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Nutrição
Clínica
Canina e
Felina
Guia prático de
referência para uso
diário no exercício da
medicina veterinária
Nestlé® Purina®
PetCare®
// VERSO DA CAPA DURA //
Publicado por The Gloyd Group, Inc. 
Wilmington, Delaware
©2010 Nestlé® Purina® PetCare Company
Todos os direitos resevados.
Impresso no Brasil, 2016
Nestlé Brasil Ltda
Avenida Dr. Chucri Zaidan 246
Vila Cordeiro, São Paulo, SP 
Primeira Impressão, 2010.
Este livro está protegido por direitos autorais. 
É proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer
meio ou processo.
ISBN 978-0-9764766-0-3
As doses e informações apresentadas neste manual foram
pesquisadas e descritas, baseadas nas referências bibliográficas
citadas; entretanto, devido às constantes pesquisas e
atualizações na área podem ocorrer alterações após a sua
publicação. Recomendamos que o médico veterinário se
informe no tocante às recomendações e contraindicações
descritas para as medicações apresentadas e as utilize de
acordo com a avaliação individual de cada paciente, sendo de
sua total responsabilidade sua utilização.
11
Manual Nestlé® Purina®
PetCare sobre Nutrição
Clínica Canina e Felina
Índice
4 n Colaboradores
Doenças Alérgicas
6 n Dermatites alérgicas - Cães
Stephen D. White, DVM, DACVD
8 n Dermatites alérgicas - Gatos 
Stephen D. White, DVM, DACVD
Doenças Artríticas
10 n Osteoartrite - Cães
Denis Marcellin-Little, DEDV, DACVS, DECVS, 
DACVSMR
12 n Osteoartrite/Doença degenerativa 
articular - Gatos
B. Duncan X. Lascelles, BSc, BVSC, PhD, MRCVS, 
CertVA, DSAS(ST), DECVS, DACVS
Doenças Cardiopulmonares
14 n Doença cardíaca - Cães
Lisa M. Freeman, DVM, PhD, DACVN
18 n Doença cardíaca - Gatos
Lisa M. Freeman, DVM, PhD, DACVN
22 n Quilotórax - Gatos
Kathryn E. Michel, DVM, MS, DACVN
Cuidados intensivos
24 n Nutrição em cuidados intensivos - 
Cães
Daniel L. Chan, DVM, MRCVS, DACVECC, 
DACVN
26 n Nutrição em cuidados intensivos - 
lipidose hepática felina
Daniel L. Chan, DVM, MRCVS, DACVECC, 
DACVN
Doenças endócrinas e metabólicas
28 n Diabetes mellitus - Cães
Linda Fleeman, BVSc, MACVSc, PhD
Jacquie Rand, BVSc, DVSc, DACVIM
30 n Diabetes mellitus - Gatos
Jacquie Rand, BVSc, DVSc, DACVIM 
Linda Fleeman, BVSc, MACVSc, PhD
Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN
33 n Sobrepeso/Obesidade - Cães
Sean J. Delaney, DVM, MS, DACVN
36 n Sobrepeso/Obesidade - Gatos
Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN
Transtornos Gastrointestinais
38 n Constipação - Cães
Sally Perea, DVM, MS, DACVN
40 n Constipação - Gatos
Sally Perea, DVM, MS, DACVN
42 n Diarreia do intestino delgado - 
Cães
Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM
44 n Diarreia do intestino delgado - 
Gatos
Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM
46 n Diarreia do Intestino Grosso - 
Cães
Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM
48 n Diarreia do Intestino Grosso - 
Gatos
Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM
52 n Colite - Cães
Scott Campbell, BVSc, MACVSc, DACVN
54 n Colite - Gatos
Scott Campbell, BVSc, MACVSc, DACVN
56 n Insuficiência pancreática exócrina 
- Cães
Scott Campbell, BVSc, MACVSc, DACVN
58 n Gastroenterite/Vômitos - Cães
Korinn E. Saker, DVM, PhD, DACVN
60 n Gastroenterite/Vômitos - Gatos
Korinn E. Saker, DVM, PhD, DACVN
62 n Enteropatias crônicas - Cães
Frédéric P. Gaschen, Dr.med.vet., Dr.habil., 
DACVIM, DECVIM-CA
Dottie Laflamme, DVM, PhD, DACVN
64 n Enteropatias Crônicas - Gatos
Frédéric P. Gaschen, Dr.med.vet., Dr.habil., 
DACVIM, DECVIM-CA
Dottie Laflamme, DVM, PhD, DACVN
66 n Linfangiectasia - Cães
Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM
68 n Pancreatite - Cães
Kathryn E. Michel, DVM, MS, DACVN
70 n Pancreatite - Gatos
Kathryn E. Michel, DVM, MS, DACVN
Doenças Hepáticas
72 n Doença hepática - Cães
David C. Twedt, DVM, DACVIM
74 n Doença hepática - Gatos
David C. Twedt, DVM, DACVIM
76 n Encefalopatia hepática - Cães
David C. Twedt, DVM, DACVIM
78 n Encefalopatia hepática - Gatos
David C. Twedt, DVM, DACVIM
80 n Hiperlipidemia - Cães
John E. Bauer, DVM, PhD, DACVN
82 n Hiperlipidemia - Gatos
John E. Bauer, DVM, PhD, DACVN
2
Doenças do trato urinário
84 n Doença renal - Cães
David J. Polzin, DVM, PhD, DACVIM
86 n Doença renal - Gatos
David J. Polzin, DVM, PhD, DACVIM
88 n Urolitíase por Oxalato de Cálcio -
Cães
Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, 
 DACVN
90 n Doença do trato urinário inferior -
Cistite idiopática e urolitíase por
estruvita/Oxalato de Cálcio - 
Gatos 
Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, 
DACVN
92 n Urolitíase por uratos - Cães
Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, 
DACVN
Manejo Nutricional de
Doenças Concomitantes
96 n Diabetes mellitus e doenças
renais - Gatos
Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN
98 n Diabetes mellitus e obesidade -
Gatos
Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN
100 n Diabetes mellitus e cistite
relacionada com cristais - Gatos
Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN
102 n Pancreatite e doença renal
crônica - Cães
Jennifer Larsen, DVM, PhD, DACVN
104 n Gastroenterite alérgica/Doença
inflamatória intestinal e doença 
renal crônica – Cães
Jennifer Larsen, DVM, PhD, DACVN
106 n Gastroenterite Alérgica/Doença
Inflamatória Intestinal e Doença 
Renal Crônica – Gatos
Jennifer Larsen, DVM, PhD, DACVN
108 n Urolitíase por oxalato de cálcio e
hiperlipidemia - Cães
Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, 
DACVN
110 n Doença renal crônica e 
obesidade - Cães
Donna M. Raditic, DVM, CVA
Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, 
DACVN
112 n Doença renal crônica e obesidade
- Gatos
Donna M. Raditic, DVM, CVA
Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, 
DACVN
116 n Urolitíase por estruvita e
obesidade - Gatos
Donna M. Raditic, DVM, CVA
Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, 
DACVN
118 n Referências
123 n Apêndice I - Sistema de escore de
condição corporal (ECC) Nestlé® Purina®
125 n Apêndice II - Formulário de histórico 
alimentar
127 n Apêndice III - Cálculos úteis na nutrição 
clínica 
3
Lisa M. Freeman, DVM, PhD, DACVN
Professora do Departamento de Ciências Clínicas
Faculdade de Medicina Veterinária Cummings
Universidade de Tufts, North Grafton, Massachusetts
Diabetes Mellitus – Cães
Diabetes Mellitus – Gatos
Frédéric P. Gaschen, Dr.med.vet., Dr.habil., DACVIM,
DECVIM-CA
Professor e Chefe, Medicina de Animais de Companhia
Departamento de Ciências Clínicas Veterinárias
Faculdade de Medicina Veterinária
Universidade do Estado de Luisiana, Baton Rouge, Luisiana
Enteropatias crônicas – Cães
Enteropatias crônicas – Gatos
Dottie Laflamme, DVM, PhD, DACVN
Especialista em Comunicação – Nutrição Veterinária
Nestlé PURINA PetCare Research
Enteropatias Crônicas – Cães
Enteropatias Crônicas – Gatos
Jennifer Larsen, DVM, PhD, DACVN
Professora Assistente de Nutrição Clínica
Nutricionista Clínica, Serviço de Apoio Nutricional
Hospital Escola de Medicina Veterinária
Universidade da Califórnia, Davis, Califórnia
Pancreatite e doença renal crônica – Cães
Gastroenterite alérgica/Doença inflamatória intestinal e
doença renal crônica - Cães
Gastroenterite alérgica/Doença inflamatória intestinal e
doença renal crónica – Gatos
B. Duncan X. Lascelles, BSc, BVSC, PhD, MRCVS, CertVA,
DSAS(ST), DECVS, DACVS
Professor Associado, Cirurgia de Pequenos Animais
Departamento de Ciências Clínicas
Faculdade de Medicina Veterinária
Universidade do Estado da Carolina do Norte, Raleigh, Carolina
do Norte
Osteoartrite/Doença degenerativa das articulações – Gatos
Denis Marcellin-Little, DEDV, DACVS, DECVS, DACVSMR
Professor, Ortopedia
Departamento de Ciências Clínicas
Faculdade de Medicina Veterinária
Universidade do Estado da Carolina do Norte, Raleigh, Carolina
do Norte
Osteoartrite – Cães 
Colaboradores
Joseph W. Bartges, DVM, PhD, DACVIM, DACVN
Professor de Medicina Veterinária e Nutrição
Responsável pela área de Pesquisas em Pequenos Animais
Departamento de Ciências Clínicas de Pequenos Animais
Faculdade de Medicina Veterinária da
Universidade do Tennessee, Knoxville, Tennessee
Urolitíase por oxalato de cálcio – Cães
Doença do trato urinário inferior em gatos – Cistite idiopática
e urolitíase por estruvita/oxalato de cálcio
Urolitíase por uratos – Cães
Urolitíase por oxalato de cálcio e hiperlipidemia– Gatos
Doença renal crônica e obesidade – Cães
Doença renal crônica e obesidade – Gatos
Urolitíase por estruvita e obesidade – Gatos
John E. Bauer, DVM, PhD, DACVN
Professor de Nutrição Clínica em Mark L. Morris
Departamento de Ciências Clínicas de Pequenos Animais
Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências Biomédicas
Universidade do Texas A&M, College Station, Texas
Hiperlipidemia – Cães
Hiperlipidemia – Gatos
Scott Campbell, BVSc (Hons), MACVSc, DACVN
Professor Titular, Serviço de Apoio em Nutrição Clínica
Faculdade de Ciências Veterinárias da
Universidade de Queensland, Brisbane, Austrália
Proprietário do Booval Veterinary Hospital, Booval, Australia
Colite – Cães
Colite – Gatos
Insuficiência pancreática exócrina – Cães
Daniel L. Chan, DVM, MRCVS, DACVECC, DACVN
Professor de Cuidados Intensivos e Emergências, e Nutricionista
Clínico
Seção de Cuidados Intensivos e Emergências
Departamento de Ciências Clínicas Veterinárias
Royal Veterinary College
Hertfordshire, Reino Unido
Nutrição em Cuidados Intensivos – Cães
Nutrição em Cuidados Intensivos – Lipidose Hepática em gatos
Sean J. Delaney, DVM, MS, DACVN
Fundador, Davis Veterinary Medical Consulting, Inc.
Davis, California
Sobrepeso/Obesidade – Cães
Linda Fleeman, BVSc, PhD, MACVSc
Diabetes Animal Australia
Boronia Veterinary Clinic
Melbourne, Victoria, Australia
Diabetes Mellitus – Cães
Diabetes Mellitus – Gatos
4
5
Kathryn E. Michel, DVM, MS, DACVN
Professora Associada de Nutrição
Departamento de Estudos Clínicos - Filadélfia
Faculdade de Medicina Veterinária
Universidade da Pensilvânia, Filadélfia, Pensilvânia
Quilotórax – Gatos
Pancreatite – Cães
Pancreatite – Gatos
Sally Perea, DVM, MS, DACVN
Davis Veterinary Medical Consulting, Inc.
Davis, Califórnia
Constipação – Cães
Constipação – Gatos
David J. Polzin, DVM, PhD, DACVIM
Professor de Medicina Interna e Nefrologia
Departamento de Ciências Clínicas Veterinárias
Faculdade de Medicina Veterinária
Universidade de Minnesota, St. Paul, Minnesota
Doença renal crônica – Cães
Doença renal crônica – Gatos
Donna M. Raditic, DVM, CVA
Professora Clínica Assistente Adjunta
Serviço de Medicina Integradora
Faculdade de Medicina Veterinária
Universidade do Tennessee, Knoxville, Tennessee
Residente de Nutrição
Angell Animal Medical Center, Boston, Massachusetts
Doença renal crónica e obesidade – Cães
Doença renal crônica e obesidade – Gatos
Urolitíase por estruvita e obesidade – Gatos
Jacquie Rand, BVSc, DVSc, DACVIM
Diretora, Centro para a Saúde de Animais de Companhia
Faculdade de Ciências Veterinárias
Universidade de Queensland, St. Lucie, QLD, Australia
Diabetes ellitus – Cães
Diabetes Mellitus – Gatos
Rebecca L. Remillard, PhD, DVM, DACVN
Membro do Grupo de Veterinários, Nutrição e Diretora de
Pesquisas Clínicas Angell Animal Medical Center, Boston,
Massachusetts
Diabetes mellitus – Gatos
Sobrepeso/Obesidade – Gatos
Diabetes mellitus e doença renal – Gatos
Diabetes mellitus e obesidade – Gatos
Diabetes mellitus e cistite relacionada com cristais – Gatos
Korinn E. Saker, DVM, PhD, DACVN
Professora Associada, Nutrição Clínica
Ciências Biomédicas Moleculares
Faculdade de Medicina Veterinária
Universidade do Estado da Carolina do Norte, Raleigh, Carolina
do Norte
Gastroenterite/Vômitos – Cães
Gastroenterite/Vômitos – Gatos
David C. Twedt, DVM, DACVIM
Professor, Medicina de Pequenos Animais
Departamento de Ciências Clínicas
Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências Biomédicas
Universidade do Estado do Colorado, Fort Collins, Colorado
Doença hepática – Cães
Doença hepática – Gatos
Encefalopatia hepática – Cães
Encefalopatia hepática – Gatos
Stephen D. White, DVM, DACVD
Professor
Departamento de Medicina e Epidemiologia
Faculdade de Medicina Veterinária
Universidade da Califórnia, Davis, Califórnia
Dermatite alérgica – Cães
Dermatite alérgica – Gatos
Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM
Professora Associada e Chefe da Medicina Interna de Pequenos
Animais
Departamento de Ciências Clínicas de Pequenos Animais
Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências Biomédicas
Universidade do Texas A&M, College Station, Texas
Diarreia do intestino delgado – Cães
Diarreia do intestino delgado – Gatos
Diarreia do intestino grosso – Cães
Diarreia do intestino grosso – Gatos
Linfangiectasia – Cães
6
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Princípios da Alimentação Coadjuvante
Alergia a alimentos:O diagnóstico e o tratamento consistem em administrar uma
dieta de eliminação "hipoalergênica"3. Esta dieta é baseada em exposição prévia a
diversos alimentos, podendo ser dietas de eliminação (antígenos limitados) tanto
caseiras como comerciais.
Os animais não devem ter contato com qualquer outra substância no período de
teste de eliminação de alimentos, incluindo suplementos de vitaminas, brinquedos
mastigáveis, medicações ou cremes dentais específicos. Devido à dieta de eliminação
caseira não ser uma dieta balanceada, os proprietários devem ser advertidos sobre a
possibilidade de seu cão perder peso, de desenvolver uma pelagem sem brilho,
escamosa, ou apresentar um apetite maior do que o habitual.
Geralmente, a duração da dieta de eliminação é de 8 a 12 semanas.
A persistência de algum prurido na semana 12 pode indicar a presença de outras
hipersensibilidades concomitantes. Nos casos que foram administrados antibióticos
para tratar infecções secundárias, ou corticosteroides orais para prurido intenso, a
dieta deve continuar por mais 2 semanas após estes tratamentos serem interrompidos,
com o intuito de avaliar corretamente a sua eficácia.
Ao não apresentar os sinais clínicos, o cão é alimentado com a sua dieta padrão para
confirmar o diagnóstico. A recorrência de sinais clínicos geralmente é apresentada
dentro das duas semanas seguintes. O cão é então alimentado novamente com sua
dieta de eliminação e o proprietário pode testar com os alérgenos suspeitos,
administrando cada um deles por uma ou duas semanas de cada vez. Os alérgenos
comprovadamente mais comuns nos cães são proteínas contidas em: carne, frango,
leite, ovos, milho, trigo e soja. Uma vez que os alérgenos ofensivos são identificados,
pode ser fornecida uma alimentação comercial sem esses alérgenos ou uma dieta de
proteínas hidrolisadas. Quando os proprietários se recusam a realizar testes de
provocação, pode ser usado um alimento para cães com antígenos limitados.
nPetiscos – Durante o teste de eliminação não pode ser fornecido nenhum
petisco, exceto aqueles que contenham os mesmos ingredientes que a dieta de
eliminação. As dietas comerciais de eliminação úmidas ou secas podem ser
assadas (esta última misturada com água), em forma de biscoitos para cães. Após
ter o diagnóstico de alergia alimentar e encontrar uma dieta de manutenção
apropriada, pode-se incorporar petiscos semanalmente para avaliar qualquer
recorrência dos sinais clínicos. 
nDicas para aumentar a palatabilidade – Às vezes, aquecer o alimento antes da
alimentação pode melhorar a palatabilidade. Se o cão recusa a alimentação de
eliminação após 2 ou 3 dias, é melhor testar uma outra dieta com outra proteína.
nRecomendações para a dieta – As dietas de eliminação devem evitar alimentos
fornecidos anteriormente. Para as dietas caseiras, as escolhas podem ser proteínas
"novas", como a carne de porco, feijão, coelho, pato e atum, e carboidratos como
batatas, batatas doces e arroz. As dietas comerciais devem ser especificamente
comercializadas com alérgenos limitados. Estas podem estar compostas por proteínas
"novas" ou proteínas hidrolisadas cujo peso molecular seja muito pequeno para
desencadear reações do sistema imunológico do cão. 
Dermatite Alérgica - Cães
Stephen D. White, DVM, DACVD
Definição
A Dermatite alérgica refere-se a qualquer distúrbio de hipersensibilidade que
produza uma condição inflamatória na pele. Os distúrbios mais comuns que afetam
os cães incluem: alergia a picada de pulgas (DAPP), dermatite atópica e alergia a
alimentos (também conhecida como hipersensibilidade alimentar).
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
O histórico clínico, incluindoa sazonalidade e a dieta ou as mudanças na dieta, são
os primeiros passos para diagnosticar a causa da dermatite alérgica. Durante o exame
físico, a localização das lesões pode fornecer informações importantes para o
diagnóstico: se a causa é a alergia a picada de pulgas, as lesões são provavelmente no
dorso; no caso da dermatite atópica, as lesões são encontradas em membros pélvicos,
axilas, rosto e orelhas; e se é uma alergia alimentar, as lesões podem ser semelhantes às
observadas na dermatite atópica. É preciso uma análise citológica da pele para verificar
se há infecções bacterianas secundárias ou Malassezias fúngicas como a Malassézia.
Fisiopatologia 
A dermatite atópica é mediada pela imunoglobulina E (IgE) específica para alérgenos.
Os alérgenos, por via percutânea, são fixados aos anticorpos IgE ligados aos
mastócitos, os quais liberam substâncias inflamatórias. Trabalhos recentes sugerem
que: 1) alguns cães atópicos podem apresentar deficiência de filagrina (um
componente do estrato córneo), e 2) em cães normais, a função de barreira do estrato
córneo (contra as infecções) pode ser suplementada por niacinamida. 
A etiologia da alergia alimentar não é bem conhecida, mas provavelmente esteja
envolvida tanto em processos mediados por células como em processos mediados
por anticorpos. Na dermatite por picadas de pulgas, os alérgenos são proteínas
encontradas na saliva dos parasitas. 
Predisposição
As raças com predisposição são: Lhasa Apso, Schnauzer Miniature, Dachshund
West Highland White Terrier, Pug, Poodle, Cocker Spaniel, Springer Spaniel,
Collie, Dálmata, Boxer, Rhodesian Ridgeback, Pastor Alemão e Golden Retriever.
No Reino Unido, ocorreu um relato sobre cães atópicos da raça Retriever com
probabilidade de ter filhotes atópicos, especialmente os machos atópicos.
Geralmente nos cães atópicos os indicadores se observam entre a idade de 1 e 7
anos. Predileções por gênero são desconhecidas. Trinta por cento dos cães com
alergia a alimentos apresentam indicadores no decorrer do primeiro ano de idade.
No que diz respeito a alergia a picada de pulgas, não existem predileções por idade,
raça ou gênero.
Alterações nos nutrientes essenciais
Nos cães com dermatite atópica, os ácidos graxos essenciais (AGE) podem ser usados
como antipruríticos1. É controversa a diferença da eficiência entre os suplementos de
AGE com ácidos graxos Ômega 3 e aqueles que contêm uma mistura de Ômega 3
e Ômega 6. Nos cães, os AGE podem ter 25% de probabilidade de reduzir o prurido,
especialmente quando combinados com um tratamento anti-histamínico. Quando
os suplementos de AGE foram incluídos na alimentação dos cães, a taxa de sucesso
em um estudo foi de 42% (controle do prurido bom ou excelente); em outro estudo
foi de 44%. Um artigo recente demonstrou que as melhorias observadas em cães
atópicos com suplementação de AGE nem sempre se correlacionam com a ingestão
total de ácidos graxos ou com a relação de ácidos graxos ômega 6:3. Outro relatório
documentou o efeito moderador dos esteroides dos AGE em alguns cães atópicos.² 
Se forem utilizados suplementos, uma recomendação informal é a utilização de pelo
menos 36 - 44 mg/kg de peso corporal/dia de ácido eicosapentaenoico (EPA, em
inglês) proveniente de óleo de peixe, ou aproximadamente 1 g de óleo de peixe/5 kg
de peso corporal.
Nutriente % MS mg/100 kcal % MS mg/100 kcal
Valores recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
n3 Total 0.4–0.8 81–156 n/d n/d
(de óleo de peixe)
EPA 0.24–50 50–94 n/d n/d
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações
metabólicas induzidas pelos estados de enfermidade. A composição recomendada
da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou
mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais
devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de
vida e consumo de energia.
*Necessidades de nutrientes para os animais adultos segundo determinação da
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
7
Pontos para a educação do proprietário
nDermatite Atópica –Os proprietários devem reconhecer que esta doença precisa
ser controlada e tratada durante toda a vida do cão; se os AGE são úteis no controle
de prurido, então será necessário fornecê-los ao longo de toda a vida.
nAlergia a Alimentos –Os proprietários precisam ser muito rigorosos ao longo do
teste de eliminação do alimento. Devem manter um registro diário, constatando o
prurido, tudo o que for ingerido que não esteja na dieta, sendo ideal também registrar
qualquer mudança nas fezes (ex.: consistência, cheiro).
nAlergia a Picada de Pulgas– Explicar o papel das pulgas e os diversos inseticidas
disponíveis para proteger o cão das picadas de pulgas. Embora a eficácia dos AGE
como auxiliares no tratamento do prurido causado por alergia a pulgas não tenha
sido totalmente investigada, podem ser utilizados os AGE como complemento ao
tratamento de parasitas.
Comorbidades comuns
A dermatite atópica, a alergia a picadas de pulgas e a alergia alimentar muitas vezes
existem no mesmo cão. Podem ter infecções bacterianas secundárias (normalmente,
Staphylococcusspp) e/ou por Malasseziaspp (fungo). As mesmas precisam ser tratadas,
uma vez que as infeções podem produzir prurido. A alergia a alimentos também
pode causar transtornos gastrointestinais. Enquanto diarreia e/ou vômitos
provavelmente só ocorram em 10% dos cães com dermatite causada por alergia
alimentar, fezes moles ou malformadas, são observadas com maior frequência; deve-
se perguntar especificamente sobre o aparecimento no momento de registrar o
histórico clínico do paciente⁴. Raramente foi observado que a alergia alimentar tenha
causado epilepsia idiopática⁵. 
Tratar ou descartar infecções secundárias bacterianas ou por fungos
Alergia alimentar Dermatite atópica Alergia a picada de pulgas
Diagnosticar mediante um teste com dieta hipoalergênica 
ou de alérgenos limitados
Diagnosticar com base no histórico 
e quadro clínico
Tentar um tratamento com AGE,
sozinhos ou em uma combinação com
outras formas (anti-histamínicos,
corticosteroides, injeções de
hipossensibilização)
Diagnosticar com base no histórico 
e quadro clínico
Se o prurido não for resolvido, devem
ser consideradas outras etiologias
Se o prurido for resolvido, deve ser
administrada a dieta anterior para
confirmar o diagnóstico 
Se for confirmado, deve-se
administrar alérgenos individuais
para identificá-los, ou manter 
uma dieta balanceada com 
alérgenos limitados
Começar o controle das pulgas; somar
AGE como tratamento complementar
Manejo Nutricional da Dermatite Alérgica em Cães 
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Como foi observado anteriormente, são necessários antibióticos e antimicóticos
(geralmente azóis) para tratar infecções secundárias. Tais medicamentos são
administrados normalmente durante 4 a 8 semanas. Os medicamentos tópicos,
tais como xampu ou artigos para banho (enxágues) podem também ser utilizados
para controlar as infecções secundárias, bem como ajudar no tratamento do
prurido. Os corticosteroides podem ser necessários para controlar o prurido,
embora a sua utilização deva ser limitada a produtos por via oral com efeito de ação
curta, tais como a prednisona ou a prednisolona. Quando os corticosteroides são
considerados necessários, o objetivo deve ser a menor dose diária possível. A
ciclosporina é frequentemente útil para controlar os sinais clínicos de dermatite
atópica; a sua eficácia em outras dermatoses alérgicas ainda não foi avaliada. É
também importante para a dermatite atópica a hipossensibilidade com base em
testes sorológicos (imunoterapia, ou “vacinas para alergia"). Hipossensibilidade
não é recomendada para o tratamento da alergia alimentar; o seu papel na gestão
da alergia a pulgas precisa ser pesquisado mais profundamente.
Controle
Os cães com dermatite alérgica deverão ser avaliados pelo menos duas vezes por
ano depois do desaparecimento dos sinais clínicos; controles mais frequentes,dependendo dos potenciais efeitos adversos do tratamento (tal como os
observados com ciclosporina ou corticosteroides) são sugeridos. Os cães também
devem ser examinados se o prurido é repetitivo, porque isso pode significar tanto
uma recaída no tratamento da dermatite alérgica (por exemplo, uma ingestão de
alérgeno "proibido", ou um erro de controle das pulgas) a recorrência de uma
infecção secundária ou o aparecimento de uma outra hipersensibilidade (ex.: o
cão com alergia alimentar que desenvolve uma dermatite atópica).
Princípios da alimentação coadjuvante
Alergia Alimentar:O diagnóstico e o tratamento consistem em administrar uma
dieta de eliminação “hipoalergênica". Esta dieta é baseada em exposição prévia a
vários alimentos, podendo ser dietas de eliminação (antígenos limitados), tanto
caseira como comercial. 
Os animais não devem ter contato com qualquer outra substância no período de
teste de eliminação de alimentos, incluindo suplementos de vitaminas, brinquedos
mastigáveis, medicações ou cremes dentais específicos. Dado que a dieta de eliminação
caseira não é uma dieta equilibrada, os proprietários devem ser alertados sobre a
possibilidade de perda de peso do gato, de desenvolver pelagem sem brilho, escamosa,
ou um apetite maior do que o habitual. A nova dieta deve ser incorporada
gradualmente ao longo de alguns dias, inicialmente misturada com a dieta anterior.
Também é necessário alertar os proprietários caso o gato recuse a nova dieta por mais
de dois dias, isso poderia causar doenças (lipidose hepática) e, portanto, deverão
procurar rapidamente uma dieta mais palatável.
Geralmente, a duração da dieta de eliminação é de 8 a 12 semanas. A persistência de
algum prurido na semana 12 pode indicar a presença de outras hipersensibilidades
simultâneas. Nos casos que os antibióticos são indicados para o tratamento de
infecções secundárias, ou corticosteroides orais para prurido intenso, a dieta deve ser
mantida por 2 semanas após a interrupção destes tratamentos, a fim de julgar
corretamente sua eficácia.
Após o tratamento dos sinais clínicos, o gato é alimentado com a sua dieta habitual
para confirmar o diagnóstico. A recorrência de sinais clínicos geralmente aparece
dentro das duas semanas seguintes. O gato é alimentado de novo com a dieta de
eliminação e o proprietário pode administrar os alérgenos suspeitos, proporcionando
cada um 1 a 2 semanas de cada vez. Os alérgenos mais comuns testados em gatos são
proteínas encontradas em: leite e produtos lácteos, peixe e carne. Uma vez que os
alérgenos ofensivos são identificados, pode ser fornecida comida comercial para gatos
sem esses alérgenos. Quando os proprietários se recusam a realizar testes de provocação,
você pode utilizar um alimento para gatos com antígeno limitado.
nPetiscos – Durante o teste de eliminação de alimentos não pode ser utilizado
nenhum petisco, exceto aqueles que contêm os mesmos ingredientes que a dieta de
eliminação. Após o diagnóstico de alergia alimentar e após encontrar uma dieta de
manutenção adequada, os petiscos podem ser incorporados semanalmente para
avaliar qualquer recorrência de sinais clínicos.
nDicas para aumentar a palatabilidade –Algumas vezes, aquecer a dieta antes da
alimentação pode melhorar a palatabilidade. Se o gato se recusa a comer a dieta de
eliminação depois de 2 dias, será necessário testar uma dieta com outra proteína. 
n Recomendações para a dieta – As dietas de eliminação deverão evitar os
alimentos dados anteriormente. No caso das dietas caseiras, as opções podem ser
proteínas "novas" como porco, coelho e pato, e carboidrato como as batatas e a tapioca.
As dietas comerciais deverão ser especificamente comercializadas com alérgenos
limitados. Estes podem estar compostos por proteínas "novas" ou proteínas
hidrolisadas cujo peso molecular seja suficientemente pequeno para não acionar o
sistema imunológico do gato.
Pontos para a educação do proprietário
• Dermatite atópica:Os proprietários devem reconhecer que esta doença precisa 
ser controlada e tratada durante toda a vida do gato; se os AGE são úteis para 
controlar o prurido, então será necessário fornecê-los por toda a vida
• Alergia a alimentos: Os proprietários precisam ser muito rígidos ao longo do 
teste de eliminação de alimentos. Eles devem manter um registro diário, no qual 
conste o prurido, tudo aquilo que for ingerido que não esteja na dieta. Também 
seria interessante anotar qualquer mudança nas fezes (por ex.: consistência, cheiro).
• Alergia a picada de pulgas: Deve ser explicado o papel da pulga e os diversos 
inseticidas disponíveis para proteger o gato das picadas de pulgas. Embora a 
efetividade de AGE como uma ajuda no tratamento do prurido causado pela alergia 
a picada de pulgas não tenha sido investigada completamente, o proprietário pode 
tentar usar AGE como complemento para tratar as lesões causadas pelos parasitas.
Dermatite alérgica - Gatos
Stephen D. White, DVM, DACVD
Definição
Adermatite alérgicase refere a qualquer distúrbio de hipersensibilidade que produza
uma condição inflamatória da pele. Os distúrbios mais comuns que afetam os gatos
são alergia a picada de pulgas, alergia alimentar (também conhecida como
hipersensibilidade alimentar) e dermatite atópica.
Ferramentas de diagnóstico e medidas básicas
O histórico clínico, incluindo a sazonalidade e a dieta ou as mudanças na dieta, é o
primeiro passo para diagnosticar a causa da dermatite alérgica. Durante o exame físico,
a localização das lesões pode fornecer informações importantes para o diagnóstico:
se a causa é a alergia a picada de pulgas, as lesões são provavelmente na metade caudal
do corpo e na área dorsal do pescoço, e é frequente a presença de dermatite miliar
(pápulas incrustadas). No caso da dermatite atópica e de alergia alimentar, as lesões
incluem prurido na face, cabeça e pescoço, dermatite miliar, complexo granuloma
eosinofílico e alopécia auto-induzida. É necessária uma análise citológica da pele para
comprovar a existência de infecções secundárias bacterianas ou Malassezia.
Fisiopatologia
A dermatite atópica é mediada pela imunoglobulina E (IgE) específica para alérgenos.
Os alérgenos, por via percutânea, se ligam a anticorpos IgE ligados aos mastócitos, os
quais, em seguida, liberam substâncias inflamatórias.¹
A etiologia da alergia alimentar não é bem conhecida, mas provavelmente estejam envolvidos
tantos processos mediados por células quantos processos mediados por anticorpos.
Na dermatite por alergia a picada de pulgas, os alérgenos são proteínas na saliva das pulgas.
Predisposição
Nos casos de gatos com dermatite atópica, a alergia alimentar ou a alergia a picada de
pulgas, não foi comprovado de forma constante a predileção por idade, raça ou sexo.
Modificações nos nutrientes essenciais
Em gatos com dermatite atópica, podem ser usados ácidos graxos essenciais (AGE)
como antipruríticos.
Valores recomendados dos nutrientes essenciais
Caso sejam utilizados suplementos, uma recomendação informal no caso de cães é a
utilização de, pelo menos, 36 a 44 mg/kg de peso corporal/dia de ácido
eicosapentaenoico (EPA, em inglês) proveniente do óleo de peixe, ou cerca de 1 g de
óleo de peixe/5 kg de peso corporal. Não há nenhuma evidência para determinar se
isto é ou não é adequado no caso de gatos.
Nutriente % MS mg/100 kcal % MS mg/100 kcal
Valores recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
n3 Total 0.4–0.8 81–156 n/d n/d
(de óleo de peixe)
EPA 0.24–50 50–94 n/d n/d
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações
metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada
da dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g
ou mg por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes
essenciais devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida,
estilo de vida e consumo de energia.
*Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
8
9
Comorbidades comunsTrês dermatoses alérgicas podem ter infecções bacterianas (em geral, Staphylococcus
spp) e/ou por Malassezia spp (fungo).² Estas precisarão ser tratadas, assim como a
dermatite alérgica, já que as infecções podem produzir prurido.³ A alergia a alimentos
também pode causar deficiências orgânicas gastrointestinais, especialmente colite.
Raramente foi observado que a alergia a alimentos tenha causado angioedema ou
sintomas semelhantes à asma.4
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Como foi observado previamente, serão necessários antibióticos e medicamentos
antimicóticos (evitando o cetoconazol devido a seu conhecido efeito hepatotóxico
em gatos) para tratar as infecções secundárias. Tais medicamentos são habitualmente
administrados durante 4 a 8 semanas. Os corticosteroides podem ser necessários para
controlar o prurido, embora o uso deles deva ser limitado a produtos por via oral com
efeito de ação curta, da mesma maneira que a prednisolona (mais efetivo que a
predinisona para muitos gatos). Quando forem considerados necessários os
corticosteroides, deverá ser usada a menor dose diária possível a cada dois dias. A
Tratar ou descartar infeções secundárias bacterianas ou por fungos
Alergia alimentar Dermatite atópica Alergia a picada de pulgas
Diagnosticar mediante um teste com dieta hipoalergênica ou de 
alérgenos limitados
Diagnosticar com base no histórico
clínico e quadro clínico
Tentar um tratamento com AGE,
sozinhos ou em uma combi-
nação com outras formas (anti-
histamínicos, corticosteroides,
injeções de hipossensibilização) 
Diagnosticar com base no histórico
clínico e quadro clínico
Se o prurido não for resolvido, devem
ser consideradas outras etiologias
Se o prurido for resolvido, deve ser
administrada a dieta anterior para
confirmar o diagnóstico 
Se for confirmado, deve-se
administrar alérgenos individuais
para identificá-los, ou manter
uma dieta balanceada com
alérgenos limitados 
Começar o controle das pulgas; somar
AGE como tratamento complementar
Manejo nutricional da dermatite alérgica em gatos
9
ciclosporina frequentemente é útil para controlar os sinais clínicos da dermatite
atópica; sua efetividade em outras dermatoses alérgicas ainda não foi avaliada.
Também é importante para a dermatite atópica a hipossensibilização
(imunoterapia ou "vacinas para alergia") baseada em testes intracutâneos ou
serológicos. A hipossensibilização não é recomendada para o tratamento da alergia
a alimentos; seu papel no manejo da alergia a picada de pulgas precisa ser
investigado mais profundamente.
Controle
Os gatos com dermatite alérgica deverão ser controlados novamente pelo menos duas
vezes por ano depois do desaparecimento dos sinais clínicos; são sugeridos controles
mais frequentes dependendo dos possíveis efeitos adversos do tratamento (como
aqueles observados com ciclosporina ou corticosteroides). Os gatos também serão
examinados se houver repetição do prurido, porque isto pode significar uma recaída
no tratamento da dermatite alérgica (por ex.: ingestão de um alérgeno "proibido" ou
um erro no controle das pulgas), ou recorrência de uma infecção secundária ou o
aparecimento de outra hipersensibilidade (por ex.: o gato alérgico a alimentos que
desenvolve uma dermatite atópica). 
A ingestão de calorias deve ser controlada para manter os cães artríticos numa condi-
ção corporal magra. A ingestão dietética de proteínas não influencia a osteoartrite.
Princípios da Alimentação Coadjuvante
A primeira prioridade para o tratamento dos cães com osteoartrite é atingir e manter
uma condição física magra. Entre outras prioridades encontra-se a administração dos
compostos que possam reduzir a dor articular por meio das suas propriedades anti-
inflamatórias. Entre eles estão o hidrocloreto ou sulfato de glicosamina, o sulfato de
condroitina, e os ácidos graxos Ômega 3, especialmente o ácido eicosapentaenoico.
nPetiscos – Os petiscos para os cães com osteoartrite devem ser altamente palatáveis
e ter baixo teor de calorias e gordura para evitar ganho de peso.
nDicas para aumentar a palatabilidade–O teor de gordura do alimento para cães
com osteoartrite não é muito restrito, sendo assim, a palatabilidade parece ser
geralmente elevada.
n Recomendações para a dieta– Uma dieta formulada para as necessidades
nutricionais de cães com osteoartrite contém ácidos graxos ômega 3 e glicosamina, e
tem um teor moderado de gordura (12,0% min.), um elevado teor de proteínas (30%
min.) e teor de fibra moderada (4,0% min.). Cães obesos com osteoartrite podem
ingerir uma dieta que tenha um baixo teor de gordura (4,0% para 8,5%), um teor de
proteínas moderado (26% min.) e rico em fibra (16,0% min.).
Pontos para a educação do proprietário
• A osteoartrite afeta negativamente a mobilidade dos cães e reduz sua expectativa 
de vida.7
• A doença progride mais rapidamente em cães com excesso de peso do que aqueles
que estão em bom estado físico.1
• Os sinais clínicos da osteoartrite diminuem em cães com excesso de peso, 
quando estes perdem peso.8
• Os sinais clínicos podem diminuir após a administração de suplementos 
nutricionais.4
• As atividades de baixo impacto podem ser benéficas para pacientes com 
osteoartrite.4, 9
• As variações bruscas de temperatura podem aumentar a dor sentida nas articulações4.
Comorbidades comuns
A osteoartrite pode levar a uma dor crônica nas articulações. A dor sentida é variável
entre as estruturas (articulação do cotovelo é menos favorável do que a articulação do
quadril), os tamanhos dos cães (os sinais clínicos são mais graves em cães pequenos e
gigantes em comparação com cães de tamanho médio), e os indivíduos. Como
resultado da dor crônica nas articulações, a região afetada pode perder a mobilidade em
direções específicas, membros afetados se tornam mais fracos, e os pacientes afetados
perdem aptidão muscular e cardiovascular. A combinação de articulações com dor e
com menor mobilidade, membros mais fracos e cães não aptos conduzem a uma
tendência ao sedentarismo e, possivelmente, a um aumento de peso.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
A osteoartrite não está automaticamente associada a doenças sistêmicas, mas como os
sinais clínicos são mais intensos nos pacientes idosos, a osteoartrite e outras doenças
crônicas (por exemplo, insuficiência renal crônica, insuficiência cardíaca,
hiperadrenocorticismo) muitas vezes são tratadas simultaneamente. O tratamento
nutricional e com medicamentos para as doenças crônicas cardíacas, renais,
gastrointestinais e outras doenças sistêmicas são prioritarias sobre o manejo nutricional
e medicamentoso da osteoartrite. Também podem ser implementadas outras
Osteoartrite - Cães
Denis J. Marcellin-Little, DEDV, DACVS, DECVS, DACVSMR
Definição 
A osteoartrite é uma doença progressiva das articulações com perda da integridade da
cartilagem, causando a formação de tecido ósseo na margem da superfície articular,
um aumento na espessura da cápsula articular e dor.
Ferramentas de diagnóstico e medidas
fundamentais
• Mudanças na vontade ou capacidade para o exercício ou brincadeira
• Resposta de dor ante a manipulação da articulação, diminuição da mobilidade
articular ou crepitação.
• Claudicação ou deslocamento do peso diagnosticado quando utilizada uma
plataforma dinamométrica.
Fisiopatologia
A subluxação da articulação, o impacto de carga excessiva, as fraturas articulares
e outras causas geram a osteoartrite. Estes agentes desencadeantes ativam a divisão
e a multiplicação dos condrócitos. Inicialmente, aumenta a produção de
proteoglicano e de colágeno anormais, quantitativa e qualitativamente. Com o
tempo, o conteúdo de proteoglicano diminui, a estrutura da matriz do colágeno
é alterada, e o funcionamento e a estrutura da cartilagem normal são perdidos.
Osteófitos são formados em torno da articulação.
Predisposição 
A osteoartrite é comum em cães. Principalmente decorrente da consequência da
displasia de quadril, displasia do cotovelo e ruptura do ligamento cruzado craniano. Os
cães maiores temmais predisposição do que aqueles com menor relação entre massa
muscular e massa de tecido subcutâneo (por exemplo: Raça São Bernardo). Também
os cães com sobrepeso, os de idade avançada e os condodistróficos.
Mudanças nos nutrientes essenciais
O estado físico é o fator limitante que tem o maior impacto na progressão da
osteoartrite1. Portanto, é muito importante manter os cães com a osteoartrite,
confirmada ou potencial, numa pontuação ótima de 4 ou 5 no sistema de pontuação
da condição física (vide Apêndice I) de 9 pontos, limitando a ingestão calórica6.
O aumento na concentração das unidades estruturais dos proteoglicanos (glucosamina
e sulfato de condroitina) conduz a uma diminuição dos sinais clínicos em diversos
estudos realizados em humanos com osteoartrite moderada a severa2, 3 .A evidência
que apoia o seu uso em cães é mais escassa. Em um estudo clínico, o aumento da
concentração de ácidos graxos poliinsaturados N 3, especialmente ácido
eicosapentaenoico, levou a uma diminuição na claudicação nos cães com osteoartrite.4
Demonstrou-se que várias ervas reduzem os sinais clínicos de artrite em seres humanos,
mas a sua eficácia e segurança não estão documentadas no caso dos cães.5
Valores recomendados dos nutrientes essenciais
Nutriente % MS mg/100 kcal % MS mg/100 kcal
Valores recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta
n3 Total (de 1.0–2.0 240–300 n/d n/d
óleo de peixe)
EPA 0.5–1.0 100–200 n/d n/d
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada
como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como gr. ou mg. por 100 kcal de
energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos
requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
10
estratégias, incluindo exercícios terapêuticos, alongamento ou terapia com frio,
dependendo das necessidades específicas do paciente. Os exercícios terapêuticos podem
ser usados para fortalecer, aumentar a resistência e alongar. A taxa de emagrecimento
recomendada para pacientes com artrite e com excesso de peso que sofrem de doenças
sistêmicas é de aproximadamente 1% do peso corporal por semana. Este valor é inferior
à taxa de 1% a 2% do peso corporal por semana recomendada para pacientes com
artrite e excesso de peso que não sofrem com doenças sistêmicas.
Controle
O controle de sinais clínicos e as respostas à terapia nutricional ou medicamentos
para os pacientes com artrite podem ser feitos com novos exames, incluindo a
avaliação de habilidades motoras (postura, marcha ao caminhar e correr) e a
resposta à dor ao apalpar a articulação. A frequência de monitoramento está
Manejo Nutricional da Osteoartrite Sintomática em Cães
• Manejo nutricional
• Dor (medicamentos anti-inflamatórios)
• Exercícios terapêuticos
Novas avaliações
Peso Normal Com sobrepeso ou Obeso
Programa de perda de peso
(1%–2% do peso corporal por semana)
11
relacionada com a gravidade dos sinais clínicos. Os pacientes mais jovens e
menos afetados podem ser avaliados de forma intermitente (por exemplo, a
cada 6 meses). Os pacientes de maior idade e gravemente afetados podem ser
avaliados uma vez por mês. A perda de peso deve ser avaliada com frequência
(a cada 2 ou 4 semanas). O manejo do paciente também inclui a comunicação
com o proprietário, todas as semanas. Nesse momento, podem ser feitas as
modificações necessárias para os programas de nutrição, exercício e medicação,
conforme necessidade. 
Osteoartrite/Doença degenerativa das articulações - Gatos
B. Duncan X. Lascelles, BSc, BVSC, PhD, MRCVS, CertVA, DSAS(ST),
DECVS, DACVS
Definição
Normalmente, a artrite é definida como uma inflamação da articulação que se
caracteriza por inchaço, dor e mobilidade restrita. A doença degenerativa das
articulações (DAD) é a destruição progressiva de componentes comuns, ou seja,
cartilagem, osso subcondral, cápsula articular e ligamentos. A DAD pode afetar
articulações sinoviais, tais como anfiartrodias. Muito pouco se sabe sobre a doença das
articulações nos gatos; portanto, o termo DAD será usado já que a artrite provoca
graus variáveis de DAD.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
Histórico da deterioração da mobilidade e da atividade. Têm-se realizado
poucos estudos em gatos sobre a avaliação da dor osteoartrítica. 1,2. Entretanto, os
trabalhos indicam que, assim como no caso dos cães, os proprietários devem estar
particularmente envolvidos no processo. As atividades afetadas pela osteoartrite
nestes animais ainda não são totalmente identificadas, dificultando a avaliação da
dor. Um estudo recente em 28 gatos com osteoartrite mostrou que a claudicação
óbvia não era uma característica clínica comum. 1 No entanto, características como
saltos ascendentes e descendentes, a altura do salto, o movimento geral, o "mau
humor" ao ser manipulado e o desejo de isolamento são possíveis atividades e
comportamentos que devem ser estudados. Estes resultados foram confirmados
em um teste cego aleatório publicado recentemente que utilizou monitores de
atividade como uma medida objetiva da mobilidade.2 Neste estudo, as atividades
que os proprietários escolheram para a avaliação foram saltos
ascendentes/descendentes, brincadeiras (brinquedos, outros gatos), correr (até a
comida, fugindo de outros animais), deitar-se, subir escadas, caminhar, arranhar,
limpar-se, utilizar pedras sanitárias e caçar. Um trabalho mais recente dos mesmos
autores tem dado mais enfoque sobre as atividades que poderiam ser apropriadas,
eles pedem que os proprietários sejam consultados no momento de avaliar a dor
causada pela DAD nos gatos.3
Testes de desempenho na clínica. Estes testes podem ser difíceis de realizar com
os gatos, mas entre os testes simples são: 1) Colocar o gato no chão e observar
como ele se move ao redor da sala, 2) encorajar o gato a saltar de uma mesa ou
cadeira, e 3) encorajar o gato a saltar e alcançar o colo da pessoa que pratica o teste.
Avaliar como o gato desempenha essas tarefas pode, em alguns casos, fornecer
informações valiosas, ajudando o medico veterinário a identificar o problema e
avaliar o grau do dano. 
Exame ortopédico. Os exames fisicos nem sempre apontam com clareza a
patologia, onde a colaboração do animal é fundamental. A seguir algumas dicas
para a manipulação dos animais:
• Esteja preparado para dedicar o tempo necessário.
• Tenha uma atitude calma.
• Use uma sala calma, longe de cães latindo sem "esconderijos" onde o gato possa entrar.
• Utilize uma superfície onde o animal possa ficar que seja macia e não escorregue.
• Minimize as restrições.
• Realize o teste na posição em que o gato esteja confortável (por exemplo, em pé ou
deitado nos braços do proprietário).
• Muitas vezes, o teste é facilitado quando o proprietário está presente, mas alguns 
gatos podem se sentir mais relaxados se o proprietário não está presente.
• O teste deve incluir todas as articulações e o esqueleto axial.
• Esteja preparado para realizar o teste por partes e repita se necessário.
Os gatos parecem incomodados muito mais que os cães, quando suas articulações
são estendidas, e frequentement e reagirão negativamente à extensão do cotovelo e da
virilha. Esta reação não deve ser mal interpretada.
Goniometria. A goniometria pode ser uma ferramenta válida no gato4, mas apenas
um estudo utilizou a goniometria nesta espécie, provavelmente devido à dificuldade
em definir reações de dor em gatos5. Nenhum estudo ainda utilizou a goniometria
como uma ferramenta para avaliar a amplitude de movimento articular sem dor. Para
os gatos têm se definido intervalos normais de movimento articular4. Dados não
publicados do autor (B. Duncan X. Lascelles) indicam que a redução na amplitude
de movimento está significativamente associada com evidência radiográfica de DAD. 
Avaliação radiográfica.Devem obter vistas ortogonais das articulações com dor.
Ainda que não sejam observados indicadores radiográficos que correspondem à
doença articular degenerativa, não se deve descartá-la. O autor descobriu que há
apenas uma sobreposição moderada entre as articulações que se apresentam
clinicamente com dor e aqueles que têm indicadores radiográficos de doença
articular degenerativa.
Fisiopatologia
Enquanto Allan descreve causas comuns de osteoartrite em gatos6, há pouca evidência
documentada sobre a causa do DAD em gatos. Duas formas principais de osteoartrite
são bem conhecidas: a mucopolissacaridose e osteocondrodisplasia7-9 em gatos de
raça pura Fold Escocês. Atualmente, as causas secundárias documentadas da DAD
em gatos são nutricionais (secundárias por excesso de vitamina A), displasia de quadril,
as poliartropatias não infecciosa e as artropatias infecciosas.
Predisposição
Parece que a incidência da DAD no gato aumenta com a idade, de 10 a 12 anos e isso
foi confirmado em um estudo prospectivo transversal recente.13 Não é conhecida
qualquer outra associação de identificação, mas surgiram sugestões de que a displasia 
do quadril que conduz à DAD é mais comum em gatos de raça pura.14
Modificações nos nutrientes essenciais
É provável que as dietas com altos níveis de óleo de peixe Ômega 3, especialmente os
ácidos docosahexaenoico (DHA) e eicosapentaenoico (EPA), sejam benéficos. Um
estudo realizado em gatos sugeriu um efeito benéfico da dieta rica em EPA e DHA
em alguns marcadores séricos da doença em gatos com artrite15. Há um teste cego,
prospectivo e controlado por placebo que pesquisa os efeitos da dor uma “dieta para
DAD” nos gatos16. O estudo avaliou uma dieta para a DAD com altos níveis de
DHA e EPA e também de sulfato de condroitina, hidrocloreto de glicosamina e
extrato de mexilhão verde. A atividade diminuiu significativamente no grupo
alimentado com a dieta controle e houve um aumento significativo no grupo
alimentado com a dieta para a DAD. Existem muitos trabalhos sendo desenvolvidos,
mas a modulação da dieta pode ser um meio eficaz de tratar a dor associada à DAD
em gatos. 
Valores recomendados dos nutrientes essenciais 
12
Nutriente % MS mg/100 kcal % MS mg/100 kcal
Valores recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
n3 Total (de 1.0–2.0 240–300 n/d n/d
óleo de peixe)
EPA 0.5–1.0 100–200 n/d n/d
Se for utilizado ácidos graxos Ômega 3, deve-se proporcionar EPA preformado
proveniente de óleo de pescado. Todos os outros nutrientes essenciais devem aten-
der aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e ingestão
de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
Princípios da alimentação coadjuvante
Como se observa, a ciência da proteção ou preservação das articulações em gatos não
é totalmente precisa para recomendar um princípio de alimentação coadjuvante.
Recomendações informais incluem o fornecimento de suplementos como o sulfato
de glicosamina - condroitina e insaponificáveis de abacate/soja (ASU, em inglês)
Pontos para a educação do proprietário
• A claudicação clinicamente visível nos gatos tem sido associada ao peso; 17gatos que
apresentaram excesso de peso são 4,9 vezes mais propensos a desenvolver uma
claudicação que requer cuidados veterinários. No entanto, como no caso de outras
espécies, devemos manter os gatos no escore de condição corporal (ECC) ideal.
• Tradicionalmente, tem se aconselhado aos proprietários que evitem dar restos de 
alimento e petiscos para seus gatos obesos. No entanto, um estudo indicou poucos
benefícios com a restrição de petiscos em programas de emagrecimento e 
perda de peso18. Na verdade, os autores deste estudo sugerem que seja permitido 
que os proprietários forneçam petiscos para auxiliar o cumprimento das metas e 
melhorar a relação dono-animal de estimação8.
• É importante trabalhar para aliviar a dor associada à DAD em gatos para melhorar
seu bem-estar e qualidade de vida
Comorbidades comuns
Nenhuma associação foi demonstrada para as comorbidades comuns com a DAD
em gatos. No entanto, uma vez que a incidência da DAD em gatos parece aumentar
com a idade, como foi comentado recentemente13 , todas as doenças mais
frequentemente observadas em gatos idosos (como insuficiência renal, doença
cardíaca, diabetes, doença inflamatória do intestino) devem ser consideradas como
potenciais comorbidades e as dietas devem ser formuladas tendo em conta as doenças
coexistentes em cada gato.
Controle
O controle da DAD em gatos e a dor associada a esta doença deverão estar alinhados
conforme o capítuloFerramentas de Diagnóstico e Exames Básicos .
13
Manejo nutricional da suspeita de artrite/doença degenerativa das articulações nos gatos
Avaliação
Exame • Histórico clínico • Testes de desempenho • Radiografia
Diagnóstico do DAD com dor
Detecção de doenças coexistentes
Formulação da dieta baseada principalmente em doenças coexistentes
Considerações secundárias para a formulação da dieta
Peso Normal Sobrepeso
Consideração de suplementos nutricionais e ou dietas formuladas para DAD em gatos (se disponível) Dieta para reduzir o peso + suplementos para a dor do DAD 
Controle da dor (veja avaliação)
Se a dor continua e a atividade declina, considere o tratamento com medicamentos, cirurgia ou outro tratamento adequado
Doença cardíaca - Cães
Lisa M. Freeman, DVM, PhD, DACVN
Definição
As doenças cardíacas são comuns em cães, afetando cerca de 11% dos animais;
podendo ser congênitas ou adquiridas e afetar as válvulas coronárias, miocárdio ou
sistema venoso/arterial.. A insuficiência cardíaca ocorre quando a doença se torna
grave o bastante para que o coração não consiga bombear sangue suficiente para suprir
todos os tecidos. É comum que os sinais clínicos, que variam entre leve a grave,
acompanhem a insuficiência cardíaca. Na insuficiência cardíaca congestiva (ICC), a
diminuição da função cardíaca provoca pressão venosa alta e consequente acúmulo
de líquidos (por exemplo: edema pulmonar, derrame pleural, ascite). A ICC é a via final
comum da maioria das doenças, sendo a doença valvular crônica(DVC) mais comum
nos cães (> 75% de todas as doenças cardíacas). Em segundo lugar, destacamos a
miocardiopatia dilatada (CMD). Também se produzem doenças cardíacas congênitas,
especialmente em certas raças. Todas estas doenças podem levar à insuficiência cardíaca.
Existem diversos sistemas para classificar a gravidade das enfermidades. Um deles é a
classificação de insuficiência cardíaca do Conselho Internacional de Saúde Cardíaca em
Pequenos Animais (ISACHC, em inglês) (Tabela 1).
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
Devem ser considerados para o diagnóstico de doenças cardíacas em cães o peso
corporal (PC), a pontuação do Escore de Condição Corporal (ECC; ver Apêndice
I), o desgaste muscular, o apetite/ingestão de alimentos (histórico alimentar; ver
Apêndice II), os sinais clínicos (por exemplo: tosse, falta de ar, ascite, fraqueza, desmaios,
vômitos, diarreia) e valores laboratoriais, incluindo níveis séricos de nitrogênio ureico
(BUN, em inglês), creatinina, eletrólitos, hematócrito e taurina (em plasma e sangue
total se houver suspeita de deficiência de taurina). Outros testes, se indicados, podem
incluir raio-X de tórax, pressão arterial, eletrocardiograma, ecocardiograma e Holter.
Fisiopatologia
Entre as alterações produzidas em animais com insuficiência cardíaca que influenciam
no manejo nutricional encontramos as seguintes:
Calorias.Muitos animais com doenças cardíacas, especialmente quando surge o ICC,
apresentam uma diminuição da ingestão de alimentos. Isto pode ser o resultado de um
aumento da produção de mediadores inflamatórios (por exemplo: Citocinas, estresse
oxidativo), os efeitos colaterais dos medicamentos para o coração, ou fraco controle
dos indicadores de insuficiência cardíaca.
Proteínas/Aminoácidos. A perda de massa muscular (caquexia) ocorre em animais
com insuficiência cardíaca comoresultado da redução do apetite, da maior necessidade
de energia, citocinas pró inflamatórias e da intolerância ao exercício. A deficiência de
taurina pode estar presente em certas raças de cães com CMD (ex.: Cocker Spaniel,
Golden Retriever, Terra Nova, São Bernardo, Cão de Água Português), e também tem
sido associada a dietas com farinha de cordeiro e arroz, rica em fibras e baixo teor de
proteínas. A arginina pode ser um fator, já que a função endotelial pode ser reduzida
em animais com ICC, o que contribui para reduzir a tolerância ao exercício.
Gordura. Os cães com ICC demonstraram ter uma deficiência relativa de ácidos
graxos n-3, ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosahexanoico (DHA), em
comparação com os cães saudáveis do grupo de controle. Os ácidos graxos n-3 reduzem
os mediadores inflamatórios e têm efeitos antiarrítmicos.
Minerais.A retenção de água e sódio ocorre na insuficiência cardíaca devido à ativação
do sistema renina angiotensina aldosterona. A hipocalemia pode ocorrer em cães que
receberam diuréticos da alça (por exemplo: Furosemida) ou tiazidas (por exemplo:
Hidroclorotiazida). A hipocalemia pode aumentar o risco de arritmia cardíaca. A
hipercalemia pode ocorrer em cães tratados com inibidores da ECA (enzima
conversora de angiotensina) ou diuréticos retentores de potássio (por exemplo:
Espironolactona). Os cães que recebem doses elevadas de diuréticos estão sob o risco
de apresentar hipomagnesemia, o que pode aumentar o risco de arritmia cardíaca.
Vitaminas.Nos cães que recebem diuréticos, é possível causar uma perda maior de
vitamina B pela urina. 
Outros nutrientes. Foi relatado sobre a deficiência de carnitina em uma família de
cães da raça Boxer com CMD. Suplementos com carnitina podem melhorar o
metabolismo energético em animais com ICC. Além disso, cães com ICC apresentam
maior estresse oxidativo (isto é, um desequilíbrio entre a produção de oxidantes e a
proteção antioxidante).
Predisposição
Doença valvular crônica (DVC) é a doença cardíaca mais comum em cães e geralmente
afeta as raças de tamanho pequeno e médio. Algumas das raças com maior risco de
acidente vascular cerebral são Cavalier King Charles Spaniel, Chihuahua, Dachshund,
Schnauzer miniatura e Poodle toy e miniatura. A cardiomiopatia dilatada (CMD) é
geralmente encontrada em cães grandes e gigantes, raças como Doberman Pinscher,
Boxer, Galgo Irlandês e Dogue Alemão. Alguns cães com CMD podem ter deficiência
de taurina; as raças que são predispostas são: Cocker Spaniel, São Bernardo, Golden
Retriever, Terra Nova, e Cão de Água Português. As raças com CMD, que geralmente
não a desenvolvem CMD (por exemplo: Dachshund [salsicha], Corgi) também
podem ser deficientes em taurina. 
Mudanças nos nutrientes essenciais
Calorias.É crucial assegurar a ingestão adequada de calorias para manter um PC ideal.
A obesidade pode estar presente, especialmente em cães com doença cardíaca precoce
(assintomática). A medida que o ICC se desenvolve, a perda de peso (e massa magra)
se torna comum. Portanto, assegurar a ingestão adequada de calorias é muitas vezes
crucial nesta fase.
14
Tabela 1. Classificação da insuficiência cardíaca* do Conselho Internacional de Saúde
Cardíaca em Pequenos Animais (ISACHC, em inglês).
1. Assintomática
A doença cardíaca é detectável, mas o paciente não é abertamente afetado e não mostra sinais clínicos de insuficiência cardíaca. Achados diagnósticos podem incluir um sopro 
cardíaco, arritmia ou alargamento dos átrios que é detectado por radiografia ou ecocardiograma.
1a Há a presença de indicadores de doenças do coração, mas não é conhecido qualquer indicador de compensação, tais como hipertrofia ventricular com sobrecarga da pressão ou de 
volume.
1b Há presença de indicadores de doença cardíaca com evidência radiográfica ou ecocardiográfica de compensação, tal como a hipertrofia ventricular com sobrecarga de pressão ou 
volume
2. Insuficiência cardíaca leve a moderada
Os sinais clínicos de insuficiência cardíaca são evidentes em repouso ou com esforço leve e afetam negativamente a qualidade de vida. Os indicadores típicos de insuficiência cardíaca
incluem intolerância ao exercício, tosse, taquipnéia, desconforto respiratório leve (dispnéia) e ascite leve a moderada. Geralmente não há nenhuma presença de hipoperfusão em repouso.
3. Insuficiência cardíaca avançada
Os sinais clínicos de insuficiência cardíaca congestiva avançada são óbvios de imediato. Estes sinais incluem dificuldade para respirar (dispnéia), ascite evidente, profunda intolerância 
ao exercício, ou hipoperfusão em repouso. Em casos mais graves, o paciente está morrendo e sofrendo choque cardiogênico. Sem tratamento, o prognóstico é reservado.
3a É possível o cuidado em casa.
3b A hospitalização é obrigatória quando houver a presença de choque cardiogênico, edema pulmonar, ascites refratária ou grande derrame pleural.
* De acordo com o Conselho Internacional de Saúde em Pequenos Animais. Recomendações para o diagnóstico de doenças cardíacas e tratamento da insuficiência cardíaca em pequenos animais, de 1994.
Princípios da alimentação coadjuvante
Evite fazer grandes mudanças na dieta quando o cão está hospitalizado por um episódio
agudo de insuficiência cardíaca. Continue alimentando o cão com sua dieta habitual (a
menos que seja muito rica em sódio), mas peça ao proprietário para descontinuar
qualquer petisco ou alimento da mesa com alto teor de sódio. Quando o cão retornar
aos 7-10 dias para uma reavaliação, pode-se estabelecer uma mudança gradual para uma
dieta mais adequada. Isso ajuda a evitar a aversão a alimentos que pode ocorrer quando
uma nova dieta é imposta a um cão extremamente doente. 
Caloriasdevem ser alteradas para manter a condição física ideal (por ex.: reduzir a
ingestão de calorias nos animais obesos; aumentar a ingestão calórica em animais que
estão abaixo de seu peso corporal/Escore de Condição Corporal (ECC) ideal).
Proteínas/Aminoácidos.A dieta deve conter > 5,1 g de proteína/100 Kcal. Note que
muitas dietas para cães cardíacos têm baixo teor de proteínas. Devem ser evitadas dietas
com <5,1 g de proteína/100 kcal, a menos que haja uma presença concomitante de
doença renal. Em cães com CMD pertencentes a raças predispostas deficiência de
taurina ou raças que geralmente não desenvolvem CMD, determinar a concentração
de taurina e começar a suplementação deste elemento enquanto aguarda os resultados
(250-1000 mg a cada 8 a 12 horas).
Gorduras.A dose ideal de ácidos graxos n-3 ainda não foi determinada, no entanto,
o autor recomenda, atualmente, uma dose de óleo de peixe de 40 mg/kg de EPA e 25
mg/kg de DHA no caso de animais com anorexia ou caquexia. A menos que a dieta
seja uma das poucas dietas coadjuvantes especialmente formuladas, serão necessários
suplementos para atingir esta dose de ácidos graxos n-3. Os suplementos de óleo de
peixe podem variar na sua concentração de EPA e DHA por isto o autor recomenda
uma cápsula de 1 grama com conteúdo de 180 mg de EPA e 120 mg de DHA. A esta
concentração, o óleo de peixe pode ser administrado numa dose de 1 cápsula a cada
4,5 kg de peso corporal. Alternativamente, pode-se utilizar uma forma líquida de
ácidos graxos n-3 (por exemplo: Cardiguard de Boehringer Ingelheim contendo 420
mg de EPA e 280 mg de DHA por grama). Tenha em mente que se o proprietário
não puder administrar a cápsula, o cão vai ser exposto a um sabor muito forte de óleo
de peixe, e nem todos os animais apreciam este sabor. No caso de cães que não gostam
do sabor, pode não ser possível administrar ácidos graxos n-3 por causa dos efeitos
adversos sobre a ingestão de alimentos. Os suplementos de óleo de peixe devem conter
vitamina E como um antioxidante, mas não incluem outros nutrientes para prevenir
toxicidade. O óleo de fígado de bacalhau e o óleo de linhaça não devem ser utilizados
para fornecer os ácidos graxos n-3.
Minerais. Com respeito ao sódio:
• Etapa 1 segundo ISACHC: Sugerir ao proprietário que evite as dietas ricas em sódio
(> 100 mg/100 kcal) e também petiscos e alimentosda mesa com esse conteúdo.
• Etapa 2 segundo ISACHC: O objetivo deve ser <80 mg/100 kcal no alimento 
para cães. Também é importante a ingestão de sódio proveniente de outros alimentos
(ex.: petiscos, alimentos da mesa, alimentos usados para administrar medicação).
• Etapa 3 segundo ISACHC: O alimento para cães deve conter <50 mg/100 kcal,
embora a anorexia possa requerer menos severidade quanto ao teor de sódio na
Proteínas/Aminoácidos. O objetivo para ajudar a combater a perda de massa deve ser
uma ingestão normal ou maior de proteína. Deve-se evitar a restrição de proteína a
menos que haja presença concomitante de doença renal grave. Em cães com CMD
pertencentes a raças predispostas a deficiência de taurina ou raças que geralmente não
desenvolvem CMD, deve-se determinar a concentração de taurina e suplementação
de taurina enquanto aguardam resultados. A taurina também pode fornecer alguns
benefícios devido aos seus efeitos antioxidantes e inotrópicos positivos. Demonstrou-
se que a suplementação de arginina em outras espécies melhora a disfunção endotelial
associada à ICC. Isto ainda não foi comprovado no caso de cães.
Gordura. Efeitos anti-inflamatórios e antiarrítmicos dos ácidos graxos n-3 podem
proporcionar benefícios potenciais para animais com doenças cardíacas. A
suplementação com ácidos graxos n-3 reduz a perda de massa em cães com ICC e
melhora o apetite em alguns animais. Além disso, verificou-se que os ácidos graxos 
n-3 reduzem as arritmias ventriculares em cães da raça Boxer com cardiomiopatia
arritmogênica do ventrículo direito. Os ácidos graxos n-3 podem ser fornecidos em
dietas altamente enriquecidas com esta forma de gordura ou suplementos dietéticos.
Minerais. Não é recomendada a restrição severa de sódio ante a doença cardíaca
precoce (assintomática), já que a restrição de sódio ativa o sistema renina angiotensina
aldosterona. Na doença cardíaca precoce, o objetivo deve ser o de evitar o consumo
excessivo de sódio e educar o proprietário sobre os petiscos e alimentos da mesa com
alto teor de sódio. À medida que a doença cardíaca progride e a ICC desenvolve, o
aumento da restrição de sódio é indicado; isto pode ajudar a reduzir as doses de
diuréticos necessários para controlar os sinais clínicos. É importante controlar a
ingestão de sódio proveniente de alimentos para cães, mas também é fundamental
garantir que sejam consideradas outras fontes de ingestão de sódio, como petiscos,
alimentos da mesa e os alimentos utilizados para administração de remédios.
A recomendação para alterar o potássio dietético depende dos medicamentos
que estejam sendo administrados e da concentração de potássio no soro. As dietas
para cães possuem uma vasta gama de potássio, por isso, é importante o uso de uma
alimentação apropriada para cada paciente individualmente (ou seja: evitar dietas
ricas em potássio em cães com hipercalemia). Consequentemente, é preciso
monitorar o potássio sérico, especialmente quando são administrados outros
medicamentos ao paciente. 
Os níveis de magnésiosérico também devem ser controlados, especialmente em cães
que receberam doses elevadas de diuréticos. Deve ser suplementado com magnésio, no
caso de cães com hipomagnesemia.
Vitaminas. A maioria das dietas para cardíacos contêm níveis mais altos de
vitamina B. Se estiver administrando doses elevadas de diuréticos, pode indicar a
suplementação de vitamina B.
Outros nutrientes.Pode-se fornecer suplementos de L-carnitina aos proprietários que
desejam fornecer suplementos dietéticos para seus cães com CMD além dos
medicamentos cardíacos do cão (deve-se ter cuidado para evitar uma situação em que
o proprietário forneça suplementos em vez de medicamentos para o coração). A
deficiência primária de carnitina como uma causa do CMD é provavelmente baixa,
ainda que a raça Boxer possa ser uma raça predisposta. A carnitina pode também
melhorar a despolarização do miocárdio em cães com ICC.
Às vezes, é recomendada a coenzima Q10 para cães com CMD como um antioxidante
e para ajudar no metabolismo da energia do miocárdio. Não há estudos controlados
em cães com doenças cardíacas espontâneas e os resultados de outras espécies são
contraditórios sobre os possíveis benefícios da suplementação com a enzima Q10.
A suplementação com antioxidantes demostrou reduzir o estresse oxidativo em um
estudo em cães com DVC. No entanto, os efeitos sobre a progressão da doença e as
consequências clínicas são desconhecidos.
15
Nutriente mg/100 kcal mg/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Proteína (g) 5.5–8 5.1
Sódio (mg) 35–100 17
(depende da etapa da doença)
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pela doença cardíaca ou pelos medicamentos utilizados para tratar a doença. A
composição recomendada da dieta é mostrada por g ou mg por 100 kcal de energia
metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de
acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia, exceto por aqueles descritos
de maneira diversa no texto.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
Valores recomendados dos nutrientes essenciais
dieta (<80 mg/100 kcal) de modo a proporcionar mais opções. É importante
controlar a ingestão de sódio de outros alimentos (ex.: petiscos, alimentos da mesa,
alimentos utilizados para administrar medicamentos), pois estes podem ser
importantes fontes de sódio.
A recomendação para alterar o potássio na dieta depende dos medicamentos que estejam
sendo administrados e da concentração de potássio sérico. Devem ser usadas dietas ricas
em suplementos de potássio ou magnésio por via oral em cães com hipomagnesemia.
Vitaminas. Se doses elevadas de diuréticos são administradas, pode-se indicar a
suplementação de vitamina B.
Outros nutrientes. A dose ideal ou a mínima de L-carnitina necessária para um cão
com baixos níveis de carnitina do miocárdio é desconhecida, mas a dose recomendada
é de 50-100 mg/kg por via oral a cada 8 horas. Para a coenzima Q10, a dose atual
recomendada (mas empírica) em cães é de 30-90 mg por via oral duas vezes por dia,
dependendo do tamanho do cão.
nPetiscos–A maioria dos cães com doença cardíaca (> 90% em um estudo) recebem
petiscos ou alimentos da mesa. Portanto, é importante discutir isso com os proprietários.
Fazer recomendações específicas para os proprietários sobre os petiscos que são
apropriados (e aqueles que devem ser evitados) é importante, uma vez que grande parte
dos petiscos comerciais são ricos em sódio e a maioria das pessoas ignora o teor de sódio
nos alimentos humanos. Os alimentos a serem evitados são: a maioria dos petiscos
comerciais para cães (a menos que indique especificamente ter baixo teor de sódio),
alimentos para bebês, alimentos em conserva, pão, pizza, presuntos e embutidos,
condimentos (por exemplo: ketchup, molho), a maioria dos queijos, alimentos
processados (por exemplo: misturas com arroz, macarrões e queijo, comidas congeladas),
vegetais enlatados (a menos que na lata se leia “sem sódio” ou “baixo teor de sódio”),
biscoitos ou ossos de couro cru, sopas úmidas e petiscos (por exemplo:. batatas fritas,
bolachas salgadas). Entre os petiscos aceitos incluem frutas frescas (ex.: maçãs, laranjas,
bananas, evitar as uvas), legumes frescos (ex.: cenouras, ervilhas; evitar a cebola e o alho),
petiscos para cães que indicam baixo teor de sódio (<20 mg de sódio/petiscos para cães
de tamanho médio-grande; <10 mg/petiscos para cães de pequeno porte). Levar em
consideração que mesmo os petiscos e os alimentos de baixo teor em sódio podem
fornecer grandes doses de sódio, se eles são fornecidos em grandes quantidades,
especialmente no caso de cães pequenos. 
Também é importante fornecer os métodos adequados para o proprietário
administrar medicamentos, pois muitos proprietários de cães usam a comida para
administrar medicamentos e muitos alimentos comuns utilizados são ricos em sódio.Pode-se ensinar ao proprietário a administrar um comprimido sem o uso de alimentos
(à mão ou usando um dispositivo projetado para esta finalidade). Alternativamente,
pode-se usar alimentos como frutas frescas (ex.: bananas, melões), alimentos enlatados
de baixo teor de sódio, manteiga de amendoim (rotuladas como “sem adição de sal”),
ou carne cozida em casa (sem sal, sem embutidos). Finalmente, pode-se considerar um
medicamento líquido composto, embora a farmacocinética dos medicamentos possa
ser modificada de forma significativa.
nDicas para aumentar a palatabilidade –Com frequência, cães com ICC têm um
apetite cíclico (ou seja, comem bem certo alimento por 7 a 14 dias, mas, em seguida,
param de comer). Embora a diminuição do apetite em um cão que comeu bem
anteriormente possa indicar a necessidade de uma nova avaliação e de um ajuste na
medicação, às vezes, oferecer um alimento diferente aumenta o apetite novamente. A
comunicação com o proprietário sobre estas questões pode ajudar a reduzir a ansiedade.
Os potenciadores de palatabilidade, tais como caldo caseiro com baixo teor de sódio
(por exemplo: frango, carne), podem melhorar a palatabilidade. A maioria dos caldos
industrializados são ricos em sódio, mesmo aqueles rotulados com “baixo teor de sódio”.
Pode-se adicionar ao alimento: frango, carne ou peixe cozido. Cães com ICC muitas
vezes preferem sabores doces, portanto a adição de baunilha ou iogurte de frutas, xarope
natural ou purê de maçã geralmente melhora a palatabilidade e consumo do alimento.
Muitas vezes, os ácidos graxos n-3 melhoram o apetite dos cães com ICC; no entanto,
vai demorar 2 a 4 semanas para que possamos identificar os efeitos. Também podem ser
considerados estimulantes de apetite (por exemplo: Cipro-heptadina, mirtazapina).
Muitas vezes, os cães com ICC têm preferências quanto à temperatura do alimento
(isto é, alguns só comem alimentos à temperatura ambiente, outros preferem alimentos
frios, outros preferem comida quente). Deve-se motivar o proprietário a experimentar,
a fim de determinar qual temperatura funciona melhor para seu cão. Às vezes, alimentar
o cão em um prato (no lugar do tradicional pote de comida para cães) e em um local
diferente do habitual pode melhorar o apetite.
Pontos para a educação do proprietário
• Fazer recomendações específicas para a dieta e petiscos (tipos e quantidades).
• Avisar o proprietário sobre mudanças comuns no apetite dos cães com insuficiência
cardíaca.
• Fornecer ao proprietário os métodos adequados para a administração de
medicamentos.
• Perguntar a cada visita se o proprietário está administrando suplementos dietéticos.
Se assim for, verifique se os suplementos são seguros, se eles não estão interagindo
com dieta ou medicamentos e se são administrados em doses adequadas.
• Além da questão da segurança e eficácia, surgem questões importantes sobre o
controle de qualidade de suplementos alimentares (por exemplo: controle de
qualidade, biodisponibilidade). 
Portanto, os médicos veterinários devem considerar recomendar suplementos
alimentares específicos que contenham uma composição segura para cães com
problemas cardíacos. Cada animal deve ser analisado inividualmente de forma que
receba o tratamento de acordo com o estado de debilidade diagnosticado. 
Uma alterantiva para o médico veterinário no momento da prescrição é pesquisar marcas
de suplementos alimentares que contenham o logotipo do Programa de Verificação de
Suplementos Dietéticos (DSVP, em inglês) da Farmacopéia dos Estados Unidos, que
testa suplementos dietéticos para os seres humanos em busca de ingredientes,
concentrações, solubilidades e contaminantes. Alguns destes medicamentos podem ser
encontrados no Brasil. Outro bom recurso é o Consumerlab.com, que realiza testes
independentes sobre suplementos alimentares (principalmente suplementos para os seres
humanos, mas também alguns produtos para animais).
Comorbidades comuns
Em um estudo, 61% dos cães com doença cardíaca tinham pelo menos uma
doença concomitante. Portanto, você pode precisar modificar os objetivos
nutricionais no caso de um cão com insuficiência cardíaca que apresente uma
doença concomitante sensível aos nutrientes (por exemplo: Um cão com ICC e
doença renal crônica ou doença gastrointestinal).
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
As interações medicamentosas - são comuns na ICC. Os diuréticos da alça (por
exemplo: furosemida) ou tiazidas (ex.: hidroclorotiazida) podem aumentar o risco de
hipocalemia e hipomagnesemia, enquanto os inibidores da ECA e os diuréticos
poupadores de potássio (por exemplo: espironolactona) podem aumentar o risco de
hipercalemia. A azotemia pode ser o resultado do excesso de uso de diuréticos. A anorexia
pode ser um efeito secundário de muitos fármacos cardíacos (por exemplo, diuréticos,
digoxina, inibidores de ECA).
Controle
A diminuição do apetite/ingestão de alimentos pode indicar a necessidade de
modificações da dieta, mas pode também ser uma descompensação cardíaca precoce da
doença ou da necessidade de modificar o indicador de medicação. O peso corporal deve
ser controlado em cães obesos para atingir o peso ideal. Em animais com caquexia são
necessárias alterações na dieta para minimizar a perda de peso/massa muscular. Tenha em
mente que em animais com ICC no lado direito, o acúmulo de líquido (derrame pleural
ou peritoneal) podem esconder o emagrecimento, mas a perda de peso e massa muscular
é muito comum nestes cães, onde a massa magra deve ser cuidadosamente controlada.
A pontuação do Escore de Condição Corporal (ECC) é útil para controlar os animais
com doença assintomática e os obesos ou com sobrepeso. Tenha em mente que os
sistemas de pontuação do escore de condição corporal (ECC) avaliam os depósitos de
gordura, mas não a musculatura, por isso, um animal pode ter sobrepeso ou obesidade
e ainda apresentar uma perda de massa muscular. Portanto, é importante para controlar
o PC, a pontuação do escore de condição corporal e o grau de perda de massa muscular.
A perda de massa muscular geralmente é observada primeiramente nos músculos
temporais, epaxial e nádegas. A pontuação do estado muscular classifica, de maneira
16
17
Avaliação dos temas nutricionais na doença cardíaca dos cães
Obter antecedentes completos da dieta dada (ver anexo II) - perguntar especificamente sobre o alimento para cães, petiscos, alimentos da mesa,
alimentos utilizados para administrar medicamentos e suplementos alimentares (quantidades e tipos específicos)
A doença cardíaca está sendo tratada com medicação de forma ideal? Com os sinais clínicos bem controlados, a qualidade de vida do cão está boa?
Avaliação sobre o apetite / ingestão de alimentos do cão por parte do proprietário
Se é menor, cíclico ou esporádico:
• Avaliar se é necessária qualquer alteração nos medicamentos cardíacos
• Considere mudanças na dieta (por exemplo: alterar o tipo ou marca dos alimentos, 
fornecer refeições menores com mais frequência, adicionar palatabilizantes, iniciar a 
suplementação com ácidos graxos n-3, adicionar um estimulante do apetite)
Pontuação da condição muscular (caquexia) - avaliar o grau de perda de massa muscular nos principais grupos musculares,
incluindo os músculos temporais, glúteos e epaxial (sem perda de massa muscular, perda leve, perda moderada e acentuada)
O peso corporal é ideal para o cão? Está mudando? (aumentando ou diminuindo?)
Determinar a Pontuação do escore de condição corporal (ECC; ver Anexo I)
Se o peso corporal /a pontuação do escore de
condição corporal (ECC) não são ideais,
modificar a dieta (por exemplo, reduzir calorias
se estiver com sobrepeso, aumentar a ingestão
de calorias se estiver abaixo do peso)
O alimento para cães contém ≥5,1 g de proteína / 100 kcal?
É recomendado ≥5,1 g de proteína / 100 kcal, a menos que o cão apresente doença renal grave
concomitante
Se o cão tiver cardiomiopatia dilatada:
• É uma raça predisposta a deficiência de taurina (por exemplo, Cocker Spaniel, São Bernardo, Golden Retriever, Terra Nova,e Cão de Água Português)?
• É uma raça que não venha a desenvolver CMD (por exemplo:. Corgi)?
• Está se alimentando com carne de cordeiro e arroz, uma dieta rica em fibra ou uma dieta muito pobre em proteínas?
Se a resposta a qualquer destas perguntas é sim, analisar as concentrações de taurina no plasma e no sangue total e suplementar com taurina até que os resultados estejam disponíveis
O potássio sérico está dentro dos limites 
normais?
• Se for alto, avaliar o teor de potássio 
nos alimentos para cães, para ter certeza
que é <200 mg de potássio/100 kcal, 
pergunte ao proprietário sobre 
suplementos dietéticos
• Se for baixo, considere uma dieta com
níveis mais altos de suplementação de 
potássio ou por via oral
O magnésio no soro está
dentro dos limites normais?
• Se for baixo, considere uma dieta
com maior teor de magnésio ou uma
suplementação de magnésio por 
via oral
Suplementos dietéticos
• Os suplementos dietéticos comumente 
administrados a cães com doença cardíaca são 
taurina, carnitina, óleo de peixe, coenzima Q10, 
antioxidantes (por exemplo, vitamina E, vitamina C)
• Se estiver administrando estes suplementos, 
certifique-se que sejam de marcas apropriadas (por
exemplo: com controle de qualidade) e em doses 
corretas para o tamanho do cão
• Qualquer outro suplemento dietético deve ser 
avaliado com cuidado para garantir que não 
existam possíveis interações com medicamentos 
cardíacos e que não tenham efeitos colaterais.
Se houver presença de algum grau de perda muscular / caquexia, mudar a
dieta para garantir a ingestão adequada de calorias e proteínas; considerar
a suplementação com ácidos graxos n-3
Sódio
• O alimento para cães contém
níveis de sódio adequados para o estágio
da doença do cão? (Etapa 1 segundo I
SACHC: <100 mg de Na / 100 kcal; Etapa
2 segundo ISACHC: <80 mg Na / 100 
kcal; Etapa 3 segundo ISACHC: <50 mg 
Na / 100 kcal
• Os petiscos e os alimentos da mesa 
têm baixos níveis de sódio? Se eles não 
tiverem, comentar sobre os alimentos que
são aceitáveis e os que devem ser evitados
• Os medicamentos são administrados 
utilizando alimentos apropriados? Se a
resposta for não, educar o proprietário 
sobre os métodos corretos
subjetiva, a massa muscular em quatro categorias: sem perda de massa muscular, perda
de massa muscular leve, perda de massa muscular moderada e perda de massa muscular
acentuada. Intervir em uma fase inicial (leve a moderada perda de massa muscular)
proporciona melhores oportunidades para reverter ou minimizar o grau de perda de
massa muscular. Também deve-se controlar os sinais clínicos (por ex.: tosse, falta de ar,
fraqueza, desmaios, vômitos, diarreia) valores laboratoriais (nitrogênio ureico no sangue
[BUN, em inglês], creatinina, eletrólitos, hematócritos) e outras medidas, a serem
indicadas (por exemplo: raio-x, pressão arterial, ECG, Holter, ecocardiograma). 
Doença cardíaca - Gatos
Lisa M. Freeman, DVM, PhD, DACVN
Definição
Amiocardiopatia hipertrófica (MCH) é a doença cardíaca mais comum em gatos
e aparece com bastante destaque, especialmente em algumas regiões. Outras doenças
cardíacas (por ex.: doenças cardíacas congênitas) aparecem com menor incidência.
A miocardiopatia dilatada (CMD) é uma doença rara em gatos, a menos que o
gato seja alimentado com uma dieta desequilibrada nutricionalmente. A MCH
pode produzir insuficiência cardíaca congestiva(ICC), tromboembolismo arterial
(TEA), desmaio ou morte súbita. Existem diversos sistemas para mensurar a
gravidade da doença cardíaca. Um deles é a classificação de insuficiência cardíaca do
Conselho Internacional de Saúde Cardíaca em Pequenos Animais (ISACHC, em
inglês) (ver Tabela 1 na página 14).
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
Devem ser considerados para o diagnóstico de doença cardíaca em gatos o peso
corporal (PC), a pontuação do escore de condição corporal (ECC; ver Apêndice
I), perda de massa muscular, apetite/ingestão de alimentos (histórico alimentar;
ver apêndice II), sinais clínicos (por exemplo: dificuldade em respirar, fraqueza,
desmaios, vômitos, diarreia) e valores laboratoriais (por ex.: nitrogênio ureico no
sangue [BUN, em inglês], creatinina, eletrólitos, hematócritos). Outros testes, se
forem indicados, podem incluir raio-X de tórax, pressão arterial,
eletrocardiograma e ecocardiograma.
Fisiopatologia
Entre as alterações nos gatos com doença cardíaca que afetam no manejo nutricional
estão os seguintes achados: 
Calorias. Quando os gatos com doenças cardíacas são assintomáticos, o apetite
geralmente não está alterado. Quando surge ICC, no entanto, a maioria dos gatos
apresentará distúrbios de apetite e da ingestão de alimentos. Isto pode causar
mudanças nas preferências alimentares (por exemplo: tipo de alimento, sabores) ou
uma diminuição na quantidade que comem. Estas alterações podem ser o resultado
de um aumento da produção de mediadores inflamatórios (por exemplo: citocinas,
estresse oxidativo), os efeitos colaterais dos medicamentos para o coração, ou um
mau controle dos indicadores de insuficiência cardíaca.
Proteínas/Aminoácidos.A perda de massa muscular (caquexia) pode ocorrer em gatos
com insuficiência cardíaca como consequência da redução do apetite, das necessidades
mais elevadas de energia e de um aumento da produção de citocinas inflamatórias. A
deficiência de taurina produz CMD em gatos. Enquanto CMD é atualmente uma
doença rara em gatos, a deficiência de taurina não deve ser descartada como causa nos
casos de CMD, especialmente se o gato é alimentado com uma dieta caseira.
Gorduras. Os ácidos graxos n-3, o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido
docosahexanoico (DHA) reduzem os mediadores inflamatórios e têm efeitos
antiarrítmicos. Todos eles podem ser benéficos para gatos com insuficiência cardíaca.
Minerais.A retenção de água e sódio é produzida na insuficiência cardíaca devido
à ativação do sistema renina angiotensina aldosterona. A hipocalemia pode ocorrer
em gatos que recebem diuréticos de alça (por exemplo: furosemida). Hipercalemia
pode ocorrer em gatos tratados com inibidores da enzima conversora da
angiotensina. Altas doses de diuréticos aumentam o risco de hipomagnesemia.
Vitaminas.Nos gatos que receberam diuréticos pode-se produzir maior perda de
vitamina B na urina. Estudos têm demostrado, no entanto, que os níveis de vitaminas
B6, B12 e folato foram menores em gatos com MCH, em comparação com os gatos
do grupo controle, mesmo aqueles que apresentavam ICC.
Predisposição
Enquanto algumas raças têm sido identificadas com um maior risco de MCH e
mutações genéticas (Raça Maine Coon, Ragdoll), a maioria dos gatos com esta
doença são gatos domésticos de pelo curto ou de pelo comprido.
Mudanças nos nutrientes essenciais
Calorias. É crucial assegurar a ingestão adequada de calorias para manter o peso
corporal ideal. A obesidade pode estar presente, particularmente em gatos com
doença cardíaca precoce (assintomática). À medida que desenvolve ICC, a perda de
peso (e massa muscular) torna-se comum, dessa forma, é crucial nesta fase assegurar
uma ingestão adequada de calorias.
Proteína/Aminoácidos. Para ajudar a combater a perda muscular deve-se manter
uma ingestão de proteína normal ou maior. Deve-se evitar a restrição de proteínas a
menos que haja presença concomitante de doença renal grave. Embora hoje em dia
seja raro ver a CMD em gatos, a deficiência de taurina e a CMD podem aparecer em
gatos alimentados com dietas caseiras ou nutricionalmente desequilibradas. Se existe
deficiência de taurina, em muitos casos, a suplementação pode reverter a doença.
Gorduras. Os efeitos anti-inflamatórios e antiarrítmicos dos ácidos graxos n-3
podem proporcionar potenciais benefícios para os gatos com doença cardíaca. A
suplementação com ácidos graxos n-3 pode reduzir a perda de massa muscular e
melhorar o apetite através de seus efeitos anti-inflamatórios. Os ácidos graxos n-3
podem ser fornecidos em dietas altamente enriquecidas com esta forma de gordura
ou como suplementos dietéticos.
Minerais. Não é recomendada a restrição severade sódio ante a doença cardíaca
precoce (assintomática), já que a restrição de sódio ativa o sistema renina angiotensina
aldosterona. Na doença cardíaca precoce, o objetivo deve ser o de evitar o consumo
excessivo de sódio e educar o proprietário sobre os petiscos e alimentos da mesa ricos
em sódio. À medida que a doença cardíaca progride e o ICC se desenvolve, o
aumento da restrição de sódio é indicado; isto pode ajudar a reduzir as doses de
diuréticos necessários para controlar sinais clínicos. 
A recomendação para alterar o potássio da dieta depende dos medicamentos que
estejam sendo administrados e da concentração de potássio sérico. As dietas para
gatos têm uma ampla gama de potássio, por isso, é importante o uso de uma dieta
apropriada para cada paciente individualmente (ou seja: evitar dietas ricas em
potássio seria recomendado para gatos com hipercalemia). Consequentemente,
deve-se monitorar o potássio sérico, especialmente quando administrados mais
medicamentos ao paciente. Deve-se controlar o magnésio sérico, especialmente em
gatos que recebem dosagens elevadas de diuréticos. Casos de hipomagnesemia
devem ser suplementados com magnésio.
Vitaminas.Se estiver administrando dosagens elevadas de diuréticos, pode-se indicar
a suplementação de vitamina B.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Nutriente mg/100 kcal mg/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Proteína (g) 7–9.5 6.5
Taurina (g) 0.025–0.050 0.025–0.050
Sódio (mg) 35–100 50
(depende do estágio da doença)
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações
metabólicas induzidas pelos estados da doença ou pelos medicamentos utilizados
para tratar a doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como
percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia
metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos
normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
18
Modificações nos nutrientes essenciais 
Evite fazer grandes mudanças na dieta quando o gato estiver hospitalizado por um
episódio agudo de insuficiência cardíaca. Continuar alimentando o gato com a sua
dieta habitual (a menos que seja muito rica em sódio), mas pedir ao proprietário
para descontinuar qualquer petisco ou alimento da mesa com alto teor de sódio.
Quando o gato voltar, aproximadamente entre 7-10 dias, para uma reavaliação,
pode-se estabelecer uma mudança gradual para uma dieta mais adequada. Isso ajuda
a evitar a aversão aos alimentos que pode ocorrer quando uma nova dieta é imposta
a um gato extremamente doente.
Calorias. Devem ser alteradas para manter a condição física ideal (por exemplo:
reduzir a ingestão de calorias em animais obesos, aumentar sua ingestão de calorias
em animais que estão abaixo de sua condição física ideal).
Proteínas/Aminoácidos.A dieta deve conter, pelo menos, 6,5 g de proteína/100
kcal, a menos que haja presença simultânea de doença renal grave. Em gatos com
CMD e deficiência de taurina (ou enquanto aguarda os resultados da taurina) 
deve-se iniciar a suplementação de taurina (125-250 mg a cada 12 horas).
Gorduras. A dosagem ideal de ácidos graxos n-3 ainda não foi determinada, no
entanto, o autor geralmente recomenda uma dose de óleo de peixe para fornecer 40
mg/kg de EPA e 25 mg/kg de DHA no caso de gatos com anorexia ou caquexia. A
maioria das dietas para gatos não atinge esta dosagem, assim, a suplementação é
necessária. Os suplementos de óleo de peixe podem variar na sua concentração de
EPA e DHA por isto o autor recomenda uma cápsula de 1 g contendo 180 mg de
EPA e 120 mg de DHA. Nesta concentração, o óleo de peixe pode ser administrado
em uma dosagem de 1 cápsula a cada 4,5 quilos de peso corporal. A cápsula pode ser
administrada inteira (ainda que seja muito grande) ou pode-se extrair o óleo da
cápsula e fornecê-lo como uma petisco ou no alimento. Alternativamente, pode-se
utilizar uma forma líquida de ácidos graxos n-3 (por exemplo: Cardiguard
Boehringer Ingelheim contendo 420 mg de EPA e 280 mg de DHA por grama).
Tenha em mente que se o proprietário não puder administrar a cápsula intacta, o gato
vai ser exposto a um sabor muito forte de óleo de peixe e nem todos os animais
apreciam o sabor. Para os gatos que não gostam do sabor, pode não ser possível
administração de ácidos graxos n-3 por causa de efeitos adversos sobre a ingestão de
alimentos. Os suplementos de óleo de peixe deverão conter vitamina E como um
antioxidante, mas não incluir outros nutrientes para prevenir toxicidade. O óleo de
fígado de bacalhau e o óleo de linhaça não devem ser utilizados para fornecer os
ácidos graxos n-3 (o óleo de fígado de bacalhau tem um alto teor de vitaminas A e
D, o que pode causar toxicidade, enquanto que os gatos são incapazes de converter
ácidos graxos n-3 presentes no óleo de linhaça em EPA e DHA).
Minerais.Com respeito ao sódio:
• Etapa 1 segundo ISACHC: aconselhar o proprietário a evitar dietas com alto
teor de sódio (> 100 mg/100 kcal) e também os petiscos e alimentos da mesa
com esse conteúdo.
• Etapa 2 segundo ISACHC: o objetivo deverá ser <80 mg/100 kcal no alimento
para gatos. Também é importante a ingestão de sódio proveniente de outros
alimentos (por exemplo: petiscos, comida da mesa, os alimentos utilizados
para administrar medicamentos).
• Etapa 3 segundo ISACHC: O alimento para gatos deve conter <50 mg/100
kcal, embora na anorexia menos grave essa necessidade é menos severa quanto ao
conteúdo de sódio na dieta (<80 mg/100 kcal) de modo a proporcionar mais
opções. Continua sendo importante controlar a ingestão de sódio de outros
alimentos (ex.: petiscos, comida da mesa, alimentos utilizados para administrar
medicamentos).
A recomendação para alterar o potássio na dieta depende dos medicamentos que
estejam sendo administrados e da concentração de potássio sérico. Devem ser usadas
dietas ricas em potássio ou suplementos de magnésio por via oral em gatos com
hipomagnesemia.
Vitaminas. Se forem administradas doses elevadas de diuréticos, pode-se indicar a
suplementação com vitamina B.
nPetiscos–Poucos gatos com doenças cardíacas recebem regularmente petiscos
em comparação com cães (33% dos gatos comparado a 92% dos cães); no entanto,
é importante fazer recomendações específicas para os proprietários sobre os petiscos
que são apropriados (e aqueles que não devem ser fornecidos) se os proprietários
quiserem oferecer petiscos. Os alimentos a serem evitados são: a maioria dos petiscos
comerciais para gatos (a menos que indique especificamente ter baixo teor de sódio),
alimentos para bebês, embutidos, conservas de peixe, e a maioria dos queijos.
Alimentos aceitos incluem os petiscos para gatos que indicam baixo teor de sódio
(<5 mg/petisco). Leve em consideração que mesmo alimentos com baixo teor de
sódio pode fornecer grandes doses deste elemento, se forem fornecidas em grandes
quantidades aos gatos. 
É também importante proporcionar ao proprietário métodos adequados para
administrar medicamentos, já que é muito difícil administrar pílulas aos gatos e
muitos alimentos comuns utilizados para administrar medicamentos são ricos em
sódio. Os proprietários devem ser orientados a administrar pílulas sem o uso de
alimentos (à mão ou usando um dispositivo projetado para esta finalidade).
Alternativamente, pode-se usar comida para gatos úmida com baixo teor de sódio
ou carne cozida em casa (sem sal, sem embutidos). É possível ser considerados os
medicamentos líquidos, embora a farmacocinética dos medicamentos compostos
possa ser significativamente modificada.
nDicas para aumentar a palatabilidade – Muitas vezes os gatos com ICC têm
um apetite variável (ou seja, podem comer bem um alimento por uma semana, e
em seguida, parar de comer). A diminuição do apetite em um gato que
anteriormente comeu bem, pode indicar a necessidade de uma nova avaliação e um
ajustena medicação, às vezes oferecer um alimento diferente aumenta o apetite
novamente. A comunicação com o proprietário sobre estas questões pode ajudar a
reduzir a ansiedade e proporcionar ao proprietário estratégias específicas para resolver
o problema.
O caldo caseiro, com baixo teor de sódio (por exemplo: frango, carne, peixe) pode
melhorar a palatabilidade. A maior parte dos caldos industrializados são ricos em
sódio, mesmo aqueles rotulados com “baixo teor de sódio”. Pode-se adicionar ao
alimento frango, carne ou peixe cozidos. Muitas vezes, os ácidos graxos n-3
melhoram o apetite dos gatos com ICC; no entanto, vai demorar de 2 a 4 semanas
para ver o efeito. Também podem ser considerados estimulantes do apetite (por
exemplo: ciproheptadina, mirtazapina). Muitas vezes os gatos com ICC preferem
a comida morna, mas o proprietário deve ser encorajado a experimentar, a fim de
determinar qual é a temperatura que o seu gato aceita melhor. Às vezes, alimentar o
gato em um prato (no lugar do alimentador para gatos) e em um local diferente do
que o habitual, pode melhorar o apetite.
Pontos para a educação do proprietário
• Fazer recomendações específicas para a dieta e para os petiscos (tipos e
quantidades).
• Advertir o proprietário sobre alterações comuns no apetite do gato com
insuficiência cardíaca.
• Fornecer ao proprietário os métodos adequados para a administração dos
medicamentos.
•Perguntar, a cada visita, se o proprietário está administrando algum suplemento
dietético. Se assim for, verificar se os suplementos são seguros, se não estão
interagindo com dieta ou com os medicamentos e que sejam administrados em
doses adequadas. É importante discutir este assunto com o proprietário, pois é 
comum proprietários de animais que buscam na internet um tratamento 
alternativo para a doença cardíaca.
• Além da questão da segurança e eficácia, surgem também questões importantes
sobre a qualidade dos suplementos alimentares (por exemplo: o controle de
qualidade, a biodisponibilidade). Portanto, deve-se recomendar marcas 
específicas de suplementos alimentares que contenham níveis seguros de 
19
nutrientes. Uma alternativa para o médico veterinário no momento da prescrição 
é pesquisar marcas norte americanas de suplementos alimentares que contenham 
o logotipo do Programa de Verificação de Suplementos Dietéticos (DSVP, em 
inglês) da Farmacopéia dos Estados Unidos, que testa suplementos dietéticos 
para os seres humanos em busca de ingredientes, concentrações, solubilidades e 
contaminantes. Alguns destes medicamentos podem ser encontrados no Brasil. 
Outro bom recurso é o Consumerlab.com, que realiza testes independentes sobre 
suplementos alimentares (principalmente suplementos para os seres humanos, 
mas também alguns produtos para animais).
Comorbidades comuns
Em um estudo, 56% dos gatos com doença cardíaca tinham pelo menos, uma
doença concomitante. Portanto, pode ser necessário modificar os objetivos
nutricionais no caso de um gato com insuficiência cardíaca que apresente uma
doença concomitante sensível aos nutrientes (por exemplo: um gato com ICC e
urolitíase ou insuficiência renal crônica).
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
As interações medicamento-nutriente são comuns na ICC. Os diuréticos de alça
(por exemplo: furosemida) podem aumentar o risco de hipocalemia e
hipomagnesemia, enquanto inibidores da ECA podem aumentar o risco de
hipercalemia. A azotemia pode ser o resultado do abuso dos diuréticos. A anorexia
pode ser um efeito secundário de muitos fármacos cardíacos (por exemplo:
diuréticos, digoxina, inibidores de ECA).
20
Controle
A diminuição da ingestão de alimentos pode indicar a necessidade de modificações
na dieta, mas pode também ser um indicador precoce da descompensação cardíaca
ou da necessidade de alterar a medicação. O peso corporal deve ser monitorado em
gatos obesos para atingir o peso ideal. Em gatos com caquexia, que perdem peso,
são necessárias modificações da dieta para minimizar a perda de peso.
A pontuação do escore de condição corporal é útil para controlar a doença
assintomática em gatos obesos ou com sobrepeso. Tenha em mente que os sistemas
de pontuação avaliam os depósitos de gordura, mas não os músculos, por isso um
gato pode estar com sobrepeso ou obesidade e ainda apresentar uma perda de massa
muscular. Portanto, é importante controlar o PC, a pontuação do escore de condição
corporal e o grau de perda de massa muscular. A perda de massa muscular geralmente
é vista pela primeira vez nos músculos temporais, epaxial (musculatura nas laterais
das vértebras) e nádegas. A pontuação da condição muscular classifica a massa
muscular subjetivamente em quatro categorias: sem perda, perda leve, perda
moderada e perda acentuada de massa muscular. Intervir logo na fase inicial (perda
de massa muscular leve a moderada) proporciona melhores oportunidades para
reverter ou minimizar o grau de perda de massa muscular
Também devem ser controlados os sinais clínicos (por exemplo: dificuldade em
respirar, fraqueza, desmaios, vômitos, diarreia), valores laboratoriais (nitrogênio
ureico no sangue [BUN, em inglês], creatinina, eletrólitos, hematócrito) e outras
medidas a serem indicadas (por exemplo: raio-x, pressão arterial,
eletrocardiograma, ecocardiograma). 
Avaliação dos temas nutricionais na doença cardíaca nos gatos
Obter antecedentes completos da dieta (ver Apêndice II) - perguntar especificamente sobre o alimento para gatos, petiscos, alimentos da mesa, 
alimentos utilizados para administrar medicamentos e suplementos alimentares (quantidades e tipos específicos)
A doença cardíaca está sendo tratada com medicação de forma ideal? Com os sinais clínicos bem controlados, a qualidade de vida do gato é boa?
Avaliação sobre o apetite/ingestão de alimentos do gato, por parte do proprietário
Se é menor, cíclico ou esporádico:
• Avaliar se é necessária qualquer alteração na medicação cardíaca
• Considerar mudanças na dieta (por exemplo, alterar o tipo ou marca dos alimentos,
fornecer refeições menores com mais frequência, adicionar palatabilizantes, iniciar a
suplementação com ácidos graxos n-3, adicionar um estimulante de apetite)
Pontuação da condição muscular (caquexia) - avaliar o grau de perda de massa muscular nos principais grupos musculares, incluindo 
os músculos temporais, glúteos e epaxial (sem perda de massa muscular, perda de massa muscular leve, perda de massa muscular
moderada e perda de massa muscular acentuada)
O peso corporal é ideal para o gato? Está mudando? (aumentando ou diminuindo?)
Determinar a Pontuação do escore de condição corporal (ver Apêndice I)
Se o peso corporal/pontuação do escore de
condição corporal não são ideais, modificar a
dieta (por exemplo: reduzir calorias, se estiver
com sobrepeso, aumentar a ingestão de
calorias se estiver abaixo do peso)
O alimento para gatos contém 6,5 g de proteína/100 kcal? É recomendado ≥6,5 g de proteína/100 kcal,
a não ser que o gato apresente doença renal grave concomitante
Se o gato tem miocardiopatia dilatada, medir as concentrações de taurina no plasma e sangue total e suplementar com taurina até que os resultados estejam disponíveis.
Sódio
• O alimento para gatos contém níveis de sódio adequados para o estágio da doença do gato? (Etapa 1 segundo ISACHC: <100 mg de
Na/100 kcal; Etapa 2 segundo ISACHC: <80 mg Na/100 kcal; Etapa 3 segundo ISACHC: <50 mg Na/100 kcal
• Os petiscos e os alimentos da mesa têm baixos níveis de sódio? Se eles não têm, comentar sobre os alimentos que são aceitáveis e os que
devem ser evitados
• Os medicamentos são administrados utilizando alimentos apropriados? Se a resposta for não, educar o proprietário sobre os métodos corretos
O potássio no soro está dentro limites normais?
• Se for alto, avaliar o teor de potássio nos alimentos para gatos, para ter certeza que é <200 mg de potássio/100 kcal, perguntar ao
proprietário sobre suplementos dietéticos
• Se for baixo, considerar uma dieta com níveis mais altos de suplementação de potássio oupor via oral
O magnésio no soro está dentro dos limites normais?
• Se for baixo, considerar uma dieta com maior teor de magnésio ou uma suplementação de magnésio por via oral
Suplementos dietéticos
• Os suplementos dietéticos
comumente administrados a gatos
com doença cardíaca são óleo de
peixe e potássio.
• Se estiver administrando estes
suplementos, garantir que sejam
marcas adequadas (por exemplo:
com controle de qualidade) e em
doses corretas para o tamanho do
gato.
• Qualquer outro suplemento
dietético deve ser avaliado com
cuidado para garantir que não
existam possíveis interações com
medicamentos cardíacos e sem
efeitos colaterais.
Se houver presença de algum grau de perda
muscular/caquexia, mudar a dieta para garantir a
ingestão adequada de calorias e proteínas; considerar 
a suplementação com ácidos graxos n-3
21
Quilotórax - Gatos
Kathryn E. Michel, DVM, MS, DACVN
Definição 
O Quilotórax é a acumulação de um derrame contendo quilomícron no espaço
pleural.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
A presença de efusão pleural será observada na radiografia de tórax. Os pacientes
com derrame suficiente para impedir a expansão pulmonar apresentam sinais
clínicos de taquipneia, dispneia, intolerância ao exercício e ruídos cardíacos
abafados quando auscultado. Um exame de percussão pode auxiliar na definição
do diagnóstico, que é confirmado ao executar uma toracocentese, citologia e
análise do líquido extraído. A fim de determinar uma causa subjacente, podem
ser indicadas mais imagens, análises de sangue e um teste de diagnóstico.
Deve-se registrar o histórico alimentar completo, incluindo informações sobre o
histórico alimentar e outros petiscos que o paciente receba, incluindo sobras de
alimentos (ver Apêndice II).
O estado nutricional do paciente deve ser avaliado com atenção especial para
a presença de anorexia e sua duração, evidências de perda de peso (em
particular, perda de massa muscular), viabilidade da alimentação assistida e
doenças concomitantes.
Fisiopatologia
Normalmente, o quilo, proveniente de drenagem linfática, flui para o canal torácico
por meio da cisterna do quilo, e por sua vez, desemboca no sistema venoso no tórax.
Qualquer doença que provoca um desequilíbrio entre a produção e a eliminação de
quilo que conduza ao aumento da pressão no sistema linfático pode levar a uma perda
de quilo no espaço pleural. As causas subjacentes informadas no caso de gatos incluem
doenças cardíacas e a presença de uma massa no mediastino craniano; no entanto, a
doença idiopática não é incomum.
Os pacientes com quilotórax geralmente são letárgicos e têm pouco apetite. O
impacto da falta de ingestão de alimentos sobre o estado nutricional é agravado pela
perda de proteínas, gorduras, vitaminas, eletrólitos e água, e se torna necessário repetir
a toracocentese paliativas para aliviar a angústia respiratória.
Predisposição
Está documentado que os gatos mais velhos e os de raças orientais (Siameses e do
Himalaia) correm maior risco de desenvolver o quilotórax.
Modificações nos nutrientes essenciais
As dietas com restrição de gordura foram indicadas como parte do tratamento
médico do quilotórax, na redução na absorção de gorduras da dieta pode resultar
em uma redução da produção de quilo. Além da restrição de gordura, tem sido
recomendada a suplementação dietética com triglicérides de cadeia média
(MCT). A base racional para o uso de MCT é que estes triglicerídeos podem ser
absorvidos diretamente para a corrente sanguínea e, portanto, podem servir para
aumentar a densidade de energia da dieta sem aumentar a produção de quilo.
Embora existam relatos de casos e estudos retrospectivos de pacientes alimentados
com dietas de restrição de gordura como parte do tratamento recebido, não há
estudos clínicos prospectivos que investiguem nos animais de estimação a efetividade
da restrição de gordura na dieta. Uma pesquisa com cães normais descobriu que
variar a quantidade e o tipo de gordura na dieta pode afetar a composição dos
triglicerídeos do quilo, porém não altera a velocidade do fluxo linfático¹. Além disso,
estudos descobriram que quando a dieta de cães normais é suplementada com MCT,
são encontrados níveis significantes de MCT no quilo2, 3.
Em conclusão, não há nenhuma evidência para usar dieta de restrição de gordura para
o tratamento de quilotórax em gatos. Pode ser possível que, ao reduzir a quantidade
de quilomícrons na linfa, restringindo a gordura da dieta, o derrame resultante seja
reabsorvido do espaço pleural mais facilmente. No entanto, os alimentos para gato
restritos em gordura, também são baixos em calorias, o que deve ser considerado
quando se tratar de um paciente que, provavelmente, está com falta de apetite e já
pode ter sofrido uma deterioração significativa em seu estado nutricional.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Nutriente % MS mg/100 kcal % MS mg/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Gordura total 9–12 <3.5 9.0 2.25
na dieta
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações
metabólicas induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da
dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg
por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem
atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e
consumo de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
Tenha em mente que quase todos os alimentos para gatos restritos em gordura foram
intencionalmente restritos em calorias para controlar o peso e não são recomendados
para pacientes em estado de anorexia.
Princípios da alimentação coadjuvante
As opções de tratamento para pacientes com quilotórax idiopático incluem
tanto o tratamento com medicamentos como o tratamento cirúrgico. Em
alguns casos, o derrame pode se resolver espontaneamente após várias semanas
ou meses; no entanto, o prognóstico para os gatos neste estado deve ser
considerado reservado.
Como mencionado anteriormente, não há nenhuma evidência para utilizar a
restrição de gordura na dieta para o tratamento do quilotórax em gatos, e o uso
desta estratégia de alimentação pode comprometer ainda mais o estado
nutricional de um paciente com pouca ingestão de alimentos, especialmente se
está submetido a vários procedimentos de toracocentese. 
A escolha da dieta deve ser baseada em encontrar um alimento completo e equilibrado
para gatos que seja aceitável para o paciente. A menos que seja contraindicada devido
a uma doença concomitante, a dieta rica em proteína pode ser benéfica.
Se o peso do paciente é estável e o paciente está em boas condições físicas, pode-
se incorporar uma dieta com restrição de gordura (<30% de gordura, base de
energia) de modo experimental. Deve-se ter cuidado ao dar as instruções
específicas para a alimentação e ao controlar a ingestão de alimentos e o peso
corporal, para garantir que o paciente seja capaz de consumir alimentos
suficientes para satisfazer as necessidades energéticas.
Os pacientes que recusam alimentos ou têm consumo voluntário inadequado devem
ser avaliados como candidatos à alimentação assistida. O ideal é que esses pacientes
recebam uma dieta enteral completa e equilibrada. Tem sido usado o suporte
nutricional por via parenteral para o tratamento em seres humanos.
n Petiscos – Na hora de escolher um petisco, é relativamente fácil evitar itens com
alto teor de gordura (ex.: recortes de gordura da carne, frituras, creme) e é prudente
fazê-lo. Entre os petiscos aceitos estão a carne magra ou peixe (por exemplo: peito de
frango cozido, atum enlatado em água), produtos lácteos de baixo teor em gordura,
e frutas e vegetais (exceto uvas e cebolas).
nDicas para aumentar a palatabilidade –A menos que haja instruções claras
sobre não dar um alimento com restrição de gordura (<30% de gordura, base de
energia), a escolha da dieta deve ser baseada em encontrar um alimentocompleto
e equilibrado para gatos que seja aceitável para o paciente. Adicionar ao alimento
seco um pouco de água quente ou aquecer ligeiramente o alimento enlatado
pode melhorar a aceitação.
22
n Recomendações para a dieta – Muitos gatos diagnosticados com quilotórax
apresentaram um histórico de anorexia. É essencial controlar a ingestão de alimentos
e o peso corporal do paciente para garantir que a ingestão voluntária do paciente seja
adequada. O objetivo é encontrar uma dieta que o paciente coma com facilidade e que
seja apropriada para qualquer doença concomitante que o animal possa ter (por
exemplo: doenças cardíacas). As dietas baixas em calorias e com baixo teor de gordura
só devem ser utilizadas em pacientes que as consumam facilmente em quantidades
suficientes para satisfazer as suas necessidades energéticas.
Para os pacientes em boas condições físicas, as porções de alimento devem ser baseadas
na ingestão calórica anterior. Para pacientes com baixo peso, deve-se aumentar as
calorias oferecidas em 20% em relação ao consumo anterior para promover ganho de
peso e modificar conforme necessário.
Pontos para a educação do proprietário
• Todos os membros do grupo familiar devem compreender que, embora o
tratamento dietético não possa desempenhar um papel direto no tratamento de
quilotórax, os pacientes com esta doença estão em risco de estar desnutridos. Dessa 
forma, é particularmente importante controlar a ingestão de alimentos e a 
condição física do paciente, permitindo a detecção precoce da perda de peso.
Comorbidades comuns
Doença Cardíaca. Há informações sobre o quilotórax em gatos em associação com
cardiomiopatia (especialmente secundária ao hipertireoidismo), dirofilariose,
anomalias cardíacas congênitas, e derrame pericárdico. Portanto, sugere-se um exame
cardíaco completo em gatos diagnosticados com derrame pleural quiloso, já que o
tratamento da doença cardíaca subjacente pode levar à resolução do quilotórax.
Neoplasia. Doenças que causam uma massa no mediastino anterior, incluindo
linfossarcoma e outras formas de neoplasia, podem levar a um quilotórax. Se a massa
for identificada, deve-se realizar uma biópsia ou aspiração, a fim de obter um
diagnóstico e tomar medidas terapêuticas adequadas.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Como mencionado anteriormente, os pacientes com quilotórax podem optar por
toracocenteses paliativas em repetidos intervalos ocasionando perda de fluido,
eletrólitos, proteínas, gorduras e vitaminas. Os pacientes com quilotórax secundário
e uma doença subjacente, como a doença cardíaca, podem se beneficiar com o
tratamento dietético visando essa doença.
Controle
Pacientes com quilotórax idiopático exigem avaliações regulares para determinar a
taxa de acúmulo de líquido na cavidade pleural e se há a necessidade de repetição da
toracocenteses ou de outra intervenção terapêutica. Os pacientes submetidos a
repetidas toracocentese correm o risco de desidratação, desequilíbrio eletrolítico
(hiponatremia, hipercalemia), hipoproteinemia e desnutrição. Portanto, para
examinar de novo o paciente deve-se avaliar o equilíbrio de fluidos e eletrólitos, bem
como a ingestão voluntária de alimentos, o peso corporal, e a condição física.
Escolher uma dieta que o paciente coma com facilidade e que seja apropriada para 
qualquer doença concomitante que o animal possa ter
Manejo nutricional do quilotórax em gatos
Alimento aceito e ingestão adequada para manter o
peso ou facilitar o ganho de peso, conforme o caso
Avalie a dieta administrada e a condição corpórea
para assegurar que o procedimento esteja correto
Alimento não aceito/ingestão
inadequada
Avaliar a alimentação assistida
Alimento aceito e ingestão adequada para manter o
peso ou facilitar o ganho de peso, conforme o caso
Alimento não aceito/ingestão
inadequada
Avalie a dieta administrada e a condição corpórea
para assegurar que o procedimento esteja corretoAvaliar a alimentação assistida
Sim Não
Escolher uma dieta que o animal coma com facilidade e que seja apropriada para
qualquer doença concomitante que o paciente possa ter (poderia incorporar uma dieta
com restrição de gordura como um teste).
23
O paciente tem baixo peso ou perda de massa muscular?
Princípios da alimentação coadjuvante
Uma parte importante do plano nutricional é estabelecer a forma mais adequada
para o suporte nutricional. Na ausência de contraindicações, é preferível alimentar
o cão por via entérica. Contraindicações para a nutrição enteral incluem vômitos
prolongados, regurgitação, ou diarreia, incapacidade de proteger as vias aéreas, e
intolerância a alimentos (por exemplo: atonia gástrica). Em pacientes que poderiam
tolerar nutrição enteral, mas não têm consumo voluntário adequado (cerca de 75%
das necessidades energéticas), deverá ser colocada uma sonda de alimentação. No
caso de uma fonte de alimentação por um período curto (< 3 dias) pode ser
apropriada a alimentação nasoesofágica, mas isso requer uma dieta líquida. Se for
necessário suporte nutricional por mais de 3 dias, geralmente será indicada a
utilização de uma sonda via esofagotomia ou gastrostomia.
Uma vez que a sonda esteja colocada, o objetivo deve ser o de fornecer 50% das
calorias calculadas no primeiro dia, e aumentar gradualmente até 100% das calorias
calculadas nos dois dias seguintes. Em pacientes gravemente afetados, o apoio
nutricional inicial deve começar em 33% das calorias calculadas. Normalmente
dietas recomendadas para a alimentação por sonda são ricas em calorias, proteínas
e gorduras. É importante assegurar que a dieta escolhida seja apropriada para a sonda
a ser utilizada (isto é, a consistência da dieta não deve obstruir a sonda). Nos pacientes
que não podem usar a via enteral, será necessária a nutrição parenteral. A formulação
da nutrição parenteral é adaptada ao paciente e necessita um cuidado especial.
n Petiscos – Nos animais gravemente enfermos, o uso de petiscos é geralmente
ineficaz para satisfazer as necessidades energéticas e nutricionais. Pode-se oferecer
petiscos para os animais que recebem a alimentação por sonda, a fim de avaliar o
retorno do apetite. O fornecimento da alimentação enteral e/ou parenteral não
interfere na avaliação do apetite.
nDicas para aumentar a palatabilidade– O uso de estimulantes do apetite em
animais gravemente doentes não é recomendado por ser ineficaz para recuperar a
ingestão nutricional adequada. Técnicas de alimentação, tais como alimentar com
a mão ou aquecer a comida podem ser utilizadas, mas geralmente são ineficazes para
suporte nutricional adequado.
nRecomendações para a dieta –Dietas tipicamente usadas no apoio nutricional
de cães em estado crítico são geralmente densas em energia, ricas em proteínas e
gorduras, e possuem alta digestibilidade. Muitas dietas prescritas recomendadas para
alimentação por sonda também têm um alto teor de água e adaptam-se à sonda com
modificações mínimas. No entanto, a maioria das dietas têm de ser modificadas
para utilização em sondas de forma eficaz. Para as sondas de calibre pequeno
tipicamente usadas para acesso nasoesofágico, as únicas dietas aceitáveis são as dietas
completamente líquidas.
Daniel L. Chan, DVM, MRCVS, DACVECC, DACVN
Definição 
Doenças Críticas têm um impacto importante sobre o estado nutricional dos cães
e muitas vezes levam a uma severa desnutrição. O suporte nutricional de cães em
estado crítico é uma parte importante do tratamento médico e pode desempenhar
um papel na melhora do paciente. Cães com doenças críticas geralmente
apresentam: menor ingestão alimentar, vômitos, diarreia e exigências nutricionais
possivelmente alteradas, o que pode afetar seu estado nutricional.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
Projetar um plano nutricional envolve fazer uma avaliação nutricional para
estabelecer as necessidades e considerações específicas para o paciente. A
pontuação do escore de condição corporal é uma parte importante da avaliação
nutricional. Perfis bioquímicos também são úteis para identificaralterações
importantes a se considerar no plano nutricional. Para a maioria dos cães em
estado crítico, o suporte nutricional deve ter como objetivo satisfazer as
necessidades de energia em repouso (RER), em princípio, e modificar as calorias
fornecidas com base em avaliações frequentes.
Fisiopatologia
A doença crítica provoca várias alterações metabólicas que influenciam o estado
nutricional do paciente. Em resposta a inflamações e lesões, se produzem alterações
no metabolismo dos lipídios, proteínas e carboidratos. As várias alterações no
metabolismo, combinadas com os efeitos de uma ingestão de alimentos reduzida,
causam um balanço energético negativo ou um estado catabólico. Cães em um
estado catabólico podem sofrer mais complicações e apresentam taxas de
recuperação piores. Reverter um estado catabólico exige neutralizar a principal causa
da doença e fornecer um suporte nutricional adequado.
Predisposição
Os pacientes que podem estar em maior risco de desnutrição são os muito jovens e
os idosos. Isso reflete uma maior dificuldade para fornecer suporte nutricional para
pacientes nestas categorias de idade.
Modificações nos nutrientes essenciais
• Os pacientes criticamente doentes, com balanço energético negativo, podem ter
uma maior necessidade de proteína para manter a massa corporal magra
• As proteínas devem ser de boa qualidade e altamente digestíveis.
• Considerações especiais incluem pacientes com comorbidades como 
insuficiência renal ou hepática, onde uma maior quantidade de proteína pode 
ser contra-indicada.
• As necessidades de nutrientes mais específicos dependerão da natureza da doença
subjacente.
• Os antioxidantes podem ser um componente importante do tratamento para os
animais gravemente doentes; no entanto, ainda não foram determinadas as
dosagens específicas.
• Outros nutrientes tais como glutamina, arginina e ácidos graxos n -3, podem
também ser úteis em certas doenças, mas não se conhece dosagens específicas
ou ideais.
• É crucial a correção do balanço energético negativo.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Nutrição em cuidados intensivos - Cães
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Proteína 20–45 6–9 18 5.1
Gordura 25–35 5–7 5 1.4
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações
metabólicas induzidas pelos estados da doença. A composição recomendada da
dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg
por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais
devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de
vida e consumo de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
24
Avaliar novamente se é
necessária a intervenção
nutricional
Pontos para a educação do proprietário
• Como muitos pacientes em recuperação podem ter alta do hospital com a sonda
de alimentação colocada (por exemplo: esofagotomia ou gastrostomia), os
proprietários precisam ser instruídos sobre o uso e os cuidados da sonda.
• Os proprietários precisam saber as possíveis complicações e como detectá-las.
• Devem ser fornecidas instruções detalhadas e específicas sobre o uso da sonda de
alimentação. Devem-se incluir instruções sobre como preparar e como
administrar a dieta.
Comorbidades comuns
Pacientes criticamente doentes muitas vezes têm vários sistemas de órgãos afetados,
o que pode influenciar o plano nutricional. As comorbidades mais graves incluem
simultaneamente a insuficiência cardíaca congestiva, insuficiência renal, insuficiência
hepática, insuficiência respiratória, disfunção gastrointestinal, disfunção neurológica
e infecção sistêmica. 
Apoio nutricional do paciente criticamente doente (Cães)
Adequado Inadequado
Considerar a intervenção
nutricional
Continuar o controle da
ingestão e peso corporal
para garantir a ingestão
adequada
Não é necessária
intervenção
nutricional
Avaliar se é
necessária a
alimentação
assistida 
Implementar a
intervenção nutricional
Acompanhar de
perto
Escolher via de nutrição
Nutrição
enteral
Nutrição
parenteral
Estabilização
hemodinâmica
Implementar a
intervenção nutricional
Considerar
medidas
nutricionais
preventivas
Avaliação geral do paciente
Estado nutricional adequado 
Levemente afetado
Avaliar se a ingestão de alimentos é adequada
Desnutrido 
Severamente doente
Hemodinamicamente estável
Avaliar a ingestão
Desnutrido 
Severamente doente
Hemodinamicamente instável
Adiar a nutriçãoInadequadoAdequado
25
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Vários antibióticos podem causar náuseas, vômitos ou diarreia. Os agentes
quimioterapêuticos podem causar graves complicações gastrointestinais. Diuréticos
e inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) também podem
diminuir o apetite.
Controle 
Todos os pacientes criticamente enfermos que receberam suporte nutricional devem
ser cuidadosamente monitorados devido a possíveis complicações relacionadas ao
suporte nutricional. Pacientes com sondas de alimentação devem ser revisados se
houver infecção/inflamação no local de saída da cirurgia. Os testes bioquímicos e
hematológicos também podem ser úteis na identificação de complicações
metabólicas. Ainda que o peso corporal e a pontuação de escore de condição
corporal (ECC) sejam essenciais para pacientes que receberam suporte nutricional,
o ganho de peso por si só não é necessário. 
Princípios da alimentação coadjuvante
O princípio mais importante de alimentação coadjuvante para esta doença é o de
garantir a ingestão nutricional adequada. A maioria dos gatos com Lipidose hepática
necessita de uma sonda alimentar (por exemplo: sonda esofágica). Exceto nos casos
de sondas nasogástricas, a colocação de sondas de alimentação requer anestesia geral,
o que acarreta um risco elevado de complicações em pacientes hemodinamicamente
instáveis. Os gatos que são considerados instáveis para anestesia podem se beneficiar
com a colocação de uma sonda nasogástrica e serem candidatos à nutrição parenteral.
Normalmente, a nutrição parenteral é reservada para pacientes que não podem
tolerar a alimentação enteral (por exemplo: vômitos, diarreia grave).
O início da alimentação deve se dar uma vez que a desidratação e o desequilíbrio
eletrolítico e ácido-base divergirem entre si. A alimentação deve atender às
necessidades de energia em repouso (RER):
RER = 70 X (peso corporal em kg)0,75
A alimentação inicial deve começar a partir de 33% a 50% do RER no primeiro dia
e depois aumentar gradualmente até atingir o RER dentro de 48 horas. Se o paciente
tolera a alimentação (ou seja, sem vômitos), os objetivos da alimentação poderiam
ser aumentados em 10% a 20% do RER para atingir um peso corporal estável
durante a hospitalização. Normalmente, a alimentação por sonda é necessária por
várias semanas e a decisão de descontinuar essa alimentação é tomada uma vez que
o gato está comendo quantidades adequadas de alimentos voluntariamente.
nPetiscos –Nos animais gravemente enfermos, o uso de petiscos é geralmente
ineficaz para atender às necessidades energéticas e nutricionais e apenas
retardam um suporte nutricional mais adequado. Podem ser oferecidos petiscos
para os animais que recebem a alimentação por sonda, a fim de avaliar o apetite.
nDicas para aumentar a palatabilidade– O uso de estimulantes do apetite em
animais gravemente doentes não é recomendado já que é ineficaz para recuperar a
ingestão nutricional adequada. Pode-se tentar técnicas de alimentação tais como
comer na mão ou aquecer a comida, mas geralmente também são ineficazes para
suporte nutricional adequado. Estimulantes do apetite tais como ciproheptadina
ou mirtazapina, podem desempenhar um papel em gatos que foram recuperados a
partir do processo de doença subjacente e estão na transição para a alimentação oral.
nRecomendações para a dieta– As dietas tipicamente utilizadas para tratar gatos
com lipidose hepáticasão densas em energia e são ricas em proteínas e gorduras.
Dietas destinadas a pacientes de terapia intensiva são muito usadas. No entanto, a
maioria das dietas têm de ser modificadas (adicionar água, liquidificar) para a sua
utilização nas sondas de forma eficaz. Para as sondas de pequeno calibre tipicamente
usadas para acesso nasogástricos, as únicas dietas aceitáveis são as dietas
completamente líquidas. 
Daniel L. Chan, DVM, MRCVS, DACVECC, DACVN
Definição
As doenças críticas podem ter um impacto importante sobre o estado nutricional
dos gatos. Na lipidose hepática felina, uma síndrome que é proveniente do acúmulo
excessivo e patológico de lipídios dentro do fígado, o apoio nutricional na terapia
intensiva é uma parte importante do tratamento médico e da regressão da doença.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
Os resultados do teste físico (por exemplo: desidratação, icterícia, depressão mental,
indicadores neurológicos) podem indicar um grau mais grave de lipidose. A avaliação
nutricional deve ser realizada como guia para o plano nutricional, e, geralmente, é
necessário obter um perfil bioquímico. A atividade de fosfatase alcalina (FA), a
atividade da alanina aminotransferase (ALT), a atividade da aspartato
aminotransferase (AST), e as concentrações de bilirrubina totais são
significativamente elevadas nesta doença e dão apoio ao diagnóstico. A biópsia ou
coleta de material do fígado confirmam o diagnóstico.
Fisiopatologia 
O mecanismo exato responsável por disparar a lipidose hepática em gatos não é
claro; contudo, a anorexia é uma característica comum desta doença e acredita-se
que é um fator de predisposição importante. Acredita-se também que a desnutrição
proteíca-calórica, superestimula a lipidose causando a mobilização de ácidos graxos
livres que sobrecarregam a capacidade do fígado de processar o fluxo de triglicerídeos.
O acúmulo excessivo de lipídios nos hepatócitos interrompe a função celular e pode
causar insuficiência hepática severa.
Predisposição
Gatos de meia idade e idosos possuem maiores chances de serem afetados. Existem
mais casos identificados em gatos machos, embora a classificação por sexo não seja
um fator de risco envolvido. A obesidade talvez seja a causa mais importante do fator
de predisposição para essa doença.
Modificações nos nutrientes essenciais
O balanço energético negativo é um componente importante desta doença e o
apoio nutricional é vital para o tratamento eficaz. As proteínas devem ser de boa
qualidade e altamente digestíveis. Não deverão restringir os níveis de proteína a
menos que haja contraindicação, incluindo: indicadores de encefalopatia
hepática, com comprometimento neurológica, salivação excessiva e convulsões.
Embora a doença tenha uma capacidade limitada do fígado para processar os
ácidos graxos, alguns autores defendem a restrição de gorduras; no entanto, como
o fornecimento de quantidades adequadas de calorias é tão crucial para a
recuperação, comumente são usadas dietas ricas em gorduras, sem complicações.
Os suplementos, tais como S-adenosilmetionina, taurina e carnitina têm sido
recomendados para o tratamento de esteatose hepática; No entanto, o benefício
destes suplementos para animais nestas condições não foi totalmente avaliado.
Nutrição em cuidados intensivos - Lipidose Hepática Felina
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Proteína 40–60 8–13 26 6.5
Gordura 15–35 4–6 9 2.3
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações
metabólicas induzidas pelos estados da doença. A composição recomendada da
dieta é mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg
por 100 kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais
devem atender aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de
vida e consumo de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
26
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Pontos para a educação do proprietário
• Como muitos pacientes em recuperação podem ter alta do hospital com a sonda
de alimentação colocada (por exemplo: esofagotomia ou gastrostomia), os
proprietários precisam ser instruídos sobre o uso e os cuidados da sonda.
• Os proprietários precisam saber das possíveis complicações e como detectá-las.
• Deve-se fornecer aos proprietários instruções detalhadas e específicas sobre o uso 
de sondas de alimentação. Deve-se incluir instruções sobre como preparar e como
administrar a alimentação.
Comorbidades comuns
As comorbidades em gatos que necessitam de nutrição em cuidados intensivos
para a lipidose hepática são: pancreatite, colangiohepatite e doença inflamatória
do intestino.
27
Apoio nutricional de pacientes criticamente doentes com lipidose hepática felina
Instabilidade hemodinâmica persistente
Colocar sonda de alimentação
nasogástrica e avaliar
novamente 
Alimentar por via parenteral se
tiver vômitos e avaliar
novamente 
Apetite menor, mas presente Sem apetite
Tratamento médico de apoio, alimentação 
nasogástrica e nova avaliação
Hemodinamicamente 
instável
Hemodinamicamente 
estável
Retardar a alimentação,
tratamento com medicamentos
para conseguir a estabilidade
hemodinâmica
Hemodinamicamente estável
Colocar a sonda de alimentação
(esofagotomia ou gastrostomia)
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Deve-se ter muito cuidado se são administrados suplementos nutricionais (por
exemplo: taurina, carnitina, S-adenosilmetionina), através da sonda de alimentação,
uma vez que podem bloquear a sonda, provocando a necessidade da sua troca.
Controle
Todos os pacientes criticamente doentes que receberam suporte nutricional deverão
ser cuidadosamente controlados devido a possíveis complicações relacionadas ao
suporte nutricional. Pacientes com sondas de alimentação devem ser controlados se
houver infecção/inflamação no local de saída da cirurgia. Os testes bioquímicos e
hematológicos também podem ser úteis na identificação das complicações
metabólicas. Enquanto o peso corporal e a pontuação da condição física são
essenciais em pacientes que receberam suporte nutricional, o ganho de peso por si
só não é necessário durante a internação. 
Princípios da alimentação coadjuvante
O tratamento com insulina exógena é a base do tratamento clínico do diabetes em
cães; os principais objetivos são: resolver todos os sinais clínicos de longo prazo e
evitar a hipoglicemia induzida por insulina. Um cão diabético tratado com sucesso
não apresentará polifagia, polidipsia ou letargia, e será capaz de manter o peso
corporal. Um regime de tratamento típico inclui aplicação de insulina duas vezes
por dia e refeições uniformes, que deverão ser altamente palatáveis para que a ingestão
de alimentos seja previsível.
Normalmente, os alimentos comerciais para cães produzem um aumento pós-prandial
de glicose no plasma inferior a 90 minutos após o consumo pelo cão; as refeições devem
ser programadas de modo a que a atividade máxima da insulina exógena ocorra durante
o período pós-prandial. Assim, os cães deverão ser alimentados dentro de 2 horas após
a administração da insulina NPH ou dentro de 6 horas da insulina protamina de zinco.
Quando se utilizar um regime de dose de insulina de duas vezes por dia, deve-se
alimentar o cão imediatamente após a injeção de insulina.
Se os sinais de hipoglicemia leve se desenvolvem, o proprietário deve fornecer ao cão
uma alimentação regular ou petiscos ricos em carboidratos. Pode ser necessário
alimentar o cão com a mão para incentivá-lo a comer. Se o cão não quer ou não
consegue comer, pode ser administrado oralmente um xarope contendo uma alta
concentração de glicose. Xaropes adequados são comercializados para utilização em
seres humanos diabéticos e todos os proprietários de cães diabéticos devem mantê-los
em reserva. Quando o cão se recupera, deve ser imediatamente oferecida uma refeição
com o alimento habitual,e, em seguida, o proprietário deve entrar em contato com o
médico veterinário antes da seguinte injeção de insulina. Quando um cão diabético não
come o alimento que acompanha a dose, deve-se administrar a metade da dose usual
de insulina.
nPetiscos –A alimentação feita através de refeições uniformes em horários fixos
todos os dias é um aspecto importante do tratamento; deve-se incentivar o
cumprimento pelo proprietário. Se são oferecidos petiscos, devem ser consumidos
durante o período de pico esperado da insulina exógena. Deve-se evitar petiscos
ricos em açúcar ou gordura.
nDicas para aumentar a palatabilidade –A maioria dos cães diabéticos consumirá
facilmente refeições duas vezes por dia após as injeções de insulina se as refeições são
altamente palatáveis e contêm metade das necessidades calóricas diárias. Para os animais
mais exigentes, os alimentos devem ser fornecidos no momento em que a insulina é
administrada e permanecer disponível até o final do período esperado de atividade
máxima da insulina exógena. Cães diabéticos são mais propensos a aceitar facilmente
uma dieta semelhante a que comiam antes do diagnóstico do diabetes. Não devem ser
usados alimentos ricos em açúcar ou gordura para melhorar a palatabilidade dos
alimentos prescritos para cães diabéticos. Um exemplo de uma alternativa adequada é
o caldo morno de frango com baixo teor de gorduras.
Linda Fleeman, BVSc, MACVSc, PhD
Jacquie Rand, BVSc, DVSc, DACVIM
Definição 
O diabetes mellitusé causado por deficiência de insulina absoluta ou relativa, alterando
o metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas. Manifesta-se como hiperglicemia,
hiperlipidemia, poliúria, letargia, perda de peso, polifagia, pelagem fraca e diminuição
da imunidade.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
O diagnóstico do diabetes mellitus é baseado em hiperglicemia e glicosúria com sinais
clínicos compatíveis. Medir a imunorreatividade da lipase pancreática canina (cPLI, em
inglês) pode ajudar a identificar uma pancreatite concomitante. A imunorreatividade
semelhante à da tripsina canina (cIST) pode identificar destruição simultânea do
pâncreas exócrino. É recomendado monitorar continuamente a condição física, a
glicemia e a concentração de triglicérides séricos.
Fisiopatologia
No caso de cães, tem sido bem documentado o diabetes de tipo I e de outros tipos
específicos; a frequência relativa varia de acordo com a localização geográfica e,
especialmente, de acordo com níveis de castração no sexo feminino. Na América do
Norte, cerca de 50% dos cães têm diabetes mellitus do tipo I causado por destruição
imunológica das células beta pancreáticas. Em quase 30%, o diabetes se deve à grande
lesão pancreática causada por pancreatite crônica. Diabetes em cães também aparece
de maneira secundária ao tratamento com corticosteroides, à hiperadrenocorticismo
ou à acromegalia induzida pela progesterona. Em fêmeas intactas pode-se produzir
uma forma análoga do diabetes gestacional em seres humanos durante a gravidez; é
comum em países com baixas taxas de castração, tais como a Suécia.
Predisposição
A maioria dos cães diabéticos têm mais de 5 anos de idade, com maior prevalência
entre 8 e 12 anos. As fêmeas intactas têm maior risco, especialmente se também tiverem
sobrepeso. Os cães de raças misturadas têm um risco maior em relação aos de raças
puras. As seguintes raças têm maior risco: Australian Terrier, Schnauzer padrão,
Samoieda, Schnauzer miniatura, Fox Terrier, Keeshond, Bichon Frise, Finlandês Spitz,
Cairn Terrier, Poodle, Poodle Toy e Husky Siberiano.
Modificações nos nutrientes essenciais
O conteúdo total de carboidratos da dieta é o principal determinante da resposta
glicêmica dos alimentos comerciais típicos para cães e, portanto, é recomendada uma
dieta moderada em carboidratos (<30% da energia metabolizável [EM]); além disso,
as refeições devem ter um teor de carboidratos uniforme. A declaração dos níveis de
garantia em alimentos para animais de estimação não fornece informações sobre o
conteúdo de carboidratos dos alimentos, por isso deve ser auferida (ver Anexo III).
As fontes de carboidratos com baixo índice glicêmico são provavelmente preferíveis;
fontes recomendadas incluem sorgo e cevada. É improvável que o arroz seja uma fonte
ideal de carboidratos. Devem ser excluídas dietas com xarope de milho.
Embora vários estudos indiquem que as dietas ricas em fibras, em comparação com
dietas pobres em fibras, poderiam ser associadas a um melhor controle glicêmico, não
há uma clara demonstração de benefício clínico para cães diabéticos, quando são
alimentados com uma fórmula com alto teor de fibras em comparação com uma dieta
de manutenção típica para adultos com teor de fibra moderado (30-40 g/1000 kcal).
Recomenda-se a restrição de gordura na dieta (<30% de EM) para cães diabéticos
com pancreatite crônica simultânea ou hipertrigliceridemia persistente.
Normalmente, as exigências nutricionais para doenças concomitantes prevalecem
sobre as de diabetes mellitus.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Diabetes mellitus - Cães
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Proteína 25–50 6–10 18 5.1
Gorduras 8–12# 3–5# 5 1.4
Carboidrato 0–40 0–8 n/d n/d
Fibra Bruta 5–15 2–4 n/d n/d
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada
como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de
energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos
requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
*Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
# Recomenda-se a restrição de gordura na dieta para cães diabéticos com pancreatite
crônica concomitante ou hipertrigliceridemia persistente. A restrição de gordura não
deverá ser recomendada para cães diabéticos com estado físico magro.
28
n Recomendações para a dieta – As dietas para manutenção de cães adultos
formuladas com carboidratos e teor de fibra moderados serão as apropriadas para a
maioria dos cães diabéticos. Deve-se dar aos cães diabéticos com pancreatite crônica
concomitante ou hipertrigliceridemia persistente, uma dieta com restrição de gordura.
Dietas restritas em gordura e rica em fibras não devem ser rotineiramente
recomendadas para cães diabéticos com estado físico magro. Cães diabéticos mais bem
tratados necessitam de uma quantidade de alimento diário similar aos cães saudáveis
não-diabéticos com idade, sexo e estilo de vida similares. Cães diabéticos com
diminuição da função pancreática exócrina têm necessidades calóricas mais elevadas em
comparação com cães saudáveis.
Pontos para a educação do proprietário
• A alimentação uniforme em horas fixas diariamente é crucial para o sucesso no 
tratamento do diabetes em cães. O ideal é que todas as refeições 
contenham os mesmos ingredientes e conteúdo calórico.
• O momento das refeições deve coincidir com o momento das injeções de insulina.
• Não se pode exagerar na importância de evitar uma overdose de insulina. Se 
alguma insulina é derramada durante a injeção, o proprietário nunca deve fornecer
mais, até mesmo se parecer que o cão não recebeu nenhuma insulina. Se alguma vez
o proprietário estava hesitante, a opção mais segura é não aplicar a injeção, uma vez
que as consequências da falta de uma dose única são insignificantes.
• Os proprietários devem estar cientes das estratégias nutricionais para o tratamento
da hipoglicemia, como acima descrito.
• Os proprietários devem procurar orientação de um veterinário sempre que um cão
diabético mostre falta de apetite ou anorexia, porque existe um risco aumentado
de hipoglicemia se a insulina é dada quando o cão não come.
Comorbidades comuns
A infecção do trato urinário, pancreatite, hiperadrenocorticismo, dermatite, otite
externa e insuficiênciapancreática exócrina são doenças comuns que ocorrem em cães
com diabetes mellitus, bem como o diestro, piometra e obesidade nas fêmeas diabéticas
não castradas.
29
Manejo nutricional do diabetes mellitus em cães
O cão tem apetite normal ou aumentado O cão tem menos apetite
1. Implementar um regime de alimentação de duas vezes por dia. Cada refeição deve conter metade das necessidades calóricas diárias [kcal calculada como 55 x (estimativa de peso corporal
ideal em kg) 0,75] e oferecida no momento que coincide com as injeções de insulina. É importante que as refeições sejam uniformes e não variem de uma para outra.
2. Escolha uma dieta que seja altamente palatável para esse cão especial, completa e equilibrada, e formulada para a manutenção de cães adultos com conteúdo moderado de fibra (30-40
g/1000 kcal) e carboidratos (<30% EM).
3. Se houver histórico ou evidência clínica de pancreatite concomitante, considerar a recomendação de também restringir a gordura dietética (<30% MS).
Tratar complicações clínicas e ou comorbidades
O cão perde peso corporal e condição física (ECC) O cão apresenta peso corporal e condição física (ECC) estável O cão aumenta seu peso corporal e condição física (ECC)
Ajustar a dose de insulina para otimizar o controle
da glicose no sangue e aumentar a ingestão de
calorias em cada refeição
Se a perda de peso continua, apesar
do bom controle glicêmico, conside-
rar a avaliação da função pancreá-
tica exócrina medindo o cIST
Ajustar a dose de insulina para otimizar o controle da glicemia Ajustar a dose de insulina para otimizar o controle de glicose
no sangue e reduzir a ingestão calórica em cada refeição
O cão apresenta um estado físico magro O cão apresenta sobrepeso
Aumentar a ingestão de calorias a cada refeição Diminuir a ingestão de calorias a cada alimentação
O cão apresenta o corpo na condição ideal
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
O exercício pode estar associado a um aumento do risco de hipoglicemia no caso de
cães diabéticos tratados com insulina. Isto pode ser resolvido através da redução da
dose de insulina e/ou aumentando a oferta de alimentos antes do exercício. Deve-se
personalizar as estratégias de tratamento para cada cão em particular.
Controle
Um dos principais sinais clínicos do diabetes mellitus não tratado é a perda de peso e
baixa no escore de condição corporal, apesar da polifagia. Ao instituir um tratamento
médico e nutricional adequado, a perda de peso geralmente para antes de atingir o
controle glicêmico ideal. Portanto, é importante controlar tanto o peso quanto o escore
de condição corporal a cada nova avaliação. O controle glicêmico é usado para avaliar
a resposta ao regime da dieta e da insulina. A concentração de triglicérides no sangue
em jejum pode ser controlada para identificar hipertrigliceridemia persistente, e para
controlar a resposta a uma alimentação com uma dieta restrita de gorduras. O
tratamento com insulina exógena resolverá a hipertrigliceridemia em alguns cães
diabéticos, enquanto outros necessitarão da restrição de gorduras na dieta, além do
tratamento com insulina. Deve-se recomendar a restrição de gordura na dieta (<30%
EM) para todos os cães diabéticos com uma concentração de triglicérides séricos em
jejum> 500 mg/dL devido à associação com a pancreatite. No caso dos cães diabéticos
com bom controle glicêmico, recomenda-se restrição de gordura na dieta (<30% EM),
se a concentração de triglicérides no soro em jejum for > 400 mg/dL. Espera-se que os
níveis de triglicérides em jejum declinem em resposta à restrição de gorduras da dieta.
Portanto, se a concentração de triglicérides no soro em jejum for > 400 mg/dl quando
o cão estiver sendo alimentado com uma dieta com <30% de gordura EM, então
recomenda-se uma maior restrição de ingestão de gordura (<20 % MS). Se a perda de
peso corporal continua apesar do controle glicêmico adequado, recomenda-se testar
a concentração da imunorreatividade semelhante à da tripsina canina (cIST) para
avaliar a função pancreática exócrina.
Princípios da alimentação coadjuvante
Os objetivos do tratamento do diabetes em gatos são prevenir a hipoglicemia
induzida por insulina e otimizar a possibilidade de alcançar a remissão ao minimizar
a hiperglicemia. Geralmente é recomendada para gatos diabéticos a alimentação
duas vezes por dia no momento das injeções de insulina, embora seja aceitável
fornecer alimentos em porções menores com mais frequência. O período pós-
prandial dos gatos é muito longo e a glicose no sangue permanece elevada por mais
de 14 horas após uma refeição com 50% a 100% das necessidades diárias de energia.
Fornecer alimento com baixo teor de CHO está associado a maiores taxas de
remissão em gatos diabéticos recém diagnosticados, em comparação com o
fornecimento de alimentos ricos em fibras. Portanto, deve ser oferecido um alimento
de baixo teor de CHO a gatos diabéticos recém diagnosticados e a todos os gatos
diabéticos em remissão. No momento da mudança para uma dieta com maior valor
de CHO, foi constatada uma recaída no animais. No entanto, o controle da glicose
não é significativamente diferente em gatos que permanecem dependentes de
insulina quando eles são alimentados com uma dieta rica em fibras e em CHO em
vez de uma dieta com baixo teor de CHO, embora a dose de insulina geralmente
seja menor naqueles que comem alimentos de baixo teor em CHO. O tratamento
dietético das comorbidades também deve ser considerado quando se escolhe a dieta
para o paciente diabético.
O sobrepeso e a obesidade estão associados à resistência à insulina, portanto, manter
ou atingir um peso corporal ideal é importante para facilitar a remissão dos gatos
diabéticos. Os gatos com sobrepeso ou obesos devem ser alimentados com
quantidades restritas de uma dieta de baixa densidade calórica (gordura) com uma
quantidade mínima de CHO possível (<20% de MS). * O consumo de energia tem
de ser restrito, para produzir de 1% a 2% de perda de peso corporal por semana,
embora se consiga normalmente 0,3 - 0,5%/semana.
Gatos com indicadores de leve a moderada hipoglicemia, tais como fraqueza,
tremores e sem equilíbrio, que ainda possam comer, deverão ser alimentados
imediatamente com uma dieta "intestinal" palatável, altamente digestível, rica em
CHO e pobre em fibras. Se os indicadores forem graves, como convulsões ou coma,
pode ser aplicado nas gengivas um xarope de glicose projetado para seres humanos
diabéticos e os proprietários deverão procurar imediatamente cuidados veterinários.
nPetiscos –É importante manter uma ingestão constante e de baixo teor de CHO;
evite os petiscos ricos em CHO. Os exemplos adequados incluem porções da ração
habitual do gato baixa em CHO ou petiscos de carne ou peixe cozidos em casa, com
conteúdo de gorduras e proteínas (alto ou baixo) adequados para as comorbidades.
Jacquie Rand, BVSc, DVSc, DACVIM
Linda Fleeman, BVSc, MACVSc, PhD
Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN
Definição 
No diabetes mellitusdos gatos, a hiperglicemia ocorre devido à secreção inadequada
de insulina pelas células beta do pâncreas. A resistência periférica à insulina
secundária ao genótipo, à obesidade, à inatividade física, a doenças ou a
medicamentos é muitas vezes um fator predisponente.
Ferramentas de diagnóstico essenciais
Hiperglicemia persistente é indicativa de diabetes mellitus. Sinais clínicos
simultâneos de poliúria, polidipsia e antecedentes de perda de peso são comuns
e apoiam o diagnóstico de diabetes. A glicosúria e a cetonemia ajudam a
confirmar o diagnóstico; no entanto, nem todos os gatos são cetonúricos ou
cetonêmicos. Se a concentração de glicose no sangue é apenas moderadamente
elevada (200-300 mg/dL; 12 a 17 mmol/L), a hiperglicemia persistente deve
ser documentada em duas ou três amostras de sangue coletadas
consecutivamente, com pelo menos 4 horas de intervalo durante 1 a 2 dias, para
eliminar a hiperglicemia induzida por estresse. As concentrações de frutosamina
≥ 400-500 µmol/L estão apoiando o diabetes, enquanto aquelas superiores a
500 µmol/Lestão altamente associadas com o diabetes.
Fisiopatologia
Acredita-se que mais de 80% dos gatos têm diabetes mellitus tipo 2, que é uma
consequência da falha das células beta que ocorre secundariamente à demanda
prolongada de maior secreção de insulina como resultado da resistência
periférica à insulina. Com o tempo, isso prejudica as células beta e a secreção de
insulina se deteriora. Os demais casos estão associados a outros tipos específicos
de diabetes, tais como câncer de pâncreas, pancreatite, hiperadrenocorticismo
ou acromegalia, os quais, ou destroem diretamente as células beta ou provocam
uma forte resistência à insulina. Uma vez que a glicose no sangue aumenta, a
secreção de insulina é suprimida e danifica as células beta (chamado
glicotoxicidade). A maioria dos gatos é dependente de insulina no momento do
diagnóstico; no entanto, dependendo da causa subjacente e da duração do
diabetes e do tratamento, entre 20% e 90% dos gatos diabéticos podem deixar
de ser dependentes de insulina (denominado remissão).
Predisposição
Em geral, os gatos com diabetes são de idade avançada, sendo o auge do início entre
10 e 13 anos. Os gatos que estão com sobrepeso ou obesos, castrados, machos e de
raças domésticas estão no grupo de risco mais elevado. Nos Estados Unidos, a raça
Maine Coon, os gatos domésticos de pelos longos, a raça Russo Azul, e a Siamesa
estão amplamente representados, enquanto que os gatos da raça Birmanês são quatro
vezes mais propensos a ser diabéticos na Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido
em comparação com os gatos domésticos.
Modificações nos nutrientes essenciais
Dietas pobres em carboidratos (CHO) solúveis (<20% em matéria seca [MS];
<15% de energia metabolizável) são consideradas superiores para tratar diabetes e
são comprovadamente efetivas no tratamento do diabetes em gatos. Entre os grãos
sugeridos por ter um índice glicêmico inferior em gatos se incluem o milho, o sorgo,
a aveia e a cevada. Ao limitar os carboidratos na dieta, a glicose no sangue é mantida
principalmente a partir da gliconeogênese hepática e as flutuações dos níveis de
glicose no sangue após uma refeição são minimizadas. Os gatos diabéticos com
diagnostico recente geralmente são mais saudáveis com uma dieta baixa em CHO
e rica em proteínas. Os gatos necessitam de proteínas (≥ 30% MS e > 85% digestível)
de alto valor biológico (ovo, carne, fígado). Conseguir a remissão do diabetes é uma
vantagem para estes gatos e é um objetivo importante para qualquer gato que foi
diabético durante menos de um ano. A probabilidade de remissão é baixa, no caso
de gatos que estiveram diabéticos durante mais de um ano.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Diabetes mellitus - Gatos
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Proteína 40–60 10–17 26 6.5
Carboidrato 0–20 0–5 n/d n/d
Gordura 10–35 3–7 9 2.3
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada
como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como gr. ou mg por 100 kcal de
energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos
requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
30
a O CHO solúvel (principalmente amido) é medido e documentado como extrato
não nitrogenado (ENN), enquanto que o CHO como fibra documenta-se como
fibra bruta.
nDicas para aumentar a palatabilidade –A transição para passar da dieta habitual
a uma dieta adequada para o diabético deve durar entre 5 a 14 dias; pode ser
necessário um período mais longo no caso de gatos que são mais resistentes a
mudanças. A palatabilidade do alimento geralmente aumenta junto com a
temperatura, a água e os nutrientes (gorduras, proteínas e sal). Aquecer o alimento
no microondas ou amornar ligeiramente a comida úmida, adicionar o caldo morno
de frango ou carne bovina (+/- sódio) ou adicionar a água ou o óleo dos peixes
enlatados (sardinha, atum, cavala), se for apropriado para melhorar o sabor.
nRecomendações para a dieta–Os valores dos nutrientes das dietas com baixo
teor de CHO recomendados para gatos diabéticos são <20% de CHO, 40% a 60%
de proteína e 10% a 35% de gorduras em MS. Os gatos devem ser alimentados para
manter ou atingir o peso corporal ideal. Normalmente, alimentos enlatados são mais
palatáveis, contêm mais água e gordura, e menos CHO que a partícula seca; ainda
assim, facilitam a perda de peso em alguns gatos com sobrepeso ou obesos.
Pontos para a educação do proprietário
• Fornecer as refeições no momento da injeção de insulina com intervalos de 12
horas. Recomenda-se que apenas alimentos projetados para gatos diabéticos
sejam fornecidos, e que o alimento seja obtido a partir de uma fonte confiável
para garantir o controle de qualidade e consistência do produto.
• Os gatos podem se tornar não dependentes de insulina (remissão), portanto, é
essencial controlá-los rigorosamente.
• Os gatos com indicadores leve a moderado de hipoglicemia, tais como fraqueza,
tremores e falta de coordenação motora, que ainda possam comer, devem 
ser alimentados imediatamente com uma dieta "intestinal" palatável, altamente 
digestível com alto teor de CHO e pobre em fibras. Se os indicadores forem graves,
como convulsões ou coma, pode ser aplicado nas gengivas um xarope de glicose 
concebido para os seres humanos diabéticos e os proprietários devem procurar 
imediatamente assistência veterinária.
Comorbidades comuns
Ao reduzir a porção de CHO, as proteínas, gorduras, fibras e algumas combinações
da dieta devem aumentar para compensar a diferença. As dietas baixas em CHO
com diferentes níveis de gorduras, proteínas e fibras são úteis para fornecer uma
grande variedade de escolhas de dietas, dependendo das comorbidades de cada caso
particular. Gatos diabéticos, com baixo peso, deverão ser alimentados com dietas
que tenham CHO (<20% de MS), proteínas (~ 55% de MS), baixo teor de fibras
(1% MS), elevado teor de gorduras (20-30% de MS) e densidade de energia (4 - 5
kcal/g MS de energia metabolizável [EM]). Os gatos obesos ou com sobrepeso
podem ser tratados através da restrição da quantidade total de energia (como
gordura) do alimento. A sensibilidade à insulina deve melhorar com a perda de
gordura corporal. Os gatos diabéticos obesos ou com sobrepeso tem melhores
resultados com dietas com CHO (<20% MS), teor de fibra moderado (10-15%
MS), baixo teor de gorduras (~ 10% MS) e densidade de energia (3-3,5 kcal/g MS
EM). A alimentação por dietas úmidas pode satisfazer alguns gatos mais do que o
31
alimento seco devido ao teor de água, embora os alimentos enlatados normalmente
contenham mais gordura do que a sua versão seca.
Em gatos com doença renal (IRIS 2), há a necessidade de tentar uma dieta baixa em
CHO (<15% MS) já que a azotemia melhora em muitos gatos com um melhor
controle glicêmico. Se a azotemia piora, estes gatos podem utilizar uma dieta com
CHO (30-40% MS), proteínas (35-40% MS) e fósforo (<1% MS). Os gatos com
doença renal avançada (IRIS 3 ou 4), com indicadores sistêmicos associados com
azotemia possuem melhores resultados com uma dieta restrita em proteínas (CHO
<30% de MS, proteína ~30% MS, gorduras ~30% MS e fósforo <1% MS) com
agentes quelantes de fosfato para controlar ainda mais as concentrações de fosfato
no plasma junto com a acarbose para reduzir a absorção de glicose do trato
gastrointestinal. As dietas caseiras que controlam o CHO, as proteínas e restrinjam
o fósforo são também uma opção para alguns animais.
Outras doenças comuns em gatos diabéticos são a pancreatite ou o câncer
(adenocarcinoma); cistite e infecções bacterianas do trato urinário; hiperlipidemias
(mudar para um alimento para diabéticos com menor conteúdo de gorduras e baixo
conteúdo de CHO); endocrinopatias(hiperadrenocorticismo, acromegalia,
hipertireoidismo); doença induzidas por medicamentos (glicocorticoides,
progestógenos); e hiperglicemia induzida pelo estresse associado com a doença
(tratar estes gatos como se fossem diabéticos até que esteja resolvido).
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Os corticosteroides predispõem o diabetes sendo importante evitar repetidas
injeções deste fármaco de ação prolongada em gatos diabéticos ou gatos em remissão.
Da mesma forma, os progestógenos, tais como acetato de megestrol, diminuem a
sensibilidade à insulina e predispõem para o diabetes.
Controle 
As concentrações de glicose no sangue têm de ser monitoradas para determinar o
nível de controle da glicose e a dose apropriada de insulina. A glicose no sangue é
melhor controlada em casa, utilizando um medidor portátil de glicose, de preferência
um que esteja calibrado para o sangue dos gatos. Quando isto não for possível, é útil
para o monitoramento doméstico, a concentração de glicose e cetona na urina. A
insulina exógena é administrada com uma dieta baixa em CHO e de alto conteúdo
de proteínas (preferencialmente) para controlar as concentrações de glicose no
sangue, e é ajustada em conformidade para manter a concentração de glicose o mais
próximo do normal, evitando a hipoglicemia. Controlar o peso corporal e modificar
a ingestão de energia para atingir o peso ideal.
Ver Manejo nutricional do diabetes mellitus em gatos na página 32. 
32
Manejo nutricional do diabetes mellitus em gatos 
Alimentar com uma dieta com baixo
carboidrato (<20% MS) projetado para
gatos diabéticos. Proporcionar um
consumo de energia para alcançar ou
manter o peso corporal ideal. 
Alimentar com uma dieta com baixo carboidrato
(<20% MS) formulada para gatos diabéticos.
Proporcionar um consumo de energia para alcançar
ou manter o peso corporal ideal. Começar com a
insulina glargina ou detemir 1 U/gato duas vezes
por dia (BID). 
Alimentar com uma dieta com baixo carboidrato
(<20% MS) projetado para gatos diabéticos.
Fornecer o consumo de energia para alcançar ou
manter o peso corporal ideal. Começar com insulina
glargina 0,25 – 0,5 U/kg ou detemir (0,25 U/kg)
do peso corporal ideal duas vezes por dia (BID)
Glicose no sangue
foi normalizada
Glicose no sangue
continua sendo 215 –
250 mg/dL (12 – 14
mmol/L)
Começar com a insulina glargina ou detemir 0,5
U/gato uma vez por dia ou em dias alternados
(EOD) e aumentar ou diminuir para manter a gli-
cose plasmática no ponto mais baixo 70-120
mg/dl (4-7 mmol/L) *
Controle de glicose no sangue com medições em série no lar. Medição de glicose no sangue antes da injeção de insulina e a
cada 3 - 4 horas até a próxima insulina. Ao longo do tempo, alterar a dose de insulina para manter o ponto mais baixo da
concentração de glicose no plasma 70-120 mg/dL (4-7 mmol/L). * Continuar alimentando com uma dieta com baixo con-
teúdo de carboidratos e modificar a ingestão de energia para alcançar ou manter o peso corporal ideal.
Glicose no sangue anterior à insulina permanece <215 mg/dL (<12 mmol/L), reduzir a dose 
a cada 1 - 2 semanas até que a doses seja 0,5 U/gato uma vez por dia. 
Glicose no sangue anterior a insulina permanece em <215 mg/dL (<12 mmol/L), 
e a dose é de 0,5 U/gato uma vez por dia.
Suspender a insulina, controlar a glicose no sangue e continuar com a dieta com baixo conteúdo de carboidratos.Glicose no sangue aumenta >215mg/dL (>12 mmol/L)
Começar novamente com a insulina
durante um mínimo de 2 semanas 
A glicose no sangue permanece <215 mg/dL (12 mmol/L) por 2 semanas = não dependente de insulina
(Remissão de diabetes). Continuar alimentando com dieta baixa em carboidratos.
Diagnóstico de diabetes mellitus: glicose sanguínea persistentemente ≥215 mg/dL (12 mmol/L)
Glicose no sangue 215 – 250 mg/dL (12 –
14 mmol/L) em 3 – 4 ocasiões com 4 horas
como intervalo mínimo durante 2 dias
Glicose no sangue 270 – 340 mg/dL (15 – 19
mmol/L) em 2 ocasiões com 4 horas como
intervalo mínimo e sinais clínicos de poliúria,
polidipsia e perda de peso
Glicose no sangue >360 mg/dL (>20
mmol/L) e sinais clínicos de poliúria, 
polidipsia e perda de peso 
* Medido com um medidor de glicose calibrado para o sangue dos gatos ou um analisador químico do soro;
medidores calibrados para o sangue humano medem 18 - 36 mg/dl (1 - 2 mmol/L) inferior à concentração
real de glicose no sangue.
33
Sean J. Delaney, DVM, MS, DACVN
Definição 
A obesidade, definida como o acúmulo excessivo e armazenamento de tecido adiposo,
é comum em cães, afeta mais de um terço deles1, e é a doença nutricional número um
diagnosticada por médicos veterinários. No sistema de Pontuação de escore de
condição corporal da Nestlé® PURINA® de nove pontos (ver Apêndice I), os cães
com uma pontuação de escore de condição corporal (ECC) de 6 ou mais são
considerados cães acima do peso com uma pontuação de 8 ou mais são obesos e
aqueles com uma pontuação de 9 são obesos mórbidos.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
A pontuação de escore de condição corporal usa ambos os parâmetros visuais e táteis
para atribuir um valor numérico com o grau de adiposidade do paciente. Uma vez que
o resultado do escore de condição corporal pode ser facilmente explicado aos
proprietários, é uma ferramenta eficaz para aumentar a conscientização sobre o grau
de sobrepeso ou obesidade dos cães. Antes de submeter um paciente a um plano de
perda de peso, recomenda-se a realização de um exame físico, análise completa de
sangue e o perfil bioquímico para descartar qualquer doença subjacente,
especialmente hipotireoidismo.
Fisiopatologia
Habitualmente o ganho de peso ocorre gradualmente ao longo de muitos anos, como
um resultado da ingestão calórica excessiva e de um estilo de vida cada vez mais
sedentário, o que leva ao acúmulo de tecido adiposo. O hipotireoidismo,
hiperadrenocorticismo e a administração de glicocorticoides também podem levar
a uma alimentação em excesso.
Predisposição
A probabilidade de sobrepeso/obesidade aumenta com a idade e com a castração.
Algumas raças, incluindo Cocker Spaniel, Dachshund, Dálmata, Labrador
Retriever, Golden Retriever, Pastor Alemão e Rottweiler, apresentam maior risco.2
Modificações nos nutrientes essenciais
Determinar as necessidades energéticas específicas de um cão é crucial para estabelecer
um plano de perda de peso bem-sucedido. Em um cão, cujo peso é razoavelmente
estável, o consumo de energia pode ser o melhor indicador da exigência de energia real
de um paciente, devido à grande variação individual (± 50% da necessidade calculada
com base no peso corpóreo). Obter histórico alimentar preciso (ver Apêndice II)
pode permitir ao médico veterinário calcular as necessidades energéticas específicas
do paciente. Uma vez que isto estiver estabelecido, a perda de peso pode ser alcançada
através da alimentação com menos calorias do que as necessárias para a estabilidade
do peso. O ideal é que as dietas de perda de peso tenham baixa densidade de energia
e um aumento de nutrientes essenciais por quilocaloria. Ver Princípios da
alimentação coadjuvantepara encontrar estratégias mais detalhadas.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Princípios da alimentação coadjuvante 
A justificativa para proporcionar uma dieta com menor densidade de energia obtida
com mais fibras e água é que leva à saciedade por preenchimento gástrico; o maior
volume pode ser mais aceitável para o animal. O raciocínio para aumentar nutrientes
essenciais por quilocaloria é que a restrição calórica, sem manter simultaneamente a
quantidade de nutrientes essenciais que é fornecida, pode causar deficiências; tais
deficiências podem frequentemente ser reconhecidas na má qualidade da pelagem
durante a perda de peso.
Deve-se fornecer uma alimentação com menos calorias do que o necessário: ou com
80% das calorias atuais se puder ser determinada com precisão pelo histórico alimentar
(ver Apêndice II) ou calculando as necessidades energéticas em repouso (RER) do cão
com base no peso atual:
RER= 70 x peso em kg00.75
(ver Apêndice III para encontrar equações úteis na nutrição clínica). Modificar a
quantidade de alimentos com base no peso a cada 2 semanas, com o objetivo de perder
1% a 2% de peso corporal por semana; uma perda de peso mais rápida diminui a
massa muscular, reduz a conformidade e aumenta o risco de efeito sanfona no peso.
Se o cão está ganhando peso nesta dieta, verificar a conformidade e reduzir todas as
quantidades em 20%. Se o peso for estável, diminuir todas as quantidades em 10%.
Se o cão está perdendo peso muito rápido, controlar a saúde geral e aumentar todas
as quantidades fornecidas entre 10% e 20%.
Indicar um aumento simultâneo da atividade com brincadeiras ou caminhadas.
nPetiscos –Quando são fornecidos petiscos formulados para a perda de peso, deve-
se escolher os que contenham menos de 30 kcal/petisco. Alguns petiscos saudáveis
são vegetais e frutas com alto teor de umidade, tais como 3½ xícaras de abobrinha
cozida cortadas em rodelas (100,8 kcal), 20 mini cenouras cruas (105 kcal; evitar nos
cães com problemas urólitos de oxalato de cálcio), 2 xícaras de melão em cubos (108,8
kcal) ou 2 xícaras de maçãs descascadas cortadas (105,6 kcal). Carnes magras e com
baixo teor de sódio, tais como ½ xícara de peito de frango em cubos ou picado (112
kcal) ou 42,5 gramas de costeleta de porco, apenas a carne, sem gordura e sem osso
(99,5 kcal), também podem ser oferecidos como petiscos.
nDicas para aumentar a palatabilidade –Os alimentos com maior teor de umidade
(enlatados ou de pacote) podem ter preferência ao alimento seco. O alimento seco
também pode ser umidecido em água ou caldo de carne sem sódio. Uma camada de
uma pequena quantidade de carne magra com baixo teor de sódio (ver Petiscos), não
superior a 10% das calorias diárias, pode ser adicionada ou misturada para evitar
alimentação seletiva. Você pode misturar uma pequena quantidade de xarope no
alimento fornecido sempre e quando não exceda 10% das calorias diárias (ex.: 1⅔
colher de sopa de xarope de milho, 100,7 kcal).
nRecomendações para a dieta –Recomenda-se uma dieta indistrializada formulada
para perda de peso ativo. A dieta deve possuir menos de 280 kcal/xícara ou menos de
776 kcal/kg para uma estratégia de baixa densidade energética, e menos de 25% de
calorias provenientes de CHO para uma dieta com baixa densidade de carboidrato.
Evite alimentos que utilizem as palavras “light”, já que estes são para a prevenção do
ganho de peso e não para perda de peso ativo; os alimentos “light” não contêm muitos
nutrientes essenciais por quilocaloria como os alimentos projetados para perda de
peso. As receitas caseiras geralmente não são necessárias para os pacientes que
necessitam perder peso, e nem são recomendadas. Sua maior digestibilidade e
palatabilidade pode ser ineficiente na perda de peso.
Sobrepeso/Obesidade - Cães
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Proteína 25–50 10–20 18 5.1
Gordura 5–15 2–3.5 5 1.4
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada
como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de
energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender às
necessidades normais, de acordo com a restrição de calorias.
*Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
33
34
Pontos para a educação do proprietário
• Os cães têm uma grande variação na necessidade de consumo de energia individual
(± 50%). Muitas vezes, os pacientes obesos são muito eficazes no uso das calorias.
Historicamente, quando a comida era escassa, a eficiência era uma característica
desejável mas no momento a eficácia em um ambiente de alimento abundante 
leva mais facilmente ao aumento de peso.
• A fase inicial de um plano para perda de peso é determinar a eficácia do cão. 
Portanto, é importante alimentar com a quantidade especificada e é crucial 
desenhar o plano com base nas mensurações de peso; inicialmente, espera-se que 
as taxas de perda de peso sejam imperfeitas.
• O objetivo de um plano de perda de peso é uma melhor qualidade de vida.3
Comorbidades comuns
Aosteoartriteé comum em cães com excesso de peso e obesos; as doenças articulares
são tratadas com medicamentos e perda de peso. Considere o manejo nutricional das
doenças das articulações depois de ter alcançado a perda de peso. Se necessário, você
pode considerar a suplementação com condroprotetores e/ou óleo de peixe para a
dieta formulada para perda de peso. No caso de colapso de traqueia, síndrome do
braquicéfalo ou paralisia da laringe, tentar maximizar a taxa de perda de peso de
2% de peso corporal por semana, especialmente se a perda de peso necessária pode
ser conseguida antes da chegada de temperaturas sazonais mais quentes. Em cães com
diabetes mellitus a perda de peso pode fornecer um melhor controle glicêmico.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Comorbidades que provocam a perda de apetite devem ser o foco principal da terapia
nutricional para prevenir a perda de peso não intencional devida a uma doença que
está sendo ignorada e atribuída ao regime de perda de peso.
Controle
Pesar novamente o cão a cada 2 semanas e alterar a quantidade de alimentos (ver
Princípios da alimentação coadjuvante). O objetivo da taxa de perda de peso é de 1%
a 2% de peso corporal por semana. Se for esperado que uma comorbidade melhore
com a perda de peso, verificar se está correta e oferecer um reforço positivo. Se um cão
com sobrepeso e artrite está mais ativo depois de alguma perda de peso inicial,
parabenize o proprietário e lembre-o de que isso é devido à perda de peso.
VerManejo nutricional do sobrepeso/obesidade nos cães na página 35. 
34
35
Manejo nutricional do sobrepeso/obesidade nos cães
O paciente tem uma pontuação do escore de condição corporal (ECC) > 5 dos 9 pontos?
Não.
Registrar o ECC e pedir ao proprietário que 
a mantenha. Verificar novamente o ECC na
próxima consulta.
Sim.
Falar sobre o impacto do sobrepeso/obesidade sobre a saúde.
Marcar uma consulta para perda de peso e descartar doenças subjacentes.
Consulta para a perda de peso.
Pesar de novo e fazer uma nova pontuação. Confirmar que não
existe(m) doença(s) subjacente(s).
Existem registros dietéticos precisos e completos disponíveis? 
Sim. Calcule a ingestão calórica atual. O paciente
manteve o peso de forma estável durante pelo menos
um mês com a alimentação atual?
Sim. Alimentar com 80% da ingestão calórica atual.
Criar um plano para perder peso.
Escolher alimentos e petiscos. Decidir sobre a taxa 
de perda de peso desejado. Marcar consulta para 
a próxima pesagem.
Acompanhamento do caso. Se tiver novo plano, 
entre em contato 3-5 dias após do início para verificar
como funciona.
Pesagem. O paciente está perdendo peso na taxa
desejada? (Ou, se o objetivo for a estabilidade, 
este é estável?)
Sim. Se não atingiu o objetivo do ECC, continuar com o
plano e o nível atual de restrição.
OU
Se alcançou o objetivo do ECC, suspender e alimentar
com uma quantidade para manter ECC.
Não marcou a consulta para a perda de peso ou 
não compareceu. Ligar e tentar marcar uma nova
consulta.Se continuar indiferente, verificar a ECC
na próxima consulta.
Não. Tentar conseguir os antecedentes dietéticos, se
não for possível, definir a quantidade inicial de restrição
calórica com base no peso atual.
Para cães: kcal/dia = 70 x (PC em kg) 0,75
OUOU
Não. Alimentar com 80% do consumo da ingestão
atual ou com base no peso atual com o objetivo da
estabilidade no peso após a perda de peso (a não
ser que já esteja perdendo peso)
Não. Perdeu peso muito rápido:
Verifique se há doença(s) subjacente(s).
Se estiver saudável, aumentar o volume do alimento 10-20%. 
Perdeu peso lentamente ou aumentou:
Verifique se há doença(s) subjacente(s) e a conformidade. 
Se está saudável ecumpriu, diminuir o volume
do alimento 10-20%.
Agendar consulta para a próxima pesagem.
Rebecca Remillard, PhD, DVM, DACVN
Definição 
A obesidadeé definida qualitativamente como um excesso de gordura corporal suficiente
para contribuir para a doença. Gatos com excesso de peso (pontuação de escore de
condição corporal [ECC] 6 ou 7/9) têm 25% e 30% de gordura corporal,
respectivamente. Os gatosobesos (ECC 8/9) têm 35% de gordura, enquanto os gatos
obesos mórbidos (ECC 9/9) têm 40% ou mais de gordura (ver Apêndice I para mais
informações sobre a pontuação do escore de condição corporal).
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
O peso corporal, os antecedentes do peso corporal (Apêndice II) e o ECC estimam o
grau de excesso de gordura corporal. A pontuação do escore de condição corporal é
realizada visualmente e pela palpação. Os exames de sangue e urina de rotina são
realizados para descartar doenças concomitantes e suas causas.
Fisiopatologia
Na ausência de uma doença endócrina ou metabólica, a obesidade em animais de
estimação é uma doença iatrogênica, pois a ingestão diária de energia para manutenção
excede o gasto energético diário. As necessidades de energia para manutenção (NEM)
da maioria dos gatos castrados que vivem na casa são aproximadamente NEM = 85 x
(PC em kg) elevado (ver Apêndice III). No caso dos gatos com sobrepeso ou obesos,
os antecedentes da ingestão diária de alimentos mostram um excesso crônico de calorias. 
Predisposição
A maioria dos gatos com sobrepeso ou obesos se encontra entre 2 e 15 anos de idade,
com uma maior prevalência entre 5 e 10 anos, castrados e alojados principalmente den-
tro de casa. Gatos de raças mistas são mais propensos a ter excesso de peso ou a ser obe-
sos do que gatos de raça pura.
Modificações nos nutrientes essenciais
A mudança necessária nos nutrientes consiste em uma redução de calorias, sem restringir
os demais nutrientes não energéticos, a menos que seja necessário para satisfazer as
comorbidades. Uma grande variedade de alimentos coadjuvantes tem sido usada nos
últimos 20 anos para o tratamento da obesidade em gatos. Tradicionalmente, os
métodos de gestão do peso incluem o uso de alimentos de baixo teor em gorduras e
ricos em fibras para reduzir a ingestão calórica e o peso corporal, mantendo a saciedade.
Há grande variação no teor de fibras (solúveis e insolúveis) entre os alimentos para perder
peso em gatos. Um maior teor de proteínas na dieta parece promover a perda de peso e
reduzir a perda de massa corporal magra durante a perda de peso em gatos. Os alimentos
com adição de L-carnitina podem colaborar com a perda de gordura, dependendo do
nível de proteínas na dieta. Novos conceitos na perda de peso em gatos incluem o uso
de alimentos ricos em proteínas e pobres em carboidratos.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Princípios da alimentação coadjuvantes
Embora seja a restrição calórica a que provoca perda de peso, é importante evitar
a restrição excessiva de nutrientes essenciais. Por isso, deve-se considerar um
produto com baixo teor calórico com maior relação nutriente/caloria. Também
é importante promover a perda de peso, minimizando a perda de tecido magro,
que é influenciada pela composição da dieta. A maioria dos alimentos disponíveis
contém de 40% a 50% de calorias provenientes de proteínas e de 25% a 40% de
calorias provenientes de gorduras.
Os métodos tradicionais de gestão de peso têm utilizado alimentos pobres em gorduras
e ricos em fibras para reduzir a ingestão calórica e o peso corporal, tentando manter a
saciedade. No entanto, têm sido usados com sucesso vários perfis nutricionais diferentes
para a perda de peso em gatos: 1) alimentos em partículas com baixo teor de gorduras
e fibras; 2) alimentos em partículas e enlatados com baixo teor de gorduras e ricos em
fibras; 3) alimentos em partículas e enlatados com elevado teor de gorduras, baixo teor
de carboidratos e moderado teor de fibras; e 4) alimentos em partículas ricos em
proteínas, baixo teor de gorduras e moderados conteúdos de fibras. Todas as estratégias
de dietas demonstraram reduções significativas no peso e gordura corporal, com perda
insignificante de massa corporal magra quando fornecidas para gatos obesos. 
Os gatos com excesso de peso devem fazer a transição para alimentos para perder peso
durante um período de 5-10 dias. Se possível, deve-se dar ao gato uma refeição alimentar
dividida em várias (3-6) porções por dia. Fornecer refeições longe de outros animais de
estimação e de pessoas na casa é fundamental para o sucesso do programa de perda de
peso. Pesar o gato mensalmente e comparar com o peso corporal ideal estimado.
nPetiscos –A maioria dos proprietários valoriza uma porção de petiscos de 20 a 25
kcal por dia. Os petiscos deverão ser limitados a opções baixas em calorias, como
legumes e frutas, que inicialmente podem ser rejeitados pelo gato até que comece a
perder de peso. Podem ser usados como petiscos entre as refeições partículas de iguais
ou diferentes alimentos para perda de peso em gatos ou alimento para a saúde
dentária dos gatos. Todos os petiscos oferecidos devem ser contabilizados como
parte de sua ingestão calórica diária e a quantidade de alimento por dia deve ser
reduzida, consequentemente.
nDicas para aumentar a palatabilidade –Raramente os gatos não comerão a porção
total do alimento para perder peso se a restrição calórica estiver em ordem. Se houver uma
rejeição da dieta para perder peso, deve-se considerar a mudança da forma da dieta
(partícula seca vs. enlatado) em uma forma que o gato prefira. Os gatos sentem
preferência por textura e consistência dos alimentos. Deve-se também considerar a
utilização de um alimento com elevado teor de proteínas e baixo teor calórico para a
perda de peso, dado que os gatos possuem receptores específicos para o sabor das
proteínas de origem animal.
nRecomendações para a dieta – A perda de peso começa quando os gatos são
alimentados com 50% a 75% de calorias NEM do peso ideal por dia, utilizando uma
das muitas dietas coadjuvantes para a perda de peso em gatos. A taxa estimada de
perda de peso é de cerca de 1% por semana. A perda de peso constante pode exigir uma
alimentação de 200 kcal por dia ou menos, à medida que o gato se aproxime de seu
peso corporal ideal. Deve-se medir o alimento e é interessante manter um diário
alimentar dia a dia.
Pontos para a educação do proprietário
• Os proprietários de gatos têm indicado que a comida de gato é um fator positivo
importante na sua relação com o animal de estimação, embora a maioria não tenha
notado seu gato com sobrepeso. O proprietário deve ser capaz e estar disposto a
controlar a ingestão de calorias para o programa de perda de peso ter sucesso. Uma
opção é usar um alimentador automático. Há muitas opções disponíveis; assim,
outra chave para o sucesso é um projeto flexível, com acompanhamento regular 
ao proprietário.
• Programas bem-sucedidos para o tratamento da obesidade, incluem mudanças
na dieta, mensurações das porçoes de alimento (idealmente usar uma balança que 
indique gramas), e os controles mensais de peso corporal por uma equipe de médicos 
veterinários para os cuidados de saúde. A perda de peso é um processo lento e 
constante que pode levar entre 6 e 12 meses para atingir o peso desejado.
Sobrepeso/Obesidade - Gatos
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Proteína 40–60 10–18 26 6.5
Gordura 8–20 2.5–5.0 9 2.3
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como
percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia
metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais deverão ser incrementados de forma
relativa ao conteúdo energético da dieta para cumprir com as necessidades normais, de
acordo com a restrição de calorias.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela AssociaçãoAmericana de controle de Alimentos (AAFCO)
36
• Em gatos, o efeito sanfona no peso ocorre após a perda de peso rápida e quando se
permite o livre acesso ao alimento denso em energia depois da redução de peso. Na
maioria dos casos, é recomendada a dieta utilizada durante a perda de peso para a
manutenção a longo prazo do peso desejado. A única diferença é que, para a
manutenção do peso, uma maior quantidade de alimento por dia é utilizada.
Comorbidades comuns 
Uma pesquisa recente sugere a existência de um mecanismo para a ligação entre o
excesso de peso corporal e muitas doenças. Hoje a obesidade é vista como um estado
pró-inflamatório crônico que produz fatores geradores de estresse oxidativo.
Aparentemente, o tecido adiposo, anteriormente considerado fisiologicamente
inerte, é um ativo produtor de hormônios como a leptina e a resistina, e numerosas
citocinas. Um tema de maior interesse são as citocinas pró-inflamatórias do tecido
adiposo (adiponectinas), o fator de necrose tumoral α (TNF-α, em inglês) e as
interleucinas 1β e 6. 
Comorbidades comuns em gatos com sobrepeso e obesidade incluem diabetes
(resistência à insulina e intolerância à glicose) diretamente associada ao grau de
adiposidade e de mediadores inflamatórios circulantes; a osteoartrite, a doença do trato
urinário inferior em gatos, doenças cardiovasculares e pancreatite devida à inflamação
crônica de grau baixo e ao estresse oxidativo; lesões ortopédicas (distensão do ligamento
cruzado) devida ao excesso de peso; hiperlipidemias e lipidose hepática causada por
distúrbios no metabolismo lipídico; e dermatite não alérgica devida à incapacidade de
limpar-se corretamente.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
A lipidose hepática é rara em gatos saudáveis alimentados com menos calorias para
perda de peso, desde que o gato coma toda a porção diária. Se o gato se recusa a
comer a dieta para perder peso durante vários dias, a possibilidade de uma lipidose
hepática cresce. Gatos diabéticos que tomam insulina devem ser monitorados com
cuidado, já que as necessidades de insulina diminuem à medida que a sensibilidade
à insulina retorna. Os gatos que receberam qualquer medicação baseada no peso
corporal devem ser cuidadosamente controlados para modificar a dose na medida
que ocorre a perda de peso.
Controle
O peso corporal ideal pode ser determinado mais facilmente ao registrar-se o peso
corporal e a ECC. Sugere-se a realização de exames físicos e verificações de peso medido
mensalmente, enquanto se conversa sobre o regime alimentar diário e quantidades do
alimento. São essenciais as mudanças de comportamento na alimentação do o gato.
Deve-se levantar os problemas logísticos da alimentação dentro da casa (casa com vários
gatos, hospitalizado, membros da família, visitantes, etc.). O alimento deve ser mudado
e modificar a ingestão de calorias conforme a necessidade para resolver os problemas e
garantir a perda de peso constante. Deve-se encorajar os proprietários a desenvolver
atividades que fortaleçam o vínculo que não estão relacionadas à alimentação, a fim de
reduzir a ingestão de calorias e aumentar o gasto energético.
37
Manejo nutricional do sobrepeso / obesidade nos gatos (ECC >5/9)
SIM NÃO
Estimar a ingestão diária de calorias, determinar a ECC e os produtos alimentícios que utiliza atualmente
ECC 6 ou superior, comendo alimento comercial com o nível 
maior de kcal do que NEM por dia*
Tratar a doença subjacente
ECC 6 ou superior, comendo um alimento coadjuvante para a
perda de peso com o nível de 0 ou mais kcal do NEM* por dia. 
Trocar o alimento para uma dieta coadjuvante para perda de
peso, fazendo a transição, por 10 dias alimentando ao 
nível de NEM e controlar novamente em 2 semanas
Prescrever 75% das kcal do NEM por dia do mesmo alimento 
e controlar novamente em duas semanas
Realizar testes para doenças endócrinas e metabólicas que causam ganho de peso
Perda de peso suficiente? 
SIM NÃO
Reduzir 25kcal da alimentação diária e
controlar o peso uma vez por mês
Continuar alimentando com as mesmas
kcal por dia e controlar o peso uma vez
por mês 
*NEM = 85 ¥ (BW kg)0.75
Dietas com elevado teor de umidade podem ser úteis para esta doença: alimentos
enlatados contêm cerca de ≥ 75% de água, em oposição aos alimentos secos que
proporcionam ~ 10% de água.
Princípios da alimentação coadjuvante
O estado de hidratação deve ser corrigido antes de se iniciar um tratamento dietético.
Se o paciente está sujeito à desidratação, recomenda-se alimentá-lo com uma dieta
úmida ou adicionar água à ração seca (duas a três partes de água para uma parte de
ração seca). O ideal para o tratamento de constipação em cães é uma dieta que
proporcione uma combinação de fontes de fibras solúveis e insolúveis. As fibras solúveis
aumentam a umidade das fezes, enquanto que as fibras insolúveis proporcionam maior
volume de fezes e estimulam a motilidade. Visto que a maioria dos alimentos para
animais não relata os níveis de fibras solúveis e insolúveis, pode-se avaliar a lista de
ingredientes para uma melhor compreensão das formas de fibras na dieta. Os exemplos
de fibras solúveis são: polpa de cítricos e outras frutas (fornecem pectinas), gomas (tais
como goma de guar) e oligossacarídeos (tais como carragenas); as fibras insolúveis
incluem a celulose, os farelos (como arroz e trigo), a fibra de aveia e as cascas de
amendoim; e as fibras mistas incluem a polpa de beterraba, a fibra de soja, a fibra de
ervilha, e o Psyllium. Se não conseguir fazer a transição do paciente a uma dieta rica em
fibras, pode-se adicionar um suplemento de fibras à sua dieta atual.
• O Psyllium é um suplemento de fibras mistas fácil de se agregar na dieta em 
quantidades de 1-3 colheres de sopa por dia.
• Se for necessária uma fonte de fibras solúveis, pode-se adicionar Benefiber
(goma guar) à dieta em quantidades de 2-4 colheres de chá por dia.
• Se for necessária uma fonte de fibras insolúveis, pode-se adicionar farelo de trigo
moído grosso à dieta em quantidades de 1 a 3 colheres de sopa por dia.
A quantidade de suplementação necessária para corrigir a constipação varia conforme
cada paciente; portanto, é geralmente recomendado começar com o valor mais baixo
da escala de doses e ajustá-lo até conseguir o efeito. Alterações da dose de fibra devem
ser feitas a cada 5-7 dias conforme necessário para alcançar o efeito desejado.
nPetiscos –As frutas e os vegetais são boas fontes de fibras solúveis e insolúveis, e
geralmente têm um alto teor de umidade.
• 1 mini cenoura média = 3 kcal, 180 mg de fibras totais na dieta (60 g/1000
kcal), 90% umidade.
• 1/4 xícara de maçã com casca cortada/picada = 16 kcal, 750 mg de fibras totais
na dieta (47 g/1000 kcal), 96% de umidade.
Farelo de cereais e grãos integrais também são boas fontes de fibras insolúveis.
• 1/4 xícara de cereais como Mini-Wheats = 48 kcal, 1,66 g de fibras totais na dieta
(33,3 g/1000 kcal).
Cuidados devem ser tomados para garantir que os petiscos não balanceados estejam
limitados a ≤ 10% do total de calorias diárias.
• Se forem alimentados com uma dieta rica em fibras, adicionar petiscos ricos
em fibras pode ser contraindicado. Alguns suplementos de fibra para uso humano 
podem ser adoçados, sendo necessário evitar os produtos adoçados com xylitol.
Sally Perea, DVM, MS, DACVN
Definição 
A constipação é caracterizada pela ausência, pouca frequência ou dificuldade de
defecação associada à retenção de fezes no cólon e no reto. A constipação grave
pode evoluir para um fecaloma quando as fezes se tornam excessivamente duras e
incrustadas dentro do cólon. Megacólon refere-se à dilatação e hipomotilidade do
cólon, mas é raro ser observado em cães.1
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
O diagnóstico de constipação é normalmente realizado na anamnese e exame físico.
Sinais clínicos podem incluir tenesmo, anorexia, vômitos, perda de peso, letargia e
pelagem quebradiça. A apalpação retal e abdominal provavelmente revelará fezes
sólidas no interior do reto e cólon. Você pode usarradiografias abdominais para melhor
definir a extensão da constipação e descartar corpos estranhos, aumento da próstata e
ferimentos pélvicos ou de coluna que podem contribuir para a constipação. A análise
química de tiroxina sérica (T4), exames de sangue e de urina também são indicados para
descartar alterações metabólicas subjacentes.
Fisiopatologia
A constipação pode ocorrer com qualquer doença que prejudique o movimento das
fezes através do cólon. Quando as fezes são mantidas dentro do cólon por um período
prolongado de tempo, a água continua a ser absorvida, produzindo fezes cada vez mais
duras e secas. A constipação pode ser causada de forma secundária à obstrução
retocolônica (como a hipertrofia prostática, fratura pélvica, tumor, divertículos), à
defecação com dor (lesões anais, transtornos ortopédicos), fatores ambientais
(cativeiros/hospitalização, inatividade), a medicamentos (opioides, diuréticos, etc.),
disfunção neuromuscular, anormalidades em líquidos e eletrólitos, ingestão de materiais
estranhos ou ingestão inadequada de água.
Predisposição
A constipação pode ocorrer em cães de qualquer idade, e ocorre tanto em machos
como em fêmeas de todas as raças. A predisposição pode ajudar a limitar o diagnóstico
diferencial. Por exemplo, é mais comum observar neoplasias nos animais de idade
avançada e a hipertrofia prostática é observado apenas nos machos.
Modificações nos nutrientes essenciais
Aumentar o conteúdo de fibra dietética e de umidade na dieta é a modificação essencial
nos nutrientes que se pode realizar para neutralizar a constipação em cães. Antes de
iniciar uma dieta rica em fibras ou suplementação de fibra deve-se descartar uma
obstrução parcial ou completa do cólon. As fibras são classificadas em solúveis e
insolúveis. As fibras solúveis têm a capacidade de retenção de água, o que ajuda a
aumentar o teor de umidade das fezes secas e normaliza o tempo de trânsito
gastrointestinal. Algumas fibras solúveis são fermentáveis e auxiliam o crescimento
normal da microbiota gastrointestinal e a produção de ácido graxo de cadeia curta que
subministram energia aos colonócitos e estimulam as contrações do músculo liso
longitudinal do colon.² As fibras insolúveis têm pouca capacidade de retenção de água
e as bactérias gastrointestinais não as degradam facilmente. As fibras insolúveis dão
maior volume às fezes e podem ajudar a estimular a motilidade do cólon.3
Os cães com constipação podem estar desidratados; portanto, aumentar a umidade na
dieta pode ajudar a manter a hidratação adequada e suavizar fezes secas.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Constipação - Cães
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Fibra Bruta# 7–15 2–8 n/d n/d
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados da doença. A composição recomendada da dieta se mostra como
percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia
metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais,
de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação
Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
## A análise de fibra bruta inclui a maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras
solúveis. Dessa forma, a fibra bruta tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra total
de alimentos é avaliada. Deve-se avaliar a lista de ingredientes para conhecer as fontes de
fibras solúveis.
38
nDicas para aumentar a palatabilidade
• Aquecer ligeiramente o alimento para melhorar o sabor e a textura.
• Adicionar caldo de frango ou de carne com baixo teor de sódio ao alimento
para aumentar a umidade e a palatabilidade (limitado a ≤ 10% do total de calorias
diárias e evitar caldos feitos com cebola ou alho).
• Adicionar água na alimentação para aumentar o seu teor de umidade, iniciar
a adição de uma pequena quantidade e em seguida aumentar lentamente ao longo
de 1 a 2 semanas para permitir que o paciente se acostume com a mudança em
umidade e textura da dieta.
n Recomendações para a dieta – Recomendam-se alimentos que forneçam
moderado a elevado teor de fibra na dieta com fontes de fibras mistas (solúveis e
insolúveis). Alimentos coadjuvantes concebidos para diabetes mellitus, colite e
perda de peso geralmente oferecem níveis mais altos de fibra na dieta. Em geral, os
alimentos para perda de peso oferecem maiores proporções de fibras insolúveis a
partir de uma fonte. Os alimentos enlatados e/ou os com adição de água são
recomendados para pacientes propensos à desidratação.
Pontos para a educação do proprietário
• A hidratação adequada é a chave para o tratamento da constipação. Em todos
os momentos deve ser permitido o acesso livre à água potável. A ingestão de água
também pode ser melhorada através do fornecimento de alimentos enlatados ou a
adição de duas a três partes de água para uma parte de alimentos secos.
• Confinamento ou falta de atividade pode contribuir para a constipação.
• Implementar uma rotina regular de exercícios ou um programa de caminhadas.
• Alimentar com uma dieta mais rica em fibras ou adicionar um suplemento de
fibra irá causar aumento no volume de fezes e frequência da defecação.
• A transição para uma dieta mais rica em fibras ou a adição de um suplemento de
fibra deve ser feita lentamente durante um período de 4 a 5 dias.
• O nível requerido de suplementação com fibras varia de acordo com o 
animal de estimação, portanto, pode ser necessária a modificação para alcançar 
a resposta desejada.
39
Manejo nutricional da constipação nos cães
Tratar a doença subjacente Tratar a desidratação 
Aumento na dieta de quantidade
de fibras solúveis e insolúveis
e/ou umidade
Enema e/ou remoção
manual das fezes
Exame físico, radiografias abdominais, análises químicas do soro, T4, exames de sangue completo e de urina
Identificação da doença subjacente Presença de desidratação Nenhuma doença subjacente identificada
Grande massa de matéria fecal no cólon
Sim Não
Resolução Recorrência 
Implementar tratamento pro-motilidade e/ou com laxantes por via oral 
Comorbidades comuns
Comorbidades comuns são fatores normalmente predisponentes para a constipação.
As doenças que causam dor na defecação (tais como doenças ortopédicas e anorretais),
obstrução retocolônica (como fratura pélvica ou neoplasia), ou disfunção
neuromuscular (tais como doenças da medula espinhal ou da região lombo-sacra ou
disautonomia) são comumente observadas com a constipação. No caso de obstrução
retro colônica ou obstrução parcial, associadas a uma doença, é contra-indicada a
alimentação com uma dieta rica em fibras para gerar maior volume de fezes. Nestes
casos, é adequada uma alimentação altamente digestível para reduzir a massa de fezes.
Quando a constipação é observada com anormalidades nos fluidos e eletrólitos (como
hipocalemia ou hipercalcemia), corrigir o estado de hidratação e o desequilíbrio
eletrolítico deve ser a prioridade do plano de tratamento.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
O tratamento medicamentoso deve procurar eliminar ou controlar qualquer doença
subjacente que for identificada. Se houver presença de uma grande massa de fezes,
pode-se necessitar tratamento com enema e/ou a remoção manual. Se for identificada
desidratação ou anormalidades nos eletrólitos, indica-se o tratamento de líquidos
adequados.
Se o tratamento com dieta por si só não for eficaz na prevenção da recorrência de
constipação, laxantes podem ser implementados por via oral. Geralmente, um laxante
emoliente suave tal como docusato de sódio, ou um laxativo osmótico, tal como a
lactulose para ajudar a amolecer as fezes é recomendado. Também pode ser benéfico
o tratamento com cisaprida, em cães com menor motilidade colônica.
Controle
A resposta ao tratamento poderá ser controlada pelo proprietário mediante ao registro
diário da defecação e característicasdas fezes. O sucesso do tratamento é caracterizado
pelo retorno de evacuações diárias, falta de esforço ou dor ao evacuar e uma consistência
normal das fezes.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
As dietas com alto teor de umidade podem ser úteis para esta doença: os alimentos
enlatados contêm ≥ 75% de água, em contraposição com os alimentos secos que
fornecem ~ 10% de água.
Princípios da alimentação coadjuvante
O estado de hidratação deve ser corrigido antes de iniciar um tratamento alimentar. Se
o paciente está sujeito à desidratação, recomenda-se a alimentação úmida ou a adição
de água ao alimento seco (duas a três partes de água para uma parte de ração seca). O
ideal para o tratamento de constipação em gatos, sem megacólon, é uma dieta que
proporcione uma combinação de fontes de fibras solúveis e insolúveis. As fibras solúveis
aumentam a umidade das fezes, enquanto que as fibras insolúveis proporcionam um
maior volume de fezes e estimulam a motilidade. Os gatos com megacólon devem ser
alimentados com uma dieta altamente digestível com baixo teor de fibras para ajudar
a reduzir a massa fecal. Visto que a maioria dos alimentos para animais não informam
em seus rótulos os níveis de fibras solúveis e insolúveis, pode-se avaliar a lista dos
ingredientes para uma melhor compreensão das formas de fibras da dieta. Os exemplos
de fibras solúveis são: polpa de cítricos e outras frutas (fornecem pectina), gomas (tais
como a goma guar), e oligossacarídeos (tais como as carragenas). As fibras insolúveis
incluem celulose, farelo (por exemplo, arroz e trigo), fibra de aveia e casca de amendoim.
As fibras mistas incluem polpa de beterraba, fibra de soja, fibra de ervilha, e Psyllium.
Se não puder fazer a transição do paciente para uma dieta rica em fibras, pode-se
adicionar um suplemento de fibras à sua dieta atual.
• O Psyllium é um suplemento de fibras mistas de facil acesso, que pode 
ser adicionado à dieta em quantidades de 1-4 colheres de chá por dia.
• Se for necessária uma fonte de fibra solúvel, você pode adicionar um alimento a base 
de goma guar à dieta em quantidades ½ - 2 colheres de chá por dia.
• Se for necessária uma fonte de fibra insolúvel, você pode adicionar o farelo de trigo
moído grosso à dieta em quantidades de 1 - 4 colheres de chá por dia.
A quantidade de suplementação necessária para corrigir a constipação varia conforme
o paciente, portanto, para começar, geralmente é recomendado um valor mais baixo
da escala de doses e deve-se ajustá-la até alcançar o seu efeito. As modificações da dose
de fibras devem ser feitas a cada 5 a 7 dias conforme for necessário, até alcançar o efeito
desejado. Alguns suplementos de fibras são adoçados com frutose ou sacarose. Visto
que os gatos não metabolizam muito bem a frutose, deve-se evitar as formulações que
contenham essas substâncias. Os suplementos com xilitol também devem ser evitados.
nPetiscos–Geralmente é recomendada a abóbora para suplementação de fibras em
gatos. A quantidade de fibra fornecida pela abóbora enlatada (0,4 g / colher de sopa)
é pequena em comparação com os níveis fornecidos por suplementos de fibras, tais
como o psyllium (9 g / colher de sopa). Portanto, a abóbora por si só não pode fornecer
a quantidade de fibra necessária para observar uma resposta clínica, mas pode servir
como um bom tratamento suplementar
■ Certifique-se que os proprietários escolham abóbora enlatada e não o recheio da torta
de abóbora.
Sally Perea, DVM, MS, DACVN
Definição
A constipação é caracterizada pela ausência, pouca frequência ou dificuldade na
defecação associadas à retenção das fezes dentro do cólon e do reto. A constipação
pode evoluir para o fecaloma quando as fezes se tornam excessivamente duras e
incrustadas dentro do cólon. O megacólon refere-se à dilatação e à hipomotilidade do
cólon, e é normalmente observado com uma constipação severa; além disso, pode
incluir anormalidades neurológicas no músculo liso do cólon.1
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
O diagnóstico de constipação é normalmente realizado durante a anamnese e exame
físico. Os sinais clínicos podem incluir tenesmos, anorexia, vômitos, perda de peso,
letargia e pelagem quebradiça. A apalpação retal e abdominal provavelmente revelará
fezes sólidas no interior do reto e cólon. Pode-se usar radiografias abdominais para
melhor definir a extensão da constipação e descartar o megacólon, corpos estranhos,
e ferimentos pélvicos ou da coluna que possam estar contribuindo para a constipação.
A análise química de tiroxina sérica (T4), exames de sangue e urina também são
indicados para descartar alterações metabólicas subjacentes.
Fisiopatologia
A constipação pode ocorrer com qualquer doença que prejudique o movimento das
fezes através do cólon. Quando as fezes são mantidas dentro do cólon por um período
prolongado de tempo, a água continua sendo absorvida, produzindo uma matéria
fecal cada vez mais dura e mais seca. A constipação pode ocorrer de maneira secundaria
devido à obstrução reto colônica (tais como a fratura pélvica, neoplasia, divertículos),
à defecação com dor (lesões anais, transtornos ortopédicos), fatores ambientais (caixa
de areia suja, inatividade), a medicamentos (opióides, diuréticos, etc.), à disfunção
neuromuscular, a anormalidades em líquidos e eletrólitos, à ingestão de pelos ou
materiais estranhos ou à ingestão inadequada de água.
Predisposição
A constipação pode ocorrer em qualquer idade, e não foram documentadas predileções
por raça ou sexo. No entanto, tem sido documentado megacólon com mais frequência
em gatos machos de meia idade, sendo mais comumente afetados os gatos domésticos
de pelo curto, os gatos domésticos de pelo comprido e os Siameses.1
Modificações nos nutrientes essenciais
Aumentar o teor de fibra e umidade na dieta é fundamental. Esta mudança fará com
que se combata os casos de constipação leve a moderada nos gatos. Para gatos com
megacólon, recomenda-se uma alimentação altamente digestível para reduzir a massa
fecal. Antes de iniciar uma dieta rica em fibras ou com suplementação de fibras, deve-
se descartar o megacólon e o bloqueio parcial ou total do cólon.As fibras são classificadas
em solúveis e insolúveis. As fibras solúveis têm a capacidade de retenção de água, o que
ajuda a aumentar o teor de umidade das fezes secas e normaliza o tempo do trânsito
gastrointestinal. Algumas fibras solúveis são fermentáveis e auxiliam no crescimento
normal da microbiota gastrointestinal e na produção de ácidos graxos de cadeia curta
que proporcionam energia aos colonócitos e estimulam as contrações do músculo liso
longitudinal do cólon.2 As fibras insolúveis têm pouca capacidade de reter a água e as
bactérias gastrointestinais não as degradam facilmente. A fibra insolúvel adiciona maior
volume às fezes o que pode ajudar a estimular a motilidade do cólon.3, 4 Muitos gatos
com constipação podem estar desidratados; portanto, aumentar a umidade na dieta
pode ajudar a manter a hidratação adequada e a amolecer a matéria fecal.
Constipação - Gatos
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Fibra Bruta# 5–8 1.3–5.5 n/d n/d
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada
como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como gr. ou mg. por 100 kcal de
energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos
requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
*Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
#A análise de fibra bruta inclui a maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras
solúveis. Dessa forma, a fibra bruta tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra
total dos alimentos é avaliada. Deve-se avaliar a lista de ingredientes para conhecer as
fontes de fibras solúveis.
40
• Cuidadosdevem ser tomados para garantir que os petiscos não balanceados
estejam limitados a ≤ 10% do total de calorias diárias.
• Uma colher de sopa de abóbora enlatada fornece 5 kcal.
nDicas para aumentar a palatabilidade –
• Aquecer ligeiramente o alimento para melhorar o sabor e a textura.
• Adicione caldo de frango ou de carne com baixo teor de sódio ao alimento para
aumentar a palatabilidade e a umidade (limitado a ≤ 10% do total de calorias diárias
e evitar caldos feitos com cebola ou alho).
• Se for agregada água ao alimento para aumentar o seu teor de umidade, iniciar a
adição de uma pequena quantidade e em seguida ir aumentando lentamente ao
longo de 1 a 2 semanas para permitir que o paciente se acostume com a mudança
de umidade e de textura da dieta.
nRecomendações para a dieta– São recomendados alimentos enlatados e/ou a
adição de água no alimento seco. O alimento deve fornecer um conteúdo moderado
de fibras com fontes mistas, solúveis e insolúveis. Os alimentos coadjuvantes concebidos
para a diabetes mellitus e para a perda de peso podem fornecer níveis mais altos de
fibras. Em geral, os alimentos voltados para a perda de peso oferecem maiores
proporções de fibras provenientes de uma fonte insolúveis. Se houver a presença de
megacólon, é recomendada uma dieta de alta digestibilidade com baixo conteúdo de
fibras, tais como as dietas concebidas para as doenças gastrointestinais.
Pontos para a educação do proprietário
• A hidratação adequada é a chave para o tratamento da constipação. Em todos os
momentos deve-se permitir o acesso livre à água potável. A ingestão de água também
pode ser melhorada através da administração de alimentos enlatados ou pela adição
de duas a três partes de água para uma parte da ração seca.
• Muitos gatos evitam o uso de caixas de areia sujas, que podem contribuir para a
constipação. Dessa forma, a limpeza diária da caixa (com profunda limpeza e 
substituição semanal da areia) é importante no tratamento da constipação.
• A transição para uma dieta mais rica em fibras ou a adição de um suplemento de fibra
deve ser feita lentamente durante um período de 4 a 5 dias.
• O nível requerido de suplementação com fibras varia de acordo com o animal de
estimação, portanto, pode ser necessário fazer modificações para alcançar a 
resposta desejada.
41
Manejo nutricional da constipação nos gatos
Exame físico, radiografias abdominais, análises químicas do soro T4, exames de sangue completo e urina
Identificação da doença 
subjacente
Constipação ou megacolon
Tratar a doença subjacente 
Presença de
desidratação
Tratar a desidratação 
Enema e ou remoção
manual de fezes
Constipação leve a moderada sem
doença subjacente identificada
Grande massa de matéria fecal no cólon
Sim Não
Aumento da quantidade de fibras
solúveis e insolúveis e / ou umidade
Resolução Recorrência
Implementar tratamento pro-motilidade e ou laxantes orais
Enema e ou remoção manual de fezes
Aumento da quantidade de fibras
solúveis e insolúveis e / ou umidade
Resolução Recorrência
Considere colectomia
Comorbidades comuns
Comorbidades comuns são normalmente fatores de predisposição para a constipação.
Doenças que causam dor na defecação (tais como doenças ortopédicas e anorretais),
obstrução reto colônica (tais como a fratura pélvica ou neoplasia), ou disfunção
neuromuscular (tais como doenças da medula espinhal ou da região lombo-sacra ou
disautonomia*) são comumente observadas com constipação.
No caso de doenças associadas a uma obstrução colônica ou uma obstrução parcial, está
contraindicado alimentar com uma dieta rica em fibras que gere mais volume nas fezes.
Nestes casos, é mais adequada uma alimentação altamente digestível para reduzir a
massa fecal. Quando a constipação é observada com anormalidades nos fluidos e
eletrólitos (como hipocalemia ou hipercalcemia), corrigir o estado de hidratação e o
desequilíbrio eletrolítico deverá ser a prioridade do plano de tratamento.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
O tratamento medicamentoso deve ter como objetivo eliminar ou controlar qualquer
doença subjacente, anteriormente identificada. Se houver presença de uma grande
massa de fezes, pode ser necessário um tratamento com enema e/ou a remoção manual.
Se for identificada desidratação ou anomalia nos eletrólitos, um tratamento com fluidos
adequados será indicado.
Se o tratamento somente com a dieta não for eficaz na prevenção da recorrência de
constipação, laxantes podem ser implementados por via oral. Geralmente, é
recomendado um laxante emoliente suave, tal como o docusato de sódio, ou um
laxativo osmótico, tal como a lactulose, para ajudar a amolecer as fezes. Também pode
ser benéfico um tratamento de pro-motilidade, como cisaprida, em gatos com
megacólon5 ou menor motilidade do cólon. Os casos sem tratamento de megacólon
podem exigir uma colectomia.
Controle
A resposta ao tratamento poderá ser monitorada pelo registo diário dos movimentos
intestinais (defecação) e pelas características das fezes. O sucesso do tratamento é
caracterizado pelo retorno das evacuações diárias, falta de esforço ou de dor ao evacuar
e uma consistência normal das fezes.
* transtorno provocado pela disfunção do Sistema Nervoso Autônomo
Princípios da alimentação coadjuvante
• Os nutrientes devem ser altamente digestíveis (> 90% de digestibilidade) para
minimizar a diarreia osmótica, a fermentação bacteriana de alimentos e a redução
de gases intestinais.
• A fonte de triglicérides de cadeia média (MCT) pode ser uma fonte de gordura 
de fácil digestão e absorção.
• Usar proteínas hidrolisadas de alta qualidade e uma só fonte, se houver
probabilidade de DII ou sensibilidade alimentar.
• A fonte de carboidratos deve ser de alta qualidade, livre de glúten e sem lactose; as
fontes que contribuem com poucas proteínas são benéficas se houver
probabilidade de sensibilidade alimentar.
• A dieta deve conter baixo teor de gordura (menos de 5 g/100 kcal pelo menos, em
cães com linfangiectasia, muitas vezes precisa menos de 3,5 g/100 kcal se existe
EPP, para o sucesso no tratamento dos indicadores).
• Maior quantidade de ácidos graxos Ômega 3, para melhorar o perfil dos
eicosanoides e reduzir a inflamação na mucosa intestinal.
Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM
Definição 
A diarreiaé definida como um aumento no teor de água, frequência ou volume das
fezes. A diarreia do intestino delgado caracteriza-se pelo volume normal ou maior de
líquido ou fezes disformes que pode estar associada com a perda de peso (crônico) ou
vômitos, mas não está necessariamente associada com o esforço durante a defecação
ou maior frequência de evacuação. Se o sangue está presente, este será sangue digerido
(melena). A diarreia do intestino delgado é também caracterizada pelo seu fator de
causa (por exemplo: infecciosa, inflamatória, parasitária, mecânica, dietética,
neoplásica) ou duração (aguda ou crônica).
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
O diagnóstico da diarreia do intestino delgado em gatos começa com uma anamnese
completa, incluindo dieta e histórico de medicação e outros fatores de risco (como o
ambiente, a idade, problemas anteriores), e um exame físico que inclua a avaliação da
hidratação, o estado físico e palpação cuidadosa do abdômen. Se indicado, deverá ser
realizado um exame retal sob sedação. 
A análise de matéria fecal (por exemplo: técnicas de flutuação, citologia, teste
imunoabsorvente ligado às enzimas [ELISA, em inglês]/análise da reação em cadeia
de polimerase [PCR, em inglês]) é especialmente importante em gatos jovens ou que
vivem dentro/fora de casa. Na diarreia aguda, o tratamento sintomático ou de suporte
pode ser suficiente (por exemplo: dieta altamente digestível, probióticos,
vermifugação). Na diarreia crônica (> 2 semanas), pode ser indicado imagens (raio-
X ou ultrassom), provas da função GI (imunorreatividade semelhantes a tripsina
[IST], cobalamina, folato), testes endócrinos (tireoide), testes para detectar vírus
(vírus da leucemia felina [FeLV, em inglês]/vírus da imunodeficiênciafelina [FIV, em
inglês]), testes para infecções específicas (por exemplo: fungos) ou
endoscopia/cirurgia com biópsia.
Fisiopatologia
Por definição, a diarreia de intestino delgado surge de doenças que afetam o orgão;
no entanto, a diarreia do intestino delgado pode ocorrer em gatos que apresentam
uma grande variedade de causas geradoras, incluindo infecções bacterianas ou virais,
infecções causadas por parasitas ou protozoários (Giárdia, coccídeos, cryptosporidium,
tritrichomonas ou outros parasitas), disfunção mecânica (corpos estranhos ou
intussuscepção), endocrinopatias (hipertireoidismo), doenças infiltrativas (doença
inflamatória intestinal, infecções fúngicas ou câncer, como o linfoma), má digestão de
nutrientes (insuficiência pancreática exócrina [IPE]) ou sensibilidades da dieta (alergia
alimentar, intolerância alimentar).
Predisposição
A diarreia aguda é mais comum em cães jovens devido ao seu maior risco para
indisposições alimentares, infecções parasitárias ou virais, tais como parvovirose. A
diarreia crônica é mais comum em cães de meia idade ou idosos e pode ocorrer devido
a uma variedade de causas nutricionais, endócrinas, inflamatórias ou neoplásicas. Os
cães da raça Pastor Alemão têm uma maior incidência de diarreia ou enterite causada
por IPE ou enterites responsivas a antibióticos (tambem chamado de enterite
responsiva a tilosina).
Modificações nos nutrientes essenciais
Os nutrientes mais importantes de vital interesse em cães com diarreia são:
carboidratos e gorduras. O objetivo é o de aumentar a digestão e absorção de ambos
os nutrientes para evitar que a diarreia piore devido a uma ruptura na microbiota ou
aos efeitos osmóticos da má digestão. Gorduras não digeridas são também uma
importante causa de diarreia por esteatorreia. Como resultado, as dietas ideais para a
diarreia devem conter quantidades moderadas de fontes de carboidratos altamente
digestíveis e quantidades entre moderado e baixo teor de gorduras. Os valores mais
baixos de gordura são necessários em cães com linfangiectasia ou outras doenças
severas que causam a enteropatia com perda de proteína (EPP). O arroz branco ou
integral cozido é muitas vezes uma fonte de carboidratos ideal para cães com doença
intestinal porque é altamente digestível e não contém glúten, que pode ser antigênico
em alguns cães. Outras fontes de carboidratos sem glúten são batatas, mandioca e
milho, mas são um pouco menos digestíveis que o arroz, e o milho pode causar
hipersensibilidade em alguns cães.
As proteínas tornam-se um problema de interesse vital para cães quando a diarreia
é causada por uma alergia alimentar ou como um resultado de uma doença que
provoca EPP (por exemplo: doença intestinal inflamatória (DII), severa, doenças
infiltrativas, tais como linfossarcoma, ou linfangectasia). Nestas doenças, os cães não
conseguem digerir ou absorver as proteínas normalmente e, assim, tornam-se
hipoproteinêmicos (especialmente com baixa albumina). Para evitar a desnutrição
proteica e formação de edema, muitas vezes é essencial alimentar com proteínas
hidrolisadas ou altamente digestíveis para o sucesso do tratamento da doença. Em
cães com sensibilidade à dieta, a causa da inflamação intestinal é a alergia às proteínas,
mais do que a quantidade de proteínas. A chave para o sucesso no tratamento de
cães com diarreia causada por alergia alimentar é identificar uma fonte nova de
proteínas (ou uma que seja menos antigênica, tal como uma dieta com proteínas
hidrolisadas) testando com uma dieta corretamente formulada e executada.
Em cães com diarreia do intestino delgado é indicado diminuir a quantidade de fibras
insolúveis, já que este tipo de fibras reduz a digestibilidade dos alimentos e pode
aumentar o risco de má digestão ou de má absorção de nutrientes. Isto acontece
especialmente em cães com EPP ou linfangiectasia onde a digestibilidade da dieta é
particularmente importante para a absorção de nutrientes. As fontes de fibras solúveis
podem ser benéficas em alguns cães, porque são digeridas pela microbiota normal e
podem funcionar como prebióticos para ajudar a manter o ambiente intestinal
saudável. Estudos em cães saudáveis sugerem um aumento da quantidade de bactérias
benéficas ou prebióticos que utilizam fontes de fibras solúveis, mas ainda são
necessários estudos em cães com doença no intestino delgado.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Diarreia do intestino delgado - Cães
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Gordura 5–15 1.4–5 5 1.4
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada
como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de
energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos
requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
42
Manejo nutricional da diarreia do intestino delgado em cães
Se for aguda, ou causada por um problema
na dieta, suspender alimentação durante 18
horas, em seguida, iniciar a alimentação
com pequenas quantidades de uma dieta de
baixa gordura altamente digestível a 
cada 4 a 6 horas.
Uma vez que a diarreia for resolvida,
adicionar aos poucos a dieta habitual à
dieta coadjuvante por 3-5 dias.
Se a diarreia crônica é causada por
doença inflamatória intestinal ou
enteropatia com perda de proteínas,
iniciar uma dieta altamente digestível
com muito baixo teor de gordura
(alguns cães podem precisar de
concentrações de gordura < 3 g/100
kcal). Dietas hidrolisadas podem ser
benéficas em alguns cães com
enteropatia com perda de proteínas.
Se a diarreia crônica é
causada por um linfoma
ou outro câncer intestinal,
pode-se indicar níveis
mais elevados de proteína
e de gordura para rebater
a perda de peso e
melhorar o apetite em
pacientes com câncer.
Se a diarreia crônica foi
causada por alergia
alimentar, iniciar um
teste de eliminação de
alimentos usando uma
dieta contendo uma única
fonte de proteínas novas
ou fonte de proteínas
hidrolisadas.
A diarreia é aguda ou crônica?
Aguda Crônica
Se for crônica, o primeiro passo é diagnosticar a causa base. 
Continuar com a alimentação na diarreia aguda até que o diagnóstico seja realizado.
• As fibras, em uma pequena quantidade de fibras insolúveis e moderada quantidade
de fibras solúveis ou mistas (3 - 7% total) aumentam os ácidos graxos de cadeia
curta e melhoram a microbiota intestinal.
• Suplemento prebiótico para restaurar o equilíbrio da microbiota.
nPetiscos –Em geral, evite os petiscos em cães com doença intestinal até que um
diagnóstico definitivo seja feito. Por exemplo, um teste de eliminação de alimentos será
necessário se existe diarreia devido a sensibilidades alimentares, incluindo petiscos.
Se petiscos são importantes para o dia a dia do cão, podem ser oferecidos baseados na
dieta coadjuvante ou nos princípios acima referidos.
nDicas para aumentar a palatabilidade–Se o cão não comer a dieta sugerida, pode
ser adicionada uma pequena quantidade de caldo de galinha, de baixo teor de sódio.
Em alternativa, pode ser misturada com o alimento uma pequena quantidade do
alimento enlatado para torná-lo mais interessante.
nRecomendações para a dieta – Existem a venda vários produtos de prescrição
veterinária que podem ser usados para este fim; o tema principal é que as dietas devem
ser altamente digestíveis, com menos ou nenhum aditivo ou aromatizante que pode
ser associado com a intolerância alimentar, contendo poucas fontes de fibra insolúvel
e menos quantidades de gordura. Em cães severamente afetados, como cães com
linfangiectasia intestinal grave ou outras doenças que afetam a absorção, podem ser
indicadas dietas contendo fontes baixas de proteína hidrolisada, níveis ultrabaixos de
gordura ou fontes de proteína novas.
Pontos paraa educação do proprietário
• Alimentar só com alimentos recomendados.
• Alimentar com pequenas quantidades de alimentos com maior frequência (três a
quatro vezes por dia), uma vez que grandes quantidades de alimentos aumentam
a carga do TGI e podem contribuir para a diarreia ou vômitos.
• Garantir a abundância de água disponível em todos os momentos. Se o vômito
ocorrer ou o cão parar de comer ou beber, um novo controle com o médico 
veterinário é recomendado para prevenir a desidratação devido à diarreia contínua.
43
Comorbidades comuns
As doenças que comumente ocorrem simultaneamente em cães com diarreia do
intestino delgado são: doença inflamatória intestinal e enteropatia com perda de
proteína, doença inflamatória intestinal e alergia alimentar, e insuficiência pancreática
exócrina e diarreia associada a antibióticos.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Tratamento com esteroides na doença inflamatória intestinal aumentará a sede e o
apetite, e pode causar aumento de peso involuntário ou doença hepática. O
tratamento imunossupressor para a doença inflamatória do intestino ou linfoma pode
causar toxicidade gastrointestinal (sinais clínicos comuns podem ser vômitos ou
diarreia). O tratamento com antibióticos pode afetar a microbiota e causar diarreia
devido a tal interrupção.
Controle
Deverão avaliar a composição da matéria fecal para determinar se o caráter normal das
fezes vai voltar ou se eles estão desenvolvendo novos problemas (por exemplo: melena,
hematoquezia). Também é importante a avaliação clínica para se certificar de que o
cão não está desidratado, continua comendo, e para qualquer novo indicador da
doença (por exemplo: letargia, perda de peso, diminuição do apetite ou vômitos). Se
o cão está perdendo peso ou tornando-se desidratado, deve-se reavaliar tanto o
método de alimentação como o tratamento e deve ser modificado de acordo com as
necessidades desse paciente em particular.
Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM
Definição 
Adiarreiaé definida como um aumento no teor de água, frequência ou volume das
fezes. Adiarreia do intestino delgadocaracteriza-se pelo volume normal ou maior de
líquido ou fezes sem consistência que pode estar associada com a perda de peso
(crônico) ou vômitos, mas não está necessariamente associada com o esforço durante
a defecação ou maior frequência de evacuação. Se o sangue está presente, este será
sangue digerido (melena). A diarreia do intestino delgado é também caracterizada pelo
seu fator de causa (por exemplo: infecciosa, inflamatória, parasitária, mecânica,
dietética, neoplásica) ou duração (aguda ou crônica).
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
O diagnóstico da diarreia do intestino delgado em gatos começa com uma anamnese
completa, incluindo dieta e histórico de medicação e outros fatores de risco (como o
ambiente, a idade, problemas anteriores), e um exame físico que inclua a avaliação da
hidratação, o estado físico e palpação cuidadosa do abdômen. Se indicado, deverá ser
realizado um exame retal sob sedação. A análise de matéria fecal (por exemplo: técnicas
de flutuação, citologia, teste imunoabsorvente ligado às enzimas [ELISA, em
inglês]/análise da reação em cadeia da polimerase [PCR, em inglês]) é especialmente
importante em gatos jovens ou que vivem dentro/fora de casa. Na diarreia aguda, o
tratamento sintomático ou de suporte pode ser o suficiente (por exemplo: dieta
altamente digestível, probióticos, vermifigação). Na diarreia crônica (> 2 semanas),
pode ser indicado imagens (raio-X ou ultrassom), provas da função GI
(imunorreatividade semelhantes a tripsina [IST], cobalamina, folato), testes endócrinos
(tireoide), testes para detectar vírus (vírus da leucemia felina [FeLV, em inglês]/vírus da
imunodeficiência felina [FIV, em inglês]), testes para infecções específicas (por
exemplo: fungos) ou endoscopia/cirurgia com biópsia.
Fisiopatologia
Por definição, a diarreia de intestino delgado surge de doenças que afetam o orgão; no
entanto, a diarreia do intestino delgado pode ocorrer em gatos que apresentam uma
grande variedade de causas geradoras, incluindo infecções bacterianas ou virais,
infecções causadas por parasitas ou protozoários (Giárdia, coccídeos, cryptosporidium,
tritrichomonas ou outros parasitas), disfunção mecânica (corpos estranhos ou
intussuscepção), endocrinopatias (hipertireoidismo), doenças infiltrativas (doença
inflamatória intestinal, infecções fúngicas ou câncer, como o linfoma), má digestão de
nutrientes (insuficiência pancreática exócrina [IPE]) ou sensibilidades da dieta (alergia
alimentar, intolerância alimentar).
Predisposição
A diarreia aguda é mais comum em gatos jovens devido ao seu risco aumentado a
desordem dietética (comer fios, corpos estranhos), infecções parasitárias, doenças virais,
tais como vírus da imunodeficiência felina (FIV, em inglês), peritonite infecciosa felina
(PIF) ou panleucopenia. A diarreia crônica é mais comum em gatos de meia idade ou
idosos e pode ocorrer devido a uma variedade de causas dietéticas, endócrinas,
inflamatórias ou causas neoplásicas, incluindo hipertireoidismo, linfoma do trato
intestinal, doença inflamatóriado intestinal (DII), alergia alimentar ou outras
sensibilidades alimentares e infecções por bactérias, fungos ou protozoários. Não há
predisposição de raça específica para DII ou linfoma, mas os gatos de raça pura
mostram-se mais propensos a ter PIF, Trichomonas, ou outras doenças características
das famílias com vários gatos.
Modificações nos nutrientes essenciais
A proteína é uma questão de particular interesse nas dietas de gatos devido a uma maior
necessidade deste elemento; de todos os nutrientes na dieta dos gatos, a digestibilidade
da proteína é a mais afetada pela qualidade e preparação do alimento. Mesmo em gatos
normais, as proteínas de má qualidade ou com um processo de baixo padrão são menos
digestíveis o que faz com que uma quantidade maior do nutriente atinja o intestino
grosso, onde os processos fermentativos das bactérias destas proteínas produzam uma
diminuição significativa da qualidade da matéria fecal (mais água e odor) e aumento
da produção de subprodutos (por exemplo: fenóis) que podem ser prejudiciais para os
colonócitos. O resultado final é a formação de fezes de baixa qualidade simplesmente
pela presença de uma qualidade inferior em proteínas. Dessa forma, um primeiro passo
importante no tratamento da diarreia nos gatos é garantir uma fonte de proteína de boa
qualidade na dieta, e altamente digestível. A digestibilidade das proteínas é ainda mais
importante em gatos mais velhos (> 10 anos), que tem a capacidade reduzida de digerir
e absorver nutrientes por causa de sua idade avançada e as mudanças que ocorrem em
suas funções digestivas. Finalmente, em gatos com doença GI significativa, a
digestibilidade das proteinas da dieta tem um efeito ainda mais profundo, visto que
podem apresentar anormalidades na função das enzimas ou na capacidade de absorção.
A fonte de proteína torna-se um tema de interesse especial quando se suspeita que a
diarreia em gatos seja causada por uma alergia ou intolerância alimentar ou uma DII.
Num estudo3, cerca de 60% dos gatos com diarreia responderam a uma mudança na
dieta, e destes, entre 20% e 25% tinham alergia alimentar. Este estudo foi o primeiro a
ilustrar a importância da dieta no tratamento da doença GI em gatos, e enfatizou que
todas as respostas para a dieta não eram alergia alimentar. É essencial lembrar que, no
caso de gatos com alergia alimentar, a própria proteína é a fonte de inflamação intestinal,
enquanto numa intolerância alimentar a evolução de uma desordem GI surge a partir
de qualquer parte do alimento (por exemplo: aditivo, nutriente, conservante) que
produz a interrupção da função (por exemplo: má digestão de nutrientes, a libertação
de histamina ou outras reações). O sucesso no diagnóstico e tratamento de gatos com
diarreia causada por alergia alimentar requer a identificação de uma fonte apropriada
de proteína hidrolisada ou nova, um processo que requertestes com a dieta executadas
cuidadosamente e de duração apropriada (8-12 semanas em alguns gatos). Gatos com
intolerâncias alimentares, muitas vezes, respondem à mudança para uma dieta com
nutrientes altamente digestíveis e sem aditivos adicionados ou alimentos que são
conhecidos como fontes potenciais de intolerância (ex.: excesso de carboidratos
complexos, trigo ou outros grãos com glúten, lactose).
Em gatos normais, a gordura é um componente alimentar altamente digestível que
provavelmente não está associado com a má absorção. Esta conclusão foi apoiada por
um estudo recente da Laflamme e outros colegas que mostraram que a concentração
de gordura na dieta não era importante em gatos com diarreia crônica não específica6.
Desde que a dieta contivesse grandes quantidades de proteínas altamente digestíveis,
entre 55% e 60% dos gatos melhoraram.
Com base nos resultados desse estudo, rações para gatos com diarreia devem conter
uma quantidade moderada a grande de proteínas de alta digestibilidade e quantidades
moderadas a muito baixas de carboidratos de fácil digestão. Como os gatos têm
exigências específicas para quantidades mais elevadas de certas gorduras na dieta e,
aparentemente, não são sensíveis à presença de quantidades aumentadas de gordura nas
suas dietas, estes estudos sugerem que não foram necessárias as dietas com menores
quantidades de gordura (como é o caso em muitos cães com doença intestinal), e que
estas dietas podem levar à redução da aceitação de alimentos, considerando que a
gordura é o principal intensificador de palatabilidade no alimento para gatos.
O rol dos carboidratos (CHO) nas dietas para gatos está recebendo uma análise mais
detalhada à medida que mais informações são obtidas sobre o efeito desta fonte de
energia facilmente acessível sobre a função GI e o metabolismo geral dos gatos. Arroz
branco ou integral cozido ou batatas são frequentemente fontes de carboidratos
utilizadas para gatos com doença intestinal, fontes de energia altamente digeríveis e
não contêm glúten, que pode ser antigênico em alguns gatos. Em gatos saudáveis,
estes CHO podem ser aceitáveis quando são fornecidos em pequenas quantidades;
no entanto, se são suspeitos de intolerância aos CHO ou a uma doença infiltrativa que
poderiam afetar significativamente a digestibilidade e levar a uma má absorção com
efeitos adversos relacionados, é uma estratégia razoável reduzir os CHO na dieta para
menos de 2 a 3 g/100 kcal (menos de 15% de CHO). 
Em gatos com diarreia do intestino delgado indica-se diminuir a quantidade de fibras
insolúveis, uma vez que estas fibras reduzem a digestibilidade dos alimentos e podem
aumentar o risco de má absorção de nutrientes, bem como baixa ingestão (baixa
Diarreia do intestino delgado - Gatos
44
palatabilidade). As fontes de fibras solúveis podem ser benéficas em certos casos,
uma vez que estas fibras são digeridas pela microbiota e podem funcionar como
prebióticos para ajudar a manter o ambiente intestinal saudável. No entanto, a
maioria dos estudos com prebióticos foi conduzida em gatos normais sem
indicadores de doença GI. Dessa forma, é desconhecida a eficácia dos prebióticos
em gatos com diarreia do intestino delgado.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Princípios da alimentação coadjuvante
• Os nutrientes devem ser altamente digestíveis (> 90% de digestibilidade) para
minimizar a diarreia osmótica, fermentação bacteriana de proteínas ou CHO e reduzir
a produção de gases intestinais.
• Proteínas de alta qualidade altamente digestíveis (podem ser de uma só fonte, novas
ou hidrolisadas se houver a probabilidade de DII ou de sensibilidade alimentar).
• A fonte de carboidratos deve ser de alta qualidade, livre de glúten e livre de lactose
e, na maioria dos gatos, em baixa quantidade (<15% da dieta de um modo geral).
• Dietas pobres em gordura parecem não ser necessárias em gatos com diarreia, a
menos que a doença intestinal seja aguda e com esteatorreia.
• Maior quantidade de ácidos graxos ômega 3 para melhorar o perfil de eicosanoides
na mucosa intestinal.
• Fibras insolúveis em pouca quantidade e de baixa a moderada quantidade de fibras
solúveis ou mistas (3-5% total) para aumentar os ácidos graxos de cadeia curta e
melhorar a microbiota.
• Suplemento prebiótico para restaurar o equilíbrio da microbiota.
nPetiscos –Em geral, deve-se evitar os petiscos em gatos com doença intestinal até
que um diagnóstico definitivo seja feito. Por exemplo, se a diarreia é produto da
sensibilidade aos alimentos, será necessário um teste de eliminação de alimentos,
incluídos os petiscos. No entanto, se forem necessárias, poderão ser preparados petiscos
usando a dieta coadjuvante ou com base nos princípios acima mencionados.
nDicas para aumentar a palatabilidade –Normalmente, os gatos não consomem
alimentos que são diferentes daqueles de costume deles (por exemplo: aqueles que
comem alimentos secos tendem a rejeitar alimentos enlatados) e têm preferências
muito específicas para sabores, odores e temperatura. A maioria dos gatos preferem
alimentos enlatados ligeiramente quentes ou à temperatura ambiente (como se fosse
um rato morto). A gordura é um intensificador de palatabilidade para gatos, por isso,
será necessário mudar para uma alimentação com mais gordura de modo que o gato
consuma a dieta coadjuvante recomendada, ou pode-se incrementar a aceitação pela
adição de uma pequena quantidade de gordura animal (nenhum óleo vegetal) na
comida. Evitar alimentação forçada para gatos já que pode causar aversão ao alimento.
nRecomendações para a dieta –As dietas que podem ser selecionadas para os gatos
com diarreia podem ter um perfil com teor moderado de proteínas altamente
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Fibra Bruta# 7–16 2.0–5.0 n/d n/d
Gordura 10–15 3–5 5 1.4
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada
como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de
energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos
requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
*Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação
Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
#As fontes deverão incluir fibras solúveis e insolúveis. A análise de fibra bruta inclui a
maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma, a fibra
bruta tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliada.
Deve-se avaliar a lista de ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis.
digestíveis ou um perfil pobre em carboidratos e rico em proteínas altamente digestíveis.
Várias dietas com antígenos novos estão disponíveis para gatos com alergia alimentar
ou DII; fontes de proteínas incluem veado, cordeiro, pato, coelho ou peixe. Foi
demonstrado que um suplemento nutricional prebiótico é eficaz para recuperar tanto
a saúde como o equilíbrio normal do intestino.
Os produtos comerciais que são adequados para a diarreia não específica (alta
proteína, baixo carboidrato) incluem alimentos enlatados de várias categorias.
Pontos para a educação do proprietário
• Alimentar apenas com alimentos recomendados.
• Alimentar com pequenas quantidades de alimentos com maior frequência (três a
quatro vezes por dia), uma vez que grandes quantidades de alimentos aumentam a
carga do trato GI e podem contribuir para a diarreia ou vômitos.
• Garantir a abundância de água disponível em todos os momentos. Se ocorrer
vômito ou se o gato recusa a dieta, para de beber água, ou está mais letárgico, um novo
controle veterinário é recomendado.
Comorbidades comuns
As doenças que ocorrem simultaneamente em gatos com diarreia do intestino
delgado são: doença inflamatória do intestino e linfoma, doença inflamatória do
intestino e alergias alimentares, hipertireoidismo e diarreia, vírus daimunodeficiência felina ou outras infecções em gatos jovens ou que ficam em
alojamento para gatos.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
A terapia com esteroides na doença inflamatória do intestino aumenta o apetite e pode
causar o desenvolvimento de diabetes (especialmente em gatos obesos) ou infecções
secundárias. A tratamento imunossupressor para a doença inflamatória do intestino ou
do linfoma pode causar toxicidade gastrointestinal (sinais clínicos comuns podem ser
vômitos ou a diarreia). O tratamento com antibióticos pode afetar a microbiota e
causar diarreia devido a essa interrupção. O tratamento com metimazol pode causar
problemas gastrointestinais (vômitos e diarreia).
Controle
Deve-se avaliar a composição da matéria fecal para determinar se o carácter normal
das fezes vai voltar ou se eles estão desenvolvendo novos problemas (por exemplo:
melena, hematoquezia). Também é importante a avaliação clínica para se certificar de
que o gato não esteja desidratado, que continue comendo, e que não apresente novos
indicadores de doença (por exemplo: letargia, perda de peso, diminuição do apetite ou
vômitos). Se o gato está perdendo peso ou estiver desidratado, deve-se reavaliar tanto
o método de alimentação como o tratamento e deve ser modificado de acordo com as
necessidades desse paciente em particular.
Ver Manejo nutricional da diarreia do intestino delgado em gatos na página 50.
45
Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM
Definição
A diarreia é definida como um aumento no teor de água, a frequência ou volume das
fezes. No entanto, é clássico observar a diarreia do intestino grosso associada a um
maior tenesmo ou urgência para defecar, aumento da frequência de defecação de
volumes geralmente menores e, talvez, uma maior presença de hematoquezia ou muco.
Estas características servem para diferenciar a diarreia do intestino grosso da diarreia do
intestino delgado. A diarreia do intestino grosso também caracterizada pelos fatores
causadores: infecciosa (colite causada por Clostridium), parasitária (colite por
tricocéfalos), alimentar (colite responsiva a fibra), inflamatória (colite linfoplasmocitária
ou doença inflamatória intestinal [DII]) e neoplásica. Muitas vezes, as doenças que
causam diarreia do intestino grosso estão associadas com a inflamação e, portanto, são
chamadas de colite.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
O diagnóstico de diarreia do intestino grosso começa com uma anamnese completa,
incluindo histórico alimentar, tratamento com medicamentos e exame físico,
incluindo exame retal. A análise da matéria fecal (por exemplo: técnicas de flutuação,
citologia, testes imunoabsorventes ligado às enzimas [ELISA, em inglês]/análise da
reação em cadeia da polimerase [PCR, em inglês]) ou vermifugação terapêutica são
muito importantes; os tricocéfalos são especialmente difíceis de encontrar e são as
principais causas de indicadores de colite. Na diarreia aguda do intestino grosso,
muitas vezes o tratamento sintomático ou de suporte pode ser tudo o que é necessário
(por exemplo: adicionar fibras na dieta, prebióticos, vermifugação, ou modificadores
da motilidade). Em cães com diarreia crônica (> 2 semanas) do intestino grosso, onde
o tratamento sintomático ou de suporte não é eficaz no controle de sinais clínicos,
pode-se indicar imagens (raio-X ou ultrassom), testes mais específicos para bactérias
ou parasitas gastrointestinais (GI) ou endoscopia (com biópsia).
Fisiopatologia
Sinais clínicos da diarreia do intestino grosso são um reflexo da proximidade da doença
na extremidade final do trato GI. Como resultado, os sinais clínicos da doença do
cólon são todos muito semelhantes, enquanto as suas causas podem ser bastante
diferentes. Por exemplo, hematoquezia ocorre em vez da “melena”, porque o sangue não
está no trato tempo suficiente para ser digerido por enzimas ou bactérias e existe
frequentemente mais muco presente nas fezes porque muitas das glândulas secretoras
de muco que estão no cólon aumentam sua produção quando o epitélio se rompe, e
ocorre mais esforço ou frequência da defecação devido a uma interrupção na motilidade
colônica que reduz o tempo de armazenamento da matéria fecal para formar as fezes
de tamanho normal com menos água. Assim, embora a diarreia do intestino grosso em
cães possa ocorrer devido a uma variedade de causas, a resposta à lesão da mucosa do
cólon, independentemente da causa, é essencialmente a mesma.
Predisposição
Diarreia aguda do intestino grosso é mais comum em cães jovens ou de meia idade
devido ao maior risco para indisposições alimentares, infecções parasitárias ou
infecciosas, tais como colite causada por Clostridium, por mudanças na dieta ou
internações. Cães de raças pequenas podem estar em maior risco de desenvolver colite
por estresse ou síndrome do intestino irritável, embora a doença possa ter uma variedade
de causas nutricionais, inflamatórias e neoplásicas, incluindo DII do cólon ou várias
formas de câncer do cólon. Cães da raça Boxer apresentaram maior incidência de colite
ulcerativa histiocítica (CUHC), um tipo específico de DII associada a antibióticos
devido ao crescimento bacteriano excessivo nesta raça.
Modificações nos nutrientes essenciais
As alterações mais importantes na dieta de cães com diarreia do intestino grosso
consistem em administrar nutrientes altamente digestíveis para que os carboidratos,
gordura e proteínas em excesso não atinjam o cólon sem serem digeridos, e, em segundo
lugar, modificar (aumentar) a quantidade e o tipo de fibra alimentar, bem como
prebióticos para maximizar a saúde do epitélio e das bactérias do cólon.
O objetivo de se proporcionar uma dieta com nutrientes altamente digestíveis (> 85-
90% de digestibilidade) é maximizar a digestão e a absorção de carboidratos e gorduras
no intestino delgado para evitar que a diarreia do intestino grosso piore devido a uma
interrupção bacteriana ou aos efeitos osmóticos da má digestão de carboidratos
(CHO). Consequentemente, a dieta ideal para diarreia do intestino grosso deve conter
uma quantidade moderada de fontes de CHO altamente digestíveis e uma quantidade
moderada a baixa de gordura. O arroz branco ou integral cozido ou a batata são muitas
vezes uma fonte ideal de CHO para cães com doença intestinal, porque são altamente
digestíveis e não contêm glúten ou outras fontes potenciais de estimulação antigênica.
Outras fontes de CHO sem glúten são mandioca e milho, mas são um pouco menos
digestíveis que o arroz, e o milho pode causar hipersensibilidade em alguns cães.
As proteínas tornam-se um tema de interesse quando se suspeita que a diarreia é causada
por uma alergia alimentar. A maioria dos cães com alergias alimentares têm tanto
diarreia do intestino grosso como diarreia do intestino delgado, vômitos ou
manifestações cutâneas da doença alérgica. A chave para o sucesso no tratamento de
cães com diarreia causada por alergia alimentar é identificar uma fonte de novas
proteínas (ou uma com menos antígeno, como uma dieta com proteínas hidrolisadas).
Em alguns cães com diarreia do intestino grosso, a única mudança mais importante na
dieta pode ser a adição de fibra à dieta. As fibras da dieta são carboidratos complexos
principalmente de fontes vegetais que não são facilmente digeridas pelas enzimas
digestivas de mamíferos. A digestão destes alimentos é conseguida com o auxílio de
bactérias no trato GI e ocorre de forma mais eficaz no cólon dos cães. Dado que os
diferentes tipos de fibras dietéticas são digeridos (também chamado de solubilidadee
fermentabilidade) mais ou menos eficazmente por bactérias, muitas vezes são
classificadas por esta característica. No entanto, é importante compreender que muitas
fibras dietéticas possuem características de ambos os grupos, portanto são chamadas de
fibras mistas.
As fontes de fibras solúveis (ou altamente fermentáveis) são benéficas para cães com
doença do cólon, porque se desintegram em ácido graxo de cadeia curta (uma fonte
essencial para os colonócitos) e também servem como uma fonte de nutrientespara as
bactérias benéficas (também chamadas prebióticas). Tem sido demonstrado que a
adição de fontes de fibras solúveis aumenta a quantidade de bactérias benéficas e reduz
as bactérias patogênicas, um tema chave quando uma interrupção ocorre no meio
normal, independentemente da causa geradora. No entanto, as fontes de fibra solúveis
não podem ser adicionadas em grandes quantidades, porque são altamente
fermentáveis e produzirão mais flatulência e conteúdo de água nas fezes. 
Fontes de fibra insolúvel (ou fracamente fermentáveis) também são benéficas em
cães com doença do cólon, mas por razões diferentes. As fibras insolúveis
aumentam o volume das fezes e, como resultado do alongamento e relaxamento,
melhoram a motilidade (tanto a segmentação como o movimento normal) no
cólon. Adicionar fibras insolúveis diminui a frequência e esforço associado com a
motilidade atípica presentes na colite; a desvantagem é que não proporcionam uma
fonte de nutrientes para as bactérias do cólon ou nas fezes, o que é importante em
cães com doenças graves do cólon.
Diarreia do intestino grosso - Cães
46
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Princípios da alimentação coadjuvante
• Os nutrientes essenciais deverão ser altamente digestíveis (> 90% de digestibilidade)
para minimizar diarreia osmótica, a fermentação bacteriana dos alimentos sem
digerir e reduzir os gases intestinais.
• Usar proteínas hidrolisadas de alta qualidade e uma única fonte se houver a
probabilidade de os gases ou de sensibilidade alimentar, mas na maioria dos casos de
colite isso não é necessário.
• É indicada uma quantidade alta ou moderada de fibras insolúveis para melhorar a
motilidade do cólon, a menos que a constipação colônica ou obstrução ocorra
devido ao câncer ou estenose.
• É indicada a adição de uma fonte de fibras solúveis ou mistas para melhorar a saúde
das células epiteliais do cólon e normalizar as populações bacterianas afetadas
pela doença ou o tratamento. A proporção ideal de fibras solúveis e insolúveis nas
dietas para doenças do cólon é objeto de debate; no entanto, a adição de ambas
fontes de fibra é geralmente aceita como o ideal.
• Maior quantidade de ácidos graxos ômega 3 para ajudar a reduzir os eicosanoides 
(mediadores inflamatórios) associados com a inflamação intestinal.
• Níveis moderados de gordura na dieta (deve ser altamente digestível).
• Suplemento prebiótico para restaurar o equilíbrio da microbiota. 
nPetiscos–Em geral, deve-se evitar os petiscos para cães com doença intestinal até
que um diagnóstico definitivo seja feito. Se os petiscos são importantes para a rotina
diária do cão, podem ser oferecidos petiscos com base em uma dieta coadjuvante ou
nos princípios mencionados anteriormente.
nDicas para aumentar a palatabilidade – Se o cão não come a dieta sugerida,
pode-se adicionar uma pequena quantidade de caldo de galinha, com baixo teor de
sódio. Em alternativa, o alimento pode ser misturado com uma pequena
quantidade de alimento enlatado, para aumentar o interesse. Se o cão se recusa a
comer a dieta coadjuvante, pode ser adicionada à dieta habitual uma fonte de fibras
mistas, como coloide de Psyllium (Metamucil®).
nRecomendações para a dieta–As dietas utilizadas para as diarreias do intestino
grosso podem corresponder a um dos seguintes tipos de dieta: 1) dietas com
ingredientes de fácil digestão como é característico da diarreia do intestino
delgado, ou 2) dietas com uma maior quantidade de fibras dietéticas. Essas dietas
podem ser de fibra insolúvel principalmente (maior volume) ou dietas com fibras
mistas (tanto solúveis e insolúveis). Tem sido demonstrado que a adição de um
suplemento nutricional prebiótico é eficaz para recuperar tanto a saúde como o
equilíbrio normal do intestino.
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Fibra Bruta# 7–16 2.0–5.0 n/d n/d
Gordura 10–15 3–5 5 1.4
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada
como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de
energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos
requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
# As fontes deverão incluir fibras solúveis e insolúveis. A análise de fibra bruta inclui a
maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma, a fibra
bruta tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliada.
Deve-se avaliar a lista de ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis
47
Vários alimentos não coadjuvantes para cães são potencialmente adequados para a
diarreia do intestino grosso, pois contêm uma maior quantidade de fibras insolúveis;
essas dietas são geralmente classificadas como dietas para controle de peso. Cada dieta
pode conter fontes de fibra insolúvel ou mista. Dessa forma, o rótulo deve ser avaliado
para determinar a origem das fibras.
Pontos para a educação do proprietário
• Alimente apenas com alimentos recomendados durante o tempo recomendado.
• Pode ser útil alimentar com pequenas quantidades de alimentos com maior
frequência (três a quatro vezes por dia), uma vez que grandes quantidades de
alimentos aumentam a carga do trato GI e podem contribuir para os sinais
clínicos; no entanto, isto não ocorre em todos os cães.
• Garantir a abundância de água disponível em todos os momentos; a adição de fibras
na dieta pode causar fezes muito secas e duras e difíceis de serem expulsas por
alguns cães.
• Aconselhar os proprietários sobre os efeitos da adição de fibra na dieta: as fibras
insolúveis aumentam o volume das fezes, enquanto as fibras solúveis contribuem
geralmente para formar fezes menores e mais moles, mas podem estar associadas ao
aumento de flatulência.
Comorbidades comuns
As doenças que comumente ocorrem simultaneamente em cães com diarreia do
intestino grosso são: doença inflamatória intestinal colônica e crescimento bacteriano
excessivo e colite por Clostridiume internação recente ou mudança de dieta.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Tratamento com esteroides na doença inflamatória intestinal incrementará a sede e
o apetite e pode causar aumento de peso involuntário ou doença hepática. O
tratamento imunossupressor para a doença inflamatória intestinal ou linfoma pode
causar toxicidade GI (sinais clínicos comuns podem ser vômitos ou diarreia). O
tratamento com anti-inflamatórios não esteroides para a doença intestinal do cólon
(por exemplo: sulfassalazina) pode causar toxicidade por sulfonamida (isto é, o olho
seco, doença de fígado ou de medula óssea, doenças imunomediadas tais como a
trombocitopenia imunomediada ou a anemia hemolítica imunomediada). O
tratamento com antibióticos pode afetar a microbiota e piorar a diarreia, devido ao
crescimento excessivo de bactérias.
Controle
Deve-se avaliar a composição da matéria fecal para determinar se as características
normais das fezes está retornando ou se novos problemas estão se desenvolvendo.
Também é importante o julgamento clínico para se certificar de que o cão não está
desidratado, que continua comendo, e que não apresenta quaisquer novos indicadores
da doença (por exemplo: letargia, perda de peso, diminuição do apetite ou vômitos).
Se o cão perde peso ou se está desidratado, o tratamento deve ser reavaliado e
modificado conforme as necessidades desse paciente em particular.
Ver Manejo nutricional da diarreia do intestino grosso nos cãesna página 51.
Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM
Definição
É comum observar adiarreia de intestino grosso associada a um maior tenesmo ou
urgência para defecar, aumento da frequência de defecação de volumes geralmente
menores e, talvez, uma maior presença de hematoquezia ou muco. Estas característicasservem para diferenciar a diarreia do intestino grosso da diarreia do intestino delgado.
A diarreia do intestino grosso também é caracterizada pelo fator causador: infecciosa
(colite causada por Clostridium), parasitária (colite por tricocéfalos), alimentar (colite
sensível à fibra), inflamatória (colite linfoplasmocitária ou doença inflamatória intestinal
[DII]) e neoplásica. Muitas vezes, as doenças que causam diarreia do intestino grosso
estão associadas com a inflamação e, portanto, são chamadas de colite.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares 
O diagnóstico de diarreia do intestino grosso começa com uma anamnese completa,
incluindo histórico dietético e tratamento com medicamentos, além de exame físico,
incluindo exame retal. A análise de matéria fecal (por exemplo: as técnicas de flutuação,
citologia, teste imunoenzimático ligada a enzima [ELISA, em inglês]/análise da reação
em cadeia da polimerase [PCR, em inglês]) ou vermifugação terapêutica é muito
importante. Na diarreia aguda do intestino grosso, o tratamento sintomático ou de
suporte, muitas vezes pode ser tudo o que é necessário (por exemplo: adicionar fibra
alimentar, probióticos, vermifugação). Em gatos com diarreia crônica (> 2 semanas)
do intestino grosso, onde o tratamento sintomático ou de suporte não é eficaz, pode-
se indicar imagens (raio-X ou ultrassom), testes mais específicos para parasitas ou
bactérias gastrointestinais (GI) ou endoscopia (biópsia).
Fisiopatologia 
Sinais clínicos da diarreia do intestino grosso são um reflexo da proximidade da
doença na extremidade final do trato GI. Como resultado, os sinais da doença do
cólon são todos muito semelhantes, enquanto as suas causas podem ser bastante
diferentes. Por exemplo, hematoquezia ocorre em vez da “melena”, porque o sangue
não está no trato tempo suficiente para ser digerido por enzimas ou bactérias, existe
frequentemente mais muco presente nas fezes porque muitas das glândulas
secretoras de muco que estão no cólon aumentam sua produção, quando o epitélio
se rompe, e ocorre mais esforço ou frequência da defecação devido a uma
interrupção na motilidade colônica que reduz o tempo de armazenamento da
matéria fecal para formar as fezes de tamanho normal com menos água. Assim,
embora a diarreia do intestino grosso nos gatos possa ocorrer devido a uma
variedade de causas, a resposta à interrupção da mucosa do cólon,
independentemente da causa, é essencialmente a mesma.
Predisposição
A diarreia aguda do intestino grosso é mais comum em gatos jovens ou de meia idade,
devido a falta de cuidado com a dieta, infecções alimentares (penas, ossos ou outros
objetos estranhos), infecções por parasitas ou protozoários (Tritrichomonas), ou causas
infecciosas, como a colite por Clostridium. Gatos de raças de pelos compridos têm uma
maior incidência de colite induzida por ingestão de pelos, uma doença que ocorre
presumivelmente devido à irritação no cólon causada pela passagem de um grande
número de pelos. A diarreia crônica do intestino grosso é comum em gatos de meia à
idade ou idade avançada e pode ocorrer em qualquer raça devido a uma variedade de
causas alimentares, inflamatórias ou neoplásicas, incluindo a DII colônica ou várias
formas de câncer de cólon. Gatos Siameses parecem estar em maior risco de
desenvolvimento de adenocarcinoma de cólon. 
Modificações nos nutrientes essenciais
A alteração mais importante na dieta dos gatos com diarreia do intestino grosso
consiste em subministrar nutrientes altamente digestíveis para que os carboidratos,
gorduras e proteínas em excesso não alcancem o cólon sem serem digeridas, e em
segundo lugar, aumentar a concentração do aumento de fibras da dieta para
maximizar a saúde do epitélio e das bactérias do cólon.
O objetivo de proporcionar uma dieta com nutrientes altamente digestíveis (>
85-90% de digestibilidade) é o de maximizar a digestão e absorção de carboidratos
e gorduras no intestino delgado para evitar que a diarreia do intestino grosso piore
devido ao crescimento bacteriano excessivo ou aos efeitos osmóticos da má
digestão de carboidratos.
As proteínas tornam-se de interesse quando existe a suspeita que a diarreia seja
causada por uma alergia alimentar. A chave para o sucesso no tratamento de gatos
com diarreia causada por alergia alimentar é identificar uma fonte de novas
proteínas (ou uma que seja menos antígena, como uma dieta de proteínas
hidrolisadas). É raro que os gatos com alergia alimentar apenas apresentem diarreia
do intestino grosso sem indicadores de doença no intestino delgado (vômitos ou
diarreia) ou indicadores de alergias dermatológicas. 
Em gatos com diarreia do intestino grosso, a mudança mais importante na dieta
pode ser a adição de fibra. As fibras dietéticas são carboidratos complexos
principalmente de fontes vegetais que não são facilmente digeridos pelas enzimas
digestivas dos mamíferos. A digestão destes alimentos é conseguida com o auxílio
de bactérias no trato GI, e ocorre de forma mais eficaz no cólon dos gatos. Dado
que os diferentes tipos de fibras dietéticas são digeridos (também chamado de
solubilidade ou fermentabilidade) mais ou menos eficaz por bactérias, muitas
vezes são classificadas por esta característica. No entanto, é importante
compreender que muitas fibras dietéticas possuem características de ambos os
grupos e, portanto, são chamadas de fibras mistas. 
Em geral, as fontes de fibras solúveis (ou altamente fermentáveis), que são aquelas
fibras que as bactérias desintegram facilmente para formar os ácidos graxos de
cadeia curta, água e gases, são benéficas em gatos com doença do cólon, pelas
mesmas razões que são em cães. No entanto, as fibras solúveis devem ser
adicionadas em pequenas quantidades na dieta dos gatos, pois a maior quantidade
de bactérias nas fezes produz mais flatulência e conteúdo de água, gerando
características e odores indesejados nas fezes.
Fontes de fibras insolúveis (ou pouco fermentáveis) também são benéficas em gatos
com doença do cólon, mas por razões diferentes. As fibras insolúveis aumentam o
volume das fezes e, como resultado de alongamento e relaxamento, melhoram a
motilidade (tanto a segmentação como a propulsão normais) no cólon. Adicionar
fibras insolúveis na dieta diminui o esforço associado com a motilidade atípica
presente na colite. Além disso, essas fibras são úteis para o deslocamento dos pelos
através do cólon de forma mais eficaz, reduzindo assim a possibilidade de obstrução
e colite induzida pela ingestão de pelos. A desvantagem das fontes de fibras
insolúveis é que não fornecem uma fonte de nutrientes para os colonócitos ou as
bactérias na matéria fecal (e os gatos que não consomem água suficiente, podem
produzir fezes muito secas e difíceis de expulsar), criando a possibilidade de
desenvolver constipação, que é uma complicação comum das dietas. 
Diarreia do intestino grosso – Gatos
48
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Princípios da alimentação coadjuvante
• Os nutrientes essenciais deverão ser altamente digestíveis (>90% de digestibilidade)
para minimizar a diarreia osmótica, a fermentação bacteriana de alimento não
digerido e reduzir o gás intestinal.
• Utilizar proteínas hidrolisadas de alta qualidade e uma única fonte se houver
probabilidade de DII ou sensibilidade alimentar, mas na maioria dos casos de colite
isso não é necessário.
• É indicada uma moderada a alta quantidade de fibras insolúveis para melhorar a
motilidade do cólon, a menos que a constipação ou obstrução colônica ocorra
devido a câncer ou estenose.
• A proporção ideal de fibras solúveis e insolúveis nas dietas para doenças do cólon
ainda é objeto de debate; no entanto, a adição de pequenas quantidades de ambas
as fontes de fibra é geralmente é aceita como o ideal
• Maior quantidade de ácidos graxos ômega 3 para ajudar a reduzir eicosanoides 
(mediadores inflamatórios) associados à inflamação intestinal.
• Suplemento prebiótico para restaurar o equilíbrio da microbiota.
nPetiscos–Em geral, deve-se evitar os petiscos em gatos com doençaintestinal até
que um diagnóstico definitivo seja feito. Se os petiscos são importantes para a rotina
diária do gato, podem ser oferecidos utilizando-se uma dieta coadjuvante ou com base
nos princípios antes mencionados.
nDicas para aumentar a palatabilidade–Se o gato não come a dieta sugerida, você
pode adicionar ao alimento uma pequena quantidade de caldo de galinha, com baixo
teor de sódio. Em alternativa, pode ser misturada uma pequena quantidade de alimento
enlatado ao seco, para torná-lo mais interessante. Se o gato se recusa a comer a dieta
coadjuvante, pode ser adicionada à dieta habitual uma fonte de fibras mistas, como
coloide de Psyllium (Metamucil®).
nRecomendações para a dieta – As dietas coadjuvantes adequadas para gatos
com diarreia do intestino grosso podem incluir ingredientes altamente digestíveis,
para reduzir a quantidade de ingestão que atinge o cólon, ou podem incluir dietas
com uma maior presença de fibras insolúveis. Se as fibras vão ter um tratamento
eficaz ou não, isso depende de cada situação particular, já que alguns gatos que
comem dietas ricas em fibras têm fezes duras secas e constipação. Nestes casos, a
alimentação deve ser substituída por uma dieta pobre em fibras, uma vez que a
apresentação deste problema indica intolerância à fibra. Tem sido demonstrado
que a adição de um suplemento nutricional com prebiótico é eficaz para recuperar
a saúde e o equilíbrio normal do intestino.
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Fibra Bruta# 2–8 0.5–2.5 n/d n/d
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada
como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia
metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais,
de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação
Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
# As fontes deverão incluir fibras solúveis e insolúveis. A análise de fibra bruta inclui a
maior parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma, a fibra bruta
tem uma utilidade limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliada. Deve-se
avaliar a lista de ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis.
49
Vários produtos não coadjuvantes vendidos sem receita são potencialmente adequados
para gatos com diarreia do intestino grosso. Estas dietas contêm fibra insolúvel e a
maioria é comercializada como fórmulas para gerenciamento de peso ou para as bolas
de pelos. A maioria das fórmulas com adição de fibra tem fibras insolúveis como a
principal fonte; no entanto, alguns alimentos contêm fontes de fibras mistas, de modo
que o médico veterinário tem de avaliar a fonte para determinar a origem das fibras.
Pontos para a educação do proprietário
• Alimentar apenas com alimentos recomendados para o tempo recomendado.
• Pode ser útil alimentar com pequenas quantidades de alimento com maior 
frequência de 3 a 4 vezes por dia; como no caso da diarreia do intestino delgado, 
grandes quantidades de alimentos aumentam a carga do trato GI e podem 
contribuir para os sinais clínicos; no entanto, isto não ocorre em todos os gatos.
• Garantir a abundância de água disponível em todos os momentos; a adição de fibras
na dieta pode fazer com que as fezes se tornem muito secas e difícil de serem
expelidas, por alguns gatos. A melhor maneira de aumentar o consumo de água em
gatos é fornecendo alimentos enlatados.
• Aconselhar aos proprietários sobre os efeitos da adição de fibra na dieta: as fibras
insolúveis aumentam o volume das fezes, enquanto as fibras solúveis contribuem
geralmente para formar fezes menores e mais moles, mas podem estar associadas ao
aumento de flatulência.
Comorbidades comuns
Comorbidades comuns em gatos com diarreia do intestino grosso são: doença
inflamatória intestinal colônica e crescimento bacteriano excessivo, e colite por
Clostridiumou hospitalização recente ou mudança de dieta.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Tratamento com esteroides na doença inflamatória intestinal aumentará a sede, e o
apetite e pode causar aumento de peso involuntário ou doença hepática. O tratamento
imunossupressor para a doença inflamatória intestinal ou linfoma pode causar
toxicidade GI (sinais clínicos comuns podem ser vômitos ou diarreia). O tratamento
com antibióticos pode afetar a microbiota e piorar a diarreia devido ao crescimento
excessivo de microorganismos.
Controle
Deve-se avaliar a composição da matéria fecal para determinar se o caráter normal das
fezes retorna ou se novos problemas estão se desenvolvendo. A avaliação do estado
clínico é essencial para garantir que o gato não esteja desidratado, continue a se
alimentar, e que não apresente quaisquer novos indicadores de doença (por exemplo:
letargia, perda de peso, diminuição do apetite ou vômitos). Se o gato está perdendo peso
ou desidratando, o tratamento deve ser reavaliado e modificado conforme as
necessidades do paciente.
Ver Manejo nutricional da diarreia do intestino grosso nos gatosna página 51.
50
Manejo nutricional da diarreia do intestino delgado em gatos
Se for aguda, ou causada por um problema
na dieta, suspender a alimentação durante
12-18 horas, em seguida, iniciar a
alimentação com pequenas quantidades de
uma dieta altamente digestível com
moderado ou alto teor de proteínas a 
cada 4 a 6 horas. Se a diarreia crônica é causada por
doença inflamatória intestinal, iniciar
uma dieta altamente digestível com
baixo teor de gorduras. Como
alternativa, as dietas hidrolisadas ou
com antígenos novos podem ser
benéficas em alguns gatos com doença
inflamatória intestinal.
Se a diarreia crônica for
causada por um linfoma
ou outro câncer intestinal,
pode-se indicar níveis
mais elevados de proteína
e de gordura para
contrariar a perda de
peso e melhorar o apetite
em pacientes com câncer.
Se a diarreia crônica foi
causada por alergia
alimentar, iniciar um
teste de eliminação de
alimentos usando uma
dieta contendo uma única
fonte de novas proteínas
ou fonte de proteínas
hidrolisadas.
A diarreia é aguda ou crônica?
Aguda Crônica 
Se for crônica, o primeiro passo é diagnosticar a causa base, mas um tratamento utilizando uma dieta altamente
digestível, com proteínas de alta qualidade e com conteúdo reduzido de carboidratos, é um bom ponto de partida.
Manejo nutricional da diarreia do intestino grosso nos gatos
Se for aguda, ou causada por um
problema na dieta ou estresse, agregar
fibras na dieta pode ser tudo o que precisa
para normalizar a motilidade e reduzir os
sinais clínicos da colite. 
Se a diarreia crônica é
causada por doença
inflamatória do intestino,
iniciar uma dieta rica em
fibra; o agregado de fibra
pode ser útil ou não. A
maioria dos gatos com
doença inflamatória
intestinal colônica também
tem diarreia do intestino
delgado, portanto, deve-se
considerar os princípios de
tratamento dietético para
esta doença.
Se diarreia do intestino
grosso crônica é causada
por linfoma ou outro
câncer do intestino grosso
que pode causar uma
obstrução, as melhores
opções de alimentação
são as dietas altamente
digestíveis para reduzir o
volume das fezes
Se a diarreia crônica foi
causada por alergia
alimentar, iniciar um
teste de eliminação de
alimentos usando uma
dieta contendo uma única
fonte de novas proteínas
ou fonte de proteína
hidrolisada; pode ser útil
agregar uma fonte de
fibras (por exemplo:
Psyllium).
A diarreia é aguda ou crônica?
Aguda Crônica 
Se for crônica, o primeiro passo é diagnosticar a causa base.
Alimentar como na diarreia aguda do intestino grosso até que se confirme o diagnóstico.
Manejo nutricional da diarreia do intestino grosso nos cães
Se for aguda, ou causada por um
problema na dieta ou estresse, agregar
fibras na dieta pode ser tudo oque precisa
para normalizar a motilidade e reduzir os
sinais clínicos da colite. 
Se a diarreia crônica é
causada por doença
inflamatória intestinal,
iniciar uma dieta com alto
teor de fibras
(preferivelmente 
fibras mistas).
Se a diarreia crônica do
intestino grosso é
causada por um linfoma
ou outro câncer do
intestino grosso que
possa causar obstrução,
as melhores opções de
alimentação são as dietas
altamente digestíveis
para reduzir o volume da
matéria fecal.
Se a diarreia crônica foi
causada por alergia
alimentar, iniciar um teste
de eliminação de alimentos
usando uma dieta contendo
uma única fonte de novas
proteínas ou fonte de
proteínas hidrolisadas;
pode ser útil agregar uma
fonte de fibras 
(por exemplo: Psyllium).
A diarreia é aguda ou crônica?
Aguda Crônica 
Se for crônica, o primeiro passo é diagnosticar a causa base.
Alimentar como na diarreia aguda do intestino grosso até que se confirme o diagnóstico.
51
Scott Campbell, BVSc, MACVSc, DACVN
Definição 
A colite é uma inflamação do cólon que prejudica a absorção de água e eletrólitos e
produz tenesmo, disquezia, hematoquezia, fezes mucosas, diarreia e/ou constipação.
A colite pode ser produzida por infecções causadas por parasitas, fungos ou
Clostridium, por neoplasias ou pode ser idiopática.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
Rotineiramente é indicado: histórico clínico, exame físico, matéria fecal, análise
hematológica e análise bioquímica do soro. Muitas vezes, é necessário para o diagnóstico
realizar colonoscopia e biópsia, e, ocasionalmente, biópsias da espessura completa do
intestino mediante uma laparotomia. Uma dieta rica em fibras, altamente digestíveis
com antígenos limitados, pode ser essencial para o tratamento de sinais clínicos.
Fisiopatologia
A fisiopatologia da colite é multifatorial e depende da etiologia. A absorção de água e
eletrólitos é deteriorada pela mucosa inflamada e uma secreção do eletrólito ativo pode
também ocorrer. É comum que a motilidade colônica seja comprometida e a secreção
de muco aumentada por um patógeno gerador ou de maneira secundária, pela mesma
inflamação. Uma inflamação avançada pode causar erosão e ulceração do cólon e sinais
clínicos mais graves.
Predisposição
A doença inflamatória intestinal(DII) é sumamente comum em cães de meia idade.
Os cães da raça Pastor Alemão são os mais representativos, mas a DII está documen-
tada na maioria das raças, bem como em raças mistas. Uma forma rara de colite, colite
ulcerativa histiocítica, ocorre principalmente em cães boxer jovens com menos de dois
anos de idade.
Modificações nos nutrientes essenciais
A maioria dos cães com colite mantém o apetite e peso corporal. Assim, a modificação
de nutrientes básicos da dieta tem por objetivo reduzir ou eliminar sinais clínicos.
Dependendo da etiologia da colite em cada cão pode ser benéfica uma dieta rica em
fibras, altamente digestível ou com antígenos limitados.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Princípios da alimentação coadjuvante
Como a maioria dos cães com colite mantém o apetite e o peso corporal, o
principal objetivo da modificação da dieta é reduzir os sinais clínicos de tenesmo,
disquezia, sangue ou muco nas fezes, diarreia e/ou constipação. Isto é atingido
através do aumento da digestibilidade da dieta através do aumento do teor de fibra
de dieta ou minimizando antígenos alimentares.
A dieta altamente digestível atenua os sinais clínicos da colite por limitação do volume
de ingestão entregue ao cólon comprometido.
As fibras da dieta são metabolizadas pela microbiota do cólon em ácidos graxos de
cadeia curta (acetato, butirato e propionato), fornecendo uma fonte direta de energia
para os colonócitos danificados. Ao fixar a água do lúmen, o maior teor de fibra da
dieta promove a normalização da motilidade colônica. Estas fibras também protegem
a mucosa de contato de substâncias irritantes físicas, presentes nos ácidos biliares, e
materiais ingeridos para limitar as lesões dos colonócitos. Estes efeitos das fibras da
dieta também restringem os mecanismos de virulência do Clostridium perfingens, que
está envolvido em alguns casos de colite.
Os antígenos da dieta podem causar ou agravar a inflamação do cólon; portanto, a
restrição da dieta a uma única proteína nova ou proteína hidrolisada provoca uma
melhora clínica em alguns cães. A identificação desses indivíduos requer uma dieta de
eliminação de alimentos, a qual será oferecida por pelo menos quatro semanas antes que
qualquer melhora clínica possa ser esperada.
Estudos em seres humanos sugerem que os antioxidantes, ácidos graxos
poli-insaturados Ômega 3, fruto-oligossacarídeos, prebiótico e probióticos podem ser
benéficos no tratamento dietético da colite.
nPetiscos–Enquanto os petiscos podem ser importantes para manter o vínculo
humano-animal, os petiscos são completamente diferentes em composição com
relação à dieta principal e devem ser evitados durante a fase inicial de avaliação,
com o objetivo de estabelecer a eficácia da dieta base sozinha. Os cães que
respondem a dietas ricas em fibras podem, então, receber petiscos ricos em fibras,
como vegetais. Os cães que são tratados com uma dieta altamente digestível podem
ser alimentados com diversos petiscos que contenham ingredientes de fácil digestão.
Os animais alimentados com dietas com ingredientes limitados/pouco comuns
só devem receber petiscos que contenham os mesmos ingredientes que a dieta de
base. Da mesma forma, cães alimentados contendo proteínas hidrolisadas só
podem receber petiscos que contenham ingredientes hidrolisados. As formas
úmidas das dietas base podem ser para formar bolachas como petiscos. Como
alternativa, uma parte da dieta primária pode ser oferecida fora dos horários
normais de alimentação, métodos alternativos usando comida como petisco. Se
são oferecidos petiscos, devem ser incorporados lentamente, mantendo uma
consistência no tipo de tratamento oferecido diariamente, e deve ser monitorado
de perto se o cão apresenta novamente indicadores de colite. Como sempre, sugere-
se que todos os petiscos e suplementos forneçam menos do que 10% do total de
calorias diárias.
nDicas para aumentar a palatabilidade–A maioria dos cães com colite mantém
excelente apetite e, geralmente, as dietas adequadas para o tratamento da colite não
carecem de palatabilidade. Se uma dieta comercial, em especial, não é aceita, o cão pode
achar que outras dietas comparáveis são mais palatáveis. Alternativamente, a
palatabilidade pode ser aumentada por aquecimento do alimento à temperatura
corporal ou por adição de um adoçante, tal como xarope de milho. Estimulantes de
apetite e dispositivos de alimentação assistida às vezes são necessários em pacientes cuja
anorexia persistente impossibilita a ingestão de calorias necessárias.
nRecomendações para a dieta–Inúmeras dietas altamente digestíveis ricas em fibras,
com ingredientes limitados/pouco comuns e com proteínas hidrolisadas estão à venda,
produzidas pelos principais fabricantes de dietas coadjuvantes. Se forem para ser
utilizadas dietas com ingredientes/limitados pouco comuns, é preferível que tais dietas
contenham ingredientes novos para o indivíduo segundo seja determinado pelos
antecedentes alimentares. O montante inicial dos alimentos deve ser estimado após o
cálculo da ingestão calórica diária quando o peso era estável ou o cálculo das exigências
energéticas de manutenção, quando a determinação anterior não é possível.
Pontos para a educação do proprietário 
• A colite é uma doença comum em cães, caracterizada pela defecação mais frequente,
esforço para defecar e fezes que podem conter sangue e/ou muco. Normalmente,
não está associada com a perda de peso ou perda de apetite.
• A colite é uma inflamação do intestino grosso (cólon), que pode ser produzida por
infecções por parasitas, fungos ou bactérias; alergia ou intolerância alimentar; e
Colite - Cães
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendandos na dieta Necessidade mínima na dieta*
Fibra Bruta# 7–16 2.0–5.0 n/dn/d
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada
como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia
metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender às necessidades
normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
# As fontes deverão incluir fibras solúveis e insolúveis. A análise de fibra bruta inclui a maior
parte das fibras insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma, a fibra bruta tem uma
utilidade limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliada. Deve-se avaliar a lista
de ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis.
52
raramente, câncer. É desconhecida a causa de um dos tipos mais comuns de colite
chamada doença inflamatória do intestino.
• Muitas vezes, vários testes são necessários para identificar as causas subjacentes da
colite, incluindo exames de sangue e fezes, endoscopia e biópsia do cólon.
• O tratamento medicamentoso visa eliminar a causa subjacente sempre que possível. 
A modificação da dieta pode ser um método eficaz e essencial para aliviar sinais 
clínicos, independentemente do fator gerador.
Comorbidades comuns
A colite pode ser produzida em combinação com a inflamação do intestino delgado
ou inflamação gástrica.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
O tratamento medicamentoso para a colite pode incluir parasiticidas, antiprotozoários,
antibióticos, tratamentos de proteção e anti-inflamatórios e imunossupressores
gastrointestinais.
A polifagia é um efeito colateral comum de corticosteroides. Os proprietários de cães
que recebem dietas de eliminação devem ser alertados de que os hábitos alimentares
indiscriminados e a natureza de revirar o lixo poderiam prejudicar os benefícios da
manipulação na dieta. 
Quando prescrita sulfassalazina, um medicamento com ação anti-inflamatória no
cólon, ela deverá ser administrada junto com o alimento para reduzir o efeito colateral
emético. Em contrapartida, alguns agentes antibacterianos são absorvidos de forma
incompleta na presença de alimentos e a eficácia depende da administração, que deve
ser de 1 hora antes, ou 2 horas após as refeições.
Controle 
O tratamento inicial preferido para a colite varia de acordo com os médicos
veterinários; alguns preferem unicamente a manipulação dietética e outros também
usam medicamentos. A eficácia do tratamento é baseada na resolução ou
diminuição do tenesmo, disquezia, hematoquezia, fezes mucosas, diarreia e/ou
constipação. Nos pacientes em que a modificação da dieta por si só não funciona,
deve ser promovido tratamento medicamentoso e continuar por pelo menos 2-4
semanas após controlados os sinais clínicos antes de se tentar reduzir gradualmente
a dose. Pode ser necessário que o tratamento com dieta e, em alguns cães o
tratamento com medicamentos, continue a longo prazo ou para toda a vida, para
controlar os indicadores.
Manejo nutricional da colite em cães
Dieta com antígenos limitados: Alimentar só com uma
dieta com ingredientes limitados/pouco comuns ou dieta
com proteína hidrolisada por pelo menos 4 semanas
Dieta altamente digestível
Resolução de 
sinais clínicos 
Persistência de
sinais clínicos 
Testar uma dieta rica em
fibras e continue os
passos
Considerar um teste de
provocação com a dieta
usual para ver se os
indicadores aparecem
novamente
Resolução dos 
sinais clínicos 
Persistência dos
sinais clínicos 
Testar novamente
uma dieta com
antígenos limitados
ou testar uma dieta
altamente digestível 
Resolução de 
sinais clínicos 
Resolução de 
sinais clínicos 
Considerar um teste de
provocação com a dieta usual
para ver se os indicadores
aparecem novamente
Testar uma dieta
altamente digestível
Avaliação geral do paciente
Etiologia desconhecida Doença inflamatória intestinal ou intolerante a
dieta (confirmar a suspeita)
Colite neoplásica ou produzida por parasitas, 
fungos ou bactérias
Dieta rica em fibras
Tratamento específico com medicamentos como indicado Tratamento específico com medicamentos como indicado
Manejo nutricional e ou medicamento ou
tratamento a longo prazo por toda a vida se 
os indicadores voltarem a aparecer
53
Scott Campbell, BVSc, MACVSc, DACVN
Definição
A colite é uma inflamação do cólon que prejudica a absorção de água e eletrólitos e
produz sinais clínicos que podem incluir tenesmo, disquezia, hematoquezia, fezes
mucosas, diarreia e/ou constipação.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
Rotineiramente é indicado: histórico clínico, exame físico, matéria fecal, análise
hematológica e análise bioquímica do soro. Muitas vezes, é necessário para o
diagnóstico realizar colonoscopia e biópsia, e, ocasionalmente, biópsias da
espessura completa do intestino mediante uma laparotomia. Uma dieta rica em
fibra, altamente digestível com antígenos limitados, pode ser essencial para o
tratamento de sinais clínicos.
Fisiopatologia
A fisiopatologia da colite é multifatorial e depende da etiologia. A absorção de água e
eletrólitos é prejudicada por parte da mucosa inflamada e também pode ocorrer uma
secreção ativa de eletrólito. É típico que a motilidade colônica esteja comprometida e
a secreção de muco aumentada por um patógeno gerador ou secundariamente pela
mesma inflamação. Uma inflamação avançada pode causar erosão e ulceração do cólon
e sinais clínicos mais graves.
Predisposição
A colite é documentada em todas as raças e em gatos de todas as idades. Está
documentado que a doença inflamatória intestinal (DII) ocorre mais frequentemente
em gatos de raça pura.
Modificações nos nutrientes essenciais
A maioria dos gatos afetados com colite mantém o apetite e o peso corporal. Assim, a
modificação de nutrientes básicos da dieta tem por objetivo reduzir ou eliminar sinais
clínicos. Dependendo da etiologia da colite de cada gato, em particular, pode ser
benéfica uma dieta altamente digestível e com antígenos limitados.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais de acordo
com a fase da vida, estilo de vida e ingestão de energia. Deve-se levar em conta o uso de
dietas altamente digestíveis ou proteínas hidrolisadas ou novas.
Princípios da alimentação coadjuvante
Como a maioria dos gatos com colite mantém o apetite e o peso corporal, o principal
objetivo da modificação da dieta é reduzir os sinais clínicos de tenesmo, disquezia,
sangue nas fezes mucosas, diarreia e/ou constipação. Ao contrário dos cães, os gatos com
colite não se beneficiam com uma maior quantidade de fibras na dieta. Em vez disso,
a base do tratamento dietético é o aumento da digestibilidade da dieta para restringir
o volume da ingestão entregue ao cólon comprometido, minimizando os antígenos da
dieta ao restringir a uma proteína só ou proteína hidrolisada para limitar a inflamação
do cólon. Estudos em seres humanos sugerem que os antioxidantes, os ácidos graxos
Ômega 3, fruto-oligossacarídeos, prebióticos e probióticos podem ser benéficos no
tratamento dietético da colite.
nPetiscos – Enquanto os petiscos podem ser importantes para manter o vínculo
humano-animal, os petiscos que são completamente diferentes em composição com
relação à dieta principal devem ser evitados durante a fase inicial de avaliação, para
estabelecer a eficácia da dieta base. Gatos que são tratados com uma dieta altamente
palatável podem alimentar-se com vários petiscos que também contenham
ingredientes de fácil digestão. Os gatos alimentados com rações com conteúdo
limitados/pouco comuns só devem receber petiscos que contenham os mesmos
ingredientes que a dieta base. Da mesma forma, os gatos que recebem dietas com
proteínas hidrolisadas só podem ser alimentados com petiscos contendo ingredientes
hidrolisados. As formas de alimento enlatadopodem ser assadas para criar bolachas
como petiscos. Como alternativa, uma parte da dieta primária pode ser oferecida
fora dos horários normais de alimentação, utilizando métodos alternativos de
alimento, como um petisco. Pode-se fornecer afeto e atenção como um substituto
dos petiscos. Se são oferecidos petiscos, devem ser incorporados lentamente,
mantendo uma coerência no tipo de petisco oferecido diariamente, e deve-se
monitorar o gato de perto para ver se se repetem os indicadores da colite. Como
sempre, sugere-se que todos os petiscos e suplementos sejam fornecidos
incorporando menos do que 10% do total de calorias diárias.
nDicas para aumentar a palatabilidade–A maioria dos gatos com colite mantém
um bom apetite e geralmente as dietas adequadas para tratar a colite não carecem de
palatabilidade. Se uma dieta comercial, em especial, não é aceita, o gato pode encontrar
outras dietas comparáveis convenientemente tentadoras. Alternativamente, a
palatabilidade pode ser aumentada mediante o aquecimento da comida até a
temperatura corporal ou agregando umidade. Estimulantes do apetite e dispositivos
de alimentação assistida às vezes são necessárias em pacientes cuja anorexia persistente
impossibilita a ingestão calórica necessária.
n Recomendações para a dieta – - Inúmeras rações altamente digestíveis com
ingredientes limitados/pouco comuns e com proteínas hidrolisadas estão à venda,
produzidas pelos principais fabricantes de dietas coadjuvantes. Se forem para ser
utilizadas dietas com ingredientes limitados/pouco comuns, é preferível que tais dietas
contenham ingredientes novos para o indivíduo, como determinado a partir dos
registros dietéticos. O montante inicial dos alimentos deve ser estimado após o cálculo
da ingestão calórica diária quando o peso era estável ou o cálculo das necessidades
energéticas de manutenção, quando a determinação acima não for possível.
Pontos para a educação do proprietário
• A colite em gatos é caracterizada por defecação mais frequente, esforço para defecar
e fezes que possam conter sangue e/ou muco. Normalmente, não está associada
com a perda de peso ou perda de apetite.
• A colite é uma inflamação do intestino grosso (cólon), que pode ser produzida por
infecções por parasitas, fungos ou bactérias; alergia ou intolerância alimentar; ou
câncer. Se desconhece a causa de um dos tipos mais comuns da colite chamada
doença inflamatória do intestino.
• Muitas vezes, vários testes são necessários para identificar a causa da colite, incluindo
exames de sangue e fezes, endoscopia e biópsia do intestino grosso.
• O tratamento medicamentoso visa eliminar a causa subjacente, se tiverem sido
determinadas. A modificação da dieta pode ser um método essencial e eficaz para
aliviar sinais clínicos, independentemente da causa geradora. Em algumas
formas de colite, tal como a associada com a doença inflamatória do intestino, o
tratamento dietético sozinho pode prevenir a recorrência de sinais clínicos.
Comorbidades comuns
A colite pode ser produzida em combinação com a inflamação do intestino delgado
ou inflamação gástrica.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
O tratamento medicamentoso para a colite pode incluir parasiticidas, antiprotozoários,
antibióticos, protetores gastrointestinais e tratamento anti-inflamatórios e
imunossupressores.
Polifagia é um efeito colateral comum de corticosteroides. Deve-se alertar os
proprietários dos gatos que recebem dietas de eliminação que os hábitos alimentares
indiscriminados e a natureza de revirar o lixo podem prejudicar os benefícios da
manipulação da dieta.
Quando prescrita sulfassalazina, um medicamento com ação anti-inflamatória do
cólon, deverá ser administrada junto com os alimentos para reduzir o efeito colateral
Colite - Gatos
54
emético da medicação. Por outro lado, alguns agentes antibacterianos são absorvidos
de forma incompleta na presença de alimentos e a eficácia depende da administração,
a qual deve ser 1 hora antes ou 2 horas após às refeições.
Controle
O tratamento inicial preferido para a colite varia de acordo com o medico veterinário;
alguns preferem unicamente a manipulação da dieta e outros também usam
medicamentos. A eficácia do tratamento é baseada na resolução ou diminuição do
tenesmo, disquezia, hematoquezia, fezes mucosas, diarreia e/ou constipação. Nos
pacientes em que a modificação da dieta por si só não funciona, deve ser promovido
tratamento medicamentoso e continuar por pelo menos 2-4 semanas após controlados
os sinais clínicos antes de se tentar reduzir gradualmente a dose. Pode ser necessário o
tratamento dietético e, em alguns gatos, o tratamento com medicamentos a longo
prazo ou por toda a vida, para controlar os indicadores.
Manejo nutricional da colite em gatos
Dieta com antígenos limitados: Alimentar só com uma
dieta com ingredientes limitados/pouco comuns ou dieta
com proteína hidrolisada durante pelo menos 4 semanas
Dieta altamente digestível
Resolução de 
sinais clínicos
Persistência de
sinais clínicos
Considerar um teste de
provocação com a dieta
habitual para ver se os
indicadores aparecem
novamente
Resolução de 
sinais clínicos
Persistência de
sinais clínicos
Testar uma nova dieta
com antígenos limitados
ou testar uma dieta
altamente digestível 
e continuar
os passos
Avaliação geral do paciente
Etiologia desconhecida Doença inflamatória intestinal ou intolerância
à dieta (confirmação ou suspeita)
Colite neoplásica ou produzida por
parasitas, fungos ou bactérias
Tratamento específico com medicamentos conforme indicado Tratamento específico com medicamentos 
conforme indicado
Manejo nutricional e/ou com medicamento a longo prazo
por toda vida se os indicadores aparecem novamente
Considerar um teste de
provocação com a dieta
habitual para ver se os
indicadores aparecem
novamente
55
Testar uma nova dieta com
antígenos limitados ou testar
uma dieta altamente 
digestível e continuar
os passos
Scott Campbell, BVSc, MACVSc, DACVN
Definição 
A insuficiência pancreática exócrina(IPE) é a diminuição da síntese em células acinares
pancreáticas e da secreção de enzimas digestivas, tais como lipases, amilases, tripsina e
proteases, a qual provoca um atraso na digestão intestinal normal dos carboidratos,
gorduras, proteínas e vitaminas.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
A imunorreatividade semelhante a tripsina (IST) mede o nível, em jejum, do
tripsinogênio (e tripsina ativa) no soro e reflete a função pancreática exócrina. A elastase
pancreática na matéria fecal e a histopatologia do pâncreas, obtida por biópsia cirúrgica
ou laparoscópica, podem ser provas complementares úteis para a investigação da IPE. 
Fisiopatologia
A destruição das células acinares pancreáticas com base genética e imunomediada
precede ao desenvolvimento de IPE em certas raças3. A IPE também é produzida
de forma secundária à pancreatite crônica2. Com qualquer etiologia, a diminuição
da função exócrina do pâncreas produz enzimas menos disponíveis para digerir
o conteúdo do intestino. A má digestão de nutrientes provoca desnutrição,
diarreia, irritação da mucosa intestinal, crescimento excessivo de bactérias e
absorção de toxinas. A diminuição subclínica da função digestiva precede ao
aparecimento de sinais clínicos característicos.
Predisposição
Os cães de raça Pastor Alemão e Collie de pelo comprido compreendem quase 90%
de todos os casos de IPE em cães nos Estados Unidos1. Essas raças, muitas vezes,
desenvolvem a doença quando são jovens de forma secundária à destruição
imunomediada das células acinares pancreáticas. Outras raças podem desenvolver IPE
após a pancreatite crônica em qualquer idade.
Modificações nos nutrientes essenciais
Várias modificações nos nutrientes podem ser úteis em casos especiais de cães com
IPE. Alguns cães, especialmente aqueles que desenvolveram o IPE secundário a uma
pancreatite crônica, podem se beneficiar ao se alimentar de uma dieta baixa em gordura.
É conveniente estabelecer o nível de restrição de gordura em relação ao observadoanteriormente nos registros de consumo alimentar. Outros cães podem se beneficiar
de uma dieta mais elevada em gordura (mais densa em calorias), uma dieta altamente
digestível (baixa fibra) ou uma dieta rica em fibras. Muitos cães podem ser tratados
muito bem, enquanto permanecem com sua dieta habitual suplementada com enzimas
pancreáticas. Independentemente da estratégia utilizada é importante alimentar com
uma dieta completa e equilibrada. Devido à variedade de dietas que podem ser
aceitáveis para cães com IPE, doenças concomitantes podem inicialmente ser uma
prioridade na escolha da dieta, embora possam exigir modificações para observar
indicadores significativos não desejados.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Dieta para cães com IPE normalmente contém menos gordura. Nem todos os cães
com IPE precisam deste nível de restrição de gordura e outros fatores além da gordura
(como digestibilidade, conteúdo com proteína) podem ser importantes para estes cães.
Princípios da alimentação coadjuvante
Algumas fontes recomendam alimentar os cães com IPE com uma dieta com restrição
de gordura altamente digestível para reduzir a flatulência e o volume das fezes, mas
muitos animais podem ser mantidos com diferentes dietas que contêm suplementos
adequados de enzimas digestivas. De fato, estudos recentes não mostraram benefícios
significativos ao alimentar os cães com IPE com uma dieta altamente digestível restrita
em gordura. A restrição desnecessária de gordura na dieta irá reduzir a densidade
calórica, exigindo do animal uma ingestão maior de comida para consumir as calorias
adequadas, para não ter uma perda de peso ainda maior. Um pequeno estudo recente
descobriu que 40% dos cães com IPE obtiveram melhores resultados quando se
manteve a dieta habitual, 25% com uma dieta rica em gorduras, 20% com uma dieta
rica em fibras e 10% com uma dieta altamente digestível4. É reconhecido que alguns
cães com IPE, em particular, respondem de forma diferente a diversos regimes de
alimentação, mas, provavelmente, todos os cães irão se beneficiar com a coerência na
dieta oferecida, permitirá ao médico veterinário formular a estratégia de alimentação
adequada para cada indivíduo. Deve-se considerar a suplementação da dieta com
vitamina B12 por via parentérica em animais carentes desta vitamina.
n Petiscos – Como cães com IPE requerem suplementação com enzimas
digestivas com qualquer alimento, e cada animal em particular pode responder de
forma não desejada a certos nutrientes, tais como gorduras e fibras, geralmente
não são recomendados petiscos. Se forem oferecidos, deve-se incorporá-los
lentamente, mantendo-se uma consistência no tipo de petisco, e deve-se
acompanhar de perto o cão caso ocorram efeitos adversos. Como sempre, sugere-
se que todos os petiscos e suplementos sejam fornecidos com menos do que 10%
do total de calorias diárias.
nDicas para aumentar a palatabilidade–A maioria dos cães com IPE mantém um
excelente apetite. Se uma preparação comercial, em especial, não é aceita, o cão pode
se interessar por outras dietas comparáveis. Alternativamente, a palatabilidade pode
ser aumentada por aquecimento do alimento à temperatura corporal ou por adição de
um adoçante, tal como xarope de milho. Estimulantes do apetite e dispositivos de
alimentação assistida às vezes são necessários em pacientes cuja anorexia persistente
impossibilita a ingestão de calorias necessárias.
n Recomendações para a dieta– Muitos tipos de dietas para doença intestinal
produzidas por fabricantes de dietas coadjuvantes veterinárias são considerados
altamente digestíveis, mas possuem conteúdos de gordura variadas. Os médicos
veterinários devem verificar o teor de gordura das dietas (de preferência em base de
EM) com os fabricantes para garantir que sejam adequadas para animais com
intolerância à gordura. Alguns cães com IPE podem melhorar os sinais clínicos ao
serem alimentados com uma dieta com alto teor de fibras ou com sua dieta habitual.
Pontos para a educação do proprietário
• A IPE é uma doença comum em cães em que o pâncreas não consegue produzir os
produtos necessários para a digestão normal de alimentos.
• Muitas vezes, o diagnóstico é sugerido com base na raça, idade e sinais clínicos,
mas um teste de laboratório é necessário para a confirmação.
• Sinais clínicos que são comumente observados em cães com IPE incluem
perda de peso, apesar de uma adequada ingestão diária de calorias, diarreia e
pelagem quebradiça.
• Estes indicadores podem frequentemente ser aliviados com o tratamento adequado.
• Os animais diagnosticados com IPE necessitam de tratamento ao longo da vida, mas
podem alcançar a sobrevivência prolongada (media de sobrevida> 5 anos em um
estudo recente) especialmente é obtida uma resposta inicial rápida.
• Geralmente é recomendado alimentar com uma dieta uniforme e suplementar com 
enzimas digestivas.
Insuficiência pancreática exócrina - Cães
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Gordura 7–15 3–5 5 1.4
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como
percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia
metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender às necessidades normais,
de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
*Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação
Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
56
• Vários tipos de dieta podem ser efetivos para cada cão individualmente, dessa forma, 
é sugerido realizar alguns testes com dietas separadas.
• Numerosas doenças secundárias podem complicar o tratamento; muitas vezes, a sua
presença é verificada para garantir um controle ideal de sinais clínicos
associados ao IPE.
• Muitas vezes pode-se ver uma resposta rápida ao tratamento, mas alguns animais
respondem mal até mesmo aos planos de tratamento mais abrangentes.
Comorbidades comuns
A medição de folato e cobalamina no soro pode ser útil na avaliação das doenças
concomitantes, tais como má nutrição de vitamina B12 ou o crescimento bacteriano
excessivo. Ambas as doenças comumente ocorrem em cães com IPE e podem ter efeitos
clinicamente relevantes. A vitamina B12 pode ser administrada a cada 1 a 4 semanas
por via parentérica aos cães que tem falta de tal vitamina, já que a suplementação por
via oral, provavelmente, não será benéfica em animais com distúrbios intestinais na
gestão deste nutriente. Cães com alterações na microbiota intestinal secundária à má
digestão de nutrientes podem se beneficiar com um antibiótico como a tilosina ou um
suplemento probiótico. Pode ser útil avaliar periodicamente as outras raças diferentes
daquelas conhecidas por ter uma base genética para desenvolver IPE em busca de
evidências de pancreatite subjacente e diabetes mellitus concorrente.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
A suplementação da dieta com enzimas digestivas em forma de pó, concentrado
de pâncreas cru ou comprimidos/cápsulas antes da ingestão é essencial para
assegurar um tratamento eficaz de IPE. A suplementação inadequada com
enzimas digestivas é uma causa comum de falha no tratamento. Alguns médicos
acreditam que os suplementos em pó são mais eficazes em alguns cães. Grande
parte da enzima suplementada é digerida no estômago, por isso deve-se
proporcionar quantidades suficientes para rebater os valores de perda antecipada.
Alguns animais podem se beneficiar da administração simultânea de antagonistas
H-2, tais como famotidina, para reduzir a acidez gástrica.
Controle
Os principais sinais clínicos que indicam a obtenção dos efeitos terapêuticos desejados
são a resolução da diarreia, a manutenção ou o ganho de peso e a melhoria da pelagem.
Pode também ajudar controlar os níveis de cobalamina no soro, ácido fólico e
imunorreatividade lipase pancreática dependendo dos resultados dos testes iniciais.Os animais que respondem mal à dieta, à suplementação e aos medicamentos corretos
devem ser avaliados em busca de neoplasia intestinal, inflamação intestinal ou reações
adversas aos alimentos.
Manejo nutricional da insuficiência pancreática exócrina em cães
Dieta baixa em gordura
(suspeita de pancreatite) Dieta rica em gordura
Persistência de 
sinais clínicos
Persistência de 
sinais clínicos
Resolução de 
sinais clínicos
Garantir que a dosagem
e o tipo de suplemento
de enzimas pancreáticas
estejam corretos
Manter o manejo
nutricional e com
medicamentos por toda a
vida
Considerar uma
avaliação na busca de
Comorbidades comuns 
Diagnóstico confirmado e suplementação de enzimas pancreáticas iniciada
Alimentar com uma dieta específica regularmente
Dieta rica em fibras Dieta habitualDieta altamente digestível
57
Princípios da alimentação coadjuvante
Os objetivos do manejo nutricional são minimizar a irritação gástrica/vômito, reduzir
as secreções gástricas/intestinais, promover o esvaziamento gástrico, normalizar a
motilidade intestinal, minimizar o desperdício, e atender a certos requisitos nutricionais.
O tratamento inicial para os vômitos agudos que não são prolongados inclui suspensão
da alimentação por 12-24 horas, com fluidoterapia se o animal estiver gravemente
desidratado. Assim que for controlado o vômito, oferecer pequenas quantidades de
água ou cubos de gelo por via oral. Se tolerado, incorporar novamente e gradualmente
uma dieta enteral. As metas iniciais para regressar à alimentação são de 25% a 33% de
calorias necessárias para a necessidade de energia em repouso (RER), com aumento
gradual ao longo de vários dias para se atingir o RER, em seguida, as necessidades diárias
de energia (RED) para o peso corporal (PC) atual. Pequenas quantidades de alimento,
várias vezes ao dia (três a seis) minimizam qualquer resposta adversa e aumentam a
assimilação da dieta. As características específicas da dieta e os níveis desejados de
nutrientes incluem:
• Digestibilidade total da dieta ≥ 90%.
• Fonte de proteínas novas ou hidrolisadas. O ideal é uma fonte só de proteínas de alta
qualidade com alta digestibilidade (>87%). Ingestão desejada de proteínas entre 4,5
e 7,5 g/100 kcal consumidas; dieta 16 - 30%, em matéria seca (MS).
• Ingestão de gordura entre 2.6e 4.7 g/100 kcal; dieta ≤15% gordura, MS. 
• Baixo teor de fibras insolúveis para aumentar a digestibilidade. Ingestão de fibra
desejada entre 0,2 e 0,35 g/100 kcal (~ 1,0%, MS) com fontes de fibras fermentáveis
tais como a pectina, goma de guar, goma arábica, polpa de beterraba.
• Ajustar o conteúdo de potássio (K +), sódio (Na) e de cloreto. Ingestão de eletrólitos
desejada entre 140 e 230 mg de K +/100 kcal; entre 0,6% e 1,3%, MS e entre 85 e
120 g de Na/100 kcal; 0,35% a 0,5%, MS.
• Ajustar o conteúdo de potássio (K +), sódio (Na) e de cloreto. Ingestão de eletrólitos
desejada entre 140 e 230 mg de K +/100 kcal; entre 0,6% e 1,3%, MS e entre 85 e
120 g de Na/100 kcal; 0,35% a 0,5%, MS.
nPetiscos–Normalmente, não são recomendados petiscos quando está se tratando
distúrbios gastrointestinais. Se os petiscos são um componente necessário do regime
de alimentação diária, escolher petiscos altamente digestíveis que forneçam uma fonte
de proteínas novas ou hidrolisadas e moderado conteúdo de gorduras. Pode ser
apresentada uma pequena porção da refeição da dieta seca escolhida ou um produto
seco hidrolisado complementar em partículas. A partir da escolha da dieta úmida
Korinn E. Saker, DVM, PhD, DACVN
Definição
A gastroenteriteé uma doença inflamatória dos intestinos e do estômago. Comumente
caracterizada por infiltrados celulares (eosinófilos, linfócitos, células plasmáticas) na
lâmina própria, a submucosa e/ou a mucosa muscular, erosões/úlceras gástricas ou por
uma diarreia severa com sangue (hemorrágica). O tipo de célula predominante indica
o tipo de doença (isto é, gastroenterite eosinófila ou linfocítica plasmocítica [LPL]).
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
As principais características incluem um histórico de diarreia e/ou vômito crônico e
intermitente, perda de peso / escore de condição corporal, Pan-hipoproteinemia e
leucocitose neutrofílica com LPL. As ferramentas de diagnóstico compreendem uma
base de dados mínima mais exames de fezes, testes para a detecção de antígenos
bacterianos e cultura de bactérias, imunorreatividade semelhante a tripsina (IST) em
jejum, testes de folato e cobalamina, e teste com dieta hipoalergênica. Os estudos de
contraste com bário, ultrassom e endoscopia do abdômen podem ajudar a avaliar a
distribuição da doença e espessura da parede intestinal/estomacal, para facilitar o
diagnóstico da biópsia.
Fisiopatologia
A irritação/lesão na mucosa e/ou resposta imunológica anormal conduzem à
interrupção da barreira mucosa e da captação e infiltração de células inflamatórias. O
contínuo dano na mucosa produz perda na função da barreira do trato gastrointestinal
(TGI), diminuição do fluxo sanguíneo e alterações na motilidade do intestino. As
principais causas são desordens alimentares, intolerância à dieta, ingestão de corpos
estranhos, toxinas, medicamentos e agentes infecciosos. Doenças renais e hepáticas,
distúrbios endócrinos, choque e sepse são causas sistêmicas comuns.
Predisposição
As doenças relacionadas com a alimentação, corpos estranhos e infecções são
comuns em cães mais jovens, enquanto as etiologias metabólicas, neoplásicas e
induzidas por medicamentos são comuns em cães mais velhos. A gastroenterite
LPL afeta cães com mais de 5 anos. Predileções por raça mostram cães de raça
Pastor Alemão e Shar-Pei com LPL; cães da raça Setter Irlandês com sensibilidade
ao glúten; e cães de raça Basenji e Lundehund Norueguês com doença intestinal
inflamatória sem LPL. A gastroenterite eosinofílica tem menor incidência e ocorre
principalmente em cães com idade inferior a 5 anos, especialmente da raça Pastor
Alemão, Rottweiler e Wheaten Terrier de pelo macio.
Modificações nos nutrientes essenciais
A inflamação característica da gastroenterite altera adversamente a digestão e a absorção
de nutrientes. Mudanças na dieta devem incidir sobre a digestibilidade total da dieta,
escolhendo uma dieta altamente digestível (≥ 90%). Deve-se alterar a fonte de proteína
dietética para alguma a qual o animal de estimação não tenha sido previamente exposto
e limitar o teor a uma, ou talvez duas, fontes de proteína de alta qualidade; alimentar com
níveis mínimos adequados. Alterar o nível de gorduras na dieta com base na inflamação
do TGI. São preferíveis as fontes de carboidratos solúveis altamente digestíveis fornecidas
em pequenas quantidades. As dietas com maior teor de umidade (enlatado ou sachê)
ajudam a neutralizar as perdas de líquidos. Os níveis mais elevados de potássio, cloreto
e de sódio na dieta ajudam a corrigir alterações nos eletrólitos. Os ácidos graxos Ômega
3 podem exercer uma função anti-inflamatória.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Gastroenterite/Vômitos - Cães
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Proteína 16–30 4.5–7.5 18 5.1
Gordura 10–15 2.6–4.7 5 1.4
Fibra bruta# 1–2.5 0.2–0.4 n/d n/d
mg/100 kcal mg/100 kcal
Potássio 0.6–1.3 140–230 17 170
Sódio 0.3–0.5 85–120 0.06 17
Ácido Graxo 1–1.5 200–300 n/d n/d
Ômega-3
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como
percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia
metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de
acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação
Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
# São preferíveis as fibras solúveis. A análise de fibras brutas inclui a maior parte das fibras
insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma,a fibra bruta tem uma utilidade
limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliado. Deve-se avaliar a lista de
ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis.
58
podem ser feitos petiscos assados. A contribuição calórica não deve exceder 10% do
total de calorias diárias.
nDicas para aumentar a palatabilidade–Vômitos podem estar associados com uma
aversão aos alimentos. Para superar este problema, deve-se rever a lista de
ingredientes/conteúdo de nutrientes da dieta que o paciente consumia antes do
distúrbio, em seguida, identificar dietas para tratar a doença com diferentes fontes de
nutrientes (proteínas, gorduras) para o retorno à alimentação.
Aquecer o alimento enlatado a uma temperatura ligeiramente acima da temperatura
ambiente, para melhorar o sabor. Adicionar ao alimento seco água morna ou caldo
quente, com baixo teor de sódio.
Se for alimentado com uma fonte de proteínas hidrolisadas ou novas, o caldo deve vir
especificamente a partir dessa fonte de proteínas.
n Recomendações para a dieta – As dietas coadjuvantes altamente digestíveis
formuladas para o tratamento da gastroenterite podem ser mencionadas como dieta
gastroentérica, gastrointestinal, intestinal ou de baixo resíduo. As dietas com carboidratos/
proteínas novas ou hidrolisadas são comumente chamadas de dieta anti-inflamatória,
para a alergia aos alimentos, hipoalergênica, com antígenos limitados, baixa em alérgenos,
ou com fórmula para pele e pelagem. Dietas para a etapa de vida de idade avançada
podem ser bem aceitáveis.
Pontos para a educação do proprietário
• Os cães com gastrenterite causadas por infecções ou parasitas podem contagiar outros
animais. A exposição frente a outros animais e o manuseio destes pacientes deve ser 
realizado com cuidado.
• Os animais diagnosticados com doença inflamatória do intestino podem ter um
componente genético e/ou uma desordem do sistema imunológico que predispõem
esses animais a outras doenças.
• A castração e a esterilização dos animais afetados deverão ser analisadas devido ao
potencial hereditário.
• A doença inflamatória intestinal não é curada, mas tratada com medicamentos e
através de orientações na alimentação.
• O tratamento e sua continuação podem ser por toda a vida. As mudanças na dieta 
devem ser feitas de forma gradual. Hospitalização e nutrição parenteral podem ser 
necessárias no caso de pacientes debilitados.
Comorbidades comuns
A enteropatia com perda de proteínas, a insuficiência renal, a insuficiência hepática, o
hipoadrenocorticismo, a pancreatite e a insuficiência pancreática exócrina são
comorbidades comuns em cães com gastroenterite ou vômitos.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Os antagonistas dos receptores H2e os inibidores da bomba de prótons podem diminuir
a absorção de ferro e vitaminas do complexo B, devido a uma diminuição da liberação de
ácidos. Os citoprotetores formam uma barreira mucosa, inativam a pepsina, absorvem sais
biliares e podem se fixar aos nutrientes causando uma diminuição da absorção desses
nutrientes. Os procinéticos alteram o ritmo da entrega e absorção de alimentos no
intestino delgado ao influenciar a motilidade intestinal. A administração crônica de
esteroides pode diminuir a absorção de cálcio. Altas doses de metronidazol podem causar
neurotoxicidade reversível. A ciclosporina pode irritar o TGI e as gengivas. A
administração de antibióticos altera a microbiota do trato digestivo e podem quelar
minerais (Ca, Mg, Fe, Zn), afetando o metabolismo e absorção de nutrientes.
Controle
Controlar a hidratação mediante o hematócrito sequencial, a gravidade específica da
urina, e/ou a resposta à manobra da dobra cutânea. Usar os valores séricos para avaliar
o estado dos eletrólitos e da função renal. Imagens podem determinar alterações na
espessura da parede estômago/intestinal e na distribuição da doença. Alterações no
peso corpóreo e na pontuação do escore de condição corporal refletem a utilização
de nutrientes e/ou de suas perdas contínuas. Se houver pouca ou nenhuma melhora
nas medidas principais, reavaliar os componentes do plano de alimentação (paciente,
dieta, método de alimentação) para reformular o plano de suporte nutricional com
base em novas situações ou parâmetros previamente omitidos.
59
Manejo nutricional da gastroenterite/vômitos em cães
Repouso do TGI durante 12 - 24 horas
Aguda, < 5 dias Crônica, > 5 dias
Oferecer pequenos volumes de água/cubos
de gelo a cada 2-3 horas por 1 dia
Iniciar mais testes para resolver os vômitos
Vômitos resolvidos Vômitos resolvidos
Avaliação do paciente
Fluidoterapia, exame diagnóstico completo +/-
nutrição parenteral
Vômitos resolvidos
Oferecer dieta entérica (DE) 15-25% do RER, dividida a cada 3-4 horas por 1 dia
Vômitos resolvidos
Oferecer DE ao 33-66% do RER, dividida a
cada 4-6 horas por 1-2 dias
Vômitos resolvidos
Oferecer DE 100% do RER, dividida a cada 8 horas por 1-2 dias
Vômitos resolvidos
Oferecer DE ao RED para peso corporal ótimo,
dividido a cada 2-3 vezes por dia por 1 - 2 dias
Vômitos resolvidos
Transição de DE para a dieta adequada a 
longo prazo ao RED Vômitos resolvidos
Vômitos continuam
Vômitos continuam
Vômitos continuam
Vômitos continuam
Vômitos continuam
Vômitos continuam
DE: Dieta entérica
RED: Requerimento energético diário
RER: Requerimento energético de repouso
Princípios da alimentação coadjuvante
Os objetivos nutricionais são minimizar a irritação gástrica/vômito, reduzir as secreções
gástricas/intestinais, promover o esvaziamento gástrico, normalizar a motilidade
intestinal, minimizar os resíduos, e atender a certos requisitos nutricionais.
O tratamento inicial para vômito agudo que não é prolongado inclui suspensão da
alimentação por 12-24 horas, com fluidoterapia se o animal estiver gravemente
desidratado. Com os vômitos resolvidos, oferecer pequenas quantidades de água ou
cubos de gelo por via oral. Se tolerado, novamente e gradualmente, incorporar uma dieta
enteral. As metas iniciais para regressar à alimentação são de 25% a 33% de calorias
necessárias para o requerimento energético em repouso (RER), aumentando
gradualmente ao longo de vários dias para se atingir o RER, em seguida, o requerimento
diário de energia (NDT) para o peso corporal (PC) atual. Pequenas quantidades de
alimento, várias vezes ao dia (três a seis) minimizam qualquer resposta adversa e
aumentam a assimilação da dieta. As características específicas da dieta e os níveis desejados
de nutrientes incluem:
• Digestibilidade total da dieta ≥90%.
• Fonte de proteínas novas ou hidrolisadas. O ideal é uma única fonte de proteína de
alta qualidade com elevada digestibilidade (> 87%). Ingestão desejada de proteína entre
7,5 e 9,5 g/100 kcal consumidas; de 32% a 42%, em matéria seca (MS).
• Ingestão desejada de gordura entre 3,5 e 6,0 g/100 kcal; dieta de 15% a 24% de
gordura, MS.
• Baixo teor de fibras insolúveis para aumentar a digestibilidade. Ingestão desejada de
fibra entre 0,2 e 0,5 g/100 kcal (1,0% a 2,5%, MS) com fontes de fibras fermentáveis tais
como a pectina, goma de guar, goma arábica, polpa de beterraba.
• Ajustar o conteúdo de potássio (K +), sódio (Na) e de cloreto. Ingestão desejada de
eletrólito entre 180 e 250 mg de K +/100 kcal; de 0,75% a 1,1%, MS e entre 70 e 85 g
de Na/100 kcal; entre 0,3% e 0,45%, MS.
• Perdas leves de líquidos devem ser repostas por via oral com água limpa e fresca e/ou
uma dieta úmida. Perdas moderadas a severas devem-se recuperar por via parenteral com
soluções cristaloides adequadas.
• Conteúdos de Ácidos graxos Ômega 3 ~ 250 mg/100 kcal; de 75 a 100 mg/kg de
peso corporal. Proporção desejada na dieta de Ômega 6: Ômega 3 a ≤2: 1.
• Pode ser considerada a suplementação com probióticos, mas isso geralmente é mais
indicado nos casos de diarreia clínica.
nPetiscos–Normalmente, petiscos não são recomendados enquanto se está tratando
distúrbios gastrointestinais. Se os petiscos são um componente necessário do regime de
Korinn E. Saker, DVM, PhD, DACVN
Definição 
A gastroenterite é umadoença inflamatória dos intestinos e do estômago. Os
infiltrados celulares (eosinófilos, linfócitos, células de plasma) na lâmina própria,
na submucosa e/ou mucosa muscular são característicos e indicam o tipo de
gastroenterite (isto é, eosinofílica ou linfocítica plasmocítica [LPL]). Podem-se
desenvolver erosões/úlceras gástricas.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
As principais características da gastroenterite em gatos incluem um histórico de
diarreia e/ou vômito crônico intermitente, perda de peso / escore de condição
corporal, eosinofilia periférica, anemia não degenerativa e deficiência de cobalamina.
As ferramentas de diagnóstico compreendem uma base de dados mínima mais
tiroxina (T4), sorologia do vírus da leucemia felina (FeLV, em inglês)/vírus da
imunodeficiência felina (FIV, em inglês), imunorreatividade similar à da tripsina (IST)
em jejum e testes de cobalamina. Os estudos de contraste de bário, de ultrassom e
endoscopia do abdômen podem ajudar a avaliar a distribuição da doença, a espessura
da parede intestinal/estomacal e facilitar o diagnóstico da biópsia.
Fisiopatologia
A irritação/lesão da mucosa e/ou a resposta imunológica anormal conduzem à
interrupção da barreira mucosa e da captação e infiltração de células inflamatórias. Danos
contínuos na mucosa produzem perda da função de barreira do trato gastrointestinal
(TGI), diminuição do fluxo sanguíneo, e alterações na motilidade do intestino. As
principais causas são: desordens alimentares, intolerância à alimentação, transtornos na
motilidade, ingestão de corpos estranhos, toxinas ou agentes irritantes, medicamentos e
agentes infecciosos. Doenças renais e hepáticas, a pancreatite e o hipertireoidismo são
causas sistêmicas comuns.
Predisposição
A enterite linfocítica plasmocítica é uma causa associada da doença inflamatória intestinal
(DII), mais comum em animais com idade entre 2 anos ou mais, mas é observada
ocasionalmente nos filhotes. Não há descrição por predileções de raças. A síndrome
hipereosinofílica ocorre mais frequentemente em gatos domésticos de pelos curtos, de
meia idade. As etiologias relacionadas com a ingestão de corpos estranhos, parasitas e
infecções são mais comuns em animais mais jovens, enquanto as de causa metabólica,
neoplásicas e induzidas por medicamentos são mais comuns em animais mais velhos. Os
distúrbios da motilidade intestinal observam-se em gatos domésticos de pelo curto, gatos
domésticos com pelos longos e em gatos siameses de meia idade.
Modificações nos nutrientes essenciais
A inflamação associada à gastroenterite altera de modo adverso a digestão e a absorção
de nutrientes. As mudanças na dieta devem incidir sobre a digestibilidade total da dieta;
o melhor é escolher uma dieta altamente digestível (≥ 90%). A fonte de proteínas terá
que ser modificada para uma outra a que o animal de estimação ainda não tenha sido
exposto e o conteúdo limitado a apenas uma, no máximo duas, fontes de proteína de alta
qualidade fornecidas em níveis reduzidos. O nível de gordura na dieta deve ser
modificado com base na localização da inflamação gastrointestinal. São preferidas as
fontes de carboidratos solúveis altamente digestíveis fornecidas em pequenas quantidades.
As dietas com maior teor de umidade (enlatado ou sachê) ajudam a neutralizar as perdas
de líquidos. Os níveis mais elevados de potássio, cloreto e sódio na dieta ajudam a corrigir
as alterações nos eletrólitos. Os ácidos graxos ômega 3 podem exercer uma função 
anti-inflamatória.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Gastroenterite/Vômitos - Gatos
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Proteína 32–42 7.5–9.5 26 6.5
Gordura 15–24 3.5–6.0 9 2.3
Fibra Bruta# 1–2.5 0.2–0.5 n/d n/d
mg/100 kcal mg/100 kcal
Potássio 0.75–1.1 180–250 0.6 150
Sódio 0.3–0.5 70–85 0.2 50
Ácido Graxo 1–1.5 200–300 n/d n/d
Ômega-3
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada como
percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia
metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais, de
acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
*Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação
Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
# São preferíveis as fibras solúveis. A análise de fibras brutas inclui a maior parte das fibras
insolúveis, mas não inclui fibras solúveis. Dessa forma, a fibra bruta tem uma utilidade
limitada quando o teor de fibra total dos alimentos é avaliado. Deve-se avaliar a lista de
ingredientes para conhecer as fontes de fibras solúveis.
60
alimentação diário, escolher alimentos altamente digestíveis que forneçam uma fonte
de proteínas novas ou hidrolisada e moderado teor de gorduras. Pode-se dar como
petiscos uma pequena porção da alimentação seca escolhida ou uma ração seca
hidrolisada suplementar em partículas. A partir da escolha da dieta úmida podem ser
feitos petiscos assados. A contribuição calórica dos petiscos não deve exceder 10% do
total de calorias diárias.
nDicas para aumentar a palatabilidade–Vômitos podem ser associados com uma
aversão aos alimentos. Para superar este problema, deve-se rever a lista de
ingredientes/conteúdo de nutrientes da dieta que o paciente comia antes do distúrbio e
identificar dietas para tratar a doença com diferentes fontes de nutrientes (isto é, proteína,
gordura) para o processo de voltar à alimentação. 
Aquecer o alimento enlatado a uma temperatura ligeiramente acima da temperatura
ambiente, para melhorar o sabor. Adicionar ao alimento seco água morna ou caldo de
frango quente, com baixo teor de sódio. Se alimentado com uma fonte de proteínas
hidrolisadas ou novas, o caldo deve vir especificamente a partir dessa fonte de proteínas.
n Recomendações para a dieta– As dietas coadjuvantes altamente digestíveis
formuladas para o tratamento da gastroenterite podem ser mencionadas como dieta
gastroentérica, gastrointestinal, intestinal ou de baixo resíduo. As dietas com
carboidratos/proteínas novas ou hidrolisadas são comumente chamadas de dieta anti-
inflamatória, para a alergia aos alimentos, hipoalergênicos, com antígenos limitados, baixa
em alérgenos, ou uma fórmula para pele e pelagem. Dietas para a etapa de vida de idade
avançada podem ser bem aceitáveis. 
Começar a voltar a dar alimentos ao nível ou abaixo da RER (PC atual), a fim de fornecer
a longo prazo, calorias da NDT a um PC ótimo.
Pontos para a educação do proprietário
• Gatos com gastroenterite causada por infecções ou parasitas podem ser contagiosos
para outros animais. A exposição a outros animais e o tratamento desses pacientes 
deve ser realizado com cuidado.
• Os animais diagnosticados com doença inflamatória do intestino podem ter um
componente genético e/ou uma desordem do sistema imunológico e serem
predispostos a outras doenças. A castração e a esterilização dos animais afetados devem
ser analisadas devido à carga hereditária.
• Doenças inflamatórias do TGI não são curadas, mas sim são tratados com medicação 
e nutrição. O tratamento e o monitoramento podem ser feitos pelo resto da vida. As
mudanças na dieta devem ser feitas de forma gradual. Pacientes debilitados podem
precisar de hospitalização e nutrição parenteral.
Comorbidades comuns
Desidratação, desnutrição, hipoproteinemia, anemia, insuficiência renal,
insuficiência hepática, hipertireoidismo, pancreatite, insuficiência pancreática
exócrina, neoplasia e FeLV/FIV são doenças de comorbidade comuns em gatos
com gastroenterite ou vômitos.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Os antagonistas dos receptores H2e os inibidores da bomba de prótons podem diminuir
a absorção de ferro e vitaminas do complexo B, devido a uma diminuição da liberação
de ácidos. Os citoprotetores formam uma barreira mucosa, inativam a pepsina, absorvem
sais biliares e podemse fixar nos nutrientes causando uma diminuição na absorção de tais
nutrientes. Os procinéticos alteram o ritmo de entrega e absorção dos alimentos no
intestino delgado ao influenciar a motilidade intestinal. A administração crônica de
esteroides pode diminuir a absorção de cálcio. Altas doses de metronidazol podem
provocar neurotoxicidade reversível. Antibióticos mudam a microbiota do trato digestivo
e podem quelar minerais (Ca, Mg, Fe, Zn), que afetam o metabolismo e absorção dos
nutrientes. Azatioprina pode causar supressão da medula óssea em gatos.
Controle
Controlar a hidratação mediante o hematócrito sequencial, a gravidade específica da
urina, e/ou a resposta à manobra da dobra cutânea. Usar os valores séricos para avaliar o
estado dos eletrólitos e da função renal. Imagens podem determinar alterações na
espessura da parede estomacal/intestinal e a distribuição da doença. Alterações no peso
corpóreo, na pontuação do escore de condição corporal refletem a utilização de nutrientes
e/ou de suas perdas contínuas. Se houver pouca ou nenhuma melhora nos exames
complementares, reavaliar os componentes do plano de alimentação (paciente, dieta,
método de alimentação) para reformular o plano de suporte nutricional com base em
novas situações ou parâmetros previamente omitidos.
61
Manejo nutricional da gastroenterite / vômitos em gatos
Repouso do TGI durante 12 - 24 horas
Aguda, < 5 dias Crônica, > 5 dias
Oferecer pequenos volumes de água/cubos
de gelo a cada 2-3 horas por 1 dia 
Iniciar mais testes para resolver os vômitos 
Vômitos resolvidos Vômitos continuam
Avaliação do paciente
Fluidoterapia, exame diagnóstico
completo +/- nutrição parenteral
Vômitos resolvidos
Oferecer dieta entérica (DE) 15-25% do RER, dividida a cada 3-4 horas por 1 dia
Vômitos resolvidos
Oferecer DE ao 33-66% do RER, dividida a
cada 4-6 horas por 1-2 dias
Vômitos resolvidos
Oferecer DE 100% do RER, dividida a cada 8 horas por 1-2 dias
Vômitos resolvidos
Oferecer DE ao RED para peso corporal ótimo,
dividido a cada 2-3 vezes por dia por 1 - 2 dias
Vômitos resolvidos
Transição de DE para a dieta adequada 
a longo prazo ao RED Vômitos resolvidos
Vômitos continuam
Vômitos continuam
Vômitos continuam
Vômitos continuam
Vômitos continuam
Vômitos continuam
DE: Dieta entérica
RED: Requerimento energético diário
RER: Requerimento energético de repouso
Enteropatias crônicas - Cães
Frédéric P. Gaschen, Dr.med.vet., Dr.habil., DACVIM, DECVIM-CA
Dottie Laflamme, DVM, PhD, DACVN
Definição
As enteropatias crônicas em cães incluem reações adversas a alimentos, diarreia
associada a antibióticos (DAA) e doença inflamatória do intestino (DII) e são
definidas pelo aparecimento de diarreia crônica, as vezes intermitente, com ou sem
vômitos associados com um infiltrado inflamatório de gravidade variável na mucosa
gastrointestinal (GI), na ausência de uma causa identificável.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
Os exames completos típicos diferem dependendo da gravidade da doença.
Inicialmente, é essencial descartar uma infestação por parasitas com exames em série
de fezes ou a administração de um anti-helmíntico de amplo espectro. Cães com
doença leve a moderada podem ser submetidos a mais testes de tratamento com dietas
de eliminação antes de considerar exames completos mais abrangentes. Esta opção
inclui hemograma completo e perfil químico, ultrassom abdominal e amostras de
biópsia tirada da mucosa. Cães gravemente afetados e aqueles com indicadores de perda
de proteínas geralmente se beneficiam de uma abordagem diagnóstica inicial agressiva.
Fisiopatologia
As reações adversas aos alimentos incluem intolerância alimentar (uma reação
imunologicamente não mediada) e alergia alimentar (mediada ou não por IgE).
Cães com DAA beneficiam-se com a mudança na microbiota intestinal ou com
desaparecimento das bactérias ofensivas secundarias nos tratamentos com antibióticos.
Alternativamente, certos agentes antimicrobianos podem influenciar diretamente a
imunidade da mucosa.
A patogênese da DII em cães ainda é em grande parte desconhecida. A microbiota
intestinal anormal e as interações atípicas entre a microbiota e o sistema imunológico
do hospedeiro são os principais agentes envolvidos, como exemplificado pela aderência
às mucosas e à E. coli invasiva que foram diretamente envolvidas na patogênese da
colite ulcerativa histiocítica (CUH), uma forma específica de DII.
Predisposição
Enquanto muitas raças de cães foram diagnosticadas com enteropatia crônica,
foram identificadas algumas predileções de raça. Documentada uma alta
incidência de enteropatia com perda de proteínas nos cães da raça Wheaten
Terrier, Shar-Pei e Lundehound Norueguês. Linfangiectasia frequentemente
ocorre em cães da raça Yorkshire Terrier. A enterite imunoproliferativa é uma
doença de cães de raça pura Basenji. Os cães da raça Pastor Alemão têm alto risco
de DAA. Num estudo recente, os cães com enteropatia crônicas sensíveis à dieta
eram geralmente cães jovens de raças grandes, enquanto aqueles diagnosticados
com DII eram geralmente cães mais leves e mais velhos.
Modificações nos nutrientes essenciais
Enteropatias crônicas são uma síndrome mal definida com múltiplas etiologias, muitas
vezes desconhecidas. Assim, a dieta sozinha pode não ser apropriada para todos os
casos. Grande parte dos cães com enteropatia idiopática crônica responderão a uma
doença inflamatória severa do intestino delgado podendo causar má absorção e má
nutrição. Estes pacientes devem ser alimentados com uma dieta de alta digestibilidade
com moderado a baixo teor de gordura. Ácidos graxos ômega 3 de óleo de peixe podem
reduzir a inflamação, e alguns pacientes com DII podem se beneficiar com uma dieta
com mais óleo de peixe. Se a linfangectasia é parte da síndrome, deve-se alimentar com
uma dieta com baixo teor em gordura. Podem ser usados triglicerídeos de cadeia média
para fornecer calorias adicionais altamente digestíveis. Os probióticos podem ser
benéficos em cães com DII.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Nutriente % MS mg/100 kcal % MS mg/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Total de gor- 12–14% 2.5–3.5 5.0 1.43
dura na dieta
Princípios da alimentação coadjuvante
O objetivo do tratamento dietético é fornecer uma alimentação equilibrada aos
pacientes, ajudando a atender os sinais clínicos. A inflamação gastrointestinal
ocorre em resposta a antígenos alimentares, antígenos bacterianos e outros agentes
irritantes. Qualquer mudança na dieta pode causar alterações nesses agentes
estimulantes potenciais.
Os cães com enteropatia idiopática crônica devem ser submetidos a um teste com
proteína nova ou hidrolisada na dieta. Os cães podem apresentar melhora se forem
alimentados com essas dietas, ainda que não apresentem alergia alimentar (um
diagnóstico final de alergia alimentar envolve uma recaída clínica sob provocação
com os ingredientes da dieta anterior). Deve ser observada uma melhora dentro
de 2-3 semanas.
Uma alta porcentagem de cães com suspeita ou confirmação de DII apresentou
melhora clínica após a alimentação ou com uma dieta de proteína hidrolisada ou uma
dieta com 1% de ácidos graxos ômega 3 de óleo de peixe.
Para pacientes com enteropatia e perda de proteínas ou linfangiectasia, deve-se usar uma
dieta altamente digestível muito baixa em gordura. Também pode ser valiosa para esses
pacientes uma dieta contendo proteínas hidrolisadas, se tiver baixo conteúdo de gorduras.
Os probióticos podem ser úteis em pacientes com DII. Ao modificar a microbiota
gastrointestinal, podem alterar os antígenos bacterianos presentes no intestino e, deste
modo, reduzir o estímulo inflamatório.
n Petiscos – Os petiscos, bem como medicamentos com sabor devem ser
completamente excluídos em cães submetidos a testes alimentares (para inflamações
sensíveis à dieta). Onde for permitido, os petiscos não devem exceder 10% da ingestão
diária de calorias. Se alimentado com uma dieta seca, pode-se deixar as partículas ao lado
para oferecê-los comopetiscos. Se alimentados com uma dieta úmida, pode-se usar
esse alimento tal qual, ou assá-lo para dar uma textura crocante. Cães com linfangiectasia
pode-se oferecer petiscos com baixo teor de mudança na dieta. Entre eles, muitos cães
irão se beneficiar da mudança para uma dieta de eliminação (fonte de novas proteínas
ou proteínas hidrolisadas).
nDicas para aumentar a palatabilidade–A adição de água morna pode melhorar
a palatabilidade da comida seca. Aquecer os alimentos enlatados à temperatura corporal
para liberar os aromas e poder aumentar a palatabilidade. Os alimentos podem ser
polvilhados com um prebiótico potenciador de sabor.
nRecomendações para a dieta– Dietas com novas proteínas são escolhidas com base
nos históricos alimentares do cão. O ideal é que o animal não tenha sido exposto
anteriormente à fonte de proteínas selecionada. Ainda assim, consideram-se fontes de
proteína secundárias os grãos, pois também podem conter proteínas alergênicas.
Embora inicialmente dietas caseiras possam ter alguma vantagem, não fornecem
alimentação equilibrada a longo prazo. Muitos produtos nutricionalmente
equilibrados com proteínas provenientes de várias fontes, tais como peixe, veado, pato,
coelho ou suíno estão à venda no mercado. As dietas com proteínas novas não são
inferiores em grau alergênico, portanto, a exposição prévia a elas é fundamental. Alguns
cães podem desenvolver intolerância às dietas com proteínas novas.
62
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados de doença. A composição recomendada da dieta é mostrada
como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia
metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos
normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
*Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação
Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
# Se necessário, por exemplo na linfangiectasia, a gordura pode se restringir abaixo dos
12%, matéria seca, ou menos de 2,5 g/100 kcal.
Sem sucesso, colonoscopia e biópsia da mucosa
Teste de tratamento:
sulfasalazina e fibras
Suspeita de CUH: teste
com enrofloxacina
Albumina ≤ 2.0 g/dL Albumina ≥ 2.5 g/dL
Descartar doença primaria sensível à
dieta: dieta com proteínas hidrolisadas
ou antígenos novos
As dietas com proteínas hidrolisadas são compostas de peptídeos menores, que são menos
susceptíveis de causar uma reação imunológica. Em relação às novas dietas ricas em
proteínas, considere as possíveis proteínas em grãos e outros carboidratos inclusos na dieta.
Se não houver qualquer proteína intacta na dieta, pode ser utilizada essa dieta sem o
conhecimento dos detalhes do histórico alimentar do paciente. Enquanto estas dietas
são menos alergênicas se comparado às dietas com proteínas novas, um percentual muito
pequeno de cães pode, no entanto, ter uma resposta alérgica aos seus componentes.
Em geral, a resposta à mudança na dieta ocorre dentro de 2 a 3 semanas em cães com
enteropatias crônicas sensíveis à dieta. Alguns podem novamente incorporar
progressivamente uma dieta comercial de alta qualidade, depois de um teste bem-
sucedido de eliminação. Outros terão de comer uma dieta de eliminação a longo prazo.
Dietas de fácil digestão, com baixo teor de gordura são indicadas em cães com grave
enteropatia com perda de proteínas (por exemplo: linfangiectasia) e sinais clínicos
associados. A adição de fibras fermentáveis à dieta proporciona benefícios adicionais
para os cães com colite crônica. As fibras fermentáveis são metabolizadas em ácidos
graxos de cadeia curta pela microbiota do intestino grosso, e fornecem uma fonte útil
de energia. De um modo geral, melhoram a estrutura e a função do epitélio intestinal.
O Psyllium é um exemplo de fibra fermentável que pode ser oferecida como um
suplemento dietético. A dose recomendada é de 0,5 colheres de sopa (CS) para as raças
toy, uma CS para cães pequenos, 2 CS para cães de médio porte e 3 CS para cães
grandes. Deverão ser gradualmente acrescentadas as fibras (aumentando para 4 a 7
dias até a quantidade total) para permitir que a microbiota do TGI se adapte.
Pontos para a educação do proprietário
• O rígido tratamento dietético dos cães com doença intestinal crônica é um
componente central de tratamento. Mesmo parecendo um desafio, é essencial
alimentar os cães exclusivamente com a dieta recomendada.
• Qualquer petisco que novamente exponha o cão às proteínas ofensivas pode 
causar uma recaída. Isso inclui medicamentos tais como os mastigáveis que 
impedem a dirofilariose. Devem ser evitados os petiscos durante o teste da dieta, 
até estabelecer que eles não causem uma reação adversa.
• Enquanto dietas caseiras podem ser úteis, geralmente não fornecem uma nutrição
equilibrada a longo prazo; é por isso que dietas equilibradas nutricionalmente que
estão à venda no mercado são as preferidas.
Comorbidades comuns
Enteropatias moderadas a severas estão comumente associadas com a má digestão e má
absorção no funcionamento nomal do intestino. Isso consequentemente resulta em
má nutrição e perda de peso. Recentemente a deficiencia em cobalamina (Vitamina
B12) foi documentada em cães com enteropatias crônicas. Nesses casos, a suplementação
parenteral de cobalamina pode se mostrar necessária para o sucesso do tratamento. A
dose recomendada para cães deficitários deste nutriente está entre 250 e 1.500 μg SC,
dependendo do tamanho do cão.
As aplicações são administradas semanalmente por 6 semanas, repetindo o processo a
cada duas semanas por mais 6 semanas caso necessário. É recomendável avaliar o estado
clínico do cão e suas concentrações de cobalamina para guiar futuros tratamentos.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Antibióticos para tratar o tratamento da DAA são recomendados. Afetam
significativamente a composição da microbiota intestinal, o que pode afetar a função
gastrointestinal. Os seguintes agentes antimicrobianos são geralmente bem tolerados:
metronidazol, tilosina ou tetraciclina. Enrofloxacina é o tratamento preferido para
Colite histiocítica ulcerativa (CHU), uma forma específica de DII.
Os corticosteroides são o pilar do tratamento para DII idiopática frequentemente
administrados em altas doses (doses imunossupressoras de prednisona mínima de 2 mg/kg
duas vezes por dia). Os corticosteroides são hormônios catabólicos e, dessa forma, não são
desejáveis em cães que sofrem de disfunção gastrointestinal por seu impacto sobre o
metabolismo. No entanto, em casos de DII seus efeitos benéficos centrados sobre o sistema
imunológico superam os efeitos nocivos que podem vir a acontecer sobre o metabolismo.
Controle
Controles apropriados devem ser programados para reavaliar o estado do cão. O
controle do peso corporal (PC) e a pontuação da condição física (ECC) vai ajudar a
garantir que o cão receba quantidades adequadas de alimentos. As taxas da pontuação
clínica que classificam os diversos parâmetros clínicos e laboratoriais estão disponíveis
na literatura, e podem ajudar o médico veterinário a medir as mudanças de uma
consulta para o seguinte (índice de atividade da DII em cães ou índice de atividade
clínica de enteropatias crônicas em cães).
Em caso de falha do tratamento apesar da adesão ao algoritmo apresentado aqui,
considere as seguintes possibilidades: (1) a baixa adesão ao tratamento; (2) a presença
de uma doença concomitante tal como insuficiência pancreática exócrina, infecção
entérica refratária ou hipoadrenocorticismo com deficiência glicocorticoides; (3) DII
refratária que pode responder a um tratamento combinado com medicamentos
imunossupressores adicionais, tais como ciclosporina, azatioprina, clorambucil; e (4)
a presença de uma neoplasia GI difusa.
63
Manejo nutricional da diarreia crônica em cães
Severos indicadores sistêmicos tais como perda de peso, ascite
Ultrassonografia
abdominal
Descartar doença primária fora do TGI: hemograma, perfil bioquímico, análisede urina, IST sérica
Sem indicadores sistêmicos
Descartar parasitas • Matéria fecal/vermifugação
Descartar doença relacionada com os antibióticos:
teste com metronidazol ou tilosina
Biópsias da mucosa
Diarreia do intestino delgado
Endoscopia se as lesões são acessíveis Laparotomia
Diarreia do intestino grosso
Ultrassonografia
abdominal
Linfangiectasia NeoplasiaDII
64
Enteropatias crônicas - Gatos
Frédéric P. Gaschen, Dr.med.vet., Dr.habil., DACVIM, DECVIM-CA
Dottie Laflamme, DVM, PhD, DACVN
Definição
As enteropatias crônicas em gatos incluem reações adversas aos alimentos e doença
inflamatória intestinal (DII), e são definidas pela ocorrência de diarreia e/ou vômito
crônico, por vezes intermitentes, associadas a um infiltrado inflamatório de gravidade
variável na mucosa gastrointestinal (GI), na ausência de uma causa identificável.
Muitos gatos apresentam apenas vômitos e/ou anorexia.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
Inicialmente, é essencial descartar uma infestação parasitária. Nos gatos com diarreia
e/ou vômitos leves, é apropriado um teste inicial de tratamento com uma dieta de
eliminação antes de considerar opções mais invasivas. Em gatos com doença
moderada a grave é preferível uma abordagem mais agressiva. Várias doenças
originadas fora do trato gastrointestinal podem provocar vômitos em gatos; podem
ser descartadas com uma análise completa do sangue e perfil bioquímico, incluindo
a concentração de tiroxina (T4) no soro. Também pode ser útil um ultrassom do
abdômen. Se a doença está no trato digestivo, pode-se exigir amostras endoscópicas
ou cirúrgicas de biópsias da mucosa.
Fisiopatologia
A fisiopatologia das reações adversas aos alimentos inclui intolerância alimentar
(reação não mediada imunologicamnete) e alergia alimentar (mediada por IgE ou não
mediada por IgE). A patogênese da DII em gatos ainda é, em grande parte,
desconhecida. A microbiota intestinal anormal e as interações atípicas com o sistema
imunológico do hospedeiro são provavelmente os fatores fundamentais, como
exemplificado pela recente constatação da aderência à mucosa e a E. coli invasiva em
associação com a DII em gatos.
Predisposição
Gatos afetados com enteropatias crônicas são geralmente de meia idade, mas a faixa
etária é ampla e inclui animais jovens e velhos. Não foram documentados predileções
de raça, apesar de gatos de raça pura, como Siameses, Persa e Himalaia, poderem
apresentar maior risco. Predileções por gênero não foram identificadas.
Modificações nos nutrientes essenciais
Deve-se identificar e evitar ingredientes alimentares aos quais o gato possa ter uma
reação adversa. Ingredientes alimentares mais comumente reconhecidos por estarem
associados com as reações adversas em gatos incluem derivados de peixe, produtos
lácteos e carne. Gatos afetados podem responder a uma dieta de proteínas hidrolisadas
ou proteínas novas. As dietas altamente digestíveis podem ser benéficas para os
animais com sensibilidade à dieta ou DII, uma vez que estes gatos podem ter uma
função gastrointestinal diminuída. Ácidos graxos ômega 3 provenientes do óleo de
peixe podem reduzir a inflamação, e alguns pacientes com DII podem se beneficiar
de uma dieta contendo mais óleo de peixe. Os probióticos podem ser benéficos em
gatos com DII.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Não existem informações suficientes disponíveis para recomendar níveis de nutrientes
específicos para gatos com enteropatias crônicas. A digestibilidade total deve ser ≥
85% (essa informação não está no rotulo, mas o fabricante pode fornecê-la). Todos
os nutrientes essenciais devem atender aos requisitos normais de acordo com a fase
da vida, estilo de vida e consumo de energia. 
Princípios da alimentação coadjuvante
Para as enteropatias crônicas sensíveis à dieta, o objetivo do tratamento dietético é
fornecer uma alimentação equilibrada aos pacientes, ajudando a minimizar os sinais
clínicos. Os gatos com suspeita de reações adversas aos alimentos devem ser testados
com uma dieta de eliminação. Há duas opções: Uma dieta composta por ingredientes
aos quais o gato não tenha sido exposto anteriormente (proteína nova); ou uma dieta
contendo proteínas hidrolisadas em que os antígenos foram reduzidos a um tamanho
inferior ao ponto de reconhecimento por parte dos anticorpos específicos para
alérgenos (hipoalergênica). A escolha de uma dieta com proteínas novas deve ser
baseada no histórico alimentar detalhado para evitar que se utilize um alérgeno
ingerido anteriormente. Além disso, a escolha deve considerar as fontes de
carboidratos, tais como grãos, que também contêm proteínas potencialmente
alergênicas. Dietas hipoalergênicas hidrolisadas têm vantagens: os dados do histórico
alimentar não são cruciais para a escolha da dieta e reduzem o risco de desenvolver
alergias. A maioria dos gatos com diarreia sensível à dieta mostraram melhorias
significativas dentro de 1-3 semanas depois de alimentados com uma dieta de
eliminação adequada. O tratamento contínuo depende de identificar e evitar os
ingredientes específicos dos alimentos aos quais o paciente reage. No entanto, alguns
gatos com diarreia sensíveis aos alimentos podem responder a mudanças na dieta e não
se intensificar quando provocados. Após um período de estabilização, alguns desses
gatos podem retomar a sua dieta normal, sem problemas.
Para o DII, o objetivo do tratamento dietético é fornecer uma alimentação
equilibrada aos pacientes, ajudando a cumprir os sinais clínicos. A inflamação
gastrointestinal pode ocorrer em resposta a antígenos alimentares, antígenos
bacterianos ou outras substâncias irritantes. Qualquer mudança na dieta pode
causar mudanças nesses potenciais agentes estimulantes. Um percentual elevado
de gatos com suspeita ou confirmação de DII apresentou melhora clínica através
da alimentação, tanto com uma dieta contendo novas proteínas (ver acima) ou
uma dieta altamente digestível quanto com alto ou baixo teor de gordura. Alguns
gatos com diarreia respondem positivamente a uma dieta baixa em carboidratos.
Os probióticos podem ser úteis em pacientes com DII. Ao modificar a microbiota
gastrointestinal, podem alterar os antígenos bacterianos apresentados ao intestino,
reduzindo assim o estímulo inflamatório.
n Petiscos – Os petiscos, bem como os medicamentos com sabor devem ser
completamente excluídos dos gatos submetidos a testes alimentares (por inflamações
sensíveis à dieta). Como alternativa, os petiscos podem ser compostos por pedaços da
dieta de eliminação. Se alimentados com uma dieta seca, pode-se separar algumas
partículas para oferecê-los como petiscos. Se alimentados com uma dieta úmida,
pode-se usar esses bolinhos de alimentos tal qual se apresentam, ou depois de assar para
dar uma textura crocante. Outros petiscos aceitáveis são pedaços de peito de frango
cozido e iogurte sem gordura.
n Dicas para aumentar a palatabilidade – Aquecer os alimentos enlatados à
temperatura corporal para liberar os aromas pode aumentar a palatabilidade. Polvilhar
os alimentos com um produto prebiótico intensificador de sabor.
nRecomendações para a dieta – Para gatos com reação adversa ao alimento, a
escolha de uma dieta com novas proteínas depende da falta de exposição prévia, por
isso é necessária uma análise detalhada do histórico alimentar. Devem ser consideradas
ambas as fontes de proteínas tanto primárias quanto secundárias, tais como grãos (ver
apêndice II). Dietas comerciais com proteínas hidrolisadas são apropriadas. Também
as dietas caseiras com ingredientes limitados podem ser uma boa opção para uso por
um curto prazo, durante o período de eliminação.
Para gatos com DII, deve-se escolher uma dieta altamente digestível. Alguns gatos
respondem a uma dieta baixa em carboidratos (<15% de matéria seca). Para um teste
dietético deve-se usar bem uma dieta com proteínas hidrolisadas ou uma dieta com
proteínas novas. Considerar a adição de probióticos para tratamentos a longo prazo.
65
Pontos para a educação do proprietário
• O rígido tratamento dietético dosgatos com doença intestinal crônica é um
componente central do tratamento. Mesmo parecendo um desafio, continua
sendo essencial alimentar os gatos exclusivamente com a dieta recomendada.
Quando se tem vários gatos, pode-se precisar aplicar a nova dieta a todos, desde que
os outros gatos não necessitem diferentes tratamentos alimentares específicos.
• Qualquer tratamento que exponha novamente o gato a proteínas alergênicas pode
causar uma recaída e deve ser evitado durante o teste dietético.
• Ainda que as dietas caseiras possam ser úteis, geralmente não fornecem uma
nutrição equilibrada a longo prazo; é por isso que as dietas equilibradas
nutricionalmente que estão à venda no mercado são as preferidas.
Comorbidades comuns
É relatado que a colangiohepatite e pancreatite podem ocorrer mais frequentemente
em gatos com DII. Triaditis é o termo usado quando o intestino (DII), o fígado
(colangiohepatite) e o pâncreas (pancreatite) são afetados simultaneamente. Até o
momento não há nenhuma teoria confirmada que descreva o mecanismo comum
para as três doenças.
Muitas vezes as enteropatias crônicas moderadas a severas que afetam o intestino
delgado são associadas com má digestão e má absorção devido a deficiências na função
intestinal. Isso pode levar à desnutrição e perda de peso. Têm sido documentadas
deficiências de cobalamina (vitamina B12) em gatos com enteropatias crônicas. Em
tais casos, pode ser necessária a suplementação com cobalamina parentérica para o
sucesso do tratamento. A dose recomendada em gatos com deficiência de cobalamina
documentada é de 250 µg administrada por via subcutânea (SC). As injecções são
dadas semanalmente durante 6 semanas e, em seguida, a cada duas semanas durante
6 semanas mais. É melhor reavaliar periódicamente o estado clínico do gato e suas
concentrações de cobalamina para encaminhar futuros tratamentos. 
A deficiência de vitamina K foi detectada e atribuída à má absorção intestinal dos
gatos com DII severa, mas raramente apresentou tendências hemorrágicas. A
suplementação com vitamina K1 foi benéfica (1-5 mg/kg, SC, por dia).
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Os corticosteróides são a base para o tratamento de DII idiopática e são
frequentemente administrados em doses elevadas (doses imunossupressoras de
prednisona mínimo de 2 mg/kg por dia). Os corticosteróides são hormônios
catabólicos e, dessa forma, não são desejáveis em gatos que sofrem de disfunção
gastrointestinal. No entanto, em casos de DII seus efeitos benéficos focados sobre o
sistema imunitário superam em grande medida os efeitos nocivos que podem vir a
acontecer sobre o metabolismo.
Controle
Em geral, a resposta a uma mudança na dieta ocorre dentro de 7 a 21 dias em gatos
com enteropatias crônicas sensíveis à dieta. Se o tratamento dietético falhar, deve
seguir o algoritmo apresentado.
Em gatos com DII documentada, geralmente o tratamento inicial com prednisolona
inclui doses elevadas (2-4 mg/kg/dia) que diminuem progressivamente
semanalmente em 2 passos. O ideal é que os novos controles sejam programados
antes de cada mudança no tratamento com esteróides para reavaliar o estado do gato.
Os controle do peso corporal (PC) e a pontuação do escore de condição corporal
(ECC) vão ajudar a garantir que o gato receba quantidades adequadas de alimentos.
Diferenciar o DII do linfoma alimentar pode ser um desafio. 
O linfoma de baixo grau pode responder ao tratamento com esteróides
temporariamente, mas pode eventualmente sofrer uma recaída. Por isso, os gatos com
DII refratário ao tratamento podem apresentar um linfoma.
Manejo nutricional dos vômitos crônicos com ou sem diarreia em gatos
Descartar uma obstrução: Radiografia do abdômen
Ultrassom abdominal
Indicadores sistêmicos como a anorexia, perda de peso, etc.
Descartar doença primária fora do trato GI:
hemograma, exame bioquímico, T4 em soro, IST em
gatos, etc.
Sem indicadores sistêmicos
Descartar parasitas • Matéria fecal/vermifugação
Descartar doença primária sensível à dieta: dieta
de eliminação
Biópsias das mucosas
Endoscopia se as lesões
são visíveis Laparotomia 
Linfoma alimentarDII
Debra L. Zoran, DVM, PhD, DACVIM
Definição 
A linfangiectasia é a dilatação do sistema linfático, e em especial o sistema linfático
mesentérico, que drena o intestino delgado, incluindo os vasos quilíferos das vilosidades
intestinais. A doença pode ser primária (causada por um defeito congênito,
presumidamente genético), secundária (ocorre de forma secundária a outra doença
que interrompe o fluxo linfático) ou idiopática. Na maioria dos cães, a doença é
idiopática e está muitas vezes associada com a enteropatia com perda de proteína (EPP)
que ocorre como resultado do processo primário (linfangiectasia). Os cães com forma
congênita ou hereditária da doença muitas vezes são severamente afetados e podem ter
um período de vida significativamente mais curto. Além disso, a doença em cães que
apresentam forma idiopática ou secundária de linfangiectasia é bastante variável, indo
de uma doença leve, clinicamente tratável, a uma doença grave, com risco de vida.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
O diagnóstico de linfangiectasia em cães começa com uma anamnese completa,
incluindo histórico alimentar e de tratamento com medicamentos, e um exame físico,
incluindo exame retal. A perda de peso é um indicador clínico inicial muito
importante para cães com linfangiectasia e EPP, e pode preceder o início da diarreia
por meses. A análise das fezes (por exemplo: técnicas de flotação, citologia, teste
imunoabsorvente ligado às enzimas [ELISA, em inglês]/análise da reação em cadeia
da polimerase [PCR, em inglês]) é importante para descartar as infecções parasitárias
simultâneas que podem complicar o tratamento da doença.
A avaliação padrão do cão com perda de peso (com ou sem diarreia e hipoproteinemia)
inclui a avaliação de outras doenças sistêmicas, a avaliação da função hepática, descartar
a proteinúria como causa de hipoproteinemia e a avaliação do trato gastrointestinal
(TGI) tanto a sua função (imunorreatividade semelhante à tripsina [IST],
cobalamina/folato, absorção de açúcar, se disponível, possível inibidor da protease alfa-
1), como sua estrutura (imagens, histopatologia, obtida por endoscopia ou cirúrgica).
Uma vez terminado o diagnóstico é vital o tratamento de apoio (controle do edema e
a perda de proteína) e o manejo nutricional (dieta com baixo teor de gordura para
reduzir a intensidade da doença clínica no intestino), a menos que possa ser identificada
uma causa específica e corrigi-la.
Fisiopatologia
Sinais clínicos da linfangiectasia (perda de peso, diarréia, esteatorréia) são uma
consequência da má digestão e da má absorção de nutrientes (proteínas, gorduras e
carboidratos), que surgem como resultado da dilatação linfática (linfangiectasia) ou a
combinação de dilatação linfática e da inflamação (que pode estar presente devido a
doença inflamatória intestinal [DII] ou uma reação a lipogranulomas). Em cães com
EPP grave, a perda de proteína que produz a perda de peso pode preceder o início da
diarreia. Em cães com linfangiectasia, indigestão grave e perda de nutrientes também
pode ocasionar uma hipocalcemia clinicamente significativa, hipocolesterolemia e
hipomagnesemia produzindo ascite ou a formação de edema e convulsões ou fraqueza
muscular em cães mais gravemente afetados.
Predisposição
As raças de cães mais comumente afetadas com linfangiectasia primária são
Lunderhund, Yorkshire Terrier e Wheaten Terrier de pelo macio; estas raças podem
ter sinais clínicos ainda quando jovens. Qualquer raça de cão pode desenvolver
linfangiectasia secundária ou EPP, portanto, não há predisposição típica para esta forma
em particular.
Modificações nos nutrientes essenciais
Reposição de proteína é a questão mais importante em cães com edema ou ascite
devido à severa hipoalbuminemia, produto da linfangiectasia ou da EPP. Enquanto
cães com linfangiectasia continuam se alimentando, a melhor abordagem para a
substituição da proteínaé a nutrição enteral. A escolha de uma dieta que seja eficaz é o
aspecto mais desafiador do tratamento desta doença. Cães que não estão comendo,
estão doentes demais para comer ou não podem reter o alimento devido aos vômitos,
podem precisar de nutrição intravenosa para fornecer a proteína e energia para a função
metabólica. A dieta ideal contém uma quantidade moderada de carboidratos e
proteínas altamente digestíveis (ou hidrolisados), e altamente restrita em gorduras. Nos
cães mais severamente afetados, uma dieta essencialmente baixa em gorduras (< 2
g/100 kcal de gordura) ou sem gordura, pode ser fundamental para o sucesso do
tratamento da doença, incorporando gradualmente ácidos graxos essenciais e vitaminas
lipossolúveis para evitar deficiências. Em cães com alergia alimentar concomitante ou
DII, a fonte de novas proteínas (ou menos antigênicas, tais como uma dieta de proteínas
hidrolisadas) também pode ser um aspecto necessário do tratamento dietético. Além
de fontes de proteínas altamente digestíveis, alguns cães se beneficiam da adição de
módulos de proteínas ou dietas enterais elementares, tais como “Vivonex®” T.E.N
(Nestlé Nutrition) na sua dieta hidrolisada ou com conteúdo muito baixo de gordura.
Acredita-se geralmente que a fonte ideal de carboidratos (CHO), para um cão com
doença intestinal é arroz branco cozido ou batatas (descascadas), porque são altamente
digestíveis e não contêm glúten, que pode ser antigênico em alguns cães. Outras fontes
de CHO sem glúten são a mandioca e o milho, mas são um pouco menos digestíveis
que o arroz, e o milho pode causar hipersensibilidade em alguns cães. Cães com
linfangiectasia grave muitas vezes não conseguem lidar com o milho, a menos que
esteja completamente processado em formato de purê.
Em cães com linfangiectasia grave, a gordura da dieta deve estar em quantidade que
forneça ácidos graxos essenciais (óleos vegetais fornecem algumas delas) e vitaminas
solúveis em gordura, mas devem ser evitados tanto quanto possível os triglicerídeos de
cadeia longa. Se a gordura adicional para fornecer energia for necessária, pode-se utilizar
uma fonte de triglicérides de cadeia média; no entanto, estas fontes de gordura não são
geralmente palatáveis para cães e podem reduzir a aceitabilidade da dieta.
Em cães com diarreia do intestino delgado é indicado diminuir a quantidade de fibras
insolúveis, já que as fibras reduzem a digestibilidade dos alimentos e podem aumentar
o risco de má digestão ou da má absorção de nutrientes. Isto ocorre especialmente cães
com linfangiectasia, porque a redução da digestibilidade da fonte de proteínas e CHO,
pode agravar os sinais clínicos (diarreia), aumentam lentamente os níveis de proteínas
e o peso corporal e aumenta o risco de interrupção bacteriana, o que pode causar um
problema novo. As fontes de fibra solúveis podem ser benéficas em alguns cães, já que
são digeridas pela microbiota normal e podem funcionar como prebióticos para ajudar
a manter a microbiota intestinal saudável.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Linfangiectasia - Cães
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Gordura 5–15 1.5–4 5.0 1.4
Fibra Bruta 3–7 0.75–2.5 n/d n/d
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações meta-
bólicas induzidas pelos estados da doença. A composição recomendada da dieta é
mostrada como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100
kcal de energia metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender
aos requisitos normais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de
energia.
* Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela
Associação Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
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Princípios da alimentação coadjuvante
• Os nutrientes devem ser altamente digestíveis (> 90% de digestibilidade) para
minimizar a diarreia osmótica, a fermentação bacteriana de alimentos não digeridos
e reduzir a flatulência.
• Proteínas de alta qualidade de uma única fonte pode ser indicada (pode ser nova 
se existir a probabilidade de DII ou de sensibilidade alimentar) ou proteínas
hidrolisadas altamente digestíveis para maximizar a digestão e a absorção.
• A fonte de carboidratos deve ser de alta qualidade, sem glúten e sem lactose.
• A dieta deve conter baixo teor de gordura (menos de 4 g/100 kcal, pelo menos;
se houver a presença de linfangiectasia ou EPP aguda é provável que precise menos
do que 3,5 g/100 kcal).
• Pode ser adicionada uma maior quantidade de ácidos graxos Ômega 3 (a proporção
de Ômega 6:Ômega 3 deve ser de 5-10:1) para levantar o perfil dos eicosanoides na
mucosa intestinal.
• São indicadas fibras insolúveis em baixa quantidade ou fibras solúveis ou mistas
em quantidade moderada (3% - 7% total) para aumentar a produção de ácidos 
graxos de cadeia curta e melhorar a microbiota.
• Normalmente, a suplementação com vitaminas solúveis em gordura (A, D, E e
K) é apenas necessária em casos graves de esteatorreia e má absorção de gorduras a
longo prazo.
• Adicionar um prebiótico à dieta pode ser útil para aumentar a produção de ácidos
graxos de cadeia curta, e manter a estabilidade da microbiota.
nPetiscos– Em geral, deve-se evitar os petiscos em cães com doença intestinal até que
um diagnóstico definitivo seja feito. Por exemplo, se a diarreia é produto da sensibilidade
aos alimentos, será necessário um teste de eliminação de alimentos, incluindo os
petiscos. Se os petiscos são importantes para a rotina do cão, podem ser oferecidos
dietas coadjuvantes utilizando como base os princípios antes mencionados.
nDicas para aumentar a palatabilidade–Se o cão não come a dieta sugerida, pode-
se adicionar ao alimento uma pequena quantidade de caldo de galinha, com baixo teor
de sódio. Alternativamente, o alimento pode ser misturado com uma pequena
quantidade da versão úmida do mesmo alimento para torná-lo mais interessante.
nRecomendações para a dieta –Dietas de prescrição veterinária adequadas para
cães com diarreia estão à venda através de clínicas veterinárias; as mesmas devem ser
formuladas de acordo com os princípios de alimentação coadjuvante acima
mencionados. As dietas comerciais pobres em gordura, na sua maioria também têm
mais fibras na dieta, portanto, não são aceitáveis para esse fim.
Pontos para a educação do proprietário
• Fornecer apenas alimentos recomendados.
• Alimentar em pequenas quantidades e com maior frequência (de três a quatro 
vezes por dia). Grandes quantidades de alimentos aumentam a carga do TGI e 
podem contribuir para a diarreia ou vômitos.
• Garantir a abundância de água disponível em todos os momentos. Se o vômito
ocorrer ou o cão parar de comer ou beber, um novo controle com o médico 
veterinário é recomendado para prevenir a desidratação devido à diarreia contínua.
Comorbidades comuns
As doenças que comumente ocorrem simultaneamente em cães com linfangiectasia
são: doença inflamatória intestinal, enteropatias com perda de proteína, alergia
alimentar, insuficiêcia pancreáica exocrina e enteropatias associadas aos antibioticos.
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
O tratamento com esteróides na doença inflamatória intestinal aumentará a sede
e o apetite, e pode causar aumento de peso involuntário, perda de massa muscular
ou doença hepática. Em cães com linfangiectasia, o tratamento com esteróides
pode agravar o edema em alguns casos. O tratamento imunossupressor para a
doença inflamatória intestinal ou linfoma pode causar toxicidade gastrointestinal,
cujos sinais clínicos comuns podem ser vômitos ou diarreia. O tratamento com
antibióticos pode causar diarreia devido à interrupção da microbiota e à maior
quantidade de espécies patogênicas.
Controle
Deve-se avaliar a composição fecal para determinar se o caráter normal das fezes retorna
ou se estão se desenvolvendo novos problemas (por exemplo: melena, hematoquezia).
Deve-se controlar o estado clínico para se certificar de que o cão não esteja desidratado,continue comendo, e para que não apresente quaisquer novos indicadores da doença
(por exemplo: letargia, perda de peso, diminuição do apetite ou vômitos). Se o cão
está perdendo peso ou está se desidratando, deve-se reavaliar tanto o método de
alimentação como o tratamento, que devem ser modificados de acordo com as
necessidades desse paciente em particular.
Manejo nutricional da linfangiectasia em cães
O primeiro passo é o diagnóstico da causa primária (se houver), porque irá alterar o plano de tratamento a longo prazo e o prognóstico
A chave para controlar a perda de peso e
diarreia na maioria dos cães com
linfangiectasia é alimentá-los com uma dieta
altamente digestível com teor moderado de
proteínas e um teor muito baixo de gorduras.
Se a linfangiectasia é secundária a uma DII
ou a outra causa de EPP, iniciar o tratamento
com medicamentos adequados e começar
com uma dieta altamente digestível muito
baixa em gorduras (alguns cães, podem
precisar concentrações de gordura < 3 g/100
kcal. As dietas hidrolisadas podem ser
benéficas em alguns cães com EPP.
67
Princípios da alimentação coadjuvante
Tradicionalmente, o jejum era estipulado aos pacientes com pancreatite aguda
moderada a grave a fim de reduzir a estimulação do pâncreas e, assim, reduzir
presumivelmente secreções pancreáticas. Recentemente, este dogma tem sido
questionado, no tratamento de pacientes humanos. Há evidências de que os regimes
de tratamento projetados exclusivamente para promover o descanso e minimizar
secreções pancreáticas só têm conseguido obter alívio da dor e não mostraram
nenhuma influência sobre o resultado do paciente.3
Pacientes com pancreatite moderada a grave estão em um estado catabólico e sofrem
uma deterioração rápida do estado nutricional. Além disso, estudos clínicos aleatórios
com os seres humanos têm demonstrado melhores resultados clínicos em pacientes
que receberam alimentação enteral precoce através de uma sonda de jejunostomia
em oposição a nutrição parenteral (NP) .4 Os resultados têm variado segundo os
testes, mas a maioria descobriu que a alimentação enteral através de sondas de
jejunostomia atenua a resposta da fase aguda e reduz complicações gerais, incluindo
complicações sépticas, em comparação com NP.
Portanto, o objetivo do tratamento da pancreatite em cães é incentivar a ingestão
voluntária de alimentos por via oral em pacientes com sinais clínicos leves ou em vias
de resolução. Inicialmente, deve-se oferecer água ao paciente, e, com base na resposta,
continuar com uma dieta rica em carboidratos, pobre em gordura e um conteúdo
adequado, mas não alto, de proteínas. Devem ser oferecidos alimentos em pequenas
porções de 4-6 vezes por dia.
Nos casos em que a ingestão oral é contraindicada devido a náuseas e vômitos
persistentes, avaliar os cães como candidatos para a alimentação assistida. Se possível,
deverão receber uma dieta completa e equilibrada através da via enteral. Mesmo
pacientes com pancreatite grave são capazes de tolerar alimentos por sondas de
jejunostomia. Quando for impossível conseguir o acesso à alimentação enteral em um
paciente que foi indicado à alimentação assistida, deve-se iniciar o suporte nutricional
por via parenteral.
nPetiscos –Alimentos e sobras da mesa que são ricos em gorduras não devem ser
utilizados como petiscos em pacientes que se recuperaram de uma pancreatite. Isto
inclui a maioria das carnes, produtos lácteos (a menos que sejam variedades sem
gordura), e alimentos fritos. Petiscos adequados incluem frutas e legumes (exceto uvas
e cebolas), carnes magras (por exemplo: peito de frango cozido) e massas.
nDicas para aumentar a palatabilidade– Há muitos alimentos coadjuvantes e
comerciais para cães, deve-se escolher os que cumpram as diretrizes para um baixo ou
moderado teor de gordura, e é possível encontrar uma dieta adequada que seja aceitável
para a maioria dos pacientes. Adicionar um pouco de água quente para alimentos secos,
aquecer ligeiramente a comida úmida ou adicionar na comida algumas colheres de
sopa de molho de tomate simples com baixo teor de sódio pode melhorar aceitação.
nRecomendações para a dieta–Conseguir a transição do paciente para uma dieta
completa e equilibrada com proteínas adequadas e gordura moderada (< 30% de
gordura, base energética). A maioria das dietas coadjuvantes gastrointestinais secas
e úmidas cumprem estes critérios e é possível que a dieta normal do paciente
também. Os pacientes com hiperlipidemia idiopática podem necessitar maior
restrição de gordura na dieta (< 20% de gordura, base energética). Os pacientes
Kathyrn E. Michel, DVM, MS, DACVN
Definição
A pancreatite é uma doença inflamatória que pode ser aguda ou crônica. Sinais
clínicos variam entre leve, com mínimos efeitos sistêmicos e extremamente grave,
caracterizada por necrose pancreática levando à síndrome de resposta inflamatória
sistêmica (SIRS) e ao colapso circulatório.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
A pancreatite pode ser uma doença de difícil diagnóstico porque, além da biópsia
do pâncreas, não existem testes específicos de diagnóstico para esta doença. Para
chegar a um diagnóstico, o médico veterinário deve confiar nos seus conhecimentos
usando o quadro clínico do paciente (vômitos, dor abdominal, estado
cardiovascular), os resultados da análise bioquímica (hemograma e exame de urina
e também biomarcadores pancreáticos, tais como a imunorreatividade da lipase
pancreática canina [cPLI, em inglês] e a imunorreatividade semelhante à da tripsina
canina [cIST]) e as imagens. Deverão obter o histórico alimentar completo,
incluindo informações sobre alimentos comerciais e petiscos com as quais o
paciente se alimenta (incluindo qualquer resto de comida ou sobras da mesa) e se
houver histórico de desordens alimentares (ver apêndice II).
O estado nutricional do paciente deve ser avaliado com particular atenção para a
duração da anorexia, as evidencias de perda de peso (especialmente perda de massa
muscular), a gravidade dos indicadores gastrointestinais (GI), a viabilidade da fonte
de alimentação e comorbidades.
Fisiopatologia
A causa geradora da inflamação pancreática permanece desconhecida, embora tenham
sido envolvidos muitos medicamentos, as desordens alimentares, os traumas, a
manipulação cirúrgica e isquemias. A doença é causada por uma falha nos mecanismos
de proteção que normalmente asseguram que as enzimas pancreáticas permaneçam
inativas até entrarem no duodeno. A ativação destas enzimas no tecido pancreático
desencadeia os seus efeitos proteolíticos, causando dano.
A resposta inflamatória que acompanha a pancreatite grave produz um estado
catabólico que pode causar deterioração rápida do estado nutricional. Este declínio é
complicado pela ausência de alimentação aos pacientes que sofrem de náuseas, vômitos,
dor abdominal, íleo paralítico, ou instabilidade hemodinâmica. Muitos pacientes com
pancreatite aguda apresentarão hiperlipidemia.
Predisposição
Em geral, é documentado que os cães mais velhos (> 5 anos), cães obesos e de
determinadas raças (Terrier, Schnauzer, Pastor Alemão) têm um risco aumentado de
desenvolver pancreatite.
Modificações nos nutrientes essenciais 
Para pacientes em recuperação de pancreatite tem sido recomendado evitar a ingestão
de alimentos ricos em gordura. Embora esta recomendação não tenha sido avaliada por
um teste clínico prospectivo e aleatório, é baseada em vários argumentos diferentes.
Em primeiro lugar, como as gorduras, (bem como as proteínas) são um potente
estimulador da secreção pancreática, a preocupação em um paciente convalescente é
que a super estimulação do pâncreas poderia levar a uma recaída. Em segundo lugar,
no que diz respeito à prevenção da doença recorrente, as pesquisas com cães têm
demonstrado que uma dieta pobre em proteínas e rica em gordura pode causar
pancreatite e que a doença é mais grave quando é provocada em cães que foram
alimentados com uma dieta rica em gorduras.1, 2Além disso, existem evidências de que
a hiperlipidemia pode ser um fator predisponente para a pancreatite.Valores recomendados de nutrientes essenciais
Pancreatite - Cães
Nutriente % MS g/100 kcal % MS g/100 kcal
Níveis recomendados na dieta Necessidade mínima na dieta*
Gordura 10–14 2–3.5 5 1.4
A ingestão modificada destes nutrientes pode ajudar a combater alterações metabólicas
induzidas pelos estados da doença. A composição recomendada da dieta é mostrada
como percentual de matéria seca na dieta (MS) e como g ou mg por 100 kcal de energia
metabolizável. Todos os outros nutrientes essenciais devem atender aos requisitos nor-
mais, de acordo com a fase de vida, estilo de vida e consumo de energia.
*Necessidades de nutrientes para os animais adultos como determinada pela Associação
Americana de controle de Alimentos (AAFCO).
68
devem ser monitorados quanto à sua aceitação aos alimentos, à recorrência de sinais
clínicos e à manutenção do peso.
No caso de pacientes com boa condição física, rações devem ser baseadas na ingestão
calórica prévia. Para pacientes com baixo peso deve-se aumentar as calorias oferecidas
em 20% em relação ao consumo anterior para promover ganho de peso durante a
convalescença e mudar, se necessário, com base na resposta. Para os pacientes com
excesso de peso deve ser prescrito um programa para redução de peso, uma vez que o
paciente estiver totalmente recuperado da pancreatite.
Pontos para a educação do proprietário
• Todos os membros da família devem entender que existe um risco potencial de que
a doença retorne.
• Os proprietários devem estar cientes das recomendações nutricionais e as razões 
para essas recomendações. É especialmente importante restringir o acesso aos
alimentos para animais de estimação, petiscos, sobras de comida da mesa 
e lixo, ricos em gordura.
• Quando um paciente está abaixo do peso ou com excesso de peso no momento da
alta hospitalar, deve haver uma conversa sobre qual manejo nutricional adicional
será preciso nas próximas semanas, para assegurar a volta do peso corporal ideal. O
proprietário deverá compreender qual é o motivo para essas medidas e os benefícios
para o paciente.
Comorbidades comuns
Muitas vezes, um paciente com pancreatite aguda tem hiperlipidemia. Embora em
muitos casos, o aumento da concentração de lipídios no soro seja uma consequência
da pancreatite, existe evidência de que uma hiperlipidemia pré-existente pode ser um
agente causal desta doença. A hiperlipidemia pode estar associada a alimentos ricos
em gorduras, a uma doença endócrina concorrente (hiperadrenocorticismo, diabetes
mellitus ou hipotireoidismo) ou a uma predisposição da raça (Schnauzer, Pastor
Alemão). Quando a hiperlipidemia é secundária a uma doença subjacente,
naturalmente a melhor abordagem terapêutica é tratar essa doença. Os pacientes com
69
Manejo nutricional da pancreatite em cães
Oferecer água, seguida por pequenas
porções de uma dieta rica em
carboidratos, pobre em gorduras e
moderado teor de proteínas
Alimento aceito e tolerado
Alimento não aceito
Alimento aceito, mas não tolerado
Transição para uma dieta completa e balanceada com moderado a baixo teor de gordura
e controle da ingestão e do peso corporal para garantir a ingestão adequada
Avaliar alimentação assistida
Avaliar alimentação assistida
É indicada a ingestão voluntária de alimentos?
Indicado Contraindicado
Avaliar uma alimentação assistida
hiperlipidemia primária podem se beneficiar de uma dieta muito pobre em gordura
(< 20% de gordura, base de energia) assim como alguns pacientes que apresentam esta
doença de maneira secundária a outras doenças (ver páginas 80-81). A pancreatite
também pode ocorrer concomitantemente em cães com diabetes mellitus (ver páginas
28-29).
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Pacientes com pancreatite aguda, de moderada a grave, necessitam de tratamento
rápido com líquidos e cuidados de suporte, que possam incluir apoio com coloides,
antieméticos, analgésicos e agentes gastroprotetores. Enquanto o controle da dor é um
aspecto importante do tratamento medicamentoso da pancreatite, alguns agentes
analgésicos podem causar íleo gastrointestinal. O íleo pode reduzir o apetite do
paciente, portanto, atraso na ingestão voluntária ou complicar a entrega de nutrição
enteral em um paciente alimentado por sonda. O íleo pode ser combatido através da
remoção da medicação para a dor o mais rapidamente possível ou mudando para um
fármaco que possua menos efeitos secundários gastrointestinais.
Controle
Deve-se controlar o peso dos pacientes que necessitam recuperar ou perder peso após
a alta hospitalar para garantir que estejam evoluindo corretamente. Pacientes em
tratamento para a lipidemia primária requerem novos controles para avaliar a
concentração de lipídeos séricos para determinar se o nível de restrição de gorduras na
dieta é suficiente. Qualquer futura visita à clínica, independentemente da sua finalidade,
é uma oportunidade para descobrir mais sobre o tratamento dietético do paciente e
uma oportunidade para reforçar as recomendações anteriores sobre a alimentação.
Kathyrn E. Michel, DVM, MS, DACVN
Definição 
A pancreatite é uma doença inflamatória que pode ser aguda ou crônica. Sinais
clínicos variam de leves, com mínimos efeitos sistêmicos, e doença extremamente
grave, caracterizada por necrose pancreática levando à síndrome da resposta
inflamatória sistêmica (SRIS) e colapso circulatório.
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares 
A pancreatite pode ser uma doença de difícil diagnóstico porque, além da biópsia
do pâncreas, não existem testes específicos de diagnóstico para esta doença. O
diagnóstico é ainda mais complicado pelo fato de que o quadro clínico desta
doença em gatos é significativamente diferente ao dos cães. Na pancreatite em
gatos, os sinais clínicos mais comuns não são específicos (anorexia, letargia e
desidratação), enquanto os indicadores clássicos associados com pancreatite em
cães (vômitos e dor abdominal) são relativamente raros nos gatos1. O médico
veterinário deve confiar nos seus conhecimentos usando o quadro clínico do
paciente, os resultados da análise bioquímica (hemograma e exame de urina
também biomarcadores pancreáticos, tais como a imunorreatividade da lipase
pancreática felina [fPLI, em inglês] e a imunorreatividade semelhante à da tripsina
felina [fIST]) e as imagens para chegar ao diagnóstico.
Deverão obter o histórico alimentar completo, incluindo informações sobre rações
comerciais e petiscos que o paciente receba (incluindo qualquer resto de comida ou
sobras da mesa) e se houver histórico de desordens alimentares (ver Apêndice II).
O estado nutricional do paciente deve ser avaliado com particular atenção para a
duração da anorexia, as evidências de perda de peso (especialmente perda de massa
muscular), a gravidade dos indicadores gastrointestinais, a viabilidade da alimentação
assistida e as doenças concorrentes.
Fisiopatologia 
Na maioria dos gatos, a causa geradora da inflamação pancreática não pode ser
determinada, embora agentes infecciosos (Toxoplasma gondi, trematódeos,
peritonite infecciosa felina - PIF), pesticidas organofosforados, medicamentos,
trauma, manipulação cirúrgica e isquemias estejam envolvidos na patogênese da
doença. Também comenta-se sobre uma associação entre pancreatite comum em
gatos, doença inflamatória intestinal, colangiohepatite e a possibilidade de uma
etiopatogênese relacionada2 chamada de tríade felina.
A doença é causada por uma falha nos mecanismos de proteção que normalmente
asseguram que as enzimas armazenadas nas células pancreáticas permaneçam inativas
até entrarem no duodeno. A ativação destas enzimas no tecido pancreático desencadeia
os seus efeitos proteolíticos, causando danos e inflamação no tecido.
Na forma aguda da doença, a resposta inflamatória que acompanha a pancreatite
grave produz um estado catabólico que pode causar deterioração rápida do estado
nutricional. Este declínio é complicado pelo fato de que é necessário negar comida
a pacientes que sofrem de náuseas, vômitos, dor abdominal, íleo, ou instabilidade
hemodinâmica.Na forma crônica da pancreatite em gatos, visto que a anorexia é
um dos sinais clínicos mais comuns, muitas vezes os pacientes têm evidência de má
nutrição, especialmente a perda de peso caracterizada por perda de massa muscular.
É imperativo a palpação física para acessar a massa muscular, uma vez que os
pacientes podem ter excesso de gordura corporal ou a aparência obesa, apesar de
sofrer perda de massa muscular significativa.
Predisposição
Ainda não foi documentada qualquer associação definitiva entre idade, raça ou
castração e o risco de pancreatite em gatos.
Modificações nos nutrientes fundamentais 
Para pacientes em recuperação de uma pancreatite tem sido recomendado evitar a
ingestão oral de alimentos ricos em gordura, porque a gordura (assim como as
proteínas) é um potente estímulo para a secreção pancreática e a preocupação em um
paciente convalescente é que uma superestimulação do pâncreas pode levar a uma
recaída. No entanto, os gatos têm adaptações no metabolismo que refletem a evolução
desta espécie com uma dieta rica em proteína e gordura, mas sem quantidades
significativas de carboidratos. Como resultado, a maioria dos alimentos para gatos tem
relativamente alto teor de gordura e proteína. Alimentos para gatos com teor mais
baixos em gorduras encontrados comercialmente ainda contêm quantidades
moderadas de gordura, ricos em proteínas e muitas vezes de baixa densidade calórica.
Embora o impacto da ingestão de gorduras na dieta sobre o resultado clínico dos gatos
com diagnóstico de pancreatite não tenha sido avaliado em testes clínicos,
informalmente os gatos que se recuperaram da pancreatite parecem tolerar os alimentos
típicos para gatos, incluindo aqueles com altos níveis de gorduras.
Valores recomendados de nutrientes essenciais
Não existem dados suficientes sobre como identificar as alterações necessárias
nos nutrientes.
Princípios da alimentação coadjuvante
Pancreatite em gatos é uma doença nova raramente diagnosticada antes de 1990. A
maioria dos médicos veterinários está mais familiarizada com o tratamento de
pancreatite aguda em cães. É clássico recomendar jejum para os cães com pancreatite
aguda e em seguida gradualmente incorporar alimentos ricos em carboidratos, mas
pobres em gorduras e com conteúdo moderado de proteínas.
Existem áreas problemáticas no uso desta abordagem, no caso de gatos com esta
doença. Em primeiro lugar, dado que a anorexia é um dos dados clínicos mais
comum em gatos com pancreatite, os pacientes muitas vezes têm evidências de
má nutrição. O jejum servirá apenas para agravar o grau de desnutrição nestes
pacientes. Além disso, a lipidose hepática idiopática (LH) é uma doença
concomitante ou sequela comum na pancreatite dos gatos e negar o alimento a
um paciente com LHI, seria contraindicado.
Tradicionalmente, o jejum era estipulado aos pacientes com pancreatite aguda
moderada a grave a fim de reduzir a estimulação do pâncreas e, assim, reduzir
presumivelmente secreções pancreáticas. Recentemente, este dogma tem sido
questionado, no tratamento de pacientes humanos. Há evidências de que os
tratamentos projetados exclusivamente para promover o descanso e minimizar
secreções pancreáticas só têm conseguido obter alívio da dor e não mostraram
nenhuma influência sobre o resultado do paciente3.
Portanto, deve-se incentivar a ingestão voluntária de alimentos por via oral em pacientes
aos quais a ingestão por via oral não esteja contraindicada por causa de vômitos ou
diarreia. Os pacientes que rejeitam os alimentos ou apresentam uma ingestão voluntária
inadequada deverão ser avaliados como candidatos para a alimentação assistida. Ideal
é que recebam uma dieta completa e balanceada por meio de via enteral. Mesmo os
pacientes com pancreatite severa e vômitos persistentes são capazes de tolerar a
alimentação por meio de sondas de jejunostomia. 
No entanto, quando o acesso à alimentação enteral for impossível em um paciente que
foi indicado com alimentação assistida, deve-se iniciar o suporte nutricional parenteral.
nPetiscos–A recomendação para cães em recuperação de pancreatite é evitar comidas
e petiscos comerciais ou sobras da mesa com alto teor de gorduras. Ainda não é claro
se uma recomendação similar deve ser usada no caso de gatos em recuperação desta
doença; no entanto, pode ser prudente evitar itens com alto teor de gordura, como
carnes gordas, frituras ou nata. Petiscos aceitáveis devem incluir carnes magras ou peixe
(por exemplo: peito de frango cozido, ou atum conservado em água), produtos lácteos
com baixo teor de gordura, frutas frescas e vegetais (exceto uvas e cebolas).
nDicas para aumentar a palatabilidade – A menos que haja indicação clara de
disponibilizar uma dieta restrita em gordura (< 30% de gordura, base energética) a
escolha da dieta deve ser baseada em encontrar um alimento para gatos completo e
Pancreatite - Gatos
70
equilibrado que seja aceitável para o paciente. Adicionar um pouco de água quente ao
alimento seco ou aquecer ligeiramente o alimento enlatado pode melhorar a aceitação.
nRecomendações para a dieta–A maioria dos gatos com diagnóstico de pancreatite
tem um histórico de anorexia. É essencial controlar a ingestão de alimentos do paciente,
especialmente quando estão em fase de transição da alimentação assistida, para
assegurar que a ingestão voluntária do paciente seja adequada. O objetivo é encontrar
uma dieta que o paciente coma facilmente, seja tolerada pelo trato gastrointestinal, e seja
apropriada para qualquer doença concomitante que o paciente possa ter (por exemplo:
doença inflamatória intestinal, doença hepática, diabetes mellitus). Os pacientes devem
ser monitorados quanto à sua aceitação aos alimentos, à recorrência de sinais clínicos
e à manutenção do peso.
No caso de pacientes com boa condição física, a dieta deve ser baseada na ingestão
calórica prévia. Para pacientes com baixo peso deve-se aumentar o teor de calorias
oferecidas em 20% em relação ao consumo anterior para promover ganho de peso
durante a convalescença e modificar, se necessário, com base na resposta. Para os
pacientes com excesso de peso deve ser prescrito um programa para redução de peso,
uma vez que o paciente esteja totalmente recuperado de pancreatite.
Pontos para a educação do proprietário 
• Todos os membros do grupo familiar devem entender que existe um risco potencial
da doença recorrente. Devem estar cientes das recomendações em matéria de
alimentação e nutrição e as razões para essas recomendações. É especialmente
importante controlar a ingestão de alimento do paciente e o seu estado físico para
permitir a detecção precoce da anorexia ou perda de peso.
• Quando um paciente está abaixo do peso ou com excesso de peso, no momento da
alta hospitalar, deve haver uma conversa sobre qual deve ser o manejo nutricional
adicional nas próximas semanas para garantir o retorno ao peso corporal ideal, e
por que tal tratamento será benéfico para o paciente.
Comorbidades comuns
Não é incomum em pacientes (gatos) ser diagnosticados com doença inflamatória
intestinal e pancreatite concorrente. Esses pacientes podem se beneficiar de uma dieta
com novas proteínas/antígenos limitados ou proteínas hidrolisadas. A maioria dos
pacientes com diagnóstico de lipidose hepática idiopática (LHI) e pancreatite
concorrente exigem alimentação assistida. Para a resolução da LHI é necessária a
ingestão de uma alimentação adequada e, normalmente, os gatos com esta doença têm
uma ingestão voluntária insuficiente. Gatos com insuficiência hepática,
independentemente da etiologia subjacente podem necessitar alterações na dieta,
incluindo restrição de proteínas. A Pancreatite também pode ocorrer simultaneamente
em gatos com diabetes mellitus (ver páginas 30-31).
Estratégias para o manejo das interações
medicamentosas
Pacientes com pancreatite aguda, de moderada a severa, necessitam de tratamento
rápido com líquidos e cuidados de suporte, que podem incluir coloides, antieméticos,
analgésicos e agentes gastroprotetores. Enquanto o controle da dor é um aspecto
importantedo tratamento medicamentoso da pancreatite, alguns agentes analgésicos
podem causar íleo paralítico. O íleo paralítico pode reduzir o apetite do paciente e,
portanto, atraso na ingestão voluntária ou complicar a entrega da nutrição enteral num
paciente alimentado por sonda. Essa complicação pode ser evitada através da remoção
da medicação para a dor, o mais rapidamente possível ou viável, mudando para um
fármaco que possua menos efeitos secundários gastrointestinais.
Controle
Deve-se controlar o peso dos pacientes que necessitam recuperar ou perder peso após
a alta hospitalar para garantir que estejam evoluindo devidamente. Qualquer futura
visita à clínica, independentemente da sua finalidade, é uma oportunidade para
descobrir mais sobre o tratamento dietético do paciente e uma chance para reforçar as
recomendações anteriores sobre a alimentação.
71
Manejo nutricional da pancreatite em gatos
Oferecer água, seguida de pequenas
porções de uma dieta para gatos digestível,
completa e balanceada que seja apropriada
para qualquer doença concomitante que o
paciente possa ter
Alimento aceito e tolerado
Alimento não aceito
Alimento aceito, mas não tolerado
Controlar a ingestão e o peso corporal para garantir a hidratação adequada
Avaliar a alimentação assistida
Avaliar a alimentação assistida
A ingestão de alimentos voluntária é indicada?
Indicado Contraindicado
Avaliar a alimentação assistida
Princípios da alimentação coadjuvante
O objetivo do manejo nutricional de doenças do fígado é basicamente de suporte e
requer um delicado equilíbrio entre a promoção da regeneração hepatocelular e
fornecer nutrientes para manter a homeostase, sem exceder a capacidade metabólica
que leva ao acúmulo de metabólitos tóxicos. É vital que o animal com doença hepática
tenha uma ingestão adequada de calorias para minimizar o catabolismo e promover
a recuperação da função hepática, a regeneração e a adequada síntese de proteínas. A
fim de satisfazer as necessidades energéticas do paciente poderá precisar de uma sonda
de alimentação enteral ou nutrição parenteral.
Em seguida, deve-se considerar o teor de proteína e iniciar a restrição de proteína só com
a evidência clínica de intolerância às proteínas (ou seja, encefalopatia hepática). Também
são importantes a digestibilidade das proteínas e o tipo de aminoácido fornecido. As
dietas ricas em aminoácidos aromáticos (AAA) promovem a formação de falsos
neurotransmissores e subsequente doença hepática. Em geral, as proteínas da carne tem
um teor mais elevado de AAA e devem ser evitadas, enquanto as proteínas a base de
produtos lácteos e vegetais são as principais fontes de aminoácidos de cadeia ramificada
(BCAA) e diminuem o risco de EH.
As fibras solúveis sofrem fermentação bacteriana no cólon, produzindo a redução de
ácidos orgânicos do pH do cólon no interior do lúmen e, como consequência, os ácidos
disponíveis convertem NH3 em HN4 + que é absorvido com menos facilidade,
basicamente aprisionando o amoníaco no cólon. As fibras também funcionam como
um laxativo osmótico, reduzindo a absorção de amoníaco e dos fatores encefalopáticos
relacionados com derivados nitrogenados no trato gastrointestinal.
Muitos tipos de doença hepática podem se beneficiar com o suporte na forma de
antioxidantes nutricionais. Suplementos nutricionais fornecidos para a função
antioxidante, incluindo vitamina E, zinco e precursores da glutationa, tais como S-
adenosilmetionina (SAM), podem ser benéficos.
nPetiscos – A suplementação com vitamina é apropriada para cães com doença
hepática porque estes pacientes podem apresentar um aumento da demanda das
vitaminas, alteração da conversão para a forma ativa das vitaminas, ou um menor
armazenamento hepático. No entanto, petiscos ou suplementos de vitaminas e
minerais contendo cobre devem ser evitados, especialmente em cães com HC associada
com cobre. Os petiscos que contêm proteína de má qualidade, tais como biscoitos ou
ossos de couro cru, devem ser evitados em cães com intolerância às proteínas.
nDicas para aumentar a palatabilidade–Anorexia é muitas vezes uma preocupação
em animais com doença hepática. A causa pode ser associada com EH, ulceração
gastrointestinal ou anormalidades de eletrólitos. Devem ser dados os primeiros passos
para corrigir essas condições. Em seguida, deve-se considerar a palatabilidade da dieta.
Muitas vezes há um erro no conceito do conteúdo de gorduras nas dietas para a doença
David C. Twedt, DVM, DACVIM
Definição
Adoença hepática primária em cães é geralmente aguda ou crônica. As hepatopatias
agudas são muitas vezes resultado de vários fármacos, toxinas ou secundárias à doenças
metabólicas. Doenças hepáticas agudas são graves e podem causar insuficiência hepática
grave, e se forem menos graves, podem ser resolvidas. A doença hepática crônica mais
comum em cães é a hepatite crônica (HC), que em alguns casos pode progredir para
uma cirrose. O acúmulo anormal de cobre tem sido a causa de muitos casos de HC.
Anomalias congênitas dodesvio portossistêmico(DPS) vascularsão comuns nos cães e
produzem numerosos transtornos metabólicos e encefalopatia hepática (EH).
Ferramentas de diagnóstico e exames
complementares
Deve-se obter o histórico alimentar e calcular as necessidades energéticas para o
paciente com base no peso corporal ideal (PC). A pontuação do escore de condição
corporal (ECC) e o PC deverão ser registrados. Alterações nas análises laboratoriais
que refletem a função hepática (por exemplo: glicose, albumina, nitrogênio ureico no
sangue [BUN, em inglês], colesterol e ácidos biliares no sangue) podem indicar
disfunção hepática significativa. O diagnóstico EH é baseado em sinais clínicos, no
estado da doença e nas concentrações elevadas de amônia no sangue.
Fisiopatologia
O fígado desempenha uma infinidade de processos metabólicos, incluindo a eliminação
de produtos tóxicos, armazenamento de nutrientes e o metabolismo e a regulação dos
carboidratos, gorduras e proteínas. Quando existe uma anormalidade no metabolismo
hepático dos subprodutos de nitrogênio do intestino, se produzirá a EH. As coagulopatias
ocorrem devido a uma falha do fígado em produzir fatores de coagulação e hipoglicemia
a partir do metabolismo alterado de carboidratos. A hipoalbuminemia causada pela
diminuição da produção do fígado contribuirá para a formação de ascite e ulceração
gastrointestinal em alguns pacientes. Com vários tipos de disfunção hepática pode-se
também causar alterações no metabolismo do cobre e das vitaminas.
Predisposição
A doença hepática pode ocorrer em cães de qualquer raça. Os DPS congênitos são
identificados em cães jovens, na maioria das vezes em raças pequenas. Doença hepática
aguda causada por medicamentos ou toxinas pode ocorrer em qualquer idade e em
qualquer raça. A HC é mais frequentemente vista em fêmeas de meia-idade (geralmente
entre 3 e 10 anos). Tem sido documentado que certas raças de cães têm defeitos
metabólicos no metabolismo do cobre, causando uma HC associada ao cobre; entre
estas raças estão Bedlington Terrier, Doberman Pinscher, West Highland, White Terrier,
Skye Terrier, Dálmata e Labrador Retriever.
Modificações nos nutrientes fundamentais 
É importante assegurar a ingestão adequada de calorias em cães com doença hepática. A
dieta deve ser selecionada pela sua palatabilidade e a restrição de lipídeos não é necessária.
Os carboidratos não devem constituir mais do que 45% do total de calorias. Quando a
hipoglicemia for um tema de interesse (ou seja, insuficiência hepática ou DPS), várias
refeições menores por dia podem ajudar a manter os níveis de glicose e diminuir o impacto
metabólico sobre o fígado. Restringir as proteínas poderia ser prejudicial se o cão tem um
balanço nitrogenado negativo (isto é, perda de peso e hipoalbuminemia). Proporcionar
uma fonte de proteína de alta qualidade altamente digestível contribuindo com 15% a
20% de matéria seca (MS). A restrição de proteínas deve ser estabelecida somente no
paciente com evidência clínica de intolerância à proteína (na maioria das vezes

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