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<p>Indaial – 2023</p><p>na Saúde da</p><p>Mulher</p><p>Prof. Marcelo Augusto da Silva Carneiro</p><p>1a Edição</p><p>exercício FíSico</p><p>Elaboração:</p><p>Prof. Marcelo Augusto da Silva Carneiro</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2023</p><p>Revisão, Diagramação e Produção:</p><p>Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI</p><p>Impresso por:</p><p>C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.</p><p>Núcleo de Educação a Distância. CARNEIRO, Marcelo Augusto da Silva.</p><p>Exercício Físico na Saúde da Mulher. Marcelo Augusto da Silva Carneiro.</p><p>Indaial - SC: Arqué, 2023.</p><p>192p.</p><p>ISBN 978-65-5646-601-9</p><p>ISBN Digital 978-65-5646-598-2</p><p>“Graduação - EaD”.</p><p>1. Exercício 2. Saúde 3. Mulher</p><p>CDD 613.7</p><p>Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679</p><p>Caro acadêmico, seja bem-vindo ao Livro Didático Exercício Físico na Saúde</p><p>da Mulher. Esperamos que sua experiência, ao apreciar o presente material, seja ex-</p><p>tremamente valiosa.</p><p>Na Unidade 1, abordaremos a temática atividade física e saúde. De modo geral,</p><p>iremos iniciar o estudo do exercício físico na saúde da mulher. Adiante, discutiremos os</p><p>aspectos epidemiológicos que estão relacionados à mulher; também, como o fenôme-</p><p>no do envelhecimento biológico e cronológico afetam o organismo feminino; e, por fim,</p><p>verificar o efeito do exercício físico para promovermos saúde na população feminina,</p><p>impacto do exercício físico para prevenirmos doenças crônicas não transmissíveis que</p><p>estão interligadas ao envelhecimento da mulher; e estudar o papel do exercício físico</p><p>no combate dos agravos ocasionados pelas doenças crônicas não transmissíveis asso-</p><p>ciadas ao envelhecimento do organismo feminino. Após essa abordagem, mostraremos</p><p>evidências que indicam a importância da atividade física para a saúde das mulheres nos</p><p>seguintes subtemas: atividade física ao longo da vida para crianças e adolescentes; e</p><p>atividade física ao longo da vida para adultos e idosos.</p><p>Em seguida, na Unidade 2, estudaremos o tema aspectos fisiológicos, morfo-</p><p>lógicos, metabólicos e funcionais. Primeiramente, explanaremos o conteúdo acerca da</p><p>anatomia e fisiologia do sistema uroginecológico. Mais à frente, discutiremos sobre a</p><p>menarca, o climatério e a menopausa: alterações fisiológicas, morfológicas, metabólicas</p><p>e funcionais. Adiante, falaremos das adaptações fisiológicas no organismo da mulher</p><p>atleta, especificamente sobre: a) mulher olímpica brasileira: a tríade; e b) distúrbios ali-</p><p>mentares, amenorreia e osteoporose. Além disso, também iremos abordar um conteúdo</p><p>sobre prescrição do treinamento para mulher atleta.</p><p>Por fim, na Unidade 3, discutiremos sobre assoalho pélvico, período gestacional</p><p>e exercício físico. Primeiramente, abordaremos como prevenir as morbidades que estão</p><p>relacionadas ao enfraquecimento da musculatura do assoalho pélvico da mulher. Conse-</p><p>quentemente, os subtemas a serem discutidos serão: a) anatomia do assoalho pélvico e</p><p>prevenção das morbidades relacionadas ao enfraquecimento destes músculos; b) disfun-</p><p>ções do assoalho pélvico, incontinência urinária e hiperatividade da bexiga; e c) funciona-</p><p>lidade e fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico feminino. Além disso, falare-</p><p>mos brevemente das fases da gestação e complicações durante o período gestacional; e</p><p>ainda abordaremos: a) infecções do trato urinário; e b) hipertensão e diabetes gestacional.</p><p>Adicionalmente, falaremos sobre: a) treinamento dos músculos do assoalho</p><p>pélvico durante a gestação como prevenção da incontinência urinária de esforço no</p><p>período gestacional: alongamento, exercício resistido e terapias alternativas; e b) tipos</p><p>de exercícios e suas funções no período gestacional: alongamento, exercício aeróbio,</p><p>exercício resistido, terapias alternativas e hidroginástica.</p><p>Desfrute desta leitura!</p><p>Prof. Marcelo A. S. Carneiro</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e</p><p>dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes</p><p>completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você</p><p>acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar</p><p>essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só</p><p>aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.</p><p>GIO</p><p>QR CODE</p><p>Olá, eu sou a Gio!</p><p>No livro didático, você encontrará blocos com informações</p><p>adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento</p><p>acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender</p><p>melhor o que são essas informações adicionais e por que você</p><p>poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações</p><p>durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais</p><p>e outras fontes de conhecimento que complementam o</p><p>assunto estudado em questão.</p><p>Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos</p><p>os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina.</p><p>A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um</p><p>novo visual – com um formato mais prático, que cabe na</p><p>bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada</p><p>também digital, em que você pode acompanhar os recursos</p><p>adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo</p><p>deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura</p><p>interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no</p><p>texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que</p><p>também contribui para diminuir a extração de árvores para</p><p>produção de folhas de papel, por exemplo.</p><p>Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente,</p><p>apresentamos também este livro no formato digital. Portanto,</p><p>acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com</p><p>versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.</p><p>Preparamos também um novo layout. Diante disso, você</p><p>verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses</p><p>ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos</p><p>nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos,</p><p>para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os</p><p>seus estudos com um material atualizado e de qualidade.</p><p>ENADE</p><p>LEMBRETE</p><p>Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma</p><p>disciplina e com ela um novo conhecimento.</p><p>Com o objetivo de enriquecer seu conheci-</p><p>mento, construímos, além do livro que está em</p><p>suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem,</p><p>por meio dela você terá contato com o vídeo</p><p>da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-</p><p>res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de</p><p>auxiliar seu crescimento.</p><p>Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que</p><p>preparamos para seu estudo.</p><p>Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!</p><p>Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um</p><p>dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de</p><p>educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar</p><p>do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem</p><p>avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo</p><p>para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira,</p><p>acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE 1 - ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE ............................................................................ 1</p><p>TÓPICO 1 - ENVELHECIMENTO BIOLÓGICO E CRONOLÓGICO DA MULHER ......................3</p><p>1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3</p><p>2 ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS RELACIONADOS A MULHER ..........................................3</p><p>3 COMPREENDENDO O ENVELHECIMENTO BIOLÓGICO E CRONOLÓGICO DA MULHER ........13</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ......................................................................................................... 21</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 22</p><p>TÓPICO 2 - EXERCÍCIO FÍSICO PARA PROMOÇÃO DA SAÚDE, PREVENÇÃO E</p><p>TRATAMENTO DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS ...............................................</p><p>30</p><p>As diretrizes mais recentes do treinamento resistido para otimizar um</p><p>envelhecimento saudável (com nada ou um menor número de doenças crônicas não</p><p>transmissíveis) recomendam uma frequência de duas a três vezes por semana, com um</p><p>volume de uma a três séries de oito a 12 repetições, utilizando de oito a dez exercícios</p><p>para o corpo inteiro (IZQUIERDO et al., 2021). Dentre as diferentes estratégias não</p><p>farmacológicas recomendadas para prevenir, atenuar ou controlar muitos dos efeitos</p><p>deletérios induzidos pelo processo de envelhecimento, o treinamento resistido tem</p><p>merecido destaque pelos inúmeros benefícios que pode proporcionar para à saúde e</p><p>qualidade de vida de mulheres idosas, tais como aumento da força muscular, manutenção</p><p>ou aumento da massa muscular (órgão endócrino que é considerado importante para</p><p>o controle dos biomarcadores metabólicos), melhoria no desempenho físico obtido por</p><p>meio dos testes funcionais (CARNEIRO et al., 2020a; 2021a), manutenção ou melhoria do</p><p>índice de qualidade muscular (ROSSATO et al., 2017), dentre outros. Essas modificações</p><p>podem contribuir para a melhoria do quadro clínico (atenuando e/ou revertendo a</p><p>sarcopenia), reduzindo o risco de lesões, quedas, fraturas e desenvolvimento de doenças</p><p>crônicas não transmissíveis.</p><p>Além disso, o treinamento resistido pode promover importantes benefícios</p><p>mesmo com volume, intensidade e frequência reduzida (CARNEIRO et al., 2020a,</p><p>2021a; CAVALCANTE et al., 2018; CUNHA et al., 2020); permite que a prescrição seja</p><p>individualizada e que a sobrecarga seja progressiva e gradual; proporciona segurança</p><p>musculoesquelética e cardiovascular; auxilia o controle de peso; não exige grandes</p><p>deslocamentos; além de ser considerado uma atividade suave e confortável quando</p><p>comparado a outros tipos de exercício físico (FRAGALA et al., 2019; IZQUIERDO et al.,</p><p>2021), portanto o treinamento resistido pode ser prescrito tanto para idosos fisicamente</p><p>independentes quanto para idosos fragilizados (com limitações ortopédicas, doenças</p><p>preexistentes, fragilidades, acamados, dentre outras) (CARNEIRO et al., 2021b; FRAGALA</p><p>et al., 2019; IZQUIERDO et al., 2021)</p><p>A intensidade de carga é uma variável do treinamento resistido que pode</p><p>ser manipulada durante a prescrição de programas de treinamento físico (FLECK;</p><p>KRAEMER, 2017). Embora os efeitos da manipulação da intensidade de carga no</p><p>treinamento resistido sobre a hipertrofia muscular e aumento da força muscular tenham</p><p>sido bem descritas e estudadas na literatura científica, pouco se sabe dos efeitos de</p><p>diferentes intensidades de carga nas respostas metabólicas, inflamatórias e lipídicas</p><p>em mulheres na pós-menopausa. Recentemente, nós testamos se o treinamento</p><p>resistido de baixa carga (três séries de 30 a 35 repetições realizadas até ou próximo</p><p>à falha concêntrica) é superior ao treinamento resistido de alta carga (três séries de</p><p>8 a 12 repetições realizadas até ou próximo à falha concêntrica) para melhorar os</p><p>biomarcadores inflamatórios circulantes em mulheres na pós-menopausa (CARNEIRO</p><p>et al., 2020a). Os protocolos foram constituídos de oito exercícios para o corpo todo,</p><p>com a frequência de treinamento de três vezes na semana, durante 12 semanas. Esse</p><p>estudo demonstrou que houve melhora semelhante entre os protocolos de treinamento</p><p>(alta carga vs baixa carga) para a redução do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α),</p><p>31</p><p>uma citocina de característica pró-inflamatória. Também, os autores não encontraram</p><p>diferenças significativas entre os diferentes protocolos de treinamento resistido para</p><p>os outros biomarcadores inflamatórios (IL-6 e IL1-ra). Assim, os autores concluíram que</p><p>o treinamento resistido realizado com baixa carga até ou próximo à falha concêntrica</p><p>voluntária parece não afetar as respostas em biomarcadores inflamatórios, portanto,</p><p>até o momento, não há evidências claras que suportam a relevância da manipulação da</p><p>intensidade de carga do treinamento resistido sobre o perfil inflamatório em mulheres</p><p>na pós-menopausa.</p><p>Alguns estudos, nos últimos anos, vêm sugerindo que a realização do</p><p>treinamento resistido com intensidade de carga mais baixa parece promover hipertrofia</p><p>muscular superior comparado ao treinamento resistido com intensidade de carga</p><p>mais alta (quando realizado próximo ou até a falha concêntrica voluntária). Isso parece</p><p>ocorrer devido ao maior volume de treinamento que é gerado pelo treinamento resistido</p><p>com intensidades mais baixas. De acordo com essa abordagem, um estudo aleatorizado</p><p>conduzido por Carneiro et al. (2020a) testou se o treinamento resistido com intensidade</p><p>de carga mais baixa é superior ao treinamento resistido com intensidade de carga</p><p>mais alta no aumento de massa muscular. Além disso, os autores investigaram se o</p><p>treinamento resistido com intensidade de carga mais baixa gera aumento similar na</p><p>força muscular e capacidade funcional de mulheres na pós-menopausa comparado</p><p>ao treinamento resistido com intensidade de carga mais alta. Para responder essas</p><p>questões de pesquisa, os autores dividiram as 29 mulheres participantes em dois</p><p>grupos: Grupo 1 – treinamento resistido utilizando uma intensidade de carga mais</p><p>baixa (cargas necessárias para realizar entre 30-35 repetições na primeira série de</p><p>cada exercício, e nas demais séries a carga era mantida, no entanto, o desempenho</p><p>neuromuscular reduzia, isto é, as repetições máximas diminuíam); vs o Grupo 2 – com</p><p>intensidade de carga mais alta (cargas necessárias para realizar entre 8-12 repetições</p><p>na primeira série de cada exercício, e nas demais séries a carga era mantida, embora</p><p>o desempenho neuromuscular reduzisse). As mulheres treinaram por 12 semanas,</p><p>uma rotina de exercícios para o corpo inteiro, três vezes por semana (em dias não</p><p>consecutivos). Embora ambos os protocolos de treinamento resistido promoveram</p><p>hipertrofia muscular, o protocolo com mais baixa intensidade de carga e maior volume</p><p>provocou uma hipertrofia muscular otimizada (maiores aumentos de massa muscular)</p><p>, porém, para a força muscular e capacidade funcional, ambos os treinamentos foram</p><p>similarmente eficientes, portanto parece que o treinamento resistido de intensidade</p><p>mais baixa otimiza as respostas adaptativas no que tange a hipertrofia muscular, e se</p><p>demonstra capaz de melhorar a força muscular e capacidade funcional de mulheres</p><p>na pós-menopausa similarmente ao treinamento resistido com intensidade de carga</p><p>mais alta. Além disso, a prescrição do treinamento resistido para pessoas mais velhas</p><p>não precisa se restringir a intensidade de carga mais alta e, portanto, mulheres na pós-</p><p>menopausa que não toleram intensidades de cargas elevadas podem experenciar dos</p><p>benefícios do treinamento resistido utilizando intensidades de cargas mais baixas,</p><p>aumentando o engajamento desta população nesta modalidade de exercício físico.</p><p>32</p><p>A frequência no treinamento resistido pode ser caracterizada pelo número de</p><p>sessões de treinamento executadas semanalmente por um determinado grupamento</p><p>muscular (FLECK; KRAEMER, 2017). De acordo com isso, Orsatti et al (2014) investigaram</p><p>se a frequência do treinamento era uma variável de treino que determinava o aumento</p><p>da massa muscular e força muscular de mulheres na pós-menopausa com sobrepeso.</p><p>Para isso, três grupos de treinamento foram utilizados: Grupo 1 – um dia de treinamento</p><p>por semana; Grupo 2 – dois dias de treinamento por semana; e Grupo 3 – três dias de</p><p>treinamento por semana. Todos os grupos treinaram durante 16 semanas (Grupo 2 e 3</p><p>treinaram em dias não consecutivos), com um protocolo composto por dez exercícios</p><p>para o corpo inteiro, com uma intensidade de carga entre 60-80% de 1-RM. Embora</p><p>a quantidade de trabalho (isto é, volume) se demonstrou diferente entre os grupos, a</p><p>frequência de treinamento não foi um fator determinante no que tange a otimização das</p><p>respostas adaptativas do treinamento resistido, especificamente no aumento da massa</p><p>muscular e força muscular. Assim, a prática do treinamento resistido uma, duas ou três</p><p>vezes por semana é capaz de promover aumento na massa muscular e força muscular</p><p>após 16 semanas de intervenção em mulheres na pós-menopausa com sobrepeso.</p><p>Adicionalmente, a respeito da aplicação prática, esse estudo nos sugere que é possível</p><p>treinar somente uma vez por semana e obter respostas adaptativas positivas nesta</p><p>população. Vale destacar que a falta de tempo é uma das principais barreiras relatadas</p><p>pelos indivíduos não realizarem atividade física (GODIN et al., 1994).</p><p>Comumente, a quantidade de trabalho realizado em uma semana de sessões</p><p>de treinamento resistido é o que caracteriza o volume do protocolo de treino (FLECK;</p><p>KRAEMER, 2017). A recomendação atual em relação ao volume no treinamento resistido</p><p>coloca que séries múltiplas (isto é, a partir de duas séries por exercício) são capazes de</p><p>gerar respostas adaptativas superiores quando comparado a série única (FRAGALA et</p><p>al., 2019; IZQUIERDO et al., 2021), no entanto pessoas mais velhas (incluindo mulheres na</p><p>pós-menopausa) apresentam uma resposta atenuada ao treinamento resistido, devido</p><p>a um fenômeno denominado de resistência anabólica (BURD; GORISSEN; VAN LOON,</p><p>2013; CHURCHWARD-VENNE; BREEN; PHILLIPS, 2014; KUMAR et al., 2009). Assim,</p><p>autores da área do treinamento resistido se debruçaram a estudar o papel do mais alto</p><p>volume em um protocolo de treinamento resistido (isto é, seis séries por exercício) em</p><p>comparação ao que é recomendado pelos órgãos de exercício físico e saúde (isto é,</p><p>três séries por exercício), em uma rotina de exercícios para o corpo inteiro, três vezes</p><p>na semana (em dias não consecutivos), durante 16 semanas de intervenção. Nunes</p><p>e colaboradores, em dois estudos clínicos (2016, 2019a), concluíram que ambos os</p><p>protocolos de treinamento resistido promovem aumentos similares da força muscular</p><p>de mulheres na pós-menopausa. Por outro lado, para as mudanças relacionadas</p><p>à velocidade da marcha (um biomarcador da capacidade funcional de pessoas mais</p><p>velhas que tem relação direta com mortalidade prematura), o treinamento resistido</p><p>de mais alto volume (isto é, seis séries por exercício) se mostrou mais importante e</p><p>necessário, uma vez que este protocolo reduziu mais a gordura corporal e otimizou os</p><p>resultados para este biomarcador (NUNES et al., 2017). Adicionalmente, em 12 semanas</p><p>de intervenção com treinamento resistido, outros dois estudos executados em nosso</p><p>33</p><p>laboratório e conduzidos por Oliveira Júnior et al. (2021; 2022) compararam seis séries</p><p>por exercício na sessão de treino vs três séries por exercício na sessão de treino de força</p><p>muscular. Ambos os estudos de Oliveira Júnior e colaboradores (2021; 2022) corroboram</p><p>os achados de Nunes e colaboradores (2017), mostrando que parece existir um efeito</p><p>“teto” do volume (em três séries com 8-12 repetições) para o aumento da força muscular</p><p>em mulheres na pós-menopausa. Assim, três séries com intensidade de carga entre</p><p>8-12 repetições por exercício na sessão de treinamento resistido é um volume ótimo</p><p>para aumentar a força muscular de mulheres na pós-menopausa, porém parece que</p><p>o maior volume no treinamento resistido é determinante para promover melhorias na</p><p>velocidade da marcha desta população.</p><p>Partindo da premissa que indivíduos mais jovens experenciam resultados</p><p>superiores em termos de hipertrofia muscular quando comparados aos indivíduos</p><p>mais velhos – incluindo mulheres na pós-menopausa –, para uma mesma quantidade</p><p>de volume de exercício (BURD; GORISSEN; VAN LOON, 2013; CHURCHWARD-VENNE;</p><p>BREEN; PHILLIPS, 2014; KUMAR et al., 2009), Oliveira Júnior et al. (2022) testaram a</p><p>seguinte hipótese: se o incremento no número de séries por sessão de treinamento</p><p>(isto é, seis séries por exercício) otimizaria as respostas hipertróficas após 12 semanas</p><p>de treinamento resistido. Para elucidar tal objetivo, os autores dividiram 58 participantes</p><p>em três grupos: Grupo 1 (mais alto volume, seis séries por exercício) vs Grupo 2 (mais</p><p>baixo volume, três séries por exercício) vs Grupo 3 (controle, sem treinamento). Os</p><p>grupos experimentais treinaram somente os membros inferiores (quatro exercícios) três</p><p>vezes por semana (em dias não consecutivos). Ambos os estudos mostraram que o</p><p>treinamento resistido de mais alto volume (Grupo 1) promove otimização da hipertrofia</p><p>muscular em comparação ao treinamento mais recomentado pelos órgãos de exercício</p><p>e saúde, portanto o treinamento resistido de mais alto volume é uma estratégia efetiva</p><p>para otimizar a resposta hipertrófica em mulheres mais velhas. Do ponto de vista prático,</p><p>se o foco da prescrição do treinamento resistido é o aumento da força muscular, três</p><p>séries por exercício é suficiente, porém, se o objetivo é aumentar a massa muscular</p><p>e a velocidade da marcha, uma progressão para seis séries por exercício é capaz de</p><p>promover maiores benefícios.</p><p>A configuração de uma série tradicional no treinamento resistido não compre-</p><p>ende descansos entre as repetições (isto é, períodos curtos de recuperação dentro da</p><p>série) (FLECK; KRAEMER, 2017). Nesse sentido, a série de repetições comumente utili-</p><p>zada em programas de treinamento resistido resulta em um declínio na força e velo-</p><p>cidade de movimento e na proficiência da técnica da primeira até última repetição (ou</p><p>seja, afeta a duração da série) (GOROSTIAGA et al., 2010, 2012; HARDEE et al., 2012),</p><p>provavelmente devido a um aumento na demanda metabólica e fadiga neuromuscular</p><p>(CARNEIRO et al., 2018; GOROSTIAGA et al., 2010, 2012). Além disso, a literatura aponta</p><p>que programas de treinamento resistido que promovem fadiga dentro da série podem</p><p>afetar negativamente os ganhos de potência muscular (uma relação entre força e ve-</p><p>locidade) (ANDERSEN; AAGAARD, 2000; ANDERSEN et al., 2010; PAREJA-BLANCO et</p><p>al., 2017). Em contrapartida, a introdução de períodos curtos de recuperação dentro da</p><p>34</p><p>série (definido como sistema de treinamento cluster) é capaz de reduzir a fadiga durante</p><p>as séries (TUFANO; BROWN; HAFF, 2017). Consequentemente, o sistema de treinamento</p><p>resistido com a configuração cluster tem se mostrado superior no aumento da força e</p><p>potência musculares e capacidade funcional quando comparado ao treinamento resis-</p><p>tido com configuração de série tradicional (sem pausa entre repetições dentro da série)</p><p>(RAMIREZ-CAMPILLO et al., 2018).</p><p>Especificamente em pessoas mais velhas (isto é, mulheres na pós-menopausa</p><p>e idosas), o sistema de treinamento cluster pode promover benefícios relacionados</p><p>ao ganho de massa, força e potência musculares (CARNEIRO et al., 2020b, 2020c), de</p><p>acordo com os resultados observados pelos autores. Carneiro e colaboradores (2020a)</p><p>compararam o efeito de dois tipos de treinamento resistido com sistema cluster nos</p><p>ganhos de massa, força e potência musculares em mulheres mais velhas. Os autores</p><p>compararam um programa de treinamento resistido com alta intensidade de carga e</p><p>baixa velocidade de movimento como um programa baixa intensidade de carga e alta</p><p>velocidade de movimento (treinamento de potência). Em ambos os protocolos foi</p><p>aplicado 30 segundos de pausa entre cada repetição. Após oito semanas de intervenção,</p><p>não houve diferença entre os protocolos de treinamento resistido nos ganhos de massa,</p><p>força e potência musculares, porém o treinamento de potência se demonstrou mais</p><p>benéfico para aumentar a velocidade de movimento (um importante marcador para a</p><p>capacidade funcional). Adicionalmente, Carneiro et al (2020a) realizaram outro estudo</p><p>em mulheres na pós-menopausa com o treinamento resistido (alta intensidade de</p><p>carga e baixa velocidade de movimento) utilizando o sistema cluster (30 segundos</p><p>de período de recuperação entre cada repetição) comparado ao treinamento resistido</p><p>com a configuração de série tradicional. Após oito semanas de intervenção, os autores</p><p>identificaram que ambos os programas de treinamento são efetivos para melhorar a</p><p>massa, força e potência musculares de mulheres na pós-menopausa, no entanto</p><p>quando o treinamento é realizado com alta intensidade de carga e baixa velocidade</p><p>de movimento com a configuração de série tradicional as modificações induzidas por</p><p>este programa são mais voltadas para a força muscular, ao passo que o treinamento</p><p>realizado com baixa intensidade de carga e alta velocidade de movimento com o sistema</p><p>cluster promove modificações mais favoráveis à velocidade de movimento. Do ponto de</p><p>vista prático, a configuração de série cluster pode ser uma importante estratégia para</p><p>aumentar a massa, força e potência musculares e, consequentemente, a capacidade</p><p>funcional de mulheres na pós-menopausa que não toleram uma alta demanda</p><p>metabólica e fadiga neuromuscular provocada pelo exercício de força executado com</p><p>série tradicional (sem pausa entre as repetições dentro da série).</p><p>O método de treinamento HIIT (sigla em inglês de High Intensity Interval</p><p>Training, ou Treinamento Intervalado de Alta Intensidade, em português) é caracterizado</p><p>pela realização de uma atividade intermitente, que envolve estímulos de alta</p><p>intensidade seguidos por estímulos de baixa intensidade. Comumente, os exercícios</p><p>de alta intensidade devem atingir um determinado nível de esforço, ao passo que os</p><p>exercícios de baixa intensidade são utilizados para recuperar o indivíduo para o próximo</p><p>35</p><p>estímulo de alta intensidade (LAURSEN; BUCHHEIT, 2019; MACINNIS; GIBALA, 2017). Há</p><p>diferentes configurações deste HIIT, por exemplo, com intervalos longos (que requer</p><p>aproximadamente quatro minutos para recuperação, por exemplo), ao passo que há</p><p>um modelo de HIIT que se utiliza de intervalos curtos (como por exemplo: um minuto</p><p>de recuperação). A prática do método de treinamento HIIT, em longo prazo, é capaz de</p><p>promover adaptações aeróbicas (LAURSEN; BUCHHEIT, 2019; MACINNIS; GIBALA, 2017).</p><p>A atividade contrátil do coração é otimizada, a função oxidativa do músculo esquelético</p><p>é melhorada, ao passo que o trabalho de respiração se evolui. Além disso, o metabolismo</p><p>anaeróbio contribui com uma grande parcela para gerar as adaptações aeróbias, tais</p><p>como: os estoques de glicogênio no músculo esquelético aumentados têm um papel</p><p>direto no desempenho dentro da sessão de treinamento HIIT (mudança na percepção</p><p>de esforço e desempenho durante o protocolo) (LAURSEN; BUCHHEIT, 2019; MACINNIS;</p><p>GIBALA, 2017). Adicionalmente, a demanda energética exigida pelo HIIT desencadeia</p><p>uma cascata de reações moleculares importantes, transformando a adenosina trifosfato</p><p>em adenosina monofosfato, que, por sua vez, estimula uma quinase que é importante</p><p>para ativar um fator importante (chamado PGC-1 alfa), que vai sinalizar vias importantes</p><p>para o crescimento de fibras musculares do Tipo I (contribuindo para a função oxidativa</p><p>do músculo esquelético). Finalmente, cronicamente, o HIIT contribui para formação</p><p>de novas mitocôndrias no organismo do praticante, gerando uma maior capacidade</p><p>para oxidação de gorduras, além de estimular positivamente o metabolismo da glicose,</p><p>aumentando os estoques de glicogênio e GLUT4 no músculo esquelético (LAURSEN;</p><p>BUCHHEIT, 2019; MACINNIS; GIBALA, 2017).</p><p>Nesse sentido, a correta manipulação das variáveis do treinamento, tais como:</p><p>intensidade, número de séries, duração da série e duração do intervalo de recuperação</p><p>(que repercutem no volume de treino) permite com que os resultados sejam otimizados</p><p>pelo praticante. Por exemplo, a intensidade deve ser mais alta durante o estímulo de</p><p>trabalho, ao passo que durante o estímulo de recuperação, a intensidade deve ser mais</p><p>baixa. Podemos imaginar, por exemplo, um minuto para o trabalho de alta intensidade e</p><p>um minuto para o intervalo de recuperação em baixa intensidade. Especificamente sobre</p><p>a prática deste método de treinamento, comumente ele é realizado em espaços que</p><p>necessitam de aparelhagem (por exemplo, cicloergômetros). Ou seja, esteira, bicicleta</p><p>ergométrica, elíptico, ao passo que tal aparelhagem dificulta o acesso ao exercício, pois</p><p>muitas pessoas não têm tempo para ir até uma academia praticar esse tipo de exercício</p><p>físico. Além disso, requer dinheiro, e o custo também é uma barreira relatada para</p><p>os indivíduos não praticarem exercício. Nesse sentido, a utilização de exercícios que</p><p>envolvem a resistência do corpo ou exercícios que necessitam de pouquíssimo recurso</p><p>são importantes para realização deste método de treinamento. Assim, a realização de</p><p>caminhadas em aclive, corridas em ambientes planos, pedal ao ar livre, subir e descer</p><p>de um step (que mimetiza um degrau de escada) são alguns dos movimentos corporais</p><p>que podem ser incluídos em uma sessão de treinamento de HIIT.</p><p>36</p><p>Em relação aos idosos e a prática de HIIT, um editorial publicado recentemente,</p><p>mostrou os efeitos do método de treinamento HIIT na composição corporal e</p><p>desempenho físico-funcional de idosos (BUCKINX; AUBERTIN-LEHEUDRE, 2019). Em</p><p>relação às mudanças no músculo esquelético, esse tipo de treinamento é capaz de</p><p>promover estresse celular, resposta a nível molecular, melhorar o conteúdo e densidade</p><p>mitocondrial, que por sua vez culminam em aumento de massa e força musculares.</p><p>Além disso, os efeitos positivos deste protocolo no coração contribuem para melhoria</p><p>no desempenho físico-funcional (tal qual a realização de atividades básicas da vida</p><p>diária, como por exemplo: caminhar longas distâncias e/ou se levantar e se sentar de</p><p>uma cadeira). Três estudos mostram os efeitos positivos na composição corporal e</p><p>desempenho físico-funcional em idosos de um protocolo alternativo de HIIT utilizando</p><p>poucos recursos (MARTINS et al., 2018; NUNES et al., 2019b; 2019c). O treino era</p><p>composto por um minuto de exercícios de agachamento com elevação dos braços e</p><p>subidas e descidas do step (30 segundos cada) seguidos por um minuto de caminhada</p><p>de baixa intensidade. As mulheres idosas realizavam dez séries (um minuto de trabalho</p><p>em alta intensidade para um minuto de recuperação). O treinamento tinha duração de</p><p>20 minutos. Os pesquisadores mostraram que esse protocolo de HIIT calistênico (que</p><p>não necessita de aparelhagem de academia e tem baixo custo) promoveu hipertrofia</p><p>muscular, aumentou a força muscular dos membros inferiores e melhorou o desempenho</p><p>físico-funcional após 12 semanas de intervenção em comparação a um protocolo que</p><p>é recomendado por órgãos de saúde, portanto o método de treinamento HIIT é eficaz</p><p>para combater os agravos gerados pelo envelhecimento, pois aumenta a capacidade</p><p>funcional do idoso.</p><p>Figura 13 – Ilustração do HIIT calistênico para idosos (Imagem A: subida e descida de um step;</p><p>Imagem B: Agachamento com elevação dos braços)</p><p>Fonte: o autor</p><p>37</p><p>Uma forma de atingir as recomendações da Organização Mundial da Saúde</p><p>no que tange a prática de atividade física sistematizada é por meio da aplicação do</p><p>treinamento combinado. Especificamente para indivíduos mais velhos (incluindo</p><p>mulheres na pós-menopausa), a prática do treinamento combinado – isto é, caminhada</p><p>(que enfatiza o equilíbrio funcional) associada ao treinamento resistido – vem sendo</p><p>recomendada recentemente para melhorar a capacidade funcional e prevenir quedas</p><p>(BULL et al., 2020). Desse modo, um estudo aleatorizado conduzido por Martins e</p><p>colaboradores (2018) comparou os efeitos de 12 semanas de exercício intervalado de alta</p><p>intensidade (HIIT) vs exercício combinado (caminhada associada a exercício resistido)</p><p>na força muscular, massa muscular e capacidade funcional de mulheres na pós-</p><p>menopausa com alto risco de diabetes mellitus tipo II. Para isso, os autores selecionaram</p><p>e dividiram em dois grupos 16 participantes – grupo treinamento intervalado vs grupo</p><p>treinamento combinado (30 minutos de caminhada a 70% da frequência cardíaca</p><p>máxima e cinco exercícios de força para o corpo inteiro) –. Após a intervenção, ambos</p><p>os grupos aumentaram a massa muscular e a velocidade da marcha rápida (um bom</p><p>marcador da capacidade funcional), porém somente o grupo que realizou o treinamento</p><p>combinado aumentou a força muscular. Assim, os autores sugerem similaridade entre</p><p>os programas de treinamento para as mudanças relacionadas à</p><p>massa muscular e</p><p>capacidade funcional, porém é necessário realizar o treinamento combinado para</p><p>promover aumento da força muscular de mulheres na pós-menopausa com alto risco</p><p>de diabetes mellitus do tipo II (MARTINS et al., 2018).</p><p>Recentemente, outro estudo conduzido por Nunes et al. (2019b), utilizando</p><p>o mesmo delineamento de Martins et al. (2018), comparou os efeitos do treinamento</p><p>intervalado de alta intensidade vs treinamento combinado nos ganhos de força</p><p>muscular, massa muscular e capacidade funcional de mulheres na PM com obesidade.</p><p>Para isso, os autores aleatorizaram 24 participantes em dois grupos (grupo treinamento</p><p>intervalado vs grupo treinamento combinado). Após o período de intervenção, ambos</p><p>os grupos melhoraram a massa muscular e a capacidade funcional avaliada no teste</p><p>de levantar e sentar da cadeira, porém somente as participantes que realizaram o</p><p>treinamento combinado aumentaram a força muscular e velocidade da marcha no</p><p>teste de caminhada rápida. Assim, os autores enfatizam que o treinamento combinado</p><p>deve ser priorizado quando o aumento da força muscular e velocidade da marcha são</p><p>os objetivos a serem melhorados, com a prescrição do treinamento para mulheres</p><p>na pós-menopausa com obesidade (NUNES et al., 2019b) , portanto, coletivamente,</p><p>o treinamento combinado (exercício de moderada intensidade de esforço e carga) se</p><p>mostra uma intervenção eficiente e segura para promover benefícios à saúde funcional</p><p>de mulheres na pós-menopausa com risco de diabetes do tipo II e/ou com obesidade,</p><p>quando comparado ao exercício vigoroso (HIIT).</p><p>38</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• O treinamento físico (atividade física sistematizada) é uma intervenção clínica não</p><p>farmacológica que é capaz de prevenir saúde, atenuar a prevalência das doenças</p><p>crônicas não transmissíveis e fornecer tratamento adequado para os pacientes de</p><p>diferentes populações, sobretudo mulheres.</p><p>• Fortes evidências sugerem que o treinamento funcional (incluindo o pliométrico), o</p><p>treinamento resistido e o HIIT são modelos de exercícios que melhoram a saúde em</p><p>curto, médio e longo prazo, principalmente dos idosos.</p><p>• A correta manipulação das variáveis do treinamento pode afetar os resultados em ter-</p><p>mos de desfechos de saúde, especialmente nas mulheres no período pós-menopausa.</p><p>• O HIIT calistênico tem chamado atenção por exigir de pouco recurso – e tempo para exe-</p><p>cução do protocolo – capaz de promover adaptações morfológicas, neuromusculares,</p><p>funcionais e metabólicas tão boas quanto às adquiridas por meio dos modelos tradicio-</p><p>nais de exercício físico (isto é, treinamento resistido e/ou treinamento combinado).</p><p>39</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 O treinamento resistido é um tipo de exercício e método de treino muito bem aceito</p><p>para promover hipertrofia massa muscular de indivíduos jovens e idosos, porém as</p><p>respostas adaptativas em relação à hipertrofia muscular no idoso ocorrem em menor</p><p>magnitude, devido a um fenômeno denominado resistência anabólica. Assim, uma</p><p>variável crítica para otimizar a hipertrofia muscular no idoso é o volume de treinamento.</p><p>Especificamente em relação ao volume de treinamento e hipertrofia muscular em</p><p>idosos, analise as afirmativas a seguir:</p><p>I- Estudos que compararam uma vs três séries por sessão de treino, três vezes por</p><p>semana, não encontram similaridade entre menor e maior número de séries.</p><p>II- Realizar seis séries por exercício, três vezes por semana, é mais efetivo do que</p><p>realizar três séries, três vezes por semana, para a hipertrofia muscular.</p><p>III- Recentemente, um estudo de variabilidade individual (isto é, responsividade)</p><p>para o aumento da hipertrofia muscular sugeriu que a variável volume de treina-</p><p>mento é indiferente.</p><p>IV- Todos os estudos que compararam uma vs três séries por sessão de treino, três vezes</p><p>por semana, encontraram superioridade para mais séries em relação a menos séries.</p><p>Estão CORRETAS apenas as afirmativas:</p><p>a) ( ) I e II.</p><p>b) ( ) I e III.</p><p>c) ( ) I e IV.</p><p>d) ( ) II e III.</p><p>e) ( ) III e IV.</p><p>2 O treinamento resistido é uma das intervenções mais eficazes para reduzir os déficits</p><p>na força muscular e massa muscular, e, consequentemente, desempenho físico-</p><p>funcional relacionado ao envelhecimento, especialmente do público feminino. A</p><p>progressão do treinamento resistido é um fator crítico a ser considerado na elaboração</p><p>de um protocolo de treino resistido para um idoso. O modelo de progressão ideal</p><p>para um idoso é aquele que aumenta suavemente a intensidade, seja de carga ou</p><p>de esforço, no entanto não há consenso entre a literatura científica acerca da melhor</p><p>estratégia. Com relação às ferramentas de progressão da intensidade no treinamento</p><p>resistido para idosos, analise as afirmativas a seguir:</p><p>I- A essência da prescrição pelo método de escala de percepção subjetiva de esforço</p><p>é que as cargas de treino são aumentadas quando o indivíduo percebe que está</p><p>abaixo de um nível de dificuldade predeterminado.</p><p>II- A prescrição pelo método de percentual de uma repetição máxima envolve é base-</p><p>ada na quantidade máxima de repetições realizadas para uma determinada carga,</p><p>comumente prescritas em zona de alta intensidade.</p><p>40</p><p>III- A prescrição pelo método de repetições de reserva é similar ao de repetições</p><p>máximas, porém, ao invés de realizar cada série até a falha, o indivíduo para quando</p><p>percebe que só é capaz de realizar mais uma repetição.</p><p>IV- A prescrição pelo método de repetições máximas é baseada no nível máximo de</p><p>força muscular do indivíduo em um determinado exercício, porém é necessário um</p><p>teste de força muscular previamente a prescrição.</p><p>Estão CORRETAS apenas as afirmativas:</p><p>a) ( ) I e II.</p><p>b) ( ) I e III.</p><p>c) ( ) I e IV.</p><p>d) ( ) II e III.</p><p>e) ( ) III e IV.</p><p>3 A falta de tempo é uma das principais barreiras para a prática de exercício físico.</p><p>Nesse sentido, o método de treinamento HIIT vem sendo sugerido como um potencial</p><p>treinamento para superar essa barreira. Adicionalmente, por meio da modulação das</p><p>variáveis do treinamento, uma sessão com esse protocolo pode ser realizada em</p><p>diferentes condições, porém com o mesmo tempo total. Com relação à configuração</p><p>de uma sessão de treino HIIT, analise as afirmativas a seguir:</p><p>I- A configuração de dez séries com um minuto de estímulo em alta intensidade, para</p><p>um minuto de recuperação, é amplamente utilizada.</p><p>II- A configuração de quatro séries com vinte segundos em all-out, para quatro minutos</p><p>de recuperação, é uma alternativa eficaz de HIIT.</p><p>III- O HIIT é superior ao exercício contínuo, porque requer um menor tempo para ser executado.</p><p>IV- O HIIT não deve ser realizado por indivíduos com cardiopatia, devido à demanda</p><p>de esforço.</p><p>Estão CORRETAS apenas as afirmativas:</p><p>a) ( ) I e II.</p><p>b) ( ) I e III.</p><p>c) ( ) I e IV.</p><p>d) ( ) II e III.</p><p>e) ( ) II e IV.</p><p>4 Para prescrição do método de treinamento HIIT se faz necessário o entendimento das</p><p>variáveis que podem ser moduladas neste tipo de protocolo. Além disso, a manipulação</p><p>das variáveis do treinamento permite otimizar os resultados do praticante. Em relação</p><p>à figura que representa a manipulação das variáveis do método de treinamento HIIT,</p><p>explique qual é a variável chave deste método e discorra rapidamente quais outras</p><p>variáveis a compõe.</p><p>41</p><p>Fonte: o autor</p><p>In</p><p>te</p><p>n</p><p>si</p><p>da</p><p>de</p><p>Nº de séries</p><p>Modalidade</p><p>do exercício</p><p>Duração</p><p>Exercícios In</p><p>te</p><p>n</p><p>si</p><p>da</p><p>de</p><p>Recuperação</p><p>Condições</p><p>ambientais</p><p>(calor, hipóxia)</p><p>Duração</p><p>Séries Intervalo entre</p><p>as séries</p><p>Intensidade da</p><p>recuperação entre</p><p>as séries</p><p>Status nutricional</p><p>Duração das</p><p>séries</p><p>Duração das</p><p>séries</p><p>Volume total</p><p>5 Diversas abordagens para a prescrição do método de treinamento HIIT foram</p><p>desenvolvidas ao longo dos anos, com o objetivo de garantir que os indivíduos</p><p>atinjam a intensidade de exercício necessária durante a sessão de exercício, de forma</p><p>controlada e individualizada. Assim, se faz necessário o entendimento das diferentes</p><p>maneiras para prescrição deste método de treinamento. Especificamente sobre este</p><p>método de treinamento, descreva duas formas de prescrição do treino HIIT.</p><p>42</p><p>43</p><p>TÓPICO 3 -</p><p>ATIVIDADE FÍSICA AO LONGO DA VIDA</p><p>PARA DIFERENTES POPULAÇÕES</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, no Tema de Aprendizagem 3 abordaremos as recomendações</p><p>de atividade física para diferentes populações. Assim, nessa seção de aprendizagem</p><p>iremos mostrar as orientações acerca da prática de atividade física (em diferentes</p><p>domínios) para crianças, adolescentes, adultos e idosos.</p><p>Como observamos anteriormente, diferentes modalidades de exercício físico</p><p>são capazes de promover benefícios no que tange desfechos de saúde. Nesse sentido,</p><p>os profissionais do exercício físico podem prescrever o treinamento resistido e/ou HIIT</p><p>(por exemplo) para diferentes populações realizarem atividade física no tempo de lazer.</p><p>Além disso, veremos diferentes maneiras para alcançar a recomendação de atividade</p><p>física (de acordo com a população), orientações estas baseadas no “Guia de atividade</p><p>física para a população brasileira” (BRASIL, 2021).</p><p>Vale destacar que a prática de atividade física, de acordo com as recomendações</p><p>para diferentes populações, é capaz de prevenir a prevalência das doenças crônicas não</p><p>transmissíveis. Também, seguir as recomendações acerca da prática de atividade física</p><p>provoca atenuação dos efeitos das doenças crônicas não transmissíveis, portanto tais</p><p>recomendações irão concluir a ideia sobre atividade física e saúde, especialmente do</p><p>ponto de vista da promoção de saúde para crianças, adolescentes, adultos e idosos.</p><p>UNIDADE 1</p><p>2 ATIVIDADE FÍSICA AO LONGO DA VIDA: CRIANÇAS E</p><p>ADOLESCENTES</p><p>De um modo geral, atividade física é um comportamento do indivíduo que</p><p>envolve os movimentos voluntários do corpo, com gasto energético acima do basal –</p><p>o que é comumente exigido para a realização das atividades básicas da vida diária.</p><p>Além disso, atividade física é capaz de gerar interações sociais do indivíduo para com</p><p>outros seres humanos em diferentes ambientes. Por exemplo, a prática de atividade</p><p>física pode acontecer no tempo livre (isto é, lazer), no deslocamento (pedalar até o</p><p>trabalho), no trabalho (caminhar em uma sala) ou tempo de estudo (caminhar na escola</p><p>ou universidade) e nas tarefas domésticas (limpar a casa) (UMPIERRE et al., 2022).</p><p>As atividades físicas podem ser realizadas em diferentes intensidades de</p><p>esforço. Observe a Figura 14.</p><p>44</p><p>Figura 14 – Diferentes graus de intensidade para relatar o esforço de uma atividade física</p><p>Fonte: Brasil (2021, p. 8).</p><p>De acordo com essa abordagem, vejamos quais são as recomendações para</p><p>crianças e adolescentes de diferentes faixas-etárias quando se trata de atividade física,</p><p>porém, antes disso, você sabe o porquê crianças e adolescentes precisam fazer atividade</p><p>física? Fortes evidências utilizadas para suportar as orientações acerca da prática de</p><p>atividade física para a população brasileira mostram um papel importante da atividade</p><p>física no controle do peso adequado (eutrofia) e na diminuição do risco de sobrepeso e</p><p>obesidade, melhora a qualidade do sono, auxilia no desenvolvimento e controle motor,</p><p>melhora as funções cognitivas em termos de aprendizado, ajuda na integração e no</p><p>desenvolvimento de habilidades psicossociais, contribui para o crescimento saudável</p><p>dos músculos e ossos, e principalmente, melhora a saúde do coração e física (UMPIERRE</p><p>et al., 2022).</p><p>Recomenda-se para crianças de até 1 ano a realização de pelo menos 30 minutos</p><p>de atividade física por dia com a barriga para baixo (posição de bruços), podendo ser</p><p>distribuídos ao longo de um dia. Crianças de 1 a 2 anos precisam fazer pelo menos 3</p><p>horas de atividade física (independente se é intensidade leve, moderada ou vigorosa),</p><p>podendo ser distribuídos ao longo de um dia (UMPIERRE et al., 2022).</p><p>45</p><p>Figura 15 – Ilustração de uma atividade física com uma criança de até 1 ano.</p><p>Fonte: https://bit.ly/3oRLwHG. Acesso em: 15 mar. 2023.</p><p>De acordo com Brasil (2021), são exemplos de atividade para bebês e crianças</p><p>de até 1 ano atividades na posição de bruços ou sentada fazendo movimentos de</p><p>puxar, empurrar, engatinhar etc. Para crianças de 1 a 2 anos, atividades de equilíbrio</p><p>são recomendadas (andar, correr, lançar etc.). Dos 3 aos 5 anos, atividades físicas</p><p>sistematizadas podem ser incrementadas na rotina da criança, tais como: ginástica,</p><p>lutas, natação, esportes, danças etc. (UMPIERRE et al., 2022).</p><p>Para as crianças de 6 anos até os adolescentes de 17 anos da população</p><p>brasileira, é recomendado fortemente a educação física escolar, uma vez que o</p><p>incentivo a participação dos estudantes nas aulas de educação física pode contribuir</p><p>significativamente para a saúde e para o desenvolvimento pessoal (UMPIERRE et al.,</p><p>2022). Em termos de saúde, a atividade física auxilia no controle da massa corporal,</p><p>melhora o funcionamento do coração e da respiração, melhora nas habilidades</p><p>motoras (andar, correr, saltar), promove motivação e bem-estar mental. Além disso,</p><p>a educação física escolar melhora o desempenho na escola quando se diz respeito à</p><p>nota, aumenta a cooperação entre os colegas de sala (melhorando o convívio social).</p><p>Finalmente, o tempo de atividade física que crianças de 6 anos até os adolescentes</p><p>de 17 anos da população brasileira deve cumprir é de 60 minutos (ou mais) por dia</p><p>(UMPIERRE et al., 2022).</p><p>46</p><p>Figura 16 – Ilustração de uma adolescente praticando atividade física no tempo livre.</p><p>Fonte: https://bit.ly/3LqK9cg. Acesso em: 15 mar. 2023.</p><p>Recentemente, uma evidência meta-analítica (hierarquicamente, um tipo de</p><p>estudo científico mais robusto) mostrou que o treinamento resistido parece ser eficaz</p><p>quando o objetivo é melhorar a força muscular, a aptidão cardiorrespiratória, ao passo</p><p>que esse modelo de treino pode ser uma estratégia eficiente para reduzir a gordura</p><p>corporal em adolescentes obesos (RIBEIRO et al., 2022). Para além disso, o “Guia de</p><p>atividade física para a população brasileira” recomenda movimentos como: pedalar,</p><p>jogar futebol, fazer ginástica (atividades físicas para o tempo livre); caminhar para a</p><p>escola e/ou para o estágio e/ou para o mercado (atividades físicas de deslocamento);</p><p>participar de gincanas, educação física escolar (atividades físicas na escola); e passear</p><p>com animal de estimação na rua, recolher o lixo, limpar o quintal (atividades físicas</p><p>domésticas) (BRASIL, 2021).</p><p>Adicionalmente, o “Guia de atividade física para a população brasileira” tem</p><p>orientado e recomendado a prática de atividade física ao longo da vida para adultos</p><p>e idosos. Vale destacar que a prática de atividade física em idades mais avançadas</p><p>fornece efeitos protetivos, sobretudo para aspectos cardiometabólicos, tal qual a</p><p>redução da prevalência de doenças cardiovasculares e/ou prejuízos no metabolismo da</p><p>glicose (BRASIL, 2021).</p><p>3 ATIVIDADE FÍSICA AO LONGO DA VIDA:</p><p>ADULTOS E IDOSOS</p><p>Quanto a saúde no dia a dia, a atividade física faz parte do cotidiano do ser</p><p>humano e traz diversos benefícios, como o controle do peso e a melhora da qualidade</p><p>de vida, do humor, da disposição, da interação com as outras pessoas e com o meio em</p><p>https://bit.ly/3LqK9cg</p><p>47</p><p>que o indivíduo está situado. Nesse sentido, evidências suportam que para além dos</p><p>benefícios da atividade física nos parâmetros de saúde que são melhorados em crianças</p><p>e adolescentes, os adultos e idosos experenciam também uma melhor qualidade de</p><p>vida, não ingestão ou diminuição no consumo de medicamentos, redução do estresse,</p><p>diminuição dos sintomas depressivos e de ansiedade, melhoria na qualidade do sono,</p><p>concentrações glicêmicas, níveis pressóricos etc. (UMPIERRE et al., 2022).</p><p>De acordo com o “Guia de atividade física para a população brasileira”, a</p><p>recomendação de atividade física para adultos e idosos é de 150 minutos por semana</p><p>(intensidade de esforço moderada) ou 75 minutos por semana (intensidade de esforço</p><p>vigorosa). Nas atividades físicas de intensidade de esforço moderadas, um parâmetro</p><p>para saber esse esforço é se o praticante consegue</p><p>conversar com dificuldade enquanto</p><p>se movimenta e/ou não consegue cantar (BRASIL, 2021). Outro bom parâmetro é que a</p><p>respiração do indivíduo submetido à atividade física moderada apresenta um aumento,</p><p>ao passo que os batimentos do coração vão aumentar de maneira moderada. Em relação</p><p>às atividades físicas vigorosas, o indivíduo não irá conseguir se quer conversar durante a</p><p>prática. Além disso, a respiração tende a ser muito mais rápida que o normal, associada</p><p>a um aumento bastante significativo dos batimentos cardíacos (UMPIERRE et al., 2022).</p><p>Dentre as atividades físicas de moderada e vigorosa intensidade de esforço,</p><p>estas também podem ser classificadas em atividades físicas realizadas no tempo livre</p><p>do praticante, atividades físicas realizadas como deslocamento, atividades físicas</p><p>realizadas no local de trabalho ou estudo e/ou atividades físicas no lar. A respeito disso,</p><p>adultos e idosos podem se beneficiar de diferentes tipos de atividades físicas, ou seja,</p><p>aquelas se encaixam de uma melhor maneira em sua rotina de vida (UMPIERRE et</p><p>al., 2022). Por exemplo, recomenda-se que adultos e idosos façam – no seu tempo</p><p>livre – programas de exercícios físicos (treinamento resistido, treinamento funcional,</p><p>HIIT, hidroginástica etc.) ou que participem de atividades esportivas (voleibol, futsal,</p><p>peteca, basquetebol etc.). Ao tempo que ambas as populações têm despendido em</p><p>deslocamento, é recomendado que se faça a pé ou de bicicleta. Por exemplo, ao se</p><p>deslocar para locais como mercado, igreja, casa de um vizinho ou parente familiar, que</p><p>o faça a pé ou de bicicleta (UMPIERRE et al., 2022).</p><p>Especificamente em relação às atividades físicas no trabalho, recomenda-se</p><p>utilizar a escada ao invés do elevador, ao passo que também se orienta o indivíduo a limpar</p><p>o local de trabalho (isto é, varrer, passar pano). Outro ponto importante sobre o trabalho</p><p>é que, em determinados locais, se ofereça ginástica laboral. Este tipo de atividade física</p><p>comumente envolve alongamento (UMPIERRE et al., 2022). Coletivamente, essas são</p><p>algumas das atividades físicas orientadas para serem feitas no ambiente de trabalho</p><p>(limpar o local de trabalho, praticar ginástica laboral). Por fim, são atividades físicas</p><p>orientadas para serem realizadas no ambiente doméstico: varrer o chão, lavar louça,</p><p>lavar e estender roupas, compras de mercado, passear com o animal (por exemplo,</p><p>cachorro) etc. (UMPIERRE et al., 2022).</p><p>48</p><p>Diante do que foi abordado na presente unidade, espera-se que o aluno entenda</p><p>como o exercício físico impacta a população feminina no que tange a promoção da</p><p>saúde. Além disso, após os conhecimentos adquiridos, é possível esperar que o aluno</p><p>saiba do papel do exercício físico na prevenção e no tratamento das doenças crônicas</p><p>não transmissíveis que estão relacionadas com o envelhecimento. Adicionalmente,</p><p>embora a manipulação das variáveis do treinamento seja capaz de otimizar os resultados</p><p>obtidos pelo exercício físico, é possível realizar uma prescrição inicial utilizando as</p><p>principais recomendações de atividade física para o longo da vida, portanto nós</p><p>queremos que você, acadêmico, aprenda para além dos conceitos, ou seja, entenda</p><p>a teoria e transfira para a prática em forma de aplicação clínica o exercício físico, para</p><p>diferentes populações e para indivíduos de diferentes faixas etárias.</p><p>49</p><p>GUIA PARA SELEÇÃO DE EXERCÍCIOS RESISTIDOS EM IDOSOS</p><p>Cristiane Afonso</p><p>A presente leitura complementar tem como objetivo abordar diversos aspectos</p><p>sobre como selecionar os exercícios resistidos, focando nas necessidades do idoso,</p><p>na eficácia para promoção da saúde, além dos aspectos de segurança e conforto dos</p><p>exercícios. Além disso, a tomada de decisão sobre quais exercícios irão compor uma rotina</p><p>de treinamento resistido deve ser pautada em vários fatores que levem em consideração</p><p>as necessidades do idoso, a segurança, a eficiência e o conforto dos exercícios.</p><p>A seleção dos exercícios resistidos que irão compor a rotina de treino é uma</p><p>importante tomada de decisão por parte do profissional de Educação Física para que</p><p>o programa de treinamento resistido possa ter sucesso. Existe uma vasta gama de</p><p>possibilidades de exercícios resistidos, logo, os fatores a serem levados em consideração</p><p>para seleção dos exercícios passam pela análise das necessidades individuais de</p><p>acordo com os objetivos, e deve se levar em conta, basicamente, três fatores: eficiência,</p><p>segurança e conforto.</p><p>Quanto ao material a ser utilizado, os exercícios são classificados como pesos</p><p>livre e máquinas. Os exercícios realizados com pesos livres (conjunto de barras, halteres</p><p>e anilhas) normalmente permitem um movimento mais natural da articulação, ativam</p><p>mais músculos estabilizadores e, em alguns casos, uma maior ativação da musculatura</p><p>agonista. Por outro lado, exigem maior nível de equilíbrio e coordenação para realizar o</p><p>movimento. Neste sentido, os exercícios realizados em máquinas facilitam a execução</p><p>do movimento, uma vez que a trajetória já estará pré-definida.</p><p>Considerando que o idoso faz parte de uma população bastante heterogenia,</p><p>muitos realizarão exercícios com pesos livres sem maiores dificuldades. Por outro</p><p>lado, muitos terão dificuldade em realizar exercícios com pesos livres por terem pouca</p><p>experiência com treinamento resistido, o equilíbrio prejudicado, baixos níveis de força</p><p>e massa muscular para estabilização corporal, fragilidade, lesões, dores e desconforto</p><p>articular e/ou déficit de coordenação motora. Por isso exercícios em máquinas</p><p>específicas podem tornar a execução mais fácil e segura nestes casos. O Colégio</p><p>Americano de Medicina do Esporte recomenda a utilização de ambos (pesos livres</p><p>e máquinas) em rotinas de exercício resistido, uma vez que combinação de ambos</p><p>poderá otimizar os resultados.</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>50</p><p>Ao selecionar exercícios para idosos, a atenção primária deve ser dada ao</p><p>fortalecimento dos músculos de membros inferiores, uma vez que a redução nos</p><p>níveis de força e massa muscular relacionados com a idade são consideravelmente</p><p>mais acentuadas nos membros inferiores em comparação aos membros superiores.</p><p>Naturalmente, isso irá fazer com que o idoso tenha maior dificuldade para se movimentar,</p><p>aumentando o esforço para tarefas como caminhar e levantar-se, logo, a tendência</p><p>natural é se tornar menos ativo fisicamente. Esse cenário irá potencializar desfechos</p><p>negativos relacionados com os baixos níveis de atividade física. Adicionalmente, isso</p><p>irá se tornar um ciclo vicioso uma vez que baixos níveis de atividade física também</p><p>reduzem os níveis de força e massa muscular, portanto os exercícios para membro</p><p>inferior são vitais para idosos.</p><p>Dentre os exercícios para membros inferiores, o agachamento é considerado</p><p>um dos principais exercícios, pois permite o fortalecimento de músculos naturalmente</p><p>envolvidos em atividades básicas como caminhar, sentar e levantar. Especificamente,</p><p>esse exercício permite grande desenvolvimento dos quadríceps e glúteo máximo, por suas</p><p>ações nas articulações de joelho e quadril, respectivamente. Além disso, este exercício</p><p>também tem boa capacidade de ativação da musculatura do tronco. Recentemente,</p><p>alguns estudos vêm observando melhora na capacidade funcional de mulheres idosas</p><p>submetidas ao treinamento de agachamento. A forma mais tradicional de realização do</p><p>agachamento é com barra livre apoiada sobre a porção superior do trapézio.</p><p>Entretanto, apesar dos inúmeros benefícios, o agachamento com barra livre é</p><p>um movimento complexo que exige articulações saudáveis, boa mobilidade de quadril</p><p>e tornozelo, adequados níveis de equilíbrio e coordenação motora, para ser executado</p><p>com boa técnica e segurança. Assim, nem todo idoso poderá realizar de forma</p><p>adequada o movimento com barra livre, uma vez que algum destes pré-requisitos já</p><p>pode estar comprometido pelo avançar da idade. Deste modo, a técnica de execução</p><p>do agachamento ficará comprometida e por consequência, induzirá a erros de execução</p><p>com potencial</p><p>lesivo. Na prática, poucos idosos atenderão a estes pressupostos e irão</p><p>conseguir realizar adequadamente o agachamento com barra livre com boa técnica e</p><p>segurança. Nesses casos, quando o idoso não está apto para realizar adequadamente</p><p>o agachamento, existe a possibilidade de variação para um exercício que proporcionará</p><p>benefícios similares, porém com menos risco.</p><p>Uma alternativa será executar o agachamento em uma máquina Smith, isso</p><p>reduz o grau de liberdade, uma vez que a trajetória já é pré-definida pela guia da máquina,</p><p>exigindo menos equilíbrio por parte do praticante, tornando o movimento mais fácil</p><p>comparado ao agachamento com barra livre. com barra livre. Assim, pode ser interessante</p><p>para aqueles que não têm coordenação para o agachamento livre e/ou aqueles que</p><p>têm dificuldade em manter uma boa postura na barra livre. O movimento realizado em</p><p>barra livre permite uma maior ativação muscular comparado ao agachamento realizado</p><p>em máquina Smith, todavia essa diferença de ativação parece não ser suficiente para</p><p>induzir maiores ganhos de força e massa muscular. Importante destacar que tanto o</p><p>51</p><p>agachamento com barra livre quanto em máquina Smith aumentarão a sobrecarga axial</p><p>sobre a coluna vertebral, podendo não ser prudente a realização desses exercícios em</p><p>idosos mais frágeis, com histórico de lesão na coluna vertebral, ou com desvio postural</p><p>acentuado. Nesse sentido, outras formas alternativas de realizar o agachamento</p><p>podem ser utilizadas, como, por exemplo, o agachamento com os halteres, que reduzirá</p><p>significativamente a compressão sobre a coluna vertebral, uma vez que a carga não</p><p>está posicionada sobre ela, e irá trabalhar praticamente os mesmos músculos. Em</p><p>idosos mais frágeis ou com níveis muito baixos de força muscular, o agachamento</p><p>somente com o próprio peso corporal já será sufi ciente para produzir estímulos para</p><p>induzir adaptações positivas. Neste caso, não sendo necessário nenhum equipamento</p><p>adicional, no entanto, devido a níveis extremamente baixos de força muscular e/ou</p><p>déficit de equilíbrio e coordenação, o auxílio do profissional responsável pelo exercício</p><p>pode ser uma estratégia adotada para realizar o exercício.</p><p>O leg press 45° é um exercício que proporciona o mesmo movimento articular</p><p>de joelho e quadril comparado ao agachamento, portanto, também ativará de forma</p><p>eficiente quadríceps e glúteo máximo. Esse exercício tem como grande vantagem a</p><p>redução da carga axial diretamente sobre a coluna vertebral. Isso posto, pessoas com</p><p>dores lombares, desvio acentuado, ou com histórico de problemas na coluna vertebral</p><p>terão menor desconforto ao realizar esse exercício. Durante o agachamento e o leg</p><p>press 45° a atividade dos vastos é consideravelmente maior do que a do reto femoral.</p><p>Isso ocorre devido à natureza do reto femoral que é uma cabeça biarticular, ou seja,</p><p>além da articulação do joelho também cruza a articulação do quadril. Isso faz com que</p><p>o reto femoral não seja um forte extensor do joelho quando o quadril estiver flexionado,</p><p>desta forma o reto femoral pode apresentar um déficit de desenvolvimento quando</p><p>comparado aos vastos. O reto femoral é, além de um extensor de joelho, um flexor do</p><p>quadril e possui um movimento muito importante durante o ciclo da caminhada e para</p><p>o equilíbrio postural. Desta forma, exercícios complementares devem ser incluídos no</p><p>sentido de melhor ativar o reto femoral. Neste sentido a cadeira extensora favorece</p><p>maior ativação e desenvolvimento do reto femoral em comparação aos exercícios</p><p>multiarticulares. Na cadeira extensora, o pico de ativação do quadríceps ocorre próximo</p><p>a máxima de extensão do joelho, entretanto, os ângulos próximos a este ponto também</p><p>são os de maior força compressiva e de cisalhamento no joelho. Logo, alguns casos</p><p>em que já exista uma lesão, será prudente evitar o ponto de maior extensão do joelho.</p><p>Ainda, a cadeira extensora é um exercício de fácil execução por ser um monoarticular</p><p>e realizado em máquina. A extensão do quadril é um movimento muito importante para</p><p>várias atividades básicas do dia a dia, como caminhar, sentar e levantar, sendo o glúteo</p><p>máximo e os isquiotibiais os principais músculos extensores do quadril. Com relação ao</p><p>glúteo máximo, esse músculo será ativado de forma satisfatória no agachamento e suas</p><p>variações e, também, no leg press 45°, todavia, os músculos isquiotibiais são ativados</p><p>de forma moderada nesses exercícios. Tal fator está associado à natureza biarticular</p><p>dos músculos isquiotibiais, que tem atividade reduzida para extensão do quadril com</p><p>os joelhos flexionados. A médio e a longo prazo haverá um menor desenvolvimento dos</p><p>músculos isquiotibiais em relação ao quadríceps. Especificamente com idoso, Orssatto</p><p>52</p><p>et al. reportaram que após 12 semanas de treinamento com o exercício leg press 45°,</p><p>foi observado aumento da força de extensão de joelhos, mas não houve aumento da</p><p>força de flexão de joelhos, portanto, coletivamente, esses achados indicam que os</p><p>exercícios multiarticulares não serão suficientes para promover adaptações positivas</p><p>sobre os isquiotibiais. Nesse sentido, exercícios específicos para os isquiotibiais devem</p><p>ser incluídos em uma sessão de exercícios resistidos para idosos, como por exemplo,</p><p>mesa flexora e stiff. A mesa flexora é um exercício monoarticular realizado em máquina,</p><p>o que significa ser de mais fácil execução. Por outro lado, o stiff é um exercício em</p><p>que pode ocorrer um desalinhamento da coluna vertebral, portanto a amplitude ideal</p><p>é a que o praticante execute o exercício mantendo o alinhamento natural da coluna</p><p>vertebral. Além disso, vale destacar que a sobrecarga aplicada sobre a coluna vertebral</p><p>no stiff é perpendicular, o que induz a cisalhamento, sendo esse o tipo de sobrecarga</p><p>com grande potencial de lesão para a coluna vertebral, o que implica que uma certa</p><p>cautela deva ser adotada ao se utilizar o stiff. O gastrocnêmio e o sóleo são músculos da</p><p>região posterior da perna que coletivamente são denominados como tríceps sural. Essa</p><p>musculatura é responsável por movimentos de flexão plantar, possuem participação</p><p>no ciclo da caminhada e auxiliam no equilíbrio, sendo a primeira estratégia para</p><p>reestabelecimento do equilíbrio postural na posição em pé. A flexão plantar em pé deixa</p><p>o gastrocnêmio em ótima condição de ativação. Alternativamente, realizar o movimento</p><p>de flexão plantar sentada, por ser realizada com os joelhos flexionados, reduzirá a</p><p>ativação do gastrocnêmio, uma vez que este é um músculo biarticular que cruza tanto</p><p>a articulação do tornozelo quanto do joelho. O glúteo médio e o glúteo mínimo são</p><p>importantes abdutores do quadril, por isso são importantes para estabilizar o membro</p><p>inferior durante a caminhada, evitando, por exemplo, o valgo dinâmico e principalmente</p><p>a queda unilateral do quadril, que acaba comprometendo a marcha, e aumentando o</p><p>risco de quedas. Estudos demonstram que o enfraquecimento de glúteo médio está</p><p>associado a dor no joelho e osteoartrite. Para o fortalecimento desses músculos,</p><p>exercícios específicos de abdução do quadril são necessários. Neste sentido, a cadeira</p><p>abdutora é um exercício bastante utilizado. Por sua vez, os músculos adutores também</p><p>são importantes para manter uma boa estabilização do quadril, ainda, também tem um</p><p>papel importante associado a musculatura do períneo na prevenção da incontinência</p><p>urinária (perda involuntária de urina) de idosos. O fortalecimento dos adutores de quadril</p><p>poderá ser feito em uma cadeira adutora.</p><p>Os músculos de membros superiores são importantes para realização de</p><p>atividades instrumentais do dia a dia como, tomar banho, trocar de roupa, alimentar-se,</p><p>higiene pessoal, cozinhar, dentre outras. A literatura científica indica uma associação entre</p><p>a incapacidade para realização dessas tarefas com elevado risco de morta prematura.</p><p>Das articulações da região superior do corpo, a glenoumeral é uma articulação de amplo</p><p>movimento e fundamental para realização de atividades instrumentais. Os principais</p><p>músculos envolvidos nos movimentos dessa articulação são o peitoral maior, latíssimo</p><p>do dorso e o deltoide. O peitoral maior é ativado de forma ótima em movimento de</p><p>adução de ombro no plano transversal. Logo, o exercício supino é uma boa opção para</p><p>ativação do peitoral maior, além disso, também possui ativação considerável da porção</p><p>53</p><p>anterior do deltoide, ainda, também exige uma ação do tríceps braquial para a extensão</p><p>do cotovelo. A versão tradicional do supino é realizada com barra, essa forma exige um</p><p>adequado nível de equilíbrio e coordenação motora. No caso de o idoso não ter esses</p><p>atributos satisfatórios para executar o movimento de forma adequada, a utilização</p><p>de uma máquina é uma alternativa bastante interessante por exigir menor nível de</p><p>coordenação motora e equilíbrio durante a execução. O movimento completo no supino,</p><p>ou seja, com a barra se aproximando ou tocando levemente o externo, irá induzir a</p><p>melhores resultados, entretanto, considerando que alguns idosos possuem limitações</p><p>articulares, uma análise individual será necessária para determinar se o idoso irá realizar</p><p>o movimento completo ou será limitada a amplitude devido a algum problema articular</p><p>já pré-estabelecido.</p><p>Os músculos das costas permitem realização de movimentos nos três planos,</p><p>especificamente o músculo latíssimo do dorso é bem estimulado com adução de ombro</p><p>no plano frontal. Desta forma, a puxada alta é uma boa escolha para ativar o latíssimo</p><p>do dorso. Ainda, a puxada alta ativará também o redondo maior, e as fibras inferiores</p><p>do trapézio também irão participar para retração e depressão da escápula. Para realizar</p><p>o exercício também será necessária uma flexão de cotovelo, logo os músculos bíceps</p><p>braquial, braquial e braquioradial também terão participação importante nesse exercício,</p><p>contudo, na puxada alta, durante a fase excêntrica irá, necessariamente, ocorrer uma</p><p>abdução de ombro acima de 90 graus. Condição que reduz o espaço subacromial,</p><p>especialmente se for combinado com uma rotação interna dos ombros, levando as</p><p>estruturas compreendidas neste espaço a ficarem comprimidas, atritando e impactando</p><p>a bursa, os tendões do manguito rotador entre a cabeça do úmero e o acrômio, sendo</p><p>que a exposição repetida irá induzir a um risco de lesão. Não obstante, pessoas que</p><p>já tenham disfunções na articulação do ombro (exemplo: bursite e tendinite) poderão</p><p>apresentar desconforto e dificuldade para execução desse exercício. Além disso, os</p><p>músculos da região média/alta das costas (músculos trapézio e romboides) não serão</p><p>estimulados de forma satisfatória na puxada alta. Neste sentido, movimentos no plano</p><p>sagital, como a remada sentada (no pulley baixo ou na máquina) ou remada curvada</p><p>com barra serão ótimas escolhas de exercício. A remada sentada permite um movimento</p><p>de extensão de ombro no plano sagital, ação no qual o latíssimo do dorso também é</p><p>um importante motor, além de que o deltoide posterior e redondo menor auxiliarão</p><p>na extensão de ombro. A remada também permite maior amplitude na retração da</p><p>escápula, movimento que será realizado pelo trapézio, sobretudo as fibras mediais,</p><p>e pelos romboides. Na realização do exercício na polia baixa é importante manter o</p><p>alinhamento da coluna vertebral, isso exige ação dos músculos eretores da espinha</p><p>para estabilização da coluna vertebral, ainda o glúteo máximo também será ativado para</p><p>estabilização do quadril. Para realização da remada também é necessária uma flexão</p><p>de cotovelo, portanto também permite a ativação dos músculos responsáveis por este</p><p>movimento (bíceps braquial, braquial e braquioradial).</p><p>O músculo deltoide é bastante versátil e importante para mobilidade da</p><p>articulação do ombro. A porção anterior do deltoide é bastante ativada durante o</p><p>supino, enquanto a porção posterior do deltoide é ativada durante a remada, desta</p><p>54</p><p>forma os exercícios específicos devem focar na porção medial do deltoide. Nesse</p><p>sentido, o levantamento lateral (abdução de ombro no plano frontal) é um exercício</p><p>eficiente para ativação dessa porção do deltoide. Vale ressaltar que se deve manter</p><p>uma pegada pronada (palmas das mãos para baixo), para enfatizar a ação da porção</p><p>medial do deltoide. Além disso, como a prevalência de dor no ombro aumenta com a</p><p>idade, executar o levantamento lateral no plano escapular pode reduzir algum possível</p><p>desconforto com esse exercício. O exercício desenvolvimento é bastante comum em</p><p>rotinas de treinamento resistido para fortalecimento do deltoide, entretanto, para realizar</p><p>o desenvolvimento será necessária uma rotação externa do ombro, o que irá fazer com</p><p>que as fibras da porção anterior do deltoide se coloquem em uma melhor posição de</p><p>ação contra a resistência, ao passo que esta rotação externa do ombro irá reduzir a</p><p>ativação das fibras mediais do deltoide. Vale lembrar que as fibras anteriores do deltoide</p><p>já serão bastante solicitadas no supino. Além disso, para executar o desenvolvimento,</p><p>será necessária uma abdução de ombros acima de 90 graus, fazendo com que a região</p><p>lateral do úmero passe a ter maior contato com a articulação acrômio-clavicular. Esse</p><p>contato irá incidir diretamente em aumento de estresse mecânico, que é potencializado</p><p>pela sobrecarga externa, o que pode causar processo inflamatório quando tal execução</p><p>é aplicada de forma contínua, portanto alguns idosos terão bastante desconforto ao</p><p>realizar este exercício. A articulação glenoumeral permite movimentos amplos, porém</p><p>é uma articulação instável, e o mecanismo para manter a estabilidade dinâmica dessa</p><p>articulação é a partir da ação do conjunto de músculos denominados de manguito</p><p>rotador (supraespinhal, infraespinhal, subescapular e redondo menor).</p><p>Os músculos responsáveis pela flexão e extensão do cotovelo serão trabalhados</p><p>em exercícios multiarticulares utilizados para o fortalecimento do tronco. Por exemplo,</p><p>o supino irá exigir ação do tríceps braquial para extensão do cotovelo, ao passo que a</p><p>remada e a puxada alta irão solicitar os flexores de cotovelo (bíceps braquial, braquial e</p><p>braquioradial) durante o movimento. Até certo ponto, esta participação é capaz de induzir</p><p>a adaptações positivas no que tange ao aumento de força e massa muscular dos músculos</p><p>flexores e extensores do cotovelo, porém a adição de exercícios monoarticulares, que</p><p>irão trabalhar os músculos de forma mais isolada como rosca direta e tríceps na polia,</p><p>podem induzir a resultados superiores quando comparados a somente os exercícios</p><p>multiarticulares (supino e remada) para movimentos importantes do dia a dia como a</p><p>força de preensão manual e resistência muscular de flexão de cotovelos.</p><p>Fonte: AFONSO, C. Guia para seleção de exercícios resistidos em idosos. 2019. 79 f.</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso (Mestrado em Exercício Físico na Promoção da Saúde) –</p><p>Universidade Pitágoras Unopar, Londrina. 2019.</p><p>55</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• Há recomendações de atividade física para crianças (de diferentes idades),</p><p>adolescentes, adultos e idosos.</p><p>• Existem diferentes graus de intensidade para relatar o esforço de uma atividade</p><p>física. Isso é importante uma vez que alguns benefícios acerca de desfechos de</p><p>saúde que são proporcionados pela atividade física podem ser dependentes da</p><p>intensidade de esforço.</p><p>• Diferentemente do que se pregava no passado em relação ao treinamento resistido</p><p>para populações mais jovens (por exemplo, risco de lesões e não desenvolvimento</p><p>ósseo em crianças e adolescentes), essa modalidade de exercício físico parece</p><p>proporcionar benefícios para saúde dos praticantes, além de ser uma atividade</p><p>física segura.</p><p>• A atividade física pode ser realizada em diferentes domínios (lazer, trabalho etc.), ao</p><p>passo que há uma recomendação específica, para cada domínio, sobre o que fazer.</p><p>56</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Com base nas recomendações do “Guia de atividade física para a população brasileira”,</p><p>cada faixa de idade recebe uma orientação em termos de tempo e quantidade de</p><p>dias. Acerca das recomendações</p><p>de atividade física do guia brasileiro para crianças e</p><p>adolescentes, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção</p><p>Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde.</p><p>Guia de atividade física para a população brasileira.</p><p>Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021.</p><p>a) ( ) Recomenda-se que crianças de 1 a 2 anos façam pelo menos três horas de atividade</p><p>física de moderada intensidade, podendo ser distribuídos ao longo de um dia.</p><p>b) ( ) Recomenda-se para crianças dos 3 aos 5 anos que façam atividade física</p><p>doméstica durante sua rotina diária, tais como: lavar, varrer, passar etc.</p><p>c) ( ) Recomenda-se para crianças de até 1 ano a realização de pelo menos 30 minutos</p><p>de atividade física por dia (posição de bruços), podendo ser distribuídos ao longo</p><p>de um dia.</p><p>d) ( ) Recomenda-se que o tempo de atividade física que crianças de 6 anos até os</p><p>adolescentes de 17 anos devem cumprir é de 30 minutos por dia.</p><p>2 Com base nas recomendações do “Guia de atividade física para a população</p><p>brasileira”, os adultos e os idosos recebem uma orientação distinta comparada ao</p><p>público mais jovem (isto é, crianças e adolescentes). Acerca das recomendações e</p><p>orientações de atividade física do guia brasileiro para adultos e idosos, assinale a</p><p>alternativa CORRETA:</p><p>Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção</p><p>Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde.</p><p>Guia de atividade física para a população brasileira.</p><p>Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021.</p><p>a) ( ) A recomendação de atividade física para adultos e idosos é de 150 minutos</p><p>por semana (intensidade de esforço moderada) ou 75 minutos por semana</p><p>(intensidade de esforço vigorosa).</p><p>b) ( ) Com relação às atividades físicas moderadas, o indivíduo não irá conseguir se</p><p>quer conversar durante a prática. Além disso, a respiração tende a ser muito mais</p><p>rápida que o normal.</p><p>c) ( ) Dentre as atividades físicas de vigorosa intensidade de esforço, um exemplo de</p><p>atividade física doméstica de esforço vigoroso é lavar a louça da pia.</p><p>d) ( ) Nas atividades físicas de intensidade de esforço vigoroso, um parâmetro para</p><p>saber esse esforço é se o praticante consegue conversar com dificuldade</p><p>enquanto se movimenta.</p><p>57</p><p>3 Recentemente, uma evidência meta-analítica mostrou que o treinamento resistido</p><p>(um tipo de atividade física sistematizada) parece ser eficaz nos desfechos de saúde</p><p>para adolescentes obesos. Acerca das recomendações do “Guia de atividade física</p><p>para a população brasileira” para adolescentes, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção</p><p>Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde.</p><p>Guia de atividade física para a população brasileira.</p><p>Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021.</p><p>a) ( ) Movimentos como: caminhar para a escola e/ou para o estágio e/ou para o</p><p>mercado (atividades físicas de tempo livre).</p><p>b) ( ) Movimentos como: participação de gincanas e prática esportiva (atividades</p><p>físicas na escola).</p><p>c) ( ) Movimentos como: passear com animal de estimação, limpar o quintal (atividades</p><p>físicas de deslocamento).</p><p>d) ( ) Movimentos como: pedalar, jogar futebol, fazer ginástica (atividades físicas</p><p>domésticas).</p><p>4 Segundo o “Guia de atividade física para a população brasileira”, a intensidade é</p><p>o grau do esforço físico necessário para fazer uma atividade física. Normalmente,</p><p>quanto maior a intensidade, maior é o aumento dos batimentos do coração, da</p><p>respiração, do gasto de energia e da percepção de esforço. De acordo com essas</p><p>premissas, cite e explique os diferentes graus de intensidade para relatar o esforço</p><p>de uma atividade física.</p><p>Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção</p><p>Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde.</p><p>Guia de atividade física para a população brasileira.</p><p>Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021.</p><p>5 De acordo com o “Guia de atividade física para a população brasileira”, os indivíduos</p><p>podem realizar atividade física em quatro domínios em sua rotina de vida. Esses</p><p>domínios nada mais são do que locais e/ou situações em que você pode praticar</p><p>atividade física. Nesse sentido, cite os diferentes domínios de atividades físicas e dê</p><p>pelo menos dois exemplos de cada domínio.</p><p>Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção</p><p>Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde.</p><p>Guia de atividade física para a população brasileira.</p><p>Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021.</p><p>58</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ACSM. Manual do ACSM para avaliação da aptidão física relacionada à saúde.</p><p>Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.</p><p>AFONSO, C. Guia para seleção de exercícios resistidos em idosos. 2019. 79 f.</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso (Mestrado em Exercício Físico na Promoção da Saúde)</p><p>– Universidade Pitágoras Unopar, Londrina. 2019.</p><p>ANDERSEN, J. L.; AAGAARD, P. Myosin heavy chain IIX overshoot in human skeletal</p><p>muscle. Muscle & Nerve: Official Journal of the American Association of</p><p>Electrodiagnostic Medicine, [s. l.], v. 23, n. 7, p. 1095-1104, 2000.</p><p>ANDERSEN, L. L. et al. Early and late rate of force development: differential adaptive</p><p>responses to resistance training? 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MENARCA, CLIMATÉRIO E MENOPAUSA ........................................................95</p><p>1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................95</p><p>2 MENARCA, CLIMATÉRIO E MENOPAUSA: ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS,</p><p>MORFOLÓGICAS, METABÓLICAS E FUNCIONAIS ...........................................................95</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................... 110</p><p>AUTOATIVIDADE .................................................................................................................111</p><p>TÓPICO 3 - TRÍADE DA MULHER ATLETA BRASILEIRA: IMPACTO DO</p><p>TREINAMENTO FÍSICO....................................................................................................... 113</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 113</p><p>2 AMENORRÉIA, DISTÚRBIOS ALIMENTARES E OSTEOPOROSE ................................... 113</p><p>3 PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO FÍSICO PARA MULHER ATLETA .............................. 118</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................124</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................130</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 131</p><p>REFERÊNCIAS ....................................................................................................................133</p><p>UNIDADE 3 — ASSOALHO PÉLVICO, PERÍODO GESTACIONAL E EXERCÍCIO FÍSICO ..........135</p><p>TÓPICO 1 — ASSOALHO PÉLVICO DA MULHER ................................................................ 137</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 137</p><p>2 INTRODUÇÃO À ANATOMIA E FUNCIONALIDADE DO ASSOALHO PÉLVICO ............... 137</p><p>3 DISFUNÇÕES DO ASSOALHO PÉLVICO .........................................................................143</p><p>4 FORTALECIMENTO DO ASSOALHO PÉLVICO PARA PREVENÇÃO DAS</p><p>MORBIDADES ASSOCIADAS .......................................................................................... 147</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................... 151</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................152</p><p>TÓPICO 2 - PERÍODO GESTACIONAL ................................................................................155</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................155</p><p>2 GESTAÇÃO .......................................................................................................................155</p><p>3 COMPLICAÇÕES DURANTE O PERÍODO GESTACIONAL ..............................................158</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................166</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 167</p><p>TÓPICO 3 - APLICAÇÃO DO EXERCÍCIO FÍSICO PARA O ASSOALHO PÉLVICO</p><p>FEMININO E NAS GESTANTES ...........................................................................................169</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................169</p><p>2 TREINAMENTO FÍSICO PARA O ASSOALHO PÉLVICO DURANTE A GESTAÇÃO</p><p>COMO PREVENÇÃO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA .....................................................169</p><p>3 FUNÇÃO DE DIFERENTES TIPOS DE EXERCÍCIOS DURANTE O PERÍODO</p><p>GESTACIONAL ................................................................................................................. 175</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................... 181</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................186</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................187</p><p>REFERÊNCIAS ....................................................................................................................189</p><p>1</p><p>UNIDADE 1 -</p><p>ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• entender a epidemiologia do envelhecimento feminino;</p><p>• compreender a diferença entre o envelhecimento biológico e o envelhecimento</p><p>cronológico da mulher;</p><p>• diferenciar o papel do exercício físico para: promoção da saúde, prevenção de doenças</p><p>crônicas não transmissíveis e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis;</p><p>• conhecer as recomendações de atividade física ao longo da vida para as diferentes</p><p>faixas de idade.</p><p>A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de</p><p>reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – ENVELHECIMENTO BIOLÓGICO E CRONOLÓGICO DA MULHER</p><p>TÓPICO 2 – EXERCÍCIO FÍSICO PARA PROMOÇÃO DA SAÚDE, PREVENÇÃO E</p><p>TRATAMENTO DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS</p><p>TÓPICO 3 – ATIVIDADE FÍSICA AO LONGO DA VIDA PARA DIFERENTES POPULAÇÕES</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente</p><p>KATZMARZYK, P. T. et al. Physical inactivity and non-communicable disease burden in</p><p>low-income, middle-income and high-income countries. British Journal of Sports</p><p>Medicine, [s. l.], v. 56, n. 2, p. 101-106, 2022.</p><p>63</p><p>KATZMARZYK, P. T.; JANSSEN, I. The economic costs associated with physical inactivity</p><p>and obesity in Canada: an update. Canadian Journal of Applied Physiology, [s. l.], v.</p><p>29, n. 1, p. 90-115, 2004.</p><p>KHAN, K. et al. Sport and exercise as contributors to the health of nations. The Lancet,</p><p>[s. l.], v. 38, n. 9836, p. 59-64, 2012.</p><p>KUMAR, V. et al. Age‐related differences in the dose–response relationship of muscle</p><p>protein synthesis to resistance exercise in young and old men. The Journal of</p><p>Physiology, [s. l.], v. 587, n. 1, p. 211-217, 2009.</p><p>KWON, Y. N.; YOON, S. S. Sarcopenia: neurological point of view. 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Dissecar significa separar cortando, e esta técnica permite a remoção</p><p>do tecido conjuntivo entre os órgãos de forma que estes possam ser vistos com maior</p><p>nitidez. Após esse procedimento, os órgãos são abertos para melhor visualização da</p><p>estrutura, portanto essa divisão da anatomia não necessariamente precisa ser estudada</p><p>com auxílio tecnológico (NETTER, 2018).</p><p>Também, outras abordagens podem ser realizadas para utilizar a anatomia</p><p>macroscópica como estudo. Por exemplo, se levarmos em consideração a anatomia</p><p>regional (ou seja, olhar as estruturas de uma única região do corpo, como o músculo</p><p>quadríceps), esta região é estudada como um grupo (neste caso, um grupamento</p><p>muscular). Por outro lado, na anatomia sistêmica acontece o processo inverso, ou seja,</p><p>o estudo acontece de forma integrada, especialmente das estruturas que guardam</p><p>funções correlatas. Por exemplo, ao estudar os músculos que são responsáveis por</p><p>contrair durante a marcha do indivíduo, você deve considerar todos os músculos que</p><p>estão sendo ativados nesta atividade. De acordo com essa abordagem sistêmica, o</p><p>entendimento fica melhor para associar a estrutura diretamente à função. Assim, a</p><p>anatomia regional e a anatomia sistêmica apresentam diferentes abordagens de ensino</p><p>e aprendizagem. Por exemplo, se o objetivo é estudar lesões e/ou doenças que ocorrem</p><p>em regiões específicas do corpo humano (torção de tornozelo, dor de garganta, doença</p><p>cardíaca), a anatomia regional parece ser a melhor escolha; ao passo que, se o objetivo</p><p>for estudar um sistema integrado responsável por uma determinada função (corrida</p><p>de 100 m, arremesso de peso, nado crawl), a anatomia sistêmica se demonstra mais</p><p>assertiva para tal (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>73</p><p>Outra divisão da anatomia que tem como base o método de observação é a visão</p><p>microscópica. De acordo com essa abordagem, se você precisa de um equipamento</p><p>que amplia a visão para além do que é visto a olho – para aumentar as dimensões</p><p>estruturais que podem ser visualizadas – denomina-se de anatomia microscópica. Vale</p><p>destacar que, por meio da utilização de um microscópio, é possível verificar a citologia</p><p>da estrutura (célula) e a histologia (estudo da organização tecidual para formação de</p><p>órgãos). Nesse sentido, do ponto de vista citológico e histológico (visão anatômica</p><p>microscópica), é possível encontrar as células e partes das células, tecidos (conjunto</p><p>de células) e os detalhes dos órgãos do corpo humano (fígado, intestinos etc.). Assim,</p><p>o entendimento e conhecimento da anatomia microscópica se faz importante porque</p><p>os processos fisiológicos e o desenvolvimento das doenças ocorrem no nível celular,</p><p>portanto é razoável concluir e aceitar que o estudo da anatomia é fundamental para o</p><p>entendimento de demais áreas do conhecimento sobre o corpo humano (HALL, 2021;</p><p>NETTER, 2018).</p><p>Ademais, outros dois ramos da anatomia exploram as formas como o corpo</p><p>humano se molda, cresce e amadurece em termos estruturais. Chamada de anatomia</p><p>do desenvolvimento, essa acompanha as mudanças estruturais que ocorrem no corpo</p><p>humano ao longo de toda a vida, especialmente os impactos do envelhecimento.</p><p>A embriologia é o estudo que investiga como se forma e como se desenvolve cada</p><p>estrutura do corpo humano bem antes mesmo do nascimento. Isso se faz importante</p><p>do ponto de vista da compreensão não só da complexidade do corpo humano em</p><p>idades mais avançadas, como também o entendimento em termos de justificativa das</p><p>anormalidades de nascimento, os popularmente chamados “defeitos” que ocorrem</p><p>durante o desenvolvimento embrionário e se tornam evidentes após o nascimento do</p><p>indivíduo (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>O entendimento dos aspectos anatômicos se faz importante</p><p>especialmente para prescrição mais eficaz dos exercícios resistidos</p><p>com intuito de modular esteticamente o corpo humano.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Por fim, outros ramos da ciência anatômica são utilizados principalmente para</p><p>diagnósticos médicos e pesquisa científica. Por exemplo, a anatomia patológica investiga</p><p>como as mudanças estruturais nas células, tecidos e órgãos são afetadas pelas doenças,</p><p>portanto a patologia é o estudo das doenças que ocorrem com o indivíduo ao longo de sua</p><p>vida–doenças essas que podem afetar a estrutura celular e tecidual do corpo humano.</p><p>Para além da anatomia patológica, existe também a anatomia radiográfica. A anatomia</p><p>radiográfica é o estudo das estruturas internas do corpo humano, ou seja, aquelas que</p><p>74</p><p>não podem ser vistas a olho nu em um indivíduo sem antes do seu falecimento. Nesse</p><p>sentido, a anatomia radiográfica pode ser feita por meio de exames de imagem, tais</p><p>quais: raios X e outras técnicas de geração de imagem (ultrassonografia, ressonância</p><p>magnética, tomografia computadorizada). A morfologia funcional, por sua vez ,explora</p><p>as propriedades funcionais e estruturais do corpo humano e avalia a eficiência de sua</p><p>formação (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Com relação à organização estrutural, o corpo humano é um sistema integrado</p><p>e complexo. De acordo com essa premissa, diferentes níveis estruturais podem levar a</p><p>uma melhor compreensão do organismo, do ponto de vista funcional. No nível químico,</p><p>os átomos são componentes minúsculos que formam uma determinada matéria, como,</p><p>por exemplo, o carbono, o hidrogênio, o oxigênio etc. Assim, as moléculas são formadas</p><p>pela combinação dos átomos, formando moléculas maiores (por exemplo, carboidratos,</p><p>lipídios e proteínas) (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Exercícios resistidos que promovem um maior inchaço celular (agudamen-</p><p>te) no músculo alvo podem ser mais eficazes para gerar hipertrofia muscu-</p><p>lar (cronicamente).</p><p>ATENÇÃO</p><p>Figura 1 – Compreensão anatômica a nível químico</p><p>Fonte: adaptada de Netter (2000)</p><p>Falando especificamente das moléculas maiores, estas são os componentes</p><p>que formam a estrutura a nível celular. Esses componentes e suas unidades funcionais</p><p>são denominados de organelas celulares. Além disso, as moléculas maiores também</p><p>contribuem para as funções metabólicas das células. Por exemplo, os carboidratos são</p><p>fontes de energia para realização das atividades básicas da vida diária, como levantar-</p><p>75</p><p>se do sofá de casa. Também, para além dos carboidratos, proteínas e lipídios, os ácidos</p><p>nucleicos, tais como RNA e DNA. O RNA atua na produção das proteínas, ao passo que</p><p>o DNA é responsável por armazenar as informações genéticas dos seres vivos (HALL,</p><p>2021; NETTER, 2018).</p><p>Vale destacar que a prática de exercício físico em jejum (estado não</p><p>alimentado) não promove maior redução de gordura corporal em</p><p>longo prazo.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Figura 2 – Compreensão anatômica a nível molecular</p><p>Fonte: adaptada de Netter (2000)</p><p>A nível tecidual, essa estrutura consiste em um tipo de célula e material</p><p>extracelular associado, por exemplo, o epitélio reveste internamente os vasos</p><p>sanguíneos. Para além disso, o tecido é um agrupamento celular que funciona de modo</p><p>associado, a fim de realizar uma função comum. De acordo com essa abordagem, são</p><p>quatro os tipos de tecidos que formam os órgãos do corpo humano: tecido conjuntivo,</p><p>tecido epitelial, tecido muscular e tecido nervoso. Vale destacar que cada tecido tem</p><p>um papel funcional característico no corpo humano. Brevemente, o tecido conjuntivo</p><p>dá suporte para o corpo humano, ao passo que esse tecido desempenha uma função</p><p>importante</p><p>em termos de proteção aos órgãos. O tecido epitelial envolve o corpo a nível</p><p>superficial, forrando as cavidades (espaços vazios/buracos) (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>76</p><p>O processo de mecanotransdução é caracterizado pela conversão</p><p>celular dos estímulos mecânicos em uma resposta química. De</p><p>acordo com isso, uma série de agachamento realizado somente</p><p>com a sobrecarga da massa corporal, realizando entre 20 e 30</p><p>repetições, durante quatro semanas (três vezes por semana) é capaz</p><p>de aumentar a força muscular dos membros inferiores.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Figura 3 – Compreensão anatômica a nível tecidual</p><p>Fonte: adaptada de Netter (2000)</p><p>Do ponto de vista do sistema, o que caracteriza essa estrutura conjunta é a</p><p>unificação (ou seja, junção) dos órgãos e dos tecidos que desempenham uma função</p><p>específica. Por exemplo, alguns dos órgãos e tecidos que caracterizam o sistema</p><p>cardiovascular são os vasos sanguíneos, o sangue e o coração. Um ponto importante</p><p>é que a função desse sistema em específico é transportar sangue para todos os</p><p>demais tecidos do corpo humano. Adicionalmente, os órgãos que trabalham com muita</p><p>proximidade para alcançar um propósito comum compõem um sistema. Um outro</p><p>exemplo relevante e palpável para o nosso dia a dia são os órgãos do sistema digestório.</p><p>A boca (órgão pelo qual nós realizamos a ingestão do alimento), o esôfago, o estômago</p><p>e os intestinos (demais órgãos responsáveis pela decomposição do alimento ingerido) –</p><p>coletivamente, esses órgãos absorvem os nutrientes do alimento para o sangue. Além</p><p>do sistema digestório e cardiovascular, nós temos outros no corpo humano, como, por</p><p>exemplo, o sistema tegumentar, esquelético, muscular, nervoso, endócrino, linfático,</p><p>respiratório e uroginecológico (urinário e genital) (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>77</p><p>O exercício físico é uma intervenção não farmacológica poderosa no que</p><p>tange as adaptações à nível tecidual no corpo humano. Além disso, o</p><p>exercício resistido se mostra um modelo de treino seguro e eficaz para</p><p>indivíduos de diferentes idades.</p><p>NOTA</p><p>Figura 4 – Compreensão anatômica a nível dos sistemas</p><p>Fonte: adaptada de Netter (2000)</p><p>Finalmente, o indivíduo é visto de maneira integrada quando nós olhamos</p><p>no nível do organismo. Em outras palavras, esta última instância, quando comparada</p><p>aos níveis citados anteriormente, contempla um trabalho interdependente dos níveis</p><p>mais simples (por exemplo, nível tecidual). Para além disso, o organismo representa a</p><p>organização dos sistemas mais simples, contribuindo diretamente para a sobrevivência</p><p>do indivíduo (ou seja, manutenção em vida do ser humano) (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>As evidências mais recentes disponíveis na literatura tendem a</p><p>mostrar um certo favorecimento para o volume de treinamento, mais</p><p>especificamente no exercício resistido. Por exemplo, parece haver</p><p>uma relação de dose e resposta entre a quantidade de volume no</p><p>treino resistido e as adaptações do tecido muscular – isto é, aumento</p><p>da massa muscular – e gorduroso – redução de gordura corporal</p><p>(HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>IMPORTANTE</p><p>78</p><p>Figura 5 – Compreensão anatômica no nível orgânico</p><p>Fonte: https://bit.ly/40SPooV. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>Com relação à divisão do corpo humano do ponto de vista anatômico, nós</p><p>temos a cabeça (crânio e face), o pescoço, o tronco (tórax, abdome e pelve), o membro</p><p>superior (ombro, braço, antebraço e mão) e o membro inferior (quadril, coxa, perna e</p><p>pé). Nesse sentido, teoricamente, a posição anatômica se torna um marco de referência</p><p>no que diz respeito ao posicionamento. Isso se faz importante, pois gera o significado</p><p>aos termos direcionais utilizados na descrição nas regiões e demais partes do corpo</p><p>humano, portanto as discussões sobre o corpo humano em relação à maneira como</p><p>este se movimenta e o modo como se posiciona levando em consideração a sua postura,</p><p>leva em consideração esse ponto de referência, denominado posição anatômica (HALL,</p><p>2021; NETTER, 2018).</p><p>Enxergar o indivíduo como um todo, do ponto de vista sistêmico,</p><p>se faz necessário, especialmente porque a prática regular de</p><p>treinamento resistido por pelo menos 60 minutos por semana se</p><p>mostrou capaz de diminuir o risco de mortalidade em 27%.</p><p>IMPORTANTE</p><p>De acordo com essa abordagem, os profissionais que</p><p>trabalham especificamente com a anatomia humana, descrevem determinada parte</p><p>ou região do corpo humano levando em consideração o indivíduo como se estivesse</p><p>sempre na posição anatômica, que é o padrão de referência. Então, a posição anatômica</p><p>79</p><p>é caracterizada pelo posicionamento ereto do corpo humano, em pé, bípede, com os</p><p>membros superiores estendidos ao lado do tronco e as palmas das mãos voltadas</p><p>para frente. Também, a cabeça e os pés ficam apontados para frente e o olhar para o</p><p>horizonte, isto é, para frente, buscando o Sol ou a Lua (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Uma melhor capacidade cardiorrespiratória (função aumentada do sistema</p><p>cardiovascular) tem sido demonstrada ser um fator chave para otimização do</p><p>desempenho no treinamento resistido.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Partindo da premissa da posição anatômica, o nosso corpo é delimitado por</p><p>meio dos planos (plano superior, plano inferior, plano lateral, plano anterior e plano</p><p>posterior), os quais perpassam/cortam/seccionam (plano medial, plano sagital, plano</p><p>frontal e plano transversal) a superfície deste conteúdo, com intuito de localizar</p><p>diferentes regiões do corpo humano. Assim, para estudar a ciência Anatomia Humana,</p><p>se faz necessário adquirir tal conhecimento, uma vez que facilita o entendimento (HALL,</p><p>2021; NETTER, 2018).</p><p>O coração é um órgão que se adapta de maneira atenuada ao</p><p>treinamento resistido, ao passo que o treinamento aeróbio se</p><p>mostra mais efetivo para otimização da função cardiovascular,</p><p>independentemente da idade e/ou sexo.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Com relação aos planos de delimitação, partindo da premissa da posição</p><p>anatômica, vejamos: 1) plano superior: é toda a região que está por cima da cabeça</p><p>do indivíduo; 2) plano inferior: é toda a região que está por baixo dos pés do indivíduo;</p><p>3) planos laterais: são as duas partes laterais, que marcam os membros superiores e</p><p>inferiores, de cada lado do corpo do indivíduo (passam paralelamente de cada lado do</p><p>corpo); 4) plano anterior: é a região que passa à frente do corpo do indivíduo (passa</p><p>paralelamente ao abdome); 5) plano posterior: é a região que passa por trás do indivíduo,</p><p>ou seja, atrás das costas (passa paralelamente ao dorso) (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>80</p><p>Recentemente, a literatura científica tem demonstrado o impacto do</p><p>treinamento físico nas funções cognitivas. Nesse sentido, parece que</p><p>o treinamento físico, quando modulado regularmente, favorece a</p><p>melhoria da saúde mental, principalmente dos idosos.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Levando em consideração os planos seccionais, partindo da premissa da posição</p><p>anatômica, temos: 1) plano medial: é a região vertical que atravessa todo o corpo humano,</p><p>dividindo este em duas partes (lado direito e lado esquerdo); 2) plano sagital: são os planos</p><p>verticais que passam através do corpo, paralelos mediano que foi anteriormente citado; 3)</p><p>planos frontal: são os planos verticais que passam atravessando o corpo, dividindo este</p><p>espaço em partes duas partes – anterior (ou seja, na frente) e posterior (ou seja, atrás); 4)</p><p>plano transversal: são os planos que atravessam o corpo (horizontalmente), dividindo este</p><p>em parte superior e inferior (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Por fim (antes de abordarmos especificamente a anatomia do sistema</p><p>uroginecológico), se faz necessário e relevante descrevermos os termos anatômicos e</p><p>de movimentos.</p><p>Termos anatômicos:</p><p>Anterior e/ou ventral e/ou frontal: diz respeito à direção da frente do corpo</p><p>(HALL, 2021; NETTER, 2018);</p><p>81</p><p>Figura 6 – Ilustração acerca do termo anatômico anterior</p><p>Fonte: https://bit.ly/3YPwcHS. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>Posterior e/ou dorsal: diz respeito à direção das costas (parte de trás do corpo)</p><p>(HALL, 2021; NETTER, 2018);</p><p>Figura 7 – Ilustração acerca do termo</p><p>anatômico posterior</p><p>Fonte: https://bit.ly/3TntW9y. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>82</p><p>Exemplo dos termos citados: o coração se localiza posteriormente ao osso</p><p>esterno e as cartilagens costais, ao passo que o osso esterno e as cartilagens costais se</p><p>encontram anteriormente ao coração (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Superior e/ou cranial: diz respeito à direção superior do corpo (ou seja, parte de</p><p>cima) (HALL, 2021; NETTER, 2018);</p><p>Figura 8 – Ilustração acerca do termo anatômico superior</p><p>Fonte: https://adobe.ly/3mWzv2G. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>Inferior e/ou caudal: diz respeito à direção inferior do corpo (ou seja, parte de</p><p>baixo) (HALL, 2021; NETTER, 2018);</p><p>Figura 9 – Ilustração acerca do termo anatômico inferior</p><p>Fonte: https://adobe.ly/3TnuSL6. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>https://adobe.ly/3mWzv2G</p><p>83</p><p>Exemplo dos últimos dois termos citados: os braços se encontram superior-</p><p>mente às pernas, ao passo que as pernas se encontram inferiormente aos braços</p><p>(HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Medial: diz respeito à região mais próxima do plano sagital mediano (HALL, 2021;</p><p>NETTER, 2018);</p><p>Figura 10 – Ilustração acerca do termo anatômico medial</p><p>Fonte: https://bit.ly/3FvukNA. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>Lateral: diz respeito à região mais afastada do plano sagital mediano (HALL,</p><p>2021; NETTER, 2018);</p><p>Exemplo dos últimos dois termos citados: o acidente ósseo denominado maléolo</p><p>medial está localizado medialmente no corpo humano, enquanto o acidente ósseo</p><p>denominado maléolo lateral se encontra na parte lateral (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Proximal: diz respeito à posição mais próxima da raiz do membro (ou seja, em</p><p>direção ao tronco) (HALL, 2021; NETTER, 2018);</p><p>Distal: diz respeito à posição mais afastada da raiz do membro (ou seja, distante</p><p>do tronco) (HALL, 2021; NETTER, 2018);</p><p>84</p><p>Exemplo dos últimos dois termos citados: levando em consideração o bíceps</p><p>braquial, a região deste músculo mais proximal está localizada próxima do ombro, ao</p><p>passo que a região mais distal deste músculo se encontra próxima da parte anterior do</p><p>cotovelo (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Termos de movimento:</p><p>Flexão: curvatura ou diminuição do ângulo entre os ossos ou partes do corpo</p><p>(HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Figura 11 – Ilustração acerca do movimento de flexão (cotovelo)</p><p>Fonte: https://bit.ly/3mQpAvq. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>Extensão: endireitar ou aumentar o ângulo entre os ossos ou partes do corpo</p><p>(HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>85</p><p>Figura 12 – Ilustração acerca do movimento de extensão (cotovelo)</p><p>Fonte: https://bit.ly/3YX6CAT. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>Adução: movimento na direção do plano medial (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Figura 13 – Ilustração acerca do movimento de adução (ombro aduzido)</p><p>Fonte: https://bit.ly/3Fw0IzF. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>86</p><p>Abdução: afastar-se do plano medial (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Figura 14 – Ilustração acerca do movimento de abdução</p><p>Fonte: https://bit.ly/3Lx05tr. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>Rotação medial: traz a face anterior de um membro para mais perto do plano</p><p>medial (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Figura 15 – Ilustração acerca do movimento de rotação medial (ombro).</p><p>Fonte: https://bit.ly/3JpHOLV. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>87</p><p>Rotação lateral: leva a face anterior para longe do plano medial (HALL, 2021;</p><p>NETTER, 2018).</p><p>Figura 16 – Ilustração acerca do movimento de rotação lateral (ombro)</p><p>Fonte: https://bit.ly/3ZW76Iu. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>Pronação: movimento de rotação medial do antebraço e mão de modo que a</p><p>palma da mão olha para o plano posterior (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Supinação: movimento de rotação lateral do antebraço e mão de modo que</p><p>a palma da mão olha para o plano anterior, como na posição anatômica (HALL, 2021;</p><p>NETTER, 2018).</p><p>Figura 17 – Ilustração acerca do movimento de pronação (palma da mão no plano posterior) e supinação</p><p>Fonte: https://bit.ly/40ka35H. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>88</p><p>Inversão: movimento da sola do pé em direção ao plano medial (HALL, 2021;</p><p>NETTER, 2018).</p><p>Eversão: movimento da sola do pé em direção ao plano lateral (HALL, 2021;</p><p>NETTER, 2018).</p><p>Figura 18 – Ilustração acerca do movimento de inversão e eversão</p><p>Fonte: https://bit.ly/40ka35H. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>3 SISTEMA UROGINECOLÓGICO</p><p>O sistema uroginecológico nada mais é que a integração entre o sistema urinário</p><p>e o sistema ginecológico. O sistema urinário é formado por órgãos que são capazes de</p><p>produzir a urina e armazená-la temporariamente, para que então seja eliminada para</p><p>o exterior. De acordo com essa abordagem, pode-se caracterizar o sistema urinário</p><p>como o conjunto de órgãos que são responsáveis por filtrar o sangue e eliminar resíduos</p><p>na forma de urina. Assim, há um aparato responsável pela produção e drenagem da</p><p>urina para fora do corpo humano que compreende esse sistema excretor urinário. Após</p><p>eliminada, é possível encontrarmos algumas propriedades na urina, tais como: ácido</p><p>úrico, bicarbonato, potássio, sódio, ureia etc. (a seguir, iremos detalhar um pouco mais</p><p>algumas destas substâncias). Embora os pulmões, o fígado e a pele contribuam para</p><p>excreção de líquidos corporais, os rins são os principais responsáveis por desempenhar</p><p>tal função (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Nesse sentido, os rins que também são responsáveis por manter a pureza e</p><p>a constância (do ponto de vista químico) do sangue e de outros fluídos corporais</p><p>extracelulares, produzem a urina. Isso ocorre porque todos os dias de nossas vidas,</p><p>os rins filtram diversos fluidos do sangue, eliminando de todo organismo os resíduos</p><p>metabólicos, o excesso d’água e de íons, ao passo que é retornado para o sangue as</p><p>substâncias necessárias obtidas neste processo de filtração. Essas substâncias são</p><p>três compostos nitrogenados: 1) ureia: derivada dos aminoácidos filtrados durante a</p><p>89</p><p>absorção das proteínas que são ingeridas e produzidas no organismo humano; 2) ácido</p><p>úrico: responsável pela nova produção de ácidos nucleicos; e 3) creatinina: composta</p><p>após a absorção orgânica de fosfocreatina, uma molécula importante responsável</p><p>pela produção de energia no músculo esquelético. Os rins são responsáveis, essas</p><p>importantes estruturas anatômicas atuam organicamente 1) regulando a composição</p><p>iônica do sangue; 2) mantendo a osmolaridade do sangue; 3) regulando as concentrações</p><p>em termos de volume de sangue no corpo humano; 4) regulando os níveis de pressão</p><p>arterial sistêmica; 5) regulando os níveis de pH no sangue; 6) liberando hormônios; 7)</p><p>regulando as concentrações de glicose sanguínea (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Além dos rins, os ureteres ou ductos são órgãos que auxiliam no transporte</p><p>da urina para a bexiga urinária, onde este líquido corporal fica retida por algum tempo.</p><p>Assim, os ureteres são considerados um reservatório de armazenamento temporário da</p><p>urina e são órgãos pouco calibrosos. Esses componentes anatômicos têm um formato</p><p>de tubo muscular de aproximadamente 25 cm de comprimento e possui duas partes:</p><p>uma parte abdominal e uma parte na região da pelve (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Após a urina passar pelos rins para filtração do sangue, esse líquido é</p><p>conduzido pelos ureteres até a bexiga urinária. A bexiga urinária tem como principal</p><p>função a execução de um papel temporário em termos de reservatório para armazenar</p><p>esse líquido (urina). Após o esvaziamento, a bexiga urinária se localiza inferiormente</p><p>ao peritônio e posteriormente à sínfise púbica. Em uma outra situação, por exemplo,</p><p>quando a bexiga urinária se encontra cheia, ela se eleva para a cavidade abdominal.</p><p>Assim, a bexiga urinária é um órgão muscular com uma elasticidade, ao passo que nos</p><p>homens esse órgão está situado anteriormente ao reto enquanto nas mulheres está</p><p>abaixo do útero e à frente da vagina. Além disso, a superfície da bexiga urinária fica lisa</p><p>quando ela está cheia, sem exibir rugas. Na saída da bexiga urinária, o músculo esfíncter</p><p>se contrai involuntariamente (internamente), prevenindo o esvaziamento desta região.</p><p>Além disso, o músculo esfíncter (inferiormente) envolve</p><p>a parte superior e externa da</p><p>uretra, que controla voluntariamente o líquido que está ali dentro, permitindo então,</p><p>uma resistência aumentada frente à necessidade de urinar (esvaziamento da bexiga</p><p>urinária). Adicionalmente, a capacidade média da bexiga urinária é de 700 a 800 ml.</p><p>Esse órgão é menor nas mulheres porque o útero ocupa o espaço localizado acima da</p><p>bexiga (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>O último componente anatômico do sistema urinário é a uretra. Esse órgão é</p><p>um tubo muscular que transporta a urina da bexiga urinária para fora do corpo humano.</p><p>A uretra se abre para o exterior através do óstio externo da uretra. A uretra também</p><p>apresenta um diferencial anatômico entre o homem e a mulher. Especificamente</p><p>nas mulheres, a uretra é um canal membranoso e estreito que se estende da bexiga</p><p>até o óstio externo no vestíbulo da vagina, portanto a uretra feminina se localiza</p><p>posteriormente à sínfise púbica, está inserida na parede anterior da vagina. Essa região</p><p>quando não dilatada apresenta em torno de 6 mm de diâmetro. Seu orifício externo fica</p><p>localizado anteriormente a abertura vaginal e cerca de 2,5 cm posteriormente à glande</p><p>do clitóris (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>90</p><p>Com relação ao sistema ginecológico, os órgãos genitais femininos diferem dos</p><p>órgãos genitais masculinos em diferentes aspectos importantes, no entanto abordaremos</p><p>aqui apenas o sistema ginecológico. Esse sistema feminino é responsável pela produção</p><p>dos gametas (óvulos), uma vez que os órgãos genitais do sistema feminino se preparam</p><p>para dar suporte ao embrião durante a gravidez que está em desenvolvimento. Além</p><p>da produção dos óvulos, os ovários são também responsáveis pela produção dos</p><p>hormônios sexuais (estrógenos e progesterona). Esses hormônios sexuais são capazes</p><p>de controlar o desenvolvimento das características sexuais, enquanto desempenham</p><p>papeis importantes no útero, tais como: fixação do óvulo fecundado e regulação do</p><p>ciclo menstrual. O ciclo menstrual é um ciclo mensal feminino, ao passo que tal marco é</p><p>responsável por diversas alterações importantes em todo organismo da mulher. De fato,</p><p>os órgãos femininos sofrem alterações significativas ao longo de aproximadamente 28</p><p>dias, de acordo com esse ciclo (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Embora o ciclo menstrual tenha um papel significativo nas alterações que</p><p>ocorrem no organismo feminino, as respostas adaptativas ao treinamento</p><p>físico em longo prazo parecem sofrer uma influência mínima deste marco</p><p>mensal na vida da mulher.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Adicionalmente, os órgãos internos do sistema ginecológico se localizam no</p><p>interior da pelve. Essa região se consiste em ovários, tubas uterinas, útero e vagina.</p><p>Em contraste, os órgãos externos se localizam na superfície, localizados no diafragma</p><p>urogenital e posicionados abaixo do arco púbico. De acordo com essa abordagem, os</p><p>órgãos externos são constituídos pelo monte do púbis, lábios maiores e menores (HALL,</p><p>2021; NETTER, 2018).</p><p>A tuba uterina é considerada o local onde comumente ocorre a fertilização, após</p><p>o óvulo receber o espermatozoide. Também, a tuba uterina é chamada de ovidutos,</p><p>uma vez que esta região do sistema ginecológico recebe o ovócito (primeira função</p><p>importante dessa região anatômica). Cada tuba uterina se origina lateralmente (próximo</p><p>ao ovário) e sua região mais distal fica mais medialmente, próxima à parte superior do</p><p>útero. Nesse sentido, a porção mais distal da tuba uterina é denominada de infundíbulo.</p><p>O infundíbulo tem o aspecto de franjas, e pode ser comparado a um formato de funil. Na</p><p>grande maioria das vezes, o infundíbulo se ajusta acima do ovário. As fibras musculares</p><p>lisas dessa região permitem movimentos peristálticos à tuba uterina, os quais auxiliam</p><p>na migração do óvulo em direção ao útero (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>91</p><p>O útero é um órgão que se localiza no sentido anteroposterior e emerge do</p><p>centro do períneo para o interior da pelve. Assim, o útero está situado entre a bexiga</p><p>urinaria e o reto. Além disso, é neste órgão que ocorre a gestação. Para isso, a parede</p><p>do útero é composta pelo endométrio (camada interna que forra o útero), miométrio</p><p>(camada média) e perimétrio (camada externa que reveste o útero). Adicionalmente,</p><p>o endométrio tem um papel muito importante na gravidez, uma vez que o embrião se</p><p>desenvolve nesta região do útero durante todo o período gestacional até o momento do</p><p>nascimento do bebê (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>A vagina é um tubo músculo-membranáceo mediano que têm as paredes finas,</p><p>se situa na parte inferior do útero e insere-se no contorno medial do colo do útero.</p><p>Além disso, a vagina também é chamada de canal do parto, uma vez que é possível</p><p>proporcionar o nascimento do bebê por este órgão. Do ponto de vista estrutural, a vagina</p><p>é composta por uma túnica fibrosa, que envolve fibras musculares lisas, ao passo que</p><p>interiormente é revestida por uma túnica mucosa (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>Externamente à vagina, a vulva (pudendo feminino) constitui a parte externa</p><p>dos órgãos genitais femininos. Além desta região, a parte externa dos órgãos genitais</p><p>femininos é formada pelo monte do púbis, os lábios, o clitóris e outras estruturas que</p><p>estão associadas ao vestíbulo. O monte de púbis é uma região gordurosa coberta de</p><p>pele que se localiza sobre sínfise púbica. Essa região normalmente apresenta pelos</p><p>púbicos na mulher após a menarca, na fase de climatério e após a menopausa. Além</p><p>desta região, os lábios maiores são pregas que se expandem desde o monte de púbis</p><p>até o períneo, fazendo uma delimitação próxima a vulva. Os lábios menores são pregas</p><p>de mucosa que se localizam internamente aos lábios maiores, ao passo que os lábios</p><p>menores não possuem tecido gorduroso (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>O clitóris é um órgão erétil, formado por um corpo cavernoso (tecido esponjoso),</p><p>uma vez que essa região do sistema ginecológico é capaz de se encher de sangue.</p><p>Além do clitóris, o vestíbulo da vagina é uma região delimitada pelos lábios menores</p><p>do pudendo. No vestíbulo da vagina é capaz de se observar o ósteo da uretra, o ósteo</p><p>da vagina e a abertura das glândulas vestibulares maiores. O ósteo externo da uretra</p><p>se localiza abaixo do clitóris. No corpo da mulher, é através desta pequena fenda (que</p><p>se forma no orifício externo) a saída da urina. O ósteo da vagina fica posteriormente</p><p>ao orifício externo da uretra. Esta região anatômica é dilatável, especialmente para</p><p>realização das funções fisiológicas (sexual e de concepção) (HALL, 2021; NETTER, 2018).</p><p>92</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• A organização estrutural do corpo humano é integrada e complexa. De acordo com</p><p>essa perspectiva, nosso corpo pode ser visto em diferentes camadas. Por exemplo,</p><p>no nível químico, a compreensão morfológica tende a ser interpretada de uma forma</p><p>diferente em comparação ao nível molecular.</p><p>• A visualização estrutural do corpo a nível tecidual é o que nos permite estudar a</p><p>anatomia humana. Vimos, no presente tema de aprendizagem, que é possível</p><p>visualizar as estruturas anatômicas de diferentes segmentos em planos distintos.</p><p>Além disso, a localização de uma determinada região ou órgão se dá pela visualização</p><p>tecidual, sempre levando em consideração a posição anatômica.</p><p>• O sistema uroginecológico desempenha um papel importante nas funções vitais do</p><p>organismo feminino. Por exemplo, nós observamos que no sistema urinário há órgãos</p><p>que são responsáveis pelo transporte de sangue, eliminação d’água e resíduos,</p><p>enquanto o sistema ginecológico produz hormônios sexuais com relevância para</p><p>saúde da mulher, como por exemplo, o estrogênio. Este hormônio tem um papel</p><p>protetor orgânico de extrema importância no corpo humano da mulher.</p><p>• Adicionalmente, a mulher, até um determinado momento de seu curso de idade,</p><p>apresenta um ciclo mensal denominado de ciclo menstrual. Ao longo de 28 dias,</p><p>os hormônios sexuais das mulheres tendem a alterar as concentrações. Além disso,</p><p>parece que agudamente as respostas a uma sessão de</p><p>exercício físico podem ser</p><p>afetadas por essa oscilação hormonal, tais como: sensação de desprazer e fadiga</p><p>autorrelatada aumentadas.</p><p>93</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 AUTOATIVIDADE</p><p>1 O sistema reprodutor feminino é formado, além dos órgãos internos ao abdômen, por</p><p>dois lábios maiores, dois lábios menores, clitóris e vestíbulo vaginal. Esses órgãos,</p><p>situados externamente ao corpo da mulher, recebem o nome de:</p><p>a) ( ) Vagina.</p><p>b) ( ) Pudendo feminino.</p><p>c) ( ) Hímen.</p><p>d) ( ) Tuba uterina.</p><p>2 A figura a seguir representa o sistema genital feminino, composto por diversos órgãos</p><p>que permitem a fecundação e a gestação de um bebê. Observe a figura e marque a</p><p>alternativa que apresenta, respectivamente, os números que indicam os locais onde</p><p>ocorre a fecundação e o desenvolvimento do feto.</p><p>Fonte: https://bit.ly/3Fze2U2. Acesso em: 17 mar. 2023.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) Os números 1 e 2 estão corretos.</p><p>b) ( ) Os números 2 e 3 estão corretos.</p><p>c) ( ) Os números 3 e 4 estão corretos.</p><p>d) ( ) Os números 1 e 4 estão corretos.</p><p>94</p><p>3 O sistema uroginecológico desempenha um papel importante nas funções vitais</p><p>do organismo feminino. Por exemplo, o estrogênio tem um papel protetor orgânico</p><p>de extrema importância no corpo humano da mulher. Além disso, o sistema genital</p><p>feminino é formado por órgãos localizados no interior do abdome da mulher e alguns</p><p>situados externamente. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) No interior das tubas uterinas são produzidos os ovários.</p><p>b) ( ) O miométrio é eliminado com sangue no momento da menstruação.</p><p>c) ( ) O ovário é a região do sistema ginecológico onde ocorre desenvolvimento do embrião.</p><p>d) ( ) Os hormônios sexuais oscilam ao longo do mês como consequência do ciclo feminino.</p><p>4 Anatomia é a ciência que estuda o corpo humano, especialmente do ponto de vista</p><p>de seu formato. Além disso, a anatomia é chamada de morfologia, uma vez que a</p><p>morfologia é a ciência que estuda o formato do corpo humano. Especificamente</p><p>acerca da anatomia, esta é uma ciência muito antiga, disciplina da área biológica de</p><p>maior prestígio no século XIX e, até os dias de hoje, continua sendo dinâmica (tanto</p><p>em termos de ensino como de aprendizagem). De acordo com o presente tema de</p><p>aprendizagem, cite e explique os níveis estruturais da anatomia humana.</p><p>5 O sistema uroginecológico nada mais é que a integração entre o sistema urinário e o</p><p>sistema ginecológico. O sistema urinário é formado por órgãos que são capazes de</p><p>produzir a urina e armazená-la temporariamente, para que então esta seja eliminada</p><p>para o exterior. Levando em consideração os conhecimentos adquiridos no atual</p><p>tema de aprendizagem, descreva uma função do sistema urinário e uma função do</p><p>sistema ginecológico.</p><p>95</p><p>MENARCA, CLIMATÉRIO E MENOPAUSA</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 2, abordaremos como os marcos na</p><p>vida da mulher provocam diferentes desfechos. Assim, nesta seção, iremos abarcar</p><p>conteúdos acerca da menarca, climatério e menopausa.</p><p>Desde o nascimento até a puberdade, alterações significativas e relevantes</p><p>ocorrem no corpo da mulher. Assim, o entendimento de como tais alterações impactam</p><p>na saúde global feminina é imprescindível para promover saúde e prevenir agravos</p><p>relacionados ao descontrole destes aspectos. Com isso, destacam-se principalmente a</p><p>menarca (que ocorre na puberdade), o climatério (que ocorre no período de meia-idade)</p><p>e a menopausa (que ocorre no último terço da vida da mulher).</p><p>De acordo com essas premissas, a ideia deste tema de aprendizagem é fornecer</p><p>evidências clínicas destes marcos que ocorrem na vida da mulher. Além disso, destacar</p><p>o papel da individualidade biológica nesses aspectos, portanto nós queremos que no</p><p>presente tema de aprendizagem você aprenda para além dos conceitos, e compreenda</p><p>que as adaptações fisiológicas, morfológicas, metabólicas e funcionais da vida da</p><p>mulher podem ser impactadas diretamente por estes marcos. Dito isso, nas páginas a</p><p>seguir nós iremos abordar o que os órgãos de saúde e ademais documentos da literatura</p><p>científica têm apontado acerca dos adventos da menarca, climatério e menopausa.</p><p>UNIDADE 2 TÓPICO 2 -</p><p>2 MENARCA, CLIMATÉRIO E MENOPAUSA:</p><p>ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS, MORFOLÓGICAS,</p><p>METABÓLICAS E FUNCIONAIS</p><p>Puberdade é o termo que se dá para o período da vida em que os órgãos</p><p>genitais crescem até o tamanho adulto e a reprodução torna-se possível. A puberdade</p><p>costuma e ocorrer entre 10 e 15 anos de idade. A reprodução, por sua vez, ocorre no</p><p>corpo feminino. De acordo com essa premissa, adaptações importantes ocorrem no</p><p>organismo feminino. As mulheres apresentam maiores concentrações de estrogênio,</p><p>o qual contribui diretamente para regulação da massa muscular esquelética e gordura</p><p>corporal, por exemplo (HALL, 2021; LOURENÇO; QUEIROZ, 2010; BRASIL, 2016).</p><p>Especificamente com relação à massa muscular esquelética, esse tecido tende</p><p>a aumentar na puberdade, em um surto de crescimento que dura até seis anos. Além</p><p>disso, durante o curso da vida da mulher, diferentes períodos biológicos ocorrem para</p><p>96</p><p>espelhar a evolução do sistema ginecológico. Tais períodos biológicos são marcos na</p><p>vida da mulher, uma vez que ocorrem variações hormonais distintas. Além disso, outro</p><p>aspecto que ocorre na puberdade feminina é o aparecimento das mamas, alteração</p><p>morfológica que costuma surgir aos 11 anos de idade (HALL, 2021; LOURENÇO; QUEIROZ,</p><p>2010; BRASIL, 2016).</p><p>A menarca é definida como o marco maturacional da adolescente e o climatério</p><p>é o período que antecede a menopausa, ao passo que este último termo corresponde</p><p>ao término da sua capacidade reprodutiva. A menarca é caracterizada pela primeira</p><p>menstruação da mulher, este fenômeno ocorre cerca de dois anos e meio após o broto</p><p>mamário aparecer, em média aos 12 anos. De acordo com essa abordagem, os demais</p><p>ciclos menstruais que ocorrem após a menarca podem apresentar um fluxo intenso de</p><p>sangue, devido a uma disfunção funcional uterina – esta disfunção geralmente necessita</p><p>de intervenção ginecológica (HALL, 2021; LOURENÇO; QUEIROZ, 2010; BRASIL, 2016) .</p><p>A menarca faz parte da puberdade feminina, porém não é um marco só do</p><p>início do ciclo feminino, isto é, período cíclico hormonal, que seguirá até a menopausa</p><p>(após o climatério). É também o período biológico em que a ovulação e a fertilidade</p><p>são consideradas confiáveis para reprodução, devido a maturação de determinados</p><p>hormonais hipofisários, leva por volta de mais dois anos. De acordo com essa abordagem</p><p>e com o que foi mencionado nos parágrafos anteriores, algumas características sexuais,</p><p>do ponto de vista morfológico, são induzidas pelo estrogênio, e ocorrem por volta dos 13</p><p>anos de idade, incluindo o aumento de gordura subcutânea, principalmente no quadril e</p><p>nas mamas, ao passo que há um alargamento ósseo da pelve (HALL, 2021; LOURENÇO;</p><p>QUEIROZ, 2010; BRASIL, 2016).</p><p>Nesse sentido, o ciclo menstrual se deve à flutuação hormonal, que ocorre ao</p><p>longo do mês no ovário e no útero. O ciclo ovariano estimula o desenvolvimento dos</p><p>folículos ovarianos e a produção dos ovócitos, ao passo que o ciclo uterino prepara a</p><p>parede uterina para receber e nutrir o óvulo fertilizado. De acordo com essa abordagem,</p><p>o ciclo menstrual se consiste em três fases que ocorrem ao longo do mês (HALL, 2021;</p><p>LOURENÇO; QUEIROZ, 2010; BRASIL, 2016).</p><p>Alguns fisiologistas sugerem que a liberação hormonal nas mulheres</p><p>após a menarca pode ser estimulada por fatores externos e</p><p>alimentares. Nesse sentido, a prática regular de exercício físico,</p><p>uma boa higiene de sono (dormir entre 7 e 9 horas por noite), nível</p><p>de estresse psicológico reduzido, concentrações baixas de glicose</p><p>plasmática tendem a serem alguns dos fatores ambientais que afetam</p><p>diretamente no processo maturacional, especialmente feminino.</p><p>IMPORTANTE</p><p>97</p><p>A primeira metade do ciclo ovariano é definida como fase folicular. A fase</p><p>folicular ocorre desde antes do nascimento até o final dos anos reprodutivos da</p><p>mulher.</p><p>Isso se dá pelo fato de o córtex ovariano conter diversos folículos, onde a maioria desses</p><p>são folículos primordiais. Esses folículos primordiais são formados por um ovócito que</p><p>circunda uma única camada de células que sustentam as células foliculares. Assim,</p><p>no início de cada ciclo ovariano, 6 a 12 folículos primordiais crescem, iniciando a fase</p><p>folicular, que dura duas semanas (aproximadamente). Esse crescimento é estimulado</p><p>pelo hormônio folículo-estimulante (FSH) secretado pela adeno-hipófise (HALL, 2021;</p><p>LOURENÇO; QUEIROZ, 2010; BRASIL, 2016).</p><p>A adeno-hipófise é responsável por sintetizar e secretar os seus próprios</p><p>hormônios. Além disso, esses hormônios apresentam um leque variado</p><p>de funções. Vale destacar que alguns desses hormônios são responsáveis</p><p>por controlar a atividade de outras glândulas.</p><p>NOTA</p><p>Adicionalmente, quando um folículo primordial começa a crescer, suas células</p><p>foliculares tornam-se cuboides e o ovócito se expande. A partir daí, as células foliculares</p><p>se multiplicam e formam um epitélio estratificado em volta do ovócito. Assim, desse</p><p>ponto em diante, as células foliculares são denominadas de células granulosas. O</p><p>ovócito desenvolve uma camada glicoproteica chamada zona pelúcida–que é um</p><p>cinturão transparente–formando uma concha protetora que o espermatozoide precisa</p><p>penetrar para fertilizar o ovócito. À medida que as células granulosas continuam a se</p><p>dividir por meio da expansão desses folículos, uma camada de tecido conjuntivo do</p><p>folículo – chamada teca – condensa-se em volta da parte externa do folículo. As células</p><p>externas da teca do folículo são fusiformes e assemelham-se a células musculares</p><p>lisas, ao passo que as células internas da teca do folículo secretam hormônios (HALL,</p><p>2021; LOURENÇO; QUEIROZ, 2010; BRASIL, 2016).</p><p>O hormônio luteinizante (LH) estimulam as células da teca do folículo, da parte</p><p>anterior da hipófise, além de secretar hormônios androgênios (hormônios sexuais</p><p>masculinos). As células granulosas vizinhas, sob a influência do FSH, que também</p><p>é secretado pela parte anterior da hipófise, são responsáveis pela conversão dos</p><p>androgênios em hormônios sexuais femininos, os estrogênios (ou estrógenos). Os</p><p>98</p><p>estrógenos, após serem secretados na corrente sanguínea, estimulam o crescimento e</p><p>a atividade de todos os órgãos sexuais femininos. Além disso, esses hormônios sinalizam</p><p>a mucosa uterina a se refazer após cada ciclo menstrual (HALL, 2021; LOURENÇO;</p><p>QUEIROZ, 2010; BRASIL, 2016).</p><p>No estágio seguinte do desenvolvimento folicular, um líquido transparente</p><p>acumula-se entre as células granulosas e forma uma cavidade cheia de fluido chamada</p><p>antro. Nesse estágio, o folículo é denominado de antral. De acordo com isso, o fluido</p><p>antro se expande até isolar o ovócito, junto com algumas células granulosas que formam</p><p>uma coroa radiada. Por fim, o folículo alcança um tamanho em termos de diâmetros de</p><p>2 cm. Assim, esse folículo ovariano está pronto para ser ovulado. Adicionalmente, de</p><p>toda quantidade de folículo que cresce na fase folicular, a maioria morre e degenera</p><p>ao longo do percurso, enquanto apenas um folículo por mês completa todo o processo</p><p>de maturação, expelindo seu ovócito de um ovário para uma fertilização em potencial,</p><p>portanto este último percurso de todo é processo é denominado de ovulação, e ocorre</p><p>logo após o término da fase folicular, aproximadamente no décimo quarto dia do ciclo</p><p>ovariano (HALL, 2021; LOURENÇO; QUEIROZ, 2010; BRASIL, 2016) .</p><p>Embora as alterações do ciclo menstrual na adolescência possam</p><p>ocorrer, a mulher tende a ter menos complicações metabólicas nas</p><p>idades mais jovens. Por outro lado, em idades mais avançadas se</p><p>exige um rigor em termos de controle metabólico, isto é, aumento do</p><p>colesterol, que é diferente na fase de adolescência, no entanto alguns</p><p>autores sugerem que é preciso dar atenção para o comportamento</p><p>do ciclo menstrual na adolescência em relação aos riscos metabólicos.</p><p>IMPORTANTE</p><p>A fase de ovulação ocorre aproximadamente na metade do ciclo ovariano.</p><p>Durante esse processo, um ovócito sai de um dos dois ovários femininos e migra para</p><p>cavidade peritoneal, sendo assim, seu próximo passo a tuba uterina. Nesse sentido, um</p><p>pouco antes do décimo quarto dia do ciclo feminino, ocorre a liberação de uma grande</p><p>quantidade de LH que vai sinalizar para um período de ovulação via adeno-hipófise. No</p><p>processo de ovulação a parede ovariana sobre o folículo se expande (apresentando um</p><p>inchaço), ao passo que depois ela se rompe, saindo então o ovócito que irá circundar</p><p>pela sua coroa radiada (HALL, 2021; LOURENÇO; QUEIROZ, 2010; BRASIL, 2016).</p><p>A fase que ocorre após a ovulação, na segunda metade do ciclo ovariano, é</p><p>denominada de fase lútea. Nesta fase, parte do folículo que fica no ovário cai e sua</p><p>parede é lançada em dobras onduladas. Então, o corpo lúteo (formado por camadas</p><p>de grânulos e teca) não é uma estrutura que degenera, mas sim uma glândula</p><p>endócrina que persiste em permanecer no organismo feminino durante a fase lútea</p><p>do ciclo ovariano. Sua importância está na secreção de estrógenos e de progesterona.</p><p>99</p><p>Especificamente, a progesterona age na mucosa do útero, e realiza uma sinalização de</p><p>preparo para a implantação de um embrião, entretanto, se esse processo não ocorrer,</p><p>o corpo lúteo morre após duas semanas. Como consequência da morte do corpo</p><p>lúteo, há uma cicatriz como produto, denominada de corpo branco. O corpo branco</p><p>permanece no ovário durante vários meses, até se encolher quase que por completo</p><p>e ser fagocitado por macrófagos de uma maneira eficaz (HALL, 2021; LOURENÇO;</p><p>QUEIROZ, 2010; BRASIL, 2016).</p><p>Entre os homens e as mulheres há um dimorfismo sexual, que ocorre já na</p><p>puberdade, fenômeno este que estabelece as diferentes formas corporais</p><p>femininas e masculinas. Isso impacta diretamente no desenvolvimento</p><p>esquelético, sistema locomotor (músculo esquelético e tecido adiposo), dentre</p><p>outros. Especificamente nas mulheres, o depósito de gordura ocorre mais na</p><p>região do quadril e pernas, sugerindo um formato de pera, ao passo que nos</p><p>homens há um acúmulo de gordura maior na região central (abdome).</p><p>INTERESSANTE</p><p>O ciclo menstrual é o ciclo uterino, especialmente por envolver o endométrio, nele</p><p>ocorre uma série de fases cíclicas pelas quais o endométrio passa a cada mês durante</p><p>o ciclo feminino. O endométrio responde às flutuações hormonais, especialmente</p><p>das concentrações dos hormônios ovarianos no sangue. Essas fases que ocorrem no</p><p>endométrio estão estreitamente relacionadas às fases do ciclo ovariano. Além disso,</p><p>essas fases são produto das flutuações dos hormônios hipofisários FSH e LH ao longo</p><p>do ciclo feminino (HALL, 2021; LOURENÇO; QUEIROZ, 2010; BRASIL, 2016).</p><p>Três fases compõem o ciclo uterino. Na Fase 1 (denominada de fase menstrual),</p><p>a qual ocorre do primeiro ao quinto dia do mês, uma de suas características é a eliminação</p><p>da camada funcional do endométrio para o meio externo. Na Fase 2 (denominada de</p><p>fase proliferativa), a qual ocorre do sexto ao décimo quarto dia é caracterizada pela</p><p>reconstrução da camada funcional do endométrio. Por fim, na Fase 3 (denominada de</p><p>fase secretória), a qual ocorre do décimo quinto ao vigésimo oitavo dia, é quando o</p><p>endométrio se prepara para a implantação de um embrião. Tanto a fase menstrual quanto</p><p>a proliferativa ocorrem antes da ovulação. Quando associadas, essas correspondem à</p><p>fase folicular do ciclo ovariano. A fase lútea do ciclo ovariano é representada pela fase</p><p>secretória em termos de tempo (HALL, 2021; LOURENÇO; QUEIROZ, 2010; BRASIL, 2016).</p><p>100</p><p>Na endometriose há fragmentos de tecido endometrial presentes</p><p>nas tubas uterinas, no ovário e no peritônio da cavidade pélvica.</p><p>Isso ocorre porque esse endométrio fora do lugar gera um refluxo</p><p>de fluido menstrual, espalhando as células endometriais do útero</p><p>pelas tubas uterinas. Assim, quando a mulher apresenta a condição</p><p>de endometriose, a dor associada à menstruação é extrema</p><p>porque os fragmentos endometriais</p><p>respondem aos hormônios</p><p>ovarianos circulantes criando tecido endometrial com sangramento.</p><p>Adicionalmente, essa condição acomete cerca de 10% das mulheres</p><p>em idade reprodutiva. O tratamento pode ser feito por meio da</p><p>ingestão de medicamentos que são capazes de sessar a secreção</p><p>dos estrogênios e suprimir a menstruação.</p><p>IMPORTANTE</p><p>O climatério é um período de transição, com uma duração que não é fixa, ou</p><p>seja, varia de acordo com o ciclo biológico da mulher. Embora a expectativa de vida</p><p>da mulher tenha aumentado ao longo dos últimos anos, o climatério provoca um</p><p>certo desequilíbrio hormonal por conta de uma produção reduzida de androgênios e</p><p>isso se converte em estrogênio, embora a etiopatogenia desse advento seja complexa</p><p>(FEBRASGO, 2010; HALL, 2021).</p><p>De acordo com essas premissas, o climatério tem por características peculiares</p><p>os sintomas desenvolvidos pelas mulheres, especialmente na fase em que os ovários</p><p>reduzem ou deixam de produzir hormônios que são imprescindíveis para reprodução</p><p>humana. Assim, o entendimento desse fenômeno é de grande relevância, uma vez que</p><p>se objetiva refinar conhecimentos úteis para que esses auxiliem no melhor controle</p><p>fisiológico, morfológico, metabólico e funcional das mulheres nesta fase da vida</p><p>(FEBRASGO, 2010; HALL, 2021).</p><p>O uso de terapia hormonal no período de climatério tende a aumentar o risco</p><p>de câncer de mama, portanto o profissional de Educação Física, enquanto</p><p>profissional da saúde, pode e deve desencorajar o uso de qualquer estratégia</p><p>hormonal da mulher que está passando pelo período de climatério.</p><p>ATENÇÃO</p><p>101</p><p>A estrutura mais relevante do eixo hipotálamo-hipófise nesse processo é o ovário,</p><p>porém, no climatério, os ovários perdem totalmente a resposta. Em alguns casos, os ovários</p><p>respondem de uma maneira mais lenta, no entanto geralmente as mulheres perdem a</p><p>produção destes, levando a zero em termos de liberação hormonal. Assim, o organismo</p><p>feminino apresenta déficit de produção dos hormônios estrogênio e progesterona. Nesse</p><p>sentido, o organismo da mulher pode responder de diferentes maneiras. Normalmente,</p><p>a grande maioria das mulheres que estão passando por esse período sentem fogachos,</p><p>suores, redução da quantidade do sono, prejuízo na qualidade de sono, cansaço, aumento</p><p>de peso e oscilação do humor (FEBRASGO, 2010; HALL, 2021).</p><p>As alterações fisiológicas no corpo humano feminino que ocorrem no período</p><p>do climatério tendem a provocar consequências na saúde global da mulher, afetando</p><p>diretamente sua longevidade (FEBRASGO, 2010; HALL, 2021). Especificamente com</p><p>relação ao climatério, esse período acarreta modificações hormonais e metabólicas,</p><p>alterações estas que são características dessa fase da vida, que podem ser classificadas</p><p>como precoces, de médio prazo e/ou tardias (como mencionado anteriormente,</p><p>influenciado pela individualidade biológica feminina) (FEBRASGO, 2010; HALL, 2021).</p><p>O período em que a mulher passará pelo climatério não irá ocorrer de</p><p>maneira abrupta. Comumente, há um processo de transformação que</p><p>ocorre no organismo feminino que pode durar por vários anos.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Especificamente com relação ao climatério, as considerações relativas a este</p><p>período levam em consideração as alterações endócrinas e funcionais dessa fase.</p><p>É sugerido que a exaustão dos folículos ovarianos possa ser acelerada por perda de</p><p>sincronia dos sinais neurais (FEBRASGO, 2010; HALL, 2021).</p><p>Clinicamente, as modificações endócrinas podem ser vistas como, por</p><p>exemplo, uma insuficiência do corpo lúteo – que nas fases iniciais do climatério</p><p>determina irregularidades no ciclo menstrual feminino. Tais irregularidades podem</p><p>ser caracterizadas pela polimenorreia, evoluindo mais tardiamente para amenorreia</p><p>espontânea e definitiva. Além disso, essas mudanças decorrem da falha dos ovários e</p><p>das modificações que ocorrem no hipotálamo e da hipófise nesta fase da vida. Como</p><p>consequência da diminuição dos folículos ovarianos, há um declínio progressivo dos</p><p>estrógenos. Por mecanismo de rebote, se nota uma elevação progressiva das do LH e</p><p>do FSH, na tentativa de manter a produção de novos folículos. Esse quadro de rebote</p><p>provoca uma maior produção de androgênios (testosterona e androstenediona), que por</p><p>sua vez, quando são produzidos pelas adrenais nos tecidos periféricos (via aromatase),</p><p>102</p><p>são convertidos em estrona – que é o principal hormônio da mulher quando está no</p><p>período de climatério. Assim, é de extrema importância que os profissionais de saúde</p><p>adotem medidas para promover saúde para essas mulheres nessa fase, ao passo que</p><p>também se faz necessário medidas preventivas que melhorem a qualidade de vida</p><p>dessas mulheres que estão passando pelo climatério (FEBRASGO, 2010; HALL, 2021).</p><p>Por exemplo, os distúrbios neurais e endócrinos são normalmente os mais</p><p>frequentes. Do ponto de vista tecidual, as mulheres que estão passando por essa fase da</p><p>vida tendem a apresentar redução na força muscular, na massa muscular, na potência</p><p>muscular e aumento na gordura corporal. Além disso, esses sintomas podem provocar</p><p>crise de identidade, que é geralmente caracterizada por prejuízo na autoestima. Embora</p><p>mencionamos anteriormente alguns sintomas do climatério, na fase de curto prazo,</p><p>as mulheres relatam muitas ondas de calor (os famosos fogachos), excesso de suor,</p><p>calafrios, dor de cabeça frequente, dentre outros (FEBRASGO, 2010; HALL, 2021).</p><p>Em médio prazo, a sintomatologia do climatério é acompanhada por questões</p><p>mais palpáveis para essa população. Especificamente, as mulheres tendem a relatar que</p><p>percebem secura vaginal, pele seca, queda de cabelo, fatores estes que contribuem</p><p>diretamente para redução na autoestima e elevação de sintomas depressivos.</p><p>Tardiamente, o metabolismo feminino começa a ser prejudicado, apresentando um</p><p>maior risco para doenças cardiometabólicas e osteomioarticulares. Adicionalmente, a</p><p>bexiga e a uretra sofrem um processo de atrofia, que acompanha a redução estrogênica.</p><p>Esse quadro pode ser identificado no epitélio e tecidos pélvicos de sustentação. Assim,</p><p>a mucosa se torna mais delgada, ocorre prolapsos genitais e outros sintomas vaginais –</p><p>como, por exemplo, ressecamento local (FEBRASGO, 2010; HALL, 2021).</p><p>Milhões de folículos desaparecem do período de nascimento até a</p><p>puberdade. Esse processo é denominado de atresia folicular. A atresia</p><p>folicular representa a morte do folículo. Adicionalmente, na menarca, a</p><p>mulher pode chegar até a 400.000 folículos, ao passo que no período de</p><p>climatério esse número reduz em 50%.</p><p>NOTA</p><p>De maneira adicional, os esteroides sexuais também podem influenciar o</p><p>metabolismo lipídico e provocar alterações nas lipoproteínas, que são as responsáveis</p><p>pela consistência da parte proteica acerca do sistema de transporte dos lipídeos.</p><p>103</p><p>Nas mulheres, durante o período de climatério, as concentrações de lipoproteína de</p><p>baixa densidade (LDL-c) são menores, ao passo que as concentrações de lipoproteína</p><p>de alta densidade (HDL-c) são maiores, se comparada com homens da mesma idade</p><p>(FEBRASGO, 2010; HALL, 2021).</p><p>Uma característica menstrual do advento do climatério no corpo humano</p><p>feminino é o período de intervalo entre as menstruações. Por exemplo, este intervalo</p><p>entre as menstruações pode diminuir devido ao rápido amadurecimento dos folículos,</p><p>que ocorre pelas concentrações elevadas de gonadotrofinas. Além desse exemplo, outro</p><p>mecanismo que se pode identificar o climatério é por meio dos intervalos menstruais, que</p><p>podem estar aumentados pela persistência das concentrações de estrógeno, ao passo</p><p>que há ausência de progesterona. Assim, quando a mulher em período de climatério</p><p>menstrua, o endométrio está hiperplasiado por essas alterações hormonais, assim, as</p><p>menstruações são mais abundantes e apresentam maior duração (FEBRASGO, 2010;</p><p>HALL, 2021).</p><p>Outro sinal de manifestação neural do período de climatério é o aparecimento de</p><p>insônia, perda da memória de curto prazo e fadiga autorrelatada aumentada. Além disso,</p><p>há alterações metabólicas</p><p>que merecem destaque. De fato, o avançar da idade está</p><p>associado a um prejuízo progressivo no metabolismo ósseo, porém são mais comuns</p><p>as fraturas ósseas nas mulheres do que nos homens. As regiões do corpo humano mais</p><p>acometidas são o colo do fêmur, a coluna lombar e o punho, comprometendo diretamente</p><p>a qualidade de vida da mulher. Um possível mecanismo para explicar esse quadro é</p><p>a queda da produção de estrogênio no organismo feminino. A queda de estrogênio</p><p>provoca uma diminuição na atividade dos osteoblastos (indicadores de formação e de</p><p>saúde óssea) e aumenta a atividade dos osteoclastos (indicadores de deformação e</p><p>prejuízo ósseo). Nesse sentido, não há formação de osso e muito menos reabsorção</p><p>óssea, afetando diretamente a matriz óssea. Assim, causando quadros de osteopenia</p><p>(condição pré-clínica que sugere a perda gradual de massa óssea, comprometendo</p><p>a resistência dos ossos e aumentando o risco de fraturas) e de osteoporose (que se</p><p>caracteriza por fragilidade esquelética, baixa massa óssea e qualidade óssea alterada)</p><p>(FEBRASGO, 2010; HALL, 2021).</p><p>Do ponto de vista hormonal, valores de FSH acima de 35mU/ml são</p><p>condizentes com insuficiência ovariana. Em período de menstruação,</p><p>especificamente no terceiro dia, as concentrações de FSH podem estar</p><p>aproximadamente 15mU/ml ou mais, indicará baixa reserva folicular. Assim,</p><p>se pode confirmar o quadro de climatério.</p><p>ATENÇÃO</p><p>104</p><p>Partindo da premissa que o envelhecimento feminino é um processo inerente e</p><p>progressivo, a menopausa tem sido definida como uma alteração natural que ocorre em</p><p>um determinado momento da vida da mulher. De uma maneira mais direta, a menopausa</p><p>é caracterizada pela cessação permanente da menstruação em um período mínimo de</p><p>um ano comparado ao acontecimento da última menstruação. Assim, a menopausa</p><p>pode ser sugerida quando uma mulher para de ovular e não pode mais reproduzir, e</p><p>geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos de idade (ANTUNES; MARCELINO; AGUIAR,</p><p>2003; BRUCE; RYMER, 2009; HALL, 2021; BRASIL, 2008).</p><p>Dentro dos conceitos de menopausa existe a pré-menopausa (também</p><p>chamada de perimenopausa). De um modo geral, a pré-menopausa/perimenopausa</p><p>engloba toda a idade fértil até à menopausa, mais especificamente antes do período</p><p>de climatério. Assim, a pré-menopausa/perimenopausa se refere ao período decorrido</p><p>entre o início do declínio da função ovárica e a menopausa (neste caso, inclui-se o</p><p>período de climatério) (ANTUNES; MARCELINO; AGUIAR, 2003; BRUCE; RYMER, 2009;</p><p>HALL, 2021; BRASIL, 2008).</p><p>Adicionalmente, a transição menopáusica tem sido caracterizada por um período</p><p>que pode variar. Esse período costuma iniciar com alterações da regularidade do ciclo</p><p>feminino (ciclo menstrual) e que termina com a última menstruação. A menopausa</p><p>iatrogênica, que é uma consequência associada à destruição da quantidade de folículos</p><p>no ovário. Usualmente, esse fenômeno acontece devido a complicações médicas, mais</p><p>especificamente em relação aos efeitos do tratamento do câncer. Adicionalmente, a</p><p>menopausa precoce ocorre entre os 40 e 45 anos de idade, ao passo que a insuficiência</p><p>ovárica prematura ocorre antes dos 40 anos de idade (ANTUNES; MARCELINO; AGUIAR,</p><p>2003; BRUCE; RYMER, 2009; HALL, 2021; BRASIL, 2008).</p><p>A menopausa tardia ocorre depois dos 54 anos de idade. Finalmente, após os</p><p>54 anos de idade, a grande maioria das mulheres estão no período pós-menopausa.</p><p>De acordo com essa abordagem, o período pós-menopausa se refere ao tempo de</p><p>vida da mulher após a menopausa. Assim, o período pós-menopausa é associado com</p><p>o aumento no tecido adiposo central (gordura visceral), redução da força muscular e</p><p>da capacidade físico-funcional. Mulheres na pós-menopausa tem um declínio físico-</p><p>funcional acentuado quando comparado aos homens da mesma idade. Além disso,</p><p>ocorre um aumento crônico das concentrações de alguns marcadores inflamatórios</p><p>que estão associados negativamente com a massa muscular e capacidade físico-</p><p>funcional (ANTUNES; MARCELINO; AGUIAR, 2003; BRUCE; RYMER, 2009; HALL, 2021;</p><p>BRASIL, 2008)</p><p>Evidências indicam que o estado inflamatório é um fator de risco para doenças</p><p>cardiovasculares, além de outras doenças crônicas não transmissíveis relacionadas</p><p>ao envelhecimento. Recentemente, tem sido mostrado que o aumento crônico nas</p><p>concentrações de marcadores inflamatórios de baixo grau é associado à obesidade</p><p>abdominal (gordura visceral). Muitos pesquisadores propõem que o estado inflamatório</p><p>105</p><p>de baixo grau pode acelerar o envelhecimento e que deve ser considerado como um dos</p><p>pilares do envelhecimento. Nesse sentido, se faz importante à modulação da inflamação</p><p>crônica de baixo grau em estágios iniciais (prevenção), pois isso pode evitar o declínio</p><p>físico-funcional da mulher na pós-menopausa, portanto são necessárias estratégias</p><p>eficientes para prevenir e reduzir os níveis de marcadores inflamatórios em mulheres na</p><p>pós-menopausa (ANTUNES; MARCELINO; AGUIAR, 2003; BRUCE; RYMER, 2009; HALL,</p><p>2021; BRASIL, 2008).</p><p>O treinamento resistido tem se demonstrado eficaz no que tange o combate</p><p>do aumento das concentrações dos marcadores inflamatórios em mulheres</p><p>na pós-menopausa.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Especificamente com relação aos possíveis mecanismos associados à</p><p>menopausa, parece que o mecanismo fisiológico se relaciona com uma alteração na</p><p>quantidade dos neurotransmissores cerebrais, que é consequência da redução de</p><p>estrógenos. Além disso, essa redução de estrógenos é acompanhada por concentrações</p><p>elevadas do hormônio que libera gonadotrofina. Outro aspecto importante que se</p><p>relaciona a esse período é uma perturbação do equilíbrio térmico corporal por parte das</p><p>mulheres. A esse respeito, um sinal de que o equilíbrio térmico corporal da mulher está</p><p>comprometido é a onda de calor. Essa onda de calor costuma ser bastante intensa e</p><p>atinge mais especificamente a região superior do corpo. Além disso, após poucos minutos</p><p>da onda de calor, outra consequência do desequilíbrio térmico corporal provocado pela</p><p>menopausa é a onda de sudorese fria acompanhada por um aumento da frequência</p><p>cardíaca (podendo se associar, as vezes, com vertigens). Um ponto importante a</p><p>respeito dessas consequências do desequilíbrio térmico corporal é que estes não são</p><p>controláveis pela mulher, muito menos previsíveis (ANTUNES; MARCELINO; AGUIAR,</p><p>2003; BRUCE; RYMER, 2009; HALL, 2021; BRASIL, 2008).</p><p>Parece que 12 semanas de treinamento resistido, realizado três vezes</p><p>na semana, com cargas de moderada intensidade, são suficientes</p><p>para reduzir as concentrações dos marcadores pró-inflamatórios.</p><p>IMPORTANTE</p><p>106</p><p>Ao longo dos últimos anos, alguns estudos vêm demonstrando que as mulheres</p><p>na menopausa apresentam (com uma frequência significativa) dificuldade para dormir,</p><p>baixa quantidade de sono e insônia. Um aspecto que deve ser elencado aqui é que,</p><p>esses relatos podem ser estrogênio-dependentes, ao passo que também se sugere</p><p>existir incômodos vasomotores que podem influenciar diretamente na qualidade do</p><p>sono. Em relação à depressão, a literatura científica mostra que mulheres na pós-</p><p>menopausa sofrem da doença, embora não pareça estar estreitamente relacionada à</p><p>falta de estrógeno. Por outro lado, outros estudos mostram que os estrógenos podem</p><p>promover melhorias no humor das mulheres. Isso ocorre, pois esse hormônio feminino</p><p>parece exercer efeitos reguladores nas concentrações de serotonina (popularmente</p><p>conhecido como hormônio da felicidade) e da acetilcolina (responsável pela regulação</p><p>da memória, do aprendizado e do sono). Os estrógenos também apresentam um efeito</p><p>misto nas concentrações de noradrenalina e das endorfinas, diminuindo os receptores</p><p>de dopamina e aumentando a atividade dos receptores GABA – neurotransmissor</p><p>importante relacionado ao ato de relaxar e se concentrar. Isso sugere uma certa</p><p>incoerência acerca dos estudos disponíveis na literatura (ANTUNES; MARCELINO;</p><p>AGUIAR, 2003; BRUCE; RYMER, 2009; HALL, 2021; BRASIL, 2008).</p><p>No que tange as disfunções uroginecológicas, a mucosa da vagina,</p><p>que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>2</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 1!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>3</p><p>ENVELHECIMENTO BIOLÓGICO E</p><p>CRONOLÓGICO DA MULHER</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 1, abordaremos o envelhecimento bioló-</p><p>gico e cronológico da mulher. Para isso, inicialmente se faz necessário o entendimento</p><p>das modificações associadas ao avançar da idade, de uma maneira geral.</p><p>Os estudantes da ciência do exercício comumente desprezam o atendimento</p><p>a pacientes de meia-idade (por exemplo: mulheres adultas que estão passando pelo</p><p>climatério) e/ou clientes idosos, especialmente mulheres na pós-menopausa. Uma</p><p>das razões para isso é que muitos preferem atender o público jovem, o que torna</p><p>seu leque de atendimento limitado, uma vez que é bem difícil ter uma quantidade</p><p>grande de clientes somente desta faixa de idade (18-30 anos). A maior vantagem de</p><p>trabalhar com uma população mais velha (isto é, adultos e idosos) comparada aos</p><p>jovens, é que você, enquanto estudante de Educação Física e futuro profissional da</p><p>área, estará atualizado frente a tendência da pirâmide de faixa etária – que sugere</p><p>uma maior quantidade de indivíduos com idades mais avançadas para os próximos</p><p>anos, principalmente idosos. Atualmente, o trabalho envolvendo o exercício físico para</p><p>saúde da população adulta, e sobretudo da população idosa, tem sido mais relatado</p><p>na literatura. Com isso, o entendimento sobre o exercício físico na saúde ficou de mais</p><p>fácil compreendimento, especialmente para população feminina que é mais afetada</p><p>pelo fenômeno do envelhecimento.</p><p>Portanto, a ideia central deste tema de aprendizagem será promover uma</p><p>abordagem teórico-prática envolvendo a mulher acerca dos aspectos epidemiológicos</p><p>de seu envelhecimento (diferentes faixas etárias) e apresentar a diferença entre</p><p>o envelhecer cronológico (avançar da idade) do envelhecer biológico (alterações</p><p>moleculares). Nesse sentido, a seguir abordaremos o panorama epidemiológico acerca</p><p>do envelhecimento feminino, sobretudo na população brasileira, que têm sido relatado</p><p>pela literatura até o momento.</p><p>TÓPICO 1 - UNIDADE 1</p><p>2 ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS RELACIONADOS A MULHER</p><p>Uma surpreendente matéria de um jornal brasileiro na década de 1960 destacava</p><p>a seguinte mensagem: “ônibus entrou na casa humilde e foi apanhar a velhinha de 42</p><p>anos”. Para além da atualização da língua portuguesa na palavra “ônibus”, e do fato</p><p>trágico da mulher falecer após esse acidente, vale destacar que a vítima foi chamada</p><p>4</p><p>de velha por ter 42 anos. Em 1960, a expectativa de vida era de aproximadamente 54</p><p>anos de idade. No século XX, de fato as pessoas viviam menos tempo do que nos dias</p><p>de hoje. Naquele tempo, as doenças infecciosas estavam bem mais presentes na vida</p><p>das pessoas comparado aos dias atuais, devido a menos tratamento médico para tais</p><p>morbidades (CRIMMINS, 2015; SEALS et al., 2016). Nesse sentido, para aquela época era</p><p>normal chamar de velha uma mulher de 42 anos de idade.</p><p>Atualmente, a expectativa de vida da população é de aproximadamente 74 anos</p><p>de idade (CRIMMINS, 2015; SEALS et al., 2016). Além disso, as mulheres tendem a viver um</p><p>maior período quando comparadas aos homens (RUDNICKA et al., 2020). O fato de a expec-</p><p>tativa de vida da mulher ter aumentado pode ser explicado pelo avanço da ciência e tec-</p><p>nologia (incluindo o desenvolvimento dentro do nosso país) (CRIMMINS, 2015; SEALS et al.,</p><p>2016). Por exemplo, com o avançar dos estudos clínicos na área da saúde, especialmente na</p><p>medicina e farmácia, a mulher tem vivido por mais tempo (RUDNICKA et al., 2020). Embora</p><p>o crescimento da ciência e tecnologia tenha combatido a incidência e prevalência (novos</p><p>casos e total de casos, respectivamente) de doenças infecciosas – principal causa de morte</p><p>da população no século XX – atualmente, as doenças crônicas não transmissíveis têm pro-</p><p>vocado consequências deletérias para as mulheres, sobretudo mais velhas (após passarem</p><p>pelo advento da menopausa) (CRIMMINS, 2015; SEALS et al., 2016).</p><p>Ainda vale destacar que as pessoas mais velhas apresentam um aumento do</p><p>risco para desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão</p><p>arterial, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, doença arterial coronariana, alguns tipos</p><p>de câncer – o que contribui significativamente para diminuição da qualidade de vida</p><p>do indivíduo, comprometendo diretamente a longevidade (WHO, 2015). Adicionalmente,</p><p>as doenças crônicas não transmissíveis são um dos principais problemas de saúde</p><p>pública do Brasil e do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as doenças</p><p>crônicas não transmissíveis foram responsáveis por cerca de 70% das mortes ocorridas</p><p>globalmente em 2019. No Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis são igualmente</p><p>relevantes, tendo sido responsáveis, em 2019, por 41,8% do total de mortes ocorridas</p><p>prematuramente, ou seja, entre 30 e 69 anos de idade.</p><p>De fato, a população idosa global tem crescido rapidamente (WHO, 2015). Atual-</p><p>mente, os idosos representam aproximadamente 20% da população mundial (RUDNICKA</p><p>et al., 2020; SANDER et al., 2015). Além disso, estima-se que até 2050 o número de idosos</p><p>será maior que 2 milhões de indivíduos em todo planeta (RUDNICKA et al., 2020; SANDER et</p><p>al., 2015), porém, diante desse cenário, a quantidade de mulheres idosas será maior do que</p><p>a dos homens, uma vez que elas vivem alguns anos a mais (RUDNICKA et al., 2020).</p><p>No Brasil, se traçarmos um paralelo de idosos vivos entre o ano de 2021 para o</p><p>ano de 2060 (estimado), poderemos ter o seguinte cenário: 2021 (14,66% da população</p><p>brasileira são idosos, que representa aproximadamente 31,3 milhões de pessoas) vs</p><p>2060 (32,16% da população brasileira são idosos, que representa aproximadamente 68,7</p><p>milhões de pessoas). Trocando em miúdos, a diferença entre o ano de 2021 para o que</p><p>poderemos ter no ano de 2060 chega a 17,5%.</p><p>5</p><p>Figura 1 – Pirâmide etária no Brasil no ano de 2021 e 2060, respectivamente</p><p>Fonte: adaptada de População (2023).</p><p>Essa diferença significativa do número de pessoas que temos atualmente nos</p><p>sugere sinais importantes acerca do cuidado em termos de saúde com a população</p><p>idosa, especialmente feminina – veremos à frente, que as consequências do fenômeno</p><p>de envelhecimento são mais acentuadas nas mulheres por alguns motivos.</p><p>Um dos motivos da mulher mais velha apresentar maior risco para o</p><p>surgimento de doenças crônicas não transmissíveis se dá, por exemplo,</p><p>pela ausência de estrógenos endógenos. Em outras palavras, a mulher</p><p>após passar pelo advento da menopausa fica mais suscetível a desenvolver</p><p>pressão arterial alta, diabetes mellitus tipo II etc.</p><p>INTERESSANTE</p><p>Nos dias atuais, na área da geriatria e gerontologia nasceu o termo “GeroScience”</p><p>para caracterizar uma nova iniciativa enquanto área de conhecimento, com objetivo</p><p>de alavancar a experiência interdisciplinar (de campos complementares, incluindo o</p><p>exercício físico) para abordar as principais mudanças fisiológicas advindas do processo</p><p>de envelhecimento (CRIMMINS, 2015; SEALS et al., 2016).</p><p>O objetivo da GeroScience é aumentar a reserva fisiológica do indivíduo. Tro-</p><p>cando em miúdos, essa área do conhecimento visa aumentar o tempo de vida saudá-</p><p>vel do indivíduo por meio do aumento do tempo de vida saudável, o que permite otimi-</p><p>6</p><p>zar a longevidade; assim, promovendo um envelhecimento saudável para o indivíduo</p><p>– com ausência de incidência e prevalência de doenças crônicas não transmissíveis</p><p>(ou pelo menos empurrando tais morbidades para o final da vida) (CRIMMINS, 2015;</p><p>SEALS et al., 2016).</p><p>Para promover um envelhecimento saudável, otimizando a longevidade</p><p>e empurrando a incidência e prevalência de doenças crônicas não</p><p>transmissíveis para o final da vida, uma ferramenta que pode ser utilizada é</p><p>o exercício físico.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido</p><p>pelo músculo esquelético que resulta em gasto energético (CASPERSEN; POWELL;</p><p>da uretra</p><p>e da bexiga apresentam origem embrionária comum, embora estrogênio-dependente.</p><p>Assim, a diminuição das concentrações de estrógenos na corrente sanguínea leva a</p><p>atrofia da mucosa vaginal, aumento do pH e diminuição da secreção vaginal. Esses</p><p>efeitos auxiliam no entendimento e explicações para os relatos frequentes apresentados</p><p>pelas mulheres. Especificamente com relação aos efeitos, mulheres na pós-menopausa</p><p>relatam secura vaginal associada a irritação local, dispareunia e aumento da frequência</p><p>de infecções urinárias. Lembrando que infecções urinárias são mais comuns nas</p><p>mulheres do que nos homens, assim, após o advento da menopausa, as mulheres</p><p>relatam maior incidência desse desfecho. Além disso, algumas mulheres tendem a</p><p>expor que há síndrome ureteral. Geralmente, esses sintomas afetam muito a vida sexual</p><p>da mulher, diminuindo a libido e a autoestima. Tardiamente ocorrem alterações a nível</p><p>cerebral, que podem estar relacionadas ao prejuízo cognitivo e saúde mental piorada.</p><p>Todos esses aspectos citados anteriormente estão associados a uma diminuição</p><p>nas concentrações de estrógenos com avançar da idade da mulher após passar pela</p><p>menopausa (ANTUNES; MARCELINO; AGUIAR, 2003; BRUCE; RYMER, 2009; HALL, 2021;</p><p>BRASIL, 2008).</p><p>Quanto à dosagem hormonal nesta fase, as mulheres tendem a apresentar</p><p>variações bem elevadas. Isso ocorre pelo fato dos adventos (climatério e menopausa)</p><p>apresentarem algumas semelhanças, entretanto, em alguns casos de suspeita de</p><p>menopausa precoce, o diagnóstico de menopausa é confirmado se as concentrações</p><p>de FSH estiverem acima de 40 mlU/ml, ao passo que as concentrações de estradiol</p><p>devem estar abaixo de 20 a 30 pg/ml. Adicionalmente, a deficiência hormonal, no que</p><p>tange as concentrações de estrógenos nas mulheres, é capaz de induzir prejuízos em</p><p>alguns órgãos e diferentes sistemas do corpo humano. Por exemplo, as disfunções</p><p>107</p><p>vasomotoras, o que inclui o desequilíbrio térmico corporal, são responsáveis pela</p><p>sintomatologia mais frequente da mulher que está no período pós-menopausa. Durante</p><p>esse período, esses sintomas parecem atingir cerca de 60 a 80% das mulheres, sendo</p><p>de maior magnitude nos dois primeiros anos após a menopausa, porém, de um modo</p><p>geral, esses sintomas tendem a cessarem de maneira espontânea após cinco anos,</p><p>aproximadamente (ANTUNES; MARCELINO; AGUIAR, 2003; BRUCE; RYMER, 2009;</p><p>HALL, 2021; BRASIL, 2008).</p><p>Vale destacar que mulheres na pós-menopausa que fazem o uso de</p><p>terapia hormonal aumentam o risco para eventos tromboembólicos.</p><p>Adicionalmente, os eventos tromboembólicos são alguns dos</p><p>riscos elencados na lista das consequências associadas a terapia</p><p>hormonal. Vale lembrar que não somente o uso de terapia hormonal</p><p>aumenta o risco para eventos tromboembólico, mas, também a</p><p>obesidade (especialmente a obesidade abdominal, caracterizada</p><p>pelo acúmulo excessivo de gordura na região central do corpo) e</p><p>ter idade superior a 60 anos.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Falando especificamente das consequências deletérias e inerentes ao período</p><p>pós-menopausa, vimos anteriormente que os sintomas vasomotores são os mais</p><p>relatados. Esses sintomas vasomotores estão associados à diminuição da qualidade do</p><p>sono, aumento da irritação, dificuldade de concentração, redução da qualidade de vida</p><p>e prejuízo no estado de saúde. Além disso, tais sintomas parecem estar relacionados</p><p>à incidência de doenças cardiovasculares, prejuízo ósseo e cognitivo (ANTUNES;</p><p>MARCELINO; AGUIAR, 2003; BRUCE; RYMER, 2009; HALL, 2021; BRASIL, 2008).</p><p>De acordo com publicações da década de 2000 acerca dos estudos aleatori-</p><p>zados em seres humanos, a prevenção de doenças cardíacas por meio de te-</p><p>rapia hormonal se mostrou ineficiente. Para além disso, parece que há uma</p><p>associação entre o uso de terapia hormonal e infarto agudo do miocárdio.</p><p>ATENÇÃO</p><p>108</p><p>Os distúrbios do sono são comuns após a menopausa, embora estes começam</p><p>na pré-menopausa/perimenopausa. Por exemplo, a quebra no sono está diretamente</p><p>relacionada a flutuações de humor, problemas de memória, síndrome metabólica,</p><p>obesidade e outros fatores de risco para doenças cardiovasculares. Também, a duração</p><p>muito curta (por exemplo, ≥ 4h de sono por noite) ou muito longa (por exemplo, ≤ 12h de</p><p>sono por noite), a má qualidade do sono e a insônia são associadas a complicações no</p><p>sistema cardiovascular (ANTUNES; MARCELINO; AGUIAR, 2003; BRUCE; RYMER, 2009;</p><p>HALL, 2021; BRASIL, 2008).</p><p>A síndrome uroginecológica, após o advento da menopausa, inclui sinais e</p><p>sintomas que estão relacionados à deficiência de estrogênio, envolvendo alterações</p><p>nos lábios, vagina, uretra e bexiga. Além disso, o período após advento da menopausa</p><p>está associado ao prejuízo ósseo. Com relação à terapia hormonal, a literatura científica</p><p>tem demonstrado que para o tratamento da osteoporose, esse tipo de conduta parece</p><p>não melhorar o quadro de osteoporose em mulheres na pós-menopausa. Parece que o</p><p>treinamento resistido melhora os indicadores de saúde óssea em mulheres nessa fase da</p><p>vida, porém esse tipo de intervenção não farmacológica fornece esse fator de melhoria</p><p>na saúde óssea após um longo prazo de execução (> 1 ano de treinamento) (ANTUNES;</p><p>MARCELINO; AGUIAR, 2003; BRUCE; RYMER, 2009; HALL, 2021; BRASIL, 2008).</p><p>A síndrome de fragilidade está associada a eventos adversos como quedas,</p><p>hospitalização, incapacidade e mortalidade precoce. Em contraste, a literatura científica</p><p>tem demonstrado que o músculo esquelético possui receptores de estrogênio, mas</p><p>há uma escassez de estudos avaliando a interação entre o estrogênio e o músculo</p><p>esquelético. A regulação da ingestão e gasto de energia por estrogênio em mulheres não</p><p>foi bem estudada. Há um corpo de evidência limitado que sugere a menopausa como</p><p>um fenômeno que prejudica o equilíbrio energético. A ideia por de trás dessa premissa é</p><p>que a falta de estrogênio gera uma redução do gasto energético de repouso e do gasto</p><p>energético induzido pelo exercício físico em mulheres na pós-menopausa (ANTUNES;</p><p>MARCELINO; AGUIAR, 2003; BRUCE; RYMER, 2009; HALL, 2021; BRASIL, 2008).</p><p>São fatores de menor risco para osteoporose: artrite reumatoide,</p><p>hipertireoidismo, baixas concentrações de cálcio, tabagismo, perda de</p><p>massa corporal > 10% aos 25 anos de idade, dentre outros.</p><p>ATENÇÃO</p><p>109</p><p>Após o advento da menopausa, as mulheres aumentam a gordura corporal</p><p>e diminuem a massa muscular, impactando diretamente a taxa metabólica basal. A</p><p>distribuição central de gordura (padrão ginoide-androide) também ocorre após o advento</p><p>da menopausa, devido a um ajuste que ocorre no envelhecimento feminino. Além disso,</p><p>após dois anos, aproximadamente, do último período menstrual, as mulheres tendem</p><p>a perder menos massa corporal (o famoso peso na balança) (ANTUNES; MARCELINO;</p><p>AGUIAR, 2003; BRUCE; RYMER, 2009; HALL, 2021; BRASIL, 2008).</p><p>São fatores de maior risco para osteoporose: ter idade ≥ 65 anos de</p><p>idade, antecedentes familiares de fratura osteoporótica, osteopenia</p><p>aparente em exame de raios-x, menopausa precoce (</p><p>relação custo-benefício. Por exemplo, enquanto o uso de terapia hormonal pode</p><p>levar a uma redução nos sintomas associados ao déficit de estrógenos, uma parte dos</p><p>estudos disponíveis na literatura científica tem sugerido que essa prática pode provocar</p><p>agravos no sistema cardiovascular e induzir o câncer, especialmente de mama.</p><p>• Em mulheres, o treinamento resistido tem sido recomendado como intervenção não</p><p>farmacológica para combater os agravos relacionados ao período pós-menopausa, no</p><p>entanto órgãos internacionais que estabelecem as orientações acerca da prescrição</p><p>do treinamento resistido, também sugerem que a manipulação das variáveis do</p><p>treino pode otimizar os resultados. Nesse sentido, parece que há uma relação de</p><p>dose e resposta entre a quantidade de volume de treino e os benefícios que essa</p><p>intervenção é capaz de promover em mulheres na pós-menopausa.</p><p>111</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 A fase folicular começa no primeiro dia do ciclo feminino, em outras palavras, inicia</p><p>no primeiro dia de sangramento menstrual. No início dessa fase, a concentração de</p><p>estrogênio e progesterona é baixa. Devido a isso, as concentrações de hormônio</p><p>foliculoestimulante (FSH) se elevam (aumentando a produção endógena) e isso</p><p>estimula diretamente o desenvolvimento de folículos nos ovários. Especificamente</p><p>com relação à fase folicular do ciclo menstrual, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) A fase folicular ocorre desde antes do nascimento até o final dos anos reprodu-</p><p>tivos da mulher.</p><p>b) ( ) O córtex ovariano contém diversos folículos, embora estes parecem impactar</p><p>pouco na fase folicular.</p><p>c) ( ) Esses folículos primordiais são formados por uma gama de ovócitos que</p><p>circundam uma única camada de células que sustentam as células foliculares.</p><p>d) ( ) No início de cada ciclo ovariano, 6 a 12 folículos primordiais crescem, iniciando a</p><p>fase folicular, que dura aproximadamente três semanas.</p><p>2 Segundo a Organização Mundial de Saúde, o climatério corresponde ao período de vida</p><p>da mulher que é caracterizado pelo final da fase reprodutora. Em geral, varia dos 40 aos</p><p>50 anos de idade. Especificamente com relação ao climatério, esse período acarreta</p><p>modificações hormonais e metabólicas, alterações essas que são características</p><p>desta fase da vida, que podem ser classificadas como precoces, de médio prazo e/ou</p><p>tardias (como mencionado anteriormente, influenciado pela individualidade biológica</p><p>feminina). De acordo com isso, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) O período em que a mulher passará pelo climatério ocorre de maneira abrupta.</p><p>b) ( ) Há um processo de transformação que ocorre no organismo feminino que dura</p><p>12 meses.</p><p>c) ( ) As alterações no metabolismo dopaminérgico e nos receptores estrogênicos são</p><p>consequências do climatério.</p><p>d) ( ) É questionável que o declínio no número de unidades foliculares funcionais</p><p>ovarianas seja o elemento principal da falência reprodutora durante o climatério.</p><p>112</p><p>3 Partindo da premissa que o envelhecimento feminino é um processo inerente e</p><p>progressivo, a menopausa tem sido definida como uma alteração natural que ocorre</p><p>em um determinado momento da vida da mulher. De uma maneira mais direta, a</p><p>menopausa é caracterizada pela cessação permanente da menstruação em um</p><p>período mínimo de um ano comparado ao acontecimento da última menstruação.</p><p>Adicionalmente, o período pós-menopausa refere-se ao tempo de vida da mulher</p><p>após passar pelo advento da menopausa. Levando em consideração essas premissas</p><p>acerca do período de menopausa e pós-menopausa, classifique V para as sentenças</p><p>verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) A diminuição das concentrações de estrógenos na corrente sanguínea leva a atrofia</p><p>da mucosa vaginal, aumento do pH e diminuição da secreção vaginal.</p><p>( ) Os sintomas que ocorrem com o advento da menopausa afetam positivamente a</p><p>vida sexual da mulher.</p><p>( ) Após o advento da menopausa, a mulher vive um terço de sua vida no período</p><p>pós-menopausa.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – F.</p><p>b) ( ) V – F – V.</p><p>c) ( ) F – V – F.</p><p>d) ( ) F – F – V.</p><p>4 O treinamento resistido melhora desfechos de saúde em mulheres na pós-menopausa.</p><p>Além disso, a manipulação das variáveis do treinamento resistido parecem otimizar</p><p>as respostas adaptativas nesta população. De acordo com os conhecimentos</p><p>relacionados ao período pós-menopausa, disserte sobre a frequência semanal, o</p><p>número de séries por grupamento muscular na semana, a intensidade de carga e a</p><p>velocidade de execução do movimento utilizados para otimizar os benefícios que o</p><p>treinamento resistido pode oferecer para essas praticantes.</p><p>5 A menarca, o climatério e a menopausa provocam alterações significativas e impor-</p><p>tantes no eixo hipotalâmico-hipofisário que, em alguns casos, estão associados a</p><p>desfechos de saúde. De acordo com essa premissa, se faz necessário o entendi-</p><p>mento acerca do que é menarca, climatério e menopausa. Para além disso, é preciso</p><p>entender as características desses fenômenos. Assim, cite e explique (descrevendo)</p><p>acerca de cada marco desses na vida da mulher.</p><p>113</p><p>TÓPICO 3 -</p><p>TRÍADE DA MULHER ATLETA BRASILEIRA:</p><p>IMPACTO DO TREINAMENTO FÍSICO</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, no Tema de Aprendizagem 3, abordaremos os efeitos deletérios</p><p>acerca da tríade da mulher atleta. Especificamente, iremos falar das características,</p><p>causas e consequências negativas da amenorreia, dos distúrbios alimentares e da</p><p>osteoporose que estão associados com a mulher atleta. Assim, nesta seção você será</p><p>capaz de entender a tríade da mulher atleta.</p><p>Adicionalmente, iremos abordar as nuances que ocorrem na carreira da mulher</p><p>atleta. A ideia da atual seção também será mostrar as diferenças entre as atletas que</p><p>são mais sensíveis em termos de resposta ao exercício físico comparada as mulheres</p><p>que apresentam menor sensibilidade de resposta.</p><p>Finalmente, discutiremos sobre as pesquisas mais recentes produzidas em al-</p><p>guns laboratórios do Brasil em relação à prescrição do treinamento resistido manipulan-</p><p>do a intensidade de carga, a amplitude de movimento e a escolha dos exercícios.</p><p>Vale destacar que a população de atletas de elite de desempenho esportivo é</p><p>mínima e limitada, portanto estratégias eficientes e diferenciadas para esses indivíduos</p><p>se fazem relevantes, uma vez que o treinamento físico melhora a performance.</p><p>UNIDADE 2</p><p>2 AMENORRÉIA, DISTÚRBIOS ALIMENTARES E</p><p>OSTEOPOROSE</p><p>A tríade da mulher atleta tem sido caracterizada por três componentes</p><p>característicos deste quadro. Tais componentes são doenças que acometem</p><p>especialmente as mulheres que estão na fase de adolescência e que são fisicamente</p><p>ativas, portanto a tríade da mulher atleta é definida como uma síndrome em que os</p><p>componentes que a caracterizam estão diretamente relacionados: amenorreia,</p><p>distúrbios alimentares e osteoporose (OTIS et al., 1999).</p><p>A amenorreia é a ausência da menstruação em fases da vida da mulher em que</p><p>ela deveria acontecer. Especificamente com relação à mulher atleta, pode-se acontecer</p><p>em dois casos. A amenorreia primária é um quadro que provoca retardo no advento</p><p>da menarca, geralmente acomete as mulheres em fase de transição entre a terceira</p><p>114</p><p>infância e a adolescência. A amenorreia secundária tem sido definida como a ausência</p><p>de três ou mais ciclos menstruais consecutivos após o advento da menarca, que pode</p><p>acontecer em mulheres que já estão caminhando para fase adulta. De acordo com isso,</p><p>há uma ausência de menstruação em uma menina de 16 anos com seus órgãos do</p><p>sistema uroginecológico já desenvolvidos, por exemplo (OTIS et al., 1999).</p><p>De maneira adicional, também há quadros de amenorreia associada ao exercício</p><p>físico e até mesmo amenorreia associada à anorexia nervosa. Com relação à amenorreia</p><p>associada ao exercício físico, geralmente a mulher atleta em fase de adolescência tende</p><p>a apresentar um percentual de gordura reduzido – e esse aspecto parece impactar</p><p>fisiologicamente no ciclo feminino. Além disso, a amenorreia</p><p>hipotalâmica promove uma</p><p>redução na produção dos hormônios ovarianos e estrógenos, que, em alguns casos, se</p><p>assemelham aos que caracterizam o advento da menopausa. Um ponto importante a se</p><p>ressaltar é que tanto a amenorreia hipotalâmica quanto a menopausa estão associadas</p><p>ao prejuízo da saúde óssea, principalmente levando a uma redução da densidade</p><p>mineral óssea (OTIS et al., 1999).</p><p>Como já foi dito anteriormente, a amenorreia é um sinal de desordem ou do</p><p>amadurecimento tardio do organismo, que acomete a mulher atleta. Vale destacar que</p><p>os sintomas desse quadro podem variar de acordo com a causa do transtorno (que</p><p>também irão ocorrer em mulheres não atletas). Os mais comuns são dor abdominal e</p><p>de cabeça, cansaço, irritabilidade, retenção de líquidos, aumento dos pelos espalhados</p><p>pelo corpo, ganho ou perda inexplicável de peso, mal-estar e labilidade emocional (OTIS</p><p>et al., 1999).</p><p>Especificamente acerca da mulher que não passou pelo advento da menarca</p><p>na idade em que ela costuma ocorrer (aproximadamente aos 12 anos de idade), há</p><p>outras características que podem ser investigadas. Por exemplo, a menarca não</p><p>ocorreu após cinco anos do início do desenvolvimento das mamas, especialmente se o</p><p>desenvolvimento das mamas se deu antes dos 10 anos de idade (OTIS et al., 1999).</p><p>Têm sido descritos vários mecanismos para explicar esse fenômeno amenorreico.</p><p>As beta-endorfinas podem influenciar funções hipotalâmicas, com efeito inibitório</p><p>na secreção do hormônio liberador de gonadotrofina, na temperatura, na função do</p><p>sistema cardiorrespiratório, percepção de dor e humor. Vale destacar que a produção</p><p>das beta-endorfinas (neurotransmissor endógeno encontrado tanto nos neurônios do</p><p>sistema nervoso central quanto nos do sistema nervoso periférico) está diretamente</p><p>associada ao exercício físico de mais alta intensidade do que com exercício físico de</p><p>mais alto volume. Em outras palavras, parece que o treinamento intervalado de alta</p><p>intensidade provoca maior liberação das concentrações de beta-endorfinas quando</p><p>comparado ao treinamento contínuo de moderada intensidade. Em contrapartida,</p><p>mulheres atletas podem experimentar altas concentrações de opioides durante o</p><p>treinamento. Os opioides e o hormônio adrenocorticotrófico hipofisário são derivados da</p><p>mesma molécula precursora, e a secreção de ambos é estimulada pelo fator liberador</p><p>115</p><p>de corticotrofina. Tanto o fator liberador de corticotrofina quanto os opioides promovem</p><p>um efeito inibitório no eixo hipotálamo-hipófise-ovário, que é estimulado em situações</p><p>de estresse. De acordo com essas premissas, esse fenômeno auxilia na explicação</p><p>da amenorreia em mulheres atletas, a dependência da realização de uma sessão de</p><p>exercício físico de mais alta intensidade, que comumente auxiliam na redução da</p><p>sintomatologia depressiva de maneira aguda nesta população (OTIS et al., 1999).</p><p>Como mencionamos anteriormente, a tríade da mulher atleta também é</p><p>composta pelos distúrbios alimentares. Os distúrbios alimentares abarcam uma ampla</p><p>gama de comportamentos alimentares que prejudicam o organismo da mulher. Além</p><p>disso, esses distúrbios alimentares também são característicos dos comportamentos</p><p>de um indivíduo com anorexia e/ou bulimia. Por exemplo, esses comportamentos</p><p>anormais acerca da alimentação têm uma variação extremista (graves), desde uma</p><p>restrição da ingestão alimentar até anorexia nervosa e/ou bulimia. Adicionalmente, os</p><p>distúrbios alimentares podem aumentar a morbidade a curto e longo prazos, reduzir o</p><p>desempenho físico e mental do indivíduo. Vale destacar que os distúrbios alimentares</p><p>também desencadeiam uma via no corpo humano que provoca amenorreia e, em alguns</p><p>casos, pode levar à mortalidade prematura (OTIS et al., 1999).</p><p>A anorexia nervosa é caracterizada por uma restrição energética de intensidade</p><p>severa que normalmente é autoimposta, sendo o principal objetivo a perda excessiva de</p><p>massa corporal. Vale destacar que essa adaptação alimentar promove uma significante</p><p>diminuição na taxa metabólica basal, que por sua vez leva a prejuízos nas funções do</p><p>músculo esquelético, ao passo que afetam negativamente o sistema cardiovascular,</p><p>causando arritmias cardíacas. Alguns sintomas deste quadro são comuns, tais como: 1)</p><p>massa corporal inferior a 85% do que é considerado adequado (de acordo com estatura e</p><p>idade), 2) preocupação excessiva em alterar a massa corporal (famoso peso na balança),</p><p>3) percepção da autoimagem corporal completamente negativa, 4) amenorreia, 5) risco</p><p>de osteoporose precoce, 5) perda de massa muscular, 6) prejuízo digestivo, dentre</p><p>outros (OTIS et al., 1999).</p><p>A bulimia nervosa diz respeito a uma ingestão descontrolada e compulsiva</p><p>geralmente seguida por uma purgação, ou seja, provocar evacuação do que foi</p><p>ingerido. De fato, as maneiras para execução dessa purgação estão relacionadas a um</p><p>comportamento patológico do controle da própria massa corporal, que geralmente</p><p>incluem: indução de vômitos, abuso na ingestão de laxantes/diuréticos/moderadores</p><p>de apetite e prática excessiva de exercício físico de alta intensidade. A bulimia nervosa</p><p>também tem consequências, por exemplo, a perda de fluidos e eletrólitos durante a</p><p>evacuação do que foi ingerido pode causar desidratação, e a desidratação, por sua vez,</p><p>leva a prejuízos aos sistemas do corpo humano. Adicionalmente, a bulimia nervosa parece</p><p>estar associada à redução das concentrações séricas de potássio, que é um mineral</p><p>muito importante para o funcionamento adequado de todas as células, tecidos e órgãos</p><p>do corpo humano. Além disso, o potássio é responsável pela contração muscular. Por fim,</p><p>116</p><p>o ato de induzir vômitos também pode acarretar a problemas crônicos, especialmente</p><p>distúrbios gastrointestinais. Nesse sentido, muitas mulheres atletas apresentam sinais</p><p>alterados acerca do comportamento alimentar, porém normalmente estes não estão</p><p>ligados ao diagnóstico de distúrbios alimentares (OTIS et al., 1999).</p><p>Alguns estudos sugerem que a grande maioria dos treinadores estabelecem</p><p>metas para as mulheres que são atletas atingir. Por exemplo, um determinado valor</p><p>acerca da massa corporal, assim, muitas vezes orientando o consumo alimentar, mesmo</p><p>sabendo pouco de nutrição e sua relação com o desempenho esportivo. Adicionalmente,</p><p>uma parcela significativa da população de mulheres atletas não conhecem a nutrição,</p><p>e isso sugere que há necessidade de programas de educação nutricional para essa</p><p>população. De fato, a literatura científica aponta que indivíduos tendem a desenvolver</p><p>distúrbios alimentares quando não há acompanhamento com nutricionista acerca</p><p>da rotina alimentar. Além disso, alguns hábitos alimentares de mulheres atletas (em</p><p>fase de adolescência) são comumente similares ao de mulheres não atletas, que são</p><p>caracterizados por um elevado consumo de alimentos com baixo valor nutricional (OTIS</p><p>et al., 1999).</p><p>Após relatos de casos de mulheres atletas olímpicas que faleceram por</p><p>consequência de desordens alimentares – uma vez que tais desordens alimentares</p><p>provocaram falhas múltiplas no funcionamento do organismo –, se observou que</p><p>mulheres atletas no mais alto escalão esportivo são acometidas por distúrbios</p><p>alimentares, tais como anorexia, bulimia e outras desordens alimentares não específicas.</p><p>Parece que a pressão que adolescentes e mulheres jovens são submetidas para atingir</p><p>ou manter uma massa corporal relativamente satisfatória para vida de atleta está por</p><p>detrás dessa síndrome (isto é, a tríade da mulher atleta – embora ainda não tenhamos</p><p>mencionado seu último componente). De fato, as mulheres atletas possuem maior</p><p>risco à saúde por apresentarem baixa massa corporal, devido às exigências acerca</p><p>do desempenho físico e/ou por razões estéticas, quando comparadas a mulheres não</p><p>atletas. Além disso, as modificações nos hábitos alimentares (independente do status de</p><p>treino), que resulta ou não em desordem alimentar, podem induzir respostas adaptativas</p><p>acerca da função uroginecológica. Nesse sentido, além da amenorreia</p><p>estar associada à</p><p>restrição alimentar, parece que também o quadro de amenorreia pode ser um desfecho</p><p>provocado pela falta de energia disponível no organismo. Assim, o funcionamento</p><p>do sistema uroginecológico é sensível, principalmente pela demanda energética do</p><p>organismo feminino ser superior quando comparada ao organismo masculino (OTIS et</p><p>al., 1999).</p><p>A osteoporose é uma doença caracterizada pela redução progressiva da massa</p><p>óssea, levando a uma deterioração da microarquitetura do tecido ósseo. Essa doença</p><p>torna os ossos mais fracos e deixa o indivíduo mais favorecido a sofrer quedas. Assim,</p><p>a osteoporose é uma doença que leva à fragilidade esquelética. De acordo com a</p><p>Organização Mundial da Saúde, foi estabelecido alguns critérios para diagnóstico: 1)</p><p>densidade mineral óssea normal: densidade mineral óssea que não esteja mais do que</p><p>117</p><p>um desvio padrão abaixo da média da população mais jovem; 2) osteopenia: densidade</p><p>mineral óssea entre 1,0 e 2,5 desvios-padrão abaixo da média da população mais jovem;</p><p>3) osteoporose: densidade mineral óssea mais de 2,5 desvios-padrão abaixo da média</p><p>da população mais jovem; e 4) osteoporose avançada: densidade mineral óssea mais de</p><p>2,5 desvios-padrão abaixo da média da população mais jovem associada a uma ou mais</p><p>fraturas provocadas por quedas. A principal causa de osteoporose em mulheres atletas</p><p>é a redução da produção de hormônios ovarianos e estrógenos, como consequência de</p><p>distúrbios alimentares e amenorreia, portanto a tríade da mulher atleta é diretamente</p><p>interligada (OTIS et al., 1999).</p><p>A osteoporose é uma doença metabólica que se instala silenciosamente no</p><p>organismo feminino. O primeiro sinal pode aparecer quando ela está numa fase mais</p><p>avançada. Além disso, tal sinal costuma ser diretamente uma fratura espontânea de</p><p>um osso que ficou muito fraco e poroso (cheio de deformações estruturais). Essa</p><p>característica do osso não suporta determinados esforços e/ou traumas. Usualmente, as</p><p>lesões ósseas que tendem a ocorrer mais são as fraturas das vértebras por compressão,</p><p>que levam a problemas de coluna e à diminuição da estatura. Além dessas, as fraturas</p><p>do colo do fêmur, punho (osso rádio) e costelas. Acerca do diagnóstico de osteoporose,</p><p>o exame recomendado para esse objetivo é a densitometria óssea por raios X. Tal exame</p><p>possibilita avaliar e medir a densidade mineral do osso em diferentes regiões (coluna,</p><p>colo do fêmur, punho, dentre outras) com valores de referência estabelecidos a partir da</p><p>população mais jovem (OTIS et al., 1999).</p><p>Embora tenha diversos desfechos deletérios em relação à tríade da mulher atleta,</p><p>a participação de mais mulheres em competições esportivas cresceu significativamente</p><p>nos últimos anos. Por exemplo, na ginástica olímpica (que é um esporte caracterizado</p><p>pela leveza dos movimentos, arte do equilíbrio, flexibilidade e pelo domínio do corpo),</p><p>estabelece-se que as atletas sejam mais leves (consequentemente, mais magras) do</p><p>que outras mulheres da mesma idade. Além da ginástica olímpica, corridas de longa</p><p>distância também exigem que as atletas apresentem uma menor massa corporal. Além</p><p>disso, a percentagem de gordura corporal dessas atletas deve ser baixa, especialmente</p><p>porque a atleta tem que transferir toda a massa corporal durante uma longa distância</p><p>e em alta velocidade. De acordo com isso, o ambiente esportivo de alto rendimento</p><p>provoca essa exigência na mulher atleta acerca de baixos valores de massa corporal e</p><p>percentual de gordura, portanto, dado todo esse cenário envolvido por de trás do corpo</p><p>“padrão” para o esporte de alto rendimento (incluindo a ginástica olímpica e as corridas</p><p>de longas distâncias), as mulheres atletas (especialmente as adolescentes) estão mais</p><p>propensas a demonstrar quadros de distúrbios alimentares, amenorreia e osteoporose</p><p>(OTIS et al., 1999).</p><p>118</p><p>3 PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO FÍSICO PARA</p><p>MULHER ATLETA</p><p>Os componentes genéticos associados ao treinamento interagem com o</p><p>sucesso acerca do desempenho esportivo. Ou seja, mulheres atletas de elite apresentam</p><p>fatores genéticos que favorecem o desenvolvimento de certas aptidões físicas que são</p><p>otimizadas quando se treina. Apesar da falta de vínculos diretos entre variantes genéticas</p><p>e desempenho esportivo de mulheres atletas de elite, existe uma noção das respostas</p><p>interindividuais ao treinamento físico. Além disso, sabe-se também que fatores inatos</p><p>podem explicar grande parte da variação acerca das respostas que são induzidas pelo</p><p>treinamento físico sobre a capacidade cardiorrespiratória, por exemplo. Em algumas</p><p>investigações científicas, a variável de desfecho primária mais comum relatada em</p><p>resposta a programas de treinamento físico para capacidade cardiorrespiratória é o VO2</p><p>máximo. Resumidamente, essa medida coletada durante o exercício físico diz respeito a</p><p>capacidade que o indivíduo tem de captar, transportar, metabolizar e utilizar o oxigênio</p><p>em uma situação de estresse. Geralmente, essa medida pode ser coletada por meio de</p><p>um teste de exercício incremental até a exaustão, seja por meio de caminhada e/ou</p><p>corrida em cicloergômetro (esteira ou bicicleta), geralmente com duração de 10-15 min.</p><p>(BOUCHARD et al., 1999, 2011; EYNON et al., 2013; PAPADIMITRIOU et al., 2016; PICKERING;</p><p>KIELY, 2019; RANKINEN et al., 2016; TUCKER; COLLINS, 2012; YAN et al., 2016).</p><p>Com relação ao treinamento físico, após dois a três meses de treinamento</p><p>aeróbio (entre três e quatro sessões por semana), o VO2 máximo é normalmente</p><p>aumentado em torno de 10 a 15% (em média), podendo variar em torno de 1 a 35%</p><p>(indivíduos que respondem pouco ao estímulo vs indivíduos que respondem muito</p><p>ao estímulo). Um ponto importante, nos primeiros estudos de treinamento físico</p><p>envolvendo seres humanos, 20% dos indivíduos demonstraram pouca mudança no</p><p>VO2pico (máximo de desempenho cardiorrespiratório) em resposta a um protocolo de</p><p>treinamento padronizado. Essa parcela de indivíduos do estudo foi considerada pelos</p><p>autores como resistentes ao tipo de exercício, entretanto indivíduos que respondem</p><p>em menor magnitude em termos de resposta a um determinado estímulo (por exemplo,</p><p>treinamento resistido de baixo volume) frente a uma variável de desfecho específica</p><p>(por exemplo, massa magra) nem sempre demonstram a mesma resposta em outros</p><p>parâmetros, ou seja, marcadores inflamatórios. Isso torna o conceito de respondedores</p><p>vs não respondedores aberto a diferentes interpretações e bastante amplo. De fato,</p><p>o treinamento físico induz uma gama vasta em termos de benefícios que estão</p><p>relacionados à saúde e ao desempenho esportivo (BOUCHARD et al., 1999, 2011; EYNON</p><p>et al., 2013; PAPADIMITRIOU et al., 2016; PICKERING; KIELY, 2019; RANKINEN et al., 2016;</p><p>TUCKER; COLLINS, 2012; YAN et al., 2016).</p><p>Recentemente, a ideia de que existem indivíduos resistentes a um tipo de exercício,</p><p>ou não respondedores a um determinado estímulo, foi contestada. Tal contestação foi</p><p>realizada com base no fato de que, naqueles estudos em que os indivíduos não exibem</p><p>nenhuma mudança significativa em uma variável de resultado específica, o impulso</p><p>119</p><p>de treinamento foi inadequado em termos de volume ou sobrecarga de intensidade.</p><p>Para testar essa hipótese, Montero e Lundby (2017) recrutaram 78 jovens voluntários</p><p>saudáveis do sexo masculino e primeiro os submeteram a seis semanas de treinamento</p><p>supervisionado. Indivíduos treinados em cinco grupos, diferindo no número de sessões</p><p>de exercícios por semana: realizaram 60 min de exercício em cicloergômetro uma, duas,</p><p>três, quatro ou cinco vezes por semana, correspondendo a 60, 120, 180, 240 e 300 min</p><p>no total tempo de treino. Depois de completar esta primeira fase de treinamento, a taxa</p><p>de trabalho máxima média do grupo, sustentada durante um teste de ciclo incremental,</p><p>foi aumentada em todos os grupos, exceto no grupo que realizou apenas uma única</p><p>sessão de treinamento por semana. Nos Grupos 1, 2, 3, 4 e 5, 69%, 40%, 29%, 0% e 0%</p><p>dos indivíduos, respectivamente, não responderam. Ou seja,</p><p>os indivíduos considerados</p><p>não respondedores não tiveram um aumento significativo na taxa máxima de trabalho</p><p>atingido durante um teste incremental até a exaustão. Após essa fase, os indivíduos</p><p>classificados como não respondedores à primeira fase do treinamento realizaram um</p><p>segundo bloco de treinamento durante seis semanas, no qual foram incluídas duas</p><p>sessões adicionais de 60 minutos por semana, independentemente do número de</p><p>sessões concluídas nas primeiras seis semanas. Seguindo este protocolo de sobrecarga</p><p>de volume, a falta de aumento induzido pelo treinamento sobre a taxa máxima de</p><p>trabalho caiu por terra.</p><p>Embora mais pesquisas precisem ser realizadas para determinar se tais</p><p>achados podem ser extrapolados para outras populações, esses resultados desafiam</p><p>fundamentalmente a noção de não respondedores. Assim, esses achados sugerem</p><p>que se um estímulo de treinamento for de volume e/ou intensidade suficiente e seguir</p><p>os princípios da sobrecarga progressiva e especificidade acerca do estímulo aplicado,</p><p>os indivíduos que são considerados resistentes ao exercício, ou pouco responsivos,</p><p>podem de fato se tornar “responsivos”. De acordo com essa abordagem, Booth e Laye</p><p>(2010) acreditam que o termo não respondedor deve ser substituído por indivíduos que</p><p>demonstram “baixa sensibilidade” a um estímulo de treinamento e que tais indivíduos</p><p>requerem apenas aumento de volumes e/ou intensidade de treinamento para gerar</p><p>respostas favoráveis. No nível da população, focar apenas em medidas selecionadas de</p><p>resposta ao treinamento e rotular um indivíduo como não responsivo é uma abordagem</p><p>reducionista do exercício. De fato, se aceitarmos que o exercício é uma “polipílula” que</p><p>promove uma gama de benefícios positivos acerca dos desfechos de saúde, ao nos</p><p>concentrarmos em um pequeno número de medidas de resposta, ignoramos o fato</p><p>de que o exercício funciona por meio de tantos caminhos e mecanismos diferentes,</p><p>que as chances de um indivíduo que não exibe nenhum benefício biológico único são</p><p>altamente improváveis.</p><p>Com relação aos atletas de desempenho esportivo que estão na elite, é</p><p>irrelevante essa questão de baixos respondedores ou não respondedores. E de fato, para</p><p>se tornar um atleta de elite no desempenho esportivo, é preciso ter um componente</p><p>genético favorável para a modalidade esportiva (especialmente ser bom nas demandas</p><p>do esporte) e ter uma boa resposta ao treinamento físico (aeróbio e resistido). A</p><p>120</p><p>esse respeito, indivíduos que apresentam altos níveis de uma característica antes</p><p>de serem expostos a intervenção com treinamento físico estão muito predispostos</p><p>a experimentar sucesso precoce, o que também pode ter um grande impacto na</p><p>motivação e subsequente adesão ao treinamento. Por exemplo, geralmente indivíduos</p><p>com altos níveis de comportamento sedentário não serão atletas de elite, uma vez que</p><p>não há relação direta e clara entre o nível basal de aptidão física e a resposta a uma</p><p>dose de exercício físico em mulheres atletas. Isso nos sugere que a biologia não é única</p><p>ao passo que o treinamento age de maneira distinta entre os indivíduos, independente</p><p>do status. Por exemplo, Rønnestad, Rømer e Hansen (2019) relataram o caso de um</p><p>indivíduo com VO2max >70 ml/kg/min no estado não treinado, que aumentou 30% após</p><p>três anos de treinamento especializado para >95 ml/kg/min e coincidiu com um título</p><p>do campeonato. Tomados em conjunto, parece existir um continuum de respostas a</p><p>protocolos de treinamento de exercícios padronizados, mas a baixa sensibilidade para</p><p>adaptação pode ser atenuada pela prescrição adequada de exercícios, incluindo volume,</p><p>duração e intensidade do treinamento (BOOTH; LAYE, 2010; FIUZA-LUCES ET AL., 2013;</p><p>MONTERO; LUNDBY, 2017; RØNNESTAD; MUJIKA, 2014).</p><p>Levando em consideração a prescrição do treinamento físico para mulher</p><p>atleta, falaremos especificamente das estratégias atuais de treinamento resistido para</p><p>mulheres jovens, que alguns laboratórios de pesquisa do Brasil têm investigado (dois</p><p>estudos crônicos e um estudo agudo). O estudo de Franco e colaboradores (2019) foi</p><p>desenhado para investigar o impacto da carga (maior vs menor) realizada até ou perto da</p><p>falha concêntrica voluntária sobre a 1) massa livre de gordura e osso e 2) força muscular</p><p>em mulheres jovens. Para elucidar tal objetivo, 32 mulheres foram selecionadas e</p><p>realizaram o treinamento resistido em uma de duas condições: treinamento resistido</p><p>com carga mais baixa [TRCB; n = 14, idade das participantes = 24,3 ± 4,8 anos e índice</p><p>de massa corporal (IMC) = 23,3 ± 2,8 kg/m²] e TR de maior carga (TRCA; n = 18, idade das</p><p>participantes = 23,0 ± 3,3 anos e IMC = 22,4 ± 3,3 kg/m²). A massa isenta de gordura e</p><p>osso das pernas (DXA) e a força muscular (teste de uma repetição máxima – extensão</p><p>unilateral da perna na cadeira extensora) foram avaliados antes e depois de nove</p><p>semanas de intervenção, sendo que a primeira semana foi usada para familiarização do</p><p>treinamento. Ambos os grupos realizaram três exercícios unilaterais que compuseram</p><p>o programa de treinamento (cadeira extensora unilateral, mesa flexora bilateram e leg</p><p>press 45° unilateral). Além disso, o programa de treinamento foi composto por três séries</p><p>por exercício, 60 a 90 segundos de descanso entre as séries, com frequência de dois</p><p>dias por semana. No grupo TRCB, a intensidade utilizada nos exercícios foram as cargas</p><p>necessárias para realizar entre 30 e 35 repetições na primeira série de cada exercício.</p><p>No grupo TRCA, a intensidade utilizada nos exercícios foram as cargas necessárias para</p><p>realizar entre oito e dez repetições na primeira série. Na segunda e terceira séries, a carga</p><p>era mantida e as participantes realizavam o exercício até a falha concêntrica voluntária,</p><p>em ambos os grupos. Após o período de intervenção, o grupo TRCB demonstrou maior</p><p>volume de treinamento comparado ao grupo TRCA. Ambos os grupos apresentaram</p><p>ganhos de massa isenta de gordura e osso das pernas (P</p><p>entre</p><p>eles (P > 0,05). Aumentos significantes (P 0,05). Apesar da semelhança entre os resultados encontrados</p><p>em ambos os grupos, os resultados sugerem que a variação dos exercícios entre as</p><p>sessões de treinamento pode promover uma hipertrofia muscular mais homogênea.</p><p>Em outras palavras, diferentes regiões de um mesmo grupamento muscular podem-se</p><p>hipertrofiar homogeneamente, diferente de um resultado provocado por exemplo de</p><p>uma rotina sem variação de exercícios. Apesar disso, ambas estruturas de treinamento</p><p>resistido se mostraram efetivas para o aumento da força muscular em mulheres jovens</p><p>(KASSIANO, 2021).</p><p>Kassiano e colaboradores (2022) verificaram se existe uma amplitude de</p><p>movimento ideal para induzir hipertrofia muscular, especialmente para os gastrocnêmios.</p><p>Assim, esse estudo teve como objetivo comparar as alterações na espessura do</p><p>músculo gastrocnêmio entre o exercício de panturrilha no leg press horizontal realizado</p><p>com amplitude de movimento total (TOTAL), amplitude de movimento parcial (INICIAL,</p><p>realizado na porção inicial do movimento) e amplitude de movimento final (FINAL,</p><p>realizado na porção final do movimento). Para isso, quarenta e duas mulheres jovens</p><p>realizaram um programa de treinamento para os gastrocnêmios durante oito semanas,</p><p>três dias por semana, com diferenças na configuração de amplitude de movimento</p><p>122</p><p>sobre a hipertrofia muscular dos gastrocnêmios. O treino foi configurado para três</p><p>séries de 15 a 20 repetições até a falha concêntrica voluntária. As mulheres foram</p><p>aleatoriamente designados para um dos três grupos: grupo TOTAL (tornozelo: 225° a</p><p>+25°), grupo INICIAL (tornozelo: 225° a 0°) e grupo FINAL (tornozelo: 0° a +25°), sendo</p><p>que 0° foi definido como um ângulo de 90° do pé com a tíbia. As medidas das espessuras</p><p>musculares dos gastrocnêmios medial e lateral foram obtidas por meio de ultrassom</p><p>modo-B. Após o período de intervenção, o grupo INICIAL provocou maiores ganhos</p><p>hipertróficos do gastrocnêmio medial do que o grupo TOTAL e o grupo FINAL (INICIAL</p><p>5 ± 15,2% vs TOTAL 5 ± 6,7% e FINAL 5 ± 3,4%, respectivamente; P = 0,009). Além disso,</p><p>o grupo INICIAL provocou maiores ganhos hipertróficos dos gastrocnêmios laterais do</p><p>que o grupo FINAL (INICIAL 5 ± 14,9% vs FINAL 5 ± 6,2%; P = 0,024), mas não diferiu</p><p>significativamente do grupo TOTAL (5 ± 7,3%; P = 0,060). Os resultados atuais sugerem</p><p>que o treinamento resistido dos gastrocnêmios realizado em comprimentos musculares</p><p>mais longos pode otimizar a hipertrofia do músculo gastrocnêmio em mulheres jovens,</p><p>portanto, ao prescrever o treinamento objetivando a hipertrofia muscular, a inclusão do</p><p>exercício de panturrilha realizado com amplitude de movimento parcial na parte inicial</p><p>da execução do exercício deve ser considerada (KASSIANO et al., 2022).</p><p>Adicionalmente, Kassiano e colaboradores (2022) investigaram o inchaço do</p><p>músculo tríceps sural em resposta a diferentes exercícios resistidos. Nesse estudo, os</p><p>autores compararam os efeitos dos exercícios de panturrilha com a perna estendida</p><p>(PE) vs panturrilha com a perna flexionada (PF) no inchaço do músculo tríceps sural.</p><p>Para elucidar tal objetivo, dezessete mulheres jovens (23,7 ± 4,0 anos; 67,4 ± 16,0 kg; e</p><p>163,5 ± 7,2 cm) realizaram duas sessões de treinamento resistido; em um, elas realizaram</p><p>a condição PE, ao passo que em outra condição elas realizaram a condição PF. Assim,</p><p>um desenho aleatorizado, cruzado e contrabalanceado foi adotado para a investigação.</p><p>As mulheres realizaram quatro séries de 20 repetições máximas até a falha concêntrica</p><p>voluntária. Em ambas as condições, a espessura muscular do gastrocnêmio medial</p><p>(GM), gastrocnêmio lateral (GL) e sóleo (SOL) foi medida por meio de ultrassom modo-B</p><p>antes e imediatamente após os exercícios de panturrilha. A condição PE provocou maior</p><p>inchaço na espessura muscular de GM (+8,8% vs 20,9%; P</p><p>descendentes de imigrantes europeus que traziam essas práticas de seus países</p><p>de origem, somente em 1932, houve a primeira participação olímpica com Maria Lenk,</p><p>nos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Ainda assim, segundo Tralci Filho e Rubio, esse</p><p>feito não desencadeou uma participação expressiva das mulheres brasileiras nos</p><p>eventos olímpicos, já que, nos Jogos Olímpicos de 1956, 1960 e 1964, houve somente</p><p>uma mulher por delegação. Apenas na década de 1980, a presença feminina brasileira</p><p>se firmou e passou a crescer levando às primeiras medalhas da história em 1996, nos</p><p>Jogos de Atlanta.</p><p>Durante o intervalo entre a primeira participação e as primeiras medalhas, a</p><p>mulher atleta olímpica brasileira vivenciou diferentes proibições e preconceitos com</p><p>relação à prática esportiva. Em 1934, o regulamento que perdurou até 1968, permitia</p><p>às mulheres praticar somente esportes que não comprometeriam seu corpo e que não</p><p>colocassem em risco a capacidade de procriação, amamentação e o cuidado de crianças</p><p>que assegurariam o futuro da nação. Às meninas eram permitidos esportes como jogos</p><p>de raquete, lançamento de disco, dardo (com pesos menores que dos homens). Esse</p><p>impedimento legal de prática de algumas modalidades esportivas femininas certamente</p><p>retardou o desenvolvimento de capacidades físicas e técnicas das mulheres atletas</p><p>brasileiras, o que as levou a perder algumas oportunidades de conquista como as atletas</p><p>europeias e americanas.</p><p>Os anos 1980 representam um importante marco para o esporte olímpico</p><p>internacional com o fim do amadorismo, tanto no que se refere à carreira do atleta,</p><p>como nos aspectos relacionados com a gestão do esporte. Para o esporte brasileiro</p><p>esse período é caracterizado pela crescente participação feminina nas competições</p><p>olímpicas e pelo início do processo de profissionalização do esporte nacional marcado</p><p>pelo ingresso dos patrocínios nas empresas privadas e estatais. Antes do advento do</p><p>profissionalismo no Brasil a carreira atlética era privilégio daquelas que podiam contar</p><p>com o apoio familiar ou de algum tipo de gratificação que garantia a satisfação das</p><p>necessidades do cotidiano e esportivas. “Aposentar-se” como atleta nos tempos de</p><p>amadorismo implicava uma preparação de integral responsabilidade do atleta e que não</p><p>poderia distanciar a prática esportiva da formação acadêmica e da prática profissional</p><p>subsequentemente. Ferreira Jr. aponta que, durante o amadorismo, o fim da carreira</p><p>esportiva se anunciava desde o princípio da vida no esporte, o que obrigava o atleta a</p><p>priorizar o trabalho em detrimento do esporte.</p><p>A chamada transição de carreira refere-se ao momento em que o atleta se</p><p>prepara para se retirar de treinamentos e competições, em um processo que pode ser</p><p>planejado ou compulsório. Para Rubio e Ferreira Junior, retirar-se da carreira esportiva</p><p>significa a necessidade de adaptar-se a uma nova condição de vida, em diferentes</p><p>papeis, realizando ações que não necessariamente estarão relacionadas à identidade do</p><p>passado. A transição de carreira, nesse sentido, pode representar uma experiência que</p><p>abre novas oportunidades para a atleta, momento no qual pode tentar novos caminhos</p><p>126</p><p>e explorar novas oportunidades. Durante e depois de sua carreira, a atleta enfrenta</p><p>inúmeras situações com diferentes níveis de exigência de ajustamento nas esferas de</p><p>vida ocupacional, financeira, psicológica e social. A aposentadoria é mais um aspecto de</p><p>ajustamento à vida e não se mostra diferente de outras profissões ou mesmo de outras</p><p>formas de transição.</p><p>Segundo Barros, a transição na carreira esportiva pode ser compreendida desde</p><p>transição entre as fases de desenvolvimento do atleta no esporte até o encerramento</p><p>da carreira esportiva. A fase final da transição de carreira denominada aposentadoria,</p><p>apresenta-se ao atleta com desdobramentos profundos de vida, isto porque atletas são</p><p>acostumadas a ter visibilidade social, assédio público e reconhecimento por seus feitos,</p><p>pouco comuns aos cidadãos médios. Se a profissionalização representa a possibilidade</p><p>de uma carreira no esporte como em qualquer outra profissão, é necessário considerar</p><p>que em outras especialidades a aposentadoria ocorre por tempo de serviço já na terceira</p><p>idade, seguindo leis do trabalho que garantem rendimentos pelo sistema previdenciário.</p><p>No caso do atleta, a aposentadoria ocorre em uma idade muito menor do que a média</p><p>populacional e sem garantias previdenciárias. Diante disso, é necessário iniciar toda</p><p>uma preparação para o enfrentamento de desafios que envolvem não apenas o</p><p>desenvolvimento de novas habilidades físicas e cognitivas relacionadas à nova carreira,</p><p>como também emocionais, uma vez que esse novo momento representa também</p><p>mudanças na identidade.</p><p>A transição de carreira atlética resulta de vários fatores individuais e sociais que</p><p>vão do avanço da idade, à sucessão de lesões, ou ainda à escolha de outra carreira, ao</p><p>desejo de dedicar mais tempo para a família etc. Wylleman e Lavalle entendem que ela</p><p>pode ser definida como um evento que resulta de uma troca nas suposições sobre si</p><p>mesmo e o mundo e assim requer uma mudança correspondente nos relacionamentos</p><p>e comportamentos próprios. O início da carreira esportiva é o mais precoce entre todas</p><p>as carreiras profissionais brasileiras, isso porque ele se confunde com o aprendizado de</p><p>habilidades motoras básicas e a prática do lazer. Para Moreno, a iniciação esportiva é um</p><p>processo de ensino- aprendizagem para a aquisição da capacidade de execução prática</p><p>e conhecimento de um esporte, considerando este conhecimento o contato com o</p><p>esporte até a capacidade de praticá-lo com adequação à sua estrutura funcional. Ainda</p><p>assim, a iniciação envolve um marco, que se manifesta como o princípio de algo, no</p><p>caso, a prática de uma atividade que naquele momento pode ou não ser especializada</p><p>ou competitiva. Isso leva autores como Gabarra, Rubio e Angelo e Ferreira e Moraes a</p><p>afirmarem que a iniciação esportiva pode ser percebida em alguns momentos como um</p><p>processo, em outros como um produto ou ainda, como os dois: processo e produto.</p><p>Ao considerar que muitas atletas confundem o início de sua prática esportiva</p><p>com as atividades da educação física escolar (professor(a) de Educação Física que</p><p>indicou e motivou a prática) ou com o lazer e brincadeiras de criança [amigos da rua,</p><p>irmão(as) e primos(as)], é difícil precisar a idade exata em que a carreira atlética se dá</p><p>de fato. Essa mescla de processos leva Blázquez Sánchez a concluir que o processo de</p><p>127</p><p>iniciação pode ter três finalidades: a competitiva, a educativa e a recreativa. Apesar das</p><p>afirmações relacionadas aos problemas da especialização precoce, observa-se que as</p><p>atletas olímpicas iniciaram precocemente no esporte (a partir dos cinco anos). Em casos</p><p>como a ginástica artística e rítmica, a excelência do gesto técnico está diretamente</p><p>relacionada ao corpo ainda muito jovem da menina e necessariamente esta atleta teve</p><p>que começar cedo sua prática, porém independentemente de o início ter sido precoce</p><p>ou não o que se observa, na trajetória das atletas olímpicas, é a capacidade de resistir</p><p>às adversidades, ou seja, a resiliência, condição fundamental para se preparar para a</p><p>transição de carreira.</p><p>Markunas e Sanches discutem a importância da resiliência no desenvolvimento</p><p>de crianças e jovens na prática esportiva, uma vez que essa escolha leva a um tipo de</p><p>vida que impõe desafios cotidianos como treinamentos intensos, dor, competições e</p><p>superação de metas impostas pela modalidade e por si mesmo, a depender dos níveis</p><p>de autoexigência. Some-se a isso a antecipação de uma carreira profissional que</p><p>impõe responsabilidades pessoais e sociais como lidar com a própria imagem, cuidar</p><p>de uma vida privada que se tornou pública e atender às demandas de patrocinadores</p><p>e marcas, em um momento da vida em que ainda não se tem a maturidade necessária</p><p>para responder por decisões e escolhas. O entendimento do que é profissionalização</p><p>também</p><p>se relaciona com a indefinição da legislação que não esclarece a distinção entre</p><p>apoio, subsídio, bolsa e salário, confundindo o apoio dado em forma de alimentação ou</p><p>transporte com o salário e os benefícios de uma atividade regulamentada.</p><p>No extremo oposto do início da carreira, está a transição que apresenta em</p><p>seu processo os reflexos das experiências vividas pelas atletas. Esta pode ser por</p><p>lesões, as quais são muito citadas nas falas das atletas, bem como fadiga, cansaço ou</p><p>cortes (desligamentos) inesperados. Outro elemento que leva uma atleta a planejar a</p><p>transição de sua carreira é o fato de seu corpo já não mais responder às expectativas</p><p>de rendimento em treinos e competições, impedindo a obtenção de resultados</p><p>passados e isso pode ocorrer em idades precoces ou avançadas. Para aquelas que</p><p>viveram a condição de campeãs, essa situação ganha outros contornos uma vez que</p><p>além dos resultados competitivos, essas atletas experimentaram também a glória da</p><p>vitória e todos seus desdobramentos. Existem aquelas que se programam e que saem</p><p>satisfeitas com sua trajetória. Independente das razões que levaram a aposentadoria</p><p>das atletas olímpicas investigadas percebem-se valores médios de idade inicial e final</p><p>características de cada modalidade olímpica. Menores idades de aposentadoria são</p><p>esperadas em esportes em que também se começa muito cedo. Outro fato que se pode</p><p>inferir é que, com o passar das décadas, os motivos foram se adequando ao movimento</p><p>cultural vivido naquele momento, ou seja, as mulheres que participaram nas décadas</p><p>de 30 a 60 deixavam o esporte em razão do casamento, maternidade, estudo e situação</p><p>econômica desfavorável.</p><p>128</p><p>A situação de lesões não foi citada por estas mulheres precursoras. Corroborando</p><p>os resultados, Ferreira Jr. aponta que durante o amadorismo o fim da carreira esportiva</p><p>se anunciava desde o princípio da vida no esporte, o que obrigava o atleta a priorizar o</p><p>trabalho em detrimento do esporte. As atletas que viveram seus tempos de auge a partir</p><p>da década de 90 já conseguiram conciliar de maneira mais branda os afazeres pessoais</p><p>com os profissionais. Cabe ressaltar que, na fala de todas as mulheres entrevistadas,</p><p>percebe-se a capacidade de enfrentamento de situações propícias da vida de uma atleta</p><p>olímpica. Atletas de alto rendimento apresentam uma capacidade de enfrentamento</p><p>(coping) maior do que atletas com níveis mais baixos de rendimento. Ser mulher e atleta</p><p>olímpica é uma vitória dupla na vida.</p><p>Quando se toma a carreira esportiva como um processo com um começo, meio</p><p>e fim e segue-se proximamente as etapas do desenvolvimento humano, é possível</p><p>observar que uma carreira esportiva tem um tempo limitado para ocorrer, que atinge</p><p>seu ápice durante a segunda e terceiras décadas da vida e se encerra quando ainda é</p><p>tempo para se realizar inúmeras outras atividades. Esta necessidade de se aposentar</p><p>tão cedo pode vir a gerar um desgaste psicológico na atleta. Outra questão fundamental</p><p>para a transição de carreira é se isso ocorreu de forma planejada ou compulsória, o que</p><p>foi observado em algumas falas. Alguns estudos apontam que atletas que planejam sua</p><p>saída do esporte e desenvolveram relacionamentos sociais, experiências e sucessos</p><p>fora do domínio esportivo ajustam-se melhor à vida depois da carreira atlética.</p><p>O fato de terem estudado também contribuiu para a realização de uma nova</p><p>identidade profissional, mesmo que seja na função de técnicos ou dirigentes. Este estudo</p><p>revelou que 214 que se referem a profissão atual, 64% escolheram profissões relacionadas</p><p>ao esporte (professora de Educação Física, técnica, gestora, dentre outras). Já atletas</p><p>que escolheram cursos como comunicação, jornalismo, gestão, arquitetura também,</p><p>de uma forma ou outra, buscam ficar próximas ao esporte (locutoras, comentaristas,</p><p>gerentes esportivas, assessorias junto ao Comitê Olímpico Brasileiro). Embora haja um</p><p>contingente considerável de pós-atletas em posições de técnicas, elas desempenham</p><p>essa função em clubes e seleções de base, mas não nas seleções nacionais principais.</p><p>A função de técnico é ainda um papel atribuído culturalmente ao homem. De</p><p>acordo com Reszecki, mesmo com a ocupação de alguns cargos de técnicas pelas</p><p>mulheres, os homens seguem ocupando a maioria dos cargos de liderança sejam</p><p>eles no esporte ou fora dele. Agora, nos jogos do Rio de Janeiro (2016), as principais</p><p>modalidades de quadra (basquetebol, handebol, futebol e voleibol) eram comandadas</p><p>por técnicos homens. O domínio dos homens em cargos de liderança é um fenômeno</p><p>amplo, de longa duração, que tem causas diversas e efeitos profundos. Nos espaços de</p><p>treinamento, essa realidade se propaga e, como já referenciado, o crescente número de</p><p>“vagas” no mercado do esporte não se reflete em uma maior participação das mulheres</p><p>nos cargos de decisão, todavia cabe ressaltar que a busca pela inserção da mulher</p><p>neste campo é uma luta antiga: já em 1963, Benedicta Oliveira foi colocada à frente</p><p>de uma equipe de alto rendimento em São Paulo, com o Atletismo do Clube Esperia,</p><p>129</p><p>participando posteriormente como treinadora da seleção paulista e brasileira. Pode-se</p><p>concluir que o início da carreira das mulheres atletas olímpicas brasileiras está mais</p><p>relacionado à oportunidade de acesso que elas tiveram do que, necessariamente, a um</p><p>projeto de vida ou a uma política pública. Modalidades como o atletismo e a natação</p><p>vinculam-se diretamente ao lazer e ao incentivo de familiares, favorecendo a iniciação</p><p>esportiva regular precocemente, diferente de modalidades menos praticadas ou</p><p>reconhecidas. A idade de início de carreira depende da modalidade praticada o que</p><p>em sua grande maioria ocorre entre 5 e 13 anos. Quanto ao término da carreira, este</p><p>pode não ser compulsório (lesões, cansaço e fadiga, dispensas da equipe, maternidade,</p><p>casamento) ou programado (formação acadêmica e profissional, necessidade de novas</p><p>metas, não guardando, portanto, relação direta com a possível idade para a transição</p><p>profissional). Pode-se concluir que cada modalidade tem o momento ideal de início e</p><p>que as atletas olímpicas não fogem a esse padrão.</p><p>Os marcos de início e término da carreira esportiva para as mulheres olímpicas</p><p>brasileiras estão relacionados diretamente ao momento histórico em que elas competiram.</p><p>Enquanto as mulheres das primeiras décadas do século XX deixaram o esporte para se</p><p>dedicar à vida doméstica, ao casamento e à maternidade, as mulheres da segunda metade</p><p>do século passado já demonstram maior autonomia e disponibilidade de dedicação ao</p><p>esporte. Já as mulheres das décadas de 1990 até o presente, profissionalizaram-se,</p><p>retardando ou abdicando das funções maternas e domésticas para se dedicar à carreira</p><p>de atleta. Diferentemente do que o senso comum aponta sobre a impossibilidade ou</p><p>incapacidade de as mulheres olímpicas brasileiras estudarem, os dados apontam que</p><p>quase metade delas concluiu a graduação e estas estão, em sua maioria (60%) relacionada</p><p>ao esporte que praticaram, ou seja, depois da transição de carreira, elas estão aptas a se</p><p>voltar para o mercado de trabalho desempenhando novas funções.</p><p>Fonte: MELO G. F., RUBIO K. Mulheres atletas olímpicas brasileiras: início e final de carreira por</p><p>modalidade esportiva. R. Bras. Ci. e Mov, Brasília, DF, v. 25, n. 4, p. 104-116, 2017.</p><p>130</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• A tríade da mulher atleta tem sido caracterizada por três componentes característi-</p><p>cos deste quadro. Tais componentes são doenças que acometem especialmente as</p><p>mulheres que estão na fase de adolescência e que são fisicamente ativas, portanto</p><p>a tríade da mulher atleta é definida como uma síndrome em que os componentes</p><p>que a caracterizam estão diretamente relacionados: amenorreia, distúrbios alimen-</p><p>tares e osteoporose.</p><p>• A tríade da mulher atleta é diretamente interligada. Como vimos nas páginas anteriores,</p><p>os distúrbios alimentares provocam amenorreia e osteoporose. Isso ocorre porque</p><p>alguns comportamentos alimentares</p><p>tendem a gerar deficiências nutricionais e isso</p><p>por sua vez leva a quadros fisiológicos deletérios. Entre esses efeitos, se destacam</p><p>a amenorreia e a osteoporose. Adicionalmente, a amenorreia também favorece o</p><p>quadro de osteoporose (precocemente).</p><p>• Os componentes genéticos associados ao treinamento interagem com o sucesso</p><p>acerca do desempenho esportivo. Ou seja, mulheres atletas de elite apresentam</p><p>fatores genéticos que favorecem o desenvolvimento de certas aptidões físicas que</p><p>são otimizadas quando se treina. Apesar da falta de vínculos diretos entre variantes</p><p>genéticas e desempenho esportivo de mulheres atletas de elite, se existe uma noção</p><p>sobre as respostas interindividuais ao treinamento físico.</p><p>• A utilização de cargas mais baixas, amplitude de movimento parcial no momento</p><p>inicial do exercício, escolher os exercícios de maior especificidade, são estratégias</p><p>efetivas para promover otimização das respostas adaptativas ao treinamento</p><p>resistido em mulheres jovens, principalmente no que tange a hipertrofia muscular</p><p>nesta população.</p><p>131</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 A amenorreia é a ausência da menstruação em fases da vida da mulher em que ela</p><p>deveria acontecer. Especificamente com relação a mulher atleta, pode-se acontecer</p><p>em dois casos. A amenorreia primária é um quadro que provoca retardo no advento</p><p>da menarca, geralmente acomete as mulheres em fase de transição entre a terceira</p><p>infância e a adolescência. Adicionalmente, a amenorreia secundária tem sido definida</p><p>como a ausência de três ou mais ciclos menstruais consecutivos após o advento</p><p>da menarca, que pode acontecer em mulheres que já estão caminhando para fase</p><p>adulta. Com relação à amenorreia, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) A amenorreia hipotalâmica promove uma redução na produção de testosterona,</p><p>que, em alguns casos, se assemelha ao que caracteriza o advento da menopausa.</p><p>b) ( ) A mulher atleta em fase de adolescência tende a apresentar um percentual</p><p>de gordura reduzido (associado ao treinamento físico) e este aspecto impacta</p><p>fisiologicamente o ciclo feminino.</p><p>c) ( ) Tanto a amenorreia hipotalâmica quanto a menopausa estão associadas com be-</p><p>nefícios à saúde óssea, principalmente aumentando a densidade mineral óssea.</p><p>d) ( ) Os sintomas acerca do quadro de amenorreia são semelhantes entre as mulheres</p><p>atletas e não atletas.</p><p>2 Como mencionado neste tema de aprendizagem, a tríade da mulher atleta também é</p><p>composta por distúrbios alimentares. Os distúrbios alimentares abarcam uma ampla</p><p>gama de comportamentos alimentares que prejudicam o organismo da mulher. Além</p><p>disso, esses distúrbios alimentares também são característicos dos comportamentos</p><p>de um indivíduo com anorexia e/ou bulimia. Por exemplo, esses comportamentos</p><p>anormais acerca da alimentação tem uma variação extremista (graves), desde uma</p><p>restrição da ingestão alimentar até a anorexia nervosa e/ou bulimia. Acerca dos</p><p>distúrbios alimentares, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) A anorexia nervosa é caracterizada por uma restrição energética de intensidade</p><p>severa que normalmente é autoimposta, sendo o principal objetivo a perda</p><p>excessiva de massa corporal.</p><p>( ) A perda de fluidos e eletrólitos durante a evacuação do que foi ingerido leva a</p><p>hidratação celular do corpo humano.</p><p>( ) A bulimia nervosa diz respeito a uma ingestão descontrolada e compulsiva geral-</p><p>mente seguida por uma purgação, isto é, provocar evacuação do que foi ingerido.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – F.</p><p>b) ( ) F – V – F.</p><p>c) ( ) V – F – V.</p><p>d) ( ) F – F – V.</p><p>132</p><p>3 A literatura científica atual sugere que se um estímulo de treinamento for de volume</p><p>e/ou intensidade suficiente e seguir os princípios da sobrecarga progressiva e</p><p>especificidade acerca do estímulo aplicado, os indivíduos que são considerados</p><p>resistentes ao exercício, ou pouco responsivos, podem de fato se tornar “responsivos”.</p><p>Além disso, alguns autores acreditam que o termo “não respondedor” deva ser</p><p>substituído por indivíduos que demonstram “baixa sensibilidade” a um estímulo de</p><p>treinamento. Assinale a alternativa CORRETA que sustente a premissa de alguns</p><p>autores que acreditam que o termo “não respondedor” deva ser substituído:</p><p>a) ( ) É equivocado o termo “não respondedor” porque os indivíduos requerem apenas</p><p>de um aumento no volume de treinamento para gerar respostas mais favoráveis.</p><p>b) ( ) É equivocado o termo “não respondedor” porque os indivíduos requerem apenas de</p><p>um aumento na intensidade de treinamento para gerar respostas mais favoráveis.</p><p>c) ( ) É equivocado o termo “não respondedor” porque os indivíduos requerem um</p><p>aumento no volume e/ou na intensidade de treinamento para gerar respostas</p><p>mais favoráveis.</p><p>d) ( ) É equivocado o termo “não respondedor” porque os indivíduos requerem um</p><p>aumento no volume e na intensidade de treinamento para gerar respostas</p><p>mais favoráveis.</p><p>4 A tríade da mulher atleta tem sido caracterizada por três componentes característicos</p><p>deste quadro. Tais componentes são doenças que acometem especialmente as</p><p>mulheres que estão na fase de adolescência e que são fisicamente ativas, portanto a</p><p>tríade da mulher atleta é definida como uma síndrome em que os componentes que</p><p>a caracterizam estão diretamente relacionados: amenorreia, distúrbios alimentares</p><p>e osteoporose. Com relação à amenorreia, distúrbios alimentares e osteoporose,</p><p>disserte sobre cada desfecho acerca dos efeitos deletérios no organismo feminino e</p><p>das características de cada fator.</p><p>5 Os componentes genéticos associados ao treinamento resistido interagem com o</p><p>sucesso acerca do desempenho esportivo, especialmente no que tange o aumento</p><p>da massa muscular (hipertrofia). De fato, mulheres atletas de elite apresentam fato-</p><p>res genéticos que favorecem o desenvolvimento de certas aptidões físicas que são</p><p>otimizadas quando se treina. Assim, mulheres atletas que são beneficiadas genetica-</p><p>mente para obter ganhos expressivos de massa isenta de gordura e osso associados</p><p>ao treinamento resistido tendem a responder mais aos programas de treino diferen-</p><p>ciados. De acordo com essa abordagem, monte um programa de treino (prescrição</p><p>para oito semanas) objetivando a hipertrofia muscular de mulheres incluindo estraté-</p><p>gias de treinamento atuais que vêm sendo utilizadas na literatura científica.</p><p>133</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANTUNES, S.; MARCELINO, O.; AGUIAR, T. Fisiopatologia da menopausa. Revista</p><p>Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Lisboa, v. 19, n. 4, p. 353–357, 2003.</p><p>BOOTH, F. W.; LAYE, M. J. The future: genes, physical activity and health. Acta</p><p>physiologica, [s. l.], v. 199, n. 4, p. 549–556, 2010.</p><p>BOUCHARD, C. et al. Familial aggregation ofV o 2 max response to exercise training:</p><p>results from the HERITAGE Family Study. 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Genetics and</p><p>Sports, [s. l.], v. 61, p. 15-28, 2016.</p><p>135</p><p>ASSOALHO PÉLVICO,</p><p>PERÍODO GESTACIONAL E</p><p>EXERCÍCIO FÍSICO</p><p>UNIDADE 3 —</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• obter compreensão acerca da anatomia do assoalho pélvico;</p><p>• elencar as principais funções do assoalho pélvico;</p><p>• entender a importância de se fortalecer o assoalho pélvico para prevenção das</p><p>morbidades associadas (isto é, disfunções do assoalho pélvico);</p><p>• compreender as adaptações que ocorrem no organismo da mulher durante o período</p><p>de gestação;</p><p>• realizar a prescrição do treinamento físico para gestantes e mulheres com morbidades</p><p>associadas ao enfraquecimento do assoalho pélvico.</p><p>A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar</p><p>o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – ASSOALHO PÉLVICO DA MULHER</p><p>TÓPICO 2 – PERÍODO GESTACIONAL</p><p>TÓPICO 3 – APLICAÇÃO DO EXERCÍCIO FÍSICO PARA O ASSOALHO PÉLVICO FEMININO</p><p>E NAS GESTANTES</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>136</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 3!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>137</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>ASSOALHO PÉLVICO DA MULHER</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 1, iremos abordar de uma maneira breve a</p><p>anatomia do assoalho pélvico feminino. Além disso, mais especificamente, abordaremos</p><p>a funcionalidade do assoalho pélvico feminino.</p><p>Vale destacar que a compreensão da anatomia e funcionalidade do assoalho</p><p>pélvico feminino permite que o profissional do exercício prescreva intervenções mais</p><p>eficazes para o tratamento das morbidades associadas às disfunções dessa região no</p><p>organismo feminino.</p><p>No presente tema de aprendizagem, iremos discutir sobre incontinência urinária</p><p>e bexiga hiperativa, principalmente sobre o papel do treinamento da musculatura do</p><p>assoalho pélvico para evitar a incidência de disfunções no trato urogenital por meio da</p><p>melhoria da uretral, melhor suporte das vísceras pélvicas – provocando um incremento</p><p>da força de contração voluntária da musculatura envolvida, dentre outros.</p><p>Especificamente em relação à presente unidade, grande parte do objetivo será</p><p>descrever os aspectos anatômicos e funcionais acerca do assoalho pélvico, sobretudo</p><p>como prevenir as morbidades associadas, apresentar os aspectos fisiológicos envolvidos</p><p>no período gestacional, englobando os prejuízos à saúde da mulher grávida que podem</p><p>ocorrer durante o período de gestação. Além disso, na presente unidade, iremos discutir</p><p>mais sobre a prescrição do treinamento físico para o tratamento do enfraquecimento do</p><p>assoalho pélvico e a aplicação do exercício em mulheres grávidas.</p><p>A seguir, abordaremos a anatomia e funcionalidade do assoalho pélvico das</p><p>mulheres, brevemente.</p><p>2 INTRODUÇÃO À ANATOMIA E FUNCIONALIDADE DO</p><p>ASSOALHO PÉLVICO</p><p>Do ponto de vista teórico, o assoalho pélvico é entendido como um conjunto</p><p>de estruturas (músculos, ligamentos e fáscias) que suportam tanto as vísceras da pelve</p><p>quanto da região abdominal. Assim, o assoalho pélvico é uma estrutura anatômica</p><p>complexa. Com relação aos órgãos do assoalho pélvico, a bexiga se localiza na</p><p>parte inferior da região abdominal, posicionada anteriormente ao púbis. Levando em</p><p>consideração a anatomia da bexiga, esse órgão pode ser dividido em três segmentos</p><p>138</p><p>(isto é, partes): a cúpula, o corpo e a base. A cúpula se localiza mais superiormente no</p><p>órgão, encontrando-se revestida pelo peritoneu (ASHTON‐MILLER; DELANCEY, 2007;</p><p>NETTER, 2018). O corpo vesical tem a maior porção dentre os três segmentos da bexiga.</p><p>Ele é responsável por receber a urina (que é produto gerado pelos ureteres de cada rim).</p><p>A base vesical tem um formato de funil. As paredes vesicais são revestidas por uma</p><p>camada muscular (músculo detrusor). Lateralmente, os ossos da bacia (ílio e ísquio) e</p><p>do ponto de vista posterior à estrutura do assoalho pélvico, parecem ser limitados pelo</p><p>osso sacro, que se articula mais inferiormente junto ao cóccix. Além disso, a pelve é</p><p>composta por uma base maior e outra menor.</p><p>A estrutura que dá suporte à bexiga é composta por ligamentos que</p><p>desempenham funções importantes para suportar esse órgão. Por exemplo, o</p><p>ligamento pubovesical se estende do músculo detrusor da bexiga até à fáscia pélvica</p><p>do arco tendíneo e ao osso púbico. Além disso, o ligamento pubovesical se associa</p><p>com o ligamento pubouretral, fornecendo suporte para o colo da bexiga, fazendo uma</p><p>interação entre o puborretal, a vagina e a uretra proximal (ASHTON‐MILLER; DELANCEY,</p><p>2007; NETTER, 2018). O suporte da região posterior e localizado mais inferiormente é</p><p>o trígono vesical, o qual fornece os ligamentos laterais da própria bexiga. Por fim, o</p><p>suporte uretral é feito por meio de uma ligação dos tecidos que circundam os ossos</p><p>da pelve. Assim, coletivamente, os ligamentos mais importantes na fixação dos órgãos</p><p>da pelve são o pubocervical, o cardinal, o pubovesical, o uterossacral e o pubouretral</p><p>(ASHTON‐MILLER; DELANCEY, 2007; NETTER, 2018).</p><p>Figura 1 – Estrutura do assoalho pélvico</p><p>Fonte: Netter (2000, p. 560)</p><p>139</p><p>Os tecidos conjuntivos do assoalho pélvico são responsáveis pela estabilidade</p><p>dessa estrutura. Comumente, são componentes fibrosos constituídos por colágeno,</p><p>elastina, fibroblastos, células de músculo liso e estruturas vasculares. O papel dos</p><p>ligamentos é promover o fortalecimento e dar suporte aos órgãos envolvidos na</p><p>região,</p><p>CHRISTENSON, 1985). A atividade física pode ser dividida em quatro domínios:</p><p>ocupacionais, deslocamentos, domésticas e lazer (CASPERSEN; POWELL; CHRISTENSON,</p><p>1985). As atividades físicas ocupacionais são aquelas realizadas no ambiente de</p><p>trabalho; as atividades físicas domésticas são aquelas feitas em casa, como se vestir,</p><p>tomar banho, comer etc.; as atividades físicas de deslocamento, são aquelas realizadas</p><p>como forma de se transportar de um lugar para outro; por fim, as atividades físicas</p><p>de lazer e tempo livre são aquelas como prática esportiva, exercício físico, dança etc.</p><p>(UMPIERRE et al., 2022). O estado dinâmico de energia e vitalidade que permite, além da</p><p>realização das tarefas do cotidiano e das ocupações ativas das horas de lazer, enfrentar</p><p>emergências imprevistas sem fadiga excessiva tem sido definida como aptidão física</p><p>(BOUCHARD et al., 1990).</p><p>7</p><p>Figura 2 – A aptidão física possui componentes relacionados a saúde, principalmente</p><p>Fonte: adaptada de ACSM (2006)</p><p>Para saber mais sobre como otimizar a longevidade da população idosa,</p><p>continue aqui conosco, pois revelaremos informações importantes</p><p>acerca do exercício físico para saúde da população brasileira, envolvendo</p><p>crianças, adolescentes, adultos e especialmente idosos.</p><p>ESTUDOS FUTUROS</p><p>A saúde tem sido definida como estado de completo bem-estar físico, mental,</p><p>social e não somente a ausência de doenças e enfermidades. Mais recentemente inclui-</p><p>se a dimensão espiritual (WHO, 2015). Finalmente, o exercício físico tem sido definido</p><p>por movimento corporal caracterizado por planejamento, estruturação e repetição, cujo</p><p>objetivo é melhorar ou manter um ou mais componentes da aptidão física (KHAN et</p><p>al., 2012). Por outro lado, um outro conceito importante é quanto ao comportamento</p><p>sedentário. O comportamento sedentário é definido como qualquer atividade realizada</p><p>no tempo “acordado” com baixo dispêndio energético (abaixo ou igual a 1,5 equivalentes</p><p>metabólicos) durante a posição sentada ou reclinada (TREMBLAY et al., 2017).</p><p>8</p><p>Os cinco componentes da aptidão física relacionada à saúde são mais im-</p><p>portantes para a saúde pública que os componentes relacionados à capaci-</p><p>dade atlética. Para saber mais sobre essas informações, busque o “Manual</p><p>do ACSM para avaliação da aptidão física relacionada à saúde”, de 2006.</p><p>DICAS</p><p>Figura 3 – Parâmetros do comportamento sedentário</p><p>Fontes: https://bit.ly/42eXyd9; https://bit.ly/3yG5K96. Acesso em: 15 mar. 2023.</p><p>Embora a prática de atividade física sistematizada (exercício físico) tenha sido</p><p>sugerida para promover saúde, prevenir e tratar doenças crônicas não transmissíveis, a</p><p>inatividade física foi identificada como um dos principais fatores de risco para doenças</p><p>crônicas não transmissíveis e responsável por mais de 5 milhões de mortes evitáveis</p><p>(DING et al., 2016). De fato, atividade física insuficiente é um fator de risco chave</p><p>para doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, câncer e</p><p>diabetes (UMPIERRE et al., 2022).</p><p>Não atingir níveis adequados de atividade física se tornou um problema de</p><p>saúde pública no mundo todo (DING et al., 2016). Do ponto de vista global, um em cada</p><p>quatro adultos não é ativo o suficiente (ou seja, é inativo fisicamente). Além disso, mais</p><p>de 80% da população adolescente do mundo é insuficientemente ativa fisicamente (LEE</p><p>et al., 2012; WHO, 2009). Nesse sentido, há uma necessidade de medidas de prevalência</p><p>que subsidiam a implementação de programas de prevenção e de políticas públicas.</p><p>Esses programas de prevenção e de políticas públicas devem estar voltados para a</p><p>prática de atividade física sistematizada, que sejam efetivos em diversos segmentos</p><p>populacionais, ou seja, que sejam funcionais para crianças, adolescentes, adultos e</p><p>idosos, principalmente para as mulheres (LEE et al., 2012; WHO, 2009).</p><p>Ao olharmos para os níveis percentuais de atividade física para cada grupo</p><p>etário, podemos inferir que à medida que a população adulta envelhece, se torna mais</p><p>inativa fisicamente (UMPIERRE et al., 2022).</p><p>https://bit.ly/42eXyd9</p><p>https://bit.ly/3yG5K96</p><p>9</p><p>Figura 4 – Níveis percentuais de inatividade física na população adulta</p><p>Fonte: adaptado de Hallal et al. (2012)</p><p>Mundialmente, as prevalências de inatividade física estão entre 5,5% e 67%</p><p>(BULL et al., 2020). No Brasil, 47% da população é inativa fisicamente, sendo 40,4% os</p><p>homens e 53,3% as mulheres (HALLAL et al., 2012). Além disso, os a população adulta no</p><p>Brasil é mais inativa fisicamente no trabalho (80,9%), ao passo que apresentam menores</p><p>níveis de inatividade física em casa (57,6%), no lazer (52,5%) e no transporte (50,4%)</p><p>(DEL DUCA, 2013).</p><p>Ao falarmos de crianças e adolescentes, as meninas são menos ativas do que</p><p>os meninos. Além disso, mais de 80% não fazem 60 minutos de atividade física de</p><p>moderada a vigorosa intensidade em 56 países (53%) nos meninos e 100 países (95%)</p><p>nas meninas.</p><p>Mais à frente, iremos ver o que é uma atividade física de moderada e/</p><p>ou vigorosa intensidade. Continue lendo as informações dos aspectos</p><p>epidemiológicos da população global e nacional.</p><p>ESTUDOS FUTUROS</p><p>Devido à relevância das doenças crônicas não transmissíveis na definição do</p><p>perfil epidemiológico da população brasileira, e pelo fato de que grande parte de seus</p><p>determinantes são passíveis de prevenção, o Ministério da Saúde implantou, em 2006,</p><p>o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por</p><p>Inquérito Telefônico (Vigitel) (BRASIL, 2007). Essa implantação se fez por intermédio</p><p>da Secretaria de Vigilância em Saúde, contando com o suporte técnico do Núcleo de</p><p>Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo.</p><p>Globalmente, 7,2% e 7,6% de mortalidade por todas as causas e por doenças</p><p>cardiovasculares, respectivamente, podem ser atribuídas à inatividade física</p><p>(KATZMARZYK et al., 2022). No Brasil, aproximadamente 84% da população adolescente</p><p>é inativa fisicamente (GUTHOLD et al., 2020). Esse dado é alarmante, principalmente</p><p>10</p><p>porque é maior que o da população global de adolescentes inativos fisicamente (81%)</p><p>(GUTHOLD et al., 2020). Além disso, indivíduos mais jovens praticam mais atividade física</p><p>no lazer do que os mais velhos. Também, quem tem 12 anos ou mais de escolaridade</p><p>realiza mais atividade física do que quem tem menos tempo de estudo. Independente</p><p>do grupo etário e dos anos de escolaridade, os homens praticam mais atividade física</p><p>no lazer do que as mulheres (BRASIL, 2007).</p><p>Os adultos de 18 aos 24 anos são os que mais fazem atividade física no</p><p>deslocamento e quem tem 9 a 11 anos de escolaridade, também. Por outro lado, em</p><p>relação à inatividade física, os indivíduos mais velhos possuem maiores prevalências</p><p>de inatividade física, bem como os que tem menores anos de escolaridade (BRASIL,</p><p>2007). Adicionalmente, as mulheres apresentam os piores indicadores. Para além disso,</p><p>os indivíduos mais velhos são mais inativos fisicamente comparado aos indivíduos mais</p><p>jovens. As mulheres mais inativas e as de menores anos de escolaridade apresentam</p><p>maior risco (BRASIL, 2007). Adicionalmente, a prevalência estimada de uso do</p><p>computador no lazer aumentou em todas as faixas etárias e o tempo total estimado de</p><p>sentar-se aumentou entre os adolescentes (YANG et al., 2019). A prevalência de exceder</p><p>o tempo de tela de duas horas por dia aumentou em quase todos os países do mundo.</p><p>Cerca de 90% dos adolescentes nos países participantes excederam as diretrizes de</p><p>duas horas do tempo diário da tela em 2014 (GHEKIERE et al., 2019). Prevalência de jovens</p><p>com tempo excessivo de tela e assistir TV é alto em todo o mundo, inclusive no Brasil</p><p>(SCHAAN et al., 2019). Esse comportamento atinge ambos os sexos e diferentes status</p><p>socioeconômicos, e nota-se uma tendência de aumentar o tempo em comportamento</p><p>sedentário com o avançar da idade até a idade adulta (SCHAAN et al., 2019). Observa-se</p><p>semelhante padrão comportamento sedentário em dias de semana e final de semana,</p><p>no entanto</p><p>uma vez que esses ligamentos servem como pontos de ligação entre os</p><p>ossos e os músculos. Especificamente, esses ligamentos promovem estabilidade aos</p><p>órgãos localizados nessa região, principalmente para que eles suportem as constantes</p><p>modulações de carga que podem ocorrer sobre essa estrutura (ASHTON‐MILLER;</p><p>DELANCEY, 2007; NETTER, 2018).</p><p>Os ligamentos pubouretrais fornecem um suporte mais dinâmico, principalmente</p><p>por serem contínuos e envolvidos pelos tecidos da membrana perineal. Além disso,</p><p>a posição anatómica da uretra é definida pela interação entre os ossos e o músculo</p><p>levantador do ânus. Em situações que essa estrutura anatômica está em completo</p><p>relaxamento, a uretra proximal se situa mais superiormente aos locais de inserção dos</p><p>ligamentos pubouretrais (ASHTON‐MILLER; DELANCEY, 2007; NETTER, 2018). Assim,</p><p>as restantes porções da uretra tendem a ficar controladas pela contração do músculo</p><p>levantador do ânus. Vale destacar que a fáscia liga os tecidos periuretrais e a parede</p><p>anterior da vagina à região do arco tendíneo, ao passo que o componente muscular</p><p>articula essas mesmas estruturas periuretrais (ASHTON‐MILLER & DELANCEY, 2007;</p><p>NETTER, 2018).</p><p>Os ligamentos são estruturas resultantes de condensações da fáscia endopél-</p><p>vica, compostos por nervos, vasos sanguíneos e músculo liso. Sua composição é forma-</p><p>da por estruturas contrácteis. Além disso, os ligamentos desempenham um papel im-</p><p>portante no suporte dos órgãos pélvicos. De acordo com isso, existem ligamentos que</p><p>possuem grande relevância, pois participam ativamente no suporte visceral pélvico, e a</p><p>falta de integridade destes pode induzir a condições patológicas de algumas disfunções</p><p>pélvicas (ASHTON‐MILLER; DELANCEY, 2007; NETTER, 2018).</p><p>A fáscia endopélvica é uma camada fibromuscular capaz de se expandir. Essa</p><p>estrutura envolve o diafragma pélvico e suas vísceras. Além disso, a fáscia endopélvica</p><p>possui um componente visceral e outra perietal. A principal função da fáscia</p><p>endopélvica é localizar anatomicamente as vísceras pélvicas através das condensações</p><p>ligamentosas, dos septos e da definição de regiões pélvicas (ASHTON‐MILLER;</p><p>DELANCEY, 2007; NETTER, 2018). A fáscia endopélvica é constituída por diferentes</p><p>componentes: colágeno, elastina e tecido muscular. Vale destacar que esses diferentes</p><p>componentes geram propriedades distintas, uma vez que esse fator pode explicar os</p><p>fenômenos fisiológicos das disfunções pélvicas. Por fim, as propriedades elásticas do</p><p>tecido conjuntivo são de responsabilidade da elastina. Por exemplo, a deformação</p><p>longitudinal da elastina pode ser superior à do colágeno no tecido conjuntivo. Porém, a</p><p>reestruturação das fibras nos tecidos não é longitudinal, mas multidirecional (ASHTON‐</p><p>MILLER; DELANCEY, 2007; NETTER, 2018).</p><p>140</p><p>Fenômenos que tendem a ocorrer durante a vida da mulher, como, por exemplo,</p><p>a gravidez, o parto e o envelhecimento biológico, podem comprometer as características</p><p>funcionais das estruturas que formam os tecidos conjuntivos. De acordo com isso, há</p><p>um maior o risco de desenvolvimento de disfunções pélvicas, uma vez que os tecidos</p><p>conjuntivos da pelve estão classificados em três níveis de suporte. Vale destacar que</p><p>esses níveis dão suporte para região vaginal (parte apical, medial-vaginal e distal-</p><p>vaginal). O entendimento acerca das disfunções pélvicas necessita de um conhecimento</p><p>prévio que envolve os processos fisiológicos envolvidos. Então, se faz necessária a</p><p>compreensão da anatomia pélvica e as funções de cada estrutura presente (ASHTON‐</p><p>MILLER; DELANCEY, 2007; NETTER, 2018). Anteriormente, vimos sobre a anatomia do</p><p>assoalho pélvico, que é caracterizada pelos ossos, órgãos, músculos e ligamentos que</p><p>contribuem para a funcionalidade dessa estrutura complexa. Além disso, o sistema</p><p>esquelético tem o papel de proteção dos órgãos internos e transmissão do peso.</p><p>Na maior estrutura da pelve se encontram as vísceras abdominais, ao passo</p><p>que na menor estrutura da pelve se localiza a bexiga, a vagina e o reto. Nesse sentido,</p><p>a contração do assoalho pélvico tem como uma de suas funções auxiliar a continência</p><p>urinária e fecal, enquanto se faz importante na função sexual. De fato, o assoalho</p><p>pélvico feminino está dividido em dois tipos musculaturas que compõe sua estrutura: o</p><p>diafragma pélvico e a membrana perineal (diafragma urogenital). O primeiro diafragma</p><p>pélvico representa o sistema do músculo esquelético que cobre inferiormente a</p><p>estrutura a pelve, ao passo que a membrana perineal é a camada mais superficial e</p><p>distal do assoalho pélvico, que é responsável pela ação voluntária da continência</p><p>urinária (ASHTON‐MILLER; DELANCEY, 2007; NETTER, 2018).</p><p>O diafragma pélvico é formado pelo músculo levantador do ânus e coccígeo.</p><p>Também, as fáscias que revestem do ponto de vista posterior o diafragma pélvico são</p><p>consideradas um componente estrutural desse órgão. Interessantemente, o músculo</p><p>levantador do ânus é considerado uma das estruturas mais importantes do assoalho</p><p>pélvico, pois desempenha diferentes funções. Além disso, esse músculo demonstra</p><p>uma simetria bilateral e é divido em três estruturas: puborrectal, pubococcígeo e o</p><p>iliococcígeo. Também, essa musculatura não é capaz de revestir completamente a</p><p>pelve, uma vez que há uma abertura oval na região estrutural por onde passam a vagina,</p><p>a uretra e o reto (ASHTON‐MILLER; DELANCEY, 2007; NETTER, 2018).</p><p>A vagina é um canal musculomembranoso, que mede aproximadamente de</p><p>8-10 cm de comprimento e cerca de 4 cm de diâmetro. Esse canal se estende desde</p><p>o colo do útero e vai até próximo ao orifício, onde contacta com o exterior, localizado</p><p>no vestíbulo da vulva, entre os pequenos lábios. Do ponto de vista estrutural, esse</p><p>canal está posicionado obliquamente entre o reto e a bexiga, se dirigindo de cima para</p><p>baixo e de trás para frente. Anteriormente, a vagina associa-se com a bexiga através</p><p>do trígono vesical, do qual está separada pelo septo vesico-vaginal, enquanto a parede</p><p>posterior da vagina está associada ao reto, embora estejam separados pelo septo reto-</p><p>vaginal. Na visão interior da vagina, é possível encontrar uma superfície irregular e uma</p><p>141</p><p>camada mucosa, com pequenas glândulas responsáveis pela libertação de secreções</p><p>de lubrificação do canal. Abaixo dessa camada mucosa, há uma camada de tecido</p><p>muscular coberta por uma grande quantidade de tecido conjuntivo (ASHTON‐MILLER;</p><p>DELANCEY, 2007; NETTER, 2018).</p><p>Adicionalmente, o suporte vaginal e uterino é formado por três níveis: (i)</p><p>mais superior –constituído pelo paramétrio. O paramétrio participa no suporte lateral</p><p>das vísceras. Além disso, o paramétrio auxilia a sustentação do útero na sua posição</p><p>retrovertida; (ii) localizado no colo do útero – onde o ligamento cardinal e o ligamento</p><p>uterosacral são os principais intervenientes, uma vez que ambos envolvem o colo do</p><p>útero, formando um anel pericervical, por fixação à base da bexiga. Para além disso,</p><p>tais ligamentos atuam em conjunto, formando um complexo de suspensão do colo do</p><p>útero e de suporte para o ápice vaginal; por fim, (iii) o terceiro nível, localizado em uma</p><p>superfície mais inferior, se consiste pelo suporte lateral da vagina (através da intervenção</p><p>da porção medial do músculo levantador do ânus) e de todo o tecido conjuntivo que</p><p>envolve a região (ASHTON‐MILLER; DELANCEY, 2007; NETTER, 2018).</p><p>Também, a membrana perineal representa um complexo envolvido por tecido</p><p>muscular que se localiza inferiormente ao diafragma pélvico. É constituída pela camada</p><p>superficial do músculo isquiocavernoso e bulbocavernoso. Na região superior dessa</p><p>estrutura anatômica, a membrana perineal é formada pelo músculo transverso do períneo.</p><p>Nesse sentido, a membrana perineal funciona como ponte entre o púbis e o corpo perineal,</p><p>permitindo o preenchimento da abertura urogenital. A membrana perineal está envolvida</p><p>na sustentação da região mais distal da vagina e da uretra, ao passo que essa estrutura</p><p>se comporta como um esfíncter dessas mesmas regiões, contribuindo</p><p>para a continência</p><p>urinária (ASHTON‐MILLER; DELANCEY, 2007; NETTER, 2018).</p><p>Teoricamente, com o avanço do conhecimento na área do assoalho pélvico</p><p>da mulher, foi possível obter uma melhor compreensão das funções dos tecidos, das</p><p>condições patológicas e na melhoria dos tratamentos terapêuticos que estão envolvidos</p><p>com essa estrutura complexa. Nesse sentido, os músculos do assoalho pélvico são</p><p>constituídos por fibras musculares que desempenham um papel essencial no suporte</p><p>das estruturas intra-abdominais. Além disso, os músculos do assoalho pélvico têm</p><p>um papel na manutenção da forma dos órgãos da pelve, sobretudo na função dos</p><p>orifícios. Portanto, a ação dos músculos envolvidos no assoalho pélvico é coordenada</p><p>por movimentos posteriores e anteriores, o que pode gerar um aumento em termos de</p><p>pressão sobre a região intra-abdominal.</p><p>Especificamente, a uretra possui três papeis importantes: (i) estar fechada</p><p>durante o estado de relaxamento: a vagina é um músculo que possui elasticidade que</p><p>permite fechar a cavidade uretral fechada; (ii) a cavidade uretral se fecha durante o</p><p>esforço na parte mais distal da vagina, ao passo que a uretra se direciona posteriormente</p><p>devido a ação muscular do pubococcígeo; (iii) durante a micção, a cavidade da uretra está</p><p>142</p><p>aberta. Nesse sentido, os receptores que atuam durante a micção podem determinar</p><p>que o músculo pubococcígeo não está exercendo força, o que permite que o músculo</p><p>levantador do ânus gere força para que, assim, o músculo transverso profundo abra o</p><p>trato urinário (ASHTON‐MILLER; DELANCEY, 2007; NETTER, 2018).</p><p>Há duas décadas, alguns pesquisadores mostraram que há uma existência</p><p>de forças direcionais nas mulheres. Tais forças são responsáveis pela evacuação e</p><p>continência fecal. Assim, no processo de abertura e fechamento do reto, quatro forças</p><p>são exercidas devido à ação do músculo puborretal, dos ligamentos pubouretrais,</p><p>dos ligamentos uterosacrais e do músculo levantador do ânus (ASHTON‐MILLER;</p><p>DELANCEY, 2007; NETTER, 2018). Enquanto no processo de defecação, só há três</p><p>forças envolvidas: do músculo levantador do ânus, do músculo transverso profundo</p><p>e do músculo pubococcígeo. Durante a evacuação, o orifício se abre, ao passo que o</p><p>músculo puborretal está relaxado. Assim, as três forças existentes nesse processo de</p><p>defecação definem a abertura do ângulo anorretal, permitindo a contração do reto para,</p><p>então, evacuar (ASHTON‐MILLER; DELANCEY, 2007; NETTER, 2018).</p><p>Embora a manobra de Valsalva possa ser feita facilmente (prender a respiração ao segurar</p><p>o nariz com os dedos e forçar a saída do ar), há um aumento da pressão arterial do indivíduo</p><p>que realiza essa manobra. Vale destacar que há movimentos que somos capazes de</p><p>realizar que aumentam a pressão intra-abdominal, ao passo que os músculos do assoalho</p><p>pélvico feminino estão relaxados. Esse fenômeno é denominado de manobra de Valsalva.</p><p>Esse aumento de pressão intra-abdominal faz com que o assoalho</p><p>pélvico desça. Assim, há um alargamento do hiato anogenital e uma</p><p>distensão do ligamento anococcígeo (ASHTON‐MILLER; DELANCEY,</p><p>2007; NETTER, 2018). Na porção anterior, há uma rotação da uretra</p><p>e da bexiga em relação à sínfise púbica, ao passo que na porção</p><p>intermédia, a vagina e o útero se movem mais para parte posterior.</p><p>Especificamente durante a evacuação, se o músculo puborretal não</p><p>permanecer relaxado durante a manobra de Valsalva, o reto pode</p><p>ser comprimido (entre o ligamento anococcígeo e o útero ou entre</p><p>o ligamento anococcígeo e o peritoneu) provocando uma obstrução</p><p>da saída das fezes.</p><p>IMPORTANTE</p><p>143</p><p>Figura 2 – Ilustração da manobra da Valsalva</p><p>Fonte: https://bit.ly/445Mlgf. Acesso em: 25 abr. 2023.</p><p>Na respiração bloqueada, o ato de prender excessivamente o fluxo de ar</p><p>com a glote fechada durante a execução de treinamento de força ocasiona</p><p>elevação substancial da pressão sanguínea.</p><p>INTERESSANTE</p><p>3 DISFUNÇÕES DO ASSOALHO PÉLVICO</p><p>As disfunções associadas ao assoalho pélvico feminino são caracterizadas</p><p>pela bexiga hiperativa, prolapsos dos órgãos pélvicos, disfunções sexuais, disfunções</p><p>anorretais e incontinência urinária (MCNEVIN, 2010). Com relação à infecção do trato</p><p>urinário feminino, esta é considerada um problema de saúde no mundo todo (SUNG;</p><p>HAMPTON, 2009). Essa doença é caracterizada pela invasão de bactérias, de fungos</p><p>ou parasitas em qualquer parte do sistema uroginecológico. Comumente, a doença se</p><p>manifesta por meio de sintomas ou não, sendo adquirida na comunidade ou em serviços</p><p>de assistência à saúde.</p><p>De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a infecção do trato urinário</p><p>afeta mais de 200 milhões de pessoas no mundo, sendo considerada um problema de</p><p>saúde pública (FOXMAN, 2002; GRABE et al., 2015; STAMM, 2007; STAMM; HOOTON, 1993).</p><p>Um estudo realizado no Brasil mostrou que 11 a 23% da população feminina apresenta</p><p>incontinência urinária. Além disso, em idosas, essa prevalência pode variar entre 8 e</p><p>35% (LAZARI; LOJUDICE; MAROTA, 2009). De acordo com órgãos internacionais sobre</p><p>continência urinária, os sintomas do trato urinário inferior podem ser relacionados com</p><p>as fases de enchimento ou de esvaziamento vesical. Os sintomas de enchimento vesical</p><p>se relacionam à perda de urina aos esforços. Em outras palavras, o indivíduo perde urina</p><p>144</p><p>em diversas situações, como, por exemplo: (i) aumento da pressão intra-abdominal;</p><p>(ii) urgência miccional em que ocorre a vontade de urinar acompanhada de dor; (iii)</p><p>incontinência cuja perda de urina é associada à urgência miccional; (iv) frequência</p><p>urinária em que ocorre aumento do número de micções durante o dia; (v) duas ou mais</p><p>micções noturnas; e, por fim, (vi) perda involuntária de urina durante o sono (HAYLEN;</p><p>RIDDER; FREEMAN, 2010).</p><p>Para além disso, as infecções do trato urinário são um conjunto de patologias mais</p><p>frequentes na prática clínica ambulatorial (assim como nos hospitais), ao passo que são</p><p>consideradas enfermidades comuns, pois podem acometer pacientes de todas as idades.</p><p>Entretanto, há maior incidência das infecções do trato urinário entre grupos de risco como</p><p>mulheres e grávidas, idosos, pacientes diabéticos e com problemas cardiovasculares.</p><p>Nos Estados Unidos, as infecções do trato urinário são o motivo de mais de 8 milhões</p><p>de atendimentos médicos por ano. Além disso, estima-se que os gastos estimados aos</p><p>cofres públicos ficam em aproximadamente 6 bilhões de dólares em despesas diretas de</p><p>cuidados em saúde (atualmente, isso representa mais de 31 bilhões de reais) (FOXMAN,</p><p>2002; GRABE et al., 2015; STAMM, 2007; STAMM; HOOTON, 1993).</p><p>Na estrutura corporal feminina, a extensão mais curta da uretra e sua proximidade</p><p>com o ânus aumentam a probabilidade de infecções do trato urinário. Nesse sentido,</p><p>estima-se que toda mulher irá desenvolver esse tipo de infecção pelo menos uma vez ao</p><p>longo de sua vida. Para além disso, nas gestantes, a prevalência das infecções do trato</p><p>urinário é de aproximadamente 20%, uma vez que é mais no frequente nos primeiros</p><p>três meses de gestação. Também, as infecções do trato urinário são a terceira ocorrência</p><p>clínica que mais acomete a população de gestantes, sendo comumente relacionadas as</p><p>complicações que também podem ocorrer durante o período gestacional, tais como</p><p>hipertensão gestacional e/ou diabetes gestacional. Durante o período gestacional,</p><p>fatores mecânicos e hormonais podem desencadear modulações significativas sobre o</p><p>trato urinário feminino, facilitando o ambiente para receber infecções, que podem ser de</p><p>três tipos: a bacteriúria assintomática, a cistite e a pielonefrite (FOXMAN, 2002; GRABE</p><p>et al., 2015; STAMM, 2007; STAMM; HOOTON, 1993).</p><p>O esporte de alto rendimento aumenta significativamente o risco de</p><p>desenvolvimento do quadro de incontinência urinária em mulheres. Porém, o risco</p><p>para incontinência urinária na mulher atleta depende especialmente da modalidade</p><p>esportiva. De acordo com essas premissas, o risco de incontinência urinária é alto para</p><p>mulher atleta que pratica corrida</p><p>em longas distâncias, basquete e ginástica olímpica,</p><p>ao passo que o risco é mais baixo para as praticantes de golfe, remo e ciclismo (BØ,</p><p>2004; BØ; BORGEN, 2001; CAETANO; TAVARES; LOPES, 2007; VITTON et al., 2011). Vale</p><p>destacar que a incontinência urinária impacta diretamente a qualidade de vida da</p><p>mulher, afetando o aspecto sexual, social, doméstico e ocupacional. De fato, mulheres</p><p>que têm incontinência urinária se sentem mais constrangidas para socializarem com</p><p>outras pessoas, se sentem inibidas ao realizarem as atividades sociais e esportivas, e</p><p>também menos atraídas frente a parceiros(as) para relação sexual. Para além disso,</p><p>145</p><p>parece que há uma associação entre sintomatologia depressiva, diminuição da</p><p>autoestima e aumento de sintomas que envolvem a ansiedade com a incontinência</p><p>urinária entre as mulheres. Parte disso pode ser atribuído ao desconhecimento acerca de</p><p>como os músculos do assoalho pélvico funcionam quando são estimulados durante as</p><p>modalidades esportivas. Assim, muitas mulheres que realizam exercícios que promovem</p><p>um aumento da pressão intra-abdominal não são capazes de contrair voluntariamente</p><p>a musculatura do assoalho pélvico. Assim, pode ocorrer perda involuntária de urina (BØ,</p><p>2004; BØ; BORGEN, 2001; CAETANO; TAVARES; LOPES, 2007; VITTON et al., 2011).</p><p>O estudo de Vitton et al. (2011) mostrou prevalência de 14,8% de</p><p>incontinência urinária entre atletas que treinavam em alta intensidade</p><p>e mais do que oito horas por semana estatisticamente maior (P =</p><p>0,001) do que entre mulheres que treinavam menos do que oito</p><p>horas por semana, com idades entre 18 e 40 anos. As mulheres do</p><p>grupo de treinamento em alta intensidade e de mais do que oito</p><p>horas por semana eram significativamente mais jovens e uma menor</p><p>porcentagem delas já haviam passado pelo período gestacional.</p><p>De acordo com tais achados, os autores do estudo sugerem que</p><p>modalidades esportivas de mais alta intensidade e maior período de</p><p>treinamento semanal parecem ser um fator de risco para incidência</p><p>de incontinência urinária (VITTON et al., 2011).</p><p>IMPORTANTE</p><p>Com relação aos sintomas das infecções do trato urinário, estes parecem que não se</p><p>diferenciam entre os sexos (homem e mulher) ou grupos especiais, tais como: gestante,</p><p>idosos e crianças. Quanto ao local da infecção, é classificada como baixa ou alta, podendo</p><p>acometer somente o sistema urinário baixo, recebendo a denominação de cistite, ou</p><p>atingir concomitantemente o sistema urinário superior e inferior, o que configura infecção</p><p>urinária alta, também chamada de pielonefrite, sendo considerada a forma complicada</p><p>dessa patologia. As cistites comumente são inflamações que não geram complicações,</p><p>podendo ser tratadas de forma ambulatorial, e não necessitam de internação do paciente.</p><p>Geralmente, os sintomas apresentados por esses pacientes são urgência miccional,</p><p>polaciúria, micção noturna e dor suprapúbica (BØ, 2004; BØ; BORGEN, 2001; CAETANO;</p><p>TAVARES; LOPES, 2007; VITTON et al., 2011). Além disso, vale destacar que, comumente,</p><p>esses sintomas não provocam febre. O histórico clínico do paciente</p><p>(principalmente das mulheres), como cistite prévia, deve ser levado em</p><p>consideração, uma vez que a população feminina será possivelmente</p><p>acometida por uma infecção do trato urinário durante seu curso de vida.</p><p>Um sinal de cistite pode ser identificado quando a apresentação em termos</p><p>de cor da urina estiver avermelhada, devido à presença de sangue, que é</p><p>produto do processo inflamatório (BØ, 2004; BØ; BORGEN, 2001; CAETANO;</p><p>TAVARES; LOPES, 2007; VITTON et al., 2011).</p><p>INTERESSANTE</p><p>146</p><p>Uma consequência mais preocupante da infecção do trato urinário é a</p><p>pielonefrite. A pielonefrite é considerada mais complicada quando comparada à cistite.</p><p>Comumente, a pielonefrite se inicia com uma infecção não complicada, e está associada</p><p>a fatores complicadores como infecções prévias, insuficiência renal, alterações</p><p>anatômicas ou funcionais. Os sintomas frequentes da pielonefrite são a presença de</p><p>febre elevada (isto é, superior a 38 °C), com a presença de calafrios e de dor lombar,</p><p>sendo estes sintomas considerados a tríade da pielonefrite, presentes na maioria das</p><p>infecções do trato urinário. A dor lombar tem a capacidade de se irradiar para a região do</p><p>abdome ou da virilha, ao passo que esse quadro pode aumentar a possibilidade de litíase</p><p>renal associada a infecção do trato urinário (BØ, 2004; BØ; BORGEN, 2001; CAETANO;</p><p>TAVARES; LOPES, 2007; VITTON et al., 2011).</p><p>Adicionalmente, os principais fatores de risco que estão associados à</p><p>incontinência urinária são: (i) idade, considerada o principal fator de risco para entre a</p><p>população feminina, afeta significativamente mais idosas do que os idosos. De maneira</p><p>geral, esse quadro ocorre com maior frequência a partir do climatério e/ou menopausa,</p><p>com índices de 43% na faixa etária entre 35 e 81 anos; (ii) excesso de gordura corporal:</p><p>o sobrepeso e a obesidade são fatores agravantes que contribuem diretamente para o</p><p>desenvolvimento de incontinência urinária (BØ, 2004; BØ; BORGEN, 2001; CAETANO;</p><p>TAVARES; LOPES, 2007; VITTON et al., 2011). Uma possível explicação para isso é que</p><p>parece haver uma associação entre a prevalência de infecção urinária com sobrepeso e</p><p>obesidade por consequência da alta pressão intra-abdominal provocada, principalmente,</p><p>pelo aumento da massa corporal na região da cintura e quadril. Isso favorece o aumento</p><p>da pressão intravesical, alterando o mecanismo do trato urinário; (iii) tipos de parto: o</p><p>parto vaginal está associado com a prevalência de incontinência urinária comparado</p><p>à cesariana. Porém, o parto vaginal isoladamente não é o principal fator que provoca</p><p>incontinência urinária.</p><p>Nesse sentido, o parto vaginal é considerado um fator chave quando associado</p><p>às lesões e traumas do assoalho pélvico; (iv) menopausa: a prevalência de incontinência</p><p>urinária em mulheres no período pós-menopausa tem sido relatada associação positiva</p><p>entre 46% e 64% dos casos. Isso parece ocorrer porque o assoalho pélvico pode ser</p><p>afetado com as mudanças hormonais que ocorrem durante a menopausa. De fato,</p><p>a limitada produção de estrogênio no período pós-menopausa favorece a mulher</p><p>desenvolver incontinência urinária, contribuindo para sintomas urinários como aumento</p><p>da frequência de micção e urgência para ir ao banheiro; (v) doenças crônicas não</p><p>transmissíveis: fatores intervenientes que já existem no organismo da mulher, como por</p><p>exemplo: diabetes mellitus tipo II e/ou outras doenças neurológicas são fatores de risco</p><p>para a prevalência de incontinência urinária (BØ, 2004; BØ; BORGEN, 2001; CAETANO;</p><p>TAVARES; LOPES, 2007; VITTON et al., 2011).</p><p>Além disso, parece ocorrer um aumento da vulnerabilidade do assoalho pélvico</p><p>devido a uma mudança do tecido biológico provocado pela diabetes mellitus tipo II</p><p>devido a lesões nas inervações neuropáticas autônomas da bexiga. Também, o aumento</p><p>da frequência urinária causada pela hiperglicemia decorrente do aumento do volume</p><p>147</p><p>urinário gera esse enfraquecimento da musculatura do assoalho pélvico feminino; (vi)</p><p>fatores hereditários: parece que as mulheres brancas possuem maior prevalência de</p><p>incontinência urinária quando comparadas com as mulheres pretas (BØ, 2004; BØ;</p><p>BORGEN, 2001; CAETANO; TAVARES; LOPES, 2007; VITTON et al., 2011).</p><p>É razoável supor que, provavelmente, há componentes genéticos envolvidos,</p><p>diferenças na anatomia e funcionalidade uretral, e também nas estruturas de suporte</p><p>do assoalho pélvico que protegem as mulheres pretas da incontinência urinária. (vii)</p><p>tabagismo: o fumante frequentemente apresenta tosse mais forte, causando efeito</p><p>direto sobre a bexiga e na uretra. Isso pode prejudicar os componentes do assoalho</p><p>pélvico, contribuindo para a prevalência de incontinência urinária (BØ, 2004; BØ;</p><p>BORGEN, 2001; CAETANO; TAVARES; LOPES, 2007; VITTON et al., 2011). Além disso,</p><p>parece que as mulheres fumantes apresentam aumento significativo de pressão vesical</p><p>associada a tosse quando comparadas com</p><p>as mulheres não fumantes.</p><p>A Sociedade Internacional de Continência definiu que bexiga hiperativa é uma</p><p>síndrome caracterizada por sintomas de urgência urinária com ou sem incontinência de</p><p>urgência. Comumente, o quadro de bexiga hiperativa está acompanhado de aumento na</p><p>frequência miccional, sem causa local ou metabólica. Portanto, avaliar minuciosamente</p><p>os sintomas que guardam relação com bexiga hiperativa é fundamental ao diagnóstico</p><p>apurado (ABRAMS; CARDOZO; WEIN, 2012; KIRBY et al., 2006; STEWART et al., 2003;</p><p>WEIN; RACKLEY, 2006). A bexiga hiperativa pode afetar ambos os sexos em qualquer</p><p>faixa etária. Porém, parece que esse quadro clínico é mais evidente com o avançar da</p><p>idade. É estimado que a bexiga hiperativa atinja mais de 30% dos indivíduos com mais</p><p>de 75 anos de idade. Em adultos com mais de 40 anos de idade, parece que cerca de</p><p>16% são acometidos, de ambos os sexos. Além disso, o maior estudo epidemiológico já</p><p>realizado sobre bexiga hiperativa incluiu 19.165 pessoas com mais de 18 anos em cinco</p><p>países. A prevalência global desse quadro clínico foi de 12,8% nas mulheres e de 10,8%</p><p>nos homens (EAPEN; RADOMSKI, 2016).</p><p>4 FORTALECIMENTO DO ASSOALHO PÉLVICO PARA</p><p>PREVENÇÃO DAS MORBIDADES ASSOCIADAS</p><p>O fortalecimento do assoalho pélvico por meio de um treinamento específico,</p><p>ou seja, direcionado para essa região do corpo, tem sido considerado como a primeira</p><p>escolha para o tratamento das variadas disfunções que ocorrem no trato uroginecológico.</p><p>De modo geral, o treinamento para o assoalho pélvico é capaz de melhorar a resistência</p><p>da uretra e, consequentemente, dar suporte para as vísceras que estão localizadas na</p><p>região pélvica – uma vez que ocorre incremento da força de contração voluntária dos</p><p>músculos envolvidos no assoalho pélvico –, o que gera melhorias sobre o recrutamento de</p><p>motoneurônios (BØ; TALSETH; HOLME, 1999; BURGIO et al., 2002; DUMOULIN; CACCIARI;</p><p>HAY‐SMITH, 2018; FITZ et al., 2012; MARQUES, 2016; MØRKVED; BØ; FJØRTOFT et al., 2002).</p><p>Assim, é possível aumentar a força dessa musculatura e promover uma condição de maior</p><p>148</p><p>sustentação para o assoalho pélvico em termos de tônus. Além disso, o fortalecimento</p><p>do assoalho pélvico provoca elevação das vísceras pélvicas, além da restauração da</p><p>atividade reflexa normal. Também, melhorar a musculatura do assoalho pélvico pode</p><p>auxiliar nas funções dos órgãos uroginecológicos. As estratégias de treinamento para o</p><p>assoalho pélvico são importantes também para o tratamento da incontinência urinária de</p><p>estresse (BØ; TALSETH; HOLME, 1999; BURGIO et al., 2002; DUMOULIN; CACCIARI; HAY‐</p><p>SMITH, 2018; FITZ et al., 2012; MARQUES, 2016; MØRKVED; BØ; FJØRTOFT et al., 2002).</p><p>Por exemplo, a contração dos músculos do assoalho pélvico inibe de modo re-</p><p>flexo a contração do detrusor, além de aumentar a pressão da uretra. O objetivo inicial</p><p>desses exercícios para os músculos do assoalho pélvico é conscientizar o paciente sobre</p><p>o funcionamento correto daquela região, demonstrando as funções de contração e rela-</p><p>xamento (BØ; TALSETH; HOLME, 1999; BURGIO et al., 2002; DUMOULIN; CACCIARI; HAY‐</p><p>SMITH, 2018; FITZ et al., 2012; MARQUES, 2016; MØRKVED; BØ; FJØRTOFT et al., 2002). As</p><p>técnicas mais usadas são exercícios específicos para região pélvica e eletroestimulação.</p><p>Nos exercícios pélvicos, o uso de biofeedback é essencial para demonstrar ao indivíduo</p><p>como contrair e relaxar corretamente os músculos que estão envolvidos na região. Para</p><p>isso, pode-se utilizar equipamentos com recursos visuais ou auditivos. Os resultados</p><p>desse modelo de intervenção podem ser avaliados após oito semanas. Comumente, são</p><p>positivos, então, esses exercícios devem ser mantidos ao longo da vida da mulher (BØ;</p><p>TALSETH; HOLME, 1999; BURGIO et al., 2002; DUMOULIN; CACCIARI; HAY‐SMITH, 2018;</p><p>FITZ et al., 2012; MARQUES, 2016; MØRKVED; BØ; FJØRTOFT et al., 2002).</p><p>Estudos sobre exercícios para os músculos do assoalho pélvico concentram-</p><p>se no tratamento da incontinência urinária de esforço, mas os resultados para</p><p>bexiga hiperativa são controversos. Por outro lado, muitos autores defendem a</p><p>terapia combinada, associando exercícios perineais, biofeedback, cones vaginais e</p><p>eletroestimulação. Especificamente em relação à eletroestimulação, é feita por meio da</p><p>utilização de eletrodos vaginais para mulheres, com corrente elétrica de baixa frequência</p><p>(até 12 Hz) que estimula, por via aferente, o nervo pudendo, e inibe o detrusor. Parece que</p><p>entre 10 e 20 sessões de eletroestimulação, realizadas de duas a três vezes por semana,</p><p>podem trazer resultados benéficos para o assoalho pélvico para aproximadamente 60%</p><p>dos casos. Em contrapartida, há uma limitação de estudos sobre a manutenção dos</p><p>resultados em longo prazo sobre os efeitos da eletroestimulação (BØ; TALSETH; HOLME,</p><p>1999; BURGIO et al., 2002; DUMOULIN; CACCIARI; HAY‐SMITH, 2018; FITZ et al., 2012;</p><p>MARQUES, 2016; MØRKVED; BØ; FJØRTOFT et al., 2002).</p><p>Para além disso, alguns estudos têm demonstrado que cerca de 30% das</p><p>mulheres não são capazes de realizar uma contração dos músculos que compõe o</p><p>assoalho pélvico. Assim, é fundamental que, antes de se propor qualquer técnica de</p><p>tratamento, seja feita uma avaliação completa por um profissional uroginecologista (por</p><p>exemplo, anamnese e o exame físico) inspecionando e palpando estruturas abdominais</p><p>e pélvicas, além da musculatura do assoalho pélvico, observando sempre a integridade,</p><p>capacidade de percepção, coordenação da contração, bem como o relaxamento dos</p><p>149</p><p>músculos envolvidos (BØ; TALSETH; HOLME, 1999; BURGIO et al., 2002; DUMOULIN;</p><p>CACCIARI; HAY‐SMITH, 2018; FITZ et al., 2012; MARQUES, 2016; MØRKVED; BØ; FJØRTOFT</p><p>et al., 2002). De acordo com isso, a correta contração dos músculos do assoalho pélvico é</p><p>descrita como um aperto na região da uretra, vagina e reto com a subida e interiorização</p><p>do períneo. Nesse sentido, os erros mais comuns durante a realização da contração</p><p>dos músculos do assoalho pélvico são: a utilização de musculaturas pélvicas externas,</p><p>como os adutores do quadril, abdominais e glúteos, e a realização de contração fazendo</p><p>um movimento do períneo para baixo (BØ; TALSETH; HOLME, 1999; BURGIO et al., 2002;</p><p>DUMOULIN; CACCIARI; HAY‐SMITH, 2018; FITZ et al., 2012; MARQUES, 2016; MØRKVED;</p><p>BØ; FJØRTOFT et al., 2002).</p><p>A avaliação da musculatura do assoalho pélvico é um parâmetro importante</p><p>na prática clínica. Assim, várias técnicas têm sido propostas, tais como: palpação</p><p>digital utilizando escalas de graduação, perineômetro (mede a pressão intravaginal),</p><p>eletromiografia (mede a atividade mioelétrica da região) e ultrassom (avalia a elevação</p><p>do colo vesical durante a contração muscular do assoalho pélvico) (BØ; TALSETH;</p><p>HOLME, 1999; BURGIO et al., 2002; DUMOULIN; CACCIARI; HAY‐SMITH, 2018; FITZ et al.,</p><p>2012; MARQUES, 2016; MØRKVED; BØ; FJØRTOFT et al., 2002).</p><p>De fato, a literatura científica tem mostrado que a reabilitação dos músculos do</p><p>assoalho pélvico se mostra eficaz na restauração da continência urinária em mulheres</p><p>com sintomas de incontinência. Adicionalmente, o papel da fisioterapia específica para</p><p>o assoalho pélvico na saúde da mulher tem sido considerado um fator importante para</p><p>o tratamento de incontinência urinária e fecal. Em 1952, Kegel sugeriu que mulheres que</p><p>apresentassem pouca consciência da funcionalidade do assoalho pélvico, em termos</p><p>de contração e relaxamento, teriam uma maior prevalência para incontinência urinária.</p><p>Assim, Kegel foi o precursor em orientar exercícios para os músculos do assoalho</p><p>pélvico, uma vez que o aspecto funcional dessa região fortalecido poderia melhorar</p><p>a incontinência urinária (KEGEL, 1952). Para além disso, mais de meia década depois,</p><p>Bo e colaboradores, em um estudo controlado e randomizado, mostraram melhoria na</p><p>qualidade de vida e de mulheres com incontinência urinária que foram submetidas a</p><p>intervenção fisioterapêutica (BØ; TALSETH; VINSNES, 2000).</p><p>A cinesioterapia dos músculos do assoalho pélvico é outro recurso que também é</p><p>utilizado</p><p>pelo fisioterapeuta na reabilitação e prevenção das disfunções uroginecológicas.</p><p>A partir do treinamento dos músculos do assoalho pélvico iniciado por Kegel, iniciaram</p><p>investigações sobre os exercícios para os músculos do assoalho pélvico. Nesse sentido,</p><p>exercícios respiratórios também se mostram fundamentais para melhorar a contração</p><p>e relaxamento dos músculos do assoalho pélvico. Isso ocorre porque muitas mulheres</p><p>realizam apneia e, consequentemente, não efetuam os exercícios da maneira correta.</p><p>Os exercícios dos músculos do assoalho pélvico promovem maior suporte da uretra,</p><p>aumentam a circulação local, ao passo que geram aumento da musculatura envolvida,</p><p>contribuindo diretamente para atividade sexual (BØ; TALSETH; HOLME, 1999; BURGIO et</p><p>al., 2002; DUMOULIN; CACCIARI; HAY‐SMITH, 2018; FITZ et al., 2012; MARQUES, 2016;</p><p>MØRKVED; BØ; FJØRTOFT et al., 2002).</p><p>150</p><p>De fato, esses exercícios podem ser realizados em diferentes posturas, com</p><p>objetivo de isolar ou otimizar a contração muscular dos músculos do assoalho pélvico</p><p>sem a atuação dos músculos sinergistas (por exemplo, adutores, glúteos e abdominal).</p><p>Porém não há consenso em relação à melhor programação de treinamento para o</p><p>assoalho pélvico, embora se acredite que uma determinada programação deva seguir</p><p>os princípios do treinamento e as recomendações sugeridas para as práticas de</p><p>exercícios físicos do Colégio Americano de Medicina do Esporte e as orientações mais</p><p>recentes da Associação Americana de Condicionamento e Força (BØ; TALSETH; HOLME,</p><p>1999; BURGIO et al., 2002; DUMOULIN; CACCIARI; HAY‐SMITH, 2018; FITZ et al., 2012;</p><p>MARQUES, 2016; MØRKVED; BØ; FJØRTOFT et al., 2002).</p><p>Nesse sentido, a adequação do programa de treino deve ser pautada nas aptidões</p><p>relacionadas à saúde do indivíduo. Porém, especificamente em relação ao assoalho</p><p>pélvico, o programa de treino deve ser adequado para melhorar a função daquela</p><p>região, como, por exemplo: tempo de duração da contração e relaxamento, número de</p><p>repetições em termos de contração, frequência semanal acerca do estímulo etc. (BØ;</p><p>TALSETH; HOLME, 1999; BURGIO et al., 2002; DUMOULIN; CACCIARI; HAY‐SMITH, 2018;</p><p>FITZ et al., 2012; MARQUES, 2016; MØRKVED; BØ; FJØRTOFT et al., 2002). De acordo</p><p>com isso, é preciso levar em consideração alguns fatores que podem influenciar no</p><p>programa dos exercícios para os músculos do assoalho pélvico, tais como consciência</p><p>e percepção do movimento orientado, composição corporal da mulher, estado de saúde</p><p>e nutricional, e, especialmente, o desempenho físico. Assim, a prescrição dos exercícios</p><p>para melhorar a função dos músculos envolvidos no assoalho pélvico deve ser realizada</p><p>individualmente e baseada na avaliação prévia de cada mulher</p><p>Coletivamente, conhecer a anatomia do assoalho pélvico para prescrição de</p><p>exercícios que visam fortalecer essa região pode prevenir as disfunções que estão</p><p>relacionadas ao enfraquecimento dessa musculatura na população feminina. Além disso,</p><p>esses exercícios podem auxiliar mulheres durante o período gestacional, sobretudo para</p><p>evitar complicações adversas.</p><p>151</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• Do ponto de vista teórico, o assoalho pélvico é entendido como um conjunto de</p><p>estruturas (músculos, ligamentos e fáscias) que suportam tanto as vísceras da pelve</p><p>quanto da região abdominal. Assim, o assoalho pélvico é uma estrutura anatômica</p><p>complexa. Com relação aos órgãos do assoalho pélvico, a bexiga se localiza na parte</p><p>inferior da região abdominal, posicionada anteriormente ao púbis.</p><p>• As disfunções associadas ao assoalho pélvico feminino são caracterizadas pela</p><p>bexiga hiperativa, prolapsos dos órgãos pélvicos, disfunções sexuais, disfunções</p><p>anorretais e incontinência urinária. Com relação à infecção do trato urinário feminino,</p><p>esta é considerada um problema de saúde no mundo todo. Além disso, de acordo</p><p>com a Organização Mundial da Saúde, a infecção do trato urinário afeta mais de 200</p><p>milhões de pessoas no mundo, sendo considerada um problema de saúde pública.</p><p>• O fortalecimento do assoalho pélvico por meio de um treinamento específico, ou seja,</p><p>direcionado para essa região do corpo, tem sido considerado como a primeira escolha</p><p>para o tratamento das variadas disfunções que ocorrem no trato uroginecológico.</p><p>• Para adequação da prescrição do treinamento para o assoalho pélvico, é preciso</p><p>levar em consideração alguns fatores que podem influenciar no programa dos</p><p>exercícios para os músculos envolvidos, tais como consciência e percepção do</p><p>movimento orientado, composição corporal da mulher, estado de saúde e nutricional,</p><p>e, especialmente, o desempenho físico.</p><p>152</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Do ponto de vista teórico, o assoalho pélvico é entendido como um conjunto de estru-</p><p>turas (músculos, ligamentos e fáscias) que suportam tanto as vísceras da pelve quanto</p><p>da região abdominal. Assim, o assoalho pélvico é uma estrutura anatômica complexa.</p><p>Com relação aos órgãos do assoalho pélvico, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) A bexiga se localiza na parte superior da região abdominal, posicionada</p><p>anteriormente ao púbis.</p><p>b) ( ) A cúpula da bexiga se localiza mais inferiormente no órgão, encontrando-se</p><p>revestida pelo peritoneu.</p><p>c) ( ) O corpo vesical é responsável por receber a urina, além de ocupar a maior porção</p><p>da bexiga.</p><p>d) ( ) A pelve é composta por ossos da bacia e é limitada pelo sacro, sendo assim</p><p>composta somente por uma base maior.</p><p>2 Fenômenos que tendem a ocorrer durante a vida da mulher, como, por exemplo, a</p><p>gravidez, o parto e o envelhecimento biológico podem comprometer as características</p><p>funcionais das estruturas que formam os tecidos conjuntivos. De acordo com isso, há</p><p>um maior risco de desenvolvimento de disfunções pélvicas, uma vez que os tecidos</p><p>conjuntivos da pelve estão classificados em três níveis de suporte. Vale destacar</p><p>que esses níveis dão suporte para a região vaginal (parte apical, medial-vaginal e</p><p>distal-vaginal). O entendimento acerca das disfunções pélvicas necessita de um</p><p>conhecimento prévio que envolve os processos fisiológicos envolvidos. Então, se</p><p>faz necessária a compreensão da anatomia pélvica e as funções de cada estrutura</p><p>presente. Assim, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- Na maior estrutura da pelve se encontram as vísceras abdominais, ao passo que na</p><p>menor estrutura da pelve se localiza a bexiga, a vagina e o reto.</p><p>II- A contração do assoalho pélvico tem como uma de suas funções auxiliar a</p><p>continência urinária e fecal, enquanto se faz importante na função sexual.</p><p>III- A membrana perineal é a camada mais profunda e proximal do assoalho pélvico, que</p><p>é responsável pela ação voluntária da continência urinária.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente a sentença II está correta.</p><p>c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.</p><p>d) ( ) Somente a sentença III está correta.</p><p>153</p><p>3 De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a infecção do trato urinário afeta</p><p>mais de 200 milhões de pessoas no mundo, sendo considerada um problema de saúde</p><p>pública. Um estudo realizado no Brasil mostrou que 11 a 23% da população feminina</p><p>apresenta incontinência urinária. Além disso, em idosas, essa prevalência pode variar</p><p>entre 8 e 35%. Segundo a Sociedade Internacional de Continência, os sintomas do</p><p>trato urinário inferior podem ser relacionados com as fases de enchimento ou de</p><p>esvaziamento vesical. Os sintomas de enchimento vesical se relacionam à perda de</p><p>urina aos esforços. De acordo com as situações em que o indivíduo pode perder</p><p>urina, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) Aumento da pressão intra-abdominal.</p><p>( ) Urgência miccional sem dor.</p><p>( ) Uma micção noturna.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – F.</p><p>b) ( ) V – F – V.</p><p>c) ( ) F – V – F.</p><p>d) ( ) F – F – V.</p><p>4 A manobra de Valsalva pode ser utilizada como meio de avaliação da função do</p><p>sistema nervoso autonômico. Nesse sentido, as alterações</p><p>fisiológicas que ocorrem</p><p>no sistema cardiovascular (de maneira aguda) tendem a variar devido à ativação e/ou</p><p>inibição do sistema simpático e/ou parassimpático. De acordo com os conhecimentos</p><p>obtidos no tema de aprendizagem, destaque alguns fatores de alerta acerca da</p><p>manobra de Valsalva.</p><p>5 De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a infecção do trato urinário afeta</p><p>mais de 200 milhões de pessoas no mundo, sendo considerada um problema de</p><p>saúde pública. Nesse sentido, a infecção do trato urinário feminino é considerada</p><p>um problema de saúde no mundo todo. Em contrapartida, fortalecer o assoalho</p><p>pélvico por meio de um treinamento específico, ou seja, direcionado para essa</p><p>região do corpo, tem sido considerado como a primeira escolha para o tratamento</p><p>das variadas disfunções que ocorrem no trato uroginecológico. De acordo com o</p><p>conteúdo abordado nesse tema de aprendizagem, disserte sobre possíveis tipos de</p><p>exercícios que podem abarcar uma única sessão de exercícios para o fortalecimento</p><p>do assoalho pélvico objetivando prevenir as morbidades associadas.</p><p>154</p><p>155</p><p>PERÍODO GESTACIONAL</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 2, iremos abordar sobre o período</p><p>gestacional. Mais especificamente, abordaremos de maneira breve as fases da gestação</p><p>e as complicações associadas.</p><p>Um ponto importante é que a partir desse conhecimento adquirido, o profissional</p><p>de Educação Física terá um norte básico sobre a abordagem acerca dos cuidados com</p><p>as mulheres que estão passando pela gravidez.</p><p>Neste tema de aprendizagem, iremos discutir sobre o panorama epidemiológico</p><p>acerca do período gestacional e as complicações associadas, especificamente em</p><p>relação às complicações que estão comumente associadas ao período gestacional no</p><p>organismo feminino, abordaremos sobre a hipertensão arterial gestacional e o diabetes</p><p>mellitus gestacional, problemas esses que podem surgir durante a gravidez e se não</p><p>tratados da maneira mais adequada podem acompanhar a mulher no período pós-parto.</p><p>UNIDADE 3 TÓPICO 2 -</p><p>2 GESTAÇÃO</p><p>Há um consenso mundial no que tange à necessidade de redução da mortalidade</p><p>materna e infantil, indicadores esses que refletem a qualidade da assistência à saúde</p><p>de mulheres e crianças. Nesse sentido, a Organização das Nações Unidas – ONU, junto</p><p>da Organização Mundial da Saúde – OMS, tem desenvolvido esforços ao redor de todo o</p><p>mundo para a redução desses indicadores, definindo metas globais. Por exemplo, entre</p><p>1990 e 2015, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e, atualmente, os Objetivos de</p><p>Desenvolvimento Sustentável estabelecem esforços para redução de mortes nessas</p><p>populações que podem ser evitadas até 2030 (PARADA, 2019).</p><p>Nas últimas décadas, o Brasil apresentou redução considerável nos indicadores</p><p>de mortalidade materna e infantil, embora não tenha atingido as metas em termos de</p><p>índices desejados. No triênio de 2015 a 2017, a razão de mortalidade materna apresentou</p><p>variações pequenas (isto é, abaixo de 60 mortes a cada 100 mil nascidos vivos).</p><p>Entretanto, esse valor está elevado quando comparado ao que é recomendado pela</p><p>Organização Mundial da Saúde (isto é, no máximo 20 mortes a cada 100 mil nascidos</p><p>vivos) (PARADA, 2019). Similarmente, a taxa de mortalidade infantil ainda preocupa,</p><p>embora tenha apresentado uma queda relevante ao longo dos últimos 10 anos. Por</p><p>exemplo, no triênio de 2015 a 2017, a taxa de mortalidade infantil era de 12 a cada mil</p><p>indivíduos que nasciam vivos em 2017 (PARADA, 2019).</p><p>156</p><p>Nesse cenário, 18 estados da federação ainda estão acima da média nacional,</p><p>enquanto alguns quase atingindo 20 mortes a cada mil nascidos vivos. Os dois índices</p><p>alertam sobre uma grande preocupação acerca da qualidade em termos de atenção à</p><p>saúde da mulher, sobretudo no ciclo da gestação, no período de parto e no puerpério.</p><p>Adicionalmente, tal preocupação parece aumentar diante de outros dados (PARADA,</p><p>2019). De acordo com essas premissas, alguns pontos devem ser mostrados: (i) cerca</p><p>de 26% das mulheres grávidas estavam alocadas em uma das seguintes condições: a)</p><p>não tiveram acesso ao exame de pré-natal, b) acesso inadequado ao exame de pré-</p><p>natal, c) acesso intermediário ao exame de pré-natal; (ii) aproximadamente 56% dos</p><p>bebês nasceram por meio de cesariana, sendo a taxa de bebês prematuros superior</p><p>a 10% da quantidade de nascidos vivos; (iii) registrou-se quase 50 mil casos de sífilis</p><p>materna (PARADA, 2019).</p><p>Para que ocorra uma melhora nesses indicadores, há a necessidade de</p><p>mudanças acerca das estratégias de assistência e de organização dos serviços que</p><p>estão disponíveis no âmbito da atenção à saúde. Por exemplo, faz-se necessário</p><p>convocar esforços de profissionais e gestores, e para além disso, tais esforços devem</p><p>ser contínuos. O Ministério da Saúde publicou as diretrizes para a organização das Redes</p><p>de Atenção à Saúde no Sistema Único de Saúde em 2010, mas somente em 2011 que</p><p>ocorreu a implantação das diretrizes específicas envolvendo a Rede Cegonha como uma</p><p>estratégia central para organização e qualificação da atenção especificamente na saúde</p><p>da mulher e da criança (PARADA, 2019). Após 10 anos, os desafios ainda continuaram</p><p>enormes sobre a avaliação do Ministério da Saúde em relação ao modelo de atenção à</p><p>saúde (PARADA, 2019). Em outras palavras, faz-se necessário e urgente a efetivação</p><p>de modo mais responsável sobre o cuidado acerca da mulher gestante e da criança</p><p>(PARADA, 2019).</p><p>De acordo com essa premissa, um novo esforço em termos de assistência</p><p>à saúde dessas populações deve ser ancorado no Modelo de Atenção às Condições</p><p>Crônicas. Referente ao ciclo da gestação, parto e puerpério, o Modelo de Atenção às</p><p>Condições Crônicas considera essas circunstâncias na vida da mulher aquelas que</p><p>requerem uma resposta social proativa, contínua e integrada (PARADA, 2019). Esse</p><p>modelo recomenda o conhecimento da população-alvo, que mora em um determinado</p><p>território, sua estratificação de acordo com a presença de fatores de risco e o quão</p><p>complexo é sua condição de saúde. Além disso, esse modelo sugere dimensionar a</p><p>oferta dos serviços a partir de uma necessidade (de emergência e/ou urgência) de</p><p>saúde, além de elencar qual intervenção deve ser adotada (PARADA, 2019).</p><p>Por fim, esse documento promove uma sistematização das recomendações</p><p>para organização das Redes de Atenção à Saúde no Sistema Único de Saúde – SUS,</p><p>sobretudo sobre a atenção para mulher durante o período de gestação, do parto e</p><p>puerpério, focando em processos integrados da Atenção Ambulatorial Especializada e</p><p>da Atenção Primária à Saúde (PARADA, 2019).</p><p>157</p><p>O período gestacional é considerado um fenômeno fisiológico na vida da</p><p>mulher. Nesse sentido, a evolução da gestação se dá, na maior parte dos casos, sem</p><p>intercorrências. Embora comumente não ocorra intercorrências, há uma parcela</p><p>pequena de gestantes que, por terem alguma doença de base, sofrerem algum</p><p>agravo ou desenvolverem problemas, apresentam mais probabilidade de evolução</p><p>desfavorável. O Modelo de Atenção às Condições Crônicas propõe, como primeiro passo</p><p>para organização das Redes de Atenção à Saúde no SUS, o conhecimento da população</p><p>restrita a um determinado território de saúde, seguindo a lógica de estratificações</p><p>sucessivas (PARADA, 2019).</p><p>Sobre a suspeita e confirmação da gravidez, o sintoma mais comum que é</p><p>identificado para tal é o atraso menstrual. Além disso, outros sintomas e sinais que</p><p>tendem a ocorrer podem compor o quadro, possibilitando a confirmação da gestação.</p><p>Por exemplo, sintomas de presunção: podem surgir em várias outras situações, sendo</p><p>pouco específicos para utilizar como diagnóstico de gravidez. De acordo com isso, efeitos</p><p>como a provocação de náuseas e vômitos, sialorreia, alterações do apetite, aversão</p><p>a certos odores que provocam náuseas e vômitos, lipotimia e tonteiras, polaciúria,</p><p>noctúria, e sonolência são alguns destes (PARADA, 2019).</p><p>Em relação aos sinais e sintomas de probabilidade de gravidez, esses são mais evi-</p><p>dentes. Entretanto,</p><p>sem caracterizá-la com certeza. Nesse sentido, o sintoma mais impor-</p><p>tante é o atraso menstrual, associado a sinais, tais como: aumento do volume uterino, alte-</p><p>rações na forma do útero, diminuição da consistência do istmo, diminuição da consistência</p><p>do colo, aumento da vascularização da vagina, do colo e vestíbulo vulvar (PARADA, 2019).</p><p>Por fim, para garantir maior certeza, faz-se necessário um diagnóstico</p><p>laboratorial. Para tal, é importante a realização de um exame para quantificação de</p><p>gonadotrofina coriônica humana na urina ou no sangue. A Gonadotrofina Coriônica</p><p>humana é um hormônio produzido pela placenta que impede a destruição do corpo</p><p>lúteo e estimula a produção de esteroides, sendo um indicativo de gravidez. Também,</p><p>a ausculta fetal, que é a presença de batimentos cardíacos fetais no abdome, presente</p><p>somente no período gestacional, identificado entre 10 e 12 semanas de gestação; ou</p><p>ultrassonografia (PARADA, 2019).</p><p>Em relação à idade fértil para gestação, uma boa parcela da população de um</p><p>território de saúde é de mulheres em idade fértil para passarem por tal período. Isso tem</p><p>sido definido como uma faixa de idade entre 10 e 49 anos. De fato, esse período é amplo,</p><p>no qual estão crianças em transição para fase de adolescência, ao passo que mulheres</p><p>adolescentes, adultas e de meia idade passam; assim, em diferentes situações de vida</p><p>e em contextos culturais, familiares e sociais em constante mudança (PARADA, 2019).</p><p>Vale lembrar que no conceito da Organização Mundial da Saúde para uma condição</p><p>de saúde, o ciclo gestacional puerperal é uma circunstância na vida da mulher, que se</p><p>segue a um período de fertilidade, podendo ser desejada e planejada ou surpreendendo</p><p>de maneira não prevista ou planejada, com sentimento de ambivalência e de aceitação</p><p>(PARADA, 2019).</p><p>158</p><p>Após esse período gestacional, segue-se uma outra circunstância de bastante</p><p>importância na vida da mulher: a maternidade. A maternidade provoca uma dupla</p><p>responsabilidade, em que a mulher precisa cuidar da própria saúde e da saúde do</p><p>filho. É fundamental essa compreensão sobre a continuidade das circunstâncias e a</p><p>integralidade da vida dessa pessoa, levando em consideração a saúde da mulher, a</p><p>saúde da gestante, a saúde da puérpera e, sobretudo, a saúde da mãe. (PARADA, 2019).</p><p>Portanto, de acordo com o Ministério da Saúde, o contexto sociofamiliar e comunitário,</p><p>os vínculos afetivos e de apoio, a história reprodutiva, o planejamento familiar, sexual</p><p>e reprodutivo e expectativas com relação à maternidade; os hábitos, comportamentos</p><p>e estilos de vida, as condições de trabalho e vacinação; a capacidade de autocuidado,</p><p>autonomia e decisão; as situação de saúde, a presença de condições crônicas e uso de</p><p>medicamentos, e a vinculação com a equipe de saúde e acompanhamentos periódicos</p><p>são importantes aspectos para o conhecimento da mulher em idade fértil, com relação</p><p>à gestação (PARADA, 2019).</p><p>3 COMPLICAÇÕES DURANTE O PERÍODO GESTACIONAL</p><p>Sobre os fatores de risco gestacional, são condições ou aspectos biológicos,</p><p>psicológicos ou sociais que são associados a maiores chances futuras de morbidade</p><p>ou mortalidade. Coletivamente, esses fatores estão de acordo com as características</p><p>individuais da mulher, seus comportamentos e estilo de vida, a influência das redes</p><p>sociais e comunitárias, as condições de vida e trabalho e a possibilidade de acesso a</p><p>serviços, associando-se com o ambiente mais amplo de natureza econômica e cultural</p><p>(DRAZNIN et al., 2022; GAROVIC et al., 2022; PASCOAL et al., 2002).</p><p>A maioria dos fatores de risco gestacional e determinantes já estão presentes</p><p>na vida da mulher em idade fértil, antes mesmo da gestação, devendo ser mapeados</p><p>e revertidos. Porém, com o início da gestação, ganham magnitude, pela maior</p><p>probabilidade de evolução desfavorável, para o feto e para a mãe. De acordo com</p><p>isso, rastrear os fatores de risco gestacional deve ser de maneira contínua, promover</p><p>medidas preventivas, assim como a estratificação de risco gestacional (DRAZNIN et al.,</p><p>2022; GAROVIC et al., 2022; PASCOAL et al., 2002).</p><p>Por outro lado, também devem ser identificados os fatores protetores. Os</p><p>fatores protetores são os aspectos que modificam, alteram ou melhoram as respostas</p><p>das pessoas a situações de perigo que predispõem a resultados não adaptativos.</p><p>Nesse sentido, fatores protetores pessoais podem ser a capacidade de autocuidado ou</p><p>estilos e comportamentos de vida saudáveis; familiares, como vínculos afetivos fortes</p><p>e estáveis, e sociais, como o apoio comunitário próximo ou participação em grupos de</p><p>várias naturezas. Esses são recursos que devem ser identificados para propiciar um</p><p>percurso de gestação protegido e cuidado em suas várias necessidades (DRAZNIN et</p><p>al., 2022; GAROVIC et al., 2022; PASCOAL et al., 2002).</p><p>159</p><p>Os casos de morbidade e/ou mortalidade materna, fetal e/ou infantil está</p><p>diretamente relacionada aos agravos durante a gestação, destacando-se a hipertensão</p><p>e o diabetes mellitus gestacional. Para isso, o acompanhamento rotineiro do pré-natal</p><p>tende a garantir ações de prevenção e diagnóstico precoce desses problemas acerca</p><p>do risco de morbidade e/ou mortalidade, bem como o pronto estabelecimento da</p><p>abordagem terapêutica, o controle de cura e estabilização e o monitoramento clínico até</p><p>o final da gestação, de acordo com as diretrizes clínicas (DRAZNIN et al., 2022; GAROVIC</p><p>et al., 2022; PASCOAL et al., 2002).</p><p>Em relação às definições e conceitos, a hipertensão arterial na gravidez tem</p><p>sido caracterizada pela presença da pressão arterial sistólica ≥ 140/90 mmHg (isto é, o</p><p>primeiro aparecimento de som em termos de ruído) durante a ausculta, ao passo que a</p><p>pressão arterial diastólica é considerada como o quinto ruído (isto é, o desaparecimento</p><p>do som). Além disso, recomenda-se algumas técnicas e condições ideais para realização</p><p>dessa medida. Primeiro, é necessário um repouso de cinco a dez minutos prévios a</p><p>aferição (DRAZNIN et al., 2022; GAROVIC et al., 2022; PASCOAL et al., 2002). Previamente</p><p>à medida, é recomendado: (i) não ter realizado exercício físico recente; (ii) não ter fumado</p><p>no intervalo de uma hora; (iii) não estar com blusa apertada no antebraço; (iv) estar na</p><p>posição sentada com braço na altura do coração. Adicionalmente, poucos aparelhos</p><p>digitais estão validados para serem utilizados durante o período gestacional, mas têm</p><p>sido utilizados devido a maior facilidade e disponibilidade para realização da medida,</p><p>especialmente no ambiente domiciliar (GAROVIC et al., 2022; PASCOAL et al., 2002).</p><p>Sobre a classificação da pressão arterial durante o período gestacional: (i)</p><p>hipertensão arterial leve: pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e 1+ em duas amostras,</p><p>com intervalo de 4 horas ou relação proteína/creatinina urinária ≥ 0,3 (em amostra</p><p>aleatória isolada). Vale ressaltar que: (i) a preferência para diagnóstico é proteína/</p><p>creatinina urinária ≥ 0,3; (ii) há grande tendência a favor da substituição do exame de</p><p>proteinúria de 24 horas na prática clínica (realizar apenas em casos seletos); (iii) não</p><p>há indicação para coleta seriada de proteinúria (conduta de exceção) (GAROVIC et al.,</p><p>2022; PASCOAL et al., 2002).</p><p>160</p><p>Especificamente sobre a classificação</p><p>da hipertensão arterial gestacional, é</p><p>possível de ser identificada quando há presença de pressão arterial ≥ 140/90 mmHg em</p><p>duas medidas com intervalo de quatro horas, e após a vigésima semana. Vale destacar</p><p>que essa identificação pode ocorrer durante a gestação, o parto ou imediatamente após</p><p>o parto em uma mulher previamente normotensa. Além disso, esse quadro pode ser</p><p>transitório e evoluir com proteinúria e/ou comprometimento clínico e laboratorial, sendo</p><p>então reclassificada como pré-eclâmpsia (GAROVIC et al., 2022; PASCOAL et al., 2002).</p><p>A pré-eclâmpsia pode ser caracterizada de duas maneiras, sendo: (i) presença</p><p>da pressão arterial ≥ 140/90 mmHg, em duas medidas com intervalo quatro horas e</p><p>após a vigésima semana da gestação, após o parto ou imediatamente após o parto</p><p>em uma mulher previamente normotensa associada à proteinúria; ou (ii) aparecimento</p><p>de hipertensão, mesmo sem proteinúria, mas na presença de sinais e/ou sintomas de</p><p>envolvimento de órgãos alvo, tal qual uma disfunção placentária, como restrição de</p><p>crescimento fetal e/ou alterações no doppler. Também, vale destacar a importância</p><p>sobre a manifestação da pré-eclâmpsia, inclusive com comprometimento de órgãos</p><p>alvo imediatamente após o parto. A hipertensão arterial sem outros comemorativos</p><p>também pode se manifestar no período pós-parto (GAROVIC et al., 2022; PASCOAL et</p><p>al., 2002).</p><p>Alguns aspectos devem ser levados em consideração em termos de</p><p>recomendação para prevenção do quadro de pré-eclâmpsia durante o período</p><p>gestacional. Assim, estes podem ser classificados como de risco alto ou moderado. Os</p><p>de risco alto são: (i) antecedente de pré-eclâmpsia; (ii) hipertensão arterial crônica; (iii)</p><p>sobrepeso ou obesidade; (iv) diabetes mellitus; (v) doença renal; (vii) doença autoimune;</p><p>entre outros. São de risco moderado: (i) nuliparidade; (ii) casos na família de pré-</p><p>eclâmpsia; (iii) idade ≥ 35 anos; (iv) reprodução assistida; (v) antecedente obstétrico</p><p>desfavorável; (vi) intervalo maior que dez anos desde a última gestação (GAROVIC et al.,</p><p>2022; PASCOAL et al., 2002).</p><p>Quadro 1 – Critérios de gravidade para indicar interrupção da gestação</p><p>LITERATURA</p><p>Período SINAIS E SINTOMAS</p><p>Maternal</p><p>• Sintomas neurológicos persistentes ou surgimento de eclampsia.</p><p>• Edema pulmonar ou saturação de oxigênio</p><p>de 24</p><p>horas ou relação proteína/creatinina urinárias (spot urinário) a cada trimestre.</p><p>• Urocultura mensais (todas as gestantes com diabetes).</p><p>• Fundoscopia a cada trimestre.</p><p>• Ecocardiograma e avaliação cardiológica no primeiro trimestre.</p><p>• Exames hormonais: tireoestimulante (TSH), tiroxina (T4) livre e anti-TPO</p><p>(peroxidase tireoidiana).</p><p>Fonte: adaptado de Brasil (2020)</p><p>Aproximadamente 60% das mulheres que possuem diabetes gestacional</p><p>conseguem reverter esse quadro somente com dieta e atividade física, sem</p><p>grandes riscos para a gravidez (em termos de comprometimentos fetais).</p><p>ATENÇÃO</p><p>164</p><p>Especificamente em relação à prática do exercício físico, esse deve ser realizado</p><p>por pelo menos 30 minutos, cinco vezes na semana (DRAZNIN, et al., 2022), sendo possível</p><p>para a mulher grávida que possui diabetes mellitus gestacional realizar a recomendação</p><p>da Organização Mundial da Saúde (BULL et al., 2020). Porém, de início, a mulher não</p><p>irá realizar 30 minutos ao longo dos cinco dias da semana. Assim, recomenda-se uma</p><p>progressão em termos de minutagem do exercício e frequência semanal (BULL et al.,</p><p>2020). Comumente, o exercício aeróbio feito por meio de uma caminhada pode ser uma</p><p>estratégia eficaz para controle e/ou reversão do diabetes mellitus gestacional. Sobre a</p><p>estratégia de progressão, segue uma orientação no Quadro 4:</p><p>Quadro 4 – Progressão da caminhada em mulheres grávidas com diabetes mellitus</p><p>LITERATURA</p><p>Planejamento Descrição</p><p>Progressão do</p><p>treinamento aeróbio</p><p>para atenuação do</p><p>quadro de diabetes</p><p>mellitus gestacional</p><p>• Semana 1 de intervenção com o treino: realizar três vezes</p><p>durante a semana, em dias não consecutivos, 15 minutos</p><p>de caminhada em intensidade de esforço moderada (isto</p><p>é, consegue caminhar e conversar ao mesmo tempo e a</p><p>frequência cardíaca sobe um pouco mais em relação ao</p><p>nível de repouso).</p><p>• Semana 2 de intervenção com o treino: realizar três vezes</p><p>durante a semana, em dias não consecutivos, 20 minutos</p><p>de caminhada em intensidade de esforço moderada (isto</p><p>é, consegue caminhar e conversar ao mesmo tempo e a</p><p>frequência cardíaca sobe um pouco mais em relação ao</p><p>nível de repouso).</p><p>• Semana 3 de intervenção com o treino: realizar três vezes</p><p>durante a semana, em dias não consecutivos, 25 minutos</p><p>de caminhada em intensidade de esforço moderada (isto</p><p>é, consegue caminhar e conversar ao mesmo tempo e a</p><p>frequência cardíaca sobe um pouco mais em relação ao</p><p>nível de repouso).</p><p>• Semana 4 a 6 de intervenção com o treino: realizar três</p><p>vezes durante a semana, em dias não consecutivos, 30</p><p>minutos de caminhada em intensidade de esforço moderada</p><p>(isto é, consegue caminhar e conversar ao mesmo tempo e</p><p>a frequência cardíaca sobe um pouco mais em relação ao</p><p>nível de repouso).</p><p>• Semana 7 a 9 de intervenção com o treino: realizar três</p><p>vezes durante a semana, em dias não consecutivos, 35</p><p>minutos de caminhada em intensidade de esforço moderada</p><p>(isto é, consegue caminhar e conversar ao mesmo tempo e</p><p>a frequência cardíaca sobe um pouco mais em relação ao</p><p>nível de repouso).</p><p>• Semana 10 a 12 de intervenção com o treino: realizar três</p><p>vezes durante a semana, em dias não consecutivos, 40</p><p>minutos de caminhada em intensidade de esforço moderada</p><p>(isto é, consegue caminhar e conversar ao mesmo tempo e</p><p>a frequência cardíaca sobe um pouco mais em relação ao</p><p>nível de repouso).</p><p>Fonte: adaptado de Brasil (2020)</p><p>165</p><p>Coletivamente, o exercício físico parece promover efeitos protetores contra</p><p>as complicações relacionadas ao período gestacional, especialmente para o controle</p><p>da hipertensão arterial associada à gestação. Além disso, nas pacientes com diabetes</p><p>mellitus, durante o período gestacional, o cumprimento das recomendações da</p><p>Organização Mundial da Saúde acerca do exercício físico pode atenuar os efeitos</p><p>deletérios provocados por essa patologia clínica. Vale destacar que a progressão do</p><p>treinamento aeróbio recomendada acima pode auxiliar tanto para diabetes mellitus,</p><p>quanto para hipertensão arterial, ambos quadros associados ao período gestacional.</p><p>166</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• O período gestacional é considerado um fenômeno fisiológico na vida da mulher.</p><p>Nesse sentido, a evolução da gestação se dá, na maior parte dos casos, sem</p><p>intercorrências. Embora comumente não ocorra intercorrências, há uma parcela</p><p>pequena de gestantes que, por terem alguma doença de base, sofrerem algum</p><p>agravo ou desenvolverem problemas, apresentam mais probabilidade de evolução</p><p>desfavorável. O Modelo de Atenção às Condições Crônicas propõe, como primeiro</p><p>passo para organização das Redes de Atenção à Saúde no Sistema Único de Saúde, o</p><p>conhecimento da população restrita a um determinado território de saúde, seguindo</p><p>a lógica de estratificações sucessivas.</p><p>• Sobre os fatores de risco gestacional, são condições ou aspectos biológicos, psico-</p><p>lógicos ou sociais que são associados a maiores chances futuras de morbidade ou</p><p>mortalidade. Coletivamente, esses fatores estão de acordo com as características indi-</p><p>viduais da mulher, seus comportamentos e estilo de vida, a influência das redes sociais</p><p>e comunitárias, as condições de vida e trabalho e a possibilidade de acesso a serviços,</p><p>associando-se com o ambiente mais amplo de natureza econômica e cultural.</p><p>• Sobre a classificação da pressão arterial durante o período gestacional: (i) hipertensão</p><p>arterial leve: pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e</p><p>comportamentos e estilo de vida, a influência das redes</p><p>sociais e comunitárias, as condições de vida e trabalho e a possibilidade de acesso</p><p>a serviços, associando-se com o ambiente mais amplo de natureza econômica e</p><p>cultural. De acordo com isso, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- A maioria dos fatores de risco gestacional e determinantes já estão presentes na vida da</p><p>mulher em idade fértil, antes mesmo da gestação, devendo ser mapeados e revertidos.</p><p>II- Os fatores protetores são os aspectos que modificam, alteram ou melhoram as respos-</p><p>tas das pessoas a situações de perigo que predispõem a resultados não adaptativos.</p><p>III- A hipertensão gestacional e/ou diabetes mellitus gestacional são morbidades</p><p>comuns durante o período gestacional.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente a sentença II está correta.</p><p>c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.</p><p>d) ( ) Somente a sentença III está correta.</p><p>168</p><p>3 Em relação às definições e conceitos, a hipertensão arterial na gravidez tem sido</p><p>caracterizada pela presença da pressão arterial sistólica ≥ 140/90 mmHg (isto é, o</p><p>primeiro aparecimento de som em termos de ruído) durante a ausculta, ao passo</p><p>que a pressão arterial diastólica é considerada como o quinto ruído (isto é, o</p><p>desaparecimento do som). Levando em consideração os aspectos abordados sobre</p><p>hipertensão gestacional neste tema de aprendizagem, e mais especificamente em</p><p>relação à classificação dos estágios da hipertensão gestacional, classifique V para as</p><p>sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) Hipertensão arterial leve: pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e</p><p>chama a atenção para bouts médios e longos ocorrerem fora do ambiente</p><p>da escola, e curtos com maior predominância na escola (RAMOS et al., 2018). Quanto</p><p>aos domínios em crianças, assistir TV e fazer a lição de casa são contribuintes do</p><p>comportamento sedentário em ambos os sexos, enquanto nos adolescentes a lição de</p><p>casa tem maior impacto do que o tempo de TV, com considerável redução ao longo do</p><p>tempo, principalmente nos rapazes (RAMOS et al., 2018).</p><p>Na população adulta, ser sedentário e inativo fisicamente têm mais efeitos</p><p>prejudiciais à saúde porque aumentam a chance de outras doenças crônicas não</p><p>transmissíveis, tais como diabetes e obesidade (BULL et al., 2020). De acordo com</p><p>isso, os adultos são mais sedentários nos domínios do lazer (tempo assistindo TV) e</p><p>do trabalho (sentados) (DEL DUCA, 2013). Em relação aos grupos mais e menos ativos</p><p>em termos de comportamento sedentário, as mulheres são mais expostas a menor</p><p>atividade de comportamento sedentário, ao passo que o comportamento sedentário</p><p>entre os homens é mais ativo (mais expostos, aproximadamente 6 h por dia) (HALLAL</p><p>et al., 2012).</p><p>11</p><p>Figura 5 – Prevalências de comportamento sedentário entre mulheres e homens</p><p>Fonte: adaptado de Hallal et al. (2012)</p><p>A Figura 6 explana os efeitos deletérios do comportamento associado à saúde,</p><p>demonstra que parece que o comportamento sedentário estimula dois mecanismos que</p><p>estão interligados. Por exemplo, o comportamento sedentário tem ação estimulatória na</p><p>sobrecarga de calorias (estoque de energia), que estimula a hiperatividade da insulina</p><p>(um hormônio regulatório do metabolismo da glicose) no fígado, aumentando o risco para</p><p>desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis e maior risco de mortalidade</p><p>prematura (MENEGUCI et al., 2015). Além disso, o comportamento sedentário parece</p><p>estimular o mecanismo de desuso (imobilização) no músculo esquelético. O desuso</p><p>musculoesquelético gera atrofia (redução no tamanho e qualidade do tecido), que também</p><p>aumenta a sobrecarga de calorias e entra novamente na cascata da hiperatividade da</p><p>insulina (MENEGUCI et al., 2015). Assim, sugere-se reverter esses aspectos deletérios</p><p>acerca do comportamento sedentário. De acordo com essa abordagem, pausas de</p><p>dez minutos a cada hora têm sido sugeridas para melhorar os indicadores de saúde</p><p>metabólica nos indivíduos. As pausas de dez minutos a cada hora parecem promover</p><p>uma ação inibitória na sobrecarga de calorias e desuso musculoesquelético, pois</p><p>aumenta a atividade contrátil do músculo, e, consequentemente, reduz o risco de</p><p>doenças crônicas não transmissíveis e mortalidade precoce. Também, os resultados de</p><p>um recente estudo sugerem que interromper o tempo sedentário para garantir que os</p><p>episódios de comportamento sedentário sejam curtos pode contribuir para a prevenção</p><p>da obesidade em adolescentes (WERNECK et al., 2019).</p><p>12</p><p>Figura 6 – Comportamento sedentário e seus efeitos deletérios à saúde</p><p>Fonte: adaptada de Charansonney (2011 apud MENEGUCI et al., 2015, p. 7)</p><p>Adicionalmente, poucas evidências mostram que o comportamento sedentário</p><p>está associado negativamente à saúde e ao desenvolvimento de crianças e jovens, no</p><p>entanto diferentes tipos de comportamento sedentário podem ter impactos distintos</p><p>sobre desfechos em saúde. Por exemplo, elevado tempo de TV e/ou à frente da tela é</p><p>desfavoravelmente associado com desfechos em saúde (CLIFF et al., 2016).</p><p>Hiperinsulinemia</p><p>Resistência à</p><p>insulina</p><p>Músculo</p><p>At</p><p>ro</p><p>fia</p><p>Fígado</p><p>Sobrecarga</p><p>de calorias</p><p>Comportamen-</p><p>to sedentário</p><p>Maior</p><p>risco de</p><p>trombose Imobilização</p><p>Resposta</p><p>ao</p><p>estresse</p><p>Hiperglicemia</p><p>Ação Estimulatória</p><p>Ação Inibitória</p><p>Lipogenese</p><p>Tecido</p><p>adiposo</p><p>central</p><p>Inflamação</p><p>Pausas no</p><p>comportamento</p><p>sedentário Atividade</p><p>da LPL</p><p>Doenças</p><p>crônicas</p><p>Diminuição da</p><p>capacidade</p><p>cardirespiratória</p><p>Maior risco</p><p>de morte</p><p>Existem ferramentas que nos permitem identificar o nível de atividade</p><p>física, o tempo em comportamento sedentário, e, sobretudo, investigar</p><p>se o indivíduo é sarcopênico. Tais medidas guardam relação direta com</p><p>desfechos de saúde, especialmente nas mulheres mais velhas.</p><p>INTERESSANTE</p><p>13</p><p>Outro desfecho de saúde que tem relação ao desuso musculoesquelético</p><p>(que pode ser induzido pelo comportamento sedentário e pela inatividade física) é a</p><p>sarcopenia. A sarcopenia é uma doença musculoesquelética caracterizada pela redução</p><p>da força muscular associada a baixa quantidade e/ou qualidade de massa muscular</p><p>(CRUZ-JENTOFT et al., 2019). Levando em consideração o custo aos cofres públicos</p><p>dessa doença, somente o indivíduo que tem baixa massa muscular custa em torno</p><p>de R$ 3.481,3 mil ao ano (Estados Unidos), ao passo que o indivíduo que apresenta</p><p>somente baixa força muscular custa R$ 13.058,09 ao ano (Reino Unido) (KATZMARZYK;</p><p>JANSSEN, 2004; MIJNARENDS et al., 2016; PINEDO-VILLANUEVA et al., 2019). Ou seja,</p><p>é quase três vezes mais o custo da baixa força muscular comparado a baixa massa</p><p>muscular. Também, quando o indivíduo é diagnosticado com baixa força muscular</p><p>associada a baixa massa muscular, ele custa em torno de R$ 26.279,51 ao ano (Países</p><p>Baixos) (KATZMARZYK; JANSSEN, 2004; MIJNARENDS et al., 2016; PINEDO-VILLANUEVA</p><p>et al., 2019). Para além do custo aos cofres públicos da sarcopenia, essa doença</p><p>musculoesquelética induz incapacidade funcional (perda de mobilidade, capacidade de</p><p>locomoção), risco de quedas e mortalidade prematura.</p><p>Logo iremos mostrar como identificar o nível de atividade física, o tempo</p><p>em comportamento sedentário, a quantidade de força muscular, massa</p><p>muscular e o desempenho físico funcional. Fique conosco!</p><p>ESTUDOS FUTUROS</p><p>3 COMPREENDENDO O ENVELHECIMENTO BIOLÓGICO E</p><p>CRONOLÓGICO DA MULHER</p><p>A Organização Mundial da Saúde publicou um documento sobre saúde ao</p><p>envelhecer (WHO, 2017). Neste relatório, o envelhecimento saudável foi considerado</p><p>um termo holístico (ou seja, que busca o entendimento integral dos fenômenos)</p><p>baseado nas perspectivas do curso de vida e aspectos funcionais do indivíduo. Assim,</p><p>a Organização Mundial da Saúde definiu o envelhecimento saudável sendo o processo</p><p>de desenvolvimento e manutenção da aptidão funcional que permite o bem-estar na</p><p>velhice (WHO, 2015).</p><p>O fenômeno do envelhecimento é caracterizado por um processo natural e</p><p>progressivo que resulta em alterações significativas do ponto de vista morfológico,</p><p>neuromuscular, metabólico, fisiológico, cognitivo e comportamental, com destaque</p><p>principalmente para a redução da força dos músculos dos membros inferiores (CLARK;</p><p>MANINI, 2012) e da massa muscular (LARSSON et al., 2019). Nesse sentido, essas</p><p>modificações podem provocar declínio funcional, perda da autonomia e independência</p><p>física e mental, o que afeta a capacidade de executar movimentos relativamente</p><p>14</p><p>simples, que são exigidos nas atividades diárias de um dia comum (como se sentar e se</p><p>levantar de uma cadeira, subir e descer das escadas, caminhar ao longo de uma faixa</p><p>de pedestres em tempo suficiente para evitar acidentes, dentre outros) (GORE et al.,</p><p>2018). Além disso, como consequência do declínio da aptidão funcional, o nível habitual</p><p>de atividade física tende a ser reduzido, impactando diretamente no controle de peso e</p><p>favorecendo o acúmulo de gordura corporal, especialmente na região visceral e dentro</p><p>dos músculos (intramuscular) (BEAVERS et al., 2013).</p><p>Figura 7 – Mulheres mais velhas interagindo socialmente.</p><p>Fonte: https://bit.ly/404OXsp. Acesso em: 15 mar. 2023.</p><p>Em 2016, a sarcopenia foi reconhecida como uma condição geriátrica importante</p><p>(CAO; MORLEY, 2016). Atualmente, a sarcopenia é caracterizada pela baixa força</p><p>muscular associada a baixa massa muscular ou desempenho físico (CRUZ-JENTOFT</p><p>et al., 2019). Nesse sentido, essa doença musculoesquelética tem sido associada ao</p><p>fenômeno do envelhecimento populacional. Coletivamente, a sarcopenia é considerada</p><p>fator chave para o diagnóstico de declínio funcional, risco de quedas, hospitalização e</p><p>mortalidade prematura de idosos (CRUZ-JENTOFT et</p><p>médias dos escores dos domínios avaliados por meio do King’s</p><p>Health Questionnaire (FITZ et al.; 2012). Esses domínios são: percepção da saúde, impacto</p><p>da incontinência urinária de esforço, limitações das atividades diárias, limitações físicas,</p><p>limitações sociais, relações pessoais, emoções, sono e/ou disposição e medidas de gravi-</p><p>dade. Em concordância com esses resultados, foram observados diminuição significativa</p><p>na frequência urinária noturna e na perda urinária, bem como aumento significativo na</p><p>força muscular e resistência aeróbia. Em conclusão, os autores sugerem que o treina-</p><p>mento dos músculos do assoalho pélvico proporciona melhora significativa da qualidade</p><p>de vida de mulheres com incontinência urinária de esforço (FITZ et al.; 2012).</p><p>171</p><p>Durante o envelhecimento ocorrem alterações em todos os sistemas do corpo,</p><p>bem como do trato urinário, ocorrendo mudanças na fisiologia do organismo, o que</p><p>acarreta alterações no dia a dia das pessoas idosas. De fato, parece que a incontinência</p><p>urinária com o envelhecimento se agrava (BØ; TALSETH; VINSNES; 1999; BURGIO et</p><p>al.; 2002; DUMOULIN; CACCIARI; HAY‐SMITH; 2018; FITZ et al.; 2012; MARQUES, 2016;</p><p>MØRKVED; BØ; FJØRTOFT; BØ; FJØRTOFT; 2002). Assim, o objetivo de um estudo foi</p><p>analisar quais fatores podem predizer essa condição e como os exercícios físicos podem</p><p>beneficiar as idosas por meio de uma revisão de literatura. Os autores identificaram que</p><p>a cinesioterapia para o assoalho pélvico se mostrou eficaz, uma vez que as contrações</p><p>voluntárias repetitivas aumentaram a força muscular dos músculos do assoalho pélvico</p><p>e atenuou a incontinência urinária de esforço (MARQUES, 2016), portanto os autores</p><p>mostraram que a fisioterapia é de grande importância para as idosas, uma vez que se</p><p>trata de um tratamento não invasivo. Adicionalmente, a identificação dos fatores que</p><p>predispõem a incontinência urinária de esforço, sobretudo as consequências deste</p><p>quadro, favorece o profissional a capacidade de tratar e contribuir para uma melhora do</p><p>bem-estar físico e psicossocial desses indivíduos (MARQUES, 2016).</p><p>Com relação a um protocolo envolvendo exercícios de alongamento para</p><p>a incontinência urinária de esforço em mulheres, a literatura científica é limitada,</p><p>porém há outras terapias alternativas. Caetano, Tavares e Lopes (2007) conduziram</p><p>um estudo importante e relevante para área. Esse estudo consistiu em uma revisão</p><p>de literatura acerca da incontinência urinária, analisando sua relação com atividades</p><p>físicas e esportivas em mulheres, o efeito causado pela incontinência nessa prática.</p><p>Além disso, de que forma o profissional de Educação Física pode contribuir para que</p><p>essas mulheres consigam praticar de forma segura e confortável qualquer modalidade</p><p>esportiva (MARQUES, 2016).</p><p>Os dados da literatura a respeito desse tema, no início dos anos 2000, eram</p><p>recentes, mas suficientes para mostrar que a prática de atividades físicas e esportivas</p><p>constituídas de exercícios de alto impacto poderiam levar ao desenvolvimento da</p><p>incontinência urinária de esforço. Assim, o profissional de Educação Física teria, já naquele</p><p>tempo, um papel fundamental na orientação adequada de exercícios, transformando</p><p>essa prática numa intervenção que pode prevenir o quadro de incontinência urinária</p><p>entre mulheres, especialmente aquelas que são fisicamente ativas (MARQUES, 2016).</p><p>Caetano, Tavares e Lopes (2004) mostraram algumas imagens autoexplicativas</p><p>dos exercícios que compõem o programa de Kegel que objetivam o fortalecimento dos</p><p>músculos envolvidos no assoalho pélvico:</p><p>• Decúbito dorsal com as pernas semiflexionadas, pés no chão, expirar, colocar a pelve</p><p>em retroversão e em seguida elevar as nádegas mantendo a retroversão.</p><p>172</p><p>Figura 4 – Exercício 1 para os músculos do assoalho pélvico</p><p>Fonte: Caetano, Tavares e Lopes (2004, p. 1)</p><p>• Decúbito dorsal com os glúteos ligeiramente elevados e com uma almofada entre os</p><p>joelhos, pernas flexionadas e cruzadas, pés no chão. A ideia é de sustentar a almofada</p><p>entre as faces internas do joelho, elevar o assento o mais alto possível expirando, e</p><p>voltar à posição de partida inspirando.</p><p>Figura 5 – Exercício 2 para os músculos do assoalho pélvico</p><p>Fonte: Caetano, Tavares e Lopes (2004, p. 1)</p><p>• Decúbito dorsal, glúteos apoiados no chão, colocar entre as pernas uma medicine-</p><p>ball e elevar as duas pernas semiestendidas.</p><p>Figura 6 – Exercício 3 para os músculos do assoalho pélvico</p><p>Fonte: Caetano, Tavares e Lopes (2004, p. 1)</p><p>• Decúbito dorsal, nádegas ligeiramente elevadas, perna de apoio flexionada e a que</p><p>fará a elevação estendida. Realizar o exercício com as duas pernas.</p><p>173</p><p>Figura 7 – Exercício 4 para os músculos do assoalho pélvico</p><p>Fonte: Caetano, Tavares e Lopes (2004, p. 1)</p><p>• Em pé, com uma bola entre as faces internas da coxa, ficar na ponta dos pés,</p><p>contraindo o períneo e relaxando-o ao voltar com as plantas dos pés no chão.</p><p>Figura 8 – Exercício 5 para os músculos do assoalho pélvico</p><p>Fonte: Caetano, Tavares e Lopes (2004, p. 1)</p><p>• Sentada com as duas pernas estendidas: realizar contrações da musculatura perineal.</p><p>Figura 9 – Exercício 6 para os músculos do assoalho pélvico</p><p>Fonte: Caetano, Tavares e Lopes (2004, p. 1)</p><p>174</p><p>• Em pé e encostada em uma parede: realizar retroversão da pelve com a musculatura</p><p>pélvica contraída.</p><p>Figura 10 – Exercício 7 para os músculos do assoalho pélvico</p><p>Fonte: Caetano, Tavares e Lopes (2004, p. 1)</p><p>Para além disso, Caetano, Tavares e Lopes (2004) mostraram que a cinesioterapia</p><p>não mostrou efeitos colaterais e riscos para integridade das mulheres que receberam o</p><p>tratamento do assoalho pélvico. Um ponto importante é que esse tratamento foi menos</p><p>invasivo do que os procedimentos cirúrgicos para o assoalho pélvico, comumente</p><p>usados. Por isso, atualmente, o tratamento fisioterapêutico tem sido recomendado cada</p><p>vez. Essa intervenção vem sendo utilizada pelos fisioterapeutas como fator efetivo no</p><p>tratamento da incontinência urinária de esforço em mulheres (NOLASCO et al.; 2008).</p><p>Coletivamente, é razoável aceitar que os benefícios do protocolo de exercícios para os</p><p>músculos do assoalho pélvico promovem melhorias no desempenho da continência</p><p>urinária, preservando a saúde da bexiga.</p><p>Especificamente para mulheres no período gestacional, os dados de uma revisão</p><p>de literatura sugerem que a conduta é similar ao que foi abordado anteriormente. As</p><p>autoras mostraram que protocolos envolvendo exercícios fisioterapêuticos (isto é,</p><p>tratamento alternativo) reduz os sintomas de incontinência urinária durante a gestação</p><p>e no período de pós-parto imediato (NOLASCO et al.; 2008).</p><p>175</p><p>3 FUNÇÃO DE DIFERENTES TIPOS DE EXERCÍCIOS</p><p>DURANTE O PERÍODO GESTACIONAL</p><p>De acordo com o Colégio Americano de Medicina do Esporte, a gravidez é um</p><p>momento único e uma oportunidade para otimizar comportamentos de saúde. Todas as</p><p>mulheres, sem contraindicação, devem ser fisicamente ativas durante toda a gravidez,</p><p>incluindo previamente inativas, aquelas com diabetes gestacional e aquelas com</p><p>sobrepeso e obesidade. As mulheres devem discutir a atividade física na gravidez com</p><p>seu médico. A atividade física regular promove muitos benefícios à saúde em todas as</p><p>fases da vida, incluindo a gravidez e o período pós-parto.</p><p>Com relação aos benefícios da atividade física para mulheres grávidas, a</p><p>atividade física durante a gravidez tem riscos mínimos e demonstrou beneficiar a maioria</p><p>das mulheres, com algumas possíveis modificações necessárias devido a alterações</p><p>anatômicas e/ou fisiológicas e/ou complicações médicas. A atividade física regular</p><p>durante a gravidez pode: melhorar ou manter a forma física; ajudar no controle de peso;</p><p>reduzir o risco de diabetes gestacional; aumentaar o bem-estar psicológico; e é capaz</p><p>de minimizar potenciais complicações perinatais para a mãe e o feto.</p><p>As recomendações de atividade física para mulheres grávidas seguem aquelas</p><p>para a população geral não grávida, com pequenas modificações. As mulheres devem</p><p>acumular 150 minutos de atividade</p><p>al., 2019). Além disso, a sarcopenia</p><p>é uma importante causa da síndrome de fragilidade em idosos, sobretudo por promover</p><p>alterações na força e qualidade muscular (CAO; MORLEY, 2016; CRUZ-JENTOFT et al.,</p><p>2019). De fato, a síndrome de fragilidade emergiu no século XXI como uma condição</p><p>clínica de destaque na área geriátrica (MORLEY, 2016).</p><p>Embora o envelhecimento cronológico seja o fenômeno primário associado</p><p>à sarcopenia, outras condições (doença neurológica, inatividade física e/ou nutrição</p><p>ruim) têm sido reconhecidas como causas dessa doença musculoesquelética (CRUZ-</p><p>JENTOFT et al., 2019). Esses parâmetros citados anteriormente são estreitamente</p><p>ligados ao envelhecimento biológico. Diferentemente do envelhecimento cronológico</p><p>(avançar da idade), o envelhecimento biológico ocorre a nível molecular. Nesse sentido,</p><p>https://bit.ly/404OXsp</p><p>15</p><p>um indivíduo com 18 anos pode ser jovem do ponto de vista cronológico, no entanto,</p><p>o mesmo indivíduo pode demonstrar fatores de risco cardiometabólicos que tendem a</p><p>deixar seu organismo mais deteriorado, comparado a de um indivíduo cronologicamente</p><p>mais velho.</p><p>Adicionalmente, tem sido sugerido que o sistema nervoso contribui de maneira</p><p>importante para a sarcopenia. Por exemplo, desde a geração do potencial de ação (sinal</p><p>neural) até a contração muscular, existem diversas modificações associadas à idade</p><p>no sistema nervoso. De fato, essas alterações no sistema nervoso afetam diretamente</p><p>o desempenho motor, a produção de força no músculo esquelético, bem como a</p><p>quantidade e qualidade muscular (KWON; YOON, 2017).</p><p>Além disso, o desuso musculoesquelético (exemplo, estar acamado), induzido</p><p>pela hospitalização, pode levar à redução da força muscular, massa muscular e incapa-</p><p>cidade física em idosos (COVINSKY; PIERLUISSI; JOHNSTON, 2011; LOYD et al., 2020).</p><p>Esse processo ocorre porque, durante a hospitalização, idosos apresentam baixos níveis</p><p>de atividade física (BROWN et al., 2009; TASHEVA et al., 2020), baixo consumo ener-</p><p>gético e ingestão proteica insuficiente (SULLIVAN; SUN; WALLS, 1999; WEIJZEN et al.,</p><p>2020). Coletivamente, essas condições também podem favorecer para incidência de</p><p>sarcopenia em idosos, portanto se faz necessário combater a incidência de sarcopenia</p><p>na população idosa, uma vez que essa doença musculoesquelética induz um baixo de-</p><p>sempenho físico, gerando um alto custo para os cofres públicos em termos de saúde</p><p>(PINEDO-VILLANUEVA et al., 2019).</p><p>A manifestação da força é influenciada por diferentes aspectos, como, por</p><p>exemplo, o controle neural e o tamanho do músculo esquelético. Especificamente, a</p><p>força muscular tem sido reconhecida como uma importante habilidade, que contribui</p><p>para realização de esforços no ambiente esportivo, e principalmente, desempenha um</p><p>papel fundamental nas atividades básicas da vida diária do idoso (HAFF; TRIPLETT, 2015).</p><p>Por outro lado, alterações na força muscular podem provocar declínio funcional e perda</p><p>da autonomia, afetando a capacidade de executar movimentos relativamente simples,</p><p>como levantar e sentar de uma cadeira, subir e descer escadas, caminhar ao longo de</p><p>uma faixa de pedestres em tempo suficiente (≥ 0.8 m/s) para evitar acidentes, dentre</p><p>outros (GORE et al., 2018). Além disso, a força muscular está diretamente associada a</p><p>fatores protetivos (isto é, câncer e mortalidade) (RUIZ et al., 2008).</p><p>16</p><p>Figura 8 – Mulher idosa incapaz fisicamente de se locomover (déficit de força muscular,</p><p>massa muscular etc.).</p><p>Fonte: https://bit.ly/40c0pC7. Acesso em: 15 mar. 2023.</p><p>Comumente, a qualidade muscular é avaliada indiretamente como um indi-</p><p>cador de desempenho relativo definido pela razão entre a força muscular e a</p><p>massa muscular. Além disso, a qualidade do tecido muscular parece ser mo-</p><p>dulada de uma diferente maneira quando contrastada frente à força e massa</p><p>muscular, portanto a qualidade muscular pode se apresentar informativa,</p><p>sensível e significativa para rastrear a sarcopenia, e, consequentemente, for-</p><p>necer maior precisão frente a um determinado tratamento.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Embora a redução da força muscular esteja associada ao envelhecimento, esse</p><p>declínio não ocorre de maneira similar entre os sexos. Por exemplo, mulheres idosas</p><p>apresentam menores níveis de força muscular comparado aos homens (JANSSEN et al.,</p><p>2000; STRAIGHT; BRADY; EVANS, 2015). Isso ocorre por conta do advento da menopau-</p><p>sa, uma vez que a cessação na produção de estrógenos influencia diretamente na força</p><p>muscular de mulheres idosas (STRAIGHT; BRADY; EVANS, 2015). Além disso, evidências</p><p>recentes de estudos longitudinais indicam que o declínio da força muscular relacionado</p><p>à idade não está proporcionalmente ligado à perda de massa muscular (JANSSEN et al.,</p><p>2000; RUIZ et al., 2008). Também, outros achados revelaram que a baixa força muscular</p><p>está mais associada ao mau estado de saúde do que a baixa massa muscular (KWON;</p><p>YOON, 2017; RUIZ et al., 2008). De fato, vale destacar que esse conjunto de mudanças</p><p>na força muscular, atreladas ao processo de envelhecimento da mulher, pode contribuir</p><p>significativamente para o aumento do risco para desenvolvimento de doenças crôni-</p><p>cas não transmissíveis como hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia,</p><p>doença arterial coronariana, reduzindo a qualidade de vida e comprometendo a longe-</p><p>vidade (TOTH et al., 2000). Coletivamente, essas evidências nos sugerem que a força</p><p>muscular deve receber uma importância clínica maior comparada a massa muscular.</p><p>https://bit.ly/40c0pC7</p><p>17</p><p>A massa muscular e a gordura corporal são alguns dos principais componentes</p><p>da composição corporal humana, do ponto de vista tecidual (HEYMSFIELD et al., 1997).</p><p>Adicionalmente, vale destacar que a massa muscular contribui para oxidação de</p><p>gorduras e regulação do metabolismo da glicose, por exemplo (ARGILÉS et al., 2016).</p><p>Embora a massa muscular reduza ao passo que a gordura corporal aumenta com o</p><p>envelhecimento cronológico e/ou biológico (HE et al., 2018), essas alterações na</p><p>composição corporal têm sido reportadas como fator de risco para o risco de quedas e</p><p>fratura de quadril (JANSSEN; HEYMSFIELD; ROSS, 2002; OLIVEIRA; VAZ, 2015). Nesse</p><p>sentido, o envelhecimento biológico provoca um ambiente catabólico favorável para</p><p>perda da massa muscular (CRUZ-JENTOFT et al., 2019). De fato, os idosos perdem</p><p>entre 8 e 12% da massa muscular dos 30 aos 70 anos de idade, reduzindo esse tecido</p><p>de 2 a 3% por década de vida (JANSSEN et al., 2000), porém, durante a transição</p><p>da menopausa, as mulheres apresentam uma taxa acelerada de redução da massa</p><p>muscular (de aproximadamente 0,25% por ano) (GREENDALE et al., 2019). Além disso, a</p><p>menopausa causa uma deficiência de estrogênio no organismo, o que está associado</p><p>com o declínio da massa muscular (KARVINEN et al., 2021) Nesse sentido, a menopausa</p><p>também pode contribuir para incidência de sarcopenia nas mulheres (FIELDING et al.,</p><p>2011), portanto o declínio da massa muscular tem sido reportado como fator chave para</p><p>doenças crônicas não transmissíveis, perda de autonomia e independência, o que pode</p><p>levar a redução da expectativa de vida (CRUZ-JENTOFT et al., 2019).</p><p>O excesso de gordura corporal tem sido reportado como principal característica</p><p>de obesidade. A obesidade é uma doença crônica não transmissível de característica</p><p>multifatorial, ou seja, é ocasionada por diferentes fatores como alimentação, inatividade</p><p>física etc. Além disso, a obesidade é reconhecida como um importante problema de</p><p>saúde pública, principalmente para os grupos populacionais de alto risco, especialmente</p><p>das mulheres idosas (DIXON, 2010). De fato, após a transição da menopausa, as mulhe-</p><p>res sofrem mudanças deletérias na distribuição de gordura corporal (TOTH et al., 2000).</p><p>Do ponto de vista mecânico, o excesso de gordura corporal contribui negativamente</p><p>para as idosas realizarem suas atividades básicas da vida diária, tais como levantar-se</p><p>e sentar-se de uma cadeira, caminhar pequenas e longas distâncias (BOUCHARD et al.,</p><p>2007; LAROCHE;</p><p>KRALIAN; MILLETT, 2011; TSENG et al., 2014). Nesse sentido, o risco de</p><p>mortalidade prematura nas idosas com excesso de gordura corporal é mais elevado, es-</p><p>pecialmente em virtude dos fatores relacionados ao avançar da idade, tais como redu-</p><p>ção da força muscular e massa muscular (CLARK; MANINI, 2012). Ainda, indivíduos com</p><p>uma maior quantidade de gordura corporal demonstram uma menor quantidade de for-</p><p>ça muscular (LAROCHE; KRALIAN; MILLETT, 2011). A força muscular tem sido reportada</p><p>como um fator chave para a velocidade de marcha de mulheres idosas (SANTOS et al.,</p><p>2017). De acordo com essas premissas, coletivamente, o excesso de gordura corporal</p><p>está associado à baixa força e, consequentemente, a um prejuízo na velocidade da mar-</p><p>cha de mulheres idosas. Assim, se faz necessário rastrear as alterações na composição</p><p>corporal de mulheres idosas, uma vez que a menopausa está associada a incidência de</p><p>sarcopenia – que pode levar a hospitalização e mortalidade prematura.</p><p>18</p><p>Os declínios na aptidão funcional dos idosos são comumente atribuídos à perda</p><p>da resiliência fisiológica (FRAGALA; KENNY; KUCHEL, 2015). Embora a sarcopenia afete</p><p>a força muscular e a massa muscular, evidências recentes têm apontado um papel</p><p>relevante da qualidade do tecido muscular nos aspectos funcionais do idoso (FRAGALA;</p><p>KENNY; KUCHEL, 2015). Especificamente, a qualidade muscular refere-se à capacidade</p><p>do tecido muscular esquelético desempenhar diversas funções, incluindo a contração,</p><p>papel metabólico e condução elétrica do potencial de ação, no entanto a qualidade do</p><p>tecido muscular pode ser influenciada por características morfológicas e pelos aparatos</p><p>envolvidos na contração do músculo esquelético (isto é, arranjos neuromusculares)</p><p>(BARBAT-ARTIGAS et al., 2012; FRAGALA; KENNY; KUCHEL, 2015). De acordo com isso, a</p><p>qualidade do tecido muscular tem sido associada às alterações advindas com o avançar</p><p>da idade (LINDLE et al., 1997; LYNCH et al., 1999).</p><p>A qualidade do tecido muscular deve ser monitorada como um</p><p>biomarcador de aptidão funcional, com objetivo de atenuar e/ou reverter</p><p>os declínios na resiliência fisiológica do idoso. Mais à frente, iremos</p><p>mostrar como medir e avaliar a qualidade muscular. Continue aqui</p><p>conosco, pois logo traremos informações importantes acerca de como</p><p>medir e avaliar a qualidade muscular.</p><p>ESTUDOS FUTUROS</p><p>O envelhecimento provoca alterações no sistema nervoso que afetam</p><p>diretamente a força muscular (força rápida e máxima). Além disso, o declínio da força</p><p>muscular está associado ao declínio do desempenho físico e à perda gradual da</p><p>independência (CRUZ-JENTOFT et al., 2019). De fato, tem sido demonstrado que a força</p><p>muscular é um forte preditor de limitações funcionais porque esta aptidão funcional é</p><p>um elemento chave na realização de atividades básicas da vida diária (como levantar-se</p><p>de uma posição sentada) (FOLDVARI et al., 2000; BEAN et al., 2002). Adicionalmente,</p><p>a velocidade de marcha (uma medida objetiva da função de todo o corpo relacionada</p><p>à locomoção) reduz cerca de 1 a 2% por década em mulheres após os 60 anos de</p><p>idade. Nesse sentido, a baixa velocidade da marcha está associada ao risco de quedas,</p><p>incapacidade, dependência funcional e mortalidade prematura em idosos (MENANT et</p><p>al., 2014). Por outro lado, tem sido evidenciado que a melhora na velocidade da marcha</p><p>induzida por uma estratégia de intervenção é relacionada às alterações positivas na</p><p>força muscular de membros inferiores (SANTOS et al., 2017). De acordo com essas</p><p>premissas, melhorar o desempenho físico e, consequentemente, a aptidão funcional do</p><p>idoso pode atenuar e/ou reverter os processos deletérios provocados pelo fenômeno</p><p>do envelhecimento (CRUZ-JENTOFT et al., 2019). Assim, coletivamente, os cuidados de</p><p>saúde devem priorizar estratégias de intervenção que melhorem a força muscular, a</p><p>composição corporal, a qualidade do tecido musculoesquelético e o desempenho físico</p><p>(aptidão funcional) de mulheres idosas.</p><p>19</p><p>Importantes adaptações metabólicas ocorrem com o processo de envelheci-</p><p>mento da mulher, principalmente após o advento da menopausa (TOTH et al., 2000).</p><p>Por exemplo, a redução da massa muscular associada ao fenômeno do envelhecimento</p><p>pode levar a um desequilíbrio metabólico e inflamatório (CRUZ-JENTOFT et al., 2019).</p><p>Isso ocorre porque o músculo esquelético é considerado um órgão endócrino capaz</p><p>de modular vias metabólicas importantes, uma vez que a regulação do metabolismo</p><p>glicolítico e lipídico é influenciada por este tecido (ARGILÉS et al., 2016). Nesse sentido,</p><p>o envelhecimento biológico por si só está associado a prejuízos nos indicadores do me-</p><p>tabolismo da glicose e perfil lipídico.</p><p>Essas condições têm se mostrado relacionadas a um maior impacto no sistema</p><p>cardiovascular das mulheres idosas quando comparadas aos homens idosos. Além disso,</p><p>os agravos no sistema cardiovascular (especialmente o aumento da pressão arterial)</p><p>estão relacionados com doenças crônicas não transmissíveis, que são a maior causa</p><p>de mortalidade global (BURINI et al., 2020), portanto rastrear os efeitos provocados pelo</p><p>envelhecimento cronológico e biológico por meio de medidas e avaliação dos desfechos</p><p>de saúde relacionados a doenças crônicas não transmissíveis é necessário, uma vez que</p><p>essas relações estão associadas com mortalidade prematura, sobretudo em mulheres</p><p>mais velhas.</p><p>Quadro 1 – Sugestão de testes de campo para medir e avaliar atividade física, comportamento</p><p>sedentário, composição corporal e desempenho físico funcional em adultos e idosos.</p><p>LITERATURA</p><p>MEDIDA DESCRIÇÃO BREVE</p><p>Questionário</p><p>Internacional de</p><p>Atividade Física (IPAQ)</p><p>• Registrar o tempo de atividade física por pelo menos 10</p><p>minutos contínuos referente aos últimos 7 dias.</p><p>• Seção 1: Atividade física no trabalho.</p><p>• Seção 2: Atividade física como meio de transporte.</p><p>• Seção 3: Atividade física em casa (atividade doméstica).</p><p>• Seção 4: Atividade física de recreação, lazer e esporte.</p><p>• Seção 5: Tempo sentado (comportamento sedentário).</p><p>Força muscular</p><p>(Dinamômetro para</p><p>preensão manual)</p><p>• Realizar três tentativas na mão dominante.</p><p>• Registrar a maior medida.</p><p>• Usualmente a avaliação é realizada sentado e com braço</p><p>flexionado a 90°.</p><p>• Valores alterados se, Homens 15 segundos.</p><p>Circunferência da</p><p>panturrilha</p><p>(massa muscular)</p><p>• Indivíduo sentado, joelho fletido a 90° e pés encostados no</p><p>solo. Medir a maior circunferência. Valor alterado 8.70 segundos (1 ponto).</p><p>• Tempo 6.21 a 8.70 segundos (2 pontos).</p><p>• Tempo 4.82 a 6.20 segundos (3 pontos).</p><p>• Tempo</p><p>para melhor prescrição de intervenções, principalmente as de caráter não farmacológico,</p><p>objetivando atenuar e/ou reverter esse processo deletério, independente da faixa etária</p><p>do indivíduo.</p><p>21</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• A expectativa de vida dos brasileiros aumentou em comparação ao século XX e, graças</p><p>ao avanço da ciência e tecnologia, nós conseguimos extinguir a mortalidade precoce</p><p>por doenças infecciosas, no entanto é preciso frear e/ou combater a prevalência das</p><p>doenças crônicas não transmissíveis na população.</p><p>• Fortes evidências mostram que níveis mais elevados de atividade física estão</p><p>associados a aumentos menores de peso (isto é, massa corporal) e adiposidade</p><p>(excesso de gordura) durante a infância e adolescência. Além disso, evidências</p><p>moderadas indicam que a atividade física está positivamente associada à saúde</p><p>cardiometabólica em crianças e adolescentes em geral. Por fim, fortes evidências</p><p>mostram que o aumento da atividade de moderada a vigorosa intensidade aumenta</p><p>a aptidão cardiorrespiratória e que o aumento do exercício resistido aumenta a</p><p>aptidão muscular em crianças e adolescentes. Adicionalmente, a população adulta</p><p>e idosa tende a experenciar dos mesmos benefícios provocados pela atividade nas</p><p>populações mais jovens.</p><p>• O comportamento sedentário, por outro lado, tem sido reportado como fator de risco</p><p>para indicadores de saúde em crianças e adolescentes como, por exemplo: adiposidade</p><p>corporal, aptidão física, saúde óssea e muscular, biomarcadores cardiometabólicos,</p><p>autoestima, desempenho acadêmico, aspectos cognitivos, habilidade motora grossa</p><p>e aspectos psicossociais. Além disso, quando comparado às populações mais jovens,</p><p>o comportamento sedentário tende também a afetar a saúde de adultos e idosos em</p><p>magnitudes até mesmo superiores.</p><p>• A sarcopenia pode ser consequência dos altos níveis de inatividade física e</p><p>comportamento sedentário. A boa notícia é que esse quadro pode ser atenuado e/ou</p><p>revertido com a prática de exercício físico sistematizado (isto é, treinamento), pois este</p><p>tratamento não farmacológico é capaz de melhorar a força muscular, a composição</p><p>corporal e o desempenho físico-funcional, sobretudo de mulheres idosas.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>22</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 A realização de atividades cotidianas pelos idosos, tais como levantar-se de uma</p><p>cadeira, caminhar de uma esquina até outra e/ou subir um lance de escadas, são</p><p>tarefas que estão relacionadas à capacidade funcional. Neste sentido, analise as</p><p>afirmativas a seguir:</p><p>I- A força muscular é uma valência física dispensável para o idoso executar suas</p><p>atividades de vida diária.</p><p>II- A perda de massa muscular é uma consequência natural do envelhecimento,</p><p>embora a massa muscular tenha um papel importante para capacidade funcional.</p><p>III- A força e massa musculares dos membros superiores são mais importantes para ca-</p><p>pacidade funcional do que a força e massa musculares dos membros inferiores.</p><p>IV- Sarcopenia é uma doença muscular que também é diagnosticada pelo baixo</p><p>desempenho em realizar atividades cotidianas pelos idosos.</p><p>Estão CORRETAS apenas as afirmativas:</p><p>a) ( ) I e II.</p><p>b) ( ) I e III.</p><p>c) ( ) I e IV.</p><p>d) ( ) II e III.</p><p>e) ( ) II e IV.</p><p>2 Devido ao envelhecimento biológico, as mulheres passam por um declínio na</p><p>produção do hormônio sexual estrogênio. Essa redução é característica do fenômeno</p><p>denominado menopausa, período que é atrelado com a interrupção do ciclo menstrual.</p><p>Em relação ao envelhecimento da mulher, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) A cessação do ciclo menstrual gera uma otimização na capacidade funcional de</p><p>mulheres idosas.</p><p>b) ( ) A diminuição na concentração de estrogênio contribui para a perda de força e</p><p>massa musculares de mulheres idosas.</p><p>c) ( ) A gordura corporal reduz na mesma magnitude da concentração de estrogênio</p><p>em mulheres idosas.</p><p>d) ( ) O estrogênio pouco influencia na regulação de estoques energéticos de mulhe-</p><p>res idosas.</p><p>e) ( ) O papel do estrogênio na densidade mineral óssea permanece incerto em mu-</p><p>lheres idosas.</p><p>23</p><p>3 O músculo esquelético é a maior célula e massa proteica do corpo humano. Além disso,</p><p>o músculo esquelético desempenha papéis importantes, dentre estes: regulação da</p><p>glicose, oxidação de ácidos graxos e contribui para o desequilíbrio metabólico. Com</p><p>relação ao músculo esquelético, analise as afirmativas a seguir:</p><p>I- Do ponto de vista funcional, o músculo esquelético tem um papel importante para o</p><p>desempenho físico de idosos.</p><p>II- Existe uma relação inversa entre a quantidade de massa muscular dos idosos e a</p><p>capacidade de realizar as atividades de vida diária.</p><p>III- O aumento de massa muscular durante o processo de envelhecimento contribui</p><p>para um maior tempo de vida saudável.</p><p>IV- Por uma perspectiva estética, o músculo esquelético dos idosos é um órgão</p><p>fundamental de ser esculpido.</p><p>Estão CORRETAS apenas as afirmativas:</p><p>a) ( ) I e II.</p><p>b) ( ) I e III.</p><p>c) ( ) I e IV.</p><p>d) ( ) II e III.</p><p>e) ( ) II e IV.</p><p>4 Rikli e Jones (2001) validaram a bateria de testes da aptidão física que avalia a</p><p>capacidade físico-funcional de idosos. Dentre os testes funcionais, se destaca um</p><p>teste de fácil aplicação para medir a força da região inferior do corpo: o teste de</p><p>sentar e levantar da cadeira por 30 segundos. Além disso, o Colégio Americano de</p><p>Medicina do Esporte recomenda tal medida. Com relação aos procedimentos para</p><p>aplicação em idosos (e também outras populações, visto que é um teste de força</p><p>muscular) do teste de sentar e levantar por 30 segundos, DISCORRA sobre aspectos</p><p>importantes que o avaliador leve em consideração em relação ao avaliado, para que</p><p>a coleta dos dados contenha a menor quantidade de erro de medida possível.</p><p>Fonte: RIKLI, R. E.; JONES, C. J. Senior fitness test manual.</p><p>Champaign, IL: Human Kinetics, 2001.</p><p>5 De acordo com o conhecimento obtido por meio da leitura ao longo deste tema de</p><p>aprendizagem, aborde a relação entre inatividade física e comportamento sedentário</p><p>vs atividade física nos desfechos de saúde, de um modo geral.</p><p>24</p><p>25</p><p>EXERCÍCIO FÍSICO PARA PROMOÇÃO DA</p><p>SAÚDE, PREVENÇÃO E TRATAMENTO DE</p><p>DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 2 abordaremos como promover saúde,</p><p>prevenir e/ou tratar doenças crônicas não transmissíveis por meio do exercício físico.</p><p>Assim, neste tema de aprendizagem, iremos abarcar diferentes modalidades de exercício</p><p>físico para essas três finalidades.</p><p>Partindo da premissa que intervir na população de meia-idade (especialmente</p><p>nos idosos) é importante para combater os agravos relacionados à idade, ao</p><p>entendimento de como manipular as variáveis e aos tipos de treinamento para otimizar</p><p>os resultados em termos de desfechos de saúde são importantes. Com isso, destaca-</p><p>se principalmente o treinamento resistido, por ser uma atividade suave e tolerável para</p><p>essas populações.</p><p>Nesse sentido, a ideia central deste tema de aprendizagem é de fornecer</p><p>evidências clínicas do papel do exercício físico manipulado, de diferentes maneiras, na</p><p>população feminina no que tange a promoção da saúde, a prevenção e o tratamento</p><p>das doenças crônicas não transmissíveis que estão relacionadas ao envelhecimento,</p><p>portanto nós queremos que neste estudo você aprenda para além dos conceitos, ou seja,</p><p>entenda a teoria e transfira para a prática em forma de aplicação. A seguir, abordaremos o</p><p>panorama epidemiológico acerca do envelhecimento feminino, sobretudo na população</p><p>brasileira, que têm sido relatadas pela literatura até o momento.</p><p>UNIDADE 1 TÓPICO 2 -</p><p>2 EFEITO DO EXERCÍCIO FÍSICO PARA PROMOÇÃO</p><p>DA SAÚDE DA MULHER, PREVENÇÃO E TRATAMENTO</p><p>DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS</p><p>ASSOCIADAS AO AVANÇAR DA IDADE</p><p>Como nós observamos nos últimos parágrafos da seção anterior, medir e avaliar</p><p>a atividade física, o comportamento sedentário, a composição corporal e o desempenho</p><p>físico funcional podem auxiliar no controle das doenças crônicas não transmissíveis</p><p>(BURINI et al., 2020), especialmente</p><p>em mulheres idosas, no entanto, após a realização</p><p>26</p><p>das medidas e avaliação do paciente (seja ele criança, jovem, adulto e/ou idoso),</p><p>é importante ser feito um diagnóstico com intuito de iniciar uma intervenção não</p><p>farmacológica (isto é, exercício físico) frente ao quadro em que o indivíduo se encontra,</p><p>especialmente a população feminina (FRAGALA et al., 2019).</p><p>Vale destacar que o treinamento físico (atividade física sistematizada) pode ser</p><p>prescrito pelo profissional para promoção da saúde, prevenção e tratamento de doenças</p><p>crônicas não transmissíveis (UMPIERRE et al., 2022). De maneira geral, iremos abordar</p><p>o efeito de diferentes modalidades de exercício físico para promoção da saúde da mulher,</p><p>prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, principalmente no que</p><p>tange a associação destes quadros com o fenômeno do envelhecimento cronológico e/</p><p>ou biológico.</p><p>Figura 9 – Mulheres praticando atividade física ao ar livre.</p><p>Fonte: https://bit.ly/3JlvR9V. Acesso em: 15 mar. 2023.</p><p>Uma das modalidades de exercício físico capaz de promover benefícios a saúde</p><p>e combater os efeitos deletérios das doenças crônicas não transmissíveis é o treina-</p><p>mento funcional. O termo “funcional” pode se referir especificamente à função física,</p><p>que guarda relação direta com o desempenho (SILVA-GRIGOLETTO; BRITO; HEREDIA,</p><p>2014). A funcionalidade é uma vitalidade do corpo humano que está associada ao fato</p><p>de executar com eficiência determinadas tarefas, como, por exemplo, as atividades de</p><p>vida diária, tal qual levantar-se de uma cadeira. Também, o termo funcional é utilizado</p><p>para se referir às funções biológicas ou psíquicas do ser humano (SILVA-GRIGOLETTO;</p><p>BRITO; HEREDIA, 2014). Nesse sentido, o treinamento funcional pode ser definido como</p><p>um tipo de intervenção para melhorar aspectos biológicos e psíquicos do indivíduo, no</p><p>entanto, aqui no presente tema de aprendizagem, iremos abordar somente os efeitos</p><p>biológicos desta modalidade de exercício físico.</p><p>https://bit.ly/3JlvR9V</p><p>27</p><p>Em idosos, o treinamento funcional tem por objetivo aumentar a capacidade</p><p>funcional do indivíduo. Esse tipo de treinamento é importante, pois é capaz de aumentar</p><p>a força muscular, que por sua vez afeta positivamente na funcionalidade do idoso,</p><p>melhorando sua função física para realização das atividades de vida diária (SILVA-</p><p>GRIGOLETTO; BRITO; HEREDIA, 2014). Além disso, a manipulação das variáveis do</p><p>treinamento funcional, tais como: frequência (número de vezes que um determinado</p><p>exercício e/ou grupamento muscular é treinado na semana), volume (capacidade total</p><p>de trabalho realizado na semana), intensidade (carga ou esforço utilizado na sessão de</p><p>treinamento ao longo da semana), densidade (relação ótima entre duração do exercício</p><p>e intervalo entre as séries), e organização do programa de treinamento (seleção dos</p><p>exercícios, ordem de execução dos exercícios etc.) são aspectos importantes que</p><p>podem otimizar os resultados do idoso (RESENDE-NETO; SILVA-GRIGOLETTO, 2020).</p><p>Figura 10 – Ilustração do treinamento funcional</p><p>Fonte: https://bit.ly/3JG1MDr. Acesso em: 15 mar. 2023.</p><p>O treinamento pliométrico é um tipo de treinamento funcional recomendado para</p><p>indivíduos de diferentes faixas etárias. Este treinamento envolve movimentos rápidos,</p><p>comumente realizados somente com a resistência externa do corpo (FLECK; KRAEMER,</p><p>2017). Nesse sentido, o ciclo alongamento-encurtamento do músculo esquelético é um</p><p>dos principais mecanismos que explicam as adaptações provocadas por este tipo de</p><p>treinamento funcional. De fato, o treinamento pliométrico afeta positivamente a força</p><p>muscular e desempenho físico funcional em idosos (FLECK; KRAEMER, 2017). Nessa</p><p>perspectiva, uma forte evidência demonstrou que o treinamento pliométrico é uma</p><p>opção segura para idosos, especialmente quando o treino é supervisionado por um</p><p>profissional do exercício físico (VETROVSKY et al., 2019). Do ponto de vista prático, o</p><p>treinamento pliométrico pode ser aplicado na casa do indivíduo, utilizando a resistência</p><p>do corpo e/ou a velocidade de movimento como sobrecarga.</p><p>28</p><p>Figura 11 – Ilustração para o treinamento pliométrico</p><p>Fonte: https://bit.ly/3oQrtcF. Acesso em: 15 mar. 2023.</p><p>O ciclo alongamento-encurtamento refere-se à ação de pré-alongamento</p><p>ou contramovimento, que é comumente observada durante movimentos</p><p>humanos típicos, como saltar. O ciclo alongamento-encurtamento é</p><p>caracterizado por uma ação muscular completa (que é rápida e cíclica). Assim,</p><p>no ciclo alongamento-encurtamento, o músculo esquelético sofre uma ação</p><p>excêntrica seguida por um período de transição antes da ação concêntrica</p><p>que repercute na ação de um salto contramovimento, por exemplo.</p><p>INTERESSANTE</p><p>Assim, se faz necessário o entendimento dos componentes necessários em</p><p>uma sessão de treinamento funcional. De três a quatro minutos é importante realizar</p><p>alongamentos para mobilidade articular (por exemplo, movimentos para cadeia</p><p>posterior). De um a dois minutos recomenda-se um aquecimento específico dos</p><p>músculos a serem treinados naquela sessão (comumente se treina o corpo inteiro).</p><p>Após essa parte inicial, dedica-se de 10 a 15 minutos da sessão de treino para se</p><p>realizar exercícios de potência (por exemplo, exercícios pliométricos) e/ou exercícios</p><p>de coordenação (por exemplo, equilíbrio), e/ou exercícios de agilidade (por exemplo,</p><p>movimentos que exigem deslocamentos rápidos). Na quarta e última parte da sessão de</p><p>treinamento funcional, deve-se dedicar em média 20 minutos para ações que exigem</p><p>força muscular (por exemplo, utilizar exercícios de agachamento e/ou flexão de braços,</p><p>que são movimentos que exigem grupamentos musculares multiarticulares a exercerem</p><p>força). Por fim, dedicar cinco minutos da aula para capacidade aeróbia (realizar subidas</p><p>e descidas de step, ou caminhar com o idoso em uma velocidade moderada à rápida,</p><p>por exemplo). Após a fase de alongamento e aquecimento, a recomendação de intervalo</p><p>entre cada bloco é de dois minutos (RESENDE-NETO; SILVA-GRIGOLETTO, 2020).</p><p>29</p><p>De maneira adicional ao treinamento pliométrico, o treinamento para o</p><p>tronco, utilizando exercícios tais como: abdominais tradicionais, elevação de quadril,</p><p>prancha abdominal, dentre outros, é uma estratégia eficaz de treinamento funcional</p><p>(SHAHTAHMASSEBI et al., 2019). Os autores deste trabalho sugerem uma progressão</p><p>do treinamento com início: quatro séries de quatro segundos e progredir até oito séries</p><p>de oito segundos em cada exercício, com 30 segundos de intervalo entre séries e dois</p><p>a três minutos de recuperação entre os exercícios (SHAHTAHMASSEBI et al., 2019).</p><p>De fato, esse treinamento de exercícios para o tronco é capaz de melhorar o tamanho</p><p>do músculo, aumentar a força muscular e o desempenho físico funcional de idosos,</p><p>em uma magnitude superior a caminhada (que é um tipo de exercício funcional que</p><p>envolve balanço) (SHAHTAHMASSEBI et al., 2019), portanto treinamento funcional é</p><p>tudo que estimula o estado psíquico e biológico do indivíduo, com objetivo de gerar</p><p>alterações e adaptações positivas na capacidade funcional (FRAGALA et al., 2019;</p><p>IZQUIERDO et al., 2021).</p><p>Dentre as modalidades de exercício físico, o treinamento resistido tem sido</p><p>amplamente recomendado, uma vez que este modelo demonstra ser de baixo risco para</p><p>população idosa, sobretudo por ser uma modalidade segura, que é possível ser prescrita de</p><p>maneira individualizada (com bases nas limitações e necessidades do praticante); permite</p><p>a execução dos movimentos de forma lenta, o que pode auxiliar na preservação da cápsula</p><p>articular; além disso, esse tipo de exercício não exige grandes deslocamentos, e pode ser</p><p>executado de maneira confortável (em pé, sentado etc.); e por fim, o treinamento resistido</p><p>possibilita a progressão gradual da intensidade de carga, de acordo com o aumento da</p><p>força muscular (FRAGALA et al., 2019; IZQUIERDO et al., 2021).</p><p>Figura 12 – Ilustração do treinamento resistido para idosos</p><p>Fonte: https://bit.ly/3ndo1bv. Acesso em: 15 mar. 2023.</p>

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