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TEOLOGIA 
Me. Alexandre Figueira de Pontes Júnior 
GUIA DA 
DISCIPLINA 
 
 
 
1 Teologia 
Teologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
1. TEOLOGIA: PERGUNTAS INICIAIS 
 
Objetivo 
Algumas questões sempre aparecem quando iniciamos um tema um pouco incomum 
como a Teologia. Assim, o objetivo é apresentar e responder algumas questões, 
embasando os próximos temas. 
 
Introdução 
A função da teologia consiste em entender o papel da fé, que se torna concreta em 
determinado contexto histórico e cultural. Então, a teologia não se ocupa apenas no 
entendimento de Deus, mas procura produzir uma teologia que seja relevante por dialogar 
com as situações da vida humana atual. 
 
Uma outra característica importante da teologia é que ela pensa não somente as 
questões relativas à vivência da fé, mas pensa a si mesma, como ciência. 
 
Se entendermos que a teologia é a ciência que busca compreender a razão de ser, 
da relação entre o ser humano e Deus, seja em âmbito pessoal ou comunitário, ou seja, 
âmbito eclesial, entendemos que a teologia traz consigo uma função de sociabilizar com a 
comunidade da fé os elementos pesquisados pelo teólogo. 
 
1.1 Conceito 
O que as pessoas entendem por Teologia? Para que serve? Para essas perguntas, 
muitas respostas são apresentadas. Por exemplo: que teologia é a ocupação dos padre, a 
profissão deles; que deve ser alguma coisa da Idade Média que colocou a Terra no centro 
do Universo; que é o estudo das coisas de Deus, da Bíblia Sagrada... As respostas são as 
mais variadas. 
 
Para muitos cristãos, teologia é algo misterioso, que as pessoas comuns não 
conseguem entender, formando um conjunto de palavras e afirmações sobre a religião se 
mostra estranho e complicado (Matos, 2020). 
 
Karl Rahner, um dos maiores teólogos católicos do século XX, teologia é “a 
explanação e explicação consciente e metodológica da Revelação divina, recebida e 
 
 
2 Teologia 
Teologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
aprendida na fé”. Nesta formulação encontramos os elementos identificadores de uma 
autêntica teologia cristã. É de fato a ciência da fé, entendida como esforço humano para 
compreender e interpretar a experiência de fé de uma comunidade e comunica-la em 
linguagens e símbolos. 
 
Podemos concluir que teologia é a fé de olhos abertos, uma fé com lucidez, 
inteligência e crítica. Deus é seu objeto primeiro, um Deus que “se revela” e se faz conhecer 
na História. A teologia inclui um encontro entre Deus que vem a nós, um ser humano que 
se abre à sua manifestação (Matos, 2020). 
 
1.2 A Fé na Busca de seu Entendimento 
A teologia se relaciona diretamente com a fé; é seu desdobramento teórico ou 
intelectual. A experiência de fé é algo individual, interno, essencial e vital. O cristão procura 
aprofundar a fé com a razão, justificar ou esclarecer seu ato de fé em Deus. Um crente 
consciente deseja, quase instintivamente, compreender o que crê ou captar pela razão 
aquilo de que já está convencido pela fé. 
 
Santo Anselmo nos apresenta uma “fé que ama saber”; que o verdadeiro amor 
“nasce da fé” e deseja saber as razões pelas quais ama. Em outras palavras, a fé que busca 
seu entendimento. Anselmo expressa em uma prece a sua incessante procura, tanto na 
contemplação como no saber: 
 
“Não pretendo, Senhor, penetrar a tua profundidade, porque de forma alguma a 
minha razão é comparável a ela. Desejo entender de certo modo a tua verdade, que o meu 
coração crê e ama. Não busco, com efeito, entender para crer, mas creio para entender”. 
 
A teologia como inteligência da fé, vai na busca do sentido da vida, sua razão de ser. 
É algo próprio do ser racional. O ser humano, de fato, não se contenta com partes de 
explicações; está sempre à procura de um sentido que plenifique sua existência. O fiel 
encontra esta razão última em Deus, “Aquele que é”, o Ser verdadeiramente subsistente, o 
“ser-em-si”, que lhe é revelado na História e, de forma cabal e definitiva, na pessoa de 
Jesus. Em Cristo, ele tem “acesso, em toda riqueza, à plenitude do entendimento, do 
conhecimento do mistério de Deus, pois nele estão escondidos todos os tesouros da 
sabedoria e da ciência” (Cl 2, 2-3). (Matos, 2020). 
 
 
3 Teologia 
Teologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
A teologia é totalizante pois engloba o inteiro horizonte da compreensão da vida e 
do significado da realidade. Levanta a pergunta maior sobre o sentido radical da existência 
e, por tal motivo, guarda uma perene atualidade (Matos, 2020). 
 
1.3 A Teologia na comunidade da Igreja 
Teologia só acontece dentro da Comunidade eclesial e como serviço ao povo de 
Deus. Trata-se da “Teologia da fé” e fé é “fé da Igreja”. É na comunidade eclesial que essa 
fé nasce, cresce e se mantém. Dessa forma, teologia não é uma atividade privada, mas, 
em sua essência, eclesial. A Igreja é seu sujeito primário e seu espaço vital. O motivo é 
óbvio: o objeto da teologia é a “fé revelada”, uma realidade confiada a todo o povo de Deus, 
que, por isso, constitui seu medianeiro indispensável. É de responsabilidade da teologia 
repensar e “reinventar” a fé cristã em continuidade com a tradição viva da Igreja, mas 
igualmente atenta às necessidades e urgências do homem de hoje. 
 
Na comunidade eclesial a fé é testemunhada primeiramente no querigma, no anúncio 
da Palavra, e depois transmitida na didaskalia, no ensino. A teologia não reflete, em primeiro 
lugar, uma doutrina, mas a própria Revelação. Compreendida como “verdade-evento”: o 
acontecimento da Verdade salvífica na História, acolhida na fé. (Matos, 2020). 
 
1.4 A Teologia é como uma Ciência? 
Apenas para fazer algumas colocações sobre a Teologia se referir a uma Ciência, 
cujo tema será melhor debatido no próximo capítulo, a teologia é entendida como uma 
ciência pelo fato de ser conhecimento crítico, sistemático e autoamplificante. Refere-se a 
uma ciência sui generis, diferente de outras áreas do saber humano. Não se aproxima de 
seu “objeto” como algo exterior ou alheio. É uma sabedoria ou conhecimento ligado a uma 
experiência prazerosa e amante que ilumina o sentido da existência.(Matos, 2020). 
 
A teologia é uma ciência fundamental e, em sendo assim, uma referência 
indispensável para outras ciências. Remete à finalidade da vida e ao significado radical da 
existência. As ciências, de fato, se ocupam com as “causas” do mundo; a filosofia com a 
sua essência, mas a teologia atinge sua finalidade. Encontramos o saber mais elevado, a 
ciência absoluta, cujo objeto é Deus, visto como “sentido supremo” de tudo e origem da 
felicidade plenificante. (Matos, 2020). 
 
 
4 Teologia 
Teologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
A teologia, cuja finalidade é precisamente desvelar o sentido básico e transcendente 
da existência, mantém com as demais ciências uma relação de diálogo, respeitando sua 
autonomia e contribuição específica na busca da verdade. Há um vínculo dialético entre a 
teologia e os outros conhecimentos sistematizados. Estes, de maneira particular a filosofia, 
podem ajudá-la a purificar sua representação, a aprofundar sua verdade e a provocar a 
descoberta de dimensões religiosas esquecidas ou negligenciadas. 
 
 
 
 Bibliografia indicada no plano de ensino. 
 
 
 
 
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Teologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
2. TEOLOGIA COMO CIÊNCIA 
 
Objetivo 
Apresentar a Teologia como uma ciência e seu inter-relacionamento com as outras 
ciência, principalmente as ciências humanas, dentre elas, especialmente com a filosofia, 
sem desprezar jamais suas ligações com a antropologia e psicologia. 
 
Introdução 
A história nos lembra que sempre ocorreram discussões entre a teologia e as 
ciências, principalmente devido ao descompasso entre as diversas fases do 
desenvolvimento intelectual humano e suas ideologias. Devemos compreender como a 
teologiase relacionou e continua se relacionando, não apenas com a psicologia, mas com 
as outras ciências humanas. 
 
2.1 A Teologia é uma Ciência 
Podemos afirmar que teologia é uma ciência a partir do instante que realiza a 
caracterização formal da ciência que é: ser crítica, sistemática e dinâmica. Estando na lista 
das ciência humanas, ela tem racionalidade pois procura entender o sentido da fé à luz do 
“texto da vida”. 
 
Teologia, contudo, não é uma ciência comum, pois sua base, a revelação de Deus, 
nas Escrituras ou na criação é muito diferente dos objetos de estudo de outras ciências. 
Não é uma ciência autônoma, pois recorre ao instrumental de outras ciências com filosofia, 
sociologia, antropologia, história e psicologia, entre outras, para desenvolver suas 
reflexões. Tem suas próprias linhas de pesquisa e métodos, a exemplo das ciências físicas 
ou sociais. Algumas de suas linhas de pesquisa consultam as fontes bíblicas, históricas e 
doutrinárias. Outras são construtivas, enquanto sistematizam a compreensão de Deus. 
Existem também as pastorais ou práticas que estão voltadas para a vida e conduta cristãs. 
 
É uma disciplina crítica que abrange inúmeros deveres, entre eles, aquele de 
discriminar as doutrinas da Igreja daquilo que é crendice popular e opinião teológica. A 
Teologia se incumbe de reinterpretar a linguagem da Igreja para que essa possa refletir 
adequadamente a fé, a qual é sua missão expressar. 
 
 
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Teologia 
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A teologia como ciência participa da responsabilidade de todas as atividades 
humanas, de modo especial, na medida em que a fé é pensada e dita de forma razoável e 
racional, sendo por isso um ato de responsabilidade, atende às características do ser 
humano como ser dotado de razão. De modo particular, a teologia busca o encontro com a 
sociedade e seus movimentos em vista de uma convivência construtiva, justa e pacífica. 
 
Cabe à teologia traduzir a fé, com rigor metodológico, de modo a ajudar as pessoas 
a conviverem com outras formas de pensar, demonstrando as próprias razões e traduzindo 
os seus imperativos de modo a iluminar a vida pessoal, a vida das outras pessoas e do seu 
mundo. Como exemplo, pode-se colocar a participação na ecologia, como resposta à 
criação de Deus, e nas questões sociais e econômicas mundiais, como resposta às 
necessidades humanas. 
 
O problema de ser ou não ciência não atinge apenas a teologia. O questionamento 
do caráter de ciência, várias razões, atinge também a filosofia, o direito, ciências sociais e 
até mesmo a medicina. Como mencionado anteriormente, a primeira questão é aceitar um 
conceito de ciência suficientemente amplo, para dar conta da realidade e dos caminhos de 
apreensão da ciência. Específicamente para a teologia, um dos argumentos mais 
apresentados é o fato de estar baseada em crenças, ao contrário da ciência que procede 
mediante demonstrações e comprovações. Mas a teologia se define como “estudo da fé” e 
não como a “própria fé”. A autoridade das conclusões e dos resultados dos seus estudos, 
provém da força dos argumentos e dos dados capazes de convencer, inclusive dando forma 
e sentido novos ao conteúdo do crer. 
 
Para ser reconhecida como ciência, numa sociedade aberta e pluralista, onde ocorre 
a separação entre Igreja (religião) e Estado, é necessário que a teologia preencha ao 
menos quatro condições: estatuto epistemológico próprio, liberdade de pesquisa, inserção 
científica e relevância pública. 
 
A teologia expressa a relação entre a inteligência e a fé, ciência da fé. É um método 
de apropriação de um aspecto do ser humano denominado crença, enquanto dimensão 
existencial do sujeito e da sociedade, vivida e recebida em sua relação com a realidade. 
Seu objeto de estudo é a fé, e isso não é semelhante a irracionalidade e sim de confiança 
em alguém, de fidelidade. Trata-se de um ato de racionalidade, que é compatível com 
pesquisa assim como qualquer outra realidade humana. 
 
 
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Teologia 
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De maneira técnica, a teologia se compõe de dois momentos: o momento da 
recepção e o momento da reflexão. A recepção consiste essencialmente em situar-se numa 
determinada comunidade de fé. Esse momento dificilmente poderia ser considerado 
científico visto que a opção por esta ou aquela religião depende de fatores quase nunca 
demonstráveis, sendo comparável a escolhas e pertenças partidárias ou a escolhas de 
amizade e amor. A aceitação de princípios pré-teológicos, e que poderão ser ou não objeto 
de sustentação teórica, não é ainda, propriamente, Teologia. É na reflexão que se explicita 
o caráter de ciência da Teologia. Com o auxílio de metodologias de pesquisa histórica, são 
determinados os textos que são tidos por normativos. É o momento desconstrutivo, no qual 
o conteúdo da fé se distancia da irracionalidade. O que se busca são as estruturas 
profundas que levam o ser humano a crer e significar a sua fé na linguagem do símbolo, do 
mito e do rito. Sem deixar a linguagem religiosa, a Teologia é capaz de distinguir seu 
significado real da forma com que ele se mostra. 
 
A teologia ainda procura estabelecer uma primeira compreensão do texto em seu 
contexto histórico e social com uma leitura crítica, segundo as regras gerais aplicáveis. 
Utilizando conceitos elaborados com a ajuda da Filosofia, é possível ler e capacitar para a 
leitura e interpretação, conforme as exigências da realidade e de acordo com o sentido 
estabelecido cientificamente. Esse é o momento reconstrutivo, no qual é produzida uma 
nova compreensão da fé enquanto conteúdo e exigência prática. 
 
A segunda condição que a teologia deve preencher, para ser acreditada como 
ciência, é a da liberdade de pesquisa. A ciência só pode existir na liberdade para observar 
e investigar. Exigir liberdade de pesquisa para a teologia significa, então, total isenção de 
mecanismos limitadores. O problema que se nota na realidade, e lhe é de caráter 
específico, advém de sua vinculação à comunidade de fé. A recorrente intervenção de 
autoridades eclesiásticas, e a eventual censura, em princípio não justificam a negação da 
liberdade, mas contabilizam-se como eventos mais ou menos favoráveis. A afirmação da 
liberdade de pesquisa, nas condições da sociedade atual, obviamente inclui a defesa do 
pluralismo teológico, pois não se pode admitir uma teologia no singular. Teologia se 
caracteriza por uma atitude de diálogo envolvendo, não apenas confissões e religiões 
distintas, mas também culturas e ciências diferentes. Disso decorre a pluralidade de 
Teologias, como acontece quanto ao pluralismo em outras ciências. 
 
 
 
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A terceira condição de cientificidade da teologia é a inserção científica. 
Tradicionalmente, sua afinidade maior se dá com as ciências humanas e, dentre essas, a 
principal é a filosofia. A fragilização do reconhecimento destas envolve também aquela. 
Depois, podemos relacionar com as demais ciências. A atitude mais adequada da teologia, 
como ciência, para com as suas ciências afins, deve ser a de articulação, mediante a 
presença recíproca e o diálogo construtivo. Ao se relacionar com as demais ciências, a 
Ciência da Fé se deixa interpelar e pode contribuir com a pesquisa. No momento histórico 
atual, não se pode omitir sua contribuição no campo da Ética. A teologia é, entre outras 
ciências, qualificada para estudar e debater as implicações éticas da pesquisa e da 
tecnologia. 
 
Assim, podemos concluir que a Teologia, por seu método e conteúdo, está entre as 
ciências humanas, e pode ser entendida como uma ciência de interpretação 
(hermenêutica), na medida em que seu objeto de pesquisa são textos e tradições aceitos 
por comunidades humanas como normativos para sua existência. Cabe à teologia a tarefa 
educativade relacionar esses textos com a realidade e, com os recursos das outras 
ciências, mediar o diálogo entre as demais visões de mundo, garantir a paz religiosa, 
relativizar os absolutismos políticos, econômicos e sociais, e prevenir os fundamentalismos 
e a intolerância. 
 
Assim, tendo seu objeto e método próprios, a Teologia, situada entre as demais 
ciências, participa de suas questões transcendentes internas e da responsabilidade de 
pesquisar as condições de uma sociedade construída sobre os “valores da liberdade, justiça 
e dignidade humana” (UNESCO). Evidenciam-se, então, a especificidade epistemológica e 
a contribuição própria da Teologia, no contexto do debate recente com as Ciências da 
Religião. Ainda que materialmente os dois campos de conhecimento se sobreponham em 
muitos aspectos, os pressupostos, o método, as intenções e os resultados configuram sua 
especificidade própria. Sendo por natureza confessional – mesmo quando ecumênica e 
aberta ao diálogo inter-religioso (macroecumênica) – a Teologia elabora seus conceitos a 
partir da intimidade do ser humano e do seu destino. Dessa maneira, temas como Ética e 
sabedoria lhe são conaturais. 
 
 
 
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Teologia 
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2.2 A Teologia e as outras Ciências 
A teologia, como uma ciência humana, surgiu no contexto das próprias ciências 
humanas, de maneira que podemos afirmar que sua forma advém dessas mesmas 
ciências, distinguindo-se das demais, contudo, por seu objeto de estudos próprio: a fé. 
Assim, a teologia surgiu do encontro entre a crença numa determinada comunidade de fé 
e a justificação dessa crença diante de outras formas de pensar, em especial da Filosofia, 
sua parceira nas investigações científicas. Nesse encontro, a fé se transforma em conceito 
teológico e se faz compreensível e também criticável por quem lhe é estranho, na medida 
em que se serve de conceitos e, eventualmente, os transforma. 
 
A Teologia da Libertação, muito específica da América Latina, aprendeu a receber 
conceitos e a interagir com as ciências sociais. Tanto a psicologia como a psicanálise, 
embora não tenham produzido muitas obras, mostraram que são capazes de colaborar 
significativamente com a reconstrução da teologia. A história e a arqueologia, na área 
bíblica, se mostram grandes colaboradoras nas condições de compreensão dos textos. 
 
Na medida em as ciências sempre são construções humanas, a teologia pode 
contribuir com as questões dos sujeitos como tais, buscando respostas para suas perguntas 
existenciais, suas questões de sentido, seus questionamentos éticos, dentre outros. E 
ainda, como as ciências, em geral, dizem respeito ao ser humano e ao seu mundo, a 
teologia pode trazer uma contribuição com uma perspectiva ética e transcendente. Além 
disso, a teologia pode se colocar lado a lado das demais ciências na busca de soluções e 
respostas que envolvam a totalidade do ser humano e do seu mundo. A teologia pode ser 
mediadora do diálogo e da convivência no âmbito das cosmovisões implicadas nas 
diferentes culturas e civilizações. Esse papel se faz notar quando pensamos que a teologia, 
em princípio, se faz em cada religião. 
 
 
 
Na medida em as ciências sempre são construções humanas, a teologia pode 
contribuir com as questões dos sujeitos, buscando respostas para suas 
perguntas existenciais. 
Bibliografia indicada no plano de ensino. 
 
 
 
 
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Teologia 
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3. METODOLOGIA TEOLÓGICA 
 
Objetivo 
A metodologia teológica tem por objetivo ensinar a “praticar a teologia”. O estudante, 
devidamente munido do instrumental básico, deve aprender as regras fundamentais da 
teologia para exercitá-las em suas reflexões e trabalhos. 
 
Introdução 
A fé é uma ato vital de autoentrega ao Mistério divino, assim, fazer teologia é prestar 
um serviço ao conhecimento e ao amor à humanidade. 
 
Articular os dados da fé é uma tarefa importante da teologia como ciência, agindo numa 
síntese orgânica, estabelecendo um nexo entre os mistérios de salvação, estes articulados 
em temas centrais. 
 
O teólogo, com disponibilidade e responsabilidade, passa aos seus irmãos de fé a 
qualidade de um servidor e interprete da teologia originária que advém da própria 
comunidade eclesial. Assim, está no meio da Igreja para ajudar e animar os crentes na 
vivência aprofundada de sua fé. 
 
3.1 Os Caminhos para a Revelação 
A teologia é uma “palavra sobre Deus”; é uma grande busca de Deus, partindo da 
realidade concreta onde surgem as perguntas realmente fundantes sobre o ser. Para 
conhecer a Deus, a humanidade seguiu na sua milenar trajetória histórica caminhos 
diferentes que, em si, são complementares (Matos, 2020). 
 
O caminho da razão, sistematizado na filosofia, pode levar a um conhecimento de 
verdades naturais sobre Deus, ou seja, de sua existência e atributos essenciais. Aqui temos 
o valor específico da razão filosófica, que pensa a raiz das coisas, levantando a questão 
sobre o sentido, os valores e os fins da existência. Nesse sentido, a filosofia é intrínseca à 
fé e tem um lugar estrutural na teologia. De fato, a teologia incorpora o pensamento 
filosófico na mesma proporção em que reflete a resposta divina à interrogação humana 
sobre o sentido radical da vida e do mundo (Matos, 2020) 
 
 
11 Teologia 
Teologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
O caminho das Grandes Religiões torna possível um vislumbre do Mistério e, por 
isso, podemos considerá-lo como uma presença de “lampejos” ou “clarões” da Verdade que 
iluminam os homens. Nessas religiões percebem-se as ações do espirito, ou, em outra 
palavras, a mão de Deus estendida para suas criaturas a fim de atraí-las a si. 
 
O caminho da Revelação diz respeito à automanifestação de Deus que culmina 
na pessoa de Jesus. Aqui o próprio Mistério maior se abre ao conhecimento dos seres 
humanos que respondem pela fé. É a revelação plena que constitui uma via acessível a 
todos, fácil, segura e pura. Esse caminho não dispensa a razão mas a ultrapassa pela 
intuição, a experiência, e, sobretudo, pelo amor. Proporciona um encontro pessoal com o 
Deus vivo que efetivamente entra na vida da pessoa e da comunidade daqueles que creem. 
 
Os três caminhos não se excluem, mas são complementares. A fé cristã 
pressupõe que a razão, como “cepo onde se enxerta”, quer a religião, como solo onde se 
desenvolve. Assume criticamente a verdade interior dessas duas vias, elevando-a ao nível 
superior do Reino (Matos, 2020). 
 
3.2 As Etapas do Trabalho Teológico 
Faz parte da teologia cristã buscar a unidade, sistematicidade, organicidade, em 
suma, uma visão sintética e articulada da Revelação e da fé. 
No trabalho teológico há três passos consecutivos: a escuta da fé – passo 
hermenêutico; a experiência da fé – passo especulativo; e a aplicação da fé – passo prático. 
A ausculta [auditus fidei] é o passo básico pelo fato de a teologia “nascer da escuta”, 
conforme Carta aos Romanos 10, 17. Não se inventa, nem se produz somente com o 
engenho humano, mas é sempre “palavra de resposta” à Palavra revelada. Não se trata de 
uma audição meramente passiva, mas crítica, historicamente situada e dirigida a pessoas 
concretas. De fato, o receptor reconhece, confronta e mesmo enriquece tudo o que ouve a 
partir de sua realidade e o integra no conjunto de suas interrogações e experiências de 
vida. (Matos, 2020). 
A explicação [intellectus fidei] é o momento construtivo do trabalho teológico, em que 
se elabora seu discurso no confronto entre fé e razão. 
Compõe-se de três operações: a) análise do conteúdo interno da fé, colocando o 
“porquê” dos mistérios em que se crê; b) sistematização desse conteúdo mediante uma 
 
 
12 Teologia 
Teologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
síntese articulada; c) criação de novas perspectivas teológicaspara avançar na 
compreensão da fé. 
Um discurso teológico coerente mostra a coragem da crítica motivada e o rigor da 
verdade, frutos de uma consciência honesta e da obediência fiel à Palavra revelada. 
A criticidade deve ser sapiencial com o reconhecimento de seu limite de 
aceitabilidade e tolerância, tendo em vista a edificação da comunidade cristã. Encontramos 
essa nobre atitude entre os Santos Padres, ao mesmo tempo pastores e teólogos dos 
primeiros séculos do cristianisma. Desenvolvem uma visão integradora da fé que os torna 
capazes de realizar, no interior de sua comunidade eclesial, uma leitura viva e atualizante 
da Escritura. 
A aplicação [apllicatio fidei]: Teologiza-se para conhecer-se; conhecer-se para amar, 
amar-se para praticar. 
A produção teológica volta-se aqui para a pastoral como contribuição à Comunidade 
eclesial e a seus pastores. Sua reflexão também leva em consideração a realidade do 
mundo, onde emergem as grandes questões existenciais que a teologia procura iluminar a 
partir da fé (Matos, 2020). 
O que acabamos de expor sinteticamente pode ser compreendido também através 
da imagem do tripé hermenêutico de texto, contexto e pré-texto. 
De dentro de um pré-texto social, vivendo-se no contexto eclesial, é procurado o 
sentido do texto da Revelação. Usam-se todos os recursos de intelecção do pré-texto, 
contexto e texto. Quando mais luz é lançada sobre cada um dos elementos, melhor fica a 
teologia. Quanto mais se descuida de um dos ângulos, o triângulo final será deformado. No 
fundo aparece a pergunta básica: O que Deus diz sobre tal realidade? (Matos, 2020) 
3.3 A Linguagem e as Atitudes Básicas 
A linguagem é um instrumento indispensável na comunicação da experiência da fé 
e de sua compreensão racional. Sempre ficará aquém do Mistério que aborda. Diante de 
Deus o teólogo se cala, dobra os joelhos em adoração silenciosa. Em sua Primeira Carta 
aos Coríntios (cap. 13, verso 9.12), Paulo já experimentara: “Nosso conhecimento é 
limitado...Agora, vemos em espelho e de modo confuso... No presente só conheço em 
parte...” 
 
Em se tratando da Teologia, as conceituações científicas mostram sua radical 
insuficiência. São indispensáveis mas têm capacidade expressiva bem limitada. A poesia 
parece ser a linguagem que melhor se adapta ao mistério pela força evocativa que 
 
 
13 Teologia 
Teologia 
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apresenta. Com seu potencial sugestivo e intuitivo, faz vislumbrar a realidade divina com a 
qual entra em comunhão. Na linguagem poética a analogia ocupa lugar de destaque. De 
um lado diz algo verdadeiro sobre Deus, de outro, o diz conscientemente incompleto e 
imperfeito. Oferece um caminho de encontro à verdade, não de sua posse! 
 
A linguagem simbólica fala à inteligência, mas pretende, sobretudo aquecer o 
coração: leva à conversão e à luz da fé e o imperativo do amor. Procura estabelecer um 
diálogo vital entre Deus e o teólogo, representante e porta-voz de sua comunidade de fé 
(Matos, 2020). 
 
O teólogo adota uma postura de humildade e senso de limite diante do magno 
Mistério do qual apenas se aproxima. Suas reflexões pretendem mais dizer, indicar ou 
evocar do que falar ou discorrer intelectualmente. Ele tem o dever profissional de procurar, 
com modéstia e simplicidade, expressões adequadas de seu pensamento. Busca clareza 
e transparência no seu discurso, levando em consideração aqueles que o escutam ou leem: 
claritas=charitas. , clareza se deve à caridade! 
 
Quem se dedica ao estudo da teologia deve incorporar uma tríplice atitude: a) amor 
e entusiasmo para com as coisas de Deus que deseja conhecer a fundo; b) convicção de 
se encontrar diante de um grande Mistério que por sua própria natureza exige reverência e 
humildade; c) disposição para socializar os conhecimentos adquiridos, num gesto de 
despretensioso serviço à sua Comunidade eclesial e a todos que estão em busca de um 
sentido mais profundo de sua existência (Matos, 2020). 
 
 
 
 Bibliografia indicada no plano de ensino. 
 
 
 
 
14 Teologia 
Teologia 
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4. OS FUNDAMENTOS DA TEOLOGIA 
 
Objetivo 
Apresentar os fundamentos da Ciência da Fé, demonstrando que se traduzem na 
busca da compreensão daquilo em que as pessoas creem. 
 
Introdução 
É de grande importância entender qual a relevância da fé para a vida e a importância 
de assumir um compromisso de pode resultar na transformação da existência de si próprio 
e da sua comunidade. Nas palavras de Boff (1998), “em particular, quando alguém se dá 
conta de quanto a teologia pode ajudar o povo oprimido a se libertar, então o interesse por 
ela também cresce”. 
 
4.1 As Bases da Teologia 
A fé faz com que haja a busca da compreensão daquilo em que se acredita; a fé 
possui em si a curiosidade que procura saber de si mesma. Santo Anselmo menciona que 
desejou ver com a inteligência o que acreditou, ou seja, queria ver com a razão o que via 
com a fé. Quando a fé seduz a razão, surge, então, a teologia. 
 
Uma área do conhecimento tem seus objetos de estudo definidos. Em teologia, 
estudamos as representações sociais do divino, do transcendente, nas mais diversas 
culturas e há várias religiões às quais a teologia se refere, existindo diferentes teologias, 
como: cristã, umbandista, judaica, budista, católica, protestante, islâmica entre outras. 
 
Destacando que as outras religiões também possuem as suas teologias, em vista da 
sua maior visibilidade, vamos apresentar as bases da teologia cristã católica, quais sejam: 
as Sagradas Escrituras – revelação de Deus aos homens, a tradição – transmissão da fé 
recebida pelos apóstolos, e o Magistério – Papa e bispos que guardam e regem a tradição. 
 
4.2 A Razão e a Fé 
Usaremos a abordagem da fé para obter compreensão, considerando que 
primeiramente é necessário ter uma crença para depois buscar uma compreensão daquilo 
que se crê; ou buscar a compreensão intelectual e a partir dela enxergar a fé. Quando 
 
 
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falamos de fé, falamos do ponto de partida da teologia. A fé é um elemento fundamental 
para expressar o conteúdo da teologia. Ou seja, estamos falando de uma dádiva que se 
mostra à atuação humana; não se trata de um produto da religiosidade humana. 
 
Nesse mesmo sentido de pensamento, Boff (1998) menciona que a fé se opõe à 
razão somente no que diz respeito à cultura racionalista, que reduz a razão somente a 
ideias claras e distintas, não restando lugar para a fé. A ideia mais atual de razão só admite 
duas formas: a demonstrativa, que trabalha com argumentos necessários e opera na 
matemática, e a científica, entendida como ciência empírico-formal, que estuda os 
fenômenos do mundo material. 
 
Contudo, é necessário ampliar a ideia de razão, visto que ela não se reduz a essas 
duas formas. Há igualmente a razão discursiva, que se explica através de argumentos e 
raciocínios, sendo chamada de razão crítica, encontrando sentido e razão nas coisas. Outra 
importante forma de razão, segundo argumenta Boff (1998) é a intuitiva, que diz respeito 
ao pensamento e à consciência. 
 
Também podemos relacionar a razão hermenêutica, utilizada nas ciências humanas; 
e as razões mais simples, utilizadas frequentemente no cotidiano e que se vinculam aos 
nossos atos, isto é, a razão do bom senso. É nessa linha que se dá o uso da razão em 
teologia: são as razões de conveniência. 
 
A fé formada pelas razões é o que se entende por teologia. Quando mencionamos 
inteligência e razão, há uma importante distinção e o mesmo ocorre com fé e teologia, fé e 
razão, ou ainda, a inteligência da fé e a razão da teologia. 
 
A relação entre fé e razão deve ser compreendida de forma que a fé se apresente 
como um entendimento superior à razão, isto é, a fé está além da razão, ainda que exista 
articulaçãoentre elas. E ainda, a razão deve ser compreendida como o discurso da fé. 
 
A tese fundamental da relação fé/razão é que a razão está a serviço da fé, visto que, 
sob certo aspecto, a fé representa a razão divina e não pode, de forma alguma, ser 
submetida à razão humana. Desta maneira, a razão serve a fé a partir de sua autonomia 
(BOFF, 1998). 
 
 
16 Teologia 
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Finalmente, podemos questionar se a fé é ou não racional. Para isso, devemos 
observar que a fé transcende a racionalidade, visto que está além da razão humana. 
Contudo, a razão pode dar à fé uma base racional e argumentativa, o que é muito 
importante e transforma a fé em possuidora de uma racionalidade eminente. Assim, a fé 
não se submete e nem reduz a razão, mas, ao contrário, a integra e a supera. 
 
4.3 A Palavra e a Fé 
O teólogo Clodovis Boff (1998) menciona que a fé proveniente da palavra é um 
princípio formal que traz especificações para a teologia e tem como base a própria fé, tendo 
em vista que a sabedoria humana pode confiar apenas em si mesma, mas pode ir contra a 
fé. A fé tem muitas denominações e podemos destacar três delas: a fé baseada na 
experiência, a fé baseada na palavra e a fé baseada na prática. Dessas, a fé baseada na 
palavra é aquela que transmite a essência da fé, que é o princípio inteligível da teologia. 
Ainda segundo Boff (1998), a fé é o firme fundamento da teologia, não se tratando 
de doutrina, mas, necessariamente da fé baseada na palavra. 
As Escrituras são testemunhas da revelação, ou seja, fazer teologia está relacionado 
com confrontar as questões humanas na Bíblia, sendo a fé revelada o marco inicial da 
teologia e a doutrina da fé, encontrada nas Escrituras. Esses princípios têm por base a 
Revelação, que deve encontrar conosco uma acolhida. Westphal (2010) menciona que a 
teologia está baseada no testemunho da Palavra visto que a revelação de Deus em Jesus 
está tanto no Antigo como no Novo Testamento. Essa é a autêntica Teologia, pois é na 
Palavra que Deus se revela. 
Também devemos compreender que a fé baseada na palavra é um princípio decisivo 
apenas no campo teológico, tendo em vista que no campo da prática cristã, o mais válido 
é o critério da verdade e do amor autêntico. A fé baseada na palavra deve estar a serviço 
do amor. 
4.4 A Experiência e a Fé 
Observamos que a fé baseada na palavra é a base da teologia formal e a Revelação 
se encontra no campo da experiência religiosa, sendo que o conhecimento sobre a fé não 
pode ser somente teórico, mas deve ser também experiencial, pois envolve o ser humano 
como um todo. 
 
 
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A fé proveniente da palavra é o que ajuda a discernir a fé proveniente da experiência, 
porém, a fé resultante da experiência costuma vir antes, pois, o simples conhecimento não 
significa nada se não houver compreensão da substância da fé. 
É a fé a fonte de conhecimento místico de Deus, ou seja, conhecer a Deus passa 
perpassa a experiência e a prática. Segundo Clodovis Boff (1998), poderíamos descrever 
o conhecimento místico por três qualificativos:1) Apofático: trata-se de um conhecimento 
obtido por meio de negação, afirmando-se o que ele não é; 2) Simpático: é o conhecimento 
por compaixão, isto é, o sentimento é mais do que saber, o foco é a intuição; 3) Extático: é 
o conhecimento místico, causado por êxtase, fruto do amor ágape, no sentido que “não sou 
eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim”. 
Podemos compreender o que a experiência dá à teologia, sabendo que a teologia 
se desdobra no discurso de sabedoria que é comunicada pela fé. Apenas por si, a 
experiência não dá evidência alguma, mas certeza e convicção. Ela confere à teologia uma 
vivência de fé. 
A teologia, para ser significativa, necessita mais do que ser inteligível, é necessário 
que exale o “bom perfume de Cristo”, conforme 2 Coríntios 2, 14-16. Nesse sentido, fica 
esclarecido que a teologia tem uma dimensão física, pois deve ser um saber carismático, 
que conquista. Não podemos resumi-la apenas ao campo da razão, mas devemos 
interpretá-la no campo da fé, que corresponde ao sabor místico do divino (BOFF, 1998). 
O princípio estrutural e permanente da teologia é a fé, que se baseia “não sobre seus 
discursos persuasivos da sabedoria, mas sobre a manifestação do espírito, conforme 1 
Coríntios 2,4. Portanto, a palavra da fé é determinada pela vivência da fé e é nesse ponto 
que a teologia se manifesta. 
4.5 A Prática e a Fé 
A terceira fonte de conhecimento teológico é a fé proveniente da prática, entendida 
como o compromisso cristão; a fé proveniente da prática opera pela caridade. Trata-se da 
fé em sua forma ativa, que traduz o saber em prática éticas, interpessoais, sociais, políticas, 
pastorais e assim por diante. 
 
Para compreender o lugar da prática na teologia, temos que analisar as funções da 
prática e como se integram na teologia. Segundo Clodovis Boff (1998), a prática pode ser 
considerada a matéria prima da teologia; pode ser considerada o objetivo da teologia, 
quando se refere a ser um serviço da prática da fé; pode corresponder a uma etapa anterior 
da teologia, o que significa para o teólogo que, primeiramente vem a fé, seguida de sua 
 
 
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prática concreta e, só depois, a teologia. A prática resulta num princípio cognitivo pois ela 
constrói a teologia. 
 
Quando nos referimos à prática como princípio de conhecimento, nos referimos a um 
saber ainda em formação, mas também um princípio interpretativo. 
 
Boff (1998) elenca diferentes sentidos para a prática, como descrevemos: 
i) Como princípio cognitivo: trata-se do que mencionamos, um saber 
assemelhado as epistemológico, um saber em construção; 
ii) Como princípio material: a prática oferece materialmente o exercício da fé, 
quando a teologia trata da vida, da história, tudo interpretado à luz da fé; 
iii) Como princípio temporal: a prática da fé vem antes da prática teológica; 
iv) Como princípio prático: a prática ocupa o primeiro sentido da reflexão, a partir 
da realidade; 
v) Como princípio motivacional: a prática move a reflexão teológica. 
 
A fé baseada na prática, da mesma forma que a fé baseada na experiência e a fé 
baseada na palavra, são um princípio epistemológico, que gera conhecimento e verifica a 
verdade teológica na história. 
 
A fé baseada na prática nos auxilia na descoberta de Deus revelado, sempre em 
vista de seu projeto na história, além de projetar luz sobre a própria teologia. 
 
Assim, podemos retomar e condensar os níveis de fé que relatamos, compreendidas 
como princípios da teologia, quais sejam: a fé baseada na palavra é o princípio formal ou 
determinante; a fé baseada na experiência é o princípio existencial e a fé baseada na prática 
se apresenta como o princípio verificador. (BOFF, 1998). 
 
A fé baseada na prática se mostra como um caminho de conhecimento na vida diária. 
Boff (1998) afirma que a sabedoria do bom senso mostra e a vida ensina. Essa afirmação 
nos traz uma certeza filosófica, de que a prática é um saber a ser aprendido através da 
experiência pessoal, como na vida em geral, onde só conhecemos bem as coisa que 
praticamos, o que também se aplica ao campo teológico. Só conhecemos bem a fé quando 
a praticamos, o que significa dizer que a prática é algo inteligível, racional. 
 
 
19 Teologia 
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Boff (1998) explica que a prática suscita problemas concretos que a teologia 
transforma em questões teóricas, obrigando a teologia a pesquisar e explicar os 
apontamentos. A prática não vai responder indagamentos, mas, antes, os formula. 
 
A prática traz uma verificação dos conhecimentos teológicos, no sentido de viabilizar 
na prática da vida. Isso faz com que se reconheçacomo verdadeiro aquilo que confirma a 
nossa fé aos nossos próprios olhos. 
 
 
 
Somente um teólogo com uma experiência pessoal no Espírito poderá produzir 
uma teologia viva e vivificadora, tendo Jesus como fonte principal 
 
 
 
4.6 A Raiz Teológica: Jesus 
Um importante ponto de partida para a teologia é a fé, pois esta dá à teologia fontes 
de estudo a partir tanto da palavra, como da experiência e da prática. Contudo, a 
compreensão da fé também se deve iniciar na encarnação de Deus em Jesus e, 
consequentemente, na sua pessoa e na sua história. 
 
Westpal (2010), afirma textualmente que “a teologia não se esgota da experiência 
da fé ou do sentimento da fé ou do arrebatamento pessoal que a fé em Jesus provoca. Isso 
tudo é verdadeiro, mas não pode haver prejuízo da racionalidade da fé, da inteligência da 
fé. Esta deve clarear nossas experiências com Deus, pois a fé sem uma reflexão crítica 
pode degenerar no subjetivismo da fé, que passa a ser fonte de teologia. Assim, temos uma 
teologia antropocêntrica e subjetiva que perde o seu referencial da revelação objetiva em 
Jesus”. (WESTPHAL, 2010). 
 
Westphal (2010) menciona que para que ocorra compreensão humana, temos que 
pensar a fé e a revelação a partir da razão. Isso significa que a fé é o ponto de partida, 
porém Jesus se mostra como o conteúdo, uma vez que nEle temos a autorrevelação de 
Deus. E é também em Jesus que ocorre a convergência do falar teológico de Deus. 
 
 
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Segundo Westphal (2010), quando assuntos da doutrina da igreja são tratados de 
forma autônomas, as preocupações são colocadas de tal forma que se mostram centrais 
em si mesmas, perdendo o centro, o ponto de partida da teologia. 
 
Assim não lembramos que todos os temas da teologia devem ser derivados da 
pessoa de Jesus e das reflexões que partem da sua palavra e de seus atos. Podemos 
mencionar como exemplo um dos temas que muitas vezes é tratado de forma autônoma 
pela teologia descontextualizada: é sobre os dons advindos do Espírito Santo, tema 
fundamental para a fé e para a vida das pessoas. E, sendo esse tema tratado de forma 
autônoma, ocorre um deslocamento da pessoa do Espírito Santo, como terceira pessoa da 
Trindade, para a pessoa de Jesus. 
 
Assim, a teologia tem como fundamento o próprio Deus que se revela em Jesus. É 
através de Jesus que alcançamos a Deus. 
 
 
 
 Bibliografia indicada no plano de ensino. 
 
 
 
 
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5. EIXOS DA TEOLOGIA ACADÊMICA 
 
Objetivo 
Apresentar os eixos da teologia acadêmica e seus níveis, demonstrando a Ciência 
de Deus em sua abrangência. 
 
Introdução 
A maneira como o estudo da teologia é apresentada, demonstra a grandiosidade do 
tema. Para melhor abranger todo o vasto tema da teologia, seu estudo acadêmico é dividido 
como forma de organizar o entendimento. Assim, temos as “diversas teologias” e seus 
níveis que têm um centro de estudo comum, que é Jesus. 
 
De início temos as teologias exercidas de forma profissional, pastoral e popular e 
posteriormente temos uma abordagem sobre as grandes áreas de estudo dentro da 
metodologia teológica: bíblica, sistemática, prática e espiritual. 
 
5.1 Os Níveis da Teologia 
Comumente, relacionamos um profissional com seu trabalho e assim não é diferente 
da teologia e os teólogos. Mas teologia não se restringe àquilo que os teólogos produzem; 
envolve igualmente o que os padres e pastores fazem e o que os fiéis pensam, o que 
envolve, em todos os sentidos, a própria fé. Desta forma, todos fazem teologia. 
 
Podemos pensar em níveis ou formas de teologia, que segundo Clodovis Boff (1998), 
se subdivide em: teologia profissional, teologia pastoral e teologia popular, com linguagens 
apropriadas para cada nível. 
 
Esses três níveis de teologia se diferenciam, contudo, pensam a fé da mesma 
maneira e desenvolvem uma dimensão de compreensão da realidade humana à luz da 
revelação, assim, a teologia nesses três níveis pode se apresentar harmonizada em maior 
ou menor grau. 
 
 
 
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5.1.1 A teologia profissional 
Como é de esperar pela denominação, essa forma de teologia se refere a um estudo 
mais voltado para a ciência, porém, o teólogo profissional tem sua função dentro da 
comunidade eclesial e dentro da academia. Nessa forma de fazer teologia, a lógica é 
metódica e sistemática, dando respostas às exigências formuladas pela sociedade. 
 
Em qualquer lugar que o teólogo profissional exerça sua atividade, seu foco será 
sempre o povo de Deus. Segundo Boff (1998) esse trabalho terá dois momentos: 1) 
assessoria: o teólogo exercerá seu trabalho junto às comunidades necessitadas, no seu 
cotidiano, sempre confrontando com discernimento crítico as situações concretas que 
possam se apresenta ao trabalhar diretamente com o povo; 2) estudo: neste serviço, o 
teólogo trabalhará com as questões em profundidade; é o método teórico, de estudo das 
grandes questões, pesquisas, cursos. Neste segundo momento de trabalho, o teólogo se 
encontra com o povo quando trata das questões colocadas para ele. 
 
5.1.2 Teologia Pastoral 
De acordo com Boff (1998), a teologia pastoral se volta para a prática da 
evangelização e animação da fé. Para Libanio e Murad (2003), a teologia pastoral está 
entre a reflexão existencial concreta e a teologia acadêmica, passando igualmente pelo 
pensar sobre a fé, mas com relação à prática pastoral. 
 
Trata-se de uma forma muito específica de teologia, pois, tem procedimentos, 
linguagem e destinatários próprios. Essa teologia é realizada por padres e pastores, 
religiosos e agentes de pastoral leigos e seu requisito é a apropriação dos elementos da 
teologia sistematizada. 
 
5.1.3 Teologia Popular 
Esse modo de teologia corresponde ao senso comum, conduzida pelo Espírito 
Santo. De forma geral, segundo Boff (1998), é semelhante à medicina caseira, que, a seu 
modo, é a verdadeira medicina. 
 
Essa teologia se apresenta de maneira oral ou falada e os escritos têm um caráter 
funcional, isto é, são instrumentos para a fala, como roteiros e relatórios. Essa forma de 
teologia é intermediada pela poesia, pelo canto, pelo desenho e pelo gesto, entre outros. 
 
 
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Segundo Boff (1998), esses são, a propósito, alguns caminhos pelos quais a cultura popular 
exprime a sua visão das coisas e isso também é um canto de fé. 
 
5.2 Teologia Bíblica 
As Escrituras Sagradas são a raiz e o tronco da teologia, da qual procedem todas as 
suas ramificações. O próprio pluralismo encontra fundamento nas Escrituras Sagradas de 
maneira evidente e muito própria em cada evangelho, ainda que todos apresentem o 
mesmo conteúdo da fé. A Dei Verbum – que é uma constituição dogmática em forma de 
bula pontifícia e um dos principais documentos do Concílio Vaticano II – e a Optatam totius 
- o Decreto sobre a Formação Sacerdotal – afirmam textualmente que a Sagrada Escritura 
á a alma da teologia: “os alunos sejam formados com particular empenho no estudo da 
Sagrada Escritura, que deve ser como a alma de toda a teologia. Depois da conveniente 
introdução, iniciem-se cuidadosamente no método da exegese, estudem os temas de maior 
importância da revelação divina e encontrem na leitura e meditação dos livros sagrados 
estímulo e alimento” (OT, n. 16). 
 
De todo arcabouço teológico da fé cristã, a Sagrada Escritura é a espinha dorsal. A 
Comissão Teológica Internacional, em ressonância ao ensinamento dos concílios, afirma 
que a “teologia, em todas as suas diversas tradições, disciplinas e métodos, está radicada 
na ato fundamental de ouvir na fé a Palavra de Deus revelada na pessoa de Jesus (CTI, 
2012, n. 4). 
 
A visão teológica católicaa respeito da Palavra de Deus é o Verbo encarnado, Jesus, 
revelação do Pai e não o texto literal escrito da Bíblia. 
 
A Teologia Bíblica é indutiva, pois a partir da pesquisa exegética faz suas afirmações. 
Em seu estudo, faz uso de técnicas emprestadas das demais ciências. A Teologia Bíblica 
ainda divide-se em Teologia Bíblica do Novo Testamento e do Antigo Testamento. Não há 
uma Teologia Bíblica unificada, o que há são diversas teologias das tradições bíblicas. 
Mesmo no Antigo Testamento, encontram-se as teologias dos livros históricos, e estas 
ainda se subdividem em outras teologias, de acordo com o método de pesquisa empregado. 
 
 
 
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A partir da investigação das culturas do mundo mediterrâneo antigo, bem como de 
suas línguas e suas histórias, o enfoque da Teologia Bíblica é estudar a literatura e a religião 
do mundo bíblico. 
 
Essa teologia usa instrumentos da historiografia, das ciências sociais, métodos 
filosóficos e processos exegéticos como recursos para a pesquisa que desenvolve. 
 
5.3 Teologia Sistemática 
A teologia sistemática consiste na atualização dos dados da fé eclesial, a fim de 
compreender inteligentemente seus conteúdos, Assim, busca-se esclarecer o paradigma 
mais amplo que constitui a teologia sistemática, pois ela inclui a teologia fundamental, a 
teologia dogmática e a teologia moral. 
 
5.3.1 A Teologia Fundamental 
A teologia Fundamental está relacionada com a razão de ser da própria teologia. 
Está voltada sobre a revelação, compreendida como relação entre Deus e criação, a 
Teologia Fundamental não se limita a estudar as concepções metafísica de Deus, o que a 
identificaria como teosofia. Também não se limita a ser uma teodiceia, discutindo 
principalmente a concepção do mal e sua incompatibilidade com a divindade judaico-cristã. 
Dialogando com as concepções filosóficas e com os conceitos que povoaram a história da 
teologia, a Teologia Fundamental procura compreender a revelação de Deus que se faz 
presença na história. 
 
Essa teologia lança as bases, os fundamentos do conhecimento teológico, suas 
características epistemológicas e metodológicas ao longo da história e nos dias atuais. 
Conforme textualmente menciona Libânio (1994), a função elementar da teologia 
fundamental “é entendida hoje, mais comumente como a reflexão sobre a primeira realidade 
cristã, a revelação de Deus, testemunhada de modo pleno por Jesus Cristo. Reflexão, 
portanto dos fundamentos da dogmática, feita de maneira crítica, mas conduzida pela fé, 
desvendando-lhes os motivos de credibilidade. (...) Reflete sobre a revelação como forma 
e condição de toda fé, de toda teologia, de todo dogma”. 
 
 
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5.3.2 Teologia Dogmática 
A teologia dogmática envolve um conjunto de disciplinas de caráter teórico-reflexivo 
sobre o legado teológico da Igreja. De acordo com Boff (2014), a teologia dogmática 
constitui-se no ramo teórico da teologia. Na opinião textual de Libanio e Murad (2003), “a 
matéria prima da dogmática é o dado revelado, aprofundado, reinterpretado e enriquecido 
pela tradição viva regulada pelo magistério no decorrer da história”. 
 
As disciplinas centrais dessa teologia são: eclesiologia, cristologia, sacramentos, 
antropologia teológica, mariologia e escatologia tratando do destino final do homem e do 
mundo. 
 
5.3.3 Teologia Moral 
O foco principal da teologia moral consiste na reflexão do agir cristão, com base na 
revelação, em todos os âmbitos da vida humana sob as exigências da fé. Existe uma 
tendência de substituir o termo teologia moral por ética teológica, na tentativa de distanciar-
se de uma moral casuística. 
 
Conforme mencionado por Libanio e Murad (2003), a teologia moral visa refletir 
acerca da resposta concreta que o ser humano oferece como ato de fé nos vários âmbitos 
de sua existência: na relação com o outro, consigo mesmo, com a comunidade, com Deus 
e com a sociedade em geral. 
 
Compreende várias disciplinas divididas em dois grupos: moral fundamental e moral 
aplicada. O primeiro grupo embasa os critérios ético-teológicos do agir cristão, abordando 
temas como consciência, liberdade, pecado, responsabilidade etc. No segundo grupo 
temos a moral aplicada às diversas realidades humanas, tais como a moral social, moral 
da pessoa, sexualidade, bioética etc. 
 
5.4 Teologia Prática 
Segundo Libanio e Murad (2003) a vida prática teológica se refere não somente aos 
aspectos ligados à vida pastoral, mas também à vida pessoal daquele que se propõe a 
estudar essa teologia. A moral é um tema inerente nesse campo de estudo. A teologia 
prática se preocupa com a responsabilidade cristã e busca uma resposta concreta, crítica 
 
 
26 Teologia 
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e teórica, que seja plausível para a sociedade em seus mais variados níveis de convivência, 
buscando fundamentar seu discurso de forma lógica. 
 
Num primeiro instante, as pessoas são apresentadas a um conjunto de reflexões 
sobre como deve ser o posicionamento e o agir cristão, condicionado por questões 
inerentes ao cristianismo, com os conceitos de graça, pecado etc. 
 
Nesse sentido, esse campo de estudo inicial necessita de embasamento de outras 
áreas como filosofia, psicologia, antropologia etc. para que não sejam feitas afirmações 
simplistas, muito fora dos contextos da Palavra de Deus. 
 
Libanio e Murad (2003) afirmam em seu trabalho que esse conhecimento permite 
que o cristão consiga discernir a distância que deve ter de outros saberes humanos e assim 
possibilita que tenha uma maior variedade de ações com base na Bíblia. 
 
Ainda segundo os autores, num segundo momento, a teologia prática esclarece a 
relação da ética em setores da vida social, como política, ecologia, sexualidade etc., 
decorrente da retomada da discussão de valores éticos em diversas áreas. A vivência ética, 
tendo como base a fé cristã, torna-se fundamental durante o cotidiano do cristão, que 
enfrenta uma sociedade com graves questões específicas e uma subjetividade exacerbada. 
 
5.5 Teologia e Espiritualidade 
A espiritualidade é caracterizada pelo ato cristão de seguir os ensinamento e a 
palavra de Jesus e se entrega de coração: a razão dá lugar à humildade, para que a 
soberania de Deus seja reconhecida (LIBANIO; MURAD, 2003). Com a teologia espiritual 
existe uma nova forma de apresentar a Palavra. O discurso é articulado ao redor de 
analogias, beleza e afeto, conferindo um caráter motivacional ao estudo teológico. 
 
Ainda segundo Libanio e Murad (2003), essa metodologia pode ser desenvolvida por 
dois caminhos: o primeiro temático e o segundo histórico. O primeiro reflete imagens 
contemplativas sobre Jesus, como fé, caridade e esperança. O segundo é feito de maneira 
histórica, denotando as principais correntes de desenvolvimento intelectual da história da 
Igreja Cristã, como franciscana, agostiniana, beneditina etc., além de grupos 
contemporâneos. 
 
 
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A teologia espiritual evidencia sua importância por tratar do processo da fé e suas 
leis. Também efetua o estudo de como o relacionamento entre Deus e o homem se reflete 
nos sentimentos e ações humanas, e qual o desenvolvimento humano frente à ação do 
Espírito Santo. 
 
Dessa forma, segundo Boff (2015), não há teologia espiritual sem experiência 
espiritual e é necessário que o teólogo se envolva com o objeto de estudo, no caso, Deus 
e sua Palavra. “O conhecimento teológico depende da vida de fé, da oração, da conduta 
cristã, da santidade de vida”. 
 
. 
 
Devemos lembrar que temos as teologias exercidas de forma profissional, 
pastoral e popular e também temos grandes áreas de estudo dentro da 
metodologia teológica: bíblica, sistemática,prática e espiritual. 
 
 
 
 
 
 Bibliografia indicada no plano de ensino. 
 
 
 
 
28 Teologia 
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6. TEOLOGIA CRISTÃ 
 
Objetivo 
Apresentar as bases, princípios e fundamentos da teologia cristã, para que seja 
possível diferenciar os diferentes momentos históricos apresentados da teologia: Igreja 
Primitiva, Patrística, Escolástica, Manualística e Moderna, seus principais acontecimentos 
e características. 
 
Introdução 
Através do tempo histórico, a teologia cristã procurou se expressar de diversas 
maneiras, agindo em paralelo às constantes evoluções do pensamento humano e aos 
novos problemas levantados na sociedade. Assim, a teologia busca, desde os seus 
primórdios, inserir o evangelho em diferentes culturas, renovando e fortalecendo-o para as 
novas necessidades sociais. 
 
Em decorrência dessas mudanças, interessa saber as origens de cada período, suas 
características predominantes e seus representantes. O conteúdo abordado tem caráter 
resumido e introdutório, não apresentando toda a riqueza de detalhes que cada movimento 
histórico apresenta consigo, e que certamente são significativos para o estudo teológico. 
 
Assim, buscamos apresentar material que possa servir de base para a compreensão 
da evolução teológica por meio das diferentes escolas e despertar o interesse pelo estudo 
da história da Igreja. 
 
6.1 A Origem da Teologia Cristã 
Segundo Libanio e Murad (2003), a história da teologia cristã surge com a primeira 
geração cristã, durante o século I, quando buscava constituir e implementar a igreja de 
Cristo na sociedade por meio da fé em Cristo ressuscitado, bem como na sua vida e morte. 
A compilação de escritos históricos que retratam a trajetória de Jesus e tentavam explicar 
sua importância é o que atualmente se denomina Novo Testamento. (Libanio;Murad, 2003) 
 
Libanio e Murad (2003) apresentam um questionamento: Se a sagrada Escritura é a 
fonte da teologia, como pode ser o Novo Testamento, parte integrante da Bíblia e 
caracterizadora de sua identidade cristã, também teológica? 
 
 
29 Teologia 
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Para responder a tal questão, devemos ter ciência de que o que estudamos hoje é o 
reflexo de dois mil anos de estudos teológicos. Com isso, é fundamental que se entenda 
que, para a igreja primitiva, o Novo Testamento é o modelo que baseia o fazer teologia e 
seus fundamentos são indiscutíveis. 
 
Ainda Libanio e Murad (2003) mencionam textualmente que “No Novo Testamento 
existe uma teologia, suscitada pelo próprio revelar-se divino e caracterizada pelas diversas 
situações de vida em que a mensagem foi acolhida e transmitida, uma história de verdade 
revelada originária (...) O Evangelho originário e frontal, cumprimento das promessas 
divinas e promessa inquietante de um novo e ulterior cumprimento, entra nesta história real 
para expressar-se em palavras dos homens e tornar-se assim acessível a cada um (...) 
Todo o processo formativo das teologias neotestamentárias poder-se-ia resumir no esforço 
de passar da teologia da Palavra às palavras que fielmente a vinculem, a fim de que desta 
palavras se possa passar sempre de novo sob a ação do Espírito, à experiência vivificante 
do encontro com a Palavra do advento divino”. 
 
A Palavra de Deus é a ponte de ligação entre a teologia das primeiras comunidades 
e a sociedade da época que, por meio da Palavra, descobre o Filho, palavra encarnada de 
Deus (Libanio; Murad, 2003). 
 
6.2 Patrística 
No processo do desenvolvimento do cristianismo, ocorreu a necessidade de uma 
explicação a respeito de suas doutrinas. A igreja católica sabia que estas doutrinas não 
podiam ser impostas pela força e que deveriam ser apresentadas de maneira convincente, 
mediante um trabalho de pregação e conquista espiritual. Foi assim que os primeiros pais 
da Igreja se empenharam na elaboração de diversos escritos sobre a fé e a revelação 
cristãs. Tais tratados eram dirigidos aos iniciantes na fé cristã e nem sempre mostravam a 
totalidade da reflexão teológica da época. Mas, em geral, denunciavam preocupações com 
os costumes, orientações, dúvidas e os problemas mais frequentes. O conjunto destes 
escritos ficou conhecido como Patrística. 
 
Após a vida dos apóstolos de Jesus, ergueu-se o desfio de consolidar o cristianismo 
em resposta à difusão da cultura helênica pelo oriente e à desvalorização da fé cristã. 
Depois de um período de perseguição política, o Império Romano reconheceu o 
 
 
30 Teologia 
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cristianismo e isso resultou em um repentino crescimento de demanda de ensino cristão 
(Libanio; Murad, 2003). 
 
Inserida em uma nova cultura ocidental, a teologia patrística corria o risco de 
subverter-se perante o sistema político vigente e secularizar-se por conta da busca de 
poder ou ver a doutrina cristã diluída em um pensamento helenístico. Com o passar do 
tempo, diversos grupos radicais se levantaram contra o cristianismo na tentativa de 
descaracterizá-lo, porém, isso fortaleceu a teologia patrística fazendo com que alguns 
estudiosos, entre eles Agostinho de Hipona, que se destacava com sua produção à época, 
tivessem cada vez mais precisão argumentativa e linguística à luz da Palavra (Libanio; 
Murad, 2003) 
 
6.2.1 Características 
No momento da patrística, a máxima do pensamento teológico ocorre com a frase: 
“crer para entender, entender para crer”. A compreensão por meio da inteligência e do 
conhecimento profano do mundo não é dissociada da fé em Cristo (Libanio; Murad, 2003) 
 
Segundo o teólogo Clodovis Boff (1998), os padres viviam uma espécie de 
“contemplação espiritual”, enfatizando a intuição provinda da intimidade com Deus. Porém, 
já na prática teológica desse tempo, a teologia assume quatro preceitos: base nas Sagradas 
Escrituras; prática na liturgia; teologia de Cristo na igreja (crístico-eclesial); imersão cultural 
e pluralidade (Libanio, Murad, 2003). 
 
Base Bíblica 
 
Na patrística, os teólogos entendem que as Sagradas Escrituras são a base de 
leitura teológica, em vista de ser a Palavra de Deus, sendo obrigatório pertencer a todos os 
níveis da vida em comunidade. A teologia patrística começava a entender o texto bíblico 
através de uma interpretação alegórica, utilizando simbolismos para o entendimento da 
Palavra (Libanio;Murad, 2003) 
 
Liturgia 
 
 
 
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O rito de culto a Deus, isto é, a prática litúrgica, é essencialmente teologia pois 
reproduz a Palavra de Deus e a expressão completa da fé cristã, visto que explica seu 
conteúdo pela expressão de louvor e pela adesão a Deus (Libanio; Murad, 2003) 
 
Crístico-eclesial 
 
Jesus Cristo é o Centro do universo segundo a visão teológica patrística e segundo 
Sua imagem foram feitos os seres humanos. Cristo é integrante da Igreja de Deus e é, ao 
mesmo tempo, a chave para interpretação do conhecimento das escrituras (Libanio; Murad, 
2003). 
 
Imersão cultural e pluralidade 
 
No período da patrística, a Igreja passava por um período de expansão, e, por tal 
motivo, era preciso que ocorressem posicionamentos criativos que dialogassem de maneira 
atrativa em uma sociedade rica em culturas. Baseados nisso, teólogos e pensadores, como 
os padres gregos e o próprio Agostinho, propõem o discurso teológico em pautas da cultura 
helenística, de maneira a responder a questões das comunidades eclesiais inseridas nos 
mais diversos contextos culturais. E ainda com base nessas discussões e pluralidade de 
pensamento nascem problemáticas que persistem até o atual momento (Libanio; Murad, 
2003) 
 
6.3 Escolástica 
Assim foi chamado o período que privilegiou o conhecimento e os estudos teológicos, 
no qual se buscou uma sistematização da filosofia cristã, destacando-seaqui a figura de 
Tomás de Aquino. Esse movimento e sua teologia surgiram entre os séculos XI e XV como 
um tipo predominante de vida intelectual e educativa. 
 
O saber escolástico, de certo modo, deu dinamismo à visão da Igreja em relação ao 
seu tempo, orientando e desenvolvendo uma nova visão sobre a doutrina cristã. Temas 
como o dogma da trindade, a encarnação de Deus Filho, a liberdade e a salvação, a relação 
entre fé e razão foram enfatizados. É importante destacar que, embora a escolástica tenha 
sido um só movimento, ela não representou uma única escola. Havia várias tendências 
motivadas pela renovação da Igreja e pela utilização da filosofia na educação da época. 
 
 
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Nem todos os clérigos se satisfizeram com tal erudição teológica. Por isso houve 
discórdia, principalmente entre dominicanos, voltados à reflexão, e franciscanos, que 
apreciavam a prática piedosa. Tais divergências contribuíram para o descontentamento que 
gerou a Reforma Protestante, protagonizada por Martinho Lutero. 
 
A partir da Idade Média, a teologia Escolástica era, então, a principal corrente do 
pensamento teológico, que perdurou por 8 séculos. Em seu início, ainda se baseava nos 
ensinamentos de Agostinho, porém, passa a incorporar o pensamento do filósofo 
Aristóteles na teologia, sendo possível dividir a fase Escolástica da teologia em três 
momentos. (Libanio; Murad, 2003). 
 
A primeira fase escolástica 
 
A primeira fase é compreendida do século VII ao século X. A reflexão teológica é 
feita em ambiente rural feudal, de forma limitada, por meio da leitura e comentários das 
Sagradas Escrituras, sob um olhar de fragmentos da patrística, mas que perdem seu valor 
por ficarem fora de contexto (Libanio; Murad, 2003) 
 
A segunda fase escolástica 
 
A partir do século X, ocorreram mudanças significativas na sociedade e na Igreja. 
Começam a surgir as primeira universidades, as comunas e as corporações de ofício, e 
cada avanço dá impulso à teologia de alguma forma (Libanio; Murad, 2003) 
 
No século XII, descobertas importantes no ramo da filosofia, que moldam o 
pensamento da época, levam ao questionamento do que até ali era certo e seguro. Ocorre 
uma busca inquieta por distinções esclarecedoras, em que a fé buscava inteligência: era 
sim ou não, não poderia haver meio termo (Libanio; Murad, 2003). 
 
A terceira fase escolástica 
 
A fase final da escolástica, no início do século XIII, a prática é feita de forma 
acadêmica, ligada à vida urbana e às universidades, e a doutrina sagrada é colocada ao 
lado de outras ciências e artes da academia (Libanio; Murad, 2003) 
 
 
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Lentamente, a teologia se dissocia do profano e a crença distancia-se da 
compreensão. Fica mais evidente a importância de conhecer e não só decorar o 
conhecimento. O principal nome nessa fase é Tomás de Aquino, que estabelece, em seu 
trabalho Suma Teológica, conteúdo que orienta o fazer teológico por séculos a partir de 
então (Libanio; Murad, 2003). 
 
Após essa fase, entende-se que a característica principal dessa corrente teológica é 
que a crença é acompanhada de compreensão, e sistematizada por meio de uma relação 
entre afirmação e negação. Isso decorre da busca por entender a ciência de Deus e a 
ciência dos homens (Libanio; Murad, 2003). 
 
Esse entendimento entre teologia e filosofia, de maneira muito intensa, amplia os 
horizontes da teologia, fazendo-a entender melhor alguns dados da fé, porém a faz de 
forma pouco espiritual. Há muito conceito e abstração, em um discurso baseado em 
métodos científico-racionais, abrindo uma lacuna entre a vida da Igreja e a teologia (Libanio; 
Murad, 2003) 
 
6.4 Manualística 
Com a chegada dos séculos XIV e XV, começam a surgir novas ideias, como o 
capitalismo mercantil, a supremacia do pensamento racional e o humanismo renascentista. 
Todas essas ideias apresentam um caminho para o pensamento da sociedade e, então, 
ocorre o subjetivismo e o individualismo, característicos da época (Libanio; Murad, 2003). 
 
A reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero no século XVI, é um ponto chave 
na transição da prática teológica primitiva para a moderna, pois, com ela ocorre também a 
Contrareforma, resultado de um novo afervoramento por parte dos clérigos, o que perdura 
até o século XVII (Libanio; Murad, 2003) 
 
Chegando ao século XVIII, o capitalismo se consolida e se apresenta um período 
marcado por diversas revoluções, acompanhadas de mudanças na relação entre campo e 
cidade, juntamente com o surgimento de nomes conhecidos da filosofia moderna, como 
Kant, Marx e Hegel, e consequentemente o surgimento do movimento socialista. A Igreja 
se posiciona de maneira contrária às pretensões filosóficas da modernidade e não ocorre 
diálogo com o mundo moderno (Libanio; Murad, 2003). 
 
 
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Característica marcante desse período, o ensino pelo magistério buscava eliminar o 
dissenso causado pela Reforma Protestante, por meio de um posicionamento autoritário, 
que não buscava tanto uma compreensão, mas sim a homogeneidade no pensamento 
(Libanio; Murad, 2003). 
 
Reforma e Contrarreforna 
 
No século XVI, a reforma protestante, liderada inicialmente por Martinho Lutero, 
esfacela a unidade católica presente em toda a Europa. Nesse contexto, a Igreja responde 
com uma contrarreforma, que será coroada com o Concílio de Trento (1545-1563). Roberto 
Belarmino, teólogo da eclesiologia tridentina e autor do catecismo romano, se destaca 
nesse período por sua teologia combativa. 
 
Mas o clima defensivo e combatente cresce no cenário sociocultural dos séculos 
XVIII e XIX, quando há uma série de transformações, como a revolução industrial, a 
revolução francesa, a consolidação do capitalismo, o iluminismo e o surgimento de 
movimentos sociais com as ideias filosóficas de Marx e Hegel. 
 
6.5 Teologia Moderna 
Os séculos XIV e XV marcam a ruptura do pensamento clássico medieval, baseado 
na cosmovisão teocêntrica da cristandade. A Idade Moderna chega com a invasão de 
grandes novidades de ordem social, que impactaram todos os âmbitos da vida humana, 
tais como o econômico, o religioso, o pensamento e as relações humanas. São movimentos 
como o capitalismo, as grandes navegações e comércios, os nacionalismos; e de ordem 
cultural, como o humanismo renascentista, o subjetivismo, o individualismo, laicismo e 
secularização. 
 
Após um período de estagnação da teologia, algumas escolas do século XIX, como 
a Escola Romana e a de Tübingen, se posicionam de forma diferente ao sistema vigente, 
trazendo de volta o questionamento ao cotidiano teológico, e caminhando aos poucos para 
o novo pensamento da modernidade (Libanio; Murad, 2003). 
 
Já no início do século XX, há um avanço no estudo da história da Igreja e seus 
dogmas, que resulta em livros, dicionários e revistas de estudo, que os modernistas usariam 
 
 
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para propor reformulações de diversos conceitos que pudessem dialogar com os novos 
conhecimentos humanos. Essas propostas não seriam bem recebidas pela Igreja oficial, 
que reprime o movimento por seu caráter renovador (Libanio; Murad, 2003). 
 
No período entre as Grandes Guerras (1918-1939), retoma-se a discussão com 
maior senso crítico sobre as problemáticas humanas cotidianas, à medida que as relações 
sociais vão modificando em caráter (Libanio; Murad, 2003). 
 
O olhar volta-se para a pregação vivida, que enfatiza a salvação, após um período 
de formação de teólogos frios e demasiadamente teóricos; agora importa o contexto, 
valoriza-se o instrumento pedagógico para transmitir uma mensagem mais característica 
do coração que do intelecto; assim, aos poucosa teologia evoluía, conseguindo 
acompanhar as mudanças sociais até os tempos atuais (Libânio; Murad, 2003). 
 
6.6 Teologia Contemporânea 
A passagem do século XIX para o século XX, do pontificado de Pio XII a João XXIII, 
é marcada por mudanças significativas para a teologia, que enfim se abre para o diálogo 
com a modernidade. Com isso, a teologia passa a buscar novos ares de renovação, 
exatamente numa retomada das suas fontes históricas bíblicas, patrísticas e da escolástica 
clássica. 
 
O florescimento da teologia cristã é visível com o surgimento de grandes teólogos. 
Battista Mondim apresenta um obra sobre os principais teólogos que marcaram o século 
XX. São dois volumes, sendo o primeiro sobre os teólogos católicos, alguns como Karl 
Rahner, Von Balthasar, Yves Congar e Romano Guardini; e o segundo volume sobre 
teólogos protestantes, como Karl Barth, Paul Tilich e Butmann; e teólogos ortodoxos, tais 
como Evdokimov e Lossky. 
 
O Concílio Vaticano II realizou-se entre 1962 a 1965 e ativou em toda a Igreja o 
desejo e a necessidade de renovação da liturgia, da exegese, da espiritualidade e da 
teologia com base nas fontes primitivas. Isso ficou mais evidente na célebre expressão 
“voltar às fontes” do cristianismo. 
 
 
 
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O Papa João XXIII, em seu discurso de abertura da primeira sessão do Concílio 
Vaticano II, em 11 de outubro de 1962, apresenta seu propósito principal, nas seguintes 
palavras: “Uma é a substância da antiga doutrina do depositum fidei e outra é a formulação 
que a reveste: e é disto que se deve – com paciência, se necessário – ter grande conta, 
medindo tudo nas formas e proporções do magistério prevalentemente pastoral”. 
 
Como se observa, o objetivo primordial desse concílio foi de cunho querigmático 
pastoral, a fim de que a Igreja, abrindo-se ao diálogo com a sociedade, pudesse levar o 
precioso conteúdo da fé numa linguagem capaz de comunicação às pessoas da época. 
 
A teologia contemporânea é marcada pela variedade e pluralidade dos enfoques 
teológicos. Embora universal pelo seu objeto, a teologia também traz nuances particulares 
devido às pessoas que a constituem e a vivem em um tempo e espaços igualmente 
particulares. De fato, esse aspecto não se refere apenas ao contexto atual, pois o panorama 
histórico da teologia apresenta uma diversidade teológica que, porém, não nega e não deve 
negar sua base de unidade fundamental. 
 
Os enfoques teológicos presentes são de uma multiplicidade incrível: “a teologia da 
libertação latino-americana, a teologia macroecumênica da Ásia; a teologia negra norte-
americana, a teologia da enculturação na África, a teologia feminista etc. (Libanio; 
Murad,2003). 
 
De fato, muitos desses e outros enfoques podem somar-se reciprocamente com um 
foco de atenção comum para a realidade local e histórica. Todavia, há um risco concreto 
de, acentuando excessivamente a especificidade, perder de vista a universidade teológica 
que é seu ponto de unidade fundamental e irrevogável. 
 
 
 
O querigma é o cerne da mensagem cristã; também é o ato de transmitir a 
mensagem cristã com o propósito de evangelizar ou convertê-lo. 
 
Bibliografia indicada no plano de ensino. 
 
 
 
 
 
 
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7. RAMOS DA TEOLOGIA 
 
Objetivo 
Apresentar os ramos da teologia, entender o pluralismo teológico que englobam 
princípios gerais e se desenvolvem com base em condições específicas. 
 
Introdução 
A necessária compreensão de ramos específicos da teologia aponta a diversidade 
da igreja, com suas espeficidades: a teologia da libertação, a teologia feminista, a teologia 
étnica e a teologia das religiões. Estes são apenas alguns dos ramos que englobam a 
teologia contemporânea. Ou seja, é entender que existem teologias e não uma só teologia. 
 
7.1 Pluralismo Teológico 
Para iniciar, vamos compreender as bases do pluralismo teológico e, para isso, 
devemos esclarecer o termo pluralismo, que utilizaremos como uma diversidade legítima, 
ou seja, não se trata de um pluralismo no sentido de acolher tudo sem qualquer tipo de 
diferenciação. 
 
Dada essa diferenciação inicial, podemos dizer que o pluralismo é o traço comum de 
todo saber. Isso se deve à realidade que sempre extravasa a teoria, ou seja, a realidade 
sempre é múltipla, ao passo que a teoria é sempre particular, e parte de uma perspectiva 
alterável (Boff, 1998). 
 
A teologia é pluralista por dois motivos: primeiro, porque a fé é transcendente, ou 
seja, supera o entendimento humano e não se esgota a uma só interpretação. Depois, 
porque qualquer entendimento teológico é contextual, quer dizer, está inserido dentro de 
uma cultura determinada num vasto campo de variedades (Boff, 1998). 
 
Agora, vamos compreender esses motivos: a razão que vem da própria fé, ou seja, 
a realidade divina está além da razão. O discurso teológico em si demonstra um aspecto 
determinado sobre o Mistério. Isso significa que cada teologia adota uma perspectiva que 
leva em conta uma cultura e um discurso particular, pertencentes e inseparáveis de toda 
teologia (Boff, 1998). 
 
 
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Teologia 
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Podemos também mencionar um pluralismo bíblico. Boff (1998) aponta que em 
Gênesis já podemos observar o pluralismo, nos relatos da criação do mundo e do ser 
humano em coexistência, ou quando pensamos num evangelho “quadriforme”, que se 
apresenta em quatro versões distintas. 
 
Boff (1998) também menciona que nem todas as teologias dentro da Bíblia são 
harmônicas entre si, e é por essa razão que notamos incoerências quando mencionamos 
uma “teologia bíblica”. Logicamente, o que deve unir os contextos é a história da salvação, 
cujo eixo é a fé em Cristo. 
 
Assim, o caráter do pluralismo bíblico é contrastante, ou seja, não existem apenas 
diferenças teológicas complementares, mas diversidades que muitas vezes são difíceis de 
harmonizar. A harmonização advém do Plano da Salvação em Jesus Cristo (Boff, 1998). 
 
Outro motivo descrito por Boff (1998) é a razão que vem da teologia, pois existem 
contextos de produção, isto é, qualquer teologia é contextual, sendo marcada por um lugar 
espaço-temporal. Ou seja, estamos fazendo teologia com base em uma perspectiva 
humana e, sendo assim, falamos sempre tomando como base certos lugares, que podem 
ser diferenciados: 
 
Contexto Cultural: 
a fé pode dar origem a diferentes teologias, tendo em vista os contextos culturais. 
Cada cultura pode ter sua própria teologia, e isso quer dizer que uma pluralidade de culturas 
supõe uma pluralidade de teologias; 
 
Contexto Histórico: 
cada época tem sua visão de fé. Por exemplo, há uma teologia do Mundo Antigo, 
que é a Patrística; uma teologia da Idade Média, que é a Escolástica; e uma outra do mundo 
Moderno. A razão precisa de tempo para amadurecer e chegar à verdade mais plena. 
 
Contexto da Missão: 
a teologia deve adequar sua linguagem aos destinatários, e assim, ela é pluralista 
no sentido de que a Palavra da Fé deve ser escutada por diferentes culturas. 
 
Contexto dos Novos Enfoques: 
 
 
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a primeira perspectiva da teologia é a fé, mas deve ser seguida por uma pluralização 
da matéria, ou seja, integrar uma sociologia feminista, étnica, inter-religiosa, entre outras. 
 
Contexto das Singularidades Individuais: 
devemos pensar no pluralismo a ponto de que ela atinja os teólogos em suas 
individualidades, ou seja, que possam refletir e viver na mesma época, porém com gostos 
e tendências diferenciadas. Isso quer dizer que a unidade da fé e a comunhão não impedem 
a existência de diferentes vocações e preferências pessoais. 
 
Podemos compreender, finalmente, que o pluralismo não é só legítimo,mas 
necessário e inevitável, na medida em que, se há uma fé, existem muitas vivências sobre 
ela. Ou seja, há uma só fé, mas muitas teologias. Uma só Revelação, mas diferentes 
formulações sobre ela. 
 
7.2 Teologia da Libertação 
A Teologia da Libertação é a primeira teologia moderna que assumiu o objetivo de 
pensar o destino da humanidade desde a sua condição de vítimas. Em consequência, sua 
primeira opção é comprometer-se com os pobres, a vida e a liberdade para todos. Esta 
teologia surgiu na periferia das Igrejas centrais, não nos centros metropolitanos do 
pensamento consagrado. Por essa origem, sempre foi considera como suspeita pelos 
teólogos acadêmicos e principalmente pelas burocracias eclesiásticas e especialmente 
pela da Igreja mais importante, a católica-romana (Santos, 2017) 
 
 As declarações do início da década de 1960 em prol da reforma agrária eram mais 
progressistas que as declarações da década de 1950, mas mesmo assim algumas 
limitações permaneciam, por exemplo, os prelados continuavam defendendo que o 
desenvolvimento econômico resolveria os problemas mais importantes dos camponeses. 
O medo da ameaça comunista fez com que a Igreja acreditasse na necessidade de 
promoção de reformas que satisfizessem as aspirações das classes populares, assim as 
tornariam menos suscetíveis as ideias comunistas. Assim a ameaça comunista conseguiu 
mudar as perspectivas da hierarquia da Igreja Católica no Brasil em relação a questão 
agrária. (MAINWARING, 1989) 
 
 
 
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 Toda teologia é feita na história num determinado contexto cultural e responde a luz 
do evangelho às questões ligadas à significação da vida e do mundo colocadas por esta 
cultura. Assim também a Teologia da Libertação no contexto latino americano do mundo de 
hoje. 
 
 As teologias do passado nos são úteis. Mas não podemos ficar presos a elas se 
quisermos ser fieis ao nosso tempo, aos homens nossos irmãos, que participamos da 
mesma aventura histórica. (Santos, 2017) 
 
 A obra de Gustavo Gutierrez “Teologia da Libertação – Perspectivas”, publicada pela 
primeira vez em 1971, é considerada um marco, um salto quantitativo na teologia 
latinoamericana. O livro apresenta a percepção do subdesenvolvimento da América latina, 
não mais como atraso, e sim como subproduto do desenvolvimento de outros países, ele 
fala de países oprimidos e países dominantes; ele define a teologia como uma reflexão 
crítica sobre a práxis, que cumpre uma função libertadora do homem e da comunidade 
cristã. 
 
 Para Gutierrez (2000) a Teologia da Libertação é intimamente ligada a uma nova 
presença daqueles sujeitos que sempre estiveram ausentes de nossa história, e que pouco 
a pouco foram se tornando sujeitos ativos de seu próprio destino. Para o teólogo a opção 
preferencial pelos pobres impulsionou a tomada de posição da Igreja em favor da libertação 
dos pobres. Para o autor a conjunção de dois fatores: o núcleo de reflexão bíblica e a 
aspiração dos povos sofridos da América Latina, levou a discussão e a prática da libertação 
em Jesus Cristo. Esta teologia não se limita a pensar o mundo, mas luta pela construção 
de uma nova sociedade, mais justa e humana. 
 
 Sob o olhar de Leonardo Boff, para entender o significado da Teologia da Libertação 
é necessário que a restruturação da Igreja Católica deva ocorrer através das bases ou seja 
com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), e, assim pudesse estabelecer maior 
´participação dos pobres e dos leigos. No Campo teórico, Boff fornece uma expressão 
teológica articulada do surgimento de um novo modo de ser Igreja, que que ficou conhecida 
internacionalmente de eclesiogenese e que ganha vida na experiência das CEBs. Boff 
aplica esse termo como reinvenção da Igreja. 
 
 
 
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 A teologia da libertação viu na Igreja dos pobres a fidelidade mais singular à pessoa 
de Jesus Cristo. Nela, se encontra um Deus que ouve o clamor do povo (Ex 3,7b), essa 
experiência eclesial se tornou a base práxica para sua sustentação teológica (BOFF, 2011). 
Podemos perceber a unidade dos pobres desta Igreja, nela se expressam os pobres como 
sujeitos ativos desta realização histórica com todos os percalços que a situação de pobreza 
os coloca. Quando a Igreja se expõe a ouvir as mazelas pelas quais passam os pobres, a 
enxergar o exemplo de fé que é a vida deles, ela realiza o milagre de socializar que o núcleo 
da fé é algo que não se divide, anuncia-se. Não se trata de uma predileção de ordem social. 
Trata-se, sobretudo, de uma unidade com todas as instituições e pessoas de bem, agora 
de um formato macro, que tem os pobres como fio condutor da ligação com o Ressuscitado 
(BOFF, 2011). 
 
 Começaram a surgir, um pouco por toda parte, na América Latina milhares de Comunidades 
Eclesiais de Base, círculos bíblicos e uma verdadeira pastoral popular. Nessas comunidades os 
cristãos vão se descobrindo a comunhão como valor teológico estruturador e estruturante da Igreja. 
Mais que uma Igreja-instituição, organizada como uma sociedade perfeita e estruturada 
piramidalmente, a Igreja deve ser a comunidade dos fiéis que vivem em relações fraternas de 
Participação, de amor e de serviço. Nestas comunidades se propicia melhor o encontro entre fé e 
vida, evangelho e sinais dos tempos, captados comunitariamente, a superação do anonimato das 
grandes paróquias e o testemunho mais transparente do compromisso cristão. Foi assim que surgiu 
uma vasta rede de comunidades eclesiais de base dentro da qual se encontram cardeais, bispos, 
sacerdotes, a vida religiosa e as várias expressões do laicado.( Leonardo e Clodovis Boff. Ano, p. 
84 e 85) 
 
 A libertação não é um tema a mais na agenda dos teólogos. Exprime uma realidade 
histórica na qual a teologia entra em contato nos meios pobres e populares latino 
americano. Nos tempos modernos porém com ajuda das ciências humanas tomou-se 
consciência de que a dominação vai além da escravidão física e persiste no mundo como 
uma realidade difusa desde a opressão psicológica do homem e da mulher que introjetaram 
esquemas autoritários, normas sociais desumanizantes, até a dominação política e social 
que oprime os mais deserdados marginalizados e explorados pelos detentores de poder 
(Santos, 2017). 
 
De tal maneira adquiriu-se hoje consciência das inúmeras formas de dominação que 
pesam sobre nós, que libertar-se é um imperativo da realização humana pessoal e social. 
Fala-se em libertar-se pois a liberdade só é real quando querida e conquistada. Homens e 
 
 
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mulheres, somos chamados a nos libertar, a conquistar não somente a liberdade interior de 
agir segundo a verdade e o bem mas a liberdade efetiva econômica e política para participar 
da organização da vida social e usufruir os benefícios da sociedade. (Santos, 2017) 
 
7.3 A Teologia Feminista 
Existem diversos ramos e enfoques teológicos, como vimos anteriormente, por isso, 
não conseguimos abranger a todos, porém podemos pontuar os mais importantes e 
significativos, como a Teologia Feminista. 
 
A teologia feminista se articula com o contexto que lhe deu origem, assim como a 
teologia da libertação. Ela propõe uma reflexão acerca do lugar que a mulher assume na 
família, na sociedade e nos movimentos feministas em ascendência. 
 
“As mulheres se tornam, pela primeira vez, concretamente, sujeito da vivência de 
sua própria experiência de fé, bem como da formulação da mesma e da reflexão sobre ela, 
e, portanto, da teologização. (...) A teologia feminista é uma teologia crítica da libertação 
que não se baseia no caráter particular da mulher como tal, mas em suas experiências 
históricas de sofrimento, em sua pressão psíquica e sexual, em sua infantilização e sua 
inviabilizaçãoestrutural em consequência do sexismo nas Igrejas e sociedade. (...) Abrange 
sua reflexão sobre a fé todos os que não têm liberdade e são considerados objetos, mas 
estão conscientes de que são as mulheres que, praticamente sempre e em toda parte estão 
entre os oprimidos dos oprimidos (C. Halkes, citado por Libanio). 
 
Propondo uma análise crítica, de transformação conceitual, a teologia feminista 
colabora para uma tradição viva da Igreja. Se propõe como ação desconstrutiva, de 
denúncia e superação do sexismo – atitudes, posturas e ações discriminatória contra o sexo 
feminino. As principais sociedades têm uma visão androcêntrica, que coloca o homem no 
centro. Não se trata de um fenômeno pontual, pois a discriminação contra a mulher tem 
raízes antropológicas patriarcais, o que significa que o ser humano ideal é o varão – ente 
do sexo masculino. (Libanio; Murad, 2003). 
 
Em seu trabalho, Libanio e Murad (2003) apontam que a teologia feminista propõe a 
releitura de dados das Sagradas Escrituras sob uma nova ótica, para dar voz e resgatar um 
 
 
43 Teologia 
Teologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
feminismo silenciado. Interpreta a fé cristã sob a ótica da reciprocidade, o que implica que 
compreende o ser humano como unidade e diversidade homem-mulher. 
 
Devemos destacar que a teologia feminista não propõe uma reflexão voltada 
exclusivamente às mulheres; pelo contrário, dirige-se a todos, homens e mulheres; 
objetivando práticas transformadoras, com uma redefinição acerca da relação homem-
mulher, deslocando o modelo de subordinação para o da equivalência, o que se torna 
plenamente inclusivo para homens e mulheres. Biblicamente, há uma redescoberta das 
figuras femininas; na dogmática, há uma purificação da imagem de Deus e suas conotações 
masculinas, e um resgate de características maternas (Libanio; Murad, 2003). 
 
Em seu trabalho, Krob (2014) afirma que a teologia feminista compartilha de teorias 
e reivindicações dos movimentos feministas, para que haja uma transformação da opressão 
e da dor em libertação e integridade humana, para as mulheres e consequentemente em 
todos seus vínculos familiares. 
 
Na América Latina as teólogas começaram a escrever nos anos 80, como um setor 
da própria teologia da libertação, fazendo uma opção pelos pobres. As mulheres eram um 
dos segmentos dos grupos marginalizados e se consideraram, a princípio, vítimas de um 
sistema econômico-político que gerava assimetrias. Esta foi a fase da vitimização. Algumas 
teólogas, contudo, acharam que, como novos sujeitos da história, não se sentiam 
confortáveis como vítimas e passaram a buscar as heroínas da Bíblia, como Débora, Mirian, 
Ester, as discípulas de Jesus como Madalena, Marta e Maria e outras. Mas logo veio a 
auto-crítica: era, sem dúvida, importante conhecer a história passada, reescrever a história 
a partir da ótica das mulheres, mas, mais que isso, percebeu-se que a história das mulheres 
contemporâneas deveria ser interpretada de uma forma nova, reconstruída, enfim, com 
categorias epistemológicas críticas.(Tomita, 2010) 
 
A Teologia Feminista tem aplicado as categorias teológicas tradicionais à 
experiência das mulheres, que não é homogênea, mas plural, multicultural, pluriétnica. 
Denunciando a situação de opressão das mulheres no contexto do patriarcado, as 
feministas procuram analisar as situações de injustiça social, de sexismo, de racismo, 
propondo estratégias para superá-las. Do ponto de vista metodológico, entendemos que o 
nosso lugar social determina nossa interpretação do que é a experiência das mulheres. A 
 
 
44 Teologia 
Teologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
forma de apreender o mundo, de interpretar a realidade, é determinada pelas intersecções 
de gênero, raça, classe, idade e orientação sexual.(Tomita, 2010) 
 
Em entrevista publicada pelo Instituto Humanitas da Unisinos – Universidade do Vale 
do Rio dos Sinos, São Leopoldo – RS, em 14 de dezembro de 2020, entrevista essa 
concedida a Denisse Legrand e publicada por La Diaria, uma das teólogas feministas mais 
conhecidas, a pastora metodista Nancy Cardoso afirma que “A teologia feminista se dá 
quando percebemos que o cristianismo que nos foi imposto é um vestido muito justo, no 
qual não podemos nos mover. Recebemos um impacto muito forte dos movimentos 
feministas ao longo do último século. Este inconformismo, esta inquietação dentro das 
igrejas, somada ao impacto que vem de fora, foi gerando suspeitas e aí veio a pergunta: 
por que queremos continuar sendo cristãs e fazendo teologia? Aí tomamos uma decisão: a 
maneira de continuar foi criando uma voz própria, uma voz coletiva. E a partir daí, contar 
com a experiência da espiritualidade e a mística sem os limites do patriarcado. 
 
A teologia feminista é esta voz pessoal e coletiva de grupos de mulheres que 
querem seguir naquilo que, influenciadas pela Teologia da Libertação, já não chamamos 
de cristianismo, mas Movimento de Jesus. Foi para ter uma voz para nós mesmas e para 
as mulheres que seja uma espiritualidade libertadora e não de disciplina e controle, como 
nos fazem aprender.” 
 
Outra teóloga feminista de relevância no Brasil, Ivone Gerbara (1994) propõe que a 
hermenêutica feminista é uma nova forma para compreender Deus, e isso quer dizer que 
há uma nova proposta de repensar a tradição cristã, que sempre relacionou a imagem de 
Deus como Pai, isto é, a figura masculina aparecendo como um Ser Supremo. A análise 
sob a ótica da teologia feminista diz que esse tipo de configuração pode trazer algumas 
consequências para as mulheres, como a conclusão de que os homens são naturalmente 
superior a elas. 
 
Para finalizar, Libanio e Murad (2003) concluem em seu trabalho que, ainda que a 
primeira impressão sobre teologia feminista seja um corpo estranho, aos poucos o modo 
feminino de fazer teologia vai encontrando seu lugar. 
 
https://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/589617-teologas-feministas-levam-sua-sabedoria-para-a-ficcao
https://www.ihu.unisinos.br/159-noticias/entrevistas/586504-cultura-do-patriarcado-e-desigualdades-historicas-entre-os-sexos-sao-vetores-de-uma-epidemia-de-violencia-contra-a-mulher-entrevista-especial-com-nadine-anflor
https://www.ihu.unisinos.br/185-noticias/noticias-2016/552582-feminismo-e-religiao-a-teologia-nao-escapa-a-controversia
https://www.ihu.unisinos.br/188-noticias/noticias-2018/581733-as-mulheres-e-a-igreja-as-raizes-de-uma-discriminacao-artigo-de-vittorio-mencucci
 
 
45 Teologia 
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7.4 Teologia Étnica – Negra e Ameríndia 
Em seu trabalho, Libanio e Murad (2003) apontam que outro enfoque que se 
encontra em evidência tem raízes práticas e teóricas no etnocentrismo – que é utilizado no 
lugar de racismo, pois a raça humana é uma, mesmo que se materialize em diferentes 
etnias; esse viés é responsável pela discriminação de povos inteiros em todo o planeta. 
 
As aspirações do movimento de negritude buscaram articular reflexões teológicas 
alternativas, para que fossem desenvolvidas interpretações da mensagem cristã em termos 
africanos. A teologia negra surgiu na década de 70, no cenário do Apartheid, com foco 
principal na demonstração de que Deus consentia com a existência negra, como forma 
legítima de existência humana (Libanio; Murad, 2003) 
 
A Teologia negra passou por um longo processo, marcado inicialmente pelas lutas 
de libertação escravocrata. Ou seja, nasce como teologia libertadora, tendo em vista todo 
o histórico concreto de opressão do povo negro, como por exemplo: redução à condição 
subumana de escravo, criação de quilombos e um racismo efetivo que mantém 
mecanismos discriminatórios. Sendo assim, fica claro que a luta dos negros inclui 
elementos de muitas esferas, políticas, econômicas, sociais e religiosas. Isso porque o 
racismo deixou que suas raízes penetrassem no corpo social(Libanio; Murad, 2003) 
 
A teologia negra é um movimento teológico que surgiu entre os cristãos negros nos Estados 
Unidos da América na segunda metade da década dos 60. Ela se concentra na reflexão teológica 
sobre a luta dos negros norte americanos, liderados no princípio pelo pastor batista Martin Luther 
King, Jr., para conseguirem a justiça e libertação sociais, políticas e econômicas numa sociedade 
dominada pelos brancos. Ela se baseia na Bíblia e nas características singulares da experiência 
religiosa dos negros americanos. Ela encontra na Bíblia uma base para o sentido político da 
libertação, isto é, o êxodo do Egito. E ela encontra na experiência religiosa dos escravos negros, 
manifestada nos seus cânticos, sermões e orações que destacam a ressurreição de Jesus, a base 
para o sentido escatológico ou futurista da libertação. A teologia negra pode ser classificada como 
um tipo de teologia de libertação, pois ela se preocupa basicamente com a libertação de um grupo 
de oprimidos. Contudo, ela se distingue da teologia da libertação latinoamericana e da teologia 
feminista ao evitar o uso da análise social-económica marxista 2 e ao concentrar-se na libertação 
de uma raça oprimida ao invés de uma classe social-econômica ou de um grupo oprimido por causa 
de seu sexo. Entretanto, os líderes da teologia negra americana têm mantido um diálogo com os 
líderes da teologia da libertação latino-americana e asiática, da teologia feminista e da teologia 
Africana, especialmente na Africa do Sul.(Dunaway,2017). 
 
 
46 Teologia 
Teologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Conforme Libanio e Murad (2003), a teologia negra não parte somente do ponto na 
perspectiva étnica, mas inclui também as dimensões cultural e religiosa; assim, a tarefa se 
mostra difícil. Atualmente, a teologia negra apresenta exigências importantes, como resgate 
da memória pela reconstrução da história negada, participação do povo negro, fé no Deus 
libertador, e preferência pelos mais empobrecidos. 
 
Igualmente à teologia negra, existem as populações indígenas, que aos poucos 
estão elaborando uma teologia ameríndia. Esses povos constituem uma teologia própria, 
na medida em que querem dar razão de sal fé e de sua esperança, e assim podem se tornar 
um instrumento importante nas mãos dos povos indígenas, uma vez que ficam fortalecidas 
suas identidades, em defesa de suas causas (Libanio; Murad, 2003) 
 
A teologia ameríndia-cristã emerge, se recria e adquire fundamento na experiência de fé 
vivida pelos povos indígenas a partir da “primeira cristianização” e que começa a consolidar-se na 
gestação de “igrejas autóctones” (AG 6) durante a “segunda Cristianização “iniciada com o Concílio 
Vaticano II que originou a teologia latino-americana. A este respeito, as experiências pastorais em 
duas dioceses revelam-se significativas: Leonidas Proaño (1910-1988), em Riobamba (Equador) e 
Samuel Ruíz (1924-2011), em San Cristóbal de Las Casas (Chiapas, México). Ambos os pastores 
mostram a imagem de um Deus íntimo, comprometido com a vida e a libertação dos mais pequenos, 
marginalizados e excluídos, oferecendo ferramentas concretas para uma efetiva organização sócio-
eclesial, ministerial e teológica, onde os povos indígenas podem ser verdadeiros sujeitos e 
protagonistas de sua própria libertação integral. 
 
7.5 Teologia das Religiões 
A teologia das religiões é um desfio levantado por meio da manifestações religiosas 
atuais. Sua problemática se encontra na compreensão a respeito da natureza e da função 
do cristianismo. Isso significa que a teologia das religiões objetiva trazer uma nova 
interpretação para as áreas do saber, com base na fé (Rodrigues, 2020). 
 
Uma questão importante levantada nessa temática é o valor de revelação e de 
salvação das religiões não-cristãs, ou seja, até que ponto elas representariam o Deus vivo 
e verdadeiro, e em que medida poderiam oferecer acolhimento e graça divina, de libertação 
e condução à comunhão com Deus (Libanio; Murad, 2003). 
 
 
 
47 Teologia 
Teologia 
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Segundo Libanio e Murad (2003), existem respostas equilibradas para essas 
questões: as posições exclusivistas e pluralistas-relativistas. No primeiro caso, há 
consideração apenas do cristianismo como religião verdadeira, ou seja, as outras religiões 
manifestam mentira e servem à idolatria. No segundo caso, aceita-se outras religiões como 
igualmente verdadeiras, pois também seriam portadoras da graça, de modo que o 
cristianismo seria apenas privilegiado quando recebe a revelação do único Deus. São dois 
extremos. 
 
Há também uma posição que foge desses extremos, que é a inclusivista, que 
sustenta que todas as religiões participam, de certa forma, de uma verdade única de 
religião. Ou seja, o evangelho seria o filtro para verificar a que está submetida, inclusive, a 
religião cristã. Outro critério seria o humanista suprarreligioso, que tem um valor mais 
prático, com desvio da questão teológica propriamente dita, considerando verdadeira a 
religião que é boa na medida em que sirva para toda a humanidade, fomentando 
sensibilidade e valores humanos (Libanio; Murad, 2003). 
 
Em seu trabalho, Libanio e Murad (2003) mencionam que existe progresso sobre a 
compreensão da revelação, até porque em Jesus Cristo foi concedida a plenitude da 
verdade. Porém, não dispomos totalmente dela, por conta da nossa humanidade 
pecaminosa. O cristianismo se manifesta na pessoa de Jesus Cristo, e tem muito a 
aprender com as outras religiões, no contato cordial e respeitoso; o que não quer dizer que 
é preciso deixar de lado a autoconsciência sobre a comunicação com Deus. 
 
 
 
 Bibliografia indicada no plano de ensino. 
 
 
 
 
48 Teologia 
Teologia 
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8. DADOS HISTÓRICOS 
 
Objetivo 
Apresentar dados históricos da Teologia, demonstrando seu caminho através da 
História da humanidade. 
 
Introdução 
No Antigo Testamento, Deus se revela falando aos homens, através dos profetas, 
na Lei, na natureza e na própria história. A Torá é considerada pelos judeus como a Palavra 
de Deus. Os profetas falavam dela e seus Escritos constituíam os “Livros Sagrados”. 
 
A Igreja Cristã recebeu para si essas Escrituras e aceitando seu caráter sagrado. 
Jesus as apresentou como a Palavra de Deus e os apóstolos também fizeram a mesma 
coisa, valendo-se de argumentos baseados nas Escrituras assim como na autoridade 
divina. 
 
Os padres mais antigos, do século II, denominaram as Escrituras de “Oráculos de 
Deus”, que foram “ditados pelo Espírito Santo”, o qual usou os escritores sagrados como 
“instrumentos”. Mais tarde, os escritores falaram do Espírito Santo como o “autor” das 
Escrituras e afirmaram que ambos os Testamentos foram inspirados pelo Espírito 
(Rodrigues, 2009) 
 
8.1 As Escrituras como base da Teologia 
Igreja acredita na inspiração divina das Escrituras e é clara com referência aos 
tempos mais antigos, a tradição dos padres e o ensino dos teólogos de todas as épocas. O 
cristianismo não se fundamenta apenas no sermão da montanha, mas sobre o Senhor vivo. 
E, sua meditação e análise, guiadas pelo Espírito, ressoam uma mensagem para o presente 
e esperança para o futuro (Rodrigues, 2009). 
 
É fundamental que procuremos compreender e apreciar a origem semítica, tal como 
o caráter e fundo semíticos da Bíblia. As Escrituras não podem ser avaliadas por nossos 
padrões ocidentais, mas deveríamos, antes, procurar compreender a mentalidade de seus 
escritores. Para muitos, a palavra “conhecer” significa apreender uma ideia, mas, para o 
semita, envolve muito mais que isso. O “conhecimento” de Deus na linguagem bíblica inclui 
 
 
49 Teologia 
Teologia 
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a aceitação de tudo o que Ele significa, o serviço a Deus e o compromisso. O homem que 
“conhece”a Deus é aquele que vive na presença de Deus, aquele cujo “conhecimento” é 
uma norma de conduta (Rodrigues, 2009). 
 
Aos olhos do povo semita, Deus não é uma essência abstrata, um puro Espírito – 
Ele é Criador, Juiz e Pai. 
 
Temos a tendência de considerar a Bíblia como um livro em que procuramos um 
elenco de doutrinas e, de certo modo, nos sentimos perdidos, pois o ensino não está 
arranjado em ordem lógica. Deveríamos procurar a imagem viva de um Deus que age, que 
invade a nossa história, que fala ao nosso coração. Desta forma, compreenderíamos o 
motivo do Antigo Testamento apresentar Deus como um pastor do Seu povo. Costumamos 
resumir as doutrinas da fé e as expormos numa linguagem exata, técnica – mas Jesus 
ensinou por meio de parábolas. Ele usava notáveis exemplos da vida cotidiana e falava a 
linguagem da poesia (Rodrigues, 2009). 
 
Alguns buscam depreciar a Teologia Sistemática, mas se esquecem que a teologia 
como sistema, desenvolveu-se depois que as Escrituras. Ela tem suas raízes na Bíblia, 
especialmente no Novo Testamento, mas fala uma outra linguagem; ela traduz as notáveis, 
em certos pontos, ousadas imagens da fala semítica para fórmulas cuidadosamente 
estruturadas. 
 
Ao proceder desta forma, ela presta um serviço necessário, mas não podemos 
esperar encontrar a mesma terminologia científica nas Escrituras porém, devemos 
considerar a Bíblia como um tratado teológico, ainda que reconhecendo que há uma 
quantidade de teologias na Bíblia. 
 
Corremos o risco de perder todo o sabor da Palavra de Deus, caso queiramos ter o 
Seu ensino parcelado em compartimentos estanques. Devemos procurar compreender a 
Bíblia como ela é e não tentar forçá-la para dentro das nossas categorias de pensamento. 
(Rodrigues, 2009) 
 
A Bíblia pode apresentar dificuldades, visto ser um produto do seu próprio tempo e 
não podemos esperar compreendê-la de forma tão clara quanto esperaríamos 
compreender uma obra atual. 
 
 
50 Teologia 
Teologia 
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É verdade que Deus enviou sua mensagem numa linguagem humana. Portanto, se 
um estudioso negligencia o autor humano e os métodos racionais de procedimento 
necessários para entendê-lo, corre o risco de permanecer do lado de fora das Escrituras 
por introduzir interpretações que não são desejadas por Deus. O estudioso que considera 
não só os autores como também mantém uma certa hierarquia entre as instruções da fé e 
as exigências da razão é capaz de penetrar nas Escrituras de um modo harmonioso e 
verdadeiramente compreensivo. Aquele que rejeita o autor divino e os meios necessários 
para aproximar-se d’Ele, como a fé e a Igreja, está fadado a permanecer apenas no exterior 
do Livro Sagrado (Rodrigues, 2009). 
 
8.2 A História dos Patriarcas 
O período patriarcal é localizado, aproximadamente, entre 1900 a 1500 a.C. 
Podemos obter apenas datas estimadas pela comparação das narrativas de Gênesis 12 
com outros dados do período de 2000 -1000 a.C.. O registro encontrado na Bíblia centra-
se em poucas pessoas, ainda que sua parentela fosse muito grande e o próprio registro é 
provavelmente apenas uma seleção de antigas tradições sobre elas. Os patriarcas 
mudaram-se da Mesopotâmia para o Egito, passando por muitos lugares conhecidos por 
arqueólogos, como Ur, Harã, Siquém e Salém (Rodrigues, 2009). 
 
Os patriarcas também entravam em conflitos de tempos em tempos com grupos 
estabelecidos. Organizavam-se em unidades sociais interligadas que compreendiam 
famílias ou clãs. O pai, o cabeça da família, tinha amplos poderes e seu filho mais velho 
era normalmente o herdeiro de sua posição e suas propriedades. No caso de Abraão, seu 
herdeiro foi Isaque, porque seu filho mais velho (Ismael) não era filho de sua esposa Sara 
e sim de uma das criadas dela (Rodrigues, 2009). 
 
Os patriarcas sabiam da necessidade de uma fé pessoal em Deus, que os guiava 
pela vida e os encorajava com suas promessas e a quem deviam obediência. Regularmente 
faziam sacrifícios e orações como parte de sua adoração e a circuncisão era um ritual 
religioso para marcar os que pertenciam às famílias da aliança (Rodrigues, 2009). 
 
O conceito de aliança tem uma profunda significância na religião patriarcal, na qual 
Deus revelou-se de maneira solene a Abraão e seus descendentes, alcançando por meio 
deles toda a humanidade. Abraão foi o fundador da nação judaica e estando sua vida 
 
 
51 Teologia 
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descrita no Livro do Gênesis. Era filho de um dos descendentes de Sem (Terá). Mudou-se 
de Ur, da Caldeia, com sua esposa, seu pai e seu sobrinho Ló para a cidade de Harã, onde 
fixou residência, recebendo nessa região a vocação de Deus. As principais características 
observadas na vida deste patriarca é o seu caráter e sua confiança em Deus, a qual lhe 
deu o título de “Pai da Fé” (Rodrigues, 2009). 
 
Filho de Abraão, Isaque é particularmente conhecido como “filho da promessa” e os 
fatos mais marcantes de sua vida giram em torno de seu nascimento e de seu casamento. 
Gênesis ainda destaca o problema entre Ismael e Isaque, para ressaltar que dois povos, 
sementes ou nações, estavam juntos e precisavam ser separados, pois a promessa 
messiânica dizia respeito a apenas um deles, Isaque. “Disse o Senhor a Abraão, quando 
Sara mandou rejeitar a Agar e a Ismael: [...] atende a Sara em tudo o que ela disser; porque 
por Isaque será chamada a tua descendência”. Surge então um agravante ao cumprimento 
dessa promessa – a esterilidade de Rebeca, sua esposa, por vinte anos – parecendo 
demonstrar que a descendência prometida de Abraão não viria unicamente através de 
meios naturais de paternidade, mas mediante o poder criador e sobrenatural de Deus 
(Rodrigues, 2009). 
 
Após vinte anos, Rebeca deu à luz filhos gêmeos: Esaú e Jacó. Porém, a promessa 
se estenderia a somente um deles (Jacó); a outra seria uma nação oposta (Esaú), oposição 
esta que perdura até os dias atuais. Na terra dos filisteus, Isaque tem um encontro com 
Deus, que o lembra da fidelidade de seu pai Abraão e estende a promessa a ele: 
“Multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e lhe darei todas as terras. Na 
tua descendência serão abençoadas todas as nações”, conforme Gênesis 26,4 (Rodrigues, 
2009). 
 
A partir desse ponto, Jacó ganha destaque. Na disputa pela primogenitura, Jacó, 
aproveitando-se de um momento de fraqueza de Esaú, que estava faminto, encontra uma 
forma de obter o direito a esta, oferecendo-lhe um negócio (prato de lentilha). Mais tarde, 
motivado por um plano de sua mãe, enganou seu pai a fim de que este lhe desses a bênção 
que por costume pertencia ao primogênito. Em fuga devido a este ato, a caminho de Padã-
Harã, encontra-se com o Deus de seus pais com quem faz um pacto. Segue então para a 
terra de Labão, seu tio, onde conhece sua futura esposa Raquel, por quem trabalha 14 
anos devido a um golpe dado por seu tio, que o fez casar com sua outra filha primeiro 
(Rodrigues, 2009). 
 
 
52 Teologia 
Teologia 
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Ao longo dos anos, devido à bênção de Deus, enriquecido e com sua família 
estruturada, volta à terra de seus pais. No caminho, passando pelo vale de Jaboque, tem 
outro encontro com Deus, no qual tanto seu nome quanto seu caráter são transformados 
por Ele. As doze tribos de Israel têm seus nomes da descendência de Jacó (Rodrigues, 
2009). 
 
8.3 Os Profetas 
O movimento profético – a era da profecia clássica ou literária – teve início no século 
VIII a.C. Ao estudarmos as culturas antigas, comprovamos que sempre houve no homem 
um desejo ardente em conhecer o futuro. Astrólogos e adivinhos eram considerados 
membros importantes no comando militar, sendo constantemente consultados antes de se 
entrar na batalha. No Egito, sacerdotes usavam de magia para prever o futuro e confiavam 
na interpretaçãode sonhos. Já os profetas de Israel não eram mágicos ou adivinhos, 
astrólogos ou fornecedores de oráculos (Rodrigues, 2009). 
 
O substantivo Ro’eh é traduzido por “vidente”, demonstrando a capacidade especial 
de se ver na dimensão espiritual e prever eventos futuros, sugerindo que o profeta não era 
enganado pela aparência das coisas, mas que as via conforme realmente eram – do ponto 
de vista de Deus. O profeta recebia sonhos, visões e revelações, da parte de Deus, que o 
capacitava a transmitir suas realidades ao povo. A principal palavra hebraica para “profeta” 
é Nabi e o significado do verbo hebraico “profetizar” é: “emitir palavras abundantemente da 
parte de Deus, por meio do Espírito de Deus”. Isso faz do Nabi (profeta) um porta-voz que 
emitia as palavras sobre o poder impulsionador do Espírito de Deus (Rodrigues, 2009). 
 
A palavra “profeta” deriva da palavra grega prophetes, significando “aquele que fala 
em lugar de outro”. Assim, o profeta falava, em lugar de Deus, ao povo do conselho, 
baseado naquilo que ouvia e recebia da parte d’Ele. Não era simplesmente um líder 
religioso, mas alguém possuído pelo Espírito de Deus. Os profetas bíblicos eram, 
vaticinadores do futuro, mas numa escala reduzida; preocupavam-se mais com o presente 
e muitas vezes se mostravam não menos preocupados com o passado (Rodrigues, 2009). 
 
A experiência imediata de Deus, a revelação da santidade de Deus e de Sua vontade 
fazem do profeta um homem que julga o presente e vê o futuro à luz de Deus, sendo 
enviado por Ele para recordar aos homens Suas exigências e conduzi-los pelo caminho da 
 
 
53 Teologia 
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obediência e amor a Deus. Moldaram uma consciência social que se tornou parte da 
tradição do Ocidente. Não eram pacifistas, sobretudo quando se tratava de guerras contra 
os inimigos de Deus. Enfatizavam a responsabilidade de cada indivíduo por suas ações. 
Fizeram mais do que garantir a sobrevivência de um povo; promoveram a tradição religiosa que 
haviam herdado, fomentando o seu desenvolvimento entre os séculos VIII e IV a.C. (Rodrigues, 
2009). 
 
A interpretação de um texto profético que não tivesse sentido algum para os 
contemporâneos do profeta é certamente uma interpretação falsa. Ocorre que as visões proféticas 
normalmente são tão estranhas, que agem como meio de apelar para nossa forma complacente ou 
desesperada de enxergar as coisas. Tornou-se manifesto que os oráculos e sermões dos profetas 
foram preservados pelos seus discípulos e finalmente editados por eles (Rodrigues, 2009) 
 
 
 
 Bibliografia indicada no plano de ensino. 
 
 
 
 
54 Teologia 
Teologia 
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9. ALGUNS TEÓLOGOS CONTEMPORÂNEOS 
 
Objetivo 
Apresentar alguns teólogos contemporâneos, seus pensamentos e sua atuação em 
Teologia. 
 
Introdução 
O fazer Teologia contemporâneo atualiza os pensamentos acerca da fé e da 
Revelação de Deus ao mundo, ajustando a teologia ao cotidiano atual. 
 
A teologia contemporânea é datada por volta do século XIX. Porém, para que possa 
ser compreendida, é necessário um retorno ao século XVIII, quando o antigo ideal dos 
estudiosos de reconstruir o sentido original do texto ressurge com Friedrich Schleiermacher, 
marcando a passagem da hermenêutica para o status de filosofia, fazendo com que essa 
disciplina entrasse no rol das ciências humanas. O desenrolar das afirmações feitas por 
Schleiermacher tornou-se fundamental para uma boa compreensão da literatura bíblica, 
culminando no que chamamos teologia liberal. 
 
9.1 Friedrich Schleiermacher 
Friedrich Daniel Ernest Schleiermacher, denominado pai do liberalismo protestante, 
nasceu na Alemanha, em 1768, filho de um capelão do exército pertencente à Igreja 
Reformada da Alemanha. Em 1796, foi ordenado em Berlim, onde atuou como pastor na 
Igreja da Trindade. Como professor de Teologia, ensinou em Halle, em 1804, e em Berlim 
(1810), na universidade que ajudou a fundar (Granconato) 
 
Schleiermacher surgiu no ambiente filosófico, e no qual desenvolveu seu 
pensamento, do Iluminismo, aquele período abrangente dos séculos XVII e XVIII marcado 
pela intensa desconfiança da tradição e das antigas fontes de autoridade e pela exaltação 
da razão com sua capacidade de análise. 
 
Ao longo do período iluminista, a teologia sofreu ataques nas mais diversas áreas e 
padrões refinados para o estudo da história foram desenvolvidos. Aliado a isso, tais 
padrões, primando pela exatidão e objetividade, quando aplicados aos textos históricos da 
Bíblia, conduziam ao questionamento de sua credibilidade. 
 
 
55 Teologia 
Teologia 
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Por sua vez, a ciência, com sua inquestionável história de sucesso, foi considerada 
capaz de retratar a realidade com profunda exatidão, de maneira que, onde a Escritura 
Sagrada conflitava com ela (como na menção de episódios sobrenaturais, por exemplo), 
deveria ser terminantemente rejeitada pelo homem moderno (Granconato). 
 
Em 1799, publicou sua primeira obra, Discursos sobre a Religião. Em 1800 publicou 
Cartas Confidenciais nas quais explicava a teoria exposta por Schlegel no romance 
Lucinda, segundo o qual haveria uma unidade entre o elemento espiritual divino e o 
sentimento humano no amor. Em 1803, ele publicou a obra Crítica da Doutrina Moral e 
tornou-se professor em Halle, depois em Berlim. Em 1822 publicou sua principal obra, A Fé 
Cristã (Rodrigues, 2009) 
 
Schleiermacher considerava que o homem era incapaz de aceder ao conhecimento 
das coisas. Para ele, a realidade última seria a identidade do Espírito e da Natureza, no 
universo ou Deus. Essa identidade não poderia ser alcançada pela inteligência, mas 
somente pelo sentimento, que seria a própria essência da religião. A religião seria 
sentimento e nunca pensamento. Para ele a religião era absolutamente separada da 
Filosofia e da moral. Shleiermacher concebeu a religião mais como algo relacionado com o 
coração do que com o intelecto, mais uma questão de fé do que de conhecimento 
(Rodrigues, 2009). 
 
9.2 Rudolf Bultmann 
Teólogo e escritor protestante alemão, Bultmann foi muito discutido tanto nos 
círculos protestantes como nos católicos por sua interpretação dos Evangelhos, da pessoa 
de Jesus e de sua mensagem. A teologia de Bultmann foi construída, enquanto catedrático 
na Faculdade de Teologia de Marburg, pela influência de Martin Heidegger, professor de 
Filosofia na mesma universidade (Rodrigues, 2009). 
 
Em 1958 Rudolph Bultmann publicou em alemão a sua obra clássica, “Jesus Cristo 
e Mitologia”, contendo as conferências que pronunciou em outubro de 1951 na 
Universidade de Yale. Desde então, as idéias radicais de Bultmann caíram gradativamente 
em descrédito, após haverem influenciado profundamente o mundo acadêmico de estudos 
neotestamentários. Seu livro, que o tornou famoso, hoje tem valor real apenas histórico, 
 
 
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para os interessados em estudar aquele período em que o famoso programa de 
“desmitologização” proposto por Bultmann dominou o cenário. 
 
É importante que não exageremos a importância de Bultmann, pois, além de não ter 
sido original em muitas de suas ideias, visto que muito do programa de Bultmann já havia 
sido proposto por outros estudiosos alemães antes dele, como Weiss, Bousset, 
Schleiermacher, etc., seus próprios discípulos, como Ernest Käsemann e Günther 
Bornkamm, questionaram em sua época o radicalismo do mestre. O movimento em torno 
do nome de Bultmann tem mais ligação com a radicalidade de suas propostas do que com 
a validade e a aceitação das mesmas (Lopes, 2018). 
 
Algumas das críticas mais comuns feitas ao trabalho de Bultmann são o uso do 
racionalismo e da cosmovisão científica como ponto de partida para determinar o que pode 
serreal ou mito, o uso do existencialismo e o anacronismo em atribuir aos escritores do 
Novo Testamento o emprego de figuras mitológicas que na realidade só aparecem na 
literatura posterior aos tempos bíblicos. Uma outra crítica é que sua teoria não deixa 
aos cristãos outra possibilidade para a origem do universo senão o evolucionismo 
darwinista, visto que milagres como a criação do mundo não existem (Lopes, 2018). 
 
9.3 Paul Johannes Tillich 
Teólogo alemão, foi contemporâneo de Karl Barth e um dos mais influentes teólogos 
protestantes do século XX. Seu pensamento aparece como uma ponte entre o sagrado e o 
profano (Rodrigues, 2009). 
 
Paul Tillich viveu a efervescência do debate com a teologia liberal que predominara 
no século XIX. Ele ofereceu sínteses satisfatórias ao criticá-la, sem, contudo, perder a 
comunicação com a linguagem moderna e com o mundo secularizado que conheceu, tanto 
na Europa como nos EUA, para onde migrou em 1933 devido às formas repressivas 
surgidas com os totalitarismos políticos do período (Ribeiro, 2003). 
 
Paul Tillich, portanto, preocupou-se com a compreensão e com a crítica da realidade 
nos aspectos sociais, culturais, políticos e econômicos. Em função disso, como visto, 
estabeleceu amplo debate entre a teologia e diferentes campos do conhecimento, o que 
possibilitou refutar formas de reducionismo e de absolutismo religioso ou teológico. Nesse 
 
 
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sentido, está a referência à sua produção como teologia da mediação. As experiências de 
vida que o fizeram confrontar-se com a realidade de sofrimento humano vivenciado de 
maneira especial com o nazismo e no período das grandes guerras mundiais destruíram a 
mentalidade liberal e o otimismo que possuía em relação às iniciativas humanas. Todavia, 
não obstante a isso, Tillich sempre insistiu na participação compromissada em projetos de 
transformação social (Ribeiro, 2003). 
 
As perguntas da existência humana e as respostas teológicas conduzem o ser 
humano a um ponto que não se refere a um momento no tempo, mas ao ser essencial do 
humano em sua unidade existencial que reúne a finitude humana e a infinitude divina. 
Nesse sentido, ficam destacadas as preocupações de Tillich com a cultura, com a história 
e com a busca do Incondicionado (Ribeiro, 2003). 
 
Acreditava que a Bíblia não era a única fonte da teologia e que deveria interessar-se 
pelas diferentes formas de cultura. Elaborou uma teologia que engloba aspectos da 
realidade humana em função da situação histórica do homem. A influência de Tillich 
cresceu ainda mais depois de sua morte (Rodrigues, 2009). 
 
A experiência de vida, o método teológico e a preocupação de Tillich em estabelecer 
uma relação da teologia com a cultura e com a história, e a busca incessante pelo 
Incondicionado, como Preocupação Última, são aspectos que o autorizam como interlocutor 
nas reflexões teológicas de hoje (Ribeiro, 2003). 
 
9.4 A Teologia Liberal 
A teologia liberal se desenvolveu do século XVII até por volta do século XX na 
Alemanha. Propõe a liberdade de expressão e a prioridade dada à razão em detrimento da 
autoridade clerical e das doutrinas absolutas sobre Deus. Opõe-se à sistematização do 
dogma e é marcada pelo otimismo em relação ao progresso do ser humano quando 
auxiliado pela tecnologia e pela razão lógica. Os teólogos liberais se concentraram na busca 
pelo Jesus histórico, já que enfatizavam o caráter ético e moral da mensagem cristã. Sua 
metodologia é conhecida como História das Religiões Comparadas, método que compara 
diferentes tradições culturais em busca de elementos, imagens, símbolos e expressões de 
origem. A teologia liberal viabilizou o uso de outros instrumentos para a exegese, 
 
 
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possibilitando ao intérprete da Bíblia apropriar-se dos textos sagrados à luz de sua própria 
experiência, lançando um novo olhar sobre o texto (Rodrigues, 2009). 
 
 
 
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