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Artrite Reumatoide

Resumo clínico sobre artrite reumatoide. Aborda epidemiologia, fisiopatologia (sinovite, pannus), etiologia (fatores genéticos, tabagismo), quadro articular, sistêmico e extra‑articular, deformidades e nódulos, além de critérios diagnósticos, sorologia (FR, anti‑CCP) e exames de imagem.

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Doença reumatoide – pois é uma doença 
sistêmica, não acomete apenas as articulações. 
Pode comprometer alguns órgãos, gerar sintomas 
sistêmicos (febre, astenia, indisposição) – 
diferente da osteoartrite, que gera o processo 
inflamatório apenas na articulação, não tem 
repercussão sistêmica 
É uma das doenças mais comuns (chega a ser 1% 
da população). É uma doença crônica e 
potencialmente incapacitante (se não for tratada 
precoce ou adequadamente). É uma doença 
destrutiva para a articulação. É mais comum em 
mulheres (assim como a maioria das doenças 
imunes). A faixa etária mais acometida é a meia 
idade (30 a 50 anos). Na criança (abaixo dos 16 
anos), chama de artrite idiopática juvenil (é outra 
doença). É uma doença de alto custo 
• Fisiopatologia 
A membrana sinovial é a principal estrutura 
acometida (a principal alteração da AR é uma 
sinovite). Tem ação de células B e T autorreativas, 
que vão levar à sinovite e vai gerar um processo 
desorganizado de destruição e remodelação óssea 
PANNUS – processo inflamatório intenso levando 
ao espessamento da sinóvia na membrana sinovial 
(consegue até palpar) 
É um processo inflamatório sistêmico 
• Etiologia 
Não tem uma causa única, é uma doença 
multifatorial. Geralmente tem fatores genéticos 
(pacientes predispostos) e ambientais envolvidos. 
Um dos principais fatores ambientais é o 
tabagismo (pacientes fumantes podem ser mais 
graves; o tabagismo é um gatilho para o 
desenvolvimento da doença, além de ser um 
agravante), além de infecções virais e bacterianas 
(porque levam a uma desregulação do sistema 
imunológico) 
• Quadro clínico 
- Articular – artrite envolvendo, principalmente, as 
articulações da mão (interfalangeanas proximais, 
metacarpofalangeanas e dos punhos, poupando as 
interfalangeanas distais), mas pode desenvolver 
em todo o corpo (menos comum na coluna, mas 
pode acometer a cervical em pacientes com muito 
tempo de doença). Normalmente, se apresenta 
como poliartrite (> 4 articulações) crônica (mais de 
6 semanas de evolução), simétrica, aditiva 
- Sistêmico – febre (ou sensação de febre), 
indisposição, fadiga 
- Extra-articular – pulmão (órgão alvo), 
cardiovascular (órgão alvo; alta mortalidade, pois 
está associada com placas ateroscleróticas – 
atentar ao uso de corticoides, avaliar perfil lipídico 
e glicemia), ocular (olho seco – síndrome de 
Sjorgen secundária -, esclerite), osteoporose 
(atentar ao uso de corticoide) 
Edema nas interfalangeanas proximais 
(consistência fibroelástica, borrachuda) 
Mão reumatoide. Deformidades típicas da doença 
– Edema nos punhos, atrofia na região dorsal 
(atrofia dos interósseos), aumento das 
metacarpofalangeanas, desvio ulnar 
Radiografia de paciente com doença avançada. 
Desvio ulnar, anquilose (redução dos ossos do 
carpo) – paciente não consegue fazer flexão e 
extensão do punho. Redução de espaço das 
articulações metacarpofalangeanas, esclerose 
(osteoartrite secundária a AR) 
Artrite Reumatoide 
Kamile Ferreira - M42 
Nódulos reumatoides – fibroelásticos; são 
infiltrados linfocíticos; não tem indicação de tirar; 
significa mal prognóstico; podem aparecer em 
outros órgãos 
Pescoço de cisne (hiperextensão da 
interfalangeana proximal com flexão da 
interfalangeana distal) e dedo em botoeira (flexão 
da proximal e extensão da distal) 
Dedos em botoeira, além de vasculites 
reumatoides com presença de púrpuras 
• Diagnóstico 
O diagnóstico é clínico 
Existem alguns critérios que ajudam a diagnosticar 
(principalmente em casos de dúvidas) – engloba 
envolvimento articular, sorologia, provas de 
atividades inflamatórias e duração de sintomas -> 
acima de 6 pontos -> fecha critério 
- Exames laboratoriais – Não são necessários para 
diagnóstico, pois alguns pacientes não têm 
alteração desses anticorpos 
Fator reumatoide (confirma diagnóstico e pode 
avaliar prognóstico; se der negativo, não exclui o 
diagnóstico) e Anti-CCP (não tem acesso fácil ao 
anti-CCP porque é caro; paciente com clínica 
compatível, mas FR negativo -> pode pedir anti-
CCP, mas se o paciente tiver clínica muito 
sugestiva, o anti-CCP negativo também não exclui 
diagnóstico) 
A especificidade do anti-CCP é maior (a 
sensibilidade dos dois exames é parecida - baixa), 
por isso é mais utilizado em pacientes com AR 
inicial 
A especificidade do fator reumatoide não é muito 
alta (pode dar falsos positivos – pode positivar e o 
paciente não ter AR) 
- Exames de imagem – mais usados em dúvidas 
diagnósticas; mais pedidos quando o FR e o anti-
CCP são negativos, mas ainda tem dúvida 
diagnóstica 
Raio-X – visualiza erosões 
USG Power Doppler – avalia a sinóvia das 
articulações das mãos (vê se tem processo 
inflamatório); não é tão acessível; avalia a resposta 
ao tratamento 
RNM – consegue ver se tem sinovite nas mãos 
Presença de erosão no estiloide da ulna (muito 
sugestivo de AR) 
Esclerite. 
Paciente deve 
ir ao 
oftalmologista 
 
Isquemia 
devido 
vasculite 
reumatoide 
Sinovite intensa no punho (partes brancas 
significam processo inflamatório) 
Manifestação pulmonar mais significativa – fibrose 
pulmonar pela AR (complicação temida da doença) 
• Tratamento 
Não tem cura, mas consegue estabilizar. Se o 
paciente conseguiu entrar em remissão, pode 
manter o(s) medicamento(s) 
Fazer rastreio de TB e outras infecções virais 
- DMARD’s – drogas modificadoras da evolução da 
doença 
Geralmente são os fármacos utilizados no início; 
são mais acessíveis (baixo custo e boa resposta) 
Metotrexato -> imunossupressor; é o principal 
medicamento; hepatotóxico, tem que monitorizar 
o paciente; geralmente, inicia com esse remédio, 
tem que ver a condição do paciente primeiro (não 
inicia se o paciente for hepatopata); tem que repor 
ácido fólico (paciente pode ter anemia devido 
inibição); tem que atingir remissão em 3 meses; 
normalmente usa corticoide em associação 
(depois vai reduzindo a dose). Se o paciente não 
melhorar, tem que trocar ou associar medicações 
Leflunomida – troca ou associa o metotrexato a 
esse medicamento quando o tratamento não 
estiver dando certo; o ideal é associar, porém a 
leflunomida também é hepatotóxica (então 
precisa monitorizar mais ainda se for associar); 
Sulfassalazina, ciclosporina, hidroxicloroquina – 
menos usados 
Se o paciente não responder, passa para outra 
etapa do tratamento (pode usar qualquer um, mas 
tem que avaliar o estado do paciente): 
- DMARD’s biológicos - 2ª linha 
Anti-tnf alfa – inibe o fator de necrose tumoral; 
tem repercussão no sistema imunológico (alguns 
pacientes estavam começando a desenvolver 
tuberculose; tem que fazer triagem para TB antes 
de começar a usar esse medicamento; pede RX ou 
PPD, se der positivo faz profilaxia; paciente com 
alto risco de TB não pode usar) 
Rituximabe (mais seguro para pacientes com alto 
risco de TB), abatacept, anti-IL 6 
- Inibidores de JAK Kinase - 2ª linha 
• Seguimento 
Clínico – DAS28 (escore mais usado; quantidade de 
articulações com edema, quantidade de 
articulações dolorosas, VHS/PCR, avaliação do 
paciente sobre a doença): objetivo é atingir abaixo 
de 2,7; problema -> quando o paciente tem 
fibromialgia e AR (tem dor em todo canto) 
Laboratorial 
Radiológico não é tão fidedigno 
Nódulos 
reumatoides 
no pulmão; 
geralmente 
não causam 
sintomas

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