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Vejamos os seis estilos de liderança encontrados na pesquisa. Os líderes visionários são aqueles que envolvem e direcionam as pessoas na direção de uma visão. Também as capacitam para que possam conquistar a visão compartilhada. Tudo isso gera uma atmosfera altamente favorável à coerência grupal, na qual cada pessoa tem contribuição muito valiosa para que a meta seja alcançada. O estudo comentado sugere que o estilo visionário é o mais eficaz de todos, influenciando positivamente cada aspecto do clima. Por outro lado, por mais poderoso que seja esse estilo, não terá efeito em todas as situações. Se, por exemplo, estiver trabalhando com uma equipe de especialistas tão ou mais competentes do que ele, esse tipo de liderança poderá parecer pretensiosa. Outro risco desse estilo ocorre quando um líder se torna dominador, podendo prejudicar o espírito igualitário, característico a uma equipe eficaz (Ghadiri; Habermacher; Peters, 2012; Golemann, 2015). Líderes treinadores (coaching) preparam seus colaboradores para o futuro. Procuram conhecer e compreender os pontos fortes e fracos, otimizando as capacidades das pessoas. Acreditam nelas, delegam e lhe entregam responsabilidade: Os líderes assim ajudam os funcionários a identificarem suas forças e fraquezas únicas e as vinculam às suas aspirações pessoais e profissionais. Encorajam os funcionários a criarem metas de desenvolvimento de longo prazo e os ajudam a conceber um plano para atingi-las. Fazem acordos com seus funcionários sobre seus papéis e suas responsabilidades em cumprir planos de desenvolvimento e dão instruções e feedback abundantes. O líder treinador se distingue em delegar. Dão aos funcionários tarefas desafiadoras, ainda que signifique que estas não serão realizadas rapidamente. Em outras palavras, esses líderes estão dispostos a suportar o fracasso a curto prazo se isso estimula o aprendizado a longo prazo (Golemann, 2015, p. 21, 22). No estudo comentado, esse estilo de liderança é o mais raro. Líderes indicam que não conseguem ter tempo para desenvolver/ treinar individualmente seus funcionários e funcionárias. No entanto, o efeito desse estilo de liderança sobre o clima organizacional é muito positivo; após a primeira sessão, ultimamente mais demorada, esse estilo requer muito pouco tempo para a continuidade das atividades; dessa forma, não deveria ser ignorado, pois trata-se de uma poderosa ferramenta que otimiza o clima corporativo (Golemann, 2015). Líderes afetivos, ou liderança afiliativa, buscam criar vínculos emocionais com harmonia, para mobilizar as pessoas à colaboração em grupo. Buscam integrar impulsos emocionais internos para construir conexões interpessoais fortes, e com isso mobilizar e otimizar o desempenho das pessoas. O líder visionário fala “Venham comigo”, o afetivo afirma: “As pessoas vêm em primeiro lugar”. Ao valorizar as pessoas e suas emoções mais do que as próprias tarefas e objetivos, cria-se harmonia, pertencimento, o que estimula forte fidelidade. O resultado usualmente é muito positivo, não apenas do ponto de vista humano, como de resultados objetivos. Oferece liberdade para que as pessoas possam realizar as tarefas de formas variadas, e também oferece feedback amplo, frequente e positivo, recompensando e valorizando as atividades realizadas. Por valorizar as pessoas, seu feedback de aspectos “negativos” ou limitadores usualmente também é bem aceito, favorecendo o aprendizado e a melhoria constante. Interessante notar que, além de cuidar das pessoas, esse estilo de liderança também permite que líderes exponham a si próprios – por exemplo, suas emoções. Isso favorece ainda mais o clima de intimidade e de conexão emocional entre as pessoas. Como os demais estilos, ainda que seja muito positiva, a liderança afetiva não deve ser utilizada de forma isolada. Ela pode ser integrada ao estilo visionário, produzindo uma combinação muito eficaz (Ghadiri; Habermacher,; Peters, 2012; Golemann, 2015). Líderes democráticos, por meio de métodos participativos, valorizam e estimulam a integração das ideias e perspectivas de seus colaboradores, que são convidados a decidirem de forma democrática. Dessa forma, buscam aproximar o consenso do grupo às suas metas, num processo dialógico extremamente comunicativo (Ghadiri; Habermacher; Peters, 2012; Golemann, 2015). Ao dedicar tempo para ouvir as ideias e obter a adesão das pessoas, um líder desenvolve confiança, respeito e compromisso. Ao deixar que os próprios trabalhadores tenham influência nas decisões que afetam suas metas e como realizam o trabalho, o líder democrático aumenta a flexibilidade e responsabilidade. E ao ouvir as preocupações dos funcionários, o líder democrático aprende o que fazer para manter o moral elevado. Finalmente, por terem influência na definição de suas metas e dos padrões para avaliar o sucesso, as pessoas num sistema democrático tendem a ser bem realistas sobre o que pode ou não ser alcançado (Golemann, 2015, p. 24). Como os demais estilos, a perspectiva democrática também traz desvantagens, em particular seu efeito sobre o clima organizacional, que pode não ser tão positivo como em outras perspectivas. Uma dessas situações diz respeito às reuniões frequentes, nas quais existe dificuldade de chegar a um consenso, e novas reuniões são marcadas. Nesses casos, o resultado pode ser confuso e desnorteante para a equipe, podendo inclusive gerar conflitos. Outra limitação ocorre quando os colaboradores não são competentes ou informados no nível adequado. Por vezes, momentos de crise podem também ser desfavoráveis à obtenção de consenso, para os quais um líder visionário pode ser mais oportuno, ao menos até a superação inicial da situação (Golemann, 2015). Líderes modeladores elaboram metas desafiadoras, padrões de desempenho elevados, dando seu próprio exemplo como referência. Buscam fazer as coisas de forma ótima e rápida. Estimulam, ajudam e cobram essa excelência de seus colaboradores e colaboradoras. São exigentes, esperam excelência e, por meio de seu estilo participativo, evocam emoções para criar motivação. “Se eles não correspondem às expectativas, são substituídos por pessoas que correspondem” (Golemann, 2015, p. 25). Esse estilo precisa ser usado com muita moderação, visto seu potencial para destruir o clima corporativo e, consequentemente, não apresentar os resultados desejados (Golemann, 2015). Muitos funcionários se sentem esmagados pelas exigências de excelência do modelador, e seu moral cai. As diretrizes do trabalho podem estar claras na cabeça do líder, mas ele não as enuncia claramente, espera que as pessoas saibam o que fazer e até pensa: “Se eu tenho que explicar, você é a pessoa errada para o serviço.” O trabalho não consiste em dar o melhor de si ao longo de um caminho claro, e sim em adivinhar o que o líder quer. Ao mesmo tempo, as pessoas muitas vezes sentem que o modelador não tem confiança para deixar que trabalhem da sua própria maneira ou tomem iniciativas. A flexibilidade e responsabilidade evaporam. O trabalho fica tão voltado às tarefas e marcado pela rotina que se torna tedioso. Quanto às recompensas, o modelador não dá feedback sobre o desempenho das pessoas e intervém para assumir o controle quando acha que estão ficando para trás. E se o líder tiver de se afastar, as pessoas se sentem perdidas, pois estão acostumadas com “o expert” definindo as regras. Finalmente, o empenho cai sob o regime de um líder modelador, porque as pessoas não têm noção de como seus esforços pessoais se encaixam no quadro mais amplo (Golemann, 2015, p. 25). Essa perspectiva pode funcionar de forma eficaz quando a equipe é altamente competente e motivada, necessitando de pouca orientação e coordenação. Como os demais estilos, é interessante que este também não seja utilizado de forma isolada (Golemann, 2015). Líderes coercitivos, ou liderança de comando, refere-se ao comandante forte que assume o poder e fornece instruçõesclaras e diretas. Informa sobre as ações que devem ser realizadas, sobre o tempo previsto e a qualidade esperada. Como pode ser deduzido, esse estilo de liderança pode ser visto como frio e distante, podendo facilmente prejudicar o clima corporativo. Por essa razão, esse é o estilo menos eficaz dentre todos (Ghadiri; Habermacher; Peters, 2012; Golemann, 2015). O conselho diretor trouxe um novo CEO com a reputação de ser um artista da reviravolta. Ele começou a trabalhar cortando cargos, desfazendo-se de divisões e tomando as decisões duras que deveriam ter sido executadas anos antes. A empresa se salvou, ao menos no curto prazo. Desde o princípio, porém, o CEO criou um reinado do terror, intimidando e humilhando seus executivos, apregoando sua insatisfação ao menor deslize. Os altos escalões da empresa foram dizimados não apenas por suas demissões arbitrárias, mas também por deserções. Os subordinados diretos do CEO, assustados com sua tendência de culpar o portador de más notícias, pararam de trazer quaisquer notícias para ele. O moral atingiu seu ponto mais baixo — fato refletido em outra retração da empresa após a recuperação de curto prazo. O CEO acabou sendo demitido pela diretoria (Golemann, 2015, p. 26). No próximo post colocarei a tabela com como ele repercute , os impactos no clima e o quanto é apropriado