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1 IFPA – CAMPUS SANTARÉM CURSO: GUIA DE TURISMO DISCIPLINA: TEORIA E TÉCNICA DE GUIAMENTO DOCENTE: SIMONE LOBATO CRUZ 2 ATIVIDADES 1 BIMESTRE ATIVIDADE 1 - EXERCÍCIOS tipos de guias– 10 PTS. ATIVIDADE 2- Visita ao Museu de Arte Sacra -20 pts. ATIVIDADE 3 - EXERCÍCIOS CADASTUR– 10 PTS. ATIVIDADE 4 – EXERCÍCIOS carac. guias – 10 PTS. ATIVIDADE 5 - LEVANTAMENTO ATRATIVOS DE SANTARÉM E ALTER – 20 PTS. -Atrativos naturais -Trabalho digitado – 10 pts. -Atrativos culturais- Apresentações em equipes -10 pts. ATIVIDADE 6 – CITY TOUR CENTRO HISTÓRICO DE SANTARÉM -30 PTS. 2 BIMESTRE ATIVIDADE 7 -ENTREVISTA COM GUIAS DE TURISMO LOCAIS- 30 pts. ATIVIDADE 8 – EXERCÍCIO SOBRE TERMINOLOGIAS TURÍSTICAS -10 pts ATIVIDADE 9-TESTE- 20 pts. ATIVIDADE 10 – VISITA PARA A PRÁTICA DE VIAGEM RODOVIÁRIA – 40 pts. 1º BIMESTRE 1. O GUIA DE TURISMO E OS SERVIÇOS TURÍSTICOS Quando se pensa em turismo há inúmeras interpretações, pelas empresas envolvidas, sobre como desenvolvê-lo, onde, que tipo de equipamentos usar, quais os serviços essenciais, quanto haverá de render, etc. Não sem razão se diz categoricamente hoje em dia que turismo é a maior atividade em desenvolvimento no mundo. As agências de viagens, visando proporcionar a seus clientes perfeitas condições de satisfação e prazer durante a viagem e agradáveis recordações ao final, buscam sempre os melhores meios de hospedagem, serviços de alimentação, entretenimento, transportes e, é claro, o melhor atendimento. Para obter esse atendimento diferenciado e eficaz, a presença do guia de turismo se torna indispensável. A missão desse profissional é coordenar os meios para que os turistas possam aproveitar ao máximo sua viagem. Ele indica, acompanha, esclarece, aconselha o viajante, fazendo com que este aproveite o que de melhor há em cada visita efetuada. 3 Assim os novos conhecimentos, que representam ilusões, sonhos, anseios, podem ser amplamente realizados. As empresas que contratam guias capacitados, como o são os credenciados pela EMBRATUR, sabem que a qualidade dos serviços prestados terá retorno sob o aspecto propaganda direta feita "boca a boca" pelo cliente satisfeito e, consequentemente, haverá a aprovação do consumidor. Esse elemento orientador atingirá os anseios do cliente, dando um destaque especial à viagem, através de seu conhecimento sobre aspectos históricos, geográficos, sociais, culturais, políticos e econômicos, a respeito das localidades visitadas, além de demonstrar sua capacidade em conquistar e atender aos turistas. Como todo profissional, o guia de turismo precisa de aprendizagem que lhe proporcione condições de atuar com eficiência. Ele faz cumprir o programa, apara as arestas dos desconfortos prováveis e possíveis, trata de resolver os problemas junto à agência e serviços contratados, para satisfazer o passageiro. O que ocorre nos bastidores não chega ao conhecimento do cliente e tudo deve ser resolvido. Os méritos? Recebe-os a agência, pois soube organizar a viagem, realizar os contatos e, principalmente, soube escolhera guia. Ambos devem trabalhar juntos, ter em mente os mesmos objetivos, buscar o que seja melhor para o turista. Um bom trabalho, um desempenho adequado, no que se refere à qualidade no atendimento, farão a fidelidade do cliente para a agência. O guia de turismo é, sem dúvida, o melhor vendedor, via direta, para a agência, através do atendimento que proporciona ao grupo com que trabalha. Espera-se que, em longo prazo, as empresas turísticas sintam a necessidade da parceria com este profissional. É preciso que a sua imagem, como um mero indicador, seja modificada pela sua real função: apoiar, acompanhar, esclarecer e vivenciar, junto ao turista, o mesmo desejo de satisfação e prazer que este tem. 2.UM POUCO DA HISTÓRIA DA PROFISSÃO DE GUIA DE TURISMO O Guiamento em Turismo é uma profissão antiga que adquire desenvolvimento com o turismo atual: EX. Cicerones Italianos do Séc. XIX. CICERONE: Pessoa que guia visitantes ou turistas, mostrando-lhes o que há de importante em uma localidade ou dando-lhes informações que lhes interessem. O Guia de turismo é um tipo de cicerone. Lopes (1994) dispõe-se a dar um toque de humor ao tema em questão, quando narra o resultado de uma reunião com bacharéis de turismo, marketing, propaganda e publicidade, em que uma das equipes chegou a afirmar que: (...) o primeiro casal de turistas do mundo foi Adão e Eva. Está escrito no Gênesis. Que o Senhor os colocou em um paraíso, longe de todas as preocupações humanas, sem filhos, emprego, sogra, governo, impostos e, ainda por cima, poder andar nus, sem nenhum constrangimento. Eles viviam realmente em um paraíso. Propôs-se esse exemplo, pois as operadoras turísticas e agentes de viagens prometem para seus clientes o paraíso como forma suprema de viver. Até poder andar nu já faz parte da promessa turística nos dias de hoje. Se Adão e Eva foram os primeiros turistas, o Paraiso foi o grande Parque Temático da Criação (Lopes, 1994). 4 Assim sendo, a profissão do guia de turismo deve ter surgido como indicador e acompanhante. Diversas citações existem com exemplos sobre turismo em épocas antigas: Historicamente têm-se notícias que na época dos turistas romanos que procuravam lugares históricos e religiosos, costumavam visitar templos gregos, iam ao Egito para visitar as Pirâmides, a Esfinge e o Vale dos Reis, como fazem os turistas atuais. Também, naquela época havia atrativos turísticos; alguns sacerdotes ensinavam os crocodilos sagrados a aparecer quando eram chamados e abrir as bocas para mostrar os aguçados dentes aos turistas. Já naquela época os turistas queixavam-se das condições das pousadas, de alguns guias, e muitos deixavam seus nomes gravados nos monumentos (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, 1993). 3.CONCEITOS DE GUIA DE TURISMO Diversos são os entendimentos teóricos e filosóficos capazes de conceituar e definir o Guia de Turismo. Todavia, o importante é reunir tais concepções, identificar suas singularidades e con- siderar as especificidades para, a partir disso, entender e/ou conceber uma definição própria. Para tanto, deve-se levar em consideração que o conceito é uma interpretação que pode ser constantemente criada, contestada, acrescentada, modificada e recriada. Já a definição é fruto do estudo de vários conceitos, capaz de oferecer o estabelecimento de limites entre eles, hierarquizando e normatizando as singularidades para apresentar uma versão definitiva, científica, que deve ser aceita como verdade universal, pelo menos até que se prove cientificamente o contrário. Conceituar e/ou definir o Guia de Turismo, tem sido um exercício que vem sendo praticado há muito tempo, pelos atores que atuam na área de atuação desse profissional, mas muitas são as controvérsias identificadas no mundo acadêmico, científico e jurídico. Para Leme (2010, p. 20), por exemplo: O conceito formal de guia de turismo, suas funções e profissionalização tornaram-se, na contemporaneidade, importante pauta a ser discutido na academia, principalmente na área de Turismo. A preocupação com este profissional nasce conjuntamente com a preocupação com um novo turismo, mais profissionalizado e rentável. (LEME, 2010, p. 20). Para Ferreira (1988 p. 333), o Guia de Turismo é “uma pessoa ou profissional que acompanha turistas e viajantes, chamando-lhes a atenção para o caminho por onde seguem e dando informações sobre ele e sobre as obras de arte, edificações ou coisas importantes com que vão se deparando”. Assim, nesse conceito, a profissionalização não é fator determinante para conceituar o Guia de Turismo. Porém, o autor explicita que acompanhar e prestar informações sobre os atrativos turísticos de um determinado roteiro previamente estabelecido são princípios conceituais para o Guia de Turismo. O autor tambémdeixa claro que tais atividades não se restringem para os turistas, mas se estende para os viajantes em geral. Ao analisar tal conceito, pode-se entender que se trata de um conceito da prática ,posto que o autor ignora a necessidade de formação profissional para ser Guia de Turismo, o que não corresponde a Lei Federal nº 8.623, de 28 de janeiro de 1993. Do ponto de vista jurídico, alguns dispositivos legais, provenientes da legislação brasileira que tratam de aspectos diretamente relacionados ao profissional Guia de Turismo, apresentam alguns conceitos/definições para o Guia de Turismo. Assim, a Lei Federal nº 8.623, de 28 de janeiro de 1993, que dispõe sobre a profissão de Guia de Turismo, bem como o Decreto nº 946, de 1º de outubro de 1993, que regulamenta a referida lei, preconizaram, a época das suas publicações, que 5 o Guia de Turismo é: O profissional que, devidamente cadastrado na EMBRATUR - Instituto Brasileiro de Turismo, nos termos da Lei nº 8.623, de 28 de janeiro de 1993, exerça as atividades de acompanhamento, orientação e transmissão de informações a pessoas ou grupos, em visitas, excursões urbanas, municipais, estaduais, interestaduais, internacionais ou especializadas. (LEI/EMBRATUR nº 8.623/93). A Portaria nº 27, de 30 de janeiro de 2014, que estabelece requisitos e critérios para o exercício da atividade de Guia de Turismo, em seu Artigo 2º e parágrafo único, apresenta um conceito/definição mais atualizado para o Guia de Turismo, que é este: O profissional que exerça as atividades de acompanhamento, orientação e trans missão de informações a pessoas ou grupos, em visitas, excursões urbanas, municipais, estaduais, interestaduais, internacionais ou especializadas. É condição para o exercício da atividade de guia de turismo o cadastro no Cadas tro de Prestadores de Serviços Turísticos - Cadastur. (PORTARIA/MTur. nº 27/2014). 3.1. O GUIA DE TURISMO, O CONDUTOR E O MONITOR É necessário conhecer os conceitos e as definições das profissões de “Condutor de Turismo” e “Monitor de Turismo” uma vez que, muito embora tratam-se de profissões distintas, muitos empreendedores e consumidores do mercado turístico ainda não saibam distingui-las adequadamente, o que tem causado uma sobreposição aos conceitos e consequentemente as funções e atribuições a serem desempenhadas por “Guias de Turismo”, “Condutores de Turismo” e “Monitores de Turismo”. Na área de Turismo, muitos são os setores e profissionais que atuam direta ou indiretamente como prestadores de serviços. No setor de guiamento turístico, o Guia de Turismo é um dos principais profissionais que atua, pois conforme estudado no capítulo anterior, é ele o responsável pela operacionalização de roteiros e programas de viagens turísticas planejados e organizados por agências e/ou operadoras de Turismo, porém ele não é o único, já que em diversas destinações turísticas pode-se encontrar diversos indivíduos que se ocupam do guiamento para sobreviver. Esses, pois, costumam atuar colaborativamente com o Guia de Turismo. Historicamente, muitas foram as nomenclaturas empregadas para designar a profissão destes indivíduos que se ocupavam do guiamento, a exemplo de: “condutores de visitantes”, “informantes turísticos”, “agentes turísticos”, “operadores turísticos”, “monitores locais”, “condutores locais”, “mateiros”, “piloteiros” e até “pirangueiros”. A ocupação básica desses indivíduos é conduzir, monitorar e prestar informações a viajantes e turistas em visitas exploratórias no interior de equipamentos, empreendimentos ou atrativos técnico-científicos de interesse turísticos (a exemplo de: igrejas, capelas, museus, memoriais, galerias de arte, usinas, fábricas, parques aquáticos ou temáticos, dentre outros) ou ainda nos limites territoriais de sítios históricos ou naturais (a exemplo de centros históricos, unidades de conservações, parques nacionais, dentre outros). Como se pôde observar, a atuação destes indivíduos se restringe a uma determinada destinação turística e ainda a um atrativo específico exis tente nela. Isso já os difere do profissional Guia de Turismo que pode atuar em diversas destinações e atrativos turísticos, inclusive, acompanhando, monitorando e auxiliando os turistas em suas mais diversas necessidades durante os deslocamentos entre essas destinações ou mesmo entre os seus domicílios e essas destinações/atrações.Nesse contexto, cabe ressaltar que a profissão de Guia de Turismo é reconhecida e regulamentada por lei federal, assegurando o exercício profissional de forma exclusiva aos devidamente capacitados e legalmente autorizados pelo Ministério do Turismo. 6 Isso, entretanto, não ocorre com as ocupações supramencionadas, embora algumas já se encontrem reconhecidas por entidades ou organismos ligados ao Turismo. Assim, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), foi o primeiro organismo a reconhecer uma dessas ocupações, na ocasião, a de “Condutor de Visitantes”, assim por meio da Instrução Normativa nº 08, de 18 de setembro de 2008, o ICMBio estabeleceu nor- mas e procedimentos para a prestação de serviços vinculados à visitação e ao turismo em Unidades de Conservação Federais por Condutores de Visitantes. Em seu Art. 2º a Instrução Normativa considera Condutor de Visitantes: (...) a pessoa cadastrada pelo órgão gestor da unidade de conservação, que rece- beu capacitação específica e que é responsável pela condução em segurança de grupos de visitantes aos locais permitidos, desenvolvendo atividades interpreta- tivas sobre o ambiente natural e cultural visitado, além de poder contribuir para o monitoramento dos impactos socioambientais nos sítios de visitação. (INSTRU-ÇÃO NORMATIVA ICMBio nº 08/2008) Posteriormente, por ocasião da elaboração do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT), criado pelo Ministério da Educação (MEC) em 2008, verificou-se a existência de uma quantidade excessiva de nomenclaturas usadas para designar diversas ocupações desenvolvidas por indivídu- os que atuavam em atividades do guiamento. Em 2010, uma ação conjunta do Ministério da Educação com o Ministério do Turismo, Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Pesca e do Trabalho e Emprego, buscou adequar as diversas nomenclaturas encontradas aos termos “Condutor de Turismo” e “Monitor de Turismo” para designar esses indivíduos. Em 2011, o Comitê Gestor da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), codificou a ocupação de “Condutor de Turismo”, código nº (5115) e as funções de “Condutor de Turismo de Aventura” e “Condutor de Turismo de Pesca” como da família do “Condutor de Turismo”. Nesse sentido, como instância regulatória dos prestadores de serviços turísticos, o Ministério do Turismo publicou, na Portaria nº 27, de 30 de janeiro de 2014, a primeira menção sobre “Condutores de Visitantes” e “Monitores de Turismo”, institucionalizando tais nomenclaturas e ativida- des ocupacionais. Assim, o Artigo 8º dessa portaria estabelece que: A atividade de guia de turismo não se confunde com o exercício das atividades de condutor de visitantes em unidades de conservação federais, estaduais ou municipais e de monitor de turismo. § 1º Nos termos da legislação pertinente, considera-se condutor de visitantes em unidades de conservação o profissional que recebe capacitação específica para atuar em determinada unidade, cadastrado no órgão gestor, e com a atribuição de conduzir visitantes em espaços naturais e/ou áreas legalmente protegidas, apre- sentando conhecimentos ecológicos vivenciais, específicos da localidade em que atua, estando permitido conduzir apenas nos limites desta área. § 2º Considera-se monitor de turismo a pessoa que atua na condução e moni- toramento de visitantes e turistas em locais de interesse cultural existentes no município, tais como museus, monumentos e prédios históricos, desenvolvendo atividades interpretativasfundamentadas na história e memória local, contribuindo para a valorização e conservação do patrimônio histórico existente, não sendo permitido ao monitor de turismo a condução de visitantes fora dos limites do respectivo local. § 3º A necessidade ou obrigatoriedade de acompanhamento de condutor durante visitações deverá ser verificada pelo guia de turismo que se deslocar com o grupo de turistas a uma determinada unidade de conservação. (PORTARIA MTur. nº 27/2014). Com a publicação da Portaria supracitada, o Ministério do Turismo esclarece que as atividades desenvolvidas pelos Guias de Turismo não podem ser confundidas com as desenvolvidas pelos “Condutores de Visitantes” e “Monitores de Turismo”, pois conforme explicado anteriormente, 7 embora pertençam ao mesmo segmento turístico trata-se de profissões distintas e como tais possuem especificidades. Segundo a Portaria nº 27/14, considera-se “Condutor de Visitantes”, o profissional devidamente capacitado e autorizado pelo órgão gestor da área ou atrativo específico para atuar na condução e monitoramento de visitan- tes e turistas em unidades de conservação e atrativos naturais legalmente protegidos por lei. Ele tem como atribuições: conduzir com segurança, res- peito e ética, obedecer ao plano de manejo das unidades de conservação visitadas, informar sobre os diversos aspectos ecológicos e naturais de in- teresse turístico, promover uma experiência positiva do visitante com a localidade em que atua, e contribuir para a valorização e conservação do patrimônio natural. No que se refere ao “Monitor de Turismo”, ainda de acordo com a Portaria nº 27/14, considera-se o profissional que devidamente capacita- do e autorizado pelo órgão gestor da área ou monumento específico atue na condução e no monitoramento de visitantes e turistas em locais de in- teresse cultural tais como museus, monumentos e edificações históricas, informando sobre a história, cultura e significados desses locais para a co- munidade local e, assim, contribuindo para a valorização e conservação do patrimônio histórico e cultural. A Portaria nº 27/14, ressalta que a necessidade de contratação de “Condutores de Visitantes” e/ou “Monitores de Turismo”, durante a ope- racionalização de um roteiro ou programa de viagem, cabe ao Guia de Turismo responsável pela execução da viagem. Ele, pois, é o responsável direto pelos viajantes e turistas a serem guiados. Ressalta-se que uma das principais características do Condutor ou Monitor de Turismo é ser, geralmente, um integrante do entorno ou da localidade onde atua, um “nativo”, um representante legal do lugar. Por esse motivo, muitos Condutores e Monitores de Turismo desenvolvem outra atividade profissional diretamente ligada a área em que atua no Turismo, como por exemplo: extrativistas, pescadores, agricultores ou pecuaristas. Portanto, eles devem deter técnicas e conhecimentos vivenciais do meio biológico e cultural da localidade, e isso difere de forma significativa dos demais sujeitos da cadeia produtiva do Turismo, assim devem ser sempre contratados, pois sua presença certamente enriquecerá o guiamento local. Outro informe de suma importância é o fato de o Ministério da Educação ter estabelecido que, a formação dos Condutores e Monitores de Turismo, dar-se-ia através da educação profissional, por meio de cur- sos de formação inicial e continuada de trabalhadores. Esses são também conhecidos como cursos de qualificação profissional ou de aprendizagem. Eles são ofertados como cursos livres, ou seja, não formais e não sujeitos as diretrizes curriculares nacionais. Por isso, não exigem nível de escola- ridade (e quando há exigência nunca mais que o nível fundamental). Os cursos de qualificação profissional conduzem a certificação profissional, isto é, quando aprovados, os egressos recebem Certificado de Qualificação Profissional. A carga horária de um curso varia entre 150 e 300 horas. É imprescindível que os cursos de formação inicial e continuada não sejam confundidos com os cursos técnicos. Esses são formais e como tais são regulamentados pelo Ministério da Educação, possuem diretrizes curriculares, exigem o nível médio como nível de escolaridade mínima e a carga horária varia entre 800 e 1.200 horas, a depender da área profissional. Aqueles conduzem a diplomação profissional, ou seja, os egressos aprovados recebem Diploma de Formação Profissional. Chimenti (2007, p. 159), informa que “no Brasil, a profissão de Guia de Turismo foi reconhecida como ocupação já na elaboração da primeira versão da Classificação Brasileira de Ocupações, em 1982”. Com isso, pode-se entender que, no Brasil, a profissão de Guia de Turismo, inicialmente, teve origem como uma ocupação que foi cadastrada pela CBO com o seguinte código identificador: 5114 (cinco mil cento e quatorze). Contudo, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, nem todas as ocupações reconhecidas como profissão pela Classificação Brasileira de Ocupações são profissões regulamentadas por lei, uma vez que a competência da CBO limita-se a ordem administrativa das profissões e não se estende as relações de trabalho. 8 4.PRINCIPAIS TIPOS DE GUIAS DE TURISMO Devido à grande diversidade dos produtos turísticos e das diversas faces que a atividade apresenta na prática, é necessário que existem diversos tipos de guias de turismo. Observa-se que os guias de turismo podem atender a grupos grandes, famílias e até pessoas individualmente. Todavia, na prática, a maioria dos trabalhos realizados por guias de turismo no Brasil é direcionada ao atendimento de grupos organizados por agências e operadoras, o que não impede de turistas individuais serem atendidos por serviços de guias de turismo. De acordo com a Embratur (lei nº 8623/93 e Decreto nº 946/93), os guias de turismo estão classificados, atualmente, como: 4.1. Guia de turismo especializado em atrativos naturais ou culturais: É o profissional responsável pela recepção de visitantes em locais como usinas, sítios históricos, museus, parques nacionais, entre outros, que necessite de bastante conhecimento específico sobre o local visitado. Segundo a EMBRATUR, suas atividades compreendem a prestação de informações técnico-especializadas sobre determinado tipo de atrativo natural ou cultural de interesse turístico, na unidade da federação para o qual o mesmo se submeteu à formação profissional específica. Para requerer o cadastro nessa categoria, o profissional precisa primeiramente estar habilitado como “guia de turismo regional”. Por se tratar de regulamentação recente, atualmente no Brasil essa função ainda é exercida por seguranças, recepcionistas, monitores, estagiários, historiadores, estudantes ou funcionários dos empreendimentos, uma vez que muitos dos locais desconhecem essa particularidade na formação do guia de turismo. 4.2. Guia de turismo regional: Cabem como funções do guia de turismo regional a recepção, translado, acompanhamento, prestação de informações e assistência a turistas, em itinerários, roteiros locais ou intermunicipais de um estado brasileiro, para visitas a seus atrativos turísticos. Devido a necessidades práticas a categoria de guia de turismo regional foi dividida pelo mercado, em: • Guia de excursão (guia acompanhante) -Geralmente, esse profissional é residente no local de saída da excursão ou nos arredores. Esse tipo de guia pode entrar em contato com o grupo antes da viagem, em reuniões preliminares, ou no momento do embarque. Ele será o responsável por todos os procedimentos da viagem. Ele acompanha o grupo desde a saída, durante todo o percurso e duração da viagem, hospedando-se na localidade visitada (geralmente no mesmo meio de hospedagem do grupo), e deverá retornar junto com o mesmo. • Guia local ou receptivo- Esse profissional geralmente mora na cidade que está sendo visitada pelo turista. Ele entra em contatocom o grupo no momento da chegada deste ao destino, podendo acompanhá-lo durante toda a estada, ou somente em passeios específicos como, por exemplos city tours, river tours, etc. 9 Nos pacotes aéreos, onde geralmente o grupo viaja sem acompanhante, o guia local ficará responsável pela estada do grupo na cidade, porém, se o grupo tiver acompanhante, o guia local estará subordinado às solicitações do guia acompanhante, independente de este ser regional, nacional ou internacional. 4.3. Guia de turismo de excursão nacional: Realiza atividades muito parecidas com as atividades do guia regional, porém ele está autorizado também a acompanhar grupos para fora de seu estado de origem, em todo o território nacional e pela América do Sul. De um modo geral, ao chagar em uma destinação, o guia acompanhante deverá contratar o serviço de guias locais. Caso não haja esse serviço disponível na localidade (muito comum), o guia de excursão nacional poderá atuar como guia receptivo local, desde que esteja cadastrado como profissional no lugar, caso contrário, estará irregular. 4.4. Guia de turismo de excursão internacional: As funções são semelhantes ao guia nacional, com a diferença que esse profissional estará autorizado a acompanhar grupos em países dos cinco continentes do mundo. Também nesse caso, guias locais deverão ser contratados para transmitir informações específicas sobre as cidades visitadas ou atrações. O guia internacional, assim também como o nacional, quando transpõe fronteiras da América do Sul, será responsável pelos trâmites alfandegários, pela orientação de trocas de moedas, etc. Deve possuir fluência em mais de um idioma, além da língua materna, sendo esse fator de diferenciação. 5.DIVERSAS ATUAÇÕES A atuação e as classificações referentes aos guias de turismo modificam-se de acordo com as características de cada país. Algumas classificações existentes em alguns países são: • Guia de neve; • Guia transferista; • Guia de montanha; • Guia de caverna: • Guia de parques temáticos; • Guia territorial; • Guia de museu; • Guia ecológico. • Apesar das diversas classificações, as principais atribuições dos guias não sofrem modificações. ATIVIDADE 1 - EXERCÍCIOS – 10 PTS. 1.Qual o conceito formal de guia de turismo? 2. Qual a lei e o decreto que dispõem sobre a profissão de Guia de Turismo? 10 3.Qual a portaria que estabelece requisitos e critérios para o exercício da atividade de Guia de Turismo? 4. Qual a diferença entre o Guia de turismo, Condutor de Turismo e Monitor de Turismo? 5.Quais são as principais funções dos tipos de guias a seguir: a) guia local: b) guia de excursão nacional: c)guia de turismo especializado em atrativos naturais ou culturais. 6-De acordo com a Lei nº 8.623/1993, que dispõe sobre a profissão de guia de turismo, sobre algumas das atribuições profissionais, analise as afirmativas a seguir. I. Acompanhar ao exterior pessoas ou grupos organizados no Brasil. II. Promover e orientar despachos de viajantes e respectivas bagagens, apenas em terminais de embarque aéreos, marítimos e rodoviários. III. Ter acesso a todos os veículos de transporte, durante o embarque ou desembarque, para orientar as pessoas ou grupos sob sua responsabilidade, observadas as normas específicas do respectivo terminal. IV. Ter acesso gratuito a museus de arte sacra, igrejas, galerias de arte, exposições, feiras gastronômicas, casas de shows e pontos de interesse turístico, quando estiver conduzindo pessoas. Está correto o que se afirma apenas em A)I e III. B)I e IV. C)II e III. D)III e IV. ATIVIDADE 2- Visita ao Museu de Arte Sacra -20 pts. 6.O CADASTUR A Lei nº 8.623, de 28 de janeiro de 1993, dispõe sobre a profissão de Guia de Turismo. Assim sendo, é o principal dispositivo legal que regulamenta a profissão e estabelece os critérios para o exercício profissional, além de especificar as atividades inerentes à profissão. Isso é fundamentado nas descrições dos Artigos 1º e 2º subsequentes: Artigo 1º O exercício da profissão de Guia de Turismo, no território nacional, é regulado pela presente Lei. Artigo 2º 11 É considerado Guia de Turismo o profissional que, devidamente cadastrado no Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR), exerça atividades de acompanhar, orientar e transmitir informações a pessoas ou grupos, em visitas, excursões urbanas, municipais, estaduais, interestaduais internacionais ou especializadas. (LEI/EMBRATUR nº 8.623/93). Enfatiza-se que, por meio dos artigos supracitados, a Lei nº 8.623/93 estabelece que no Brasil, o exercício legal da profissão de Guia de Turismo está condicionado ao cadastro do profissional interessado no Instituto Brasileiro de Turismo. Porém, essa lei não determina as condições, exigên cias ou requisitos necessários para o tal cadastro. Contudo, com a publi cação do Decreto nº 946/93, (que se propõe exatamente a regulamentar a Lei nº 8.623/93) são estabelecidos nos artigos 3º, 5º e 6º as condições, exi gências e requisitos necessários para o cadastramento de Guias de Turismo interessados em exercer legalmente a profissão. Com a criação do Ministério do Turismo pela Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003, o presidente da República em tal período, Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do Decreto nº 4.898, publicado no Diário Oficial da União nº 4.898, de 26 de novembro de 2003, Seção I, página 04, transfere as competências de Cadastro, Classificação e Fiscalização da Embratur para o Ministério do Turismo. Posto isso, afirma-se segundo dados do Ministério do Turismo: Até 2002, o cadastro oficial dos prestadores de serviços turísticos era de Res ponsabilidade do Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR), por meio do Sistema Automático de Gerenciamento dos Prestadores de Serviços Turísticos (SAGET). A partir de 2003, essa responsabilidade foi transferida para o Ministério do Turismo (MTUR) e, em 2006, para promover o ordenamento, a forma lização e a legalização dos prestadores de serviços turísticos, foi implantado o CADASTUR, Sistema de Cadastro Oficial dos Empreendimentos, Equipamentos e Profissionais do setor de Turismo no Brasil.(PORTARIA/MTur. nº 22/13). O que é o CADASTUR? O Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (CADASTUR), do Ministério do Turismo, é o cadastro de pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor turístico. É obrigatório para Meios de Hospedagem, Agências de Turismo, Transportadoras Turísticas, Organizadoras de Eventos, Parques Temáticos, Acampamentos Turísticos e Guias de Turismo-MEI (Microempreendedor Individual). Outras atividades podem ser cadastradas em caráter opcional. O cadastro permite ao prestador atuar legalmente, de acordo com a Lei Geral do Turismo (Lei 11.771, de 17 de setembro de 2008), por meio da emissão do Certificado CADASTUR, assim como oferece benefícios aos cadastrados. Nesse contexto, o cadastramento dos interessa dos em exercer legalmente a profissão de Guia de Turismo passou a ser de competência do Ministério do Turismo por meio do Sistema de Cadastro dos Prestadores de Serviços Turísticos (CADASTUR), sistema criado pelo Ministério do Turismo para identificação, cadastramento e classificação dos prestadores de serviços turísticos. Assim, o Ministério do Turismo pu blicou a Portaria nº 27, de 30 de janeiro de 2014, a qual atualiza e estabelece os novos requisitos e critérios para o referido cadastramento. No Capítulo III dessa Portaria, cujo título é “Do Exercício Regular da Atividade”, ou seja, do exercício legal da profissão de Guia de Turismo, apresenta-se nos Artigos 10 e 11 a seguinte redação: Art. 10. O exercício regular da atividade de Guia de Turismo depende de prévia realização de curso técnico de formação profissional e de cadastro junto ao Ministério do Turismo, nos termos do art. 2º, desta Portaria. 12 Art. 11. O interessadoque solicitar cadastro junto ao Ministério do Turismo será classificado na categoria de Guia de Turismo para a qual estiver habilitado, desde que comprovada esta condição, mediante apresentação de certificado ou diploma de conclusão de curso específico de educação profissional de nível técnico. Parágrafo único. O curso específico de educação profissional de nível técnico deverá respeitar a carga horária mínima definida em normativos do Ministério da Educação e seus órgãos representativos nos Estados. (PORTARIA/MTur. nº 27/14). Desse modo, é possível dizer que, para o exercício legal da profissão de Guia de Turismo, os interessados deverão possuir formação profissional de nível médio como Técnico em Guia de Turismo e ser cadastrado no Ministério do Turismo. Na verdade, o cadastramento que, anteriormente, era realizado pela Embratur já exigia formação profissional em Guia de Turismo, mas essa empresa não estabelecia que essa formação deveria ser técnica de nível médio. Nesse sentido, foi o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, lançado em 2008, pelo Ministério da Educação quem padronizou o tipo de formação profissional para o Guia de Turismo como o “téc- nico de nível médio”, corroborado com a Portaria nº 27/14 do Ministério do Turismo que passou a exigir tal nível de formação profissional para o credenciamento e exercício legal da profissão. A formação profissional do Guia de Turismo integra o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos de Nível Médio, pertencendo ao Eixo Tecnológico Turismo, Hospitalidade e Lazer os quais constam as diretrizes curriculares nacionais para a formação profissional do Guia de Turismo. Então, para se cadastrar no Ministério do Turismo e poder exercer legalmente a profissão de Guia de Turismo, em primeiro lugar, o candidato deverá possuir diploma de Técnico em Guia de Turismo, emitido por instituição de ensino reconhecida pelo Ministério da Educação, e, ainda, deverá atender aos demais requisitos estabelecidos pelo Ministério do Turismo, e previstos na Portaria nº 27/2014. Na Seção I, intitulada “Do Cadastro”, o Artigo 14 da portaria apresenta uma nova redação para o Artigo 5º do Decreto nº 946, de 1º de outubro de 1993 como também para os Artigos 2º, 3º e 5º da Deliberação Normativa nº 426, de 04 de outubro de 2001, em relação aos requisitos atualmente necessários para o cadastramento dos interessados em exercer legalmente a profissão de Guia de Turismo. A saber: Art. 14. Para o cadastro, o interessado deverá cumprir, além das exigências previstas em ato próprio do Ministério do Turismo, os seguintes requisitos: I- Ser brasileiro habilitado para o exercício da atividade profissional; II- Ser estrangeiro residente no Brasil, com ensino médio ou equiparado concluído e habilitado para o exercício da atividade profissional no País; III- ser maior de dezoito anos; IV- Ser eleitor e estar em dia com as obrigações eleitorais, quando for o caso; V- Ser reservista e estar em dia com as obrigações militares, no caso de reque- rente do sexo masculino menor de 45 anos, quando for caso; VI- Ter concluído curso técnico de formação profissional de guia de turismo, em instituição reconhecida pelos órgãos competentes de ensino, na categoria para a qual estiver solicitando o cadastramento; VII- apresentar, no momento da renovação do cadastro, cópia dos comprovantes de recolhimento da contribuição sindical, correspondentes ao período de validade da credencial a ser renovada; VII- apresentar uma foto 3x4 recente e com plano de fundo contrastando com a roupa e a cor da pele; IX- No caso de estrangeiro residente no país e habilitado para o exercício da ativi dade profissional, apresentar o RNE (Registro Nacional de Estrangeiro) expedido pela Polícia Federal; X- Apresentar comprovante de residência; 13 XI- apresentar cópia de diploma de curso de idioma, ou comprovante de exame de proficiência ou atestado de fluência, em pelo menos uma língua estrangeira para os que pretendam o cadastramento na categoria de guia de turismo excursão internacional, fornecidos por instituição de ensino reconhecida pela autoridade competente. (PORTARIA/MTur. nº 27/2014). Nessa perspectiva, pelos critérios estabelecidos pelo Ministério do Turismo através da Portaria nº 27/2014, faz-se necessário que o interessado seja brasileiro ou estrangeiro que resida legalmente no país, e que tenha formação comprovada como Técnico em Guia de Turismo. Ademais, está prevista a necessidade do interessado ser maior de idade uma vez que para exercer a profissão, o Guia de Turismo deverá estar enquadrado nos direitos e deveres civis previstos na Constituição, como por exemplo: os deveres no que tange à questão eleitoral e situação militar, comprovar residência fixa para registro do domicílio, e fornecer uma fotografia nas dimensões especificadas para ilustração da credencial de regularidade e identificação profissional. Salienta-se que o cadastramento tem prazo de validade, que, até o ano de 2013, era de 3 (três) anos, mas que, a partir de 2014, passou a ser 5 (cinco) anos contados a começar da data do cadastro ou da última renovação. Ao passar esses anos, o Guia de Turismo deverá buscar o recredenciamento junto ao Ministério do Turismo para continuar exercendo a profissão legalmente. Nessa ocasião, ele deverá apresentar comprovação de que está em dia com as obrigações sindicais. Adicionalmente, conforme preconiza o Artigo 15 da Portaria 27/2014, o interessado que desejar incluir no cadastro outros idiomas (além da língua materna) por ele falados fluentemente, e que contribuem para o exercício da profissão, deverá comprovar a fluência por meio de certificação emitida por instituição reconhecida pelo Ministério da Educação. Art. 15. O Guia de Turismo deverá possuir grau de conhecimento suficiente na língua estrangeira que incluir em seu cadastro, para a adequada condução de grupo de pessoas, com bom grau de compreensão e expressão oral. § 1º Para cada idioma incluído no cadastro, o guia apresentará certificado de conclusão de curso do referido idioma, comprovante de exame de proficiência ou atestado de fluência emitido por instituição competente. (PORTARIA/MTur. nº 27/2014). No entanto, é importante deixar claro que, dominar outros idiomas (além da língua materna) não é condição para o cadastramento e exercício profissional do Guia de Turismo. Porém, na atuação profissional do Guia de Turismo, tal domínio linguístico consiste em um diferencial de mercado capaz de abrir novos horizontes e possibilidades de mercado, demandas e ganhos econômicos. Vale ressaltar que a legislação não utiliza o termo “credencial” para se referir ao documento de credenciamento profissional do Guia de Turismo, aplicando o termo “crachá” o que, certamente, deve- se ao fato de a credencial ter formato parecido e, inclusive, ser utilizado como “crachá” para identificação do profissional. Todavia, convém salientar que o termo “credencial” é melhor aplicado para tal situação, pois legitima a condição de legalidade do exercício profissional do portador autorizado. O cadastro pode ser realizado através do site do governo federal (https://www.gov.br/pt- br/servicos/cadastrar-prestadora-de-servico-turistico ) , e seguir os passos exigidos no site. Vale lembrar que o interessado deverá ter uma conta gov.br. https://www.gov.br/pt-br/servicos/cadastrar-prestadora-de-servico-turistico https://www.gov.br/pt-br/servicos/cadastrar-prestadora-de-servico-turistico https://www.gov.br/pt-br/servicos/criar-sua-conta-gov.br 14 Certificado de credenciamento profissional de Guia de Turismo. É relevante citar que a credencial de regularidade e identificação profissional, emitida pelo Ministério do Turismo, traz diversas informações de identificação e enquadramento profissional. Conforme será exemplificado a seguir, o anverso da credencial apresenta o número de registro do profissionaljunto ao Ministério do Turismo, a foto de identificação, nome completo do profissional e o apelido (entende- se por apelido o nome que gostaria de ser tratado profissionalmente), a data de validade do cadastro, e os idiomas falados pelo profissional. No verso, a credencial exibe a data de validade do cadastro para os profissionais com nacionalidade estrangeira (que obedecerá a validade do Registro Nacional de Estrangeiro), o número do RG e órgão expedidor, o nome completo da mãe, as categorias de atuação profissional, a data de expedição da credencial, e a assinatura do Secretário Nacional de Políticas de Turismo. Carteira de guia de turismo – Mtur Aponta-se, ainda, como requisito para o exercício legal da profissão os dados do Guia de Turismo atualizados no Cadastur, sempre que necessário. Nesse sentido, a referida atualização incide em dois pontos específicos: alteração ou inclusão. As alterações devem ocorrer quando houver alguma mudança nas informações já existentes no cadastro como mudança de endereço ou de número de telefone. As inclusões referem-se à necessidade de incluir novas informações ainda não constantes no cadastro, como por exemplo, um novo idioma falado, uma nova especialização, ou ainda mudança na categoria profissional. 15 ATIVIDADE 3 - EXERCÍCIOS – 10 PTS. 1. O que é o CADASTUR? 2. Qual a importância do cadastramento no CADASTUR para o guia de turismo? 3. Quais as condições para o exercício legal da profissão de Guia de Turismo? 4.Cite dois requisitos que atualmente são necessários para o cadastramento dos interessados em exercer legalmente a profissão de Guia de Turismo. 5. Qual o prazo de validade do cadastramento do guia de turismo? 6.Qual a importância do domínio de outros idiomas além da língua materna para o exercício profissional do Guia de Turismo? 7-O Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), do Ministério do Turismo, é o cadastro de pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor turístico. Esse cadastro é obrigatório para: Alternativas A) Meios de Hospedagem; Agências de Turismo; Transportadoras Turísticas; Organizadores de Eventos; Parques Temáticos; Acampamentos Turísticos e Guias de Turismo – MEI. B)Instituições de Ensino de Turismo; Bares e Restaurantes; Condutores Locais de Turismo; Secretarias Municipais de Turismo; Companhias Aéreas e Hotéis classificados entre 3 e 5 estrelas. C)Bares e Restaurantes; Transportadoras Terrestres; Pousadas e Hotéis classificados entre 3 e 5 estrelas; Atrativos Turísticos com CNPJ; Espaços de Lazer e Eventos; Bacharéis em Turismo. D)Bacharéis em Turismo; Técnicos da área de Turismo, Hospitalidade e Lazer; Todas as empresas de Turismo que possuem CNPJ; Secretarias Municipais de Turismo; Bares e Restaurantes. 7.CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES A UM BOM GUIA DE TURISMO -PERFIL PESSOAL Além de todo o conhecimento que pode ser adquirido em escolas e cursos sobre os procedimentos técnicos da profissão, existem algumas características pessoais fundamentais ao bom desempenho da profissão. Uma das mais importantes é a capacidade de se relacionar bem com pessoas e grupos. Isso porque, ao mesmo tempo em que está cercado de pessoas durante as viagens, na execução de suas tarefas, o profissional atua sozinho. Outros aspectos importantes a serem considerados é que o profissional precisa ser ágil, dinâmico, ter pensamento rápido e habilidade para solucionar (em geral, sozinho) imprevistos. Por essa razão, dominar os princípios da psicologia interpessoal e ter diplomacia auxiliam muito, bem como possuir autoridade (na medida certa, sem se tornar autoritário) é igualmente importante no desenvolvimento de suas funções. Em situações como atrasos de voos, cancelamento de shows, etc., quem estará incumbido de ouvir as reclamações e de tomar as providências necessárias será o guia, que não poderá esperar cordialidade dos turistas nesses momentos. Portanto, é importante que o profissional seja alguém flexível e paciente. Sabre trabalhar em equipe também auxilia muito no desenvolvimento das tarefas, uma vez que o guia precisará contar com o apoio de profissionais das mais diversas áreas, como reservas, recepção, transportes, alimentação, etc. 16 Apesar de tudo, as características pessoais de um bom guia de turismo variam de acordo com o ponto de vista do interessado. Por exemplo, se turistas forem questionados sobre as principais qualidades de um guia, por certo, algumas respostas serão: responsabilidade, honestidade, pontualidade, boa capacidade de liderança, de convencimento e de vendas. Porém, se uma agência ou operadora contratante for perguntas sobre as características necessárias ao guia as respostas girarão em torno das palavras sociabilidade, simpatia, alegria, amplo conhecimento geral e específico, cordialidade e atenção. Ambas as visões estão corretas, e o guia precisará satisfazer os dois lados, pois ele é o elo entre turistas, agências e demais fornecedores. -O GUIA E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS - O GUIA DEVE: Ser interdisciplinar Anteceder as necessidades Ter muita preparação, leitura: ética, antropologia, lógica, história etc. Produzir encantamento; Saber lidar com pessoas de diferentes hábitos; Deve usar roupa adequada; Ser gentil: por favor, obrigado etc. O guia é o diálogo entre sua realidade e o cotidiano do outro; Deve transmitir informações significantes da sociedade de origem e ou visitada. Deve conhecer o território e também identificar riscos e assim evitar ou minimizar as possibilidades de eventos desagradáveis. Deve tornar a viagem do seu cliente, confortável, agradável, informando ( o percurso, histórico etc.) . Orientar o turista e entretê-lo, além de acompanhá-lo. - QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL E QUALIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS Para desempenhar bem suas funções, um guia de turismo precisará dominar três principais áreas de conhecimento: conhecimento técnico, noções sobre habilidades nas relações interpessoais e conhecimentos gerais, tendo todas a mesma importância. No dia-a-dia da viagem, estarão nas mãos do guia o cumprimento da programação e o bom andamento do grupo. Sua figura é a de um líder, sobre quem recairão diversas expectativas e responsabilidades. Como menciona Picazo (2002 apud Chimenti ,2007),” a qualidade da experiência vivida pelo cliente está relacionada de maneira direta à atuação do guia”. A qualificação profissional é de fundamental importância para o bom desempenho das funções de guia de turismo, e a necessidade de melhoria dos serviços prestados tem se tornado cada vez mais presente no competitivo mercado turístico - duas qualidades pelas quais será possível obter o diferencial sobre os concorrentes. 17 No caso dos serviços turísticos, existe a tendência de melhoria da qualidade e o incentivo ao aumento da qualificação dos profissionais envolvidos, devido ao fato de que as pessoas estão viajando mais, com mais informação sobre seus direitos. Uma das principais funções do guia de turismo segundo o decreto nº 946/93 é “acompanhar, orientar e transmitir informações a pessoas ou grupos [...]”. Vasto conhecimento geral, devida formação profissional e consequente fundamentação teórica, histórica e ambiental dão base a estas funções e diminuem o risco de enganos. Sem a formação teórica adequada, as informações transmitidas aos turistas correm o risco de serem falsas, inventadas, deturpadas e recheadas de preconceitos. Porém, além disso, o guia precisa oferecer serviços de qualidade e estar sempre atento para evitar problemas e atender às solicitações dos turistas. - ÉTICA PROFISSIONAL DO GUIA DE TURISMO Já existem códigos de ética elaborados para o desenvolvimento da atividade turística, como o Código Mundial de Ética do Turismo, criado em 1999 pelos representantes da OMT. Apesar de não tratarem especificamente da função de guias de turismo,muitos dos pontos mencionados no código podem ser estendidos também ao trabalho desse profissional. Quando no desempenho de suas funções, o guia é um formador de opinião. No grupo, como é a autoridade e estará sempre em evidência, torna-se muito importante que seu trabalho seja norteado por princípios éticos relacionados ao respeito às características (cor, raça, sexo, etc.) e escolhas individuais (sexualidade, crença, tipo de alimentação, futebol, etc.), tanto no que refere ao turista, quanto a moradores locais. O comportamento do guia é um item muito delicado e será analisado (consciente e inconscientemente) pelos turistas durante toda a viagem. Apesar de o guia ter que se adaptar ao grupo, existem pontos essenciais relativos a esse comportamento que precisam ser cuidados com frequência, como: -Envolvimento emocional ou físico com passageiros: Podem acontecer durante a viagem atração física e envolvimento emocional durante uma viagem, contudo, é muito importante que a concretização seja deixada para depois do término da programação. Um guia nunca deve se envolver emocional ou fisicamente com passageiros, pois isso cria constrangimento com outros integrantes do grupo, podendo desestabilizá-lo e transformar uma ótima viagem em um verdadeiro martírio. Geralmente, o guia que se envolve com passageiros durante a viagem, perde a autoridade, o moral e o controle sobre o grupo. -Uso de álcool ou drogas ilícitas: O consumo de drogas é ilegal no país, e somente por esse motivo o guia já seria proibido de usá-las, porém, mesmo em países em que o consumo seja liberado, o profissional não deve fazer uso dessas substâncias. O guia jamais deve ficar alcoolizado ou consumir drogas durante uma viagem ou programação. Incidentes e acidentes poderão ocorrer a qualquer hora e o guia será requisitado para resolvê-los. Se estiver alcoolizado ou drogado, estará inapto para resolver o imprevisto e perderá a credibilidade, o respeito e a autoridade perante o grupo, o que, certamente, tornará seu trabalho mais difícil. O consumo de álcool, mesmo em baixas quantidades, deverá ser evitado, tendo em vista que nem sempre os passageiros são muito honestos ou éticos no que diz respeito a esse consumo. Ou seja, um simples copo de vinho tomado pelo guia, pode se transformar em duas jarras do ponto de vista dos turistas, e na forma de contar o ocorrido posteriormente. A partir do momento em que o guia consome 18 bebidas alcoólicas com o grupo, qualquer manifestação de alegria ou risada mais aberta por parte do profissional poderá ser considerada claro sintoma de embriaguez. O consumo de tabaco (sob qualquer forma: cigarro, charuto, cachimbo) deverá ser evitado. Se não for possível, deve ser feito longe dos passageiros. -Discriminação e privilégios de passageiros: De acordo com a legislação brasileira, fazer distinção de cor, raça, credo ou religião pode ser considerado crime, passível de prisão. O guia não poderá discriminar e nem privilegiar nenhum passageiro, tendo em vista que esse comportamento implicará em situações desagradáveis ao profissional, à empresa para qual ele presta serviços e aos outros integrantes do grupo. Por essa razão, torna-se fundamental que se tome muito cuidado com piadas, brincadeiras e comentários feitos no decorrer das explanações, seja pelo guia,ou por outros integrantes do grupo. -Respeito aos profissionais e fornecedores: Um profissional não deve comentar e depreciar a capacidade de trabalho dos colegas, quer estes estejam ou não realizando serviço paralelo (como guia de excursão e local). Também não se deve tecer comentários acerca de empreendimentos turísticos concorrentes – aproveitando-se das falhas para supervalorizar a própria empresa, por fornecedores ou por parceiros como forma de diminuir a pressão pela qual o guia possa estar passando. Aos olhos do turista, guias, motoristas, barqueiros, funcionários de restaurantes e outros fornecedores e parceiros, embora não sejam funcionários da mesma empresa, representam aquela da qual o turista adquiriu a programação, sendo inaceitável, portanto, que haja desacordos entre os diversos elos desse sistema. -Ossos do ofício: Apesar de todas as características citadas serem importantes, existem alguns itens que podem ser chamados “ossos do ofício”, entre os quais pode-se mencionar o fato de que o guia precisa ter disponibilidade para deixar a vida particular cotidiana normal de lado para “viver” a do turista. Alguns pontos a serem observados nesse sentido, são: • A jornada do guia não se resume a oito horas de trabalho. O exercício da sua função ocupa às 24 horas do seu dia durante uma programação para resolver problemas como perda de documentação, assaltos, roubos, acidentes, embriaguez, mal-estares, passageiros perdidos, etc.; • Ficar longe de parentes e amigos e uma das características da profissão, tendo em vista que o guia está sempre em viagem conhecendo lugares e pessoas novos, e não pode ser uma pessoa caseira; • Ter em casa plantas, peixes, cães ou gatos não são opções muito adequadas, uma vez que o contato ficará muito restrito e prejudicado; • A maior parte das tarefas do guia tem que ter resoluções imediatas; • Os feriados prolongados e datas festivas (carnaval, Semana Santa, Natal, Ano Novo) para o profissional serão dias normais de trabalho, o que implica que sua vida pessoal deverá ser ajustada à profissão. • A profissão sofre os efeitos da sazonalidade, característica inerente ao turismo, onde o fluxo de turistas concentra-se em determinados períodos do ano, fazendo com que guias, em períodos de baixa estação procurem outras profissões como professores, estudantes, vendedores, agentes de viagem, etc., para complementar a renda. Já nos períodos de alta estação, a procura chega a ser tão grande, que as empresas procuram professores, estudantes, biólogos, etc., sem a devida formação, o que pode prejudicar a categoria, pois o turista não sabe que é guia de 19 verdade ou não, o quê, além de ser ilegal, pois a profissão é regulamentada por lei, pode resultar em má prestação de serviços. ATIVIDADE 4 - EXERCÍCIOS – 10 PTS. 1.Quais são as principais características pessoais de um bom guia de turismo? 2.Quais são as principais áreas de conhecimento que um bom guia deve possuir? 3.De que maneira um guia poderia conciliar a vida pessoal regular com a profissional? 4.O que é para você “qualidade dos serviços prestados”? 5.Em alguns momentos, os interesses e desejos dos turistas são contraditórios aos da agência. Que posição você tomaria? 6. Na sua opinião, o que é mais importante no desempenho das funções de um guia: as características pessoais ou a qualificação técnica? 7- O guia de turismo interage com diferentes elementos em sua cadeia relacional, seja o turista, o morador local ou os empresários do setor de turismo. Para que esse relacionamento possa ser efetivado com sucesso, é fundamental que se possa trabalhar o desenvolvimento de sua imagem pessoal, como forma de se qualificar enquanto recurso humano. Partindo do exposto até aqui, indique a alternativa correta. (A) Para chegar a uma qualificação pessoal, é importante reconhecer as ameaças profissionais que possam prejudicar o desenvolvimento do trabalho, como uma concorrência desleal. (B) As oportunidades que surgem no mercado de trabalho constituem um fator de desarticulação profissional, requerendo um distanciamento, por parte do guia, dessas possibilidades. (C) A ética profissional contribui de modo pouco significativo para o desenvolvimento das habilidades profissionais, pois serve para regular o mercado, estabelecendo leis e decretos. (D) O guia de turismo, ao iniciar sua atividade profissional, deve estar apto em termos de técnicas de comunicação e o desenvolvimento dessa habilidade será relegada a segundo plano. (E) Relacionamento interpessoal implica em dominar as técnicas de oratória. Osguias de turismo melhor habilitados neste fundamento conseguem se impor e controlar facilmente os turistas. 8- Os guias de turismo devem trabalhar na captação de clientes, no acompanhamento de grupos e no relacionamento com os parceiros comerciais, seguindo padrões de ética profissional que possam regular a atividade e garantir igualdade e um serviço de qualidade. Utilizando os conceitos de ética profissional para o guia de turismo, analise as alternativas a seguir e indique a que está correta. (A) Os Guias de Turismo devem guardar para si qualquer informação de natureza comercial, profissional e técnica. (B) Os Guias de Turismo têm liberdade para praticar preços que atendam às suas demandas financeiras pessoais. (C) Os Guias de Turismo não farão propaganda comparativa que depreciem a concorrência de outros profissionais. (D) Os Guias de Turismo que tentam aliciar clientela de concorrentes mesmo que de modo desonesto, não cometem infração. (E) Os Guias de Turismo podem praticar, no exercício da atividade, comentário desfavorável sobre pessoas ou locais. 20 ATIVIDADE 5 - LEVANTAMENTO ATRATIVOS DE SANTARÉM E ALTER -20 PTS. -Atrativos naturais -Trabalho digitado – 10 pts. - Atrativos culturais- Apresentações em equipes -10 pts. ATIVIDADE 6 – CITY TOUR CENTRO HISTÓRICO DE SANTARÉM -30 PTS. 2º BIMESTRE 8.TÉCNICAS DE CONDUÇÃO DE VISITANTES -Porque conduzir visitantes? Principalmente em áreas naturais, os visitantes quando chegam, se ocupam em atividades como caminhadas em trilhas, visita a comunidades, experimentação da cultura local (culinária, festividades e etc.), entre outras. Se eles passeiam sozinhos, pode ocorrer: risco de destruição ambiental e cultural; desconforto; perigo. Porém, se a visita ocorre monitorada, os visitantes: irão nos melhores lugares com mais informações interessantes; não estragarão a natureza e nem a cultura local. 8.1. FUNÇÕES E RESPONSABILIDADES DO GUIA PARA COM OS TURISTAS Guiar o caminho - Não é só levar pelo caminho certo. Vai muito além disso. Informar o grupo - As informações são de três tipos: instruções de comportamento, informações ilustrativas e avisos. Cuidar do grupo - Fisicamente e psicologicamente. Socorrer - É obrigação do guia prestar primeiros-socorros, salvamento, resgate e transporte. Enfim, garantir a integridade do visitante. Funções e Responsabilidades do guia para com a Natureza 21 Zelar diretamente - Cabe ao guia cuidar da área visitada vigiando seus visitantes quanto ao bom comportamento. Conscientizar o visitante - É a contribuição dos condutores para educar os visitantes com relação à qualidade de vida e à forma de visitação em áreas protegidas. 8.2. FUNÇÕES E RESPONSABILIDADES PARA COM A COMUNIDADE LOCAL Conservar a cultura local - O condutor deve orientar os visitantes quanto ao bom comportamento na comunidade, evitando o uso de drogas ilícitas e outras atividades que causem choque com a cultura local. Tamanho do Grupo e da Equipe de Condutores A experiência tem nos mostrado que o grupo nunca deve exceder 10 visitantes. Mas, caso você se defronte com um grupo maior que isso já formado, a sugestão é que ele seja dividido em dois ou mais subgrupos, que farão roteiros diferentes ou a mesma trilha, com um intervalo mínimo de tempo calculado para que os grupos não se encontrem nem nas paradas. A relação ideal é um guia para cada dez visitantes, e no mínimo dois guias por passeio para garantir a segurança em situações onde, ocorrendo algum problema com um dos guias, o grupo ainda tenha o outro para garantir a segurança de todos e o socorro do próprio companheiro. ATIVIDADE 7 -ENTREVISTA COM GUIAS DE TURISMO LOCAIS- 30 pts. * Técnica -conceito - Conjunto de procedimentos ligados a uma arte ou ciência; Maneira própria de realizar uma tarefa. (Dicionário Houaiss). 9.1. ALFABETO FONÉTICO INTERNACIONAL 22 9.2. PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES CONCERNENTES AO ROTEIRO OS (Ordem de Serviço) - documento que oficializa, explica o contrato de determinado serviço. Material informativo Rooming List ( lista de hóspedes por apartamento); Meio de transporte (avião, trem, ônibus...) Pontos de encontro, tempo de duração... Voucher - título, recibo ou documento que comprova o pagamento e o direito a um serviço ou a um produto. Dinheiro para pagamento de despesas inesperadas ou para pagamento de museus, espetáculos, guias locais etc. ( sempre peça recibo) 9.2.1. ORDEM DE SERVIÇO - Deve conter todos os dados e informações pertinentes aos serviços exigidos, ratifica o compromisso guia/agência no que diz respeito à prestação de serviços demandados. Exemplo de Ordem de serviço (OS) -Deve constar na ordem de serviço: -O idioma a ser utilizado; -Passageiros com necessidades especiais principalmente deficiente físico (cadeira de rodas, carro especial); 23 TC= Guia Local; Especificação dos serviços: localidades, hotéis, restaurantes etc. (fazer pesquisa auxiliar) *Ao receber a “OS” o guia deve verificar: - Crachá e/ou uniforme a ser utilizado; -Material de animação, serviço de bordo ou brinde promocionais; -Informações sobre o perfil do grupo; -Localizador: placa com nome do grupo e/ou indivíduo; -Guia local; -Room /bus list; -Voucher; -Etiquetas de bagagens suficientes para todos (se possível personalizadas); -Opinário confidencial, Tour Comment; (comentário do turista); preços e possibilidades de opcionais * reunião prévia antes da viagem para tirar dúvidas. 9.2.2-VOUCHER: O voucher, chamado de Documento da Viagem, é um documento comprovatório que deverá ser apresentado durante a viagem, seja nos aeroportos, translado, terminais de ônibus, portos ou hotéis. Trata-se de um documento que possui todos os dados importantes da sua viagem: horário do embarque, local de embarque, onde ficará hospedado, nome dos fornecedores, etc. Exemplo de voucher 24 9.2.3. SPEECH DO GUIA -Apresentação do speech inicial Senhoras e senhores, bom dia. Meu nome é _________________sou guia de turismo e irei acompanhá-los na viagem a__________ Em nome da ________( agência/operadora) , dou-lhes as boas vindas. Agradecemos a escolha que fizeram ao viajar por nossa companhia e esperamos superar suas expectativas. Gostaria de lhes apresentar nosso (s) motorista(s), o(s), senhor (es)______________ da transportadora ______________,o(s) qual (is), será (ão) nosso(s) condutor(es) durante todo o percurso.( proceder à liberação do veículo, autorizando o motorista a iniciar o percurso). Darei início agora a algumas explicações sobre a viagem... (cinto de segurança, estrutura do veículo, etc.) - Apresentação do Speech final Agradecimentos – só após a realização da viagem 9.2.4. PARADAS TÉCNICAS (TURISMO RODOVIÁRIO) -Devem ser feitas no máximo a cada 3 horas meia de viagem; -O guia deve justificar os objetivos: banheiro, caminhada para facilitar a circulação sanguínea, possibilidade de fumar alimentação ou descanso etc.; -Ao levantar o turista deve deixar a poltrona na vertical; -Deve ser informado o tempo de permanência do local; -O ônibus deve ficar fechado; -O guia nesse momento retira o lixo e repõe a cafeteria e a comissária; -E no retorno conferir se algum turista ficou para trás; *Atividades de entretenimento -Programar atividades de entretenimento de acordo o perfil do grupo; -Evitar curvas; -Evitar atividades que facilitem a saída do passageiro da poltrona para evitar acidentes; -Respeitar o momento de descanso após as refeições; 9.2.5-CHECK-IN E CHECK-OUT NA HOTELARIA -Antes da viagem, ligar confirmando a reserva; 25 -Próximo ao hotel informar a todos sobre a estrutura do hotel e horários de saídas para atividades; -Observar no voucher os serviços inclusos ou não; - Descer do veículo antes do grupo para conferir se todos ficarão no mesmo hotel, e auxiliarno check-in junto a lista de passageiros; -Observar a quantidade de pessoas por quarto: casais e solteiros e se o serviço oferecido condiz com o perfil. Ex.: camas. -Afixar informativo da programação. -Check-out – conferir se todos pagaram o consumo extra e se levaram todos os pertences. Conduzir um grupo começa bem antes do primeiro passo da caminhada ser dada. O condutor dispõe de certa técnica que ao mesmo tempo em que cumpre os procedimentos preliminares à atividade, o coloca como guia de fato do grupo. Ou seja, o guia assume a sua posição de liderança. Por mais adverso que seja o humor de seu grupo, existem dois argumentos, muito fortes, que devem ser empregados para ganhar a confiança e a simpatia dos visitantes: paciência e simpatia. 10. ANIMAÇÃO TURÍSTICA 10.1. CONCEITOS De acordo com Torres (2004), “a animação no turismo pode ser definida como sendo um conjunto de atividades que objetivam humanizar as viagens, oferecendo ao turista a possibilidade de participação ativa, de tornar-se protagonista de suas férias”. Desenvolve-se nos centros de férias, nos meios de hospedagem, nos transportes de longo curso entre outros, pelos programas de cunho cultural, social, recreativo e desportivo. Chaves e Mesailles (2001) apresentam outro conceito mais amplo, afirmando que: A animação turística é entre outros aspectos, o conjunto de atividades culturais, lúdicas, de formação, desportivas, de difusão, de convívio e de recreio que são oferecidas aos turistas por entidades públicas ou privadas, pagas ou não pagas, com o carácter de restabelecer o equilíbrio físico e psíquico, aniquilando a monotonia, o excesso de tensão e o stress. Para se falar da finalidade da animação turística implica essencialmente mencionar o conjunto dos vários intervenientes envolvidos que permitiram o seu desenvolvimento. De acordo com krippendorf, (2001, p.223): “A animação deve contribuir para suprimir as barreiras e desenvolver o prazer da descoberta e o desejo de contatos, permitindo, assim, que o indivíduo saia do seu isolamento. “Ela deve, portanto, encorajar o esforço pessoal, a criatividade individual e o espírito de iniciativa.” 26 PARA MEMORIZAR: -ALGUMAS TERMINOLOGIAS TURÍSTICAS IMPORTANTES All inclusive :Tudo incluído. Hotel que inclui na diária as bebidas, refeições (café da manhã, almoço, jantar e refeições intermediárias) e entretenimento. Na tradução livre para o português, all- inclusive significa “tudo incluso”. Ou seja, ao contrário da pensão completa — que oferece café da manhã, almoço e janta —, o sistema all-inclusive também inclui petiscos, lanches ao longo do dia e bebida à vontade. By Night-Programação noturna em um pacote turístico Cash - pagamento à vista ou em moeda corrente. Charter-avião alugado por contrato para fim específico, esp. viagens de turismo Check-in - apresentação do passageiro nos aeroportos ou do hóspede nos hotéis, para as formalidades do embarque ou desembarque. Registro de entrada no hotel; registro no aeroporto para embarque. Check-out- em hotelaria é o registro de saída de um hóspede, efetuado no momento em que habitualmente aquele liquida a conta relativa à sua estadia, podendo deste modo abandonar as instalações co a sua bagagem. A hora limite do check out é normalmente o meio-dia, visto que os quartos são alugados por períodos de 24 horas, que terminam convencionalmente naquela hora. Dá- se, também, o nome de check-out às posições de controle de saída e pagamento de um supermercado ou estabelecimento de autosserviço. O mesmo que check-out Time. City Tour By Night: São roteiros feitos durante a noite que aproveitam a atratividade noturna voltada para a gastronomia, entretenimento. ... O tempo da durabilidade está relacionado na quantidade de cidades a serem visitadas e os respectivos atrativos, vias e meios de transportes utilizados (rodoviário ou aéreo) City Tour: diz-se da visita aos principais pontos turísticos de uma cidade, preferencialmente com acompanhantes de um Guia Turístico. 2. Passeio de reconhecimento do local visita o mesmo que "Sightseeing". Codeshare - é um acordo no qual duas ou mais companhias aéreas compartilham o mesmo voo, os mesmos padrões de serviço e os mesmos canais de venda. Concierge: é um termo da língua francesa e que pode ser traduzido literalmente como “porteiro” para o português. O concierge é um cargo comum no ramo hoteleiro, consistindo na função do profissional responsável por atender as necessidades básicas e especiais dos hóspedes. 27 Day Use -também chamado de microstay e hotel by day, o day use é um modelo de reserva de curta duração, que, normalmente se inicia pela manhã e se encerra ao final da tarde Downgrade - É a mudança para um tipo de serviço ou acomodação de classe inferior. Estadia - permanência num estabelecimento hoteleiro ou similar por um período mínimo de 24 horas. Estada - o mesmo que estadia. FAP, Full Board ou Pensão Completa- regime alimentar que inclui as três principais refeições do dia – café da manhã, almoço e jantar, sendo as bebidas cobradas à parte. Guia Turístico - manual de informações turísticas. Jet Lag - Estresse físico e psicológico que um passageiro sente devido a mudanças de fusos horários e a viagem mais longa. Desajuste do relógio biológico. Meia Pensão/ Half board ou MAP - Meia pensão, ou seja, café da manhã, mais almoço ou janta: Regime de hospedagem onde estão incluídas duas refeições principais, geralmente o café da manhã e o jantar. Isso permite que você faça atividades fora do hotel durante o dia, tendo a janta garantida quando retornar ao hotel. As bebidas são pagas à parte (exceto aquelas consumidas durante o café da manhã). No show - É o passageiro que não se apresenta para embarcar no vôo em que tem reserva ou ainda não comparece no hotel na data aprazada de sua reserva. Overbooking: é uma expressão em inglês usada para designar quando uma empresa faz uma sobre venda, ou seja, vende mais do que pode atender. É mais comum em companhias aéreas, mas também pode acontecer em hotéis, shows, eventos esportivos e até salões de beleza ou restaurantes que aceitam cupons pré-pagos. Pacote Turístico - serviços turísticos que incluem, além de atrações, transporte, hospedagem, alimentação, city tour, transfer, etc. Pensão Completa/ Full board ou FAP - Diária de hotel que inclui três refeições (café da manhã, almoço e jantar - normalmente sem bebidas). River Tour: passeio no rio Rooming list: consiste na relação de nomes de passageiros, divididos de acordo com os hotéis e acomodações a serem utilizados. Ainda pode ser definido como uma lista de distribuição de um grupo pêlos apartamentos já reservados em um hotel Room Only- somente hospedagem (só alojamento, SA, RO, european plan, EP) – se algum desses termos estiver indicado, é contratada a hospedagem sem direito à alimentação; Sightseeing: O mesmo que city tour. 28 Timeshare- é o “tempo compartilhado” dentro de uma propriedade de férias, geralmente um resort, que é dividido e compartilhado em tempo de uso. Esse tempo de uso, por sua vez, se dá geralmente em semanas, mas em alguns casos pode ser dividido em meses. Trade turístico: Conjunto de agentes, operadores, hoteleiros e prestadores de serviços turísticos. Transfer - 1. Modalidade de transporte via Aeroporto - Hotel / Aeroporto. É bastante comum em pacotes turísticos. 2. Serviço prestado a um turista, que consiste em assisti-los nas formalidades de embarque/desembarque, transporte do local de chegada ou partida ao local de destino (hotel) e vice- versa, bem como das respectivas bagagens. Este tipo de serviço é prestado pelas agências de viagens aos turistas que lhes vêm consignados por congêneres estrangeiros, normalmente entre os aeroportos e hotéis e vice-versa. Transfer In -Traslado de ida. Normalmente refere-se ao transporte do aeroporto do voo de chegadaao hotel. Transfer Out -Traslado de volta. Neste caso, seria do hotel ao aeroporto. Traveler check- é uma opção segura e muito prática para levar dinheiro em viagens internacionais. Além de não precisar carregar dinheiro em espécie com você, existe a possibilidade de troca pela moeda local em casas de câmbio assim que chegar ao seu destino. Up Grade – Mudança para um tipo de serviço ou acomodação superior. Walking Tour: passeios guiados, usualmente de cunho turístico e realizados a pé, que ocorrem de maneira sistemática em diversas cidades do mundo. ATIVIDADE 8 – EXERCÍCIO SOBE TERMINOLOGIAS TURÍSTICAS -10 pts. 1-. Sobre as terminologias utilizadas no agenciamento turístico, analise as afirmativas a seguir. I. O up grade é a elevação de categoria de um serviço. II. Charter é um tipo de fretamento ou voo não regular. III. O day use é qualquer serviço que é possível usar diariamente. IV. O codeshare é a prática das empresas aéreas de vender títulos para tempo compartilhado. Estão corretas as afirmativas A) I e III. B) III e V D) II e IV. 2- No texto a seguir, observe as terminologias sublinhadas: 29 O Sr. Pedro Cântaro Largo, professor em uma escola pública em Boituva, no estado de São Paulo, deseja viajar a Buenos Aires, porém a chegada de seu ônibus do interior ao aeroporto internacional de Cumbica (Guarulhos) será apenas duas horas antes do check in para o voo internacional. O cliente necessita saber se há necessidade de maior antecedência. Na agência de turismo a agente de loja, recém contratada, informa que o período em que Sr. Pedro deseja viajar é alta temporada e por esta razão é passível de overlate; porém, como existem muitos gos shows no período, é possível que, se ele chegar ao aeroporto de Cumbica em cima da hora, possa embarcar sem problemas. Contudo, caso o Sr. Pedro chegue mais cedo e o voo sofra overlate, a empresa aérea poderá fornecer um rooming list para que o passageiro utilize nas refeições e hospedagem como forma de apoio para que possa aguardar o próximo voo. A funcionária ainda informou que, em caso de cancelamento por parte do cliente, a passagem não permite reembolso. Fonte: Funcern, 2014. No caso descrito, a funcionária da agência cometeu erros e acertos no emprego dos termos técnicos. Para que o texto se torne tecnicamente correto, as palavras sublinhadas devem ser A) overbooking, go shows, early check in, overbooking, reembolso. B) overbooking, no shows, overbooking, traveler check. C) overbooking, no shows, overbooking, voucher, endosso. D) no shows, go shows, travel check, overbooking, reembolso. 3- -É o documento entregue ao passageiro com todas as especificações dos serviços turísticos adquiridos. Ele pressupõe a confirmação dos serviços discriminados: A.Voucher B.Full-board C.Valet parking D.Ski in 4- Voo realizado em uma aeronave fretada, com tarifas mais econômicas que as praticadas no mercado e com regras pré-estabelecidas quanto a duração, data de saída/regresso e destino, entre outras. Trata-se de: A.Carry On B.Code-sharing C.Charter D.Sightsseing 5-Leia as afirmativas sobre o regime de alimentação na Hotelaria e julgue as afirmativas como (V) VERDADEIRAS ou (F) FALSAS. 30 ( ) TI / All Inclusive: todas as refeições e entretenimento incluído. As bebidas são cobradas à parte. Normalmente nos hotéis com esta modalidade é dada uma pulseira para diferenciar o regime escolhido. ( ) PC/ FB/ FAP - pensão completa / Full Board: Pensão completa inclui o café da manhã, o almoço e o jantar - normalmente as bebidas estão incluídas. ( ) MP/ HB/ MAP - Meia Pensão / Half Board: inclui o café da manhã, o almoço ou jantar (normalmente é o jantar) - normalmente sem bebidas. ( ) SA/ RO - só alojamento / Room Only. Somente hospedagem. Assinale a alternativa que contém a ordem CORRETA de associação, de cima para baixo. a) V, F, V, F b) F, F, V, V c) F, V, F, V d) V, F, F, V e) V, V, V, F ATIVIDADE 9-TESTE- 20 pts. ATIVIDADE 11 – VISITA PARA A PRÁTICA DE VIAGEM RODOVIÁRIA – 40 pts. REFERÊNCIAS CANANI, I. S. Guia de Turismo: o Mérito da Profissão. Disponível em: www.periodicos.usp.br/rta/article/viewFile/63461/66206 . Acesso em: 15.03.2017. CARVALHO, ÁRTEMIS BARRETO . Teorias, técnicas e tecnologias para formação e atuação profissional do guia de turismo.Aracaju: IFS, 2016 CHIMENTI, Silvia;TAVARES, Adriana. Guia de turismo: o profissional e a profissão: SENAC, São Paulo, 2007. KRIPPENDORF, J. Sociologia Do Turismo. 3ª Edição: Aleph, 2001 TORRES, Z; (2004): Animação turística, 3ª edição: editora Roca. http://www.periodicos.usp.br/rta/article/viewFile/63461/66206 31