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Natalia Quintino Dias
Doenças da vesícula biliar
Anatomia e fisiologia
A bile é produzida continuamente pelo fígado,
armazenada e concentrada na vesícula biliar, que a
libera de modo intermitente quando a gordura
entra no duodeno. Ela emulsifica a gordura para
que possa ser absorvida na parte distal do
intestino.
Ducto colédoco = conduz a bile para o duodeno.
No lado esquerdo da parte descendente do
duodeno, o ducto colédoco entra em contato com
o ducto pancreático. Esses ductos seguem
obliquamente através da parede dessa parte do
duodeno, onde se unem para formar uma
dilatação, a ampola hepatopancreática (âmpola de
Vater). A extremidade distal da ampola abre-se no
duodeno através da papila maior do duodeno.
O músculo circular ao redor da extremidade distal
do ducto colédoco é mais espesso para formar
o músculo esfíncter do ducto colédoco. Quando
esse esfíncter contrai, a bile não consegue entrar
na ampola e no duodeno; portanto, reflui e segue
pelo ducto cístico até a vesícula biliar, onde é
concentrada e armazenada.
A vesícula biliar (7 a 10 cm de comprimento) situa-
se na fossa da vesícula biliar na face visceral do
fígado. Essa fossa rasa está situada na junção das
partes direita e esquerda do fígado. Ela tem três
partes: fundo, corpo e colo.
A vesícula biliar tem formato piriforme e consegue
armazenar até 50 ml de bile.
A irrigação arterial da vesícula biliar e do ducto
cístico vem principalmente da artéria cística.
A artéria cística frequentemente origina-se da
artéria hepática direita no triângulo entre o ducto
hepático comum, o ducto cístico e a face visceral
do fígado, o trígono cisto-hepático (trígono de
Calot).
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Trígono de Calot: borda inferior do fígado + ducto
hepático comum + ducto cístico.
Colelitíase
COLELITÍASE = “litíase biliar”. Embora seja
corriqueiramente utilizado ao referir-se à litíase da
vesícula biliar, compreende todas as formas de
apresentação da calculose da biliar.
A COLECISTOLITÍASE é a litíase da vesícula biliar.
É extremamente frequente, presente em 15% da
população mundial. É a forma de apresentação
clínica mais comum da colelitíase e, em geral, é
assintomática.
Os cálculos biliares podem ser ditos amarelos,
pretos ou marrons.
● Cálculos amarelos são os mais comuns e são
formados por colesterol, quando há alteração de
sua homeostase, permitindo que haja sua
dessolubilização, precipitação, nucleação e
cristalização. Respondem por 90% dos cálculos e
não são radiopacos.
● Cálculos pretos e marrons, por sua vez, são
formados em contextos diferentes e têm
bilirrubina como precipitante. Como há
bilirrubinato de cálcio, podem ser radiopacos.
Formam-se quando há hipersaturação de
bilirrubina (pretos) ou por mecanismos associados
à colonização bacteriana (marrons, que são
mistos).
Fatores de risco
Os fatores de risco da colelitíase são conhecidos
como os 6 Fs:
Manifestações clínicas
A colecistolitíase é o ponto de partida para todas as
formas de apresentação clínica, desde um quadro
de colecistolitíase sintomático até uma colangite
ou íleo biliar. Isso significa que as demais
apresentações da litíase biliar são secundárias a
uma colecistolitíase inicial.
Apresentações clínicas possíveis:
- Colecistolitíase sintomática: litíase da VESÍCULA
BILIAR, com sintomas associados.
- Coledocolitíase: litíase da via biliar comum.
- Colecistite aguda: inflamação/infecção da
vesícula biliar.
- Colangite biliar ascendente: inflamação/infecção
da via biliar comum.
- Síndrome de Mirizzi: acometimento da via biliar
comum por cálculo da vesícula biliar.
- Íleo biliar: obstrução ileal por um cálculo biliar.
Colecistolitíase sintomática
É a apresentação sintomática + comum da
colelitíase.
Manifestações
Dor em HCD após alimentações gordurosas e
copiosas (início após a ingesta e dura cerca de 20
min).
Pode haver ainda crise de agudização da dor, com
dor intensa no hipocôndrio direito, associada ou
não a náuseas e a vômitos, motivando analgesia
endovenosa no pronto-socorro. Essas crises são
chamadas de dor biliar ou de cólica biliar, e
diferenciam-se da colecistite aguda por terem
duração menor que 6 horas e não apresentarem
sinais infecciosos associados.
Diagnóstico
É clínico + USG de abdome (vesícula fina, não
inflamada, com cálculos {estruturas anecoicas,
arredondadas, formadoras de sombra acústica
posterior} móveis {não impactados}).
Tratamento
O tratamento é a colecistectomia
videolaparoscópica eletiva -> indicada apenas para
casos sintomáticos.
Deve-se avaliar o risco de coledocolitíase.
Casos assintomáticos
Colecistectomia pode ser indicada, como exceção,
em paciente assintomático se houver risco de
formação de novos cálculos (indicação relativa) ou
risco de malignidade associado.
-- Formação de novos cálculos: anemias
hemolíticas (falciforme, talassemia); cirurgia
bariátrica (em desuso);
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Anemias hemolíticas formam cálculos ao
metabolizar muito a hemoglobina, na hemólise,
produzindo maior quantidade de bilirrubina e
hipersaturando a bile, e formando cálculos de
bilirrubinato.
A perda de peso rápida promovida pela cirurgia
bariátrica mobiliza muito colesterol, formando
cálculos de colesterol na bile.
-- Risco de malignidade: pólipos de vesícula biliar;
vesícula em porcelana ao USG.
Colecistite aguda
A colecistite aguda é uma doença inflamatória/
infecciosa decorrente da impactação de um cálculo
no infundíbulo da vesícula biliar e apresenta-se
como abdome agudo inflamatório.
Manifestações
Dor progressivamente intensa e contínua no
hipocôndrio direito, com duração superior a 6
horas, e associada a sintomas inespecíficos como
náuseas e vômitos, e sinais inflamatórios como
febre e leucocitose (pode haver PCR).
Ao exame físico: sinal de Murphy (pausa
inspiratória álgica à palpação do ponto cístico no
hipocôndrio direito).
Diagnóstico
O diagnóstico parte da clínica, com atenção aos
sintomas inflamatórios associados, e a duração da
dor superior a 6 horas. A leucocitose laboratorial
reforça o diagnóstico.
O exame a ser realizado é o USG de abdome
superior, que evidenciará vesícula espessada
(> 4 mm) e com líquido ao redor (líquido
pericolecístico), associada à presença de um
cálculo impactado no infundíbulo (não móvel às
mudanças de decúbito).
A impressão clínica associada à ultrassonografia é
suficiente ao diagnóstico. Porém, caso haja dúvida
em um quadro atípico, o padrão-ouro é a
COLECINTILOGRAFIA COM DISIDA.
O paciente recebe um radiofármaco de excreção
biliar, e vai para dentro do “leitor cintilográfico”
desse marcador. Ao haver excreção biliar espera-se
que no hipocôndrio direito haja formação da
imagem da árvore biliar com a vesícula, em
situações normais. Na colecistite aguda, como há
um cálculo impactado, entupindo o ducto cístico, a
vesícula biliar NÃO será evidenciada. Portanto,
uma vesícula AUSENTE na colecintigrafia denota
colecistite aguda. Uma vesícula PRESENTE afasta
seu diagnóstico.
Tratamento
COLECISTECTOMIA VIDEOLAPAROSCÓPICA
precoce (em até 72 horas), em regime de
URGÊNCIA.
Deve-se avaliar o risco de coledocolitíase.
Se o paciente estiver muito grave, a ponto de não
tolerar a cirurgia: a alternativa terapêutica é a
colecistostomia percutânea. É uma drenagem da
vesícula, que servirá de ponte para primeiro
resolver o problema séptico e, em um segundo
momento, o paciente ser operado definitivamente.
Por ser inflamatória e infecciosa: deve-se utilizar
antibióticos (ceftriaxona + metronidazol OU
ciprofloxacino + metronidazol).
Se caso leve e fora das capitais: amoxicilina com
clavulanato, cobrindo Enterobacterias e
Escherichia coli.
Colecistite alitiásica
Existe uma forma de colecistite aguda, dita
alitiásica. É de fato uma colecistiteque ocorre na
ausência de cálculos, habitualmente em pacientes
muito graves, que perfundem mal o território
esplâncnico, com etiologia isquêmica e/ou
infecciosa.
Cursa como quadro grave de colecistite, com
achados clínicos, laboratoriais e ultrassonográficos
compatíveis, salvo pela ausência de cálculos.
A clínica pode ser mais difícil ou atípica, por ser um
paciente grave (pode estar intubado ou sem
condições de interagir). Nesses casos, deve-se
realizar a colecintilografia com disida.
Tratamento: de acordo com a gravidade do
paciente. Se tolerar a cirurgia -> colecistectomia
videolaparoscópica de urgência. Se não houver
condições cirúrgicas -> colecistostomia
percutânea.
Colecistite aguda complicada
Sinais de gravidade
● Empiema de vesícula biliar – grande quantidade
de pus dentro da vesícula biliar;
● Colecistite necrosante – necrose das paredes da
vesícula biliar;
● Perfuração da vesícula biliar.
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● A colecistite aguda enfisematosa é outra
complicação grave que, além de necrose da
parede, será marcada pela presença de gás na
vesícula, que pode ser visto em exames de imagem,
como USG de abdome, tomografia e raio X simples
de abdome.
Esses pacientes, além dos sintomas clássicos de
colecistite aguda, apresentaram sintomas e sinais
locais, como a presença de plastrão inflamatório
em HCD e sinais de peritonite, ou gerais, como
sinais de sepse.
Se possível -> colecistectomia videolaparoscópica
ou aberta.
Se não houver condições cirúrgicas ->
colecistostomia percutânea.
Coledocolitíase
A coledocolitíase refere-se à obstrução da via biliar
comum, do hepatocolédoco, por um cálculo biliar,
secundária à migração para a via biliar comum de
um cálculo primário da vesícula, uma
colecistolitíase.
Manifestações
Manifesta-se por síndrome colestática: icterícia,
colúria e acolia fecal. O paciente pode se queixar
ainda de dor abdominal inespecífica ou em
hipocôndrio direito, mas sem quaisquer sintomas
inflamatórios/infecciosos associados.
Diagnóstico
Deve-se realizar anamnese completa + exame
físico + exames laboratoriais + USG.
Ao laboratório, há elevação marcada de bilirrubina
direta e de enzimas canaliculares (FA e GGT),
associada ou não à elevação de aminotransferases
(ALT e AST).
À ultrassonografia, normalmente observaremos
cálculos na vesícula biliar (colecistolitíase) e
dilatação de vias biliares (colédoco > 0,6 cm).
Para se investigar o colédoco distal, pode-se lançar
mão de 2 métodos principais:
-- Colangiorressonância: uma colangiografia por
ressonância magnética observará a presença de
uma “falha de enchimento” no colédoco distal.
É um método caro, mas razoavelmente disponível
e não invasivo, sendo o método de escolha.
Apresenta falha diagnóstica para cálculos muito
pequenos, com menos de 3 mm.
-- USG endoscópica: a ecoendoscopia é um método
mais recente e tecnológico, excelente para o
diagnóstico da colecistolitíase e da coledocolitíase,
sendo o método mais sensível para tal. Todavia,
por ser invasivo e menos disponível, ainda é pouco
utilizado.
Tratamento
O tratamento padrão da coledocolitíase, uma vez
diagnosticada, é a papilotomia endoscópica e
extração do cálculo através de
Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica
(CPRE). E, após a CPRE, deve-se realizar a
colecistectomia videolaparoscópica.
Alternativas cirúrgicas à endoscopia:
-- Insucesso da segunda CPRE: indica-se a
exploração cirúrgica de vias biliares,
preferencialmente por via videolaparoscópica.
-- Dilatação do colédoco (> 2 cm): indica-se, além
da exploração cirúrgica de vias biliares, a derivação
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biliodigestiva, pois o colédoco já se encontra
irreversivelmente doente.
Estratificação do risco de coledocolitíase na
colecistolitíase e colecistite
Essa estratificação de risco é feita baseada em
critérios clínicos simples, laboratoriais (bilirrubinas,
FA, GGT, TGO e TGP) e ultrassonográficos.
Classificando o paciente em alto, médio ou baixo
risco de coledocolitíase, e o manejo é feito de
acordo.
Alto risco
Se bilirrubina total > 4 + dilatação do colédoco =
alto risco. Também é considerado de alto risco o
paciente com colangite clínica.
Nesses pacientes, presume-se que há cálculo no
colédoco e prossegue-se diretamente ao
tratamento por CPRE.
Risco intermediário
Se pancreatite aguda biliar prévia, elevação de
bilirrubina que não configura alto risco e a elevação
de enzimas canaliculares ou hepáticas = médio
risco.
Realiza-se investigações subsidiárias, buscando
investigar a via biliar comum de fato, em busca de
cálculos. A investigação subsidiária é feita no pré-
operatório por colangiorresonância ou no
intraoperatório por colangiografia intraoperatória.
Outro método possível é a ecoendoscopia
(ultrassom endoscópico), com o perfil de melhor
sensibilidade para detecção da coledocolitíase
(método mais sensível).
Diagnosticada a coledocolitíase, procede-se ao
tratamento por CPRE.
Baixo risco
Paciente sem alteração clínica, laboratorial ou
ultrassonográfica.
Nesse paciente, presumimos que não há
coledocolitíase associada e deve-se seguir
tratamento cirúrgico sem outra investigação
complementar.
CPRE é um método terapêutico, por isso só é
utilizada no alto risco de coledocolitíase ou
coledocolitíase já diagnosticada. Em caso de
investigação da possibilidade de coledocolitíase,
deve-se realizar colangiografia intraoperatória,
colangiorressonância ou ecoendoscopia.
Colangite biliar ascendente
A colangite é a infecção da via biliar comum
(colédoco) após obstrução e estase biliar, causada,
na maioria das vezes, por coledocolitíase.
O paciente com colangite tem um quadro
infeccioso potencialmente grave. Esse paciente
apresenta síndrome colestática (icterícia, colúria e
acolia fecal), associada à dor no hipocôndrio direito
e a sinais infecciosos (febre, taquicardia etc.).
A piora do quadro leva a uma sepse, de foco biliar,
que é muito grave, uma emergência.
Tríade de Charcot: icterícia + febre com calafrio +
dor abdominal = colangite
Pêntade de Reynolds: tríade de Charcot +
hipotensão + alteração do estado mental = sepse
de foco biliar.
Diagnóstico
Realizado a partir do quadro clínico + exames
laboratoriais + USG.
Alterações laboratoriais: leucocitose e elevação do
PCR, pelo quadro infeccioso, e alterações
colestáticas de elevação da bilirrubina direta, FA,
GGT, ALT e AST.
Alteração no USG: presença de cálculos na vesícula
biliar e a dilatação das vias biliares.
A colangite já demonstra alto risco de
coledocolitíase, portanto não é necessário realizar
mais investigações, podendo ir direto para o
tratamento.
Tratamento
O tratamento é a descompressão da via biliar: CPRE
de urgência, para papilotomia endoscópica,
extração de cálculos e clareamento da via biliar.
Depois de resolvida a colangite, o paciente então é
candidato à colecistectomia videolaparoscópica.
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Síndrome de Mirizzi
A Síndrome de Mirizzi é um acometimento da via
biliar comum por cálculo grande da vesícula biliar.
Um cálculo grande na vesícula biliar, localizado no
infundíbulo, que, por efeito de massa, passa a
comprimir de forma extrínseca o colédoco
(acotovelando-o). Essa é a Síndrome de Mirizzi
clássica.
Manifestações clínicas
Nesse contexto, ainda que ausente a
coledocolitíase, o paciente pode apresentar
icterícia. O quadro clínico é geralmente mais
arrastado, com colecistolitíase sintomática ao
longo de anos ou décadas, com apresentação
crônica de perfil de risco intermediário para
coledocolitíase.
Porém, o quadro pode ser mais grave que isso. Esse
cálculo, além de acotovelar, pode ir cronicamente
ulcerando a vesícula em direção ao colédoco,
estabelecendo uma fístula colecistocoledociana e
destruindo a parededo colédoco.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser firmado no pré-operatório,
numa colangiorressonância ou na CPRE (que
envolve uma colangiografia), ou no
intraoperatório, pelo achado cirúrgico e/ou
colangiografia intraoperatória.
Classificação e conduta
Grau I: é a compressão extrínseca do
hepatocolédoco por um cálculo no ducto cístico.
Essa apresentação é tratada apenas por
colecistectomia videolaparoscópica.
Grau II: envolve a ocorrência de uma fístula
colecistocoledociana, com destruição do colédoco
até 1/3 da circunferência. O tratamento é a
colecistectomia, com
coledocorrafia/coledocoplastia.
Grau III: é caracterizado por fístula
colecistocoledociana, já com destruição do
colédoco entre 1/3 e 2/3 de sua circunferência.
O tratamento é a coledocoplastia ou a derivação
biliodigestiva.
Grau IV: a destruição do colédoco, na fístula
colecistocoledociana, é circunferencial total. Esses
pacientes são tratados por derivação biliodigestiva.
Íleo biliar
O íleo biliar é uma obstrução intestinal ileal por
cálculo biliar.
Um cálculo grande na vesícula pode ulcerar a
parede, assim como na Síndrome de Mirizzi, e
estabelecer uma fístula que aponta para o
duodeno.
Uma vez estabelecida uma fístula
colecistoduodenal, cálculos da vesícula biliar
atingem a luz intestinal. Na luz, esses cálculos vão
crescendo (como uma bola de neve) e podem
causar uma obstrução, tipicamente no íleo
terminal.
Manifestações clínicas
Obstrução intestinal ao nível do íleo, com parada
de eliminação de flatos e fezes, distensão
abdominal, RHA aumentados, náuseas e vômitos.
O paciente apresenta sinais compatíveis com
colecistolitíase sintomática prévia.
Diagnóstico
O paciente deve ser investigado e abordado
inicialmente como uma obstrução intestinal:
jejum, sonda nasogástrica aberta, hidratação e
exames radiográficos do abdome. São os achados
radiológicos à radiografia simples ou tomografia do
abdome que apontam para o íleo biliar.
Tríade de Rigler (achado radiológico característico
do íleo biliar): aerobilia (presença de gás na via
biliar, decorrente da fístula ao duodeno) +
obstrução de alças do delgado (dilatação central,
empilhamento de moedas) + cálculo biliar ectópico
(presença de imagem ovalada compatível com
cálculo, na fossa ilíaca direita).
Tratamento
Uma vez vista a Tríade de Rigler, o tratamento é
cirúrgico: laparotomia/laparoscopia exploradora
com enterotomia e retirada do cálculo.
A opção de se realizar colecistectomia e tratar a
fístula colecistoduodenal ao mesmo tempo
cirúrgico é controversa.
Pólipos
Pólipos de vesícula biliar são normalmente
assintomáticos. Seu diagnóstico ocorre em exames
ultrassonográficos abdominais evidenciando
imagem fixa e séssil, seja em busca de
colecistolitíase ou realizados por outra indicação.
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Sua abordagem depende do seu tamanho e da
presença de cálculos associados (para analisar se
há risco aumentado de malignidade).
● Pólipos pequenos serão apenas acompanhados.
● Pólipos grandes (> 1 cm) ou crescendo, mesmo
sem cálculos, ou pólipos (de qualquer tamanho)
acompanhados de cálculos são considerados de
alto risco para malignidade associado. Esses
deverão ser submetidos à colecistectomia.
Neoplasia da vesícula biliar no anatomopatológico
Neoplasias iniciais, limitadas à lâmina própria
(T1a), foram adequadamente tratadas já pela
colecistectomia e devem ser apenas
acompanhadas.
Lesões mais avançadas localmente, acometendo
pelo menos a camada muscular (T1b), devem ser
submetidas a uma radicalização do tratamento:
ressecar os portais, estender a ressecção do leito
hepático (segmentos 4b e 5) e linfadenectomia.
Lesões de vias biliares
O principal temor de uma colecistectomia é a lesão
da via biliar comum (hepato-colédoco e ductos
biliares hepáticos). Elas podem ocorrer de forma
direta (secção ou queimadura) ou indireta
(desvascularização e isquemia).
As vias biliares dependem muito da irrigação
arterial. Quando há lesão arterial, é uma
associação típica à presença combinada de lesão
biliar, tanto por anatomia quanto por isquemia.
Do ponto de vista fisiopatológico e clínico, haverá
vazamento biliar (fístula) e/ou estreitamento biliar
(estenose).
Como ocorre no pós-operatório, denomina-se
lesão iatrogênica das vias biliares.
Todo fator que prejudica uma segura dissecção do
hilo colecístico aumenta a chance de ocorrerem;
destaque para inflamação exuberante.
Prevenção: recomenda-se dissecção cuidadosa do
trígono de colecistectomia (Calot), segundo os
Princípios de Segurança de Strasberg (dissecção de
todas as partes moles do hilo da vesícula biliar
completo, antes de qualquer ligadura,
identificando-se 2 estruturas corretamente: o
ducto cístico e a artéria cística).
Se a visão crítica de segurança de Strasberg não for
alcançável, as estratégias são:
-- colangiografia intraoperatória.
-- colecistecomia parcial (subtotal, ou a Torek).
Manifestações no intraoperatório: suspeita-se com
dissecção insegura e/ou vazamento biliar, e
diagnostica-se com colangiografia intraoperatória;
Manifestações no pós-operatório: suspeita-se
fístula ou de coleção biliar (fístula), ou colestase ou
colangite (estenose), e diagnostica-se com
colangiorressonância.
Tratamento para fístulas: intraoperatório= reparo
cirúrgico e drenagem da cavidade ou derivação
biliodigestiva.
Tratamento para estenoses: Dilatação e prótese
por endoscopia (CPRE) ou radiologia
intervencionista (percutânea). Biliodigestiva se
falha.