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Nutrição Clínica Canina e Felina Guia prático de referência para uso diário no exercício da medicina veterinária Nestlé® Purina® PetCare® // VERSO DA CAPA DURA // Publicado por The Gloyd Group, Inc. Wilmington, Delaware ©2010 Nestlé® Purina® PetCare Company Todos os direitos resevados. Impresso no Brasil, 2016 Nestlé Brasil Ltda Avenida Dr. Chucri Zaidan 246 Vila Cordeiro, São Paulo, SP Primeira Impressão, 2010. Este livro está protegido por direitos autorais. É proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo. ISBN 978-0-9764766-0-3 As doses e informações apresentadas neste manual foram pesquisadas e descritas, baseadas nas referências bibliográficas citadas; entretanto, devido às constantes pesquisas e atualizações na área podem ocorrer alterações após a sua publicação. Recomendamos que o médico veterinário se informe no tocante às recomendações e contraindicações descritas para as medicações apresentadas e as utilize de acordo com a avaliação individual de cada paciente, sendo de sua total responsabilidade sua utilização. 11 Manual Nestlé® Purina® PetCare sobre Nutrição Clínica Canina e Felina Índice 4 n Colaboradores Doenças Alérgicas 6 n Dermatites alérgicas - Cães Stephen D. White, DVM, DACVD 8 n Dermatites alérgicas - Gatos Stephen D. White, DVM, DACVD Doenças Artríticas 10 n Osteoartrite - Cães Denis Marcellin-Little, DEDV, DACVS, DECVS, DACVSMR 12 n Osteoartrite/Doença degenerativa articular - Gatos B. Duncan X. Lascelles, BSc, BVSC, PhD, MRCVS, CertVA, DSAS(ST), DECVS, DACVS Doenças Cardiopulmonares 14 n Doença cardíaca - Cães Lisa M. Freeman, DVM, PhD, DACVN 18 n Doença cardíaca - Gatos Lisa M. Freeman, DVM, PhD, DACVN 22 n Quilotórax - Gatos Kathryn E. Michel, DVM, MS, DACVN Cuidados intensivos 24 n Nutrição em cuidados intensivos - Cães Daniel L. Chan, DVM, MRCVS, DACVECC, DACVN 26 n Nutrição em cuidados intensivos - lipidose hepática felina Daniel L. Chan, DVM, MRCVS, DACVECC, DACVN Doenças endócrinas e metabólicas 28 n Diabetes mellitus - Cães Linda Fleeman, BVSc, MACVSc, PhD Jacquie Rand, BVSc, DVSc, DACVIM 30 n Diabetes mellitus - Gatos Jacquie Rand, BVSc, DVSc, DACVIM Linda Fleeman, BVSc, MACVSc, PhD Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN 33 n Sobrepeso/Obesidade - Cães Sean J. Delaney, DVM, MS, DACVN 36 n Sobrepeso/Obesidade - Gatos Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN Transtornos Gastrointestinais 38 n Constipação - Cães Sally Perea, DVM, MS, DACVN 40 n Constipação - Gatos Sally Perea, DVM, MS, DACVN 42 n Diarreia do intestino delgado - Cães Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM 44 n Diarreia do intestino delgado - Gatos Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM 46 n Diarreia do Intestino Grosso - Cães Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM 48 n Diarreia do Intestino Grosso - Gatos Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM 52 n Colite - Cães Scott Campbell, BVSc, MACVSc, DACVN 54 n Colite - Gatos Scott Campbell, BVSc, MACVSc, DACVN 56 n Insuficiência pancreática exócrina - Cães Scott Campbell, BVSc, MACVSc, DACVN 58 n Gastroenterite/Vômitos - Cães Korinn E. Saker, DVM, PhD, DACVN 60 n Gastroenterite/Vômitos - Gatos Korinn E. Saker, DVM, PhD, DACVN 62 n Enteropatias crônicas - Cães Frédéric P. Gaschen, Dr.med.vet., Dr.habil., DACVIM, DECVIM-CA Dottie Laflamme, DVM, PhD, DACVN 64 n Enteropatias Crônicas - Gatos Frédéric P. Gaschen, Dr.med.vet., Dr.habil., DACVIM, DECVIM-CA Dottie Laflamme, DVM, PhD, DACVN 66 n Linfangiectasia - Cães Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM 68 n Pancreatite - Cães Kathryn E. Michel, DVM, MS, DACVN 70 n Pancreatite - Gatos Kathryn E. Michel, DVM, MS, DACVN Doenças Hepáticas 72 n Doença hepática - Cães David C. Twedt, DVM, DACVIM 74 n Doença hepática - Gatos David C. Twedt, DVM, DACVIM 76 n Encefalopatia hepática - Cães David C. Twedt, DVM, DACVIM 78 n Encefalopatia hepática - Gatos David C. Twedt, DVM, DACVIM 80 n Hiperlipidemia - Cães John E. Bauer, DVM, PhD, DACVN 82 n Hiperlipidemia - Gatos John E. Bauer, DVM, PhD, DACVN 2 Doenças do trato urinário 84 n Doença renal - Cães David J. Polzin, DVM, PhD, DACVIM 86 n Doença renal - Gatos David J. Polzin, DVM, PhD, DACVIM 88 n Urolitíase por Oxalato de Cálcio - Cães Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, DACVN 90 n Doença do trato urinário inferior - Cistite idiopática e urolitíase por estruvita/Oxalato de Cálcio - Gatos Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, DACVN 92 n Urolitíase por uratos - Cães Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, DACVN Manejo Nutricional de Doenças Concomitantes 96 n Diabetes mellitus e doenças renais - Gatos Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN 98 n Diabetes mellitus e obesidade - Gatos Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN 100 n Diabetes mellitus e cistite relacionada com cristais - Gatos Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN 102 n Pancreatite e doença renal crônica - Cães Jennifer Larsen, DVM, PhD, DACVN 104 n Gastroenterite alérgica/Doença inflamatória intestinal e doença renal crônica – Cães Jennifer Larsen, DVM, PhD, DACVN 106 n Gastroenterite Alérgica/Doença Inflamatória Intestinal e Doença Renal Crônica – Gatos Jennifer Larsen, DVM, PhD, DACVN 108 n Urolitíase por oxalato de cálcio e hiperlipidemia - Cães Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, DACVN 110 n Doença renal crônica e obesidade - Cães Donna M. Raditic, DVM, CVA Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, DACVN 112 n Doença renal crônica e obesidade - Gatos Donna M. Raditic, DVM, CVA Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, DACVN 116 n Urolitíase por estruvita e obesidade - Gatos Donna M. Raditic, DVM, CVA Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, DACVN 118 n Referências 123 n Apêndice I - Sistema de escore de condição corporal (ECC) Nestlé® Purina® 125 n Apêndice II - Formulário de histórico alimentar 127 n Apêndice III - Cálculos úteis na nutrição clínica 3 Lisa M. Freeman, DVM, PhD, DACVN Professora do Departamento de Ciências Clínicas Faculdade de Medicina Veterinária Cummings Universidade de Tufts, North Grafton, Massachusetts Diabetes Mellitus – Cães Diabetes Mellitus – Gatos Frédéric P. Gaschen, Dr.med.vet., Dr.habil., DACVIM, DECVIM-CA Professor e Chefe, Medicina de Animais de Companhia Departamento de Ciências Clínicas Veterinárias Faculdade de Medicina Veterinária Universidade do Estado de Luisiana, Baton Rouge, Luisiana Enteropatias crônicas – Cães Enteropatias crônicas – Gatos Dottie Laflamme, DVM, PhD, DACVN Especialista em Comunicação – Nutrição Veterinária Nestlé PURINA PetCare Research Enteropatias Crônicas – Cães Enteropatias Crônicas – Gatos Jennifer Larsen, DVM, PhD, DACVN Professora Assistente de Nutrição Clínica Nutricionista Clínica, Serviço de Apoio Nutricional Hospital Escola de Medicina Veterinária Universidade da Califórnia, Davis, Califórnia Pancreatite e doença renal crônica – Cães Gastroenterite alérgica/Doença inflamatória intestinal e doença renal crônica - Cães Gastroenterite alérgica/Doença inflamatória intestinal e doença renal crónica – Gatos B. Duncan X. Lascelles, BSc, BVSC, PhD, MRCVS, CertVA, DSAS(ST), DECVS, DACVS Professor Associado, Cirurgia de Pequenos Animais Departamento de Ciências Clínicas Faculdade de Medicina Veterinária Universidade do Estado da Carolina do Norte, Raleigh, Carolina do Norte Osteoartrite/Doença degenerativa das articulações – Gatos Denis Marcellin-Little, DEDV, DACVS, DECVS, DACVSMR Professor, Ortopedia Departamento de Ciências Clínicas Faculdade de Medicina Veterinária Universidade do Estado da Carolina do Norte, Raleigh, Carolina do Norte Osteoartrite – Cães Colaboradores Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, DACVN Professor de Medicina Veterinária e Nutrição Responsável pela área de Pesquisas em Pequenos Animais Departamento de Ciências Clínicas de Pequenos Animais Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade do Tennessee, Knoxville, Tennessee Urolitíase por oxalato de cálcio – Cães Doença do trato urinário inferior em gatos – Cistite idiopática e urolitíase por estruvita/oxalato de cálcio Urolitíase por uratos – Cães Urolitíase por oxalato de cálcio e hiperlipidemia– Gatos Doença renal crônica e obesidade – Cães Doença renal crônica e obesidade – Gatos Urolitíase por estruvita e obesidade – Gatos John E. Bauer, DVM, PhD, DACVN Professor de Nutrição Clínica em Mark L. Morris Departamento de Ciências Clínicas de Pequenos Animais Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências Biomédicas Universidade do Texas A&M, College Station, Texas Hiperlipidemia – Cães Hiperlipidemia – Gatos Scott Campbell, BVSc (Hons), MACVSc, DACVN Professor Titular, Serviço de Apoio em Nutrição Clínica Faculdade de Ciências Veterinárias da Universidade de Queensland, Brisbane, Austrália Proprietário do Booval Veterinary Hospital, Booval, Australia Colite – Cães Colite – Gatos Insuficiência pancreática exócrina – Cães Daniel L. Chan, DVM, MRCVS, DACVECC, DACVN Professor de Cuidados Intensivos e Emergências, e Nutricionista Clínico Seção de Cuidados Intensivos e Emergências Departamento de Ciências Clínicas Veterinárias Royal Veterinary College Hertfordshire, Reino Unido Nutrição em Cuidados Intensivos – Cães Nutrição em Cuidados Intensivos – Lipidose Hepática em gatos Sean J. Delaney, DVM, MS, DACVN Fundador, Davis Veterinary Medical Consulting, Inc. Davis, California Sobrepeso/Obesidade – Cães Linda Fleeman, BVSc, PhD, MACVSc Diabetes Animal Australia Boronia Veterinary Clinic Melbourne, Victoria, Australia Diabetes Mellitus – Cães Diabetes Mellitus – Gatos 4 5 Kathryn E. Michel, DVM, MS, DACVN Professora Associada de Nutrição Departamento de Estudos Clínicos - Filadélfia Faculdade de Medicina Veterinária Universidade da Pensilvânia, Filadélfia, Pensilvânia Quilotórax – Gatos Pancreatite – Cães Pancreatite – Gatos Sally Perea, DVM, MS, DACVN Davis Veterinary Medical Consulting, Inc. Davis, Califórnia Constipação – Cães Constipação – Gatos David J. Polzin, DVM, PhD, DACVIM Professor de Medicina Interna e Nefrologia Departamento de Ciências Clínicas Veterinárias Faculdade de Medicina Veterinária Universidade de Minnesota, St. Paul, Minnesota Doença renal crônica – Cães Doença renal crônica – Gatos Donna M. Raditic, DVM, CVA Professora Clínica Assistente Adjunta Serviço de Medicina Integradora Faculdade de Medicina Veterinária Universidade do Tennessee, Knoxville, Tennessee Residente de Nutrição Angell Animal Medical Center, Boston, Massachusetts Doença renal crónica e obesidade – Cães Doença renal crônica e obesidade – Gatos Urolitíase por estruvita e obesidade – Gatos Jacquie Rand, BVSc, DVSc, DACVIM Diretora, Centro para a Saúde de Animais de Companhia Faculdade de Ciências Veterinárias Universidade de Queensland, St. Lucie, QLD, Australia Diabetes ellitus – Cães Diabetes Mellitus – Gatos Rebecca L. Remillard, PhD, DVM, DACVN Membro do Grupo de Veterinários, Nutrição e Diretora de Pesquisas Clínicas Angell Animal Medical Center, Boston, Massachusetts Diabetes mellitus – Gatos Sobrepeso/Obesidade – Gatos Diabetes mellitus e doença renal – Gatos Diabetes mellitus e obesidade – Gatos Diabetes mellitus e cistite relacionada com cristais – Gatos Korinn E. Saker, DVM, PhD, DACVN Professora Associada, Nutrição Clínica Ciências Biomédicas Moleculares Faculdade de Medicina Veterinária Universidade do Estado da Carolina do Norte, Raleigh, Carolina do Norte Gastroenterite/Vômitos – Cães Gastroenterite/Vômitos – Gatos David C. Twedt, DVM, DACVIM Professor, Medicina de Pequenos Animais Departamento de Ciências Clínicas Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências Biomédicas Universidade do Estado do Colorado, Fort Collins, Colorado Doença hepática – Cães Doença hepática – Gatos Encefalopatia hepática – Cães Encefalopatia hepática – Gatos Stephen D. White, DVM, DACVD Professor Departamento de Medicina e Epidemiologia Faculdade de Medicina Veterinária Universidade da Califórnia, Davis, Califórnia Dermatite alérgica – Cães Dermatite alérgica – Gatos Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM Professora Associada e Chefe da Medicina Interna de Pequenos Animais Departamento de Ciências Clínicas de Pequenos Animais Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências Biomédicas Universidade do Texas A&M, College Station, Texas Diarreia do intestino delgado – Cães Diarreia do intestino delgado – Gatos Diarreia do intestino grosso – Cães Diarreia do intestino grosso – Gatos Linfangiectasia – Cães 6 Valores recomendados de nutrientes essenciais Princípios da Alimentação Coadjuvante Alergia a alimentos:O diagnóstico e o tratamento consistem em administrar uma dieta de eliminação "hipoalergênica"3. Esta dieta é baseada em exposição prévia a diversos alimentos, podendo ser dietas de eliminação (antígenos limitados) tanto caseiras como comerciais. Os animais não devem ter contato com qualquer outra substância no período de teste de eliminação de alimentos, incluindo suplementos de vitaminas, brinquedos mastigáveis, medicações ou cremes dentais específicos. Devido à dieta de eliminação caseira não ser uma dieta balanceada, os proprietários devem ser advertidos sobre a possibilidade de seu cão perder peso, de desenvolver uma pelagem sem brilho, escamosa, ou apresentar um apetite maior do que o habitual. Geralmente, a duração da dieta de eliminação é de 8 a 12 semanas. A persistência de algum prurido na semana 12 pode indicar a presença de outras hipersensibilidades concomitantes. Nos casos que foram administrados antibióticos para tratar infecções secundárias, ou corticosteroides orais para prurido intenso, a dieta deve continuar por mais 2 semanas após estes tratamentos serem interrompidos, com o intuito de avaliar corretamente a sua eficácia. Ao não apresentar os sinais clínicos, o cão é alimentado com a sua dieta padrão para confirmar o diagnóstico. A recorrência de sinais clínicos geralmente é apresentada dentro das duas semanas seguintes. O cão é então alimentado novamente com sua dieta de eliminação e o proprietário pode testar com os alérgenos suspeitos, administrando cada um deles por uma ou duas semanas de cada vez. Os alérgenos comprovadamente mais comuns nos cães são proteínas contidas em: carne, frango, leite, ovos, milho, trigo e soja. Uma vez que os alérgenos ofensivos são identificados, pode ser fornecida uma alimentação comercial sem esses alérgenos ou uma dieta de proteínas hidrolisadas. Quando os proprietários se recusam a realizar testes de provocação, pode ser usado um alimento para cães com antígenos limitados. nPetiscos – Durante o teste de eliminação não pode ser fornecido nenhum petisco, exceto aqueles que contenham os mesmos ingredientes que a dieta de eliminação. As dietas comerciais de eliminação úmidas ou secas podem ser assadas (esta última misturada com água), em forma de biscoitos para cães. Após ter o diagnóstico de alergia alimentar e encontrar uma dieta de manutenção apropriada, pode-se incorporar petiscos semanalmente para avaliar qualquer recorrência dos sinais clínicos. nDicas para aumentar a palatabilidade – Às vezes, aquecer o alimento antes da alimentação pode melhorar a palatabilidade. Se o cão recusa a alimentação de eliminação após 2 ou 3 dias, é melhor testar uma outra dieta com outra proteína. nRecomendações para a dieta – As dietas de eliminação devem evitar alimentos fornecidos anteriormente. Para as dietas caseiras, as escolhas podem ser proteínas "novas", como a carne de porco, feijão, coelho, pato e atum, e carboidratos como batatas, batatas doces e arroz. As dietas comerciais devem ser especificamente comercializadas com alérgenos limitados. Estas podem estar compostas por proteínas "novas" ou proteínas hidrolisadas cujo peso molecular seja muito pequeno para desencadear reações do sistema imunológico do cão. Dermatite Alérgica - Cães Stephen D. White, DVM, DACVD Definição A Dermatite alérgica refere-se a qualquer distúrbio de hipersensibilidade que produza uma condição inflamatória na pele. Os distúrbios mais comuns que afetam os cães incluem: alergia a picada de pulgas (DAPP), dermatite atópica e alergia a alimentos (também conhecida como hipersensibilidade alimentar). Ferramentas de diagnóstico e exames complementares O histórico clínico, incluindoa sazonalidade e a dieta ou as mudanças na dieta, são os primeiros passos para diagnosticar a causa da dermatite alérgica. Durante o exame físico, a localização das lesões pode fornecer informações importantes para o diagnóstico: se a causa é a alergia a picada de pulgas, as lesões são provavelmente no dorso; no caso da dermatite atópica, as lesões são encontradas em membros pélvicos, axilas, rosto e orelhas; e se é uma alergia alimentar, as lesões podem ser semelhantes às observadas na dermatite atópica. É preciso uma análise citológica da pele para verificar se há infecções bacterianas secundárias ou Malassezias fúngicas como a Malassézia. Fisiopatologia A dermatite atópica é mediada pela imunoglobulina E (IgE) específica para alérgenos. Os alérgenos, por via percutânea, são fixados aos anticorpos IgE ligados aos mastócitos, os quais liberam substâncias inflamatórias. Trabalhos recentes sugerem que: 1) alguns cães atópicos podem apresentar deficiência de filagrina (um componente do estrato córneo), e 2) em cães normais, a função de barreira do estrato córneo (contra as infecções) pode ser suplementada por niacinamida. A etiologia da alergia alimentar não é bem conhecida, mas provavelmente esteja envolvida tanto em processos mediados por células como em processos mediados por anticorpos. Na dermatite por picadas de pulgas, os alérgenos são proteínas encontradas na saliva dos parasitas. Predisposição As raças com predisposição são: Lhasa Apso, Schnauzer Miniature, Dachshund West Highland White Terrier, Pug, Poodle, Cocker Spaniel, Springer Spaniel, Collie, Dálmata, Boxer, Rhodesian Ridgeback, Pastor Alemão e Golden Retriever. No Reino Unido, ocorreu um relato sobre cães atópicos da raça Retriever com probabilidade de ter filhotes atópicos, especialmente os machos atópicos. Geralmente nos cães atópicos os indicadores se observam entre a idade de 1 e 7 anos. Predileções por gênero são desconhecidas. Trinta por cento dos cães com alergia a alimentos apresentam indicadores no decorrer do primeiro ano de idade. No que diz respeito a alergia a picada de pulgas, não existem predileções por idade, raça ou gênero. Alterações nos nutrientes essenciais Nos cães com dermatite atópica, os ácidos graxos essenciais (AGE) podem ser usados como antipruríticos1. É controversa a diferença da eficiência entre os suplementos de AGE com ácidos graxos Ômega 3 e aqueles que contêm uma mistura de Ômega 3 e Ômega 6. Nos cães, os AGE podem ter 25% de probabilidade de reduzir o prurido, especialmente quando combinados com um tratamento anti-histamínico. Quando os suplementos de AGE foram incluídos na alimentação dos cães, a taxa de sucesso em um estudo foi de 42% (controle do prurido bom ou excelente); em outro estudo foi de 44%. Um artigo recente demonstrou que as melhorias observadas em cães atópicos com suplementação de AGE nem sempre se correlacionam com a ingestão total de ácidos graxos ou com a relação de ácidos graxos ômega 6:3. Outro relatório documentou o efeito moderador dos esteroides dos AGE em alguns cães atópicos.² Se forem utilizados suplementos, uma recomendação informal é a utilização de pelo menos 36 - 44 mg/kg de peso corporal/dia de ácido eicosapentaenoico (EPA, em inglês) proveniente de óleo de peixe, ou aproximadamente 1 g de óleo de peixe/5 kg de peso corporal. Nutriente % MS mg/100 kcal % MS mg/100 kcal Valores recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* n3 Total 0.4–0.8 81–156 n/d n/d (de óleo de peixe) EPA 0.24–50 50–94 n/d n/d A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de enfermidade. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. *Necessidades de nutrientes para os animais adultos segundo determinação da Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). 7 Pontos para a educação do proprietário nDermatite Atópica –Os proprietários devem reconhecer que esta doença precisa ser controlada e tratada durante toda a vida do cão; se os AGE são úteis no controle de prurido, então será necessário fornecê-los ao longo de toda a vida. nAlergia a Alimentos –Os proprietários precisam ser muito rigorosos ao longo do teste de eliminação do alimento. Devem manter um registro diário, constatando o prurido, tudo o que for ingerido que não esteja na dieta, sendo ideal também registrar qualquer mudança nas fezes (ex.: consistência, cheiro). nAlergia a Picada de Pulgas– Explicar o papel das pulgas e os diversos inseticidas disponíveis para proteger o cão das picadas de pulgas. Embora a eficácia dos AGE como auxiliares no tratamento do prurido causado por alergia a pulgas não tenha sido totalmente investigada, podem ser utilizados os AGE como complemento ao tratamento de parasitas. Comorbidades comuns A dermatite atópica, a alergia a picadas de pulgas e a alergia alimentar muitas vezes existem no mesmo cão. Podem ter infecções bacterianas secundárias (normalmente, Staphylococcusspp) e/ou por Malasseziaspp (fungo). As mesmas precisam ser tratadas, uma vez que as infeções podem produzir prurido. A alergia a alimentos também pode causar transtornos gastrointestinais. Enquanto diarreia e/ou vômitos provavelmente só ocorram em 10% dos cães com dermatite causada por alergia alimentar, fezes moles ou malformadas, são observadas com maior frequência; deve- se perguntar especificamente sobre o aparecimento no momento de registrar o histórico clínico do paciente⁴. Raramente foi observado que a alergia alimentar tenha causado epilepsia idiopática⁵. Tratar ou descartar infecções secundárias bacterianas ou por fungos Alergia alimentar Dermatite atópica Alergia a picada de pulgas Diagnosticar mediante um teste com dieta hipoalergênica ou de alérgenos limitados Diagnosticar com base no histórico e quadro clínico Tentar um tratamento com AGE, sozinhos ou em uma combinação com outras formas (anti-histamínicos, corticosteroides, injeções de hipossensibilização) Diagnosticar com base no histórico e quadro clínico Se o prurido não for resolvido, devem ser consideradas outras etiologias Se o prurido for resolvido, deve ser administrada a dieta anterior para confirmar o diagnóstico Se for confirmado, deve-se administrar alérgenos individuais para identificá-los, ou manter uma dieta balanceada com alérgenos limitados Começar o controle das pulgas; somar AGE como tratamento complementar Manejo Nutricional da Dermatite Alérgica em Cães Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Como foi observado anteriormente, são necessários antibióticos e antimicóticos (geralmente azóis) para tratar infecções secundárias. Tais medicamentos são administrados normalmente durante 4 a 8 semanas. Os medicamentos tópicos, tais como xampu ou artigos para banho (enxágues) podem também ser utilizados para controlar as infecções secundárias, bem como ajudar no tratamento do prurido. Os corticosteroides podem ser necessários para controlar o prurido, embora a sua utilização deva ser limitada a produtos por via oral com efeito de ação curta, tais como a prednisona ou a prednisolona. Quando os corticosteroides são considerados necessários, o objetivo deve ser a menor dose diária possível. A ciclosporina é frequentemente útil para controlar os sinais clínicos de dermatite atópica; a sua eficácia em outras dermatoses alérgicas ainda não foi avaliada. É também importante para a dermatite atópica a hipossensibilidade com base em testes sorológicos (imunoterapia, ou “vacinas para alergia"). Hipossensibilidade não é recomendada para o tratamento da alergia alimentar; o seu papel na gestão da alergia a pulgas precisa ser pesquisado mais profundamente. Controle Os cães com dermatite alérgica deverão ser avaliados pelo menos duas vezes por ano depois do desaparecimento dos sinais clínicos; controles mais frequentes,dependendo dos potenciais efeitos adversos do tratamento (tal como os observados com ciclosporina ou corticosteroides) são sugeridos. Os cães também devem ser examinados se o prurido é repetitivo, porque isso pode significar tanto uma recaída no tratamento da dermatite alérgica (por exemplo, uma ingestão de alérgeno "proibido", ou um erro de controle das pulgas) a recorrência de uma infecção secundária ou o aparecimento de uma outra hipersensibilidade (ex.: o cão com alergia alimentar que desenvolve uma dermatite atópica). Princípios da alimentação coadjuvante Alergia Alimentar:O diagnóstico e o tratamento consistem em administrar uma dieta de eliminação “hipoalergênica". Esta dieta é baseada em exposição prévia a vários alimentos, podendo ser dietas de eliminação (antígenos limitados), tanto caseira como comercial. Os animais não devem ter contato com qualquer outra substância no período de teste de eliminação de alimentos, incluindo suplementos de vitaminas, brinquedos mastigáveis, medicações ou cremes dentais específicos. Dado que a dieta de eliminação caseira não é uma dieta equilibrada, os proprietários devem ser alertados sobre a possibilidade de perda de peso do gato, de desenvolver pelagem sem brilho, escamosa, ou um apetite maior do que o habitual. A nova dieta deve ser incorporada gradualmente ao longo de alguns dias, inicialmente misturada com a dieta anterior. Também é necessário alertar os proprietários caso o gato recuse a nova dieta por mais de dois dias, isso poderia causar doenças (lipidose hepática) e, portanto, deverão procurar rapidamente uma dieta mais palatável. Geralmente, a duração da dieta de eliminação é de 8 a 12 semanas. A persistência de algum prurido na semana 12 pode indicar a presença de outras hipersensibilidades simultâneas. Nos casos que os antibióticos são indicados para o tratamento de infecções secundárias, ou corticosteroides orais para prurido intenso, a dieta deve ser mantida por 2 semanas após a interrupção destes tratamentos, a fim de julgar corretamente sua eficácia. Após o tratamento dos sinais clínicos, o gato é alimentado com a sua dieta habitual para confirmar o diagnóstico. A recorrência de sinais clínicos geralmente aparece dentro das duas semanas seguintes. O gato é alimentado de novo com a dieta de eliminação e o proprietário pode administrar os alérgenos suspeitos, proporcionando cada um 1 a 2 semanas de cada vez. Os alérgenos mais comuns testados em gatos são proteínas encontradas em: leite e produtos lácteos, peixe e carne. Uma vez que os alérgenos ofensivos são identificados, pode ser fornecida comida comercial para gatos sem esses alérgenos. Quando os proprietários se recusam a realizar testes de provocação, você pode utilizar um alimento para gatos com antígeno limitado. nPetiscos – Durante o teste de eliminação de alimentos não pode ser utilizado nenhum petisco, exceto aqueles que contêm os mesmos ingredientes que a dieta de eliminação. Após o diagnóstico de alergia alimentar e após encontrar uma dieta de manutenção adequada, os petiscos podem ser incorporados semanalmente para avaliar qualquer recorrência de sinais clínicos. nDicas para aumentar a palatabilidade –Algumas vezes, aquecer a dieta antes da alimentação pode melhorar a palatabilidade. Se o gato se recusa a comer a dieta de eliminação depois de 2 dias, será necessário testar uma dieta com outra proteína. n Recomendações para a dieta – As dietas de eliminação deverão evitar os alimentos dados anteriormente. No caso das dietas caseiras, as opções podem ser proteínas "novas" como porco, coelho e pato, e carboidrato como as batatas e a tapioca. As dietas comerciais deverão ser especificamente comercializadas com alérgenos limitados. Estes podem estar compostos por proteínas "novas" ou proteínas hidrolisadas cujo peso molecular seja suficientemente pequeno para não acionar o sistema imunológico do gato. Pontos para a educação do proprietário • Dermatite atópica:Os proprietários devem reconhecer que esta doença precisa ser controlada e tratada durante toda a vida do gato; se os AGE são úteis para controlar o prurido, então será necessário fornecê-los por toda a vida • Alergia a alimentos: Os proprietários precisam ser muito rígidos ao longo do teste de eliminação de alimentos. Eles devem manter um registro diário, no qual conste o prurido, tudo aquilo que for ingerido que não esteja na dieta. Também seria interessante anotar qualquer mudança nas fezes (por ex.: consistência, cheiro). • Alergia a picada de pulgas: Deve ser explicado o papel da pulga e os diversos inseticidas disponíveis para proteger o gato das picadas de pulgas. Embora a efetividade de AGE como uma ajuda no tratamento do prurido causado pela alergia a picada de pulgas não tenha sido investigada completamente, o proprietário pode tentar usar AGE como complemento para tratar as lesões causadas pelos parasitas. Dermatite alérgica - Gatos Stephen D. White, DVM, DACVD Definição Adermatite alérgicase refere a qualquer distúrbio de hipersensibilidade que produza uma condição inflamatória da pele. Os distúrbios mais comuns que afetam os gatos são alergia a picada de pulgas, alergia alimentar (também conhecida como hipersensibilidade alimentar) e dermatite atópica. Ferramentas de diagnóstico e medidas básicas O histórico clínico, incluindo a sazonalidade e a dieta ou as mudanças na dieta, é o primeiro passo para diagnosticar a causa da dermatite alérgica. Durante o exame físico, a localização das lesões pode fornecer informações importantes para o diagnóstico: se a causa é a alergia a picada de pulgas, as lesões são provavelmente na metade caudal do corpo e na área dorsal do pescoço, e é frequente a presença de dermatite miliar (pápulas incrustadas). No caso da dermatite atópica e de alergia alimentar, as lesões incluem prurido na face, cabeça e pescoço, dermatite miliar, complexo granuloma eosinofílico e alopécia auto-induzida. É necessária uma análise citológica da pele para comprovar a existência de infecções secundárias bacterianas ou Malassezia. Fisiopatologia A dermatite atópica é mediada pela imunoglobulina E (IgE) específica para alérgenos. Os alérgenos, por via percutânea, se ligam a anticorpos IgE ligados aos mastócitos, os quais, em seguida, liberam substâncias inflamatórias.¹ A etiologia da alergia alimentar não é bem conhecida, mas provavelmente estejam envolvidos tantos processos mediados por células quantos processos mediados por anticorpos. Na dermatite por alergia a picada de pulgas, os alérgenos são proteínas na saliva das pulgas. Predisposição Nos casos de gatos com dermatite atópica, a alergia alimentar ou a alergia a picada de pulgas, não foi comprovado de forma constante a predileção por idade, raça ou sexo. Modificações nos nutrientes essenciais Em gatos com dermatite atópica, podem ser usados ácidos graxos essenciais (AGE) como antipruríticos. Valores recomendados dos nutrientes essenciais Caso sejam utilizados suplementos, uma recomendação informal no caso de cães é a utilização de, pelo menos, 36 a 44 mg/kg de peso corporal/dia de ácido eicosapentaenoico (EPA, em inglês) proveniente do óleo de peixe, ou cerca de 1 g de óleo de peixe/5 kg de peso corporal. Não há nenhuma evidência para determinar se isto é ou não é adequado no caso de gatos. Nutriente % MS mg/100 kcal % MS mg/100 kcal Valores recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* n3 Total 0.4–0.8 81–156 n/d n/d (de óleo de peixe) EPA 0.24–50 50–94 n/d n/d A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. *Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). 8 9 Comorbidades comunsTrês dermatoses alérgicas podem ter infecções bacterianas (em geral, Staphylococcus spp) e/ou por Malassezia spp (fungo).² Estas precisarão ser tratadas, assim como a dermatite alérgica, já que as infecções podem produzir prurido.³ A alergia a alimentos também pode causar deficiências orgânicas gastrointestinais, especialmente colite. Raramente foi observado que a alergia a alimentos tenha causado angioedema ou sintomas semelhantes à asma.4 Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Como foi observado previamente, serão necessários antibióticos e medicamentos antimicóticos (evitando o cetoconazol devido a seu conhecido efeito hepatotóxico em gatos) para tratar as infecções secundárias. Tais medicamentos são habitualmente administrados durante 4 a 8 semanas. Os corticosteroides podem ser necessários para controlar o prurido, embora o uso deles deva ser limitado a produtos por via oral com efeito de ação curta, da mesma maneira que a prednisolona (mais efetivo que a predinisona para muitos gatos). Quando forem considerados necessários os corticosteroides, deverá ser usada a menor dose diária possível a cada dois dias. A Tratar ou descartar infeções secundárias bacterianas ou por fungos Alergia alimentar Dermatite atópica Alergia a picada de pulgas Diagnosticar mediante um teste com dieta hipoalergênica ou de alérgenos limitados Diagnosticar com base no histórico clínico e quadro clínico Tentar um tratamento com AGE, sozinhos ou em uma combi- nação com outras formas (anti- histamínicos, corticosteroides, injeções de hipossensibilização) Diagnosticar com base no histórico clínico e quadro clínico Se o prurido não for resolvido, devem ser consideradas outras etiologias Se o prurido for resolvido, deve ser administrada a dieta anterior para confirmar o diagnóstico Se for confirmado, deve-se administrar alérgenos individuais para identificá-los, ou manter uma dieta balanceada com alérgenos limitados Começar o controle das pulgas; somar AGE como tratamento complementar Manejo nutricional da dermatite alérgica em gatos 9 ciclosporina frequentemente é útil para controlar os sinais clínicos da dermatite atópica; sua efetividade em outras dermatoses alérgicas ainda não foi avaliada. Também é importante para a dermatite atópica a hipossensibilização (imunoterapia ou "vacinas para alergia") baseada em testes intracutâneos ou serológicos. A hipossensibilização não é recomendada para o tratamento da alergia a alimentos; seu papel no manejo da alergia a picada de pulgas precisa ser investigado mais profundamente. Controle Os gatos com dermatite alérgica deverão ser controlados novamente pelo menos duas vezes por ano depois do desaparecimento dos sinais clínicos; são sugeridos controles mais frequentes dependendo dos possíveis efeitos adversos do tratamento (como aqueles observados com ciclosporina ou corticosteroides). Os gatos também serão examinados se houver repetição do prurido, porque isto pode significar uma recaída no tratamento da dermatite alérgica (por ex.: ingestão de um alérgeno "proibido" ou um erro no controle das pulgas), ou recorrência de uma infecção secundária ou o aparecimento de outra hipersensibilidade (por ex.: o gato alérgico a alimentos que desenvolve uma dermatite atópica). A ingestão de calorias deve ser controlada para manter os cães artríticos numa condi- ção corporal magra. A ingestão dietética de proteínas não influencia a osteoartrite. Princípios da Alimentação Coadjuvante A primeira prioridade para o tratamento dos cães com osteoartrite é atingir e manter uma condição física magra. Entre outras prioridades encontra-se a administração dos compostos que possam reduzir a dor articular por meio das suas propriedades anti- inflamatórias. Entre eles estão o hidrocloreto ou sulfato de glicosamina, o sulfato de condroitina, e os ácidos graxos Ômega 3, especialmente o ácido eicosapentaenoico. nPetiscos – Os petiscos para os cães com osteoartrite devem ser altamente palatáveis e ter baixo teor de calorias e gordura para evitar ganho de peso. nDicas para aumentar a palatabilidade–O teor de gordura do alimento para cães com osteoartrite não é muito restrito, sendo assim, a palatabilidade parece ser geralmente elevada. n Recomendações para a dieta– Uma dieta formulada para as necessidades nutricionais de cães com osteoartrite contém ácidos graxos ômega 3 e glicosamina, e tem um teor moderado de gordura (12,0% min.), um elevado teor de proteínas (30% min.) e teor de fibra moderada (4,0% min.). Cães obesos com osteoartrite podem ingerir uma dieta que tenha um baixo teor de gordura (4,0% para 8,5%), um teor de proteínas moderado (26% min.) e rico em fibra (16,0% min.). Pontos para a educação do proprietário • A osteoartrite afeta negativamente a mobilidade dos cães e reduz sua expectativa de vida.7 • A doença progride mais rapidamente em cães com excesso de peso do que aqueles que estão em bom estado físico.1 • Os sinais clínicos da osteoartrite diminuem em cães com excesso de peso, quando estes perdem peso.8 • Os sinais clínicos podem diminuir após a administração de suplementos nutricionais.4 • As atividades de baixo impacto podem ser benéficas para pacientes com osteoartrite.4, 9 • As variações bruscas de temperatura podem aumentar a dor sentida nas articulações4. Comorbidades comuns A osteoartrite pode levar a uma dor crônica nas articulações. A dor sentida é variável entre as estruturas (articulação do cotovelo é menos favorável do que a articulação do quadril), os tamanhos dos cães (os sinais clínicos são mais graves em cães pequenos e gigantes em comparação com cães de tamanho médio), e os indivíduos. Como resultado da dor crônica nas articulações, a região afetada pode perder a mobilidade em direções específicas, membros afetados se tornam mais fracos, e os pacientes afetados perdem aptidão muscular e cardiovascular. A combinação de articulações com dor e com menor mobilidade, membros mais fracos e cães não aptos conduzem a uma tendência ao sedentarismo e, possivelmente, a um aumento de peso. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas A osteoartrite não está automaticamente associada a doenças sistêmicas, mas como os sinais clínicos são mais intensos nos pacientes idosos, a osteoartrite e outras doenças crônicas (por exemplo, insuficiência renal crônica, insuficiência cardíaca, hiperadrenocorticismo) muitas vezes são tratadas simultaneamente. O tratamento nutricional e com medicamentos para as doenças crônicas cardíacas, renais, gastrointestinais e outras doenças sistêmicas são prioritarias sobre o manejo nutricional e medicamentoso da osteoartrite. Também podem ser implementadas outras Osteoartrite - Cães Denis J. Marcellin-Little, DEDV, DACVS, DECVS, DACVSMR Definição A osteoartrite é uma doença progressiva das articulações com perda da integridade da cartilagem, causando a formação de tecido ósseo na margem da superfície articular, um aumento na espessura da cápsula articular e dor. Ferramentas de diagnóstico e medidas fundamentais • Mudanças na vontade ou capacidade para o exercício ou brincadeira • Resposta de dor ante a manipulação da articulação, diminuição da mobilidade articular ou crepitação. • Claudicação ou deslocamento do peso diagnosticado quando utilizada uma plataforma dinamométrica. Fisiopatologia A subluxação da articulação, o impacto de carga excessiva, as fraturas articulares e outras causas geram a osteoartrite. Estes agentes desencadeantes ativam a divisão e a multiplicação dos condrócitos. Inicialmente, aumenta a produção de proteoglicano e de colágeno anormais, quantitativa e qualitativamente. Com o tempo, o conteúdo de proteoglicano diminui, a estrutura da matriz do colágeno é alterada, e o funcionamento e a estrutura da cartilagem normal são perdidos. Osteófitos são formados em torno da articulação. Predisposição A osteoartrite é comum em cães. Principalmente decorrente da consequência da displasia de quadril, displasia do cotovelo e ruptura do ligamento cruzado craniano. Os cães maiores temmais predisposição do que aqueles com menor relação entre massa muscular e massa de tecido subcutâneo (por exemplo: Raça São Bernardo). Também os cães com sobrepeso, os de idade avançada e os condodistróficos. Mudanças nos nutrientes essenciais O estado físico é o fator limitante que tem o maior impacto na progressão da osteoartrite1. Portanto, é muito importante manter os cães com a osteoartrite, confirmada ou potencial, numa pontuação ótima de 4 ou 5 no sistema de pontuação da condição física (vide Apêndice I) de 9 pontos, limitando a ingestão calórica6. O aumento na concentração das unidades estruturais dos proteoglicanos (glucosamina e sulfato de condroitina) conduz a uma diminuição dos sinais clínicos em diversos estudos realizados em humanos com osteoartrite moderada a severa2, 3 .A evidência que apoia o seu uso em cães é mais escassa. Em um estudo clínico, o aumento da concentração de ácidos graxos poliinsaturados N 3, especialmente ácido eicosapentaenoico, levou a uma diminuição na claudicação nos cães com osteoartrite.4 Demonstrou-se que várias ervas reduzem os sinais clínicos de artrite em seres humanos, mas a sua eficácia e segurança não estão documentadas no caso dos cães.5 Valores recomendados dos nutrientes essenciais Nutriente % MS mg/100 kcal % MS mg/100 kcal Valores recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta n3 Total (de 1.0–2.0 240–300 n/d n/d óleo de peixe) EPA 0.5–1.0 100–200 n/d n/d A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como gr. ou mg. por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). 10 estratégias, incluindo exercícios terapêuticos, alongamento ou terapia com frio, dependendo das necessidades específicas do paciente. Os exercícios terapêuticos podem ser usados para fortalecer, aumentar a resistência e alongar. A taxa de emagrecimento recomendada para pacientes com artrite e com excesso de peso que sofrem de doenças sistêmicas é de aproximadamente 1% do peso corporal por semana. Este valor é inferior à taxa de 1% a 2% do peso corporal por semana recomendada para pacientes com artrite e excesso de peso que não sofrem com doenças sistêmicas. Controle O controle de sinais clínicos e as respostas à terapia nutricional ou medicamentos para os pacientes com artrite podem ser feitos com novos exames, incluindo a avaliação de habilidades motoras (postura, marcha ao caminhar e correr) e a resposta à dor ao apalpar a articulação. A frequência de monitoramento está Manejo Nutricional da Osteoartrite Sintomática em Cães • Manejo nutricional • Dor (medicamentos anti-inflamatórios) • Exercícios terapêuticos Novas avaliações Peso Normal Com sobrepeso ou Obeso Programa de perda de peso (1%–2% do peso corporal por semana) 11 relacionada com a gravidade dos sinais clínicos. Os pacientes mais jovens e menos afetados podem ser avaliados de forma intermitente (por exemplo, a cada 6 meses). Os pacientes de maior idade e gravemente afetados podem ser avaliados uma vez por mês. A perda de peso deve ser avaliada com frequência (a cada 2 ou 4 semanas). O manejo do paciente também inclui a comunicação com o proprietário, todas as semanas. Nesse momento, podem ser feitas as modificações necessárias para os programas de nutrição, exercício e medicação, conforme necessidade. Osteoartrite/Doença degenerativa das articulações - Gatos B. Duncan X. Lascelles, BSc, BVSC, PhD, MRCVS, CertVA, DSAS(ST), DECVS, DACVS Definição Normalmente, a artrite é definida como uma inflamação da articulação que se caracteriza por inchaço, dor e mobilidade restrita. A doença degenerativa das articulações (DAD) é a destruição progressiva de componentes comuns, ou seja, cartilagem, osso subcondral, cápsula articular e ligamentos. A DAD pode afetar articulações sinoviais, tais como anfiartrodias. Muito pouco se sabe sobre a doença das articulações nos gatos; portanto, o termo DAD será usado já que a artrite provoca graus variáveis de DAD. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares Histórico da deterioração da mobilidade e da atividade. Têm-se realizado poucos estudos em gatos sobre a avaliação da dor osteoartrítica. 1,2. Entretanto, os trabalhos indicam que, assim como no caso dos cães, os proprietários devem estar particularmente envolvidos no processo. As atividades afetadas pela osteoartrite nestes animais ainda não são totalmente identificadas, dificultando a avaliação da dor. Um estudo recente em 28 gatos com osteoartrite mostrou que a claudicação óbvia não era uma característica clínica comum. 1 No entanto, características como saltos ascendentes e descendentes, a altura do salto, o movimento geral, o "mau humor" ao ser manipulado e o desejo de isolamento são possíveis atividades e comportamentos que devem ser estudados. Estes resultados foram confirmados em um teste cego aleatório publicado recentemente que utilizou monitores de atividade como uma medida objetiva da mobilidade.2 Neste estudo, as atividades que os proprietários escolheram para a avaliação foram saltos ascendentes/descendentes, brincadeiras (brinquedos, outros gatos), correr (até a comida, fugindo de outros animais), deitar-se, subir escadas, caminhar, arranhar, limpar-se, utilizar pedras sanitárias e caçar. Um trabalho mais recente dos mesmos autores tem dado mais enfoque sobre as atividades que poderiam ser apropriadas, eles pedem que os proprietários sejam consultados no momento de avaliar a dor causada pela DAD nos gatos.3 Testes de desempenho na clínica. Estes testes podem ser difíceis de realizar com os gatos, mas entre os testes simples são: 1) Colocar o gato no chão e observar como ele se move ao redor da sala, 2) encorajar o gato a saltar de uma mesa ou cadeira, e 3) encorajar o gato a saltar e alcançar o colo da pessoa que pratica o teste. Avaliar como o gato desempenha essas tarefas pode, em alguns casos, fornecer informações valiosas, ajudando o medico veterinário a identificar o problema e avaliar o grau do dano. Exame ortopédico. Os exames fisicos nem sempre apontam com clareza a patologia, onde a colaboração do animal é fundamental. A seguir algumas dicas para a manipulação dos animais: • Esteja preparado para dedicar o tempo necessário. • Tenha uma atitude calma. • Use uma sala calma, longe de cães latindo sem "esconderijos" onde o gato possa entrar. • Utilize uma superfície onde o animal possa ficar que seja macia e não escorregue. • Minimize as restrições. • Realize o teste na posição em que o gato esteja confortável (por exemplo, em pé ou deitado nos braços do proprietário). • Muitas vezes, o teste é facilitado quando o proprietário está presente, mas alguns gatos podem se sentir mais relaxados se o proprietário não está presente. • O teste deve incluir todas as articulações e o esqueleto axial. • Esteja preparado para realizar o teste por partes e repita se necessário. Os gatos parecem incomodados muito mais que os cães, quando suas articulações são estendidas, e frequentement e reagirão negativamente à extensão do cotovelo e da virilha. Esta reação não deve ser mal interpretada. Goniometria. A goniometria pode ser uma ferramenta válida no gato4, mas apenas um estudo utilizou a goniometria nesta espécie, provavelmente devido à dificuldade em definir reações de dor em gatos5. Nenhum estudo ainda utilizou a goniometria como uma ferramenta para avaliar a amplitude de movimento articular sem dor. Para os gatos têm se definido intervalos normais de movimento articular4. Dados não publicados do autor (B. Duncan X. Lascelles) indicam que a redução na amplitude de movimento está significativamente associada com evidência radiográfica de DAD. Avaliação radiográfica.Devem obter vistas ortogonais das articulações com dor. Ainda que não sejam observados indicadores radiográficos que correspondem à doença articular degenerativa, não se deve descartá-la. O autor descobriu que há apenas uma sobreposição moderada entre as articulações que se apresentam clinicamente com dor e aqueles que têm indicadores radiográficos de doença articular degenerativa. Fisiopatologia Enquanto Allan descreve causas comuns de osteoartrite em gatos6, há pouca evidência documentada sobre a causa do DAD em gatos. Duas formas principais de osteoartrite são bem conhecidas: a mucopolissacaridose e osteocondrodisplasia7-9 em gatos de raça pura Fold Escocês. Atualmente, as causas secundárias documentadas da DAD em gatos são nutricionais (secundárias por excesso de vitamina A), displasia de quadril, as poliartropatias não infecciosa e as artropatias infecciosas. Predisposição Parece que a incidência da DAD no gato aumenta com a idade, de 10 a 12 anos e isso foi confirmado em um estudo prospectivo transversal recente.13 Não é conhecida qualquer outra associação de identificação, mas surgiram sugestões de que a displasia do quadril que conduz à DAD é mais comum em gatos de raça pura.14 Modificações nos nutrientes essenciais É provável que as dietas com altos níveis de óleo de peixe Ômega 3, especialmente os ácidos docosahexaenoico (DHA) e eicosapentaenoico (EPA), sejam benéficos. Um estudo realizado em gatos sugeriu um efeito benéfico da dieta rica em EPA e DHA em alguns marcadores séricos da doença em gatos com artrite15. Há um teste cego, prospectivo e controlado por placebo que pesquisa os efeitos da dor uma “dieta para DAD” nos gatos16. O estudo avaliou uma dieta para a DAD com altos níveis de DHA e EPA e também de sulfato de condroitina, hidrocloreto de glicosamina e extrato de mexilhão verde. A atividade diminuiu significativamente no grupo alimentado com a dieta controle e houve um aumento significativo no grupo alimentado com a dieta para a DAD. Existem muitos trabalhos sendo desenvolvidos, mas a modulação da dieta pode ser um meio eficaz de tratar a dor associada à DAD em gatos. Valores recomendados dos nutrientes essenciais 12 Nutriente % MS mg/100 kcal % MS mg/100 kcal Valores recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* n3 Total (de 1.0–2.0 240–300 n/d n/d óleo de peixe) EPA 0.5–1.0 100–200 n/d n/d Se for utilizado ácidos graxos Ômega 3, deve-se proporcionar EPA preformado proveniente de óleo de pescado. Todos os outros nutrientes essenciais devem aten- der aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e ingestão de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). Princípios da alimentação coadjuvante Como se observa, a ciência da proteção ou preservação das articulações em gatos não é totalmente precisa para recomendar um princípio de alimentação coadjuvante. Recomendações informais incluem o fornecimento de suplementos como o sulfato de glicosamina - condroitina e insaponificáveis de abacate/soja (ASU, em inglês) Pontos para a educação do proprietário • A claudicação clinicamente visível nos gatos tem sido associada ao peso; 17gatos que apresentaram excesso de peso são 4,9 vezes mais propensos a desenvolver uma claudicação que requer cuidados veterinários. No entanto, como no caso de outras espécies, devemos manter os gatos no escore de condição corporal (ECC) ideal. • Tradicionalmente, tem se aconselhado aos proprietários que evitem dar restos de alimento e petiscos para seus gatos obesos. No entanto, um estudo indicou poucos benefícios com a restrição de petiscos em programas de emagrecimento e perda de peso18. Na verdade, os autores deste estudo sugerem que seja permitido que os proprietários forneçam petiscos para auxiliar o cumprimento das metas e melhorar a relação dono-animal de estimação8. • É importante trabalhar para aliviar a dor associada à DAD em gatos para melhorar seu bem-estar e qualidade de vida Comorbidades comuns Nenhuma associação foi demonstrada para as comorbidades comuns com a DAD em gatos. No entanto, uma vez que a incidência da DAD em gatos parece aumentar com a idade, como foi comentado recentemente13 , todas as doenças mais frequentemente observadas em gatos idosos (como insuficiência renal, doença cardíaca, diabetes, doença inflamatória do intestino) devem ser consideradas como potenciais comorbidades e as dietas devem ser formuladas tendo em conta as doenças coexistentes em cada gato. Controle O controle da DAD em gatos e a dor associada a esta doença deverão estar alinhados conforme o capítuloFerramentas de Diagnóstico e Exames Básicos . 13 Manejo nutricional da suspeita de artrite/doença degenerativa das articulações nos gatos Avaliação Exame • Histórico clínico • Testes de desempenho • Radiografia Diagnóstico do DAD com dor Detecção de doenças coexistentes Formulação da dieta baseada principalmente em doenças coexistentes Considerações secundárias para a formulação da dieta Peso Normal Sobrepeso Consideração de suplementos nutricionais e ou dietas formuladas para DAD em gatos (se disponível) Dieta para reduzir o peso + suplementos para a dor do DAD Controle da dor (veja avaliação) Se a dor continua e a atividade declina, considere o tratamento com medicamentos, cirurgia ou outro tratamento adequado Doença cardíaca - Cães Lisa M. Freeman, DVM, PhD, DACVN Definição As doenças cardíacas são comuns em cães, afetando cerca de 11% dos animais; podendo ser congênitas ou adquiridas e afetar as válvulas coronárias, miocárdio ou sistema venoso/arterial.. A insuficiência cardíaca ocorre quando a doença se torna grave o bastante para que o coração não consiga bombear sangue suficiente para suprir todos os tecidos. É comum que os sinais clínicos, que variam entre leve a grave, acompanhem a insuficiência cardíaca. Na insuficiência cardíaca congestiva (ICC), a diminuição da função cardíaca provoca pressão venosa alta e consequente acúmulo de líquidos (por exemplo: edema pulmonar, derrame pleural, ascite). A ICC é a via final comum da maioria das doenças, sendo a doença valvular crônica(DVC) mais comum nos cães (> 75% de todas as doenças cardíacas). Em segundo lugar, destacamos a miocardiopatia dilatada (CMD). Também se produzem doenças cardíacas congênitas, especialmente em certas raças. Todas estas doenças podem levar à insuficiência cardíaca. Existem diversos sistemas para classificar a gravidade das enfermidades. Um deles é a classificação de insuficiência cardíaca do Conselho Internacional de Saúde Cardíaca em Pequenos Animais (ISACHC, em inglês) (Tabela 1). Ferramentas de diagnóstico e exames complementares Devem ser considerados para o diagnóstico de doenças cardíacas em cães o peso corporal (PC), a pontuação do Escore de Condição Corporal (ECC; ver Apêndice I), o desgaste muscular, o apetite/ingestão de alimentos (histórico alimentar; ver Apêndice II), os sinais clínicos (por exemplo: tosse, falta de ar, ascite, fraqueza, desmaios, vômitos, diarreia) e valores laboratoriais, incluindo níveis séricos de nitrogênio ureico (BUN, em inglês), creatinina, eletrólitos, hematócrito e taurina (em plasma e sangue total se houver suspeita de deficiência de taurina). Outros testes, se indicados, podem incluir raio-X de tórax, pressão arterial, eletrocardiograma, ecocardiograma e Holter. Fisiopatologia Entre as alterações produzidas em animais com insuficiência cardíaca que influenciam no manejo nutricional encontramos as seguintes: Calorias.Muitos animais com doenças cardíacas, especialmente quando surge o ICC, apresentam uma diminuição da ingestão de alimentos. Isto pode ser o resultado de um aumento da produção de mediadores inflamatórios (por exemplo: Citocinas, estresse oxidativo), os efeitos colaterais dos medicamentos para o coração, ou fraco controle dos indicadores de insuficiência cardíaca. Proteínas/Aminoácidos. A perda de massa muscular (caquexia) ocorre em animais com insuficiência cardíaca comoresultado da redução do apetite, da maior necessidade de energia, citocinas pró inflamatórias e da intolerância ao exercício. A deficiência de taurina pode estar presente em certas raças de cães com CMD (ex.: Cocker Spaniel, Golden Retriever, Terra Nova, São Bernardo, Cão de Água Português), e também tem sido associada a dietas com farinha de cordeiro e arroz, rica em fibras e baixo teor de proteínas. A arginina pode ser um fator, já que a função endotelial pode ser reduzida em animais com ICC, o que contribui para reduzir a tolerância ao exercício. Gordura. Os cães com ICC demonstraram ter uma deficiência relativa de ácidos graxos n-3, ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosahexanoico (DHA), em comparação com os cães saudáveis do grupo de controle. Os ácidos graxos n-3 reduzem os mediadores inflamatórios e têm efeitos antiarrítmicos. Minerais.A retenção de água e sódio ocorre na insuficiência cardíaca devido à ativação do sistema renina angiotensina aldosterona. A hipocalemia pode ocorrer em cães que receberam diuréticos da alça (por exemplo: Furosemida) ou tiazidas (por exemplo: Hidroclorotiazida). A hipocalemia pode aumentar o risco de arritmia cardíaca. A hipercalemia pode ocorrer em cães tratados com inibidores da ECA (enzima conversora de angiotensina) ou diuréticos retentores de potássio (por exemplo: Espironolactona). Os cães que recebem doses elevadas de diuréticos estão sob o risco de apresentar hipomagnesemia, o que pode aumentar o risco de arritmia cardíaca. Vitaminas.Nos cães que recebem diuréticos, é possível causar uma perda maior de vitamina B pela urina. Outros nutrientes. Foi relatado sobre a deficiência de carnitina em uma família de cães da raça Boxer com CMD. Suplementos com carnitina podem melhorar o metabolismo energético em animais com ICC. Além disso, cães com ICC apresentam maior estresse oxidativo (isto é, um desequilíbrio entre a produção de oxidantes e a proteção antioxidante). Predisposição Doença valvular crônica (DVC) é a doença cardíaca mais comum em cães e geralmente afeta as raças de tamanho pequeno e médio. Algumas das raças com maior risco de acidente vascular cerebral são Cavalier King Charles Spaniel, Chihuahua, Dachshund, Schnauzer miniatura e Poodle toy e miniatura. A cardiomiopatia dilatada (CMD) é geralmente encontrada em cães grandes e gigantes, raças como Doberman Pinscher, Boxer, Galgo Irlandês e Dogue Alemão. Alguns cães com CMD podem ter deficiência de taurina; as raças que são predispostas são: Cocker Spaniel, São Bernardo, Golden Retriever, Terra Nova, e Cão de Água Português. As raças com CMD, que geralmente não a desenvolvem CMD (por exemplo: Dachshund [salsicha], Corgi) também podem ser deficientes em taurina. Mudanças nos nutrientes essenciais Calorias.É crucial assegurar a ingestão adequada de calorias para manter um PC ideal. A obesidade pode estar presente, especialmente em cães com doença cardíaca precoce (assintomática). A medida que o ICC se desenvolve, a perda de peso (e massa magra) se torna comum. Portanto, assegurar a ingestão adequada de calorias é muitas vezes crucial nesta fase. 14 Tabela 1. Classificação da insuficiência cardíaca* do Conselho Internacional de Saúde Cardíaca em Pequenos Animais (ISACHC, em inglês). 1. Assintomática A doença cardíaca é detectável, mas o paciente não é abertamente afetado e não mostra sinais clínicos de insuficiência cardíaca. Achados diagnósticos podem incluir um sopro cardíaco, arritmia ou alargamento dos átrios que é detectado por radiografia ou ecocardiograma. 1a Há a presença de indicadores de doenças do coração, mas não é conhecido qualquer indicador de compensação, tais como hipertrofia ventricular com sobrecarga da pressão ou de volume. 1b Há presença de indicadores de doença cardíaca com evidência radiográfica ou ecocardiográfica de compensação, tal como a hipertrofia ventricular com sobrecarga de pressão ou volume 2. Insuficiência cardíaca leve a moderada Os sinais clínicos de insuficiência cardíaca são evidentes em repouso ou com esforço leve e afetam negativamente a qualidade de vida. Os indicadores típicos de insuficiência cardíaca incluem intolerância ao exercício, tosse, taquipnéia, desconforto respiratório leve (dispnéia) e ascite leve a moderada. Geralmente não há nenhuma presença de hipoperfusão em repouso. 3. Insuficiência cardíaca avançada Os sinais clínicos de insuficiência cardíaca congestiva avançada são óbvios de imediato. Estes sinais incluem dificuldade para respirar (dispnéia), ascite evidente, profunda intolerância ao exercício, ou hipoperfusão em repouso. Em casos mais graves, o paciente está morrendo e sofrendo choque cardiogênico. Sem tratamento, o prognóstico é reservado. 3a É possível o cuidado em casa. 3b A hospitalização é obrigatória quando houver a presença de choque cardiogênico, edema pulmonar, ascites refratária ou grande derrame pleural. * De acordo com o Conselho Internacional de Saúde em Pequenos Animais. Recomendações para o diagnóstico de doenças cardíacas e tratamento da insuficiência cardíaca em pequenos animais, de 1994. Princípios da alimentação coadjuvante Evite fazer grandes mudanças na dieta quando o cão está hospitalizado por um episódio agudo de insuficiência cardíaca. Continue alimentando o cão com sua dieta habitual (a menos que seja muito rica em sódio), mas peça ao proprietário para descontinuar qualquer petisco ou alimento da mesa com alto teor de sódio. Quando o cão retornar aos 7-10 dias para uma reavaliação, pode-se estabelecer uma mudança gradual para uma dieta mais adequada. Isso ajuda a evitar a aversão a alimentos que pode ocorrer quando uma nova dieta é imposta a um cão extremamente doente. Caloriasdevem ser alteradas para manter a condição física ideal (por ex.: reduzir a ingestão de calorias nos animais obesos; aumentar a ingestão calórica em animais que estão abaixo de seu peso corporal/Escore de Condição Corporal (ECC) ideal). Proteínas/Aminoácidos.A dieta deve conter > 5,1 g de proteína/100 Kcal. Note que muitas dietas para cães cardíacos têm baixo teor de proteínas. Devem ser evitadas dietas com <5,1 g de proteína/100 kcal, a menos que haja uma presença concomitante de doença renal. Em cães com CMD pertencentes a raças predispostas deficiência de taurina ou raças que geralmente não desenvolvem CMD, determinar a concentração de taurina e começar a suplementação deste elemento enquanto aguarda os resultados (250-1000 mg a cada 8 a 12 horas). Gorduras.A dose ideal de ácidos graxos n-3 ainda não foi determinada, no entanto, o autor recomenda, atualmente, uma dose de óleo de peixe de 40 mg/kg de EPA e 25 mg/kg de DHA no caso de animais com anorexia ou caquexia. A menos que a dieta seja uma das poucas dietas coadjuvantes especialmente formuladas, serão necessários suplementos para atingir esta dose de ácidos graxos n-3. Os suplementos de óleo de peixe podem variar na sua concentração de EPA e DHA por isto o autor recomenda uma cápsula de 1 grama com conteúdo de 180 mg de EPA e 120 mg de DHA. A esta concentração, o óleo de peixe pode ser administrado numa dose de 1 cápsula a cada 4,5 kg de peso corporal. Alternativamente, pode-se utilizar uma forma líquida de ácidos graxos n-3 (por exemplo: Cardiguard de Boehringer Ingelheim contendo 420 mg de EPA e 280 mg de DHA por grama). Tenha em mente que se o proprietário não puder administrar a cápsula, o cão vai ser exposto a um sabor muito forte de óleo de peixe, e nem todos os animais apreciam este sabor. No caso de cães que não gostam do sabor, pode não ser possível administrar ácidos graxos n-3 por causa dos efeitos adversos sobre a ingestão de alimentos. Os suplementos de óleo de peixe devem conter vitamina E como um antioxidante, mas não incluem outros nutrientes para prevenir toxicidade. O óleo de fígado de bacalhau e o óleo de linhaça não devem ser utilizados para fornecer os ácidos graxos n-3. Minerais. Com respeito ao sódio: • Etapa 1 segundo ISACHC: Sugerir ao proprietário que evite as dietas ricas em sódio (> 100 mg/100 kcal) e também petiscos e alimentosda mesa com esse conteúdo. • Etapa 2 segundo ISACHC: O objetivo deve ser <80 mg/100 kcal no alimento para cães. Também é importante a ingestão de sódio proveniente de outros alimentos (ex.: petiscos, alimentos da mesa, alimentos usados para administrar medicação). • Etapa 3 segundo ISACHC: O alimento para cães deve conter <50 mg/100 kcal, embora a anorexia possa requerer menos severidade quanto ao teor de sódio na Proteínas/Aminoácidos. O objetivo para ajudar a combater a perda de massa deve ser uma ingestão normal ou maior de proteína. Deve-se evitar a restrição de proteína a menos que haja presença concomitante de doença renal grave. Em cães com CMD pertencentes a raças predispostas a deficiência de taurina ou raças que geralmente não desenvolvem CMD, deve-se determinar a concentração de taurina e suplementação de taurina enquanto aguardam resultados. A taurina também pode fornecer alguns benefícios devido aos seus efeitos antioxidantes e inotrópicos positivos. Demonstrou- se que a suplementação de arginina em outras espécies melhora a disfunção endotelial associada à ICC. Isto ainda não foi comprovado no caso de cães. Gordura. Efeitos anti-inflamatórios e antiarrítmicos dos ácidos graxos n-3 podem proporcionar benefícios potenciais para animais com doenças cardíacas. A suplementação com ácidos graxos n-3 reduz a perda de massa em cães com ICC e melhora o apetite em alguns animais. Além disso, verificou-se que os ácidos graxos n-3 reduzem as arritmias ventriculares em cães da raça Boxer com cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito. Os ácidos graxos n-3 podem ser fornecidos em dietas altamente enriquecidas com esta forma de gordura ou suplementos dietéticos. Minerais. Não é recomendada a restrição severa de sódio ante a doença cardíaca precoce (assintomática), já que a restrição de sódio ativa o sistema renina angiotensina aldosterona. Na doença cardíaca precoce, o objetivo deve ser o de evitar o consumo excessivo de sódio e educar o proprietário sobre os petiscos e alimentos da mesa com alto teor de sódio. À medida que a doença cardíaca progride e a ICC desenvolve, o aumento da restrição de sódio é indicado; isto pode ajudar a reduzir as doses de diuréticos necessários para controlar os sinais clínicos. É importante controlar a ingestão de sódio proveniente de alimentos para cães, mas também é fundamental garantir que sejam consideradas outras fontes de ingestão de sódio, como petiscos, alimentos da mesa e os alimentos utilizados para administração de remédios. A recomendação para alterar o potássio dietético depende dos medicamentos que estejam sendo administrados e da concentração de potássio no soro. As dietas para cães possuem uma vasta gama de potássio, por isso, é importante o uso de uma alimentação apropriada para cada paciente individualmente (ou seja: evitar dietas ricas em potássio em cães com hipercalemia). Consequentemente, é preciso monitorar o potássio sérico, especialmente quando são administrados outros medicamentos ao paciente. Os níveis de magnésiosérico também devem ser controlados, especialmente em cães que receberam doses elevadas de diuréticos. Deve ser suplementado com magnésio, no caso de cães com hipomagnesemia. Vitaminas. A maioria das dietas para cardíacos contêm níveis mais altos de vitamina B. Se estiver administrando doses elevadas de diuréticos, pode indicar a suplementação de vitamina B. Outros nutrientes.Pode-se fornecer suplementos de L-carnitina aos proprietários que desejam fornecer suplementos dietéticos para seus cães com CMD além dos medicamentos cardíacos do cão (deve-se ter cuidado para evitar uma situação em que o proprietário forneça suplementos em vez de medicamentos para o coração). A deficiência primária de carnitina como uma causa do CMD é provavelmente baixa, ainda que a raça Boxer possa ser uma raça predisposta. A carnitina pode também melhorar a despolarização do miocárdio em cães com ICC. Às vezes, é recomendada a coenzima Q10 para cães com CMD como um antioxidante e para ajudar no metabolismo da energia do miocárdio. Não há estudos controlados em cães com doenças cardíacas espontâneas e os resultados de outras espécies são contraditórios sobre os possíveis benefícios da suplementação com a enzima Q10. A suplementação com antioxidantes demostrou reduzir o estresse oxidativo em um estudo em cães com DVC. No entanto, os efeitos sobre a progressão da doença e as consequências clínicas são desconhecidos. 15 Nutriente mg/100 kcal mg/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Proteína (g) 5.5–8 5.1 Sódio (mg) 35–100 17 (depende da etapa da doença) A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pela doença cardíaca ou pelos medicamentos utilizados para tratar a doença. A composição recomendada da dieta é mostrada por g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia, exceto por aqueles descritos de maneira diversa no texto. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). Valores recomendados dos nutrientes essenciais dieta (<80 mg/100 kcal) de modo a proporcionar mais opções. É importante controlar a ingestão de sódio de outros alimentos (ex.: petiscos, alimentos da mesa, alimentos utilizados para administrar medicamentos), pois estes podem ser importantes fontes de sódio. A recomendação para alterar o potássio na dieta depende dos medicamentos que estejam sendo administrados e da concentração de potássio sérico. Devem ser usadas dietas ricas em suplementos de potássio ou magnésio por via oral em cães com hipomagnesemia. Vitaminas. Se doses elevadas de diuréticos são administradas, pode-se indicar a suplementação de vitamina B. Outros nutrientes. A dose ideal ou a mínima de L-carnitina necessária para um cão com baixos níveis de carnitina do miocárdio é desconhecida, mas a dose recomendada é de 50-100 mg/kg por via oral a cada 8 horas. Para a coenzima Q10, a dose atual recomendada (mas empírica) em cães é de 30-90 mg por via oral duas vezes por dia, dependendo do tamanho do cão. nPetiscos–A maioria dos cães com doença cardíaca (> 90% em um estudo) recebem petiscos ou alimentos da mesa. Portanto, é importante discutir isso com os proprietários. Fazer recomendações específicas para os proprietários sobre os petiscos que são apropriados (e aqueles que devem ser evitados) é importante, uma vez que grande parte dos petiscos comerciais são ricos em sódio e a maioria das pessoas ignora o teor de sódio nos alimentos humanos. Os alimentos a serem evitados são: a maioria dos petiscos comerciais para cães (a menos que indique especificamente ter baixo teor de sódio), alimentos para bebês, alimentos em conserva, pão, pizza, presuntos e embutidos, condimentos (por exemplo: ketchup, molho), a maioria dos queijos, alimentos processados (por exemplo: misturas com arroz, macarrões e queijo, comidas congeladas), vegetais enlatados (a menos que na lata se leia “sem sódio” ou “baixo teor de sódio”), biscoitos ou ossos de couro cru, sopas úmidas e petiscos (por exemplo:. batatas fritas, bolachas salgadas). Entre os petiscos aceitos incluem frutas frescas (ex.: maçãs, laranjas, bananas, evitar as uvas), legumes frescos (ex.: cenouras, ervilhas; evitar a cebola e o alho), petiscos para cães que indicam baixo teor de sódio (<20 mg de sódio/petiscos para cães de tamanho médio-grande; <10 mg/petiscos para cães de pequeno porte). Levar em consideração que mesmo os petiscos e os alimentos de baixo teor em sódio podem fornecer grandes doses de sódio, se eles são fornecidos em grandes quantidades, especialmente no caso de cães pequenos. Também é importante fornecer os métodos adequados para o proprietário administrar medicamentos, pois muitos proprietários de cães usam a comida para administrar medicamentos e muitos alimentos comuns utilizados são ricos em sódio.Pode-se ensinar ao proprietário a administrar um comprimido sem o uso de alimentos (à mão ou usando um dispositivo projetado para esta finalidade). Alternativamente, pode-se usar alimentos como frutas frescas (ex.: bananas, melões), alimentos enlatados de baixo teor de sódio, manteiga de amendoim (rotuladas como “sem adição de sal”), ou carne cozida em casa (sem sal, sem embutidos). Finalmente, pode-se considerar um medicamento líquido composto, embora a farmacocinética dos medicamentos possa ser modificada de forma significativa. nDicas para aumentar a palatabilidade –Com frequência, cães com ICC têm um apetite cíclico (ou seja, comem bem certo alimento por 7 a 14 dias, mas, em seguida, param de comer). Embora a diminuição do apetite em um cão que comeu bem anteriormente possa indicar a necessidade de uma nova avaliação e de um ajuste na medicação, às vezes, oferecer um alimento diferente aumenta o apetite novamente. A comunicação com o proprietário sobre estas questões pode ajudar a reduzir a ansiedade. Os potenciadores de palatabilidade, tais como caldo caseiro com baixo teor de sódio (por exemplo: frango, carne), podem melhorar a palatabilidade. A maioria dos caldos industrializados são ricos em sódio, mesmo aqueles rotulados com “baixo teor de sódio”. Pode-se adicionar ao alimento: frango, carne ou peixe cozido. Cães com ICC muitas vezes preferem sabores doces, portanto a adição de baunilha ou iogurte de frutas, xarope natural ou purê de maçã geralmente melhora a palatabilidade e consumo do alimento. Muitas vezes, os ácidos graxos n-3 melhoram o apetite dos cães com ICC; no entanto, vai demorar 2 a 4 semanas para que possamos identificar os efeitos. Também podem ser considerados estimulantes de apetite (por exemplo: Cipro-heptadina, mirtazapina). Muitas vezes, os cães com ICC têm preferências quanto à temperatura do alimento (isto é, alguns só comem alimentos à temperatura ambiente, outros preferem alimentos frios, outros preferem comida quente). Deve-se motivar o proprietário a experimentar, a fim de determinar qual temperatura funciona melhor para seu cão. Às vezes, alimentar o cão em um prato (no lugar do tradicional pote de comida para cães) e em um local diferente do habitual pode melhorar o apetite. Pontos para a educação do proprietário • Fazer recomendações específicas para a dieta e petiscos (tipos e quantidades). • Avisar o proprietário sobre mudanças comuns no apetite dos cães com insuficiência cardíaca. • Fornecer ao proprietário os métodos adequados para a administração de medicamentos. • Perguntar a cada visita se o proprietário está administrando suplementos dietéticos. Se assim for, verifique se os suplementos são seguros, se eles não estão interagindo com dieta ou medicamentos e se são administrados em doses adequadas. • Além da questão da segurança e eficácia, surgem questões importantes sobre o controle de qualidade de suplementos alimentares (por exemplo: controle de qualidade, biodisponibilidade). Portanto, os médicos veterinários devem considerar recomendar suplementos alimentares específicos que contenham uma composição segura para cães com problemas cardíacos. Cada animal deve ser analisado inividualmente de forma que receba o tratamento de acordo com o estado de debilidade diagnosticado. Uma alterantiva para o médico veterinário no momento da prescrição é pesquisar marcas de suplementos alimentares que contenham o logotipo do Programa de Verificação de Suplementos Dietéticos (DSVP, em inglês) da Farmacopéia dos Estados Unidos, que testa suplementos dietéticos para os seres humanos em busca de ingredientes, concentrações, solubilidades e contaminantes. Alguns destes medicamentos podem ser encontrados no Brasil. Outro bom recurso é o Consumerlab.com, que realiza testes independentes sobre suplementos alimentares (principalmente suplementos para os seres humanos, mas também alguns produtos para animais). Comorbidades comuns Em um estudo, 61% dos cães com doença cardíaca tinham pelo menos uma doença concomitante. Portanto, você pode precisar modificar os objetivos nutricionais no caso de um cão com insuficiência cardíaca que apresente uma doença concomitante sensível aos nutrientes (por exemplo: Um cão com ICC e doença renal crônica ou doença gastrointestinal). Estratégias para o manejo das interações medicamentosas As interações medicamentosas - são comuns na ICC. Os diuréticos da alça (por exemplo: furosemida) ou tiazidas (ex.: hidroclorotiazida) podem aumentar o risco de hipocalemia e hipomagnesemia, enquanto os inibidores da ECA e os diuréticos poupadores de potássio (por exemplo: espironolactona) podem aumentar o risco de hipercalemia. A azotemia pode ser o resultado do excesso de uso de diuréticos. A anorexia pode ser um efeito secundário de muitos fármacos cardíacos (por exemplo, diuréticos, digoxina, inibidores de ECA). Controle A diminuição do apetite/ingestão de alimentos pode indicar a necessidade de modificações da dieta, mas pode também ser uma descompensação cardíaca precoce da doença ou da necessidade de modificar o indicador de medicação. O peso corporal deve ser controlado em cães obesos para atingir o peso ideal. Em animais com caquexia são necessárias alterações na dieta para minimizar a perda de peso/massa muscular. Tenha em mente que em animais com ICC no lado direito, o acúmulo de líquido (derrame pleural ou peritoneal) podem esconder o emagrecimento, mas a perda de peso e massa muscular é muito comum nestes cães, onde a massa magra deve ser cuidadosamente controlada. A pontuação do Escore de Condição Corporal (ECC) é útil para controlar os animais com doença assintomática e os obesos ou com sobrepeso. Tenha em mente que os sistemas de pontuação do escore de condição corporal (ECC) avaliam os depósitos de gordura, mas não a musculatura, por isso, um animal pode ter sobrepeso ou obesidade e ainda apresentar uma perda de massa muscular. Portanto, é importante para controlar o PC, a pontuação do escore de condição corporal e o grau de perda de massa muscular. A perda de massa muscular geralmente é observada primeiramente nos músculos temporais, epaxial e nádegas. A pontuação do estado muscular classifica, de maneira 16 17 Avaliação dos temas nutricionais na doença cardíaca dos cães Obter antecedentes completos da dieta dada (ver anexo II) - perguntar especificamente sobre o alimento para cães, petiscos, alimentos da mesa, alimentos utilizados para administrar medicamentos e suplementos alimentares (quantidades e tipos específicos) A doença cardíaca está sendo tratada com medicação de forma ideal? Com os sinais clínicos bem controlados, a qualidade de vida do cão está boa? Avaliação sobre o apetite / ingestão de alimentos do cão por parte do proprietário Se é menor, cíclico ou esporádico: • Avaliar se é necessária qualquer alteração nos medicamentos cardíacos • Considere mudanças na dieta (por exemplo: alterar o tipo ou marca dos alimentos, fornecer refeições menores com mais frequência, adicionar palatabilizantes, iniciar a suplementação com ácidos graxos n-3, adicionar um estimulante do apetite) Pontuação da condição muscular (caquexia) - avaliar o grau de perda de massa muscular nos principais grupos musculares, incluindo os músculos temporais, glúteos e epaxial (sem perda de massa muscular, perda leve, perda moderada e acentuada) O peso corporal é ideal para o cão? Está mudando? (aumentando ou diminuindo?) Determinar a Pontuação do escore de condição corporal (ECC; ver Anexo I) Se o peso corporal /a pontuação do escore de condição corporal (ECC) não são ideais, modificar a dieta (por exemplo, reduzir calorias se estiver com sobrepeso, aumentar a ingestão de calorias se estiver abaixo do peso) O alimento para cães contém ≥5,1 g de proteína / 100 kcal? É recomendado ≥5,1 g de proteína / 100 kcal, a menos que o cão apresente doença renal grave concomitante Se o cão tiver cardiomiopatia dilatada: • É uma raça predisposta a deficiência de taurina (por exemplo, Cocker Spaniel, São Bernardo, Golden Retriever, Terra Nova,e Cão de Água Português)? • É uma raça que não venha a desenvolver CMD (por exemplo:. Corgi)? • Está se alimentando com carne de cordeiro e arroz, uma dieta rica em fibra ou uma dieta muito pobre em proteínas? Se a resposta a qualquer destas perguntas é sim, analisar as concentrações de taurina no plasma e no sangue total e suplementar com taurina até que os resultados estejam disponíveis O potássio sérico está dentro dos limites normais? • Se for alto, avaliar o teor de potássio nos alimentos para cães, para ter certeza que é <200 mg de potássio/100 kcal, pergunte ao proprietário sobre suplementos dietéticos • Se for baixo, considere uma dieta com níveis mais altos de suplementação de potássio ou por via oral O magnésio no soro está dentro dos limites normais? • Se for baixo, considere uma dieta com maior teor de magnésio ou uma suplementação de magnésio por via oral Suplementos dietéticos • Os suplementos dietéticos comumente administrados a cães com doença cardíaca são taurina, carnitina, óleo de peixe, coenzima Q10, antioxidantes (por exemplo, vitamina E, vitamina C) • Se estiver administrando estes suplementos, certifique-se que sejam de marcas apropriadas (por exemplo: com controle de qualidade) e em doses corretas para o tamanho do cão • Qualquer outro suplemento dietético deve ser avaliado com cuidado para garantir que não existam possíveis interações com medicamentos cardíacos e que não tenham efeitos colaterais. Se houver presença de algum grau de perda muscular / caquexia, mudar a dieta para garantir a ingestão adequada de calorias e proteínas; considerar a suplementação com ácidos graxos n-3 Sódio • O alimento para cães contém níveis de sódio adequados para o estágio da doença do cão? (Etapa 1 segundo I SACHC: <100 mg de Na / 100 kcal; Etapa 2 segundo ISACHC: <80 mg Na / 100 kcal; Etapa 3 segundo ISACHC: <50 mg Na / 100 kcal • Os petiscos e os alimentos da mesa têm baixos níveis de sódio? Se eles não tiverem, comentar sobre os alimentos que são aceitáveis e os que devem ser evitados • Os medicamentos são administrados utilizando alimentos apropriados? Se a resposta for não, educar o proprietário sobre os métodos corretos subjetiva, a massa muscular em quatro categorias: sem perda de massa muscular, perda de massa muscular leve, perda de massa muscular moderada e perda de massa muscular acentuada. Intervir em uma fase inicial (leve a moderada perda de massa muscular) proporciona melhores oportunidades para reverter ou minimizar o grau de perda de massa muscular. Também deve-se controlar os sinais clínicos (por ex.: tosse, falta de ar, fraqueza, desmaios, vômitos, diarreia) valores laboratoriais (nitrogênio ureico no sangue [BUN, em inglês], creatinina, eletrólitos, hematócritos) e outras medidas, a serem indicadas (por exemplo: raio-x, pressão arterial, ECG, Holter, ecocardiograma). Doença cardíaca - Gatos Lisa M. Freeman, DVM, PhD, DACVN Definição Amiocardiopatia hipertrófica (MCH) é a doença cardíaca mais comum em gatos e aparece com bastante destaque, especialmente em algumas regiões. Outras doenças cardíacas (por ex.: doenças cardíacas congênitas) aparecem com menor incidência. A miocardiopatia dilatada (CMD) é uma doença rara em gatos, a menos que o gato seja alimentado com uma dieta desequilibrada nutricionalmente. A MCH pode produzir insuficiência cardíaca congestiva(ICC), tromboembolismo arterial (TEA), desmaio ou morte súbita. Existem diversos sistemas para mensurar a gravidade da doença cardíaca. Um deles é a classificação de insuficiência cardíaca do Conselho Internacional de Saúde Cardíaca em Pequenos Animais (ISACHC, em inglês) (ver Tabela 1 na página 14). Ferramentas de diagnóstico e exames complementares Devem ser considerados para o diagnóstico de doença cardíaca em gatos o peso corporal (PC), a pontuação do escore de condição corporal (ECC; ver Apêndice I), perda de massa muscular, apetite/ingestão de alimentos (histórico alimentar; ver apêndice II), sinais clínicos (por exemplo: dificuldade em respirar, fraqueza, desmaios, vômitos, diarreia) e valores laboratoriais (por ex.: nitrogênio ureico no sangue [BUN, em inglês], creatinina, eletrólitos, hematócritos). Outros testes, se forem indicados, podem incluir raio-X de tórax, pressão arterial, eletrocardiograma e ecocardiograma. Fisiopatologia Entre as alterações nos gatos com doença cardíaca que afetam no manejo nutricional estão os seguintes achados: Calorias. Quando os gatos com doenças cardíacas são assintomáticos, o apetite geralmente não está alterado. Quando surge ICC, no entanto, a maioria dos gatos apresentará distúrbios de apetite e da ingestão de alimentos. Isto pode causar mudanças nas preferências alimentares (por exemplo: tipo de alimento, sabores) ou uma diminuição na quantidade que comem. Estas alterações podem ser o resultado de um aumento da produção de mediadores inflamatórios (por exemplo: citocinas, estresse oxidativo), os efeitos colaterais dos medicamentos para o coração, ou um mau controle dos indicadores de insuficiência cardíaca. Proteínas/Aminoácidos.A perda de massa muscular (caquexia) pode ocorrer em gatos com insuficiência cardíaca como consequência da redução do apetite, das necessidades mais elevadas de energia e de um aumento da produção de citocinas inflamatórias. A deficiência de taurina produz CMD em gatos. Enquanto CMD é atualmente uma doença rara em gatos, a deficiência de taurina não deve ser descartada como causa nos casos de CMD, especialmente se o gato é alimentado com uma dieta caseira. Gorduras. Os ácidos graxos n-3, o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosahexanoico (DHA) reduzem os mediadores inflamatórios e têm efeitos antiarrítmicos. Todos eles podem ser benéficos para gatos com insuficiência cardíaca. Minerais.A retenção de água e sódio é produzida na insuficiência cardíaca devido à ativação do sistema renina angiotensina aldosterona. A hipocalemia pode ocorrer em gatos que recebem diuréticos de alça (por exemplo: furosemida). Hipercalemia pode ocorrer em gatos tratados com inibidores da enzima conversora da angiotensina. Altas doses de diuréticos aumentam o risco de hipomagnesemia. Vitaminas.Nos gatos que receberam diuréticos pode-se produzir maior perda de vitamina B na urina. Estudos têm demostrado, no entanto, que os níveis de vitaminas B6, B12 e folato foram menores em gatos com MCH, em comparação com os gatos do grupo controle, mesmo aqueles que apresentavam ICC. Predisposição Enquanto algumas raças têm sido identificadas com um maior risco de MCH e mutações genéticas (Raça Maine Coon, Ragdoll), a maioria dos gatos com esta doença são gatos domésticos de pelo curto ou de pelo comprido. Mudanças nos nutrientes essenciais Calorias. É crucial assegurar a ingestão adequada de calorias para manter o peso corporal ideal. A obesidade pode estar presente, particularmente em gatos com doença cardíaca precoce (assintomática). À medida que desenvolve ICC, a perda de peso (e massa muscular) torna-se comum, dessa forma, é crucial nesta fase assegurar uma ingestão adequada de calorias. Proteína/Aminoácidos. Para ajudar a combater a perda muscular deve-se manter uma ingestão de proteína normal ou maior. Deve-se evitar a restrição de proteínas a menos que haja presença concomitante de doença renal grave. Embora hoje em dia seja raro ver a CMD em gatos, a deficiência de taurina e a CMD podem aparecer em gatos alimentados com dietas caseiras ou nutricionalmente desequilibradas. Se existe deficiência de taurina, em muitos casos, a suplementação pode reverter a doença. Gorduras. Os efeitos anti-inflamatórios e antiarrítmicos dos ácidos graxos n-3 podem proporcionar potenciais benefícios para os gatos com doença cardíaca. A suplementação com ácidos graxos n-3 pode reduzir a perda de massa muscular e melhorar o apetite através de seus efeitos anti-inflamatórios. Os ácidos graxos n-3 podem ser fornecidos em dietas altamente enriquecidas com esta forma de gordura ou como suplementos dietéticos. Minerais. Não é recomendada a restrição severade sódio ante a doença cardíaca precoce (assintomática), já que a restrição de sódio ativa o sistema renina angiotensina aldosterona. Na doença cardíaca precoce, o objetivo deve ser o de evitar o consumo excessivo de sódio e educar o proprietário sobre os petiscos e alimentos da mesa ricos em sódio. À medida que a doença cardíaca progride e o ICC se desenvolve, o aumento da restrição de sódio é indicado; isto pode ajudar a reduzir as doses de diuréticos necessários para controlar sinais clínicos. A recomendação para alterar o potássio da dieta depende dos medicamentos que estejam sendo administrados e da concentração de potássio sérico. As dietas para gatos têm uma ampla gama de potássio, por isso, é importante o uso de uma dieta apropriada para cada paciente individualmente (ou seja: evitar dietas ricas em potássio seria recomendado para gatos com hipercalemia). Consequentemente, deve-se monitorar o potássio sérico, especialmente quando administrados mais medicamentos ao paciente. Deve-se controlar o magnésio sérico, especialmente em gatos que recebem dosagens elevadas de diuréticos. Casos de hipomagnesemia devem ser suplementados com magnésio. Vitaminas.Se estiver administrando dosagens elevadas de diuréticos, pode-se indicar a suplementação de vitamina B. Valores recomendados de nutrientes essenciais Nutriente mg/100 kcal mg/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Proteína (g) 7–9.5 6.5 Taurina (g) 0.025–0.050 0.025–0.050 Sódio (mg) 35–100 50 (depende do estágio da doença) A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados da doença ou pelos medicamentos utilizados para tratar a doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). 18 Modificações nos nutrientes essenciais Evite fazer grandes mudanças na dieta quando o gato estiver hospitalizado por um episódio agudo de insuficiência cardíaca. Continuar alimentando o gato com a sua dieta habitual (a menos que seja muito rica em sódio), mas pedir ao proprietário para descontinuar qualquer petisco ou alimento da mesa com alto teor de sódio. Quando o gato voltar, aproximadamente entre 7-10 dias, para uma reavaliação, pode-se estabelecer uma mudança gradual para uma dieta mais adequada. Isso ajuda a evitar a aversão aos alimentos que pode ocorrer quando uma nova dieta é imposta a um gato extremamente doente. Calorias. Devem ser alteradas para manter a condição física ideal (por exemplo: reduzir a ingestão de calorias em animais obesos, aumentar sua ingestão de calorias em animais que estão abaixo de sua condição física ideal). Proteínas/Aminoácidos.A dieta deve conter, pelo menos, 6,5 g de proteína/100 kcal, a menos que haja presença simultânea de doença renal grave. Em gatos com CMD e deficiência de taurina (ou enquanto aguarda os resultados da taurina) deve-se iniciar a suplementação de taurina (125-250 mg a cada 12 horas). Gorduras. A dosagem ideal de ácidos graxos n-3 ainda não foi determinada, no entanto, o autor geralmente recomenda uma dose de óleo de peixe para fornecer 40 mg/kg de EPA e 25 mg/kg de DHA no caso de gatos com anorexia ou caquexia. A maioria das dietas para gatos não atinge esta dosagem, assim, a suplementação é necessária. Os suplementos de óleo de peixe podem variar na sua concentração de EPA e DHA por isto o autor recomenda uma cápsula de 1 g contendo 180 mg de EPA e 120 mg de DHA. Nesta concentração, o óleo de peixe pode ser administrado em uma dosagem de 1 cápsula a cada 4,5 quilos de peso corporal. A cápsula pode ser administrada inteira (ainda que seja muito grande) ou pode-se extrair o óleo da cápsula e fornecê-lo como uma petisco ou no alimento. Alternativamente, pode-se utilizar uma forma líquida de ácidos graxos n-3 (por exemplo: Cardiguard Boehringer Ingelheim contendo 420 mg de EPA e 280 mg de DHA por grama). Tenha em mente que se o proprietário não puder administrar a cápsula intacta, o gato vai ser exposto a um sabor muito forte de óleo de peixe e nem todos os animais apreciam o sabor. Para os gatos que não gostam do sabor, pode não ser possível administração de ácidos graxos n-3 por causa de efeitos adversos sobre a ingestão de alimentos. Os suplementos de óleo de peixe deverão conter vitamina E como um antioxidante, mas não incluir outros nutrientes para prevenir toxicidade. O óleo de fígado de bacalhau e o óleo de linhaça não devem ser utilizados para fornecer os ácidos graxos n-3 (o óleo de fígado de bacalhau tem um alto teor de vitaminas A e D, o que pode causar toxicidade, enquanto que os gatos são incapazes de converter ácidos graxos n-3 presentes no óleo de linhaça em EPA e DHA). Minerais.Com respeito ao sódio: • Etapa 1 segundo ISACHC: aconselhar o proprietário a evitar dietas com alto teor de sódio (> 100 mg/100 kcal) e também os petiscos e alimentos da mesa com esse conteúdo. • Etapa 2 segundo ISACHC: o objetivo deverá ser <80 mg/100 kcal no alimento para gatos. Também é importante a ingestão de sódio proveniente de outros alimentos (por exemplo: petiscos, comida da mesa, os alimentos utilizados para administrar medicamentos). • Etapa 3 segundo ISACHC: O alimento para gatos deve conter <50 mg/100 kcal, embora na anorexia menos grave essa necessidade é menos severa quanto ao conteúdo de sódio na dieta (<80 mg/100 kcal) de modo a proporcionar mais opções. Continua sendo importante controlar a ingestão de sódio de outros alimentos (ex.: petiscos, comida da mesa, alimentos utilizados para administrar medicamentos). A recomendação para alterar o potássio na dieta depende dos medicamentos que estejam sendo administrados e da concentração de potássio sérico. Devem ser usadas dietas ricas em potássio ou suplementos de magnésio por via oral em gatos com hipomagnesemia. Vitaminas. Se forem administradas doses elevadas de diuréticos, pode-se indicar a suplementação com vitamina B. nPetiscos–Poucos gatos com doenças cardíacas recebem regularmente petiscos em comparação com cães (33% dos gatos comparado a 92% dos cães); no entanto, é importante fazer recomendações específicas para os proprietários sobre os petiscos que são apropriados (e aqueles que não devem ser fornecidos) se os proprietários quiserem oferecer petiscos. Os alimentos a serem evitados são: a maioria dos petiscos comerciais para gatos (a menos que indique especificamente ter baixo teor de sódio), alimentos para bebês, embutidos, conservas de peixe, e a maioria dos queijos. Alimentos aceitos incluem os petiscos para gatos que indicam baixo teor de sódio (<5 mg/petisco). Leve em consideração que mesmo alimentos com baixo teor de sódio pode fornecer grandes doses deste elemento, se forem fornecidas em grandes quantidades aos gatos. É também importante proporcionar ao proprietário métodos adequados para administrar medicamentos, já que é muito difícil administrar pílulas aos gatos e muitos alimentos comuns utilizados para administrar medicamentos são ricos em sódio. Os proprietários devem ser orientados a administrar pílulas sem o uso de alimentos (à mão ou usando um dispositivo projetado para esta finalidade). Alternativamente, pode-se usar comida para gatos úmida com baixo teor de sódio ou carne cozida em casa (sem sal, sem embutidos). É possível ser considerados os medicamentos líquidos, embora a farmacocinética dos medicamentos compostos possa ser significativamente modificada. nDicas para aumentar a palatabilidade – Muitas vezes os gatos com ICC têm um apetite variável (ou seja, podem comer bem um alimento por uma semana, e em seguida, parar de comer). A diminuição do apetite em um gato que anteriormente comeu bem, pode indicar a necessidade de uma nova avaliação e um ajustena medicação, às vezes oferecer um alimento diferente aumenta o apetite novamente. A comunicação com o proprietário sobre estas questões pode ajudar a reduzir a ansiedade e proporcionar ao proprietário estratégias específicas para resolver o problema. O caldo caseiro, com baixo teor de sódio (por exemplo: frango, carne, peixe) pode melhorar a palatabilidade. A maior parte dos caldos industrializados são ricos em sódio, mesmo aqueles rotulados com “baixo teor de sódio”. Pode-se adicionar ao alimento frango, carne ou peixe cozidos. Muitas vezes, os ácidos graxos n-3 melhoram o apetite dos gatos com ICC; no entanto, vai demorar de 2 a 4 semanas para ver o efeito. Também podem ser considerados estimulantes do apetite (por exemplo: ciproheptadina, mirtazapina). Muitas vezes os gatos com ICC preferem a comida morna, mas o proprietário deve ser encorajado a experimentar, a fim de determinar qual é a temperatura que o seu gato aceita melhor. Às vezes, alimentar o gato em um prato (no lugar do alimentador para gatos) e em um local diferente do que o habitual, pode melhorar o apetite. Pontos para a educação do proprietário • Fazer recomendações específicas para a dieta e para os petiscos (tipos e quantidades). • Advertir o proprietário sobre alterações comuns no apetite do gato com insuficiência cardíaca. • Fornecer ao proprietário os métodos adequados para a administração dos medicamentos. •Perguntar, a cada visita, se o proprietário está administrando algum suplemento dietético. Se assim for, verificar se os suplementos são seguros, se não estão interagindo com dieta ou com os medicamentos e que sejam administrados em doses adequadas. É importante discutir este assunto com o proprietário, pois é comum proprietários de animais que buscam na internet um tratamento alternativo para a doença cardíaca. • Além da questão da segurança e eficácia, surgem também questões importantes sobre a qualidade dos suplementos alimentares (por exemplo: o controle de qualidade, a biodisponibilidade). Portanto, deve-se recomendar marcas específicas de suplementos alimentares que contenham níveis seguros de 19 nutrientes. Uma alternativa para o médico veterinário no momento da prescrição é pesquisar marcas norte americanas de suplementos alimentares que contenham o logotipo do Programa de Verificação de Suplementos Dietéticos (DSVP, em inglês) da Farmacopéia dos Estados Unidos, que testa suplementos dietéticos para os seres humanos em busca de ingredientes, concentrações, solubilidades e contaminantes. Alguns destes medicamentos podem ser encontrados no Brasil. Outro bom recurso é o Consumerlab.com, que realiza testes independentes sobre suplementos alimentares (principalmente suplementos para os seres humanos, mas também alguns produtos para animais). Comorbidades comuns Em um estudo, 56% dos gatos com doença cardíaca tinham pelo menos, uma doença concomitante. Portanto, pode ser necessário modificar os objetivos nutricionais no caso de um gato com insuficiência cardíaca que apresente uma doença concomitante sensível aos nutrientes (por exemplo: um gato com ICC e urolitíase ou insuficiência renal crônica). Estratégias para o manejo das interações medicamentosas As interações medicamento-nutriente são comuns na ICC. Os diuréticos de alça (por exemplo: furosemida) podem aumentar o risco de hipocalemia e hipomagnesemia, enquanto inibidores da ECA podem aumentar o risco de hipercalemia. A azotemia pode ser o resultado do abuso dos diuréticos. A anorexia pode ser um efeito secundário de muitos fármacos cardíacos (por exemplo: diuréticos, digoxina, inibidores de ECA). 20 Controle A diminuição da ingestão de alimentos pode indicar a necessidade de modificações na dieta, mas pode também ser um indicador precoce da descompensação cardíaca ou da necessidade de alterar a medicação. O peso corporal deve ser monitorado em gatos obesos para atingir o peso ideal. Em gatos com caquexia, que perdem peso, são necessárias modificações da dieta para minimizar a perda de peso. A pontuação do escore de condição corporal é útil para controlar a doença assintomática em gatos obesos ou com sobrepeso. Tenha em mente que os sistemas de pontuação avaliam os depósitos de gordura, mas não os músculos, por isso um gato pode estar com sobrepeso ou obesidade e ainda apresentar uma perda de massa muscular. Portanto, é importante controlar o PC, a pontuação do escore de condição corporal e o grau de perda de massa muscular. A perda de massa muscular geralmente é vista pela primeira vez nos músculos temporais, epaxial (musculatura nas laterais das vértebras) e nádegas. A pontuação da condição muscular classifica a massa muscular subjetivamente em quatro categorias: sem perda, perda leve, perda moderada e perda acentuada de massa muscular. Intervir logo na fase inicial (perda de massa muscular leve a moderada) proporciona melhores oportunidades para reverter ou minimizar o grau de perda de massa muscular Também devem ser controlados os sinais clínicos (por exemplo: dificuldade em respirar, fraqueza, desmaios, vômitos, diarreia), valores laboratoriais (nitrogênio ureico no sangue [BUN, em inglês], creatinina, eletrólitos, hematócrito) e outras medidas a serem indicadas (por exemplo: raio-x, pressão arterial, eletrocardiograma, ecocardiograma). Avaliação dos temas nutricionais na doença cardíaca nos gatos Obter antecedentes completos da dieta (ver Apêndice II) - perguntar especificamente sobre o alimento para gatos, petiscos, alimentos da mesa, alimentos utilizados para administrar medicamentos e suplementos alimentares (quantidades e tipos específicos) A doença cardíaca está sendo tratada com medicação de forma ideal? Com os sinais clínicos bem controlados, a qualidade de vida do gato é boa? Avaliação sobre o apetite/ingestão de alimentos do gato, por parte do proprietário Se é menor, cíclico ou esporádico: • Avaliar se é necessária qualquer alteração na medicação cardíaca • Considerar mudanças na dieta (por exemplo, alterar o tipo ou marca dos alimentos, fornecer refeições menores com mais frequência, adicionar palatabilizantes, iniciar a suplementação com ácidos graxos n-3, adicionar um estimulante de apetite) Pontuação da condição muscular (caquexia) - avaliar o grau de perda de massa muscular nos principais grupos musculares, incluindo os músculos temporais, glúteos e epaxial (sem perda de massa muscular, perda de massa muscular leve, perda de massa muscular moderada e perda de massa muscular acentuada) O peso corporal é ideal para o gato? Está mudando? (aumentando ou diminuindo?) Determinar a Pontuação do escore de condição corporal (ver Apêndice I) Se o peso corporal/pontuação do escore de condição corporal não são ideais, modificar a dieta (por exemplo: reduzir calorias, se estiver com sobrepeso, aumentar a ingestão de calorias se estiver abaixo do peso) O alimento para gatos contém 6,5 g de proteína/100 kcal? É recomendado ≥6,5 g de proteína/100 kcal, a não ser que o gato apresente doença renal grave concomitante Se o gato tem miocardiopatia dilatada, medir as concentrações de taurina no plasma e sangue total e suplementar com taurina até que os resultados estejam disponíveis. Sódio • O alimento para gatos contém níveis de sódio adequados para o estágio da doença do gato? (Etapa 1 segundo ISACHC: <100 mg de Na/100 kcal; Etapa 2 segundo ISACHC: <80 mg Na/100 kcal; Etapa 3 segundo ISACHC: <50 mg Na/100 kcal • Os petiscos e os alimentos da mesa têm baixos níveis de sódio? Se eles não têm, comentar sobre os alimentos que são aceitáveis e os que devem ser evitados • Os medicamentos são administrados utilizando alimentos apropriados? Se a resposta for não, educar o proprietário sobre os métodos corretos O potássio no soro está dentro limites normais? • Se for alto, avaliar o teor de potássio nos alimentos para gatos, para ter certeza que é <200 mg de potássio/100 kcal, perguntar ao proprietário sobre suplementos dietéticos • Se for baixo, considerar uma dieta com níveis mais altos de suplementação de potássio oupor via oral O magnésio no soro está dentro dos limites normais? • Se for baixo, considerar uma dieta com maior teor de magnésio ou uma suplementação de magnésio por via oral Suplementos dietéticos • Os suplementos dietéticos comumente administrados a gatos com doença cardíaca são óleo de peixe e potássio. • Se estiver administrando estes suplementos, garantir que sejam marcas adequadas (por exemplo: com controle de qualidade) e em doses corretas para o tamanho do gato. • Qualquer outro suplemento dietético deve ser avaliado com cuidado para garantir que não existam possíveis interações com medicamentos cardíacos e sem efeitos colaterais. Se houver presença de algum grau de perda muscular/caquexia, mudar a dieta para garantir a ingestão adequada de calorias e proteínas; considerar a suplementação com ácidos graxos n-3 21 Quilotórax - Gatos Kathryn E. Michel, DVM, MS, DACVN Definição O Quilotórax é a acumulação de um derrame contendo quilomícron no espaço pleural. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares A presença de efusão pleural será observada na radiografia de tórax. Os pacientes com derrame suficiente para impedir a expansão pulmonar apresentam sinais clínicos de taquipneia, dispneia, intolerância ao exercício e ruídos cardíacos abafados quando auscultado. Um exame de percussão pode auxiliar na definição do diagnóstico, que é confirmado ao executar uma toracocentese, citologia e análise do líquido extraído. A fim de determinar uma causa subjacente, podem ser indicadas mais imagens, análises de sangue e um teste de diagnóstico. Deve-se registrar o histórico alimentar completo, incluindo informações sobre o histórico alimentar e outros petiscos que o paciente receba, incluindo sobras de alimentos (ver Apêndice II). O estado nutricional do paciente deve ser avaliado com atenção especial para a presença de anorexia e sua duração, evidências de perda de peso (em particular, perda de massa muscular), viabilidade da alimentação assistida e doenças concomitantes. Fisiopatologia Normalmente, o quilo, proveniente de drenagem linfática, flui para o canal torácico por meio da cisterna do quilo, e por sua vez, desemboca no sistema venoso no tórax. Qualquer doença que provoca um desequilíbrio entre a produção e a eliminação de quilo que conduza ao aumento da pressão no sistema linfático pode levar a uma perda de quilo no espaço pleural. As causas subjacentes informadas no caso de gatos incluem doenças cardíacas e a presença de uma massa no mediastino craniano; no entanto, a doença idiopática não é incomum. Os pacientes com quilotórax geralmente são letárgicos e têm pouco apetite. O impacto da falta de ingestão de alimentos sobre o estado nutricional é agravado pela perda de proteínas, gorduras, vitaminas, eletrólitos e água, e se torna necessário repetir a toracocentese paliativas para aliviar a angústia respiratória. Predisposição Está documentado que os gatos mais velhos e os de raças orientais (Siameses e do Himalaia) correm maior risco de desenvolver o quilotórax. Modificações nos nutrientes essenciais As dietas com restrição de gordura foram indicadas como parte do tratamento médico do quilotórax, na redução na absorção de gorduras da dieta pode resultar em uma redução da produção de quilo. Além da restrição de gordura, tem sido recomendada a suplementação dietética com triglicérides de cadeia média (MCT). A base racional para o uso de MCT é que estes triglicerídeos podem ser absorvidos diretamente para a corrente sanguínea e, portanto, podem servir para aumentar a densidade de energia da dieta sem aumentar a produção de quilo. Embora existam relatos de casos e estudos retrospectivos de pacientes alimentados com dietas de restrição de gordura como parte do tratamento recebido, não há estudos clínicos prospectivos que investiguem nos animais de estimação a efetividade da restrição de gordura na dieta. Uma pesquisa com cães normais descobriu que variar a quantidade e o tipo de gordura na dieta pode afetar a composição dos triglicerídeos do quilo, porém não altera a velocidade do fluxo linfático¹. Além disso, estudos descobriram que quando a dieta de cães normais é suplementada com MCT, são encontrados níveis significantes de MCT no quilo2, 3. Em conclusão, não há nenhuma evidência para usar dieta de restrição de gordura para o tratamento de quilotórax em gatos. Pode ser possível que, ao reduzir a quantidade de quilomícrons na linfa, restringindo a gordura da dieta, o derrame resultante seja reabsorvido do espaço pleural mais facilmente. No entanto, os alimentos para gato restritos em gordura, também são baixos em calorias, o que deve ser considerado quando se tratar de um paciente que, provavelmente, está com falta de apetite e já pode ter sofrido uma deterioração significativa em seu estado nutricional. Valores recomendados de nutrientes essenciais Nutriente % MS mg/100 kcal % MS mg/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Gordura total 9–12 <3.5 9.0 2.25 na dieta A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). Tenha em mente que quase todos os alimentos para gatos restritos em gordura foram intencionalmente restritos em calorias para controlar o peso e não são recomendados para pacientes em estado de anorexia. Princípios da alimentação coadjuvante As opções de tratamento para pacientes com quilotórax idiopático incluem tanto o tratamento com medicamentos como o tratamento cirúrgico. Em alguns casos, o derrame pode se resolver espontaneamente após várias semanas ou meses; no entanto, o prognóstico para os gatos neste estado deve ser considerado reservado. Como mencionado anteriormente, não há nenhuma evidência para utilizar a restrição de gordura na dieta para o tratamento do quilotórax em gatos, e o uso desta estratégia de alimentação pode comprometer ainda mais o estado nutricional de um paciente com pouca ingestão de alimentos, especialmente se está submetido a vários procedimentos de toracocentese. A escolha da dieta deve ser baseada em encontrar um alimento completo e equilibrado para gatos que seja aceitável para o paciente. A menos que seja contraindicada devido a uma doença concomitante, a dieta rica em proteína pode ser benéfica. Se o peso do paciente é estável e o paciente está em boas condições físicas, pode- se incorporar uma dieta com restrição de gordura (<30% de gordura, base de energia) de modo experimental. Deve-se ter cuidado ao dar as instruções específicas para a alimentação e ao controlar a ingestão de alimentos e o peso corporal, para garantir que o paciente seja capaz de consumir alimentos suficientes para satisfazer as necessidades energéticas. Os pacientes que recusam alimentos ou têm consumo voluntário inadequado devem ser avaliados como candidatos à alimentação assistida. O ideal é que esses pacientes recebam uma dieta enteral completa e equilibrada. Tem sido usado o suporte nutricional por via parenteral para o tratamento em seres humanos. n Petiscos – Na hora de escolher um petisco, é relativamente fácil evitar itens com alto teor de gordura (ex.: recortes de gordura da carne, frituras, creme) e é prudente fazê-lo. Entre os petiscos aceitos estão a carne magra ou peixe (por exemplo: peito de frango cozido, atum enlatado em água), produtos lácteos de baixo teor em gordura, e frutas e vegetais (exceto uvas e cebolas). nDicas para aumentar a palatabilidade –A menos que haja instruções claras sobre não dar um alimento com restrição de gordura (<30% de gordura, base de energia), a escolha da dieta deve ser baseada em encontrar um alimentocompleto e equilibrado para gatos que seja aceitável para o paciente. Adicionar ao alimento seco um pouco de água quente ou aquecer ligeiramente o alimento enlatado pode melhorar a aceitação. 22 n Recomendações para a dieta – Muitos gatos diagnosticados com quilotórax apresentaram um histórico de anorexia. É essencial controlar a ingestão de alimentos e o peso corporal do paciente para garantir que a ingestão voluntária do paciente seja adequada. O objetivo é encontrar uma dieta que o paciente coma com facilidade e que seja apropriada para qualquer doença concomitante que o animal possa ter (por exemplo: doenças cardíacas). As dietas baixas em calorias e com baixo teor de gordura só devem ser utilizadas em pacientes que as consumam facilmente em quantidades suficientes para satisfazer as suas necessidades energéticas. Para os pacientes em boas condições físicas, as porções de alimento devem ser baseadas na ingestão calórica anterior. Para pacientes com baixo peso, deve-se aumentar as calorias oferecidas em 20% em relação ao consumo anterior para promover ganho de peso e modificar conforme necessário. Pontos para a educação do proprietário • Todos os membros do grupo familiar devem compreender que, embora o tratamento dietético não possa desempenhar um papel direto no tratamento de quilotórax, os pacientes com esta doença estão em risco de estar desnutridos. Dessa forma, é particularmente importante controlar a ingestão de alimentos e a condição física do paciente, permitindo a detecção precoce da perda de peso. Comorbidades comuns Doença Cardíaca. Há informações sobre o quilotórax em gatos em associação com cardiomiopatia (especialmente secundária ao hipertireoidismo), dirofilariose, anomalias cardíacas congênitas, e derrame pericárdico. Portanto, sugere-se um exame cardíaco completo em gatos diagnosticados com derrame pleural quiloso, já que o tratamento da doença cardíaca subjacente pode levar à resolução do quilotórax. Neoplasia. Doenças que causam uma massa no mediastino anterior, incluindo linfossarcoma e outras formas de neoplasia, podem levar a um quilotórax. Se a massa for identificada, deve-se realizar uma biópsia ou aspiração, a fim de obter um diagnóstico e tomar medidas terapêuticas adequadas. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Como mencionado anteriormente, os pacientes com quilotórax podem optar por toracocenteses paliativas em repetidos intervalos ocasionando perda de fluido, eletrólitos, proteínas, gorduras e vitaminas. Os pacientes com quilotórax secundário e uma doença subjacente, como a doença cardíaca, podem se beneficiar com o tratamento dietético visando essa doença. Controle Pacientes com quilotórax idiopático exigem avaliações regulares para determinar a taxa de acúmulo de líquido na cavidade pleural e se há a necessidade de repetição da toracocenteses ou de outra intervenção terapêutica. Os pacientes submetidos a repetidas toracocentese correm o risco de desidratação, desequilíbrio eletrolítico (hiponatremia, hipercalemia), hipoproteinemia e desnutrição. Portanto, para examinar de novo o paciente deve-se avaliar o equilíbrio de fluidos e eletrólitos, bem como a ingestão voluntária de alimentos, o peso corporal, e a condição física. Escolher uma dieta que o paciente coma com facilidade e que seja apropriada para qualquer doença concomitante que o animal possa ter Manejo nutricional do quilotórax em gatos Alimento aceito e ingestão adequada para manter o peso ou facilitar o ganho de peso, conforme o caso Avalie a dieta administrada e a condição corpórea para assegurar que o procedimento esteja correto Alimento não aceito/ingestão inadequada Avaliar a alimentação assistida Alimento aceito e ingestão adequada para manter o peso ou facilitar o ganho de peso, conforme o caso Alimento não aceito/ingestão inadequada Avalie a dieta administrada e a condição corpórea para assegurar que o procedimento esteja corretoAvaliar a alimentação assistida Sim Não Escolher uma dieta que o animal coma com facilidade e que seja apropriada para qualquer doença concomitante que o paciente possa ter (poderia incorporar uma dieta com restrição de gordura como um teste). 23 O paciente tem baixo peso ou perda de massa muscular? Princípios da alimentação coadjuvante Uma parte importante do plano nutricional é estabelecer a forma mais adequada para o suporte nutricional. Na ausência de contraindicações, é preferível alimentar o cão por via entérica. Contraindicações para a nutrição enteral incluem vômitos prolongados, regurgitação, ou diarreia, incapacidade de proteger as vias aéreas, e intolerância a alimentos (por exemplo: atonia gástrica). Em pacientes que poderiam tolerar nutrição enteral, mas não têm consumo voluntário adequado (cerca de 75% das necessidades energéticas), deverá ser colocada uma sonda de alimentação. No caso de uma fonte de alimentação por um período curto (< 3 dias) pode ser apropriada a alimentação nasoesofágica, mas isso requer uma dieta líquida. Se for necessário suporte nutricional por mais de 3 dias, geralmente será indicada a utilização de uma sonda via esofagotomia ou gastrostomia. Uma vez que a sonda esteja colocada, o objetivo deve ser o de fornecer 50% das calorias calculadas no primeiro dia, e aumentar gradualmente até 100% das calorias calculadas nos dois dias seguintes. Em pacientes gravemente afetados, o apoio nutricional inicial deve começar em 33% das calorias calculadas. Normalmente dietas recomendadas para a alimentação por sonda são ricas em calorias, proteínas e gorduras. É importante assegurar que a dieta escolhida seja apropriada para a sonda a ser utilizada (isto é, a consistência da dieta não deve obstruir a sonda). Nos pacientes que não podem usar a via enteral, será necessária a nutrição parenteral. A formulação da nutrição parenteral é adaptada ao paciente e necessita um cuidado especial. n Petiscos – Nos animais gravemente enfermos, o uso de petiscos é geralmente ineficaz para satisfazer as necessidades energéticas e nutricionais. Pode-se oferecer petiscos para os animais que recebem a alimentação por sonda, a fim de avaliar o retorno do apetite. O fornecimento da alimentação enteral e/ou parenteral não interfere na avaliação do apetite. nDicas para aumentar a palatabilidade– O uso de estimulantes do apetite em animais gravemente doentes não é recomendado por ser ineficaz para recuperar a ingestão nutricional adequada. Técnicas de alimentação, tais como alimentar com a mão ou aquecer a comida podem ser utilizadas, mas geralmente são ineficazes para suporte nutricional adequado. nRecomendações para a dieta –Dietas tipicamente usadas no apoio nutricional de cães em estado crítico são geralmente densas em energia, ricas em proteínas e gorduras, e possuem alta digestibilidade. Muitas dietas prescritas recomendadas para alimentação por sonda também têm um alto teor de água e adaptam-se à sonda com modificações mínimas. No entanto, a maioria das dietas têm de ser modificadas para utilização em sondas de forma eficaz. Para as sondas de calibre pequeno tipicamente usadas para acesso nasoesofágico, as únicas dietas aceitáveis são as dietas completamente líquidas. Daniel L. Chan, DVM, MRCVS, DACVECC, DACVN Definição Doenças Críticas têm um impacto importante sobre o estado nutricional dos cães e muitas vezes levam a uma severa desnutrição. O suporte nutricional de cães em estado crítico é uma parte importante do tratamento médico e pode desempenhar um papel na melhora do paciente. Cães com doenças críticas geralmente apresentam: menor ingestão alimentar, vômitos, diarreia e exigências nutricionais possivelmente alteradas, o que pode afetar seu estado nutricional. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares Projetar um plano nutricional envolve fazer uma avaliação nutricional para estabelecer as necessidades e considerações específicas para o paciente. A pontuação do escore de condição corporal é uma parte importante da avaliação nutricional. Perfis bioquímicos também são úteis para identificaralterações importantes a se considerar no plano nutricional. Para a maioria dos cães em estado crítico, o suporte nutricional deve ter como objetivo satisfazer as necessidades de energia em repouso (RER), em princípio, e modificar as calorias fornecidas com base em avaliações frequentes. Fisiopatologia A doença crítica provoca várias alterações metabólicas que influenciam o estado nutricional do paciente. Em resposta a inflamações e lesões, se produzem alterações no metabolismo dos lipídios, proteínas e carboidratos. As várias alterações no metabolismo, combinadas com os efeitos de uma ingestão de alimentos reduzida, causam um balanço energético negativo ou um estado catabólico. Cães em um estado catabólico podem sofrer mais complicações e apresentam taxas de recuperação piores. Reverter um estado catabólico exige neutralizar a principal causa da doença e fornecer um suporte nutricional adequado. Predisposição Os pacientes que podem estar em maior risco de desnutrição são os muito jovens e os idosos. Isso reflete uma maior dificuldade para fornecer suporte nutricional para pacientes nestas categorias de idade. Modificações nos nutrientes essenciais • Os pacientes criticamente doentes, com balanço energético negativo, podem ter uma maior necessidade de proteína para manter a massa corporal magra • As proteínas devem ser de boa qualidade e altamente digestíveis. • Considerações especiais incluem pacientes com comorbidades como insuficiência renal ou hepática, onde uma maior quantidade de proteína pode ser contra-indicada. • As necessidades de nutrientes mais específicos dependerão da natureza da doença subjacente. • Os antioxidantes podem ser um componente importante do tratamento para os animais gravemente doentes; no entanto, ainda não foram determinadas as dosagens específicas. • Outros nutrientes tais como glutamina, arginina e ácidos graxos n -3, podem também ser úteis em certas doenças, mas não se conhece dosagens específicas ou ideais. • É crucial a correção do balanço energético negativo. Valores recomendados de nutrientes essenciais Nutrição em cuidados intensivos - Cães Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Proteína 20–45 6–9 18 5.1 Gordura 25–35 5–7 5 1.4 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados da doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). 24 Avaliar novamente se é necessária a intervenção nutricional Pontos para a educação do proprietário • Como muitos pacientes em recuperação podem ter alta do hospital com a sonda de alimentação colocada (por exemplo: esofagotomia ou gastrostomia), os proprietários precisam ser instruídos sobre o uso e os cuidados da sonda. • Os proprietários precisam saber as possíveis complicações e como detectá-las. • Devem ser fornecidas instruções detalhadas e específicas sobre o uso da sonda de alimentação. Devem-se incluir instruções sobre como preparar e como administrar a dieta. Comorbidades comuns Pacientes criticamente doentes muitas vezes têm vários sistemas de órgãos afetados, o que pode influenciar o plano nutricional. As comorbidades mais graves incluem simultaneamente a insuficiência cardíaca congestiva, insuficiência renal, insuficiência hepática, insuficiência respiratória, disfunção gastrointestinal, disfunção neurológica e infecção sistêmica. Apoio nutricional do paciente criticamente doente (Cães) Adequado Inadequado Considerar a intervenção nutricional Continuar o controle da ingestão e peso corporal para garantir a ingestão adequada Não é necessária intervenção nutricional Avaliar se é necessária a alimentação assistida Implementar a intervenção nutricional Acompanhar de perto Escolher via de nutrição Nutrição enteral Nutrição parenteral Estabilização hemodinâmica Implementar a intervenção nutricional Considerar medidas nutricionais preventivas Avaliação geral do paciente Estado nutricional adequado Levemente afetado Avaliar se a ingestão de alimentos é adequada Desnutrido Severamente doente Hemodinamicamente estável Avaliar a ingestão Desnutrido Severamente doente Hemodinamicamente instável Adiar a nutriçãoInadequadoAdequado 25 Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Vários antibióticos podem causar náuseas, vômitos ou diarreia. Os agentes quimioterapêuticos podem causar graves complicações gastrointestinais. Diuréticos e inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) também podem diminuir o apetite. Controle Todos os pacientes criticamente enfermos que receberam suporte nutricional devem ser cuidadosamente monitorados devido a possíveis complicações relacionadas ao suporte nutricional. Pacientes com sondas de alimentação devem ser revisados se houver infecção/inflamação no local de saída da cirurgia. Os testes bioquímicos e hematológicos também podem ser úteis na identificação de complicações metabólicas. Ainda que o peso corporal e a pontuação de escore de condição corporal (ECC) sejam essenciais para pacientes que receberam suporte nutricional, o ganho de peso por si só não é necessário. Princípios da alimentação coadjuvante O princípio mais importante de alimentação coadjuvante para esta doença é o de garantir a ingestão nutricional adequada. A maioria dos gatos com Lipidose hepática necessita de uma sonda alimentar (por exemplo: sonda esofágica). Exceto nos casos de sondas nasogástricas, a colocação de sondas de alimentação requer anestesia geral, o que acarreta um risco elevado de complicações em pacientes hemodinamicamente instáveis. Os gatos que são considerados instáveis para anestesia podem se beneficiar com a colocação de uma sonda nasogástrica e serem candidatos à nutrição parenteral. Normalmente, a nutrição parenteral é reservada para pacientes que não podem tolerar a alimentação enteral (por exemplo: vômitos, diarreia grave). O início da alimentação deve se dar uma vez que a desidratação e o desequilíbrio eletrolítico e ácido-base divergirem entre si. A alimentação deve atender às necessidades de energia em repouso (RER): RER = 70 X (peso corporal em kg)0,75 A alimentação inicial deve começar a partir de 33% a 50% do RER no primeiro dia e depois aumentar gradualmente até atingir o RER dentro de 48 horas. Se o paciente tolera a alimentação (ou seja, sem vômitos), os objetivos da alimentação poderiam ser aumentados em 10% a 20% do RER para atingir um peso corporal estável durante a hospitalização. Normalmente, a alimentação por sonda é necessária por várias semanas e a decisão de descontinuar essa alimentação é tomada uma vez que o gato está comendo quantidades adequadas de alimentos voluntariamente. nPetiscos –Nos animais gravemente enfermos, o uso de petiscos é geralmente ineficaz para atender às necessidades energéticas e nutricionais e apenas retardam um suporte nutricional mais adequado. Podem ser oferecidos petiscos para os animais que recebem a alimentação por sonda, a fim de avaliar o apetite. nDicas para aumentar a palatabilidade– O uso de estimulantes do apetite em animais gravemente doentes não é recomendado já que é ineficaz para recuperar a ingestão nutricional adequada. Pode-se tentar técnicas de alimentação tais como comer na mão ou aquecer a comida, mas geralmente também são ineficazes para suporte nutricional adequado. Estimulantes do apetite tais como ciproheptadina ou mirtazapina, podem desempenhar um papel em gatos que foram recuperados a partir do processo de doença subjacente e estão na transição para a alimentação oral. nRecomendações para a dieta– As dietas tipicamente utilizadas para tratar gatos com lipidose hepáticasão densas em energia e são ricas em proteínas e gorduras. Dietas destinadas a pacientes de terapia intensiva são muito usadas. No entanto, a maioria das dietas têm de ser modificadas (adicionar água, liquidificar) para a sua utilização nas sondas de forma eficaz. Para as sondas de pequeno calibre tipicamente usadas para acesso nasogástricos, as únicas dietas aceitáveis são as dietas completamente líquidas. Daniel L. Chan, DVM, MRCVS, DACVECC, DACVN Definição As doenças críticas podem ter um impacto importante sobre o estado nutricional dos gatos. Na lipidose hepática felina, uma síndrome que é proveniente do acúmulo excessivo e patológico de lipídios dentro do fígado, o apoio nutricional na terapia intensiva é uma parte importante do tratamento médico e da regressão da doença. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares Os resultados do teste físico (por exemplo: desidratação, icterícia, depressão mental, indicadores neurológicos) podem indicar um grau mais grave de lipidose. A avaliação nutricional deve ser realizada como guia para o plano nutricional, e, geralmente, é necessário obter um perfil bioquímico. A atividade de fosfatase alcalina (FA), a atividade da alanina aminotransferase (ALT), a atividade da aspartato aminotransferase (AST), e as concentrações de bilirrubina totais são significativamente elevadas nesta doença e dão apoio ao diagnóstico. A biópsia ou coleta de material do fígado confirmam o diagnóstico. Fisiopatologia O mecanismo exato responsável por disparar a lipidose hepática em gatos não é claro; contudo, a anorexia é uma característica comum desta doença e acredita-se que é um fator de predisposição importante. Acredita-se também que a desnutrição proteíca-calórica, superestimula a lipidose causando a mobilização de ácidos graxos livres que sobrecarregam a capacidade do fígado de processar o fluxo de triglicerídeos. O acúmulo excessivo de lipídios nos hepatócitos interrompe a função celular e pode causar insuficiência hepática severa. Predisposição Gatos de meia idade e idosos possuem maiores chances de serem afetados. Existem mais casos identificados em gatos machos, embora a classificação por sexo não seja um fator de risco envolvido. A obesidade talvez seja a causa mais importante do fator de predisposição para essa doença. Modificações nos nutrientes essenciais O balanço energético negativo é um componente importante desta doença e o apoio nutricional é vital para o tratamento eficaz. As proteínas devem ser de boa qualidade e altamente digestíveis. Não deverão restringir os níveis de proteína a menos que haja contraindicação, incluindo: indicadores de encefalopatia hepática, com comprometimento neurológica, salivação excessiva e convulsões. Embora a doença tenha uma capacidade limitada do fígado para processar os ácidos graxos, alguns autores defendem a restrição de gorduras; no entanto, como o fornecimento de quantidades adequadas de calorias é tão crucial para a recuperação, comumente são usadas dietas ricas em gorduras, sem complicações. Os suplementos, tais como S-adenosilmetionina, taurina e carnitina têm sido recomendados para o tratamento de esteatose hepática; No entanto, o benefício destes suplementos para animais nestas condições não foi totalmente avaliado. Nutrição em cuidados intensivos - Lipidose Hepática Felina Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Proteína 40–60 8–13 26 6.5 Gordura 15–35 4–6 9 2.3 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados da doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). 26 Valores recomendados de nutrientes essenciais Pontos para a educação do proprietário • Como muitos pacientes em recuperação podem ter alta do hospital com a sonda de alimentação colocada (por exemplo: esofagotomia ou gastrostomia), os proprietários precisam ser instruídos sobre o uso e os cuidados da sonda. • Os proprietários precisam saber das possíveis complicações e como detectá-las. • Deve-se fornecer aos proprietários instruções detalhadas e específicas sobre o uso de sondas de alimentação. Deve-se incluir instruções sobre como preparar e como administrar a alimentação. Comorbidades comuns As comorbidades em gatos que necessitam de nutrição em cuidados intensivos para a lipidose hepática são: pancreatite, colangiohepatite e doença inflamatória do intestino. 27 Apoio nutricional de pacientes criticamente doentes com lipidose hepática felina Instabilidade hemodinâmica persistente Colocar sonda de alimentação nasogástrica e avaliar novamente Alimentar por via parenteral se tiver vômitos e avaliar novamente Apetite menor, mas presente Sem apetite Tratamento médico de apoio, alimentação nasogástrica e nova avaliação Hemodinamicamente instável Hemodinamicamente estável Retardar a alimentação, tratamento com medicamentos para conseguir a estabilidade hemodinâmica Hemodinamicamente estável Colocar a sonda de alimentação (esofagotomia ou gastrostomia) Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Deve-se ter muito cuidado se são administrados suplementos nutricionais (por exemplo: taurina, carnitina, S-adenosilmetionina), através da sonda de alimentação, uma vez que podem bloquear a sonda, provocando a necessidade da sua troca. Controle Todos os pacientes criticamente doentes que receberam suporte nutricional deverão ser cuidadosamente controlados devido a possíveis complicações relacionadas ao suporte nutricional. Pacientes com sondas de alimentação devem ser controlados se houver infecção/inflamação no local de saída da cirurgia. Os testes bioquímicos e hematológicos também podem ser úteis na identificação das complicações metabólicas. Enquanto o peso corporal e a pontuação da condição física são essenciais em pacientes que receberam suporte nutricional, o ganho de peso por si só não é necessário durante a internação. Princípios da alimentação coadjuvante O tratamento com insulina exógena é a base do tratamento clínico do diabetes em cães; os principais objetivos são: resolver todos os sinais clínicos de longo prazo e evitar a hipoglicemia induzida por insulina. Um cão diabético tratado com sucesso não apresentará polifagia, polidipsia ou letargia, e será capaz de manter o peso corporal. Um regime de tratamento típico inclui aplicação de insulina duas vezes por dia e refeições uniformes, que deverão ser altamente palatáveis para que a ingestão de alimentos seja previsível. Normalmente, os alimentos comerciais para cães produzem um aumento pós-prandial de glicose no plasma inferior a 90 minutos após o consumo pelo cão; as refeições devem ser programadas de modo a que a atividade máxima da insulina exógena ocorra durante o período pós-prandial. Assim, os cães deverão ser alimentados dentro de 2 horas após a administração da insulina NPH ou dentro de 6 horas da insulina protamina de zinco. Quando se utilizar um regime de dose de insulina de duas vezes por dia, deve-se alimentar o cão imediatamente após a injeção de insulina. Se os sinais de hipoglicemia leve se desenvolvem, o proprietário deve fornecer ao cão uma alimentação regular ou petiscos ricos em carboidratos. Pode ser necessário alimentar o cão com a mão para incentivá-lo a comer. Se o cão não quer ou não consegue comer, pode ser administrado oralmente um xarope contendo uma alta concentração de glicose. Xaropes adequados são comercializados para utilização em seres humanos diabéticos e todos os proprietários de cães diabéticos devem mantê-los em reserva. Quando o cão se recupera, deve ser imediatamente oferecida uma refeição com o alimento habitual,e, em seguida, o proprietário deve entrar em contato com o médico veterinário antes da seguinte injeção de insulina. Quando um cão diabético não come o alimento que acompanha a dose, deve-se administrar a metade da dose usual de insulina. nPetiscos –A alimentação feita através de refeições uniformes em horários fixos todos os dias é um aspecto importante do tratamento; deve-se incentivar o cumprimento pelo proprietário. Se são oferecidos petiscos, devem ser consumidos durante o período de pico esperado da insulina exógena. Deve-se evitar petiscos ricos em açúcar ou gordura. nDicas para aumentar a palatabilidade –A maioria dos cães diabéticos consumirá facilmente refeições duas vezes por dia após as injeções de insulina se as refeições são altamente palatáveis e contêm metade das necessidades calóricas diárias. Para os animais mais exigentes, os alimentos devem ser fornecidos no momento em que a insulina é administrada e permanecer disponível até o final do período esperado de atividade máxima da insulina exógena. Cães diabéticos são mais propensos a aceitar facilmente uma dieta semelhante a que comiam antes do diagnóstico do diabetes. Não devem ser usados alimentos ricos em açúcar ou gordura para melhorar a palatabilidade dos alimentos prescritos para cães diabéticos. Um exemplo de uma alternativa adequada é o caldo morno de frango com baixo teor de gorduras. Linda Fleeman, BVSc, MACVSc, PhD Jacquie Rand, BVSc, DVSc, DACVIM Definição O diabetes mellitusé causado por deficiência de insulina absoluta ou relativa, alterando o metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas. Manifesta-se como hiperglicemia, hiperlipidemia, poliúria, letargia, perda de peso, polifagia, pelagem fraca e diminuição da imunidade. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares O diagnóstico do diabetes mellitus é baseado em hiperglicemia e glicosúria com sinais clínicos compatíveis. Medir a imunorreatividade da lipase pancreática canina (cPLI, em inglês) pode ajudar a identificar uma pancreatite concomitante. A imunorreatividade semelhante à da tripsina canina (cIST) pode identificar destruição simultânea do pâncreas exócrino. É recomendado monitorar continuamente a condição física, a glicemia e a concentração de triglicérides séricos. Fisiopatologia No caso de cães, tem sido bem documentado o diabetes de tipo I e de outros tipos específicos; a frequência relativa varia de acordo com a localização geográfica e, especialmente, de acordo com níveis de castração no sexo feminino. Na América do Norte, cerca de 50% dos cães têm diabetes mellitus do tipo I causado por destruição imunológica das células beta pancreáticas. Em quase 30%, o diabetes se deve à grande lesão pancreática causada por pancreatite crônica. Diabetes em cães também aparece de maneira secundária ao tratamento com corticosteroides, à hiperadrenocorticismo ou à acromegalia induzida pela progesterona. Em fêmeas intactas pode-se produzir uma forma análoga do diabetes gestacional em seres humanos durante a gravidez; é comum em países com baixas taxas de castração, tais como a Suécia. Predisposição A maioria dos cães diabéticos têm mais de 5 anos de idade, com maior prevalência entre 8 e 12 anos. As fêmeas intactas têm maior risco, especialmente se também tiverem sobrepeso. Os cães de raças misturadas têm um risco maior em relação aos de raças puras. As seguintes raças têm maior risco: Australian Terrier, Schnauzer padrão, Samoieda, Schnauzer miniatura, Fox Terrier, Keeshond, Bichon Frise, Finlandês Spitz, Cairn Terrier, Poodle, Poodle Toy e Husky Siberiano. Modificações nos nutrientes essenciais O conteúdo total de carboidratos da dieta é o principal determinante da resposta glicêmica dos alimentos comerciais típicos para cães e, portanto, é recomendada uma dieta moderada em carboidratos (<30% da energia metabolizável [EM]); além disso, as refeições devem ter um teor de carboidratos uniforme. A declaração dos níveis de garantia em alimentos para animais de estimação não fornece informações sobre o conteúdo de carboidratos dos alimentos, por isso deve ser auferida (ver Anexo III). As fontes de carboidratos com baixo índice glicêmico são provavelmente preferíveis; fontes recomendadas incluem sorgo e cevada. É improvável que o arroz seja uma fonte ideal de carboidratos. Devem ser excluídas dietas com xarope de milho. Embora vários estudos indiquem que as dietas ricas em fibras, em comparação com dietas pobres em fibras, poderiam ser associadas a um melhor controle glicêmico, não há uma clara demonstração de benefício clínico para cães diabéticos, quando são alimentados com uma fórmula com alto teor de fibras em comparação com uma dieta de manutenção típica para adultos com teor de fibra moderado (30-40 g/1000 kcal). Recomenda-se a restrição de gordura na dieta (<30% de EM) para cães diabéticos com pancreatite crônica simultânea ou hipertrigliceridemia persistente. Normalmente, as exigências nutricionais para doenças concomitantes prevalecem sobre as de diabetes mellitus. Valores recomendados de nutrientes essenciais Diabetes mellitus - Cães Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Proteína 25–50 6–10 18 5.1 Gorduras 8–12# 3–5# 5 1.4 Carboidrato 0–40 0–8 n/d n/d Fibra Bruta 5–15 2–4 n/d n/d A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. *Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). # Recomenda-se a restrição de gordura na dieta para cães diabéticos com pancreatite crônica concomitante ou hipertrigliceridemia persistente. A restrição de gordura não deverá ser recomendada para cães diabéticos com estado físico magro. 28 n Recomendações para a dieta – As dietas para manutenção de cães adultos formuladas com carboidratos e teor de fibra moderados serão as apropriadas para a maioria dos cães diabéticos. Deve-se dar aos cães diabéticos com pancreatite crônica concomitante ou hipertrigliceridemia persistente, uma dieta com restrição de gordura. Dietas restritas em gordura e rica em fibras não devem ser rotineiramente recomendadas para cães diabéticos com estado físico magro. Cães diabéticos mais bem tratados necessitam de uma quantidade de alimento diário similar aos cães saudáveis não-diabéticos com idade, sexo e estilo de vida similares. Cães diabéticos com diminuição da função pancreática exócrina têm necessidades calóricas mais elevadas em comparação com cães saudáveis. Pontos para a educação do proprietário • A alimentação uniforme em horas fixas diariamente é crucial para o sucesso no tratamento do diabetes em cães. O ideal é que todas as refeições contenham os mesmos ingredientes e conteúdo calórico. • O momento das refeições deve coincidir com o momento das injeções de insulina. • Não se pode exagerar na importância de evitar uma overdose de insulina. Se alguma insulina é derramada durante a injeção, o proprietário nunca deve fornecer mais, até mesmo se parecer que o cão não recebeu nenhuma insulina. Se alguma vez o proprietário estava hesitante, a opção mais segura é não aplicar a injeção, uma vez que as consequências da falta de uma dose única são insignificantes. • Os proprietários devem estar cientes das estratégias nutricionais para o tratamento da hipoglicemia, como acima descrito. • Os proprietários devem procurar orientação de um veterinário sempre que um cão diabético mostre falta de apetite ou anorexia, porque existe um risco aumentado de hipoglicemia se a insulina é dada quando o cão não come. Comorbidades comuns A infecção do trato urinário, pancreatite, hiperadrenocorticismo, dermatite, otite externa e insuficiênciapancreática exócrina são doenças comuns que ocorrem em cães com diabetes mellitus, bem como o diestro, piometra e obesidade nas fêmeas diabéticas não castradas. 29 Manejo nutricional do diabetes mellitus em cães O cão tem apetite normal ou aumentado O cão tem menos apetite 1. Implementar um regime de alimentação de duas vezes por dia. Cada refeição deve conter metade das necessidades calóricas diárias [kcal calculada como 55 x (estimativa de peso corporal ideal em kg) 0,75] e oferecida no momento que coincide com as injeções de insulina. É importante que as refeições sejam uniformes e não variem de uma para outra. 2. Escolha uma dieta que seja altamente palatável para esse cão especial, completa e equilibrada, e formulada para a manutenção de cães adultos com conteúdo moderado de fibra (30-40 g/1000 kcal) e carboidratos (<30% EM). 3. Se houver histórico ou evidência clínica de pancreatite concomitante, considerar a recomendação de também restringir a gordura dietética (<30% MS). Tratar complicações clínicas e ou comorbidades O cão perde peso corporal e condição física (ECC) O cão apresenta peso corporal e condição física (ECC) estável O cão aumenta seu peso corporal e condição física (ECC) Ajustar a dose de insulina para otimizar o controle da glicose no sangue e aumentar a ingestão de calorias em cada refeição Se a perda de peso continua, apesar do bom controle glicêmico, conside- rar a avaliação da função pancreá- tica exócrina medindo o cIST Ajustar a dose de insulina para otimizar o controle da glicemia Ajustar a dose de insulina para otimizar o controle de glicose no sangue e reduzir a ingestão calórica em cada refeição O cão apresenta um estado físico magro O cão apresenta sobrepeso Aumentar a ingestão de calorias a cada refeição Diminuir a ingestão de calorias a cada alimentação O cão apresenta o corpo na condição ideal Estratégias para o manejo das interações medicamentosas O exercício pode estar associado a um aumento do risco de hipoglicemia no caso de cães diabéticos tratados com insulina. Isto pode ser resolvido através da redução da dose de insulina e/ou aumentando a oferta de alimentos antes do exercício. Deve-se personalizar as estratégias de tratamento para cada cão em particular. Controle Um dos principais sinais clínicos do diabetes mellitus não tratado é a perda de peso e baixa no escore de condição corporal, apesar da polifagia. Ao instituir um tratamento médico e nutricional adequado, a perda de peso geralmente para antes de atingir o controle glicêmico ideal. Portanto, é importante controlar tanto o peso quanto o escore de condição corporal a cada nova avaliação. O controle glicêmico é usado para avaliar a resposta ao regime da dieta e da insulina. A concentração de triglicérides no sangue em jejum pode ser controlada para identificar hipertrigliceridemia persistente, e para controlar a resposta a uma alimentação com uma dieta restrita de gorduras. O tratamento com insulina exógena resolverá a hipertrigliceridemia em alguns cães diabéticos, enquanto outros necessitarão da restrição de gorduras na dieta, além do tratamento com insulina. Deve-se recomendar a restrição de gordura na dieta (<30% EM) para todos os cães diabéticos com uma concentração de triglicérides séricos em jejum> 500 mg/dL devido à associação com a pancreatite. No caso dos cães diabéticos com bom controle glicêmico, recomenda-se restrição de gordura na dieta (<30% EM), se a concentração de triglicérides no soro em jejum for > 400 mg/dL. Espera-se que os níveis de triglicérides em jejum declinem em resposta à restrição de gorduras da dieta. Portanto, se a concentração de triglicérides no soro em jejum for > 400 mg/dl quando o cão estiver sendo alimentado com uma dieta com <30% de gordura EM, então recomenda-se uma maior restrição de ingestão de gordura (<20 % MS). Se a perda de peso corporal continua apesar do controle glicêmico adequado, recomenda-se testar a concentração da imunorreatividade semelhante à da tripsina canina (cIST) para avaliar a função pancreática exócrina. Princípios da alimentação coadjuvante Os objetivos do tratamento do diabetes em gatos são prevenir a hipoglicemia induzida por insulina e otimizar a possibilidade de alcançar a remissão ao minimizar a hiperglicemia. Geralmente é recomendada para gatos diabéticos a alimentação duas vezes por dia no momento das injeções de insulina, embora seja aceitável fornecer alimentos em porções menores com mais frequência. O período pós- prandial dos gatos é muito longo e a glicose no sangue permanece elevada por mais de 14 horas após uma refeição com 50% a 100% das necessidades diárias de energia. Fornecer alimento com baixo teor de CHO está associado a maiores taxas de remissão em gatos diabéticos recém diagnosticados, em comparação com o fornecimento de alimentos ricos em fibras. Portanto, deve ser oferecido um alimento de baixo teor de CHO a gatos diabéticos recém diagnosticados e a todos os gatos diabéticos em remissão. No momento da mudança para uma dieta com maior valor de CHO, foi constatada uma recaída no animais. No entanto, o controle da glicose não é significativamente diferente em gatos que permanecem dependentes de insulina quando eles são alimentados com uma dieta rica em fibras e em CHO em vez de uma dieta com baixo teor de CHO, embora a dose de insulina geralmente seja menor naqueles que comem alimentos de baixo teor em CHO. O tratamento dietético das comorbidades também deve ser considerado quando se escolhe a dieta para o paciente diabético. O sobrepeso e a obesidade estão associados à resistência à insulina, portanto, manter ou atingir um peso corporal ideal é importante para facilitar a remissão dos gatos diabéticos. Os gatos com sobrepeso ou obesos devem ser alimentados com quantidades restritas de uma dieta de baixa densidade calórica (gordura) com uma quantidade mínima de CHO possível (<20% de MS). * O consumo de energia tem de ser restrito, para produzir de 1% a 2% de perda de peso corporal por semana, embora se consiga normalmente 0,3 - 0,5%/semana. Gatos com indicadores de leve a moderada hipoglicemia, tais como fraqueza, tremores e sem equilíbrio, que ainda possam comer, deverão ser alimentados imediatamente com uma dieta "intestinal" palatável, altamente digestível, rica em CHO e pobre em fibras. Se os indicadores forem graves, como convulsões ou coma, pode ser aplicado nas gengivas um xarope de glicose projetado para seres humanos diabéticos e os proprietários deverão procurar imediatamente cuidados veterinários. nPetiscos –É importante manter uma ingestão constante e de baixo teor de CHO; evite os petiscos ricos em CHO. Os exemplos adequados incluem porções da ração habitual do gato baixa em CHO ou petiscos de carne ou peixe cozidos em casa, com conteúdo de gorduras e proteínas (alto ou baixo) adequados para as comorbidades. Jacquie Rand, BVSc, DVSc, DACVIM Linda Fleeman, BVSc, MACVSc, PhD Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN Definição No diabetes mellitusdos gatos, a hiperglicemia ocorre devido à secreção inadequada de insulina pelas células beta do pâncreas. A resistência periférica à insulina secundária ao genótipo, à obesidade, à inatividade física, a doenças ou a medicamentos é muitas vezes um fator predisponente. Ferramentas de diagnóstico essenciais Hiperglicemia persistente é indicativa de diabetes mellitus. Sinais clínicos simultâneos de poliúria, polidipsia e antecedentes de perda de peso são comuns e apoiam o diagnóstico de diabetes. A glicosúria e a cetonemia ajudam a confirmar o diagnóstico; no entanto, nem todos os gatos são cetonúricos ou cetonêmicos. Se a concentração de glicose no sangue é apenas moderadamente elevada (200-300 mg/dL; 12 a 17 mmol/L), a hiperglicemia persistente deve ser documentada em duas ou três amostras de sangue coletadas consecutivamente, com pelo menos 4 horas de intervalo durante 1 a 2 dias, para eliminar a hiperglicemia induzida por estresse. As concentrações de frutosamina ≥ 400-500 µmol/L estão apoiando o diabetes, enquanto aquelas superiores a 500 µmol/Lestão altamente associadas com o diabetes. Fisiopatologia Acredita-se que mais de 80% dos gatos têm diabetes mellitus tipo 2, que é uma consequência da falha das células beta que ocorre secundariamente à demanda prolongada de maior secreção de insulina como resultado da resistência periférica à insulina. Com o tempo, isso prejudica as células beta e a secreção de insulina se deteriora. Os demais casos estão associados a outros tipos específicos de diabetes, tais como câncer de pâncreas, pancreatite, hiperadrenocorticismo ou acromegalia, os quais, ou destroem diretamente as células beta ou provocam uma forte resistência à insulina. Uma vez que a glicose no sangue aumenta, a secreção de insulina é suprimida e danifica as células beta (chamado glicotoxicidade). A maioria dos gatos é dependente de insulina no momento do diagnóstico; no entanto, dependendo da causa subjacente e da duração do diabetes e do tratamento, entre 20% e 90% dos gatos diabéticos podem deixar de ser dependentes de insulina (denominado remissão). Predisposição Em geral, os gatos com diabetes são de idade avançada, sendo o auge do início entre 10 e 13 anos. Os gatos que estão com sobrepeso ou obesos, castrados, machos e de raças domésticas estão no grupo de risco mais elevado. Nos Estados Unidos, a raça Maine Coon, os gatos domésticos de pelos longos, a raça Russo Azul, e a Siamesa estão amplamente representados, enquanto que os gatos da raça Birmanês são quatro vezes mais propensos a ser diabéticos na Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido em comparação com os gatos domésticos. Modificações nos nutrientes essenciais Dietas pobres em carboidratos (CHO) solúveis (<20% em matéria seca [MS]; <15% de energia metabolizável) são consideradas superiores para tratar diabetes e são comprovadamente efetivas no tratamento do diabetes em gatos. Entre os grãos sugeridos por ter um índice glicêmico inferior em gatos se incluem o milho, o sorgo, a aveia e a cevada. Ao limitar os carboidratos na dieta, a glicose no sangue é mantida principalmente a partir da gliconeogênese hepática e as flutuações dos níveis de glicose no sangue após uma refeição são minimizadas. Os gatos diabéticos com diagnostico recente geralmente são mais saudáveis com uma dieta baixa em CHO e rica em proteínas. Os gatos necessitam de proteínas (≥ 30% MS e > 85% digestível) de alto valor biológico (ovo, carne, fígado). Conseguir a remissão do diabetes é uma vantagem para estes gatos e é um objetivo importante para qualquer gato que foi diabético durante menos de um ano. A probabilidade de remissão é baixa, no caso de gatos que estiveram diabéticos durante mais de um ano. Valores recomendados de nutrientes essenciais Diabetes mellitus - Gatos Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Proteína 40–60 10–17 26 6.5 Carboidrato 0–20 0–5 n/d n/d Gordura 10–35 3–7 9 2.3 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como gr. ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). 30 a O CHO solúvel (principalmente amido) é medido e documentado como extrato não nitrogenado (ENN), enquanto que o CHO como fibra documenta-se como fibra bruta. nDicas para aumentar a palatabilidade –A transição para passar da dieta habitual a uma dieta adequada para o diabético deve durar entre 5 a 14 dias; pode ser necessário um período mais longo no caso de gatos que são mais resistentes a mudanças. A palatabilidade do alimento geralmente aumenta junto com a temperatura, a água e os nutrientes (gorduras, proteínas e sal). Aquecer o alimento no microondas ou amornar ligeiramente a comida úmida, adicionar o caldo morno de frango ou carne bovina (+/- sódio) ou adicionar a água ou o óleo dos peixes enlatados (sardinha, atum, cavala), se for apropriado para melhorar o sabor. nRecomendações para a dieta–Os valores dos nutrientes das dietas com baixo teor de CHO recomendados para gatos diabéticos são <20% de CHO, 40% a 60% de proteína e 10% a 35% de gorduras em MS. Os gatos devem ser alimentados para manter ou atingir o peso corporal ideal. Normalmente, alimentos enlatados são mais palatáveis, contêm mais água e gordura, e menos CHO que a partícula seca; ainda assim, facilitam a perda de peso em alguns gatos com sobrepeso ou obesos. Pontos para a educação do proprietário • Fornecer as refeições no momento da injeção de insulina com intervalos de 12 horas. Recomenda-se que apenas alimentos projetados para gatos diabéticos sejam fornecidos, e que o alimento seja obtido a partir de uma fonte confiável para garantir o controle de qualidade e consistência do produto. • Os gatos podem se tornar não dependentes de insulina (remissão), portanto, é essencial controlá-los rigorosamente. • Os gatos com indicadores leve a moderado de hipoglicemia, tais como fraqueza, tremores e falta de coordenação motora, que ainda possam comer, devem ser alimentados imediatamente com uma dieta "intestinal" palatável, altamente digestível com alto teor de CHO e pobre em fibras. Se os indicadores forem graves, como convulsões ou coma, pode ser aplicado nas gengivas um xarope de glicose concebido para os seres humanos diabéticos e os proprietários devem procurar imediatamente assistência veterinária. Comorbidades comuns Ao reduzir a porção de CHO, as proteínas, gorduras, fibras e algumas combinações da dieta devem aumentar para compensar a diferença. As dietas baixas em CHO com diferentes níveis de gorduras, proteínas e fibras são úteis para fornecer uma grande variedade de escolhas de dietas, dependendo das comorbidades de cada caso particular. Gatos diabéticos, com baixo peso, deverão ser alimentados com dietas que tenham CHO (<20% de MS), proteínas (~ 55% de MS), baixo teor de fibras (1% MS), elevado teor de gorduras (20-30% de MS) e densidade de energia (4 - 5 kcal/g MS de energia metabolizável [EM]). Os gatos obesos ou com sobrepeso podem ser tratados através da restrição da quantidade total de energia (como gordura) do alimento. A sensibilidade à insulina deve melhorar com a perda de gordura corporal. Os gatos diabéticos obesos ou com sobrepeso tem melhores resultados com dietas com CHO (<20% MS), teor de fibra moderado (10-15% MS), baixo teor de gorduras (~ 10% MS) e densidade de energia (3-3,5 kcal/g MS EM). A alimentação por dietas úmidas pode satisfazer alguns gatos mais do que o 31 alimento seco devido ao teor de água, embora os alimentos enlatados normalmente contenham mais gordura do que a sua versão seca. Em gatos com doença renal (IRIS 2), há a necessidade de tentar uma dieta baixa em CHO (<15% MS) já que a azotemia melhora em muitos gatos com um melhor controle glicêmico. Se a azotemia piora, estes gatos podem utilizar uma dieta com CHO (30-40% MS), proteínas (35-40% MS) e fósforo (<1% MS). Os gatos com doença renal avançada (IRIS 3 ou 4), com indicadores sistêmicos associados com azotemia possuem melhores resultados com uma dieta restrita em proteínas (CHO <30% de MS, proteína ~30% MS, gorduras ~30% MS e fósforo <1% MS) com agentes quelantes de fosfato para controlar ainda mais as concentrações de fosfato no plasma junto com a acarbose para reduzir a absorção de glicose do trato gastrointestinal. As dietas caseiras que controlam o CHO, as proteínas e restrinjam o fósforo são também uma opção para alguns animais. Outras doenças comuns em gatos diabéticos são a pancreatite ou o câncer (adenocarcinoma); cistite e infecções bacterianas do trato urinário; hiperlipidemias (mudar para um alimento para diabéticos com menor conteúdo de gorduras e baixo conteúdo de CHO); endocrinopatias(hiperadrenocorticismo, acromegalia, hipertireoidismo); doença induzidas por medicamentos (glicocorticoides, progestógenos); e hiperglicemia induzida pelo estresse associado com a doença (tratar estes gatos como se fossem diabéticos até que esteja resolvido). Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Os corticosteroides predispõem o diabetes sendo importante evitar repetidas injeções deste fármaco de ação prolongada em gatos diabéticos ou gatos em remissão. Da mesma forma, os progestógenos, tais como acetato de megestrol, diminuem a sensibilidade à insulina e predispõem para o diabetes. Controle As concentrações de glicose no sangue têm de ser monitoradas para determinar o nível de controle da glicose e a dose apropriada de insulina. A glicose no sangue é melhor controlada em casa, utilizando um medidor portátil de glicose, de preferência um que esteja calibrado para o sangue dos gatos. Quando isto não for possível, é útil para o monitoramento doméstico, a concentração de glicose e cetona na urina. A insulina exógena é administrada com uma dieta baixa em CHO e de alto conteúdo de proteínas (preferencialmente) para controlar as concentrações de glicose no sangue, e é ajustada em conformidade para manter a concentração de glicose o mais próximo do normal, evitando a hipoglicemia. Controlar o peso corporal e modificar a ingestão de energia para atingir o peso ideal. Ver Manejo nutricional do diabetes mellitus em gatos na página 32. 32 Manejo nutricional do diabetes mellitus em gatos Alimentar com uma dieta com baixo carboidrato (<20% MS) projetado para gatos diabéticos. Proporcionar um consumo de energia para alcançar ou manter o peso corporal ideal. Alimentar com uma dieta com baixo carboidrato (<20% MS) formulada para gatos diabéticos. Proporcionar um consumo de energia para alcançar ou manter o peso corporal ideal. Começar com a insulina glargina ou detemir 1 U/gato duas vezes por dia (BID). Alimentar com uma dieta com baixo carboidrato (<20% MS) projetado para gatos diabéticos. Fornecer o consumo de energia para alcançar ou manter o peso corporal ideal. Começar com insulina glargina 0,25 – 0,5 U/kg ou detemir (0,25 U/kg) do peso corporal ideal duas vezes por dia (BID) Glicose no sangue foi normalizada Glicose no sangue continua sendo 215 – 250 mg/dL (12 – 14 mmol/L) Começar com a insulina glargina ou detemir 0,5 U/gato uma vez por dia ou em dias alternados (EOD) e aumentar ou diminuir para manter a gli- cose plasmática no ponto mais baixo 70-120 mg/dl (4-7 mmol/L) * Controle de glicose no sangue com medições em série no lar. Medição de glicose no sangue antes da injeção de insulina e a cada 3 - 4 horas até a próxima insulina. Ao longo do tempo, alterar a dose de insulina para manter o ponto mais baixo da concentração de glicose no plasma 70-120 mg/dL (4-7 mmol/L). * Continuar alimentando com uma dieta com baixo con- teúdo de carboidratos e modificar a ingestão de energia para alcançar ou manter o peso corporal ideal. Glicose no sangue anterior à insulina permanece <215 mg/dL (<12 mmol/L), reduzir a dose a cada 1 - 2 semanas até que a doses seja 0,5 U/gato uma vez por dia. Glicose no sangue anterior a insulina permanece em <215 mg/dL (<12 mmol/L), e a dose é de 0,5 U/gato uma vez por dia. Suspender a insulina, controlar a glicose no sangue e continuar com a dieta com baixo conteúdo de carboidratos.Glicose no sangue aumenta >215mg/dL (>12 mmol/L) Começar novamente com a insulina durante um mínimo de 2 semanas A glicose no sangue permanece <215 mg/dL (12 mmol/L) por 2 semanas = não dependente de insulina (Remissão de diabetes). Continuar alimentando com dieta baixa em carboidratos. Diagnóstico de diabetes mellitus: glicose sanguínea persistentemente ≥215 mg/dL (12 mmol/L) Glicose no sangue 215 – 250 mg/dL (12 – 14 mmol/L) em 3 – 4 ocasiões com 4 horas como intervalo mínimo durante 2 dias Glicose no sangue 270 – 340 mg/dL (15 – 19 mmol/L) em 2 ocasiões com 4 horas como intervalo mínimo e sinais clínicos de poliúria, polidipsia e perda de peso Glicose no sangue >360 mg/dL (>20 mmol/L) e sinais clínicos de poliúria, polidipsia e perda de peso * Medido com um medidor de glicose calibrado para o sangue dos gatos ou um analisador químico do soro; medidores calibrados para o sangue humano medem 18 - 36 mg/dl (1 - 2 mmol/L) inferior à concentração real de glicose no sangue. 33 Sean J. Delaney, DVM, MS, DACVN Definição A obesidade, definida como o acúmulo excessivo e armazenamento de tecido adiposo, é comum em cães, afeta mais de um terço deles1, e é a doença nutricional número um diagnosticada por médicos veterinários. No sistema de Pontuação de escore de condição corporal da Nestlé® PURINA® de nove pontos (ver Apêndice I), os cães com uma pontuação de escore de condição corporal (ECC) de 6 ou mais são considerados cães acima do peso com uma pontuação de 8 ou mais são obesos e aqueles com uma pontuação de 9 são obesos mórbidos. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares A pontuação de escore de condição corporal usa ambos os parâmetros visuais e táteis para atribuir um valor numérico com o grau de adiposidade do paciente. Uma vez que o resultado do escore de condição corporal pode ser facilmente explicado aos proprietários, é uma ferramenta eficaz para aumentar a conscientização sobre o grau de sobrepeso ou obesidade dos cães. Antes de submeter um paciente a um plano de perda de peso, recomenda-se a realização de um exame físico, análise completa de sangue e o perfil bioquímico para descartar qualquer doença subjacente, especialmente hipotireoidismo. Fisiopatologia Habitualmente o ganho de peso ocorre gradualmente ao longo de muitos anos, como um resultado da ingestão calórica excessiva e de um estilo de vida cada vez mais sedentário, o que leva ao acúmulo de tecido adiposo. O hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo e a administração de glicocorticoides também podem levar a uma alimentação em excesso. Predisposição A probabilidade de sobrepeso/obesidade aumenta com a idade e com a castração. Algumas raças, incluindo Cocker Spaniel, Dachshund, Dálmata, Labrador Retriever, Golden Retriever, Pastor Alemão e Rottweiler, apresentam maior risco.2 Modificações nos nutrientes essenciais Determinar as necessidades energéticas específicas de um cão é crucial para estabelecer um plano de perda de peso bem-sucedido. Em um cão, cujo peso é razoavelmente estável, o consumo de energia pode ser o melhor indicador da exigência de energia real de um paciente, devido à grande variação individual (± 50% da necessidade calculada com base no peso corpóreo). Obter histórico alimentar preciso (ver Apêndice II) pode permitir ao médico veterinário calcular as necessidades energéticas específicas do paciente. Uma vez que isto estiver estabelecido, a perda de peso pode ser alcançada através da alimentação com menos calorias do que as necessárias para a estabilidade do peso. O ideal é que as dietas de perda de peso tenham baixa densidade de energia e um aumento de nutrientes essenciais por quilocaloria. Ver Princípios da alimentação coadjuvantepara encontrar estratégias mais detalhadas. Valores recomendados de nutrientes essenciais Princípios da alimentação coadjuvante A justificativa para proporcionar uma dieta com menor densidade de energia obtida com mais fibras e água é que leva à saciedade por preenchimento gástrico; o maior volume pode ser mais aceitável para o animal. O raciocínio para aumentar nutrientes essenciais por quilocaloria é que a restrição calórica, sem manter simultaneamente a quantidade de nutrientes essenciais que é fornecida, pode causar deficiências; tais deficiências podem frequentemente ser reconhecidas na má qualidade da pelagem durante a perda de peso. Deve-se fornecer uma alimentação com menos calorias do que o necessário: ou com 80% das calorias atuais se puder ser determinada com precisão pelo histórico alimentar (ver Apêndice II) ou calculando as necessidades energéticas em repouso (RER) do cão com base no peso atual: RER= 70 x peso em kg00.75 (ver Apêndice III para encontrar equações úteis na nutrição clínica). Modificar a quantidade de alimentos com base no peso a cada 2 semanas, com o objetivo de perder 1% a 2% de peso corporal por semana; uma perda de peso mais rápida diminui a massa muscular, reduz a conformidade e aumenta o risco de efeito sanfona no peso. Se o cão está ganhando peso nesta dieta, verificar a conformidade e reduzir todas as quantidades em 20%. Se o peso for estável, diminuir todas as quantidades em 10%. Se o cão está perdendo peso muito rápido, controlar a saúde geral e aumentar todas as quantidades fornecidas entre 10% e 20%. Indicar um aumento simultâneo da atividade com brincadeiras ou caminhadas. nPetiscos –Quando são fornecidos petiscos formulados para a perda de peso, deve- se escolher os que contenham menos de 30 kcal/petisco. Alguns petiscos saudáveis são vegetais e frutas com alto teor de umidade, tais como 3½ xícaras de abobrinha cozida cortadas em rodelas (100,8 kcal), 20 mini cenouras cruas (105 kcal; evitar nos cães com problemas urólitos de oxalato de cálcio), 2 xícaras de melão em cubos (108,8 kcal) ou 2 xícaras de maçãs descascadas cortadas (105,6 kcal). Carnes magras e com baixo teor de sódio, tais como ½ xícara de peito de frango em cubos ou picado (112 kcal) ou 42,5 gramas de costeleta de porco, apenas a carne, sem gordura e sem osso (99,5 kcal), também podem ser oferecidos como petiscos. nDicas para aumentar a palatabilidade –Os alimentos com maior teor de umidade (enlatados ou de pacote) podem ter preferência ao alimento seco. O alimento seco também pode ser umidecido em água ou caldo de carne sem sódio. Uma camada de uma pequena quantidade de carne magra com baixo teor de sódio (ver Petiscos), não superior a 10% das calorias diárias, pode ser adicionada ou misturada para evitar alimentação seletiva. Você pode misturar uma pequena quantidade de xarope no alimento fornecido sempre e quando não exceda 10% das calorias diárias (ex.: 1⅔ colher de sopa de xarope de milho, 100,7 kcal). nRecomendações para a dieta –Recomenda-se uma dieta indistrializada formulada para perda de peso ativo. A dieta deve possuir menos de 280 kcal/xícara ou menos de 776 kcal/kg para uma estratégia de baixa densidade energética, e menos de 25% de calorias provenientes de CHO para uma dieta com baixa densidade de carboidrato. Evite alimentos que utilizem as palavras “light”, já que estes são para a prevenção do ganho de peso e não para perda de peso ativo; os alimentos “light” não contêm muitos nutrientes essenciais por quilocaloria como os alimentos projetados para perda de peso. As receitas caseiras geralmente não são necessárias para os pacientes que necessitam perder peso, e nem são recomendadas. Sua maior digestibilidade e palatabilidade pode ser ineficiente na perda de peso. Sobrepeso/Obesidade - Cães Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Proteína 25–50 10–20 18 5.1 Gordura 5–15 2–3.5 5 1.4 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender às necessidades normais, de acordo com a restrição de calorias. *Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). 33 34 Pontos para a educação do proprietário • Os cães têm uma grande variação na necessidade de consumo de energia individual (± 50%). Muitas vezes, os pacientes obesos são muito eficazes no uso das calorias. Historicamente, quando a comida era escassa, a eficiência era uma característica desejável mas no momento a eficácia em um ambiente de alimento abundante leva mais facilmente ao aumento de peso. • A fase inicial de um plano para perda de peso é determinar a eficácia do cão. Portanto, é importante alimentar com a quantidade especificada e é crucial desenhar o plano com base nas mensurações de peso; inicialmente, espera-se que as taxas de perda de peso sejam imperfeitas. • O objetivo de um plano de perda de peso é uma melhor qualidade de vida.3 Comorbidades comuns Aosteoartriteé comum em cães com excesso de peso e obesos; as doenças articulares são tratadas com medicamentos e perda de peso. Considere o manejo nutricional das doenças das articulações depois de ter alcançado a perda de peso. Se necessário, você pode considerar a suplementação com condroprotetores e/ou óleo de peixe para a dieta formulada para perda de peso. No caso de colapso de traqueia, síndrome do braquicéfalo ou paralisia da laringe, tentar maximizar a taxa de perda de peso de 2% de peso corporal por semana, especialmente se a perda de peso necessária pode ser conseguida antes da chegada de temperaturas sazonais mais quentes. Em cães com diabetes mellitus a perda de peso pode fornecer um melhor controle glicêmico. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Comorbidades que provocam a perda de apetite devem ser o foco principal da terapia nutricional para prevenir a perda de peso não intencional devida a uma doença que está sendo ignorada e atribuída ao regime de perda de peso. Controle Pesar novamente o cão a cada 2 semanas e alterar a quantidade de alimentos (ver Princípios da alimentação coadjuvante). O objetivo da taxa de perda de peso é de 1% a 2% de peso corporal por semana. Se for esperado que uma comorbidade melhore com a perda de peso, verificar se está correta e oferecer um reforço positivo. Se um cão com sobrepeso e artrite está mais ativo depois de alguma perda de peso inicial, parabenize o proprietário e lembre-o de que isso é devido à perda de peso. VerManejo nutricional do sobrepeso/obesidade nos cães na página 35. 34 35 Manejo nutricional do sobrepeso/obesidade nos cães O paciente tem uma pontuação do escore de condição corporal (ECC) > 5 dos 9 pontos? Não. Registrar o ECC e pedir ao proprietário que a mantenha. Verificar novamente o ECC na próxima consulta. Sim. Falar sobre o impacto do sobrepeso/obesidade sobre a saúde. Marcar uma consulta para perda de peso e descartar doenças subjacentes. Consulta para a perda de peso. Pesar de novo e fazer uma nova pontuação. Confirmar que não existe(m) doença(s) subjacente(s). Existem registros dietéticos precisos e completos disponíveis? Sim. Calcule a ingestão calórica atual. O paciente manteve o peso de forma estável durante pelo menos um mês com a alimentação atual? Sim. Alimentar com 80% da ingestão calórica atual. Criar um plano para perder peso. Escolher alimentos e petiscos. Decidir sobre a taxa de perda de peso desejado. Marcar consulta para a próxima pesagem. Acompanhamento do caso. Se tiver novo plano, entre em contato 3-5 dias após do início para verificar como funciona. Pesagem. O paciente está perdendo peso na taxa desejada? (Ou, se o objetivo for a estabilidade, este é estável?) Sim. Se não atingiu o objetivo do ECC, continuar com o plano e o nível atual de restrição. OU Se alcançou o objetivo do ECC, suspender e alimentar com uma quantidade para manter ECC. Não marcou a consulta para a perda de peso ou não compareceu. Ligar e tentar marcar uma nova consulta.Se continuar indiferente, verificar a ECC na próxima consulta. Não. Tentar conseguir os antecedentes dietéticos, se não for possível, definir a quantidade inicial de restrição calórica com base no peso atual. Para cães: kcal/dia = 70 x (PC em kg) 0,75 OUOU Não. Alimentar com 80% do consumo da ingestão atual ou com base no peso atual com o objetivo da estabilidade no peso após a perda de peso (a não ser que já esteja perdendo peso) Não. Perdeu peso muito rápido: Verifique se há doença(s) subjacente(s). Se estiver saudável, aumentar o volume do alimento 10-20%. Perdeu peso lentamente ou aumentou: Verifique se há doença(s) subjacente(s) e a conformidade. Se está saudável ecumpriu, diminuir o volume do alimento 10-20%. Agendar consulta para a próxima pesagem. Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN Definição A obesidadeé definida qualitativamente como um excesso de gordura corporal suficiente para contribuir para a doença. Gatos com excesso de peso (pontuação de escore de condição corporal [ECC] 6 ou 7/9) têm 25% e 30% de gordura corporal, respectivamente. Os gatosobesos (ECC 8/9) têm 35% de gordura, enquanto os gatos obesos mórbidos (ECC 9/9) têm 40% ou mais de gordura (ver Apêndice I para mais informações sobre a pontuação do escore de condição corporal). Ferramentas de diagnóstico e exames complementares O peso corporal, os antecedentes do peso corporal (Apêndice II) e o ECC estimam o grau de excesso de gordura corporal. A pontuação do escore de condição corporal é realizada visualmente e pela palpação. Os exames de sangue e urina de rotina são realizados para descartar doenças concomitantes e suas causas. Fisiopatologia Na ausência de uma doença endócrina ou metabólica, a obesidade em animais de estimação é uma doença iatrogênica, pois a ingestão diária de energia para manutenção excede o gasto energético diário. As necessidades de energia para manutenção (NEM) da maioria dos gatos castrados que vivem na casa são aproximadamente NEM = 85 x (PC em kg) elevado (ver Apêndice III). No caso dos gatos com sobrepeso ou obesos, os antecedentes da ingestão diária de alimentos mostram um excesso crônico de calorias. Predisposição A maioria dos gatos com sobrepeso ou obesos se encontra entre 2 e 15 anos de idade, com uma maior prevalência entre 5 e 10 anos, castrados e alojados principalmente den- tro de casa. Gatos de raças mistas são mais propensos a ter excesso de peso ou a ser obe- sos do que gatos de raça pura. Modificações nos nutrientes essenciais A mudança necessária nos nutrientes consiste em uma redução de calorias, sem restringir os demais nutrientes não energéticos, a menos que seja necessário para satisfazer as comorbidades. Uma grande variedade de alimentos coadjuvantes tem sido usada nos últimos 20 anos para o tratamento da obesidade em gatos. Tradicionalmente, os métodos de gestão do peso incluem o uso de alimentos de baixo teor em gorduras e ricos em fibras para reduzir a ingestão calórica e o peso corporal, mantendo a saciedade. Há grande variação no teor de fibras (solúveis e insolúveis) entre os alimentos para perder peso em gatos. Um maior teor de proteínas na dieta parece promover a perda de peso e reduzir a perda de massa corporal magra durante a perda de peso em gatos. Os alimentos com adição de L-carnitina podem colaborar com a perda de gordura, dependendo do nível de proteínas na dieta. Novos conceitos na perda de peso em gatos incluem o uso de alimentos ricos em proteínas e pobres em carboidratos. Valores recomendados de nutrientes essenciais Princípios da alimentação coadjuvantes Embora seja a restrição calórica a que provoca perda de peso, é importante evitar a restrição excessiva de nutrientes essenciais. Por isso, deve-se considerar um produto com baixo teor calórico com maior relação nutriente/caloria. Também é importante promover a perda de peso, minimizando a perda de tecido magro, que é influenciada pela composição da dieta. A maioria dos alimentos disponíveis contém de 40% a 50% de calorias provenientes de proteínas e de 25% a 40% de calorias provenientes de gorduras. Os métodos tradicionais de gestão de peso têm utilizado alimentos pobres em gorduras e ricos em fibras para reduzir a ingestão calórica e o peso corporal, tentando manter a saciedade. No entanto, têm sido usados com sucesso vários perfis nutricionais diferentes para a perda de peso em gatos: 1) alimentos em partículas com baixo teor de gorduras e fibras; 2) alimentos em partículas e enlatados com baixo teor de gorduras e ricos em fibras; 3) alimentos em partículas e enlatados com elevado teor de gorduras, baixo teor de carboidratos e moderado teor de fibras; e 4) alimentos em partículas ricos em proteínas, baixo teor de gorduras e moderados conteúdos de fibras. Todas as estratégias de dietas demonstraram reduções significativas no peso e gordura corporal, com perda insignificante de massa corporal magra quando fornecidas para gatos obesos. Os gatos com excesso de peso devem fazer a transição para alimentos para perder peso durante um período de 5-10 dias. Se possível, deve-se dar ao gato uma refeição alimentar dividida em várias (3-6) porções por dia. Fornecer refeições longe de outros animais de estimação e de pessoas na casa é fundamental para o sucesso do programa de perda de peso. Pesar o gato mensalmente e comparar com o peso corporal ideal estimado. nPetiscos –A maioria dos proprietários valoriza uma porção de petiscos de 20 a 25 kcal por dia. Os petiscos deverão ser limitados a opções baixas em calorias, como legumes e frutas, que inicialmente podem ser rejeitados pelo gato até que comece a perder de peso. Podem ser usados como petiscos entre as refeições partículas de iguais ou diferentes alimentos para perda de peso em gatos ou alimento para a saúde dentária dos gatos. Todos os petiscos oferecidos devem ser contabilizados como parte de sua ingestão calórica diária e a quantidade de alimento por dia deve ser reduzida, consequentemente. nDicas para aumentar a palatabilidade –Raramente os gatos não comerão a porção total do alimento para perder peso se a restrição calórica estiver em ordem. Se houver uma rejeição da dieta para perder peso, deve-se considerar a mudança da forma da dieta (partícula seca vs. enlatado) em uma forma que o gato prefira. Os gatos sentem preferência por textura e consistência dos alimentos. Deve-se também considerar a utilização de um alimento com elevado teor de proteínas e baixo teor calórico para a perda de peso, dado que os gatos possuem receptores específicos para o sabor das proteínas de origem animal. nRecomendações para a dieta – A perda de peso começa quando os gatos são alimentados com 50% a 75% de calorias NEM do peso ideal por dia, utilizando uma das muitas dietas coadjuvantes para a perda de peso em gatos. A taxa estimada de perda de peso é de cerca de 1% por semana. A perda de peso constante pode exigir uma alimentação de 200 kcal por dia ou menos, à medida que o gato se aproxime de seu peso corporal ideal. Deve-se medir o alimento e é interessante manter um diário alimentar dia a dia. Pontos para a educação do proprietário • Os proprietários de gatos têm indicado que a comida de gato é um fator positivo importante na sua relação com o animal de estimação, embora a maioria não tenha notado seu gato com sobrepeso. O proprietário deve ser capaz e estar disposto a controlar a ingestão de calorias para o programa de perda de peso ter sucesso. Uma opção é usar um alimentador automático. Há muitas opções disponíveis; assim, outra chave para o sucesso é um projeto flexível, com acompanhamento regular ao proprietário. • Programas bem-sucedidos para o tratamento da obesidade, incluem mudanças na dieta, mensurações das porçoes de alimento (idealmente usar uma balança que indique gramas), e os controles mensais de peso corporal por uma equipe de médicos veterinários para os cuidados de saúde. A perda de peso é um processo lento e constante que pode levar entre 6 e 12 meses para atingir o peso desejado. Sobrepeso/Obesidade - Gatos Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Proteína 40–60 10–18 26 6.5 Gordura 8–20 2.5–5.0 9 2.3 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais deverão ser incrementados de forma relativa ao conteúdo energético da dieta para cumprir com as necessidades normais, de acordo com a restrição de calorias. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela AssociaçãoAmericana de controle de Alimentos (AAFCO) 36 • Em gatos, o efeito sanfona no peso ocorre após a perda de peso rápida e quando se permite o livre acesso ao alimento denso em energia depois da redução de peso. Na maioria dos casos, é recomendada a dieta utilizada durante a perda de peso para a manutenção a longo prazo do peso desejado. A única diferença é que, para a manutenção do peso, uma maior quantidade de alimento por dia é utilizada. Comorbidades comuns Uma pesquisa recente sugere a existência de um mecanismo para a ligação entre o excesso de peso corporal e muitas doenças. Hoje a obesidade é vista como um estado pró-inflamatório crônico que produz fatores geradores de estresse oxidativo. Aparentemente, o tecido adiposo, anteriormente considerado fisiologicamente inerte, é um ativo produtor de hormônios como a leptina e a resistina, e numerosas citocinas. Um tema de maior interesse são as citocinas pró-inflamatórias do tecido adiposo (adiponectinas), o fator de necrose tumoral α (TNF-α, em inglês) e as interleucinas 1β e 6. Comorbidades comuns em gatos com sobrepeso e obesidade incluem diabetes (resistência à insulina e intolerância à glicose) diretamente associada ao grau de adiposidade e de mediadores inflamatórios circulantes; a osteoartrite, a doença do trato urinário inferior em gatos, doenças cardiovasculares e pancreatite devida à inflamação crônica de grau baixo e ao estresse oxidativo; lesões ortopédicas (distensão do ligamento cruzado) devida ao excesso de peso; hiperlipidemias e lipidose hepática causada por distúrbios no metabolismo lipídico; e dermatite não alérgica devida à incapacidade de limpar-se corretamente. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas A lipidose hepática é rara em gatos saudáveis alimentados com menos calorias para perda de peso, desde que o gato coma toda a porção diária. Se o gato se recusa a comer a dieta para perder peso durante vários dias, a possibilidade de uma lipidose hepática cresce. Gatos diabéticos que tomam insulina devem ser monitorados com cuidado, já que as necessidades de insulina diminuem à medida que a sensibilidade à insulina retorna. Os gatos que receberam qualquer medicação baseada no peso corporal devem ser cuidadosamente controlados para modificar a dose na medida que ocorre a perda de peso. Controle O peso corporal ideal pode ser determinado mais facilmente ao registrar-se o peso corporal e a ECC. Sugere-se a realização de exames físicos e verificações de peso medido mensalmente, enquanto se conversa sobre o regime alimentar diário e quantidades do alimento. São essenciais as mudanças de comportamento na alimentação do o gato. Deve-se levantar os problemas logísticos da alimentação dentro da casa (casa com vários gatos, hospitalizado, membros da família, visitantes, etc.). O alimento deve ser mudado e modificar a ingestão de calorias conforme a necessidade para resolver os problemas e garantir a perda de peso constante. Deve-se encorajar os proprietários a desenvolver atividades que fortaleçam o vínculo que não estão relacionadas à alimentação, a fim de reduzir a ingestão de calorias e aumentar o gasto energético. 37 Manejo nutricional do sobrepeso / obesidade nos gatos (ECC >5/9) SIM NÃO Estimar a ingestão diária de calorias, determinar a ECC e os produtos alimentícios que utiliza atualmente ECC 6 ou superior, comendo alimento comercial com o nível maior de kcal do que NEM por dia* Tratar a doença subjacente ECC 6 ou superior, comendo um alimento coadjuvante para a perda de peso com o nível de 0 ou mais kcal do NEM* por dia. Trocar o alimento para uma dieta coadjuvante para perda de peso, fazendo a transição, por 10 dias alimentando ao nível de NEM e controlar novamente em 2 semanas Prescrever 75% das kcal do NEM por dia do mesmo alimento e controlar novamente em duas semanas Realizar testes para doenças endócrinas e metabólicas que causam ganho de peso Perda de peso suficiente? SIM NÃO Reduzir 25kcal da alimentação diária e controlar o peso uma vez por mês Continuar alimentando com as mesmas kcal por dia e controlar o peso uma vez por mês *NEM = 85 ¥ (BW kg)0.75 Dietas com elevado teor de umidade podem ser úteis para esta doença: alimentos enlatados contêm cerca de ≥ 75% de água, em oposição aos alimentos secos que proporcionam ~ 10% de água. Princípios da alimentação coadjuvante O estado de hidratação deve ser corrigido antes de se iniciar um tratamento dietético. Se o paciente está sujeito à desidratação, recomenda-se alimentá-lo com uma dieta úmida ou adicionar água à ração seca (duas a três partes de água para uma parte de ração seca). O ideal para o tratamento de constipação em cães é uma dieta que proporcione uma combinação de fontes de fibras solúveis e insolúveis. As fibras solúveis aumentam a umidade das fezes, enquanto que as fibras insolúveis proporcionam maior volume de fezes e estimulam a motilidade. Visto que a maioria dos alimentos para animais não relata os níveis de fibras solúveis e insolúveis, pode-se avaliar a lista de ingredientes para uma melhor compreensão das formas de fibras na dieta. Os exemplos de fibras solúveis são: polpa de cítricos e outras frutas (fornecem pectinas), gomas (tais como goma de guar) e oligossacarídeos (tais como carragenas); as fibras insolúveis incluem a celulose, os farelos (como arroz e trigo), a fibra de aveia e as cascas de amendoim; e as fibras mistas incluem a polpa de beterraba, a fibra de soja, a fibra de ervilha, e o Psyllium. Se não conseguir fazer a transição do paciente a uma dieta rica em fibras, pode-se adicionar um suplemento de fibras à sua dieta atual. • O Psyllium é um suplemento de fibras mistas fácil de se agregar na dieta em quantidades de 1-3 colheres de sopa por dia. • Se for necessária uma fonte de fibras solúveis, pode-se adicionar Benefiber (goma guar) à dieta em quantidades de 2-4 colheres de chá por dia. • Se for necessária uma fonte de fibras insolúveis, pode-se adicionar farelo de trigo moído grosso à dieta em quantidades de 1 a 3 colheres de sopa por dia. A quantidade de suplementação necessária para corrigir a constipação varia conforme cada paciente; portanto, é geralmente recomendado começar com o valor mais baixo da escala de doses e ajustá-lo até conseguir o efeito. Alterações da dose de fibra devem ser feitas a cada 5-7 dias conforme necessário para alcançar o efeito desejado. nPetiscos –As frutas e os vegetais são boas fontes de fibras solúveis e insolúveis, e geralmente têm um alto teor de umidade. • 1 mini cenoura média = 3 kcal, 180 mg de fibras totais na dieta (60 g/1000 kcal), 90% umidade. • 1/4 xícara de maçã com casca cortada/picada = 16 kcal, 750 mg de fibras totais na dieta (47 g/1000 kcal), 96% de umidade. Farelo de cereais e grãos integrais também são boas fontes de fibras insolúveis. • 1/4 xícara de cereais como Mini-Wheats = 48 kcal, 1,66 g de fibras totais na dieta (33,3 g/1000 kcal). Cuidados devem ser tomados para garantir que os petiscos não balanceados estejam limitados a ≤ 10% do total de calorias diárias. • Se forem alimentados com uma dieta rica em fibras, adicionar petiscos ricos em fibras pode ser contraindicado. Alguns suplementos de fibra para uso humano podem ser adoçados, sendo necessário evitar os produtos adoçados com xylitol. Sally Perea, DVM, MS, DACVN Definição A constipação é caracterizada pela ausência, pouca frequência ou dificuldade de defecação associada à retenção de fezes no cólon e no reto. A constipação grave pode evoluir para um fecaloma quando as fezes se tornam excessivamente duras e incrustadas dentro do cólon. Megacólon refere-se à dilatação e hipomotilidade do cólon, mas é raro ser observado em cães.1 Ferramentas de diagnóstico e exames complementares O diagnóstico de constipação é normalmente realizado na anamnese e exame físico. Sinais clínicos podem incluir tenesmo, anorexia, vômitos, perda de peso, letargia e pelagem quebradiça. A apalpação retal e abdominal provavelmente revelará fezes sólidas no interior do reto e cólon. Você pode usarradiografias abdominais para melhor definir a extensão da constipação e descartar corpos estranhos, aumento da próstata e ferimentos pélvicos ou de coluna que podem contribuir para a constipação. A análise química de tiroxina sérica (T4), exames de sangue e de urina também são indicados para descartar alterações metabólicas subjacentes. Fisiopatologia A constipação pode ocorrer com qualquer doença que prejudique o movimento das fezes através do cólon. Quando as fezes são mantidas dentro do cólon por um período prolongado de tempo, a água continua a ser absorvida, produzindo fezes cada vez mais duras e secas. A constipação pode ser causada de forma secundária à obstrução retocolônica (como a hipertrofia prostática, fratura pélvica, tumor, divertículos), à defecação com dor (lesões anais, transtornos ortopédicos), fatores ambientais (cativeiros/hospitalização, inatividade), a medicamentos (opioides, diuréticos, etc.), disfunção neuromuscular, anormalidades em líquidos e eletrólitos, ingestão de materiais estranhos ou ingestão inadequada de água. Predisposição A constipação pode ocorrer em cães de qualquer idade, e ocorre tanto em machos como em fêmeas de todas as raças. A predisposição pode ajudar a limitar o diagnóstico diferencial. Por exemplo, é mais comum observar neoplasias nos animais de idade avançada e a hipertrofia prostática é observado apenas nos machos. Modificações nos nutrientes essenciais Aumentar o conteúdo de fibra dietética e de umidade na dieta é a modificação essencial nos nutrientes que se pode realizar para neutralizar a constipação em cães. Antes de iniciar uma dieta rica em fibras ou suplementação de fibra deve-se descartar uma obstrução parcial ou completa do cólon. As fibras são classificadas em solúveis e insolúveis. As fibras solúveis têm a capacidade de retenção de água, o que ajuda a aumentar o teor de umidade das fezes secas e normaliza o tempo de trânsito gastrointestinal. Algumas fibras solúveis são fermentáveis e auxiliam o crescimento normal da microbiota gastrointestinal e a produção de ácido graxo de cadeia curta que subministram energia aos colonócitos e estimulam as contrações do músculo liso longitudinal do colon.² As fibras insolúveis têm pouca capacidade de retenção de água e as bactérias gastrointestinais não as degradam facilmente. As fibras insolúveis dão maior volume às fezes e podem ajudar a estimular a motilidade do cólon.3 Os cães com constipação podem estar desidratados; portanto, aumentar a umidade na dieta pode ajudar a manter a hidratação adequada e suavizar fezes secas. Valores recomendados de nutrientes essenciais Constipação - Cães Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Fibra Bruta# 7–15 2–8 n/d n/d A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados da doença. A composição recomendada da dieta se mostra como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). ## A análise de fibra bruta inclui a maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma, a fibra bruta tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra total de alimentos é avaliada. Deve-se avaliar a lista de ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis. 38 nDicas para aumentar a palatabilidade • Aquecer ligeiramente o alimento para melhorar o sabor e a textura. • Adicionar caldo de frango ou de carne com baixo teor de sódio ao alimento para aumentar a umidade e a palatabilidade (limitado a ≤ 10% do total de calorias diárias e evitar caldos feitos com cebola ou alho). • Adicionar água na alimentação para aumentar o seu teor de umidade, iniciar a adição de uma pequena quantidade e em seguida aumentar lentamente ao longo de 1 a 2 semanas para permitir que o paciente se acostume com a mudança em umidade e textura da dieta. n Recomendações para a dieta – Recomendam-se alimentos que forneçam moderado a elevado teor de fibra na dieta com fontes de fibras mistas (solúveis e insolúveis). Alimentos coadjuvantes concebidos para diabetes mellitus, colite e perda de peso geralmente oferecem níveis mais altos de fibra na dieta. Em geral, os alimentos para perda de peso oferecem maiores proporções de fibras insolúveis a partir de uma fonte. Os alimentos enlatados e/ou os com adição de água são recomendados para pacientes propensos à desidratação. Pontos para a educação do proprietário • A hidratação adequada é a chave para o tratamento da constipação. Em todos os momentos deve ser permitido o acesso livre à água potável. A ingestão de água também pode ser melhorada através do fornecimento de alimentos enlatados ou a adição de duas a três partes de água para uma parte de alimentos secos. • Confinamento ou falta de atividade pode contribuir para a constipação. • Implementar uma rotina regular de exercícios ou um programa de caminhadas. • Alimentar com uma dieta mais rica em fibras ou adicionar um suplemento de fibra irá causar aumento no volume de fezes e frequência da defecação. • A transição para uma dieta mais rica em fibras ou a adição de um suplemento de fibra deve ser feita lentamente durante um período de 4 a 5 dias. • O nível requerido de suplementação com fibras varia de acordo com o animal de estimação, portanto, pode ser necessária a modificação para alcançar a resposta desejada. 39 Manejo nutricional da constipação nos cães Tratar a doença subjacente Tratar a desidratação Aumento na dieta de quantidade de fibras solúveis e insolúveis e/ou umidade Enema e/ou remoção manual das fezes Exame físico, radiografias abdominais, análises químicas do soro, T4, exames de sangue completo e de urina Identificação da doença subjacente Presença de desidratação Nenhuma doença subjacente identificada Grande massa de matéria fecal no cólon Sim Não Resolução Recorrência Implementar tratamento pro-motilidade e/ou com laxantes por via oral Comorbidades comuns Comorbidades comuns são fatores normalmente predisponentes para a constipação. As doenças que causam dor na defecação (tais como doenças ortopédicas e anorretais), obstrução retocolônica (como fratura pélvica ou neoplasia), ou disfunção neuromuscular (tais como doenças da medula espinhal ou da região lombo-sacra ou disautonomia) são comumente observadas com a constipação. No caso de obstrução retro colônica ou obstrução parcial, associadas a uma doença, é contra-indicada a alimentação com uma dieta rica em fibras para gerar maior volume de fezes. Nestes casos, é adequada uma alimentação altamente digestível para reduzir a massa de fezes. Quando a constipação é observada com anormalidades nos fluidos e eletrólitos (como hipocalemia ou hipercalcemia), corrigir o estado de hidratação e o desequilíbrio eletrolítico deve ser a prioridade do plano de tratamento. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas O tratamento medicamentoso deve procurar eliminar ou controlar qualquer doença subjacente que for identificada. Se houver presença de uma grande massa de fezes, pode-se necessitar tratamento com enema e/ou a remoção manual. Se for identificada desidratação ou anormalidades nos eletrólitos, indica-se o tratamento de líquidos adequados. Se o tratamento com dieta por si só não for eficaz na prevenção da recorrência de constipação, laxantes podem ser implementados por via oral. Geralmente, um laxante emoliente suave tal como docusato de sódio, ou um laxativo osmótico, tal como a lactulose para ajudar a amolecer as fezes é recomendado. Também pode ser benéfico o tratamento com cisaprida, em cães com menor motilidade colônica. Controle A resposta ao tratamento poderá ser controlada pelo proprietário mediante ao registro diário da defecação e característicasdas fezes. O sucesso do tratamento é caracterizado pelo retorno de evacuações diárias, falta de esforço ou dor ao evacuar e uma consistência normal das fezes. Valores recomendados de nutrientes essenciais As dietas com alto teor de umidade podem ser úteis para esta doença: os alimentos enlatados contêm ≥ 75% de água, em contraposição com os alimentos secos que fornecem ~ 10% de água. Princípios da alimentação coadjuvante O estado de hidratação deve ser corrigido antes de iniciar um tratamento alimentar. Se o paciente está sujeito à desidratação, recomenda-se a alimentação úmida ou a adição de água ao alimento seco (duas a três partes de água para uma parte de ração seca). O ideal para o tratamento de constipação em gatos, sem megacólon, é uma dieta que proporcione uma combinação de fontes de fibras solúveis e insolúveis. As fibras solúveis aumentam a umidade das fezes, enquanto que as fibras insolúveis proporcionam um maior volume de fezes e estimulam a motilidade. Os gatos com megacólon devem ser alimentados com uma dieta altamente digestível com baixo teor de fibras para ajudar a reduzir a massa fecal. Visto que a maioria dos alimentos para animais não informam em seus rótulos os níveis de fibras solúveis e insolúveis, pode-se avaliar a lista dos ingredientes para uma melhor compreensão das formas de fibras da dieta. Os exemplos de fibras solúveis são: polpa de cítricos e outras frutas (fornecem pectina), gomas (tais como a goma guar), e oligossacarídeos (tais como as carragenas). As fibras insolúveis incluem celulose, farelo (por exemplo, arroz e trigo), fibra de aveia e casca de amendoim. As fibras mistas incluem polpa de beterraba, fibra de soja, fibra de ervilha, e Psyllium. Se não puder fazer a transição do paciente para uma dieta rica em fibras, pode-se adicionar um suplemento de fibras à sua dieta atual. • O Psyllium é um suplemento de fibras mistas de facil acesso, que pode ser adicionado à dieta em quantidades de 1-4 colheres de chá por dia. • Se for necessária uma fonte de fibra solúvel, você pode adicionar um alimento a base de goma guar à dieta em quantidades ½ - 2 colheres de chá por dia. • Se for necessária uma fonte de fibra insolúvel, você pode adicionar o farelo de trigo moído grosso à dieta em quantidades de 1 - 4 colheres de chá por dia. A quantidade de suplementação necessária para corrigir a constipação varia conforme o paciente, portanto, para começar, geralmente é recomendado um valor mais baixo da escala de doses e deve-se ajustá-la até alcançar o seu efeito. As modificações da dose de fibras devem ser feitas a cada 5 a 7 dias conforme for necessário, até alcançar o efeito desejado. Alguns suplementos de fibras são adoçados com frutose ou sacarose. Visto que os gatos não metabolizam muito bem a frutose, deve-se evitar as formulações que contenham essas substâncias. Os suplementos com xilitol também devem ser evitados. nPetiscos–Geralmente é recomendada a abóbora para suplementação de fibras em gatos. A quantidade de fibra fornecida pela abóbora enlatada (0,4 g / colher de sopa) é pequena em comparação com os níveis fornecidos por suplementos de fibras, tais como o psyllium (9 g / colher de sopa). Portanto, a abóbora por si só não pode fornecer a quantidade de fibra necessária para observar uma resposta clínica, mas pode servir como um bom tratamento suplementar ■ Certifique-se que os proprietários escolham abóbora enlatada e não o recheio da torta de abóbora. Sally Perea, DVM, MS, DACVN Definição A constipação é caracterizada pela ausência, pouca frequência ou dificuldade na defecação associadas à retenção das fezes dentro do cólon e do reto. A constipação pode evoluir para o fecaloma quando as fezes se tornam excessivamente duras e incrustadas dentro do cólon. O megacólon refere-se à dilatação e à hipomotilidade do cólon, e é normalmente observado com uma constipação severa; além disso, pode incluir anormalidades neurológicas no músculo liso do cólon.1 Ferramentas de diagnóstico e exames complementares O diagnóstico de constipação é normalmente realizado durante a anamnese e exame físico. Os sinais clínicos podem incluir tenesmos, anorexia, vômitos, perda de peso, letargia e pelagem quebradiça. A apalpação retal e abdominal provavelmente revelará fezes sólidas no interior do reto e cólon. Pode-se usar radiografias abdominais para melhor definir a extensão da constipação e descartar o megacólon, corpos estranhos, e ferimentos pélvicos ou da coluna que possam estar contribuindo para a constipação. A análise química de tiroxina sérica (T4), exames de sangue e urina também são indicados para descartar alterações metabólicas subjacentes. Fisiopatologia A constipação pode ocorrer com qualquer doença que prejudique o movimento das fezes através do cólon. Quando as fezes são mantidas dentro do cólon por um período prolongado de tempo, a água continua sendo absorvida, produzindo uma matéria fecal cada vez mais dura e mais seca. A constipação pode ocorrer de maneira secundaria devido à obstrução reto colônica (tais como a fratura pélvica, neoplasia, divertículos), à defecação com dor (lesões anais, transtornos ortopédicos), fatores ambientais (caixa de areia suja, inatividade), a medicamentos (opióides, diuréticos, etc.), à disfunção neuromuscular, a anormalidades em líquidos e eletrólitos, à ingestão de pelos ou materiais estranhos ou à ingestão inadequada de água. Predisposição A constipação pode ocorrer em qualquer idade, e não foram documentadas predileções por raça ou sexo. No entanto, tem sido documentado megacólon com mais frequência em gatos machos de meia idade, sendo mais comumente afetados os gatos domésticos de pelo curto, os gatos domésticos de pelo comprido e os Siameses.1 Modificações nos nutrientes essenciais Aumentar o teor de fibra e umidade na dieta é fundamental. Esta mudança fará com que se combata os casos de constipação leve a moderada nos gatos. Para gatos com megacólon, recomenda-se uma alimentação altamente digestível para reduzir a massa fecal. Antes de iniciar uma dieta rica em fibras ou com suplementação de fibras, deve- se descartar o megacólon e o bloqueio parcial ou total do cólon.As fibras são classificadas em solúveis e insolúveis. As fibras solúveis têm a capacidade de retenção de água, o que ajuda a aumentar o teor de umidade das fezes secas e normaliza o tempo do trânsito gastrointestinal. Algumas fibras solúveis são fermentáveis e auxiliam no crescimento normal da microbiota gastrointestinal e na produção de ácidos graxos de cadeia curta que proporcionam energia aos colonócitos e estimulam as contrações do músculo liso longitudinal do cólon.2 As fibras insolúveis têm pouca capacidade de reter a água e as bactérias gastrointestinais não as degradam facilmente. A fibra insolúvel adiciona maior volume às fezes o que pode ajudar a estimular a motilidade do cólon.3, 4 Muitos gatos com constipação podem estar desidratados; portanto, aumentar a umidade na dieta pode ajudar a manter a hidratação adequada e a amolecer a matéria fecal. Constipação - Gatos Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Fibra Bruta# 5–8 1.3–5.5 n/d n/d A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como gr. ou mg. por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. *Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). #A análise de fibra bruta inclui a maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma, a fibra bruta tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliada. Deve-se avaliar a lista de ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis. 40 • Cuidadosdevem ser tomados para garantir que os petiscos não balanceados estejam limitados a ≤ 10% do total de calorias diárias. • Uma colher de sopa de abóbora enlatada fornece 5 kcal. nDicas para aumentar a palatabilidade – • Aquecer ligeiramente o alimento para melhorar o sabor e a textura. • Adicione caldo de frango ou de carne com baixo teor de sódio ao alimento para aumentar a palatabilidade e a umidade (limitado a ≤ 10% do total de calorias diárias e evitar caldos feitos com cebola ou alho). • Se for agregada água ao alimento para aumentar o seu teor de umidade, iniciar a adição de uma pequena quantidade e em seguida ir aumentando lentamente ao longo de 1 a 2 semanas para permitir que o paciente se acostume com a mudança de umidade e de textura da dieta. nRecomendações para a dieta– São recomendados alimentos enlatados e/ou a adição de água no alimento seco. O alimento deve fornecer um conteúdo moderado de fibras com fontes mistas, solúveis e insolúveis. Os alimentos coadjuvantes concebidos para a diabetes mellitus e para a perda de peso podem fornecer níveis mais altos de fibras. Em geral, os alimentos voltados para a perda de peso oferecem maiores proporções de fibras provenientes de uma fonte insolúveis. Se houver a presença de megacólon, é recomendada uma dieta de alta digestibilidade com baixo conteúdo de fibras, tais como as dietas concebidas para as doenças gastrointestinais. Pontos para a educação do proprietário • A hidratação adequada é a chave para o tratamento da constipação. Em todos os momentos deve-se permitir o acesso livre à água potável. A ingestão de água também pode ser melhorada através da administração de alimentos enlatados ou pela adição de duas a três partes de água para uma parte da ração seca. • Muitos gatos evitam o uso de caixas de areia sujas, que podem contribuir para a constipação. Dessa forma, a limpeza diária da caixa (com profunda limpeza e substituição semanal da areia) é importante no tratamento da constipação. • A transição para uma dieta mais rica em fibras ou a adição de um suplemento de fibra deve ser feita lentamente durante um período de 4 a 5 dias. • O nível requerido de suplementação com fibras varia de acordo com o animal de estimação, portanto, pode ser necessário fazer modificações para alcançar a resposta desejada. 41 Manejo nutricional da constipação nos gatos Exame físico, radiografias abdominais, análises químicas do soro T4, exames de sangue completo e urina Identificação da doença subjacente Constipação ou megacolon Tratar a doença subjacente Presença de desidratação Tratar a desidratação Enema e ou remoção manual de fezes Constipação leve a moderada sem doença subjacente identificada Grande massa de matéria fecal no cólon Sim Não Aumento da quantidade de fibras solúveis e insolúveis e / ou umidade Resolução Recorrência Implementar tratamento pro-motilidade e ou laxantes orais Enema e ou remoção manual de fezes Aumento da quantidade de fibras solúveis e insolúveis e / ou umidade Resolução Recorrência Considere colectomia Comorbidades comuns Comorbidades comuns são normalmente fatores de predisposição para a constipação. Doenças que causam dor na defecação (tais como doenças ortopédicas e anorretais), obstrução reto colônica (tais como a fratura pélvica ou neoplasia), ou disfunção neuromuscular (tais como doenças da medula espinhal ou da região lombo-sacra ou disautonomia*) são comumente observadas com constipação. No caso de doenças associadas a uma obstrução colônica ou uma obstrução parcial, está contraindicado alimentar com uma dieta rica em fibras que gere mais volume nas fezes. Nestes casos, é mais adequada uma alimentação altamente digestível para reduzir a massa fecal. Quando a constipação é observada com anormalidades nos fluidos e eletrólitos (como hipocalemia ou hipercalcemia), corrigir o estado de hidratação e o desequilíbrio eletrolítico deverá ser a prioridade do plano de tratamento. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas O tratamento medicamentoso deve ter como objetivo eliminar ou controlar qualquer doença subjacente, anteriormente identificada. Se houver presença de uma grande massa de fezes, pode ser necessário um tratamento com enema e/ou a remoção manual. Se for identificada desidratação ou anomalia nos eletrólitos, um tratamento com fluidos adequados será indicado. Se o tratamento somente com a dieta não for eficaz na prevenção da recorrência de constipação, laxantes podem ser implementados por via oral. Geralmente, é recomendado um laxante emoliente suave, tal como o docusato de sódio, ou um laxativo osmótico, tal como a lactulose, para ajudar a amolecer as fezes. Também pode ser benéfico um tratamento de pro-motilidade, como cisaprida, em gatos com megacólon5 ou menor motilidade do cólon. Os casos sem tratamento de megacólon podem exigir uma colectomia. Controle A resposta ao tratamento poderá ser monitorada pelo registo diário dos movimentos intestinais (defecação) e pelas características das fezes. O sucesso do tratamento é caracterizado pelo retorno das evacuações diárias, falta de esforço ou de dor ao evacuar e uma consistência normal das fezes. * transtorno provocado pela disfunção do Sistema Nervoso Autônomo Princípios da alimentação coadjuvante • Os nutrientes devem ser altamente digestíveis (> 90% de digestibilidade) para minimizar a diarreia osmótica, a fermentação bacteriana de alimentos e a redução de gases intestinais. • A fonte de triglicérides de cadeia média (MCT) pode ser uma fonte de gordura de fácil digestão e absorção. • Usar proteínas hidrolisadas de alta qualidade e uma só fonte, se houver probabilidade de DII ou sensibilidade alimentar. • A fonte de carboidratos deve ser de alta qualidade, livre de glúten e sem lactose; as fontes que contribuem com poucas proteínas são benéficas se houver probabilidade de sensibilidade alimentar. • A dieta deve conter baixo teor de gordura (menos de 5 g/100 kcal pelo menos, em cães com linfangiectasia, muitas vezes precisa menos de 3,5 g/100 kcal se existe EPP, para o sucesso no tratamento dos indicadores). • Maior quantidade de ácidos graxos Ômega 3, para melhorar o perfil dos eicosanoides e reduzir a inflamação na mucosa intestinal. Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM Definição A diarreiaé definida como um aumento no teor de água, frequência ou volume das fezes. A diarreia do intestino delgado caracteriza-se pelo volume normal ou maior de líquido ou fezes disformes que pode estar associada com a perda de peso (crônico) ou vômitos, mas não está necessariamente associada com o esforço durante a defecação ou maior frequência de evacuação. Se o sangue está presente, este será sangue digerido (melena). A diarreia do intestino delgado é também caracterizada pelo seu fator de causa (por exemplo: infecciosa, inflamatória, parasitária, mecânica, dietética, neoplásica) ou duração (aguda ou crônica). Ferramentas de diagnóstico e exames complementares O diagnóstico da diarreia do intestino delgado em gatos começa com uma anamnese completa, incluindo dieta e histórico de medicação e outros fatores de risco (como o ambiente, a idade, problemas anteriores), e um exame físico que inclua a avaliação da hidratação, o estado físico e palpação cuidadosa do abdômen. Se indicado, deverá ser realizado um exame retal sob sedação. A análise de matéria fecal (por exemplo: técnicas de flutuação, citologia, teste imunoabsorvente ligado às enzimas [ELISA, em inglês]/análise da reação em cadeia de polimerase [PCR, em inglês]) é especialmente importante em gatos jovens ou que vivem dentro/fora de casa. Na diarreia aguda, o tratamento sintomático ou de suporte pode ser suficiente (por exemplo: dieta altamente digestível, probióticos, vermifugação). Na diarreia crônica (> 2 semanas), pode ser indicado imagens (raio- X ou ultrassom), provas da função GI (imunorreatividade semelhantes a tripsina [IST], cobalamina, folato), testes endócrinos (tireoide), testes para detectar vírus (vírus da leucemia felina [FeLV, em inglês]/vírus da imunodeficiênciafelina [FIV, em inglês]), testes para infecções específicas (por exemplo: fungos) ou endoscopia/cirurgia com biópsia. Fisiopatologia Por definição, a diarreia de intestino delgado surge de doenças que afetam o orgão; no entanto, a diarreia do intestino delgado pode ocorrer em gatos que apresentam uma grande variedade de causas geradoras, incluindo infecções bacterianas ou virais, infecções causadas por parasitas ou protozoários (Giárdia, coccídeos, cryptosporidium, tritrichomonas ou outros parasitas), disfunção mecânica (corpos estranhos ou intussuscepção), endocrinopatias (hipertireoidismo), doenças infiltrativas (doença inflamatória intestinal, infecções fúngicas ou câncer, como o linfoma), má digestão de nutrientes (insuficiência pancreática exócrina [IPE]) ou sensibilidades da dieta (alergia alimentar, intolerância alimentar). Predisposição A diarreia aguda é mais comum em cães jovens devido ao seu maior risco para indisposições alimentares, infecções parasitárias ou virais, tais como parvovirose. A diarreia crônica é mais comum em cães de meia idade ou idosos e pode ocorrer devido a uma variedade de causas nutricionais, endócrinas, inflamatórias ou neoplásicas. Os cães da raça Pastor Alemão têm uma maior incidência de diarreia ou enterite causada por IPE ou enterites responsivas a antibióticos (tambem chamado de enterite responsiva a tilosina). Modificações nos nutrientes essenciais Os nutrientes mais importantes de vital interesse em cães com diarreia são: carboidratos e gorduras. O objetivo é o de aumentar a digestão e absorção de ambos os nutrientes para evitar que a diarreia piore devido a uma ruptura na microbiota ou aos efeitos osmóticos da má digestão. Gorduras não digeridas são também uma importante causa de diarreia por esteatorreia. Como resultado, as dietas ideais para a diarreia devem conter quantidades moderadas de fontes de carboidratos altamente digestíveis e quantidades entre moderado e baixo teor de gorduras. Os valores mais baixos de gordura são necessários em cães com linfangiectasia ou outras doenças severas que causam a enteropatia com perda de proteína (EPP). O arroz branco ou integral cozido é muitas vezes uma fonte de carboidratos ideal para cães com doença intestinal porque é altamente digestível e não contém glúten, que pode ser antigênico em alguns cães. Outras fontes de carboidratos sem glúten são batatas, mandioca e milho, mas são um pouco menos digestíveis que o arroz, e o milho pode causar hipersensibilidade em alguns cães. As proteínas tornam-se um problema de interesse vital para cães quando a diarreia é causada por uma alergia alimentar ou como um resultado de uma doença que provoca EPP (por exemplo: doença intestinal inflamatória (DII), severa, doenças infiltrativas, tais como linfossarcoma, ou linfangectasia). Nestas doenças, os cães não conseguem digerir ou absorver as proteínas normalmente e, assim, tornam-se hipoproteinêmicos (especialmente com baixa albumina). Para evitar a desnutrição proteica e formação de edema, muitas vezes é essencial alimentar com proteínas hidrolisadas ou altamente digestíveis para o sucesso do tratamento da doença. Em cães com sensibilidade à dieta, a causa da inflamação intestinal é a alergia às proteínas, mais do que a quantidade de proteínas. A chave para o sucesso no tratamento de cães com diarreia causada por alergia alimentar é identificar uma fonte nova de proteínas (ou uma que seja menos antigênica, tal como uma dieta com proteínas hidrolisadas) testando com uma dieta corretamente formulada e executada. Em cães com diarreia do intestino delgado é indicado diminuir a quantidade de fibras insolúveis, já que este tipo de fibras reduz a digestibilidade dos alimentos e pode aumentar o risco de má digestão ou de má absorção de nutrientes. Isto acontece especialmente em cães com EPP ou linfangiectasia onde a digestibilidade da dieta é particularmente importante para a absorção de nutrientes. As fontes de fibras solúveis podem ser benéficas em alguns cães, porque são digeridas pela microbiota normal e podem funcionar como prebióticos para ajudar a manter o ambiente intestinal saudável. Estudos em cães saudáveis sugerem um aumento da quantidade de bactérias benéficas ou prebióticos que utilizam fontes de fibras solúveis, mas ainda são necessários estudos em cães com doença no intestino delgado. Valores recomendados de nutrientes essenciais Diarreia do intestino delgado - Cães Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Gordura 5–15 1.4–5 5 1.4 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). 42 Manejo nutricional da diarreia do intestino delgado em cães Se for aguda, ou causada por um problema na dieta, suspender alimentação durante 18 horas, em seguida, iniciar a alimentação com pequenas quantidades de uma dieta de baixa gordura altamente digestível a cada 4 a 6 horas. Uma vez que a diarreia for resolvida, adicionar aos poucos a dieta habitual à dieta coadjuvante por 3-5 dias. Se a diarreia crônica é causada por doença inflamatória intestinal ou enteropatia com perda de proteínas, iniciar uma dieta altamente digestível com muito baixo teor de gordura (alguns cães podem precisar de concentrações de gordura < 3 g/100 kcal). Dietas hidrolisadas podem ser benéficas em alguns cães com enteropatia com perda de proteínas. Se a diarreia crônica é causada por um linfoma ou outro câncer intestinal, pode-se indicar níveis mais elevados de proteína e de gordura para rebater a perda de peso e melhorar o apetite em pacientes com câncer. Se a diarreia crônica foi causada por alergia alimentar, iniciar um teste de eliminação de alimentos usando uma dieta contendo uma única fonte de proteínas novas ou fonte de proteínas hidrolisadas. A diarreia é aguda ou crônica? Aguda Crônica Se for crônica, o primeiro passo é diagnosticar a causa base. Continuar com a alimentação na diarreia aguda até que o diagnóstico seja realizado. • As fibras, em uma pequena quantidade de fibras insolúveis e moderada quantidade de fibras solúveis ou mistas (3 - 7% total) aumentam os ácidos graxos de cadeia curta e melhoram a microbiota intestinal. • Suplemento prebiótico para restaurar o equilíbrio da microbiota. nPetiscos –Em geral, evite os petiscos em cães com doença intestinal até que um diagnóstico definitivo seja feito. Por exemplo, um teste de eliminação de alimentos será necessário se existe diarreia devido a sensibilidades alimentares, incluindo petiscos. Se petiscos são importantes para o dia a dia do cão, podem ser oferecidos baseados na dieta coadjuvante ou nos princípios acima referidos. nDicas para aumentar a palatabilidade–Se o cão não comer a dieta sugerida, pode ser adicionada uma pequena quantidade de caldo de galinha, de baixo teor de sódio. Em alternativa, pode ser misturada com o alimento uma pequena quantidade do alimento enlatado para torná-lo mais interessante. nRecomendações para a dieta – Existem a venda vários produtos de prescrição veterinária que podem ser usados para este fim; o tema principal é que as dietas devem ser altamente digestíveis, com menos ou nenhum aditivo ou aromatizante que pode ser associado com a intolerância alimentar, contendo poucas fontes de fibra insolúvel e menos quantidades de gordura. Em cães severamente afetados, como cães com linfangiectasia intestinal grave ou outras doenças que afetam a absorção, podem ser indicadas dietas contendo fontes baixas de proteína hidrolisada, níveis ultrabaixos de gordura ou fontes de proteína novas. Pontos paraa educação do proprietário • Alimentar só com alimentos recomendados. • Alimentar com pequenas quantidades de alimentos com maior frequência (três a quatro vezes por dia), uma vez que grandes quantidades de alimentos aumentam a carga do TGI e podem contribuir para a diarreia ou vômitos. • Garantir a abundância de água disponível em todos os momentos. Se o vômito ocorrer ou o cão parar de comer ou beber, um novo controle com o médico veterinário é recomendado para prevenir a desidratação devido à diarreia contínua. 43 Comorbidades comuns As doenças que comumente ocorrem simultaneamente em cães com diarreia do intestino delgado são: doença inflamatória intestinal e enteropatia com perda de proteína, doença inflamatória intestinal e alergia alimentar, e insuficiência pancreática exócrina e diarreia associada a antibióticos. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Tratamento com esteroides na doença inflamatória intestinal aumentará a sede e o apetite, e pode causar aumento de peso involuntário ou doença hepática. O tratamento imunossupressor para a doença inflamatória do intestino ou linfoma pode causar toxicidade gastrointestinal (sinais clínicos comuns podem ser vômitos ou diarreia). O tratamento com antibióticos pode afetar a microbiota e causar diarreia devido a tal interrupção. Controle Deverão avaliar a composição da matéria fecal para determinar se o caráter normal das fezes vai voltar ou se eles estão desenvolvendo novos problemas (por exemplo: melena, hematoquezia). Também é importante a avaliação clínica para se certificar de que o cão não está desidratado, continua comendo, e para qualquer novo indicador da doença (por exemplo: letargia, perda de peso, diminuição do apetite ou vômitos). Se o cão está perdendo peso ou tornando-se desidratado, deve-se reavaliar tanto o método de alimentação como o tratamento e deve ser modificado de acordo com as necessidades desse paciente em particular. Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM Definição Adiarreiaé definida como um aumento no teor de água, frequência ou volume das fezes. Adiarreia do intestino delgadocaracteriza-se pelo volume normal ou maior de líquido ou fezes sem consistência que pode estar associada com a perda de peso (crônico) ou vômitos, mas não está necessariamente associada com o esforço durante a defecação ou maior frequência de evacuação. Se o sangue está presente, este será sangue digerido (melena). A diarreia do intestino delgado é também caracterizada pelo seu fator de causa (por exemplo: infecciosa, inflamatória, parasitária, mecânica, dietética, neoplásica) ou duração (aguda ou crônica). Ferramentas de diagnóstico e exames complementares O diagnóstico da diarreia do intestino delgado em gatos começa com uma anamnese completa, incluindo dieta e histórico de medicação e outros fatores de risco (como o ambiente, a idade, problemas anteriores), e um exame físico que inclua a avaliação da hidratação, o estado físico e palpação cuidadosa do abdômen. Se indicado, deverá ser realizado um exame retal sob sedação. A análise de matéria fecal (por exemplo: técnicas de flutuação, citologia, teste imunoabsorvente ligado às enzimas [ELISA, em inglês]/análise da reação em cadeia da polimerase [PCR, em inglês]) é especialmente importante em gatos jovens ou que vivem dentro/fora de casa. Na diarreia aguda, o tratamento sintomático ou de suporte pode ser o suficiente (por exemplo: dieta altamente digestível, probióticos, vermifigação). Na diarreia crônica (> 2 semanas), pode ser indicado imagens (raio-X ou ultrassom), provas da função GI (imunorreatividade semelhantes a tripsina [IST], cobalamina, folato), testes endócrinos (tireoide), testes para detectar vírus (vírus da leucemia felina [FeLV, em inglês]/vírus da imunodeficiência felina [FIV, em inglês]), testes para infecções específicas (por exemplo: fungos) ou endoscopia/cirurgia com biópsia. Fisiopatologia Por definição, a diarreia de intestino delgado surge de doenças que afetam o orgão; no entanto, a diarreia do intestino delgado pode ocorrer em gatos que apresentam uma grande variedade de causas geradoras, incluindo infecções bacterianas ou virais, infecções causadas por parasitas ou protozoários (Giárdia, coccídeos, cryptosporidium, tritrichomonas ou outros parasitas), disfunção mecânica (corpos estranhos ou intussuscepção), endocrinopatias (hipertireoidismo), doenças infiltrativas (doença inflamatória intestinal, infecções fúngicas ou câncer, como o linfoma), má digestão de nutrientes (insuficiência pancreática exócrina [IPE]) ou sensibilidades da dieta (alergia alimentar, intolerância alimentar). Predisposição A diarreia aguda é mais comum em gatos jovens devido ao seu risco aumentado a desordem dietética (comer fios, corpos estranhos), infecções parasitárias, doenças virais, tais como vírus da imunodeficiência felina (FIV, em inglês), peritonite infecciosa felina (PIF) ou panleucopenia. A diarreia crônica é mais comum em gatos de meia idade ou idosos e pode ocorrer devido a uma variedade de causas dietéticas, endócrinas, inflamatórias ou causas neoplásicas, incluindo hipertireoidismo, linfoma do trato intestinal, doença inflamatóriado intestinal (DII), alergia alimentar ou outras sensibilidades alimentares e infecções por bactérias, fungos ou protozoários. Não há predisposição de raça específica para DII ou linfoma, mas os gatos de raça pura mostram-se mais propensos a ter PIF, Trichomonas, ou outras doenças características das famílias com vários gatos. Modificações nos nutrientes essenciais A proteína é uma questão de particular interesse nas dietas de gatos devido a uma maior necessidade deste elemento; de todos os nutrientes na dieta dos gatos, a digestibilidade da proteína é a mais afetada pela qualidade e preparação do alimento. Mesmo em gatos normais, as proteínas de má qualidade ou com um processo de baixo padrão são menos digestíveis o que faz com que uma quantidade maior do nutriente atinja o intestino grosso, onde os processos fermentativos das bactérias destas proteínas produzam uma diminuição significativa da qualidade da matéria fecal (mais água e odor) e aumento da produção de subprodutos (por exemplo: fenóis) que podem ser prejudiciais para os colonócitos. O resultado final é a formação de fezes de baixa qualidade simplesmente pela presença de uma qualidade inferior em proteínas. Dessa forma, um primeiro passo importante no tratamento da diarreia nos gatos é garantir uma fonte de proteína de boa qualidade na dieta, e altamente digestível. A digestibilidade das proteínas é ainda mais importante em gatos mais velhos (> 10 anos), que tem a capacidade reduzida de digerir e absorver nutrientes por causa de sua idade avançada e as mudanças que ocorrem em suas funções digestivas. Finalmente, em gatos com doença GI significativa, a digestibilidade das proteinas da dieta tem um efeito ainda mais profundo, visto que podem apresentar anormalidades na função das enzimas ou na capacidade de absorção. A fonte de proteína torna-se um tema de interesse especial quando se suspeita que a diarreia em gatos seja causada por uma alergia ou intolerância alimentar ou uma DII. Num estudo3, cerca de 60% dos gatos com diarreia responderam a uma mudança na dieta, e destes, entre 20% e 25% tinham alergia alimentar. Este estudo foi o primeiro a ilustrar a importância da dieta no tratamento da doença GI em gatos, e enfatizou que todas as respostas para a dieta não eram alergia alimentar. É essencial lembrar que, no caso de gatos com alergia alimentar, a própria proteína é a fonte de inflamação intestinal, enquanto numa intolerância alimentar a evolução de uma desordem GI surge a partir de qualquer parte do alimento (por exemplo: aditivo, nutriente, conservante) que produz a interrupção da função (por exemplo: má digestão de nutrientes, a libertação de histamina ou outras reações). O sucesso no diagnóstico e tratamento de gatos com diarreia causada por alergia alimentar requer a identificação de uma fonte apropriada de proteína hidrolisada ou nova, um processo que requertestes com a dieta executadas cuidadosamente e de duração apropriada (8-12 semanas em alguns gatos). Gatos com intolerâncias alimentares, muitas vezes, respondem à mudança para uma dieta com nutrientes altamente digestíveis e sem aditivos adicionados ou alimentos que são conhecidos como fontes potenciais de intolerância (ex.: excesso de carboidratos complexos, trigo ou outros grãos com glúten, lactose). Em gatos normais, a gordura é um componente alimentar altamente digestível que provavelmente não está associado com a má absorção. Esta conclusão foi apoiada por um estudo recente da Laflamme e outros colegas que mostraram que a concentração de gordura na dieta não era importante em gatos com diarreia crônica não específica6. Desde que a dieta contivesse grandes quantidades de proteínas altamente digestíveis, entre 55% e 60% dos gatos melhoraram. Com base nos resultados desse estudo, rações para gatos com diarreia devem conter uma quantidade moderada a grande de proteínas de alta digestibilidade e quantidades moderadas a muito baixas de carboidratos de fácil digestão. Como os gatos têm exigências específicas para quantidades mais elevadas de certas gorduras na dieta e, aparentemente, não são sensíveis à presença de quantidades aumentadas de gordura nas suas dietas, estes estudos sugerem que não foram necessárias as dietas com menores quantidades de gordura (como é o caso em muitos cães com doença intestinal), e que estas dietas podem levar à redução da aceitação de alimentos, considerando que a gordura é o principal intensificador de palatabilidade no alimento para gatos. O rol dos carboidratos (CHO) nas dietas para gatos está recebendo uma análise mais detalhada à medida que mais informações são obtidas sobre o efeito desta fonte de energia facilmente acessível sobre a função GI e o metabolismo geral dos gatos. Arroz branco ou integral cozido ou batatas são frequentemente fontes de carboidratos utilizadas para gatos com doença intestinal, fontes de energia altamente digeríveis e não contêm glúten, que pode ser antigênico em alguns gatos. Em gatos saudáveis, estes CHO podem ser aceitáveis quando são fornecidos em pequenas quantidades; no entanto, se são suspeitos de intolerância aos CHO ou a uma doença infiltrativa que poderiam afetar significativamente a digestibilidade e levar a uma má absorção com efeitos adversos relacionados, é uma estratégia razoável reduzir os CHO na dieta para menos de 2 a 3 g/100 kcal (menos de 15% de CHO). Em gatos com diarreia do intestino delgado indica-se diminuir a quantidade de fibras insolúveis, uma vez que estas fibras reduzem a digestibilidade dos alimentos e podem aumentar o risco de má absorção de nutrientes, bem como baixa ingestão (baixa Diarreia do intestino delgado - Gatos 44 palatabilidade). As fontes de fibras solúveis podem ser benéficas em certos casos, uma vez que estas fibras são digeridas pela microbiota e podem funcionar como prebióticos para ajudar a manter o ambiente intestinal saudável. No entanto, a maioria dos estudos com prebióticos foi conduzida em gatos normais sem indicadores de doença GI. Dessa forma, é desconhecida a eficácia dos prebióticos em gatos com diarreia do intestino delgado. Valores recomendados de nutrientes essenciais Princípios da alimentação coadjuvante • Os nutrientes devem ser altamente digestíveis (> 90% de digestibilidade) para minimizar a diarreia osmótica, fermentação bacteriana de proteínas ou CHO e reduzir a produção de gases intestinais. • Proteínas de alta qualidade altamente digestíveis (podem ser de uma só fonte, novas ou hidrolisadas se houver a probabilidade de DII ou de sensibilidade alimentar). • A fonte de carboidratos deve ser de alta qualidade, livre de glúten e livre de lactose e, na maioria dos gatos, em baixa quantidade (<15% da dieta de um modo geral). • Dietas pobres em gordura parecem não ser necessárias em gatos com diarreia, a menos que a doença intestinal seja aguda e com esteatorreia. • Maior quantidade de ácidos graxos ômega 3 para melhorar o perfil de eicosanoides na mucosa intestinal. • Fibras insolúveis em pouca quantidade e de baixa a moderada quantidade de fibras solúveis ou mistas (3-5% total) para aumentar os ácidos graxos de cadeia curta e melhorar a microbiota. • Suplemento prebiótico para restaurar o equilíbrio da microbiota. nPetiscos –Em geral, deve-se evitar os petiscos em gatos com doença intestinal até que um diagnóstico definitivo seja feito. Por exemplo, se a diarreia é produto da sensibilidade aos alimentos, será necessário um teste de eliminação de alimentos, incluídos os petiscos. No entanto, se forem necessárias, poderão ser preparados petiscos usando a dieta coadjuvante ou com base nos princípios acima mencionados. nDicas para aumentar a palatabilidade –Normalmente, os gatos não consomem alimentos que são diferentes daqueles de costume deles (por exemplo: aqueles que comem alimentos secos tendem a rejeitar alimentos enlatados) e têm preferências muito específicas para sabores, odores e temperatura. A maioria dos gatos preferem alimentos enlatados ligeiramente quentes ou à temperatura ambiente (como se fosse um rato morto). A gordura é um intensificador de palatabilidade para gatos, por isso, será necessário mudar para uma alimentação com mais gordura de modo que o gato consuma a dieta coadjuvante recomendada, ou pode-se incrementar a aceitação pela adição de uma pequena quantidade de gordura animal (nenhum óleo vegetal) na comida. Evitar alimentação forçada para gatos já que pode causar aversão ao alimento. nRecomendações para a dieta –As dietas que podem ser selecionadas para os gatos com diarreia podem ter um perfil com teor moderado de proteínas altamente Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Fibra Bruta# 7–16 2.0–5.0 n/d n/d Gordura 10–15 3–5 5 1.4 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. *Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). #As fontes deverão incluir fibras solúveis e insolúveis. A análise de fibra bruta inclui a maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma, a fibra bruta tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliada. Deve-se avaliar a lista de ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis. digestíveis ou um perfil pobre em carboidratos e rico em proteínas altamente digestíveis. Várias dietas com antígenos novos estão disponíveis para gatos com alergia alimentar ou DII; fontes de proteínas incluem veado, cordeiro, pato, coelho ou peixe. Foi demonstrado que um suplemento nutricional prebiótico é eficaz para recuperar tanto a saúde como o equilíbrio normal do intestino. Os produtos comerciais que são adequados para a diarreia não específica (alta proteína, baixo carboidrato) incluem alimentos enlatados de várias categorias. Pontos para a educação do proprietário • Alimentar apenas com alimentos recomendados. • Alimentar com pequenas quantidades de alimentos com maior frequência (três a quatro vezes por dia), uma vez que grandes quantidades de alimentos aumentam a carga do trato GI e podem contribuir para a diarreia ou vômitos. • Garantir a abundância de água disponível em todos os momentos. Se ocorrer vômito ou se o gato recusa a dieta, para de beber água, ou está mais letárgico, um novo controle veterinário é recomendado. Comorbidades comuns As doenças que ocorrem simultaneamente em gatos com diarreia do intestino delgado são: doença inflamatória do intestino e linfoma, doença inflamatória do intestino e alergias alimentares, hipertireoidismo e diarreia, vírus daimunodeficiência felina ou outras infecções em gatos jovens ou que ficam em alojamento para gatos. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas A terapia com esteroides na doença inflamatória do intestino aumenta o apetite e pode causar o desenvolvimento de diabetes (especialmente em gatos obesos) ou infecções secundárias. A tratamento imunossupressor para a doença inflamatória do intestino ou do linfoma pode causar toxicidade gastrointestinal (sinais clínicos comuns podem ser vômitos ou a diarreia). O tratamento com antibióticos pode afetar a microbiota e causar diarreia devido a essa interrupção. O tratamento com metimazol pode causar problemas gastrointestinais (vômitos e diarreia). Controle Deve-se avaliar a composição da matéria fecal para determinar se o carácter normal das fezes vai voltar ou se eles estão desenvolvendo novos problemas (por exemplo: melena, hematoquezia). Também é importante a avaliação clínica para se certificar de que o gato não esteja desidratado, que continue comendo, e que não apresente novos indicadores de doença (por exemplo: letargia, perda de peso, diminuição do apetite ou vômitos). Se o gato está perdendo peso ou estiver desidratado, deve-se reavaliar tanto o método de alimentação como o tratamento e deve ser modificado de acordo com as necessidades desse paciente em particular. Ver Manejo nutricional da diarreia do intestino delgado em gatos na página 50. 45 Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM Definição A diarreia é definida como um aumento no teor de água, a frequência ou volume das fezes. No entanto, é clássico observar a diarreia do intestino grosso associada a um maior tenesmo ou urgência para defecar, aumento da frequência de defecação de volumes geralmente menores e, talvez, uma maior presença de hematoquezia ou muco. Estas características servem para diferenciar a diarreia do intestino grosso da diarreia do intestino delgado. A diarreia do intestino grosso também caracterizada pelos fatores causadores: infecciosa (colite causada por Clostridium), parasitária (colite por tricocéfalos), alimentar (colite responsiva a fibra), inflamatória (colite linfoplasmocitária ou doença inflamatória intestinal [DII]) e neoplásica. Muitas vezes, as doenças que causam diarreia do intestino grosso estão associadas com a inflamação e, portanto, são chamadas de colite. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares O diagnóstico de diarreia do intestino grosso começa com uma anamnese completa, incluindo histórico alimentar, tratamento com medicamentos e exame físico, incluindo exame retal. A análise da matéria fecal (por exemplo: técnicas de flutuação, citologia, testes imunoabsorventes ligado às enzimas [ELISA, em inglês]/análise da reação em cadeia da polimerase [PCR, em inglês]) ou vermifugação terapêutica são muito importantes; os tricocéfalos são especialmente difíceis de encontrar e são as principais causas de indicadores de colite. Na diarreia aguda do intestino grosso, muitas vezes o tratamento sintomático ou de suporte pode ser tudo o que é necessário (por exemplo: adicionar fibras na dieta, prebióticos, vermifugação, ou modificadores da motilidade). Em cães com diarreia crônica (> 2 semanas) do intestino grosso, onde o tratamento sintomático ou de suporte não é eficaz no controle de sinais clínicos, pode-se indicar imagens (raio-X ou ultrassom), testes mais específicos para bactérias ou parasitas gastrointestinais (GI) ou endoscopia (com biópsia). Fisiopatologia Sinais clínicos da diarreia do intestino grosso são um reflexo da proximidade da doença na extremidade final do trato GI. Como resultado, os sinais clínicos da doença do cólon são todos muito semelhantes, enquanto as suas causas podem ser bastante diferentes. Por exemplo, hematoquezia ocorre em vez da “melena”, porque o sangue não está no trato tempo suficiente para ser digerido por enzimas ou bactérias e existe frequentemente mais muco presente nas fezes porque muitas das glândulas secretoras de muco que estão no cólon aumentam sua produção quando o epitélio se rompe, e ocorre mais esforço ou frequência da defecação devido a uma interrupção na motilidade colônica que reduz o tempo de armazenamento da matéria fecal para formar as fezes de tamanho normal com menos água. Assim, embora a diarreia do intestino grosso em cães possa ocorrer devido a uma variedade de causas, a resposta à lesão da mucosa do cólon, independentemente da causa, é essencialmente a mesma. Predisposição Diarreia aguda do intestino grosso é mais comum em cães jovens ou de meia idade devido ao maior risco para indisposições alimentares, infecções parasitárias ou infecciosas, tais como colite causada por Clostridium, por mudanças na dieta ou internações. Cães de raças pequenas podem estar em maior risco de desenvolver colite por estresse ou síndrome do intestino irritável, embora a doença possa ter uma variedade de causas nutricionais, inflamatórias e neoplásicas, incluindo DII do cólon ou várias formas de câncer do cólon. Cães da raça Boxer apresentaram maior incidência de colite ulcerativa histiocítica (CUHC), um tipo específico de DII associada a antibióticos devido ao crescimento bacteriano excessivo nesta raça. Modificações nos nutrientes essenciais As alterações mais importantes na dieta de cães com diarreia do intestino grosso consistem em administrar nutrientes altamente digestíveis para que os carboidratos, gordura e proteínas em excesso não atinjam o cólon sem serem digeridos, e, em segundo lugar, modificar (aumentar) a quantidade e o tipo de fibra alimentar, bem como prebióticos para maximizar a saúde do epitélio e das bactérias do cólon. O objetivo de se proporcionar uma dieta com nutrientes altamente digestíveis (> 85- 90% de digestibilidade) é maximizar a digestão e a absorção de carboidratos e gorduras no intestino delgado para evitar que a diarreia do intestino grosso piore devido a uma interrupção bacteriana ou aos efeitos osmóticos da má digestão de carboidratos (CHO). Consequentemente, a dieta ideal para diarreia do intestino grosso deve conter uma quantidade moderada de fontes de CHO altamente digestíveis e uma quantidade moderada a baixa de gordura. O arroz branco ou integral cozido ou a batata são muitas vezes uma fonte ideal de CHO para cães com doença intestinal, porque são altamente digestíveis e não contêm glúten ou outras fontes potenciais de estimulação antigênica. Outras fontes de CHO sem glúten são mandioca e milho, mas são um pouco menos digestíveis que o arroz, e o milho pode causar hipersensibilidade em alguns cães. As proteínas tornam-se um tema de interesse quando se suspeita que a diarreia é causada por uma alergia alimentar. A maioria dos cães com alergias alimentares têm tanto diarreia do intestino grosso como diarreia do intestino delgado, vômitos ou manifestações cutâneas da doença alérgica. A chave para o sucesso no tratamento de cães com diarreia causada por alergia alimentar é identificar uma fonte de novas proteínas (ou uma com menos antígeno, como uma dieta com proteínas hidrolisadas). Em alguns cães com diarreia do intestino grosso, a única mudança mais importante na dieta pode ser a adição de fibra à dieta. As fibras da dieta são carboidratos complexos principalmente de fontes vegetais que não são facilmente digeridas pelas enzimas digestivas de mamíferos. A digestão destes alimentos é conseguida com o auxílio de bactérias no trato GI e ocorre de forma mais eficaz no cólon dos cães. Dado que os diferentes tipos de fibras dietéticas são digeridos (também chamado de solubilidadee fermentabilidade) mais ou menos eficazmente por bactérias, muitas vezes são classificadas por esta característica. No entanto, é importante compreender que muitas fibras dietéticas possuem características de ambos os grupos, portanto são chamadas de fibras mistas. As fontes de fibras solúveis (ou altamente fermentáveis) são benéficas para cães com doença do cólon, porque se desintegram em ácido graxo de cadeia curta (uma fonte essencial para os colonócitos) e também servem como uma fonte de nutrientespara as bactérias benéficas (também chamadas prebióticas). Tem sido demonstrado que a adição de fontes de fibras solúveis aumenta a quantidade de bactérias benéficas e reduz as bactérias patogênicas, um tema chave quando uma interrupção ocorre no meio normal, independentemente da causa geradora. No entanto, as fontes de fibra solúveis não podem ser adicionadas em grandes quantidades, porque são altamente fermentáveis e produzirão mais flatulência e conteúdo de água nas fezes. Fontes de fibra insolúvel (ou fracamente fermentáveis) também são benéficas em cães com doença do cólon, mas por razões diferentes. As fibras insolúveis aumentam o volume das fezes e, como resultado do alongamento e relaxamento, melhoram a motilidade (tanto a segmentação como o movimento normal) no cólon. Adicionar fibras insolúveis diminui a frequência e esforço associado com a motilidade atípica presentes na colite; a desvantagem é que não proporcionam uma fonte de nutrientes para as bactérias do cólon ou nas fezes, o que é importante em cães com doenças graves do cólon. Diarreia do intestino grosso - Cães 46 Valores recomendados de nutrientes essenciais Princípios da alimentação coadjuvante • Os nutrientes essenciais deverão ser altamente digestíveis (> 90% de digestibilidade) para minimizar diarreia osmótica, a fermentação bacteriana dos alimentos sem digerir e reduzir os gases intestinais. • Usar proteínas hidrolisadas de alta qualidade e uma única fonte se houver a probabilidade de os gases ou de sensibilidade alimentar, mas na maioria dos casos de colite isso não é necessário. • É indicada uma quantidade alta ou moderada de fibras insolúveis para melhorar a motilidade do cólon, a menos que a constipação colônica ou obstrução ocorra devido ao câncer ou estenose. • É indicada a adição de uma fonte de fibras solúveis ou mistas para melhorar a saúde das células epiteliais do cólon e normalizar as populações bacterianas afetadas pela doença ou o tratamento. A proporção ideal de fibras solúveis e insolúveis nas dietas para doenças do cólon é objeto de debate; no entanto, a adição de ambas fontes de fibra é geralmente aceita como o ideal. • Maior quantidade de ácidos graxos ômega 3 para ajudar a reduzir os eicosanoides (mediadores inflamatórios) associados com a inflamação intestinal. • Níveis moderados de gordura na dieta (deve ser altamente digestível). • Suplemento prebiótico para restaurar o equilíbrio da microbiota. nPetiscos–Em geral, deve-se evitar os petiscos para cães com doença intestinal até que um diagnóstico definitivo seja feito. Se os petiscos são importantes para a rotina diária do cão, podem ser oferecidos petiscos com base em uma dieta coadjuvante ou nos princípios mencionados anteriormente. nDicas para aumentar a palatabilidade – Se o cão não come a dieta sugerida, pode-se adicionar uma pequena quantidade de caldo de galinha, com baixo teor de sódio. Em alternativa, o alimento pode ser misturado com uma pequena quantidade de alimento enlatado, para aumentar o interesse. Se o cão se recusa a comer a dieta coadjuvante, pode ser adicionada à dieta habitual uma fonte de fibras mistas, como coloide de Psyllium (Metamucil®). nRecomendações para a dieta–As dietas utilizadas para as diarreias do intestino grosso podem corresponder a um dos seguintes tipos de dieta: 1) dietas com ingredientes de fácil digestão como é característico da diarreia do intestino delgado, ou 2) dietas com uma maior quantidade de fibras dietéticas. Essas dietas podem ser de fibra insolúvel principalmente (maior volume) ou dietas com fibras mistas (tanto solúveis e insolúveis). Tem sido demonstrado que a adição de um suplemento nutricional prebiótico é eficaz para recuperar tanto a saúde como o equilíbrio normal do intestino. Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Fibra Bruta# 7–16 2.0–5.0 n/d n/d Gordura 10–15 3–5 5 1.4 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). # As fontes deverão incluir fibras solúveis e insolúveis. A análise de fibra bruta inclui a maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma, a fibra bruta tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliada. Deve-se avaliar a lista de ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis 47 Vários alimentos não coadjuvantes para cães são potencialmente adequados para a diarreia do intestino grosso, pois contêm uma maior quantidade de fibras insolúveis; essas dietas são geralmente classificadas como dietas para controle de peso. Cada dieta pode conter fontes de fibra insolúvel ou mista. Dessa forma, o rótulo deve ser avaliado para determinar a origem das fibras. Pontos para a educação do proprietário • Alimente apenas com alimentos recomendados durante o tempo recomendado. • Pode ser útil alimentar com pequenas quantidades de alimentos com maior frequência (três a quatro vezes por dia), uma vez que grandes quantidades de alimentos aumentam a carga do trato GI e podem contribuir para os sinais clínicos; no entanto, isto não ocorre em todos os cães. • Garantir a abundância de água disponível em todos os momentos; a adição de fibras na dieta pode causar fezes muito secas e duras e difíceis de serem expulsas por alguns cães. • Aconselhar os proprietários sobre os efeitos da adição de fibra na dieta: as fibras insolúveis aumentam o volume das fezes, enquanto as fibras solúveis contribuem geralmente para formar fezes menores e mais moles, mas podem estar associadas ao aumento de flatulência. Comorbidades comuns As doenças que comumente ocorrem simultaneamente em cães com diarreia do intestino grosso são: doença inflamatória intestinal colônica e crescimento bacteriano excessivo e colite por Clostridiume internação recente ou mudança de dieta. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Tratamento com esteroides na doença inflamatória intestinal incrementará a sede e o apetite e pode causar aumento de peso involuntário ou doença hepática. O tratamento imunossupressor para a doença inflamatória intestinal ou linfoma pode causar toxicidade GI (sinais clínicos comuns podem ser vômitos ou diarreia). O tratamento com anti-inflamatórios não esteroides para a doença intestinal do cólon (por exemplo: sulfassalazina) pode causar toxicidade por sulfonamida (isto é, o olho seco, doença de fígado ou de medula óssea, doenças imunomediadas tais como a trombocitopenia imunomediada ou a anemia hemolítica imunomediada). O tratamento com antibióticos pode afetar a microbiota e piorar a diarreia, devido ao crescimento excessivo de bactérias. Controle Deve-se avaliar a composição da matéria fecal para determinar se as características normais das fezes está retornando ou se novos problemas estão se desenvolvendo. Também é importante o julgamento clínico para se certificar de que o cão não está desidratado, que continua comendo, e que não apresenta quaisquer novos indicadores da doença (por exemplo: letargia, perda de peso, diminuição do apetite ou vômitos). Se o cão perde peso ou se está desidratado, o tratamento deve ser reavaliado e modificado conforme as necessidades desse paciente em particular. Ver Manejo nutricional da diarreia do intestino grosso nos cãesna página 51. Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM Definição É comum observar adiarreia de intestino grosso associada a um maior tenesmo ou urgência para defecar, aumento da frequência de defecação de volumes geralmente menores e, talvez, uma maior presença de hematoquezia ou muco. Estas característicasservem para diferenciar a diarreia do intestino grosso da diarreia do intestino delgado. A diarreia do intestino grosso também é caracterizada pelo fator causador: infecciosa (colite causada por Clostridium), parasitária (colite por tricocéfalos), alimentar (colite sensível à fibra), inflamatória (colite linfoplasmocitária ou doença inflamatória intestinal [DII]) e neoplásica. Muitas vezes, as doenças que causam diarreia do intestino grosso estão associadas com a inflamação e, portanto, são chamadas de colite. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares O diagnóstico de diarreia do intestino grosso começa com uma anamnese completa, incluindo histórico dietético e tratamento com medicamentos, além de exame físico, incluindo exame retal. A análise de matéria fecal (por exemplo: as técnicas de flutuação, citologia, teste imunoenzimático ligada a enzima [ELISA, em inglês]/análise da reação em cadeia da polimerase [PCR, em inglês]) ou vermifugação terapêutica é muito importante. Na diarreia aguda do intestino grosso, o tratamento sintomático ou de suporte, muitas vezes pode ser tudo o que é necessário (por exemplo: adicionar fibra alimentar, probióticos, vermifugação). Em gatos com diarreia crônica (> 2 semanas) do intestino grosso, onde o tratamento sintomático ou de suporte não é eficaz, pode- se indicar imagens (raio-X ou ultrassom), testes mais específicos para parasitas ou bactérias gastrointestinais (GI) ou endoscopia (biópsia). Fisiopatologia Sinais clínicos da diarreia do intestino grosso são um reflexo da proximidade da doença na extremidade final do trato GI. Como resultado, os sinais da doença do cólon são todos muito semelhantes, enquanto as suas causas podem ser bastante diferentes. Por exemplo, hematoquezia ocorre em vez da “melena”, porque o sangue não está no trato tempo suficiente para ser digerido por enzimas ou bactérias, existe frequentemente mais muco presente nas fezes porque muitas das glândulas secretoras de muco que estão no cólon aumentam sua produção, quando o epitélio se rompe, e ocorre mais esforço ou frequência da defecação devido a uma interrupção na motilidade colônica que reduz o tempo de armazenamento da matéria fecal para formar as fezes de tamanho normal com menos água. Assim, embora a diarreia do intestino grosso nos gatos possa ocorrer devido a uma variedade de causas, a resposta à interrupção da mucosa do cólon, independentemente da causa, é essencialmente a mesma. Predisposição A diarreia aguda do intestino grosso é mais comum em gatos jovens ou de meia idade, devido a falta de cuidado com a dieta, infecções alimentares (penas, ossos ou outros objetos estranhos), infecções por parasitas ou protozoários (Tritrichomonas), ou causas infecciosas, como a colite por Clostridium. Gatos de raças de pelos compridos têm uma maior incidência de colite induzida por ingestão de pelos, uma doença que ocorre presumivelmente devido à irritação no cólon causada pela passagem de um grande número de pelos. A diarreia crônica do intestino grosso é comum em gatos de meia à idade ou idade avançada e pode ocorrer em qualquer raça devido a uma variedade de causas alimentares, inflamatórias ou neoplásicas, incluindo a DII colônica ou várias formas de câncer de cólon. Gatos Siameses parecem estar em maior risco de desenvolvimento de adenocarcinoma de cólon. Modificações nos nutrientes essenciais A alteração mais importante na dieta dos gatos com diarreia do intestino grosso consiste em subministrar nutrientes altamente digestíveis para que os carboidratos, gorduras e proteínas em excesso não alcancem o cólon sem serem digeridas, e em segundo lugar, aumentar a concentração do aumento de fibras da dieta para maximizar a saúde do epitélio e das bactérias do cólon. O objetivo de proporcionar uma dieta com nutrientes altamente digestíveis (> 85-90% de digestibilidade) é o de maximizar a digestão e absorção de carboidratos e gorduras no intestino delgado para evitar que a diarreia do intestino grosso piore devido ao crescimento bacteriano excessivo ou aos efeitos osmóticos da má digestão de carboidratos. As proteínas tornam-se de interesse quando existe a suspeita que a diarreia seja causada por uma alergia alimentar. A chave para o sucesso no tratamento de gatos com diarreia causada por alergia alimentar é identificar uma fonte de novas proteínas (ou uma que seja menos antígena, como uma dieta de proteínas hidrolisadas). É raro que os gatos com alergia alimentar apenas apresentem diarreia do intestino grosso sem indicadores de doença no intestino delgado (vômitos ou diarreia) ou indicadores de alergias dermatológicas. Em gatos com diarreia do intestino grosso, a mudança mais importante na dieta pode ser a adição de fibra. As fibras dietéticas são carboidratos complexos principalmente de fontes vegetais que não são facilmente digeridos pelas enzimas digestivas dos mamíferos. A digestão destes alimentos é conseguida com o auxílio de bactérias no trato GI, e ocorre de forma mais eficaz no cólon dos gatos. Dado que os diferentes tipos de fibras dietéticas são digeridos (também chamado de solubilidade ou fermentabilidade) mais ou menos eficaz por bactérias, muitas vezes são classificadas por esta característica. No entanto, é importante compreender que muitas fibras dietéticas possuem características de ambos os grupos e, portanto, são chamadas de fibras mistas. Em geral, as fontes de fibras solúveis (ou altamente fermentáveis), que são aquelas fibras que as bactérias desintegram facilmente para formar os ácidos graxos de cadeia curta, água e gases, são benéficas em gatos com doença do cólon, pelas mesmas razões que são em cães. No entanto, as fibras solúveis devem ser adicionadas em pequenas quantidades na dieta dos gatos, pois a maior quantidade de bactérias nas fezes produz mais flatulência e conteúdo de água, gerando características e odores indesejados nas fezes. Fontes de fibras insolúveis (ou pouco fermentáveis) também são benéficas em gatos com doença do cólon, mas por razões diferentes. As fibras insolúveis aumentam o volume das fezes e, como resultado de alongamento e relaxamento, melhoram a motilidade (tanto a segmentação como a propulsão normais) no cólon. Adicionar fibras insolúveis na dieta diminui o esforço associado com a motilidade atípica presente na colite. Além disso, essas fibras são úteis para o deslocamento dos pelos através do cólon de forma mais eficaz, reduzindo assim a possibilidade de obstrução e colite induzida pela ingestão de pelos. A desvantagem das fontes de fibras insolúveis é que não fornecem uma fonte de nutrientes para os colonócitos ou as bactérias na matéria fecal (e os gatos que não consomem água suficiente, podem produzir fezes muito secas e difíceis de expulsar), criando a possibilidade de desenvolver constipação, que é uma complicação comum das dietas. Diarreia do intestino grosso – Gatos 48 Valores recomendados de nutrientes essenciais Princípios da alimentação coadjuvante • Os nutrientes essenciais deverão ser altamente digestíveis (>90% de digestibilidade) para minimizar a diarreia osmótica, a fermentação bacteriana de alimento não digerido e reduzir o gás intestinal. • Utilizar proteínas hidrolisadas de alta qualidade e uma única fonte se houver probabilidade de DII ou sensibilidade alimentar, mas na maioria dos casos de colite isso não é necessário. • É indicada uma moderada a alta quantidade de fibras insolúveis para melhorar a motilidade do cólon, a menos que a constipação ou obstrução colônica ocorra devido a câncer ou estenose. • A proporção ideal de fibras solúveis e insolúveis nas dietas para doenças do cólon ainda é objeto de debate; no entanto, a adição de pequenas quantidades de ambas as fontes de fibra é geralmente é aceita como o ideal • Maior quantidade de ácidos graxos ômega 3 para ajudar a reduzir eicosanoides (mediadores inflamatórios) associados à inflamação intestinal. • Suplemento prebiótico para restaurar o equilíbrio da microbiota. nPetiscos–Em geral, deve-se evitar os petiscos em gatos com doençaintestinal até que um diagnóstico definitivo seja feito. Se os petiscos são importantes para a rotina diária do gato, podem ser oferecidos utilizando-se uma dieta coadjuvante ou com base nos princípios antes mencionados. nDicas para aumentar a palatabilidade–Se o gato não come a dieta sugerida, você pode adicionar ao alimento uma pequena quantidade de caldo de galinha, com baixo teor de sódio. Em alternativa, pode ser misturada uma pequena quantidade de alimento enlatado ao seco, para torná-lo mais interessante. Se o gato se recusa a comer a dieta coadjuvante, pode ser adicionada à dieta habitual uma fonte de fibras mistas, como coloide de Psyllium (Metamucil®). nRecomendações para a dieta – As dietas coadjuvantes adequadas para gatos com diarreia do intestino grosso podem incluir ingredientes altamente digestíveis, para reduzir a quantidade de ingestão que atinge o cólon, ou podem incluir dietas com uma maior presença de fibras insolúveis. Se as fibras vão ter um tratamento eficaz ou não, isso depende de cada situação particular, já que alguns gatos que comem dietas ricas em fibras têm fezes duras secas e constipação. Nestes casos, a alimentação deve ser substituída por uma dieta pobre em fibras, uma vez que a apresentação deste problema indica intolerância à fibra. Tem sido demonstrado que a adição de um suplemento nutricional com prebiótico é eficaz para recuperar a saúde e o equilíbrio normal do intestino. Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Fibra Bruta# 2–8 0.5–2.5 n/d n/d A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). # As fontes deverão incluir fibras solúveis e insolúveis. A análise de fibra bruta inclui a maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma, a fibra bruta tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliada. Deve-se avaliar a lista de ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis. 49 Vários produtos não coadjuvantes vendidos sem receita são potencialmente adequados para gatos com diarreia do intestino grosso. Estas dietas contêm fibra insolúvel e a maioria é comercializada como fórmulas para gerenciamento de peso ou para as bolas de pelos. A maioria das fórmulas com adição de fibra tem fibras insolúveis como a principal fonte; no entanto, alguns alimentos contêm fontes de fibras mistas, de modo que o médico veterinário tem de avaliar a fonte para determinar a origem das fibras. Pontos para a educação do proprietário • Alimentar apenas com alimentos recomendados para o tempo recomendado. • Pode ser útil alimentar com pequenas quantidades de alimento com maior frequência de 3 a 4 vezes por dia; como no caso da diarreia do intestino delgado, grandes quantidades de alimentos aumentam a carga do trato GI e podem contribuir para os sinais clínicos; no entanto, isto não ocorre em todos os gatos. • Garantir a abundância de água disponível em todos os momentos; a adição de fibras na dieta pode fazer com que as fezes se tornem muito secas e difícil de serem expelidas, por alguns gatos. A melhor maneira de aumentar o consumo de água em gatos é fornecendo alimentos enlatados. • Aconselhar aos proprietários sobre os efeitos da adição de fibra na dieta: as fibras insolúveis aumentam o volume das fezes, enquanto as fibras solúveis contribuem geralmente para formar fezes menores e mais moles, mas podem estar associadas ao aumento de flatulência. Comorbidades comuns Comorbidades comuns em gatos com diarreia do intestino grosso são: doença inflamatória intestinal colônica e crescimento bacteriano excessivo, e colite por Clostridiumou hospitalização recente ou mudança de dieta. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Tratamento com esteroides na doença inflamatória intestinal aumentará a sede, e o apetite e pode causar aumento de peso involuntário ou doença hepática. O tratamento imunossupressor para a doença inflamatória intestinal ou linfoma pode causar toxicidade GI (sinais clínicos comuns podem ser vômitos ou diarreia). O tratamento com antibióticos pode afetar a microbiota e piorar a diarreia devido ao crescimento excessivo de microorganismos. Controle Deve-se avaliar a composição da matéria fecal para determinar se o caráter normal das fezes retorna ou se novos problemas estão se desenvolvendo. A avaliação do estado clínico é essencial para garantir que o gato não esteja desidratado, continue a se alimentar, e que não apresente quaisquer novos indicadores de doença (por exemplo: letargia, perda de peso, diminuição do apetite ou vômitos). Se o gato está perdendo peso ou desidratando, o tratamento deve ser reavaliado e modificado conforme as necessidades do paciente. Ver Manejo nutricional da diarreia do intestino grosso nos gatosna página 51. 50 Manejo nutricional da diarreia do intestino delgado em gatos Se for aguda, ou causada por um problema na dieta, suspender a alimentação durante 12-18 horas, em seguida, iniciar a alimentação com pequenas quantidades de uma dieta altamente digestível com moderado ou alto teor de proteínas a cada 4 a 6 horas. Se a diarreia crônica é causada por doença inflamatória intestinal, iniciar uma dieta altamente digestível com baixo teor de gorduras. Como alternativa, as dietas hidrolisadas ou com antígenos novos podem ser benéficas em alguns gatos com doença inflamatória intestinal. Se a diarreia crônica for causada por um linfoma ou outro câncer intestinal, pode-se indicar níveis mais elevados de proteína e de gordura para contrariar a perda de peso e melhorar o apetite em pacientes com câncer. Se a diarreia crônica foi causada por alergia alimentar, iniciar um teste de eliminação de alimentos usando uma dieta contendo uma única fonte de novas proteínas ou fonte de proteínas hidrolisadas. A diarreia é aguda ou crônica? Aguda Crônica Se for crônica, o primeiro passo é diagnosticar a causa base, mas um tratamento utilizando uma dieta altamente digestível, com proteínas de alta qualidade e com conteúdo reduzido de carboidratos, é um bom ponto de partida. Manejo nutricional da diarreia do intestino grosso nos gatos Se for aguda, ou causada por um problema na dieta ou estresse, agregar fibras na dieta pode ser tudo o que precisa para normalizar a motilidade e reduzir os sinais clínicos da colite. Se a diarreia crônica é causada por doença inflamatória do intestino, iniciar uma dieta rica em fibra; o agregado de fibra pode ser útil ou não. A maioria dos gatos com doença inflamatória intestinal colônica também tem diarreia do intestino delgado, portanto, deve-se considerar os princípios de tratamento dietético para esta doença. Se diarreia do intestino grosso crônica é causada por linfoma ou outro câncer do intestino grosso que pode causar uma obstrução, as melhores opções de alimentação são as dietas altamente digestíveis para reduzir o volume das fezes Se a diarreia crônica foi causada por alergia alimentar, iniciar um teste de eliminação de alimentos usando uma dieta contendo uma única fonte de novas proteínas ou fonte de proteína hidrolisada; pode ser útil agregar uma fonte de fibras (por exemplo: Psyllium). A diarreia é aguda ou crônica? Aguda Crônica Se for crônica, o primeiro passo é diagnosticar a causa base. Alimentar como na diarreia aguda do intestino grosso até que se confirme o diagnóstico. Manejo nutricional da diarreia do intestino grosso nos cães Se for aguda, ou causada por um problema na dieta ou estresse, agregar fibras na dieta pode ser tudo oque precisa para normalizar a motilidade e reduzir os sinais clínicos da colite. Se a diarreia crônica é causada por doença inflamatória intestinal, iniciar uma dieta com alto teor de fibras (preferivelmente fibras mistas). Se a diarreia crônica do intestino grosso é causada por um linfoma ou outro câncer do intestino grosso que possa causar obstrução, as melhores opções de alimentação são as dietas altamente digestíveis para reduzir o volume da matéria fecal. Se a diarreia crônica foi causada por alergia alimentar, iniciar um teste de eliminação de alimentos usando uma dieta contendo uma única fonte de novas proteínas ou fonte de proteínas hidrolisadas; pode ser útil agregar uma fonte de fibras (por exemplo: Psyllium). A diarreia é aguda ou crônica? Aguda Crônica Se for crônica, o primeiro passo é diagnosticar a causa base. Alimentar como na diarreia aguda do intestino grosso até que se confirme o diagnóstico. 51 Scott Campbell, BVSc, MACVSc, DACVN Definição A colite é uma inflamação do cólon que prejudica a absorção de água e eletrólitos e produz tenesmo, disquezia, hematoquezia, fezes mucosas, diarreia e/ou constipação. A colite pode ser produzida por infecções causadas por parasitas, fungos ou Clostridium, por neoplasias ou pode ser idiopática. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares Rotineiramente é indicado: histórico clínico, exame físico, matéria fecal, análise hematológica e análise bioquímica do soro. Muitas vezes, é necessário para o diagnóstico realizar colonoscopia e biópsia, e, ocasionalmente, biópsias da espessura completa do intestino mediante uma laparotomia. Uma dieta rica em fibras, altamente digestíveis com antígenos limitados, pode ser essencial para o tratamento de sinais clínicos. Fisiopatologia A fisiopatologia da colite é multifatorial e depende da etiologia. A absorção de água e eletrólitos é deteriorada pela mucosa inflamada e uma secreção do eletrólito ativo pode também ocorrer. É comum que a motilidade colônica seja comprometida e a secreção de muco aumentada por um patógeno gerador ou de maneira secundária, pela mesma inflamação. Uma inflamação avançada pode causar erosão e ulceração do cólon e sinais clínicos mais graves. Predisposição A doença inflamatória intestinal(DII) é sumamente comum em cães de meia idade. Os cães da raça Pastor Alemão são os mais representativos, mas a DII está documen- tada na maioria das raças, bem como em raças mistas. Uma forma rara de colite, colite ulcerativa histiocítica, ocorre principalmente em cães boxer jovens com menos de dois anos de idade. Modificações nos nutrientes essenciais A maioria dos cães com colite mantém o apetite e peso corporal. Assim, a modificação de nutrientes básicos da dieta tem por objetivo reduzir ou eliminar sinais clínicos. Dependendo da etiologia da colite em cada cão pode ser benéfica uma dieta rica em fibras, altamente digestível ou com antígenos limitados. Valores recomendados de nutrientes essenciais Princípios da alimentação coadjuvante Como a maioria dos cães com colite mantém o apetite e o peso corporal, o principal objetivo da modificação da dieta é reduzir os sinais clínicos de tenesmo, disquezia, sangue ou muco nas fezes, diarreia e/ou constipação. Isto é atingido através do aumento da digestibilidade da dieta através do aumento do teor de fibra de dieta ou minimizando antígenos alimentares. A dieta altamente digestível atenua os sinais clínicos da colite por limitação do volume de ingestão entregue ao cólon comprometido. As fibras da dieta são metabolizadas pela microbiota do cólon em ácidos graxos de cadeia curta (acetato, butirato e propionato), fornecendo uma fonte direta de energia para os colonócitos danificados. Ao fixar a água do lúmen, o maior teor de fibra da dieta promove a normalização da motilidade colônica. Estas fibras também protegem a mucosa de contato de substâncias irritantes físicas, presentes nos ácidos biliares, e materiais ingeridos para limitar as lesões dos colonócitos. Estes efeitos das fibras da dieta também restringem os mecanismos de virulência do Clostridium perfingens, que está envolvido em alguns casos de colite. Os antígenos da dieta podem causar ou agravar a inflamação do cólon; portanto, a restrição da dieta a uma única proteína nova ou proteína hidrolisada provoca uma melhora clínica em alguns cães. A identificação desses indivíduos requer uma dieta de eliminação de alimentos, a qual será oferecida por pelo menos quatro semanas antes que qualquer melhora clínica possa ser esperada. Estudos em seres humanos sugerem que os antioxidantes, ácidos graxos poli-insaturados Ômega 3, fruto-oligossacarídeos, prebiótico e probióticos podem ser benéficos no tratamento dietético da colite. nPetiscos–Enquanto os petiscos podem ser importantes para manter o vínculo humano-animal, os petiscos são completamente diferentes em composição com relação à dieta principal e devem ser evitados durante a fase inicial de avaliação, com o objetivo de estabelecer a eficácia da dieta base sozinha. Os cães que respondem a dietas ricas em fibras podem, então, receber petiscos ricos em fibras, como vegetais. Os cães que são tratados com uma dieta altamente digestível podem ser alimentados com diversos petiscos que contenham ingredientes de fácil digestão. Os animais alimentados com dietas com ingredientes limitados/pouco comuns só devem receber petiscos que contenham os mesmos ingredientes que a dieta de base. Da mesma forma, cães alimentados contendo proteínas hidrolisadas só podem receber petiscos que contenham ingredientes hidrolisados. As formas úmidas das dietas base podem ser para formar bolachas como petiscos. Como alternativa, uma parte da dieta primária pode ser oferecida fora dos horários normais de alimentação, métodos alternativos usando comida como petisco. Se são oferecidos petiscos, devem ser incorporados lentamente, mantendo uma consistência no tipo de tratamento oferecido diariamente, e deve ser monitorado de perto se o cão apresenta novamente indicadores de colite. Como sempre, sugere- se que todos os petiscos e suplementos forneçam menos do que 10% do total de calorias diárias. nDicas para aumentar a palatabilidade–A maioria dos cães com colite mantém excelente apetite e, geralmente, as dietas adequadas para o tratamento da colite não carecem de palatabilidade. Se uma dieta comercial, em especial, não é aceita, o cão pode achar que outras dietas comparáveis são mais palatáveis. Alternativamente, a palatabilidade pode ser aumentada por aquecimento do alimento à temperatura corporal ou por adição de um adoçante, tal como xarope de milho. Estimulantes de apetite e dispositivos de alimentação assistida às vezes são necessários em pacientes cuja anorexia persistente impossibilita a ingestão de calorias necessárias. nRecomendações para a dieta–Inúmeras dietas altamente digestíveis ricas em fibras, com ingredientes limitados/pouco comuns e com proteínas hidrolisadas estão à venda, produzidas pelos principais fabricantes de dietas coadjuvantes. Se forem para ser utilizadas dietas com ingredientes/limitados pouco comuns, é preferível que tais dietas contenham ingredientes novos para o indivíduo segundo seja determinado pelos antecedentes alimentares. O montante inicial dos alimentos deve ser estimado após o cálculo da ingestão calórica diária quando o peso era estável ou o cálculo das exigências energéticas de manutenção, quando a determinação anterior não é possível. Pontos para a educação do proprietário • A colite é uma doença comum em cães, caracterizada pela defecação mais frequente, esforço para defecar e fezes que podem conter sangue e/ou muco. Normalmente, não está associada com a perda de peso ou perda de apetite. • A colite é uma inflamação do intestino grosso (cólon), que pode ser produzida por infecções por parasitas, fungos ou bactérias; alergia ou intolerância alimentar; e Colite - Cães Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendandos na dieta Necessidade mínima na dieta* Fibra Bruta# 7–16 2.0–5.0 n/dn/d A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender às necessidades normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). # As fontes deverão incluir fibras solúveis e insolúveis. A análise de fibra bruta inclui a maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma, a fibra bruta tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliada. Deve-se avaliar a lista de ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis. 52 raramente, câncer. É desconhecida a causa de um dos tipos mais comuns de colite chamada doença inflamatória do intestino. • Muitas vezes, vários testes são necessários para identificar as causas subjacentes da colite, incluindo exames de sangue e fezes, endoscopia e biópsia do cólon. • O tratamento medicamentoso visa eliminar a causa subjacente sempre que possível. A modificação da dieta pode ser um método eficaz e essencial para aliviar sinais clínicos, independentemente do fator gerador. Comorbidades comuns A colite pode ser produzida em combinação com a inflamação do intestino delgado ou inflamação gástrica. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas O tratamento medicamentoso para a colite pode incluir parasiticidas, antiprotozoários, antibióticos, tratamentos de proteção e anti-inflamatórios e imunossupressores gastrointestinais. A polifagia é um efeito colateral comum de corticosteroides. Os proprietários de cães que recebem dietas de eliminação devem ser alertados de que os hábitos alimentares indiscriminados e a natureza de revirar o lixo poderiam prejudicar os benefícios da manipulação na dieta. Quando prescrita sulfassalazina, um medicamento com ação anti-inflamatória no cólon, ela deverá ser administrada junto com o alimento para reduzir o efeito colateral emético. Em contrapartida, alguns agentes antibacterianos são absorvidos de forma incompleta na presença de alimentos e a eficácia depende da administração, que deve ser de 1 hora antes, ou 2 horas após as refeições. Controle O tratamento inicial preferido para a colite varia de acordo com os médicos veterinários; alguns preferem unicamente a manipulação dietética e outros também usam medicamentos. A eficácia do tratamento é baseada na resolução ou diminuição do tenesmo, disquezia, hematoquezia, fezes mucosas, diarreia e/ou constipação. Nos pacientes em que a modificação da dieta por si só não funciona, deve ser promovido tratamento medicamentoso e continuar por pelo menos 2-4 semanas após controlados os sinais clínicos antes de se tentar reduzir gradualmente a dose. Pode ser necessário que o tratamento com dieta e, em alguns cães o tratamento com medicamentos, continue a longo prazo ou para toda a vida, para controlar os indicadores. Manejo nutricional da colite em cães Dieta com antígenos limitados: Alimentar só com uma dieta com ingredientes limitados/pouco comuns ou dieta com proteína hidrolisada por pelo menos 4 semanas Dieta altamente digestível Resolução de sinais clínicos Persistência de sinais clínicos Testar uma dieta rica em fibras e continue os passos Considerar um teste de provocação com a dieta usual para ver se os indicadores aparecem novamente Resolução dos sinais clínicos Persistência dos sinais clínicos Testar novamente uma dieta com antígenos limitados ou testar uma dieta altamente digestível Resolução de sinais clínicos Resolução de sinais clínicos Considerar um teste de provocação com a dieta usual para ver se os indicadores aparecem novamente Testar uma dieta altamente digestível Avaliação geral do paciente Etiologia desconhecida Doença inflamatória intestinal ou intolerante a dieta (confirmar a suspeita) Colite neoplásica ou produzida por parasitas, fungos ou bactérias Dieta rica em fibras Tratamento específico com medicamentos como indicado Tratamento específico com medicamentos como indicado Manejo nutricional e ou medicamento ou tratamento a longo prazo por toda a vida se os indicadores voltarem a aparecer 53 Scott Campbell, BVSc, MACVSc, DACVN Definição A colite é uma inflamação do cólon que prejudica a absorção de água e eletrólitos e produz sinais clínicos que podem incluir tenesmo, disquezia, hematoquezia, fezes mucosas, diarreia e/ou constipação. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares Rotineiramente é indicado: histórico clínico, exame físico, matéria fecal, análise hematológica e análise bioquímica do soro. Muitas vezes, é necessário para o diagnóstico realizar colonoscopia e biópsia, e, ocasionalmente, biópsias da espessura completa do intestino mediante uma laparotomia. Uma dieta rica em fibra, altamente digestível com antígenos limitados, pode ser essencial para o tratamento de sinais clínicos. Fisiopatologia A fisiopatologia da colite é multifatorial e depende da etiologia. A absorção de água e eletrólitos é prejudicada por parte da mucosa inflamada e também pode ocorrer uma secreção ativa de eletrólito. É típico que a motilidade colônica esteja comprometida e a secreção de muco aumentada por um patógeno gerador ou secundariamente pela mesma inflamação. Uma inflamação avançada pode causar erosão e ulceração do cólon e sinais clínicos mais graves. Predisposição A colite é documentada em todas as raças e em gatos de todas as idades. Está documentado que a doença inflamatória intestinal (DII) ocorre mais frequentemente em gatos de raça pura. Modificações nos nutrientes essenciais A maioria dos gatos afetados com colite mantém o apetite e o peso corporal. Assim, a modificação de nutrientes básicos da dieta tem por objetivo reduzir ou eliminar sinais clínicos. Dependendo da etiologia da colite de cada gato, em particular, pode ser benéfica uma dieta altamente digestível e com antígenos limitados. Valores recomendados de nutrientes essenciais Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais de acordo com a fase da vida, estilo de vida e ingestão de energia. Deve-se levar em conta o uso de dietas altamente digestíveis ou proteínas hidrolisadas ou novas. Princípios da alimentação coadjuvante Como a maioria dos gatos com colite mantém o apetite e o peso corporal, o principal objetivo da modificação da dieta é reduzir os sinais clínicos de tenesmo, disquezia, sangue nas fezes mucosas, diarreia e/ou constipação. Ao contrário dos cães, os gatos com colite não se beneficiam com uma maior quantidade de fibras na dieta. Em vez disso, a base do tratamento dietético é o aumento da digestibilidade da dieta para restringir o volume da ingestão entregue ao cólon comprometido, minimizando os antígenos da dieta ao restringir a uma proteína só ou proteína hidrolisada para limitar a inflamação do cólon. Estudos em seres humanos sugerem que os antioxidantes, os ácidos graxos Ômega 3, fruto-oligossacarídeos, prebióticos e probióticos podem ser benéficos no tratamento dietético da colite. nPetiscos – Enquanto os petiscos podem ser importantes para manter o vínculo humano-animal, os petiscos que são completamente diferentes em composição com relação à dieta principal devem ser evitados durante a fase inicial de avaliação, para estabelecer a eficácia da dieta base. Gatos que são tratados com uma dieta altamente palatável podem alimentar-se com vários petiscos que também contenham ingredientes de fácil digestão. Os gatos alimentados com rações com conteúdo limitados/pouco comuns só devem receber petiscos que contenham os mesmos ingredientes que a dieta base. Da mesma forma, os gatos que recebem dietas com proteínas hidrolisadas só podem ser alimentados com petiscos contendo ingredientes hidrolisados. As formas de alimento enlatadopodem ser assadas para criar bolachas como petiscos. Como alternativa, uma parte da dieta primária pode ser oferecida fora dos horários normais de alimentação, utilizando métodos alternativos de alimento, como um petisco. Pode-se fornecer afeto e atenção como um substituto dos petiscos. Se são oferecidos petiscos, devem ser incorporados lentamente, mantendo uma coerência no tipo de petisco oferecido diariamente, e deve-se monitorar o gato de perto para ver se se repetem os indicadores da colite. Como sempre, sugere-se que todos os petiscos e suplementos sejam fornecidos incorporando menos do que 10% do total de calorias diárias. nDicas para aumentar a palatabilidade–A maioria dos gatos com colite mantém um bom apetite e geralmente as dietas adequadas para tratar a colite não carecem de palatabilidade. Se uma dieta comercial, em especial, não é aceita, o gato pode encontrar outras dietas comparáveis convenientemente tentadoras. Alternativamente, a palatabilidade pode ser aumentada mediante o aquecimento da comida até a temperatura corporal ou agregando umidade. Estimulantes do apetite e dispositivos de alimentação assistida às vezes são necessárias em pacientes cuja anorexia persistente impossibilita a ingestão calórica necessária. n Recomendações para a dieta – - Inúmeras rações altamente digestíveis com ingredientes limitados/pouco comuns e com proteínas hidrolisadas estão à venda, produzidas pelos principais fabricantes de dietas coadjuvantes. Se forem para ser utilizadas dietas com ingredientes limitados/pouco comuns, é preferível que tais dietas contenham ingredientes novos para o indivíduo, como determinado a partir dos registros dietéticos. O montante inicial dos alimentos deve ser estimado após o cálculo da ingestão calórica diária quando o peso era estável ou o cálculo das necessidades energéticas de manutenção, quando a determinação acima não for possível. Pontos para a educação do proprietário • A colite em gatos é caracterizada por defecação mais frequente, esforço para defecar e fezes que possam conter sangue e/ou muco. Normalmente, não está associada com a perda de peso ou perda de apetite. • A colite é uma inflamação do intestino grosso (cólon), que pode ser produzida por infecções por parasitas, fungos ou bactérias; alergia ou intolerância alimentar; ou câncer. Se desconhece a causa de um dos tipos mais comuns da colite chamada doença inflamatória do intestino. • Muitas vezes, vários testes são necessários para identificar a causa da colite, incluindo exames de sangue e fezes, endoscopia e biópsia do intestino grosso. • O tratamento medicamentoso visa eliminar a causa subjacente, se tiverem sido determinadas. A modificação da dieta pode ser um método essencial e eficaz para aliviar sinais clínicos, independentemente da causa geradora. Em algumas formas de colite, tal como a associada com a doença inflamatória do intestino, o tratamento dietético sozinho pode prevenir a recorrência de sinais clínicos. Comorbidades comuns A colite pode ser produzida em combinação com a inflamação do intestino delgado ou inflamação gástrica. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas O tratamento medicamentoso para a colite pode incluir parasiticidas, antiprotozoários, antibióticos, protetores gastrointestinais e tratamento anti-inflamatórios e imunossupressores. Polifagia é um efeito colateral comum de corticosteroides. Deve-se alertar os proprietários dos gatos que recebem dietas de eliminação que os hábitos alimentares indiscriminados e a natureza de revirar o lixo podem prejudicar os benefícios da manipulação da dieta. Quando prescrita sulfassalazina, um medicamento com ação anti-inflamatória do cólon, deverá ser administrada junto com os alimentos para reduzir o efeito colateral Colite - Gatos 54 emético da medicação. Por outro lado, alguns agentes antibacterianos são absorvidos de forma incompleta na presença de alimentos e a eficácia depende da administração, a qual deve ser 1 hora antes ou 2 horas após às refeições. Controle O tratamento inicial preferido para a colite varia de acordo com o medico veterinário; alguns preferem unicamente a manipulação da dieta e outros também usam medicamentos. A eficácia do tratamento é baseada na resolução ou diminuição do tenesmo, disquezia, hematoquezia, fezes mucosas, diarreia e/ou constipação. Nos pacientes em que a modificação da dieta por si só não funciona, deve ser promovido tratamento medicamentoso e continuar por pelo menos 2-4 semanas após controlados os sinais clínicos antes de se tentar reduzir gradualmente a dose. Pode ser necessário o tratamento dietético e, em alguns gatos, o tratamento com medicamentos a longo prazo ou por toda a vida, para controlar os indicadores. Manejo nutricional da colite em gatos Dieta com antígenos limitados: Alimentar só com uma dieta com ingredientes limitados/pouco comuns ou dieta com proteína hidrolisada durante pelo menos 4 semanas Dieta altamente digestível Resolução de sinais clínicos Persistência de sinais clínicos Considerar um teste de provocação com a dieta habitual para ver se os indicadores aparecem novamente Resolução de sinais clínicos Persistência de sinais clínicos Testar uma nova dieta com antígenos limitados ou testar uma dieta altamente digestível e continuar os passos Avaliação geral do paciente Etiologia desconhecida Doença inflamatória intestinal ou intolerância à dieta (confirmação ou suspeita) Colite neoplásica ou produzida por parasitas, fungos ou bactérias Tratamento específico com medicamentos conforme indicado Tratamento específico com medicamentos conforme indicado Manejo nutricional e/ou com medicamento a longo prazo por toda vida se os indicadores aparecem novamente Considerar um teste de provocação com a dieta habitual para ver se os indicadores aparecem novamente 55 Testar uma nova dieta com antígenos limitados ou testar uma dieta altamente digestível e continuar os passos Scott Campbell, BVSc, MACVSc, DACVN Definição A insuficiência pancreática exócrina(IPE) é a diminuição da síntese em células acinares pancreáticas e da secreção de enzimas digestivas, tais como lipases, amilases, tripsina e proteases, a qual provoca um atraso na digestão intestinal normal dos carboidratos, gorduras, proteínas e vitaminas. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares A imunorreatividade semelhante a tripsina (IST) mede o nível, em jejum, do tripsinogênio (e tripsina ativa) no soro e reflete a função pancreática exócrina. A elastase pancreática na matéria fecal e a histopatologia do pâncreas, obtida por biópsia cirúrgica ou laparoscópica, podem ser provas complementares úteis para a investigação da IPE. Fisiopatologia A destruição das células acinares pancreáticas com base genética e imunomediada precede ao desenvolvimento de IPE em certas raças3. A IPE também é produzida de forma secundária à pancreatite crônica2. Com qualquer etiologia, a diminuição da função exócrina do pâncreas produz enzimas menos disponíveis para digerir o conteúdo do intestino. A má digestão de nutrientes provoca desnutrição, diarreia, irritação da mucosa intestinal, crescimento excessivo de bactérias e absorção de toxinas. A diminuição subclínica da função digestiva precede ao aparecimento de sinais clínicos característicos. Predisposição Os cães de raça Pastor Alemão e Collie de pelo comprido compreendem quase 90% de todos os casos de IPE em cães nos Estados Unidos1. Essas raças, muitas vezes, desenvolvem a doença quando são jovens de forma secundária à destruição imunomediada das células acinares pancreáticas. Outras raças podem desenvolver IPE após a pancreatite crônica em qualquer idade. Modificações nos nutrientes essenciais Várias modificações nos nutrientes podem ser úteis em casos especiais de cães com IPE. Alguns cães, especialmente aqueles que desenvolveram o IPE secundário a uma pancreatite crônica, podem se beneficiar ao se alimentar de uma dieta baixa em gordura. É conveniente estabelecer o nível de restrição de gordura em relação ao observadoanteriormente nos registros de consumo alimentar. Outros cães podem se beneficiar de uma dieta mais elevada em gordura (mais densa em calorias), uma dieta altamente digestível (baixa fibra) ou uma dieta rica em fibras. Muitos cães podem ser tratados muito bem, enquanto permanecem com sua dieta habitual suplementada com enzimas pancreáticas. Independentemente da estratégia utilizada é importante alimentar com uma dieta completa e equilibrada. Devido à variedade de dietas que podem ser aceitáveis para cães com IPE, doenças concomitantes podem inicialmente ser uma prioridade na escolha da dieta, embora possam exigir modificações para observar indicadores significativos não desejados. Valores recomendados de nutrientes essenciais Dieta para cães com IPE normalmente contém menos gordura. Nem todos os cães com IPE precisam deste nível de restrição de gordura e outros fatores além da gordura (como digestibilidade, conteúdo com proteína) podem ser importantes para estes cães. Princípios da alimentação coadjuvante Algumas fontes recomendam alimentar os cães com IPE com uma dieta com restrição de gordura altamente digestível para reduzir a flatulência e o volume das fezes, mas muitos animais podem ser mantidos com diferentes dietas que contêm suplementos adequados de enzimas digestivas. De fato, estudos recentes não mostraram benefícios significativos ao alimentar os cães com IPE com uma dieta altamente digestível restrita em gordura. A restrição desnecessária de gordura na dieta irá reduzir a densidade calórica, exigindo do animal uma ingestão maior de comida para consumir as calorias adequadas, para não ter uma perda de peso ainda maior. Um pequeno estudo recente descobriu que 40% dos cães com IPE obtiveram melhores resultados quando se manteve a dieta habitual, 25% com uma dieta rica em gorduras, 20% com uma dieta rica em fibras e 10% com uma dieta altamente digestível4. É reconhecido que alguns cães com IPE, em particular, respondem de forma diferente a diversos regimes de alimentação, mas, provavelmente, todos os cães irão se beneficiar com a coerência na dieta oferecida, permitirá ao médico veterinário formular a estratégia de alimentação adequada para cada indivíduo. Deve-se considerar a suplementação da dieta com vitamina B12 por via parentérica em animais carentes desta vitamina. n Petiscos – Como cães com IPE requerem suplementação com enzimas digestivas com qualquer alimento, e cada animal em particular pode responder de forma não desejada a certos nutrientes, tais como gorduras e fibras, geralmente não são recomendados petiscos. Se forem oferecidos, deve-se incorporá-los lentamente, mantendo-se uma consistência no tipo de petisco, e deve-se acompanhar de perto o cão caso ocorram efeitos adversos. Como sempre, sugere- se que todos os petiscos e suplementos sejam fornecidos com menos do que 10% do total de calorias diárias. nDicas para aumentar a palatabilidade–A maioria dos cães com IPE mantém um excelente apetite. Se uma preparação comercial, em especial, não é aceita, o cão pode se interessar por outras dietas comparáveis. Alternativamente, a palatabilidade pode ser aumentada por aquecimento do alimento à temperatura corporal ou por adição de um adoçante, tal como xarope de milho. Estimulantes do apetite e dispositivos de alimentação assistida às vezes são necessários em pacientes cuja anorexia persistente impossibilita a ingestão de calorias necessárias. n Recomendações para a dieta– Muitos tipos de dietas para doença intestinal produzidas por fabricantes de dietas coadjuvantes veterinárias são considerados altamente digestíveis, mas possuem conteúdos de gordura variadas. Os médicos veterinários devem verificar o teor de gordura das dietas (de preferência em base de EM) com os fabricantes para garantir que sejam adequadas para animais com intolerância à gordura. Alguns cães com IPE podem melhorar os sinais clínicos ao serem alimentados com uma dieta com alto teor de fibras ou com sua dieta habitual. Pontos para a educação do proprietário • A IPE é uma doença comum em cães em que o pâncreas não consegue produzir os produtos necessários para a digestão normal de alimentos. • Muitas vezes, o diagnóstico é sugerido com base na raça, idade e sinais clínicos, mas um teste de laboratório é necessário para a confirmação. • Sinais clínicos que são comumente observados em cães com IPE incluem perda de peso, apesar de uma adequada ingestão diária de calorias, diarreia e pelagem quebradiça. • Estes indicadores podem frequentemente ser aliviados com o tratamento adequado. • Os animais diagnosticados com IPE necessitam de tratamento ao longo da vida, mas podem alcançar a sobrevivência prolongada (media de sobrevida> 5 anos em um estudo recente) especialmente é obtida uma resposta inicial rápida. • Geralmente é recomendado alimentar com uma dieta uniforme e suplementar com enzimas digestivas. Insuficiência pancreática exócrina - Cães Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Gordura 7–15 3–5 5 1.4 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender às necessidades normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. *Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). 56 • Vários tipos de dieta podem ser efetivos para cada cão individualmente, dessa forma, é sugerido realizar alguns testes com dietas separadas. • Numerosas doenças secundárias podem complicar o tratamento; muitas vezes, a sua presença é verificada para garantir um controle ideal de sinais clínicos associados ao IPE. • Muitas vezes pode-se ver uma resposta rápida ao tratamento, mas alguns animais respondem mal até mesmo aos planos de tratamento mais abrangentes. Comorbidades comuns A medição de folato e cobalamina no soro pode ser útil na avaliação das doenças concomitantes, tais como má nutrição de vitamina B12 ou o crescimento bacteriano excessivo. Ambas as doenças comumente ocorrem em cães com IPE e podem ter efeitos clinicamente relevantes. A vitamina B12 pode ser administrada a cada 1 a 4 semanas por via parentérica aos cães que tem falta de tal vitamina, já que a suplementação por via oral, provavelmente, não será benéfica em animais com distúrbios intestinais na gestão deste nutriente. Cães com alterações na microbiota intestinal secundária à má digestão de nutrientes podem se beneficiar com um antibiótico como a tilosina ou um suplemento probiótico. Pode ser útil avaliar periodicamente as outras raças diferentes daquelas conhecidas por ter uma base genética para desenvolver IPE em busca de evidências de pancreatite subjacente e diabetes mellitus concorrente. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas A suplementação da dieta com enzimas digestivas em forma de pó, concentrado de pâncreas cru ou comprimidos/cápsulas antes da ingestão é essencial para assegurar um tratamento eficaz de IPE. A suplementação inadequada com enzimas digestivas é uma causa comum de falha no tratamento. Alguns médicos acreditam que os suplementos em pó são mais eficazes em alguns cães. Grande parte da enzima suplementada é digerida no estômago, por isso deve-se proporcionar quantidades suficientes para rebater os valores de perda antecipada. Alguns animais podem se beneficiar da administração simultânea de antagonistas H-2, tais como famotidina, para reduzir a acidez gástrica. Controle Os principais sinais clínicos que indicam a obtenção dos efeitos terapêuticos desejados são a resolução da diarreia, a manutenção ou o ganho de peso e a melhoria da pelagem. Pode também ajudar controlar os níveis de cobalamina no soro, ácido fólico e imunorreatividade lipase pancreática dependendo dos resultados dos testes iniciais.Os animais que respondem mal à dieta, à suplementação e aos medicamentos corretos devem ser avaliados em busca de neoplasia intestinal, inflamação intestinal ou reações adversas aos alimentos. Manejo nutricional da insuficiência pancreática exócrina em cães Dieta baixa em gordura (suspeita de pancreatite) Dieta rica em gordura Persistência de sinais clínicos Persistência de sinais clínicos Resolução de sinais clínicos Garantir que a dosagem e o tipo de suplemento de enzimas pancreáticas estejam corretos Manter o manejo nutricional e com medicamentos por toda a vida Considerar uma avaliação na busca de Comorbidades comuns Diagnóstico confirmado e suplementação de enzimas pancreáticas iniciada Alimentar com uma dieta específica regularmente Dieta rica em fibras Dieta habitualDieta altamente digestível 57 Princípios da alimentação coadjuvante Os objetivos do manejo nutricional são minimizar a irritação gástrica/vômito, reduzir as secreções gástricas/intestinais, promover o esvaziamento gástrico, normalizar a motilidade intestinal, minimizar o desperdício, e atender a certos requisitos nutricionais. O tratamento inicial para os vômitos agudos que não são prolongados inclui suspensão da alimentação por 12-24 horas, com fluidoterapia se o animal estiver gravemente desidratado. Assim que for controlado o vômito, oferecer pequenas quantidades de água ou cubos de gelo por via oral. Se tolerado, incorporar novamente e gradualmente uma dieta enteral. As metas iniciais para regressar à alimentação são de 25% a 33% de calorias necessárias para a necessidade de energia em repouso (RER), com aumento gradual ao longo de vários dias para se atingir o RER, em seguida, as necessidades diárias de energia (RED) para o peso corporal (PC) atual. Pequenas quantidades de alimento, várias vezes ao dia (três a seis) minimizam qualquer resposta adversa e aumentam a assimilação da dieta. As características específicas da dieta e os níveis desejados de nutrientes incluem: • Digestibilidade total da dieta ≥ 90%. • Fonte de proteínas novas ou hidrolisadas. O ideal é uma fonte só de proteínas de alta qualidade com alta digestibilidade (>87%). Ingestão desejada de proteínas entre 4,5 e 7,5 g/100 kcal consumidas; dieta 16 - 30%, em matéria seca (MS). • Ingestão de gordura entre 2.6e 4.7 g/100 kcal; dieta ≤15% gordura, MS. • Baixo teor de fibras insolúveis para aumentar a digestibilidade. Ingestão de fibra desejada entre 0,2 e 0,35 g/100 kcal (~ 1,0%, MS) com fontes de fibras fermentáveis tais como a pectina, goma de guar, goma arábica, polpa de beterraba. • Ajustar o conteúdo de potássio (K +), sódio (Na) e de cloreto. Ingestão de eletrólitos desejada entre 140 e 230 mg de K +/100 kcal; entre 0,6% e 1,3%, MS e entre 85 e 120 g de Na/100 kcal; 0,35% a 0,5%, MS. • Ajustar o conteúdo de potássio (K +), sódio (Na) e de cloreto. Ingestão de eletrólitos desejada entre 140 e 230 mg de K +/100 kcal; entre 0,6% e 1,3%, MS e entre 85 e 120 g de Na/100 kcal; 0,35% a 0,5%, MS. nPetiscos–Normalmente, não são recomendados petiscos quando está se tratando distúrbios gastrointestinais. Se os petiscos são um componente necessário do regime de alimentação diária, escolher petiscos altamente digestíveis que forneçam uma fonte de proteínas novas ou hidrolisadas e moderado conteúdo de gorduras. Pode ser apresentada uma pequena porção da refeição da dieta seca escolhida ou um produto seco hidrolisado complementar em partículas. A partir da escolha da dieta úmida Korinn E. Saker, DVM, PhD, DACVN Definição A gastroenteriteé uma doença inflamatória dos intestinos e do estômago. Comumente caracterizada por infiltrados celulares (eosinófilos, linfócitos, células plasmáticas) na lâmina própria, a submucosa e/ou a mucosa muscular, erosões/úlceras gástricas ou por uma diarreia severa com sangue (hemorrágica). O tipo de célula predominante indica o tipo de doença (isto é, gastroenterite eosinófila ou linfocítica plasmocítica [LPL]). Ferramentas de diagnóstico e exames complementares As principais características incluem um histórico de diarreia e/ou vômito crônico e intermitente, perda de peso / escore de condição corporal, Pan-hipoproteinemia e leucocitose neutrofílica com LPL. As ferramentas de diagnóstico compreendem uma base de dados mínima mais exames de fezes, testes para a detecção de antígenos bacterianos e cultura de bactérias, imunorreatividade semelhante a tripsina (IST) em jejum, testes de folato e cobalamina, e teste com dieta hipoalergênica. Os estudos de contraste com bário, ultrassom e endoscopia do abdômen podem ajudar a avaliar a distribuição da doença e espessura da parede intestinal/estomacal, para facilitar o diagnóstico da biópsia. Fisiopatologia A irritação/lesão na mucosa e/ou resposta imunológica anormal conduzem à interrupção da barreira mucosa e da captação e infiltração de células inflamatórias. O contínuo dano na mucosa produz perda na função da barreira do trato gastrointestinal (TGI), diminuição do fluxo sanguíneo e alterações na motilidade do intestino. As principais causas são desordens alimentares, intolerância à dieta, ingestão de corpos estranhos, toxinas, medicamentos e agentes infecciosos. Doenças renais e hepáticas, distúrbios endócrinos, choque e sepse são causas sistêmicas comuns. Predisposição As doenças relacionadas com a alimentação, corpos estranhos e infecções são comuns em cães mais jovens, enquanto as etiologias metabólicas, neoplásicas e induzidas por medicamentos são comuns em cães mais velhos. A gastroenterite LPL afeta cães com mais de 5 anos. Predileções por raça mostram cães de raça Pastor Alemão e Shar-Pei com LPL; cães da raça Setter Irlandês com sensibilidade ao glúten; e cães de raça Basenji e Lundehund Norueguês com doença intestinal inflamatória sem LPL. A gastroenterite eosinofílica tem menor incidência e ocorre principalmente em cães com idade inferior a 5 anos, especialmente da raça Pastor Alemão, Rottweiler e Wheaten Terrier de pelo macio. Modificações nos nutrientes essenciais A inflamação característica da gastroenterite altera adversamente a digestão e a absorção de nutrientes. Mudanças na dieta devem incidir sobre a digestibilidade total da dieta, escolhendo uma dieta altamente digestível (≥ 90%). Deve-se alterar a fonte de proteína dietética para alguma a qual o animal de estimação não tenha sido previamente exposto e limitar o teor a uma, ou talvez duas, fontes de proteína de alta qualidade; alimentar com níveis mínimos adequados. Alterar o nível de gorduras na dieta com base na inflamação do TGI. São preferíveis as fontes de carboidratos solúveis altamente digestíveis fornecidas em pequenas quantidades. As dietas com maior teor de umidade (enlatado ou sachê) ajudam a neutralizar as perdas de líquidos. Os níveis mais elevados de potássio, cloreto e de sódio na dieta ajudam a corrigir alterações nos eletrólitos. Os ácidos graxos Ômega 3 podem exercer uma função anti-inflamatória. Valores recomendados de nutrientes essenciais Gastroenterite/Vômitos - Cães Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Proteína 16–30 4.5–7.5 18 5.1 Gordura 10–15 2.6–4.7 5 1.4 Fibra bruta# 1–2.5 0.2–0.4 n/d n/d mg/100 kcal mg/100 kcal Potássio 0.6–1.3 140–230 17 170 Sódio 0.3–0.5 85–120 0.06 17 Ácido Graxo 1–1.5 200–300 n/d n/d Ômega-3 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). # São preferíveis as fibras solúveis. A análise de fibras brutas inclui a maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma,a fibra bruta tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliado. Deve-se avaliar a lista de ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis. 58 podem ser feitos petiscos assados. A contribuição calórica não deve exceder 10% do total de calorias diárias. nDicas para aumentar a palatabilidade–Vômitos podem estar associados com uma aversão aos alimentos. Para superar este problema, deve-se rever a lista de ingredientes/conteúdo de nutrientes da dieta que o paciente consumia antes do distúrbio, em seguida, identificar dietas para tratar a doença com diferentes fontes de nutrientes (proteínas, gorduras) para o retorno à alimentação. Aquecer o alimento enlatado a uma temperatura ligeiramente acima da temperatura ambiente, para melhorar o sabor. Adicionar ao alimento seco água morna ou caldo quente, com baixo teor de sódio. Se for alimentado com uma fonte de proteínas hidrolisadas ou novas, o caldo deve vir especificamente a partir dessa fonte de proteínas. n Recomendações para a dieta – As dietas coadjuvantes altamente digestíveis formuladas para o tratamento da gastroenterite podem ser mencionadas como dieta gastroentérica, gastrointestinal, intestinal ou de baixo resíduo. As dietas com carboidratos/ proteínas novas ou hidrolisadas são comumente chamadas de dieta anti-inflamatória, para a alergia aos alimentos, hipoalergênica, com antígenos limitados, baixa em alérgenos, ou com fórmula para pele e pelagem. Dietas para a etapa de vida de idade avançada podem ser bem aceitáveis. Pontos para a educação do proprietário • Os cães com gastrenterite causadas por infecções ou parasitas podem contagiar outros animais. A exposição frente a outros animais e o manuseio destes pacientes deve ser realizado com cuidado. • Os animais diagnosticados com doença inflamatória do intestino podem ter um componente genético e/ou uma desordem do sistema imunológico que predispõem esses animais a outras doenças. • A castração e a esterilização dos animais afetados deverão ser analisadas devido ao potencial hereditário. • A doença inflamatória intestinal não é curada, mas tratada com medicamentos e através de orientações na alimentação. • O tratamento e sua continuação podem ser por toda a vida. As mudanças na dieta devem ser feitas de forma gradual. Hospitalização e nutrição parenteral podem ser necessárias no caso de pacientes debilitados. Comorbidades comuns A enteropatia com perda de proteínas, a insuficiência renal, a insuficiência hepática, o hipoadrenocorticismo, a pancreatite e a insuficiência pancreática exócrina são comorbidades comuns em cães com gastroenterite ou vômitos. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Os antagonistas dos receptores H2e os inibidores da bomba de prótons podem diminuir a absorção de ferro e vitaminas do complexo B, devido a uma diminuição da liberação de ácidos. Os citoprotetores formam uma barreira mucosa, inativam a pepsina, absorvem sais biliares e podem se fixar aos nutrientes causando uma diminuição da absorção desses nutrientes. Os procinéticos alteram o ritmo da entrega e absorção de alimentos no intestino delgado ao influenciar a motilidade intestinal. A administração crônica de esteroides pode diminuir a absorção de cálcio. Altas doses de metronidazol podem causar neurotoxicidade reversível. A ciclosporina pode irritar o TGI e as gengivas. A administração de antibióticos altera a microbiota do trato digestivo e podem quelar minerais (Ca, Mg, Fe, Zn), afetando o metabolismo e absorção de nutrientes. Controle Controlar a hidratação mediante o hematócrito sequencial, a gravidade específica da urina, e/ou a resposta à manobra da dobra cutânea. Usar os valores séricos para avaliar o estado dos eletrólitos e da função renal. Imagens podem determinar alterações na espessura da parede estômago/intestinal e na distribuição da doença. Alterações no peso corpóreo e na pontuação do escore de condição corporal refletem a utilização de nutrientes e/ou de suas perdas contínuas. Se houver pouca ou nenhuma melhora nas medidas principais, reavaliar os componentes do plano de alimentação (paciente, dieta, método de alimentação) para reformular o plano de suporte nutricional com base em novas situações ou parâmetros previamente omitidos. 59 Manejo nutricional da gastroenterite/vômitos em cães Repouso do TGI durante 12 - 24 horas Aguda, < 5 dias Crônica, > 5 dias Oferecer pequenos volumes de água/cubos de gelo a cada 2-3 horas por 1 dia Iniciar mais testes para resolver os vômitos Vômitos resolvidos Vômitos resolvidos Avaliação do paciente Fluidoterapia, exame diagnóstico completo +/- nutrição parenteral Vômitos resolvidos Oferecer dieta entérica (DE) 15-25% do RER, dividida a cada 3-4 horas por 1 dia Vômitos resolvidos Oferecer DE ao 33-66% do RER, dividida a cada 4-6 horas por 1-2 dias Vômitos resolvidos Oferecer DE 100% do RER, dividida a cada 8 horas por 1-2 dias Vômitos resolvidos Oferecer DE ao RED para peso corporal ótimo, dividido a cada 2-3 vezes por dia por 1 - 2 dias Vômitos resolvidos Transição de DE para a dieta adequada a longo prazo ao RED Vômitos resolvidos Vômitos continuam Vômitos continuam Vômitos continuam Vômitos continuam Vômitos continuam Vômitos continuam DE: Dieta entérica RED: Requerimento energético diário RER: Requerimento energético de repouso Princípios da alimentação coadjuvante Os objetivos nutricionais são minimizar a irritação gástrica/vômito, reduzir as secreções gástricas/intestinais, promover o esvaziamento gástrico, normalizar a motilidade intestinal, minimizar os resíduos, e atender a certos requisitos nutricionais. O tratamento inicial para vômito agudo que não é prolongado inclui suspensão da alimentação por 12-24 horas, com fluidoterapia se o animal estiver gravemente desidratado. Com os vômitos resolvidos, oferecer pequenas quantidades de água ou cubos de gelo por via oral. Se tolerado, novamente e gradualmente, incorporar uma dieta enteral. As metas iniciais para regressar à alimentação são de 25% a 33% de calorias necessárias para o requerimento energético em repouso (RER), aumentando gradualmente ao longo de vários dias para se atingir o RER, em seguida, o requerimento diário de energia (NDT) para o peso corporal (PC) atual. Pequenas quantidades de alimento, várias vezes ao dia (três a seis) minimizam qualquer resposta adversa e aumentam a assimilação da dieta. As características específicas da dieta e os níveis desejados de nutrientes incluem: • Digestibilidade total da dieta ≥90%. • Fonte de proteínas novas ou hidrolisadas. O ideal é uma única fonte de proteína de alta qualidade com elevada digestibilidade (> 87%). Ingestão desejada de proteína entre 7,5 e 9,5 g/100 kcal consumidas; de 32% a 42%, em matéria seca (MS). • Ingestão desejada de gordura entre 3,5 e 6,0 g/100 kcal; dieta de 15% a 24% de gordura, MS. • Baixo teor de fibras insolúveis para aumentar a digestibilidade. Ingestão desejada de fibra entre 0,2 e 0,5 g/100 kcal (1,0% a 2,5%, MS) com fontes de fibras fermentáveis tais como a pectina, goma de guar, goma arábica, polpa de beterraba. • Ajustar o conteúdo de potássio (K +), sódio (Na) e de cloreto. Ingestão desejada de eletrólito entre 180 e 250 mg de K +/100 kcal; de 0,75% a 1,1%, MS e entre 70 e 85 g de Na/100 kcal; entre 0,3% e 0,45%, MS. • Perdas leves de líquidos devem ser repostas por via oral com água limpa e fresca e/ou uma dieta úmida. Perdas moderadas a severas devem-se recuperar por via parenteral com soluções cristaloides adequadas. • Conteúdos de Ácidos graxos Ômega 3 ~ 250 mg/100 kcal; de 75 a 100 mg/kg de peso corporal. Proporção desejada na dieta de Ômega 6: Ômega 3 a ≤2: 1. • Pode ser considerada a suplementação com probióticos, mas isso geralmente é mais indicado nos casos de diarreia clínica. nPetiscos–Normalmente, petiscos não são recomendados enquanto se está tratando distúrbios gastrointestinais. Se os petiscos são um componente necessário do regime de Korinn E. Saker, DVM, PhD, DACVN Definição A gastroenterite é umadoença inflamatória dos intestinos e do estômago. Os infiltrados celulares (eosinófilos, linfócitos, células de plasma) na lâmina própria, na submucosa e/ou mucosa muscular são característicos e indicam o tipo de gastroenterite (isto é, eosinofílica ou linfocítica plasmocítica [LPL]). Podem-se desenvolver erosões/úlceras gástricas. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares As principais características da gastroenterite em gatos incluem um histórico de diarreia e/ou vômito crônico intermitente, perda de peso / escore de condição corporal, eosinofilia periférica, anemia não degenerativa e deficiência de cobalamina. As ferramentas de diagnóstico compreendem uma base de dados mínima mais tiroxina (T4), sorologia do vírus da leucemia felina (FeLV, em inglês)/vírus da imunodeficiência felina (FIV, em inglês), imunorreatividade similar à da tripsina (IST) em jejum e testes de cobalamina. Os estudos de contraste de bário, de ultrassom e endoscopia do abdômen podem ajudar a avaliar a distribuição da doença, a espessura da parede intestinal/estomacal e facilitar o diagnóstico da biópsia. Fisiopatologia A irritação/lesão da mucosa e/ou a resposta imunológica anormal conduzem à interrupção da barreira mucosa e da captação e infiltração de células inflamatórias. Danos contínuos na mucosa produzem perda da função de barreira do trato gastrointestinal (TGI), diminuição do fluxo sanguíneo, e alterações na motilidade do intestino. As principais causas são: desordens alimentares, intolerância à alimentação, transtornos na motilidade, ingestão de corpos estranhos, toxinas ou agentes irritantes, medicamentos e agentes infecciosos. Doenças renais e hepáticas, a pancreatite e o hipertireoidismo são causas sistêmicas comuns. Predisposição A enterite linfocítica plasmocítica é uma causa associada da doença inflamatória intestinal (DII), mais comum em animais com idade entre 2 anos ou mais, mas é observada ocasionalmente nos filhotes. Não há descrição por predileções de raças. A síndrome hipereosinofílica ocorre mais frequentemente em gatos domésticos de pelos curtos, de meia idade. As etiologias relacionadas com a ingestão de corpos estranhos, parasitas e infecções são mais comuns em animais mais jovens, enquanto as de causa metabólica, neoplásicas e induzidas por medicamentos são mais comuns em animais mais velhos. Os distúrbios da motilidade intestinal observam-se em gatos domésticos de pelo curto, gatos domésticos com pelos longos e em gatos siameses de meia idade. Modificações nos nutrientes essenciais A inflamação associada à gastroenterite altera de modo adverso a digestão e a absorção de nutrientes. As mudanças na dieta devem incidir sobre a digestibilidade total da dieta; o melhor é escolher uma dieta altamente digestível (≥ 90%). A fonte de proteínas terá que ser modificada para uma outra a que o animal de estimação ainda não tenha sido exposto e o conteúdo limitado a apenas uma, no máximo duas, fontes de proteína de alta qualidade fornecidas em níveis reduzidos. O nível de gordura na dieta deve ser modificado com base na localização da inflamação gastrointestinal. São preferidas as fontes de carboidratos solúveis altamente digestíveis fornecidas em pequenas quantidades. As dietas com maior teor de umidade (enlatado ou sachê) ajudam a neutralizar as perdas de líquidos. Os níveis mais elevados de potássio, cloreto e sódio na dieta ajudam a corrigir as alterações nos eletrólitos. Os ácidos graxos ômega 3 podem exercer uma função anti-inflamatória. Valores recomendados de nutrientes essenciais Gastroenterite/Vômitos - Gatos Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Proteína 32–42 7.5–9.5 26 6.5 Gordura 15–24 3.5–6.0 9 2.3 Fibra Bruta# 1–2.5 0.2–0.5 n/d n/d mg/100 kcal mg/100 kcal Potássio 0.75–1.1 180–250 0.6 150 Sódio 0.3–0.5 70–85 0.2 50 Ácido Graxo 1–1.5 200–300 n/d n/d Ômega-3 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. *Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). # São preferíveis as fibras solúveis. A análise de fibras brutas inclui a maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma, a fibra bruta tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliado. Deve-se avaliar a lista de ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis. 60 alimentação diário, escolher alimentos altamente digestíveis que forneçam uma fonte de proteínas novas ou hidrolisada e moderado teor de gorduras. Pode-se dar como petiscos uma pequena porção da alimentação seca escolhida ou uma ração seca hidrolisada suplementar em partículas. A partir da escolha da dieta úmida podem ser feitos petiscos assados. A contribuição calórica dos petiscos não deve exceder 10% do total de calorias diárias. nDicas para aumentar a palatabilidade–Vômitos podem ser associados com uma aversão aos alimentos. Para superar este problema, deve-se rever a lista de ingredientes/conteúdo de nutrientes da dieta que o paciente comia antes do distúrbio e identificar dietas para tratar a doença com diferentes fontes de nutrientes (isto é, proteína, gordura) para o processo de voltar à alimentação. Aquecer o alimento enlatado a uma temperatura ligeiramente acima da temperatura ambiente, para melhorar o sabor. Adicionar ao alimento seco água morna ou caldo de frango quente, com baixo teor de sódio. Se alimentado com uma fonte de proteínas hidrolisadas ou novas, o caldo deve vir especificamente a partir dessa fonte de proteínas. n Recomendações para a dieta– As dietas coadjuvantes altamente digestíveis formuladas para o tratamento da gastroenterite podem ser mencionadas como dieta gastroentérica, gastrointestinal, intestinal ou de baixo resíduo. As dietas com carboidratos/proteínas novas ou hidrolisadas são comumente chamadas de dieta anti- inflamatória, para a alergia aos alimentos, hipoalergênicos, com antígenos limitados, baixa em alérgenos, ou uma fórmula para pele e pelagem. Dietas para a etapa de vida de idade avançada podem ser bem aceitáveis. Começar a voltar a dar alimentos ao nível ou abaixo da RER (PC atual), a fim de fornecer a longo prazo, calorias da NDT a um PC ótimo. Pontos para a educação do proprietário • Gatos com gastroenterite causada por infecções ou parasitas podem ser contagiosos para outros animais. A exposição a outros animais e o tratamento desses pacientes deve ser realizado com cuidado. • Os animais diagnosticados com doença inflamatória do intestino podem ter um componente genético e/ou uma desordem do sistema imunológico e serem predispostos a outras doenças. A castração e a esterilização dos animais afetados devem ser analisadas devido à carga hereditária. • Doenças inflamatórias do TGI não são curadas, mas sim são tratados com medicação e nutrição. O tratamento e o monitoramento podem ser feitos pelo resto da vida. As mudanças na dieta devem ser feitas de forma gradual. Pacientes debilitados podem precisar de hospitalização e nutrição parenteral. Comorbidades comuns Desidratação, desnutrição, hipoproteinemia, anemia, insuficiência renal, insuficiência hepática, hipertireoidismo, pancreatite, insuficiência pancreática exócrina, neoplasia e FeLV/FIV são doenças de comorbidade comuns em gatos com gastroenterite ou vômitos. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Os antagonistas dos receptores H2e os inibidores da bomba de prótons podem diminuir a absorção de ferro e vitaminas do complexo B, devido a uma diminuição da liberação de ácidos. Os citoprotetores formam uma barreira mucosa, inativam a pepsina, absorvem sais biliares e podemse fixar nos nutrientes causando uma diminuição na absorção de tais nutrientes. Os procinéticos alteram o ritmo de entrega e absorção dos alimentos no intestino delgado ao influenciar a motilidade intestinal. A administração crônica de esteroides pode diminuir a absorção de cálcio. Altas doses de metronidazol podem provocar neurotoxicidade reversível. Antibióticos mudam a microbiota do trato digestivo e podem quelar minerais (Ca, Mg, Fe, Zn), que afetam o metabolismo e absorção dos nutrientes. Azatioprina pode causar supressão da medula óssea em gatos. Controle Controlar a hidratação mediante o hematócrito sequencial, a gravidade específica da urina, e/ou a resposta à manobra da dobra cutânea. Usar os valores séricos para avaliar o estado dos eletrólitos e da função renal. Imagens podem determinar alterações na espessura da parede estomacal/intestinal e a distribuição da doença. Alterações no peso corpóreo, na pontuação do escore de condição corporal refletem a utilização de nutrientes e/ou de suas perdas contínuas. Se houver pouca ou nenhuma melhora nos exames complementares, reavaliar os componentes do plano de alimentação (paciente, dieta, método de alimentação) para reformular o plano de suporte nutricional com base em novas situações ou parâmetros previamente omitidos. 61 Manejo nutricional da gastroenterite / vômitos em gatos Repouso do TGI durante 12 - 24 horas Aguda, < 5 dias Crônica, > 5 dias Oferecer pequenos volumes de água/cubos de gelo a cada 2-3 horas por 1 dia Iniciar mais testes para resolver os vômitos Vômitos resolvidos Vômitos continuam Avaliação do paciente Fluidoterapia, exame diagnóstico completo +/- nutrição parenteral Vômitos resolvidos Oferecer dieta entérica (DE) 15-25% do RER, dividida a cada 3-4 horas por 1 dia Vômitos resolvidos Oferecer DE ao 33-66% do RER, dividida a cada 4-6 horas por 1-2 dias Vômitos resolvidos Oferecer DE 100% do RER, dividida a cada 8 horas por 1-2 dias Vômitos resolvidos Oferecer DE ao RED para peso corporal ótimo, dividido a cada 2-3 vezes por dia por 1 - 2 dias Vômitos resolvidos Transição de DE para a dieta adequada a longo prazo ao RED Vômitos resolvidos Vômitos continuam Vômitos continuam Vômitos continuam Vômitos continuam Vômitos continuam Vômitos continuam DE: Dieta entérica RED: Requerimento energético diário RER: Requerimento energético de repouso Enteropatias crônicas - Cães Frédéric P. Gaschen, Dr.med.vet., Dr.habil., DACVIM, DECVIM-CA Dottie Laflamme, DVM, PhD, DACVN Definição As enteropatias crônicas em cães incluem reações adversas a alimentos, diarreia associada a antibióticos (DAA) e doença inflamatória do intestino (DII) e são definidas pelo aparecimento de diarreia crônica, as vezes intermitente, com ou sem vômitos associados com um infiltrado inflamatório de gravidade variável na mucosa gastrointestinal (GI), na ausência de uma causa identificável. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares Os exames completos típicos diferem dependendo da gravidade da doença. Inicialmente, é essencial descartar uma infestação por parasitas com exames em série de fezes ou a administração de um anti-helmíntico de amplo espectro. Cães com doença leve a moderada podem ser submetidos a mais testes de tratamento com dietas de eliminação antes de considerar exames completos mais abrangentes. Esta opção inclui hemograma completo e perfil químico, ultrassom abdominal e amostras de biópsia tirada da mucosa. Cães gravemente afetados e aqueles com indicadores de perda de proteínas geralmente se beneficiam de uma abordagem diagnóstica inicial agressiva. Fisiopatologia As reações adversas aos alimentos incluem intolerância alimentar (uma reação imunologicamente não mediada) e alergia alimentar (mediada ou não por IgE). Cães com DAA beneficiam-se com a mudança na microbiota intestinal ou com desaparecimento das bactérias ofensivas secundarias nos tratamentos com antibióticos. Alternativamente, certos agentes antimicrobianos podem influenciar diretamente a imunidade da mucosa. A patogênese da DII em cães ainda é em grande parte desconhecida. A microbiota intestinal anormal e as interações atípicas entre a microbiota e o sistema imunológico do hospedeiro são os principais agentes envolvidos, como exemplificado pela aderência às mucosas e à E. coli invasiva que foram diretamente envolvidas na patogênese da colite ulcerativa histiocítica (CUH), uma forma específica de DII. Predisposição Enquanto muitas raças de cães foram diagnosticadas com enteropatia crônica, foram identificadas algumas predileções de raça. Documentada uma alta incidência de enteropatia com perda de proteínas nos cães da raça Wheaten Terrier, Shar-Pei e Lundehound Norueguês. Linfangiectasia frequentemente ocorre em cães da raça Yorkshire Terrier. A enterite imunoproliferativa é uma doença de cães de raça pura Basenji. Os cães da raça Pastor Alemão têm alto risco de DAA. Num estudo recente, os cães com enteropatia crônicas sensíveis à dieta eram geralmente cães jovens de raças grandes, enquanto aqueles diagnosticados com DII eram geralmente cães mais leves e mais velhos. Modificações nos nutrientes essenciais Enteropatias crônicas são uma síndrome mal definida com múltiplas etiologias, muitas vezes desconhecidas. Assim, a dieta sozinha pode não ser apropriada para todos os casos. Grande parte dos cães com enteropatia idiopática crônica responderão a uma doença inflamatória severa do intestino delgado podendo causar má absorção e má nutrição. Estes pacientes devem ser alimentados com uma dieta de alta digestibilidade com moderado a baixo teor de gordura. Ácidos graxos ômega 3 de óleo de peixe podem reduzir a inflamação, e alguns pacientes com DII podem se beneficiar com uma dieta com mais óleo de peixe. Se a linfangectasia é parte da síndrome, deve-se alimentar com uma dieta com baixo teor em gordura. Podem ser usados triglicerídeos de cadeia média para fornecer calorias adicionais altamente digestíveis. Os probióticos podem ser benéficos em cães com DII. Valores recomendados de nutrientes essenciais Nutriente % MS mg/100 kcal % MS mg/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Total de gor- 12–14% 2.5–3.5 5.0 1.43 dura na dieta Princípios da alimentação coadjuvante O objetivo do tratamento dietético é fornecer uma alimentação equilibrada aos pacientes, ajudando a atender os sinais clínicos. A inflamação gastrointestinal ocorre em resposta a antígenos alimentares, antígenos bacterianos e outros agentes irritantes. Qualquer mudança na dieta pode causar alterações nesses agentes estimulantes potenciais. Os cães com enteropatia idiopática crônica devem ser submetidos a um teste com proteína nova ou hidrolisada na dieta. Os cães podem apresentar melhora se forem alimentados com essas dietas, ainda que não apresentem alergia alimentar (um diagnóstico final de alergia alimentar envolve uma recaída clínica sob provocação com os ingredientes da dieta anterior). Deve ser observada uma melhora dentro de 2-3 semanas. Uma alta porcentagem de cães com suspeita ou confirmação de DII apresentou melhora clínica após a alimentação ou com uma dieta de proteína hidrolisada ou uma dieta com 1% de ácidos graxos ômega 3 de óleo de peixe. Para pacientes com enteropatia e perda de proteínas ou linfangiectasia, deve-se usar uma dieta altamente digestível muito baixa em gordura. Também pode ser valiosa para esses pacientes uma dieta contendo proteínas hidrolisadas, se tiver baixo conteúdo de gorduras. Os probióticos podem ser úteis em pacientes com DII. Ao modificar a microbiota gastrointestinal, podem alterar os antígenos bacterianos presentes no intestino e, deste modo, reduzir o estímulo inflamatório. n Petiscos – Os petiscos, bem como medicamentos com sabor devem ser completamente excluídos em cães submetidos a testes alimentares (para inflamações sensíveis à dieta). Onde for permitido, os petiscos não devem exceder 10% da ingestão diária de calorias. Se alimentado com uma dieta seca, pode-se deixar as partículas ao lado para oferecê-los comopetiscos. Se alimentados com uma dieta úmida, pode-se usar esse alimento tal qual, ou assá-lo para dar uma textura crocante. Cães com linfangiectasia pode-se oferecer petiscos com baixo teor de mudança na dieta. Entre eles, muitos cães irão se beneficiar da mudança para uma dieta de eliminação (fonte de novas proteínas ou proteínas hidrolisadas). nDicas para aumentar a palatabilidade–A adição de água morna pode melhorar a palatabilidade da comida seca. Aquecer os alimentos enlatados à temperatura corporal para liberar os aromas e poder aumentar a palatabilidade. Os alimentos podem ser polvilhados com um prebiótico potenciador de sabor. nRecomendações para a dieta– Dietas com novas proteínas são escolhidas com base nos históricos alimentares do cão. O ideal é que o animal não tenha sido exposto anteriormente à fonte de proteínas selecionada. Ainda assim, consideram-se fontes de proteína secundárias os grãos, pois também podem conter proteínas alergênicas. Embora inicialmente dietas caseiras possam ter alguma vantagem, não fornecem alimentação equilibrada a longo prazo. Muitos produtos nutricionalmente equilibrados com proteínas provenientes de várias fontes, tais como peixe, veado, pato, coelho ou suíno estão à venda no mercado. As dietas com proteínas novas não são inferiores em grau alergênico, portanto, a exposição prévia a elas é fundamental. Alguns cães podem desenvolver intolerância às dietas com proteínas novas. 62 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. *Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). # Se necessário, por exemplo na linfangiectasia, a gordura pode se restringir abaixo dos 12%, matéria seca, ou menos de 2,5 g/100 kcal. Sem sucesso, colonoscopia e biópsia da mucosa Teste de tratamento: sulfasalazina e fibras Suspeita de CUH: teste com enrofloxacina Albumina ≤ 2.0 g/dL Albumina ≥ 2.5 g/dL Descartar doença primaria sensível à dieta: dieta com proteínas hidrolisadas ou antígenos novos As dietas com proteínas hidrolisadas são compostas de peptídeos menores, que são menos susceptíveis de causar uma reação imunológica. Em relação às novas dietas ricas em proteínas, considere as possíveis proteínas em grãos e outros carboidratos inclusos na dieta. Se não houver qualquer proteína intacta na dieta, pode ser utilizada essa dieta sem o conhecimento dos detalhes do histórico alimentar do paciente. Enquanto estas dietas são menos alergênicas se comparado às dietas com proteínas novas, um percentual muito pequeno de cães pode, no entanto, ter uma resposta alérgica aos seus componentes. Em geral, a resposta à mudança na dieta ocorre dentro de 2 a 3 semanas em cães com enteropatias crônicas sensíveis à dieta. Alguns podem novamente incorporar progressivamente uma dieta comercial de alta qualidade, depois de um teste bem- sucedido de eliminação. Outros terão de comer uma dieta de eliminação a longo prazo. Dietas de fácil digestão, com baixo teor de gordura são indicadas em cães com grave enteropatia com perda de proteínas (por exemplo: linfangiectasia) e sinais clínicos associados. A adição de fibras fermentáveis à dieta proporciona benefícios adicionais para os cães com colite crônica. As fibras fermentáveis são metabolizadas em ácidos graxos de cadeia curta pela microbiota do intestino grosso, e fornecem uma fonte útil de energia. De um modo geral, melhoram a estrutura e a função do epitélio intestinal. O Psyllium é um exemplo de fibra fermentável que pode ser oferecida como um suplemento dietético. A dose recomendada é de 0,5 colheres de sopa (CS) para as raças toy, uma CS para cães pequenos, 2 CS para cães de médio porte e 3 CS para cães grandes. Deverão ser gradualmente acrescentadas as fibras (aumentando para 4 a 7 dias até a quantidade total) para permitir que a microbiota do TGI se adapte. Pontos para a educação do proprietário • O rígido tratamento dietético dos cães com doença intestinal crônica é um componente central de tratamento. Mesmo parecendo um desafio, é essencial alimentar os cães exclusivamente com a dieta recomendada. • Qualquer petisco que novamente exponha o cão às proteínas ofensivas pode causar uma recaída. Isso inclui medicamentos tais como os mastigáveis que impedem a dirofilariose. Devem ser evitados os petiscos durante o teste da dieta, até estabelecer que eles não causem uma reação adversa. • Enquanto dietas caseiras podem ser úteis, geralmente não fornecem uma nutrição equilibrada a longo prazo; é por isso que dietas equilibradas nutricionalmente que estão à venda no mercado são as preferidas. Comorbidades comuns Enteropatias moderadas a severas estão comumente associadas com a má digestão e má absorção no funcionamento nomal do intestino. Isso consequentemente resulta em má nutrição e perda de peso. Recentemente a deficiencia em cobalamina (Vitamina B12) foi documentada em cães com enteropatias crônicas. Nesses casos, a suplementação parenteral de cobalamina pode se mostrar necessária para o sucesso do tratamento. A dose recomendada para cães deficitários deste nutriente está entre 250 e 1.500 μg SC, dependendo do tamanho do cão. As aplicações são administradas semanalmente por 6 semanas, repetindo o processo a cada duas semanas por mais 6 semanas caso necessário. É recomendável avaliar o estado clínico do cão e suas concentrações de cobalamina para guiar futuros tratamentos. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Antibióticos para tratar o tratamento da DAA são recomendados. Afetam significativamente a composição da microbiota intestinal, o que pode afetar a função gastrointestinal. Os seguintes agentes antimicrobianos são geralmente bem tolerados: metronidazol, tilosina ou tetraciclina. Enrofloxacina é o tratamento preferido para Colite histiocítica ulcerativa (CHU), uma forma específica de DII. Os corticosteroides são o pilar do tratamento para DII idiopática frequentemente administrados em altas doses (doses imunossupressoras de prednisona mínima de 2 mg/kg duas vezes por dia). Os corticosteroides são hormônios catabólicos e, dessa forma, não são desejáveis em cães que sofrem de disfunção gastrointestinal por seu impacto sobre o metabolismo. No entanto, em casos de DII seus efeitos benéficos centrados sobre o sistema imunológico superam os efeitos nocivos que podem vir a acontecer sobre o metabolismo. Controle Controles apropriados devem ser programados para reavaliar o estado do cão. O controle do peso corporal (PC) e a pontuação da condição física (ECC) vai ajudar a garantir que o cão receba quantidades adequadas de alimentos. As taxas da pontuação clínica que classificam os diversos parâmetros clínicos e laboratoriais estão disponíveis na literatura, e podem ajudar o médico veterinário a medir as mudanças de uma consulta para o seguinte (índice de atividade da DII em cães ou índice de atividade clínica de enteropatias crônicas em cães). Em caso de falha do tratamento apesar da adesão ao algoritmo apresentado aqui, considere as seguintes possibilidades: (1) a baixa adesão ao tratamento; (2) a presença de uma doença concomitante tal como insuficiência pancreática exócrina, infecção entérica refratária ou hipoadrenocorticismo com deficiência glicocorticoides; (3) DII refratária que pode responder a um tratamento combinado com medicamentos imunossupressores adicionais, tais como ciclosporina, azatioprina, clorambucil; e (4) a presença de uma neoplasia GI difusa. 63 Manejo nutricional da diarreia crônica em cães Severos indicadores sistêmicos tais como perda de peso, ascite Ultrassonografia abdominal Descartar doença primária fora do TGI: hemograma, perfil bioquímico, análisede urina, IST sérica Sem indicadores sistêmicos Descartar parasitas • Matéria fecal/vermifugação Descartar doença relacionada com os antibióticos: teste com metronidazol ou tilosina Biópsias da mucosa Diarreia do intestino delgado Endoscopia se as lesões são acessíveis Laparotomia Diarreia do intestino grosso Ultrassonografia abdominal Linfangiectasia NeoplasiaDII 64 Enteropatias crônicas - Gatos Frédéric P. Gaschen, Dr.med.vet., Dr.habil., DACVIM, DECVIM-CA Dottie Laflamme, DVM, PhD, DACVN Definição As enteropatias crônicas em gatos incluem reações adversas aos alimentos e doença inflamatória intestinal (DII), e são definidas pela ocorrência de diarreia e/ou vômito crônico, por vezes intermitentes, associadas a um infiltrado inflamatório de gravidade variável na mucosa gastrointestinal (GI), na ausência de uma causa identificável. Muitos gatos apresentam apenas vômitos e/ou anorexia. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares Inicialmente, é essencial descartar uma infestação parasitária. Nos gatos com diarreia e/ou vômitos leves, é apropriado um teste inicial de tratamento com uma dieta de eliminação antes de considerar opções mais invasivas. Em gatos com doença moderada a grave é preferível uma abordagem mais agressiva. Várias doenças originadas fora do trato gastrointestinal podem provocar vômitos em gatos; podem ser descartadas com uma análise completa do sangue e perfil bioquímico, incluindo a concentração de tiroxina (T4) no soro. Também pode ser útil um ultrassom do abdômen. Se a doença está no trato digestivo, pode-se exigir amostras endoscópicas ou cirúrgicas de biópsias da mucosa. Fisiopatologia A fisiopatologia das reações adversas aos alimentos inclui intolerância alimentar (reação não mediada imunologicamnete) e alergia alimentar (mediada por IgE ou não mediada por IgE). A patogênese da DII em gatos ainda é, em grande parte, desconhecida. A microbiota intestinal anormal e as interações atípicas com o sistema imunológico do hospedeiro são provavelmente os fatores fundamentais, como exemplificado pela recente constatação da aderência à mucosa e a E. coli invasiva em associação com a DII em gatos. Predisposição Gatos afetados com enteropatias crônicas são geralmente de meia idade, mas a faixa etária é ampla e inclui animais jovens e velhos. Não foram documentados predileções de raça, apesar de gatos de raça pura, como Siameses, Persa e Himalaia, poderem apresentar maior risco. Predileções por gênero não foram identificadas. Modificações nos nutrientes essenciais Deve-se identificar e evitar ingredientes alimentares aos quais o gato possa ter uma reação adversa. Ingredientes alimentares mais comumente reconhecidos por estarem associados com as reações adversas em gatos incluem derivados de peixe, produtos lácteos e carne. Gatos afetados podem responder a uma dieta de proteínas hidrolisadas ou proteínas novas. As dietas altamente digestíveis podem ser benéficas para os animais com sensibilidade à dieta ou DII, uma vez que estes gatos podem ter uma função gastrointestinal diminuída. Ácidos graxos ômega 3 provenientes do óleo de peixe podem reduzir a inflamação, e alguns pacientes com DII podem se beneficiar de uma dieta contendo mais óleo de peixe. Os probióticos podem ser benéficos em gatos com DII. Valores recomendados de nutrientes essenciais Não existem informações suficientes disponíveis para recomendar níveis de nutrientes específicos para gatos com enteropatias crônicas. A digestibilidade total deve ser ≥ 85% (essa informação não está no rotulo, mas o fabricante pode fornecê-la). Todos os nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais de acordo com a fase da vida, estilo de vida e consumo de energia. Princípios da alimentação coadjuvante Para as enteropatias crônicas sensíveis à dieta, o objetivo do tratamento dietético é fornecer uma alimentação equilibrada aos pacientes, ajudando a minimizar os sinais clínicos. Os gatos com suspeita de reações adversas aos alimentos devem ser testados com uma dieta de eliminação. Há duas opções: Uma dieta composta por ingredientes aos quais o gato não tenha sido exposto anteriormente (proteína nova); ou uma dieta contendo proteínas hidrolisadas em que os antígenos foram reduzidos a um tamanho inferior ao ponto de reconhecimento por parte dos anticorpos específicos para alérgenos (hipoalergênica). A escolha de uma dieta com proteínas novas deve ser baseada no histórico alimentar detalhado para evitar que se utilize um alérgeno ingerido anteriormente. Além disso, a escolha deve considerar as fontes de carboidratos, tais como grãos, que também contêm proteínas potencialmente alergênicas. Dietas hipoalergênicas hidrolisadas têm vantagens: os dados do histórico alimentar não são cruciais para a escolha da dieta e reduzem o risco de desenvolver alergias. A maioria dos gatos com diarreia sensível à dieta mostraram melhorias significativas dentro de 1-3 semanas depois de alimentados com uma dieta de eliminação adequada. O tratamento contínuo depende de identificar e evitar os ingredientes específicos dos alimentos aos quais o paciente reage. No entanto, alguns gatos com diarreia sensíveis aos alimentos podem responder a mudanças na dieta e não se intensificar quando provocados. Após um período de estabilização, alguns desses gatos podem retomar a sua dieta normal, sem problemas. Para o DII, o objetivo do tratamento dietético é fornecer uma alimentação equilibrada aos pacientes, ajudando a cumprir os sinais clínicos. A inflamação gastrointestinal pode ocorrer em resposta a antígenos alimentares, antígenos bacterianos ou outras substâncias irritantes. Qualquer mudança na dieta pode causar mudanças nesses potenciais agentes estimulantes. Um percentual elevado de gatos com suspeita ou confirmação de DII apresentou melhora clínica através da alimentação, tanto com uma dieta contendo novas proteínas (ver acima) ou uma dieta altamente digestível quanto com alto ou baixo teor de gordura. Alguns gatos com diarreia respondem positivamente a uma dieta baixa em carboidratos. Os probióticos podem ser úteis em pacientes com DII. Ao modificar a microbiota gastrointestinal, podem alterar os antígenos bacterianos apresentados ao intestino, reduzindo assim o estímulo inflamatório. n Petiscos – Os petiscos, bem como os medicamentos com sabor devem ser completamente excluídos dos gatos submetidos a testes alimentares (por inflamações sensíveis à dieta). Como alternativa, os petiscos podem ser compostos por pedaços da dieta de eliminação. Se alimentados com uma dieta seca, pode-se separar algumas partículas para oferecê-los como petiscos. Se alimentados com uma dieta úmida, pode-se usar esses bolinhos de alimentos tal qual se apresentam, ou depois de assar para dar uma textura crocante. Outros petiscos aceitáveis são pedaços de peito de frango cozido e iogurte sem gordura. n Dicas para aumentar a palatabilidade – Aquecer os alimentos enlatados à temperatura corporal para liberar os aromas pode aumentar a palatabilidade. Polvilhar os alimentos com um produto prebiótico intensificador de sabor. nRecomendações para a dieta – Para gatos com reação adversa ao alimento, a escolha de uma dieta com novas proteínas depende da falta de exposição prévia, por isso é necessária uma análise detalhada do histórico alimentar. Devem ser consideradas ambas as fontes de proteínas tanto primárias quanto secundárias, tais como grãos (ver apêndice II). Dietas comerciais com proteínas hidrolisadas são apropriadas. Também as dietas caseiras com ingredientes limitados podem ser uma boa opção para uso por um curto prazo, durante o período de eliminação. Para gatos com DII, deve-se escolher uma dieta altamente digestível. Alguns gatos respondem a uma dieta baixa em carboidratos (<15% de matéria seca). Para um teste dietético deve-se usar bem uma dieta com proteínas hidrolisadas ou uma dieta com proteínas novas. Considerar a adição de probióticos para tratamentos a longo prazo. 65 Pontos para a educação do proprietário • O rígido tratamento dietético dosgatos com doença intestinal crônica é um componente central do tratamento. Mesmo parecendo um desafio, continua sendo essencial alimentar os gatos exclusivamente com a dieta recomendada. Quando se tem vários gatos, pode-se precisar aplicar a nova dieta a todos, desde que os outros gatos não necessitem diferentes tratamentos alimentares específicos. • Qualquer tratamento que exponha novamente o gato a proteínas alergênicas pode causar uma recaída e deve ser evitado durante o teste dietético. • Ainda que as dietas caseiras possam ser úteis, geralmente não fornecem uma nutrição equilibrada a longo prazo; é por isso que as dietas equilibradas nutricionalmente que estão à venda no mercado são as preferidas. Comorbidades comuns É relatado que a colangiohepatite e pancreatite podem ocorrer mais frequentemente em gatos com DII. Triaditis é o termo usado quando o intestino (DII), o fígado (colangiohepatite) e o pâncreas (pancreatite) são afetados simultaneamente. Até o momento não há nenhuma teoria confirmada que descreva o mecanismo comum para as três doenças. Muitas vezes as enteropatias crônicas moderadas a severas que afetam o intestino delgado são associadas com má digestão e má absorção devido a deficiências na função intestinal. Isso pode levar à desnutrição e perda de peso. Têm sido documentadas deficiências de cobalamina (vitamina B12) em gatos com enteropatias crônicas. Em tais casos, pode ser necessária a suplementação com cobalamina parentérica para o sucesso do tratamento. A dose recomendada em gatos com deficiência de cobalamina documentada é de 250 µg administrada por via subcutânea (SC). As injecções são dadas semanalmente durante 6 semanas e, em seguida, a cada duas semanas durante 6 semanas mais. É melhor reavaliar periódicamente o estado clínico do gato e suas concentrações de cobalamina para encaminhar futuros tratamentos. A deficiência de vitamina K foi detectada e atribuída à má absorção intestinal dos gatos com DII severa, mas raramente apresentou tendências hemorrágicas. A suplementação com vitamina K1 foi benéfica (1-5 mg/kg, SC, por dia). Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Os corticosteróides são a base para o tratamento de DII idiopática e são frequentemente administrados em doses elevadas (doses imunossupressoras de prednisona mínimo de 2 mg/kg por dia). Os corticosteróides são hormônios catabólicos e, dessa forma, não são desejáveis em gatos que sofrem de disfunção gastrointestinal. No entanto, em casos de DII seus efeitos benéficos focados sobre o sistema imunitário superam em grande medida os efeitos nocivos que podem vir a acontecer sobre o metabolismo. Controle Em geral, a resposta a uma mudança na dieta ocorre dentro de 7 a 21 dias em gatos com enteropatias crônicas sensíveis à dieta. Se o tratamento dietético falhar, deve seguir o algoritmo apresentado. Em gatos com DII documentada, geralmente o tratamento inicial com prednisolona inclui doses elevadas (2-4 mg/kg/dia) que diminuem progressivamente semanalmente em 2 passos. O ideal é que os novos controles sejam programados antes de cada mudança no tratamento com esteróides para reavaliar o estado do gato. Os controle do peso corporal (PC) e a pontuação do escore de condição corporal (ECC) vão ajudar a garantir que o gato receba quantidades adequadas de alimentos. Diferenciar o DII do linfoma alimentar pode ser um desafio. O linfoma de baixo grau pode responder ao tratamento com esteróides temporariamente, mas pode eventualmente sofrer uma recaída. Por isso, os gatos com DII refratário ao tratamento podem apresentar um linfoma. Manejo nutricional dos vômitos crônicos com ou sem diarreia em gatos Descartar uma obstrução: Radiografia do abdômen Ultrassom abdominal Indicadores sistêmicos como a anorexia, perda de peso, etc. Descartar doença primária fora do trato GI: hemograma, exame bioquímico, T4 em soro, IST em gatos, etc. Sem indicadores sistêmicos Descartar parasitas • Matéria fecal/vermifugação Descartar doença primária sensível à dieta: dieta de eliminação Biópsias das mucosas Endoscopia se as lesões são visíveis Laparotomia Linfoma alimentarDII Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM Definição A linfangiectasia é a dilatação do sistema linfático, e em especial o sistema linfático mesentérico, que drena o intestino delgado, incluindo os vasos quilíferos das vilosidades intestinais. A doença pode ser primária (causada por um defeito congênito, presumidamente genético), secundária (ocorre de forma secundária a outra doença que interrompe o fluxo linfático) ou idiopática. Na maioria dos cães, a doença é idiopática e está muitas vezes associada com a enteropatia com perda de proteína (EPP) que ocorre como resultado do processo primário (linfangiectasia). Os cães com forma congênita ou hereditária da doença muitas vezes são severamente afetados e podem ter um período de vida significativamente mais curto. Além disso, a doença em cães que apresentam forma idiopática ou secundária de linfangiectasia é bastante variável, indo de uma doença leve, clinicamente tratável, a uma doença grave, com risco de vida. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares O diagnóstico de linfangiectasia em cães começa com uma anamnese completa, incluindo histórico alimentar e de tratamento com medicamentos, e um exame físico, incluindo exame retal. A perda de peso é um indicador clínico inicial muito importante para cães com linfangiectasia e EPP, e pode preceder o início da diarreia por meses. A análise das fezes (por exemplo: técnicas de flotação, citologia, teste imunoabsorvente ligado às enzimas [ELISA, em inglês]/análise da reação em cadeia da polimerase [PCR, em inglês]) é importante para descartar as infecções parasitárias simultâneas que podem complicar o tratamento da doença. A avaliação padrão do cão com perda de peso (com ou sem diarreia e hipoproteinemia) inclui a avaliação de outras doenças sistêmicas, a avaliação da função hepática, descartar a proteinúria como causa de hipoproteinemia e a avaliação do trato gastrointestinal (TGI) tanto a sua função (imunorreatividade semelhante à tripsina [IST], cobalamina/folato, absorção de açúcar, se disponível, possível inibidor da protease alfa- 1), como sua estrutura (imagens, histopatologia, obtida por endoscopia ou cirúrgica). Uma vez terminado o diagnóstico é vital o tratamento de apoio (controle do edema e a perda de proteína) e o manejo nutricional (dieta com baixo teor de gordura para reduzir a intensidade da doença clínica no intestino), a menos que possa ser identificada uma causa específica e corrigi-la. Fisiopatologia Sinais clínicos da linfangiectasia (perda de peso, diarréia, esteatorréia) são uma consequência da má digestão e da má absorção de nutrientes (proteínas, gorduras e carboidratos), que surgem como resultado da dilatação linfática (linfangiectasia) ou a combinação de dilatação linfática e da inflamação (que pode estar presente devido a doença inflamatória intestinal [DII] ou uma reação a lipogranulomas). Em cães com EPP grave, a perda de proteína que produz a perda de peso pode preceder o início da diarreia. Em cães com linfangiectasia, indigestão grave e perda de nutrientes também pode ocasionar uma hipocalcemia clinicamente significativa, hipocolesterolemia e hipomagnesemia produzindo ascite ou a formação de edema e convulsões ou fraqueza muscular em cães mais gravemente afetados. Predisposição As raças de cães mais comumente afetadas com linfangiectasia primária são Lunderhund, Yorkshire Terrier e Wheaten Terrier de pelo macio; estas raças podem ter sinais clínicos ainda quando jovens. Qualquer raça de cão pode desenvolver linfangiectasia secundária ou EPP, portanto, não há predisposição típica para esta forma em particular. Modificações nos nutrientes essenciais Reposição de proteína é a questão mais importante em cães com edema ou ascite devido à severa hipoalbuminemia, produto da linfangiectasia ou da EPP. Enquanto cães com linfangiectasia continuam se alimentando, a melhor abordagem para a substituição da proteínaé a nutrição enteral. A escolha de uma dieta que seja eficaz é o aspecto mais desafiador do tratamento desta doença. Cães que não estão comendo, estão doentes demais para comer ou não podem reter o alimento devido aos vômitos, podem precisar de nutrição intravenosa para fornecer a proteína e energia para a função metabólica. A dieta ideal contém uma quantidade moderada de carboidratos e proteínas altamente digestíveis (ou hidrolisados), e altamente restrita em gorduras. Nos cães mais severamente afetados, uma dieta essencialmente baixa em gorduras (< 2 g/100 kcal de gordura) ou sem gordura, pode ser fundamental para o sucesso do tratamento da doença, incorporando gradualmente ácidos graxos essenciais e vitaminas lipossolúveis para evitar deficiências. Em cães com alergia alimentar concomitante ou DII, a fonte de novas proteínas (ou menos antigênicas, tais como uma dieta de proteínas hidrolisadas) também pode ser um aspecto necessário do tratamento dietético. Além de fontes de proteínas altamente digestíveis, alguns cães se beneficiam da adição de módulos de proteínas ou dietas enterais elementares, tais como “Vivonex®” T.E.N (Nestlé Nutrition) na sua dieta hidrolisada ou com conteúdo muito baixo de gordura. Acredita-se geralmente que a fonte ideal de carboidratos (CHO), para um cão com doença intestinal é arroz branco cozido ou batatas (descascadas), porque são altamente digestíveis e não contêm glúten, que pode ser antigênico em alguns cães. Outras fontes de CHO sem glúten são a mandioca e o milho, mas são um pouco menos digestíveis que o arroz, e o milho pode causar hipersensibilidade em alguns cães. Cães com linfangiectasia grave muitas vezes não conseguem lidar com o milho, a menos que esteja completamente processado em formato de purê. Em cães com linfangiectasia grave, a gordura da dieta deve estar em quantidade que forneça ácidos graxos essenciais (óleos vegetais fornecem algumas delas) e vitaminas solúveis em gordura, mas devem ser evitados tanto quanto possível os triglicerídeos de cadeia longa. Se a gordura adicional para fornecer energia for necessária, pode-se utilizar uma fonte de triglicérides de cadeia média; no entanto, estas fontes de gordura não são geralmente palatáveis para cães e podem reduzir a aceitabilidade da dieta. Em cães com diarreia do intestino delgado é indicado diminuir a quantidade de fibras insolúveis, já que as fibras reduzem a digestibilidade dos alimentos e podem aumentar o risco de má digestão ou da má absorção de nutrientes. Isto ocorre especialmente cães com linfangiectasia, porque a redução da digestibilidade da fonte de proteínas e CHO, pode agravar os sinais clínicos (diarreia), aumentam lentamente os níveis de proteínas e o peso corporal e aumenta o risco de interrupção bacteriana, o que pode causar um problema novo. As fontes de fibra solúveis podem ser benéficas em alguns cães, já que são digeridas pela microbiota normal e podem funcionar como prebióticos para ajudar a manter a microbiota intestinal saudável. Valores recomendados de nutrientes essenciais Linfangiectasia - Cães Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Gordura 5–15 1.5–4 5.0 1.4 Fibra Bruta 3–7 0.75–2.5 n/d n/d A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações meta- bólicas induzidas pelos estados da doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. * Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). 66 Princípios da alimentação coadjuvante • Os nutrientes devem ser altamente digestíveis (> 90% de digestibilidade) para minimizar a diarreia osmótica, a fermentação bacteriana de alimentos não digeridos e reduzir a flatulência. • Proteínas de alta qualidade de uma única fonte pode ser indicada (pode ser nova se existir a probabilidade de DII ou de sensibilidade alimentar) ou proteínas hidrolisadas altamente digestíveis para maximizar a digestão e a absorção. • A fonte de carboidratos deve ser de alta qualidade, sem glúten e sem lactose. • A dieta deve conter baixo teor de gordura (menos de 4 g/100 kcal, pelo menos; se houver a presença de linfangiectasia ou EPP aguda é provável que precise menos do que 3,5 g/100 kcal). • Pode ser adicionada uma maior quantidade de ácidos graxos Ômega 3 (a proporção de Ômega 6:Ômega 3 deve ser de 5-10:1) para levantar o perfil dos eicosanoides na mucosa intestinal. • São indicadas fibras insolúveis em baixa quantidade ou fibras solúveis ou mistas em quantidade moderada (3% - 7% total) para aumentar a produção de ácidos graxos de cadeia curta e melhorar a microbiota. • Normalmente, a suplementação com vitaminas solúveis em gordura (A, D, E e K) é apenas necessária em casos graves de esteatorreia e má absorção de gorduras a longo prazo. • Adicionar um prebiótico à dieta pode ser útil para aumentar a produção de ácidos graxos de cadeia curta, e manter a estabilidade da microbiota. nPetiscos– Em geral, deve-se evitar os petiscos em cães com doença intestinal até que um diagnóstico definitivo seja feito. Por exemplo, se a diarreia é produto da sensibilidade aos alimentos, será necessário um teste de eliminação de alimentos, incluindo os petiscos. Se os petiscos são importantes para a rotina do cão, podem ser oferecidos dietas coadjuvantes utilizando como base os princípios antes mencionados. nDicas para aumentar a palatabilidade–Se o cão não come a dieta sugerida, pode- se adicionar ao alimento uma pequena quantidade de caldo de galinha, com baixo teor de sódio. Alternativamente, o alimento pode ser misturado com uma pequena quantidade da versão úmida do mesmo alimento para torná-lo mais interessante. nRecomendações para a dieta –Dietas de prescrição veterinária adequadas para cães com diarreia estão à venda através de clínicas veterinárias; as mesmas devem ser formuladas de acordo com os princípios de alimentação coadjuvante acima mencionados. As dietas comerciais pobres em gordura, na sua maioria também têm mais fibras na dieta, portanto, não são aceitáveis para esse fim. Pontos para a educação do proprietário • Fornecer apenas alimentos recomendados. • Alimentar em pequenas quantidades e com maior frequência (de três a quatro vezes por dia). Grandes quantidades de alimentos aumentam a carga do TGI e podem contribuir para a diarreia ou vômitos. • Garantir a abundância de água disponível em todos os momentos. Se o vômito ocorrer ou o cão parar de comer ou beber, um novo controle com o médico veterinário é recomendado para prevenir a desidratação devido à diarreia contínua. Comorbidades comuns As doenças que comumente ocorrem simultaneamente em cães com linfangiectasia são: doença inflamatória intestinal, enteropatias com perda de proteína, alergia alimentar, insuficiêcia pancreáica exocrina e enteropatias associadas aos antibioticos. Estratégias para o manejo das interações medicamentosas O tratamento com esteróides na doença inflamatória intestinal aumentará a sede e o apetite, e pode causar aumento de peso involuntário, perda de massa muscular ou doença hepática. Em cães com linfangiectasia, o tratamento com esteróides pode agravar o edema em alguns casos. O tratamento imunossupressor para a doença inflamatória intestinal ou linfoma pode causar toxicidade gastrointestinal, cujos sinais clínicos comuns podem ser vômitos ou diarreia. O tratamento com antibióticos pode causar diarreia devido à interrupção da microbiota e à maior quantidade de espécies patogênicas. Controle Deve-se avaliar a composição fecal para determinar se o caráter normal das fezes retorna ou se estão se desenvolvendo novos problemas (por exemplo: melena, hematoquezia). Deve-se controlar o estado clínico para se certificar de que o cão não esteja desidratado,continue comendo, e para que não apresente quaisquer novos indicadores da doença (por exemplo: letargia, perda de peso, diminuição do apetite ou vômitos). Se o cão está perdendo peso ou está se desidratando, deve-se reavaliar tanto o método de alimentação como o tratamento, que devem ser modificados de acordo com as necessidades desse paciente em particular. Manejo nutricional da linfangiectasia em cães O primeiro passo é o diagnóstico da causa primária (se houver), porque irá alterar o plano de tratamento a longo prazo e o prognóstico A chave para controlar a perda de peso e diarreia na maioria dos cães com linfangiectasia é alimentá-los com uma dieta altamente digestível com teor moderado de proteínas e um teor muito baixo de gorduras. Se a linfangiectasia é secundária a uma DII ou a outra causa de EPP, iniciar o tratamento com medicamentos adequados e começar com uma dieta altamente digestível muito baixa em gorduras (alguns cães, podem precisar concentrações de gordura < 3 g/100 kcal. As dietas hidrolisadas podem ser benéficas em alguns cães com EPP. 67 Princípios da alimentação coadjuvante Tradicionalmente, o jejum era estipulado aos pacientes com pancreatite aguda moderada a grave a fim de reduzir a estimulação do pâncreas e, assim, reduzir presumivelmente secreções pancreáticas. Recentemente, este dogma tem sido questionado, no tratamento de pacientes humanos. Há evidências de que os regimes de tratamento projetados exclusivamente para promover o descanso e minimizar secreções pancreáticas só têm conseguido obter alívio da dor e não mostraram nenhuma influência sobre o resultado do paciente.3 Pacientes com pancreatite moderada a grave estão em um estado catabólico e sofrem uma deterioração rápida do estado nutricional. Além disso, estudos clínicos aleatórios com os seres humanos têm demonstrado melhores resultados clínicos em pacientes que receberam alimentação enteral precoce através de uma sonda de jejunostomia em oposição a nutrição parenteral (NP) .4 Os resultados têm variado segundo os testes, mas a maioria descobriu que a alimentação enteral através de sondas de jejunostomia atenua a resposta da fase aguda e reduz complicações gerais, incluindo complicações sépticas, em comparação com NP. Portanto, o objetivo do tratamento da pancreatite em cães é incentivar a ingestão voluntária de alimentos por via oral em pacientes com sinais clínicos leves ou em vias de resolução. Inicialmente, deve-se oferecer água ao paciente, e, com base na resposta, continuar com uma dieta rica em carboidratos, pobre em gordura e um conteúdo adequado, mas não alto, de proteínas. Devem ser oferecidos alimentos em pequenas porções de 4-6 vezes por dia. Nos casos em que a ingestão oral é contraindicada devido a náuseas e vômitos persistentes, avaliar os cães como candidatos para a alimentação assistida. Se possível, deverão receber uma dieta completa e equilibrada através da via enteral. Mesmo pacientes com pancreatite grave são capazes de tolerar alimentos por sondas de jejunostomia. Quando for impossível conseguir o acesso à alimentação enteral em um paciente que foi indicado à alimentação assistida, deve-se iniciar o suporte nutricional por via parenteral. nPetiscos –Alimentos e sobras da mesa que são ricos em gorduras não devem ser utilizados como petiscos em pacientes que se recuperaram de uma pancreatite. Isto inclui a maioria das carnes, produtos lácteos (a menos que sejam variedades sem gordura), e alimentos fritos. Petiscos adequados incluem frutas e legumes (exceto uvas e cebolas), carnes magras (por exemplo: peito de frango cozido) e massas. nDicas para aumentar a palatabilidade– Há muitos alimentos coadjuvantes e comerciais para cães, deve-se escolher os que cumpram as diretrizes para um baixo ou moderado teor de gordura, e é possível encontrar uma dieta adequada que seja aceitável para a maioria dos pacientes. Adicionar um pouco de água quente para alimentos secos, aquecer ligeiramente a comida úmida ou adicionar na comida algumas colheres de sopa de molho de tomate simples com baixo teor de sódio pode melhorar aceitação. nRecomendações para a dieta–Conseguir a transição do paciente para uma dieta completa e equilibrada com proteínas adequadas e gordura moderada (< 30% de gordura, base energética). A maioria das dietas coadjuvantes gastrointestinais secas e úmidas cumprem estes critérios e é possível que a dieta normal do paciente também. Os pacientes com hiperlipidemia idiopática podem necessitar maior restrição de gordura na dieta (< 20% de gordura, base energética). Os pacientes Kathyrn E. Michel, DVM, MS, DACVN Definição A pancreatite é uma doença inflamatória que pode ser aguda ou crônica. Sinais clínicos variam entre leve, com mínimos efeitos sistêmicos e extremamente grave, caracterizada por necrose pancreática levando à síndrome de resposta inflamatória sistêmica (SIRS) e ao colapso circulatório. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares A pancreatite pode ser uma doença de difícil diagnóstico porque, além da biópsia do pâncreas, não existem testes específicos de diagnóstico para esta doença. Para chegar a um diagnóstico, o médico veterinário deve confiar nos seus conhecimentos usando o quadro clínico do paciente (vômitos, dor abdominal, estado cardiovascular), os resultados da análise bioquímica (hemograma e exame de urina e também biomarcadores pancreáticos, tais como a imunorreatividade da lipase pancreática canina [cPLI, em inglês] e a imunorreatividade semelhante à da tripsina canina [cIST]) e as imagens. Deverão obter o histórico alimentar completo, incluindo informações sobre alimentos comerciais e petiscos com as quais o paciente se alimenta (incluindo qualquer resto de comida ou sobras da mesa) e se houver histórico de desordens alimentares (ver apêndice II). O estado nutricional do paciente deve ser avaliado com particular atenção para a duração da anorexia, as evidencias de perda de peso (especialmente perda de massa muscular), a gravidade dos indicadores gastrointestinais (GI), a viabilidade da fonte de alimentação e comorbidades. Fisiopatologia A causa geradora da inflamação pancreática permanece desconhecida, embora tenham sido envolvidos muitos medicamentos, as desordens alimentares, os traumas, a manipulação cirúrgica e isquemias. A doença é causada por uma falha nos mecanismos de proteção que normalmente asseguram que as enzimas pancreáticas permaneçam inativas até entrarem no duodeno. A ativação destas enzimas no tecido pancreático desencadeia os seus efeitos proteolíticos, causando dano. A resposta inflamatória que acompanha a pancreatite grave produz um estado catabólico que pode causar deterioração rápida do estado nutricional. Este declínio é complicado pela ausência de alimentação aos pacientes que sofrem de náuseas, vômitos, dor abdominal, íleo paralítico, ou instabilidade hemodinâmica. Muitos pacientes com pancreatite aguda apresentarão hiperlipidemia. Predisposição Em geral, é documentado que os cães mais velhos (> 5 anos), cães obesos e de determinadas raças (Terrier, Schnauzer, Pastor Alemão) têm um risco aumentado de desenvolver pancreatite. Modificações nos nutrientes essenciais Para pacientes em recuperação de pancreatite tem sido recomendado evitar a ingestão de alimentos ricos em gordura. Embora esta recomendação não tenha sido avaliada por um teste clínico prospectivo e aleatório, é baseada em vários argumentos diferentes. Em primeiro lugar, como as gorduras, (bem como as proteínas) são um potente estimulador da secreção pancreática, a preocupação em um paciente convalescente é que a super estimulação do pâncreas poderia levar a uma recaída. Em segundo lugar, no que diz respeito à prevenção da doença recorrente, as pesquisas com cães têm demonstrado que uma dieta pobre em proteínas e rica em gordura pode causar pancreatite e que a doença é mais grave quando é provocada em cães que foram alimentados com uma dieta rica em gorduras.1, 2Além disso, existem evidências de que a hiperlipidemia pode ser um fator predisponente para a pancreatite.Valores recomendados de nutrientes essenciais Pancreatite - Cães Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta* Gordura 10–14 2–3.5 5 1.4 A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas induzidas pelos estados da doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos nor- mais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia. *Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO). 68 devem ser monitorados quanto à sua aceitação aos alimentos, à recorrência de sinais clínicos e à manutenção do peso. No caso de pacientes com boa condição física, rações devem ser baseadas na ingestão calórica prévia. Para pacientes com baixo peso deve-se aumentar as calorias oferecidas em 20% em relação ao consumo anterior para promover ganho de peso durante a convalescença e mudar, se necessário, com base na resposta. Para os pacientes com excesso de peso deve ser prescrito um programa para redução de peso, uma vez que o paciente estiver totalmente recuperado da pancreatite. Pontos para a educação do proprietário • Todos os membros da família devem entender que existe um risco potencial de que a doença retorne. • Os proprietários devem estar cientes das recomendações nutricionais e as razões para essas recomendações. É especialmente importante restringir o acesso aos alimentos para animais de estimação, petiscos, sobras de comida da mesa e lixo, ricos em gordura. • Quando um paciente está abaixo do peso ou com excesso de peso no momento da alta hospitalar, deve haver uma conversa sobre qual manejo nutricional adicional será preciso nas próximas semanas, para assegurar a volta do peso corporal ideal. O proprietário deverá compreender qual é o motivo para essas medidas e os benefícios para o paciente. Comorbidades comuns Muitas vezes, um paciente com pancreatite aguda tem hiperlipidemia. Embora em muitos casos, o aumento da concentração de lipídios no soro seja uma consequência da pancreatite, existe evidência de que uma hiperlipidemia pré-existente pode ser um agente causal desta doença. A hiperlipidemia pode estar associada a alimentos ricos em gorduras, a uma doença endócrina concorrente (hiperadrenocorticismo, diabetes mellitus ou hipotireoidismo) ou a uma predisposição da raça (Schnauzer, Pastor Alemão). Quando a hiperlipidemia é secundária a uma doença subjacente, naturalmente a melhor abordagem terapêutica é tratar essa doença. Os pacientes com 69 Manejo nutricional da pancreatite em cães Oferecer água, seguida por pequenas porções de uma dieta rica em carboidratos, pobre em gorduras e moderado teor de proteínas Alimento aceito e tolerado Alimento não aceito Alimento aceito, mas não tolerado Transição para uma dieta completa e balanceada com moderado a baixo teor de gordura e controle da ingestão e do peso corporal para garantir a ingestão adequada Avaliar alimentação assistida Avaliar alimentação assistida É indicada a ingestão voluntária de alimentos? Indicado Contraindicado Avaliar uma alimentação assistida hiperlipidemia primária podem se beneficiar de uma dieta muito pobre em gordura (< 20% de gordura, base de energia) assim como alguns pacientes que apresentam esta doença de maneira secundária a outras doenças (ver páginas 80-81). A pancreatite também pode ocorrer concomitantemente em cães com diabetes mellitus (ver páginas 28-29). Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Pacientes com pancreatite aguda, de moderada a grave, necessitam de tratamento rápido com líquidos e cuidados de suporte, que possam incluir apoio com coloides, antieméticos, analgésicos e agentes gastroprotetores. Enquanto o controle da dor é um aspecto importante do tratamento medicamentoso da pancreatite, alguns agentes analgésicos podem causar íleo gastrointestinal. O íleo pode reduzir o apetite do paciente, portanto, atraso na ingestão voluntária ou complicar a entrega de nutrição enteral em um paciente alimentado por sonda. O íleo pode ser combatido através da remoção da medicação para a dor o mais rapidamente possível ou mudando para um fármaco que possua menos efeitos secundários gastrointestinais. Controle Deve-se controlar o peso dos pacientes que necessitam recuperar ou perder peso após a alta hospitalar para garantir que estejam evoluindo corretamente. Pacientes em tratamento para a lipidemia primária requerem novos controles para avaliar a concentração de lipídeos séricos para determinar se o nível de restrição de gorduras na dieta é suficiente. Qualquer futura visita à clínica, independentemente da sua finalidade, é uma oportunidade para descobrir mais sobre o tratamento dietético do paciente e uma oportunidade para reforçar as recomendações anteriores sobre a alimentação. Kathyrn E. Michel, DVM, MS, DACVN Definição A pancreatite é uma doença inflamatória que pode ser aguda ou crônica. Sinais clínicos variam de leves, com mínimos efeitos sistêmicos, e doença extremamente grave, caracterizada por necrose pancreática levando à síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS) e colapso circulatório. Ferramentas de diagnóstico e exames complementares A pancreatite pode ser uma doença de difícil diagnóstico porque, além da biópsia do pâncreas, não existem testes específicos de diagnóstico para esta doença. O diagnóstico é ainda mais complicado pelo fato de que o quadro clínico desta doença em gatos é significativamente diferente ao dos cães. Na pancreatite em gatos, os sinais clínicos mais comuns não são específicos (anorexia, letargia e desidratação), enquanto os indicadores clássicos associados com pancreatite em cães (vômitos e dor abdominal) são relativamente raros nos gatos1. O médico veterinário deve confiar nos seus conhecimentos usando o quadro clínico do paciente, os resultados da análise bioquímica (hemograma e exame de urina também biomarcadores pancreáticos, tais como a imunorreatividade da lipase pancreática felina [fPLI, em inglês] e a imunorreatividade semelhante à da tripsina felina [fIST]) e as imagens para chegar ao diagnóstico. Deverão obter o histórico alimentar completo, incluindo informações sobre rações comerciais e petiscos que o paciente receba (incluindo qualquer resto de comida ou sobras da mesa) e se houver histórico de desordens alimentares (ver Apêndice II). O estado nutricional do paciente deve ser avaliado com particular atenção para a duração da anorexia, as evidências de perda de peso (especialmente perda de massa muscular), a gravidade dos indicadores gastrointestinais, a viabilidade da alimentação assistida e as doenças concorrentes. Fisiopatologia Na maioria dos gatos, a causa geradora da inflamação pancreática não pode ser determinada, embora agentes infecciosos (Toxoplasma gondi, trematódeos, peritonite infecciosa felina - PIF), pesticidas organofosforados, medicamentos, trauma, manipulação cirúrgica e isquemias estejam envolvidos na patogênese da doença. Também comenta-se sobre uma associação entre pancreatite comum em gatos, doença inflamatória intestinal, colangiohepatite e a possibilidade de uma etiopatogênese relacionada2 chamada de tríade felina. A doença é causada por uma falha nos mecanismos de proteção que normalmente asseguram que as enzimas armazenadas nas células pancreáticas permaneçam inativas até entrarem no duodeno. A ativação destas enzimas no tecido pancreático desencadeia os seus efeitos proteolíticos, causando danos e inflamação no tecido. Na forma aguda da doença, a resposta inflamatória que acompanha a pancreatite grave produz um estado catabólico que pode causar deterioração rápida do estado nutricional. Este declínio é complicado pelo fato de que é necessário negar comida a pacientes que sofrem de náuseas, vômitos, dor abdominal, íleo, ou instabilidade hemodinâmica.Na forma crônica da pancreatite em gatos, visto que a anorexia é um dos sinais clínicos mais comuns, muitas vezes os pacientes têm evidência de má nutrição, especialmente a perda de peso caracterizada por perda de massa muscular. É imperativo a palpação física para acessar a massa muscular, uma vez que os pacientes podem ter excesso de gordura corporal ou a aparência obesa, apesar de sofrer perda de massa muscular significativa. Predisposição Ainda não foi documentada qualquer associação definitiva entre idade, raça ou castração e o risco de pancreatite em gatos. Modificações nos nutrientes fundamentais Para pacientes em recuperação de uma pancreatite tem sido recomendado evitar a ingestão oral de alimentos ricos em gordura, porque a gordura (assim como as proteínas) é um potente estímulo para a secreção pancreática e a preocupação em um paciente convalescente é que uma superestimulação do pâncreas pode levar a uma recaída. No entanto, os gatos têm adaptações no metabolismo que refletem a evolução desta espécie com uma dieta rica em proteína e gordura, mas sem quantidades significativas de carboidratos. Como resultado, a maioria dos alimentos para gatos tem relativamente alto teor de gordura e proteína. Alimentos para gatos com teor mais baixos em gorduras encontrados comercialmente ainda contêm quantidades moderadas de gordura, ricos em proteínas e muitas vezes de baixa densidade calórica. Embora o impacto da ingestão de gorduras na dieta sobre o resultado clínico dos gatos com diagnóstico de pancreatite não tenha sido avaliado em testes clínicos, informalmente os gatos que se recuperaram da pancreatite parecem tolerar os alimentos típicos para gatos, incluindo aqueles com altos níveis de gorduras. Valores recomendados de nutrientes essenciais Não existem dados suficientes sobre como identificar as alterações necessárias nos nutrientes. Princípios da alimentação coadjuvante Pancreatite em gatos é uma doença nova raramente diagnosticada antes de 1990. A maioria dos médicos veterinários está mais familiarizada com o tratamento de pancreatite aguda em cães. É clássico recomendar jejum para os cães com pancreatite aguda e em seguida gradualmente incorporar alimentos ricos em carboidratos, mas pobres em gorduras e com conteúdo moderado de proteínas. Existem áreas problemáticas no uso desta abordagem, no caso de gatos com esta doença. Em primeiro lugar, dado que a anorexia é um dos dados clínicos mais comum em gatos com pancreatite, os pacientes muitas vezes têm evidências de má nutrição. O jejum servirá apenas para agravar o grau de desnutrição nestes pacientes. Além disso, a lipidose hepática idiopática (LH) é uma doença concomitante ou sequela comum na pancreatite dos gatos e negar o alimento a um paciente com LHI, seria contraindicado. Tradicionalmente, o jejum era estipulado aos pacientes com pancreatite aguda moderada a grave a fim de reduzir a estimulação do pâncreas e, assim, reduzir presumivelmente secreções pancreáticas. Recentemente, este dogma tem sido questionado, no tratamento de pacientes humanos. Há evidências de que os tratamentos projetados exclusivamente para promover o descanso e minimizar secreções pancreáticas só têm conseguido obter alívio da dor e não mostraram nenhuma influência sobre o resultado do paciente3. Portanto, deve-se incentivar a ingestão voluntária de alimentos por via oral em pacientes aos quais a ingestão por via oral não esteja contraindicada por causa de vômitos ou diarreia. Os pacientes que rejeitam os alimentos ou apresentam uma ingestão voluntária inadequada deverão ser avaliados como candidatos para a alimentação assistida. Ideal é que recebam uma dieta completa e balanceada por meio de via enteral. Mesmo os pacientes com pancreatite severa e vômitos persistentes são capazes de tolerar a alimentação por meio de sondas de jejunostomia. No entanto, quando o acesso à alimentação enteral for impossível em um paciente que foi indicado com alimentação assistida, deve-se iniciar o suporte nutricional parenteral. nPetiscos–A recomendação para cães em recuperação de pancreatite é evitar comidas e petiscos comerciais ou sobras da mesa com alto teor de gorduras. Ainda não é claro se uma recomendação similar deve ser usada no caso de gatos em recuperação desta doença; no entanto, pode ser prudente evitar itens com alto teor de gordura, como carnes gordas, frituras ou nata. Petiscos aceitáveis devem incluir carnes magras ou peixe (por exemplo: peito de frango cozido, ou atum conservado em água), produtos lácteos com baixo teor de gordura, frutas frescas e vegetais (exceto uvas e cebolas). nDicas para aumentar a palatabilidade – A menos que haja indicação clara de disponibilizar uma dieta restrita em gordura (< 30% de gordura, base energética) a escolha da dieta deve ser baseada em encontrar um alimento para gatos completo e Pancreatite - Gatos 70 equilibrado que seja aceitável para o paciente. Adicionar um pouco de água quente ao alimento seco ou aquecer ligeiramente o alimento enlatado pode melhorar a aceitação. nRecomendações para a dieta–A maioria dos gatos com diagnóstico de pancreatite tem um histórico de anorexia. É essencial controlar a ingestão de alimentos do paciente, especialmente quando estão em fase de transição da alimentação assistida, para assegurar que a ingestão voluntária do paciente seja adequada. O objetivo é encontrar uma dieta que o paciente coma facilmente, seja tolerada pelo trato gastrointestinal, e seja apropriada para qualquer doença concomitante que o paciente possa ter (por exemplo: doença inflamatória intestinal, doença hepática, diabetes mellitus). Os pacientes devem ser monitorados quanto à sua aceitação aos alimentos, à recorrência de sinais clínicos e à manutenção do peso. No caso de pacientes com boa condição física, a dieta deve ser baseada na ingestão calórica prévia. Para pacientes com baixo peso deve-se aumentar o teor de calorias oferecidas em 20% em relação ao consumo anterior para promover ganho de peso durante a convalescença e modificar, se necessário, com base na resposta. Para os pacientes com excesso de peso deve ser prescrito um programa para redução de peso, uma vez que o paciente esteja totalmente recuperado de pancreatite. Pontos para a educação do proprietário • Todos os membros do grupo familiar devem entender que existe um risco potencial da doença recorrente. Devem estar cientes das recomendações em matéria de alimentação e nutrição e as razões para essas recomendações. É especialmente importante controlar a ingestão de alimento do paciente e o seu estado físico para permitir a detecção precoce da anorexia ou perda de peso. • Quando um paciente está abaixo do peso ou com excesso de peso, no momento da alta hospitalar, deve haver uma conversa sobre qual deve ser o manejo nutricional adicional nas próximas semanas para garantir o retorno ao peso corporal ideal, e por que tal tratamento será benéfico para o paciente. Comorbidades comuns Não é incomum em pacientes (gatos) ser diagnosticados com doença inflamatória intestinal e pancreatite concorrente. Esses pacientes podem se beneficiar de uma dieta com novas proteínas/antígenos limitados ou proteínas hidrolisadas. A maioria dos pacientes com diagnóstico de lipidose hepática idiopática (LHI) e pancreatite concorrente exigem alimentação assistida. Para a resolução da LHI é necessária a ingestão de uma alimentação adequada e, normalmente, os gatos com esta doença têm uma ingestão voluntária insuficiente. Gatos com insuficiência hepática, independentemente da etiologia subjacente podem necessitar alterações na dieta, incluindo restrição de proteínas. A Pancreatite também pode ocorrer simultaneamente em gatos com diabetes mellitus (ver páginas 30-31). Estratégias para o manejo das interações medicamentosas Pacientes com pancreatite aguda, de moderada a severa, necessitam de tratamento rápido com líquidos e cuidados de suporte, que podem incluir coloides, antieméticos, analgésicos e agentes gastroprotetores. Enquanto o controle da dor é um aspecto importantedo tratamento medicamentoso da pancreatite, alguns agentes analgésicos podem causar íleo paralítico. O íleo paralítico pode reduzir o apetite do paciente e, portanto, atraso na ingestão voluntária ou complicar a entrega da nutrição enteral num paciente alimentado por sonda. Essa complicação pode ser evitada através da remoção da medicação para a dor, o mais rapidamente possível ou viável, mudando para um fármaco que possua menos efeitos secundários gastrointestinais. Controle Deve-se controlar o peso dos pacientes que necessitam recuperar ou perder peso após a alta hospitalar para garantir que estejam evoluindo devidamente. Qualquer futura visita à clínica, independentemente da sua finalidade, é uma oportunidade para descobrir mais sobre o tratamento dietético do paciente e uma chance para reforçar as recomendações anteriores sobre a alimentação. 71 Manejo nutricional da pancreatite em gatos Oferecer água, seguida de pequenas porções de uma dieta para gatos digestível, completa e balanceada que seja apropriada para qualquer doença concomitante que o paciente possa ter Alimento aceito e tolerado Alimento não aceito Alimento aceito, mas não tolerado Controlar a ingestão e o peso corporal para garantir a hidratação adequada Avaliar a alimentação assistida Avaliar a alimentação assistida A ingestão de alimentos voluntária é indicada? Indicado Contraindicado Avaliar a alimentação assistida Princípios da alimentação coadjuvante O objetivo do manejo nutricional de doenças do fígado é basicamente de suporte e requer um delicado equilíbrio entre a promoção da regeneração hepatocelular e fornecer nutrientes para manter a homeostase, sem exceder a capacidade metabólica que leva ao acúmulo de metabólitos tóxicos. É vital que o animal com doença hepática tenha uma ingestão adequada de calorias para minimizar o catabolismo e promover a recuperação da função hepática, a regeneração e a adequada síntese de proteínas. A fim de satisfazer as necessidades energéticas do paciente poderá precisar de uma sonda de alimentação enteral ou nutrição parenteral. Em seguida, deve-se considerar o teor de proteína e iniciar a restrição de proteína só com a evidência clínica de intolerância às proteínas (ou seja, encefalopatia hepática). Também são importantes a digestibilidade das proteínas e o tipo de aminoácido fornecido. As dietas ricas em aminoácidos aromáticos (AAA) promovem a formação de falsos neurotransmissores e subsequente doença hepática. Em geral, as proteínas da carne tem um teor mais elevado de AAA e devem ser evitadas, enquanto as proteínas a base de produtos lácteos e vegetais são as principais fontes de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) e diminuem o risco de EH. As fibras solúveis sofrem fermentação bacteriana no cólon, produzindo a redução de ácidos orgânicos do pH do cólon no interior do lúmen e, como consequência, os ácidos disponíveis convertem NH3 em HN4 + que é absorvido com menos facilidade, basicamente aprisionando o amoníaco no cólon. As fibras também funcionam como um laxativo osmótico, reduzindo a absorção de amoníaco e dos fatores encefalopáticos relacionados com derivados nitrogenados no trato gastrointestinal. Muitos tipos de doença hepática podem se beneficiar com o suporte na forma de antioxidantes nutricionais. Suplementos nutricionais fornecidos para a função antioxidante, incluindo vitamina E, zinco e precursores da glutationa, tais como S- adenosilmetionina (SAM), podem ser benéficos. nPetiscos – A suplementação com vitamina é apropriada para cães com doença hepática porque estes pacientes podem apresentar um aumento da demanda das vitaminas, alteração da conversão para a forma ativa das vitaminas, ou um menor armazenamento hepático. No entanto, petiscos ou suplementos de vitaminas e minerais contendo cobre devem ser evitados, especialmente em cães com HC associada com cobre. Os petiscos que contêm proteína de má qualidade, tais como biscoitos ou ossos de couro cru, devem ser evitados em cães com intolerância às proteínas. nDicas para aumentar a palatabilidade–Anorexia é muitas vezes uma preocupação em animais com doença hepática. A causa pode ser associada com EH, ulceração gastrointestinal ou anormalidades de eletrólitos. Devem ser dados os primeiros passos para corrigir essas condições. Em seguida, deve-se considerar a palatabilidade da dieta. Muitas vezes há um erro no conceito do conteúdo de gorduras nas dietas para a doença David C. Twedt, DVM, DACVIM Definição Adoença hepática primária em cães é geralmente aguda ou crônica. As hepatopatias agudas são muitas vezes resultado de vários fármacos, toxinas ou secundárias à doenças metabólicas. Doenças hepáticas agudas são graves e podem causar insuficiência hepática grave, e se forem menos graves, podem ser resolvidas. A doença hepática crônica mais comum em cães é a hepatite crônica (HC), que em alguns casos pode progredir para uma cirrose. O acúmulo anormal de cobre tem sido a causa de muitos casos de HC. Anomalias congênitas dodesvio portossistêmico(DPS) vascularsão comuns nos cães e produzem numerosos transtornos metabólicos e encefalopatia hepática (EH). Ferramentas de diagnóstico e exames complementares Deve-se obter o histórico alimentar e calcular as necessidades energéticas para o paciente com base no peso corporal ideal (PC). A pontuação do escore de condição corporal (ECC) e o PC deverão ser registrados. Alterações nas análises laboratoriais que refletem a função hepática (por exemplo: glicose, albumina, nitrogênio ureico no sangue [BUN, em inglês], colesterol e ácidos biliares no sangue) podem indicar disfunção hepática significativa. O diagnóstico EH é baseado em sinais clínicos, no estado da doença e nas concentrações elevadas de amônia no sangue. Fisiopatologia O fígado desempenha uma infinidade de processos metabólicos, incluindo a eliminação de produtos tóxicos, armazenamento de nutrientes e o metabolismo e a regulação dos carboidratos, gorduras e proteínas. Quando existe uma anormalidade no metabolismo hepático dos subprodutos de nitrogênio do intestino, se produzirá a EH. As coagulopatias ocorrem devido a uma falha do fígado em produzir fatores de coagulação e hipoglicemia a partir do metabolismo alterado de carboidratos. A hipoalbuminemia causada pela diminuição da produção do fígado contribuirá para a formação de ascite e ulceração gastrointestinal em alguns pacientes. Com vários tipos de disfunção hepática pode-se também causar alterações no metabolismo do cobre e das vitaminas. Predisposição A doença hepática pode ocorrer em cães de qualquer raça. Os DPS congênitos são identificados em cães jovens, na maioria das vezes em raças pequenas. Doença hepática aguda causada por medicamentos ou toxinas pode ocorrer em qualquer idade e em qualquer raça. A HC é mais frequentemente vista em fêmeas de meia-idade (geralmente entre 3 e 10 anos). Tem sido documentado que certas raças de cães têm defeitos metabólicos no metabolismo do cobre, causando uma HC associada ao cobre; entre estas raças estão Bedlington Terrier, Doberman Pinscher, West Highland, White Terrier, Skye Terrier, Dálmata e Labrador Retriever. Modificações nos nutrientes fundamentais É importante assegurar a ingestão adequada de calorias em cães com doença hepática. A dieta deve ser selecionada pela sua palatabilidade e a restrição de lipídeos não é necessária. Os carboidratos não devem constituir mais do que 45% do total de calorias. Quando a hipoglicemia for um tema de interesse (ou seja, insuficiência hepática ou DPS), várias refeições menores por dia podem ajudar a manter os níveis de glicose e diminuir o impacto metabólico sobre o fígado. Restringir as proteínas poderia ser prejudicial se o cão tem um balanço nitrogenado negativo (isto é, perda de peso e hipoalbuminemia). Proporcionar uma fonte de proteína de alta qualidade altamente digestível contribuindo com 15% a 20% de matéria seca (MS). A restrição de proteínas deve ser estabelecida somente no paciente com evidência clínica de intolerância à proteína (na maioria das vezes