apensa ao autor da ação civil pública. O art. 18 da Lei da ACP estabelece que: Nas ações de que trata esta lei, não haverá adiantamento de custas, emolumentos, honorários periciais e quaisquer outras despesas, nem condenação da associação autora, salvo comprovada má-fé, em honorários de advogado, custas e despesas processuais. Existem julgados aplicando a parte final do art. 18 também ao réu da ACP: O STJ entende, à luz do princípio da simetria, que o disposto no art. 18 da Lei 7.347/85 também se aplica ao réu em sede de ação civil pública, não podendo ser condenado ao pagamento de honorários advocatícios a título de sucumbência, salvo se houver comprovação de má-fé. STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1776913/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, j. 22/04/2020. 6. Não é possível se exigir do Ministério Público o adiantamento de honorários periciais em ações civis públicas, ficando o encargo para a Fazenda Pública a qual se acha vinculado o Parquet. (Recurso Repetitivo - Tema 510) Conforme destacado por Márcio Cavalcante: O art. 18 da Lei 7.347/85 explica que na ação civil pública não haverá qualquer adiantamento de despesas, tratando como regra geral o que o CPC cuida como exceção. Constitui regramento próprio, que impede que o autor da ação civil pública arque com os ônus periciais e sucumbenciais, ficando afastada, portanto, as regras específicas do Código de Processo Civil. 22 Não é possível se exigir do Ministério Público o adiantamento de honorários periciais em ações civis públicas. Ocorre que a referida isenção conferida ao Ministério Público em relação ao adiantamento dos honorários periciais não pode obrigar que o perito exerça seu ofício gratuitamente, tampouco transferir ao réu o encargo de financiar ações contra ele movidas. Dessa forma, considera-se aplicável, por analogia, a Súmula 232 desta Corte Superior (“A Fazenda Pública, quando parte no processo, fica sujeita à exigência do depósito prévio dos honorários do perito”), devendo a Fazenda Pública ao qual se acha vinculado o Parquet arcar com tais despesas (STJ. 1ª Seção. REsp 1253844/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 13/03/2013). 7. A liquidação e a execução individual de sentença genérica proferida em ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro do domicílio do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido, levando-se em conta, para tanto, sempre a extensão do dano e a qualidade dos interesses metaindividuais postos em juízo (arts. 93 e 103, CDC). (Recurso Repetitivo - Tema 480) 8. A eficácia subjetiva da sentença coletiva abrange os substituídos domiciliados em todo o território nacional desde que a ação tenha sido: a) proposta por entidade associativa de âmbito nacional; b) contra a União; e c) no Distrito Federal. A eficácia subjetiva da sentença coletiva abrange os substituídos domiciliados em todo o território nacional desde que: 1) proposta por entidade associativa de âmbito nacional; 2) contra a União; e 3) no Distrito Federal. Interpretação do art. 2º-A da Lei 9.494/97 à luz do disposto no § 2º do art. 109, § 1º do art. 18 e inciso XXI do art. 5º, todos da CF. STJ. 1ª Turma. AgRg nos EDcl no AgRg no Ag 1424442/DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 20/03/2014. 9. A abrangência nacional expressamente declarada na sentença coletiva não pode ser alterada na fase de execução, sob pena de ofensa à coisa julgada. 10. Os efeitos e a eficácia da sentença no processo coletivo não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido. Atenção! O STF decidiu que é inconstitucional a delimitação dos efeitos da sentença proferida em sede de ação civil pública aos limites da competência territorial de seu órgão prolator: I. É inconstitucional o art. 16 da Lei 7.347/85, alterada pela Lei 9.494/97. II. Em se tratando de ação civil pública de efeitos nacionais ou regionais, a competência deve observar o art. 93, II, da Lei 8.078/90 (CDC). III. Ajuizadas múltiplas ações civis públicas de âmbito nacional ou regional, firma-se a prevenção do juízo que primeiro conheceu de uma delas, para o julgamento de todas as demandas conexas. STF. Plenário. RE 1101937/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 7/4/2021 (Repercussão Geral – Tema 1075) (Info 1012). 11. A sentença proferida em ação coletiva somente surte efeito nos limites da competência territorial do órgão que a proferiu e exclusivamente em relação aos substituídos processuais que ali eram domiciliados à época da propositura da demanda. 12. As limitações da sentença coletiva não podem ser aplicadas às ações ajuizadas anteriormente à vigência da Lei 9494/97. 13. Ajuizada ação coletiva atinente a macrolidegeradora de processos multitudinários, suspendem-se as ações individuais, no aguardo do julgamento da ação coletiva. PROCESSO COLETIVO - II - JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 22 DO STJ 1. O integrante da categoria tem legitimidade para ajuizar execução individual de sentença proveniente de ação coletiva proposta por associação ou sindicato, independentemente de filiação ou autorização expressa no processo de conhecimento. Superada. O disposto no art. 5º, XXI, da CF encerra representação específica, não alcançando previsão genérica do estatuto da associação a revelar a defesa dos interesses dos associados. As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, é definida pela representação no processo de conhecimento, presente a autorização expressa dos associados e a lista destes juntada à inicial. 23 STF. Plenário. RE 573232/SC, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 14/5/2014 (repercussão geral) (Info 746). A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador, que o fossem em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento. STF. Plenário. RE 612043/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2017 (Repercussão Geral – Tema 499) (Info 864). 2. Os sindicatos e as associações têm legitimidade ativa para atuar como substitutos processuais na defesa de direitos e interesses dos integrantes da categoria nas fases de conhecimento, liquidação e execução. Parcialmente superada. Conforme destaca Márcio Cavalcante: Os sindicatos, na qualidade de substitutos processuais, têm legitimidade para a defesa dos interesses coletivos de toda a categoria que representam, sendo dispensável a relação nominal dos filiados e suas respectivas autorizações. Isso porque o sindicato, quando atua na defesa dos direitos supraindividuais da categoria, age como substituto processual (legitimado extraordinário) e não como representante processual. O substituto processual não precisa da autorização dos substituídos porque esta foi dada pela lei (no caso do sindicato, esta autorização foi dada pela CF/88, art. 8º, III). Nesse sentido: (...) A Corte de origem decidiu em consonância com o entendimento do STJ sobre o tema, o qual se firmou no sentido da legitimidade dos sindicatos para atuar em substituição processual de toda a categoria que representam, independentemente de autorização ou relação nominal. STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1856698/AL, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 15/06/2020. Por outro lado, as associações precisam da autorização dos associados para propor a ação na defesa de seus interesses. Isso porque o inciso XXI do art. 5º da CF/88 exige que as associações tenham sido expressamente autorizadas. Não se trata de substituição processual, mas sim de legitimação processual (a associação defende, em nome dos filiados, direito dos filiados que autorizaram – representante processual). STF. Plenário. RE 573232/SC, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 14/5/2014. 3. A Defensoria Pública detém legitimidade para propor ações coletivas na defesa de direitos difusos, coletivos ou individuais homogêneos. 4. A Defensoria Pública tem legitimidade ampla para propor ação coletiva quando se tratar de direitos difusos e legitimidade restrita às pessoas necessitadas nos casos de direitos coletivos em sentido estrito e individuais homogêneos. 5. Os sindicatos e as associações, na qualidade de substitutos processuais, têm legitimidade para atuar judicialmente na defesa dos interesses coletivos de toda a categoria que representam, sendo dispensável a relação nominal dos afiliados e suas respectivas autorizações. Parcialmente superada. Veja comentários às teses 1 e 2 acima. 6. A apuração da legitimidade ativa das associações e dos sindicatos como substitutos processuais, em ações coletivas, passa pelo exame da pertinência temática entre os fins sociais da entidade e o mérito da ação proposta. Parcialmente superada. Veja comentários às teses 1 e 2 acima. 7. A ilegitimidade ativa ou a irregularidade da representação processual não implica a extinção do processo coletivo, competindo ao magistrado abrir oportunidade para o ingresso de outro colegitimado no polo ativo da demanda. 8. O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública com o objetivo de anular Termo de Acordo de Regime Especial - TARE. PROCESSO COLETIVO - I - JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 19 DO STJ 1. O Ministério Público tem legitimidade para atuar em defesa dos direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores. 2. O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública visando tutelar direitos dos consumidores relativos a serviços públicos. 24 Súmula 601 do STJ: O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviço público. 3. O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública com o objetivo de assegurar os interesses individuais indisponíveis, difusos ou coletivos em relação à infância, à adolescência e aos idosos, mesmo quando a ação vise à tutela de pessoa individualmente considerada. 4. O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública com o objetivo de assegurar assistência médica e odontológica à comunidade indígena, em razão da natureza indisponível dos bens jurídicos salvaguardados e o status de hipervulnerabilidade dos sujeitos tutelados. 5. O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública com o objetivo de assegurar os interesses individuais indisponíveis, difusos ou coletivos em relação às pessoas desprovidas de recursos financeiros, mesmo quando a ação vise à tutela de pessoa individualmente considerada. 6. O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública em defesa de interesses e direitos individuais homogêneos pertencentes a consumidores decorrentes de contratos de cessão e concessão do uso de jazigos em cemitérios. 7. O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública com o fim de impedir a cobrança abusiva de mensalidades escolares. Súmula 643 do STF: O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares. 8. O Ministério Público Estadual não tem legitimidade para ajuizar ação civil pública objetivando defesa de bem da União, por se tratar de atribuição do Ministério Público Federal. 9. O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública objetivando a cessação dos jogos de azar. 10. O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa do patrimônio público. (Súmula 329/STJ) 11. O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública objetivando o fornecimento de medicamentos e tratamentos médicos, a fim de tutelar o direito à saúde e à vida. 12. O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa dos interesses de mutuários do Sistema Financeiro da Habitação, visto que presente o relevante interesse social da matéria. 13. O Ministério Público não tem legitimidade para pleitear, em ação civil pública, a indenização decorrente do seguro obrigatório (DPVAT) em benefício do segurado. (Súmula 470/STJ) A Súmula 470 do STJ foi cancelada. O Plenário do STF decidiu que o Ministério Público tem legitimidade para defender contratantes do seguro obrigatório DPVAT (RE 631.111/GO, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 06 e 07/08/2014.Repercussão Geral). Por essa razão, o STJ cancelou a súmula 470 (REsp 858.056/GO). 14. O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública com o objetivo de anular concurso realizado sem a observância dos princípios estabelecidos na Constituição Federal. 25 LEI 4.717/65 - Ação Popular Regula a ação popular. Atualizada até a Lei 6.513/77. 26 Conforme estabelece o art. 5º, LXXIII, da Constituição Federal: QUALQUER CIDADÃO é PARTE LEGÍTIMA para PROPOR AÇÃO POPULAR que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. Art. 1º _ Legitimidade ativ a e disposições gerais QUALQUER CIDADÃO será PARTE LEGÍTIMA para pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União, do DF, dos Estados, dos Municípios, de entidades autárquicas, de sociedades de economia mista (Constituição, art. 141, § 38), de sociedades mútuas de seguro nas quais a União represente os segurados ausentes, de empresas públicas, de serviços sociais autônomos, de instituições ou fundações para cuja criação ou custeio o tesouro público haja concorrido ou concorra com mais de 50% do patrimônio ou da receita ânua, de empresas incorporadas ao patrimônio da União, do DF, dos Estados e dos Municípios, e de quaisquer pessoas jurídicas ou entidades subvencionadas pelos cofres públicos. Este artigo faz referência ao art. 141, § 38, da CF de 1946. § 1º. Consideram-se PATRIMÔNIO PÚBLICO para os fins referidos neste artigo, os bens e direitos de valor econômico, artístico, estético, histórico ou turístico. (Lei 6.513/77) § 2º. Em se tratando de instituições ou fundações, para cuja criação ou custeio o tesouro público concorra com menos de 50% do patrimônio ou da receita ânua, bem como de pessoas jurídicas ou entidades subvencionadas, as consequências patrimoniais da invalidez dos atos lesivos terão por limite a repercussão deles sobre a contribuição dos cofres públicos. § 3º. A PROVA DA CIDADANIA, para ingresso em juízo, será feita com o título eleitoral, ou com documento que a ele corresponda. § 4º. PARA INSTRUIR a INICIAL, o CIDADÃO PODERÁ REQUERER às entidades, a que se refere este artigo, as certidões e informações que julgar necessárias, bastando para isso indicar a finalidade das mesmas. § 5º. As CERTIDÕES e INFORMAÇÕES, a que se refere o parágrafo anterior, deverão ser fornecidas dentro de 15 dias da entrega, sob recibo, dos respectivos requerimentos, e só poderão ser utilizadas para a instrução de ação popular. § 6º. Somente nos casos em que o interesse público, devidamente justificado, impuser sigilo, poderá ser NEGADA CERTIDÃO OU INFORMAÇÃO. § 7º. Ocorrendo a hipótese do parágrafo anterior, a ação poderá ser proposta desacompanhada das certidões ou informações negadas , cabendo ao juiz, após apreciar os motivos do indeferimento, e salvo em se tratando de razão de segurança nacional, requisitar umas e outras; feita a requisição, o processo correrá em segredo de justiça, que cessará com o trânsito em julgado de sentença condenatória. Art. 2º _ Casos de nulidade São NULOS os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a. INCOMPETÊNCIA; b. VÍCIO DE FORMA; c. ILEGALIDADE DO OBJETO; d. INEXISTÊNCIA DOS MOTIVOS; e. DESVIO DE FINALIDADE. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-ão as seguintes normas: a. a INCOMPETÊNCIA fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b. o VÍCIO DE FORMA consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; c. a ILEGALIDADE DO OBJETO ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; 27 d. a INEXISTÊNCIA DOS MOTIVOS se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e. o DESVIO DE FINALIDADE se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. CONCEITUAÇÃO DOS CASOS DE NULIDADE São NULOS os ATOS LESIVOS AO PATRIMÔNIO PÚBLICO (federal, distrital, estadual ou municipal), ou autarquias, paraestatais e pessoas jurídicas subvencionadas com dinheiro público, OBSERVADAS AS SEGUINTES NORMAS: INCOMPETÊNCIA Quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. VÍCIO DE FORMA Omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato. ILEGALIDADE DO OBJETO Quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo. INEXISTÊNCIA DOS MOTIVOS Quando a matéria de fato ou de direito é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido. DESVIO DE FINALIDADE Quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto na regra de competência. Art. 3º _ Atos anuláv eis Os ATOS LESIVOS AO PATRIMÔNIO das pessoas de direito público ou privado, ou das entidades mencionadas no art. 1º, CUJOS VÍCIOS NÃO SE COMPREENDAM NAS ESPECIFICAÇÕES do artigo anterior, serão ANULÁVEIS, segundo as prescrições legais, enquanto compatíveis com a natureza deles. Art. 4º _ Outros casos de nulidade SÃO TAMBÉM NULOS os seguintes atos ou contratos, praticados ou celebrados por quaisquer das pessoas ou entidades referidas no art. 1º. I. A admissão ao serviço público remunerado , com desobediência, quanto às condições de habilitação, das normas legais, regulamentares ou constantes de instruções gerais. II. A operação bancária ou de crédito real, quando: a. for realizada com desobediência a normas legais, regulamentares , estatutárias, regimentais ou internas; b. o valor real do bem dado em hipoteca ou penhor for inferior ao constante de escritura, contrato ou avaliação. III. A empreitada, a tarefa e a concessão do serviço público, quando: a. o respectivo contrato houver sido celebrado sem prévia concorrência pública ou administrativa, sem que essa condição seja estabelecida em lei, regulamento ou norma geral; b. no edital de concorrência forem incluídas cláusulas ou condições, que comprometam o seu caráter competitivo; c. a concorrência administrativa for processada em condições que impliquem na limitação das possibilidades normais de competição. IV. As modificações ou vantagens, inclusive prorrogações que forem admitidas, em favor do adjudicatário, durante a execução dos contratos de empreitada, tarefa e concessão de serviço público, sem que estejam previstas em lei ou nos respectivos instrumentos., V. A compra e venda de bens móveis ou imóveis, nos casos em que não cabível concorrência pública ou administrativa, quando: a. for realizada com desobediência a normas legais, regulamentares, ou constantes de instruções gerais; 28 b. o preço de compra dos bens for superior ao corrente no mercado , na época da operação; c. o preço de venda dos bens for inferior ao corrente no mercado , na época da operação. VI. A concessão de licença de exportação ou importação, qualquer que seja a sua modalidade, quando: a. houver sido praticada com violação das normas legais e regulamentares ou de instruções e ordens de serviço; b. resultar em exceção ou privilégio, em favor de exportador ou importador. VII. A operação de redesconto quando sob qualquer aspecto, inclusive o limite de valor, desobedecer a normas legais, regulamentares ou constantes de instruções gerais. VIII. O empréstimo concedido pelo Banco Central da República , quando: a. concedido com desobediência de quaisquer normas legais,regulamentares, regimentais ou constantes de instruções gerias: b. o valor dos bens dados em garantia, na época da operação, for inferior ao da avaliação. IX. A emissão, quando efetuada sem observância das normas constitucionais, legais e regulamentadoras que regem a espécie. Da Competência Art. 5º _ Competência Conforme a origem do ato impugnado, é COMPETENTE PARA CONHECER DA AÇÃO, PROCESSÁ-LA e JULGÁ-LA o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada Estado, o for para as causas que interessem à União, ao DF, ao Estado ou ao Município . § 1º. PARA FINS de COMPETÊNCIA, EQUIPARAM-SE ATOS DA UNIÃO, DO DF, DO ESTADO OU DOS MUNICÍPIOS os atos das pessoas criadas ou mantidas por essas pessoas jurídicas de direito público, bem como os atos das sociedades de que elas sejam acionistas e os das pessoas ou entidades por elas subvencionadas ou em relação às quais tenham interesse patrimonial. § 2º. Quando o pleito interessar simultaneamente à União e a qualquer outra pessoas ou entidade, será competente o juiz das causas da União, se houver; quando interessar simultaneamente ao Estado e ao Município, será competente o juiz das causas do Estado, se houver. § 3º. A propositura da ação PREVENIRÁ A JURISDIÇÃO DO JUÍZO para todas as ações, que forem posteriormente intentadas contra as mesmas partes e sob os mesmos fundamentos. § 4º. Na defesa do patrimônio público caberá a SUSPENSÃO LIMINAR do ato lesivo impugnado. (Lei 6.513/77) COMPETÊNCIA PARA JULGAR A AÇÃO POPULAR REGRA: A competência para julgar ação popular contra ato de qualquer autoridade é do juízo de PRIMEIRO GRAU JUSTIÇA FEDERAL da seção judiciária em que se consumou o ato ou fato ou onde esteja situada a coisa Quando ato impugnado foi praticado por autoridades, funcionários ou administradores de órgãos da União e de suas entidades, ou entidades por ela subvencionadas. JUSTIÇA ESTADUAL que a organização judiciária do Estado indicar Quando ato impugnado foi produzido por órgão, repartição, serviço ou entidade de Estado ou Município, ou entidades por eles subvencionadas. EXCEÇÃO: COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA do STF Art. 102, I, f, da CF Se envolver as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o DF, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta. Art. 102, I, n, da CF Se interessar, direta ou indiretamente, a todos os membros da magistratura, ou as ações em que mais da metade dos membros do 29 tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados. Dos Sujeitos Passivos da Ação e dos Assistentes Art. 6º _ Legitimidade passiv a A AÇÃO SERÁ PROPOSTA CONTRA as PESSOAS PÚBLICAS OU PRIVADAS e as entidades referidas no art. 1º, CONTRA as AUTORIDADES, FUNCIONÁRIOS OU ADMINISTRADORES que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado, ou que, por omissas, tiverem dado oportunidade à lesão, e CONTRA os BENEFICIÁRIOS DIRETOS do mesmo. LEGITIMIDADE PASSIVA Na ação popular forma-se um LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO SIMPLES. Devendo a ação ser PROPOSTA CONTRA: As pessoas jurídicas públicas ou privadas. As autoridades, funcionários ou administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado, ou que, por omissão, houverem dado ensejo à lesão. Os beneficiários diretos do ato. § 1º. Se não houver benefício direto do ato lesivo, ou se for ele indeterminado ou desconhecido, a ação será proposta somente contra as outras pessoas indicadas neste artigo. § 2º. No caso de que trata o inciso II, item b, do art. 4º, quando o valor real do bem for inferior ao da avaliação, citar-se-ão como réus, além das pessoas públicas ou privadas e entidades referidas no art. 1º, apenas os responsáveis pela avaliação inexata e os beneficiários da mesma. § 3º. A pessoas jurídica de direito público ou de direito privado , cujo ato seja objeto de impugnação, poderá abster-se de contestar o pedido, ou poderá atuar ao lado do autor, desde que isso se afigure útil ao interesse público, a juízo do respectivo representante legal ou dirigente. § 4º. O MINISTÉRIO PÚBLICO acompanhará a ação, cabendo-lhe apressar a produção da prova e promover a responsabilidade, civil ou criminal, dos que nela incidirem, sendo- lhe vedado, em qualquer hipótese, assumir a defesa do ato impugnado ou dos seus autores. § 5º. É FACULTADO a QUALQUER CIDADÃO habilitar-se como LITISCONSORTE ou ASSISTENTE do autor da ação popular. Do Processo Art. 7º _ Disposições gerais sobre o processo A ação obedecerá ao PROCEDIMENTO ORDINÁRIO, previsto no CPC (PROCEDIMENTO COMUM), observadas as seguintes normas modificativas: I. Ao despachar a inicial, o juiz ordenará: a. além da citação dos réus, a intimação do representante do Ministério Público; b. a requisição, às entidades indicadas na petição inicial, dos documentos que tiverem sido referidos pelo autor (art. 1º, § 6º), bem como a de outros que se lhe afigurem necessários ao esclarecimento dos fatos, ficando prazos de 15 a 30 dias para o atendimento. § 1º. O representante do Ministério Público providenciará para que as requisições, a que se refere o inciso anterior, sejam atendidas dentro dos prazos fixados pelo juiz. § 2º. Se os documentos e informações não puderem ser oferecidos nos prazos assinalados, o juiz poderá autorizar prorrogação dos mesmos, por prazo razoável. II. Quando o autor o preferir, a citação dos beneficiários far-se-á por edital com o prazo de 30 dias, afixado na sede do juízo e publicado 3 vezes no jornal oficial do DF, ou da Capital do Estado ou Território em que seja ajuizada a ação. A publicação será gratuita e deverá iniciar-se no máximo 3 dias após a entrega, na repartição competente, sob protocolo, de uma via autenticada do mandado. 30 III. Qualquer pessoa, beneficiada ou responsável pelo ato impugnado, cuja existência ou identidade se torne conhecida no curso do processo e antes de proferida a sentença final de primeira instância, deverá ser citada para a integração do contraditório, sendo-lhe restituído o prazo para contestação e produção de provas, salvo, quanto a beneficiário, se a citação se houver feito na forma do inciso anterior. IV. O prazo de CONTESTAÇÃO é de 20 dias, prorrogáveis por mais 20, a requerimento do interessado, se particularmente difícil a produção de prova documental, e será comum a todos os interessados, correndo da entrega em cartório do mandado cumprido, ou, quando for o caso, do decurso do prazo assinado em edital. V. Caso não requerida, até o despacho saneador, a produção de prova testemunhal ou pericial, o juiz ordenará vista às partes por 10 dias, para alegações, sendo-lhe os autos conclusos, para sentença, 48 horas após a expiração desse prazo; havendo requerimento de prova, o processo tomará o rito ordinário. VI. A SENTENÇA, quando não prolatada em audiência de instrução e julgamento, deverá ser proferida dentro de 15 dias do recebimento dos autos pelo juiz. Parágrafo único. O PROFERIMENTO DA SENTENÇA ALÉM DO PRAZO ESTABELECIDO privará o juiz da inclusão em lista de merecimento para promoção, durante 2 anos, e acarretará a perda, para efeito de promoção por antiguidade, de tantos dias quantos forem os do retardamento, salvo motivo justo, declinado nos autos e comprovado perante o órgão disciplinar competente. Art. 8º Ficará sujeita à PENA DE DESOBEDIÊNCIA, salvo motivo justo devidamente comprovado, a autoridade, o administrador ou o dirigente, que deixar de fornecer, no prazo fixado no art. 1º, § 5º, ou naquele que tiver sido estipulado pelo juiz (art. 7º, n. I, letra b), informações e certidão ou fotocópia de documento necessários à instrução da causa. Parágrafo único. O prazo contar-se-á do dia em que entregue, sob recibo, o requerimento do interessado ou o ofício de requisição (art. 1º, § 5º, e art. 7º, n. I, letra b). Art. 9º _ Desistênciae atuação do MP Se o AUTOR DESISTIR DA AÇÃO ou der motiva à absolvição da instância, serão publicados editais nos prazos e condições previstos no art. 7º, inciso II, ficando assegurado a qualquer cidadão, bem como ao representante do Ministério Público, dentro do prazo de 90 dias da última publicação feita, promover o prosseguimento da ação. O Ministério Público não possui legitimidade para ajuizamento de ação popular, mas é incumbido de atuar como custos legis. Entretanto, se o autor desistir da ação, perder ou tiver seus direitos políticos suspensos, conforme estabelece este artigo, fica assegurado ao Ministério Público ou a qualquer outro cidadão a possibilidade de promover o prosseguimento da ação. Art. 10 As partes só pagarão custas e preparo a final. A isenção de custas e ônus de sucumbência é uma previsão constitucional, conforme o art. 5º, LXXIII: Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. Art. 11 A SENTENÇA que, JULGANDO PROCEDENTE A AÇÃO POPULAR, decretar a invalidade do ato impugnado, condenará ao pagamento de perdas e danos os responsáveis pela sua prática e os beneficiários dele, ressalvada a ação regressiva contra os funcionários causadores de dano, quando incorrerem em culpa. Art. 12 A SENTENÇA INCLUIRÁ SEMPRE, na condenação dos réus, o pagamento, ao autor, das custas e demais despesas, judiciais e extrajudiciais, diretamente relacionadas com a ação e comprovadas, bem como o dos honorários de advogado. 31 Art. 13 _ Lide manifestamente temerária A sentença que, apreciando o fundamento de direito do pedido, julgar a LIDE MANIFESTAMENTE TEMERÁRIA, condenará o autor ao pagamento do décuplo das custas. Art. 14 Se o valor da lesão ficar provado no curso da causa, será indicado na sentença; se depender de avaliação ou perícia, será apurado na execução. § 1º. Quando a lesão resultar da falta ou isenção de qualquer pagamento, a condenação imporá o pagamento devido, com acréscimo de juros de mora e multa legal ou contratual, se houver. § 2º. Quando a lesão resultar da execução fraudulenta, simulada ou irreal de contratos, a condenação versará sobre a reposição do débito, com juros de mora. § 3º. Quando o réu condenado perceber dos cofres públicos, a execução far-se-á por desconto em folha até o integral ressarcimento do dano causado, se assim mais convier ao interesse público. § 4º. A parte condenada a restituir bens ou valores ficará sujeita a sequestro e penhora, desde a prolação da sentença condenatória. Art. 15 _ Infringência da lei penal ou a prática de falta disciplinar que comine a pena de demissão Se, no curso da ação, ficar provada a INFRINGÊNCIA DA LEI PENAL OU A PRÁTICA DE FALTA DISCIPLINAR a que a lei comine a PENA DE DEMISSÃO ou a de rescisão de contrato de trabalho, o JUIZ, EX-OFFICIO, determinará a remessa de cópia autenticada das peças necessárias às autoridades ou aos administradores a quem competir aplicar a sanção . Art. 16 Caso decorridos 60 dias da publicação da sentença condenatória de 2ª instância, SEM QUE O AUTOR OU TERCEIRO PROMOVA A RESPECTIVA EXECUÇÃO. o representante do MINISTÉRIO PÚBLICO a promoverá nos 30 dias seguintes, sob pena de falta grave. Art. 17 É SEMPRE PERMITIDA ÀS PESSOAS OU ENTIDADES referidas no art. 1º, ainda que hajam contestado a ação, promover, em qualquer tempo, e no que as beneficiar a execução da sentença contra os demais réus. Art. 18 _ Eficácia da sentença A SENTENÇA terá EFICÁCIA DE COISA JULGADA OPONÍVEL ERGA OMNES, exceto no caso de haver sido a ação julgada improcedente por deficiência de prova; neste caso, qualquer cidadão poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova. CONSEQUÊNCIAS DA PROCEDÊNCIA DA AÇÃO POPULAR Art. 11 Invalidade do ato impugnado Condenação dos responsáveis e beneficiários em perdas e danos Art. 12 Condenação dos réus ao pagamento das custas e despesas com a ação, bem como honorários advocatícios Art. 18 Produção de efeitos de coisa julgada erga omnes Art. 19 _ Recursos A SENTENÇA que CONCLUIR PELA CARÊNCIA OU PELA IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO está sujeita ao DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal; da que JULGAR A AÇÃO PROCEDENTE caberá APELAÇÃO, com EFEITO SUSPENSIVO. (Lei 6.014/73) § 1º. Das decisões interlocutórias cabe agravo de instrumento. (Lei 6.014/73) § 2º. Das sentenças e decisões proferidas contra o autor da ação e suscetíveis de recurso, poderá recorrer qualquer cidadão e também o Ministério Público. (Lei 6.014/73) 32 Disposições Gerais Art. 20 Para os fins desta lei, consideram-se entidades autárquicas: a. o serviço estatal descentralizado com personalidade jurídica, custeado mediante orçamento próprio, independente do orçamento geral; b. as pessoas jurídicas especialmente instituídas por lei, para a execução de serviços de interesse público ou social, custeados por tributos de qualquer natureza ou por outros recursos oriundos do Tesouro Público; c. as entidades de direito público ou privado a que a lei tiver atribuído competência para receber e aplicar contribuições parafiscais. Art. 21 _ Prescrição A ação prevista nesta lei PRESCREVE em 5 ANOS. Art. 22 Aplicam-se à ação popular as REGRAS DO CPC, naquilo em que não contrariem os dispositivos desta lei, nem a natureza específica da ação. 33 LEI 13.300/16 - Mandado de Injunção Disciplina o processo e o julgamento dos mandados de injunção individual e coletivo e dá outras providências. Redação original. 34 Conforme estabelece o art. 5º, LXXI, da Constituição Federal: Conceder-se-á MANDADO DE INJUNÇÃO sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania . Art. 1º _ Objeto desta lei e requisitos constitucionais Esta Lei disciplina o processo e o julgamento dos MANDADOS DE INJUNÇÃO INDIVIDUAL E COLETIVO, nos termos do inciso LXXI do art. 5º da Constituição Federal. REQUISITOS CONSTITUCIONAIS PARA O MANDADO DE INJUNÇÃO NORMA CONSTITUCIONAL de EFICÁCIA LIMITADA Prescrevendo direitos, liberdades constitucionais e prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. FALTA de NORMA REGULAMENTADORA (omissão) Tornando inviável o exercício dos direitos, liberdades e prerrogativas mencionados acima. Sobre o mandado de injunção, Pedro Lenza ensina que: Tal como a ADO — ação direta de inconstitucionalidade por omissão, o mandado de injunção surge para “curar” uma “doença” denominada síndrome de inefetividade das normas constitucionais, vale dizer, normas constitucionais que, de imediato, no momento em que a Constituição entra em vigor (ou diante da introdução de novos preceitos por emendas à Constituição, ou na hipótese do art. 5º, § 3º), não têm o condão de produzir todos os seus efeitos, necessitando de ato normativo integrativo e infraconstitucional. Art. 2º _ Requisitos conforme esta lei Conceder-se-á MANDADO DE INJUNÇÃO sempre que a FALTA TOTAL ou PARCIAL de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Parágrafo único. Considera-se PARCIAL a REGULAMENTAÇÃO quando forem insuficientes as normas editadas pelo órgão legislador competente. Art. 3º _ Legitimados São LEGITIMADOS para o mandado de injunção, COMO IMPETRANTES, as PESSOAS NATURAIS OU JURÍDICAS QUE SE AFIRMAM TITULARES dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas referidos no art. 2º e, COMO IMPETRADO, o PODER, o ÓRGÃO oua AUTORIDADE COM ATRIBUIÇÃO PARA EDITAR A NORMA REGULAMENTADORA. PRESSUPOSTOS DE CABIMENTO O mandado de injunção somente será cabível quando presentes os seguintes PRESSUPOSTOS: Previsão de um direito não autoaplicável pela Constituição Falta de norma implementadora de regulamentação Inviabilização dos direitos e liberdades constitucionais Nexo de causalidade entre a omissão e a inviabilidade O impetrante seja titular dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas Art. 4º A PETIÇÃO INICIAL deverá preencher os requisitos estabelecidos pela lei processual e indicará, além do órgão impetrado, a pessoa jurídica que ele integra ou aquela a que está vinculado. § 1º. Quando não for transmitida por meio eletrônico, a petição inicial e os documentos que a instruem serão acompanhados de tantas vias quantos forem os impetrados. 35 § 2º. Quando o documento necessário à prova do alegado encontrar-se em repartição ou estabelecimento público, em poder de autoridade ou de terceiro, havendo recusa em fornecê-lo por certidão, no original, ou em cópia autêntica, será ordenada, a pedido do impetrante, a exibição do documento no prazo de 10 dias, devendo, nesse caso, ser juntada cópia à 2ª via da petição. § 3º. Se a recusa em fornecer o documento for do impetrado, a ordem será feita no próprio instrumento da notificação. Art. 5º RECEBIDA a PETIÇÃO INICIAL, será ordenada: I. a notificação do impetrado sobre o conteúdo da petição inicial , devendo-lhe ser enviada a 2ª via apresentada com as cópias dos documentos, a fim de que, no prazo de 10 dias, preste informações; II. a ciência do ajuizamento da ação ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada, devendo-lhe ser enviada cópia da petição inicial, para que, querendo, ingresse no feito. Art. 6º _ Indeferimento da petição inicial A PETIÇÃO INICIAL será DESDE LOGO INDEFERIDA quando a impetração for manifestamente incabível ou manifestamente improcedente. Parágrafo único. Da decisão de relator que indeferir a petição inicial, caberá AGRAVO, em 5 dias, para o órgão colegiado competente para o julgamento da impetração. Art. 7º FINDO O PRAZO para APRESENTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES, será OUVIDO O MINISTÉRIO PÚBLICO, que opinará em 10 dias, após o que, com ou sem parecer, os autos serão conclusos para decisão. Art. 8º _ Reconhecido o estado de mora legislativ a RECONHECIDO O ESTADO DE MORA LEGISLATIVA, será DEFERIDA A INJUNÇÃO para: I. determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora; II. estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos , das liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado. Parágrafo único. Será dispensada a determinação a que se refere o inciso I do caput quando comprovado que o impetrado deixou de atender, em mandado de injunção anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma . EFEITOS DA DECISÃO * Posição CONCRETISTA DIRETA A concessão da ordem no mandado de injunção “concretiza” o direito diretamente, independentemente de atuação do órgão omisso, até que a norma constitucional venha a ser regulamentada. A decisão vale ou para todos (GERAL) e, nesse caso, terá efeitos erga omnes, ou para um grupo, classe ou categoria de pessoas (COLETIVO), ou apenas para o impetrante, pessoa natural ou jurídica (INDIVIDUAL) Posição CONCRETISTA INTERMEDIÁRIA Julgando procedente o mandado de injunção, o Judiciário fixa ao órgão omisso prazo para elaborar a norma regulamentadora. Findo o prazo e permanecendo a inércia, o direito passa a ser assegurado para todos (GERAL), para grupo, classe ou categoria de pessoas (COLETIVO) ou apenas para o impetrante, pessoa natural ou jurídica (INDIVIDUAL) POSIÇÃO ADOTADA por esta lei: O legislador optou, como regra, pela posição concretista intermediária, individual ou coletiva, autorizando a lei a adoção da posição concretista intermediária geral, conforme estabelece o art. 8º. 36 Posição NÃO CONCRETISTA A decisão apenas decreta a mora do Poder, órgão ou autoridade com atribuição para editar a norma regulamentadora, reconhecendo-se formalmente a sua inércia * Conforme ensina Pedro Lenza Art. 9º _ Eficácia da decisão A DECISÃO terá EFICÁCIA SUBJETIVA LIMITADA ÀS PARTES e produzirá efeitos até o advento da norma regulamentadora. (CONCRETISTA INDIVIDUAL) § 1º. Poderá ser conferida EFICÁCIA ULTRA PARTES ou ERGA OMNES à decisão, quando isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração. (CONCRETISTA GERAL) § 2º. Transitada em julgado a decisão, seus efeitos poderão ser estendidos aos casos análogos por decisão monocrática do relator. § 3º. O indeferimento do pedido por insuficiência de prova não impede a renovação da impetração fundada em outros elementos probatórios. Art. 10 _ Ação de rev isão Sem prejuízo dos efeitos já produzidos, a decisão poderá ser REVISTA, a pedido de qualquer interessado, quando sobrevierem relevantes modificações das circunstâncias de fato ou de direito. Parágrafo único. A ação de revisão observará, no que couber, o procedimento estabelecido nesta Lei. Não confundir com ação rescisória. Conforme ensina Márcio Cavalcante: O objetivo aqui não é desconstituir a coisa julgada que foi formada, mas sim o de rediscutir a aplicabilidade da decisão oferecida pelo Poder Judiciário diante da modificação das circunstâncias de fato e de direito. Art. 11 _ Efeitos da norma regulamentadora superv eniente A NORMA REGULAMENTADORA SUPERVENIENTE produzirá efeitos EX NUNC em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado, salvo se a aplicação da norma editada lhes for mais favorável. Parágrafo único. Estará prejudicada a impetração se a norma regulamentadora for editada antes da decisão, caso em que o processo será extinto sem resolução de mérito. Art. 12 _ Mandado de injunção coletiv o O MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO pode ser PROMOVIDO: I. pelo MINISTÉRIO PÚBLICO, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica, do regime democrático ou dos interesses sociais ou individuais indisponíveis; II. por PARTIDO POLÍTICO COM REPRESENTAÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a finalidade partidária; III. por ORGANIZAÇÃO SINDICAL, ENTIDADE DE CLASSE OU ASSOCIAÇÃO legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 ano, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade ou de parte de seus membros ou associados, na forma de seus estatutos e desde que pertinentes a suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial; IV. pela DEFENSORIA PÚBLICA, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da Constituição Federal. Parágrafo único. Os direitos, as liberdades e as prerrogativas protegidos por mandado de injunção coletivo são os PERTENCENTES, INDISTINTAMENTE, A UMA COLETIVIDADE INDETERMINADA de pessoas ou determinada por grupo, classe ou categoria. 37 Art. 13 _ S entença no mandado de injunção coletivo No MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO, a SENTENÇA fará coisa julgada limitadamente às pessoas integrantes da coletividade, do grupo, da classe ou da categoria substituídos pelo impetrante, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º e 2º do art. 9º. Parágrafo único. O mandado de injunção coletivo NÃO INDUZ LITISPENDÊNCIA EM RELAÇÃO AOS INDIVIDUAIS, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante que não requerer a desistência da demanda individual no prazo de 30 dias a contarda ciência comprovada da impetração coletiva. DIFERENÇAS ENTRE MANDADO DE INJUNÇÃO E ADO MANDADO DE INJUNÇÃO ADI POR OMISSÃO NATUREZA E FINALIDADE Trata-se de processo no qual é discutido um direito subjetivo. A finalidade é viabilizar o exercício de um direito. Há, portanto, controle concreto de constitucionalidade. A finalidade é declarar que há uma omissão, já que não existe determinada medida necessária para tornar efetiva uma norma constitucional. Estamos diante, portanto, de processo objetivo, em que há controle abstrato de constitucionalidade. CABIMENTO Cabível quando faltar norma regulamentadora de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Cabível quando faltar norma regulamentadora relacionada com qualquer norma constitucional de eficácia limitada. LEGITIMADOS ATIVOS MI individual: pessoas naturais ou jurídicas que se afirmam titulares dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas. MI coletivo: estão previstos no art. 12 da Lei 13.300/2016. Os legitimados da ADI por omissão estão descritos no art. 103 da CF/88. COMPETÊNCIA A competência para julgar a ação dependerá da autoridade que figura no polo passivo e que possui atribuição para editar a norma. Se relacionada com norma da CF/88: STF. Se relacionada com norma da CE: TJ. EFEITOS DA DECISÃO Reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para: I. determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora; II. estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado. Obs: será dispensada a determinação a que se refere o inciso I quando comprovado que o impetrado deixou de atender, em MI anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma. Declarada a inconstitucionalidade por omissão, o Judiciário dará ciência ao Poder competente para que este adote as providências necessárias. Se for órgão administrativo, este terá um prazo de 30 dias para adotar a medida necessária. Se for o Poder Legislativo, não há prazo. 38 Art. 14 Aplicam-se subsidiariamente ao mandado de injunção as NORMAS DO MANDADO DE SEGURANÇA, disciplinado pela Lei 12.016/2009 e do CPC, instituído pela Lei 5.869/1973 e pela Lei 13.105/2015, observado o disposto em seus arts. 1.045 e 1.046. Art. 15 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 39 LEI 12.016/09 - Mandado de Segurança Disciplina o mandado de segurança individual e coletivo e dá outras providências. Atualizada até a Lei 13.676/18. 40 O Mandado de Segurança está previsto no art. 5º, LXIX, Constituição Federal: Conceder-se-á MANDADO DE SEGURANÇA para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; Art. 1º _ Cabimento do mandado de segurança Conceder-se-á MANDADO DE SEGURANÇA para PROTEGER DIREITO LÍQUIDO E CERTO, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê- la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. § 1º. Equiparam-se às AUTORIDADES, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas , bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições. § 2º. NÃO CABE MANDADO DE SEGURANÇA contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público. O STF decidiu, no julgamento da ADI 4296, que o art. 1º, § 2º, da Lei 12.016/2009 é constitucional: Não cabe mandado de segurança contra atos de gestão comercial praticados por administradores de empresas públicas, sociedades de economia mista e concessionárias de serviço público (art. 1º, § 2º da Lei nº 12.016/2019). STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes julgado em 9/6/2021 (Info 1021). § 3º. Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, qualquer delas poderá requerer o mandado de segurança. Art. 2º Considerar-se-á FEDERAL a autoridade coatora se as consequências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas pela União ou entidade por ela controlada. Art. 3º _ H ipótese de substituição processual O titular de direito líquido e certo decorrente de direito, EM CONDIÇÕES IDÊNTICAS, DE TERCEIRO poderá IMPETRAR MANDADO DE SEGURANÇA A FAVOR DO DIREITO ORIGINÁRIO, se o seu titular não o fizer, no prazo de 30 dias, quando notificado judicialmente. Parágrafo único. O exercício do direito previsto no caput deste artigo submete-se ao prazo fixado no art. 23 desta Lei (120 dias), contado da notificação. O art. 23 desta Lei estabelece que: O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 120 dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. Art. 4º Em CASO DE URGÊNCIA, é permitido, observados os requisitos legais, impetrar mandado de segurança por telegrama, radiograma, fax ou outro meio eletrônico de autenticidade comprovada. § 1º. Poderá o juiz, em caso de urgência, notificar a autoridade por telegrama, radiograma ou outro meio que assegure a autenticidade do documento e a imediata ciência pela autoridade. § 2º. O texto original da petição deverá ser apresentado nos 5 dias úteis seguintes. § 3º. Para os fins deste artigo, em se tratando de documento eletrônico, serão observadas as regras da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. 41 Art. 5º _ H ipóteses de não concessão do mandado de segurança NÃO SE CONCEDERÁ MANDADO DE SEGURANÇA quando se tratar: I. de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução; II. de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO JUDICIAL Art. 5º, II, desta Lei Não se concederá mandado de segurança quando se tratar de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo. Súmula 267 do STF Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição. Entendimento do STJ REGRA Não cabe contra decisão judicial da qual caiba recurso, pois não pode ser utilizado como sucedâneo recursal. EXCEÇÃO Será cabível contra decisão judicial manifestamente eivada de ilegalidade, teratologia ou abuso de poder. III. de decisão judicial transitada em julgado. Este inciso III incorpora o entendimento jurisprudencial da Súmula 268 do STF, negando cabimento ao mandado de segurança contra decisão judicial transitada em julgado, podendo esta ser atacada por meio da ação rescisória. Parágrafo único. (VETADO) Art. 6º _ Petição inicial A PETIÇÃO INICIAL, que deverá preencher os requisitos estabelecidos pela lei processual, será apresentada em 2 vias com os documentos que instruírem a primeira reproduzidos na segunda e indicará, além da autoridade coatora, a pessoa jurídica que esta integra, à qual se acha vinculada ou da qual exerce atribuições. § 1º. No caso em que o documento necessário à prova do alegado se ache em repartição ou estabelecimento público ou em poder de autoridade que se recuse a fornecê-lo por certidão ou de terceiro, o juiz ordenará, preliminarmente, por ofício,a exibição desse documento em original ou em cópia autêntica e marcará, para o cumprimento da ordem, o prazo de 10 dias. O escrivão extrairá cópias do documento para juntá-las à 2ª via da petição. § 2º. Se a autoridade que tiver procedido dessa maneira for a própria coatora, a ordem far-se-á no próprio instrumento da notificação. § 3º. CONSIDERA-SE AUTORIDADE COATORA aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prática. § 4º. (VETADO) § 5º. DENEGA-SE o MANDADO DE SEGURANÇA nos casos previstos pelo art. 267 do CPC/73 (art. 485 do CPC/15). O art. 267 do revogado CPC/73, corresponde ao art. 485 do CPC/15: O juiz não resolverá o mérito quando: I. indeferir a petição inicial; II. o processo ficar parado durante mais de 1 ano por negligência das partes; III. por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 dias; IV. verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V. reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; VI. verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; VII. acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; VIII. homologar a desistência da ação; 42 IX. em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e X. nos demais casos prescritos neste Código. § 1º. Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a parte será intimada pessoalmente para suprir a falta no prazo de 5 dias. § 2º. No caso do § 1º, quanto ao inciso II, as partes pagarão proporcionalmente as custas, e, quanto ao inciso III, o autor será condenado ao pagamento das despesas e dos honorários de advogado. § 3º. O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. § 4º. Oferecida a contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação. § 5º. A desistência da ação pode ser apresentada até a sentença. § 6º. Oferecida a contestação, a extinção do processo por abandono da causa pelo autor depende de requerimento do réu. § 7º. Interposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos deste artigo, o juiz terá 5 dias para retratar-se. § 6º. O PEDIDO de mandado de segurança poderá ser RENOVADO dentro do prazo decadencial, se a decisão denegatória não lhe houver apreciado o mérito. Art. 7º _ Notificação da autoridade coatora, ciência da petição à pessoa jurídica interessada, liminar e cabimento de agrav o de instrumento Ao DESPACHAR a INICIAL, o JUIZ ORDENARÁ: I. que se notifique o coator do conteúdo da petição inicial, enviando-lhe a 2ª via apresentada com as cópias dos documentos, a fim de que, no prazo de 10 dias, preste as informações; II. que se dê ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada, enviando-lhe cópia da inicial sem documentos, para que, querendo, ingresse no feito; III. que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido , quando houver fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida , caso seja finalmente deferida, sendo facultado exigir do impetrante caução, fiança ou depósito, com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica. O STF decidiu, no julgamento da ADI 4296, que o art. 7º, III, da Lei 12.016/2009 é constitucional: O juiz tem a faculdade de exigir caução, fiança ou depósito para o deferimento de medida liminar em mandado de segurança, quando verificada a real necessidade da garantia em juízo, de acordo com as circunstâncias do caso concreto (art. 7º, III, da Lei nº 12.016/2019). STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes julgado em 9/6/2021 (Info 1021). § 1º. Da decisão do juiz de primeiro grau que CONCEDER OU DENEGAR A LIMINAR caberá AGRAVO DE INSTRUMENTO, observado o disposto na Lei 5.869/1973 (CPC/73). A Lei 5.869/1973 (CPC/73) foi revogada pela Lei 13.105/2015 (CPC/2015). § 2º. Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 7º, § 2º, DA LEI 12.016/2009 É INCONSTITUCIONAL ato normativo que vede ou condicione a concessão de medida liminar na via mandamental. STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes julgado em 9/6/2021 (Info 1021) § 3º. Os EFEITOS da MEDIDA LIMINAR, salvo se revogada ou cassada, persistirão até a prolação da sentença. § 4º. DEFERIDA a MEDIDA LIMINAR, o processo terá prioridade para julgamento. 43 § 5º. As VEDAÇÕES relacionadas com a CONCESSÃO DE LIMINARES previstas neste artigo SE ESTENDEM À TUTELA ANTECIPADA a que se referem os arts. 273 e 461 da Lei 5.869/1973 (CPC/73). Os arts. 273 e 461 referem-se ao revogado CPC/73, correspondendo aos arts. 294, 300 e 497 do CPC/2015: Art. 8º _ Decretação de perempção ou caducidade da medida liminar Será DECRETADA a PEREMPÇÃO OU CADUCIDADE DA MEDIDA LIMINAR EX OFFICIO ou a requerimento do MINISTÉRIO PÚBLICO quando, concedida a medida, o impetrante criar obstáculo ao normal andamento do processo ou deixar de promover, por mais de 3 dias úteis, os atos e as diligências que lhe cumprirem. Art. 9º As autoridades administrativas, no prazo de 48 horas da NOTIFICAÇÃO DA MEDIDA LIMINAR, remeterão ao Ministério ou órgão a que se acham subordinadas e ao Advogado- Geral da União ou a quem tiver a representação judicial da União, do Estado, do Município ou da entidade apontada como coatora CÓPIA AUTENTICADA DO MANDADO NOTIFICATÓRIO, assim como indicações e elementos outros necessários às providências a serem tomadas para a eventual suspensão da medida e defesa do ato apontado como ilegal ou abusivo de poder. Art. 10 _ Rejeição liminar da petição inicial, recurso cabív el e ingresso de litisconsorte ativ o A INICIAL será DESDE LOGO INDEFERIDA, por decisão motivada, quando não for o caso de mandado de segurança ou lhe faltar algum dos requisitos legais ou quando decorrido o prazo legal para a impetração. § 1º. Do indeferimento da inicial pelo juiz de primeiro grau caberá APELAÇÃO e, quando a competência para o julgamento do mandado de segurança couber originariamente a um dos tribunais, do ato do relator caberá AGRAVO para o órgão competente do tribunal que integre. § 2º. O INGRESSO DE LITISCONSORTE ATIVO NÃO SERÁ ADMITIDO APÓS O DESPACHO DA PETIÇÃO INICIAL. Art. 11 Feitas as notificações, o serventuário em cujo cartório corra o feito juntará aos autos cópia autêntica dos ofícios endereçados ao coator e ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada, bem como a prova da entrega a estes ou da sua recusa em aceitá-los ou dar recibo e, no caso do art. 4º desta Lei, a comprovação da remessa. Art. 12 Findo o prazo a que se refere o inciso I do caput do art. 7º desta Lei, o JUIZ OUVIRÁ O REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO PÚBLICO, que opinará, dentro do prazo improrrogável de 10 dias. Parágrafo único. Com ou sem o parecer do Ministério Público, os autos serão conclusos ao juiz, para a DECISÃO, a qual deverá ser necessariamente proferida em 30 dias. Art. 13 CONCEDIDO o MANDADO, o JUIZ TRANSMITIRÁ EM OFÍCIO, por intermédio do oficial do juízo, ou pelo correio, mediante correspondência com aviso de recebimento, O INTEIRO TEOR DA SENTENÇA à autoridade coatora e à pessoa jurídica interessada. Parágrafo único. Em CASO DE URGÊNCIA, poderá o juiz observar o disposto no art. 4º desta Lei.Art. 14 _ Recurso cabív el da sentença Da SENTENÇA, denegando ou concedendo o mandado, CABE APELAÇÃO. § 1º. Concedida a segurança, a sentença estará sujeita obrigatoriamente ao DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. § 2º. Estende-se à AUTORIDADE COATORA o DIREITO DE RECORRER. 44 § 3º. A sentença que conceder o mandado de segurança pode ser EXECUTADA PROVISORIAMENTE, salvo nos casos em que for vedada a concessão da medida liminar. § 4º. O pagamento de vencimentos e vantagens pecuniárias assegurados em sentença concessiva de mandado de segurança a servidor público da administração direta ou autárquica federal, estadual e municipal somente será efetuado relativamente às prestações que se vencerem a contar da data do ajuizamento da inicial. Art. 15 _ Pedido de suspensão de segurança Quando, a requerimento de pessoa jurídica de direito público interessada ou do Ministério Público e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas, o PRESIDENTE DO TRIBUNAL ao qual couber o conhecimento do respectivo recurso SUSPENDER, EM DECISÃO FUNDAMENTADA, A EXECUÇÃO DA LIMINAR E DA SENTENÇA, dessa decisão caberá AGRAVO, SEM EFEITO SUSPENSIVO, no prazo de 5 dias, que será levado a julgamento na sessão seguinte à sua interposição. § 1º. Indeferido o pedido de suspensão ou provido o agravo a que se refere o caput deste artigo, caberá novo pedido de suspensão ao presidente do tribunal competente para conhecer de eventual recurso especial ou extraordinário. § 2º. É cabível também o pedido de suspensão a que se refere o § 1º deste artigo, quando negado provimento a agravo de instrumento interposto contra a liminar a que se refere este artigo. § 3º. A INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO CONTRA LIMINAR concedida nas ações movidas contra o poder público e seus agentes não prejudica nem condiciona o julgamento do pedido de suspensão a que se refere este artigo. § 4º. O presidente do tribunal poderá conferir ao pedido EFEITO SUSPENSIVO LIMINAR se constatar, em juízo prévio, a plausibilidade do direito invocado e a urgência na concessão da medida. § 5º. As LIMINARES CUJO OBJETO SEJA IDÊNTICO poderão ser suspensas em uma única decisão, podendo o presidente do tribunal estender os efeitos da suspensão a liminares supervenientes, mediante simples aditamento do pedido original. Este artigo versa sobre o PEDIDO DE SUSPENSÃO DE SEGURANÇA, instrumento de proteção do interesse público diante da concessão de um provimento jurisdicional que cause grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas, por meio do qual a pessoa jurídica de direito público ou o Ministério Público requerem ao presidente do Tribunal competente a suspensão da execução da decisão, sentença ou acordão proferido. Além do artigo em comento, as regras estão previstas de maneira esparsa nos diplomas legislativos transcritos a seguir: Lei 7.347/85 (Ação Civil Pública): Art. 12. (...) § 1º. A requerimento de pessoa jurídica de direito público interessada, e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia pública, poderá o Presidente do Tribunal a que competir o conhecimento do respectivo recurso suspender a execução da liminar, em decisão fundamentada, da qual caberá agravo para uma das turmas julgadoras, no prazo de 5 dias a partir da publicação do ato. Lei 8.437/92 (Cautelares contra atos do Poder Público): Art. 4°. Compete ao presidente do tribunal, ao qual couber o conhecimento do respectivo recurso, suspender, em despacho fundamentado, a execução da liminar nas ações movidas contra o Poder Público ou seus agentes, a requerimento do Ministério Público ou da pessoa jurídica de direito público interessada, em caso de manifesto interesse público ou de flagrante ilegitimidade, e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas. § 1º. Aplica-se o disposto neste artigo à sentença proferida em processo de ação cautelar inominada, no processo de ação popular e na ação civil pública, enquanto não transitada em julgado. § 2º. O Presidente do Tribunal poderá ouvir o autor e o Ministério Público, em setenta e duas horas. § 3º. Do despacho que conceder ou negar a suspensão, caberá agravo, no prazo de cinco dias, que será levado a julgamento na sessão seguinte a sua interposição. § 4º. Se do julgamento do agravo de que trata o § 3o resultar a manutenção ou o restabelecimento da decisão que se pretende suspender, caberá novo pedido de suspensão ao Presidente do Tribunal competente para conhecer de eventual recurso especial ou extraordinário. 45 § 5º. É cabível também o pedido de suspensão a que se refere o § 4o, quando negado provimento a agravo de instrumento interposto contra a liminar a que se refere este artigo. § 6º. A interposição do agravo de instrumento contra liminar concedida nas ações movidas contra o Poder Público e seus agentes não prejudica nem condiciona o julgamento do pedido de suspensão a que se refere este artigo. § 7º. O Presidente do Tribunal poderá conferir ao pedido efeito suspensivo liminar, se constatar, em juízo prévio, a plausibilidade do direito invocado e a urgência na concessão da medida. § 8º. As liminares cujo objeto seja idêntico poderão ser suspensas em uma única decisão, podendo o Presidente do Tribunal estender os efeitos da suspensão a liminares supervenientes, mediante simples aditamento do pedido original. § 9º. A suspensão deferida pelo Presidente do Tribunal vigorará até o trânsito em julgado da decisão de mérito na ação principal. Lei 9.407/97 (Lei do Habeas Data) Art. 16. Quando o habeas data for concedido e o Presidente do Tribunal ao qual competir o conhecimento do recurso ordenar ao juiz a suspensão da execução da sentença, desse seu ato caberá agravo para o Tribunal a que presida. Art. 16 Nos casos de COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DOS TRIBUNAIS, caberá ao relator a instrução do processo, sendo assegurada a defesa oral na sessão do julgamento do mérito ou do pedido liminar. (Lei 13.676/18) Parágrafo único. Da DECISÃO DO RELATOR que conceder ou denegar a medida liminar caberá AGRAVO ao órgão competente do tribunal que integre. Art. 17 Nas decisões proferidas em mandado de segurança e nos respectivos recursos, quando não publicado, no prazo de 30 dias, contado da data do julgamento, o acórdão será substituído pelas respectivas notas taquigráficas, independentemente de revisão. Art. 18 _ Interposição de recursos nos mandados de segurança impetrados originalmente nos Tribunais Das DECISÕES em mandado de segurança PROFERIDAS EM ÚNICA INSTÂNCIA PELOS TRIBUNAIS cabe RECURSO ESPECIAL e EXTRAORDINÁRIO, nos casos legalmente previstos, e RECURSO ORDINÁRIO, quando a ordem for denegada. Art. 19 A sentença ou o acórdão que DENEGAR mandado de segurança, SEM DECIDIR O MÉRITO, não impedirá que o requerente, por ação própria, pleiteie os seus direitos e os respectivos efeitos patrimoniais. Art. 20 _ Prioridade no processamento e no julgamento Os processos de mandado de segurança e os respectivos recursos terão PRIORIDADE SOBRE TODOS OS ATOS JUDICIAIS, salvo habeas corpus. § 1º. Na instância superior, deverão ser levados a julgamento na primeira sessão que se seguir à data em que forem conclusos ao relator. § 2º. O prazo para a conclusão dos autos não poderá exceder de 5 dias. Art. 21 _ Legitim idade ativ a e direitos protegidos pelo mandado de segurança coletiv o O MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO pode ser IMPETRADO por PARTIDO POLÍTICO com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por ORGANIZAÇÃO SINDICAL, ENTIDADE DE CLASSE ou ASSOCIAÇÃO legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membrosou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. Parágrafo único. Os DIREITOS PROTEGIDOS pelo mandado de segurança coletivo podem ser: 46 I. COLETIVOS, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica; II. INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. Art. 22 _ Limites subjetiv os da coisa julgada material do mandado de segurança coletiv o No MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO, a sentença fará coisa julgada LIMITADAMENTE aos MEMBROS DO GRUPO OU CATEGORIA substituídos pelo impetrante. § 1º. O mandado de segurança coletivo NÃO INDUZ LITISPENDÊNCIA PARA AS AÇÕES INDIVIDUAIS, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva. § 2º. No mandado de segurança coletivo, a liminar só poderá ser concedida após a audiência do representante judicial da pessoa jurídica de direito público, que deverá se pronunciar no prazo de 72 horas. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 22º, § 2º, DA LEI 12.016/2009 O STF decidiu, no julgamento da ADI 4296, que a exigência de oitiva prévia do representante da pessoa jurídica de direito público como condição para a concessão de liminar em mandado de segurança coletivo é INCONSTITUCIONAL, por considerar que a disposição restringe o poder geral de cautela do magistrado. STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes julgado em 9/6/2021 (Info 1021). Art. 23 _ Prazo decadencial para interposição de mandado de segurança O DIREITO DE REQUERER mandado de segurança EXTINGUIR-SE-Á decorridos 120 dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. É constitucional o art. 23 da Lei nº 12.016/2009, que fixa o prazo decadencial de 120 dias para a impetração de mandado de segurança. STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes julgado em 9/6/2021 (Info 1021). Art. 24 _ Possibilidade de cabimento da assistência simples e litisconsorcial APLICAM-SE ao MANDADO DE SEGURANÇA os arts. 46 a 49 do CPC/1973 (arts. 113 a 118 do CPC/2015). Os arts. 46 a 49 referem-se ao revogado CPC/1973, que correspondem aos arts. 113 a 118 do CPC/2015: Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando: I. entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide; II. entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir; III. ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito. § 1º. O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de litigantes na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na execução, quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou o cumprimento da sentença. § 2º. O requerimento de limitação interrompe o prazo para manifestação ou resposta, que recomeçará da intimação da decisão que o solucionar. Art. 114. O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela natureza da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da citação de todos que devam ser litisconsortes. Art. 115. A sentença de mérito, quando proferida sem a integração do contraditório, será: I. nula, se a decisão deveria ser uniforme em relação a todos que deveriam ter integrado o processo; 47 II. ineficaz, nos outros casos, apenas para os que não foram citados. Parágrafo único. Nos casos de litisconsórcio passivo necessário, o juiz determinará ao autor que requeira a citação de todos que devam ser litisconsortes, dentro do prazo que assinar, sob pena de extinção do processo. Art. 116. O litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes. Art. 117. Os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de um não prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar. Art. 118. Cada litisconsorte tem o direito de promover o andamento do processo, e todos devem ser intimados dos respectivos atos. Art. 25 _ Interposição de embargos infringentes e condenação ao pagamento de honorários adv ocatícios NÃO CABEM, NO PROCESSO DE MANDADO DE SEGURANÇA, a interposição de embargos infringentes e a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios, sem prejuízo da aplicação de sanções no caso de litigância de má-fé. É constitucional o art. 25 da Lei nº 12.016/2009, que prevê que não cabe, no processo de mandado de segurança, a condenação em honorários advocatícios. STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes julgado em 9/6/2021 (Info 1021). Art. 26 _ Crime de desobediência Constitui CRIME DE DESOBEDIÊNCIA, nos termos do art. 330 do Decreto-Lei 2.848/1940 (Código Penal), o não cumprimento das decisões proferidas em mandado de segurança, sem prejuízo das sanções administrativas e da aplicação da Lei 1.079/1950 (Crimes de Responsabilidade), quando cabíveis. Art. 27 Os regimentos dos tribunais e, no que couber, as leis de organização judiciária deverão ser adaptados às disposições desta Lei no prazo de 180 dias, contado da sua publicação. Art. 28 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 29 Revogam-se as Leis nos 1.533/1951, 4.166/1962, 4.348/1964, 5.021/1966; o art. 3º da Lei 6.014/1973, o art. 1º da Lei 6.071/1974, o art. 12 da Lei 6.978/1982, e o art. 2º da Lei 9.259/1996. SÚMULAS RELACIONADAS AO MANDADO DE SEGURANÇA STF Súmula 101: O mandado de segurança não substitui a ação popular. Súmula 248: É competente, originariamente, o STF, para mandado de segurança contra ato do Tribunal de Contas da União. Súmula 266: Não cabe mandado de segurança contra lei em tese. Súmula 267: Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição. Súmula 268: Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado. Súmula 269: O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança. Súmula 270: Não cabe mandado de segurança para impugnar enquadramento da Lei 3.780, de 1960, que envolva exame de prova ou de situação funcional complexa. Súmula 271: Concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais, em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria. 48 Súmula 272: Não se admite como ordinário recurso extraordinário de decisão denegatória de mandado de segurança. Súmula 299: O recurso ordinário e o extraordinário interpostos no mesmo processo de mandado de segurança, ou de habeas corpus, serão julgados conjuntamente pelo Tribunal Pleno. Súmula 304: Decisão denegatória de mandado de segurança, não fazendo coisa julgada contra o impetrante, não impede o uso da ação própria. Súmula 330: O STF não é competente para conhecer de mandado de segurança contra atos dos tribunais de justiça dos estados. Súmula 392: O prazo para recorrer de acórdão concessivo de segurança conta-se da publicação oficial de suas conclusões, e não da anterior ciência à autoridade para cumprimento da decisão. Súmula 405: Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindoos efeitos da decisão contrária. Súmula 429: A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do mandado de segurança contra omissão da autoridade. Súmula 430: Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o mandado de segurança. Súmula 474: Não há direito líquido e certo, amparado pelo mandado de segurança, quando se escuda em lei cujos efeitos foram anulados por outra, declarada constitucional pelo STF. Súmula 510: Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança ou a medida judicial. Súmula 512: Não cabe condenação em honorários de advogado na ação de mandado de segurança. Súmula 623: Não gera por si só a competência originária do STF para conhecer do mandado de segurança com base no art. 102, I, n, da Constituição, dirigir-se o pedido contra deliberação administrativa do tribunal de origem, da qual haja participado a maioria ou a totalidade de seus membros. Súmula 624: Não compete ao STF conhecer originariamente de mandado de segurança contra atos de outros tribunais. Súmula 625: Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de segurança. Súmula 626: A suspensão da liminar em mandado de segurança, salvo determinação em contrário da decisão que a deferir, vigorará até o trânsito em julgado da decisão definitiva de concessão da segurança ou, havendo recurso, até a sua manutenção pelo STF, desde que o objeto da liminar deferida coincida, total ou parcialmente, com o da impetração. Súmula 629: A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes. Súmula 630: A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. Súmula 631: Extingue-se o processo de mandado de segurança se o impetrante não promove, no prazo assinado, a citação do litisconsorte passivo necessário. Súmula 632: É constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a impetração de mandado de segurança. STJ Súmula 41: O STJ não tem competência para processar e julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de outros tribunais ou dos respectivos órgãos. Súmula 105: Na ação de mandado de segurança não se admite condenação em honorários advocatícios. Súmula 177: O STJ é incompetente para processar e julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de órgão colegiado presidido por Ministro de Estado. Súmula 202: A impetração de segurança por terceiro, contra ato judicial, não se condiciona à interposição de recurso. 49 Súmula 212: A compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória. Súmula 213: O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária. Súmula 333: Cabe mandado de segurança contra ato praticado em licitação promovida por sociedade de economia mista ou empresa pública. Súmula 376: Compete à turma recursal processar e julgar o mandado de segurança contra ato de juizado especial. Súmula 460: É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária realizada pelo contribuinte. Súmula 628: A teoria da encampação é aplicada no mandado de segurança quando presentes, cumulativamente, os seguintes requisitos: a. existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; b. manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas; e c. ausência de modificação de competência estabelecida na CF. 50 LEI 8.429/92 - Lei de Improbidade Administrativa (LIA) Dispõe sobre as sanções aplicáveis em virtude da prática de atos de improbidade administrativa, de que trata o § 4º do art. 37 da Constituição Federal; e dá outras providências. Atualizada até a Lei 14.230/21. 51 LEI 14.230/21 - ALTERAÇÕES IMPORTANTES As condutas devem ser necessariamente DOLOSAS (art. 1º, § 1º) Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas DOLOSAS tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei. › Não existe mais ato de improbidade administrativa CULPOSO O MP tem EXCLUSIVIDADE para PROPOR A AÇÃO * (art. 17) * DECLARADO INCONSTITUCIONAL A Lei 14.230/21, ao alterar o art. 17 da Lei de Improbidade, determinou a legitimidade exclusiva do MP para propor a ação de improbidade administrativa. Entretanto, no julgamento das ADIs 7.042 e 7.043, o STF declarou a inconstitucionalidade desse dispositivo para reconhecer a legitimidade das pessoas jurídicas interessadas para ingressar com ações de improbidade. De acordo com a Suprema Corte, na ADI 7.043, “ficam garantidas a legitimidade dos entes lesados para a ação da improbidade, para a afirmação do acordo de não persecução civil e pela não representação automática de agentes públicos réus em ações de improbidade decorrentes de atos baseados em pareceres da advocacia pública receptiva". Art. 12: AUMENTO dos prazos da suspensão dos direitos políticos e da proibição de contratar DIMINUIÇÃO dos valores das multas * Veja a tabela completa no art. 12 ENRIQUECIMENTO ILÍCITO › SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS: até 14 anos (era de “8 a 10 anos”) › MULTA CIVIL: equivalente ao acréscimo patrimonial (era de “até 3x o valor do acréscimo patrimonial”) › PROIBIÇÃO DE CONTRATAR com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios: Prazo não superior a 14 anos (era de “10 anos”) PREJUÍZO AO ERÁRIO › SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS: até 12 anos (era de “5 a 8 anos”) › MULTA CIVIL: equivalente ao valor do dano (era de “até 2x o valor do dano”) › PROIBIÇÃO DE CONTRATAR com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios: Prazo não superior a 12 anos (era de “5 anos”) ATOS CONTRA OS PRINCÍPIOS › MULTA CIVIL: até 24x o valor da remuneração (era de “até 100x”) › PROIBIÇÃO DE CONTRATAR com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios: Prazo não superior a 4 anos (era de “3 anos”) PRAZO PRESCRICIONAL ÚNICO (art. 23) A ação para a aplicação das sanções previstas nesta Lei PRESCREVE em 8 ANOS, contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do dia em que cessou a permanência. NEPOTISMO e PROMOÇÃO PESSOAL foram incluídos como atos de improbidade administrativa (art. 11, XI e XII) › Nomear cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o 3º grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do DF e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas; › Praticar, no âmbito da administração pública e com recursos do erário, ato de publicidade que contrarie o disposto no § 1º do art. 37 da CF, de forma a promover 52 inequívoco enaltecimento do agente público e personalização de atos, de programas, de obras, de serviços ou de campanhas dos órgãos públicos. DEFINIÇÃO DE EVENTUAL (IR)RETROATIVIDADE DA LEI 14.230/21 TESES FIXADAS PELO STF NO TEMA 1.199 DA REPERCUSSÃO GERAL 1. É necessária a comprovação de responsabilidade subjetiva para a tipificação dos atos de improbidade administrativa, exigindo-se - nos arts. 9º, 10 e 11 da LIA - a presença do elemento subjetivo - DOLO. 2. A norma benéfica da Lei 14.230/21 - revogação da modalidade culposa do ato de improbidade administrativa -, é IRRETROATIVA, em virtude do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, não tendo incidênciaem relação à eficácia da coisa julgada; nem tampouco durante o processo de execução das penas e seus incidentes. 3. A Lei 14.230/21 aplica-se aos atos de improbidade administrativa culposos praticados na vigência do texto anterior da lei, porém sem condenação transitada em julgado, em virtude da revogação expressa do texto anterior; devendo o juízo competente analisar eventual dolo por parte do agente. 4. O novo regime prescricional previsto na Lei 14.230/21 é IRRETROATIVO, aplicando-se os novos marcos temporais a partir da publicação da lei. Capítulo I - Das Disposições Gerais Art. 1º O SISTEMA DE RESPONSABILIZAÇÃO por atos de improbidade administrativa tutelará a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções , como forma de assegurar a integridade do patrimônio público e social, nos termos desta Lei. (Lei 14.230/21) § 1º. Consideram-se atos de improbidade administrativa as CONDUTAS DOLOSAS tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. (Lei 14.230/21) § 2º. Considera-se dolo a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, não bastando a voluntariedade do agente. (Lei 14.230/21) § 3º. O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso com fim ilícito, AFASTA A RESPONSABILIDADE por ato de improbidade administrativa. (Lei 14.230/21) § 4º. Aplicam-se ao sistema da improbidade disciplinado nesta Lei os princípios constitucionais do direito administrativo sancionador. (Lei 14.230/21) § 5º. Os atos de improbidade violam a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções e a integridade do patrimônio público e social dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como da administração direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, dos Municípios e do DF. (Lei 14.230/21) § 6º. Estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes públicos ou governamentais, previstos no § 5º deste artigo. (Lei 14.230/21) § 7º. Independentemente de integrar a administração indireta , estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade privada para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra no seu patrimônio ou receita ATUAL, limitado o ressarcimento de prejuízos, nesse caso, à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. (Lei 14.230/21) § 8º. NÃO CONFIGURA IMPROBIDADE a ação ou omissão decorrente de DIVERGÊNCIA INTERPRETATIVA DA LEI, baseada em jurisprudência, ainda que não pacificada, mesmo que não venha a ser posteriormente prevalecente nas decisões dos órgãos de controle ou dos tribunais do Poder Judiciário. (Lei 14.230/21) ATENÇÃO! O art. 1º, § 8º, da LIA está com sua EFICÁCIA SUSPENSA por força do deferimento de medida cautelar na ADI 7236. 53 ART. 1º - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 1º. Os Atos de Improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não, contra a administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do DF, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com MAIS de 50% do patrimônio ou da receita ANUAL, serão punidos na forma desta lei. Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com MENOS de 50% do patrimônio ou da receita ANUAL, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. § 5º. Os atos de improbidade violam a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções e a integridade do patrimônio público e social dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como da administração direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, dos Municípios e do DF. § 6º. Estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes públicos ou governamentais, previstos no § 5º deste artigo. § 7º. Independentemente de integrar a administração indireta, estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade privada para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra no seu patrimônio ou receita ATUAL, limitado o ressarcimento de prejuízos, nesse caso, à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. Art. 2º Para os efeitos desta Lei, CONSIDERAM-SE AGENTE PÚBLICO o agente político, o servidor público e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades referidas no art. 1º desta Lei. (Lei 14.230/21) Parágrafo único. No que se refere a RECURSOS DE ORIGEM PÚBLICA, sujeita-se às sanções previstas nesta Lei o particular, pessoa física ou jurídica, que celebra com a administração pública convênio, contrato de repasse, contrato de gestão, termo de parceria, termo de cooperação ou ajuste administrativo equivalente . (Lei 14.230/21) ART. 2º - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Reputa-se AGENTE PÚBLICO, para os efeitos desta lei: › todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior. Para os efeitos desta Lei, consideram-se AGENTE PÚBLICO: › o agente político, o servidor público e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades referidas no art. 1º desta Lei. - Parágrafo único: No que se refere a RECURSOS DE ORIGEM PÚBLICA, sujeita-se às sanções previstas nesta Lei o particular, pessoa física ou jurídica, que celebra com a administração pública convênio, contrato de repasse, contrato de gestão, termo de parceria, termo de cooperação ou ajuste administrativo equivalente. 54 Art. 3º As disposições desta Lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra DOLOSAMENTE para a prática do ato de improbidade. (Lei 14.230/21) § 1º. Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado não respondem pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica, salvo se, comprovadamente, houver participação e benefícios diretos, caso em que responderão nos limites da sua participação. (Lei 14.230/21) § 2º. As sanções desta Lei não se aplicarão à pessoa jurídica, caso o ato de improbidade administrativa seja também sancionado como ato lesivo à administração pública de que trata a Lei 12.846/13. (Lei 14.230/21) ART. 3º, CAPUT - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. As disposições desta Lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra DOLOSAMENTE para a prática do ato de improbidade.Arts. 4º a 6º (REVOGADOS pela Lei 14.230/21) ARTS. 4º A 6º - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 4º. Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos. Art. 4º. REVOGADO Art. 5º. Ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou omissão, dolosa ou culposa, do agente ou de terceiro, dar-se-á o integral ressarcimento do dano. Art. 5º. REVOGADO Art. 18, caput: A sentença que julgar pro- cedente a ação fundada nos arts. 9º e 10 desta Lei (LESÃO AO ERÁRIO e ENRIQUECIMENTO ILÍCITO) condenará ao ressarcimento dos danos e à perda ou à reversão dos bens e valores ilicitamente adquiridos, conforme o caso, em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito. Art. 6º. No caso de enriquecimento ilícito, perderá o agente público ou terceiro beneficiário os bens ou valores acrescidos ao seu patrimônio. Art. 6º. REVOGADO Art. 12. Independentemente do ressarci- mento integral do dano patrimonial, se efetivo, e das sanções penais comuns e de responsabilidade, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: (...) II. na hipótese do art. 10 desta Lei (ENRIQUECIMENTO ILÍCITO), perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio (...). 55 Art. 7º Se houver indícios de ato de improbidade, a autoridade que conhecer dos fatos representará ao Ministério Público competente, para as providências necessárias. (Lei 14.230/21) Parágrafo único. (REVOGADO pela Lei 14.230/21) ART. 7º - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 7º. Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento ilícito, caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público, para a INDISPONIBILIDADE DOS BENS DO INDICIADO. Parágrafo único. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo recairá sobre bens que assegurem o integral ressarcimento do dano, ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito. Art. 7º. Se houver indícios de ato de improbidade, a autoridade que conhecer dos fatos representará ao Ministério Público competente, para as providências necessárias. Art. 16. Na ação por improbidade administrativa poderá ser formulado, em caráter antecedente ou incidente, PEDIDO DE INDISPONIBILIDADE DE BENS dos réus, a fim de garantir a integral recom- posição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimen- to ilícito. (...) § 1º-A. O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo poderá ser formulado independentemente da representação de que trata o art. 7º desta Lei. (...) § 10. A indisponibilidade recairá sobre bens que assegurem exclusivamente o integral ressarcimento do dano ao erário, sem incidir sobre os valores a serem eventualmente aplicados a título de multa civil ou sobre acréscimo patrimonial decorrente de atividade lícita. Art. 8º O SUCESSOR OU O HERDEIRO daquele que causar dano ao erário ou que se enriquecer ilicitamente estão sujeitos apenas à obrigação de repará-lo até o limite do valor da herança ou do patrimônio transferido. (Lei 14.230/21) Art. 8º-A A RESPONSABILIDADE SUCESSÓRIA de que trata o art. 8º desta Lei aplica-se também na hipótese de alteração contratual, de transformação, de incorporação, de fusão ou de cisão societária. (Lei 14.230/21) Parágrafo único. Nas hipóteses de fusão e de incorporação, a responsabilidade da sucessora será restrita à obrigação de reparação integral do dano causado, até o limite do patrimônio transferido, não lhe sendo aplicáveis as demais sanções previstas nesta Lei decorrentes de atos e de fatos ocorridos antes da data da fusão ou da incorporação, exceto no caso de simulação ou de evidente intuito de fraude, devidamente comprovados. (Lei 14.230/21) ART. 8º - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 8º. O SUCESSOR daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da herança. Art. 8º. O SUCESSOR OU O HERDEIRO daquele que causar dano ao erário ou que se enriquecer ilicitamente estão sujeitos apenas à obrigação de repará-lo até o limite do valor da herança ou do patrimônio transferido. Art. 8º-A. A responsabilidade sucessória de que trata o art. 8º desta Lei aplica-se 56 também na hipótese de alteração contratual, de transformação, de incorporação, de fusão ou de cisão societária. Parágrafo único. Nas hipóteses de fusão e de incorporação, a responsabilidade da sucessora será restrita à obrigação de reparação integral do dano causado, até o limite do patrimônio transferido, não lhe sendo aplicáveis as demais sanções previstas nesta Lei decorrentes de atos e de fatos ocorridos antes da data da fusão ou da incorporação, exceto no caso de simulação ou de evidente intuito de fraude, devidamente comprovados. Capítulo II - Dos Atos de Improbidade Administrativa Seção I - Dos Atos de Improbidade Administrativa que Importam Enriquecimento Ilícito Art. 9º _ Enriquecimento Ilícito Constitui ato de improbidade administrativa importando em ENRIQUECIMENTO ILÍCITO auferir, mediante a prática de ATO DOLOSO, qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, de mandato, de função, de emprego ou de atividade nas entidades referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente: (Lei 14.230/21) I. receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público; II. perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem móvel ou imóvel, ou a contratação de serviços pelas entidades referidas no art. 1° por preço superior ao valor de mercado; III. perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a alienação, permuta ou locação de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado; IV. utilizar, em obra ou serviço particular, qualquer bem móvel, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei, bem como o trabalho de servidores, de empregados ou de terceiros contratados por essas entidades; (Lei 14.230/21) V. receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para tolerar a exploração ou a prática de jogos de azar, de lenocínio, de narcotráfico, de contrabando, de usura ou de qualquer outra atividade ilícita, ou aceitar promessa de tal vantagem; VI. receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração falsa sobre qualquer dado técnico que envolva obras públicas ou qualquer outro serviço ou sobre quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei; (Lei 14.230/21) VII. adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, de cargo, de emprego ou de função pública, e em razão deles, bens de qualquer natureza, decorrentes dos atos descritos no caput deste artigo, cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público, assegurada a demonstração pelo agente da licitude da origem dessa evolução; (Lei 14.230/21) VIII. aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingidoou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público, durante a atividade; IX. perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de qualquer natureza; 57 X. receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indiretamente, para omitir ato de ofício, providência ou declaração a que esteja obrigado; XI. incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei; XII. usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO (ART. 9º) - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 9º. Constitui ato de improbidade administrativa importando ENRIQUECI- MENTO ILÍCITO auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1° desta lei, e notadamente: Art. 9º. Constitui ato de improbidade administrativa importando em ENRIQUE- CIMENTO ILÍCITO auferir, mediante a prática de ATO DOLOSO, qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, de mandato, de função, de emprego ou de atividade nas entidades referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente: IV. utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidores públicos, empregados ou terceiros contratados por essas entidades; IV. utilizar, em obra ou serviço particular, qualquer bem móvel, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei, bem como o trabalho de servidores, de empregados ou de terceiros contratados por essas entidades; VI. receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço, ou sobre quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta lei; VI. receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração falsa sobre qualquer dado técnico que envolva obras públicas ou qualquer outro serviço ou sobre quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei; VII. adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, cargo, emprego ou função pública, bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público; VII. adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, de cargo, de emprego ou de função pública, e em razão deles, bens de qualquer natureza, decorrentes dos atos descritos no caput deste artigo, cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público, assegurada a demonstração pelo agente da licitude da origem dessa evolução; Seção II - Dos Atos de Improbidade Administrativa que Causam Prejuízo ao Erário Art. 10 _ Lesão ao Erário Constitui ato de improbidade administrativa que causa LESÃO AO ERÁRIO qualquer ação ou omissão DOLOSA, que enseje, efetiva e comprovadamente, perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente: (Lei 14.230/21) I. facilitar ou concorrer, por qualquer forma, para a indevida incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, de rendas, de verbas ou de valores integrantes do acervo patrimonial das entidades referidas no art. 1º desta Lei; (Lei 14.230/21) II. permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; 58 III. doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado, ainda que de fins educativos ou assistências, bens, rendas, verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie; IV. permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta lei, ou ainda a prestação de serviço por parte delas, por preço inferior ao de mercado; V. permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado; VI. realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea; VII. conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; VIII. frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevidamente, acarretando perda patrimonial efetiva; (Lei 14.230/21) IX. ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento; X. agir ILICITAMENTE na arrecadação de tributo ou de renda, bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público; (Lei 14.230/21) XI. liberar verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular; XII. permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente; XIII. permitir que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidor público, empregados ou terceiros contratados por essas entidades. XIV. celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de serviços públicos por meio da gestão associada sem observar as formalidades previstas na lei; (Lei 11.107/05) XV. celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia dotação orçamentária, ou sem observar as formalidades previstas na lei. (Lei 11.107/05) XVI. facilitar ou concorrer, por qualquer forma, para a incorporação, ao patrimônio particular de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores públicos transferidos pela administração pública a entidades privadas mediante celebração de parcerias, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; (Lei 13.019/14) XVII. permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores públicos transferidos pela administração pública a entidade privada mediante celebração de parcerias, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; (Lei 13.019/14) XVIII. celebrar parcerias da administração pública com entidades privadas sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; (Lei 13.019/14) XIX. agir PARA A CONFIGURAÇÃO DE ILÍCITO na celebração, na fiscalização e na análise das prestações de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas; (Lei 14.230/21) XX. liberar recursos de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. (Lei 13.204/15) XXI. liberar recursos de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular.(Lei 13.019/14) Com as alterações que a Lei 13.204/2015 promoveu na Lei 13.019/2014, a redação do inciso XX ficou idêntica à redação do XXI. XXII. conceder, aplicar ou manter BENEFÍCIO FINANCEIRO OU TRIBUTÁRIO contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei Complementar 116/2003. (Lei 14.230/21) 59 § 1º. Nos casos em que a inobservância de formalidades legais ou regulamentares não implicar perda patrimonial efetiva, não ocorrerá imposição de ressarcimento, vedado o enriquecimento sem causa das entidades referidas no art. 1º desta Lei. (Lei 14.230/21) § 2º. A mera perda patrimonial decorrente da atividade econômica não acarretará improbidade administrativa, salvo se comprovado ato doloso praticado com essa finalidade. (Lei 14.230/21) LESÃO AO ERÁRIO (ART. 10) - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa LESÃO AO ERÁRIO qualquer ação ou omissão, DOLOSA ou CULPOSA, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente: Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa LESÃO AO ERÁRIO qualquer ação ou omissão DOLOSA, que enseje, efetiva e comprova- damente, perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapi- dação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente: I. facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei; I. facilitar ou concorrer, por qualquer forma, para a indevida incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, de rendas, de verbas ou de valores integrantes do acervo patrimonial das entidades referidas no art. 1º desta Lei; VIII. frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevida- mente; VIII. frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevida- mente, ACARRETANDO PERDA PATRIMO- NIAL EFETIVA; X. agir NEGLIGENTEMENTE na arrecada- ção de tributo ou renda, bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público; X. agir ILICITAMENTE na arrecadação de tributo ou de renda, bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público; XIX. agir NEGLIGENTEMENTE na celebra- ção, fiscalização e análise das prestações de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas; XIX. agir PARA A CONFIGURAÇÃO DE ILÍCITO na celebração, na fiscalização e na análise das prestações de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas; Art. 10-A. Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão para conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da LC 116/2003. XXII. conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da LC 116/2003. Lei Complementar 116/2003, art. 8º-A: A alíquota mínima do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza é de 2%. (LC 157/16) § 1º. O imposto não será objeto de concessão de isenções, incentivos ou benefícios tributários ou financeiros, inclusive de redução de base de cálculo ou de crédito presumido ou outorgado, ou sob qualquer outra forma que resulte, direta ou indiretamente, em carga tributária menor que a decorrente da aplicação da alíquota mínima estabelecida no caput, exceto para os serviços a que se referem os subitens 7.02, 7.05 e 16.01 da lista anexa a esta Lei Complementar. (LC 157/16) (...) 7.02. Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de serviços fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS). 7.05. Reparação, conservação e reforma de edifícios, estradas, pontes, portos e congêneres (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador dos serviços, 60 fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS). 16.01. Serviços de transporte coletivo municipal rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros. Seção II-A - Dos Atos de Improbidade Administrativa Decorrentes de Concessão ou Aplicação Indevida de Benefício Financeiro ou Tributário Art. 10-A (REVOGADO pela Lei 14.230/21) ART. 10-A - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 10-A. Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão para conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da LC 116/2003. LESÃO AO ERÁRIO Art. 10, XXII. conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da LC 116/2003. Seção III - Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam Contra os Princípios da Administração Pública Art. 11 _ Ato contra os princípios da Administração Pública Constitui ato de improbidade administrativa que ATENTA CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA a ação ou omissão DOLOSA que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por uma das seguintes condutas: (Lei 14.230/21) I e II. (REVOGADOS pela Lei 14.230/21) III. revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo, propiciando beneficiamento por informação privilegiada ou colocando em risco a segurança da sociedade e do Estado; (Lei 14.230/21) IV. negar publicidade aos atos oficiais, exceto em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado ou de outras hipóteses instituídas em lei; (Lei 14.230/21) V. frustrar, em ofensa à imparcialidade, o caráter concorrencial de concurso público, de chamamento ou de procedimento licitatório, com vistas à obtenção de benefício próprio, direto ou indireto, ou de terceiros; (Lei 14.230/21) VI. deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo, desde que disponha das condições para isso, com vistas a ocultar irregularidades; (Lei 14.230/21) VII. revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro , antes da respectiva divulgação oficial, teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou serviço. VIII. descumprir as normas relativas à celebração, fiscalização e aprovação de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas . (Lei 13.019/14) IX e X. (REDAÇÃO dada pela Lei 14.230/21) XI. nomear cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o 3º grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas; (Lei 14.230/21) 61 XII. praticar, no âmbito da administração pública e com recursos do erário, ato de publicidade que contrarie o disposto no § 1º do art. 37 da Constituição Federal , de forma a PROMOVER INEQUÍVOCO ENALTECIMENTO do agente público e PERSONALIZAÇÃO de atos,de programas, de obras, de serviços ou de campanhas dos órgãos públicos. (Lei 14.230/21) § 1º. Nos termos da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, promulgada pelo Decreto 5.687/06, somente haverá improbidade administrativa, na aplicação deste artigo, quando for comprovado na conduta funcional do agente público o fim de obter proveito ou benefício indevido para si ou para outra pessoa ou entidade. (Lei 14.230/21) § 2º. Aplica-se o disposto no § 1º deste artigo a quaisquer atos de improbidade administrativa tipificados nesta Lei e em leis especiais e a quaisquer outros tipos especiais de improbidade administrativa instituídos por lei. (Lei 14.230/21) § 3º. O enquadramento de conduta funcional na categoria de que trata este artigo pressupõe a demonstração objetiva da prática de ilegalidade no exercício da função pública, com a indicação das normas constitucionais, legais ou infralegais violadas. (Lei 14.230/21) § 4º. Os atos de improbidade de que trata este artigo EXIGEM LESIVIDADE RELEVANTE AO BEM JURÍDICO TUTELADO para serem passíveis de sancionamento e independem do reconhecimento da produção de danos ao erário e de enriquecimento ilícito dos agentes públicos. (Lei 14.230/21) § 5º. Não se configurará improbidade a mera nomeação ou indicação política por parte dos detentores de mandatos eletivos, sendo necessária a aferição de DOLO com finalidade ilícita por parte do agente. (Lei 14.230/21) ATOS CONTRA OS PRINCÍPIOS (ART. 11) – ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente: Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA a ação ou omissão DOLOSA que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracteri- zada por uma das seguintes condutas: III. revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo; III. revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo, propiciando beneficiamento por informação privilegiada ou colocando em risco a segurança da sociedade e do Estado; IV. negar publicidade aos atos oficiais; IV. negar publicidade aos atos oficiais, exceto em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado ou de outras hipóteses instituídas em lei; V. frustrar a licitude de concurso público; V. frustrar, em ofensa à imparcialidade, o caráter concorrencial de concurso público, de chamamento ou de procedimento licitatório, com vistas à obtenção de benefício próprio, direto ou indireto, ou de terceiros; VI. deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo; VI. deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo, desde que disponha das condições para isso, com vistas a ocultar irregularidades; - NEPOTISMO: XI. nomear cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o 3º grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos 62 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas; - PROMOÇÃO PESSOAL XII. praticar, no âmbito da administração pública e com recursos do erário, ato de publicidade que contrarie o disposto no § 1º do art. 37 da Constituição Federal, de forma a PROMOVER INEQUÍVOCO ENALTECIMENTO do agente público e PERSONALIZAÇÃO de atos, de programas, de obras, de serviços ou de campanhas dos órgãos públicos. I. praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência; REVOGADOS II. retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício; IX. deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na legislação; X. transferir recurso a entidade privada, em razão da prestação de serviços na área de saúde sem a prévia celebração de contrato, convênio ou instrumento congênere, nos termos do parágrafo único do art. 24 da Lei 8.080/1990. Capítulo III - Das Penas Art. 12 _ Penalidades Independentemente do ressarcimento integral do dano patrimonial, se efetivo, e das sanções penais comuns e de responsabilidade, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: (Lei 14.230/21) I. na hipótese do art. 9º desta Lei (ENRIQUECIMENTO ILÍCITO), perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos até 14 anos, pagamento de multa civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 14 anos; (Lei 14.230/21) II. na hipótese do art. 10 desta Lei (LESÃO AO ERÁRIO), perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos até 12 anos, pagamento de multa civil equivalente ao valor do dano e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios , direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 12 anos; (Lei 14.230/21) III. na hipótese do art. 11 desta Lei (ATOS CONTRA OS PRINCÍPIOS), pagamento de multa civil de até 24x o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 4 anos; (Lei 14.230/21) IV. (REVOGADO pela Lei 14.230/21) Parágrafo único. (REVOGADO pela Lei 14.230/21) 63 PENALIDADES POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (LEI 14.230/21) ENRIQUECIMENTO ILÍCITO (art. 9º) PREJUÍZO AO ERÁRIO (art. 10) ATOS CONTRA OS PRINCÍPIOS (art. 11) Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância - Perda da função pública Perda da função pública - Suspensão dos direitos políticos até 14 anos Suspensão dos direitos políticos até 12 anos - Pagamento de multa civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial Pagamento de multa civil equivalente ao valor do dano Pagamento de multa civil até 24x o valor da remuneração percebida pelo agente Proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, pelo prazo não superior a 14 anos Proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, pelo prazo não superior a 12 anos Proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, pelo prazo não superior a 4 anos ART. 12 - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS ENRIQUECIMENTO ILÍCITO (art. 9º) Suspensão dos direitos políticos 8 a 10 anos Até 14 anos Multa Até 3x o valor do acréscimo patrimonial Equivalente ao acréscimo patrimonial Proibição de contratar com o poder público / receberbenefícios 10 anos Não superior a 14 anos PREJUÍZO AO ERÁRIO (art. 10) Suspensão dos direitos políticos 5 a 8 anos Até 12 anos Multa Até 2x o valor do dano Equivalente ao valor do dano Proibição de contratar com o poder público / receber benefícios 5 anos Não superior a 12 anos ATOS CONTRA OS PRINCÍPIOS (art. 11) Suspensão dos direitos políticos 3 a 5 anos - Multa Até 100x o valor da remuneração Até 24x o valor da remuneração Proibição de contratar com o poder público / receber benefícios 3 anos Não superior a 4 anos § 1º. A sanção de perda da função pública, nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, atinge apenas o vínculo de mesma qualidade e natureza que o agente público ou político detinha com o poder público na época do cometimento da infração, podendo o magistrado, na hipótese do inciso I do caput deste artigo, e em caráter excepcional, estendê-la aos demais vínculos, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da infração. (Lei 14.230/21) 64 ATENÇÃO! O art. 12, § 1º, da LIA está com sua EFICÁCIA SUSPENSA por força do deferimento de medida cautelar na ADI 7236. § 2º. A multa pode ser aumentada até o dobro, se o juiz considerar que, em virtude da situação econômica do réu, o valor calculado na forma dos incisos I, II e III do caput deste artigo é ineficaz para reprovação e prevenção do ato de improbidade. (Lei 14.230/21) § 3º. Na responsabilização da pessoa jurídica, deverão ser considerados os efeitos econômicos e sociais das sanções, de modo a viabilizar a manutenção de suas atividades. (Lei 14.230/21) § 4º. EM CARÁTER EXCEPCIONAL E POR MOTIVOS RELEVANTES DEVIDAMENTE JUSTIFICADOS, a sanção de proibição de contratação com o poder público pode extrapolar o ente público lesado pelo ato de improbidade, observados os impactos econômicos e sociais das sanções, de forma a preservar a função social da pessoa jurídica, conforme disposto no § 3º deste artigo. (Lei 14.230/21) § 5º. No caso de ATOS DE MENOR OFENSA AOS BENS JURÍDICOS tutelados por esta Lei, a sanção limitar-se-á à aplicação de MULTA, sem prejuízo do ressarcimento do dano e da perda dos valores obtidos, quando for o caso, nos termos do caput deste artigo. (Lei 14.230/21) § 6º. Se ocorrer lesão ao patrimônio público, a reparação do dano a que se refere esta Lei deverá deduzir o ressarcimento ocorrido nas instâncias criminal, civil e administrativa que tiver por objeto os mesmos fatos. (Lei 14.230/21) § 7º. As sanções aplicadas a pessoas jurídicas com base nesta Lei e na Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013, deverão observar o princípio constitucional do non bis in idem. (Lei 14.230/21) § 8º. A sanção de proibição de contratação com o poder público deverá constar do Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS) de que trata a Lei 12.846/2013, observadas as limitações territoriais contidas em decisão judicial, conforme disposto no § 4º deste artigo. (Lei 14.230/21) § 9º. As sanções previstas neste artigo somente poderão ser executadas após o trânsito em julgado da sentença condenatória. (Lei 14.230/21) § 10. Para efeitos de contagem do prazo da sanção de suspensão dos direitos políticos , computar-se-á retroativamente o intervalo de tempo entre a decisão colegiada e o trânsito em julgado da sentença condenatória. (Lei 14.230/21) ATENÇÃO! O art. 12, § 10º, da LIA está com sua EFICÁCIA SUSPENSA por força do deferimento de medida cautelar na ADI 7236. Capítulo IV - Da Declaração de Bens Art. 13 A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração de imposto de renda e proventos de qualquer natureza, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente. (Lei 14.230/21) § 1º. (REVOGADO pela Lei 14.230/21) § 2º. A declaração de bens a que se refere o caput deste artigo será atualizada anualmente e na data em que o agente público deixar o exercício do mandato, do cargo, do emprego ou da função. (Lei 14.230/21) § 3º. Será apenado com a pena de DEMISSÃO, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar a declaração dos bens a que se refere o caput deste artigo dentro do prazo determinado ou que prestar declaração falsa. (Lei 14.230/21) § 4º. (REVOGADO pela Lei 14.230/21) ART. 13 - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresen- tação de declaração dos bens e valores que compõem o seu patrimônio privado, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal competente. Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresen- tação de DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA e proventos de qualquer natureza, que tenha sido apresentada à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, a fim 65 § 4º. O declarante, a seu critério, poderá entregar cópia da declaração anual de bens apresentada à Delegacia da Receita Federal na conformidade da legislação do Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza, com as necessárias atualizações, para suprir a exigência contida no caput e no § 2° deste artigo. de ser arquivada no serviço de pessoal competente. Capítulo V - Do Procedimento Administrativo e do Processo Judicial Art. 14 Qualquer pessoa poderá REPRESENTAR À AUTORIDADE ADMINISTRATIVA competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade. § 1º. A REPRESENTAÇÃO, que será escrita ou reduzida a termo e assinada, conterá a qualificação do representante, as informações sobre o fato e sua autoria e a indicação das provas de que tenha conhecimento. § 2º. A autoridade administrativa REJEITARÁ A REPRESENTAÇÃO, em despacho fundamentado, se esta não contiver as formalidades estabelecidas no § 1º deste artigo . A rejeição não impede a representação ao Ministério Público, nos termos do art. 22 desta lei. § 3º. Atendidos os requisitos da representação, a autoridade determinará a imediata apuração dos fatos, observada a legislação que regula o processo administrativo disciplinar aplicável ao agente. (Lei 14.230/21) ART. 14, § 3º - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS § 3º. Atendidos os requisitos da represen- tação, a autoridade determinará a imediata apuração dos fatos que, em se tratando de servidores federais, será processada na forma prevista nos arts. 148 a 182 da Lei 8.112/1990 e, em se tratando de servidor militar, de acordo com os respectivos regulamentos disciplinares. § 3º. Atendidos os requisitos da represen- tação, a autoridade determinará a imediata apuração dos fatos, observada a legislação que regula o processo administrativo disciplinar aplicável ao agente. Art. 15 A COMISSÃO PROCESSANTE dará conhecimento ao Ministério Público e ao Tribunal ou Conselho de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a prática de ato de improbidade. Parágrafo único. O Ministério Público ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá, a requerimento, designar representante para acompanhar o procedimento administrativo. Art. 16 Na ação por improbidade administrativa poderá ser formulado, em caráter antecedente ou incidente, PEDIDO DE INDISPONIBILIDADE DE BENS dos réus, a fim de garantir a integral recomposição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito . (Lei 14.230/21) § 1º. (REVOGADO pela Lei 14.230/21) § 1º-A. O PEDIDO DE INDISPONIBILIDADE DE BENS a que se refere o caput deste artigo poderá ser formulado independentemente da representação de que trata o art. 7º desta Lei. (Lei 14.230/21) § 2º. Quando for o caso, o pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termosda lei e dos tratados internacionais. (Lei 14.230/21) 66 § 3º. O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere o caput deste artigo apenas será deferido mediante a demonstração no caso concreto de perigo de dano irreparável ou de risco ao resultado útil do processo , desde que o juiz se convença da probabilidade da ocorrência dos atos descritos na petição inicial com fundamento nos respectivos elementos de instrução, após a oitiva do réu em 5 dias. (Lei 14.230/21) § 4º. A indisponibilidade de bens poderá ser decretada sem a oitiva prévia do réu, sempre que o contraditório prévio puder comprovadamente frustrar a efetividade da medida ou houver outras circunstâncias que recomendem a proteção liminar, não podendo a urgência ser presumida. (Lei 14.230/21) § 5º. Se houver mais de um réu na ação, a somatória dos valores declarados indisponíveis não poderá superar o montante indicado na petição inicial como dano ao erário ou como enriquecimento ilícito. (Lei 14.230/21) § 6º. O valor da indisponibilidade considerará a estimativa de dano indicada na petição inicial, permitida a sua substituição por caução idônea, por fiança bancária ou por seguro- garantia judicial, a requerimento do réu, bem como a sua readequação durante a instrução do processo. (Lei 14.230/21) § 7º. A indisponibilidade de bens de terceiro dependerá da demonstração da sua efetiva concorrência para os atos ilícitos apurados ou, quando se tratar de pessoa jurídica, da instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica, a ser processado na forma da lei processual. (Lei 14.230/21) § 8º. Aplica-se à indisponibilidade de bens regida por esta Lei, no que for cabível, o regime da tutela provisória de urgência do CPC. (Lei 14.230/21) § 9º. Da decisão que deferir ou indeferir a medida relativa à indisponibilidade de bens caberá agravo de instrumento, nos termos do CPC. (Lei 14.230/21) § 10. A INDISPONIBILIDADE RECAIRÁ sobre bens que assegurem exclusivamente o integral ressarcimento do dano ao erário, sem incidir sobre os valores a serem eventualmente aplicados a título de multa civil ou sobre acréscimo patrimonial decorrente de atividade lícita. (Lei 14.230/21) § 11. A ORDEM DE INDISPONIBILIDADE de bens deverá priorizar veículos de via terrestre, bens imóveis, bens móveis em geral, semoventes, navios e aeronaves, ações e quotas de sociedades simples e empresárias, pedras e metais preciosos e, apenas na inexistência desses, o bloqueio de contas bancárias, de forma a garantir a subsistência do acusado e a manutenção da atividade empresária ao longo do processo. (Lei 14.230/21) § 12. O juiz, ao apreciar o pedido de indisponibilidade de bens do réu a que se refere o caput deste artigo, observará os efeitos práticos da decisão, vedada a adoção de medida capaz de acarretar prejuízo à prestação de serviços públicos . (Lei 14.230/21) § 13. É vedada a decretação de indisponibilidade da quantia de até 40 salários mínimos depositados em caderneta de poupança, em outras aplicações financeiras ou em conta-corrente. (Lei 14.230/21) § 14. É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família do réu, salvo se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial indevida , conforme descrito no art. 9º desta Lei. (Lei 14.230/21) PEDIDO DE INDISPONIBILIDADE DE BENS › Poderá ser formulado, em caráter antecedente ou incidente, pedido de indisponibilidade de bens dos réus, a fim de garantir a integral recomposição do erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito (caput) › Poderá ser formulado independentemente da representação da autoridade que conhecer dos fatos (§ 1º-A) › A indisponibilidade de bens de terceiro dependerá da demonstração da sua efetiva concorrência para os atos ilícitos apurados ou, quando se tratar de pessoa jurídica, da instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica, a ser processado na forma da lei processual (art. 7º) › Aplica-se à indisponibilidade de bens regida por esta Lei, no que for cabível, o regime da tutela provisória de urgência (§ 8º) › Da decisão que deferir ou indeferir a medida relativa à indisponibilidade de bens caberá agravo de instrumento (§ 9º) › Recairá sobre bens que assegurem exclusivamente o integral ressarcimento do dano ao erário, sem incidir sobre os valores a serem eventualmente aplicados a título de multa civil ou sobre acréscimo patrimonial decorrente de atividade lícita. (§ 10) 67 › A ordem de indisponibilidade de bens deverá priorizar: veículos de via terrestre, bens imóveis, bens móveis em geral, semoventes, navios e aeronaves, ações e quotas de sociedades simples e empresárias, pedras e metais preciosos. Apenas na inexistência desses: o bloqueio de contas bancárias, de forma a garantir a subsistência do acusado e a manutenção da atividade empresária ao longo do processo. (§ 11) › O juiz observará os efeitos práticos da decisão, vedada a adoção de medida capaz de acarretar prejuízo à prestação de serviços públicos (§ 12) › É vedada a decretação de indisponibilidade da quantia de até 40 salários mínimos depositados em caderneta de poupança, em outras aplicações financeiras ou em conta-corrente. › É vedada a decretação de indisponibilidade do bem de família do réu, salvo se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial indevida (§ 14) Art. 17 A ação para a aplicação das sanções de que trata esta Lei será proposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO e seguirá o procedimento comum previsto no CPC, salvo o disposto nesta Lei. (Lei 14.230/21) Atenção! Caput declarado inconstitucional. Ver comentário ao final deste artigo. ART. 17, CAPUT - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO ou pela PESSOA JURÍDICA INTERESSADA, dentro de 30 dias da efetivação da medida cautelar Art. 17. A ação para a aplicação das sanções de que trata esta Lei será proposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO e seguirá o procedimento comum previsto no CPC, salvo o disposto nesta Lei. §§ 1º a 4º. (REVOGADOS pela Lei 14.230/21) § 4º-A. A ação a que se refere o caput deste artigo deverá ser proposta perante o foro do local onde ocorrer o dano ou da pessoa jurídica prejudicada . (Lei 14.230/21) § 5º. A propositura da ação a que se refere o caput deste artigo prevenirá a competência do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto. (Lei 14.230/21) § 6º. A PETIÇÃO INICIAL observará o seguinte: (Lei 14.230/21) I. deverá individualizar a conduta do réu e apontar os elementos probatórios mínimos que demonstrem a ocorrência das hipóteses dos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei e de sua autoria, salvo impossibilidade devidamente fundamentada; (Lei 14.230/21) II. será instruída com documentos ou justificação que contenham indícios suficientes da veracidade dos fatos e do dolo imputado ou com razões fundamentadas da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas, observada a legislação vigente, inclusive as disposições constantes dos arts. 77 e 80 do CPC. (Lei 14.230/21) § 6º-A. O Ministério Público poderá requerer as tutelas provisórias adequadas e necessárias, nos termos dos arts. 294 a 310 do CPC. (Lei 14.230/21) Atenção! Parágrafo declarado inconstitucional. Ver comentário ao final deste artigo. § 6º-B. A petição inicial será rejeitada nos casos do art. 330 do CPC, bem como quando não preenchidos os requisitos a que se referem os incisos I e II do § 6º deste artigo, ou ainda quando manifestamente inexistente o ato de improbidade imputado. (Lei 14.230/21) § 7º. Se a petição inicial estiver em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a citação dos requeridos para que a contestem no prazo comum de 30 dias, iniciado o prazo na forma do art. 231 do CPC. (Lei 14.230/21) §§ 8º e 9º. (REVOGADOS pela Lei 14.230/21) § 9º-A. Da decisão querejeitar questões preliminares suscitadas pelo réu em sua contestação caberá agravo de instrumento. (Lei 14.230/21) § 10. (REVOGADO pela Lei 14.230/21) 68 § 10-A. Havendo a possibilidade de SOLUÇÃO CONSENSUAL, poderão as partes requerer ao juiz a INTERRUPÇÃO DO PRAZO PARA A CONTESTAÇÃO, por prazo não superior a 90 dias. (Lei 13.964/19) § 10-B. Oferecida a contestação e, se for o caso, ouvido o autor, o juiz: (Lei 14.230/21) I. procederá ao julgamento conforme o estado do processo, observada a eventual inexistência manifesta do ato de improbidade; (Lei 14.230/21) II. poderá desmembrar o litisconsórcio, com vistas a otimizar a instrução processual. (Lei 14.230/21) § 10-C. Após a réplica do Ministério Público, o juiz proferirá decisão na qual indicará com precisão a tipificação do ato de improbidade administrativa imputável ao réu, sendo-lhe vedado modificar o fato principal e a capitulação legal apresentada pelo autor. (Lei 14.230/21) Atenção! Parágrafo declarado inconstitucional. Ver comentário ao final deste artigo. § 10-D. Para cada ato de improbidade administrativa, deverá necessariamente ser indicado apenas um tipo dentre aqueles previstos nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei. (Lei 14.230/21) § 10-E. Proferida a decisão referida no § 10-C deste artigo, as partes serão intimadas a especificar as provas que pretendem produzir. (Lei 14.230/21) § 10-F. Será NULA a decisão de mérito total ou parcial da ação de improbidade administrativa que: (Lei 14.230/21) I. condenar o requerido por tipo diverso daquele definido na petição inicial; (Lei 14.230/21) II. condenar o requerido sem a produção das provas por ele tempestivamente especificadas. (Lei 14.230/21) § 11. Em qualquer momento do processo, verificada a inexistência do ato de improbidade, o juiz julgará a demanda improcedente. (Lei 14.230/21) §§ 12 e 13. (REVOGADOS pela Lei 14.230/21) § 14. Sem prejuízo da citação dos réus, a pessoa jurídica interessada será intimada para, caso queira, intervir no processo. (Lei 14.230/21) Atenção! Parágrafo declarado inconstitucional. Ver comentário ao final deste artigo. § 15. Se a imputação envolver a desconsideração de pessoa jurídica, serão observadas as regras previstas nos arts. 133, 134, 135, 136 e 137 do CPC. (Lei 14.230/21) § 16. A qualquer momento, se o magistrado identificar a existência de ilegalidades ou de irregularidades administrativas a serem sanadas sem que estejam presentes todos os requisitos para a imposição das sanções aos agentes incluídos no polo passivo da demanda, poderá, em decisão motivada, converter a ação de improbidade administrativa em ação civil pública, regulada pela Lei 7.347/85. (Lei 14.230/21) § 17. Da decisão que converter a ação de improbidade em ação civil pública CABERÁ AGRAVO DE INSTRUMENTO. (Lei 14.230/21) § 18. Ao réu será assegurado o direito de ser interrogado sobre os fatos de que trata a ação, e a sua recusa ou o seu silêncio não implicarão confissão. (Lei 14.230/21) § 19. NÃO SE APLICAM NA AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA: (Lei 14.230/21) I. a presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor em caso de revelia; (Lei 14.230/21) II. a imposição de ônus da prova ao réu, na forma dos §§ 1º e 2º do art. 373 do CPC; (Lei 14.230/21) III. o ajuizamento de mais de uma ação de improbidade administrativa pelo mesmo fato, competindo ao Conselho Nacional do Ministério Público dirimir conflitos de atribuições entre membros de Ministérios Públicos distintos; (Lei 14.230/21) IV. o reexame obrigatório da sentença de improcedência ou de extinção sem resolução de mérito. (Lei 14.230/21) § 20. A assessoria jurídica que emitiu o parecer atestando a legalidade prévia dos atos administrativos praticados pelo administrador público ficará obrigada a defendê-lo judicialmente, caso este venha a responder ação por improbidade administrativa, até que a decisão transite em julgado. (Lei 14.230/21) Atenção! Parágrafo declarado inconstitucional. Ver comentário ao final deste artigo. § 21. Das DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS caberá AGRAVO DE INSTRUMENTO, inclusive da decisão que rejeitar questões preliminares suscitadas pelo réu em sua contestação. (Lei 14.230/21) 69 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGITIMIDADE EXCLUSIVA DO MP O STF, ao julgar as ADIs 7.042 e 7.043, firmou entendimento de que a legitimidade exclusiva do MP para propor ação de improbidade administrativa é inconstitucional. A Suprema Corte entendeu que, apesar de a atuação do Ministério Público ser muito importante na defesa do patrimônio, não se deve deslegitimar os demais agentes que também zelam por ele. Dessa forma, “ficam garantidas a legitimidade dos entes lesados para a ação da improbidade, para a afirmação do acordo de não persecução civil e pela não representação automática de agentes públicos réus em ações de improbidade decorrentes de atos baseados em pareceres da advocacia pública receptiva". › Assim, o art. 17, caput, § 6º-A, § 10-C, § 14 e § 20 foram declarados inconstitucionais. Art. 17-A (VETADO) Art. 17-B O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso concreto, celebrar ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO CIVIL, desde que dele advenham, ao menos, os seguintes resultados: (Lei 14.230/21) I. o integral ressarcimento do dano; (Lei 14.230/21) II. a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida , ainda que oriunda de agentes privados. (Lei 14.230/21) ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO CIVIL - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 17, § 1º. As ações de que trata este artigo admitem a celebração de ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO CÍVEL, nos termos desta Lei. Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso concreto, celebrar ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO CIVIL, desde que dele advenham, ao menos, os seguintes resultados: I. o integral ressarcimento do dano; II. a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes privados. § 1º. A celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo dependerá, cumulativamente: (Lei 14.230/21) I. da oitiva do ente federativo lesado, em momento anterior ou posterior à propositura da ação; (Lei 14.230/21) II. de aprovação, no prazo de até 60 dias, pelo órgão do Ministério Público competente para apreciar as promoções de arquivamento de inquéritos civis, se anterior ao ajuizamento da ação; (Lei 14.230/21) III. de homologação judicial, independentemente de o acordo ocorrer antes ou depois do ajuizamento da ação de improbidade administrativa. (Lei 14.230/21) § 2º. Em qualquer caso, a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo CONSIDERARÁ a personalidade do agente, a natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do ato de improbidade, bem como as vantagens, para o interesse público, da rápida solução do caso. (Lei 14.230/21) § 3º. Para fins de apuração do valor do dano a ser ressarcido, deverá ser realizada a oitiva do Tribunal de Contas competente, que se manifestará, com indicação dos parâmetros utilizados, no prazo de 90 dias. (Lei 14.230/21) ATENÇÃO! O art. 17-B, § 3º, da LIA está com sua EFICÁCIA SUSPENSA por força do deferimento de medida cautelar na ADI 7236. § 4º. O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser celebrado no curso da investigação de apuração do ilícito, no curso da ação de improbidade ou no momento da execução da sentença condenatória. (Lei 14.230/21) 70 § 5º. As negociações para a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo ocorrerão entre o Ministério Público, de um lado, e, de outro, o investigado ou demandado e o seu defensor. (Lei 14.230/21) § 6º. O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá contemplar a adoção de mecanismos e procedimentos internos de integridade, de auditoria e de incentivo à denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica, se for o caso,bem como de outras medidas em favor do interesse público e de boas práticas administrativas. (Lei 14.230/21) § 7º. Em caso de DESCUMPRIMENTO DO ACORDO a que se refere o caput deste artigo, o investigado ou o demandado ficará impedido de celebrar novo acordo pelo prazo de 5 anos, contado do conhecimento pelo Ministério Público do efetivo descumprimento. (Lei 14.230/21) Art. 17-C A SENTENÇA proferida nos processos a que se refere esta Lei deverá, além de observar o disposto no art. 489 do CPC (elementos essenciais da sentença): (Lei 14.230/21) I. indicar de modo preciso os fundamentos que demonstram os elementos a que se referem os arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, que não podem ser presumidos; (Lei 14.230/21) II. considerar as consequências práticas da decisão, sempre que decidir com base em valores jurídicos abstratos; (Lei 14.230/21) III. considerar os obstáculos e as dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos administrados e das circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado a ação do agente; (Lei 14.230/21) IV. considerar, para a aplicação das sanções, de forma isolada ou cumulativa : (Lei 14.230/21) a. os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; (Lei 14.230/21) b. a natureza, a gravidade e o impacto da infração cometida; (Lei 14.230/21) c. a extensão do dano causado; (Lei 14.230/21) d. o proveito patrimonial obtido pelo agente; (Lei 14.230/21) e. as circunstâncias agravantes ou atenuantes; (Lei 14.230/21) f. a atuação do agente em minorar os prejuízos e as consequências advindas de sua conduta omissiva ou comissiva; (Lei 14.230/21) g. os antecedentes do agente; (Lei 14.230/21) V. considerar na aplicação das sanções a dosimetria das sanções relativas ao mesmo fato já aplicadas ao agente; (Lei 14.230/21) VI. considerar, na fixação das penas relativamente ao terceiro, quando for o caso, a sua atuação específica, não admitida a sua responsabilização por ações ou omissões para as quais não tiver concorrido ou das quais não tiver obtido vantagens patrimoniais indevidas; (Lei 14.230/21) VII. indicar, na apuração da ofensa a princípios, critérios objetivos que justifiquem a imposição da sanção. (Lei 14.230/21) § 1º. A ILEGALIDADE SEM A PRESENÇA DE DOLO que a qualifique NÃO CONFIGURA ATO DE IMPROBIDADE. (Lei 14.230/21) § 2º. Na hipótese de litisconsórcio passivo, a condenação ocorrerá no limite da participação e dos benefícios diretos, vedada qualquer solidariedade. (Lei 14.230/21) § 3º. Não haverá remessa necessária nas sentenças de que trata esta Lei. (Lei 14.230/21) Art. 17-D A AÇÃO POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA é repressiva, de caráter sancionatório, destinada à aplicação de sanções de caráter pessoal previstas nesta Lei, e não constitui ação civil, VEDADO SEU AJUIZAMENTO para o controle de legalidade de políticas públicas e para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos. (Lei 14.230/21) 71 Parágrafo único. Ressalvado o disposto nesta Lei, o controle de legalidade de políticas públicas e a responsabilidade de agentes públicos, inclusive políticos, entes públicos e governamentais, por danos ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, a qualquer outro interesse difuso ou coletivo, à ordem econômica, à ordem urbanística, à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos e ao patrimônio público e social submetem-se aos termos da Lei 7.347/85 (AÇÃO CIVIL PÚBLICA). (Lei 14.230/21) CARACTERÍSTICAS DA AÇÃO POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA AÇÃO por IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (art. 17-D) É repressiva; De caráter sancionatório; Destinada à aplicação de sanções de caráter pessoal; e Não constitui ação civil. VEDADO seu AJUIZAMENTO para: O controle de legalidade de políticas públicas; e A proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos. Art. 18 A SENTENÇA QUE JULGAR PROCEDENTE a ação fundada nos arts. 9º (LESÃO AO ERÁRIO) e 10 (ENRIQUECIMENTO ILÍCITO) desta Lei condenará ao ressarcimento dos danos e à perda ou à reversão dos bens e valores ilicitamente adquiridos , conforme o caso, em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito. (Lei 14.230/21) § 1º. Se houver necessidade de liquidação do dano , a pessoa jurídica prejudicada procederá a essa determinação e ao ulterior procedimento para cumprimento da sentença referente ao ressarcimento do patrimônio público ou à perda ou à reversão dos bens. (Lei 14.230/21) § 2º. Caso a pessoa jurídica prejudicada não adote as providências a que se refere o § 1º deste artigo no prazo de 6 meses, contado do trânsito em julgado da sentença de procedência da ação, caberá ao Ministério Público proceder à respectiva liquidação do dano e ao cumprimento da sentença referente ao ressarcimento do patrimônio público ou à perda ou à reversão dos bens, sem prejuízo de eventual responsabilização pela omissão verificada. (Lei 14.230/21) § 3º. Para fins de apuração do valor do ressarcimento, deverão ser descontados os serviços efetivamente prestados. (Lei 14.230/21) § 4º. O juiz poderá autorizar o parcelamento, em até 48 parcelas mensais corrigidas monetariamente, do débito resultante de condenação pela prática de improbidade administrativa se o réu demonstrar incapacidade financeira de saldá-lo de imediato. (Lei 14.230/21) ART. 18 - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 18. A sentença que julgar procedente ação civil de reparação de dano ou decretar a perda dos bens havidos ilicitamente determinará o pagamento ou a reversão dos bens, conforme o caso, em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito. Art. 18. A sentença que julgar procedente a ação fundada nos arts. 9º (LESÃO AO ERÁRIO) e 10 (ENRIQUECIMENTO ILÍCITO) desta Lei condenará ao ressarcimento dos danos e à perda ou à reversão dos bens e valores ilicitamente adquiridos, conforme o caso, em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito. - § 1º. Se houver necessidade de liquidação do dano, a pessoa jurídica prejudicada procederá a essa determinação e ao ulterior procedimento para cumprimento da sentença referente ao ressarcimento do patrimônio público ou à perda ou à reversão dos bens. - § 2º. Caso a pessoa jurídica prejudicada não adote as providências a que se refere o § 1º deste artigo no prazo de 6 meses, 72 contado do trânsito em julgado da sentença de procedência da ação, caberá ao Ministério Público proceder à respectiva liquidação do dano e ao cumprimento da sentença referente ao ressarcimento do patrimônio público ou à perda ou à reversão dos bens, sem prejuízo de eventual responsabilização pela omissão verificada. - § 3º. Para fins de apuração do valor do ressarcimento, deverão ser descontados os serviços efetivamente prestados. - § 4º. O juiz poderá autorizar o parcela- mento, em até 48 parcelas mensais corrigidas monetariamente, do débito resultante de condenação pela prática de improbidade administrativa se o réu demonstrar incapacidade financeira de saldá-lo de imediato. Art. 18-A A requerimento do réu, na fase de cumprimento da sentença, O JUIZ UNIFICARÁ EVENTUAIS SANÇÕES aplicadas com outras já impostas em outros processos, tendo em vista a eventual continuidade de ilícito ou a prática de diversas ilicitudes, observado o seguinte: (Lei 14.230/21) I. no caso de CONTINUIDADE DE ILÍCITO, o juiz promoverá a maior sanção aplicada, aumentada de 1/3, ou a soma das penas, o que for mais benéfico ao réu; (Lei 14.230/21) II. no caso de PRÁTICA DE NOVOS ATOS ILÍCITOS pelo mesmo sujeito, o juiz somará as sanções. (Lei 14.230/21) UNIFICAÇÃO DAS SANÇÕES (ART. 18-A) No caso de CONTINUIDADE DE ILÍCITO O juiz promoveráa maior sanção aplicada, aumentada de 1/3 (exasperação) O que for mais benéfico ao réu Ou a soma das penas (cúmulo material) No caso de PRÁTICA DE NOVOS ATOS ILÍCITOS O juiz somará as sanções (cúmulo material) Parágrafo único. As sanções de suspensão de direitos políticos e de proibição de contratar ou de receber incentivos fiscais ou creditícios do poder público observarão o LIMITE MÁXIMO DE 20 ANOS. (Lei 14.230/21) Capítulo VI - Das Disposições Penais Art. 19 Constitui crime a REPRESENTAÇÃO POR ATO DE IMPROBIDADE contra agente público ou terceiro beneficiário, QUANDO o autor da denúncia o sabe inocente. PENA: Detenção de 6 a 10 meses e MULTA. Parágrafo único. Além da sanção penal, o denunciante está sujeito a indenizar o denunciado pelos danos materiais, morais ou à imagem que houver provocado. Art. 20 A PERDA DA FUNÇÃO PÚBLICA e a SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS só se efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória. 73 § 1º. A AUTORIDADE JUDICIAL competente poderá determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo, do emprego ou da função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida for necessária à instrução processual ou para evitar a iminente prática de novos ilícitos. (Lei 14.230/21) § 2º. O afastamento previsto no § 1º deste artigo será de até 90 dias, prorrogáveis 1 única vez por igual prazo, mediante decisão motivada. (Lei 14.230/21) ART. 20 - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Parágrafo único. A autoridade judicial OU ADMINISTRATIVA competente poderá determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à instrução processual. § 1º. A autoridade judicial competente poderá determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo, do emprego ou da função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida for necessária à instrução processual ou para evitar a iminente prática de novos ilícitos. - § 2º. O afastamento previsto no § 1º deste artigo será de até 90 dias, prorrogáveis 1 única vez por igual prazo, mediante decisão motivada. Art. 21 A APLICAÇÃO DAS SANÇÕES previstas nesta lei independe: I. da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento e às condutas previstas no art. 10 desta Lei; (Lei 14.230/21) II. da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas. ART. 21 - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 21, I. da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento; Art. 21, I. da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento e às condutas previstas no art. 10 desta Lei; § 1º. Os atos do órgão de controle interno ou externo serão considerados pelo juiz quando tiverem servido de fundamento para a conduta do agente público. (Lei 14.230/21) § 2º. As provas produzidas perante os órgãos de controle e as correspondentes decisões deverão ser consideradas na formação da convicção do juiz, sem prejuízo da análise acerca do dolo na conduta do agente. (Lei 14.230/21) § 3º. As sentenças civis e penais produzirão efeitos em relação à ação de improbidade quando concluírem pela INEXISTÊNCIA DA CONDUTA ou pela NEGATIVA DA AUTORIA. (Lei 14.230/21) § 4º. A absolvição criminal em ação que discuta os mesmos fatos, confirmada por decisão colegiada, impede o trâmite da ação da qual trata esta Lei, havendo comunicação com todos os fundamentos de absolvição previstos no art. 386 do Código de Processo Penal. (Lei 14.230/21) ATENÇÃO! O art. 21, § 4º, da LIA está com sua EFICÁCIA SUSPENSA por força do deferimento de medida cautelar na ADI 7236. § 5º. Sanções eventualmente aplicadas em outras esferas deverão ser COMPENSADAS com as sanções aplicadas nos termos desta Lei. (Lei 14.230/21) Art. 22 Para apurar qualquer ilícito previsto nesta Lei, o Ministério Público, de ofício, a requerimento de autoridade administrativa ou mediante representação formulada de acordo com o disposto no art. 14 desta Lei, poderá instaurar inquérito civil ou procedimento investigativo assemelhado e requisitar a instauração de inquérito policial. (Lei 14.230/21) Parágrafo único. Na apuração dos ilícitos previstos nesta Lei, será garantido ao investigado a oportunidade de manifestação por escrito e de juntada de documentos que comprovem suas alegações e auxiliem na elucidação dos fatos. (Lei 14.230/21) 74 ART. 22 - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 22. Para apurar qualquer ilícito previsto nesta lei, o Ministério Público, de ofício, a requerimento de autoridade administrativa ou mediante represen- tação formulada de acordo com o disposto no art. 14, poderá requisitar a instauração de inquérito policial ou procedimento administrativo. Art. 22. Para apurar qualquer ilícito previsto nesta Lei, o Ministério Público, de ofício, a requerimento de autoridade administrativa ou mediante represen- tação formulada de acordo com o disposto no art. 14 desta Lei, poderá instaurar inquérito civil ou procedimento investigativo assemelhado e requisitar a instauração de inquérito policial. Capítulo VII - Da Prescrição Art. 23 _ Prescrição A ação para a aplicação das sanções previstas nesta Lei PRESCREVE em 8 ANOS, contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do dia em que cessou a permanência. (Lei 14.230/21) I a III. (REVOGADOS pela Lei 14.230/21) PRESCRIÇÃO (ART. 23) - ANTES E DEPOIS DA LEI 14.230/21 ANTES DEPOIS Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas: I. até 5 anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança; II. dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego. III. até 5 anos da data da apresentação à administração pública da prestação de contas final pelas entidades referidas no parágrafo único do art. 1º desta Lei. PRAZO PRESCRICIONAL ÚNICO Art. 23. A ação para a aplicação das sanções previstas nesta Lei PRESCREVE em 8 ANOS, contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do dia em que cessou a permanência. § 1º. A instauração de inquérito civil ou de processo administrativo para apuração dos ilícitos referidos nesta Lei SUSPENDE o curso do prazo prescricional por, no máximo, 180 dias corridos, recomeçando a correr após a sua conclusão ou, caso não concluído o processo, esgotado o prazo de suspensão. (Lei 14.230/21) § 2º. O inquérito civil para apuração do ato de improbidade será CONCLUÍDO no prazo de 365 dias corridos, prorrogável 1 única vez por igual período, mediante ato fundamentado submetido à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica. (Lei 14.230/21) § 3º. Encerrado o prazo previsto no § 2º deste artigo, a ação deverá ser proposta no prazo de 30 dias, se não for caso de arquivamento do inquérito civil. (Lei 14.230/21) § 4º. O PRAZO DA PRESCRIÇÃO referido no caput deste artigo INTERROMPE-SE: (Lei 14.230/21) I. pelo ajuizamento da ação de improbidade administrativa; (Lei 14.230/21) II. pela publicação da sentença condenatória; (Lei 14.230/21) III. pela publicação de decisão ou acórdão de Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal que confirma sentença condenatória ou que reforma sentença de improcedência; (Lei 14.230/21) IV. pela publicação de decisão ou acórdão do Superior Tribunal de Justiça que confirma acórdão condenatório ou que reforma acórdão de improcedência ; (Lei 14.230/21) 75 V. pela publicação de decisão ou acórdão do STF que confirma acórdão condenatório ou que reformaacórdão de improcedência. (Lei 14.230/21) § 5º. INTERROMPIDA A PRESCRIÇÃO, o prazo recomeça a correr do dia da interrupção, pela metade do prazo previsto no caput deste artigo. (Lei 14.230/21) § 6º. A suspensão e a interrupção da prescrição produzem efeitos relativamente a todos os que concorreram para a prática do ato de improbidade. (Lei 14.230/21) § 7º. Nos atos de improbidade conexos que sejam objeto do mesmo processo, a suspensão e a interrupção relativas a qualquer deles estendem-se aos demais. (Lei 14.230/21) § 8º. O juiz ou o tribunal, depois de ouvido o Ministério Público, deverá, de ofício ou a requerimento da parte interessada, reconhecer a prescrição intercorrente da pretensão sancionadora e decretá-la de imediato, caso, entre os marcos interruptivos referidos no § 4º, transcorra o prazo previsto no § 5º deste artigo. (Lei 14.230/21) Art. 23-A É dever do poder público oferecer contínua capacitação aos agentes públicos e políticos que atuem com prevenção ou repressão de atos de improbidade administrativa. (Lei 14.230/21) Art. 23-B Nas ações e nos acordos regidos por esta Lei, não haverá adiantamento de custas, de preparo, de emolumentos, de honorários periciais e de quaisquer outras despesas. (Lei 14.230/21) § 1º. No caso de procedência da ação, as custas e as demais despesas processuais serão pagas ao final. (Lei 14.230/21) § 2º. Haverá condenação em honorários sucumbenciais em caso de improcedência da ação de improbidade se comprovada má-fé. (Lei 14.230/21) Art. 23-C Atos que ensejem enriquecimento ilícito, perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação de recursos públicos dos PARTIDOS POLÍTICOS, ou de suas fundações, serão responsabilizados nos termos da Lei 9.096/95. (Lei 14.230/21) ATENÇÃO! O art. 23-C recebeu interpretação conforme a CF para permitir a responsabilização dos partidos políticos nos termos da Lei 9.096/95, sem prejuízo da incidência da LIA, por força do deferimento de medida cautelar na ADI 7236. Capítulo VIII - Das Disposições Finais Art. 24 Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 25 Ficam revogadas as Leis nos 3.164/1957 e 3.502/1958, e demais disposições em contrário. 76 LEI 12.527/11 - Lei de Acesso à Informação (LAI) Regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei 8.112/90; revoga a Lei 11.111/05 e dispositivos da Lei 8.159/91; e dá outras providências. Atualizada até a Lei 14.345/22. 77 Capítulo I - Disposições Gerais Art. 1º _ Aplicação desta Lei Esta Lei dispõe sobre os procedimentos a serem observados pela União, Estados, DF e Municípios, com o fim de garantir o ACESSO A INFORMAÇÕES previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal. Os dispositivos mencionados no caput deste artigo, todos da Constituição Federal, estabelecem que: Art. 5º, XXXIII. Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. (...) Art. 37, § 3º. A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmente: (...) II. o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII. (...) Art. 216, § 2º. Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação governamental e as providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem. Parágrafo único. SUBORDINAM-SE AO REGIME DESTA LEI: I. os órgãos públicos integrantes da administração direta dos Poderes Executivo, Legislativo, incluindo as Cortes de Contas, e Judiciário e do Ministério Público; II. as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, DF e Municípios. Art. 2º _ Aplicação em relação às entidades priv adas sem fins lucrativos Aplicam-se as disposições desta Lei, no que couber, às ENTIDADES PRIVADAS SEM FINS LUCRATIVOS que recebam, para realização de ações de interesse público, recursos públicos diretamente do orçamento ou mediante subvenções sociais, contrato de gestão, termo de parceria, convênios, acordo, ajustes ou outros instrumentos congêneres. Parágrafo único. A publicidade a que estão submetidas as entidades citadas no caput refere-se à parcela dos recursos públicos recebidos e à sua destinação, sem prejuízo das prestações de contas a que estejam legalmente obrigadas. Art. 3º _ Diretrizes Os procedimentos previstos nesta Lei destinam-se a assegurar o direito fundamental de acesso à informação e devem ser executados em conformidade com os princípios básicos da administração pública e com as seguintes DIRETRIZES: I. observância da publicidade como preceito geral e do sigilo como exceção; II. divulgação de informações de interesse público, independentemente de solicitações; III. utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da informação; IV. fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na administração pública; V. desenvolvimento do controle social da administração pública. Art. 4º _ Definições Para os efeitos desta Lei, considera-se: I. INFORMAÇÃO: dados, processados ou não, que podem ser utilizados para produção e transmissão de conhecimento, contidos em qualquer meio, suporte ou formato; II. DOCUMENTO: unidade de registro de informações, qualquer que seja o suporte ou formato; III. INFORMAÇÃO SIGILOSA: aquela submetida temporariamente à restrição de acesso público em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado; IV. INFORMAÇÃO PESSOAL: aquela relacionada à pessoa natural identificada ou identificável; 78 V. TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO: conjunto de ações referentes à produção, recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transporte, transmissão, distribuição, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação, destinação ou controle da informação; VI. DISPONIBILIDADE: qualidade da informação que pode ser conhecida e utilizada por indivíduos, equipamentos ou sistemas autorizados; VII. AUTENTICIDADE: qualidade da informação que tenha sido produzida, expedida, recebida ou modificada por determinado indivíduo, equipamento ou sistema; VIII. INTEGRIDADE: qualidade da informação não modificada, inclusive quanto à origem, trânsito e destino; IX. PRIMARIEDADE: qualidade da informação coletada na fonte, com o máximo de detalhamento possível, sem modificações. Art. 5º É dever do Estado garantir o direito de acesso à informação, que será franqueada, mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão. Capítulo II - Do Acesso a Informações e da sua Divulgação Art. 6º _ Responsabilidade do poder público em relação ao acesso a informações e sua div ulgação CABE AOS ÓRGÃOS E ENTIDADES DO PODER PÚBLICO, observadas as normas e procedimentos específicos aplicáveis, ASSEGURAR a: I. gestão transparente da informação, propiciando amplo acesso a ela e sua divulgação; II. proteção da informação, garantindo-se sua disponibilidade, autenticidade e integridade; e III. proteção da informação sigilosa e da informação pessoal , observada a sua disponibilidade, autenticidade, integridade e eventual restrição de acesso. Art. 7º _ Direitos compreendidos no acesso à informação de que trata esta Lei O acesso à informação de que trata esta Lei COMPREENDE, entre outros, os DIREITOS DE OBTER: I. orientação sobre os procedimentos para a consecução de acesso, bem como sobre o local ondepoderá ser encontrada ou obtida a informação almejada; II. informação contida em registros ou documentos, produzidos ou acumulados por seus órgãos ou entidades, recolhidos ou não a arquivos públicos; III. informação produzida ou custodiada por pessoa física ou entidade privada decorrente de qualquer vínculo com seus órgãos ou entidades, mesmo que esse vínculo já tenha cessado; IV. informação primária, íntegra, autêntica e atualizada; V. informação sobre atividades exercidas pelos órgãos e entidades, inclusive as relativas à sua política, organização e serviços; VI. informação pertinente à administração do patrimônio público, utilização de recursos públicos, licitação, contratos administrativos; e VII. informação relativa: a. à implementação, acompanhamento e resultados dos programas, projetos e ações dos órgãos e entidades públicas, bem como metas e indicadores propostos; b. ao resultado de inspeções, auditorias, prestações e tomadas de contas realizadas pelos órgãos de controle interno e externo, incluindo prestações de contas relativas a exercícios anteriores. VIII. (VETADO) § 1º. O acesso à informação previsto no caput não compreende as informações referentes a projetos de pesquisa e desenvolvimento científicos ou tecnológicos cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. 79 § 2º. Quando não for autorizado acesso integral à informação por ser ela parcialmente sigilosa, é assegurado o acesso à parte não sigilosa por meio de certidão, extrato ou cópia com ocultação da parte sob sigilo. § 3º. O direito de acesso aos documentos ou às informações neles contidas utilizados como fundamento da tomada de decisão e do ato administrativo será assegurado com a edição do ato decisório respectivo. § 4º. A negativa de acesso às informações objeto de pedido formulado aos órgãos e entidades referidas no art. 1º, quando não fundamentada, sujeitará o responsável a medidas disciplinares, nos termos do art. 32 desta Lei. § 5º. Informado do extravio da informação solicitada, poderá o interessado requerer à autoridade competente a imediata abertura de sindicância para apurar o desaparecimento da respectiva documentação. § 6º. Verificada a hipótese prevista no § 5º deste artigo, o responsável pela guarda da informação extraviada deverá, no prazo de 10 dias, justificar o fato e indicar testemunhas que comprovem sua alegação. Art. 8º É dever dos órgãos e entidades públicas promover, independentemente de requerimentos, a divulgação em local de fácil acesso, no âmbito de suas competências, de informações de interesse coletivo ou geral por eles produzidas ou custodiadas. § 1º. Na divulgação das informações a que se refere o caput, deverão constar, no mínimo: I. registro das competências e estrutura organizacional, endereços e telefones das respectivas unidades e horários de atendimento ao público; II. registros de quaisquer repasses ou transferências de recursos financeiros; III. registros das despesas; IV. informações concernentes a procedimentos licitatórios, inclusive os respectivos editais e resultados, bem como a todos os contratos celebrados; V. dados gerais para o acompanhamento de programas, ações, projetos e obras de órgãos e entidades; e VI. respostas a perguntas mais frequentes da sociedade. § 2º. Para cumprimento do disposto no caput, os órgãos e entidades públicas deverão utilizar todos os meios e instrumentos legítimos de que dispuserem, sendo obrigatória a divulgação em sítios oficiais da rede mundial de computadores (internet). § 3º. Os sítios de que trata o § 2º deverão, na forma de regulamento, atender, entre outros, aos seguintes requisitos: I. conter ferramenta de pesquisa de conteúdo que permita o acesso à informação de forma objetiva, transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão; II. possibilitar a gravação de relatórios em diversos formatos eletrônicos, inclusive abertos e não proprietários, tais como planilhas e texto, de modo a facilitar a análise das informações; III. possibilitar o acesso automatizado por sistemas externos em formatos abertos, estruturados e legíveis por máquina; IV. divulgar em detalhes os formatos utilizados para estruturação da informação; V. garantir a autenticidade e a integridade das informações disponíveis para acesso; VI. manter atualizadas as informações disponíveis para acesso; VII. indicar local e instruções que permitam ao interessado comunicar-se, por via eletrônica ou telefônica, com o órgão ou entidade detentora do sítio; e VIII. adotar as medidas necessárias para garantir a acessibilidade de conteúdo para pessoas com deficiência, nos termos do art. 17 da Lei 10.098, de 2000, e do art. 9º da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pelo Decreto Legislativo 186, de 2008. § 4º. Os Municípios com população de até 10 mil habitantes ficam dispensados da divulgação obrigatória na internet a que se refere o § 2º, mantida a obrigatoriedade de divulgação, em tempo real, de informações relativas à execução orçamentária e financeira, nos critérios e prazos previstos no art. 73-B da LC 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal). Art. 9º O acesso a informações públicas será assegurado mediante: 80 I. criação de serviço de informações ao cidadão, nos órgãos e entidades do poder público, em local com condições apropriadas para: a. atender e orientar o público quanto ao acesso a informações; b. informar sobre a tramitação de documentos nas suas respectivas unidades; c. protocolizar documentos e requerimentos de acesso a informações; e II. realização de audiências ou consultas públicas, incentivo à participação popular ou a outras formas de divulgação. Capítulo III - Do Procedimento de Acesso à Informação Seção I - Do Pedido de Acesso Art. 10 _ Pedido de acesso a informações Qualquer interessado poderá apresentar PEDIDO DE ACESSO A INFORMAÇÕES aos órgãos e entidades referidos no art. 1º desta Lei, por qualquer meio legítimo, devendo o pedido conter a identificação do requerente e a especificação da informação requerida. § 1º. Para o acesso a informações de interesse público, a identificação do requerente não pode conter exigências que inviabilizem a solicitação. § 2º. Os órgãos e entidades do poder público devem viabilizar alternativa de encaminhamento de pedidos de acesso por meio de seus sítios oficiais na internet. § 3º. São vedadas quaisquer exigências relativas aos motivos determinantes da solicitação de informações de interesse público. Art. 11 _ Prazos e acesso imediato à informação O órgão ou entidade pública deverá autorizar ou conceder o ACESSO IMEDIATO À INFORMAÇÃO DISPONÍVEL. § 1º. Não sendo possível conceder o acesso imediato, na forma disposta no caput, o órgão ou entidade que receber o pedido deverá, em PRAZO não superior a 20 dias: I. comunicar a data, local e modo para se realizar a consulta, efetuar a reprodução ou obter a certidão; II. indicar as razões de fato ou de direito da recusa, total ou parcial, do acesso pretendido; ou III. comunicar que não possui a informação, indicar, se for do seu conhecimento, o órgão ou a entidade que a detém, ou, ainda, remeter o requerimento a esse órgão ou entidade, cientificando o interessado da remessa de seu pedido de informação. § 2º. O prazo referido no § 1º poderá ser prorrogado por mais 10 dias, mediante justificativa expressa, da qual será cientificado o requerente. § 3º. Sem prejuízo da segurança e da proteção das informações e do cumprimento da legislação aplicável, o órgão ou entidade poderá oferecer meios para que o próprio requerente possa pesquisar a informação de que necessitar. § 4º. Quando não for autorizado o acesso por se tratar de informação total ou parcialmente sigilosa, o requerente deverá ser informado sobre a possibilidade de recurso, prazos e condições para sua interposição, devendo, ainda, ser-lhe indicada a autoridadecompetente para sua apreciação. § 5º. A informação armazenada em formato digital será fornecida nesse formato, caso haja anuência do requerente. § 6º. Caso a informação solicitada esteja disponível ao público em formato impresso, eletrônico ou em qualquer outro meio de acesso universal, serão informados ao requerente, por escrito, o lugar e a forma pela qual se poderá consultar, obter ou reproduzir a referida informação, procedimento esse que desonerará o órgão ou entidade pública da obrigação de seu fornecimento direto, salvo se o requerente declarar não dispor de meios para realizar por si mesmo tais procedimentos. Art. 12 _ S erv iço de busca e fornecimento da informação O SERVIÇO DE BUSCA E DE FORNECIMENTO DE INFORMAÇÃO é GRATUITO. (Lei 14.129/21) 81 § 1º. O órgão ou a entidade poderá cobrar exclusivamente o valor necessário ao ressarcimento dos custos dos serviços e dos materiais utilizados , quando o serviço de busca e de fornecimento da informação exigir reprodução de documentos pelo órgão ou pela entidade pública consultada. (Lei 14.129/21) § 2º. Estará isento de ressarcir os custos previstos no § 1º deste artigo aquele cuja situação econômica não lhe permita fazê-lo sem prejuízo do sustento próprio ou da família, declarada nos termos da Lei 7.115/1983. (Lei 14.129/21) A Lei 7.115/1983, que dispõe sobre prova documental, estabelece em seu art. 1º que: A declaração destinada a fazer prova de vida, residência, pobreza, dependência econômica, homonímia ou bons antecedentes, quando firmada pelo próprio interessado ou por procurador bastante, e sob as penas da Lei, presume-se verdadeira. Art. 13 _ Documento cuja manipulação possa prejudicar sua integridade Quando se tratar de acesso à informação contida em DOCUMENTO CUJA MANIPULAÇÃO POSSA PREJUDICAR SUA INTEGRIDADE, deverá ser oferecida a consulta de cópia, com certificação de que esta confere com o original. Parágrafo único. Na impossibilidade de obtenção de cópias, o interessado poderá solicitar que, a suas expensas e sob supervisão de servidor público, a reprodução seja feita por outro meio que não ponha em risco a conservação do documento original. Art. 14 É direito do requerente obter o inteiro teor de decisão de negativa de acesso, por certidão ou cópia. Seção II - Dos Recursos Art. 15 _ Recurso no caso de indeferimento de acesso a informações ou às razões da negativ a do acesso No caso de indeferimento de acesso a informações ou às razões da negativa do acesso , poderá o interessado interpor RECURSO contra a decisão no prazo de 10 dias a contar da sua ciência. Parágrafo único. O recurso será dirigido à AUTORIDADE HIERARQUICAMENTE SUPERIOR à que exarou a decisão impugnada, que deverá se manifestar no prazo de 5 dias. Art. 16 _ Recorrendo à CGU Negado o acesso a informação pelos órgãos ou entidades do Poder Executivo Federal, o requerente poderá RECORRER À CONTROLADORIA-GERAL DA UNIÃO, que deliberará no prazo de 5 dias se: I. o acesso à informação não classificada como sigilosa for negado; II. a decisão de negativa de acesso à informação total ou parcialmente classificada como sigilosa não indicar a autoridade classificadora ou a hierarquicamente superior a quem possa ser dirigido pedido de acesso ou desclassificação; III. os procedimentos de classificação de informação sigilosa estabelecidos nesta Lei não tiverem sido observados; e IV. estiverem sendo descumpridos prazos ou outros procedimentos previstos nesta Lei. § 1º. O recurso previsto neste artigo somente poderá ser dirigido à Controladoria-Geral da União depois de submetido à apreciação de pelo menos uma autoridade hierarquicamente superior àquela que exarou a decisão impugnada, que deliberará no prazo de 5 dias. § 2º. Verificada a procedência das razões do recurso, a Controladoria-Geral da União determinará ao órgão ou entidade que adote as providências necessárias para dar cumprimento ao disposto nesta Lei. § 3º. Negado o acesso à informação pela Controladoria-Geral da União, poderá ser interposto recurso à Comissão Mista de Reavaliação de Informações, a que se refere o art. 35. 82 Art. 17 _ Recorrendo ao Ministro de Estado No caso de indeferimento de pedido de desclassificação de informação protocolado em órgão da administração pública federal, poderá o requerente RECORRER AO MINISTRO DE ESTADO da área, sem prejuízo das competências da Comissão Mista de Reavaliação de Informações, previstas no art. 35, e do disposto no art. 16. § 1º. O recurso previsto neste artigo somente poderá ser dirigido às autoridades mencionadas depois de submetido à apreciação de pelo menos uma autoridade hierarquicamente superior à autoridade que exarou a decisão impugnada e, no caso das Forças Armadas, ao respectivo Comando. § 2º. Indeferido o recurso previsto no caput que tenha como objeto a desclassificação de informação secreta ou ultrassecreta, caberá recurso à Comissão Mista de Reavaliação de Informações prevista no art. 35. Art. 18 _ Regulamentação própria dos Poderes Legislativ o e Judiciário e do Ministério Público Os procedimentos de revisão de decisões denegatórias proferidas no recurso previsto no art. 15 e de revisão de classificação de documentos sigilosos serão objeto de REGULAMENTAÇÃO PRÓPRIA DOS PODERES LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO E DO MINISTÉRIO PÚBLICO, em seus respectivos âmbitos, assegurado ao solicitante, em qualquer caso, o direito de ser informado sobre o andamento de seu pedido. Art. 19 (CAPUT VETADO) § 1º. (VETADO) § 2º. Os órgãos do Poder Judiciário e do Ministério Público informarão ao Conselho Nacional de Justiça e ao Conselho Nacional do Ministério Público, respectivamente, as decisões que, em grau de recurso, negarem acesso a informações de interesse público. Art. 20 Aplica-se subsidiariamente, no que couber, a Lei 9.784/99 (Processo Administrativo Federal) ao procedimento de que trata este Capítulo. Capítulo IV - Das Restrições de Acesso à Informação Seção I - Disposições Gerais Art. 21 _ Acesso à informação necessária à tutela judicial ou administrativa de direitos fundamentais Não poderá ser negado acesso à informação necessária à TUTELA JUDICIAL OU ADMINISTRATIVA DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. Parágrafo único. As informações ou documentos que versem sobre condutas que impliquem violação dos direitos humanos praticada por agentes públicos ou a mando de autoridades públicas não poderão ser objeto de restrição de acesso. Art. 22 O disposto nesta Lei não exclui as demais hipóteses legais de sigilo e de segredo de justiça nem as hipóteses de segredo industrial decorrentes da exploração direta de atividade econômica pelo Estado ou por pessoa física ou entidade privada que tenha qualquer vínculo com o poder público. Seção II - Da Classificação da Informação quanto ao Grau e Prazos de Sigilo Art. 23 _ Informações passív eis de classificação em grau de sigilo São consideradas IMPRESCINDÍVEIS À SEGURANÇA DA SOCIEDADE OU DO ESTADO e, portanto, PASSÍVEIS DE CLASSIFICAÇÃO as informações cuja divulgação ou acesso irrestrito possam: I. pôr em risco a defesa e a soberania nacionais ou a integridade do território nacional; 83 II. prejudicar ou pôr em risco a condução de negociações ou as relações internacionais do País, ou as que tenham sido fornecidas em caráter sigiloso por outros Estados e organismos internacionais; III. pôr em risco a vida, a segurança ou a saúde da população; IV. oferecer elevado risco à estabilidade financeira, econômica ou monetária do País; V. prejudicar ou causar risco a planos ou operações estratégicos das Forças Armadas; VI. prejudicar ou causar risco a projetos de pesquisa e desenvolvimento científico ou tecnológico, assim como a sistemas, bens, instalações ou áreas de interesse estratégico nacional; VII. pôr em risco a segurança de instituições ou de altas autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares; ou VIII. comprometeratividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações. Art. 24 _ Classificação da Informação quanto ao grau e prazos de sigilo A informação em poder dos órgãos e entidades públicas, observado o seu teor e em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou do Estado, poderá ser classificada como ultrassecreta, secreta ou reservada. § 1º. Os PRAZOS MÁXIMOS DE RESTRIÇÃO DE ACESSO À INFORMAÇÃO, conforme a classificação prevista no caput, vigoram a partir da data de sua produção e são os seguintes: I. ULTRASSECRETA: 25 anos; II. SECRETA: 15 anos; e III. RESERVADA: 5 anos. § 2º. As informações que puderem colocar em risco a segurança do Presidente e Vice- Presidente da República e respectivos cônjuges e filhos(as) serão classificadas como reservadas e ficarão sob sigilo até o término do mandato em exercício ou do último mandato, em caso de reeleição. § 3º. Alternativamente aos prazos previstos no § 1º, poderá ser estabelecida como termo final de restrição de acesso a ocorrência de DETERMINADO EVENTO, desde que este ocorra antes do transcurso do prazo máximo de classificação. § 4º. Transcorrido o prazo de classificação ou consumado o evento que defina o seu termo final, a informação tornar-se-á, automaticamente, de acesso público. § 5º. Para a classificação da informação em determinado grau de sigilo, deverá ser observado o interesse público da informação e utilizado o critério menos restritivo possível, considerados: I. a gravidade do risco ou dano à segurança da sociedade e do Estado; e II. o prazo máximo de restrição de acesso ou o evento que defina seu termo final. Seção III - Da Proteção e do Controle de Informações Sigilosas Art. 25 _ Proteção e controle de informações sigilosas É dever do Estado controlar o ACESSO E A DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES SIGILOSAS produzidas por seus órgãos e entidades, assegurando a sua proteção. § 1º. O acesso, a divulgação e o tratamento de informação classificada como sigilosa ficarão restritos a pessoas que tenham necessidade de conhecê-la e que sejam devidamente credenciadas na forma do regulamento, sem prejuízo das atribuições dos agentes públicos autorizados por lei. § 2º. O acesso à informação classificada como sigilosa cria a obrigação para aquele que a obteve de resguardar o sigilo. § 3º. Regulamento disporá sobre procedimentos e medidas a serem adotados para o tratamento de informação sigilosa, de modo a protegê-la contra perda, alteração indevida, acesso, transmissão e divulgação não autorizados. 84 Art. 26 As autoridades públicas adotarão as providências necessárias para que o pessoal a elas subordinado hierarquicamente conheça as normas e observe as medidas e procedimentos de segurança para tratamento de informações sigilosas. Parágrafo único. A pessoa física ou entidade privada que, em razão de qualquer vínculo com o poder público, executar atividades de tratamento de informações sigilosas adotará as providências necessárias para que seus empregados, prepostos ou representantes observem as medidas e procedimentos de segurança das informações resultantes da aplicação desta Lei. Seção IV - Dos Procedimentos de Classificação, Reclassificação e Desclassificação Art. 27 _ Competência para a classificação do sigilo no âmbito da administração pública federal A CLASSIFICAÇÃO DO SIGILO DE INFORMAÇÕES no âmbito da administração pública federal é de COMPETÊNCIA: I. no grau de ULTRASSECRETO, das seguintes autoridades: a. Presidente da República; b. Vice-Presidente da República; c. Ministros de Estado e autoridades com as mesmas prerrogativas; d. Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica; e e. Chefes de Missões Diplomáticas e Consulares permanentes no exterior; II. no grau de SECRETO, das autoridades referidas no inciso I, dos titulares de autarquias, fundações ou empresas públicas e sociedades de economia mista; e III. no grau de RESERVADO, das autoridades referidas nos incisos I e II e das que exerçam funções de direção, comando ou chefia, nível DAS 101.5, ou superior, do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores, ou de hierarquia equivalente, de acordo com regulamentação específica de cada órgão ou entidade, observado o disposto nesta Lei. § 1º. A competência prevista nos incisos I e II, no que se refere à classificação como ultrassecreta e secreta, poderá ser delegada pela autoridade responsável a agente público, inclusive em missão no exterior, vedada a subdelegação. § 2º. A classificação de informação no grau de sigilo ultrassecreto pelas autoridades previstas nas alíneas “d” e “e” do inciso I deverá ser ratificada pelos respectivos Ministros de Estado, no prazo previsto em regulamento. § 3º. A autoridade ou outro agente público que classificar informação como ultrassecreta deverá encaminhar a decisão de que trata o art. 28 à Comissão Mista de Reavaliação de Informações, a que se refere o art. 35, no prazo previsto em regulamento. Art. 28 A classificação de informação em qualquer grau de sigilo deverá ser formalizada em decisão que conterá, no mínimo, os seguintes elementos: I. assunto sobre o qual versa a informação; II. fundamento da classificação, observados os critérios estabelecidos no art. 24; III. indicação do prazo de sigilo, contado em anos, meses ou dias, ou do evento que defina o seu termo final, conforme limites previstos no art. 24; e IV. identificação da autoridade que a classificou. Parágrafo único. A decisão referida no caput será mantida no mesmo grau de sigilo da informação classificada. Art. 29 _ Reavaliação da classificação com v istas à sua desclassificação ou à redução do prazo de sigilo A CLASSIFICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SERÁ REAVALIADA pela autoridade classificadora ou por autoridade hierarquicamente superior, mediante provocação ou de ofício, nos termos e prazos previstos em regulamento, COM VISTAS À SUA DESCLASSIFICAÇÃO OU À REDUÇÃO DO PRAZO DE SIGILO, observado o disposto no art. 24. 85 § 1º. O regulamento a que se refere o caput deverá considerar as peculiaridades das informações produzidas no exterior por autoridades ou agentes públicos. § 2º. Na reavaliação a que se refere o caput, deverão ser examinadas a permanência dos motivos do sigilo e a possibilidade de danos decorrentes do acesso ou da divulgação da informação. § 3º. Na hipótese de redução do prazo de sigilo da informação, o novo prazo de restrição manterá como termo inicial a data da sua produção. Art. 30 A autoridade máxima de cada órgão ou entidade publicará, anualmente, em sítio à disposição na internet e destinado à veiculação de dados e informações administrativas, nos termos de regulamento: I. rol das informações que tenham sido desclassificadas nos últimos 12 meses; II. rol de documentos classificados em cada grau de sigilo, com identificação para referência futura; III. relatório estatístico contendo a quantidade de pedidos de informação recebidos, atendidos e indeferidos, bem como informações genéricas sobre os solicitantes. § 1º. Os órgãos e entidades deverão manter exemplar da publicação prevista no caput para consulta pública em suas sedes. § 2º. Os órgãos e entidades manterão extrato com a lista de informações classificadas, acompanhadas da data, do grau de sigilo e dos fundamentos da classificação. Seção V - Das Informações Pessoais Art. 31 _ Tratamento das informações pessoais O TRATAMENTO DAS INFORMAÇÕES PESSOAIS deve ser feito de forma transparente e com respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, bem como às liberdades e garantias individuais. § 1º. As informações pessoais, a que se refere este artigo, relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem: I. terão seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo máximo de 100 anos a contar da sua data de produção, a agentespúblicos legalmente autorizados e à pessoa a que elas se referirem; e II. poderão ter autorizada sua divulgação ou acesso por terceiros diante de previsão legal ou consentimento expresso da pessoa a que elas se referirem. § 2º. Aquele que obtiver acesso às informações de que trata este artigo será responsabilizado por seu uso indevido. § 3º. O consentimento referido no inciso II do § 1º não será exigido quando as informações forem necessárias: I. à prevenção e diagnóstico médico, quando a pessoa estiver física ou legalmente incapaz, e para utilização única e exclusivamente para o tratamento médico; II. à realização de estatísticas e pesquisas científicas de evidente interesse público ou geral, previstos em lei, sendo vedada a identificação da pessoa a que as informações se referirem; III. ao cumprimento de ordem judicial; IV. à defesa de direitos humanos; ou V. à proteção do interesse público e geral preponderante. § 4º. A restrição de acesso à informação relativa à vida privada, honra e imagem de pessoa não poderá ser invocada com o intuito de prejudicar processo de apuração de irregularidades em que o titular das informações estiver envolvido, bem como em ações voltadas para a recuperação de fatos históricos de maior relevância. § 5º. Regulamento disporá sobre os procedimentos para tratamento de informação pessoal. 86 Capítulo V - Das Responsabilidades Art. 32 _ Condutas ilícitas que ensejam responsabilidade do agente público ou militar Constituem CONDUTAS ILÍCITAS QUE ENSEJAM RESPONSABILIDADE do agente público ou militar: I. recusar-se a fornecer informação requerida nos termos desta Lei, retardar deliberadamente o seu fornecimento ou fornecê-la intencionalmente de forma incorreta, incompleta ou imprecisa; II. utilizar indevidamente, bem como subtrair, destruir, inutilizar, desfigurar, alterar ou ocultar, total ou parcialmente, informação que se encontre sob sua guarda ou a que tenha acesso ou conhecimento em razão do exercício das atribuições de cargo, emprego ou função pública; III. agir com dolo ou má-fé na análise das solicitações de acesso à informação; IV. divulgar ou permitir a divulgação ou acessar ou permitir acesso indevido à informação sigilosa ou informação pessoal; V. impor sigilo à informação para obter proveito pessoal ou de terceiro, ou para fins de ocultação de ato ilegal cometido por si ou por outrem; VI. ocultar da revisão de autoridade superior competente informação sigilosa para beneficiar a si ou a outrem, ou em prejuízo de terceiros; e VII. destruir ou subtrair, por qualquer meio, documentos concernentes a possíveis violações de direitos humanos por parte de agentes do Estado. § 1º. Atendido o princípio do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, as condutas descritas no caput serão consideradas: I. para fins dos regulamentos disciplinares das Forças Armadas, transgressões militares médias ou graves, segundo os critérios neles estabelecidos, desde que não tipificadas em lei como crime ou contravenção penal; ou II. para fins do disposto na Lei 8.112/1990, infrações administrativas, que deverão ser apenadas, no mínimo, com suspensão, segundo os critérios nela estabelecidos. § 2º. Pelas condutas descritas no caput, poderá o militar ou agente público responder, também, por improbidade administrativa, conforme o disposto nas Leis 1.079/1950 e 8.429/1992. Art. 33 _ S anções que pessoas físicas e entidades priv adas estão sujeitas A PESSOA FÍSICA ou ENTIDADE PRIVADA que detiver informações em virtude de vínculo de qualquer natureza com o poder público e deixar de observar o disposto nesta Lei estará sujeita às seguintes SANÇÕES: I. advertência; II. multa; III. rescisão do vínculo com o poder público; IV. suspensão temporária de participar em licitação e impedimento de contratar com a administração pública por prazo não superior a 2 anos; e V. declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a administração pública , até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a penalidade. § 1º. As sanções previstas nos incisos I, III e IV poderão ser aplicadas juntamente com a do inciso II, assegurado o direito de defesa do interessado, no respectivo processo, no prazo de 10 dias. § 2º. A reabilitação referida no inciso V será autorizada somente quando o interessado efetivar o ressarcimento ao órgão ou entidade dos prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com base no inciso IV. § 3º. A aplicação da sanção prevista no inciso V é de competência exclusiva da autoridade máxima do órgão ou entidade pública, facultada a defesa do interessado, no respectivo processo, no prazo de 10 dias da abertura de vista. 87 Art. 34 _ Apuração de responsabilidade pela div ulgação ou utilização indev ida de informações sigilosas ou pessoais Os órgãos e entidades públicas respondem diretamente pelos danos causados em decorrência da DIVULGAÇÃO NÃO AUTORIZADA OU UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE INFORMAÇÕES SIGILOSAS OU INFORMAÇÕES PESSOAIS, cabendo a apuração de responsabilidade funcional nos casos de dolo ou culpa, assegurado o respectivo direito de regresso. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se à pessoa física ou entidade privada que, em virtude de vínculo de qualquer natureza com órgãos ou entidades, tenha acesso a informação sigilosa ou pessoal e a submeta a tratamento indevido. Capítulo VI - Disposições Finais e Transitórias Art. 35 _ Comissão Mista de Reav aliação de Informações (CAPUT VETADO) § 1º. É instituída a COMISSÃO MISTA DE REAVALIAÇÃO DE INFORMAÇÕES, que decidirá, no âmbito da administração pública federal, sobre o tratamento e a classificação de informações sigilosas e terá competência para: I. requisitar da autoridade que classificar informação como ultrassecreta e secreta esclarecimento ou conteúdo, parcial ou integral da informação; II. rever a classificação de informações ultrassecretas ou secretas, de ofício ou mediante provocação de pessoa interessada, observado o disposto no art. 7º e demais dispositivos desta Lei; e III. prorrogar o prazo de sigilo de informação classificada como ultrassecreta, sempre por prazo determinado, enquanto o seu acesso ou divulgação puder ocasionar ameaça externa à soberania nacional ou à integridade do território nacional ou grave risco às relações internacionais do País, observado o prazo previsto no § 1º do art. 24. § 2º. O prazo referido no inciso III é limitado a uma única renovação. § 3º. A revisão de ofício a que se refere o inciso II do § 1º deverá ocorrer, no máximo, a cada 4 anos, após a reavaliação prevista no art. 39, quando se tratar de documentos ultrassecretos ou secretos. § 4º. A não deliberação sobre a revisão pela Comissão Mista de Reavaliação de Informações nos prazos previstos no § 3º implicará a desclassificação automática das informações. § 5º. Regulamento disporá sobre a composição, organização e funcionamento da Comissão Mista de Reavaliação de Informações, observado o mandato de 2 anos para seus integrantes e demais disposições desta Lei. Art. 36 O tratamento de informação sigilosa resultante de tratados, acordos ou atos internacionais atenderá às normas e recomendações constantes desses instrumentos. Art. 37 É instituído, no âmbito do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, o Núcleo de Segurança e Credenciamento (NSC), que tem por objetivos: I. promover e propor a regulamentação do credenciamento de segurança de pessoas físicas, empresas, órgãos e entidades para tratamento de informações sigilosas; e II. garantir a segurança de informações sigilosas, inclusive aquelas provenientes de países ou organizações internacionais com os quais a República Federativa do Brasil tenha firmado tratado, acordo, contrato ou qualquer outro ato internacional, sem prejuízo das atribuições do Ministério das Relações Exteriorese dos demais órgãos competentes. Parágrafo único. Regulamento disporá sobre a composição, organização e funcionamento do NSC. Art. 38 Aplica-se, no que couber, a Lei 9.507/1997, em relação à informação de pessoa, física ou jurídica, constante de registro ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público. 88 A Lei 9.507/1997 regula o direito de acesso a informações e disciplina o rito processual do habeas data. Art. 39 Os órgãos e entidades públicas deverão proceder à reavaliação das informações classificadas como ultrassecretas e secretas no prazo máximo de 2 anos, contado do termo inicial de vigência desta Lei. § 1º. A restrição de acesso a informações, em razão da reavaliação prevista no caput, deverá observar os prazos e condições previstos nesta Lei. § 2º. No âmbito da administração pública federal, a reavaliação prevista no caput poderá ser revista, a qualquer tempo, pela Comissão Mista de Reavaliação de Informações, observados os termos desta Lei. § 3º. Enquanto não transcorrido o prazo de reavaliação previsto no caput, será mantida a classificação da informação nos termos da legislação precedente. § 4º. As informações classificadas como secretas e ultrassecretas não reavaliadas no prazo previsto no caput serão consideradas, automaticamente, de acesso público. Art. 40 No prazo de 60 dias, a contar da vigência desta Lei, o dirigente máximo de cada órgão ou entidade da administração pública federal direta e indireta designará autoridade que lhe seja diretamente subordinada para, no âmbito do respectivo órgão ou entidade, exercer as seguintes atribuições: I. assegurar o cumprimento das normas relativas ao acesso a informação, de forma eficiente e adequada aos objetivos desta Lei; II. monitorar a implementação do disposto nesta Lei e apresentar relatórios periódicos sobre o seu cumprimento; III. recomendar as medidas indispensáveis à implementação e ao aperfeiçoamento das normas e procedimentos necessários ao correto cumprimento do disposto nesta Lei; e IV. orientar as respectivas unidades no que se refere ao cumprimento do disposto nesta Lei e seus regulamentos. Art. 41 O Poder Executivo Federal designará órgão da administração pública federal responsável: I. pela promoção de campanha de abrangência nacional de fomento à cultura da transparência na administração pública e conscientização do direito fundamental de acesso à informação; II. pelo treinamento de agentes públicos no que se refere ao desenvolvimento de práticas relacionadas à transparência na administração pública; III. pelo monitoramento da aplicação da lei no âmbito da administração pública federal, concentrando e consolidando a publicação de informações estatísticas relacionadas no art. 30; IV. pelo encaminhamento ao Congresso Nacional de relatório anual com informações atinentes à implementação desta Lei. Art. 42 O Poder Executivo regulamentará o disposto nesta Lei no prazo de 180 dias a contar da data de sua publicação. Art. 43 O inciso VI do art. 116 da Lei 8.112/1990 passa a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 44 O Capítulo IV do Título IV da Lei 8.112/90 passa a vigorar acrescido do seguinte art. 126-A: (...) 89 Art. 45 Cabe aos Estados, ao DF e aos Municípios, em legislação própria, obedecidas as normas gerais estabelecidas nesta Lei, definir regras específicas, especialmente quanto ao disposto no art. 9º e na Seção II do Capítulo III. Art. 46 Revogam-se: I. a Lei 11.111/2005; e II. os arts. 22 a 24 da Lei 8.159/1991. Art. 47 Esta Lei entra em vigor 180 dias após a data de sua publicação. 90 LEI 12.846/13 - Lei Anticorrupção Dispõe sobre a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira, e dá outras providências. Redação original. 91 Capítulo I - Disposições Gerais Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a RESPONSABILIZAÇÃO OBJETIVA ADMINISTRATIVA E CIVIL de PESSOAS JURÍDICAS pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira. Veja também os arts. 40 e s. do Código Civil (Pessoas jurídicas). Parágrafo único. APLICA-SE o disposto nesta Lei às sociedades empresárias e às sociedades simples, personificadas ou não, independentemente da forma de organização ou modelo societário adotado, bem como a quaisquer fundações, associações de entidades ou pessoas, ou sociedades estrangeiras, que tenham sede, filial ou representação no território brasileiro, constituídas de fato ou de direito, ainda que temporariamente. Veja também os arts. 981 e s. do Código Civil (Das várias espécies de sociedades). Art. 2º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas objetivamente, nos âmbitos administrativo e civil, pelos atos lesivos previstos nesta Lei praticados em seu interesse ou benefício, exclusivo ou não. Art. 3º A responsabilização da pessoa jurídica não exclui a responsabilidade individual de seus dirigentes ou administradores ou de qualquer pessoa natural, autora, coautora ou partícipe do ato ilícito. § 1º. A pessoa jurídica será responsabilizada INDEPENDENTEMENTE da responsabilização individual das pessoas naturais referidas no caput. § 2º. Os dirigentes ou administradores somente serão responsabilizados por atos ilícitos na medida da sua culpabilidade. Art. 4º SUBSISTE A RESPONSABILIDADE DA PESSOA JURÍDICA na hipótese de alteração contratual, transformação, incorporação, fusão ou cisão societária. Veja também os arts. 1.113 e s. do Código Civil (Transformação, incorporação, fusão ou cisão societária). § 1º. Nas hipóteses de fusão e incorporação, a responsabilidade da sucessora será restrita à obrigação de pagamento de multa e reparação integral do dano causado, até o limite do patrimônio transferido, não lhe sendo aplicáveis as demais sanções previstas nesta Lei decorrentes de atos e fatos ocorridos antes da data da fusão ou incorporação, exceto no caso de simulação ou evidente intuito de fraude, devidamente comprovados. § 2º. As sociedades controladoras, controladas, coligadas ou, no âmbito do respectivo contrato, as consorciadas serão solidariamente responsáveis pela prática dos atos previstos nesta Lei, restringindo-se tal responsabilidade à obrigação de pagamento de multa e reparação integral do dano causado. Capítulo II - Dos Atos Lesivos à Administração Pública Nacional ou Estrangeira Art. 5º Constituem ATOS LESIVOS à administração pública, nacional ou estrangeira, para os fins desta Lei, todos aqueles praticados pelas pessoas jurídicas mencionadas no parágrafo único do art. 1º, que atentem contra o patrimônio público nacional ou estrangeiro, contra princípios da administração pública ou contra os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, assim definidos: I. prometer, oferecer ou dar, direta ou indiretamente, vantagem indevida a agente público, ou a terceira pessoa a ele relacionada; 92 II. comprovadamente, financiar, custear, patrocinar ou de qualquer modo subvencionar a prática dos atos ilícitos previstos nesta Lei; III. comprovadamente, utilizar-se de interposta pessoa física ou jurídica para ocultar ou dissimular seus reais interesses ou a identidade dos beneficiários dos atos praticados; IV. no tocante a licitações e contratos: a. frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer outro expediente, o caráter competitivo de procedimento licitatório público; b. impedir, perturbar ou fraudar a realização de qualquer ato de procedimento licitatório público; c. afastar ou procurar afastar licitante, por meio de fraude ou oferecimento de vantagem de qualquer tipo; d. fraudar licitação pública ou contrato dela decorrente; e. criar, de modo fraudulento ou irregular, pessoa jurídica para participar de licitação pública ou celebrar contrato administrativo; f. obter vantagem ou benefício indevido, de modo fraudulento, de modificaçõesou prorrogações de contratos celebrados com a administração pública, sem autorização em lei, no ato convocatório da licitação pública ou nos respectivos instrumentos contratuais; ou g. manipular ou fraudar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos celebrados com a administração pública; V. dificultar atividade de investigação ou fiscalização de órgãos, entidades ou agentes públicos, ou intervir em sua atuação, inclusive no âmbito das agências reguladoras e dos órgãos de fiscalização do sistema financeiro nacional. § 1º. Considera-se ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ESTRANGEIRA os órgãos e entidades estatais ou representações diplomáticas de país estrangeiro, de qualquer nível ou esfera de governo, bem como as pessoas jurídicas controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público de país estrangeiro. § 2º. Para os efeitos desta Lei, equiparam-se à administração pública estrangeira as organizações públicas internacionais. § 3º. Considera-se agente público estrangeiro, para os fins desta Lei, quem, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, exerça cargo, emprego ou função pública em órgãos, entidades estatais ou em representações diplomáticas de país estrangeiro, assim como em pessoas jurídicas controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público de país estrangeiro ou em organizações públicas internacionais. Capítulo III - Da Responsabilização Administrativa Art. 6º Na ESFERA ADMINISTRATIVA, serão aplicadas às pessoas jurídicas consideradas responsáveis pelos atos lesivos previstos nesta Lei as seguintes SANÇÕES: I. multa, no valor de 0,1% a 20% do faturamento bruto do último exercício anterior ao da instauração do processo administrativo, excluídos os tributos, a qual nunca será inferior à vantagem auferida, quando for possível sua estimação; e II. publicação extraordinária da decisão condenatória . § 1º. As sanções serão aplicadas fundamentadamente, isolada ou cumulativamente, de acordo com as peculiaridades do caso concreto e com a gravidade e natureza das infrações. § 2º. A aplicação das sanções previstas neste artigo será precedida da manifestação jurídica elaborada pela Advocacia Pública ou pelo órgão de assistência jurídica, ou equivalente, do ente público. § 3º. A aplicação das sanções previstas neste artigo não exclui, em qualquer hipótese, a OBRIGAÇÃO DA REPARAÇÃO INTEGRAL DO DANO CAUSADO. § 4º. Na hipótese do inciso I do caput, caso não seja possível utilizar o critério do valor do faturamento bruto da pessoa jurídica, a multa será de R$ 6 mil a R$ 60 milhões. 93 § 5º. A publicação extraordinária da decisão condenatória ocorrerá na forma de extrato de sentença, a expensas da pessoa jurídica, em meios de comunicação de grande circulação na área da prática da infração e de atuação da pessoa jurídica ou, na sua falta, em publicação de circulação nacional, bem como por meio de afixação de edital, pelo prazo mínimo de 30 dias, no próprio estabelecimento ou no local de exercício da atividade, de modo visível ao público, e no sítio eletrônico na rede mundial de computadores. § 6º. (VETADO) Art. 7º Serão LEVADOS EM CONSIDERAÇÃO NA APLICAÇÃO DAS SANÇÕES: I. a gravidade da infração; II. a vantagem auferida ou pretendida pelo infrator; III. a consumação ou não da infração; IV. o grau de lesão ou perigo de lesão; V. o efeito negativo produzido pela infração; VI. a situação econômica do infrator; VII. a cooperação da pessoa jurídica para a apuração das infrações; VIII. a existência de mecanismos e procedimentos internos de integridade, auditoria e incentivo à denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica; IX. o valor dos contratos mantidos pela pessoa jurídica com o órgão ou entidade pública lesados; e X. (VETADO) Parágrafo único. Os parâmetros de avaliação de mecanismos e procedimentos previstos no inciso VIII do caput serão estabelecidos em regulamento do Poder Executivo federal. Capítulo IV - Do Processo Administrativo De Responsabilização Art. 8º A INSTAURAÇÃO E O JULGAMENTO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO para apuração da responsabilidade de pessoa jurídica cabem à autoridade máxima de cada órgão ou entidade dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, que agirá DE OFÍCIO OU MEDIANTE PROVOCAÇÃO, observados o contraditório e a ampla defesa. § 1º. A competência para a instauração e o julgamento do processo administrativo de apuração de responsabilidade da pessoa jurídica PODERÁ SER DELEGADA, VEDADA A SUBDELEGAÇÃO. § 2º. No âmbito do Poder Executivo federal, a CGU terá competência concorrente para instaurar processos administrativos de responsabilização de pessoas jurídicas ou para avocar os processos instaurados com fundamento nesta Lei, para exame de sua regularidade ou para corrigir-lhes o andamento. Art. 9º Competem à CGU a apuração, o processo e o julgamento dos atos ilícitos previstos nesta Lei, praticados contra a administração pública estrangeira, observado o disposto no Artigo 4 da Convenção sobre o Combate da Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionais, promulgada pelo Decreto 3.678/00. Art. 10 O processo administrativo para apuração da responsabilidade de pessoa jurídica será conduzido por COMISSÃO designada pela autoridade instauradora e composta por 2 ou mais servidores estáveis. § 1º. O ente público, por meio do seu órgão de representação judicial, ou equivalente, a pedido da comissão a que se refere o caput, poderá requerer as medidas judiciais necessárias para a investigação e o processamento das infrações, inclusive de busca e apreensão. 94 § 2º. A comissão poderá, cautelarmente, propor à autoridade instauradora que suspenda os efeitos do ato ou processo objeto da investigação. § 3º. A comissão deverá concluir o processo no prazo de 180 dias contados da data da publicação do ato que a instituir e, ao final, apresentar relatórios sobre os fatos apurados e eventual responsabilidade da pessoa jurídica, sugerindo de forma motivada as sanções a serem aplicadas. § 4º. O prazo previsto no § 3º poderá ser prorrogado, mediante ato fundamentado da autoridade instauradora. Art. 11 No processo administrativo para apuração de responsabilidade, será concedido à pessoa jurídica prazo de 30 dias para defesa, contados a partir da intimação. Art. 12 O processo administrativo, com o relatório da comissão, será remetido à autoridade instauradora, na forma do art. 10, para julgamento. Art. 13 A instauração de processo administrativo ESPECÍFICO DE REPARAÇÃO INTEGRAL do dano não prejudica a aplicação imediata das sanções estabelecidas nesta Lei. Parágrafo único. Concluído o processo e não havendo pagamento, o crédito apurado será inscrito em dívida ativa da fazenda pública. Art. 14 A PERSONALIDADE JURÍDICA PODERÁ SER DESCONSIDERADA sempre que utilizada com abuso do direito para facilitar, encobrir ou dissimular a prática dos atos ilícitos previstos nesta Lei ou para provocar confusão patrimonial, sendo estendidos todos os efeitos das sanções aplicadas à pessoa jurídica aos seus administradores e sócios com poderes de administração, observados o contraditório e a ampla defesa. Veja também os arts. 28 do CDC e 50 do Código Civil (Desconsideração da personalidade jurídica). Art. 15 A comissão designada para apuração da responsabilidade de pessoa jurídica, após a conclusão do procedimento administrativo, dará conhecimento ao Ministério Público de sua existência, para apuração de eventuais delitos. Capítulo V - Do Acordo de Leniência Art. 16 A autoridade máxima de cada órgão ou entidade pública poderá celebrar ACORDO DE LENIÊNCIA com as pessoas jurídicas responsáveis pela prática dos atos previstos nesta Lei que colaborem efetivamente com as investigações e o processo administrativo, sendo que dessa colaboração resulte: I. a identificação dos demais envolvidos na infração, quando couber; e II. a obtençãocélere de informações e documentos que comprovem o ilícito sob apuração. § 1º. O acordo de que trata o caput somente poderá ser celebrado se preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos: I. a pessoa jurídica seja a primeira a se manifestar sobre seu interesse em cooperar para a apuração do ato ilícito; II. a pessoa jurídica cesse completamente seu envolvimento na infração investigada a partir da data de propositura do acordo; III. a pessoa jurídica admita sua participação no ilícito e coopere plena e permanentemente com as investigações e o processo administrativo, comparecendo, sob suas expensas, sempre que solicitada, a todos os atos processuais, até seu encerramento. 95 § 2º. A celebração do acordo de leniência ISENTARÁ A PESSOA JURÍDICA das sanções previstas no inciso II do art. 6º (publicação extraordinária da decisão condenatória) e no inciso IV do art. 19 (proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções) E REDUZIRÁ em até 2/3 o valor da multa aplicável. § 3º. O acordo de leniência NÃO EXIME a pessoa jurídica da OBRIGAÇÃO DE REPARAR INTEGRALMENTE O DANO CAUSADO. § 4º. O acordo de leniência estipulará as condições necessárias para assegurar a efetividade da colaboração e o resultado útil do processo. § 5º. Os efeitos do acordo de leniência serão estendidos às pessoas jurídicas que integram o mesmo grupo econômico, de fato e de direito, desde que firmem o acordo em conjunto, respeitadas as condições nele estabelecidas. § 6º. A proposta de acordo de leniência somente se tornará pública após a efetivação do respectivo acordo, salvo no interesse das investigações e do processo administrativo. § 7º. Não importará em reconhecimento da prática do ato ilícito investigado a proposta de acordo de leniência rejeitada. § 8º. Em caso de DESCUMPRIMENTO DO ACORDO DE LENIÊNCIA, a pessoa jurídica ficará impedida de celebrar novo acordo pelo prazo de 3 anos contados do conhecimento pela administração pública do referido descumprimento. § 9º. A celebração do acordo de leniência INTERROMPE O PRAZO PRESCRICIONAL dos atos ilícitos previstos nesta Lei. § 10. A CGU é o órgão competente para celebrar os acordos de leniência no âmbito do Poder Executivo federal, bem como no caso de atos lesivos praticados contra a administração pública estrangeira. A Portaria Conjunta 4/2019, da CGU, define os procedimentos para negociação, celebração e acompanhamento dos acordos de leniência de que trata este parágrafo. Art. 17 A administração pública poderá também celebrar acordo de leniência com a pessoa jurídica responsável pela prática de ilícitos previstos na Lei 8.666/93 , com vistas à isenção ou atenuação das sanções administrativas estabelecidas em seus arts. 86 a 88. Os artigos citados estabelecem, para os casos de inexecução total ou parcial do contrato, sanções administrativas, como multa, advertência, suspensão temporária de participação em outras licitações e declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública. Capítulo VI - Da Responsabilização Judicial Art. 18 Na esfera administrativa, a responsabilidade da pessoa jurídica não afasta a possibilidade de sua responsabilização na esfera judicial. Art. 19 Em razão da prática de atos previstos no art. 5º desta Lei, a União, os Estados, o DF e os Municípios, por meio das respectivas Advocacias Públicas ou órgãos de representação judicial, ou equivalentes, e o Ministério Público, poderão ajuizar ação com vistas à aplicação das seguintes SANÇÕES às pessoas jurídicas infratoras: I. perdimento dos bens, direitos ou valores que representem vantagem ou proveito direta ou indiretamente obtidos da infração, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé; II. suspensão ou interdição parcial de suas atividades; III. dissolução compulsória da pessoa jurídica; IV. proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções, doações ou empréstimos de órgãos ou entidades públicas e de instituições financeiras públicas ou controladas pelo poder público, pelo prazo mínimo de 1 e máximo de 5 anos. § 1º. A DISSOLUÇÃO COMPULSÓRIA da pessoa jurídica será determinada quando comprovado: 96 I. ter sido a personalidade jurídica utilizada de forma habitual para facilitar ou promover a prática de atos ilícitos; ou II. ter sido constituída para ocultar ou dissimular interesses ilícitos ou a identidade dos beneficiários dos atos praticados. § 2º. (VETADO) § 3º. As sanções poderão ser aplicadas de forma isolada ou cumulativa. § 4º. O Ministério Público ou a Advocacia Pública ou órgão de representação judicial, ou equivalente, do ente público poderá requerer a indisponibilidade de bens, direitos ou valores necessários à garantia do pagamento da multa ou da reparação integral do dano causado, conforme previsto no art. 7º , ressalvado o direito do terceiro de boa-fé. Art. 20 Nas ações ajuizadas pelo Ministério Público, poderão ser aplicadas as sanções previstas no art. 6º, sem prejuízo daquelas previstas neste Capítulo, desde que constatada a omissão das autoridades competentes para promover a responsabilização administrativa. Art. 21 Nas AÇÕES DE RESPONSABILIZAÇÃO JUDICIAL, será adotado o rito previsto na Lei 7.347/85 (ação civil pública). Parágrafo único. A CONDENAÇÃO TORNA CERTA A OBRIGAÇÃO DE REPARAR , INTEGRALMENTE, O DANO CAUSADO PELO ILÍCITO, cujo valor será apurado em posterior liquidação, se não constar expressamente da sentença. Capítulo VII - Disposições Finais Art. 22 Fica criado no âmbito do Poder Executivo federal o Cadastro Nacional de Empresas Punidas - CNEP, que reunirá e dará publicidade às sanções aplicadas pelos órgãos ou entidades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de todas as esferas de governo com base nesta Lei. § 1º. Os órgãos e entidades referidos no caput deverão informar e manter atualizados, no Cnep, os dados relativos às sanções por eles aplicadas. § 2º. O Cnep conterá, entre outras, as seguintes informações acerca das sanções aplicadas: I. razão social e número de inscrição da pessoa jurídica ou entidade no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ; II. tipo de sanção; e III. data de aplicação e data final da vigência do efeito limitador ou impeditivo da sanção, quando for o caso. § 3º. As autoridades competentes, para celebrarem acordos de leniência previstos nesta Lei, também deverão prestar e manter atualizadas no Cnep, após a efetivação do respectivo acordo, as informações acerca do acordo de leniência celebrado, salvo se esse procedimento vier a causar prejuízo às investigações e ao processo administrativo. § 4º. Caso a pessoa jurídica não cumpra os termos do acordo de leniência, além das informações previstas no § 3º , deverá ser incluída no Cnep referência ao respectivo descumprimento. § 5º. Os registros das sanções e acordos de leniência serão excluídos depois de decorrido o prazo previamente estabelecido no ato sancionador ou do cumprimento integral do acordo de leniência e da reparação do eventual dano causado, mediante solicitação do órgão ou entidade sancionadora. Art. 23 Os órgãos ou entidades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de todas as esferas de governo deverão informar e manter atualizados, para fins de publicidade, no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas - CEIS, de caráter público, instituído no âmbito do Poder Executivo federal, os dados relativos às sanções por eles aplicadas, nos termos do disposto nos arts. 87 e 88 da Lei 8.666/93. Ver comentário ao art. 17. 97 Art. 24 A multa e o perdimento de bens, direitos ou valores aplicados com fundamento nesta Lei serão destinados preferencialmente aos órgãos ou entidades públicas lesadas . Art. 25 PRESCREVEM em 5 anos as infrações previstas nesta Lei, contados da data da ciência da infração ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. Parágrafo único. Na esfera administrativa ou judicial, aprescrição será interrompida com a instauração de processo que tenha por objeto a apuração da infração. Art. 26 A pessoa jurídica será representada no processo administrativo na forma do seu estatuto ou contrato social. § 1º. As sociedades sem personalidade jurídica serão representadas pela pessoa a quem couber a administração de seus bens. § 2º. A pessoa jurídica estrangeira será representada pelo gerente, representante ou administrador de sua filial, agência ou sucursal aberta ou instalada no Brasil. Art. 27 A autoridade competente que, tendo conhecimento das infrações previstas nesta Lei, não adotar providências para a apuração dos fatos será responsabilizada penal, civil e administrativamente nos termos da legislação específica aplicável. Art. 28 Esta Lei APLICA-SE aos atos lesivos praticados por PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ESTRANGEIRA, ainda que cometidos no exterior. Art. 29 O disposto nesta Lei não exclui as competências do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, do Ministério da Justiça e do Ministério da Fazenda para processar e julgar fato que constitua infração à ordem econômica. Art. 30 A aplicação das sanções previstas nesta Lei não afeta os processos de responsabilização e aplicação de penalidades decorrentes de: I. ato de improbidade administrativa nos termos da Lei 8.429/92; e II. atos ilícitos alcançados pela Lei 8.666/93 ou outras normas de licitações e contratos da administração pública, inclusive no tocante ao Regime Diferenciado de Contratações Públicas - RDC instituído pela Lei 12.462/11. Art. 31 Esta Lei entra em vigor 180 dias após a data de sua publicação. 98 LEI 10.257/01 - Estatuto da Cidade Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Atualizado até a Lei 14.489/22. 99 Capítulo I - Diretrizes Gerais Art. 1º Na execução da política urbana, de que tratam os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, será aplicado o previsto nesta Lei. Parágrafo único. Para todos os efeitos, esta Lei, denominada ESTATUTO DA CIDADE, estabelece normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental. Art. 2º A POLÍTICA URBANA tem por OBJETIVO ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, mediante as seguintes DIRETRIZES GERAIS: I. garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gerações; II. gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano; III. cooperação entre os governos, a iniciativa privada e os demais setores da sociedade no processo de urbanização, em atendimento ao interesse social; IV. planejamento do desenvolvimento das cidades, da distribuição espacial da população e das atividades econômicas do Município e do território sob sua área de influência, de modo a evitar e corrigir as distorções do crescimento urbano e seus efeitos negativos sobre o meio ambiente; V. oferta de equipamentos urbanos e comunitários, transporte e serviços públicos adequados aos interesses e necessidades da população e às características locais; VI. ordenação e controle do uso do solo, de forma a evitar: a. a utilização inadequada dos imóveis urbanos; b. a proximidade de usos incompatíveis ou inconvenientes; c. o parcelamento do solo, a edificação ou o uso excessivos ou inadequados em relação à infra-estrutura urbana; d. a instalação de empreendimentos ou atividades que possam funcionar como pólos geradores de tráfego, sem a previsão da infra-estrutura correspondente; e. a retenção especulativa de imóvel urbano, que resulte na sua subutilização ou não utilização; f. a deterioração das áreas urbanizadas; g. a poluição e a degradação ambiental; h. a exposição da população a riscos de desastres. (Lei 12.608/12) VII. integração e complementaridade entre as atividades urbanas e rurais, tendo em vista o desenvolvimento socioeconômico do Município e do território sob sua área de influência; VIII. adoção de padrões de produção e consumo de bens e serviços e de expansão urbana compatíveis com os limites da sustentabilidade ambiental, social e econômica do Município e do território sob sua área de influência; IX. justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do processo de urbanização ; X. adequação dos instrumentos de política econômica, tributária e financeira e dos gastos públicos aos objetivos do desenvolvimento urbano, de modo a privilegiar os investimentos geradores de bem-estar geral e a fruição dos bens pelos diferentes segmentos sociais; XI. recuperação dos investimentos do Poder Público de que tenha resultado a valorização de imóveis urbanos; XII. proteção, preservação e recuperação do meio ambiente natural e construído, do patrimônio cultural, histórico, artístico, paisagístico e arqueológico; XIII. audiência do Poder Público municipal e da população interessada nos processos de implantação de empreendimentos ou atividades com efeitos potencialmente negativos sobre o meio ambiente natural ou construído, o conforto ou a segurança da população; 100 XIV. regularização fundiária e urbanização de áreas ocupadas por população de baixa renda mediante o estabelecimento de normas especiais de urbanização, uso e ocupação do solo e edificação, consideradas a situação socioeconômica da população e as normas ambientais; XV. simplificação da legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo e das normas edilícias, com vistas a permitir a redução dos custos e o aumento da oferta dos lotes e unidades habitacionais; XVI. isonomia de condições para os agentes públicos e privados na promoção de empreendimentos e atividades relativos ao processo de urbanização, atendido o interesse social. XVII. estímulo à utilização, nos parcelamentos do solo e nas edificações urbanas, de sistemas operacionais, padrões construtivos e aportes tecnológicos que objetivem a redução de impactos ambientais e a economia de recursos naturais. (Lei 12.836/13) XVIII. tratamento prioritário às obras e edificações de infraestrutura de energia, telecomunicações, abastecimento de água e saneamento. (Lei 13.116/15) XIX. garantia de condições condignas de acessibilidade, utilização e conforto nas dependências internas das edificações urbanas, inclusive nas destinadas à moradia e ao serviço dos trabalhadores domésticos, observados requisitos mínimos de dimensionamento, ventilação, iluminação, ergonomia, privacidade e qualidade dos materiais empregados. (Lei 13.699/18) XX. promoção de conforto, abrigo, descanso, bem-estar e acessibilidade na fruição dos espaços livres de uso público, de seu mobiliário e de suas interfaces com os espaços de uso privado, vedado o emprego de materiais, estruturas, equipamentos e técnicas construtivas hostis que tenham como objetivo ou resultado o afastamento de pessoas em situação de rua, idosos, jovens e outros segmentos da população. (Lei 14.489/22) PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DA CIDADE X PROPRIEDADE URBANA * PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DA CIDADE Pretende atender as necessidades da sociedade por meio de ações estabelecidas no plano diretor, regulando utilização de áreas públicas, questões de moradia e sanitárias, de meio ambiente artificial sadio. A função social da cidade é considerada um direito difuso. FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE URBANA Importa na vinculação da propriedade urbana com as diretrizes da política urbana, possuindo o plano diretor como ponto departida para desenvolver as políticas dos municípios, estabelecendo parâmetros em que a propriedade urbana irá cumprir sua função social. * Conforme ensinam Ronaldo Vieira Francisco e Fábio Goldfinger. Art. 3º Compete à UNIÃO, entre outras atribuições de interesse da política urbana: I. legislar sobre normas gerais de direito urbanístico; II. legislar sobre normas para a cooperação entre a União, os Estados, o DF e os Municípios em relação à política urbana, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional; III. promover, por iniciativa própria e em conjunto com os Estados, o DF e os Municípios, programas de construção de moradias e melhoria das condições habitacionais, de saneamento básico, das calçadas, dos passeios públicos, do mobiliário urbano e dos demais espaços de uso público; (Lei 13.146/15) IV. instituir diretrizes para desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico, transporte e mobilidade urbana, que incluam regras de acessibilidade aos locais de uso público; (Lei 13.146/15) V. elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social. 101 Capítulo II - Dos Instrumentos da Política Urbana Seção I - Dos instrumentos em geral Art. 4º Para os fins desta Lei, serão utilizados, entre outros INSTRUMENTOS: I. planos nacionais, regionais e estaduais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social; II. planejamento das regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões; III. planejamento municipal, em especial: a. plano diretor; b. disciplina do parcelamento, do uso e da ocupação do solo; c. zoneamento ambiental; d. plano plurianual; e. diretrizes orçamentárias e orçamento anual; f. gestão orçamentária participativa; g. planos, programas e projetos setoriais; h. planos de desenvolvimento econômico e social; IV. institutos tributários e financeiros: a. imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana - IPTU; b. contribuição de melhoria; c. incentivos e benefícios fiscais e financeiros; V. institutos jurídicos e políticos: a. desapropriação; b. servidão administrativa; c. limitações administrativas; d. tombamento de imóveis ou de mobiliário urbano; e. instituição de unidades de conservação; f. instituição de zonas especiais de interesse social; g. concessão de direito real de uso; h. concessão de uso especial para fins de moradia; i. parcelamento, edificação ou utilização compulsórios; j. usucapião especial de imóvel urbano; l. direito de superfície; m. direito de preempção; n. outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso; o. transferência do direito de construir; p. operações urbanas consorciadas; q. regularização fundiária; r. assistência técnica e jurídica gratuita para as comunidades e grupos sociais menos favorecidos; s. referendo popular e plebiscito; t. demarcação urbanística para fins de regularização fundiária; (Lei 11.977/09) u. legitimação de posse. (Lei 11.977/09) VI. estudo prévio de impacto ambiental (EIA) e estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV). § 1º. Os instrumentos mencionados neste artigo regem-se pela legislação que lhes é própria, observado o disposto nesta Lei. 102 § 2º. Nos casos de programas e projetos habitacionais de interesse social, desenvolvidos por órgãos ou entidades da Administração Pública com atuação específica nessa área, a CONCESSÃO DE DIREITO REAL DE USO de imóveis públicos poderá ser contratada coletivamente. § 3º. Os instrumentos previstos neste artigo que demandam dispêndio de recursos por parte do Poder Público municipal devem ser objeto de controle social, garantida a participação de comunidades, movimentos e entidades da sociedade civil. Seção II - Do parcelamento, edificação ou utilização compulsórios Art. 5º LEI MUNICIPAL ESPECÍFICA para área incluída no plano diretor poderá determinar o parcelamento, a edificação ou a utilização compulsórios do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, devendo fixar as condições e os prazos para implementação da referida obrigação. § 1º. Considera-se subutilizado o imóvel: I. cujo aproveitamento seja inferior ao mínimo definido no plano diretor ou em legislação dele decorrente; II. (VETADO) § 2º. O proprietário será notificado pelo Poder Executivo municipal para o cumprimento da obrigação, devendo a notificação ser averbada no cartório de registro de imóveis. § 3º. A notificação far-se-á: I. por funcionário do órgão competente do Poder Público municipal, ao proprietário do imóvel ou, no caso de este ser pessoa jurídica, a quem tenha poderes de gerência geral ou administração; II. por edital quando frustrada, por 3 vezes, a tentativa de notificação na forma prevista pelo inciso I. § 4º. Os prazos a que se refere o caput não poderão ser inferiores a: I. 1 ano, a partir da notificação, para que seja protocolado o projeto no órgão municipal competente; II. 2 anos, a partir da aprovação do projeto, para iniciar as obras do empreendimento. § 5º. Em empreendimentos de grande porte, em caráter excepcional, a lei municipal específica a que se refere o caput poderá prever a conclusão em etapas, assegurando-se que o projeto aprovado compreenda o empreendimento como um todo. Art. 6º A transmissão do imóvel, por ato inter vivos ou causa mortis, posterior à data da notificação, transfere as obrigações de parcelamento, edificação ou utilização previstas no art. 5º desta Lei, sem interrupção de quaisquer prazos. Seção III - Do IPTU progressivo no tempo Art. 7º Em caso de descumprimento das condições e dos prazos previstos na forma do caput do art. 5º desta Lei, ou não sendo cumpridas as etapas previstas no § 5º do art. 5º desta Lei, o Município procederá à aplicação do IPTU progressivo no tempo, mediante a majoração da alíquota pelo prazo de 5 anos consecutivos. § 1º. O valor da alíquota a ser aplicado a cada ano será fixado na lei específica a que se refere o caput do art. 5º desta Lei e não excederá a 2 vezes o valor referente ao ano anterior, respeitada a alíquota máxima de 15%. § 2º. Caso a obrigação de parcelar, edificar ou utilizar não esteja atendida em 5 anos, o Município manterá a cobrança pela alíquota máxima, até que se cumpra a referida obrigação, garantida a prerrogativa prevista no art. 8º. § 3º. É vedada a concessão de isenções ou de anistia relativas à tributação progressiva de que trata este artigo. 103 IPTU PROGRESSIVO NO TEMPO › 5 anos. › Alíquota máxima: 15%. › Não cumprida a obrigação nos 5 anos, o Município manterá a cobrança pela alíquota máxima, até que se cumpra a referida obrigação. › Vedada a concessão de isenções ou de anistia. Seção IV - Da desapropriação com pagamento em títulos Art. 8º Decorridos 5 anos de cobrança do IPTU progressivo sem que o proprietário tenha cumprido a obrigação de parcelamento, edificação ou utilização, o Município poderá proceder à desapropriação do imóvel, com pagamento em títulos da dívida pública. § 1º. Os títulos da dívida pública terão prévia aprovação pelo Senado Federal e serão resgatados no prazo de até 10 anos, em prestações anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais de 6% ao ano. § 2º. O valor real da indenização: I. refletirá o valor da base de cálculo do IPTU, descontado o montante incorporado em função de obras realizadas pelo Poder Público na área onde o mesmo se localiza após a notificação de que trata o § 2º do art. 5º desta Lei; II. não computará expectativas de ganhos, lucros cessantes e juros compensatórios. § 3º. Os títulos de que trata este artigo não terão poder liberatório para pagamento de tributos. § 4º. O Município procederá ao adequado aproveitamento do imóvel no prazo máximo de 5 anos, contado a partir da sua incorporação ao patrimônio público. § 5º. O aproveitamentodo imóvel poderá ser efetivado diretamente pelo Poder Público ou por meio de alienação ou concessão a terceiros, observando-se, nesses casos, o devido procedimento licitatório. § 6º. Ficam mantidas para o adquirente de imóvel nos termos do § 5º as mesmas obrigações de parcelamento, edificação ou utilização previstas no art. 5º desta Lei. Seção V - Da usucapião especial de imóvel urbano Art. 9º Aquele que possuir como sua ÁREA ou EDIFICAÇÃO URBANA de até 250 m², por 5 anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 1º. O título de domínio será conferido ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. § 2º. O direito de que trata este artigo não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de 1 vez. § 3º. Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno direito, a posse de seu antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da abertura da sucessão. A destinação de parte do imóvel para fins comerciais não impede o reconhecimento da usucapião especial urbana sobre a totalidade da área. STJ. 3ª Turma. REsp 1.777.404-TO, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 05/05/2020 (Info 671) USUCAPIÃO ESPECIAL URBANA (PRO MISERO OU PRO HABITATIONE) * REQUISITOS a) 250 m²: a pessoa deve estar na posse de uma área urbana de, no máximo, 250 m²; b) 5 anos: a pessoa deve ter a posse mansa e pacífica dessa área por, no mínimo, 5 anos ininterruptos, sem oposição de ninguém; c) Moradia: o imóvel deve estar sendo utilizado para a moradia da pessoa ou de sua família; 104 d) Não ter outro imóvel: a pessoa não pode ser proprietária de outro bem imóvel (urbano ou rural). OBSERVAÇÕES › Não se exige que a pessoa prove que tinha um justo título ou que estava de boa-fé; › Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de 1 vez; › É possível usucapião especial urbana de apartamentos (nesse caso, quando for calcular se o tamanho do imóvel é menor que 250 m², não se incluirá a área comum, como salão de festas etc, mas tão somente a parte privativa); › O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Art. 10 Os NÚCLEOS URBANOS INFORMAIS existentes sem oposição há mais de 5 anos e cuja área total dividida pelo número de possuidores seja inferior a 250 m² por possuidor são suscetíveis de serem usucapidos coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural. (Lei 13.465/17) § 1º. O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este artigo, acrescentar sua posse à de seu antecessor, contanto que ambas sejam contínuas. § 2º. A usucapião especial coletiva de imóvel urbano será declarada pelo juiz, mediante sentença, a qual servirá de título para registro no cartório de registro de imóveis. § 3º. Na sentença, o juiz atribuirá igual fração ideal de terreno a cada possuidor, independentemente da dimensão do terreno que cada um ocupe, salvo hipótese de acordo escrito entre os condôminos, estabelecendo frações ideais diferenciadas. § 4º. O condomínio especial constituído é indivisível, não sendo passível de extinção, salvo deliberação favorável tomada por, no mínimo, 2/3 dos condôminos, no caso de execução de urbanização posterior à constituição do condomínio. § 5º. As deliberações relativas à administração do condomínio especial serão tomadas por maioria de votos dos condôminos presentes, obrigando também os demais, discordantes ou ausentes. USUCAPIÃO ESPECIAL URBANA COLETIVA (USUCAPIÃO FAVELADA) * REQUISITOS a) existência de um núcleo urbano informal; b) esse núcleo deve viver em um imóvel cuja área total dividida pelo número de possuidores seja inferior a 250 m²; c) esse núcleo deve estar na posse do imóvel há mais de 5 anos, sem oposição; d) os possuidores não podem ser proprietários de outro imóvel urbano ou rural. Neste caso, poderá haver uma usucapião coletiva da área. OBSERVAÇÕES › O possuidor pode, para o fim de contar o prazo de 5 anos, acrescentar sua posse à de seu antecessor, contanto que ambas sejam contínuas. › A usucapião especial coletiva de imóvel urbano será declarada pelo juiz, mediante sentença, a qual servirá de título para registro no cartório de registro de imóveis. › Na sentença, o juiz atribuirá igual fração ideal de terreno a cada possuidor, independentemente da dimensão do terreno que cada um ocupe, salvo hipótese de acordo escrito entre os condôminos, estabelecendo frações ideais diferenciadas. › O condomínio especial constituído é indivisível, não sendo passível de extinção, salvo deliberação favorável tomada por, no mínimo, dois terços dos condôminos, no caso de execução de urbanização posterior à constituição do condomínio. › As deliberações relativas à administração do condomínio especial serão tomadas por maioria de votos dos condôminos presentes, obrigando também os demais, discordantes ou ausentes. * Conforme ensina Márcio Cavalcante. 105 Art. 11 Na pendência da ação de usucapião especial urbana, ficarão sobrestadas quaisquer outras ações, petitórias ou possessórias, que venham a ser propostas relativamente ao imóvel usucapiendo. Art. 12 São PARTES LEGÍTIMAS para a propositura da AÇÃO DE USUCAPIÃO ESPECIAL URBANA: I. o possuidor, isoladamente ou em litisconsórcio originário ou superveniente; II. os possuidores, em estado de composse; III. como substituto processual, a associação de moradores da comunidade, regularmente constituída, com personalidade jurídica, desde que explicitamente autorizada pelos representados. § 1º. Na ação de usucapião especial urbana é obrigatória a intervenção do Ministério Público. § 2º. O autor terá os benefícios da justiça e da assistência judiciária gratuita, inclusive perante o cartório de registro de imóveis. O art. 12, § 2º, da Lei 10.257/2001 (Estatuto da Cidade) estabelece uma presunção relativa de que o autor da ação de usucapião especial urbana é hipossuficiente. Isso significa que essa presunção pode ser ilidida (refutada) a partir da comprovação inequívoca de que o autor não é considerado "necessitado". STJ. 3ª Turma. REsp 1517822-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 21/2/2017 (Info 599). Art. 13 A usucapião especial de imóvel urbano poderá ser invocada como matéria de defesa, valendo a sentença que a reconhecer como título para registro no cartório de registro de imóveis. Art. 14 Na ação judicial de usucapião especial de imóvel urbano, o rito processual a ser observado é o SUMÁRIO. Seção VI - Da concessão de uso especial para fins de moradia Arts. 15 a 20 (VETADOS) Seção VII - Do direito de superfície Art. 21 O proprietário urbano poderá conceder a outrem o direito de superfície do seu terreno, por tempo determinado ou indeterminado, mediante escritura pública registrada no cartório de registro de imóveis. § 1º. O direito de superfície abrange o direito de utilizar o solo, o subsolo ou o espaço aéreo relativo ao terreno, na forma estabelecida no contrato respectivo, atendida a legislação urbanística. § 2º. A concessão do direito de superfície poderá ser gratuita ou onerosa. § 3º. O superficiário responderá integralmente pelos encargos e tributos que incidirem sobre a propriedade superficiária, arcando, ainda, proporcionalmente à sua parcela de ocupação efetiva, com os encargos e tributos sobre a área objeto da concessão do direito de superfície, salvo disposição em contrário do contrato respectivo. § 4º. O direito de superfície pode ser transferido a terceiros, obedecidos os termos do contrato respectivo. § 5º. Por morte do superficiário, os seus direitos transmitem-se a seus herdeiros. 106 DIREITO DE SUPERFÍCIE NO CÓDIGO CIVIL E NO ESTATUTO DA CIDADE * CÓDIGO CIVIL (art. 1369e seguintes) ESTATUTO DA CIDADE Imóvel urbano ou rural Apenas imóvel urbano Exploração mais restrita: Construções e plantações Exploração mais ampla: Qualquer uma de acordo com a política urbana Cessão somente por prazo determinado Cessão por prazo determinado ou indeterminado O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno, por tempo determinado, mediante escritura pública devidamente registrada no CRI O proprietário urbano poderá conceder a outrem o direito de superfície do seu terreno por tempo determinado ou indeterminado mediante escritura pública registrada no CRI Em regra, não há autorização para utilização do subsolo e do espaço aéreo (o CC não dispõe sobre espaço aéreo). Em regra, é possível utilizar o espaço aéreo bem como o subsolo. O direito de superfície não autoriza obra no subsolo, salvo se for inerente ao objeto da concessão. O direito de superfície abrange o direito de utilizar o solo, o subsolo ou o espaço aéreo relativo ao terreno, na forma estabelecida no contrato respectivo, atendida a legislação urbanística. O Enunciado 568 da VI Jornada de Direito Civil do CJF traz previsão no mesmo sentido. * Enunciado 93 da I JDC: as normas previstas no Código Civil sobre o direito de superfície não revogam as normas relativas a direito de superfície constante no Estatuto da Cidade (Lei 10.257/01), por ser instrumento de política de desenvolvimento urbano (princípio da especialidade). Art. 22 Em caso de alienação do terreno, ou do direito de superfície, o superficiário e o proprietário, respectivamente, terão direito de preferência, em igualdade de condições à oferta de terceiros. Art. 23 EXTINGUE-SE o direito de superfície: I. pelo advento do termo; II. pelo descumprimento das obrigações contratuais assumidas pelo superficiário . Art. 24 Extinto o direito de superfície, o proprietário recuperará o pleno domínio do terreno, bem como das acessões e benfeitorias introduzidas no imóvel, independentemente de indenização, se as partes não houverem estipulado o contrário no respectivo contrato. § 1º. Antes do termo final do contrato, extinguir-se-á o direito de superfície se o superficiário der ao terreno destinação diversa daquela para a qual for concedida. § 2º. A extinção do direito de superfície será averbada no cartório de registro de imóveis. Seção VIII - Do direito de preempção Art. 25 O DIREITO DE PREEMPÇÃO confere ao Poder Público municipal preferência para aquisição de imóvel urbano objeto de alienação onerosa entre particulares. § 1º. Lei municipal, baseada no plano diretor, delimitará as áreas em que incidirá o direito de preempção e fixará prazo de vigência, não superior a 5 anos, renovável a partir de 1 ano após o decurso do prazo inicial de vigência . § 2º. O direito de preempção fica assegurado durante o prazo de vigência fixado na forma do § 1º, independentemente do número de alienações referentes ao mesmo imóvel. 107 Art. 26 O DIREITO DE PREEMPÇÃO será exercido sempre que o Poder Público necessitar de áreas para: I. regularização fundiária; II. execução de programas e projetos habitacionais de interesse social; III. constituição de reserva fundiária; IV. ordenamento e direcionamento da expansão urbana; V. implantação de equipamentos urbanos e comunitários; VI. criação de espaços públicos de lazer e áreas verdes; VII. criação de unidades de conservação ou proteção de outras áreas de interesse ambiental; VIII. proteção de áreas de interesse histórico, cultural ou paisagístico; IX. (VETADO) Parágrafo único. A lei municipal prevista no § 1º do art. 25 desta Lei deverá enquadrar cada área em que incidirá o direito de preempção em uma ou mais das finalidades enumeradas por este artigo. Art. 27 O proprietário deverá notificar sua intenção de alienar o imóvel, para que o Município, no prazo máximo de 30 dias, manifeste por escrito seu interesse em comprá-lo. § 1º. À notificação mencionada no caput será anexada proposta de compra assinada por terceiro interessado na aquisição do imóvel, da qual constarão preço, condições de pagamento e prazo de validade. § 2º. O Município fará publicar, em órgão oficial e em pelo menos um jornal local ou regional de grande circulação, edital de aviso da notificação recebida nos termos do caput e da intenção de aquisição do imóvel nas condições da proposta apresentada. § 3º. Transcorrido o prazo mencionado no caput (30 dias) sem manifestação, fica o proprietário autorizado a realizar a alienação para terceiros, nas condições da proposta apresentada. § 4º. Concretizada a venda a terceiro, o proprietário fica obrigado a apresentar ao Município, no prazo de 30 dias, cópia do instrumento público de alienação do imóvel. § 5º. A alienação processada em condições diversas da proposta apresentada é NULA DE PLENO DIREITO. § 6º. Ocorrida a hipótese prevista no § 5º o Município poderá adquirir o imóvel pelo valor da base de cálculo do IPTU ou pelo valor indicado na proposta apresentada, se este for inferior àquele. Seção IX - Da outorga onerosa do direito de construir Art. 28 O plano diretor poderá fixar áreas nas quais o direito de construir poderá ser exercido acima do coeficiente de aproveitamento básico adotado, mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário. § 1º. Para os efeitos desta Lei, coeficiente de aproveitamento é a relação entre a área edificável e a área do terreno. § 2º. O plano diretor poderá fixar coeficiente de aproveitamento básico único para toda a zona urbana ou diferenciado para áreas específicas dentro da zona urbana. § 3º. O plano diretor definirá os limites máximos a serem atingidos pelos coeficientes de aproveitamento, considerando a proporcionalidade entre a infra-estrutura existente e o aumento de densidade esperado em cada área. Art. 29 O plano diretor poderá fixar áreas nas quais poderá ser permitida alteração de uso do solo, mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário. 108 Art. 30 Lei municipal específica estabelecerá as condições a serem observadas para a outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso, determinando: I. a fórmula de cálculo para a cobrança; II. os casos passíveis de isenção do pagamento da outorga; III. a contrapartida do beneficiário. Art. 31 Os recursos auferidos com a adoção da outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso serão aplicados com as finalidades previstas nos incisos I a IX do art. 26 desta Lei. Seção X - Das operações urbanas consorciadas Art. 32 Lei municipal específica, baseada no plano diretor, poderá delimitar área para aplicação de operações consorciadas. § 1º. Considera-se OPERAÇÃO URBANA CONSORCIADA o conjunto de intervenções e medidas coordenadas pelo Poder Público municipal, com a participação dos proprietários, moradores, usuários permanentes e investidores privados, com o objetivo de alcançar em uma área transformações urbanísticas estruturais, melhorias sociais e a valorização ambiental. § 2º. Poderão ser previstas nas operações urbanas consorciadas, entre outras medidas: I. a modificação de índices e características de parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo, bem como alterações das normas edilícias, considerado o impacto ambiental delas decorrente; II. a regularização de construções, reformas ou ampliações executadas em desacordo com a legislação vigente. III. a concessão de incentivos a operações urbanas que utilizam tecnologias visando a redução de impactos ambientais, e que comprovem a utilização, nas construções e uso de edificações urbanas, de tecnologias que reduzam os impactos ambientais e economizem recursos naturais, especificadas as modalidades de design e de obras a serem contempladas. (Lei 12.836/13) Art. 33 Da lei específica que aprovar a operação urbana consorciada constará o plano de operação urbana consorciada, contendo, no mínimo: I. definiçãoda área a ser atingida; II. programa básico de ocupação da área; III. programa de atendimento econômico e social para a população diretamente afetada pela operação; IV. finalidades da operação; V. estudo prévio de impacto de vizinhança; VI. contrapartida a ser exigida dos proprietários, usuários permanentes e investidores privados em função da utilização dos benefícios previstos nos incisos I, II e III do § 2º do art. 32 desta Lei; (Lei 12.836/13) VII. forma de controle da operação, obrigatoriamente compartilhado com representação da sociedade civil. VIII. natureza dos incentivos a serem concedidos aos proprietários, usuários permanentes e investidores privados, uma vez atendido o disposto no inciso III do § 2º do art. 32 desta Lei. (Lei 12.836/13) § 1º. Os recursos obtidos pelo Poder Público municipal na forma do inciso VI deste artigo serão aplicados exclusivamente na própria operação urbana consorciada. § 2º. A partir da aprovação da lei específica de que trata o caput, são NULAS as licenças e autorizações a cargo do Poder Público municipal expedidas em desacordo com o plano de operação urbana consorciada. 109 Art. 34 A lei específica que aprovar a operação urbana consorciada poderá prever a emissão pelo Município de quantidade determinada de certificados de potencial adicional de construção, que serão alienados em leilão ou utilizados diretamente no pagamento das obras necessárias à própria operação. § 1º. Os certificados de potencial adicional de construção serão livremente negociados, mas conversíveis em direito de construir unicamente na área objeto da operação. § 2º. Apresentado pedido de licença para construir, o certificado de potencial adicional será utilizado no pagamento da área de construção que supere os padrões estabelecidos pela legislação de uso e ocupação do solo, até o limite fixado pela lei específica que aprovar a operação urbana consorciada. Art. 34-A Nas regiões metropolitanas ou nas aglomerações urbanas instituídas por lei complementar estadual, poderão ser realizadas operações urbanas consorciadas interfederativas, aprovadas por leis estaduais específicas. (Lei 13.089/15) Parágrafo único. As disposições dos arts. 32 a 34 desta Lei aplicam-se às operações urbanas consorciadas interfederativas previstas no caput deste artigo, no que couber. (Lei 13.089/15) Seção XI - Da transferência do direito de construir Art. 35 Lei municipal, baseada no plano diretor, poderá autorizar o proprietário de imóvel urbano, privado ou público, a exercer em outro local, ou alienar, mediante escritura pública, o direito de construir previsto no plano diretor ou em legislação urbanística dele decorrente, quando o referido imóvel for considerado necessário para fins de: I. implantação de equipamentos urbanos e comunitários; II. preservação, quando o imóvel for considerado de interesse histórico, ambiental, paisagístico, social ou cultural; III. servir a programas de regularização fundiária, urbanização de áreas ocupadas por população de baixa renda e habitação de interesse social. § 1º. A mesma faculdade poderá ser concedida ao proprietário que doar ao Poder Público seu imóvel, ou parte dele, para os fins previstos nos incisos I a III do caput. § 2º. A lei municipal referida no caput estabelecerá as condições relativas à aplicação da transferência do direito de construir. Seção XII - Do estudo de impacto de vizinhança Art. 36 Lei municipal definirá os empreendimentos e atividades privados ou públicos em área urbana que dependerão de elaboração de estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV) para obter as licenças ou autorizações de construção, ampliação ou funcionamento a cargo do Poder Público municipal. Art. 37 O EIV será executado de forma a contemplar os efeitos positivos e negativos do empreendimento ou atividade quanto à qualidade de vida da população residente na área e suas proximidades, incluindo a análise, no mínimo, das seguintes questões: I. adensamento populacional; II. equipamentos urbanos e comunitários; III. uso e ocupação do solo; IV. valorização imobiliária; V. geração de tráfego e demanda por transporte público; VI. ventilação e iluminação; VII. paisagem urbana e patrimônio natural e cultural. 110 Parágrafo único. Dar-se-á publicidade aos documentos integrantes do EIV, que ficarão disponíveis para consulta, no órgão competente do Poder Público municipal, por qualquer interessado. Art. 38 A elaboração do EIV não substitui a elaboração e a aprovação de estudo prévio de impacto ambiental (EIA), requeridas nos termos da legislação ambiental. Capítulo III - Do Plano Diretor Art. 39 A PROPRIEDADE URBANA cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor, assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas, respeitadas as diretrizes previstas no art. 2º desta Lei. Art. 40 O plano diretor, APROVADO POR LEI MUNICIPAL, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana. § 1º. O plano diretor é parte integrante do processo de planejamento municipal, devendo o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e o orçamento anual incorporar as diretrizes e as prioridades nele contidas. § 2º. O plano diretor deverá englobar o território do Município como um todo. § 3º. A lei que instituir o plano diretor deverá ser revista, pelo menos, a cada 10 anos. § 4º. No processo de elaboração do plano diretor e na fiscalização de sua implementação, os Poderes Legislativo e Executivo municipais garantirão: I. a promoção de audiências públicas e debates com a participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade; II. a publicidade quanto aos documentos e informações produzidos; III. o acesso de qualquer interessado aos documentos e informações produzidos. § 5º. (VETADO) Art. 41 O PLANO DIRETOR é OBRIGATÓRIO para cidades: I. com mais de 20 mil habitantes; II. integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas ; III. onde o Poder Público municipal pretenda utilizar os instrumentos previstos no § 4º do art. 182 da Constituição Federal; IV. integrantes de áreas de especial interesse turístico; V. inseridas na área de influência de empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional. VI. incluídas no cadastro nacional de Municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos. (Lei 12.608/12) § 1º. No caso da realização de empreendimentos ou atividades enquadrados no inciso V do caput, os recursos técnicos e financeiros para a elaboração do plano diretor estarão inseridos entre as medidas de compensação adotadas. § 2º. No caso de cidades com mais de 500 mil habitantes, deverá ser elaborado um plano de transporte urbano integrado, compatível com o plano diretor ou nele inserido. 111 § 3º. As cidades de que trata o caput deste artigo devem elaborar plano de rotas acessíveis, compatível com o plano diretor no qual está inserido, que disponha sobre os passeios públicos a serem implantados ou reformados pelo poder público, com vistas a garantir acessibilidade da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida a todas as rotas e vias existentes, inclusive as que concentrem os focos geradores de maior circulação de pedestres, como os órgãos públicos e os locais de prestação de serviços públicos e privados de saúde, educação, assistência social, esporte, cultura, correios e telégrafos, bancos, entre outros, sempre que possível de maneira integrada com os sistemas de transporte coletivo de passageiros. (Lei 13.146/15) Art. 42 O PLANO DIRETOR deverá conter no mínimo: I. a delimitação das áreas urbanas onde poderá ser aplicado o parcelamento, edificaçãoou utilização compulsórios, considerando a existência de infra-estrutura e de demanda para utilização, na forma do art. 5º desta Lei; II. disposições requeridas pelos arts. 25, 28, 29, 32 e 35 desta Lei; III. sistema de acompanhamento e controle. Art. 42-A Além do conteúdo previsto no art. 42, o plano diretor dos Municípios incluídos no cadastro nacional de municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos deverá conter: (Lei 12.608/12) I. parâmetros de parcelamento, uso e ocupação do solo, de modo a promover a diversidade de usos e a contribuir para a geração de emprego e renda; (Lei 12.608/12) II. mapeamento contendo as áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos; (Lei 12.608/12) III. planejamento de ações de intervenção preventiva e realocação de população de áreas de risco de desastre; (Lei 12.608/12) IV. medidas de drenagem urbana necessárias à prevenção e à mitigação de impactos de desastres; e (Lei 12.608/12) V. diretrizes para a regularização fundiária de assentamentos urbanos irregulares, se houver, observadas a Lei 11.977/09 e demais normas federais e estaduais pertinentes, e previsão de áreas para habitação de interesse social por meio da demarcação de zonas especiais de interesse social e de outros instrumentos de política urbana, onde o uso habitacional for permitido. (Lei 12.608/12) VI. identificação e diretrizes para a preservação e ocupação das áreas verdes municipais, quando for o caso, com vistas à redução da impermeabilização das cidades. (Lei 12.983/14) § 1º. A identificação e o mapeamento de áreas de risco levarão em conta as cartas geotécnicas. (Lei 12.608/12) § 2º. O conteúdo do plano diretor deverá ser compatível com as disposições insertas nos planos de recursos hídricos, formulados consoante a Lei 9.433/97. (Lei 12.608/12) § 3º. Os Municípios adequarão o plano diretor às disposições deste artigo, por ocasião de sua revisão, observados os prazos legais. (Lei 12.608/12) § 4º. Os Municípios enquadrados no inciso VI do art. 41 desta Lei e que não tenham plano diretor aprovado terão o prazo de 5 anos para o seu encaminhamento para aprovação pela Câmara Municipal. (Lei 12.608/12) Art. 42-B Os Municípios que pretendam ampliar o seu perímetro urbano após a data de publicação desta Lei deverão elaborar projeto específico que contenha, no mínimo: (Lei 12.608/12) I. demarcação do novo perímetro urbano; (Lei 12.608/12) II. delimitação dos trechos com restrições à urbanização e dos trechos sujeitos a controle especial em função de ameaça de desastres naturais; (Lei 12.608/12) III. definição de diretrizes específicas e de áreas que serão utilizadas para infraestrutura, sistema viário, equipamentos e instalações públicas, urbanas e sociais; (Lei 12.608/12) IV. definição de parâmetros de parcelamento, uso e ocupação do solo, de modo a promover a diversidade de usos e contribuir para a geração de emprego e renda; (Lei 12.608/12) 112 V. a previsão de áreas para habitação de interesse social por meio da demarcação de zonas especiais de interesse social e de outros instrumentos de política urbana, quando o uso habitacional for permitido; (Lei 12.608/12) VI. definição de diretrizes e instrumentos específicos para proteção ambiental e do patrimônio histórico e cultural; e (Lei 12.608/12) VII. definição de mecanismos para garantir a justa distribuição dos ônus e benefícios decorrentes do processo de urbanização do território de expansão urbana e a recuperação para a coletividade da valorização imobiliária resultante da ação do poder público. § 1º. O projeto específico de que trata o caput deste artigo deverá ser instituído por lei municipal e atender às diretrizes do plano diretor, quando houver. (Lei 12.608/12) § 2º. Quando o plano diretor contemplar as exigências estabelecidas no caput, o Município ficará dispensado da elaboração do projeto específico de que trata o caput deste artigo. (Lei 12.608/12) § 3º. A aprovação de projetos de parcelamento do solo no novo perímetro urbano ficará condicionada à existência do projeto específico e deverá obedecer às suas disposições. (Lei 12.608/12) Capítulo IV - Da Gestão Democrática da Cidade Art. 43 Para GARANTIR A GESTÃO DEMOCRÁTICA DA CIDADE, deverão ser utilizados, entre outros, os seguintes instrumentos: I. órgãos colegiados de política urbana, nos níveis nacional, estadual e municipal; II. debates, audiências e consultas públicas; III. conferências sobre assuntos de interesse urbano, nos níveis nacional, estadual e municipal; IV. iniciativa popular de projeto de lei e de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano; V. (VETADO) Art. 44 No âmbito municipal, a gestão orçamentária participativa de que trata a alínea f do inciso III do art. 4º desta Lei incluirá a realização de debates, audiências e consultas públicas sobre as propostas do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e do orçamento anual, como condição obrigatória para sua aprovação pela Câmara Municipal. Art. 45 Os organismos gestores das regiões metropolitanas e aglomerações urbanas incluirão obrigatória e significativa participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade, de modo a garantir o controle direto de suas atividades e o pleno exercício da cidadania. Capítulo V - Disposições Gerais Art. 46 O poder público municipal poderá facultar ao proprietário da área atingida pela obrigação de que trata o caput do art. 5º desta Lei, ou objeto de regularização fundiária urbana para fins de regularização fundiária, o estabelecimento de consórcio imobiliário como forma de viabilização financeira do aproveitamento do imóvel. (Lei 13.465/17) § 1º. Considera-se CONSÓRCIO IMOBILIÁRIO a forma de viabilização de planos de urbanização, de regularização fundiária ou de reforma, conservação ou construção de edificação por meio da qual o proprietário transfere ao poder público municipal seu imóvel e, após a realização das obras, recebe, como pagamento, unidades imobiliárias devidamente urbanizadas ou edificadas, ficando as demais unidades incorporadas ao patrimônio público. (Lei 13.465/17) § 2º. O valor das unidades imobiliárias a serem entregues ao proprietário será correspondente ao valor do imóvel antes da execução das obras. (Lei 13.465/17) 113 § 3º. A instauração do consórcio imobiliário por proprietários que tenham dado causa à formação de núcleos urbanos informais, ou por seus sucessores, não os eximirá das responsabilidades administrativa, civil ou criminal. (Lei 13.465/17) Art. 47 Os TRIBUTOS SOBRE IMÓVEIS URBANOS, assim como as TARIFAS relativas a serviços públicos urbanos, serão diferenciados em função do interesse social. Art. 48 Nos casos de programas e projetos habitacionais de interesse social, desenvolvidos por órgãos ou entidades da Administração Pública com atuação específica nessa área, os contratos de concessão de direito real de uso de imóveis públicos: I. terão, para todos os fins de direito, caráter de escritura pública, não se aplicando o disposto no inciso II do art. 134 do Código Civil; II. constituirão título de aceitação obrigatória em garantia de contratos de financiamentos habitacionais. Art. 49 Os Estados e Municípios terão o prazo de 90 dias, a partir da entrada em vigor desta Lei, para fixar prazos, por lei, para a expedição de diretrizes de empreendimentos urbanísticos, aprovação de projetos de parcelamento e de edificação, realização de vistorias e expedição de termo de verificação e conclusão de obras. Parágrafo único. Não sendo cumprida a determinação do caput, fica estabelecido o prazo de 60 dias para a realização de cada um dos referidos atos administrativos, que valerá até que os Estados e Municípios disponham em lei de formadiversa. Art. 50 Os Municípios que estejam enquadrados na obrigação prevista nos incisos I e II do caput do art. 41 desta Lei e que não tenham plano diretor aprovado na data de entrada em vigor desta Lei deverão aprová-lo até 30 de junho de 2008. (Lei 11.673/08) Art. 51 Para os efeitos desta Lei, aplicam-se ao DF e ao Governador do DF as disposições relativas, respectivamente, a Município e a Prefeito. Art. 52 Sem prejuízo da punição de outros agentes públicos envolvidos e da aplicação de outras sanções cabíveis, o Prefeito incorre em improbidade administrativa, nos termos da Lei 8.429/92, quando: I. (VETADO) II. deixar de proceder, no prazo de 5 anos, o adequado aproveitamento do imóvel incorporado ao patrimônio público, conforme o disposto no § 4º do art. 8º desta Lei; III. utilizar áreas obtidas por meio do direito de preempção em desacordo com o disposto no art. 26 desta Lei; IV. aplicar os recursos auferidos com a outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso em desacordo com o previsto no art. 31 desta Lei; V. aplicar os recursos auferidos com operações consorciadas em desacordo com o previsto no § 1º do art. 33 desta Lei; VI. impedir ou deixar de garantir os requisitos contidos nos incisos I a III do § 4º do art. 40 desta Lei; VII. deixar de tomar as providências necessárias para garantir a observância do disposto no § 3º do art. 40 e no art. 50 desta Lei; VIII. adquirir imóvel objeto de direito de preempção, nos termos dos arts. 25 a 27 desta Lei, pelo valor da proposta apresentada, se este for, comprovadamente, superior ao de mercado. Art. 53 (REVOGADO pela MP 2.180-35/01) 114 Art. 54 O art. 4º da Lei 7.347/85 passa a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 55 O art. 167, I, item 28, da Lei 6.015/73, alterado pela Lei 6.216/75, passa a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 56 O art. 167, I, da Lei 6.015/73 passa a vigorar acrescido dos seguintes itens 37, 38 e 39: (...) Art. 57 O art. 167, II, da Lei 6.015/73 passa a vigorar acrescido dos seguintes itens 18, 19 e 20: (...) Art. 57-A A operadora ferroviária, inclusive metroferroviária, poderá constituir o direito real de laje de que trata o Código Civil, e o de superfície de que trata esta Lei, sobre ou sob a faixa de domínio de sua via férrea, observado o plano diretor e o respectivo contrato de outorga com o poder concedente. (Lei 14.273/21) Parágrafo único. A constituição do direito real de laje ou de superfície a que se refere o caput deste artigo é condicionada à existência prévia de licenciamento urbanístico municipal, que estabelecerá os ônus urbanísticos a serem observados e o direito de construir incorporado a cada unidade imobiliária. (Lei 14.273/21) Art. 58 Esta Lei entra em vigor após decorridos 90 dias de sua publicação. 115 LEI 12.651/12 - Código Florestal Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis 6.938/81, 9.393/96 e 11.428/06; revoga as Leis 4.771/65 e 7.754/89 e a Medida Provisória 2.166-67/01; e dá outras providências. Atualizado até a Lei 14.406/22. 116 Capítulo I - Disposições Gerais MEIO AMBIENTE E DIREITO AMBIENTAL * DEFINIÇÃO DE MEIO AMBIENTE É o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas. ESPÉCIES DE MEIO AMBIENTE Natural, cultural, artificial e do trabalho. DIREITO AMBIENTAL É o ramo do direito público composto por princípios e regras que regulam as condutas humanas que afetem, potencial ou efetivamente, direta ou indiretamente, o meio ambiente em todas as suas modalidades, objetivando o controle da poluição, a fim de mantê-la dentro dos padrões toleráveis, para instituir um desenvolvimento econômico sustentável, atendendo às necessidades das presentes gerações sem privar as futuras da sua dignidade ambiental. * Conforme ensina Frederico Amado. PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL * PREVENÇÃO É preciso que o ente ambiental faça o poluidor reduzir ou eliminar os danos ambientais, pois estes normalmente são irreversíveis em espécie. Este princípio trabalha com o risco certo, pois já há base científica, uma vez que o empreendimento é amplamente conhecido. PRECAUÇÃO Se determinado empreendimento puder causar danos ambientais, contudo inexiste certeza científica quanto aos efetivos danos e sua extensão, mas há base científica razoável fundada em juízo de probabilidade não remoto da sua potencial ocorrência, o empreendedor deverá ser compelido a adotar medidas de precaução para elidir ou reduzir os riscos ambientais para a população (in dublo pro natura). Há risco incerto ou duvidoso. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Decorre de uma ponderação que deverá ser feita casuisticamente entre o direito fundamental ao desenvolvimento econômico e o direito à preservação ambiental. É aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de existência digna das gerações futuras. Aplica-se aos recursos naturais renováveis. POLUIDOR- PAGADOR Deve o poluidor responder pelos custos sociais da degradação causada por sua atividade impactante, devendo-se agregar esse valor no custo produtivo da atividade, para evitar que se privatizem os lucros e se socializem os prejuízos. PROTETOR- RECEBEDOR É necessária a criação de benefícios em favor daqueles que protegem o meio ambiente com o desiderato de fomentar e premiar essas iniciativas. USUÁRIO-PAGADOR As pessoas que utilizam recursos naturais devem pagar pela sua utilização, especialmente com finalidades econômicas, mesmo que não haja poluição, a exemplo do uso racional da água. COOPERAÇÃO ENTRE OS POVOS Tendo em vista que o meio ambiente não conhece fronteiras políticas, sendo a terra um grande ecossistema, a única forma de preservá-la é a cooperação entre as nações, mormente por meio dos tratados internacionais, para se ter uma tutela global ambiental. SOLIDARIEDADE INTERGERACIONAL As atuais gerações devem preservar o meio ambiente e adotar políticas ambientais para a presente e as futuras gerações, não podendo utilizar os recursos ambientais de maneira irracional de modo que prive seus descendentes do seu desfrute. NATUREZA PÚBLICA DA PROTEÇÃO AMBIENTAL É dever irrenunciável do Poder Público e da coletividade promover a proteção do meio ambiente, por ser bem difuso, indispensável à vida humana sadia. 117 PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA As pessoas têm o direito de participar da formação da decisão ambiental, existindo vários instrumentos nesse sentido, como a audiência pública no EIA-RIMA. FUNÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA PROPRIEDADE Um dos requisitos para que a propriedade rural alcance a sua função social é o respeito à legislação ambiental (art. 186, II, da CF), bem como a propriedade urbana, pois o plano diretor deverá necessariamente considerar a preservação ambiental, a exemplo da instituição de áreas verdes. INFORMAÇÃO Independentemente da demonstração de interesse específico, qualquer indivíduo terá acesso às informações dos órgãos ambientais, ressalvado o sigilo industrial e preservados os direitos autorais. LIMITE Explicita o dever estatal de editar patrões máximos de poluição a fim de manter o equilíbrio ambiental. RESPONSABILIDADE COMUM, MAS DIFERENCIADA Todas as nações são responsáveis pelo controle da poluição e a busca da sustentabilidade, mas os países mais poluidores deverão adotar as medidas mais drásticas. * Conforme ensina Frederico Amado. Art. 1º (VETADO) Art. 1º-A Esta Lei estabelece normas gerais sobre a proteção da vegetação, áreas de Preservação Permanente e as áreas de Reserva Legal; a exploração florestal, o suprimento de matéria- prima florestal, o controle da origem dos produtos florestais e o controle e prevenção dos incêndios florestais, e prevê instrumentos econômicos e financeiros para o alcance de seus objetivos. (Lei12.727/12) Parágrafo único. Tendo como OBJETIVO o desenvolvimento sustentável, esta Lei atenderá aos seguintes PRINCÍPIOS: (Lei 12.727/12) I. afirmação do compromisso soberano do Brasil com a preservação das suas florestas e demais formas de vegetação nativa, bem como da biodiversidade, do solo, dos recursos hídricos e da integridade do sistema climático, para o bem-estar das gerações presentes e futuras; (Lei 12.727/12) II. reafirmação da importância da função estratégica da atividade agropecuária e do papel das florestas e demais formas de vegetação nativa na sustentabilidade, no crescimento econômico, na melhoria da qualidade de vida da população brasileira e na presença do País nos mercados nacional e internacional de alimentos e bioenergia; (Lei 12.727/12) III. ação governamental de proteção e uso sustentável de florestas, consagrando o compromisso do País com a compatibilização e harmonização entre o uso produtivo da terra e a preservação da água, do solo e da vegetação; (Lei 12.727/12) IV. responsabilidade comum da União, Estados, DF e Municípios, em colaboração com a sociedade civil, na criação de políticas para a preservação e restauração da vegetação nativa e de suas funções ecológicas e sociais nas áreas urbanas e rurais; (Lei 12.727/12) V. fomento à pesquisa científica e tecnológica na busca da inovação para o uso sustentável do solo e da água, a recuperação e a preservação das florestas e demais formas de vegetação nativa; (Lei 12.727/12) VI. criação e mobilização de incentivos econômicos para fomentar a preservação e a recuperação da vegetação nativa e para promover o desenvolvimento de atividades produtivas sustentáveis. (Lei 12.727/12) Art. 2º As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação nativa, reconhecidas de utilidade às terras que revestem , são BENS DE INTERESSE COMUM a todos os habitantes do País, exercendo-se os direitos de propriedade com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem. 118 § 1º. Na utilização e exploração da vegetação, as ações ou omissões contrárias às disposições desta Lei são consideradas uso irregular da propriedade, aplicando-se o procedimento sumário previsto no inciso II do art. 275 da Lei 5.869/73 - CPC, sem prejuízo da responsabilidade civil, nos termos do § 1º do art. 14 da Lei 6.938/81 e das sanções administrativas, civis e penais. § 2º. As OBRIGAÇÕES previstas nesta Lei TÊM NATUREZA REAL e são transmitidas ao sucessor, de qualquer natureza, no caso de transferência de domínio ou posse do imóvel rural. OBRIGAÇÃO DE REPARAR O DANO X MULTA AMBIENTAL * OBRIGAÇÃO DE REPARAR O DANO AMBIENTAL (responsabilidade civil pela reparação dos danos ambientais) Possui natureza propter rem, sendo possível cobrar também do atual proprietário condutas derivadas de danos provocados pelos proprietários antigos. MULTA AMBIENTAL (sanção administrativa) Somente poderia ser cobrada do próprio transgressor, não podendo passar da pessoa do culpado. * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Art. 3º Para os efeitos desta Lei, entende-se por: I. AMAZÔNIA LEGAL: os Estados do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá e Mato Grosso e as regiões situadas ao norte do paralelo 13º S, dos Estados de Tocantins e Goiás, e ao oeste do meridiano de 44º W, do Estado do Maranhão; II. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas; III. RESERVA LEGAL: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, delimitada nos termos do art. 12, com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa; IV. ÁREA RURAL CONSOLIDADA: área de imóvel rural com ocupação antrópica preexistente a 22 de julho de 2008, com edificações, benfeitorias ou atividades agrossilvipastoris, admitida, neste último caso, a adoção do regime de pousio; V. PEQUENA PROPRIEDADE OU POSSE RURAL FAMILIAR: aquela explorada mediante o trabalho pessoal do agricultor familiar e empreendedor familiar rural, incluindo os assentamentos e projetos de reforma agrária, e que atenda ao disposto no art. 3º da Lei 11.326/06; VI. USO ALTERNATIVO DO SOLO: substituição de vegetação nativa e formações sucessoras por outras coberturas do solo, como atividades agropecuárias, industriais, de geração e transmissão de energia, de mineração e de transporte, assentamentos urbanos ou outras formas de ocupação humana; VII. MANEJO SUSTENTÁVEL: administração da vegetação natural para a obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo e considerando-se, cumulativa ou alternativamente, a utilização de múltiplas espécies madeireiras ou não, de múltiplos produtos e subprodutos da flora, bem como a utilização de outros bens e serviços; VIII. UTILIDADE PÚBLICA: a. as atividades de segurança nacional e proteção sanitária; b. as obras de infraestrutura destinadas às concessões e aos serviços públicos de transporte, sistema viário, inclusive aquele necessário aos parcelamentos de solo urbano aprovados pelos Municípios, saneamento, gestão de resíduos, energia, telecomunicações, radiodifusão, instalações necessárias à realização de competições esportivas estaduais, nacionais ou internacionais, bem como mineração, exceto, neste último caso, a extração de areia, argila, saibro e cascalho; O STF declarou inconstitucionais as expressões “gestão de resíduos” e “instalações necessárias à realização de competições esportivas estaduais, nacionais ou internacionais”, contidas no art. 3º, VIII, b, do Código Florestal. 119 c. atividades e obras de defesa civil; d. atividades que comprovadamente proporcionem melhorias na proteção das funções ambientais referidas no inciso II deste artigo; e. outras atividades similares devidamente caracterizadas e motivadas em procedimento administrativo próprio, quando inexistir alternativa técnica e locacional ao empreendimento proposto, definidas em ato do Chefe do Poder Executivo federal; IX. INTERESSE SOCIAL: a. as atividades imprescindíveis à proteção da integridade da vegetação nativa, tais como prevenção, combate e controle do fogo, controle da erosão, erradicação de invasoras e proteção de plantios com espécies nativas; b. a exploração agroflorestal sustentável praticada na pequena propriedade ou posse rural familiar ou por povos e comunidades tradicionais, desde que não descaracterize a cobertura vegetal existente e não prejudique a função ambiental da área; c. a implantação de infraestrutura pública destinada a esportes, lazer e atividades educacionais e culturais ao ar livre em áreas urbanas e rurais consolidadas, observadas as condições estabelecidas nesta Lei; d. a regularização fundiária de assentamentos humanos ocupados predominantemente por população de baixa renda em áreas urbanas consolidadas, observadas as condições estabelecidas na Lei 11.977/09; e. implantação de instalações necessárias à captação e condução de água e de efluentes tratados para projetos cujos recursos hídricos são partes integrantes e essenciais da atividade; f. as atividades de pesquisa e extração de areia, argila, saibro e cascalho, outorgadas pela autoridade competente; g. outras atividades similares devidamente caracterizadas e motivadas em procedimento administrativo próprio, quando inexistir alternativa técnica e locacional à atividade proposta, definidas em ato do Chefe do Poder Executivo federal; Deve ser dada interpretaçãoconforme a Constituição ao art. 3º, VIII e IX, da Lei, de modo a se condicionar a intervenção excepcional em APP, por interesse social ou utilidade pública, à inexistência de alternativa técnica e/ou locacional à atividade proposta. X. ATIVIDADES EVENTUAIS OU DE BAIXO IMPACTO AMBIENTAL: a. abertura de pequenas vias de acesso interno e suas pontes e pontilhões, quando necessárias à travessia de um curso d’água, ao acesso de pessoas e animais para a obtenção de água ou à retirada de produtos oriundos das atividades de manejo agroflorestal sustentável; b. implantação de instalações necessárias à captação e condução de água e efluentes tratados, desde que comprovada a outorga do direito de uso da água, quando couber; c. implantação de trilhas para o desenvolvimento do ecoturismo; d. construção de rampa de lançamento de barcos e pequeno ancoradouro; e. construção de moradia de agricultores familiares, remanescentes de comunidades quilombolas e outras populações extrativistas e tradicionais em áreas rurais, onde o abastecimento de água se dê pelo esforço próprio dos moradores; f. construção e manutenção de cercas na propriedade; g. pesquisa científica relativa a recursos ambientais, respeitados outros requisitos previstos na legislação aplicável; h. coleta de produtos não madeireiros para fins de subsistência e produção de mudas, como sementes, castanhas e frutos, respeitada a legislação específica de acesso a recursos genéticos; i. plantio de espécies nativas produtoras de frutos, sementes, castanhas e outros produtos vegetais, desde que não implique supressão da vegetação existente nem prejudique a função ambiental da área; 120 j. exploração agroflorestal e manejo florestal sustentável, comunitário e familiar, incluindo a extração de produtos florestais não madeireiros, desde que não descaracterizem a cobertura vegetal nativa existente nem prejudiquem a função ambiental da área; k. outras ações ou atividades similares, reconhecidas como eventuais e de baixo impacto ambiental em ato do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA ou dos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente; XI. (VETADO) XII. VEREDA: fitofisionomia de savana, encontrada em solos hidromórficos, usualmente com a palmeira arbórea Mauritia flexuosa - buriti emergente, sem formar dossel, em meio a agrupamentos de espécies arbustivo-herbáceas; (Lei 12.727/12) XIII. MANGUEZAL: ecossistema litorâneo que ocorre em terrenos baixos, sujeitos à ação das marés, formado por vasas lodosas recentes ou arenosas, às quais se associa, predominantemente, a vegetação natural conhecida como mangue, com influência fluviomarinha, típica de solos limosos de regiões estuarinas e com dispersão descontínua ao longo da costa brasileira, entre os Estados do Amapá e de Santa Catarina; XIV. SALGADO OU MARISMAS TROPICAIS HIPERSALINOS: áreas situadas em regiões com frequências de inundações intermediárias entre marés de sizígias e de quadratura, com solos cuja salinidade varia entre 100 e 150 partes por 1.000, onde pode ocorrer a presença de vegetação herbácea específica; XV. APICUM: áreas de solos hipersalinos situadas nas regiões entremarés superiores, inundadas apenas pelas marés de sizígias, que apresentam salinidade superior a 150 partes por 1.000, desprovidas de vegetação vascular; XVI. RESTINGA: depósito arenoso paralelo à linha da costa, de forma geralmente alongada, produzido por processos de sedimentação, onde se encontram diferentes comunidades que recebem influência marinha, com cobertura vegetal em mosaico, encontrada em praias, cordões arenosos, dunas e depressões, apresentando, de acordo com o estágio sucessional, estrato herbáceo, arbustivo e arbóreo, este último mais interiorizado; XVII. NASCENTE: afloramento natural do lençol freático que apresenta perenidade e dá início a um curso d’água; Deve ser dada interpretação conforme a Constituição ao art. 3º, XVII e ao art. 4º, IV, para fixar a interpretação de que os entornos das nascentes e dos olhos d´água intermitentes configuram área de preservação permanente. XVIII. OLHO D’ÁGUA: afloramento natural do lençol freático, mesmo que intermitente; XIX. LEITO REGULAR: a calha por onde correm regularmente as águas do curso d’água durante o ano; XX. ÁREA VERDE URBANA: espaços, públicos ou privados, com predomínio de vegetação, preferencialmente nativa, natural ou recuperada, previstos no Plano Diretor, nas Leis de Zoneamento Urbano e Uso do Solo do Município, indisponíveis para construção de moradias, destinados aos propósitos de recreação, lazer, melhoria da qualidade ambiental urbana, proteção dos recursos hídricos, manutenção ou melhoria paisagística, proteção de bens e manifestações culturais; XXI. VÁRZEA DE INUNDAÇÃO OU PLANÍCIE DE INUNDAÇÃO: áreas marginais a cursos d’água sujeitas a enchentes e inundações periódicas; XXII. FAIXA DE PASSAGEM DE INUNDAÇÃO: área de várzea ou planície de inundação adjacente a cursos d’água que permite o escoamento da enchente; XXIII. RELEVO ONDULADO: expressão geomorfológica usada para designar área caracterizada por movimentações do terreno que geram depressões, cuja intensidade permite sua classificação como relevo suave ondulado, ondulado, fortemente ondulado e montanhoso. XXIV. POUSIO: prática de interrupção temporária de atividades ou usos agrícolas, pecuários ou silviculturais, por no máximo 5 anos, para possibilitar a recuperação da capacidade de uso ou da estrutura física do solo; (Lei 12.727/12) XXV. ÁREAS ÚMIDAS: pantanais e superfícies terrestres cobertas de forma periódica por águas, cobertas originalmente por florestas ou outras formas de vegetação adaptadas à inundação; (Lei 12.727/12) XXVI. ÁREA URBANA CONSOLIDADA: aquela que atende os seguintes critérios: (Lei 14.285/21) 121 a. estar incluída no perímetro urbano ou em zona urbana pelo plano diretor ou por lei municipal específica; (Lei 14.285/21) b. dispor de sistema viário implantado; (Lei 14.285/21) c. estar organizada em quadras e lotes predominantemente edificados; (Lei 14.285/21) d. apresentar uso predominantemente urbano, caracterizado pela existência de edificações residenciais, comerciais, industriais, institucionais, mistas ou direcionadas à prestação de serviços; (Lei 14.285/21) e. dispor de, no mínimo, 2 dos seguintes equipamentos de infraestrutura urbana implantados: (Lei 14.285/21) 1. drenagem de águas pluviais; (Lei 14.285/21) 2. esgotamento sanitário; (Lei 14.285/21) 3. abastecimento de água potável; (Lei 14.285/21) 4. distribuição de energia elétrica e iluminação pública; e (Lei 14.285/21) 5. limpeza urbana, coleta e manejo de resíduos sólidos; (Lei 14.285/21) XXVII. CRÉDITO DE CARBONO: título de direito sobre bem intangível e incorpóreo transacionável. (Lei 12.727/12) Parágrafo único. Para os fins desta Lei, estende-se o tratamento dispensado aos imóveis a que se refere o inciso V deste artigo às propriedades e posses rurais com até 4 módulos fiscais que desenvolvam atividades agrossilvipastoris, bem como às terras indígenas demarcadas e às demais áreas tituladas de povos e comunidades tradicionais que façam uso coletivo do seu território. O STF declarou inconstitucionais as expressões “demarcadas” e “tituladas”, contidas no art. 3º, parágrafo único. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE X ÁREA DE RESERVA LEGAL * ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL) Área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. Área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, delimitada nos termos do art. 12 do Código Florestal, com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processosecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa. Previstas nos arts. 4° e 6° do Código Florestal, em área urbana ou rural. Prevista no art. 12 do Código Florestal, em área rural. Exploração excepcional, apenas nas hipóteses de utilidade pública, interesse social ou intervenção eventual de baixo impacto ambiental. Exploração apenas sob a forma de manejo florestal sustentável, que não permite o corte raso da vegetação. Incidência ex lege (art. 4°) ou por meio de ato do Chefe do Poder Executivo (art. 6°). Incidência ex lege, mas depende de delimitação a ser definida pelo órgão ambiental estadual, que deverá ser registrada no CAR. Não há percentual de área da propriedade definido na lei, devendo ser seguida a delimitação prevista no art. 4°. A lei define os percentuais mínimos de área da propriedade (80%, 35% ou 20%), a depender da vegetação e da localização. Será delimitada em cada caso concreto. Para o STJ, a vegetação não será indenizável em desapropriação. Para o STF, haverá indenização. Haverá indenizabilidade limitada da mata em caso de desapropriação, desde que haja exploração via plano de manejo florestal aprovado (STJ). * Conforme ensina Frederico Amado. 122 Capítulo II - Das Áreas de Preservação Permanente Seção I - Da Delimitação das Áreas de Preservação Permanente Art. 4º Considera-se ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei: I. as faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e intermitente, excluídos os efêmeros, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima de: (Lei 12.727/12) a. 30 metros, para os cursos d’água de menos de 10 metros de largura; b. 50 metros, para os cursos d’água que tenham de 10 a 50 metros de largura; c. 100 metros, para os cursos d’água que tenham de 50 a 200 metros de largura; d. 200 metros, para os cursos d’água que tenham de 200 a 600 metros de largura; e. 500 metros, para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 metros; A legislação municipal não pode reduzir o patamar mínimo de proteção marginal dos cursos d'água, em toda sua extensão, fixado pelo Código Florestal. A norma federal conferiu uma proteção mínima, cabendo à legislação municipal apenas intensificar o grau de proteção às margens dos cursos d'água, ou quando muito, manter o patamar de proteção (jamais reduzir a proteção ambiental). STJ. 2ª Turma. AREsp 1312435-RJ, Rel. Min. Og Fernandes, j. 07/02/2019 (Info 643). II. as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, em faixa com largura mínima de: a. 100 metros, em zonas rurais, exceto para o corpo d’água com até 20 hectares de superfície, cuja faixa marginal será de 50 metros; b. 30 metros, em zonas urbanas; III. as áreas no entorno dos reservatórios d’água artificiais, decorrentes de barramento ou represamento de cursos d’água naturais, na faixa definida na licença ambiental do empreendimento; (Lei 12.727/12) IV. as áreas no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes, qualquer que seja sua situação topográfica, no raio mínimo de 50 metros; (Lei 12.727/12) V. as encostas ou partes destas com declividade superior a 45º, equivalente a 100% na linha de maior declive; VI. as restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; VII. os manguezais, em toda a sua extensão; VIII. as bordas dos tabuleiros ou chapadas, até a linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 metros em projeções horizontais; IX. no topo de morros, montes, montanhas e serras, com altura mínima de 100 metros e inclinação média maior que 25º, as áreas delimitadas a partir da curva de nível correspondente a 2/3 da altura mínima da elevação sempre em relação à base, sendo esta definida pelo plano horizontal determinado por planície ou espelho d’água adjacente ou, nos relevos ondulados, pela cota do ponto de sela mais próximo da elevação; X. as áreas em altitude superior a 1.800 metros, qualquer que seja a vegetação; XI. em veredas, a faixa marginal, em projeção horizontal, com largura mínima de 50 metros, a partir do espaço permanentemente brejoso e encharcado. (Lei 12.727/12) § 1º. Não será exigida Área de Preservação Permanente no entorno de reservatórios artificiais de água que não decorram de barramento ou represamento de cursos d’água naturais. (Lei 12.727/12) § 2º. (REVOGADO pela Lei 12.727/12) § 3º. (VETADO) § 4º. Nas acumulações naturais ou artificiais de água com superfície inferior a 1 hectare, fica dispensada a reserva da faixa de proteção prevista nos incisos II e III do caput, vedada nova supressão de áreas de vegetação nativa, salvo autorização do órgão ambiental competente do Sistema Nacional do Meio Ambiente - Sisnama. (Lei 12.727/12) 123 § 5º. É admitido, para a pequena propriedade ou posse rural familiar, de que trata o inciso V do art. 3º desta Lei, o plantio de culturas temporárias e sazonais de vazante de ciclo curto na faixa de terra que fica exposta no período de vazante dos rios ou lagos, desde que não implique supressão de novas áreas de vegetação nativa, seja conservada a qualidade da água e do solo e seja protegida a fauna silvestre. § 6º. Nos imóveis rurais com até 15 módulos fiscais, é admitida, nas áreas de que tratam os incisos I e II do caput deste artigo, a prática da aquicultura e a infraestrutura física diretamente a ela associada, desde que: I. sejam adotadas práticas sustentáveis de manejo de solo e água e de recursos hídricos, garantindo sua qualidade e quantidade, de acordo com norma dos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente; II. esteja de acordo com os respectivos planos de bacia ou planos de gestão de recursos hídricos; III. seja realizado o licenciamento pelo órgão ambiental competente; IV. o imóvel esteja inscrito no Cadastro Ambiental Rural - CAR. V. não implique novas supressões de vegetação nativa. (Lei 12.727/12) §§ 7º a 9º. (VETADOS) § 10. Em áreas urbanas consolidadas, ouvidos os conselhos estaduais, municipais ou distrital de meio ambiente, lei municipal ou distrital poderá definir faixas marginais distintas daquelas estabelecidas no inciso I do caput deste artigo, com regras que estabeleçam: (Lei 14.285/21) I. a não ocupação de áreas com risco de desastres; (Lei 14.285/21) II. a observância das diretrizes do plano de recursos hídricos, do plano de bacia, do plano de drenagem ou do plano de saneamento básico, se houver; e (Lei 14.285/21) III. a previsão de que as atividades ou os empreendimentos a serem instalados nas áreas de preservação permanente urbanas devem observar os casos de utilidade pública, de interesse social ou de baixo impacto ambiental fixados nesta Lei. (Lei 14.285/21) Na vigência do novo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012), a extensão não edificável nas Áreas de Preservação Permanente de qualquer curso d'água, perene ou intermitente, em trechos caracterizados como área urbana consolidada, deve respeitar o que disciplinado pelo seu art. 4º, caput, inciso I, alíneas a, b, c, d e e, a fim de assegurar a mais ampla garantia ambiental a esses espaços territoriais especialmente protegidos e, por conseguinte, à coletividade. STJ. 1ª Seção. REsp 1.770.760/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 28/04/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 1010) (Info 694). Art. 5º Na implantação de reservatório d’água artificial destinado a geração de energia ou abastecimento público, é obrigatória a aquisição, desapropriação ou instituição de servidão administrativa pelo empreendedor das Áreas de Preservação Permanente criadas em seu entorno, conforme estabelecido no licenciamento ambiental, observando-se a faixa mínima de 30 metros e máxima de 100 metros em área rural, e a faixa mínima de 15 metros e máxima de 30 metros em área urbana. (Lei 12.727/12) § 1º. Na implantação de reservatórios d’água artificiais de que trata o caput, o empreendedor, no âmbitodo licenciamento ambiental, elaborará Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório, em conformidade com termo de referência expedido pelo órgão competente do Sistema Nacional do Meio Ambiente - Sisnama, não podendo o uso exceder a 10% do total da Área de Preservação Permanente. (Lei 12.727/12) § 2º. O Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial, para os empreendimentos licitados a partir da vigência desta Lei, deverá ser apresentado ao órgão ambiental concomitantemente com o Plano Básico Ambiental e aprovado até o início da operação do empreendimento, não constituindo a sua ausência impedimento para a expedição da licença de instalação. § 3º. (VETADO) Art. 6º Consideram-se, ainda, de PRESERVAÇÃO PERMANENTE, quando declaradas de interesse social por ato do Chefe do Poder Executivo, as áreas cobertas com florestas ou outras formas de vegetação destinadas a 1 ou mais das seguintes finalidades: 124 I. conter a erosão do solo e mitigar riscos de enchentes e deslizamentos de terra e de rocha; II. proteger as restingas ou veredas; III. proteger várzeas; IV. abrigar exemplares da fauna ou da flora ameaçados de extinção; V. proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico, cultural ou histórico; VI. formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; VII. assegurar condições de bem-estar público; VIII. auxiliar a defesa do território nacional, a critério das autoridades militares. IX. proteger áreas úmidas, especialmente as de importância internacional. (Lei 12.727/12) Seção II - Do Regime de Proteção das Áreas de Preservação Permanente Art. 7º A VEGETAÇÃO situada em ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE deverá ser mantida pelo proprietário da área, possuidor ou ocupante a qualquer título, pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado. § 1º. Tendo OCORRIDO SUPRESSÃO de vegetação situada em Área de Preservação Permanente, o proprietário da área, possuidor ou ocupante a qualquer título é obrigado a promover a recomposição da vegetação, ressalvados os usos autorizados previstos nesta Lei. § 2º. A obrigação prevista no § 1º TEM NATUREZA REAL E É TRANSMITIDA AO SUCESSOR no caso de transferência de domínio ou posse do imóvel rural. § 3º. No caso de supressão não autorizada de vegetação realizada após 22 de julho de 2008, é vedada a concessão de novas autorizações de supressão de vegetação enquanto não cumpridas as obrigações previstas no § 1º. Art. 8º A INTERVENÇÃO ou a SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO NATIVA em Área de Preservação Permanente somente ocorrerá nas hipóteses de utilidade pública, de interesse social ou de baixo impacto ambiental previstas nesta Lei. § 1º. A supressão de vegetação nativa protetora de nascentes, dunas e restingas somente poderá ser autorizada em caso de utilidade pública. § 2º. A intervenção ou a supressão de vegetação nativa em Área de Preservação Permanente de que tratam os incisos VI e VII do caput do art. 4º poderá ser autorizada, excepcionalmente, em locais onde a função ecológica do manguezal esteja comprometida, para execução de obras habitacionais e de urbanização, inseridas em projetos de regularização fundiária de interesse social, em áreas urbanas consolidadas ocupadas por população de baixa renda. § 3º. É dispensada a autorização do órgão ambiental competente para a execução, em caráter de urgência, de atividades de segurança nacional e obras de interesse da defesa civil destinadas à prevenção e mitigação de acidentes em áreas urbanas. § 4º. Não haverá, em qualquer hipótese, direito à regularização de futuras intervenções ou supressões de vegetação nativa, além das previstas nesta Lei. Art. 9º É permitido o acesso de pessoas e animais às Áreas de Preservação Permanente para obtenção de água e para realização de atividades de baixo impacto ambiental. 125 Capítulo III - Das Áreas de Uso Restrito Art. 10 Nos pantanais e planícies pantaneiras, é permitida a exploração ecologicamente sustentável, devendo-se considerar as recomendações técnicas dos órgãos oficiais de pesquisa, ficando novas supressões de vegetação nativa para uso alternativo do solo condicionadas à autorização do órgão estadual do meio ambiente, com base nas recomendações mencionadas neste artigo. (Lei 12.727/12) Art. 11 Em áreas de inclinação entre 25º e 45º, serão permitidos o manejo florestal sustentável e o exercício de atividades agrossilvipastoris, bem como a manutenção da infraestrutura física associada ao desenvolvimento das atividades, observadas boas práticas agronômicas, sendo vedada a conversão de novas áreas, excetuadas as hipóteses de utilidade pública e interesse social. Capítulo III-A - Do Uso Ecologicamente Sustentável dos Apicuns e Salgados Art. 11-A A ZONA COSTEIRA É PATRIMÔNIO NACIONAL, nos termos do § 4º do art. 225 da CF, devendo sua ocupação e exploração dar-se de modo ecologicamente sustentável. (Lei 12.727/12) § 1º. Os apicuns e salgados podem ser utilizados em atividades de carcinicultura e salinas, desde que observados os seguintes requisitos: (Lei 12.727/12) I. área total ocupada em cada Estado não superior a 10% dessa modalidade de fitofisionomia no bioma amazônico e a 35% no restante do País, excluídas as ocupações consolidadas que atendam ao disposto no § 6º deste artigo; (Lei 12.727/12) II. salvaguarda da absoluta integridade dos manguezais arbustivos e dos processos ecológicos essenciais a eles associados, bem como da sua produtividade biológica e condição de berçário de recursos pesqueiros; (Lei 12.727/12) III. licenciamento da atividade e das instalações pelo órgão ambiental estadual, cientificado o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA e, no caso de uso de terrenos de marinha ou outros bens da União, realizada regularização prévia da titulação perante a União; (Lei 12.727/12) IV. recolhimento, tratamento e disposição adequados dos efluentes e resíduos; (Lei 12.727/12) V. garantia da manutenção da qualidade da água e do solo, respeitadas as Áreas de Preservação Permanente; e (Lei 12.727/12) VI. respeito às atividades tradicionais de sobrevivência das comunidades locais. (Lei 12.727/12) § 2º. A LICENÇA AMBIENTAL, na hipótese deste artigo, será de 5 anos, renovável apenas se o empreendedor cumprir as exigências da legislação ambiental e do próprio licenciamento, mediante comprovação anual, inclusive por mídia fotográfica. (Lei 12.727/12) § 3º. São sujeitos à apresentação de Estudo Prévio de Impacto Ambiental - EPIA e Relatório de Impacto Ambiental - RIMA os novos empreendimentos: (Lei 12.727/12) I. com área SUPERIOR a 50 hectares, vedada a fragmentação do projeto para ocultar ou camuflar seu porte; (Lei 12.727/12) II. com área de ATÉ 50 hectares, se potencialmente causadores de significativa degradação do meio ambiente; ou (Lei 12.727/12) III. localizados em região com adensamento de empreendimentos de carcinicultura ou salinas cujo impacto afete áreas comuns. (Lei 12.727/12) § 4º. O órgão licenciador competente, mediante decisão motivada, poderá, sem prejuízo das sanções administrativas, cíveis e penais cabíveis, bem como do dever de recuperar os danos ambientais causados, alterar as condicionantes e as medidas de controle e adequação, quando ocorrer: (Lei 12.727/12) I. descumprimento ou cumprimento inadequado das condicionantes ou medidas de controle previstas no licenciamento, ou desobediência às normas aplicáveis; (Lei 12.727/12) 126 II. fornecimento de informação falsa, dúbia ou enganosa, inclusive por omissão, em qualquer fase do licenciamento ou período de validade da licença; ou (Lei 12.727/12) III. superveniência de informações sobre riscos ao meio ambiente ou à saúde pública. (Lei 12.727/12) § 5º. A ampliação da ocupação de apicuns e salgados respeitará o Zoneamento Ecológico- Econômico da Zona Costeira - ZEEZOC, com a individualização das áreas ainda passíveis de uso, em escalamínima de 1:10.000, que deverá ser concluído por cada Estado no prazo máximo de 1 ano a partir da data da publicação desta Lei. (Lei 12.727/12) § 6º. É assegurada a regularização das atividades e empreendimentos de carcinicultura e salinas cuja ocupação e implantação tenham ocorrido antes de 22 de julho de 2008, desde que o empreendedor, pessoa física ou jurídica, comprove sua localização em apicum ou salgado e se obrigue, por termo de compromisso, a proteger a integridade dos manguezais arbustivos adjacentes. (Lei 12.727/12) § 7º. É VEDADA a manutenção, licenciamento ou regularização, em qualquer hipótese ou forma, de ocupação ou exploração irregular em apicum ou salgado, ressalvadas as exceções previstas neste artigo. (Lei 12.727/12) Capítulo IV - Da Área de Reserva Legal Seção I - Da Delimitação da Área de Reserva Legal Art. 12 TODO IMÓVEL RURAL deve manter área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal, sem prejuízo da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente, observados os seguintes percentuais mínimos em relação à área do imóvel, excetuados os casos previstos no art. 68 desta Lei: (Lei 12.727/12) I. localizado na AMAZÔNIA LEGAL: a. 80%, no imóvel situado em área de florestas; b. 35%, no imóvel situado em área de cerrado; c. 20%, no imóvel situado em área de campos gerais; II. localizado nas DEMAIS REGIÕES DO PAÍS: 20%. § 1º. Em caso de fracionamento do imóvel rural, a qualquer título, inclusive para assentamentos pelo Programa de Reforma Agrária, será considerada, para fins do disposto do caput, a área do imóvel antes do fracionamento. § 2º. O percentual de Reserva Legal em imóvel situado em área de formações florestais, de cerrado ou de campos gerais na Amazônia Legal será definido considerando separadamente os índices contidos nas alíneas a, b e c do inciso I do caput. § 3º. Após a implantação do CAR, a supressão de novas áreas de floresta ou outras formas de vegetação nativa apenas será autorizada pelo órgão ambiental estadual integrante do Sisnama se o imóvel estiver inserido no mencionado cadastro, ressalvado o previsto no art. 30. § 4º. Nos casos da alínea a do inciso I, o poder público poderá reduzir a Reserva Legal para até 50%, para fins de recomposição, quando o Município tiver mais de 50% da área ocupada por unidades de conservação da natureza de domínio público e por terras indígenas homologadas. § 5º. Nos casos da alínea a do inciso I, o poder público estadual, ouvido o Conselho Estadual de Meio Ambiente, poderá reduzir a Reserva Legal para até 50%, quando o Estado tiver Zoneamento Ecológico-Econômico aprovado e mais de 65% do seu território ocupado por unidades de conservação da natureza de domínio público, devidamente regularizadas, e por terras indígenas homologadas. § 6º. Os empreendimentos de abastecimento público de água e tratamento de esgoto não estão sujeitos à constituição de Reserva Legal. § 7º. Não será exigido Reserva Legal relativa às áreas adquiridas ou desapropriadas por detentor de concessão, permissão ou autorização para exploração de potencial de energia hidráulica, nas quais funcionem empreendimentos de geração de energia elétrica, subestações ou sejam instaladas linhas de transmissão e de distribuição de energia elétrica. § 8º. Não será exigido Reserva Legal relativa às áreas adquiridas ou desapropriadas com o objetivo de implantação e ampliação de capacidade de rodovias e ferrovias. 127 Art. 13 Quando indicado pelo ZONEAMENTO ECOLÓGICO-ECONÔMICO - ZEE ESTADUAL, realizado segundo metodologia unificada, o poder público federal poderá: I. reduzir, exclusivamente para fins de regularização, mediante recomposição, regeneração ou compensação da Reserva Legal de imóveis com área rural consolidada, situados em área de floresta localizada na Amazônia Legal, para até 50% da propriedade, excluídas as áreas prioritárias para conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos e os corredores ecológicos; II. ampliar as áreas de Reserva Legal em até 50% dos percentuais previstos nesta Lei, para cumprimento de metas nacionais de proteção à biodiversidade ou de redução de emissão de gases de efeito estufa. § 1º. No caso previsto no inciso I do caput, o proprietário ou possuidor de imóvel rural que mantiver Reserva Legal conservada e averbada em área superior aos percentuais exigidos no referido inciso poderá instituir servidão ambiental sobre a área excedente, nos termos da Lei 6.938/81, e Cota de Reserva Ambiental. § 2º. Os Estados que não possuem seus Zoneamentos Ecológico-Econômicos - ZEEs segundo a metodologia unificada, estabelecida em norma federal, terão o prazo de 5 anos, a partir da data da publicação desta Lei, para a sua elaboração e aprovação. Art. 14 A localização da ÁREA DE RESERVA LEGAL no IMÓVEL RURAL deverá levar em consideração os seguintes estudos e critérios: I. o plano de bacia hidrográfica; II. o Zoneamento Ecológico-Econômico III. a formação de corredores ecológicos com outra Reserva Legal, com Área de Preservação Permanente, com Unidade de Conservação ou com outra área legalmente protegida; IV. as áreas de maior importância para a conservação da biodiversidade; e V. as áreas de maior fragilidade ambiental. § 1º. O órgão estadual integrante do Sisnama ou instituição por ele habilitada deverá aprovar a localização da Reserva Legal após a inclusão do imóvel no CAR, conforme o art. 29 desta Lei. § 2º. Protocolada a documentação exigida para a análise da localização da área de Reserva Legal, ao proprietário ou possuidor rural não poderá ser imputada sanção administrativa, inclusive restrição a direitos, por qualquer órgão ambiental competente integrante do Sisnama, em razão da não formalização da área de Reserva Legal. (Lei 12.727/12) Art. 15 Será admitido o cômputo das Áreas de Preservação Permanente no cálculo do percentual da Reserva Legal do imóvel, desde que: I. o benefício previsto neste artigo não implique a conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo; II. a área a ser computada esteja conservada ou em processo de recuperação, conforme comprovação do proprietário ao órgão estadual integrante do Sisnama; e III. o proprietário ou possuidor tenha requerido inclusão do imóvel no Cadastro Ambiental Rural - CAR, nos termos desta Lei. § 1º. O regime de proteção da Área de Preservação Permanente não se altera na hipótese prevista neste artigo. § 2º. O proprietário ou possuidor de imóvel com Reserva Legal conservada e inscrita no Cadastro Ambiental Rural - CAR de que trata o art. 29, cuja área ultrapasse o mínimo exigido por esta Lei, poderá utilizar a área excedente para fins de constituição de servidão ambiental, Cota de Reserva Ambiental e outros instrumentos congêneres previstos nesta Lei. § 3º. O cômputo de que trata o caput aplica-se a todas as modalidades de cumprimento da Reserva Legal, abrangendo a regeneração, a recomposição e a compensação . (Lei 12.727/12) § 4º. É dispensada a aplicação do inciso I do caput deste artigo, quando as Áreas de Preservação Permanente conservadas ou em processo de recuperação, somadas às demais florestas e outras formas de vegetação nativa existentes em imóvel, ultrapassarem: (Lei 12.727/12) I. 80% do imóvel rural localizado em áreas de floresta na Amazônia Legal; (Lei 12.727/12) 128 II. (VETADO) O art. 15 da Lei 12.651/2012, que admite o cômputo da área de preservação permanente no cálculo do percentual de instituição da reserva legal do imóvel, não retroage para alcançar situações consolidadas antes de sua vigência. Em matéria ambiental, deve prevalecer o princípio tempus regit actum, de forma a não se admitir a aplicação das disposições do novo Código Florestal a fatos pretéritos, sob pena de retrocesso ambiental. STJ. 1ª Turma. REsp 1.646.193-SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Gurgel de Faria, julgado em 12/05/2020 (Info 673). O art. 15 da Lei 12.651/2012, que