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De forma cirúrgica, rápida e bela, Keach — como em todos os seus escritos —, disseca a vida de uma igreja local saudável e obediente aos princípios bíblicos. Se você é batista e deseja conhecer o que é realmente a vida diária em uma genuína igreja batista, não deixe de ler este livro. Pr. Wilson Porte Jr. Pastor da Igreja Batista Liberdade, Araraquara, SP Os cristãos de língua portuguesa encontrarão nesse livro duas significativas obras da tradição protestante que beneficiarão suas vidas e suas igrejas. Curiosamente, ambas foram publicadas na última década do século XVII e estão associadas ao estimado pastor e teólogo inglês Benjamin Keach. Ao que tudo indica, o primeiro tratado, cujo nome dá título ao livro, é o primeiro manual de igreja produzido na história batista. Se isso não bastasse, somente os apêndices já valeriam pelo livro. Seus conteúdos incluem o mais famoso catecismo empregado por crentes batistas no cultivo da piedade em suas vidas e lares, na evangelização dos perdidos mais próximos e no campo missionário, bem como na orientação de novos crentes à maturidade cristã. Keach, provavelmente, não escreveu o catecismo, mas o endossou, e ele se espalhou desde a Inglaterra até terras distantes. Como as duas obras estão repletas das Escrituras e escritas de maneira simples e organizada, quero encorajar a todos que amam o evangelho de Jesus e sua igreja a extraírem o máximo de suas páginas como um meio de graça, para que sejam “confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” (Cl 2.7). David Allen Bledsoe Missionário da Internacional Mission Board, EUA O livro que você tem em mãos é da lavra de um dos maiores teólogos batistas de todos os tempos. Benjamim Keach é cirúrgico nas palavras e expõe com profundidade gloriosas verdades acerca da igreja à luz das Sagradas Escrituras. Os leitores farão grande proveito dessa preciosa obra. Mesmo que não concorde com tudo, reconhecerá que o autor é um mestre por excelência. Ler esta obra é subir nos ombros de um gigante para enxergar além. O catecismo que Keach é outro tesouro que valoriza ainda mais essa edição. Bom seria se as igrejas locais usassem essa coletânea de instruções no trabalho de formação dos crentes. Parabéns à Editora Pro Nobis por disponibilizar aos irmãos de língua portuguesa essa preciosa aula de eclesiologia. Soli Deo Gloria! Pr. Áquila Serra Cabral Pastor da Primeira Igreja Batista em Muriaé, MG A presente obra é uma rica contribuição à igreja batista brasileira. Um manual eclesiástico histórico, com embasamento bíblico consistente e, naturalmente, atemporal. Creio que todos — liderança eclesiástica e membros das igrejas — serão grandemente agraciados com o conteúdo dessa que deve se tornar uma obra imprescindível para antigas e novas igrejas no Brasil. Quem dera a alguns anos atrás eu tivesse acesso a tão precioso material. João Eduardo Cruz Pastor da Primeira Igreja Batista em Planalto Caucaia, CE Embora o livro de Benjamim Keach tenha sido escrito há mais de três séculos, os princípios eclesiásticos e as diretrizes práticas que ele apresenta são pertinentes e necessários hoje para que a noiva de Cristo revele sua glória e beleza ao mundo. A publicação dessa importante obra é mais um belo presente da Pro Nobis à igreja brasileira, especialmente aos cristãos de tradição batista reformada. Luiz Correia do Nascimento Júnior Pastor da Igreja Batista Filadélfia, Fortaleza, CE “Cada um fazia o que achava mais certo” (Jz 21.25). Esta frase trágica que descreve a anarquia em que vivia o povo de Deus na época dos Juízes, bem poderia ser aplicada a muitas igrejas de nossos dias. Décadas atrás, quando alguém dizia que era “batista”, sabíamos muito bem o que ele queria dizer. Hoje, não! Sofremos uma crise de identidade e, consequentemente, de credibilidade, o que nos deixa desprotegidos e vulneráveis a todo tipo de ataque. Diante deste cenário, esta obra do ilustre Benjamin Keach se faz necessária e oportuna. De maneira acessível, didática e esclarecedora, esta obra resgata princípios caros à eclesiologia batista. Acredito que este livro irá contribuir para que verdades esquecidas e desprezadas voltem a ser defendidas e praticadas em nossas igrejas. David Marcos Soares Pastor da Igreja Batista Reformada de Campos, RJ O livro que o leitor tem em mãos é um verdadeiro manual eclesiástico. Keach escreve de forma simples, sucinta, acessível e, ao mesmo tempo, muito bem fundamentado nas Escrituras. Essa preciosa obra ajudará a igreja a pensar biblicamente as funções de seus oficiais — pastores e diáconos —, bem como a responsabilidade de cada membro com a congregação e seus líderes. Tratará de forma precisa e bíblica a disciplina eclesiástica, ensinando a pôr em prática essa matéria, que é fundamental para manter a glória e a beleza da igreja. A Editora Pro Nobis presenteia os batistas brasileiros ao publicar esta obra. Todo crente que anseia fazer parte de uma comunidade bíblica e saudável deve conhecer essa maravilhosa obra. Márcio André Gama Pastor da Segunda Igreja Batista em Aracaju, SE Prezado leitor, você tem em suas mãos o que a história nos indica como o primeiro manual eclesiológico batista. Com a descrição das atividades dos pastores e diáconos, Keach representa muito bem uma herança direta do biblicismo puritano sobre a verdadeira igreja. Além disso, ele também nos orienta acerca da disciplina eclesiástica, prática esta necessária, e que produz severos prejuízos à igreja de Cristo se negligenciada. Como um batista de primeira grandeza, ele declara que a glória da verdadeira igreja era — e ainda é — manifesta pela pública profissão de fé daqueles que se unem espiritualmente a Cristo, união esta que é consumada pelo batismo. O amor de Keach pela igreja de Cristo é revelado em sua afirmação de que Deus é mais glorificado no meio de uma congregação que adora ao Senhor. Que Deus o abençoe nessa leitura. Dr. Madson Gonçalves da Silva Pastor da Igreja Batista em Paul, Vila Velha (ES), Doutor em História (UFMG) e Oficial de Carreira da PMES SUMÁRIO 1. Prefácio 2. Carta ao leitor 3. A respeito de uma verdadeira e ordenada igreja evangélica 4. Do trabalho do pastor, bispo, ou supervisor 5. Do trabalho dos diáconos 6. Dos deveres dos membros da igreja ao pastor 7. Da recepção de membros 8. Da autonomia PARA A prática da disciplina 9. Da disciplina na igreja 10. Das desordens: causas de discórdias 11. O que coopera para a glória e a beleza de uma igreja evangélica Conclusão Apêndice 1: A solene aliança de uma igreja em sua constituição Apêndice 2: Catecismo Batista Apêndice 3: Benjamin Keach (1640–1704): O teólogo batista Para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade. (1Timóteo 3.15) Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados… Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. (Atos 2.41,47) PREFÁCIO BENJAMIN KEACH E A GLÓRIA DA VERDADEIRA IGREJA Azad Michael A. G. Haykin Benjamin Keach (1640-1704) foi identificado por Murdina D. MacDonald como “o mais importante apologista das visões batistas calvinistas” de sua era. Houve, evidentemente, outros importantes autores batistas nesse período, mas, nas palavras de MacDonald, “nem a abrangência, nem a extensão das obras deles se equiparam à produção de Keach”.[1] Keach defendeu o Evangelho contra os quakers, por exemplo. Ele também advogou a prática da imposição de mãos na ocasião do batismo, um ritual que era comum entre os batistas gerais, mas raramente praticado pelos batistas calvinistas.[2] Ele escreveu alegorias — há muito, esquecidas — que, em seus dias, rivalizavam com as de John Bunyan em popularidade e vendas. Ele, ainda, discordou dos colegas puritanos que defendiam o pedobatismo. Embora Keach cresse que havia “muitos cristãos santos e graciosos que pertencem à comunhão da Igreja da Inglaterra, os quais são membros da igreja universal invisível”,[3] ele era intransigentemente oposto aobatismo infantil praticado por aquele grupo. Assim, ele pôde afirmar: Ensine os seus filhos no temor do Senhor e defina para eles um bom exemplo. Ore por eles e acerca deles e lhes dê uma boa instrução, assim como conselhos e admoestações piedosos. Certifique-se de catequizá-los diariamente, a fim de que eles possam entender cedo as principais bases e princípios da religião. Porém, receie batizá-los na infância ou antes que eles tenham a graça interna e espiritual simbolizada no verdadeiro batismo.[4] Além disso, Keach, habilmente, defendeu a doutrina da justificação quando ela estava sob ataque, durante as décadas de 1680 e 1690. A teologia de puritanos, como Keach e John Owen, vinha sendo considerada, com desprezo e desdém, como antiquada e obsoleta. Encorajados pelo pensamento intermediário de Richard Baxter, que buscava desenvolver uma perspectiva teológica que atenuasse algumas doutrinas cruciais do calvinismo tradicional, e abraçasse certos elementos do arminianismo, não poucos dos herdeiros do puritanismo — em particular, os presbiterianos ingleses — se envolveram numa retratação indiscriminada de sua herança calvinista. Em um de seus sermões a respeito das parábolas de Cristo, Keach declarou abertamente: Irmãos, [...] eu lhes suplico que tomem cuidado em distinguir corretamente entre a vestimenta da justificação e a da santificação. Muitos as confundem e se esforçam para misturar a nossa justiça inerente no ato da nossa justificação com a justiça de Cristo. [...] É [...] perigoso aderir a tal noção, pois ela faz que a nossa justificação seja parcialmente pelas obras e parcialmente pela graça. Eu lhes digo novamente: todas as obras de justiça, quer feitas por nós, quer efetuadas em nós, são completamente excluídas em nossa justificação gratuita.[5] De forma significativa, Keach também defendeu extensamente a introdução do cântico de hinos na adoração batista[6] e, além disso, escreveu o primeiro tratado batista calvinista especificamente dedicado à administração eclesiástica, A Glória da Verdadeira Igreja (1697), o qual é reproduzido neste livro. Na sequência deste ensaio introdutório, olhamos, primeiramente, para a vida de Keach e, em seguida, resumimos alguns pontos salientes de A Glória da Verdadeira Igreja. “EU NÃO ME ENVERGONHO” Keach nasceu no dia 29 de fevereiro do ano bissexto de 1640 e era filho de John e Fedora Keach, um casal anglicano que, à época, residia em Stoke Hammond, na região norte de Buckinghamshire.[7] Instrumental para a sua conversão na adolescência foi um puritano calvinista chamado Matthew Mead (c. 1630-1699). Keach, contudo, não conseguiu apreciar o calvinismo de Mead, de forma que, quando tinha apenas 15 anos, filiou-se aos batistas gerais (isto é, arminianos). Após completar três anos de seu batismo como crente, ele foi chamado para pregar para a congregação batista geral que se reunia em Winslow, Buckinghamshire, não tão longe de Stoke Hammond. Ainda existe em Winslow uma antiga casa batista de reuniões que data de 1695 e é chamada de Casa de Reuniões Keach. Embora não se saiba se Keach chegou a adorar ou não nessa antiga capela, ela constitui uma maneira apropriada de rememorar a conexão desse grande líder batista com a área de Buckinghamshire.[8] Dois anos depois de seu chamado para o ministério da Palavra, Keach se casou, em 1660, com Jane Grove (m. 1670), uma nativa de Winslow. Durante os cerca de dez anos de seu casamento, o casal teve cinco filhos, dos quais três sobreviveram à infância. Um deles, Hannah, posteriormente tornou-se quaker, o que causaria certa aflição a seu pai. O seu único filho sobrevivente desse casamento, Elias Keach (1667-1701), desempenharia um importante papel na propagação da causa batista na e pela Filadélfia, na América. O período compreendido entre as décadas de 1660 e 1680 foi de grande perseguição para qualquer um que buscasse adorar fora da Igreja da Inglaterra, e Keach se viu em apuros ante o Estado em mais de uma ocasião. Em 1664, por exemplo, Keach foi preso sob a acusação de ser “uma pessoa sediciosa, herege e cismática, malignamente e maliciosamente disposta e descontente com o governo de Sua Majestade e com o governo da Igreja da Inglaterra”.[9] Foi relatado que uma cartilha infantil que Keach tinha escrito, a qual continha lições, instruções simples sobre pontuação e aritmética, além de listas de palavras de uma, duas ou três sílabas, fora lida pelo reitor anglicano de Stoke Hammond, Thomas Disney, e denunciada às autoridades não apenas como inapropriada para crianças, mas peremptoriamente sediciosa. Disney a considerou herética devido a referências ao batismo de crentes e à interpretação de Keach do livro de Apocalipse. Não existem mais cópias dessa cartilha. No tempo do julgamento de Keach, todas as cópias foram destruídas. Aparentemente, ele a reescreveu de cabeça mais tarde e a publicou como The Child’s Delight: or Instructions for Children and Youth [O Prazer da Criança: ou Instruções para Crianças e Jovens]. Julgado em 8 de outubro de 1664, Keach foi considerado culpado, preso por duas semanas e multado em 20 libras — naqueles dias, uma quantia considerável para um pobre pregador batista. Além dessas punições, Keach, por dois períodos de duas horas, teve de permanecer no pelourinho, uma estrutura de madeira que possuía orifícios para a cabeça e as mãos da pessoa punida. Geralmente, o pelourinho era colocado na praça da cidade ou do vilarejo, onde o ofensor também poderia ser submetido a várias formas de ridicularização pública. Nessa ocasião, contudo, Keach aproveitou a oportunidade para pregar para a multidão que se reunia à sua volta. Ele assim iniciou a sua fala na primeira vez em que esteve no pelourinho: Pessoas de bem, eu não me envergonho de estar aqui neste dia; [...] o meu Senhor Jesus não se envergonhou de sofrer na cruz por mim, e é por essa causa que fui feito um espetáculo. Reparem que não é por iniquidade alguma que estou aqui, mas por escrever e publicar as verdades dele, as quais o Espírito Santo revelou nas Escrituras Sagradas. A essa altura, um clérigo da Igreja da Inglaterra — possivelmente, o ministro local — buscou silenciar Keach, dizendo-lhe que ele se achava no pelourinho por “escrever e publicar erros”. Keach, reconhecendo a oportunidade de ouro de debater e testemunhar publicamente, depressa respondeu: “o senhor pode provar que se trata de erros?”. Porém, antes que ele replicasse, outros na multidão, os quais sabiam que o clérigo era um ébrio, hostilizaram-no. Keach procedeu à defesa de suas convicções, a despeito de algumas outras tentativas por parte das autoridades de o calarem. Eventualmente, disseram-lhe que, se não ficasse quieto, ele precisaria ser amordaçado. Depois disso, ele guardou silêncio, com exceção de sua citação de Mateus 5.10: “bem- aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”. [10] Em outra oportunidade, Keach, enquanto pregava, foi detido por uma tropa de cavaleiros. Quatro deles estavam tão furiosos com ele, que juraram pisoteá-lo até a morte com seus cavalos. Ele foi, assim, amarrado e obrigado a deitar-se no chão. Mas, bem no momento em que eles estavam prestes a esporear os seus cavalos e atropelá-lo, o comandante deles chegou e os impediu de ferir Keach, que, quase certamente, teria sido morto.[11] Em 1668, Keach se mudou para Londres, onde se filiou a uma reunião da causa batista geral na rua Tooley, em Southwark, o primeiro subúrbio de Londres, localizado à margem sul do rio Tâmisa. Ele logo foi ordenado ancião dessa congregação. No entanto, não muito tempo depois de sua chegada a Londres, ele se aproximou de Hanserd Knollys (1599-1691) e William Kiffen (1616-1701), de maneira que, quando em seu segundo casamento, em 1672, com Susannah Patridge (m. 1732), de Rickmansworth, Hertfordshire — havendo Jane, sua primeira esposa, morrido em 1670 —, Keach tinha se tornado calvinista. Nada sabemos a respeito dos detalhes dessa importante mudança teológica. Como notou o historiador americano J. Barry Vaughn,a “data e as circunstâncias da adesão de Benjamin Keach ao calvinismo são os maiores enigmas de sua vida”.[12] Contudo, o fato de Knollys ter oficiado o casamento de Keach com Susannah Patridge certamente nos leva a crer que essa figura influente desempenhou um papel na vida de Keach para o lado dos batistas calvinistas. É interessante notar que, enquanto tal mudança das fileiras dos batistas gerais para as dos batistas calvinistas não era incomum nos séculos 17 e 18, raramente havia tráfego no sentido oposto.[13] No mesmo ano de seu casamento, Keach e alguns indivíduos de igual opinião — possivelmente, ex-membros da causa batista geral na rua Tooley — deram início a um trabalho batista calvinista em Horselydown, Southwark. Uma casa de reuniões foi eventualmente erigida, a qual, após alguns acréscimos ao longo dos anos, podia comportar até mil pessoas, aproximadamente. Keach era, evidentemente, um pregador poderoso, cujos sermões, como seu genro notou posteriormente, eram “cheios de teologia sólida”.[14] Ele foi pastor dessa igreja até a sua morte, em 1704. Além de seus labores como pastor, Keach também atuou no plantio de novos trabalhos na Inglaterra meridional e no uso de sua pena para elucidar as Escrituras e defender a causa batista calvinista. Entre os frutos de sua pena, estava a obra aqui reproduzida. A GLÓRIA DA VERDADEIRA IGREJA Keach sabia que alguns pastores-teólogos congregacionalistas haviam escrito livros substanciais acerca da administração eclesiástica, mas eles eram excessivamente caros, especialmente para a maioria dos batistas, que era pobre.[15] Para Keach, o conceito crucial na doutrina neotestamentária da igreja era que uma igreja de Cristo [...] é uma congregação de cristãos piedosos que, sendo primeiro batizados após professarem a fé, como uma assembleia regular, por anuência e consentimento mútuos, entregam-se ao Senhor e uns aos outros, de acordo com a vontade de Deus, e se reúnem em um lugar para o culto e a adoração públicos a Deus. Entre eles, a Palavra de Deus e os sacramentos são devidamente administrados, em conformidade com a instituição de Cristo.[16] Antes de serem batizados, os crentes devem “declarar à igreja (ou ao pastor constituído) o que Deus fez pelas suas almas ou a experiência que tiveram com a obra salvífica da graça em seus corações”.[17] Para Keach, esta era a glória de uma igreja neotestamentária: “todos os convertidos [...] sendo unidos a Jesus Cristo pelo Espírito Santo”.[18] Keach continuou a detalhar o trabalho dos pastores e diáconos. Os pastores foram chamados, entre outras coisas, para pregar, administrar as ordenanças, visitar o rebanho e orar pelos membros de suas igrejas. Os diáconos deviam prover o pão e o vinho para a Mesa do Senhor, assim como assegurar provisões para “a mesa do ministro e a mesa do pobre”.[19] Durante a Idade Média, o pobre sobreviveu mendigando. A igreja medieval ensinava que dar esmolas para os pobres era uma boa obra que ajudava a assegurar a salvação de um indivíduo. Com o ensino reformado sobre a justificação somente pela fé — o qual, como vimos, era o elemento central do ensino de Keach —, a ajuda dada aos pedintes e aos pobres corria o risco de ser drasticamente reduzida. Por conseguinte, deu-se aos diáconos a importante tarefa de amparar os pobres, não apenas dentro da igreja, mas também fora da congregação. Para pastores-teólogos reformados, as três marcas (notae) da igreja eram: a pregação fiel das Escrituras, a administração apropriada das ordenanças do batismo e da Ceia do Senhor e a disciplina eclesiástica. Grande parte deste tratado é dedicado à terceira dessas marcas da igreja. Keach detalhou como a disciplina devia ser feita e enfatizou que o locus da autoridade, quando se trata de disciplina, é a igreja. Esse “poder administrativo de Cristo”, Keach cria, “está na igreja”.[20] No fechamento do tratado, Keach insistiu na importância vital da adoração corporativa, um tema que era basilar na vivência batista calvinista daqueles dias. Citando uma variedade de passagens bíblicas como prova — a maioria extraída dos Salmos —, Keach sustentou que, na adoração pública da igreja, o crente experimentava “a mais próxima similaridade do céu” e recebia “as mais claras manifestações da beleza de Deus”. Mais da “presença íntima” e “efetiva” de Deus devia ser conhecida no contexto da adoração corporativa do que em qualquer outro lugar. O batista de Londres, assim, de forma inequívoca, declarou que “a adoração pública deve ser preferida à privada”, embora, ele enfatizou, esta última não deva ser negligenciada. Keach observou: “qual é o significado de tudo o que vocês fazem em público, caso vocês não perseverem na adoração a Deus em suas próprias famílias?”.[21] Não obstante, no final das contas, Keach estava convencido — e ele representa os primeiros batistas calvinistas em geral nessa questão — de que o lugar “onde Deus é mais glorificado” é no meio de uma congregação que adora.[22] Várias razões poderiam ser aduzidas para explicar por quais motivos Keach faz essas asserções, as quais são, indubitavelmente, chocantes para os ouvidos batistas modernos, que têm se embebido muito do individualismo desenfreado da cultura ocidental contemporânea. Uma das mais importantes dentre elas é o fato de que Keach e os seus colegas batistas corretamente discerniram que no Novo Testamento o chamado para seguir Jesus Cristo, ainda que intensamente pessoal e dirigido ao coração, envolve, de maneira incontornável, ser parte de uma comunidade de discípulos e manter firmes ligações com outras igrejas de igual pensamento. Do contrário, como Keach observou perto da conclusão de seu tratado, “brasas vivas separadas logo morrem”.[23] Em suma, este é um tratado extremamente importante. Por isso, estou entusiasmado por testemunhar a tradução dele para o português, de forma a ajudar as igrejas brasileiras a se tornarem centros bíblicos de vida e luz. Murdina D. MacDonald, “London Calvinistic Baptists 1689–1727: Tensions Within a Dissenting Community under Toleration” (D.Phil. tese, Regent’s Park College, University of Oxford, 1982), p. 77. Keach cria que a imposição de mãos era uma ordenança de “importância profundamente empírica” e que quem a ela se submetesse recebe um “incremento adicional” do Espírito de Deus (J. K. Parratt, “An Early Baptist on the Laying on of Hands,” The Baptist Quarterly 21 [1966–1967], p. 325–327, 320). Benjamin Keach, Light broke forth in Wales, expelling darkness (Londres, 1696), p. 250. Keach, Light broke forth in Wales, p. 95. Benjamin Keach, Expositions of the Parables Series Two (Grand Rapids, MI: Kregel 1991), p. 156. Há uma quantidade significativa de literatura acerca do lugar de Keach na história da hinódia inglesa. Veja especialmente Hugh Martin, “The Baptist Contribution to Early English Hymnody,” The Baptist Quarterly 19 (1961–1962), p. 195–208; MacDonald, “London Calvinistic Baptists,” p. 49–82; James Patrick Carnes, “The Famous Mr. Keach: Benjamin Keach and His Influence on Congregational Singing in Seventeenth Century England” (M.A. dissertação, North Texas State University, 1984); Alan Clifford, “Benjamin Keach and Nonconformist Hymnology” in Spiritual Worship (Londres: Westminster Conference, 1985), p. 69–93; James Barry Vaughn, “Public Worship and Practical Theology in the Work of Benjamin Keach (1640–1704)” (Ph.D. tese, University of St. Andrews, 1989), p. 128–187. A maior fonte primária de informação sobre Keach vem de seu genro, o historiador batista do passado Thomas Crosby. Veja Thomas Crosby, The History of the English Baptists (Londres, 1740), 4:268–314. A biografia definitiva de Keach é, agora, Austin Walker, The Excellent Benjamin Keach, 2nd rev. ed. (Kitchener, ON: Joshua Press, 2015). Veja também D. B. Riker, A Catholic Reformed Theologian: Federalism and Baptism in the Thought of Benjamin Keach, 1640–1704, Studies in Baptist History and Thought, vol. 35 (Milton Keynes, Buckinghamshire: Paternoster, 2009). A propósito da história desta casa de reuniões, veja Kenneth Dix, BenjaminKeach and a monument to liberty (Dunstable, Bedfordshire: The Fauconberg Press, 1985). Citado em Hugh Martin, Benjamin Keach (1640–1704): Pioneer of Congregational Hymn Singing (Londres: Independent Press Ltd., 1961), p. 3. Para o relato completo, veja Thomas Crosby, The History of the English Baptists (Londres, 1739), 2:185–209. Para as citações específicas, veja Crosby, History of the English Baptists, 2:204–205. Crosby, History of the English Baptists, 2:185–186. Vaughn, “Public Worship and Practical Theology,” p. 18. Para uma discussão das possíveis circunstâncias, veja Walker, Excellent Benjamin Keach, p. 87–95. B. R. White, The English Baptists of the Seventeenth Century (Londres: The Baptist Historical Society, 1983), p. 7–8. Crosby, History of the English Baptists, 4:305. Benjamin Keach, The Glory of a True Church, And its Discipline display’d (Londres, 1697), iii–iv. A editora que, originalmente, publicou esta obra não é listada. Keach bem pode ter contratado uma gráfica para imprimi-la. Keach, A Glória da Verdadeira Igreja, p. 5–6. Keach, A Glória da Verdadeira Igreja, p. 6. Keach, A Glória da Verdadeira Igreja, p. 6. Keach, A Glória da Verdadeira Igreja, p. 10–11. Keach, A Glória da Verdadeira Igreja, p. 20. A Glória da Verdadeira Igreja, p. 68. A Glória da Verdadeira Igreja, p. 63–68. A Glória da Verdadeira Igreja, p. 67. CARTA AO LEITOR Irmãos, Cada casa ou edifício consiste tanto de matéria quanto forma, tal qual a Igreja de Cristo, ou casa do Deus vivo, de maneira semelhante. A matéria, ou os materiais com os quais ela é construída, são “pedras que vivem”, pessoas convertidas. Além disso, matéria e forma devem ser de acordo com os princípios e padrões demonstrados no monte (falo da instituição[24] de Cristo) e na constituição da igreja apostólica, e não segundo invenções de homens. Porque a igreja tipológica[25] dos judeus era nacional e ligada à sua semente carnal[26] (assim sendo), portanto alguns homens esperam encontrar a mesma matéria e forma debaixo do evangelho. Mas, mesmo que a igreja seja corretamente construída em ambos os aspectos — com matéria adequada e da forma correta —, ainda assim, sem uma disciplina regular e ordenada, ela logo perde sua beleza e torna-se poluída. De fato, muitos divinos reverendos[27] do caminho congregacional[28] escreveram de maneira excelente a respeito da disciplina na igreja, mas há uma tamanha profusão de volumes que os mais pobres não os podem adquirir, e muitos outros não possuem tempo ou instrução suficientes para tomar proveito deles. Como pude constatar, nossos irmãos batistas não escreveram especificamente sobre esse assunto. Assim sendo, nossos membros e um de nossos pastores pediram-me que escrevesse um pequeno e simples folheto a respeito dos princípios e da disciplina de uma igreja evangélica, para que todos possam não apenas conhecer nossa fé, mas também nosso proceder nesta questão. É verdade, esse texto (embora simples) é [bem] curto, mas talvez sirva de inspiração para que outros falem sobre este assunto de forma mais elaborada. Certamente, a ignorância dos princípios e disciplina causa mais que pequenos problemas e desordens na Igreja. Se este material se tornar uma prevenção a isso, ou for de proveito para qualquer um, que Deus receba a glória — e eu tenho meu fim, Que sou vosso, Benjamin Keach, agosto de 1697. Instituição — ato de estabelecer. Tipológica — Um símbolo ou tipo do Antigo Testamento de algo cumprido no Novo Testamento; a congregação visível do povo do Velho Pacto de Deus era a nação judaica, um tipo da igreja evangélica do Novo Pacto. Semente carnal — filhos por parto natural. Divinos reverendos — teólogos respeitados, tais como John Owen (1616-1683) e Thomas Goodwin (1600-1679). Caminho Congregacional ou Independente — o congregacionalismo surgiu na Inglaterra no século 16 e influenciou o desenvolvimento dos batistas particulares, entre os quais Benjamin Keach era um proeminente líder. O congregacionalismo, diferente do presbiterianismo, ensinava que cada congregação local, e não apenas seus presbíteros, tem o direito divino sob a autoridade de Cristo à total independência no governo de seus negócios; mas, como os presbiterianos, guardava a prática do batismo infantil. CAPÍTULO 1 A RESPEITO DE UMA VERDADEIRA E ORDENADA IGREJA EVANGÉLICA Antes que possa haver qualquer disciplina ordenada em uma assembleia cristã, esta deve ser constituída em uma igreja-estado[29] de uma forma ordenada e regular, de acordo com a instituição de Cristo no evangelho. 1. Uma igreja de Cristo, de acordo com a instituição do evangelho, é a congregação de cristãos piedosos que, tendo sido batizados após profissão de fé, como assembleia declarada, em acordo e consentimento mútuos, entregam-se a Deus e a si mesmos de acordo com a vontade de Deus, e encontram-se regularmente em um lugar para o culto público e adoração a Deus — entre os quais a Palavra de Deus e os sacramentos[30] são devidamente administrados de acordo com a instituição de Cristo (Atos 2.41-44; 8.14; 19.4-6; Efésios 1.1-2, 2.12-13, 19; Colossenses 1.2-4, 12; 1Pedro 2.5; Atos 5.13-14; Romanos 6.17; Hebreus 6.1-2). 2. A beleza e glória de tal congregação consiste em serem todos pessoas convertidas, ou “pedras que vivem”[31] (1Pedro 2.5), sendo, pelo Espírito Santo e pela fé operada por Deus, unidos a Jesus Cristo, a preciosa pedra angular e único fundamento de cada cristão, assim como de cada congregação particular e de toda igreja católica[32] (Romanos 6.3-5; 1Pedro 2.4-6; Efésios 2.20- 21; Colossenses 2.19). 3. Antes de cada pessoa ser admitida como membro em tal igreja assim constituída, elas devem declarar à igreja (ou ao pastor constituído sobre eles) aquilo que Deus fez por suas almas, ou suas experiências com a obra da graça salvífica em seus corações. E também, a igreja deve procurar saber e estar plenamente satisfeita no que diz respeito às suas vidas santas e bom testemunho[33] (Salmos 66.16; Atos 11.4-6, 23-24; 1Pedro 3.1; 2Coríntios 8.5; Jeremias 50.5). Quando admitidos como membros, cada um deve aderir a um pacto solene perante a igreja de caminhar em comunhão com aquela congregação em particular, submeter a si mesmo ao seu cuidado e disciplina, caminhar fielmente junto a Deus em todas as suas divinas ordenanças, estar lá para ser alimentado e ter comunhão, adorar a Deus no local onde a igreja se reúne (se assim for possível), e entregar-se à vigilância e aos cuidados do pastor e ministro da igreja. O pastor declara então em nome da igreja a aceitação de cada pessoa, os esforços em cuidar e zelar por eles no Senhor —ficando os membros assim satisfeitos em recebê-los e ter comunhão com eles. E, então, o pastor lhes estende a mão direita da comunhão como uma igreja ou organismo[34] eclesiástico (Hebreus 13.17; 1Pedro 5.1-2). Uma igreja, então, constituída deve imediatamente escolher para si um pastor, presbítero ou presbíteros, e diáconos. Não lemos a respeito de outros oficiais e ofícios na igreja. O tipo de homem que estes devem ser, e quão qualificados, está escrito por Paulo em suas cartas a Timóteo e Tito. Além disso, devem tomar cuidados especiais para que os bispos (ou supervisores/presbíteros) e também os diáconos tenham de alguma forma todas as qualificações necessárias. E, em um dia solene de oração e jejum, são elevados[35] ao seu ofício (sejam pastores ou diáconos). Eles, aceitando o ofício, devem ser ordenados com orações e imposição de mãos dos presbíteros — sendo primeiro provados e encontrados aptos para tão sagrado ofício. Portanto, quão desordenadas são as igrejas que não possuem um pastor ou pastores ordenados. Elas não agem de acordo com os princípios do evangelho, tendo algo em falta (1Timóteo 3.2-7; Tito 1.5-10; 1.7; Atos 6.6; 1Timóteo 5.22). Igreja-estado — Uma congregação devidamente constituída sob o governo de Cristo; a igreja visível de Cristo na terra, ordenada de acordo com as palavras de Cristo. Sacramentos e ordenanças — Como fica claro no texto, os batistas particulares ingleses do século 17, como Benjamin Keach,William Kiffin, William Collins e Hercules Collins, utilizavam o termo ordenança e sacramento de forma intercambiável, embora aparentemente com ênfases diferentes. Uma ordenança é algo divinamente ordenado, e um sacramento é “tanto um sinal quanto um meio de graça” (Richard A. Muller, Dicionário latino e Grego de Termos Teológicos, p. 267). O termo ordenança aponta para sua origem, sua orientação divina; por exemplo, a ordem de Cristo aos seus discípulos para que pratiquem o batismo e a Ceia do Senhor. Sacramentos apontam para suas funções: o que tais ordenanças significam ou transmitem. Ordenança traz um sentido mais amplo que sacramento, e os batistas particulares o empregavam para reforçar seus argumentos em favor do batismo dos crentes. O conceito de sacramento surgiu da tradução latina do grego mysterion (mistério) para sacramentum, que em latim clássico significa o juramento de fidelidade de um soldado, acompanhado simbolicamente por uma tatuagem. A partir disso, desenvolveu-se a ideia de sacramento como um “sinal de coisas santas” (Crater Lindberg, Reformas Européias, p. 182) ou “um sinal visível de uma graça invisível” (Muller, p. 267). O Catolicismo Romano ensina que um sacramento confere graça ex opere operato, significando que transmite a graça eficaz de Deus automaticamente — sem a necessidade de fé ou arrependimento do recipiente. Em contraste, os batistas dos séculos 17 e 18 não utilizavam o termo sacramento da mesma forma que os romanistas. Por exemplo, na obra de Hercules Collins Um Catecismo Ortodoxo (1680), Pergunta 65, nós lemos: “Quais são os sacramentos? São símbolos e selos [confirmações] sagrados colocados diante de nossos olhos e ordenados por Deus para esta causa, que Ele possa declarar e selar através deles a promessa do Seu evangelho a nós, para iluminar, que Ele concedeu livre remissão de pecados e vida eterna… para todos que particularmente crerem...” Collins foi um dos signatários da Segunda Confissão Batista de Londres de 1677/89, a qual sempre utiliza o termo ordenança, enquanto sacramento nunca foi utilizado. E Nehemiah Coxe em seu Sermão Pregado na Ordenação de um Ancião e Diáconos em uma Congregação Batista, fala da “...administração dos sacramentos ou ordenanças de instituição positiva na igreja.” Portanto, para Keach e outros batistas do século 17, a Palavra de Deus, o batismo, a Ceia do Senhor e a oração eram ordenanças ou sacramentos, ou seja, “meios de graça” ordenados por Deus através dos quais Deus Pai, através de Cristo, enviou o Espírito Santo para transmitir bênçãos espirituais efetivas e força aos crentes. Que vivem — vivas Igreja católica — O termo Católica é aqui utilizada em seu sentido original de “universal”, e não deve ser confundida com o Catolicismo Romano; “toda a igreja católica” é a igreja universal de Jesus Cristo, e consiste de todos os verdadeiros crentes de todas as eras. Boa fala — conduta da vida espiritual. Organismo — descrição da igreja, não simplesmente uma organização, mas um organismo vivo, ou seja, tendo a função de corpo de Cristo, vivo no Espírito Santo (1Coríntios 12.12-25). Elevados — empossados. CAPÍTULO 2 DO TRABALHO DO PASTOR, BISPO, OU SUPERVISOR 1. O trabalho de um pastor é pregar a Palavra de Cristo, alimentar o rebanho, administrar todas as ordenanças do evangelho que pertencem ao seu sagrado ofício, e nele ser fiel e esforçado, estudando para apresentar-se “a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Timóteo 2.15). Ele é um mordomo “dos mistérios de Deus” (1Coríntios 4.1) e, portanto, deve ser um homem com um bom entendimento e experiência — sendo firme na fé e familiarizado com os mistérios do evangelho —, pois é seu dever alimentar o povo de Deus com conhecimento e discernimento. Deve ser fiel e hábil para declarar diligentemente a mente de Deus e pregar “quer seja oportuno, quer não” (2Timóteo 4.2) — tendo Deus comissionado a ele o ministério da reconciliação, uma verdade superior e sagrada (2Coríntios 5.18). Qual maior interesse teria Deus no mundo, senão esse, ao comissionar o homem? Além disso, ele deve tornar conhecido ao povo todo o conselho de Deus (1Coríntios 9.16-17; Atos 20.31, 35; 2Timóteo 2.15; 2Coríntios 4.1-2; 1Timóteo 3; Jeremias 3.15; 2Timóteo 4.2; 2Coríntios 5.15; Atos 20.20, 27). 2. Um pastor deve visitar seu rebanho, saber como têm passado, cuidar deles, dar apoio aos fracos, fortalecer os fracos de espírito e prestar assistência aos que têm sofrido com tentações, e reprovar aqueles que agem de forma profana (Provérbios 27.23; Atos 20.35; 1Tessalonicenses 5.14). 3. Ele deve orar por eles em todo tempo; estar com eles sempre que o buscarem ou assim desejarem, ou quando as oportunidades surgirem; deve ter simpatia por eles em todo estado ou condição que se encontrem, com todo amor e compaixão (Colossenses 4.12; 1Tessalonicenses 3.10). 4. Deve demonstrar ao seu rebanho, da maneira mais clara possível, um bom exemplo em todos os aspectos, seja no falar, na caridade, na fé e na pureza; de forma que seu ministério seja amplamente aceito por todos, o nome de Deus seja glorificado, e que a religião[36] esteja livre de censuras (1Timóteo 4.12). 5. Ele deve cuidar para assim agir com todos, com total imparcialidade, sem dar preferência aos ricos em detrimento dos pobres, sem soberba para com o patrimônio de Deus e sem clamar para si mesmo um poder maior do que aquele concedido por Deus; mas deve apresentar um espírito modesto e manso, cingindo-se de toda humildade (Tiago 2.4; 1Timóteo 5.21; 1Pedro 5.3, 6). Religião — o cristianismo bíblico; a verdadeira fé. CAPÍTULO 3 DO TRABALHO DOS DIÁCONOS O trabalho dos diáconos é servir às mesas, ou seja, supervisionar a provisão para a Mesa do Senhor, a mesa do ministério e as mesas dos pobres. Eles devem prover o vinho e o pão para a Mesa do senhor; verificar que cada membro contribua para a manutenção do ministério de acordo com sua habilidade e sua própria contribuição voluntária ou obrigatória[37]; garantir que cada membro dê aos pobres conforme Deus os tem abençoado; e visitar os mais pobres, conhecendo suas condições sempre que possível — que ninguém, em especial as viúvas com mais idade, seja negligenciado (Atos 6.1-10; 5.7-10; 1Coríntios 16.2; Atos 6.1). Voluntária ou obrigatória — ofertas ou dízimos. CAPÍTULO 4 DOS DEVERES DOS MEMBROS DA IGREJA AO PASTOR 1. É dever de cada membro orar por seu pastor e pelos mestres: “irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada” (2Tessalonicenses 3.1). Novamente, diz Paulo: “Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra uma porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo” (Colossenses 4.3). “Havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele” (Atos 12.5). Aqueles que negligenciam esse dever parecem não se importar nem com seu ministro, nem com sua própria alma — ou com a conversão ou não de pecadores, ou com a edificação da igreja. Eles oram pelo seu pão diário, e não orariam para que o pão da vida fosse abundantemente partido por eles (1Tessalonicenses 5.25; Hebreus 13.18)? Os motivos para a oração pelos ministros são as seguintes: a) O trabalho do ministro é grande demais: “Quem, porém, é suficiente para estas coisas?” (2Coríntios 2.16). b) A oposição contra eles não é pequena (1Coríntios 16.9). c) O chamado retumbante de Deus (assim como o chamado dos próprios ministros) é para que os santos orem e supliquem continuamente por eles (Colossenses 4.2-4). d) Suas fraquezas e tentações são muitas. e) O aumento e edificação da igreja depende do sucesso de seu ministério. f) Se eles caírem ou tiverem uma má conduta,[38] Deus é grandemente desonrado e Seus caminhos e Seu povo são censurados. 2. Os membros devem demonstrar uma estima reverente pelos ministros, pois são os embaixadores de Cristo, também chamados líderes, anjos, e assim por diante. Aqueles que os honram e os recebem, honram e recebem a Jesus Cristo. “Os tenhais com amor em máxima consideração, por causado trabalho que realizam” (1Tessalonicenses 5.13). Novamente, ele diz: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino” (1Timóteo 5.17), ou seja, da forma como eu concebo, aqueles que mais trabalham. 3. É dever do membro da igreja submeter-se a si mesmo aos ministros, ou seja, em todas as suas exortações, bons conselhos e repreensões. E quando forem chamados a quaisquer atos extraordinários — como a oração, o jejum, ou dias de ação de graças —, caso não vejam boas justificativas por que tais dias não devam ser guardados, devem então obedecer seu pastor ou presbítero, como também em outros casos. “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles” (Hebreus 13:17). 4. É dever dos membros o cuidar e o defender os pastores das acusações injustas de homens maus ou da língua infame,[39] não expô-los à censura, entristecer seu espírito ou enfraquecer suas mãos (Jeremias 20.10; Sofonias 2.8; 2Coríntios 11.21-23). 5. É dever do membro ir até o pastor quando estiver com problemas ou sofrer tentações. 6. É seu dever prover um sustento[40] digno aos pastores e suas famílias, adequado ao seu estado e condição. “Aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as coisas boas aquele que o instrui” (Gálatas 6.6). “Quem jamais vai à guerra à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto” (1Coríntios 9.7). “Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho” (1Coríntios 9.14). “Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais?” (1Coríntios 9.11). Os membros devem cuidar dos ministros com alegria e prontidão de espírito. O ministro não deve pedir por seu pão, mas deve recebê-lo honrosamente. O sustento confortável do ministro, embora não seja através do dízimo como acontecia segundo a lei do Antigo Testamento, é seu direito agora como era dos sacerdotes no templo. A equivalência do trabalho é a mesma. O Dr. John Owen[41] diz que nosso Salvador e os apóstolos advogam com bases de igualdade e justiça, e todos os tipos de leis e regras de integridade entre os homens clamam por isso (Mateus 10. 9-10; 1Coríntios 9.7-11; Tiago 5.4).[42] 7. É seu dever ser fiel a eles e permanecer com eles em todas as suas provações e perseguições por causa da Palavra (2Timóteo 1.16; 4.16). 8. O Dr. Owen nos dá mais um dever dos membros aos seus pastores, notadamente, concordar em se reunir como igreja ao seu chamado: “ali chegados, reunida a igreja...” (Atos 14.27).[43] PERGUNTAS E RESPOSTAS Pergunta: Não há presbíteros governantes além do pastor? Resposta: É possível que houvesse na igreja apostólica primitiva,[44] mas não temos base para crer que fosse um ofício contínuo da igreja, senão um temporário, 1. Porque não encontramos menção às qualificações de tais presbíteros, ou como deveriam ser escolhidos. 2. Porque nós não lemos a respeito de qual seria seu trabalho ou função particular, ou como ele seria distinto dos presbíteros dedicados à pregação da Palavra. Entretanto, podemos ver que a igreja poderia (caso surgisse a necessidade) escolher alguns irmãos hábeis e prudentes para que ajudassem no seu governo. Temos as qualificações dos bispos e diáconos diretamente prescritas, e também como devem ser escolhidos e seu trabalho declarado, mas nada é encontrado a respeito de outro ofício ou oficiais na igreja, senão estes (Romanos 12.8; 1Timóteo 3; Tito 1.5-9). Pergunta: Pode o presbítero de uma igreja, caso convocado, garantidamente[45] administrar todas as ordenanças a uma outra igreja? Resposta: Certamente não, pois não encontramos garantia para tal prática, uma vez que ele é um pastor ou presbítero ordenado daquela igreja em particular que o escolheu. Ele não possui o direito ou a autoridade para administrar como presbítero em outro lugar onde ele nem mesmo é membro. Pergunta: Pode uma igreja ter um professor, que não é um presbítero ordenado, a administrar todas as ordenanças para eles? Resposta: É melhor perguntar de uma vez “pode uma igreja agir de forma irregular?”. Porque ordenaríamos ministros, se outros não ordenados podem fazer o serviço? Se, portanto, eles não possuem alguém apropriadamente qualificado para o ofício, devem buscar por alguém que seja. Ainda assim, como costumamos dizer, “a necessidade não possui leis”. Assegurado, entretanto, que não lhes é possível, é melhor que seu professor seja chamado a realizar este serviço do que a igreja ficar sem alimento e as ordenanças eclesiásticas serem negligenciadas. Mesmo assim, que todas as igrejas cuidem em organizar a si mesmas, e não por cobiça ou negligência do dever, permanecendo incompletas e debaixo do pecado. Deus é um Deus de ordem e não de confusão em todas as igrejas dos santos. Quão severamente Deus tratou, nos tempos antigos, com aqueles que se intrometeram no trabalho e ofício dos sacerdotes (1Samuel 13.8-14), que não pertenciam à linhagem sacerdotal e nem foram chamados por Ele a administrar os ofícios[46] sagrados (1Coríntios 14.33, 38)! Má conduta — desviar-se por causa do pecado. Infâmia — calúnia, ofensa, desonra. Sustento — suporte financeiro. John Owen (1616-1683) — Teólogo, capelão no exército de Oliver Cromwell, e vice-chanceler da Universidade de Oxford; passou a maior parte de sua vida como ministro da igreja congregacional. John Owen, Eshcol (1648), p. 21-22. Subtítulo: A Cluster of the fruit of Canaan… Rules of Direction for the Walking of the Saints in Fellowship, according to the Order of the Gospel. Ibid, p. 27. Primitiva — primeira. Garantidamente — aceitavelmente. Um pastor não é um sacerdote, mas o autor faz uma analogia entre a natureza do ofício de um sacerdote, como supervisionar e administrar a verdade de Deus a seu povo, e um pastor. CAPÍTULO 5 DA RECEPÇÃO DE MEMBROS Pergunta: Qual é o procedimento para receber como membros da igreja aqueles que antes não eram membros em lugar algum? Resposta: a) A pessoa deve prestar conta de sua fé e da obra da graça sobre sua alma diante da igreja. Além disso, deve ser feita uma avaliação rigorosa sobre sua vida e testemunho. b) Mas se, por timidez, a pessoa não puder falar diante da congregação, o presbítero e mais duas ou três pessoas podem receber um relato de sua fé e reportá-lo à igreja. c) Mas se a satisfação total através do testemunho de pessoas boas e credíveis não for dada a respeito da vida e conversão da parte, ele deve aguardar[47] até que a satisfação seja obtida a esse respeito. d) Além disso, quando a maioria dos membros estiver satisfeita, e ainda assim uma ou duas pessoas não estiverem, a igreja e o presbítero farão bem em esperar um pouco e se esforçarem para satisfazer essas pessoas, especialmente se os motivos de sua discordância parecerem graves (Salmos 66.16; Atos 9.26-27; 3João 1.9-10; Romanos 14.17-19; 1Pedro 3.15; 1Coríntios 14.40; Romanos 15.1- 2; Atos 11.2-6). Pergunta: O que deve ser feito quando uma pessoa se oferece para a comunhão vinda de uma igreja que é corrupta ou errônea em seus princípios? Resposta: a) A igreja deve levar em conta sua fé em todos os pontos fundamentais e a obra da graça em seu coração. b) Se estiver satisfeita, busque saber junto àquelas pessoas corruptas se elas têm ou não algo contra a vida e testemunho de seu antigo membro. c) Se satisfeita em ambos os aspectos, a igreja pode recebê-la. Pergunta: A quem os membros se juntam? Ao presbítero ou à igreja? Resposta: Eles estão unidos a toda a comunidade da igreja, sendo incorporados como membros dela, e lá devem permanecer, mesmo que o pastor seja removido de entre eles pela morte (Atos 2.47; 5.11-15). Aguardar — ser posto em espera. CAPÍTULO 6 DA AUTONOMIA PARA A PRÁTICA DA DISCIPLINA 1. Consideramos necessário que um dia por mês seja nomeado especialmente para a disciplina, para que tais assuntos não sejam administrados no Dia do Senhor, dia de natureza específica, que deve ser reservado ao culto público a Deus. Além disso, essas coisas (relacionadas àdisciplina) podem chegar à igreja e talvez não seja conveniente que sejam ouvidas no Dia do Senhor, para que não perturbem o espírito de algum membro, e atrapalhem sua meditação na Palavra recém- ouvida. Em pequenas congregações, talvez um dia em dois ou três meses seja suficiente. 2. O poder das chaves, ou de receber e desligar alguém da congregação, é confiado à igreja. O poder político de Cristo, diz o Dr. Chauncy,[48] está na igreja, pela qual é exercido em nome de Cristo, tendo todo direito e governo legais dentro de si (Atos 16.5; 2Tessalonicenses 1.3-6). Assim ele o prova: a) A igreja essencial é o primeiro assunto das chaves. b) Eles devem, necessariamente e para sua preservação, livrar-se de todos os membros perniciosos.[49] c) Eles têm poder para organizarem-se com uma liderança estabelecida. d) Se for necessária a convocação de um oficial de fora ou de outra igreja, devem primeiro admiti-lo como membro para que então possam ordená-lo como oficial, mantendo assim o processo interno. e) Eles têm poder para rejeitar um pastor que cause escândalo ao seu cargo, e à membresia. Esse poder de Cristo é exercido pela igreja, conforme comissionado a ela pelas mãos do presbítero designado por Cristo. A devida administração de tal poder está entregue à igreja local e este deve ser cuidado e preservado pelo presbítero — como mordomo —, do qual ele é responsável perante Cristo e a igreja, sem exercer domínio sobre aquilo que pertence a Deus.[50] Que o poder das chaves está na igreja nos é mostrado em Mateus 18.17: “se recusar ouvir também a igreja.” Não é dito: “Se ele não ouvir o presbítero, ou presbíteros”. Observe também o que o apóstolo Paulo orienta a igreja a fazer após esta identificar a pessoa que pratica incesto. Ele não dá esse conselho ao presbítero ou presbíteros da igreja, mas à própria igreja. Então ele ordena que ela se afaste de todo irmão que anda desordenadamente. “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa.” (1Coríntios 5.4-5, 7; 2Timóteo 3.6-14) Isaac Chauncy (1632-1712) — ministro congregacional inglês, teólogo, e autor. Estudou teologia e medicina nas Universidades de Harvard e Oxford; suas obras incluem extensas dissertações a respeito da ordem na Igreja; nascido em Ware, Hertfordshire, Inglaterra. Perniciosos — malignos, nocivos. Issac Chauncy, The Divine Institution of Congregational Churches, Ministry and Ordinances, 1697, p. 103-105. CAPÍTULO 7 DA DISCIPLINA[51] NA IGREJA Quanto às disciplinas na igreja, entendo que existam quatro: a) suspensão; b) afastamento de um membro que procede de forma inapropriada; c) ofensas particulares; e d) exortar ou excluir aqueles que são culpados por crimes notórios e escandalosos, por heresia ou por agir com desprezo[52] para com a autoridade da igreja. Tratemos brevemente de cada um dos casos mencionados: A. SUSPENSÃO A suspensão deve ser aplicada quando um membro cai em pecado e a igreja necessita de tempo para entender o caso, e, portanto, não o pode afastar ou excluir. B. AFASTAMENTO DE UM MEMBRO QUE PROCEDE DE FORMA INAPROPRIADA Se algum membro procede inapropriadamente, embora não seja culpado de nenhum pecado escandaloso, deve ser admoestado assim que o ocorrido for descoberto e esforços devem ser empregados para trazê-lo ao arrependimento: “Pois, de fato, estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia” (2Tessalonicenses 3.11). Aqueles que se envolvem com assuntos que não lhes dizem respeito podem estar seguindo com suas vidas indo de casa em casa dos membros da igreja, falando da vida desse ou daquele irmão, contando casos que podem ou não ser verdadeiros, sendo reprováveis para com algum membro ou membros. Aqueles que assim agem praticam calúnia; e esse é um crime tão evidente que, sem arrependimento, eles não subirão ao santo monte de Deus (Salmo 15.1-3). Caluniar é diminuir o “bom nome do próximo, seja por negar-lhe os devidos elogios ou inferir-lhe acusações falsas, ou sem causa e evidência suficientes”, como dizem nossos comentaristas.[53] Mas o proceder inapropriado não se resume à calúnia, e traz consigo males menos evidentes. “A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranquilamente, comam o seu próprio pão” (2Tessalonicenses 3.12). Tais devem ser admoestados. A admoestação é um esforço piedoso em convencer alguém de um erro, tanto por fatos[54] quanto por circunstâncias. Essa admoestação deve ser aplicada, se de forma privada, pelo irmão que sabe ou tem conhecimento de tal erro ou mal da pessoa que o pratica — seja o presbítero ou um membro — e deve fazer isso com todo cuidado e piedade, antes de prosseguir. Mas caso seja de forma pública, a igreja deve convocar o transgressor, e o pastor deve admoestá-lo diante de todos. Mas, se após todos os esforços empregados, a pessoa permanece em seus caminhos desordenados, a igreja deve se afastar dela. “Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes.” (2Tessalonicenses 3.6) Esta não é uma entrega a Satanás, excomunhão ou exclusão[55] da pessoa, pois estes ainda devem ser tratados como membros, embora irregulares. A igreja deve notar tal pessoa de forma a não ter comunhão nem estar em sua companhia nesse sentido: “Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão… Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o” (2Tessalonicenses 3.15, 14). Parece-nos que aqueles que não aderem às palavras e exortações do pastor em nome de Cristo devem ser tidos como pessoas irregulares — como aqueles que não participam dos encontros da igreja para a adoração a Deus, ou negligenciam a oração privada ou em família, ou a participação na Ceia do Senhor, ou a contribuição financeira à igreja, ou não reprovam os erros de seus filhos, ou divulgam as resoluções[56] privadas da igreja. Todos esses devem ser tidos como pessoas irregulares, e devem ser tratados conforme este princípio, assim como em outros casos (Hebreus 12.25). C. OFENSAS PARTICULARES DE UM IRMÃO CONTRA O OUTRO No tocante a ofensas particulares, o princípio de Mateus 18.15-19 deve ser respeitado. Há apenas uma questão a ser observada: se apenas um ou dois irmãos têm o conhecimento da ofensa de algum membro, mas ainda assim for algo de conhecimento público e o nome de Deus for desonrado (já que se trata de um ato imoral), não devemos proceder com o transgressor de acordo com Mateus 18, mas o assunto deve ser imediatamente levado à igreja para que o escândalo público seja tratado [ver seção “d” abaixo]. Mas caso se trate de uma ofensa ou injúria privada contra um irmão ou irmã em particular, e não de um caso notório de pecado, esse irmão não deve mencionar o ocorrido a nem mesmo uma alma dentro ou fora da igreja, até que proceda de acordo com o princípio [de Mateus 18]: 1) Ele deve confrontar o erro de seu irmão. “Se teu irmão pecar [contra ti], vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.” (Mateus 18.15) É necessário que sejam empregados amor e toda afeição necessários para convencer o transgressor de seu erro. 2) Mas caso ele não dê ouvidos, é necessário levar mais um ou dois irmãos. Mas primeiro certifique-se que são pessoas discretas e que tenham capacidade de ajudá-lo a convencer o transgressor de seus erros. Eles devem esforçar-se junto a você com toda sabedoria para trazer o irmão a um entendimento de seus erros. Não devem apenas falar com ele, como se fosse o bastante; mas, sim empreender todas as medidas e esforços para convencê-lo de forma que o assunto seja tratado[57] e a igreja não precise ser perturbada. “Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. (Mateus 18.16). 3) Mas caso ele ainda não os ouça, mesmo depois de todos os meios e admoestações empregados, então o caso deve ser levadoà igreja. E caso ele não ouça a igreja, deve ser excluído.[58] O presbítero deve levar a questão ao julgamento da igreja, uma vez que o transgressor é incorrigível[59] e não quer ouvir a igreja. Após votação afirmativa pela congregação — ou pela maioria dos irmãos, através do levantar de mãos ou por manifestar silêncio — o pastor, após clamar a Deus e ser claro quanto à natureza da ofensa e a totalidade de suas ações, em nome e pela autoridade de Cristo profere a sentença de exclusão nos seguintes efeitos: “O transgressor, sendo culpado de grande iniquidade, não manifestando arrependimento sincero e recusando-se a ouvir a igreja, eu, em nome e pela autoridade de Cristo, pronuncio e declaro que ele deve ser, e é, por meio deste, excomungado, excluído ou expulso da congregação e não deve mais ser tido como um irmão ou membro desta igreja; isso é para a destruição da carne, a fim de que seu espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus.” (1Coríntios 5.5) E essa cremos ser a substância daquilo que o apóstolo chama de entregar a Satanás, o transgressor ser lançado de volta ao mundo, o qual é chamado de reino de Satanás, onde ele manda e reina (Mateus 18.17). “Entregar a Satanás”, diz o Dr. Chauncy, “significa somente a solene exclusão de uma pessoa da comunicação da igreja, o reino visível de Cristo, privando-lhe[60] ou despojando-lhe de todos os direitos visíveis aos privilégios da igreja, lançando-lhe no reino do mundo, onde o príncipe das trevas governa os filhos da desobediência”.[61] Ao proceder-se assim, tal pessoa não deve ser estimada como superior a um pagão, ou publicano, ou uma pessoa má, evitando até mesmo o contato no dia a dia. D. EXCLUSÕES 1) De pessoas infames, culpadas de atos grosseiros de imoralidade Se algum membro cair em um ato pecaminoso grosseiro como praguejar, mentira, embriaguez, fornicação, cobiça, extorsão, ou algo semelhante, e isso se torna publicamente conhecido de todos, para escândalo e vergonha da religião e do santo nome de Deus, sua igreja e seu povo — quando o dito transgressor for assim acusado, a igreja deve enviar um ou dois irmãos até ele para convocá-lo perante a congregação. Caso ele não venha, e ainda faça pouco caso e menospreze a autoridade da igreja, isso trará ainda maior culpa sobre ele — somada à ofensa pela qual ele é censurado, mencionada anteriormente. Mas caso ele venha, as acusações devem ser apresentadas diante dele e a testemunha chamada. E após ele apresentar sua defesa e dizer tudo o que for necessário, e a congregação considerá-lo culpado, então a mesma pena[62] deve ser aplicada — para que ele seja assim levado a um arrependimento sincero e o nome de Deus, santificado. Algum tempo deve ser observado para que seja provado[63] seu verdadeiro arrependimento das obras de sua vida anterior, e um novo caminhar em santidade posterior, antes que ele seja novamente recebido e a disciplina da igreja seja solenemente finalizada (Mateus 18). O Dr. Chauncy propõe a seguinte questão: Como uma igreja deve proceder em casos notórios de escândalo? A resposta é que, uma vez que a questão não deixa dúvidas, a igreja deve agir imediatamente para disciplinar, para manter a honra de Cristo e da igreja imaculadas, e para manifestar ao mundo sua justa indignação contra os transgressores, e aguardar por uma evidência firme e comprovada do verdadeiro arrependimento do transgressor, sob a ordenança que Cristo deixou para tal fim (1Timóteo 5.21; Atos 5.11; Judas 1.23; 1Coríntios 5; 2Coríntios 7.11).[64] A opinião do Dr. Chauncy é que, ainda que a pessoa seja penitente por causa do escândalo e notoriedade de seu pecado, ela deve ser excluída da igreja como forma de manter a honra de Cristo e da igreja imaculadas e como parte de sua justa punição (essa sendo uma das razões da excomunhão), e também para trazer a pessoa a um completo arrependimento — e nós também pensamos da mesma forma. Paulo não faz menção, no caso da pessoa incestuosa, se ela se arrependeu imediatamente ou “caso não se arrependeu, então...” Antes, ele diz, “entregue a Satanás” (1Coríntios 5.5). Ao falar de Miriã, o Senhor diz: “se seu pai lhe cuspira no rosto, não seria envergonhada por sete dias? Seja detida sete dias fora do arraial e, depois, recolhida” (Números 12.14). 2) Do tratamento de hereges e blasfemos No tocante a hereges ou heresias, quando são condenados, as mesmas disciplinas devem ser aplicadas contra eles. A heresia é geralmente limitada em seu significado, denotando qualquer opinião ou erro pernicioso em um ponto fundamental da religião — como negar o ser de Deus, ou a divindade de Cristo, ou sua satisfação [da justa ira de Deus contra o pecado], ou a justificação somente por sua justiça; ou negar a ressurreição do corpo, o julgamento eterno ou algo semelhante. Ainda assim, nossos comentaristas dizem que a palavra heresia denota o mesmo que cisma e divisão, significando que aqueles culpados por cismas ou divisões na igreja também devem ser excluídos. O apóstolo Pedro diz que heresias são condenáveis. Sem arrependimento, não há como serem salvos aqueles que “introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou” (2Pedro 2.1; ver os Comentários de Poole em 1Coríntios 11.19 e 2Pedro 2.1). Dois aspectos determinam se alguém é ou não um herege, de acordo com o significado comum da palavra: 1) um erro em assuntos de fé, fundamental ou essencial para a salvação, e 2) teimosia e contumácia[65] em afirmar e manter tais erros. “Evita o homem faccioso, depois de admoestá- lo primeira e segunda vez.” (Tito 3.10) Agora, esse evitar parece soar como excomunhão, quando ouvimos Paulo dizer: “e dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem” (1Timóteo 1.20). Sua heresia, ou blasfêmia, consistia em dizer que a ressurreição já havia ocorrido. Alguns não contariam ninguém como herege, senão aquele que é condenado e sentenciado por sê-lo em sua própria consciência, confundindo as palavras de Paulo: “pois sabes que tal pessoa está pervertida... e por si mesma está condenada” (Tito 3.11). Ele pode estar por si mesmo condenado — embora [se] não seja por sua heresia, mas sim por passar seu tempo com perguntas e contendas de palavras para perturbar a paz da igreja. Ou, embora não tenha se condenado diretamente, mas indiretamente, de acordo com o significado de sua própria noção, ou o que ele concebe sobre o ponto em debate, e assim por diante. Caso contrário, o apóstolo se refere a um herege autocondenado, notável e notório. É muito questionável se Himeneu e Alexandre foram condenados em suas próprias consciências pela heresia que lhes foi atribuída, e ainda assim foram entregues a Satanás. No entanto, a regra é clara em relação a qualquer um que seja subvertido e mantenha resolutamente qualquer conceito herético: após ter sido duas vezes (ou mais) admoestado — ou seja, depois de toda a devida medida usada e os esforços empregados para convencê-lo de seu abominável erro — e, ainda assim, ele se mantém obstinado, deve ser entregue a Satanás. Ou seja, a justa disciplina da igreja deve ser aplicada a ele, como no caso de outras ofensas notórias. A heresia é uma obra da carne e, portanto, alguns concebem que isso deve ser punido pelo magistrado civil.[66] Perguntas e Respostas Pergunta: O que é admoestação? Resposta: É o esforço fiel de convencer alguém de uma falha e, persuadindo-o quanto à matéria em questão e aos seus deveres, trazer à consciência do transgressor a devida acusação, em o nome do Senhor Jesus, com toda a sabedoria e autoridade. Pergunta: O que é a admoestação de uma igreja? Resposta: Quando um irmão transgressor rejeita a admoestação de uma ou duas, ou três pessoas, e o caso então é trazido para a igreja pelo presbítero, o membro transgressor é por fim repreendido e exortado em nome do Senhor Jesus para o devido arrependimento. Caso seja condenado e, então, se arrependa, a igreja então o perdoa; caso contrário o exclui, conforme apresentado anteriormente.Pergunta: Pode uma igreja receber um membro de outra congregação para com ele ter comunhão sem antes tê-lo recebido como membro? Resposta: Se a pessoa for bem conhecida por alguns membros da igreja, e sendo ele um membro ativo em outra igreja da mesma fé, pelo período em que se encontrar entre os irmãos, pode ser admitido temporariamente para ter comunhão. Mas caso ele tenha morada em uma cidade distante de onde sua igreja original se encontra, ele precisa, portanto, de um desligamento formal[67] e ser então entregue aos cuidados da igreja onde deseja comungar. Pergunta: Se uma pessoa excluída recebe de Deus o verdadeiro arrependimento e deseja ser reintegrada à igreja, de que forma ela deve ser recebida? Resposta: Após um reconhecimento sério, solene e público perante a igreja e a devida satisfação de acordo com a natureza de sua ofensa, o presbítero solenemente procede e declara, em nome do Senhor Jesus, que a sentença que estava sobre o transgressor é retirada após sincero arrependimento e que ele é recebido novamente como membro, para o louvor e a glória de Deus (Mateus 18.18; 2Coríntios 2.6-7; 1Timóteo 5). Pergunta: Como lidar com um pastor que, para a ciência da igreja ou de qualquer de seus membros, anda em desacordo e de forma indigna ao chamado ao santo ofício e à membresia? Tomemos a resposta de um outro autor. Resposta: 1. Os membros a quem isso é manifestamente conhecido devem ir a ele em particular, sem que outros saibam (e com “o espírito de brandura”, em grande humildade, como vemos em Gálatas 6.1), apresentar seu mal diante dele, tratar-lhe como um pai, e não o repreender como igual, muito menos como inferior. Se o convencerem, devem recebê-lo como antes, em sua antiga afeição e estima, e nunca comentar sobre isso com mais ninguém. 2. Mas se, depois de todos os suplicantes pedidos, ele se mostrar impenitente e obstinado, devem trazer o caso à igreja para que ela lide com ele, tendo dois ou três irmãos da parte da igreja para servirem de testemunha dos fatos e da matéria contra ele, para seu conhecimento pessoal. 3. Mas antes que lidem com ele, a igreja deve nomear um dentre eles, qualificado para o trabalho de um pastor, para executar a disciplina da igreja contra ele. No entanto, sem dúvida, a igreja pode suspendê-lo de sua comunhão e do exercício de seu ofício imediatamente após ser totalmente condenado. Pergunta: Suponhamos que um membro da igreja considere ter sido oprimido pela igreja, ou injustamente tratado — tendo sido afastado ou excluído. Há algo que possa ser feito por ele? Resposta: Cremos que algo possa ser feito por ele; e também cremos que não há igrejas infalíveis, e que erros na fé ou na disciplina podem existir. E a forma proposta e acordada — em uma assembleia geral realizada em Londres em 1692, composta por presbíteros, ministros e mensageiros de nossas igrejas, os quais têm nossa aprovação — para lidarmos com tais casos, é essa: a pessoa injuriada ou entristecida pode inscrever-se para a membresia em uma igreja irmã, que enviará alguns irmãos à congregação que lidou com a pessoa em questão, para ver a possibilidade de restauração da sua condição de membro. Mas caso não haja essa possibilidade, eles devem apresentar as acusações, com provas, à nova igreja que os enviou. E caso essa congregação, após ser informada do caso, concorde que esse irmão não foi tratado de forma apropriada, eles podem recebê-lo novamente em sua comunhão. 3) Daqueles que causam divisões, ou indevidamente separam-se da igreja Em geral, todas as divinas congregações e homens dignos afirmam o seguinte: nenhuma pessoa pode excluir a si mesma. Não é possível, sem grande pecado, transladar[68] de uma igreja para outra, mas é necessário o desligamento da igreja onde era membro novamente — considerando que tal igreja seja constituída regularmente, sem nada em falta no tocante à salvação ou à comunhão da igreja. Caso contrário, a pessoa ainda deve requisitar seu desligamento. De igual forma, pequenas diferenças em alguns pontos quanto à prática religiosa (ou noções de pouco destaque[69]) também não são um motivo justificável para o desejo de desligamento. Vejamos o que um respeitável escritor diz acerca da impossibilidade ou do não dever transferir- se a si mesmo de igreja: Uma pessoa não deve transferir-se por muitas razões: 1) Não é algo aceitável, muito menos uma forma ordeira de partir, mas sim muito grosseiro, uma espécie de fuga (Filipenses 1.27; Tito 2.10). 2) Tal partida não é aprovada nem mesmo em famílias ou em sociedades civilizadas. 3) Ela destrói a relação entre pastor e ovelhas, pois algo que pode ser feito por um indivíduo pode ser feito por todos. 4) Se tal liberdade se aplica às ovelhas, também se aplica ao pastor: ele também pode deixar o rebanho ao seu bel-prazer, sem aviso prévio ou motivos à igreja. 5) É a quebra do pacto com Cristo e com a congregação, e portanto uma grande imoralidade (Romanos 1.31) — estando a pessoa sob obrigação de caminhar com firmeza junto à igreja até que a mesma julgue que há um chamado lícito para que ela se una a outra congregação. 6) É um cisma, e se tal atitude existe no mundo, pertence a algumas sociedades em particular (Atos 2.42; 1Coríntios 12.14-25; Hebreus 10.25). 7) É um desprezo pelo governo da igreja (Judas 1.19). 8) É a presunção de um membro em particular em assumir que pode fazer uso das chaves, ou melhor, roubá-las. 9) Há tanta razão em alguém entrar em uma igreja quando quiser, sem pedir consentimento, quanto há em partir quando quiser. 10) É errado e rude quando outra igreja recebe alguém que age assim, sem tratar como deveria do assunto. 11) Tais práticas resultam em nada além de brechas e confusão entre todas as igrejas particulares e as tornam simplesmente como paróquias.[70] 12) Tais separações não podem ser defendidas em hipótese alguma quando temos a realidade de uma igreja católica visível, onde todos os membros e oficiais participam de uma igreja organizada, que deve e irá apresentar um governo pastoral coordenado (se não subordinado) através da associação de presbíteros sobre todas as igrejas, e portando sínodos e classes.[71] 13) É como um vazamento em um navio que, se não for consertado rapidamente, o levará no mínimo a afundar. 14) Pode levar à anarquia, dando a cada membro um poder arbitrário. 15) Quebra todos os laços de amor e levanta as maiores animosidades entre irmãos e igrejas. 16) É uma grande evidência de que há alguma culpa na pessoa.[72] Há tanto poder justificado em um membro em particular para dissolver sua relação com a igreja quanto há em um homem que tira sua própria vida. Mas em seu dito desligamento, ele, por meio de um cisma, corta a si mesmo da comunhão e separa-se de maneira pecaminosa (Judas 1.19; 1Coríntios 1.10; 3.3; 11.18; Hebreus 10.22-25).[73] Pergunta: Qual é o proceder justo da igreja que reveste de formalidade tal separação irregular, como se esta fosse uma excomunhão? Resposta: Chauncy responde ao chamar tal ato de “excomunhão mista”, que originalmente procede e consiste no ato do irmão em questão, e da formalidade de sua ofensa — sobre a qual cabe o justo e inviolável[74] ato da igreja. Tal julgamento da igreja [pode ser] declarado publicamente pelo presbítero da congregação: O transgressor, tendo irregularmente e pecaminosamente se retirado da comunhão da congregação, passamos agora a julgá-lo como não-membro e alguém que não deve ter comunhão com a igreja nas ordenanças especiais de comunhão até que plena satisfação seja concedida por ele (Romanos 16.17-18; 2Tessalonicenses 3.6, 14-15; Judas 1.12).[75] Ainda assim, acreditamos, tal qual a opinião do Dr. Chauncy, que uma igreja pode — se acreditarem que o caso é garantido pela Palavra de Deus ou por circunstância — conceder o desligamento a um membro, caso ele assim insista, para que se una a outra igreja. Entretanto, isso não deveria acontecer em todos o casos de ofensa, ou de desentendimento quanto a alguns pequenos pontos acerca de diferentes assuntos, ou por animosidade; pois isso pode levar à dissoluçãoda igreja. Pois qual é a igreja onde todos os membros possuem um só entendimento em todos os casos particulares sobre os assuntos da religião? Aqueles que causam divisões e cismas ou discórdia entre os irmãos para perturbar a paz da igreja, caso não possam ser regenerados, devem ser marcados e tratados como grandes transgressores. A divisão é uma das coisas as quais Deus odeia, e é uma abominação para ele (2Timóteo 2.23; 2Tessalonicenses 3.14; Provérbios 6.16-19). Pergunta: Como ocorre o pleno e correto desligamento de um membro para outra igreja, dado sua mudança ou alguma outra situação ordeira? Resposta: Tal desligamento correto pode consistir em uma carta testemunhal ou de recomendação de tal pessoa. E caso ele tenha intenção de estar lá permanentemente, a igreja pode então entregá-lo àquela comunhão e convívio, para ser guardado no Senhor (Romanos 16.2; Atos 18.27). Disciplina — Correções espirituais administradas pela igreja local. Desprezar ou menosprezar. Matthew Poole, Annotations upon the Holy Bible, Vol. 2 (Nova Iorque: Robert Carter and Brothers, 1852), p. 20; Poole (1624- 1679) foi um teólogo inglês não-conformista, melhor conhecido por seu comentário aqui citado. Fatos — provas e evidências. Exclusão — remover a membresia, deixar de ser membro da igreja. Resoluções — decisões da igreja. Tratado — seja solucionado e encerrado. Excluído — excomungado; impedido de participar da Ceia do Senhor e da comunhão da igreja. Incorrigível — para além da esperança razoável por uma correção. Privando — restringindo o acesso. Chauncy, The Divine Institution of Congregational Churches, p. 126. Pena — no caso, a exclusão da igreja. Provada — para que fiquem evidentes os frutos da mudança na vida da pessoa. Chauncy, The Divine Institution of Congregational Churches, p. 122-123. Contumácia — uma firme resistência à autoridade. O autor talvez esteja apelando à possibilidade do magistrado punir a heresia para demonstrar que ela é um pecado escandaloso como outros punidos pelas autoridades civis. O papel do magistrado civil na teocracia do Antigo Testamento incluía o castigo de hereges e blasfemos, entretanto como os escritores do Novo Testamento não deixam claro que tal papel deva pertencer às autoridades civis fora da nação de Israel, muitos são hesitantes em assumir tal posição. Desligamento formal — requisitar a transferência de sua membresia de forma ordeira, o que geralmente inclui uma carta de recomendação expedida por sua antiga igreja à nova congregação. Trasladar — transferir. Pouco destaque — pouca importância. Paróquias — refletindo na igreja concebida apenas como a composição de todos os cristãos praticantes de uma determinada localidade, ao invés de cristãos regenerados que participam de um compromisso pactual uns com os outros. Sínodos e classes — assembleias regionais de presbíteros cujas decisões unificam as congregações sob sua responsabilidade, uma característica do governo eclesiástico presbiteriano. O argumento de Keach é que quando um membro deixa a sua congregação por outra sem o respeito pela autoridade da congregação original, faz parecer que a igreja visível é mais ampla que a congregação local, o que requer o governo de um presbitério regional que está acima da igreja local, algo que ele rejeitava vigorosamente. Culpa na pessoa — o desligamento irregular da membresia da igreja traz uma evidência convincente de que a mesma cometeu algo errado. Isaac Chauncy, The Doctrine Which Is according to Godliness, to Which Is Annexed a Brief Account of the ChurchOrder of the Gospel according to the Scriptures (1694), p. 339-340 e 342. Inviolável — que não pode ser quebrado. Ibid, p. 342-343. CAPÍTULO 8 DAS DESORDENS: CAUSAS DE DISCÓRDIAS [Apresentamos a seguir algumas causas de desunião e desordem. Cada uma delas deve ser prevenida e corrigida em cada verdadeira igreja evangélica.] 1. Um motivo de discórdia é causado pela ignorância de alguns membros quanto às regras de disciplina e governo eclesiástico, particularmente quando o princípio de Mateus 18 não é seguido (v.15). Assim, temos uma pessoa que se ofendeu com alguém e fala sobre isso com essa ou aquela pessoa antes de falar diretamente com o irmão transgressor sobre o assunto — o que é um pecado palpável[76] e uma violação direta ao santo preceito de Cristo. Tais pessoas devem, como transgressores, receber um tratamento de acordo com o evangelho. Como prevenção a isso, é necessário que a disciplina da igreja seja ensinada, e que os membros sejam instruídos sobre seus deveres. 2. Outra causa de problemas e desordens na igreja é a falta de amor e afeição uns para com os outros — como também a falta de uma visão plena e um senso de grande perigo quanto ao quebrar os laços de paz e união. Oh! Que todos deixassem esse mal abominável ao coração! Quão abjeto é o ato de quebrar a paz de uma família ou vizinhança! Mas é ainda mais pecaminoso perturbar a paz da igreja do Deus vivo, e quebrar os laços de união que nela há. “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” (Salmos 133.1). Mas, oh! Quão feio e odioso é o contrário (João 13.12-17; Efésios 4.3; Hebreus 13.1; Efésios 4.31-32; 5.2; Tiago 3.16)! 3. Outra prática irregular é esta: quando um e outro membro sabem de um ato pecaminoso ou mal praticado por outro irmão, e decidem esconder o fato ou agirem em desacordo com o princípio — fingindo que preferem não serem vistos como pessoas contenciosas. No entanto, ao procederem desta forma, eles podem se tornar culpados pelo pecado de outro homem, e também causar a desonra do nome de Deus e da igreja, tudo por causa de sua negligência. Esta é uma grande iniquidade (Atos 5.3-8; Levítico 19.17). 4. Quando um presbítero ou igreja tem conhecimento do comportamento escandaloso de uma pessoa, ou possui compreensões heréticas, e ainda assim é conivente com as mesmas. 5. Quando os membros tomam a liberdade de estar em outro lugar quando a igreja está unida para a adoração a Deus. Isso é nada mais que a quebra de um pacto com a igreja, e logo dissolverá qualquer congregação, pois, seguindo esse mesmo princípio, um membro toma tal liberdade, e logo outro e, então, todos os membros. Além disso, essa atitude lança desprezo sobre o ministério da igreja, causando nos ouvintes um descontentamento pelas doutrinas ensinadas nela — já que sabem que há membros da igreja que nem mesmo participam de suas atividades. Portanto, eu exorto, em nome de Cristo, que isso seja prevenido. E que todos que tenham conhecimento de quem são os que tomam tais liberdades, por favor, revelem-nos à igreja. Ainda assim, não colocamos restrições sobre nossos membros quanto ao ouvir outros pregadores da sã doutrina, de tempos em tempos (Atos 4.23). 6. A liberdade que alguns tomam de ouvir homens cujos julgamentos são corruptos, recebendo assim conceitos errôneos que buscam, em seguida, destilar na mente de outros, como se fossem de grande importância. Infelizmente, quantos estão corrompidos hoje com o arminianismo,[77] o socinianismo,[78] entre outros! Isso causa grandes problemas e desordens (2Pedro 2.2). 7. Quando uma igreja recebe um membro ou membros de outra congregação sem consentimento ou ciência [da outra congregação]. Os novos membros podem ser pessoas desregradas,[79] ou que foram excluídas de suas igrejas por imoralidades, ou ainda serem cheias de animosidades sem causa. Isso é o bastante para tornar homens em ateus, ou para despertar o desprezo por toda autoridade eclesiástica e religiosa — pois uma igreja saudável não possui tanta autoridade vinda de Cristo quanto outra? 8. Outra irregularidade é quando novos membros são recebidos sem o consentimento geral[80] da igreja, ou antes que boas referências sejam recebidas de suas vidas e caminhar cristão, ou quando uma igreja é demasiado descuidada[81] com a recepção de seus membros. 9. Quando uma igreja recebe alguma acusação contra um membro (no caso de uma ofensa entre irmãos da igreja) sem que antes um processo regular seja iniciado pela pessoa ofendida (Atos 9.27; Mateus 18.15). 10. Quando um julgamentoocorre com parcialidade, e alguns são coniventes[82] por favor ou afeição. Levi não deveria saber que era o réu em um julgamento, nem mesmo que fosse seu pai ou sua mãe (Levítico 19.15). 11. Quando os membros não são pontuais e nem mesmo frequentes nas assembleias públicas, especialmente no culto a Deus no dia do Senhor, mas são desleixados neste quesito. Este é um grande mal (Salmos 63.1; Cantares 7.12; Marcos 16.1). 12. Quando parte da membresia se reúne diante de uma insatisfação para falar de assuntos da igreja sem o conhecimento ou a aprovação da igreja ou do pastor. Isso é desordeiro e tende à divisão, e tal atitude deve ser assinalada (1Coríntios 12.25; Romanos 16.17). 13. Outra questão que leva à perturbação da paz da igreja é quando há sinais de enervamento indevido no pastor ou em outros quando o assunto é a disciplina na igreja. Não temos visto, por experiência, os efeitos disso? Portanto, tais assuntos devem ser sempre tratados com mansidão, doçura de espírito, e moderação — tendo cada irmão a liberdade de falar aquilo que está em sua mente sem ser interrompido até que termine; e é preciso evitar que mais de uma pessoa fale de cada vez (2Timóteo 2.25). 14. Quando um ou mais irmãos discordam da congregação, em qualquer matéria circunstancial — seja no tocante à fé, à prática, ou à disciplina — e não se submetem à maioria, mas levantam contendas, afastando-se da igreja ao invés de buscar a harmonia (Judas 1.19; Tiago 3.14-16). Eu pergunto: qual razão ou fundamento alguém teria para uma pessoa recusar-se a comungar com uma igreja que pertence a Cristo e com ele tem comunhão? 15. Quando qualquer membro divulga, ou torna conhecido, a pessoas que não fazem parte da congregação — e nem mesmo se importam com tais assuntos — o que acontece nas reuniões da igreja. A igreja, neste respeito (bem como em outros), deve ser como um jardim fechado, um manancial recluso, uma fonte selada. Isso geralmente gera grande tristeza, e o transgressor deve ser encontrado. Não é uma vergonha se um membro de uma família espalha a intimidade de uma casa? Mas estes que assim procedem se expõem a uma vergonha ainda maior (Cantares 4.12). 16. Uma outra prática irregular é esta: quando um membro sugere ou insinua na mente de outros membros algum mal contra seu pastor, ainda que não o declare abertamente — e podem ser apenas suposições ruins por inimizade, mas ainda assim se recusa a falar com o pastor sobre isso. Isso é muito abominável, e uma violência concreta contra os preceitos do evangelho e contra os deveres dos membros para com seus ministros. Tal pessoa deve ser repreendida com severidade; e caso ela não confesse seus erros e manifeste arrependimento sincero, deve ser lidada apropriadamente. Além disso, é um grande erro quando alguém ouve tão vis insinuações e não as censura (cumprindo assim com seu dever), ou leva dois ou três irmãos para trazer o transgressor ao arrependimento. Se ele assim age com um irmão, é um grande mal, mas é ainda pior agir assim com um presbítero, cujo nome e honra devem, com todo cuidado e justiça, ser mantidos como sendo mais sagrados (Romanos 1.29; 1Timóteo 6.4; Zacarias 7.10, 1Timóteo 5.19; 1Coríntios 8.12). 17. E também, quando todos deixam de contribuir com os mais pobres de acordo com as bênçãos que têm recebido de Deus, no dia do Senhor (ou primeiro dia da semana), conforme ele ordenou (1Coríntios 16.2). 18. Uma outra irregularidade é esta: quando alguns membros se recusam a participar da Mesa do Senhor porque acham que algumas pessoas são culpadas de algum mal, mas ainda assim deixam de proceder de acordo com o princípio bíblico. Tais pessoas excluem a igreja ou a si mesmos, ou censuram outros irmãos de maneira errada (Mateus 18). Eu suplico, pelo amor de Deus, que isso nunca ocorra em vosso meio. Vós não deveis lidar com eles ou recusar sua comunhão (embora imperfeita) até que a igreja os exclua, afaste-se deles ou, pelo menos, os suspenda. 19. Quando um membro ouve e acredita em um relato sobre outro membro antes de saber a verdade sobre os fatos (Jeremias 20.1,10). 20. Quando uma acusação é levantada contra um presbítero, mas não corresponde ao princípio bíblico, que requer duas ou três testemunhas aos fatos (1Timóteo 5.19). 21. Quando a Palavra de Deus não é cuidadosamente estudada durante a semana ou em dias de estudo pelos membros em geral, embora tal compromisso seja acordado com toda a igreja (Isaías 55.3; Atos 2.1-2. Atos 10.33). 22. Quando os dias destinados à oração e ao jejum, dias públicos de ação de graças, ou dias disciplinares não são guardados[83] (Joel 2.16). 23. E por último, quando irmãos capacitados com algum dom não são, em primeiro lugar, encorajados a praticar tais dons de forma privada, e chegando o tempo certo, chamados à frente para pregar ou exercitar tais dons na igreja — e quando o encorajamento para buscar o aprendizado também não lhes é dado. O que será da igreja no tempo vindouro, caso isso não seja logo prevenido? (2Timóteo 2.2) Palpável — óbvio. Arminianismo (proveniente de Jacó Armínio, 1560-1609, teólogo holandês) — sistema doutrinário que rejeita a doutrina da predestinação, ensinando que a eleição de Deus é baseada em sua presciência de que homens aceitariam ou rejeitariam a Cristo por seu próprio livre-arbítrio. Socinianismo (proveniente de Fausto Sozzini, 1539-1604, teólogo italiano) — sistema doutrinário que nega a doutrina da trindade, a divindade de Cristo (tornando-o um homem comum), a divindade e personalidade do Espírito Santo, a predestinação, o pecado original, a depravação radical, a eternidade do inferno, e que Cristo tenha oferecido qualquer expiação (ou satisfação) a Deus pelos pecados dos homens. Desregrados — que vivem vidas mundanas, sem ter em conta a santidade de Deus. Consentimento geral — consentimento da congregação como um corpo. Descuidada — relaxada, negligente. Coniventes — aprovam a injustiça sem se opor. Guardados — quando a maior parte da congregação participa dos mesmos. CAPÍTULO 9 O QUE COOPERA PARA A GLÓRIA E A BELEZA DE UMA IGREJA EVANGÉLICA Aquilo que em primeiro lugar coopera para a glória da igreja é o fundamento sobre o qual ela está construída, que é Jesus Cristo. Este sim, é um bendito e glorioso fundamento (1Coríntios 3.4). 1. Em relação a Deus Pai, que estabeleceu este fundamento em seu eterno propósito, conselho, e decreto: “Eis que eu assentei em Sião” (Isaías 28.16). E isto é o resultado de sua infinita sabedoria, amor e misericórdia para com os eleitos, a) em relação à glória de Deus em todos os seus atributos; b) em relação ao nosso bem — ele responde às nossas necessidades que estão unidas nele ou fundamentadas nele. 2. Em relação ao próprio Cristo, que é o fundamento: a) a respeito da preciosidade de Cristo, como uma “pedra angular”, “uma pedra preciosa”; b) a respeito de sua durabilidade, “uma pedra, pedra já provada […], solidamente assentada” (Isaías 28.16). Irmãos, o fundamento de uma casa deve necessariamente ser posto; nenhuma casa pode ser construída sem uma boa fundação que seja firme e inamovível. É a parte mais robusta de um edifício, e sustenta todo o peso da superestrutura, tal qual Jesus Cristo. 3. A beleza e a glória da verdadeira igreja consistem em sua constituição verdadeira e correta, sem que haja falta de nada essencial a ela. 4. A beleza e a glória da verdadeira igreja consistem na excelência, glória e adequação dos materiais com os quais ela foi construída, em resposta à fundação [o Cristo vivo]: todas as pedras preciosas, pedras que vivem, todas as pessoas regeneradas (1Pedro 2.5). 5. A beleza e a glória da verdadeira igreja consistem no talho e desbaste de todas as pedras, tornando-as próprias para a construção onde serão utilizadas. Se assim fosse, não haveria tanto barulho do martelo e machado na disciplina da igreja como de fato há. Entretanto, não foi assim no tipo[84], isto é, no Templo de Salomão (1Reis 6.7). 6. Sua beleza e a glória consiste em que todas as pedras estão não apenas unidas pelo Espírito e pela fé no operar de Deusem Cristo, o fundamento, mas também umas às outras em sincero amor e afeição. “No qual todo o edifício, bem-ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor.” (Efésios 2.21) 7. Consiste na santidade e pureza das vidas e no caminhar de todos os membros: “Sede santos, porque eu sou santo… à tua casa convém a santidade, Senhor, para todo o sempre.” (1Pedro 1.16; Salmos 93.5) 8. Consiste na doce união e concórdia que deve haver na igreja, trabalhando juntas como os cavalos das carruagens do Faraó, “esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Cânticos 1.9; Efésios 4.3). “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (João 13.35) 9. Consiste em terem a presença divina junto a si, tal como a glória de Deus enchia o templo (Êxodo 20.24; Mateus 18.20). 10. Consiste em manter distantes todas as pessoas não santificadas ou impuras — ou, caso elas entrem, purificá-las através de uma disciplina rigorosa e santa, para que a igreja não perca sua beleza (1Coríntios 5.5-7). 11. Consiste no zelo e na igualdade que devem ser demonstrados em todos, para que a honra, a paz e o conforto da igreja e seu ministério sejam mantidos (2Coríntios 8.14; Tito 3.2). 12. Consiste na administração da disciplina correta, para que a justiça não seja negligenciada e nem adiada devido à falta de cuidado ou parcialidade. a) Não participar dos pecados alheios, o que pode ser feito 1. ao sermos coniventes; 2. quando o diminuímos ou abrandamos; 3. ao apoiarmos ou encorajarmos alguém em pecado; 4. ao não restaurarmos um irmão que confessou seu pecado quando este for superado; 5. ao não apresentarmos uma acusação justa contra um transgressor, nem repreendê-lo, e ainda assim termos comunhão com ele. b) Não desvirtuar os julgamentos de seus canais verdadeiros e corretos, nem infligir uma censura maior do que aquela que a lei de Cristo requer. c) Ser oportuna para absolver e exonerar uma pessoa penitente. d) Não fazer nada com base em animosidade, mas em amor e profundo afeto; e tudo fazer em nome de Cristo, através de sua autoridade. 13. Consiste em simpatizar com o aflito, socorrer os que sofrem tentação e aliviar os pobres e angustiados (1Tessalonicenses 5.14). “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.” (Romanos 12.15) 14. Consiste em não falar mal de ninguém; não apenas de seus irmãos, mas não magoar ou injuriar nenhuma pessoa, diminuindo seu valor e honra. Veja em Sirá, “não confies teu pensamento nem ao amigo nem ao inimigo. Se tiveres cometido uma falta, não a reveles.”[85] Não devemos falar de seus erros, senão de uma maneira condizente com o evangelho; e mesmo assim, de forma a corrigir a pessoa, e não por paixão ou animosidade para expô-lo, mas sim por amor à sua alma. Ainda assim, devemos falar sobre as ofensas dos outros: a) quando chamados a fazê-lo de uma forma correta e condizente com o evangelho (é um pecado esconder sua ofensa, Tito 1.10-13); ou b) quando queremos proteger um terceiro que corre perigo de ser contaminado pela companhia ou mau exemplo do transgressor (2Timóteo 2.17- 18); ou c) em nossa própria e justa defesa e esclarecimento (Gálatas 2.11). Além disso, considere o mal de censurar os outros. Em primeiro lugar, alguns assim procedem em razão de uma carência de amor, ou, mais do que isso, por malícia ou ódio. Outra razão é a baixeza, natureza doentia, e crueldade do caráter do acusador. É ocasionada pelo desejo de falar e se intrometer nos assuntos de outros homens. Ou talvez alguns rebaixem seu irmão para elevar sua própria estima e honra, o que é abominável. Considere isto como um roubo ou assalto; ainda mais, é pior do que roubar os bens de um homem, pois você tira o que talvez não possa restaurar de volta. Além disso, considere que desse modo, aqueles que censuram os outros se abrem à censura. E mais, saiba que quem recebe ou escuta a difamação é tão culpado quanto o acusador. É como uma pessoa que recebe bens roubados, tornando-se assim tão má quanto o ladrão. Sendo esse um dos grandes e notórios males desses dias, me deterei mais neste assunto. Se você abominar esse mal e evitá-lo, brilhará em graça e virtude com mais evidência. Infelizmente, em nossos dias, alguns que seriam tidos como grandes praticantes[86] continuam a difamar[87] os ministros de Cristo, mesmo alguns dos melhores. Eles são tão cheios de malícia que não se importam com o mal que fazem aos seus irmãos, nem com a verdade em si ou com as coisas de Deus — e assim se expõem a uma vergonha contínua, e seu espírito e prática tornam-se repugnantes. São como o amaldiçoado Cam, que descobriu a nudez de seu pai. Tais pessoas violam todas as leis humanas e divinas (3João 1.9-10; Gênesis 9.22). 15. A beleza e a glória de uma igreja verdadeira são exibidas quando os cristãos levam “as cargas uns dos outros e, assim, cumprem a lei de Cristo” (Gálatas 6.2). E para que você possa fazer isso, considere onde está a igreja na qual não há cargas para serem carregadas (Gálatas 6.1). Considere o fardo que Jesus Cristo carregou para você. Considere o fardo que você tem que carregar por si mesmo (Gálatas 6.5). Será que você mesmo não é um fardo para os seus irmãos, em algum aspecto? Você não gostaria que outras pessoas carregassem seu fardo? Será que Deus não permitiu que você carregasse um fardo ainda mais pesado por não ter ajudado um irmão a carregar o seu? Trata-se de cumprir a lei do amor, ou seja, a lei de Cristo (Gálatas 6.2; Romanos 13:10). 16. A glória e a beleza de uma congregação são ainda mais reveladas quando a autoridade da igreja e a dignidade do ofício pastoral são preservadas. Quão grande foi o erro na discórdia de Corá (Números 16.1-3; Judas 11)? O apóstolo fala de alguns que são obstinados, presunçosos, que não têm medo de falar mal daquilo que é digno (2Pedro 2.10). Deus colocou uma glória e grande dignidade na igreja e em sua autoridade e poder: “o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus” (Mateus 18.18). Além disso, o ofício pastoral é um ofício de dignidade; os pastores são chamados de governantes, anjos e pais. Portanto, alguém que despreze a igreja ou o pastor é um grande mal e uma vergonha a Cristo, e tende à desordem e confusão (Apocalipse 2.1; 1Timóteo 3.5; Atos 23.5). 17. Por fim, a beleza e a glória de uma igreja verdadeira são exibidas quando a santidade, a retidão, a caridade, a humildade e toda a verdadeira piedade são instigadas nas consciências de todos os membros, e são evidentes no ministro; também, quando todos se esforçam para se sobressair nisto com o máximo cuidado e diligência (Salmos 110.3; 1Pedro 1.23). Tipo — modelo que aponta para algo maior. Sirá — Eclesiástico 19.8 (Bíblia Ave Maria), também conhecido como “A Sabedoria de Ben Sirá”, parte dos livros apócrifos, escrito durante o período entre o Antigo e o Novo Testamentos. Estudiosos judeus e protestantes não acreditam que os livros apócrifos sejam Escritura inspirada e infalível, mas muitos julgam que estes livros contém informações úteis. Praticantes — cristãos que confessam a Cristo. Difamar — não hesitar em falar mal. CONCLUSÃO Saibam, meus irmãos, que “o Senhor ama as portas de Sião mais do que as habitações todas de Jacó” (Salmos 87.2). Sendo assim, o culto público a Deus deve ser preferido ao culto privado. 1. Isto pressupõe que uma igreja visível deve existir. 2. Que ela frequentemente se reúne para adorar a Deus. 3. Que os cristãos possuem um ministério organizado e, pelo menos, um presbítero ordenado que administra todas as ordenanças públicas. 4. Além disso, todas as pessoas têm liberdade ao acesso à igreja e à participação de todas as suas ordenanças — salvo as que pertencem à igreja em particular, como a Ceia do Senhor, a santa disciplina e os dias de oração e jejum —, tal qual a antiga igreja separava-se de todos os que eram estranhos (Neemias 9.2). Ainda assim, outras pessoas podem participar de todas as ordenanças públicas da igreja, como a oração pública, a leitura e a pregação da Palavra, e o louvor a Deus atravésdo canto, tal como anteriormente provado. Iriam os outros, meus irmãos, não unir-se a nós em oração e não louvar a Deus conosco? Mas, ó, meus irmãos! Deixem-me suplicar para que mostrem o alto valor e estima que vocês têm pelo culto público a Deus. RAZÕES PARA O CULTO PÚBLICO 1. Uma vez que Deus prefere assim, ou tem uma grande estima pelo seu culto público. 2. Porque diz-se que ele habita em Sião: “Pois o Senhor escolheu a Sião, preferiu-a por sua morada” (Salmos 132. 13), “o lugar onde tua glória assiste” (Salmos 26.8). 3. É onde Deus é mais glorificado. Em seu templo, todos falam de sua glória (Salmos 29.9); “De ti vem o meu louvor na grande congregação” (Salmos 22.25). 4. É onde está a maior parte da graciosa presença de Deus (conforme podemos observar), sua presença eficaz: “em todo lugar onde eu fizer celebrar a memória do meu nome, virei a ti e te abençoarei” (Êxodo 20.24). É onde há mais de sua presença íntima: “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus 18.20). Ele caminha por entre os sete candeeiros de ouro [representando as igrejas] (Apocalipse 1.13). 5. Aqui estão as mais claras manifestações da beleza da Deus, que fizeram com que Davi desejasse habitar lá para sempre (Salmos 27.4). Veja a descrição da aparência de Cristo às igrejas em Apocalipse 2 e 3. 6. É dito que aqueles que “deveriam ser salvos” nos dias dos apóstolos, Deus os acrescentou à igreja (Atos 2.47). 7. Aqui é onde conseguimos maiores vantagens espirituais (Salmos 32.3-5). Aqui é onde o orvalho de Hermon cai; ele desce sobre o monte Sião onde Deus ordena “a sua bênção e a vida para sempre” (Salmos 133.3). “Abençoarei com abundância o seu mantimento e de pão fartarei os seus pobres.” (Salmos 132.15) Aqui as dúvidas de Davi eram resolvidas (Salmos 73.16-17). 8. Aqui foi onde você recebeu seu primeiro fôlego espiritual ou vida; diariamente, muitas almas renascem para Cristo (Salmos 87.5). O bem que é mais difuso deve ser preferido, e aquele bem do qual mais pessoas tomam parte é o mais difuso. “Engrandecei o Senhor comigo, e todos, à uma, lhe exaltemos o nome.” (Salmos 34.3) A brasa viva que é separada do braseiro logo se extingue. 9. Irmãos, tal como observa um digno autor, a igreja em seu culto público é a mais próxima semelhança que temos ao céu, especialmente quando entoamos louvores a Deus. Quanta estima tinham os filhos de Deus de outrora pela adoração pública? “Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor” (Salmos 84.1,2). 10. Veja como as promessas de Deus apontam para Sião, ou para sua igreja: “O Senhor te abençoe desde Sião” (Salmos 128.5). Ó, que nada o desencoraje enquanto aguarda às ombreiras da porta de Cristo (Provérbios 8.34). Davi preferia estar “à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade” (Salmos 84.10). Ainda assim, não negligencie, pelo amor de Deus, a devoção privada, nomeadamente a oração particular e a familiar. Ó, ore para estar apto ao culto público! Saiam de seus esconderijos e venham para a igreja! De que vale tudo aquilo que você faz em público, se não for alguém que guarda a adoração a Deus em sua própria família? (Isaías 35; Isaías 51.3; Salmos 25.14; Salmos 87.5; Mateus 6.6) Ó, não negligencie a oração, a leitura e a meditação! E cuide de educar e catequizar[88] seus filhos. Vivam como homens e mulheres que estão mortos para este mundo. Caminhem para a glória de Deus, tendo o evangelho como adorno (Efésios 6.4; Filipenses 1.27). Percebam que o zelo e a sabedoria caminham juntos; um bom proceder e uma boa doutrina caminham juntos. Estes dois, juntos, são melhor que um (Eclesiastes 4.9-13). Irmãos, aquele que faz da Palavra de Deus sua lei em tudo que faz, e a glória de Deus o fim em tudo o que faz, terá o Espírito de Deus por força. É como o cordão de três dobras de Salomão que é ao mesmo tempo um e três; não pode ser dois, nem pode ser quebrado (Eclesiastes 4.12). Catequizar — instruir por meio de perguntas e respostas. Alguns exemplos são O Catecismo de Spurgeon, de Charles Spurgeon (1834-1892) e Um Catecismo para Meninos e Meninas, de Erroll Hulse (1931-2017), disponíveis gratuitamente em inglês através do site da Chapel Library. APÊNDICE 1 A SOLENE ALIANÇA DE UMA IGREJA EM SUA CONSTITUIÇÃO Nós, que desejamos andar juntos no temor do Senhor, professamos, com a ajuda de seu Espírito Santo, nossa profunda e séria humilhação por todas as nossas transgressões. E nós também, solenemente — na presença de Deus e um do outro, no sentido de nossa própria indignidade —, nos entregamos ao Senhor como igreja, de acordo com a constituição apostólica, para que ele possa ser nosso Deus e que nós possamos ser seu povo, através da aliança eterna de sua graça gratuita. E é apenas nisso que esperamos ser aceitos por ele, através de seu bendito Filho Jesus Cristo, a quem consideramos nosso Sumo Sacerdote para nos justificar e santificar, e nosso Profeta para nos ensinar. [Nós nos entregamos ao Senhor] para nos sujeitarmos a ele como nosso Legislador e Rei dos Santos, e para nos conformarmos com todas as suas leis e sagradas ordenanças para nosso crescimento, fortalecimento e consolo; para sermos como uma santa esposa para ele, servi-lo em nossa geração e aguardar sua segunda vinda como nosso glorioso Noivo (Esdras 16.6-8; 2Coríntios 8.5; Oseias 2.23; 2Coríntios 6.16). Estando plenamente satisfeitos no caminho da comunhão da igreja, e a verdade da graça, em certa medida, sobre os espíritos uns dos outros, nos ajuntamos solenemente em união e comunhão sagradas, nos submetendo humildemente à disciplina do evangelho e a todos os deveres sagrados necessários de um povo em tal relação espiritual (Êxodo 26.3-6; Isaías 62.5; Salmos 122.3; Efésios 2.18-22; 4.16; 1Pedro 2.5; Salmos 93.5; Isaías 55.8; Lucas 1.74-75). 1. Prometemos e nos empenharemos em caminhar em plena santidade, piedade, humildade e amor fraternal, o quanto houver em nós, para tornar nossa comunhão agradável a Deus, confortável para nós mesmos e adorável para o resto do povo do Senhor (2Coríntios 7.7; 1Timóteo 6.11; 2Pedro 1.6-7; Atos 20.19; Filipenses 2.3; João 13.34; 15.12). 2. Prometemos zelar pelo proceder uns dos outros, e não pecar uns contra os outros, na medida em que Deus há de os revelar a nós, ou a qualquer um de nós; e despertar uns aos outros ao amor e às boas obras; advertir, repreender e admoestar uns aos outros com mansidão, de acordo com as ordens que nos são deixadas por Cristo a esse respeito (1Pedro 1.22; Levítico 19.17; Hebreus 10.24-25; 1Tessalonicenses 5.14-15; Romanos 15). 3. Prometemos orar de forma especial uns pelos outros, para a glória e crescimento desta igreja, pela presença de Deus nela, pelo derramar do Espírito nela, e pela proteção de Deus sobre ela, para a Sua glória (Efésios 6.18; Lamentações 5.16; Colossenses 4.12). 4. Prometemos carregar os fardos uns dos outros, nos apegarmos uns aos outros, nutrir um sentimento de companheirismo uns pelos outros, em todas as condições tanto internas quanto externas que Deus, em sua providência, nos lançar (Gálatas 6.2; Hebreus 12.12-13; 13.3; Romanos 12.15; 2Coríntios 11.29). 5. Prometemos suportar uns aos outros na fraqueza, quedas e enfermidades com muita ternura, sem expor a ninguém fora ou dentro da igreja, a menos que seja de acordo com o governo de Cristo e a ordem dada pelo evangelho para o caso (1João 3.17-18; Gálatas 6.1; 1Tessalonicenses 5.14; Romanos 15; Efésios 4.31-32). 6. Prometemos lutar juntos pelas verdades do evangelho e pela pureza dos caminhos e ordenanças de Deus, para evitar causas e causadores de divisão, “esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Efésios 4.3; Judas 1.3; Gálatas 5.1; Tito 3.9-10; 2João 1.10). 7. Prometemos nos encontrar no Dia do Senhor e em outros momentos, conforme o Senhor nos conceder oportunidades, para servir e glorificar a Deus através da adoração, para edificação uns dos outros, e para alcançarmos o bem de sua igreja(Hebreus 3.12-13; 10.25; Malaquias 3.16; Romanos 14.18-19; 15.16; Efésios 4.16). 8. Prometemos, conforme nossas condições (ou seja, se Deus nos abençoar com as boas coisas deste mundo), arcar com o sustento de nosso pastor ou ministro, uma vez que Deus estabeleceu que aqueles que pregam o evangelho devem viver do evangelho — e o que poderia pesar mais em nossa consciência do que este decreto? Quão grande será o pecado daqueles que o violarem (2Coríntios 9.7-13; Gálatas 6.6-10)? A estes e a todos os demais deveres evangélicos, nós, humildemente, nos submetemos, prometendo e aspirando cumpri-los — não com nossa própria força, uma vez que somos conscientes de nossa fraqueza, mas no poder e na força do bendito Deus, de quem somos e a quem desejamos servir, e a quem seja a glória agora e para todo sempre. Amém. APÊNDICE 2 CATECISMO BATISTA POR BENJAMIM KEACH 1. Quem é o primeiro e o melhor dos seres? Deus é o primeiro e o melhor dos seres. (Is 44.6; Sl 8.1; 97.9) 2. Qual é o fim principal do homem? O fim principal do homem é glorificar a Deus e desfrutá-lo para sempre. (1Co 10.31; Sl 73.25-26) 3. Como sabemos que há um Deus? A luz da natureza no homem e as obras de Deus claramente declaram que há um Deus, mas apenas a Palavra e o Espírito efetivamente revelam-no a nós para a nossa salvação. (Rm 1.18-20; Sl 19.1-2; 2Tm 3.15; 1Co 1.21-24Ê 2.9-10) 4. O que é a Palavra de Deus? As Escrituras do Velho e Novo Testamentos, dadas por divina inspiração, são a Palavra de Deus, a única e infalível regra de fé e prática. (2Pe 1.21; 2Tm 3.16-17; Is 8.20) 5. Como sabemos que a Bíblia é a Palavra de Deus? A Bíblia evidencia-se ser a Palavra de Deus pela celestialidade de sua doutrina, a unidade de suas partes, seu poder para converter os pecadores e edificar os santos; mas o Espírito de Deus apenas, dando testemunho pela e com as Escrituras em nossos corações, é capaz de nos persuadir totalmente de que a Bíblia é a Palavra de Deus. (1Co 2.6-7, 13; Sl 119.18, 129; At 10.43; 26.22; 18.28; Hb 4.12; Sl 19.7-9; Rm 15.4; Jo 16.13- 14; 1Jo 2.20-27; 2Co 3.14-17) 6. Podem todos os homens fazer uso das Escrituras? Todos os homens não são apenas autorizados, mas ordenados e exortados a ler, ouvir e compreender as Escrituras. (Jo 5.39; Lc 16.29; At 8.28-30; 17.11) 7. O que as Escrituras principalmente ensinam? As Escrituras principalmente ensinam o que o homem deve crer a respeito de Deus e o dever que Deus exige do homem. (2Tm 3.16-17; Jo 20.31; At 24.14; 1Co 10.11; Ec 12.13) 8. Quem é Deus? Deus é um espírito infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade. (Jo 4, 24; Sl 147.5; Sl 90.2; Tg 1.17; Ap 4.8; Sl 89.14; Êx 34.6-7; 1Tm 1.17) 9. Há mais de um Deus? Há apenas um Deus único, o vivo e verdadeiro Deus. (Dt 6.4; Jr 10.10) 10. Quantas pessoas há na divindade? Há três pessoas na divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e estes três são um Deus, o mesmo em essência, igual em poder e glória. (1Co 8.6; Jo 10.30; 14.9; At 5.3-4; Mt 28.19; 2Co 13.14) 11. Quais são os decretos de Deus? Os decretos de Deus são seu eterno propósito, de acordo com o conselho de sua vontade, pelo qual, para a sua própria glória, ele preordenou o que quer que venha acontecer. (Ef 1.11; Rm 11.36; Dn 4.35) 12. Como Deus executa seus decretos? Deus executa seus decretos nas obras da criação e da providência. (Gn 1.1; Ap 4.11; Mt 6.26; At 14.17) 13. Qual é a obra da criação? A obra da criação é Deus ter feito todas as coisas a partir do nada, pela palavra do seu poder, no espaço de seis dias, e sendo tudo muito bom. (Gn 1.1; Hb 11.3; Êx 20.11; Gn 1.31) 14. Como Deus criou a humanidade? Deus criou a humanidade macho e fêmea, conforme sua imagem, em conhecimento, justiça e santidade, com domínio sobre as criaturas. (Gn 1.27; Cl 3.10; Ef 4.24; Gn 1.28) 15 Quais são as obras da providência de Deus? As obras da providência de Deus são sua máxima santidade, sabedoria e poder, preservando e governando todas as suas criaturas e todas as ações delas. (Ne 9.6; Cl 1.17; Hb 1.3; Sl 103.19; Mt 10.29-30) 16. Que ato especial da providência Deus exerceu em relação ao homem no estado em que ele foi criado? Quando Deus criou o homem, ele entrou em uma aliança de obras com ele, sob a condição de obediência perfeita, proibindo-o de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, sob pena de morte. (Gn 2.16-17; Gl 3.12; Rm 5.12) 17. Nossos primeiros pais permaneceram no estado em que foram criados? Nossos primeiros pais, sendo deixados à liberdade de sua própria vontade, caíram do estado em que foram criados ao pecarem contra Deus. (Gn 3.6; Ec. 7.29; Rm 5.12) 18. O que é o pecado? Pecado é qualquer falta de conformidade ou transgressão da lei de Deus. (1Jo 3.4; Rm 5.13) 19. Qual foi o pecado pelo qual nossos primeiros pais caíram do estado em que foram criados? O pecado pelo qual nossos primeiros pais caíram do estado em que foram criados foi o de terem comido do fruto proibido. (Gn 3.6, 12, 13) 20. Toda humanidade caiu na primeira transgressão de Adão? Ao ser feita a aliança com Adão, não apenas para si, mas para sua posteridade, toda humanidade, descendendo dele pela geração comum, pecou nele e caiu com ele em sua primeira transgressão. (1Co 15.21-22; Rm 5.12, 18-19) 21. A qual estado a queda trouxe a humanidade? A queda trouxe a humanidade a um estado de pecado e miséria. (Sl 51.5; Rm 5.18-19; Is 64.6) 22. Em que consiste a pecaminosidade daquele estado ao qual o homem caiu? A pecaminosidade daquele estado ao qual o homem caiu consiste na culpa do primeiro pecado de Adão, na falta da justiça original e na corrupção de toda a sua natureza, que é comumente chamada de pecado original, junto com todas as transgressões reais que procedem dele. (Rm 5.19; 3.10; Ef 2.1; Is 53.6; Sl 51.5; Mt 15.10) 23. Qual é a miséria daquele estado ao qual o homem caiu? Toda a humanidade, por sua queda, perdeu a comunhão com Deus, está sob sua ira e maldição e sujeita a todas as misérias desta vida, à própria morte e às dores do inferno para sempre. (Gn 3.8, 24; Ef 2.3; Gl 3.10; Rm 6.23; Mt 25.41-46; Sl 9.1) 24. Deus deixou toda humanidade perecer no estado de pecado e miséria? Deus, pelo seu genuíno beneplácito, desde toda eternidade, tendo escolhido um povo para a vida eterna, entrou em uma aliança baseada na graça, a fim de libertá-lo do estado de pecado e miséria e trazê-lo a um estado de salvação, por meio de um redentor. (Ef 1.3-4; 2 Ts 2.13; Rm 5.21; At 13.8; Jr 31.33) 25. Quem é o redentor dos eleitos de Deus? O único redentor dos eleitos de Deus é o Senhor Jesus Cristo que, sendo o eterno Filho de Deus, tornou-se homem e, dessa maneira, foi e continua sendo Deus e homem, em duas naturezas distintas e uma pessoa, para sempre. (Gl 3.13; 1Tm 2.5; Jo 1.14; 1Tm 3.16; Rm 9.5; Cl 2.9) 26. Como Cristo, sendo filho de Deus, se fez homem? Cristo, o Filho de Deus, se fez homem ao tomar para si um corpo verdadeiro e uma alma racional, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da virgem Maria e nascido dela, mas sem pecado. (Hb 2.14; Mt 26.38; Lc 2.52; Jo 12.27; Lc 1.31-35; Hb 4.15; 7.26) 27. Que ofícios Cristo exerce como nosso redentor? Cristo, como nosso redentor, exerce os ofícios de profeta, sacerdote e rei, tanto em seu estado de humilhação quanto de exaltação. (At 3.22; Hb 5.6; Sl 2.6) 28. Como Cristo exerce o ofício de profeta? Cristo exerce o ofício de profeta ao revelar-nos, por sua Palavra e Espírito, a vontade de Deus para nossa salvação. (Jo 1.18; 14.26; 15.15) 29. Como Cristo exerce o ofício de sacerdote? Cristo exerce o ofício de sacerdote em sua oferta única de si mesmo, um sacrifício para satisfazer a justiça divina e reconciliar-nos com Deus, e em realizar contínua intercessão por nós. (1Pe 2.24; Hb 9.28; Ef 5.2; Hb 2.17; 7.25; Rm 8.34) 30. Como Cristo exerce o ofício de rei? Cristo exerce o ofício de rei ao submeter-nos a ele mesmo, ao governar-nos e defender-nos, e ao deter e conquistar todos os seus e nossos inimigos. (Sl 110.3; Mt 2.6; 1Co 15.25)31. Em que consistiu a humilhação de Cristo? A humilhação de Cristo consistiu em seu nascimento, em condição humilde, feito sob a lei, experimentando as misérias desta vida, a ira de Deus e a maldita morte na cruz, em ser sepultado e permanecer sob o poder da morte por um período. (Lc 2.7; Gl 4.4; Is 53.3; Lc 22.44; Mt 27.46; Fl 2.8; Mt 12.40; Mc 15.45-46) 32. Em que consistiu a exaltação de Cristo? A exaltação de Cristo consistiu em sua ressurreição da morte no terceiro dia, em ascender ao céu, em assentar-se à direita de Deus Pai e em retornar para julgar o mundo no último dia. (1Co 15.4; At 1.11; Mc 16.19; At 17.31) 33. Como somos feitos participantes da redenção obtida por Cristo? Somos feitos participantes da redenção obtida por Cristo pela sua aplicação eficaz em nós, pelo Espírito Santo. (Jo 3.5-6; Tt 3.5-6) 34. Como o Espírito aplica em nós a redenção obtida por Cristo? O Espírito aplica em nós a redenção obtida por Cristo ao trabalhar a fé em nós, unindo-nos assim a Cristo em nossa chamada eficaz. (Ef 2.8; 3.17) 35. O que é a chamada eficaz? A chamada eficaz é a obra do Espírito de Deus pela qual, convencendo-nos de nosso pecado e miséria, iluminando nossas mentes para o conhecimento de Cristo e renovando nossos desejos, ele nos persuade e nos capacita a abraçar Jesus Cristo, livremente oferecido a nós no evangelho. (2Tm 1.9; Jo 16.8-11; At 2.37; 26.18; Ez 36.26; Jo 6.44-45; 1Co 12.3) 36. De quais benefícios aqueles que são eficazmente chamados participam nesta vida? Aqueles que são eficazmente chamados participam nesta vida da justificação, da adoção, da santificação e dos diversos benefícios que nesta vida os acompanham ou fluem deles. (Rm 8.30; Gl 3.26; 1Co 6.11; Rm 8.31-32; Ef 1.5; 1Co 1.30) 37. O que é justificação? Justificação é um ato da livre graça de Deus, no qual ele perdoa todos os nossos pecados e aceita-nos como justos aos seus olhos, apenas pela justiça de Cristo imputada a nós e recebida pela fé somente. (Rm 3.24; Ef 1.7; 2Co 5.21; Rm 5.19; Fl 3.9; Gl 2.16) 38. O que é adoção? Adoção é um ato da livre graça de Deus pelo qual nós somos recebidos, tendo direito a todos os privilégios dos filhos de Deus. (1Jo 3.1; Jo 1.12; Rm 8.16-17) 39. O que é santificação? Santificação é uma obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados por completo imagem de Deus e capacitados mais e mais a mortificar o pecado e viver em justiça. (2Ts 2.13; Ef 4.23-24; Rm 6.11) 40. Quais são os benefícios que nesta vida acompanham ou fluem da justificação, da adoção e da santificação? Os benefícios que nesta vida acompanham ou fluem da justificação, da adoção e da santificação são a garantia do amor de Deus, a paz de consciência, a alegria no Espírito Santo, o crescer na graça e o perseverar até o fim. (Rm 5.1-5; 14.17; Pv 4.18; 1Pe 1.5; 1Jo 5.13) 41. Quais são os benefícios que os crentes recebem de Cristo na morte? Na morte, as almas dos crentes são feitas perfeitas em santidade e imediatamente entram na glória, e seus corpos, estando ainda unidos a Cristo, descansam em suas sepulturas até a ressurreição. (Hb 12.23; Fp 1.23; 2Co 5.8; Lc 23.43; 1Ts 4.14; Is 57.2; Jo 19.26) 42. Que benefícios os crentes recebem de Cristo na ressurreição? Na ressurreição, os crentes ressuscitarão em glória, serão abertamente reconhecidos e absolvidos no dia do juízo e feitos perfeitamente abençoados na plena satisfação de Deus por toda a eternidade. (Fp 3.20-21; 1Co 15.42-43; Mt 10.32; 1Jo 3.2; 1Ts 4.17) 43. O que será feito aos ímpios na morte? Na morte, as almas dos ímpios serão lançadas nos tormentos do inferno, e seus corpos jazerão em suas sepulturas até a ressurreição e o juízo do grande dia. (Lc 16.22-24; Sl 49.14) 44. O que será feito aos ímpios no dia do juízo? No dia do juízo, os corpos dos ímpios, ao serem ressuscitados de suas sepulturas, serão sentenciados, junto com suas almas, a tormentos indescritíveis com o diabo e seus anjos para sempre. (Dn 12.2; Jo 5.28-29; 2Ts 1.9; Mt 25.41) 45. Qual é o dever que Deus exige do homem? O dever que Deus exige do homem é a obediência à sua vontade revelada. (Mq 6.8; Ec 12.13; Sl 119.4; Lc 10.26-28) 46. O que, a princípio, Deus revelou ao homem como regra para sua obediência? A regra que Deus a princípio revelou ao homem para sua obediência foi a lei moral. (Rm 2.14-15; 5.13-14) 47. Onde está a lei moral sumariamente compreendida? A lei moral está sumariamente compreendida nos Dez Mandamentos. (Dt 10.4; Mt 19.17) 48. Qual é o resumo dos Dez Mandamentos? O resumo dos Dez Mandamentos é amar o Senhor nosso Deus com todo nosso coração, com toda nossa alma, com toda nossa força e com toda nossa mente, e ao nosso próximo como a nós mesmos. (Mt 22.36-40; Mc 12.28-33) 49. Qual é o prefácio dos Dez Mandamentos? O prefácio dos Dez Mandamentos é eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. (Êx 20.2) 50. O que o prefácio dos Dez Mandamentos nos ensina? O prefácio dos Dez Mandamentos nos ensina que, porque Deus é o Senhor e nosso Deus e Redentor, somos, portanto, obrigados a guardar todos os seus mandamentos (Dt 11.1) 51. Qual é o primeiro mandamento? O primeiro mandamento é não terás outros deuses diante de mim. (Êx 20.3) 52. O que é exigido no primeiro mandamento? O primeiro mandamento exige que saibamos e reconheçamos ser Deus o único Deus verdadeiro, e nosso Deus, bem como adorá-lo e glorificá-lo de acordo com tal reconhecimento. (Js 24.15; 1Cr 28.9; Dt 26.17; Sl 29.2; Mt 4.10) 53. O que é proibido no primeiro mandamento? O primeiro mandamento proíbe negar ou não adorar e glorificar o Deus verdadeiro, como Deus e nosso Deus, e dar aquela adoração e glória devidas somente a ele a qualquer outro. (Js 24.27; Rm 1.20-21; Sl 14.1; Rm 1.25) 54. O que somos especialmente ensinados pelas palavras diante de mim, no primeiro mandamento? As palavras diante de mim, no primeiro mandamento, nos ensinam que Deus, que vê todas as coisas, observa e muito se desagrada com o pecado de servir a qualquer outro Deus. (Dt 30.17-18; Sl 44.20-21; Sl 90.8) 55. Qual é o segundo mandamento? O segundo mandamento é não farás para ti nenhuma imagem esculpida, ou qualquer semelhança de alguma coisa que está em cima no céu, ou que está embaixo na terra, ou que está na água debaixo da terra. Não te curvarás diante dela, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus ciumento, que visito a iniquidade dos pais sobre os filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem; e mostro misericórdia a milhares dos que me amam, e guardam os meus mandamentos. (Êx 20.4-6) 56. O que é exigido no segundo mandamento? O segundo mandamento exige receber, observar e manter pura e íntegra toda adoração e ordenanças religiosas, como Deus indicou em sua Palavra. (Dt 32.46; Mt 28.20; Dt 12.32) 57. O que é proibido no segundo mandamento? O segundo mandamento proíbe a adoração a Deus por meio de imagens ou qualquer outro modo não indicado em sua Palavra. (Rm 1.22-23; Dt 4.15-16; Mt 15.9; Cl 2.18) 58. Quais são as razões anexadas ao segundo mandamento? As razões anexadas ao segundo mandamento são a soberania de Deus sobre nós, sua propriedade sobre nós e o zelo que ele tem por sua própria adoração. (Sl 45.11; Êx 34.14; 1Co 10.22) 59. Qual é o terceiro mandamento? O terceiro mandamento é não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão. (Êx 20.7) 60. O que é exigido no terceiro mandamento? O terceiro mandamento exige o uso santo e reverente dos nomes, títulos, atributos, ordenanças, palavras e obras de Deus. (Sl 29.2; Dt 32.1-4; Dt 28.58-59; Sl 111.9; Mt 6.9; Ec 5.1; Sl 138.2; Jo 36.24; Ap 15.3-4; 4.8) 61. O que é proibido no terceiro mandamento? O terceiro mandamento proíbe toda profanação e abuso de qualquer coisa pela qual Deus faz de si mesmo conhecido. (Ml 1.6-7; Lv 20.3; 19.12; Mt 5.34-37; Is 52.5) 62. Qual é a razão anexada ao terceiro mandamento? A razão anexada ao terceiro mandamento é que, independentemente de como os violadoresdeste mandamento possam escapar da punição dos homens, o Senhor nosso Deus não os suportará a fim de que escapem de seu justo juízo. (Dt 28.58-59; Ml 2.2) 63. Qual é o quarto mandamento? O quarto mandamento é lembra-te do dia do Shabat para santificá-lo. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra; mas o sétimo dia é o Shabat do Senhor teu Deus: nele não farás obra alguma, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu gado, nem teu estrangeiro que está em tuas portas: porque em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e descansou no sétimo dia; portanto, o Senhor abençoou o dia do Shabat e o santificou. (Êx 20.8-11) 64. O que é exigido no quarto mandamento? O quarto mandamento exige mantê-lo santo para Deus nos tempos determinados que ele designou em sua Palavra, expressamente um dia inteiro em sete para ser um santo Shabat para ele mesmo. (Lv 19.30; Dt 5.12) 65. Que dia dos sete Deus designou para ser o Shabat semanal? Desde a criação do mundo até a ressurreição de Cristo, Deus designou o sétimo dia da semana para ser o Shabat semanal; e, desde então, o primeiro dia da semana para continuar até o fim do mundo, que é o Shabat cristão. (Gn 2.3; Jo 20.19; At 20.7; 1Co 16.1-2; Ap 1.10) 66. Como o Shabat deve ser santificado? O Shabat deve ser santificado através de um santo descanso durante todo aquele dia, mesmo das ocupações e recreações mundanas ainda que sejam legais em outros dias, e gastando o tempo nos exercícios públicos e privados de adoração a Deus, exceto para realizar as obras de necessidade e misericórdia. (Lv 23.3; Is 58.13-14; Is 66.23; Mt 12.11-12) 67. O que é proibido no quarto mandamento? O quarto mandamento proíbe a omissão ou o desempenho descuidado dos deveres exigidos e a profanação do dia por ociosidade, ou fazendo aquilo que em si mesmo é pecaminoso, ou por pensamentos, palavras ou obras desnecessários, sobre ocupações ou recreações mundanas. (Ez 22.26; 23.38; Jr 17.21; Ne 13.15-17; At 20.7) 68. Quais são as razões anexadas ao quarto mandamento? As razões anexadas ao quarto mandamento são que Deus nos concede seis dias da semana para nossos próprios empreendimentos, reclamando sua propriedade especial do sétimo dia, seu próprio exemplo e sua bênção no dia do Shabat. (Êx 34.21; 31.16-17; Gn 2.2-3) 69. Qual é o quinto mandamento? O quinto mandamento é honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. (Êx 20.12) 70. O que é exigido no quinto mandamento? O quinto mandamento exige a preservação da honra e o cumprimento dos deveres pertencentes a cada um em seus vários lugares e relações, com superiores, inferiores ou iguais. (Lv 19.32; 1Pe 2.17; Rm 13.1; Ef 5.21-22; Ef 6.1-5,9; Cl 3.19-22; Rm 12.10) 71. O que é proibido no quinto mandamento? O quinto mandamento proíbe a negligência ou a realização de qualquer coisa contra a honra e o dever que pertencem a cada pessoa em seus vários níveis e relações. (Pv 30.17; Rm 13.7-8) 72. Qual é a razão anexada ao quinto mandamento? A razão anexada ao quinto mandamento é uma promessa de vida longa e prosperidade (até que ela sirva à glória de Deus e ao seu próprio bem) a todos os que guardam este mandamento. (Ef 6.2-3; Pv 4.3-6; 6.20-22) 73. Qual é o sexto mandamento? O sexto mandamento é não assassinarás. (Êx 20.13) 74. O que é exigido no sexto mandamento? O sexto mandamento exige todos os esforços legais para preservar nossa própria vida e a vida de outros. (Ef 5.29-30; Sl 82.3-4; Pv 24.11-12; At 16.28) 75. O que é proibido no sexto mandamento? O sexto mandamento proíbe tirar nossa própria vida ou a vida de nosso próximo injustamente, ou tudo o que tenda a isso. (Gn 4.10-11; 9.6; Mt 5.21-26) 76. Qual é o sétimo mandamento? O sétimo mandamento é não cometerás adultério. (Êx 20.14) 77. O que é exigido no sétimo mandamento? O sétimo mandamento exige a preservação da nossa própria castidade e a do próximo, no coração, na fala e no comportamento. (1Co 6.18; 7.2; 2Tm 2.22; Mt 5.28; 1Pe 3.2) 78. O que é proibido no sétimo mandamento? O sétimo mandamento proíbe todos os pensamentos, palavras e ações impuras. (Mt 5.28-32; Jó 31.1; Ef 5.3-4; Rm 13.13; Cl 4.6) 79. Qual é o oitavo mandamento? O oitavo mandamento é não furtarás. (Êx 20.15) 80. O que é exigido no oitavo mandamento? O oitavo mandamento exige a aquisição e promoção legais da riqueza e de nossa condição perante os outros. (Pv 27.23; Lv 25.35; Dt 15.10; 22.14) 81. O que é proibido no oitavo mandamento? O oitavo mandamento proíbe tudo o que prejudica ou pode prejudicar injustamente a nossa própria riqueza ou a de nosso vizinho ou condição. (1Tm 5.8; Pv 28.19; 23.20-21; Ef 4.28) 82. Qual é o nono mandamento? O nono mandamento é não darás falso testemunho contra o teu próximo. (Êx 20.16) 83. O que é exigido no nono mandamento? O nono mandamento exige a manutenção e promoção da verdade entre um homem e outro, e do nosso próprio bom nome e o do próximo, especialmente ao dar testemunho. (Zc 8.16; At 25.10; Ec 7.1; 3Jo 12; Pv 14.5, 25) 84. O que é proibido no nono mandamento? O nono mandamento proíbe tudo aquilo que for prejudicial à verdade ou ofensivo a nós mesmos ou ao bom nome do nosso próximo. (Ef 4.25; Sl 15.3; 2Co 8.20-21) 85. Qual é o décimo mandamento? O décimo mandamento é não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher de teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem alguma coisa que é de teu próximo. (Êx 20.17) 86. O que é exigido no décimo mandamento? O décimo mandamento exige total contentamento com nossa própria condição, com um correto e caridoso padrão de espírito para com o nosso próximo e tudo o que é dele. (Hb 13.5; 1Tm 6.6; Rm 12.15; 1Co 13.4-7; Lv 19.18) 87. O que é proibido no décimo mandamento? O décimo mandamento proíbe todo descontentamento com nossa própria condição, inveja ou pesar pelo bem do nosso próximo, além de qualquer impulso ou afeição desordenada por qualquer coisa que lhe pertença. (1Co 10.10; Tg 5.9; Gl 5.26; Cl 3.5) 88. Alguém é capaz de guardar perfeitamente os mandamentos de Deus? Nenhum simples homem, desde a queda, é capaz, nesta vida, de guardar perfeitamente os mandamentos de Deus; ao contrário, diariamente ele os quebra em pensamentos, palavras e ações. (Ec 7.20; Gn 6.5; Gn 8.21; 1Jo 1.8; Tg 3.8; 3.2; Rm 3.23) 89. Qual é então o propósito da lei desde a queda? O propósito da lei desde a queda é revelar a perfeita justiça de Deus, que seu povo pode conhecer sua vontade para suas vidas e que os ímpios, sendo convencidos de seus pecados, podem ser contidos e trazidos a Cristo para salvação. (Sl 19.7-11; Rm 3.20-31; 7.7; 12.2; Tt 2.12-14; Gl 3.22-24; 1Tm 1.8) 90. Todas as transgressões da lei são igualmente hediondas? Alguns pecados em si mesmos e por causa de vários agravos, são mais hediondos à vista de Deus do que outros. (Ez 8.13; Jo 19.11; 1Jo 5.16) 91. O que cada pecado merece? Cada pecado merece a ira e a maldição de Deus, tanto nesta vida quanto na que está por vir. (Ef 5.6; Gl 3.10; Pv 3.33; Sl 11.6; Ap 21.8) 92. O que Deus exige de nós a fim de que possamos escapar de sua ira e maldição devidas a nós por causa do pecado? Para escapar da ira e da maldição de Deus devidas a nós por causa do pecado, Deus exige de nós fé em Jesus Cristo, arrependimento para a vida, com o uso diligente de todos os meios externos e ordinários pelos quais Cristo nos comunica os benefícios da redenção. (At 20.21; 16.30-31; 17.30) 93. O que é fé em Jesus Cristo? Fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora pela qual recebemos e descansamos somente nele para a salvação, ao mesmo tempo em que ele nos é oferecido no evangelho. (Hb 10.39; Jo 1.12; Fm 3-9; Gl 2.15-16) 94. O que é arrependimento para a vida? Arrependimento para a vida é uma graça salvadora pela qual um pecador, pelo verdadeiro senso de seu pecado e compreensão da misericórdia de Deus em Cristo, com pesar e ódio por seu pecado, se afasta dele em direção a Deus, com pleno propósito e empenhopor uma nova obediência. (At 2.37; Jl 2.13; Jr 31.18-19: 2Co 7.10-11; Rm 6.18) 95. Quais são os meios externos e ordinários pelos quais Cristo nos comunica os benefícios da redenção? Os meios externos e ordinários pelos quais Cristo nos comunica os benefícios da redenção são suas ordenanças, especialmente a Palavra, o Batismo, a Ceia do Senhor e a Oração, todos feitos eficazes para a salvação dos eleitos. (Rm 10.17; Tg 1.18; 1Co 3.5; At 14.1; 2.41-42) 96. Como a Palavra se torna eficaz para a salvação? O Espírito de Deus torna a leitura, mas especialmente a pregação da Palavra, um meio eficaz de convencer e converter pecadores e de edificá-los em santidade e conforto, por meio da fé para a salvação. (Sl 119.11-18; 1Ts 1.6; 1Pe 2.1-2; Rm 1.16; Sl 19.7) 97. Como a Palavra deve ser lida e ouvida para que se torne eficaz para a salvação? A fim de que a Palavra se torne eficaz para a salvação, devemos atendê-la com diligência, preparação e oração, recebê-la com fé e amor, guardá-la em nossos corações e praticá-la em nossas vidas. (Pv 8.34; 1Pe 2.1-2; 1Tm 4.13; Hb 2.13; Hb 4.2; 2Ts 2.10; Sl 119.11; Tg 1.21-25) 98. Como o Batismo e a Ceia do Senhor se tornam meios eficazes de salvação? O Batismo e a Ceia do Senhor tornam-se meios eficazes de salvação não por qualquer virtude neles ou naquele que os administra, mas apenas pela bênção de Cristo e a operação do seu Espírito naqueles que pela fé os recebem. (1Pe 3.21; 1Co 3.6-7; 12.13) 99. Em que o Batismo e a Ceia do Senhor diferem das outras ordenanças de Deus? O Batismo e a Ceia do Senhor diferem das outras ordenanças de Deus no fato de que elas foram especialmente instituídas por Cristo para representar e aplicar aos crentes os benefícios da nova aliança pelos sinais visíveis e externos. (Mt 28.19; At 22.16; Mt 26.26-28; Rm 6.4) 100. O que é batismo? Batismo é uma ordenança sagrada em que a lavagem com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo significa nosso enxerto em Cristo e participação nos benefícios da aliança da graça e nosso compromisso de sermos do Senhor. (Mt 28.19; Rm 6.3-5; Cl 2.12; Gl 3.27) 101. A quem deve o Batismo ser administrado? O batismo deve ser administrado a todos aqueles que verdadeiramente professam arrependimento para com Deus, fé nele e obediência a nosso Senhor Jesus Cristo, e a nenhum outro. (At 2.38; Mt 3.6; Mc 16.16; At 8.12-36; 10.47-48) 102. Devem os bebês daqueles que são crentes professos ser batizados? Os bebês daqueles que são crentes professos não devem ser batizados, pois não há mandamento nem exemplo nas Sagradas Escrituras, ou dedução delas, para batizá-los. 103. Como é administrado corretamente o Batismo? O Batismo é administrado corretamente pela imersão, ou mergulho de todo o corpo da pessoa na água, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. (Mt 3.16; Jo 3.23; At 8.38 39) 104. Qual é o dever daqueles que são corretamente batizados? É o dever daqueles que são batizados dedicarem-se (unirem-se) a alguma igreja visível e organizada de Jesus Cristo, a fim de que possam andar em todos os mandamentos e ordenanças do Senhor sem culpa. (At 2.46-47; At 9.26; 1Pe 2.5; Hb 10.25; Rm 16.5) 105. O que é a igreja visível? A igreja visível é a sociedade organizada de crentes professos, em todos os lugares, onde o evangelho é verdadeiramente pregado e as ordenanças do Batismo e da Ceia do Senhor são corretamente administradas. (At 2.42; 20.7; At 7.38; Ef 4.11-12) 106. O que é a igreja invisível? A igreja invisível é o número total dos eleitos, que foram, são ou serão reunidos sob a liderança de Cristo, o cabeça. (Ef 1.10; 1.22-23; Jo 10.16; 11.52) 107. O que é a Ceia do Senhor? A Ceia do Senhor é uma ordenança sagrada, em que, ao dar e receber pão e vinho, de acordo com a orientação de Cristo, sua morte é manifestada, e os recebedores dignos são, não de maneira corporal e carnal, mas pela fé, feitos participantes de seu corpo e sangue, com todos os seus benefícios, para sua nutrição espiritual e crescimento na graça. (1Co 11.23-26; 10.16) 108. O que é exigido dos que participam dignamente da Ceia do Senhor? É exigido daqueles que querem participar dignamente (isto é, apropriadamente) da Ceia do Senhor que examinem a si mesmos; tendo conhecimento para discernirem o corpo do Senhor, de sua fé para alimentarem-se dele; arrependimento, amor e nova obediência, para que, vindo indignamente, eles não comam e bebam do julgamento para si mesmos. (1Co 11.27-31; 1Co 5.8; 2Co 13.5) 109. O que é oração? Oração é uma oferta de nossos desejos a Deus, pelas coisas que estão de acordo com a sua vontade, em nome de Cristo, com confissão de nossos pecados e agradecido reconhecimento de sua misericórdia. (1Jo 5.14; 1Jo 1.9; Fp 4.6; Sl 10.17; 145.19; Jo 14.13-14) 110. Que regra Deus deu para nossa direção na oração? A completa Palavra de Deus é útil para nos dirigir em oração, mas a regra especial de direção é aquela oração que Cristo ensinou aos seus discípulos, comumente chamada de Oração do Senhor. (Mt 6.9-13; 2Tm 3.16-17) 111. O que o prefácio da Oração do Senhor nos ensina? O prefácio da Oração do Senhor, Pai nosso, que estás nos céus, nos ensina a nos aproximarmos de Deus com toda a santa reverência e confiança, como filhos de um pai capaz e pronto para nos ajudar; e que devemos orar com e pelos outros. (Mt 6.9; Lc 11.13; Rm 8.15; At 12.5; 1Tm 2.1-3) 112. O que oramos na primeira petição? Na primeira petição, santificado seja o teu nome, oramos para que Deus nos capacite, bem como a outros, a glorificá-lo em tudo o que ele se faz conhecido, e para que ele queira dispor todas as coisas para sua própria glória. (Mt 6.9; Sl 67.1-3; Rm 11.36; Ap 4.11) 113. O que oramos na segunda petição? Na segunda petição, venha o teu reino, oramos para que o reino de Satanás seja destruído e que o reino da graça seja promovido; nós mesmos e outros introduzidos e mantidos nele, para que o reino de glória seja apressado. (Mt 6.10; Sl 68.1-18; Rm 10.1; 2Ts 3.1; Mt 9.37-38; Ap 22.20) 114. O que oramos na terceira petição? Na terceira petição, seja feita a Tua vontade na terra, como é no céu, oramos para que Deus, por sua graça, nos torne capazes e desejosos de conhecer, obedecer e nos submeter à sua vontade em todas as coisas, como os anjos fazem no céu. (Mt 6.10; Sl 103.20-21; 25.4-5; 119.26) 115. O que oramos na quarta petição? Na quarta petição, o pão nosso de cada dia dá-nos hoje, oramos para que, pelo dom gratuito de Deus, possamos receber uma porção justa das coisas boas desta vida e desfrutar de suas bênçãos com elas. (Mt 6.11; Pv 30.8-9; 1Tm 6.6-8; 4.4-5) 116. O que oramos na quinta petição? Na quinta petição, e perdoa-nos as nossas dívidas, como nós perdoamos aos nossos devedores, oramos para que Deus, pelo amor de Cristo, perdoe gratuitamente todos os nossos pecados; que sejamos ainda mais encorajados a pedir, porque por sua graça somos capacitados de coração a perdoar os outros. (Mt 6.12; Sl 51.1-3, 7; Mc 11.25; Mt 18:35) 117. O que oramos na sexta petição? Na sexta petição, e não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal, oramos para que Deus nos impeça de ser tentados a pecar ou nos ajude e livre quando formos tentados. (Mt 6.13; 26.41; Sl 19.13; 1Co 10.13; Jo 17.15) 118. O que a conclusão da Oração do Senhor nos ensina? A conclusão da Oração do Senhor, porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre, amém, nos ensina a receber nosso encorajamento em oração de Deus somente, e em nossas orações a louvá-lo, atribuindo domínio, poder e glória a ele; e em testemunho de nosso desejo e certeza de sermos ouvidos, dizemos amém. (Mt 6.13; Dn 9.18-19; 1Cr 29.11-13; 1Co 14.16; Fp 4.6; Ap 22.20) APÊNDICE 3 BENJAMIN KEACH (1640–1704): O TEÓLOGO BATISTA Em uma história da religião na Grã-Bretanha, Michael Mullett identificou Benjamin Keach como o principal teólogo batista de sua época, semelhante, em grau de importância para sua denominação, ao que Richard Baxter foi para os presbiterianos ingleses; John Owen para os congregacionalistas; e Robert Barclay (1648–1690) para osquakers.[89] Mullett pode muito bem estar se baseando em uma descrição anterior de Keach feita por Murdina D. MacDonald: “O mais importante apologeta das visões batistas calvinistas” no final do século XVII. Essa foi a forma como MacDonald descreveu Keach em sua tese de Oxford, defendida em 1982. Houve, obviamente, outros importantes autores batistas nesse período — homens como Hercules Collins e Joseph Stennett (1663–1713), o pastor de uma congregação que se reunia no Pinners’s Hall, em Londres —, porém “nem o escopo nem a extensão de suas obras alcançaram a produção de Keach”.[90] Keach argumentou contra os quakers e assumiu para si o dever dos colegas puritanos — em especial de Richard Baxter e John Flavel (c. 1630–1691) que defendiam o batismo infantil; ele defendia a prática da imposição de mãos durante o batismo, um rito comum entre os batistas gerais, mas raramente praticado entre os batistas calvinistas;[91] ele escrevia histórias, agora há muito esquecidas, que, em sua época, rivalizavam com as de John Bunyan em popularidade e vendas; ele defendia longamente o canto dos hinos e até mesmo compilou alguns de seus próprios; publicou uma série de coleções de sermões, incluindo A Golden Mine Open (1694) e Gospel Mysteries Unveiled (1701), que ainda têm um valor inestimável, embora não sejam amplamente usados, representando verdadeiros tesouros para o estudo do pensamento batista do século XVII;[92] e também escreveu o primeiro tratado batista calvinista especificamente dedicado ao governo eclesiástico, The Glory of a True Church and its Doctrine display’d [A glória de uma verdadeira igreja e a exibição de sua doutrina] (1697). PRIMEIROS ANOS Keach nasceu em 29 de fevereiro de 1640. Seus pais, John e Fodora Keach, eram um casal anglicano que, na época, residia em Stoke Hammond, no norte de Buckinghamshire.[93] Criado como um anglicano, juntou-se aos batistas gerais quando contava com apenas quinze anos. Três anos depois de seu batismo como crente, ele foi chamado para pregar na congregação batista geral que se encontrava em Winslow, Buckinghamshire, não muito longe de Stoke Hammond. Em Winslow, ainda existe uma antiga casa de reunião batista que data de 1695, chamada “Casa de Reunião de Keach”. Não se sabe se Keach frequentava ou não essa antiga capela. No entanto, trata-se de uma boa forma de registrar a conexão desse grande líder batista com essa área de Buckinghamshire.[94] Na mesma época de sua chamada ao ministério da Palavra, Keach casou-se com Jane Grove (?– 1670), uma jovem nativa de Winslow. Durante os dez anos de casamento, o casal teve cinco filhos, dos quais três sobreviveram à infância. Uma delas, Hannah, mais tarde se tornaria quaker, o que teria causado algum sofrimento ao pai. Seu único filho sobrevivente desse casamento, Elias Keach (1667–1701), desempenharia papel fundamental para o avanço da causa batista dentro e ao redor da Filadélfia, na América. Como já notamos, o período entre as décadas de 1660 e 1680 foi um momento de intensa perseguição para qualquer um que procurasse adorar fora da Igreja da Inglaterra, razão pela qual, em mais de uma ocasião, Keach se viu em apuros com o Estado. Por exemplo, em 1664, Keach foi preso sob a acusação de ser “uma pessoa sediciosa, herética e sectária, perversamente disposta e insatisfeita com o governo de Sua Majestade e o governo da Igreja da Inglaterra”.[95] Foi relatado que uma cartilha infantil que Keach havia escrito, contendo lições de leitura, instrução em pontuação e aritmética, além de listas de palavras com uma, duas ou três sílabas, fora lida pelo então reitor anglicano de Stoke Hammond, Thomas Disney. Disney teria reportado às autoridades governamentais não apenas que essa cartilha seria imprópria para crianças, como também definitivamente sediciosa. Hoje, não existem cópias dessa cartilha. Isso porque, no momento de seu julgamento, todos os exemplares foram destruídos, embora tenhamos notícias de que, mais tarde, Keach teria reescrito esse manual, vindo a publicá-lo como The Child Delight: or Instructions for Children and Youth [O prazer da criança: ou instruções para crianças e jovens]. A cartilha original fora considerada herética especialmente por causa das referências ao batismo do crente e à interpretação de Keach do Livro do Apocalipse.[96] Levado a julgamento em 8 de outubro de 1664, Keach foi considerado culpado, preso por duas semanas e multado em vinte libras — naqueles dias, uma quantia considerável para um pobre pregador batista. Além dessas punições, Keach teve de permanecer por dois períodos de duas horas cada no pelourinho, uma estrutura de madeira que tinha buracos para a cabeça e as mãos da pessoa que estava sendo punida. Em geral, o pelourinho era colocado na praça da cidade ou da aldeia, onde o infrator também poderia ser submetido a várias formas de ridicularização pública. Nessa ocasião, contudo, Keach aproveitou para pregar à multidão que se reuniu ao seu redor. “Boas pessoas”, começou ele na primeira ocasião em que esteve no pelourinho, “não me envergonho de estar aqui hoje, (...) pois meu Senhor Jesus não se envergonhou de sofrer na cruz por mim; e é por sua causa que fui tornado um espetáculo. Saibam que não é por haver cometido maldade que estou aqui, mas por ter escrito e publicado suas verdades, verdades que o Espírito Santo revelou nas Escrituras Sagradas.” A essa altura, um clérigo da Igreja da Inglaterra, possivelmente o ministro local, tentou silenciar Keach, dizendo-lhe que ele estava no pelourinho por “ter escrito e publicado coisas erradas”. Nesse momento, Keach, reconhecendo uma oportunidade de ouro para o debate público e seu testemunho, apressou-se e respondeu: “Senhor, consegue fazer prova desses erros para eles?”. Mas, antes que o clérigo pudesse responder, viu-se cercado por outras pessoas que estavam na multidão, pessoas que o conheciam como um ébrio. Então, Keach começou a falar em defesa de suas convicções, embora algumas outras autoridades tenham tentado silenciá-lo. Por fim, disseram-lhe que, se ele não ficasse em silêncio, teria de ser amordaçado. Depois disso, ele se manteve em silêncio, exceto por sua citação de Mateus 5.10: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”.[97] Em outra ocasião, quando Keach foi preso em flagrante por uma tropa de cavaleiros, em virtude de estar pregando, quatro deles ficaram tão irados com ele que juraram que o atropelariam até a morte com seus cavalos. Ele, então, foi amarrado e forçado a se deitar no chão. Mas, quando eles estavam prestes a lançar seus cavalos sobre a vítima, o comandante da tropa chegou e os impediu de ferir Keach, que, quase certamente, teria sido morto.[98] A MUDANÇA PARA LONDRES E A ADESÃO AO CALVINISMO Em 1668, Keach mudou-se para Londres, onde se juntou a uma assembleia batista geral na Tooley Street, em Southwark, o primeiro subúrbio de Londres localizado ao sul das margens do rio Tâmisa. Logo, Keach foi ordenado como ancião dessa congregação. No entanto, pouco tempo depois de sua chegada a Londres, ele conheceu Hanserd Knollys e William Kiffen; assim, por ocasião de seu segundo casamento, em 1672, com Susannah Partridge (?–1732), de Rickmansworth, Seutfordshire — Jane, sua primeira esposa, havia morrido em 1670 —, ele já havia se tornado calvinista. Nada sabemos acerca dos detalhes desse importante movimento teológico feito por ele. Como o historiador americano J. Barry Vaughn observou, “a data e as circunstâncias que cercaram a aceitação do calvinismo por Benjamin Keach representam o grande enigma de sua vida”.[99] No entanto, o fato de Knollys ter sido o oficiante do casamento de Keach com Susannah Partridge certamente nos leva a acreditar que essa influente figura desempenhou papel fundamental na vinda de Keach para os batistas calvinistas. É interessante notar que, embora tal mudança — dos batistas gerais para os batistas calvinistas — não tenha sido incomum durante os séculos XVII e XVIII, raramente havia movimento dos batistas calvinistas para os batistas gerais.[100]No mesmo ano de seu casamento, Keach e alguns indivíduos alinhados com seu pensamento, possivelmente ex-membros da causa batista geral na rua Tooley, deram início a uma obra batista calvinista em Horselydown, Southwark. Assim, uma casa de reunião acabou sendo erguida e, após uma série de acréscimos realizados ao longo dos anos, o local foi capaz de abrigar cerca de até mil pessoas. Evidentemente, Keach era um pregador poderoso; seus sermões, como, posteriormente seu genro viria a observar, eram “cheios de teologia sólida”.[101] Além de seu trabalho como pastor, Keach também se mostrou ativo na plantação de outras igrejas no sul da Inglaterra e, regularmente, empregava sua pena e sua tinta para elucidar as Escrituras e defender a causa batista calvinista. Dos muitos temas sobre os quais ele escreveu, sua contribuição para dois em particular se provaria especialmente influente. O primeiro deles foi sua defesa, sob uma perspectiva calvinista, da salvação. Durante as décadas de 1680 e 1690, na época em que as obras de Keach estavam sendo amplamente publicadas, o calvinismo se encontrava cada vez mais sob ataque. A teologia de teólogos puritanos como Keach e John Owen estava sendo considerada com escárnio e desdém, como algo ultrapassado e antiquado. Encorajados pelo pensamento “moderado” de Richard Baxter, que buscava desenvolver uma perspectiva teológica que atenuasse algumas doutrinas-chave do calvinismo tradicional, abraçando alguns elementos do arminianismo, não foram poucos os herdeiros do puritanismo, em particular os presbiterianos ingleses, que se envolveram em um recuo maciço de sua herança calvinista. No entanto, não foi isso que ocorreu com os batistas calvinistas, o que se deve, em grande parte, aos escritos de Keach. VISÕES CALVINISTAS SOBRE A SALVAÇÃO Considere, por exemplo, seu último grande trabalho, Gospel Mysteries Unveiled, publicado apenas três anos antes de sua morte, em 1704. Originalmente, esse trabalho foi uma série de sermões que expunham, de forma exaustiva, todas as parábolas de Cristo. A discussão sobre a parábola da ovelha perdida (Lc 15.4-7), por exemplo, deu origem a dezesseis sermões e produziu mais de cem páginas na edição de quatro volumes que foi publicada na década de 1810.[102] Em seu décimo quinto sermão sobre essa parábola em particular, Keach apresentou um entendimento acerca da regeneração e da conversão que era comum à maior parte dos batistas calvinistas de sua época e serviu para distingui-los de outras denominações, como os presbiterianos, que estavam se movendo rapidamente para fora da esfera calvinista. Keach começou observando que essa parábola ensina, de forma clara, que “os pecadores perdidos não podem voltar para casa, para Deus, por si mesmos”; eles devem ser levados a Deus nos ombros de Cristo. Para Keach, essa conclusão doutrinária estava, antes de tudo, bastante clara pela referência à ovelha perdida sendo colocada sobre os ombros do pastor. Quando outras passagens das Escrituras falam do “dedo de Deus” (Lc 11.20) ou do “braço do Senhor” (Is 53.1), esses antropomorfismos devem ser compreendidos como referências ao poder divino. Igualmente, argumentava Keach, a menção aos ombros do pastor, em Lucas 15.5, deve ser uma referência ao “poder efetivo e eficaz de Cristo”, especialmente em face da natureza da parábola, no que se refere à “regeneração e à conversão”.[103] Keach, então, aduziu mais provas bíblicas de que a regeneração era totalmente uma obra de Deus — uma obra na qual homens e mulheres são inteiramente passivos. Citava, por exemplo, João 15.5, passagem em que Cristo informa aos apóstolos: “sem mim, nada podeis fazer”. De uma forma bastante nítida, esse versículo tem a ver com a vida fora da vida cristã, mas, evidentemente, Keach viu alguns princípios embutidos nele que também se aplicam à entrada nessa vida. Keach compreendeu a declaração de Cristo “sem mim” como uma alusão ao “braço todo-poderoso de Cristo (...) descoberto” e seu “poder exercido”. Portanto, se é verdade que o poder de Cristo é vital para a presença de “frutos aceitáveis a Deus” durante a vida cristã, quanto mais é o caso de que esse poder é exigido para “a implantação de um pecador em Cristo”![104] No entanto, visto que diz respeito a viver uma vida cristã frutífera, que envolve esforço tanto por parte do crente como de Cristo, essa passagem não fornece um apoio tão forte ao argumento desenvolvido por Keach de que o pecador é totalmente passivo na regeneração. O próximo versículo que ele cita, João 6.44a [“Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer”], é muito mais relevante. Aqui, a imagem envolvida, segundo Keach, são “as influências sublimes e irresistíveis do Santo Deus sobre o coração, por meio das quais ele inclina, curva e submete a vontade teimosa e rebelde de crer e receber o Senhor Jesus Cristo”. Keach, com razão, viria a associar esse versículo a outro posterior do mesmo capítulo: “Ninguém poderá vir a mim se, pelo Pai, não lhe for concedido” (Jo 6.65). O que é dado, enfatiza Keach, é o que permite que um pecador venha a Cristo: o dom do Espírito que habita no interior, os afetos de um novo coração, a graça, a fé e o poder divino.[105] O terceiro texto que Keach cita é mais um joanino, João 1.13. Os filhos de Deus, afirma esse versículo, “não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. A regeneração não se baseia na linhagem física, nem nos “privilégios legais” (foi assim que Keach interpretou “nem da vontade da carne”). Nem o novo nascimento é realizado por qualquer “poder da vontade do homem, pois é preciso que, antes, “um princípio vital seja infundido” em uma pessoa; sem isso, tudo que ela venha a fazer serão “obras mortas”. A declaração “simples e evidente” desse versículo é que “Deus é o grande agente eficaz na regeneração”.[106] O pregador batista, então, cita uma série de versículos paulinos — Romanos 9.16; Tito 3.5-6; 2Coríntios 3.5; 4.7; Filipenses 2.12-13 — como mais uma forma de ratificar sua posição. Em relação aos dois textos de 2Coríntios, Keach enfatiza especialmente que, no que diz respeito à pregação, não é o pregador que pode efetuar a mudança sobre a qual vem falando. Não é “no poder do ministro mais capaz do mundo que a palavra pregada torna-se efetiva; não, não, (...) é de Deus” que a pregação recebe poder para mudar o coração humano.[107] Na próxima seção desse sermão, Keach fornece argumentos adicionais em suporte à sua perspectiva sobre a regeneração. Esses argumentos baseiam-se em vários textos da Escritura, a maior parte extraída do Novo Testamento. É nessa seção do sermão que Keach define o que entende sobre regeneração e conversão. A regeneração, que ele descreve como “a modelagem de Cristo na alma”, uma nova criação ou um novo nascimento, é realizada pela atuação do Espírito Santo. Keach acreditava que a regeneração ocorre quando o Espírito Santo vem para habitar em uma pessoa, e uma nova natureza, a de Cristo, é formada no interior desse indivíduo, em seu coração. Por isso, a inimizade em relação a Deus que está impregnada no coração de cada incrédulo é removida, e um amor e um deleite para com Deus como seu bem maior são transmitidos. Além disso, assim como uma criança não nascida não contribui em nada para sua formação no útero, os “pecadores são totalmente passivos em sua regeneração”.[108] Quando Keach chegou a definir conversão, incluiu o que já havia dito sobre regeneração, de modo que a distinção entre os dois termos estava um tanto embaçada. A conversão, afirmava ele, envolve um “ato duplo”: (1) Passivo, que é o ato do Espírito de Deus, ato por meio do qual ele infunde um princípio vital, além de hábitos graciosos, ou qualidades divinas, na alma: nesse ato, a criatura é totalmente passiva. Cristo (...) infunde a vida na alma morta, da forma como fez com Lázaro. (2) Ativo, de modo que, através do poder dessa graça, o pecador é vivificado, capacitado a crer e a retornar a Deus: ao agir em nós, nós também agimos; o Espírito Santo (...) move a alma, ea alma age, e se move em direção a Deus (...) primeiro o coração do pecador é redirecionado e, então, o pecador retorna: se Cristo não nos procurou primeiro, e não nos encontrou primeiro, e não nos levou primeiro por seus braços e em seus ombros de poder divino, nunca o encontraremos nem nos voltaremos para ele.[109] Embora essa passagem mostre Keach falhando em se dar conta de uma distinção bastante nítida entre os dois termos, seu significado é claro. O que ele chamou de aspecto “passivo” desse “ato duplo” é o que ele já chamou de “regeneração”, que constitui plenamente um ato de Deus, um ato para o qual os seres humanos em nada contribuem. O Espírito Santo entra na alma, e lhe dá tanto o poder como o desejo de se voltar para Deus. Assim, é na regeneração que “a semente da conversão real é semeada” no coração de uma pessoa.[110] Por outro lado, na conversão, o indivíduo está literalmente envolvido, exercendo sua capacidade recém-recebida de recorrer a Deus. Por fim, deve-se notar que, ao apresentar essa perspectiva solidamente calvinista sobre regeneração e conversão, Keach teve o cuidado de se proteger contra o alto calvinismo ou o hipercalvinismo, que, como notamos no capítulo anterior, alguns de seus herdeiros do século XVIII possivelmente sustentariam. Por exemplo, John Brine (1703–1765), um teólogo bastante influente entre os batistas calvinistas em meados do século XVIII,[111] seguiu claramente o ensinamento de Keach ao sustentar que “a regeneração é a infusão de um novo princípio de vida espiritual” em uma pessoa, “a produção de um princípio disposto a ações santas e agradáveis a Deus, por Jesus Cristo”. Isso precede o momento da conversão e deve ser considerado sua “fundação e seu manancial”. Na regeneração, os pecadores são “meramente passivos”, enquanto, na conversão, mostram-se definitivamente “ativos”.[112] No entanto, uma área-chave na qual Brine não seguia Keach estava relacionada com a doutrina da justificação eterna, uma perspectiva sobre a justificação que havia sido articulada em meados do século XVII e era intensamente debatida na década de 1690.[113] De acordo com as palavras de Brine acerca dessa doutrina, uma vez que “Deus tinha em vista, desde a eternidade, a expiação feita por Cristo; e, por conta do engajamento de Cristo para sofrer pelos pecados dos eleitos, ele os absolveu como se Cristo tivesse realmente sofrido a penalidade merecida por sua transgressão”, de modo que o eleito pode ser considerado como tendo sido justificado desde a eternidade.[114] Se isso fosse verdadeiro, então a fé salvífica seria reduzida a uma realização do que Deus tem feito no ato de justificação eterna. E esse estilo de pregação, em que os perdidos são explicitamente instados a se voltarem a Cristo, torna-se bastante desnecessário. O que é necessário na pregação é simplesmente proclamar o que Deus fez em Cristo. Deus usará isso para despertar os eleitos e mostrar-lhes o que ele já fez por eles. No entanto, Keach opôs-se firmemente a essa posição durante a década de 1690. Em sua obra seminal sobre justificação, A Medium betwixt two Extremes [Um equilíbrio entre dois extremos] (1698), Keach havia indagado: “Não vamos pregar a todos que estão fora de Cristo, aos ímpios, àqueles que estão sob ira e condenação, e assim permanecem, até que venham a crer e ter união com Cristo? Nosso Senhor não veio para chamar os justos, nem os hipócritas, tampouco aqueles que, em um sentido evangélico, são pessoas justas, mas, sim, para chamar os pecadores ao arrependimento; a esses que se perderam no primeiro Adão, e que se encontram sob a escravidão do pecado, e debaixo do jugo da lei”.[115] Homens e mulheres estão justificados apenas quando passam a crer em Cristo. Portanto, o ministério do púlpito de Keach caracterizou-se por um evangelismo vigoroso e por chamadas regulares aos não convertidos para responder a Cristo por fé. De acordo com C. H. Spurgeon, ao falar aos perdidos, Keach era “intensamente direto, solene e impressionante, declarando os terrores do Senhor, e revelando a liberdade da graça divina”. [116] Algo típico dos apelos evangélicos de Keach aos não convertidos é o seguinte, segundo Spurgeon cita, para ilustrar a afirmação acima: Venham, aproveitem, suas almas estão sob a justiça de Cristo; Cristo é capaz de salvá-los, embora vocês sejam sempre grandes pecadores. Venham até ele, atirem-se aos pés de Jesus. Olhem para Jesus, que veio para buscá-los e salvar os que estão perdidos (...) Vocês podem ter a água da vida livremente. Não digam: “Quero que as qualificações ou a mansidão venham de Cristo”. Pecadores, vocês não têm sede? Não têm sede de justiça? Isso não é justiça, mas um sentimento de falta de justiça, que é, sim, a qualificação para a qual devem olhar. Cristo tem justiça suficiente para vesti- los, tem pão da vida para alimentá-los, tem graça para adorná-los. O que vocês quiserem encontrarão nele. Dizemos a vocês que há ajuda dele, há salvação nele. “Através da propiciação em seu sangue”, vocês devem ser justificados, e isso apenas pela fé.[117] A CONTROVÉRSIA DO HINO-CANTO A outra área-chave em que Keach influenciou as gerações futuras foi a adoração pública, especialmente no que diz respeito ao canto dos hinos.[118] Seu significado é bem resumido nas palavras de Hugh Martin: Keach foi “o primeiro a introduzir o canto regular de hinos no culto público ou ordinário de uma congregação inglesa”.[119] Enquanto alguns grupos, como os presbiterianos ingleses e os congregacionalistas, estavam convencidos de que apenas os Salmos deveriam ser cantados em adoração pública,[120] e outros, como os batistas gerais e os quakers, rejeitavam qualquer forma de canto congregacional, havia muitos batistas calvinistas antes de Keach que acreditavam que sua adoração não deveria vir desacompanhada de canção e que deveria incluir hinos e salmos. O galês de comunhão aberta, o batista Vavasor Powell (1617– 1670), declarou sua convicção em uma confissão pessoal de fé, no sentido de que o “canto de salmos (particularmente os salmos contidos nas Escrituras) e de hinos são uma continuação da ordenança evangélica e um dever, algo que deve ser realizado por todos, mas especialmente nas igrejas”.[121] Em 1663, Hanserd Knollys também sustentou que o canto de “canções espirituais e hinos” era “uma ordenança de adoração a Deus”, embora, com base em 1Coríntios 14.15, ele sustentasse que a única instância legítima para esse canto era quando o Espírito Santo “ditava” as palavras e a melodia. Além disso, parece que o canto que Knollys tinha em mente era aquele realizado por uma voz solo e não congregacional.[122] No entanto, em 1680, Hercules Collins publicou An Ortodox Catechism [Um catecismo ortodoxo], no qual havia “um apêndice sobre a Ordenança do Canto”. Esse apêndice, claramente, dava suporte à prática do canto congregacional.[123] Keach havia introduzido pela primeira vez o canto de um hino entre 1673 e 1675, ao final da celebração da Mesa do Senhor, em sua congregação de Southwark. Alguns anos depois, alguns hinos também estavam sendo cantados nos cultos de ação de graças. Em uma reunião da igreja realizada em 1º de março de 1691, a maioria de seus membros votou para que se cantasse um hino após o culto, todos os domingos. No entanto, havia alguns na igreja que consideravam essa prática uma inovação não escrita. Por fim, eles deixaram a igreja em março de 1691 e, depois de uma curta passagem pela igreja que Hanserd Knollys havia pastoreado por muitos anos, formaram uma nova congregação, que passou a se encontrar em Maze Pond. Nos artigos de fé que os fundadores da igreja Maze Pond elaboraram, em fevereiro de 1694, havia uma declaração explícita de que o canto congregacional era “um erro grosseiro”.[124] As convicções desses dissidentes foram compartilhadas por uma série de outros batistas em Londres, incluindo William Kiffen, Robert Steed (?–1700), copastor com Hanserd Knollys, e Isaac Marlow (1649–1719), um rico joalheiro e membro proeminente da Igreja Batista Mile End Green. Steed pregou contra a cantocongregacional em pelo menos uma ocasião e parece ter encorajado Marlow a publicar um livro contra essa prática, obra que recebeu o título de Brief Discourse concerning singing [Um breve discurso sobre o cantar] (1690). Embora outros também tenham escrito contra o canto congregacional, foi Marlow quem se tornou o principal oponente dessa prática. Durante a controvérsia sobre o canto de hinos, que durou de 1690 a 1698, Marlow escreveu nada menos que onze livros abordando o assunto.[125] O ardor gerado pela controvérsia pode ser avaliado, até certo ponto, pelos termos que os dois lados atiravam um no outro. Marlow nos diz que foi rotulado de “Rabiscador ridículo”, “Insolente”, “Entusiasta”, ou seja, fanático, e “quaker”. Mas Marlow era capaz de dar de si o melhor. Ele via seus oponentes como “uma confraria de papistas queimadores de livros”, gente que estava tentando minar a Reforma, pois, nesse particular, eles estavam endossando uma prática que não tinha fundamento nas Escrituras.[126] Essas observações amargas de ambos os lados do debate sugerem que a divisão sobre o canto de hinos não era uma questão trivial, rasgando a comunidade batista de Londres em duas partes. Nas palavras de Murdina MacDonald, “efetivamente, isso destruiu a capacidade dos batistas calvinistas como um todo de estabelecer uma organização nacional naquele momento”. Como MacDonald ainda observa, a extensão dessa divisão está patente no fato de que os dois estadistas mais velhos da comunidade, Hanserd Knollys e William Kiffen, encontravam-se em lados opostos.[127] Marlow e aqueles que se opuseram à prática do canto de hinos desenvolveram cinco argumentos principais em apoio à sua posição.[128] Primeiro, eles afirmavam que o uso de um hino composto previamente produz o mesmo efeito que a leitura de uma oração escrita, ou seja, um formalismo, de modo que conduz a um arrefecimento do Espírito. Eles também estavam convencidos de que alguns exemplos de canto na época do Novo Testamento haviam envolvido a prática de um dom espiritual “extraordinário”. Uma vez que esses dons haviam cessado com a passagem daquele tempo, os exemplos de canto encontrados no Novo Testamento não poderiam servir como um precedente para os seus dias. Então, eles sustentavam que o canto congregacional comprometia a pureza da igreja, pois poderia muito bem envolver pessoas na congregação que não eram indivíduos regenerados. Em quarto lugar, eles acreditavam que, nos primórdios da igreja, o canto público era realizado por uma única voz; e não por um esforço congregacional. Finalmente, nos locais em que homens e mulheres estavam envolvidos com cantos congregacionais, praticava-se uma violação clara de 1Coríntios 14.34 e 1Timóteo 2.11-12 — textos que, segundo o entendimento deles, diziam que as mulheres não devem pronunciar uma única palavra no culto público da igreja. Embora tenha chegado logo no início da controvérsia, a obra de Keach, publicada em 1691, The Breach Repaired in God’s Worship: or, Singing of Psalms, Hymns, and Spiritual Songs, proved to be an Holy Ordinance of Jesus Christ [A Brecha Reparada na Adoração de Deus: ou, como o Cântico de Salmos, Hinos e Canções Espirituais provou-se uma Santa Ordenança de Jesus Cristo], era uma resposta definitiva a esses vários argumentos. Keach estava ansioso para defender a prática do canto congregacional porque estava convencido de que uma das principais razões para a causa batista de sua época estar experimentando “certa desmotivação lamentável” e a “falta da presença de Deus, ou da vivacidade do Espírito” era sua negligência com tal “ordenança” bíblica.[129] Em outras palavras, longe de promover o formalismo, o canto dos hinos era um meio eficaz para a renovação espiritual. O fracasso em se envolver com o canto de hinos estava, assim, roubando de Deus “uma grande parte de seu glorioso louvor”, além de estar privando os crentes de “uma alegria e de um refrigério doces e celestiais”.[130] No entanto, como Alan Clifford observa, Keach não empreendia sua luta primariamente com argumentos pragmáticos.[131] Ele recorreu às Escrituras para demonstrar que as hostes angelicais no céu cantam louvores a Deus, como os santos de Deus fizeram ao longo da história. Além disso, Keach foi capaz de citar comandos explícitos no Novo Testamento que exortam os crentes a essa prática: Efésios 5.19, Colossenses 3.16 e Tiago 5.13. Respondendo aos vários argumentos que estavam sendo formulados contra o canto congregacional, Keach, em primeiro lugar, destacava que, se, no Novo Testamento, o ato de cantar se baseava em um dom “extraordinário” do Espírito, o mesmo aconteceu com muitas outras áreas da vida da Igreja Apostólica. “Os apóstolos tinham um Espírito extraordinário, ou melhor, um Espírito infalível, na Pregação, na Oração, nas Profecias, na Interpretação das Escrituras.” Mas, em consonância com outros batistas como Hanserd Knollys (ver Capítulo 5), Keach sustentava que esses dons extraordinários “cessaram todos, uma vez que ninguém, agora, tem esses dons milagrosos”. Se a lógica daqueles que se opõem ao canto congregacional seguisse esse caminho, “ninguém, agora, poderia, ou deveria, pregar, orar ou interpretar”. Se o canto congregacional deve ser rejeitado porque somente pode ser colocado em prática com base em um dom espiritual “extraordinário” — e todos esses dons cessaram —, então a conclusão exigida pela posição de seus oponentes era que “todas as ordenanças se foram, ou devem ser extinguidas”.[132] O receio de que o canto de hinos congregacionais envolvesse as assembleias batistas não regeneradas também foi decisivamente contestado por Keach. O teólogo batista apontou, com razão, que os incrédulos entrarem em suas assembleias e cantarem com os crentes era uma coisa; e “os crentes se alegrarem com os incrédulos” era algo bem diferente. Além disso, se uma assembleia cristã não deve envolver-se no canto coletivo, com receio de que possa haver um ou mais incrédulos presentes, outros atos de culto na congregação, como, por exemplo, a oração, podem ocorrer? “[Em oração] a comunhão em espírito é mais próxima e íntima do que a de unir as vozes; de modo que, se é considerado ilegal deixá-los cantar conosco, também é ilegal deixar seus corações alegres por orarem conosco. Os filhos não devem receber seu pão porque alguns estranhos também receberão um pouco dele? Na verdade, Keach acreditava que o raciocínio de Marlow e de outros como ele a esse respeito conduziria ao fim do evangelismo. Pois “ouvir a Palavra de Deus na pregação” não é o mesmo que uma “ordenança sagrada” como cantar? Se o raciocínio de Marlow em relação ao último for aplicado ao primeiro, então os batistas deveriam “fechar as portas sobre eles [ou seja, os incrédulos]” e adorar a Deus sozinhos, sem medo de ser contaminados![133] Ao argumento de que “as mulheres não deveriam cantar na igreja, porque não lhes era permitido falar nesse ambiente”, Keach respondeu que havia certas ocasiões em que era permitido que as mulheres falassem na assembleia do povo de Deus. Por exemplo, Keach chamou a atenção de seus leitores para o fato de que, quando as mulheres eram admitidas em suas igrejas locais, eram convidadas a “fazer um relato de sua conversão na igreja, ou de como Deus se agradara de trabalhar em suas almas”.[134] Em outras palavras, Keach argumentava que textos como 1Coríntios 14.34 ou 1Timóteo 2.11-12 tinham de ser compreendidos como proibindo as mulheres de falar à congregação apenas em situações específicas. Esses textos não exigiam das mulheres silêncio absoluto na assembleia. Dessa forma, não poderiam ser usados para proibir as mulheres de cantar com os membros masculinos da congregação. O método de Keach de contestar o argumento final, de que cantar no Novo Testamento era um ato solo, consistia simplesmente em mostrar que o ato de cantar era “realizado com as vozes unidas” no Novo Testamento, tal como fora feito na era do Antigo Testamento. Por exemplo, os comandos para cantar em Efésios 5.19 e Colossenses 3.16 são claramente direcionados “não a qualquercristão determinado, mas a toda a igreja”.[135] Vaughn aponta que, em toda essa controvérsia, havia uma questão ausente, ou seja: o que deveria ser cantado? Deveriam ser simplesmente salmos, ou deveriam ser incluídos hinos cuja composição fosse genuinamente humana? Ao contrário de muitos protestantes de língua inglesa de sua época, Keach se mostra claramente favorável a que se cantem ambas as composições. Assim como, na pregação, o pregador não está restrito a “não mais do que ler as Escrituras, ou citar uma Escritura após outra (...) mas pode usar outras palavras para edificar a igreja, desde que estejam em consonância, ou sejam coerentes, com a Palavra de Cristo”, então, também ao cantar, eram admitidos hinos compostos por homens que não fossem apenas aqueles inspirados nas Escrituras, desde que fossem “absolutamente congruentes” com a Palavra de Deus.[136] Ao argumentar assim, Keach está claramente abrindo caminho para as obras de Isaac Watts, o pai do hino inglês. Além disso, a exemplo de Watts, Keach não se contentou apenas em argumentar sobre o cântico de hinos; ele também os compôs. Keach publicou dois livros de cânticos, Spiritual Melody (1691) e Spiritual Songs (1700), que continham, ao todo, mais de quatrocentos hinos. Embora nenhum deles possa ser comparado com os melhores hinos de Watts, as composições de Keach não devem ser inteiramente rejeitadas, como mero “doggerel”,* como tantas vezes tem ocorrido. Não há dúvida de que alguns de seus hinos fazem uma poesia horrível. No entanto, como Vaughn bem mostrou, Keach não estava tentando ser um poeta cristão tanto quanto um arauto cristão: seus hinos destinavam-se a ser “doutrina métrica” e “sermões métricos”. Soando as grandes verdades do cristianismo, eles eram “longos em doutrina e louvor objetivos”, embora, em geral, “curtos em interioridade” e experiência cristã.[137] DIAS FINAIS Quando, no verão de 1704, Keach estava morrendo, pediu a Joseph Stennett, um de seus colegas ministros batistas calvinistas em Londres, para pregar um sermão de uma porção de 2Timóteo 1.12 [“porque sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”] em seu funeral. Prontamente, Stennett concordou. Como se viu, porém, Stennett estava muito doente para pregar na hora da morte de Keach, e esse sermão em 2Timóteo 1.12 teve de ser adiado até depois do funeral. Agora, o que é fascinante sobre o pedido de Keach é que ele e Stennett divergiam sobre o dia da semana que deveria ser reservado à adoração cristã. Stennett era um sabatariano convicto e a igreja que ele pastoreava se reunia no Pinners’ Hall, em Londres, para adoração aos sábados. Como uma das várias igrejas batistas do sétimo dia que se desenvolveram na Inglaterra desde a década de 1650, a congregação de Stennett prosperou sob seu ministério.[138] De fato, entre 1695 e 1700, a Igreja Pinners’ Hall recebeu em sua filiação quinze indivíduos que já haviam sido membros da Igreja Horsleydown, de Keach. E um desses quinze membros era a própria filha de Keach, Hannah![139] Bastante contrariado com a perda de seus membros para a congregação do sétimo dia, Keach decidiu pregar uma série de sermões contra o sabatarianismo, que, posteriormente, ele publicou como The Jewish Sabbath Abrogated, or The Saturday Sabbatarians Confuted [O sábado judeu revogado, ou O sabatarianismo refutado] (1700). Stennett não reagiu a esse ataque às suas crenças, e parece que o livro de Keach não surtiu efeito nocivo na amizade de ambos. Se tivesse causado algum prejuízo, certamente Keach não teria pedido ao batista do sétimo dia para pregar seu sermão fúnebre. Nesse pequeno incidente dos últimos dias de Keach, vemos os batistas calvinistas do século XVII em seu melhor: vigorosos e firmes em suas convicções, mas possuídos de um espírito católico consciente do que era e do que não era essencial. A divergência de Keach em relação às convicções do sétimo dia foi suficiente para impeli-lo a publicar uma obra contra eles. Mas, obviamente, ele foi capaz de reconhecer que a divergência em relação a essa questão não era tão vital a ponto de prejudicar a comunhão no Salvador. Assim, tanto em termos de caráter como em termos de pensamento, Keach pode ser considerado, com muita justiça, um dos mais importantes teológos batistas calvinistas do século XVII. “Radical Sects and Dissenting Churches, 1600–1750”, em Sheridan Gilley e W.J. Sheils (orgs.), A History of Religion in Britain. Practice and Belief from Pre-Roman Times to the Present (Oxford/Cambridge, Massachusetts: Basil Blackwell Ltd., 1994), p. 205. “London Calvinistic Baptists 1689–1727: Tensions Within a Dissenting Community under Toleration” (tese D.Phil., Regent’s Park College, University of Oxford, 1982), p. 77. Sobre Collins, veja Robert W. Oliver, From John Spilsbury to Ernest Kevan. The Literary Contribution of London’s Oldest Baptist Church (London: Grace Publications Trust on behalf of the Evangelical Library, 1985), p. 9-11; e G. Stephen Weaver, Jr., Orthodox, Puritan, Baptist: Hercules Collins (1647–1702) and Particular Baptist Identity in Early Modern England (Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 2015); sobre Stennett, veja B.A. Ramsbottom, Through Cloud and Sunshine. Four generations of faithful witness—the story of the Stennett family (N.p.: Gospel Standard Trust Publications, 1982), p. 4-7. Keach acreditava que a imposição de mãos era uma ordenança “de profunda importância prática”, e que aqueles que a ela se submetiam recebiam “muito mais” do Espírito de Deus (J.K. Parratt, “An Early Baptist on the Laying on of Hands”, The Baptist Quarterly, 21 [1966–1967], p. 325-327, 320). James Barry Vaughn, “Benjamin Keach”, em Timothy George e David S. Dockery (orgs.), Baptist Theologians (Nashville, Tennessee: Broadman Press, 1990), p. 68. A principal fonte de informação sobre Keach vem de seu genro, o historiador batista primitivo Thomas Crosby. Veja, de sua autoria, The History of the English Baptists (London, 1740), IV, 268-314. Para relatos mais recentes de sua vida, veja Hugh Martin, Benjamin Keach (1640–1704): Pioneer of Congregational Hymn Singing (London: Independent Press Ltd., 1961); James Barry Vaughn, “Public Worship and Practical Theology in the Work of Benjamin Keach (1640–1704)” (tese Ph.D., University of St. Andrews, 1989), p. 6-28; idem, “Benjamin Keach”, em George and Dockery (orgs.), Baptist Theologians, p. 49-76. Para um resumo de sua vida, veja R. L. Greaves, “Keach (or Keeche), Benjamin”, no livro de sua autoria com Robert Zaller (orgs.), Biographical Dictionary of British Radicals in the Seventeenth Century (Brighton, Sussex: The Harvester Press, 1983), II, p. 150- 151. Sobre a história dessa casa de reunião, veja Kenneth Dix, Benjamin Keach and a Monument to liberty (Dunstable, Bedfordshire: The Fauconberg Press, 1985). Citado em Martin, Benjamin Keach, p. 3. Sobre a escatologia em Keach, veja Kenneth G.C. Newport, “Benjamin Keach, William of Orange and the Book of Revelation: A Study in English Prophetical Exegesis”, The Baptist Quarterly, 36 (1995–1996), p. 43-51. Crosby, History, II, p. 204-208. Crosby, History, II, p. 185-186. Vaughn, “Public Worship and Practical Theology”, p. 18. Para uma discussão das possíveis circunstâncias, veja Vaughn, “Public Worship and Practical Theology”, p. 18-22. B. R. White, The English Baptists of the Seventeenth Century (London: The Baptist Historical Society, 1983), p. 7-8. Crosby, History, II, p. 305. Gospel Mysteries Unveiled: or, An Exposition of All the Parables and Many Similitudes spoken by Our Lord and Savior Jesus Christ (London: L. I. Higham, 1815), II, p. 321-428. Sobre a composição de Gospel Mysteries Unveiled e seu estilo, veja Vaughn, “Public Worship and Practical Theology”, p. 89-127. Gospel Mysteries Unveiled, II, p. 392-393. Gospel Mysteries Unveiled, II, p. 394. Gospel Mysteries Unveiled, II, p. 394-395. Gospel Mysteries Unveiled, II, p. 395-396. Gospel Mysteries Unveiled, II, p. 396-397. Gospel Mysteries Unveiled, II, p. 400-401, 404-405, 407-408,412. Gospel Mysteries Unveiled, II, p. 405-406. Gospel Mysteries Unveiled, II, p. 406. Sobre Brine, veja Walter Wilson, The History and Antiquities of Dissenting Churches and Meeting Houses in London, Westminster, and Southwark (London, 1808), II, p. 574-579; Peter Toon, The Emergence of Hyper-Calvinism in English Nonconformity 1689–1765 (London: The Olive Tree, 1967), p. 100-102. A Treatise on Various Subjects, revisado por J. A. Jones (4th ed.; London: James Paul, 1851), p. 48, 52; idem, Some Mistakes in a Book of Mr. Johnson’s of Liverpool, Intitled, The Faith of God’s Elect (London: John Ward, 1755), p. 33. Para uma discussão dessa doutrina, veja R. T. Kendall, Calvin and English Calvinism to 1649 (Oxford: Oxford University Press, 1979), p. 186-187; Robert William Oliver, “The Emergence of a Strict and Particular Baptist Community among the English Calvinistic Baptists 1770–1850” (tese Ph.D., London Bible College, 1986), p. 23-24; Peter Naylor, Picking Up a Pin for the Lord: English Particular Baptists from 1688 to the Early Nineteenth Century (London: Grace Publications Trust, 1992), p. 173- 185. A Defence of the Doctrine of Eternal Justification (edição de 1732; repr. Paris, Arkansas: The Baptist Standard Bearer, Inc., 1987), p. 41. A Medium betwixt two Extremes (London: Andrew Bell, 1698), p. 31. Sobre a perspectiva de Keach relativa à justificação, veja mais em Vaughn, “Public Worship and Practical Theology”, p. 208-242, passim. The Metropolitan Tabernacle; Its History and Work (London: Passmore and Alabaster, 1876), p. 31. Citado em The Metropolitan Tabernacle, p. 31. Há uma quantidade significativa de obras de Keach na hinódia inglesa. Veja especialmente Hugh Martin, “The Baptist Contribution to Early English Hymnody”, The Baptist Quarterly, 19 (1961–1962), p. 195-208; David W. Music, “The Hymns of Benjamin Keach: An Introductory Study”, The Hymn (julho de 1983), p. 147-152; James Patrick Carnes, “The Famous Mr. Keach: Benjamin Keach and His Influence on Congregational Singing in Seventeenth Century England” (tese M.A., North Texas State University, 1984); Alan Clifford, “Benjamin Keach and Nonconformist Hymnology”, em Spiritual Worship (London: Westminster Conference, 1985), p. 69-93; Vaughn, “Public Worship and Practical Theology”, p. 128-187; Donald C. Brown, “To Sing or Not to Sing: Seventeenth Century English Baptists and Congregational Song”, em Handbook to The Baptist Hymnal (Nashville, Tennessee: Convention Press, 1992), p. 55-64. Para a controvérsia no cântico de hinos entre os batistas calvinistas, veja especialmente MacDonald, “London Calvinistic Baptists”, p. 49-82, passim. “Baptist Contribution”, p. 199. Veja, a esse respeito, A Confissão de Fé 21.5 e a Declaração de Savoy 22.5. The Life and Death of Mr. Vavasor Powell, that Faithful Minister and Confessor of Jesus Christ (N. p.: 1671), p. 41. Hanserd Knollys, “[To the] Courteous Reader”, Prefácio a Katherine Sutton, A Christian Womans Experiences of the glorious working of Gods free grace (Rotterdam: Henry Goddaeus, 1663), [ii]. Carnes, “Famous Mr. Keach”, p. 82. MacDonald, “London Calvinistic Baptists”, p. 88. Para uma lista, veja MacDonald, “London Calvinistic Baptists”, p. 387-391. MacDonald, “London Calvinistic Baptists”, p. 62, 72-73, 74. MacDonald, “London Calvinistic Baptists”, p. 63, 69. MacDonald, “London Calvinistic Baptists”, p. 53-54. The Breach Repaired in God’s Worship: or, Singing of Psalms, Hymns, and Spiritual Songs, proved to be an Holy Ordinance of Jesus Christ (London, 1691), p. 99, 176. Para uma análise mais extensa do argumento de Keach, veja especialmente Vaughn, “Public Worship and Practical Theology”, p. 172-187. Breach Repaired, p. 21. “Benjamin Keach and Nonconformist Hymnology”, p. 79. Breach Repaired, p. 62-64. Breach Repaired, p. 105-106, 110. Breach Repaired, p. 139-141. Breach Repaired, p. 74, 80-81. Breach Repaired, p. 93-94. Sobre esse assunto, veja mais em Clifford, “Benjamin Keach and Nonconformist Hymnology”, p. 82- 84; Vaughn, “Public Worship and Practical Theology”, p. 183-184. Vaughn, “Public Worship and Practical Theology”, p. 155-157, 162. Para o estudo de seus hinos, veja Vaughn, “Public Worship and Practical Theology”, p. 143-162; Music, “Hymns of Benjamin Keach”. Para uma história recente dos batistas do sétimo dia, bem como dos outros grupos sabatarianos na Inglaterra, ao longo dos séculos XVII e XVIII, veja Bryan W. Ball, The Seventh-day Men: Sabbatarians and Sabbatarianism in England and Wales, 1600–1800 (Oxford: Clarendon Press, 1994). Ball, The Seventh-day Men, p. 122–123. Por fim, Hannah juntou-se aos quakers. A Pro Nobis Editora nasceu da visão de servir à igreja brasileira mediante a literatura cristã de qualidade. O ministério da Pro Nobis tem por alvo especial ajudar os batistas brasileiros na missão de edificar a igreja e anunciar o Evangelho ao mundo. Para tanto, o conhecimento de suas raízes históricas e herança teológica é fundamental. Existem excelentes editoras evangélicas no Brasil, com as quais juntamos forças nesse trabalho de servir ao povo de Deus. Mas por que Pro Nobis? Trata-se de uma expressão em latim que significa POR NÓS. Na tradição cristã, essa expressão se relaciona com a obra de Jesus Cristo em nosso favor. A cruz é o símbolo maior e mais sublime da é cristã, o coração do Evangelho. O Deus Trino fez uma aliança de redenção em favor de seu povo eleito, salvo pelo sangue do Cordeiro. Nosso alvo é edificar a igreja para que ela prossiga na missão de proclamar “o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo” (Ef. 3.8). Acesse o site e acompanhe nosso ministério: www.pronobiseditora.com.br Sumário Prefácio Carta ao leitor Conclusão