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Conteudista: Prof. ª M.ª Mara Sampaio Revisão Textual: Prof.ª Esp. Lorena Garcia Aragão de Souza Objetivos Gerais: Desenvolver o manejo de grupos e mediação nas relações interpessoais com o foco no resultado; Estimular a utilização de metodologias ativas e ágeis que promovam um ambiente de trabalho de alta performance e aprendizagem contínua (lifelong learning). Material Teórico Material Complementar Referências Desenvolvendo Equipes e as Relações Grupais Processo e Dinâmica Grupal O que é Grupo? Todos nós vivemos em grupo. Os profissionais das ciências humanas e sociais trabalham diretamente com grupos de pessoas, atuando como agentes sociais, educadores, terapeutas ou gestores. Outros tipos de profissionais, além de conviverem com grupos de trabalhadores podem assumir o papel de liderança no comando de grupos de trabalho ou, ainda, em outros contextos sociais, de seu bairro, sua igreja ou seu clube. A condução de um grupo para promover boas relações entre os integrantes ou para levá-lo a atingir um determinado objetivo é sempre vista como um desafio nas organizações. O líder ou coordenador de um grupo precisa mais do que boas intenções e experiências tácitas para obter o êxito. Para contribuir de forma efetiva nas mudanças, transformações e evolução – tanto nos campos pessoal e grupal, como na própria organização ou instituição da qual esse grupo faça parte, é necessária uma boa preparação técnica. De forma geral, o objetivo das intervenções grupais é promover a melhoria da qualidade de vida, o desenvolvimento de papéis profissionais e realizar a mediação de conflitos. Para isso, torna-se necessário desenvolver a competência específica que facilitará a mediação dessas relações grupais. Isso aumentará o conhecimento teórico sobre grupos e suas especificidades (regras de conduta, funcionamento interno e cultura) e possibilitará o domínio das metodologias de condução do processo grupal. 1 / 3 Material Teórico Figura 1 – Grupo; pessoas em relação de trabalho Fonte: Pexels Um grupo é a menor das composições sociais. Por sermos seres sociais, nascemos e desenvolvemos nossa identidade pessoal a partir das relações interpessoais nos diversos grupos que pertencemos. A cada fase de vida, os grupos (que são instâncias de intermediação entre o indivíduo e a sociedade) contribuem para a evolução dos aspectos psicossociais de nossa vida familiar, social e profissional. É nos grupos que se experimenta a tangibilidade da dimensão particular e coletiva em nossas vidas. O estudo sobre grupos faz parte da psicologia social, que é a disciplina que se propõe a compreender os fenômenos coletivos. Os indivíduos vivem em grupos: os grupos se interconectam e formam estruturas maiores e dinâmicas – ou seja, as redes sociais. Nessas estruturas sociais, as pessoas compartilham valores, interesses comuns que se atraem e/ou se distanciam, de acordo com fatores pessoais ou coletivos. O estudo dos processos grupais compreende conhecimento sobre organização, funcionamento e relações (posições e coesão), pois um grupo tem características próprias e diferentes de indivíduos, isoladamente. O marco inicial dos estudos sobre os grupos é considerado com a “Teoria das Relações Humanas” desenvolvida por Elton Mayo, em 1920. O pesquisador descobriu a influência dos aspectos grupais na produtividade das pessoas e com isso valorizou a importância do indivíduo na organização do trabalho coletivo. Outros estudos vieram na sequência e a Psicologia Social passou por uma evolução acelerada com estudos sobre motivação, liderança, comunicação e sua influência no desenvolvimento de equipes. Mas, afinal, o que define um grupo? É o número de pessoas que o integram? O tempo que elas permanecem juntas? O local onde se reúnem? Mesmo entre os estudiosos não há consenso sobre essas questões, vamos, então, trazer algumas referências que possam subsidiar os primeiros passos para desenvolver relações saudáveis num grupo. A dificuldade da definição talvez esteja na multiplicidade de alternativas. Existem grupos abertos e fechados. Alguns são institucionais, outros surgem de forma espontânea. Essas e outras variações dificultam tipificar as relações interpessoais que ocorrem no interior de um grupo. Aqui, vamos priorizar a definição de Pichon Rivière (1907-1977), (apud ANDALO, 2006, p. 57) psiquiatra e estudioso do processo grupal, que descreve grupo como: - in ANDALO, 2006, p. 57 “Um conjunto restrito de pessoas ligadas entre si por constantes de tempo e espaço, articuladas por sua mútua representação interna, que se propõe de forma implícita ou explícita à realização de uma tarefa, a qual constitui a sua finalidade, interatuando através de complexos mecanismos de atribuição e assunção de papéis.” Essa definição nos dá referência para compreender três princípios fundamentais sobre o processo e dinâmica de um grupo. São eles: Chamamos de processo grupal os fenômenos que impactam as pessoas a partir das relações vividas quando um grupo se estabelece e que garantem o seu funcionamento. Pode ser identificado a partir da: A sociodinâmica grupal é evolutiva e caracterizada pela posição sociométrica dos integrantes, ou seja, o locus social na rede de relacionamento entre os membros do grupo. Ou, ainda, pelo grau de aceitação e/ou rejeição entre os participantes, naquele papel que desempenha e o vincula aos demais. (NERY, 2014). Portanto, a sociodinâmica do grupo se dá em etapas de desenvolvimento. São elas: Composição: número restrito de integrantes em tempo e espaço definidos; Vínculo: as pessoas são ligadas afetivamente entre si e há regularidade nas normas de convivência; Objetivo comum: o propósito de sua operacionalidade para a realização da tarefa a que o grupo se propõe. Coesão: significa o resultado da aderência do indivíduo ao grupo ou o grau de afetividade positiva que mantém a dinâmica grupal. O que qualifica a estrutura grupal; Motivações e critérios: são os elementos relacionados com a escolha feita por cada indivíduo ao decidir participar de um grupo e o que organiza sua estrutura; Papéis sociais: refere-se à função desempenhada por cada indivíduo dentro do grupo em relação aos objetivos e à interação com demais participantes. Intervenção Grupal Quando se fala em processo grupal, o primeiro passo é identificar a situação, os conteúdos e as dinâmicas conscientes e inconscientes que atuam como forças positivas ou negativas no interior do grupo. São essas forças que exprimem relações internas de poder e geralmente Eu-comigo: momento inicial, marcado pelo isolamento, em que cada um está voltado para si mesmo, por seus desejos e necessidades. Há indiferenciação entre os membros. Chamamos de fase de horizontalização. Eu-outro: relação estabelecida horizontalmente, iniciada em pares, que leva ao desenvolvimento do sentido de pertencimento grupal. Fase da diferenciação horizontal. Eu-todos: envolvimento e expansão relacional no grupo e com o trabalho a ser efetuado. Destaque para a diferenciação e assimetria entre os papéis. As configurações e papéis surgem com foco na qualidade e no resultado. Fase da diferenciação vertical. Trocando Ideias... Procure recordar os tipos de grupo que você faz parte atualmente. Identifique aqueles em que você está em diferentes momentos relacionais nas três etapas de desenvolvimento: Eu-comigo, Eu-outro e Eu-todos. favorecem o surgimento de conflitos, de adoecimentos, da improdutividade e podem levar até mesmo à dissolução grupal. Além disso, as relações grupais são interpoladas pelas emoções e percepções individuais que por serem diferentes entre os diversos participantes podem causar problemas de comunicação, de relacionamento, de motivação e de produtividade. Cuidar do processo grupal implica na capacidade do profissional em diagnosticar a estrutura e a organização da afetividade, bem como o desempenho dos papéis e o impacto que causam no clima grupal. Também faz parte do diagnóstico desvelar os fatores que afetam o funcionamento do grupo. A capacidade de reconstruir a rede relacional dependerá do uso de métodos e técnicas que favorecem a saúde do indivíduo, do grupo e do contexto em que estão inseridos. Kurt Lewin, na década de 1940, foi o primeiro estudioso de grupos humanos a falar da função do coordenador e da importância da proximidade do pesquisador durante a intervenção e sugerir que ele deve ser um participante ativo, inserido no grupo. Outros estudiosos, como J. Moreno, C. Roger e P. Rivière compartilham da mesma forma de olhar a atuação do coordenador/mediador numa relação horizontal com os grupos em que atuam, mesmo criando abordagens específicas para o desenvolvimento das relações grupais. J. Moreno, criador do psicodrama, afirma que um sociometrista (ou um coordenador de grupo) deve se colocar como observador/participante, mantendo distanciamento e/ou proximidade sempre a favor da tomada de consciência do grupo sobre suas próprias dificuldades e potencialidades. Para Moreno, a intervenção grupal deve promover a liberação da espontaneidade e da criatividade dos participantes, recurso essencial para mudanças relacionais que desencadeará novas respostas às situações conflituosas, promovendo a saúde das relações grupais. Para o desenvolvimento de equipe, o papel de facilitador ou mediador dos processos grupais deve estar alinhado com os participantes no sentido de promover que estes sejam os protagonistas – os sujeitos ativos de sua evolução grupal. Equipes e Times A distinção e a precisão no uso dos termos são essenciais para compreensão no ambiente organizacional. Numa escola ou empresa, é comum usarmos expressões como grupo de trabalho, equipe de trabalho ou time, sem nos preocuparmos com as suas especificidades. Há, no entanto, diferenças conceituais que precisam ser esclarecidas e que tornam-se essenciais para o facilitador na sua intervenção. Grupos existem em todas as organizações. Porém, para ser visto como uma equipe, o grupo de pessoas que integram uma organização deve empreender ações coordenadas e estar comprometido com um objetivo em comum. Figura 2 – Estágios Desenvolvimento Grupal Os grupos evoluem para equipes quando passam a ser mais colaborativos, interdependentes e engajados na busca pelo alcance dos resultados de um projeto comum. Num “grupo de trabalho”, as pessoas podem interagir, estar juntas e responderem a um mesmo gestor, mas com objetivos individuais. As equipes desenvolvem um senso de responsabilidade coletiva sobre o trabalho e seus resultados. Nas equipes, as divergências de opinião são aceitas, estimulando um clima de confiança, abertura e comunicação. Quando pensamos em time (palavra que se originou no substantivo team da língua inglesa), logo nos vem à cabeça es equipes esportivas de futebol, vôlei ou basquete. Isso faz todo sentido, visto que um time de trabalho se caracteriza pela alta performance na busca de um resultado superior. Em equipes que evoluem para times, os integrantes passam a ter perfis complementares, além da automotivação e da autogestão – bem como excelência técnica, alto desempenho e o comprometimento externo com as estratégias e o posicionamento da organização. A confiança interna é grande e os riscos são assumidos em conjunto. Os integrantes de um time têm alta predisposição à mudança, competitividade e inovação. O funcionamento de um time é o de células dinâmicas e autônomas, nas quais os papéis são bem definidos, com habilidades e conhecimentos distintos. As divergências de opinião são estimuladas visando criação de novos padrões de eficácia e a superação de expectativas. Papel de Facilitador do Coordenador de Equipe Facilitação é o nome dado à forma de conduzir o desenvolvimento de uma equipe, na qual os integrantes têm tarefas específicas e um objetivo comum que, para ser alcançado, precisa respeitar o ritmo e a condução de cada participante. Facilitar, nesse caso específico, é criar condições para que o grupo construa seu próprio aprendizado. Como é possível perceber, o desenvolvimento de equipes é um processo que pode ser estruturado e conduzido internamente pelo líder/gestor ou, ainda, por um profissional externo que atua especificamente nessa atividade. Em seu papel, o facilitador pode acelerar o processo de Reflita Pesquise entre seus colegas quem teve experiências em diferentes grupos, equipes e times. Identifique com eles as diferenças, os aprendizados e o grau de satisfação em cada um dos níveis de participação. evolução interna e do objetivo comum no aprofundamento das relações interpessoais. Conduzir um grupo no papel de facilitador pressupõe responsabilidade e experiência profissional. No processo de aprendizagem, o facilitador se apresenta numa relação de horizontalidade e participa tanto da troca de conhecimento quanto da aprendizagem proporcionada pela participação ativa do grupo – onde cada um é autor e investigador de seu desenvolvimento e superação de impasses. Cabe ao facilitador: Importante! Um facilitador é alguém que ajuda o grupo a descobrir a quantidade de conhecimento que já possui que o encoraja a aprender mais e ajuda-o a explorar o seu potencial. Facilitar significa criar um ambiente onde o grupo aprende, experimenta, explora e cresce. É um processo de partilha. Não é um processo onde alguém, perito, transmite o seu conhecimento e competências aos outros. (Council of Europe, 2003.) Manter o foco no papel profissional: o conceito de papel, no contexto específico do trabalho e conforme a visão de Moreno (2008), é o modo de funcionamento que o indivíduo assume num determinado momento para agir numa situação em que outras pessoas estão envolvidas. A cultura de cada organização (escola, empresa 1 Nos últimos tempos, com o avanço das tecnologias e com o surgimento de formas de interação que possibilitam novas parcerias e alianças, temos visto o surgimento do “trabalho em rede” – novas formas de relações e novas estruturas organizacionais que oferecem a possibilidade de interagir e atuar no ambiente virtual. Nesse caso, não existe a demanda da interação presencial e as atividades podem ser comunicadas de forma não sincrônica. Ou seja, as ações são desvinculadas do espaço geográfico e tempo – o que possibilita diferentes tipos de composição de equipes e oferece maior flexibilidade e menor interdependência das ações. Esse fenômeno pode representar um avanço das relações de equipes e times; o trabalho em rede traz elementos contemporâneos que requerem a atenção e novas estratégias de intervenção dos líderes e gestores de pessoas. Subjetividade e Diversidade O conceito de subjetividade vai além da noção de identidade pessoal, que é igual à autopercepção, ou seja, nossa existência percebida por nós mesmos. A subjetividade constitui-se a partir da etc.) define a forma de conduta de cada cargo ou função que as pessoas assumem em sua atuação. Os papéis profissionais possuem elementos privados (nos quais cada um traz sua história e características pessoais) e coletivos (definições do contexto organizacional), que devem ser levados em conta no seu desenvolvimento; Desenvolver as habilidades: tanto as habilidades cognitivas como as socioemocionais devem ser consideradas fundamentais para a evolução das relações grupais, proporcionando um bom funcionamento da equipe. Isso vale, por exemplo, para o desenvolvimento da capacidade de solução de problemas, da tomada de decisão, do comprometimento, do comportamento proativo, da empatia e do comportamento colaborativo; 2 Gerenciar o clima: o clima do trabalho em equipe é, por definição, a maneira pela qual os integrantes percebem e vivenciam o conjunto de políticas, práticas e procedimentos da organização – e como os compartilham entre si. O clima positivo está relacionado com um ambiente de segurança psicológica onde se procura promover a harmonia e o equilíbrio para lidar com as mudanças, os erros, opiniões divergentes e as críticas – fatores que, juntos, favorecem a abertura para o novo e a evolução da equipe. 3 percepção das diferenças construídas na interação com o mundo, nas opiniões, nos afetos e nos valores que definem seu espaço existencial diferenciando do outro. Podemos dizer que é o campo íntimo das especificidades e das múltiplas dimensões experimentadas por alguém – que cria um modo específico de ser, um estilo reconhecido como seu e que se concebe como ser único e sempre em transformação. Quando nascemos, somos inseridos numa estrutura social e cultural já existente, com papéis sociais já instituídos. É na matriz relacional dos papéis, desempenhados por cada um de nós, que vamos construindo nosso self (eu). Os primeiros papéis (filho, irmão etc.) com a família e os que vêm na sequência (amigo, aluno, trabalhador etc.) contribuem para formação de nossa subjetividade que institui-se enquanto relação com o outro, que se constrói e se (re)inventa a todo momento nas interações que a vida nos proporciona. Subjetividade é um termo que contemporaneamente pode contemplar várias dimensões, além da identidade social e do nível da consciência. Nossa mente gerencia o corpo, as emoções e as decisões sobre a maneira de estar no mundo. A consciência costuma estar atrelada aos atos e pensamentos que produzem a ligação entre passado (nossa biografia) e futuro (o que desejamos ser) construindo nosso presente (Damásio, 2000). A nossa realidade está constituída de intersubjetividades, em que cada um difere e reconhece a diferença do outro no espaço de convivência. Quando falamos de diversidade estamos considerando a convivência e a prevalência da intersubjetividade nas relações. Também consideramos o respeito às diferenças individuais e o apoio incondicional ao pluralismo. Nesse sentido, o pluralismo aqui é entendido como a abertura e a aceitação daquilo que é diverso a nós em relação aos atributos e características humanas percebidos externamente – como a idade, o gênero, a raça, a sexualidade, a nacionalidade, a religião, entre outros aspectos. Vivemos em um mundo diverso culturalmente, etnicamente e socialmente. Cada ser humano é único e isso torna a pluralidade algo inerente a nossa existência. Classificar e rotular as pessoas por aspectos que fogem ao seu controle – como o envelhecimento, alguma deficiência, local de nascimento, a cor da pele – é a origem da mentalidade preconceituosa e discriminatória. Atitudes desse tipo não têm mais lugar na sociedade e muito menos nos ambientes de trabalho e educacionais, no Século XXI. Movimentos sociais que ganharam força a partir de meados do Século XX, visando os direitos sociais e a inclusão de grupos considerados minoritários – como negros, mulheres e homossexuais – difundiram-se globalmente, tornando a diversidade uma condição evolutiva do ser humano. Figura 3 – Diversidade humana Fonte: Getty Images A diversidade tem como base estruturante a alteridade – que é a aceitação do outro como alguém diferente, estranho e ao mesmo tempo fundamental para a autopercepção (reconhecimento de si). É na convivência com o diferente e nas relações de contraste com a existência do outro que nos constituímos como seres únicos e distintos. As divergências no nível “eu/outro” não devem ser a origem de estereótipos e de desagregação. A alteridade, como característica inata do ser humano, deve preponderar na criação da pluralidade e na constituição de um ambiente social único, multicultural e diverso. As organizações, além da apoiarem e definirem a diversidade e o respeito às diferenças como valores em sua cultura, precisam criar estratégias para garantir a inclusão e a equidade de grupos minoritários entre seus quadros de funcionários. É preciso programas e ações que propiciem que todos sintam-se pertencentes e reconhecidos no ambiente profissional. Inclusão, nesse caso, significa a relação entre todos, baseada no respeito mútuo, e é o que mantém as empresas em constante movimento pela igualdade. Já existem pesquisas que correlacionam um ambiente profissional com diversidade de gênero, racial e orientação sexual com vantagem de competitividade, inovação e lucratividade – além do bem-estar dos funcionários e da responsabilidade social que dão credibilidade às empresas. Você Sabia? “Marcadores Sociais da Diferença” são um campo de estudo das ciências sociais que tenta explicar como são constituídas socialmente as desigualdades e hierarquias entre as pessoas sobre raça, gênero, orientação sexual e de geração, como: os direitos da mulher, a liberdade sexual, a igualdade racial e os direitos dos idosos. Com a sociedade em constante transformação, cabe o surgimento de novos marcadores no futuro como fatores de identificação de desigualdade social. Comunicação e Mediação de Conflito A comunicação é mais uma instância importante para o desenvolvimento de equipes. A palavra comunicação (do latim communicatio-onis,) tem a mesma raiz etimológica do adjetivo “comum” e do verbo “compartilhar”. O ato de comunicar implica trocar opiniões e faz menção a informações de interesse público. É um processo que envolve a troca de informações entre dois ou mais interlocutores que utilizam signos, símbolos e regras que compartilham mutuamente. Trata-se de um processo social que permite criar e interpretar mensagens que estimulam uma resposta. Figura 4 – Comunicar: trocar opiniões Fonte: Getty Images Numa organização, a função da comunicação é coordenar as ações das diversas áreas para um bom funcionamento interno e um boa conexão externa com o contexto em que está inserida. Ela propicia a unificação em torno do propósito organizacional, dá sustentação à cultura, aos sistemas de valores e ao alinhamento de atitudes. A comunicação é um elemento das relações interpessoais que, na organização, pode se dar internamente pela forma escrita – com o uso das mensagens de e-mail, relatórios e manuais que subsidiam a tomada de decisões e promovem o alinhamento estratégico e cultural. Ou externamente, por meio, por exemplo, de um website ou de redes sociais – que divulgam seus produtos e serviços, além de comunicar a função e as iniciativas de responsabilidade social com seus públicos e clientes. A comunicação também se dá pela forma verbal, de grande importância na organização por assegurar a fluidez das informações e consolidar o significado das mensagens. Além disso, é fundamental para fortalecer os laços relacionais e facilitar a coesão do grupo. A comunicação verbal, além de se valer das palavras faladas, também inclui a forma de expressão. O tom de voz, o volume e o ritmo da fala, o sotaque ou as expressões regionais que podem alterar a pronúncia e o sentido de algumas palavras num determinado ambiente são partes essenciais desse tipo de comunicação. As expressões faciais e os gestos também fazem parte do processo. Na interação entre o locutor e o ouvinte, as pessoas usam todos esses elementos para entender as mensagens orais. O processo da comunicação é social porque envolve duas ou mais pessoas. É composto de etapas que ocorrem ao longo do tempo e é, também, de mão dupla. Figura 5 – Etapas do processo de comunicação O primeiro passo do processo é a codificação, a partir do qual uma mensagem passa a ser a tradução em palavras, de ideias ou pensamentos. A transmissão, que vem em seguida, é o meio utilizado para levar a mensagem ao ouvinte – ou receptor. Isso se dá nos diálogos presenciais, nas conversas telefônicas, nas mensagens por aplicativo ou qualquer outro recurso de transmissão de voz. A etapa final é a decodificação – ou seja, o momento em que se dá a compreensão dos símbolos e do significado da mensagem. E volta como resposta invertendo os papéis entre locutor e ouvinte. Em qualquer uma das etapas podem ocorrer ruídos, que se tornam obstáculos, prejudicam a fluidez, a clareza e o objetivo da comunicação. Os ruídos como barreiras para a comunicação podem ser: Filtragem: manipulação da mensagem pelo locutor; Aprimoramento da Comunicação nas Organizações O desenvolvimento da comunicação para garantir a fluidez e a qualidade da operação nas organizações ocorre simultaneamente à evolução dos sistemas de produção e das relações de trabalho. No mundo contemporâneo, com a informatização e a integração dos sistemas de comunicação, exige-se maior agilidade e mais atenção prévia, a fim de evitar os ruídos e as barreiras – fazendo-se necessária a predisposição de todos os envolvidos na busca de soluções eficazes. Quadro 1 – Evolução da comunicação organizacional Comunicação zero Não há intercâmbio social e nem discurso expressivo – a comunicação informal não é legitimada. Início século XX: escola e empresa com concepção autoritária. As palavras e as respostas eram desnecessárias e desencorajadas. Valorização do Silêncio (professores-alunos; chefe-operários). Comunicação técnica Linguagem especializada e formal, com a função Meados século XX: escola e empresa com concepção tecnicista. Discurso Percepção seletiva: interpretação pelo viés pessoal (preconceito); Sobrecarga de informações: excesso de informação para captar; Emoções: defesas, medos, ansiedade e temperamento individual; Linguagem: diferenças de cultura, geração e escolaridade. de execução e controle do trabalho. Abordagem intelectual – aspectos cognitivos. uniliteral e frio, desenvolvido pelo engenheiro ou pelo professor (os pensantes), relegando ao trabalhador ou ao estudante (os executores) a função de ouvintes. Comunicação autêntica Processo de compreensão recíproca, com sentido compartilhado. Respeita as liberdades de pensamento e opinião sobre ações assumidas em conjunto. Abordagem Socioemocional: implica a cognição e a emoção. Século XXI: escola e empresa com concepção de serviço e abordagem humanista. Discurso de natureza intersubjetiva. Favorece a expressão e a participação de todo colaborador ou estudante como sujeito ativo. Fonte: Adaptado de ZARIFIAN (in DAVEL, 2008) Nas organizações existem as redes formais (controladas institucionalmente) e informais de comunicação. É nessa segunda que se formam a maioria dos rumores que favorecem a maior parte dos ruídos na comunicação organizacional. Gera desconfiança no sistema formal, propaga fake news e estimula conflitos entre pessoas e equipes. As mudanças relativas à comunicação no ambiente de trabalho estão ocorrendo em ritmo acelerado. A tecnologia digital agiliza o processo e desenvolve novos tipos de comunicação organizacional – como grupos virtuais, salas de bate-papo e fóruns de discussão que podem trazer benefícios, mas também causam problemas para os gestores. A comunicação é, por natureza, dinâmica e nos estimula a mudar nosso vocabulário para nos adaptar às mudanças e avanços sociais. Novos termos e novas formas de se comunicar surgem por meio das inovações tecnológicas, pela intensificação das relações globais e interculturais e contribuem para corrigir distorções nas relações de poder e de discriminação entre grupos sociais. A boa comunicação organizacional pressupõe uma combinação entre a gestão estratégica dos instrumentos formais e as ações de comunicação baseadas no diálogo e na autenticidade dos sujeitos envolvidos. Faça uma lista de termos que devem ser evitados e foram substituídos por palavras com significados mais adequados à contemporaneidade. Mediação de Conflitos Reflita Comunicação “politicamente correta”: Que palavras você utilizaria para mencionar um colega que necessita de a uma cadeira de rodas?; Quais termos você usaria para se referir a uma cliente do sexo feminino?; Como você se comunica com um colaborador com mais 65 anos?. Não existe convivência grupal e nem evolução de equipes sem conflito. Além do conflito ser inerente à condição humana, parece que, quanto mais o tempo avança, mais ele se manifesta no cotidiano da humanidade. Lidar com conflitos e encarar as diferenças é parte da nossa realidade social. Quanto mais democráticas e mais globalizadas são as relações, mais emergem os conflitos. Eles podem ser saudáveis. Portanto, lidar com conflitos, não significa necessariamente eliminá-los. Além de inevitáveis, eles podem ser úteis à medida em que geram mudanças, estimulam o surgimento de novas ideias, levam a atitudes mais adequadas e à correção de injustiças. Nas escolas, podem gerar saberes, e nas empresas, prosperidade. O desafio consiste em intermediar as divergências e transformá-las em soluções criativas. Desde as festas de família, as reuniões de executivos, os encontros de professores até as assembleias da Organização das Nações Unidas (ONU), as pessoas têm buscado acordos, argumentos e resoluções que favoreçam seus interesses e propósitos. Nas organizações, é necessário que se tenha um olhar mais atento para a natureza e a origem dos conflitos e se recorra a um processo de intervenção que possa gerar comportamentos mais flexíveis e saudáveis. “Conflito é o processo resultante das percepções de duas partes que estão trabalhando em oposição uma à outra, de forma que isso resulte em sentimentos de desconforto e/ou em animosidade.” (GRIFFIN, 2016, p. 398). Quando pessoas diferentes trabalham juntas em ambientes organizacionais, suas percepções podem gerar consequências diversas. Numa mesma reunião de equipe, algumas podem se sentir felizes e energizadas, outras, desconfortáveis e entediadas e as de um terceiro grupo, infelizes e frustradas. Dada a grande variedade de percepções, objetivos, atitudes e assim por diante, entre os profissionais, o ambiente organizacional é muito suscetível a conflitos interpessoais. Um conflito não é um episódio único. É mais do que isso: um processo que se estabelece ao longo do tempo. Ele deve ser legitimado pela percepção antagônica de dois ou mais lados envolvidos. Para ser real, sua existência deve ser declarada pelos envolvidos. Esse processo se dá em cinco etapas: Conflito latente: condições que favoreçam seu surgimento; Negociação Para que todos sejam beneficiados ou atendam aos seus propósitos, um conflito deve ser administrado de forma racional e coerente. A negociação é uma disciplina que busca métodos e formas de conduzir o processo de medição de conflitos, levando em conta fatores que podem influenciar a evolução e o resultado final. Esses fatores incluem a cultura, as crenças, os valores, os costumes, o grau de entendimento da situação, bem como as emoções de cada sujeito envolvido. O intuito da negociação é encontrar uma solução harmoniosa – independentemente da intensidade do conflito – e chegar a um resultado satisfatório para todos. A gestão de conflitos nas organizações é responsável por ações preventivas, capazes de evitar que o ambiente se torne tóxico pelo excesso de competição, ofensas, fofocas ou assédio. Tais ações, bem como a multiplicação de recursos como os da comunicação não-violenta, fortalecem os canais de comunicação interna e favorecem um ambiente acolhedor, com o desenvolvimento da empatia e o incentivo da cultura da paz. Mesmo com as medidas preventivas adotadas por um número cada vez maior de organizações, há situações em que o conflito se instala. Para lidar com ele, estão disponíveis, há tempos, estudos e modelos, além de uma diversidade de profissionais capacitados para atuar como negociadores ou mediadores. A Havard University desenvolveu um modelo conhecido como “negociação baseada em princípios” que visa promover acordos positivos sem que nenhuma das partes tenha de fazer concessões. O modelo propõe uma mudança de paradigma na posição das partes antagônicas no processo de negociação. Não se trata de ser afável, amigável e aceitar eventuais perdas, nem de agir com Conflito percebido: algo que os envolvidos se dão conta; Conflito sentido: quando se torna emocional; Conflito manifesto: busca de soluções para sua resolução; Conflito resolvido: qual foi consequência. rigor, tratando o outro como o inimigo e exigindo todos os ganhos. A ideia é negociar por mérito (FISHER, 2014). O método está alicerçado em quatro pontos: Nem toda situação de conflito admite uma negociação positiva e de resultado favorável. Existem realidades difíceis de produzir uma solução favorável a todos, principalmente quando há grande desequilíbrio de poder entre as partes. De qualquer forma, uma boa gestão ou uma mediação eficiente do conflito pode proteger e evitar que o desequilíbrio aumente ainda mais. Considerando que as condições socioeconômicas e culturais são dinâmicas, todo conflito, ainda que acarrete prejuízos particulares, leva a aprendizados e evoluções nas relações coletivas. Aprendizagem Ágil: Metodologias Ativas e Ágeis Os integrantes da Geração Z que nasceram na virada para o Século XXI, já conheceram um mundo em que a internet já estava com presença consolidada. São os chamados nativos digitais, com forte tendência a serem autodidatas e preferirem trabalhos estimulantes, divertidos e dinâmicos – em que as relações não sejam necessariamente presenciais. Como facilitar o processo grupal com esse público? A pandemia de Covid-19 acentuou o uso da tecnologia e impôs a necessidade de novas formas de aprendizagem. Nesse cenário, fomos postos diante da importância de um processo educativo mais dinâmico, rápido e personalizado. Nunca se falou tanto em aprendizagem ágil como nesse momento. Pessoas: separe as pessoas do problema;1 Interesses: concentre-se no desejo e não na posição;2 Opções: crie alternativas de ganhos mútuos;3 Critérios: eleja referências e padrões objetivos.4 Aprendizagem ágil é a disposição de uma pessoa diante de uma situação que exige a assimilação rápida de uma nova realidade e a agilidade na execução das mudanças num curto espaço de tempo. É a capacidade de se adaptar e gerar resultado com rapidez. Com a maior quantidade de funcionários da geração Z e com as novas demandas da aceleração das mudanças sociais, as organizações vêm se preparando para criar uma cultura de aprendizado ágil (agile learning), com elementos que favorecem a implantação desse processo. Alguns deles são: A Agile Learning (aprendizagem ágil) é uma educação evolutiva, enfatiza uma forma de aprendizagem autodirigida, organizada e potencializada por ferramentas ágeis. Com a influência do movimento Ágil, o primeiro centro educacional dessa modalidade, o ALC (Agile Learning Center) foi criado em Nova York, em 2013, e tem como base quatro princípios (raízes): aprendizagem, autodireção, experiência e sucesso. Lifelong learning: aprendizagem contínua, investe na mentalidade de “aprender a aprender”. A pessoa torna-se mais aberta ao novo, motivada e comprometida com a própria evolução profissional. Preconiza o estudo permanente, pela vida toda. 1 Peercoaching: Proporciona a aprendizagem entre pares, tem foco na valorização do saber complementar dos colegas. A proximidade afetiva acelera o aprendizado mútuo e estimula inovação. 2 Tecnologias para aprendizado e convivência (TAC): tecnologia como aliada, uso de todos os recursos amigáveis ao estilo de apreensão de conhecimento da geração atual e gestão de processos relacionais. 3 Informalidade: para acontecer, a aprendizagem precisa de liberdade e leveza. A conexão e os insights ocorrem a todo momento e em qualquer ambiente. 4 Clique no botão para conferir conteúdo ACESSE Metodologias Ativas A partir da década de 1990, alguns educadores como o professor americano Roger Schank, crítico do modelo tradicional de educação, segundo o qual o verdadeiro aprendizado vem da prática, difundiram o conceito de aprendizagem ativa e metodologias ativas, principalmente no ensino universitário. Mesmo os princípios sendo mais antigos, foi Charles C. Bonwell que utilizou e sistematizou o que chamamos de metodologias ativas. A essência dos métodos ativos são atividades práticas estruturadas para a autonomia do aprendizado. Com as metodologias ativas, o professor atua como orientador e facilitador do processo de aprendizagem – não apenas como fonte de informação e de conhecimento. As metodologias ativas invertem a hierarquia e colocam o aprendiz no centro do processo. O principal objetivo desses métodos de ensino é incentivar as pessoas para que aprendam de forma autônoma e participativa, a partir de problemas e situações reais. Os métodos ativos caracterizam-se não só pela fusão de elementos tecnológicos e interações pessoais (presencial e a distância) mas também por estratégias pedagógicas que promovem a agilidade no aprendizado e visam: Leitura Agile Learning Centers – ALC O ALC tem uma abordagem educacional reforçada por ferramentas de gerenciamento ágil e mais alinhada às demandas do século XXI. Estimular a autoaprendizagem; https://bit.ly/3vp4l4e Alguns exemplos de métodos ativos: Esses e outros métodos ativos, como Aprendizagem Profunda, Tutoria entre Pares, Técnica de Perguntas, Storytelling, Estudos de Casos, Action Maze, Philipps 6/6, Incidente Crítico, 70:20:10, estão voltados para desenvolver o protagonismo do aluno. Eles promovem a autonomia, a criatividade, o senso crítico e a tomada de decisão no processo de aprendizagem e para a vida pessoal e profissional. Estimular a curiosidade para pesquisar; Refletir e analisar situações para tomada de decisões; Desenvolver competências socioemocionais. Sala invertida: o aluno busca o conhecimento antecipadamente e o compartilha na interação, em sala de aula; Gamificação: uso de jogos e tecnologia com fins de aprendizagem; Design thinking: processo estruturado de criação e validação de uma ideia para gerar soluções a um problema real; Roleplaying: atuar em contexto similar à situação real para desenvolvimento de papéis sociais; Word café: a partir de uma pergunta desafiadora, pequenos grupos de pessoas rodiziam em mesas redondas debatendo e aprofundando a questão; PBL (aprendizagem baseada em problemas): parte-se de um problema da vida real para desenvolver conhecimento, habilidade e atitudes. Ciclo de Aprendizagem Vivencial – CAV Criado pelo educador Daniel Kolb (1984), doutor pela Harvard University, o modelo CAV preconiza as etapas para uma aprendizagem mais significativa e eficaz, valorizando a experimentação. Sua estrutura potencializa o aprendizado mais rápido e prazeroso. Para o autor, o funcionamento em ciclo contínuo é importante para saltos qualitativos e de aprofundamento da experiência de aprendizagem. Ele organiza o processo de aprendizagem em quatro estágios: Experiência concreta (vivência); Observação reflexiva (relato); Conceitualização abstrata (generalização); Experimentação na realidade (aplicação). Figura 6 – Ciclo de Aprendizagem Vivencial Considerando que a aprendizagem é única e diferente para cada pessoa, tanto na apreensão e significado do conteúdo quanto na forma mais eficaz de assimilação, a personalização e a subjetividade são as bases do CAV. Elas oferecem uma trajetória em que cada um protagoniza seu aprendizado – pois, o que é significativo para uma pessoa, pode não ser para a outra. Métodos Ágeis Metodologias ágeis surgiram a partir de doze princípios e valores definidos no “Manifesto Ágil”, lançado em 2001 por um grupo internacional de desenvolvedores de software. A principal motivação desses especialistas era identificar as mudanças de paradigmas que estavam acontecendo diante da velocidade demandada pelos novos sistemas e ambientes organizacionais. Entre os princípios que identificam as metodologias ágeis estão os que as mostram como adaptativas a um contexto complexo e indicam que são orientadas às pessoas e não aos processos. Sua programação é de curto prazo para maior quantidade de feedback e mais rápido realinhamento. As mudanças de requisitos durante o desenvolvimento de um projeto são sempre bem-vindas – o que torna importante manter as equipes motivadas e o clima de confiança no ambiente. As reuniões são frequentes e rápidas. Preconizam que a atenção contínua aumenta a agilidade, e a simplicidade é essencial. Há, ainda, o estímulo às equipes auto-organizáveis, que se reinventam e reestruturam o negócio com criatividade e conforme a demanda dos clientes. (SBROCCO, 2012). Entre os métodos, o Scrum é a ferramenta mais conhecida e utilizada no mundo para gestão de projetos (de qualquer área ou setor). Sua origem foi influenciada pelos modelos japoneses desenvolvidos por empresas como Honda e Toyota, que utilizam equipes pequenas e multidisciplinares que produzem melhores resultados em seus projetos. O nome scrum, inspirado no jogo de rugby, remete a uma formação para reiniciar o jogo. Cada time age como uma unidade integrada, em que cada integrante tem um papel específico e todos se ajudam em busca de um benefício em comum. O método scrum propõe que um projeto com transparência no planejamento e no desenvolvimento de softwares deve ser dividido em diversos e pequenos ciclos de atividades, com papéis diferenciados na equipe e o uso de ferramentas tecnológicas de acompanhamento. Adota reuniões frequentes, rápidas e objetivas para que a equipe (que é enxuta) possa alinhar e melhorar o processo com agilidade. Os clientes tornam-se parte da equipe. Os princípios e métodos ágeis se popularizaram por serem eficazes e alinhados com a velocidade das mudanças do mundo atual. Mesmo tendo sido concebidos para atender às necessidades da área de desenvolvimento de software das organizações, eles passaram a ser adotados em diversas áreas com o objetivo de assegurar mais dinamismo e velocidade ao andamento dos projetos. Eles substituem os antigos modelos e as práticas de gestão que não mais dão conta de atender à demanda acelerada dos ambientes de trabalho e educacionais, em constante transformação. Podem ser utilizadas em qualquer contexto no qual pessoas precisem trabalhar juntas para atingir um propósito comum. Já existem experiências positivas com escolas americanas e holandesas que utilizam o scrum para que seus alunos façam a autogestão de seu aprendizado. A área de gestão e desenvolvimento de pessoas pode ganhar muito com a integração das metodologias ativas com os métodos ágeis – sobretudo naquilo que se refere aos princípios comuns existentes e à complementaridade entre as duas. Enquanto a primeira tem o foco no processo de aprendizagem, a segunda está voltada para a gestão e para a eficácia do processo. Tanto nas metodologias ativas quanto nas metodologias ágeis, promovem a aprendizagem ágil e põem as pessoas em primeiro lugar. Para alcançar a automotivação e a autoadaptabilidade dos integrantes de uma equipe de trabalho, o método propõe revisões regulares do processo e, ao final de cada reunião, a resposta a quatro perguntas (SBROCCO, 2012): O que fizemos direito? Essas perguntas devem inspirar todo gestor de equipes. O desenvolvimento de equipes e a evolução do processo grupal é um desafio permanente de gestores e líderes. A cada momento, um novo estudo e novas formas de facilitação surgem para subsidiar os profissionais que atuam com equipes de trabalho que precisam responder às demandas sociais cada vez mais complexas. A constante abertura para aprender, para as inovações e para o ser humano são o segredo de um bom facilitador. O que aprendemos? O que podemos melhorar? O que nos intriga? Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Como Falar de um Jeito que as Pessoas Queiram Ouvir Esta útil conversa, o especialista em som demonstra o passo-a-passo de uma palestra poderosa – de convenientes exercícios vocais a dicas de como falar com empatia. Uma conversa que pode ajudar o mundo a soar mais bonito. 2 / 3 Material Complementar TED - Como falar de um jeito que as pessoas queiram ouvir https://www.youtube.com/watch?v=D236cCikGmA Scrum: How to do Twice as Much in Half the Time Um ex-"Top Gun" da Força Aérea dos EUA, Je� Sutherland é o co- criador do processo SCRUM. Esta metodologia, desenvolvida em 1993 e formalizada em 1995 com Ken Schwaber, foi desde então adotada pela grande maioria das empresas de desenvolvimento de software em todo o mundo. Leitura Scrum: How to do twice as much in half the time | Jeff Sutherland … https://www.youtube.com/watch?v=s4thQcgLCqk Diferenças e Desigualdades Negociadas: Raça, Sexualidade e Gênero em Produções Acadêmicas recentes. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Engajamento dos estudantes: algumas reflexões Lilian Bacich: organizadora dos livros “Psicopedagogia: teorias da aprendizagem”, “Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação” e “Metodologias ativas para uma educação inovadora”. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE https://bit.ly/3lSVswu https://bit.ly/3EaJbdp Agile Learning Centers – ALC. Disponível em: <https://agilelearningcenters.org/bem- vindo/#roots>. Acesso em: 19/10/2021. ANDALÓ, C. Mediação grupal. 1ª ed. São Paulo: Ágora, 2006. COSTA, L. A.; FONSECA, T. M. G. 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