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Legislação fiscal, trabalhista e previdenciária Aula 1 - Introdução ao direito do trabalho 1. Princípio da primazia da realidade: nas relações regidas pelo Direito do Trabalho, nas relações de emprego, o que importa é a realidade e não a forma. O que acontece de fato deve prevalecer e não o que está no papel. A realidade tem primazia, prevalece, impõe-se. Trata-se efetivamente da busca por uma “verdade real” e não só formal. Não há um artigo da CLT, da Constituição Federal (CF) ou de outra lei em que esteja previsto o princípio da primazia da realidade, mas uma importante fonte são os arts. 442 e 443 da CLT, que preveem que o contrato individual de trabalho pode ser estabelecido de forma tácita ou expressa. Ou seja, ainda que não tenha sido combinado entre um trabalhador e um empregador um contrato de trabalho, se as rotinas, as práticas, os fatos demonstrarem estar presentes todas as características de uma relação de emprego, deverá ser reconhecido o contrato de trabalho. 2. Princípio da proteção (ao trabalhador): o trabalhador é a parte mais frágil da relação de emprego. Ou seja, entre o empregador e o empregado, aquele detém mais poder econômico e jurídico. Logo, o trabalhador deve gozar de maior proteção tanto por parte do Poder Legislativo quanto do Poder Judiciário. 3. Princípio da aplicação da norma mais favorável ao trabalhador: Quando duas ou mais normas possam se afigurar aplicáveis em determinado caso, o empregador, o Poder Judiciário e todos os demais que venham a lidar com tal situação devem aplicar a norma mais benéfica ao trabalhador. 4. Princípio da prevalência da condição mais benéfica ao trabalhador A distinção entre este princípio e o da aplicação da norma mais favorável é sensível, já que muitas vezes uma condição mais benéfica ao trabalhador pode se originar de uma norma, seja ela legal, regulamentar ou fruto de pactuação.No entanto, a prevalência da condição mais favorável ao trabalhador se dá também por uma condição adquirida de fato. 5. Princípio da interpretação: in dubio pro misero (ou pro operario) Neste caso, estamos tratando de um princípio interpretativo. Ou seja, toda vez que uma norma for interpretada, caso haja dúvida razoável sobre a sua melhor interpretação, deve-se considerar como a mais adequada a que mais favorece o trabalhador e não a interpretação que seja mais restritiva em termos de direitos trabalhistas. 6. Princípio da intangibilidade e irredutibilidade salarial Este princípio possui norma expressa determinando a irredutibilidade salarial: inciso VI do art. 7º da CF. Essa norma constitucional dispõe que é direito dos trabalhadores urbanos e rurais a irredutibilidade do salário, salvo o disposto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. 7. Princípio da inalterabilidade contratual prejudicial Prevê que qualquer alteração do contrato de trabalho feita de forma unilateral por parte do empregador que venha a ser pior para o trabalhador é considerada nula. 8. Princípio da irrenunciabilidade Visa proteger o trabalhador de sua própria vulnerabilidade frente ao maior poder econômico do empregador. Implica a vedação do empregado renunciar a seus direitos trabalhistas, ainda que devidamente orientado e consciente do que está abrindo mão. E mesmo que o faça expressamente e por escrito. 9. Princípio da alteridade Previsto no art. 2º da CLT, impõe que o empregador não pode repassar os riscos da atividade econômica que resolveu explorar ao trabalhador, por exemplo ergonomia necessária ao trabalho desempenhado. Independente de lucro ou prejuízo, o salário e benefícios devem ser mantidos. 10. Princípio da continuidade da relação de emprego Pressupõe que o trabalho ou a venda de força de trabalho é fundamental à sobrevivência dos trabalhadores, que constituem a maioria dos seres humanos inseridos na população economicamente ativa. Este princípio estabelece a presunção de que os trabalhadores desejam permanecer trabalhando até que eles próprios optem por deixar o seu posto de trabalho. O ACORDO COLETIVO DE TRABALHO - Trata-se de um conjunto de normas pactuadas entre a empresa e o sindicato que representa os trabalhadores dessa empresa. A CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO - É a pactuação de normas entre o sindicato dos trabalhadores e o sindicato dos empregadores. 1. Assinale a alternativa que descreve de forma incorreta o princípio de Direito do Trabalho e o seu conceito: ( ) O princípio da primazia da realidade pressupõe que a realidade vivida na relação de emprego se impõe e prevalece sobre aspectos meramente formais do contrato de trabalho. ( X ) O princípio da alteridade prevê que o empregador não pode repassar ao empregado os riscos da atividade econômica, salvo se estiver com grave prejuízo em suas contas. ( ) O princípio da proteção parte do pressuposto de que o Estado deve garantir o mínimo de proteção à parte mais fraca da relação de emprego, o trabalhador. ( ) O princípio da irredutibilidade salarial prevê que, em regra, o empregador não pode reduzir unilateralmente o salário de seus empregados. 2. Assinale a alternativa que melhor descreve o conceito de princípio da primazia da realidade. ( ) Trata-se do princípio que busca proteger o contrato de trabalho de burlas que venham a ser tentadas por parte do empregado, garantindo que as cláusulas do contrato celebrado sempre prevaleçam. ( ) É o princípio que permite que empregado e empregador possam afastar a aplicação de leis que venham a engessar a atividade econômica desenvolvida em razão de uma realidade nova que impõe a necessidade de mudanças do contrato. ( ) Trata-se do princípio que determina que a realidade, os fatos, devem prevalecer sobre os aspectos jurídicos formais em uma relação de emprego. ( ) É o princípio do Direito do Trabalho que determina que a realidade econômica deve ser levada em consideração na hora de se assinar um contrato de trabalho, permitindo a flexibilização de normas caso ambas as partes concordem. RELAÇÃO DE TRABALHO E RELAÇÃO DE EMPREGO Toda relação de emprego é uma relação de trabalho, mas nem toda relação de trabalho é uma relação de emprego. Relação de trabalho se refere a qualquer relação estabelecida entre um fornecedor de força de trabalho (trabalhador) e um comprador ou tomador da força de trabalho (contratante). Isso não significa que eles tenham necessariamente estabelecido essa relação com base nas regras previstas no Direito do Trabalho. Relação de emprego é uma relação formal estabelecida entre um empregador e um empregado, que por ter certas características específicas vai gozar de maior proteção: a proteção do Direito do Trabalho. É uma relação que deve ser formalizada na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) do trabalhador. REQUISITOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO Pessoalidade – pessoa física certa e determinada, não pode ser substituida por outra.; Não Eventualidade - prestação do serviço pelo trabalhador tem de ser permanente, com certa continuidade no tempo e não meramente acidental, esporádica, eventual, sem regularidade. Onerosidade - O serviço prestado tem em contrapartida a expectativa de receber uma contraprestação, que pode ser pecuniária (valor econômico) ou in natura (que não seja em dinheiro). Caso não haja essa expectativa, estaremos falando de trabalho voluntário e, portanto, não estará caracterizado o vínculo empregatício. Subordinação - Trata-se de um requisito mais complexo, de uma subordinação jurídica. E isso significa que juridicamente o empregador dirige a prestação de serviço exercida pelo empregado. Características do contrato de trabalho Bilateralidade Pressupõe que ambas as partes, empregado (contratado) e empregador (contratante), possuem direitos e obrigações recíprocas. Consensualidade As partes celebrantes do contrato não podem ser obrigadas a trabalhar ou a contratar contra a sua vontade. Onerosidade O trabalho gera expectativa de uma contraprestação. Pessoalidade O empregado presta serviço de forma pessoal. Comutativo e de trato sucessivo As partes sabem previamente seus direitos e suas obrigaçõese que obrigações e direitos das partes se estabelecem sucessivamente, não findando com a prática de um único ato, mas sendo renovados permanentemente. Modulo 2 – elementos do contrato de trabalho