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e-book identificação, tratamento e prevenção Infecções congênitas do recém-nascido: Introdução Sífilis congênita Conclusão Referências ............................................................................................................... 3 ..................................................................................... 12 Rubéola congênita .............................................................. 17 Toxoplasmose congênita Herpes simples congênito e perinatal ............................................................................................................... 21 A Artmed ................................................................................................................ 22 ............................................................................................................ 23 ....................................................................................................... 4 ................................................................................................. 9 índice INTRODUÇÃO Infecções congênitas e perinatais (adquiridas até três semanas após o nascimento) são aquelas transmitidas da mãe para o feto, seja por via transplacentária durante a gestação, no momento do parto ou por exposição a agentes infecciosos no canal de parto ou no período neonatal. Os principais agentes envolvidos incluem vírus (como citomegalovírus, rubéola, HIV, herpes-vírus, hepatites B e C), bactérias (sífilis, estreptococo do grupo B), parasitas (toxoplasmose, doença de Chagas) e fungos. Algumas dessas infecções podem causar malformações, restrição do crescimento intrauterino, prematuridade ou outras complicações graves que podem ser observadas imediatamente ao nascimento ou manifestar-se mais tardiamente. A clássica síndrome TORCH (toxoplasmose, outros agentes, rubéola, citomegalovírus, herpes simples) é amplamente conhecida por englobar algumas dessas infecções. Contudo, a lista de patógenos está em constante expansão, com a inclusão de novos agentes, como o Zika vírus, que ganhou notoriedade nos últimos anos pelos efeitos teratogênicos graves, como a microcefalia. As infecções perinatais afetam de 0,5% a 2,5% de todos os nascimentos. Dados epidemiológicos são pouco conhecidos na população brasileira e mundial, pois nem todas as infecções são de notificação compulsória e grande parte das afecções é assintomática, dificultando seu reconhecimento. O impacto delas é vasto, podendo causar óbito fetal e neonatal, mas também morbidade significativa, com consequências a longo prazo, como déficits neurológicos permanentes, surdez, cegueira e retardo no desenvolvimento. Surtos como o de Zika mostraram como infecções congênitas podem representar uma emergência de saúde pública, afetando milhares de recém-nascidos com sequelas neurológicas graves. Investimentos em programas de saúde pública para o rastreamento e prevenção de infecções congênitas, como a vacinação contra a rubéola, o rastreamento pré-natal de sífilis e toxoplasmose, e o controle de vetores no caso do Zika vírus, são essenciais para reduzir a carga dessas doenças. O desenvolvimento de terapias e estratégias preventivas, como vacinas para o citomegalovírus, também é uma prioridade na saúde neonatal global. Neste e-book, destacamos parte dessas infecções, sobretudo as que são mais comumente diagnosticadas durante o pré-natal através de rastreamento: sífilis, rubéola, toxoplasmose e herpes simples. Em outra oportunidade, trataremos de outras infecções não comumente rastreadas, mas igualmente relevantes, como o próprio Zika vírus já mencionado. 3 Características clínicas A sífilis congênita (SC) pode ser classificada como precoce (manifestando-se nos primeiros dois anos de vida) ou tardia (após os dois anos de idade). A manifestação clínica depende do estágio da infecção e da gravidade da transmissão vertical. Estima-se que, na ausência de tratamento eficaz, 11% das gestações resultem em morte fetal a termo e 13% em partos prematuros ou de baixo peso ao nascer, além de pelo menos 20% de recém-nascidos (RN) apresentarem sinais sugestivos de SC. No período neonatal, os sinais podem ser inespecíficos ou ausentes, motivo pelo qual o rastreamento das gestantes é fundamental para a suspeição e o diagnóstico. Os sintomas variam de acordo com o estágio da doença. SÍFILIS CONGÊNITA 4 Na sífilis congênita precoce (menores de 2 anos), podem ocorrer: Icterícia (hiperbilirrubinemia), devido à hepatite ou hemólise; Lesões cutâneas, como pênfigo palmoplantar; Hepatoesplenomegalia, comumente causada por inflamação hepática e esplênica; Anemia e trombocitopenia; Rinite sifilítica (coriza serossanguinolenta); Osteocondrite e periostite, que podem causar pseudoparalisia dos membros; Neurossífilis, que pode incluir irritabilidade, crises convulsivas e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Diagnóstico O diagnóstico da SC, como o da maioria das outras infecções que discutiremos, baseia-se em uma combinação de história de diagnóstico e tratamento materno, achados clínicos no recém-nascido e testes laboratoriais. Os testes sorológicos são fundamentais nesse sentido. Existem dois tipos principais: 5 A sífilis congênita tardia (após 2 anos de idade), quando não tratada, pode apresentar-se com: Dentes de Hutchinson (dentes malformados); Rágades periorais (fissuras em torno da boca); Nariz em sela (deformidade nasal); Surdez neurossensorial; Ceratite intersticial e outras alterações oculares. Outros exames a serem realizados no RN incluem: Hemograma completo, para avaliar anemia, trombocitopenia e leucocitose; Raio-X de ossos longos, que pode mostrar periostite e outras lesões ósseas; Punção lombar, para avaliar a presença de neurossífilis (leucócitos elevados, proteínas elevadas e/ou VDRL positivo no líquido cefalorraquidiano) Testes Não Treponêmicos (VDRL, RPR): quantitativos, são úteis para monitorar a atividade da doença e a resposta ao tratamento. São anticorpos inespecíficos que podem ser observados em outras condições clínicas. Em neonatos, um título de VDRL maior que o materno em pelo menos duas vezes sugere infecção. Testes Treponêmicos (FTA-ABS, TPHA): detectam anticorpos específicos contra o Treponema pallidum, confirmando a infecção. 6 Valores de exame liquórico em crianças com suspeita de neurossífilis: Parâmetro LCR normal pré-termo LCR normal a termo LCR sugestivo de sífilis no RN LCR sugestivo de sífilis nas crianças maiores de 28 dias Leucócitos Proteínas 9 + 8 células/mm³ (LVN:0-28 células/mm³) 115mg/dL (LVN:65-150 mg/dL) VDRL 8 + 7 células/mm³ (LVN:0-32 células/mm³) Maior que 25 células/mm³ Maior que 5 células/mm³ 90mg/dL (LVN:20-170 mg/dL) Maior que 150 mg/dL Maior que 40 mg/dL Não reagente Não reagente Reagente Reagente Fonte: lago et al. 2013 (26); Volpe et al. 2017 (50) Legenda: LVN = Limite de variação do normal. Avaliação do recém-nascido Todo recém-nascido de mãe com sífilis deve ser avaliado, incluindo exames clínicos completos e testes sorológicos, dependendo de como a mãe foi tratada durante a gestação. Quando há suspeita clínica ou laboratorial de infecção, devem ser realizados exames de imagem e avaliação do líquor para excluir neurossífilis. Recém-nascidos cujas mães tiveram sífilis durante a gestação devem ser cuidadosamente avaliados, mesmo que assintomáticos, sobretudo em casos em que não há comprovação de tratamento da gestante. O tratamento adequado para sífilis durante a gestação é considerado aquele que é completo para o estágio clínico da sífilis, com penicilina benzatina, iniciado até 30 dias antes do parto e completado antes do nascimento da criança. Gestantes que não se enquadrarem nesses critérios serão consideradas como tratadas de forma inadequada. Essa definição é importante, pois serve como uma das bases para guiar o acompanhamento da criança. O tratamento das parcerias sexuais não é considerado noscritérios epidemiológicos de definição de casos de sífilis congênita. Entretanto, esse tratamento é imprescindível, considerando a possibilidade de reinfecção. É importante mencionar a necessidade de seguimento sorológico da gestante com VDRL mensais para avaliar possível reinfecção. Em crianças, um título de teste não treponêmico (VDRL, RPR) maior que o materno em pelo menos duas diluições (ex.: materno 1:4, recém-nascido maior ou igual a 1:16) é indicativo de infecção congênita. Entretanto, a ausência desse achado não exclui a possibilidade do diagnóstico da doença, uma vez que alguns estudos demonstraram que menos de 30% dos recém-nascidos com SC possuem resultados pareados de títulos de teste não treponêmico (VDRL, RPR) maiores que o materno em duas diluições. Por esse motivo, o exame físico da criança é essencial; se a criança apresentar baixo peso ao nascer sem outra causa que justifique, isso pode ser considerado um sintoma de SC. A seguir, apresentamos um fluxograma para avaliação e manejo na maternidade das crianças nascidas de mães com diagnóstico de sífilis na gestação atual ou no momento do parto, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para prevenção da transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatites virais, 2022. Prevenção A implementação de medidas de saúde pública que garantam o acesso ao cuidado pré-natal e o tratamento adequado pode erradicar a sífilis congênita (SC) como problema de saúde pública. Tratamento O tratamento da SC é feito com penicilina, que é altamente eficaz e o único antibiótico recomendado para essa infecção no período neonatal. 7 Para recém-nascidos com sífilis confirmada, a terapia de escolha é a penicilina G cristalina por via intravenosa, administrada na dose de 50.000 unidades/kg a cada 12 horas nos primeiros sete dias de vida e a cada 8 horas após o sétimo dia, por um período total de 10 dias. Alternativa: a penicilina G procaína intramuscular pode ser usada em casos em que a via intravenosa não é viável, apenas se o RN não tiver neurossífilis. Em casos de neurossífilis confirmada, deve ser realizada penicilina cristalina por 10 dias. Alternativa: a penicilina G procaína intramuscular pode ser usada em casos em que a via intravenosa não é viável, apenas se o RN não tiver neurossífilis. CONFERIR TABELA AO FINAL DO E-BOOK. A principal forma de prevenir a doença congênita é diagnosticar e tratar as gestantes adequadamente com penicilina, de acordo com o estágio da doença, independentemente do momento da gravidez. O tratamento adequado reduz significativamente o risco de transmissão vertical. No entanto, mesmo após o tratamento materno, o recém-nascido deve ser cuidadosamente avaliado para descartar infecção congênita. Todas as gestantes com sífilis devem ser notificadas, assim como todas as crianças com sífilis congênita e expostas à sífilis; essa notificação é um passo importante para o controle e acompanhamento dos recém-nascidos. Todas as gestantes devem ser testadas para sífilis no início da gravidez, durante o terceiro trimestre e no momento do parto, especialmente em áreas de alta prevalência. A sífilis congênita é um problema de saúde pública evitável e está associada a falhas nos sistemas de cuidado pré-natal. Medidas de saúde pública eficazes incluem: 8 Educação e conscientização: promoção do rastreamento e tratamento materno precoce; Acesso a cuidados pré-natais: ampliar o acesso a cuidados de qualidade para todas as gestantes; Notificação e acompanhamento: a sífilis congênita é de notificação compulsória. O rastreamento de contatos, tratamento de parceiros e acompanhamento adequado de mães e bebês são essenciais para o controle da doença; O risco de reinfecção por sífilis deve ser acompanhado durante todo o período do pré-natal. É fundamental oferecer preservativos e orientar a gestante sobre técnicas de uso em todas as relações sexuais para evitar reinfecção. Características clínicas A SRC resulta da transmissão transplacentária do vírus da rubéola da mãe para o feto. As consequências da infecção variam conforme o estágio da gestação em que ocorre a infecção materna. A infecção no primeiro trimestre apresenta o maior risco, com taxas de transmissão superiores a 80%. Sinais e sintomas Os recém-nascidos com síndrome da rubéola congênita (SRC) podem apresentar diversos sinais e sintomas ao nascimento, embora alguns possam ser assintomáticos inicialmente. Em alguns casos, os pacientes podem apresentar uma variedade de sintomas, incluindo malformações, como: RUBÉOLA CONGÊNITA A rubéola congênita é uma síndrome causada pela infecção do feto pelo vírus da rubéola durante a gestação, especialmente no primeiro trimestre. A infecção pode resultar em uma série de malformações congênitas, com impacto significativo na morbidade infantil. A doença é evitável através da imunização adequada da população, sobretudo das mulheres em idade fértil. A incidência da síndrome da rubéola congênita (SRC) durante períodos epidêmicos é de 1 a 4 casos por 1.000 nascidos vivos. Estima-se que a incidência da SRC durante períodos endêmicos seja de 0,1 a 0,8 casos por 1.000 nascidos vivos. Os custos diretos e indiretos da SRC são muito elevados, resultando da necessidade de procedimentos diagnósticos e tratamento especializado, assim como pela cronicidade e pela severidade de suas manifestações. 9 Diagnóstico O diagnóstico é clínico e laboratorial. A identificação de sinais característicos ao nascimento, combinada com a história materna de infecção durante a gravidez, pode levantar a suspeita diagnóstica. A principal dificuldade reside no fato de que, em casos de mulheres não vacinadas, a rubéola pode passar despercebida como uma infecção exantemática viral leve, o que dificulta a suspeição. Testes sorológicos O feto infectado produz anticorpos específicos da classe IgM e IgG para rubéola antes mesmo do nascimento. A presença de anticorpos IgM específicos para rubéola no sangue do recém-nascido é evidência de infecção congênita, uma vez que os anticorpos IgM maternos não ultrapassam a barreira placentária. Os anticorpos IgM podem ser detectados em 100% das crianças com SRC até o 5º mês, em 60% entre 6 e 12 meses, e em 40% entre 12 e 18 meses. Raramente, são detectados após o 18º mês. Os anticorpos maternos da classe IgG podem ser transferidos ao feto através da placenta, sendo encontrados também nos recém-nascidos não infectados, nascidos de mães imunes à rubéola. Não é possível diferenciar os anticorpos IgG maternos daqueles produzidos pelo próprio feto quando infectado na vida intrauterina. Como a quantidade de IgG maternos diminui com o tempo, Surdez neurossensorial (um dos sinais mais frequentes); Catarata, glaucoma ou outras anomalias oculares (como retinopatia e microftalmia); Cardiopatia congênita, sendo a persistência do canal arterial e a estenose pulmonar periférica as mais comuns; também podem ocorrer defeitos septais; Microcefalia e atraso no desenvolvimento neurológico; Hepatoesplenomegalia; Icterícia; Petéquias e púrpura trombocitopênica; Baixo peso ao nascer e restrição de crescimento intrauterino; Anomalias ósseas; Diabetes mellitus e hipotireoidismo (raramente). 10 Avaliação clínica do recém-nascido A avaliação clínica deve ser abrangente, incluindo exames neurológicos, audiológicos, oftalmológicos e cardiológicos, além do acompanhamento do desenvolvimento psicomotor. Exames laboratoriais, como hemograma, função hepática e sorologia para rubéola, são necessários. Exames de imagem, como ecocardiograma e ultrassonografia craniana, também podem ser indicados. Tratamento Infelizmente, não há tratamento específico para a rubéola congênita. O manejo visa tratar as complicações individuais da doença. Complicações como surdez e retardo no desenvolvimento neuropsicomotor exigem intervenções precoces, como o uso de próteses auditivas e terapias de reabilitação. Defeitos cardíacospodem necessitar de correção cirúrgica, e as alterações oculares requerem acompanhamento oftalmológico especializado. A reabilitação auditiva é importante para os casos de surdez, e o acompanhamento neurológico é essencial para monitorar o desenvolvimento cognitivo. A abordagem terapêutica envolve equipes multidisciplinares, incluindo pediatras, cardiologistas, oftalmologistas, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos, neurologistas e assistentes sociais. É necessário também fornecer suporte educacional e orientação familiar para otimizar o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança. Prevenção A imunização contra a rubéola é uma das formas mais eficazes de prevenir a infecção congênita e erradicar a doença. Mulheres que planejam engravidar devem ter seu estado vacinal avaliado e, se necessário, ser imunizadas com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). A vacinação com a tríplice viral é recomendada para todas as mulheres em idade fértil que não possuam evidências de imunidade (IgG positivo para rubéola). A vacina é contraindicada durante a gestação; mulheres que recebem a vacina devem evitar engravidar por pelo menos um mês após a vacinação, pois se trata de uma vacina de vírus vivo atenuado, que confere imunidade duradoura. O monitoramento contínuo de casos suspeitos e a manutenção de altas coberturas vacinais são medidas de saúde pública imprescindíveis, assim como campanhas de conscientização e vacinação de bloqueio em áreas de risco. desaparecendo por volta do sexto mês, a persistência dos níveis de IgG no sangue do recém-nascido é altamente sugestiva de infecção intrauterina. Para a investigação de casos suspeitos de SRC, deve ser colhida uma amostra de sangue logo após o nascimento, quando há suspeita ou confirmação de infecção materna durante a gestação, ou logo após a suspeita diagnóstica, em menores de um ano. 11 Características clínicas Conforme já descrito, a toxoplasmose congênita pode ter um espectro clínico variável, desde formas assintomáticas até manifestações graves, dependendo do estágio gestacional em que o feto é infectado. Nos casos mais graves, a doença pode levar a abortos espontâneos, natimortos ou ao nascimento de crianças com malformações graves. Entretanto, muitos recém-nascidos podem ser assintomáticos ao nascimento e desenvolver complicações mais tarde na infância. TOXOPLASMOSE CONGÊNITA A toxoplasmose congênita é causada pela infecção do feto pelo Toxoplasma gondii durante a gestação. A infecção materna pode ocorrer por meio da ingestão de cistos presentes em carne crua ou malcozida, exposição a fezes de gatos ou contato com alimentos ou água contaminados. O risco de ocorrência de infecção congênita aumenta significativamente conforme a idade gestacional em que a gestante é infectada. Considerando-se gestantes sem tratamento para toxoplasmose, estima-se uma taxa de transmissão vertical de 17% quando a infecção aguda ocorre no primeiro trimestre, em torno de 25% no segundo trimestre e cerca de 65% no terceiro trimestre, sendo que, no último mês, pode atingir mais de 90%. De maneira inversa, a doença é mais grave quando o feto é infectado no primeiro trimestre de gestação, e geralmente leve ou assintomática no feto infectado durante o terceiro trimestre. Considerando todo o período gestacional, aproximadamente 40% das gestantes com toxoplasmose aguda transmitirão o T. gondii ao feto. A prevalência de infecção congênita no Brasil tem mostrado taxas entre 3 e 20 casos por 10 mil nascidos vivos, com diferenças regionais. 12 Microcefalia; Calcificações intracranianas, sobretudo periventriculares; Convulsões; Hidrocefalia; Icterícia; Hepatoesplenomegalia; Retardo no crescimento intrauterino; Lesões oculares, como coriorretinite; Rash cutâneo; Anemia e trombocitopenia. Atraso do desenvolvimento neuropsicomotor; Surdez neurossensorial. Sinais e sintomas Cerca de 85% dos recém-nascidos (RN) com toxoplasmose congênita não apresentam sinais clínicos evidentes ao nascimento. Porém, uma avaliação detalhada pode revelar alterações como: As manifestações oculares são características da toxoplasmose congênita, com a coriorretinite sendo a mais comum. Ela pode ocorrer em um ou ambos os olhos e pode ser bilateral ou recidivante, resultando em perda visual significativa. Outras alterações incluem estrabismo e nistagmo. Essas manifestações clínicas podem ser observadas no período neonatal ou ao longo dos primeiros meses de vida, podendo haver surgimento de sequelas da doença previamente não diagnosticada apenas na adolescência ou na idade adulta. 13 Diagnóstico A infecção pode ser suspeitada em fetos cujas mães foram diagnosticadas com toxoplasmose durante a gravidez ou em recém-nascidos com sinais sugestivos da doença. Exames de imagem, como a ultrassonografia fetal durante a gestação, podem identificar sinais sugestivos de toxoplasmose congênita, como calcificações intracranianas e ventriculomegalia. O diagnóstico definitivo é feito pela identificação do Toxoplasma gondii em fluidos fetais ou neonatais, ou por testes sorológicos. Em neonatos, a presença de IgM ou IgA específicas contra o Toxoplasma gondii é indicativa de infecção congênita, pois esses anticorpos não atravessam a placenta. A persistência ou o aumento dos níveis de IgG específica durante os primeiros meses de vida também sugere infecção congênita. Entretanto, a persistência dos níveis de IgG pode não ser útil para diagnóstico precoce e indicação de tratamento; dessa forma, além dos exames sorológicos, em casos suspeitos, devem ser realizados exames complementares que possam detectar sinais da infecção. A negatividade da IgM não exclui a toxoplasmose congênita (é negativa em 30 a 40% dos RN infectados), o que também indica a necessidade de mais exames em casos suspeitos. A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) são indicadas para avaliar possíveis lesões cerebrais, como calcificações, hidrocefalia e outras anomalias estruturais. Outros exames complementares incluem exames oftalmológicos, como a fundoscopia, para avaliar a presença de coriorretinite. A punção lombar, com exame completo de líquor (células, proteína e glicose), é indicada na presença de anormalidades neurológicas e/ou de imagem cerebral. Em casos graves, com acometimento extenso do sistema nervoso central, a proteína líquor pode estar elevadíssima. Quando atinge mais de 1 g/dL, está indicada a terapêutica sistêmica com corticosteroides. Pode-se ainda solicitar o exame de PCR no LCR para detectar material genético do parasita. Também é necessário solicitar exame audiológico para avaliar surdez neurossensorial. Devem ser realizados hemograma, função hepática e renal, bem como avaliação da deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD), pois o tratamento com sulfadiazina pode causar hemólise na presença de deficiência de G6PD. Além disso, deve-se coletar sorologias para outras infecções congênitas que podem apresentar sintomas semelhantes à toxoplasmose, como o vírus Zika e o citomegalovírus. 14 Tratamento O tratamento da toxoplasmose congênita é mais eficaz quando iniciado precocemente. Todos os lactentes com toxoplasmose congênita diagnosticados no primeiro ano de vida devem receber tratamento específico durante 12 meses, independentemente da presença de sinais ou sintomas da doença. O tratamento da toxoplasmose congênita é realizado com um esquema tríplice, que consiste na combinação de pirimetamina e sulfadiazina, associadas ao ácido folínico. Pirimetamina: ataque com 2 mg/kg/dia a cada 12 horas por 48 horas, seguido de 1 mg/kg/dia em 1 dose diária por via oral (VO) durante 6 meses; após isso, a mesma dose 3 vezes por semana por 1 ano. Sulfadiazina: 100 mg/kg/dia em 2 doses diárias por via oral (VO) durante 1 ano. Ácido folínico: iniciar com 15 mg em uma dose VO, 3 vezes por semana. Se ocorrer neutropenia ou outro efeitocolateral da pirimetamina, aumentar para 15 mg de ácido folínico diariamente. Prednisolona: se houver retinocoroidite ativa em local da retina com risco de dano visual, e/ou proteína liquórica > 1.000 mg/dL. Dose: 1 mg/kg/dia em 2 doses diárias por via oral (VO). Deve-se iniciar somente após 48 horas de uso da terapêutica específica. Quando cessar a indicação, reduzir gradativamente ao longo de 3 semanas, até a suspensão completa. 15 Havendo a presença de retinocoroidite em atividade com risco de dano visual, ou proteína no líquor acima de 1.000 mg/dL, deve-se associar prednisona ou prednisolona (ver detalhes sobre o esquema terapêutico a seguir). O tratamento antiparasitário deve ser administrado por pelo menos 12 meses nos casos de toxoplasmose congênita. Esse tratamento reduz o risco de sequelas neurológicas e oculares graves, embora não elimine completamente a possibilidade de recidivas oculares ao longo da vida. A monitorização hematológica frequente é essencial devido aos efeitos adversos da pirimetamina e da sulfadiazina sobre a medula óssea; por esse motivo, é importante que o paciente com toxoplasmose congênita seja acompanhado por um infectologista pediátrico que monitore tanto os eventos adversos das medicações quanto o desenvolvimento e os sintomas do paciente. As complicações neurológicas e oculares da toxoplasmose congênita, como hidrocefalia e coriorretinite, devem ser abordadas com intervenções específicas, como derivação ventricular, acompanhamento oftalmológico e terapias de reabilitação, sendo necessários medicamentos anticonvulsivantes em alguns casos. É necessário que haja acompanhamento multiprofissional regular de todo paciente com diagnóstico de toxoplasmose, sobretudo aqueles que apresentem alterações neurológicas, oftalmológicas e auditivas. Uma proposta de algoritmo para o acompanhamento dessas crianças foi feita pelo Ministério da Saúde e é apresentada no final deste ebook. CONFERIR TABELA AO FINAL DO E-BOOK. Evitar o consumo de carne crua ou malcozida; Lavar frutas e vegetais crus antes do consumo; Evitar o contato direto com fezes de gatos e utilizar luvas ao manusear terra ou caixas de areia; Beber água potável, evitando fontes não tratadas. 16 Prevenção A prevenção da toxoplasmose congênita está diretamente relacionada à prevenção da infecção materna. As medidas de prevenção incluem: As gestantes devem ser orientadas a seguir essas práticas de prevenção desde o início da gravidez. A triagem sorológica para toxoplasmose também é recomendada no pré-natal, especialmente para mulheres soronegativas, a fim de identificar e monitorar infecções recentes ou ativas durante a gestação. Em gestantes com infecção comprovada por toxoplasmose, é fundamental realizar um monitoramento gestacional intensivo, que inclui testes sorológicos repetidos e ultrassonografia fetal para avaliar sinais de infecção fetal. Em alguns casos, a amniocentese pode ser realizada para confirmação diagnóstica pela detecção de DNA do Toxoplasma gondii no líquido amniótico. HERPES SIMPLES CONGÊNITO E PERINATAL A infecção por herpes vírus no período neonatal é causada pela transmissão do vírus Herpes Simplex (HSV) da mãe para o feto durante a gestação, geralmente no parto vaginal. Existem dois tipos principais de vírus herpes simplex: o HSV-1, que geralmente causa infecções orofaciais, e o HSV-2, responsável pela maioria das infecções genitais. Embora rara, com prevalência em torno de 1% de transmissão, a infecção congênita pelo herpes simplex é uma condição grave que pode levar à alta morbimortalidade do recém-nascido. As formas disseminadas ocorrem em 50% dos casos e apresentam uma mortalidade de 30%. Quando há acometimento do sistema nervoso, isoladamente ou em formas disseminadas, há probabilidade de anormalidades neurológicas ou sequelas em mais de 70% das crianças afetadas. Características clínicas A infecção congênita é rara, mas apresenta um prognóstico muito grave, podendo resultar em microcefalia, hidranencefalia e microftalmia, além de mortalidade elevada e sequelas graves nos sobreviventes. Muitas vezes, resulta em aborto ou natimorto. A infecção perinatal é a mais comum – 90% dos casos de herpes neonatal são adquiridos no período perinatal. O prognóstico também é muito grave se a infecção não for tratada. A forma de apresentação com lesões cutâneas, orais e oculares é a que apresenta melhor prognóstico. Conforme mencionado anteriormente, a infecção perinatal pode se manifestar principalmente de três formas: 17 Infecção localizada na pele, olhos e boca (SEM): a apresentação mais comum, geralmente ocorrendo nas primeiras semanas de vida. Caracteriza-se por lesões vesiculares na pele, conjuntivite ou ceratite. Infecção do sistema nervoso central (SNC): cerca de 30% dos neonatos com herpes congênito desenvolvem encefalite herpética, caracterizada por letargia, irritabilidade, convulsões e anormalidades na função cerebral. Infecção disseminada: a forma mais grave, que afeta múltiplos órgãos, como fígado, pulmões e glândulas adrenais. Pode resultar em falência orgânica, sepse e choque, com alta taxa de mortalidade. As complicações da infecção por HSV em neonatos podem ser graves, especialmente quando a doença afeta o sistema nervoso central ou se dissemina. Neste caso, pode haver encefalite, uma das complicações mais devastadoras, que pode resultar em sequelas neurológicas permanentes, como atraso no desenvolvimento, paralisia cerebral, convulsões de difícil controle e microcefalia. Na forma disseminada, pode ocorrer falência hepática e sepse, levando à morte se não tratada rapidamente. Também pode ocorrer surdez neurossensorial e comprometimento visual como consequências a longo prazo da infecção. Diagnóstico O diagnóstico do herpes simples congênito é baseado em uma combinação de achados clínicos, que são sugestivos de cada tipo de infecção conforme mencionado anteriormente, além da história materna e testes laboratoriais. Podem ser solicitados os seguintes exames para auxiliar o diagnóstico: 18 Bilirrubinas total e frações: em geral, há aumento da bilirrubina indireta (BI); AST e ALT: aumentadas; Líquido cerebrospinal (LCR): pleocitose, aumento de proteínas (nas encefalites) e hemácias (nas hemorragias); Eletroencefalograma: múltiplos focos independentes, ondas periódicas lentas e agudas; PCR (reação em cadeia da polimerase) e cultura do vírus: o método padrão-ouro para detectar o DNA do HSV em amostras de sangue, líquido cerebrospinal, vesículas cutâneas e outros fluidos corporais. A PCR é altamente sensível e específica, especialmente em casos de encefalite herpética; Esfregaço de Tzanck: citológico de raspado da lesão com coloração de Wright ou Giemsa, mostrando células gigantes multinucleadas e inclusões intranucleares; Sorologia IgG e IgM: raramente auxilia no diagnóstico e é de difícil interpretação; a detecção de anticorpos IgM específicos contra HSV pode ser útil, mas a maioria dos neonatos não desenvolve uma resposta significativa antes de várias semanas de infecção; Pesquisa de antígenos virais em raspado de lesão: por ELISA e imunofluorescência direta; Exames de imagem: a ressonância magnética (RM) é importante para identificar anormalidades cerebrais, especialmente em casos de encefalite. A ultrassonografia craniana também pode ser utilizada para detectar complicações cerebrais; Cultura viral: a cultura do vírus nas lesões cutâneas ou no sangue é o exame de eleição para diagnóstico de infecção sistêmica ou ocular mucocutânea. Presença de lesões vesiculares características na pele, olhos ou boca, especialmente nas primeiras semanas de vida; Resultados positivos de PCR para HSV em sangue, LCR ou fluidos corporais; Alterações em exames de imagem, como RM mostrando lesões cerebrais características da encefalite herpética; História materna de infecção genital herpética, especialmente no terceiro trimestre, ou sinais de infecção ativano momento do parto. Critérios diagnósticos Os critérios diagnósticos para o herpes simples congênito incluem: Tratamento O tratamento do recém-nascido deve ser realizado com aciclovir, de acordo com a forma de manifestação clínica. Além disso, pacientes que apresentem pesquisa de PCR viral positiva também devem ser tratados devido à rápida progressão e à gravidade da doença. A dose e o tempo de tratamento são definidos de acordo com a forma clínica da infecção e a história de recorrências. Terapia antiviral Aciclovir é o antiviral de escolha para o tratamento da infecção por HSV em neonatos. A dose padrão é de 20 mg/kg a cada 8 horas por 14 dias para infecções mucocutâneas e 21 dias se a infecção for disseminada ou encefalite herpética. O aciclovir deve ser administrado a todos os recém-nascidos com infecção suspeita ou comprovada por vírus Herpes simplex, independentemente das manifestações e da gravidade da infecção. Nos pacientes com infecção do sistema nervoso central (SNC) no final da terapêutica com aciclovir, deve-se solicitar uma nova PCR no LCR. Uma PCR positiva indica persistência da infecção e a necessidade de manter a terapêutica. Os pacientes com forma mucocutânea podem ter recorrências nos primeiros meses de vida e podem vir a desenvolver sequelas neurológicas. O manejo das complicações requer uma abordagem multidisciplinar, com monitoramento neurológico para acompanhamento rigoroso do desenvolvimento neuropsicomotor, uso de anticonvulsivantes para controlar crises epilépticas, suporte respiratório e hemodinâmico em neonatos com doença disseminada ou falência de múltiplos órgãos, e tratamento oftalmológico para complicações oculares, como ceratite ou cicatrizes corneanas. 19 Prevenção A prevenção do herpes simples congênito depende de medidas para evitar a transmissão vertical do HSV da mãe para o feto ou recém-nascido. Mulheres com história de infecção por HSV devem ser monitoradas de perto durante a gravidez, especialmente no terceiro trimestre. Profilaxia antiviral com aciclovir ou valaciclovir pode ser oferecida a mulheres com infecções recorrentes de HSV a partir de 36 semanas de gestação, com o objetivo de reduzir o risco de recorrência e a necessidade de cesariana. Em gestantes com sinais de infecção genital ativa no momento do parto, deve-se considerar o parto cesáreo para minimizar o risco de transmissão vertical. Mulheres sem lesões ativas, mas com histórico de herpes genital, podem ter um parto vaginal seguro, desde que estejam assintomáticas e sem evidência de infecção ativa no momento do parto. Medidas preventivas durante a gestação 20 CONCLUSÃO Os testes de triagem para as infecções congênitas mais prevalentes são de grande importância na prevenção da transmissão vertical e perinatal desses patógenos, além de serem vitais no acompanhamento pré-natal. O planejamento familiar também é relevante, no que se refere à programação de vacinas antes da concepção e à orientação sobre práticas de sexo seguro e medidas gerais para evitar as diversas infecções abordadas neste e-book. É importante reafirmar que todas essas infecções podem passar despercebidas caso o pré-natal da gestante não seja realizado ou avaliado no momento do nascimento da criança. Praticamente todas elas podem cursar com surdez neurossensorial, que não é avaliada pelo Teste da Orelhinha realizado como triagem neonatal nas maternidades. Para essa avaliação, é necessário realizar o PEATE (Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico). A intervenção precoce e o tratamento adequado podem minimizar o impacto dessas doenças na vida do feto e do recém-nascido. 21 Prevenção A implementação de medidas de saúde pública que garantam o acesso ao cuidado pré-natal e o tratamento adequado pode erradicar a sífilis congênita (SC) como problema de saúde pública. 22 Este conteúdo foi útil para você? No nosso site, você encontra soluções para continuar se atualizando quando e onde quiser. Acesse o site e confira as opções de livros, cursos e programas de atualização para se aprimorar profissionalmente: www.artmed.com.br REFERÊNCIAS Bouthry E, Picone O, Hamdi G, Grangeot-Keros L, Ayoubi JM, Vauloup-Fellous C. Rubella and pregnancy: diagnosis, management and outcomes. Prenat Diagn. 2014 Dec;34(13):1246-53. DOI: 10.1002/pd.4467. Epub 2014 Sep 16. PMID: 25066688. Disponível em: https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/pd.4467 Brasil. Ministério da Saúde. Manual de operação: rubéola [recurso eletrônico]. Brasília: Ministério da Saúde; 2008. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_operac_rubeola_2008.pdf Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. 2. ed. atual. Brasília: Ministério da Saúde; 2014. 4 v. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_recem_nascido_v2.pdf Brasil. Ministério da Saúde. Síndrome da rubéola congênita [recurso eletrônico]. Brasília: Ministério da Saúde; 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sindrome-da-rubeola-congenita Caderno de Atenção ao Recém-nascido de risco. Secretaria de Estado da Saúde do Paraná; 2020. Disponível em: https://www.saude.pr.gov.br/sites/default/arquivos_restritos/files/documento/2020-07/pdf1.pdf Carvalho ALD, Anchieta LM, Romanelli RMDC. Infecções congênitas por herpes vírus. Rev Méd Minas Gerais. 2014;24(2):223-232. Disponível em: https://rmmg.org/artigo/detalhes/1603 Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Chapter 15: Congenital rubella syndrome. In: Vaccines for the Prevention of Infectious Diseases [recurso eletrônico]. Disponível em: https://www.cdc.gov/vaccines/pubs/surv-manual/chpt15-crs.html Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Rubella and congenital rubella syndrome control and elimination global progress, 2000-2012. 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ISBN 978-65-5993-234-4 Protocolo elaborado pelo Grupo de Estudos em Toxoplasmose da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul; 2021. Disponível em: https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202107/06113912-protocolo-toxoplasmose-congenita.pdf São Paulo. Secretaria da Saúde. Nota informativa sobre manejo do recém-nascido exposto à sífilis [recurso eletrônico]. 2022. Disponível em: https://www.saude.sp.gov.br/resources/crt/publicacoes/documentos-tecnicos/notainformativan002_2022_manejodorn expostoasifilis.pdf Sociedade Portuguesa de Pediatria. Infecciologia perinatal [recurso eletrônico]. 2007. Disponível em: https://www.spp.pt/UserFiles/File/Infecciologia_Perinatal_2007/Infecciologia_Perinatal.pdf WHO. Guidelines for the Management of Sexually Transmitted Infections. World Health Organization; 2003. Disponível em: https://apps.who.int/iris/handle/10665/42782. World Health Organization (WHO). Rubella and congenital rubella syndrome control and elimination Global progress, 2020. WHO Weekly Epidemiological Record. 2021; 96:61-76. WorldHealth Organization (WHO). Toxoplasmosis: epidemiology, diagnosis, and control. WHO Guidelines; 2018. 23 Realizar teste rápido de sífilis em toda gestante que chega à meternidade,bem como nas mulheres em abortamento Referenciar para seguimento clínico e laboratorial na puericultura Se teste rápido não reagente e ausência de infecção por sífilis: sem necessidade de condutas para a gestante e a criança. Se teste rápido geagente*: avialiar histórico de tratamento de sífilis na gestante A mãe foi tratada de forma adequada durante a gestação? Não Não Não Não Aplicar benzilpenicilina benzatina, 50.000UI/kg, dose única, intramuscular Criança com sífilis congênita COM neurossífilis Tratar com benzilpenicilina cristalina, por 10 dias Criança com sífilis congênita SEM neurossífilis Tratar com benzilpenicilina cristalina ou benzilpenicilina procaína, por 10 dias Notificação para sífilis congênita Para definição do tratamento, seguir no fluxograma como criança nascida de mãe não adequadamente tratada. Realizar avaliação para STORCH Criança esposta à sífilis Sem necessidade de tratamento imediato Sim Sim Sim Sim Sim NãoSim Realizar teste não treponêmico sérico da mãe e do recém nascido, ao mesmo tempo. O teste não treponêmico da criança é pelo menos duas diluições MAIOR que o materno? Notificar para sífilis congênita e realizar teste não treponêmico sérico da mãe e do recem nascido, ao mesmo tempo. Realizar no recém nascido hemograma completo e glicemia, RX de ossos longos e coletar o líquor (solicitar celularidade,proteinorroquia e VDRL) O exame físico do recém nascido, o hemograma e o liquor e o RX de ossos longos são normais, e o teste não treponêmico do rcém nascido é não reagente? O teste não treponêmico é não reagente? O exame físico da criança é normal? O resultado do líquor é normal? Não Fluxograma - Avaliação e manejo na maternidade das crianças nascidas de mães com diagnóstico de sífilis na gestação atual ou no momento do parto RN com suspeita de Toxoplasmose congênita - Mãe com infeclão aguada na gestação - provável ou confirmada, ou, - RN com IgM reagente na triagem neonatal (teste do pezinho)* Sorologia simultânea (pareada) na mãe e filho Mãe: IgG e IgM. RN: IgG, IgM e, se possível, IgA Mãe com IgG reagente e IgM reagente ou não RN - IgG reagente e IgM e IgA (se realizado) não reagentes Mãe com IgG não reagente e IgM reagente Mãe suspeita de infecção aguda próximo ao parte; RN assintomático # Mãe com IgG e IgM Não reagentes Exame clínico; Exame de fundo de olho; Ultrassom transfontanelar. Criança assintomática Alteração clínica e/ou nos exames Repetir sorologia da criança mensalmente IgG persiste em índica estável ou apresenta alevação em duas avaliações sucessivas Queda progressiva de IgG até resultado negativo em duas amostras com intervalo mínimo de 1 mês *Resultado indeterminado em papel filtro não exclui a toxoplasmose congênita. Acompanhar a criança e investigar se houver suspeita de infecção congênita. Na dúvida, discutir com especialista. Alguns autores sugerem que se a infecção aguda materna (soroconversão) ocorreu no último trimestre da gestação, pode-se iniciar tratamento da criança, mesmo se assintomática e, a seguir, realizar a propedêutica. Se RN sintomático e soronegativo para toxoplasmose, avaliar sorologias maternas, condições de nascimento da criança (como prematuridade), e discutir caso a caso. RN - RECÉM-NASCIDO; usg - Ultrassom gestacional; TCC - Tomografia computadorizada do crânia; PCR - Reação em Cadeia da Polimerase; EOA - Emissões otoacústicas; PEATE ou BERA - Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Encefálico; ALT ou TGP - Alanina Aminotransferase; AST ou TGO - Aspartato Aminotrasnferase; SD/P/AF - Sulfadiazina/Pirimetamina/Ácido Folínico Fonte: Adaptado de BRASIL, 2020a, com a Coordenação das pesquisadoras e assessoras técnicas do Ministério da Saúde. Fluxograma - Avaliação e condutas para o recém-nascido suspeito de Toxoplasmose Congênita Pré-natal sem alterações (US normal e PCR em LA negativo, se tiver sido realizado) RN - IgG reagente e IgM e IgA (se realizado) não reagente RN - IgG reagente e IgM e/ou IgA (se realizado) reagente IgG e/ou IgM e/ou IgA reagente IgG e IgM e IgA (se realizado) não reagente Excluído Toxoplasmose congênita Controle de saúde na UBS Criança sem suspeita de toxoplasmose congênita Toxoplasmose congênita Iniciar tratamento do RN com SD/P/AF**. Investigar a criança: Alguns autores colhem LCR em todas as crianças suspeitas e complementam a investigação hepática na maternidade - Exame fundo de olho; - Ultrassom transforntanelar ou TCC; - Hemograma completo; - Avaliação auditiva (EOA e Peate); - Líquor (se sintomático); - ALT e AST Criança assintomática RN - IgG, IgM e IgA (se realizado) Não reagente Repetir sorologia da criança em 2 semanas Investigar a criança (ver quadro rosa à esquerda); Iniciar tratamento Repetir sorologia da mãe e criança para confirmar a infecção - - - RN - IgG (+ou -) e IgM e/ou IgA reagente RN - IgG e IgM e IgA (se realizado) não reagentes RN com sinais e sintomas de infecção congênita e com IgG, IgM e IgA (se realizado) Não reagentes Repetir sorologia da mãe (IgG, IgM) e da criança (IgG, IgM e , se possível, IgA) em 2 semanas Sorologia da mãe e da criança reagentes Toxoplasmose congênita - Iniciar tratamento; - Investigar criança (ver quadro rosa à esquerda Se criança sintomática, investigar outras causas de infecção congênita Sorologia da mãe e da criança não reagente RN assintomático com IgG e IgM e IgA (se realizado) não reagentes Notificar todo caso suspeito no SINAN (CID = P37.1) - Se a criança apresentar sinais/sintomas sugestivos de infecção congênita, proceder à investigação completa (sorologia e exames complementares), e iniciar tratamento. - RN de mulheres coinfectadas com HIV e T. gondii, e não fizeram profilaxia anti-toxoplasma na gestação, devem ser avaliados quanto à Toxoplasmose congênita (sorologia e exames complementares) - Se a mãe da criança realizou amniocentese e o exame de PCR foi positivo, ou o USG mostrou alteração fetal, iniciar o tratamento da criança após o nascimento e realizar investigação completa da criança. Tratamento para infecção fetal pode negativar a sorologia do RN.