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SIMULADO5 Língua Portuguesa para Profissional Transpetro (TRANSPETRO) 2023

Conjunto de questões de Língua Portuguesa com foco em concordância verbal e nominal, extraídas de provas CESGRANRIO/CEFET RJ (2014). Apresenta trechos para interpretação (texto sobre escrever e início de "Febre de liquidação") e itens de múltipla escolha.

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1001) 
Língua Portuguesa para Profissional Transpetro (TRANSPETRO) 2023
https://www.tecconcursos.com.br/s/Q31w9m
Ordenação: Por Matéria e Assunto (data)
www.tecconcursos.com.br/questoes/2320084
CESGRANRIO - Asst (CEFET RJ)/CEFET RJ/Alunos/2014
Língua Portuguesa (Português) - Concordância (Verbal e Nominal)
Escrever é fácil?
 
Para estimular crianças e jovens a escrever, há quem diga que escrever é fácil: basta pôr no papel o que
está na cabeça. Na maioria das vezes, porém, este estímulo é deveras desestimulante.
 
Há boas explicações para o desestímulo:(a) se a pessoa não consegue escrever, convencê-la de que
escrever é fácil na verdade a convence apenas da sua própria incompetência, a convence apenas de que
ela nunca vai conseguir escrever direito; não se escreve pondo no papel o que está na cabeça, sob pena
de ninguém entender nada; quem escreve profissionalmente nunca acha que escrever é fácil,(b) nem
mesmo quando escreve há muito tempo — a não ser que já escreva mecanicamente, apenas repetindo
frases e fórmulas.
 
Via de regra, nosso pensamento é caótico: funciona para alimentar nossas decisões cotidianas, mas não
funciona se for expresso, em voz alta ou por escrito, tal qual se encontra na cabeça. Para entender o
nosso próprio pensamento, precisamos expressá-lo para outra pessoa.(c) Ao fazê-lo, organizamos o
pensamento segundo um código comum e então, finalmente, o entendemos, isto é, nos entendemos.
Não à toa o jagunço Riobaldo, personagem do escritor Guimarães Rosa, dizia: professor é aquele que de
repente aprende.
 
Todo professor conhece este segredo: você entende melhor o seu assunto depois de dar sua aula sobre
ele, e não antes. Ao falar sobre o meu tema, tentando explicá-lo a quem o conhece pouco, aumento
exponencialmente a minha compreensão a respeito.(d) Motivado pelas expressões de dúvida e até de
estupor dos alunos, refino minhas explicações e, ao fazê-lo, entendo bem melhor o que queria dizer.
Costumo dizer que, passados tantos anos de profissão, gosto muito de dar aula, principalmente porque
ensinar ainda é o melhor método de estudar e compreender.
 
Ora, do mesmo jeito que ensino me dirigindo a um grupo de alunos que não conheço, pelo menos no
começo dos meus cursos, quem escreve o faz para ser lido por leitores que ele potencialmente não
conhece e que também não o conhecem. Mesmo ao escrever um diário secreto, faço-o imaginando um
leitor futuro: ou eu mesmo daqui a alguns anos, ou quem sabe a posteridade. Logo, preciso do outro e
do leitor para entender a mim mesmo e, em última análise, para ser e saber quem sou.
 
Exatamente porque esta relação com o outro, aluno ou leitor, é tão fundamental, todo professor sente
um frio na espinha quando encontra uma nova turma, não importa há quantos anos exerça o magistério.
(e)
 
Pela mesma razão, todo escritor fica “enrolando” até começar um texto novo, arrumando a escrivaninha
ou vagando pela internet, não importa quantos livros já tenha publicado. Pela mesmíssima razão, todo
aluno não quer que ninguém leia sua redação enquanto a escreve ou faz questão de colocá-la debaixo da
pilha de redações na mesa do professor, não importa se suas notas são boas ou não na matéria.
 
https://www.tecconcursos.com.br/s/Q31w9m
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/2320084
1002) 
Escrever definitivamente não é fácil, porque nos expõe no momento mesmo de fazê-lo. [...] Quem
escreve sente de repente todas as suas hesitações, lacunas e omissões, percebendo como o seu próprio
pensamento é incompleto e o quanto ainda precisa pensar. Quem escreve de repente entende o quanto a
sua própria pessoa é incompleta e fraturada, o quanto ainda precisa se refazer, se inventar, enfim: se
reescrever.
 
BERNARDO, G. Conversas com um professor de
literatura. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. Adaptado.
 
A omissão do termo com o qual o verbo concorda por já ter sido expresso anteriormente é recurso
linguístico importante para evitar a repetição desnecessária.
 
O verbo destacado concorda com sujeito expresso em outra oração no seguinte trecho:
a) “Há boas explicações para o desestímulo”.
b) “quem escreve profissionalmente nunca acha que escrever é fácil”.
c) “precisamos expressá-lo para outra pessoa”.
d) “aumento exponencialmente a minha compreensão a respeito”.
e) “quando encontra uma nova turma, não importa há quantos anos exerça o magistério”.
www.tecconcursos.com.br/questoes/2320170
CESGRANRIO - Aux (CEFET RJ)/CEFET RJ/Administração/2014
Língua Portuguesa (Português) - Concordância (Verbal e Nominal)
Texto I
 
Febre de liquidação
 
Passo em frente da vitrine. Observo um paletó quadriculado, uma calça preta e duas camisas polo,
devidamente acompanhados de um cartaz discreto anunciando a “remarcação”. Fujo apressadamente
pelos labirintos do shopping. Tarde demais, fui fisgado. Mal atinjo as escadas rolantes, inicio o caminho
de volta. O coração badala como um sino. A respiração ofegante. São os primeiros sintomas da febre por
liquidação, que me ataca cada vez que vejo uma vitrine com promessas sedutoras.
 
Atravesso as portas da loja, farejo em torno, com o mesmo entusiasmo de um leão vendo criancinhas em
um safári. No primeiro momento, tenho a impressão de que entrei numa estação de metrô. A febre já
atingiu a multidão. Os vendedores, cercados, parecem astros da Globo envoltos pelos fãs. Dou duas
cotoveladas em um dos rapazes com ar de executivos e peço o tal paletó. O funcionário explica que só
tem determinado número. Minto:
 
— Acho que é o meu.
 
Ele me observa, incrédulo. É dois algarismos menor, mas quem sabe? Acho que emagreci 100 gramas na
última semana. Experimento. Não fecha.
 
Respiro fundo e abotoo. Assim devem ter se sentido as mulheres com espartilho. Gemo, quase sem voz:
 
— Está um pouquinho apertado.
 
— É o maior que temos — diz, cruel.
 
Decido. Vou levar, apesar da barriga encolhida.
 
O vendedor arregala os olhos. Explico:
 
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/2320170
1003) 
— Estou fazendo regime. No ano que vem vai caber direitinho.
 
De qualquer maneira, só poderia usá-lo no próximo inverno. É de lã pesada, e está fazendo o maior calor.
Só de experimentar fiquei suando. [...]
 
Concordo que fui precipitado em comprar uma roupa para quando estiver magro, só para aproveitar o
preço. Meu regime dura oito anos, sem resultados visíveis.
 
Desabafo com uma amiga naturalista, que vive apregoando um modo de vida mais simples, sem muitas
posses. Ela me aconselha: Não compre mais nada. Resista. Aprendi muito quando passei a viver apenas
com o necessário. Revela, com ar culpado:
 
— Sabe, na minha fase consumista, juntei roupa para 150 anos.
 
Sorrio, solidário. Ela pergunta, por mera curiosidade, os preços da loja. Também pede o endereço.
 
Mais tarde a descubro no shopping, mergulhada na arara das blusas de lã. Febre de liquidação é pior que
gripe, dá até recaída. Com um detalhe: a gente gasta, gasta, e ainda acha que levou vantagem.
 
CARRASCO, W. O golpe do aniversariante e outras crônicas.
In: Para Gostar de Ler. São Paulo: Ática, 2005. v.20, p. 60-63.
 
A forma verbal destacada que está flexionada de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa é:
a) Walcir e sua amiga saiu correndo do shopping.
b) O relógio bateram dez horas.
c) Eu e meus amigos irão às compras.
d) Fazem dois anos que não compramos nada no shopping.
e) Havia crianças e adultos naquela loja.
www.tecconcursos.com.br/questoes/2321367
CESGRANRIO - PPNT (PETROBRAS)/PETROBRAS/Ambiental/2014
Língua Portuguesa (Português) - Concordância (Verbal e Nominal)
Árvores de araque
 
— Você está vendo alguma coisa esquisita nessa paisagem? — perguntou o meu amigo Fred Meyer. Olhei
em torno. Estávamos no jardim da residência da Embaixada do Brasil no Marrocos, onde ele vive — é o
nosso embaixador no país —, cercados de tamareiras, palmeiras e outras árvores de diferentes tipos. Um
casal de pavões se pavoneava pelo gramado, uma dezena de galinhas d’angola ciscava no chão,
passarinhos iam e vinham. No terraço da casa ao lado, onde funciona a Embaixada da Rússia,havia um
mar de parabólicas, que devem captar até os suspiros das autoridades locais. Lá longe, na distância,
mais tamareiras e palmeiras espetadas contra um céu azul de doer. Tudo me parecia normal.
 
— Olha aquela palmeira alta lá na frente. Olhei. Era alta mesmo, a maior de todas. Tinha um ninho de
cegonhas no alto.
 
— Não é palmeira. É uma torre de celular disfarçada.
 
Fiquei besta. Depois de conhecer sua real identidade, não havia mais como confundi-la com as demais;
mas enquanto eu não soube o que era, não me chamara a atenção. Passei os vinte dias seguintes me
divertindo em buscar antenas disfarçadas na paisagem. Fiz dezenas de fotos delas, e postei no Facebook,
onde causaram sensação. A maioria dos meus amigos nunca tinha visto isso; outros já conheciam de
longa data, e mencionaram até espécimes plantados no Brasil. Alguns, como Luísa Cortesão, velha amiga
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/2321367
1004) 
portuguesa que acompanho desde os tempos do Fotolog, têm posição radicalmente formada a seu
respeito: odeiam. Parece que Portugal está cheio de falsas coníferas. [...]
 
A moda das antenas disfarçadas em palmeiras começou em 1996, quando a primeira da espécie foi
plantada em Cape Town, na África do Sul; mas a invenção é, como não podia deixar de ser, Made in USA.
Lá, uma empresa sediada em Tucson, Arizona, chamada Larson Camouflage, projetou e desenvolveu a
primeiríssima antena metida a árvore do mundo, um pinheiro que foi ao ar em 1992. A Larson já tinha
experiência, se não no conceito, pelo menos no ramo: começou criando paisagens artificiais e
camuflagens para áreas e equipamentos de serviço.
 
Hoje existem inúmeras empresas especializadas em disfarçar antenas de telecomunicações pelo mundo
afora, e uma quantidade de disfarces diferentes. É um negócio próspero num mundo que quer, ao
mesmo tempo, boa conexão e paisagem bonita, duas propostas mais ou menos incompatíveis. Os custos
são elevados: um disfarce de palmeira para torre de telecomunicações pode sair por até US$ 150 mil,
mas há fantasias para todos os bolsos, de silos e caixas d’água à la Velho Oeste a campanários, mastros,
cruzes, cactos, esculturas.
 
A Verizon se deu ao trabalho de construir uma casa cenográfica inteira numa zona residencial histórica
em Arlington, Virgínia, para não ferir a paisagem com caixas de switches e cabos. A antena ficou
plantada no quintal, pintada de verde na base e de azul no alto; mas no terreno em frente há um jardim
sempre conservado no maior capricho e, volta e meia, entregadores desavisados deixam jornais e
revistas na porta. A brincadeira custou cerca de US$ 1,5 milhão. A vizinhança, de início revoltada com a
ideia de ter uma antena enfeiando a área, já se acostumou com a falsa residência, e até elogia a
operadora pela boa manutenção do jardim.
 
RONAI, C. O Globo, Economia, p. 33, 22 mar. 2014. Adaptado.
Vocabulário: de araque - expressão idiomática que signifi ca “falso”.
 
O período cujo verbo em destaque está usado de modo adequado à norma-padrão é:
a) Haviam muitas antenas naquela paisagem.
b) Existe, nos tempos de hoje, tecnologias impressionantes.
c) Chegou, depois de muito tempo de espera, meios para disfarçar antenas.
d) Somente 4% das pessoas reconhece as antenas para celular disfarçadas.
e) Surgem, a todo momento, invenções que não pensávamos ser possíveis.
www.tecconcursos.com.br/questoes/2322280
CESGRANRIO - Adm (CEFET RJ)/CEFET RJ/2014
Língua Portuguesa (Português) - Concordância (Verbal e Nominal)
O dia: 28 de novembro de 1995. A hora: aproximadamente vinte, talvez quinze para a uma da
tarde.
 
O local: a recepção do Hotel Novo Mundo, aqui ao lado, no Flamengo.
 
Acabara de almoçar com minha secretária e alguns amigos, descêramos a escada em curva que leva do
restaurante ao hall da recepção. Pelo menos uma ou duas vezes por semana cumpro esse itinerário e,
pelo que me lembre, nada de especial me acontece nessa hora e nesse lugar. É, em todos os sentidos,
uma passagem.
 
Não cheguei a ouvir o meu nome. Foi a secretária que me avisou: um dos porteiros, de cabelos brancos,
óculos de aros grossos, queria falar comigo.
 
E sabia o meu nome — eu que nunca fora hóspede do hotel, apenas um frequentador mais ou menos
regular do restaurante que é aberto a todos.
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/2322280
1005) 
 
Aproximei-me do balcão, duvidando que realmente me tivessem chamado. Ainda mais pelo nome: não
haveria uma hipótese passável para que soubessem meu nome.
 
— Sim ...
 
O porteiro tirou os óculos, abriu uma gaveta embaixo do balcão e de lá retirou o embrulho, que parecia
um envelope médio, gordo, amarrado por barbante ordinário.
 
— Um hóspede esteve aqui no último fim de semana, perguntou se nós o conhecíamos, pediu que lhe
entregássemos este envelope ...
 
— Sim ... sim ...
 
Eu não sabia se examinava o envelope ou a cara do porteiro. Nada fizera para que ele soubesse meu
nome, para que pudesse dizer a alguém que me conhecia. O fato de duas ou três vezes por semana eu
almoçar no restaurante do hotel não lhe daria esse direito. [...]
 
Passou-me o envelope, que era, à primeira vista e ao primeiro contato, aquilo que eu desconfiava: os
originais de um livro, contos, romance ou poesias, talvez história ou ensaio.
 
— Está certo ... não terei de agradecer... a menos que o nome e o endereço do interessado estejam...
 
Foi então que olhei bem o embrulho. A princípio apenas suspeitei. E ficaria na suspeita se não houvesse
certeza. Uma das faces estava subscritada, meu nome em letras grandes e a informação logo embaixo,
sublinhada pelo traço inconfundível: “Para o jornalista Carlos Heitor Cony. Em mão”.
 
Era a letra do meu pai. A letra e o modo. Tudo no embrulho o revelava, inteiro, total. Só ele faria aquelas
dobras no papel, só ele daria aquele nó no barbante ordinário, só ele escreveria meu nome daquela
maneira, acrescentando a função que também fora a sua. Sobretudo, só ele destacaria o fato de alguém
ter se prestado a me trazer aquele embrulho. Ele detestava o correio normal, mas se alguém o avisava
que ia a algum lugar, logo encontrava um motivo para mandar alguma coisa a alguém por intermédio do
portador. [...]
 
Recente, feito e amarrado há pouco, tudo no envelope o revelava: ele, o pai inteiro, com suas manias e
cheiros.
 
Apenas uma coisa não fazia sentido. Estávamos — como já disse — em novembro de 1995. E o pai
morrera, aos noventa e um anos, no dia 14 de janeiro de 1985.
 
CONY, C. H. Quase Memória: quase-romance. São Paulo: Companhia das Letras. 2001. p. 9-11.
 
A concordância nominal está de acordo com a norma-padrão na seguinte frase:
a) Anexo ao pacote, encontrei várias cartas antigas.
b) O porteiro tirou os óculos e o colocou sobre a mesa.
c) A secretária e eu terminamos o almoço meio-dia e meio.
d) Leio qualquer manuscritos que me cheguem às mãos.
e) Formulei hipóteses o mais improváveis possível sobre o caso.
www.tecconcursos.com.br/questoes/2324326
CESGRANRIO - Rev Tex (CEFET RJ)/CEFET RJ/2014
Língua Portuguesa (Português) - Concordância (Verbal e Nominal)
Texto III
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/2324326
1006) 
 
A escrita e a oralidade em tempos de novas tecnologias da comunicação
 
Contar histórias sempre foi uma tradição de todos os povos — dos mais primitivos aos mais sofisticados.
Com essas histórias evocam-se lembranças, exercita-se e revitaliza-se a memória de pessoas e,
principalmente, a coletiva. A diferença entre os povos primitivos e sofisticados não é a importância e o
prazer de contar e narrar histórias, mas o modo como essas são registradas. Grandes poetas épicos
como Horário, Virgílio, Camões, entre outros, tinham a função de coletar essas histórias e registrá-las
para preservar a memória e o período histórico de seu povo e sua nação.
 
O homem sempre contou histórias, antes mesmo de poder escrevê-las, porém o confronto entre a
cultura oral e a cultura escrita nunca deixou de existir, principalmente devido à visão preconceituosa da
sociedade “letrada”, tanto que à época da colonização todaa produção cultural dos povos ameríndios e,
posteriormente, a dos povos africanos foram desprezadas. Uma rápida análise da história da humanidade
deixa clara a importância do registro escrito na história dos povos e em suas relações. [...]
 
A memória coletiva perpassa pelas histórias orais, que também podem ser produzidas no campo do
poder, a partir de interesses pessoais e familiares. O filme de 2003, dirigido por Eliane Caffé, Narradores
de Javé, nos mostra isso. Na possibilidade de ser submerso o pequeno vilarejo de Javé pelas águas de
uma represa, os seus moradores se organizam para tentar salvá-lo. A salvação seria construir, já que não
tinham, um patrimônio histórico, que são as narrativas orais de cada morador a respeito das origens
históricas do vilarejo. [...]
 
GARCEZ, F. F. A escrita e a oralidade em tempos de novas tecnologias da
comunicação. Língua Portuguesa, n. 45. São Paulo: Escala. Adaptado.
 
Na oração Sucintas revisões das trajetórias das comunidades ágrafas revelam-se fantásticas,
o termo que obriga a flexão de gênero do adjetivo fantástica é
a) sucintas
b) revisões
c) trajetórias
d) comunidades
e) ágrafas
www.tecconcursos.com.br/questoes/2381734
CESGRANRIO - PPNS (PETROBRAS)/PETROBRAS/Administração/2014
Língua Portuguesa (Português) - Concordância (Verbal e Nominal)
Aprendo porque amo
 
Recordo a Adélia Prado: “Não quero faca nem queijo; quero é fome”. Se estou com fome e gosto de
queijo, eu como queijo... Mas e se eu não gostar de queijo? Procuro outra coisa de que goste: banana,
pão com manteiga, chocolate... Mas as coisas mudam de figura se minha namorada for mineira, gostar
de queijo e for da opinião que gostar de queijo é uma questão de caráter. Aí, por amor à minha
namorada, eu trato de aprender a gostar de queijo.
 
Lembro-me do filme “Assédio”, de Bernardo Bertolucci. A história se passa numa cidade do norte da Itália
ou da Suíça. Um pianista vivia sozinho numa casa imensa que havia recebido como herança. Ele não
conseguia cuidar da casa sozinho nem tinha dinheiro para pagar uma faxineira. Aí ele propôs uma troca:
ofereceu moradia para quem se dispusesse a fazer os serviços de limpeza.
 
Apresentou-se uma jovem negra, recém-vinda da África, estudante de medicina. Linda! A jovem fazia
medicina ocidental com a cabeça, mas o seu coração estava na música da sua terra, os atabaques, o
ritmo, a dança. Enquanto varria e limpava, sofria ouvindo o pianista tocando uma música horrível: Bach,
Brahms, Debussy... Aconteceu que o pianista se apaixonou por ela. Mas ela não quis saber de namoro.
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/2381734
1007) 
Achou que se tratava de assédio sexual e despachou o pianista falando sobre o horror da música que ele
tocava.
 
O pobre pianista, humilhado, recolheu-se à sua desilusão, mas uma grande transformação aconteceu: ele
começou a frequentar os lugares onde se tocava música africana. Até que aquela música diferente entrou
no seu corpo e deslizou para os seus dedos. De repente, a jovem de vassoura na mão começou a ouvir
uma música diferente, música que mexia com o seu corpo e suas memórias... E foi assim que se iniciou
uma estória de amor atravessado: ele, por causa do seu amor pela jovem, aprendendo a amar uma
música de que nunca gostara, e a jovem, por causa do seu amor pela música africana, aprendendo a
amar o pianista que não amara. Sabedoria da psicanálise: frequentemente, a gente aprende a gostar de
queijo por meio do amor pela namorada que gosta de queijo...
 
Isso me remete a uma inesquecível experiência infantil. Eu estava no primeiro ano do grupo. A
professora era a dona Clotilde. Ela fazia o seguinte: sentava-se numa cadeira bem no meio da sala, num
lugar onde todos a viam — acho que fazia de propósito, por maldade —, desabotoava a blusa até o
estômago, enfiava a mão dentro dela e puxava para fora um seio lindo, liso, branco, aquele mamilo
atrevido... E nós, meninos, de boca aberta... Mas isso durava não mais que cinco segundos, porque ela
logo pegava o nenezinho e o punha para mamar. E lá ficávamos nós, sentindo coisas estranhas que não
entendíamos: o corpo sabe coisas que a cabeça não sabe.
 
Terminada a aula, os meninos faziam fila junto à dona Clotilde, pedindo para carregar sua pasta. Quem
recebia a pasta era um felizardo, invejado. Como diz o velho ditado, “quem não tem seio carrega
pasta”... Mas tem mais: o pai da dona Clotilde era dono de um botequim onde se vendia um doce
chamado “mata-fome”, de que nunca gostei. Mas eu comprava um mata-fome e ia para casa comendo o
mata-fome bem devagarzinho... Poeticamente, trata-se de uma metonímia: o “mata-fome” era o seio da
dona Clotilde...
 
Ridendo dicere severum: rindo, dizer as coisas sérias... Pois rindo estou dizendo que frequentemente se
aprende uma coisa de que não se gosta por se gostar da pessoa que a ensina. E isso porque — lição da
psicanálise e da poesia — o amor faz a magia de ligar coisas separadas, até mesmo contraditórias. Pois a
gente não guarda e agrada uma coisa que pertenceu à pessoa amada? Mas a “coisa” não é a pessoa
amada! “É sim!”, dizem poesia, psicanálise e magia: a “coisa” ficou contagiada com a aura da pessoa
amada.
 
[...]
 
A dona Clotilde nos dá a lição de pedagogia: quem deseja o seio, mas não pode prová-lo, realiza o seu
amor poeticamente, por metonímia: carrega a pasta e come “mata-fome”...
 
ALVES, R. O desejo de ensinar e a arte de aprender. São Paulo: Fundação Educar, 2007. p. 30.
 
A concordância verbal NÃO está em consonância com a norma-padrão em:
a) A maior parte dos alunos admiram seus professores.
b) Fazem anos que a educação brasileira tem buscado novos métodos.
c) Não sou dos que acreditam em uma educação tradicional.
d) Foi dona Clotilde quem despertou o desejo dos alunos por aprender.
e) Prezar e amar é fundamental para o processo de ensino- aprendizagem.
www.tecconcursos.com.br/questoes/348011
CESGRANRIO - TA (ANP)/ANP/2016
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Banhos de mar
 
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/348011
1008) 
Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão feliz
quanto naquelas temporadas de banhos em Olinda, Recife.
 
Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como
explicar o que eu sentia de presente prodigioso em sair de casa de madrugada e pegar o bonde vazio
que nos levaria para Olinda ainda na escuridão?
 
De noite eu ia dormir, mas o coração se mantinha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu
acordava às quatro e pouco da madrugada e despertava o resto da família. Nós nos vestíamos depressa
e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que assim devia ser: em jejum.
 
Saímos para uma rua toda escura, recebendo a brisa da pré-madrugada. E esperávamos o bonde. Até
que lá de longe ouvíamos o seu barulho se aproximando. Eu me sentava bem na ponta do banco, e
minha felicidade começava. Atravessar a cidade escura me dava algo que jamais tive de novo. No bonde
mesmo o tempo começava a clarear, e uma luz trêmula de sol escondido nos banhava e banhava o
mundo.
 
Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a passagem pelo campo com os bichos-de-pé: “Olhe, um
porco de verdade!” gritei uma vez, e a frase de deslumbramento ficou sendo uma das brincadeiras da
minha família, que de vez em quando me dizia rindo: “Olhe, um porco de verdade.”
 
Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem diária me tornava uma criança completa de alegria. E me
serviu como promessa de felicidade para o futuro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me
agarrava, dentro de uma infância muito infeliz, a essa ilha encantada que era a viagem diária.
 
LISPECTOR, C. A Descoberta do Mundo. São Paulo: Rocco, 1999, p. 175. Adaptado.
 
Considere-se a seguinte passagem do Texto, que está construída na voz ativa e tem verbo transitivo: “Eu
olhava tudo”
 
O mesmo tipo de construção ocorre em:
a) O apelido de Clarice Lispector era Flor-de-Lis.
b) Clarice virou cidadã brasileira no ano de1943.
c) Clarice é uma das escritoras mais importantes de nossa literatura.
d) O prêmio literário Jabuti foi duas vezes concedido a Clarice Lispector.
e) Os editores da época recusaram os textos muito reflexivos de Clarice.
www.tecconcursos.com.br/questoes/212807
CESGRANRIO - PPNT (PETROBRAS)/PETROBRAS/Exploração de
Petróleo/Geodésia/2014
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Não é meu
(...)
Quando Trotsky caiu em desgraça(a) na União Soviética, sua imagem foi literalmente apagada de
fotografias dos líderes da revolução, dando início a uma transformação também revolucionária do
conceito de fotografia: além de tirar o retrato de alguém, tornou-se possível tirar alguém do retrato.
A técnica usada para eliminar o Trotsky das fotos foi quase tão grosseira — comparada com o que se faz
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/212807
1009) 
hoje — quanto a técnica usada para eliminar o Trotsky em pessoa (um picaretaço, a mando do Stalin).
 
Hoje não só se apagam como se acrescentam pessoas(b) ou se alteram suas feições, sua idade e sua
quantidade de cabelo e de roupa, em qualquer imagem gravada.
A frase “prova fotográfica” foi desmoralizada para sempre, agora que você pode provar qualquer coisa
fotograficamente.
Existe até uma técnica para retocar a imagem em movimento, e atrizes preocupadas com suas rugas ou
manchas não precisam mais carregar na maquiagem(c) convencional — sua maquiagem é feita
eletronicamente, no ar.
Nossas atrizes rejuvenescem a olhos vistos a cada nova novela (...).O fotoxópi é um revisor da Natureza.
Lembro quando não existia fotoxópi(d) e recorriam à pistola, um borrifador à pressão de tinta, para
retocar as imagens.
Se a prova fotográfica não vale mais nada nestes novos tempos inconfiáveis, a assinatura muito menos.
Textos assinados pela Martha Medeiros, pelo Jabor, por mim e por outros, e até pelo Jorge Luís Borges,
que nenhum de nós escreveu — a não ser que o Borges esteja mandando matérias da sua biblioteca
sideral sem que a gente saiba(e) —, rolam na internet, e não se pode fazer nada a respeito a não ser
negar a autoria — ou aceitar os elogios, se for o caso.
Agora mesmo está circulando um texto atacando o “Big Brother Brasil”, com a minha assinatura, que não
é meu. Isso tem se repetido tanto que já começo a me olhar no espelho todas as manhãs com alguma
desconfiança. Esse cara sou eu mesmo? E se eu estiver fazendo a barba e escovando os dentes de um
impostor, de um eu apócrifo? E — meu Deus — se esta crônica não for minha e sim dele?!
VERISSIMO, L. F. Não é meu. Disponível em: <http:// oglobo.globo.com/pais
/noblat/posts/2011/01/30/ nao-meu-359850.asp>. Acesso em: 1 set. 2012. Adaptado.
 
O exemplo do texto em que o verbo concorda com sujeito na voz passiva é:
a) “Quando Trotsky caiu em desgraça” 
b) “Hoje não só se apagam como se acrescentam pessoas” 
c) “atrizes preocupadas com suas rugas ou manchas não precisam mais carregar na maquiagem” 
d) “quando não existia fotoxópi” 
e) “sem que a gente saiba” 
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CESGRANRIO - Eng Jr (LIQUIGÁS)/LIQUIGÁS/Elétrica/2014
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Sobre Marte, os drones e vidas humanas
Na missão espacial mais ambiciosa dos últimos tempos, o robô Curiosity pousou recentemente no solo
marciano, um ambiente inóspito para seres humanos. A imagem da conquista de um planeta longínquo
por uma máquina reúne dois sonhos de ficção científica — a criação de robôs e a exploração espacial. O
robô que pousou em Marte é apenas o exemplo mais recente e eloquente de uma realidade que há
tempos já saiu dos livros e filmes para entrar em nosso dia a dia. Há mais de 8 milhões de robôs aqui
mesmo na Terra, em atividades tão distintas quanto aspirar o pó da sala, auxiliar médicos em cirurgias
delicadas, dirigir automóveis, vigiar as fronteiras e — em seu uso mais controverso — matar inimigos em
conflitos armados.
Na verdade, sem que o percebamos, os robôs começam a tomar conta de diferentes aspectos da nossa
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1010) 
vida. Até que ponto devemos delegar a máquinas tarefas que consideramos essencialmente humanas ou
mesmo a tomada de decisões que envolvem vidas e valores fundamentais? Qual o risco representado
pelos drones, os aviões que, comandados à distância, conseguem exterminar o inimigo com elevado grau
de precisão? Que tipo de aplicação essa nova realidade tem sobre a sociedade e sobre a visão que temos
de humanidade?
Tais questões representam um dos maiores desafios que deveremos enfrentar neste século. Seria um
despropósito deixar de aproveitar as conquistas da robótica para aperfeiçoar atividades tão necessárias
quanto a medicina, o policiamento ou mesmo a limpeza doméstica. Mas também seria ingênuo acreditar
que máquinas ou robôs podem um dia nos substituir em decisões complexas, que envolvem menos um
cálculo racional e mais emoções ou crenças. Para o futuro, prenunciam-se perguntas mais difíceis, mais
desafiadoras — e até ameaçadoras — do que aquelas relativas ao uso de drones. Perguntas cuja
resposta nenhum robô poderá dar.
GUROVITZ, Hélio. Revista Época, 13 ago. 2012, p. 8. Adaptado.
 
No trecho “Para o futuro, prenunciam-se perguntas mais difíceis, mais desafiadoras — e até ameaçadoras
— do que aquelas relativas ao uso de drones.” ( l. 14-15), o verbo prenunciar foi utilizado no plural
por se tratar de uma construção de passiva pronominal com sujeito também no plural.
O mesmo procedimento é adotado no verbo destacado em:
a) Para conquistar posição de vanguarda na corrida espacial, obedecem-se a princípios básicos de
inovação tecnológica.
b) Na missão espacial ao solo marciano, ambiente inóspito aos humanos, assistiram-se a episódios
inesquecíveis.
c) Nos livros e filmes de ficção científica do século passado, falavam-se de robôs como uma
possibilidade muito próxima e viável.
d) Com o avanço das pesquisas em robótica nas últimas décadas, delegam-se atividades
eminentemente humanas às máquinas.
e) Para evitar que o crescimento da robótica provoque distorções incontroláveis, necessitam-se de
leis protecionistas.
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CESGRANRIO - AC (IBGE)/IBGE/Geoprocessamento/2014
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Comércio ambulante: sob as franjas do sistema
Definir uma política para a economia informal – ou mais especificamente para o comércio ambulante –
significa situá-la em contextos de desigualdade, entendendo de que maneira ela se relaciona com a
economia formal e de que forma ela é funcional para a manutenção dos monopólios de poder político e
econômico. Dependendo do contexto, o poder público formula políticas considerando o caráter provisório
do trabalho informal, justificando políticas de formalização com a crença de uma possível “erradicação”
da informalidade.
Desse ponto de vista, a falta de um plano municipal para o comércio ambulante nas grandes cidades é
emblemática. Trata-se de um sinal que aponta que o comércio ambulante é visto como política
compensatória, reservada a alguns grupos(a) com dificuldades de entrada no mercado de trabalho, como
deficientes físicos, idosos e, em alguns países, veteranos de guerra. Entretanto, a realidade do comércio
ambulante em São Paulo mostra que essa atividade é uma alternativa consolidada para uma parcela
importante dos ocupados que não se
enquadram em nenhuma das três categorias acima. [...]
Há políticas que reconhecem a informalidade como exceção permanente do capitalismo(b) e que
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/277463
1011) 
acreditam que somente podem “gerenciá-la” ou “domesticá-la” se determinada atividade não gerar
conflitos e disputas entre setores da sociedade. Nessa concepção, “gerenciar” a informalidade significa
tolerá-la(c), limitando-a arbitrariamente a um número ínfimo de pessoas que podem trabalhar de forma
legalizada, deixando um grande contingente de trabalhadores à mercê da falta de planejamento e
vulnerável à corrupção e à violência.Esse perfil de “gestão da exceção” delimita a inclusão de poucos e
se omite no planejamento para muitos. No caso de São Paulo, o número de licenças de trabalho
vigentes, por exemplo, corresponde no ano de 2013 a apenas 2,5% do contingente total de
trabalhadores ambulantes. Em Nova York, apesar de toda a gestão militarizada e excludente, o
percentual é de 20%.
 
Dentro desse raciocínio, “domesticar” a informalidade significa destinar ao comércio ambulante apenas
alguns espaços na cidade(d), mas somente os que não confrontem a lógica de reprodução do capital e,
consequentemente, a imagem que se quer manter dos espaços em valorização imobiliária. Não só
trabalhadores ambulantes, como catadores de material reciclável, moradores de habitações precárias e
população em situação de rua são obrigados a ocupar espaços distantes dos vetores de reconfiguração
urbana e dos megaeventos corporativos e midiáticos. A “demarcação” de terras onde eles podem estar,
trabalhar ou circular passa a ser não uma política afirmativa do direito à cidade, mas do deslocamento
dessa população para longe das vistas do “progresso” e do “moderno”. [...]
Em resumo, a ausência de políticas de inclusão é em si uma política. Em algumas das grandes cidades
brasileiras, as leis que regulam o comércio ambulante apenas aparentemente servem para incluir,
quando, na verdade, são instrumentos de exclusão dos trabalhadores das ruas.(e)
ALCÂNTARA, A.; SAMPAIO, G.; ITIKAWA, L. Comércio ambulante: sob as franjas do sistema. Disponível em:
<http://www.cartacapital. com.br/sociedade/sob-as-franjas-do-sistema-o-comercio-ambulante-nas-grandes-cidades-
325.html>. Acesso em: 26 dez. 2013. Adaptado.
 
Há omissão do agente da ação verbal pelo recurso à voz passiva em:
a) “o comércio ambulante é visto como política compensatória, reservada a alguns grupos”
b) “Há políticas que reconhecem a informalidade como exceção permanente do capitalismo”
c) “Nessa concepção, ‘gerenciar’ a informalidade significa tolerá-la”
d) “ ‘domesticar’ a informalidade significa destinar ao comércio ambulante apenas alguns espaços na
cidade”
e) “quando, na verdade, são instrumentos de exclusão dos trabalhadores das ruas”
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CESGRANRIO - Tec Adm (BNDES)/BNDES/2013
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Ciência do esporte – sangue, suor e análises
Na luta para melhorar a performance dos atletas […], o Comitê Olímpico Brasileiro tem, há dois anos, um
departamento exclusivamente voltado para a Ciência do Esporte. De estudos sobre a fadiga à compra de
materiais para atletas de ponta, a chave do êxito é uma só: o detalhamento personalizado das
necessidades.
Talento é fundamental. Suor e entrega, nem se fala. Mas o caminho para o ouro olímpico nos dias atuais
passa por conceitos bem mais profundos. Sem distinção entre gênios da espécie e reles mortais, a
máquina humana só atinge o máximo do potencial se suas características individuais forem
minuciosamente estudadas(a). Num universo olímpico em que muitas vezes um milésimo de segundo
pode separar glória e fracasso, entra em campo a Ciência do Esporte. Porque grandes campeões também
são moldados(b) através de análises laboratoriais, projetos acadêmicos e modernos programas de
computador.
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/135921
1012) 
A importância dos estudos científicos cresceu de tal forma que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) há
dois anos criou um departamento exclusivamente dedicado ao tema. [...]
— Nós trabalhamos para potencializar as chances de resultados. O que se define como Ciência do
Esporte é na verdade uma quantidade ampla de informações que são trazidas(c) para que técnico e atleta
possam utilizá-las da melhor maneira possível. Mas o líder será sempre o treinador. Ele decide o que é
melhor para o atleta — ressalta o responsável pela gerência de desenvolvimento e projetos especiais,
que cuida da área de Ciência do Esporte no COB, Jorge Bichara.
A gerência também abrange a coordenação médica do comitê. Segundo Bichara, a área de Ciência do
Esporte está dividida em sete setores: fisiologia, bioquímica, nutrição, psicologia, meteorologia,
treinamento esportivo e vídeo análise.
 
Reposição individualizada
 
Na prática, o atleta de alto rendimento pode dispor(d) desde novos equipamentos, que o deixem em
igualdade de condições de treino com seus principais concorrentes, até dados fisiológicos que indicam o
tipo de reposição ideal a ser feita(e) após a disputa.
 
— No futebol feminino, já temos o perfil de desgaste de cada atleta e pudemos desenvolver técnicas
individuais de recuperação. Algumas precisam beber mais água, outras precisam de isotônico — explica
Sidney Cavalcante, supervisor de Ciência do Esporte do comitê. […]
 
As Olimpíadas não são laboratório para testes. É preciso que todas as inovações, independentemente da
modalidade, estejam testadas e catalogadas com antecedência. Bichara afirma que o trabalho da área de
Ciências do Esporte nos Jogos pode ser resumida em um único conceito:
 
— Recuperação. Essa é a palavra-chave. […]
 
CUNHA, Ary; BERTOLDO, Sanny. Ciência do esporte – sangue, suor e análises. O Globo, Rio de Janeiro, 25 maio
2012.
O Globo Olimpíadas - Ciência a serviço do esporte, p. 6.
 
O texto traz inúmeros exemplos de voz passiva.
 
Que trecho, ao contrário, traz a forma verbal na voz ativa?
a) “forem minuciosamente estudadas”
b) “também são moldados”
c) “que são trazidas”
d) “pode dispor”
e) “a ser feita”
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CESGRANRIO - PPNS (PETROBRAS)/PETROBRAS/Administração/2012
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Texto I
O gigolô das palavras
Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão,
designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável
para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta
coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/220593
oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa (“Culpa da
revisão! Culpa da revisão!”). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos
tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo
errado? Não. Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada
exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais
gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é
escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo, mas é claro,
certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover… Mas aí
entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o
esqueleto da língua. [...] É o esqueleto que nos traz de pé, mas ele não informa nada, como a Gramática
é a estrutura da língua, mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em
Gramática pura.
Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a
Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas –
isso eu disse – vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão dispensável que eu ganho a vida
escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas
custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu
conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço
delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me
deixo dominar por elas. [...]
Um escritor que passasse a respeitara intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente
quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel.
VERISSIMO, Luis Fernando. O gigolô das palavras. In: LUFT, Celso Pedro. Língua e liberdade: por uma nova
concepção de língua materna e seu ensino. Porto Alegre: L&PM, 1985. p. 36. Adaptado.
 
Texto II
Aula de português
A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, equipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.
 
ANDRADE, Carlos Drummond de. Aula de português. In: Reunião: 10 livros de poesia. Rio de Janeiro: José
Olympio Editora, 1974. p. 81.
 
1013) 
No Texto I, a frase “os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse” apresenta voz passiva
pronominal no trecho em destaque.
A seguinte frase apresenta idêntico fenômeno:
a) Necessita-se de muito estudo para a realização das provas.
b) É-se bastante exigente com Língua portuguesa nesta escola.
c) Vive-se sempre em busca de melhores oportunidades.
d) Acredita-se na possibilidade de superação do aluno.
e) Criou-se um método de estudo diferente no curso.
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CESGRANRIO - PPNS (PETROBRAS)/PETROBRAS/Geofísica/Geologia/2012
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Texto I
 
O sonho do livre comércio acabou?
 
Era uma vez um mundo que negociava a abertura dos mercados. Ele ficou lá atrás, na década passada, e
deu lugar à desglobalização
 
O cidadão brasileiro que gosta de desfrutar o que há de bom e barato na indústria mundial, de
eletrônicos a vinhos, passando por roupas e calçados, talvez não tenha percebido, mas uma guerra se
aproxima. Há séculos, ocorre um embate entre os interessados em abrir mercados – por meio do livre-
comércio de bens e serviços entre países – e os interessados em fechá-los. Nas últimas décadas, os
advogados do livre-comércio pareciam em vantagem, suficiente até para que os protecionistas temessem
o que chamavam de excessos da globalização. Veio a crise, e os dois lados acreditavam que, assim que
ela fosse embora, retomariam a discussão do ponto em que haviam parado. Estavam errados. A crise,
somada ao impressionante nível de agressividade e competência da China e de outros países asiáticos na
conquista de mercados, mudou as perspectivas para o restante do século XXI. O mundo deverá se
aproximar, nos próximos anos, não de um paraíso global das compras, mas sim de um campo minado de
batalhas comerciais intermináveis. Bem-vindo à era da desglobalização.
 
Num cenário em que a crise e os países asiáticos mudam o jogo, as nações esquecem as negociações
sobre abertura comercial e passam a defender seus mercados contra os estrangeiros. Como resultado,
todos perdem. Nas batalhas comerciais, usa-se, hoje, um arsenal variado, que inclui subsídios diretos a
empresas selecionadas; barreiras que atendem a supostos padrões ambientais mais elevados; e
restrições às compras que os governos podem fazer. Ao todo, 122 medidas protecionistas foram adotadas
pelos 20 maiores países do mundo entre outubro de 2010 e abril passado, em comparação com as 54 no
período anterior.
 
Em um relatório publicado no primeiro semestre, a OMC concluiu que o alto desemprego nos países
desenvolvidos fortalecerá os que defendem o fechamento dos mercados e o isolamento de produtos e
trabalhadores estrangeiros. A desglobalização se torna um cenário assustador e cada vez mais plausível.
Se estivermos mesmo nesse caminho, quais as consequências para o mundo?
 
CORONATO, M.; CÂNDIDO, K.; CORNACHIONE, D.
Revista Época. São Paulo: Abril. n. 697, 26 set. 2011.
p. 64-70. Adaptado.
 
 
Na língua portuguesa, uma das formas de expressar a voz passiva é por meio de verbo na terceira
pessoa do singular ou do plural, acompanhado pelo pronome apassivador se, constituindo o que se
chama de voz passiva sintética, como pode ser observado no seguinte trecho do Texto I:
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/1345519
1014) 
 
“Nas batalhas comerciais, usa-se, hoje, um arsenal variado, que inclui subsídios diretos a empresas
selecionadas.” 
 
A construção de voz passiva sintética pode ser encontrada nas seguintes frases, EXCETO em:
a) Com o aumento da dívida pública, gerou-se enorme desgaste na credibilidade do governo
americano.
b) Na luta por resistir à crise econômica, combate-se o desemprego em todos os países, mesmo nas
grandes potências.
c) Para conter o excesso de globalização, precisa-se de uma série de medidas protecionistas rígidas e
abrangentes.
d) Nas últimas décadas, perde-se uma batalha comercial a cada dia, devido a barreiras econômicas e
subsídios fiscais.
e) Nos dias atuais, para resistir à redistribuição do poder, provoca-se uma crise artificial de
proporções assustadoras.
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CESGRANRIO - PB (BNDES)/BNDES/Administração/2011
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Texto
A REDESCOBERTA DO BRASIL
 
Na segunda metade do século XVI, quando o rei D. Manoel, o capitão-mor Pedro Álvares Cabral e o
escrivão Pero Vaz de Caminha já estavam mortos havia mais de duas décadas, começaria a surgir em
Lisboa a tese de que o Brasil fora descoberto por acaso. Tal teoria foi obra dos cronistas e historiadores
oficiais da corte. [...]
Embora narrassem fatos ocorridos havia apenas meio século(a) e tivessem acesso aos arquivos oficiais,
os cronistas reais descreveram o descobrimento do Brasil com base na chamada Relação do Piloto
Anônimo. A questão intrigante é que em nenhum momento o "piloto anônimo" faz menção à tempestade
que, segundo os cronistas reais, teria feito Cabral "desviar- se" de sua rota. Embora a carta de Caminha
não tenha servido de fonte(b) para os textos redigidos pelos cronistas oficiais do reino, esse documento
também não se refere a tormenta alguma. Pelo contrário: mesmo quando narra o desaparecimento da
nau de Vasco de Ataíde, ocorrido duas semanas depois da partida de Lisboa, Caminha afirma
categoricamente que esse navio sumiu "sem que houvesse tempo forte ou contrário para poder ser".
Na verdade, a leitura atenta da carta de Caminha e da Relação do Piloto Anônimo parece revelar que
tudo na viagem de Cabral decorreu na mais absoluta normalidade e que a abertura de seu rumo para
oeste foi proposital. De fato, é difícil supor que a frota pudesse ter-se desviado "por acaso" de sua rota
quando se sabe – a partir das medições astronômicas feitas por Mestre João – que os pilotos de Cabral
julgavam estar ainda mais a oeste do que de fato estavam. [...]
 
Reescrevendo a História
 
Mais de 300 anos seriam necessários até que alguns dos episódios que cercavam o descobrimento do
Brasil pudessem começar a ser, eles próprios, redescobertos. O primeiro passo foi o ressurgimento da
carta escrita por Pero Vaz de Caminha – que por quase três séculos estivera perdida(c) em arquivos
empoeirados. [...] O documento foi publicado pela primeira vez em 1817, pelo padre Aires do Casal, no
livro Corografia Brazílica. Ainda assim, a versão lançada por Aires do Casal era deficiente e incompleta
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/80932
1015) 
[...]. A "redescoberta" do Brasil teria que aguardar mais algumas décadas.
Não por coincidência, ela se iniciou no auge do Segundo Reinado. Foi nesse período cheio de glórias que
o país, enriquecido pelo café, voltou os olhos para a própria história. Por determinação de D. Pedro II, o
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (fundado em 1838) foi incumbido de desvendar os mistérios
que cercavam o descobrimento do Brasil. [...]
Ainda assim, a teoria da intencionalidade [...] e a tese da descoberta casual [...] não puderam, e talvez
jamais possam, ser definitivamentecomprovadas(d). Por mais profundas e detalhadas que sejam(e) as
análises feitas sobre os três únicos documentos originais relativos à viagem (as cartas de Pero Vaz de
Caminha, do Mestre João e do "piloto anônimo"), elas não são suficientes para provar se o
descobrimento de Cabral obedeceu a um plano preestabelecido ou se foi meramente casual.
BUENO, Eduardo. A Viagem do Descobrimento. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998. (Coleção Terra Brasilis, v. 1). p.
127-130. Adaptado.
O verbo em negrito é o verbo principal da expressão na voz passiva em "O documento foi publicado
pela primeira vez em 1817...". Integra igualmente uma expressão da voz passiva o item destacado em:
a) "Embora narrassem fatos ocorridos havia apenas meio século [...]"
b) "Embora a carta de Caminha não tenha servido de fonte [...]"
c) "[...] por quase três séculos estivera perdida [...]"
d) "[...] não puderam [...] ser definitivamente comprovadas"
e) "Por mais profundas e detalhadas que sejam [...]"
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CESGRANRIO - PPNS (PETROBRAS)/PETROBRAS/Direito/2011
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Texto II
 
PALAVRA PEJORATIVA
 
O uso do termo “diferenciada” com sentido negativo ressuscita o preconceito de classe
 
“Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Drogados, mendigos, uma gente
diferenciada.” As palavras atribuídas à psicóloga Guiomar Ferreira, moradora há 26 anos do bairro
Higienópolis, em São Paulo, colocaram lenha na polêmica sobre a construção de uma estação de metrô
na região, onde se concentra parte da elite paulistana. Guiomar nega ser a autora da frase. Mas a
autoria, convenhamos, é o de menos. A menção a camelôs e usuários do transporte público ressuscitou
velhos preconceitos de classe, e pode deixar como lembrança a volta de um clichê: o termo
“diferenciada”.
 
A palavra nunca fora usada até então com viés pejorativo no Brasil. Habitava o jargão corporativo e
publicitário, sendo usada como sinônimo vago de algo “especial”, “destacado” ou “diferente” (sempre
para melhor).
 
– Não me consta que já houvesse um “diferenciado” negativamente marcado. Não tenho nenhum
conhecimento de existência desse “clichê”. Parece-me que a origem, aí, foi absolutamente episódica,
nascida da infeliz declaração – explica Maria Helena Moura Neves, professora da Unesp de Araraquara
(SP) e do Mackenzie.
 
Para a professora, o termo pode até ganhar as ruas com o sentido negativo, mas não devido a um
deslizamento semântico natural. Por natural, entenda-se uma direção semântica provocada pela
configuração de sentido do termo originário. No verbo “diferenciar”, algo que “se diferencia” será bom,
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1016) 
ao contrário do que ocorreu com o verbo “discriminar”, por exemplo. Ao virar “discriminado”, implicou
algo negativo. Maria Helena, porém, não crê que a nova acepção de “diferenciado” tenha vida longa.
 
– Não deve vingar, a não ser como chiste, aquelas coisas que vêm entre aspas, de brincadeira – emenda
ela. [...]
 
MURANO, Edgard. Disponível em: <http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=12327>. Acesso em: 05 jul.
2011. Adaptado.
 
 
Segundo os compêndios gramaticais, existem duas possibilidades de escritura da voz passiva no
português.
 
Na frase abaixo, encontra-se uma delas:
 
“A palavra nunca fora usada até então com viés pejorativo no Brasil.” 
 
A outra possibilidade de escritura, na forma passiva, na qual o sentido NÃO se altera é:
a) A palavra nunca se usou até então com viés pejorativo no Brasil.
b) A palavra nunca se usara até então com viés pejorativo no Brasil.
c) A palavra nunca se tem usado até então com viés pejorativo no Brasil.
d) A palavra nunca se usava até então com viés pejorativo no Brasil.
e) A palavra nunca se usaria até então com viés pejorativo no Brasil.
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CESGRANRIO - PB (BNDES)/BNDES/Análise de Sistemas - Suporte/2010
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Além da aparência
 
"Só existem dois dias em que nada pode ser feito: um se chama ontem e o outro amanhã" - Dalai Lama.
Início de ano é sempre a mesma coisa: "Este ano vou emagrecer", "Este ano vou arranjar um bom
trabalho"(a), "Este ano vou achar o amor da minha vida", este ano, este ano... e por aí vai. Vale tudo (ou
quase tudo): roupa branca, pular sete ondas, comer lentilha, se consultar com cartomantes, tarólogos,
astrólogos que podem até nos dar uma previsão. Contudo, mais que prever o futuro é preciso concebê-
lo! Conceber o futuro é somar novos esforços àqueles já feitos anteriormente em busca de um objetivo
muito bem definido e planejado, sem esquecer que esse futuro que concebemos deve estar sempre em
congruência com nosso eu. São muitas as promessas que fazemos com o raiar de um novo ano.
A sensação que se tem é a de que ganhamos um caderno novinho em folha, com páginas em branco nas
quais escreveremos uma nova história. Mas muitos esquecem que para fazer uma vida nova(b) é preciso
não apenas de um novo ano, mas sim de um conjunto de ações que, em minha opinião, podem ser
resumidas em três: visão, autoconhecimento e autodesenvolvimento. Assim, acredito que o primeiro
passo na construção de uma vida nova começa pela definição de uma visão: o que você quer da vida?
Tem gente que vive apenas fazendo o que a vida quer, usando o velho lema do Zeca Pagodinho "deixa a
vida me levar". Prefiro ficar com o Jota Quest que diz: "a gente leva da vida a vida que a gente leva".
A visão pessoal tem o poder de dar sentido às coisas, muitas vezes aparentemente insignificantes. Ela
responde aos porquês.(c) Por que quero emagrecer? Por que quero conseguir um trabalho novo? Por que
estou fazendo isso ou aquilo? Ela nos guia e nos mantém no caminho, afinal para quem não sabe aonde
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1017) 
vai qualquer caminho serve. O Amir Klink tem uma frase brilhante que diz: "É muito triste passar a vida
inteira cumprindo as suas obrigações sem nunca ter construído algo de fato". Primeiro passo concluído,
você sabe o que quer da vida. Agora é preciso saber o que é necessário para concretizar essa visão, para
transformá-la em ação.
O segundo degrau dessa escada é saber quem você é. "Conhece-te a ti mesmo", como diria Sócrates, é
fundamental. Literalmente, é preciso se olhar no espelho. Fazemos isso o tempo todo com os outros,(d)
observando seus comportamentos, suas ações e até seus aspectos físicos. Mas, quanto tempo das
nossas vidas nos dedicamos à auto-observação? Olhar para si mesmo às vezes é duro: descobrimos
coisas(e) que nem sempre nos agradam, mas só assim é possível corrigi-las.
Tendo um objetivo claro e se conhecendo fica muito mais fácil definir quais "armas" usar. É como viajar:
a depender do destino você arruma sua mala. Se você for para o Alasca e não tiver roupas de frio terá
que comprar ou pedir emprestado. O passo seguinte é se desenvolver. Ou seja, eu sei pra onde quero ir,
conheço minhas forças e fraquezas, o que preciso aprimorar e/ou adquirir para chegar lá? Conhecimento,
comportamento e atitudes.
Uma avaliação 360º tornará possível identificar em quais aspectos precisaremos "caprichar" mais. É
necessário armar-se competências, lembrando que o sucesso de ontem não nos garante o sucesso de
amanhã. Somando essas três ações e dedicando-se a elas está feito o caminho. Daí é fazer um acordo
consigo mesmo e segui-lo à risca. Mais do que estabelecer metas, é preciso planejar, buscar novas
oportunidades, ter iniciativa, adquirir as informações necessárias, dar o melhor de si, comprometer-se
com suas escolhas, cultivar sua rede de contatos, ter autoconfiança, correr riscos sempre calculados e
persistir.
Algumas pessoas tentam, fazem de tudo, mas não conseguem. Para esses deixo uma frase do
Bernardinho, técnico da seleção brasileira masculina de vôlei: "Podemos até não vencer o campeonato,
mas precisamos deixar a quadra com a certeza de que fizemos o melhor que pudemos". Outras ganham
fôlego no início,mas acabam desistindo. Esses são aqueles que esperam pelos próximos anos, para
começar tudo novo de novo. E há ainda aqueles que vão até o final, caem, levantam a poeira e dão volta
por cima. Mas é assim que a vida segue. Mensagem final? Não. Mensagem inicial (aqui vai ela): "Pedras
no caminho? Guarde todas! Um dia construirá um castelo".
 
Carolina Manciola Disponível em <http://www.rh.com.br/Portal/Mudanca/Artigo/6506/ alem-da-aparencia.html>.
Acesso em: 01 jul 2010. (Adaptado).
A passagem que NÃO admite, segundo o registro culto e formal da língua, a transposição para a voz
passiva é
a) "'Este ano vou arranjar um bom trabalho'"
b) "...que para fazer uma vida nova..."
c) "Ela responde aos porquês."
d) "Fazemos isso o tempo todo com os outros,"
e) "descobrimos coisas..."
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CESGRANRIO - Tec Adm (BNDES)/BNDES/2010
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Sonhos, ousadia e ação
 
Albert Einstein (1879-1955), físico alemão famoso por desenvolver a Teoria da Relatividade, mencionou,
durante sua vida, várias frases famosas. Uma delas é: "Nunca penso no futuro. Ele chega rápido
demais". Para um gênio como Einstein que vivia muito à frente de sua época, tal frase poderia ter certo
sentido. Mas também deixa claro que sua preocupação era agir no presente, no hoje, e as consequências
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1018) 
dessas ações seriam repercutidas no futuro.
Ainda utilizando frases do físico, mais uma vez ele quebra um paradigma quando cita: "A imaginação é
mais importante do que o conhecimento". Os céticos podem insistir em afirmar que o mais importante é
adquirir conhecimento. No entanto, sem a criatividade nascida de uma boa imaginação, de nada adianta
possuir conhecimento se você não tem curiosidade em ir além.
O conhecimento é muito importante para validar a criatividade e colocá-la em prática, mas antes de
qualquer ação existiu a imaginação, um sonho que aliado ao conhecimento e habilidades pode
transformar-se em algo concreto. Já a imaginação criativa, sem ações, permanece apenas como um
sonho.
Ainda à frente de sua época e indiretamente colaborando para os dias atuais, Einstein mais uma vez
apresenta uma citação interessante: "no meio de qualquer dificuldade encontra-se a oportunidade". Ou
seja, mesmo em meio a uma crise, podemos encontrar oportunidades. Oportunidades aos
empreendedores, aos inovadores, às pessoas e empresas que tiverem atitude e criatividade, que saiam
da mesmice, que não se apeguem a fatos já conhecidos, mas busquem o novo, o desconhecido.
Como profissionais, precisamos ser flexíveis e multifuncionais. Devemos deixar de nos conformarmos em
saber executar apenas uma atividade e conhecer várias outras, nas quais com interesse e dedicação
podemos ser diferenciados. Já as organizações devem encontrar, em uma nova realidade, novos usos de
produtos e boas oportunidades para os mercados que passaram a existir.
E para fechar este artigo com chave de ouro, cito outra sábia frase de Einstein: "Algo só é impossível até
que alguém duvide e acabe provando o contrário". Acredite, tudo é possível desde que seja dado o
primeiro passo. Você pode realizar seus sonhos se tiver confiança e lutar por eles. Poderá encontrar
novas oportunidades desde que olhe "fora da caixa" e seja o primeiro a descobrir uma chance que
ninguém está conseguindo ver.
Para se chegar a uma longa distância é preciso, antes de tudo, dar o primeiro passo. Parecia impossível o
homem voar e ir à lua. Quem imaginou, 30 anos atrás, que poderíamos acessar milhares de informações
em milésimos de segundos através da Internet? Mas para estas perguntas, por mais óbvias que sejam as
soluções, faço das palavras de Einstein minha resposta: alguém que duvidou e provou o contrário.
 
CAMPOS, Wagner. Disponível em: <http://tbc.rosier.com.br/oktiva. net/2163/nota/158049>. Acesso em: 02 jul
2010. (adaptado)
Transpondo-se a oração "no meio de qualquer dificuldade encontra-se a oportunidade." da voz passiva
pronominal para a passiva analítica, a forma verbal equivalente, semântica e gramaticalmente, à
destacada é
a) havia sido encontrada.
b) é encontrada.
c) terá encontrado.
d) encontra.
e) teria sido encontrada.
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CESGRANRIO - PPNS (PETROBRAS)/PETROBRAS/Administração/2010
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Não transforme o seu futuro em um passado de que você possa arrepender-se
 
O futuro é construído a cada instante da vida, nas tomadas de decisões, nas aceitações e recusas, nos
caminhos percorridos ou não. Esse movimento é feito por nós diariamente sem percebermos e sem
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muito impacto, contudo, quando analisado em um período de tempo maior, ficam nítidos os erros e
acertos. Sabemos, internamente, dos melhores caminhos, entretanto, pelas inseguranças, medos e
raivas, diversas vezes adotamos posturas impensadas que impactam pelo resto da vida, comprometendo
trilhas que poderiam ser melhores ou mais tranquilas.
 
Como podemos superar esses momentos? Como fazer para evitar esses erros súbitos? Perguntas a que
também quero responder, afinal, sou humano e cometo todos os erros inerentes a minha condição,
contudo, posso afirmar que o mundo não acaba amanhã e, retirando a morte, as decisões podem ser
adiadas, lembrando que algumas delas geram ônus e multas. No direito e na medicina isso é mais
complexo, mas em muitas outras áreas isso é perfeitamente aceito. A máxima de que “não deixe para
fazer amanhã o que você pode fazer hoje” não é tão máxima assim. Devemos lembrar que nada é
absoluto, mas relativo.
 
Uma coisa faz muito sentido nesse tema: não deixe entrar aquilo de que você tem dúvida; se deixar,
limite o espaço. A pessoa mais importante da vida é o seu proprietário, o nosso maior erro é ser inquilino
dela, deixar entrar algo que se acha errado ou não se quer é tornar-se inquilino do que é seu, pagando
aluguel e preocupado com o final do contrato da sua vida. Não cometa esse erro.
 
A felicidade atual depende do passado, assim como a tristeza, a pobreza, a saúde e muitas outras coisas.
Nunca se esqueça disso, nunca. Torne mais flexível o seu orgulho, algo que hoje não deu certo, pode ser
perfeitamente aplicável daqui a um tempo. O orgulho impede de você tentar de novo. Não minta para
você, essa é a forma mais rápida de se perder. Quando tiver dúvida, fale alto com você mesmo, escute
as suas palavras e pense muito. É melhor ser taxado de louco do que ser infeliz.
 
Aceite que erramos, mas lembre que cometer os mesmos erros é burrice. O ideal é aprender com os
erros dos outros; para que isso aconteça, observe o que acontece com o mundo ao seu redor,
invariavelmente o seu problema já foi vivido por outras pessoas. Você não foi o primeiro a cometer erros
e, com absoluta certeza, não será o último. A observação é o melhor caminho para um futuro mais
tranquilo, mais equilibrado, mais pleno. Temos que separar um tempo do nosso dia para a reflexão e
meditação.
 
Utilize-se de profissionais especialistas, não cometa a bobagem de escutar amigos acerca de um
problema, eles são passionais e tendenciosos pelo nosso lado. Com eles, sentimo-nos seguros para
imaginarmos soluções perfeitas que nunca se concretizarão. O fracasso nessas ideias geniais
solucionadoras dos seus problemas, tipo “seus problemas acabaram” causam frustrações e raivas,
sentimentos que atacam nossa autoestima e podem prejudicar o resto de nossa vida. Cuidado com isso.
 
Por fim, tente ser feliz, tente amar, ajude as pessoas que precisam, seja bom. Nunca, mas nunca mesmo,
machuque as pessoas de caso pensado, só por vingança ou maldade, esse é com absoluta certeza o
mais vil de todos os pecados que um ser humano pode fazer. Quando machucar por outro motivo,
arrependa-se e peça desculpas sinceras e tente nunca mais machucar, tente com afinco. Evite criticar as
pessoas; como o mundo dá muitas voltas, um dia você pode ser o criticado. Aceite as pessoas como são,
não tentemudá-las, seja humilde e aceite os seus erros.
 
Esses comportamentos não resolvem os problemas, mas podem evitá-los. O nosso futuro pode ser um
passado legal, depende apenas de nós.
 
Disponível em: http://www.webartigos.com/articles/33414/1/NAOTRANSFORME-O-SEU-FUTURO-EM-UM-PASSADO-
QUE-VOCEPOSSA-
SE-ARREPENDER-/pagina1.html (adaptado) Acessado em: 9 abril/2010.
 
 
Transpondo-se o trecho “O futuro é construído a cada instante da vida,” para a voz passiva sintética,
tem-se a forma verbal
a) constrói-se.
1019) 
b) construiu-se.
c) há de ser construído.
d) pode ser construído.
e) foi construído.
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CESGRANRIO - PPNT (PETROBRAS)/PETROBRAS/Perfuração e Poços/2010
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Um dia você aprende…
 
Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma
alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa
segurança ou proximidade. E começa a aprender que beijos não são contratos, tampouco promessas de
amor eterno. Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos radiantes, com a graça de
um adulto – e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
pois o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, uma vez que o futuro tem o costume de cair
em meio ao vão.
 
Depois de um tempo você aprende que o sol pode queimar se ficarmos expostos a ele durante muito
tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe: algumas pessoas simplesmente não se
importam… E aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e,
por isto, você precisa estar sempre disposto a perdoá-la.
 
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva um certo tempo para construir
confiança e apenas alguns segundos para destruí-la; e que você, em um instante, pode fazer coisas das
quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias, e que, de fato, os bons e verdadeiros amigos foram a nossa própria família
que nos permitiu conhecer. Aprende que não temos que mudar de amigos: se compreendermos que os
amigos mudam (assim como você), perceberá que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa,
ou até coisa alguma, tendo, assim mesmo, bons momentos juntos.
 
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito cedo, ou
muito depressa. Por isso, sempre devemos deixar as pessoas que verdadeiramente amamos com
palavras brandas, amorosas, pois cada instante que passa carrega a possibilidade de ser a última vez em
que as veremos; aprende que as circunstâncias e os ambientes possuem influência sobre nós, mas
somente nós somos responsáveis por nós mesmos; começa a compreender que não se deve comparar-se
com os outros, mas com o melhor que se pode ser.
 
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se deseja tornar, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa até o ponto aonde já chegamos, mas para onde estamos, de fato, indo – mas,
se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar servirá.
 
Aprende que: ou você controla seus atos e temperamento, ou acabará escravo de si mesmo, pois eles
acabarão por controlá-lo; e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não
importa o quão delicada ou frágil seja uma situação, sempre existem dois lados a serem considerados,
ou analisados.
 
Aprende que heróis são pessoas que foram suficientemente corajosas para fazer o que era necessário
fazer, enfrentando as consequências de seus atos. Aprende que paciência requer muita persistência e
prática. Descobre que, algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai poderá
ser uma das poucas que o ajudará a levantar-se. (…) Aprende que não importa em quantos pedaços o
seu coração foi partido: simplesmente o mundo não irá parar para que você possa consertá-lo. Aprende
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1020) 
que o tempo não é algo que possa voltar atrás. Portanto, plante você mesmo seu jardim e decore sua
alma – ao invés de esperar eternamente que alguém lhe traga flores. E você aprende que, realmente,
tudo pode suportar; que realmente é forte e que pode ir muito mais longe – mesmo após ter pensado
não ser capaz. E que realmente a vida tem seu valor, e, você, o seu próprio e inquestionável valor
perante a vida.
 
SHAKESPEARE, Willian.
Disponível em: http://esconderijosecreto.wordpress.com/2006/08/22/umdia-
voce-aprende-willian-shakespeare/ Acesso: 28 jan 2010. (Adaptado)
 
Em Comenta-se o ocorrido, a forma verbal que equivale à destacada, numa construção de voz passiva
analítica, é
a) comentou.
b) comentava-se.
c) é comentado.
d) fora comentado.
e) haverá de ser comentado.
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CESGRANRIO - PNS
(ELETRONUCLEAR)/ELETRONUCLEAR/Engenheiro/Ventilação/2010
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
O texto a seguir é um artigo de Carlos Minc e serve de base para a questão.
 
Texto II
 
DESAFIO À SOBREVIVÊNCIA
 
O crescimento predatório a qualquer custo, a exclusão e a miséria, o egoísmo e o desperdício ameaçam
a vida no planeta. Enquanto a desertificação avança (inclusive em 14 municípios do Noroeste do Estado
do Rio), a camada protetora de ozônio diminui, expondo os corpos às radiações cancerígenas. Enquanto
a temperatura global aumenta devido às queimadas, aos combustíveis fósseis e ao carvão mineral, o ar
puro e a água limpa tornam-se raros e caros.
 
Chegamos à artificialização da natureza: se a água da praia está podre, vá de piscinão; se a água da
torneira cheira mal, tome água mineral; se o ar no inverno causa doenças respiratórias, compre um
cilindro de oxigênio; se um espigão tirou a paisagem, ponha vasos de plantas na janela; se a poluição
sonora tira o sono, vá de vidro duplo e protetor de ouvidos. Os governantes juram ser ecologistas desde
a mais tenra idade, mas aprovam leis do barulho, termelétricas a carvão (em Itaguaí – RJ), desviam para
asfalto e estradas R$ 200 milhões dos royalties do petróleo, carimbados para defender rios e lagoas,
demarcar parques e despoluir a Baía de Sepetiba. As propostas dos ecologistas de energias alternativas,
como a solar e a eólica, de eficiência energética e cogeração, de aproveitamento do lixo e do bagaço de
cana para geração energética foram desprezadas pelo governo federal, e só com a crise previsível
passaram a ser consideradas com um pouco mais de respeito.
 
As propostas ambientalistas de reflorestamento de encostas, reciclagem de lixo, especialmente garrafas
PET, instalação dos comitês de bacia hidrográfica, drenagem, dragagem e demarcação das faixas
marginais de proteção das lagoas são cozinhadas em banho-maria e tiradas da gaveta a cada tragédia de
inundações e desabamentos. O Rio tem a lei mais avançada do país de coleta, recompra e reciclagem de
plástico e de PET (3.369, de janeiro de 2000), mas recuperamos apenas 130 milhões dos 600 milhões de
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1021) 
embalagens PET vendidas anualmente. Parte de 470 milhões restantes entopem canais, rios e provocam
inundações, quando poderiam gerar 20 mil empregos em cooperativas de catadores e uma fábrica de
reciclagem (há 18 delas no país, nenhuma no Rio). Nossa lei estadual de recursos hídricos está em vigor
há dois anos e meio, mas a efetiva instalação dos comitês de bacia, com participação de governos,
empresas, usuários e ambientalistas está emperrada, assim como a cobrança pelos usos da água.
 
Sem comitês atuando e sem recursos próprios, não há como monitorar a qualidade, arbitrar o uso
múltiplo da água, reconstituir as matas ciliares (como os cílios que protegem os olhos), evitar aterros e
lançamentos de lixo e esgoto. Ainda não dispomos de uma informação clara, atualizada, contínua e
independente da qualidade da água que bebemos.
 
Nossos governantes devemaprender a fórmula H2O para entender que na torneira a composição é outra.
A principal causa da mortalidade infantil no Terceiro Mundo são as doenças de veiculação hídrica, como
hepatite e diarreia. Água é vida, e saneamento, tratamento e prevenção são as maiores prioridades. Se
falharmos aí, trairemos o compromisso com a saúde e com a vida do planeta.
 
MINC, Carlos. O Globo, 04 out.02.
 
“As propostas dos ecologistas de energias alternativas [...] foram desprezadas pelo governo federal,”
 
Segundo os compêndios gramaticais, existem duas possibilidades de escritura da voz passiva no
português. Qual das opções emprega outra possibilidade de escritura na forma passiva, equivalente ao
trecho destacado, sem alterar-lhe o sentido?
a) Desprezaram-se as propostas dos ecologistas de energias alternativas.
b) Desprezou-se as propostas dos ecologistas de energias alternativas.
c) Desprezam-se as propostas dos ecologistas de energias alternativas.
d) Desprezavam-se as propostas dos ecologistas de energias alternativas.
e) Desprezar-se-iam as propostas dos ecologistas de energias alternativas.
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CESGRANRIO - Ag Cen (IBGE)/IBGE/Regional/2009
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Abreviados
Nem faz tanto tempo assim, as pessoas diziam vosmecê. “Vosmecê concede a honra desta dança?” Com
o tempo, fomos deixando a formalidade de lado e adotamos uma forma sincopada, o popular você. “Você
quer ouvir uns discos lá em casa?” Parecia que as coisas ficariam por isso mesmo, mas o mundo,
definitivamente, não se acomoda. Nesta onda de tornar tudo mais prático e funcional, as palavras
começaram a perder algumas vogais pelo caminho e se transformaram em abreviaturas esdrúxulas, e
você virou vc. “Vc q tc cmg?”
 
Nenhuma linguagem é estática, elas acompanham as exigências da época, ganham e perdem
significados, mudam de função. Gírias, palavrões, nada se mantém os mesmos. Qual é o espanto?
 
Espanto, aliás, já é palavra em desuso: ninguém mais se espanta com coisa alguma. No máximo, ficamos
levemente surpreendidos, que é como fiquei quando soube que um dos canais do Telecine iria abrir um
horário às terças-feiras para exibir filmes com legendas abreviadas, tal qual acontece nos chats. Uma
estratégia mercadológica para conquistar a audiência mais jovem, naturalmente, mas e se a moda
pegar?
 
Hoje, são as legendas de um filme. Amanhã, poderá ser lançada uma revista toda escrita neste código, e
depois quem sabe um livro, e de repente estará todo mundo ganhando tempo e escrevendo apenas com
consoantes – adeus, vogais, fim de linha pra vocês.
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1022) 
O receio de todo cronista é ficar datado, mas, em contrapartida, dizem que é importante este nosso
registro do cotidiano, para que nossos descendentes saibam, um dia, o que se passava nesta nossa
cabecinha jurássica. Posso imaginar, daqui a 50 anos, meus netos gargalhando diante deste meu texto:
“ctd d w”.
 
Coitada da vovó mesmo. Às vezes me sinto uma anciã, lamentando o quanto a vida está ficando
miserável. Não se trata apenas dos miseráveis sem comida, sem teto e sem saúde, o que já é um
descalabro, mas da nossa miséria opcional. Abreviamos sentimentos, abreviamos conversas, abreviamos
convivência, abreviamos o ócio, fazemos tudo ligeiro, atropelando nosso amor-próprio, nosso
discernimento, vivendo resumidamente, com flashes do que outrora se chamou arte, com uma ideia
indistinta do que outrora se chamou liberdade. Todos espiam todos, sabem da vida de todos, e não
conhecem ninguém. Modernidade ou penúria?
As vogais são apenas cinco. Perdê-las é uma metáfora. Cada dia abandonamos as poucas coisas em nós
que são abertas e pronunciáveis.
MEDEIROS, Martha. Revista O Globo. 20 mar. 2005.
 
Em qual frase o verbo está na voz ativa?
a) As legendas dos filmes tinham sido abreviadas.
b) Algumas legendas não foram entendidas pelos mais velhos.
c) Em muitas situações não se aceitam abreviaturas.
d) Muitos não conseguiram decodificar as mensagens.
e) Transmitiram-se as mensagens pelo computador.
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CESGRANRIO - Aux Cen (IBGE)/IBGE/Administrativo/2006
Língua Portuguesa (Português) - Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
GENGIBANDO
Era época de recenseamento do IBGE e fui uma daquelas funcionárias públicas que fazia trabalho
externo. O bom dessa experiência é que você conhece todo tipo de pessoa. Meu universo de
conhecimento humano ficou bem mais vasto depois desse trabalho. Não sei se porque era muito falante
e sempre bem humorada, fui nomeada a supervisora que iria visitar as recusas.
É porque não dá nem para imaginar a quantidade de pessoas que se recusam a receber a visita do infeliz
do recenseador. Uns não entendem para que é necessário saber a quantidade de pessoas que existem no
Brasil. Outros, talvez por terem algo a encobrir, receiam revelar alguma coisa que os incrimine.
O carro oficial levava os supervisores nas casas que tinham problema para receber o recenseador. Me
lembro de ter ouvido do meu chefe imediato a seguinte argumentação: — Vá com calma nessa casa, que
o homem apontou uma espingarda para o recenseador. (Que obviamente nem olhou para trás e saiu
correndo.)
 
Estava chovendo torrencialmente nesse dia e, ao descer do carro, bem em frente à casa que eu ia visitar,
caí numa enorme poça de lama. Quando o homem abriu a porta, não deu nem tempo para limpar meus
sapatos. Ele me ajudou na operação limpeza e já fui fazendo as perguntas. Ele relutou, mas, aos poucos,
foi cedendo e fui preenchendo o questionário.
Primeira pergunta: — Qual o nome das pessoas que moram aqui? Não me recordo os nomes exatos, mas
ele respondeu algo do tipo tem a Joana minha “mulé” e os “fios” e o Pedro e o Joaquim. Quando acabei
de anotar ele disse:
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1023) 
— Moça, esquecide falar, tem o “mentar” lá no quarto, ele conta também?
Lembro de ter perguntado com aquela cara de não entendi:
— Como é “mentar”?
— É, dona, o pobrezinho sofre das “facurdade mentar”.
Respondi que contava, sim.
— Dona, a senhora quer ver ele?
 
— Não, preciso só anotar o nome e a idade dele.
 
Ele me levou assim mesmo no quarto e lá estava um rapaz com um sorriso enorme.
 
— “Óia”, dona, disse o homem, não precisa ter medo dele que ele está assim com a “gengiba” toda de
fora por causa que ele é muito risonho assim mesmo. “Tivemo” que arrancar “os dente tudo” dele que
tava tudo “podrido”.
 
Consegui preencher todo o questionário sem problemas e quando estava no fim das perguntas ele olhou
para mim e disse:
 
—Tô com a “gengiba” coçando tanto, acho que vou ter que mandar o doutor “arrancá” tudo que é dente
meu também.
Eu contra-argumentei que era melhor ele tratar os dentes e não arrancar nada. O fato é que ficamos
horas “gengibando” e falando sobre “gengibas”. Isso aconteceu num bairro da periferia do Recife e o
legítimo cabra da peste, o dono da “gengiba coçante”, fez a maior amizade comigo. Em momento algum
eu o corrigi e sempre me referi à gengiva como “gengiba”.
O caso de recusa foi resolvido e acabamos de “gengiba” de fora de tanto rir e, pasmem, o homem até
me deu uma jaca. Meu chefe não acreditou quando cheguei da casa do homem considerado super bravo
segurando uma jaca, que é uma fruta para “gengiba” nenhuma botar defeito.
LUNA Rosi (adaptado). Disponível em www.anjosdeprata.com.br
 
Assinale a frase que se apresenta na voz passiva.
a) Consegui preencher todo o formulário.
b) O caso da recusa foi resolvido pela supervisora.
c) Estava chovendo torrencialmente nesse dia.
d) Qual o nome das pessoas que moram aqui?
e) Isso aconteceu num bairro da periferia do Recife.
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CESGRANRIO - Esc (BANRISUL)/BANRISUL/2023
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Implantação do código de ética nas empresas
 
Desde a infância, estamos sujeitos à influência de nosso meio social, por intermédioda família, da
escola, dos amigos, dos meios de comunicação de massa. Ao nascer, o homem já se defronta com um
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conjunto de regras, normas e valores aceitos em seu grupo sociala. As palavras “ética” e “moral” indicam
costumes acumulados — conjunto de normas e valores dos grupos sociais em um contexto.
 
A ética é um conjunto de princípios e disposições cujo objetivo é balizar as ações humanas. A ética existe
como uma referência para os seres humanos em sociedade, de modo tal que a sociedade possa se tornar
cada vez mais humana. Ela pode e deve ser incorporada pelos indivíduos, sob a forma de uma atitude
diante da vida cotidianab. Mas ela não é um conjunto de verdades fixas, imutáveis. A ética se move
historicamente, se amplia e se adensa. Para entendermos como isso acontece na história da
humanidadec, basta lembrarmos que, um dia, a escravidão foi considerada "natural".
 
Ética é o que diz respeito à ação quando ela é refletida, pensada. A ética preocupa-se com o certo e com
o errado, mas não é um conjunto simples de normas de conduta como a moral. Ela promove um estilo
de ação que procura refletir sobre o melhor modo de agir que não abale a vida em sociedade e não
desrespeite a individualidade dos outros.
 
As empresas precisam desenvolver-se de tal forma que a conduta ética de seus integrantes, bem como
os valores e convicções primários da organização, se tornem parte de sua cultura. Assim, a ética vem
sendo vista como uma espécie de requisito para a sobrevivência das empresas no mundo moderno e
pode ser definida como a transparência nas relações e a preocupação com o impacto das suas atividades
na sociedade.
 
Muitos exemplos poderiam ser citados de empresas que estão começando a valorizar e a alertar seus
funcionários sobre a ética. Algumas empresas já implantaram, inclusive, um comitê de ética, o qual se
destina à proteção da imagem da companhiad. É preciso, portanto, que haja uma conscientização da
importância de uma conduta ética ou mesmo a implantação de um código de ética nas organizações,
pois a cada dia que passa a ética tem mostrado ser um dos caminhos para o sucesso e para o bem
comum, agregando valor moral ao patrimônio da organização.
 
O Código de Ética é um instrumento de realização dos princípios, da visão e da missão da empresa.
Serve para orientar as ações de seus colaboradores e explicitar a postura social da empresa em face dos
diferentes públicos com os quais interage.e É da máxima importância que seu conteúdo seja refletido nas
atitudes das pessoas a que se dirige e encontre respaldo na alta administração da empresa, que, tanto
quanto o último empregado contratado, tem a responsabilidade de vivenciá-lo.
 
As relações com os funcionários, desde o processo de contratação, desenvolvimento profissional,
lealdade mútua, respeito entre chefes e subordinados, saúde e segurança, propriedade da informação,
assédio profissional e sexual, alcoolismo, uso de drogas, entre outros, são aspectos que costumam ser
abordados em um Código de Ética. Cumprir horários, entregar o trabalho no prazo, dar o seu melhor ao
executar uma tarefa e manter a palavra dada são exemplos de atitudes que mostram aos superiores e
aos colegas que o funcionário valoriza os princípios éticos da empresa ou da instituição.
 
O Código também pode envolver situações de relacionamento com clientes, fornecedores, acionistas,
investidores, comunidade vizinha, concorrentes e mídia. O Código de Ética pode estabelecer ações de
responsabilidade social dirigidas ao desenvolvimento social de comunidades vizinhas, bem como apoio a
projetos de educação voltados ao crescimento pessoal e profissional de jovens carentes. Também pode
fazer referência à participação da empresa na comunidade, dando diretrizes sobre as relações com os
sindicatos, outros órgãos da esfera pública, relações com o governo, entre outras.
 
Portanto, conclui-se que o Código de Ética se fundamenta em deveres para com os colegas, clientes,
profissão, sociedade e para consigo próprio.
 
MARTINS,Rosemir. UFPR, 2003. Disponível em: https://acervodigital. ufpr.br. Acesso em: 16 nov. 2022. Adaptado.
 
No texto, o referente do termo ou expressão em destaque está corretamente explicitado, entre colchetes,
no trecho do
1024) 
a) parágrafo 1 — “Ao nascer, o homem já se defronta com um conjunto de regras, normas e valores
aceitos em seu grupo social.” [conjunto de regras]
b) parágrafo 2 — “Ela pode e deve ser incorporada pelos indivíduos, sob a forma de uma atitude
diante da vida cotidiana.” [sociedade]
c) parágrafo 2 — “Para entendermos como isso acontece na história da humanidade” [conjunto de
verdades fixas]
d) parágrafo 5 — “Algumas empresas já implantaram, inclusive, um comitê de ética, o qual se
destina à proteção da imagem da companhia.” [comitê de ética]
e) parágrafo 6 — “Serve para orientar as ações de seus colaboradores e explicitar a postura social da
empresa em face dos diferentes públicos com os quais interage.” [colaboradores]
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Entenda o que é deep fake e saiba como se proteger
 
Vídeos que viralizam nas redes sociais mostrando figuras públicas em situações quase inacreditáveis são
verdadeiros? Afinal de contas tudo parece tão real... A resposta é não, pois se trata de uma “deep fake”,
“falsificação profunda” em português, que, como a tradução indica, é tão bem feita que pode enganar
até os mais atentos. Segundo estudo de uma empresa de segurança, 65% dos brasileiros ignoram a sua
existência e 71% não reconhecem quando um vídeo foi editado(a) digitalmente usando essa técnica.
 
O que muita gente não sabe, porém, é que esse tipo de golpe, além de manipular vídeos com
celebridades e políticos famosos, também prejudica empresas e cidadãos comuns, que podem ser
envolvidos em fraudes de identidade e extorsões.
 
“Deep fake pode ser definida como a criação de vídeos e áudios falsos por meio de inteligência artificial”,
explica um especialista de segurança cibernética e fraude. A prática costuma utilizar um vídeo de
referência e a face (ou corpo) de outra pessoa, que não fazia parte do vídeo original. Criam-se áudios
falsos, fazendo a inteligência artificial aprender como uma pessoa fala e, a partir daí, obter uma
montagem com outras falas, inclusive alterando os lábios para acompanhar as palavras que são ditas.
 
Esse processo vem evoluindo rapidamente, tornando cada vez mais difícil a sua identificação.(b) Isso
ocorre porque as novas redes neurais(d) (sistemas de computação que funcionam como neurônios do
cérebro humano), a evolução da capacidade de processamento e a redução de custos da computação em
nuvem têm facilitado o acesso a essa tecnologia,(c) contribuindo para aumentar a qualidade dos vídeos.
 
No entanto, os criminosos não precisam de tanto conhecimento e tecnologia para aplicar seus golpes.(e)
 
Isso porque deep fakes criadas para serem distribuídas por apps de mensagens não exigem tanta
qualidade. O perigo é que, para o cidadão comum, a deep fake pode ser o ponto de partida para uma
fraude financeira, entre outros problemas.
 
A recomendação para pessoas físicas se protegerem é diminuir a exposição de fotos com rostos e vídeos
pessoais na internet. “As redes sociais devem se manter configuradas como privadas, já que fotos,
áudios ou vídeos disponíveis publicamente podem ser utilizados para alimentar a inteligência artificial e
engendrar deep fakes.”
 
Além disso, ao receber um vídeo suspeito, observe se o rosto e os lábios da pessoa se movem em
conjunto com o que ela diz. Preste atenção se a fala parece contínua ou se em algum momento
apresenta cortes entre uma palavra e outra. E considere o contexto — ainda que tecnicamente o vídeo
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1025) 
esteja muito bem manipulado, avalie se faz sentido que aquela pessoa diga o que parecedizer naquele
momento.
 
Disponível em: https://estudio.folha.uol.com.br/unico. Acesso em: 20 out. 2022. Adaptado.
 
No texto, o referente da palavra em destaque está corretamente explicitado, entre colchetes, no trecho
do
a) – “65% dos brasileiros ignoram a sua existência e 71% não reconhecem quando um vídeo foi
editado” [empresa de segurança]
b) – “tornando cada vez mais difícil a sua identificação.” [palavras]
c) – “têm facilitado o acesso a essa tecnologia” [computação em nuvem]
d) – “Isso ocorre porque as novas redes neurais” [esse processo]
e) – “não precisam de tanto conhecimento e tecnologia para aplicar seus golpes.” [criminosos].
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Pix: é o fim do dinheiro em espécie?
 
O Pix muda a forma como realizamos transações financeiras. Representará realmente o fim do DOC e da
TED?(a) O boleto bancário está ainda mais ameaçado de extinção?(b) E o velho cheque vai resistir a esses
novos tempos?(c)
 
Abrangente como é, o Pix pode reduzir ou acabar com a circulação das notas de real?(d) Essa é uma
pergunta sem resposta fácil. O fato é que o avanço das transações financeiras eletrônicas, em detrimento
do uso do dinheiro em papel, pode ser benéfico para o Brasil, em vários sentidos. O Pix tem tudo para
ser o empurrãozinho que nos falta para chegarmos a esse cenário.
 
E por que o dinheiro em espécie resiste?(e) Talvez você esteja entre aqueles que compram no
supermercado com cartão de crédito ou usam QR Code para pagar a farmácia. Mas a feira da semana e
os churros na esquina você paga com “dinheiro vivo”, certo? Um dos fatores que escoram a circulação de
papel-moeda no Brasil é a informalidade.
 
Atrelada a isso está a situação dos desbancarizados. A dificuldade que muita gente teve para receber o
auxílio emergencial, durante a pandemia, jogou luz sobre um problema notado há tempos: a enorme
quantidade de brasileiros que não têm acesso a serviços bancários. O pouco de dinheiro que entra no
orçamento dessas pessoas precisa ser gasto rapidamente para subsistência.
 
Não há base financeira suficiente para justificar movimentações bancárias. Também pesa para o time dos
“sem-banco” o baixo nível de educação ou a falta de familiaridade com a tecnologia.
 
O fator cultural também favorece a circulação do dinheiro em espécie. É provável que você conheça
alguém que, mesmo tendo boa renda, prefere pagar boletos ou receber pagamentos com cédulas
simplesmente por estar acostumado a elas. Para muita gente que faz parte dessa turma, dinheiro vivo é
dinheiro recebido ou pago na hora. Não é preciso esperar a TED cair ou o dia virar para o boleto ser
compensado. Isso pesa mais do que a conveniência de se livrar da fila da lotérica.
 
Embora o Brasil tenha um sistema bancário que suporta vários tipos de transações, o país estava ficando
para trás no que diz respeito a pagamentos instantâneos. O Pix veio para preencher essa lacuna.
 
A modalidade permite transações em qualquer horário e dia, incluindo finais de semana e feriados.
 
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1026) 
Essa característica, por si só, já é capaz de mudar a forma como lidamos com o dinheiro, pois implica
envio ou recebimento imediato: as transações via Pix são concluídas rapidamente.
 
É o fim do papel-moeda? Não é tão simples assim. O Pix não foi idealizado com o propósito exclusivo de
acabar com os meios de pagamento e transferência atuais, muito menos com o papelmoeda, mas para
fazer o sistema financeiro do Brasil evoluir e ficar mais competitivo.
 
Apesar disso, não é exagero esperar que, à medida que a população incorpore o sistema à sua rotina, o
uso de DOC, TED, boletos e cartões caia. Eventualmente, algum desses meios poderá ser descontinuado,
mas isso não acontecerá tão cedo — vide o exemplo do cheque, que não “morreu” com a chegada do
cartão.
 
No caso das cédulas, especialistas do mercado financeiro apontam para uma diminuição de circulação,
mas não para um futuro próximo em que o papel-moeda deixará de existir. Para que esse cenário se
torne realidade, é necessário, sobretudo, atacar a desbancarização. O medo ou a pouca familiaridade
com a tecnologia podem ser obstáculos, mas o Pix é tão interessante para o país que o próprio comércio
incentiva o público mais resistente a aderir a ele.
 
ALECRIM, E. Disponível em: https://tecnoblog.net/especiais/ pix-fim-dinheiro-especie-
brasil/. Publicado em novembro de 2020. Acesso em: 2 dez. 2022. Adaptado.
 
No parágrafo, o trecho “Essa é uma pergunta sem resposta fácil” refere-se ao seguinte questionamento:
a) “É o fim do DOC e da TED?”
b) “O boleto bancário está ainda mais ameaçado de extinção?”
c) “E o velho cheque vai resistir a esses novos tempos?”
d) “o Pix pode reduzir ou acabar com a circulação das notas de real?”
e) “E por que o dinheiro em espécie resiste?”
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Pix: é o fim do dinheiro em espécie?
 
O Pix muda a forma como realizamos transações financeiras. Representará realmente o fim do DOC e da
TED? O boleto bancário está ainda mais ameaçado de extinção? E o velho cheque vai resistir a esses
novos tempos?
 
Abrangente como é, o Pix pode reduzir ou acabar com a circulação das notas de real? Essa é uma
pergunta sem resposta fácil. O fato é que o avanço das transações financeiras eletrônicas, em detrimento
do uso do dinheiro em papel, pode ser benéfico para o Brasil, em vários sentidos. O Pix tem tudo para
ser o empurrãozinho que nos falta para chegarmos a esse cenário.
 
E por que o dinheiro em espécie resiste? Talvez você esteja entre aqueles que compram no
supermercado com cartão de crédito ou usam QR Code para pagar a farmácia. Mas a feira da semana e
os churros na esquina você paga com “dinheiro vivo”, certo? Um dos fatores que escoram a circulação de
papel-moeda no Brasil é a informalidade.
 
Atrelada a isso está a situação dos desbancarizados. A dificuldade que muita gente teve para receber o
auxílio emergencial, durante a pandemia, jogou luz sobre um problema notado há tempos: a enorme
quantidade de brasileiros que não têm acesso a serviços bancários. O pouco de dinheiro que entra no
orçamento dessas pessoas precisa ser gasto rapidamente para subsistência.
 
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1027) 
Não há base financeira suficiente para justificar movimentações bancárias. Também pesa para o time dos
“sem-banco” o baixo nível de educação ou a falta de familiaridade com a tecnologia.
 
O fator cultural também favorece a circulação do dinheiro em espécie. É provável que você conheça
alguém que, mesmo tendo boa renda, prefere pagar boletos ou receber pagamentos com cédulas
simplesmente por estar acostumado a elas.(a) Para muita gente que faz parte dessa turma, dinheiro vivo
é dinheiro recebido ou pago na hora. Não é preciso esperar a TED cair ou o dia virar para o boleto ser
compensado. Isso pesa mais do que a conveniência de se livrar da fila da lotérica.
 
Embora o Brasil tenha um sistema bancário que suporta vários tipos de transações, o país estava ficando
para trás no que diz respeito a pagamentos instantâneos. O Pix veio para preencher essa lacuna.
 
A modalidade permite transações em qualquer horário e dia, incluindo finais de semana e feriados.
 
Essa característica, por si só, já é capaz de mudar a forma como lidamos com o dinheiro,(b) pois implica
envio ou recebimento imediato: as transações via Pix são concluídas rapidamente.
 
É o fim do papel-moeda? Não é tão simples assim. O Pix não foi idealizado com o propósito exclusivo de
acabar com os meios de pagamento e transferência atuais, muito menos com o papelmoeda, mas para
fazer o sistema financeiro do Brasil evoluir e ficar mais competitivo.
 
Apesardisso, não é exagero esperar que, à medida que a população incorpore o sistema à sua rotina,(c)
o uso de DOC, TED, boletos e cartões caia. Eventualmente, algum desses meios poderá ser
descontinuado, mas isso não acontecerá tão cedo(d) — vide o exemplo do cheque, que não “morreu”
com a chegada do cartão.
 
No caso das cédulas, especialistas do mercado financeiro apontam para uma diminuição de circulação,
mas não para um futuro próximo em que o papel-moeda deixará de existir. Para que esse cenário se
torne realidade, é necessário, sobretudo, atacar a desbancarização.(e) O medo ou a pouca familiaridade
com a tecnologia podem ser obstáculos, mas o Pix é tão interessante para o país que o próprio comércio
incentiva o público mais resistente a aderir a ele.
 
ALECRIM, E. Disponível em: https://tecnoblog.net/especiais/ pix-fim-dinheiro-especie-
brasil/. Publicado em novembro de 2020. Acesso em: 2 dez. 2022. Adaptado.
 
No texto, o referente da palavra ou expressão em destaque está corretamente explicitado, entre
colchetes, no trecho do
a) – “É provável que você conheça alguém que, mesmo tendo boa renda, prefere pagar boletos ou
receber pagamentos com cédulas simplesmente por estar acostumado a elas.” [cédulas]
b) – “Essa característica, por si só, já é capaz de mudar a forma como lidamos com o dinheiro”
[modalidade]
c) – “Apesar disso, não é exagero esperar que, à medida que a população incorpore o sistema à sua
rotina” [papel-moeda]
d) – “Eventualmente, algum desses meios poderá ser descontinuado, mas isso não acontecerá tão
cedo” [cheque]
e) – “Para que esse cenário se torne realidade, é necessário, sobretudo, atacar a desbancarização.”
[diminuição de circulação]
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Empreendedorismo social: um caminho para quem quer mudar o mundo
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1028) 
 
Ainda que não exista uma concepção única sobre o empreendedorismo social, de forma geral, o conceito
está relacionado ao ato de empreender ou inovar com o objetivo de alavancar causas sociais e
ambientais. A meta é transformar uma realidade, promover o bem-estar da sociedade e agregar valor
com cunho social.
 
Um empreendedor social produz bens e serviços que irão impactar positivamente a comunidade em que
ele está inserido e solucionar algum problema ou necessidade daquele grupo. Apesar de poder ter
retorno financeiro, os empreendimentos sociais analisam seu desempenho a partir do impacto social
gerado por sua atuação.
 
Vale ressaltar que, apesar de apresentarem muitas similaridades, empreendedorismo social e negócio
social não são sinônimos. O empreendedorismo social cria valor por meio da inovação, que gera uma
transformação social. O foco não é o retorno financeiro, mas a resolução de problemas sociais e o
impacto positivo. Enquanto isso, os negócios sociais seguem a lógica tradicional do mercado, porém com
a ambição de gerar valor social.
 
Cinco características também são essenciais para a iniciativa: ser inovadora; realizável; autossustentável;
contar com a participação de diversos segmentos da sociedade, incluindo as pessoas impactadas; e
promover impacto social com resultados mensuráveis.
 
Quem tem interesse de atuar nessa área precisa trabalhar em grupo e formar parcerias, saber lidar bem
com as pessoas e buscar formas de trazer resultados de impacto social.
 
Além disso, o profissional precisa ter flexibilidade e vontade de explorar, pois é possível que ele acabe
exercendo um papel que não seja necessariamente na sua área de formação, ou que sua atuação se
transforme rapidamente, por conta do dinamismo e das necessidades do negócio.
 
MENDES, T. Empreendedorismo social: um caminho para quem quer mudar o mundo. Na prática, 7 jul. 2022.
Disponível em: https://www.napratica.org.br/empreendedorismo-social/. Acesso em: 2 set. 2022. Adaptado.
 
No trecho “os empreendimentos sociais analisam seu desempenho”, a palavra destacada se refere a
a) problema
b) comunidade
c) daquele grupo
d) retorno financeiro
e) empreendimentos sociais
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Eu sei, mas não devia
 
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de
fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a
não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E,
porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma,
esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
 
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo
porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer
sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque
está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
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1029) 
 
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e
que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de
paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa
duração.
 
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as
pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
 
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o
dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do
que as coisas valem. E a saber que cada vez paga mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais
dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
 
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão
e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado,
lançado na infindável catarata dos produtos.
 
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar-condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial
de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À
contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter
galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma
planta.
 
A gente se acostuma a coisas de mais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai
afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta
na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua
no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se, no fim
de semana, não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre
sono atrasado.
 
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar
feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma
para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
 
COLASANTI, M. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco Editora, 1996. p. 9. Adaptado.
 
“A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos”
(parágrafo 4)
 
Nesse trecho, a oração destacada apresenta, em relação à seguinte, o valor semântico de
a) causa
b) concessão
c) comparação
d)conformidade
e) consequência
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Uma cena
 
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É de manhã. Não num lugar qualquer, mas no Rio. E não numa época qualquer, mas no outono. Outono
no Rio. O ar é fino, quase frio, as pedras portuguesas da calçada estão úmidas. No alto, o céu já é de um
azul escandaloso, mas o sol oblíquo ainda não conseguiu vencer os prédios e arrasta seus raios pelo mar,
pelas praias, por cima das montanhas, longe dali. Não chegou à rua. E, naquele trecho, onde as
amendoeiras trançam suas copas, ainda é quase madrugada.
 
Mesmo assim, ela já está lá – como se à espera do sol.
 
É uma senhora de cabelos muito brancos, sentada em sua cadeira, na calçada. Na rua tranquila, de
pouco movimento, não passa quase ninguém a essa hora, tão de manhãzinha. Nem carros, nem
pessoas. O que há mais é o movimento dos porteiros e dos pássaros. Os primeiros, com suas vassouras
e mangueiras, conversando sobre o futebol da véspera. Os segundos, cantando – dentro ou fora das
gaiolas.
 
Mas, mesmo com tão pouco movimento, a senhora já está sentada muito ereta, com seu vestido
estampado, de corte simples, suas sandálias. Tem o olhar atento, o sorriso pronto a cumprimentar quem
surja. No braço da cadeira de plástico branco, sua mão repousa, mas também parece pronta a erguer -se
num aceno, quando alguém passar.
 
É uma cena bonita, eu acho. Cena que se repete todos os diasa. Parece coisa de antigamente.
 
Parece. Não fosse por um detalhe. A senhora, sentada placidamente em sua cadeira na calçada,
observando as manhãs, está atrás das grades.
 
Meu irmão, que foi morar fora do Brasil e ficou 15 anos sem vir aqui, ao voltar só teve um choque: as
grades. Nada mais o impressionou, tudo ele achou normal. Fez comentários vagos sobre as árvores
crescidas no Aterro, sobre o excesso de gente e carros, tudo sem muita ênfase. Mas e essas grades, me
perguntou, por que todas essas grades? E eu, espantada com seu espanto, eu que de certa forma já me
acostumara à paisagem gradeadab, fiquei sem saber o que dizer.
 
Penso nisso agora, ao passar pela rua e ver aquela senhora. Todos os dias, o porteiro coloca ali a cadeira
para que ela se sentec, junto ao jardim, em frente à portaria, por trás da proteção do gradil pintado com
tinta cor de cobre. E essa cena tão singela, de sabor tão antigo, se desenrola assim, por trás de barras
de ferro, que mesmo sendo de alumínio para não enferrujar são de um ferro simbólico, que prende,
constrange, restringed.
 
Eu, da calçada, vejo-a sempre por entre as tiras verticais de metal, sua figura frágil me fazendo lembrar
os passarinhos que os porteiros guardam nas gaiolas, pendurados nas árvorese.
 
SEIXAS, Heloisa. Contos mínimos. Rio de Janeiro: Record, 2001.
 
A frase na qual o que cumpre somente a função de promover a continuidade do texto sem acumular a
função de retomar um antecedente é:
a) “Cena que se repete todos os dias”.
b) “eu que de certa forma já me acostumara à paisagem gradeada”.
c) “Todos os dias, o porteiro coloca ali a cadeira para que ela se sente”.
d) “são de um ferro simbólico, que prende, constrange, restringe.”
e) “os passarinhos que os porteiros guardam nas gaiolas, pendurados nas árvores.”
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1030) 
1031) 
Texto
 
Entulho eletrônico: risco iminente para a saúde e o ambiente
 
Os resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (lixo eletroeletrônico) são, por definição, produtos que
têm componentes elétricos e eletrônicos e que, por razões de obsolescência (perspectiva ou programada)
e impossibilidade de conserto, são descartados pelos consumidores. Os exemplos mais comuns são
televisores e equipamentos de informática e telefonia, mas a lista inclui eletrodomésticos, equipamentos
médicos, brinquedos, sistemas de alarme, automação e controle.
 
Obsolescência programada é a decisão intencional de fabricar um produto que se torne obsoleto ou não
funcional após certo tempo, para forçar o consumidor a comprar uma nova geração desse produto. Já a
obsolescência perspectiva é uma forma de reduzir a vida útil de produtos ainda funcionais. Nesse caso,
são lançadas novas gerações com aparência inovadora e pequenas mudanças funcionais, dando à
geração em uso aspecto de ultrapassada, o que induz o consumidor à troca.
 
O lixo eletroeletrônico é mais um desafio que se soma aos problemas ambientais da atualidade. O
consumidor raramente reflete sobre as consequências do consumo crescente desses produtos,
preocupando- se em satisfazer suas necessidades. Afinal, eletroeletrônicos são tidos como sinônimos de
melhor qualidade de vida, e a explosão da indústria da informação é uma força motriz da sociedade,
oferecendo ferramentas para rápidos avanços na economia e no desenvolvimento social. O mundo
globalizado impõe uma constante busca de informações em tempo real, e a sua interação com novas
tecnologias traz maiores oportunidades e benefícios, segundo estudo da Organização das Nações Unidas
(ONU). Tudo isso exerce um fascínio irresistível para os jovens.
 
Dois aspectos justificam a inclusão dos eletroeletrônicos entre as preocupações da ONU: as vendas
crescentes, em especial nos mercados emergentes (inclusive o Brasil), e a presença de metais e
substâncias tóxicas em muitos componentes, trazendo risco à saúde e ao meio ambiente. Segundo a
ONU, são gerados hoje 150 milhões de toneladas de lixo eletroeletrônico por ano, e esse tipo de resíduo
cresce a uma velocidade três a cinco vezes maior que a do lixo urbano.
 
AFONSO, J. C. Revista Ciência Hoje, n. 314, maio 2014. São Paulo: SBPC. Disponível em:
https://cienciahoje.periodicos.capes. gov.br/storage/acervo/ch/ch_314.pdf. Adaptado.
 
No texto, o referente do termo ou expressão em destaque está corretamente explicitado, entre colchetes,
no trecho:
a) “Nesse caso, são lançadas novas gerações com aparência inovadora e pequenas mudanças
funcionais.” [obsolescência programada] - parágrafo 2
b) “O consumidor raramente reflete sobre as consequências do consumo crescente desses
produtos”. [lixo eletroeletrônico] - parágrafo 3
c) “preocupando-se em satisfazer suas necessidades.” [consumidor] - parágrafo 3
d) “e sua interação com novas tecnologias traz maiores oportunidades e benefícios”. [constante
busca] - parágrafo 3
e) “e esse tipo de resíduo cresce a uma velocidade” [substâncias tóxicas] - parágrafo 4
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Medo da eternidade
 
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade. Quando eu era muito pequena
ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que
espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o
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1032) 
mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas. Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao
sairmos de casa para a escola me explicou:
— Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.
— Como não acaba?
— Parei um instante na rua, perplexa.
— Não acaba nunca, e pronto.
Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a
pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia
acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira,para
chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão
inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta. Com delicadeza,
terminei afinal pondo o chicle na boca.
— E agora que é que eu faço?
— Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.
— Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a
mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários. Perder a eternidade?
Nunca. O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa,
encaminhávamo-nos para a escola.
— Acabou-se o docinho. E agora?
— Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não sabia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa
cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na
verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie
de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. Eu não quis confessar que não
estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente,
sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle
mastigado cair no chão de areia.
— Olha só o que me aconteceu!
— Disse eu em fingidos espanto e tristeza.
— Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
— Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ele não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a
gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique
triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara
dizendo que o chicle caíra da boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
LISPECTOR, Clarice. Medo da eternidade.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Caderno B, p.2, 6 jun. 1970.
No trecho “Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!”, o segundo período apresenta, em relação à
informação explicitada no primeiro, uma noção de
a) causa
b) condição
c) consequência 
d) modo
e) tempo
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Privacidade digital: quais são os limites
 
Atualmente, somos mais de 126,4 milhões de brasileiros usuários de internet, representando cerca de
69,8% da população com 10 anos ou mais. Ao redor do mundo, cerca de 4 bilhões de pessoas usam a
rede mundial, sendo que 2,9 bilhões delas fazem isso pelo smartphone.
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Nesse cenário, pensar em privacidade digital é (quase) utópico. Uma vez na rede, a informação está
registrada para sempre: deixamos rastros que podem ser descobertos a qualquer momento.
 
Ainda assim, mesmo diante de tamanha exposição, essa é uma discussão que precisa ser feita. Ela é
importante, inclusive, para trazer mais clareza e consciência para os usuários. Vale lembrar, por exemplo,
que não são apenas as redes sociais que expõem as pessoas. Infelizmente, basta ter um endereço de e-
mail para ser rastreado por diferentes empresas e provedores.
 
A questão central não se resume somente à política de privacidade das plataformas X ou Y, mas, sim, ao
modo como cada sociedade vem paulatinamente estruturando a sua política de proteção de dados.
 
A segurança da informação já se transformou em uma área estratégica para qualquer tipo de empresa.
Independentemente da demanda de armazenamento de dados de clientes, as organizações têm um
universo de dados institucionais que precisam ser salvaguardados.
 
Estamos diante de uma realidade já configurada: a coleta de informações da internet não para, e esse é
um caminho sem volta. Agora, a questão é: nós, clientes, estamos prontos e dispostos a definir o limite
da privacidade digital? O interesse maior é nosso! Esse limite poderia ser dado pelo próprio consumidor,
se ele assim quiser? O conteúdo é realmente do usuário?
 
Se considerarmos a atmosfera das redes sociais, muito possivelmente não. Isso porque, embora muitas
pessoas não saibam, a maioria das redes sociais prevê que, a partir do momento em que um conteúdo é
postado, ele faz parte da rede e não é mais do usuário.
 
Daí a importância da conscientização. É preciso que tanto clientes como empresas busquem mais
informação e conteúdo técnico sobre o tema. Às organizações, cabe o desafio de orientar seus clientes,
já que, na maioria das vezes, eles não sabem quais são os limites da privacidade digital.
 
Vivemos em uma época em que todo mundo pode falar permanentemente o que quer. Nesse contexto, a
informação deixou de ser algo confiável
e cabe a cada um de nós aprender a ler isso e se proteger. Precisamos de consciência, senso crítico,
responsabilidade e cuidado para levar a internet a um outro nível. É fato que ela não é segura, a
questão, então, é como usá-la de maneira mais inteligente e contribuir para fortalecer a privacidade
digital? Essa é uma causa comum a todos os usuários da rede.
 
Disponível em: <https://digitalks.com.br/artigos/privacidade-digital
-quais-sao-os-limites>. 7/04/2019. Acesso em: 3 fev. 2021.
Adaptado.
 
A palavra ou a expressão a que se refere o termo em destaque está corretamente explicitada entre
colchetes em:
a) “sendo que 2,9 bilhões delas fazem isso pelo smartphone” (parágrafo 1) - [rede mundial]
b) “Ela é importante, inclusive, para trazer mais clareza e consciência para os usuários.” (parágrafo
3) - [exposição]
c) “Isso porque, embora muitas pessoas não saibam, a maioria das redes sociais prevê que, a partir
do momento” (parágrafo 7) - [redes sociais]
d) “a partir do momento em que um conteúdo é postado, ele faz parte da rede e não mais do
usuário” (parágrafo 7) - [momento]
e) “É fato que ela não é segura, a questão, então, é como usá-la de maneira mais inteligente”
(parágrafo 9) - [internet]
1033) 
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
O que é o QA e por que ele pode ser mais
importante que o QI no mercado de trabalho
 
Há algum tempo, se você quisesse avaliar as perspectivas de alguém crescer na carreira, poderia
considerar pedir um teste de QI, o quociente de inteligência, que mede indicadores como memória e
habilidade matemática.
 
Mais recentemente, passaram a ser avaliadas outras letrinhas: o quociente de inteligência emocional
(QE), uma combinação de habilidades interpessoais, autocontrole e comunicação. Não só no mundo do
trabalho, o QE é visto como um kit de habilidades que pode nos ajudar a ter sucesso em vários aspectos
da vida.
 
Tanto o QI quanto o QE são considerados importantes para o sucesso na carreira. Hoje, porém, à medida
que a tecnologia redefine como trabalhamos, as habilidades necessárias para prosperar no mercado de
trabalho também estão mudando. Entra em cena então um novo quociente, o de adaptabilidade (QA),
que considera a capacidade de se posicionar e prosperar em um ambiente de mudanças rápidas e
frequentes.
 
O QA não é apenas a capacidade de absorver novas informações, mas de descobrir o que é relevante,
deixar para trás noções obsoletas, superar desafios e fazer um esforço consciente para mudar. Esse
quociente envolve também características como flexibilidade, curiosidade, coragem e resiliência.
 
Amy Edmondson, professora de Administração da Harvard Business School, diz que é a velocidade
vertiginosa das mudanças no mercado de trabalho que fará o QA vencer o QI. Automatiza-se facilmente
qualquer função que envolva detectar padrões nos dados (advogados revisando documentos legais ou
médicos buscando o histórico de um paciente, por exemplo), diz Dave Coplin, diretor da The Envisioners,consultoria de tecnologia sediada no Reino Unido. A tecnologia mudou bastante a forma como alguns
trabalhos são feitos, e a tendência continuará. Isso ocorre porque um algoritmo pode executar essas
tarefas com mais rapidez e precisão do que um humano.
 
Para evitar a obsolescência, os trabalhadores que cumprem essas funções precisam desenvolver novas
habilidades, como a criatividade para resolver novos problemas, empatia para se comunicar melhor e
responsabilidade.
 
Edmondson diz que toda profissão vai exigir adaptabilidade e flexibilidade, do setor bancário às artes.
Digamos que você é um contador. Seu QI o ajuda nas provas pelas quais precisa passar para se
qualificar; seu QE contribui na conexão com um recrutador e depois no relacionamento com colegas e
clientes no emprego. Então, quando os sistemas mudam ou os aspectos do trabalho são automatizados,
você precisa do QA para se acomodar a novos cenários.
 
Ter QI, mas nenhum QA, pode ser um bloqueio para as habilidades existentes diante de novas maneiras
de trabalhar. No mundo corporativo, o QA está sendo cada vez mais buscado na hora da contratação.
Uma coisa boa do QA é que, mesmo que seja difícil mensurá-lo, especialistas dizem que ele pode ser
desenvolvido.
 
Como diz Edmondson: “Aprender a aprender é uma missão crítica. A capacidade de aprender, mudar,
crescer, experimentar se tornará muito mais importante do que o domínio de um assunto.”
 
Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/vert-cap-50429043>.
Acesso em: 9 jul. 2021. (Adaptado)
 
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1034) 
Respeitando-se o ponto de vista sustentado pelo texto e adequando-se a seu sentido, a reunião dos
trechos “as habilidades necessárias para prosperar no mercado de trabalho também estão mudando”
(parágrafo 3) e “ter QI, mas nenhum QA, pode ser um bloqueio para as habilidades existentes diante de
novas maneiras de trabalhar” (parágrafo 8) resulta no seguinte período:
a) As habilidades necessárias para prosperar no mercado de trabalho também estão mudando,
embora ter QI, mas nenhum QA, possa ser um bloqueio para as habilidades existentes diante de
novas maneiras de trabalhar.
b) Como as habilidades necessárias para prosperar no mercado de trabalho também estão mudando,
ter QI, mas nenhum QA, pode ser um bloqueio para as habilidades existentes diante de novas
maneiras de trabalhar.
c) Mesmo que as habilidades necessárias para prosperar no mercado de trabalho também estejam
mudando, ter QI, mas nenhum QA, pode ser um bloqueio para as habilidades existentes diante de
novas maneiras de trabalhar.
d) As habilidades necessárias para prosperar no mercado de trabalho também estão mudando, desde
que ter QI, mas nenhum QA, possa ser um bloqueio para as habilidades existentes diante de novas
maneiras de trabalhar.
e) As habilidades necessárias para prosperar no mercado de trabalho também estão mudando, no
entanto, ter QI, mas nenhum QA, pode ser um bloqueio para as habilidades existentes diante de
novas maneiras de trabalhar.
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
A palavra salário vem mesmo de “sal”?
 
Vem. A explicação mais popular diz que os soldados da Roma Antiga recebiam seu ordenado na forma de
sal. Faz sentido. O dinheiro como o conhecemos surgiu no século 7 a.C., na forma de discos de metal
precioso (moedas), e só foi adotado em Roma 300 anos depois.
 
Antes disso, o que fazia o papel de dinheiro eram itens não perecíveis e que tinham demanda garantida:
barras de cobre (fundamentais para a fabricação de armas), sacas de grãos, pepitas de ouro (metal
favorito para ostentar como enfeite), prata (o ouro de segunda divisão) e, sim, o sal.
 
Num mundo sem geladeiras, o cloreto de sódio era o que garantia a preservação da carne. A demanda
por ele, então, tendia ao infinito. Ter barras de sal em casa funcionava como poupança. Você poderia
trocá-las pelo que quisesse, a qualquer momento.
 
As moedas, bem mais portáteis, acabariam se tornando o grande meio universal de troca – seja em
Roma, seja em qualquer outro lugar. Mas a palavra “salário” segue viva, como um fóssil etimológico.
 
Só há um detalhe: não há evidência de que soldados romanos recebiam mesmo um ordenado na forma
de sal. Roma não tinha um exército profissional no século 4 a.C. A força militar da época era formada por
cidadãos comuns, que abandonavam seus afazeres voluntariamente para lutar em tempos de guerra
(questão de sobrevivência).
 
A ideia de que havia pagamentos na forma de sal vem do historiador Plínio, o Velho (um contemporâneo
de Jesus Cristo). Ele escreveu o seguinte: “Sal era uma das honrarias que os soldados recebiam após
batalhas bem-sucedidas. Daí vem nossa palavra salarium.” Ou seja: o sal era um bônus para voluntários,
não um salário para valer. Quando Roma passou a ter uma força militar profissional e permanente, no
século 3 a.C., o soldo já era mesmo pago na forma de moedas.
 
VERSIGNASSI, A. A palavra salário vem mesmo de “sal”
VC S/A, São Paulo: Abril, p. 67, Jun. 2021. Adaptado.
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1035) 
 
A palavra ou expressão que promove a continuidade e a união do segundo parágrafo com o terceiro,
retomando um elemento textual relevante, é
a) mundo
b) geladeiras
c) cloreto de sódio
d) infinito
e) momento
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Lições após um ano de ensino remoto na pandemia
 
No momento em que se tornam ainda mais complexas as discussões sobre a volta às aulas presenciais, o
ensino remoto continua a ser a rotina de muitas famílias, atualmente.
 
Mas um ano sem precedentes na história veio acompanhado de lições inéditas para professores, alunos e
estudiosos. Diante do pouco acesso a planos de dados ou a dispositivos, a alternativa de muitas famílias
e professores tem sido se conectar regularmente via aplicativos de mensagens.
 
Uma pesquisa apontou que 83% dos professores mantinham contato com seus alunos por meio dos
aplicativos de mensagens, muito mais do que pelas próprias plataformas de aprendizagem. Esse uso foi
uma grande surpresa, mas é porque não temos outras ferramentas de massificação. A maior parte do
ensino foi feita pelo celular e, geralmente, por um celular compartilhado (entre vários membros da
família), o que é algo muito desafiador.
 
Outro aspecto a ser considerado é que, felizmente, mensagens direcionadas são uma forma
relativamente barata de comunicação. A importância de cultivar interações entre os estudantes, mesmo
que eles não estejam no mesmo ambiente físico, também é uma forma de motivá-los e melhorar seus
resultados. Recentemente, uma pesquisadora afirmou que “Aprendemos que precisamos dos demais:
comparar estratégias, falar com alunos, com outros professores e dar mais oportunidades de trabalho
coletivo, mesmo que seja cada um na sua casa. Além disso, a pandemia ressaltou a importância do
vínculo anterior entre escolas e comunidades”.
 
Embora seja difícil prever exatamente como o fechamento das escolas vai afetar o desenvolvimento
futuro dos alunos, educadores internacionais estimam que estudantes da educação básica já foram
impactados. É preciso pensar em como agrupar esses alunos e averiguar os que tiveram ensino mínimo
ou nulo e decidir como enfrentar essa ruptura, com aulas ou encontros extras, com anos (letivos) de
transição.
 
IDOETA, P.A. 8 lições após um ano de ensino remoto na pan
demia. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/noticias/
bbc/2021/04/24/8-licoes-apos-um-ano-de-ensino-remoto-na-
pandemia. htm>. Acesso em: 21 jul. 2021. Adaptado.
 
A palavra ou a expressão a que se refere o termo em destaque está corretamente explicitada entre
colchetes em:
a) “83% dos professores mantinham contato com seusalunos por meio dos aplicativos” (parágrafo
3) – [pesquisadores]
b) “Esse uso foi uma grande surpresa, mas é porque não temos outras ferramentas” (parágrafo 3) –
[contato]
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1036) 
c) “Aprendemos que precisamos dos demais” (parágrafo 4) – [resultados]
d) “averiguar os que tiveram ensino mínimo ou nulo e decidir” (parágrafo 5) – [alunos]
e) “decidir como enfrentar essa ruptura, com aulas ou encontros extras” (parágrafo 5) –
[desenvolvimento]
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A questão baseia no texto apresentado abaixo.
 
O vício da tecnologia
 
Entusiastas de tecnologia passaram a semana com os olhos voltados para uma exposição de novidades
eletrônicas realizada recentemente nos Estados Unidos. Entre as inovações, estavam produtos
relacionados a experiências de realidade virtual e à utilização de inteligência artificial — que hoje é um
dos temas que mais desperta interesse em profissionais da área, tendo em vista a ampliação do uso
desse tipo de tecnologia nos mais diversos segmentos.
 
Mais do que prestar atenção às novidades lançadas no evento, vale refletir sobre o motivo que nos leva a
uma ansiedade tão grande para consumir produtos que prometem inovação tecnológica. Por que tanta
gente se dispõe a dormir em filas gigantescas só para ser um dos primeiros a comprar um novo modelo
de smartphone? Por que nos dispomos a pagar cifras astronômicas para comprar aparelhos que não
temos sequer certeza de que serão realmente úteis em nossas rotinas?
 
 A teoria de um neurocientista da Universidade de Oxford (Inglaterra) ajuda a explicar essa “corrida
desenfreada” por novos gadgets. De modo geral, em nosso processo evolutivo como seres humanos,
nosso cérebro aprendeu a suprir necessidades básicas para a sobrevivência e a perpetuação da espécie,
tais como sexo, segurança e status social.
 
Nesse sentido, a compra de uma novidade tecnológica atende a essa última necessidade citada: nós nos
sentimos melhores e superiores, ainda que momentaneamente, quando surgimos em nossos círculos
sociais com um produto que quase ninguém ainda possui.
 
Foi realizado um estudo de mapeamento cerebral que mostrou que imagens de produtos tecnológicos
ativavam partes do nosso cérebro idênticas às que são ativadas quando uma pessoa muito religiosa se
depara com um objeto sagrado. Ou seja, não seria exagero dizer que o vício em novidades tecnológicas
é quase uma religião para os mais entusiastas.
 
O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o mais novo lançamento tecnológico dispara em nosso
cérebro a liberação de um hormônio chamado dopamina, responsável por nos causar sensações de
prazer. Ele é liberado quando nosso cérebro identifica algo que represente uma recompensa.
 
O grande problema é que a busca excessiva por recompensas pode resultar em comportamentos
impulsivos, que incluem vícios em jogos, apego excessivo a redes sociais e até mesmo alcoolismo. No
caso do consumo, podemos observar a situação problematizada aqui: gasto excessivo de dinheiro em
aparelhos eletrônicos que nem sempre trazem novidade –– as atualizações de modelos de smartphones,
por exemplo, na maior parte das vezes apresentam poucas mudanças em relação ao modelo anterior,
considerando-se seu preço elevado. Em outros casos, gasta-se uma quantia absurda em algum aparelho
novo que não se sabe se terá tanta utilidade prática ou inovadora no cotidiano.
 
No fim das contas, vale um lembrete que pode ajudar a conter os impulsos na hora de comprar um novo
smartphone ou alguma novidade de mercado: compare o efeito momentâneo da dopamina com o
impacto de imaginar como ficarão as faturas do seu cartão de crédito com a nova compra. O choque ao
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1037) 
constatar o rombo em seu orçamento pode ser suficiente para que você decida pensar duas vezes a
respeito da aquisição.
DANA, S. O Globo. Economia. Rio de Janeiro, 16 jan. 2018. Adaptado.
 
A ideia a que a expressão destacada se refere está explicitada adequadamente entre colchetes em:
a) “relacionados a experiências de realidade virtual e à utilização de inteligência artificial — que hoje
é um dos temas que mais desperta interesse em profissionais da área” [experiências de realidade
virtual]
b) “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo de tecnologia nos mais diversos segmentos”
[inteligência artificial] 
c) “a compra de uma novidade tecnológica atende a essa última necessidade citada”
[segurança] 
d) “O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o mais novo lançamento tecnológico dispara
em nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado dopamina” [mapeamento cerebral]
e) “ Ele é liberado quando nosso cérebro identifica algo que represente uma recompensa.” [impulso
cerebral] 
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CESGRANRIO - Conf (LIQUIGÁS)/LIQUIGÁS/I/2018
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Texto II
 
O Brasil na memória
 
A viagem tem uma estruturalidade típica. Há a escolha do destino, uma finalidade antevista, uma partida
e um retorno, um trajeto por lugares, um tempo de duração. Há situações iniciais e finais, outras
intermediárias, numa dimensão linear, e há atores, um dos quais o viajante, que serve de fio condutor
entre pessoas, acontecimentos, locais e deslocamentos. Supõe uma subjetividade que se abre ao
desconhecido, a perda de referências familiares, o abandono do mesmo pelo diferente, o encontro com o
outro e o reencontro consigo mesmo. Em contrapartida, a narrativa de viagem depende em primeiro
lugar da memória e de anotações. Seleciona experiências, precisa estabelecer um projeto de narração,
não necessariamente cronológico ou causal, torna-se, mesmo sem intenção, um testemunho. E é
orientada por perspectivas do narrador-viajante, que incluem seu estilo de vida, sua mentalidade, assim
como sua visão de mundo e sua posição de sujeito, ou seja, o local cultural de onde fala.
 
BORDINI, Maria da Glória. In: Descobrindo o Brasil. Rio de Janeiro:
EdUERJ, 2011, p. 353.
 
No Texto II, a autora diz que, numa viagem, “há atores, um dos quais o viajante” 
 
Ela usa a palavra “ator” porque está referindo-se à pessoa que
a) tem papel ativo em algum acontecimento.
b) desempenha um papel quando está em cena.
c) age como se estivesse representando um papel.
d) encara uma viagem como se estivesse num palco.
e) é capaz de simular emoções, sentimentos, atitudes.
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1038) 
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CESGRANRIO - Aju (LIQUIGÁS)/LIQUIGÁS/Carga e Descarga I/2018
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Texto I
 
Exagerado
 
Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos
Foram traçados na maternidade
 
Paixão cruel, desenfreada
Te trago mil rosas roubadas
Pra desculpar minhas mentiras
Minhas mancadas
 
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
 
Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar
 
E por você eu largo tudo
Vou mendigar, roubar, matar
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais
 
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
 
E por você eu largo tudo
Carreira, dinheiro, canudo
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais
 
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
 
Jogado aos teus pés
Com mil rosas roubadas
Exagerado
Eu adoro um amor inventado
 
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1039) 
ARAÚJO NETO, Agenor de Miranda (Cazuza); SIQUEIRA JR, Carlos Leoni Rodrigues. Exagerado. In:
CAZUZA. Exagerado. Rio de Janeiro: Sigla/Som Livre,1985. Lado A, faixa 1.
 
 
No trecho do Texto I “E por você eu largo tudo”, a palavra você, destacada na frase, refere-se à
a) rosa roubada
b) carreira
c) pessoa amada
d) maternidade
e) mancada
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CESGRANRIO - Of (LIQUIGÁS)/LIQUIGÁS/Produção I/2018
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Texto I
 
Gente Humilde
 
Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Feito um desejo de eu viver sem me notar
 
Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem, vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
 
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda, flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
 
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar.
 
SARDINHA, A.A. (Garoto); HOLLANDA, C.B.; MORAES, V. Gente humilde. Intérprete: Chico Buarque. In: C.B.
Hollanda nº 4. Direção de produção: Manoel Barebein. Rio de Janeiro: Companhia Brasileira de Discos, p1970. 1
disco sonoro. Lado 1, faixa 4.
 
 
 
No Texto I, existe uma relação de sentido, configurada na expressão “igual a como”, que
a) confronta os problemas sofridos pela gente na qual o poeta pensa.
b) compara a sensação do momento com a sensação que o poeta tem ao visitar o subúrbio.
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1040) 
c) explica a razão por que a gente do subúrbio é tão sofrida.
d) exclui qualquer ligação direta com o subúrbio, por onde o poeta somente passa.
e) inclui o poeta entre os que vivem as dificuldades suburbanas.
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CESGRANRIO - Of (LIQUIGÁS)/LIQUIGÁS/Produção I/2018
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Texto II
 
O acendedor de lampiões e nós
 
Outro dia tive uma visão. Uma antevisão. Eu vi o futuro. O futuro estampado no passado. Como São
João do Apocalipse, vi descortinar aos meus olhos o que vai acontecer, mas que já está acontecendo.
 
Havia acordado cedo e saí para passear com minha cachorrinha, a meiga Pixie, que volta e meia late de
estranhamento sobre as transformações em curso. Pois estava eu e ela perambulando pela vizinhança
quando vi chegar o jornaleiro, aquele senhor com uma pilha de jornais, que ia depositando de porta em
porta. Fiquei olhando. Ele lá ia cumprindo seu ritual, como antigamente se depositava o pão e o leite nas
portas e janelas das casas.
 
Vou confessar: eu mesmo, menino, trabalhei entregando garrafas de leite aboletado na carroça do ‘seu’
Gamaliel, lá em Juiz de Fora.
 
E pensei: estou assistindo ao fim de uma época. Daqui a pouco não haverá mais jornaleiro distribuindo
jornais de porta em porta. Esse entregador de jornais não sabe, mas é semelhante ao acendedor de
lampiões que existia antes de eu nascer. Meus pais falavam dessa figura que surgia no entardecer e
acendia nos postes a luz movida a gás, e de manhã vinha apagar a tal chama. [...]
 
SANT’ANNA, Affonso Romano de. O acendedor de lampiões e nós. Estado de Minas/Correio Brasiliense. 22 ago.
2010. Fragmento.
 
 
Ao usar, no título do Texto II, a 1ª pessoa do plural (nós), o autor define um grupo que está relacionado
ao acendedor de lampiões.
 
A leitura do texto permite concluir que componentes desse elemento “nós” são o
a) jornaleiro e o entregador de jornais
b) jornaleiro e os pais do autor
c) autor e a meiga Pixie
d) autor e as demais pessoas do seu tempo
e) autor quando menino e seu Gamaliel
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CESGRANRIO - Aju (LIQUIGÁS)/LIQUIGÁS/Motorista Granel I/Operador de Gás
I/2018
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1041) 
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Carta aos meus filhos adolescentes
 
Nossa relação mudará, não se assustem, continuo amando absurdamente cada um de vocês. Estarei
sempre de plantão, para o que der e vier. Do mesmo jeito, com a mesma vontade de ajudar.
 
É uma fase necessária: uma aparência de indiferença recairá em nossos laços, uma casca de tédio
grudará em nossos olhares.
 
Mas não durará a vida inteira, posso garantir.
 
Nossa comunicação não será tão fácil como antes. A adolescência altera a percepção dos pais, tornei-me
o chato daqui por diante.
 
Eu me preparei para a desimportância, guardei estoque de cartõezinhos e cartas de vocês pequenos,
colecionei na memória as declarações de “eu te amo” da última década, ciente de que não ouvirei
nenhuma jura por um longo tempo.
 
A vida será mais árida, mais constrangedora, mais lacônica. É um período de estranheza, porém
essencial e corajoso. Todos experimentam isso, em qualquer família, não tem como adiar ou fugir.
 
Serei obrigado agora a bater no quarto de vocês e aguardar uma licença. Existe uma casa chaveada no
interior de nossa casa. Não desfruto de chave, senha, passaporte. Não posso aparecer abrindo a porta
de repente. Às vezes mandarei um WhatsApp apenas para saber onde estão, mesmo quando estiverem
dentro do apartamento. Passarei essa vergonha.
 
Perguntarei como estão e ganharei monossílabos de presente. Talvez um ok. Talvez a sorte de um tudo
bem. As confissões não acontecerão espontaneamente.
 
“Me deixe em paz” despontará como refrão diante de qualquer cobrança.
 
Precisarei ser mais persuasivo. Nem alcanço alguma ideia de como, para mim também é uma experiência
nova, tampouco sei agir. Os namoros e os amigos assumirão as suas prioridades.
 
Verei vocês somente saindo ou chegando, desprovido de convergência para um abraço demorado.
 
Já não me acharão um máximo, já não sou grande coisa. Perceberam os meus pontos fracos, decoraram
os meus defeitos, não acreditam mais em minhas histórias, não sou a única versão de vocês. Qualquer
informação que digo, vão checar no Google.
 
Mas vamos sobreviver: o meu amor é imenso para resistir ao teste da diferença de idade e de geração.
Espero vocês do outro lado da ternura, quando tiverem a minha idade.
 
CARPINEJAR, F. Carta aos meus filhos adolescentes. Disponível em: <https://blogs.oglobo.globo.com/fabricio-
carpinejar/post/carta-aos-meus-fi lhos-adolescentes.html>. Acesso em: 10 jul. 2018. Adaptado.
 
 
O emprego da palavra destacada no trecho “‘Me deixe em paz’ despontará como refrão diante de
qualquer cobrança” faz referência a uma
a) quebra de confiança
b) invasão da privacidade
c) aprovação da persistência
1042) 
d) imprevisibilidade de reação
e) repetição de comportamento
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CESGRANRIO - Aju (LIQUIGÁS)/LIQUIGÁS/Motorista Granel I/Operador de Gás
I/2018
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Carta aos meus filhos adolescentes
 
Nossa relação mudará, não se assustem, continuo amando absurdamente cada um de vocês. Estarei
sempre de plantão, para o que der e vier. Do mesmo jeito, com a mesma vontade de ajudar.
 
É uma fase necessária: uma aparência de indiferença recairá em nossos laços, uma casca de tédio
grudará em nossos olhares.
 
Mas não durará a vida inteira, posso garantir.
 
Nossa comunicação não será tão fácil como antes. A adolescência altera a percepção dos pais, tornei-me
o chato daqui por diante.
 
Eu me preparei para a desimportância, guardei estoque de cartõezinhos e cartas de vocês pequenos,
colecionei na memória as declarações de “eu te amo” da última década, ciente de que não ouvirei
nenhuma jura por um longo tempo.
 
A vida será mais árida, mais constrangedora, mais lacônica. É um período de estranheza, porém
essencial e corajoso. Todosexperimentam isso, em qualquer família, não tem como adiar ou fugir.
 
Serei obrigado agora a bater no quarto de vocês e aguardar uma licença. Existe uma casa chaveada no
interior de nossa casa. Não desfruto de chave, senha, passaporte. Não posso aparecer abrindo a porta
de repente. Às vezes mandarei um WhatsApp apenas para saber onde estão, mesmo quando estiverem
dentro do apartamento. Passarei essa vergonha.
 
Perguntarei como estão e ganharei monossílabos de presente. Talvez um ok. Talvez a sorte de um tudo
bem. As confissões não acontecerão espontaneamente.
 
“Me deixe em paz” despontará como refrão diante de qualquer cobrança.
 
Precisarei ser mais persuasivo. Nem alcanço alguma ideia de como, para mim também é uma experiência
nova, tampouco sei agir. Os namoros e os amigos assumirão as suas prioridades.
 
Verei vocês somente saindo ou chegando, desprovido de convergência para um abraço demorado.
 
Já não me acharão um máximo, já não sou grande coisa. Perceberam os meus pontos fracos, decoraram
os meus defeitos, não acreditam mais em minhas histórias, não sou a única versão de vocês. Qualquer
informação que digo, vão checar no Google.
 
Mas vamos sobreviver: o meu amor é imenso para resistir ao teste da diferença de idade e de geração.
Espero vocês do outro lado da ternura, quando tiverem a minha idade.
 
CARPINEJAR, F. Carta aos meus filhos adolescentes. Disponível em: <https://blogs.oglobo.globo.com/fabricio-
carpinejar/post/carta-aos-meus-fi lhos-adolescentes.html>. Acesso em: 10 jul. 2018. Adaptado.
 
 
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/835054
1043) 
Em “Verei vocês somente saindo ou chegando, desprovido de convergência para um abraço
demorado.”, o trecho em destaque faz referência a um(a)
a) declínio no estado de humor
b) demonstração de desvio de caráter
c) falta de expectativa de contato físico
d) instabilidade no padrão de comportamento
e) inobservância à postura corporal adequada
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CESGRANRIO - ProV (LIQUIGÁS)/LIQUIGÁS/Júnior/2018
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Velhas casas
 
Tenho um amigo arquiteto que gosta de me falar de velhas casas brasileiras, da simplicidade e do gosto
dos antigos mestres de obra, dos homens práticos que encheram o Brasil de casarões, de igrejas, de
cidades.
 
O meu amigo vê a casa como um técnico, um especialista, o homem que ama a sua profissão. Com ele
andei pelos solares de Vassouras. E vi e senti o seu entusiasmo diante dos velhos sobrados do café. As
soluções encontradas pelos antigos, a sobriedade, a solidez, a marca do lusitano transplantado, sempre
mereciam dele uma crítica de quem admirava tudo e, às vezes, se espantava. Havia, de fato, grandeza
no que aquela gente fizera.
 
Sérgio Buarque de Hollanda fala no caráter empírico das cidades portuguesas da América. Em confronto
com os espanhóis, os portugueses fundaram as suas cidades com liberdade, dando mais vida, mais força
aos seus criadores. O instinto, a intuição, a necessidade de viver comandava-os. Não seriam conduzidos
por urbanistas, seriam levados pela necessidade, pelo arrojo, pelos fatos. Mas esta energia nunca se
desmandou. As casas portuguesas nunca seriam um despropósito. Havia na arquitetura que eles nos
legaram um toque de sobriedade que é uma maravilha de equilíbrio. O barroco, que se excedera nos
interiores das igrejas, contivera-se nos exteriores. Era até aí de uma simplicidade tocante. Na arquitetura
residencial quase que ele não se fez sentir. A pureza de linhas, o gosto, o chão dos nossos sobrados
falam de homens que amavam mais a solidez do que o ornato. Os mestres de obras não eram
individualistas, artistas que quisessem dar um sinal de sua personalidade. Eles edificavam, construíam.
 
REGO, José Lins do. In: O Cravo de Mozart é eterno: crônicas e ensaios. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004, p.
303-4. Adaptado.
 
 
No trecho “Na arquitetura residencial quase que ele não se fez sentir”, o pronome destacado refere-se ao
a) casario
b) barroco
c) instinto
d) despropósito
e) mestre de obras
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1044) 
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CESGRANRIO - TRPDACGN (ANP)/ANP/Técnico em Química/2016
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Entrevista com Frédéric Martel
 
Uma guerra mundial pelo conteúdo dos meios de comunicação se trava pela conquista do público dentro
e fora dos países criadores. Batalhas se desenrolam pelo domínio da notícia, do formato de programas de
TV e pela exibição de filmes, vídeos, música, livros. Nesse processo, um gigante domina: os Estados
Unidos, com sua capacidade de produzir cultura de massas(a) que agrada ao grande público em todos os
continentes. Essa penetração cultural americana, que muitos críticos preferem chamar de imperialismo,
leva os filmes, a música e a televisão americana para o mundo. Sua arma é o inverso da alta cultura, da
contracultura, da subcultura, de nichos especializados(b). Visa o público em geral, cultura de massa, de
milhões. Tornou-se a cultura internacional dominante, principal, a chamada mainstream, conforme o
título do livro escrito pelo sociólogo francês Frédéric Martel. Para escrever Mainstream, ele percorreu 30
países durante cinco anos, entrevistou mais de 1.200 pessoas em todas as capitais do entertainment,
analisou a ação dos protagonistas, a lógica dos grupos e acompanhou a circulação internacional de
conteúdo.
 
É um imperialismo diferente daquele político e militar. É uma espécie de imperialismo cultural que é bem
recebido no mundo. A esse respeito, afirma Frédéric Martel: “É o que basicamente chamamos de soft
power. Soft power significa influenciar as pessoas com coisas legais. Você é amigável, não é
contundente. Você tem as forças armadas, tem a diplomacia tradicional e grandes empresas econômicas,
que formam o hard power, e tem o soft power(c), que influencia as pessoas através de filmes, de livros,
da internet e de valores.”
 
“A língua é importante. Eu acredito — e essa é a principal conclusão do meu livro — que, no mundo em
que estamos entrando, que reúne globalização e digitalização, a língua é importante. E eu acredito que a
batalha, a luta, mesmo a guerra de conteúdo, será uma batalha a respeito da cultura nacional. Você
pode ouvir Lady Gaga, gostar de Avatar e ler O Código Da Vinci, mas, no final das contas, a maior parte
da cultura que você consome e ama geralmente é nacional, local, regional, e não global. A cultura global
é apenas uma pequena parte do que você gosta. Então, no final das contas, os americanos são os únicos
a poder prover essa cultura dominante global, mas essa cultura dominante global continua pequena. Por
quê? Porque a língua é muito importante, porque a identidade é muito importante. Quando você compra
um livro de não ficção, quer saber o que acontece aqui, no seu país, e não na Coreia do Sul, por
exemplo. Na Coreia do Sul você quer ouvir K-pop, que é a música pop coreana, e ver um drama coreano,
e não ouvir uma música brasileira. Portanto, nós estamos em um mundo cada vez mais global, mas, ao
mesmo tempo, a cultura ainda é e será muito nacional. Para resumir as coisas, eu diria que todos temos
duas culturas: a nossa e a americana.”
 
“Nós, como europeus, temos o mesmo tipo de relação que você, como brasileiro, tem com os EUA. Nós
os amamos e odiamos. É uma complicada relação de amor e ódio. Nós esperamos que eles sejam como
são; nós queremos criticá-los, mas, ao mesmo tempo, nós protestamos contra eles com tênis Nike nos
pés. Nós trabalhamos para ser um pouco como eles, muito embora nós queiramos manter nossa
identidade e cultura. E, a propósito, a boa notícia é que o debate no mundo hoje e no futuro não será
entre nós — brasileiros, franceses, europeus — e os americanos. Será entre todos nós. O que eu quero
dizer é que hoje não há apenas dois povos: nós e os EUA. O mundo é muitomais complicado, com
países emergentes, que serão fundamentais nesse novo jogo.”
 
“Para resumir, afirma Martel, eu diria que os EUA continuarão sendo peça importante da guerra de
conteúdo, podemos dizer, nos próximos anos e décadas. Eu não acredito e não compro a ideia do
declínio da cultura americana. Eu acho que eles são fortes e continuarão sendo fortes. Mas eles não são
os únicos no jogo. Agora temos os países emergentes, que estão emergindo não só demográfica e
economicamente, como pensávamos. E eu fui um dos primeiros a mostrar que eles estão emergindo com
sua cultura, sua mídia e com a internet(d).”
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1045) 
 
“Nesse mundo, a internet pode ser uma peça importante. O Brasil, por exemplo, vai crescer com a
internet, com certeza. Criam-se ferramentas inovadoras de alfabetização, por exemplo, em comunidades,
em favelas, em lugares onde os moradores não têm acesso a uma livraria ou biblioteca. Mas eles terão
acesso à internet em lan houses, por exemplo, e mesmo no telefone(e). Hoje, todo mundo tem um
telefone celular barato. Mesmo na África, todos têm celulares com funções básicas. Em cinco anos, todos
terão um smartphone, pois os preços estão caindo muito. Assim, todos poderão acessar a internet
pelo smartphone. Se você tem acesso à internet, pode baixar livros, acessar a rede, pode ver filmes e daí
por diante.”
 
“A questão não é se essa tecnologia é boa, conclui Martel. A questão é: ela não será boa ou ruim
sozinha. Ela será o que você, o povo, o governo deste país e nós formos capazes de fazer com ela,
criando uma boa internet e uma maneira melhor de ter acesso ao conteúdo através da internet.”
 
BOCCANERA, S. Entrevista concedida pelo sociólogo Frédéric Martel, Programa Milênio, Globo News. Disponível
em: <http://www.conjur.com.br/2013-jan-25/ideias-milenio-fredericmartel- sociologo-jornalista-frances>. Acesso
em: 10 nov. 2015. Adaptado.
 
A ideia à qual a palavra ou a expressão destacada se refere está explicitada adequadamente entre
colchetes em:
a) “Nesse processo, um gigante domina: os Estados Unidos, com sua capacidade de produzir
cultura de massas” [a exibição de filmes]
b) “Sua arma é o inverso da alta cultura, da contracultura, da subcultura, de nichos especializados”
[a televisão americana]
c) “Você tem as forças armadas, tem a diplomacia tradicional e grandes empresas econômicas, que
formam o hard power” [o interlocutor]
d) “E eu fui um dos primeiros a mostrar que eles estão emergindo com sua cultura, sua mídia e com
a internet.” [os EUA]
e) “Mas eles terão acesso à internet em lan houses, por exemplo, e mesmo no telefone” [os
moradores]
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CESGRANRIO - Psico (UNIRIO)/UNIRIO/Clínica/2016
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
O suor e a lágrima
 
Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa, quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora o
mais quente deste verão que inaugura o século e o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava
atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem
nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.
 
Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica, de coro de abadia pobre, que também pode parecer o
trono de um rei desolado de um reino desolante.
 
O engraxate era gordo e estava com calor — o que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo
italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco, em parte para poupá-lo, em parte porque quando
posso estou sempre de tênis.
 
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1046) 
Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e começou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe a
testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor,
que era abundante.
 
Com o mesmo pano, executou com maestria aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira, mas a
todo instante o usava para enxugar-se — caso contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.
 
E foi assim que a testa e a calva do valente filho do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato
adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio. Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente
suados.
 
Na hora de pagar, alegando não ter nota menor, deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espantado,
retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.
 
Saí daquela cadeira com um baita sentimento de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão sujos
assim, por míseros tostões, fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapatos e tive
vergonha daquele brilho humano, salgado como lágrima.
 
CONY, C. H. In: NESTROVSKI, A. (Org.). Figuras do Brasil – 80
autores em 80 anos de Folha. São Paulo: Publifolha. 2001. p. 319.
 
No trecho “Pegou aquele paninho que dá brilho final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor, que
era abundante”, o pronome destacado faz referência ao termo
a) paninho
b) brilho
c) sapatos
d) ele
e) suor
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CESGRANRIO - Ag PM (IBGE)/IBGE/2016
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Texto
 
Biodiversidade queimada
 
A Mata Atlântica tornou-se o ecossistema mais ameaçado do Brasil. O desmatamento tem-se ampliado
excessivamente, principalmente no trecho mais ao norte dessa floresta, em áreas costeiras dos estados
de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde restam apenas cerca de 10% da
vegetação nativa original. O risco é maior nessa parcela da mata porque a região apresenta uma das
maiores densidades populacionais do Brasil.
 
O censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE.), registrou pouco mais de 12
milhões de pessoas nos 271 municípios na área de ocorrência da Mata Atlântica ao norte do rio São
Francisco. Desse total, cerca de 2 milhões foram classificados como população rural. Na região, portanto,
a Mata Atlântica está cercada de gente por todos os lados e, infelizmente, uma parcela importante
dessas pessoas está em situação de pobreza. Imersas nessa combinação indesejável de pobreza e
degradação ambiental estão dezenas de espécies de aves, anfíbios, répteis e plantas, muitas já
criticamente ameaçadas de extinção.
 
É nesse cenário que, ao longo de mais de uma década, pesquisadores têm feito estudos para entender
como a perturbação extrema da paisagem altera a dinâmica vital dos remanescentes da Mata Atlântica,
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/386843
1047) 
causando perda de espécies, colapso da estrutura florestal e redução de serviços ambientais importantes
para o bem-estar humano.
 
Esses são os efeitos em grande escala, resultantes de modificações severas na estrutura da paisagem.
Há, porém, outras perturbações de origem humana e de menor escala, mas contínuas e generalizadas,
que podem ser descritas como crônicas: a caça, a retirada ocasional de madeira (a maior parte da
madeira nobre já desapareceu) e a coleta de lenha, entre outros. Um desses estudos, recentemente
concluído, buscou quantificar esse ‘efeito formiguinha’ e trouxe dados inéditos sobre o impacto da
retirada de lenha para consumo doméstico sobre a Mata Atlântica nordestina.
 
A madeira foi o primeiro combustível usado pela humanidade para cozinhar alimentos. Estima-se que,
hoje, no mundo, mais de 2 bilhões de pessoas ainda precisem de lenha e/ou carvão para uso doméstico.
Como a dependência de biomassa para fins energéticos está diretamente associada à pobreza, o simples
ato de acender um fogão a gás para preparar as refeições é uma realidade distante para mais de 700 mil
habitantes da região da Mata Atlântica do Nordeste, a porção de floresta mais ameaçada do Brasil. Essas
pessoas dependem ainda, para cozinhar, de lenha retirada dos remanescentes de floresta. Já que, em
média, cada indivíduo queima anualmente meiatonelada de lenha, a Mata Atlântica perde 350 mil
toneladas de madeira por ano, em séria ameaça à conservação dos fragmentos florestais que ainda
resistem nessa parte do país.
 
Os dados da pesquisa foram coletados de 2009 a 2011, a partir de entrevistas sistematizadas com 270
chefes de família e medição do uso de lenha em cada casa. Foram investigadas áreas rurais,
assentamentos e vilas agrícolas de usinas de açúcar em Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do
Norte. O estudo registrou o consumo de lenha de 67 espécies de árvores (apenas sete exóticas) e, do
total da lenha utilizada, 79% vieram diretamente da Mata Atlântica.
 
SPECHT, M. J.; TABARELLI, M.; MELO, F. Revista Ciência Hoje, n.308. Rio de Janeiro: Instituto Ciência Hoje, out.
2013. p. 18-20. Adaptado.
 
No trecho do Texto “onde restam apenas cerca de 10% da vegetação nativa original”, a palavra
destacada foi empregada de acordo com as exigências da norma-padrão da Língua Portuguesa.
 
Do mesmo modo, o emprego de onde atende a essas exigências em:
a) Alguns estudos parecem atender a uma preocupação bastante pertinente onde se podem traçar
estratégias de proteção ambiental.
b) A dependência de biomassa ocorre porque não há oferta de fontes industriais de energia nas
regiões onde as populações mais pobres vivem.
c) É preciso combater o desmatamento, onde fica evidente o processo de destruição da natureza
para a criação de gado.
d) Os anos de 2009 a 2011 correspondem ao período onde a pesquisa foi realizada por meio de
entrevistas em vários estados do Nordeste.
e) Esses estudos devem ser complementados por estratégias onde possa ser evitado o
desmatamento provocado pelo uso doméstico da madeira.
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CESGRANRIO - Ag PM (IBGE)/IBGE/2016
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Texto
 
Do fogo às lâmpadas de LED
 
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/386897
1048) 
Ao longo de nossa evolução, desenvolvemos uma forma muito eficiente de detectar a luz(b): nosso olho.
Esse órgão nos permite enxergar formas e cores de maneira ímpar(e). O que denominamos luz no
cotidiano é, de fato, uma onda eletromagnética que não é muito diferente, por exemplo, das ondas de
rádio ou micro-ondas, usadas em comunicação via celular, ou dos raios X, empregados em exames
médicos.
 
Para que pudesse enxergar seu caminho à noite, o homem buscou o desenvolvimento de fontes de
iluminação artificial(d). Os primeiros humanos recolhiam restos de queimadas naturais, mantendo as
chamas em fogueiras. Posteriormente, descobriu-se que o fogo poderia ser produzido ao se atritarem
pedras ou madeiras, dando o primeiro passo rumo à tecnologia de iluminação artificial.
 
A necessidade de transporte e manutenção do fogo levou ao desenvolvimento de dispositivos de
iluminação mais compactos e de maior durabilidade. Assim, há cerca de 50 mil anos, surgiram as
primeiras lâmpadas a óleo, feitas a partir de rochas e conchas, tendo, como pavio, fibras vegetais que
queimavam em óleo animal ou vegetal. Mais tarde, a eficiência desses dispositivos foi aumentada(c), com
o uso de óleo de tecidos gordurosos de animais marinhos, como baleias e focas.
 
As lâmpadas a óleo não eram adequadas para que áreas maiores (ruas, praças etc.) fossem iluminadas,
o que motivou o surgimento das lâmpadas a gás obtido por meio da destilação do carvão mineral. Esse
gás poderia ser transportado por tubulações(a) ao local de consumo e inflamado para produzir luz.
 
O domínio da tecnologia de geração de energia elétrica e o entendimento de efeitos associados à
passagem de corrente elétrica em materiais viabilizaram o desenvolvimento de novas tecnologias de
iluminação: lâmpadas incandescentes, com filamentos de bambu carbonizado, que garantem
durabilidade de cerca de 1,2 mil horas à sua lâmpada; e as lâmpadas halógenas, com maior vida útil e
luz com maior intensidade e mais parecida com a luz solar.
 
AZEVEDO, E. R.; NUNES, L. A. O. Revista Ciência Hoje. Rio de Janeiro: Instituto Ciência Hoje. n. 327, julho 2015,
p. 38-40. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2015/327/ do-fogo-as-lampadas-led>. Acesso
em: 4 ago. 2015. Adaptado.
 
A palavra ou a expressão a que se refere o termo destacado está corretamente explicitada entre
colchetes em
a) “Esse gás poderia ser transportado por tubulações” [carvão mineral]
b) “Ao longo de nossa evolução, desenvolvemos uma forma muito eficiente de detectar a luz”
[cientistas]
c) “a eficiência desses dispositivos foi aumentada” [óleo animal ou vegetal]
d) “Para que pudesse enxergar seu caminho à noite, o homem buscou o desenvolvimento de fontes
de iluminação artificial.” [homem]
e) “Esse órgão nos permite enxergar formas e cores de maneira ímpar.” [luz]
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CESGRANRIO - Sup Pesq (IBGE)/IBGE/Tecnologia de Informação e
Comunicação/2016
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Os pobres
 
Todo o mundo conhece os pobres. Os despossuídos de tudo, humilhados pela vida que lhes foi roubada.
As gentes tristes do mundo. As sem pão e sem beleza. As a que falta esperança. Que vivem dentro de
um horizonte tão retraído que nele não cabe um futuro que não seja a repetição da vida ruim. Para eles
e seus filhos. E netos. Como se a pobreza fosse genética e hereditária. Um fato da natureza. Ou um
castigo de Deus, dos que vão passando através de gerações.
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Nada de natureza, nada de Deus. Pobreza não é castigo. É imposição. Ninguém tem na pobreza qualquer
alegria. Os catadores de lixo encontram nessa atividade o muito pouco com que se sustentam e às suas
famílias, quando elas também não estão enterradas na sujeira dos outros, selecionando coisas ainda
aproveitáveis, sabe-se lá para quê. É o limite do desespero. Salvar da aniquilação os rejeitos de vidas
alheias, que, para quem está abaixo de todas as linhas da pobreza e da dignidade, valem a própria vida.
Urubus voam por cima dos lixões. Aquelas montanhas são seus territórios de morte. Os que catam lixo
disputam a vida com os urubus.
 
Sei que separar o lixo é uma atividade ecológica e economicamente relevante. O inadmissível é que ela
não seja feita na recolha seletiva prévia do que ainda serve para algum fim útil e do que está destinado à
putrefação dos cadáveres. Os catadores chafurdam em todas as porcarias para extrair delas uma garrafa,
uma tampa de sanitário, uma bota velha de um só pé. Resgatam do naufrágio coisas tristes como eles,
os jogados fora por uma sociedade que desperdiça coisas como desperdiça pessoas. Que joga fora o que
não serve. Os pobres não servem para uma sociedade que consome acima dos limites de uma vida
comum. Ou servem: alguém precisa fazer o trabalho sujo.
 
Penso num poema de Manuel Bandeira. Algo, um bicho certamente, remexia nas latas de lixo. “Quando
achava alguma coisa, não examinava nem cheirava: engolia com voracidade.” E os olhos insones do
poeta se estarreceram quando viu a verdade da miséria: “O bicho não era um cão, não era um gato, não
era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem.” Esses bichos são homens. São como eu e vocês, meus
companheiros de sábado. São homens.
 
E a fome! Meu Deus, a fome! A nós ronca o estômago quando se espaça demais o intervalo entre as
refeições. A barriga dos pobres já não ronca. Seu vazio não tem o conforto da proximidade da próxima
comida. São barrigas tristes. De dor interna e de abandono. Deitados nos cantos dos edifícios, nas
calçadas onde moram, estendem mãos sem esperança. “Para comer”, dizem. E nós passamos, tomando
distâncias cautelosas, pela ponta dos meios-fios. Podem ser perigosos. Estão sujos. E cheiram mal.
 
Passamos ao largo. Tomamos distância. Fugimos. Deles, sim. Mas, no mais fundo das nossas
consciências adormecidas, fugimos de nós. Os pobres, lixo da vida, estão lá — e nem nos acusam! — e
nos lembram do outro lixo, aquele emque jogamos coisas ainda usáveis, sem pensarmos que alguém
naquela calçada podia fazer com elas uma roupa, um abrigo para o frio. Um farrapo de esperança digna.
Fugimos do beco onde algo chafurda nas latas de lixo, e come com voracidade o que encontra. E não é
um bicho, meu Deus. É um homem.
 
D’AMARAL, M. T. Rio de Janeiro, O Globo, 7 maio 2016. Adaptado.
 
Em “Seu vazio não tem o conforto da proximidade da próxima comida.”, o pronome em destaque
apresenta como referente a palavra
a) fome
b) Deus
c) nós
d) refeições
e) barriga
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CESGRANRIO - Esc BB/BB/Agente Comercial/2015
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
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1049) 
1050) 
Cartilha orienta consumidor
Lançada pelo SindilojasRio e pelo CDL-Rio,
em parceria com o Procon-RJ, guia destaca os principais
pontos do Código de Defesa do Consumidor (CDC),
selecionados a partir das dúvidas e reclamações mais
comuns recebidas pelas duas entidades
O Sindicato de Lojistas do Comércio do Rio de Janeiro (SindilojasRio) e o Clube de Diretores Lojistas do
Rio de Janeiro (CDL-Rio) lançaram ontem uma cartilha para orientar lojistas e consumidores sobre seus
direitos e deveres. Com o objetivo de dar mais transparência e melhorar as relações de consumo, a
cartilha tem apoio também da Secretaria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Seprocon)/
Procon-RJ.
Batizada de Boas Vendas, Boas Compras! – Guia prático de direitos e deveres para lojistas e
consumidores, a publicação destaca os principais pontos do Código de Defesa do Consumidor (CDC),
selecionados a partir das dúvidas e reclamações mais comuns recebidas, tanto pelo SindilojasRio e CDL-
Rio, como pelo Procon-RJ.
“A partir da conscientização de consumidores e lojistas sobre seus direitos e deveres, queremos
contribuir para o crescimento sustentável das empresas, tendo como base a ética, a qualidade dos
produtos e a boa prestação de serviços ao consumidor”, explicou o presidente do SindilojasRio e do CDL-
Rio, Aldo Gonçalves.
Gonçalves destacou que as duas entidades estão comprometidas em promover mudanças que propiciem
o avanço das relações de consumo, além do desenvolvimento do varejo carioca.
“O consumidor é o nosso foco. É importante informá-lo dos seus direitos”, disse o empresário,
ressaltando que conhecer bem o CDC é vital não só para os lojistas, mas também para seus
fornecedores.
Jornal do Commercio. Rio de Janeiro. 08 abr. 2014, A-9. Adaptado.
 
Na última frase do texto, é transcrita a opinião de um empresário para quem “conhecer bem o CDC é
vital não só para os lojistas, mas também para seus fornecedores”.
Considerando-se o conteúdo dessa opinião, que outra estrutura frasal poderia representá-la?
a) Conhecer bem o CDC é vital tanto para os lojistas quanto para seus fornecedores.
b) Conhecer bem o CDC é vital em especial para os lojistas assim como para seus fornecedores.
c) Conhecer bem o CDC é vital nem tanto para os lojistas como para seus fornecedores.
d) Conhecer bem o CDC é vital inclusive para os lojistas sem falar em seus fornecedores.
e) Conhecer bem o CDC é vital não tanto para os lojistas bem como para seus fornecedores.
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CESGRANRIO - PPNS (PETROBRAS)/PETROBRAS/Direito/2015
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
A sociedade da informação e seus desafios
 
Dificilmente alguém discordaria de que a sociedade da informação é o principal traço característico do
debate público sobre desenvolvimento, seja em nível local ou global, neste alvorecer do século XXI. Das
propostas políticas oriundas dos países industrializados e das discussões acadêmicas, a expressão
“sociedade de informação” transformou-se rapidamente em jargão nos meios de comunicação,
alcançando, de forma conceitualmente imprecisa, o universo vocabular do cidadão.
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/300455
 
A expressão “sociedade da informação” passou a ser utilizada como substituta para o conceito complexo
de “sociedade pós-industrial”, como forma de transmitir o conteúdo específico do “novo paradigma
técnico-econômico”. A realidade que os conceitos das ciências sociais procuram expressar refere-se às
transformações técnicas, organizacionais e administrativas que têm como “fator-chave” não mais os
insumos baratos de energia — como na sociedade industrial — mas os insumos baratos de informação
propiciados pelos avanços tecnológicos na microeletrônica e nas telecomunicações.
 
Nesta sociedade pós-industrial, ou “informacional”, as transformações em direção à sociedade da
informação, em estágio avançado nos países industrializados, constituem uma tendência dominante
mesmo para economias menos industrializadas e definem um novo paradigma, o da tecnologia da
informação, que expressa a essência da presente transformação tecnológica em suas relações com a
economia e a sociedade. Esse novo paradigma tem as seguintes características fundamentais: a
informação é sua matéria-prima (no passado, o objetivo dominante era utilizar informação para agir
sobre as tecnologias)(a); os efeitos das novas tecnologias têm alta penetrabilidade (a informação é parte
integrante de toda atividade humana, individual ou coletiva e, portanto, todas essas atividades tendem a
ser afetadas diretamente pela nova tecnologia); a tecnologia favorece processos reversíveis devido a sua
flexibilidade; trajetórias de desenvolvimento tecnológico em diversas áreas do saber tornam-se
interligadas e transformam-se as categorias segundo as quais pensamos todos os processos
(microeletrônica, telecomunicações, optoeletrônica, por exemplo)(b).
 
O foco sobre a tecnologia pode alimentar a visão ingênua de determinismo tecnológico segundo o qual
as transformações em direção à sociedade da informação resultam da tecnologia(c), seguem uma lógica
técnica e, portanto, neutra e estão fora da interferência de fatores sociais e políticos. Nada mais
equivocado: processos sociais e transformação tecnológica resultam de uma interação complexa em que
fatores sociais preexistentes como a criatividade, o espírito empreendedor, as condições da pesquisa
científica afetam o avanço tecnológico e suas aplicações sociais.
 
No campo educacional dos países em desenvolvimento, decisões sobre investimentos para a
incorporação da informática e da telemática implicam também riscos e desafios. Será essencial identificar
o papel que essas novas tecnologias podem desempenhar no processo de desenvolvimento educacional
e, isso posto, resolver como utilizá-las de forma a facilitar uma efetiva aceleração do processo em direção
à educação para todos(d), ao longo da vida, com qualidade e garantia de diversidade. As novas
tecnologias de informação e comunicação tornam-se, hoje, parte de um vasto instrumental
historicamente mobilizado para a educação e a aprendizagem. Cabe a cada sociedade decidir que
composição do conjunto de tecnologias educacionais mobilizar para atingir suas metas de
desenvolvimento(e).
 
A Unesco tem atuado de forma sistemática no sentido de apoiar as iniciativas dos Estados Membros na
definição de políticas de integração das novas tecnologias aos seus objetivos de desenvolvimento. No
Programa Informação para Todos, as ações desse organismo internacional estão concentradas em duas
áreas principais: conteúdo para a sociedade da informação e “infoestrutura” para esta sociedade em
evolução, por meio da cooperação para treinamento, apoio ao estabelecimento de políticas de
informação e promoção de conexões em rede.
 
No espírito da Declaração Universal dos Direitos do Homem, que constitui a base dos direitos à
informação na sociedade da informação, e levando em consideração os valores e a visão delineados
anteriormente, o novo Programa Informação para Todos deverá prover uma plataforma para a discussão
global sobre acesso à informação, participação de todosna sociedade da informação global e as
consequências éticas, legais e societárias do uso das tecnologias de informação e comunicação. Deverá
prover também a estrutura para colaboração internacional e parcerias nessas áreas e apoiar o
desenvolvimento de ferramentas comuns, métodos e estratégias para a construção de uma sociedade de
informação global e justa.
 
WERTHEIN, J. Ciência da Informação. Brasília, v. 29, n. 2, p. 71- 77, maio/ago. 2000. Disponível em:
<http://revista.ibict.br/ciinf/index. php/ciinf/article/view/254>. Acesso em: 10 maio 2015. Adaptado.
1051) 
 
No texto, a palavra ou expressão a que se refere o termo destacado está adequadamente explicitada
entre colchetes em:
a) “Esse novo paradigma tem as seguintes características fundamentais: a informação é sua matéria-
prima (no passado, o objetivo dominante era utilizar informação para agir sobre as tecnologias)”
[características fundamentais]
b) “trajetórias de desenvolvimento tecnológico em diversas áreas do saber tornam-se interligadas e
transformam-se as categorias segundo as quais pensamos todos os processos (microeletrônica,
telecomunicações, optoeletrônica, por exemplo)”.[trajetórias]
c) “O foco sobre a tecnologia pode alimentar a visão ingênua de determinismo tecnológico segundo o
qual as transformações em direção à sociedade da informação resultam da tecnologia.”[foco]
d) “Será essencial identificar o papel que essas novas tecnologias podem desempenhar no processo
de desenvolvimento educacional e, isso posto, resolver como utilizá-las de forma a facilitar uma
efetiva aceleração do processo em direção à educação para todos.” [essas novas tecnologias]
e) “Cabe a cada sociedade decidir que composição do conjunto de tecnologias educacionais mobilizar
para atingir suas metas de desenvolvimento.” [conjunto de tecnologias]
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CESGRANRIO - Tec Cien (BASA)/BASA/Medicina do Trabalho/2015
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador
A medicina do trabalho, enquanto especialidade médica, surge na Inglaterra, na primeira metade do
século XIX, com a Revolução Industrial.
Naquele momento, o consumo da força de trabalho, resultante da submissão dos trabalhadores a um
processo acelerado e desumano de produção, exigiu uma intervenção, sob pena de tornar inviável a
sobrevivência e a reprodução do próprio processo.
Quando Robert Dernham, proprietário de uma fábrica têxtil, preocupado com o fato de que seus
operários não dispunham de nenhum cuidado médico a não ser aquele propiciado por instituições
filantrópicas, procurou o Dr. Robert Baker, seu médico, pedindo que indicasse qual a maneira pela qual
ele, como empresário, poderia resolver tal situação. Baker respondeu-lhe:
“Coloque no interior da sua fábrica o seu próprio médico, que servirá de intermediário entre você, os
seus trabalhadores e o público. Deixe-o visitar a fábrica, sala por sala, sempre que existam pessoas
trabalhando, de maneira que ele possa verificar o efeito do trabalho sobre as pessoas. E se ele verificar
que qualquer dos trabalhadores está sofrendo a influência de causas que possam ser prevenidas, a ele
competirá fazer tal prevenção. Dessa forma você poderá dizer: meu médico é a minha defesa, pois a ele
dei toda a minha autoridade no que diz respeito à proteção da saúde e das condições físicas dos meus
operários; se algum deles vier a sofrer qualquer alteração da saúde, o médico unicamente é que deve ser
responsabilizado”.
A resposta do empregador foi a de contratar Baker para trabalhar na sua fábrica, surgindo, assim, em
1830, o primeiro serviço de medicina do trabalho.
Na verdade, despontam, na resposta do fundador do primeiro serviço médico de empresa, os elementos
básicos da expectativa do capital quanto às finalidades de tais serviços:
- deveriam ser serviços dirigidos por pessoas de inteira confiança do empresário e que se dispusessem a
defendê-lo;
- deveriam ser serviços centrados na figura do médico;
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/301226
1052) 
- a prevenção dos danos à saúde resultantes dos riscos do trabalho deveria ser tarefa eminentemente
médica;
- a responsabilidade pela ocorrência dos problemas de saúde ficava transferida ao médico.
A implantação de serviços baseados nesse modelo rapidamente expandiu-se por outros países,
paralelamente ao processo de industrialização e, posteriormente, aos países periféricos, com a
transnacionalização da economia. A inexistência ou fragilidade dos sistemas de assistência à saúde, quer
como expressão do seguro social, quer diretamente providos pelo Estado, via serviços de saúde pública,
fez com que os serviços médicos de empresa passassem a exercer um papel vicariante, consolidando, ao
mesmo tempo, sua vocação enquanto instrumento de criar e manter a dependência do trabalhador (e
frequentemente também de seus familiares), ao lado do exercício direto do controle da força de trabalho.
MENDES, R; DIAS, E.C. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. Revista Saúde Pública, S.Paulo, 25: 341-9,
1991. Disponível em: <https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/ imagem/2977.pdf>. Acesso em: 13 jul. 2015.
Adaptado.
 
No trecho “deveriam ser serviços dirigidos por pessoas de inteira confiança do empresário e que se
dispusessem a defendê-lo” ( l.17), o pronome oblíquo “o” exerce uma função coesiva, ao retomar, como
seu referente, a expressão
a) fundador
b) serviço médico
c) trabalho
d) capital
e) empresário
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Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador
A medicina do trabalho, enquanto especialidade médica, surge na Inglaterra, na primeira metade do
século XIX, com a Revolução Industrial.
Naquele momento, o consumo da força de trabalho, resultante da submissão dos trabalhadores a um
processo acelerado e desumano de produção, exigiu uma intervenção, sob pena de tornar inviável a
sobrevivência e a reprodução do próprio processo.
Quando Robert Dernham, proprietário de uma fábrica têxtil, preocupado com o fato de que seus
operários não dispunham de nenhum cuidado médico a não ser aquele propiciado por instituições
filantrópicas, procurou o Dr. Robert Baker, seu médico, pedindo que indicasse qual a maneira pela qual
ele, como empresário, poderia resolver tal situação. Baker respondeu-lhe:
“Coloque no interior da sua fábrica o seu próprio médico, que servirá de intermediário entre você, os
seus trabalhadores e o público. Deixe-o visitar a fábrica, sala por sala, sempre que existam pessoas
trabalhando, de maneira que ele possa verificar o efeito do trabalho sobre as pessoas. E se ele verificar
que qualquer dos trabalhadores está sofrendo a influência de causas que possam ser prevenidas, a ele
competirá fazer tal prevenção. Dessa forma você poderá dizer: meu médico é a minha defesa, pois a ele
dei toda a minha autoridade no que diz respeito à proteção da saúde e das condições físicas dos meus
operários; se algum deles vier a sofrer qualquer alteração da saúde, o médico unicamente é que deve ser
responsabilizado”.
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1053) 
A resposta do empregador foi a de contratar Baker para trabalhar na sua fábrica, surgindo, assim, em
1830, o primeiro serviço de medicina do trabalho.
Na verdade, despontam, na resposta do fundador do primeiro serviço médico de empresa, os elementos
básicos da expectativa do capital quanto às finalidades de tais serviços:
- deveriam ser serviços dirigidos por pessoas de inteira confiança do empresário e que se dispusessem a
defendê-lo;
- deveriam ser serviços centrados na figura do médico;
- a prevenção dos danos à saúde resultantes dos riscos do trabalho deveria ser tarefa eminentemente
médica;
- a responsabilidade pela ocorrência dosproblemas de saúde ficava transferida ao médico.
A implantação de serviços baseados nesse modelo rapidamente expandiu-se por outros países,
paralelamente ao processo de industrialização e, posteriormente, aos países periféricos, com a
transnacionalização da economia. A inexistência ou fragilidade dos sistemas de assistência à saúde, quer
como expressão do seguro social, quer diretamente providos pelo Estado, via serviços de saúde pública,
fez com que os serviços médicos de empresa passassem a exercer um papel vicariante, consolidando, ao
mesmo tempo, sua vocação enquanto instrumento de criar e manter a dependência do trabalhador (e
frequentemente também de seus familiares), ao lado do exercício direto do controle da força de trabalho.
MENDES, R; DIAS, E.C. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. Revista Saúde Pública, S.Paulo, 25: 341-9,
1991. Disponível em: <https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/ imagem/2977.pdf>. Acesso em: 13 jul. 2015.
Adaptado.
 
No trecho “A medicina do trabalho, enquanto especialidade médica” ( l. 1), a palavra enquanto pode
ser substituída, conforme a norma-padrão e sem mudança do sentido original da frase, por
a) onde
b) porém
c) todavia
d) como
e) assim
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Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Moeda digital deve revolucionar a sociedade
Nas sociedades primitivas, a produção de bens era limitada e feita por famílias que trocavam seus
produtos de subsistência através do escambo, organizado em locais públicos, decorrendo daí a origem do
termo “pregão” da Bolsa(c). Com o passar do tempo, especialmente na antiguidade, época em que os
povos já dominavam a navegação, o comércio internacional se modernizou e engendrou a criação de
moedas, com o intuito de facilitar a circulação de mercadorias, que tinham como lastro elas mesmas,
geralmente alcunhadas em ouro, prata ou bronze, metais preciosos desde sempre.
A Revolução Industrial ocorrida inicialmente na Inglaterra e na Holanda, por volta de 1750, viria a criar
uma quantidade de riqueza acumulada tão grande que transformaria o próprio dinheiro em mercadoria.
Nascia o mercado financeiro em Amsterdã, que depois se espalharia por toda a Europa e pelo mundo. A
grande inovação na época foi o mecanismo de compensação nos pagamentos, mais seguro e prático, no
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qual um banco emitia uma ordem de pagamento para outro em favor de determinada pessoa e esta
poderia sacá-la sem que uma quantidade enorme de dinheiro ou ouro tivesse de ser transportada entre
continentes. Essa ordem de pagamento, hoje reconhecida no mundo financeiro como “título cambial”,
tem como instrumento mais conhecido o cheque, “neto” da letra de câmbio, amplamente usada pela
burguesia em transações financeiras na alta idade média. A teoria nos ensina que são três as suas
principais características(a): a cartularidade, a autonomia e a abstração.
 
Ora, o que isso tem a ver com bitcoins?(e) Foi necessária essa pequena exegese para refletirmos que não
importa a forma como a sociedade queira se organizar, ela é sempre motivada por um fenômeno
humano(d). Como nos ensina Platão, a necessidade é a mãe das invenções. Considerando o dinamismo
da evolução da sociedade da informação, inicialmente revolucionada pela invenção do códex e da
imprensa nos idos de 1450, que possibilitou na Idade Média o armazenamento e a circulação de grandes
volumes de informação, e, recentemente, o fenômeno da internet, que eliminou distâncias e barreiras
culturais, transformando o mundo em uma aldeia global, seria impossível que o próprio mundo virtual
não desenvolvesse sua moeda, não somente por questão financeira, mas sobretudo para afirmação de
sua identidade cultural.
 
Criada por um “personagem virtual”, cuja identidade no mundo real é motivo de grande especulação(b), a
bitcoin, resumidamente, é uma moeda virtual que pode ser utilizada na aquisição de produtos e serviços
dos mais diversos no mundo virtual. Trata-se de um título cambial digital, sem emissor, sem cártula, e,
portanto, sem lastro, uma aberração no mundo financeiro, que, não obstante isso, tem valor.
 
No entanto, ao que tudo indica, essa questão do lastro está prestes a ser resolvida. Explico. Grandes
corporações começam a acenar com a possibilidade de aceitar bitcoins na compra de serviços. Se a
indústria pesada da tecnologia realmente adotar políticas reconhecendo e incluindo bitcoins como moeda
válida, estará dado o primeiro passo para a criação de um mercado financeiro global de bitcoins. Esse
assunto é de alta relevância para a sociedade como um todo e poderá abrir as portas para novos serviços
nas estruturas que se formarão não somente no mercado financeiro, em todas as suas facetas — refiro-
me à Bolsa de Valores, inclusive, bem como em novos campos do direito e na atividade estatal de
regulação dessa nova moeda.
 
Certamente a consolidação dos bitcoins não revogaráas outras modalidades de circulação de riqueza
criadas ao longo da história, posto que ainda é possível trocar mercadorias, emitir letras de câmbio,
transacionar com moedas e outros títulos. Ao longo do tempo aprendemos também que os instrumentos
se renovaram e se tornaram mais sofisticados, fato que constitui um desafio para o mundo do direito.
 
AVANZI, Dane. UOL TV Todo Dia. Disponível em:
<http://portal.tododia.uol.com.br/_conteudo/2015/03/opiniao/65848-moeda-digital-deve-revolucionar-a-
sociedade.php>. Acesso em: 09 ago. 2015. Adaptado.
 
No texto, a palavra ou expressão a que o termo destacado se refere está corretamente explicitada entre
colchetes em:
a) “A teoria nos ensina que são três as suas principais características” [ordem de pagamento]
b) “Criada por um ‘personagem virtual’, cuja identidade no mundo real é motivo de grande
especulação” [moeda virtual]
c) “trocavam seus produtos de subsistência através do escambo, organizado em locais públicos,
decorrendo daí a origem do termo ‘pregão’ da Bolsa” [produção de bens]
d) “ela é sempre motivada por um fenômeno humano” [essa pequena exegese]
e) “o que isso tem a ver com bitcoins?” [transação financeira virtual]
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1054) 
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Moeda digital deve revolucionar a sociedade
Nas sociedades primitivas, a produção de bens era limitada e feita por famílias que trocavam seus
produtos(a) de subsistência através do escambo, organizado em locais públicos, decorrendo daí a origem
do termo “pregão” da Bolsa. Com o passar do tempo, especialmente na antiguidade, época em que os
povos já dominavam a navegação, o comércio internacional se modernizou e engendrou a criação de
moedas, com o intuito de facilitar a circulação de mercadorias, que tinham como lastro elas mesmas(c),
geralmente alcunhadas em ouro, prata ou bronze, metais preciosos desde sempre.
A Revolução Industrial ocorrida inicialmente na Inglaterra e na Holanda, por volta de 1750, viria a criar
uma quantidade de riqueza acumulada tão grande que transformaria o próprio dinheiro em mercadoria.
Nascia o mercado financeiro em Amsterdã, que depois se espalharia por toda a Europa e pelo mundo(d).
A grande inovação na época foi o mecanismo de compensação nos pagamentos, mais seguro e prático,
no qual um banco emitia uma ordem de pagamento para outro em favor de determinada pessoa e esta
poderia sacá-la sem que uma quantidade enorme de dinheiro ou ouro tivesse de ser transportada entre
continentes. Essa ordem de pagamento, hoje reconhecida no mundo financeiro como “título cambial”,
tem como instrumento mais conhecido o cheque, “neto” da letra de câmbio, amplamente usada pela
burguesia em transações financeiras na alta idade média. A teoria nos ensina que são trêsas suas
principais características: a cartularidade, a autonomia e a abstração.
 
Ora, o que isso tem a ver com bitcoins? Foi necessária essa pequena exegese para refletirmos que não
importa a forma como a sociedade queira se organizar, ela é sempre motivada por um fenômeno
humano. Como nos ensina Platão, a necessidade é a mãe das invenções. Considerando o dinamismo da
evolução da sociedade da informação, inicialmente revolucionada pela invenção do códex e da imprensa
nos idos de 1450, que possibilitou na Idade Média o armazenamento e a circulação de grandes volumes
de informação, e, recentemente, o fenômeno da internet, que eliminou distâncias e barreiras culturais,
transformando o mundo em uma aldeia global, seria impossível que o próprio mundo virtual não
desenvolvesse sua moeda, não somente por questão financeira, mas sobretudo para afirmação de sua
identidade cultural.
 
Criada por um “personagem virtual”, cuja identidade no mundo real é motivo de grande especulação, a
bitcoin, resumidamente, é uma moeda virtual que pode ser utilizada na aquisição de produtos e serviços
dos mais diversos no mundo virtual. Trata-se de um título cambial digital, sem emissor, sem cártula, e,
portanto, sem lastro, uma aberração no mundo financeiro, que, não obstante isso, tem valor.(e)
 
No entanto, ao que tudo indica, essa questão do lastro está prestes a ser resolvida. Explico. Grandes
corporações começam a acenar com a possibilidade de aceitar bitcoins na compra de serviços. Se a
indústria pesada da tecnologia realmente adotar políticas reconhecendo e incluindo bitcoins como moeda
válida, estará dado o primeiro passo para a criação de um mercado financeiro global de bitcoins. Esse
assunto é de alta relevância para a sociedade como um todo e poderá abrir as portas para novos serviços
nas estruturas que se formarão não somente no mercado financeiro, em todas as suas facetas(b) —
refiro-me à Bolsa de Valores, inclusive, bem como em novos campos do direito e na atividade estatal de
regulação dessa nova moeda.
 
Certamente a consolidação dos bitcoins não revogaráas outras modalidades de circulação de riqueza
criadas ao longo da história, posto que ainda é possível trocar mercadorias, emitir letras de câmbio,
transacionar com moedas e outros títulos. Ao longo do tempo aprendemos também que os instrumentos
se renovaram e se tornaram mais sofisticados, fato que constitui um desafio para o mundo do direito.
 
AVANZI, Dane. UOL TV Todo Dia. Disponível em:
<http://portal.tododia.uol.com.br/_conteudo/2015/03/opiniao/65848-moeda-digital-deve-revolucionar-a-
sociedade.php>. Acesso em: 09 ago. 2015. Adaptado.
 
1055) 
No texto, a palavra ou expressão a que se refere o termo destacado está expressa adequadamente entre
colchetes em
a) “a produção de bens era limitada e feita por famílias que trocavam seus produtos” [sociedades
primitivas]
b) “poderá abrir as portas para novos serviços nas estruturas que se formarão não somente no
mercado financeiro, em todas as suas facetas” [as portas]
c) “com o intuito de facilitar a circulação de mercadorias, que tinham como lastro elas mesmas.”
[moedas]
d) “Nascia o mercado financeiro em Amsterdã, que depois se espalharia por toda a Europa e pelo
mundo.” [Amsterdã]
e) “uma aberração no mundo financeiro, que, não obstante isso, tem valor.” [mundo financeiro]
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CESGRANRIO - Tec (BR)/BR/Química Júnior/2015
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
A pátria de chuteiras
O estilo de jogo e as celebrações dos torcedores são publicamente reconhecidos no Brasil como traços
nacionais. Em um plano, temos o tão celebrado “futebol-arte” glorificado como a forma genuína de nosso
suposto estilo de jogo, e o entusiasmo e os diversos modos de torcer como características típicas de ser
brasileiro. Mas, no plano organizacional, não enaltecemos determinados aspectos, uma vez que eles
falam de algo indesejado na resolução de obstáculos da vida cotidiana. Nesse sentido, tais traços do
famoso “jeitinho” brasileiro não são considerados como representativos do Brasil que idealizamos.
Repetido diversas vezes e vendido para o exterior como uma das imagens que melhor retrata o nosso
país, o epíteto “Brasil: país do futebol” merece uma investigação mais cuidadosa. Essa ideia foi uma
“construção” histórica que teve um papel importante na formação da nossa identidade. Internamente a
utilizamos, quase sempre, com um viés positivo, como uma maneira de nos sentirmos membros de uma
nação singular, mais alegre.
Não negamos a sua força nem sua eficácia simbólica, mas começamos a questionar o papel dessa
representação na virada do século, bem como a atual intensidade de seu impacto no cotidiano brasileiro.
Se a paixão pelo futebol é um fenômeno que ocorre em diversos países do mundo, o que nos diferencia
seria a forma como nos utilizamos dele para construirmos nossa identidade e conquistas em competições
internacionais? Observemos, no entanto, que ser um aficionado não significa necessariamente se valer
do futebol como metáfora do país.
A Copa do Mundo possui uma estrutura narrativa que estimula os nacionalismos. O encanto da
competição encontra-se justamente no fato de “fingirmos” acreditar que as nações estão representadas
por 11 jogadores. O futebol não é a nação, mas a crença de que ele o é move as paixões durante um
Mundial. Mas, ao compararmos a situação atual com a carga emocional de 1950 e 1970, especulamos
sobre a possibilidade de estarmos assistindo a um declínio do interesse pelo futebol como emblema da
nação.
O jogador que veste a camisa nacional também representa clubes da Europa, além de empresas
multinacionais. As marcas empresariais estão amalgamadas com o fenômeno esportivo. As camisas e os
produtos associados a ele são vendidos em todas as partes do mundo. Esse processo de
desterritorialização do ídolo e do futebol cria um novo processo de identidade cultural. Ao se enaltecer o
futebol como um produto a ser consumido em um mercado de entretenimento cada vez mais
diversificado, sem um projeto que o articule a instâncias mais inclusivas, o que se consegue é esgarçar
cada vez mais o vínculo estabelecido em décadas passadas.
 
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1056) 
Se o futebol foi um dos fatores primordiais de integração nacional, sendo a seleção motivo de orgulho e
identificação para os brasileiros, qual seria o seu papel no século 21? Continuar resgatando sentimentos
nacionalistas por meio das atuações da seleção ou estimulá-los despertando a população para um olhar
mais crítico sobre o papel desse esporte na vida do país?
HELAL, R. Ciência Hoje, n. 314. Rio de Janeiro: SBPC e Instituto Ciência Hoje. Maio de 2014. p. 18-23. Adaptado.
 
A palavra a que se refere o termo destacado está explicitada entre colchetes em:
a) “vendido para o exterior como uma das imagens que melhor retrata o nosso país” [exterior]
b) “Essa foi uma ‘construção’ histórica que teve um papel importante na formação da nossa
identidade.” [histórica]
c) “Se a paixão pelo futebol é um fenômeno que ocorre em diversos países do mundo, o que nos
diferencia seria a forma como nos utilizamos dele” [fenômeno]
d) “A Copa do Mundo possui uma estrutura narrativa que estimula os nacionalismos.” [narrativa]
e) “em um mercado de entretenimento cada vez mais diversificado, sem um projeto que o articule a
instâncias mais inclusivas” [entretenimento]
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Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Um pouco distraído
Ando um pouco distraído, ultimamente. Alguns amigos mais velhos sorriem, complacentes, e dizem que é
isso mesmo, costuma acontecer com a idade, não é distração: é memória fraca mesmo, insuficiência de
fosfato.
O diabo é que me lembro cada vez mais de coisas que deveria esquecer: dados inúteis, nomes sem
significado, frasesidiotas, circunstâncias ridículas, detalhes sem importância. Em compensação, troco o
nome das pessoas, confundo fisionomias, ignoro conhecidos, cumprimento desafetos. Nunca sei onde
largo objetos de uso e cada saída minha de casa representa meia hora de atraso em aflitiva procura:
quede minhas chaves? meus cigarros? meu isqueiro? minha caneta?
Estou convencido de que tais objetos, embora inanimados, têm um pacto secreto com o demônio, para
me atormentar: eles se escondem.
Recentemente, descobri a maneira infalível de derrotá-los. Ainda há pouco quis acender um cigarro, dei
por falta do isqueiro. Em vez de procurá-lo freneticamente, como já fiz tantas vezes, abrindo e fechando
gavetas, revirando a casa feito doido, para acabar plantado no meio da sala apalpando os bolsos vazios
como um tarado, levantei-me com naturalidade sem olhar para lugar nenhum e fui olimpicamente à
cozinha apanhar uma caixa de fósforos.
Ao voltar — eu sabia! — dei com o bichinho ali mesmo, na ponta da mesa, bem diante do meu nariz, a
olhar-me desapontado. Tenho a certeza de que ele saiu de seu esconderijo para me espiar.
Até agora estou vencendo: quando eles se escondem, saio de casa sem chaves e bato na porta ao voltar;
compro outro maço de cigarros na esquina, uma nova caneta, mais um par de óculos escuros; e não
telefono para ninguém até que minha caderneta resolva aparecer. É uma guerra sem tréguas, mas hei de
sair vitorioso. [...]
Alarmado, confidenciei a um amigo este e outros pequenos lapsos que me têm ocorrido, mas ele me
consolou de pronto, contando as distrações de um tio seu, perto do qual não passo de um mero
principiante.
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/184488
1057) 
Trata-se de um desses que põem o guarda-chuva na cama e se dependuram no cabide, como manda a
anedota. Já saiu à rua com o chapéu da esposa na cabeça. Já cumprimentou o trocador do ônibus
quando este lhe estendeu a mão para cobrar a passagem. Já deu parabéns à viúva na hora do velório do
marido. Certa noite, recebendo em sua casa uma visita de cerimônia, despertou de um rápido cochilo
e se ergueu logo, dizendo para sua mulher: “Vamos, meu bem, que já está ficando tarde.” [...]
Contou-me ainda o sobrinho do monstro que sair com um sapato diferente em cada pé, tomar ônibus
errado, esquecer dinheiro em casa, são coisas que ele faz quase todos os dias. Já lhe aconteceu tanto se
esquecer de almoçar como almoçar duas vezes. Outro dia arranjou para o sobrinho um emprego num
escritório de advocacia, para que fosse praticando, enquanto estudante.
— Você sabe — me conta o sobrinho: — O que eu estudo é medicina...
Não, eu não sabia: para dizer a verdade, só agora o estava identificando. Mas não passei recibo — faz
parte da minha nova estratégia, para não acabar como o tio dele: dar o dito por não dito, não falar mais
no assunto, acender um cigarro. É o que farei agora. Isto é, se achar o cigarro.
SABINO, F. Deixa o Alfredo Falar. Rio de Janeiro: Record, 1976.
No Texto, que palavra(s), em destaque, NÃO se refere(m) àquelas propostas em seguida?
a) derrotá-los - tais objetos
b) procurá-lo - um cigarro
c) dei com o bichinho - o isqueiro
d) ele me consolou - um amigo
e) este lhe estendeu a mão - o trocador
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Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Um pouco distraído
Ando um pouco distraído, ultimamente. Alguns amigos mais velhos sorriem, complacentes, e dizem que é
isso mesmo, costuma acontecer com a idade, não é distração: é memória fraca mesmo, insuficiência de
fosfato.
O diabo é que me lembro cada vez mais de coisas que deveria esquecer: dados inúteis, nomes sem
significado, frases idiotas, circunstâncias ridículas, detalhes sem importância. Em compensação, troco o
nome das pessoas, confundo fisionomias, ignoro conhecidos, cumprimento desafetos. Nunca sei onde
largo objetos de uso e cada saída minha de casa representa meia hora de atraso em aflitiva procura:
quede minhas chaves? meus cigarros? meu isqueiro? minha caneta?
Estou convencido de que tais objetos, embora inanimados, têm um pacto secreto com o demônio, para
me atormentar: eles se escondem.
Recentemente, descobri a maneira infalível de derrotá-los. Ainda há pouco quis acender um cigarro, dei
por falta do isqueiro. Em vez de procurá-lo freneticamente, como já fiz tantas vezes, abrindo e fechando
gavetas, revirando a casa feito doido, para acabar plantado no meio da sala apalpando os bolsos vazios
como um tarado, levantei-me com naturalidade sem olhar para lugar nenhum e fui olimpicamente à
cozinha apanhar uma caixa de fósforos.
Ao voltar — eu sabia! — dei com o bichinho ali mesmo, na ponta da mesa, bem diante do meu nariz, a
olhar-me desapontado. Tenho a certeza de que ele saiu de seu esconderijo para me espiar.
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1058) 
Até agora estou vencendo: quando eles se escondem, saio de casa sem chaves e bato na porta ao voltar;
compro outro maço de cigarros na esquina, uma nova caneta, mais um par de óculos escuros; e não
telefono para ninguém até que minha caderneta resolva aparecer. É uma guerra sem tréguas, mas hei de
sair vitorioso. [...]
Alarmado, confidenciei a um amigo este e outros pequenos lapsos que me têm ocorrido, mas ele me
consolou de pronto, contando as distrações de um tio seu, perto do qual não passo de um mero
principiante.
Trata-se de um desses que põem o guarda-chuva na cama e se dependuram no cabide, como manda a
anedota. Já saiu à rua com o chapéu da esposa na cabeça. Já cumprimentou o trocador do ônibus
quando este lhe estendeu a mão para cobrar a passagem. Já deu parabéns à viúva na hora do velório do
marido. Certa noite, recebendo em sua casa uma visita de cerimônia, despertou de um rápido cochilo
e se ergueu logo, dizendo para sua mulher: “Vamos, meu bem, que já está ficando tarde.” [...]
Contou-me ainda o sobrinho do monstro que sair com um sapato diferente em cada pé, tomar ônibus
errado, esquecer dinheiro em casa, são coisas que ele faz quase todos os dias. Já lhe aconteceu tanto se
esquecer de almoçar como almoçar duas vezes. Outro dia arranjou para o sobrinho um emprego num
escritório de advocacia, para que fosse praticando, enquanto estudante.
— Você sabe — me conta o sobrinho: — O que eu estudo é medicina...
Não, eu não sabia: para dizer a verdade, só agora o estava identificando. Mas não passei recibo — faz
parte da minha nova estratégia, para não acabar como o tio dele: dar o dito por não dito, não falar mais
no assunto, acender um cigarro. É o que farei agora. Isto é, se achar o cigarro.
SABINO, F. Deixa o Alfredo Falar. Rio de Janeiro: Record, 1976.
 
No trecho do texto “de coisas que deveria esquecer”, a palavra destacada pode ser substituída,
mantendo- se o significado e respeitando-se a norma-padrão, por
a) as quais
b) às quais
c) das quais
d) cujas
e) onde
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
TINGA, DO CRUZEIRO, É ALVO DE RACISMO NA LIBERTADORES
Jogador entrou no segundo tempo da derrota para o Real Garcilaso, do Peru. A cada vez que
tocava na bola, gritos da torcida local imitavam o som de macacos
O Cruzeiro estreou com derrota na Libertadores. Atuando em Huancayo, no Peru, o atual campeão
brasileiro perdeu para o Real Garcilaso por 2 a 1 na noite desta quarta-feira, em uma partida considerada
difícil pelos jogadores celestes. Os atletas apontaram a altitude, o gramado ruim e as péssimas condições
do estádio como fatores que os prejudicaram. Mas nenhum dos adversários dentro ou fora do gramado
chateou mais os cruzeirenses do que uma demonstração de racismo por parte da torcida peruana, que
teve como alvo o meio-campista Tinga.
O jogador entrou na segunda etapa e, a cada vez que recebia a bola e a dominava, uma sonora vaia
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/1847301059) 
formada por gritos que imitavam o som de macacos vinha das arquibancadas, cessando em seguida,
assim que outro jogador pegava na bola. “A gente fica muito chateado, a gente tenta competir, mas fica
chateado de acontecer isso em 2014, próximo da gente. Infelizmente aconteceu. Já joguei alguns anos
da minha vida na Alemanha e nunca aconteceu isso lá. Aqui, em um país tão próximo, tão cheio de
mistura, acontece (isso)”, lamentou o jogador em entrevista após a partida.
Hostilizado, Tinga foi além. O meio-campista declarou que preferia não ter conquistado nenhum título em
sua carreira se pudesse viver sem o preconceito. “Eu queria, se pudesse, não ganhar nada e ganhar esse
título contra o preconceito. Trocava todos os meus títulos pela igualdade em todas as áreas”.
O episódio despertou a solidariedade até do presidente do arquirrival Atlético-MG. “Racismo na
Libertadores? Me tiraram o prazer da derrota do Cruzeiro. Lamentável!”, postou o dirigente Alexandre
Kalil no Twitter.
Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/tinga-do-cruzeiro-e-alvo-de-racismo-na-libertadores>.
Acesso em: 25 fev. 2014.
 
No trecho do texto “como fatores que os prejudicaram.”, o pronome destacado apresenta como referente
que termo?
a) “atletas”
b) “fatores”
c) “adversários”
d) “cruzeirenses”
e) “macacos”
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
TINGA, DO CRUZEIRO, É ALVO DE RACISMO NA LIBERTADORES
Jogador entrou no segundo tempo da derrota para o Real Garcilaso, do Peru. A cada vez que
tocava na bola, gritos da torcida local imitavam o som de macacos
O Cruzeiro estreou com derrota na Libertadores. Atuando em Huancayo, no Peru, o atual campeão
brasileiro perdeu para o Real Garcilaso por 2 a 1 na noite desta quarta-feira, em uma partida considerada
difícil pelos jogadores celestes. Os atletas apontaram a altitude, o gramado ruim e as péssimas condições
do estádio como fatores que os prejudicaram. Mas nenhum dos adversários dentro ou fora do gramado
chateou mais os cruzeirenses do que uma demonstração de racismo por parte da torcida peruana, que
teve como alvo o meio-campista Tinga.
O jogador entrou na segunda etapa e, a cada vez que recebia a bola e a dominava, uma sonora vaia
formada por gritos que imitavam o som de macacos vinha das arquibancadas, cessando em seguida,
assim que outro jogador pegava na bola. “A gente fica muito chateado, a gente tenta competir, mas fica
chateado de acontecer isso em 2014, próximo da gente. Infelizmente aconteceu. Já joguei alguns anos
da minha vida na Alemanha e nunca aconteceu isso lá. Aqui, em um país tão próximo, tão cheio de
mistura, acontece (isso)”, lamentou o jogador em entrevista após a partida.
Hostilizado, Tinga foi além. O meio-campista declarou que preferia não ter conquistado nenhum título em
sua carreira se pudesse viver sem o preconceito. “Eu queria, se pudesse, não ganhar nada e ganhar esse
título contra o preconceito. Trocava todos os meus títulos pela igualdade em todas as áreas”.
O episódio despertou a solidariedade até do presidente do arquirrival Atlético-MG. “Racismo na
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/184736
1060) 
Libertadores? Me tiraram o prazer da derrota do Cruzeiro. Lamentável!”, postou o dirigente Alexandre
Kalil no Twitter.
Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/tinga-do-cruzeiro-e-alvo-de-racismo-na-libertadores>.
Acesso em: 25 fev. 2014.
 
Em “O episódio despertou a solidariedade até do presidente do arquirrival Atlético-MG.”, a palavra
destacada apresenta o valor semântico de
a) tempo
b) modo
c) inclusão
d) meio
e) origem
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CESGRANRIO - Ass (FINEP)/FINEP/Apoio Administrativo/2014
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
NARRAR-SE
Sou fã de psicanálise, de livros de psicanálise, de filmes sobre psicanálise e não pretendo desgrudar o
olho da nova série do GNT, Sessão de Terapia, dirigida por Selton Mello. Algum voyeurismo nisso?
Total. Quem não gostaria de ter acesso ao raio-x emocional dos outros? Somos todos bem resolvidos na
hora de falar sobre nós mesmos num bar, num almoço em família, até escrevendo crônicas. Mas, em
colóquio secreto e confidencial com um terapeuta, nossas fraquezas é que protagonizam a conversa.
Por 50 minutos, despejamos nossas dúvidas, traumas, desejos, sem temer passar por egocêntricos. É a
hora de abrir-se profundamente para uma pessoa que não está ali para condenar ou absolver, e sim para
estimular que você escute atentamente a si mesmo e assim consiga exorcizar seus fantasmas e viver de
forma mais desestressada. Alguns pacientes desaparecem do consultório logo após o início das sessões,
pois não estão preparados para esse enfrentamento.
Outros levam anos até receber alta. E há os que nem quando recebem vão embora, tal é o prazer de se
autoconhecer, um processo que não termina nunca. Desconfio que será o meu caso. Minha psicanalista
um dia terá que correr comigo e colocar um rottweiler na recepção para impedir que eu volte. Já estou
bolando umas neuroses bem cabeludas para o caso de ela tentar me dispensar.
Analisar-se é aprender a narrar a si mesmo. Parece fácil, mas muitas pessoas não conseguem falar de si,
não sabem dizer o que sentem. Para mim não é tão difícil, já que escrever ajuda muito no exercício de
expor-se. Quem escreve está sempre se delatando, seja de forma direta ou camuflada. E como temos
inquietações parecidas, os leitores se identificam: “Parece que você lê meus pensamentos”. Não raro,
eles levam textos de seus autores preferidos para as consultas com o analista, a fim de que aqueles
escritos ajudem a elaborar sua própria narrativa.
 
Meus pensamentos também são provocados por diversos outros escritores, e ainda por músicos,
jornalistas, cineastas. Esse intercâmbio de palavras e sentimentos ajuda de maneira significativa na
nossa própria narração interna. Escutando o outro, lendo o outro, se emocionando com o outro, vamos
escrevendo vários capítulos da nossa própria história e tornando-nos cada vez mais íntimos do
personagem principal – você sabe quem. [...]
MEDEIROS, Martha. Revista O Globo. Rio de Janeiro, 07 out. 2012. Adaptado.
 
Na linha 3 do texto, a palavra Mas marca uma distinção entre a(o)
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/199241
1061) 
a) postura humana de recusa e aceitação do outro
b) dúvida e a certeza a respeito da identidade humana
c) ponto de vista crítico da autora e o dos terapeutas
d) perfil das pessoas no espaço coletivo e no individual
e) descaso e a preocupação do indivíduo com seu eu
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CESGRANRIO - Ass (FINEP)/FINEP/Apoio Administrativo/2014
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
NARRAR-SE
Sou fã de psicanálise, de livros de psicanálise, de filmes sobre psicanálise e não pretendo desgrudar o
olho da nova série do GNT, Sessão de Terapia, dirigida por Selton Mello. Algum voyeurismo nisso?
Total. Quem não gostaria de ter acesso ao raio-x emocional dos outros? Somos todos bem resolvidos na
hora de falar sobre nós mesmos num bar, num almoço em família, até escrevendo crônicas. Mas, em
colóquio secreto e confidencial com um terapeuta, nossas fraquezas é que protagonizam a conversa.
Por 50 minutos, despejamos nossas dúvidas, traumas, desejos, sem temer passar por egocêntricos. É a
hora de abrir-se profundamente para uma pessoa que não está ali para condenar ou absolver, e sim para
estimular que você escute atentamente a si mesmo e assim consiga exorcizar seus fantasmas e viver de
forma mais desestressada. Alguns pacientes desaparecem do consultório logo após o início das sessões,
pois não estão preparados para esse enfrentamento.
Outros levam anos até receber alta. E há os que nem quando recebemvão embora, tal é o prazer de se
autoconhecer, um processo que não termina nunca. Desconfio que será o meu caso. Minha psicanalista
um dia terá que correr comigo e colocar um rottweiler na recepção para impedir que eu volte. Já estou
bolando umas neuroses bem cabeludas para o caso de ela tentar me dispensar.
Analisar-se é aprender a narrar a si mesmo. Parece fácil, mas muitas pessoas não conseguem falar de si,
não sabem dizer o que sentem. Para mim não é tão difícil, já que escrever ajuda muito no exercício de
expor-se. Quem escreve está sempre se delatando, seja de forma direta ou camuflada. E como temos
inquietações parecidas, os leitores se identificam: “Parece que você lê meus pensamentos”. Não raro,
eles levam textos de seus autores preferidos para as consultas com o analista, a fim de que aqueles
escritos ajudem a elaborar sua própria narrativa.
 
Meus pensamentos também são provocados por diversos outros escritores, e ainda por músicos,
jornalistas, cineastas. Esse intercâmbio de palavras e sentimentos ajuda de maneira significativa na
nossa própria narração interna. Escutando o outro, lendo o outro, se emocionando com o outro, vamos
escrevendo vários capítulos da nossa própria história e tornando-nos cada vez mais íntimos do
personagem principal – você sabe quem. [...]
MEDEIROS, Martha. Revista O Globo. Rio de Janeiro, 07 out. 2012. Adaptado.
 
No período do texto “Alguns pacientes desaparecem do consultório logo após o início das sessões, pois
não estão preparados para esse enfrentamento.” , verifica--se, entre as duas orações que compõem o
período, uma relação de efeito e causa.
Em qual dos períodos abaixo a reescritura apresentada preserva a relação semântica original?
a) Como alguns pacientes desaparecem do consultório logo após o início das sessões, não estão
preparados para esse enfrentamento.
b) Alguns pacientes desaparecem do consultório logo após o início das sessões; portanto, não estão
preparados para esse enfrentamento.
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/199246
1062) 
c) Alguns pacientes desaparecem do consultório logo após o início das sessões; não estão, pois,
preparados para esse enfrentamento.
d) De modo que não estão preparados para esse enfrentamento, alguns pacientes desaparecem do
consultório logo após o início das sessões.
e) Alguns pacientes desaparecem do consultório logo após o início das sessões, visto que não estão
preparados para esse enfrentamento.
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
NARRAR-SE
Sou fã de psicanálise, de livros de psicanálise, de filmes sobre psicanálise e não pretendo desgrudar o
olho da nova série do GNT, Sessão de Terapia, dirigida por Selton Mello. Algum voyeurismo nisso?
Total. Quem não gostaria de ter acesso ao raio-x emocional dos outros? Somos todos bem resolvidos na
hora de falar sobre nós mesmos num bar, num almoço em família, até escrevendo crônicas. Mas, em
colóquio secreto e confidencial com um terapeuta, nossas fraquezas é que protagonizam a conversa.
Por 50 minutos, despejamos nossas dúvidas, traumas, desejos, sem temer passar por egocêntricos. É a
hora de abrir-se profundamente para uma pessoa que não está ali para condenar ou absolver, e sim para
estimular que você escute atentamente a si mesmo e assim consiga exorcizar seus fantasmas e viver de
forma mais desestressada. Alguns pacientes desaparecem do consultório logo após o início das sessões,
pois não estão preparados para esse enfrentamento.
Outros levam anos até receber alta. E há os que nem quando recebem vão embora, tal é o prazer de se
autoconhecer, um processo que não termina nunca. Desconfio que será o meu caso. Minha psicanalista
um dia terá que correr comigo e colocar um rottweiler na recepção para impedir que eu volte. Já estou
bolando umas neuroses bem cabeludas para o caso de ela tentar me dispensar.
Analisar-se é aprender a narrar a si mesmo. Parece fácil, mas muitas pessoas não conseguem falar de si,
não sabem dizer o que sentem. Para mim não é tão difícil, já que escrever ajuda muito no exercício de
expor-se. Quem escreve está sempre se delatando, seja de forma direta ou camuflada. E como temos
inquietações parecidas, os leitores se identificam: “Parece que você lê meus pensamentos”. Não raro,
eles levam textos de seus autores preferidos para as consultas com o analista, a fim de que aqueles
escritos ajudem a elaborar sua própria narrativa.
 
Meus pensamentos também são provocados por diversos outros escritores, e ainda por músicos,
jornalistas, cineastas. Esse intercâmbio de palavras e sentimentos ajuda de maneira significativa na
nossa própria narração interna. Escutando o outro, lendo o outro, se emocionando com o outro, vamos
escrevendo vários capítulos da nossa própria história e tornando-nos cada vez mais íntimos do
personagem principal – você sabe quem. [...]
MEDEIROS, Martha. Revista O Globo. Rio de Janeiro, 07 out. 2012. Adaptado.
 
No texto, no trecho “É a hora de abrir-se profundamente para uma pessoa que não está ali para
condenar ou absolver, e sim para estimular que você escute atentamente a si mesmo e assim consiga
exorcizar seus fantasmas e viver de forma mais desestressada.”, as conjunções destacadas introduzem,
respectivamente, orações com o valor semântico de
a) conclusão e alternância
b) concessão e condição
c) oposição e adição
d) explicação e conclusão
e) causa e restrição
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/199256
1063) 
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CESGRANRIO - Ana (FINEP)/FINEP/Análise Estratégica em Ciência, Tecnologia e
Inovação/2014
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
A polêmica das biografias
A liberdade de expressão está sujeita aos
limites impostos pelas demais prerrogativas
dos cidadãos: honra, privacidade etc.
A jornalista Hildegard Angel fulminou no Twitter: “Num país em que a Justiça é caolha, não dá para
liberar geral(a) as biografias de bandeja pros grupos editoriais argentários”.
A controvérsia em torno das biografias é a prova da desditosa barafunda institucional que atormenta o
Brasil. Nos códigos das sociedades modernas, aquelas que acolheram os princípios do Estado
Democrático de Direito, a liberdade de expressão está sujeita aos limites impostos pelas demais
prerrogativas dos cidadãos: a privacidade, a honra, o direito de resposta a ofensas e desqualificações
lançadas publicamente contra a integridade moral dos indivíduos.
Em 17 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos afirmava: “O desprezo e o
desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros(b) que ultrajaram a consciência da
Humanidade e o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e
da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração
do homem comum”.
Em 2008, escrevi um artigo para celebrar os 60 anos da declaração. Naquela ocasião, percebi claramente
que os fantasmas dos traumas(c) nascidos das experiências totalitárias dos anos 1930 ainda assombram
os homens, seus direitos e liberdades.
Segundo a declaração, são consideradas intoleráveis as interferências(d) na sua vida privada, na sua
família, no seu lar ou na sua correspondência – atenção! –, tampouco são toleráveis ataques à sua honra
e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques. O cidadão
(note o leitor, o cidadão) tem direito à liberdade de opinião e de expressão. Esse direito inclui a liberdade
de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações por quaisquer meios e
independentemente de fronteiras.
 
É proibido proibir, assim como é garantido o direito de retrucar e processar. O presidente do Supremo
Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, sugeriu(e) a imposição de pesadas penaspecuniárias aos detratores
“argentários” que se valem das inaceitáveis demoras da Justiça.
No Brasil de hoje não impera a expressão livre das ideias, mas predomina o que Deleuze chamou de
Poder das Potências. Já tratei aqui desse tema, mas vou insistir. Nos tempos da sociedade de massa e do
aparato de comunicação abrigado na grande mídia, as Potências estão desinteressadas em sufocar a
crítica ou as ideias desviantes. Não se ocupam mais dessa banalidade. Elas se dedicam a algo muito mais
importante: fabricam os espaços da literatura, do econômico, do político, espaços completamente
reacionários, pré-moldados e massacrantes. “É bem pior que uma censura”, continua Deleuze, “pois a
censura provoca efervescências subterrâneas, mas as Potências querem tornar isso impossível”.
Nos espaços fabricados pelas Potências não é possível manter conversações, porque neles a norma não é
a argumentação, mas o exercício da animosidade sob todos os seus disfarces, a prática desbragada da
agressividade a propósito de tudo e de todos, presentes ou ausentes, amigos ou inimigos. Não se trata
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/199837
1064) 
de compreender o outro, mas de vigiá-lo. “Estranho ideal policialesco, o de ser a má consciência de
alguém”, diz Deleuze.
As redes sociais, onde as ideias e as opiniões deveriam trafegar livremente, se transformaram num
espaço policialesco em que a crítica é substituída pela vigilância. A vigilância exige convicções esféricas,
maciças, impenetráveis, perfeitas. A vigilância deve adquirir aquela solidez própria da turba enfurecida,
disposta ao linchamento.
A Declaração dos Direitos Humanos, na esteira do pensamento liberal e progressista dos séculos XIX e
XX, imaginou que a igualdade e a diferença seriam indissociáveis na sociedade moderna e deveriam
subsistir reconciliadas, sob as leis de um Estado ético. Esse Estado permitiria ao cidadão preservar sua
diferença em relação aos outros e, ao mesmo tempo, harmonizá-la entre si, manter a integridade do
todo. Mas as transformações econômicas das sociedades modernas suscitaram o bloqueio das tentativas
de impor o Estado ético e reforçaram, na verdade, a fragmentação e o individualismo agressivo e
“argentário”. Assim, a “ética” contemporânea não é capaz de resistir à degradação das liberdades e sua
transmutação em arma de vigilância e de assassinato de reputações.
BELLUZZO Luiz Gonzaga. A polêmica das biografias. Disponível em:
<http://www.cartacapital.com.br/revista/771/a-polemica- -das-biografias-3204.html>. Acesso em: 24 nov. 2013.
 
O artigo definido em destaque tem papel de estabelecer retomada de expressão já citada anteriormente
no texto em:
a) “‘Num país em que a Justiça é caolha, não dá para liberar geral’”
b) “‘O desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros’”
c) “Naquela ocasião, percebi claramente que os fantasmas dos traumas”
d) “Segundo a declaração, são consideradas intoleráveis as interferências”
e) “O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, sugeriu”
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CESGRANRIO - Tec Cien (BASA)/BASA/Medicina do Trabalho/2014
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
A caçada metódica aos dados do internauta
revoluciona a publicidade
Um anúncio de máquina de lavar roupas invadiu todos os sites que você visita desde que fez uma
pesquisa para saber o preço dos modelos existentes? Esse é um sinal de que você está sendo rastreado
por meio dos famosos cookies, arquivos criados por um site, quando você o visita, com informações
sobre sua navegação. Mas, para se adaptar a usuários resistentes que ainda apagam cookies, alguns
integrantes do setor já estão no pós-cookies. Eles apostam principalmente na tecnologia de impressão
digital, estabelecida com base nos vestígios deixados pelo navegador ou pelo próprio aparelho. É o que
preocupa a Criteo, bem-sucedida companhia francesa: ela segmenta os internautas a partir dos cookies,
que, com os novos métodos de rastreamento, poderiam ser rejeitados, no futuro, pelo navegador
Chrome do Google.
O Google, aliás, tornou-se um especialista de segmentação em função do contexto editorial, por meio do
programa AdSense: ele envia anúncios baseando-se na temática da página da web visitada. Ou por meio
da comercialização de links patrocinados em resposta a pesquisas no programa de busca, ou ainda em
função de palavras encontradas nas contas do Gmail – por exemplo, um anúncio sobre “Férias no
Marrocos”, se um e-mail em sua caixa postal menciona esse país.
A essa segmentação contextual e comportamental soma-se uma nova dimensão, fundada na interação
social. Ainda menos transparente que o Google sobre o uso de dados pessoais, o Facebook explora
informações fornecidas voluntariamente por seus membros aos “amigos”. Faixa etária, cidade, interesses,
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profissão... A isso se acrescentam os “amigos” geolocalizáveis dos usuários da rede social. “Nossos
catálogos de endereços são totalmente varridos pelo Facebook por meio de nosso telefone celular ou e-
mail, e uma identificação biométrica padrão permite reconhecer logotipos e fotos de rostos sem que o
contribuinte tenha dado permissão explícita”, diz a associação Internet sem Fronteiras (AFP, 18/05/2012).
Em 2007, o Facebook foi obrigado a desculpar-se pelo programa Beacon, que alertava a comunidade de
“amigos” sempre que um dos membros fazia uma compra on-line. Hoje, a publicidade dá lugar à
recomendação “social”. O internauta que clica em “Curti” e vira fã de uma marca compartilha
automaticamente a notícia com toda a sua rede. “A exposição a marca ‘curtida’ por um ou mais amigos
quadruplica a intenção de compra dos usuários expostos a esses anúncios”, indica Matthieu de Lesseux,
presidente da DDB Paris (Challenges, 05/04/2012). O anúncio aparece no feed de notícias (linha do
tempo), entre os elementos publicados pelos “amigos”. O Twitter também insere mensagens
patrocinadas nessa área reservada normalmente para as contas selecionadas pelo usuário. Um anúncio
qualificado de “nativo”, já que nasce no mesmo fluxo de informações.
A comunidade “amiga” pode saber o que o usuário está ouvindo, por meio do serviço de música on-line
Deezer; o que ele lê, graças a parcerias com jornais; e o que deseja comprar. “Pouquíssimos usuários
compreendem totalmente – e muito menos controlam – a exploração dos dados utilizados para
impulsionar a atividade publicitária do Facebook”, destaca Jeff Chester, diretor do Centro para a
Democracia Digital (AFP, 01/02/2012). Basta clicar no botão “Facebook Connect” para que a rede social
forneça a terceiros as informações sobre a identidade de um cliente. Os termos de uso da rede, que
muda regularmente seus parâmetros de confidencialidade, são geralmente ilegíveis. Seus data centers,
aliás, os parques de servidores que armazenam esses dados, também são de propriedade da gigante
californiana, escapando a qualquer controle das autoridades estrangeiras.
Poderíamos pensar que os mastodontes da internet que vivem da publicidade não nos custam nada. Isso
não é verdade, pois eles nos custam nossos dados, um valor total estimado em 315 bilhões de euros no
mundo em 2011, ou seja, 600 euros por indivíduo, de acordo com o Boston Consulting Group. Uma
riqueza fornecida pelos próprios internautas, que se tornam “quase funcionários, voluntários, das
empresas”, como escrevem Nicolas Colin e Pierre Collin em um relatório sobre a tributação na era digital.
Localizados em terras de asilo europeias, subtraídas da economia real por meio de sistemas de evasão
em paraísos fiscais, esses gigantes praticamente não pagam impostos sobre as empresas, ou escapam
da taxa sobre valor agregado. Para um montante de 2,5 bilhões a 3 bilhões de euros de volume de
negócios na França, as empresas Google, Apple, Facebook e Amazon pagam apenas 4 milhões de euros,
“quando poderiam pagar 500 milhões de euros, se o sistema tributário lhes fosseplenamente aplicado”,
de acordo com um parecer de 14 de fevereiro de 2012 do Conselho Nacional do Digital.
Os grandes atores norte-americanos da internet desestabilizam o mercado publicitário. Enquanto suas
receitas explodem, as dos meios de comunicação tradicionais não param de cair. Entre 2007 e 2012, na
França, o mercado publicitário passou de 4,8 bilhões para 3,2 bilhões de euros para a imprensa, e de 3,6
bilhões para 3,3 bilhões de euros para a televisão. Mas as mídias tradicionais financiam a criação de
obras de ficção, filmes cinematográficos, documentários, entrevistas, reportagens... Do 1,8 bilhão de
euros em receitas de publicidade on-line – incluídos os links patrocinados –, só o Google captou cerca de
1,5 bilhão de euros na França.
BÉNILDE, Marie. A caçada metódica aos dados do internauta revoluciona a
publicidade. Disponível em:<http://www.diplomatique. org.br/artigo.php?id=1555)>. Acesso em: 12 mar. 2014.
Adaptado.
 
O pronome pode retomar uma expressão localizada ou toda uma ideia expressa em uma frase inteira.
No texto, o pronome destacado retoma toda uma ideia em:
a) “Esse é um sinal de que você está sendo rastreado por meio dos famosos cookies”
b) “ele envia anúncios baseando-se na temática da página da web visitada”
1065) 
c) “A comunidade ‘amiga’ pode saber o que o usuário está ouvindo, por meio do serviço de música
on-line Deezer”
d) “Seus data centers, aliás, os parques de servidores que armazenam esses dados”
e) “Poderíamos pensar que os mastodontes da internet que vivem da publicidade não nos custam
nada”
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CESGRANRIO - Ag PM (IBGE)/IBGE/2014
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Desinteresse de jovens por carros preocupa montadora
Um recente estudo informa que os jovens mudaram de atitude em relação à questão da mobilidade
urbana. A geração entre 18 e 24 anos está-se importando mais com os outros e com o mundo em que
vive, superando antigos valores e necessidades de consumo que já não os convencem e, muito menos,
os satisfazem.
Há poucas décadas, o carro representava, para muitas gerações, o ideal de liberdade. Hoje, com ruas
congestionadas, doenças respiratórias, atropelamentos e falta de espaço para as pessoas nas cidades, os
jovens se deram conta de que isso não tem nada a ver com ser livre, e passaram a valorizar meios de
transporte mais limpos e acessíveis, como bicicleta, ônibus e trajetos a pé. Além do mais, hoje Facebook,
Twitter, Orkut e mensagens de texto permitem que os adolescentes e jovens de 20 e poucos anos se
conectem sem rodas.
Para entender esse movimento, o artigo conta que uma das principais montadoras de automóvel do
mundo, para reconquistar prestígio com o pessoal de 20 e poucos anos, pretende desenvolver
estratégias focadas no público jovem. Porém, a situação não parece ser reversível. Em uma pesquisa
realizada com 3 mil consumidores nascidos entre 1981 e 2000 – geração chamada de ‘millennials’ –
sobre suas 31 marcas preferidas, nenhuma marca de carro ficou entre as top 10, ficando bem abaixo de
empresas de internet. Além disso, 46% dos motoristas de 18 a 24 anos declararam que preferem acesso
à internet a ter um carro. Assim, fica bem mais difícil acreditar que a liberdade dependa de uma caixa
metálica que desagrega e polui nossas cidades.
Esse é o desejo dos jovens que também já mudaram e, agora, estão sonhando, mas de olhos bem
abertos, para cuidar do mundo em que vivem.
CAVALCANTI, M. Portal Mobilize Brasil. Associação Abaporu. Disponível em:
<http://www.mobilize.org.br/noticias/1838/desinteresse- dos-jovens-por-carros-preocupa-montadora.html?
print=s>. 9 abr. 2012. Acesso em: 27 dez. 2013. Adaptado.
 
No trecho do Texto “Esse é o desejo dos jovens que também já mudaram e, agora, estão sonhando, mas
de olhos bem abertos, para cuidar do mundo em que vivem.”, a palavra destacada introduz a ideia de
a) tempo
b) causa
c) modo
d) proporção
e) finalidade
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CESGRANRIO - AC (IBGE)/IBGE/Geoprocessamento/2014
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
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1066) Comércio ambulante: sob as franjas do sistema
Definir uma política para a economia informal – ou mais especificamente para o comércio ambulante –
significa situá-la em contextos de desigualdade, entendendo de que maneira ela se relaciona com a
economia formal e de que forma ela é funcional para a manutenção dos monopólios de poder político e
econômico. Dependendo do contexto, o poder público formula políticas considerando o caráter provisório
do trabalho informal, justificando políticas de formalização com a crença de uma possível “erradicação”
da informalidade.
Desse ponto de vista, a falta de um plano municipal para o comércio ambulante nas grandes cidades é
emblemática. Trata-se de um sinal que aponta que o comércio ambulante é visto como política
compensatória, reservada a alguns grupos com dificuldades de entrada no mercado de trabalho, como
deficientes físicos, idosos e, em alguns países, veteranos de guerra. Entretanto, a realidade do comércio
ambulante em São Paulo mostra que essa atividade é uma alternativa consolidada para uma parcela
importante dos ocupados que não se
enquadram em nenhuma das três categorias acima. [...]
Há políticas que reconhecem a informalidade como exceção permanente do capitalismo e que acreditam
que somente podem “gerenciá-la” ou “domesticá-la” se determinada atividade não gerar conflitos e
disputas entre setores da sociedade. Nessa concepção, “gerenciar” a informalidade significa tolerá-la,
limitando-a arbitrariamente a um número ínfimo de pessoas que podem trabalhar de forma legalizada,
deixando um grande contingente de trabalhadores à mercê da falta de planejamento e vulnerável à
corrupção e à violência. Esse perfil de “gestão da exceção” delimita a inclusão de poucos e se omite no
planejamento para muitos. No caso de São Paulo, o número de licenças de trabalho vigentes, por
exemplo, corresponde no ano de 2013 a apenas 2,5% do contingente total de trabalhadores ambulantes.
Em Nova York, apesar de toda a gestão militarizada e excludente, o percentual é de 20%.
 
Dentro desse raciocínio, “domesticar” a informalidade significa destinar ao comércio ambulante apenas
alguns espaços na cidade, mas somente os que não confrontem a lógica de reprodução do capital e,
consequentemente, a imagem que se quer manter dos espaços em valorização imobiliária. Não só
trabalhadores ambulantes, como catadores de material reciclável, moradores de habitações precárias e
população em situação de rua são obrigados a ocupar espaços distantes dos vetores de reconfiguração
urbana e dos megaeventos corporativos e midiáticos. A “demarcação” de terras onde eles podem estar,
trabalhar ou circular passa a ser não uma política afirmativa do direito à cidade, mas do deslocamento
dessa população para longe das vistas do “progresso” e do “moderno”. [...]
Em resumo, a ausência de políticas de inclusão é em si uma política. Em algumas das grandes cidades
brasileiras, as leis que regulam o comércio ambulante apenas aparentemente servem para incluir,
quando, na verdade, são instrumentos de exclusão dos trabalhadores das ruas.
ALCÂNTARA, A.; SAMPAIO, G.; ITIKAWA, L. Comércio ambulante: sob as franjas do sistema. Disponível em:
<http://www.cartacapital. com.br/sociedade/sob-as-franjas-do-sistema-o-comercio-ambulante-nas-grandes-cidades-
325.html>. Acesso em: 26 dez. 2013. Adaptado.
 
A relação lógica entre as partes de um texto pode eventualmente ser articulada com o auxílio de uma
conjunção. A sequência destacada no trecho abaixo poderia ser introduzida por uma conjunção, de modo
a manter a mesma relação de sentido com a frase que a antecede.
“Desse ponto de vista, a falta de um plano municipal para o comércio ambulante nas grandescidades é
emblemática. Trata-se de um sinal que aponta que o comércio ambulante é visto como política
compensatória”
Essa conjunção é
a) se
b) pois
c) logo
1067) 
d) porém
e) quando
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CESGRANRIO - Sup Pesq (IBGE)/IBGE/Geral/2014
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Comércio ambulante: sob as franjas do sistema
Definir uma política para a economia informal – ou mais especificamente para o comércio ambulante –
significa situá-la em contextos de desigualdade, entendendo de que maneira ela se relaciona com a
economia formal(a) e de que forma ela é funcional para a manutenção dos monopólios de poder político
e econômico. Dependendo do contexto, o poder público formula políticas considerando o caráter
provisório do trabalho informal, justificando políticas de formalização com a crença de uma possível
“erradicação” da informalidade.
Desse ponto de vista, a falta de um plano municipal para o comércio ambulante nas grandes cidades é
emblemática. Trata-se de um sinal que aponta que o comércio ambulante é visto como política
compensatória, reservada a alguns grupos com dificuldades de entrada no mercado de trabalho, como
deficientes físicos, idosos e, em alguns países, veteranos de guerra. Entretanto, a realidade do comércio
ambulante em São Paulo mostra que essa atividade é uma alternativa(b) consolidada para uma parcela
importante dos ocupados que não se
enquadram em nenhuma das três categorias acima. [...]
Há políticas que reconhecem a informalidade como exceção permanente(c) do capitalismo e que
acreditam que somente podem “gerenciá-la” ou “domesticá-la” se determinada atividade não gerar
conflitos e disputas entre setores da sociedade. Nessa concepção, “gerenciar” a informalidade significa
tolerá-la, limitando-a arbitrariamente a um número ínfimo de pessoas que podem trabalhar de forma
legalizada(d), deixando um grande contingente de trabalhadores à mercê da falta de planejamento e
vulnerável à corrupção e à violência. Esse perfil de “gestão da exceção” delimita a inclusão de poucos e
se omite no planejamento para muitos. No caso de São Paulo, o número de licenças de trabalho
vigentes, por exemplo, corresponde no ano de 2013 a apenas 2,5% do contingente total de
trabalhadores ambulantes. Em Nova York, apesar de toda a gestão militarizada e excludente, o
percentual é de 20%.
 
Dentro desse raciocínio, “domesticar” a informalidade significa destinar ao comércio ambulante apenas
alguns espaços na cidade, mas somente os que não confrontem a lógica de reprodução do capital(e) e,
consequentemente, a imagem que se quer manter dos espaços em valorização imobiliária. Não só
trabalhadores ambulantes, como catadores de material reciclável, moradores de habitações precárias e
população em situação de rua são obrigados a ocupar espaços distantes dos vetores de reconfiguração
urbana e dos megaeventos corporativos e midiáticos. A “demarcação” de terras onde eles podem estar,
trabalhar ou circular passa a ser não uma política afirmativa do direito à cidade, mas do deslocamento
dessa população para longe das vistas do “progresso” e do “moderno”. [...]
 
Em resumo, a ausência de políticas de inclusão é em si uma política. Em algumas das grandes cidades
brasileiras, as leis que regulam o comércio ambulante apenas aparentemente servem para incluir,
quando, na verdade, são instrumentos de exclusão dos trabalhadores das ruas.
ALCÂNTARA, A.; SAMPAIO, G.; ITIKAWA, L. Comércio ambulante: sob as franjas do sistema. Disponível em:
<http://www.cartacapital. com.br/sociedade/sob-as-franjas-do-sistema-o-comercio-ambulante-nas-grandes-cidades-
325.html>. Acesso em: 26 dez. 2013. Adaptado.
 
A palavra que é classificada gramaticalmente como conjunção no trecho apresentado em:
a) “entendendo de que maneira ela se relaciona com a economia formal”
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1068) 
b) “a realidade do comércio ambulante em São Paulo mostra que essa atividade é uma alternativa”
c) “Há políticas que reconhecem a informalidade como exceção permanente”
d) “um número ínfimo de pessoas que podem trabalhar de forma legalizada,”
e) “mas somente os que não confrontem a lógica de reprodução do capital”
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CESGRANRIO - Ass Adm (EPE)/EPE/Apoio Administrativo/2014
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Coração e mente de uma cidade
Toda grande cidade cultiva, entre seus prédios, ruas e muros, uma soma de aspirações e opiniões sobre
a sua própria forma de se organizar. Embora muitas vezes imperceptíveis, elas apontam tendências do
que serão os grandes centros no futuro.
Para debater a dinâmica dos espaços urbanos, um projeto mergulhou dois anos no cotidiano das
metrópoles Nova York, Berlim e Mumbai. Explorou a forma como lidam com sua arquitetura, arte, design,
tecnologia, educação, sustentabilidade e disposição urbana. Dessa experiência, extraiu-se um raio X de
uma cidade, uma lista de cem tendências e pensamentos, cuja conclusão é de que cada vez mais a
população fará a diferença no futuro. São os próprios moradores que promoverão mudanças — e, para
isso, precisam de canais mais diretos para interferirem nas decisões. Chamada de 100 trending topics, a
lista traz tendências que podem soar utópicas ou abstratas, mas há também exemplos concretos, que já
começam a se impor nas ligações entre população e governos.
Nesse contexto, surge o conceito de “hackear” a cidade, transformar seu sistema por meio de ações
informais dos cidadãos. O modelo seria uma contraposição às ditas “cidades inteligentes”, em que
máquinas tomariam conta de todos os ambientes. Seria sim um urbanismo de “código aberto”, ou seja,
em que qualquer um pode interferir, de forma constante, para mudar a estrutura da cidade.
Para atingir esse objetivo, cada vez mais o design passa a ser pensado como uma ferramenta que
promove a inclusão. Em uma população diversificada como a do mundo de hoje, as cidades precisam
garantir que ambientes e serviços permaneçam igualmente acessíveis a todos, independentemente da
idade, cultura ou condição social.
Outra ideia é o “departamento de escuta”, instituição utópica que tornaria o ato de reclamar muito mais
prático e menos penoso: o governo ouviria nossos anseios com sinceridade e atenção. No lugar de um
atendente estilo telemarketing, que, apenas com um script em mãos, muitas vezes nos frustra, estaria
alguém preparado para nos responder no ato, sem parecer seguir um protocolo.
Essas iniciativas demonstram que uma democracia pode ir muito além de um sistema eleitoral tradicional.
É o que diversos grupos e associações no mundo inteiro têm tentado colocar em prática, estendendo as
decisões da cidade a uma série de outras dimensões sociais. A ideia é fazer com que todos os ambientes
de nossas vidas funcionem de forma democrática: trabalho, educação, serviços públicos e outros. A
sociedade precisa escolher qual linha de metrô ela quer, qual praça precisa receber mais atenção, quais
investimentos devem ser prioritários. E esse processo se dá com novos fóruns locais, que estabeleçam
canais de negociação com os moradores e as associações comerciais.
Para intensificar a democracia participativa na cidade, deve-se apostar na disseminação da informação,
com dados menos gerais. Os indicadores precisam contemplar as diferentes realidades das comunidades,
que poderiam ser vistas como microcidades. Também há necessidade de mais e melhores espaços e
fóruns de discussão sobre as políticas públicas. E o mundo digital trouxe novas ferramentas para medir a
informação produzida pelas cidades e transformá-la em fatos, figuras e visualizações. A quantidade de
dados coletados entre os primórdios da humanidade e 2003 equivale, atualmente, ao que se coleta a
cada dois dias. Mas o volume maciço de dados por si só não torna uma cidade mais inteligente. É preciso
criarmecanismos capazes de filtrar esta riqueza de informação e torná-la acessível a todos. Com
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/286261
1069) 
estimativas mais precisas e transparentes, há mais espaço para ações independentes. O desafio é
integrar o fluxo de informação através de plataformas digitais abertas em que o cidadão possa inserir,
pesquisar dados e cruzar informações que o ajudem a resolver problemas do cotidiano. Investigar a
inteligência social das multidões é reconhecer suas individualidades para além de números e traduzir
anseios em serviços. Assim, a webcidadania ganha força no mundo através de petições on-line,
financiamentos colaborativos ou plataformas para acompanhar gastos públicos.
TORRES, B. Jornal O Globo, Caderno Amanhã, p. 12-19. 12 nov. 2013. Adaptado.
 
No desenvolvimento do texto, a palavra mas ( l.7) foi utilizada para estabelecer entre as ideias uma
relação de
a) causa
b) oposição
c) condição
d) explicação
e) finalidade
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CESGRANRIO - Tec Adm (BNDES)/BNDES/2013
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Ciência do esporte – sangue, suor e análises
Na luta para melhorar a performance dos atletas […], o Comitê Olímpico Brasileiro tem, há dois anos, um
departamento exclusivamente voltado para a Ciência do Esporte. De estudos sobre a fadiga à compra de
materiais para atletas de ponta, a chave do êxito é uma só: o detalhamento personalizado das
necessidades.
Talento é fundamental. Suor e entrega, nem se fala. Mas o caminho para o ouro olímpico nos dias atuais
passa por conceitos bem mais profundos. Sem distinção entre gênios da espécie e reles mortais, a
máquina humana só atinge o máximo do potencial se suas(a) características individuais forem
minuciosamente estudadas. Num universo olímpico em que muitas vezes um milésimo de segundo pode
separar glória e fracasso, entra em campo a Ciência do Esporte. Porque grandes campeões também são
moldados através de análises laboratoriais, projetos acadêmicos e modernos programas de computador.
A importância dos estudos científicos cresceu de tal forma que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) há
dois anos criou um departamento exclusivamente dedicado ao tema(b). [...]
— Nós trabalhamos para potencializar as chances de resultados. O que se define como Ciência do
Esporte é na verdade uma quantidade ampla de informações que são trazidas para que técnico e atleta
possam utilizá-las(c) da melhor maneira possível. Mas o líder será sempre o treinador. Ele decide o que é
melhor para o atleta — ressalta o responsável pela gerência de desenvolvimento e projetos especiais,
que cuida da área de Ciência do Esporte no COB, Jorge Bichara.
A gerência também abrange a coordenação médica do comitê. Segundo Bichara, a área de Ciência do
Esporte está dividida em sete setores: fisiologia, bioquímica, nutrição, psicologia, meteorologia,
treinamento esportivo e vídeo análise.
 
Reposição individualizada
 
Na prática, o atleta de alto rendimento pode dispor desde novos equipamentos, que o(d) deixem em
igualdade de condições de treino com seus principais concorrentes, até dados fisiológicos que indicam o
tipo de reposição ideal a ser feita após a disputa.
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1070) 
 
— No futebol feminino, já temos o perfil de desgaste de cada atleta e pudemos desenvolver técnicas
individuais de recuperação. Algumas precisam beber mais água, outras precisam de isotônico — explica
Sidney Cavalcante, supervisor de Ciência do Esporte do comitê. […]
 
As Olimpíadas não são laboratório para testes. É preciso que todas as inovações, independentemente da
modalidade, estejam testadas e catalogadas com antecedência. Bichara afirma que o trabalho da área de
Ciências do Esporte nos Jogos pode ser resumida em um único conceito:
 
— Recuperação. Essa(e) é a palavra-chave. […]
 
CUNHA, Ary; BERTOLDO, Sanny. Ciência do esporte – sangue, suor e análises. O Globo, Rio de Janeiro, 25 maio
2012.
O Globo Olimpíadas - Ciência a serviço do esporte, p. 6.
 
As palavras destacadas nos trechos retirados do texto referem-se ao que está entre colchetes em:
a) “...suas características” [do potencial]
b) “dedicado ao tema” [ao Comitê Olímpico Brasileiro]
c) “... utilizá-las” [as chances de resultados]
d) “...que o deixem” [o alto rendimento]
e) “Essa é...” [recuperação]
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CESGRANRIO - PB (BNDES)/BNDES/Administração/2013
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Texto
 
Dialética da mudança
 
Certamente porque não é fácil compreender certas questões, as pessoas tendem a aceitar algumas
afirmações como verdades indiscutíveis e até mesmo a irritar-se quando alguém insiste em discuti-las(a).
É natural que isso aconteça, quando mais não seja porque as certezas nos dão segurança e
tranquilidade. Pô-las em questão equivale a tirar o chão de sob nossos pés. Não necessito dizer que, para
mim, não há verdades indiscutíveis, embora acredite em determinados valores e princípios que me
parecem consistentes. De fato, é muito difícil, senão impossível, viver sem nenhuma certeza, sem valor
algum.
 
No passado distante, quando os valores religiosos se impunham à quase totalidade das pessoas, poucos
eram os que questionavam, mesmo porque, dependendo da ocasião, pagavam com a vida seu
inconformismo.
 
Com o desenvolvimento do pensamento objetivo e da ciência, aquelas certezas inquestionáveis passaram
a segundo plano, dando lugar a um novo modo de lidar com as certezas e os valores. Questioná-los,
reavaliá-los, negá-los, propor mudanças às vezes radicais tornou-se frequente e inevitável(b), dando-se
início a uma nova época da sociedade humana. Introduziram-se as ideias não só de evolução como de
revolução.
 
Naturalmente, essas mudanças não se deram do dia para a noite, nem tampouco se impuseram à
maioria da sociedade. O que ocorreu de fato foi um processo difícil e conflituado em que, pouco a pouco,
a visão inovadora veio ganhando terreno e, mais do que isso, conquistando posições estratégicas(c), o
que tornou possível influir na formação de novas gerações, menos resistentes a visões questionadoras.
 
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/135940
1071) 
A certa altura desse processo, os defensores das mudanças acreditavam-se senhores de novas verdades,
mais consistentes porque eram fundadas no conhecimento objetivo das leis que governam o mundo
material e social. Mas esse conhecimento era ainda precário e limitado.
 
Inúmeras descobertas reafirmam a tese de que a mudança é inerente à realidade tanto material quanto
espiritual, e que, portanto, o conceito de imutabilidade é destituído de fundamento.
 
Ocorre, porém, que essa certeza pode induzir a outros erros: o de achar que quem defende
determinados valores estabelecidos está indiscutivelmente errado. Em outras palavras, bastaria
apresentar-se como inovador para estar certo. Será isso verdade? Os fatos demonstram que tanto pode
ser como não.
 
Mas também pode estar errado quem defende os valores consagrados e aceitos. Só que, em muitos
casos, não há alternativa senão defendê-los(d). E sabem por quê? Pela simples razão de que toda
sociedade é, por definição, conservadora, uma vez que, sem princípios e valores estabelecidos, seria
impossível o convívio social. Uma comunidade cujos princípios e normas mudassem a cada dia seria
caótica e, por isso mesmo, inviável.
 
Por outro lado, como a vida muda e a mudança é inerente à existência, impedir a mudança é impossível.
Daí resulta que a sociedade termina por aceitar as mudanças, mas apenas aquelas que de algum modo
atendem a suas necessidades e a fazem avançar(e).
 
GULLAR, Ferreira. Dialética da mudança. Folha de São Paulo, 6 maio 2012, p. E10.
 
O termo em destaque, nas frases do Texto, refere-se à informação contida nos colchetes em:
a) “as pessoas tendem a aceitar algumas afirmações como verdades indiscutíveise até mesmo a
irritar-se quando alguém insiste em discuti-las.” [as pessoas]
b) “Questioná-los, reavaliá-los, negá-los, propor mudanças às vezes radicais tornou-se frequente e
inevitável” [o pensamento objetivo e a ciência]
c) “a visão inovadora veio ganhando terreno e, mais do que isso, conquistando posições
estratégicas” [processo de fortalecimento da visão inovadora]
d) “Só que, em muitos casos, não há alternativa senão defendê-los.” [os fatos]
e) “mas apenas aquelas que de algum modo atendem a suas necessidades e a fazem avançar.”
[mudanças inerentes à existência]
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CESGRANRIO - PB (BNDES)/BNDES/Administração/2013
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Texto
Dialética da mudança
 
Certamente porque não é fácil compreender certas questões, as pessoas tendem a aceitar algumas
afirmações como verdades indiscutíveis e até mesmo a irritar-se quando alguém insiste em discuti-las. É
natural que isso aconteça, quando mais não seja porque as certezas nos dão segurança e tranquilidade.
Pô-las em questão equivale a tirar o chão de sob nossos pés. Não necessito dizer que, para mim, não há
verdades indiscutíveis, embora acredite em determinados valores e princípios(a) que me parecem
consistentes. De fato, é muito difícil, senão impossível, viver sem nenhuma certeza, sem valor algum.
 
No passado distante, quando os valores religiosos se impunham à quase totalidade das pessoas, poucos
eram os que questionavam(b), mesmo porque, dependendo da ocasião, pagavam com a vida seu
inconformismo.
 
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/135944
1072) 
Com o desenvolvimento do pensamento objetivo e da ciência, aquelas certezas inquestionáveis passaram
a segundo plano, dando lugar a um novo modo de lidar com as certezas e os valores. Questioná-los,
reavaliá-los, negá-los, propor mudanças às vezes radicais tornou-se frequente e inevitável, dando-se
início a uma nova época da sociedade humana. Introduziram-se as ideias não só de evolução como de
revolução.
 
Naturalmente, essas mudanças não se deram do dia para a noite, nem tampouco se impuseram à
maioria da sociedade. O que ocorreu de fato foi um processo difícil e conflituado em que, pouco a pouco,
a visão inovadora veio ganhando terreno e, mais do que isso, conquistando posições estratégicas, o que
tornou possível influir na formação de novas gerações, menos resistentes a visões questionadoras.
 
A certa altura desse processo, os defensores das mudanças acreditavam-se senhores de novas verdades,
mais consistentes porque eram fundadas no conhecimento objetivo das leis(c) que governam o mundo
material e social. Mas esse conhecimento era ainda precário e limitado.
 
Inúmeras descobertas reafirmam a tese de que a mudança é inerente à realidade tanto material quanto
espiritual, e que, portanto, o conceito de imutabilidade é destituído de fundamento(d).
 
Ocorre, porém, que essa certeza pode induzir a outros erros: o de achar que quem defende
determinados valores estabelecidos está indiscutivelmente errado(e). Em outras palavras, bastaria
apresentar-se como inovador para estar certo. Será isso verdade? Os fatos demonstram que tanto pode
ser como não.
 
Mas também pode estar errado quem defende os valores consagrados e aceitos. Só que, em muitos
casos, não há alternativa senão defendê-los. E sabem por quê? Pela simples razão de que toda sociedade
é, por definição, conservadora, uma vez que, sem princípios e valores estabelecidos, seria impossível o
convívio social. Uma comunidade cujos princípios e normas mudassem a cada dia seria caótica e, por isso
mesmo, inviável.
 
Por outro lado, como a vida muda e a mudança é inerente à existência, impedir a mudança é impossível.
Daí resulta que a sociedade termina por aceitar as mudanças, mas apenas aquelas que de algum modo
atendem a suas necessidades e a fazem avançar.
 
GULLAR, Ferreira. Dialética da mudança. Folha de São Paulo, 6 maio 2012, p. E10.
 
A relação lógica estabelecida entre as ideias do período composto, por meio do termo destacado, está
explicitada adequadamente em:
a) “Não necessito dizer que, para mim, não há verdades indiscutíveis, embora acredite em
determinados valores e princípios” – (relação de condição)
b) “No passado distante, quando os valores religiosos se impunham à quase totalidade das pessoas,
poucos eram os que questionavam” – (relação de causalidade)
c) “os defensores das mudanças acreditavam-se senhores de novas verdades, mais consistentes
porque eram fundadas no conhecimento objetivo das leis” – (relação de finalidade)
d) “a mudança é inerente à realidade tanto material quanto espiritual, e que, portanto, o conceito
de imutabilidade é destituído de fundamento.” – (relação de conclusão)
e) “Ocorre, porém, que essa certeza pode induzir a outros erros: o de achar que quem defende
determinados valores estabelecidos está indiscutivelmente errado.” – (relação de temporalidade)
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Texto
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Dialética da mudança
 
Certamente porque não é fácil compreender certas questões, as pessoas tendem a aceitar algumas
afirmações como verdades indiscutíveis e até mesmo a irritar-se quando alguém insiste em discuti-las. É
natural que isso aconteça, quando mais não seja porque as certezas nos dão segurança e tranquilidade.
Pô-las em questão equivale a tirar o chão de sob nossos pés. Não necessito dizer que, para mim, não há
verdades indiscutíveis(a), embora acredite em determinados valores e princípios que me parecem
consistentes. De fato, é muito difícil, senão impossível, viver sem nenhuma certeza, sem valor algum.
 
No passado distante, quando os valores religiosos se impunham à quase totalidade das pessoas, poucos
eram os que questionavam, mesmo porque, dependendo da ocasião, pagavam com a vida seu
inconformismo(b).
 
Com o desenvolvimento do pensamento objetivo e da ciência, aquelas certezas inquestionáveis passaram
a segundo plano, dando lugar a um novo modo de lidar com as certezas e os valores. Questioná-los,
reavaliá-los, negá-los, propor mudanças às vezes radicais tornou-se frequente e inevitável, dando-se
início a uma nova época da sociedade humana. Introduziram-se as ideias não só de evolução como de
revolução.
 
Naturalmente, essas mudanças não se deram do dia para a noite, nem tampouco se impuseram à
maioria da sociedade. O que ocorreu de fato foi um processo difícil e conflituado em que, pouco a pouco,
a visão inovadora veio ganhando terreno e, mais do que isso, conquistando posições estratégicas, o que
tornou possível influir na formação de novas gerações, menos resistentes a visões questionadoras.
 
A certa altura desse processo, os defensores das mudanças acreditavam-se senhores de novas verdades,
mais consistentes porque eram fundadas no conhecimento objetivo das leis que governam o mundo
material e social. Mas esse conhecimento era ainda precário e limitado.
 
Inúmeras descobertas reafirmam a tese de que a mudança é inerente à realidade tanto material quanto
espiritual, e que, portanto, o conceito de imutabilidade é destituído de fundamento.
 
Ocorre, porém, que essa certeza pode induzir a outros erros:(c) o de achar que quem defende
determinados valores estabelecidos está indiscutivelmente errado(d). Em outras palavras, bastaria
apresentar-se como inovador para estar certo. Será isso verdade? Os fatos demonstram que tanto pode
ser como não(e).
 
Mas também pode estar errado quem defende os valores consagrados e aceitos. Só que, em muitos
casos, não há alternativa senão defendê-los. E sabem por quê? Pela simples razão de que toda sociedade
é, por definição, conservadora, uma vez que, sem princípios e valores estabelecidos, seria impossível o
convívio social. Uma comunidade cujos princípios e normas mudassema cada dia seria caótica e, por isso
mesmo, inviável.
 
Por outro lado, como a vida muda e a mudança é inerente à existência, impedir a mudança é impossível.
Daí resulta que a sociedade termina por aceitar as mudanças, mas apenas aquelas que de algum modo
atendem a suas necessidades e a fazem avançar.
 
GULLAR, Ferreira. Dialética da mudança. Folha de São Paulo, 6 maio 2012, p. E10.
 
No trecho do Texto “O que ocorreu de fato foi um processo difícil e conflituado em que, pouco a pouco,
a visão inovadora veio ganhando terreno”, a palavra destacada se refere a um termo do contexto
anterior, assim como em:
a) “Não necessito dizer que, para mim, não há verdades indiscutíveis,”
b) “poucos eram os que questionavam, mesmo porque, dependendo da ocasião, pagavam com a vida
seu inconformismo.”
1073) 
c) “Ocorre, porém, que essa certeza pode induzir a outros erros:”
d) “o de achar que quem defende determinados valores estabelecidos está indiscutivelmente errado.”
e) “Os fatos demonstram que tanto pode ser como não.”
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Texto
 
Cidade: desejo e rejeição
 
A cidade da modernidade se configurou a partir da Revolução Industrial e se tornou complexa pelo
tamanho territorial e demográfico, antes jamais alcançado, e pelas exigências de infraestrutura e de
serviços públicos. No início do século XX, se generalizou a ideia da cidade como instância pública. Até
então, esta seria uma construção que resultava de interesses específicos, de setores ou estratos
sociais(a).
 
A mudança do milênio vê, contraditoriamente, a expansão de modelos urbanísticos e a ocupação
territorial que se opõem à “condição urbana” – de certo modo fazendo retornar a cidade à instância
privada. Tal ambiguidade estabelece um patamar para o debate sobre os rumos da cidade(b).
 
O sistema urbano brasileiro estava em processo de consolidação como instância pública, quando, a partir
dos anos 1960, sofre inflexão importante. Razões externas ao urbanismo influenciam no redesenho de
nossas cidades.
 
A opção pelo transporte urbano no modo rodoviário, em detrimento do transporte sobre trilhos, então
estruturador das principais cidades, é uma delas(c).
 
Outros elementos adentram o cenário brasileiro nas últimas décadas e dispõem a cidade como instância
privada: os condomínios fechados e os shopping centers. Ambos associados ao automóvel, exaltam a
segmentação de funções urbanas. A multiplicidade e a variedade, valores do urbano, ali não são
consideradas(d). O importante para os promotores imobiliários e para os que aderem a tais propostas é a
sensação de que o modelo é algo à parte do conjunto. Há uma explícita “rejeição à cidade”.
 
Além disso, com o crescimento demográfico e a expansão do sistema urbano, as áreas informais
adquirem relevo(e) e, em alguns casos, passam a compor a maior parte das cidades. Isto é, enquanto
por um século e meio se concebe e se desenvolve a ideia da cidade como instância pública, uma parte
maiúscula dessa mesma cidade é construída em esforço individual como instância privada.
 
MAGALHÃES, Sérgio Ferraz. Cidade: desejo e rejeição. Revista Ciência Hoje. Rio de Janeiro: ICH. n. 290, mar.
2012, p. 75.
 
De acordo com o Texto, a palavra destacada tem sua referência explicitada em:
a) “Até então, esta seria uma construção que resultava de interesses específicos, de setores ou
estratos sociais.” – Nesse trecho, a palavra destacada refere-se ao período inicial da industrialização
europeia.
b) “Tal ambiguidade estabelece um patamar para o debate sobre os rumos da cidade.” – Nesse
trecho, a palavra destacada refere-se ao conflito entre as duas concepções de cidade, a pública e a
privada.
c) “A opção pelo transporte urbano no modo rodoviário, em detrimento do transporte sobre trilhos,
então estruturador das principais cidades, é uma delas. – Nesse trecho, a palavra destacada refere-
se às cidades brasileiras.
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1074) 
d) “A multiplicidade e a variedade, valores do urbano, ali não são consideradas.” – Nesse trecho, a
palavra destacada refere-se às regiões não urbanizadas.
e) “Além disso, com o crescimento demográfico e a expansão do sistema urbano, as áreas informais
adquirem relevo” – Nesse trecho, a palavra destacada refere-se à valorização do automóvel no
transporte urbano.
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Ciência do esporte – sangue, suor e análises
Na luta para melhorar a performance dos atletas […], o Comitê Olímpico Brasileiro tem, há dois anos, um
departamento exclusivamente voltado para a Ciência do Esporte. De estudos sobre a fadiga à compra de
materiais para atletas de ponta, a chave do êxito é uma só: o detalhamento personalizado das
necessidades.
Talento é fundamental. Suor e entrega, nem se fala. Mas o caminho para o ouro olímpico nos dias atuais
passa por conceitos bem mais profundos. Sem distinção entre gênios da espécie e reles mortais, a
máquina humana só atinge o máximo do potencial se suas características individuais forem
minuciosamente estudadas. Num universo olímpico em que muitas vezes um milésimo de segundo pode
separar glória e fracasso, entra em campo a Ciência do Esporte. Porque grandes campeões também são
moldados através de análises laboratoriais, projetos acadêmicos e modernos programas de computador.
A importância dos estudos científicos cresceu de tal forma que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) há
dois anos criou um departamento exclusivamente dedicado ao tema. [...]
— Nós trabalhamos para potencializar as chances de resultados. O que se define como Ciência do
Esporte é na verdade uma quantidade ampla de informações que são trazidas para que técnico e atleta
possam utilizá-las da melhor maneira possível. Mas o líder será sempre o treinador. Ele decide o que é
melhor para o atleta — ressalta o responsável pela gerência de desenvolvimento e projetos especiais,
que cuida da área de Ciência do Esporte no COB, Jorge Bichara.
A gerência também abrange a coordenação médica do comitê. Segundo Bichara, a área de Ciência do
Esporte está dividida em sete setores: fisiologia, bioquímica, nutrição, psicologia, meteorologia,
treinamento esportivo e vídeo análise.
 
Reposição individualizada
 
Na prática, o atleta de alto rendimento pode dispor desde novos equipamentos, que o deixem em
igualdade de condições de treino com seus principais concorrentes, até dados fisiológicos que indicam o
tipo de reposição ideal a ser feita após a disputa.
 
— No futebol feminino, já temos o perfil de desgaste de cada atleta e pudemos desenvolver técnicas
individuais de recuperação. Algumas precisam beber mais água, outras precisam de isotônico — explica
Sidney Cavalcante, supervisor de Ciência do Esporte do comitê. […]
 
As Olimpíadas não são laboratório para testes. É preciso que todas as inovações, independentemente da
modalidade, estejam testadas e catalogadas com antecedência. Bichara afirma que o trabalho da área de
Ciências do Esporte nos Jogos pode ser resumida em um único conceito:
 
— Recuperação. Essa é a palavra-chave. […]
 
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1075) 
CUNHA, Ary; BERTOLDO, Sanny. Ciência do esporte – sangue, suor e análises. O Globo, Rio de Janeiro, 25 maio
2012.
O Globo Olimpíadas - Ciência a serviço do esporte, p. 6.
 
As orações abaixo, separadas por vírgula, podem ter a relação entre elas explicitada por meio de uma
expressão.
“Algumas precisam beber mais água, outras precisam de isotônico.”
 
A expressão que mantém o sentido original está empregada em:
a) Algumas precisam beber mais água, a fim de que outras precisem de isotônico.
b) Algumas precisam beber mais água, ao passo que outras precisam de isotônico.
c) Já que algumas precisambeber mais água, outras precisam de isotônico.
d) Por mais que algumas precisem beber mais água, outras precisam de isotônico.
e) Contanto que algumas precisem beber mais água, outras precisam de isotônico.
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Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
100 Coisas
É febre. Livros listando as cem coisas que você deve fazer antes de morrer, os cem lugares que você
deve conhecer antes de morrer, os cem pratos que você deve provar antes de morrer. Primeiramente, me
espanta o fato de todos terem a certeza absoluta de que você vai morrer. Eu prefiro encarar a morte
como uma hipótese. Mas, no caso, de acontecer, serei obrigada mesmo a cumprir todas essas metas
antes? Não dá pra fechar por cinquenta em vez de cem?
Outro dia estava assistindo a um DVD promocional que também mostra, como imaginei, as cem coisas
que a gente precisa porque precisa fazer antes de morrer. Me deu uma angústia, pois, das cem, eu fiz
onze até agora. Falta muito ainda. Falta dirigir uma Ferrari, fazer um safári, frequentar uma praia de
nudismo, comer algo exótico (um baiacu venenoso, por exemplo), visitar um vulcão ativo, correr uma
maratona [...].
Se dependesse apenas da minha vontade, eu já teria um plano de ação esquematizado, mas quem fica
com as crianças? Conseguirei cinco férias por ano? E quem patrocina essa brincadeira?
Hoje é dia de mais um sorteio da Mega-Sena. O prêmio está acumulado em cinquenta milhões de reais.
A maioria das pessoas, quando perguntadas sobre o que fariam com a bolada, responde: pagar dívidas,
comprar um apartamento, um carro, uma casa na serra, outra na praia, garantir a segurança dos filhos e
guardar o resto para a velhice.
Normal. São desejos universais. Mas fica aqui um convite para sonhar com mais criatividade. Arranje
uma dessas listas de cem coisas pra fazer e procure divertir-se com as opções [...]. Não pense tanto em
comprar mas em viver.
Eu, que não apostei na Mega-Sena, por enquanto sigo com a minha lista de cem coisas a evitar antes de
morrer. É divertido também, e bem mais fácil de realizar, nem precisa de dinheiro.
MEDEIROS, Martha. Doidas e santas. Porto Alegre: L&PM, 2008, p. 122-123. Adaptado.
Os períodos “Hoje é dia de mais um sorteio da Mega-Sena. O prêmio está acumulado em cinquenta
milhões de reais.” foram reescritos, com adaptações, para transformá-los em um único período.
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/179085
1076) 
Aquele que mantém o sentido original e está adequado à norma-padrão é:
a) Embora o prêmio esteja acumulado em cinquenta milhões de reais, hoje é dia de mais um sorteio
da Mega-Sena.
b) Hoje é dia de mais um sorteio da Mega-Sena porque o prêmio está acumulado em cinquenta
milhões de reais.
c) Desde que o prêmio da Mega-Sena está acumulado em cinquenta milhões de reais, hoje é dia do
sorteio.
d) Hoje é dia em que o prêmio da Mega-Sena, acumulado em cinquenta milhões de reais, vai ser
sorteado.
e) Hoje é dia de mais um sorteio da Mega-Sena já que o prêmio está acumulado em cinquenta
milhões de reais.
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Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
100 Coisas
É febre. Livros listando as cem coisas que você deve fazer antes de morrer, os cem lugares que você
deve conhecer antes de morrer, os cem pratos que você deve provar antes de morrer. Primeiramente, me
espanta o fato de todos terem a certeza absoluta de que você vai morrer. Eu prefiro encarar a morte
como uma hipótese. Mas, no caso, de acontecer, serei obrigada mesmo a cumprir todas essas metas
antes? Não dá pra fechar por cinquenta em vez de cem?
Outro dia estava assistindo a um DVD promocional que também mostra, como imaginei, as cem coisas
que a gente precisa porque precisa fazer antes de morrer. Me deu uma angústia, pois, das cem, eu fiz
onze até agora. Falta muito ainda. Falta dirigir uma Ferrari, fazer um safári, frequentar uma praia de
nudismo, comer algo exótico (um baiacu venenoso, por exemplo), visitar um vulcão ativo, correr uma
maratona [...].
Se dependesse apenas da minha vontade, eu já teria um plano de ação esquematizado, mas quem fica
com as crianças? Conseguirei cinco férias por ano? E quem patrocina essa brincadeira?
Hoje é dia de mais um sorteio da Mega-Sena. O prêmio está acumulado em cinquenta milhões de reais.
A maioria das pessoas, quando perguntadas sobre o que fariam com a bolada, responde: pagar dívidas,
comprar um apartamento, um carro, uma casa na serra, outra na praia, garantir a segurança dos filhos e
guardar o resto para a velhice.
Normal. São desejos universais. Mas fica aqui um convite para sonhar com mais criatividade. Arranje
uma dessas listas de cem coisas pra fazer e procure divertir-se com as opções [...]. Não pense tanto em
comprar mas em viver.
Eu, que não apostei na Mega-Sena, por enquanto sigo com a minha lista de cem coisas a evitar antes de
morrer. É divertido também, e bem mais fácil de realizar, nem precisa de dinheiro.
MEDEIROS, Martha. Doidas e santas. Porto Alegre: L&PM, 2008, p. 122-123. Adaptado.
 
Nos trechos abaixo, a expressão destacada pode ser substituída pela que vem ao lado, sem alteração do
sentido e de acordo com a norma-padrão em
a) “Hoje é dia de mais um sorteio da Mega-Sena.” – demais
b) “pois, das cem, eu fiz onze até agora. Falta muito ainda.” – muitas
c) “livros listando as cem coisas” – listados
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/179086
1077) 
d) “serei obrigada mesmo a cumprir todas essas metas antes?” – obrigado
e) “assistindo a um DVD promocional que também mostra” – o qual
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Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Morar só por prazer
 
O número de residências habitadas por uma única pessoa está aumentando velozmente no Brasil e no
mundo. Morar sozinho é um luxo que tem pouco a ver com solidão e segue uma tendência generalizada
em países desenvolvidos. Cada vez mais gente batalha para conquistar o seu espaço individual.
 
Há quem diga que é coisa de eremita ou então puro egoísmo, típico da “era moderna”. Chega-se até a
falar na “ruína da família” e no “fim do convívio em comunidade”. Entretanto, o crescimento no número
de casas habitadas por uma só pessoa, no Brasil e no mundo, não significa necessariamente isso.
 
O antropólogo carioca Gilberto Velho, estudioso dos fenômenos urbanos, faz questão de enfatizar que a
cultura que desponta não é marcada pelo egoísmo, mas sim pelo individualismo. Embora os dois
conceitos muitas vezes se confundam no linguajar informal, e até nos dicionários, para a filosofia, o
egoísmo é um julgamento de valor e o individualismo, uma doutrina baseada no indivíduo.
 
De acordo com a psicanalista Junia de Vilhena, ter uma casa só para si é criar um espaço de
individualidade, o que é muito saudável para o crescimento pessoal de cada um, seja homem, seja
mulher, jovem ou adulto, solteiro, casado ou viúvo. “Em muitas famílias não há espaço para o indivíduo.
O sistema familiar pode abafar e sufocar. Não dá mais para idealizar o conceito de família. Acredito que o
aumento dos lares unipessoais nos propõe uma reflexão: que tipo de família queremos construir?”
 
Junia lembra que nem sempre uma casa com dois ou vários moradores é um espaço de troca. Ser
sociável, ou não, depende do jeito de ser das pessoas. Morar sozinho não define isso, embora possa
reforçar características dos tímidos. Para os expansivos, ter um ambiente próprio de recolhimento
propicia a tranquilidade que lhes permite recarregar as energias para viver o ritmo acelerado das grandes
cidades.
 
MESQUITA, Renata. Revista Planeta, ed. 477. São Paulo: Editora Três, junho de 2012. Adaptado.
 
No trecho“não é marcada pelo egoísmo, mas pelo individualismo.”, a palavra mas estabelece uma
oposição em relação à ideia anterior, assim como ocorre com o termo destacado em:
a) A tecnologia pode amenizar o distanciamento se as pessoas solitárias buscarem contato nas redes
sociais.
b) Algumas pessoas decidem se afastar da casa dos pais para ter mais liberdade de receber seus
amigos.
c) Até há pouco tempo, homens adultos eram considerados solteirões quando viviam sozinhos em
suas casas.
d) O sistema familiar pode sufocar as individualidades porque não há espaço para tomar decisões
próprias.
e) Os jovens moravam com as famílias até o casamento, porém, atualmente, preferem morar
sozinhos.
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1078) 
1079) 
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Morar só por prazer
 
O número de residências habitadas por uma única pessoa está aumentando velozmente no Brasil e no
mundo. Morar sozinho é um luxo que tem pouco a ver com solidão e segue uma tendência generalizada
em países desenvolvidos. Cada vez mais gente batalha para conquistar o seu espaço individual.
 
Há quem diga que é coisa de eremita ou então puro egoísmo, típico da “era moderna”. Chega-se até a
falar na “ruína da família” e no “fim do convívio em comunidade”. Entretanto, o crescimento no número
de casas habitadas por uma só pessoa, no Brasil e no mundo, não significa necessariamente isso.
 
O antropólogo carioca Gilberto Velho, estudioso dos fenômenos urbanos, faz questão de enfatizar que a
cultura que desponta não é marcada pelo egoísmo, mas sim pelo individualismo. Embora os dois
conceitos muitas vezes se confundam no linguajar informal, e até nos dicionários, para a filosofia, o
egoísmo é um julgamento de valor e o individualismo, uma doutrina baseada no indivíduo.
 
De acordo com a psicanalista Junia de Vilhena, ter uma casa só para si é criar um espaço de
individualidade, o que é muito saudável para o crescimento pessoal de cada um, seja homem, seja
mulher, jovem ou adulto, solteiro, casado ou viúvo. “Em muitas famílias não há espaço para o indivíduo.
O sistema familiar pode abafar e sufocar. Não dá mais para idealizar o conceito de família. Acredito que o
aumento dos lares unipessoais nos propõe uma reflexão: que tipo de família queremos construir?”
 
Junia lembra que nem sempre uma casa com dois ou vários moradores é um espaço de troca. Ser
sociável, ou não, depende do jeito de ser das pessoas. Morar sozinho não define isso, embora possa
reforçar características dos tímidos. Para os expansivos, ter um ambiente próprio de recolhimento
propicia a tranquilidade que lhes permite recarregar as energias para viver o ritmo acelerado das grandes
cidades.
 
MESQUITA, Renata. Revista Planeta, ed. 477. São Paulo: Editora Três, junho de 2012. Adaptado.
 
No trecho “ter um ambiente próprio de recolhimento propicia a tranquilidade que lhes permite
recarregar as energias.”, a palavra destacada refere-se aos
a) jovens
b) egoístas
c) tímidos
d) eremitas
e) expansivos
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CESGRANRIO - Ana (IBGE)/IBGE/Administração Escolar/2013
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Contra o estigma da pobreza
O livro ‘ Vozes do Bolsa Família – Autonomia, dinheiro
e cidadania’ traz pesquisa que mergulha no universo
dos beneficiários do programa do governo
 
Durante os protestos de junho, alguns cartazes pediam a revogação do direito de voto dos beneficiários
do programa Bolsa Família (BF). Tratava-se de um eco dos preconceitos veiculados nas redes sociais
depois das eleições de 2010, segundo os quais Dilma só se elegera por causa dos votos das famílias
beneficiárias, alegação fartamente desmontada por analistas eleitorais. É provável, contudo, que o BF
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tenha contribuído para a perda de influência de políticos que aproveitavam a dependência de eleitores
extremamente pobres para formar clientelas com favores eventuais e personalizados, financiados com
recursos públicos. O caráter universalista e regular do BF despersonifica o benefício e o transfere do
registro da caridade pessoal para o campo da institucionalidade de Estado.
A desinformação não se restringe ao campo das paixões políticas. Empresários já manifestaram a opinião
de que o BF reduz a procura por empregos e dificulta a contratação, como se desconhecessem que o
valor máximo do benefício é bem inferior ao salário mínimo e que quase metade dos beneficiários é de
trabalhadores por conta própria. Alguns estudos mostram, ao contrário, que o BF tem um efeito muito
positivo sobre o emprego, ao animar mercados locais de bens e serviços de baixa renda. Também há
indícios de que o programa contribuiu para a redução da migração de regiões pobres para grandes
cidades, mas o deficit de capacitação dos beneficiados não lhes permitiria disputar vagas oferecidas, por
exemplo, pela indústria paulista caso forçados à migração.[...]
 
Os autores do livro Vozes do Bolsa Família... partem da hipótese de que os mitos que culpam o acaso ou
os próprios pobres pela pobreza secular herdada legitimam a indiferença dos ricos e humilham os pobres
até levá-los à resignação ou, mais raramente, à violência. No Brasil, o predomínio de uma visão liberal
que culpa os pobres por sua pobreza tem raízes históricas profundas. Seus antecedentes são os
estereótipos que taxaram homens livres e pobres como vagabundos depois da Abolição, e que
estigmatizavam o escravo como preguiçoso, leniente, lascivo e que, portanto, só trabalharia sob a
coerção mais absoluta.
A força dos estigmas produziu várias consequências políticas. Primeiro, vetou ou limitou políticas voltadas
a reformar os arranjos estruturais que reproduzem a pobreza. Esses arranjos resultam da privação
histórica do acesso à terra, à moradia e a oportunidades de capacitação política, econômica e
educacional de grande maioria da população brasileira. Segundo, legitimou ações que mitigavam os
efeitos da pobreza através da caridade, mantida no registro do favor a quem é culpado por seu próprio
destino e, paradoxalmente, incapacitado de mudá-lo. Terceiro, emudeceu os pobres que internalizaram a
imagem depreciativa e os colocou em situação de dependência pessoal do favor, enfraquecidos como
sujeitos de direitos e incapacitados de mudar sua situação. Enfim, a ausência de reparação institucional,
a carência de capacitações e a internalização da humilhação se reforçaram mutuamente para reproduzir
a pobreza.
O BF, por sua vez, transfere o registro da pobreza (e sua atenuação) do campo da caridade pessoal para
a esfera da responsabilidade institucional e do direito à cidadania substantiva, ou seja, parte do
reconhecimento institucional de uma dívida social e inicia o processo de habilitação de cidadãos. É
diferente do assistencialismo tradicional porque, primeiro, assegura regularmente o atendimento de
necessidades básicas sem as quais qualquer direito à cidadania é puramente formal. Segundo, exige a
contrapartida da frequência escolar e, de fato, reduz o trabalho infantil, a repetência e a baixa
escolaridade nas famílias beneficiadas, um arranjo central da reprodução da pobreza e subcidadania.
Terceiro, a transferência de dinheiro aumenta a responsabilidade individual e confere uma autonomia
mínima antes desconhecida pelas mães beneficiárias.[...]
Os autores defendem que a ampliação dos direitos de cidadania seria reforçada se as prefeituras não se
limitassem a cadastrar as beneficiárias mas criassem canais de interlocução e controle social do
programa. Afinal, o BF não assegura nem a solução do problema da pobreza nem a formação de uma
cultura de cidadania ativa, embora seja o primeiro passo indispensável para ambas. Seu principal efeito,
argumentam,não é o de superar o círculo vicioso da pobreza, mas iniciar um círculo virtuoso dos
direitos, em que a expansão de um direito dá origem a reivindicações por outros direitos, em uma luta
pelo reconhecimento da legitimidade de novas expectativas. Se estiverem certos, os filhos das famílias
beneficiárias não apenas terão mais capacitações que os pais para cruzar as portas de saída do
programa. Nos protestos de rua e de campo no futuro, portarão os cartazes que os pais estiveram
incapacitados de escrever.
BASTOS, P.P.Z. Contra o estigma da pobreza. Carta Capital. Disponível em:
<http://www.cartacapital.com.br/economia/vozes-da-pobreza-1525.html>. Acesso em: 26 set. 2013. Adaptado.
 
1080) 
No trecho “Seus antecedentes são os estereótipos que taxaram homens livres e pobres como
vagabundos depois da Abolição, e que estigmatizavam o escravo como preguiçoso”, o vocábulo
destacado estabelece vínculo entre a palavra “antecedentes” e uma expressão que a precede.
Essa expressão é:
a) os autores
b) o acaso
c) pobreza secular
d) indiferença dos ricos
e) predomínio de uma visão liberal
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CESGRANRIO - PPNT (PETROBRAS)/PETROBRAS/Inspetor de Segurança
Interna/2012
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
O futuro segundo os brasileiros
Em 2050, o homem já vai ter chegado a Marte, e comprar pacotes turísticos para o espaço será
corriqueiro. Em casa e no trabalho, vamos interagir regularmente com máquinas e robôs, que também
deverão tomar o lugar das pessoas em algumas funções de atendimento ao público, e, nas ruas, os
carros terão um sistema de direção automatizada. Apesar disso, os implantes corporais de dispositivos
eletrônicos não serão comuns, assim como o uso de membros e outros órgãos cibernéticos. Na opinião
dos brasileiros, este é o futuro que nos aguarda, revela pesquisa da empresa de consultoria OThink, que
ouviu cerca de mil pessoas em todo o país entre setembro e outubro do ano passado. [...]
De acordo com o levantamento, para quase metade das pessoas ouvidas (47%) um homem terá pisado
em Marte até 2050. Ainda nesse ano, 49% acham que será normal comprar pacotes turísticos para o
espaço. Em ambos os casos, os homens estão um pouco mais confiantes do que as mulheres, tendência
que se repete quando levadas em conta a escolaridade e a classe social.
As respostas demonstram que a maioria da população tem acompanhado com interesse esses temas –
avalia Wagner Pereira, gerente de inteligência Estratégica da OThink. – E isso também é um sinal de que
aumentou o acesso a esse tipo de informação pelos brasileiros. [...]
– Nossa vida está cada vez mais automatizada e isso ajuda o brasileiro a vislumbrar que as coisas vão
manter esse ritmo de inovação nos próximos anos – comenta Pereira. – Hoje, o Brasil tem quase 80
milhões de internautas e a revolução que a internet produziu no nosso modo de viver, como esse acesso
maior à informação, contribui muito para esta visão otimista do futuro.
Já a resistência do brasileiro quando o tema é modificar o corpo humano é natural, analisa o executivo.
De acordo com o levantamento, apenas 28% dos ouvidos creem que a evolução da tecnologia vai levar
ao desenvolvimento e uso de partes do corpo artificiais que funcionarão melhor do que as naturais,
enquanto 40% acham que usaremos implantes eletrônicos para fins de identificação, informações sobre
histórico médico e realização de pagamentos, por exemplo.
– Esse preconceito não é exclusividade dos brasileiros – considera Pereira. – Muitos grupos não gostam
desse tipo de inovação. Romper a barreira entre o artificial e o natural, a tecnologia e o corpo, ainda é
um tabu para muitas pessoas. [...]
BAIMA, Cesar. O futuro segundo os brasileiros.
O Globo, 14 fev. 2012. 1o Caderno, Seção Ciência, p. 30. Adaptado.
 
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1081) 
A palavra segundo é empregada com a mesma classe gramatical e com o mesmo sentido da que se
emprega no título do texto em:
a) O segundo na lista das vagas é o meu irmão.
b) Cumprirei a tarefa segundo as suas instruções.
c) O segundo a falar na reunião foi o diretor da firma.
d) O vencedor da corrida chegou um segundo antes do concorrente.
e) Não gosto de prever o futuro: primeiro, porque é inútil; segundo, porque não estarei mais vivo.
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CESGRANRIO - Ass Adm (EPE)/EPE/Apoio Administrativo/2012
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
METRÓPOLE SUSTENTÁVEL: É POSSÍVEL?
Conversamos com sociólogos, arquitetos, economistas, urbanistas e representantes de organizações
internacionais sobre o assunto. Será que estamos fadados a um colapso ou a metrópole sustentável é
um conceito viável?
 
Virou hábito na mídia e, provavelmente, em conversas cotidianas o uso do adjetivo ‘sustentável’.
Condomínios, materiais de construção, meios de transporte, edifícios... Tudo pode ser sustentável.
 
Quando perguntamos a urbanistas e economistas sobre o assunto, o conceito de sustentabilidade
aplicado a cidades não se configura unânime. Para alguns urbanistas, um elemento fundamental para ser
levado em conta, quando se fala de sustentabilidade urbana, é o futuro. “Uma metrópole sustentável é
aquela que, na próxima geração, tenha condições iguais ou melhores que as que temos hoje”, define o
presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). Por ‘condições’ devemos entender os aspectos
fundamentais relacionados à vida urbana: habitação, alimentação, saúde, emprego, transporte,
educação, água, etc. Além disso, a articulação entre os campos ambiental e social é essencial para o
conceito de sustentabilidade urbana.
A primeira condição fundamental para o estabelecimento de uma cidade sustentável é a democratização
dos acessos a serviços e equipamentos públicos. Isso significa a redução drástica de todas as formas de
desigualdades – social, política, econômica e espacial.
Nesse cenário, para que infraestrutura(a), segurança, saúde, educação e outros serviços públicos sejam
acessíveis em toda a metrópole, a manutenção da cidade se torna cada vez mais cara. É imperativo
democratizar o acesso aos serviços básicos de uma metrópole e diminuir as desigualdades. No entanto,
como fazer isso quando o dinheiro é limitado? “Conter a expansão urbana”, resume o arquiteto.
A rede de transportes(b), por exemplo, é um dos aspectos a serem observados na constituição das
cidades. Quanto maiores as distâncias a serem percorridas, também maior e mais complexa ela será. A
priorização do automóvel(c) faz com que a cidade se expanda horizontalmente, minando as possibilidades
de ter áreas não ocupadas, e contribui para a impermeabilização(d) do solo, com a pavimentação(e)
contínua. A superestima do automóvel é uma das marcas do subdesenvolvimento, no qual também o
transporte coletivo é precário.
 
Se alguns dados da ONU oferecem um prognóstico positivo do futuro das metrópoles, os urbanistas nos
lembram que o destino das cidades pode não ser tão brilhante, se não houver uma mudança mais
orgânica. Mudanças estruturais e na ordem do pensamento são fundamentais para que, se não
garantida, a sustentabilidade seja ao menos possível.
FRAGA, Isabela. Metrópole sustentável: é possível? Revista Ciência Hoje. Rio de Janeiro: Instituto Ciência Hoje,
vol. 46, n. 274, setembro de 2010. p. 22-29. Adaptado.
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1082) 
 
No 6º parágrafo do texto, a palavra ela refere-se a
a) infraestrutura
b) rede de transportes
c) priorização do automóvel
d) impermeabilização
e) pavimentação
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CESGRANRIO - Adv (EPE)/EPE/Jurídica/2012
Língua Portuguesa (Português) - Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos
Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
O setor elétrico e as mudanças climáticas
Nosso país tem enorme potencial hidrelétrico, o que nos permite gerar energia elétricarazoavelmente
‘limpa’ e barata. Essa fonte responde, atualmente, por cerca de 70% da energia elétrica consumida no
país. Entretanto, para que possamos usufruir dessa energia, precisamos transportá-la a longas
distâncias(a) — muitas vezes, milhares de quilômetros — por meio de linhas de transmissão aéreas,
expostas ao tempo e a seus caprichos. E esses caprichos, segundo estudos científicos, tendem a se
tornar cada vez mais frequentes em um planeta sujeito a mudanças em um ritmo jamais visto pelos
humanos.
 
A experiência brasileira mostra isso. 50% a 70% das falhas ocorridas no passado em linhas de
transmissão brasileiras estavam relacionadas às condições climáticas, mais especificamente, às chamadas
tempestades severas, caracterizadas por condições extremas de vento, raios ou precipitação. Com o
aquecimento global, o desmatamento e alguns fenômenos atmosféricos, esse número tende a aumentar
nas próximas décadas.
Combinados ou de forma isolada, esses fenômenos são capazes de interromper o fluxo de energia ao
longo das linhas e interferir, de maneira significativa, no sistema elétrico. Se as alterações do clima
podem causar problemas na transmissão de energia, na distribuição a situação não é diferente. 99% da
distribuição de energia elétrica no Brasil é aérea e concentra-se em grandes áreas urbanas(b), onde vive
a maioria dos consumidores. Nessas áreas, as edificações, a substituição de vegetação por asfalto, a
poluição dos automóveis e das fábricas causam alterações atmosféricas que favorecem a ocorrência de
fortes tempestades.
Os danos provocados por raios nas redes de distribuição podem se tornar ainda mais frequentes se
levarmos em consideração o novo modelo(c) que começa a ser adotado no país e no mundo, baseado no
uso de equipamentos digitais para monitorar a distribuição em tempo real e na possibilidade de utilizar
diferentes fontes de energia. Essa transformação se dará tanto na disponibilização quanto no consumo
de energia, levando, inclusive, à economia desse recurso(d).
No entanto, a busca de maior comodidade para os consumidores, maior controle operacional pelas
empresas, maior eficiência e maior flexibilidade da rede (no sentido de utilizar fontes alternativas de
energia) tende a tornar a distribuição mais sofisticada e, ao mesmo tempo, mais vulnerável a descargas
elétricas, devido à utilização de componentes que contêm semicondutores, mais suscetíveis a danos por
raios(e).
 
Finalmente, é importante salientar que as redes de energia precisarão contar com o potencial hidrelétrico
ainda quase inexplorado da Amazônia no futuro. Segundo as projeções climáticas baseadas em modelos
computacionais, essa região sofrerá o maior aumento de temperatura e de tempestades. Outro aspecto
relevante está na necessidade, cada vez maior, de adequar tais redes às normas legais de proteção e
conservação ambiental, o que poderá ampliar a chance de problemas decorrentes de fatores climáticos.
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/291913
1083) 
PINTO JÚNIOR, Osmar. O setor elétrico e as mudanças climáticas. Revista Ciência Hoje. Rio de Janeiro: ICH. n.
280, abr. 2011, p. 68-69. Adaptado.
 
Um dos aspectos responsáveis por assegurar a coerência textual é a relação lógica que se estabelece
entre as ideias do texto.
No que diz respeito ao termo ou expressão destacada, essa relação lógica está explicitada
adequadamente em:
a) “Essa fonte responde, atualmente, por cerca de 70% da energia elétrica consumida no país.
Entretanto, para que possamos usufruir dessa energia, precisamos transportá-la a longas
distâncias” – (relação de causalidade)
b) “99% da distribuição de energia elétrica no Brasil é aérea e concentra-se em grandes áreas
urbanas” – (relação de conclusão)
c) “Os danos provocados por raios nas redes de distribuição podem se tornar ainda mais frequentes
se levarmos em consideração o novo modelo” – (relação de condição)
d) “Essa transformação se dará tanto na disponibilização quanto no consumo de energia, levando,
inclusive, à economia desse recurso.” – (relação de temporalidade)
e) “tende a tornar a distribuição mais sofisticada e, ao mesmo tempo, mais vulnerável a descargas
elétricas, devido à utilização de componentes que contêm semicondutores, mais suscetíveis a danos
por raios.” – (relação de oposição)
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CESGRANRIO - Adm (UNIRIO)/UNIRIO/2019
Língua Portuguesa (Português) - Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto
Livre)
Texto II
 
Estojo escolar
 
Noite dessas, ciscando num desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrônicas,
bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma estação 
espacial.
 
Minhas necessidades são mais modestas: tenho um PC mastodôntico, contemporâneo das cavernas da
informática. E um laptop da mesma época que começa a me deixar na mão. Como pretendo viajar esses
dias, habilitei-me a comprar aquilo que os caras anunciavam como o top do top em matéria de
computador portátil.
 
No sábado, recebi um embrulho complicado que necessitava de um manual de instruções para ser
aberto. Depois de mil operações sofisticadas para minhas limitações, retirei das entranhas de isopor o
novo notebook e coloquei-o em cima da mesa. De repente, como vem acontecendo nos últimos
tempos, houve um corte na memória e vi diante de mim o meu primeiro estojo escolar. Tinha 5 anos e ia
para o jardim de infância.
 
Era uma caixinha comprida, envernizada, com uma tampa que corria nas bordas do corpo principal.
Dentro, arrumados em divisões, havia lápis coloridos, um apontador, uma lapiseira cromada, uma régua
de 20 cm e uma borracha para apagar meus erros.
 
Da caixinha vinha um cheiro gostoso, cheiro que nunca esqueci e que me tonteava de prazer. Fechei o
estojo para proteger aquele cheiro, que ele ficasse ali para sempre, prometi-me economizá-lo. Com
avareza, só o cheirava em momentos especiais.
 
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1084) 
Na tampa que protegia estojo e cheiro havia gravado um ramo de rosas muito vermelhas que se
destacavam do fundo creme. Amei aquele ramalhete – olhava aquelas rosas e achava que nada podia ser
mais bonito.
 
O notebook que agora abro é negro, não tem rosas na tampa e, em matéria de cheiro, é abominável.
Cheira vilmente a telefone celular, a cabine de avião, ao aparelho de ultrassonografia onde outro dia uma
moça veio ver como sou por dentro. Acho que piorei de estojo e de vida.
 
CONY, C. H. Crônicas para ler na escola. São Paulo: Objetiva,
2009. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao
/fz12039806.htm>. Acesso em: 23 jul. 2019.
 
 
O trecho que tem seu sentido inviabilizado pela inversão na ordem de suas orações é
a) Quando as velhas lembranças insistem em voltar, precisamos aceitar a realidade.
b) À medida que envelhecemos, valorizamos mais as lembranças do passado.
c) Para que possamos viver bem o presente, temos de valorizar o passado.
d) Como tudo aconteceu muito rapidamente, não notei sua ausência.
e) Embora seja sempre uma aliada, a tecnologia afasta as pessoas.
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COTEC FADENOR - TTIL (CM M Claros)/CM Montes Claros/2020
Língua Portuguesa (Português) - Variações da Linguagem: Não Verbal, Regional,
Histórica, Contextual. Neologismos e Estrangeirismos
O viver de cada dia em nossa vida
Formar-se em uma profissão. Ganhar um prêmio. Conseguir uma almejada promoção. Casar. Ter filhos.
Viajar para o exterior. Conquistar objetivos. A vida, dessa forma, parece que é montada apenas de
grandes momentos. Só que, no entanto, sabemos que são nos pequenos instantes que ela se faz. A cada
pedacinho do dia, a cada punhado de segundos e minutos – grãos de areia escorrendo pelas frestas dos
dedos.
 Naquele dia na praia, deitado na poça de água que se formou na maré baixa. Morna, fluida,
ensolarada, a vida ali estava. Naquele beijo de bom dia. Naquele abraço de despedida. Bem ali na
padaria, tomando café e falando do cotidiano, que é outro nome que damos para a mesma coisa.Pode
ser em qualquer lugar e a qualquer hora. A vida sempre pronta a desabrochar.
Uma formatura de repente vira uma referência no crachá, foto bonita no álbum, história boa de contar.
Mas o instante que fica pode ser aquela sensação de frio na barriga antes de pegar o diploma e imaginar
o desconhecido que viria pela frente.
 Casar, então, festa de superlativos e muitos desejos. Os instantes de flores e sorrisos são
memoráveis, mas ainda mais imponentes se mostram os instantes que vão se revelando pouco a pouco,
na cozinha e no quarto, em busca de acertar o melhor tempero. A vida vai se fazendo aos bocadinhos,
no delicado cuidado das desimportâncias. Mas, sempre nas levezas da vida.
 Filho é bem grandioso. Um projeto e tanto. Mas é puro instante – muitos, juntinhos, agregados,
formando algo maior. O passinho na sala, dado a primeira vez sem segurar na mão. A queda no jardim.
O choro demorado. A música aprendida e cantarolada naquela mistura de voz de bebê e menina. A vida
vai se fazendo ali, na manhã, no aconchego da rede, nas palavras se formando, no abraço bem apertado.
 Quando se vê, já se vão uma dúzia de estações. A paisagem sempre mudando, ainda que pouco se
note. A vida, grandiosa em essência, miúda no viver de cada dia, vai se revelando a cada um na medida
do olhar. Nas pequenezas e no sentir, tecendo memórias e histórias.
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/1602507
1085) 
Disponível em https://vidasimples.co/leitores/o-viver-de-cada-dia-de-nossa-vida/ Acesso em 22 de
dez. 2019.
 
A palavra “desimportâncias” (linha 14) aparece em itálico por tratar-se de um
a) arcaísmo.
b) hibridismo.
c) neologismo.
d) estrangeirismo.
e) barbarismo.
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QUADRIX - Enf (Tijucas Sul)/Pref Tijucas do Sul/2021
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
Texto para questão.
 
Internet: <www.diariodosertao.com.br>.
 
Uma marca da fala cotidiana nos quadrinhos é o uso de
a) reticências.
b) recursos visuais.
c) palavras formais, como, por exemplo, “servidores”.
d) abreviaturas, como, por exemplo, “tá”.
e) referência a festas populares.
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QUADRIX - TNS (CRM MS)/CRM MS/Advogado/2021
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
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1086) 
1087) 
 
No Brasil, na linguagem informal, o “coisa-ruim” é
a) o diabo.
b) um personagem folclórico.
c) um tratamento.
d) uma crendice popular.
e) uma doença.
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Instituto ACCESS - Sup In (Mangaratiba)/CM Mangaratiba/2020
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
Twitter, a praça do ódio
 
Deixei de frequentar o Twitter há alguns anos. Cheguei à conclusão de que não tinha saúde emocional
para ser linchada num dia pela esquerda e no outro pela direita. Vocês veem quanto tempo faz isso:
naquela época, a palavra ainda era linchamento, e não cancelamento, como se diz hoje.
 
“Linchamento” é, no entanto, o termo de longe mais apropriado — mas quando se pratica o ódio do bem
fica difícil justificar a participação em algo tão claramente explicitado. “Cancelamento” é uma versão
descolada para uma palavra pesada. Dizer que “cancelamos alguém” joga a desonra sobre o cancelado;
dizer “linchamos alguém” deixa a desonra onde ela merece ficar.
 
Apanhar de um lado só é relativamente suportável, porque o ser humano é um animal gregário que
encontra a sua força nos coletivos. É tolerável ser odiado por um grupo quando as ideias que despertam
esse ódio são ponto de comunhão com os membros do outro grupo ao qual pertencemos. O nosso grupo
nos acolhe e nos dá proteção. Uivamos com os lobos, eles uivam com a gente e somos felizes para
sempre.
 
Isso explica a polarização.
 
Viver numa bolha, qualquer que ela seja, traz a sensação de pertencimento a que todos almejamos. Por
isso a política descamba tão facilmente para o que parece, de fora, uma seita religiosa; por isso, aliás,
seitas religiosas. E clubes, e torcidas organizadas. Pensar fora da bolha sempre foi desafiador, mas no
Twitter é um massacre. É quase impossível ler milhares de insultos vindos de todos os lados e manter a
autoestima.
 
Lamentavelmente, o Twitter é também a ágora onde a política acontece, e num momento como o atual,
jornalistas precisam estar lá. Voltei a participar da rede há coisa de dois meses, mas o sentimento
preponderante que ela me passa continua sendo o de depressão: o que mais vejo são denúncias
bizarras, ressentimento e lacração.
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/1415967
1088) 
 
A ferocidade do ambiente faz com que qualquer pessoa vagamente sensata meta a viola no saco e
desista de se manifestar sobre qualquer assunto relevante. Em outras palavras, qualquer pessoa
vagamente sensata passa a falar sobre o tempo e a saúde, e ainda assim com ressalvas. Felizmente há
pessoas vagamente insensatas que não se deixam intimidar, e isso salva a plataforma.
 
Minha amiga Mariliz Pereira Jorge, colunista da “Folha de São Paulo”, é uma delas: apanha assustadora e
cotidianamente, mas levanta, sacode a poeira e volta para a luta, toda coragem e honestidade
intelectual. Gigante.
 
Essa semana saiu em defesa da nossa colega Vera Magalhães, que tem dado novo fôlego ao “Roda Viva”
mas também é regularmente linchada porque ousa atacar ao mesmo tempo PT e Bolsonaro, e resumiu a
situação:
 
“@veramagalhães convida o prof Silvio Almeida para um Roda Viva importantíssimo. É atacada por parte
da esquerda com comentários grosseiros, misóginos e covardes. Quem comemora a bestialidade? A
extrema-direita. Parabéns aos envolvidos. Se abracem.”
 
No fim, é isso. O que ecoa na praça são os gritos dos extremistas.
 
Não existe liberdade de expressão num lugar onde mesmo jornalistas tarimbados têm medo de se
expressar; não existe liberdade de expressão quando qualquer assunto deixa de ser tema para virar
tabu, ou quando uma palavra ou uma opinião mobilizam um exército de robôs para estraçalhar o
indivíduo que a proferiu.
 
O Twitter é a morte do debate, o fim da discordância civilizada.
 
(Cora Rónai – O Globo 25/6/2020 – https://oglobo.globo.com/cultura/twitter-pracado-odio-24495997)
 
A crônica é um gênero textual que imprime uma conversa com o leitor. Sob esse aspecto, o nível de
linguagem comumente adotado recorre:
a) a um registro formal, como se observa em: “Essa semana saiu em defesa da nossa colega Vera
Magalhães, que tem dado novo fôlego ao ‘Roda Viva’” 
b) a um registro informal, como se observa em: “Voltei a participar da rede há coisa de dois meses,
mas o sentimento preponderante que ela me passa (...)”
c) a um registro coloquial, como se observa em: “A ferocidade do ambiente faz com que qualquer
pessoa vagamente sensata meta a viola no saco e desista de se manifestar (...)” 
d) a um registro dedutivo, como se observa em: “No fim, é isso.” 
e) a um registro indutivo, como se observa em: “Isso explica a polarização.”
www.tecconcursos.com.br/questoes/1506325
UNESC - Prof (Pref Maracajá)/Pref Maracajá/Língua Portuguesa/2020
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
TEXTO III
Solidariedade no Frio
Costurei um agasalho, com tecido de amor,
a linha da caridade foi o fio condutor.
Agulhas de compaixão, estampas de gratidão.
Fiz um bolso aqui no peito e enchi ele de bondade,
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/1506325
1089) 
pra vestir a humanidade que no fundo ainda tem jeito.
Tem jeito pra se ajeitar, basta ser mais solidário.
Pra fazer um mundo novo, transformando esse cenário
olhe além da sua porta, pra vê se você suporta
assistir indiferente quem dorme no meio da rua,
coberto só pela lua sem ter um teto decente.
[...]
Tem jeito pra se ajeitar, basta tu compreender
que quando se ajuda alguém, o ajudado é você,
é você quem ganha paz, é você quem ganha mais,
mais amor, mais gratidão.
Doando um cobertor, derretendo o frio da dor
E aquecendo um coração.
(In: Poesia com Rapadura de BráulioBessa, 1a ed., 2017)
 
Outro uso do cotidiano está relacionado ao verbo ter com o sentido de existir. Há um exemplar dessa
possibilidade nas quinta e sexta linhas respectivamente – [...] no fundo ainda tem jeito [...] e Tem jeito
pra se ajeitar [...]. Ressalta que na literatura de Cordel, os usos do cotidiano fazem parte da identidade
do gênero, representa a arte, sobretudo do nordeste brasileiro. O professor, portanto, deve estar atento a
situações mais formais, sobretudo na escrita, em que o esperado sejam registros:
a) [...] no fundo ainda tem-se jeito [...] e Tem-se jeito pra se ajeitar [...]..
b) [...] no fundo ainda há jeito [...] e Há jeito para se ajeitar [...].
c) [...] no fundo ainda se tem jeito [...] e Se tem jeito pra se ajeitar [...]..
d) [...] no fundo ainda espera-se jeito [...] e Espera-se jeito pra se ajeitar [...]..
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FCC - Cons Tec (CM Fortal)/CM Fortaleza/Jurídico/2019
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
Falso mar, falso mundo
O mundo anda cada vez mais complicado, o que não é bom. O frágil corpo humano não foi feito para
competir com a máquina, conviver com a máquina e explorá-la. A cada adiantamento técnico-científico, o
conflito fica mais duro para o nosso lado.
Mas nesta semana vi na TV uma reportagem que me horrorizou como prova de que, a cada dia, mais
renunciamos às nossas prerrogativas de seres vivos e nos tornamos robotizados. Foi a “praia artificial” no
Japão (logo no Japão, arquipélago penetrado e cercado de mar por todos os lados!).
É um galpão imenso, maior que qualquer aeroporto, coberto por uma espécie de cúpula oblonga, de
plástico(E). E filas à entrada, lá dentro um guichê, o pessoal paga a entrada, que é cara, e some. Deve
entrar no vestiário, ou antes, no despiário, pois surgem já convenientemente seminus, como se faz na
praia. Pois que debaixo daquele imenso teto de plástico está um mar, com a sua praia. Mar que, na tela,
aparece bem azul com ondas de verdade, coroadas de espuma branca; ondas tão fortes que chegam a
derrubar as pessoas e sobre as quais jovens atletas surfam e rebolam. E um falso sol, de luz e calor
graduáveis; e a praia é de areia composta por pedrinhas de mármore.
Não sei se pelo comportamento dos figurantes, a gente tinha a impressão absoluta de que assistia a uma
cena de animação(C) figurada em computador. A única presença viva, destacando-se no elenco de
bonecos, era a repórter, apresentadora do espetáculo. Já se viu! Se fosse uma honesta piscina de água
morna, tudo bem. Mas fingir as ondas, falsificar um sol bronzeando, de trinta e cinco graus, e toda
aquela gente se deitando com a simulação e depois voltando para a rua vestida nos seus casacos! Me
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/1014285
1090) 
1091) 
deu pena, horror, sei lá(A). Aquilo não pode deixar de ser pecado. Falsificar com tanta impudência as
criações da natureza, e pra quê!(D)
(Adaptado de: QUEIROZ, Rachel. Melhores crônicas. São Paulo: Global Editora, 1994, edição digital)
 
Quanto à linguagem do texto, afirma-se corretamente:
a) No trecho Me deu pena, horror, sei lá, observa-se uso de linguagem coloquial.
b) Por se tratar de linguagem escrita, a crônica de Queiroz segue o padrão formal culto da
linguagem.
c) A expressão “a gente” em a gente tinha a impressão absoluta de que assistia a uma cena de
animação é exemplo de variação regional da linguagem, que ocorre de acordo com o local geográfico
onde o falante se encontra.
d) Para criar sensação de intimidade com o leitor, a autora recorre a gírias, como no trecho Falsificar
com tanta impudência as criações da natureza, e pra quê! (final do texto)
e) Por se tratar de linguagem informal, o emprego das vírgulas desrespeita as normas gramaticais no
trecho É um galpão imenso, maior do que qualquer aeroporto, coberto por uma espécie de cúpula
oblonga, de plástico (3o parágrafo).
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AVANÇASP - PEB (Pref Anhembi)/Pref Anhembi/Língua Portuguesa/2019
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
No que se refere à linguagem coloquial, podese dizer que ela apresenta:
 
a) traços de homogeneidade. 
b) maior dependência contextual.
 
c) sintaxe mais completa. 
d) números gramaticais irregulares. 
e) menos argumentatividade. 
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NUCEPE UESPI - Prof EIEF (Teresina)/Pref Teresina/2019
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
Texto para a questão.
 
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/1139418
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/1547493
1092) 
Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/variacoes-linguisticas/> Acesso em 17 de nov. de 2019
 
As marcas linguísticas presentes na fala da personagem da charge, associadas à composição física dela,
evidenciam um tipo de linguagem predominantemente
a) técnica.
b) formal.
c) arcaica.
d) informal.
e) coloquial.
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FGV - Esp Leg NS (ALERJ)/ALERJ/Qualquer Nível Superior/2017
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
Texto 3 -
 
“A ética lida com aquilo que pode ser diferente do que é. O terremoto que aniquila uma comunidade ou a
leucemia que destrói a vida de um jovem provocam em nós um sentimento íntimo de revolta, mas não se
prestam à condenação moral. São eventos naturais, determinados por mecanismos causais inerentes ao
mundo físico e que independem por completo da vontade e escolha humanas. Podemos, é claro, evitar a
construção de cidades em áreas de risco e buscar a cura da leucemia; ou aceitar estoicamente os fatos;
ou rezar. Mas seria absurdo supor que eventos como estes possam ser diferentes do que são”.
 
(Eduardo Giannetti, Vícios privados, benefícios públicos? São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 19)
 
Entre as frases abaixo, aquela que é integralmente construída em linguagem formal é:
a) “Quem inventou o trabalho não tinha o que fazer”. (Barão de Itararé)
b) “Bom de briga é aquele que cai fora”. (Adoniram Barbosa)
c) “Você não se preocupava com o que as pessoas pensam de você, se soubesse como é raro elas
fazerem isso”. (Olin Miller)
d) “Você não pode colocar uma etiqueta de preço no amor, mas pode colocar ela em todos os seus
acessórios”. (Nouailles)
e) “Vive cada dia como se fosse o último, pois tenha certeza de que um dia desses vai ser mesmo”.
(Alfred Newman)
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1093) 
1094) 
1095) 
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FGV - Ana Tec (MPE BA)/MPE BA/Linguística/Letras Vernáculas/2017
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
Numa negociação de umas quintas em Portugal, poderia ocorrer a seguinte frase na língua falada
portuguesa: - Tu queres que eu tas venda?
Em linguagem falada contemporânea brasileira não regional, essa mesma frase deveria ser expressa do
seguinte modo:
a) Tu queres que eu te venda as quintas?
b) Tu queres que eu venda-as a você?
c) Você quer que eu venda elas a você?
d) Tu queres que eu venda as quintas a ti?
e) Você quer que eu as venda a ti?
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CPCON UEPB - Prof (Pref Sapé)/Pref Sapé/Educação Básica II/Português/2016
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
Cabe à escola tomar a leitura como objeto de ensino efetivo, planejar e organizar práticas de
leitura. Desse modo:
I. A sala de aula é um espaço de construção de sentidos para a leitura de diversos gêneros textuais.
II. Ensinar a ler pressupõe ações sistematicamente orientadas com os diversos textos que circulam
socialmente.
III. O livro didático deve ser a única fonte de leitura por ser uma indicação institucional.
IV. Os textos impressos se multiplicaram e, na contemporaneidade, os alunos são leitores de
múltiplas linguagens (sons, vídeos, imagens).
Analise as proposições e marque a alternativa adequada. Está(ão) CORRETA(S), apenas:
a) III
b) I
c) II e III
d) I, II e IV
e) IV
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INCAB (ex-FUNCAB) - GPTI (SINESP)/SINESP/2015Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
Texto para responder à questão.
 
Chove chuva
 
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Água, água e mais água. É tudo o que eu tenho a oferecer. Escrever o maior número de vezes a palavra
mágica, na certeza de que águas passadas não movem moinhos, mas podem, de tanto serem sugeridas,
sensibilizar os céus e fazer com que elas desabem sobre nós. E que depois se faça o arco-íris. Que depois
apareça, toda de branco, toda molhada e despenteada, que maravilha!, a coisa linda que é o meu amor.
 
Eu gostaria de repetir a dança da chuva, a coreografia provocativa dos cheyennes, tantas vezes vista nos
filmes. Falta-me o requebro. Temo também que o ridículo da cena faça feitiço ir água abaixo. Eu gostaria
de subir aos ares, como Santos Dumont tardio, bombardear as nuvens com cloreto de sódio. Se não
desse certo, pelo menos chegaria perto do ouvido de São Pedro e, com piadas do tipo "afogar o ganso" e
"molhar o biscoito", faria com que o santo relaxasse e abrisse as torneiras.
 
De nada disso, no entanto, sou capaz. Fico aqui, no limite do meu oceano, jacaré no seco anda,
escrevendo e evocando as águas que passaram pela ponte da memória. Lembro, vizinha à minha casa,
na Vila da Penha dos rios transbordantes, a compositora Zilda do Zé, de " As águas vão rolar". A sua
força ancestral, grande sambista, eu evoco agora, mesmo sabendo que a letra da música se refere à
água que passarinho não bebe.
 
Todas as águas devem ser provocadas nesta imensa onda de pensamento positivo, e eu agora molho
reverente os pés do balcão com o primeiro gole para o santo. Finjo- se pau d' água e sigo em frente.
Nem aí para os incréus, nem aí para os que zombam da fé, esses insensatos. A todos peço que leiam na
minha camisa e não desistam: " Água mole em pedra dura tanto bate até que fura".
 
[...]
 
O sonho acabou há tempo, e lá se foi John Lennon morto. Agora chegou a nostalgia da água, de torcer
pelo volume morto e sentir saudade de ver um arco-íris emoldurado o Pão de Açúcar de pois da pancada
de verão. Como explicar a uma explicar a uma criança que sol e chuva é casamento de viúva? Como
explicar a deliciosa aflição de dormir se perguntando "será que vai dar praia?", se agora todo dia é dia
de sol?
 
A propósito, eu li o grande poeta sentado no banco da praia e sei que a sede é infinita, que na nossa
secura de amar é preciso buscar a água implícita, o beijo tácito - mas acho que é poesia demais para
uma hora dessas. Urge, como queria Benjor, que chova chuva. Canivetes. Gatos e cachorros. Se Joseph
Conrad traduziu a guerra com " o horror, o horror, o horror", chegou a vez de resumir o nosso tempo
com " a seca, a seca, a seca" - e bater os tambores na direção contrária. Saúdo para que se faça nuvem,
e a todos cubra com seu divino manto líquido, a saudosa Maria, a santa carioca que a incomparável
Marlene viu subindo o morro com a lata d´ água na cabeça.
 
2015 promete ser terrível, mas há quem ache bom negócio refletir sobre os valores básicos da
sobrevivência, que o homem está fazendo com o meio ambiente. Vai ser o ano de valorizar como bem de
consumo insuperável não o chanel nº 5, mas o cheiro da terra molhada depois do toró de fim de tarde.
Que assim seja. Que se cumpra a felicidade de ouvir Tom Jobim ao piano, tecla, gota a gota, celebrando
a cena real de, lá fora, estar chovendo na roseira.
 
Ah, quem me dera ligar o rádio e escutar o formidável português ruim da edição extraordinária.
Aumentar o som para deixar o locutor gritar - os clichês boiando molhadinhos pelo tesão da notícia - que
chove a cântaros em todos os quadrantes da Cidade Maravilhosa.
 
(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Chove chuva. In: O Globo, 26/01/2015.)
 
Apresenta-se como construção com evidentes marcas de oralidade, fugindo, portanto, a uma escrita
formal:
a) " Eu gostaria de subir aos ares, como um Santos Dumont tardio..."
b) " A propósito, eu li o grande poeta sentado no banco da praia..."
c) " Nem aí para os incréus, nem aí para os que zombam da fé..."
1096) 
d) " A sua força ancestral, grande sambista, eu evoco agora..."
e) ".... chove a cântaros em todos os quadrantes da Cidade Maravilhosa."
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Legalle - Farma (Silv Martins)/Pref Silv Martins/2014
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
A arte de suprimir
 
Estava lendo uma longa entrevista com o escritor argentino Julio Cortázar e deparei com sua inspirada
declaração sobre “literatura com franjas”, que é aquela cheia de rococós desnecessários. Segundo ele,
escritor bom é escritor que se dedica a limpar o texto até chegar a uma estrutura medularII. Por isso é
tão importante não se dar por satisfeito e reescrever quantas vezes for preciso (para mim, atualmente,
tem sido a melhor parte do ofício).
 
É quando temos aquele monte de palavras na nossa frente e começamos a depurar, polir, retirar tudo o
que não agrega, tudo o que não serve. Não raro, é um processo dolorido, pois costumamos nos apegar a
uma determinada frase ou a alguma gracinha, mas não devemos mantê-la apenas por capricho: ela pode
distrair o leitor e interromper o ritmo da leitura.
 
É preciso severidade consigo próprioIII, desapegar daquilo que, mesmo que nos apaixone, compromete o
resultado final. Diria Cortázar, e eu humildemente endosso: “Quando corrijo, só uma vez em 100
acrescento algo. Nas outras 99, corrigir consiste em suprimir. Qualquer um que veja um rascunho meu
pode comprovar isso: muito poucos acréscimos e enormes supressões”. Faxinar é uma arte. Vale para
textos, armários, gavetas, e também para manias, lembranças, rancores.
 
A maturidade tem muitas vantagens, entre elas a de deixarmos de ser tão sentimentais com nosso
passado e promovermos um arrastão em tudo o que é excessivo. Não há mais tempo para delongas:
uma vez conhecendo melhor a nós mesmos, hora de priorizar a essência – a nossa e a de tudo.
 
O que não impede que pessoas mais jovens comecem a se habituar desde cedo a não colecionar
inutilidades, como amigos falsos, preconceitos e dramalhões. Hoje, considera-se rico aquele que tem 1
milhão de seguidores no Twitter e curtidas no Face, ou aquele que acredita que um sem-número de
sapatos, bolsas e tênis acalmará sua ansiedade, afugentando o vazio.
 
Será mesmo preciso gastar metade da vida até perder essa ilusão? O que nos dignifica não é um guarda-
roupa abarrotado ou uma cabeça lotada de neuras. Simplificar, ao contrário do que se pensa, nunca foi
provinciano, e sim um luxo que poucos conseguem bancar.
 
Acumular é que é provinciano. Nem mesmo quando relaciono esse verbo a afeto e dinheiro consigo dar a
ele algum crédito, pois acúmulo nada tem a ver com suficiência. Se tivéssemos afeto e dinheiro
suficientes para viver bem, com paz, conforto e alegria, para que correríamos atrás de mais e mais? O
excesso pode conspirar contra, nos exigindo um esforço extra para manter a roda girando. O suficiente
faz a roda girar sozinha.
 
Tempo esgotado, hora de enviar o texto para o jornal. Desconfio que ele seguirá com algumas franjas,
mas prometo apará-lasV numa próxima versão.
 
Disponível em <http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticia/2014/11/martha-medeiros-a-arte-de-suprimir-4640705.html>
Acesso em 18.11.2014.
 
 
Analise as afirmações que são feitas a respeito do texto:
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/1040033
1097) 
I) Predomina a norma culta da língua, embora se possam verificar algumas marcas da linguagem
coloquial.
II) Na frase “... até chegar a uma estrutura medular ...” , a autora emprega o sentido denotativo.
III) Na frase “É preciso severidade consigo próprio ...”, verifica-se um exemplo de pleonasmo.
IV) O texto em questão apresenta apenas discurso indireto.
V) A partir das ideias da autora, pode-se concluir que o hábito de “aparar as franjas” é mais fácil
para os mais velhos.
Está(ão) correta(s)
a) Apenas I e III.
b) Apenas a I, III e IV.
c) Apenas a II e V.
d) ApenasI, III e V.
e) III, IV e V.
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FCC - AJ TRT1/TRT 1/Judiciária/"Sem Especialidade"/2013
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
Atenção: A questão refere-se ao texto que segue.
Cada um fala como quer, ou como pode, ou como acha que pode. Ainda ontem me divertiu este
trechinho de crônica do escritor mineiro Humberto Werneck, de seu livro Esse inferno vai acabar:
“− Meu cabelo está pendoando – anuncia a prima, apalpando as melenas.
Tenho anos, décadas de Solange, mas confesso que ela, com o seu solangês, às vezes me
pega desprevenido.
− Seu cabelo está o quê?
− Pendoando – insiste ela, e, com a paciência de quem explica algo elementar a um total
ignorante, traduz:
− Bifurcando nas extremidades.
É assim a Solange, criatura para a qual ninguém morre, mas falece, e, quando sobrevém
esse infausto acontecimento, tem seu corpo acondicionado num ataúde, num esquife, num
féretro, para ser inumado em alguma necrópole, ou, mais recentemente, incinerado em
crematório. Cabelo de gente assim não se torna vulgarmente quebradiço: pendoa.”
Isso me fez lembrar uma visita que recebemos em casa, eu ainda menino. Amigas da família, mãe e filha
adolescente vieram tomar um lanche conosco. D. Glorinha, a mãe, achava meu pai um homem
intelectualizado e caprichava no vocabulário. A certa altura pediu ela a mim, que estava sentado numa
extremidade da mesa:
− Querido, pode alcançar-me uma côdea desse pão?
− Por falta de preparo linguístico não sabia como atender a seu pedido. Socorreu-me a filha adolescente:
− Ela quer uma casquinha do pão. Ela fala sempre assim na casa dos outros.
− A mãe ficou vermelha, isto é, ruborizou, enrubesceu, rubificou, e olhou a filha com reprovação, isto é,
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/116002
1098) 
dardejou-a com olhos censórios.
Veja-se, para concluir, mais um trechinho do Werneck:
“Você pode achar que estou sendo implicante, metido a policiar a linguagem alheia.
Brasileiro é assim mesmo, adora embonitar a conversa para impressionar os outros. Sei
disso. Eu próprio já andei escrevendo sobre o que chamei de ruibarbosismo: o uso de
palavreado rebarbativo como forma de, numa discussão, reduzir ao silêncio o interlocutor
ignaro. Uma espécie de gás paralisante verbal.”
(Cândido Barbosa Filho, inédito)
No contexto, as frases Meu cabelo está pendoando e pode alcançar-me uma côdea desse pão constituem
casos de
a) usos opostos de linguagem, já que a completa informalidade da primeira contrasta com a
formalidade da segunda.
b) usos similares de linguagem, pois em ambas o intento é valorizar o emprego de vocabulário pouco
usual.
c) intenção didática, já que ambas são utilizadas para exemplificar o que seja uma má construção
gramatical.
d) usos similares de linguagem, pois predomina em ambas o interesse pela exatidão e objetividade da
comunicação.
e) usos opostos de linguagem, pois a perfeita correção gramatical de uma contrasta com os deslizes
da outra.
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CEBRASPE (CESPE) - Diplomata/IRBr/2008
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
Texto
As primeiras cartas
O importante não é a casa onde moramos.
Mas onde, em nós, a casa mora.
 Avô Mariano
Escapo-me dali, me apressando entre os atalhos. Quando reentro em casa não encontro vivalma. Todos
foram para o caminho da areia assistir à desgraça, consolando Ultímio. De soslaio, parece-me ouvir um
ruído. Entro na sala fúnebre e nada vejo, senão o aquietado corpo do velho Mariano. Lá está o desfinado,
entre flores e velas. Subo para o quarto. De novo, sobre a cabeceira, uma outra carta. A tremência em
minhas mãos não me ajuda a ler:
Estas cartas, Mariano, não são escritos. São falas. Sente-se, se deixe em bastante sossego e escute.
Você não veio a esta Ilha para comparecer perante um funeral. Muito ao contrário, Mariano. Você cruzou
essas águas por motivo de um nascimento. Para colocar o nosso mundo no devido lugar. Não veio salvar
o morto. Veio salvar a vida, a nossa vida. Todos aqui estão morrendo não por doença, mas por desmérito
do viver.
É por isso que visitará estas cartas e encontrará não a folha escrita mas um vazio que você mesmo irá
preencher, com suas caligrafias. Como se diz aqui: feridas da boca se curam com a própria saliva. Esse é
o serviço que vamos cumprir aqui, você e eu, de um e outro lado das palavras. Eu dou as vozes, você dá
a escritura. Para salvarmos Luar-do-Chão, o lugar onde ainda vamos nascendo. E salvarmos nossa
família, que é o lugar onde somos eternos.
Comece em seu pai, Fulano Malta. Você nunca lhe ensinou modos de ele ser pai. Entre no seu coração,
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1099) 
entenda aquela rezinguice dele, amoleça os medos dele. Ponha um novo entendimento em seu velho
pai. Às vezes, seu pai lhe tem raiva? Pois lhe digo: aquilo não é raiva, é medo. Lhe explico: você
despontou-se, saiu da Ilha, atravessou a fronteira do mundo. Os lugares são bons e ai de quem não
tenha o seu, congênito e natural. Mas os lugares nos aprisionam, são raízes que amarram a vontade da
asa.
A Ilha de Luar-do-Chão é uma prisão. A pior prisão, sem muros, sem grades. Só o medo do que há lá
fora nos prende ao chão. E você saltou essa fronteira. Se afastou não em distância, mas se alonjou da
nossa existência.
Antes, seu pai estava bem consigo mesmo, aceitava o tamanho que você lhe dava. Desde a sua partida
ele se tornou num estranho, alheio e distante. Seu velhote passou a destratá-lo? Pois ele se defende de
si mesmo. Você, Mariano, lhe lembra que ele ficou, deste lado do rio, amansado, sem brilho de viver nem
lustro de sonhar.
 
Mia Couto. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 64-5.
As opções a seguir descrevem marca(s) lingüística(s) contida(s) no texto. Assinale a opção em que a(s)
marca(s) apontada(s) não corresponde(m) a traço(s) de oralidade do texto.
a) Emprego do vocativo “Mariano” e uso do pronome você, para construir o discurso direto.
b) Flexibilidade na colocação de pronomes átonos, como em “Sente-se, se deixe em bastante sossego
e escute” (l.5) e “Lhe explico” (l.15).
c) O emprego do vocábulo “Pois” como marcador discursivo no trecho “Pois lhe digo” (l.14).
d) Ocorrência de interrogações em discurso direto, como em “Às vezes, seu pai lhe tem raiva?” (l.14)
ou “Seu velhote passou a destratá-lo?” (l.20).
e) Não-contração da preposição “de” com o pronome “ele”, que é sujeito de infinitivo, conforme
ocorre em “Você nunca lhe ensinou modos de ele ser pai” (l.13).
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CONSULTEC - Adv (Pref LF)/Pref LF/2008
Língua Portuguesa (Português) - Linguagem Formal e Informal
TEXTO:
 
Louco por trabalho
 
Foi-se o tempo no qual era bem visto, no mercado, o profissional que vivia plugado no trabalho 24 horas.
Hoje em dia, isso não é mais uma qualidade, mas uma compulsão que leva a pessoa a arriscar a saúde,
se estressar mais que o necessário, e, conseqüentemente, registrar quedas de produtividade.
 
A redução no rendimento, por não conseguir descansar, é o ponto fraco do outrora super-herói viciado
em trabalho. Hoje, esse perfil de profissional tem a definição de workaholic, o que não é nada elogioso.
 
O headhunter Nélson Leal, que empreende a seleção de executivos, explica que hoje o que o mercado
deseja é o chamado “profissional saudável”. “Trata-se de alguém que saiba equilibrar o trabalho com
lazer e a família. Esse é o profissional produtivo e bem avaliado”, aponta.
 
Ele ainda acrescenta que não são apenas os executivos de primeira linha que apresentam a compulsão.
Nos cargos operacionais, a carga de estresse originada pela obsessão com a atividade profissional
também se apresenta.
 
Leal, porém, observa que, no caso dos níveis hierárquicos abaixo dos executivos, a síndrome costuma
passar em branco. Ainda assim, os males do vício no trabalho são perceptíveis, pois o workaholic cria um
ambiente tenso no trabalho, já que exige que asequipes das quais faz parte tenham o mesmo fôlego
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1100) 
pela produção cotidiana. Outro perigo representado pelo workaholic é a perspectiva de aumento no
passivo trabalhista da empresa, pois ele passa a trabalhar, ainda que tenha problemas de saúde, e só
pára efetivamente quando a situação chega ao extremo do insuportável.
 
É freqüente que esses profissionais alcancem sucesso na carreira enquanto ainda são jovens. Muitas
vezes, esse percurso é meteórico, algo como uma pessoa que chega cedo ao que se convencionou
chamar de “sucesso profissional”. Mas a fatura com os custos pela obsessão e o sacrifício chega aos
poucos. Quando isso acontece, o workaholic passa a sentir que o estresse gradualmente mina a sua
saúde.
 
O principal risco é o aparecimento ou agravamento de problemas cardiovasculares, como pressão alta,
infarto e derrame. É preciso, pois, que o trabalhador esteja atento, se observe melhor e se discipline para
evitar maiores problemas no futuro.
 
SOUZA, Luiz. Louco por trabalho. A Tarde, Salvador, 25 nov. 2007.Emprego & negócios. p. 10. Adaptado.
 
 
Esse texto apresenta
a) traços originais do coloquialismo usado pelo trabalhador.
b) variações regionais típicas do linguajar dos negociantes.
c) linguagem informativa de caráter eminentemente técnico.
d) emprego de termos lingüísticos de abrangência internacional.
e) termos caracterizadores do mundo dos executivos.
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CESGRANRIO - Esc BB/BB/Agente Comercial/2021
Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
O que é o QA e por que ele pode ser mais
importante que o QI no mercado de trabalho
 
Há algum tempo, se você quisesse avaliar as perspectivas de alguém crescer na carreira, poderia
considerar pedir um teste de QI, o quociente de inteligência, que mede indicadores como memória e
habilidade matemática.
 
Mais recentemente, passaram a ser avaliadas outras letrinhas: o quociente de inteligência emocional
(QE), uma combinação de habilidades interpessoais, autocontrole e comunicação. Não só no mundo do
trabalho, o QE é visto como um kit de habilidades que pode nos ajudar a ter sucesso em vários aspectos
da vida.
 
Tanto o QI quanto o QE são considerados importantes para o sucesso na carreira. Hoje, porém, à medida
que a tecnologia redefine como trabalhamos, as habilidades necessárias para prosperar no mercado de
trabalho também estão mudando. Entra em cena então um novo quociente, o de adaptabilidade (QA),
que considera a capacidade de se posicionar e prosperar em um ambiente de mudanças rápidas e
frequentes.
 
O QA não é apenas a capacidade de absorver novas informações, mas de descobrir o que é relevante,
deixar para trás noções obsoletas, superar desafios e fazer um esforço consciente para mudar. Esse
quociente envolve também características como flexibilidade, curiosidade, coragem e resiliência.
 
Amy Edmondson, professora de Administração da Harvard Business School, diz que é a velocidade
vertiginosa das mudanças no mercado de trabalho que fará o QA vencer o QI. Automatiza-se facilmente
qualquer função que envolva detectar padrões nos dados (advogados revisando documentos legais ou
médicos buscando o histórico de um paciente, por exemplo), diz Dave Coplin, diretor da The Envisioners,
https://www.tecconcursos.com.br/questoes/1757134
1101) 
consultoria de tecnologia sediada no Reino Unido. A tecnologia mudou bastante a forma como alguns
trabalhos são feitos, e a tendência continuará. Isso ocorre porque um algoritmo pode executar essas
tarefas com mais rapidez e precisão do que um humano.
 
Para evitar a obsolescência, os trabalhadores que cumprem essas funções precisam desenvolver novas
habilidades, como a criatividade para resolver novos problemas, empatia para se comunicar melhor e
responsabilidade.
 
Edmondson diz que toda profissão vai exigir adaptabilidade e flexibilidade, do setor bancário às artes.
Digamos que você é um contador. Seu QI o ajuda nas provas pelas quais precisa passar para se
qualificar; seu QE contribui na conexão com um recrutador e depois no relacionamento com colegas e
clientes no emprego. Então, quando os sistemas mudam ou os aspectos do trabalho são automatizados,
você precisa do QA para se acomodar a novos cenários.
 
Ter QI, mas nenhum QA, pode ser um bloqueio para as habilidades existentes diante de novas maneiras
de trabalhar. No mundo corporativo, o QA está sendo cada vez mais buscado na hora da contratação.
Uma coisa boa do QA é que, mesmo que seja difícil mensurá-lo, especialistas dizem que ele pode ser
desenvolvido.
 
Como diz Edmondson: “Aprender a aprender é uma missão crítica. A capacidade de aprender, mudar,
crescer, experimentar se tornará muito mais importante do que o domínio de um assunto.”
 
Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/vert-cap-50429043>.
Acesso em: 9 jul. 2021. (Adaptado)
 
O pronome se destacado apresenta a mesma função e classificação que exerce em “Automatiza-se
facilmente qualquer função que envolva detectar padrões nos dados [...]” (parágrafo 5) no seguinte
período:
a) Alguns trabalhadores mais velhos arrependem-se de não procurar entender a nova realidade do
mercado de trabalho.
b) Acostumar-se com as novas exigências do mundo do trabalho é condição para sobreviver no
mercado hoje.
c) O mercado vem mudando: trata-se agora de valorizar flexibilidade, curiosidade, coragem e
resiliência.
d) Ainda se hesita diante da escolha entre habilidades medidas pelo QI e aquelas medidas pelo QA.
e) Ao longo do tempo, verificam-se mudanças nas habilidades exigidas diante de novas maneiras de
trabalhar.
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CESGRANRIO - Aux Sau (TRANSPETRO)/TRANSPETRO/2018
Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
O lado sombrio da luz
 
O domínio do fogo, e consequentemente da luminosidade, possibilitou ao ser humano exercer grande
controle sobre o meio em que vivia, proporcionando imensurável vantagem seletiva. A luz também foi
fundamental para incontáveis avanços tecnológicos, que nos proporcionam mais comodidade e
praticidade. Mas, apesar de ser em muitas culturas símbolo do progresso, pureza e beleza, a luz também
tem seu lado sombrio.
 A poluição luminosa — toda luz desnecessária ou excessiva produzida artificialmente — é a que mais
cresce no planeta e, infelizmente, os impactos do seu mau uso e os mecanismos com os quais podemos
minimizá-los têm pouquíssimo destaque se comparados aos de outros tipos de poluição.
 A revolução industrial alavancou os efeitos da poluição luminosa para níveis altíssimos nos dias de
hoje. É possível ver o intenso brilho noturno dos centros urbanos até em fotos de satélites. Mais de
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perto, a poluição luminosa pode ser notada quando se observa uma “aura” de luz no horizonte, olhando
na direção de uma grande cidade. Esse brilho do céu noturno é causado por luzes terrestres direcionadas
ou refletidas para a atmosfera. 
 A iluminação artificial excessiva, principalmente na área rural, foi associada a uma maior probabilidade
de epidemias por atrair vetores de doenças, como o barbeiro (doença de Chagas), o mosquito-palha
(leishmaniose) e o mosquito-prego (malária).
 Acredita-se também que a iluminação noturna em centros urbanos influencie fatores psicossociais,
sendo mencionada como uma das causas que contribuem para o aumento da criminalidade e depressão.
Quebras no relógio biológico humano são relacionadas aos mais diversos problemas de saúde, como
distúrbios cardiovasculares, diabetes e obesidade. 
 Não só seres humanos, mas insetos e aves sofrem consequências da poluição luminosa. Na natureza
intacta, as únicas fontes de luz durante a noite eram as estrelas e a luz refletida pela Lua. Os animais,
incluindo os humanos, e as plantas evoluíram nos regimes de luz natural; portanto, é fácil imaginar que
sofram direta ou indiretamente com as alterações artificiais da luz noturna.
 Vaga-lumes e outros insetos são afetados pela iluminação artificial de formas distintas.Alguns insetos
utilizam a posição das estrelas e o sentido da luz para navegação. Mariposas e besouros têm seus ciclos
de vida alterados e são atraídos e desorientados pela luz, tornando-se vítimas fáceis de aves, morcegos e
outros predadores. Esses insetos desempenham diversas funções nos ecossistemas, como polinização,
alimento para outros animais, controle de populações de pragas, decomposição de material orgânico e
até dispersão de sementes. Fica claro, portanto, que estamos longe de compreender a poluição
luminosa, seus efeitos e consequências no meio ambiente. 
 Como as plantas utilizam a luz solar para realizar fotossíntese e direcionar seu crescimento, mudanças
na duração dos dias causadas por luminárias provocam confusão em relação à estação do ano em que se
encontram, resultando na produção de flores, frutos ou queda de folhas em épocas inesperadas. Tais
alterações podem resultar em graves consequências para outros seres que delas dependam, como
insetos polinizadores. Nos pássaros, a luz vermelha interfere na orientação magnética; e, nas mariposas
e nos besouros, focos de luz atraem as mais diversas espécies, tornando-as mais vulneráveis a
predadores.
 Com o desenvolvimento tecnológico das lâmpadas LED (sigla em inglês para diodo emissor de luz), a
iluminação artificial torna-se mais eficiente energeticamente. Mas, em vez de usarmos tal eficiência para
reduzir o consumo de energia, o menor custo energético está sendo utilizado para aumentar o fluxo
luminoso e, consequentemente, a poluição luminosa.
 Medidas simples podem reduzir a emissão de luz e sua influência negativa sobre outros seres, inclusive
sobre nós. Isso sem mencionar a conta de energia. Para combater a poluição luminosa, é necessário (i)
repensar o que precisa ser iluminado, usando, por exemplo, holofotes direcionados e que não irradiem
luz para a atmosfera; (ii) reduzir o tempo de iluminação com o uso de temporizadores e sensores de
presença; (iii) avaliar se precisamos de luzes tão fortes e brancas para todas as tarefas; (iv) tentar
reduzir a exposição à luz artificial forte fora dos horários naturais de luz.
 Trocar as lâmpadas brancas por luzes mais amareladas nos locais em que elas não são necessárias,
assim como trocar o celular ou o computador por uma boa revista sob luz branda antes de dormir,
podem proporcionar uma noite mais bem dormida.
HAGEN, O.; BARGHINI, A. Revista Ciência Hoje, n. 340. 21 set. 2016. Disponível em: http://www.cienciahoje.org.br/
revista/materia/id/1094/n/o_lado_sombrio_da_luz. Acesso em: 5 dez. 2017. Adaptado.
 
 
A palavra se destacada contém a ideia de condição em:
a) “e os mecanismos com os quais podemos minimizá-los têm pouquíssimo destaque se comparados
aos de outros tipos de poluição.” 
b) “Mais de perto, a poluição luminosa pode ser notada quando se observa uma ‘aura’ de luz no
horizonte” 
c) “Mariposas e besouros têm seus ciclos de vida alterados e são atraídos e desorientados pela luz,
tornando- se vítimas fáceis de aves, morcegos e outros predadores.” 
d) “mudanças na duração dos dias causadas por luminárias provocam confusão em relação à estação
do ano em que se encontram.” 
1102) 
e) “Com o desenvolvimento tecnológico das lâmpadas LED (sigla em inglês para diodo emissor de
luz), a iluminação artificial torna- se mais eficiente energeticamente.” 
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CESGRANRIO - ProV (LIQUIGÁS)/LIQUIGÁS/Júnior/2018
Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
Verdades na ficção
 
Quem está acostumado a ler romance e conto não cai tão fácil em conto do vigário. Ou conto de político.
 
Continuo acreditando que um dos melhores antídotos para a mentira é a ficção. Explico o paradoxo:
quando lemos na mídia uma versão fantasiosa ou uma deturpação muito bem arranjadinha da realidade,
somos mais suscetíveis de ser enganados se não estivermos acostumados a ler narrativas literárias, pois
estaremos sujeitos ao embuste de acreditar em mentiras sem exigir coerência no relato ou sem atentar
para detalhes deixados a descoberto. E no que se refere à psicologia dos personagens, o leitor
desavisado é muito mais sujeito a aceitar qualquer versão, sem perceber discrepâncias evidentes mas
disfarçadas em embalagens vistosas. Por tudo isso, quem está acostumado a ler romance e conto não cai
tão fácil em conto do vigário. Ou conto de político. É menos propenso a ser vítima.
 
Movendo-se à vontade nesse universo da narrativa literária, que transfigura a experiência do real e lhe
confere sentido, o cidadão que lê literatura tende a ter mais condições de separar o falso do verdadeiro.
Liga um sinal de alerta e fica com um pé atrás, diante de mentiras embrulhadas para presente,
destinadas a defender o indefensável, disfarçadas por papéis coloridos, adesivos brilhantes ou laçarotes
de cetim. Percebe melhor quando dentro da caixa está a intenção de obstruir a Justiça, defender
privilégios, manipular números, garantir o próprio poder ou salvar a pele. O opaco da enganação se torna
transparente.
 
Volto então a um jogo que tenho proposto todo início de ano. Aproveitemos o verão para ler literatura.
Romances, contos e até ensaios bem escritos — para quem se sente mais seguro se não tiver de
enfrentar de cara uma realidade imaginada. Ótima leitura para eventuais férias. Utilíssima na formação
de cidadãos democráticos. Quanto mais lermos, menos nos enganarão. Vá a uma livraria ou biblioteca e
escolha um livro.
 
MACHADO, Ana Maria. Verdades na ficção. O Globo, 20 jan. 2018.
Disponível em: <https://oglobo.globo.com/opiniao/verdades-nafi
ccao-22308015>. Acesso em: 18 mar. 2018. (Fragmento).
 
 
Considere a ocorrência da palavra se no trecho “O opaco da enganação se torna transparente”.
 
A frase em que a palavra destacada pertence a uma classe gramatical diferente da do trecho mencionado
é:
a) Lemos com compreensão, se conferimos sentido ao texto.
b) Alguns se arrependem de não terem lido mais na infância.
c) Leem-se narrativas literárias para desenvolver a criticidade.
d) Aprende-se muito lendo textos literários de todos os gêneros.
e) Os jovens mais cultos são os que se movem na direção dos livros.
 
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1103) 
1104) 
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CESGRANRIO - PPNS (PETROBRAS)/PETROBRAS/Enfermagem do Trabalho/2018
Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
A Benzedeira
Havia um médico na nossa rua que, quando atendia um chamado de urgência na vizinhança, o remédio
para todos os males era só um: Veganin. Certa vez, Virgínia ficou semanas de cama por conta de um
herpes-zóster na perna. A ferida aumentava dia a dia e o dr. Albano, claro, receitou Veganin, que, claro,
não surtiu resultado. Eis que minha mãe, no desespero, passou por cima dos conselhos da igreja e
chamou dona Anunciata, que além de costureira, cabeleireira e macumbeira também era benzedeira. A
mulher era obesa, mal passava por uma porta sem que alguém a empurrasse, usava uma peruca preta
tipo lutador de sumô, porque, diziam, perdera os cabelos num processo de alisamento com água
sanitária.
Se Anunciata se mostrava péssima cabeleireira, no quesito benzedeira era indiscutível. Acompanhada de
um sobrinho magrelinha (com a sofrida missão do empurra-empurra), a mulher “estourou” no quarto
onde Virgínia estava acamada e imediatamente pediu uma caneta-tinteiro vermelha — não podia ser azul
— e circundou a ferida da perna enquanto rezava Ave-Marias entremeadas de palavras africanas entre
outros salamaleques. Essa cena deve ter durado não mais que uma hora, mas para mim pareceu o dia
inteiro. Pois bem, só sei dizer que depois de três dias a ferida secou completamente, talvez pelo susto de
ter ficado cara a cara com Anunciata, ou porque o Vaganin do dr. Albano finalmente fez efeito. Em
agradecimento, minha mãe levou para a milagreira um bolo de fubá que, claro, foi devorado no ato em
um minuto, sendo que para o sobrinho empurra-empurra que a tudo assistia não sobrou nem um
pedacinho.
LEE, Rita. Uma Autobiografi a. São Paulo: Globo, 2016,p. 36.
 
“Anunciata se mostrava péssima cabeleireira” é uma oração que contém o pronome se com o mesmo
valor presente em:
a) A benzedeira se fartou com o bolo de fubá.
b) Já se sabia que o dr. Albano ia receitar Veganin.
c) A ferida da perna de Virgínia se foi em três dias.
d) Minha mãe não se queixou de nada com ninguém.
e) Falava-se na ferida de Virgínia como algo misterioso.
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CESGRANRIO - PPNT (PETROBRAS)/PETROBRAS/Administração e Controle/2018
Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
O termo destacado foi utilizado na posição correta, segundo as exigências da norma-padrão da
língua portuguesa, em:
a) Embora lembrem-se da importância de uma nova utilização, como é o caso das garrafas plásticas,
há pessoas que desconhecem o valor da reciclagem.
b) O desafio da limpeza urbana não limita-se apenas a manter limpas as ruas, mas, também, a
coletar e dar destino adequado ao lixo urbano.
c) Quando o lixo aloja-se no meio ambiente, causa danos irreparáveis a todos os seres vivos, assim
como a toda a natureza.
d) Sempre fazem-se necessárias políticas eficazes para ressaltar a importância do saneamento,
mantendo-se as cidades mais limpas.
e) Todos os moradores do bairro mobilizaram-se ao perceber que os esforços dispensados para
manter o funcionamento dos edifícios deram bons resultados.
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1105) 
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CESGRANRIO - PTNS (TRANSPETRO)/TRANSPETRO/Auditoria/2016
Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
Texto
 
Homem no mar
 
De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que resplende ao sol.
O vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham
alguns segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde.
 
Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem nadando. Ele nada a uma certa
distância da praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e as pequenas
espumas que nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo: espumas são leves, não são
feitas de nada, toda a sua substância é água e vento e luz, e o homem tem sua carne, seus ossos, seu
coração, todo o seu corpo a transportar na água.
 
Ele usa os músculos com uma calma energia; avança. Certamente não suspeita de que um desconhecido
o vê e o admira porque ele está nadando na praia deserta. Não sei de onde vem essa admiração, mas
encontro nesse homem uma nobreza calma, sinto-me solidário com ele, acompanho o seu esforço
solitário como se ele estivesse cumprindo uma bela missão. Já nadou em minha presença uns trezentos
metros; antes, não sei; duas vezes o perdi de vista, quando ele passou atrás das árvores, mas esperei
com toda confiança que reaparecesse sua cabeça, e o movimento alternado de seus braços. Mais uns
cinquenta metros, e o perderei de vista, pois um telhado o esconderá. Que ele nade bem esses
cinquenta ou sessenta metros, isto me parece importante, é preciso que conserve a mesma batida de
sua braçada, que eu o veja desaparecer assim como o vi aparecer, no mesmo rumo, no mesmo ritmo,
forte, lento, sereno. Será perfeito; a imagem desse homem me faz bem.
 
É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de
sua cara. Estou solitário com ele, e espero que ele esteja comigo. [...]
 
Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não
consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto
a favor de alguém, nem construindo algo de útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um
modo puro e viril.
 
Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção
e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão.
 
Janeiro, 1953 BRAGA, Rubem. A cidade e a Roça. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964. p. 11.
 
No Texto, em “De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar.”, caso o verbo em destaque
fosse passado para a voz passiva pronominal, o resultado seria:
 
“De minha varanda vê-se, entre árvores e telhado, o mar.”
 
Essa transformação conferiria ao relato do narrador um tom de
a) mistério
b) crítica
c) impessoalidade
d) dúvida
e) resignação
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1106) 
1107) 
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CESGRANRIO - PTNS (TRANSPETRO)/TRANSPETRO/Químico de Petróleo/2012
Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
De acordo com a norma-padrão, há indeterminação do sujeito em:
a) Olharam-se com cumplicidade.
b) Barbearam-se todos antes da festa.
c) Trata-se de resolver questões econômicas.
d) Vendem-se artigos de qualidade naquela loja.
e) Compra-se muita mercadoria em época de festas.
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CESGRANRIO - ProV (LIQUIGÁS)/LIQUIGÁS/2012
Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
Eu sei, mas não devia
 
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
 
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao
redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora,
logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a
acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
 
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo
porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer
sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque
está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
 
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e
que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de
paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa
duração.
 
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir ao telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as
pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
 
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o
dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do
que as coisas valem. [...] E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar
nas filas em que se cobra. [...]
 
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar-condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial
de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À
contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios.
 
Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não
colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
 
A gente se acostuma a coisas de mais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai
afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta
na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua
no resto do corpo. [...] E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda
fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
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1108) 
 
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar
feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma
para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde desi mesma.
 
COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco, 1996. p. 9. Adaptado.
 
A opção por uma linguagem informal, em algumas passagens do texto, permite jogos de palavras como
o que se verifica no emprego de Se nas seguintes frases:
 
“Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.”
 
“Se acostuma para evitar feridas, sangramentos.”
 
Nos trechos acima, as palavras em destaque classificam-se, respectivamente, como
a) conjunção e pronome
b) conjunção e preposição
c) pronome e preposição
d) pronome e conjunção
e) conjunção e conjunção
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CESGRANRIO - ProV (LIQUIGÁS)/LIQUIGÁS/2012
Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
Eu sei, mas não devia
 
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
 
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao
redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora,
logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a
acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
 
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo
porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer
sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque
está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
 
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e
que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de
paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa
duração.
 
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir ao telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as
pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
 
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o
dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do
que as coisas valem. [...] E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar
nas filas em que se cobra. [...]
 
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar-condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial
de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À
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1109) 
contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios.
 
Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não
colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
 
A gente se acostuma a coisas de mais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai
afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta
na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua
no resto do corpo. [...] E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda
fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
 
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar
feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma
para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
 
COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco, 1996. p. 9. Adaptado.
 
Em “Se acostuma a não ouvir passarinho”, o pronome não está colocado de acordo com a norma-
padrão.
 
Esse desvio da norma-padrão ocorre também em:
a) Ele estava-nos seguindo.
b) Espero que nunca nos julgue.
c) Não me disseram a verdade.
d) Sempre valorizaram-me muito!
e) A mulher encheu-se de esperanças.
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Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
Um pouco de silêncio
Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.
Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma
infinidade de obrigações. Muitas desnecessárias, outras impossíveis, algumas que não combinam conosco
nem nos interessam.
Não há perdão nem anistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem mas
questionam, os que pagam o preço de sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo
menos sem alguma resistência.
O normal é ser atualizado, produtivo e bem-informado. É indispensável circular, estar enturmado. Quem
não corre com a manada praticamente nem existe, se não se cuidar botam numa jaula: um animal
estranho.
Acuados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo – ou em trilhas
determinadas – feito hamsters que se alimentam de sua própria agitação.
Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença. Recolher-se em casa, ou dentro de si mesmo, ameaça
quem leva um susto cada vez que examina sua alma.
Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não se arrumou ninguém – como se amizade ou
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1110) 
amor se “arrumasse” em loja. [...]
Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Logo pensamos em depressão: quem sabe
terapia e antidepressivo? Criança que não brinca ou salta nem participa de atividades frenéticas está com
algum problema.
O silêncio nos assusta por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho,
notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incômodas e mal resolvidas, ou se enxerga outro
ângulo de nós mesmos. Nos damos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo
entre casa, trabalho e bar, praia ou campo.
Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo além desse que paga contas, transa,
ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse
que afinal sou eu? Quais seus desejos e medos, seus projetos e sonhos?
No susto que essa ideia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos em casa e ligamos a televisão antes
de largar a bolsa ou pasta. Não é para assistir a um programa: é pela distração.
Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso. Com
medo de ver quem – ou o que – somos, adia-se o defrontamento com nossa alma sem máscaras.
 
Mas, se a gente aprende a gostar um pouco de sossego, descobre – em si e no outro – regiões nem
imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente ruins.
Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
— Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva:
nela a gente se refaz para voltar mais inteiro ao convívio, às tantas fases, às tarefas, aos amores.
Então, por favor, me deem isso: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento nas folhas, a
chuva nas lajes, e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os
sentimentos.
LUFT, Lya. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004. p. 41. Adaptado.
 
Observe as palavras “se” no trecho “se não se cuidar botam numa jaula: um animal estranho.”
Afirma-se corretamente que ambas apresentam, respectivamente, as mesmas funções das palavras
destacadas em:
a) Tire um tempo livre se quiser se tratar.
b) Ele se considera sabido se acerta todas as questões.
c) O consumidor virá queixar-se, se você não devolver o produto.
d) Formaram-se diversos grupos para debater se é o melhor momento.
e) Se ele desconhecia se ia adotar uma nova política, por que tocou no assunto?
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Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
Um pouco de silêncio
Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.
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Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma
infinidade de obrigações. Muitas desnecessárias, outras impossíveis, algumas que não combinam conosco
nem nos interessam.
Não há perdão nem anistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem mas
questionam, os que pagam o preço de sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo
menos sem alguma resistência.
O normal é ser atualizado, produtivo e bem-informado. É indispensável circular, estar enturmado. Quem
não corre com a manada praticamente nem existe, se não se cuidar botam numa jaula: um animal
estranho.
Acuados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo – ou em trilhas
determinadas – feito hamsters que se alimentam de sua própria agitação.
Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença. Recolher-se em casa, ou dentro de si mesmo, ameaça
quem leva um susto cada vez que examina sua alma.
Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não se arrumou ninguém – como se amizade ou
amor se “arrumasse” em loja. [...]
Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Logo pensamos em depressão: quem sabe
terapia e antidepressivo? Criança que não brinca ou salta nem participa de atividades frenéticas está com
algum problema.
O silêncio nos assusta por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho,
notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incômodas e mal resolvidas, ou se enxerga outro
ângulo de nós mesmos. Nos damos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo
entre casa, trabalho e bar, praia ou campo.
Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo além desse que paga contas, transa,
ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse
que afinal sou eu? Quais seus desejos e medos, seus projetos e sonhos?
No susto que essa ideia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos em casa e ligamos a televisão antes
de largar a bolsa ou pasta. Não é para assistir a um programa: é pela distração.
Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso. Com
medo de ver quem – ou o que – somos, adia-se o defrontamento com nossa alma sem máscaras.
 
Mas, se a gente aprende a gostar um pouco de sossego, descobre – em si e no outro – regiões nem
imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente ruins.
Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
— Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva:
nela a gente se refaz para voltar mais inteiro ao convívio, às tantas fases, às tarefas, aos amores.
Então, por favor, me deem isso: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento nas folhas, a
chuva nas lajes, e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os
sentimentos.
LUFT, Lya. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004. p. 41. Adaptado.
 
1111) 
O trecho em que se encontra voz passiva pronominal é:
a) “feito hamsters que se alimentam de sua própria agitação.”
b) “Recolher-se em casa,”
c) “sinal de que não se arrumou ninguém”
d) “Mas, se a gente aprende a gostar (...)”
e) “nela a gente se refaz (...)”
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Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
Não transforme o seu futuro em um passado de que você possa arrepender-se
 
O futuro é construído a cada instante da vida, nas tomadas de decisões, nas aceitações e recusas, nos
caminhos percorridos ou não. Esse movimento é feito por nós diariamente sem percebermos e sem
muito impacto, contudo, quando analisado em um período de tempo maior, ficam nítidos os erros e
acertos. Sabemos, internamente, dos melhores caminhos, entretanto, pelas inseguranças, medos e
raivas, diversas vezes adotamos posturas impensadas que impactam pelo resto da vida, comprometendo
trilhas que poderiam ser melhores ou mais tranquilas.
 
Como podemos superar esses momentos? Como fazer para evitar esses erros súbitos? Perguntas a que
também quero responder, afinal, sou humano e cometo todos os erros inerentes a minha condição,
contudo, posso afirmar que o mundo não acaba amanhã e, retirando a morte, as decisões podem ser
adiadas, lembrando que algumas delas geram ônus e multas. No direito e na medicina isso é mais
complexo, mas em muitas outras áreas isso é perfeitamente aceito. A máxima de que “não deixe para
fazer amanhã o que você pode fazer hoje” não é tão máxima assim. Devemos lembrar que nada é
absoluto, mas relativo.
 
Uma coisa faz muito sentido nesse tema: não deixe entrar aquilo de que você tem dúvida; se deixar,
limite o espaço. A pessoa mais importante da vida é o seu proprietário, o nosso maior erro é ser inquilino
dela, deixar entrar algo que se acha errado ou não se quer é tornar-se inquilino do que é seu, pagando
aluguel e preocupado com o final do contrato da sua vida. Não cometa esse erro.
 
A felicidade atual depende do passado, assim como a tristeza, a pobreza, a saúde e muitas outras coisas.
Nunca se esqueça disso, nunca. Torne mais flexível o seu orgulho, algo que hoje não deu certo, pode ser
perfeitamente aplicável daqui a um tempo. O orgulho impede de você tentar de novo. Não minta para
você, essa é a forma mais rápida de se perder. Quando tiver dúvida, fale alto com você mesmo, escute
as suas palavras e pense muito. É melhor ser taxado de louco do que ser infeliz.
 
Aceite que erramos, mas lembre que cometer os mesmos erros é burrice. O ideal é aprender com os
erros dos outros; para que isso aconteça, observe o que acontece com o mundo ao seu redor,
invariavelmente o seu problema já foi vivido por outras pessoas. Você não foi o primeiro a cometer erros
e, com absoluta certeza, não será o último. A observação é o melhor caminho para um futuro mais
tranquilo, mais equilibrado, mais pleno. Temos que separar um tempo do nosso dia para a reflexão e
meditação.
 
Utilize-se de profissionais especialistas, não cometa a bobagem de escutar amigos acerca de um
problema, eles são passionais e tendenciosos pelo nosso lado. Com eles, sentimo-nos seguros para
imaginarmos soluções perfeitas que nunca se concretizarão. O fracasso nessas ideias geniais
solucionadoras dos seus problemas, tipo “seus problemas acabaram” causam frustrações e raivas,
sentimentos que atacam nossa autoestima e podem prejudicar o resto de nossa vida. Cuidado com isso.
 
Por fim, tente ser feliz, tente amar, ajude as pessoas que precisam, seja bom. Nunca, mas nunca mesmo,
machuque as pessoas de caso pensado, só por vingança ou maldade, esse é com absoluta certeza o
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1112) 
mais vil de todos os pecados que um ser humano pode fazer. Quando machucar por outro motivo,
arrependa-se e peça desculpas sinceras e tente nunca mais machucar, tente com afinco. Evite criticar as
pessoas; como o mundo dá muitas voltas, um dia você pode ser o criticado. Aceite as pessoas como são,
não tente mudá-las, seja humilde e aceite os seus erros.
 
Esses comportamentos não resolvem os problemas, mas podem evitá-los. O nosso futuro pode ser um
passado legal, depende apenas de nós.
 
Disponível em: http://www.webartigos.com/articles/33414/1/NAOTRANSFORME-O-SEU-FUTURO-EM-UM-PASSADO-
QUE-VOCEPOSSA-
SE-ARREPENDER-/pagina1.html (adaptado) Acessado em: 9 abril/2010.
 
 
Em “...de que você possa arrepender-se” (título), o pronome destacado é parte integrante do verbo. Em
qual das frases a seguir o “se” também é parte integrante do verbo?
a) Ninguém se queixou de problemasmaiores.
b) Encontrou-se um caminho para um futuro ameno.
c) Não sei se um dia seria censurado.
d) Vive-se melhor com a ajuda de um especialista.
e) Viu-se diante de um problema insolúvel.
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CESGRANRIO - PNS
(ELETRONUCLEAR)/ELETRONUCLEAR/Analista/Meteorologia/2010
Língua Portuguesa (Português) - Partícula "Se"
O texto a seguir é um artigo de Carlos Minc e serve de base para a questão.
 
Texto II
 
DESAFIO À SOBREVIVÊNCIA
 
O crescimento predatório a qualquer custo, a exclusão e a miséria, o egoísmo e o desperdício ameaçam
a vida no planeta. Enquanto a desertificação avança (inclusive em 14 municípios do Noroeste do Estado
do Rio), a camada protetora de ozônio diminui, expondo os corpos às radiações cancerígenas. Enquanto
a temperatura global aumenta devido às queimadas, aos combustíveis fósseis e ao carvão mineral, o ar
puro e a água limpa tornam-se raros e caros.
 
Chegamos à artificialização da natureza: se a água da praia está podre, vá de piscinão; se a água da
torneira cheira mal, tome água mineral; se o ar no inverno causa doenças respiratórias, compre um
cilindro de oxigênio; se um espigão tirou a paisagem, ponha vasos de plantas na janela; se a poluição
sonora tira o sono, vá de vidro duplo e protetor de ouvidos. Os governantes juram ser ecologistas desde
a mais tenra idade, mas aprovam leis do barulho, termelétricas a carvão (em Itaguaí – RJ), desviam para
asfalto e estradas R$ 200 milhões dos royalties do petróleo, carimbados para defender rios e lagoas,
demarcar parques e despoluir a Baía de Sepetiba. As propostas dos ecologistas de energias alternativas,
como a solar e a eólica, de eficiência energética e cogeração, de aproveitamento do lixo e do bagaço de
cana para geração energética foram desprezadas pelo governo federal, e só com a crise previsível
passaram a ser consideradas com um pouco mais de respeito.
 
As propostas ambientalistas de reflorestamento de encostas, reciclagem de lixo, especialmente garrafas
PET, instalação dos comitês de bacia hidrográfica, drenagem, dragagem e demarcação das faixas
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1113) 
marginais de proteção das lagoas são cozinhadas em banho-maria e tiradas da gaveta a cada tragédia de
inundações e desabamentos. O Rio tem a lei mais avançada do país de coleta, recompra e reciclagem de
plástico e de PET (3.369, de janeiro de 2000), mas recuperamos apenas 130 milhões dos 600 milhões de
embalagens PET vendidas anualmente. Parte de 470 milhões restantes entopem canais, rios e provocam
inundações, quando poderiam gerar 20 mil empregos em cooperativas de catadores e uma fábrica de
reciclagem (há 18 delas no país, nenhuma no Rio). Nossa lei estadual de recursos hídricos está em vigor
há dois anos e meio, mas a efetiva instalação dos comitês de bacia, com participação de governos,
empresas, usuários e ambientalistas está emperrada, assim como a cobrança pelos usos da água.
 
Sem comitês atuando e sem recursos próprios, não há como monitorar a qualidade, arbitrar o uso
múltiplo da água, reconstituir as matas ciliares (como os cílios que protegem os olhos), evitar aterros e
lançamentos de lixo e esgoto. Ainda não dispomos de uma informação clara, atualizada, contínua e
independente da qualidade da água que bebemos.
 
Nossos governantes devem aprender a fórmula H2O para entender que na torneira a composição é outra.
A principal causa da mortalidade infantil no Terceiro Mundo são as doenças de veiculação hídrica, como
hepatite e diarreia. Água é vida, e saneamento, tratamento e prevenção são as maiores prioridades. Se
falharmos aí, trairemos o compromisso com a saúde e com a vida do planeta.
 
MINC, Carlos. O Globo, 04 out.02.
 
“Se a água da praia está podre, vá de piscinão; se a água da torneira cheira mal tome água mineral; se o
ar no inverno causa doenças respiratórias, compre um cilindro de oxigênio; se um espigão tirou a
paisagem, ponha vasos de plantas na janela; se a poluição sonora tira o sono, vá de vidro duplo e
protetor de ouvidos”.
 
No trecho acima, retirado do segundo parágrafo do Texto II, os argumentos do enunciador estruturam-se
a partir do uso de determinados modos verbais e da repetição do conectivo se.
 
O objetivo dessa organização discursiva é
a) provocar uma sensação de desespero no leitor.
b) convencer o leitor da inutilidade das propostas apresentadas.
c) criticar a passividade da população a respeito da questão dada.
d) justificar o governo pela falta de atitude acerca desses problemas.
e) contribuir para a padronização de determinados comportamentos.
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PRORH UFTM - Tecno (UFTM)/UFTM/Museologia/2021
Língua Portuguesa (Português) - Vocábulo "Como"
Vacinação, Teoria dos Jogos e Políticas Públicas: a importância da cooperação
 
Chegamos a um momento da pandemia em que, finalmente, vislumbramos luz no fim do túnel. Há
esperança de um caminho que permita, pelo menos, aproximar-nos da vida anterior ao Sars-CoV-2 ou,
como dito por muitos, do “antigo normal”. Esse caminho de esperança passa necessariamente pela
vacinação.
 
Historicamente, inúmeras doenças foram erradicadas no mundo por meio de vacinas e outras tantas
estão sob controle e já não são fatais. É o que acenam os imunizantes em uso contra a Covid-19.
 
Ao mesmo tempo em que surge essa esperança, afloram também as faces mais obscuras do ser humano
e do comportamento egoísta da sociedade. Pessoas furando filas, grupos tentando comprar lotes de
vacinas ainda escassas, governos sem posicionamento firme. Parecem não lembrar que o sucesso do
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processo de vacinação depende efetivamente do comportamento de todos e, nesse caso,
primordialmente da cooperação, para que só assim alcance o melhor resultado.
 
Podemos entender a questão e a forma de obter o maior sucesso possível com as estratégias de
vacinação por meio da compreensão e da aplicação das premissas próprias de um jogo cooperativo. A
Teoria dos Jogos evidencia os resultados dos processos de interação estratégica entre jogadores (no caso
da pandemia, todos os envolvidos, como governos, grupos políticos, grupos sociais e indivíduos
isoladamente considerados)(a) que escolhem diferentes ações e condutas na tentativa de obter máximos
retornos.
 
Essa teoria tornou-se mais popular pelos estudos do matemático, laureado com o prêmio Nobel, John
Nash, o qual inspirou o filme “Uma Mente Brilhante”. Estuda, por exemplo, as decisões tomadas em
situações nas quais os resultados dependem das estratégias escolhidas por todos os agentes envolvidos
em determinada situação e que, embora possam ser distintas, visam a objetivos em comum. Essa visão
levou ao aprimoramento da Teoria Econômica Clássica, na qual se acreditava que o egoísmo
indistintamente levaria a equilíbrios eficientes.
 
A Teoria dos Jogos teve muitas aplicações em ramos fora da Matemática, como a Economia, a Ciência
Política e as estratégias das Políticas Públicas, como a Saúde. Claramente, é o caso da vacinação –
queremos a imunização de toda a população, mas os anseios e as ações dos diferentes agentes não
convergem, necessária e automaticamente, para a cooperação, para o bem comum ou mesmo para o
alcance do melhor resultado possível para todos. Ou seja: a situação é complexa.
 
No jogo cooperativo, como é o caso, a competição entre os jogadores não ensejará o melhor resultado.
 
Se cada um quiser o melhor apenas para si, o resultado geral será ineficiente, uma vez que, neste
momento, não há vacinas suficientes para atender a toda a demanda do mercado. Estamos todos, sem
exceção, imersos na pandemia, e as soluções para ela dependem de organização e, porque não dizer,
cooperação e colaboração.
 
Os gestores e a população já compreenderam a necessidade de um programa de vacinação que
determine prioridades enquanto a imunização não for possível a todos, e uma sistematização bem
pensada dessa programação é a única forma pela qual se poderá alcançar resultados eficientes.
Ilustrando, a compra deinsumos por um agente não deve disputar ou rivalizar com a compra de outro,
como se vislumbra na discussão entre a possibilidade de aquisição apenas pelo estado ou também por
agentes privados,(c) sob pena das iniciativas se revelarem contraproducentes e mesmo irem água abaixo,
no mínimo, de modo a comprometer a otimização da efetiva imunização da maior parte possível da
população, especialmente daqueles que apresentam maior risco – o que é mais razoável, esclarecido e
real objetivo, inclusive para que todos, conjuntamente considerados, possam não só experimentar os
maiores ganhos, como também as menores perdas.(b)
 
Como se pode perceber, a cooperação é medida que se impõe até mesmo em razão de interesses
individuais, não só por questões éticas, humanitárias ou pela moral.
 
Não há dúvida de que a estratégia da vacinação deve, neste momento, permanecer sob o controle
público, cuja obrigação de agir de acordo com o princípio da otimização dos recursos deve garantir que a
imunização chegue ao maior número de cidadãos, garantindo que sejam alcançados resultados obtidos
por meio das estratégias colaborativas.
 
Por isso, a importância da cooperação entre União, estados, municípios e a sociedade se torna mais
importante do que nunca. Sabemos que os governos são limitados não só em sua capacidade de gestão,
assim como também em recursos, ou não estaríamos em uma eterna crise na Saúde.(d) Mas, se
compreendermos e aplicarmos a Teoria dos Jogos, entendendo que a estratégia de imunização é um jogo
cooperativo, e, portanto, assim deve ser jogado para atingir os melhores resultados, é possível ter
esperanças em dias melhores.
 
1114) 
(Eduardo Neubarth Trindade. Disponível em https://cremers.org.br/artigo-vacinacao-teoria-
dos-jogos-e-politicas-publicas-a-importancia-da-cooperacao/. Acessado em 23/05/2021)
 
Observe o fragmento “Há esperança de um caminho que permita, pelo menos, aproximar-nos da vida
anterior ao Sars-CoV-2 ou, como dito por muitos, do ‘antigo normal’” e, em seguida, assinale a
alternativa em que o elemento “como” está empregado com a mesma função morfossintática:
a) “A Teoria dos Jogos evidencia os resultados dos processos de interação estratégica entre
jogadores (no caso da pandemia, todos os envolvidos, como governos, grupos políticos, grupos
sociais e indivíduos isoladamente considerados)...”
b) “...inclusive para que todos, conjuntamente considerados, possam não só experimentar os
maiores ganhos, como também as menores perdas”.
c) “Ilustrando, a compra de insumos por um agente não deve disputar ou rivalizar com a compra de
outro, como se vislumbra na discussão entre a possibilidade de aquisição apenas pelo estado ou
também por agentes privados...”
d) “Sabemos que os governos são limitados não só em sua capacidade de gestão, assim como
também em recursos, ou não estaríamos em uma eterna crise na Saúde”.
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INAZ do Pará - Adv (CRF AC)/CRF AC/2019
Língua Portuguesa (Português) - Vocábulo "Como"
O cérebro devassado (parte inicial do texto)
 
Já é possível ver o cérebro em plena
atividade. As descobertas são
fascinantes e estão levando a uma
melhor compreensão do funcionamento
da mente humana.
 
Anna Paula Buchalla, disponível em www.geocities.ws/epolnet/noticias/cerebrodevassado.htm, acesso em
10/01/2019
 
O cérebro é considerado a caixa-preta do corpo humano. De tão insondável, foi objeto de todo tipo de
especulação. De filósofos a médicos, muito se arriscava em teorias, mas pouco se sabia na prática sobre
o que acontecia nesse órgão que faz a grande diferença da espécie humana. Nos últimos cinco anos,
contudo, com a invenção e o aprimoramento da ressonância magnética funcional, do PET/CT, que associa
a tomografia por emissão de pósitrons à tomografia computadorizada de última geração, e da
espectroscopia, novas imagens vieram à luz e estão revolucionando o conhecimento do cérebro.
 
As descobertas são fantásticas. "É como se tivéssemos substituído a rudimentar luneta de Galileu pelo
telescópio Hubble", compara o neurorradiologista Edson Amaro Júnior, do Hospital Albert Einstein e do
Hospital das Clínicas, em São Paulo. Como esses exames podem flagrar o cérebro em plena atividade, os
pesquisadores estão conseguindo mapear praticamente tudo o que acontece dentro dele – como se
processam as emoções, a cognição, o pensamento e o raciocínio e até mesmo como se originam algumas
doenças. Essa visão preciosa está prestes a mudar a forma como hoje se detecta e trata uma série de
distúrbios, como Alzheimer, autismo, transtorno do déficit de atenção e perda de memória. Ela também
ajuda a identificar os aspectos que contribuem para o aparecimento de problemas como depressão,
esquizofrenia, alcoolismo e uso de drogas. O trabalho dos neurocientistas, amparado por esse
impressionante aparato tecnológico, vai além de desvendar o funcionamento do cérebro. Está-se
descobrindo de que maneira ele responde a estímulos externos – tanto que já se criou uma nova
modalidade nos Estados Unidos, o neuromarketing. Em suas pesquisas, os neuromarqueteiros utilizam os
aparelhos que fornecem imagens do cérebro, para saber que áreas são ativadas quando a pessoa é
exposta a marcas, produtos ou imagens e falas de políticos. Dessa forma, ao detectarem as emoções
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suscitadas, podem direcionar melhor campanhas publicitárias. Não se exclui, ainda, que esse tipo de
iniciativa também seja empreendido em tratamentos psicológicos.
 
Em 1,5 quilo de massa encefálica (valor equivalente ao peso do cérebro de um adulto), 100 bilhões de
células nervosas estão em atividade. Cada uma se liga a milhares de outras em mais de 100 trilhões de
circuitos. A trama é complexa, precisa e delicada. Graças a ela, o homem pensa, raciocina, lembra.
Enxerga, ouve, aprende. Não faz tanto tempo assim, acreditava-se que o ser humano utilizasse apenas
10% de sua capacidade cerebral. Hoje já se sabe que esse é mais um daqueles mitos que se produzem
no vaivém da ciência. Os médicos já não têm a menor dúvida de que toda a máquina cerebral é
solicitada nas mais diferentes funções. "Qualquer atividade ou pensamento com um mínimo de
complexidade, como jogar conversa fora ou ler uma história em quadrinhos, vale-se de inúmeras
conexões neuronais em áreas diferentes do cérebro ao mesmo tempo", afirma o neurologista Steven
Yantis, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, um dos centros mais
avançados do mundo em pesquisas cerebrais.
 
Durante séculos, o conhecimento da estrutura cerebral humana permaneceu rudimentar. O filósofo grego
Aristóteles, um dos primeiros a se debruçar sobre o assunto, acreditava que a memória fosse fisicamente
armazenada no cérebro. As recordações ficariam uma a uma impressas no tecido cerebral. No século
XVIII, o cientista alemão Franz Joseph Gall divulgou a teoria de que as protuberâncias cranianas
poderiam determinar a personalidade das pessoas. Uma de suas concepções era a de que crianças com
boa memória também tinham "olhos proeminentes" – uma pista clara de que, segundo ele, a memória
estava armazenada no cérebro. Quanto maior a memória, mais "inchado" o cérebro. Conhecida como
frenologia, essa teoria foi derrubada em 1861, quando o neuroanatomista francês Paul Broca dissecou o
cérebro de um paciente com distúrbios na fala que tinha acabado de morrer. O que ele viu não
correspondia ao que dizia a frenologia.
 
O fato é que, até meados do século XX, os pesquisadores não faziam uma ideia suficientemente clara do
que enxergavam dentro do crânio humano. Somente no início dos anos 70 é que foram obtidas as
primeiras imagens anatômicas do cérebro. Isso foi possível com a ajuda de computadores que passaram
a processar as imagens dos raios X – técnica batizada de tomografia computadorizada. Os médicos
começaram a lançar mão com frequência cada vez maior desse tipo de exame, hoje mais avançado, que
mostra a estrutura do cérebro em finas fatias. A partir dele, surgiu uma variedade considerável de
técnicas que estão ajudandoos pesquisadores a entender melhor a relação entre a estrutura cerebral, as
funções neuronais e o comportamento humano. Para saber qual área do cérebro está sendo ativada
quando alguém, por exemplo, fala ou ouve música, pode-se recorrer ao PET, sigla em inglês para
tomografia por emissão de pósitrons, que mapeia o cérebro com a ajuda de material radioativo.
 
No período: “Como esses exames podem flagrar o cérebro em plena atividade, os pesquisadores estão
conseguindo mapear praticamente tudo o que acontece dentro dele – como se processam as emoções, a
cognição, o pensamento e o raciocínio e até mesmo como se originam algumas doenças”, há três
ocorrências da forma como. Sobre esse vocábulo, é adequado afirmar:
a) O primeiro como está sob a orientação sintático-semântica da causalidade;
b) O segundo como está sob a orientação sintático-semântica da conformidade;
c) O terceiro como está sob a orientação sintático-semântica de tempo;
d) O primeiro e o segundo como estão sob a orientação sintático-semântica da conformidade;
e) O segundo e o terceiro como estão sob a orientação sintático-semântica da comparação.
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FGV - AJ TRT12/TRT 12/Judiciária/Oficial de Justiça Avaliador Federal/2017
Língua Portuguesa (Português) - Vocábulo "Como"
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1115) 
1116) 
Texto
A revista Scientific American Brasil publicou, em seu n. 18, o seguinte texto:
Analgésico espinhoso. Embora a medicina tenha avançado o suficiente para tratar de dores de cabeça
comuns, lesões musculares e procedimentos desagradáveis como obturação dentária, a dor inflamatória,
da osteoartrite, de câncer ósseo e de lesões nas costas, provou ser um alvo muito mais elusivo. Os
medicamentos atuais, entre eles a morfina e outros opiáceos, afetam todo o organismo e provocam
efeitos colaterais perigosos. Remédios mais localizados, como injeções de esteroides, perdem efeito com
o tempo. Recentemente, pesquisadores começaram a trabalhar com uma toxina encontrada em uma
planta marroquina parecida com um cacto, que talvez possa proporcionar alívio permanente de dores
locais com uma única injeção. (Arlene Weintraub)
 
Remédios mais localizados, como injeções de esteroides, perdem efeito com o tempo.
O valor semântico do termo sublinhado se repete no seguinte pensamento:
a) O objeto em si não conta; importa a maneira como é apresentado. (Raoul Dufy)
b) Eu sou firme; você, obstinado; ele, teimoso como uma mula. (Bertrand Russell)
c) Para o biólogo, o homem é um animal como os demais. (Jean Rostand)
d) As ciências modernas, como a informática, muito dificultam o dia a dia. (M. Fernandes)
e) Pense como um homem de ação e aja como um pensador. (Henri-Louis Bergson)
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INAZ do Pará - Ana (DPE PR)/DPE PR/Administração/2017
Língua Portuguesa (Português) - Vocábulo "Como"
Texto para a questão abaixo.
 
O menino
Vou fazer um apelo. É o caso de um menino desaparecido.
Ele tem 11 anos, mas parece menos; pesa 30 quilos, mas parece menos; é brasileiro, mas parece menos.
É um menino normal, ou seja: subnutrido, desses milhares de meninos que não pediram pra nascer; ao
contrário: nasceram pra pedir.
Calado demais pra sua idade, sofrido demais pra sua idade, com idade demais pra sua idade. É, como a
maioria, um desses meninos de 11 anos que ainda não tiveram infância.
Parece ser menor carente, mas, se é, não sabe disso. Nunca esteve na Febem, portanto, não teve tempo
de aprender a ser criança-problema. Anda descalço por amor à bola.
Suas roupas são de segunda mão, seus livros são de segunda mão e tem a desconfiança de que a sua
própria história alguém já viveu antes.
Do amor não correspondido pela professora, descobriu que viver dói. Viveu cada verso de "Romeu e
Julieta", sem nunca ter lido a história.
Foi Dom Quixote sem precisar de Cervantes e sabe, por intuição, que o mundo pode ser um inferno ou
uma badalação, dependendo se ele é visto pelo Nelson Rodrigues ou pelo Gilberto Braga.
De seu, tinha uma árvore, um estilingue zero quilômetro e um pássaro preto que cantava no dedo e
dormia em seu quarto.
Tímido até a ousadia, seus silêncios grita nos cantos da casa e seus prantos eram goteiras no telhado de
sua alma.
Trajava, na ocasião em que desapareceu, uns olhos pretos muito assustados e eu não digo isso pra ser
original: é que a primeira coisa que chama a atenção no menino são os grandes olhos, desproporcionais
ao tamanho do rosto.
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1117) 
Mas usava calças curtas de caroá, suspensórios de elástico, camisa branca e um estranho boné que,
embora seguro pelas orelhas, teimava em tombar pro nariz.
Foi visto pela última vez com uma pipa na mão, mas é de todo improvável que a pipa o tenha empinado.
Se bem que, sonhador de jeito que ele é, não duvido nada.
Sequestrado, não foi, porque é um menino que nasceu sem resgate.
Como vocês veem, é um menino comum, desses que desaparecem às dezenas todas os dias.
Mas se alguém souber de alguma notícia, me procure, por favor, porque... ou eu encontro de novo esse
menino que um dia eu fui, ou eu não sei o que vai ser de mim.
 
Disponível em: http://oglobo.globo.com/cultura/um-autorretrato-inedito-de-chico-anysio-4428439#ixzz4fUBCeQKv.
Acesso em : 01/04/2017.
 
Em “ Como vocês veem, é um menino comum, desses que desaparecem às dezenas todos os dias”.
 
O vocábulo destacado traduz uma noção de:
a) Comparação
b) Conformidade
c) Causa
d) Contraste
e) Modo
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CESGRANRIO - AC (IBGE)/IBGE/Geoprocessamento/2014
Língua Portuguesa (Português) - Vocábulo "Como"
Comércio ambulante: sob as franjas do sistema
Definir uma política para a economia informal – ou mais especificamente para o comércio ambulante –
significa situá-la em contextos de desigualdade, entendendo de que maneira ela se relaciona com a
economia formal e de que forma ela é funcional para a manutenção dos monopólios de poder político e
econômico. Dependendo do contexto, o poder público formula políticas considerando o caráter provisório
do trabalho informal, justificando políticas de formalização com a crença de uma possível “erradicação”
da informalidade.
Desse ponto de vista, a falta de um plano municipal para o comércio ambulante nas grandes cidades é
emblemática. Trata-se de um sinal que aponta que o comércio ambulante é visto como política
compensatória, reservada a alguns grupos com dificuldades de entrada no mercado de trabalho, como
deficientes físicos, idosos e, em alguns países, veteranos de guerra. Entretanto, a realidade do comércio
ambulante em São Paulo mostra que essa atividade é uma alternativa consolidada para uma parcela
importante dos ocupados que não se
enquadram em nenhuma das três categorias acima. [...]
Há políticas que reconhecem a informalidade como exceção permanente do capitalismo e que acreditam
que somente podem “gerenciá-la” ou “domesticá-la” se determinada atividade não gerar conflitos e
disputas entre setores da sociedade. Nessa concepção, “gerenciar” a informalidade significa tolerá-la,
limitando-a arbitrariamente a um número ínfimo de pessoas que podem trabalhar de forma legalizada,
deixando um grande contingente de trabalhadores à mercê da falta de planejamento e vulnerável à
corrupção e à violência. Esse perfil de “gestão da exceção” delimita a inclusão de poucos e se omite no
planejamento para muitos. No caso de São Paulo, o número de licenças de trabalho vigentes, por
exemplo, corresponde no ano de 2013 a apenas 2,5% do contingente total de trabalhadores ambulantes.
Em Nova York, apesar de toda a gestão militarizada e excludente, o percentual é de 20%.
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1118) 
 
Dentro desse raciocínio, “domesticar” a informalidade significa destinar ao comércio ambulante apenas
alguns espaços na cidade, mas somente os que não confrontem a lógica de reprodução do capital e,
consequentemente, a imagem que se quer manter dos espaços em valorização imobiliária. Não só

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