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Doenças congênitas 1) Compreender a fisiopatologia, transmissão, manifestações clínicas e diagnóstico das doenças congênitas para a mãe. (STORCHS) 2) Entender as manifestações clínicas, rastreamento e as notificações das doenças congênitas para a criança. (triagem neonatal, notificações e investigação das infecções congênitas. 3) Analisar as medidas preventivas durante a gestação de drogas lícitas e ilícitas. DOENÇAS CONGENITAS A exposição de gestantes a determinadas doenças infecciosas pode culminar em disseminação transplacentária do patógeno e consequente infecção do produto conceptual, caracterizando infecção vertical. Infecções congênitas correspondem a importante causa de perdas gestacionais e de morbimortalidade pós-natal. As infecções congênitas podem ocorrer durante a gestação (pré-natais) ou durante o parto (paranatais). Do ponto de vista epidemiológico, as infecções congênitas são chamadas de transmissão vertical (materno-fetal), em oposição às infecções da vida extrauterina, denominadas de transmissão horizonta INFECÇÕES PRÉ-NATAIS: As relações entre o feto e a mãe são necessariamente feitas pelas membranas placentária e amniótica. Assim, as vias de penetração dos germes são divididas em dois grupos: via transplacentária e via transamniótica. Infecção transplacentária. Os microrganismos procedentes do sangue materno cruzam a placenta, alcançam a circulação fetal e disseminam-se Infecção transamniótica. Os germes da vagina e do colo acometem a cavidade amniótica e o feto. A via transamniótica é ascendente, geralmente após a ruptura das membranas INFECÇÕES PARINATAIS: É adquirida por contato direto com as secreções maternas, no momento da passagem do feto pelo canal do parto. O mesmo ocorre com infecção pelo herpes simples genital, hepatite B, estreptococo do grupo B (GBS), que condicionam infecção neonatal. Toxoplasmose Ciclo de vida do Toxoplasma gondii O T. gondii é um protozoário intracelular obrigatório, distribuído em quase todas as partes do mundo, e capaz de infectar diversas células do hospedeiro. O Toxoplasma apresenta-se de diversas maneiras, a depender do hospedeiro: oocisto, taquizoíto e cisto. Os hospedeiros intermediários são principalmente o porco, a ovelha e o ser humano; os hospedeiros definitivos são membros da família Felidae, e o exemplo típico é o gato doméstico. As três principais formas de transmissão da toxoplasmose são a ingesta de carne crua ou malcozida, a exposição a fezes de gatos contaminadas com oocistos e a transmissão vertical na gravidez. Transmissão congênita A infecção primária adquirida antes da gravidez não afeta o concepto, exceto em mulher imunodeprimida. No entanto, é aconselhável que, após infecção por toxoplasmose, a mulher espere 6 meses para engravidar A infecção primária ocorrida na gestação pode ser transmitida ao feto pela via transplacentária. A invasão da placenta pelos taquizoítos e a multiplicação dos parasitas nesse local é um cenário provável. A toxoplasmose congênita pode determinar abortamento e malformação fetal, com graves repercussões no recém-nascido, podendo levar ao óbito. Na maioria das vezes a toxoplasmose apresenta-se como uma infecção assintomática; sintomas ocorrem em apenas 10 a 20% dos adultos infectados, quase sempre uma linfadenopatia cervical. Outros sintomas incluem febre, mal-estar e hepatoesplenomegalia. Enquanto o risco de transmissão para o feto aumenta com o evoluir da gravidez – 10 a 15% no 1o trimestre, 25% no 2o e > 60% no 3o –, a sua gravidade diminui. Globalmente, a transmissão congênita ocorre em 20 a 50% das grávidas infectadas e não tratadas. Cerca de 10% das infecções resultam em abortamento. A tríade clássica, composta por coriorretinite, hidrocefalia e calcificações intracerebrais (síndrome toxoplasmósica), está presente em apenas 10% dos casos Outros recém-nascidos exibem variedade de sintomas da infecção aguda – convulsões, esplenomegalia, febre, anemia, icterícia e linfadenopatia. Dentre os recém-nascidos infectados sintomáticos, cerca de 10 a 15% morrem da doença; os sobreviventes sofrem de progressivo retardo mental ou de outras deficiências neurológicas. No entanto, se a transmissão ocorrer mais tarde na gravidez, especialmente após 20 semanas, ela é muito menos grave. A maioria das crianças infectadas (70 a 85%) não apresenta sintomas ao nascimento – infecção subclínica ou assintomática – e será diagnosticada apenas por exames laboratoriais (sorologia IgM). Embora possam parecer saudáveis ao nascimento, 90% das crianças infectadas desenvolvem sequelas – coriorretinite, comprometimento visual ou auditivo, grave retardo no neurodesenvolvimento. Diagnóstico da infecção materna A sorologia IgG e IgM para toxoplasmose é obrigatória na primeira consulta pré-natal. A soroconversão para IgG e IgM preenche os requisitos para o diagnóstico. Mulheres soronegativas serão examinadas mensalmente, e não trimestralmente. O principal problema é que, na primeira consulta pré- natal, 5% das grávidas exibem IgM positivo e, dessas, a minoria (< 5%) apresentará recém-nascido com infecção congênita. Baixos níveis de IgM podem permanecer por diversos anos. Exames pareados, com intervalo de 2 a 3 semanas, com aumento do título de IgG de pelo menos 4 vezes, indicam infecção aguda. Assim, passa a ser fundamental identificar quais dessas mulheres com IgM positivo foram infectadas antes ou durante a gravidez. O teste de avidez IgG é muito útil para esse propósito, e separa a infecção antiga da recente. A alta avidez (> 60%) no 1o trimestre sugere infecção há > 3 a 4 meses; portanto, antes da gravidez. Já a baixa avidez (< 30%) indica infecção recente (< 3 meses); e o resultado intermediário (30 a 60%) é inconclusivo. O valor preditivo positivo do teste de avidez é muito superior ao valor preditivo negativo, ou seja, a baixa avidez não assegura a infecção fetal e a alta avidez praticamente a afasta. Por fim, se houver titulação IgG positiva e IgM negativa, a infecção é considerada antiga e o feto, protegido. Toxoplasmose em neonatos Sintomas/manifestações clinicas A maioria das pessoas infectadas pela primeira vez não apresenta sintomas e, por isso, não precisam de tratamentos específicos. A doença em outros estágios, no entanto, pode trazer complicações, como sequelas pela infecção congênita (gestantes para os filhos), toxoplasmose ocular e toxoplasmose cerebral em pessoas que têm o sistema imunológico enfraquecido, como transplantados, pacientes infectados com o HIV ou em tratamento oncológico. Os sintomas da toxoplasmose são variáveis e associados ao estágio da infecção, (agudo ou crônico). Os sintomas normalmente são leves, similares à gripe, dengue e podem incluir dores musculares e alterações nos gânglios linfáticos. Pessoas com baixa imunidade: podem apresentar sintomas mais graves, incluindo febre, dor de cabeça, confusão mental, falta de coordenação e convulsões. Gestantes: mulheres infectadas durante a gestação podem ter abortamento ou nascimento de criança com icterícia, macrocefalia, microcefalia e crises convulsivas. Recém-nascidos: dos recém-nascidos infectados (Toxoplasmose Congênita), cerca de 85% dos casos não apresentam sinais clínicos evidentes ao nascimento. No entanto, essas crianças podem indicar alterações como restrição do crescimento intrauterino, prematuridade, anormalidades visuais e neurológicas. Sequelas tardias são mais frequentes na toxoplasmose congênita não tratada. Há casos relatados de surgimento de sequelas da doença, não diagnosticadas previamente, ocorrendo apenas na adolescência ou na idade adulta. Os recém-nascidos que apresentam manifestações clínicas podem ter sinais no período neonatal ou nos primeiros meses de vida. Esses casos costumam ter, com mais frequência, sequelas graves, como acometimento visual em graus variados, retardo mental, anormalidadesmotoras e surdez. As sequelas são ainda mais frequentes e mais graves nos RN que já apresentam sinais ao nascer, com acometimento visual em graus variados, retardo mental, crises convulsivas, anormalidades motoras e surdez. Diagnóstico da infecção fetal O diagnóstico da infecção fetal é feito atualmente pela PCR- LA. O teste só deve ser oferecido após 18 semanas da gestação e decorridas 4 semanas da infecção materna (soroconversão), para reduzir a taxa de resultados falso- negativos. Eventualmente, o diagnóstico pode ser feito por ultrassonografia, que mostra calcificações intracerebrais, ventriculomegalia, microcefalia, hepatoesplenomegalia e CIR acentuado. Diagnóstico da infecção no recém-nascido É feito por meio da dosagem do IgM que não atravessa a placenta. Sífilis A sífilis é doença venérea sistêmica causada pelo Treponema pallidum. A classificação mais recente é em: sífilis inicial (primária, secundária e latente até 1 ano) e tardia (latente após 1 ano e terciária). A sífilis primária é caracterizada pelo cancro duro indolor na genitália (lábios) e linfadenopatia, geralmente 3 semanas após o contato. O estágio secundário ocorre de 6 semanas a 6 meses após a lesão primária. A espiroquetemia determina exantema maculopapular envolvendo todo o corpo, especialmente mãos e pés. Sintomas não específicos como febre, perda de peso e mal-estar ocorrem em 50% dos pacientes. A fase secundária é seguida pela latente, caracterizada pela falta de lesões clínicas aparentes e teste sorológico positivo. A doença pode ser comunicável nos 4 anos iniciais da fase latente e geralmente não é transmissível após esse prazo, com exceção da infecção fetal transplacentária. A fase terciária ou tardia é o estágio de destruição tecidual que aparece 10 a 25 anos após a fase inicial em quase 35% dos pacientes não tratados. As lesões granulomatosas (gomas) podem ocorrer em qualquer órgão, sendo muito mais dependentes da resposta local imune que da ação direta do organismo. As manifestações mais graves da sífilis terciária incluem aquelas que afetam o sistema cardiovascular (aorta) ou o SNC (tabes dorsalis, demência), e a morte. Estudos longitudinais em pacientes não tratados indicam que praticamente 1/3 dos indivíduos infectados permanece em estágio latente por toda a vida; 1/3 sofre cura espontânea e o 1/3 restante desenvolve manifestações tardias. Sorologia Existem dois tipos de testes: •Testes não específicos, como o VDRL (venereal disease research laboratory) •Testes específicos (treponêmicos), como o FTA-Abs (fluorescent treponemal antibody absorption) e o teste rápido. O rastreamento é feito com o VDRL, mas a ocorrência de falso-positivos demanda a confirmação por FTA-Abs. Em geral, o VDRL torna-se positivo 1 a 3 semanas após o aparecimento do cancro duro. O VDRL quantitativo também é o teste de escolha de acompanhamento para os casos após o tratamento, uma vez que o FTA-Abs permanece positivo após a infecção sifilítica inicial. Diagnóstico laboratorial Para o diagnóstico laboratorial deve ser considerada a fase evolutiva da infecção. Podem ser utilizados os seguintes exames: - Microscopia direta – pesquisa do T. pallidum em material coletado por esfregaço de lesão cutâneo-mucosa. - Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) – amplicação e detecção de DNA do T. pallidum no sangue, líquor ou em tecidos. - Teste não treponêmico (VDRL)– indicada para o diagnóstico e seguimento terapêutico, devido à propriedade de ser passível de titulação. Suas principais desvantagens referem-se aos resultados falso-positivos e falso-negativos. Os resultados falso-positivos podem decorrer de reações cruzadas com outras infecções treponêmicas ou outras doenças (lúpus, artrite reumatoide, hanseníase, entre outras). Os resultados falso-negativos podem ocorrer devido a baixa sensibilidade do kit utilizado ou pelo excesso de anticorpos, fenômeno conhecido como efeito prozona. Por esta razão, os laboratórios fazem a triagem das amostras utilizando o soro puro e também o soro diluído. O título indica a última diluição que apresentou reatividade. Teste treponêmico (FTA-abs, TPHA, ELISA, MHTP – Micro-hemoaglutinação indireta, Teste Rápido – teste imunocromatográfico ou de dupla migração, EQL – Eletroquimioluminescente) – são testes qualitativos para detecção de anticorpos antitreponêmicos específicos, úteis para confirmação do diagnóstico No indivíduo infectado pelo T. pallidum, os testes treponêmicos permanecem reagentes indefinidamente, mesmo nos indivíduos tratados. Os não treponêmicos tendem à negativação após o tratamento e por isso são utilizados no seguimento. No entanto, alguns indivíduos podem apresentar testes não treponêmicos persistentemente reagentes, em baixas titulações, após o tratamento (cicatriz sorológica). Essa baixa titulação também se verifica nos indivíduos com sífilis latente, por isso, na ausência de registro de tratamento, indivíduos com títulos baixos em testes não treponêmicos devem ser tratados. Sífilis congênita: Manifestações clínicas A sífilis congênita pode se manifestar logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas estão presentes já nos primeiros meses de vida. Ao nascer, a criança pode ter pneumonia, feridas no corpo, cegueira, dentes deformados, problemas ósseos, surdez ou deficiência mental. Em alguns casos, a sífilis pode ser fatal. O diagnóstico se dá por meio do exame de sangue e deve ser pedido no primeiro trimestre da gravidez. O recomendado é refazer o teste no 3º trimestre da gestação e repeti-lo logo antes do parto, já na maternidade. Quem não fez pré-natal, deve realizar o teste antes do parto. O maior problema da sífilis é que, na maioria das vezes, as mulheres não sentem nada e só vão descobrir a doença após o exame. A sorologia VDRL na primeira consulta pré-natal é a medida mais importante para identificar os fetos de risco para a sífilis congênita. O CDC (2015) recomenda, ainda, a repetição do teste no 3o trimestre (28 semanas). A infecção transplacentária pode ocorrer durante quaisquer estágios da doença e idade da gravidez; o comprometimento fetal depende particularmente da treponemia materna. Assim, a taxa de transmissão em mulheres não tratadas será de 70 a 100% nas fases primária, secundária e latente inicial; e de 30% nas fases latente tardia e terciária. A sífilis congênita em mulheres não tratadas é responsável por (OMS, 2013): •Perda fetal/natimorto (25,6%) •Neomorto (12,3%) •Parto pré-termo/baixo peso (12,1%) •Infante com sífilis congênita (15,5%) •Prognóstico adverso global (66,5%). Os achados ultrassonográficos são vistos em 31% das grávidas infectadas no exame pré-tratamento. Os achados de infecção fetal nesse exame representam uma resposta inflamatória robusta do feto ao treponema e se mostram presentes apenas após 20 semanas da gravidez. A seguir, aparecem listados em ordem decrescente de frequência: •Hepatomegalia (80%) •Aumento da velocidade sistólica máxima na artéria cerebral média, sinal de anemia fetal (33%) •Placentomegalia (27%) •Polidrâmnio (12%) •Ascite (10%) e hidropisia. Os cerca de 50% dos recém-nascidos infectados apresentam sífilis congênita precoce quando os sintomas aparecem nos primeiros 2 anos de vida, ou sífilis congênita tardia quando os sintomas desenvolvem-se após os 2 anos de idade. A hepatoesplenomegalia e o exantema são as manifestações iniciais mais comuns da sífilis congênita precoce, que tende a manifestar-se ao nascimento ou dentro de 3 a 7 semanas do parto. As manifestações tardias resultam principalmente da infecção crônica dos ossos (nariz em sela, fronte olímpica), dos dentes e do SNC Vacinação Não há, até o momento, nenhuma vacina disponível para evitar a infecção pelo CMV. O Institute of Medicine (IOM) dos EUA estabeleceucomo prioridade máxima o desenvolvimento de uma vacina contra o CMV. Aconselhamento materno Após a revisão da literatura sobre o prognóstico perinatal de mulheres grávidas com infecção primária pelo CMV no 1o trimestre, podem ser estabelecidos riscos atualizados para o aconselhamento materno. Assim, o risco em três estágios é determinado pela infecção materna no 1o trimestre, amniocentese (PCR-CMV) após 20 semanas e ultrassonografia no 2o/3o trimestre (Figura 39.27). Citomegalovírus O CMV é um herpes-vírus. Esse grupo inclui os herpes- vírus simples (HSV) dos tipos 1 e 2, o vírus varicela- zóster (VZV) e o vírus Epstein-Barr (EBV). No caso específico do homem, provoca a doença de inclusão citomegálica. Assim como outros vírus pertencentes à família Herpesviridae, o CMV compartilha propriedades de latência e reativação. Para a maioria das pessoas que adquirem a infecção pelo CMV após o nascimento, a sintomatologia é pobre, síndrome mononucleose-símile, com febre prolongada e hepatite leve, com testes para mononucleose e hepatite negativos. Infecção congênita Para a grávida, as duas vias mais comuns de exposição ao CMV são o contato sexual (sêmen) e o contato com a saliva e a urina de crianças pequenas infectadas. A infecção congênita pelo CMV é responsável por sequelas definitivas e morte na infância em maior número de casos que a síndrome de Down, síndrome alcoólica fetal e defeitos do tubo neural. O CMV é causa importante de surdez neurossensorial e de retardo mental. https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527732802/epub/OEBPS/Text/chapter39.html#fig39-27 Das mulheres soronegativas, 1 a 4% apresentam infecção primária pelo CMV e a taxa de transmissão fetal é de 30 a 40%. Aproximadamente 50 a 80% das mulheres em idade fértil (até 40 anos) são soropositivas e passíveis de infecção recorrente ou secundária, que ocorre em 14% das gestações; neste grupo, a taxa de transmissão fetal é de apenas 1 a 2% e é pequeno o risco de sequela definitiva no bebê infectado. A infecção primária por CMV no 1o trimestre da gravidez é responsável por 10 a 20% de recém-nascidos infectados sintomáticos e, desses, 30% morrem; dos que sobrevivem, 65 a 80% apresentam sequelas definitivas (perda da audição e comprometimento neurológico. Dos 80 a 90% assintomáticos, 5 a 15% desenvolvem sequelas (perda auditiva neurossensorial). A infecção pelo CMV no 2o e no 3o trimestre da gravidez traz riscos mínimos de sequelas nos fetos infectados. Estatística francesa recente mostrou que, nos casos em que a infecção materna primária ocorreu após 14 semanas da gestação, não foi observada infecção congênita grave. Diagnóstico da infecção no recém-nascido Os achados clínicos da infecção congênita sintomática pelo CMV inclui icterícia, petéquias, trombocitopenia, hepatoesplenomegalia, CIR, miocardite e hidropisia fetal não imune (HFNI) A infecção congênita pelo CMV pode ser diagnosticada se o recém-nascido apresentar o vírus na urina, na saliva ou em qualquer outro tecido até 2 a 3 semanas após o nascimento. Se os testes virológicos forem realizados depois desse período, não há como diferenciar a infecção congênita da adquirida após o parto. Como metade das grávidas apresenta anticorpos IgG específicos para o CMV, e eles atravessam a placenta, esse achado no recém-nascido reflete apenas imunidade passiva. O IgM positivo parece ser conclusivo. Em geral, bebês com infecção por CMV adquirida após o parto não apresentam problemas, a não ser quando extremamente pré-termo ou de muito baixo peso. Diagnóstico da infecção materna Muito embora adultos com a infecção primária pelo CMV tendam a ser assintomáticos (80%), indivíduos podem apresentar uma síndrome mononucleose-símile, com febre, calafrios, mialgias, cefaleia, leucocitose, linfocitose, função hepática anormal e linfadenopatia (ACOG, 2015). Figura 39.23 Infecção congênita por citomegalovírus (CMV). Não está recomendado o rastreamento universal do CMV no pré-natal. O diagnóstico laboratorial na gravidez está indicado somente quando a gestante apresentar sintomatologia semelhante à da mononucleose, ou sinais ultrassonográficos sugestivos de infecção fetal por CMV. O diagnóstico da infecção materna primária pelo CMV é feito pela soroconversão IgG ou pela elevação dos títulos de no mínimo 4 vezes. O IgM específico costuma ser positivo. Na infecção materna primária recente (< 3 meses), o teste de avidez IgG apresenta resultado < 30%. Na infecção recorrente há elevação dos títulos de IgG, o IgM é positivo em 10% dos casos e há alta avidez IgG (> 60% – infecção > 6 meses) Figura 39.24 Diagnóstico da infecção congênita por citomegalovírus Diagnóstico: Os achados ultrassonográficos são importantes, mas não diagnósticos, pois são comuns a outras doenças fetais. Além disso, as alterações ultrassonográficas somente são observadas em menos de 25% dos fetos infectados. As mais frequentes incluem CIR, ventriculomegalia, calcificação periventricular e hepática, microcefalia e intestino hiperecogênico, . Prognóstico da infecção fetal por citomegalovírus (CMV) de acordo com o resultado da ultrassonografia (US) e da ressonância magnética (RM). Alterações à ultrassonografia no caso de infecção congênita por citomegalovírus. •Ventriculomegalia •Intestino hiperecogênico •Calcificação periventricular •Crescimento intrauterino restrito •Calcificação hepática •Placentomegalia Contudo, o teste usual para o diagnóstico da infecção fetal pelo CMV é a PCR-LA. Para conseguir boa sensibilidade, a amniocentese deve ser realizada 7 semanas após o início da infecção materna (soroconversão) e depois de 21 semanas da gravidez. Embora a PCR-LA positiva seja altamente preditiva de infecção pelo CMV, não prevê a sua gravidade. Após o diagnóstico da infecção fetal pela amniocentese, a ultrassonografia está indicada a cada 2 semanas para a detecção de anormalidades, especialmente cerebrais, e também para avaliar o crescimento fetal. Se a PCR der negativo, a ultrassonografia deve ser repetida após 4 a 6 semanas. Herpes simples genital O herpes simples é uma doença infecciosa determinada pelo HSV com dois tipos sorologicamente distintos: tipo 1 (HSV-1) e tipo 2 (HSV-2). O HSV-1 é o responsável pela infecção não genital (lábios, face, córnea, mucosa oral), e o HSV-2 está associado à infecção genital (pênis, uretra, vulva, vagina, cérvice, pele das coxas e das nádegas). Depois do episódio de infecção primária genital, com remissão completa, a doença pode recorrer sem qualquer relação com contágio venéreo ulterior (infecção recorrente). Durante os últimos anos, houve ascensão notável na incidência de infecções do sistema genital por vírus herpético. Herpes-vírus simples materno A infecção genital pelo HSV é mais comum com o HSV-2 (90%), mas a doença genital pelo HSV-1 tem se tornado mais frequente (10 para 20%). Figura 39.27 Risco de prognóstico fetal adverso em cada um dos três estágios do aconselhamento materno. O prognóstico perinatal adverso inclui retardo no neurodesenvolvimento, surdez, interrupção da gravidez e morte neonatal. CMV, citomegalovírus; US, ultrassonografia; RM, ressonância magnética. ▶ Terminologia da infecção materna. Quando um indivíduo sem anticorpo HSV-1 ou HSV-2 adquire qualquer um dos vírus no sistema genital, é estabelecida uma infecção primária primeiro episódio. Se a pessoa com anticorpo HSV- 1 preexistente adquire infecção genital HSV-2 (ou vice- versa), ocorre a infecção não primária primeiro episódio. A reativação do vírus e a sua translocação para a pele e mucosas produzem a infecção recorrente. A diferenciação por sorologia e por PCR/cultura da lesão genital entre esses três tipos clínicos é possível e complexa, mas foge ao escopo deste capítulo. Ainda, a infecção genital HSV pode ser clinicamente aparente (p. ex., lesões genitais) ou inaparente (assintomáticaou subclínica), localizando-se o vírus na cérvice uterina. Cerca de 2/3 das mulheres que adquirem o herpes genital durante a gravidez permanecem assintomáticas. Isso é consistente com o achado de que 60 a 80% das mulheres cujos bebês foram infectados pelo HSV não apresentam qualquer lesão durante o parto, nem referem história de herpes genital. A transmissão para o recém-nascido ocorre com qualquer tipo de infecção materna, mas certamente com taxas individualizadas, mostradas a seguir. Infecção neonatal ▶ Tipos. A infecção por HSV do recém-nascido pode ser adquirida de três maneiras: intrauterina, intraparto (paranatal) ou pós-natal. A época da transmissão na gravidez na maioria dos casos, cerca de 85%, ocorre durante o parto. As manifestações da infecção congênita intrauterina são muito graves e incluem microcefalia, hepatoesplenomegalia, CIR e natimortalidade. ▶ Riscos. Bebês nascidos de mães com infecção primária genital de HSV próxima do termo eliminando o vírus no momento do parto apresentam risco 10 a 30 vezes maior de desenvolverem a doença em comparação com aqueles de mães com infecção recorrente, apesar de também estarem eliminando o vírus no parto. Isso se deve, em parte, à significativa transferência de anticorpos protetores maternos a partir do 7o mês de gravidez. É importante lembrar que a infecção cruzada dos vírus herpes tipo 1 e 2 pode acontecer se houver contato oral- genital. Isto é, pode-se pegar herpes genital na boca ou herpes oral na região genital. O período de incubação do vírus varia de 10 a 15 dias após a relação sexual com o/a portador/a do vírus, que pode ser transmitido mesmo na ausência das lesões cutâneas ou quando elas já estão cicatrizadas. As lesões provocadas pelo vírus apresentam-se como pequenas vesículas que se distribuem em forma de buquê nos genitais masculinos e femininos. Às vezes, elas estão presentes dentro do meato uretral ou, por contiguidade, podem atingir a região anal e perianal, de onde se disseminam se o sistema imunológico estiver debilitado. Na grande maioria das vezes as lesões do herpes genital costumam regredir espontaneamente, mesmo sem tratamento. Tem como sintomas: ardor, prurido (coceira), formigamento e gânglios inflamados, estes sintomas normalmente antecedem as erupções de pele. As manchas vermelhas que aparecem alguns dias mais tarde evoluem para vesículas agrupadas em forma de buquê. Depois, essas pequenas bolhas cheias de líquido se rompem, criam uma crosta e cicatrizam, mas o vírus migra pela raiz nervosa até alojar-se num gânglio neural, onde permanece latente (adormecido) até a recidiva seguinte. A melhor maneira de prevenir o herpes genital é através do uso de preservativo em todas as relações sexuais. Lembrando que apesar de as lesões regredirem espontaneamente nas pessoas com resposta imune satisfatória e as recidivas serem menos graves do que a primeira infecção, elas podem continuar transmitindo o vírus do herpes genital. ▶ Tipos clínicos. O diagnóstico da infecção herpética neonatal pode ser realizado considerando-se o quadro clínico e/ou a cultura positiva, presentes 48 h após o parto. A infecção HSV adquirida intraparto ou pós-natal pode assumir três tipos clínicos •Disseminado: envolvimento de múltiplos órgãos (pulmão, fígado, suprarrenal, pele, olhos, cérebro) (presente em 25% dos casos) •Herpes do SNC (30% dos casos) •Localizado: pele, olhos e boca (45% dos casos). Esta classificação é preditiva de morbidade e de mortalidade: no tipo disseminado, a mortalidade é de 30%, mesmo com o uso do antiviral. Em geral, cerca de 50% de todos os bebês com HSV neonatal têm envolvimento do SNC, e 70% mostram lesões vesiculares características na pele. Rubéola Após o período de incubação de 14 a 21 dias, a rubéola exterioriza-se como doença de pequena gravidade, caracterizada por linfadenopatia pós-auricular (precede em 5 dias o exantema); exantema maculopapular, que se inicia na parte superior do tórax, estendendo-se depois por todo o corpo; e febrícula. As complicações são mais comuns no adulto e incluem artralgia, artrite, encefalite, neurite e púrpura trombocitopênica. A excreção do vírus pela faringe pode ser detectada 7 dias antes do exantema ou até 7 a 12 dias após o seu início (Figura 39.2); assim, o paciente é potencialmente infectante por mais de 2 semanas. Diagrama esquemático do quadro clínico, dos achados virológicos e das respostas imunológicas na infecção por rubéola. Diagnóstico laboratorial na grávida A Secretaria de Vigilância em Saúde notificou que a sorologia para rubéola não é mais um exame de rotina no pré-natal para detectar as pacientes suscetíveis, exceto em grávidas com manifestações clínicas e/ou vínculo epidemiológico (MS, Nota Técnica No 21/2011). Em 20 a 50% dos casos de rubéola, o paciente não apresenta exantema, o que dificulta o diagnóstico; quando feito pelo teste ELISA, o diagnóstico deve ser realizado em duas situações distintas: •Nas grávidas com exantema, os seguintes resultados indicam infecção: ◑Soroconversão (caso a paciente tenha feito teste sorológico) ◑Aumento do título de IgG de, no mínimo, 4 vezes em dois exames espaçados de 2 a 3 semanas (fase aguda exantemática e convalescença) ◑IgM positivo •Nas grávidas que tiveram contato com a rubéola aplicam-se os mesmos critérios, mas o intervalo dos exames pareados será de 4 a 5 semanas. https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527732802/epub/OEBPS/Text/chapter39.html#fig39-2 Síndrome da rubéola congênita Na gravidez, a infecção no 1o trimestre determina a síndrome da rubéola congênita (SRC), caracterizada pela tríade catarata, surdez neurossensorial e malformação cardíaca; até 8 semanas a taxa de abortamento é de 20%. De 12 a 18 semanas, a incidência da SRC é de cerca de 35% e após 18 semanas, ela é de 0% (Figura 39.4). Além da tríade da SRC já referida, outras manifestações são: CIR, púrpura, icterícia, hepatoesplenomegalia, microcefalia e retardo mental, meningoencefalite e doença óssea radioluzente. Manifestações Clinicas Os sintomas principais sintomas da rubéola são: febre baixa, linfoadenopatia retro auricular, occipital e cervical, exantema máculo-papular. Esses sinais e sintomas da rubéola acontecem independente da idade ou situação vacinal da pessoa. O período de incubação médio do vírus, ou seja, tempo em que os primeiros sinais levam para se manifestar desde a infecção, é de 17 dias, variando de 14 a 21 dias, conforme cada caso. Quais são os sintomas da rubéola congênita? A infecção da mãe pode resultar em aborto, morte fetal ou anomalias congênitas como diabetes, catarata, glaucoma e surdez. A surdez é o sintoma mais precoce da Síndrome da Rubéola Congênita Diagnóstico da infecção fetal Realizada por PCR-LA. Para reduzir os resultados falso-negativos, é necessário esperar 6 a 8 semanas após a infecção materna e 21 semanas de gestação, quando a excreção urinária fetal é maior. Vacina A vacinação contra sarampo/caxumba/rubéola/varicela (tetraviral) faz parte do calendário vacinal do Sistema Único de Saúde (SUS) e é indicada, atualmente, para crianças com 1 ano de idade, com um reforço entre os 4 e os 6 anos. Síndrome da rubéola congênita. A vacinação é recomendada para mulheres suscetíveis em idade fértil e no pós-parto, e está proibida na gravidez. Mulheres vacinadas devem aguardar 1 mês para engravidar (CDC, 2010). O abortamento provocado não está indicado em mulheres acidentalmente vacinadas durante a gravidez ou que não esperaram os 30 dias para engravidar. RESUMO: O termo “infecção congênita” refere-se as infecções adquiridas intraútero ou durante o trabalho de parto, devido à uma infecção aguda materna ou reativação/ reinfecção materna. As anomalias congênitas (AC) são alterações que ocorrem durante o desenvolvimento embrionário/fetal e que afetam a estrutura ou a função docorpo, podendo ser detectadas ao nascimento ou não. Muitas causam deficiências e podem comprometer o desenvolvimento integral do indivíduo. As AC podem ser diagnosticadas durante o pré-natal ou no momento do nascimento, como, por exemplo, a anencefalia, que é uma malformação; após o nascimento, como as cardiopatias; ou mais tardiamente na vida, como a doença de Huntington. É importante destacar que nem todas as AC têm causas genéticas. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento de rotina para sífilis, toxoplasmose e HIV desde a primeira consulta pré-natal, enquanto o rastreamento para rubéola é indicado apenas se a gestante apresentar sinais sugestivos da doença. A hepatite B deve ser rastreada na primeira consulta e no terceiro trimestre. O rastreamento de CMV não é recomendado, pois a evidência disponível não embasa o rastreamento de rotina, já que a descoberta da infecção não traria benefícios/prevenção para o feto. Vale ressaltar que, apesar de algumas doenças não serem rastreadas, não é incorreto sua solicitação. Deve-se suspeitar de infecções congênitas em casos de: Restrição de crescimento intrauterino; Hepatoesplenomegalia; Exantema; Cardiopatias; Lesões ósseas; Alterações Sistema Nervoso Central, como: micro/hidrocefalia, calcificações intracranianas; Alterações oculares: cariorretinte, catarata; Alterações hematológicas: anemia, plaquetopenia. Toxoplasmose congênita: O Toxoplasma gondii é um protozoário intracelular obrigatório que afeta cerca de 1/3 da população mundial. Cerca de 40% das gestantes infectadas transmitirão a doença para o feto se não forem tratadas adequadamente. O risco de transmissão e aumenta com o avanço da gravidez (já que a permeabilidade da barreira placentária aumenta com a idade gestacional), enquanto que o grau de comprometimento é maior no início da gravidez. A maioria das crianças (70%) serão assintomáticas ao nascimento, porém têm elevadas frequências de prematuridade, retardo do crescimento intrauterino, anormalidades liquóricas e cicatrizes de coriorretinite. Cerca de 10% terão manifestação grave nos primeiros dias de vida. Podem apresentar doença multissistêmica ou isoladamente, afetando o sistema nervoso e/ou a forma ocular. As sequelas neurológicas mais encontradas são hidrocefalia, microcefalia, retardo psicomotor, convulsões, hipertonia muscular, hiperreflexia tendinosa e paralisias. Quanto às https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527732802/epub/OEBPS/Text/chapter39.html#fig39-4 complicações oftalmológicas, podem-se observar microftalmia, sinéquia de globo ocular, estrabismo, nistagmo e catarata. Sífilis congênita: A sífilis congênita é adquirida por meio da disseminação do Treponema pallidum da mãe para o feto, principalmente por via transplacentária. O Treponema pallidum provoca um processo inflamatório, comprometendo todos os órgãos do recém-nascido, com lesões viscerais, ósseas, pele e mucosas, e sistema nervoso central. Além da prematuridade e do baixo peso ao nascimento, as principais manifestações clínicas são hepatomegalia com ou sem esplenomegalia, lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar, condiloma plano), periostite, osteíte ou osteocondrite, pseudoparalisia dos membros (pseudoparalisia de Parrot), sofrimento respiratório com ou sem pneumonia, rinite serossanguinolenta, icterícia, anemia e linfadenopatia generalizada. Além disso, pode se manifestar tardiamente após o segundo ano de vida (sífilis congênita tardia). Rubéola congênita: Causada pelo vírus RNA do gênero Rubivirus. Pode se apresentar de duas formas: infecção congênita ou síndrome da rubéola congênita (SRC). A infecção engloba os eventos associados à infecção intrauterina pelo vírus, como morte fetal, parto prematuro e defeitos congênitos; enquanto que a SRC refere-se à variedade de defeitos presentes em neonatos filhos de mães que apresentaram infecção pelo vírus da rubéola durante a gestação (deficiência auditiva, catarata, defeitos cardíacos, etc.). As manifestações precoces são: perda auditiva, cardiopatias congênitas, catarata e microcefalia. Já as tardias incluem: perda auditiva, distúrbios endócrinos e panencefalite. Herpes simples vírus: O HSV é vírus DNA membro da família Herpesviridae. Infecta o ser humano através de inoculação oral, genital, mucosa conjuntival ou pele com solução de continuidade. Daí infecta os nervos terminais de onde é transportado, via axônios, até as raízes ganglionares dorsais, onde permanece latente durante toda a vida do hospedeiro. No estado de latência, esses vírus não são suscetíveis às drogas antivirais. Na infecção transmitida por viremia materna predominam sinais de infecção placentária, como infarto, necrose, calcificações e sinais de envolvimento fetal grave como hidropsia. A morte do concepto geralmente ocorre. Os sobreviventes exibem lesões de pele (vesículas, ulcerações ou cicatrizes), lesões oculares e graves anomalias do SNC, como microcefalia e hidranencefalia. ENTENDER A TRIAGEM DE NEONATOS INFECTADOS, (AS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS, RASTREAMENTO E AS NOTIFICAÇÕES DAS DOENÇAS CONGÊNITAS PARA A CRIANÇA) (Manifestações e dianóstico das doenças congênitas está junto com obj 1) Notificações das doenças congênitas: Notificação de Doenças Exantemáticas notificação compulsória imediata em até 24 horas. Caso Suspeito de Sarampo: toda pessoa que apresentar febre, exantema e tosse ou coriza ou conjuntivite, independentemente de idade ou situação vacinal. Caso Suspeito de Rubéola: toda pessoa que apresentar febre, exantema e linfadenopatia, independentemente de idade ou situação vacinal. Caso Suspeito de Síndrome de Rubéola Congênita: todo recém-nascido cuja mãe foi caso suspeito ou confirmado de rubéola. • Todo recém-nascido cuja mãe foi contato de caso confirmado de rubéola, durante a gestação. • Toda criança, até 12 meses de idade, que apresente sinais clínicos compatíveis com infecção congênita pelo vírus da rubéola, independentemente da história materna. Notificação de toxoplasmose Baseado nas notificações de toxoplasmose, no dicionário de dados, nas instruções para preenchimento e nas Normas e Rotinas do Sinan, recomenda-se que os profissionais de saúde sejam muito criteriosos quanto ao preenchimento da ficha e observem as orientações em seguida e a Figura 1: Algumas recomendações A gestante e o RN serão notificados nas CID específicas, e não devem ser notificados simultaneamente para a CID B58. O recém-nascido suspeito que ainda não tiver nome registrado pode ser notificado como “RN DE + nome da mãe”, “RN GEMELAR I + nome da mãe”, RN GEMELAR II + nome da mãe”. Quando o RN tiver o nome civil, o profissional poderá inseri-lo no Sinan de acordo com suas normas e rotinas do Sinan. Atentar para os casos em que foi habilitado o fluxo de retorno, pois somente o município de residência poderá fazer a alteração. Não devem ser geradas novas notificações no Sinan para cada consulta de monitoramento/exame da gestante ou RN. Os resultados de monitoramento podem ser inseridos na parte de “OBSERVAÇÕES...”. E o seu detalhamento, inserido nos sistemas de informação correspondentes. A mãe e o RN não devem ser registrados com os mesmos dados e, apenas, CID diferentes. O campo CS_GESTANT para as gestantes suspeitas deve ser preenchido. Não usar a CID 58.9 para notificar a gestante suspeita para toxoplasmose. Notificação de Sífilis Todas as pessoas sexualmente ativas devem realizar o teste para diagnosticar a sífilis, principalmente as gestantes, pois a sífilis congênita pode causar aborto, má formação do feto e/ou morte ao nascer. O teste deve ser feito na 1ª consulta do pré-natal, no 3º trimestre da gestação e no momento do parto (independentemente de exames anteriores). O cuidado também deve ser especial durante o parto para evitarsequelas no bebê, como cegueira, surdez e deficiência mental. Triagem: identificar, em uma população assintomática, os indivíduos que estão sob risco de desenvolver determinada doença ou distúrbio e que se beneficiariam de investigação adicional, ação preventiva ou terapêutica imediatas. O procedimento de triagem deve ser capaz de alterar a história natural da doença em uma parcela significativa da população elegível. A partir da identificação por testes específicos, pode-se iniciar o tratamento adequado visando minimizar riscos ou complicações advindas da condição identificada. Ao aplicarmos a definição de Triagem Neonatal, estamos realizando essa metodologia de rastreamento, especificamente na população com idade de 0 a 28 dias de vida. Conjuntos de testes que permitem a detecção precoce de patologias congênitas e tratamento adequado, evitando morte prematura e deficiências. Teste do pezinho: deve ser feito entre 48h de vida e o quinto dia de vida, sendo que a amostra é proveniente do calcanhar do RN. São triadas: deficiência de biotinidade, fenilcetonúria, fibrose cística, hemoglobinopatias, como anemia falciforme, hiperplasia adrenal congênita e hipotireoidismo congênito. Teste do coraçãozinho: exame indolor, através de um oxímetro de pulso que estima a concentração de oxigênio no sangue, sendo capaz de detectar problemas cardíacos congênitos complexos desde o nascimento. Teste do olhinho: exame simples, rápido e indolor, que detecta problemas oculares congênitos que podem comprometer a visão do bebe como catarata congênita, glaucoma congênito e retinoblastoma. Deve ser realizado em todos os recém-nascidos antes da alta da maternidade e repetido regularmente nas consultas pediátricas, pelo menos duas a três vezes por ano, nos três primeiros anos de vida. As principais causas de patologia ocular são toxoplasmose, catarata, retinopatia da prematuridade, alterações no SNC, etc. teste do reflexo vermelho é um teste que pode ser utilizado para detecção de doenças que comprometem a transparência dos meios oculares, como catarata, glaucoma, toxoplasmose, retinoblastoma, descolamento de retina tardios. Teste da orelhinha: exames de emissões otoacústicas e/ou potencial evocado auditivo de tronco encefálico. É rápido, seguro e indolor e o ideal é que seja realizado a partir de 24h de vida do RN e antes da alta hospitalar. A suspeita precoce, notificação adequada e registro oportuno de casos suspeitos de infecções congênitas são fundamentais para desencadear o processo de investigação, bem como subsidiar as ações de atenção integral à saúde da gestante e da criança. Todos os casos suspeitos ou confirmados de Sífilis, Toxoplasmose e Zika deverão ser notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Os casos e óbitos suspeitos de infecção congênita por STORCH+Z, conforme os critérios da Nota Técnica nº 16 de 2021 deverão ser notificados no formulário eletrônico do Registro de Eventos de Saúde Pública (RESP), disponível no endereço: www.resp.saude.gov.br e o formulário de Triagem de Gestantes expostas à STORCH+Z ou Feto/RN com microcefalia/alteração do SNC deverá ser devidamente preenchido e encaminhado para a SCAPS da Regional de Saúde, e a mesma deve encaminhar para a Divisão de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente e Divisão de Atenção à Saúde da Mulher. MEDIDAS PREVENTIVAS DURANTE A GESTAÇÃO DE DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS. As anomalias congênitas são comuns, sendo que 2 a 3% de todos os recém-nascidos têm alguma malformação congênita significativa detectável ao nascer. É importante ressaltar que cerca de 70% das anomalias congênitas não têm causa evidente e, entre as que têm causa identificada, a malformação tem probabilidade muito maior de ter etiologia genética do que teratogênica. A Food and Drug Administration (FDA) estimou que menos de 1% de todas as anomalias congênitas sejam causadas por fármacos. Embora apenas um número relativamente pequeno de fármacos cause efeitos deletérios comprovados, há preocupação significativa quanto ao uso de fármacos durante a gravidez. Isso se deve ao fato de que a maioria das gestantes usa fármacos e, para a maior parte deles, existem poucos dados quanto à sua segurança. Um medicamento pode acometer o feto por ação direta, promovendo defeito congênito ou morte fetal, e por ação indireta, alterando a função placentária e reduzindo o suprimento de nutrientes e oxigênio. Mas é importante ressaltar que o fato de a mulher ter feito uso de medicamento sabidamente teratogênico não significa que necessariamente o feto será acometido. Sistema de avaliação da segurança dos fármacos na gestação. O sistema para a avaliação da segurança dos fármacos na gestação foi proposto pela FDA, em 1979. O sistema destinava-se a fornecer orientações terapêuticas com base em cinco categorias: A, B, C, D ou X. No entanto, em seu formato atual, o sistema tem limitações importantes, que são reconhecidas pela FDA. Uma é que os fármacos das categorias D e X, e alguns da categoria C, podem causar riscos similares, embora estejam classificados em categorias diferentes, em razão de considerações diversas quanto ao risco-benefício. Uma letra de grau mais avançado não acarreta necessariamente mais risco, e mesmo alguns fármacos da mesma categoria podem acarretar riscos muito diferentes. Além disso, as categorias de letras em geral se baseiam em dados obtidos de estudos com animais. Dessa maneira, é possível perceber que pode ser insuficiente ou mesmo inadequado confiar nessa classificação para tomar decisões terapêuticas complexas relativas às gestantes. Portanto, cabe ao médico avaliar criticamente a classificação e adequá-la a cada caso.