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1 
 
 
EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE 
1 
 
 
SUMÁRIO 
 
NOSSA HISTÓRIA ...................................................................................................... 2 
APRESENTAÇÃO ....................................................................................................... 3 
DESIGUALDADES E DIVERSIDADE NA EDUCAÇÃO .......................................... 3 
Referências ................................................................................................................. 10 
A EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES.. 10 
CRÔNICAS PEDAGÓGICAS .................................................................................... 13 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 19 
CURRÍCULO E DIDÁTICA: A DIVERSIDADE NA SALA DE AULA ................... 19 
Referências ................................................................................................................. 22 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
Caro aluno, antes de ler sua apostila, leia os textos e assista aos vídeos sobre o 
assunto. Bons estudos! 
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download
&alias=636-vol-28-educdiv-elet-pdf&Itemid=30192 
http://cdnbi.tvescola.org.br/resources/VMSResources/contents/document/p
ublicationsSeries/18344514_EducacaoDiversidade.pdf 
https://www.youtube.com/watch?v=dPoSbnqngag 
Educação & Sociedade 
Print version ISSN 0101-7330 
Educ. Soc. vol.33 no.120 Campinas July/Sept. 2012 
http://dx.doi.org/10.1590/S0101-73302012000300002 
APRESENTAÇÃO 
 Temos o direito a ser iguais sempre que a diferença nos inferioriza; temos o direito 
a ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza. (Boaventura de Souza Santos, 
2006, p. 316) 
DESIGUALDADES E DIVERSIDADE NA EDUCAÇÃO 
Nos últimos anos, a relação entre desigualdades e diversidade tem ocupado um 
lugar de maior destaque no debate contemporâneo. No que se refere à diversidade, 
Abramowicz, Rodrigues e Cruz (2011) refletem que a sua discussão, com enfoque na 
heterogeneidade de culturas que marca a sociedade atual, é realizada em oposição ao 
modelo de Estado-nação moderno, liberal e ocidental e se faz presente em grande parte 
dos países do mundo. 
As autoras alertam para o fato de que o debate sobre a diversidade se diferencia 
nacional e internacionalmente de acordo com o seu período de emergência, as causas 
principais que geram ou impõem a discussão sobre determinados grupos, identidades 
culturais, espaciais e territoriais, discriminação, entre outros. Imigração, gênero, 
sexualidade, raça, etnia, religião, língua, espaços/territórios são os principais fatores e 
temáticas que desencadearam um processo de mobilização e discussão sobre a 
diversidade, sendo que em vários contextos eles estão interrelacionados ou 
interseccionados. 
A diversidade, entendida como construção histórica, social, cultural e política das 
diferenças, realiza-se em meio às relações de poder e ao crescimento das desigualdades e 
4 
 
 
da crise econômica que se acentuam no contexto nacional e internacional. Não se pode 
negar, nesse debate, os efeitos da desigualdade socioeconômica sobre toda a sociedade e, 
em especial, sobre os coletivos sociais considerados diversos. Portanto, a análise sobre a 
trama desigualdades e diversidade deverá ser realizada levando em consideração a sua 
interrelação com alguns fatores, tais como: os desafios da articulação entre políticas de 
igualdade e políticas de identidade ou de reconhecimento da diferença no contexto 
nacional e internacional, a necessária reinvenção do Estado rumo à emancipação social, 
o acirramento da pobreza e a desigual distribuição de renda da população, os atuais 
avanços e desafios dos setores populares e dos movimentos sociais em relação ao acesso 
à educação, à moradia, ao trabalho, à saúde e aos bens culturais, bem como os impactos 
da relação entre igualdade, desigualdades e diversidade nas políticas públicas. 
No Brasil, diferentes alternativas e proposições econômicas, políticas e teóricas 
têm sido desencadeadas na tentativa de apontar caminhos para essa situação. Desde o 
processo de reabertura política a partir dos anos de 1980 aos dias atuais, vem se 
configurando um novo foco de interpretações a respeito de como equacionar a oferta da 
educação pública no contexto das desigualdades socioeconômicas e da diversidade. A 
postura central dos movimentos sociais, dos profissionais da educação e daqueles 
comprometidos com uma sociedade democrática e com a educação pública, gratuita e 
laica tem sido reafirmar o princípio constitucional contido no artigo 205 da Constituição 
Federal de 1988, ou seja, "a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, 
será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação 
para o trabalho". 
Portanto, não se educa "para alguma coisa", educa-se porque a educação é um 
direito e, como tal, deve ser garantido de forma igualitária, equânime e justa. O objetivo 
da educação e das suas políticas não é formar gerações para o mercado, para o vestibular 
ou, tampouco, atingir os índices internacionais de alfabetização e matematização. O foco 
central são os sujeitos sociais, entendidos como cidadãos e sujeitos de direitos. Essa 
interpretação tem sido adensada do ponto de vista político e epistemológico pelos 
movimentos sociais ao enfatizarem que os sujeitos de direitos são também diversos em 
raça, etnia, credo, gênero, orientação sexual e idade, entre outros. Enfatizam, também, 
que essa diversidade tem sido tratada de forma desigual e discriminatória ao longo dos 
séculos e ainda não foi devidamente equacionada pelas políticas de Estado, pelas escolas 
e seus currículos. 
5 
 
 
Dessa forma, devido às pressões sociais, o entendimento da diversidade como 
construção social constituinte dos processos históricos, culturais, políticos, econômicos e 
educacionais e não mais vista como um "problema" começa a ter mais espaço na 
sociedade, nos fóruns políticos, nas teorias sociais e educacionais. 
São também os movimentos sociais, principalmente os de caráter identitário 
(indígenas, negros, quilombolas, feministas, LGBT, povos do campo, pessoas com 
deficiência, povos e comunidades tradicionais, entre outros), que, a partir dos anos de 
1980, no Brasil, contribuem para a entrada do olhar afirmativo da diversidade na cena 
social. Eles reivindicam que a educação considere, nos seus níveis, etapas e modalidades, 
a relação entre desigualdades e diversidade. Indagam o caráter perverso do capitalismo 
de acirrar não só as desigualdadesno plano econômico, mas também de tratar de forma 
desigual e inferiorizante os coletivos sociais considerados diversos no decorrer da 
história. 
A imbricação entre desigualdades e diversidade tem sofrido interpretações as mais 
diversas no contexto das relações de poder, nas quais se inserem as lutas sociais. São 
interpretações advindas tanto das políticas neoliberais que se acirraram no Brasil, nos 
países latino-americanos e em outros contextos do mundo a partir dos anos de 1990, 
quanto das lutas por identidade e reconhecimento desenvolvidas pelos próprios 
movimentos sociais, ações coletivas, organizações de caráter emancipatório e novos 
sujeitos sociais no mesmo período. 
No terceiro milênio é possível dizer que estamos diante de uma mudança política 
e epistemológica, no que diz respeito ao entendimento sobre a imbricação entre 
desigualdades e diversidade que vai além do campo educacional. Trata-se de uma inflexão 
em nível nacional e internacional provocada por vários fatores, tais como: os 
questionamentos à globalização capitalista, a construção de uma rede internacional 
contra-hegemônica, os conflitos étnicos e religiosos na América Latina, Europa e Ásia, a 
formação e o fortalecimento das redes sociais e das novas mídias com foco na 
emancipação social, as lutas nacionais e transnacionais pelo direito à terra e ao território. 
Esses fatores se tornam mais incisivos quanto mais se intensificam, nacional e 
internacionalmente, fenômenos como: neocolonialismo, racismo, xenofobia, sexismo, 
homofobia e violência religiosa. 
A pressão histórica dos movimentos sociais, somada a um perfil mais progressista 
de setores do Estado brasileiro nos últimos dez anos, trouxe mudanças no trato da 
diversidade no contexto das políticas públicas de caráter universal, desencadeando, 
6 
 
 
inclusive, a implementação de políticas de ações afirmativas. Contudo, um dos limites 
que ainda persiste está no fato de que a maioria dessas ações ainda se limita às políticas 
de governo. Falta o seu enraizamento como políticas de Estado. 
Mesmo assim, é possível afirmar que, nos últimos anos, no Brasil e na América 
Latina, com avanços e limites, algumas dimensões da diversidade pleiteadas 
historicamente pelos movimentos sociais e demais setores organizados da sociedade 
começam a fazer parte da pauta da agenda das políticas públicas. Transformam-se em 
temas de debate e de disputa na arena política e na própria produção intelectual. É nesse 
contexto que a discussão sobre a justiça social passa a ocupar mais espaço na produção 
teórica, na análise e na implementação das políticas públicas, entre elas, as educacionais. 
O conjunto de artigos apresentados neste número temático analisa, problematiza 
e indaga a complexa relação entre desigualdades e diversidade na educação. A partir de 
diferentes abordagens e perspectivas educacionais, históricas, sociológicas, 
antropológicas e políticas, os autores e as autoras analisam essa desafiadora imbricação 
no contexto nacional e internacional. 
O primeiro artigo, de Elsie Rockwell, Movimientos sociales emergentes y nuevas 
maneras de educar, discute a força dos movimentos sociais contemporâneos ao trazer 
para a sociedade indagações e questões sobre a relação desigualdade social e diversidade 
cultural e social gerada pelas recentes mudanças na economia e por projetos alternativos 
de vida e de formação. A autora destaca que, ao longo da história da classe trabalhadora, 
a formação de um "homem novo" tem sido um tema recorrente. 
Porém, a atual economia capitalista global tem gerado uma classe trabalhadora 
cada vez mais fragmentada e despossuída. Essa situação leva a uma reorganização social 
e se formam novos sujeitos sociais que retomam os recursos e as práticas culturais 
disponíveis, a fim de fortalecer os movimentos sociais emergentes. Conclui-se que o 
reconhecimento destes movimentos sociais e dos processos de formação tem 
transformado o pensamento iluminista, produzindo outras formas de pensar e atuar nos 
processos educativos. 
Vera Maria Ferrão Candau, no seu artigo Direito à educação, diversidade e edu-
cação em direitos humanos, discute que os direitos humanos estão no centro da 
problemática das sociedades contemporâneas. Tendo por referência a tensão entre 
igualdade e diferença na concepção e prática dos direitos humanos, a autora analisa as 
especificidades, articulações e entrelaçamentos entre o direito à educação e a educação 
em direitos humanos, sendo esta última considerada atualmente como um componente 
7 
 
 
fundamental do direito à educação. Esse contexto traz desafios aos processos educativos 
e à formação de sujeitos de direitos que considere suas especificidades e, ao mesmo 
tempo, fortaleça os processos democráticos, em que redistribuição e reconhecimento se 
articulem. 
O artigo Movimento negro e educação: ressignificando e politizando a raça, de 
Nilma Lino Gomes, discute o papel do movimento negro brasileiro na ressignificação e 
politização da ideia de raça. A raça é entendida como construção social que marca, de 
forma estrutural e estruturante, as sociedades latino-americanas, em especial, a 
brasileira. Parte-se da premissa de que este movimento social, por meio de suas ações 
políticas, sobretudo em prol da educação, reeduca a si próprio, o Estado, a sociedade e o 
campo educacional sobre as relações étnico-raciais no Brasil, caminhando rumo à 
emancipação social. A ideia de raça analisada pela autora se assenta, ainda, na reflexão 
realizada pelos estudos pós-coloniais, que discutem a sua centralidade nos países com 
passado colonial e a sua operacionalidade nas relações de poder, as quais têm sido 
mantidas e subsistem no pensamento moderno ocidental, inclusive no educacional. 
Maria Antônia de Souza, no artigo Educação do campo, desigualdades sociais e 
educacionais, caracteriza a gênese da prática e concepção da educação do campo, 
atentando para a concentração da terra e da propriedade como elementos estruturais 
geradores de desigualdade social. Destaca as principais conquistas efetivadas de 1990 até 
2012 no âmbito da educação do campo e pontua conflitos judiciais em torno do direito à 
educação superior entre os povos do campo. Parte-se do pressuposto central de que esta 
educação é fruto de experiência coletiva construída pelos movimentos e organizações de 
trabalhadores do campo. 
No artigo Roteiro para uma história da educação escolar indígena: notas sobre 
a relação entre política indigenista e educacional, Luiz Antonio de Oliveira e Rita Gomes 
do Nascimento apresentam um roteiro para a história das políticas educacionais voltadas 
para os povos indígenas, a partir da consideração das suas relações com as políticas 
indigenistas. Destacam que a articulação entre os campos indigenista e da educação 
sugere pensar como as questões das diferenças culturais dos povos indígenas orientaram 
diferentes projetos de educação escolar indígena. Os autores partem do período 
"assimilacionista" e "civilizatório" do início do século XX, marcado pela ideia de uma 
necessária unidade da nação, passando pelas reformas desta política, em que é 
reconhecida a importância do ensino bilíngue nos processos de escolarização, até o 
8 
 
 
momento atual, caracterizado pela busca do reconhecimento da diversidade cultural como 
direito fundamental, trazendo novos desafios para as políticas educacionais. 
Choukri Ben Ayed, no artigo As desigualdades socioespaciais de acesso aos 
saberes: uma perspectiva de renovação da sociologia das desigualdades escolares, 
analisa o avanço dos conhecimentos sobre as desigualdades socioespaciais de acesso aos 
saberes na França. Segundo o autor, embora este objeto envolva muitas questões 
societais, as pesquisas empíricas a ele consagradas continuam embrionárias. Na sua 
argumentação, Ben Ayed insiste tanto no que está em jogo, metodologicamente, no 
estudo das variações do aprendizado escolarem função dos contextos de escolarização, 
quanto na necessidade de não dissociar, nas análises, o impacto dos fatores sociais e 
espaciais. Reconhece que, hoje, um dos desafios da renovação das abordagens na 
sociologia da educação consiste em levar em conta uma combinação desses dois fatores. 
O artigo Novos olhares para as desigualdades de oportunidades educacionais: a 
segregação residencial e a relação favela-asfalto no contexto carioca, de Mariane 
Campelo Koslinski e Fatima Alves, discute a tradição de estudos quantitativos que 
tiveram origem no Relatório Coleman (1966) e seus desdobramentos nos estudos de efeito 
escola e, posteriormente, de efeito vizinhança. As autoras focam a sua análise nos limites 
e possibilidades trazidos pela literatura de efeito vizinhança e da geografia de 
oportunidades para a compreensão de mecanismos mediadores entre a segregação 
residencial e resultados escolares. Discutem estudos que partiram desse arcabouço teórico 
e metodológico, focalizando o contexto brasileiro. Ao final, apresentam os próximos 
desafios para se avançar na compreensão da organização social do território e as 
desigualdades educacionais nesse contexto. 
Mônica Carvalho Magalhães Kassar, no artigo Educação especial no Brasil: 
desigualdades e desafios no reconhecimento da diversidade, argumenta que abordar a 
educação especial no Brasil implica considerar a política educacional proposta nos 
últimos anos pelo governo federal e, especialmente, a presença nas escolas de diversas 
populações que constituem o país de formas historicamente desiguais. A partir dessas 
considerações, a autora analisa as mudanças registradas na educação das populações 
marginalizadas no processo escolar, especialmente de pessoas com deficiências, e reflete 
sobre os limites ainda presentes na educação brasileira, incluindo as complexas relações 
que envolvem os lugares da diferença nas proposições legais e nas práticas escolares. 
No artigo Subjetividade docente, inclusão e gênero, Maura Corcini Lopes e Maria 
Cláudia Dal'Igna discutem de que modos o gênero opera como elemento organizador das 
9 
 
 
subjetividades docentes e do desempenho escolar em tempos de inclusão e de 
governamentalidade neoliberal. Governamentalidade, subjetividade e gênero são as 
ferramentas teórico-metodológicas adotadas pelas autoras para examinar de que formas 
algumas práticas de governamento estão implicadas na produção de diferenças de gênero, 
no que se refere ao desempenho escolar, e na constituição das subjetividades docentes 
inclusivas. Duas pesquisas fornecem subsídios para sustentar a argumentação das autoras: 
uma que objetiva conhecer como docentes são subjetivados pelas práticas de inclusão; 
outra que investiga como o gênero atravessa e constitui a prática docente. 
Néstor López, em Adolescentes en las aulas: la irrupción de la diferencia y el fin 
de la expansión educativa, inicia o seu artigo com uma revisão das recentes tendências 
de escolarização dos adolescentes na América Latina, enfatizando em que medida a 
expansão da escolarização desde o início dos anos de 1990 se traduziu em uma 
significativa redução das desigualdades de acesso à educação e, ao mesmo tempo, como 
a desaceleração do processo de escolarização vivido nos últimos anos reinstala o desafio 
das desigualdades como elemento central da agenda educativa. Em seguida, o autor 
levanta algumas hipóteses em torno das causas dessa desaceleração visível nos processos 
de universalização do acesso à escola, enfatizando aquelas que centram a sua atenção nas 
desigualdades resultantes da impossibilidade dos sistemas educativos operarem em 
contextos de crescente diversidade cultural e identitária, evidenciando a persistência de 
múltiplos mecanismos cotidianos e naturalizados de discriminação nas práticas das 
instituições escolares. 
O artigo Há algo novo a se dizer sobre as relações raciais no Brasil 
contemporâneo?, de Valter Roberto Silvérioe Cristina Teodoro Trinidad, discute o 
contexto da aprovação da Lei n. 10.639/2003 e suas diretrizes, alterando a Lei de 
Diretrizes e Base da Educação Brasileira (LDB), que pressupõem um conjunto de 
mudanças substantivas que passam a alterar a política pública educacional no país. 
Segundo os autores, a obrigatoriedade da educação das relações étnico-raciais e do ensino 
de história e cultura afro-brasileira e africana em toda a educação básica é resultado do 
reconhecimento da discriminação racial e do racismo, como constitutivos de nossa 
formação social, e permite desvendar as contribuições das culturas africanas na 
constituição de nossa brasilidade para além do trabalho escravo. A identidade negra, 
produto político do apagamento da multiplicidade cultural de povos que aportaram no 
país, passa a dar lugar ao prefixo "afro" como possibilidade de novas identificações e 
10 
 
 
recriações dos brasileiros descendentes de africanos, as quais podem ser analisadas a 
partir do conceito de Diáspora. 
Para adensar ainda mais a rica discussão aqui realizada, apresentamos a entrevista 
com Boaventura de Sousa Santos, concedida à Júlia F. Benzaquen, sobre A Universidade 
Popular dos Movimentos Sociais, seguida da resenha do livro de Miguel G. 
Arroyo, Currículo, território em disputa, escrita por André Marcio Picanço Favacho. 
Entrevista e resenha abordam as principais reflexões de dois brilhantes intelectuais 
sintonizados com a dinâmica do nosso tempo e sempre alertas aos desafios trazidos pela 
relação entre desigualdades e diversidade no campo educacional e na sociedade como um 
todo. 
Cabe ressaltar, ainda, que a temática da diversidade já esteve presente entre as 
edições da revista Educação & Sociedade no dossiê "Diferenças", dez anos atrás. De lá 
para cá, a construção das diferenças se complexificou e passou a tensionar ainda mais as 
práticas educativas, o Estado e suas políticas, por meio da ação dos sujeitos sociais. Esse 
contexto trouxe novos entendimentos sobre o tema, outras perspectivas de análise e tem 
produzido um instigante debate teórico e político. Um dos desafios colocados é a 
compreensão das diferenças como constituintes do complexo processo da diversidade e a 
sua imbricação com as desigualdades. 
Espera-se que o debate intelectual com o qual o leitor e a leitora terão contato nas 
páginas dessa Revista possa provocar, adensar e fazer avançar a discussão sobre o tema 
central aqui proposto. 
Nilma Lino Gomes (Organizadora) 
 Referências 
ABRAMOWICZ, A.; RODRIGUES, T.C.; CRUZ, A.C.J. A diferença e a diversidade 
na educação. Contemporânea, São Carlos, n. 2, p. 85-97, ago.-dez. 2011. [ Links ] 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm>. Acesso 
em: 20 set. 2012. [ Links ] 
SANTOS, B.S. A construção intercultural da igualdade e da diferença. In: SANTOS, 
B.S. A gramática do tempo. São Paulo: Cortez, 2006. p. 279-316. [ Links ] 
A EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES 
Por: Patrícia Bianchini 
11 
 
 
A política de inclusão, na rede regular de ensino, dos alunos que apresentam 
necessidades educacionais especiais, não consiste somente na permanência física desses 
alunos na escola; mas no propósito de rever concepções e paradigmas, respeitando e 
valorizando a diversidade desses alunos, exigindo assim, que a escola crie espaços 
inclusivos. Dessa forma, a inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta 
à escola, mas a escola consciente de sua função que se coloca a disposição do aluno. 
As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades de 
seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando 
uma educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, modificações 
organizacionais, estratégias de ensino, recursos e parcerias com a comunidade. Ainclusão, na perspectiva de um ensino de qualidade para todos, exige da escola novos 
posicionamentos que implicam num esforço de atualização e reestruturação das condições 
atuais, para que o ensino se modernize e para que os professores se aperfeiçoem, 
adequando as ações pedagógicas à diversidade dos aprendizes. 
Deste modo, pode-se dizer que a escola inclusiva é aquela que acomoda todos os 
seus alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, 
emocionais ou lingüísticas. Seu principal desafio é desenvolver uma pedagogia centrada 
no aluno, e que seja capaz de educar e incluir além dos alunos que apresentem 
necessidades educacionais especiais, aqueles que apresentam dificuldades temporárias ou 
permanentes na escola, os que estejam repetindo anos escolares, os que sejam forçados a 
trabalhar, os que vivem nas ruas, os que vivem em extrema pobreza, os que são vítimas 
de abusos e até mesmo os que apresentam altas habilidades como a superdotação, uma 
vez que a inclusão não se aplica apenas aos alunos que apresentam alguma deficiência. 
Para incluir a escola precisa, primeiramente, acreditar no princípio de que todas 
as crianças podem aprender e que todas devem ter acesso igualitário a um currículo 
básico, diversificado e uma educação de qualidade. As adaptações curriculares 
constituem as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de 
aprendizagem dos alunos e têm como objetivo subsidiar a ação dos professores. 
Constituem num conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos, 
critérios, procedimentos de avaliações, atividades e metodologias para atender as 
diferenças individuais dos alunos. 
Assim sendo, é preciso desenvolver uma rede de apoio (constituída por alunos, 
pais, professores, diretores, psicólogos, terapeutas, pedagogos e supervisores) para 
discutir e resolver problemas, trocar idéias, métodos, técnicas e atividades, com a 
12 
 
 
finalidade de ajudar não somente aos alunos, mas aos professores para que possam ser 
bem sucedidos em seus papéis. 
A realização das ações pedagógicas inclusivas requer uma percepção do sistema 
escolar como um todo unificado, em vez de estruturas paralelas, separadas como uma 
para alunos regulares e outra para alunos com deficiência ou necessidades especiais. 
Os educadores devem estar dispostos a romper com paradigmas e manterem-se 
em constantes mudanças educacionais progressivas criando escolas inclusivas e de 
qualidades. 
Essas estratégias para a ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo são 
necessárias para que a escola responda não somente aos alunos que nela buscam saberes, 
mas aos desafios que são atribuídos no cumprimento da função formativa e de inclusão, 
num processo democrático, reconhecendo e valorizando a diversidade, como um 
elemento enriquecedor do processo de ensino e aprendizagem. Portanto, incluir e garantir 
uma educação de qualidade para todos os alunos é uma questão de justiça e equidade 
social. A inclusão implica na reformulação de políticas educacionais e de implementação 
de projetos educacionais inclusivo, sendo o maior desafio estender a inclusão a um maior 
número de escolas, facilitando incluir todos os indivíduos em uma sociedade na qual a 
diversidade está se tornando mais norma do que exceção. 
Por isso é preciso refletir sobre a formação dos educadores, uma vez que ela não 
é para preparar alguém para a diversidade, mas para a inclusão; porque a inclusão não 
traz respostas prontas, não é uma “multi” habilitação para atender a todas as dificuldades 
possíveis na sala de aula, mas uma formação na qual o educador olhará seu aluno de um 
outro modo, tendo assim acesso as peculiaridades dele, entendendo e buscando o apoio 
necessário. 
Por fim, cabe refletirmos sobre que é ser igual ou diferente? Pois, se olharmos em 
nossa volta, perceberemos que não existe ninguém igual, na natureza, no pensamento, nos 
comportamentos e/ou ações; e que as diferenças não são sinônimos de incapacidade ou 
doença, mas de equidade humana. 
* Patrícia Ferreira Bianchini Borges é professora da Rede Municipal de Ensino de 
Uberaba, licenciada em Letras pela Uniube – MG, e pós-graduanda em Estudos 
Lingüísticos: “Fundamentos para o Ensino e Pesquisa” pela UFU – MG. 
Disponível em: http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/a-educacao-
para-diversidade-formacao-professores.htm. Acesso em 10/10/216. 
13 
 
 
Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=elqdmXCGVAw>. Acesso 
em: setembro de 2016. 
CRÔNICAS PEDAGÓGICAS 
terça-feira, 11 de outubro de 2016 
Currículo, Didática e Multiculturalismo 
O programa Salto para o futuro, da TV 
Escola, um canal do Ministério da Educação, 
abriu para a discussão o tema currículo e 
conhecimento. Tema extremamente relevante e 
atual para os educadores, profissionais em fase de 
formação e outros agentes que tenham este e a 
educação no Brasil, como seus objetos de estudo. 
Além dos apresentadores, para compor o debate foram convidados, Antônio 
Flávio Barbosa Moreira (Coordenador do Mestrado em Educação da Universidade 
Católica de Petrópolis - RJ, vice-presidente da Associação Nacional de Pós-graduação e 
Pesquisa em Educação e consultor da séria discutida e apresentada no programa), Vera 
Candau (Professora da PUC - RJ e Coordenadora do Grupo de Pesquisas sobre Cotidiano, 
Educação e Cultura da PUC - Rio), Luiz Antonio Cunha (Sociólogo e Professor da 
Universidade Federal do Rio de Janeiro). 
Logo no inicio do programa, foi apresentada uma matéria do quadro Mosaico que 
mostrou a opinião de seis pesquisadores na área educacional sobre os desafios que se 
encontra na hora de compor o currículo, sendo citados os seguintes pontos, parafraseados 
logo abaixo: 
Segundo Alfredo Veiga Neto, professor da UFRGS, o desafio estaria em dois 
eixos principais, um composto pelas rápidas mudanças que há na contemporaneidade e o 
segundo seria levar em consideração a heterogeneidade que há no Brasil. 
Para Maura Corsini, professora da UniSinos, o primeiro desafio seria a 
multiplicidade que existe na escola, as diferenças e diversidades, o segundo seria trabalhar 
as disciplinas com o cotidiano da escola. 
Elba Sá, professora da USP, apontou que o principal desafio está relacionado com 
a melhoria da qualidade do ensino, uma qualidade que não seja medida apenas pela 
eficiência e eficácia através de testes, mas que leve em conta a possibilidade de 
desenvolvimento do indivíduo e de uma participação ativa e plena na sociedade. 
http://cronicaspedagogicas.blogspot.com.br/2016/10/curriculo-didatica-e-multiculturalismo.html
https://4.bp.blogspot.com/-REuuQzDDpbU/V_0ojuMK9bI/AAAAAAAAJGQ/wTzzlLkMt7QixQbbYOHNxZtsJq0wx46vwCLcB/s1600/hqdefault.jpg
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Alda Junqueira, professora da PUC - SP, diz que, em primeiro lugar, precisa-se 
entender o que é currículo, em segundo que esse seja estudado nas escolas e em cursos de 
formação de professores, por fim que haja produção de material sobre o currículo para 
uso de professores e alunos em cursos de formação de professores. 
Nereide Saviani, professora da UniSantos, aponta que igualdade de condições na 
negociação curricular para os professores é o principal desafio. 
Jane Felipe, professora da UFRGS, diz que está em incluir uma formação de 
professores adequada, competente. 
Ao iniciarem o debate, o professor Antonio Flávio deu sua opinião sobre a não 
compartimentalização do conhecimento, visto que é um desafio para a organização do 
currículo. 
Parafraseando suas palavras: 
A não compartimentalização é um desafio porque o professor tende a executar o 
seu trabalho de forma solitária, quando os problemas na sociedade não são desenvolvidos 
da mesma forma. Portanto, seria interessante desenvolver um trabalho disciplinar e 
interdisciplinar isso exigiria da escola um esforço para gerar uma integração entre 
disciplinaridade e interdisciplinaridade, e trazer o diálogo entreos professores para 
romper esta não compartimentalização, ou seja, no currículo precisaria existir o momento 
de se trabalhar a disciplinaridade e momentos para trabalhar a interdisciplinaridade, 
rompendo a compartimentalização. A pluralidade também foi tema. Vera Candau 
argumenta que a cultura escolar foi constituída com base no que é comum, no uniforme, 
e hoje em dia, estudos mostram que são muitas as pluralidades existentes na escola. Diz 
também que infelizmente a escola não demonstra estar preparada e é um tema não muito 
presente na formação dos educadores. Então, segundo suas palavras, a escola precisa 
aprender a lidar com o comum e o plural, com a igualdade e a diferença. 
O Sociólogo e também professor universitário Luiz Antonio Cunha opinou sobre 
a articulação de tempo e espaço, que é um desafio, pois o espaço da escola em muitas 
áreas no Brasil é improvisado. Abordou que a escola é uma projeção de outros lugares. 
Historicamente a escola se desenvolveu a partir do que era possível, e as horas investidas 
na educação percebe-se que não são suficientes. 
Houve uma indagação feita quanto à diversidade cultural local, em breves 
palavras, Moreira afirma que considerar a diversidade local é muito importante, a criança 
traz a sua vivência cultural para a escola e acaba, por muitas vezes, forçada a deixá-la do 
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lado de fora. Isso precisa ser trabalhado pela escola, esta precisa aproveitar a cultura local 
para desenvolver seus conteúdos. 
O multiculturalismo e os direitos humanos, embora por muitos educadores sejam 
considerados questões muito complexas, foram postos em debate. A Professora Vera 
Candau concordou que se tratam de questões complexas, porque existem diferentes 
abordagens do multiculturalismo. Propôs que precisamos aprofundar o conceito do tema 
multiculturalismo. Segundo Caudau, a grande questão entre os direitos humanos e o 
multiculturalismo está em articular a igualdade e a diferença, o comum e o relativo. 
Moreira acredita que a escola precisa desenvolver uma postura quanto ao 
multiculturalismo e procurar entender que esta complexidade na sala de aula, embora 
dificulte, pode enriquecer o trabalho. 
A relação entre currículo e planejamento também foi tema da entrevista, Moreira 
afirma: 
Bem, o planejamento é uma parte essencial do currículo e da escola, né? As 
atividades que ocorrem na escola são dominantemente planejadas e supervisionadas por 
ela, o currículo não pode ser aleatório, não pode ocorrer de qualquer modo, é preciso que 
as experiências que se realizam no âmbito do currículo, é preciso que os conhecimentos 
que se ensinam, sejam todos eles pensados, sejam todos eles planejados previamente. 
Agora, é claro que aí também é importante acentuar que esse planejamento não pode 
jamais ser rígido, esse planejamento precisa estar aberto para inovações, mudanças que 
vão surgir no decorrer da sua implementação. 
Falando ainda de planejamento foi questionado, até que ponto a flexibilidade do 
currículo é permitida no planejamento do professor? Cito as palavras de Candau: 
Olha! Eu acho que a flexibilidade tem que estar sempre presente, quer dizer, não 
existe... Na possibilidade você tem um planejamento escolar rígido, né? Eu acho que a 
flexibilidade é inerente ao planejamento, porque no dia-a-dia, o professor tem que estar 
continuamente adequando esse planejamento as situações e as realidades que ele vai 
enfrentar, um aspecto que eu gostaria de acrescentar, em relação ao planejamento, é a 
importância também, do planejamento coletivo, eu acho que as escolas que tem avançado 
mais no seu Projeto Político-Pedagógico, são escolas que têm espaços coletivos de 
planejamento, muitas vezes dos professores de uma mesma área curricular, ou, de uma 
mesma disciplina, e outras vezes de todos os professores de um mesmo ano escolar, eu 
acho que é muito importante a escola garantir esse espaço dentro do horário do professor, 
16 
 
 
dentro da sua carga horária, né? Um espaço de planejamento coletivo. Eu acho que isso 
é fundamental. 
Podemos notar que o currículo atualmente enfrenta questões, no que tange ao 
macro de sua estrutura, ou seja, ainda temos questões que precisam ser refletidas e 
socializadas e que são comuns a todo o território nacional: como entender e atender os 
alunos como indivíduos que carregam suas culturas locais para dentro da escola, 
estruturando um currículo bem planejado, flexível, que leva em consideração a liberdade 
de negociação do professor e que busca a não compartimentalização das disciplinas, mas 
que aplique seus conteúdos de maneira disciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar? 
A E.B Beatriz de Souza Brito, localizada em Florianópolis - SC, foi mencionada 
em uma matéria sobre disciplinaridade e transdisciplinaridade, no programa Salto para o 
futuro, onde alunos exercitam a leitura na aula de Geografia. Isso é um bom exemplo de 
que é possível trabalhar, de modo que as disciplinas e as habilidades exigidas para os 
diversos conteúdos ensinados em sala de aula conversem entre si, agregando ao aluno 
uma vivência diferenciada, e consequentemente associando seu aprendizado ao cotidiano. 
Além de o currículo ser tema de discussão, em cursos de formação de professores, 
outro tema presente e tanto quanto relevante é a Didática e os processos de aprendizado, 
uma vez respaldado no currículo, no planejamento, e diretrizes educacionais, o professor 
terá um papel diferenciado no aprendizado dos seus alunos, podendo ser um grande 
incentivador, entre o conhecimento e os alunos, assim como é de sua responsabilidade 
proporcionar e planejar instrumentos que lhe permitirão acompanhar o rendimento e 
autoavaliação de ambos, dados que poderão ser úteis para o professor, alunos, 
responsáveis, secretária e outros agentes educacionais. 
Mas fazendo apontamentos sobre a Didática em si, e sobre a sua trajetória no 
Brasil desde a ditadura, encontramos muitos agentes envolvidos, Professores que 
enfrentaram muitos desafios e que persistem em sonhar com dias melhores para a nossa 
educação. 
Temos como exemplo o 18º Endipe - Encontro Nacional de Didática e Práticas de 
Ensino, que ocorreu em Cuiabá – MT, em agosto de 2016. Maria Isabel de Almeida, 
professora da USP, nos reporta a longa jornada que está por traz desse evento, 
parafraseando as palavras de ALMEIDA: 
A partir dos anos 70 começou um movimento no Brasil, em resposta à ditadura 
que teve inicio em 1964, então se procurou pensar, ou melhor, repensar sobre a 
democratização, mas também em fazer melhorias nas salas de aula, da didática, das 
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práticas de ensino. Muitos de seus colegas, Professores Universitários das disciplinas de 
Práticas de ensino, de diversas áreas, a partir de 1979, e no começo dos anos 80, se 
reuniram. 
Os professores entrevistados reportaram as dificuldades que precisaram superar 
para dar continuidade aos seus estudos, em nível de pós-graduação. 
Naquele período, os professores não encontravam o apoio, ou a estrutura de hoje 
para conquistarem seus diplomas. Havia uma tensão político-social, sob a qual os 
professores eram investigados, questionados e podiam ser afastados da sala de aula, dos 
setores públicos, se não estivessem a favor da ditadura. 
Os professores sofriam uma limitação didática imposta pelo governo, conforme o 
depoimento de Maria Amélia do Rosário Santoro Franco, professora da UniSantos: 
 
Então 79, pra mim, é isso, então não podemos esquecer, nós estamos no momento 
de ditadura e o tecnicismo adentrando totalmente na questão do ensino. Então, nós 
tínhamos a limitação política do que se falar, o que se pensar, e o como fazer, e esta 
limitação também da técnica pela técnica, então, se eu falei que o Comenius me botou pra 
pensar didática sempre assim... É uma reflexão que requeria um método... Agora não, era 
uma técnica, nem método seria e a reflexão terminada, então em 79 veja, eu dava aula 
nos cursos dePedagogia, e a observação, o que se pretendia, é que eu ensinasse meus 
alunos a fazer instrução programada do ensino, quer dizer, picasse o ensino em pequenas 
frases que pudessem caber numa máquina, que pudessem caber num verbo, tinha que ser 
aquele verbo, o aluno ou só vai definir, ou ele só vai identificar. A vida, a relação, as 
relações de pensamento, a crítica, a reflexão, totalmente banida dos processos de ensino, 
e, portanto, dos processos de aprendizagem. Então em 79, como me vejo? Me vejo, 
extremamente, ainda, angustiada. 
Maria Isabel de Almeida afirma que, ao longo dos 37 anos de história do Endipe, 
esse evento conseguiu estabelecer uma articulação com o campo educativo, através da 
discussão, das múltiplas dimensões do fazer, do ensinar dentro da escola. 
Para a Professora Yashie Ussami Ferrari Leite, UNESP: 
ra gente que trabalha com formação de professores, todas as definições políticas, 
elas têm tentado avançar dois passos e recua cinco passos. As condições salariais, as 
condições de trabalho dos professores estão cada vez mais precarizados, o alunado tem 
demonstrado um resultado muito ruim no sentido do sucesso pedagógico. Pra onde vai à 
educação? Eu acho que nós temos assim, uma frente de lutas de uma complexidade grande 
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de fatores muito diferenciados, mas eu não quero perder a utopia ou a esperança de que a 
escola possa se constituir de uma forma melhor, e que a educação tenha que cumprir uma 
função política, oferecendo a todas as crianças realmente uma educação de qualidade que 
lhe dê condições de cidadania mais digna. 
Vendo que embora tenhamos passado o período de ditadura no Brasil, ainda 
vivemos resquícios, a democracia não parece estar funcionando como deveria, os recursos 
não são destinados corretamente aos seus fins, a educação está em processo de 
amadurecimento e sofrendo com os rumos que impõem a ela. 
Mas sem perder o fio da meada e retomando o assunto, Didática, o que significa 
essa palavra então... 
Didática, segundo Marilda Aparecida Behrens, PUC-PR: 
A didática na realidade é o eixo norteador da formação docente, ela tem o papel 
de articular a concepção e a discussão das abordagens, da ação pedagógica do professor 
e bem como instrumentalizar o professor pra uma organização do trabalho docente, 
qualificado, significativo, que leve esse aluno a aprender. 
De acordo com Professora Suzana dos Santos Gomes, UFMG, Didática e prática 
de ensino são espaços propícios para estudo, pesquisas, troca de experiências sobre os 
processos educacionais em todos os níveis de ensino. 
Observando as citações acima, podemos notar que a Didática é de extremo 
significado para que o professor cumpra com o seu papel. O professor que é didático 
consegue ensinar um conteúdo que aparentemente seja complexo, de maneira clara e 
facilitadora. 
Quando pensamos no currículo, podemos ver que muitos são os agentes 
envolvidos para torná-lo possível, no entanto para que seja eficaz, a Didática precisa ser 
considerada. 
Durante os vídeos, observei os esforços para trabalhar com flexibilidade, não 
compartimentalização, disciplinaridade, interdisciplinaridade, transdisciplinaridade, 
aproveitar a cultura local para desenvolver o conteúdo de modo significativo, 
multiculturalismo, etc.. São termos didáticos ou que visam facilitar a mesma. Ou seja, a 
Didática, juntamente com a prática de ensino, irá nortear o trabalho do professor e 
influenciar diretamente a composição e a implementação do currículo. 
 
Disponível em : http://cronicaspedagogicas.blogspot.com.br/. Acesso em 30/11/2016 
19 
 
 
REFERÊNCIAS 
ENDIPE 2016. 28'00". Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=6IWS15WpYQQ>. Acesso em: setembro de 2016. 
SALTO PARA O FUTURO - CURRÍCULO ESCOLAR. 48'56". 
 
 
CURRÍCULO E DIDÁTICA: A DIVERSIDADE NA SALA DE AULA 
 
 
 
No decorrer das últimas décadas, as discussões em torno da educação brasileira ganharam 
notoriedade, e a formação de professores vem se especializando cada vez mais, 
levantando muitos temas e áreas que buscam aperfeiçoamento entre teoria e prática – 
práxis. Na atualidade, se discute a integração das novas tecnologias e a formação dos 
professores para a diversidade cultural da escola e sala de aula, abrangendo e respeitando 
as particularidades de cada região, mas, sem deixar de relacionar os conteúdos com a vida 
dos estudantes. Temas como estes ganham espaço nos documentos curriculares nacionais 
e o Programa Salto para o Futuro, da TV Escola, discutiu sobre o “Currículo Escolar: 
conhecimento e cultura”, em 2013, para debater essas questões. 
Segundo os professores presentes no programa, Antônio Flávio Barbosa Moreira, 
Luiz Antônio Cunha e Vera Candau, é preciso adaptar o currículo para acompanhar as 
transformações da sociedade, contextualizar o ambiente escolar, de acordo com essas 
https://2.bp.blogspot.com/-ngXRUps8b98/V_QT-hCl3GI/AAAAAAAAJE8/iW47ozj2emIBISzWSN71E8wirKth16-KQCLcB/s1600/diversidade-cultural-2.jpg
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mudanças e valorizar as diferenças que existem em cada unidade. Infelizmente, porém, 
são muitos os professores que não se sentem preparados para lidar com a diversidade, 
mostrando que essa discussão é de fundamental importância nos cursos de formação 
docente. 
O paradigma de um Currículo, com grande quantidade de assuntos que necessita 
abordar, cria certa inflexibilidade para o professor desenvolver temas em conjunto de 
outras áreas, especialmente o professor especialista. Ele isola o conhecimento e distancia 
o aluno com a não integração e contextualização dos conteúdos. Apesar do surgimento 
de ideais, como a interdisciplinaridade ou o multiculturalismo, acabam se tornando metas 
muito distantes com a falta de planejamento, em conjunto dos professores de uma mesma 
escola e discordância socioculturais. Além disso, as escolas apresentam dificuldade em 
acompanhar os avanços e estudos da Educação, onde surge certa resistência de alguns 
profissionais à atualização do currículo, das diversas práticas de ensino e no domínio das 
inovações tecnológicas. 
Somando-se à discussão a Didática - outra área fundamental para a prática de 
ensino e que anda de mãos dadas com o Currículo - a abertura do XVIII Congresso da 
ENDIPE (Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino), em Cuiabá de 2016, 
trouxe diversos didatas que discorreram sobre o caminho que a Didática percorreu desde 
o período militar. Em termos gerais, atingimos a democratização do Ensino. Esta, uma 
conquista, um momento de ruptura com as práticas de ensinar e aprender sem promoção 
de reflexão do educando para uma outra que visa a alunos com maior autonomia e 
criticidade. A professora da UNISINOS, Maria Isabel da Cunha, afirmou que não 
existiam muitos programas de pós-graduação e doutorado no Brasil, pois não tinham 
valor ou eram de pouco interesse do Governo. A professora Maria Amélia Santoro 
Franco, da UniSantos, em seu depoimento, afirma que ainda há fatores desmotivantes 
para os professores, sendo um deles a desvalorização do salário dos profissionais da 
educação. 
Contudo, encerrando uma fase de tecnicismo, amplia-se os horizontes da prática 
docente, surgindo cursos para formação continuada e seguindo ideais de que não há uma 
única receita para o ensino e aprendizagem, mas uma busca constante de aperfeiçoamento 
na arte de ensinar. A Didática articula os conteúdos, respeitando o processo de 
aprendizagem de cada estudante, admitindo que todos são diferentes e, portanto, 
aprendem de formas diferentes. Para tal, há inúmeros recursos que podem ser utilizados 
na prática do professor para atender essa diversidade de sala de aula, sem perder de vista 
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o objetivo maior: levar o aluno a adquirir um determinado conhecimento através da 
reflexão e construção desse saber. O Curriculo é imprescindível para que haja esse 
diálogo.22 
 
 
 
Referências 
Disponível em : http://cronicaspedagogicas.blogspot.com.br/. Acesso em 30/11/2016 
Postado por CRÔNICAS PEDAGÓGICAS às 17:42

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