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Beatricce, Rafaela e Rodrigo - 4º Período Medicina - 4º Período - UNIDEP TIC: Enterocolites bacterianas. Problema 1: Quando suspeitar clinicamente que o paciente possa apresentar cólera? A infecção pode ser assintomática ou causar várias manifestações clínicas, inclusive diarreia aguda não sanguinolenta; colite hemorrágica; síndrome hemolítico-urêmica (SHU) e púrpura trombocitopênica trombótica (PTT). Em geral, suspeita-se clinicamente de cólera quando a infecção se evidencia por cólicas abdominais e diarreia líquida, podendo evoluir para diarreia sanguinolenta. A diarreia geralmente persiste por 5 a 10 dias. A Organização Mundial da Saúde recomenda que a suspeita clínica de cólera em pacientes com mais de cinco anos de idade deve ocorrer quando há sinais sugestivos de diarreia aquosa aguda com depleção de volume grave, inclusive em regiões onde a cólera não é tida como endêmica. Em áreas consideradas endêmicas, o quadro clínico de cólera pode estar associado com diarreia aquosa aguda grave, além da presença de desidratação rápida, acidose e colapso circulatório, sendo esses sintomas essenciais para a suspeita clínica inicial. Problema 2: Qual a diferença das outras enterocolites bacterianas? A enterocolite infecciosa pode ser causada por algumas bactérias. Existem vários mecanismos patogenéticos envolvidos na enterocolite bacteriana: ingestão de toxinas pré-formadas, encontradas no alimento contaminado; infecção por microrganismos toxigênicos que proliferam no lúmen intestinal e produzem enterotoxinas; e infecção por microrganismos enteroinvasivos, que proliferam no lúmen intestinal e invadem e destroem as células epiteliais da mucosa. Os efeitos patogênicos das infecções bacterianas dependem da capacidade que os microrganismos têm de aderir às células epiteliais da mucosa, produzir enterotoxinas e depois invadir a mucosa intestinal. Disenteria Bacilar: Shigella é o protótipo de microrganismo capaz de invadir células epiteliais da mucosa intestinal e de induzir resposta inflamatória que leva a necrose e ulceração da mucosa do intestino delgado e/ou do cólon. A infecção por bactérias do grupo Shigella causa a disenteria bacilar, que se caracteriza por diarreia com sangue, muco e pus acompanhada de dor abdominal, febre e, nas formas graves, toxemia e hipotensão arterial. Disenteria bacilar é endêmica em áreas com higiene precária, onde a transmissão ocorre por alimentos, água ou contato pessoal. As bactérias invadem a mucosa e provocam inflamação que se inicia no ceco e no cólon ascendente e estende-se ao íleo terminal. O exsudato é fibrinopurulento e Beatricce, Rafaela e Rodrigo - 4º Período forma pseudomembranas sobre a mucosa; estas se destacam e deixam a mucosa ulcerada. Colite Pseudomembranosa: Doença intestinal inflamatória associada ao uso de antibióticos por alteração da microbiota enterocólica causada pelo Clostridium difficile e, mais raramente, Staphylococcus aureus. Os principais achados histopatológicos são reação inflamatória difusa, que pode estender-se até a camada muscular própria, com exsudação mucosa e material fibrinonecrótico, placas branco-amareladas sobre a mucosa do cólon e, mais raramente, no intestino delgado; formação de pseudomembranas espessas confluentes. Febre Tifóide: Evolui por cerca de 4 semanas, é causada pela Salmonella typhi, transmitida por água e alimentos contaminados. A infecção tem início no intestino delgado e evolui com disseminação sistêmica. Clinicamente, manifesta-se com febre, cólicas abdominais e diarreia, às vezes alternada com constipação intestinal; em seguida, surge torpor. A Salmonella typhi invade as células epiteliais da mucosa do intestino delgado e dissemina-se para os órgãos linfoides (placas de Peyer, linfonodos mesentéricos, baço) e para a circulação sistêmica. Na mucosa intestinal, há inflamação com necrose e úlceras, especialmente sobre as placas de Peyer. As úlceras são ovais, dispõem-se longitudinalmente, apresentam bordas elevadas e têm fundo granular com restos de material necrótico. Tais lesões podem evoluir com sangramento e perfuração intestinal. Gastroenterite: Gastroenterite deve-se à ingestão de água ou alimentos contaminados (carnes, ovos, aves) com Salmonella enteritidis. A infecção manifesta-se após curto período de incubação (horas ou dias) com náuseas, vômitos, diarreia, febre e prostração durante 2 a 4 dias. Mais comum e mais grave em crianças, especialmente nas menores de 5 anos, a infecção ocorre no íleo, mas pode comprometer o intestino grosso. Outras: Várias espécies de Campylobacter comprometem o intestino delgado e o cólon, onde causam inflamação e úlceras que podem simular colite ulcerativa. As manifestações clínicas, que surgem 2 a 5 dias após a ingestão de alimentos contaminados e duram cerca de 5 dias, incluem dor abdominal, diarreia, náuseas e vômitos. Cepas enteroinvasivas de Escherichia coli induzem diarreia clinicamente semelhante à da disenteria bacilar, enquanto cepas enterro-hemorrágicas de Escherichia coli são responsáveis por surtos graves de diarreia sanguinolenta, colite isquêmica e síndrome hemolítico-urêmica em crianças. Referências Bibliográficas: NORRIS, T. L.; Porth Fisiopatologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. Beatricce, Rafaela e Rodrigo - 4º Período FILHO, G. B. Bogliolo Patologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.