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Nutrição Materno-Infantil Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Me. Fernanda Trigo Costa Revisão Textual: Prof.ª Me. Sandra Regina Fonseca Moreira Aspectos Fisiológicos da Gestação Aspectos Fisiológicos da Gestação • Conhecer as características epidemiológicas, sociais e fisiológicas da gestação, bem como os fato- res de risco para compreensão da determinação das necessidades e intervenções nutricionais. OBJETIVO DE APRENDIZADO • Conceitos de Nutrição Materno-Infantil; • Histórico de Saúde Materna e da Criança até Dois Anos; • Conceituação e Rotina do Pré-Natal; • Fisiologia da Gestação; • Fatores de Risco; • Suplementação de Nutrientes. UNIDADE Aspectos Fisiológicos da Gestação Conceitos de Nutrição Materno-Infantil Nutrição Materno-Infantil é uma das áreas mais importantes da Nutrição e da atenção básica à saúde de uma maneira geral. Embora muito técnica e específica, se pudéssemos parafrasear a expressão popular “De médico e de louco todo mundo tem um pouco”, no contexto dessa área da nutrição – estendida a outras áreas da nutrição também –, poderia ser “De nutricionista e de palpiteiro todo mundo tem um pouco”. Basta uma mulher comentar que está tentando engravidar que já começam os con- selhos, dicas e relatos de experiências bem sucedidas ou não, seja antes, durante ou após a gestação. Entre tantas recomendações de senso comum, inclusive por terem sido vivenciadas e, muitas vezes, constatadas empiricamente pelas pessoas, fica difícil desmistificar algumas crenças, costumes e hábitos consolidados. A nutrição materno-infantil consegue dar assistência a três períodos diferentes da vida da mulher, desde o momento em que está planejando a gravidez, durante a gestação e após o parto, cuidando da mãe e do bebê. Embora seja algo natural, tornar-se mãe é um momento intenso, novo e repleto de dúvidas. Ter profissionais para auxiliar adequadamente nessa fase é essencial, acolhedor e pode ser decisivo para a saúde da criança até a vida adulta. Em relação à alimentação até os dois anos de idade, atualmente contamos com um material muito rico e que deve ser utilizado para orientações alimentares, que é o Guia Alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos (BRASIL, 2019). Acesse o “Guia Alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos” e acompanhe esse material durante as unidades desta disciplina, disponível em: https://bit.ly/2Nwurxb Porém, antes de adentrarmos nas necessidades nutricionais da gestante e bebê, é importante que haja um aprofundamento nas questões epidemiológicas e fisiológicas da gestação, o que será trabalhado nesta unidade. Assim, as principais questões são: quais são as mudanças no corpo feminino durante a gestação? Como o feto se desenvolve? O que isso impacta na saúde da gestante e do feto? Há riscos nutricionais durante a gestação? Histórico de Saúde Materna e da Criança até Dois Anos No Brasil, a razão de mortalidade materna é de cerca de 50 a 58 mulheres em cada 100 mil nascidos vivos. Esse valor é três vezes maior do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 20 mulheres (TSUNECHIRO et al., 2018; CUNHA et al., 2019). 8 9 Estudos observacionais têm demonstrado que o número insuficiente de con- sultas pré-natal é fator de risco para mortalidade tanto fetal como neonatal e que a falta de intervenções no momento apropriado da gravidez pode ocasionar o nasci- mento prematuro. O Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN), criado desde os anos 2000, tem como objetivo estipular um protocolo mínimo de ações a serem desenvolvidas durante o período da gestação, que oriente um fluxo de atendimento próprio e contribua para a redução da morbimortalidade materna e fetal. Porém, muitos estudos têm demonstrado que esse conteúdo mínimo não está sendo reali- zado satisfatoriamente para a grande maioria das gestantes, em diversos lugares do Brasil, o que tem se refletido nos indicadores, já que a taxa de mortalidade neonatal tem diminuído pouco e a mortalidade materna tem se mantido estável desde 1996 (MARTINELLI et al., 2014). Leia “Humanização do parto Humanização no Pré-natal e nascimento”. Disponível em: https://bit.ly/3eraaon Dados do IBGE (2019) demonstram que a taxa de mortalidade infantil no Brasil (número de mortes antes de completar um ano de idade) foi de 12,4/mil nascidos vivos em 2018, abaixo da taxa de 12,8 do ano anterior. Já a taxa de mortalidade na infância (probabilidade de um recém-nascido não completar os cinco anos de idade), em 2017 era de 14,9 crianças/mil nascidas vivas, em 2018 a taxa foi de 14,4 por mil. Embora seja possível observar melhoras nos indicadores, fica claro que a gestante e a criança necessitam de assistência qualificada, onde se insere o acompanhamento pré-natal, potencializando o nascimento de uma criança saudável, a garantia do bem- -estar materno e neonatal (PEIXOTO et al., 2001) e a continuidade dessa assistência através dos exames durante o puerpério e, também, da cobertura de vacinação e atendimento pediátrico. O puerpério é conhecido como o período do resguardo, fase pós-parto em que a mulher vivencia modificações físicas e psíquicas, repleto de grande significação cultural. Dura cerca de quarenta dias e é considerado o tempo necessário para que órgãos reprodutores voltem à condição antes da gestação (BAIAO; DESLANDES, 2006). Conceituação e Rotina do Pré-Natal A inadequação das ações do pré-natal está associada a efeitos negativos como prematuridade e baixo peso ao nascer, além do aumento do risco de morte fetal e materna, internações em unidades de terapia intensiva, depressão e ansiedade no pós-parto, e gestações sucessivas em curto espaço de tempo (CUNHA et al., 2014). 9 UNIDADE Aspectos Fisiológicos da Gestação A atenção ao pré-natal compreende ações de educação em saúde, identificação de riscos, prevenção e tratamento de complicações e agravos demandando planejamento e estruturação para garantir acesso e continuidade do cuidado com efetiva integralidade da assistência, visando promover saúde da mãe e da criança (BRASIL, 2018). Em relação ao adequado acompanhamento pré-natal e assistência à gestante e à puérpera, deverão ser realizadas as seguintes atividades (BRASIL, 2002): • Realizar a primeira consulta de pré-natal até o quarto mês de gestação; • Garantir a realização de, no mínimo, seis consultas de acompanhamento pré- -natal, sendo, preferencialmente, uma no primeiro trimestre, duas no segundo trimestre e três no terceiro trimestre da gestação; • Realização de uma consulta no puerpério, até quarenta e dois dias após o nascimento; • Realização de exames laboratoriais: ABO-Rh, VDRL, Urina, Glicemia de jejum, HB/Ht, Testagem anti-HIV; • Aplicação de vacina antitetânica dose imunizante; • Realização de atividades educativas; • Classificação de risco gestacional (na primeira consulta e nas consultas subsequentes); • Garantir às gestantes classificadas como de risco, atendimento ou acesso à uni- dade de referência para atendimento ambulatorial e/ou hospitalar à gestação de alto risco. O Ministério da Saúde tem um canal no YouTube, onde veicula uma série chamada “Gerando uma vida”. São dez episódios contando a evolução, sintomas e sentimentos de um casal que espera um bebê. Disponível em: https://bit.ly/311zH3L Fisiologia da Gestação No decorrer da gestação, as alterações fisiológicas que interferem no sistema or- gânico da mãe, bem como nas vias metabólicas, são decorrentes de adaptações necessárias para a formação do feto. Isso explica por que os parâmetros dos exames laboratoriais bioquímicos das gestantes têm diferenças em relação à mulher não grá- vida. Os níveis elevados de estrogênio e progesterona, somados ao aumento de 50% no volume do plasma e 20% na hemoglobina, são os fatores fisiológicos que mais interferem nessas alterações. O hormônio gonadotrofina coriônica humana (hCG) tem papel fundamental no início da gestação. Ele é o responsável por produzir progesteronae estrogênio sufi- cientes para o desenvolvimento do feto, pois a placenta não consegue desenvolver essa função. Entretanto, por volta da sétima semana de desenvolvimento, a placenta assume a produção de progesterona e o pico de produção deste hormônio pela 10 11 placenta ocorre aos três meses de desenvolvimento, e depois diminui. Além disso, o HCG também estimula a produção de testosterona pelo testículo em desenvolvimento em fetos masculinos (SILVERTHORN, 2017). O período gestacional é constituído por 40 semanas, agrupadas em três trimes- tres, sendo que cada um deles tem características diferentes em seus aspectos fisio- lógicos, metabólicos e nutricionais. No primeiro trimestre, podemos observar diversas modificações biológicas por conta da intensa divisão celular. Nessa fase, a saúde do embrião depende totalmente da saúde e da condição pré-gestacional materna, não apenas às reservas energé- ticas, mas também de micronutrientes. Um inadequado aporte energético da gestante pode levar a uma competição entre a mãe e o feto, limitando a disponibilidade dos nutrientes necessários ao adequado crescimento fetal (FREITAS et al., 2010). É importante ressaltar que o desenvolvimento fetal passa por três períodos desde o momento da concepção até a formação do feto propriamente dito. O primeiro período de desenvolvimento fetal (pré-embrionário) inicia-se na fertilização e tem a duração de três semanas. Nesse período ocorre a implantação do ovo, a divisão das células e o início do processo da diferenciação, desenvolvendo a placenta e o embrião. O segundo período (embrionário) começa na quarta semana, quando o embrião toma formas cilíndricas, aumentando de tamanho nas próximas quatro semanas. Nesse período continua o processo da diferenciação e organização celular, sendo que cada camada celular é responsável pela formação dos tecidos e órgãos específi- cos do embrião. Já no terceiro período (fetal), que tem início na oitava semana e se estende até a 40ª semana, é quando os órgãos fetais começam a funcionar e a atender às necessi- dades do feto. Nessa fase, a placenta continua em desenvolvimento e é responsável por nutrir o feto até o seu nascimento (SANTOS, 2012). Durante o segundo e terceiro trimestres da gestação, o meio externo vai exercer maior influência na condição de crescimento e desenvolvimento do feto, sendo esse- nciais que a ingestão de energia e nutrientes, fatores emocionais e o estilo de vida sejam adequados para que o feto e a evolução da gestação aconteçam dentro da normalidade. A Tabela 1 traz informações sobre diferenciação celular conforme o período gesta- cional. É possível verificar que a velocidade de aumento de peso do feto é muito dife- rente entre os trimestres, sendo que até a 28ª semana, o feto ganha cerca de 1kg e cerca de mais 0,5kg até a 30ª semana. Nas 10 semanas seguintes, o feto chegará aos 3kg, ou seja, o do dobro de peso em relação ao que tinha na 30ª semana. Tabela 1 – Diferenciação celular de acordo com o período gestacional Idade Gestacional Tipo de crescimento Velocidade Peso médio do feto 1º Trimestre (12 semanas) Hiperplasia (aumento na quantidade de células) Lenta 12ª semana Aproximadamente 300g 11 UNIDADE Aspectos Fisiológicos da Gestação Idade Gestacional Tipo de crescimento Velocidade Peso médio do feto 2º Trimestre (13 a 27 semanas) Hiperplasia e hipertrofia (aumento na quan- tidade e no tamanho das células) Acelerada 27ª semana Aproximadamente 1000g 3º Trimestre (mais de 28 semanas) Hipertrofia (aumento no tamanho das células) Máxima 38ª semana Aproximadamente 3000g Fonte: Adaptado de VITOLO, 2015 Para uma melhor compreensão de como acontece o desenvolvimento fetal, também é possível visualizar, através da Figura 1, as diferenças no tamanho do feto dentro do útero nos três trimestres. Figura 1 – Etapas de crescimento fetal Fonte: Getty Images No processo de adaptação do organismo materno para as necessidades de cada trimestre, há um grande impacto sobre os níveis de lipídeos, colesterol, vitamina E, caroteno e fatores de coagulação sanguínea. O aumento do plasma alcança o pico de 50% entre a 30ª e 34ª semana e a quantidade de células vermelhas aumenta 18% sem suplementação de ferro e chega a um aumento de 30% com suplementação. Considerando o aumento plasmático, ocorre uma diluição dos componentes sanguí- neos (20% na hemoglobina e 15% no hematócrito), mesmo havendo um aumento das células vermelhas. No entanto, em pacientes não anêmicas, o VCM (volume corpus- cular médio) e o HCM (hemoglobina corpuscular média) permanecem inalterados. 12 13 Importante! O VCM, medido pelo hemograma, representa o tamanho médio da hemácia. Já o HCM representa a quantidade de hemoglobina na hemácia. Se há um aumento no plasma da gestante, provocando uma diluição dos componentes san- guíneos, porque o VCM e o HCM permanecem inalterados em pacientes não anêmicas? Em relação ao débito cardíaco, há um aumento de até 50% desde o início da gestação, decorrente do plasma aumentado e da ação dos hormônios. À medida que a gestação avança, o fluxo sanguíneo aumenta no útero, rins e pele. Na metade da gestação, a pressão arterial pode diminuir por conta do aumento da vasodilatação peri- férica. Essas mudanças cardíacas também ocorrem em função da intensa circulação placentária, que chega a 625mL de sangue por minuto nas fases finais da gestação. A placenta é um órgão complexo metabolicamente, caracterizado por uma estru- tura esponjosa, oval, de diâmetro entre 15 e 17cm e que chega a 500g na gestação a termo (aumenta proporcionalmente conforme o período gestacional). A placenta é responsável em produzir hormônios necessários para a manutenção, regulação e o desenvolvimento de todo o complexo gestacional, materno e fetal (HGC, estróge- no, progesterona e lactogênio placentário). O transporte de oxigênio e nutrientes da mãe para o feto é feito pela placenta com o objetivo de garantir a demanda necessária, bem como eliminar os produtos originários do metabolismo fetal. Níveis alterados de citocinas e hormônios durante a gestação podem interferir no transporte placentário e, consequentemente, afetar o crescimento fetal, retardando ou acelerando o processo. O metabolismo passa por diversos ajustes em relação aos nutrientes para ga- rantir que o feto receba todos os suprimentos necessários (Tabela 2). Além disso, o metabolismo basal no final da gestação está 15 a 20% maior (decorrente do aumento de peso, maior demanda de oxigênio e maior produção hormonal). Tabela 2 – Distribuição das calorias e % de nutrientes para atender às necessidades fetais Nutriente % calórico Glicose 50 a 70% das calorias Aminoácidos 20% das calorias Lipídeos 20% das calorias Fonte: Adaptado de VITOLO, 2015 Quando os níveis glicêmicos maternos caem, a principal fonte energética passam a ser os lipídeos, o que explica o maior acúmulo de triglicerídeos no último trimestre da gestação, principalmente na região das coxas e subescapular, para reserva ime- diata em períodos de jejum. As gestantes têm resposta normal de insulina no início 13 UNIDADE Aspectos Fisiológicos da Gestação da gestação, mas à medida que a o período gestacional avança, é necessário ter mais insulina para o transporte da mesma quantidade de glicose. O aumento da glicose necessária para o feto sobrecarrega o sistema, de forma a deixar a insulina menos eficiente no final da gestação. Os níveis glicêmicos de je- jum tendem as ser menos elevados, mas os níveis pós-prandiais tendem a ser mais elevados, principalmente naquelas gestantes em que não há aumento adequado da produção de insulina. Por que a maioria das mulheres que apresentam diabetes gestacional tem seus níveis de glicemia normalizados cerca de 6 a 8 semanas após o parto? O hormônio progesterona age durante a gestação no relaxamento da muscula- tura lisa do útero, mas acaba interferindo em outros órgão também, como no intes- tino, diminuindo a motilidade. Embora seja uma das causasde queixas de consti- pação intestinal, esse processo permite uma melhor absorção dos nutrientes. Esse hormônio também favorece a deposição de gordura e aumenta a excreção de sódio. Já o estrógeno, aumenta a elasticidade da parede uterina e do canal cervical, decorrente da alteração no tecido conjuntivo, tornando-o mais hidroscópico. Também atua na redução de proteínas séricas e afeta a função tireoidiana. Junto com a pro- gesterona, interfere no metabolismo de ácido fólico e participa da mamogênese. Ambos aumentam a sensibilidade (progesterona) e vascularização (estrogênio) dos centros respiratórios, promovendo hiperventilação para suprir as necessidades aumentadas de oxigênio. Ao final da gestação, a respiração torácica substitui a abdo- minal, com menor movimento do diafragma devido ao aumento do útero, sendo necessário que o diafragma se movimente mais vezes com menor profundidade, caracterizando a respiração ofegante da gestante. A função renal também sofre alterações, com aumento de cerca de 70% do fluxo plasmático e de 50% na filtração glomerular. Com esse aumento, a concentração de creatinina e e ureia diminuem no sangue. Ainda há um aumento da reabsorção de cálcio e uma eliminação mais eficiente de creatinina, ureia e ácido úrico, produtos decorrentes do metabolismo proteico materno e fetal. Considerando o aumento plasmático e a consequente diluição dos compostos sanguíneos, associados às adaptações fisiológicas da gestação, como podemos explicar a eliminação mais eficiente de creatinina, ureia e ácido úrico? No que diz respeito às modificações gastrointestinais, há uma diminuição do tônus e motilidade do estômago, redução na produção de ácido clorídrico (HCl) e esvaziamento gastrico mais lento, o que explica sintomas como azia e indigestão, e, já citado anteriormente, menor motilidade intestinal. 14 15 As alterações hormonais, especialmente no primeiro trimestre, iterferem no paladar e olfato, sendo a maior capacidade olfativa a responsável pelas náuseas e vômitos, muito comuns nessa fase. Também há algumas evidências de que essas alterações levam a gestante a consumir eletrólitos em quantidade adequada para o incremento do volume plasmático, do mesmo modo que faz com que haja aversão ao gosto amargo, protegendo o feto de intoxicações. Um outro hormônio importante é o hormônio lactogê nio placentário (hPL), que tem ação antagônica à insulina e ação semelhante ao hormônio do crescimento, auxiliando a deposição de proteínas nos tecidos e com intensa função anabólica e de lipólise (quebra de lipídeos). Há estudos que descrevam uma ação de auxílio no pro- cesso de início na produção de leite e no desenvolvimento das glândulas mamárias (VITOLO, 2015). Fatores de Risco A evolução normal da gestação pode sofrer interferências de diversas condições, sejam epidemiológicas ou patológicas, de forma que quanto mais fatores inadequados existirem, pior será o prognóstico. Essas condições adversas, ou fatores de risco, estão relacionadas à idade, paridade, peso, tabagismo, consumo de álcool ou complicações, como: anemia, obesidade, hipertensão arterial, diabetes, entre outras situações. • Obesidade: A obesidade na gestação é atualmente um importante desafio no cui- dado materno-infantil, principalmente por sua prevalência estar aumentando de forma considerável no Brasil e em outros países. O impacto negativo da obesidade na gestação começa antes da concepção, uma vez que pode estar associada a uma redução da fertilidade. Além disso, em mulheres obesas há risco aumentado de abortamento espontâneo e de repetição, risco elevado de gestações compli- cadas por defeitos do tubo neural, hidrocefalia, problemas cardiovasculares e de má formação. Neste quadro há risco aumentado de doença cardíaca, doenças hepáticas, diabetes melito gestacional, pré-eclâmpsia e aumento de 40% na inci- dência de morte fetal no nascimento. Outro fator preocupante é que a obesidade na gravidez está associada com o término precoce do aleitamento, a anemia pós-parto e a depressão (MONTENEGRO, 2016). Em relação à paridade, há estudos que demonstram que as multíparas, ou seja, que tiveram mais de um parto, têm maiores chances de maior ganho de peso e aumento da adiposidade (VÍTOLO, 2015). A pré-eclâmpsia é caracterizada por pressão arterial elevada, proteína na urina, inchaços de pernas e retenção de líquidos. Normalmente começa após 20 semanas de gestação, em mulheres com pressão arterial normal. Pode acarretar complicações graves, até mesmo fatais, para a mãe e o bebê (CASTELLI; FERNANDEZ, 2019). 15 UNIDADE Aspectos Fisiológicos da Gestação • Hipertensão: Grandes taxas de incidência, no Brasil e no mundo, de hipertensão arterial sistêmica (HAS) em gestantes estão constatadas. A HAS manifesta-se em gestantes de todas as idades e é a maior causa de morte materna. Mas, por que tamanha preocupação? Há um controle rigoroso da pressão arterial durante a gestação, pois as complicações da hipertensão são principalmente abortamento, parto prematuro, restrição do crescimento fetal, descolamento da placenta, sofri- mento fetal e afecções em órgãos vitais após o nascimento. A situação mais grave, como já mencionado nesta unidade, é quando a doença evolui para pré-eclâmp- sia, eclâmpsia (seguimento ou agravo da pré-eclâmpsia), elevação de enzimas he- páticas e baixa contagem de plaquetas, comprometendo diversas funções vitais (SOUZA et al., 2020); A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica caracterizada por níveis persis- tentes de pressão arterial sistólica (≥140mmHg) e diastólica (≥90mmHg), confirmadas em duas aferições no membro superior direito com o paciente em repouso sentado, em inter- valos de 4 a 6 horas, por um período mínimo de 2 semanas. • Diabetes: O diabetes gestacional é definido como qualquer grau de redução da tolerância à glicose, cujo início ou detecção ocorre durante a gravidez. No Brasil, em torno de 7% das gestações são complicadas pela hiperglicemia gestacional. O risco de desfechos adversos maternos, fetais e neonatais aumenta de forma contínua com a elevação da glicemia materna. As complicações mais frequen- temente associadas ao diabetes gestacional são a pré-eclâmpsia e a necessidade de cesariana (para a mãe) e a prematuridade, a macrossomia, a distorcia de ombro, a hipoglicemia e a morte perinatal (para o bebê) (WEINERT et al., 2011); • Gestação na Adolescência: considerando que a adolescência engloba jovens de 10 a 19 anos de idade, e que esse período é marcado por intensas mudanças sociais, psicológicas e biológicas que trazem vulnerabilidade a esse grupo, a gestação na adolescência pode ser um período crítico e de prejuízos para as adolescentes e seus filhos. A consequência que mais ocorre nos partos de mães adolescentes é o nascimento de um bebê com baixo peso, o que requer super- visão médica especial. Mas, também, a prematuridade, anemia e complicações no parto (por desproporção anatômica entre mãe e bebê) são pontos a serem observados. Outra questão está relacionada à morbimortalidade materno-infantil associada à gravidez da adolescente, o que mais se relacionada às desigualdades sociais e à pobreza, ou seja, a um ambiente desfavorável do que à idade da ges- tante. Fatores como desnutrição, tabagismo, escolaridade e instabilidade emo- cional são os que realmente determinam as principais complicações na adoles- cência (VALLE; MELCHIORI, 2010; VÍTOLO, 2015); • Tabagismo e consumo de álcool: Existe uma forte evidência de que o tabagismo materno está associado a um aumento do risco de complicações na gravidez, incluindo baixo peso ao nascimento, aborto espontâneo, morte perinatal e parto pré-termo (MOUTINHO; ALEXANDRA, 2013). O tabagismo promove constrição de vasos sanguíneos, o que reduz o fluxo sanguíneo na placenta 16 17 e gera prejuízo no transporte de nutrientes (VÍTOLO, 2015). O consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação promove várias repercussões diretas para o feto, sendoa mais conhecida e mais grave delas a síndrome alcoólica fetal, que se caracteriza por danos ao sistema nervoso central, que provocam anomalias neurológicas, craniofaciais, deficiência no crescimento pré e pós-natal, disfun- ções comportamentais e malformações associadas. Para a mãe, a exposição ao álcool também traz agravos à saúde, como doenças cardiovasculares, câncer, depressão e distúrbios neurológicos. Também está associada ao ganho de peso gestacional insuficiente, menor número de consultas no pré-natal e aumento do risco de utilização de outras drogas (FREIRE; PADILHA; SAUNDERS, 2013); • Idade materna acima de 35 anos: A gestação em idade avançada é um fator de risco para infertilidade, baixo peso ao nascer, anomalias fetais, natimortos e complicações obstétricas. Embora esse consenso seja baseado em observações realizadas há séculos, atualmente as mulheres cada vez mais vêm postergando as gestações por conta da carreira, estudos e outras conquistas pessoais. Ges- tantes acima de 35 anos apresentam maiores chances de desenvolver doenças crônicas, especialmente obesidade, hipertensão e diabetes melito. A mortalidade materna aumenta consideravelmente após os 35 anos e drasticamente após os 40. As mortes estão mais associadas às doenças cardiovasculares, problemas placentários e complicações durante o parto (SAUER, 2015). Importante! As evidências relacionadas aos riscos da gestação em idade avançada não demonstram uma impossibilidade de que a gestação ocorra dentro da normalidade, porém, é impor- tante uma atenção especial de todos os profissionais envolvidos para que os riscos sejam controlados e as complicações evitadas. Suplementação de Nutrientes A alimentação da mãe durante a gestação é um dos principais determinantes externos da saúde materno-fetal. As necessidades energéticas, bem como de micro- nutrientes, estão aumentadas e uma alimentação deficiente está relacionada à pré- -eclâmpsia, partos prematuros e crescimento uterino prejudicado, baixo peso ao nascer e malformações congênitas (VÍTOLO, 2015). Embora comumente haja a indicação de polivitamínicos para gestantes, bem como outros medicamentos para a suplementação de nutrientes, a dieta é sempre a base de uma alimentação adequada, e os suplementos não substituem os alimentos. O uso do suplemento de forma consciente e segura vai tentar reduzir ao máximo qualquer alteração decorrente de alguma deficiência, mas não é garantia de que vai funcionar, pois temos que analisar caso a caso e identificar quais são as necessidades de suplementação diante do estilo de vida e características da gestante. 17 UNIDADE Aspectos Fisiológicos da Gestação A partir de agora, vamos tratar de alguns micronutrientes muito importantes du- rante a gestação e que precisam ser analisados com cautela, através de exames bio- químicos e sinais clínicos (GARCÍA; ORTEGA; LOMBÁN, 2013). • Ferro: estima-se que mais de 40% das mulheres grávidas sofram de anemia ferropriva, sendo este um microelemento comumente suplementado. A defi- ciência de ferro durante a gestação está relacionada à prematuridade, baixo peso ao nascer, enfermidades infecciosas e aumento da mortalidade perinatal. A suplementação deve ser realizada com cautela, pois há efeitos negativos rela- cionados ao excesso de ferro, como a hiper viscosidade sanguínea e diminuição da perfusão placentária, podendo levar a alterações neurológicas e esqueléticas fetais e pré-eclâmpsia. Exames relacionados não somente à hemoglobina sérica, mas principalmente à quantidade de ferritina sérica devem ser realizados e ana- lisados previamente, fundamentando a necessidade ou não de suplementação; • Folato (B9): participa da síntese de ácidos nucleicos, metilação de lipídeos, pro- teínas, produção de metionina, entre outras reações metabólicas. Sua defici- ência está relacionada com defeitos no tubo neural, lábio leporino, cardiopatia congênita, abortos espontâneos, descolamento de placenta e pré-eclâmpsia. A suplementação deste micronutriente é essencial e realizada até mesmo antes da fecundação, quando a paciente está tentando engravidar. Além do folato, é necessário que haja quantidades suficientes de vitaminas B12 e B6 para que as reações metabólicas aconteçam adequadamente; • Vitamina D: a deficiência de vitamina D está relacionada com raquitismo, pré- -eclâmpsia, diabetes gestacional e parto prematuro. Atualmente, sua deficiência é muito comum entre as mulheres, inclusive gestantes, o que tem tornado a su- plementação muito comum e a atenção a este nutriente essencial. Porém, con- siderando que a vitamina D pode ser tóxica, é imprescindível que seja realizada a dosagem sanguínea deste micronutriente para que a suplementação seja indi- vidualizada e conforme a exposição solar e consumo alimentar. Na suplementa- ção, a vitamina D deve ser consumida diariamente, acompanhada de alimentos gordurosos. Níveis adequados auxiliam na manutenção do sistema imunológico e desenvolvimento ósseo do feto. A dose diária varia conforme cada organismo, de acordo com a dosagem no sangue; • Cálcio: as necessidades de cálcio estão aumentadas durante a gestação e sua deficiência pode estar associada à prematuridade, baixo peso ao nascer, mine- ralização óssea deficiente e pré-eclâmpsia. Considerando que a absorção está aumentada em 40% por conta das alterações fisiológicas, recomenda-se a su- plementação apenas para gestantes que não consomem quantidades adequadas deste mineral, provenientes da alimentação. Por que a suplementação de vitamina D é essencial e a de cálcio depende do consu- mo alimentar? 18 19 • Iodo: indispensável na síntese dos hormônios da tireoide, necessários para o desenvolvimento cerebral e mental adequado, assim como a maturação óssea, pulmonar e cardíaca durante a gestação e fase neonatal. O feto depende dos hormônios maternos e a mãe tem sua necessidade aumentada, principalmen- te nas primeiras 10 a 12 semanas de gestação. Embora com as necessidades aumentadas, a suplementação de origem alimentar é pouco praticada. O mais comum é a prática da reposição hormonal, caso a gestante apresente alguma patologia relacionada à glândula tireoide e à produção hormonal; • Vitamina A: a deficiência desta vitamina está relacionada com problemas de formação ocular e funcionamento orgânico da visão, parto prematuro e des- colamento de placenta. A suplementação não pode ser indiscriminada, pois o excesso de retinol está relacionado a efeitos teratogênicos, interferindo do desenvolvimento do sistema nervoso central e anomalias cardiovasculares. A suple- mentação deve ser realizada após a dosagem sérica, para ter efeito assertivo e não prejudicial. No caso de a gestante manter o consumo de vísceras frequente (ex. cerca de 150g de fígado ou outras vísceras por semana), não há necessidade de realizar suplementação; • Ômega-3: os ácidos graxos do tipo ômega-3, o DHA (docosahexaenoico) em particular, e o EPA (ácido eicosapentaenoico) são importantes para a saúde materna. Esses dois ácidos graxos são essenciais, com funções diferentes: o EPA auxilia na função cardíaca, no funcionamento do sistema imunológico e na resposta inflamatória. O DHA atua nas funções do cérebro, olhos e sistema nervoso central, e isso explica sua importância durante a gestação e lactação. Mães com adequada ingestão de DHA dão luz a bebês com maiores níveis de DHA sanguíneos e com melhor função visual, além de estudos recentes indica- rem efeitos protetores relacionados a doenças crônicas (BELUSKA-TURKAN et al., 2019). Leia “Recomendações da OMS sobre cuidados pré-natais para uma experiência positiva na gravidez”. Disponível em: https://bit.ly/314UC5L Nesta Unidade, vimos como os cuidados com a saúde, incluindo os aspectos nutricionais, são importantes durante a gestação, e como um acompanhamento pré- -natal adequado auxilia na evolução normal e sadia das 40 semanas gestacionais. Também estudamos as alterações fisiológicas neste período e os fatores de risco que podem prejudicaro desenvolvimento fetal e colocar a vida materna em perigo. Por isso, é de extrema importância um olhar individualizado para que as recomen- dações e intervenções possam ser assertivas e contribuam para saúde da mamãe e do bebê. 19 UNIDADE Aspectos Fisiológicos da Gestação Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Viva Mais SUS – Saúde da Mulher: Gestantes https://youtu.be/A_l22sEickw Filmes O Começo da Vida https://youtu.be/lxw7pV3I2SU Leitura Humanização do parto: Humanização no Pré-natal e nascimento https://bit.ly/3eraaon Gravidez: o que é, sintomas, complicações, tipos e prevenção https://bit.ly/312PTSg 20 21 Referências BAIAO, M. R.; DESLANDES, S. F. Alimentação na gestação e puerpério. Rev. Nutr., Campinas, v. 19, n. 2, p. 245-253, 2006. Disponível em: <http://www.scielo. br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732006000200011&lng=en&nrm= iso>. Acesso em: 26/01/2020. BELUSKA-TURKAN, K., et al. Nutritional Gaps and Supplementation in the First 1000 Days. 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