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CURSO ANUAL DE FILOSOFIA Prof. Mário Michiles VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência HISTORIOGRAFIA E FILOSOFIA INTRODUÇAO “Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova”. (Gandhi) Ao mergulharmos no estudo da história temos a oportunidade de confirmarmos permanências ou gerarmos a possibilidade de mudanças, podemos conservar o mundo que temos ou transformar nossa sociedade. A origem etimológica do termo vem da Grécia, o seu significado designava: “conhecimento por meio de uma indagação”, para os gregos o conceito estava associado ao olhar de quem vê e observa o desenrolar dos acontecimentos, uma história onde os heróis prevaleceriam e conservariam as massas subjugadas ao domínio dos poderosos que os criaram. A escrita da história seria associada como a Mestra da Vida, maior do que o próprio homem, onde este sofreria as ações do processo histórico, não sendo, portanto, um elemento participante. Mas como conceituar a história? Essa não seria uma tarefa tão simples, teríamos que reunir diferentes impressões de pensadores e autores de diferentes épocas, inclusive nossas próprias impressões. Para Marc Bloch o objeto da história é por natureza o homem, para José Honório Rodrigues não há história pura, não há história imparcial, para Karl Marx a história é um processo dinâmico, dialético, no qual cada realidade traz dentro de si o princípio da sua própria contradição e o que gera a transformação constante na história é a luta de classes. A história enquanto ciência procura sistematizar as informações que a compõem, ou seja, procura dar ordem lógica aos acontecimentos que a constituem. Quem deve temer a história? Certamente todos aqueles que são receosos quanto à mudança, todos que querem a manutenção de seus próprios privilégios, sem a promoção de qualquer abertura quanto à socialização de riquezas ou do próprio conhecimento, esses devem temer a história. A divisão da história e o tempo A periodização é um recurso utilizado para facilitar o estudo da história, estando a análise de cada período vinculada à visão de cada historiador, portanto, você já deve ter julgado que não há imparcialidade na produção historiográfica. Esse método que divide a história em períodos, mesmo apresentando um caráter eurocêntrico, não deve ser utilizado como um agente inibidor da produção historiográfica, devendo o historiador ou o estudioso em questão expressar um olhar crítico sobre o processo. Periodização histórica A Idade Antiga: da invenção da escrita (4.000 a.C.) até a Queda do Império Romano (476). A Idade Média: da Queda do Império Romano até a Tomada de Constantinopla (1453). A Idade Moderna: da Tomada de Constantinopla até a Revolução Francesa (1789). A Idade Contemporânea: da Revolução Francesa até os dias atuais. Importante lembrarmos que nem todos os historiadores concordam com a periodização tradicional baseada na história política, existem outras propostas de divisões inspiradas, por exemplo, no enfoque econômico (modo de produção), tecnológico-científico, etc. A divisão da História em períodos não é precisa nem natural, sendo hoje bastante discutível, porque uniformiza os vários períodos quanto à sua importância, conduzindo à idéia de hierarquia nos vários acontecimentos, levando em consideração apenas a civilização ocidental e demonstrando a fragilidade desta compartimentação, relegando fatos históricos também considerados importantes.Vale ainda lembrar que a análise dos períodos da história recebe orientação cronológica, tendo como base o calendário em que se insere o contexto de cada produção do conhecimento histórico. Desde o final da Idade Média utiliza-se no Ocidente o Calendário Cristão, estando esse fundamento vinculado à influência católica presente na colonização da América. As fontes históricas Diante do desafio de analisar os fatos históricos, o historiador se esmera na busca das fontes históricas, portanto, de registros ou marcas que comuniquem o passado dos povos. As fontes históricas são de origem diversa, podendo ser compreendidas como escritas (documentos, jornais, revistas), materiais (encontradas em museus, galerias de arte, arquivos, universidades), orais (as entrevistas, as fábulas, os mitos, as lendas), além daquelas originadas em filmes, vídeos, fotografias e publicações científicas. A reunião das fontes materiais é denominada Patrimônio Histórico e Cultural de um povo. A conservação do Patrimônio histórico e artístico de um país é de responsabilidade de órgãos federais, estaduais e municipais, podendo executar tombamentos. No Brasil, o instituto que responde pela preservação de nosso patrimônio cultural é o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), existindo também órgãos que respondem a funções estaduais e municipais. E a relação entre a escrita e a produção historiográfica? Inicialmente devemos compreender que o homem, mesmo não tendo o conhecimento do código escrito, é um ser histórico, pela própria consciência reflexiva, pelos costumes, pela forma como este transforma a natureza, pela transmissão oral de geração a geração, sendo incoerente o uso da expressão Pré-história. A escrita acaba sendo utilizada no mundo antigo como um instrumento legitimador de um processo de exploração e dominação. A produção historiográfica está diretamente relacionada ao lugar social de cada historiador, às relações sociais de produção e à montagem de uma infraestrutura e superestrutura. Durante muitos anos a história narrativa foi produzida e difundida, caracterizada pela reunião de fatos através de documentos oficiais, relatos de reis, príncipes, de grandes generais, uma história comprometida com os vencedores. A história didática apresenta uma preocupação de corrigir o presente e transformar o futuro, através da análise do passado. Incorrendo na consideração da história como “Mestra da Vida”, uma ciência maior do que o próprio homem. Sendo passível de distorções pelo fato desta produção ser orientada pelas elites político-econômicas. Concepções filosóficas da história Concepção teológica No período medieval, com a doutrina agostiniana, ou seja, o pensamento teológico-filosófico de Santo Agostinho, surgiu o Providencialismo, uma expressão teocêntrica da História, onde Deus seria o responsável por todas as transformações da 102 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE FILOSOFIA – (Prof. Márcio Michiles) humanidade, enquanto o homem tinha um papel subsidiário, a vontade de Deus prevaleceria sobre o homem. Podemos perceber na Idade Moderna um transporte do pensamento agostiniano para enfatizar a “Teoria do Direito Divino”, onde os governantes seriam representantes de Deus na Terra, e os inimigos de Deus seriam inimigos do rei. Concepção idealista O século XVIII é chamado o século das “luzes”. O que caracteriza essa doutrina filosófica é a crença na razão humana. Com esse movimento, o teocentrismo perde lugar para o antropocentrismo e o racionalismo. O homem iluminado pela razão é mola propulsora que movimentará o carro da História. A História é uma epopéia do homem individual, livre, racional e forte. São os grandes homens, os gênios, as figuras de proa que fazem a História (Romantismo). Concepção positivista Conhecido como “Pai da Sociologia”, Augusto Comte (1798-1857) estimula o desenvolvimento de uma produção historiográfica fundamentada na preocupação dos historiadores com a erudição, a produção de uma história que prioriza a acumulação de fontes e produz uma rigorosa pesquisa factual(o historicismo), elevando a História a uma disciplina com o estatuto equivalente ao de uma ciência exata. Concepção materialista Na obra “O Capital”, Karl Marx (1818-1883) conceituou o trabalho: “O trabalho é um processo de que participavam a natureza, e no qual o homem, por sua livrevontade, inicia, regula e controla as realizações naturais entre si mesmo e a natureza. Agindo dessa maneira no mundo exterior e transformando-o, ele ao mesmo tempo transforma a sua própria natureza. Desenvolve as suas forças inativas e compele-as a agir conforme a sua vontade”. Para Marx a História não resulta de forças sobrenaturais, nem se limita aos atos de grandes homens, mas está relacionada ao trabalho humano e o seu esforço de garantir o preenchimento de suas necessidades fundamentais. Para este teórico o homem deve se organizar de forma social, enquanto força produtiva, reconhecendo sua importância econômica e lutando pela ascensão política. Para Marx a luta de classes é o motor que faz andar o carro da História, sendo a História um processo dinâmico, dialético, no qual cada realidade social traz dentro de si o princípio de sua própria contradição, o que gera a transformação constante da História. Nascimento da história nova: a “escola dos annales” A atual renovação da ciência histórica está diretamente associada à revista “Annales”, fundada por Marc Bloch e Lucien Febvre, historiadores influenciados pelo clima de interdisciplinaridade presente na universidade de Estrasburgo (1920-1933). Propuseram uma nova concepção do tempo histórico, a defesa de uma história- problema. Onde a sociedade estivesse representada como um todo, em suas emoções, paixões, relações de parentesco, onde o homem era o grande ator desse processo de renovação, significando bem mais do que os antigos heróis nacionais (generais, papas, reis). Essa concepção fazia oposição à apresentação superficial dos acontecimentos, dando mais importância ao nível mais profundo das realidades, estimulando o diálogo dos historiadores com as outras ciências sociais e com as ciências da natureza e da vida. Procurando, portanto, tirar a história do marasmo da rotina e dos preconceitos de concepção, tecendo severas críticas ao historicismo. Essa nova concepção amplia as fontes históricas, não se limitando aos arquivos públicos ou aos documentos oficiais, mas passando a considerar os diários, os relatos, a oralidade e a própria expressão da mentalidade daqueles que ficavam limitados pela historiografia oficial (considerada pelo estado) aos bastidores do processo histórico (soldados, escravos, operários, artesãos). Começa a ser produzida uma História das Mentalidades, que não se limita à métrica estabelecida pelos positivistas, sendo classificada como Nova História. Ciências auxiliares da história Economia: estuda os meios de produção, distribuição, consumo e circulação da riqueza. Sociologia: estuda o homem em sociedade. Geografia: estuda a superfície da terra no seu aspecto físico e humano. Antropologia: estuda o homem no aspecto biológico e cultural. Arqueologia: estuda as culturas extintas. Paleontologia: estuda os fósseis. Cronologia: localização dos fatos no tempo. Paleografia: escritos antigos em materiais leves. Epigrafia: escritos antigos em materiais pesados. Heráldica: brasões, escudos e insígnias. Numismática: moedas Aula 13 – Historiografia e Filosofia 103 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 “São os segmentos maiores da grande reta evolutiva dos últimos quinze séculos, os séculos que formaram a Europa medieval e, a partir dos descobrimentos, plasmaram as nações coloniais da América e da África. A historiografia econômica já explorou detidamente os mecanismos pelos quais estas eras, que são nomeadas pelos respectivos sistemas de produção, ganharam fisionomia própria, uma identidade, entraram em crise, sendo enfim substituídas implacavelmente em escala mundial. O feudalismo foi dissolvido pelo capital mercantil, e este, passado o processo de acumulação, deu lugar ao capitalismo industrial. O imperialismo é o ápice do processo capitalista e, até bem pouco, o pensamento de esquerda ancorava-se na certeza de que o socialismo universalizado tomaria o lugar dos imperialismos em luta de morte. Estrutura serial dentro de um processo teleológico. [...] Convém lembrar que esse cânon está enxertado em certezas maiores que remetem à ideia de progresso, vinda das Luzes, e à ideia de evolução formulada no século XIX.” BOSI, A. O tempo e os tempos. In NOVAES, A. Tempo e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.21-22). Com base nesta afirmação de Alfredo Bosi, assinale o que for correto: 01) Do ponto de vista dos mecanismos de produção, cultura de subsistência (feudalismo), descoberta de novas terras (mercantilismo/colonialismo) e desenvolvimento industrial em larga escala se equivalem, pois utilizam o trabalho assalariado. 02) O que possibilita a perspectiva filosófica deste viés canônico de leitura da historiografia econômica é a associação entre os conceitos de progresso e de evolução, provenientes respectivamente do iluminismo, no século XVIII, e do darwinismo, no século XIX. 04) As transformações sucessivas dos mecanismos de produção, controle e acúmulo do capital, ao longo da história, revelaram o sistema capitalista como modelo de atividade econômica não imperialista. 08) A corrida armamentista, a conquista do espaço e a Guerra Fria são consequências de sistemas antagônicos em disputa por hegemonias econômica, política, ideológica e cultural. 16) Com a exaltação da ciência que acompanhou a origem e o fortalecimento da organização técnico- industrial da sociedade moderna, o positivismo afirma a crença no progresso e na superação da História. Questão 02 Enfim, sabemos que a “história nacional” e a “cultura brasileira” não eram entidades naturais. E todo o esforço dos homens de letras foi o de transformar determinados valores, personagens, sentimentos e acontecimentos em tradições que deveriam por sua vez ser experimentadas e guardadas como entidade natural. Se essas tradições correspondiam ou não à verdade dos acontecimentos não importa, nem constitui uma questão, na medida em que elas não visavam a descrever uma realidade, mas sim conferir-lhe um sentido, bem como produzir a solidariedade social e viabilizar um projeto coletivo, de nação e de República. DANTAS, Carolina Vianna. Cultura história, República e o lugar dos descendentes de africanos na nação. In: ABREU, Martha; SOIHET, Rachel e GONTIJO, Rebeca (orgs.). Cultura política e leituras do passado: historiografia e ensino de história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, p. 245 (Adaptado). A transição para a República, no Brasil, também foi marcada por “batalhas de memórias” e pela criação e recriação de mitos políticos entre os grupos políticos que procuravam afirmar seu poder. Esta dimensão simbólica pode ser ainda exemplificada a) pela forte expansão do positivismo que pode ser exemplificada pelo grande número de igrejas positivistas na cidade do Rio de Janeiro. b) pela reabilitação de personagens importantes do período colonial que eram identificados com a causa republicana, como Tiradentes. c) pelo esvaziamento das forças militares responsáveis pela Proclamação, cada vez mais vistas como retrógradas e incapazes de promover o republicanismo. d) pelo afastamento ideológico em relação aos países do continente americano, os quais, com exceção dos Estados Unidos, eram vistos como repúblicas frágeis e atravessadas por conflitos internos. Questão 03 Leia com atenção o texto sobre a Idade Média. Idade Média: “Idade das Trevas” ou uma “Belle Époque”? Contexto Europeu do século X ao século XIII Anotações 104 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE FILOSOFIA – (Prof. Márcio Michiles) “Idade das Trevas” foi o termo adotado pelo humanistas do século XVII, quando generalizaram toda a civilização da Europa do século IV ao século XV como um tempo de ruína eflagelo. Esta ideologia de obscuridade das trevas é resultado de fatos e acontecimentos negativos ocorridos no longo período da Idade Média, tais como as guerras, as invasões bárbaras, as crises da agricultura, as epidemias, 1a imposição da Igreja, a inquisição em relação aos hereges, a centralização da economia restrita aos feudos, as desigualdades sociais, dentre outros aspectos, mas que não justificam criar uma terminologia pejorativa para uma gigante e envolvente civilização que, em contraste com esse lado negativo, muito criou, muito inventou e muito desenvolveu, lembrando que o período medieval é o carro chefe da historiografia contemporânea. Disponível em: http://meuartigo.brasilescola.com;historia/idade-media-idade-trevas.htm. Acesso em: 22.09.2015. Assinale a alternativa correta, considerando o período da Idade Média: a) apesar da existência de servos, a Idade Média tinha nos escravos sua principal força produtiva. b) nos Feudos, durante a Idade Média, surgiu a burguesia como classe econômica, porém, o poder da Igreja fez com que a burguesia tivesse pouca importância. c) o pensamento medieval expressado no texto foi dominado pela burguesia, sobretudo no que se refere aos assuntos científicos, pois só as corporações de ofício tinham acesso a este conhecimento. d) o texto aponta que o uso do termo “Idade das Trevas” não seria o melhor para definir a Idade Média, pois, apesar dos problemas e desigualdades sociais, esse período deixou grandes legados para a História Contemporânea. e) o trecho “a imposição da Igreja, a inquisição em relação aos hereges...” (ref. 1) demonstra o poder da Igreja como classe dominante nos campos da economia e da política, cabendo aos servos somente o direito ao voto, porém, sem direito a se eleger a nenhum cargo político. Questão 04 Leia atentamente o seguinte excerto: “Se o homem comum não conhece as suas origens ele é como um macaco louco. Ele não conhece ao certo as relações de sua grande família, é como um dragão descomunal. Ele que não conhece as circunstâncias e o curso das ações de seu nobre pai e avô é como um homem que, tendo preparado a dor para seus filhos, joga-os neste mundo”. MOMIGLIANO, A. As raízes clássicas da historiografia moderna. Bauru: EDUSC, 2004, p.55 Do trecho acima, depreendem-se algumas características da escrita da História, quais sejam: a) conservação da memória do passado, quadro cronológico e interpretação dos acontecimentos. b) conhecimento da natureza, origem das espécies animais e lembrança ancestral. c) dialética socrática, valores teóricos e morais e busca pela verdade intrínseca da origem humana. d) atitude crítica em relação ao registro dos acontecimentos, desinteresse pelo passado e árvore genealógica. Questão 05 A Europa é uma criação feita diante do outro. Suas fronteiras são culturais e se opõem em três ao que não é Europa: a Ásia, os Árabes, que assediam a Europa, primeira frente antieuropeia; o ‘leste’ sempre indefinido; e finalmente o Oceano”. FEBVRE, Lucien. A Europa – gênese de uma civilização. Bauru: Edusc, 2004, p. 118-121. (Adaptado) O trecho acima representa certa historiografia europeia, que se caracteriza pelo a) Multiculturalismo – valoriza as contribuições das diversas populações na criação da civilização europeia. b) Orientalismo – entende o Oriente como uma criação pacífica e igualitária do Ocidente. c) Eurocentrismo – entende a Europa como centro da civilização, ameaçada pela barbárie e obrigada a expandir os limites da Humanidade. d) Humanismo – percebe uma mesma essência em todas as manifestações do gênio humano, disfarçada por elementos culturais diversos. e) Materialismo Histórico – privilegia os elementos econômicos sobre os culturais e políticos. Anotações Aula 13 – Historiografia e Filosofia 105 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 Leia a citação e analise a figura a seguir. “Construir é uma atividade fundamental para o soberano egípcio.” DESPLANCQUES, S. Egito Antigo. Porto Alegre: L&PM, 2009. p.28. Coleção L&PM Pocket. Série Encyclopaedia. A citação da historiadora Sophie Desplancques faz alusão ao Egito Antigo, especificamente ao período conhecido como Antigo Império, considerado uma fase de estabilidade política por parte significativa da historiografia, bem como uma “idade de ouro” de sua civilização, por parte dos próprios egípcios. Com base na citação, na figura e nos conhecimentos sobre o Antigo Império, explique um elemento que transmita a noção de poder ligada aos Faraós no Egito Antigo. Questão 02 Salve duque glorioso e sagrado Ó Caxias invicto e gentil! Salve, flor de estadista e soldado! Salve herói militar do Brasil! Refrão do Hino a Caxias. In: BITTENCOURT, Circe (Org.). Dicionário de datas da História do Brasil. São Paulo: Contexto, 2007. p. 194. A exaltação da figura do Duque de Caxias por setores do Exército Brasileiro contrasta com a a) indiferença do governo republicano que não concedeu ao militar nenhuma homenagem no calendário cívico nacional. b) desconstrução de seu papel heroico por uma historiografia crítica que valoriza as massas em detrimento dos grandes líderes. c) denúncia formal de crimes de guerra e de genocídios cometidos por Caxias durante a campanha da Guerra do Paraguai. d) valorização de sua figura na cultura popular que transformou seu nome em sinônimo de seriedade e patriotismo. Questão 03 “O conhecimento histórico é sempre (...) uma consciência de si mesmo: ao estudar a história de uma outra época, os homens não podem deixar de compará-la com seu próprio tempo (...). Mas, ao comparar a nossa época e a nossa civilização com as outras épocas e civilizações, corremos o risco de lhes aplicar a nossa própria medida(...)”. (GUREVICH, Aron. As categorias da cultura medieval. Lisboa: Editorial Caminho, p. 15). Aplicando o raciocínio exposto acima aos sentidos que a Idade Média adquiriu em diferentes tempos históricos, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: ( ) Atualmente, os historiadores entendem o medievo na sua multiplicidade, com suas especificidades regionais e temporais, ao mesmo tempo em que mostram a permanência e a relevância de determinadas instituições e invenções medievais, como a universidade, o livro, a imprensa e o banco. ( ) No século XV, surge a noção negativa de Idade Média, considerada uma era intermediária e homogênea de trevas e ignorância, separando a antiguidade Greco-romana e o Renascimento, que se via como herdeiro do período “clássico” – noção que ainda perdura entre muitas pessoas. ( ) Nos séculos XX e XXI, obras como O Senhor dos Anéis, As crônicas de Nárnia e Game of Thrones evocam elementos medievais imaginativos, tais como a floresta como lugar do mágico, cavaleiros, espadas, dragões, religiosidade, dando continuidade a recriações da Idade Média em curso desde o século XIX. ( ) Na recente historiografia, por conta das apropriações midiáticas da Idade Média, procura-se estabelecer as diferenças e as distâncias entre a Idade Média e a História do Brasil, mostrando que o medievo não possui relação com a formação de nosso país, por ter sido um fenômeno europeu. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. a) F – F – V – V. b) V – V – F – V. c) F – V – V – F. d) V – V – V – F. e) V – F – F – V. Questão 04 O herói revela-se ao mundo por seus trabalhos fabulosos. Pratica atos de coragem, salva pessoas e, muitas vezes, sacrifica a própria vida por uma causa maior que ele mesmo (...). Em nossa sociedade, era comum construir determinadas memórias enaltecendo os heróis. Mas também e possível construí-la (a memória) destacando ações, lutas e conquistas coletivas, como lutas por direitos iguais,direito a terra, saúde... (Cabrini, Conceição. História temática: diversidade cultural e conflitos. Ensino Fundamental. 3ª Ed. Reform. São Paulo: Scipione, 2009. Coleção História Temática. Cap. Mito e memória histórica.) Acerca do significado de “sujeito histórico” e do seu papel real na construção da história, é correto afirmar que a) só se pode considerar o sujeito como de fato “sujeito histórico” caso sua ação gere mudanças efetivas e positivas para a construção de instituições sociais significativas ao estabelecimento da ordem social vigente. b) o sujeito histórico, visto na história, é diferente daquele descrito na historiografia, pois essa, como meio oficial de transmissão de cultura às gerações vindouras, seleciona apenas os fatos realmente relevantes e coletivos. c) o sujeito histórico, na verdade, representa cada ser humano em contextos históricos distintos com suas especificidades e características que, atuando em grupo ou isoladamente, produz ações para si e/ou para a coletividade. d) as novas tendências historiográficas lançam a ideia de que só é válido o estudo das massas, do cotidiano e das mentalidades, invalidando, portanto, o conceito e a necessidade da existência de um “sujeito histórico” específico. História e Filosofia