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Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito

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ASPECTOS LEGAIS 
E TRIBUTÁRIOS 
NAS SOCIEDADES 
DE COOPERATIVAS 
DE CRÉDITO
Autoria: Vicente de Paulo Augusto de Oliveira Júnior
Indaial - 2022
UNIASSELVI-PÓS
2ª Edição
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Impresso por:
Reitor: Janes Fidelis Tomelin
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Tiago Lorenzo Stachon
Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: 
Tiago Lorenzo Stachon
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Norberto Siegel
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Jairo Martins
Marcio Kisner
Marcelo Bucci
Revisão Gramatical: Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Diagramação e Capa: 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech 
UNIASSELVI
Sumário
APRESENTAÇÃO ............................................................................5
CAPÍTULO 1
A Regulamentação Jurídica Das Cooperativas ......................... 7
CAPÍTULO 2
A Regulamentação Jurídica Das Cooperativas ....................... 55
CAPÍTULO 3
A Regulamentação Jurídica Das Cooperativas ....................... 95
APRESENTAÇÃO
A disciplina de Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades Cooperativas 
de Crédito propõe a reflexão sobre um tema de discussão interdisciplinar e muito 
relevante para o cenário brasileiro, que envolve uma forma alternativa de organi-
zações perante as grandes correntes capitalistas e socialistas.
Assim, a disciplina tem por objetivo primordial oportunizar conhecimentos bási-
cos sobre a gestão de empreendimentos cooperativos, visualizar questões legais, so-
ciais, econômicas e políticas de cooperativas, contemplando aspectos específicos da 
legislação e sua construção no decorrer de diversos diplomas legais para, finalmente, 
apresentar os aspectos gerais de tributação das sociedades cooperativas.
O cooperativismo apresenta-se como um complexo conjunto de ideias, no-
ções e regramentos, como mutualidade, união de esforços, solidariedade, asso-
ciação entre pessoas em função de objetivos comuns, a não exploração da pes-
soa, justiça social, democracia, autogestão, entre outros.
Portanto, uma organização cooperativa é aquela definida pelos ideais e con-
vicções de seus membros, que se empenham em uma atividade produtiva, econô-
mica e social e com a manutenção de uma finalidade em comum. 
A doutrina cooperativista surgiu no século XIX, sendo resultado de um proces-
so pelo qual se almejava atenuar ou suprimir desequilíbrios econômicos e sociais 
provenientes da Revolução Industrial. Ao mesmo tempo, a doutrina cooperativista 
tem por objetivo corrigir o viés social pelo econômico, utilizando-se, para tanto, de 
sociedades de caráter democrático e solidário, quais sejam, as cooperativas.
Entretanto, a terminologia “cooperativismo” é multidisciplinar e pode repre-
sentar diversas situações diferentes, como um sistema de produção, consumo e 
crédito, que tem por elementos fundamentais as sociedades cooperativas, forma-
das por intermédio do associativismo e da autogestão. Ao mesmo tempo, as so-
ciedades cooperativas tentam eliminar os desajustamentos sociais provenientes 
dos excessos da intermediação capitalista, e utilizam, para isso, o trabalho e o 
capital enquanto fundamento.
A disciplina abordará os aspectos conceituais, a história do cooperativismo e 
sua doutrina, bem como serão discutidos temas relativos aos tipos de cooperativa 
e seus tipos de gestão, os aspectos legais, os aspectos de gestão e tendências e 
as regras inerentes à tributação das sociedades cooperativas.
Bons estudos!
CAPÍTULO 1
A Regulamentação Jurídica Das 
Cooperativas
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 3 Compreender a conceituação, as definições e os elementos essenciais das Co-
operativas.
 3 Apresentar as regras inerentes às Cooperativas na Lei nº 5.764/1971.
 3 Debater a regulamentação das Cooperativas para o Código Civil de 2002 e o 
Direito Civil brasileiro, com ênfase nas regras específicas ao Direito de Empresa.
 3 Identificar as Cooperativas e suas características essenciais, com ênfase no 
reconhecimento de seus elementos próprios e como se dará a sua regulamen-
tação no Brasil.
 3 Determinar como se dará a atuação das Cooperativas a partir das disposições 
da Lei nº 5.764/1971.
 3 Analisar as regras inerentes às Cooperativas no Direito Civil e no Direito Em-
presarial e como podem ser aplicadas a sua legislação extravagante.
8
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
9
A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
O cooperativismo apresenta-se como um complexo conjunto de ideias, no-
ções e regramentos, como mutualidade, união de esforços, solidariedade, asso-
ciação entre pessoas em função de objetivos comuns, a não exploração da pes-
soa, justiça social, democracia, autogestão, entre outros.
Portanto, uma organização cooperativa é aquela definida pelos ideais e con-
vicções de seus membros, que se empenham em uma atividade produtiva, econô-
mica e social e com a manutenção de uma finalidade em comum. 
Nesse contexto, a natureza da cooperação e do cooperativismo, indepen-
dente das suas variadas definições, torna-se relevante para um melhor entendi-
mento sobre o assunto. Há de se ressaltar que é por intermédio dessas definições 
que se orientará qualquer atividade relacionada ao cooperativismo. 
Ao cooperar, ajustam-se formas de ajudar as pessoas a atingirem um objeti-
vo em comum, o que é um princípio não tão defendido. Os direitos e os deveres 
são idênticos para todos, e a cooperação promove isonomia entre os cooperados, 
visto que o resultado alcançado é repartido entre todos os integrantes de acordo 
com a sua participação. 
Assim, a cooperação parte de dentro de um indivíduo, e não se restringe 
apenas a si mesmo: direciona-se para o todo, compreendendo que não está so-
zinho e, principalmente, que não é totalmente feliz e completo, entendendo que o 
prazer da cooperação é válido e importante para a sua própria alegria em viver. 
2 COOPERATIVISMO: CONCEITO, 
DEFINIÇÃO E ELEMENTOS 
ESSENCIAIS
O cooperativismo surgiu no Brasil no período do Império, vinculado ao as-
sociativismo rural, tendo uma evolução marcada por movimentos políticos, pela 
interferência do Estado na economia e na propriedade privada, bem como pelo 
objetivo de reconhecimento do modelo jurídico de sociedade cooperativa. 
As primeiras regulamentações do cooperativismo no Brasil foram decorren-
tes do Decreto nº 1.637, de 1907, que estabelecia ser a cooperativa uma socie-
dade mercantil de fins lucrativos, com características próximas às das socie-
dades anônimas, ainda que já existissem posições doutrinárias afirmando que as 
cooperativas teriam natureza jurídica própria (BRASIL, 1907).
10
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
A constituição e o funcionamento das cooperativas, em decorrência da au-
sência de uma regulamentação específica com maiores delimitações, ocorriam de 
forma livre, ausente à ingerência ou autorização estatal característica do período, 
e verificou-se a formação das primeiras cooperativas brasileiras. Somente na dé-
cada de 1930 é que surgiram políticas públicas e programas de incentivos fiscais.
A maioria dos integrantes das cooperativas era decorrente de imigrantes eu-
ropeus e japoneses, e o fomento à agricultura e à agropecuária impulsionou o 
desenvolvimento das cooperativas brasileiras. 
Nesse período, inclusive, o Decreto nº 22.239/1932 surgiu como uma regula-
mentação mais especializada, e que tratava a cooperativa como uma sociedade de 
pessoas de natureza sui generis, livre constituição e funcionamento, sendo caracte-
rizada pelos princípios e valores cooperativos copiados de modelos europeus.
Entretanto, o Decreto teve vigêncialimitada, e restou suspenso mais de uma vez 
por força de outras normas que estabeleciam programas públicos de cooperativismo 
vinculados ao sindicalismo ou a ações políticas diversas, até que surgiu a necessida-
de de reformulá-lo e fornecer mais segurança jurídica ao sistema cooperativista.
Dessa forma, somente em 1966, com o Decreto-Lei nº 59, regulamentado 
pelo Decreto nº 60.597/1967, é que ocorreu maior intervenção estatal no coope-
rativismo, e promoveu-se contribuição à disciplina jurídica do ato cooperativo e da 
relação entre cooperado e cooperativa. 
Entretanto, as cooperativas definiam-se como sociedades de pessoas com 
forma jurídica própria, de natureza civil e sem fins lucrativos. Simultaneamente, 
o cenário político brasileiro de regime militar reprimiu o cooperativismo, o que re-
sultou na liquidação de muitas cooperativas e na ausência de desenvolvimento 
do setor. Diante do enfraquecimento desse regime, os representantes das coope-
rativas brasileiras reuniram-se com lideranças de movimentos internacionais em 
favor do cooperativismo na América Latina e formaram a Organização das Coope-
rativas Brasileiras (OCB), que formulou o anteprojeto da Lei nº 5.764/1971, a Lei 
de Cooperativas Brasileira (LCB).
A Lei nº 5.764/1971 representou um marco na regulamentação jurídica das 
cooperativas no Brasil, e delimitou uma configuração jurídica influenciada pelo ce-
nário político de intervenção estatal, social e de desconhecimento da realidade co-
operativista brasileira, pela importância de delimitar o regime jurídico e pela adoção 
de alguns valores de cunho internacional, como a aplicação e o reconhecimento da 
Recomendação nº 127 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). 
11
A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
A norma disciplinou, de forma detalhada, os fundamentos, as características 
das cooperativas, a organização do sistema cooperativista, a operacionalidade e 
as relações sociais, sujeitando a constituição e o funcionamento da cooperativa à 
autorização prévia e ao acompanhamento governamental, respectivamente, e de-
finiu as cooperativas como sociedade de pessoas, com forma e natureza jurídica 
própria, de natureza civil, caracterizadas em face da adesão voluntária; variabili-
dade do capital social; limitação do número de quota do capital para cada associa-
do ou por critérios de proporcionalidade (se for o mais apropriado); incessibilidade 
das quotas; singularidade dos votos (um voto por sócio); retorno das sobras lí-
quidas proporcionalmente às operações realizadas; indivisibilidade dos fundos de 
reserva e assistência técnica, educacional e social; neutralidade política, religiosa, 
racial e social; prestação de assistência aos associados e aos empregados (ante 
a previsão estatutária); e área de admissão de associados limitada às possibilida-
des de reunião, controle, operações e prestações de serviços, nos termos de seu 
Art. 4º (BRASIL, 1971).
Para Bulgarelli (2001), a Lei contribuiu para o avanço da disciplina jurídica 
das cooperativas no Brasil ao estabelecer: a disciplina das operações entre a co-
operativa e terceiros; a possibilidade de participação em empresas não coope-
rativas; a área de admissão de associados e as operações conforme o estatuto; 
as normas relativas à cobertura de despesas operacionais das cooperativas; e a 
faculdade de as cooperativas centrais manterem associados individuais. Entretan-
to, pecou pelas imprecisões conceituais ao manter o sentido ortodoxo das coope-
rativas em sua descrição conceitual e deixar de destacar o caráter humanitário da 
organização, os elementos econômicos, o caráter empresarial, o regime jurídico e 
os princípios basilares do cooperativismo.
Uma das principais críticas da doutrina à nova legislação foi acerca da atri-
buição da natureza jurídica própria e civil às cooperativas, quando deveria ter se 
restringido à natureza jurídica própria da sociedade cooperativa. Considerando 
que as cooperativas têm um regime jurídico societário próprio, que não estariam 
sujeitas às normas de direito civil ou comercial – inclusive à falência –, a impro-
priedade do legislador remete ao pouco conhecimento sobre a natureza e as ca-
racterísticas dessas sociedades. 
A compreensão da sociedade cooperativa, em teoria, deriva da análise de 
seu aspecto central, que é a inversão do modelo de atuação dos sócios, bem 
como o modelo de realização de suas ações, seu empreendimento, por intermé-
dio do ato de empreender, de fazer, de produzir, e não se revelar individualista por 
qualquer de suas formas.
Assim, apresenta-se sob o individualismo daqueles que trabalham sozinhos, 
isolados; é o trabalho autônomo; do individualismo daqueles que atuam exclusiva-
12
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
mente para si, ainda que não ajam isoladamente, mas submetendo outros, seus 
contratados, incluindo, principalmente, os empregados, mas tendo por objetivo o 
autobeneficiamento; e o individualismo daqueles que, empregados em empreendi-
mentos alheios, compreendem-se como mera mão de obra, como trabalho remu-
nerado, mas alheio ao ato global de empreender: trabalhar, para esses operários, é 
cumprir tarefas ou jornadas (horários); não é ter a consciência do fazer, do produzir.
O cooperativismo, portanto, propõe-se como uma alternativa a esse modelo: 
trabalho coletivo a bem da coletividade. A sociedade cooperativa não é pensada 
em virtude das pessoas (de forma pessoal) ou do capital (de forma pecuniária), 
mas como espaço jurídico e econômico de contribuição mútua.
Com a sistemática definida na Lei nº 5.764/1971, as cooperativas foram de-
finidas como sociedades civis, o que não desconsiderou o regime jurídico socie-
tário estabelecido para as cooperativas no Código Civil de 2002, bem como as 
características inerentes às cooperativas, principalmente àquelas associadas à 
relação entre cooperativa e cooperado, dos atos cooperativos de natureza insti-
tucional, do objeto social e da organização operacional, como será aprofundado 
adiante. Assim, justifica-se a elaboração de uma norma que lhe forneça uma for-
ma jurídica apropriada e uma disciplina jurídica societária para a relação entre os 
sócios e a sociedade, a constituição e o funcionamento. 
A opção do legislador de inserir a cooperativa em uma natureza civil significa 
estabelecer certas consequências jurídicas específicas para as sociedades civis, 
ou seja, a não sujeição à falência e à prescrição dos créditos da cooperativa nos 
prazos da lei civil, muito embora não exclua a aplicação das normas de direito co-
mercial, tributário, trabalhista, entre outros, nas relações externas.
Ao mesmo tempo, a Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, 
determinou princípios e regras que veiculam o apoio ao cooperativismo, à liberdade 
de associação, independentemente da autorização estatal; e o adequado tratamen-
to tributário ao ato cooperativo, às cooperativas dos garimpeiros e de crédito. Essas 
normas revogam as disposições contrárias da Lei nº 5.764/1971 e alteram o regime 
jurídico das cooperativas, interferindo nas disciplinas que prevejam atos de inter-
venção estatal em prol da livre associação e de funcionamento das cooperativas. 
O Código Civil de 2002, inclusive, apresentou capítulo específico sobre as 
sociedades cooperativas no livro direito de empresas, entre os Arts. 1.093 ao 
1.096, com normas que passaram a reger a matéria em conjunto com a Lei nº 
5.764/1971. As sociedades cooperativistas aderiram às características do tipo so-
cietário, com algumas mudanças específicas para a sua atuação, como a possibi-
lidade de constituição sem capital social e a responsabilidade ilimitada, o que não 
representou uma atualização da matéria, mas, principalmente, sua readequação 
ao modelo jurídico civil brasileiro. 
13
A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo1 
Apesar de ter entrado em vigor no século XXI, essa norma foi elaborada em 
projeto de 1969 e publicada em 1972, que representava outro período do coope-
rativismo e da economia e, portanto, possuía objetivos diversos. O Código Civil 
de 2002, inclusive, estabeleceu que a sociedade cooperativa será uma sociedade 
simples e que as normas desse tipo societário serão aplicadas supletivamente. 
Como opção legislativa, as cooperativas deixam de ser sociedades civis, como 
previsto na Lei nº 5.764/1971, e não serão classificadas como sociedades empre-
sárias, independentemente do exercício da atividade econômica exercida, de sua 
organização ou tamanho da sociedade cooperativa.
Ainda que ambos os diplomas normativos tenham apresentado imprecisão 
técnica e legislativa que desestimulam as cooperativas enquanto organizações 
econômicas, elas vêm crescendo e exercendo a sua função social, organizando-
-se empresarialmente ao buscar meios de tornarem-se mais eficientes e produti-
vas no mercado. Na prática, as sociedades cooperativas atuam no mercado, exer-
cem características que poderiam classificá-las como sociedades empresariais, 
mas, em decorrência de não explorarem atividade econômica para auferir lucro, 
bem como de existir uma restrição expressa do Código Civil de 2002 que as impe-
de de serem consideradas empresárias, as sociedades cooperativas deverão ser 
consideradas sempre como sociedades simples.
As cooperativas funcionam como uma organização empresarial e associação 
de pessoas com o escopo de usar os serviços da sociedade para obter a melho-
ria econômica. A cooperativa, portanto, organiza fatores de produção e reúne os 
membros em torno do ideal de cooperação para a exploração de empresas. Nes-
se contexto, a ideia que se estabelece é que as sociedades cooperativas ainda 
estão sem espaço próprio no ordenamento jurídico, mas sendo aprimoradas pela 
legislação a partir de sua natureza jurídica civil.
1 Classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: 
( ) Uma cooperativa é uma sociedade de pessoas sem fins lucrativos 
e não sujeita à falência. 
( ) Uma empresa solidária nega a separação entre trabalho e capital. 
( ) A economia solidária valoriza o capital em detrimento do trabalho. 
( ) O cooperativismo pode ser entendido como uma doutrina social e 
econômica que se fundamenta na solidariedade e na democracia, 
entre outros valores. 
( ) Uma cooperativa é uma sociedade de capital, enquanto uma em-
presa mercantil é uma sociedade de pessoas.
14
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) V – V – F – F – V.
( ) F – V – V – F – V.
( ) V – F – F – V – F.
( ) F – V – V – V – F.
2 Classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: 
( ) Cooperar significa agir conjuntamente.
( ) A origem histórica do cooperativismo está ligada à Revolução In-
dustrial. 
( ) O cooperativismo somente pode ser entendido como uma doutri-
na econômica e social. 
( ) A primeira cooperativa surgiu na Inglaterra, em 1848. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) V – V – F – F. 
( ) F – F – V – F.
( ) V – F – V – V.
( ) F – V – V – F.
3 AS COOPERATIVAS NA LEI Nº 
5.764/1971
As sociedades cooperativas apresentam a natureza jurídica de pessoas de 
Direito Privado devidamente organizadas a partir da reunião de duas ou mais pes-
soas. Portanto, são coletividades de indivíduos (universitates personarum), no for-
mato de sociedades, cuja finalidade é o exercício de atividade econômica, ainda 
que sem fins lucrativos.
Nesse sentido, o Art. 44 do Código Civil de 2002 divide as pessoas jurídicas 
em dois grandes grupos: a) a coletividade de bens (universitates bonorum) e a 
coletividade de pessoas (universitates personarum).
No primeiro grupo, encontram-se as fundações, que são representações pa-
trimoniais que, uma vez devidamente afetadas a uma finalidade específica, adqui-
rem personalidade jurídica própria.
15
A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
As fundações podem ser classificadas em fundações públicas ou privadas. 
A distinção entre fundações públicas e privadas decorre da forma como foram 
criadas, da opção legal pelo regime jurídico a que se submetem, da titularidade de 
poderes e da natureza dos serviços por elas prestados.
Segundo o Decreto-Lei nº 200/1967, que regulamentou a orga-
nização jurídico-administrativa do Estado brasileiro, em seu Art. 5º, 
inciso IV, a fundação pública é:
 
A entidade dotada de personalidade jurídica de di-
reito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude 
de autorização legislativa, para o desenvolvimen-
to de atividades que não exijam execução por ór-
gãos ou entidades de direito público, com autono-
mia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos 
respectivos órgãos de direção, e funcionamento 
custeado por recursos da União e de outras fontes.
Segundo Dallari (1992), quando a lei cria diretamente uma fun-
dação, tem-se uma fundação pública, dotada de personalidade de 
direito público, mesmo porque a lei não pode criar pessoa privada. 
É o que ocorre quando a fundação é instituída por lei estadual ou 
municipal. Entretanto, defende Maria Sylvia Zanella Di Pietro (1995) 
que a fundação tem natureza pública quando é instituída pelo poder 
público com patrimônio, total ou parcialmente público, dotado de per-
sonalidade jurídica, de direito público ou privado e, destinado por lei, 
ao desempenho de atividades do Estado na ordem social, com capa-
cidade de autoadministração e mediante controle da Administração 
Pública, nos limites da lei.
São características de uma fundação pública: a) dotação patri-
monial ou inicial do ente governamental; b) personalidade jurídica; 
c) desempenho de atividade atribuída ao Estado no âmbito social; 
d) capacidade autoadministrativa e de autogoverno; e e) sujeição ao 
controle administrativo ou tutela por parte da Administração direta.
Por outro lado, afirma Celso Antônio Bandeira de Mello (2003) 
que é absolutamente incorreta a afirmação normativa de que as fun-
dações públicas são pessoas de Direito Privado. Na verdade, são 
pessoas de Direito Público, e identificar se uma pessoa criada pelo 
Estado é de Direito Privado ou de Direito Púbico é meramente uma 
questão de examinar o regime jurídico estabelecido na lei que a criou. 
16
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
Se lhe atribuiu a titularidade de poderes públicos, e não meramente 
o exercício deles, e disciplinou-a de maneira a que suas relações 
sejam regidas pelo Direito Público, a pessoa será de Direito Público, 
ainda que se lhe atribua outra qualificação, mas foram batizadas de 
pessoas de Direito Privado apenas para se evadirem destes contro-
les moralizadores ou, então, para permitir que seus agentes acumu-
lassem cargos e empregos, o que lhes seria vedado se fossem reco-
nhecidas como pessoas de Direito Público.
Ressalta-se que a fundação pública não tem fins lucrativos e é 
formada por meio de dotação do Estado. São recursos da Fundação 
as dotações, as subvenções e as contribuições que o Estado anual-
mente consignar em seus orçamentos. No caso de extinção da Fun-
dação, seus bens e direitos são incorporados ao patrimônio do Estado.
A fundação pública apresenta direito à isenção de todos os tribu-
tos federais, estaduais ou municipais, de acordo com o ente da Fede-
ração que a instituir, e não pode aplicar em despesas administrativas, 
inclusive de pessoal, mais de 20% (vinte por cento) do seu orçamento, 
também mostra que se trata de determinação de Direito Administrati-
vo. Portanto, em pouco se assemelha a uma fundação privada.
Conforme decisão do STF no RE nº 101.126/1984, de relatoria 
do Ministro Moreira Alves:
Nem toda fundação instituída pelo Poder Público é 
fundação de direito privado. As fundações, instituídas 
pelo Poder Público,que assumem a gestão de servi-
ço estatal e se submetem a regime administrativo pre-
visto, nos Estados-membros, por leis estaduais, são 
fundações de direito público e, portanto, pessoas ju-
rídicas de direito público. Tais fundações são espécie 
do gênero autarquia, aplicando-se a elas a vedação a 
que alude o § 2º do Art. 99 da Constituição Federal.
As fundações privadas, por sua vez, segundo Caio Mário da Sil-
va Pereira (2005), apresentam-se como uma atribuição de personali-
dade jurídica a um patrimônio, que a vontade humana destina a uma 
finalidade social. É um pecúlio, ou um acervo de bens, que recebe da 
ordem legal a faculdade de agir no mundo jurídico e realizar as finali-
dades a que visou o seu instituidor.
Como constituem um patrimônio em função de uma finalidade a 
que se destina, sob o regramento específico do Código Civil de 2002, 
que a submete às normas inerentes ao Direito Privado, seu substrato 
17
A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
material é representado pela ideia ou pela afetação patrimonial que a 
caracteriza, diferentemente das sociedades e das associações, cujo 
substrato é a vontade das pessoas.
O acervo de bens que integra as fundações de Direito Privado 
desprende-se da vontade criadora para cumprir sua destinação de 
forma absolutamente autônoma, cuja atuação se dá através de seus 
órgãos deliberativos.
FONTE: https://www.mpms.mp.br/noticias/2015/04/fundao-pbli-
ca-x-fundao-privada. Acesso em: 14 jun. 2022.
No segundo grupo, encontram-se as associações e as sociedades. As asso-
ciações são organizações de pessoas sem quaisquer finalidades lucrativas, nos 
termos do Art. 53 do Código Civil de 2002. Entretanto, as sociedades são organi-
zações constituídas para exploração de atividade econômica. Portanto, têm como 
objeto uma atividade com aporte econômico – escopo negocial – de quaisquer 
naturezas, com a qual se pretenda produzir vantagem econômica.
As cooperativas inserem-se no segundo grupo. Apesar de apresentarem 
uma finalidade econômica, não há exploração da atividade para fins lucrativos. Ao 
se considerar o lucro uma remuneração pelo capital investido – que consiste em 
elemento próprio das sociedades empresárias – as cooperativas assemelham-se 
às sociedades simples, apesar de não se confundirem com elas.
Subscrevendo ações e integralizando-as, o acionista investe na formação do ca-
pital da sociedade anônima e, sem trabalhar para a empresa, fará direito ao lucro, re-
muneração pelo seu investimento. Assim, as cooperativas não integram o conceito de 
empresa, formulado no Art. 966 do Código Civil de 2002, que implica uma sociedade 
com duas ou mais pessoas, reunidas por uma mesma finalidade, de forma profissio-
nal, lucrativa e com organização dos fatores de produção de bens e serviços. 
Como o intuito lucrativo é estranho ao cooperativismo, também o será às 
sociedades cooperativas. Por outro lado, ainda que o legislador, no Art. 3º da Lei 
nº 5.764/1971, refira-se à celebração do contrato de sociedade cooperativa, as 
cooperativas são sociedades institucionais e não contratuais, uma vez que, sob a 
lógica dos contratos, mesmo que compreendida a pluralidade de partes, não se 
aproveita tais coletividades de pessoas (universitates personarum).
No mesmo diploma normativo, os Arts. 14 e seguintes apresentam disposi-
18
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
ções que, ao se referirem à constituição das sociedades cooperativas a partir de 
deliberação tomada pelos fundadores em assembleia geral, determinam que não 
se aproveita o viés contratual para as sociedades cooperativas (BRASIL, 1971). 
Essa posição, inclusive, foi analisada pela Terceira Turma do 
Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 126.391/SP, do 
qual foi relator o Ministro Waldemar Zveiter: 
No direito cooperativo, assentou a doutrina que os 
estatutos contêm as normas fundamentais sobre a 
organização, a atividade dos órgãos e os direitos e 
deveres dos associados frente à associação. São 
disposições que valem para todos os partícipes (co-
operados), por isso que são de natureza geral e abs-
trata, tal como a constituição reguladora da vida do 
estado rege o comportamento das sociedades per-
sonificadas. Tais normas não assumem uma caracte-
rística contratual, mas regulamentar ou institucional. 
FONTE: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/402048/recurso-
-especial-resp-126391-sp-1997-0023336-7. Acesso em: 14 jun. 2022.
Como ocorre com as sociedades por ações, a sociedade cooperativa é com-
preendida como um espaço que supera a pessoa de seus membros, que a trans-
cende, no qual os cooperados – fundadores ou não – que se obrigam, pela ade-
são, a contribuir reciprocamente com bens ou serviços para o exercício de uma 
atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de exploração econômica, 
ou seja, pelo lucro.
As cooperativas são, portanto, sociedades simples, independentemente de 
seu objeto, conforme dispõe o Art. 983 do Código Civil de 2002. Assim, não se 
sujeitam à recuperação judicial, recuperação extrajudicial ou à falência. 
O regramento geral para as cooperativas é definido na Lei nº 5.764/1971, 
fora os Arts. 1.093 a 1.096 do Código Civil. Somente subsidiariamente, respeitan-
do-se os princípios essenciais do cooperativismo, admite-se o recurso às normas 
que regem a sociedade simples, como esclarece o Art. 1.096 do Código Civil de 
2002. Entretanto, aquelas normas foram determinadas para sociedades contra-
tuais, e não para uma sociedade institucional específica, que não se encaixa no 
19
A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
padrão contratual, submetida a características que a vinculam ao movimento coo-
perativo globalizado.
As cooperativas são, portanto, pessoas jurídicas finalísticas, constituídas 
para objetivos específicos, merecendo a atribuição de personalidade jurídica a 
partir do registro. Seu objeto, conforme disposição do Art. 5º da Lei nº 5.764/1971, 
será gênero de serviço, operação ou atividade, prestado diretamente a seus coo-
perados, hipótese em que se qualificarão como sociedades cooperativas singula-
res, conforme o Art. 6º, inciso I, e o Art. 7º do Código Civil.
Ressalta-se que, em decorrência de suas características diferenciadoras 
para as sociedades empresárias, a sociedade cooperativa não pode ser registra-
da na Junta Comercial, e, enquanto sociedade simples, deverá ser registrada no 
Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Entretanto, mesmo que seja registrada na 
Junta Comercial, não adquirirá caráter de sociedade empresária, por vedação ex-
pressa do Código Civil de 2002 para que seja considerada como empresa.
Por sua vez, esses mesmos dispositivos permitem, de forma expressa, a par-
ticipação, como sócio, de pessoas jurídicas que tenham por objeto o desenvol-
vimento de atividades com as sociedades cooperativas ou correlatas atividades 
econômicas das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos. É o que 
ocorre, por exemplo, com sociedades cooperativas que prestam serviços auxilia-
res para determinados segmentos empresariais, como o de crédito.
De forma semelhante ao que ocorre com os sindicatos, as sociedades coo-
perativas podem unir-se e constituir uma cooperativa central ou federação de 
cooperativas, cujo objetivo é organizar, de forma consensual e em interesse co-
mum, bem como em maiores proporções, os serviços econômicos e assistenciais 
de interesse das filiadas, integrando e orientando suas atividades, facilitando a 
utilização recíproca dos serviços. 
Os §§ 1º e 2º do Art. 6º da Lei permitem, ainda, que as centrais 
e as federações que exerçam atividades de crédito admitam associa-
dos individuais, que serão inscritos no Livro de Matrícula da socieda-
de e classificados em grupos, visando à transformação, no futuro, em 
cooperativas singulares que a elas se filiarão (BRASIL,1971).
20
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
Por outro lado, o Art. 8º, em seu parágrafo único, permite a “constituição de 
cooperativas centrais, às quais se associem outras cooperativas de objetivo e fi-
nalidades diversas”, desde que para a prestação de serviços de interesse comum 
(BRASIL, 1971). 
Uma cooperativa central de distribuição, voltada para o escoamento da 
produção, poderia ser constituída, como exemplo, por uma cooperativa agrícola 
de produtores de café, uma cooperativa agrícola de produtores de hortaliças e 
uma cooperativa de artesãos. 
Finalmente, permite-se que três ou mais cooperativas centrais ou federações 
de cooperativas constituam uma confederação de cooperativas, da mesma ou 
de diferentes modalidades, tendo por objetivo, nos termos do Art. 9º da Lei nº 
5.764/1971, orientar e coordenar as atividades das filiadas, nos casos em que o 
vulto dos empreendimentos transcender o âmbito de capacidade ou conveniência 
de atuação das centrais e federações.
A depender da área de atuação e das atividades desenvolvidas, as socieda-
des cooperativas podem ser classificadas de acordo com o objeto ou pela nature-
za das atividades desenvolvidas por elas ou por seus associados. Assim, classifi-
cam-se em: 
a) cooperativas agrícolas; 
b) cooperativas de consumo; 
c) cooperativas de crédito; 
d) cooperativas educacionais; 
e) cooperativas especiais; 
f) cooperativas habitacionais; 
g) cooperativas de infraestrutura; 
h) cooperativas de minerais; 
i) cooperativas de produção; 
j) cooperativas de saúde; 
k) cooperativas de trabalho; e 
l) cooperativas de turismo e lazer. 
O Art. 10, § 2º da Lei nº 5.764/1971, permite, ainda, a constituição de coo-
perativas mistas, que apresentem mais de um objeto de atividades, desde que, 
conjuntamente, formem uma finalidade uníssona e que atendam aos anseios do 
segmento ou de seus cooperados.
Uma vez formada a sociedade cooperativa, instaura-se um regime de res-
ponsabilidade dos sócios pelos compromissos da sociedade, nos termos dos Arts. 
11 a 13 da Lei nº 5.764/1971 e do Art. 1.095 do Código Civil de 2002, visto que 
21
A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
se classificam em sociedades cooperativas de responsabilidade limitada, nas 
quais a responsabilidade alcança apenas o valor do capital social subscrito e ain-
da não integralizado, e sociedades cooperativas de responsabilidade ilimita-
da, nas quais a responsabilidade do sócio pelos compromissos da sociedade é 
pessoal, solidária e não tem limite, embora esteja, conforme o Art. 13 da Lei nº 
5.764/1971, submetida ao benefício de ordem, ou seja, somente se poderá in-
vocar a responsabilidade do sócio para terceiros, como membro da sociedade, 
depois de judicialmente exigida da cooperativa.
3.1 CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS
As sociedades cooperativas devem apresentar determinadas características 
essenciais que lhes determinarão o gênero, bem como a própria adequação de 
seus valores ao cooperativismo mundial e globalizado. Dessa maneira, as carac-
terísticas inerentes às sociedades cooperativas foram devidamente reproduzidas 
pelo legislador brasileiro e estão expressas no Art. 4º da Lei nº 5.764/1971 e Art. 
1.094 do Código Civil de 2002. São elas:
a) Liberdade de adesão: consubstancia-se em um dos principais valores do 
cooperativismo, e, por determinação do Artigo 4º, inciso I da Lei nº 5.764/1971, 
todas as sociedades cooperativas apresentarão um número ilimitado de asso-
ciados. Portanto, todo aquele que queira aderir à instituição, contribuir com seus 
esforços e beneficiar-se de sua atuação poderá fazê-lo, desde que preencha os 
requisitos necessários para tanto. Ao mesmo tempo, não é lícito pretender o in-
gresso numa cooperativa de médicos, por exemplo, sem ser um médico. Existem 
limitações materiais e legais a serem respeitadas, a depender do gênero adotado 
pela sociedade cooperativa.
Não é lícito estabelecer critérios subjetivos para a admissão ou não dos in-
teressados, mas apenas critérios objetivos, que não permitam qualquer forma de 
discriminação ou preferência pessoal, elementos estranhos ao cooperativismo. A 
adesão, por outro lado, deve, obrigatoriamente, ser voluntária. 
A liberdade de adesão ou de associação associa-se, em muito, ao direito fun-
damental expresso no Art. 5º, inciso XX da Constituição da República Federativa 
do Brasil, de 1988, que é própria do cooperativismo e que defende que ninguém 
pode ser compelido a associar-se e que todos os associados podem deixar a ins-
tituição quando bem quiserem.
Apesar de não ser apresentada qualquer limitação ao número de associados, 
há de se ressaltar que existirá um número mínimo de cooperados, conforme 
22
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
disposição do Art. 1.094, inciso II do Código Civil de 2002, para que se possa 
compor a administração da sociedade, que não será, porém, inferior a 20 (vinte), 
respeitado o Art. 6º, inciso I da Lei nº 5.764/1971. 
Não há um número máximo, o que é próprio do cooperativismo, mas o Art. 
4º, inciso I da Lei nº 5.764/1971 reconhece a viabilidade jurídica de se definirem 
limitações em função da impossibilidade técnica de prestação de serviços, porque 
se a sociedade cooperativa não acompanhar o desenvolvimento de suas ativida-
des em comparação com o número de associados, poderá ocorrer o esvaziamen-
to de sua finalidade.
Ressalta-se que o ingresso em cooperativa constitui um direito público 
subjetivo de todos aqueles que preencham os requisitos mínimos legítimos fixa-
dos pelo estatuto. É um direito público subjetivo, visto que a liberdade de ingres-
so, para além de um princípio próprio do cooperativismo, é regra positivada no Art. 
2º da Lei nº 5.764/1971, que dispõe ser atribuição do Estado a coordenação e o 
fomento às atividades de cooperativismo no território nacional. 
Qualquer interessado em aderir à sociedade cooperativa e que seja impedido 
diante de limitação por impossibilidade técnica, terá, ainda, o direito de contestar 
judicialmente a existência de tal impossibilidade. Essa possibilidade decorre da lei e 
dos princípios cooperativos, e não constitui matéria de interesse interno da socieda-
de (interna corporis), ou seja, não se refletirá em poderes arbitrários ou discricioná-
rios da Assembleia de cooperados ou da administração da sociedade cooperativa.
b) Variabilidade ou dispensa de formação do capital social: conforme disposi-
ções expressas do Art. 1.094, inciso I do Código Civil de 2002, e Art. 4º, inciso II da 
Lei nº 5.764/1971, o funcionamento das pessoas jurídicas depende de diversas fon-
tes de recursos para sua manutenção, e que constituem, e muito, seu capital social.
No caso das pessoas jurídicas de Direito Público interno, são utilizados tri-
butos – nos termos do Art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN) – para alcan-
çar seus fins, enquanto auferem receitas derivadas. Por outro lado, para pessoas 
jurídicas de Direito Privado, a exemplo das fundações, que se mantêm com os 
frutos gerados pelos bens livres dotados, devem se mostrar suficientes para as 
despesas operacionais e para a consecução das finalidades sociais, conforme 
estabelece o Art. 63 do Código Civil de 2002. 
Portanto, para as sociedades simples e empresárias, os sócios quotistas ou 
acionistas investem na formação de um capital social, beneficiando-se do lucro 
gerado pela empresa, que lhes é distribuído. As associações, por sua vez, trarão 
definidas no estatuto as fontes de recursos para que se mantenham, segundo 
previsão do Art. 54, inciso IV do Código Civil de 2002.
23
A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
As sociedades cooperativas também necessitam de capital para a formação 
de um patrimônio próprio – afetado aos fins sociais – e hábil a permitir a realiza-
ção de suas atividades. Em decorrênciada natureza de sociedade e sua finalida-
de econômica, ainda que não lucrativa, o Art. 1.094, inciso I do Código Civil de 
2002, e o Art. 4º, inciso II da Lei nº 5.764/1971, estabelecem que as cooperativas 
apresentarão uma espécie de capital social, mais assemelhado a um fundo social.
Portanto, não serão as quantias pecuniárias ou os bens que não têm por 
finalidade a aquisição de bens para a satisfação pessoal, mas quantias e bens 
afetados e devidamente alocados com a finalidade específica, diferentemente das 
empresas, que almejam, em regra, produzir mais dinheiro, produzir lucro, seja 
pelo mútuo, do qual se extraem os juros, seja pelo investimento em meios de pro-
dução, concretizando atividade negocial da qual se aferirá lucro.
A lucratividade, portanto, é um valor estranho ao cooperativismo, inadequada 
as suas finalidades. Portanto, a construção de um capital social não corresponde à 
afetação dos bens formadores do fundo social das sociedades cooperativas, tanto 
que os sócios cooperados podem ser chamados a contribuir para um fundo social 
que permita a consecução do objeto social, embora não façam jus à remuneração 
por tal contribuição, já que não se trata, em sentido estrito, de um investimento.
O fundo social, inclusive, pode sequer existir, visto que o Art. 1.094, inciso 
I do Código Civil de 2002 apresenta, de forma expressa, a possibilidade de ser 
dispensável a definição de um capital social. Dessa forma, pode-se constituir so-
ciedades cooperativas sem qualquer patrimônio econômico específico. Mamede 
(2021, p. 191) elenca o seguinte exemplo: 
[...] um grupo de costureiras, por exemplo, cada qual traba-
lhando em sua própria residência e reunindo-se na casa de 
uma delas (indicada como sede), sem que haja um fundo eco-
nômico comum, dispensando contribuições em quotas-partes. 
De qualquer sorte, havendo definição desse fundo patrimonial 
comum, será ele variável por definição legal, não exigindo deli-
beração social para tanto. 
De qualquer forma, o Art. 24 da Lei nº 5.764/1971 limita cada quota-parte a 
valor unitário, que não ultrapasse o maior salário-mínimo vigente no Brasil. Isso 
permite que a sociedade cooperativa não se desvie de suas finalidades e seja 
direcionada para fins apenas lucrativos.
A Lei nº 13.097/2015, inclusive, incluiu um § 4º no mesmo Art. 24, e estabe-
leceu a hipótese de que tais quotas “deixam de integrar o patrimônio líquido da 
cooperativa quando se tornar exigível, na forma prevista no estatuto social e na 
legislação vigente, a restituição do capital integralizado pelo associado, em razão 
do seu desligamento, por demissão, exclusão ou eliminação” (BRASIL, 1971).
24
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
c) Limitação do número de quotas-partes do capital para cada cooperado: 
conforme disposição do Art. 1.094, inciso III do Código Civil de 2002, e Art. 4º, 
inciso III da Lei nº 5.764/1971, não se admite que o fundo social da sociedade 
cooperativa esteja concentrado na mão de um único ou de poucos cooperados. 
Dispõe o Art. 24, inciso I da Lei nº 5.764/1971 que nenhum associado poderá 
subscrever mais de 1/3 (um terço) do total das quotas-partes, salvo nas socieda-
des cooperativas em que a subscrição deva ser diretamente proporcional ao mo-
vimento financeiro do cooperado ou ao quantitativo dos produtos a serem comer-
cializados, beneficiados ou transformados, ou, ainda, em relação à área cultivada 
ou ao número de plantas e animais em exploração. 
Nessas situações, inclusive, não haverá concentração injustificada de con-
tribuições para o fundo social comum, mas contribuições que se justificam pela 
própria participação do sócio cooperado nas atividades sociais. Portanto, como 
defende Mamede (2021, p. 590): 
[...] se fazendeiros constituem uma cooperativa para armaze-
namento e distribuição de sua produção, havendo entre eles 
um que tenha produção significativamente superior, respon-
dendo por 65% do movimento previsto de vegetais, permite-se 
superar o limite de 1/3, já que tal contribuição maior justifica-
-se pela necessidade específica do cooperado. É o que a Lei 
das Cooperativas chama de critério de proporcionalidade, lícito 
sempre que assim seja mais adequado para o cumprimento 
dos objetivos sociais. Também não estão sujeitas àquele limite 
as pessoas jurídicas de direito público que participem de coo-
perativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações.
Por outro lado, se forem titulares de mais de uma quota-parte e não apresen-
tam benefício financeiro direto ou vantagem política para o sócio cooperado, o Art. 
24, § 3º da Lei nº 5.764/1971, expressamente, veda às sociedades cooperativas 
que realizem a distribuição de qualquer espécie de benefício às quotas-partes do 
capital ou estabeleçam outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em 
favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuando-se os juros até o máximo 
de 12% (doze por cento) ao ano, que incidirão sobre a parte integralizada. 
Dessa maneira, o titular de uma quota e o titular de 30 (trinta) ou 40 (quaren-
ta) quotas-partes apresentarão os mesmos direitos, fruto da condição de sócio, e 
a cada sócio corresponde um voto, bem como do trabalho desempenhado.
d) Cessão limitada de quota: conforme disposição do Art. 4º, inciso IV da Lei nº 
5.764/1971, será ilícito ceder as quotas-partes do capital a terceiros, estranhos à so-
ciedade. Esse dispositivo coaduna-se com o inciso IV do Art. 1.094 do Código Civil de 
2002, que determina a impossibilidade de transferência, ainda que por herança. 
25
A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
Essas normas devem ser analisadas de acordo com o Art. 26 da Lei nº 
5.764/1971, que afirma que a transferência de quotas-partes será averbada no 
Livro de Matrícula, mediante termo que conterá as assinaturas do cedente, do 
cessionário e do diretor que o estatuto designar.
Portanto, não há uma impossibilidade de cessão ou transferência das quo-
tas-partes, mas uma limitação do direito de as transferir a outrem, que não se faz 
pela lógica das sociedades de cunho pessoal ou personalíssimo. Assim, como a 
quota-parte não é um bem jurídico que se possa transferir livremente, apenas se 
pode transferi-la a quem preenche as condições objetivas para se tornar um coo-
perado, sendo admitido na sociedade.
Da mesma forma, é possível ao sócio cooperado que se retira da sociedade ce-
der sua quota, gratuita ou onerosamente, para outro sócio cooperado, já que este já 
é parte da sociedade e, assim, preenche os requisitos para ser cessionário do direito. 
Fora as exceções mencionadas, não se pode transferir a quota-parte, nos 
termos dos dispositivos analisados. Entretanto, deve-se ressaltar que a regra dis-
posta no Art. 56, caput e parágrafo único do Código Civil de 2002, estabelece que 
a condição de sócio cooperado não é transmissível em si, mas a quota-parte, 
por outro lado, é uma fração do patrimônio e, assim, uma faculdade jurídica de 
seu titular, a permitir duas situações diversas: transferência a quem esteja sendo 
admitido como sócio cooperado, aplicado o Art. 26 da Lei nº 5.764/1971, ou inde-
nização de seu valor.
e) Princípio da administração democrática: segundo disposição do Art. 4º, in-
ciso V da Lei nº 5.764/1971, e Art. 1.094 do Código Civil de 2002, cada cooperado 
corresponde a um voto nas assembleias da sociedade cooperativa. Portanto, a 
participação no fundo social é elemento completamente estranho às deliberações 
sociais. Um voto para quem tem várias quotas-partes, bem como um voto para 
quem tem apenas uma. 
A administração da sociedade cooperativa deve ser democrática, e atender, 
de forma efetiva, à distinção qualitativa das sociedades cooperativas. Apenas 
quando se tratar de cooperativas centrais, federações e confederações de coope-
rativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, poder-se-á optar pelo 
critério da proporcionalidade. Para Polonio (2004,p. 178), o inciso V do Art. 4º da 
Lei nº 5.764/1971:
[...] não esclarece a relação em que a proporcionalidade deverá 
pautar-se para definir o critério de voto facultado às cooperati-
vas centrais, federações e confederações cooperativas. Assim, 
pensamos que a proporcionalidade poderia ser considerada de 
duas formas, quais sejam: (i) em relação às operações realiza-
26
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
das pelos associados; ou (ii) em relação ao número de asso-
ciados das cooperativas singulares que compõem as coopera-
tivas centrais, federações ou confederações de cooperativas. 
Portanto, para Polonio (2004), o segundo critério comentado seria o que me-
lhor atenderia ao princípio da administração democrática, porque não parece ra-
zoável que uma central de cooperativas, por exemplo, formada por cooperativas 
singulares, definisse o critério de voto na proporção das operações de cada co-
operativa singular, uma vez que o movimento desta, na central de cooperativas, 
poderia estar totalmente distanciado da quantidade de seus associados.
O quórum para o funcionamento e deliberação da Assembleia Geral será 
computado em função do número de sócios cooperados e não do capital. O total 
do patrimônio social do fundo formado pela contribuição dos cooperados e o nú-
mero de quotas são elementos absolutamente estranhos à aferição do quórum. 
De qualquer forma, deve-se verificar quantos são, no total, os sócios, inde-
pendentemente das quotas-partes de que são titulares, e quantos estão presentes 
à assembleia, conforme determinação do Art. 4º, inciso VI da Lei nº 5.764/1971, e 
Art. 1.094, inciso V do Código Civil de 2002.
f) Resultados em função das operações: os resultados da cooperativa, inclu-
sive o retorno das sobras líquidas do exercício, não são apurados em função do 
número de quotas de cada sócio cooperado, mas tendo em vista as operações 
por ele realizadas. As sobras líquidas são o resultado do fechamento da contabili-
dade, observando-se ter havido recolhimento maior do que o custo das operações 
realizadas. 
Cita-se o exemplo mencionado por Mamede (2021): se em uma sociedade co-
operativa para venda de livros aos sócios cooperados, acrescenta-se ao valor de 
custo dos itens um extra, destinado às demais despesas, como as de luz, água, 
empregados, entre outras, ao final do exercício, verificando que esse valor extra 
superou, no total, as demais despesas, tem-se uma sobra líquida que, por princípio, 
será distribuída proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo sócio 
com a sociedade, conforme o Art. 1.094, inciso VII do Código Civil de 2002. 
Por outro lado, o Art. 4º, inciso VII da Lei nº 5.764/1971, utilizando-se da frase 
“salvo deliberação em contrário da assembleia geral”, permite que outra destina-
ção seja dada às sobras líquidas, como incorporação ao patrimônio da sociedade 
ou a seus fundos.
Da mesma forma, o Art. 1.094, inciso VII do Código Civil de 2002 permitiu a 
atribuição de juro fixo ao capital realizado. Os cooperados recebem, habitualmen-
te, se houver, uma remuneração limitada ao capital integralizado, como condição 
27
A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
de sua adesão. Esse juro é a remuneração pelo dinheiro que o sócio disponibi-
lizou para a sociedade, por intermédio do capital realizado, e será, por princípio 
cooperativo, fixo e limitado.
g) Indivisibilidade dos fundos: conforme disposição do Art. 28 da Lei nº 
5.764/1971, as cooperativas são obrigadas a constituir: i) um Fundo de Reser-
va, destinado a reparar perdas e atender ao desenvolvimento de suas ativida-
des, constituído com 10%, pelo menos, das sobras líquidas do exercício; e ii) um 
Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, destinado à prestação de 
assistência aos associados, seus familiares e, quando previsto nos estatutos, aos 
empregados da cooperativa, constituído de 5%, pelo menos, das sobras líquidas 
apuradas no exercício. 
Há, ainda, a possibilidade de a Assembleia Geral criar fundos sociais alter-
nativos, inclusive rotativos, com recursos destinados a fins específicos fixando o 
modo de formação, aplicação e liquidação. 
Caso ocorra a dissolução da cooperativa, tais fundos, por princípio, não po-
derão ser divididos pelos sócios, o que caracterizaria vantagem econômica, que 
não se harmoniza com os princípios do cooperativismo. 
O Art. 68, inciso VI da Lei nº 5.764/1971 determina que tais fundos sejam 
destinados ao Banco Nacional de Crédito Cooperativo S/A, instituição que foi ex-
tinta pelo Art. 1º, inciso IV da Lei nº 8.029/1990. Assim, os valores serão desti-
nados à Fazenda Nacional que, diante do Art. 61 do Código Civil de 2002, não 
consiste em obrigatoriedade, e pode ser destinado à instituição municipal, esta-
dual ou federal de fins idênticos ou semelhantes. Por outro lado, não havendo 
tal disposição, os valores serão prioritariamente destinados à Fazenda Estadual, 
se entidade de âmbito local, ou à Fazenda Nacional, se entidade cuja área trans-
cenda os limites de uma Unidade da Federação, considerado o Art. 61, § 2º do 
Código Civil de 2002.
h) Neutralidade política, religiosa, racial e social: como a cooperativa, salvo 
por exigências legais ou técnicas, não pode impedir a entrada de mais cooperados, 
pela liberdade de adesão, deve-se ressaltar que, nos termos do Art. 4º, inciso IX 
da Lei nº 5.764/1971, as cooperativas não podem ser constituídas com objetivos 
sectários, nem ter tais referências como base dos critérios de admissão de seus 
cooperados, o que preserva a ideia de universalismo e da solidariedade humana.
O dispositivo não se restringe apenas ao respeito às garantias inscritas no 
Art. 5º, incisos VIII e XLII da Constituição da República Federativa do Brasil de 
1988, e nem à Lei nº 7.716/1989, mas tem por finalidade inibir a discriminatória.
28
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
Portanto, é lícito criar uma associação religiosa, a exemplo, conforme lição 
de Mamede (2021), da Associação das Mulheres Católicas de Cabrobó, mas não 
é lícito criar uma Cooperativa Católica que apenas aceitasse membros que pro-
fessassem essa religião.
i) Assistência a cooperados e empregados: o Art. 4º, inciso X da Lei nº 
5.764/1971 determina que uma das características essenciais das sociedades co-
operativas é a prestação de assistência aos associados e, quando previsto nos 
estatutos, aos empregados da cooperativa. 
Diante do viés cooperativista, com ênfase na solidariedade e no colaboracio-
nismo, que são princípios intrínsecos do cooperativismo, a sociedade cooperati-
vista transforma-se em um espaço de assistência.
Portanto, qualifica-se, pelo princípio do ânimo de permanecer em sociedade 
(affectio societatis), em um espaço de esforço mútuo para a consecução dos fins 
sociais, como colaboração negocial, e a assistência é posta como dever geral de 
companheirismo que transcende o espaço econômico e social.
j) Limitação da área de admissão: finalmente, a liberdade de adesão con-
substancia-se como característica essencial das sociedades cooperativas, por de-
finição expressa do Art. 4º, inciso XI da Lei nº 5.764/1971.
Portanto, em decorrência de uma área de admissão, definida por uma cir-
cunscrição geográfica e em função das possibilidades de efetiva reunião, contro-
le, operações e prestação de serviços, alcança-se, pela liberdade de admissão, 
um limite objetivo, não arbitrário e não segregador.
O cooperativismo pode ser considerado um movimento mundializado e globa-
lizado, que atende valores internacionalmente fixados. Portanto, um fator limitador 
da atividade é delimitado no arbítrio nacional e no exercício da soberania, por inter-
médio do Poder Executivo, Poder Judiciário e Poder Legislativo no Brasil. Assim, 
por exercício de fatores ou influências políticas, econômicas e jurídicas, as caracte-
rísticas essenciais das sociedades cooperativaspodem, e muito, se modificar.
Com a edição da Lei nº 5.764/1971, foi internacionalizado o tipo societário 
para as cooperativas, a partir das posições manifestadas pela Organização das 
Cooperativas Brasileiras (OCB), uma sociedade civil, com sede em Brasília, que 
não funciona apenas como um órgão técnico-consultivo do Governo, mas a quem 
compete a representação do sistema cooperativista nacional.
Diante disso, deve-se ressaltar que os atos cooperativos, tanto aqueles pra-
ticados entre a cooperativa e seu cooperado, aqueles praticados entre os coope-
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A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
rados e a cooperativa e aqueles praticados entre as cooperativas entre si, quando 
associadas, para a consecução dos objetivos sociais, não implicam operação de 
mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.
São, portanto, ato jurídico de natureza própria, nos termos do Art. 79 da Lei 
nº 5.764/1971, que os diferencia dos atos praticados no âmbito das empresas 
e, mesmo, das sociedades simples. Não é, ainda, ato de trabalho autônomo ou 
relação de emprego, como estabelece o Art. 90, visto que, qualquer que seja o 
tipo de cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus cooperados, 
embora, em relação aos seus empregados, a cooperativa se iguala às demais 
empresas para os fins da legislação trabalhista e previdenciária.
De qualquer forma, são essenciais os efeitos da independência entre a ti-
tularidade de capital – de quotas-partes – e as faculdades e obrigações sociais, 
no âmbito das cooperativas. Assim, acerca das despesas da sociedade, muitas 
serão cobertas pelos associados, mediante rateio, na proporção direta da fruição 
de serviços, embora seja lícito, para melhor atender à equanimidade de cober-
tura das despesas da sociedade, estabelecer-se no estatuto social o rateio, em 
partes iguais, das despesas gerais da sociedade entre todos os associados, quer 
tenham ou não, no ano, usufruído dos serviços por ela prestados, conforme de-
finidas no estatuto; e o rateio, em razão diretamente proporcional, entre os asso-
ciados que tenham usufruído dos serviços durante o ano, das sobras líquidas ou 
dos prejuízos verificados no balanço do exercício, excluídas as despesas gerais já 
atendidas na forma do número anterior.
Para Coelho (2020), a opção por tal distinção implica a obrigação de levantar 
separadamente as despesas gerais, nos termos do Art. 81 da Lei nº 5.764/1971. 
Fora desse âmbito, os prejuízos verificados no decorrer do exercício, como dis-
põe o Art. 89, serão cobertos com recursos provenientes do Fundo de Reserva 
e, se insuficiente este, mediante rateio, entre os associados, na razão direta dos 
serviços usufruídos, ressalvada a opção pela distinção de despesas, desde que 
levantadas separadamente as despesas gerais.
De qualquer forma, a Lei nº 13.806/2019, para reforçar a necessidade de co-
operação mútua para alcançar determinado fim comum, incluiu o Art. 88-A na Lei 
nº 5.764/1971, no qual se admite que, por cláusula estatutária:
 
A cooperativa poderá ser dotada de legitimidade extraordinária 
autônoma concorrente para agir como substituta processual 
em defesa dos direitos coletivos de seus associados quando a 
causa de pedir versar sobre atos de interesse direto dos asso-
ciados que tenham relação com as operações de mercado da 
cooperativa [....].
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 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
Atua, portanto, como um ente de representação coletiva, desde que haja pre-
visão em seu estatuto e, de forma expressa, uma autorização manifestada indivi-
dualmente pelo associado ou por meio de assembleia geral que delibere sobre a 
propositura da medida judicial.
4 AS COOPERATIVAS NO CÓDIGO 
CIVIL DE 2002 E EM OUTROS 
DIPLOMAS NORMATIVOS
Art. 14. A sociedade cooperativa constitui-se por deliberação 
da Assembleia Geral dos fundadores, constantes da respectiva 
ata, ou por instrumento público.
Art. 15. O ato constitutivo, sob pena de nulidade, deverá declarar: 
I. a denominação da entidade, na qual deverá constar, obriga-
toriamente, a expressão cooperativa (de resto, de uso exclusi-
vo deste tipo societário), seu objeto social e sua sede; 
II. o nome, nacionalidade, idade, estado civil, profissão e re-
sidência dos fundadores, que assinam o ato de constituição, 
bem como o valor e o número da quota-parte de cada um; 
III. a aprovação do estatuto da sociedade; 
IV. o nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência 
dos cooperados eleitos para os órgãos de administração, fisca-
lização e outros (BRASIL, 1971). 
A própria Lei nº 5.764/1971 refere-se à necessidade de apresentação dos atos 
constitutivos “ao respectivo órgão executivo federal de controle, no Distrito Federal, 
Estados ou Territórios” para a obtenção de autorização de funcionamento.
Entretanto, essa disposição resta incompatível com o Art. 5º, inciso XVIII da 
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que prevê que a criação 
de cooperativas independe de autorização, sendo vedada a interferência estatal 
em seu funcionamento. Sem decisão ou posições doutrinárias majoritárias que in-
terpretem em sentido diverso, pode-se afirmar que o dispositivo carece de eficácia 
sobre a temática.
Se o estatuto social não estiver transcrito no ato de constituição, deverá o res-
pectivo instrumento ser assinado pelos fundadores. O Art. 21 da Lei nº 5.764/1971 
elenca os elementos que deverão constar no estatuto, quais sejam: 
I. a denominação, sede, prazo de duração, área de ação, obje-
to da sociedade, fixação do exercício social e da data do levan-
tamento do balanço geral; 
II. os direitos e deveres dos associados, natureza de suas res-
ponsabilidades e as condições de admissão, demissão, elimi-
31
A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
nação e exclusão e as normas para sua representação nas 
assembleias gerais; 
III. o capital mínimo, o valor da quota-parte, o mínimo de quo-
tas-partes a ser subscrito pelo associado, o modo de integrali-
zação das quotas-partes, bem como as condições de sua reti-
rada nos casos de demissão, eliminação ou de exclusão; 
IV. a forma de devolução das sobras registradas aos associa-
dos, ou do rateio das perdas apuradas por insuficiência de con-
tribuição para cobertura das despesas da sociedade; 
V. o modo de administração e fiscalização, estabelecendo os 
respectivos órgãos, com definição de suas atribuições, poderes 
e funcionamento, a representação ativa e passiva da sociedade 
em juízo ou fora dele, o prazo do mandato, bem como o proces-
so de substituição dos administradores e conselheiros fiscais; 
VI. as formalidades de convocação das assembleias gerais e 
a maioria requerida para a sua instalação e validade de suas 
deliberações, vedado o direito de voto aos que nelas tiverem 
interesse particular sem privá-los da participação nos debates; 
VII. os casos de dissolução voluntária da sociedade; 
VIII. o modo e o processo de alienação ou oneração de bens 
imóveis da sociedade; 
IX. o modo de reformar o estatuto; 
X. o número mínimo de associados; 
XI. se a cooperativa tem poder para agir como substituta pro-
cessual de seus associados, na forma do Art. 88-A desta lei 
(acrescido pela Lei nº 13.806/2019).
Acerca do capital social, que formará o fundo social da sociedade coope-
rativa, o estatuto poderá estipular que o pagamento das quotas-partes se fará 
por meio de prestações periódicas, independentemente de chamada, por meio de 
contribuições ou outra forma. 
De qualquer forma, quando não se tratar de cooperativa de crédito, coopera-
tiva agrícola mista com seção de crédito e cooperativa habitacional, “a integraliza-
ção das quotas-partes e o aumento do fundo social poderão ser feitos com bens 
avaliados previamente e após homologação em Assembleia Geral ou mediante 
retenção de determinada porcentagem do valor do movimentofinanceiro de cada 
associado”, como disposto pelo Art. 27 da Lei nº 5.764/1971. 
O mesmo dispositivo, em seu § 2º, define que, nas sociedades cooperativas 
em que a subscrição de capital seja “diretamente proporcional ao movimento ou 
à expressão econômica de cada associado, o estatuto deverá prever sua revisão 
periódica para ajustamento às condições vigentes” (BRASIL, 1971).
O regular funcionamento de uma sociedade cooperativa depende do atendi-
mento aos requisitos dos Art. 22 e 23 da Lei nº 5.764/1971, quais sejam:
a) um livro de matrícula, no qual os associados serão inscritos por ordem 
cronológica de admissão, constando:
32
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
i) o nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão e residência do associado;
ii) a data de sua admissão e, quando for o caso, de sua demissão a pedido, 
eliminação ou exclusão; 
iii) a conta corrente das respectivas quotas-partes do capital social. 
b) um livro de atas das assembleias gerais;
c) um livro de atas dos órgãos de administração; 
d) um livro de atas do conselho fiscal;
e) um livro de presença dos associados nas assembleias gerais; 
f) outros livros obrigatórios, fiscais e contábeis.
4.1 ADMISSÃO, ELIMINAÇÃO E 
EXCLUSÃO DE COOPERADOS
A admissão de sócios cooperados é livre a todos que desejarem utilizar os 
serviços prestados pela sociedade, desde que adiram aos propósitos sociais e 
preencham as condições estabelecidas no estatuto. Dessa forma, o princípio da 
liberdade de adesão, disposto expressamente pelo Art. 29 da Lei nº 5.764/1971, 
ratifica a faculdade de se limitar o ingresso sempre que se torne tecnicamente im-
possível a prestação de serviços a novos cooperados. 
O preenchimento de condições estabelecidas no estatuto apresenta a possi-
bilidade de ser restrita a admissão dos sócios a pessoas que exerçam determina-
da atividade ou profissão, ou estejam vinculadas a determinada entidade. 
Portanto, conforme Coelho (2020, p. 139), “se uma cooperativa de médicos 
estipula a condição de ser um médico para admissão regular, um indivíduo sem 
a formação técnica específica não poderá adentrar na sociedade cooperativa”. 
Da mesma forma, em uma cooperativa de consumo dos empregados de certa 
companhia, faz-se necessário que mantenham vínculo empregatício com a com-
panhia, para que possam associar-se.
Por outro lado, em algumas situações específicas, como nas cooperativas 
de eletrificação, irrigação e telecomunicações, as condições poderão ser geogra-
ficamente definidas, isto é, serão admissíveis as pessoas que se localizem na 
respectiva área de operações.
A admissão de um cooperado principia com um pedido de ingresso formula-
do pelo interessado, submetido à aprovação pelo órgão de administração, com-
plementando-se com a subscrição das quotas-partes de capital social e a sua 
assinatura no Livro de Matrícula. 
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A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
As cooperativas de crédito e as agrícolas mistas com seção de crédito são, 
de acordo com o Art. 30 da Lei nº 5.764/1971, uma exceção a tal regra, submeti-
das que estão à legislação específica que as rege, face a sua atuação no âmbito 
do Sistema Financeiro Nacional. 
Durante todo o período de permanência na sociedade, os cooperados serão 
tratados de forma isonômica, sem discriminações. A obrigação da cooperativa é 
assegurar a igualdade de direitos dos associados, sendo-lhe defeso, segundo o 
Art. 37 da Lei nº 5.764/1971: 
I. remunerar quem agencie novos cooperados; 
II. cobrar prêmios ou ágio pela entrada de novos cooperados 
ainda a título de compensação das reservas; 
III. estabelecer restrições de qualquer espécie ao livre exercí-
cio dos direitos sociais.
A demissão do associado será realizada mediante seu pedido, conforme dis-
posição do Art. 32 da Lei nº 5.764/1971, mas ele poderá ser eliminado, o que, 
segundo o Art. 33, caracteriza sanção disciplinar aplicada em virtude de infração 
legal ou estatutária, ou por fato especial previsto no estatuto, mediante termo fir-
mado por quem de direito no Livro de Matrícula, com os motivos que a deter-
minaram, devendo ser comunicada ao interessado no prazo de 30 (trinta) dias, 
sendo-lhe lícito recorrer à primeira assembleia geral; esse recurso tem efeito sus-
pensivo, conforme disposição expressa do Art. 34, parágrafo único. 
Da mesma forma, nos termos do Art. 57 do Código Civil de 2002, permite-se a 
eliminação ou a exclusão por motivos graves, segundo deliberação fundamentada, 
aprovada pela maioria absoluta dos presentes à assembleia geral especialmente con-
vocada para esse fim. Essa aplicação extensiva é decorrente das qualidades espe-
cíficas do direito disciplinar, que não está subordinado ao princípio da tipicidade; não 
está e não poderia estar, já que são incontáveis as situações que, mesmo não anota-
das no estatuto ou na lei, constituem infração grave à convivência coletiva. 
De qualquer modo, a decisão final da Assembleia Geral poderá ser objeto de 
impugnação judicial, aplicado o Art. 5º, inciso XXXV da Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988, à espécie.
O Art. 35 da Lei nº 5.764/1971, por sua vez, criou, de forma supletiva, a elimi-
nação, que promove a exclusão do cooperado. A exclusão é, como a eliminação 
do cooperado, uma hipótese de cancelamento de sua matrícula; mas não se trata 
de uma sanção disciplinar, como aquela. A exclusão do associado será feita: 
I. por dissolução da pessoa jurídica; 
II. por morte da pessoa física; 
III. por incapacidade civil não suprida; 
34
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
IV. por deixar de atender aos requisitos estatutários de ingres-
so ou permanência na cooperativa (BRASIL, 1971).
Ainda assim, a responsabilidade do cooperado perante terceiros, por com-
promissos da sociedade, perdura para os demitidos, eliminados ou excluídos até 
quando aprovadas as contas do exercício em que se deu o desligamento. Em se 
tratando de falecimento, as obrigações do de cujus, contraídas com a sociedade, 
e as oriundas de sua responsabilidade como sócio em face de terceiros, passam 
aos herdeiros, nos limites das forças da herança, conforme o Art. 1.792 do Código 
Civil de 2002, e prescreve após 1 (um) ano, contado do dia da abertura da suces-
são, nos termos do Art. 36, parágrafo único da Lei nº 5.764/1971.
Reitera-se, mais uma vez, os aspectos peculiares das cooperativas de eletri-
ficação rural e habitacionais.
Em decorrência da finalidade das sociedades cooperativas, que 
não podem visar ao lucro, bem como para evitar a concorrência pre-
datória, em prejuízo da coletividade dos cooperados, o Art. 29, § 4º 
da Lei nº 5.764/1971, estabelece que não poderão ser admitidos no 
quadro das cooperativas os agentes de comércio e empresários que 
operem no mesmo campo econômico da sociedade. 
Essa medida, inclusive, permite a compreensão de uma questão 
que restou decidida em sede dos tribunais superiores. A Terceira Tur-
ma do Superior Tribunal de Justiça, examinando o Recurso Especial 
nº 367.627/SP, afirmou que “o médico associado à cooperativa está 
obrigado a obedecer ao seu estatuto. Se esse contém cláusula que 
prevê a exclusividade de prestação de serviços, devem os médicos 
associados abster-se de prestar serviços em entidade congênere”. 
FONTE: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/288978/recur-
so-especial-resp-367627. Acesso em: 14 jun. 2022.
O mesmo entendimento foi defendido pela Segunda Seção, 
composta pela Terceira e Quarta Turmas, no julgamento do Recur-
so Especial nº 261.155/SP, o cooperado que realiza a sua adesão a 
uma cooperativa médica submete-se ao seu estatuto, podendo atuar 
livremente no atendimento de pacientes que o procurem, mas veda-
da a vinculação a outra congênere, conforme disposição estatutária. 
Nesse julgado, o Ministro Ruy Rosado de Aguiar destacou ter:
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A Regulamentação Jurídica Das CooperativasARegulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
[...] por irrecusável que a Unimed pode estabelecer li-
mitações aos seus cooperativados, relativamente à 
prestação de serviços médicos a outras entidades, es-
pecialmente para aquelas que, segundo entendimento 
da classe, atuem de forma mercantilista, uma vez que a 
Unimed foi instituída para combater esse modo de ex-
ploração do profissional da medicina. Os associados da 
Unimed sabem disso, estão inclusive obrigados a co-
municar sobre essa situação quando do seu ingresso e, 
posteriormente, devem manter a cooperativa informada 
sobre eventual vinculação com outras entidades. [...] A 
Lei nº 9.656, de 4.6.1998, cujo Art. 18, inc. III, veda às 
operadoras de planos ou seguros privados estabelece-
rem cláusulas de exclusividade, não se aplica à entida-
de ré, uma vez que a relação que se estabelece é de 
natureza cooperativa. Além disso, trata-se de diploma 
não apreciado no r. acórdão recorrido, e a divergên-
cia é posterior aos fatos que originaram a demanda. 
FONTE: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/7364574/re-
curso-especial-resp-261155-sp-2000-0053298-3-stj/relatorio-e-vo-
to-13030519. Acesso em: 14 jun. 2022.
Seguindo a mesma posição, o Ministro Carlos Alberto Menezes 
afirmou que:
[...] A natureza cooperativa da ré tem contorno parti-
cular. Não se trata de uma cooperativa nacional. Não 
explora planos de seguro-saúde. Seu âmbito de atu-
ação é local. Isso quer dizer que os médicos de uma 
determinada localidade podem reunir-se sob regime 
de cooperativa para prestação de serviços médicos. 
Aquele médico que ingressa na cooperativa faz uma 
opção pessoal de trabalho sob tal regime, o que cria 
impedimento de prestar serviços da mesma natureza a 
outra entidade concorrente, sob pena de gerar preju-
ízo para o conjunto dos cooperados. [...] Vale relevar 
que as cooperativas são sociedades de pessoas, tal 
como definido pela Lei nº 5.764/71. Existe, portanto, 
uma identidade entre a cooperativa e o médico coope-
rado, o que, por si só, legitima a exigência estatutária. 
[...] Não é crível, com todo respeito, entender-se que 
a exclusividade do cooperado fere qualquer dispositi-
vo legal. E assim é pelo simples fato de ser da própria 
natureza do regime jurídico das cooperativas. Cercear 
a cooperativa de exigir que os seus cooperados mante-
nham exclusividade de serviços seria atingir a essência 
das cooperativas, enquanto sociedades de pessoas.
FONTE: https://www.stj.jus.br/publicacaoinstitucional/index.php/
RevSTJ/article/viewFile/8687/8802. Acesso em: 14 jun. 2022.
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 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
Existem, ainda, outros precedentes no mesmo sentido. Cita-se, 
entre tantos, o julgamento do Recurso Especial nº 83.713/RS, pela 
Terceira Turma, sendo relator o Ministro Eduardo Ribeiro: 
O fato de as normas internas da recorrida vedarem a 
participação de seus associados em organizações con-
sideradas concorrentes, não se haverá de concluir que 
foi realizada a previsão contida no primeiro daqueles 
dispositivos. Não se vislumbra, com efeito, que pos-
sa daí resultar a dominação do mercado nacional ou 
mesmo a eliminação, ainda que parcial, da concorrên-
cia. As empresas que se dediquem ao mesmo ramo 
de atividade poderão valer-se de outros médicos, ou 
mesmo atrair os profissionais ligados à recorrida e 
que considerem interessante dela se desvincularem. 
[...] Na verdade, é livre o ingresso na sociedade coo-
perativa, é livre a aceitação das restrições que disso 
decorrem, e é livre a retirada do sócio cooperativado. 
Portanto, não existe nessa relação restrição ao direi-
to de exercer a profissão. De outro ponto de vista, a 
proibição ao profissional de prestar serviços a outra 
entidade que está no mercado e os explora comer-
cialmente, não significa violação à liberdade de con-
corrência, sendo comum a exigência de exclusividade.
FONTE: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/517075/recur-
so-especial-resp-83713-rs-1995-0068679-1. Acesso em: 14 jun. 2022.
Aponta Gladston Mamede (2021, p. 225) que, inclusive, há en-
tendimentos em sentido contrário, como o do Recurso Especial nº 
261.155/SP, julgado pela Segunda Seção do Superior Tribunal de 
Justiça. O Ministro Aldir Passarinho Junior afirmou que:
[...] o Art. 3º somente pode ser entendido, por óbvio, 
como uma conduta do cooperado no âmbito da pró-
pria instituição, e não como uma regra de vida a limi-
tar quaisquer ações suas com intenção de auferir lu-
cro. E, mesmo assim, o recebimento de honorários 
por serviços prestados, como referenciado de uma 
empresa de seguro-saúde, não é lucro, é contrapres-
tação financeira que visa à manutenção pessoal do 
próprio médico. O parágrafo 4º do Art. 29 tampouco 
restou malferido, pelas mesmas razões anteriores. O 
autor não é empresário ou agente econômico. É um 
profissional liberal que percebe honorários, volta-se 
a frisar. [...] Não identifico incompatibilidade de objeti-
vos ou comportamento prejudicial à cooperativa pelo 
simples fato de o profissional da medicina ser também 
referenciado ou credenciado de uma instituição de se-
guro-saúde. Ele não deixará, com isso, de atender as 
suas obrigações como cooperado. Prestará serviços 
atendendo pacientes vinculados ao plano de saúde 
37
A Regulamentação Jurídica Das CooperativasA Regulamentação Jurídica Das Cooperativas Capítulo 1 
Bradesco e receberá pelo trabalho que realizar. Nada 
além. [...] Tudo soa não como uma tentativa de preser-
vação do ‘espírito cooperativo’, mas como uma batalha 
comercial, em que as vítimas, lamentavelmente, são 
os doentes, que órfãos do sistema público de saúde, 
veem o atendimento as suas necessidades ser condu-
zido por interesses que escapam a sua compreensão. 
O Ministro destacou as Leis nº 9.656/1998 – que dispõe sobre 
planos e Seguros Privados de Assistência à Saúde – e nº 8.884/1994 
– Lei Antitruste, e ainda que:
E não se diga que, por se cuidar de uma cooperativa, a 
ré estaria infensa a tais normas, porquanto não pode a 
natureza da instituição prevalecer sobre toda e qualquer 
norma direcionada, especificamente, ao exercício de 
uma atividade vinculada à área da saúde, bem assim as 
que visam proteger, em essência, o cidadão e o consu-
midor, cujo bem-estar não pode ser olvidado no exercício 
da atividade econômica. Seria privilegiar a forma, mera-
mente, em detrimento de princípios maiores, guardados 
em normas de ordem pública. [...] Não identifiquei, como 
visto, restrição legal à filiação do médico cooperativado 
a outra instituição de saúde, como prestador de serviços 
profissionais, no que beneficia, sem dúvida, a popula-
ção, porquanto notadamente em uma cidade interiora-
na, com menor número de médicos, deve ser proporcio-
nado amplo acesso a estes pelos usuários dos planos.
Essa posição é discordante e foi chancelada pelo Ministro Antô-
nio de Pádua Ribeiro: 
[...] várias têm sido as ações ajuizadas contra a ré, 
inclusive com base em inquéritos, para inibir o com-
portamento utilizado pela recorrida, que, segundo se 
alegou, vem trazendo transtornos a empresas concor-
rentes, sobretudo em cidades do interior e, consequen-
temente, aos usuários de modo geral. Recebi diversas 
cópias de ações promovidas pelo Ministério Público 
do estado do Rio Grande do Sul contra a Unimed, o 
que me fez ver que, antes de, como in casu, cuidar-
-se da exclusão de uma médica por prestar seus ser-
viços também a outra instituição, envolve o presente 
julgamento interesse preponderante a ser protegido. 
O magistrado utilizou, como precedente, a Lei nº 8.884/1994 (de 
prevenção e repressão às infrações contra a ordem econômica), e 
concluiu ser:
[...] necessário haver uma concorrência sadia e leal en-
tre empresas de planos privados de saúde, para que 
mais e mais pessoas possam ter acesso a eles. Impedir 
38
 Aspectos Legais e Tributários nas Sociedades de Cooperativas de Crédito
ou criar dificuldades para

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