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1. Compreender o que é DSM; 5 eixos Publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) é o dispositivo oficial de traçar os diagnósticos psiquiátricos nos Estados Unidos, sendo utilizado em grande escala no mundo e, tendo assim, grande influência sobre a Classificação Internacional de Transtornos Mentais da Organização Mundial de Saúde (OMS). Além de ser usado por profissionais da área clínica, o DSM visa a ser incorporado globalmente em outras áreas de atuação, tais como a jurídica, escolar e organizacional. Importante saber que, até o DSM-4, o diagnóstico de autismo poderia receber um destes nomes: ● Transtorno Autista; ● Síndrome de Asperger; ● Transtorno Desintegrativo Infantil; ● Transtorno Invasivo do Desenvolvimento. Já a partir do DSM-5, o autismo passa a ser chamado de Transtorno do Espectro do Autismo, classificado como um dos Transtorno do Neurodesenvolvimento, caracterizado pelas dificuldades de comunicação e interação social e também os comportamentos restritos e repetitivos. Essas novas classificações do DSM-5 trouxeram mudanças significativas em todos os critérios usados para realização do diagnóstico de autismo, ampliando a identificação dos sintomas e focando em observações do desenvolvimento da interação social e comunicação das crianças O número 5 se refere à quinta edição do manual, que passa por revisões e atualizações diante dos avanços científicos sobre os transtornos mentais. https://genialcare.com.br/blog/sindrome-de-asperger/ https://genialcare.com.br/blog/autismo/ A edição mais recente foi formulada em 2013, substituindo o DSM 4, que estava em vigor desde 1994 e havia passado por uma pequena adaptação no ano 2000. A primeira versão surgiu em 1952, como suporte ao tratamento de traumas e doenças mentais que causavam sofrimento aos veteranos da Segunda Guerra Mundial. Quantos diagnósticos tem o DSM 5? A quantidade de condições reunidas no DSM 5 ultrapassa 300 doenças mentais. Essa longa lista analisa as patologias no formato de espectro, atribuindo diferentes gradações de acordo com a gravidade dos sintomas. A intensidade dos comportamentos e impactos sobre a vida do paciente também são consideradas no diagnóstico. Antes do DSM-III, o autismo ainda não tinha atingido uma base de regras suficientemente aceitas para serem aplicadas, não existindo ainda 2. Estudar Transtorno do Espectro Autista (TEA), etiologia, graus e características. Transtorno do espectro do autismo O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento , caracterizado por dificuldades de comunicação e interação social e pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritos. ● Na maioria dos casos, no entanto, os sintomas do TEA só são consistentemente identificados entre os 12 e 24 meses. ● Não obstante essa evidência, o diagnóstico do TEA ocorre, em média, aos 4 ou 5 anos de idade ● Alguns marcadores potencialmente importantes no primeiro ano de vida incluem anormalidades no controle motor, atraso no desenvolvimento motor, sensibilidade diminuída a recompensas sociais, afeto negativo e dificuldade no controle da atenção. ● Sua prevalência é maior em meninos do que em meninas, na proporção de cerca de 4:18. Estima-se que em torno de 30% dos casos apresentam deficiência intelectual. Sociedade brasileira de pediatria ● O TEA é também frequentemente associado a outros transtornos psiquiátricos (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, depressão e ansiedade) e a outras condições médicas (epilepsia; transtornos genéticos). ● Dificuldades motoras são também relativamente comuns entre indivíduos com TEA, embora sua presença não seja necessária para o diagnóstico. Etiologia dos transtornos do espectro do autismo Apesar de sua etiologia ainda não ser totalmente esclarecida, sabe-se que muitos fatores de risco inespecíficos, como idade parental avançada, baixo peso ao nascer ou exposição fetal a ácido valpróico, pode contribuir para o risco de transtorno do espectro autista. Fatores genéticos também estão presentes podendo variar de 37-90%, com base em taxas de concordância entre gêmeos, bem como podem estar associados a uma mutação genética O mais importante ● Pesquisas recentes sugerem que a incidência de transtornos do espectro autista é diretamente proporcional à prematuridade (2). ● Embora nenhum destes fatores pareça ter forte correlação com aumento e/ou diminuição dos riscos, a exposição a agentes químicos, deficiência de vitamina D e ácido fólico, , prematuridade (com idade gestacional abaixo de 35 semanas), gestações múltiplas, infecção materna durante a gravidez e id Sinais e sintomas dos transtornos do espectro do autismo ● Transtornos do espectro do autismo podem se manifestar durante o primeiro ano de vida, mas, dependendo da gravidade dos sintomas, o diagnóstico só ser claro na idade escolar. Duas características principais definem transtornos do espectro do autismo: ● Déficits persistentes na comunicação e interação sociais ● Padrões repetitivos restritos de comportamento, interesses e/ou atividades Exemplos de déficits de comunicação e interação sociais incluem ● Déficits na reciprocidade social e/ou emocional (p. ex., incapacidade de iniciar ou responder a interações sociais ou conversas, nenhum compartilhamento de emoções) ● Déficits de comunicação social não verbal (p. ex., dificuldade de interpretar a linguagem corporal, gestos e expressões das outras pessoas; redução nas expressões faciais e gestos e/ou contato visual) ● Déficits no desenvolvimento e na manutenção de relacionamentos (p. ex., estabelecer amizades, ajustar o comportamento a situações diferentes) ● OS Comprometimentos na linguagem são caracterizados por dificuldades nos aspectos pragmáticos, semânticos, paralinguísticos, sintático, fonético e fonológico. Exemplos dos padrões, repetitivos e restritos de comportamento, interesses e/ou atividades incluem ● Falas ou movimentos estereotipados ou repetitivos (p. ex., agitar as mãos ou estalar os dedos repetidamente, repetir frases idiossincráticas ou ecolalia, alinhar brinquedos) ● Adesão inflexível a rotinas e/ou rituais (p. ex., sentir aflição extrema em pequenas mudanças nas refeições ou roupas, ter rituais de saudação estereotipados) ● Interesses muito restritos anormalmente fixos (p. ex., preocupação com aspiradores de pó, pacientes mais velhos que anotam horários de voos) ● Reação exagerada ou falta de reação a estímulos sensoriais (p. ex., aversão extrema a cheiros, aromas ou texturas específicas; indiferença aparente à dor ou temperatura) ● Algumas crianças se autoagridem. Cerca de 25% dos afetados têm perda das habilidades adquiridas anteriormente. ● Condições comórbidas são comuns, particularmente deficiência intelectual e distúrbios de aprendizagem. Os dados neurológicos não focais incluem caminhar incoordenado e movimentos motores estereotipados. As convulsões ocorrem em 20 a 40% destas crianças (particularmente aquelas com quociente de inteligência QI] < 50). Questões sensoriais no TEA 1. Baixa energia/fraqueza: parece ter músculos fracos, não consegue carregar objetos pesados, tem preensão fraca, etc. 2. Sensibilidade tátil/ao movimento: reage agressivamente ao toque; evita andar descalço, especialmente na grama ou areia; fica ansioso ou estressado quando os pés não tocam o chão; tem medo de altura ou movimento. 3. Sensibilidade gustativa/olfativa: come apenas alguns sabores; escolhe alimentos pela textura; evita alguns sabores e cheiros tipicamente comuns na alimentação de crianças. 4. Sensibilidade auditiva/visual: não consegue trabalhar com barulho ao fundo; tem dificuldades em terminar tarefas se o rádio/TV estão ligados; tampa os ouvidos com as mãos; fica incomodado com luzes brilhantes; cobre os olhos para protegê-los da luz. 5. Procura sensorial/distraibilidade: fica muito excitado durante atividades com movimento; pula de uma atividade para outra de maneira que interfere no brincar;tem dificuldade em prestar atenção; toca pessoas ou objetos; produz barulhos estranhos 6. Hiporresponsividade: parece não notar quando o rosto e mãos estão sujos; não responde quando o nome é chamado, apesar da audição estar boa; parece não ouvir o que lhe é dito; deixa a roupa embolada no corpo níveis do Transtorno do Espectro Autista Nível 1: Requer suporte As dificuldades de comunicação que uma pessoa com TEA nível 1 pode enfrentar incluem: ● dificuldade em iniciar interações sociais; ● resposta atípica à interação social; ● diminuição do interesse em interações sociais em alguns casos; ● capacidade de falar frases claras e se comunicar, mas com dificuldade de manter uma conversa e fazer amigos. As dificuldades comportamentais que uma pessoa com TEA nível 1 pode enfrentar incluem: ● comportamento inflexível que interfere no funcionamento geral em um ou mais contextos; ● dificuldade para alternar entre atividades; ● dificuldades de organização e planejamento, que podem afetar a independência. Nível 2: Requer suporte substancial Os problemas de comunicação que uma pessoa com TEA nível 2 pode enfrentar incluem: ● dificuldades perceptíveis com habilidades de comunicação social verbal e não verbal; ● questões sociais aparentes apesar dos apoios em vigor; ● iniciação limitada de interação social; ● resposta reduzida às interações sociais; ● interações limitadas a interesses estreitos; ● diferenças mais significativas na comunicação não verbal. Os problemas comportamentais que uma pessoa com TEA nível 2 pode enfrentar incluem: ● comportamento inflexível; ● dificuldade para lidar com a mudança; ● comportamentos restritos ou repetitivos que interferem no funcionamento diário; ● dificuldade em mudar o foco ou ação Nível 3: Requer muito suporte Os problemas de comunicação que uma pessoa com TEA nível 3 pode enfrentar incluem: ● dificuldades graves na comunicação social verbal e não verbal; ● iniciação muito limitada de interações sociais; ● resposta mínima à interação social de outros; ● usar poucas palavras e fala inteligível; ● métodos incomuns de atender às necessidades sociais e responder apenas a abordagens muito diretas As dificuldades comportamentais que uma pessoa com TEA nível 3 pode enfrentar incluem: ● comportamento inflexível; ● extrema dificuldade em lidar com a mudança; ● comportamentos restritos ou repetitivos que interferem significativamente no funcionamento em todas as áreas da vida; ● experimentar grande angústia ao mudar o foco ou a atividade. Os níveis de TEA correspondem à gravidade dos sintomas de autismo descritos acima e ao grau de suporte necessário. Além disso, é importante ter em mente que a quantidade de suporte que uma pessoa autista precisa pode variar de acordo com as diferentes idades ou situações. Alterações neuroanatômicas o cerebelo é uma das mais estudadas no autismo, com evidências de hipoplasia dos lóbulos vermianos VI e VII, alterações de volume no verme cerebelar e lobo cerebelar anterior , além de possível acometimento de lobo cerebelar posterior. Alterações radiológicas do cérebro um padrão anormal de crescimento cerebral, de forma mais acelerada, entre 2 e 4 anos de idade, cursando com aumento do volume cerebral de 5 a 10% em relação ao volume normal em até 90% dos pacientes com TEA. Isso ocorre devido ao aumento de substância branca e cinzenta e dos ventrículos laterais. Entretanto, essa alteração não se apresenta de maneira uniforme e pode haver redução do volume com o passar dos anos. Por isso, adolescentes e adultos podem passar a apresentar volume normal com o processo maturacional do cérebro. A parte anterior do lobo insular funciona integrando múltiplos sistemas neurocognitivos associados a processos afetivos, empáticos e interoceptivos. Na ínsula direita foi documentada a redução da substância cinzenta e ativação insuficiente durante tarefa de empatia em estudo com RM funcional, além de hipoperfusão insular bilateral. Esses achados sugerem que as alterações da ínsula estejam relacionadas às características clínicas do TEA de redução da habilidade social e de comunicação e dificuldade de atenção, com exceção da atenção aos detalhes. Além disso, podem estar associadas à dificuldade na capacidade de discriminar emoções do olhar e, consequentemente, tendência a reduzir o contato visual e não responder com uma emoção apropriada A área de Wernicke, está envolvida na compreensão da linguagem e desempenha um papel crucial no processamento auditivo e na linguagem receptiva. Pesquisas evidenciaram que essa região cerebral pode se apresentar em tamanho maior e com assimetria à esquerda em crianças e adolescentes com autismo. A área de Broca, planejamento motor da linguagem, na articulação e no ritmo da fala. Estudos com RM de adultos com autismo revelaram uma redução do volume nessa região Alterações do sistema límbico A amígdala é ativada em situações com marcante significado emocional e está relacionada também ao armazenamento de memórias afetivas, além de ser responsável pela formação da associação entre estímulos e recompensas. Os pacientes com TEA podem apresentar aumento ou redução do volume da amígdala, como representado em diferentes estudos de pacientes com autismo em comparação aos grupos-controle saudáveis. Nos estudos onde o aumento do volume foi encontrado, essa alteração sugere correlação com o prejuízo da habilidade social e de comunicação dos autistas Em alguns casos foi observado até mesmo volumes menores da amígdala em comparação com grupos-controle saudáveis. Os estudos que demonstraram redução do volume da amígdala associaram este achado à diminuição do tempo de fixação do olhar em pacientes autistas. O hipocampo está envolvido com a memória associativa e com a integração das informações. Estudos volumétricos do hipocampo também revelaram resultados divergentes. Alguns não observaram diferenças no volume do hipocampo No entanto, outros pesquisadores relataram diminuição ou aumento do volume do hipocampo. Alterações dos núcleos da base O núcleo caudado corresponde a uma parte dos núcleos da base que atende ao processamento de informações associativas, envolvendo a cognição, os pensamentos, a inteligência, o raciocínio e a função executiva. Estudos com RM determinaram um aumento no volume do núcleo caudado em crianças, adolescentes e adultos com autismo, proporcional ao aumento do volume cerebral total. Essa alteração pode ser decorrente de intensificação do processo de neurogênese e da produção de células gliais, além de redução da degeneração dendrítica e da apoptose celular. O achado sugere uma correlação direta com os comportamentos estereotipados e repetitivos e com a dificuldade de lidar com pequenas mudanças na rotina. Neurônios espelhos Esses neurônios estão relacionados a um diverso número de comportamentos como a interação social, imitação, a linguagem e na capacidade em adotar o ponto de vista do outro, incluindo a empatia. Comorbidades As manifestações clínicas mais frequentes associadas ao TEA são: • transtornos de ansiedade, incluindo as generalizadas e as fobias, transtornos de separação, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), tiques motores (de difícil diferenciação com estereotipias), episódios depressivos e comportamentos auto lesivos, em torno de 84% dos casos; • transtornos de déficit de atenção e hiperatividade em cerca de 74%; • deficiência intelectual (DI); • déficit de linguagem; • alterações sensoriais; • doenças genéticas, como Síndrome do X Frágil, Esclerose Tuberosa, Síndrome de Williams; • transtornos gastrointestinais e alterações alimentares; • distúrbios neurológicos como Epilepsia e distúrbios do sono; • comprometimento motor como Dispraxia, alterações de marcha ou alterações motoras finas Diagnóstico em autistas Mas, vamos lá: você sabe como é realizado o diagnóstico do TEA? Esse diagnóstico é clínico e é baseado nas evidências científicas destacadas pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Sociedade Norte-Americana dePsiquiatria, conhecido também como DSM-5, pois está na sua quinta edição. Para chegar a um diagnóstico de autismo, o médico especialista, normalmente o neuropediatra ou o psiquiatra infantil realiza uma entrevista com os pais e observa a criança para avaliar os comportamentos. Além do médico especialista é importante ter uma equipe multidisciplinar para auxiliar neste diagnóstico. Essa equipe normalmente é formada por psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, assistente social e o psicopedagogo entre outros profissionais. Em alguns casos é solicitado testes genéticos ou exames específicos para identificar problemas de saúde relacionados com o autismo e para descartar outras síndromes. Mas não há exames de imagem ou de laboratório que confirmem o TEA. O diagnóstico é clinico! Esse diagnóstico costuma ocorrer quando a criança tem cerca de 2-3 anos de idade, mas é possível diagnosticar mais cedo pois alguns sinais já são perceptíveis. 3. Estudar sobre a intervenção fonoaudiológica no TEA. o fonoaudiólogo que irá intervir diretamente (com as inabilidades e habilidades da criança) e indiretamente (com o meio em que a criança está inserida) nas habilidades de comunicação e socialização. A intervenção fonoaudiológica tem como finalidade proporcionar para a criança autonomia e utilizar a linguagem funcionalmente para interação com o meio em que vive. o fonoaudiólogo intervém no desenvolvimento da linguagem, a qual é essencial para as interações sociais. Proporcionando dessa forma a promoção da comunicação, de maneira ampla e efetiva, contribuindo então na habilitação e amenização dos déficits que o indivíduo apresenta para sua inserção no meio social. É fundamental que o fonoaudiólogo tenha um olhar individualizado e clínico para as necessidades do sujeito (BAGAROLLO e PANHOCA, 2010; SAAD e GOLDFELD, 2009). A terapia fonoaudiológica é ampla que engloba desde orientações aos responsáveis a intervenções diretas e indiretas individuais ou em grupo (ASSUNÇÃO, 2019). Ao atuar com situações do cotidiano, o profissional busca valorizar toda atitude comunicativa levando em consideração toda a forma de comunicação, priorizando o desenvolvimento da linguagem (LIMA et al., 2010). O fonoaudiólogo irá intervir em situações do cotidiano por meio de quadros de rotina diária, abordando algumas circunstâncias e utilizando delas para falar o nome e as funções dos objetos e partes do corpo, como usar o banheiro, tomar banho, cumprimentar as pessoas, esperar sua vez para falar, despedir-se, alimentar-se e vestir-se; estimulando assim habilidades comunicação verbal e não verbal. A fonoaudiologia é uma terapia fundamental para ajudar no processo de desenvolvimento da linguagem. O primeiro passo é avaliar quais são os recursos linguísticos e comunicativos utilizados pela criança e construir um plano de tratamento para desenvolver as áreas que apresentam dificuldades. No caso dos autistas severos e moderados, pode ser necessário utilizar métodos alternativos de comunicação como os PECS, onde a criança aprende trocar o símbolo pelo objeto desejado. Por isso, a avaliação fonoaudiológica é importante para que se desenvolva um trabalho específico para cada criança.