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Aula 6 - Sistemática de Importação

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SISTEMÁTICA DE 
IMPORTAÇÃO 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. João Marcos Andrade 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O objetivo principal desta aula é compreender a etapa final de uma 
importação, seja ela comum ou atípica. É necessária uma visão completa do 
processo de importação, bem como do projeto de uma empresa acerca de suas 
importações, ou seja, não basta apenas entender a coordenação de uma 
importação; é preciso ter conhecimento a respeito de todo o projeto da empresa 
a curto, médio ou longo prazo, em relação ao mercado internacional. 
Isso ocorre porque, a cada realização de negócio internacional, há 
variáveis a serem gerenciadas e administradas. Todos os assuntos vistos 
cronologicamente permitiram maximizar o conhecimento sobre como planejar a 
importação em empresas de todos os portes e com características diversas, pois 
já abordamos os principais procedimentos a serem seguidos para obter sucesso 
nas importações sob os pontos de vista administrativo e tributário. 
CONTEXTUALIZANDO 
Para abranger o máximo de assuntos indispensáveis às práticas das 
importações, observaremos já no início desta aula a atuação do principal órgão 
da administração aduaneira no Brasil, a Receita Federal do Brasil (RFB). 
Entenderemos quais são os procedimentos-padrão de fiscalização a 
serem realizados nas cargas de importação, de acordo com a legislação em 
vigor. Também entenderemos as opções que o importador tem para realizar 
importações sob condições especiais em situações em que é possível planejar 
a realização de negócios pela exploração de diferentes formas de importação. 
Isso tudo mediante o uso de benefícios fiscais, incentivos fiscais, e mecanismos 
operacionais capazes de permitir gerenciamento de fluxo de caixa, ao submeter 
a importação a regimes especiais que favoreçam tanto o momento da importação 
como o escopo básico do negócio, quando bem estudado e avaliado sob as 
regras aduaneiras. 
TEMA 1 – CONFERÊNCIA ADUANEIRA 
A Receita Federal do Brasil (RFB), seguindo determinações da legislação 
aduaneira, estabelece critérios de rigor para a fiscalização das importações, mas 
é necessário compreendermos que esse procedimento se inicia anteriormente 
ao ato da chegada da carga ao Brasil. Como observamos anteriormente, é a 
 
 
3 
análise técnica daquilo que será importado para confrontação com as 
imposições previstas na legislação como a principal informação para a ciência 
quanto à exigência ou não de licenciamento de importação anteriormente ao 
embarque no Exterior, que vem a ser a consultada no tratamento administrativo 
do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). 
Após todos os trâmites administrativos terem sido seguidos, chega o 
momento em que a carga adentra o território brasileiro, e a partir desse ponto 
está submissa às regras de fiscalização da Receita Federal do Brasil, atendendo 
aos dispositivos presentes na Instrução Normativa (IN) RFB, n. 680/2006, que a 
partir do art. 21 define as formas nas quais a importação será direcionada para 
execução e realização da conferência aduaneira nas seguintes condições: 
1.1 Seleção/definição dos canais de conferência 
O Siscomex utiliza padrões técnicos embasados na legislação aduaneira 
a fim de direcionar as importações para os canais de conferências, os quais são 
definidos por cores (verde, amarelo, vermelho e cinza). 
As regras que definem o direcionamento das importações para esses 
canais de conferência, também estão dispostas na IN RFB n. 680/2006 que em 
seu art. 21, no parágrafo 1º, apresenta as seguintes regras para direcionamento 
a um dos canais de conferência: 
[...] A seleção de que trata este artigo será efetuada por gerenciamento 
de riscos, com auxílio dos sistemas da RFB, e levará em consideração, 
entre outros, os seguintes elementos: 
(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB n. 1759, de 13 de 
novembro de 2017) 
I - regularidade fiscal do importador; 
II - habitualidade do importador; 
III - natureza, volume ou valor da importação; 
IV - valor dos impostos incidentes ou que incidiriam na importação; 
V - origem, procedência e destinação da mercadoria; 
VI - tratamento tributário; 
VII - características da mercadoria. 
Assim, conforme esses critérios e regras, o Siscomex direcionará a 
importação para um dos canais de vistoria; para cada um há uma sistemática 
procedimental na qual a RFB se embasará para fiscalizar a importação e aplicar 
as medidas necessárias, culminando com a liberação da carga para o 
importador, ou com outras imposições de acordo com padrões estabelecidos em 
lei. A seguir, entenderemos as ocorrências dos canais de conferência utilizados 
http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=87844#1828818
http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=87844#1828818
 
 
4 
na importação. Antes disso, é necessário compreendermos que a cronologia da 
importação é: 
1) Empresa requisita habilitação no Sistema Radar da RFB. 
2) Empresa consulta o tratamento administrativo da mercadoria. 
3) Empresa efetua o pagamento ao exportador (fechamento de câmbio). 
4) Empresa autoriza o embarque da mercadoria no exterior. 
5) Mercadoria embarca e chega ao Brasil. 
6) RFB executa o procedimento de fiscalização aduaneira. 
7) RFB libera a mercadoria após fiscalização. 
8) Emissão da nota fiscal e retirada da mercadoria da alfândega. 
9) Chegada da importação à empresa para o fim proposto. 
1.2 Canais de conferência 
O registro das informações da importação no Siscomex é a ferramenta 
que a Receita Federal utiliza para a realização da conferência aduaneira, que é 
executada por meio de comandos eletrônicos do sistema, os quais, de forma 
técnica (porque o sistema é desenvolvido sob bases técnicas da Receita Federal, 
atendendo normas da Coordenação Geral da Aduana), condicionam as 
importações aos padrões de conferência aduaneira que, por sua vez, são 
definidos por cores de parametrização, sendo elas: verde, amarelo, vermelho e 
cinza, especificados a seguir: 
 
Crédito: Ville heikkinen/Shutterstock. 
 
• Canal verde: o art. 21, inciso I, da IN RFB n. 680/2006, apresenta o 
canal verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático 
da mercadoria, são dispensados o exame documental e a verificação da 
mercadoria. 
• Canal amarelo: o art. 21, inciso II, da IN RFB n. 680/2006, apresenta o 
canal amarelo, pelo qual será realizado o exame documental e, não sendo 
 
 
5 
constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, é 
dispensada a verificação da mercadoria. 
• Canal vermelho: o art. 21, inciso III, da IN RFB n. 680/2006, apresenta o 
canal vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada 
após a realização do exame documental e verificação da mercadoria. 
• Canal cinza: o art. 21, inciso IV, da IN RFB n. 680/2006 apresenta o canal 
cinza, pelo qual será realizado o exame documental, a verificação da 
mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, 
para verificar elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere 
ao preço declarado da mercadoria, conforme estabelecido em norma 
específica. 
Como observamos, não é o importador que define o canal de 
parametrização, mas, sim, o Siscomex, conforme IN RFB n. 680/2006. É 
importante compreendermos que a disposição da carga para qualquer ato de 
vistoria aduaneira praticada pela Receita Federal na carga de importação, estará 
por conta do importador que junto ao fiel depositário1 da alfândega onde está a 
mercadoria, promoverá a apresentação da carga em hora e data marcada pela 
RFB para a vistoria aduaneira. 
1.3 Operacionalização das parametrizações 
Os canais de parametrização ocorrem em todas as importações, exceto 
quando a empresa importadora for certificada pelo programa Operador 
Econômico Autorizado (OEA). Nesse caso, a empresa terá suas importações 
liberadas automaticamente,ou seja, todas em canal verde de conferência. Na 
prática, a ocorrência dos canais de conferência se dá da seguinte forma: 
1.3.1 Definição dos canais de parametrização das importações 
Se para cada importação ocorrerá o processo de parametrização, é 
necessário entendermos agora que cada alfândega determina seus critérios para 
que os canais de parametrização sejam aplicados nas importações. 
 
1 Fiel depositário é a empresa responsável pela custódia das mercadorias em trâmites de 
importação e exportação, conforme Decreto n. 6.759/2009, art. 13, inciso IV; art. 63; artigo 105, 
inciso II; e art. 255, inciso II. 
 
 
6 
Dessa forma, cada zona alfandegária definirá os procedimentos para que 
os canais de conferência sejam aplicados, como veremos no exemplo seguir. 
A alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, próximo a 
Campinas, em São Paulo, um dos maiores do país para o setor de cargas 
internacionais, define por meio de Portaria os horários nos quais as importações 
serão submetidas aos canais de conferência/parametrização, sendo que pode 
haver mais de um horário por dia para que a Declaração de Importação e a 
Declaração Única de Importação sejam parametrizadas nos canais. 
Assim, se uma declaração for registrada pelo importador ou representante 
legal no período da manhã, antes do tempo previsto para o Siscomex para que 
seja parametrizada, a mesma receberá a parametrização (canal) devida e, a 
partir desse momento, estará sujeita aos trâmites aplicáveis a cada canal. Tal 
prática ocorre em todas as alfândegas e delegacias da RFB, tanto em zonas 
alfandegárias primárias quanto nas secundárias. 
TEMA 2 – PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO 
Além dos canais de parametrização já destacados, há a aplicação de 
procedimentos de fiscalização pela RFB, que ocorrem em situações específicas 
e previamente definidas pela legislação aduaneira, sobretudo quando há indícios 
de descumprimento de requisitos legais, fato que demanda maior atenção por 
parte do fisco (RFB) em relação à importação em questão. Também é possível 
estender este procedimento mais rigoroso de fiscalização a outras importações 
da empresa, para que a RFB execute as práticas necessárias à obtenção de total 
cumprimento das regras aduaneiras e tributárias por parte da importadora. 
Diante disso, teremos alguns procedimentos específicos, descritos a seguir. 
 2.1 Abertura de procedimento especial de fiscalização aduaneira 
A partir do registro da Declaração de Importação ou da Declaração Única 
de Importação (Duimp), o Siscomex definirá então o canal de parametrização e 
ao detectar possível irregularidade, como suspeita de fraude ou discrepância nas 
informações prestadas na Declaração de Importação ou na Duimp. A RFB 
poderá determinar abertura do Procedimento Especial de Fiscalização 
Aduaneira, o qual também pode ocorrer após o ato de vistoria aduaneira em que 
 
 
7 
seja detectada alguma irregularidade, por exemplo, divergências no nome do 
importador constante nos documentos da importação. 
Tal fato enseja abertura de procedimento especial de fiscalização que 
pode incidir penas e multas consideradas severas pela RFB. Caso fique 
evidenciada a prática de irregularidade, a mercadoria será dada como perdida e 
se aplicará a pena de Perdimento da Mercadoria conforme a IN n. 1.986/2020, 
além dos arts. 689 e outros do Decreto n. 6.759/2009. 
Durante o Procedimento Especial de Fiscalização, de acordo com a IN 
citada, a mercadoria que é objeto da importação deverá ser mantida no recinto 
alfandegado definido para o despacho aduaneiro. 
2.2 Exemplos de aplicação do procedimento especial de fiscalização 
Uma importação que, por exemplo, tenha sido realizada pela Empresa A, 
porém, na prática está ocorrendo sob a demanda financeira e operacional da 
Empresa B, será motivação para que a RFB direcione a fiscalização da mesma 
para esse enquadramento especial, tendo em vista que muito provavelmente a 
Empresa B, por alguma razão, não efetuou a importação por temer ser autuada 
pela RFB em alguma irregularidade fiscal, administrativa, tributária ou de outra 
natureza, que a impede de obter a habilitação ou renovação junto ao Sistema 
Radar, ou ainda por questões diversas. 
Ocorre que as determinações constantes na legislação principal da 
habilitação no Sistema Radar IN n. 1.984/2020, mostram que a habilitação da 
empresa junto ao Sistema de Rastreio das Atividades dos Intervenientes de 
Comércio Exterior no Brasil define que as práticas de comercialização de 
produtos no mercado internacional devem ocorrer apenas para atividades 
industriais e comerciais das empresas devidamente habilitadas, justamente para 
evitar organizações que estejam com suas situações cadastrais prejudicadas por 
descumprimentos legais junto ao fisco brasileiro. 
Para tais práticas, a RFB define então o Procedimento Especial de 
Fiscalização, em que busca saber se a Empresa A está por alguma razão 
importando determinada mercadoria em favor da Empresa B, podendo haver, 
por exemplo, tendências de práticas de importação similar às observadas e 
legalmente praticadas sob a forma de conta e ordem de terceiros, ou por 
encomenda de terceiros. No entanto, de alguma forma a Empresa A tentou se 
 
 
8 
beneficiar por impedimento da Empresa B de constar como importadora perante 
à Receita Federal. 
Tem-se nessas circunstâncias a prática da irregularidade fiscal definida 
pela legislação aduaneira como ocultação do real adquirente e a interposição 
fraudulenta de terceiros, conforme previsto na IN n. 1.984/2020, a partir do art. 
2º, que na prática é a importação praticada pela Empresa B em nome da 
Empresa A, ou vice-versa, de forma que a empresa não presente na 
documentação tenha alguma irregularidade perante o fisco. Tais práticas podem 
culminar na perda do direito da habilitação ao sistema Radar bem como a 
cassação do CNPJ perante o cadastro da RFB, além de responsabilização fiscal 
do(s) responsável(eis) legal(is) pelo CNPJ importador das duas empresas 
participantes da operação. 
2.3 Prazos para aplicação do procedimento especial de fiscalização 
A RFB, de acordo com a IN n. 1.984/2020, terá os prazos específicos para 
a aplicação do procedimento especial de fiscalização da importação, situações 
em que a importação ficará condicionada aos procedimentos fiscais 
determinados na legislação citada sem que as mercadorias possam sair do 
recinto aduaneiro, durante todo o tempo da execução do procedimento especial 
de fiscalização, salvo exceções e determinações por liminares requisitadas pelo 
importador e deferidas pelos tribunais ou fóruns da jurisdição do importador e 
local (município) do devido recinto aduaneiro. Para a execução do procedimento 
mencionado, a RFB terá 90 (noventa) dias para realizar as tarefas que objetivem 
a apuração da confirmação da(s) irregularidade(s) detectada(s) na importação, 
podendo prorrogar este prazo por igual período desde que devidamente 
justificado por algum motivo disposto na legislação. 
Por todas essas razões, é extremamente necessário observar as regras 
de importação previstas no conjunto de normas aduaneiras expostas na 
presente disciplina bem como suas posteriores atualizações e alterações para 
que não ocorra nenhuma prática ilegal. A RFB possui atribuições para as devidas 
demandas de sanções, penas e multas sobre as importações e também 
referentes às mercadorias importadas, como observado na IN n. 1.984/2020 e 
no Decreto n. 6759/2009. 
É muito importante compreendermos que, apesar de toda a imposição de 
possíveis penas, sanções e multas pela RFB ao importador e às mercadorias 
 
 
9 
importadas, quando instaurado o procedimento especial de fiscalização a prática 
de importações sob as regras dos tipos importação por conta e ordem de 
terceiros e/ou por encomenda de terceiros, por exemplo, são totalmente 
permitidas desde que executadas de acordo com as regras constantesna 
legislação específica. 
TEMA 3 – REGIMES ESPECIAIS ADUANEIROS 
 A atividade econômica de importação no Brasil abrange diversas formas 
e características que podem significar estratégias operacionais capazes de 
proporcionar ao importador condições de concorrência no mercado em que atua. 
Isso define certa obrigação da empresa praticante de importação na prestação 
de consultoria e assessoria aduaneira às importadoras, posse de conhecimento 
dos procedimentos técnicos e imposições das normas aduaneiras – formas pelas 
quais as importações ocorrerão sem a necessidade de retrabalhos nas revisões 
de procedimentos de importação. Diante disso, o pior cenário vem a ser a 
imposição de penas e sanções por parte da RFB, a exemplo do que estudamos 
no tema anterior desta aula. 
Como forma de propiciar às empresas brasileiras condições de atuação 
compatíveis com as normas aduaneiras, a Coordenação Geral da Aduana no 
Brasil (Coana) define oportunidades de práticas sob aspectos que podem 
ensejar a realização de importações sem necessidade de recolhimento tributário, 
entre outras possibilidades. No entanto, para usufruir os benefícios previstos 
nesses regimes aduaneiros especiais, a empresa importadora deverá estar com 
sua situação cadastral e fiscal em ordem perante à RFB. Veremos a seguir os 
regimes aduaneiros especiais mais comuns. 
3.1 Admissão temporária 
Ao se deparar com uma oportunidade de negócios, como a participação 
em uma feira comercial na qual seja necessária e oportuna a exposição de 
determinado bem de capital (maquinário) ou outra mercadoria para fins 
comerciais, o importador brasileiro poderá requisitar à RFB previamente ao 
embarque no exterior, uma autorização para que tal importação ocorra sob as 
condições do regime aduaneiro especial de admissão temporária que, conforme 
 
 
10 
o nome define, permitirá à importação um tempo pré-definido para ser finalizada, 
como podemos ver no exemplo a seguir. 
A Empresa A participará de uma feira de negócios e pretende 
comercializar determinado produto importado. Então, solicita à RFB a abertura 
de um processo administrativo fiscal no qual expõe seu projeto de negócio para 
que a importação ocorra sem a necessidade de recolhimento dos impostos, 
desde que os prazos de condições definidas na legislação vigente e específica 
para esta prática sejam cumpridos, sendo a legislação pertinente a IN RFB n. 
1.600/2015, que, por sua vez, define vários requisitos para a importação 
temporária ocorrer. 
Saiba mais 
Para compreender melhor o exemplo que acabamos de ver, leia a 
legislação na íntegra. Ela pode ser acessada no link 
<http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&
idAto=70297>. 
Ao realizar uma importação sob o regime aduaneiro especial de admissão 
temporária, o importador terá direito de manter no Brasil a mercadoria sem o 
recolhimento dos tributos ou até mesmo sem o recolhimento parcial de 
equipamentos, conforme pré-definido na legislação específica. Por exemplo, no 
caso de exposição em feiras comerciais, nas quais o bem tenha sido importado 
sob o regime aduaneiro especial de admissão temporária e seja comercializado 
no ato da feira ou posteriormente a ela (desde que no prazo legal conforme 
concedido no processo administrativo), o importador, então, recolherá os tributos 
incidentes na importação. 
3.2 Entreposto aduaneiro 
O importador brasileiro também pode recorrer às práticas comerciais 
vantajosas sob as condições legais da legislação aduaneira. Ao importar 
determinada quantidade de mercadorias para revenda, poderá fazê-lo conforme 
as práticas definidas nos artigos n. 404 a 409 do Decreto n. 6.759/2009 e na IN 
RFB n. 241/2002, e assim importar sem a necessidade de recolher os tributos 
incidentes na importação, conforme definido pela legislação principal sob o fato 
gerador do imposto. Esse fato gerador é a entrada do bem no território nacional, 
ou seja, uma vez que a mercadoria importada chega ao Brasil, deve-se realizar 
 
 
11 
o recolhimento dos tributos, porém, nesse regime aduaneiro especial, a RFB 
permite a prática de estratégias comerciais, como o entreposto aduaneiro na 
importação. Vejamos um exemplo. 
A Empresa A solicita à RFB a abertura de um processo administrativo 
para concessão de um regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro, no 
qual as mercadorias serão importadas, chegarão ao Brasil e passarão por todos 
os processos de fiscalização, porém, não terão a necessidade do recolhimento 
dos tributos no ato da chegada da carga ao país (momento da necessidade da 
tributação). Isso ocorre porque as mercadorias poderão ser armazenadas no 
recinto aduaneiro e tributadas na medida em que forem comercializadas. Nesse 
exemplo, podemos citar que a Empresa A importou mil unidades de uma 
mercadoria para revenda e as comercializa de forma fracionada, sendo mais de 
duas vezes, desde que no prazo de um ano. Conforme as vendas ocorrem, a 
tributação é praticada apenas sobre as mercadorias comercializadas, até que o 
estoque total seja consumido. 
Caso as vendas não atinjam a totalidade das mercadorias importadas no 
prazo de um ano a partir do desembaraço aduaneiro, o importador poderá 
requisitar prorrogação do benefício por mais um ano, período no qual a tributação 
deverá ocorrer – isso tudo com o objetivo de que a empresa possa atuar com 
gestão de fluxo de caixa conforme as vendas acontecem. 
Saiba mais 
Também há outras formas de aplicação do Entreposto Aduaneiro na 
Importação. Para conhecê-las, sugere-se a leitura da legislação específica IN 
RFB n. 241/2002. 
3.3 Recof 
O regime aduaneiro especial de entreposto industrial sob controle 
informatizado (Recof) permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no 
mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a 
serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à 
exportação ou ao mercado interno. 
• Operações abrangidas: montagem de produtos, transformação, 
beneficiamento, acondicionamento e reacondicionamento, renovação ou 
recondicionamento. 
 
 
12 
• Benefícios: importação/compra no mercado nacional de insumos com 
suspensão dos tributos II, IPI, PIS/Pasep, Cofins e AFRMM; suspensão e 
diferimento do ICMS; isenção do pagamento dos tributos suspensos na 
exportação; fluxo de caixa com pagamento dos tributos suspensos até o 
15º dia do mês subsequente à destinação da mercadoria no mercado 
nacional; permissão às operações entre beneficiários habilitados e co-
habilitação de fornecedores; parte da mercadoria admitida no regime, no 
estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de 
industrialização, pode ser despachada para consumo; possibilidade de a 
mercadoria admitida ser remetida ao exterior por via aérea para testes, 
reparos, restauração e demonstrações, mantendo status de suspensão. 
3.4 Drawback suspensão 
Drawback suspensão é um regime aduaneiro especial que permite ao 
beneficiário importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão de 
pagamento de tributos mercadorias a serem empregadas na produção de bens 
com maior valor agregado e, em seguida, exportá-los. 
• Operações abrangidas: para as mercadorias importadas nesse regime, 
permite-se montagem, transformação, beneficiamento, acondicionamento 
e reacondicionamento, renovação ou recondicionamento, criação, cultivo 
e atividade extrativista. 
• Benefícios: nas importações amparadas sob esse regime, o importador 
poderá praticar importação/compra no mercado nacional de insumos com 
suspensão dos tributos II, IPI, PIS/Pasep, Cofins e AFRMM; importação 
de insumos com suspensão do ICMS; isenção do pagamento dos tributos 
suspensos na exportação. 
3.5 Documento de Trânsito Aduaneiro (DTA) 
Procedimento no qual o importador tem a possibilidade de transferir a 
mercadoria de uma zona alfandegária primária para uma secundária onde for 
mais conveniente aexecução do despacho aduaneiro. 
• Exemplo: determinada mercadoria chega ao Brasil pelo Porto de Santos 
(SP), porém, o importador tem sua base (endereço) em uma cidade 
distante do porto. Próximo a essa cidade, ou nela mesma, há uma zona 
 
 
13 
alfandegária secundária, uma Estação Aduaneira de Interior (Eadi). Por 
conveniência de estar mais próximo da mercadoria, ou por outros motivos, 
o importador pode requisitar à RFB no Porto de Santos que a mercadoria 
seja transferida para esta zona alfandegária secundária, onde se dará o 
procedimento de despacho aduaneiro previsto na IN n. 680/2006, ou seja, 
a mercadoria sairá da zona alfandegária primária e será transferida para 
a zona alfandegária secundária (Eadi). Lá, será submetida aos 
procedimentos de recolhimento de tributos e demais tratativas aduaneiras 
conforme a legislação aduaneira prevê na IN RFB n. 680/2006, no Decreto 
n. 6.759/2009 e na IN RFB n. 248/2002. 
TEMA 4 – PROTECIONISMO ÀS IMPORTAÇÕES 
O governo brasileiro, assim como qualquer outro, deve priorizar o 
crescimento e o desenvolvimento industrial da nação, sendo essas ações 
dependentes de execução e imposição de decisões que causam consequências 
econômicas às empresas atuantes, por exemplo, nas importações. 
Há mecanismos de defesa à economia local ratificados pela Organização 
Mundial do Comércio (OMC), como a adoção de medidas compensatórias e de 
barreiras comerciais estipuladas pelos governos. Entretanto, suas aplicações 
não podem ferir compromissos pactuados entre o respectivo país e aquela 
organização internacional, pois ao mesmo tempo em que o país atua na proteção 
de sua indústria, também não pode agir de forma enérgica e desleal em relação 
ao comércio internacional, para não prejudicar outra nação. Para tanto, há 
práticas de defesa comercial, como as que veremos a seguir. 
4.1 Defesa comercial pela prática de antidumping 
A Câmara de Comércio Exterior (Camex), sediada em Brasília, define as 
políticas de importação e impõe condições para que as aquisições no exterior 
sejam feitas sob práticas comerciais justas que não venham se sobrepor aos 
preços de produtos nacionais similares aos de uma determinada importação, 
medida denominada antidumping. 
O Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços tem 
como definição da execução das práticas de antidumping, as seguintes 
imposições: 
 
 
14 
• Os direitos do antidumping têm como objetivo evitar que os produtores 
nacionais sejam prejudicados por importações realizadas a preços de 
dumping, prática considerada como desleal em termos de comércio em 
acordos internacionais. 
• A aplicação de medidas de defesa comercial requer que, no âmbito de um 
processo administrativo, seja realizada uma investigação, com a 
participação de todas as partes interessadas, em que dados e 
informações são conferidos e opiniões são confrontadas, para que o 
departamento possa propor a aplicação de uma medida ou o 
encerramento de uma investigação sem imposição da mesma. 
• Nos casos de dumping, a investigação deve comprovar a sua existência, 
o dano à produção doméstica e o nexo causal entre ambos. A 
investigação deverá ser conduzida de acordo com as regras 
estabelecidas nos acordos da OMC e na legislação brasileira. Tais regras 
buscam garantir ampla oportunidade de defesa a todas as partes 
interessadas e a transparência na condução do processo. 
• O não cumprimento dos procedimentos estabelecidos pelo Acordo 
antidumping, em especial os relativos à garantia de oportunidade de 
defesa das partes, pode implicar a contestação da medida que venha a 
ser adotada ao final da investigação e a consequente revogação da 
mesma por determinação da OMC. 
4.2 Subsídios e medidas compensatórias 
O Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, define 
que as medidas compensatórias têm como objetivo compensar subsídio 
concedido direta ou indiretamente, no país exportador, para fabricação, 
produção, exportação ou transporte de qualquer produto cuja exportação ao 
Brasil cause danos à indústria doméstica. Como país exportador entende-se 
aquele de origem ou de exportação, onde é concedido o subsídio. Quando os 
produtos não forem exportados para o Brasil diretamente do país exportador, 
mas a partir de um país intermediário, as transações em questão serão 
consideradas como ocorridas entre o país exportador e o Brasil. 
4.3 Medidas de salvaguarda 
 
 
15 
Também o Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e 
Serviços apresenta as seguintes medidas para, de certa forma, manter sob 
proteção a indústria e o comércio nacional. As medidas de salvaguarda têm 
como objetivo aumentar, temporariamente, a proteção à indústria doméstica que 
esteja sofrendo prejuízo grave ou ameaça de prejuízo grave, decorrente do 
aumento, em quantidade, das importações em termos absolutos ou em relação 
à produção nacional, com o intuito de que, durante o período de vigência de tais 
medidas, a indústria doméstica se ajuste, aumentando a sua competitividade. 
Considera-se como indústria doméstica o conjunto de produtores de bens 
similares ou diretamente concorrentes ao produto importado, estabelecido no 
território brasileiro, ou os produtores cuja produção total de bens similares ou 
diretamente concorrentes ao importado constitua proporção substancial da 
produção nacional de tais bens. O termo indústria inclui ainda as atividades 
ligadas à agricultura. Já por prejuízo grave, entende-se a deterioração geral e 
significativa da situação de uma determinada indústria doméstica, e por ameaça 
de prejuízo grave a clara iminência de prejuízo grave, com base em fatos e não 
apenas em alegações ou possibilidades remotas. 
 TEMA 5 – LEGISLAÇÃO APLICADA À IMPORTAÇÃO 
Durante nossos estudos, observamos aspectos técnicos da sistemática 
de importação, os quais são baseados em fundamentações legais aduaneiras, 
sendo todas elas dispostas em edições eletrônicas nos portais dos Ministérios 
de governo atuantes nas atividades de Importação. Nesse aspecto, 
abordaremos as principais citações com o objetivo de facilitar a compreensão 
dos termos técnicos e legais para as práticas de importação. 
5.1 Legislação aplicada à habilitação do CNPJ junto ao Sistema Radar 
Ao retomarmos a análise sobre os passos de uma empresa para iniciar 
suas atividades no comércio exterior, é necessário considerar que o primeiro 
procedimento a ser adotado será a habilitação do CNPJ junto ao Sistema Radar 
da RFB. Para tanto, a empresa deve observar os seguintes dispositivos legais: 
• Instrução Normativa RFB n. 1.984/2020. 
• Portaria Coana n. 72/2020. 
• Instrução Normativa RFB n. 1.782/2018. 
 
 
16 
• Instrução Normativa RFB n. 1.893/2019. 
• Decreto n. 6.759/2009. 
De acordo com os temas observados nessas legislações, o solicitante 
(empresa que pretende importar ou exportar) deve, por sua própria necessidade 
e interesse, apresentar o requerimento de habilitação ao Sistema Radar da 
Receita Federal para estar habilitado a realizar operações de Comércio Exterior. 
Apresentado o requerimento e os documentos exigidos à RFB, passa a 
estar sob processo de fiscalização e análise documental. Por isso a necessidade 
de uma prévia análise interna na empresa quanto à regularidade do CNPJ 
perante o fisco, para que não haja impeditivos para praticar atividades de 
comércio exterior devido a pendências tributárias ou demandas administrativas. 
5.2 Legislação aplicada à prática operacional das importações 
Após a habilitação do CNPJ junto ao Sistema Radar, a empresa para suas 
atividades de comércio exterior e em relação às atividades de importação, já nos 
aspectos técnicos, os executará junto ao Siscomex, devendo o importador 
proceder sob as determinações constantes nas seguintes legislações: Decreto 
n. 6759/2009 e Instrução Normativa n. 680/2006. Estas seguramente são as 
duas principais legislações a serem observadaspara a prática das tratativas de 
importação, pois abrangem os aspectos técnicos de cada etapa das aquisições 
no exterior. Além delas, há outras de igual importância, algumas das quais 
estamos vendo ao longo de nossas aulas. 
5.3 Legislação pertinente ao tipo da importação – conta e ordem de 
terceiros, e encomenda de terceiros 
A importação no Brasil é uma atividade econômica que exige um 
planejamento minucioso devido, principalmente, ao custo operacional presente 
nas importações, tanto pela carga tributária elevada altíssima como também 
pelas ocorrências de despesas logísticas e operacionais de gestão dos 
processos de importação, de forma que o planejamento estratégico, a exemplo 
do fluxo de caixa disponível para realização da importação, da organização para 
desenvolvimento de fornecedor no estrangeiro, e do despacho aduaneiro, que é 
já a parte final do processo de importação. 
 
 
17 
Nesse contexto, vale lembrar que a RFB permite a execução de práticas 
operacionais que favorecem o importador quando este, ao estudar as opções de 
viabilidade tributária, percebe que é possível reorganizar procedimentos, como 
trabalhar a importação sob o tipo de conta e ordem em parceria comercial com 
outra empresa, também habilitada no Sistema Radar (normalmente uma 
empresa registrada como trading, a qual possui algum benefício tributário de 
ICMS ou IPI) e pode compartilhá-lo com a empresa que lhe procura. 
Essa é uma ótima estratégia competitiva, uma vez que permite a redução 
de tributos e, consequentemente, a redução do preço de venda de seus produtos 
importados, mesmo que sejam matérias-primas. Nessa situação, o benefício 
será percebido na formação do preço final do produto, pois, ao entrar no 
processo produtivo com custo menor, a matéria-prima importada permitirá formar 
o preço de venda em menor escala. 
A principal base legal para a atividade da importação por conta e ordem 
de terceiros é a IN RFB n. 1.811/2018. Além da importação nessa modalidade, 
também é permitida a prática da importação por encomenda de terceiros, em 
que a empresa que pretende importar desenvolverá parceria comercial com 
outra que, por sua vez, possui contatos comerciais no exterior e pode facilitar os 
trâmites de negociação em outro país. Então, a importação passa a ocorrer por 
encomenda de uma terceira empresa, lembrando que ambas deverão estar 
habilitadas no Sistema Radar – regras também constantes na IN n. 1.811/2018. 
 5.4 Legislação direcionada ao Despacho Aduaneiro 
Apesar de já termos alguns aspectos da legislação aduaneira, é 
importante rever parte da aplicação das regras aduaneiras vigentes em nosso 
país, exatamente com a intenção de evitar cometer erros operacionais e 
descumprir procedimentos operacionais que ensejem aplicação de multas por 
parte da RFB, as quais acabam por inviabilizar a operação de importação. Por 
isso, é importante recordar quais são as principais fontes de informações, sendo 
que para o procedimento de despacho aduaneiro (momento em que a carga 
chegou ao Brasil), observamos com mais ênfase as seguintes normas: 
• Instrução Normativa n. 680/2006. 
• Decreto n. 6759/2009. 
 
 
18 
Essas legislações definirão os procedimentos operacionais do importador 
quanto às ações práticas relativas às cargas de importação, como o registro da 
declaração de importação e apresentação da carga para a RFB, para o 
cumprimento das formalidades obrigatórias aplicáveis às importações no Brasil. 
5.4 Legislação técnica voltada ao licenciamento de importação e ao 
tratamento administrativo das importações 
Previamente à realização da importação, vale lembrar que o importador 
precisa obter orientações técnicas operacionais quanto às possibilidades de 
alguma prática que anteceda o embarque da mercadoria no exterior ou da 
chegada da carga ao Brasil. 
Para esse procedimento técnico de análise, pesquisa e observação 
quanto à exigência de obtenção de licenciamento de importação por algum órgão 
anuente da esfera federal, o importador precisa consultar o tratamento 
administrativo do Siscomex e certificar-se de que sua importação contempla o 
cumprimento das imposições do rito de trabalho exigido pela Secretaria de 
Comércio Exterior (Secex). Para o sucesso dessas tarefas, é preciso cumprir os 
pontos determinados pela Portaria da Secex n. 23/2011, arts. 12 a 15. 
5.5 Legislação direta prática aplicada às declarações de importação e à 
declaração única de importação 
Ao chegar no Brasil a carga deve ser submetida ao crivo fiscal da RFB. 
Para tal atividade, o importador registrará a declaração de importação ou a 
declaração única de importação mediante a observação das normas legais 
constantes na IN RFB n. 1.833/2018 e na Portaria da Coana n. 77/2018. 
5.6 Legislação de instrução ao programa de certificação OEA 
A maioria das atividades econômicas possui uma concorrência de 
mercado muito acirrada, o que requer das empresas estratégias operacionais 
que vão além apenas da prática de menores preços de seus produtos. Uma das 
medidas possíveis e presentes nos negócios internacionais é a certificação da 
empresa junto ao programa internacional Authorized Economic Operator (AEO), 
em português estabelecido como Operador Econômico Autorizado (OEA). O 
 
 
19 
programa garante vantagens operacionais às cargas importadas e exportadas 
por empresas certificadas, de modo que suas aquisições internacionais e vendas 
externas sejam priorizadas nos momentos de procedimentos fiscais das 
alfândegas e dos países membros. 
É importante lembrar que o Brasil faz parte do OEA, o que dinamiza as 
importações por facilitar a entrada no país de forma segura, rápida e eficaz, sem 
deixar de submetê-las ao crivo da RFB, que passa a ser realizado de forma 100% 
eletrônica e com remotas ocorrências de conferências aduaneiras mais 
minuciosas, como as previstas na IN RFB n. 680/2006. A legislação principal 
para a análise dos procedimentos técnicos necessários à obtenção da 
certificação da OEA no Brasil é a IN RFB n. 1.598/2015. 
5.7 Legislação e regras dos Incoterms 
Para uniformizar os procedimentos nos negócios internacionais, a 
International Chambre of Commerce (ICC) – ou Câmara Internacional do 
Comércio, em tradução livre –, sediada em Paris, contribui significativamente 
para uma linguagem uniforme quanto às regras de responsabilidade em uma 
negociação internacional, como quem será o responsável por qual 
procedimento, e também responsável em caso de dano ocasionado por 
imprevistos no trânsito internacional de uma operação de comércio exterior. 
Para esta prática, a ICC estabeleceu os International Commerce Terms 
(Incoterms), os termos internacionais de comércio. No Brasil, a legislação 
aduaneira mais evidente sobre o tema é composta pela Portaria Secex n. 
12/2003, art. 36 e pela Portaria Secex n. 23/2011, art. 213. 
5.8 Legislação sobre os aspectos tributários das importações 
O Código Tributário Nacional (CTN), define as práticas tributárias em 
nosso país. Entretanto, de forma mais específica no âmbito do comércio exterior, 
a Receita Federal do Brasil segue os dispostos nas seguintes legislações: 
• Decreto-Lei n. 37/1966. 
• Decreto n. 6759/2009. 
• Decreto n. 7.212/2010. 
• Lei n. 10.833/2003. 
• Lei n. 9.430/1996. 
 
 
20 
5.9 Legislação dos regimes aduaneiros especiais das importações 
A tributação é em muitos casos a maior dificuldade que empresas 
enfrentam para realizar suas importações. Entretanto, há mecanismos legais que 
permitem estratégias operacionais definidas justamente para equalizar as 
operações de importação, de forma que seja possível à empresa importadora 
uma prática que contemple vantagem competitiva visando ao crescimento e 
desenvolvimento sustentável no âmbito da concorrência nacional e internacional. 
Em contemplação a essas práticas, a Receita Federal do Brasil concede 
possibilidades operacionais por meio dos chamados regimes aduaneirosespeciais, os quais abrem possibilidades de negócios mediante a execução de 
funções operacionais que, em alguns casos, dispensam a obrigatoriedade de 
recolhimento tributário. 
TROCANDO IDEIAS 
 Após um longo tempo destinado à compreensão, orientação e colocação 
técnica com o intuito de contemplar a mais plena obediência às leis, portarias, 
instruções e demais regras aduaneiras, é possível mensurar a importância de 
estar ciente de que a execução de processos de importação deve ser realizada 
sempre e apenas sob bases sólidas de conhecimentos técnicos aduaneiros, os 
quais, se bem analisados e cumpridos, permitirão alcançar sucesso em nossas 
operações de importação. 
NA PRÁTICA 
A empresa Brasil Comércio de Peças Automotivas Eirelli definiu uma 
estratégia de negócios que exige esforços além dos habitualmente empregados 
pela equipe de trabalho, que atua apenas com compra e venda no mercado 
doméstico brasileiro. Devido à concorrência severa, foi preciso buscar 
fornecedor no exterior e, para isso, foi necessário obter conhecimento acerca 
das normas aduaneiras para manutenção das atividades comerciais da 
empresa. 
Considerando esse cenário, desenvolva um pequeno projeto de 
importação que permita à empresa uma atividade de comércio exterior, com 
possibilidade de importação para demonstração de produtos em feiras 
comerciais no Brasil, sem recolhimento tributário. Também deve ser possível 
 
 
21 
importar mercadorias para revenda sem recolher a totalidade da carga tributária 
de uma só vez no ato do despacho aduaneiro, postergando e fracionando o 
recolhimento de tributos conforme as vendas ocorrem, durante determinado 
período. Por fim, cite também o prazo legal para tal atividade. 
FINALIZANDO 
É possível que pairem dúvidas quanto à continuidade de nossos estudos 
sobre comércio exterior, possivelmente pensando na alta exigência para obter 
conhecimento técnico visando à exatidão no cumprimento de todas as regras e 
normas que estudamos. 
Nosso propósito principal é, com toda a convicção, certificar os prezados 
alunos que apenas com o início das atividades de importação nossos olhos se 
abrirão e, assim, vislumbraremos o quanto é possível atuar, mediante toda a 
garantia de que estamos praticando tarefas operacionais condizentes com as 
regras aduaneiras, sem estarmos preocupados em incorrer em multas ou 
penalizações por parte da Receita Federal do Brasil. A partir do momento em 
que unirmos as demandas diárias com as informações vistas nesta disciplina, 
estaremos absolutamente de acordo com as imposições de qualquer regra 
aduaneira, pois esse material foi elaborado exatamente sobre estas e com base 
em experiências vivenciadas diariamente nas atividades de importação. 
Assim, desejamos uma ótima recepção aos temas estudados e afirmamos 
que o trabalho com comércio exterior, especialmente na importação, permite 
abranger atividades que vão além. As empresas são e sempre serão 
dependentes de trocas de serviços, produtos, conhecimento e uma série de 
fatores que nossa atuação profissional no comércio exterior, por ser tão dinâmica 
e envolvente, permite, vislumbrando horizontes de desenvolvimento de negócios 
e principalmente projetos, que são as maiores demandas das empresas, 
garantindo alcance do sucesso profissional e prosperidade do negócio em que 
estaremos inseridos – seja como prestadores de serviço, colaboradores ou 
empreendedores. 
Sucesso profissional e pessoal a todos! 
 
 
22 
REFERÊNCIAS 
MINISTÉRIO DA ECONOMIA. Indústria, Comércio e Serviços. As Medidas de 
Salvaguarda. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/index.php/comercio-
exterior/defesa-comercial/205-defesa-comercial-2/o-que-e-defesa-
comercial/1781-salvaguarda-as-medidas-de-salvaguarda>. Acesso em: 4 mar. 
2020. 
_____. Receita Federal. Compare as características principais dos regimes 
aduaneiros especiais. 31 dez. 2019. Disponível em: 
<http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/regimes-e-controles-
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caracteristicas-principais-dos-regimes-aduaneiros-especiais>. Acesso em: 4 
mar. 2020. 
_____. Receita Federal. Drawback. 01 dez. 2014. Disponível em: 
<http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/regimes-e-controles-
especiais/regimes-aduaneiros-especiais/drawback>. Acesso em: 4 mar. 2020. 
_____. Indústria, Comércio e Serviços. Dumping e Direitos Antidumping. 
Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/index.php/comercio-exterior/defesa-
comercial/205-defesa-comercial-2/o-que-e-defesa-comercial/1767-dumping-e-
direitos-antidumping>. Acesso em: 4 mar. 2020. 
_____. Receita Federal. Recof. 05 dez. 2014. Disponível em: 
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_____. Indústria, Comércio e Serviços. Subsídios e Medidas Compensatórias. 
Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/index.php/comercio-exterior/defesa-
comercial/205-defesa-comercial-2/o-que-e-defesa-comercial/1774-medidas-
subsidios-e-medidas-compensatorias>. Acesso em: 4 mar. 2020. 
RECEITA FEDERAL. Sistema de Normas. Gestão da Informação. Instrução 
Normativa SRF n. 680, de 02 de outubro de 2006. Disciplina o despacho 
aduaneiro de importação. Disponível em: 
<http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&
idAto=15618>. Acesso em: 4 mar. 2020. 
 
 
23 
_____. Sistema de Normas. Gestão da Informação. Instrução Normativa SRF 
n. 1600, de 14 de dezembro de 2015. Dispõe sobre a aplicação dos regimes 
aduaneiros especiais de admissão temporária e de exportação temporária. 
Disponível em: 
<http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&
idAto=70297>. Acesso em: 4 mar. 2020. 
TRIPOLI, A. C. K.; PRATES, R. C. Comércio Internacional: teoria e prática 
[livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes, 2016.

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