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GRUPOS, ORGANIZAÇÕES E INSTITUIÇÕES Capítulo 2: Os grupos: pesquisa - formação - intervenção (1974) GEORGES LAPASSADE GEORGES LAPASSADE Georges Lapassade é um filósofo e sociólogo francês. Uma das figuras importantes da psicossociologia, etnologia e pedagogia. Suas ações na comunidade estudantil durante os anos 1958-1968 tiveram um impacto significativo no advento dos eventos de Maio de 1968. Retira de Félix Guattari a expressão “análise institucional” para designar uma sociologia da intervenção, com a colaboração de René Lourau. GRUPO “Um grupo é constituído por um conjunto de pessoas em relação umas com as outras e que se uniram por diversas razões (...) Nós vivemos em grupos sem tomar necessariamente consciência das leis de seu funcionamento interno.” (p. 65) DINÂMICA DE GRUPO Ciência experimental, praticada em laboratório sobre grupos artificiais Regras fundamentais da pesquisa experimental: controle de variáveis, aparelhagem experimental, quantificação das observações. Objeto: funcionamento do grupo, a coesão e as comunicações, a criatividade dos grupos, o comando. Kurt Lewin: setor de pesquisa (entre 1938 e 1939): DINÂMICA DE GRUPO “Em 1940, ao contrário [da atualidade], o técnico em dinâmica de grupo era um homem de laboratório, separado de uma prática de grupos desenvolvida fora do laboratório, no tratamento das ‘relações humanas’ ou na psicoterapia de grupo.” (p.67) KURT LEWIN Kurt Lewin (1890 – 1947) foi um psicólogo alemão, criador da Teoria de Campo. Lewin entendia como campo "um conjunto de realidades físicas e psicológicas, em mútua interdependência". Esse campo pode ser denominado espaço de vida, onde coexistem pessoas (P) e ambiente (E). É nele que pode se observar dinâmicas e observação de ambas as categorias. A maior contribuição de Lewin vem de sua demonstração de que é possível estudar a interdependência entre o sujeito e o grupo no qual ele está inserido. DINÂMICA DE GRUPO Trabalho do técnico em dinâmica de grupo sai do laboratório e ocupa-se da "solução de conflitos sociais". O psicossociólogo prático ‘conhece o grupo ao organizá-lo’, e conhece a sociedade ao modificá-la. O seu conhecimento científico estabelece-se pela prática social e seu laboratório são os grupos reais, as organizações sociais. Posteriormente: PSICOSSOCIOLOGIA “Assim, na França de hoje em dia, o psicossociólogo é aquele que trata das relações humanas nas empresas, ou que forma jovens administradores e os trabalhadores sociais nos seminários de psicossociologia. Em resumo, é antes de tudo um prático, como um psicanalista, ao qual ele toma de empréstimo, aliás, conceitos e modelos de intervenção.” (p.67) ELEMENTOS ABORDADOS NO TEXTO AS PESQUISAS TEÓRICAS E EXPERIMENTAIS SOBRE OS GRUPOS OS PROBLEMAS DA FORMAÇÃO A INTERVENÇÃO PSICO- SOCIOLÓGICA A PESQUISA “A noção lewiniana de dinâmica de grupo supõe que se possa definir um grupo como um sistema de forças. Assim, poder-se-ão distinguir, por exemplo, as forças de desenvolvimento e as forças de coesão: as primeiras são aquelas que ‘impulsionam’ um grupo para os fins que ele se atribui; as segundas são aquelas que motivam os membros a permanecer no grupo.” (p. 67) COESÃO A coesão confunde-se com a atração exercida pelo grupo sobre os seus membros. Em grupos ditos ‘naturais’ os fatores de coesão podem dominar: exemplo grupo de amigos que desejam estar juntos. COESÃO Certas propriedades do grupo: seus objetivos, seu tamanho, seu modo de organização. A propriedade que tem o grupo de satisfazer as necessidades de seus membros: necessidades de relações interpessoais, de segurança, etc. Fatores que interferem na coesão: COESÃO A pertinência das finalidades (será que elas são bem escolhidas?). A clareza das finalidades: isso implica consonância entre os diferentes membros do grupo na percepção das finalidades. A aceitação da finalidade pelos membros. Fatores de coesão do grupo em função das finalidades do grupo: COESÃO DIVERGÊNCIA "Esses acordos dos membros definem as forças de atração; as divergências, ao contrário, constituem forças de repulsão. Desde que as segundas dominem, podem-se observar processos de esfacelamentos dos grupos." (p. 68) Orientação de pesquisa: procura-se determinar os efeitos das estruturas dos canais de comunicação sobre a circulação da informação e sua estruturação progressiva, sobre a eficácia respectiva de certas estruturas na solução de problemas ou na emergência de certos papéis (como o de líder), etc. Aspectos de comunicação nos grupos: COMUNICAÇÕES Numa perspectiva de inspiração sociométrica distinguem-se: redes formais de comunicações (redes oficiais, tais como as circulares numa administração ou numa empresa, os relatórios e notas de serviço, etc). Redes informais de comunicações (sussuros de corredores num congresso, boatos, etc). COMUNICAÇÕES Devem-se ainda distinguir: Processos de comunicações quem fala a quem? Fala-se muito ou pouco? Atitudes e comportamentos de cada um dos membros do grupo na esfera das comunicações que atitudes dos animadores de uma reunião facilitam ou dificultam a comunicação dos membros, etc) COMUNICAÇÕES Existem comunicações: Verbais Não-verbais (sacudir a cabeça, ler ostensivamente um jornal no curso de uma discussão) COMUNICAÇÕES Num grupo, a informação circula: Em cadeia Em estrela Em círculo COMUNICAÇÕES COMUNICAÇÕES “A comunicação em forma de estrela favorece o rendimento, mas pode fazer crescer frustrações e, por isso mesmo, manifestações agressivas; as comunicações em forma de círculo são mais satisfatórias no que se refere aos sentimentos dos membros do grupo, mas podem acarretar perdas de tempo.” (p. 71) COMUNICAÇÕES “Pode-se ainda observar nos grupos uma pressão no sentido da uniformidade que implica, em particular, como consequência, a rejeição daqueles que desviam, quer dizer, dos membros que não adotam os valores, normas e finalidades do grupo. O COMPORTAMENTO DESVIANTE Um membro que se desvia coloca um problema para o grupo: ao mesmo tempo que se tende a rejeitá-lo, pode-se formular a hipótese de que ela poderia trazer para o grupo elementos novos de solução para os problemas que o grupo se coloca. Daí os esforços para uni-lo ao grupo.” (p. 71) O COMPORTAMENTO DESVIANTE Um membro que se desvia coloca um problema para o grupo: ao mesmo tempo que se tende a rejeitá-lo, pode-se formular a hipótese de que ela poderia trazer para o grupo elementos novos de solução para os problemas que o grupo se coloca. Daí os esforços para uni-lo ao grupo.” (p. 71) O COMPORTAMENTO DESVIANTE Exemplo: concurso com premiações diferentes; a mais valiosa aumenta a rejeição do desviante). Rejeição em relação à motivação do grupo: quanto mais forte for a motivação, tanto mais forte é a tendência de rejeitar aquele que se desvia: O COMPORTAMENTO DESVIANTE Experiência: “Reúne-se um grupo experimental de 10 pessoas dos quais 3 (psicólogos) têm papéis precisos a representar, desconhecidos dos 7 outros membros. o primeiro psicólogo assume o papel de ‘indivíduo modal’, que se junta à maioria; o segundo é o “indivíduo móvel”, que se opõe à maioria, e depois de junta à mesma; o terceiro desvia-se sistematicamente (opõe-se ao grupo). O COMPORTAMENTO DESVIANTE Propõe-se organizar o grupo: o membro modal e o membro móvel obtêm a presidência; propõe-se àquele que se desvia o lugar de secretário para controlá-lo, fazê-lo calar, obrigando-o a escrever. No nível das comunicações, no grupo, observa-se uma baixa significativa das mensagens em direção ao elemento móvel depois que se juntou ao grupo. O COMPORTAMENTO DESVIANTE O elemento que se desvia passa a polarizar as comunicações. Depois, observa-se uma baixa, que tende a isolá-lo, quando se constata que ele não se junta ao grupo. Isso corresponde a uma baixa da pressão do grupo sobre o elemento que se desvia com vistas à “uniformização” do grupo”. (p. 72) O COMPORTAMENTO DESVIANTE Documentário Crônicas (Des)Medidas Crônica III: Psiquiatria,Custódia e outras drogas (tempo do vídeo - 12:05 a 20:20) https://www.youtube.com/watch? v=W6opH0NPVgA&t=724s O COMPORTAMENTO DESVIANTE https://www.youtube.com/watch?v=W6opH0NPVgA&t=724s Criatividade como um “processo de elaboração de representações que têm uma riqueza de informação cada vez maior”. Para estudar experimentalmente a criatividade dos grupos, comparando-a com a dos indivíduos, Faucheux e Moscovici utilizaram duas provas: as figuras de Euler e as árvores de Riguet. CRIATIVIDADE DOS GRUPOS A superioridade do grupo depende do tipo de tarefa. A interação social não é uma garantia de rendimento mais econômico. Há um efeito positivo de grupo quando a organização da tarefa permite uma colaboração dos membros, colaboração suscetível de tornar mais flexível a percepção de cada um e de controlar, graças às regras existentes, a sua produção. A partir dessas pesquisas foi possível concluir: CRIATIVIDADE DOS GRUPOS Numa prova em que é possível um efeito de grupo, os grupos são mais originais do que os indivíduos. CRIATIVIDADE DOS GRUPOS