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Aula Avaliação antropométrica em situações especiais

Notas de aula sobre avaliação antropométrica em nutrição clínica: métodos de mensuração para acamados (altura por joelho, esterno→ponta do dedo médio, comprimento supino), classificação por IMC e peso ideal, circunferências, avaliação e quantificação de edema e contraindicações à bioimpedância.

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Professor 
Dourados, 2019 
UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS 
FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE 
CURSO DE NUTRIÇÃO 
Acamados 
Edemaciados 
Obesidade Grave 
Amputados 
Lesão Medular 
 
1 
Indivíduos impossibilitados de 
deambular demandam equipamentos 
e alternativas tecnológicas capazes de 
atender a necessidade de realizar 
pesagem e altura no leito. As 
balanças integradas às camas 
hospitalares apresentam custo 
elevadoel elevado, não sendo uma realidade na grande maioria dos hospitais. 
(MELO et al., 2014) 
Para sua obtenção, o indivíduo 
deve ser capaz de dobrar o joelho e 
o tornozelo em um ângulo de 90° 
enquanto fica deitado em posição 
supina ou sentado sobre uma mesa 
com as pernas projetadas para o 
lado de fora da mesa. Medir a 
distância 
supina ou sentado sobre uma mesa com as pernas 
projetadas para o lado de fora da mesa. Deve-se 
posicionar a fita métrica sob o calcanhar até a superfície 
anterior da coxa, cerca de 3 cm acima da patela. 
(MELO et al., 2014) 
Para sua obtenção, deve-se 
medir a distância entre o 
ponto médio do esterno e a 
falange distal do dedo 
médio, utilizando uma fita 
nelásticauma métrica flexível e inelástica paralelamente à clavícula. 
(MITCHELL & LIPSCHITZ, 1982) 
Para sua obtenção, deve-se 
medir o comprimento do 
indivíduo, obtida com uma fita 
métrica flexível e inelástica, após 
marcação com giz na maca ou no 
lençol através de um triângulo, 
um triângulo, .. do topo da cabeça ate a planta do pé, com o indivíduo na 
posição supina e com o leito em posição horizontal. 
(GRAY et al., 1985) 
< 16 Magreza grau III 
16 a 16,99 Magreza grau II 
17 a 18,49 Magreza grau I 
18,5 a 24,99 Eutrofia 
25 a 29,99 Pré-obesidade ou sobrepeso 
30 a 34,99 Obesidade grau I 
35 a 39,99 Obesidade grau II 
≥ 40 Obesidade grau III 
Fonte: WHO, 2008. 
Peso ideal = IMC médio (kg/m²) x estatura (m)² 
*FAO: IMC médio: homens = 22 kg/m2; mulheres = 20,8 kg/m2 
*OMS: IMC médio: homens = 23 kg/m2; mulheres = 22 kg/m2 
*Frisancho (1990): IMC médio: valor do IMC no percentil 50 
Exemplo: mulher, 40 anos, altura=1,56m 
PI (OMS)= 22 x (1,56)2 = 22 x 2,4336 = 53,6 kg 
Altura (cm) 
Circunferência do punho (cm) 
*Peso ideal: Vide tabela do Metropolitan Life Insurance Co., 1983. 
Compleição Física Grande Média Pequena 
Mulher < 10,1 10,1 – 11,0 > 11,0 
Homem < 9,6 9,6 – 10,4 > 10,4 
Fonte: GRANT, 1980. 
Exemplo: mulher de 40 anos, 
altura=156cm, circ. punho=14cm 
r = 11,14 – Compleição pequena 
r= 
 É a porcentagem de adequação do peso atual em relação ao ideal. 
 
≤ 70 Desnutrição grave 
70,1 a 80 Desnutrição moderada 
80,1 a 90 Desnutrição leve 
90,1 a 110 Eutrofia 
110,1 a 120 Pré-obesidade/Sobrepeso 
> 120 Obesidade 
FONTE: Blackburn; Thornton, 1979. 
2 
 Alguns tipos de medicamentos 
 Alterações no sistema vascular (varizes, trombos, alergias, 
traumas, temperatura elevada); 
 Doenças cardíacas 
 Doenças renais 
 Doenças hepáticas 
 Hipotireoidismo 
 Alguns tipos de câncer 
 Desnutrição grave, entre outros. 
Membros inferiores: 
Indivíduos que ficam sentados ou em pé: 
verificar nos tornozelos. 
Indivíduos acamados: verificar na região 
sacral. 
Após uma suave e contínua pressão 
sobre a face anterior da perna contra a 
estrutura óssea há a presença de uma 
depressão tecidual que demorará algum 
tempo até que volte ao normal. 
Sinal de cacifo 
+ 1 Quase indetectável. Desaparece rápido. 
+ 2 10-15 segundos para desaparecer. 
+ 3 15 seg. até mais de 1 minuto para desaparecer 
+ 4 2-5 minutos para desaparecer. 
+ Tornozelo 1 kg 
++ Joelho 3-4 kg 
+++ Raiz da coxa 5-6 kg 
++++ Anasarca (corpo todo) 10-12 kg 
FONTE: Martins; Cardoso, 2000. 
• É subtraída a quantidade de líquido acumulado no espaço 
intersticial (edema) em kg, de acordo com a localização. 
 Se houver edema periférico (membros 
superiores e/ou inferiores), evitar realizar 
dobras cutâneas devido ao risco de 
superestimativa de valores. 
 Sob qualquer grau de edema, não realizar 
bioimpedância elétrica, uma vez que esta técnica é 
fortemente influenciada pelo estado hídrico. 
 Em algumas situações há como obter o peso “seco” do 
indivíduo (sem edema). Exemplo: após hemodiálise. 
3 
IMC ≥ 40 kg/m² 
ANDROIDE – abdominal ou visceral 
- Mais comum em homens 
- Associado com diabetes tipo 1 e 2 e 
doenças cardiovasculares 
GINOIDE 
- Mais comum em mulheres 
- Associado com celulite, varizes, 
 problemas de pele e ortopédicos 
MISTA 
IMC + circunferência da cintura 
Utilizada para avaliar o risco de complicações metabólicas associadas à 
obesidade. Indicador válido para a massa adiposa visceral. 
ELEVADO MUITO ELEVADO 
Homem ≥ 90 cm ≥ 102 cm 
Mulher ≥ 80 cm ≥ 88 cm 
Fonte: WHO, 2008; ALBERTI et al. (2009). 
O resultado é comparado aos pontos de corte propostos pela 
Organização Mundial da Saúde (2008) e IDF (2009): 
Ponto de corte (homens e mulheres): <0,5 
A cintura deve ser menor que a metade da altura 
Técnica da medida: 
Medir na altura da cartilagem 
cricotireoidea, com a cabeça orientada 
no plano de Frankfurt. Em homens, 
medir imediatamente abaixo da 
proeminência laríngea (pomo de adão). 
Medida relacionada diretamente com o risco cardiovascular. 
Homens: < 37 cm | Mulheres: < 34 cm 
< 43 cm (baixo risco) 
43-48 cm (risco intermediário) 
> 48 cm (alto risco) 
Medida relacionada diretamente com o risco cardiovascular. 
Segundo a ASPEN (1998), o peso ideal de indivíduos cujo IMC 
seja superior a 27kg/m2 deve ser calculado usando-se a fórmula 
de peso ajustado já que é o que melhor se correlaciona com a 
massa metabolicamente ativa desses indivíduos. 
 Peso Ajustado = (Peso atual – Peso ideal) x 0,25 + Peso ideal 
Exemplo: mulher de 40 anos, altura=1,56m, PA=67kg 
PI (limite máximo do IMC) = 24,9 x (1,56)2= 24,9 x 2,4336 = 60,60kg 
Peso ajustado = (67 – 60,60) x 0,25 + 60,60 = 62,2kg 
Medida muito comum para avaliar a resposta dos tratamentos 
clínicos e cirúrgicos antiobesidade. A eficácia da perda de peso 
ocorre quando a perda fica entre 5 a 10% do peso inicial em 
seis meses (ABESO, 2016). 
 
Exemplo: mulher de 40 anos, Peso Atual = 97kg, Peso Usual = 105kg 
 %PP = (105 – 97) x 100 800 = 7,6% 
 105 105 
 Evitar realizar dobras cutâneas devido a 
grande dificuldade em determinar o ponto 
anatômico correto, destacar as dobras e 
realizar as medidas corretas. 
 Evitar realizar bioimpedância elétrica, uma vez que a 
contribuição do abdome para a impedância (Z) é menor, 
podendo subestimar a massa gorda e superestimar a 
massa magra. 
 Na obesidade grave, os métodos apropriados para 
avaliar a composição corporal são os indiretos. 
4 
(PASSADORE; FRANGELLA; FUJIMOTO, 2015) 
 Traumatismos 
 Malformações congênitas 
 Tumores 
 Doenças vasculares 
 Queimaduras 
 Infecções 
(PASSADORE; FRANGELLA; FUJIMOTO, 2015) 
1. Desarticulação do ombro 
2. Transumeral 
3. Desarticulação do cotovelo 
4. Transradial 
5. Desarticulação do punho 
6. Transcarpal 
1. Hemipelvectomia 
2. Desarticulação do quadril 
3. Transfemural 
4. Desarticulação do joelho 
5. Transtibial 
6. Desarticulação do tornozelo 
7. Tipo Syme 
8. Parcial do pé 
Hemipelvectomia total 
Desarticulação do quadril 
Transfemural – Acima do joelho 
Desarticulação do joelho 
Transtibial 
Desarticulação do tornozelo 
Tipo Syme 
Parcial do pé 
16% 
5% 
50% 
8% 
2,7% 
1,6% 
0,7% 
10,1% 
4,4% 
1,5% 
Peso antes da amputação = 
(Peso atual x 100) 
100% - % de amputação 
(LEE; NIEMAN, 1995; OSTERKAMP, 1995) 
 Se possível, propõe-se que antes e após a amputação 
o comprimento do membro e do coto sejam medidos, 
a d a fim de se determinar o verdadeiro 
percentual amputado. 
 Deve-se subtrair o peso da extremidade amputada do 
peso ideal calculado. 
 Peso (kg): 
(100% - % segmento amputado) x PI100 
 
Onde: PI – Peso ideal 
16% 
5% 
50% 
8% 
2,7% 
1,6% 
0,7% 
10,1% 
4,4% 
1,5% 
(OSTERKAMP, 1995) 
 Após o cálculo, pode-se proceder à classificação do 
estado nutricional usando-se o padrão de referência 
do IMC. 
 
IMC = 
 Peso atual (corrigido) 
 Peso total perdido 
 Peso antes da amputação 
 
Onde: E – Estatura 16% 
5% 
50% 
8% 
2,7% 
1,6% 
0,7% 
10,1% 
4,4% 
1,5% 
(OSTERKAMP, 1995; TZAMALOUKAS; PATRON; MALHOTRA, 1994) 
( ) 
do IMC. 
1 – E² x 
Caso 1 - Amputação de perna direita (desarticulação do joelho) 
 
• Dados (para cálculo do peso atual pós-amputação): 
 Peso antes da amputação: 98 kg 
 Estatura: 1,75m 
 
Peso antes da amputação = 
 
 
98 = Peso atual x 100 Peso atual = 92,2kg 
 100 – 5,9% 
 
(Peso atual x 100) 
100 - % de amputação 
IMC = 32 kg/m² 
Caso 1 - Amputação de perna direita (desarticulação do joelho) 
IMC = 
 92,2 
 5,8 
 98 
IMC = 
 Peso atual (corrigido) 
 Peso total perdido 
 Peso antes da amputação 
 
Onde: E – Estatura 
( ) 1 – E² x ) ( 
92,2 
3,0625 x 0,941 
1 – 1,75² x 
5 
(BRASIL, 2013) 
Paraplegia: 
 
Tronco, 
órgãos pélvicos 
e/ou membros 
inferiores 
(dependente do 
nível da lesão) 
Tetraplegia: 
 
Tronco, 
órgãos pélvicos 
membros 
superiores e 
inferiores 
(BRASIL, 2013) 
(TCHAKMAKIAN; FRANGELLA, 2015) 
Pesar o cadeirante com o 
mínimo de roupa possível, 
descontando-se o peso da cadeira. 
Carregar o paciente no colo e 
realizar a pesagem, descontando-
se do valor obtido o peso de 
quem o carrega. 
Medidas indiretas (Chumlea). 
(TCHAKMAKIAN; FRANGELLA, 2015) 
 Medidas indiretas. 
 Bulbulian et al. (1987) – Desenvolveu quatro equações para 
avaliar a densidade corporal (DC) em homens paraplégicos 
(método de referência: pesagem hidrostática), sendo a 
equação que melhor estimou a gordura corporal foi: 
DC (cm) = (1,09092 + 0,00296) x (diâmetro do tórax [cm] – 0,00072) 
x (DCSE [mm] – 0,00182) x (CC [cm] + 0,00124) x CP [cm]) 
% gordura = [(4,95) – 4,50] x 100 
DC 
Diâmetro do tórax: 
- Identificar e marcar a junção 
da quarta costela com o 
esterno. 
- Posicionar o paquímetro na 
direção oblíqua, com a régua 
na altura do ponto marcado, 
após uma expiração. 
 Todos os dados devem ser classificados de 
acordo com os respectivos padrões de 
referência utilizados para indivíduos 
saudáveis, pois ainda não existem padrões 
específicos para deficientes físicos. 
 Analisar com cautela todos os resultados obtidos, em 
virtude das alterações metabólicas e físicas que 
modificam significativamente a composição corporal 
destes indivíduos. 
específicos para portadores de lesão medular. 
 ABESO - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA. 
Diretrizes Brasileiras de Obesidade 2016. São Paulo, SP: 4ª ed., 2016. 188 p. 
 ALBERTI, K. G. et al. Harmonizing the Metabolic Syndrome A Joint Interim Statement of the 
International Diabetes Federation Task Force on Epidemiology and Prevention; National Heart, Lung, 
and Blood Institute; American Heart Association; World Heart Federation; International 
Atherosclerosis Society; and International Association for the Study of Obesity. Circulation, v. 120, n. 
16, p. 1640-1645, 2009. 
 BLACKBURN,G.L.,THORNTON, P.A. Nutritional assessment of the hospitalized patient. Medical Clinics 
of North America, v. 63, n. 5, p. 11103-11115, 1979. 
 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas 
Estratégicas. Diretrizes de atenção à pessoa com lesão medular. Brasília (DF): MS, 2013. 
 BULBULIAN, R. et al. Body composition in paraplegic male athletes. Medicine & Science in Sports & 
Exercise, v. 19. n. 3, p. 195-201, 1987. 
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CARUSO, L.; GALANTE, A. P. Avaliação antropométrica: novas perspectivas. 2ª ed. São Paulo: 
Roca/Centro Universitário São Camilo, 2014. 
 FAO. Necessidades de Energia y de Proteínas: Informe de una Reunião Consultiva Conjunta 
FAO/OMS/UNU de Expertos. Genebra: FAO, 1985. 
 FRISANCHO, A.R. Antropometric standards for the assessment of growth and nutritional status. Ann 
Arbor, University of Michigan Press, 1990. 
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Nutrition, v. 9, n. 6, p. 712-715, 1985. 
 LEE, R. D.; NIEMAN, D. C. Nutritional assessment. 2ª ed. Saint Louis: Mosby, 1995. 
 MELO, A. P. F. et al. Métodos de estimativa de peso corporal e altura em adultos hospitalizados: uma 
análise comparativa. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, vol. 16, n. 4, p. 
475-484, 2014. 
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divisão suporte nutricional. Curitiba: Nutroclínica, 2000. 
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 OSTERKAMP, L.K. Current perspective on assessment of human body proportions of relevance to 
amputees. Journal of the American Dietetic Association, v. 95, n. 2, p.215-218, 1995. 
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Camilo, 2015. 
 SIRI, W. E. Body composition from fluid spaces and density: analysis of methods. In: BROZEK, J.; 
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 TCHAKMAKIAN, L. A.; FRANGELLA, V. S. Lesão Medular ou Trauma Raquimedular. In: ROSSI, L.; 
CARUSO, L.; GALANTE, A. P. Avaliação antropométrica: novas perspectivas. 2ª ed. São Paulo: 
Roca/Centro Universitário São Camilo, 2015. 
 TZAMALOUKAS, A. H.; PATRON, A.; MALHOTRA, D. Body mass index in amputees. Journal of Parenteral 
and Enteral Nutrition, v. 18. n. 4, p. 355-358 1994. 
 WHO. Waist Circumference and Waist–Hip Ratio: Report of a WHO Expert Consultation. Geneva: 
WHO, 2008.

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