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Alba Barros
A
lba Barros
organizadora
A
lba Barros
organizadora
3ª EDIÇÃO
Anamnese
Exame Físicoe
Conheça também
A
nam
nese
Exam
e Físico
e
3ª ED
IÇÃ
O
3ª ED
IÇÃ
O
Alba Lucia
Bottura Leite de Barros
organizadora
3ª EDIÇÃO
Avaliação diagnóstica 
de enfermagem 
no adulto
Anamnese
Exame
Físico
e
ENFERMAGEM
www.grupoa.com.br
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0800 703 3444
A Artmed Editora é um dos selos 
editoriais do Grupo A Educação, 
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Enfermagem: Fundamento para o 
Raciocínio Clínico – 8. Ed.
 
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Aplicação à Prática Clínica – 13. Ed.
 
CARPENITO-MOYET, L.J.
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e Documentação: Diagnósticos 
de Enfermagem e Problemas 
Colaborativos – 5. Ed.
 
CARPENITO-MOYET, L.J.
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Enfermagem: Mapeamento de 
Conceitos e Planejamento do 
Cuidado para Estudantes
 
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Prática Clínica
 
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a Prática de Enfermagem CIPE®: 
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GARCIA, T.R.; EGRY, E.Y. (ORGS.)
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Enfermagem
 
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em Enfermagem: Enfrentando os 
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Coleção Nurse to Nurse
 
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Enfermagem: teoria e prática – 8. Ed. 
 
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NANDA: Definições e Classificação 
2015-2017
 
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Conceitos e Habilidades 
Fundamentais no Atendimento de 
Enfermagem – 10. Ed.
Uma das principais referências brasileiras de 
enfermagem, Anamnese e exame físico chega a sua 
3ª edição!
 
Os capítulos foram cuidadosamente atualizados 
pelos autores, sob a coordenação da professora 
Alba Lucia Bottura Leite de Barros, sempre 
considerando a evolução científica e técnica 
do tema. Além disso, um novo capítulo foi 
acrescentado – Avaliação de Imagem – devido a 
sua importância na avaliação diagnóstica.
 
Indispensável para a formação e para a prática 
profissional do enfermeiro e demais profissionais da 
área da saúde, a obra mantém a clareza na exposição 
dos conteúdos e o foco na humanização do contato 
com os pacientes, salientando sempre a importância 
de se respeitar a singularidade do ser humano.
A
nam
nese
Exam
e Físico
e
A533 Anamnese e exame físico : avaliação diagnóstica de 
 enfermagem no adulto [recurso eletrônico] / Organizadora, 
 Alba Lucia Bottura Leite de Barros. – 3. ed. – Porto Alegre : 
 Artmed, 2016.
 Editado como livro impresso em 2016.
 ISBN 978-85-8271-292-4
 1. Anamnese. 2. Exame físico. I. Barros, Alba Lucia Bottura 
 Leite de. 
CDU 616-071.1
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo CRB-10/2094
 
 
 
 Entrevista
Tânia A. Moreira Domingues // 
Maria Clara Cassuli Matheus // Ana Cristina de Sá // 
Rita Narriman Silva de Oliveira Boery // Maria Júlia Paes da Silva
4
Chegou o momento... entrevistar o paciente!
Será a entrevista um instrumento de investigação para co-
letar informações ou uma forma de estabelecer um relacio-
namento? Afinal, são dois estranhos frente a frente, trocan-
do impressões, comunicando-se de alguma forma. A ênfa-
se dada à entrevista realizada pelo enfermeiro tem como 
objetivo estabelecer contato, ou seja, desenvolver um rela-
cionamento caracterizado pela confiança mútua, além de 
levantar dados importantes que irão nortear a assis tência.
Neste capítulo, quando nos referirmos à entrevista, descre-
vemos aquilo que chamamos de entrevista compreensiva. 
Para nós, enfermeiros, é esse estilo de entrevista que propi-
cia a compreensão de como a pessoa é, de como ela encara 
o processo saúde-doença, quais são suas perspectivas em 
relação ao cuidado e como pode participar do plano de cui-
dados que será estabelecido pelo enfermeiro.
78 Anamnese e Exame Físico
A nosso ver, se não conduzirmos a entrevista dessa forma, ela será apenas uma 
simples coleta de dados, que, na verdade, qualquer pessoa que tenha nas mãos 
um formulário de perguntas (e respostas) pode fazer. O produto de uma entre-
vista feita dessa maneira dificilmente revelará como esse paciente é e qual sua 
percepção do que está vivenciando, tampouco facilitará a execução do exame 
físico, o estabelecimento de diagnósticos de enfermagem acurados, o estabele-
cimento de resultados a serem alcançados, o planejamento da assistência e sua 
implementação.
Assim, a entrevista compreensiva é mais do que um diálogo organizado entre 
duas pessoas. Exige certas habilidades do enfermeiro, como saber ouvir e enten-
der, saber explorar os dados que o pa-
ciente traz (sem invadir seu espaço pes-
soal), demonstrar interesse e conheci-
mento, ser receptivo e estabelecer co-
municação com o paciente para que ele 
se sinta à vontade em responder às per-
guntas. A comunicação é uma habilidade fundamental a ser adquirida que pos-
sibilitará um cuidar consciente, verdadeiro e transformador.
Na enfermagem, a entrevista aparece como um instrumento efetivo no desen-
volvimento da prática profissional cotidiana, especialmente para a coleta de 
dados, que, em geral, ocorre em uma fase inicial do contato entre paciente e 
enfermeiro. Essa é a primeira e melhor oportunidade para o paciente dizer como 
percebe seu estado de saúde. O enfermeiro sabe, porém, que em qualquer con-
tato com o paciente/família (como, por exemplo, realizando um curativo, con-
versando com a família do paciente), novos dados são obtidos e, portanto, mais 
conhecimento se adquire a respeito daquele indivíduo.
Além disso, não podemos nos esquecer de que o exame físico poderá estabele-
cer-se em um clima de confiança e de familiaridade se essa interação inicial for 
positiva. A entrevista permite a leitura imediata das informações obtidas pela 
comunicação verbal e não verbal, que ela seja individualizada ou em um grupo 
específico – grupo focalizado. Ademais, ela possibilita esclarecimentos para am-
bas as partes à medida que se desenvolve, favorecendo a validação daquilo que 
está sendo dito.
Mesmo que a entrevista faça parte do trabalho cotidiano do enfermeiro, qual-
quer que seja a sua área de atuação – assistência, pesquisa, ensino, gerência, 
entre outras – trata-se de um processo complexo, que exige, além de preparo téc-
nico e desenvolvimento de habilidades 
para realizá-la com a acurácia que requer, 
disposição interna por parte do enfer-
meiro para “querer compreender” como 
é esse paciente. É preciso ter em mente 
A entrevista compreensiva é 
mais do que um diálogo organi-
zado entre duas pessoas.
É preciso ter em mente que sem-
pre seremos principiantes quan-
do se trata de entrevistas.
79//Entrevista
que sempre seremos principiantes quando se trata de entrevistas. Afinal, as pes-
soas entrevistadas em nossa prática profissional, assim como o ambiente em 
que isso acontece, se modifica constantemente. Esse fato gera ansiedade no pa-
ciente e no enfermeiro, mas, à medida que adquirimos consciência dessa inquie-
tação e ajudamos o paciente a identificá-la, teremos mais condições de relaxar e 
promover um clima adequado para deixá-lo à vontade.
Aprenderemos, neste capítulo, quais as facilidades e as barreiras que interferem 
na comunicação, assim como a lidar com os fatores internos e externos que en-
volvem o ato de entrevistar. Do ponto de vista das dificuldades emocionais no 
ato de entrevistar alguém, esbarramos em dois conceitosbásicos: defesas e va-
lores pessoais.
Quanto menos defensivos formos, maior será a nossa comunicação efetiva com 
o paciente, que, por sua vez, também deixará de lado suas defesas. O enfermei-
ro precisa ter consciência de que não poderá impor seus valores, ou seja, não 
deverá julgar os atos e as informações fornecidas pelo paciente a partir de seus 
próprios valores. Caso contrário, este poderá sentir-se ameaçado, criando uma 
barreira que interromperá o clima favorável estabelecido anteriormente.
Se, por exemplo, o enfermeiro disser, em um dado momento: “você não pode 
fazer isso”, estará utilizando seu sistema de valores para julgar e estará pratica-
mente dizendo ao cliente: “o que você diz, pensa ou faz não está certo; logo, pare 
de dizer como você é, pare de se comunicar”. Portanto, é preciso aprender a ou-
vir antes de julgar ou negociar algo com 
o paciente. O que ocorre é que criamos 
obstáculos para uma melhor comunica-
ção, devido à nossa própria necessida-
de de avaliação, afirmação ou negação. 
No momento de uma entrevista, preci-
samos separar o que é nosso e o que é do outro, em termos de juízo de valores 
e defesas, pois assim fica mais fácil aprender sobre a pessoa que está diante de 
nós.
Outro perigo no ato de entrevistar é o fato de, às vezes, o enfermeiro impor sua 
autoridade ao paciente, erguendo, assim, um muro que impede a comunicação 
efetiva. É como se disséssemos “o enfermeiro sabe o que é melhor” (FIGURA 4.1). 
O paciente, temendo ser atacado, acaba procurando formas para defender seus 
valores. Isso pode acarretar omissão de informações importantes. Nesse caso, 
prevalecerão dois grandes obstáculos à comunicação: o uso da autoridade por 
parte do enfermeiro e o uso de armas por parte do paciente para combatê-la. 
Não significa, porém, que o enfermeiro deva perder sua autoridade. O que está 
em pauta é como empregá-la, prevalecendo um senso de igualdade, respeito, 
dignidade e importância entre dois seres humanos, e não de igualdade de co-
nhecimento, experiência ou habilidade profissional.
No momento de uma entrevista, 
precisamos separar o que é nos-
so e o que é do outro.
80 Anamnese e Exame Físico
A grande sugestão é: seja verdadeiro 
ou o paciente perderá a confiança que 
deposita em você. Quando o enfermei-
ro é autêntico e verdadeiro, o paciente 
descobre que pode expressar seu ver-
dadeiro eu e que será aceito sem pre-
conceitos ou julgamentos onipotentes 
(FIGURA 4.2).
FIGURA 4.2 Æ Enfermeira permitindo que o paciente se expresse.
Mais algumas sugestões:
ÆÆ Procure falar apenas o necessário, para que possa ouvir mais atentamente o 
que o paciente tem a dizer, evitando conclusões precipitadas que acabem 
abreviando o raciocínio do paciente.
Quando o enfermeiro é autênti-
co e verdadeiro, o paciente des-
cobre que pode expressar seu 
verdadeiro eu e que será aceito 
sem preconceitos ou julgamen-
tos onipotentes.
FIGURA 4.1 Æ Enfermeira impondo sua autoridade ao paciente.
81//Entrevista
ÆÆ Evite interrompê-lo durante suas colocações. Infelizmente, nossa necessidade 
de falar é maior do que nossa capacidade de ouvir.
ÆÆ Dê respostas claras e adequadas à compreensão e às perguntas do paciente. 
Muitas vezes, a preocupação do paciente consigo mesmo diante da situação 
de entrevista é o maior obstáculo à comunicação.
Portanto, a partir da consciência de que somos passíveis de cometer erros, de 
falharmos, certamente erraremos menos. Alcançaremos melhores resultados no 
ato de entrevistar alguém se nos apoiarmos não apenas na técnica, mas tam-
bém em nossa sensibilidade, no senso comum e na espontaneidade. Por ex-
tensão, escutaremos mais, nos entenderemos, nos faremos entender melhor e 
poderemos, então, denominar nossa entrevista de compreensiva.
 Fases da entrevista
Já compreendemos por que é importante considerar a entrevista como uma for-
ma de estabelecer um relacionamento. Agora, vamos traçar os objetivos espe-
cíficos de uma entrevista compreensiva para a coleta de dados de enfermagem 
e organizá-la didaticamente, para que você compreenda como se desenvolve 
esse processo.
No QUADRO 4.1, são apresentados os objetivos da entrevista. Procure identificá-
-los à medida que for lendo e refletindo sobre os demais itens deste capítulo. É 
um bom exercício para fixar tanto os objetivos desse tipo de entrevista como as 
estratégias para alcançá-los.
Qualquer entrevista que tenha por objetivo coletar dados que subsidiem as 
ações de um profissional – no nosso caso, do enfermeiro – deve ser encarada 
como um processo e, como tal, com-
posta por fases ou etapas inter-relacio-
nadas. Precisamos, agora, acrescentar 
outros aspectos à condução da entre-
vista. Entender e realizar a entrevista 
dessa forma ajuda tanto o enfermeiro 
como o paciente a situarem-se nesse contexto, o que propicia um clima de en-
trosamento, confiança e proximidade. Assim, a entrevista pode ser didaticamen-
te dividida em três fases: introdução, corpo e fechamento.
Lembrete
Æ9 Nosso comportamento influencia o paciente mais do que imaginamos. 
Comportando-nos abertamente o encorajamos a agir da mesma forma.
A entrevista pode ser didatica-
mente dividida em três fases: 
introdução, corpo e fechamento.
82 Anamnese e Exame Físico
 Introdução à entrevista
Na introdução, o enfermeiro se apresenta, caso não o tenha feito anteriormen-
te, ao recepcionar o paciente. Deve chamar o paciente pelo primeiro nome, 
precedido de Senhor(a) ou Seu/Dona, e perguntar por qual nome/sobrenome 
prefere ser chamado. Recomenda-se evitar o uso de apelidos ou títulos, como 
vozinho(a) ou tio(a), que podem dar a falsa ideia de intimidade.
O enfermeiro precisa explicar que necessita entrevistá-lo, colhendo informações 
a respeito de diversos assuntos, os quais permitirão adequar a assistência de 
enfermagem a suas demandas. Por exemplo: “Bom dia, Sr. Alberto. Sou Adriana, 
aluna do segundo ano do curso de enfermagem e preciso de algumas informa-
ções a seu respeito para que possamos cuidar do senhor da melhor forma...”. Essa 
forma de contextualizar a entrevista ajuda o paciente a entender por que são fei-
tas tantas perguntas, com que objetivos e como são importantes suas respostas, 
motivando-o, inclusive, a se expressar.
Corpo da entrevista
Depois desse primeiro momento, o enfermeiro dá início à entrevista propria-
mente dita. Como nossa intenção é começar a compreender o ser humano que 
está diante de nós, a primeira pergunta a ser feita será: “Como o(a) senhor(a) 
está?”. Didaticamente, estaremos começando a etapa que corresponde ao corpo 
da entrevista.
Nessa fase, o paciente é encorajado e estimulado a expressar a percepção que 
possui de sua história de saúde, contando detalhes a respeito do “funcionamen-
to de seu corpo”, de queixas, de sentimentos e/ou de sofrimentos que possa 
estar sentindo. É nesse momento que normalmente se inclui a queixa principal 
do paciente. De maneira gradativa, o enfermeiro direciona a abordagem para 
QUADRO 4.1 Objetivos da entrevista de coleta de dados
1 Saber como o cliente está: condições físicas e psíquicas
2 Situar como o cliente é, suas características gerais e seus hábitos
3 Conhecer como o cliente percebe o processo saúde-doença: crenças e valores
4 Identificar as demandas de cuidado: percebidas pelo paciente e pelo enfermeiro
5 Identificar sinais e sintomas de alterações fisiológicas, emocionais, mentais, espirituais 
e sociais
83//Entrevista
outras áreas, a fim de ter uma visão global do paciente, faz perguntas relativas 
ao detalhamento do curso da doença atual, à existência de doenças anteriores, 
próprias e familiares, bem como busca informações a respeito do uso de medi-
camentos e da existência de fatores de risco.
Ampliar ou não a quantidade e a qualidade dos dados referentes aos aspectos 
descritos anteriormente depende do estado físico e emocional do paciente, as-
sim como dos conhecimentos do enfermeiro e de sua habilidade na condução 
do processo. Ainda nessa fase, o enfermeiro precisa obter informações sobre os 
diversoshábitos e costumes, procurando compreender qual o padrão de satisfa-
ção das necessidades humanas básicas do paciente.
Descrevemos, no QUADRO 4.2, o conteúdo geral da entrevista. Nos capítulos 
posteriores serão abordadas as questões específicas a cada segmento corporal 
que estiver sendo discutido, para que seja mais cômodo ao leitor desenvolver a 
habilidade de interpretar os dados da entrevista, associando-os àqueles referen-
tes ao exame físico. É importante lem-
brar que a entrevista, o primeiro passo 
na coleta de dados de enfermagem, 
deve refletir o modelo conceitual que 
orienta a assistência de enfermagem 
em cada serviço, conforme discutido no 
Capítulo 1. Assim, o corpo da entrevista 
deve contemplar os conceitos do mo-
delo estabelecido.
Para obter todos esses dados, muitos enfermeiros sentem necessidade de ter 
em mãos um instrumento com os tópicos a serem questionados. Utilizar um 
questionário impresso no momento da entrevista pode ser confortável para o 
profissional, garantindo que nenhum aspecto a ser abordado seja esquecido. 
Todavia, isso também pode causar constrangimento ao paciente, principalmen-
te se as anotações forem feitas na sua presença, além de influenciar de forma 
negativa sua livre expressão. Assim, sugerimos que, se for imprescindível fazer 
anotações enquanto a entrevista se desenvolve, o enfermeiro peça licença ao 
paciente e justifique a sua necessidade.
Fechamento da entrevista
Conforme a entrevista for progredindo e aproximando-se do final, encontramo-
-nos na terceira e última etapa, o fechamento. Nessa fase, o enfermeiro deve 
conscientizar o paciente de que a entrevista está terminando, dando-lhe a opor-
tunidade para que exponha algo que ainda não tenha sido abordado e que jul-
gue importante.
É importante lembrar que a 
entrevista, o primeiro passo na 
coleta de dados de enfermagem, 
deve refletir o modelo conceitu-
al que orienta a assistência de 
enfermagem em cada serviço.
84 Anamnese e Exame Físico
Dessa forma, o enfermeiro pode dizer ao paciente: “Tenho apenas mais duas 
ou três questões, enquanto isso, o senhor também já pode ir pensando naquilo 
que gostaria de acrescentar ou conversar”. Assim, o paciente pode se organizar 
mentalmente para o tempo que durará a interação ou pode decidir que assun-
tos julga importantes abordar no momento. Depois disso, é aconselhável fazer 
um breve resumo dos aspectos significativos dos dados colhidos, para validar 
QUADRO 4.2 Conteúdo dos dados sobre doenças, tratamentos, hábitos e costumes 
a serem coletados e sua justificativa
ASPECTO ABORDADO CONTEÚDO A SER COLETADO POR QUE COLETAR
Motivo da procura do 
serviço e/ou queixa 
principal
Expressão do paciente sobre o 
motivo que o levou a procurar 
assistência e descrição dos sinto-
mas que apresenta (quando sur-
giram, localização, intensidade, 
fatores que agravam e aliviam os 
sintomas).
Conhecer os aspectos principais 
do elemento causador do desequi-
líbrio das necessidades humanas 
e/ou dos padrões funcionais de 
saúde.
Presença de doenças e 
tratamentos anteriores; 
alergias
Descrição resumida de doenças 
crônicas; motivo de hospitaliza-
ções e/ou cirurgias anteriores; 
alergias a medicamentos, ali-
mentos, esparadrapo, etc...
Conhecer o perfil de saúde, possi-
bilitar a associação desse perfil ao 
estado atual do paciente, prever 
complicações.
Antecedentes familiares Estado de saúde dos familiares 
diretos (presença de diabete, 
hipertensão arterial, doenças 
 cardíacas, renais, autoimunes, 
tuberculose, etc.) e causa da 
morte desses familiares, se for 
o caso.
Conhecer a herança familiar de 
saúde e sua relação com o estado 
de saúde do paciente, buscando os 
fatores de risco para tal.
Uso de medicamentos Relação dos medicamentos que 
tomou ou toma (se prescritos 
por médico ou não) e outras 
substâncias que ingere para alí-
vio de sintomas.
Ampliar os dados relativos ao seu 
estado de saúde e tratamento.
Existência de outros 
fatores de risco
Relato de consumo de álcool, 
fumo ou drogas (quantidade, 
frequência, idade de início e, se 
for o caso, quando parou).
Auxiliar na associação do estado 
atual e do pregresso de saúde, as-
sim como prever complicações.
Hábitos e costumes Relato das condições de mora-
dia, hábitos de higiene, alimen-
tação, sono e repouso, ativida-
des físicas, atividade sexual, la-
zer/recreação e eliminações.
Compreender como vive, as possí-
veis repercussões de seus hábitos/
costumes no desenvolvimento/
restabelecimento da doença na 
hospitalização e no planejamento 
da assistência.
85//Entrevista
e assegurar tanto ao cliente quanto a si mesmo a compreensão e a clareza dos 
dados coletados.
Ainda nessa fase, o enfermeiro precisa dar oportunidade ao paciente para que 
ele também seja o “entrevistador”, dispondo-se a esclarecer suas dúvidas quanto 
ao tratamento e às rotinas do hospital, além de começar a estabelecer metas 
conjuntas a respeito do planejamento da assistência de enfermagem. É impor-
tante agradecer a colaboração e deixá-lo à vontade para complementar algum 
dado que achar importante, caso lembre, posteriormente.
 Fatores que interferem na coleta de dados
Entre os fatores que interferem na qualidade e na quantidade de dados, sejam 
os coletados na entrevista ou no exame físico, citamos as habilidades técnicas, 
as interpessoais, o conhecimento, as crenças e os valores do enfermeiro, bem 
como o referencial teórico-filosófico adotado. A habilidade técnica diz respeito à 
qualidade da execução, como, por 
exemplo, da inspeção, da palpação, da 
percussão, da ausculta (nos próximos 
capítulos, serão apresentadas essas téc-
nicas) e do conhecimento. Em outras pa-
lavras, refere-se à capacidade do enfer-
meiro de interpretar o dado coletado e 
desenvolver o raciocínio clínico que o impulsiona, fazendo com que busque 
novos dados, dependendo da resposta do paciente e da associação que é capaz 
de fazer entre os dados da entrevista e outras fontes de coleta (exame físico, 
prontuário, parentes ou outros profissionais).
O conhecimento, as crenças, os valores e o referencial teórico-filosófico do enfer-
meiro também influenciam na qualidade e na quantidade de dados a serem co-
letados. Assim, sabemos que certas perguntas serão feitas ao paciente e que as 
suas respostas serão mais “valorizadas” conforme o conhecimento, o sistema de 
crenças e os valores do enfermeiro. No entanto, é impossível para o enfermeiro 
abster-se de seus valores, crenças e do referencial que utiliza para coletar os da-
dos. Precisamos, sim, ficar alertas para dar chance ao paciente de expressar as 
próprias crenças e valores, pois é ele quem precisa ser compreendido.
A habilidade de relacionamento interpessoal (comunicação verbal, não verbal e 
ambiente interno) também deve ser considerada como um fator importante a 
ser conhecido e desenvolvido, tanto quanto as demais habilidades técnicas. 
Ela é determinante para o sucesso não só da coleta de dados, mas também para 
a implementação das outras fases da sistematização da assistência de enfer-
magem.
A habilidade técnica diz respeito 
à qualidade da execução, como, 
por exemplo, da inspeção, da 
palpação, da percussão, da aus-
culta e do conhecimento.
86 Anamnese e Exame Físico
Comunicação verbal
Para o âmbito deste livro, optamos por abordar alguns aspectos que dizem res-
peito à comunicação verbal, enfocando a elaboração das perguntas e alguns 
recursos que podem facilitar a relação enfermeiro-paciente e, como consequên-
cia, melhorar a quantidade e a qualida-
de dos dados coletados. Quando estu-
damos profundamente o relaciona-
mento interpessoal e o processo de co-
municação, podemos ampliar o conhe-
cimento e a utilização adequada de ou-
tros tipos de perguntas. Basicamente, as 
perguntas podem ser: abertas, fechadas 
ou complementares.
As perguntas abertas são aquelas que estimulam a descrição/relato do paciente 
sobre determinado tema, como, por exemplo: “Fale-me sobre como é o lugar 
onde você mora” ou “O que você faz quando sente dor?”. As perguntaselabora-
das dessa forma propiciam ao paciente a oportunidade de expor sua percepção 
a respeito da situação, de mostrar aquilo que realmente é significativo do seu 
ponto de vista e de fornecer informações amplas.
Além disso, as perguntas abertas são menos assustadoras e constrangedoras, 
ajudando a criar um clima amistoso e de descontração. Isso beneficia a proximi-
dade enfermeiro-paciente. Entretanto, como as respostas tendem a ser longas, 
permitem que o paciente se desvie do foco de interesse do enfermeiro ou do 
tema abordado na pergunta. Nesse momento, é importante retomar cuidadosa-
mente o foco da pergunta, cuidando para não ser uma atitude brusca ou negli-
gente com o que estiver sendo relatado.
Já as perguntas fechadas evitam as respostas longas, permitindo ao enfermeiro 
enfocar certos aspectos da entrevista, como, por exemplo: “Na sua casa existe 
água encanada?” ou “Você toma remédios quando sente dor?”. As perguntas as-
sim elaboradas tendem, porém, a fazer com que o paciente limite a quantidade 
de informações e fique mais na defensiva.
Assim, aconselhamos utilizar perguntas abertas no início da entrevista ou cada 
vez que mudar de tema, ou quando pretender abordar aspectos mais íntimos e 
aqueles que dizem respeito às necessidades psicossociais. As perguntas fecha-
das devem ser mobilizadas quando houver necessidade de trazer o paciente de 
volta ao contexto da entrevista de enfermagem e se forem necessários dados 
mais específicos sobre determinado tema.
As perguntas complementares são aquelas empregadas com o objetivo de es-
clarecer e aprofundar as informações a respeito de um dado, como, por exem-
plo, quando o paciente diz: “Quando sinto dor, vou dormir”, e o enfermeiro per-
Quando estudamos profun-
damente o relacionamento 
interpessoal e o processo de 
comunicação, podemos ampliar 
o conhecimento e a utilização 
adequada de outros tipos de 
questões.
87//Entrevista
gunta: “O que acontece com sua dor quando você vai dormir?”. Isso permite ao 
paciente explicar: “Não que eu vá dormir, mas ficar deitado alivia minha dor”.
Chamamos a atenção para a elaboração de perguntas que possam ser tenden-
ciosas e/ou tenham caráter de julgamento e, por consequência, bloqueiem a 
livre expressão do paciente, dificultando a relação entre ele e o enfermeiro. Por 
exemplo: “Na sua casa tem água encanada, não tem?” ou “Você não toma remé-
dios sem prescrição médica quando tem dor, toma?”. Da mesma forma, utilizar 
o “por quê?” pode causar esse tipo de sensação no paciente. Por exemplo: “Por 
que você toma remédios sem prescrição médica?”.
Existem recursos para favorecer a expressão e estimular o paciente a dar mais 
informações, os quais mostram que há interesse em que ele continue a se expor. 
Assim, o enfermeiro pode usar propositadamente as expressões: “Continue...”, 
“Sei...”, “Hum-hum...”, assim como repetir o final da frase que o paciente proferiu.
Comunicação não verbal
A entrevista, como processo interativo, 
envolve também a comunicação não 
verbal. Procurar perceber o que a pes-
soa entrevistada realmente quer dizer 
com os artifícios que utiliza, conscien-
tes ou inconscientes, ajuda a conhecer e compreender melhor essa pessoa. Os 
gestos, a postura, o tom de voz e a entonação das palavras, o olhar, a distância 
mantida entre as pessoas, entre outros aspectos, dizem muito mais do que ima-
ginamos a respeito do outro.
Você já pensou no quanto suas emoções estão ligadas a seu corpo? Seu corpo 
reage conforme o que está se passando em sua mente. Os pensamentos estão 
ligados às emoções e estas ao seu organismo. É assim que você e seu paciente se 
expressam pelo corpo. A postura, o modo de andar, de sentar, de deitar, enfim, 
a linguagem física, são sempre reflexo do que estamos pensando e sentindo.
Assim, a comunicação não verbal envolve todas as manifestações do compor-
tamento que não são expressas por palavras. Tal mensagem frequentemente é 
transmitida de forma mais eficiente e verdadeira do que as palavras. A informação 
oferecida por essa via também é um recurso capaz de promover uma compreen-
são mais profunda das pessoas e, por isso, um contato mais íntimo entre elas.
É por meio da linguagem não verbal que, muitas vezes, percebemos se uma 
pessoa está com dor, triste, irritada, preocupada ou ansiosa. E isso pode ser ma-
nifestado por expressões faciais, gestos ou movimentos do corpo. Devemos es-
tar atentos a essas mensagens, pois nem sempre têm o mesmo significado para 
diferentes pessoas e situações (FIGURA 4.3).
A entrevista, como processo 
interativo, envolve também a 
comunicação não verbal.
88 Anamnese e Exame Físico
Veja mais uma vez que o que decide se uma entrevista será ou não uma entrevista 
compreensiva é seu grau de interesse em conhecer o paciente e, assim, obter um 
maior número de observações significativas. Quando falamos em linguagem 
não verbal, estamos nos referindo a um tipo de comunicação que utilizamos o 
tempo todo. Você já se observou e percebeu o quanto utiliza esse recurso para 
se expressar e fazer-se entender? Repare que isso acontece concomitantemen-
te ao entendimento da linguagem verbal para que a comunicação efetiva seja 
processada.
O que decide se uma entrevista será ou não uma entrevista compreensiva é seu 
grau de interesse em conhecer o paciente e, assim, obter um maior número de 
observações significativas.
No entanto, como isso se dá de forma automática, muitas vezes nem percebe-
mos com profundidade o quanto podemos explorar esse recurso e melhorar 
nossa comunicação. Sem o auxílio da vocalização ou do sussurro, cada corpo 
“diz” quem, o que, onde e como a pessoa é, era e será.
Ao realizar uma entrevista, é necessário observar, ou seja, olhar com atenção o ou-
tro para, assim, perceber a linguagem não verbal expressa. Em determinados ca-
sos, a compreensão da linguagem não verbal pode ser de extrema importância e 
até decisiva para que determinadas informações sobre o paciente sejam captadas.
Existe uma infinidade de expressões ou movimentos corporais que têm signi-
ficados. Ele sempre está nos dizendo alguma coisa, mesmo sem expressar uma 
palavra sequer. Você se lembra daquele paciente que estava deitado no leito e 
repousando tranquilamente? Recorde-se de como ele estava deitado; seu corpo 
todo e a expressão em seu rosto mostravam exatamente o que ele estava viven-
ciando? Expressava, digamos, certo bem-estar naquele momento de sua recu-
peração? Da mesma forma, lembre-se de como estava se expressando aquele 
outro, contraído no leito, contorcendo-se, demonstrando desconforto físico, 
dor. É evidente que não estava tudo bem e certamente poderíamos tomar algu-
ma providência (FIGURA 4.4).
FIGURA 4.3 Æ Expressões faciais significando diferentes sentimentos.
89//Entrevista
Cabeça pendente, ombros caídos e tórax afundado podem refletir sentimentos 
de fraqueza e derrota, ao passo que cabeça ereta, tronco reto e respiração ple-
na e natural podem indicar segurança e autoconfiança. Na expressão facial, o 
franzir das sobrancelhas pode mostrar discordância, falta de compreensão, dor 
ou raiva. A falta de contato visual pode significar que a outra pessoa está triste, 
envergonhada ou intimidada. E, ainda, se, diante de uma conversa, alguém cru-
za os braços, muda a posição do pé, franze a testa, muda o padrão respiratório, 
mesmo que inconscientemente, isso está relacionado ao que se passa no íntimo 
dessa pessoa, a qual está manifestando um possível descontentamento ou até 
mesmo rejeição quanto ao que está sendo dito.
O toque, como exemplo de um tipo de comunicação não verbal, também pode 
influenciar significativamente o processo da entrevista. O tocar ou a reação a ele 
pode comunicar atitudes, sentimentos ou reações específicas. Contudo, em cer-
tos locais do nosso corpo, somente permitimos o toque de pessoas que nos são 
mais íntimas. Quantas vezes chegamos próximo ao paciente e tocamos em suas 
pernas? Em outras situações, tocamos 
suas mãos, procurando transmitir cui-
dado, preocupação e apoio. Porisso, 
nunca se esqueça de que o significado 
do toque depende da situação e das 
pessoas envolvidas, pois alguns podem 
entender esse gesto como uma invasão.
Ambiente interno
O ambiente interno, tanto do enfermeiro como do paciente, também interfere 
na qualidade e na quantidade dos dados coletados, tanto na entrevista como 
Nunca se esqueça de que o sig-
nificado do toque depende da si-
tuação e das pessoas envolvidas, 
pois alguns podem entender 
esse gesto como uma invasão.
FIGURA 4.4 Æ Expressão e movimentos corporais indicando sensação de bem-estar e 
dor.
90 Anamnese e Exame Físico
no exame físico. Um enfermeiro que esteja, por exemplo, ansioso, apressado, 
extremamente preocupado a ponto de alterar sua capacidade de concentração 
e dedicação, correrá maior risco de ter percepções erradas a respeito do pacien-
te. Nessa situação, o enfermeiro está com sua capacidade sensorial afetada, po-
dendo chegar a ponto de não distinguir, por exemplo, um dado de ausculta ou 
mesmo de interpretá-lo inadequadamente.
Além disso, o paciente precisa estar disponível, emocional e fisicamente, para 
que a entrevista transcorra de maneira adequada, proporcionando um momen-
to de interação e mútuo conhecimento. Por isso, aconselhamos que a entrevista 
não seja realizada enquanto o paciente estiver com dor, em uma situação de 
urgência ou imediatamente após a internação, sem ainda estar ambientado.
A fase de introdução da entrevista também pode ser utilizada para “acalmar” o 
ambiente interno de ambos; e cabe ao enfermeiro proceder de modo a ajustar 
tanto o ambiente interno como o externo, para que a percepção e o conheci-
mento possam ser fiéis ao que realmente são; caso contrário, haverá dificulda-
des para se conhecerem e interagirem.
Ambiente externo
A entrevista na enfermagem coexiste 
com a observação e a documentação. 
A observação é um processo básico na 
vida profissional do enfermeiro e, no 
momento da entrevista, constitui um 
método de inestimável ajuda na obtenção de dados fornecidos pela comuni-
cação não verbal, como visto anteriormente. A documentação é um recurso au-
xiliar da entrevista, pois permite registrar, complementar, averiguar e explicar 
os dados obtidos, possibilitando um maior enriquecimento desses dados, que 
serão utilizados durante as outras etapas do processo de enfermagem.
Contudo, além dos fatores inerentes ao paciente e ao profissional/estudante, o 
que mais deve ser providenciado? Quais os fatores que precisam ser averigua-
dos para que a entrevista transcorra satisfatoriamente?
Certamente, outro fator que influencia 
o desenvolvimento da entrevista é o 
ambiente. É fundamental ter um local 
que favoreça a privacidade que o mo-
mento requer. Se não for possível um lo-
cal exclusivo, crie meios para que você e 
o paciente sintam-se isolados. É importante assegurar que as informações soli-
citadas e fornecidas não serão compartilhadas por outras pessoas. Reserve um 
A entrevista na enfermagem 
coexiste com a observação e a 
documentação.
É importante assegurar que as 
informações solicitadas e forne-
cidas não serão compartilhadas 
por outras pessoas.
91//Entrevista
tempo para a entrevista, de maneira que não haja interrupções. O paciente se 
sentirá mais valorizado e estimulado a falar, percebendo que aquele tempo é 
dele, que alguém pensou nele e se interessa em ouvi-lo. Além disso, é preciso 
concentração para conduzir a entrevista.
Para facilitar a comunicação dos participantes da entrevista, outros fatores am-
bientais também precisam ser considerados ao se escolher o local para o seu 
desenvolvimento, como recomenda Jarvis:
ÆÆ A temperatura do ambiente deve estar confortável: nem muito fria, nem 
muito quente, oferecendo comodidade aos participantes.
ÆÆ A iluminação, de preferência natural, deve ser suficiente para permitir que o 
paciente e o enfermeiro observem-se sem esforço.
Além disso, acomode o paciente confortavelmente no leito ou em um assento 
e acomode-se também à sua frente, sem barreiras como mesa ou computador, 
de forma que os olhos de ambos fiquem no mesmo nível. Evite ficar de pé, pois 
isso pode dar a impressão de hierarquia (você é “superior” no processo), de de-
sinteresse quanto ao que está sendo relatado ou de pressa, sentimentos que 
devemos nos empenhar em evitar.
Barulho, odores, objetos e situações de distração, como televisão, jogos, entrada 
e saída de pessoas, devem ser evitados para que ambos aproveitem esse mo-
mento.
Agora, depois de todas essas considerações, sugerimos que você exercite a en-
trevista para ir ganhando habilidade em realizá-la. Use e abuse de sua criativida-
de. Você também vai precisar dela.
Boa entrevista!
 Leituras recomendadas
Alfaro-LeFevre R. Aplicação do processo de enfermagem: uma ferramenta para o pensamento 
crítico. 7. ed. Porto Alegre: Artmed; 2010.
Benjamin A. A entrevista de ajuda. 13. ed. São Paulo: Martins Fontes; 2011.
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Prochet TC, Silva MJP. Percepção do idoso dos comportamentos afetivos expressos pela equipe 
de enfermagem. Esc Anna Nery. 2011;15(4):784-90.
Razera APR, Braga EM. A importância da comunicação durante o período de recuperação pós-
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