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Políticas, programas e práticas educativas na promoção da saúde Francisco Valdicélio Ferreira Nutricionista CRN-11 nº 4569 Mestre em Biotecnologia – UFC – Sobral Doutorando em Saúde Coletiva – UECE – Fortaleza-ce Os alimentos e suas implicações no indivíduo e na sociedade os alimentos impactam não só na nutrição dos indivíduos e das sociedades, como também na formação de sua cultura e identidade, e também tem grande influência na socialização e no prazer. Alimentos Nutrição Indivíduo/Sociedade Socialização Cultura/identidade Conceituando O termo educação alimentar e nutricional já teve muitas definições, mas, hoje, a definição mais abrangente e mais aceita no Brasil se dá pelo contexto da realização do Direito Humano à Alimentação Adequada e da garantia da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN): Educação Alimentar e Nutricional (EAN) é um campo de conhecimento e de prática contínua e permanente, transdisciplinar, intersetorial e multiprofissional que visa promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. A prática da EAN deve fazer uso de abordagens e recursos educacionais problematizadores e ativos que favoreçam o diálogo junto a indivíduos e grupos populacionais, considerando todas as fases do curso da vida, etapas do sistema alimentar e as interações e significados que compõem o comportamento alimentar. (BRASIL, 2012, p. 23) Vamos, nesta seção, falar sobre as políticas e programas públicos e também sobre práticas educativas importantes para a promoção da saúde geral e, principalmente, no âmbito nutricional. o que são políticas públicas? Elas nada mais são do que um conjunto de leis, ações ou programas criados com o intuito de sanar as necessidades de uma determinada população, visando assegurar direitos básicos dos cidadãos. O grande salto da EAN nas políticas e programas públicos no Brasil foi nos anos 2000 A implementação do Programa Fome Zero que, em sua proposta original, propunha que houvessem campanhas publicitárias e palestras sobre educação alimentar e para o consumo de alimentos e, ainda, a criação de uma norma para comercialização de alimentos industrializados, alertando sobre a importância do controle da publicidade em relação aos alimentos e do aprimoramento da rotulagem alimentar. A partir de então, muitas ações da EAN em iniciativas públicas foram originadas: em restaurantes populares bancos de alimentos, Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), entre outras. Além disso, no Sistema Único de Saúde (SUS), as abordagens sobre a EAN passaram a ser mais valorizadas. Perspectiva tradicional X Emergente: perspectiva tradicional, do modo como somos ensinados e acostumados a agir, e por outro, uma perspectiva emergente e que, do ponto de vista de estudiosos em educação, seriam muito mais humanizados e eficientes para atingir o nosso objetivo comum: a saúde. Independentemente da forma como for realizada, a EAN no Brasil deve sempre seguir como referência o Guia Alimentar para a População Brasileira (2014, p. 8), o qual diz que: Em relação às políticas públicas, a EAN deve seguir os princípios do setor no qual está inserida: - Na segurança alimentar e nutricional, deverá seguir os princípios do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). - Na saúde e na rede socioassistencial, deverá seguir os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). universalização, da eqüidade, da integralidade, da descentralização e da participação popular - Na educação, deverá seguir os princípios do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), e assim por diante. Porém, de acordo com o Marco de referência de educação alimentar e nutricional para as políticas públicas, existem 9 princípios para ações em EAN Sustentabilidade social, ambiental e econômica Abordagem do sistema alimentar, na sua integralidade A diversidade nos cenários de prática Intersetorialidade Planejamento, avaliação e monitoramento das ações A educação enquanto processo permanente e gerador de autonomia e participação ativa e informada dos sujeitos Valorização da cultura alimentar local e respeito à diversidade de opiniões e perspectivas, considerando a legitimidade dos saberes de diferentes naturezas A comida e o alimento como referências: valorização da culinária enquanto prática emancipatória A promoção do autocuidado e da autonomia Essas ações em EAN são considerados fundamentais e devem ser levados em consideração na elaboração de qualquer tipo de ação, política ou programa a ser estabelecido Sustentabilidade social, ambiental e econômica: a EAN deve promover uma alimentação adequada e saudável sem comprometer os recursos naturais e as relações sociais e a economia. 2. Abordagem do sistema alimentar, na sua integralidade: O sistema alimentar envolve a água, o solo, os meios de processamento, distribuição, comercialização e descarte dos alimentos e, portanto, as ações de EAN devem contemplar estratégias para que o sistema, como um todo, não seja prejudicado 3. Valorização da cultura alimentar local e respeito à diversidade de opiniões e perspectivas, considerando a legitimidade dos saberes de diferentes naturezas: Este princípio contempla a característica mais “humanizada” Devem ser considerados aspectos como cultura, religião e ciência ao se realizar ações de EAN, seja aonde for, assim como hábitos e preferências pessoais. 4. A comida e o alimento como referências: valorização da culinária enquanto prática emancipatória As pessoas e os grupos em que vivem enxergam nos alimentos, muitas vezes, significados e simbolismos. A alimentação representa muito mais do que nutrição: o conjunto de cheiros, sabores, cores e o ato de se alimentar e estabelecer vínculos é de extrema importância, e estes aspectos devem ser considerados nas ações de EAN 5. A promoção do autocuidado e da autonomia As ações devem promover a autonomia e o autocuidado, estimulando o aprendizado para que os indivíduos se empoderem em relação aos cuidados de sua própria saúde, e neste caso, de suas próprias escolhas para hábitos alimentares saudáveis. 6. A educação enquanto processo permanente e gerador de autonomia e participação ativa e informada dos sujeitos A população sempre deve ser estimulada a participar ativamente nos programas e ações propostas e, desta forma, se tornarem autônomos para que possam ter conhecimento e liberdade de tomar decisões importantes no âmbito das escolhas alimentares. 7. A diversidade nos cenários de prática: É importante que as ações de EAN sejam diversificadas a fim de atender às diferentes necessidades. 8. Intersetorialidade: É importante que as ações sejam intersetoriais e se complementem, para que grandes objetivos em melhoria de qualidade de alimentação sejam atingidos a partir de construção coletiva de saberes, linguagens e práticas diferentes 9. Planejamento, avaliação e monitoramento das ações As ações de EAN devem ser cuidadosamente planejadas, avaliadas e monitoradas, a partir de processos específicos e previamente definidos. Esses processos são imprescindíveis para a eficácia e efetividade das ações em EAN. Políticas, programas e práticas educativas na promoção da saúde Francisco Valdicélio Ferreira Nutricionista CRN-11 nº 4569 Mestre em Biotecnologia – UFC – Sobral Doutorando em Saúde Coletiva – UECE – Fortaleza-ce image4.png image3.png image5.png image6.png image2.png