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INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
CURSO DE BACHARELADO EM TEOLOGIA – EAD
Introdução à Teologia – Prof. Dr. Pe. Ricardo Gonçalves Castro
Meu nome é Ricardo Gonçalves Castro. Sou Doutor em Teologia 
Dogmática pela Faculdade de Teologia N. Sra. da Assunção e Mestre em 
Ciências da Religião pela Universidade de Louvain (Bélgica). Atuo como 
Padre da Congregação dos Missionários da Consolata, como Professor no 
Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (ITEPES-
AM); Professor visitante do Instituto Esperança de Ensino Superior 
(Santarém - PA); Assessor do Instituto de Pastoral Regional (IPAR-PA) 
e como Assessor da Associação Serviço de Ação, Reflexão e Educação 
Social (SARES - AM). 
e-mail: castrocardo@gmail.com
INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
Guia de Disciplina
Caderno de Referência de Conteúdo
Prof. Dr. Ricardo Gonçalves Castro
© Ação Educacional Claretiana, 2007 – Batatais (SP)
Trabalho realizado pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais (SP)
Curso: Bacharelado em Teologia
Disciplina: Introdução à Teologia
Versão: jul./2010.
Reitor: Prof. Dr. Pe. Sérgio Ibanor Piva
Vice-Reitor: Prof. Ms. Pe. Ronaldo Mazula
Pró-Reitor Administrativo: Pe. Luiz Claudemir Botteon
Pró-Reitor de Extensão e Ação Comunitária: Prof. Ms. Pe. Ronaldo Mazula
Pró-Reitor Acadêmico: Prof. Ms. Luís Cláudio de Almeida
Coordenador Geral de EAD: Prof. Ms. Artieres Estevão Romeiro
Coordenador do curso de Bacharelado em Teologia: Prof. Ms. Pe. Vitor Pedro Calixto dos Santos
Coordenador de Material Didático Mediacional: J. Alves
Preparação 
Aletéia Patrícia de Figueiredo
Aline de Fátima Guedes
Camila Maria Nardi Matos 
Cátia Aparecida Ribeiro
Dandara Louise Vieira Matavelli
Elaine Aparecida de Lima Moraes
Elaine Cristina de Sousa Goulart
Josiane Marchiori Martins
Lidiane Maria Magalini
Luciana A. Mani Adami
Luciana dos Santos Sançana de Melo
Luis Henrique de Souza
Luiz Fernando Trentin
Patrícia Alves Veronez Montera
Rosemeire Cristina Astolphi Buzzelli
Simone Rodrigues de Oliveira
Revisão
Felipe Aleixo
Isadora de Castro Penholato
Maiara Andréa Alves
Rodrigo Ferreira Daverni
Vanessa Vergani Machado
Projeto gráfico, diagramação e capa 
Eduardo de Oliveira Azevedo
Joice Cristina Micai 
Lúcia Maria de Sousa Ferrão
Luis Antônio Guimarães Toloi 
Raphael Fantacini de Oliveira
Renato de Oliveira Violin
Tamires Botta Murakami
Wagner Segato dos Santos
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, a transmissão total ou parcial 
por qualquer forma e/ou qualquer meio (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, 
gravação e distribuição na web), ou o arquivamento em qualquer sistema de banco 
de dados sem a permissão por escrito do autor e da Ação Educacional Claretiana.
Centro Universitário Claretiano 
Rua Dom Bosco, 466 - Bairro: Castelo
Batatais SP – CEP 14.300-000
cead@claretiano.edu.br
Fone: (16) 3660-1777 – Fax: (16) 3660-1780 – 0800 941 0006
www.claretiano.edu.br
SUMÁRIO
GUIA DE DISCIPLINA
1 APRESENTAÇÃO ................................................................................................ VII
2 DADOS GERAIS DA DISCIPLINA .......................................................................... VII
3 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................ VIII
4 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................. IX
CADERNO DE REFERÊNCIA DE CONTEÚDO
APRESENTAÇÃO ............................................................................................... 1
INTRODUÇÃO À DISCIPLINA
AULA PRESENCIAL ............................................................................................ 2
UNIDADE 1 – TEOLOGIA: INTRODUÇÃO E MÉTODO
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................4
2 FAZER E VIVER A TEOLOGIA NA PRÁXIS1 E PELA PRÁXIS ......................................4
3 PRESSUPOSTO BÁSICO PARA A TEOLOGIA ...........................................................5
4 TEOLOGIA (CONTEÚDO E FORMA / DICIONÁRIO E GRAMÁTICA) .............................6
5 MÉTODO: APRENDER A FAZER ...........................................................................7
6 QUAIS PODERIAM SER AS POSSÍVEIS METAS PARA ESTE CURSO?...........................8
7 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................9
8 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM .................................................................10
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................10
10 E-REFERÊNCIAS ..............................................................................................11
UNIDADE 2 – CONCEITO E NATUREZA DA TEOLOGIA
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................14
2 CONCEITO DE TEOLOGIA ...................................................................................14
3 TEOLOGIA COMO HERMENÊUTICA DA FÉ..............................................................17
4 TEOLOGIA COMO CRÍTICA HISTÓRICA .................................................................18
5 TEOLOGIA COMO VIVÊNCIA ÉTICA DA FÉ .............................................................19
6 COMO NASCE CONCRETAMENTE A TEOLOGIA .......................................................20
7 O QUE ESTUDA A TEOLOGIA E EM QUE PERSPECTIVA ............................................21
8 ESTRUTURA DO DISCURSO TEOLÓGICO EM PARTICULAR .......................................21
9 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................22
10 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM ...............................................................22
11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................23
12 E-REFERÊNCIAS ..............................................................................................24
UNIDADE 3 – TAREFA DA TEOLOGIA – PARA QUE TEOLOGIA?
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................26
2 TEOLOGIA COMO “SABER” .................................................................................26
3 TEOLOGIA – UM SENTIDO HUMANO PARA A VIDA ................................................28
4 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................30
5 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM .................................................................30
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................31
UNIDADE 4 – CONCEITOS BÁSICOS DE TEOLOGIA
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................34
2 FÉ – ALGUNS ELEMENTOS BÁSICOS SOBRE O ATO DE FÉ .......................................34
3 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM .................................................................39
4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................40
UNIDADE 5 – INTERAÇÕES DA FÉ
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................42
2 FÉ E RAZÃO – A RACIONALIDADE DA FÉ ..............................................................42
3 FÉ E PALAVRA – A EPISTEMOLOGIA DA FÉ............................................................43
4 FÉ E EXPERIÊNCIA – A AFETIVIDADE DA FÉ ........................................................46
5 FÉ E PRÁTICA – A PRÁXIS DA FÉ .........................................................................48
6 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................48
7 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM .................................................................49
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................49de fé estão os problemas, as dificuldades, as b) 
suspeitas que provocam esse retorno ao que foi vivenciado.
Em relação ao segredo de todo aprofundamento teológico, está a habilidade c) 
de captar a questão que gera a argumentação teológica e descobrir o modo 
mais adequado de debatê-la.
No caso pessoal, é importante saber levantar perguntas ricas, gerais, d) 
básicas, novas, decisivas, suspeitosas, que nos obriguem a interpretar, 
recriar, atualizar a experiência da fé. 
Na terceira unidade, vamos refletir juntos sobre a tarefa da teologia, procurando 
responder à seguinte questão: para que teologia?
Até lá!
10 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Neste momento, convidamos você a fazer uma auto-avaliação de sua 
aprendizagem sobre os conteúdos estudados na Unidade 2. Tente responder para si 
mesmo:
Como nasce concretamente a teologia?a) 
Qual a perspectiva e objeto de estudo da teologia?b) 
Quais as características da estrutura do discurso teológico em particular?c) 
Ainda tenho dúvidas em relação aos conteúdos estudados na Unidade 2? d) 
Quais? Como posso eliminá-las?
Bacharelado em Teologia
© Introdução à Teologia • • • CRC
Batatais – Claretiano 23
Versão para impressão econômica
UNIDADE 2
O que posso fazer para ampliar meus conhecimentos sobre teologia, como e) 
hermenêutica da fé, crítica histórica e vivência ética da fé?
11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ALSZEGHY, Zoltan; FLICK, Mauricio. Como se faz teologia. São Paulo: Paulinas, 1970.
DOS ANJOS, Márcio Fabri (Org.). Teologia e novos paradigmas. São Paulo: Loyola, 1996.
BíBLIA SAGRADA. Bíblia sagrada – edição pastoral. São Paulo: Paulus, 2002.
BOFF, Clodovis. Teoria do método teológico. Petrópolis: Vozes, 1998.
______. Conselhos a um jovem teólogo. In: Persp. Teol., n. 31, p. 77-96, 1999.
______. Teologia e prática. Teologia do político e suas mediações. Petrópolis: Vozes, 
1993.
BOFF, Leonardo; BOFF, Clodovis. Como fazer teologia da libertação. Petrópolis: Vozes, 
1993.
FORTE, Bruno. Teoria em diálogo. Para quem quer e para quem não quer saber nada 
disso. São Paulo: Loyola, 2002.
GEFFRÉ, C. Como fazer teologia hoje. São Paulo: Paulinas, 1989.
______. Crer e interpretar - A virada hermenêutica da teologia. Petrópolis: Vozes, 2004.
GONÇALVES, Paulo Sérgio Lopes. Epistemologia e método sistemático da TDL - REB 60. 
p. 145-179, mar. 2000. 
HAIGHT, Roger. Dinâmica da teologia. São Paulo: Paulinas, 2004.
RAHNER, K. Curso fundamental da fé. São Paulo: Paulinas, 1989.
HICK, John. A metáfora do Deus encarnado. Petrópolis: Vozes, 2000. 
KÜNG, H. Teologia a caminho: fundamentação para o diálogo ecumênico. São Paulo: 
Paulinas, 1999.
LACOSTE, Jean Yves. Dicionário crítico de teologia. São Paulo: Loyola, 2004.
LIBÂNIO, João B. Introdução à vida intelectual. São Paulo: Loyola, 2001.
______. A arte de formar-se. São Paulo: Loyola, 2001.
______; MURAD, Afonso. Introdução à teologia. Perfil, enfoques, tarefas. São Paulo: 
Loyola, 1998.
MONDIN, B. A linguagem teológica. Como falar de Deus hoje? São Paulo: Paulinas, 
1979.
PALACIO, Carlos. Deslocamentos da teologia, mutações do cristianismo. São Paulo: Loyola, 
2001.
PASTOR, Felix Alejandro. A lógica do inefável. São Paulo: Loyola, 1989. 
PLATÃO. A república de Platão. 6. ed. Atenas: Ed. Atena, 1956.
PIKAZA, Xavier; SILANES, Nereo. Dicionário teológico - O Deus cristão. São Paulo: Paulus, 
1998.
REB 50. A Missão Eclesial do Teólogo. In: Subsídios de leitura e elementos para um 
diálogo em torno à “Instrução sobre a vocação eclesial do teólogo” - REB 50, p. 771-807. 
dez. 1990.
RITO, Frei Honório. Introdução à Teologia. Petrópolis: Vozes, 1998.
ATENÇÃO!
É fundamental que amplie sua 
bagagem teórico-conceitual 
com pesquisas, aproveite este 
momento para eliminar eventuais 
dúvidas com seu tutor. .
CRC • • • © Introdução à Teologia
Claretiano – Batatais24
Bacharelado em Teologia
Versão para impressão econômica
UNIDADE 2
SOBRINO, Jon. Como fazer Teologia. Proposta metodológica a partir da realidade 
salvadorenha e latino-americana. In: Persp. Teol., n. 21, p. 285-303, 1989.
SUSIN, Luiz Carlos (Org.). Sarça ardente. Teologia na América Latina: prospectivas. São 
Paulo: Paulinas, 2000.
______. Fazer teologia em tempos de globalização. Nota sobre método em teologia. In: 
Persp. Teol. 31, p. 97-108, 1999.
TABORDA, Francisco. Métodos Teológicos na América Latina. In: Persp. Teol., n. 19, p. 
293-319, 1987. 
VILANOVA, Evangelista. Para compreender a teologia. São Paulo: Paulinas, 1998.
WICKS, Jared. Introdução ao método teológico. São Paulo: Loyola, 1999.
TAMAYO-ACOSTA, Juan Jose; SAMANES,F. C. Dicionário de conceitos fundamentais do 
cristianismo. São Paulo: Paulus, 1999.
12 E-REFERÊNCIAS
SOLASCRITURA. Imago dei. Disponível em: . Acesso em: 10 jan. 2007. 
VATICAN. Documentos do Concílio Vaticano II. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2006.
______. Catecismo da Igreja Católica. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2006.
(2) Anselmo de Cantuária: Imagem e Texto – WIKIPÉDIA. Anselmo de Cantuária. 
Disponível em: . Acesso 
em: 21 dez. 2006.
(3) Concílio Vaticano II: Imagem – WIKIPÉDIA. Concílio Vaticano II. Disponível em: 
. Acesso em: 21 dez. 2006. 
Texto – CNBB. Concílio Vaticano II. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2006.
(5) Orígenes. Imagem e Texto – WIKIPÉDIA. Orígenes. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2006.
(7) Ano Sabático: Texto – SABÁTICO. Ano sabático. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2007.
(8) Ano Jubileu: Texto – MONTFORT. Ano Jubileu. Disponível em: http://www.montfort.
org.br/perguntas/jubileu_dias.html. Acesso em : 20 jan. 2007.
(9) Torah: Texto – WIKIPÉDIA. Torah. Disponível em: . Acesso em:20 jan. 2007.
Objetivos
Analisar a teologia como “saber”.• 
Reconhecer e interpretar a teologia como reconstrução • 
de sentido.
Conteúdos
Teologia como “saber”.• 
Teologia como reconstrução de sentido.• 
TAREFA DA TEOLOGIA – 
PARA QUE TEOLOGIA?
U
N
ID
A
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 3
CRC • • • © Introdução à Teologia
Claretiano – Batatais26
Bacharelado em Teologia
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UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO 
Muitos estudantes de teologia, quando se apresentam em um ambiente secular, 
são questionados da razão de sua preferência acadêmica. Alguns são questionados sobre 
a utilidade de tal ciência: para que teologia? Nesta etapa, queremos enfrentar mais 
profundamente essa questão. Ainda precisamos de teologia? Se a resposta é afirmativa, 
então qual será sua tarefa?
No início desta etapa, vamos assentar alguns elementos básicos que nos 
ajudarão a responder à questão sobre a tarefa da teologia para hoje.
Inicialmente, é importante perceber que a teologia vive de uma tríplice tensão de 
salvaguardar a memória da fé presente na tradição e na recordação perigosa da memória 
do Cristo crucificado e ressuscitado, e do Deus que ele nos revela.
Além disso, a teologia deve se confrontar com os desafios do hoje da história, 
ela é chamada a ler os sinais do Reino presentes na realidade da vida humana.
E, finalmente, deve assumir no presente a promessa antecipadora do Deus que 
vem para realizar em plenitude seu projeto para a humanidade e para a criação.
Tendo em conta esses elementos, podemos adentrar na problemática de 
esclarecer a tarefa da teologia para o nosso tempo.
Bom estudo!
2 TEOLOGIA COMO “SABER”
A teologia sempre apresentou um papel relevante no contexto social, 
a preocupação atual e o esforço são de descobrir e resgatar sua especificidade. Para 
descobrir o que é específico da teologia, é necessário passarpor uma humilde e sincera 
redefinição de seu lugar no conjunto dos saberes.
A modernidade caracterizou-se pela busca de definir os diversos campos do saber. 
Esta situação faz com que nenhuma ciência ou saber possa se afirmar como conhecimento 
abrangente, total, completo ou perfeito. A questão religiosa, a questão sobre Deus, não é 
somente discutida pelo saber teológico. Teologia, como já vimos, tem seu modo específico 
de trabalhar essa questão, mas outros saberes também se confrontam com as mesmas 
questões. 
Desse modo, pode-se dizer que cada saber possui sua autonomia, mas, ao 
mesmo tempo, precisa de complementaridade. A teologia, como um saber sobre Deus e 
sobre o humano, é um saber autônomo, mas isso não significa que seja absoluta.
Podemos talvez nos perguntar se compreender teologia desse modo significa 
limitá-la, relativizá-la ou des-absolutizá-la?
O melhor seria compreender a teologia em processo de relação com outros 
saberes naquilo que lhe compete na apresentação específica de uma compreensão do 
“sentido último”, do divino, do transcendente, proveniente da fé e da revelação. Contudo, 
a teologia, como saber autônomo sobre Deus e o ser humano, precisa de outros saberes 
ATENÇÃO!
No início e durante o 
desenvolvimento das unidades, 
é importante que você sempre 
fique atento às informações 
contidas no Guia de disciplina 
e na página inicial da unidade, 
a fim de que possa programar, 
organizar seus estudos e 
participar, ativamente, na Sala 
de Aula Virtual, ou enviando 
suas contribuições por fax ou 
pelo correio. Ter disciplina para 
estudar pode ajudar você a tirar o 
máximo de proveito em seu curso 
na modalidade a distância.
Bacharelado em Teologia
© Introdução à Teologia • • • CRC
Batatais – Claretiano 27
Versão para impressão econômica
UNIDADE 3
para que possa oferecer uma resposta mais eficaz aos desafios da vivência da fé no 
contexto histórico atual.
Hoje já não é possível uma subordinação de uma ciência por outra. A filosofia 
já não pode ser vista como serva da teologia. A complementaridade que os saberes 
autônomos necessitam gera uma perspectiva bilateral das relações. A teologia ilumina, 
mas é também iluminada. Trata-se de saberes diferentes, mas não opostos.
Relativizar ou especificar a tarefa teológica, o que isso quer dizer?
A teologia é uma reflexão sobre a fé cristã. Seu específico funda-se no evento 
histórico Jesus Cristo, assim como foi testemunhado na vida de seus discípulos. Sobre 
este fato é possível compreender o ser humano e buscar um sentido para a história e para 
o mundo. 
Assim, no panteão da variedade de interpretações da realidade, a teologia 
possui uma interpretação específica, rica de sentido e de possibilidade de 
conduzir a vida humana e a história.
Note que relativizar não significa necessariamente tirar da teologia sua 
particularidade e importância para a existência humana, mais que isso, é assumir sua 
relevância entre os demais saberes. 
O mais importante é relacionar a palavra, que lhe foi dada (revelada) e acolhida 
livremente, com a variedade de concepções do ser humano. Sua palavra tem implicações 
concretas para a humanidade porque se funda no mistério da vida humana de Jesus 
de Nazaré – lugar do encontro de Deus com o humano. Sua vida aponta para uma 
compreensão do ser humano, da história e de Deus.
Reconduzida ao seu devido lugar entre os outros saberes, a teologia tem, 
evidentemente, uma palavra própria, pois ela nos foi dita na história concreta de um 
homem, Jesus de Nazaré, que é para nós a palavra indivisível sobre o homem, sobre a 
história e sobre Deus. 
A experiência cristã funda-se sobre dois aspectos fundamentais, a compreensão 
do mistério de comunhão do Deus Trinitário e a encarnação. Comunhão e história são 
partes intrínsecas da elaboração teológica. Teologia é para a comunhão, unidade interna 
da comunidade de fé e expressão de sua vocação missionária universal. Teologia é 
companheira histórica da aventura humana, apontando para seu destino e sentido final, 
chamado por Jesus Cristo de Reino de Deus (Lc, 17: 21 – BÍBLIA SAGRADA, 2002). Desse 
modo, ela está preservada da alienação e do fundamentalismo, tendências próprias do 
fenômeno religioso contemporâneo.
A tarefa teológica como saber específico não é substituir as ciências ou repetir 
sua linguagem. É pôr em contato essa atualidade histórica com a tradição de 
Jesus de Nazaré, da qual vive a teologia. Nesse sentido, a função da teologia é 
de mediação: fazer que as questões do presente interroguem a tradição para 
que a tradição possa ressoar no presente.
Desse modo, a teologia deve ressoar no coração humano o anseio por liberdade 
e sentido último. Seu método e princípio serão o diálogo, o confronto e a crítica. Frente a 
Jesus Cristo, não estamos simplesmente diante de um dogma ou de uma doutrina, mas 
perante um acontecimento concreto que coloca o ser humano ante a questão do sentido 
INFORMAÇÃO:
A palavra própria da teologia é 
dada na história (é o sentido da 
“revelação”) e nela tem que ser 
acolhida livremente (é o sentido 
da “fé”). 
CRC • • • © Introdução à Teologia
Claretiano – Batatais28
Bacharelado em Teologia
Versão para impressão econômica
UNIDADE 3
(origem e meta da história humana) de maneira histórica, livre e pessoal. 
Isso quer dizer que a relevância social e a pertinência humana da teologia 
dependem da adesão livre a essa “palavra” e da capacidade que ela possui de suscitar um 
modo de viver que é “sensato” e pode interessar aos homens e às mulheres com os quais 
convivemos. Mostrar, com alguns exemplos, essa força “reconstrutora” da razão teológica 
é o que nos resta por fazer antes de concluir. 
3 TEOLOGIA – UM SENTIDO HUMANO PARA A VIDA 
Atualmente, o grande desafio para a teologia é mostrar sua relevância para a 
vida humana. Se por um longo tempo a teologia procurou se mostrar relevante pela sua 
elaboração lógica e sistemática da verdade doutrinal, diante das crises da modernidade 
ela deve se tornar companheira da tentação niilista e mercantilista da vida humana. 
O niilismo não é o abandono dos valores, a renúncia a viver alguma coisa pela 
qual valha a pena viver, mas um processo mais sutil: ele priva o ser humano do 
gosto de se empenhar por uma razão mais alta, despoja-o daquelas motivações 
fortes que a ideologia ainda parecia oferecer-lhe. A doença que hoje mais 
se alastra é a falta de “paixão pela verdade”: este é o rosto trágico da pós-
modernidade (FORTE, 2003, p. 17).
Vamos compreender melhor com o estudo proposto a seguir. 
O sentido humano não está somente na razão lógica
Para a modernidade com sua lógica sobre o ser, o sujeito se impõe sobre 
a realidade, atribuindo a ela sua hipótese interpretativa. Seu propósito é separar 
definitivamente o sujeito do objeto, gerando o isolamento do sujeito, a dificuldade de 
sentir-se membro, parte, processo, comunidade.
Como sair desse subjetivismo exacerbado, da fragmentação da realidade, do 
absoluto da razão lógica? Seria esta a única maneira de compreender o ser humano? 
Os resultados negativos da modernidade tornam-se evidentes nos seus efeitos 
sobre o meio ambiente a ponto de levar à própria destruição do planeta. O econômico 
prevalece sobre o humano e os valores da vida, gerando exclusão e miséria humana. A 
tecnologia informática nos distancia cada vez mais dos encontros humanos significativos, 
duradouros e com a própria natureza.
A tarefa teológica, neste contexto, sem prescindir dos aspectos importantes da 
razão, pode oferecer não somente uma palavra “reconstrutora”, mas uma compreensão 
mais ampla da razão e do conhecimento humano. 
Com efeito, em Jesus Cristo o ser humano aparece como ato de escuta e de 
acolhida da palavra que o constitui e o supera. O ser humano é constitutivamente 
dialogal, um “eu” diante de um “Tu”. Ser relacional em si mesmo. É a condição 
da filialidade de Jesus, isto é, de sua capacidade de reconhecer-se como filho, de 
reconhecer o Deus como Pai (e não como rival ou como poder) e de reconheceros outros como irmãos (PALÁCIOS, 2001, p. 83).
A condição humana não pode ser reduzida ao “cogito ergo sum”, a razão 
não pode ser o centro fundamental da vida humana. Sem deixar de valorizá-la, faz-se 
Bacharelado em Teologia
© Introdução à Teologia • • • CRC
Batatais – Claretiano 29
Versão para impressão econômica
UNIDADE 3
necessário compreender o ser humano em sua totalidade, ou melhor, na sua relacional 
idade – capacidade de relacionar, capacidade de encontro, de amar com razão e raciocinar 
com amor.
A unidade do conhecimento – o ser histórico
A razão moderna fundada sobre a lógica leva ao esquecimento do ser, ao 
abandono do ontológico1. Esquece-se do existir em sua realidade histórica, perdendo-
se, assim, a unidade da experiência. Sem pensar sobre o nosso existir histórico, corremos 
o perigo de perder o sentido de ser. Conhecemos para ser mais, para entrar em contato 
com aspectos mais profundos da realidade que podemos chamar de metafísicas, 
transcendentes. Conhecimento racional distante ou separado da experiência de existir na 
história faz do ser humano uma “razão” sem sentido.
Proteger essa unidade entre razão, ser e saber, é vital para a teologia, mas 
também sua maneira discreta de prestar um serviço importante à antropologia. 
Porque, ao postular a unidade, a teologia aponta para o Absoluto que a habita 
e do qual fala. O ser humano é um ser situado: responsorialmente diante de 
Deus e responsavelmente diante dos outros. Nada escapa à totalidade dessa 
experiência (PALÁCIOS, 2001, p. 84).
A teologia no discurso ontológico sobre o ser deve privilegiar a compreensão 
do ser humano para além do somente rentável, do econômico, do útil. O ser humano é 
imagem de Deus, na imagem do Filho. No Filho, o ser humano torna-se visitação de Deus, 
sua epifania. No contexto da criação, o ser humano é chamado a compor a comunidade da 
criação e reconhecer os resquícios de Deus e de seu poder na natureza.
A tarefa da teologia, na busca de dar um sentido de unidade ao ser humano, 
será de religar conhecimento da fé com o ato de existir historicamente. A fé unida com 
a esperança leva o ser humano a transgredir a fatalidade, dar sabor à vida, inspirar, 
alentar, animar, dar sentido. Isso será ter ciência com sabedoria, sistemas abertos de 
conhecimento e vida como um processo constante de tornar-se. Pascal disse: “O homem 
supera infinitamente o ser homem”. Sua percepção nasceu da fé.
Transcendência difusa
No contexto da pós-modernidade, “secularização” não é sair da esfera religiosa, 
mas é o declínio das religiões instituídas. Na atualidade, isto significa perda da importância 
cultural do fator religioso. Com o estreitamento social do espaço religioso, a religião é 
reduzida à esfera do culto e aos agrupamentos religiosos específicos. O fator religioso 
coexiste com outros valores e se reduz à opção pessoal e ao âmbito da consciência. Ocorre 
a perda da influência da religião na política e no social.
É uma religiosidade que propõe a seus seguidores fins espirituais e religiosos. É 
uma tendência oposta às questões da década anterior sobre o compromisso político e uma 
prática libertadora. As religiões e a experiência religiosa na atualidade são organizadas 
dentro de um imenso mercado religioso. (i) 
Com o fim da religião institucional ou institucionalizada, como falar de Deus, de 
transcendência? Como uma experiência do transcendente sem a mediação da religião? 
O problema da religião, antes, era lidar com as carências de sentido para a vida e para 
morte, para, partindo daí, apontar para o mais além. Hoje, a religião tem que lidar com 
a onipotência do sistema neoliberal, cultura ocidental e norte-americana globalizada da 
onipotência, que toma forma de religião. Observe:
(1) Ontologia (1 Rubrica: 
filosofia) Segundo o aristotelismo, 
parte da filosofia que tem por 
objeto o estudo das propriedades 
mais gerais do ser, apartada da 
infinidade de determinações que, 
ao qualificá-lo particularmente, 
ocultam sua natureza plena e 
integral; metafísica ontológica 
(DICIONÁRIO HOUAISS). 
VOCÊ SABIA QUE... 
A diversidade religiosa gera 
compromisso religioso? Assim, 
quanto mais religiões, mais 
pessoas religiosas, o que faz 
nascer a concorrência e, dessa 
forma, a religião torna-se um 
produto a mais.
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UNIDADE 3
A religião, antes, era uma resposta para o caos, colocava ordem. Hoje, é 
uma resposta à necessidade imediata, a necessidade de consumo se confunde com a 
necessidade de Deus e de transcendência. 
Assim, os pobres querem respostas imediatas, os ricos querem respostas para 
suas desilusões. Religião é para dar respostas a problemas; não é certeza do mundo, mas 
a forma de controlar as incertezas. Religião é mais magia: curas, expulsão de malefícios. 
No sentido do circo, é mágica, diverte, emociona. 
Este mapa da realidade religiosa atual aponta para uma sede e uma busca 
de Deus para fugir da dureza da realidade. Nesta experiência do divino, há o risco sério 
de compreender mal a transcendência de Deus e colocar em jogo a responsabilidade e 
autonomia humana.
Na “transcendência difusa” da religiosidade atual, o ser humano é chamado a 
mergulhar no cosmo para transcender-se divino. Salvação é libertar o ser humano de sua 
contingência, de sua condição humana de limitada mortalidade. Para a fé cristã, é somente 
na contingência que se pode experimentar a transcendência de Deus. Na relação com 
Deus, o ser humano não se perde em Deus, porque vive de modo pessoal seu encontro 
com Ele, é um “tu” em diálogo, é uma existência nomeada e reconhecida.
O Deus de Jesus Cristo é o Deus solidário do Reino que caminha com seu povo, 
na construção histórica por meio de nossas ações e orações na vida do mundo. O Deus 
comprometido com a luta dos pobres que morre assassinado na cruz e ressuscita para 
vida plena na história. Esta percepção parece estar cada vez mais distante da vida das 
multidões, que, em cultos espetaculares, nos quais se experimenta expulsão de demônios 
e pacotes milagrosos, são levadas a experimentar um deus assistencialista, paternalista 
e individualista. 
4 CONSIDERAÇÕES 
No início desta unidade, você foi indagado sobre a necessidade da teologia hoje. 
O que você pensou sobre este assunto?
Para ajudá-lo a responder a essa questão, esta unidade representou uma 
oportunidade de refletir sobre o estudo da teologia como “saber” e sobre o reconhecimento 
e a reconstrução da teologia como reconstrução de sentido. Assim, esperamos que tais 
conhecimentos tenham construído o referencial que precisamos para o alcance de nossos 
objetivos. 
Na próxima unidade, vamos procurar reconhecer a especificidade da experiência 
religiosa enquanto modalidade da experiência humana relacional: mundo, ser humano 
e o transcendente, compreender a importância da linguagem simbólica na matriz da 
experiência religiosa e, baseados na elaboração de José Severino Croatto, definir o mito e 
o rito, além de definir doutrina e seus aspectos estruturantes na religião.
5 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Neste momento, convidamos você a fazer uma auto-avaliação de sua 
aprendizagem sobre os conteúdos estudados na Unidade 3. Tente responder para si 
mesmo:
PARA VOCÊ REFLETIR:
No contexto de sua comunidade 
de fé, quais as problemáticas e 
tarefas que se impõe à teologia?
Quais os maiores desafios 
enfrentados pela teologia na 
sua relação com as ciências, as 
tendências econômicas atuais 
e com a expansão de grupos e 
ofertas religiosas?
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UNIDADE 3
Qual a necessidade da teologia hoje? Como ela é interpretada?a) 
É possível interpretar a teologia como reconstrução de sentido?b) 
Que dúvidas ainda tenho em relação aos conteúdos estudados nesta c) 
unidade?
O que posso fazer para ampliar meus conhecimentos sobre a religião nas d) 
sociedades urbanizadasda ameríndia?
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BíBLIA SAGRADA. Bíblia sagrada – edição pastoral. São Paulo: Paulus, 2002.
FORTE, B. A essência do cristianismo. Tradução de Ephraim F. Alves. Petrópolis: Vozes, 
2003. v. 1.
LIBÂNIO, J. B.; MURAD, Afonso. Introdução à teologia. Perfil, enfoques, tarefas. São 
Paulo: Loyola, 1998.
PALÁCIO, C. Deslocamentos da teologia, mutações do cristianismo. São Paulo. Loyola: 
2001.
ROLDÁN, A. F. Para que serve a teologia? Método, história, pós-modernidade. Londrina: 
Descoberta, 2000.
ATENÇÃO!
As obras colocam-nos em 
outros tempos, lugares e 
culturas. Em outras palavras, 
apresentam situações e dilemas 
que nem poderíamos imaginar 
que pudéssemos encontrar. 
Portanto, amplie seus horizontes, 
pesquise!
Anotações
CONCEITOS BÁSICOS DE 
TEOLOGIA
Objetivos
Interpretar a fé e alguns dos elementos básicos sobre o • 
ato de fé.
Reconhecer o lugar real da revelação e duas afi rmações • 
básicas sobre a revelação de Deus.
Identifi car e interpretar um breve histórico da Teologia. • 
Conteúdos
Fé e alguns elementos básicos sobre o ato de fé.• 
Deus e Revelação Divina.• 
Breve histórico da Teologia. • 
U
N
ID
A
D
E
 4
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Bacharelado em Teologia
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UNIDADE 4
1 INTRODUÇÃO 
Na unidade anterior, estudamos o conceito de religião e os problemas de 
definição inerentes a ele. 
Nesta unidade, iremos focalizar os desdobramentos de alguns dos elementos 
básicos sobre o ato de fé, bem como tecer um breve histórico da Teologia. 
Vamos lá?
2 FÉ – ALGUNS ELEMENTOS BÁSICOS SOBRE O ATO DE FÉ
Não há fé fora do contexto cultural em que vivemos. O universo cultural marca-
nos a fé. Tanto a revelação é interpretada e lida a partir dessa situação, como a fé encontra 
aí suas respostas.
O ser humano que responde ao chamado de Deus é um ser inteligente, histórico, 
que vive dentro de determinado contexto social. Por isso, a fé só pode ser entendida e 
vivida por ele nessa situação histórica. 
Assim, a fé supõe de nossa parte um assentimento, em que nossa inteligência 
aceita a realidade interpelante da Revelação, do Deus verdadeiro que nos chama à salvação 
– comunhão com a Trindade. 
Contudo, essa aceitação implica de nossa parte pleno obséquio, obediência de 
fé. É uma atitude pessoal de confiança, de comunhão com Deus. Toda essa realidade é 
orientada, destinada a um encontro definitivo e pleno com a Trindade.
INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR: 
Teologia consiste na reflexão sobre essa fé eclesial. Ela tem a finalidade seja 
de justificar nossa própria fé, seja de oferecer elementos de ajuda a irmãos 
na fé que passam por túneis escuros de dúvida, de crise, de incerteza. A fé é 
problema de todos. Em cada pessoa que crê, dorme um ateu. Em cada ateu, 
esconde-se um crente. Somos crentes e ateus.
Se a fé é a resposta do ser humano à revelação, as mudanças na compreensão 
do ser humano refletem na maneira de ele viver sua fé. A autoconsciência do ser humano 
não se constrói a não ser na relação com o mundo, com a história, com os humanos, com 
a Transcendência. 
Desse modo, a consciência histórica faz o crente entender a fé em diálogo 
responsável com Deus, interpretando os acontecimentos como resultado também da ação 
humana, e não unicamente determinado por Deus. Supera-se uma concepção de fé como 
“crer em verdade”, para redescobrir a dimensão primigênia e a experiência humana da fé 
como entrega, confiança. 
Se creio em alguém, não significa, no primeiro momento, um assentimento ao 
que ele diz, mas uma acolhida de sua pessoa. Somente num segundo lance eu aceito, 
é claro, como verdade aquilo que diz. Portanto, a tendência em direção à decisão não 
ATENÇÃO!
Ao iniciar seus estudos sobre 
Introdução à Teologia, 
é importante considerar 
algumas técnicas que poderão 
potencializar sua aprendizagem:
a) tente estabelecer um horário e 
lugar fixo para o estudo;
b) procure ter à mão todos os 
recursos e materiais de que irá 
necessitar;
c) participe ativamente do 
estudo: com compreensão, 
atenção e concentração;
d) faça as reflexões sugeridas;
e) distribua racionalmente os 
períodos de estudo. 
Bacharelado em Teologia
© Introdução à Teologia • • • CRC
Batatais – Claretiano 35
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UNIDADE 4
desconhece o caráter de verdade, de comunicação de conteúdo, de tradição, de transmissão 
da fé. 
A fé na atual tendência adquire a função primordial de iluminadora, não da 
inteligência com muitas verdades, mas da vida, com um sentido radical. Volta-se ao 
momento inicial de nossa fé com novas elaborações de “credos”. Nesse esforço, intenta-
se que cada um descubra realmente o que é significativo, primordial para sua existência, 
para sua fé.
Deus
Como pensar em Deus? 
Deus não é algo em que se possa pensar facilmente, e muito menos ainda 
escrever. Se estivermos interessados em discorrer a respeito de Deus, é porque 
provavelmente temos alguma “sensação”, alguma “premonição”, um “senso” ou “intuição” 
do que é referido como Deus. 
Sentimentos, premonições e sensações ainda não são, todavia, o que entendo 
por pensamento. Muito embora o termo possa ter aplicação mais ampla, por pensamento 
refiro-me aqui ao modo teórico mencionar ao tipo de cognição em que recuamos da 
imediaticidade de uma experiência e situamos essa experiência em uma moldura 
conceitual.
 Uma vez que tenhamos inserido nossa experiência imediata em tal arcabouço 
de idéias, a experiência original pode ser-nos mediada de uma maneira que nos permite 
relacioná-la com outras experiências e idéias:
Vamos ver quais são?
Teologia negativaa) : Deus só pode ser abordado como sujeito, e não 
enquanto objeto do pensamento humano. Todo encontro possível com o 
divino, afirmam eles, só pode ocorrer na adoração e na oração, mas não em 
tentativas teóricas de descrever como Deus pode ser. Podemos dizer o que 
Deus não é, mas não o que Deus é.
Teologia positivab) : existe uma possibilidade de alguma espécie de 
referência positiva ao divino, muito embora, evidentemente, nossa 
linguagem seja sempre, na melhor das hipóteses, inadequada. Permite pelo 
menos a utilização de analogias em nosso discurso acerca daquele que é 
impensável. O simbolismo religioso, empregado por todas as tradições, já 
é uma linguagem analógica, e tal simbolismo inevitavelmente suscita-nos a 
necessidade de pensar e de teorizar a respeito de seu referente. Desde que 
tenhamos sempre em mente as deficiências de nossas metáforas e idéias 
acerca da realidade última, podemos e somos mesmo chamados a pensar a 
respeito do divino.
A idéia de Deus não é uma invenção da teoria, e sim produto de uma modalidade 
única de experiência. 
Os filósofos não inventaram o conceito de Deus. Essa noção chegou ao plano 
da consciência humana e introduziu-se no âmbito da história pela mediação da vida 
espontânea das pessoas religiosas. 
A linguagem original em que se manifestou o conceito de Deus é a do símbolo e 
do mito, tendo-se implementado em rituais e outros tipos de atividade humana bem antes 
de tornar-se tema de discussão filosófica e teológica. 
PARA VOCÊ REFLETIR:
A pessoa que se converte a uma 
determinada religião muda seu 
comportamento? 
Sua maneira de vestir? Por quê?
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UNIDADE 4
Entretanto, qualquer reflexão que façamos em nosso modo teórico deve referir-se 
continuamente a essas expressões ingênuas, pois é possível que nessas fontes simbólicas 
exista uma plenitude sempre renovável de sentido, capaz de continuar a nutrir nosso 
pensamento em todas as épocas, não importa quão cientificamente inclinados possamos 
nos tornar.
Há alguma esfera comum da experiência humana que talvez possa ser 
iluminada por nosso discurso acerca de Deus?
A pergunta sobre quem é Deus ou o que é Deus, na teologia atual, torna-se 
“onde está Deus?”. Quando o crente se pergunta “Deus onde estás?”, não está 
em busca deuma localização, mas se ele está aí. O nome de Deus não significa 
em primeiro lugar “eu sou aquele que É”, mas “Eu estarei aí, seguramente”. Não 
se pergunta por um lugar, mas invoca-se uma presença atuante e salvadora. 
Os nomes de Deus são invocações dessa presença salvadora, as expressões 
simbólicas daquilo que são experimentadas como fato, como também daquilo 
que se espera, da confiança que se impõe nessa presença. O Deus da fé é o 
Deus da história, é o Deus todo Outro que cria a questão da salvação no ser 
humano. O Deus, cuja resposta ultrapassa completamente as expectativas 
humanas, é um Deus procurado por causa de si mesmo, não um Deus 
“disponível”, adaptado pelo ser humano às suas necessidades. Deus é o 
mistério da gratuidade.
Na vida de Jesus Cristo, Deus não é somente o Pai do povo. É o Pai que está 
sempre com ele, de modo muito pessoal, com o qual ele se relaciona numa unidade 
afetiva e efetiva, de amor e de beneplácito, na execução de seu projeto confiado a ele no 
amor e legitimado na comunhão para sempre, na ressurreição.
A pergunta sobre Deus no contexto pós-moderno ocorre no crepúsculo ou 
na morte das grandes utopias (deuses). A ciência e a tecnologia passam a superar a 
capacidade de controle do ser humano, dominando-o. O mercado e a tecnologia econômica 
globalizada governam os destinos da humanidade, excluem e condenam os seres humanos 
à morte. A natureza rebela-se contra o ser humano como resposta à depredação da vida 
ambiental. 
Na busca de apreender o mistério insondável de Deus, a teologia ora recorre a 
conceitos e doutrinas, ora busca imagens, comparações simbólicas. Os conceitos são mais 
precisos, porém mais frios. As imagens e comparações simbólicas são mais atraentes, 
porém menos exatas.
Em síntese, Deus é tanto imanente no mundo, como transcendente – Totalmente 
Outro. A presença de Deus penetra todo universo. Deus não é somente criador do mundo, 
mas também o Espírito (dínamo) do Universo. Deus cria por meio do Filho e para Ele, 
pela força do Espírito, a terra e, ao mesmo tempo, habita e descansa em sua criação 
(sábado). 
Assim, a presença máxima da imanência de Deus se dá no coração do ser 
humano e chega à plenitude no mistério da encarnação do Filho. Deste modo, a imanência 
de Deus aparece na sabedoria, na inteligência, na ordem existente no mundo, já que 
o mundo procede de sua sabedoria. Essa presença de Deus no mundo não lhe retira a 
autonomia e liberdade.
Deus é o Deus da vida, sua glória é o ser humano vivo e a natureza em esplendor. 
Vida é a realidade concreta e cotidiana do ser humano. Na aliança com a humanidade, 
ATENÇÃO!
Para aprofundamento do 
tema, sugerimos que procure 
em algum dicionário teológico 
ou bíblico algum termo que 
você tenha o interesse de 
conhecer. Em seguida, 
relacione esses conceitos com 
alguma experiência pessoal ou 
comunitária de fé.
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Batatais – Claretiano 37
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UNIDADE 4
Deus continua criando vida tornando, pois, o ser humano co-criador. Nas várias relações 
de vida, Deus é salvador e conduz a história para a plenitude de salvação.
Além disso, Deus ouve o grito da terra articulado com o grito dos pobres. A terra 
é o pobre cuja morte acarretará a morte de todos nós. O Deus criador é o Deus da vida dos 
pobres e todas as formas de vida do planeta. Tudo está envolvido nesse mesmo projeto de 
amor e anseia por libertação e plenitude.
Revelação
A palavra revelação (latim, revelatio; grego, apocalypsis), etimologicamente, 
significa a remoção de um véu (latim, velum; grego, kalymma), conseqüentemente 
descobrir. Tradicionalmente, a revelação é descrita como a manifestação sobrenatural de 
Deus “de si mesmo e dos decretos eternos de sua vontade”. 
O Vat. II não propõe um conceito, mas uma ação de Deus que livremente torna 
conhecido o propósito escondido (sacramentum) da vontade divina e amorosamente fala 
aos seres humanos como amigos, convidando-os “à comunhão consigo.” (DV 2). 
O conceito teológico de revelação difere do popular, que usa o termo para designar 
uma descoberta súbita, inesperada, algo que vem ao indivíduo com força, profundidade e 
clareza excepcionais.
A palavra grega apocalypsis, geralmente, refere-se a uma extraordinária 
experiência psicológica, em que o recipiente sai deste mundo e se transporta para um 
mundo superior. Do ponto de vista teológico,, a revelação não passa necessariamente por 
esse tipo de experiência. 
Muitos outros termos bíblicos devem ser levados em consideração no sentido • 
de entendermos a revelação. 
Vamos conhecer alguns?• 
logos theou (palavra de Deus);a) 
phanerosis (manifestação);b) 
epiphaneia (aparição);c) 
gnosis (conhecimento);d) 
e aletheia (verdade).e) 
Cuidado com a relação do termo com seu uso popular.
O lugar real da revelação
A revelação pertence à autocompreensão de toda religião, que sempre se a) 
considera a si mesma criação divina, e não meramente humana.
A revelação acaba sempre reduzida a sua manifestação especializada de b) 
conhecimento mais ou menos formalizado do divino. Quando em vez a 
revelação é tudo: desde o rito, até o mito, oração, ação moral, templo, lugares 
sagrados, o tabu. Não se trata de fazer classificações ou comparações para 
assinalar qual o lugar que a revelação bíblica ocupa entre as religiões da 
revelação. Trata-se, antes, de ver como essas experiências, que pertencem 
ao núcleo de toda religião, apresentam-se na Bíblia: com que riqueza, com 
quais qualidades, com que pretensões.
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UNIDADE 4
Duas intuições básicas sobre a revelação de Deus
A primeira intuição consiste na convicção de que Deus se revela sempre, em 
todas as partes e a todos quantos lhe é “possível”, na generosidade irrestrita de um 
amor sempre em ato, que se quer dar plenamente, de modo que os limites na revelação 
efetiva nascem apenas da incapacidade e do pecado humano, que freia, deforma ou não 
reconhece a manifestação divina. É o ser humano quem faz tão obscura e dramática a 
história da revelação, tanto nas religiões da humanidade como no peculiar caminho da 
Bíblia.
A segunda intuição consiste em interpretar a palavra bíblica como “maiêutica 
histórica”, a saber, não como palavra que traz um sentido postiço, que informa sobre 
mistérios afinal externos e distantes: mas como palavras que ajuda a “a dar à luz” a 
realidade mais íntima e profunda que já somos, pela livre iniciativa do amor que nos cria 
e nos salva.
História
A história e a revelação estabelecem entre si um círculo hermenêutico. 
A História constitui-se horizonte de compreensão da revelação e, por sua vez, sua 
concepção é afetada pela revelação. Não se pode pensar a revelação cristã prescindindo 
da consciência histórica moderna. E a consciência histórica moderna sofre o impacto da 
realidade da revelação cristã. Desta relação nasce uma nova concepção de revelação 
e de história. 
Na ordem constitutiva do ser, está, em primeiro lugar, o caráter primordial, 
originário da revelação. O projeto de Deus de revelar-se em seu Filho já habitava 
a mente de Deus e presidiu tudo que foi criado. A revelação, como palavra falada e 
escrita, vem depois explicitar as marcas ontológicas do projeto de Deus, gravadas em 
todas as realidades. Entretanto, a inteligência humana, na ordem do conhecer, esbarra 
primeiramente na história humana.
Uma concepção cientificista da história nega a própria possibilidade da revelação 
ao assumir, a priori, um pressuposto positivista. Só existe o que é verificável, constatável, 
observável pelo observador analítico na sua realidade empírica.
A revelação, como realidade, é maior que a história humana, transcende-a ao 
nível ontológico. Nega a pretensão de o homem criar a totalidade absoluta de sua história. 
Nela está presente um Deus que é maior que ele. 
A história humana não encontra sua única sustentação ontológica nasdecisões 
humanas e nos fatores humanos e terrestres ligados a elas. A revelação atravessa-a 
no sentido de que Deus, não só como criador, mas também na sua automanifestação e 
autocomunicação, marca a história humana. 
Desse modo, a história humana é regida exclusivamente pela razão. A revelação 
divina desperta a preocupação humana para a presença e a ação divinas, que, sem esse 
toque livre de Deus, nunca seriam percebidas. 
A revelação ultrapassa os esquemas interpretativos que os seres humanos 
criaram ao longo da história, ainda que só possa ser apreendida mediatizada por eles. A 
revelação é mediatizada pela história no seu processo e nas suas diferentes manifestações. 
Um Deus que se revela na história não pode prescindir das estruturas e da inteligibilidade 
histórica. Uma compreensão de revelação que fosse incompatível com a historicidade não 
pode ser verdadeira. Não é revelação de Deus na história. Pode ser criação dogmática de 
seres humanos de consciência a-histórica.
INFORMAÇÃO:
História e revelação se diferem 
em natureza e peso axiológico, 
e se nutrem de diferentes fontes 
de verdade. A revelação nasce 
do ato livre e gratuito de um 
Deus que quer se comunicar a 
si e a seu plano salvífico ao ser 
humano situado na história. A 
história é construção humana 
que traça seu destino. Como a 
revelação de Deus se faz a um 
ser humano na história, ela se 
vincula à história.
ATENÇÃO! 
Sugerimos que você faça uma 
pesquisa bibliográfica para que 
sua aprendizagem ocorra de 
maneira mais tranqüila. 
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Batatais – Claretiano 39
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UNIDADE 4
Para a fé cristã, história não é somente o lugar ou contexto aonde Deus comunica 
as verdades eternas para a humanidade. A própria história é um ato criativo de Deus, por 
meio do qual Deus se manifesta e continua se manifestando para nós. O ponto culminante 
da história será sempre esse do evento de Jesus Cristo, pois Deus se revela por meio de 
atos criadores, e porque estes atos (aos quais respondemos e cooperamos) constituem 
história. Assim, conhecemos Deus à medida que refletimos sobre os acontecimentos 
principais da história da humanidade e sobre nossa própria história.
O povo de Israel fez isso antes de nós, focalizando sua atenção no Êxodo de 
modo particular: Dt 20, 5-6; Jz 6,8, 13; Is 10,26; Jr 2,6; Ez 20,5; Sl 78,12-16; 105,23-
28.
Como cristãos, não refletimos somente sobre as ações grandiosas de Deus no 
Primeiro Testamento, mas também sobre o supremo ato criador de Deus em Jesus Cristo e 
outros sinais dos tempos que continuam a caracterizar o mundo e a experiência humana. 
Esta percepção é bastante clara no evangelho da comunidade de Lucas.
A História da salvação é uma perspectiva desenvolvida principalmente por dois 
grandes autores: Gerhard von Rad e Oscar Cullmann. Ela foi assumida pelo Vat II na LG 
(2-4,9) e na DV (2-4), reagindo à teologia existencialista de R. Bultmann, que rejeitava 
o AT como revelatório. Culmann e von Rad insistiram na conexão essencial entre os dois 
testamentos e na igualdade de status como documentos revelatórios unidos por Jesus 
Cristo, que aponta para seu cumprimento e que prepara sua chegada.
HISTÓRIA – qualquer que seja o adjetivo colocado depois do nome – é 
proveniente da mão criadora de Deus. Na medida em que Deus é conhecido 
por meio da criação e por meio dos eventos que constituem a história, Ele é 
conhecido através dela, da totalidade da história da humanidade, nossa história 
pessoal, e não simplesmente a história de Israel, de Jesus Cristo e da Igreja. 
A própria história que a Bíblia fala será radicalmente transformada (1Cor 15, 
35-58) e Deus será tudo em todos (15,28). Somente a morte resta na história 
como o último inimigo (15,26), mas a história está destinada para a glória, 
não para a morte. Este aspecto é revelado definitivamente na ressurreição de 
Jesus Cristo (1Ped 1,3-4,2; 2Cor 4,14; Filip 3,10; 2Tim 2,11; Jô 11, 25; 6,39 
– 44,54; 1Cor 15).
3 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Neste momento, convidamos você a fazer uma auto-avaliação de sua 
aprendizagem sobre os conteúdos estudados na Unidade 4. Tente responder para si 
mesmo:
Quais são os elementos básicos sobre o ato de fé?a) 
 Como ocorre a revelação? Quais são as afirmações básicas sobre a revelação b) 
de Deus?
O que você entendeu sobre Deus e Revelação Divina?c) 
Ficaram dúvidas em relação aos conteúdos estudados? Quais?d) 
O que posso fazer para ampliar meus conhecimentos sobre o histórico da e) 
Teologia?
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UNIDADE 4
4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
EICHER, Peter. Dicionário de conceitos fundamentais de teologia. São Paulo: Paulinas, 
1969.
LACOSTE, Jean-Yves. Dicionário crítico de teologia. São Paulo: Paulinas/Loyola, 2004.
ATENÇÃO!
Sabemos que pesquisar e 
estudar são hábitos que precisam 
ser criados. Assim como qualquer 
outra habilidade, no início, ler e 
estudar precisam ser atividades 
realizadas com dedicação e 
esforço, até que se adquira gosto 
e se torne uma tarefa cotidiana 
comum. Pesquise! Assuma este 
compromisso e policie-se!
Objetivos
Superar uma compreensão positivista da teologia, • 
aprendendo a articular a fé com outros aspectos da 
condição humana: o afetivo e o prático.
Interpretar a fonte da fé articulada teologicamente na • 
experiência afetiva e mística da revelação.
Relacionar teologia racional com a dimensão afetiva e • 
prática da fé.
Analisar o aspecto prático da fé como objetivo último e • 
avaliador de toda argumentação teológica.
Conteúdos
Fé e razão – a racionalidade da fé.• 
Fé e experiência – a afetividade da fé.• 
Fé e a palavra – a epistemologia da fé.• 
Fé e prática – a práxis da fé.• 
INTERAÇÕES DA FÉ
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UNIDADE 5
1 INTRODUÇÃO 
Na construção teológica, o ponto de partida é a fé, a qual ama compreender-
se. Esse processo de autocompreensão da fé ocorre na interação dinâmica com vários 
elementos do âmbito teológico, nomeadamente com a razão, com a Palavra objetiva e 
textual da Revelação (Escritura), com a experiência afetiva e com a práxis.
São essas interações, próprias do ato de crer, que nos permitem uma compreensão 
mais ampla e integral da teologia. Teologia não é só discurso racional da fé, é, também, 
encontro com o testemunho da Palavra, é experiência por meio dos sentidos, da intuição 
e da afetividade, é prática transformadora da vida e da história. Vejamos essas interações 
de modo mais amplo.
2 FÉ E RAZÃO – A RACIONALIDADE DA FÉ
Normalmente, chamamos de razão a capacidade que todo ser humano tem de 
criar e articular palavras e pensamentos. Por isso, o ser humano é tido como um animal 
racional, que fala, pensa e tem idéias.
Chamamos, também, de razão um modelo de pensamento, tipicamente 
ocidental, que nasceu entre os gregos e se tornou o orientador da conduta humana no 
mundo. Razão aqui não quer dizer somente pensar, mas pensar de forma organizada, 
esclarecida e contida, sem contradições, nem grandes emoções. Foi com Sócrates e Platão 
que esse modelo de pensamento nasceu na Grécia Antiga, um modelo que se faz presente 
até hoje.
Entratanto, razão não é somente aquela chamada formal (pensamento lógico – 
matemático) ou a empírico-formal (técnica científica); há, também, a razão discursiva que 
usa de argumentos, raciocínios, provas de diversos tipos para se explicar.
Os gregos chamavam de razão intuitiva (noûs) o que os latinos chamaram de 
intellectus. Na linguagem moderna, fala-se de pensamento, mente, espírito e, algumas 
vezes, consciência. Esse elemento é o aspecto criativo do ser humano, é o pensamento 
capaz de reconhecer o mistério do Ser. A razão intuitiva, noûs, é contemplação amorosa da 
realidade; é diferente da ratio (logos), que não intui de imediato, mas procura conhecer,conquistar, perseguir a verdade. 
Baseados nesses pressupostos, podemos distinguir duas coisas: a fé, com 
sua racionalidade originária, e a razão da fé, com suas razões teológicas particulares. 
De um lado está o intellectus fidei – inteligência da fé, e de outro lado, a ratio fidei – 
razão da fé.
Nesse sentido, a fé nada tem a ver com um opinar incerto. A fé cristã não é 
confiança cega, e sim uma fé que enxerga de olhos abertos, pois não está desprovida de 
um objeto, mas tem um interlocutor que pode ser identificado na história, no presente e 
no futuro de Cristo.
Crer e conhecer são os dois lados da fé cristã, o pessoal e o objetivo. No crer, 
estabeleço uma relação pessoal com Cristo e vinculo meu presente com sua presença; no 
conhecer, estabeleço uma relação objetiva com Cristo e o percebo como Ele é.
ATENÇÃO!
Nesta unidade, iremos 
aprofundar a nossos 
conhecimentos sobre as 
interações da fé. Ah, lembre-se 
de planejar cada passo de sua 
caminhada na construção dos 
conhecimentos, refletindo sobre 
as estratégias e assumindo 
uma postura crítica diante dos 
conteúdos estudados.
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UNIDADE 5
O Deus de Jesus Cristo não é um mistério obscuro, do qual devêssemos 
aproximar-nos com os olhos fechados e mediante imersão mística na interioridade pessoal, 
mas é o Deus da vida revelado, com quem nos deparamos na história de Cristo aberta 
para o futuro, porque ela nos envolve em seu processo. É por essa razão que os cristãos 
crêem no Deus vivo.
A interação entre fé e razão é a tarefa da teologia, pois a manifestação de Deus 
por sua palavra, que pede ser aceita com fé, não nega a razão humana. Ao contrário, a 
fé em Deus, precisamente porque plenifica o ser humano, exige a compreensão e pede 
um “obséquio racional” (Rm 12,1). O Deus cristão quer ser acolhido não pela imposição e, 
portanto, chama o ser humano sem anular nenhuma de suas dimensões. Ama-se a Deus 
também com a mente (Dt. 6,5; Mt 22,37; Mc. 12,30; Lc. 10, 22).
3 FÉ E PALAVRA – A EPISTEMOLOGIA DA FÉ
ides quae – tradição apostólica - Credo 
 
FÉ 
 
é-palavra – 1º lugar – testemunho 
é Experiência 
 
é Palavra 
 
é Prática 
Fé-palavra que nos transmite o conteúdo noético
1
 
essencial da fé – princípio inteligível da teologia 
Fé-Palavra, em primeiro lugar, não é palavra da doutrina, mas a palavra do 
testemunho. Este passa por meio do querigma, que é anúncio e proclamação, cujo 
portador é o Apóstolo ou Missionário; e passa, em seguida, mediante a homologia, ou 
confissão de fé, como se exprime na profissão que faz a comunidade dos fiéis. Só depois 
de ser testemunhada no anúncio e na confissão, é que a fé-palavra se torna doutrina, ou 
seja, ensino sob forma de catequese, do Magistério e, finalmente, da teologia.
 
 
 
 
 
 
 Lado antropológico da fé 
 
 
 
 
 
 
 
 
Revelação – Escritura – Fé 
 
 
 
 
 
 
CORRELATO OBJETIVO OU TEOLOGAL 
L 
A 
D 
O 
 
O 
B 
J 
E 
T 
I 
V
O 
PALAVRA DE DEUS 
 
A teologia parte da fé do 
povo de Deus – Povo de 
Deus constituído pela 
Palavra – este é medido 
por ela, não a mede – Ela 
é a fonte determinante 
da teologia - A 
REVELAÇÃO. 
L
A
D
O 
 
S
U
B 
J 
E 
T 
I 
V
O 
PRINCÍPIO CONSTITUTIVO DA TEOLOGIA 
PRINCÍPIO OBJETIVO = PALAVRA 
DE DEUS – REVELAÇÃO DIVINA – 
NORMA DA FÉ – NORMA DA 
TEOLOGIA – NORMA SUPREMA 
FÉ – PRINCÍPIO SUBJETIVO – 
TESTEMUNHADA NA BÍBLIA – 
TRADICIONADA NA E PELA IGREJA 
– FÉ – NORMA PRÓXIMA 
O princípio determinante da teoria teológica (não da prática da vida) não pode 
ser nem a experiência, nem a prática, mas, sim, a Palavra (a de Deus, em primeiro lugar, 
a da fé da comunidade, em seguida). Isso porque tanto a experiência como a prática 
precisam ser avaliadas à luz da Palavra revelada e por ela animadas.
(1) Noético (adjetivo): que 
pertence ao intelecto, à mente; 
racional. Que se caracteriza pela 
atividade intelectual. Etimologia
gr. noétikós, ê, ón ‘racional’. 
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UNIDADE 5
Escritura: testemunha da Revelação
 Praticamente, fazer teologia é confrontar criticamente as questões humanas com 
a Bíblia, o discurso da fé consiste, finalmente, na reductio ad Scripturas. A fé-revelada é o 
dado inicial, o ato inaugural, o marco zero de toda a teologia. Ela tem neste aspecto seu 
ponto de partida, qualquer que seja a teologia, sem essa fonte não será mais teologia.
Além da Palavra, a Revelação é história. A teologia não reflete finalmente uma 
doutrina, mas a Revelação mesma, e esta como verdade-evento: o acontecimento da 
verdade na história, do qual a fé é a acolhida.
A fé revelada é uma História com significado.
Essa história é a que carrega uma significação muito particular: é história de 
salvação. É uma história para ser criada e testemunhada. 
 
A Revelação, em sua palavra profética, é grávida de teologia: contém, 
potencialmente, os germes de todas as teologias subseqüentes. De resto, a própria Bíblia 
inaugura a teologia, desenvolvendo, a partir de seu núcleo narrativo, um primeiro ensaio 
de elaboração doutrinal.
Se a dimensão material da fé é a história, sua dimensão formal é Deus, Verdade 
primeira. Portanto, todo evento histórico é (na Bíblia) e deve ser (na teologia) compreendido 
em relação ao Deus salvador.
Uso da Escritura na Teologia
Inicialmente, a teoria teológica aqui desenvolvida opõe-se ao fundamentalismo 
e ao positivismo revelacional. Por que o fundamentalismo é rejeitado? A pressuposição 
teológica do fundamentalismo é que a palavra das Escrituras são palavras de Deus, 
inspiradas de tal forma à mente humana que não são historicamente condicionadas, mas 
provêm, infalivelmente e de certa forma, extra-historicamente de Deus. Esse positivismo 
revelacional é contraditado agora pelo que se afigura senso comum. E esse senso comum, 
por sua vez, estabelece a premissa para os enormes avanços no estudo da própria 
Escritura.
A despeito de que a mera citação da Escritura não constitui evidência suficiente 
para uma asserção teológica hoje em dia, a Escritura não deixa de ser a constituição 
autorizada da Igreja, nem a teologia perde a condição de disciplina normativa. A lógica 
interna da teologia ainda subjaz a uma intenção de evidenciar o significado da fé cristã, de 
investigar, criticamente, a doutrina e a prática da Igreja, de modificá-la quando se aparta 
daquilo que é mediado por sua expressão clássica, de expor e de procurar justificar sua 
verdade.
Mesmo em face da evidente confusão do pluralismo, por vezes extremado 
da teologia, a lógica interna da disciplina busca a normatividade, mesmo quando não 
consegue alcançá-la. O que está em jogo, portanto, não é a autoridade e a normatividade 
da Escritura em si mesma, por assim dizer, a questão é saber como pode ela ser utilizada, 
como pode ser aplicada a uma asserção ou proposição teológica de nossa época.
INFORMAÇÃO:
A história de salvação trata-se de 
uma história sempre interpretada, 
isto é, acompanhada de palavras 
que lhe revelam o sentido 
salvífico.
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UNIDADE 5
Texto como mensagem de Deus na Palavra de Deus
A utilização do texto na teologia constitui-se em algo de grande importância. Tal 
abordagem dá-se em dois momentos:
1º Momentoa) : Síntese temática e teológica
Perceber a idéia fundamental do texto em seu conjunto.• 
Perceber a teologia do texto. Que Deus aparece no texto? Como Ele atua? • 
Como o texto caracteriza Deus, o povo e a fé do povo?
2º Momentob) : Hermenêutica (interpretação e atualização)
O que o texto significou (quis dizer) para seu tempo? Qual sua mensagem para 
a época em que foi escrito?
O que o texto quer dizer para nós? Qual suamensagem?
Em que sentido esse texto pode ser uma boa notícia, uma Palavra de Deus, 
de vida para nós? Como ele ajuda a perceber o Deus libertador na caminhada 
do povo hoje?
Em todo este procedimento de análise, é preciso ter também a preocupação 
pastoral, relacionar o texto com a vida. A vida deve estar presente em todo esse processo 
metodológico. O pressuposto básico dessa leitura é perceber que Deus é o nosso Deus. O 
objetivo último dessa leitura é refletir teologicamente nossa realidade, ou seja, perceber 
Deus caminhando com seu povo.
O método de análise não anula outros métodos que a tradição nos oferece. 
Podemos e até devemos deles nos servir quando necessário, uma vez que as etapas desse 
método não são estanques, ao contrário, elas se interpenetram e se complementam, de 
modo que possamos distinguir os diferentes momentos para um procedimento analítico. 
Desse modo, cada método é uma confluência de contribuições, e não de exclusivismos.
O importante é percebermos que o texto é a proclamação da palavra de Deus, 
e a palavra humana veicula a Palavra de Deus, razão pela qual devemos chegar à teologia 
e a uma espiritualidade bíblica.
Vivemos num momento novo na exegese, em que utilizamos a ciência não 
como palavra final, mas para chegar à leitura do povo cristão. Acolher na exegese a 
hermenêutica/leitura dos pobres. Os pobres têm uma maneira de se encontrar com a 
Palavra de Deus. Empenhar-nos numa leitura ecumênica que nos ajude a dialogar e a 
perceber a ação do Espírito de comunhão presente nas interpretações e vivências das 
diferentes comunidades cristãs. 
Dessa forma, faz-se necessário levar em conta o momento e o contexto histórico 
no qual vivemos, pois isso nos leva, atualmente, na América Afro-Latíndia (Africana, 
indígena, latina), a dar maior atenção a alguns aspectos da exegese que, em outras 
situações e momentos históricos, não mereceram tanta ênfase (por exemplo: uma leitura 
no contexto conflitual).
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UNIDADE 5
4 FÉ E EXPERIÊNCIA – A AFETIVIDADE DA FÉ 
A Fé-palavra determina formalmente a teologia. A Palavra da Revelação ressoa 
no espaço da experiência religiosa. O conhecimento da fé não é puramente 
teórico, e menos ainda mera informação. É, sobretudo, afetivo e experiencial, 
envolvendo o ser humano todo.
A experiência, dentro do contexto do sagrado, não é simplesmente a aquisição 
de “conhecimento” (ciência) que o homem adquire, quando sai de si mesmo (ex) e 
estuda um objeto por todos os lados (peri). A experiência do sagrado situa-se dentro das 
experiências do mistério2, numinoso3 e da mística. 
O dinamismo é inverso daquele da experiência da realidade externa. Sua origem 
só pode ser compreendida primariamente fundando-se nas raízes humanas existenciais. 
É uma possibilidade que nasce do próprio existir humano; refere-se à “abertura” do ser 
humano às interpelações do que se chama de “sagrado”. 
O confronto com essas interpelações traz, em si mesmo, elementos paradoxais 
do “fascínio” e do “temor”. É estar diante do que é “o totalmente outro” – “daz ganz 
Andere”, o diferente, o singular, o insólito, o extraordinário, o novo, o perfeito, o estranho, 
o monstruoso, o misterioso, que ultrapassa a experiência humana comum, que pertence 
a outro tipo de realidade que vem carregada de força e de poder.
Em outra perspectiva, a experiência do sagrado é simplesmente compreendida 
como o oposto do profano. Se o profano é o comum, o que não possui um valor ou significado 
especial, o sagrado é o incomum e o especial, que possui uma particularidade específica, 
absoluta e definitiva. O conhecimento do sagrado se manifesta, se autocomunica como algo 
absolutamente diferente do profano (hierofania), se automanifesta como sagrado. É uma 
experiência de algo que se revela e, ao mesmo tempo, se oculta no mundo sensível.
As religiões, de modo geral, são constituídas pelas experiências da manifestação 
de realidades sagradas. 
FÉ – EXPERIÊNCIA
EXPERIÊNCIA DA FÉ PALAVRA DA FÉ
 EXPERIÊNCIA DA FÉ PALAVRA DA FÉ 
 
 
Vem antes 
Ela está acima de qualquer palavra. 
O núcleo da fé é a experiência. 
Fé-palavra é o elemento 
discernidor da fé-experiência. 
Em que mundo habita aquele que crê ou a pessoa religiosa?
A fé pressupõe a fé, efetivamente. O crente é sempre um ser que “espera ter 
a fé”. De acordo com a fórmula de João, o crente “está no mundo sem ser do mundo”. 
Noutras palavras: o crente habita o mundo de Deus no coração do mundo do humano; 
ele pertence, assim, totalmente, ao mundo do humano, inteiramente requisitado pela 
exigência do mundo de Deus.
Enquanto ato, a fé pertence à existência do estar-no-mundo; mas enquanto 
ato-fé, ela transcende essa existência assumindo-a no seio de uma outra interpretação da 
(2) A experiência do mistério 
está diretamente ligada ao 
Absoluto (de Deus). Remete 
o ser humano para além de si 
mesmo e de sua imanência. 
Leva-o a situar-se de 
maneira nova. O ser humano 
experimenta-se como alguém 
de quem o outro dispõe, mas 
sem ser lesado no sentido de 
seu próprio valor. O mistério é 
um aspecto originário essencial 
e permanente da totalidade do 
real. Este se apresenta como 
totalidade (infinito) ao espírito 
finito e criatural. Apesar de 
sua finitude, o ser criado, em 
sua essência, está aberto à 
experiência do infinito (RAHNER, 
K.; VORGRIMLER, H. Dizionario 
di Teologia, p. 396).
(3) Numinoso foi o termo 
designado por Rudolfo 
Otto para a consciência do 
misterium tremendum, que é 
algo misterioso e terrível que 
inspira temor e veneração; 
essa consciência seria a base 
da experiência religiosa da 
humanidade (ABBAGNANO, N. 
Dicionário de filosofia, p. 720).
ATENÇÃO!
Para saber mais, confira: VALLE, 
E., Psicologia e Experiência 
Religiosa, p. 40.
ATENÇÃO!
Amplie seus conhecimentos! 
Leia: ELIADE, M., O sagrado e 
o profano. São Paulo: Martins 
Fontes, 1992, p. 25.
PARA VOCÊ REFLETIR:
Antes de enveredarmos pela 
análise da interação entre fé e 
experiência, vamos refletir sobre 
algumas questões que poderão 
nos ajudar a compreender melhor 
este aspecto. Para que teologia 
(discurso racional da fé)? Não 
seria suficiente a experiência 
mística? Muitas vezes o que 
se tem é uma sabedoria vivida 
e elaborada na experiência da 
vida. Qual a função da teologia 
científica? Quem reza muito e 
reflete e estuda pouco faz que 
tipo de teologia? Quem estuda 
e reflete muito e reza pouco que 
tipo de teologia faz?
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UNIDADE 5
realidade: o mundo de Deus. O conhecimento de fé é, portanto, o conhecimento do mundo 
humano como mundo de Deus.
A fé, enquanto ato, é, em primeiro lugar, uma experiência do mundo de Deus. 
Esta instaura-se em todas as dimensões da existência humana: a vida mística e espiritual, 
a vida litúrgica, o compromisso, a exigência ética, a pesquisa especulativa, o testemunho, 
o trabalho etc. constituem os verdadeiros lugares da experiência do mundo de Deus, nos 
quais se forma o autêntico conhecimento de fé. De fato, esta consiste em conhecer o 
mundo humano como mundo de Deus.
Habitar como crente o mundo humano significa conhecê-lo como criação de um 
Deus de bondade. Significa conhecer o ser humano Jesus como Filho de Deus, como Cristo 
de Deus, como encarnação de Deus, como palavra de Deus feita carne, como profeta da 
lógica de Deus (que é a lógica das parábolas, do sermão da montanha e do amor pelos 
inimigos), como revelador (denunciador) da lógica do humano (que é a lógica do talião).
Portanto, o conhecimento da fé quer dizer habitar o mundo de Deus no coração 
do mundo humano.
Experiência mística – gratuidade, dependência, liberdade e unidade
A experiência mística é a relação misteriosa de cada ser humano com Deus. É 
uma relação pessoal e personalista em que entra o mistério de Deus e o mistério de cada 
um. E esta místicadepende muito da densidade de nossa militância cristã. Se o homem 
não tem militância de fé, esperança e caridade, o risco que existe é de que a mística 
vire mais uma técnica de fuga do que, realmente, uma experiência mística misteriosa de 
comunicação com Deus.
Precisamos superar a separação entre razão e experiência sensível, sentimentos, 
emoções, que prevaleceu nas Igrejas tradicionais no século XX e sustentou 
uma religião racionalizada que contribuiu para o afastamento das massas. A 
experiência sensível, imediata, foi substituída pelos discursos na vida diária 
dos cristãos. As antigas devoções sensíveis foram deslegitimadas e não foram 
substituídas. A experiência do Espírito Santo envolve a unidade do ser humano 
em todos os seus aspectos, todos os seus dinamismos: em primeiro lugar é 
experiência direta, imediata (COMBLIM, J., Experiência espiritual o seu conteúdo 
– o seu alcance. In: FABRI DOS ANJOS, M., Sob o fogo do Espírito. São Paulo: 
Paulinas, 1998, p. 139). 
O que a experiência da fé dá à Teologia?
Teologia é discurso racional da fé, é quando se passa da emoção religiosa para 
o nível do conceito. A experiência não dá evidência, mas dá certeza e convicção, aquece e 
ilumina. A experiência da fé confere unção, quentura, pathos, emoção, fervor e alegria.
Desse modo, pode-se dizer que teologia é um saber carismático, é a razão 
banhada pelo saber da experiência da fé. Teologia não é devoção, mas a devoção está na 
fonte da teologia, é seu princípio existencial e motivacional.
Fé – experiência - dá o frêmito da vida à teologia – só nela a teologia se torna 
viva e fecunda. Fé vivida, experimentada, é a alma da teologia.
PARA VOCÊ REFLETIR:
Procure refletir sobre a 
experiência religiosa em diversas 
óticas:
a) Partindo de uma ótica 
psicológica: o que se está 
buscando na experiência 
mística?
b) Partindo do Compromisso de 
vida: quais as conseqüências 
da experiência da fé? O que 
ocorre depois da experiência?
c) Experiência religiosa como 
adoção de um estilo de vida 
– um modo de experiência 
do mundo e das pessoas 
– processo de integração 
pessoal, comunitária e 
ecológica. – Qual a diferença 
entre religião, espiritualidade 
e mística?
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UNIDADE 5
5 FÉ E PRÁTICA – A PRÁXIS DA FÉ
A práxis da fé pode ser enfatizada em dois pólos:
Prática – individuala) : desejo de agradar a Deus, conversão do coração. 
Fala-se mais de pecado individual, acentua-se a vida moral que se reduz ao 
aspecto sexual ou ao relacionamento interpessoal.
Prática – socialb) : vive-se na vida comunitária e nas relações com a estrutura 
social, exige-se conversão estrutural (política), o pecado é também social, a 
vivência ética assume-se na luta pela justiça e se percebe as relações entre 
os grupos. . 
Desse modo, a Fé vivida na prática é um processo de libertação de tudo que 
não permite uma vida plena – vida em abundância.
As pessoas são levadas a algum tipo de prática ou vivência de princípios quando, 
em termos de consciência, adquirem informação e se inserem dentro de um processo 
educativo transformador. Quando, no âmbito emocional, são motivadas a agir pelos seus 
sentimentos mais autênticos. Quando se tornam sujeitos do processo de transformação, 
quando a transformação não é algo que podemos fazer pelos outros, mas cada um é 
responsável por seu processo.
A fé que interage com a práxis é fé que opera pela caridade. Teologia, nesse 
sentido, resulta do confronto da fé com a vida, que é sinônimo de realidade, história e 
cultura. O que deve ser teologizado aqui são as práticas concretas de vivência da fé, a 
realidade social concreta na qual o crente está inserido, é olhar os fatos da história para 
lhes dar um sentido, uma interpretação que possa gerar uma ação teológica. O objetivo da 
teologia é refletir a prática da fé, para que ela se torne fonte de vida e caridade libertadora. 
A fé esclarece a prática, mas também a prática esclarece, a seu modo, a fé.
Assim, a teologia, como prática da fé, é construída para libertar as pessoas, 
ajudando-as a se tornarem críticas, criativas, livres, ativas e membros responsáveis da 
comunidade e da sociedade. Tudo o que Jesus diz Ele o fez, e é por isso que se atribui a 
Seu dizer Sua verdade.
Além disso, a teologia, na abordagem da prática libertadora da fé, proporciona 
um ambiente, um espaço para refletir, crítica e ativamente, tendo como objetivo a solução 
dos problemas de viver concretamente a fé e suas implicações na história. Ela articula, 
pois, as questões da vivência da fé. 
Na teologia como prática da fé, a transformação do mundo em mundo de Deus 
não é privilégio de uma hierarquia de profissionais com suas receitas prontas. Ninguém tem 
uma resposta absoluta, mas todos têm uma resposta. Cada um tem diferentes percepções 
que nascem de sua própria experiência. Teologia, então, é um processo de aprendizado 
comunitário pela vivência da fé. Aprende-se fazendo e, fazendo juntos, na partilha do que 
foi vivenciado. Faz-se teologia na prática pela partilha de experiências – dialogando.
6 CONSIDERAÇÕES 
Vejamos algumas dúvidas que podem surgir após o estudo desta unidade e uma 
sugestão de como podemos resolvê-las: 
INFORMAÇÃO: 
Na dinâmica aqui estudada, a 
teologia é feita em mutirão, no 
coração da história, no qual 
todos estão ativos, descrevendo, 
analisando, sugerindo, decidindo 
e planejando a ação na fé.
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UNIDADE 5
Fé – razãoa) : Qual a conseqüência de uma fé que não argumenta, não busca 
se explicar, sem uma base racional?
Procure no dicionário teológico os seguintes conceitos: Fideísmo, • 
Fundamentalismo.
Fé – palavra de Deusb) : O que pode acontecer quando a fé se distancia de 
sua fonte, que é escutar o testemunho da Palavra de Deus, e torna-se mais 
argumentação teórica?
Pesquise sobre os seguintes conceitos: Dogmatismo, Ideologia.• 
Fé – experiênciac) : O que pode ocorrer quando a fé não se alimenta da 
mística, não é vivida com o coração, expressa com sentimento e emoção?
Busqu• e em algum dicionário de espiritualidade os conceitos: experiência 
religiosa, mística, misticismo.
Fé – práticad) : O que significa para você praticar a fé? Como compreender 
hoje a expressão bíblica: “a fé sem obra é morta”?
Pesquise os seguintes conceitos: práxis, ética.
7 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Neste momento, convidamos você a fazer uma auto-avaliação de sua 
aprendizagem sobre os conteúdos estudados na Unidade 5. Tente responder para si 
mesmo:
Entendi todos os conceitos estudados sobre Fé e razão? Fé e experiência?a) 
Tenho dúvidas a eliminar? Quais? b) 
Que temas ainda preciso pesquisar? c) 
Utilizei estratégias que facilitaram o estudo e a compreensão dos conteúdos? d) 
Quais? 
Lembre-se de que, caso necessite de ajuda, estaremos à disposição na Sala de 
Aula Virtual.
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BOFF, Clodovis. Teoria do método teológico. Petrópolis: Vozes, 1998. 
GEFFRÉ, C. Crer e interpretar. A virada hermenêutica da teologia. Petrópolis: Vozes, 
2004. 
HAIGHT, Roger. Dinâmica da teologia. São Paulo: Paulinas, 2004.
ATENÇÃO!
Amplie seus conhecimentos. 
Pesquise os livros citados nas 
Referências Bibliográficas.
Anotações
Objetivos
Adquirir uma visão histórica da elaboração teológica.• 
Identifi car e interpretar as etapas, conteúdos próprios, • 
agentes e metodologias da teologia.
Aprender a fazer teologia observando a maneira como ela • 
foi elaborada, descobrindo seus contextos e as questões 
teológicas próprias de cada etapa histórica.
Conteúdos
Teologia antiga.• 
Sistematização da teologia: teologia patrística.• 
Teologia moderna.• 
Teologia contemporânea.• 
Correntes teológicas atuais.• 
VISÃO PANORÂMICA DAS 
GRANDES FASES DA HISTÓRIA 
DA TEOLOGIA: COMUNIDADES 
PRIMITIVAS, PATRÍSTICA, 
MEDIEVAL, MODERNA E 
CONTEMPORÂNEA
U
N
ID
A
D
E
 6CRC • • • © Introdução à Teologia
Claretiano – Batatais52
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UNIDADE 6
1 INTRODUÇÃO 
O nosso propósito nesta unidade é descortinar os diversos processos pelos quais 
passou a teologia, pois é sabido que ela leva a marca do contexto e do tempo em que 
está inserida.
Vale salientar que a teologia é tão antiga quanto a autoconsciência da fé em 
Deus. A teologia cristã começa com os apóstolos. E a teologia do Novo Testamento é mais 
catequética que especulativa.
A teologia torna-se mais sistemática à medida que os primeiros desafios 
intelectuais emergem contra a fé cristã, no contexto das heresias e na busca da verdade 
fundante da experiência cristológica.
Desse modo, a teologia desenvolve-se à medida que seu contexto vai mudando: 
no contexto da casa, onde se reúnem grupos de famílias cristãs ao redor do presbítero, 
diáconos e diaconisas, sua preocupação primária é pastoral; no mosteiro, ela torna-
se literária e ascética; na universidade, mais especulativa, e nos seminários, torna-se 
estritamente clerical.
É somente nos séculos 19 e 20 que a teologia se torna mais pública e acessível 
a todos os cristãos. 
Vejamos de modo mais detalhado essas etapas!
2 TEOLOGIA ANTIGA
Teologia prática: a teologia das primeiras comunidades cristãs
A Teologia cristã começa com os apóstolos, e desenvolve-se por duas razões:
porque os Apóstolos precisam reconciliar a mensagem de Jesus Cristo com a) 
sua experiência religiosa judaica;
porque os Apóstolos tinham de pregar a Boa Nova que Jesus recomendou b) 
a eles, e isso significava interpretar e traduzir o Evangelho para diversas 
comunidades e culturas.
Os quatro evangelhos são mais que narrativas históricas ou biográficas. Eles 
são, acima de tudo, testemunhos de fé: a fé do próprio evangelista e da fé da comunidade 
na qual estava inserido. Por essa razão, esta teologia é muito mais experiencial que 
especulativa.
As perguntas fundamentais desta etapa: Quem é Jesus para nós? Quem somos 
nós a partir de Jesus? Estamos na teologia fontal, paradigmática e estimuladora de toda 
a futura teologia. Ela é a base irrenunciável. Teologia do princípio e princípio da Teologia. 
Brota do encontro de fé com Jesus Cristo. 
Em Jesus Cristo, a revelação chega ao ápice e nEle se lê e se interpreta a 
Sagrada Escritura. Essa experiência torna-se anúncio. Esta teologia é: pneumática, 
eclesial, missionária, vivencial, contextualizada e aberta ao futuro.
ATENÇÃO!
Lembre-se de que pensar 
sobre a intenção é um passo 
importante para mobilizar 
a utilização dos recursos 
adequados em busca do alcance 
de nossos objetivos. Desta 
forma, é necessário que você 
reflita sobre as atitudes que 
assume ou pretende assumir 
diante do estudo proposto para 
esta unidade. Para tanto, procure 
responder às seguintes questões: 
Quero me dedicar para aprender 
determinado conteúdo? Como? 
Pretendo realizar pesquisas 
para aprofundar e ampliar meus 
conhecimentos?
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Batatais – Claretiano 53
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UNIDADE 6
Sistematização da teologia: Teologia Patrística
Esta etapa tem início com o Edito de Constantino em 313, momento em que 
a teologia recebe uma forte influência do neoplatonismo1 e do pensamento jurídico 
romano. É neste contexto intelectual que as questões do tempo são confrontadas: a vida 
interna da Trindade, o status divino e humano de Cristo, a necessidade e os efeitos da 
graça.
Uma grande quantidade de reflexão teológica emerge nos primeiros séculos da 
era Cristã – numa grande variedade de gêneros, e em uma variedade de contextos e em 
diversas línguas – tudo isso é resultado da tentativa de discutir como a fé cristã deveria 
ser vivida em culturas tão diferentes daquela em que nasceu. Seu desafio é interagir com 
a cultura helênica no anúncio da Boa Nova.
A fé cristã precisava se justificar diante da filosofia grega, que a considerava 
como algo secundário ou de pouco valor. Este período viu emergir lentamente a ortodoxia, 
aparentemente em razão do conflito entre o cristianismo católico e a gnose cristã.
Aqui também se estabeleceu o Cânon Bíblico, o debate sobre a Trindade 
principalmente nos concílios de Nicéia (325) e Constantinopla (381) e os dogmas 
cristológicos nos concílios de Calcedônia (451). Sobre a pureza da Igreja no debate com 
os Donatistas e sobre graça, livre arbítrio e predestinação nos debates entre Agostinho e 
Pelágio.
Desde que se iniciou no cristianismo uma reflexão mais sistemática e mais 
crítica, a filosofia começou a fazer parte dos instrumentos utilizados pelos Padres da Igreja 
na elaboração da teologia. Não se podia imaginar uma teologia tão sistemática como a de 
Orígenes sem o recurso da filosofia. 
Dois séculos depois de Orígenes, Santo Agostinho viu a relevância e o uso da 
filosofia como um instrumento, um serviço a ser prestado à teologia. Para ele, a filosofia 
é serva da teologia.
3 TEOLOGIA MEDIEVAL
A teologia ganha seu status como “ciência da fé”: reflexão sobre a fé e 
conhecimento da fé ou clarificação e desdobramento metodológico da revelação divina 
recebida pela fé. O objeto do conhecimento teológico é a revelação divina. O acesso único 
a esta revelação é o auditous fidei (a escuta da fé) (a fé vem da escuta – disse São Paulo) 
que se quer tornar intellectus fidei (inteligência da fé).
Do ponto de vista religioso, estamos com a posição fixada por Santo Tomás 
de Aquino2: a Teologia é a ciência que organiza, estuda e aprofunda, com o 
auxílio da Filosofia, a matéria fornecida pela revelação, e os dados revelados 
por Jesus Cristo servem de primeiros princípios para a Teologia e são aceitos 
pela fé.
Já a Filosofia é a ciência da realidade, de seus primeiros princípios e dos últimos 
fins, alcançados e propostos pelo intelecto ativo, pela razão especulativa e prática do 
homem.
Com isso, é assinalado o problema fundamental da Escolástica medieval: a 
articulação entre fides et ratio (fé e razão). A fé que procura a inteligência e compreensão 
tornou-se o princípio condutor de todas as articulações (especulações) teológicas.
(1) O Neoplatonismo foi uma 
corrente de pensamento iniciada 
no século 3º que se baseava nos 
ensinamentos de Platão e dos 
platônicos, mas interpretando-
os de formas bastante 
diversificadas. Apesar de muitos 
neoplatônicos não o admitirem, 
o neoplatonismo era muito 
diferente da doutrina platônica. 
O prefixo neo, inclusive, só foi 
adicionado pelos estudiosos 
modernos para distinguir entre 
os dois, mas na época eles se 
autodenominavam platônicos 
(WIKIPÉDIA, 2007).
(2) São Tomás de Aquino, 
OP, nascido em Roccasecca, 
arredores de Monte Cassino, 
(perto de Aquino, Itália, 
1227 - abadia de Fossanova 
perto de Priverno, 7 de 
Março 1274), canonizado pela 
Igreja Católica, foi um frade 
dominicano e teólogo italiano. 
Foi o mais distinto expoente da 
Escolástica (WIKIPÉDIA, 2007).
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Claretiano – Batatais54
Bacharelado em Teologia
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UNIDADE 6
Como ciência, a teologia busca sistematicidade. Daí por que sua temática entende 
cobrir toda a área da fé, ou seja, a Doctrina Christiana por inteiro. O ambiente acadêmico em 
que se desenvolve, fora da vida normal, favorece uma visão teórica da fé, visão de conjunto 
e bem equilibrada, mas perdendo em fecundidade pastoral e histórica. 
4 TEOLOGIA MODERNA
Os séculos 14 e 15 viram o desmoronar do pensamento central da era medieval 
– ordem universal fundamentada no teocentrismo. Modernidade é, filosoficamente, um 
estado de espírito denotativo de um profundo antropocentrismo que superou, histórica e 
filosoficamente, o teocentrismo característico do período medieval e do cosmocentrismo 
da Antigüidade.
A proposição cartesiana “penso, logo existo” explicitou que o pensar moderno, 
centrado no ser humano livre, autônomo, fundamentado na matemática moderna, 
sustentada no limite metódico da dúvida, é condição da existência humana. DessaUNIDADE 6 – VISÃO PANORÂMICA DAS GRANDES FASES DA HISTÓRIA 
 DA TEOLOGIA: COMUNIDADES PRIMITIVAS, PATRÍSTICA, 
 MEDIEVAL, MODERNA E CONTEMPORÂNEA
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................52
2 TEOLOGIA ANTIGA ............................................................................................52
3 TEOLOGIA MEDIEVAL ........................................................................................53
4 TEOLOGIA MODERNA ........................................................................................54
5 TEOLOGIA CONTEMPORÂNEA .............................................................................54
6 CORRENTES TEOLÓGICAS ATUAIS ......................................................................56
7 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................63
8 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM .................................................................64
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................................................64
10 E-REFERÊNCIAS ..............................................................................................64
UNIDADE 7 – ENFOQUES TEOLÓGICOS
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................66
2 TEOLOGIA E SUA COMUNIDADE DE FÉ.................................................................66
3 ENFOQUES TEOLÓGICOS ...................................................................................67
4 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................71
5 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM .................................................................72
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................72
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................72
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A
1 APRESENTAÇÃO
Bem-vindo ao estudo de Introdução à Teologia, que é uma das disciplinas que 
compõem o curso de Bacharelado em Teologia, na modalidade EAD. Teremos satisfação 
em estudá-la com você! 
Com o estudo proposto nesta disciplina, você poderá conhecer um panorama 
epistemológico da ciência teológica, suas regras, seu objeto e sua relação com outros 
ramos da ciências. 
Por meio de uma breve apresentação histórica, vamos conhecer como foi 
construída esta ciência, como se faz teologia, quais os instrumentais e mediações, sua 
relação com as outras disciplinas e com a realidade social e eclesial. Iremos, ainda, 
distinguir as teologias produzidas nos diversos contextos eclesiais.
Para tanto, sugerimos que não se limite ao conteúdo deste trabalho, e sim o 
interprete como um referencial por meio do qual você possa expandir seu horizonte de 
conhecimentos com o objetivo de formar sua própria opinião sobre o tema. 
Desejamos êxitos na realização de seus estudos, pesquisas, interatividades e 
atividades!
2 DADOS GERAIS DA DISCIPLINA
Ementa
Introdução, método, conceito e natureza da teologia. Tarefa e objetivos da 
teologia. Linguagem da experiência religiosa. Interações da fé. Visão panorâmica das 
grandes fases da história da teologia: comunidades primitivas, patrística, medieval, 
moderna e contemporânea. Enfoques teológicos. 
Objetivo geral 
Os alunos de Introdução à Teologia do curso de Bacharelado em Teologia, 
na modalidade EAD do Claretiano, dado o Sistema Gerenciador de Aprendizagem e suas 
ferramentas, serão capazes de reconhecer e analisar um panorama epistemológico da 
ciência teológica, suas regras, seu objeto e sua relação com outros ramos da ciência e 
interpretar, por meio de uma breve apresentação histórica, a construção desta ciência, 
como se faz teologia, quais os instrumentais e mediações, sua relação com as outras 
disciplinas e com a realidade social e eclesial. 
Com esse intuito, os alunos contarão com recursos técnico-pedagógicos 
facilitadores de aprendizagem, como Material Didático Mediacional, bibliotecas físicas e 
virtuais, ambiente virtual e acompanhamento do tutor complementado por debates no 
Fórum e na Lista. 
Ao final desta disciplina, de acordo com a proposta orientada pelo tutor, os 
alunos terão condições de interagir com argumentos contundentes, além de dissertar 
com comparações e demonstrações sobre o tema estudado nesta disciplina, elaborar um 
resumo, ou uma síntese, entre outras atividades. Para esse fim, levarão em consideração 
as ideias debatidas na Sala de Aula Virtual, por meio de suas ferramentas, bem como o 
que produziram durante o estudo. 
GUIA DE DISCIPLINA
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Claretiano – BatataisVIII
Bacharelado em Teologia
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Objetivos específicos
Lidar com o instrumental teórico básico da disciplina: introdução, método, • 
conceito e natureza da Teologia.
Reconhecer a tarefa e os objetivos da teologia.• 
Analisar as interações da fé.• 
Interpretar, por meio de uma visão panorâmica, as grandes fases da história • 
da teologia.
Reconhecer e analisar os enfoques teológicos. • 
Competências (domínios cognitivos, habilidades e atitudes)
Ao final deste estudo, os alunos do curso de Bacharelado em Teologia contarão 
com uma sólida base teórica para fundamentar criticamente sua prática profissional. 
Além disso, adquirirão não somente habilidades para cumprir seu papel nesta área do 
saber, mas também para agir com ética e com responsabilidade social, duas atitudes que 
contribuirão para sua formação integral. 
Modalidade
( ) Presencial ( x ) A distância 
Duração e carga horária
A carga horária da disciplina Introdução à Teologia é de 30 horas. O conteúdo 
programático para o estudo das sete unidades que a compõe está desenvolvido no 
Caderno de referência de conteúdo, anexo a este Guia de disciplina, e os exercícios 
propostos constam do Caderno de atividades e interatividades (CAI). 
ATENÇÃO! 
É importante que você releia no Guia Acadêmico do seu curso as informações 
referentes à Metodologia e à Forma de Avaliação da disciplina Introdução à 
Teologia, descritas pelo tutor na ferramenta “cronograma” na Sala de Aula 
Virtual – SAV.
3 CONSIDERAÇÕES 
Neste Guia de disciplina, você teve a possibilidade de encontrar informações 
práticas e orientações para a sua trajetória acadêmica em relação à disciplina Introdução 
à Teologia. Para obter maiores informações sobre a metodologia de ensino e sobre o 
método de avaliação, você poderá consultar o Guia acadêmico.
O próximo passo será conhecer o Caderno de referência do conteúdo. Nele, 
estarão os conteúdos da disciplina em questão, divididos em unidades. Serão conteúdos 
referenciais, que se oferecem com a intenção de facilitar a compreensão da Teologia. 
Boa participação e bom estudo!
GUIA DE DISCIPLINA
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Batatais – Claretiano IX
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4 BIBLIOGRAFIA 
ALSZEGHY, Zoltan; FLICK, Mauricio. Como se faz teologia. São Paulo: Paulinas, 1970.
DOS ANJOS, Márcio Fabri (Org.). Teologia e novos paradigmas. São Paulo: Loyola, 1996.
BOFF, Clodovis. Teoria do método teológico. Petrópolis: Vozes, 1998.
______. Conselhos a um jovem teólogo. In: Perspectivas teológicas, n. 31, p. 77-96, 
1999.
______. Teologia e prática. Teologia do político e suas mediações. Petrópolis: Vozes, 
1993.
BOFF, Leonardo; BOFF, Clodovis. Como fazer teologia da libertação. Petrópolis: Vozes, 
1993.
FORTE, Bruno. Teoria em diálogo. Para quem quer e para quem não quer saber nada 
disso. São Paulo: Loyola, 2002.
GEFFRÉ, C. Como fazer teologia hoje. São Paulo: Paulinas, 1989.
______. Crer e interpretar - a virada hermenêutica da teologia. Petrópolis: Vozes, 2004.
GONÇALVES, Paulo Sérgio Lopes. Epistemologia e método sistemático da TDL - REB 60. 
p. 145-179,forma, 
o conhecimento oriundo da relação do sujeito com o objeto é inato ao ser humano e 
imbuído do poder de externar, no objeto, o conteúdo da subjetividade racional humana.
A teologia assume posição de defesa, reafirma que o sistema aristotélico-
tomista constitui a filosofia verdadeira. Surge a neoescolástica, principal base do Concílio 
Vaticano I (11 out. 1962 – 08 dez. 1965), centralizada na questão do primado de Pedro e a 
infalibilidade papal. Esta teologia nega-se a dialogar com o mundo moderno, ao contrário, 
busca combatê-lo, olhando para o passado com nostalgia e apelando para uma visão da 
cristandade.
INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR:
A teologia desenvolve-se, sobretudo, em três grandes áreas: fundamental, 
dogmática e moral. Na fundamental, prevalece a apologética, contra os 
incrédulos, funda racionalmente a necessidade de uma religião e divindade 
do cristianismo católico. A teologia dogmática segue o método regressivo, isto 
é, parte de uma tese para ser confirmado pelo ensinamento do magistério 
eclesiástico. Sua legitimidade encontra-se na Escritura, em perfeita 
continuidade, presente nas expressões de fé católica patrística e medieval. A 
moral estrutura-se, sobretudo, a partir da lei (divina, natural e positiva) e dos 
dez mandamentos.
A compreensão reduzida da teologia como teologia dogmática e a ausência da 
reflexão histórica na reflexão teológica fizeram da teologia algo abstrato e cerebral de 
pouco interesse para as comunidades. 
Desse modo, a teologia torna-se algo para especialistas, algo muito complicado 
e de pouca importância para a fé popular. Com isso, as comunidades – a Igreja, povo de 
Deus – se esquecem de que elas são o sujeito principal da teologia.
5 TEOLOGIA CONTEMPORÂNEA
O movimento de renovação teológica tem seu maior impulso no século 20. 
Nesse período, a vertente teológica protestante desenvolve um caminho especulativo que 
reflete a verdade sobre Deus, tendo em vista o profundo da realidade humana, individual 
PARA VOCÊ REFLETIR: 
Podemos pensar que esse 
estado acadêmico e abstrato da 
teologia seria o motivo de todo 
o seu desenvolvimento posterior 
rumo a uma teologia da vida 
e da realidade humana, social 
e natural, e que culminaria na 
Teologia da Libertação? 
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Batatais – Claretiano 55
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UNIDADE 6
e social, com base na encarnação histórica do verbo divino denotativo da dialética da 
Palavra e assumindo a categoria história como relevante e pertinente à compreensão da 
revelação de Deus.
A teologia católica, por sua vez, desenvolveu-se em percurso de 
contemporaneidade, efetuando-se como complexo teórico aberto, plural e dialógico. 
Nesse sentido, emergiu a teologia transcendental, que afirmou o caráter 
antropológico da teologia, demonstrando a impossibilidade da compreensão de Deus sem 
voltar-se para a realidade do ser humano. 
O transcendental foi caracterizado como a condição de possibilidade e estrutura 
do espírito infinito no mundo, presente a priori3 no espírito humano.
Para a afirmação da teologia transcendental, foi importante também o 
desenvolvimento da teologia da história, presente no movimento Nouvelle Théologie 
das escolas de Lyon e Saulchoir, levadas a cabo pelos jesuítas e pelos dominicanos 
respectivamente. 
A história foi vista como uma categoria referente ao campo dos acontecimentos 
humanos em que o ser humano é manifestado como seu sujeito e produtor. Nessa 
produção, Deus se revela, utilizando-se do tempo e do espaço em que o ser humano está 
situado. 
Dessas correntes, emergem os temas do ecumenismo, do diálogo inter-religioso, 
do relacionamento entre fé cristã e ciência, entre cristianismo e ateísmo.
Com base na perspectiva conciliar de abertura e de diálogo da teologia com o 
mundo, presente também na vertente protestante, surgiram novas formulações teológicas 
comprometidas com a afirmação da práxis. 
Assim devem ser entendidas as teologias da experiência, da esperança e 
política, as quais não são temas teológicos, mas novas perspectivas teológicas. São 
novas teologias de cunho fundamental que apresentam a incidência do sujeito humano na 
história, promovendo uma práxis efetivamente transformadora do mundo.
Com isso, a experiência modifica-se em um elemento crucial para a elaboração 
de tratados teológicos que não apenas expressem caráter doutrinal, mas também 
apresentem caráter hermenêutico de atualização da fé positiva, teorizada com base em 
um lócus experiencial efetivo da realidade humana.
A política permite à teologia ser narração, memória e solidariedade, relembrando 
o evento Jesus Cristo em contexto de vinda iminente do Reino, sendo um sinal eficaz 
desse mesmo Reino na história e proporcionando uma atuação de proximidade com os 
seres humanos privados de viver abundantemente na história. 
Da formulação das teologias da práxis, emergem as teologias da libertação 
latino-americana, feminista, negra norte-americana, africana, sul-africana, asiática e do 
pluralismo religioso.
Essas teologias, denominadas contextuais, do gênero e da cultura denotam o 
espírito de historicidade e de diálogo desencadeado na formulação de complexos teológicos 
pelo Concílio Vaticano II. Alguns pontos são comuns nessas teologias:
(3) A priori: Rubrica: 
filosofia. que não depende 
da facticidade, de nenhuma 
forma de experiência, por ser 
gerado no interior da própria 
razão (diz-se de raciocínio, 
método, conhecimento etc.) 
[Pensadores racionalistas como 
Descartes, Leibniz ou Kant 
afirmam a existência desse tipo 
de conhecimento; empiristas 
como Locke ou Hume o negam.] 
2 Rubrica: filosofia. que explica 
um fenômeno designando a sua 
causa (diz-se de conhecimento, 
demonstração etc.); 3 Derivação: 
por extensão de sentido (da acp. 
1). afirmado ou estabelecido sem 
exame, análise ou verificação; 
pressuposto. 4 Derivação: por 
extensão de sentido (da acp. 
1). relativo a ou que resulta de 
raciocínio ou dedução cujos 
princípios ou definições foram 
dados inicialmente (DICIONÁRIO 
HOUAISS).
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Claretiano – Batatais56
Bacharelado em Teologia
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UNIDADE 6
A articulação entre fé positiva e o lócus dos pobres no sentido econômico, a) 
político, social, cultural e religioso. O clamor dos pobres pela justiça, o 
seu sofrimento, a sua morte prematura e a sua esperança de um novum 
mundano tornam-se o lugar epistemológico de produção teológica. A partir 
desse lugar, efetua-se uma nova leitura da Escritura e da Tradição teológica 
- fé positiva – tornando-as efetivamente atuais e eficazes.
A demonstração de que a esperança possui um lugar concreto de realização b) 
e que os pobres possuem força histórica transformadora e evangelizadora.
A não-redução da categoria pobre ao seu c) status econômico, mas que abarca 
também a condição política, social, cultural e religiosa. Pobre é o assalariado 
explorado em sua força de trabalho, é o negro marginalizado, é a mulher 
vítima do machismo uxoricida, é o ancião visto em sua não-produtividade, é 
o jovem sem trabalho e drogado, é a criança que vive nas ruas sem ter onde 
reclinar a cabeça, é todo aquele que não tem terra nem casa para habitar.
A dialética entre o universal e o particular, porque são teologias produzidas em d) 
totalidade contextual determinada e específica, mas são sempre complexos 
teológicos marcados pela articulação entre o auditus fidei e o intellectus 
fidei.
A pluralidade que caracteriza a atualidade da história, possibilitando a e) 
percepção do diferente religioso, cultural, étnico, político, bem como o de 
gênero.
A seguir, estudaremos algumas correntes teológicas atuais. 
6 CORRENTES TEOLÓGICAS ATUAIS
Dando início aos nossos estudos sobre as correntes teológicas da atualidade, 
vamos tratar, agora, da teologia da libertação. 
Teologia da libertação: questões de base
Quais seriam as questões de base da Teologia da Libertação? 
Vejamos:
Como falar de Deus a partir de umarealidade de miséria e opressão?f) 
Se Deus é bom, por que o mundo é dominado pela injustiça e pela morte?g) 
Como falar de Deus para os pobres e miseráveis de nossa realidade?h) 
O que é salvação?i) 
O que é libertação?j) 
Qual a relação que existe entre fé e política, fé e realidade socioeconômica?k) 
Até que ponto a fé pode se tornar ideologizante e alienante?l) 
O que é possuir uma fé libertadora?m) 
O que é teologia da libertação?
Para responder a esta questão, observe atentamente o esquema a seguir: 
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Batatais – Claretiano 57
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UNIDADE 6
 Teologia
Revelação divina na História 
Peregrinação do ser humano ao Reino de Deus 
da libertação
Dimensão coletiva e pessoal da existência humana 
Deus em sua imanência e transcendência 
Nesta ótica, teologia é o ato segundo, não neutro. O ato primeiro é a decisão, a 
opção pelos pobres e pela sua libertação, que se torna perspectiva da práxis e da teoria 
cristã.
A teologia da libertação é a reflexão crítica sobre a experiência de fé vivida pelos 
fiéis nos processos históricos de libertação dos pobres. Não haveria teologia 
da libertação se não houvesse pobres, a sua tomada de consciência e a sua 
organização para lutar contra os mecanismos da injustiça e da exclusão; não 
existiria esta teologia se não houvesse a presença ativa de crentes, cristãos e 
não-cristãos nessas lutas pela libertação das grandes maiorias empobrecidas 
e sofredoras.
Note que, por meio dessa categoria (libertação), a teologia reflete a presença 
de Deus nos movimentos que promovem a vida dos pobres e concretizam a justiça na luta 
contra a opressão. Reflete sobre o ser humano livre, solidário, capaz de acolher a graça 
para derrotar o pecado.
Mediação dos instrumentos científicos
A medição dos instrumentos científicos:
Usa da mediação analítica das ciências humanas para reconhecer melhor os a) 
mecanismos do empobrecimento, da exclusão e do sofrimento do povo.
Usa da mediação das ciências hermenêuticas, que servem para interpretar b) 
a Bíblia e os textos do passado a partir do ponto de vista da atual situação 
dos pobres.
Usa da mediação da prática, que traz consigo uma carga crítica e criativa em c) 
relação à teoria, para mudar a realidade e para reformular melhor o sentido 
da fé na diversidade das situações.
Fé positiva opção pelos Pobres = Libertação Totalizante 
Tal articulação possibilita a realização do escopo fundamental da teologia da 
libertação: refletir o Deus bom num mundo marcado pela opressão e pela morte prematura 
dos pobres.
Fé Práxis histórica = ortopráxis
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Claretiano – Batatais58
Bacharelado em Teologia
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UNIDADE 6
A ortopráxis na teologia da libertação foi efetivada, gradual e processualmente, 
mediante as necessidades históricas da AL e dos apelos da tradição teológico-eclesial.
História da teologia da libertação
1a Fase – gestação, gênese e desenvolvimento: Teologia política libertadora: cristologia e 
eclesiologia
A primeira obra relacionada à teologia da libertação foi Teologia de la Liberación, 
de 1971, escrita por G. Gutierrez. A obra trouxe como novidade metodológica a articulação 
da teologia com as ciências sociais, a elaboração dos conceitos fundamentais, a reorientação 
dos grandes temas da existência cristã a partir da libertação dos pobres, a indicação de 
uma espiritualidade construída a partir da práxis libertadora.
2a Fase – consolidação, revisão e ampliação de horizontes: Sua relevância para o 
Magistério da Igreja
Compreende os anos de 1972-79, obras como a de H. Assmann, Teologia desde 
la práxis de la liberación e a de J. L. Segundo, Liberación de la teologia demonstram 
a elaboração básica de um complexo teórico. A teologia da libertação passa a adquirir 
importância significativa para a práxis da América Latina, para a fomentação de uma 
teologia do Terceiro Mundo, para os teólogos dos grandes centros de produção teológica e 
para o episcopado latino-americano. 
Já o período de revisão compreende os anos de 1979-87 e caracteriza-se pelo 
amadurecimento da teologia da libertação em meio a diversos conflitos com a sociedade 
e com a hierarquia. 
Estatuto teórico da teologia da libertação
Pobre
O pobre é o centro epistemológico da teologia da libertação por provocar 
indignação ética e por possibilitar uma experiência mística ao encontro do Senhor. Os 
pobres são divididos em três níveis: 
econômico – trabalhadores do campo e da cidade e todos os a) 
marginalizados;
sociocultural – negros, índios e mulheres;b) 
socioantropológico – idosos, drogados, homossexuais, deficientes físicos e c) 
mentais.
No âmbito místico-espiritual, o pobre denota um mundo de irrupção, de alegria 
e de concretização da esperança na construção de uma nova história.
Libertação
Trata-se de uma libertação integral, cuja primazia pertence à libertação 
soteriológica4. Esta primazia é realizada na prioridade da libertação histórica dos pobres 
como ponto de partida para a realização da salvação histórica. Libertação é libertação 
da miséria dos pobres e a libertação soteriológica de Deus realizada na potencialidade 
teologal da morte e ressurreição de Jesus.
A libertação integral assemelha-se conceitualmente à redenção. A totalidade 
da práxis histórica da fé confronta-se com a real situação de opressão e de pecado. A 
libertação significa o desenvolvimento da vocação humana de realizar com Deus o Reino 
em sua amplidão.
INFORMAÇÃO:
Numa dimensão analítica, os 
pobres são raças desprezadas, 
classes sociais exploradas, 
povos dominados, culturas 
marginalizadas que mostram o 
seu rosto sofredor.
(4) Soteriologia: Acepções: 
substantivo feminino. Rubrica: 
teologia. 1 parte da teologia que 
trata da salvação do Homem.1.1 
doutrina da salvação da 
humanidade por Jesus Cristo. 
Fonte: Disponível em: http://
houaiss.uol.com.br/busca.
jhtm?verbete=soteriologia. 
Acesso em: 20 jan. 2007.
Bacharelado em Teologia
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Batatais – Claretiano 59
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UNIDADE 6
Práxis da libertação 
É aquela ação refletida que transforma a realidade numa perspectiva de futuro 
para o outro, sobretudo o pobre. Situa-se entre a realidade de opressão e dominação 
existente e a nova situação de libertação a ser criada por ela.
Para isso, necessita ser teoricamente lúcida e praticamente eficaz. A lucidez 
teórica lhe esclarece o verdadeiro sentido que a ação concreta tem. A eficácia prática 
torna realidade a lucidez teórica, não como duas coisas separadas e separáveis, mas como 
duas faces de uma única realidade: a práxis.
História
É experiência de Deus na vida cotidiana dos pobres, marcada pelo binômio 
opressão-libertação. Não existem duas histórias (profana e sagrada), mas uma só história, 
na qual Deus se revela, está presente e salva a humanidade. A história dos oprimidos 
é história de libertação diante da opressão e é também mediação privilegiada para o 
encontro com Deus. 
O Deus transcendente manifesta-se na história, tomando o pobre como canal 
privilegiado da revelação. O destino da história, o lugar onde o Deus transcendente se 
revela, é torná-la trans-história que não elimina a história como campo de conflito entre a 
salvação e a perdição, entre o pecado e a graça, mas denota a total vitória de Deus sobre 
as forças da morte.
 
Nela, Cristo é o ponto principal que revela um só Deus Pai, uma só criação, 
um só Reino de Deus, uma só escatologia, um só mundo e uma só humanidade. É o 
entrelaçamento entre o natural e o sobrenatural, entre Deus e o ser humano, entre o 
histórico e o mistérico.
Mediações da teologia da libertação
Análise da realidade
Tem o objetivo de analisar a realidade histórica em sua totalidade por intermédio 
das ciências sociais e das ciências humanas.
Hermenêutica
É o momento privilegiado da leitura da Bíblia, da tradição e do magistério 
eclesiástico. Ela não é o substratoteológico puro, mas o momento de explicitação direta 
da experiência de Deus e seus derivados.
O teólogo depois da análise da realidade recorre às fontes do conhecimento 
teológico para concretizar mais um passo de seu trabalho teológico: compreender 
especificamente o “hoje” de Deus no processo da revelação. Elabora-se, então, a leitura 
popular da Bíblia, que articula a letra escriturística com o espírito intrínseco na vida 
dos pobres. Aprofunda-se, também, a doutrina social da Igreja como instrumento que 
proporciona uma prática pastoral libertadora.
Teórico-práxis 
É o momento da práxis libertadora. Por meio dela, a teologia da libertação é 
mostrada como um discurso de incidência histórica que reflete e proporciona a libertação 
dos pobres da opressão: análise de conjuntura, estabelecimento de projetos e programas 
históricos viáveis com objetivos a alcançar a curto e a longo prazos, define-se estratégias, 
sistematiza-se o critério ético-evangélico para apreciar as metas e as medidas propostas 
para a ação.
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UNIDADE 6
A Teologia da Libertação nunca teve Marx como pai nem como padrinho. Ela 
bebeu primeiramente de sua própria fonte, que é a tradição judaico-cristã, 
que sempre deu centralidade aos pobres, ao tema da libertação do cativeiro 
egípcio e babilônico e à prática histórica de Jesus, que foi pobre e disse “felizes 
de vocês pobres e ai de vós ricos”. E que não morreu tranqüilamente na cama 
como um piedoso rabino cercado de discípulos, mas na cruz, fruto de um juízo 
político-religioso que o condenou com o castigo dado a revoltosos sociais. Mas 
ela encontrou em Marx as boas razões para entender por que o pobre não é 
pobre, e sim um explorado e injustiçado. Ele é um empobrecido, feito pobre 
por fatores de ordem econômica, social e cultural, que hoje ganham corpo 
especialmente no capitalismo. Isso deu lucidez à Teologia da Libertação, mas 
também atraiu as acusações das classes sociais conservadoras − que sempre 
usaram a Igreja para legitimar seu projeto, que implicava a exclusão do povo 
−, e também do Vaticano, que, no contexto da guerra fria, sempre era contra o 
marxismo e a favor das forças do mundo ocidental. Estes nos viam como aliados 
dos “inimigos” ou inocentes úteis. E moveram todas as forças contra esse tipo 
de teologia: desde a difamação, a condenação por autoridades eclesiásticas, 
até o seqüestro, tortura e assassinato de alguns teólogos e agentes de pastoral 
(Entrevista com Leonardo Boff por Juarez Guimarães (FPA, 2007)).
Teologias da Criação/Ecológica
Na teologia, centrada na criação, o mundo criado é sacramental. É o lugar onde 
Deus revela sua divindade. A revelação não é um evento separado da vida (superação 
do dualismo: sagrado e profano), que ocorre somente em lugares e espaços sagrados, 
circunstâncias estranhas e fora do mundo ou mediante palavras ritualísticas. A revelação 
se dá na vida diária, com palavras ordinárias, por meio de pessoas comuns.
Nesta teologia, pode-se falar de “sementes do Verbo”, “sinais do Reino”, “vias 
legítimas de salvação”. Esta teologia aproxima-se da vida com espírito e imaginação 
analógica, não dialética, que vê uma continuidade entre a existência humana e a realidade 
divina. 
A teologia da criação em contexto, na valorização da criação, não é ingênua 
diante do mundo, olhando seu aspecto positivo e esquecendo a dimensão do pecado. Esta 
teologia não nega a realidade pecaminosa e caótica da criação. O pecado, contudo, é visto 
como aberração do mundo bom feito por Deus, e a única forma de se confrontar com esta 
realidade é com o poder do bem e do belo.
O termo ecologia é compreendido em um sentido mais amplo do que sua 
definição científica estrita; significa compreender a nós mesmos e nosso ambiente como 
parte da natureza. O conceito da ecologia traz em si a necessidade de encontrar nosso 
lugar no ecossistema. Teologia ecológica é compreender-nos como parte da criação de 
Deus. Com ligações inseparáveis dos seres humanos com o planeta.
Os princípios da teologia ecológica são um conjunto de convicções religiosas e ao 
mesmo tempo uma espiritualidade que afirma a importância do respeito pela terra e por 
todos seus habitantes, usando-se somente os recursos que são necessários e apropriados, 
reconhecendo os direitos de todas as formas da vida, e reconhecendo que tudo que existe 
é parte de um todo. Deus quer salvar todas as suas criaturas.
Desse modo, uma teologia ecológica que pretende a vida do planeta tem como 
tarefa a reconciliação e harmonia do ser humano com a natureza. Concretamente, ela 
deverá ajudar as comunidades de fé a reconhecer o valor intrínseco da natureza, fomentar 
uma vida de maior simplicidade e orientar o uso dos bens da natureza que pertencem a 
todos. 
ATENÇÃO!
Para saber mais, confira: 
TRACY, D. Dar nome ao 
presente. In: Concilium, 227 
(1994/1) 66-87.
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UNIDADE 6
Além disso, promoverá o princípio da sustentabilidade que nasce da consciência 
de que nosso planeta possui recursos limitados. A tecnologia precisa ser julgada a partir 
de critérios éticos ecológicos. Na ótica do cuidado, promoverá uma consciência crítica 
ante a sociedade do mercado, na qual tudo tem um valor de consumo, e cuidará de nossa 
tendência consumista.
Viver a fé será também adquirir hábitos de reciclar tudo que for possível.
Tarefas de uma teologia da criação hoje
Compreender a natureza como “criação”, ou seja, como contingência, como a) 
finitude, sem ser nem divina nem demoníaca. Ajudar a sociedade humana 
passar de um paradigma5 da conquista predatória da natureza para a 
cooperação e o cuidado de todas as formas de vida.
Partir das diversas ciências da terra, aprender seu funcionamento e b) 
dinamismo, para melhor compreender teologicamente a criação como dom 
de Deus.
Teologias do Pluralismo Religioso
Pluralismo religioso é um fato e, mais do que a tolerância do diferente, está se 
tornando uma nova consciência de que a realidade e o modo como as coisas são e funcionam 
são compostos de formas diversas. No contexto do pluralismo religioso, sente-se o desafio 
do “um” e dos “muitos”. Se não é possível existir somente uma religião, certamente não 
podem existir simplesmente muitas. Neste dilema, quais são as alternativas de saída?
A religião e seus pluralismos podem ser abordados de diferentes pontos de 
vista. A abordagem, aqui adotada, para analisar o fenômeno parte da relação entre 
secularização e pluralismo religioso.
No contexto da chamada pós-modernidade, uma das crises vividas pela sociedade 
é a descrença nos pólos de legitimação da sociedade. Um desses pólos é a religião como 
instituição reguladora do pensamento e ação de uma coletividade.
As religiões perdem o poder de submissão voluntária, fazendo nascer, a partir 
do subjetivismo exacerbado da pós-modernidade, a religião do mercado e o subjetivismo 
religioso, fontes básicas do pluralismo religioso.
Desse modo, pluralismo religioso é um processo para se chegar à unidade. Nele, 
cada um dos elementos envolvidos (religiões) se sente habilitado a perder algo de sua 
individualidade (seu ego separado), para intensificar seus elementos radicais (adquirir 
autoconsciência por meio da relação). 
Neste processo, cada religião retém o que lhe é único e essencial. Contudo, neste 
único e essencial, a religião desenvolve e toma novos rumos mediante o relacionamento 
com as outras religiões envolvidas, descobrindo-se, deste modo, uma dependência mútua 
entre elas. As religiões conservam cada uma sua própria identidade, mas, na comunicação 
com outras tradições religiosas, elas reencontram sua própria identidade de um modo 
renovado.
O pluralismo religioso é uma forma de colaboração e cooperação entre as religiões 
e tradições religiosas. Isso exige uma atitude respeitosa do outro, decisão de aprenderdo 
(5) Paradigma: um exemplo que 
serve como modelo; padrão. 
Rubrica: gramática: conjunto de 
formas vocabulares que servem 
de modelo para um sistema de 
flexão ou de derivação (p.ex.: 
na declinação, na conjugação 
etc.); padrão. 3 Rubrica: 
lingüística estrutural. Conjunto 
dos termos substituíveis entre 
si numa mesma posição da 
estrutura a que pertencem. 
Etimologia. gr. parádeigma,atos 
‘modelo, exemplo’, do v. 
paradeíknumi ‘pôr em relação, 
em paralelo, mostrar’, pelo b.-lat. 
paradígma,átis ‘id.’; a acp. de 
ling.est é emprt. ao fr. paradigme 
‘id.’; ver par(a) (DICIONÁRIO 
HOUAISS). 
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UNIDADE 6
outro e com o outro, pelo diálogo. É uma tentativa de se construir uma comunidade feita 
de comunidades, com suas diferenças de expressão religiosa. 
Nesse sentido, o esforço de um pluralismo “unidade na diversidade” parece 
ser um imperativo no mundo contemporâneo. As várias comunidades religiosas, que se 
empenham na unidade, devem ser um modelo prático de convivência humana.
No contexto do pluralismo religioso, nenhuma religião pode pretender uma 
posição privilegiada de se autoproclamar como exclusiva, absoluta e finalizada. Ao 
contrário, é chamada a ver-se em um contexto pluralístico, como um dos tantos ramos 
da vida religiosa, por meio do qual os seres humanos podem estar relacionados com esta 
Realidade Última, para a sua salvação.
Exclusivismo da teologia das religiões
Esse posicionamento exclusivista6 católico, que “teve seu equivalente 
protestante igualmente enfático na convicção de que fora do cristianismo não há salvação” 
(HICK, 1998, p. 13-14), tinha como base de sustentação a crença de que a igreja católica 
era a única e absoluta “[...] instituição divinamente constituída no sentido da salvação de 
todos os homens em Jesus Cristo” (CONGAR, 1964, p. 410).
Daí que todas as pessoas deveriam estar ou ser trazidas para dentro dela a 
qualquer custo, ainda em vida, caso contrário, acabariam no “[...] fogo eterno, ‘preparado 
para o diabo e seus anjos’ (Mt 25,41) [...]”. Característica marcante dessa visão e modo 
de agir é a sua pretensão de uma universalidade ampla, geral e irrestrita, um cristianismo 
absoluto.
Inclusivismo da teologia da religiões
Visão cristocêntrica inclusivista – ligação do Deus único a toda a realidade. 
Inclusivismo é o consenso ou “quase consenso” (HICK, 1998, A metáfora do Deus 
encarnado, p. 22) de se abandonar o antigo exclusivismo. Oficializada na igreja católica 
basicamente a partir do Concílio Vaticano II, essa posição teológica atribui valor positivo 
às demais religiões; aceita que Deus tenha-se revelado também em seus fundadores e 
as reconhece como mediações salvíficas para seus membros, só que não à margem de 
Jesus Cristo.
Claramente cristocêntrica, essa posição apresenta dois modelos iniciais: a “teoria 
do acabamento”, em que as religiões não-cristãs, naturais, são destinadas a encontrar 
o seu “acabamento” (remate) no cristianismo, e a “teoria da presença de Cristo nas 
religiões”, em que se afirma que nos valores soteriológicos positivos das diversas tradições 
religiosas da humanidade está a presença operativa de Jesus Cristo. É grande o avanço 
proporcionado por essa última!
Para Schillebeeckx, “Karl Rahner deu um passo avante” e mesmo “as afirmações 
abertas do Concílio Vaticano II em ‘Lumen gentium’, ‘Nostra aetate’ e ‘Ad gentes’ [...] 
não foram, ao menos literalmente, tão longe”. Mas, ao negar a autonomia salvífica às 
demais religiões, essas teorias, cada uma a seu modo, e de uma outra forma, mantêm o 
cristianismo absoluto e a pretensão de universalidade ampla, geral e irrestrita do antigo 
exclusivismo.
Um terceiro modelo, denominado de “inclusivismo aberto”, busca responder 
positivamente à questão da diversidade das religiões, “aceitando a interlocução fecundante 
do pluralismo”. De tal interlocução, surgem pontos comuns e, também, questionamentos 
mútuos. 
(6) Extra eclesiam nulla salus 
– ligação de toda a realidade 
ao único Deus. O centralizador 
axioma exclusivista católico-
romano teve sua origem no 
século 3º com Orígenes e 
Cipriano, tendo sido retomado 
no Concílio de Florença (1442) 
a partir de seu sentido mais 
absoluto, aquele utilizado por 
Fulgêncio de Ruspe (468-533), 
discípulo de Agostinho.
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UNIDADE 6
O reconhecimento de valores intrínsecos às demais tradições religiosas, a grande 
abertura ao diálogo inter-religioso e a negação de uma atitude fundamentalista são alguns 
pontos de aproximação, e as maiores crispações giram em torno dos seguintes temas: 
identidade cristã, relativismo, unicidade de Jesus Cristo, reserva escatológica etc.
Pluralismo – a revolução copernicana
No âmbito da teologia das religiões, os teólogos desse novo paradigma aderem 
à “revolução copernicana” (HICK, 1998, p. 23), segundo a qual, assim como os planetas 
giram em torno do sol, todas as religiões estão voltadas para Deus. Afirmam, com Hick 
(2001, p. 114), que a pretensão de tornar “as grandes religiões mundiais [...] dependentes 
secretamente da cruz de Cristo” equivale a fazer uma inversão na revolução copernicana, 
na qual “os raios solares que concedem a vida somente podem atingir os outros planetas 
se forem antes refletidos a partir da Terra” (HICK, 1998, p. 24). 
Toda religião que pretenda qualquer tipo de superioridade última deve poder 
demonstrar essa condição historicamente, colocando-a “como uma questão empírica a ser 
resolvida (se é que pode ser resolvida) pelo exame dos fatos” (HICK, 1998, p. 24).
A alternativa à solução empírica seria a fé – que só é válida para os que dela 
comungam – ou, então, esperar até que “se produza a ‘verificação escatológica’” (do 
grego, tà eschatoi, as últimas coisas ou as coisas do fim), pois até que a “última curva” 
(HICK) não seja dobrada, nada se saberá de maneira definitiva. É no contexto dessa 
conceituação de paradigma que o presente estudo se move.
Pontos interessantes para um desenvolvimento das Teologias do Pluralismo 
Religioso :
Os três esquemas teológicos atuais de compreensão do problema - a) 
exclusivismo, inclusivismo e pluralismo. 
O valor salvífico das religiões não-cristãs. b) 
O pluralismo de religiões na história - um pluralismo de fato ou de direito, c) 
tolerado ou querido por Deus? 
Plenitude da revelação cristã – uma plenitude quantitativa ou qualitativa? d) 
O “privilégio” de ser povo “eleito” – qual é seu sentido? e) 
Todas as religiões são “verdadeiras” – em que sentido? f) 
O “proselitismo” é pecado – em que sentido? g) 
Sentido atual (e sentidos que já caducaram) da Missão evangelizadora.h) 
O pluralismo religioso, o encontro das religiões do mundo, o diálogo religioso, 
é um tema felizmente “de moda”, o tema do futuro, que durante um bom tempo deverá 
ser visto como a temática religiosa do novo milênio. Eu, como estudante de teologia, o 
conheço? Há ainda algo que devo estudar? Caio na conta de que não é um tema somente 
“teológico”, mas que tem conseqüências “teologais”, que afetam diretamente a imagem 
que eu possa ter de Deus e por isso mesmo as minhas relações com Ele, e que tal imagem 
é a mediação inevitável? 
7 CONSIDERAÇÕES 
De seu trajeto histórico, podemos assinalar que a Teologia, após o evangelho 
dos apóstolos, no cenário mais antigo do cristianismo, se fortaleceu com o instrumental 
INFORMAÇÃO:
Nicolau Copérnico (Toruń, 
19 de Fevereiro de 1473 — 
Frauenburgo, 24 de Maio 
de 1543) foi um astrónomo 
e matemático polaco 
que desenvolveu a teoria 
heliocêntrica do Sistema Solar. 
Foi também cónego da Igreja, 
governador e administrador, 
jurista, astrólogo e médico. 
Fonte: Disponível em: http://
pt.wikipedia.org/wiki/
Cop%C3%A9rnico. Acesso em: 
20 jan. 2007.
PARA VOCÊ REFLETIR:
Analisando etapas históricas da 
teologia, faça um levantamento 
das questões fundamentais edo 
modo como são elaborados os 
conteúdos próprios.
Escolha uma corrente teológica 
e faça um esboço sintético de 
seus conteúdos e metodologias 
particulares
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UNIDADE 6
filosófico herdado dos gregos, na Idade Média, ganhando até mesmo o estatuto de ciência 
da fé.
Na modernidade, o antropocentrismo predominou fortemente e a Teologia 
assume um papel defensivo e abstrato, que iria ser sua principal atitude diante das 
correntes filosóficas emergentes, o que a levaria a um distanciamento da comunidade.
No século 20, seu desenvolvimento foi notável pela adoção da historicidade como 
pertinente à compreensão da revelação de Deus e pela abertura ao campo do humano, 
condição agora inevitável de seu processo.
Daí a abraçar a realidade individual e social do homem foi um passo. Surge a 
teologia da libertação, cuja adoção dos pobres e da miséria humana em todos os aspectos 
em que se apresenta passou a ser sua razão de existir. Note-se nisso a coincidência de 
atitude e ação com o primeiro cristianismo dos apóstolos, cingindo, assim, os dois mundos 
num só e definitivo e estabelecendo a base viva da Teologia de hoje.
8 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Neste momento, convidamos você a fazer uma auto-avaliação de sua 
aprendizagem sobre os conteúdos estudados na Unidade 6. Tente responder para si 
mesmo:
O que você entendeu por visão histórica da elaboração teológica?a) 
Tenho dúvidas a eliminar? Quais? b) 
Que temas ainda preciso pesquisar? c) 
Utilizei estratégias que facilitaram o estudo e a compreensão dos conteúdos? d) 
Quais? 
Lembre-se de que, caso necessite de ajuda, estaremos à disposição na Sala de 
Aula Virtual.
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AAVV. Teologia Latino-Americana pluralista da libertação. São Paulo: Paulinas, 2006. 
BOFF, Clodovis. Teoria do método teológico. Petrópolis: Vozes, 1998. 
LIBANIO, J. B. Eu creio nós cremos. São Paulo: Loyola, 2000.
GIBELLINI, R. A teologia do século XX. São Paulo: Loyola, 1998.
10 E-REFERÊNCIAS
FPA. Home page. Disponível em: . Acesso em: 19 jan. 2007. 
WIKIPÉDIA. Home page. Fonte: Disponível em: . Acesso em: 20 jan. 2007.
ATENÇÃO!
No AAVV sugerimos que 
leia, especialmente, o artigo 
de Marcelo de Barros, 
disponibilizado nas páginas: 
103-119.
ATENÇÃO!
Na obra de Gibellini (1998) é 
importante que leia os capítulos: 
XII, XIII, XIV, XV.
Objetivos
Obter uma visão geral da organização do conhecimento • 
teológico a partir dos conteúdos básicos e metodologias 
teológicas.
Interpretar o que é um enfoque teológico e como ele é • 
elaborado.
Detectar os elementos básicos de cada enfoque e • 
saber valorizar seus elementos particulares para o 
enriquecimento da totalidade do conhecimento teológico. 
Conteúdos
Teologia e sua comunidade de fé.• 
Teologia e seu conteúdo• .
Teologia e seu método• .
Enfoques teológicos• .
ENFOQUES TEOLÓGICOS
U
N
ID
A
D
E
 7
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UNIDADE 7
1 INTRODUÇÃO 
Na unidade anterior, você pôde adquirir uma visão histórica da elaboração 
teológica, compreender as etapas, conteúdos próprios, agentes e metodologias da teologia 
além de aprender a fazer teologia olhando para a maneira como foi elaborada, descobrindo 
seus contextos e questões teológicas próprias de cada etapa histórica.
Agora, você será convidado a estudar a organização do conhecimento teológico 
com base nos conteúdos básicos e metodologias teológicas, a interpretar o que é um 
enfoque teológico e como ele é elaborado bem como a entender os elementos básicos 
de cada enfoque e saber valorizar seus elementos particulares para o enriquecimento da 
totalidade do conhecimento teológico. 
Bom estudo!
 
2 TEOLOGIA E SUA COMUNIDADE DE FÉ
Existem diferentes tipos de teologia. A interpretação da fé se diferencia com 
base na comunidade de fé. Em seu interior ela nasce e subsiste. Sua tarefa é dar uma 
interpretação à própria comunidade de fé de onde ela se origina.
Há uma teologia cristã, mas dentro dela se encontram várias interpretações a) 
de fé: teologia protestante, católica, anglicana, ortodoxa e outras.
Há também uma teologia judaica, islâmica e tantos outros tipos de teologia b) 
de acordo com as várias tradições religiosas.
Qualquer intento ou busca autoconsciente de compreender melhor o que se c) 
crê sobre Deus, sobre o sentido da vida, de esperança para o futuro e sobre 
as obrigações morais é um esforço teológico em diferentes níveis. 
Para compreender melhor, vejamos no quadro a seguir a teologia e seu 
conteúdo: 
TEOLOGIA CONTEÚDO
Dogmática Interpreta a fé que foi sendo expressa nos ensinamentos ofi ciais da Igreja 
(diferença entre dogma e doutrina).
Moral Interpreta o impacto da fé sobre as nossas atitudes, motivos, valores e 
comportamentos.
Espiritual
Ascética
Sua atenção se volta para a transformação interior infl uenciada pela fé e a 
graça (ação do Espírito Santo) no coração e mente humana.
Pastoral
Busca compreender e articular as implicações da fé sobre a situação atual 
da Igreja na história e no contexto local, especifi camente, na pregação, 
ministérios, pastorais e outras.
Litúrgica (Sacramental) Interpreta o signifi cado da fé assim como são apresentados 
nos rituais e na vida sacramental da Igreja. 
Agora, observe a teologia e seu método: 
ATENÇÃO!
Esteja atento (a) as orientações 
e procedimentos para o estudo 
dessa unidade e as semanas em 
que será desenvolvida.
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UNIDADE 7
TEOLOGIA MÉTODO
Histórica
Procura compreender e interpretar a fé, a partir de sua articulação nas 
fontes históricas principais, tais como na Bíblia, nos escritos da Igreja 
primitiva, concílios, as grandes controvérsias teológicas do século 
passado.
Bíblica
É uma subdivisão da teologia histórica. Pretende compreender a fé assim 
como é apresentada e comunicada nas páginas da Sagrada Escritura. 
Grande parte da teologia, até o século XX era teologia bíblica.
Patrística
É um tipo de teologia histórica. Tem a mesma intenção da teologia 
bíblica, mas em referência aos escritos das primeiras testemunhas da 
Igreja.
Doutrinal
Pode ser vista como uma subdivisão da teologia histórica, na medida 
em que pretende examinar o ensinamento ofi cial da Igreja em sua 
evolução histórica. 
 examiamiamiamiaminar
Teologia pode ser 
Especulativa
Ela difere da teologia histórica, porque procura entender a fé à luz 
dos melhores conhecimentos e experiências contemporâneas, não 
limitando sua pesquisa somente ao aspecto histórico ou qualquer outra 
fonte dada, tal como a Bíblia ou a doutrina.
Teologia 
Sistemática
Esta engloba todos os tipos de teologias referidas acima. Ela é 
compreensiva em seu método. Procura entender e articular os diversos 
aspectos da teologia cristã através de exame da relação de cada parte 
com o todo.
No próximo item estudaremos os enfoques teológicos. 
3 ENFOQUES TEOLÓGICOS
Nos anos do pós-guerra, como reação às abstrações de certa teologia neo-
escolástica e para fazer frente a novos problemas emergentes, afirmaram-se as chamadas 
“teologias do genitivo”, como por exemplo — para relembrar as mais conhecidas e 
melhor elaboradas - “a teologia das realidades terrestres” (Thils) e a “teologia do 
trabalho” (Chenu). Nas teologias do genitivo, o genitivo (objetivo) exprime o âmbito, 
o setor da realidade, o objeto, sobre o qual se aplica a reflexão teológica.
As teologias do genitivo são teologias chamadas de “setoriais”, e servem para 
dar mobilidade e concretude ao discurso teológico. Elas são de alguma forma, inevitáveis, 
mas pode-se abusar delas na medida em que os genitivos podem ser acriticamente 
multiplicados e nem sempre delimitam,sob o perfil metodológico, um adequado campo 
de pesquisa e de reflexão teológica.
Nas teologias do genitivo escolhe-se como objeto de estudo teológico um tema, 
um aspecto da realidade, usando mediação hermenêutica teológica corrente.
Tema, aspecto da realidade
ATENÇÃO!
Católicos confundem teologia 
doutrinal com a dogmática, 
como se a teologia cristã fosse 
somente uma reflexão crítica e 
defesa do ensinamento oficial 
da Igreja.
Protestantes, algumas vezes, 
confundem teologia bíblica com 
o todo da teologia cristã como 
se a teologia fosse somente 
uma reflexão crítica sobre a 
mensagem bíblica.
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UNIDADE 7
 
 Tema, aspecto da realidade 
 
 
Mediação hermenêutica teológica 
 D ecifrar à luz da fé um setor ou aspecto da existência humana 
TEOLOGIAS DO GENITIVO 
ENFOQUE TEOLÓGICO - Chave de leitura para compreender e reelaborar toda a 
teologia ou grande parte dela.
O que é um enfoque teológico? É uma perspectiva, ponto de vista global, ótica 
dominante que orienta o trabalho do teólogo.
Elaboração do enfoque teológico
Como é possível elaborar um novo enfoque teológico? 
1º passo:• Elaborar NOVO ENFOQUE TEOLÓGICO-realidade humana e 
eclesial.
Novas questões tóricas, existenciais, social e espiritual.• 
2º passo• : Reler a revelação e a tradição. Processo de suspeita, de construção, 
crítica.
Pode desencadear euforia, efeito inovador ou mal-estar, desconfiança e • 
temor.
3º passo• : Elaborar ensaios de reconstrução dos grandes temas teológicos, a 
partir da nova ótica.
4º passo• : Maturidade do enfoque teológico.
Observe alguns enfoques teológicos atuais: 
Meta-sexista = teologia feminista
Se quisermos utilizar a categoria de “teologia do genitivo” para dar uma primeira 
definição da teologia feminista, será preciso dizer que ela é, ao contrário da teologia da 
mulher, uma teologia do genitivo subjetivo, isto é, uma teologia de mulheres é feita 
pelas mulheres: “Pela primeira vez, concretamente, as mulheres se tornaram sujeito da 
própria experiência de fé, da sua formulação e da relativa reflexão, e por isso, sujeito do 
fazer teologia”, e, somente na dependência deste novo fato cultural e eclesial, a teologia 
feminista é também uma teologia do genitivo objetivo: mulheres cristãs refletem sobre 
sua experiência humana e cristã, e provam criticamente sua experiência.
Desse modo, a teologia feminista introduz no círculo hermenêutico1 a outra 
metade da humanidade e da Igreja, enriquecendo a experiência de fé, a sua formulação 
e as suas expressões.
A teologia feminista é a teologia de mulheres cristãs que têm a coragem de 
“fazer viagem rumo à liberdade”; ela não quer ser unilateral, mas reagir com eficácia 
à unilateralidade da teologia dominante e prática eclesial, e se apresenta como uma 
contribuição “à dimensão incompleta da teologia”, em vista de uma autêntica “teologia da 
integralidade”.
(1) O círculo hermenêutico é 
aquele que liga à experiência 
do passado fixada nos textos da 
Bíblia e da tradição à experiência 
atual da mulher. 
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UNIDADE 7
Étnicos = teologia negra e ameríndia
Um traço marcante dessa teologia é o fato de que possui uma hierarquia de 
serviços e não de poder. Isso significa que, não possui um passado marcado pelo poder, 
como é o caso das Igrejas Católica e Protestante.
“Para os negros, mais que para qualquer outro, salvação e libertação formam 
un todo único, indivisível”.
Não há politeísmo na teologia afro-americana, fator que gerou vários preconceitos, 
provocados por uma ausência de compreensão e conhecimento dessa realidade. 
Não existe exclusão de idosos e crianças nas celebrações. Aqui, a figura feminina 
recebe grande importância, pois ela é a responsável pela realização dos encontros. Sem 
a presença de uma mulher não ocorre o “encontro”, porque ela detém a fonte da vida, a 
fertilidade, é portadora de axé.
Esta teologia privilegia os pobres por serem os preferidos de Deus.
“Ela não parte dos princípios gerais, das verdades incontestes ou dos dogmas 
proclamados. Humildemente, o teólogo da libertação contempla a realidade do 
povo e identifica nessa realidade os apelos do Senhor”.
Não há separação entre corpo e alma, mas uma unidade indivisível. A visão 
da vida para o africano é a partir de uma “ótica espiritual”. O hoje não é visto como 
matéria somente, mas como vida humana em relação a algo superior, do além. Neste 
contexto humano, também estão todas as coisas existentes que, por sua vez, interagem 
influenciando com seu ser em movimento no outro ser.
Assim, a ótica do africano não é o intelectualismo, o pensamento abstrato, mas 
a partir da experiência prática, concreta, expressando isso através de sinais e símbolos, 
envoltos de uma força encontrada em toda parte. Ela é energia, é axé, é a vida dinâmica, 
concreta e mística, essa força é transmitida pelas gerações, pela procriação, ele faz a vida 
acontecer.
O espírito de comunidade é um sinal muito forte na vida dos afro-americanos. 
“… Deus da vida se revela ao povo negro como Aquele que o ajuda recuperar 
suas identidades pessoais e comunitárias, que reconstitui seus laços familiares, 
ampliando o parentesco a partir da fé que o leva a uma vivência comunitária, 
que o anima na luta contra a opressão...”.
Em relação aos ritos, a Deus não se faz sacrifícios, mas oferendas, e estas não 
são de elementos em escassez, mas dos que há em abundância. Quanto à morte, esta não 
é um fim, mas a passagem para um novo modo de ser. A resposta de Cristo aos saduceus 
ilumina essa crença profunda na presença dos antepassados. Deus disse: 
“Eu sou o Deus de seus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e Deus de 
Jacó. Ora, Ele não é um Deus de mortos, mas sim de vivos (Mt 22,32)”.
INFORMAÇÃO:
Na teologia afro-americana, 
há uma grande valorização 
dos antepassados, porque se 
acredita que estes orientam e 
guiam suas descendências na 
Terra.
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Claretiano – Batatais70
Bacharelado em Teologia
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UNIDADE 7
A teologia da libertação deu contribuições importantes à teologia afro-americana, 
de suporte para que esta se desenvolvesse e resgatasse a identidade religiosa negra/ 
africana na América Latina.
De maneira sucinta, há três características imprescindíveis nesta teologia:
Deus é criador. a) 
Aliança entre Deus e a humanidade. b) 
A religião leva a uma espiritualidade profunda.c) 
Teologia índia
Para os povos indígenas, “Deus” não é uma realidade para ser explicada, mas 
tem a ver com a sabedoria religiosa que se torna resistência, convivência com o cosmo e 
natureza. Há múltiplas imagens para se descrever a experiência do transcendente, tanto 
para expressar as origens como para descrever a condição humana e os acontecimentos. 
Antes de ser uma busca racional de interpretação da experiência, é experiência cotidiana 
da vida que depois é expressa de modo mítico-simbólica.
No vocabulário indígena existem inúmeros termos para designar o sagrado e 
o divino. Para expressar o mistério possui uma linguagem muito rica. Neste sentido, e 
de modo geral, se pode falar de um núcleo teológico que mais especificamente se pode 
chamar de “teocosmologia” ou “cosmoteologia” devido a seu ponto de partida.
A maioria dos povos ameríndios não possui a figura de um Deus único, criador 
e retribuidor como aconteceu com as religiões monoteístas do Mediterrâneo e Médio 
Oriente. 
A religião, na sua essência, possui uma visão redutiva do tempo e do meio 
ambiente. O elemento utópico é relacional, o presente inclui o passado e o futuro. Este 
aspecto está presente, principalmente, no rito e na festa. O mundo físico se limita à 
biosfera ou à floresta e à terra natal. 
O mundo sociopolítico se encontra, principalmente,na família nuclear, parentes 
reais ou fictícios, na família extensa (linhagem), nas alianças tribais e intertribais. O mundo 
metafísico é constituído de heróis mitológicos, monstros, fantasmas, bruxos, espíritos, 
almas, animais em forma de pessoas que simbolizam o “alter-ego” das pessoas. A visão 
histórica tem o limite dos antepassados imediatos (quatro ou cinco gerações).
De modo geral, as ações dos heróis mitológicos aconteceram durante a vida dos 
antepassados mais velhos. 
Veja, a seguir, quadro geral de enfoques teológicos: 
ENFOQUES CONTEÚDOS FUNDAMENTAIS
Meta-sexista
Gênero
Sexo – erótica; poder-pedagogia; mulheres-
marginalizadas.
Crítica interdisciplinar do ετηοσ − ethos e práticas sexistas 
da discriminação de gêneros presentes nas estruturas 
patriarcais, sociais, políticas, culturais e religiosas e na 
linguagem e na mente androcêntrica.
INFORMAÇÃO: 
Os povos ameríndios possuem, 
também, figuras mitológicas 
(demiurgos), cujas ações 
enaltecem. É uma visão 
cosmo-humana, mais que 
antropocêntrica.
PARA VOCÊ REFLETIR:
Qual a importância dos enfoques 
teológicos para a pastoral e 
a missão da Igreja nos vários 
contextos em que ela se insere?
Defina os seguintes conceitos 
teológicos: inculturação, 
pluralismo religioso, sincretismo, 
religiosidade popular, diálogo, 
ecumenismo.
Bacharelado em Teologia
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UNIDADE 7
ENFOQUES CONTEÚDOS FUNDAMENTAIS
Étnicos
Teologia Índia, Negra
Culturas, festa, gratuidade; ideologia, índios e negros. 
Parte da história da experiência concreta de opressão-
libertação do povo negro. Como ser, total e plenamente, 
negro e cristão? Como recriar um cristianismo negro, 
superando os estereótipos do cristianismo branco, 
engendrado no contexto cultural centro-europeu 
e de matiz colonialista? Teologia negra questiona 
o etnocentrismo ocidental; teologia negra ( norte 
americana) o poder desideologizador da Palavra de Deus; 
teologia negra católica: o sentimento, o celebrativo, o 
familiar, a alegria, a narração etc.
Teologia índia: experiência de alteridade, “cristianismos 
sincréticos”, “animismo” experiência simbólica de Deus; 
o corpóreo e o sensorial; luta pela descolonização 
ideológica, pela conquista social, política e religiosa.
Ecológico
Holística?
Ecologia, desenvolvimento sustentável, sistêmica, 
holística.
Atividade total do espírito humano, mente humana e 
o mundo que observa; transcendência, comunidade e 
conhecimento; a holística pode construir um cristianismo 
mais atualizado com a problemática do ser humano 
atual.
Macroecumênico
Teologia das/nas 
religiões
Religiões, revelação e salvação, diálogo, 
macroecumenismo.
Posições exclusivistas, inclusivista e pluralistas-
relativistas; as verdades da fé cristã ( Jesus Cristo 
– plenitude da verdade de Deus); valores positivos 
e luzes de outras religiões; diálogo inter-religioso; 
teologia incorpora a alteridade religiosa no método e 
no conteúdo.
Pluricultural
Teologia inculturada
Cultura, inculturação.
Diversas teologias inculturadas (cultura e inculturação); 
teologia como hermenêutica situada da fé para a 
inculturação da fé.
4 CONSIDERAÇÕES 
Nesta unidade, estudamos a organização do conhecimento teológico com base 
nos conteúdos básicos e metodologias teológicas. Além disso, tivemos a oportunidade de 
interpretar o que é um enfoque teológico e como ele é elaborado bem como de entender 
os elementos básicos de cada enfoque e saber valorizar seus elementos particulares para 
o enriquecimento da totalidade do conhecimento teológico. 
Não se esqueça de consultar o Caderno de atividades e interatividades a 
respeito de suas atividades de aprendizagem. Neste encarte, você será orientado para 
apresentação de seus trabalhos na ferramenta escolhida pelo seu tutor.
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Claretiano – Batatais72
Bacharelado em Teologia
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UNIDADE 7
5 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Neste momento, convidamos você a fazer uma auto-avaliação de sua 
aprendizagem sobre os conteúdos estudados na Unidade 6 Tente responder para si 
mesmo:
Quais são os enfoques teológicosa) ?
Tenho dúvidas a eliminar? Quais? b) 
Que temas ainda preciso pesquisar? c) 
Utilizei estratégias que facilitaram o estudo e a compreensão dos conteúdos? d) 
Quais? 
Lembre-se de que, caso necessite de ajuda, estaremos à disposição na Sala de 
Aula Virtual.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Nesta disciplina, conhecemos um panorama epistemológico da ciência teológica, 
suas regras, seu objeto e sua relação com outros ramos da ciências. 
Para tanto, estudamos a apresentação histórica da teologia e o modo como foi 
construída esta ciência. Além disso, vimos como se faz teologia, quais seus instrumentais 
e mediações, bem como sua relação com as outras disciplinas e com a realidade social e 
eclesial. 
Vimos, ainda, um pouco da produção teológica acumulada através dos tempos, 
e as teologias produzidas nos diversos contextos eclesais. 
Desse modo, esperamos que os estudos propostos tenham contribuído para sua 
compreensão sobre a teologia. 
Aproveitamos a oportunidade para solicitar que envie sugestões, críticas ou 
comentários, ou seja, sugerimos que você realize uma análise crítica da disciplina e, se for 
preciso, entre em contato conosco.
Resta, por fim, desejar a todos sucesso nos estudos e que os ensinamentos 
adquiridos na presente disciplina sejam o primeiro passo de uma reflexão sobre a 
Introdução à Teologia.
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
LIBÂNIO, J. B.; MURAD, A. Introdução a Teologia, São Paulo: Loyola, 1996, Cap. 6, p. 
245-284.
ATENÇÃO!
Sugerimos que prossiga 
pesquisando e discuta com seus 
colegas diferentes respostas para 
os antigos problemas. Afinal, o 
caminho é construído a cada 
passo! Esperamos que, nessa 
caminhada rumo ao saber, nos 
encontremos novamente para 
mais buscas.mar. 2000. 
HAIGHT, Roger. Dinâmica da teologia. São Paulo: Paulinas, 2004.
RAHNER, K. Curso fundamental da fé. São Paulo: Paulinas, 1989.
HICK, John. A metáfora do Deus encarnado. Petrópolis: Vozes, 2000.
KÜNG, H. Teologia a caminho, fundamentação para o diálogo ecumênico. São Paulo: 
Paulinas, 1999.
LACOSTE, Jean Yves. Dicionário crítico de teologia. São Paulo: Loyola, 2004.
LIBÂNIO, João B. Introdução à vida intelectual. São Paulo: Loyola, 2001.
______. A arte de formar-se. São Paulo: Loyola, 2001.
LIBÂNIO, João B.; MURAD, Afonso. Introdução à teologia. Perfil, enfoques, tarefas. São 
Paulo: Loyola, 1998.
MONDIN, B. A linguagem teológica. Como falar de Deus hoje? São Paulo: Paulinas, 
1979.
PALACIO, Carlos. Deslocamentos da teologia, mutações do cristianismo. São Paulo: Loyola, 
2001.
PASTOR, Felix Alejandro. A lógica do inefável. São Paulo: Loyola, 1989. 
PIKAZA Xavier; SILANES, Nereo. Dicionário teológico - O Deus cristão. São Paulo: Paulus, 
1998.
REB 50. A Missão Eclesial do Teólogo. In: Subsídios de leitura e elementos para um diálogo 
em torno à “Instrução sobre a vocação eclesial do teólogo” - REB 50, p. 771-807. dez. 
1990.
RITO, Frei Honório. Introdução à teologia. Petrópolis: Vozes, 1998.
SOBRINO, Jon. Como fazer Teologia. Proposta metodológica a partir da realidade 
salvadorenha e latino-americana. In: Persp. Teol., n. 21, p. 285-303, 1989.
SUSIN, Luiz Carlos (Org.). Sarça Ardente. Teologia na América Latina: prospectivas. São 
Paulo: Paulinas, 2000.
GUIA DE DISCIPLINA
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Claretiano – BatataisX
Bacharelado em Teologia
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______. Fazer teologia em tempos de globalização. Nota sobre método em teologia. In: 
Persp. Teol. 31, p. 97-108, 1999.
TABORDA, Francisco. Métodos Teológicos na América Latina. In: Persp. Teol., n. 19, p. 
293-319, 1987. 
VILANOVA, Evangelista. Para compreender a teologia. São Paulo: Paulinas, 1998.
WICKS, Jared. Introdução ao método teológico. São Paulo: Loyola, 1999.
TAMAYO-ACOSTA, Juan Jose; SAMANES,F. C. Dicionário de conceitos fundamentais do 
cristianismo. São Paulo: Paulus, 1999.
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Seja bem-vindo ao estudo da disciplina Introdução à Teologia, disponibilizada 
para você em ambiente virtual (Educação a Distância). 
Nesta parte, denominada Caderno de referência de conteúdo, você encontrará o 
referencial teórico das sete unidades em que se divide a presente disciplina.
Com o estudo aqui proposto teremos a oportunidade de compreender os 
conceitos introdutórios, isto é, o método, o conceito e natureza da Teologia. 
Estudaremos, ainda, os conceitos, a tarefa, os objetivos da Teologia, bem como 
as interações da fé. 
Para finalizar, iremos construir juntos uma visão panorâmica das grandes 
fases da história da teologia: comunidades primitivas, patrística, medieval, moderna e 
contemporânea e sobre os enfoques teológicos. 
Você contará sempre com a ajuda de seu tutor para auxilia-lo em suas dúvidas 
e orientá-lo corretamente para que você adquira as bases teóricas necessárias para sua 
aprendizagem.
Seja bem-vindo, participe e bom estudo!
ATENÇÃO!
Não tenha receio, aceite o desafio! Venha fazer parte desse novo processo de 
construção coletiva do saber!
APRESENTAÇÃO
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AULA PRESENCIAL
Objetivos 
Interagir com os demais participantes do curso e o tutor, • 
tendo em vista o necessário fortalecimento do vínculo 
inicial para a construção do processo de aprendizagem na 
modalidade EAD.
Reconhecer e enfocar os temas explicitados na disciplina • 
Introdução à Teologia.
Conteúdo
Programa para o desenvolvimento da disciplina.• 
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ID
A
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 1TEOLOGIA: INTRODUÇÃO E 
MÉTODO 
Objetivos
Reconhecer a importância de se fazer e viver a teologia • 
na práxis e pela práxis.
Identifi car o pressuposto básico para a teologia.• 
Defi nir teologia relacionando seus pressupostos: conteúdo-• 
forma e dicionário-gramática.
Estudar o método, isto é, o “aprender a fazer”.• 
Analisar, refl etir e descrever sobre as possíveis metas • 
para um curso de teologia cristã.
Conteúdos
Fazer e viver a teologia na práxis e pela práxis.• 
Pressuposto básico para a teologia.• 
Teologia: conteúdo, forma, dicionário e gramática.• 
Método-aprender a fazer.• 
Possíveis metas para um curso de teologia de tradição • 
católica.
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Claretiano – Batatais4
Bacharelado em Teologia
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UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO 
Para iniciar nossos estudos sobre a Introdução à Teologia, você será convidado 
a questionar-se sobre as seguintes questões:
Qual a importância de se fazer e viver a teologia na práxis e pela práxis? Qual é o 
pressuposto básico para estudar teologia? Como posso definir teologia? Quais pressupostos 
definem a relação conteúdo-forma, bem como dicionário-gramática da teologia? O que é 
método? Como o método se relaciona e contribui com a produção de conhecimento da 
teologia? Que metas pretendemos atingir com nosso curso?
Partindo deste momento, vamos começar a aprofundar nossos conhecimentos 
na busca pela compreensão e pela construção do conhecimento a respeito do que 
denominamos teologia. 
Bom estudo!
2 FAZER E VIVER A TEOLOGIA NA PRÁXIS1 E PELA PRÁXIS 
Podemos iniciar nossa caminhada para compreender o fazer e viver a teologia 
na práxis e pela práxis procurando estabelecer uma ponte de diálogo entre nossa vida 
pessoal e o curso de teologia, isto é, precisamos avaliar as intenções básicas que nos 
levaram a cursar teologia. Para tanto, sugerimos que responda às seguintes questões: 
O que levou você a freqüentar um curso de teologia?a) 
Existe diferença entre estudar, aprender e fazer teologia?b) 
Visando responder a essas questões, iremos construir um aprendizado 
entrelaçado dos papéis da teologia: aprender teologia, fazer teologia, aprender a fazer 
teologia, fazer e viver a teologia na práxis e pela práxis. 
Nesse sentido, será preciso estudar, detalhadamente, cada um dos papéis da 
teologia, observe: 
ESTUDAR TEOLOGIA
Conhecer soluções dadas aos problemas vivenciados no passado.
Aprofundar e ampliar o conhecimento sobre as teorias elaboradas.
APRENDER TEOLOGIA
Compreender e assimilar os conteúdos teológicos. 
Demonstrar capacidade para articulá-los.
FAZER TEOLOGIA
Aplicar e utilizar a técnica e o método teológico. 
Interagir com espontaneidade.
Viver a teologia na práxis e pela práxis. 
ATENÇÃO!
Durante o estudo desta unidade, 
além de organizar e programar 
a realização de suas atividades, 
participações e pesquisas, 
é muito importante que faça 
perguntas a si mesmo, tais 
como: O que já aprendi sobre 
teologia? Em que já usei meus 
conhecimentos sobre esse 
tema ou parte dele? O que 
ainda preciso e o que quero 
aprender? Lembre-se de que 
não será necessário muito 
esforço, as perguntas já induzem 
às respostas e o ajudarão a 
contextualizar sua aprendizagem 
e direcionar seus esforços! 
Pense nisso... 
(1) Práxis refere-se à “prática; 
ação concreta” (DICIONÁRIO 
HOUAISS). 
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Batatais – Claretiano 5
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UNIDADE 1
APRENDER A FAZER TEOLOGIA
Aprender a usar o método e o instrumental teológico para elaborar novas teologias.
CELEBRAR E VIVER TEOLOGIA
Aplicar os conhecimentos teológicos na experiência religiosa.
Amadurecer a espiritualidade cristã e ser mistagógico2.
Assumir e tomar posições morais e éticas.
É importante, ainda, saber que: 
Estudar teologiaa) : estudar algo definido, fixo, uma coisa que se pode 
conhecer, pegar, adquirir, saber que se pode transmitir. Uma série de 
perguntas é levantada por aquele que estuda teologia e que necessariamente, 
e muito provavelmente, não foram feitas por ocasião daquela elaboração 
teológica.
Aprender teologiab) : esforço de apreender e assimilar os conceitospara ter 
o seu controle.
Fazer teologiac) : é uma coisa viva, uma coisa que escapa, que se movimenta, 
que avança. Todo cristão faz teologia no nível do discurso religioso e 
espontâneo, buscando dar as razões de sua fé. Contudo, num nível mais 
rigoroso, fazer teologia exige o uso de regras internas próprias do discurso 
teológico. 
Aprender a fazer teologiad) : o aluno precisa entrar na mecânica da teologia, 
conhecer sua “cozinha”, preparando-se para fazer teologia no sentido técnico 
do termo.
Celebrar e rezar a teologiae) : o estudo deve penetrar toda a vida, pois a 
teologia nasce da fé da comunidade e orienta-se para a fé. É necessária, 
aqui, a experiência mística. O acesso mais profundo ao mistério de Deus se 
faz pelo coração, pela conversão, pela vida.
Agora que já obtivemos conhecimentos sobre o fazer e o viver a teologia na 
práxis e pela práxis, poderemos nos questionar: qual é o pressuposto básico para a 
teologia?
3 PRESSUPOSTO BÁSICO PARA A TEOLOGIA
O ponto de partida da teologia é a fé – a teologia nasce do coração da própria 
fé – Teologia é “a fé que ama saber”. 
A fé possui três elementos básicos que nos ajudam a elaborar uma concepção 
do que é teologia:
Fé + elemento cognitivo = fé-palavra (texto).
Fé + elemento afetivo = fé-experiência.
Fé + elemento ativo = fé-prática.
Fé & Teologia = fé e razão.
(2) Mistagogia é o “ato de iniciar 
e instruir (alguém) nas coisas 
misteriosas de uma religião” 
(DICIONÁRIO HOUAISS).
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Claretiano – Batatais6
Bacharelado em Teologia
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UNIDADE 1
Com fé, vamos avançar em busca de nossos objetivos, dentre outras coisas, 
estudando o conteúdo e a forma da teologia. 
4 TEOLOGIA (CONTEÚDO E FORMA / DICIONÁRIO E 
GRAMÁTICA)
O importante primeiro não é o conteúdo da teologia (teórico), mas sua forma, 
seu processo, sua prática.
Você pode se perguntar: mas o que se quer dizer quando falamos em dicionário 
e gramática da teologia? 
A resposta para tal questão é:
Dicionárioa) : elementos articuladores da teologia, isto é, a fé, a escritura, 
a igreja, o senso dos fiéis, a tradição, o dogma, o magistério, a prática, as 
outras teologias, a razão, a linguagem, a filosofia e as ciências. 
Gramáticab) : regras de como esses elementos se articulam (gramática). A fé 
deve ter primazia absoluta na teologia; a Bíblia é o primeiro testemunho a ser 
ouvido; a razão precisa estar a serviço da compreensão do dado revelado; 
a prática é uma fonte de teologia, assim como uma de suas finalidades; a 
linguagem da teologia, pois só ela se adequa ao Mistério; o Magistério é 
critério de autenticidade.
Dessa forma, aprender a fazer teologia implica:
assimilar as regras da prática teológica;a) 
seguir o que fazem os teólogos;b) 
exercitar por própria conta a prática teológica.c) 
Para compreender melhor a importância da fé para a Teologia, veja o esquema 
a seguir:
FÉ TEOLOGIA
 • Em quê? Quem?
• Para quê?
• Experiencial.
• Prático-Vivencial.
• Teórico.
• Conteúdo doutrinal.
• Tradição. 
• História.t
• Bíblia.
• Magistério.
• A fé que ama saber, busca de se 
compreender.
• O crer para entender – Santo 
Agostinho3.
• A fé que se experimenta como 
construção humana e aposta em 
Deus.
 
(3) “Aurélio Agostinho (do latim, 
Aurelius Augustinus), Agostinho 
de Hipona ou Santo Agostinho 
foi um bispo católico, teólogo e 
filósofo que nasceu em 13 de 
Novembro de 354 em Tagaste 
(hoje Souk-Ahras, na Argélia); 
morreu em 28 de Agosto de 430, 
em Hipona (hoje Annaba, na 
Argélia). É considerado pelos 
católicos santo e doutor da 
doutrina da Igreja”. 
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© Introdução à Teologia • • • CRC
Batatais – Claretiano 7
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UNIDADE 1
Após conhecer o conteúdo e a forma da teologia, convido-o a estudar o método, 
ou seja, aprender a fazer teologia.
5 MÉTODO: APRENDER A FAZER
Para compreender o método, isto é, aprender a fazer teologia, observe o 
esquema a seguir:
 
 
 Teólogo 
 
É possível que você se pergunte sobre o que é hermenêutica? 
De acordo com o Dicionário Houaiss, hermenêutica é “a ciência, técnica que tem 
por objeto a interpretação de textos religiosos ou filosóficos, especialmente das Sagradas 
Escrituras”. 
Vamos aprofundar nossos conhecimentos, conhecendo o círculo hermenêutico 
da teologia: 
Como você pode observar, trata-se de um movimento circular, contínuo, 
primeiramente do contexto aos dados da revelação (o texto) e, depois, no sentido 
contrário, destes dados ao contexto, e assim sucessivamente. O círculo hermenêutico 
indica o processo dialético4, criado na teologia hermenêutica, entre um contexto concreto 
e os dados revelados. Em outras palavras, entre o texto e o contexto. 
No entanto, para ficar mais claro, parece preferível substituir a dialética entre 
os dois elementos pela ação e reação mútua de três componentes, denominados texto, 
contexto e intérprete. Cada um dos três pólos de interação recíproca, ou seja, cada 
elemento constitutivo do círculo, deve ser tomado na totalidade complexa da própria 
realidade.
(4) Dialética “em sentido 
bastante genérico, oposição, 
conflito originado pela 
contradição entre princípios 
teóricos ou fenômenos 
empíricos” (DICIONÁRIO 
HOUAISS). 
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Claretiano – Batatais8
Bacharelado em Teologia
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UNIDADE 1
O dado revelado (texto) é sempre uma interpretação de fé no evento. Fazer 
teologia com base no contexto será continuar, na situação atual, o processo de 
interpretação do evento Jesus Cristo iniciado pela Igreja apostólica. Cada geração de 
cristãos, como também cada Igreja local, há de entrar no espaço e no tempo mediante o 
processo hermenêutico.
Mas o que é texto, contexto e quem seriam os intérpretes?
Textoa) : não é somente o dado revelado presente na Bíblia e, especialmente, 
no Novo Testamento, mas tudo que faz parte da chamada “memória 
cristã”, a saber, a Tradição objetiva. Estende-se, pois, às diversas leituras e 
interpretações do dado revelado feitas pela tradição eclesial, incluindo-se as 
formulações conciliares oficiais. O texto contém a Escritura, a Tradição e o 
Magistério da Igreja (Dei Verbum5 10).
Contextob) : é o lugar e os diversos modos como o ser humano interage 
com sua realidade. É onde se experimenta e elaboram a cultura, as 
interpretações dadas à realidade. Contexto está relacionado com lugares e 
períodos particulares da história. Precisa ser analisado em cada caso, em sua 
complexa realidade, formada pelas condições sociais, políticas, culturais e 
religiosas. O contexto abrange toda a realidade cultural circunstante.
Intérpretec) : é importante não pensar de imediato em uma pessoa individual 
como o teólogo, mas a comunidade eclesial a que o teólogo pertence e a 
serviço da qual é chamado. O intérprete é a comunidade de fé local, como 
povo de Deus que vive sua experiência de fé em comunhão diacrônica6 com 
a Igreja Apostólica e em comunhão sincrônica com todas as Igrejas locais na 
unidade da fé e do amor. 
O círculo hermenêutico consiste, desse modo, na interação mútua de texto, 
contexto e intérprete, tal como acabamos de descrever, isto é, na interação da memória 
cristã, realidade cultural circunstante e Igreja local. O contexto age no intérprete 
por meio da apresentação de problemas específicos e influi na pré-compreensão da fé, 
com a qual o intérprete lê o texto. Este, por seu turno, age no intérprete cuja leitura do 
texto oferecerá uma diretriz à prática cristã e assim por diante. 
Como se pode bem ver, a interação de texto e contexto, ou seja, da memória e 
da cultura, acontece, exatamente, no intérprete, isto é, na Igreja local.
6 QUAIS PODERIAM SER AS POSSÍVEIS METAS PARA ESTE 
CURSO?
Após o estudo do método da teologia, de forma geral, convidamos você para 
refletir sobre as metas específicas do nosso curso de teologia, ou seja, para a teologia de 
tradição católica. São elas: 
Adquirir uma reflexão críticaa) : cadaaluno deve se engajar criticamente e 
de modo inteligente na reflexão do significado e unidade da teologia.
Aprender em comunidadeb) : estabelecer uma comunidade de aprendizado 
disciplinado, na qual cada um assume a responsabilidade pelo seu 
aprendizado e o aprendizado da comunidade. Esta meta vai exigir respeito 
mútuo, vontade de participar nos trabalhos de grupo, compromisso pessoal 
de trabalhar no intervalo entre os seminários, respeito pela pluralidade 
teológica, reconhecendo que este curso deseja ser uma busca partilhada de 
estudo e reflexão.
(5) “Dei Verbum, a constituição 
dogmática A Revelação Divina, é 
um dos principais documentos do 
Concílio Vaticano II. É designada 
‘constituição dogmática’ por 
conter e tratar ‘matéria de fé’. 
De fato, o seu conteúdo aborda 
o delicado e complexo problema 
da relação entre Escritura e 
Tradição. Pode-se dizer que, 
a partir deste documento 
conciliar, como que se abriu 
para a multidão dos fiéis o 
oceano da bíblia se colocou nas 
mãos dos crentes a inesgotável 
fonte que é a Bíblia, a Palavra 
de Deus”. Para ler este 
documento na íntegra, acesse 
o site do Vaticano, o qual está 
referenciado ao término desta 
unidade e nas Referências da 
Sala de Aula Virtual. 
(6) O diacrônico é a ligação com 
a realidade histórica do passado, 
o oposto é o sincrônico que é a 
história presente que analisa o 
fenômeno do passado.
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Batatais – Claretiano 9
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UNIDADE 1
Elaborar a reflexão pela práxisc) : engajar-se no método, aprender, 
compreender concreta e praticamente. Aceitar o processo de desenvolver a 
capacidade de fazer teologia. Aprender por meio dos seus erros e sucessos. 
Aprender aceitar críticas construtivas no esforço de construir teologia. Para 
tanto, é preciso auto-envolvimento, auto-investimento, ver o processo como 
possibilidade de transformação e conversão.
Para finalizar nossos estudos sobre a introdução e o método da teologia, teremos 
a oportunidade de expandir nossa reflexão sobre o método teológico por meio de algumas 
questões propostas. Em outras palavras, vamos continuar, com base em nossa experiência 
pessoal, aprendendo a fazer teologia: 
O MÉTODO QUESTÕES
O método teológico supõe um caminho a 
ser trilhado, construído.
1. Quais os seus objetivos para este 
curso?
No método teológico faz parte a pessoa do 
teólogo: seu jeito de ser, falar, trabalhar, 
agir.
2. O que motiva você estudar teologia?
O método passa pela partilha em grupo, 
no qual há reflexão, planejamento, ação e 
avaliação.
3. Quais os assuntos de interesse religioso 
que seu grupo conversa?
O método teológico é o encontro de 
pessoas e delas com Deus.
4. Qual o conceito que sua comunidade de 
fé tem sobre o ser humano e Deus?
Método é procedimento: acolher, ver, 
julgar, agir, celebrar e avaliar.
5. Neste procedimento, qual é o passo 
mais desafiante?
Método é aprender-fazendo, aprendendo e 
ensinando. É troca de saberes.
6. O que você quer aprender na teologia? 
E o que você traz como saber?
Método é comunicação por meio da 
linguagem verbal e não-verbal (gestos e 
símbolos).
7. Para você, qual é o tipo de comunicação 
preferida? Verbal, simbólica, gestual, 
outras?
Método é ação criativa e re-criativa, 
aprender e desaprender.
8. Quais os compromissos e atitudes que 
você deve assumir para aproveitar 
bem este curso?
7 CONSIDERAÇÕES 
Nesta unidade, tivemos a oportunidade de refletir sobre a importância de se 
fazer e viver a teologia na práxis e pela práxis. Estudamos, ainda, temas relevantes para 
nos contextualizar em relação ao curso que estamos iniciando, tais como: o pressuposto 
básico para estudar teologia, os pressupostos que definem a relação conteúdo-forma, 
bem como dicionário-gramática da teologia, o método, isto é, aprendemos a fazer teologia 
e, ainda, tomamos contato com as metas que pretendemos atingir com a realização de 
nosso curso. 
Nas próximas unidades, continuaremos o estudo da Introdução à Teologia, 
retomando e aprofundando os temas tratados nesta unidade, além de estudar novos 
conteúdos relacionados à teologia. 
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UNIDADE 1
8 AUTO-AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Neste momento, convidamos você a fazer uma auto-avaliação sobre os conteúdos 
estudados na Unidade 1. Tente responder para si mesmo:
Qual é a importância de fazer e viver a teologia?a) 
O que entendi b) estudando o círculo hermenêutico da teologia?
Ainda tenho dúvidas em relação aos conteúdos estudados? Que procedimentos c) 
posso utilizar para eliminá-las?
O que posso fazer para ampliar meus conhecimentos sobre a teologia?d) 
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ALSZEGHY, Zoltan; FLICK, Mauricio. Como se faz teologia. São Paulo: Paulinas, 1970.
DOS ANJOS, Márcio Fabri (Org.). Teologia e novos paradigmas. São Paulo: Loyola, 1996.
BOFF, Clodovis. Teoria do método teológico. Petrópolis: Vozes, 1998.
______. Conselhos a um jovem teólogo. In: Persp. Teol., n. 31, p. 77-96, 1999.
______. Teologia e Prática. Teologia do Político e suas mediações. Petrópolis: Vozes, 
1993.
BOFF, Leonardo; BOFF, Clodovis. Como fazer teologia da libertação. Petrópolis: Vozes, 
1993.
FORTE, Bruno. Teoria em diálogo. Para quem quer e para quem não quer saber nada 
disso. São Paulo: Loyola, 2002.
GEFFRÉ, C. Como fazer teologia hoje. São Paulo: Paulinas, 1989.
______. Crer e interpretar: a Virada hermenêutica da teologia. Petrópolis: Vozes, 2004.
GONÇALVES, Paulo Sérgio Lopes. Epistemologia e método sistemático da TDL - REB 60. 
p. 145-179, mar. 2000. 
HAIGHT, Roger. Dinâmica da teologia. São Paulo: Paulinas, 2004.
K.RAHNER. Curso fundamental da fé. São Paulo: Paulinas, 1989.
HICK, JOHN, A metáfora do Deus encarnado. Petrópolis: Vozes, 2000.
KÜNG, H. Teologia a Caminho — Fundamentação para o diálogo ecumênico. São Paulo: 
Paulinas, 1999.
LACOSTE, Jean Yves. Dicionário crítico de teologia. São Paulo: Loyola, 2004.
LIBÂNIO, João B. Introdução à vida intelectual. São Paulo: Loyola, 2001.
______. A arte de formar-se. São Paulo: Loyola, 2001.
LIBÂNIO, João B.; MURAD, Afonso. Introdução à teologia. Perfil, enfoques, tarefas. São 
Paulo: Loyola, 1998.
MONDIN, B. A linguagem teológica. Como falar de Deus hoje? São Paulo: Paulinas, 
1979.
PALACIO, Carlos. Deslocamentos da teologia, mutações do cristianismo. São Paulo: Loyola, 
2001.
ATENÇÃO!
É imprescindível para sua 
formação que você amplie e 
aprofunde seus conhecimentos. 
Para tanto, sugerimos a leitura 
das obras e a consulta dos 
sites indicados nas referências 
bibliográficas e nas e-referências. 
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UNIDADE 1
PASTOR, Felix Alejandro. A lógica do inefável. São Paulo: Loyola, 1989. 
PIKAZA Xavier; SILANES, Nereo. Dicionário teológico - O Deus cristão. São Paulo: Paulus, 1998.
REB 50. A Missão Eclesial do Teólogo. In: Subsídios de leitura e elementos para um 
diálogo em torno à “Instrução sobre a vocação eclesial do teólogo” - REB 50, p. 771-807. 
dez. 1990.
RITO, Frei Honório. Introdução à teologia. Petrópolis: Vozes, 1998.
SOBRINO, Jon. Como fazer Teologia. Proposta metodológica a partir da realidade 
salvadorenha e latino-americana. In: Persp. Teol., n. 21, p. 285-303, 1989.
SUSIN, Luiz Carlos (Org.). Sarça ardente. Teologia na América Latina: prospectivas. São 
Paulo: Paulinas, 2000.
______. Fazer teologia em tempos de globalização. Nota sobre método em teologia. In: 
Persp. Teol. 31, p. 97-108, 1999.
TABORDA, Francisco. Métodos Teológicos na América Latina. In: Persp. Teol., n. 19, p. 
293-319, 1987. 
VILANOVA, Evangelista. Para compreender a teologia. São Paulo: Paulinas, 1998.
WICKS, Jared. Introdução ao método teológico. São Paulo: Loyola, 1999.
TAMAYO-ACOSTA, Juan Jose; SAMANES, F. C. Dicionário de conceitos fundamentais do 
cristianismo. São Paulo: Paulus, 1999.
10E-REFERÊNCIAS
VATICAN. Constituição Dogmática - Dei Verbum - Sobre a Revelação Divina. Disponível 
em: . Acesso em: 21 dez. 2006.
(3) Santo Agostinho: Imagem e Texto – WIKIPÉDIA. Agostinho de Hipona. Disponível 
em: . Acesso em: 21 dez. 2006.
(5) Dei verbum: Texto – WIKIPÉDIA. Dei verbum. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2006.
Anotações
Objetivos
Defi nir teologia.• 
Estudar a etimologia do termo teologia.• 
Analisar e enunciar a teologia como hermenêutica da fé, • 
como crítica histórica e como vivência ética da fé.
Reconhecer como nasce concretamente a teologia.• 
Interpretar e identifi car a perspectiva e objeto de estudo • 
da teologia.
Apontar as características da estrutura do discurso • 
teológico em particular. 
Conteúdos
Conceito de teologia.• 
Origem do termo.• 
Teologia como hermenêutica da fé, como crítica histórica • 
e como vivência ética da fé.
Como nasce concretamente a teologia.• 
Perspectiva e objeto de estudo da teologia.• 
Estrutura do discurso teológico em particular. • 
CONCEITO E NATUREZA DA 
TEOLOGIA
U
N
ID
A
D
E
 2
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UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO 
Na unidade anterior, tivemos a oportunidade de estudar os conceitos introdutórios 
da teologia, refletindo, de maneira especial, sobre a importância de se fazer e viver a 
teologia na práxis e pela práxis. 
Nesta etapa, vamos aprofundar nossos conhecimentos ao entrar no mundo da 
teologia pela argumentação de um possível conceito de teologia. 
Observe que nossa pretensão não será de elaborar uma teoria fechada. 
Pretendemos, sim, criar uma plataforma que nos insira nesta área do conhecimento, 
descobrir os elementos básicos para construir, recriar e atualizar este saber. Seremos, 
então, capazes de interagir e relacionar a teologia com nossa experiência pessoal e 
comunitária da fé e com outras áreas do conhecimento geral.
Nosso primeiro passo será definir o conceito de teologia. 
2 CONCEITO DE TEOLOGIA
O ato teológico fundamenta-se na experiência da fé. Teologia não pode ser feita 
sem fé. Sem a base da fé, o discurso torna-se filosofia da religião, sociologia da religião 
ou antropologia da religião. Estes conhecimentos são importantes para o saber teológico, 
mas não é teologia. 
Assim, quem teologiza reflete primeiro sobre seu próprio compromisso ou 
adesão de fé ou de sua comunidade. O filósofo, o antropólogo e o sociólogo da religião 
não estão envolvidos na experiência da fé, são observadores e refletem sobre a adesão 
de fé de outros. 
Santo Agostinho afirmou: crede ut intelligas1, o que nos faz pensar que a 
teologia não pode ser compreendida pelo descrente. Não vamos à teologia para nossa fé. 
Teologia existe para nos dar uma compreensão maior a respeito do que já cremos.
 
Nesse sentido, a teologia não é um saber, individualizado, fechado e independente. 
É sim a relação entre a fé e a razão. A fé, entendida como encontro e adesão a Deus que 
se revela e se comunica aos seres humanos, é o fundamento da teologia.
Isso quer dizer que a experiência da fé, nas suas dimensões subjetiva e objetiva, 
é a “matéria-prima” da teologia. 
Em outras palavras, para haver teologia, é preciso passar pela experiência de fé. 
Fé pessoal, mas também experiência comunitária que está inserida na história. Pela fé, o ser 
humano encontra Deus e conhece a si mesmo e ao mundo de forma específica. A fé vivida 
em nível pessoal e comunitário – no presente e no passado – leva ao autoconhecimento. 
A fé exige do crente honestidade consigo mesmo e com aqueles com os quais 
partilha sua fé.
ATENÇÃO!
Técnicas e métodos de estudo 
podem facilitar sua compreensão 
sobre os conteúdos estudados. 
Assim, confira, no Guia de 
disciplina e na página anterior, 
as informações práticas sobre o 
desenvolvimento desta unidade 
e aproveite a oportunidade para 
programar e organizar seus 
estudos.
(1) Crede ut intelligas: “crê para 
que possas entender”. 
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UNIDADE 2
Por isso, parafraseando a Primeira Carta de Pedro (BÍBLIA SAGRADA, 2002), 
a pessoa de fé necessita “dar as razões da sua fé” aos que perguntarem. A tarefa de 
compreender a fé que se professa tem como exigência saber articular, interagir com 
outras fontes do conhecimento. Usar a razão iluminada pela fé emerge como instrumento 
privilegiado na interação com outros saberes. Desse modo, a Teologia constitui-se de duas 
tarefas fundamentais:
saber examinar com os recursos racionais a experiência da fé pessoal e a) 
comunitária;
saber dialogar, interagir com os diversos conhecimentos. b) 
Se a fé é um conhecimento pessoal de Deus, este conhecimento é sempre 
sacramental. Isto é, nossa percepção de fé de Deus é mediada pela nossa experiência das 
realidades criadas: pessoas, eventos, objetos. Não existe uma fé pura sem mediações. 
Uma fé real e viva existe sempre em um estado cognitivo e reflexivo. Isso significa que o 
ato teológico é um modo de se tornar consciente da experiência e vivência da fé. Desse 
modo, não podemos expressar a fé em palavras e ações independentemente da teologia.
INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR:
A Teologia é uma disciplina simbólica. A epistemologia sobre a qual repousa é 
simbólica... Símbolo é qualquer fragmento da realidade finita, qualquer coisa, 
evento, pessoa, situação, conceito, proposição ou narrativa que medeia à 
consciência humana algo diverso de si mesmo. No caso da teologia, a única 
forma pela qual seu objeto próprio e específico torna-se acessível à consciência 
humana é por meio da mediação de símbolos finitos (HAIGHT, p. 241). 
O termo mais usado para compreender a teologia é fides quarens intellectum (fé 
que procura, ama saber) proveniente de Agostinho e de Anselmo2. Teologia é o processo 
pelo qual trazemos nosso conhecimento e compreensão de Deus ao nível da reflexão e da 
expressão. É a articulação, de um modo mais ou menos sistemático, da experiência de 
Deus dentro da existência humana.
Teologia não é simplesmente falar ou discursar sobre Deus, ou sobre Cristo ou 
sobre a Bíblia, ou mesmo sobre fé. A teologia procura descobrir a relevância, o sentido, o 
significado para hoje da comunidade de fé. Teologia na busca de atualização e continuidade 
histórica entre o evento fundante (Jesus Cristo e a comunidades dos primeiros cristãos) e 
o evento atual (Igreja-contemporânea), se constituirá como vivência, conversão, práxis. 
Este será o elemento que avaliará o processo de fazer teologia, seu objetivo último.
A teologia, então, não pode ser apenas história da teologia, mas reflexão da 
vivência da fé na realidade histórica concreta do povo de Deus hoje. Ela tem implicações 
imediatas sobre a dimensão Pastoral da fé. O cuidado pastoral e a atividade missionária 
da Igreja devem interrogar a Teologia e dela devem esperar orientação. Há uma interação 
constante entre a Teologia e a pastoral. A pastoral motiva a tarefa teológica e a teologia 
sustenta a atividade pastoral eficazmente. 
Do mesmo modo, a fé tem uma história e situa-se na realidade atual. Ela não 
pode se fechar num mundo à parte, mas precisa viver em diálogo com as mudanças e 
as situações concretas da vida, hoje. A fé é dinâmica e histórica. Por isso, a teologia é 
também uma tarefa nunca acabada. A fé pode também adoecer ou sofrer um processo de 
ideologização. 
Cabe, dessa forma, à Teologia uma tarefa crítica de diagnosticar e denunciar 
os processos viciosos. Se a fé e a religião são necessárias e benéficas ao ser humano e 
(2) “Anselmo de Cantuária 
(1033/1034 - 21 de Abril 1109), 
nascido Anselmo de Aosta (por 
ser natural de Aosta, hoje na 
Itália), e também conhecido como 
Santo Anselmo, foi um influenteteólogo e filósofo medieval 
italiano de origem normanda. 
Foi Arcebispo de Cantuária 
entre 1093 e 1109 (sucedendo 
a Lanfranco, ele também um 
italiano), por nomeação de 
Henrique I da Inglaterra, de 
quem foi amigo e confessor, 
mas depois divergiu com ele 
na Questão das Investiduras. 
É considerado o fundador do 
Escolasticismo e é famoso 
como o inventor do argumento 
ontológico a favor da existência 
de Deus. Viria mais tarde a ser 
canonizado pela Igreja Católica, 
e declarado Doutor da Igreja 
em 1720, pelo Papa Clemente 
XI. Santo Anselmo (1033-1109) 
nasceu em Aosta na França, filho 
de um nobre e de uma mãe rica, 
Ermenberga. Seguiu a carreira 
religiosa, fez estudos clássicos 
e escreveu sempre em latim. Foi 
eleito prior em 1063, porque tinha 
muita inteligência e piedade. 
Se esta é uma das definições 
mais fundamentais da teologia, 
não pode haver teologia sem fé. 
Teologia não é interpretação da 
fé de alguém, mas da própria fé, 
ou da própria comunidade de fé” 
(WIKIPÉDIA, 2006).
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UNIDADE 2
à sociedade, elas só podem cumprir esse papel se forem sadias. E para serem sadias, 
precisam de um processo teológico adequado.
A fé vivida situa-se concretamente na estrutura e na conjuntura da realidade 
social, econômica, política e cultural. Ela tem uma dimensão de atualidade e de dinamismo. 
A teologia, da mesma forma, não é um conhecimento alheio ao que vivem as pessoas no 
tempo presente. Ela precisa encarnar-se na realidade atual e regional. 
O Concílio Vaticano II3 expressou isso numa fórmula bastante conhecida: “As 
alegrias e os sofrimentos, as esperanças e as angústias dos homens do nosso tempo, são 
também as alegrias e os sofrimentos, as esperanças e as angústias da Igreja”. Sendo da 
Igreja, são também do saber teológico. 
Como você pode verificar, aprender teologia é um processo complexo. 
Mas o que queremos dizer com “complexo”? 
A complexidade é um modo de pensar que se compara com a arte de tecer, 
colocar os fios juntos. Procura criar relações, tecer diálogos e perceber a interdependência 
que existe entre os diversos aspectos da vida humana. Aplicado à teologia, pretende 
em relação a ela uma metodologia menos positivista, procurando enfatizar o problema, 
as questões fundamentais apresentadas pela humanidade neste momento específico da 
história.
Quais seriam os princípios que vão nortear este caminho teológico? Vejamos: 
Na comunidade de fé, lugar privilegiado do fazer teológico, aprende-se a) 
teuologia juntos, todos são sujeitos do processo; 
Dinamismo fecundante entre ação e reflexão, leitura da tradição e vivência b) 
histórica da fé;
Ninguém entra vazio no processo de elaboração teológica e o que já se sabe c) 
influencia a compreensão, transformação do saber teológico. Aprende-se, 
também, desaprendendo, e desaprendendo se constrói novas pontes para o 
conhecimento.
No aprendizado o que vale é a intensidade e a qualidade do processo de d) 
conhecimento. Aprofundar a fé é um desafio constante para o crente e sua 
comunidade.
Você pode se perguntar: mas onde se originou este termo? Teologia é um termo 
cristão ou deriva de um outro sistema de conhecimento?
Vamos responder a essas questões juntos. 
Origem do termo teologia 
Na etimologia da palavra teologia, podemos perceber dois aspectos importantes 
para sua compreensão: Teo – Deus é seu objeto principal; Logia – estudo, saber, discurso 
humano sobre Deus.
Assim, Theologia – do grego, discurso sobre as coisas divinas, é um termo 
pré-cristão. Ele aparece pela primeira vez em Platão (1956) numa passagem em que 
este se interroga sobre a utilização pedagógica da mitologia. Aristóteles retoma o uso, 
modificando-o também: os “teólogos” são Hesíodo ou Homero, distinguidos filósofos. Eles 
falam de filosofia teológica e de conhecimentos teológicos para designar a mais alta das 
três ciências teóricas, após a matemática e a física. É ao estoicismo4, todavia, que cabe 
 (3) “O XXI Concílio Ecumênico, 
chamado Vaticano II, terminou 
no dia 08 de dezembro de 
1965. Durante três anos, um 
mês e vinte e nove dias (de 
11 de outubro de 1962 até 08 
de dezembro de 1965) viveu a 
Igreja Católica em estado de 
Concílio. Neste tempo cerca de 
2.200 Bispos do mundo inteiro 
(incluídos os Superiores Maiores 
das Ordens e Congregações) 
encontraram-se quatro vezes 
em Roma, vivendo, rezando e 
trabalhando juntos durante 281 
dias” (WIKIPÉDIA, 2006). Para 
saber mais, acesse o site do 
Vaticano referenciado ao término 
desta unidade. 
(4) Estoicismo: “doutrina 
fundada por Zenão de Cício 
(335-264 a.C.), e desenvolvida 
por várias gerações de filósofos, 
que se caracteriza por uma ética 
em que a imperturbabilidade, 
a extirpação das paixões e a 
aceitação resignada do destino 
são as marcas fundamentais 
do homem sábio, o único apto 
a experimentar a verdadeira 
felicidade [O estoicismo exerceu 
profunda influência na ética 
cristã]” (DICIONÁRIO HOUAISS). 
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UNIDADE 2
dar realmente o direito de cidadania filosófica a teologia e aos termos aparentados: a 
teologia torna-se ali, explicitamente, uma disciplina filosófica. (LACOSTE, 2004). 
Uso do termo na História
Na Sagrada Escritura, não é usado o termo teologia. A teologia cristã começa 
com os apóstolos como testemunhos de fé, do evangelista ou da comunidade; Teologia é 
um termo comum e bem desenvolvido na cultura grega, que passou a ser mais utilizado 
com Agostinho e Orígenes5. 
Já a escolástica utiliza outros termos como: sacra doutrina ou doutrina cristã. 
Assim, a teologia assume o significado técnico que tinha a sacra doctrina. Na Idade 
Moderna, surgem outros aspectos da teologia, nascendo um pluralismo de teologias.
Intelecção do termo
Teologia – reflexão metódica e crítica sobre o que vem exposto no querigma6
 da Igreja, aceito no ato de fé, pelo qual a pessoa se submete à Palavra de Deus. Como 
ato do teólogo – é reflexão sobre a fé. Visto do aspecto do objeto, ela faz ciência sobre 
Deus. Estes dois aspectos fundem-se em um único movimento que pode ser lido de duas 
maneiras:
Deus é o objeto da teologia - aspecto objetivo - ao qual o teólogo tem acesso 
pela fé transmitida na pregação viva da Igreja – aspecto subjetivo -, e sua 
reflexão crítica e metódica se faz a respeito de Deus na mediação da fé acolhida 
na tradição viva da Igreja.
3 TEOLOGIA COMO HERMENÊUTICA DA FÉ
Durante séculos, a razão teológica foi identificada com a razão especulativa, 
no sentido aristotélico da palavra. Aristóteles elabora sua filosofia na busca das causas 
últimas, de uma verdade absoluta e metafísica, por meio da lógica e da comprovação 
empírica. Já a teologia, como compreensão da fé em Deus que se revela na história e na 
experiência da comunidade, exige que teologizar seja uma prática interpretativa, isto é, 
hermenêutica. 
Podemos afirmar, portanto, que uma teologia que se pretende perfeita, completa 
e fechada em si mesma corre o risco de tornar-se ideológica e fundamentalista.
Desse modo, compreender teologia como hermenêutica da fé é compreender 
a história e tudo que é possível relacionar dela com a fé. A hermenêutica que a fé faz da 
história se diferencia da prática do historiador, a fé interpreta os eventos históricos como 
memoriais, isto é, como carregados de sentido, de força e esperança para a fé de hoje. 
Como você já sabe, teologia é um processo contínuo de interpretação do 
testemunho da fé, vivenciado na comunidade cristã de ontem que anseia ser atualizada em 
nossa experiência histórica de hoje. Assim, a hermenêutica da fé exigirá um diagnóstico 
rigoroso de nossa situação atual, mas, também, a reconstrução da experiência cristã de 
uma salvação em Jesus Cristo vivida pelos primeiros discípulos e discípulas. 
(5) Orígenes, em grego 
Ὠριγένη̋, (c. 185 — 253 d.C.) 
foi um teólogo e prolixo escritorcristão. Padre da Igreja. 
Nasceu em Alexandria, Egipto, 
e faleceu, segundo alguns dados 
em Cesaréia, na atual Palestina 
ou, mais provavelmente, 
segundo outras fontes, em Tiro 
(WIKIPÉDIA, 2006). 
(6) Querigma significa, no novo 
testamento, pregação. É o 
primeiro anúncio do Evangelho, 
é como o primeiro badalar do 
sino, o badalo forte. Segundo o 
Catecismo da Igreja Católica 
(CIC – VATICAN, 2006), o 
querigma pode ser considerado 
como a pregação missionária 
para suscitar a fé. Ele não 
pode ser confundido com a 
catequese, que é o passo 
seguinte ao querigma.
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UNIDADE 2
Não há compreensão da fé como ato teológico sem reinterpretação criadora. 
Neste sentido, a revelação será sempre evento atual, não um fato do passado. Revelação 
torna-se uma palavra viva quando interpretada para os homens e mulheres do nosso 
tempo. Hermenêutica teológica não se refere somente às Escrituras fundantes da fé, mas 
também à releitura da tradição, em particular das fórmulas dogmáticas. 
4 TEOLOGIA COMO CRÍTICA HISTÓRICA
Sabemos que o ser humano é localizado e histórico. Desse modo, ele é chamado 
a reconhecer sua universalidade e naturalidade. Partilhamos, também, com todos os seres 
vivos e o cosmo de elementos comum. Mas esta compreensão se dá, no ser humano, 
partindo de um contexto que contribui e influencia em nossa construção pessoal e coletiva 
de vida. Estar consciente dessa condição é reconhecer os limites humanos. Somos 
incapazes de conhecer plenamente a realidade e de construir uma sociedade de acordo 
com nossas utopias.
A consciência de seus limites não mata no ser humano seu anseio de plenitude, 
de transcendência, de felicidade. O ser humano é um ser de esperança, esta condição o 
leva a criar símbolos, de elaborar projetos e utopias, de regrar sua vida e sua liberdade 
partindo de valores, do belo, da ética, das causas justas. Sua vida, então, mesmo em meio 
às dificuldades e crises, orienta-se para um sentido último.
Você pode pensar: de que modo a fé se insere na dimensão histórica do ser 
humano?
Para encontrar uma resposta para essa questão, é importante saber que a fé 
não é somente um valor dotado de potencial ético e moral. Ela é um modo de conhecer 
e compreender o mundo em que vivemos. Não de modo passivo, como aceitação da 
realidade, mas de nos tornarmos sujeitos de transformação da própria história. A fé é um 
óculos para perceber realidades e potenciais que aos olhos superficiais não são perceptíveis. 
Quando Jesus curava os doentes, colocava na fé do doente o ponto fundamental de sua 
cura. “Vai, tua fé te curou”.
Se a fé é um modo de ver o mundo e interpretá-lo, como aplicar este pressuposto 
na argumentação teológica?
Teologia não será somente reflexão sobre Deus e realidades divinas, interpretação 
de dogmas e doutrinas. É, sobretudo, compreendida como interpretação da história que 
procura esclarecer e refletir criticamente as bases que fundamentam as esperanças e 
visões de mundo das correntes teóricas e sociais. Ela é a esperança de que a injustiça que 
caracteriza o mundo não pode ser a realidade final, que o injusto não pode se considerar 
como a última palavra.
A teologia assume a tarefa de discernir entre o “ideológico” e o “Espiritual”, o 
que vem do Espírito e que é simplesmente falsificação e superficialidade humana. O ato 
teológico é um ato de discernimento ou de apropriação espiritual tanto do texto como da 
práxis para penetrar mais a fundo tanto nos mecanismos de morte e de dominação como 
na força da ressurreição e da vida plena do povo de Deus no mundo. A hermenêutica é 
um discernimento das armas ideológicas da morte e uma base da força do Espírito da vida 
(Jo, 1: 4 – BÍBLIA SAGRADA, 2006). 
ATENÇÃO!
Para aprofundar seus 
conhecimentos sobre os 
assuntos referidos no texto 
principal, é importante que leia 
as páginas 24 e 25 da obra 
de Geffré denominada Crer 
e interpretar. Tal obra está 
referenciada ao término desta 
unidade. 
ATENÇÃO!
Para ampliar seus 
conhecimentos sobre a 
hermenêutica, é importante que 
leia as páginas 30 e 31 da obra 
Sujeito e sociedades complexas, 
de Sung, referenciada ao término 
desta unidade. 
PARA VOCÊ REFLETIR:
O ato teológico é um ato de 
discernimento ou de apropriação 
espiritual tanto do texto como da 
práxis para penetrar mais a fundo 
tanto nos mecanismos de morte 
e de dominação como na força 
da ressurreição e da vida plena 
do povo de Deus no mundo. Com 
base nesta afirmação, procure 
refletir sobre a seguinte questão: 
que feito poderia ser considerado 
um ato teológico?
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UNIDADE 2
5 TEOLOGIA COMO VIVÊNCIA ÉTICA DA FÉ
A fé, como resposta ao Deus da revelação, estaria traindo sua identidade e sua 
vocação se não afirmasse a dignidade intrínseca da pessoa humana, os deveres e direitos 
humanos, a defesa da natureza dessa terra como lar comum da humanidade e o bem-
comum como propósito e razão de ser de toda ordem social.
A santidade da vida de fé implica na afirmação da dignidade humana. Viver a 
fé e compreendê-la significa não compactuar com o mal, presente tanto no egocentrismo 
humano, como nas estruturas que geram a miséria, a exclusão, a opressão, o privilégio de 
poucos frente à exclusão de milhões. 
Note que a fé é um ato de liberdade ante o projeto de Deus, o que necessariamente 
defende o direito da liberdade de pensamento e de profissão religiosa. Defende, também, 
o direito à vida, que tem sua base na distribuição daquilo que é o bem-comum, o qual 
torna a história menos tirana e mais humana.
Hoje, a doutrina social da Igreja centra-se sobretudo nos homens e nas mulheres 
enquanto que estão envolvidos numa complexa rede de relacionamentos, 
dentro das sociedades modernas. As ciências humanas e a filosofia ajudam a 
interpretar o lugar central da pessoa humana na sociedade e também ajudam 
a compreender o que é, afinal, um ser social. Porém, a verdadeira identidade 
duma pessoa só nos é revelada plenamente através da fé; e é precisamente 
com a fé que a doutrina social da Igreja começa. Enquanto aproveita todos 
os contributos das ciências e da filosofia, a sua doutrina social dirige-se para o 
auxílio da humanidade na sua caminhada de salvação (CENTESIMUS ANNUS, 
n. 53-54).
A ética cristã, por um lado, afirma o ser humano como imago dei, com todas as 
suas implicações; por outro lado, reafirma a intrínseca ambigüidade moral da condição 
humana, a que a teologia denomina de pecado, o mal, o egoísmo, tornar o próximo 
objeto-instrumento. Pecado que está presente em todos os seres humanos e em todos os 
sistemas humanos. 
A teologia, em sua esfera pública, deve elucidar para indivíduos, governantes 
e sistemas a realidade do mal e suas perversas conseqüências sobre a vida humana e a 
criação. A Teologia tem como tarefa, juntamente com outras instituições, a formação da 
consciência para valores humanos e um chamado constante à conversão. 
Aqui, a teologia tem a tarefa de ser profética nas várias dimensões da vivência 
da fé: 
pessoal;a) 
comunitária;b) 
social;c) 
política. d) 
Assim, a competição representa a base da economia e do modelo de sociedade 
atual, já a fé e a ética respondem com o valor do amor e da solidariedade. Ao totalitarismo 
e ao individualismo, insiste-se com as noções de pessoa e de bem-comum. Ao materialismo 
que destina os seres humanos à produção e ao consumo, responde-se com as necessidades 
do espírito: “Nem só de pão o humano viverá, mas de toda palavra que procede da boca 
de Deus”.
ATENÇÃO!
Amplie seus conhecimentos 
sobre imago dei. Para tanto, 
acesse o site referenciado 
a seguir. SOLASCRITURA. 
Imago dei. Disponível em: 
. 
Acesso em: 10 jan. 2007. 
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A fé e a ética afirmam que o planeta faz parte do universo, não é somente terra, 
mas também oikos, o lar comum da humanidade. Deste modo, não se pode aceitar um 
mundo de donos, mas, sim, um mundo onde todos podem ter um lar. O oikonomos só tem 
sentido se conseguir incluir a todos no oikos, no lar. 
Contudo, como falar de lar, quando não se tem um teto, escola, saúde, trabalho, 
lazer, segurança e realização? Quando, para muitos, lar tem sentido de exílio, desterro, 
prisão? Quando muitos não conseguem ganhar seu pão com o suor de seu rosto?
O conteúdo de uma fé que se torna ética frente aos grandes desafios da 
humanidade não se baseia em ideologias políticas do século 19. Está fundado num 
patrimônio multisecular. Na herança do Ano Sabático7 e do Ano do Jubileu8 prescritos 
na Torah9. Também na herança dos profetas como Isaías, Jeremias, Amós ou Miquéias. 
Nada mais atual do que as palavras de Jeremias ao rei: “Assim diz o Senhor: Executai 
o direito e a justiça, e livrai o oprimido da mão do opressor; não oprimais o estrangeiro 
nem o órfão, nem a viúva, nem derrameis sangue inocente neste lugar” (Jr, 22:3 – BÍBLIA 
SAGRADA, 2006).
Enquanto isso, os direitos sociais estão sendo ridicularizados em nossos dias, 
retirados das Constituições, extintos, aumentando a vulnerabilidade e a fragilidade do ser 
humano. A herança dos Pais da Igreja, como Crisóstomo, Gregório, Basílio ou Ambrósio 
(s/d), já nos ensinava: “Não é teu o bem que distribuis ao pobre, apenas retribuis o que é 
dele. Porque tu és o único a usurpar o que é dado a todos para uso de todos”.
6 COMO NASCE CONCRETAMENTE A TEOLOGIA
Fides quaerens intellectum10! A clássica expressão de Santo Anselmo nos 
dá uma definição clara da teologia. Esta nasce do coração da própria fé. Igualmente, o 
amor nasce da fé e deseja saber as razões por que ama. Tal é a dupla fonte objetiva da 
teologia. 
Quanto à fonte subjetiva, é o próprio espírito humano que “deseja naturalmente 
conhecer” (ARISTÓTELES, s/d.) e disso não estão excluídas as coisas da fé. Toda a pessoa 
de fé, à medida que procura entender o porquê daquilo que crê, é, a seu modo, teóloga.
Em sua raiz mais profunda, a Teologia nasce da fé, entendida em sua unidade 
como novo nascimento, mais simplesmente como conversão. Só um ser profundamente 
transformado pode, verdadeiramente, ter acesso aos mistérios divinos.
A fé é uma realidade unitária, mas também complexa. E é segundo essa 
complexidade que a fé é fonte, objeto e fim da Teologia. De fato, a fé compreende:
a)• um elemento cognitivo: é a fé-palavra;
b)• um elemento afetivo: a fé-experiência;
c)• um elemento ativo: a fé-prática.
Há uma relação íntima e orgânica entre fé e teologia. Esta é a fé em estado de 
ciência. Porém, a fé sempre precede a teologia e tem primado absoluto sobre ela.
(7) Ano Sabático. “O termo vem 
do hebraico shabbath, e significa 
repouso. É o dia de recolhimento 
semanal dos judeus. No Antigo 
Testamento, há referência ao ano 
sabático: um ano, a cada seis, 
em que a terra fica sem cultivo 
para depois iniciar um novo 
ciclo de fertilidade” (SABÁTICO, 
2007).
 
(8) Ano Jubileu: “O Jubileu 
tem suas raízes no Antigo 
Testamento, sendo comemorado 
a cada 7 anos = ano sabático, e 
depois de 7 vezes 7 = Jubileu. 
Diz o Levítico: «Santificareis 
o qüinquagésimo ano, 
proclamando no país a liberdade 
de todos os que o habitam. 
Este ano será para vós jubileu, 
cada um de vós recobrará a sua 
propriedade e voltará para a sua 
família” (MONTFORT, 2007).
(9) Torah “(do hebraico 
 ,significando instrução ,הָר וֹ תּ
apontamento, lei) é o nome 
dado aos cinco primeiros livros 
do Tanakh (também chamados 
de Hamisha Humshei Torah, 
 as cinco - הרות ישמוח השמח
partes da Torá) e que constituem 
o texto central do judaísmo” 
(WIKIPÉDIA, 2007). 
(10) Fides quaerens 
intellectum: “a fé que deseja 
saber”. 
ATENÇÃO!
Amplie seus conhecimentos, 
confira a obra, Teoria do Método 
teológico de Clódovis Boff, 
referenciada ao término desta 
unidade.
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7 O QUE ESTUDA A TEOLOGIA E EM QUE PERSPECTIVA
Vejamos a estrutura do discurso científico em geral: Sujeito epistêmico11 não 
é fruto da herança genética, nem resultado da ação do meio, nem ainda mera soma desses 
dois conjuntos de fatores; mas, antes, constituído pela ação do indivíduo sobre o meio e 
sobre si mesmo, numa relação de troca permanente com essas instâncias constituidoras 
do sujeito.
Objeto teóricoa) : toda investigação parte de algum problema percebido 
(posto) ou formulado, de tal modo que não se pode prosseguir, a menos 
que se especifique claramente o que se quer obter. É necessário delimitar o 
contexto da investigação
Método específicob) : uso de técnicas e ferramentas específicas para 
a observação, análise e elaboração de hipóteses sobre o objeto da 
investigação. 
Como em toda ciência, é preciso distinguir, na Teologia, o objeto material e o 
objeto formal: 
Objeto materiala) : define a coisa de que uma ciência trata, o que se estuda 
(matéria-prima, temática, assunto, questão) – objetum quod.
b) Objeto formalb) : indica o aspecto segundo o qual se trata o ente escolhido 
(aspecto, dimensão, faceta, lado, nível, razão específica).
O objeto formal só é captado partindo de uma perspectiva12 particular em que 
se põe o sujeito epistêmico. A perspectiva é o correlato (subjetivo) do aspecto (objetivo) 
que se tem em vista. Objetum sub quo. (BOFF, 1999, p. 40-56).
8 ESTRUTURA DO DISCURSO TEOLÓGICO EM PARTICULAR
Qual é a estrutura do discurso teológico? 
Como você já sabe, o objeto de estudo da teologia é Deus. Diante Dele, o 
discurso teológico estrutura-se da seguinte maneira:
Objeto material da teologia: a) 
Deus e tudo o que se refere a Ele.• 
Deus, como objeto primário (primeiro) principal. • 
Tudo o mais como objeto secundário (segundo), conseqüencial. • 
Objeto Formal da Teologia:b) 
Deus enquanto revelado.• 
Toda e qualquer realidade à medida que se relaciona com o Deus • 
revelado.
Trata-se, portanto, de Deus e das realidades com ele relacionadas enquanto 
vistas à luz da fé (perspectiva).
(11) Epistêmico: “relativo 
à epistema ou episteme - 
conhecimento ou saber como um 
tipo de experiência; puramente 
intelectual ou cognitivo” 
(DICIONÁRIO HOUAISS). 
ATENÇÃO!
Convém lembrar que é o objeto 
que determina o método. 
Caso contrário, estaríamos 
pesquisando um objeto 
inexistente, sem correspondente 
na realidade objetiva. A despeito 
dessa obviedade, esse é um erro 
que acompanha os homens de 
ciência de todas as épocas.
(12) Perspectiva neste 
contexto refere-se a: ótica, visão, 
ponto de vista, prisma, ângulo, 
abordagem. 
VOCÊ SABIA QUE...
Não há nada que não seja, em 
princípio, teologizável, segundo 
certa medida.
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Desse modo, é o objeto formal que determina se um discurso é ou não 
teológico.
9 CONSIDERAÇÕES 
Nesta unidade, vimos que precisamos aprender a pensar teologicamente, adquirir 
uma imaginação teológica, passar de um modo espontâneo de elaboração teológica para 
uma prática teológica mais reflexiva e elaborada. Além disso, vimos que toda pessoa de 
fé, de alguma forma, elabora teologia. Mas nem sempre de forma sistemática.
Assim, em um curso de teologia, o mais importante é aprender a pensar, usar a 
imaginação teológica de forma metódica mediante ferramentas adequadas. 
O que significa basicamente fazer o exercício de pensar de modo mais sistemático 
a teologia?
Significa, especialmente, aprender a provocar a reflexão. Significa aprender a se 
voltar sobre a experiência feita, sobre o que ainda está no nível do relato, da narrativa. 
Concretamente, o que queremos dizer?
Como apirendizes de teologia, devemos saber levantar perguntas, aprender a) 
a aprender.
Na base de toda experiência

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