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EDUCAÇÃO NUTRICIONAL: qual sua relevância na sociedade e na prática do Nutricionista? Professora Viviane Mukim Disciplina: Educação Nutricional Conceito e Relevância da Educação Nutricional e Alimentar • A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) é o campo do conhecimento e de prática contínua e permanente, transdisciplinar, intersetorial e multiprofissional que visa promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis, contribuindo para assegurar o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA). • Insere-se em uma das diretrizes da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN) e, assim, configura-se como estratégia fundamental para o enfrentamento das problemáticas brasileiras referentes à má nutrição, como o excesso de peso e a obesidade, permitindo refletir sobre toda a cadeia produtiva – produção, abastecimento e acesso a alimentos adequados e saudáveis • A Educação Alimentar e Nutricional ocupa posição estratégica para a prevenção e controle dos problemas alimentares e nutricionais atuais e para promoção da alimentação adequada e saudável. Premissas da Educação Nutricional A Educação Alimentar e Nutricional é um campo de conhecimento. Isso significa que há um acúmulo de compreensões sobre seu conceito, como é realizada, os resultados de suas ações em diferentes âmbitos 01 Estimula a reflexão sobre escolhas alimentares saudáveis significa lidar com o sociocultural, o biológico e o ambiental 02 Pode refletir diferentes contextos, aspectos históricos, hábitos, heranças, culturas, informações científicas, conhecimentos populares ou tradicionais, entre outros. 03 Aspectos importantes que marcaram a EAN a partir dos anos 1940 até os dias de hoje ❑O início pelo interesse na educação alimentar e nutricional no Brasil se deu na década de 1940 quando, também, se iniciou a industrialização e, também, a mulher começou a ser inserida e ter um papel mais presente no mercado de trabalho ❑Já nos anos 1950, aconteceu o ápice do êxodo rural, ou seja, as pessoas migraram para os centros urbanos. ❑Na década de 1970, um importante acontecimento foi o incentivo ao aproveitamento integral dos alimentos seguido, nos anos 1980, pela valorização dos nutrientes ❑Os anos 1990 foram muito importantes e tiveram grande impacto, pois foi quando começaram os esforços para se falar sobre sustentabilidade, mas também foi quando a obesidade e as doenças crônicas não transmissíveis começaram a ganhar grandes proporções, com a transição nutricional. Além disso, nesta década, o papel da mídia passou a influenciar bastante nos padrões de corpo e hábitos alimentares o que nos anos 2000 se tornou uma preocupação, pois havia uma tendência e difusão de aspectos nutricionais errôneos como por exemplo a imposição da magreza extrema como único padrão aceito pela sociedade (com isso surgem os transtornos nutricionais: anorexia e bulimia) e começaram a ter força os modismos nutricionais: ração humana, alimentos proibidos, dieta da proteína, etc. ❑Em 2010, a ciência da Nutrição começou a entrar em alta, os estudos científicos nessa área se expandiram e a população começou a se interessar mais pelo assunto, o que nos trouxe aos dias atuais, em que existe uma grande dualidade: uma valorização da profissão do nutricionista, ao mesmo tempo que muitas pessoas leigas falam sem propriedade sobre o assunto e acabam prejudicando o trabalho conquistado pela EAN. Existe, atualmente, também uma grande influência das mídias digitais nos hábitos e comportamentos alimentares da população. ❑O grande salto da Educação Nutricional foi em 2012, momento em que a Coordenação Geral de Educação Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome realizou atividades para construir, de forma coletiva, o documento denominado Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para as Políticas Públicas (BRASIL, 2012), que adotou o termo “Educação Alimentar e Nutricional” (EAN), definindo-o como: Campo de conhecimento e de prática contínua e permanente, transdisciplinar e multiprofissional que visa promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. Foi assim que a EAN estabeleceu-se como um campo de prática profissional cujas ações podem e devem envolver nutricionistas e outros profissionais, permitindo, ainda, que estes tenham acesso a programas de formação e educação permanente. A partir de então, muitas ações da EAN em iniciativas públicas foram originadas: • Em restaurantes populares e bancos de alimentos • No Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), instauração do Programa Cantina Saudável • Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), entre outras. ❑ Logo podemos perceber que em relação às políticas públicas, a EAN deve seguir os princípios do setor no qual está inserida: • Na segurança alimentar e nutricional, deverá seguir os princípios do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). • Na saúde e na rede socioassistencial, deverá seguir os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). • Na educação, deverá seguir os princípios do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), e assim por diante. ❑Porém, de acordo com o Marco de referência de educação alimentar e nutricional para as políticas públicas, existem 9 princípios para ações em EAN que são considerados fundamentais e devem ser levados em consideração na elaboração de qualquer tipo de ação, política ou programa a ser estabelecido (Figura) Princípios da Educação Nutricional 1. Sustentabilidade Social, Ambiental e Econômica: a EAN deve promover uma alimentação adequada e saudável sem comprometer os recursos naturais e as relações sociais e a economia. 2. Abordagem do Sistema Alimentar em sua integralidade: O sistema alimentar envolve a água, o solo, os meios de processamento, distribuição, comercialização e descarte dos alimentos e, portanto, as ações de EAN devem contemplar estratégias para que o sistema, como um todo, não seja prejudicado. 3. Valorização da cultura alimentar local e respeito à diversidade de opiniões e perspectivas, considerando a legitimidade dos saberes de diferentes naturezas: devem ser considerados aspectos como cultura, religião e ciência ao se realizar ações de EAN, seja aonde for, assim como hábitos e preferências pessoais. 4. A comida e o alimento como referências e valorização da culinária enquanto prática emancipatória: A alimentação representa muito mais do que nutrição: o conjunto de cheiros, sabores, cores e o ato de se alimentar e estabelecer vínculos é de extrema importância, e estes aspectos devem ser considerados nas ações de EAN. Além disso, o ato de cozinhar deve ser incentivado como prática saudável. 5. Promoção do autocuidado e da autonomia: As ações devem promover a autonomia e o autocuidado, estimulando o aprendizado para que os indivíduos se empoderem em relação aos cuidados de sua própria saúde, e neste caso, de suas próprias escolhas para hábitos alimentares saudáveis. 6. A educação enquanto processo permanente e gerador de autonomia e participação ativa e informada dos sujeitos: A população sempre deve ser estimulada a participar ativamente nos programas e ações propostas e, desta forma, se tornarem autônomos para que possam ter conhecimento e liberdade de tomar decisões importantes no âmbito das escolhas alimentares. 7. A diversidade nos cenários de prática: É importante que as ações de EAN sejam diversificadas a fim de atender às diferentes necessidades. 8. Intersetorialidade: Também é importante que as ações sejam intersetoriais e se complementem, para que grandes objetivos em melhoria de qualidade de alimentação sejam atingidos a partir de construção coletiva de saberes, linguagens e práticas diferentes. 9. Planejamento, avaliação e monitoramento das ações: As ações de EAN devem ser cuidadosamente planejadas, avaliadas e monitoradas, a partir de processos específicos e previamente definidos.