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3 Ana Karina Melendez – Med Unifamaz 2023.1 com água após 4 a 6 h, podendo repetir em 1 a 3 dias, dependendo do grau de irritação (não aplicar em crianças, gestantes, vulva e cérvice). Podofilotoxina 0,5%, em creme ou solução alcoólica, 1 ou 2 vezes/dia, por 3 a 4 dias/semana, até 4 semanas (não usar em gestante, vulva e cérvice). Qualquer que seja a modalidade terapêutica empregada, as taxas de recorrência relatadas são altas (25 a 67%) e até o momento não se provou que o tratamento reduza as taxas de transmissão para os novos parceiros sexuais. Condiloma acuminado gigante. Primeira opção é eletrocoagulação ou laser. Segunda opção é o imiquimode. Podofilina, podofilotoxina e interferona intralesional podem ser usados. Acitretina por via oral (VO) pode diminuir lesões muito grandes e possibilitar eletrocoagulação. Na papulose bowenoide, o ideal é a crioterapia. Na doença de Heck, pode-se optar por não tratar ou realizar a eletrocoagulação. Na epidermodisplasia verruciforme pode-se realizar eletrocoagulação, laser, crioterapia e acitretina VO. A terapia fotodinâmica vem sendo usada para verrugas plantares, vulvares e planas, porém estudos mais amplos são necessários. Sulfato de zinco (10 mg/kg/dia), cimetidina (20 a 40 mg/kg/dia) e levamisol são fármacos imunomoduladores usados frequentemente, mas ainda com efetividade discutível. A infecção pelo HPV (12 tipos) está associada aos cânceres do colo do útero (95%), anal (93%), de orofaringe (65%), vaginal (65%), vulvar (50%) e de pênis (35%). No Brasil, há predominância na circulação de quatro subtipos que atingem tanto homens quanto mulheres. O Ministério da Saúde do Brasil adotou a vacina tetravalente, que protege contra o HPV de baixo risco (tipos 6 e 11, que causam verrugas anogenitais) e de alto risco (tipos 16 e 18, que causam 70% do câncer de colo uterino). A população-alvo prioritária da vacina HPV é de meninas na faixa etária de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, que receberão duas doses (0 e 6 meses) com intervalo de 6 meses, e mulheres vivendo com HIV na faixa etária de 9 a 26 anos, que receberão três doses (0, 2 e 6 meses). Essa vacina é destinada essencialmente à utilização preventiva. Uma nova vacina (Gardasil 9®), nonavalente, incluiria os tipos 31, 33, 45, 52 e 58, o que geraria uma proteção maior, já que esses tipos causam 90% dos casos de câncer de colo uterino. 4 Ana Karina Melendez – Med Unifamaz 2023.1 6 Ana Karina Melendez – Med Unifamaz 2023.1 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Candidíase, herpes-zóster, doença da mão-pé-boca, pênfigo vulgar, doença de Behçet, citomegalovirose, tuberculose periorificial, cancroide. TRATAMENTO Em casos de lesões isoladas e pouco sintomáticas, não é necessário tratamento específico, a não ser uma boa higiene local e eventuais antissépticos tópicos para reduzir o risco de infecção secundária. Na primoinfecção e nas recorrências mais importantes, é indicada a terapia antiviral (lembrando que os antivirais tópicos não são efetivos), com o intuito de diminuir as manifestações clínicas, bem como o tempo de duração da doença. No entanto, não há efeito nas recorrências futuras. Os antivirais mais usados são: aciclovir, na dose de 200 mg 5 vezes/dia ou 800 mg 2 vezes/dia durante 7 a 10 dias nas primoinfecções e durante 5 dias nas recorrências; fanciclovir 250 mg 3 vezes/dia nas primoinfecções durante 7 a 10 dias e 125 mg 2 vezes/dia durante 5 dias nas recorrências; valaciclovir 1.000 mg 2 vezes/dia durante 7 a 10 dias nas primoinfecções e 1.000 mg 1 vez/dia ou 500 mg 2 vezes/dia durante 5 dias nas recorrências. No caso de recorrências frequentes, está indicada a terapia supressora para diminuir o número de crises. Deve-se fazer durante menos 6 meses (ideal 1 ano): aciclovir 400 mg 2 vezes/dia ou fanciclovir 250 mg 2 vezes/dia ou valaciclovir 500 a 1.000 mg/dia. L-lisina 500 mg/dia pode contribuir para redução gradual do antiviral. Algumas condições requerem aciclovir IV (dose de 5 a 10 mg/kg 8/8 h), por exemplo: primoinfecção com toxemia importante ou em imunossuprimidos, eczema herpético, sepse, herpes neonatal e lesões crônicas não responsivas ao medicamento oral. Nos casos de falha com aciclovir, está indicado o uso de foscarnete. Durante a gestação, não há medicação oficialmente liberada. Deve- se lembrar que lesão genital ativa na hora do parto contraindica o parto normal, sendo indicada a cesariana. 8 Ana Karina Melendez – Med Unifamaz 2023.1 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Fase aguda: dermatite de contato, dermatite atópica, herpes simples zosteriforme, fitoalergia, erisipela, impetigo bolhoso, fasciite necrosante, pioderma superficial, pitiríase liquenoide aguda. Fase prodrômica e dor localizada: migrânea, doença cardíaca ou pleural, abdome agudo, doença vertebral. TRATAMENTO A terapia antiviral sistêmica no HZ agudo leva à diminuição do período da doença, previne ou alivia a dor e outras complicações, quando administrada nas primeiras 72 h. Os antivirais usados são: aciclovir 800 mg 5 vezes/dia durante 7 a 10 dias; valaciclovir 1 g 3 vezes/dia durante 7 dias; ou fanciclovir 500 mg 3 vezes/dia durante 7 dias. Em algumas situações, o aciclovir IV (se houver resistência, foscarnete) é usado: pacientes de alto risco (p. ex., HIV, câncer, transplantado), zóster disseminado ou visceral, zóster oftalmológico, envolvimento meningoencefálico. No HZ oftalmológico, além do aciclovir sistêmico, o ideal seria acrescentar corticosteroide sistêmico nas primeiras semanas. O corticosteroide sistêmico tem indicação também no zóster grave, com sintomas neurológicos e no envolvimento do SNC, porém sempre associado ao antiviral. Para tratamento da dor no herpes-zóster agudo, podem-se utilizar analgésicos comuns, anti-inflamatórios não esteroides, analgésicos opioides, lidocaína tópica, gabapentina (esta inclusive pode diminuir a ocorrência de neuralgia pós-herpética se usada precocemente). Em casos mais extremos, utilizam-se analgesia epidural e intratecal, simpatectomia, estimulação nervosa elétrica percutânea. Já para a neuralgia pós-herpética, as medicações mais utilizadas são: amitriptilina (12,5 a 25 mg/dia durante 3 a 6 meses), doxepina (10 a 100 mg/dia), clomipramina, gabapentina (300 mg 3 vezes/dia, podendo aumentar a dose gradualmente), capsaicina creme 0,025 a 0,075% 6 vezes/dia (antagonista da substância P, pode dar sensação de queimação ao aplicar o creme), e também podem ser utilizados adesivos de lidocaína ou creme EMLA®. Em casos intratáveis, considerar cirurgia de rizotomia (separação cirúrgica das fibras da dor). A imunoglobulina específica para zóster está indicada para profilaxia para os indivíduos expostos a varicela ou herpes-zóster e que pertençam a grupo de risco (recém-nascidos, gestantes e imunossuprimidos). A vacina de vírus atenuado é usada desde 2006 na Europa e nos EUA para prevenção do HZ em não grávidas, pessoas sem história de zóster, não imunocomprometidos e maiores de 60 anos (maiores de 50 anos a partir de 2011 nos EUA). VARICELA Também conhecida como catapora. EPIDEMIOLOGIA O período de incubação é de 2 a 3 semanas, e o período de transmissão, de 5 a 7 dias antes da erupção, até o desaparecimento das lesões vesiculares. 10 Ana Karina Melendez – Med Unifamaz 2023.1 MOLUSCO CONTAGIOSO EPIDEMIOLOGIA É infecção universal, com relatos de maior incidência em climas tropicais. Ocorre principalmente em crianças, sendo o pico de incidência entre 1 e 4 anos. Também se manifesta em adultos sexualmente ativos, sobretudo, imunodeficientes. A incidência mundial é estimada entre 2 e 8% e, nos pacientes com HIV, esta incidência varia de 5 a 20%. Embora seja autolimitada, com duração entre 6 e 18 meses, preconiza-seo tratamento por ser contagiosa. Sua transmissão ocorre por contato direto, fômites contaminados e autoinoculação; alguns casos de transmissão vertical já foram relatados. Natação e dermatite atópica constituem fatores de risco para infecção. Nos adultos as lesões genitais são, provavelmente, transmitidas sexualmente. Muitos pacientes apresentam anticorpos IgG contra o antígeno viral, e estudos mostram que muitos adultos são resistentes à infecção. Indivíduos com função imune celular alterada podem ter lesões disseminadas. Nos pacientes com HIV as lesões são maiores e, frequentemente, refratárias ao tratamento. ETIOLOGIA 12 Ana Karina Melendez – Med Unifamaz 2023.1 MONKEYPOX Monkeypox é uma doença zoonótica causada por um vírus DNA, sendo classificado pelo International Committee on Taxonomy of Viruses (ICTV) como pertencente à família Poxviridae, gênero Orthopoxvirus e espécie Monkeypox virus1. Esse vírus é endêmico em países das regiões da África Central e da Ocidental. Não havia relato de infecção pelo Monkeypox virus (MPXV) no Brasil até o ano de 2022. Contudo, a partir de junho deste ano, foram confirmados casos de infecção por esse vírus no território nacional. EPIDEMIOLOGIA No surto de 2022, o primeiro caso de monkeypox fora da África identificado foi em Londres, em 5 de maio, com confirmação uma semana depois, em um paciente que desenvolveu lesões na pele ao voltar de uma viagem à Nigéria. Em 23 de julho, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que a monkeypox constitui uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Em 29 de julho o Ministério da Saúde confirmou a primeira morte por monkeypox no Brasil. FISIOPATOLOGIA Modo de transmissão Por se tratar de um vírus com reservatório animal, o contágio pode ser: animal-humano, humano-humano, humano-animal e/ou por fômites2 3 4 5 6. De acordo com as evidências disponíveis atualmente para o território nacional, as principais formas de transmissão são: ● Transmissão humano-humano: contato direto com indivíduos que apresentam lesões em pele e mucosa (oral, faringe, ocular, genital e anal), seja pele-pele, mucosa-mucosa ou ainda mucosa-pele. Descreve-se também a possibilidade de transmissão por gotículas e aerossóis, sendo necessário, provavelmente, maior exposição para o contágio, ou seja, próximo e prolongado. Preservativos são muito importantes para a proteção contra várias infecções sexualmente transmissíveis (IST), contudo o MPXV é transmitido por contato com qualquer lesão da pele, mucosas, anus e órgãos genitais. Por isso, o uso isolado do preservativo não oferece proteção em relação ao MPXV. Uma pessoa pode transmitir a doença desde o início dos sinais e sintomas até a cicatrização completa das lesões mucocutâneas. Evidências científicas apontam que pode ocorrer transmissão transplacentária de mulher grávida para o feto. Evidências atualmente disponíveis relatam que o fim do período de transmissibilidade ocorre quando há remissão de todas as lesões mucocutâneas, inclusive das crostas, e epitelização da pele. Ainda não está plenamente elucidada a transmissão por indivíduos infectados assintomáticos. ● Transmissão por superfícies ou fômites: existe relato de transmissão a partir de vestimentas, roupas de cama, utensílios ou qualquer objeto contaminado por pessoas infectadas. A 13 Ana Karina Melendez – Med Unifamaz 2023.1 persistência da partícula viral em superfícies de diferentes tipos varia de um a 56 dias, dependendo das condições de temperatura e de umidade do ambiente. FATORES DE RISCO Para infecção pelo MPXV: A principal forma de transmissão e maior risco de infecção por MPXV é o contato prolongado com caso confirmado, portanto, é um importante fator de risco o contato físico com pessoas com lesões em qualquer parte do corpo, como a pele, boca ou órgãos genitais. Isso inclui, principalmente, mas não exclusivamente: Trabalhadores de saúde sem uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Indivíduos que coabitam com casos confirmados de MPX. Trabalhadores que em sua rotina têm contato físico com múltiplas pessoas. Indivíduos com parceria sexual múltipla e/ou com pessoa (s) desconhecida(s). Para apresentar manifestações clínicas graves da MPX (população vulnerável): Indivíduos com determinadas condições clínicas e/ou algumas doenças crônicas apresentam maior chance de desenvolver formas graves de MPX7, como: Crianças (<8 anos de idade8) Gestantes e puérperas Imunossuprimidos: o síndrome da imunodeficiência adquirida; o leucemia; o linfoma; o neoplasia avançada; o tratamento com radioterapia ou quimioterapia; o transplantados para órgãos sólidos; o terapia com agentes alquilantes, antimetabólitos, inibidores do fator de necrose tumoral, corticosteróides em altas doses; o receptor de transplante de células-tronco hematopoiéticas com menos de 24 meses após o transplante; o receptor de transplante de células-tronco hematopoiéticas com 24 meses ou mais, mas com doença do enxerto contra o hospedeiro ou recidiva da doença; o doença autoimune com imunodeficiência como componente clínico; o dermatite grave. QUADRO CLÍNICO Forma clássica, em países endêmicos localizados nas regiões da África Central e da Ocidental A MPX é geralmente uma doença autolimitada, cujos sinais e sintomas duram de duas a quatro semanas. O período de incubação é tipicamente de seis a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias. A pessoa infectada é assintomática no período de incubação. Os sinais e sintomas iniciais incluem febre súbita, cefaleia, mialgia, dores nas costas, adenomegalia, calafrios e astenia. A detecção de linfadenopatia é uma característica clínica importante, auxiliando no diagnóstico diferencial entre a MPX e outras doenças. A manifestação cutânea ocorre entre um e três dias após os sinais e sintomas sistêmicos. A erupção cutânea da MPX passa por diferentes estágios: mácula, pápula, vesícula, pústula e crosta. Inicialmente, as lesões têm diâmetro entre meio centímetro e um centímetro e podem ser confundidas pelas causadas por varicela ou sífilis, e a principal diferença é a evolução uniforme das lesões pela MPX. A evolução para a forma grave é incomum e pode estar relacionada a fatores, como forma de transmissão, suscetibilidade do indivíduo, quantidade de vírus inoculado no momento da transmissão, bem como a linhagem genética do MPXV. Os quadros graves incluem sepse, causada principalmente pela infecção bacteriana secundária nas lesões cutâneas ou mucosas, desidratação grave causada pela redução de ingestão de líquidos devido às lesões orais, à insuficiência respiratória decorrente do comprometimento da mucosa do trato respiratório baixo e à encefalite. A taxa de letalidade nessas áreas varia de 0 a 11%, afetando principalmente crianças. Relatos atuais em países não endêmicos Os casos recentemente detectados em países não endêmicos apresentaram uma preponderância de lesões nas áreas genital e anal, e acometimento de mucosas (oral, retal e uretral). As lesões em pênis têm sido comuns e as lesões anorretais podem evoluir para proctite. As lesões mucocutâneas podem ser únicas ou múltiplas, e a evolução nem sempre é uniforme. Sinais e sintomas prodrômicos típicos da MPX podem estar ausentes, ou aparecerem após a (s) lesão (ões) mucocutânea(s) inicial (is).