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LIÇÕES DE
CRASE
AA
2
Lição 3 - Uso da crase por tradição
A
A
Ao final da aula, você 
deverá ser capaz de:
1. Identificar as situações 
nas quais a crase ocorre 
com as locuções adverbiais, 
prepositivas e conjuntivas;
2. Diferenciar períodos 
nos quais as locuções admitem 
dupla interpretação para usar 
a crase quando necessário. 
META
OBJETIVOS
Compreender que o 
fenômeno da crase, fusão 
sonora da preposição A com o 
artigo feminino A e com outras 
palavras iniciadas pela mesma 
letra, é consequência das 
relações de regência verbal e 
nominal.
SUMÁRIO
 Introdução.......................................................................................4
 3.1 Locuções adverbiais...................................................5
 3.2 Locuções prepositivas........................................11
 3.3 Locuções conjuntivas..........................................13
 3.4 Locuções que não recebem o acento 
grave...................................................................................14
 Exercícios...................................................................................15
 Conclusão....................................................................................18
 Referências.................................................................................19
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
introdução
 Olá, sejam bem-vindos ao nosso terceiro encontro! 
Na lição anterior, falamos sobre a crase relacionada à preposição “de” e aos pronomes “que, 
a qual, aquele, aquela e aquilo”. Mostramos que, em alguns desses casos, temos, na verdade, um 
substantivo feminino subentendido diante do pronome. Vimos ainda os testes que podem ser 
aplicados para comprovar a necessidade do acento grave.
Em nosso terceiro encontro, estudaremos a crase usada por tradição em locuções adverbiais, 
prepositivas e conjuntivas. 
Vejamos um exemplo na imagem:
Às vezes vocês não se 
sentem um tanto quanto 
indefinidos?
Reparou que há acento na expressão “às vezes”? Você já se perguntou por que ela recebe 
o acento grave? Aparentemente não há razão para isso, afinal o “as” não está entre duas palavras, 
uma delas a exigir a preposição e a outra a aceitar o artigo feminino. Nesta lição, vamos descobrir 
o motivo de haver crase em locuções desse tipo.
Antes de prosseguir, que tal revisar o conceito de locução gramatical? Leia o quadro abaixo:
 
 
A
+
Para saber mais
PARA SABER MAIS
 Locuções gramaticais 
Conjunto composto por duas ou mais palavras equivalentes a um sig-
nificado único. Ao se unirem, as palavras formadoras da locução perdem 
a classe gramatical original e ajudam a compor outra. A locução adjetiva, 
por exemplo, é formada por uma preposição e por um ou mais substan-
tivos. Confira:
 de Marte
 preposição Substantivo
O vocábulo Marte, quando sozinho, é substantivo, refere-se ao nome do planeta. Ao integrar uma 
locução adjetiva (de marte), o significado muda para “marciano”.
Há locuções gramaticais de vários tipos: adjetiva, adverbial, prepositiva, conjuntiva, verbal, inter-
jetiva, substantiva, etc. 
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
As locuções que nos interessam são as adverbiais, as conjuntivas e as prepositivas, pois 
existe possibilidade de que elas usem o acento grave, por isso vamos estudá-las um pouco mais. 
3.1 Locuções adverbiais
 As locuções adverbiais são formadas pela sequência: Preposição A + substantivo ou 
adjetivo. Elas expressam a circunstância em que a ação verbal aconteceu: modo, lugar, tempo, 
etc. Em “desenho feito a lápis”, por exemplo, “a lápis” é uma locução adverbial de modo. Veja 
como essa expressão é formada:
a lápis
preposição Substantivo masculino
Nas locuções adverbiais, tais como: a pé, a cavalo, a caminho, a caráter, etc., a letra A, além 
de ser uma simples preposição, está diante de uma palavra masculina, então não existe razão 
alguma para se usar o acento grave. 
Já com as locuções adverbiais femininas a história é outra. Mesmo não havendo contração 
da preposição com o artigo feminino, o acento pode ser empregado por tradição histórica do 
idioma. Confira alguns exemplos:
À primeira vista, o pedido encontra fundamento no princípio da ampla defesa.
A interessada informa que a liminar foi deferida às pressas.
O produto foi colocado à venda.
A prescrição médica deve ser seguida à risca.
As locuções adverbiais femininas que recebem o acento grave geralmente expressam 
ideias de tempo, lugar e modo. Nas locuções de instrumento, acentuar é opcional, a depender do 
contexto. 
Para entender melhor o assunto, vamos ler o texto da professora Maria Thereza Piacentini:
 Nas locuções circunstanciais femininas, embora esse A possa ser só preposição, é 
de tradição acentuá-lo por motivo de clareza. Compare nos exemplos abaixo o significado 
da frase sem o acento e com ele:
Favor lavar a mão. Favor lavar à mão, e não à máquina.
Caiu a noite (anoiteceu). Ele caiu à noite.
Vendeu a vista (os olhos). Vendeu à vista.
Foi caçada a bala (a bala foi caçada). Foi caçada à bala.
https://www.linguabrasil.com.br/nao-tropece-detail.php?id=36
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
Cortei a faca (cortou a própria faca). Cortei à faca.
Coloquei a venda (faixa nos olhos). Sim, coloquei à venda.
Trancou a chave (a chave foi trancada). Trancou à chave.
Pagou a prestação (pagou-a). Pagou à prestação (em prestações).
É por essa questão de clareza que se recomenda e geralmente se acentua o a nas 
locuções femininas de circunstância, para que a preposição não seja confundida com o 
artigo feminino. Nestes casos, não funciona o artifício de ver como é que se comporta 
uma expressão similar no masculino, pois não haverá correspondência de à com ao. 
Trata-se de uma exceção. Então, por ex., mesmo que se escreva a prazo (subst. masc.), 
escreve-se à vista, com acento.
Vejamos outros exemplos em que a preposição poderia se confundir com o artigo 
e por isso o acento é de praxe: à evidência, estou à disposição, fique à vontade, encontra-
se à paisana, à espreita, escreve à perfeição, vive à toa, o cão anda à solta, cumpriu o 
trato à risca, navegar à vela, apanhar (flores) à mão, escrever à caneta, cortar à faca ou 
à gilete, falar à boca pequena [em voz baixa], provou o caso à saciedade [plenamente], 
tomou a injeção à força, amor à primeira vista, assalto à mão armada, modéstia à parte, 
às (ou a) expensas etc.
É facultativo o acento indicativo de crase quando não há confusão possível: carro a 
gasolina, barco a vela, matou o cachorro a bala, guardar o dinheiro a chave etc. (Grifos nossos)
Concluímos, após a leitura do texto, que o acento grave, nas locuções adverbiais femininas 
(e também nas prepositivas e conjuntivas), é empregado como sinal esclarecedor do sentido 
da oração. Em razão disso, seu uso torna-se obrigatório em alguns contextos, mas em outros é 
facultativo. 
Caso decida não acentuar, o período estará gramaticalmente correto, mas talvez o leitor 
não entenda rapidamente o que você quis dizer. Ele precisará ler o trecho novamente para que 
outros elementos do texto indiquem o verdadeiro sentido. Que tal economizar o tempo dele? 
Afinal, como ressalta Celso Luft em Decifrando a crase, “o fim da linguagem é a comunicação 
clara, inequívoca”. 
Vale a pena frisar que locuções adverbiais masculinas não recebem o acento grave: 
a pé a cavalo a prazo a frio a gás a gosto 
a lápis a nado a meio mastro a óleo a postos 
a prazo a sério a sangue-frio a vapor
Em locuções adverbiais femininas de meio e de instrumento (à mão, à chave), a gramática 
era taxativa e rejeitava a crase. No entanto, em nome da clareza, muitos gramáticos atuais 
recomendam acentuar a preposição para eliminar a ambiguidade. Veja alguns exemplos:
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
Casos em que pode haver ambiguidade:
Quando ocorre duplo sentido com as locuções adverbiaisfemininas, há também mudança de classe 
gramatical, além da possibilidade de a preposição A ser confundida com o artigo feminino. Sem a crase, 
a expressão pode ser objeto direto, sujeito ou locução adverbial feminina. Com o acento grave, ela será 
apenas locução adverbial. Vejamos alguns exemplos abaixo:
 Ele decidiu cortar a faca.
(A faca é o objeto que está sendo cortado ou é o instrumento de corte?)
 Ele decidiu cortar à faca.
(Com o acento só há uma interpretação possível: à faca é o instrumento usado para fazer a ação verbal.)
 O recepcionista deve bater a máquina.
(Ele vai bater a máquina em algum lugar ou é o instrumento com o qual se realizará a ação verbal? No 
primeiro caso, a máquina é objeto direto; no segundo, temos uma locução adverbial de instrumento.)
 O recepcionista deve bater à máquina.
(Com o acento só há uma interpretação possível, à máquina é o instrumento usado para realizar a ação 
verbal.) 
 Chegou a noite. (sujeito da oração, faz a ação verbal)
 Chegou à noite (locução adverbial de tempo)
Casos em que não se detecta ambiguidade:
Em geral, não ocorre duplicidade de sentido quando não existe possibilidade de mudança de classe 
gramatical. Se a locução adverbial for formada por um substantivo masculino, como nos casos abaixo, 
dificilmente haverá ambiguidade, uma vez que o artigo a ser aceito é o masculino (o), que não poderia ser 
confundido com a preposição A.
 Comprou um carro a gasolina. 
(Não há possibilidade de dupla interpretação.)
 Resolveu andar a pé 
(Não existe ambiguidade, uma vez que “pé” é substantivo masculino.)
 À distância ou a distância
 E a locução adverbial “a distância”? Enquadra-se na mesma situação? Com essa expressão, o 
acento pode ser opcional em alguns casos e em outros é obrigatório. Nas situações em que é facultativo 
empregá-lo, é preciso verificar o contexto: existe a possibilidade de duplo sentido? Se houver, seu uso é 
recomendado, ainda que gramaticalmente não exista justificativa para a crase.
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
Vamos comparar duas frases para entender melhor:
 1. Estudar a distância.
 2. Estudar à distância.
 Na primeira frase, sem a crase, há duas interpretações possíveis: estudar a distância refere- 
-se ao modo de ensino (não presencial) ou ao objeto de estudo (a distância está sendo estudada). 
Na segunda, não há dúvida alguma. A mesma ambiguidade aparece nas frases a seguir:
 Viu a distância. 
(A distância está sendo vista ou é o modo como ele viu?)
 Escreveu a distância. 
(Escreveu a expressão ou é a forma como se deu a ação verbal?)
 Fotografou a distância. 
(A distância foi fotografada ou é o modo de se fotografar?)
Em “educação a distância” e “curso a distância”, não se verifica duplo sentido, uma vez que 
“educação” e “curso” são substantivos, além disso, essas expressões já estão consagradas sem 
o acento. Já em “cursar a distância, ensinar a distância, estudar a distância”, pode ocorrer duplo 
sentido. Se o contexto não for suficiente para elucidar o significado, o acento grave poderá ser 
usado sem problema algum.
Caso a distância seja determinada ou especificada, é obrigatório acentuar o A: 
 Instale o poste à distância de um metro da casa.
 O mercado fica à distância de uns 10 km daqui. 
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
Vamos ler o texto de Sérgio Rodrigues, autor da coluna Sobre palavras na revista Veja, para 
entender melhor o assunto:
“Prezado Sérgio, tenho visto a frase ‘ensino a distância’ sem crase. Isso me parece 
estranho, pois trata-se de uma expressão adverbial, como ‘monitoramento à distância’. 
Na verdade, já li das duas formas. Favor esclarecer minha dúvida.” (Fabio Drad de Souza)
As duas formas dessa locução adverbial são usadas: a distância e à distância. 
No primeiro caso, temos simplesmente a preposição a. No segundo, temos a mesma 
preposição a, mas ela leva um acento grave. Este pode ser indicativo de crase, isto é, de 
contração com o artigo definido a, ou apenas diferencial, empregado em nome da clareza.
O Houaiss observa que os autores clássicos da língua dão preferência à primeira 
forma quando a distância não é especificada (“viram algo movendo-se a distância”), e à 
segunda quando se trata de uma distância precisa: “o portão ficava à distância de quatro 
metros”.
Na mesma nota, porém, o melhor dicionário de nossa língua sugere usar acento 
também no primeiro caso, “quando a sua falta comprometer de algum modo a clareza da 
frase”. Dá o seguinte exemplo: “a sentinela vigia à distância”. Se a ideia a ser comunicada 
é a de que a sentinela se mantém distante daquilo que vigia, a ausência do acento poderia 
sugerir erroneamente que a distância é aquilo que ela vigia.
A meu ver, a eliminação desse tipo de ambiguidade fortuita é suficiente para 
recomendar o uso da locução adverbial “à distância” em todas as situações, seja a distância 
especificada ou não. Tal opção pela clareza parece ser a inclinação contemporânea.
Se não há ambiguidade na expressão “ensino a distância” quando ensino é 
claramente um substantivo, ela se instala quando falamos em “ensinar a distância”: 
ensinar de longe ou, poeticamente, ensinar o próprio distanciamento? Seria absurdo usar 
acento no segundo caso e não no primeiro, pois o método de ensino é o mesmo. “À 
distância” acaba com a confusão.
Há outras locuções adverbiais em que o acento é sempre recomendado como 
forma de evitar ambiguidade: “à mão” é o caso clássico. “Que mão?”, podem perguntar 
os que estranham o artigo definido embutido na crase. Ocorre que “lavar à mão” é uma 
coisa e “lavar a mão”, outra bem diferente.
O gramático Evanildo Bechara não vê nesse caso contração de preposição e artigo, 
mas “a pura preposição a que rege um substantivo feminino no singular, formando uma 
locução adverbial que, por motivo de clareza, vem assinalada com acento diferencial”. O 
mesmo raciocínio justifica o emprego do acento grave em locuções adverbiais como “à 
força”, “à míngua” e “à noite”.
É uma forma interessante de encarar a questão – suficiente, aliás, para abonar a 
preferência por “à distância”. Mas acredito haver outro enfoque possível, em que o artigo 
definido se faz presente e existe, sim, crase. A que mão nos referimos quando dizemos 
“à mão”? À mão genérica, ora. À mão como ideia, ao ideal platônico de mão. Pronto, eis 
o artigo.
https://veja.abril.com.br/coluna/sobre-palavras/ensino-a-distancia-ou-ensino-a-distancia
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
Naturalmente, a ambiguidade e a necessidade de eliminá-la (com crase ou 
com acento diferencial) só ocorrem porque distância, mão, força, míngua e noite são 
substantivos femininos. Em expressões como “terminar a tarefa a jato” e “talhar a 
canivete”, o gênero masculino dos substantivos jato e canivete não permite confundir 
preposição com artigo, motivo pelo qual se dispensam medidas adicionais para esclarecer 
o sentido da mensagem. Usar o acento nesses casos (à jato, à canivete) é um erro crasso 
e infelizmente comum.
E já que falamos nisso: quando o artigo definido masculino se impõe, é óbvio que 
não existe crase, mas a contração ao: “Vimos relâmpagos ao longe”.
Uso obrigatório da crase em locuções adverbiais
 1. Locuções femininas no plural 
Em certas locuções adverbiais, o uso do acento grave é obrigatório, pois efetivamente o 
fenômeno da crase ocorre. Para esclarecer quais são elas, vamos nos lembrar da pergunta que 
fizemos no início da lição: por que razão a expressão “às vezes” recebe crase? 
Como vimos, locuções adverbiais são formadas por preposição + substantivo ou adjetivo. 
É preciso acrescentar ainda que preposições não admitem plural. Sabendo disso, concluímos que, 
no “as” de “às vezes”, ocorre o encontro de duas letras iguais: um artigo feminino plural e uma 
preposição, ou seja, as + a = às. Dois sons idênticos, portanto, que se fundem em um só. 
Em síntese, é obrigatório o acento grave quando, na locução adverbial, o substantivo está 
no plural e o artigo também. 
Vejamosmais exemplos: 
 Fez o trabalho às pressas. 
 Fingiu que tudo está às mil maravilhas. 
 Deixou o quarto às avessas. 
 Estou às ordens. 
Cuidado! Se o A estiver sem o “s”, não ocorrerá a crase: 
 Sobreviveu a duras penas.
 Pagou tudo a prestações.
 Foi recebido a pauladas.
Você consegue entender o motivo de não haver crase nessas locuções, não é? É isso 
mesmo, temos apenas a preposição a.
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
2. Locução adverbial de indicação de horas
 É obrigatório assinalar a crase em locuções adverbiais que exprimem hora determinada: 
às sete horas, às dezenove horas. Observe que temos artigo masculino antes da expressão “ao 
meio-dia”, logo haverá crase também em “à meia noite”. 
Vejamos exemplos:
 Às 19 horas nos encontraremos na igreja.
 O sinal será acionado às 13 horas e à uma hora da madrugada.
 O remédio deverá ser tomado às duas horas da tarde. 
 Faremos a ronda ao meio-dia e à meia-noite.
 O aumento entra em vigor à zero hora.
 Na lição 4, vamos estudar com mais profundidade a crase na indicação de horas, sobretudo 
quando elas aparecem em construções paralelas. 
3.2 Locuções prepositivas
Preposição é a palavra invariável que liga dois termos, estabelecendo entre eles determinadas 
relações de sentido e de dependência. As locuções prepositivas têm a mesma função e, como 
você agora já sabe, são formadas por mais de um vocábulo, sendo o último deles uma preposição 
simples. Veja exemplos:
a respeito de atrás de dentro de quanto a
Quando iniciadas pela preposição “a” e terminadas na preposição “de”, as locuções 
prepositivas femininas recebem o sinal de crase, como nas expressões abaixo:
à beira de à maneira de à espera de à moda de à procura de 
à base de à cata de à custa de à força de à semelhança de 
à esquerda de à direita de à frente de à mercê de à guisa de
Leia algumas frases:
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
A vítima ficou à mercê do algoz.
Ela estava à frente do projeto.
À procura de justificativa para a denegação, compulsou os autos.
Antes de prosseguir, analise a frase abaixo e verifique se é necessário acentuar a locução 
prepositiva “a despeito de”:
 A despeito da densidade jurídica do princípio da ampla defesa, essa garantia constitucional não 
protege práticas escusas.
Como realizar essa avaliação? A primeira providência é verificar o gênero da palavra 
principal. Se for masculina, como “despeito” de fato é, não existe razão para acentuar. 
Vejamos agora outro tipo de locução prepositiva: as que terminam com a preposição “a”. 
O que elas têm de especial? Quando se ligam a um substantivo feminino determinado, recebem o 
acento grave. Observe que, nas masculinas, sempre aparecerá artigo também, basta fazer o teste 
da troca da palavra feminina pela masculina para confirmar. Confira exemplos abaixo:
 Graças à intervenção do procurador, o feito prosseguiu rapidamente.
 Graças ao pedido do paciente, a dieta não foi tão restritiva.
 Em atenção à queixa do recorrente, dispensou a leitura do relatório.
 Em atenção ao acordo realizado, dispensou a leitura do relatório.
 Com vistas à aplicabilidade imediata da norma, redigiu o regulamento.
 Com vistas ao atendimento da norma, expediu o alvará.
 Opinou quanto à possibilidade de adoção de meio menos gravoso para chegar-se ao mesmo fim. 
 Opinou quanto ao recebimento da denúncia. 
 Devido à falta de evidências, opinou pelo desprovimento do agravo regimental.
 Devido ao aditamento da denúncia, estabeleceu novo prazo.
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
3.3 Locuções conjuntivas
Usadas para ligar orações, as locuções conjuntivas femininas “à proporção que” e “à medida 
que” também recebem o acento indicativo de crase. Confira exemplos a seguir:
 A dívida aumentava à medida que os gastos continuavam.
 O bloqueio do orçamento será revisto à medida que a receita for aumentando.
 À proporção que o homem exterior se destrói, o homem interior se renova. [Michel de Montaigne]
 
A
+
Para saber mais
PARA SABER MAIS
Cuidado! Não confunda a locução “à medida que” com “na medida 
em que”. As duas estão corretas, mas apresentam sentidos diferentes.
“À medida que” expressa desenvolvimento simultâneo e gradual. 
Pode ser trocado por “à proporção que”.
 O cansaço aumentava à medida que a noite avançava.
 Os motivos do crime foram ficando claros à medida que as investigações iam avançando.
“Na medida em que” é conjunção causal, exprime relação de causa e equivale a “porque”, “já 
que”, “uma vez que”. Confira os exemplos:
 A referência não passa pelo crivo da racionalidade, na medida em que não apresenta motivação 
idônea.
 Na medida em que investimentos não foram realizados, a companhia elétrica foi sucateada.
 “A falta de recursos materiais a inviabilizar as garantias constitucionais dos acusados em processo 
penal é inadmissível, na medida em que implica disparidade dos meios de manifestação entre a 
acusação e a defesa.” [HC 85.200, rel. min. Eros Grau.]
Por fim, é incorreto o uso de “à medida em que”.
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
3.4 Locuções que não recebem O ACENTO GRAVE
 A seguir uma lista de locuções que não são acentuadas, ora por serem formadas por palavras 
masculinas, ora por serem formadas por preposição seguida de palavra plural.
a duras penas
a bel prazer 
a boa distância de
a bordo 
a bordoadas
a calhar
a braçadas
a caráter
a cabeçadas 
a cavalo
a cacetadas
a cargo de
a cântaros
a dedo 
a facadas
a frio
a chibatadas
a diesel
a chicotadas 
a esmo
a cerca de
a ferro
a certa altura
a galope
a certa distância
a gosto
a começar de
a álcool
a contar de 
a curto prazo
de alto a baixo
a estibordo
de cabo a rabo
a fundo 
a grande distância
a gás
a juros
a jato
a granel
a lápis
a joelhadas
a longo prazo
a mais
a lenha
a longa distância
a mando de
a marteladas 
a meia altura 
a ouro
a meio pau
a menos
a meu ver
a montante
a nado
a óleo
a olho nu
a meia distância
a par
a partir de 
a pauladas
a passos largos
a pé
a pedidos
a pequena distância
a pilha
a pino
a ponta de espada
a pontapés
a ponto de
a porretadas
a portas fechadas
a postos
a pouca distância
a prazo
a prestações
a princípio
a propósito
a público
a punhalada
a pururuca
a quatro mãos
a querosene
a rigor
a rir
a rodo
a seco
a seguir
a sério
a serviço
a sete chaves
a socos
a sós
a sono solto
a termo
a tiracolo
a tiro
a toda
a toda força
a toda hora
a toque de caixa 
a trote
a valer
a vapor
a vela 
a zero
de alto a baixo
de cabo a rabo
de fora a fora
de mais a mais
de mal a pior
de parte a parte
de ponta a ponta
fazer as vezes de 
folha a folha
frente a frente
meio a meio
hora a hora
Que tal agora fazermos exercícios? Por meio deles, fixamos o que aprendemos nesta aula e ainda 
verificamos se há alguma dúvida.
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
A
vamos exercitar
 Agora é sua vez! VAMOS EXERCITAR? 
Vamos aplicar os métodos que estudamos nesta aula. Resolva as questões abaixo e depois confira 
as respostas na sequência.
1. O acento grave, nos períodos abaixo, altera o sentido da frase, explique cada caso:
I. Foi examinada a mais dura prova. 
Foi examinada à mais dura prova.
II. Permissão legal dada ao juiz para que substitua a vontade.
Permissão legal dada ao juiz para que substitua à vontade.
III. Combateremos a sombra.
Combateremos à sombra.
IV. Passaram a segunda parte do programa.
Passaram à segunda parte do programa.
 
2. Indique a crase se necessário e justifique a presença ou a ausência do acento grave nas frases 
a seguir:
a) Sentou-se a beira da estrada e ficou a espera de ajuda.
b) A camisa cheira a suor e a vinho.
c) Tudo foi decidido a portas fechadas.
d) O TCU estabeleceu situações nas quais será mantido o sigilo quanto a autoria da denúncia.
e) Atravessou o canal a nado.
f) Não resolveu o problema a tempo de evitar o choque. 
g) Ela sai a uma hora e só volta a meia-noite. 
h) Entre e fique a vontade. 
i) Andava as cegas pela casa, procurando vela e fósforos. 
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Lição 3- Uso da crase por tradição
Vamos conferir?
1. O acento grave, nos períodos abaixo, altera o sentido da frase, explique cada caso:
I. Foi examinada a mais dura prova. 
 A expressão “a mais dura prova” é sujeito paciente. É a prova que está sendo examinada.
Foi examinada à mais dura prova.
 À mais dura prova é o modo como alguém está sendo examinado. Trata-se, portanto, de locução 
adverbial feminina. 
II. Permissão legal dada ao juiz para que substitua a vontade.
 A vontade é objeto direto. Ela é que pode ser substituída por algo. Não recebe o acento indicador de 
crase, pois não temos a presença de preposição, apenas há artigo feminino.
Permissão legal dada ao juiz para que substitua à vontade.
 À vontade é locução adverbial de modo. Recebe o acento indicador de crase por tradição, para 
diferenciar a preposição de artigo feminino. O juiz pode substituir algo da maneira que desejar. 
III. Combateremos a sombra.
A sombra é objeto direto. Ela será combatida. A letra “a” é artigo feminino apenas. 
Combateremos à sombra.
 À sombra pode ser locução adverbial de modo ou de lugar. Indica a forma como o combate será feito 
ou o lugar onde ocorrerá.. 
IV. Passaram a segunda parte do programa.
 A segunda parte do programa foi passada por alguém. É objeto direto do verbo passar. 
Passaram à segunda parte do programa.
 Encaminharam-se para a segunda parte do programa. A expressão agora é um adjunto adverbial de 
lugar.
 
2. Indique a crase se necessário e justifique a presença ou a ausência do acento grave nas frases 
a seguir:
a) Sentou-se à beira da estrada e ficou à espera de ajuda.
Justificativa: As duas expressões são locuções prepositivas femininas, razão pela qual recebem o 
acento grave.
b) A camisa cheira a suor e a vinho.
Justificativa: A suor e a vinho são locuções adverbiais de modo formadas por preposição e palavra 
masculina, razão pela qual a crase é indevida.
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
c) Tudo foi decidido a portas fechadas.
Justificativa: A portas fechadas é locução adverbial de modo formada por preposição e palavras 
no plural, razão pela qual a crase é indevida.
d) O TCU estabeleceu situações nas quais será mantido o sigilo quanto à autoria da denúncia.
Justificativa: Locuções prepositivas que terminam com a preposição “a” recebem o acento grave 
quando se ligam a um substantivo feminino determinado.
e) Atravessou o canal a nado.
Justificativa: A nado é locução adverbial de modo formada por preposição e palavra masculina, 
razão pela qual a crase é indevida.
f) Não resolveu o problema a tempo de evitar o choque. 
Justificativa: A tempo é locução adverbial formada por preposição e palavra masculina, razão pela 
qual a crase é indevida.
g) Ela sai à uma hora e só volta à meia-noite.
Justificativa: O acento grave é usado em locuções adverbiais que indicam horas.
h) Entre e fique à vontade. 
Justificativa: À vontade é locução adverbial de modo formada por preposição e palavra feminina. 
O acento grave é usado por tradição.
i) Andava às cegas pela casa, procurando vela e fósforos. 
Justificativa: Às cegas é locução adverbial de modo formada por preposição, artigo feminino plural 
e palavra feminina plural. A crase é, portanto, obrigatória.
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
Conclusão
Nesta lição 3, abordamos os casos em que o acento grave é usado por tradição nas locuções 
adverbiais, prepositivas e conjuntivas femininas. Nessas locuções, mesmo que as duas situações 
obrigatórias de ocorrência da crase não apareçam, empregamos o acento em nome da clareza. 
Em nossa próxima aula, estudaremos os casos em que a crase é opcional. 
Até lá.
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Lição 3 - Uso da crase por tradição
Referências
CUNHA, Celso & CINTRA, Lindley L. F. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1985. 
FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar: Gramática. São Paulo: FTD, 2003.
LUFT, Celso Pedro. Dicionário prático de regência nominal. 4. ed. São Paulo: Ática, 2007.
LUFT, Celso Pedro. Dicionário prático de regência verbal. 8. ed. São Paulo: Ática, 2008.
LUFT, Celso Pedro. Decifrando a crase. 2. Ed. São Paulo: Globo, 2013. 
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Lição 3 - Uso da crase por tradição

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