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Angelica Araújo 1 Tratamento de Feridas Cutâneas Ferida é uma lesão no tecido em decorrência de um trauma, seja ele mecânico, físico ou térmico, podendo se desenvolver também a partir de uma condição patológica ou fisiológica. Exemplo de condição patológica: doença oncológica, tumor ou neoplasia Exemplo fisiológico: desde um acidente até uma condição por hipertrofia que pode gerar alterações cutâneas Exemplo de uma das fotos: ferida por avulsão, onde a pele é retirada do corpo do animal Características das feridas Uma cavidade anormal no tecido com tamanho e dimensões variadas. Diminuição ou ausência do aporte sanguíneo e nervoso da zona lesada. Os tecidos alterados também podem estar envolvidos com possíveis corpos estranhos, por exemplo um projétil em um animal que foi baleado. Cicatrização das feridas É um processo fisiológico natural, ao menos que tenha algum impedimento do paciente para que isso não ocorra. Esse processo de cicatrização envolver eventos químicos, físicos e celulares, isso tudo para gerar a restauração do tecido ferido a partir da formação no colágeno (que é responsável por repor todo tecido danificado) As 4 fases de cicatrização ocorrem simultaneamente Fases da cicatrização 1) Fase inflamatória Ocorre um quadro de hemorragia, e após essa hemorragia uma série de fatores iram gerar a hemostasia (formação de coágulo e crostas que tem como função proteção da lesão/ dessa descontinuidade cutâneo) e o estímulo para recrutamento de células inflamatórias (especialmente macrófagos) 2) Debridamento ou desbridamento É caracterizada pela limpeza da ferida, onde ocorre um processo chamado proteólise (quebra da camada de colágeno e da fibrose). Além disso, ocorre a participação das células inflamatórias, na fase inflamatória elas são recrutadas e no debridamento faz a função delas de fato EX: Na foto tem um vaso sanguíneo e a borda é onde ocorreu a lesão, então as plaquetas inativas e as hemácias vão estar sendo perdidas que é a parte da hemorragia, a partir desse momento temos a ativação de plaquetas das circulações, e elas iram soltar os fatores de crescimento, e são esses fatores responsáveis por atrair os macrófagos para a região da lesão, e ai começa a ocorre a deposição de fibrina. Aqui começar a ter o fator de crescimento ativado e os macrófagos vindo nessa região para começar a fazer a hemostasia e iniciar a formação do tecido de crescimento para reparação tecidual. Não é algo instantâneo, vai demorando para ter o deposito do fibrocito, diferente dos macrófagos que desde o momento que começar a liberar os fatores de crescimento ele já começa a se direcionar na região para exercer sua função. O macrófago tem desde a função de reparação tecidual para a função de proteção, porque qual quer tipo de tecido, microrganismo ou sutura na região vai tentar começar a fazer fagocitose 3) Fase de reparo Fase de proliferação: formação de fibroblastos (macrófagos), neoangiogênese (formação de novos vasos para irrigarem a região), formação do tecido de granulação, e com esse novo tecido inicia a epitelização e a síntese da matriz extracelular para for esse tecido lesionado (colágeno). Nessa fase também tem a contração da ferida por meio da atuação da actina e miosina (estimulam a contração das bordas da ferida para aproximar). Angelica Araújo 2 Fibroblasto: estimula a formação de colágeno, elastina e proteoglicanos, sendo essas três que iram começar a fazer a deposição de fibrose e tecido colagenoso, formando assim o tecido de granulação que é a casquinha que forma em cima da ferida com intuito de proteger a região de patógenos externos. Os macrófagos e os fatores de crescimento irão gerar a neoangiogênese. Na foto acima conseguimos ver pouca quantidade de vasos sanguíneos, mais depois na imagem ao lado começar a ter muita vascularização no tecido de granulação. Essa neovascularização começa a irrigar a base do tecido de granulação para estimular o crescimento e reformação de um novo tecido cutâneo, e a parte de proteção será perdida depois Esse processo é estimulado pela ação do macrófago na região em conjunto do fator de crescimento. Formação de uma camada epitelial que protege a ferida de bactérias e perda de liquido. Embaixo do tecido de granulação tem a formação de uma camada epitelial, essa camada começa com o crescimento na base da ferida ate fechar completamente o tecido de descontinuidade cutâneo, para concluir todo tecido por baixo e aquela parte de proteger sempre permanecer ali (a casquinha do machucado, sendo a responsável pela ferida em si) 4) Maturação Maturação é onde vai ocorrer a organização do tecido de colágeno na região por meio das fibras de colágeno que iram fazer o remodelamento do colágeno no tecido, gerando assim uma maior resistência, pois quando tem um tecido desorganizado você tem baixa resistência Tem uma diminuição do colágeno tipo 3 e o aumento do colágeno tipo 1 que é mais resistente Há um aumento da quantidade de colágeno na ferida, diminuição da quantidade de fibroblasto. Começar a diminuir a quantidade de vasos sanguíneos que estão sendo irrigados porque já exercerão a função deles de nutrição na ferida para o acumulo de deposição de colágeno, diminuindo assim o colágeno tipo 3 e aumentando o tipo 1. Reduz também os fibroblastos ficando so a constituição da pele que é o tecido colagenoso Mecanismo de cicatrização das feridas Primeira intenção Abre o tecido, sutura e a cicatrização ocorre, por exemplo, em caso de ferida cirúrgica. Um animal que se cortou, o indicado é que fecha por primeira intenção apenas se essa ferida tiver ocorrido em um tempo menor de 6 horas. Para fechar por primeira intenção tem indicações: 1. Tempo de ocorrência menor que 6 horas Angelica Araújo 3 2. Ausência de corpos estranhos 3. Ausência de elementos anatômicos mortos (pontos de necrose) 4. Ausência de infecção Para saber se o tecido ainda está viável, pode debridar e verificar se vai sangrar. Exemplo: uma ferida muito grande pode fazer a aproximação das bordas desde que estejam limpas, sem corpos estranhos, sem pontos de necrose e infecção e com um tempo menor de 6 horas. Tem o risco desse tecido que foi suturado necrosar a depender da ocorrência ou não de neovascularização, mas de qualquer forma, mesmo que necrose em cima, em baixo vai ter um tecido crescendo de forma protegida. ● Abcesso: vai ser um acúmulo de líquido purulento ● Sempre que tem um espaço morto no subcutâneo, ou seja, fez uma cirurgia como castração e não fechou o SC, vai ter a formação de um líquido serosanguinolento (seroma) para ocupar esse espaço morto formado. ● Nas cirurgias reconstrutivas não pode fechar o SC, porque tem uma pressão na hora que o animal vai se movimentar e isso pode levar à decência de pontos. Em feridas fechadas por primeira intenção, que foram cirurgias extensas com muita debridação, a colocação de um dreno pode ser uma alternativa viável para drenar o seroma que é formado na região. Segunda intenção As bordas da ferida não estão aproximadas, a ferida permanece aberta e ela por si só consegue fechar pelo processo de cicatrização normal (de dentro para fora) Na 2ª intenção tem uma lesão grande, tanto embaixo quanto em cima → começa a ocorrer a granulação de dentro para fora → epitélio cresce formando a cicatriz Causa: úlcera de pressão, feridas cirúrgicas que tem perda de tecido, uma remoção de tumor. A ferida de segunda intenção pode virar uma ferida de terceira Exemplo: uma ferida muito extensa e com um tempo maior de ocorrência, retira a pele necrosada e acompanha a ferida, fazendo tratamento de ferida, debridando até que ela feche. Outro exemplo é o uso de ozonioterapia e ou outros métodos da medicina integrativa . Terceira intenção A ferida é deixada aberta por váriosdias e em seguida, ela não fecha. Depois de um tempo, quando tem um tecido de granulação formado, volta a mexer nas bordas da feridas possibilitando que tenha uma certa mobilidade e assim, as bordas são aproximadas. Tem uma ferida → granulação é aumentada → depois que teve o estímulo do processo de granulação, a contaminação foi removida → após acelera o processo cicatricial. Causa: Feridas que são contaminantes e requerem observação para sinais de inflamação. Esse tipo de cicatrização, é muito feita em casos de feridas contaminadas. Tem perda de tecido, trata a contaminação caso tenha, deixa a ferida aberta por vários dias, depois que tem a formação de um tecido de granulação e em seguida, o profissional vai acelerar o processo cicatricial. Exemplo: uma lesão maior, depois de que teve a formação de tecido de granulação, as bordas já estão em um estágio que não consegue se juntar (coaptar) mais, estão retraídas, então tem algumas opções: reavivar a borda, debridando ou também pode fazer enxerto de tecido na região. Obs: Um tratamento de segunda intenção pode virar o de terceira intenção, no caso de colocação de um enxerto Angelica Araújo 4 Fatores que interferem na cicatrização da ferida cutânea ● Capacidade regenerativa da célula. Se for células mais velhas ou danificadas pode diminuir a capacidade de regeneração do tecido ● Inflamação EX: seroma é um processo inflamatório e se ele estiver presente impede que a cicatrização ocorra, vai ser algo mais retarda de ocorrer ● Aporte vascular EX: Por exemplo, no enxerto se não respeita a base de irrigação dele não vai adiantar de nada, porque vai necrosar, já que não teve aporte vascular. ● Características do indivíduo: idade, nutrição, doença metabólica (ex: diabetes) ● Escolha inadequada do tratamento Tratamento da ferida ● Remover o tecido lesado e contaminado ● Promover a vascularização da ferida e das bordas da pele, por meio da debridação (parte central e a borda da ferida para estimular a neovascularização) ● Diminuir o número de bactérias (por meio de antibioticoterapia e limpeza com solução NaCl estéril ● Manter o tecido limpo e umidificado (solução fisiológica, pomadas, gel) Tratamento Tópicos 1- Liimpeza da ferida ● Tricotomia ampla ● Solução de clorexidina 0,05% ● Solução de PVPI 0,1% a 1% ● Solução de ácido acético 0,25% ● Evitar uso de água oxigenada e líquido de dakin 0,5%. Pode ser usado em um primeiro momento? Sim. Mas não manter o tratamento devido a reação que ela causa no tecido atrapalhando na cicatrização 2- Debridamento Debridamento seja por método mecânicos (que é esfregar um tecido na região, gaze, escovinha, bisturi…) ou químicos que utilizar pomadas a base de colagenases (a colagenase vai quebrar as fibras que são empurradas no primeiro estágio de cicatrização) 3- Pomadas antibióticas ● Clorexidina ● Rifamicina ● Bacitracina ● Neomicina ● Polimixina ● Sulfadiazina ● Gentamicina (-) ● Nitrofurosona ● Antibioticoterapia sistêmica. A depender do grau de acometimento da ferida e do risco de contaminação. Um exemplo de ferida que não pode renunciar à utilização de antibiótico sistêmico é a ferida por mordedura. Uso inicialmente de antibióticos de largo espectro até que sai o resultado do antibiograma, que deve ser feito sempre que possível. Cefalosporina é uma das escolhas para a pele, porque atinge o pico plasmático dela muito rápido (atinge entre 4/6 horas), além de ser de largo espectro. 4- Diversos ● Açúcar cristal ajuda no estímulo do tecido de granulação, faz hipersaturação no local da ferida causando a diminuição da parte de água, e com isso vai diminuir o crescimento bacteriano porque hipersatura o ambiente desitradar a membrana bacteriana ● Hidrogel e hidrocoloides: Auxilia na hidratação na ferida. Hidrogel faz hidratação ativa (ele faz a hidratação propriamente dita) e o hidrocoloide ele vai hipersaturar a região e trazer água para a região, como se fosse uma hidratação secundaria. ● Membranas biologias: Podem ser compradas e aplicadas sobre a ferida para hidratação, e estimular o processo de granulação. ● Dimetil sufox (DMSO) e AINES são anti-inflamatórios com ação eficaz, mas o DMSO tem um problema que é ser carcinogênico, e precisar ser passado com luvas, e alto poder de penetração na pele Angelica Araújo 5 ● Pele de tilápia vai ser usada após estiver preparada, e ai vai ser colocado na ferida para proteção até o paciente se recuperar ● Enxertos e retalhos cutâneos. São técnicas cirúrgicas que podem ser feitos trazendo um tecido cutâneo de uma outra região para a proteção da região da ferida. Esse enxerto pode ser do próprio animal, como ser retirado esse enxerto de pele de outro paciente ● Integrativos ○ Ozonioterapia tem a capacidade de se disseminar para os tecidos, provocando vasodilatação das arteríolas, e promovendo o fluxo sanguíneo para os tecidos, gerando uma maior disponibilidade de nutrientes. Tem ação bactericida, do estimulação do tecido de granulação e cicatrização. ○ Falhas medicinais a base de canabis (antifúngica), mais pode utilizar também babosa, entre outras coisas caseiras. ○ Ultrassom terapêutico é a onda ou pressão sonora propagativa com a capacidade de transferir energia mecânica para os tecidos. O efeito mecânico é causado pelas vibrações sônicas que causam atrito nos complexos celulares, produzindo micro – massagem. É mais utilizado para cicatrização e tecido de granulação. ○ Laserterapia é uma técnica utilizada que auxilia na reparação de injurias em virtude de sua ação indutora na angiogênese tecidual, redução da resposta inflamatória e da fibrose, sendo a angiogênese um fator importante para a oxigenação e nutrição tecidual assim beneficiando na reparação de possíveis danos a pele. Não pode ser usado em tecidos infeccionados pois continuara ● Terapia celulares ○ (RPR) plasma rico em plaquetas faz a coleta de sangue do próprio paciente, leva para o laboratório para preparar essa substância que vai ser centrifugado e misturado com alguns tipos de reagente e separar o plasma rico em plaqueta, esse plasma vai diminuir o processo inflamatório e estimular a cicatrização da ferida, e NÃO pode ser usado em feridas contaminadas ○ Células troncos Tem que ter o estímulo inflamatório. É contraindicada a utilização em regiões com tumores, apenas de já terem estudos que ela tem ação de inibir um crescimento tumoral. Não pode usar antinflamatório (Seja VO, IV, SC, tópico) junto com a célula tronco, porque a inflamação é um estímulo para a célula tronco atuar, portanto se usa o antinflamatório e diminui a inflamação, a célula tronco não vai fazer a ação local adequada que deveria, pois não vai ter estímulo inflamatório e para ela atuar adequadamente precisa ter esse estímulo inflamatório. A preparação das células tronco para a utilização pode levar cerca de 15 dias. 5- Atadura Usar ou não usar? Muito usada em feridas por segundas intenções, mas ela não pode ficar por longo tempo no animal. Complicações Deiscência é a ruptura dos pontos cirúrgicos pelo uso de fios inadequados, ligaduras inadequadas (apertar a ligadura pode dar isquemia), interferência doa animal (passar a língua, não colocar o cone) Cicatrização hipertrófica é um tecido cicatricial se projeta acima da superfície da pele devido a irritação da ferida (não deixa a ferida crescer, ficando muito exuberante, ocorre muito em equinos) Queloide é um tecido cicatricial que cresce indefinidamente, difícil de ocorrer na veterinária, e após a retirada pode retornar e a cortisona pode ser aplicada para impedir a recidiva