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Fichamento I 
 Maria Antônia Machini Costa 
 HURRELL, Andrew. O ressurgimento do Regionalismo na Política Mundial. Contexto 
 Internacional, Rio de Janeiro, vol. 17, n. 1, jan/jun 95, p.23-59 (pdf) 
 ● O autor é, atualmente, professor de Relações Internacionais em Oxford, e demonstra 
 um interesse nas relações entre as Américas, especialmente no que se trata do Brasil. 
 O texto visa abordar o que quer dizer o “regionalismo” e suas variedades, além de 
 apresentar as principais abordagens teóricas existentes para explicar sua dinâmica. 
 Ademais, o artigo se propõe a demonstrar as relações existentes entre a análise do 
 regionalismo contemporâneo e os principais debates teóricos no campo das RI. 
 ● Primeira onda regionalista, ocorrida por volta dos anos 1960. Neste período, Joseph 
 Nye categorizava o regionalismo a partir de dois grupos: i) Organizações 
 microeconômicas, constituídas por uma integração econômica formal e por estruturas 
 institucionais formais; e ii) Organizações Políticas Macrorregionais, a que interessava 
 o controle de conflitos. 
 ● No momento em que o texto foi escrito, Hurrell nota que velhas instituições regionais 
 no campo político emergiram e a elas se juntaram organismos microrregionais. 
 ● Esquemas macrorregionais ou “ regionalismo de bloco ” se constituem em torno do 
 conjunto formado pela União Europeia, pelo Acordo Norte-Americano de Livre 
 Comércio e pelo avanço do regionalismo no Pacífico Asiático. Esquemas 
 microrregionais para a cooperação ou integração econômica coexistem ao lado dos 
 primeiros. 
 ● Características do Novo Regionalismo: i) emergência do regionalismo Norte-Sul, 
 ilustrado pelo NAFTA; ii) variação no nível de institucionalização - muitas evitando as 
 estruturas burocráticas e institucionais tradicionais; iii) caráter multidimensional, se 
 torna cada vez mais difícil traçar uma divisão entre regionalismo econômico e 
 político; iv) aumento da consciência regional em diversas áreas do mundo - 
 relacionada à identidade e ao pertencimento. 
 ● O regionalismo é alimentado pelo fim da Guerra Fria e descentralização/ 
 regionalização da segurança e pela evolução da economia global. As obras que 
 abordam o ressurgimento do regionalismo na década de 80 são tidas como escassas 
 pelo autor. 
 ● Esse fenômeno, segundo Fawcett, envolve a participação dos Estados/ Governos 
 nacionais, trazendo um maior formalismo e institucionalização. É necessária a vontade 
 dos Estados de se formar um bloco/ uma integração regional. Já segundo Albert 
 Fishlow e Stephan Haggard, o regionalismo é um processo político caracterizado pela 
 cooperação e coordenação da política econômica entre os países. 
 ● O regionalismo é considerado como algo naturalmente bom, pois é visto como uma 
 forma de objetivar a cooperação e deixar de lado o egoísmo presente em nações e 
 regiões. 
 ● As cooperações regionais podem ser respostas a desafios externos, à necessidade de 
 formação de uma aliança para a participação em instituições regionais ou fóruns de 
 negociação. Podem, também, objetivar promover valores comuns ou resolver 
 problemas que compartilham. 
 ● Essas práticas de regionalismo são estadistas , pois procuram reafirmar a ação e 
 influência do Estado. 
 ● O discurso do regionalismo, juntamente com processos políticos, contribuem para 
 significar as ideias de regionalismo e de identidade regional. 
 Para Hurrell, é útil decompor a noção de "regionalismo" em 5 categorias diferentes: 1) 
 regionalização; 2) consciência e identidade regionais; 3) cooperação regional; 4) 
 integração econômica regional; 5) coesão regional. 
 ● Regionalização: Forças propulsoras da regionalização econômica são advindas de 
 mercados, de comércio privado, de fluxos de investimentos e das políticas e/ou 
 decisões empresariais. Se relaciona também à circulação de pessoas. A regionalização 
 não se baseia, necessariamente, em políticas “concretas” de Estados ou grupos de 
 Estados. Os padrões de regionalização não coincidem, obrigatoriamente, com as 
 fronteiras dos Estados. Segundo Fawcett, a regionalização não requer vontade dos 
 atores, o fenômeno é tido como natural. 
 ● Consciência e identidade regional: A consciência regional de pertencimento a uma 
 região pode se dar por elementos internos, como a cultura, história e tradições 
 religiosas, ou a partir da contraposição a uma nação externa ou ao que o autor chamou 
 de “desafio cultural externo” (como no caso da Europa frente ao mundo não-Europeu). 
 ● Regionalismo suave ou integração informal: definido pelo crescimento, muitas das 
 vezes não programado ou dirigido, da integração da sociedade e dos processos de 
 interação social e econômica em determinada região. Estão presentes processos 
 econômicos feitos em áreas restritas, não oferecendo atenção à troca entre estas e o 
 restante do mundo. 
 ● Integração regional: decisões governamentais específicas de políticas, que se 
 destinam a reduzir ou remover barreiras ao intercâmbio mútuo de bens, serviços, 
 capital e pessoas. Podendo apresentar diferentes graus, que se referem a diferentes 
 liberdades quanto a esses fatores. O primeiro estágio dessa modalidade envolve a 
 eliminação de barreiras comerciais e a formação de uniões alfandegárias de bens. Mais 
 tarde, a agenda pode se expandir. Hurrell advoga que está etapa é muito estimulada 
 principalmente interesses econômicos, muitas vezes a integração/regionalismo se 
 inicia com uma vontade econômica, podendo se expandir para outras áreas mais tarde. 
 ● Coesão regional: trata-se da possibilidade dos processos acima descritos virarem uma 
 unidade regional coesa e consolidada. Pode ser entendida de duas maneiras: I) situação 
 em que a região exerce um papel definidor nas relações entre os Estados daquela área 
 e os do resto do mundo; II) quando a região forma a base organizadora de políticas na 
 região para diferentes questões. A coesão regional pode se basear em diversos 
 modelos, como a criação gradual de uma organização regional supranacional no 
 contexto do aprofundamento da integração econômica; a criação de mecanismos ou 
 regimes interestatais institucionalmente fortes e uma mistura de 
 intergovernamentalismo tradicional e supranacionalismo emergente. 
 A Explicação do Regionalismo na Política Mundial. Três grandes grupos teóricos que se 
 dedicam a explicar o regionalismo. 
 ● Teorias sistêmicas: a pressão que vem de fora, do sistema anárquico, é o que gera 
 uma integração regional. Algumas regiões se juntam, se consolidam por acharem uma 
 boa maneira de lidar com a anarquia. Há dois conjuntos de teorias sistêmicas: i) 
 neorrealismo e ii) interdependência. 
 ○ Neorrealismo → a política e o alinhamento regionalista têm pontos em 
 comum com a política de formação de alianças, além de trabalhar muito com a 
 ideia de hegemonia. Esta traz processos de integração, visto que muitos blocos 
 são formados a fim de conter uma força/pressão hegemônica, como o caso do 
 Mercosul frente à hegemonia estadunidense. O hegemon será incentivado a se 
 integrar com outros países para impor seu domínio a outros Estados,um 
 exemplo disso é a ALCA. Pode ser, também, que países mais fracos tenham 
 interesse em se juntarem com um país hegemônico para adquirir mais força no 
 sistema internacional, por exemplo os países do sudeste asiático e a China, 
 acabando por formar a Asean. O regionalismo econômico é um instrumento de 
 barganha nas negociações. 
 ○ Interdependência estrutural e globalização → liga o regionalismo à 
 interdependência regional, este sendo uma resposta dos Estados aos problemas 
 criados por essa, propondo instituições para incentivar coesão regional. Tem 
 em mente o processo de globalização, responsável por mudanças econômicas 
 globais que afetam a natureza da competição política e econômica. A relação 
 entre a globalização e o regionalismo possui muitas camadas, a primeira se 
 posiciona contra o regionalismo de três diferentes formas: i) são demandadas 
 instituições não regionais tendo em vista a maximização dos níveis de 
 interdependência econômica e com o objetivo de resolver - ou pelo menos 
 mitigar - problemas de escala global, como a crise de refugiados e a 
 degradação do meio ambiente; ii) elementos como a ampliação da 
 interdependência econômica e a de cooperações na área política, econômica e 
 de segurança no escopo da OCDE mais beneficiaram uma coesão ocidental, do 
 que regional; iii) um fator um tanto complicador é a existência de relações 
 entre regiões e empresas que ultrapassam os limites das regiões. Mas também 
 pode-se notar fatores da globalização que podem estimular o regionalismo, 
 como a gestão dos problemas antes citados a partir de uma iniciativa regional, 
 visto que há grandes dificuldades na resolução à nível global e que as regiões 
 podem sofrer consequências parecidas, se não as mesmas, com particularidades 
 e aparatos semelhantes. 
 ● Regionalismo e interdependência → Abrange 3 teorias: 
 ○ a) neofuncionalismo - quando um país não consegue resolver seus problemas 
 sozinho, o melhor seria cada país entregar um pouco de sua soberania a uma 
 entidade supranacional, para que esta possa definir políticas e normas 
 comumente aceitas pelos participantes, criando uma região mais consolidada e 
 forte frente aos problemas; 
 ○ b) Institucionalismo liberal - ligado à ideia de inter-governamentalismo, 
 objetiva promover uma boa relação de cooperação entre os países, todos 
 responsáveis por discutir os temas e tomar decisões conjuntamente, sem 
 necessariamente uma instituição supranacional, como o caso do Mercosul; 
 ○ c) construtivismo - uma teoria de cunho mais sociológico, remete à ideia de 
 identidade como motor para a integração. Não se aplica no caso da União 
 Europeia, já que a identidade presente no processo de integração europeia diz 
 respeito à distinção entre Europeus ("civilizados") e não-Europeus 
 ("não-civilizados"). 
 ● Teorias de nível interno: concentra-se no papel dos atributos ou características 
 internas compartilhadas. 
 ○ Regionalismo e coerência estatal → as chances de cooperação e integração 
 regional vão depender da coerência e da viabilidade dos Estados e suas 
 estruturas. Países com objetivos comuns para a possibilidade de cooperação. 
 Assim como é necessário que os interesses internos dos países estejam de 
 acordo com a integração, a apoiem. 
 ○ Tipo de Regime e Democratização → Há estudos que associam a onda de 
 transições democráticas, ocorrida na década de 1980, com a emergência do 
 regionalismo, mesmo essa relação ainda sendo bastante complexa e enevoada. 
 Um ponto a se destacar refere-se a conflitos entre países democráticos e não 
 democráticos dentro de um bloco, como ocorreu no próprio Mercosul. 
 Relacionado à definição de que a democracia liberal é o melhor regime político 
 e deve ser implementado. 
 ○ Teorias de Convergência → a integração surge das convergências das 
 preferências políticas e econômicas nacionais. Procuram demonstrar que é 
 necessário que os Estados estejam sempre convergindo nas ideias e objetivos 
 para que a cooperação seja frutífera. 
 Conclusão do autor 
 ● Os debates acerca do despertar do regionalismo se relacionam, profundamente, aos 
 debates teóricos que dominam as Relações Internacionais. 
 ● As teorias da integração regional que se dedicaram à análise da CE (Comunidade 
 Europeia), e hoje dominam esse campo, são parciais e insuficientes para a 
 compreensão do regionalismo contemporâneo. 
 ● Os teóricos tendem a declarar a primazia de um determinado nível de análise 
 (sistêmico, regional ou interno), mas, segundo Hurrell, existem duas dificuldades 
 nisso: i) não está explícito se os exemplos históricos de regionalismo podem ser 
 compreendidos, de forma profunda, partindo de um único nível de análise; ii) “como 
 observa Andrew Moravicsik, os pressupostos sobre os outros níveis de análise são 
 muitas vezes contrabandeados sub-repticiamente e depois modificados para explicar 
 anomalias na teoria.” (HURRELL, 1995, p.50). 
 ● Um outro caminho para este estudo seria se dedicar à natureza da interação das 
 diferentes lógicas que atuam no regionalismo contemporâneo. 
 ● É possível adotar a “teoria dos estágios” para entender o regionalismo. Com ela, 
 pode-se argumentar que as primeiras fases do processo de regionalismo podem 
 resultar de um inimigo comum ou de uma potência hegemônica. Essa via pode 
 aprimorar nossa compreensão dos avanços do NAFTA e da ASEAN feitos em direção 
 à integração econômica.

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