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LISTA DE EXERCÍCIOS: REVISÃO DOS 84 DIAS – CONCEITOS HISTÓRICOS TEMAS ABORDADOS AULA 01 – O QUE É HISTÓRIA? AULA 02 – CONCEITOS FUNDANTES DA HISTÓRIA. AULA 03 – MEMÓRIA, IDENTIDADE E CULTURA. AULA 04 – PATRIMÔNIO HISTÓRICO. 1. (Enem 2012) As mulheres quebradeiras de coco-babaçu dos Estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins, na sua grande maioria, vivem numa situação de exclusão e subalternidade. O termo quebradeira de coco assume o caráter de identidade coletiva na medida em que as mulheres que sobrevivem dessa atividade e reconhecem sua posição e condição desvalorizada pela lógica da dominação, se organizam em movimentos de resistência e de luta pela conquista da terra, pela libertação dos babaçuais, pela autonomia do processo produtivo. Passam a atribuir significados ao seu trabalho e as suas experiências, tendo como principal referência sua condição preexistente de acesso e uso dos recursos naturais. ROCHA, M. R. T. A luta das mulheres quebradeiras de coco-babaçu, pela libertação do coco preso e pela posse da terra. In: Anais do VII Congresso Latino-Americano de Sociologia Rural, Quito, 2006 (adaptado). A organização do movimento das quebradeiras de coco de babaçu é resultante da A) constante violência nos babaçuais na confluência de terras maranhenses, piauienses, paraenses e tocantinenses, região com elevado índice de homicídios. B) falta de identidade coletiva das trabalhadoras, migrantes das cidades e com pouco vínculo histórico com as áreas rurais do interior do Tocantins, Pará, Maranhão e Piauí. C) escassez de água nas regiões de veredas, ambientes naturais dos babaçus, causada pela construção de açudes particulares, impedindo o amplo acesso público aos recursos hídricos. D) progressiva devastação das matas dos cocais, em função do avanço da sojicultura nos chapadões do Meio-Norte brasileiro. E) dificuldade imposta pelos fazendeiros e posseiros no acesso aos babaçuais localizados no interior de suas propriedades. 2. (Enem 2016) Texto I Documentos do século XVI algumas vezes se referem aos habitantes indígenas como “os brasis”, ou “gente brasília” e, ocasionalmente no século XVII, o termo “brasileiro” era a eles aplicado, mas as referências ao status econômico e jurídico desses eram muito mais populares. Assim, os termos “negro da terra” e “índios” eram utilizados com mais frequência do que qualquer outro. SCHWARTZ, S. B. Gente da terra braziliense da nação. Pensando o Brasil: a construção de um povo. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac, 2000 (adaptado). Texto II Índio é um conceito construído no processo de conquista da América pelos europeus. Desinteressados pela diversidade cultural, imbuídos de forte preconceito para com o outro, o indivíduo de outras culturas, espanhóis, portugueses, franceses e anglo-saxões terminaram por denominar da mesma forma povos tão díspares quanto os tupinambás e os astecas. SILVA, K. V.; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2005. Ao comparar os textos, as formas de designação dos grupos nativos pelos europeus, durante o período analisado, são reveladoras da A) concepção idealizada do território, entendido como geograficamente indiferenciado. B) percepção corrente de uma ancestralidade comum às populações ameríndias. C) compreensão etnocêntrica acerca das populações dos territórios conquistados. D) transposição direta das categorias originadas no imaginário medieval. E) visão utópica configurada a partir de fantasias de riqueza. 3. (Enem 2013) TEXTO I Ela acorda tarde depois de ter ido ao teatro e à dança; ela lê romances, além de desperdiçar o tempo a olhar para a rua da sua janela ou da sua varanda; passa horas no toucador a arrumar o seu complicado penteado; um número igual de horas praticando piano e mais outra na sua aula de francês ou de dança. Comentário do Padre Lopes da Gama acerca dos costumes femininos [1839] apud SILVA, T. V. Z.Mulheres, cultura e literatura brasileira. Ipotesi — Revista dos Estudos Literários, Juiz de Fora, v. 2. n. 2, 1998. TEXTO II As janelas e portas gradeadas com treliças não eram cadeias confessas, positivas; mas eram, pelo aspecto e pelo seu destino, grande gaiolas, onde os pais e maridos zelavam, sonegadas à sociedade, as filhas e as esposas. MACEDO, J.M. “Memória da Rua do Ouvidor [1878]”. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 20 maio 2013 (adaptado). A representação social do feminino comum aos dois textos é o(a) A) submissão de gênero, apoiada pela concepção patriarcal de família. B) acesso aos produtos de beleza, decorrência da abertura dos portos. C) ampliação do espaço de entretenimento, voltado às distintas classes sociais. D) proteção da honra, medida pela disputa masculina em relação às damas da corte. E) valorização do casamento cristão, respaldado pelos interesses vinculados à herança. 4. (Upe-ssa 1 2016) A destruição, que alguns grupos radicais islâmicos vêm fazendo nas últimas décadas, parece fazer parte de uma estratégia de anulação da memória coletiva, como se, ao fazerem isso, estivessem a consolidar essa ideia peregrina de que são os escolhidos que foram para uma missão verdadeiramente civilizadora, pretendendo apagar o passado, primeiro instrumento que nos faculta aceder à capacidade crítica. E esse é o medo dessa gente: que aqueles que são dominados olhem para as estátuas agora quebradas dessas salas de memória e questionem a legitimidade de quem os pretende dominar. PINTO, Paulo Mendes. O Direito à Memória, ou quando do alto destas pirâmides, 40 séculos de História nos contemplam! Lisboa: O Público, 2015. (Adaptado) Dessa forma, é CORRETO afirmar que a destruição de ruínas antigas A) é uma obrigação religiosa islâmica, e os grupos radicais apenas cumprem com seus deveres de fé. B) não representa nenhuma ameaça à nossa compreensão de História. São apenas pedras. C) é uma obrigação civilizatória na qual os grupos radicais se empenham. D) mostra como a Antiguidade permanece presente na construção de nossa memória coletiva. E) é um objeto de preocupação apenas para os cidadãos dos países onde os atentados estão ocorrendo. 5. (Upe-ssa 1 2016) A Europa é uma criação feita diante do outro. Suas fronteiras são culturais e se opõem em três ao que não é Europa: a Ásia, os Árabes, que assediam a Europa, primeira frente antieuropeia; o ‘leste’ sempre indefinido; e finalmente o Oceano”. FEBVRE, Lucien. A Europa – gênese de uma civilização. Bauru: Edusc, 2004, p. 118-121. (Adaptado) O trecho acima representa certa historiografia europeia, que se caracteriza pelo A) Multiculturalismo – valoriza as contribuições das diversas populações na criação da civilização europeia. B) Orientalismo – entende o Oriente como uma criação pacífica e igualitária do Ocidente. C) Eurocentrismo – entende a Europa como centro da civilização, ameaçada pela barbárie e obrigada a expandir os limites da Humanidade. D) Humanismo – percebe uma mesma essência em todas as manifestações do gênio humano, disfarçada por elementos culturais diversos. E) Materialismo Histórico – privilegia os elementos econômicos sobre os culturais e políticos. RESOLUÇÕES Resposta da questão 1: [E] Questão bastante específica. As quebradeiras de coco se organizam para defender sua atividade produtiva dos fazendeiros e posseiros, que as impedem de continuar trabalhando. A grande questão desse conflito é a posse da terra em um contexto de dominação econômica. Resposta da questão 2: [C] Ao desprezarem a diversidade cultural indígena, os europeus que chegaram ao continente americano demonstram seu etnocentrismo, que se manifesta tanto na linguagem que utilizam,quanto nas atitudes que tomam nesses novos territórios. Resposta da questão 3: [A] [Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia] A alternativa [A] é a única correta. Os textos apresentam mulheres que não têm liberdade para de escolha, que vivem sob a tutela de seus pais ou maridos e que são educadas para os afazeres domésticos. Desta maneira, são relegadas a um regime de submissão de gênero, não tendo as mesmas possibilidades de inserção social que os homens. [Resposta do ponto de vista da disciplina de História] O Patriarcalismo, característica social que predominou na Europa até o século XIX e foi transferida para o Brasil Colonial, em especial na sociedade do açúcar, colocava o homem como centro da sociedade, relegando a mulher um papel secundário e submisso. Resposta da questão 4: [D] A questão aponta para a relação entre terrorismo e a memória histórica coletiva. Grupos radicais extremistas islâmicos têm cometido um verdadeiro atentado contra a memória ao destruir estátuas e imagens que remetem às civilizações antigas como estratégia para apagar o passado. Isso traz um prejuízo enorme para a humanidade por se tratar de um patrimônio histórico cultural da humanidade. Resposta da questão 5: [C] O texto do historiador Lucien Febvre possui um caráter etnocêntrico através de um olhar europeu. É uma visão ocidental que deita raízes na Grécia antiga quando surgiu a ideia de “bárbaro”, ou seja, bárbaro é todo aquele que não possui a cultura grega. O Eurocentrismo tem o mesmo viés, de conceber a Europa como o centro da civilização. Vale dizer que esta postura etnocêntrica-eurocêntrica está ultrapassada.