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e-book
identificação, 
tratamento e prevenção
Infecções congênitas 
do recém-nascido:
Introdução
Sífilis congênita
Conclusão
Referências
............................................................................................................... 3
..................................................................................... 12
Rubéola congênita
.............................................................. 17
Toxoplasmose congênita
Herpes simples congênito e perinatal
............................................................................................................... 21
A Artmed ................................................................................................................ 22
............................................................................................................ 23
....................................................................................................... 4
................................................................................................. 9
índice
INTRODUÇÃO
Infecções congênitas e perinatais (adquiridas até três semanas após o nascimento) são aquelas 
transmitidas da mãe para o feto, seja por via transplacentária durante a gestação, no momento do 
parto ou por exposição a agentes infecciosos no canal de parto ou no período neonatal. Os 
principais agentes envolvidos incluem vírus (como citomegalovírus, rubéola, HIV, herpes-vírus, 
hepatites B e C), bactérias (sífilis, estreptococo do grupo B), parasitas (toxoplasmose, doença de 
Chagas) e fungos. Algumas dessas infecções podem causar malformações, restrição do 
crescimento intrauterino, prematuridade ou outras complicações graves que podem ser 
observadas imediatamente ao nascimento ou manifestar-se mais tardiamente. 
A clássica síndrome TORCH (toxoplasmose, outros agentes, rubéola, citomegalovírus, herpes 
simples) é amplamente conhecida por englobar algumas dessas infecções. Contudo, a lista de 
patógenos está em constante expansão, com a inclusão de novos agentes, como o Zika vírus, que 
ganhou notoriedade nos últimos anos pelos efeitos teratogênicos graves, como a microcefalia. 
As infecções perinatais afetam de 0,5% a 2,5% de todos os nascimentos. Dados epidemiológicos 
são pouco conhecidos na população brasileira e mundial, pois nem todas as infecções são de 
notificação compulsória e grande parte das afecções é assintomática, dificultando seu 
reconhecimento. O impacto delas é vasto, podendo causar óbito fetal e neonatal, mas também 
morbidade significativa, com consequências a longo prazo, como déficits neurológicos 
permanentes, surdez, cegueira e retardo no desenvolvimento. Surtos como o de Zika mostraram 
como infecções congênitas podem representar uma emergência de saúde pública, afetando 
milhares de recém-nascidos com sequelas neurológicas graves. 
Investimentos em programas de saúde pública para o rastreamento e prevenção de infecções 
congênitas, como a vacinação contra a rubéola, o rastreamento pré-natal de sífilis e toxoplasmose, 
e o controle de vetores no caso do Zika vírus, são essenciais para reduzir a carga dessas doenças. O 
desenvolvimento de terapias e estratégias preventivas, como vacinas para o citomegalovírus, 
também é uma prioridade na saúde neonatal global. 
Neste e-book, destacamos parte dessas infecções, sobretudo as que são mais comumente 
diagnosticadas durante o pré-natal através de rastreamento: sífilis, rubéola, toxoplasmose e herpes 
simples. Em outra oportunidade, trataremos de outras infecções não comumente rastreadas, mas 
igualmente relevantes, como o próprio Zika vírus já mencionado. 
3
Características clínicas 
A sífilis congênita (SC) pode ser classificada como precoce (manifestando-se nos primeiros dois 
anos de vida) ou tardia (após os dois anos de idade). A manifestação clínica depende do estágio da 
infecção e da gravidade da transmissão vertical. Estima-se que, na ausência de tratamento eficaz, 
11% das gestações resultem em morte fetal a termo e 13% em partos prematuros ou de baixo peso ao 
nascer, além de pelo menos 20% de recém-nascidos (RN) apresentarem sinais sugestivos de SC. 
No período neonatal, os sinais podem ser inespecíficos ou ausentes, motivo pelo qual o 
rastreamento das gestantes é fundamental para a suspeição e o diagnóstico. Os sintomas variam de 
acordo com o estágio da doença. 
SÍFILIS CONGÊNITA 
4
Na sífilis congênita precoce (menores de 2 anos), podem ocorrer: 
Icterícia (hiperbilirrubinemia), devido à hepatite ou hemólise; 
Lesões cutâneas, como pênfigo palmoplantar; 
Hepatoesplenomegalia, comumente causada por inflamação hepática e esplênica; 
Anemia e trombocitopenia; 
Rinite sifilítica (coriza serossanguinolenta); 
Osteocondrite e periostite, que podem causar pseudoparalisia dos membros; 
Neurossífilis, que pode incluir irritabilidade, crises convulsivas e atraso no 
desenvolvimento neuropsicomotor. 
Diagnóstico 
O diagnóstico da SC, como o da maioria das outras infecções que discutiremos, baseia-se em uma 
combinação de história de diagnóstico e tratamento materno, achados clínicos no recém-nascido e 
testes laboratoriais. Os testes sorológicos são fundamentais nesse sentido. Existem dois tipos 
principais: 
5
A sífilis congênita tardia (após 2 anos de idade), quando não tratada, pode apresentar-se com: 
Dentes de Hutchinson (dentes malformados); 
Rágades periorais (fissuras em torno da boca); 
Nariz em sela (deformidade nasal); 
Surdez neurossensorial; 
Ceratite intersticial e outras alterações oculares. 
Outros exames a serem realizados no RN incluem: 
Hemograma completo, para avaliar anemia, trombocitopenia e leucocitose; 
Raio-X de ossos longos, que pode mostrar periostite e outras lesões ósseas; 
Punção lombar, para avaliar a presença de neurossífilis (leucócitos elevados, 
proteínas elevadas e/ou VDRL positivo no líquido cefalorraquidiano)
Testes Não Treponêmicos (VDRL, RPR): quantitativos, são úteis para monitorar a 
atividade da doença e a resposta ao tratamento. São anticorpos inespecíficos que 
podem ser observados em outras condições clínicas. Em neonatos, um título de 
VDRL maior que o materno em pelo menos duas vezes sugere infecção. 
Testes Treponêmicos (FTA-ABS, TPHA): detectam anticorpos específicos contra o 
Treponema pallidum, confirmando a infecção. 
6
Valores de exame liquórico em crianças com suspeita de neurossífilis: 
Parâmetro LCR normal 
pré-termo
LCR normal 
a termo
LCR 
sugestivo de 
sífilis no RN
LCR sugestivo de 
sífilis nas crianças 
maiores de 28 dias
Leucócitos
Proteínas
9 + 8 células/mm³
(LVN:0-28 
células/mm³)
115mg/dL
(LVN:65-150 
mg/dL)
VDRL
8 + 7 células/mm³
(LVN:0-32 
células/mm³)
Maior que 25 
células/mm³
Maior que 5 
células/mm³
90mg/dL
(LVN:20-170 
mg/dL)
Maior que 
150 mg/dL
Maior que 
40 mg/dL
Não reagente Não reagente Reagente Reagente
Fonte: lago et al. 2013 (26); Volpe et al. 2017 (50)
Legenda: LVN = Limite de variação do normal.
Avaliação do recém-nascido 
Todo recém-nascido de mãe com sífilis deve ser avaliado, incluindo exames clínicos completos e 
testes sorológicos, dependendo de como a mãe foi tratada durante a gestação. Quando há suspeita 
clínica ou laboratorial de infecção, devem ser realizados exames de imagem e avaliação do líquor 
para excluir neurossífilis. Recém-nascidos cujas mães tiveram sífilis durante a gestação devem ser 
cuidadosamente avaliados, mesmo que assintomáticos, sobretudo em casos em que não há 
comprovação de tratamento da gestante. O tratamento adequado para sífilis durante a gestação é 
considerado aquele que é completo para o estágio clínico da sífilis, com penicilina benzatina, 
iniciado até 30 dias antes do parto e completado antes do nascimento da criança. Gestantes que 
não se enquadrarem nesses critérios serão consideradas como tratadas de forma inadequada. Essa 
definição é importante, pois serve como uma das bases para guiar o acompanhamento da criança. 
O tratamento das parcerias sexuais não é considerado noscritérios epidemiológicos de definição 
de casos de sífilis congênita. Entretanto, esse tratamento é imprescindível, considerando a 
possibilidade de reinfecção. É importante mencionar a necessidade de seguimento sorológico da 
gestante com VDRL mensais para avaliar possível reinfecção. 
Em crianças, um título de teste não treponêmico (VDRL, RPR) maior que o materno em pelo menos 
duas diluições (ex.: materno 1:4, recém-nascido maior ou igual a 1:16) é indicativo de infecção 
congênita. Entretanto, a ausência desse achado não exclui a possibilidade do diagnóstico da 
doença, uma vez que alguns estudos demonstraram que menos de 30% dos recém-nascidos com 
SC possuem resultados pareados de títulos de teste não treponêmico (VDRL, RPR) maiores que o 
materno em duas diluições. Por esse motivo, o exame físico da criança é essencial; se a criança 
apresentar baixo peso ao nascer sem outra causa que justifique, isso pode ser considerado um 
sintoma de SC. 
A seguir, apresentamos um fluxograma para avaliação e manejo na maternidade das crianças 
nascidas de mães com diagnóstico de sífilis na gestação atual ou no momento do parto, conforme o 
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para prevenção da transmissão vertical de HIV, sífilis e 
hepatites virais, 2022. 
Prevenção 
A implementação de medidas de saúde pública que garantam o acesso ao cuidado pré-natal e o 
tratamento adequado pode erradicar a sífilis congênita (SC) como problema de saúde pública. 
Tratamento
O tratamento da SC é feito com penicilina, que é altamente eficaz e o único antibiótico 
recomendado para essa infecção no período neonatal. 
7
Para recém-nascidos com sífilis confirmada, a terapia de escolha é a penicilina G 
cristalina por via intravenosa, administrada na dose de 50.000 unidades/kg a cada 12 
horas nos primeiros sete dias de vida e a cada 8 horas após o sétimo dia, por um período 
total de 10 dias. 
Alternativa: a penicilina G procaína intramuscular pode ser usada em casos em que a via 
intravenosa não é viável, apenas se o RN não tiver neurossífilis. 
Em casos de neurossífilis confirmada, deve ser realizada penicilina cristalina por 10 dias. 
Alternativa: a penicilina G procaína intramuscular pode ser usada em casos em que a via intravenosa 
não é viável, apenas se o RN não tiver neurossífilis. 
CONFERIR TABELA AO FINAL DO E-BOOK.
A principal forma de prevenir a doença congênita é diagnosticar e tratar as gestantes 
adequadamente com penicilina, de acordo com o estágio da doença, independentemente do 
momento da gravidez. O tratamento adequado reduz significativamente o risco de transmissão 
vertical. No entanto, mesmo após o tratamento materno, o recém-nascido deve ser 
cuidadosamente avaliado para descartar infecção congênita. Todas as gestantes com sífilis devem 
ser notificadas, assim como todas as crianças com sífilis congênita e expostas à sífilis; essa 
notificação é um passo importante para o controle e acompanhamento dos recém-nascidos. 
Todas as gestantes devem ser testadas para sífilis no início da gravidez, durante o terceiro trimestre 
e no momento do parto, especialmente em áreas de alta prevalência. 
A sífilis congênita é um problema de saúde pública evitável e está associada a falhas nos sistemas de 
cuidado pré-natal. Medidas de saúde pública eficazes incluem: 
8
Educação e conscientização: promoção do rastreamento e tratamento materno 
precoce; 
Acesso a cuidados pré-natais: ampliar o acesso a cuidados de qualidade para todas as 
gestantes; 
Notificação e acompanhamento: a sífilis congênita é de notificação compulsória. O 
rastreamento de contatos, tratamento de parceiros e acompanhamento adequado de 
mães e bebês são essenciais para o controle da doença; 
O risco de reinfecção por sífilis deve ser acompanhado durante todo o período do 
pré-natal. É fundamental oferecer preservativos e orientar a gestante sobre técnicas de 
uso em todas as relações sexuais para evitar reinfecção. 
Características clínicas 
A SRC resulta da transmissão transplacentária do vírus da rubéola da mãe para o feto. As 
consequências da infecção variam conforme o estágio da gestação em que ocorre a infecção 
materna. A infecção no primeiro trimestre apresenta o maior risco, com taxas de transmissão 
superiores a 80%. 
Sinais e sintomas 
Os recém-nascidos com síndrome da rubéola congênita (SRC) podem apresentar diversos sinais e 
sintomas ao nascimento, embora alguns possam ser assintomáticos inicialmente. Em alguns casos, 
os pacientes podem apresentar uma variedade de sintomas, incluindo malformações, como: 
RUBÉOLA CONGÊNITA 
A rubéola congênita é uma síndrome causada pela infecção do feto pelo vírus da rubéola durante a 
gestação, especialmente no primeiro trimestre. A infecção pode resultar em uma série de 
malformações congênitas, com impacto significativo na morbidade infantil. A doença é evitável 
através da imunização adequada da população, sobretudo das mulheres em idade fértil. A 
incidência da síndrome da rubéola congênita (SRC) durante períodos epidêmicos é de 1 a 4 casos 
por 1.000 nascidos vivos. Estima-se que a incidência da SRC durante períodos endêmicos seja de 
0,1 a 0,8 casos por 1.000 nascidos vivos. Os custos diretos e indiretos da SRC são muito elevados, 
resultando da necessidade de procedimentos diagnósticos e tratamento especializado, assim 
como pela cronicidade e pela severidade de suas manifestações. 
9
Diagnóstico 
O diagnóstico é clínico e laboratorial. A identificação de sinais característicos ao nascimento, 
combinada com a história materna de infecção durante a gravidez, pode levantar a suspeita 
diagnóstica. A principal dificuldade reside no fato de que, em casos de mulheres não vacinadas, a 
rubéola pode passar despercebida como uma infecção exantemática viral leve, o que dificulta a 
suspeição. 
Testes sorológicos 
O feto infectado produz anticorpos específicos da classe IgM e IgG para rubéola antes mesmo do 
nascimento. A presença de anticorpos IgM específicos para rubéola no sangue do recém-nascido é 
evidência de infecção congênita, uma vez que os anticorpos IgM maternos não ultrapassam a 
barreira placentária. Os anticorpos IgM podem ser detectados em 100% das crianças com SRC até 
o 5º mês, em 60% entre 6 e 12 meses, e em 40% entre 12 e 18 meses. Raramente, são detectados 
após o 18º mês.
Os anticorpos maternos da classe IgG podem ser transferidos ao feto através da placenta, sendo 
encontrados também nos recém-nascidos não infectados, nascidos de mães imunes à rubéola. Não 
é possível diferenciar os anticorpos IgG maternos daqueles produzidos pelo próprio feto quando 
infectado na vida intrauterina. Como a quantidade de IgG maternos diminui com o tempo, 
Surdez neurossensorial (um dos sinais mais frequentes); 
Catarata, glaucoma ou outras anomalias oculares (como retinopatia e microftalmia); 
Cardiopatia congênita, sendo a persistência do canal arterial e a estenose pulmonar 
periférica as mais comuns; também podem ocorrer defeitos septais; 
Microcefalia e atraso no desenvolvimento neurológico; 
Hepatoesplenomegalia; 
Icterícia; 
Petéquias e púrpura trombocitopênica; 
Baixo peso ao nascer e restrição de crescimento intrauterino; 
Anomalias ósseas; 
Diabetes mellitus e hipotireoidismo (raramente). 
10
Avaliação clínica do recém-nascido 
A avaliação clínica deve ser abrangente, incluindo exames neurológicos, audiológicos, 
oftalmológicos e cardiológicos, além do acompanhamento do desenvolvimento psicomotor. 
Exames laboratoriais, como hemograma, função hepática e sorologia para rubéola, são necessários. 
Exames de imagem, como ecocardiograma e ultrassonografia craniana, também podem ser 
indicados. 
Tratamento 
Infelizmente, não há tratamento específico para a rubéola congênita. O manejo visa tratar as 
complicações individuais da doença. Complicações como surdez e retardo no desenvolvimento 
neuropsicomotor exigem intervenções precoces, como o uso de próteses auditivas e terapias de 
reabilitação. Defeitos cardíacospodem necessitar de correção cirúrgica, e as alterações oculares 
requerem acompanhamento oftalmológico especializado. A reabilitação auditiva é importante para 
os casos de surdez, e o acompanhamento neurológico é essencial para monitorar o 
desenvolvimento cognitivo. A abordagem terapêutica envolve equipes multidisciplinares, 
incluindo pediatras, cardiologistas, oftalmologistas, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos, 
neurologistas e assistentes sociais. É necessário também fornecer suporte educacional e orientação 
familiar para otimizar o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança. 
Prevenção 
A imunização contra a rubéola é uma das formas mais eficazes de prevenir a infecção congênita e 
erradicar a doença. Mulheres que planejam engravidar devem ter seu estado vacinal avaliado e, se 
necessário, ser imunizadas com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). A vacinação 
com a tríplice viral é recomendada para todas as mulheres em idade fértil que não possuam 
evidências de imunidade (IgG positivo para rubéola). A vacina é contraindicada durante a gestação; 
mulheres que recebem a vacina devem evitar engravidar por pelo menos um mês após a vacinação, 
pois se trata de uma vacina de vírus vivo atenuado, que confere imunidade duradoura. O 
monitoramento contínuo de casos suspeitos e a manutenção de altas coberturas vacinais são 
medidas de saúde pública imprescindíveis, assim como campanhas de conscientização e vacinação 
de bloqueio em áreas de risco. 
desaparecendo por volta do sexto mês, a persistência dos níveis de IgG no sangue do 
recém-nascido é altamente sugestiva de infecção intrauterina. Para a investigação de casos 
suspeitos de SRC, deve ser colhida uma amostra de sangue logo após o nascimento, quando há 
suspeita ou confirmação de infecção materna durante a gestação, ou logo após a suspeita 
diagnóstica, em menores de um ano.
11 
Características clínicas 
Conforme já descrito, a toxoplasmose congênita pode ter um espectro clínico variável, desde 
formas assintomáticas até manifestações graves, dependendo do estágio gestacional em que o feto 
é infectado. Nos casos mais graves, a doença pode levar a abortos espontâneos, natimortos ou ao 
nascimento de crianças com malformações graves. Entretanto, muitos recém-nascidos podem ser 
assintomáticos ao nascimento e desenvolver complicações mais tarde na infância. 
TOXOPLASMOSE CONGÊNITA 
A toxoplasmose congênita é causada pela infecção do feto pelo Toxoplasma gondii durante a 
gestação. A infecção materna pode ocorrer por meio da ingestão de cistos presentes em carne crua 
ou malcozida, exposição a fezes de gatos ou contato com alimentos ou água contaminados. 
O risco de ocorrência de infecção congênita aumenta significativamente conforme a idade 
gestacional em que a gestante é infectada. Considerando-se gestantes sem tratamento para 
toxoplasmose, estima-se uma taxa de transmissão vertical de 17% quando a infecção aguda ocorre 
no primeiro trimestre, em torno de 25% no segundo trimestre e cerca de 65% no terceiro trimestre, 
sendo que, no último mês, pode atingir mais de 90%. De maneira inversa, a doença é mais grave 
quando o feto é infectado no primeiro trimestre de gestação, e geralmente leve ou assintomática no 
feto infectado durante o terceiro trimestre. Considerando todo o período gestacional, 
aproximadamente 40% das gestantes com toxoplasmose aguda transmitirão o T. gondii ao feto. A 
prevalência de infecção congênita no Brasil tem mostrado taxas entre 3 e 20 casos por 10 mil 
nascidos vivos, com diferenças regionais. 
12
Microcefalia; 
Calcificações intracranianas, sobretudo periventriculares; 
Convulsões; 
Hidrocefalia; 
Icterícia; 
Hepatoesplenomegalia; 
Retardo no crescimento intrauterino; 
Lesões oculares, como coriorretinite; 
Rash cutâneo; 
Anemia e trombocitopenia. 
Atraso do desenvolvimento neuropsicomotor; 
Surdez neurossensorial. 
Sinais e sintomas 
Cerca de 85% dos recém-nascidos (RN) com toxoplasmose congênita não apresentam sinais 
clínicos evidentes ao nascimento. Porém, uma avaliação detalhada pode revelar alterações como: 
As manifestações oculares são características da toxoplasmose congênita, com a coriorretinite 
sendo a mais comum. Ela pode ocorrer em um ou ambos os olhos e pode ser bilateral ou recidivante, 
resultando em perda visual significativa. Outras alterações incluem estrabismo e nistagmo. Essas 
manifestações clínicas podem ser observadas no período neonatal ou ao longo dos primeiros 
meses de vida, podendo haver surgimento de sequelas da doença previamente não diagnosticada 
apenas na adolescência ou na idade adulta. 
13
Diagnóstico 
A infecção pode ser suspeitada em fetos cujas mães foram diagnosticadas com toxoplasmose 
durante a gravidez ou em recém-nascidos com sinais sugestivos da doença. Exames de imagem, 
como a ultrassonografia fetal durante a gestação, podem identificar sinais sugestivos de 
toxoplasmose congênita, como calcificações intracranianas e ventriculomegalia. O diagnóstico 
definitivo é feito pela identificação do Toxoplasma gondii em fluidos fetais ou neonatais, ou por 
testes sorológicos. 
Em neonatos, a presença de IgM ou IgA específicas contra o Toxoplasma gondii é indicativa de 
infecção congênita, pois esses anticorpos não atravessam a placenta. A persistência ou o aumento 
dos níveis de IgG específica durante os primeiros meses de vida também sugere infecção 
congênita. Entretanto, a persistência dos níveis de IgG pode não ser útil para diagnóstico precoce e 
indicação de tratamento; dessa forma, além dos exames sorológicos, em casos suspeitos, devem ser 
realizados exames complementares que possam detectar sinais da infecção. A negatividade da IgM 
não exclui a toxoplasmose congênita (é negativa em 30 a 40% dos RN infectados), o que também 
indica a necessidade de mais exames em casos suspeitos. 
A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) são indicadas para avaliar 
possíveis lesões cerebrais, como calcificações, hidrocefalia e outras anomalias estruturais. 
Outros exames complementares incluem exames oftalmológicos, como a fundoscopia, para avaliar 
a presença de coriorretinite. A punção lombar, com exame completo de líquor (células, proteína e 
glicose), é indicada na presença de anormalidades neurológicas e/ou de imagem cerebral. Em 
casos graves, com acometimento extenso do sistema nervoso central, a proteína líquor pode estar 
elevadíssima. Quando atinge mais de 1 g/dL, está indicada a terapêutica sistêmica com 
corticosteroides. Pode-se ainda solicitar o exame de PCR no LCR para detectar material genético 
do parasita. Também é necessário solicitar exame audiológico para avaliar surdez neurossensorial. 
Devem ser realizados hemograma, função hepática e renal, bem como avaliação da deficiência de 
glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD), pois o tratamento com sulfadiazina pode causar 
hemólise na presença de deficiência de G6PD. Além disso, deve-se coletar sorologias para outras 
infecções congênitas que podem apresentar sintomas semelhantes à toxoplasmose, como o vírus 
Zika e o citomegalovírus. 
14
Tratamento 
O tratamento da toxoplasmose congênita é mais eficaz quando iniciado precocemente. Todos os 
lactentes com toxoplasmose congênita diagnosticados no primeiro ano de vida devem receber 
tratamento específico durante 12 meses, independentemente da presença de sinais ou sintomas da 
doença. O tratamento da toxoplasmose congênita é realizado com um esquema tríplice, 
que consiste na combinação de pirimetamina e sulfadiazina, associadas ao ácido folínico.
Pirimetamina: ataque com 2 mg/kg/dia a cada 12 horas por 48 horas, seguido de 1 
mg/kg/dia em 1 dose diária por via oral (VO) durante 6 meses; após isso, a mesma dose 3 
vezes por semana por 1 ano. 
Sulfadiazina: 100 mg/kg/dia em 2 doses diárias por via oral (VO) durante 1 ano. 
Ácido folínico: iniciar com 15 mg em uma dose VO, 3 vezes por semana. Se ocorrer 
neutropenia ou outro efeitocolateral da pirimetamina, aumentar para 15 mg de ácido 
folínico diariamente. 
Prednisolona: se houver retinocoroidite ativa em local da retina com risco de dano visual, 
e/ou proteína liquórica > 1.000 mg/dL. Dose: 1 mg/kg/dia em 2 doses diárias por via oral 
(VO). Deve-se iniciar somente após 48 horas de uso da terapêutica específica. Quando 
cessar a indicação, reduzir gradativamente ao longo de 3 semanas, até a suspensão 
completa. 
15
Havendo a presença de retinocoroidite em atividade com risco de dano visual, ou proteína no líquor 
acima de 1.000 mg/dL, deve-se associar prednisona ou prednisolona (ver detalhes sobre o 
esquema terapêutico a seguir). 
O tratamento antiparasitário deve ser administrado por pelo menos 12 meses nos casos de 
toxoplasmose congênita. Esse tratamento reduz o risco de sequelas neurológicas e oculares graves, 
embora não elimine completamente a possibilidade de recidivas oculares ao longo da vida. A 
monitorização hematológica frequente é essencial devido aos efeitos adversos da pirimetamina e 
da sulfadiazina sobre a medula óssea; por esse motivo, é importante que o paciente com 
toxoplasmose congênita seja acompanhado por um infectologista pediátrico que monitore tanto os 
eventos adversos das medicações quanto o desenvolvimento e os sintomas do paciente. 
As complicações neurológicas e oculares da toxoplasmose congênita, como hidrocefalia e 
coriorretinite, devem ser abordadas com intervenções específicas, como derivação ventricular, 
acompanhamento oftalmológico e terapias de reabilitação, sendo necessários medicamentos 
anticonvulsivantes em alguns casos. 
É necessário que haja acompanhamento multiprofissional regular de todo paciente com 
diagnóstico de toxoplasmose, sobretudo aqueles que apresentem alterações neurológicas, 
oftalmológicas e auditivas. 
Uma proposta de algoritmo para o acompanhamento dessas crianças foi feita pelo Ministério da 
Saúde e é apresentada no final deste ebook.
CONFERIR TABELA AO FINAL DO E-BOOK.
Evitar o consumo de carne crua ou malcozida; 
Lavar frutas e vegetais crus antes do consumo; 
Evitar o contato direto com fezes de gatos e utilizar luvas ao manusear terra ou caixas 
de areia; 
Beber água potável, evitando fontes não tratadas. 
16
Prevenção
A prevenção da toxoplasmose congênita está diretamente relacionada à prevenção da infecção 
materna. As medidas de prevenção incluem: 
As gestantes devem ser orientadas a seguir essas práticas de prevenção desde o início da gravidez. 
A triagem sorológica para toxoplasmose também é recomendada no pré-natal, especialmente para 
mulheres soronegativas, a fim de identificar e monitorar infecções recentes ou ativas durante a 
gestação. 
Em gestantes com infecção comprovada por toxoplasmose, é fundamental realizar um 
monitoramento gestacional intensivo, que inclui testes sorológicos repetidos e ultrassonografia 
fetal para avaliar sinais de infecção fetal. Em alguns casos, a amniocentese pode ser realizada para 
confirmação diagnóstica pela detecção de DNA do Toxoplasma gondii no líquido amniótico. 
HERPES SIMPLES CONGÊNITO E PERINATAL 
A infecção por herpes vírus no período neonatal é causada pela transmissão do vírus Herpes 
Simplex (HSV) da mãe para o feto durante a gestação, geralmente no parto vaginal. Existem dois 
tipos principais de vírus herpes simplex: o HSV-1, que geralmente causa infecções orofaciais, e o 
HSV-2, responsável pela maioria das infecções genitais. Embora rara, com prevalência em torno de 
1% de transmissão, a infecção congênita pelo herpes simplex é uma condição grave que pode levar 
à alta morbimortalidade do recém-nascido. As formas disseminadas ocorrem em 50% dos casos e 
apresentam uma mortalidade de 30%. Quando há acometimento do sistema nervoso, 
isoladamente ou em formas disseminadas, há probabilidade de anormalidades neurológicas ou 
sequelas em mais de 70% das crianças afetadas. 
Características clínicas 
A infecção congênita é rara, mas apresenta um prognóstico muito grave, podendo resultar em 
microcefalia, hidranencefalia e microftalmia, além de mortalidade elevada e sequelas graves nos 
sobreviventes. Muitas vezes, resulta em aborto ou natimorto. 
A infecção perinatal é a mais comum – 90% dos casos de herpes neonatal são adquiridos no período 
perinatal. O prognóstico também é muito grave se a infecção não for tratada. A forma de 
apresentação com lesões cutâneas, orais e oculares é a que apresenta melhor prognóstico. 
Conforme mencionado anteriormente, a infecção perinatal pode se manifestar principalmente de 
três formas: 
17
Infecção localizada na pele, olhos e boca (SEM): a apresentação mais comum, 
geralmente ocorrendo nas primeiras semanas de vida. Caracteriza-se por lesões 
vesiculares na pele, conjuntivite ou ceratite. 
Infecção do sistema nervoso central (SNC): cerca de 30% dos neonatos com herpes 
congênito desenvolvem encefalite herpética, caracterizada por letargia, irritabilidade, 
convulsões e anormalidades na função cerebral. 
Infecção disseminada: a forma mais grave, que afeta múltiplos órgãos, como fígado, 
pulmões e glândulas adrenais. Pode resultar em falência orgânica, sepse e choque, com 
alta taxa de mortalidade. 
As complicações da infecção por HSV em neonatos podem ser graves, especialmente quando a 
doença afeta o sistema nervoso central ou se dissemina. Neste caso, pode haver encefalite, uma das 
complicações mais devastadoras, que pode resultar em sequelas neurológicas permanentes, como 
atraso no desenvolvimento, paralisia cerebral, convulsões de difícil controle e microcefalia. Na 
forma disseminada, pode ocorrer falência hepática e sepse, levando à morte se não tratada 
rapidamente. Também pode ocorrer surdez neurossensorial e comprometimento visual como 
consequências a longo prazo da infecção. 
Diagnóstico 
O diagnóstico do herpes simples congênito é baseado em uma combinação de achados clínicos, 
que são sugestivos de cada tipo de infecção conforme mencionado anteriormente, além da história 
materna e testes laboratoriais. 
Podem ser solicitados os seguintes exames para auxiliar o diagnóstico: 
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Bilirrubinas total e frações: em geral, há aumento da bilirrubina indireta (BI); 
AST e ALT: aumentadas; 
Líquido cerebrospinal (LCR): pleocitose, aumento de proteínas (nas encefalites) e 
hemácias (nas hemorragias); 
Eletroencefalograma: múltiplos focos independentes, ondas periódicas lentas e agudas; 
PCR (reação em cadeia da polimerase) e cultura do vírus: o método padrão-ouro para 
detectar o DNA do HSV em amostras de sangue, líquido cerebrospinal, vesículas 
cutâneas e outros fluidos corporais. A PCR é altamente sensível e específica, 
especialmente em casos de encefalite herpética; 
Esfregaço de Tzanck: citológico de raspado da lesão com coloração de Wright ou 
Giemsa, mostrando células gigantes multinucleadas e inclusões intranucleares; 
Sorologia IgG e IgM: raramente auxilia no diagnóstico e é de difícil interpretação; a 
detecção de anticorpos IgM específicos contra HSV pode ser útil, mas a maioria dos 
neonatos não desenvolve uma resposta significativa antes de várias semanas de infecção; 
Pesquisa de antígenos virais em raspado de lesão: por ELISA e imunofluorescência direta; 
Exames de imagem: a ressonância magnética (RM) é importante para identificar 
anormalidades cerebrais, especialmente em casos de encefalite. A ultrassonografia 
craniana também pode ser utilizada para detectar complicações cerebrais; 
Cultura viral: a cultura do vírus nas lesões cutâneas ou no sangue é o exame de eleição 
para diagnóstico de infecção sistêmica ou ocular mucocutânea. 
Presença de lesões vesiculares características na pele, olhos ou boca, 
especialmente nas primeiras semanas de vida; 
Resultados positivos de PCR para HSV em sangue, LCR ou fluidos corporais; 
Alterações em exames de imagem, como RM mostrando lesões cerebrais 
características da encefalite herpética; 
História materna de infecção genital herpética, especialmente no terceiro 
trimestre, ou sinais de infecção ativano momento do parto. 
Critérios diagnósticos 
Os critérios diagnósticos para o herpes simples congênito incluem: 
Tratamento 
O tratamento do recém-nascido deve ser realizado com aciclovir, de acordo com a forma de 
manifestação clínica. Além disso, pacientes que apresentem pesquisa de PCR viral positiva também 
devem ser tratados devido à rápida progressão e à gravidade da doença. A dose e o tempo de 
tratamento são definidos de acordo com a forma clínica da infecção e a história de recorrências. 
Terapia antiviral 
Aciclovir é o antiviral de escolha para o tratamento da infecção por HSV em neonatos. A dose 
padrão é de 20 mg/kg a cada 8 horas por 14 dias para infecções mucocutâneas e 21 dias se a 
infecção for disseminada ou encefalite herpética. 
O aciclovir deve ser administrado a todos os recém-nascidos com infecção suspeita ou comprovada 
por vírus Herpes simplex, independentemente das manifestações e da gravidade da infecção. Nos 
pacientes com infecção do sistema nervoso central (SNC) no final da terapêutica com aciclovir, 
deve-se solicitar uma nova PCR no LCR. Uma PCR positiva indica persistência da infecção e a 
necessidade de manter a terapêutica. Os pacientes com forma mucocutânea podem ter 
recorrências nos primeiros meses de vida e podem vir a desenvolver sequelas neurológicas. 
O manejo das complicações requer uma abordagem multidisciplinar, com monitoramento 
neurológico para acompanhamento rigoroso do desenvolvimento neuropsicomotor, uso de 
anticonvulsivantes para controlar crises epilépticas, suporte respiratório e hemodinâmico em 
neonatos com doença disseminada ou falência de múltiplos órgãos, e tratamento oftalmológico 
para complicações oculares, como ceratite ou cicatrizes corneanas. 
19
Prevenção 
A prevenção do herpes simples congênito depende de medidas para evitar a transmissão vertical 
do HSV da mãe para o feto ou recém-nascido. 
Mulheres com história de infecção por HSV devem ser monitoradas de perto durante a 
gravidez, especialmente no terceiro trimestre. 
Profilaxia antiviral com aciclovir ou valaciclovir pode ser oferecida a mulheres com 
infecções recorrentes de HSV a partir de 36 semanas de gestação, com o objetivo de 
reduzir o risco de recorrência e a necessidade de cesariana. 
Em gestantes com sinais de infecção genital ativa no momento do parto, deve-se 
considerar o parto cesáreo para minimizar o risco de transmissão vertical. 
Mulheres sem lesões ativas, mas com histórico de herpes genital, podem ter um parto 
vaginal seguro, desde que estejam assintomáticas e sem evidência de infecção ativa no 
momento do parto. 
Medidas preventivas durante a gestação 
20
CONCLUSÃO
Os testes de triagem para as infecções congênitas mais prevalentes são de grande importância na 
prevenção da transmissão vertical e perinatal desses patógenos, além de serem vitais no 
acompanhamento pré-natal. O planejamento familiar também é relevante, no que se refere à 
programação de vacinas antes da concepção e à orientação sobre práticas de sexo seguro e 
medidas gerais para evitar as diversas infecções abordadas neste e-book. 
É importante reafirmar que todas essas infecções podem passar despercebidas caso o pré-natal da 
gestante não seja realizado ou avaliado no momento do nascimento da criança. Praticamente todas 
elas podem cursar com surdez neurossensorial, que não é avaliada pelo Teste da Orelhinha 
realizado como triagem neonatal nas maternidades. Para essa avaliação, é necessário realizar o 
PEATE (Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico). 
A intervenção precoce e o tratamento adequado podem minimizar o impacto dessas doenças na 
vida do feto e do recém-nascido. 
21
Prevenção 
A implementação de medidas de saúde pública que garantam o acesso ao cuidado pré-natal e o 
tratamento adequado pode erradicar a sífilis congênita (SC) como problema de saúde pública. 
22
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REFERÊNCIAS
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management and outcomes. Prenat Diagn. 2014 Dec;34(13):1246-53. DOI: 10.1002/pd.4467. Epub 2014 Sep 16. PMID: 
25066688. Disponível em: https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/pd.4467 
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saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. 2. ed. atual. Brasília: Ministério da Saúde; 2014. 4 v. Disponível 
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Caderno de Atenção ao Recém-nascido de risco. Secretaria de Estado da Saúde do Paraná; 2020. Disponível em: 
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Carvalho ALD, Anchieta LM, Romanelli RMDC. Infecções congênitas por herpes vírus. Rev Méd Minas Gerais. 
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http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_clinico_hiv_sifilis_hepatites.pdf. ISBN 978-65-5993-234-4 
Protocolo elaborado pelo Grupo de Estudos em Toxoplasmose da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul; 2021. 
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São Paulo. Secretaria da Saúde. Nota informativa sobre manejo do recém-nascido exposto à sífilis [recurso eletrônico]. 
2022. Disponível em: 
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Sociedade Portuguesa de Pediatria. Infecciologia perinatal [recurso eletrônico]. 2007. Disponível em: 
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WorldHealth Organization (WHO). Toxoplasmosis: epidemiology, diagnosis, and control. WHO Guidelines; 2018. 
23
Realizar teste rápido de sífilis em toda gestante que chega à meternidade,bem como nas mulheres em abortamento
Referenciar para seguimento clínico e laboratorial na puericultura
Se teste rápido não reagente e ausência de infecção por sífilis: sem necessidade de condutas para a gestante e a criança.
Se teste rápido geagente*: avialiar histórico de tratamento de sífilis na gestante
A mãe foi tratada de forma 
adequada durante a gestação?
Não
Não
Não
Não
Aplicar benzilpenicilina 
benzatina, 50.000UI/kg, 
dose única, intramuscular
Criança com sífilis congênita 
COM neurossífilis
Tratar com benzilpenicilina 
cristalina, por 10 dias
Criança com sífilis congênita 
SEM neurossífilis
Tratar com benzilpenicilina 
cristalina ou benzilpenicilina 
procaína, por 10 dias
Notificação para sífilis congênita
Para definição do tratamento, seguir 
no fluxograma como criança nascida 
de mãe não adequadamente tratada.
Realizar avaliação 
para STORCH
Criança esposta à sífilis
Sem necessidade de 
tratamento imediato
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
NãoSim
Realizar teste não treponêmico sérico da mãe e 
do recém nascido, ao mesmo tempo.
O teste não treponêmico da criança é pelo menos 
duas diluições MAIOR que o materno? Notificar para sífilis congênita e realizar teste não treponêmico sérico da 
mãe e do recem nascido, ao mesmo tempo.
Realizar no recém nascido hemograma completo e glicemia, RX de ossos 
longos e coletar o líquor (solicitar celularidade,proteinorroquia e VDRL)
O exame físico do recém nascido, o hemograma e o liquor e o RX de ossos 
longos são normais, e o teste não treponêmico do rcém nascido é não reagente?
O teste não treponêmico é 
não reagente?
O exame físico da 
criança é normal?
O resultado do líquor é normal?
Não
Fluxograma - Avaliação e manejo na maternidade das crianças 
nascidas de mães com diagnóstico de sífilis na gestação atual ou no momento do parto
RN com suspeita de Toxoplasmose congênita
- Mãe com infeclão aguada na gestação - provável ou confirmada, ou,
- RN com IgM reagente na triagem neonatal (teste do pezinho)*
Sorologia simultânea (pareada) na mãe e filho
Mãe: IgG e IgM. RN: IgG, IgM e, se possível, IgA
Mãe com IgG reagente e IgM reagente ou não
RN - IgG reagente e IgM e IgA (se realizado) não reagentes
Mãe com IgG não reagente e IgM reagente
Mãe suspeita de infecção aguda próximo ao parte; RN assintomático #
Mãe com IgG e IgM Não reagentes
Exame clínico;
Exame de fundo de olho;
Ultrassom transfontanelar.
Criança assintomática Alteração clínica 
e/ou nos exames
Repetir sorologia da 
criança mensalmente
IgG persiste em índica estável ou apresenta 
alevação em duas avaliações sucessivas
Queda progressiva de IgG até resultado negativo 
em duas amostras com intervalo mínimo de 1 mês
*Resultado indeterminado em papel filtro não exclui a toxoplasmose congênita. Acompanhar a criança e investigar se houver suspeita de infecção congênita. Na dúvida, discutir com especialista.
 Alguns autores sugerem que se a infecção aguda materna (soroconversão) ocorreu no último trimestre da gestação, pode-se iniciar tratamento da criança, mesmo se assintomática e, a seguir, realizar a propedêutica.
 Se RN sintomático e soronegativo para toxoplasmose, avaliar sorologias maternas, condições de nascimento da criança (como prematuridade), e discutir caso a caso.
RN - RECÉM-NASCIDO; usg - Ultrassom gestacional; TCC - Tomografia computadorizada do crânia; PCR - Reação em Cadeia da Polimerase; EOA - Emissões otoacústicas; PEATE ou BERA - Potenciais Evocados Auditivos de 
Tronco Encefálico; ALT ou TGP - Alanina Aminotransferase; AST ou TGO - Aspartato Aminotrasnferase; SD/P/AF - Sulfadiazina/Pirimetamina/Ácido Folínico
Fonte: Adaptado de BRASIL, 2020a, com a Coordenação das pesquisadoras e assessoras técnicas do Ministério da Saúde.
Fluxograma - Avaliação e condutas para o recém-nascido suspeito de Toxoplasmose Congênita
Pré-natal sem alterações (US 
normal e PCR em LA negativo, 
se tiver sido realizado)
RN - IgG reagente e 
IgM e IgA (se realizado) 
não reagente
RN - IgG reagente e 
IgM e/ou IgA (se 
realizado) reagente
IgG e/ou IgM e/ou 
IgA reagente
IgG e IgM e IgA 
(se realizado) 
não reagente
Excluído 
Toxoplasmose 
congênita
Controle de saúde 
na UBS
Criança sem suspeita 
de toxoplasmose 
congênita
Toxoplasmose congênita
Iniciar tratamento do RN com SD/P/AF**.
Investigar a criança:
Alguns autores colhem LCR em todas as 
crianças suspeitas e complementam a 
investigação hepática na maternidade
- Exame fundo de olho;
- Ultrassom transforntanelar ou TCC;
- Hemograma completo;
- Avaliação auditiva (EOA e Peate);
- Líquor (se sintomático);
- ALT e AST
Criança assintomática
RN - IgG, IgM e IgA 
(se realizado) 
Não reagente
Repetir sorologia 
da criança em 2 
semanas
Investigar a criança (ver quadro 
rosa à esquerda);
Iniciar tratamento
Repetir sorologia da mãe e 
criança para confirmar a infecção
-
-
-
RN - IgG (+ou -) e IgM 
e/ou IgA reagente
RN - IgG e IgM e IgA (se 
realizado) não reagentes
RN com sinais e sintomas 
de infecção congênita e 
com IgG, IgM e IgA (se 
realizado) Não reagentes
Repetir sorologia da mãe 
(IgG, IgM) e da criança 
(IgG, IgM e , se possível, 
IgA) em 2 semanas
Sorologia da mãe e da 
criança reagentes
Toxoplasmose congênita
- Iniciar tratamento;
- Investigar criança (ver 
quadro rosa à esquerda
Se criança sintomática, 
investigar outras causas de 
infecção congênita
Sorologia da mãe e da 
criança não reagente
RN assintomático com 
IgG e IgM e IgA (se 
realizado) não reagentes
Notificar todo caso suspeito no SINAN (CID = P37.1)
- Se a criança apresentar sinais/sintomas sugestivos de infecção congênita, proceder à 
investigação completa (sorologia e exames complementares), e iniciar tratamento.
- RN de mulheres coinfectadas com HIV e T. gondii, e não fizeram profilaxia anti-toxoplasma na 
gestação, devem ser avaliados quanto à Toxoplasmose congênita (sorologia e exames 
complementares)
- Se a mãe da criança realizou amniocentese e o exame de PCR foi positivo, ou o USG mostrou 
alteração fetal, iniciar o tratamento da criança após o nascimento e realizar investigação 
completa da criança. Tratamento para infecção fetal pode negativar a sorologia do RN.

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