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DISCIPLINA: 
APRENDIZAGEM, CURRÍCULO, CULTURA E 
CONHECIMENTO ESCOLAR.
Capítulo II - CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
 A aprendizagem escolar está diretamente vinculada ao currículo, 
organizado para orientar, dentre outros, os diversos níveis de 
ensino e as ações docentes. 
 O currículo exprime e busca concretizar as intenções dos 
sistemas educacionais e o plano cultural que eles personalizam 
(no âmbito das instituições escolares) como modelo ideal de 
escola defendido pela sociedade. 
 O currículo é construído a partir do projeto pedagógico da 
escola e viabilizam a sua operacionalização, orientando as 
atividades educativas, as formas de executá-las e definindo 
suas finalidades. Assim, pode ser visto como um guia 
sugerido sobre o que, quando e como ensinar; o que, como 
e quando avaliar.
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
 A concepção de currículo inclui, portanto, desde os aspectos 
básicos que envolvem os fundamentos filosóficos e sociopolíticos 
da educação até os marcos teóricos e referenciais técnicos e 
tecnológicos que a concretizam na sala de aula. 
 Relacionam princípios e operacionalização, teoria e prática, 
planejamento e ação. 
 A escola que é para todos requer uma dinamicidade curricular que 
permita ajustar o fazer pedagógico às necessidades dos alunos. Ver 
as necessidades especiais dos alunos atendidas no âmbito da 
escola regular requer que os sistemas educacionais modifiquem, 
não apenas as suas atitudes e expectativas em relação a esses 
alunos, mas, também, que se organizem para constituir uma real 
escola para todos, que dê conta dessas especificidades.
 O projeto pedagógico da escola, como ponto de referência para 
definir a prática escolar, deve orientar a operacionalização do 
currículo, como um recurso para promover o desenvolvimento e a 
aprendizagem dos alunos. 

CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
 DIFERENTES CONCEPÇÕES CURRICULARES: 
- A Escola é a instituição que possui, por excelência, dentro de 
uma sociedade, as funções de socialização, formação, geração 
e propagação do conhecimento. 
- Século XX, termo: currículo passa a designar aspectos 
fundamentais do planejamento e organização da atuação 
pedagógica nas instituições escolares. Nele estão presentes os 
saberes selecionados e o grau de importância dos mesmos, 
através da carga horária. 
- Os conhecimentos são organizados de acordo com os 
propósitos da sociedade, com as orientações oficiais e com as 
intenções da escola para o desenvolvimento. 
- A gestão do currículo, por exemplo, é uma das esferas de 
atuação da gestão escolar, acompanhando desde as instâncias 
de regulação até o acontecer do currículo no cotidiano da 
instituição.
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
- Os sentidos tão variados atribuídos ao currículo estão 
relacionados à determinadas formas de pensar a função social 
da escola e à própria origem do termo. 
 A POLISSEMIA DA PALAVRA “CURRÍCULO”
- O conceito de currículo é de difícil definição, haja vista sua 
própria etimologia. Currículo vem do latim curriculum, que possui 
vários sentidos: corrida, lugar onde se corre, carreira, liça, 
hipódromo, carro usado nos jogos do circo, proveniente do 
verbo latino currere (correr, enquanto verbo intransitivo; 
percorrer, enquanto verbo transitivo).
- Para além de sua curiosidade fonológica ou até filológica, 
permite-nos verificar, por sua raiz etimológica, duas idéias 
centrais: a de uma totalidade seqüenciada. Como propõe 
Macedo (2007), fazendo referência ao estudioso português José 
Pacheco: “o lexema currículo, proveniente do étimo latino 
currere, significa caminho, jornada, trajetória, percurso a seguir 
e encerra, por isso, duas idéias principais: uma de seqüência 
ordenada, outra de noção de totalidade de estudos”.
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
- O currículo sempre foi visto como um meio importante para a 
compreensão e organização do processo educativo, mesmo 
antes de se constituir em objeto de estudo de uma 
especialização do conhecimento pedagógico. 
- A própria definição de currículos nacionais e a busca de estudos 
para orientar a prática educacional só vieram a surgir, 
entretanto, no final do século XIX e no início deste, nos Estados 
Unidos, por meio de um tratamento mais sistemático aos 
problemas e questões curriculares, por parte dos educadores. 
Estas iniciativas e estudos configuraram o surgimento, em um 
curto espaço de tempo, de um novo campo, campo teórico do 
currículo. 
- Organizar o currículo e conferir-lhe características de ordem, 
racionalidade e eficiência era indispensável. Ao conceberem as 
escolas do sistema de ensino como empresas, os primeiros 
teóricos elegem a “eficiência” como estratégia principal. 
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
- Bobbit, (1918), transfere o modelo de organização de Frederick 
Taylor para a escola, que deveria agora funcionar de acordo com os 
princípios da administração científica, necessitando, pois, do 
estabelecimento de padrões. 
- Em 1949, este modelo adquire hegemonia no campo curricular 
norte americano e influencia o Brasil. Ainda que hegemônica essa 
concepção encontra se o objeto incorporado não é válido.como 
contraponto teóricos considerados progressistas. John Dewey é o 
grande representante e influenciador dos estudos que defendiam a 
elaboração de um currículo que valorizasse o interesse e 
experiências dos alunos, mais voltada aos princípios democráticos. 
Como sintetiza bem esta citação:
“tanto o modelo tecnocrático de Bobbitt e Tyler, quanto o 
progressista, de Dewey constituíram se em rações ao currículo 
clássico, humanista, que priorizava o repertório das grandes obras 
literárias e artísticas das heranças clássicas grega e latina. Ambas 
as vertentes contestatórias ao currículo clássico surgiram no 
contexto da ampliação da educação de massas.” (SILVA apud 
HIDALGO, 2008, p.48)
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
 AS TEORIAS CRÍTICAS surgem já na década de 1960, com 
profundas alterações nos fundamentos da teoria tradicional, que 
passa a ser questionada com a emergência dos movimentos sociais 
e culturais mundiais de contestação política e de denúncias ao 
capitalismo. Há um questionamento político do papel da educação 
na sociedade. 
- No momento inicial, entretanto, houve uma “ênfase na estrutura, 
bastante associada ao nome de Jerome Bruner” o que “levantou 
críticas e parece não ter contribuído, de fato, para a revolução 
pedagógica que se pretendeu desenvolver a partir das propostas e 
reformas curriculares.” (MOREIRA, 1995, p. 13) 
- A partir desta perspectiva surgem diversas correntes, com o 
objetivo de reconceituar o campo de estudo. Com as denúncias 
formuladas acerca do caráter reprodutivista da educação, iniciadas 
com Althusser (1983), passando por Bourdieu e Passeron (1982) e 
Baudelot e Establet (1976), na França, assim como no 
interacionismo simbólico, que via com outros olhos as trocas 
simbólicas realizadas pelos indivíduos nas diversas práticas sociais, 
estudiosos de currículo se organizaram em seus posicionamentos 
críticos. 
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
- Os processos de acesso e distribuição da educação não 
deveriam depender da análise da forma e conteúdo do currículo, 
pois se partindo do pressuposto de que o conhecimento é 
socialmente produzido e por conseqüência, estratificado nas 
instâncias de produção, distribuição e seleção, o processo de 
seleção de conhecimentos curriculares é considerado como 
definidor do fracasso ou do sucesso na escola. 
- Por este motivo a grande preocupação de Young em seus 
estudos iniciais é a forma como o conhecimento chega à escola 
e ao aluno, criticando a distância que se verifica entre o 
conhecimento acadêmico e o conhecimento trabalhado pelo 
professor em sala de aula, bem como as fronteiras arbitrárias 
entre as disciplinas do currículo. Esses dois movimentos, 
embora repletos de diferenças, tinham a mesma compreensão 
de que nenhuma teoria é neutra e sim implicada em relações de 
poder. 
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
 AS CONCEPÇÕES DE ORGANIZAÇÃOCURRICULAR: 
- Uma breve passagem pelos princípios subjacentes ao modo de 
organização curricular, que conseqüentemente estão relacionados 
àquelas abordagens teóricas (LOPES 2008), faz um estudo histórico 
do currículo, através de seus conceitos veiculados pelos teóricos aqui 
já mencionados focalizando a questão da organização curricular, que 
nos três tipos de organização que serão vistos neste capítulo, têm por 
base uma perspectiva integradora, diferentemente da proposta da 
teoria crítica.
- O currículo por competências é pautado na tradição teórica de Bobbit, 
Charters e Tyler, havendo em comum a estreita relação entre currículo 
e mundo produtivo, visando à eficiência do processo educacional, que 
deve estar adequada aos interesses da sociedade e ao controle do 
trabalho docente. Nesta perspectiva, deve haver uma definição precisa 
dos objetivos a serem implementados, estes normalmente são 
objetivos comportamentais. Assim, desconsidera-se que os fins 
educacionais sejam estabelecidos no desenvolvimento das atividades 
curriculares, por exemplo. 
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
- Há uma definição dos objetivos baseada em uma concepção empírico 
positivista de ciência, desta maneira permitindo a definição prévia de 
um caráter comportamental do aluno, que é tido como expressão 
objetiva, sem ambigüidades. É garantida assim a possibilidade de 
avaliação da eficiência do processo. A estrutura curricular pode ser 
compreendida, nesta visão, como uma forma de organização que 
“...não tem centralidade no conhecimento e nas disciplinas escolares, 
pois estes são subsumidos às competências, às habilidades e às 
tecnologias a serem adquiridas pelos alunos. Ainda que muitas vezes 
as competências funcionem a serviço do ensino das disciplinas 
acadêmicas. 
 CURRÍCULO CENTRADO NAS DISCIPLINAS DE REFERÊNCIA
- Este modo de organização é veiculado ao modelo de ensino 
tradicional. “O maior objetivo da educação é a formação do caráter –
um empreendimento moral -, pelo desenvolvimento de um ser erudito, 
capaz de fazer julgamentos sobre o certo e o errado... Instrução é 
educação com objetivo de introduzir as crianças e os jovens naqueles 
princípios éticos exemplificados pela conduta moral de grandes figuras 
do passado.” (Ibid, p.69). 
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
- Em Hebert podemos ver como princípios de organização curricular: a 
concentração (localizar uma disciplina como história ou literatura no 
interior do currículo) e a correlação de todas as matérias. O autor 
herbatiano Garmo, por exemplo, defende ser a correlação das 
disciplinas escolares preferível à concentração em uma matéria ou 
tópico, pois quando uma matéria é subordinada a outra pode perder 
sua identidade. Esta visão permanece nos dias de hoje, ao falar-se em 
interdisciplinaridade, pois os herbatianos trabalham para estabelecer 
relações entre as disciplinas escolares, não se limitado à sua 
compartimentação. 
- No Currículo centrado nas disciplinas ou matérias escolares e 
organização curricular podemos incluir Dewey, Decroly, Kilpatrick e, de 
maneira geral, todos os autores progressivistas, a despeito das 
diferenças entre eles. Aqui, a organização curricular tem por base as 
disciplinas escolares definidas em função das finalidades sociais a 
serem atendidas. Estas finalidades são concebidas não em função das 
disciplinas de referência ou das finalidades sociais do mundo produtivo 
ou do sistema social vigente, como no caso dos currículos por 
competência ou por referência.
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
- A idéia central do pensamento de Dewey é a de que o currículo 
deve ser composto de atividades que desenvolvam a vida social 
e comunitária, estando o currículo ligado à realidade do aluno, 
não como um anexo externo à sua vida. 
- As disciplinas escolares são entendidas como distintas das 
finalidades sociais das disciplinas de referência, os princípios 
integradores não são pautados no conhecimento científico, mas 
no próprio conhecimento escolar. Os princípios psicológicos é 
que fornecem o subsídio para a organização curricular, sendo a 
integração pensada de acordo com os princípios derivados das 
experiências e interesses dos alunos. 
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
 Considerações: 
- As mudanças legais e as políticas educacionais, as quais norteiam 
o sistema educacional envolvem uma série de questões, com as 
quais se relacionam; como os partidos políticos, a interferência de 
organismos internacionais, as questões mercadológicas, a própria 
revolução científica e tecnológica e a globalização, em geral, que 
entre outros processos, a Escola reflete e ao mesmo tempo injetada 
para sociedade . 
- É possível que a Escola auxilie nesta demanda da sociedade, 
afinal, as pessoas precisam desempenhar funções laborais na 
sociedade para sobreviver. O primordial é que não se deixe de lado 
o papel indelegável da Escola: a instrução. E esta não deve ser 
reduzida em prol da preparação para o mercado de trabalho. Há 
que se formar pessoas, e não máquinas. Só assim ocorrerá uma 
efetiva melhoria das condições de vida da população, com mais 
acesso à informação, noções dos direitos e deveres e diminuição 
das desigualdades sociais.
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
- Evoluiu-se muito no campo educacional, no Brasil, mas como 
um país novo, muito há que se fazer, afinal, do período da 
LDB/1961 até a instauração da constituição de 1988, que previu 
a LDB de 1996, houve um período de estagnação em todos os 
setores do país, inclusive da educação. Como analisado até 
aqui, o currículo, de acordo com todo o conjunto de 
conhecimento construído em torno do termo, e em especial, a 
partir da Teoria Crítica, não pode mais ser concebido pelo 
docente como uma construção objetiva, inocente e meramente 
técnica. 
- Ao atuar em sala de aula o professor deve ter em mente que 
aqueles conhecimentos não são somente objeto da transmissão 
dos conhecimentos acumulados e validados pela ciência, são 
contextualizados e produzem relações de poder da Escola para 
a Sociedade, assim como da Sociedade para a Escola
CONCEPÇÕES DE CURRÍCULO
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