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FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO
UNIDADE 4 - PRESCRIÇÃO DO
EXERCÍCIO PARA GRUPOS
ESPECIAIS VOLTADO À SAÚDE
Carlos Henrique Prevital Fileni / Francisco Paulino de Abreu Neto
Fisiologia do Exercício https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodl...
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Introdução
Como profissional responsável pela prescrição de exercícios físicos, é preciso observar
diversos aspectos relacionados aos objetivos almejados pelos indivíduos que procuram
por esse profissional, aos princípios que irão nortear a prática da atividade física, às
variáveis do treinamento, à composição corporal dos indivíduos e aos fatores que
interferem na adaptação aos estímulos das atividades. Mas será que essas informações
são suficientes para uma correta prescrição de exercícios físicos? Quais outros
conhecimentos seriam essenciais para um profissional de educação física, por exemplo?
Como sabemos, cada indivíduo é diferente, sendo imprescindível conhecer suas
possíveis limitações em relação à saúde ou mesmo possibilidades no que diz respeito ao
estágio de maturação em que o sujeito se encontra. Você sabia, por exemplo, que para
cada etapa da vida, de acordo com a maturação do indivíduo, a recomendação sobre o
tipo, intensidade e tempo de prática de atividade física irá mudar? Assim, são indicadas
diferentes atividades para crianças e adolescentes, adultos e idosos, por exemplo.
Mas será que estar atento ao estágio de maturação é suficiente? Conforme veremos
nesta unidade, há também aspectos relacionados à saúde, condição e estilo de vida dos
indivíduos que devem ser considerados, como obesidade, sedentarismo, diabetes,
hipertensão e gestação. Os indivíduos que fazem parte desse quadro compõem um
“grupo especial” sobre o qual uma atenção extra deve ser lançada.
Quer saber mais sobre esses e outros aspectos relacionados ao profissional de educação
física? Acompanhe esta unidade e bons estudos!
4.1 O exercício e as crianças
Para a maioria das pessoas, as crianças respondem ao exercício de maneira muito
semelhante aos adultos. Geralmente, com um pouco de incentivo, as crianças saudáveis
têm tendência a serem fisicamente ativas. A constante preocupação sobre a saúde e
aptidão física das crianças, porém, originou muitos debates sobre diversos tópicos, tais
como: o quanto de exercício a criança pode realizar? Com que idade se pode começar
um treinamento físico? Quem é responsável por supervisionar o exercício de uma
criança? Que tipo de exercício é importante para cada idade? Independentemente das
respostas, o que se vem notando nos dias atuais, infelizmente, é o número cada vez
maior de crianças sedentárias, acima do peso e obesas, e muitas complicações de saúde
que acometiam as pessoas apenas após seus 40 anos ou mais estão aparecendo cada vez
mais rápido nos indivíduos, inclusive em crianças.
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Muitas pesquisas são publicadas todos os anos a respeito da aptidão física dos jovens e
as evidências demonstram, sempre, a importância e os benefícios da prática de
atividades físicas. Mas por que, então, cada vez mais aumenta o número de crianças
sedentárias? O estilo de vida atual, o avanço da tecnologia, o oferecimento de muitas
outras formas de entretenimento como videogames, tablets, aplicativos, internet, além
da falta de segurança pública e vários outros motivos podem explicar o que acontece na
atualidade. Além disso, a falta de atividade dos adultos, pais e responsáveis pelas
crianças pode ser também uma das grandes causas do sedentarismo: pais sedentários,
filhos sedentários.
Veremos, contudo, que apesar dessa tendência, adolescentes e jovens, tanto meninos
quanto meninas, beneficiam-se da atividade física, que não precisa ser exaustiva para
ser benéfica. Quantidades moderadas de atividade física diária são recomendadas para
pessoas de qualquer idade. Essa quantidade pode ser obtida em sessões mais
prolongadas de atividades moderadas, como caminhada rápida por 30 minutos ou
sessões rápidas de exercícios mais intensos, como HIIT ou esportes em geral. Maiores
quantidades de atividade física são até certo ponto mais benéficas. Já quantidades
excessivas de atividade física podem acarretar lesões, anormalidades menstruais e
enfraquecimento ósseo.
É preciso destacar, contudo, que não necessariamente crianças e adolescentes com
mesma idade terão as mesmas recomendações de atividades físicas. Isso porque é
possível notar que o estágio de maturação da criança não condiz, obrigatoriamente, com
seu estágio cronológico, sendo possível que duas crianças de mesma idade tenham
programas diferenciados de atividades. Assim, toda atenção do profissional de educação
VOCÊ QUER VER?
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou, em 2017, um manual
com orientações para a promoção da atividade física na infância e na
adolescência. Nele, são elencados os benefícios relacionados à prática de
atividade física nessas fases da vida, bem como recomendações gerais
para crianças e adolescentes de zero a dezenove anos. Para saber mais
sobre o manual e conhecer algumas de suas recomendações, confira a
entrevista com a pediatra Stefania Simon sobre o tema, produzida pela
UPFTV e disponível em: <https://www.youtube.com
/watch?v=5mUkqTUxvhw (https://www.youtube.com
/watch?v=5mUkqTUxvhw)>. 
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https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
física será necessária em relação a esse aspecto.
4.1.1 Benefícios da atividade física para crianças
É possível dizer que crianças que estabelecem padrões de vida saudáveis, com bons
hábitos já em uma idade jovem, verão benefícios decorrentes desses padrões ao longo
de todas suas vidas. Conheça, clicando a seguir, alguns dos principais benefícios
possibilitados pelas atividades físicas em crianças são:
Crescimento e desenvolvimento
saudável.
Melhora da autoestima.
Ossos, músculos e articulações mais
fortes.
Melhora da postura e equilíbrio.
Coração mais forte.
Faixa de peso saudável.
Melhor interação social com os amigos.
Aprendizado de novas habilidades
enquanto se diverte.
Melhor foco e concentração durante as
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aulas.
Porém, é importante destacar que, nessa fase, as atividades têm que fluir como
brincadeiras. Os pais e responsáveis, além disso, devem fornecer apoio e orientação
sobre como começar a atividade física, perguntando às crianças se elas querem ser
parte de uma equipe ou fazer uma atividade individual e se desejam se inscrever em
uma aula ou realizar a sua atividade com um amigo ou membro da família.
É importante que as crianças se sintam motivadas a desfrutar de suas atividades. Para
isso, registrar as atividades pode ajudá-las a perceber seu progresso, enquanto elogios e
recompensas para cada pequeno passo alcançado podem ajudar a mantê-las
interessadas pela prática de atividades físicas.
Com a prática frequente de atividades, as capacidades físicas podem ser trabalhadas e
incentivadas de uma maneira lúdica. Ao clicar a seguir, você verá alguns exemplos de
como desenvolver as capacidades físicas principais, como a resistência, a flexibilidadee
a força em crianças. 
VOCÊ SABIA?
Qual a melhor atividade física para a criança? A atividade esportiva
ideal para indivíduos nessa fase da vida é aquela que é realizada com
prazer, sem imposição dos pais; que se caracteriza
predominantemente por exercícios aeróbicos de intensidade
moderada e preferencialmente com um componente lúdico; que é
desenvolvida espontaneamente ou orientada por profissionais
competentes; e que tem como objetivo principal a socialização e o
desenvolvimento da saúde física e mental. 
o futebol, basquete, vôlei, queimada;
o ciclismo, patinação, skate;
o natação, dança, tênis, artes marciais;
•
Atividades para desenvolver a resistência 
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o caminhada, corrida, pular corda, jogos em grupos etc.
o jogo ativo em um playground;
o cavar no jardim ou na praia, varrer folhas;
o ginástica, dança, parede de escalada;
o ioga, saltos, alongamento durante brincadeiras etc.
o levantar e carregar coisas como mantimentos, lixo e resíduos de jardim;
o subir escadas;
o ginástica;
o atividades em playgrounds, como barras de macaco, subir escadas, postes
de escala etc.;
o calistênicos usando seu próprio peso corporal como exercício de
musculação de resistência ou supervisionado utilizando tubos, bandas e pesos
de mão.
•
•
4.2 O exercício físico e o envelhecimento
Para entender a importância do exercício físico no envelhecimento, é preciso
compreendermos, primeiramente, o que é o envelhecimento. Assim, é importante
destacar que envelhecer não se resume, simplesmente, ao passar dos anos, mas às
manifestações de eventos biológicos que ocorrem ao longo de um período. Desse modo,
é possível dizer que não há uma definição perfeita do que seja o envelhecimento: a
duração máxima da vida depende muito de pessoa para pessoa, da genética, do estilo de
vida e de fatores relacionados ao ambiente. O quanto e como a pessoa vai conseguir
viver, portanto, depende de muitos fatores, mas sua qualidade de vida pode ser muito
melhor diante de determinados tipos de comportamento e estilo de vida.
Navegue no recurso a seguir para entender esse processo:
A relação entre atividade física, saúde, qualidade de vida e envelhecimento
vem sendo cada vez mais discutida e analisada cientificamente. Atualmente, é
praticamente um consenso entre os profissionais da área da saúde que a
atividade física é um fator determinante no sucesso do processo do
Atividades para o desenvolvimento da flexibilidade 
Atividades que possibilitam o aumento de força
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De acordo com Matsudo, Matsudo e Barros Neto (2001, p. 5-6):
Quanto ao tipo de atividade aeróbica a ser realizada, é recomendada a
prescrição de atividades de baixo impacto, como a caminhada, o ciclismo ou
pedalar na bicicleta, a natação, a hidroginástica, o remo, subir escadas,
dançar, ioga, tai chi chuan e dança aeróbica de baixo impacto. Estas
envelhecimento. 
Diante disso, é importante entender e estabelecer os principais fatores que
determinam o nível de atividade física ideal durante o envelhecimento e os
benefícios do estilo de vida ativo para a prevenção de doenças crônicas não
transmissíveis, para evitar a mortalidade precoce e visando à manutenção da
capacidade funcional durante esse processo.
O direcionamento da prática de exercícios físicos em pessoas idosas depende,
muitas vezes, do médico, que atua como um vetor importante para o
envolvimento regular desses indivíduos com a atividade física. 
A orientação médica sobre o nível de prática de atividade física de adultos e
idosos é importante não só para a prevenção primária das doenças crônicas,
mas também para a prevenção secundária em pacientes com doenças
cardiovasculares e outras enfermidades. Assim, essa orientação é
fundamental para que o profissional da saúde tenha segurança para trabalhar
com esse público.
Um dos aspectos que devem ser considerados na relação atividade física,
doença e saúde em termos populacionais é a escolha do tipo de atividade
física a ser prescrito na terceira idade. Para isso, temos visto o surgimento de
algumas recomendações específicas de programas de atividade física para
atender à população de adultos maiores de 60 anos de idade. 
De acordo com estudos recentes, a realização de testes em indivíduos idosos,
para aqueles com mais de 50 anos, seria indicada somente caso os exercícios
realizados fossem vigorosos. Para a prática de exercícios moderados, somente
deveriam ser submetidos a testes de esforço aqueles com doenças crônicas,
com presença de fatores de alto risco e, ainda, aqueles sintomáticos
(MATSUDO; MATSUDO; BARROS NETO, 2001).
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atividades são preferíveis àquelas chamadas de alto impacto, como o jogging,
a corrida, esportes que envolvam saltos, como o vôlei e o basquete, pular
corda e a dança aeróbica de alto impacto, que acarretam grande incidência de
lesões nessa época da vida.
Ainda de acordo com esses pesquisadores, a caminhada é a atividade física ideal para os
indivíduos idosos, uma vez que traz muitos efeitos benéficos para a saúde. Trata-se,
assim, de uma atividade que sustenta o peso corporal e de baixo impacto, e pode ser
praticada em diferentes intensidades, em qualquer local, envolvendo grandes grupos
musculares e contribuindo, ainda, para aumentar o contato social entre os indivíduos
que a praticam. 
Diante disso, é importante notar que o exercício físico está associado, também, à
melhora significativa do humor em pessoas idosas, sendo que os efeitos têm sido
encontrados com a prática de qualquer tipo de exercício, mas em especial com o
treinamento de força muscular, realizado em intensidade leve a moderada. Da mesma
forma, a melhora do condicionamento aeróbico parece estar associada em indivíduos
que envelhecem com melhor função neurocognitiva (MATSUDO; MATSUDO; BARROS
NETO, 2001).
O exercício físico para a terceira idade deverá ser, de certa forma, lento a moderado,
com transições lentas de atividades para outras devido à hipotensão postural, evitando,
assim, desmaios ou quedas. Uma variedade de aparelhos pode ser utilizada para atingir
os objetivos e os diversos tipos de programas a serem realizados. Eles devem respeitar o
princípio básico da segurança, mas mantendo, porém, a motivação do idoso. Nesse
sentido, bastões, halteres, bandas elásticas podem ser interessantes, e o material
dependerá da disponibilidade e ou do objetivo da prática (MATSUDO; MATSUDO;
BARROS NETO, 2001). 
É preciso observar, porém, que há precauções especiais a serem tomadas em relação às
pessoas que ingerem remédios, incluindo drogas que atuam no sistema cardiovascular,
como betabloqueadores que podem causar a hipotensão. Com a atividade física
frequente, a pressão arterial poderá ser reduzida e, muitas vezes, a medicação deverá
ser alterada.
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A força muscular, como sabemos, é uma qualidade física básica para a realização das
atividades físicas diárias, sendo necessária até mesmo em tarefas simples, como a
caminhada. Por isso, a perda dessa força na velhice interfere drasticamente na
qualidade de vida dessa população, o que acaba por deixá-la mais dependente
fisicamente de outros indivíduos. Assim, o Colégio Americano de Esporte e Medicina
demonstra os benefícios que o treinamento de força proporciona ao idoso. Podemos
perceber melhoras significativas na massa muscular, na força muscular, na hipertrofia,na densidade mineral óssea e na taxa metabólica basal. Estudos sobre treinamento de
força para pessoas idosas demonstram, ainda, ganhos significativos de força muscular já
a partir de oito semanas de treinamento de alta intensidade (MCARDLE; KATCH;
KATCH, 2011).
VOCÊ O CONHECE?
Antônio Moreno, aos 81 anos, escolheu uma forma um tanto quanto
peculiar de praticar exercícios, que não contêm nada de moderados. Ele
faz, diariamente, uma série de piruetas e flexões em barras de ferro
espalhadas pela cidade de São Paulo, de acordo com uma modalidade de
exercícios conhecida como calistenia. Diante da novidade, Moreno é
chamado para inúmeros eventos, sendo uma das atrações da modalidade
no Arnold Sports Festival, realizado em São Paulo.
4.3 Grupos especiais
Além de estar atento às especificidades dos indivíduos em relação à etapa de vida e,
mais ainda, ao estágio de maturação no qual eles se encontram, o profissional de
educação física precisa, ainda, considerar as particularidades de cada sujeito em
relação ao seu histórico de saúde, atentando para possíveis doenças e condições
especiais que eles possuam.
Dada a importância desse tema, a seguir, você conhecerá as particularidades e
indicações referentes a quatro grupos especiais, a saber: pessoas com hipertensão, com
diabetes, com obesidade e pessoas sedentárias.
4.3.1 Hipertensos
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A hipertensão arterial é o principal fator de risco de morbilidade e mortalidade
cardiovasculares, sendo que só na década passada já possuía uma prevalência global de
32,1% em mulheres, e 37,8% em homens, tendendo a crescer cada vez mais em virtude
de nossos estilos de vida (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA; SOCIEDADE
BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO; SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA, 2010). 
Tendo em vista a alta incidência dessa patologia, aumenta-se, também, a importância da
atividade física em seu tratamento e em sua prevenção, sendo necessário esclarecer, por
isso, os mitos relacionados com o treinamento para indivíduos acometidos por tal
patologia. 
Antes de tratar dos mitos, porém, é preciso melhor compreender o processo patológico
da hipertensão arterial, tornando-se de fundamental importância rever alguns conceitos
de pressão arterial. Desse modo, sabemos que nosso sistema circulatório transporta
oxigênio e nutrientes para as células do organismo e, para realizar esse procedimento,
conta com uma bomba muito importante: o coração, que impulsiona o sangue para os
vasos. 
A pressão arterial é a pressão que o sangue exerce contra as paredes das artérias,
sendo dividida em pressão sistólica e pressão diastólica. Quando o coração se contrai e
impulsiona o sangue para dentro das artérias, a pressão aumenta, sendo verificada,
nesse caso, a pressão máxima ou sistólica, uma vez que surge logo após a sístole, ou
seja, a contração cardíaca. Após a sístole, o sangue vai movimentando-se por meio do
sistema arterial, escoando-se para os capilares e veias e, à medida que o sangue escoa,
a pressão arterial vai diminuindo, até uma nova sístole. Temos, então, a chamada
pressão mínima ou diastólica, pois surge no fim da diástole, que é a fase de relaxamento
do coração. 
As paredes das artérias são elásticas em vez de rígidas, permitindo que se distendam na
sístole e se retraiam na diástole. Tal fato é fundamental no controle da resistência
periférica ao fluxo sanguíneo. Assim, a pressão arterial acaba sendo dependente da
força propulsora cardíaca, da capacidade de dilatação elástica arterial e da resistência
ao fluxo de sangue. 
A pressão arterial não costuma ser medida diretamente, mas estimada com a utilização
de um instrumento denominado esfigmomanômetro, que é composto por um manguito
inflável de braço conectado a uma coluna de mercúrio. O manguito pode ser inflado por
uma bomba de bulbo e sua pressão arterial, então, determinada por milímetros de
mercúrio (mmHg). Assim, podemos ter uma pressão sistólica de 140 mmHg, e uma
pressão diastólica de 90 mmHg, por exemplo.
Quando a pressão arterial se mantém acima dos patamares definidos como limites,
temos a hipertensão arterial. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a
Sociedade Brasileira de Hipertensão e a Sociedade Brasileira de Nefrologia (2010)
classificam, na “VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão”, a pressão arterial para
indivíduos adultos (> 18 anos) da seguinte forma: 
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Alguns fatores de risco, como idade, etnia, gênero e carga genética não são mutáveis,
entretanto, o controle dessas variáveis é essencial tanto na prevenção como no
tratamento da hipertensão arterial. 
• Adaptações cardiovasculares frente ao exercício resistido 
Quando realizamos um exercício físico, nosso corpo responde a ele com uma série de
efeitos a fim de suportar a exigência desse exercício. Esses efeitos podem ser
classificados como agudos imediatos, agudos tardios e crônicos. Os efeitos agudos
imediatos ocorrem no período pré e pós-imediato do exercício físico, sendo possível
destacar como exemplos a elevação da frequência cardíaca, da ventilação pulmonar e a
sudorese. 
Os efeitos agudos tardios acontecem entre 24 e 48 horas (às vezes, até 72 horas) após
uma sessão de exercícios. Nesse período, ocorre discreta redução dos níveis tensionais,
expansão do volume plasmático, melhora da função endotelial e potencialização da ação
e do aumento à sensibilidade insulínica na musculatura esquelética. 
Os efeitos crônicos, por sua vez, também denominados de adaptações, resultam da
exposição frequente e regular às sessões de exercícios e representam aspectos
morfofuncionais que diferenciam um indivíduo fisicamente treinado de outro sedentário,
tendo como exemplos típicos a bradicardia relativa de repouso, a hipertrofia muscular, a
hipertrofia ventricular esquerda fisiológica e o aumento do consumo máximo de oxigênio
(VO2 máximo).
Quadro 1 - Classificação da pressão arterial para indivíduos maiores de 18 anos,
podendo ir de ótima até constatação de hipertensão de estágio 3 ou, ainda,
hipertensão sistólica isolada.
Fonte: SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE
HIPERTENSÃO; SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA, 2010, p. 8.
•
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• Prescrição do exercício para hipertensos
Indivíduos hipertensos, para se beneficiarem dos efeitos fisiológicos do exercício físico,
devem praticá-lo regularmente, entretanto, os programas de treinamento necessitam
ser monitorados por profissionais, e antes de serem submetidos a eles, é fundamental
que os indivíduos hipertensos sejam clinicamente avaliados, uma vez que existem
situações de contraindicação. A classificação para os hipertensos quanto à possibilidade
de realização de atividade física pode ser observada no quadro a seguir. 
A carga a ser utilizada ainda é uma questão muito discutida, existindo uma tendência
em se sugerir carga não elevada. Sugere-se, portanto, uma prudência na prescrição do
treinamento, utilizando-se cargas submáximas entre 40 e 60% de 1RM, número de
séries de, no mínimo, três para cada exercício, com intervalo entre séries de, no mínimo,
um minuto, sendo realizadas, em cada série, de oito a quinze repetições. É importante,
ainda, evitar séries longas e que levem até a exaustão. 
É fundamental, sempre, o bom senso do profissional de educação física, sendo
necessário que se observe o comportamento do indivíduo durante a realização do
exercício, interrompendo sua realização sempre que a velocidadedo movimento
diminuir (antes da fadiga concêntrica). Assim, oriente o praticante adequadamente no
que tange à respiração e observe se ele realiza os exercícios sem apneia e com a
respiração cadenciada, para evitar um aumento exponencial da pressão arterial. 
4.3.2 Diabéticos
O diabetes melito é uma doença crônica que requer cuidados médicos contínuos,
informações para autogerenciamento e suporte para prevenir complicações agudas e
reduzir os riscos de complicações crônicas. Caracteriza-se por níveis elevados de açúcar
no sangue (hiperglicemia) resultantes de uma disfunção do metabolismo de
carboidratos. Se não tratado, o diabetes pode resultar em complicações graves, que
incluem doença cardíaca e acidente vascular encefálico, hipertensão, cegueira, doença
renal, doenças do sistema nervoso e doenças dentárias.
•
Quadro 2 - Classificação de indicação do exercício em relação às pressões sistólica e
diastólica verificadas em hipertensos.
Fonte: MUNIZ, 1992.
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• Classificação do diabetes melito
Há dois tipos de diabetes melito, que você conhece clicando a seguir: 
• Efeito do exercício físico no controle glicêmico 
O músculo esquelético é o tecido mais abundante do corpo humano. São mais de 600
músculos esqueléticos em todo o corpo correspondendo, aproximadamente, a 40-45% da
massa corporal total, sendo, portanto, o maior consumidor de glicose no corpo. 
O transporte da glicose para o músculo ocorre por meio da ativação de uma proteína
transportadora de glicose, denominada GLUT-4, sendo a principal isoforma no músculo
esquelético, modulado pela insulina e contração muscular. A insulina ativa a
translocação do GLUT-4 para a membrana por meio de uma complexa cascata de
reações. 
•
Diabete
s tipo I
Resulta da destruição das células β, geralmente levando à absoluta
deficiência da insulina.
Diabete
s tipo II
Resulta de um defeito progressivo da secreção insulínica ou
resistência da ação desse hormônio. 
•
VOCÊ QUER LER?
Cunha (2018), em sua pesquisa “Parâmetros de avaliação e
acompanhamento no paciente diabético e exercício físico: uma revisão
sistemática”, observa que o diabetes gestacional pode ser controlado na
presença do exercício físico, uma vez que diminui a glicemia e a
necessidade do uso da insulina. O treino físico é, portanto, positivo no
combate a doenças crônicas se praticado rotineiramente e com
supervisão do professor de educação física. Confira o trabalho de Cunha
em: <http://saberaberto.uneb.br:8080/jspui/bitstream/20.500.11896
/873/1/TccSavioCunha.pdf (http://saberaberto.uneb.br:8080/jspui
/bitstream/20.500.11896/873/1/TccSavioCunha.pdf)>. 
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http://saberaberto.uneb.br:8080/jspui/bitstream/20.500.11896/873/1/TccSavioCunha.pdf
http://saberaberto.uneb.br:8080/jspui/bitstream/20.500.11896/873/1/TccSavioCunha.pdf
http://saberaberto.uneb.br:8080/jspui/bitstream/20.500.11896/873/1/TccSavioCunha.pdf
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http://saberaberto.uneb.br:8080/jspui/bitstream/20.500.11896/873/1/TccSavioCunha.pdf
http://saberaberto.uneb.br:8080/jspui/bitstream/20.500.11896/873/1/TccSavioCunha.pdf
http://saberaberto.uneb.br:8080/jspui/bitstream/20.500.11896/873/1/TccSavioCunha.pdf
http://saberaberto.uneb.br:8080/jspui/bitstream/20.500.11896/873/1/TccSavioCunha.pdf
Durante a prática de exercício físico, o processo de contração muscular faz com que a
GLUT-4 se desloque até a membrana por um processo independente da ação da insulina.
A prática de exercício aumenta a abundância de GLUT-4 e promove um aumento na
captação de glicose do sangue, podendo auxiliar na redução de medicamentos para
controlar as taxas de glicose para indivíduos com diabetes do tipo II.
• Recomendação geral para prescrição de exercícios resistidos
Para o início do trabalho com diabéticos, é importante que alguns parâmetros sejam
respeitados: 
• o número total de séries por grupo muscular em uma sessão de
treinamento pode variar entre 3-4;
• o número total de séries em uma sessão de treinamento pode
variar entre 10-40; 
• a execução de mais de 20 séries por grupo muscular e por um
longo período pode levar ao overtraining;
• executar mais de 40 séries por sessão de treinamento, mesmo
quando vários grupos musculares são treinados na sessão, pode
levar ao overtraining, se realizadas com muita frequência;
• exercícios multiarticulares e uniarticulares devem estar inclusos
em cada sessão de treinamento. Por exemplo: supino, leg press
45 (multiarticulares), crucifixo e mesa extensora (uniarticulares).
4.3.3 Obesos 
Podemos definir a obesidade como o acúmulo excessivo de gordura no tecido adiposo. A
quantidade de gordura corporal existente em um indivíduo – determinada pelo gasto
calórico e pela ingestão calórica – está ligada ao seu equilíbrio energético, modificando-
se com o passar dos anos. Quando existe um balanço energético desregulado e uma
maior ingestão calórica do que seu gasto ao longo de semanas, meses ou anos, podemos
notar um aumento considerável na gordura corporal, o que se torna prejudicial à saúde
(GOIS; BAGNARA, 2011). 
• Classificação da obesidade 
A obesidade pode ser classificada em quatro tipos, de acordo com Gois e Bagnara
(2011). Clique nas abas abaixo e conheça cada tipo:
•
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•
•
•
•
•
Tipo I
Excesso de massa adiposa corporal total, sem concentração particular.
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Contudo, é importante destacar que a gordura corporal não é somente uma inimiga do
corpo humano. Quando em nível satisfatório, ela possui importante função fisiológica
para a saúde, sendo responsável pela proteção dos órgãos vitais, isolamento corporal
em determinadas situações térmicas e funciona, ainda, como uma importante fonte de
energia (GOIS; BAGNARA, 2011).
• Recomendações com relação aos exercícios físicos 
Para os indivíduos em quadro de obesidade, são recomendados exercícios físicos
regulares. Contudo, para a eficiência de um programa de exercícios, ele deverá conter
as seguintes características: 
• uma frequência de treinamento entre três a cinco vezes na
semana;
• uma intensidade de treinamento entre 60 a 90% da frequência
cardíaca máxima ou de 50 a 80% do VO2máx ou da FCmáx de
reserva;
• realização de atividade que utilize grandes grupos musculares e
que seja mantida constantemente, rítmica e aeróbia por
natureza;
• é aconselhável, ainda, fazer um treinamento de força para
manter a massa muscular, sendo ele de oito a dez exercícios
envolvendo os principais grupos musculares, trabalhando séries
de oito a doze repetições no mínimo duas vezes na semana. 
4.3.4 Sedentários 
•
•
•
•
•
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Temos assistido, dia a dia, ao aumento da prevalência de certas doenças crônicas. Esse
aumento está estritamente relacionado com as alterações em nossos estilos de vida,
aumento do tabagismo, do alcoolismo, os maus hábitos alimentares e o sedentarismo. 
O sedentarismo, em especial, característico das sociedades contemporâneas, é um fator
de risco importante para uma grande parte das doenças crônicas não transmissíveis, em
especial para as doenças cardiovasculares. Ele pode ser definido como a faltaou
ausência de atividade física e/ou esportiva, sendo considerado sedentário aquele
indivíduo que gaste menos de 500 kcal semanais no trabalho, lazer, locomoção e nas
atividades domésticas.
• Prevenção ao sedentarismo 
O primeiro passo para a prevenção ao sedentarismo é a modificação de hábitos
considerados danosos à nossa saúde, em especial os hábitos da vida moderna,
praticando, por exemplo, atividades físicas com vistas a aumentar o gasto calórico
semanal. Práticas simples como subir andares por meio de escadas, dispensando o uso
de elevadores; deixar de lado o uso de controles remotos; estacionar o automóvel em um
local mais distante para caminhar até o local que se deseja chegar, são exemplos de
algumas alternativas que podem mudar os hábitos sedentários. Além disso, caminhar,
correr, nadar, andar de bicicleta, fazer exercícios com peso, jogar bola, fazer ginástica
são práticas que podem auxiliar na mudança do quadro de sedentarismo. 
Em relação a esse quadro, ainda, é recomendado realizar exercícios físicos de
intensidade moderada de três a cinco vezes por semana, com duração de pelo menos
quarenta minutos a uma hora. Desse modo, praticar atividades físicas diariamente é
essencial para a promoção da qualidade de vida, melhoria da saúde e, ainda, do bem-
estar, quando praticadas de forma prazerosa.
• Recomendações com relação aos exercícios físicos
Visando à prevenção do sedentarismo, é possível recomendar algumas práticas de
exercícios físicos em relação à faixa etária em que se esteja, cuidando, contudo, para
não desprezar outros fatores e condições importantes como os já mencionados
anteriormente.
Acompanhe essas práticas em relação à faixa etária clicando a seguir:
•
•
Crianças de 5 a 17 anos
É importante acumular pelo menos 60 minutos de
moderada a vigorosa atividade física diária. Valores de
atividade física maiores que 60 minutos podem
fornecer benefícios adicionais de saúde, e a maior
parte das atividades físicas diárias devem ser
aeróbicas. As intensidades vigorosas de atividades
devem ser incorporadas, incluindo aquelas que
estimulem a musculatura e ossos por pelo menos três
vezes por semana. Para essa faixa etária, ainda, a
carga de atividades pode ser realizada como parte de
jogos, brincadeiras, corridas, saltos etc.
A prática por semana deve ser de 150 minutos de
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Adultos com idades entre
18 e 64 anos
Adultos maiores de 64
anos
intensidade moderada de atividade física aeróbica ou
pelo menos 75 minutos de intensidade vigorosa de
atividade física aeróbica por semana. Pode ocorrer
também uma combinação equivalente de atividade
moderada e de intensidade vigorosa. Para benefícios
adicionais de saúde, os adultos devem aumentar a sua
atividade de intensidade moderada aeróbica para 300
minutos por semana ou 150 minutos de intensidade
vigorosa por semana, sendo possível, ainda, realizar
uma combinação equivalente de atividade moderada e
de intensidade vigorosa. Atividades de fortalecimento
muscular devem ser realizadas envolvendo grandes
grupos musculares em dois ou mais dias por semana.
Os idosos devem realizar pelo menos 150 minutos de
intensidade moderada de atividade física aeróbica
durante a semana ou fazer pelo menos 75 minutos de
intensidade vigorosa de atividade física aeróbica
durante a semana, sendo possível, ainda, uma
combinação equivalente de atividade moderada e de
intensidade vigorosa. Para benefícios adicionais de
saúde, os idosos devem aumentar a sua atividade
aeróbica de intensidade moderada para 300 minutos
por semana ou se envolver em 150 minutos de
atividade física aeróbica de intensidade vigorosa por
semana. É possível, ainda, realizar uma combinação
equivalente de atividade moderada e de intensidade
vigorosa. Atividades de fortalecimento muscular,
envolvendo grandes grupos musculares, devem ser
praticadas em dois ou mais dias por semana.
4.4 Diferença de gênero
É possível notar que a prática de atividade física tem aumentado a cada dia, e tal
fenômeno tem relação direta com as modificações ocorridas nos processos civilizatórios.
Tais modificações fizeram com que homens e mulheres se encontrassem no mesmo
direito de praticar atividades físicas esportivas e de lazer. Mas será que há diferenças
nas respostas ao exercício e ao desempenho físico entre homens e mulheres?
Atualmente, está bem definido que a capacidade de desempenho físico e os efeitos da
atividade física sobre o organismo dependem do sexo do praticante, e as diferenças
relativas encontradas no desempenho físico são explicadas, principalmente, pelas
diferenças nas características fisiológicas e morfofuncionais de homens e mulheres
(SALVADOR et al., 2005).
Assim, é possível constatar diferenças marcantes entre os sexos quanto à fisiologia do
exercício. Enquanto que homens possuem maior massa muscular em termos absolutos e
relativos, as mulheres apresentam maior percentual de gordura corporal, resultando,
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por exemplo, em menor eficiência termorreguladora nos exercícios em ambientes
quentes.
Quanto ao tipo de fibra muscular, de acordo com Salvador et al. (2005), é possível
observar certa semelhança quando se fala em composição das fibras entre homens e
mulheres. O que difere, no entanto, é o volume das fibras, seja do tipo I (vermelhas) –
utilizadas predominantemente em atividades de baixa ou moderada intensidade –, seja
do tipo II (brancas) – responsáveis por realizar contrações mais rápidas e utilizadas em
atividades de curta duração e alta intensidade, nas quais a contração muscular é
grande. A diferença na proporção entre essas fibras se mostra maior nos homens, o que
resulta em uma maior potência e resistência muscular no sexo feminino.
Por outro lado, em média, as mulheres possuem cerca de metade da força dos homens
na parte superior do corpo e um quarto da força na parte inferior. De modo geral, as
mulheres possuem menos massa muscular e mais gordura do que os homens.
Outro aspecto relacionado ao esforço físico em que são notadas diferenças entre os
sexos diz respeito à instalação do quadro de fadiga. Estudos têm demonstrado que a
fadiga da musculatura periférica em função do exercício é maior nas mulheres do que
nos homens, fazendo com que em um mesmo espaço de tempo, as mulheres se
recuperem menos do que os homens, o que resulta em menor rendimento delas em
tarefas físicas. Os mecanismos fisiológicos que explicam essa diferença estão associados
à menor massa muscular/morfologia da mulher, à menor eficiência na utilização dos
Figura 1 - Força muscular relativa (carga total levantada em testes de 1RM/massa
corporal) de homens (n = 50) e mulheres (n = 33) nos exercícios supino em banco
horizontal, agachamento e rosca direta de bíceps.
Fonte: SALVADOR et al., 2005, p. 259.
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substratos energéticos do corpo e ao padrão de ativação neuromuscular para a
realização dos movimentos. 
Em relação à função pulmonar, também há diferenças marcantes entre os gêneros.
Homens têm maior diâmetro das vias aéreas, maiores volumes pulmonares e maiores
superfícies de difusão quando comparados às mulheres na fase adulta, o que confere
maior eficiência na realização do exercício.
Figura 2 - Resposta da pressão transdiafragmática durante a recuperação entre
homens e mulheres.
Fonte: GUENETTE et al., 2010, p. 39.
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As diferenças sexuais na capacidade de difusão pulmonar podem ser explicadas pelo
menor número total de alvéolos (menor área de superfície) e menor diâmetro relativo
das vias aéreas nas mulheres. Além disso, a mulher adulta, consistentemente, apresenta
volumes pulmonares menores e taxas máximas de fluxo expiratório inferiores, mesmo
quando corrigidos pela diferença de massa corporal total. Os sistemas de transporte e
de absorção de oxigênio (pulmão, coração, vasos sanguíneos etc.), assim como os órgãos
e organelas envolvidos na transformação de energia (mitocôndrias), são, geralmente,
menores em tamanho e em quantidade no sexo feminino. 
A diferença entre os sexos de valores absolutos no consumo máximo de oxigênio,
valência que indica a potência aeróbia (ligada ao desempenho em testes de corrida), é
de aproximadamente 30%. Essa diferença cai para cerca de 20% quando as massas
corporais são levadas em consideração. Quando a massa livre de gordura é levada em
consideração, a diferença no consumo máximo de oxigênio cai para cerca de 2 a 5%, ou
seja, de modo geral, a diferença de desempenho aeróbio entre os gêneros é de 10 a
20%, dependendo do tipo de atividade realizada.
VOCÊ SABIA?
O abismo entre os melhores atletas masculinos e as melhores atletas
femininas vem sendo reduzido de maneira acentuada desde o início
da década de 1970. Na maratona de Boston, por exemplo, a
diferença entre os tempos vencedores para homens e mulheres
diminuiu de 54 minutos em 1972 para aproximadamente 14 minutos
em 2019. 
4.5 Atividade física e gravidez
Gerar uma vida talvez seja o momento mais especial de um ciclo cronológico. São
aproximadamente 36 semanas durante os quais a gestante sofre alterações e
adaptações anatômicas e fisiológicas. Por isso, no passado, as mulheres grávidas eram
incentivadas a reduzir a prática de atividades corporais, especialmente durante os
estágios finais da gravidez. O exercício era considerado como responsável por aumentar
o risco de parto precoce pelo fato de estimular a atividade uterina.
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É fato que durante a gravidez, mudanças sistêmicas e físicas vão transformando o corpo
da mulher. As mudanças sistêmicas são identificadas nos desconfortos respiratórios,
salivação, alterações gastrointestinais com gases, mudança na coloração da pele, azia,
obstipação e regurgitação. Dentre as mudanças físicas, observam-se alterações locais,
como o aumento do útero e das mamas.
O constante crescimento da região do útero acarreta no aumento da musculatura
abdominal e deslocamento do centro de gravidade. Há também a liberação de
hormônios, como estrógeno e relaxina, que contribuem para um crescente
afrouxamento dos ligamentos. Tais modificações podem causar lordose exagerada,
gerando um processo doloroso em decorrência da sobrecarga nos músculos lombares e
posteriores da coxa. Também é possível observar o encurtamento dos músculos
lombares e peitoral, ocasionado pelo aumento do peso da mama.
Além de alterações musculoesqueléticas, é possível observar mudanças ao nível
cardiovascular e respiratório. Ocorre uma hipertrofia cardíaca leve, além de uma
pequena elevação e rotação anterior à esquerda, no coração, devido ao deslocamento
que o útero sofre pelo seu aumento. Além disso, os batimentos sobem cerca de 10 a 15
bpm, entre a 14ª e 20ª semana de gestação, e as exigências do oxigênio materno
CASO
A prática de crossfit tem se tornado cada vez mais popular. Aliando
exercícios de alta intensidade, levantamentos de peso e exercícios
aeróbicos e de calistenia, essa modalidade tem como adeptas até
mesmo algumas gestantes. É o caso, por exemplo, de Gabriela
Rodrigues, que mesmo grávida de oito meses continuou a praticar o
crossfit. Mas será que todas as mulheres grávidas podem realizar esse
tipo de exercício e na mesma intensidade que anteriormente? O caso de
Gabriela mostra, na verdade, que tudo deve ser muito bem avaliado,
acompanhado e adaptado para a gestante e para o bebê. A advogada
explica que um corpo multidisciplinar de profissionais foi determinante
para sua decisão, contando não só com o aval de seu obstetra, mas
também com o acompanhamento de nutricionista e de treinadores. Com
isso, foi possível adaptar os exercícios para manter a segurança da
gestante e de seu bebê. Confira o caso em: <http://g1.globo.com
/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-
peso-aos-8-meses-de-gestacao.html (http://g1.globo.com/ac/acre
/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-
meses-de-gestacao.html)>. 
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http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
aumentam em decorrência da aceleração do metabolismo e da hipertrofia dos tecidos
mamários e uterinos.
Com tudo isso, ao contrário do que se imaginava no passado, quantidades moderadas de
exercício durante a gravidez são, na verdade, recomendadas para a saúde e
condicionamento da mulher e da criança. Desse modo, as atividades durante a gravidez
só devem ser suspensas em caso de contraindicações clínicas e obstétricas, que podem
ser observadas no quadro a seguir.
Recomendam-se atividades como exercícios aeróbios, capazes de manter a capacidade
cardiorrespiratória e o condicionamento físico ao longo do processo, além de auxiliarem
na prevenção e no controle da diabetes gestacional, da hipertensão gestacional e do
ganho de peso materno; treinamento de resistência e alongamento  muscular, capaz de
favorecer a manutenção do condicionamento muscular ou o aumento da força muscular
global, permitindo melhor adaptação do organismo materno às alterações posturais
decorrentes da evolução gestacional e contribuindo, ainda, para a prevenção de traumas
e quedas, bem como para a prevenção e o tratamento de desconfortos
musculoesqueléticos; e treinamento do músculo do assoalhopélvico, diminuindo o risco
de incontinência urinária pós-parto.
Quadro 3 - Em algumas situações, a prática de exercício físico durante a gravidez é
contraindicada, o que deve ser sempre observado junto a profissionais da área.
Fonte: ACOG COMMITTEE OBSTETRIC PRACTICE, 2002; ROYAL COLLEGE OF
OBSTETRICIANS AND GYNAECOLOGISTS, 2006 apud NASCIMENTO et al., 2014.
Síntese
Ao longo desta unidade, você conheceu outros aspectos importantes a serem
considerados pelo profissional de educação física durante sua atuação. Assim, foi
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possível verificar que além de estar atento a como nosso organismo responde ao
exercício físico, às adaptações por ele sofridas em virtude dos estímulos a ele
conferidos, bem como aos princípios e variáveis do treinamento, é fundamental, ainda,
que o profissional da área considere outras especificidades dos indivíduos relacionadas
à sua saúde, à fase da vida em que ele se encontra, ao seu estilo de vida e ao seu
gênero. 
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• conhecer a importância da prática de exercícios físicos por
parte de crianças, reconhecendo as principais capacidades
físicas que podem ser desenvolvidas com a prática regular
desses exercícios, como a resistência, a flexibilidade e a força;
• descobrir os cuidados que devem ser prestados aos indivíduos
idosos durante o treinamento, verificando, ainda, a melhora na
qualidade de vida com os trabalhos sobre a força muscular dos
sujeitos pertencentes a esse grupo;
• compreender que há grupos especiais que demandam,
também, atenções diferenciadas do profissional de educação
física, como os grupos compostos por diabéticos, obesos,
sedentários e hipertensos;
• reconhecer as diferenças relacionadas à prática de exercícios
físicos entre homens e mulheres;
• inteirar-se sobre os cuidados especiais que as gestantes devem
ter ao longo do treinamento, descobrindo, contudo, que quando
acompanhadas por profissionais especializados, elas podem se
beneficiar com a prática de exercícios físicos;
• compreender que a prática de exercícios físicos é benéfica
mesmo a indivíduos em condições que demandam maiores
cuidados, sendo necessário, porém, um acompanhamento
constante de uma equipe multidisciplinar.
•
•
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https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/SAU_FISIEX_19/unidade_4/ebook/index.html#
https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/SAU_FISIEX_19/unidade_4/ebook/index.html#
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Fisiologia do Exercício https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodl...
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http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/10/no-ac-gravida-faz-crossfit-e-levanta-peso-aos-8-meses-de-gestacao.html
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de Hipertensão. Arq. Bras. Cardiol., v. 95, n. 1, p. 1-51, 2010.
SURITA, F. G. Recomendações para a prática de exercício físico na gravidez: uma
revisão crítica da literatura. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 36,
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UPFTV. Guia atividade física crianças e adolescentes. Canal UPFTV, YouTube, 3 ago.
2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
(https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw)>.Acesso em: 24 ago. 2019.
Fisiologia do Exercício https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodl...
26 of 26 23/09/2023, 15:25
https://www.youtube.com/watch?v=5mUkqTUxvhw
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