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Aula 3 - Sistemática de Importação

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SISTEMÁTICA DE 
IMPORTAÇÃO 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. João Marcos Andrade
 
 
CONVERSA INICIAL 
É fato que os países em sua maioria não são autossuficientes em muitas 
mercadorias, bens de capital, commodities, dentre outros produtos resultados de 
industrialização. Por esta razão, as nações cada vez mais tornam-se praças de 
oportunidades para estabelecimento de novos negócios, além de prospecções 
para investimentos, grandes projetos de infraestrutura, desenvolvimento 
tecnológico, compartilhamento de avanços em várias áreas de inteligência 
artificial, dentre outros aspectos da economia moderna. 
Mas, para todas estas e muitas outras atividades serem realizadas, é 
necessário que cada nação estabeleça suas regras aduaneiras aplicáveis à 
padronização de procedimentos administrativos e tributários, visando à 
contemplação de uma transparência nas atividades de arrecadação de tributos 
nas práticas de comércio internacional, porém, sem deixar de seguir orientações 
e protocolos firmados junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) e 
Organização Mundial das Aduanas (OMA). 
Assim, podemos considerar que, para a Sistemática de Importação no 
Brasil, precisamos reconhecer a necessidade de cumprimento às regras da 
Aduana Brasileira, coordenada pela Receita Federal do Brasil, sendo esta 
disciplina uma grande oportunidade para explanarmos as implicâncias das 
atividades operacionais das empresas que praticam importações em nosso país. 
CONTEXTUALIZANDO 
Imaginemos que a empresa em que atuamos, ou onde somos os 
empreendedores, empresários, sócios etc, resolve ingressar no Mercado 
Internacional prospectando importações para a linha de produção, para vendas 
diretas, para montagem, para industrialização, enfim, para várias atividades. 
Mas quais são os procedimentos técnicos vigentes no Brasil para essas 
práticas? Exatamente o que observamos em aulas anteriores. Primeiramente, a 
necessidade de habilitação da empresa no Sistema RADAR da Receita Federal 
do Brasil, o Sistema de Rastreamento das atividades dos Intervenientes de 
Comércio Exterior no Brasil, sendo que nesta aula abordaremos temas 
subsequentes aos vistos anteriormente, referentes à conceituação do que vem 
a ser de fato a Habilitação no Sistema Radar. Por isso, temos agora a 
 
 
3 
oportunidade de expandir nosso conhecimento no campo da prática das tarefas 
pertinentes à execução, à materialização da Habilitação de uma empresa no 
Radar da Receita Federal. 
Importante 
Não vamos confundir RADAR, da RFB, com o radar observado nas vias 
dos centros urbanos, ou estradas federais. 
 
 Créditos: Vectorlab2d/Shutterstock. 
TEMA 1 – PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS PARA HABILITAÇÃO DA 
EMPRESA NO SISTEMA RADAR DA RFB 
Inicialmente, a empresa promoverá a análise interna para a obtenção do 
status real em relação à sua composição como organização e, assim, teremos 
as seguintes etapas a serem cumpridas para a obtenção da Habilitação do CNPJ 
junto ao Sistema RFB. 
O Procedimento de Habilitação do CNPJ junto ao Sistema RADAR 
envolve três categorias, três Modalidades de Habilitação, as quais veremos logo 
a seguir. Entretanto, recomenda-se a leitura na íntegra da Instrução Normativa 
(IN) n. 1984/2020 e Portaria da Coana n.º 72/2020, e Portarias Coana n.º 58 de 
2016 e n.º 27 de 2018, para enriquecimento do conhecimento e das análises que 
estamos propondo neste estudo. 
A definição de qual das três Modalidades disponíveis a empresa estará 
apta a se habilitar deve, inicialmente, ser do conhecimento da própria empresa, 
uma vez que todas as afirmações e determinações dos requisitos para 
 
 
4 
enquadramento em uma das três modalidades constam na Legislação que tal 
disciplina revela. (Observadas no parágrafo anterior). 
 
Saiba mais 
Importante considerar que de acordo com o Art. 7º da Instrução Normativa 
para as Habilitações no Sistema RADAR, a RFB inclui nos procedimentos de 
fiscalização: 
1) Origem dos Recursos da Empresa, em que é necessária a 
comprovação lícita de todos os recursos financeiros e de patrimônio. 
2) Autenticidade dos documentos apresentados; qualquer adulteração de 
documentos apresentados impacta em indeferimento do pedido. 
3) Atendimento a prazos estipulados em eventuais exigências fiscais. 
4) Comprovação de endereço mediante visita de auditores fiscais da RFB 
em alguns casos para comprovação. 
1.1 Análise sobre a situação contábil/fiscal da Empresa 
No momento em que a empresa decide requerer sua Habilitação junto à 
RFB para atuar no Comércio Internacional, passa a estar propensa às 
solicitações de prestação de informações por parte daquele órgão, inclusive sob 
procedimento de fiscalização mais acentuada. 
Essa informação é necessária, pois o CNPJ requerente da habilitação 
deverá estar com toda a situação fiscal na condição de “Ativa” perante a RFB, 
ou seja, as Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica necessitam 
contemplar totalmente as atividades realizadas. Vendas de mercadorias, 
compras, enfim, cada atividade relacionada com a realidade da organização 
deve estar completamente de acordo com a legislação pertinente a cada uma, 
por exemplo, a Declaração de Imposto de Renda deve estar em dia, quanto à 
entrega, e principalmente quanto à sua regularidade fiscal. 
A RFB precisa receber os dados da empresa de forma que não ocorra 
nenhuma discrepância perante o fisco, e neste aspecto frisa-se a ocorrência em 
alguns casos, de empresas que “editam” documentos para apresentar à Receita 
Federal, o que configura crime de falsificação de documentos conforme o Art. 
298 do Código Penal Brasileiro, podendo inclusive ensejar pena de reclusão 
(prisão), por um determinado período. 
 
 
5 
Por esses motivos, e por questão de ética e transparência, é conveniente 
às empresas, primeiramente proceder com a análise documental junto aos 
setores fiscais, financeiro, operacional, e jurídico dependendo do porte da 
empresa (mais comum nas grandes empresas), para que, a partir do momento 
em que a documentação for apresentada à RFB, haja na companhia a ciência 
de que não há temor algum quanto a irregularidades ou pendências tributárias 
que não possam ser resolvidas em curto tempo. O CNPJ precisa estar de fato 
absolutamente condizente com a condição de “Ativa”, sem nenhuma pendência 
junto à Receita Federal. 
Observamos, portanto, que o critério da análise documental é de certa 
forma abrangente ao todo da empresa, citamos a seguir os principais tópicos e 
temas abordados e requeridos pela RFB em Requerimentos de Habilitação junto 
ao Sistema RADAR. 
• Situação do FGTS, (Fundo de Garantia por tempo de Serviço) dos 
funcionários. 
• Contas recentes de energia elétrica e telefone, com seus respectivos 
pagamentos, para comprovação da atividade da empresa no endereço 
fiscal indicado. 
• Livro de Registro de Empregados (quanto o porte da empresa assim o 
exigir). 
• Documento de arrecadação de IPTU (Imposto Predial e Territorial 
Urbano), referente ao imóvel onde a empresa exerce suas atividades. 
Saiba mais 
Importante considerar que a Receita Federal irá analisar também a 
composição do Contrato Social, de forma que é necessário constar em seu 
Objeto Social, as atividades de Comércio Exterior, devendo estar citado: 
“Atividades de Importação e Exportação”. 
 
1.2 Certificação Digital – procedimento necessário 
Compreendemos até aqui a necessidade de obtenção do Certificado 
Digital para o CNPJ da empresa, bem como para o CPF do Dirigente 
Responsável Legal pela Empresa. 
 
 
6 
Com o Certificado Digital, teremos acesso ao Sistema Gerenciador de 
Dados da Receita Federal para a execução das atividades de Importação, 
juntamente com a adesão ao DTE (Domicílio Tributário Eletrônico), ambos vistos 
em aulas anteriores. Observaremos a seguir um fluxograma das atividades 
presentes em uma tratativa de obtenção de RADAR junto à Receita Federal. 
Saiba maisO acesso ao Sistema Gerenciador da RFB, para esta finalidade, encontra-
se disponível em: <https://portalunico.siscomex.gov.br/portal/>. Acesso em: 20 
dez. 2020. 
Figura 1 – Fluxograma Operacional para elaboração de Requerimento de 
Habilitação no Sistema Radar da Receita Federal do Brasil 
 
Em tese, tendo realizado este procedimento, a empresa estará com seu 
CNPJ habilitado no Sistema RADAR, porém, podem haver exigências fiscais por 
parte da RFB durante o processo de análise documental, sempre via E-CAC. 
1.3 Considerações Importantes 
Sempre que um Requerimento de Habilitação ao Sistema Radar for 
apresentado, a empresa deve estar ciente de que a partir daquele momento, a 
qualquer tempo a RFB pode rever por ofício (definição da própria RFB) a 
habilitação, e aplicar considerações de acordo com os resultados da análise. 
Aquisição de 
Certificado Digital 
(CNPJ , e CPF)
Adesão ao DTE - 
Domicílio Tributário 
Eletrônico via E-CAC
Acesso ao E-CAC, ou 
ida à RFB para 
obtenção do Proce. 
Administrativo Fiscal
Acesso ao Portal 
Habilitação 
(<www.portalunico.sisc
omex.gov.br/portal/>)
Inclusão dos 
documentos no Portal 
ÚInico do Siscomex 
Deferimento, ou 
Indeferimento 
automático pelo 
Sistema
Se Indeferimento 
automático, reporte de 
documentos à RFB, via 
E-CAC
RFB procede análise 
de acordo com a IN n. 
1984/2020 e Portaria 
Coana n. 123/2015
RFB solicita 
documentos, defere ou 
indefere o pedido de 
Habilitação
 
 
7 
Por exemplo, a Empresa A obteve a habilitação de RADAR na Modalidade 
Limitada, porém, em determinado tempo, a RFB em processos de fiscalização 
percebeu que a empresa não mais possui a capacidade financeira apresentada 
e comprovada no momento do requerimento. Neste caso, a RFB poderá 
sumariamente suspender a Habilitação. 
Situações fiscais dos Responsáveis Legais pelo CNPJ também podem ser 
fiscalizadas durante a vigência da Habilitação do Radar e, ficando comprovada 
inconsistência em declarações de imposto de renda ou outra ferramenta de 
fiscalização por parte da RFB, a habilitação do CNPJ no Sistema RADAR 
também pode ser suspensa. 
Quando há casos de suspensão da Habilitação, as empresas podem 
apresentar recursos administrativos requerendo revisão no processo de 
fiscalização, e motivando novas tratativas para a RFB desde que com 
fundamentos sólidos capazes de serem comprovados mediante documentos 
lícitos, ou ainda, em outras circunstâncias, também poderá apresentar 
requerimento mediante Mandado Judicial por meio de Assessoria Jurídica. 
TEMA 2 – MODALIDADES DE HABILITAÇÃO NO SISTEMA RADAR DA RFB 
A Receita Federal divide as classificações de Habilitação no sistema 
RADAR, em Modalidades, e são elas: 
2.1 Modalidade Expressa 
Disponível para Pessoa Jurídica que pretenda importar valores menores 
que USD 50.000,00 em períodos consecutivos de até 6 meses, e podendo 
realizar Exportações sem limitação de Valores. 
Fundamentação Legal: Instrução Normativa (IN) n. 1984/2020, Art. 2º, 
Inciso I, alínea “a”. Portaria Coana n. 123/2015, Art. 3º. 
 
2.2 Modalidade Limitada 
Disponível para Pessoa Jurídica que apresente capacidade financeira que 
comporte valores de importação maiores que USD 50.000,00, e igual ou até USD 
 
 
8 
150.000,00 em períodos consecutivos de até 6 meses, e podendo realizar 
Exportações sem limitação de Valores. 
Fundamentação Legal: Instrução Normativa (IN) n. 1984/2020, Art. 2º, 
Inciso I, alínea “b”. 
2.3 Modalidade Ilimitada 
Disponível para Pessoa Jurídica que demonstre capacidade financeira 
suficiente para importar valores superiores a USD 150.000,00, sendo que nesta 
modalidade as exportações também não possuem limite de valor, a exemplo das 
duas anteriores. 
Fundamentação Legal: Instrução Normativa (IN) n. 1984/2020, Art. 2º, 
Inciso I, alínea “c”. 
TEMA 3 – REVISÃO DE ESTIMATIVA DA CAPACIDADE FINANCEIRA 
A Receita Federal, por meio da Legislação da Coana (Portaria n. 123/2015 
e da Instrução Normativa (IN) n. 1984/2020), permite a revisão da modalidade 
de Habilitação no Sistema Radar. 
Exemplo: empresa Brasil Alvorada Importações Ltda habilitou-se 
inicialmente na Modalidade de Habilitação Expressa, aquela em que o CNPJ 
recebe a permissão de importações de valores inferiores a USD 50.000,00 em 
períodos consecutivos de até 6 meses. No entanto, em determinado tempo, reviu 
seu planejamento e considerou que é necessário aumentar a capacidade de 
importações. 
Se a empresa puder comprovar a capacidade financeira, por meio de 
informações contábeis e financeiras, como demonstração do Ativo Circulante no 
Balanço Patrimonial, e extratos bancários que comprovem a capacidade 
financeira que permita aumento da permissão para importação, então, a 
empresa deverá submeter pedido de Revisão da Estimativa da Capacidade 
Financeira à Receita Federal do Brasil. 
 
3.1 Requisitos para a Revisão de Estimativa da Capacidade Financeira 
 
 
9 
Já observamos que as Habilitações das Empresas no Sistema Radar são 
concedidas através da comprovação de capacidade financeira do CNPJ, como 
origem dos recursos, comprovação de endereço, condições de estrutura da 
empresa para questões de produção (casos de indústria), dentre outros critérios 
a serem definidos em processo de análise documental pelo AFRB (Auditor Fiscal 
da Receita Federal). 
Entretanto, a qualquer tempo por medida de ofício, a Receita Federal 
poderá praticar o exercício da Revisão de Estimativa de Capacidade Financeira, 
sempre que perceber alguma razão que enseje tal procedimento. 
TEMA 4 – TIPOS DE IMPORTAÇÃO, PRÓPRIA, POR ENCOMENDA OU POR 
CONTA E ORDEM DE TERCEIROS 
Muito bem, como estudamos nestas aulas iniciais, é fato comum que para 
realização de atividades de comércio exterior, como a importação, por exemplo, 
a empresa deverá estar habilitada no Sistema Radar da RFB. 
Importante considerar que não existe apenas uma modalidade de 
importação, que é mais comum a qual é denominada Importação Direta, pois 
existem também as Importações por Encomenda e por Conta e Ordem de 
Terceiros, sendo que no próximo subtema, analisaremos a primeira delas. 
4.1 Importação por Encomenda 
De acordo com a Legislação Específica para o tema, a Instrução 
Normativa da RFB, n. 1861/2018, em seu Art. 3º. Com IN da Receita Federal n.º 
2101/2022: 
Considera-se operação de importação por encomenda aquela em que 
a pessoa jurídica importadora é contratada para promover, em seu 
nome e com recursos próprios, o despacho aduaneiro de importação 
de mercadoria estrangeira por ela adquirida no exterior para revenda a 
encomendante predeterminado. (Instrução..., 2018) 
Nessa modalidade de importação, são comuns casos em que a empresa 
importadora possui, por exemplo, algum benefício tributário estadual (ICMS), e 
o prática nas importações, estendendo, assim, o benefício às empresas que 
autuarem sob sua coordenação nas importações. 
Trata-se de uma estratégia de negócios muito prática e viável sob o ponto 
de vista tributário, porém, a empresa que se propõem a realizar a importação 
 
 
10 
deve estar ciente de que os recursos para a realização da importação deverão 
ser arcados por ela, inclusive o fechamento de câmbio (pagamento ao 
fornecedor no exterior). 
4.1.1 Formalização das Importações por Encomenda 
Para que a Importação por Encomenda ocorra dentro dos parâmetros da 
Legislação Aduaneira pertinente ao assunto, IN 1861/2018, há a necessidade de 
que exista Contrato de Prestação de serviço entre ambas as empresas, firmado 
e registrado/apresentado à Receita Federal anteriormente à data da efetivação 
da Importação, conforme Art. 3º, Inciso II da legislação citada, sendo 
recomendável a leitura na íntegra da Legislação acima descrita. 
Outra questão a ser considerada com muita atenção é a necessidade de 
ambas as empresas (tanto importador, quanto encomendante) estarem 
habilitadas no Sistema Radar da RFB, para possibilidade de registrode suas 
importações no Sistema de Comércio Exterior da Receita Federal – Siscomex, a 
ser visto nesta disciplina em detalhes. 
4.2 Importação por Conta e Ordem de Terceiros 
A mesma Instrução Normativa que define os procedimentos para 
Importação por Encomenda também orienta os exigidos na Importação por 
Conta e Ordem de Terceiros, a qual compreende a prática da importação por 
uma empresa importadora, porém, diferentemente do visto na modalidade 
anterior, nesta os recursos para a realização da aquisição no exterior devem ser 
por conta do Adquirente, a empresa que requereu ao importador a vinda do bem 
do exterior. 
4.2.1 Formalização das Importações por Conta e Ordem de Terceiros 
Temos nesta modalidade de importação também a exigência da 
assinatura de Contrato de Prestação de Serviço com a definição de Importação 
por Conta e Ordem, na qual ficam claras as cláusulas orientando a operação de 
Importação por Conta e Ordem de Terceiros. Também deve ser firmada 
anteriormente a data de efetivação da importação no exterior, além de ser 
apresentado à Receita Federal também nestas condições relativas à data de 
aquisição no exterior. 
 
 
11 
A exemplo da Importação por Encomenda, na importação por Conta e 
Ordem de Terceiros, também há a obrigatoriedade de habilitação no Sistema 
Radar, tanto do Importador, quanto do real Adquirente. 
A leitura da IN 1861/2018 e IN da Receita Federal n.º 2101/2022 é 
recomendável para fixação do conteúdo. 
 
TEMA 5 – DESPACHO ADUANEIRO NA IMPORTAÇÃO 
Agora que compreendemos a necessidade de primeiramente habilitar a 
empresa no Sistema RADAR da RFB para executar as importações, podemos 
seguir adiante em nossos estudos, considerando que já temos conhecimento da 
importância de analisarmos todos os documentos que nos são submetidos em 
uma empresa, no que diz respeito a assuntos de Comércio Exterior. 
Essa afirmação denota uma aplicação muito grande de responsabilidade 
de nossa parte como gestores administrativos ou qualquer que seja nossa 
ocupação na empresa, pois ao tratarmos com o fisco brasileiro necessitamos 
estar cientes de que qualquer adulteração de documentos ou falsidade 
ideológica é passível de sanção, pena, multa e até abertura de inquérito policial 
em alguns casos. Portanto, qualquer deslize precisa ser evitado. Se houver 
pedidos para práticas de atividades que extrapolem as determinações da 
legislação aduaneira, a recomendação é que nos abstenhamos de tal tarefa para 
evitar confrontos desnecessários com o poder público federal. 
A seriedade e importância do tema importação é muito considerada no 
Brasil, assim como em outras nações que fazem parte da OMC (Organização 
Mundial do Comércio), pois há uma necessidade de transparência nas atividades 
de comercialização internacional, evidentemente por questões de ética, respeito 
e compromisso sempre com a verdade naquilo que é negociado entre cliente e 
fornecedor internacional. 
No Brasil, a Legislação atual que disciplina o Despacho Aduaneiro de 
Importação, é a Instrução Normativa da RFB n. 680/2006, a qual, em seu Art. 1º, 
já define que “[...] a mercadoria que ingressar no País, importada a título 
definitivo ou não, ficará sujeita ao Despacho Aduaneiro de Importação, salvo as 
exceções previstas nesta Instrução Normativa ou em normas”. (Instrução..., 
2006) 
 
 
12 
5.1 A Receita Federal e o Despacho de Importação 
A RFB regulamenta as atividades de importação e as define por meio de 
Despacho de Importação. 
Vejamos a seguir a definição de Despacho de Importação de acordo com 
a Receita Federal do Brasil: 
[...] É o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos 
dados declarados pelo importador em relação à mercadoria importada, 
aos documentos apresentados e à legislação específica, com vistas ao 
seu desembaraço aduaneiro. 
Esta é uma definição Legal, conforme o Decreto Executivo n. 6759/2009, 
em seu Art. 542. 
Desde 1997, o despacho aduaneiro de importação é processado 
eletronicamente, sendo que a Declaração de Importação, regra geral, é 
processada no Siscomex, por meio de Declaração de Importação 
(DI), Declaração Única de Importação (Duimp) ou Declaração Simplificada de 
Importação (DSI eletrônica). 
No entanto, existem exceções, em razão da natureza da mercadoria, da 
operação e da qualidade do importador, em que o despacho de importação é 
processado sem registro no Siscomex por meio de Declaração Simplificada de 
Importação (DSI formulário). 
O despacho de importação poderá ser efetuado em zona primária ou em 
zona secundária. Tem-se por iniciado o despacho de importação na data do 
registro da declaração de importação. O registro da declaração de importação 
consiste em sua numeração pela RFB, por meio do SISCOMEX. (Receita 
Federal, S.d.) 
5.2 A Receita Federal e o Território Aduaneiro 
A atuação da RFB nas importações se dá por meio de fiscalização 
eletrônica (Siscomex – Sistema de Comércio Exterior Brasileiro), como também 
ocorre por meio físico (presença de Servidores Públicos lotados naquela 
autarquia para exercerem a autoridade aduaneira nas importações). 
O Despacho de Importação ocorrerá sempre em locais definidos pela 
Legislação como Território Aduaneiro, o qual se divide em: 
a) Zona Alfandegária Primária. 
 
 
13 
b) Zona Alfandegária Secundária. 
Vamos às suas definições. 
5.2.1 Zona Alfandegária Primária 
Conforme o Decreto Executivo n. 6759/2009, Art. 3º, Incisos I e II, a divisão 
da Zona Alfandegária Primária se define da seguinte forma: 
a) Área terrestre ou aquática, contínua ou descontínua, nos portos 
alfandegados; 
b) Área terrestre, nos aeroportos alfandegados; 
c) Área terrestre, que compreende os pontos de fronteira alfandegados 
(Receita Federal, S.d.). 
5.2.2 Zona Alfandegária Secundária 
A Zona Alfandegária Secundária, compreende a parte restante do 
território aduaneiro, nela incluídas as águas territoriais e o espaço aéreo (Receita 
Federal, S.d.). 
Assim, é possível a compreensão de que todas as atividades de 
Importação são submetidas ao fisco brasileiro, que conforme já verificado nas 
aulas anteriores, é executado pela Receita Federal do Brasil, e para que tal 
procedimento seja possível, primeiramente a empresa se habilitou no Sistema 
RADAR da RFB, e, a partir de então, iniciou suas atividades de aquisição no 
mercado internacional, e providenciou a entrada de suas aquisições no Brasil. 
Parece uma atividade simples e irrelevante, porém, exige completa 
aplicação de todos os envolvidos desde a prospecção de compra no exterior, 
habilitação do CNPJ no Sistema RADAR, e finalizando com as tratativas junto 
ao fornecedor para a compra no exterior, e operacionalização e gestão 
administrativa, que na prática compreende a logística internacional e o despacho 
de importação. 
As atividades operacionais seguem os dispostos na Instrução Normativa 
da RFB n. 680/2006, 800/2008, Portaria Secex n. 23/2011, Decreto Executivo n. 
6759/2009, dentre outras fontes de legislação conforme a especificação das 
importações, temas a serem vistos nas próximas aulas desta disciplina. 
Saiba mais 
 
 
14 
Para auxílio no aprendizado do tema despacho aduaneiro na importação, 
recomenda-se a consulta ao link oficial da RFB a seguir: 
RECEITA FEDERAL. Introdução. Disponível em: 
<https://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despacho-de-
importacao/topicos-1/conceitos-e-definicoes/despacho-de-importacao>. Acesso 
em: 20 fev. 2020. 
TROCANDO IDEIAS 
Então quer dizer que todas as importações, sejam para fins comerciais ou 
não, precisam ser submetidas ao processo de fiscalização da Receita Federal? 
A resposta é sim, inclusive para aquelas remessas consideradas 
pequenas na importação, em que são realizadas aquisições de produtos de 
amostras de valor até USD 3.000,00 via courrier internacional, nas quais são 
aplicadas as tributações simplificadas de alíquotas de 60%. Também há o 
procedimentode fiscalização por parte da Receita Federal do Brasil, inclusive 
em algumas delas como nos casos destas remessas, sequer ficamos sabendo 
qual o Auditor Fiscal da RFB realizou o processo de fiscalização, mas, sim, todas 
são submetidas aos critérios legais de fiscalização aduaneira. 
NA PRÁTICA 
Como a empresa que pretende importar materiais para sua produção, ou 
seja, matéria-prima, deve proceder junto a qual órgão federal de forma que 
cumpra os requisitos legais? 
Essa mesma empresa, em determinado momento, após ter realizado 
algumas importações, definiu que seria necessário aumentar seus volumes 
financeiros nas importações, porém, não sabe como proceder, tendo em vista 
que possui uma habilitação para aquisições no mercado internacional, limitada 
a USD 50.000,00 em períodos consecutivos de até 6 meses. 
Nesta situação, quais os procedimentos necessários para essa empresa 
poder praticar importações com valores maiores que o permitido para seu CNPJ 
conforme descrito neste exercício? 
 
 
15 
FINALIZANDO 
O Brasil é um país que se destaca por questões naturais como belas 
florestas, belos encontros de águas, dentre outras maravilhas da natureza, mas 
também em seu portfólio como nação há valores que são admirados e 
valorizados no exterior. 
Dentre alguns deles, citam-se os procedimentos aduaneiros, que, apesar 
de um tanto lentos em anos anteriores em alguns pontos de fronteiras, portos e 
aeroportos, atualmente estão muito evoluídos e dinamizados a ponto de 
favorecer empresas atuantes no Comércio Internacional, de forma que os 
planejamentos estratégicos já podem ser baseados nos prazos curtos praticados 
nas Unidades da Alfândega Brasileira nas Zonas Alfandegárias Primárias e 
Secundárias. 
Com base nessas constatações, foi possível entender nesta aula, que 
desde a habilitação do CNPJ no Sistema RADAR da RFB, bem como as 
atividades operacionais do importador brasileiro e de seus prestadores de 
serviços, são totalmente submetidas a fiscalização federal de um órgão 
extremamente prático e rigoroso, portanto, a transparência nas transações 
financeiras, comerciais e tributárias nas importações deve ser sempre a mais 
evidente possível. 
Bons estudos, continuamos na próxima aula com novos temas. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
INSTRUÇÃO normativa RFB n. 1861, de 27 de dezembro de 2018. Receita 
Federal, 28 dez. 2018. Disponível em: 
<http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&
idAto=97727>. Acesso em: 20 fev. 2020. 
INSTRUÇÃO normativa SRF n. 680, de 02 de outubro de 2006. Receita Federal, 
5 out. 2006. Disponível em: 
<http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&
idAto=15618>. Acesso em: 20 fev. 2020. 
INTRODUÇÃO. Receita Federal, 28 nov. 2014. Disponível em: 
<https://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despacho-de-
importacao/topicos-1/conceitos-e-definicoes/despacho-de-importacao>. Acesso 
em: 20 fev. 2020. 
RECEITA FEDERAL. Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br>. Acesso 
em: 20 fev. 2020. 
SISCOMEX. Disponível em: <https://portalunico.siscomex.gov.br/portal/>. 
Acesso em: 20 fev. 2020. 
 
 
 
	Conversa inicial
	Contextualizando
	Trocando ideias
	Na prática
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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