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Princípios da Exodontia de Rotina

Trecho sobre princípios da exodontia de rotina: planejamento pré‑extração, avaliação médica pré‑cirúrgica e controle da dor e ansiedade. Inclui orientação sobre força controlada na remoção, anestesia local (bloqueios, limites de dose, uso de bupivacaína) e sedação.

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Princípios da Exodontia de Rotina
Remoção dentária apropriada não necessita de uma grande quantidade de força, ao contrário, quando feita adequadamente, é conseguida com delicadeza. Remoção de dente irrompido envolve o uso de força controlada de maneira que o dente não seja puxado pra fora do osso, mas sim, levantado gentilmente do seu alvéolo. 
Durante o planejamento pré-extração, o grau de dificuldade antecipado para a remoção de um dente em particular é observado. Se esta observação leva o cirurgião-dentista a acreditar que o grau de dificuldade será alto ou se as tentativas iniciais de remoção do dente confirmarem essa hipótese, um procedimento cirúrgico cauteloso – sem aplicação de força excessiva – deve ser efetuado. Força excessiva pode machucar o tecido mole local e prejudicar o osso e os dentes ao redor. 
Tal força pode fraturar a coroa, geralmente tornando a extração substancialmente mais difícil do que teria sido de outra maneira. Além disso, força excessiva e pressa durante a extração aumentam o desconforto e a ansiedade operatória e pós-operatória do paciente.
· Avaliação médica pré-cirúrgica 
Quando estiver conduzindo a avaliação médica pré-operatória do paciente, é importantíssimo que o cirurgião-dentista examine a situação médica do mesmo. Pacientes podem ter uma variedade de problemas de saúde que necessitem de modificação de tratamento ou acompanhamento médico prévio para que a cirurgia seja feita de forma segura. Medidas especiais podem ser necessárias para controlar sangramento, diminuir a chance de infecção, ou prevenir uma emergência médica.
· Controle da dor e da ansiedade 
A remoção de um dente, mesmo se estiver solto, causa dor. Assim, anestesia local profunda é necessária para prevenir dor durante as extrações. Anestesia local deve ser absolutamente profunda para eliminar a sensibilidade da polpa, do ligamento periodontal, e tecidos moles adjacentes. Entretanto, mesmo com anestesia local profunda, pacientes ainda irão sentir desconforto no local da pressão colocada sobre o dente, os tecidos adjacentes, e as articulações mandibulares durante a maioria das extrações.
 É igualmente importante que o cirurgião-dentista reconheça a ansiedade que normalmente existe em pacientes prestes a passar por extração dentária. Poucos encaram este procedimento com tranquilidade, e mesmo pacientes impassíveis tendem a ter sentimentos internos de angústia.
· Anestesia Local 
Anestesia local profunda é necessária se o dente for ser extraído sem dor aguda para o paciente; para isso, é necessário que o cirurgião-dentista lembre precisamente das inervações de todos os dentes e tecidos moles adjacentes, assim como os tipos de injeções necessárias para anestesiar aqueles nervos completamente.
Um ponto importante a ser lembrado é que em áreas de transição de nervos, existe o cruzamento de nervos. Por exemplo, na região do segundo pré-molar mandibular, o tecido mole bucal é inervado primariamente pelo ramo mental do nervo alveolar inferior, mas também pelos ramos terminais do nervo bucal longo. Assim, é apropriado suplementar um bloqueio do nervo alveolar inferior com um bloqueio do nervo bucal longo para atingir anestesia adequada do tecido mole bucal quando extraindo um segundo pré-molar inferior ou fazendo uma incisão nessa área.
Apenas uma determinada quantidade de anestésico local pode ser usada de forma segura em cada paciente. A fim de gerar anestesia para extração de múltiplos dentes, pode ser necessário injetar vários tubetes de anestésico local. Portanto, é importante saber quantos tubetes de determinada solução anestésica podem ser administrados com segurança.
Apesar de ser evidente que a anestesia local é necessária para controle da dor operatória, o cirurgião-dentista também deve reconhecer seu papel no controle da dor pós-operatória. Para extrações de rotina nas quais apenas analgésicos de médios a moderados serão necessários, normalmente nenhuma anestesia local adicional é necessária. Após procedimentos que tenham sido mais traumáticos (p. ex., a remoção de dentes impactados) e onde analgésicos mais fortes são provavelmente mais necessários, muitos cirurgiões usam um anestésico local de longa duração (p. ex., bupivacaína) em vez ou além do anestésico local usual. Fazendo isso, o clínico dá ao paciente de 4 a 8 horas de anestesia local com ausência de dor. Esse método também permite que o paciente tenha o tempo adequado para tomar os analgésicos orais e para os analgésicos fazerem efeito antes que qualquer desconforto sério comece.
· Sedação 
O controle da ansiedade do paciente deve ser uma importante consideração nos procedimentos em cirurgia oral. Ansiedade é um fator mais importante em procedimentos cirúrgicos orais que nas maiorias das outras áreas da odontologia.
A remoção do dente causa uma variedade de reações; um paciente pode se afligir por partes do corpo perdidas ou perceber a extração como a confirmação de que a juventude passou. Isso se adiciona à ansiedade pré-cirúrgica causada pelo medo ou pela dor. 
Finalmente, a ansiedade é normal, mesmo em pacientes com experiências anteriores positivas com extrações, porque este procedimento realmente tem aspectos desagradáveis. Como percebido anteriormente, apesar de a dor aguda ser eliminada com a anestesia local, uma quantidade considerável de sensação de pressão ainda existe. Outros estímulos nocivos estão presentes durante o procedimento de extração, por exemplo, os sons de dente fraturando e o bater dos instrumentos. Por essas razões, cirurgiões-dentistas prudentes usam um método planejado de controle de ansiedade a fim de preparar seus pacientes para lidar com a ansiedade associada às extrações dentárias.
· Indicações para remoção dos dentes
 Dentes são extraídos por várias razões.
· Cáries 
Talvez a razão mais comum e amplamente aceita para remover um dente é que esteja tão severamente cariado que não pode ser restaurado. A extensão até onde o dente está cariado, e é considerado não restaurável, é uma decisão a ser tomada entre o cirurgiãodentista e o paciente. Algumas vezes, a complexidade e o custo necessários para salvar um dente severamente cariado também torna a extração uma escolha razoável. Isso é particularmente verdadeiro com a disponibilidade e sucesso das confiáveis próteses implantossuportadas.
· Necrose Pulpar 
Um segundo motivo para remover o dente é a presença de necrose pulpar ou pulpite irreversível que não é indicado para endodontia. Isso pode ser resultado do paciente recusar tratamento endodôntico ou um canal radicular tortuoso, calcificado e não tratável por técnicas endodônticas convencionais. Também incluído nesta categoria de indicações gerais está o caso em que o tratamento endodôntico foi feito, mas falhou em aliviar a dor ou conseguir drenagem e o paciente não deseja retratar.
· Razões Ortodônticas 
Pacientes que estão prestes a passar por correção ortodôntica de dentição apinhada com comprimento de arco insuficiente, frequentemente precisam de extração de dentes para gerar espaço para alinhamento dentário. Os dentes mais comumente extraídos são os pré-molares maxilar e mandibular, mas um incisivo mandibular pode ocasionalmente precisar ser extraído pela mesma razão. Muito cuidado deve ser tomado para confirmar se a extração é realmente necessária e que o dente ou os dentes corretos sejam removidos se outro que não o cirurgião que está fazendo as extrações fez o planejamento das mesmas.
· Dentes Malposicionados 
Dentes malposicionados podem ser indicados para extração em algumas situações. Se traumatizam tecido mole e não podem ser reposicionados por tratamento ortodôntico, devem ser extraídos. Um exemplo comum disso é o terceiro molar maxilar, que irrompe em posições vestibulares severas e causam ulceração e trauma do tecido mole e da bochecha. Outro exemplo são os dentes malposicionados que estão hiperirrompidos devido à perda dos dentes no arco oposto. Se a reabilitação protética for feita no arco oposto, este dente pode interferir na construção de uma prótese adequada. Nessa situação, dente malposicionadodeve ser considerado para extração. 
· Dentes Fraturados
 Uma indicação incomum para extração dos dentes é um dente com coroa fraturada ou raiz fraturada. O dente fraturado pode ser doloroso e não é controlável por uma técnica mais conservadora. Algumas vezes, dentes quebrados já passaram por tratamento endodôntico no passado.
· Dentes Impactados
 Dentes impactados devem ser considerados para remoção, se estiver claro que um dente parcialmente impactado não está apto a irromper em oclusão funcional devido a espaço inadequado, interferência de dentes adjacentes ou alguma outra razão, ele deve ser considerado para remoção cirúrgica.
· Dentes Supranumerários 
Dentes supranumerários são normalmente impactados e devem ser removidos. Um dente supranumerário pode interferir com o irrompimento dos dentes que o sucedem e tem o potencial de causar reabsorção e fazer com que saiam do lugar.
· Dentes Associados a Lesões Patológicas
 Dentes que estão envolvidos em lesões patológicas podem precisar de remoção. Isso é geralmente visto em cistos odontogênicos. Em algumas situações, o dente ou os dentes, podem ser mantidos e tratamento endodôntico executado. Entretanto, se a manutenção do dente compromete a completa remoção cirúrgica da lesão quando a completa remoção é fundamental, o dente deve ser removido. 
· Radioterapia
 Pacientes que estão recebendo radioterapia para câncer oral, na cabeça ou no pescoço devem considerar a remoção dos dentes que estão na direção da terapia com radiação. Entretanto, muitos desses dentes podem ser mantidos com devido cuidado.
· Dentes Envolvidos em Fraturas Maxilares
 Pacientes que sofrem fraturar de mandíbula ou do processo alveolar algumas vezes precisam ter dentes removidos. Em algumas situações, o dente envolvido na linha de fratura pode ser mantido, mas se o dente é prejudicado, infectado, ou severamente luxado do tecido ósseo circundante ou interfere na devida redução e fixação da fratura, sua remoção pode ser necessária.
· Questões Financeiras
 A indicação final para a remoção dos dentes está relacionada à situação financeira do paciente. Todas as razões para extração já mencionadas podem se tornar mais fortes se o paciente não está com vontade ou não pode financeiramente apoiar a decisão de manter o dente. A incapacidade do paciente de pagar pelo procedimento pode fazer com que o dente seja removido. Também, restauração com implantes tem normalmente uma relação custo benefício mais eficaz para o paciente do que manter um dente duvidoso.
· Contraindicações para a remoção do dente
 Mesmo se determinado dente apresenta um dos requisitos para remoção, em algumas situações, o dente não deve ser removido devido a outros fatores ou a contraindicações para a extração. Estes fatores, assim como as indicações, são relativos na sua força. Em algumas situações, a contraindicação pode ser modificada pelo uso de cuidado adicional ou tratamento, e a extração indicada pode ser feita. Em outras situações, entretanto, a contraindicação pode ser tão significativa que o dente não pode ser removido. Geralmente, as contraindicações são divididas em dois grupos: (1) sistêmica e (2) local.
· Contraindicações Sistêmicas 
Contraindicações sistêmicas impedem a extração porque a saúde sistêmica do paciente é tal que a habilidade de resistir ao trauma cirúrgico pode ser comprometida. Uma contraindicação sistêmica é um grupo de condições chamadas doenças metabólicas severas incontroladas. 
· Diabetes tipo I sem controle e estágio final de doença renal com uremia severa são parte deste grupo. Pacientes com diabetes média ou diabetes severa bem controlada podem ser tratados praticamente como pacientes normais. Apenas quando o processo de doença se torna descontrolado o paciente não pode ter o dente removido de forma rotineira. 
· Pacientes que têm leucemia não controlada e linfoma não devem ter dentes removidos até que a malignidade esteja sob controle. O potencial das complicações são: infecção como resultado de células brancas que não funcionam e sangramento excessivo como resultado de número de plaquetas inadequado.
· Pacientes com qualquer uma das variedades de doenças cardíacas severas sem controle devem também ter extrações adiadas até que a doença esteja sob controle. Pacientes com isquemia cardíaca severa como angina pectoris instável e pacientes que tenham tido recente infarto significativo do miocárdio não devem ter dentes extraídos, exceto em casos de emergência em ambiente hospitalar.
· Pacientes que têm hipertensão maligna também devem ter extrações adiadas devido a sangramento persistente, insuficiência cardíaca aguda, e acidentes cerebrovasculares são mais propensos a acontecer como resultado de estresse causado pela extração. 
· Pacientes que têm disritmias severas, não controladas também devem ter suas extrações adiadas. 
· Gravidez é uma contraindicação relativa para extrações; pacientes que estejam no primeiro ou terceiro trimestre devem ter suas extrações adiadas se possível. A última parte do primeiro trimestre e o primeiro mês do terceiro trimestre podem ser tão seguros quanto o trimestre do meio para extrações descomplicadas, mas procedimentos cirúrgicos mais extensivos que precisam do uso de drogas além do anestésico local devem ser adiados até depois do parto.
· Pacientes que têm doenças de sangue severas como hemofilia, ou que têm problemas severos de plaquetas, não devem ter dentes extraídos até que as coagulopatias tenham sido corrigidas. Amaioria das doenças hemorrágicas pode ser controlada com a administração de fatores de coagulação ou transfusão de plaquetas. Coordenação próxima com o médico do paciente pode resultar em recuperação do procedimento de extração sem complicações na maioria dos casos. De forma parecida, pacientes que tomam anticoagulantes podem passar por extrações de rotina quando se toma o cuidado apropriado com o paciente. 
· Finalmente, pacientes que tomam ou já tomaram uma variedade de medicamentos devem ter a cirurgia feita com cautela ou depois de consulta médica. Drogas as quais precisamos estar atentos incluem corticoides sistêmicos, agentes imunossupressores, bifosfonatos, e agentes quimioterápicos para câncer.
· Contraindicações Locais 
Algumas contraindicações locais para a extração do dente também existem. Amais importante e mais crítica é a história de radiação terapêutica por câncer. Extrações feitas em área de radiação podem resultar em osteorradionecrose, e assim, a extração deve ser feita com extremo cuidado. O Capítulo 18 discute isso em detalhes.
· Dentes que estão localizados dentro de uma área de tumor, especialmente um tumor maligno, não devem ser extraídos. O procedimento cirúrgico para extração pode disseminar células malignas semeando, assim, metástases.
· Pacientes que tem pericoronarite severa ao redor do terceiro molar mandibular não devem ter este dente extraído até que a pericoronarite tenha sido tratada. Tratamento não cirúrgico deve incluir irrigações, antibióticos, e remoção do terceiro molar maxilar, se necessário, para aliviar o impacto do tecido mole edêntulo que cobre a impactação mandibular. Se o terceiro molar é removido durante pericoronarite severa, a incidência de complicações aumenta. Se a pericoronarite é média e o dente pode ser removido facilmente, então extração imediata pode ser feita.
· Finalmente, o abscesso dento alveolar agudo deve ser mencionado. Muitos estudos em perspectiva deixaram bastante claro que a solução mais rápida para uma infecção resultante de necrose pulpar é obtida quando o dente é removido o mais rápido possível. Assim, infecção aguda não é contra indicação para extração. Entretanto, pode ser difícil para extrair tal dente porque o paciente pode não ser capaz de abrir a boca o bastante, ou pode ser difícil para conseguir uma anestesia local profunda. Se acesso e anestesia forem possíveis, o dente deve ser removido o mais rápido possível. De outra forma, antibioticoterapia deve ser iniciada e a extração planejada o mais rápido possível.
· Avaliação clínica dos dentes pararemoção 
No período de exames pré-operatórios, os dentes a serem extraídos devem ser examinados cuidadosamente para verificar a dificuldade de extração. Uma variedade de fatores deve ser especificamente examinada para fazer o exame apropriado. 
· Acesso ao Dente 
O primeiro fator a ser examinado no exame pré-operatório é a extensão até onde o paciente consegue abrir a boca. Qualquer limitação de abertura pode comprometer a habilidade de o cirurgião-dentista fazer numa extração de rotina. 
Se a abertura de boca do paciente é substancialmente comprometida, o cirurgião-dentista deve considerar uma abordagem cirúrgica ao dente em vez da extração de rotina com alavancas e fórceps. Além disso, o cirurgião-dentista deve procurar pela causa da redução da abertura.
 - As causas mais comuns são trismo associado a infecção ao redor dos músculos de mastigação, disfunção de articulação temporomandibular (ATM) e fibrose muscular. A localização e a posição do dente a ser extraído no arco dental devem ser examinadas. 
Um dente perfeitamente alinhado tem um acesso normal para colocação de alavancas e fórceps. Entretanto, dentes apinhados ou malposicionado podem apresentar dificuldades no posicionamento dos fórceps normalmente usados no dente que será extraído. Quando o acesso é um problema, um fórceps diferente pode ser necessário ou uma abordagem cirúrgica pode ser indicada. 
· Mobilidade do Dente
 A mobilidade do dente a ser extraído pode ser avaliada no pré-operatório. Mobilidade maior que o comum é normalmente vista em doença periodontal severa. Se os dentes forem excessivamente moles, uma remoção dentária não complicada deve ser esperada, mas o manejo do tecido mole após a extração pode ser mais comprometido.
Dentes que têm mobilidade menor que o normal devem ser avaliados cuidadosamente pela presença de hipercementose ou anquilose das raízes. Anquilose é normalmente vista em primeiros molares que estão retidos e se tornaram submergidos; além disso, anquilose é vista ocasionalmente em dentes não vitais que tiveram tratamento endodôntico muitos anos antes da extração. Se o clínico acredita que o dente está anquilosado, é prudente planejar remoção cirúrgica do mesmo em vez de extração por fórceps.
· Condição da Coroa 
A avaliação da coroa do dente antes da extração deve ser relacionada à presença de grandes cáries ou restaurações na coroa. Se grandes partes da coroa foram destruídas pela cárie, a probabilidade de a coroa se quebrar durante a extração é aumentada, causando assim maior dificuldade na remoção do dente. Da mesma forma, a presença de grandes restaurações de amálgama gera fraqueza da coroa e a restauração provavelmente irá fraturar durante o processo de extração. 
Além disso, um dente tratado endodonticamente se torna ressecado e frágil, e desmorona facilmente quando força é aplicada. Nessas três situações, é crítico que o dente seja elevado o máximo possível e que o fórceps só então seja aplicado o mais apicalmente possível para que agarre a porção radicular do dente em vez da coroa.
Se o dente a ser extraído tem grande acúmulo de tártaro, este acúmulo deve ser removido com uma cureta ou limpador ultrassônico antes da extração. As razões para isso são que o tártaro interfere na colocação apropriada do fórceps, e que o cálculo fraturado pode contaminar o alvéolo vazio do dente quando este for extraído.
 O cirurgião-dentista deve também avaliar a condição dos dentes adjacentes. Se estes adjacentes têm grandes restaurações de amálgama ou coroas, ou passaram por tratamento endodôntico, é importante manter isso em mente quando as alavancas e fórceps forem utilizados para luxar e remover os dentes indicados. Se os dentes adjacentes tiverem restaurações grandes, o cirurgião-dentista deve usar as alavancas com extremo cuidado, pois fratura ou deslocamento das restaurações pode ocorrer. O paciente deve ser informado antes do procedimento cirúrgico sobre a possibilidade de danificar essas restaurações durante o processo de obtenção do consentimento.
· Exame radiográfico do dente a ser removido
 É essencial que radiografias adequadas sejam feitas de qualquer dente a ser removido. Em geral, radiografias periapicais dão informação mais precisa e detalhada sobre o dente, suas raízes, e o tecido ao redor. Radiografias panorâmicas são usadas frequentemente, mas sua maior utilidade é para dentes impactados em vez de dentes irrompidos. Para que as radiografias tenham seu máximo valor, eles devem respeitar certo critério. Primeiro de tudo, devem ser expostas adequadamente, com penetração adequada e bom contraste. 
O filme radiográfico ou sensor devem ser posicionados apropriadamente para que mostre todas as porções da coroa e raízes do dente sob consideração sem distorção. Se a imagem digital não é usada, a radiografia deve ser processada apropriadamente, com boa fixação, secagem e montagem. A montagem deve ser etiquetada com o nome do paciente e a data na qual o filme foi exposto. A radiografia deve ser montada pelo método padronizado da American Dental Association (ADA), que é ver a radiografia como se olhando para o paciente; o ponto elevado no filme fica virado para o observador. 
A radiografia deve ser razoavelmente atual para caracterizar a situação presente. Radiografias mais antigas que 1 ano devem ser refeitas antes da cirurgia. Finalmente, radiografias não digitais devem ser montadas em um negatoscópio que esteja visível ao cirurgião-dentista durante a operação, e imagens digitais devem ser exibidas para que o cirurgião-dentista possa olhar facilmente para elas durante a extração. Radiografias que são tiradas, mas não disponíveis durante a cirurgia, são de valor limitado.
A relação do dente a ser extraído com os dentes adjacentes irrompidos e não irrompidos deve ser percebida. Se o dente é decíduo, a relação de suas raízes com o dente sucessor abaixo deve ser considerada cuidadosamente. 
Na extração do dente decíduo pode ser possível danificar ou deslocar o dente que está embaixo. Se remoção cirúrgica de uma raiz ou parte de uma raiz é necessária, a relação entre a estrutura da raiz ou de dentes adjacentes deve ser conhecida. Renovação óssea deve ser feita criteriosamente sempre que necessário, mas é particularmente importante ser cuidadoso se as raízes adjacentes estão próximas à raiz que será removida.
· Relação com Estruturas Vitais 
Quando estiver fazendo extrações dos molares maxilares, é essencial se estar ciente da proximidade das raízes dos molares no soalho do seio maxilar. Se apenas uma fina camada de osso existir entre o seio e as raízes dos molares, o potencial de perfuração do seio maxilar durante a extração aumenta. Assim, o plano de tratamento cirúrgico pode ser alterado para uma técnica de cirurgia aberta, com a divisão das raízes do molar maxilar em raízes individuais antes que o procedimento prossiga.
O canal alveolar inferior pode se aproximar das raízes dos molares mandibulares. Apesar de a remoção do molar irrompido raramente afetar o canal alveolar inferior, se um dente impactado está para ser removido, é importante que a relação entre as raízes dos molares e o canal seja examinada. Tal extração pode levar a lesão do canal e causar consequente prejuízo ao nervo alveolar inferior. Imagens de tomografia computadorizada (cone beam) são normalmente usadas nessas circunstâncias.
Radiografias feitas antes da remoção do pré-molar inferior devem incluir o forame mentoniano. Um rebatimento cirúrgico pode ser necessário para recuperar uma raiz do pré-molar, e é essencial que o cirurgião-dentista saiba onde está o forame mentoniano para evitar lesão ao nervo mentoniano durante a execução desse rebatimento do tecido.
· Configuração das Raízes 
Avaliação radiográfica dos dentes a serem extraídos provavelmente contribui mais na determinação da dificuldade da extração. O primeiro fator a avaliar é o número de raízes no dente a ser extraído. Amaioria dos dentes tem um número típico de raízes, e nesse caso o plano cirúrgico pode ser levado na maneira usual; mas muitos dentes têm um número anormalde raízes. Se o número de raízes é conhecido antes da extração do dente, uma alteração no plano pode ser feita para prevenir fratura de alguma raiz adicional.
O cirurgião-dentista deve conhecer a curvatura das raízes e o grau de divergência das mesma para planejar adequadamente o procedimento de extração. Raízes de número usual e tamanho normal podem divergir substancialmente e assim fazer com que a largura total das raízes seja tão grande que impeça extração com fórceps. Em situações de excessos de curvatura com grande divergência, extração cirúrgica pode ser necessária com planejamento da divisão da coroa.
A forma da raiz individual deve ser levada em consideração. Raízes podem ser pequenas, de forma cônica que a torna fácil de remover. Entretanto, raízes longas com curvas severas e abruptas ou ganchos na região apical são mais difíceis de remover. O cirurgião-dentista deve ter conhecimento das raízes antes da cirurgia para adequar o plano da cirurgia.
O tamanho da raiz deve ser examinado. Dentes com raízes pequenas são mais fáceis de remover comparados com os de raízes longas. Uma raiz longa e bulbosa, resultado de hipercementose é ainda mais difícil de remover. As radiografias periapicais de pacientes mais velhos devem ser examinadas cuidadosamente por evidências de hipercementose porque este processo parece ser resultado do envelhecimento.
O cirurgião-dentista deve procurar por evidência de cárie que se estenda para as raízes. Cáries radiculares podem enfraquecer substancialmente a raiz e deixá-la mais propensa à fratura quando a força do fórceps for aplicada.
Reabsorção radicular, interna ou externa, deve ser avaliada em exame radiográfico. Assim como cáries radiculares, reabsorção radicular enfraquece a estrutura da raiz e a deixa mais propensa à fratura. Extração cirúrgica pode ser considerada em situações de reabsorção radicular extensa.
O dente deve ser avaliado por terapia endodôntica prévia. Se houve tratamento endodôntico muitos anos antes da extração, pode haver anquilose do dente ou a raiz pode estar frágil. Em ambas as situações, extração cirúrgica pode ser indicada.
· Condição do Osso Circundante 
Exame cuidadoso da radiografia periapical indica a densidade do osso circundante ao dente a ser extraído. O osso que está mais radiolúcido é provavelmente menos denso o que torna a extração mais fácil. Entretanto, se o osso parece ser radiograficamente opaco (indicando densidade aumentada), com evidência de alveolite condensante ou outro processo similar de esclerose, será mais difícil a extração.
 O osso circundante deve ser também examinado cuidadosamente para evidência de condição patológica apical. Dentes que têm polpas não vitais podem ter radiolucidez apical que representam granulomas ou cistos. Conhecimento da presença de tais lesões é importante porque tais lesões devem ser removidas na hora da cirurgia.