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Diabetes e gestação 1 � Diabetes e gestação 🔎 Referências: TelessaúdeRS [1] Quando encaminhar para PNAR? Diagnóstico de diabetes mellitus na gestação (diagnóstico pré-gestacional ou glicemia de jejum ≥ 126 mg/dl identificado na gestação); ou Diabetes gestacional e: necessidade de hipoglicemiante (oral ou insulina) para obter controle glicêmico adequado; ou gestante com hipertensão crônica. Diabetes e gestação 2 Em situações em que o pré-natal apresenta início tardio (após 24 semanas) o TOTG 75 também é realizado como rastreamento inicial. [1] O tratamento do diabetes mellitus na gestação ou diabetes mellitus gestacional inclui dieta individualizada e prática de atividade física, além do uso de medicamentos, quando indicado. O objetivo é atingir adequado controle glicêmico e ganho de peso. [1] Tto de DM na gestação (overt diabetes): Pacientes em uso de metformina e com bom controle (ver quadro 2 para metas glicêmicas), devem manter o seu uso. Se necessário, deve-se acrescentar insulina. Pacientes utilizando demais medicamentos antidiabéticos, devem ter seu esquema trocado para insulina. Aquelas sem tratamento podem seguir o mesmo fluxo de tratamento de DMG, exceto quando há alto Diabetes e gestação 3 risco de falha com tratamento oral, como glicemia de jejum ≥ 140 mg/dL ou glicemia de 2h ≥ 200 mg/dL no TOTG 75 g. [1] Tto de DMG: Mulheres com diagnóstico de DMG devem iniciar tratamento com medidas não farmacológicas (dieta e exercício físico). Na ausência de controle glicêmico após 2 semanas, o uso de hipoglicemiantes está indicado. [1] a maioria das gestantes (70 a 85%) consegue atingir a normoglicemia apenas com mudanças no estilo de vida. acompanhamento com nutricionista é recomendado, sempre que possível. Hipoglicemiantes orais: estudos recentes comprovam a segurança do uso dos antidiabéticos orais metformina e glibenclamida na gestação. Metformina: deve ser considerada como primeira opção em casos de hiperglicemia leve não totalmente controladas com a dieta. A dose inicial é 500 mg 1x/dia para melhorar tolerância (efeitos digestivos - dispepsia e diarreia), podendo chegar a dose máxima de 1000 mg 2 vezes ao dia. As contraindicações são TFG < 30ml/min e ICC avançada, insuficiência hepática descompensada, DPOC avançado. Cerca de 1/3 das pacientes em uso de metformina irão necessitar de terapia adicional com insulina. Glibenclamida: seu uso deve ser feito com precaução em situações específicas, como em mulheres que não atingem controle glicêmico com metformina (ou não a toleram) e se recusam a usar insulina. Doses iniciais de 2,5 a 5 mg uma vez ao dia são usadas, e a dose é aumentada conforme a necessidade para um máximo de 20 mg/dia, divididos em 2 a 3 tomadas, 30-60 minutos antes das refeições. Insulinoterapia: insulinoterapia é o tratamento padrão para o diabetes gestacional, quando as medidas dietéticas, exercício e a metformina não conseguem manter as glicemias nos níveis desejados, ou quando há alto risco de falha com tratamento oral, como glicemia de jejum ≥ 140 mg/dL ou glicemia de 2h ≥ 200 mg/dL no TOTG 75g. As insulinas humanas, NPH e regular, são as mais recomendadas pela sua demonstrada eficácia e segurança. A dose inicial de insulina de Diabetes e gestação 4 ação intermediária (NPH) deve ser em torno de 0,2-0,5 UI/kg/dia, em uma a duas aplicações diárias (às 7h e/ou às 22h), com ajustes individualizados para cada paciente. Para casos onde predomina a hiperglicemia de jejum, é recomendado uso de insulina NPH antes de dormir. Os ajustes posteriores devem ser realizados de acordo com os alvos, iniciando-se insulina regular para pacientes que têm alvos pré-prandiais adequados, mas com hiperglicemia pós-prandial. A dose recomendada é de 1,5 UI por 10 g de carboidrato no café da manhã e 1 UI por 10 g de carboidrato no almoço e no jantar. Para pacientes usando esquemas de insulina basal e bolus, a sugestão é administrar 50%-60% da dose diária como insulina NPH (basal) e 40%-50% como insulina regular (bolus) Diabetes e gestação 5 Diabetes e gestação 6 Controle glicêmico No início, a monitorização da glicemia capilar domiciliar diária é recomendada, devendo ser realizada de 3 a 7 vezes por dia (em jejum antes das principais refeições e pós-prandiais). [1] Como padrão, pode-se realizar 1 medida em jejum e 3 pós-prandiais: o ajuste baseado nas glicemias pós-prandiais (comparado com pré-prandial) está associado com melhores desfechos. Para pacientes usando insulina, recomenda-se 7 medidas diárias (jejum, antes e após principais refeições). [1] Em pacientes com bom controle glicêmico após 1 a 2 semanas, pode-se espaçar a monitorização para dias alternados (4 vezes por semana). As mulheres devem ser avaliadas a cada 2 semanas para verificar se a meta do controle glicêmico está adequada e semanalmente após as 36 semanas. [1] Em resumo, sugere-se o seguinte esquema de monitoramento [1]: Sem uso de insulina: jejum (manhã) e pós-prandial (após café, almoço e jantar). Em uso de insulina: antes e depois das refeições e as 22 horas; Após controle glicêmico adequado: monitorização em dias alternados (4 vezes por semana). A monitorização metabólica com dosagem de hemoglobina glicada (HbA1c) não é recomendada para mulheres com DMG, pois não há estudos que validem o uso deste exame com desfechos clínicos no DMG. Além disso, há variações fisiológicas da hemoglobina (hemodiluição) na gravidez que comprometem a interpretação deste exame. [1] Diabetes e gestação 7 ⚠ O critério de crescimento fetal, por meio da medida da circunferência abdominal fetal maior ou igual ao percentil 75, também pode ser utilizado para indicar mau controle metabólico e readequação do tratamento em uso. [1] Avaliação complementar Morfológica: pacientes com DMG ou DM na gestação tem recomendação de realizar ecografia morfológica com 3 cortes para avaliação do coração fetal (quatro câmaras, Ventrículo Esquerdo e aorta, Ventrículo Direito e artéria pulmonar) em torno de 20 semanas. [1] Ecocardio fetal: pacientes com diabetes mellitus na gestação (pré-gestacional ou diagnosticado no primeiro trimestre) apresentam indicação de realização de ecocardiografia fetal em torno de 19-22 semanas de gestação, pelo risco de malformação. [1] Obstétrica: independente do controle metabólico, uma ecografia obstétrica para avaliação do peso estimado fetal é recomendada por volta de 36 semanas. Se o peso fetal estimado for ≥ 4.500 g, encaminhar para avaliação em emergência obstétrica. Pacientes que fazem uso de terapia farmacológica ou aquelas que tem mau controle glicêmico, podem começar a avaliação de crescimento no início do terceiro trimestre (28, 32 ou 36 semanas), variando conforme a gravidade da doença e o protocolo da instituição. [1] Avaliação de bem-estar fetal [1]: Pacientes com DMG com bom controle glicêmico, sem tratamento farmacológico ou comorbidades: Não é necessário avaliar vitalidade fetal até o final da gestação, além das recomendações usuais para gestantes de baixo- risco. Pacientes que fazem uso de hipoglicemiantes orais, insulina ou aquelas que tem um mau controle glicêmico: Iniciar avaliação de bem-estar fetal semanal no centro obstétrico em torno de 32 semanas de gestação. Não há procedimento de avaliação da vitalidade fetal específico para gestantes com diabetes, sendo a cardiotocografia e o perfil biofísico fetal os mais utilizados. Acompanhamento pós-parto Diabetes e gestação 8 O risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida é de 50-70% em 15 a 25 anos e de apresentar DMG na próxima gestação de 30-60%. [1] É recomendado controle no puerpério com realização do TOTG com 75 g de glicose cerca de 4-12 semanas após o parto, usando os critérios para diabetes fora da gestação (glicemia jejum ≥ 126 mg/dl e/ou glicemia ≥ 200 mg/dl 2 horas após a carga de glicose). Naquelas mulheres com resultados do TOTG 75 g normal, o rastreamento de diabetes deve ser feito a cada 3 anos, ou antes sea mulher estiver planejando nova gestação. Links úteis: https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/telecondutas/tc_diabetes_gestacao_1.3.pdf https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/telecondutas/tc_diabetes_gestacao_1.3.pdf